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51-34331200 www.sindbancarios.org.br Ano 83|22 de novembro de 2016
Demissões forçadas Em pleno domingo, 20 de novembro, em muitos lugares, Feriado da Consciência Negra, o Banco do Brasil anunciou, por meio de fato relevante, um plano de reestruturação da instituição que reduzirá o número de agências e oferecerá um plano de aposentadoria incentivada para até 18 mil funcionários. O que o BB chama de reestruturação nós chamamos de demissão forçada. O banco usa o argumento da crise financeira e pretende economizar até R$ 3 bilhões em 2017. O problema é que esse anúncio em domingo, de forma nada transparente e sem que houvesse qualquer tipo de deabate, foi feito de afogadilho, às pressas. Os
colegas do BB que queiram aderir ao plano de aposentadoria incentivada têm até o dia 9 de dezembro para aderirem ao programa. São 15 dias úteis e 18 dias para tomar uma decisão com repercussão para o resto da vida dos trabalhadores. O SindBancários está atento. Os dirigentes sindicais, funcionários do Banco do Brasil, e a assessoria jurídica do Sindicato trabalham para preservar a voluntariedade e o direito de escolha de cada colega. Também iremos pressionar para que o banco ofereça um prazo maior. São poucos dias para obter informações a uma tomada de decisão de aposentadoria. Os colegas não devem aceitar nenhum tipo de pressão. Em caso de pressão, devem entrar em con-
tato imediatamente com o SindBancários. O anúncio do Banco do Brasil dá conta de uma reestruturação bem ao gosto da redução da importância do Banco do Brasil como banco público para a sociedade brasileira. Haverá cortes em todos os níveis da estrutura organizacional, desde o estratégico (direção geral), passando pelo tático (superintendências), de apoio (órgãos regionais) e de negócios (agências). O Banco do Brasil projeta a transformação de 379 agências em postos de atendimento (PA) e a desativação de 402 em todo o país. O SindBancários repudia a forma como o banco anunciou os cortes e o curto prazo para a tomada de decisão.
Reunião com o movimento sindical A Contraf-CUT e a Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil entraram em contato com a direção do banco no domingo, 20/11, para agendar urgentemente uma reunião para esclarecimento das medidas e negociação de garantias e direitos dos funcionários que serão afetados. A reunião ficou marcada para esta terça-feira, 22/11, às 10 horas, em Brasília. Os funcionários gaúchos serão representados na ocasião pela diretora da Fetrafi-RS, Maria Cristina Santos.
2 O Espelho
Porto Alegre, 22 de novembro de 2016
O desmonte do papel social do BB
Para o Sindicato, as medidas anunciadas pelo Banco do Brasil o desvinculam de seu papel social e têm foco específico no mercado. É a política predatória de austeridade e desmonte do papel de banco público do BB. Trata-se de uma mudança drástica na gestão de pessoas, que também afetará o acesso da população aos serviços bancários, pois haverá fechamento de um grande número de agências, com repercussão no tamanho de filas e mais espera para atendimento.
Estrutura menor
O banco também fechará 28 superintendências regionais de varejo e três de governo de um total de 140. Em comunicado ao mercado, o BB informou que haverá revisão e redimensionamento da estrutura organizacional em todos os níveis: direção geral, superintendências, órgãos regionais e agências.
Funcionários atingidos A Assessoria da Super/RS não soube informar o número de funcionários que serão atingidos pelas mudanças causadas pela reestruturação. No entanto, adiantou que o público alvo de aposentadoria é composto por 900 bancários, que poderão ou não aderir ao Plano Extraordinário de Aposentadoria Incentivada (PEAI), com adesão voluntária até 09 de dezembro de 2016.
“Estamos assistindo exatamente aquilo que viemos alertando. Num período de crise da economia, os bancos públicos deveriam ser fomentadores de emprego e renda e não agentes de redução de estado. Estamos de volta aos anos 1990 quando a política de austeridade criou uma crise econômica atrás da outra e reduziu salário de trabalhador e postos de emprego. Isso o que o BB faz é jogar a conta da crise nas costas dos trabalhadores bancários.” Everton Gimenis, presidente do SindBancários
Cortes no RS De acordo com números do Banco do Brasil para o Rio Grande do Sul, 16 agências e duas superintendências do BB serão encerradas através do processo de reestruturação nacional. Seis das unidades a serem extintas estão localizadas na Capital:
Bairro Floresta, Carlos Gomes, Cristóvão Colombo, Dona Laura, Cidade Baixa e Voluntários da Pátria. Além disso, outras 15 agências serão convertidas em postos de atendimento.
Aposentadoria forçada Aos funcionários, o banco oferecerá um plano de incentivos para até 18 mil empregados aposentarem-se antecipadamente. Os servidores que aderirem ao plano receberão 12 salários mais indenização pelo tempo de serviço, que vai de um a três salários. Além disso, o BB ainda ampliará o nú-
mero de funcionários com jornada de seis horas de trabalho. A expectativa é que seis mil funcionários gradativamente troquem a jornada de oito para a de seis horas. Após essa mudança, somente os cargos gerenciais ficarão com jornada de oito horas. O BB conta atualmente com 109.159 funcionários.
“A reestruturação perversa proposta pela direção do BB é mais um reflexo da política global do governo ilegítimo de Michel Temer. Estão ocorrendo retrocessos em todas as áreas com ataques constantes às empresas públicas e retirada sumária de direitos. Não aceitamos a postura do Banco e vamos lutar para que a instituição respeite seus funcionários e o povo brasileiro. O BB é patrimônio público e não deveria ser esquartejado dessa forma e nome da política neoliberal” Júlio Vivian, diretor do SindBancários e membro da Comissão de Empresa do BB