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Bancario14102016

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SindBancariosPOA

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Dentro de uma conjuntura nacional extramente difícil, política e economicamente, não é nenhum exagero dizer que a categoria bancária foi plenamente vitoriosa na campanha salarial deste ano. Afinal, em 2016 não enfrentamos apenas a poderosa Fenaban, como em anos anteriores, mas também os interesses representados pelo governo federal, que fragilizam as conquistas sociais e trabalhistas e apontam para um imenso retrocesso. Seu objetivo é arrochar os salários, com a visão de que os trabalhadores devem pagar pela crise econômica e o ajuste fiscal. Além disso, sofremos ataques da mídia e até mesmo de setores como a OAB. Não nos deixamos abater, reforçando ainda mais os laços entre os trabalhadores em geral e dentro da categoria, em 31 dias

de greve. Uma greve heroica e histórica, tanto pelo tamanho da mobilização quanto pelo tempo de duração, onde os bancários deram uma demonstração de força, coragem e cidadania ao país. O esforço destes dias de manifestações, negociações exaustivas, protestos, panfletagem, foi o que garantiu a continuidade

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dos nossos avanços. Para chegar lá, resistimos à violência policial, perseguições e pressão dos banqueiros. Mas continuamos em uma conjuntura que ameaça os direitos trabalhistas, como a reforma da Previdência, e de ampla terceirização, buscando reduzir os salários e que traz grandes riscos à categoria. Nossa luta por direitos continua. Nossa greve comprovou mais uma vez, no entanto, como um exemplo para outras categorias profissionais, que lutar vale a pena: é a união de todos que garante as conquistas.

Ano 83|nº 19|14 de outubro de 2016

Fenaban assina Convenção Coletiva Nesta quinta-feira (13/10) o Comando Nacional dos Bancários assinou com a Fenaban a Convenção Coletiva de Trabalho 2016/2018.

Antecipação da PLR e o Abono serão pagos até o dia 24 de outubro.


2 O Bancário

A histórica e heroica greve dos Bancários(as) Everton Gimenis Presidente do SindBancários

A categoria bancária enfrentou com muita unidade e mobilização uma greve de 31 dias. Uma greve que, tanto pelo tamanho da sua mobilização quanto pelo seu tempo de duração, já a tornaria histórica e heroica. Mas ela se torna ainda mais emblemática e vitoriosa, pela conjuntura que enfrentamos. Além de enfrentarmos os bancos - sem dúvida os patrões mais poderosos do capitalismo liberal – nos defrontamos com uma insólita e espúria aliança formada entre a Fenaban e o governo Temer, o que tornou os desafios da categoria ainda maiores. Isso ficou claro durante as mesas de negociação. Os negociadores dos bancos assumiram que, pelos lucros obtidos, teriam condições de nos dar um reajuste acima da inflação, mas não fariam isso para cumprir o acordo que tinham com o governo federal, para ajudar no ajuste fiscal. Este compromisso fica fácil de entender, quando lembramos que a política econômica do governo federal é comandada por dois banqueiros: Henrique Meireles, no Ministério da Fazenda e Ilan Goldfajn, no Banco Central. A lógica dessa política econômica é trágica para o mundo do trabalho, pois afirma que os salários indexam a economia e reajustes salariais pressionariam a inflação. Devido a essa lógica, eles defendem a diminuição do custo do trabalho no Brasil, que já é baixo, assim como todas as reformas e projetos para enfrentar a crise econômica, que na verdade visam retirar direitos trabalhistas e arrochar salários. O cientista social Emir Sader, em artigo sobre a nossa greve, com título “Bancários invertem lógica do massacre de trabalhadores por governos neoliberais” - publicado na Rede Brasil Atual - escreveu que ela demonstra o tamanho do desafio que vencemos. Segundo Emir, sempre que um governo neoliberal assume, costuma acirrar o enfrentamento com o movimento sindical para demonstrar a mudança na correlação de forças, com o intuito de “dar uma lição” de tratamento para os trabalhadores no novo governo. Para confirmar essa tese, apresenta vários exemplos que ocorreram no mundo e um de triste memória para a classe trabalhadora brasileira, quando em 1994 o governo FHC fez de tudo para derrotar a greve dos petroleiros, humilhá-los e tentou quebrar os sindicatos com pesadas multas. Esses momentos marcam o início de uma fase de resistência da classe trabalhadora e de retrocessos nos seus direitos. Neste ano, a bola da vez para ser derrotada, humilhada e servir de exemplo às demais categorias que ousam lutar foi a categoria bancária! Motivos não faltaram: única categoria que tem Convenção Coletiva de Trabalho nacional; que faz grandes greves nacionais todos os anos desde 2003; que obteve reposição da inflação e ganho real durante os últimos 13 anos, recuperou em parte as perdas dos anos 90 até 2002, quando tivemos reajustes abaixo da inflação nos bancos privados e estaduais e oito anos de reajuste zero no BB e na Caixa. Nesses últimos anos, a nossa categoria virou referência para toda a classe trabalhadora brasileira e nossas vitórias serviram de impulso às lutas de outras categorias. Portanto, nos derrotar era fundamental, para que o governo Temer pudesse impor sua política privatista, de arrocho salarial e retirada de direitos, jogando a crise nas costas dos trabalhadores deste país. A capacidade de luta dos bancários, a unidade nacional e a nossa capacidade de negociação fez com que conseguíssemos romper essa lógica e avançarmos durante a greve. Saímos de uma proposta de 6,5%, que tentou impor um retorno ao modelo de negociação dos anos 90, com reajustes abaixo da inflação e que já tínhamos, a muito custo, superado. Conquistamos uma proposta vitoriosa este ano e uma garantia de que, a partir de 2017, voltaremos a ter ganho real e retomada do modelo dos últimos anos. Também conseguimos o inédito abono total dos dias parados, uma reivindicação antiga, que rompe com a prática de punir os grevistas por ousarem lutar pelos seus direitos, especialmente em bancos públicos. Resumindo, foi uma greve que enfrentou uma conjuntura adversa, uma aliança entre banqueiros e governo, em que sofremos os ataques costumeiros da grande mídia e alguns inéditos como o da OAB. Na visão de nossos inimigos, seria uma greve derrotada e voltaríamos humilhados para os locais de trabalho. Não foi isso que aconteceu. Voltamos de cabeça erguida, certos de que lutamos o bom combate e enfrentamos forças poderosas que queriam nos aniquilar e não conseguiram. Pelo contrário, voltamos mais fortes, mais unidos e prontos para levantar novamente, quantas vezes for preciso, para lutar por nossos direitos!

O Bancário 3

Porto Alegre, 14 de outubro de 2016

Nós não vamos pagar nada! Uma das grandes conquistas que obtivemos, na campanha salarial deste ano, foi o não desconto de nenhum dos 31 dias em que a categoria fez uma das mais longas greves da história dos bancários.

Quebrando a lógica patronal Na mesa de negociação com a Fenaban, com firmeza e determinação os representantes dos bancários conseguiram garantir – pela primeira vez - que os bancos abonem todos os dias parados. Com isso, também conseguimos quebrar a velha lógica patronal de penalizar os trabalhadores, que lutam dignamente por seus DIREITOS.

CURTAS uHSBC

Os colegas do HSBC, que antes não recebiam PLR, agora irão receber proporcional: a negociação deste ano conquistou o compromisso deste pagamento pelo Bradesco. O adiantamento será feito na mesma data que outros empregados do Bradesco.

uBanrisul

A luta dos banrisulenses garantiu que os 15% de reajuste no vale-alimentação refletissem também na 13ª Cesta, que é a maior da categoria.

uCaixa

O banco vai manter a PLR Social, que representa 4% do Lucro Líquido distribuído lineamente entre todos os empregados. Também será criado um GT para redefinir critérios objetivos para o RH 184.

uBanco do Brasil

Foi assegurada a manutenção do modelo semestral de PLR, composto pelo Módulo Fenaban – que corresponde a um valor fixo mais 45% do salário paradigma – e Módulo BB, integrado por montante variável, entre outros itens.

uItaú

A reivindicação dos trabalhadores foi conquistada: o Itaú irá disponibilizar 5 mil bolsas de estudo no valor de R$ 390,00 em 2017. Além da primeira graduação, os valores podem ser utilizados para pós ou segunda graduação.

Nova forma de acordo garante aumento real para 2017 Embora a Campanha Salarial tenha saldo positivo, neste ano todo o processo de organização, mobilização e paralisação da categoria foi muito desgastante. Nos últimos dias de greve, os trabalhadores tiveram de enfrentar também a inércia da Fenaban na mesa geral de negociação. Com a validade do acordo estendida para dois anos, a categoria poderá ampliar a luta em defesa do emprego e melhores condições de trabalho, que estão entre as principais deliberações da Conferência Nacional 2016.

Outras categorias

Os bancários seguem o exemplo de outras categorias, que mantêm esse tipo de acordo ou já fizeram no passado. É o caso dos metalúrgicos do ABC e em outras cidades com grandes empresas como Volks, Toyota e Renault, dos trabalhadores de calçados em Franca, comerciários do Rio de Janeiro, da construção civil em várias cidades do país, de setores de processamento de dados, transporte, vestuário e vigilantes. Esse modelo também é usual fora do País, com destaque para os trabalhadores dos correios no Canadá, assim como os empregados da construção civil no Reino Unido. Nos EUA, empregados da Verizon, uma grande empresa de telecomunicação, também selaram acordo por quatro anos.

Mesa única

Um dos grandes trunfos dos bancários enquanto categoria é a mesa única com a Fenaban. Isto garante que as negociações beneficiem os trabalhadores de bancos públicos e privados, que apesar de suas pautas específicas, conseguem estabelecer negociações gerais mais efetivas, que incidem de forma direta na mobilização e no poder de pressão sobre os bancos. O acordo por dois anos garantiu a reposição da inflação e 1% de aumento real para 2017, independente da conjuntura econômica.

A posição do movimento sindical

Confederação, federações e sindicatos sempre defenderam e defendem o aumento real nos salários. Em mais de uma dezena de reuniões com os bancos nas negociações deste ano, o Comando Nacional dos Bancários insistiu na reivindicação do aumento real. Através da luta da categoria foi possível avançar nos reajustes acima da inflação para vales e auxílios, além do abono de R$ 3.500.

Greve x aumento real

Em 2015, os bancários fizeram 21 dias de greve e conquistaram aumento real de 0,11% em uma conjuntura mais favorável aos trabalhadores. Diante de um governo que defende a retirada de direitos, manter todas as cláusulas da CCT garantidas por dois anos e ainda reposição total da inflação mais aumento real de 1%, é uma conquista da mobilização deste ano para 2017.

Carol Ferraz/SindBancários

Os desafios continuam

As negociações estão encerradas, mas agora o movimento sindical dará continuidade às demais lutas da categoria e ao enfrentamento à onda de retirada de direitos. Os ataques à Previdência, o avanço da terceirização e outras pautas urgentes, que atingem todas as classes trabalhadoras estão entre as prioridades do próximo período. Outro tema importante, que já está presente nas problemáticas atuais do mundo do trabalho bancário é o avanço das tecnologias digitais. Para defender os empregos no setor e enfrentar os desafios iminentes, o movimento sindical continuará organizando a categoria e preparando bancários e bancárias para todos os embates.

No dia 1º de setembro, apesar da situação política adversa, categoria decidiu pela greve


Porto Alegre, 14 de outubro de 2016

4 O Bancário AGILIZAÇÃO DE PAGAMENTOS

Banrisul pagará PLR, abono e diferenças salariais nesta sexta-feira O Pré-acordo Coletivo dos Banrisulenses foi assinado no fim da tarde da terça-feira, 11/10, na Direção geral do Banco, em Porto Alegre. A assinatura do documento permitiu a agilização do pagamento das verbas garantidas pelos trabalhadores, após 31 dias de greve. Os representantes do Banrisul informaram que a instituição fará três créditos aos funcionários nesta sexta-feira (14): pagamento da regra básica da PLR – de acordo com os critérios definidos na negociação da Fenaban - e a PLR/ Banrisul; abono de R$ 3.500 e as diferenças nas verbas de natureza salarial referentes ao mês de setembro. A renovação do Aditivo por

dois anos – a exemplo da mesa única com a Fenaban - é um resultado efetivo diante da grande greve realizada pela categoria. A greve nacional dos bancários iniciou no dia 6 de setembro. De acordo com o levantamento feito pela Fetrafi-RS e sindicatos, no último dia de movimento 241 unidades do Banrisul estavam fechadas no RS. Ao longo desse período ocorreram duas negociações específicas. A primeira rodada ocorreu no dia 2 de setembro, quando não houve qualquer avanço na pauta dos trabalhadores. A segunda e última reunião foi realizada na Fetrafi-RS, no dia 6 de outubro. Após mais de três horas de negociação, o Comando dos Banrisulenses orientou pela aceitação da proposta do Banco.

Marisane Pereira/Fetrafi-RS

Na terça-feira, dia 11/10, representantes dos banrisulenses e do banco se reuniram para a assinatura do acordo específico

Itens garantidos na negociação específica

:: Renovação do Acordo do ano passado para 2016 e 2017, exceto cláusulas que envolvem as visitas dos sindicatos aos novos funcionários e supressão do link de acesso ao site da Fetrafi-RS através da Intranet do Banco; :: Atendimento de todo o acordo proposto pela Fenaban, inclusive reajustes diferenciados nos vales e auxílio-creche; :: Reajuste de 15% na 13ª Cesta Alimentação; :: Pagamento da PLR, Abono e diferenças salariais em até cinco dias após a assinatura do pré-acordo.

Criatividade embalou a marcha da vitória bancária em Porto Alegre Os mais de 30 dias de greve dos bancários foram mais uma demonstração da força e persistência da categoria, e geraram sentimentos de solidariedade de setores da população e de outros trabalhadores. A luta, é claro, foi dura e desgastante - mais de um mês de greve cansa a categoria, os clientes e os próprios grevistas. Mas, como se viu mais uma vez, desgasta ainda mais os banqueiros, criticados diariamente em praça pública em função dos baixos salários, assedio moral, imposição de metas abusivas, adoecimento, más condições de trabalho e muito mais. Criatividade Neste ano, para manter a união e reduzir o desgaste de tantos dias de luta, o SindBancários mais uma vez utilizou-se da criatividade e bom humor para alertar a população sobre a exploração dos banqueiros e os problemas dos bancários. Bankemons Assim, muitos dos nossos atos e manifestações tiveram a presença inesperada dos “bankemons” – bonecos ao estilo pokemons -representando os banqueiros. Na campanha do ano passado, o toque de criatividade tinha ficado por conta dos “bancários walk” – quando a categoria realizou marchas pelo Centro de Porto Alegre, com os colegas caracterizados como verdadeiros zumbis. A presença dos bonecos, neste ano, foi um item a mais, juntando-se aos nossos protestos, assim como o já tradicional lanche de “salchipão”, preparado em frente à sede dos grandes bancos, contribuindo para ampliar o número de pessoas presentes.

Fotos Caco Argemi/SindBancários

Agências “envelopadas” chamaram a atenção de clientes e da mídia

Bankemons fortaleceram a greve e interagiram com a população

EMPRESAS PÚBLICAS

Campanha “Se é público, é para todos” será lançada no dia 18 O Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas lança no próximo dia 18 a campanha “Se é público, é para todos”, a partir das 19h na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal. A campanha em defesa das empresas, bens e serviços públicos foi lançada nacionalmente em junho passado e atinge vários estados brasileiros, além de contar com a adesão da UNI Américas Finanzas, que reúne trabalhadores do sistema financeiro na América Latina. Apenas no Rio Grande do Sul, o avanço das políticas privatistas, na área bancária, segue ameaçando o Banrisul e Badesul, além do Banco do Brasil, Caixa e BNDES, no Brasil.

O Bancário Jornal do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários) - filiado à CUT e à Fetrafi/RS. Presidente: Everton Gimenis. Diretor de Comunicação: Ana Guimaraens. Jornalista Responsável: Clóvis Victória (MTb 13829). Redatores: José Antônio Silva (MTb 3870), Marisane Pereira. Projeto gráfico e diagramação: Nina de Oliveira (MT 6612RS). Ilustração: Augusto F. Bier. Arte: Gerson Schneider. Impressão: Gráfica Relâmpago. Tiragem: 12,5 mil exemplares. Casa dos Bancários - Rua General Câmara, 424 CEP 90010-230 - Porto Alegre - RS Telefone: (51) 3433.1200 redacao@sindbancarios.org.br www.sindbancarios.org.br|www.facebook.com/SindBancarios.PoA |twitter.com/sindbancarios


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