Isenção do IR entra em vigor e escala 6x1 abre disputa sobre renda, tempo e dignidade no trabalho - pág. 3
Lucro de R$ 4,9 bilhões*, mas a gestão Zema/Simões não quer negociar uma PLR justa para a categoria? – pág. 2
Lucro de R$ 4,9 bilhões*, mas a gestão Zema/Simões não quer negociar uma PLR justa para a categoria? – pág. 2
Após uma década de luta, vitória! Horas extras serão pagas à categoria – pág. 4
Após uma década de luta, vitória! Horas extras serão pagas à categoria – pág. 4
NOSSA LUTA É POR VIDA, TRABALHO E DIGNIDADE
Jornal do Sindieletro-MG
Filiado à CUT, FRUSE e CNU
Lucro
de R$
4,9 bilhões*, mas a gestão Zema/Simões não quer negociar uma PLR justa para a categoria?
Enquanto os números crescem, a valorização de quem sustenta a Cemig segue em dúvida.
Crédito: Arquivo Sindieletro
Mais um ano, mais uma campanha de PLR. Em 2026, não mudamos nossa orientação — a Participação nos Lucros e Resultados deve ser linear, com metas possíveis e transparentes, fruto de construção junto à categoria e de um debate real e equânime com a representação sindical. E os números divulgados recentemente estão do nosso lado: há recursos e plenas condições para cumprir este combinado.
E
É importante salientar: diante da alta do custo de vida, a PLR é ferramenta importante para os trabalhadores, já que, desde 2020, os preços dos alimentos sobem mais que os salários. Ainda assim, por sua natureza jurídica, não substitui remuneração nem recompõe perdas. O que está em curso é um modelo que ignora essa realidade e privilegia o mercado financeiro em detrimento de quem sustenta a empresa no dia a dia.
O lucro bilionário anunciado no acumulado de 2025 não pode ser analisado de forma isolada. Trata-se de um resultado inflado por fatores extraordinários, que não refletem a operação real da empresa. Na prática, não houve melhoria estrutural que justifique celebração, especialmente quando os trabalhadores seguem enfrentando sobrecarga, redução de quadros e falta de valorização.
Enquanto isso, a Cemig aprovou a distribuição de R$ 658 milhões em juros sobre capital próprio. O recado da gestão de Reynaldo Passanezi é direto: a prioridade não são os trabalhadores nem a qualidade do serviço prestado à população, mas a remuneração dos acionistas.
Lucro para poucos, pressão para muitos
E onde entram os eletricitários e eletricitárias nessa equação? Ficam com a conta. São esses trabalhadores que enfrentam a pressão cada vez mais intensa e lidam diretamente com os impactos da falta de investimento em pessoal, manutenção e estrutura, sob cobranças cada vez mais agressivas. A lida com a gestão Zema/Simões em relação à PLR 2026 segue o modelo de anos anteriores: não há negociação verdadeira. A Cemig continua resistindo a discutir a realidade da empresa, a composição dos indicadores e a forma de distribuição dos resultados.
A primeira rodada de assembleias para apreciação da 1ª contraproposta da Cemig foi realizada entre os dias 18 e 27 de março, resultando na rejeição do texto. Seguiremos em luta pela PLR, direito histórico que, quando honrado em seus critérios, moraliza a relação trabalhista na Cemig.
A campanha de PLR é dinâmica. Acompanhe os canais oficiais do Sindieletro para saber o status atual da luta. Esta edição do Chave Geral foi fechada no dia 30 de março de 2026.
os novos planos da Cemig Saúde?
Após um ano tão desafiador como 2025, é natural a ansiedade em relação aos novos planos, conquistados pelas entidades parceiras por acordo judicial, após intensa luta nas ruas, junto à base, em mesa de negociação e na ALMG.
O acordo homologado garantiu que nenhum beneficiário será excluído, unificou as entidades e assegurou um aporte adicional
A luta garantiu avanços — e o compromisso segue: ninguém ficará desassistido.
Crédito: Arquivo Sindieletro
A Cemig Saúde segue em processo de implementação dos novos planos de saúde — já foram empossados os integrantes do Comitê Gestor (CG), responsável por conduzir o processo, e definidas as regras de funcionamento do colegiado, conforme previsto no acordo.
Também foi concluída a etapa inicial de construção dos quatro planos, que foram encaminhados à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e já foram registrados dentro do prazo estabelecido.
Atualmente, os trabalhos se concentram na elaboração dos regulamentos dos planos e na definição dos valores. O Comitê Gestor mantém reuniões periódicas para avançar nas etapas técnicas e operacionais.
As próximas fases incluem o desenvolvimento de sistemas que permitirão aos beneficiários acessar informações e realizar simulações de adesão.
De acordo com o Comitê Gestor, ainda não há definição de datas para essas etapas, nem para o início de operação dos novos planos, uma vez que o processo depende de etapas técnicas e operacionais.
Mas você pode ficar tranquilo: enquanto isso, o acesso ao ProSaúde Integrado (PSI) será mantido normalmente.
Ninguém ficará desassistido e as entidades parceiras seguem o compromisso firmado com a categoria. Todas as atualizações sobre este processo serão sempre disponibilizadas nos canais oficiais das entidades.
No site “Sem Saúde, Não tem Energia” você encontra absolutamente tudo sobre esta luta e os próximos passos.
*Em todo o ano de 2025
Isenção do IR entra em vigor e escala 6x1 abre disputa sobre renda, tempo e dignidade no trabalho
Renda
Acumulação x dignidade
Paralelamente à vigência da nova tabela do IR, ganha força em 2026 o debate sobre o enfrentamento à escala 6x1, regime de trabalho que impõe seis dias consecutivos de jornada para apenas um de descanso.
e jornada estão no centro da agenda nacional em 2026
O ano de 2026 começou com gosto de vitória para a classe trabalhadora. Desde janeiro, a nova tabela do Imposto de Renda passou a valer: trabalhadores, aposentados e pensionistas que recebem até R$ 5 mil mensais deixaram de ter o imposto descontado na fonte — efeito que já aparece nos salários pagos em fevereiro. Para rendas acima desse valor, até R$ 7.350, houve redução gradual da tributação.
O impacto é imediato no orçamento das famílias. Valores antes retidos como imposto passam a compor a renda disponível para despesas básicas, como alimentação, transporte e moradia. O alcance da medida precisa ser analisado para além do alívio de curto prazo, no entanto.
Na avaliação do secretário-geral do Sindieletro, Je erson Silva, a isenção do Imposto de Renda não pode ser tratada como um simples ajuste técnico.
Decisões tributárias são, antes de tudo, escolhas políticas, pois definem quem paga mais, quem paga menos e quais interesses são protegidos pelo sistema fiscal.
“A medida representa um avanço social relevante, mas ainda insuficiente para alterar estruturalmente o modelo tributário brasileiro, que ampliou desigualdades ao longo dos anos”, analisa.
A pauta deixou de se limitar às negociações internas das empresas e passou a ocupar o centro da disputa política no Congresso Nacional.
Para Je erson Silva, o avanço desse debate reflete um cenário de intensificação do trabalho e de crescimento do adoecimento físico e mental da classe trabalhadora. “Nos últimos anos, a ampliação da cobrança por produtividade e a precarização das relações de trabalho resultaram no aumento de afastamentos por transtornos mentais, além de problemas cardiovasculares e musculoesqueléticos”, começa.
“A manutenção da escala 6x1 expressa um modelo de organização do trabalho que naturaliza a exaustão e se ancora em práticas historicamente marcadas pela exploração intensa da força de trabalho. Nessa lógica, os custos do desgaste não recaem apenas sobre o trabalhador individualmente, mas se estendem às famílias, ao sistema público de saúde e à organização social como um todo.”
Ao analisar conjuntamente a isenção do Imposto de Renda e a luta contra a escala 6x1, o Sindieletro aponta que ambas as pautas revelam o lugar que o trabalho ocupa no modelo econômico brasileiro: um lugar historicamente subordinado à lógica da acumulação.
A disputa, portanto, ultrapassa categorias e setores. Trata-se de decidir se o trabalho continuará subordinado à lógica da exaustão ou se passará a ser organizado com base na dignidade.
Em comissão na ALMG, Sindieletro denuncia subnotificação de acidentes de trabalho na Cemig
Ocultação
A diretora de Formação do Sindieletro-MG, Caroline Ruella, denunciou a subnotificação de acidentes na Cemig e alertou para os impactos dessa prática na saúde e segurança da categoria durante reunião da Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social da ALMG no dia 18 de março.
Na reunião convocada pelo deputado Betão (PT), a dirigente afirmou que os dados divulgados pela empresa se baseiam quase exclusivamente na emissão de Comunicados de Acidente de Trabalho (CAT) para trabalhadores próprios, ignorando a realidade da terceirização. “Isso é insuficiente”, afirmou. Hoje, são cerca de 5 mil trabalhadores próprios frente a 20 mil terceirizados — parcela majoritária que, muitas vezes, tem acidentes não registrados oficialmente.
Caroline também destacou relatos de desestímulo à abertura de CAT. “Alguns acidentes ainda são ocultados pela empresa. O trabalhador acaba aceitando porque vive uma realidade de superexploração, com jornadas excessivas e pressão por metas”, disse. Nesse cenário, há medo de punições, como piora na avaliação de desempenho e perda de benefícios.
A situação piora com a ausência de registros no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). O CEREST informou que não há notificações de acidentes da Cemig em Belo Horizonte desde 2023, o que não reflete a realidade na empresa. “Se a gente quer ter uma fotografia real, é fundamental que esses
dados cheguem, tanto dos próprios quanto dos terceirizados, para estudar e desenvolver políticas de prevenção”, afirmou Caroline.
A diretora também lembrou que o desmonte de estruturas de formação, como a UniverCemig, e a simplificação da capacitação de trabalhadores também colocam em risco os eletricitários e eletricitárias, além da própria população.
O Sindieletro segue cobrando transparência na divulgação dos dados e reforça a importância da participação da categoria na construção de políticas efetivas de saúde e segurança — como já ocorreu em 2013, com a conquista do Pacto de Saúde e Segurança, que trouxe avanços concretos.
Nas ruas, a crítica à desigualdade tributária ganha voz. Crédito: Flickr/CUT Minas
2015
Após uma década de luta, vitória!
Horas extras serão pagas à categoria
Próxima fase será a homologação judicial do acordo
Após anos de disputa, a ação coletiva das horas extras dos eletricitários da Cemig entra na fase final.
Em assembleias realizadas entre 4 e 11 de março, a categoria aprovou o acordo que viabiliza o pagamento a todos os trabalhadores contemplados. Associados ao Sindieletro estão isentos de honorários advocatícios, cobrados apenas dos não filiados.
Início da ação
O Sindieletro ingressa com ação coletiva contra o cálculo das horas extras apenas sobre o salário-base, defendendo a inclusão de adicionais e reflexos em férias, 13º e FGTS.
Agora, a lista de beneficiários será consolidada. Em seguida, o acordo será enviado à Justiça do Trabalho para homologação, etapa que permitirá a liberação dos pagamentos.
Essa vitória comprova que a unidade, a persistência e a confiança na construção dá frutos. Esta ação data de 2015 e agora, em 2026, colhemos nossa conquista.
Linha do tempo
2015–2018
Vara do Trabalho (1ª instância)
O juiz analisou os argumentos apresentados pelo sindicato e pela empresa. A decisão reconheceu parte da discussão sobre o cálculo das horas extras, o que levou ambas as partes a apresentarem recursos.
2019–2025
TST (instância superior)
Nessa fase, foram analisadas possíveis divergências em relação à legislação trabalhista e ao entendimento consolidado do tribunal.
ACT 2025–2027
Negociação coletiva
Sindicato e empresa firmam acordo para encerrar a ação, com valor global de R$ 37,7 milhões a ser pago pela empresa.
2018–2019
TRT-MG (2ª instância)
O tribunal reavaliou os fundamentos da ação com base na legislação trabalhista, nas normas coletivas da categoria e na jurisprudência sobre o tema. Novos recursos foram apresentados e a disputa continuou.
2026
Aprovação em assembleia
Com a realização das assembleias, a categoria autorizou o pagamento da ação de horas extras para todos.
Este é o resultado conquistado quando apostamos na organização coletiva para garantir direitos e corrigir distorções nas relações de trabalho. O Sindieletro orienta que a categoria acompanhe as atualizações e os próximos desdobramentos pelos canais oficiais do sindicato.
Problemas no PAM: participe do levantamento de casos
O Sindieletro e o Senge-MG estão em contato com a Gestão de Pessoas da Cemig para tratar de reclamações sobre o Programa de Assistência ao Menor Excepcional (PAM), como atrasos em reembolsos e dificuldades de acesso. A empresa reconheceu falhas operacionais, informou que realiza ajustes e que prepara nova instrução normativa.
Diante das denúncias, os sindicatos iniciaram um levantamento para mapear os problemas e reforçar a cobrança por soluções.
O objetivo é reunir informações que permitam um diagnóstico preciso e a defesa efetiva do direito dos trabalhadores e trabalhadoras.
O PAM garante ajuda financeira a eletricitários com dependentes com deficiência. As entidades não vão admitir qualquer tipo de restrição indevida, constrangimento ou ameaça no acesso a esse direito, principalmente por conta de falhas da gestão.
Vale do Aço: (31) 3822-3003 - E-mail: cinformacao@sindieletromg.org.br • Edição impressa com tiragem de 3.600 exemplares.
Teve problemas com o PAM?
Registre sua situação pelo formulário e fortaleça a cobrança por solução.