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R E V I S TA INFORMATIVO BIMESTRAL DO SINDICATO DOS ARMADORES E DAS INDÚSTRIAS DA PESCA DE ITAJAÍ E REGIÃO - SC

Rumos da Pesca no Brasil

NOVEMBRO/ DEZEMBRO 2015 ANO XIII NÚMERO 66


ÍNDICE

ÍNDICE 05

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Tragédia

Rumos da Pesca no Brasil

Reunião no MAPA

Imagem da Edição

Capa

Governo Federal

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Juliana Soares

Fim da MPA

Acontece no SINDIPI

Editorial

Setor

Entidade

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Jorge Neves

IFSC de Santa Catarina, exemplo para o Brasil

BKT dobra capacidade de armazenamento

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Comitiva OIE em Itajaí

Lei nº 6.960

Bottarga catarinense chega aos Estados Unidos

Palavra do Presidente

Setor

Qualificação

Legislação

Espaço Empresa

Novidades


EDITORIAL

REVISTA DO SINDIPI | EDITORIAL

Editorial

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São nas dificuldades e nos obstáculos que encontramos ao longo do caminho, que descobrimos o quanto somos fortes, e o quanto podemos e queremos. No último semestre de 2015, o Sindicato dos Armadores e das Indústrias de Pesca de Itajaí e Região – SINDIPI, conheceu o outro lado de sua fortaleza. No mês de outubro de 2015, a Polícia Federal deflagrou a Operação Enredados. A ação tinha como objetivo investigar fraudes nas liberações de licenças de pesca envolvendo funcionários públicos e representantes sindicais em todo o Brasil. Um dos alvos da investigação foi o SINDIPI. O presidente da entidade na época, Giovani Monteiro, foi levado pela Polícia Federal e, mais tarde, renunciou ao cargo para auxiliar nas investigações e apuração dos fatos. No lugar de Giovani, assumiu o armador de pesca Jorge Neves, com a missão de dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelo Sindicato junto às demandas dos associados e às reinvindicações do setor, em Brasília. O presidente com o perfil conciliador, cauteloso e com as qualidades de um gestor, foi reconhecendo o território e, aos poucos, trouxe de volta a serenidade abalada pela Operação Enredados. Foi em meio a estes impactos que a entidade conheceu o outro lado da fortaleza que mencionei no início do editorial. O SINDIPI sempre esteve presente

em momentos importantes e fortes do setor. Seus líderes sempre se colocaram à frente nas manifestações e mobilizações. Nunca presenciamos desta entidade, a negativa, a falta de participação, de representação, de voz junto aos seus pares. A Operação Enredados fortaleceu estes valores. No meio destes homens e mulheres que conhecem como ninguém as consequências de uma tempestade em alto mar, de uma pescaria de rede vazia, o SINDIPI se mostrou um gigante. Todos permaneceram unidos e escolheram continuar trabalhando e lutando pela pesca. Nesta edição da Revista, o editorial deu espaço para este breve relato de um momento difícil, mas ao mesmo tempo, de um momento onde mostramos o quanto o nosso setor é capaz. Se existem culpados ou não, isso não é tarefa do sindicato julgar. A entidade está aberta para auxiliar e sempre esteve, desde o início da Operação. O nosso papel é continuar trabalhando pelo desenvolvimento do setor, manter as nossas atividades, dar continuidade aos projetos, como a Revista SINDIPI por exemplo. Estamos aqui para trabalhar em prol da pesca. Desejo a todos uma excelente leitura e um 2016 repleto de paz, saúde e trabalho. Juliana Soares

EXPEDIENTE A Revista SINDIPI é uma publicação do Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região. DIRETORIA DO SINDIPI – Jorge Neves (presidente); Benício Silvestre Marques ( tesoureiro)

REVISÃO E CORREÇÃO ORTOGRÁFICA Fabiana Vieira

SEDE – Rua Lauro Muller, 386, Centro, Itajaí, Santa Catarina – CEP: 88301-400 Contato: Email: sindipi@sindipi.com.br

DIREÇÃO COMERCIAL – SINDIPI PUBLICIDADE Contato: (47) 3247 – 6700

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DESIGN GRÁFICO e DIAGRAMAÇÃO Ana Lúcia Dal Pizzol

IMPRESSÃO – Gandrei Gráfica e Editora - Indaial CIRCULAÇÃO – setor pesqueiro nacional, profissionais do setor, parlamentares, imprensa. As matérias jornalísticas e artigos assinados na Revista SINDIPI somente podem ser reproduzidos, parcial ou integralmente, mediante autorização da Diretoria. A Revista SINDIPI não se responsabiliza por conceitos emitidos em artigos assinados. Eles não representam necessariamente, a opinião da revista.


IMAGEM DA EDIÇÃO

REVISTA DO SINDIPI | IMAGEM DA EDIÇÃO

Imagem da edição

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Nesta edição da Revista SINDIPI foram selecionadas quatro fotos de uma das maiores tragédias humanas e ambientais já registradas no Brasil. O rompimento da barragem em Mariana MG carregou lama até os rios e causou a morte de centenas de peixes por asfixia. Imagens: Internet


PALAVRA DO PRESIDENTE

Palavra do Presidente REVISTA DO SINDIPI | PALAVRA DO PRESIDENTE

Prezados Associados e leitores

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E s t a é a m i n h a p r i m e i r a p a r t ic ip a ç ã o n a Rev ist a SI N DI PI c omo p r e side nt e, o que muito me org ulha. Quero iniciar este t e x t o a g r a d e c e n d o a a c ol h i d a , a u x í l io, compreensão e ajuda de todos nesse momento em que precisei assumir a cadeira de Líder do nosso Sindicato. Deixo aqui um agradecimento especial aos colaboradores desta entidade, que desde a minha chegada estiveram prontos para ajudar e cooperar. Aos Sócios, o meu muito obrigado pela conf iança e apoio. Tenho cer teza que juntos atingiremos nossos objetivos. 2015 foi um ano de surpresas para o nosso Si nd icato. Come ça mos o a no envolv idos em u m g rande movimento que repercutiu nacionalmente. Estivemos sempre presente nas pr incipais discussões e debates de interesse do Setor Pesqueiro Nacional. Fomos surpreendidos por uma operação da Policia Federal, que colocou o nosso Sindicato entre as entidades investigadas por envolvimento em fraudes referente a licenças de pesca. Acusações foram lançadas contra dirigentes de nosso Sindicato, que foram levados pela Pol ícia , e q ue a gor a , t e nt a m p rova r s u a inocência junto à justiça. O SINDIPI, como entidade representativa, acompanha de perto tod a essa i nvest igação. Como presidente desta instituição, espero que os fatos sejam esclarecidos e que a justiça seja feita. Enquanto isso, é preciso dar andamento à rotina do sindicato. O trabalho em prol dos armadores e empresários da pesca continua. O setor ainda tem muitas demandas aguardando definições. Reivindicações que pre cisa m se r al i n h a d a s e c ondu z id a s de forma coerente e cautelosa. Tenho a certeza que alcançaremos nossos objetivos sem que o

Sindicato precise ficar exposto a discussões e debates desnecessários. Acredito no diálogo, na cordialidade e na cooperação entre as entidades e instituições, sejam elas pr ivadas ou públicas. Vivemos um momento onde é preciso sentar à mesa e conversar, expor ideias e NÃO impor. A i mposição não é saud ável e muito menos simpática aos olhos dos outros. Nesta gestão, teremos o momento de falar e o momento de ouvir. Desta forma será possível chegar a um consenso que beneficie a nossa atividade e o nosso sindicato. Obr igado e desejo a todos um 2016 com muita Luz e Paz. Jorge Neves – Presidente do SINDIPI


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SETOR

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Comitiva OIE visita ItajaĂ­ Por Juliana Soares

Fotos: Juliana Soares


frigorífica adaptada para a comercialização de pescado, em várias regiões do Brasil. O caminhão do peixe integra o Programa Peixe nos Bairros, o qual cumpre semanalmente uma agenda de atendimento, facilitando o acesso da população a vários tipos de pescado. Logo depois, os membros da OIE visitaram a JS Pescado, empresa de Itajaí que oferece serviços de atracação, descarga e manipulação de pescado. No local, o grupo visitou uma embarcação que está em fase final de construção, e também teve acesso às normas de funcionamento da empresa e ao local onde o pescado é descarregado, para mais tarde ser levado à indústria para o processamento. A visita a JS Pescado durou aproximadamente uma hora, tempo suficiente para os questionamentos e esclarecimentos acerca das normas técnicas praticadas no Brasil. Na sequência, a comitiva visitou o Mercado Público de Itajaí. Os integrantes da OIE percorrem

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Três representantes da Organização Mundial de Saúde Animal (IOE) visitaram Itajaí no segundo semestre de 2015. A organização, criada em 1924, possui como meta melhorar a saúde animal em todo o mundo. Na cidade localizada no maior polo pesqueiro do Brasil, a comitiva composta por Ana Afonso, Keith Lar r y Ham mell e Niksi Bar isic foi recepcionada pelos representantes do Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região (SINDIPI), pelo Secretário da Pesca de Itajaí e pela diretoria do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Pesca de Santa Catarina (SITRAPESCA). Durante a permanência na cidade, a comitiva teve a chance de conhecer o caminhão do peixe. Esta visita decorreu de iniciativa do Ministério da Pesca e Aquicultura, que teve o seu projeto piloto desenvolvido na cidade de Itajaí no ano de 2010. Hoje existem 50 veículos com carroceria

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alguns boxes de venda de pescado, conversaram com os comerciantes e fizeram anotações sobre o funcionamento do local. Saindo do mercado público, eles se dirigiram até a sede do SINDIPI de Itajaí. No sindicato, o coordenador técnico do sindicato, Marco Aurélio Bailon e o representante da Câmara Setorial da Indústria do SINDIPI, Estevam Martins, foram os responsáveis pela recepção do grupo. Os membros da Organização Mundial de Saúde Animal assistiram a um vídeo institucional sobre a pesca industrial e a importância do polo pesqueiro catarinense no cenário nacional. Durante o tempo em que permaneceram no sindicato, os visitantes e os representantes do SINDIPI trocaram informações, discutiram sobre a realidade deste campo em outros países e expuseram as necessidades para a preservação, sustentabilidade e qualidade do pescado que se consome tanto no Brasil quanto internacionalmente. Além de Itajaí, a comitiva visitou os estados de Roraima, Amazonas, Pará, Maranhão, Paraná, Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. O relatório prévio destas visitas feitas com objetivo de avaliar a qualidade do serviço veterinário no país, foi apresentado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) antes que a comitiva deixasse o Brasil. Um documento final deve ser encaminhado ao Brasil nos próximos meses com a avaliação final da visita e, se for o caso, possíveis sugestões.


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SETOR

Ministério da Pesca é extinto e demandas do setor pesqueiro agora são responsabilidade do MAPA

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Em outubro de 2015, o setor pesqueiro do Brasil acompanhou o fim do Ministério da Pesca e Aquicultura. Em uma reforma ministerial realizada para cortar gastos e dar fôlego à máquina pública, o MPA foi extinto. A pasta, que neste período era comandada pelo agora Ministro dos Portos, Helder Barbalho, apesar de ter um dos menores orçamentos entre os ministérios, não foi poupada. Nos bastidores de Brasília, os boatos de que o MPA vivia em uma corda bamba eram comuns. Apesar desta instabilidade aparente em Brasília, para as entidades que integram o setor, o Ministério da Pesca vivia o seu melhor momento. A esperança de um novo tempo era

evidente entre as lideranças, comandantes e comandados pelo MPA. Promessas de investimentos, pesquisas, inovação, discussões baseadas em exemplos positivos e que deram certo fora do Brasil, eram colocadas em pauta durante as reuniões, que tinham como foco o crescimento e o desenvolvimento sustentável da pesca no país. Pela primeira vez em 6 anos de ministério, o setor produtivo ganhou espaço nos debates. A visibilidade e a representatividade perante o MPA eram claras e notórias. As demandas de quem vive e conhece a pesca foram ouvidas, expostas, discutidas e pontuadas. O perfil técnico tão desejado para atingir os níveis de


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pesquisa foi adotado pelo então Ministro Helder Barbalho, com a contratação de profissionais com experiência em pesquisa e conhecimento acadêmico. Mas a história construída para atender os anseios dos pescadores e aquicultores do Brasil retrocedeu. Com a extinção do MPA, a pesca volta a integrar o Ministério da Agricultura, comandado pela Ministra Kátia Abreu (PMDB). Uma decisão contestada pelo setor pesqueiro, o que se dá não em virtude da figura da Ministra, que hoje é tomada como referência no trabalho desenvolvido junto ao Ministério e visão de agronegócio. O que preocupa o setor é a falta de uma entidade própria, que possa atuar junto às demandas da pesca. O anúncio do fim do MPA gerou insatisfação entre as entidades representativas e políticos. Em um manifesto, o primeiro Secretário Especial de Aquicultura e Pesca, José Fritsch, lamentou a extinção do ministério e demonstrou preocupação com o rumo que a pesca e aquicultura devem tomar a partir de agora. No documento, Fritsch declara que o setor está sendo penalizado pela falta de informação acerca da importância da pesca para o Brasil. E deixa uma mensagem: “conclamo a todos os que juntos lutaram por essa bandeira que não abaixem suas cabeças, pois o símbolo da bandeira do Brasil no formato da cabeça de um peixe vai continuar a sua profecia dizendo: “BR ASIL O PAÍS DO PESCADO”.  José Fritsch -Primeiro | Outubro/2015. Para o deputado federal do PMDB de Santa Catarina, Mauro Mariani, a extinção do Ministério da Pesca é um retrato do momento pelo qual passa o Brasil. De acordo com o

parlamentar, uma estrutura em Brasília, específica para o setor pesqueiro, é fundamental para construção de políticas públicas de desenvolv imento. Por isso, no futuro, a retomada do Ministério da Pesca terá o apoio do deputado que reconhece a importância e representatividade de Santa Catarina na cadeia produtiva. “Santa Catarina mantém o posto de maior produtora de pescado e de maior polo pesqueiro industrial do Brasil. A Bancada Catarinense em Brasília, bem como o Governo do Estado, com certeza sempre apoiarão o setor em Santa Catarina. Eu mesmo faço questão de participar das agendas do SINDIPI sempre que posso, pois sei da importância e de como o setor é organizado na luta por suas bandeiras”. O também deputado federal por Santa Catarina, Rogério Peninha também lamenta o fim do MPA e destaca que hoje existe uma incerteza preocupante dos que pensam em investir no setor pesqueiro, uma vez que as políticas de fomento que pautarão este novo cenário ainda não estão claras.  Peninha, assim como outros integrantes da bancada catarinense em Brasília, acompanham as atividades ligadas ao setor. Devido a esta proximidade, o parlamentar esteve com a Ministra Kátia Abreu: “Estive reunido com a ministra para indagá-la a respeito das políticas que já estavam em andamento no MPA. Ouvi dela a garantia de que todos os esforços voltados à promoção da pesca e aquicultura continuarão sendo tocados na íntegra, sem qualquer risco de tirar o pé do acelerador. Ela advém do agronegócio, sabe quão importante é o setor pesqueiro para as divisas do país, e tenho confiança que fará um bom trabalho. Nossa preocupação tem fundamento, e por isso vou continuar acompanhando de perto cada passo do MAPA que diga respeito às atividades outrora ligadas ao Ministério da Pesca”, finalizou o deputado.  

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SETOR

Ministra ouve demandas de representantes da pesca e da aquicultura REVISTA DO SINDIPI | SETOR

Por: Assessoria de Imprensa do MAPA Fotos: MAPA

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A ministra Kátia Abreu (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) reuniu mais de 70 representantes da pesca, da aquicultura e da carcinicultura (criação de camarão) para ouvir as demandas do setor e discutir a adoção de medidas que visam a conferir maior competitividade ao setor, aumentando a produção de pescado e estimulando o consumo interno. Kátia Abreu dedicou o dia 26 de novembro de 2015 a uma ampla rodada de reuniões para conhecer melhor as necessidades dos criadores e elaborar projetos em benefício do setor. A ministra pretende dedicar atenção especial ao assunto neste momento em que a pesca e a aquicultura foram englobadas ao Ministério da Agricultura.  A fim de acompanhar de perto e em detalhes as atividades de cada setor, a ministra anunciou a criação de três câmaras setoriais, uma para a carcinicultura, uma para a pesca e outra para

a aquicultura. Futuramente, as três poderão se fundir.   Demandas O setor de pesca levou o pleito pela ampliação do prazo de um ano da renovação das licenças das embarcações e pediu maior agilidade na certif icação das exportações. Os criadores afirmaram que a pesca no Brasil carece de políticas estruturantes que a consolidem como uma atividade do agronegócio, com maior divulgação e incentivo ao Plano Safra da Pesca e Aquicultura e melhor ordenamento pesqueiro.  Já os representantes da aquicultura afirmaram que o maior gargalo é a regularização da atividade, o que implica dificuldade de acesso a crédito. Além disso, a cadeia de comercialização de


Competitividade Para Kátia Abreu, o país tem potencial para aumentar sua produção e passar de importador de pescado para grande exportador. “Temos 12% da água doce do planeta e 8,5 mil quilômetros de costa marítima, mas importamos peixe. Isso não pode ser aceitável. Podemos e devemos contornar

essa realidade”, disse aos criadores. O Ministério da Agricultura trabalhará em prol da competitividade do setor, com foco na desburocratização de processos, sanidade e inocuidade dos alimentos e pesquisa e inovação. “Queremos ser grandes produtores e exportadores de pescado, assim como já somos de outras proteínas animais. O caminho para isso é investir em defesa agropecuária, pesquisa e tecnologia e modernizar nossos processos”, afirmou Kátia Abreu.

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pescados no Brasil, de acordo com os criadores, é mal estruturada, impedindo o país de assumir o papel de grande produtor e exportador. O custo de produção é elevado e torna o produto nacional pouco competitivo frente aos impor tados, principalmente da Ásia. Novas reuniões serão marcadas a partir deste ano. “Vocês tenham certeza de que esse ministério está do lado de vocês, do lado da produção nacional e que faremos todo o possível para ajudar o setor. O Brasil tem pela frente um bonito desafio, que é alavancar a piscicultura”, disse.

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Capa

Análise da atuação do MPA

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O impacto de uma mudança surpreendente e radical é inevitável. Seja dentro da esfera pública ou privada, ela vai causar inconfor mismo, instabilidade e questionamentos. Assim foi com a extinção do Ministério da Pesca e, da mesma forma, com o retorno da atividade pesqueira aos cuidados do Ministério da Agricultura. Vive mos nos ú lt i mos me se s, i nú me r a s incertezas; muitas delas ainda pairam no ar, sem que se saiba como e quando serão resolvidas. Para quem vive e sobrevive da pesca no Brasil, o momento é de espera e, ao mesmo tempo, de muita expectativa. O que pode acontecer daqui pra frente? Quais são os rumos que esta atividade, que somente em Santa Catarina emprega mais de 60 mil pessoas direta e indiretamente, deve tomar a partir de agora?

Nesta edição da Revista SINDIPI, conversamos com o coordenador técnico do Sindicato dos Armadores e das Indústrias de Pesca de Itajaí e Região, o oceanógrafo Marco Aurélio Bailon. O coordenador técnico da entidade fez uma análise da atuação do Ministério da Pesca sobre seu papel durante o período em que este esteva em atuação, bem como sobre as perspectivas do setor referente ao Ministério da Agricultura – o qual possui um perfil histórico de sucesso no desenvolvimento de atividades, tais como o agronegócio. O oceanógrafo Marco Aurélio Bailon pontua e destaca pontos importantes e que precisam ser contemplados, a fim de que os envolvidos no setor compreendam quais os rumos a ser tomados pelo setor pesqueiro, a partir de agora.


INI 10/2011; estabeleceu-se a regulamentação e a c o n s e q u e nt e a c r i a ç ã o d o s C o m it ê s Permanentes de Gestão e Uso Sustentável de Recursos Pesqueiros - CPGs; estabeleceuse uma nova f ronteira ent re o radicalismo c o n s e r va d o r (e m p a r t e ju s t i f ic ável p el a falt a de i n for ma çõe s e i nve st i me nt os no conhecimento da dinâmica das pescarias) e se implantou um novo ritmo na abordagem e na solução de ga rgalos, até ent ão ditos i nsolúveis nas ad mi nist rações anter iores. Reivindicações que estavam paradas há mais de 6 anos tomaram um outro rumo”. É importante salientar também, durante este período, a valorização dada à participação da sociedade civil nas mais diversas questões relacionadas à atividade pesqueira. Através do CONAPE, o Conselho do MPA, formado por diversas instit uições e gover no, foram constituídos diversos e importantes gr upos de trabalho para a condução de políticas para o setor, como os GTs da Competitividade, Embarque Nessa, Formação e Capacitação do Pescador, Sanidade Pesqueira, entre outros”.

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Marco Aurélio Bailon: “O Ministério da Pesca e Aquicultura ( MAP), nos últimos 9 meses, até o dia da sua extinção em 15 de out ubro, v i n ha cu mpr i ndo o seu pap el e executando o seu trabalho. Sob a liderança do então Ministro Helder Barbalho, o MPA mudou radicalmente o t raçado político do ministério, fazendo com que a pasta atendesse à sua atividade fim, deixando de lado o perfil de ministério político, como vinha ocorrendo até então. A p ost u r a do t it u la r d a pa st a do M PA e m nomea r prof issionais capa cit a dos, reconhecidos e com um perf il técnico, fez c om q ue o m i n i s t é r io at u a s s e c om b a s e e m u m pla neja me nt o. P r i ncipal me nt e n a questão relativa ao ordenamento pesqueiro, proporcionando ao setor cont ar com a p e r sp e ct iva d a obt e nçã o de i n for m a çõe s científicas, estatísticas pesqueiras, visando implantar u m ordenamento pesqueiro que desse seg u r a nça ju r íd ica e ga r a nt isse d a sustentabilidade do setor. A e scol ha do nome do D r Fábio Ha z i n para assumir a Secretaria de Planejamento e Ordenamento da Pesca no MPA foi uma sábia e iluminada decisão. Fábio Hazin e sua equipe, em minha opinião, revolucionaram a maneira de fazer as coisas acontecerem. Com muita dedicação, competência e transparência, conseguiram reverter, em poucos meses, uma relação conf litante entre o Ministério do Meio Ambiente - MMA e o Ministério da Pesca, além de conquistar a confiança do setor. Discutiu-se a Portaria MMA nº 445/2014, de normativas emperradas como, por exemplo, a

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Cenário após a extinção do MPA

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Marco Aurélio Bailon: “As demandas do setor pesqueiro estão acumuladas, são situações consideradas de nível emergencial. Estas interferem na manutenção e viabilidade da atividade pesqueira, principalmente para a região sudeste/sul do Brasil, que na pesca industrial emprega nove modalidades de pescarias, onde as regulamentações existentes necessitam de contínuas avaliações. Nós temos nesta lista principalmente a IN1/2015, que foi uma instrução normativa que fez a alteração da IN10, e que vence no final deste ano. Isso preocupa demais o setor pesqueiro, pois ela veio atender à uma antiga reivindicação para a revisão da matriz de permissionamento pesqueiro. Existe também a IN12/2012, que regulamenta o tamanho das redes de malha, entre outras regulamentações, e que vem ocasionando, por falta da sua reavaliação, vários prejuízos para esta modalidade. A principal demanda, e que é fundamental para o setor, é a continuidade da implantação da gestão pesqueira no Brasil, uma vez que sem ela não se vai a lugar nenhum. A criação dos CPGs é um ponto importante, e que precisa ser contemplado nesta análise. O único CPG que realmente foi implantando, com exceção dos já existentes de atuns e da lagosta, foi o de Demersais, o qual levantou 41 encaminhamentos, com relação à demanda reprimida destes recursos. Ficamos ainda no aguardo da criação do CPGs de Pelágicos, o quais devem discutir medidas de ordenamento e planos de gestão para recursos como a tainha e sardinha, por exemplo. Este comitê, que atenderia uma significativa e importante fatia da cadeia produtiva da pesca industrial, por enquanto, não sabemos quando e se vai sair do papel. Fora isso, e de fundamental importância, estava a

reorganização da academia, onde cada CPG deveria contar com a participação de várias instituições de pesquisa para constituir os subcomitês científicos. Processo que foi totalmente interrompido. Finalizando, um dos mais significativos feitos desta gestão foi a alocação e a liberação de recursos financeiros no valor de R$ 12 milhões de reais para a pesquisa e promoção de gestão pesqueira. Isto também me preocupa, pois, o prazo para apresentação de projetos já terminou; algumas propostas de pesquisa foram apresentadas, mas a questão agora é saber como e quem será o responsável pela avaliação e coordenação destes projetos, já que a equipe constituída na época do MPA até o momento está desarticulada. A ausência destes profissionais dentro do processo, deve gerar a perda de todas as memórias debatidas e articuladas junto as discussões e debates.” destaca Marco Aurélio Bailon.


Qual o papel do Ministério do Meio Ambiente nesta transição Marco Aurélio Bailon: “Até o momento, nós não tivemos nenhuma informação ou manifestação por parte do Ministério do Meio Ambiente, em relação a estas mudanças radicais que aconteceram no plano da gestão conjunta. É fato que o MMA é corresponsável pela gestão pesqueira do Brasil. Existe uma articulação da sociedade civil junto ao MAPA; no Ministério da Agricultura, já acontece uma promoção de ações de retomada do processo. Mas o que me preocupa é esta ausência

do MMA. Eu entendo que a gestão pesqueira deve a c o n t e c e r d e u m a fo r m a p r io r it á r i a n o Ministério do Meio Ambiente, mas até agora não chegou até o setor nenhuma informação sobre a continuidade da gestão compartilhada, para dar andamento a todos os processos que foram iniciados no MPA. No momento em que o setor pesqueiro precisa e necessita de respostas sobre o futuro da gestão, eu percebo um silêncio por parte do Ministério do Meio Ambiente, em relação a este processo”.

Marco Aurélio Bailon: “Em audiência com a Ministra da Agricultura, Kátia Abreu, no mês de novembro, o setor apresentou as suas potencialidades, bem como os seus problemas. Neste encontro, inclusive, apresentamos para a ministra as prioridades e ações imediatas que o MAPA deveria tomar para com a pesca. A Ministra Katia, com seu dinamismo, foi sincera, proativa e taxativa, ao afirmar que o MAPA dará tratamento equitativo à pesca com relação as outras atividades do agronegócio, incluindo-a nos programas e projetos do ministério. A primeira providência da ministra ao ouvir o setor, foi criar uma câmara setorial da pesca e, paralelamente, outras três câmaras para beneficiar a aquicultura e a carcinicultura, garantindo, segundo a ministra, o melhor atendimento e

beneficiamento a estas atividades. Com isso, dentro da câmara setorial da pesca, o setor deve apresentar e elencar as principais necessidades, prioridades e soluções para a atividade. A portaria, criando as três câmaras setoriais, já foi publicada. Cabe ao setor pesqueiro e aquícola nacional, neste momento, organizar-se de forma a tirar o mel hor proveito d a const it uição dest as câmaras, bem como propor ao MAPA uma d i ret r i z que aponte não apena s polít ica s públicas para o setor, mas que desenvolva as ações necessárias para o seu desenvolvimento. O MPA vinha fazendo isso, as políticas estão definidas; o negócio é dar continuidade àquilo de bom que o MPA vinha fazendo, e embarcar no trem do agronegócio brasileiro”, finaliza Marco Aurélio Bailon.

REVISTA DO SINDIPI | CAPA

Setor Pesqueiro no MAPA o que podemos esperar?

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Gomes da Costa e a cidade de ItajaĂ­ unidos pela PaixĂŁo por Pescado.


Setor

IFSC de Santa Catarina, exemplo para o Brasil Campus de Itajaí é destaque pelo trabalho e desempenho junto à atividade pesqueira.

REVISTA DO SINDIPI | INFORME TÉCNICO

Por Juliana Soares – Fotos: Arquivo IFSC

A busca pela qualificação deixou de ser uma simples escolha e passou a ser uma necessidade para permanecer no mercado de trabalho. Não interessa o tipo de profissão, interessa o quanto você está pronto para exercê-la. Hoje inúmeros programas de qualificação e profissionalização são lançados pelo Governo, na tentativa de preparar o profissional para ingressar e se manter na atividade. Muitos não conseguem atingir os objetivos, outros são destaques e servem de modelo. Um destes modelos de investimento que deram certo funciona no maior polo pesqueiro

de Brasil, em Itajaí, Santa Catarina. O Instituto Federal de Santa Catarina – IFSC é responsável por cursos de qualificação para pescadores. Cursos que são certificados pela Marinha do Brasil, graças a um acordo de cooperação entre as duas entidades assinado em 2012. Depois de concluído o curso o pescador recebe a carteira de inscrição e o registro – CIR, documento necessário para que ele possa exercer a atividade em alto mar. Em todo o Brasil, além de Itajaí mais 9 IF´s são autorizados a disponibilizar essa formação. Uma formação que é dividida em níveis.

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Técnico e Emprego – PRONATEC. Em cada turma são aproximadamente 30 alunos e o resultado de que as coisas andam muito bem obrigada, está na fila de espera. Sempre faltam vagas para atender os interessados. Hoje existem aproximadamente 150 pessoas aguardando para ingressar nos cursos de qualificação. São pescadores de várias regiões do estado em busca de um conhecimento que a academia vem ajudando a suprir. Para o Diretor do Campus do IFSC em Itajaí, Carlos Alberto para a pesca se profissionalizar é preciso aumentar o grau de escolaridade destes trabalhadores. Este é o caminho de acordo com o gestor da unidade localizada no litoral norte do estado. “Para que isso aconteça é importante continuar ofertando os cursos técnicos, pensar também em cursos integrados, onde o aluno entra no Instituto para fazer o ensino médio e depois segue para um curso profissionalizante. E o curso superior também, que é uma demanda que existe,” desta Carlos Alberto.

REVISTA DO SINDIPI | SETOR

O primeiro é o POP nível 1 – para quem já é pescador e alfabetizado. Nesta modalidade, o primeiro curso foi realizado em maio de 2014. Na sequência, tem o POP nível 2 – para aqueles profissionais que concluíram o quinto ano. A primeira turma do nível dois aconteceu entre abril e maio do ano passado. Já o curso de PEP – que é o curso de pescador especializado para quem concluiu o ensino fundamental teve a sua primeira turma formada no segundo semestre deste ano. Cursos divididos em aulas teóricas e práticas, onde o profissional do mar aprende técnicas que vão melhorar o desempenho dentro da atividade. Na grade curricular estão disciplinas, como por exemplo: noções de atividades da pesca, sobrevivência, primeiros socorros, técnicas de salvatagem e combate a incêndio. Até agora mais 101 pescadores catarinenses participaram dos cursos de qualificação. A intenção do instituto. Cursos realizados por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino

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INOVAÇÃO NO POP NÍVEL 2 No ano de 2014 o Instituto Federal de Santa Catarina lançou um curso de POP Nível 2 na modalidade Proeja, realizado na cidade de Penha/SC. O curso é o primeiro do país e segundo o professor do Campus de Itajaí, BenjamimTeixeira esta modalidade proporciona aos pescadores u ma elevação no nível de escolaridade. “Eles tiveram a chance de em um

curso concluir o ensino fundamental, já que muitos tinham apenas o quinto ano e também tiraram a carteira de pescador profissional. O bacana desta modalidade é que as disciplinas de português, matemática e artes, por exemplo, eles aprenderam utilizando a rotina, a vivência da pesca. Então, teve uma interação, não foi uma coisa separada da outra”, explica Benjamim.


MESTRES EM SALA DE AULA

O ano de 2015 marcou um momento histórico dentro deste cronograma de cursos de preparação dos profissionais do mar. Além da modalidade oferecida em Penha, o IFSC também inovou para atender os mestres das embarcações. No primeiro semestre foi aberta a primeira turma de pescador especializado. Foram mais de 130 inscritos, para uma turma de 30 alunos. Para o professor Benjamim, o número de inscritos, mostra a importância do Instituto neste processo de preencher as lacunas deste processo de qualificação dos trabalhadores do mar. “Hoje estamos oferecendo muito mais do que aulas práticas ou teóricas. O que está sendo feito aqui em Santa Catarina, além de um trabalho de educação é um trabalho de inclusão social. Nós estamos levando dignidade para estes pescadores que estão trabalhando, muitas vezes sem a documentação necessária”, comenta Benjamim. O curso é bastante prático, são oferecidas aulas a bordo das embarcações, onde os mestres recebem orientações sobre técnicas de sobrevivência, combate a incêndios e primeiros socorros. O PEP é uma modalidade que tem como objetivo unir o conhecimento dos homens do mar, com dicas que podem melhorar o desempenho durante as pescarias. A professora Renata Acauan que integra o corpo docente dos cursos de qualificação para pescadores, responsável pelas aulas de noções de atividade da pesca, sobrevivência e salvatagem explica que o aproveitamento dos saberes trazido pelos mestres para dentro do curso é fundamental. Para Renata, não tem porque esta modalidade ter como foco o ensinar a pescar, já que eles têm esta vivência. A ideia aqui é agregar, oferecendo conhecimento

em novidades, como por exemplo, equipamentos de informáticas, software, dicas para traçar rumo em uma carta náutica. Além disso, Renata lembra que apesar de toda esta relação entre mestres e o mar, durante as aulas os bravos da navegação demostram fragilidades que precisam ser trabalhadas e superadas. “A gente nota que em alguns casos, estes profissionais não têm noção da utilização dos equipamentos de segurança por exemplo. Eles sabem que o material está na embarcação, mas não sabem como usar. Por falta de instrução ou muitas vezes usa da maneira errada. Outra curiosidade que a gente percebe durante o trabalho com a turma é o medo que alguns têm da água. Mesmo eles trabalhando em alto mar, é fácil a gente identificar pescadores com medo do mar. Uma fragilidade que nós precisamos trabalhar, já que para entrar no curso eles precisam passar por uma prova de natação. Situações que demostram, como é importante este curso de qualificação, para que eles saibam o que fazer no caso de um acidente”, conclui a professora. Esta modalidade de qualificação surgiu de um pedido feito pelo Sindicato dos Armadores e das Indústrias de Pesca de Itajaí e Região – SINDIPI. Um curso para suprir a necessidade de garantir aos comandantes das embarcações a documentação necessária para continuar atuando na atividade. Além da certificação, o contato com as disciplinas teóricas e as dicas dos professores nas aulas práticas, faz com que este se torne ainda mais eficiente na execução das tarefas em alto mar. A realização do PEP foi possível por meio de um acordo de cooperação entre o Ministério da Educação, Ministério da Pesca e Marinha.

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Curso direcionado para mestres de barcos é inédito no Brasil

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SINDIPI auxilia nas inscrições do Curso de PEP Este ano a Coordenadoria Técnica do SINDIPI ofereceu um diferencial para facilitar a rotina dos mestres de barcos interessados em frequentar o Curso de Pescador Profissional. Como o período

de inscrições aconteceu enquanto a maioria estava embarcada o CT do Sindicato recolheu previamente todos os documentos dos mestres e ficou responsável pela inscrição e entrega da documentação dos alunos.

Foram quase 15 horas de navegação entre Paranaguá no Paraná e Itajaí em Santa Catarina. A bordo do primeiro barco escola do Brasil estava uma tripulação formada por três exalunos do Instituto Federal de Santa Catarina que voluntariamente aceitaram trazer o barco até o estado catarinense e o professor do IFSC Benjamim Teixeira. O barco atracou na Capitania dos Portos de Itajaí às 20h do dia 24 de novembro. O barco escola foi construído por uma empresa do Paraná, vencedora da licitação e custou pouco mais de R$ 500 mil, recursos repassados pelo extinto Ministério da Pesca e Aquicultura. A embarcação no estilo Catamarã com dois cascos, 12 metros de comprimento por 6,5 metros de largura todo feito em fibra e com dois motores a diesel que serão usados nas aulas práticas.

A embarcação segundo o professor Benjamim será usada como uma sala de aula flutuante. Um espaço com a finalidade de atender os alunos dos cursos de pesca e os estudantes que integram o projeto aprendendo com o mar. Nas aulas práticas os alunos terão acesso a disciplinas sobre educação ambiental, ecossistemas marinhos, questões da pesca, sustentabilidade. Segundo o professor Benjamim para um trabalho em águas abrigadas dentro do Rio ou na beira da praia o barco escola tem capacidade para 30. Já para mar aberto até 40 quilômetros da costa a capacidade é para dez alunos e dois tripulantes. O barco escola é equipado com toda tecnologia de pesca, como por exemplo, GPS, ecosonda e rádios de longo e baixo alcance, uma estrutura para que os alunos possam aprender vivenciando a prática.

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Primeiro barco escola do Brasil

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Setor

O debate sobre a Lei nº 6.969

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Por Juliana Soares – Fotos: Juliana Soares

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Nos últimos meses, as principais regiões costeiras do Brasil passaram a integrar um roteiro de debates sobre um projeto de lei que pretende instituir uma Política Nacional para a Conservação e o Uso Sustentável do Bioma Marinho Brasileiro (PNCMar). O PL nº 6.969 foi apresentado em 2013, pelo atual Deputado Federal Sarney Filho do PV do Maranhão. O texto contempla dispositivos relativos ao sistema de planejamento que visa garantir a conservação e o uso sustentável dos

recursos pesqueiros e dos espaços marinhos. As chamadas audiências estaduais já foram realizadas na Bahia, Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro e, no mês de setembro, no estado de Santa Catarina. Os encontros estão sendo coordenados pela Fundação SOS Mata Atlântica. São convidados para as audiências representantes de diversos setores, entre eles o pesqueiro, pesquisadores e professores de universidades, estudantes, poderes público e judiciário. Aqui no estado de Santa


dos Armadores e das Indústrias de Pesca de Itajaí e Região (SINDIPI), Fernando das Neves, deixou claro que o projeto de lei, com o texto que foi apresentado e que está sendo analisado pela Comissão do Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, coloca em risco a manutenção da pesca no território brasileiro. “Para mim ficou claro, durante esta audiência, que a “Lei do Mar”, só visa a pesca. A proposta deste projeto de lei é atribuir todas as decisões do que vai acontecer no mar ou não para o Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA. Com isso, a lei nº 11.959, de junho de 2009, que estabelece a gestão conjunta, deixa de existir. Não é porque o Ministério da Pesca foi extinto, que essa regra será extinta. O gerenciamento da pesca agora é responsabilidade do Ministério da Agricultura; então, as decisões e as atribuições devem continuar respeitando o modelo de gestão compartilhada”, destaca Fernando. De acordo com a Consultora da Fundação

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Catarina, a audiência pública que versou sobre o projeto de lei, foi realizada no Plenarinho da Assembleia Legislativa em Florianópolis, no final do mês de setembro. O armador de pesca do SINDIPI, Fernando das Neves, foi o representante do setor pesqueiro industrial catarinense. Ao lado do armador de pesca, estavam o professor da Universidade do Vale do Itajaí, Marcos Polette; o professor da Universidade Federal de Santa Catarina, Milton Asmus; o professor Leopoldo Cavaleri, além de um representante do Ministério Público de Santa Catarina, um representante da Fundação do Meio Ambiente do Estado de Santa Catarina (FATMA) e outros profissionais com conhecimento na área de conservação, sustentabilidade e bioma marinho. O debate, que durou mais de três horas, serviu para que cada integrante da mesa tivesse a chance de expor as suas ideias sobre o Projeto de Lei, que ainda gera dúvidas e incertezas para boa parte dos envolvidos. O armador que integra o Sindicato

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SOS Mata Atlântica, Leandra Gonçalves, esta avaliação levantada pelo armador de pesca do sindicato foi questionada também em outros fóruns, e, inclusive, pela equipe da fundação. Para Leandra, “este ponto precisa ser avaliado pela consultoria legislativa da Câmara, pelos parlamentares, setor produtivo e pela sociedade civil, já que o instrumento de lei deve refletir essas ambições”, complementa a consultora. Leandra lembra que, durante as audiências, as críticas e sugestões são compiladas e, depois, encaminhadas para os deputados estaduais de cada estado. Por

fim, são enviadas como contribuição ao debate que acontece na Câmara Federal. Destas últimas audiências saíram considerações, e uma delas incluiu a possibilidade de que a lei não apresente capítulos específicos, como o que foi elaborado para o setor da pesca e sim, funcionar como um instrumento regulador e integrador das demais políticas. A PL nº 6.969/2013 foi apresentada em junho deste ano aos membros da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados e foi rejeitada. No mês de novembro de 2015 o Deputado Átila Lira apresentou um substitutivo que foi elaborado depois de inúmeras reuniões com representantes dos diversos setores interessados: governo, setores produtivos e sociedade civil, onde foram recebidas sugestões de aprimoramento. No substitutivo o deputado sugere a exclusão dos dispositivos que traziam a criação de câmaras técnicas e alterações na estrutura ou competências de órgãos da Administração Pública. Outro ponto é a retirada dos dispositivos que regulavam ou traziam princípios e diretrizes para implantação das normas, instrumentos e planos referentes aos recursos pesqueiros. Para o deputado a regulação neste caso está amplamente definida na Lei nº 11.959, de 29 de junho de 2009, que dispõe sobre Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura e da Pesca.


ENTIDADE

Acontece no SINDIPI Safra da Sardinha

Presidente do SINDIPI, Jorge Neves, participou de uma reunião no CONEPE - Conselho Nacional de Pesca e Aquicultura em Brasília. Durante o encontro que contou com a participação de outras entidades representativas do setor foi constituída uma comissão temporária que terá 180 dias para promover a reorganização do conselho.

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Armadores participaram na última semana do mês de dezembro de uma reunião na sede do Sindicato dos Armadores e das Indústrias de pesca para debater o futuro da safra da sardinha. Em pauta a reivindicação do Sindicato dos trabalhadores da pesca que questionam o valor pago pelo quilo da sardinha.

Reorganização do CONEPE

SINDIPI presente na 29º Marejada Aventura Pelos Mares do Mundo O Sindicato dos Armadores e das Indústrias de Pesca de Itajaí e Região – SINDIPI foi um dos apoiadores do espaço da Marinha do Brasil localizado na Marejada deste ano. Durante os dias de festa, realizada no começo do mês de novembro o Presidente do sindicato Jorge Neves, esteve na festa prestigiando o local.

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Assembleia geral reúne associados do SINDIPI A primeira assembleia geral convocada pelo presidente do SINDIPI, Jorge Neves contou com associados de várias cidades da região. Armadores e representantes das indústrias estiveram no auditório da entidade para dar as boas-vindas ao novo presidente. Durante a reunião, Jorge agradeceu o apoio dos companheiros de sindicato e explicou qual o perfil desta gestão durante os próximos meses.

Armadores podem pedir na justiça desoneração do FUNRURAL

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O pedido de desoneração do FUNRURAL será feito pelo escritório de advocacia que presta assistência jurídica para o Sindicato dos Armadores e das Indústrias de Pesca de Itajaí e Região – SINDIPI. Durante uma reunião no auditório do Sindicato, os associados foram orientados sobre o tema. O escritório que representa o Sindicato já ganhou na justiça uma ação de desoneração, a qual havia beneficiado à época cerca de 200 associados, que deixaram de pagar 2.1% do tributo (cobrado sobre o resultado bruto da comercialização rural), mantendo apenas o pagamento do SENAR, que é de 0,2%. A previsão é que esta segunda ação contemple 120 associados do Sindicato.

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Coordenadoria técnica do SINDIPI participa de reunião do CORBIO No mês de setembro de 2015 a oceanógrafa Paula Capozza Tebaldi Gerhardinger, da coordenadoria técnica do sindicato, participou de uma reunião do Conselho Consultivo da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo - CORBIO, realizada em Bombinhas. As reuniões acontecem trimestralmente, e servem para discutir ações que auxiliem na conservação da biodiversidade, dos processos ecológicos e dos ecossistemas da reserva.


Coordenador Técnico do SINDIPI participa de XIX Congresso Brasileiro de Engenharia de Pesca

do Brasil em conjunto com a Associação dos Engenheiros de Pesca do Estado do Maranhão AEP-MA, Federação Nacional dos Engenheiros de Pesca do Brasil - FAEP-BR e Associação Brasileira de Engenharia de Pesca – ABEP. O tema principal desta edição do congresso foi “Engenharia de Pesca: Transformando os Recursos Aquáticos em Benefícios Para a Humanidade”.

Primeira reunião do CPG/Demersais A primeira reunião do CPG/Demersais sudeste e sul, promovida pelo extinto Ministério da Pesca e Aquicultura, ocorrida no final do mês de setembro deste ano, contou com a presença de representantes de entidades pesqueiras de várias regiões do país. O SINDIPI representou o CONEPE. O comitê demersal sudeste e sul possui u m enfoque ecossistêmico, onde todas as modalidades trabalham juntas. Desta primeira reu n iã o, sa í r a m 4 4 e nca m i n h a me nt os , a exemplo: pleito para aumentar a tolerância de fauna acompanhante de peixe sapo, exclusão do (ted), dispositivo exclusor de tartar uga marinha, usado na modalidade de arrasto e discussão sobre a IN12. Tais encaminhamentos ainda devem passar por um novo processo de discussão, submetidos quando couber ao subcomitê científico para que sejam analisados e cujas recomendações sejam encaminhadas para a Comissão Técnica de Gestão Compartilhada CTGP, responsável por deliberar sobre os temas relacionados à gestão pesqueira.

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O desenvolvimento da pesca industrial nas regiões sul e sudeste do Brasil, foi o tema da palestra do coordenador técnico do SINDIPI, o oceanógrafo, Marco Aurélio Bailon no congresso de engenharia de Pesca. O XIX Congresso Brasileiro foi realizado em outubro deste ano em São Luís no Maranhão. O evento foi uma promoção da categoria profissional dos Engenheiros de Pesca

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Curso para treinamento da NR 13

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Foi realizado em outubro de 2015, no auditório do SINIDPI, um curso para treinamento da NR13 com ênfase em operação de unidades de processo de refrigeração industrial, ministrado pela Gaspotceh Engenharia & Inspeção Ltda. O objetivo do curso consistiu em qualificar os profissionais para operar as salas de refrigeração de modo seguro e eficaz, visando à preservação da saúde dos trabalhadores e do meio ambiente.

SINDIPI prestigia primeira aula do curso de PEP no IFSC

A primeira aula do curso de Pescador Profissional do Instituto Federal de Santa Catarina, contou com a participação de representantes do SINDIPI. O Secretário da Pesca de Itajaí, Agostinho Peruzzo, também esteve presente. Este é o primeiro curso nesta modalidade realizado no Brasil.


PROJETO

A conscientização sobre a importância do reaproveitamento dos resíduos de pescado foi tema de um encontro no Instituto Federal de Santa Catarina, campus Itajaí. O projeto “Roda de Conversa”, que visa agregar valores ao pescado, contou com a participação de representantes de cooperativas de pescado do estado. Participaram entidades que já promovem a utilização sustentável do que sobra da pele do peixe e das escamas, por exemplo. Este foi o primeiro encontro realizado na região do litoral norte e serviu como termômetro inicial, visando conhecer a realidade das pessoas envolvidas com a atividade pesqueira e o interesse em promover o reaproveitamento dos resíduos. A responsável pelo projeto “Roda de Conversa”, professora Rita Inês Petrykowski

Peixe, explica que esta ação é preliminar. “A intenção durante a roda, foi perceber quais as demandas e depois, a ideia é oferecer, por meio do Instituto, projetos que possibilitem esta reutilização do que sobra do pescado. Nós temos cursos dentro do IFSC que possuem esta demanda, professores que já identificaram dentro de sala de aula o interesse de alunos em trabalhar o tema”, destaca a professora Rita. A professora Rita sublinha o fato de que, atualmente, o reaproveitamento do que sobra do pescado é muito pequeno, perto do potencial existente. Hoje, de acordo com a professora, a cultura é descartar os resíduos que poderiam ser usados na produção de ração, artesanato e na culinária. Uma iniciativa que além do apelo ambiental, resulta em geração de emprego e renda.

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Reaproveitamento, um bom negócio

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SETOR

SC ganha maior Museu Oceanográfico da América Latina

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Por Assessoria de Imprensa Univali – Fotos: Sabrina Klann e Murilo Roberto Nascimento/Univali

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Crismar Comercial

Fone: 47 3348-2468

Fax: 47 3348-6070

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A Fundação Universidade do Vale do Itajaí inaugurou, no mês de dezembro, o Museu Oceanográfico Univali. Fomentado desde 1993, ele funciona no prédio do Campus da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Balneário Piçarras, e é o maior do gênero na América Latina. O Museu conta com um acervo que reúne coleções excepcionais em diversos grupos de grande importância científica, destacando a maior coleção de conchas da América Latina, que incluem as duas conchas mais procuradas por colecionadores no mundo; a maior coleção de mamíferos marinhos do Brasil, com baleias, golfinhos, focas, lobos e leões marinhos de diversas espécies; a maior coleção da América Latina de tartarugas marinhas; a segunda maior coleção de elasmobrânquios (tubarões e raias) do mundo, com exemplares raríssimos e únicos em nosso continente. Mesmo, até então, inacessível ao público, este acervo já é referência para diversas atividades de cunho didático e de pesquisa, incluindo trabalhos de graduação, mestrado e doutorado, além de artigos científicos publicados em periódicos especializados nacionais e estrangeiros. O museu desenvolve coleções de referência que representam o maior número possível de táxons e que possibilitam pesquisas taxonômicas modernas sobre a fauna marinha. A maior parte do acervo é composta por animais marinhos da fauna Brasileira, especialmente do sul do Brasil. A exposição oceanográfica aberta ao público conta com mil metros quadrados, uma das maiores do Brasil, o que somado a todas as demais áreas do museu atinge aproximadamente quatro mil metros quadrados de área construída, um dos maiores museus de história natural da América Latina e o segundo maior museu oceanográfico do mundo. A visitação pode ser feita de terça-feira a sexta-feira das 14h às 20h e sábado e domingo das 10h às 18h. O ingresso inteiro custa R$ 20. Colaboradores da Univali, assim como estudantes e pessoas acima de 60 anos, pagam meia-entrada. Grupos escolares, acima de 15 pessoas, pagam R$ 5.

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ESPAÇO EMPRESA

BKT dobra capacidade de armazenamento com nova unidade em Itajaí REVISTA DO SINDIPI | ESPAÇO EMPRESA

Por Juliana Soares Fotos: Juliana Soares

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A empresa líder de mercado na comercialização de panagens de monofilamentos para redes de pesca atua no mercado desde 2013. A primeira unidade da BKT Pesca em Santa Catarina iniciou suas operações em Navegantes-SC, com uma estrutura física de 250 m2, e capacidade de armazenamento de 50 toneladas. No segundo semestre do ano passado ( 2015), a BKT Pesca deixou Navegantes e inaugurou uma unidade em Itajaí e a capacidade de armazenamento, com a mudança de cidade, mais que dobrou. Localizada na Barra do Rio, próxima às empresas de pescado, a BKT possui capacidade para estocar mais de 130 toneladas de produtos. No prédio com 550 m2, a equipe trabalha em três frentes de distribuição, beneficiando a indústria, armadores de pesca e loja de varejo. Segundo o gerente comercial da BKT Pesca, Gilmar Guedes, a mudança para Itajaí atende a uma demanda de mercado. Santa Catarina foi o estado que lançou novos desafios à empresa: especializada na comercialização de panagens, a BKT precisou se adaptar às necessidades e pedidos dos clientes. A empresa atualmente produz redes para traineiras, long line para barcos de espinhel e redes para a pesca de arrasto de camarão. O investimento na produção desta linha, agregado ao produto mais vendido na unidade (as redes de multifilamento), garantiu para a empresa um aumento no faturamento. “Se você pegar o faturamento que nós tínhamos em 2013 nesta região, hoje nós faturamos três vezes mais, isso com a apenas um ano de operação”, destaca Gilmar. A mudança para Itajaí não deve interferir neste faturamento; o que muda é a logística para a entrega dos produtos e atendimento ao cliente. Além disso,

existe um projeto de expansão desta unidade, que leva em conta o incentivo fiscal que o estado oferece para as empresas que decidem investir em Santa Catarina. “A tendência é a gente ter, em um período de 4 anos, uma operação muito maior aqui e talvez nada em São Paulo. Hoje nós recebemos os contêiners por meio dos portos catarinenses, e a tendência no futuro é que parte da carga permaneça aqui e a outra siga para São Paulo, para atender os clientes de outras regiões do Brasil”, pontuou o gerente comercial. Hoje, além do mercado catarinense, a BKT atua em outras regiões do Brasil. São cerca de 600 clientes ativos em praticamente todos os estados. A empresa completa em março de 2016, 15 anos de atuação. A BKT é mantida por dois sócios, um brasileiro, com 40% de participação, e um asiático, com 60%. O sócio majoritário é dono de cinco fábricas na Tailândia, que são responsáveis pela produção das mercadorias comercializadas pela BKT.


Rede de multifilamento em nylon, com nó e sem nó, em diversas especificações, utilizadas por Traineiras na pesca de cerco. Rede de multifilamento em Polietileno com nó, em diversas especificações, utilizadas por barco de arrasto, principalmente na pesca do camarão. Linha de nylon, em diversas especificações, utilizadas por barco de espinhel de fundo e superfície.  

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Produtos desenvolvidos para Itajaí e região

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NOVIDADES

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Bottarga

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catarinense chega aos Estados Unidos Por Juliana Soares Fotos: Caviar Brasil

A empresa Caviar Brasil Produtos Alimentícios Ltda é a mais nova fornecedora de bottargados Estados Unidos. A bottarga é considerada o “caviar brasileiro”, e consiste nas ovas de tainha, um peixe bastante típico do litoral catarinense.  Foram seis meses de negociações até o fechamento e conf ir mação do contrato de exportação. A expectativa do proprietário é que, dentro de um ano, a Caviar Brasil esteja vendendo para aquele mercado consumidor em torno de 500 kg de bottarga por mês. Segundo o proprietário Cassiano Ricardo Fuck, os planos da empresa, atualmente, estão concentrados em realizar um bom trabalho no mercado norte-americano e também no Mercosul. Dentro de dois anos, ele acredita que será possível atender o mercado europeu, muito mais exigente em termos sanitários e de consumo. Por isso é necessário um tempo maior de

preparação e negociações, a fim de que seja possível dar conta do volume necessário para exportação, destaca o empresário. Antes do fechamento do contrato com os americanos, a empresa atendia apenas o mercado interno, que, segundo Cassiano, vinha em um crescimento de 15% ano. Entretanto, com a chegada da recessão na economia brasileira, a venda do produto para consumidores brasileiros acabou sendo afetada. A ova de tainha usada para a produção da bottarga é fornecida pela empresa Cais do Atlântico de Itajaí, uma das maiores exportadoras de ovas de tainha in-natura congelada. O processo da produção da bottarga contempla processo de salga, desidratação e secagem, sendo que todas as etapas são rigorosamente controladas e monitoradas.  A produção anual pode variar de 3 a 4 mil quilos, e o valor final por 100 gramas de bottarga é de aproximadamente R$50,00 para o consumidor final.


Benefícios da bottarga A bottarga é fonte de proteínas, vitaminas A,B,C e E, ômega 3. Conforme estudos realizados pelo Dr. Oz nos Estados Unidos, ela reduz o colesterol e triglicerídeos, reforçando o sistema imunológico, além de auxiliar na prevenção do câncer de cólon.

A bottarga é uma iguaria que já existe a mais de 3000 anos, mas no Brasil é ainda muito pouco conhecida. Na Europa e Ásia ela é um prato tradicional, fazendo parte da cultura alimentar daqueles povos. No Japão e em Taiwan, tem presença obrigatória nas ceias de virada de ano, devido à sua cor dourada, que representa o ouro, a riqueza.  Também é presenteada em casamentos, inaugurações e aniversários, uma vez que simboliza a união, a fecundidade, a amizade e a prosperidade.

BOTTARGA Caviar Brasileiro Toda ova de peixe é considerada um caviar, e a bottarga na Europa é chamada de «Caviar do Mediterrâneo». Por este motivo adotamos para a nossa bottarga o apelido de «Caviar Brasileiro.”  

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Surgimento da Bottarga

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EVENTO SETOR

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9º Caldo de Peixe do Araçá

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O tradicional evento promovido pela Comissão em prol do Centro de Eventos do Araçá aconteceu no dia 20 de setembro de 2015. Antes do caldo de peixe, foi realizada uma celebração religiosa na capela da comunidade em Porto Belo. Segundo a comissão organizadora, foram servidas mais de 400 refeições. Foram 260 quilos de corvina em posta, mais o acompanhamento. Por ano a comissão organiza dos eventos em prol de centro de eventos. Veja a cobertura completa da festa.


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Revista sindipi edição 66  

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