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A Justiça do Trabalho condenou a gestão Zema na Cemig por prática antissindical em ação movida pelo Sindieletro. A condenação foi pela divulgação de comunicado interno em 01/02/2023 com a tentativa de interferir na liberdade dos trabalhadores na decisão sobre a proposta da PLR deste ano.
As ações do VII Encontro dos Comitês
Populares e Sindicais de Minas: retomada dos comitês populares, novo encontro em agosto e campanha de mobilizações permanentes
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Na terceira aula do curso Carlos Marighella, o mediador conduziu o debate pela metodologia da escuta, apontando os desafios para o movimento sindical
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PALAVRA DO DIRETOR
Jornal dos eletricitários e eletricitárias de Minas Gerais - Nº 916 2
Como devolver o lobo mau para a floresta? Ou seria... adormecer nosso malvado favorito?
Renato Ferreira, coordenador da Regional Norte do Sindieletro

As histórias infantis, sejam elas contadas em livros ou em filmes, sempre apresentam vários aprendizados por associação. Na história do Chapeuzinho, o lobo mau fantasia de vovozinha para devorar a netinha. No filme, “O meu Malvado Favorito”, o vilão, para construir mais um dos seus planos malvados, aproxima-se de 3 garotinhas órfãs para obter vantagens do relacionamento com elas. O comportamento e a má intenção do governador Zema com os trabalhadores e a sociedade mineira têm uma relação muito próxima com esses vilões das histórias infantis.
Identificar o verdadeiro vilão dos trabalhadores da Cemig e tam-

bém de toda a classe trabalhadora mineira não parece ser uma tarefa difícil. O governador Zema sempre aparece como um desses personagens citados acima. Tem momentos que ele se apresenta como o lobo fantasiado de vovozinha, em outra hora ele é o lobo em pessoa e sempre está fazendo o papel do “Malvado Favorito”. Aí fica a pergunta: como a classe trabalhadora poderá adormecer esse malvado ou mandar esse lobo de volta para a floresta?
Para adormecer esse vilão da vida real é importante fazer o dever de casa, a organização da categoria é mais que necessária neste momento, planejar a luta dialogando com a sociedade mineira em busca da derrocada desse vilão governador ZEMA. Os trabalhadores não podem parar por aí, pois o nosso vilão - o “Bolsonaro de sapatênis” - não é só uma ameaça para o povo mineiro, mas também para todas e todos os trabalhadores brasileiros.
O governador, através dos meios de comunicação, sempre está a mostrar para a sociedade a sua personalidade do lobo mau fantasiado de vovozinha.“Minha moradia é simples, eu que lavo minha própria louça, eu não utilizo fundo eleitoral” são alguns de seus discursos. Ele tenta passar uma imagem de um bom
moço, mas é preciso que a classe trabalhadora seja a caçadora desse abominável lobo e se organize para despir dele essa fantasia da vovozinha.
Está na sua essência ser o lobo, sente prazer em expor os trabalhadores mineiros ao ridículo, com acusações levianas e com falta de respeito com todos aqueles que ajudam e ajudaram a construir este Estado. É preciso que os trabalhadores estejam conscientes do risco que é manter esse vilão por perto; eles devem tomar medidas imediatas contra esse devorador de trabalhadores.
O malvado anda à solta e a praticar seus planos de vilania, e todos os trabalhadores devem expor essas malvadezas. São tantas, mas é importante citar algumas aqui. A educação nunca é e nem será prioridade para essa gestão, além de não garantir o piso nacional dos professores; ele ataca as instituições que organizam esses trabalhadores para lutar pelos seus direitos. O que podemos esperar também de um indivíduo que defende e acha normal uma trabalhadora ganhar menos de meio salário mínimo mensal?
O malvado continua a vender patrimônio do povo mineiro para a turma que defende a desigualdade social, que escraviza o povo, que destrói nosso meio ambien-
te, mata nossos ribeirinhos e realiza tantas outras maldades. Em troca, o malvadão recebe doações milionárias para continuar a destruir Minas Gerais, indo nas mídias declarar que não utiliza fundo eleitoral. Mas aceita as doações do seu “clã”, que, em troca, entrega o Estado para os devoradores de lucros que não se preocupam com o ser humano.
O malvado Zema, em conjunto com essa nova gestão da Cemig, trabalha incansavelmente para concretizar o plano de privatizar a Cemig, uma empresa do povo mineiro, uma empresa que, além de lucro, sempre teve a preocupação com o social do Estado.
Que os trabalhadores continuem a amar suas vovozinhas, contudo,que tenham muito cuidado com os lobos fantasiados de vovozinha, pois eles querem chamar a sua atenção e trazê-lo para perto deles na intenção de apenas te devorar. Não permitam que as fantasias da infância te deixem enganar. Por isso, é importantíssimo que você dialogue com o sindicato e converse com os seus próximos sobre a incrível missão para combater os principais inimigos, Zema e sua corja.
Trabalhadores e trabalhadoras, o momento pede aproximação, organização e unidade.
A caminho da luta de classe!
Gerais - Rua Mucuri, nº 271- Bairro Floresta - Belo Horizonte/MG CEP: 30150-190
Departamento de Comunicação do Sindieletro-MG • Diretores responsáveis: Jefferson Silva, Emerson Andrada • Edição: Mariângela Castro • Redação: Mariângela Castro • Revisão: Jefferson Silva • Diagramação: Júlia Rocha • Foto de Capa: Jefferson Silva Telefones: Sede: (31) 3238-5000 Fax: (31) 3238-5049 Regionais: Leste: (33) 3271-1200 - Mantiqueira: (32) 3333-7063 Metalúrgica: (31) 3238-5026 - Norte: (38) 3222-3600 - Oeste: (37) 3222-7611 - Triângulo: (34) 3212-5001 - Vale do Aço: (31) 3822-3003 E-mail: cinformacao@sindieletromg.org.br • Edição impressa com tiragem de 3.400 exemplares


O juiz substituto da 9ª Vara de Trabalho de Belo Horizonte, Adriano Marcos Soriano Lopes, decidiu, na ação movida pelo Departamento Jurídico do Sindieletro, condenar a gestão Zema na Cemig por prática antissindical pela divulgação de comunicado interno no dia 1º de fevereiro deste ano, interferindo na liberdade dos trabalhadores de decidirem sobre a proposta da PLR 2023.
Pela prática antissindical comprovada, a Justiça do Trabalho condenou a gestão da Cemig a excluir definitiva e imediatamente, dos seus canais de comunicação ou qualquer outro meio de divulgação, a publicação efetuada em 01/02/2023;
por prática antissindical configurada em comunicado sobre
Na sentença, o juiz defendeu o diálogo, a negociação coletiva e a autonomia da organização sindical. Gestão da empresa terá que se retratar e pagar indenização
emitir nova publicação nos mesmos meios utilizados para a retratação, com alcance geral de todos os trabalhadores, com o propósito de informar o decidido, a fim de reconhecer a conduta antissidical praticada no curso da negociação coletiva para celebração de ACT Específico da PLR.
Além disso, a gestão foi condenada a pagar, a título de danos morais coletivos, a importância de R$20 mil reais, valor reversível para o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Defesa da negociação e autonomia da organização sindical
O juiz Adriano Marcos manifestou-se nos autos a defesa
do diálogo, da negociação coletiva e da autonomia da organização sindical. Ele citou a Constituição Federal, que prevê a negociação coletiva como uma “forma de pacificar os conflitos e estabilizar as relações trabalhistas, harmonizando os interesses” da empresa e dos trabalhadores. O magistrado também disse que os acordos coletivos devem ser negociados e cumpridos com boa-fé e transparência. E declarou: “Existem sistemáticas de desgaste à atuação dos sindicatos, as quais são denominadas práticas antissindicais, que são contrárias à liberdade sindical”
Lembrando: A decisão confirmou a liminar concedida em fevereiro pela qual reconheceu a
3º encontro do curso Carlos Marighella: dinâmica
interferência indevida da gestão da Cemig na liberdade dos trabalhadores de decidirem sobre a PLR 2023, configurando-se em prática antissindical, com a determinação para que a empresa retirasse imediatamente o comunicado interno de circulação.
O comunicado da gestão Zema na Cemig sobre a PLR 2023, para o Sindieletro, foi estarrecedor, imoral, antidemocrático e caracterizado como prática antissindical. Essa vitória fortalece nossa luta pela PLR, onde a gestão Zema na Cemig segue negando a previsão legal e o resultado das assembléias.
Cemig: esse “trem” é nosso!
Mediador adotou a metodologia da escuta sobre os desafios do movimento sindical hoje
No sábado, 6 de maio, o Sindieletro realizou o 3º encontro do curso de Formação Carlos Marighella, com a aula: Trabalho de base e construção da luta sindical. O mediador foi o educador popular e assessor técnico do Dieese, Thomaz Jensen. O curso é organizado pela Secretaria de Formação do Sindieletro.
A aula iniciou-se com uma mística apresentada pelo grupo Abelharte. Cristina Nonato e seus filhos Christian e Regiane Abelha apresentaram a performance poética Tal Mãe Tal Filha, recitando vários poemas que abordam a realidade das periferias, o racismo e relações de gênero. O grupo Abelharte rea-
liza a Feira Colaborativa Sarau de Poesia e está no Instagram: @regis.abelha; @sarauefeira; @abelharte_ ; @cristina.nonato.33º.
O educador popular Thomaz Jensen trouxe para a aula uma dinâmica de reflexão por meio do diálogo. O encontro foi conduzido com perguntas e respostas, numa escutatória sobre o que os participantes poderiam avaliar e apontar como desafios para o movimento sindical nos dias de hoje.
A partir das mobilizações, o que podemos identificar como principais dificuldades e desafios para o movimento sindical? Essa pergunta, entre outras, levou o público a dar o tom do debate. O co-
ordenador-geral do Sindieletro, Emerson Andrada, respondeu que a legislação trabalhista criminaliza a atividade sindical, assim como as empresas, citando o exemplo do “cercadinho” imposto pela gestão da Cemig para impedir o trabalho de base. “Isso afeta a atividade sindical, assim como a criminalização legal das relações trabalhistas, como a lei de greve”, afirmou. O secretário-geral do Sindieletro, Jefferson Silva, avaliou que são dois os fatores da organização dos trabalhadores que representam desafios para o plano de mobilizações: redução da burocracia sindical e a terceirização como fator de fragmentação na organização dos
trabalhadores. Já o secretário de Formação, Geovan Aguiar, refletiu que um grande desafio é sabermos escutar os trabalhadores. “Muitas vezes falamos muito e ouvimos pouco. Construir os espaços de escuta é muito importante”, destacou.
Os participantes como um todo apontaram que o país viveu na última década um cenário bastante desfavorável para os trabalhadores, com a reforma trabalhista, o governo Bolsonaro e a pandemia. Em Minas, a situação de retrocesso continua com o governo Zema. Sindicatos fecharam as portas e a classe trabalhadora perdeu direitos históricos. Além disso, há


da cultura do silêncio. O ‘colaborador’ precisa se adequar ao patrão, vestir a camisa, manter o sindicato longe. Assim, o grande desafio do movimento sindical é romper com esse processo de alienação”, observou.
Segundo o educador, há também o desejo de ser o outro. A pessoa se identifica com outras pessoas de sucesso, o que a propaganda utiliza muito bem para alienar. A expressão “influencer” é um dos padrões para a identificação com o outro. Aliás, todas as redes sociais se utilizam desse

Foto: Divulgação, Levante Popular
Quais as perspectivas e o plano de lutas definidos pelo VII Encontro dos Comitês e Movimentos Populares e Sindicais de Minas Gerais que serão conduzidos a partir de agora? O Encontro foi realizado nos dias 29 e 30 de abril, e 1° de maio, com a participação do Sindieletro. Viabilizado por uma construção coletiva, o evento contou com a participação de mais de 200 organizações dos movimentos sociais e sindicais no Estado, além de mandatos parlamentares afins com as lutas sociais e sindicais.
É a Ana Carolina Vasconcelos, da coordenação do Levante Popular da Juventude e do Movimento Brasil Popular (MBP) que esclarece sobre os desafios e a concretização do plano de lutas aprovado no Encontro.
“O objetivo central do Encontro foi traçar as tarefas da luta contra o proje-
modelo de identificação com o outro.
Educação popular
inúmeros trabalhadores que não enxergam os sindicatos “com bons olhos”. E, por isso, os grandes desafios são superar a desmobilização e a alienação, realizando um trabalho profundo de conscientização de que somos classe trabalhadora.
A cultura do silêncio para alienar
Thomaz elencou desafios como, o modelo de relações empresariais impostas aos trabalhadores por meio de metas, remuneração variável, terceirização, flexibilização dos direitos, entre outros. Uma das formas de reforçar esse modelo, apontou, é a cultura do silencio, que as elites usam para introjetar os valores cultivados pelos opressores. “O capitalismo usa a palavra colaborador e essa é uma expressão
De acordo com Thomaz, uma alternativa eficiente de trabalho de base para conscientizar de que somos protagonistas da nossa história, é o projeto de educação popular. Essa educação é tocada por militantes dos movimentos sociais e sindicais em defesa de um projeto popular.
Thomaz citou a organização Levante Popular da Juventude como um modelo de trabalho de base
pela educação. “O Levante tem o conceito de trabalho de base com a educação como uma forma de construir nosso sonho”, citou.
“A construção pela educação popular deve ser permanente, sempre pautada pelo diálogo. O momento é de reconstrução do movimento sindical”, finalizou.
capital representado por Zema e acumular forças para construirmos um projeto popular para Minas Gerais”, finaliza Luiz Paulo.
O plano de lutas do VII Encontro dos Comitês
to neoliberal e autoritário do governo de Minas, sob o comando de Romeu Zema. Tivemos o momento de leitura coletiva, sobre a conjuntura do Estado e do Brasil, e momento de debates temáticos, em setores como os da educação, saúde, mineração, defesa das estatais, moradias, combate à fome e meio ambiente. Buscamos compreender, dentro desses setores da sociedade, quais as contradições colocadas pelo governo Zema e quais as perspectivas de lutas, ou seja, nossas possibilidades de atuação para construir a resistência a partir dessas temáticas”, destacou.
Ela acrescentou que outro objetivo foi o de construir um processo mais prolongado de lutas para o próximo período, com uma campanha permanente contra o projeto neoliberal do governo Zema.
Retomar comitês populares
Uma das tarefas fundamentais do plano de lutas e já em andamento, de acordo com Ana Vasconcelos, é retomar, nos bairros, nas cidades, nos locais de trabalho, de moradias, de estudos, entre outros, a reconstrução dos comitês populares como ferramenta de aglutinação da militância e também das pessoas com disposição para a mobilização. “Essa é a síntese
que a gente aponta, reconstruir os comitês populares, para os devidos debates e pensar as ações concretas de mobilizações”, enfatizou.
Outras ações do plano de lutas são: realizar tarefas de propaganda e comunicação sobre as lutas e cenários em municípios de Minas, com destaque para as contradições do governo Zema; reuniões com lideranças para leituras coletivas sobre a realidade da cidade; analisar e pensar tarefas específicas para cada município e como os comitês podem se movimentar para essas tarefas.
As mobilizações nas cidades são o primeiro passo dos comitês populares, pois, conforme Ana, vai-se avançar para a organização em articulações regionais em Minas. “Vamos começar pelas regiões de todo o Estado, Sul, Norte, Sudeste, Leste, Oeste, Zona da Mata, Jequitinhonha, entre outras, para unificarmos as articulações; a orientação é que façamos plenárias e intercâmbios entre as lideranças para organizarmos as lutas”, destacou.
Novo encontro em agosto, campanha permanente
A programação definida para o próximo período inclui também a realização do VIII Encontro dos Comitês e Movimentos Populares em agosto próximo.
“A intenção é realizarmos um balanço do plano de lutas retirado no VII Encontro; e garantirmos um momento de formação de formadores. Um momento em que reforçaremos para cada militante a necessidade de se apropriar das contradições do governo Zema de forma a fortalecer as lutas em seu setor de atuação. Que o militante da saúde compreenda melhor as contradições do Zema na saúde, os da educação compreendam melhor as contradições nessa área, e os de defesa das estatais, também, por aí”, revelou.
Organização das Mulheres e o Grito dos Excluídos
O VII Encontro também garantiu o momento da auto-organização das mulheres com ações para o próximo período. Elas contaram com uma mesa específica de debates, apontando que são as mulheres as mais atingidas em vários cenários da conjuntura nacional e estadual, como o desemprego, a desigualdade salarial, a violência de gênero e a falta de políticas públicas do governo Zema. “O plano de lutas das mulheres será um processo de retomada da auto-organização feminista”, afirmou.