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AVIÕES

X MOSQUITOS

Como podemos ajudar


Capacidade para virar o jogo Há mais de 40 anos Brasil teve uma das mais bem sucedidas operações de combate a mosquitos em sua história, quando a aviação agrícola ajudou a eliminar um surto de encefalite na Baixada Santista, em São Paulo. A transmissão estava ligada ao mosquito culex, que só passou a ter controle efetivo quando o avião entrou em cena. É ponto pacífico que o carro-chefe de qualquer ação contra mosquitos é a prevenção, com ações de casa em casa e a população fazendo sua parte contra os focos de água parada. Porém quando há grandes infestações de insetos, uma ação enérgica torna-se necessária para quebrar o ciclo de transmissão de doenças. E colocar novamente o controle ao alcance das ações da população. Nos anos 90, o governo federal iniciou uma pesquisa sobre pulverizações terrestres ou aéreas contra mosquitos. A aérea levou vantagem em vários aspectos e estava se encaminhando uma estratégia robusta, com a participação de todos os meios. Mas o estudo acabou interrompido. Então, há 12 anos o SINDAG vem propondo ao Ministério da Saúde uma parceria para repetir em escala nacional o êxito obtido em 1975 no litoral paulista. A proposta é eleger uma área piloto em uma zona de epidemia. E, ali, utilizar avião agrícola para aplicar o mesmo inseticida atualmente usado em terra por meio de bombas costais ou em caminhonetes. Adaptando também modelos de operações aéreas que há décadas são rotina em vários países. E atualmente estão ocorrendo nos Estados Unidos, França, México, Ilhas Cayman e até na vizinha Argentina. Para isso o sindicato oferece (gratuitamente) o avião, equipamentos embarcados, piloto e equipe de terra para fazer a aplicação do produto. E o Ministério da Saúde entraria com o inseticida e a equipe multidisciplinar para avaliar toda a operação e seus resultados. A proposta vem ganhando urgência depois que o País fechou 2015 com mais de 1,6 milhões de casos de dengue e já contabiliza em 2016 quase 3 mil casos suspeitos de microcefalia pelo vírus zika. Além disso o Brasil se tornou referência negativa em uma alerta mundial de saúde pela ONU e, recentemente, a FIOCRUZ divulgou uma investigação sobre a possibilidade do mosquito culex (mais comum do que o Aedes) também transmitir o zika. Podemos virar esse jogo, e estamos prontos para isso.

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FROTA

O Brasil tem mais de 2 mil aviões agrícolas. Eram 2.007, segundo levantamento divulgado no ano passado pelo portal Agronautas – com base no Relatório Aeronáutico Brasileiro (RAB), da Agência Nacional de Avião Civil (ANAC). É a segunda maior frota mundial, atrás apenas dos Estados Unidos, que tem em torno de 5 mil aeronaves. E são 232 empresas aeroagrícolas, também segundo dados de 2015. Confira onde estão todos:

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AVIAÇÃO AGRÍCOLA

68 anos de Brasil

A primeira operação aeroagrícola no Brasil ocorreu em 19 de agosto de 1947, em Pelotas/RS. Naquela época, nuvens de gafanhotos dizimavam as lavouras no município e os agricultores pediram ajuda ao chefe do Posto do Ministério da Agricultura local, Leôncio de Andrade Fontelles. Como os insetos não podiam ser combatidos por terra, Fontelles encomendou de um funileiro um equipamento que foi acoplado a uma aeronave Muniz M-9, de instrução, do Aeroclube de Pelotas. Naquela terça-feira, há 68 anos, o piloto Clóvis Goularte Candiota decolou com Fontelles operando o equipamento e o jogo começou a virar para os agricultores. O 19 de agosto se tornou Dia Nacional da Aviação Agrícola e Candiota é hoje considerado patrono da atividade.

Curiosidade: A aviação agrícola é uma criação do agente florestal alemão Alfred Zimmermann, em 1911. Mas ela só passou a ter aplicação comercial em 1921, nos Estados Unidos que, aliás, tem hoje a maior frota mundial, com cerca de 5 mil aviões.

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A primeira mulher a pilotar em uma operação aeroagrícola no Brasil foi Ada Leda Rogato. Isso em 1948, para combater a broca do café, em São Paulo. Apenas um ano após a primeira pulverização aérea no País, ocorrida no Rio Grande do Sul. Nascida em 1910, Ada pilotava desde os 15 anos. Ela atravessou a Amazônia, os Andes e foi da Terra do Fogo até o Alasca. Tudo em um pequeno avião.


MOSQUITOS EM SP

O primeiro combate A experiência brasileira de uso de aviões agrícolas em ações de saúde pública, realizada em 1975, destinou-se ao combate de surto de encefalite que assolava a Baixada Santista, em São Paulo. Foram 495 casos da doença, entre março e junho daquele ano, registrados principalmente em Mongaguá, Peruíbe e Itanhaém. A transmissão estava ligada ao mosquito culex, que foi combatido com uma ação enérgica da Superintendência de Controles de Endemias (SUCEN) de São Paulo. A estratégia abrangeu ações de educação para eliminar criatórios em residências e também aplicações de larvicidas por terra. Além do uso dos fumacês por equipes a pé ou caminhonete, como é feito hoje. Porém, depois de 60 dias de operações por terra, os resultados não foram satisfatórios, já que boa parte da infestação de mosquitos estava em pontos fora do alcance por terra. Foi aí que tiveram início as operações aéreas, com aplicação do mesmo inseticida ainda hoje aplicado nos fumacês. Foram necessárias apenas três aplicações em duas semanas para reduzir em 90% a população de mosquitos adultos da região – segundo levantamento da própria SUCEN.

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SEGURANÇA

O único meio de pulverização com legislação específica Entre todas as formas de aplicação de produtos em lavouras ou mesmo de fumacê em cidades, a aviação agrícola é justamente o ÚNICO meio com legislação específica, sem falar a fiscalização por pelo menos cinco órgãos governamentais. Ela é normatizada pelo Decreto Lei 917, de 07/10/69 e regulamentada pelo Decreto 86.765, de 22/12/81. Isso na esfera do Ministério da Agricultura. Na Secretaria de Aviação Civil, o principal documento é o RBAC 137 da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e legislação complementar. Além disso, as empresas aeroagrícolas precisam estar registradas nos Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREAs) e suas instalações licenciadas no âmbito dos órgãos ambientais de cada Estado.

Entre as várias obrigações das empresas aeroagrícolas, elas precisam contratar uma equipe altamente qualificada (veja ao lado), devem contar com pátio de descontaminação (abaixo) e até as operações (todas elas) são documentadas uma a uma – os seus relatórios precisam ficar por pelo menos cinco anos à disposição dos órgãos de fiscalização e o resumo deles tem que ser enviado mensalmente ao Ministério da Agricultura.

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O avião é lavado em um espaço com piso de concreto, caixa de areia e um ralo, que envia a água para um ozonizador, que serve para eliminar o princípio ativo das moléculas.

Selo de qualidade

Além de toda a legislação, o Brasil é o único país com um selo de qualidade ambiental para a aviação agrícola. O Programa Certificação Aeroagrícola Sustentável (CAS - veja em www.cas-online.org. br) é administrado por uma fundação, coordenado por três universidades públicas e apoiado pelo SINDAG.


Agrônomo e técnico com especialização aeroagrícola

Para poder operar, as empresas de aviação agrícola são obrigadas a terem em seu quadro de pessoal um engenheiro agrônomo com especialização em operações aeroagrícolas. Entre os funcionários na equipe de terra, também é necessária a contratação de pelo menos um técnico agrícola, também com especialização em aviação. Sem contar o responsável pela Segurança Operacional da empresa, que deve fazer com que todos os colaboradores sigam à risca o Manual de Gerenciamento da Segurança Operacional da empresa (MGSO), outra obrigação legal do setor.

O pátio de descontaminação Como o nome diz, o pátio de descontaminação é o local onde a aeronave é limpa, antes de ser guardada no hangar. Mesmo depois de ter feito a tríplice lavagem na lavoura. Ele tem um sistema que capta a água da lavagem e envia para um sistema de tratamento que “quebra” as moléculas de eventuais resíduos químicos

Do ozonizador a água vai para um tanque de evaporação – impermeável, para não contaminar o solo.

Para se tornar piloto agrícola

Para poder pilotar um avião agrícola, o interessado precisa primeiro fazer o curso de Piloto Privado (PP, que permite pilotar como hobby) e depois concluir o curso de Piloto Comercial (que habilita a trabalhar em companhias aéreas). Só depois de cumpridas essas etapas e somado pelo menos 370 horas de voo é que ele pode se matricular no Curso de Piloto Agrícola (CAVAG), que só tem cinco escolas no Brasil - duas no RS, duas em SP e uma no PR.

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Como é uma operação contra Enquanto na rotina nas lavouras os aviões agrícolas realizam as aplicações de defensivos a entre três e cinco metros de altura, no voo de combate a mosquitos e operação é realizada a uma altura entre 30 e 60 metros sobre as casas, terrenos baldios, construções abandonadas em outras áreas de difícil acesso a partir da rua.

(*) 1 quarteirão = 1 hectare

Além de evitar rasantes sobre a cidade, a altura maior possibilita uma faixa maior de aplicação (em torno de 50 metros de largura). Com isso, um avião consegue cobrir em média 500 quarteirões por hora*,

usando o produto na proporção de 400ml por quarteirão. A aplicação é feita a técnica de Ultra Baixo Volume (UBV), na qual, por meio de atomizadores, o tamanho de gota é regulado para uma medida entre 50 e 70 mícrons (0,05 a 0,07 milímetros), como um fumacê. Porém, é acrescentado um tipo de óleo, para que a gota não evapore no meio do caminho. Com essas medidas, consegue-se uma concentração que é nociva apenas para mosquitos – não prejudicando pessoas, animais domésticos ou mesmo insetos de maior porte.

DGPS

Recebe as coordenadas da área tratada e indica com precisão cada passada que o avião precisa dar no local . Também armazena todos os dados da aplicação

Atomizadores

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Ficam nas barras sob as asas do avião e servem para dar às gotas o tamanho exato para que seja combatido só o mosquito


mosquitos Além disso, o avião ainda conta com diversos instrumentos que garantem sua precisão, como o DPGS (uma espécie de GPS bem rápido e mais preciso – em centímetros – do que os aparelhos usados, por exemplo, em automóveis. O mapa da área a ser aplicada é colocado no DGPS, que também registra todos os dados da operação, permitindo a posterior avaliação do voo com os técnicos em terra. O aparelho é ligado à lightbar, que fica em frente ao cockpit e indica com luzes a localização exata da faixa a ser aplicada (uma espécie de “mira” eletrônica).

Lightbar

Uma espécie de “mira” que fica no nariz do avião e que indica a linha de cada faixa

contra vetores

40 metros

Altura de voo

Diferente do voo sobre lavouras, que é colado ao chão, o voo de combate a mosquitos é bem mais alto. Isso porque na lavoura as faixas precisam ser estreitas, para que os produtos fiquem restritos à propriedade onde está a lavoura – além disso, também são usados outros tipos de bicos no lugar dos atomizadores, conforme cada produto. Já contra mosquitos, o tipo de produto usado é outro – também chamado de saneante. Com gotas bem menores para os mosquitos e com uma abrangência não tão restrita quanto em uma lavoura. O que pede a faixa mais larga.

na lavoura 3 metros

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O histórico do pedido do SINDAG Em 2004, o SINDAG iniciou um diálogo com o Ministério da Saúde visando estabelecer uma parceria para se chegar a uma fórmula que repetisse em escala nacional o êxito obtido 29 anos antes no litoral paulista. Na verdade, usando uma técnica que hoje é comum em países como Estados Unidos, México e outros países da América Latina. Entre idas e vindas nos anos seguintes, em 2007, quando o País registrou 496,9 mil casos da doença (90% a mais que no ano anterior), o Ministério da Saúde publicou a Nota Técnica 75 (páginas 14 e 15). O documento desaconselhava o uso de aviação, mas sem um argumento conclusivo. Excetuava, entretanto, sua contrariedade, para os casos de epidemias. A Nota foi contestada ponto a ponto pelo SINDAG, que demonstrou os vários equívocos de análise que levaram à decisão do Ministério. Em 2008 a diretoria do Sindag conseguiu, enfim, uma audiência com o ministro da Saúde – na época, José Gomes Temporão, ao qual foram apresentados todos os argumentos e, novamente, solicitado que se realizassem testes para que se pudesse comprovar ou não a eficácia do método e suas vantagens na relação custo/benefício. Isso foi em maio e o ministro encaminhou o tema ao grupo técnico do Programa Nacional de Combate à Dengue. Em junho o Sindag se reuniu com o Grupo e apresentou novamente sua proposta. Os técnicos então disseram que o Sindicato teria uma resposta depois que eles deliberassem sobre o tema. Enquanto o SINDAG continuava insistindo para que as autoridades sanitárias tentassem o uso de aviões contra mosquitos, o Brasil viu a epidemia de dengue pular dos quase 500 mil casos em 2007 para mais de 1,6 milhão de casos em 2015. Além disso, a população aprendeu a temer também a febre chikungunya e, desde o ano passado, o pânico gerado pelos casos de microcefalia associado ao vírus zika.

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Ainda no dia 30 de dezembro do ano passado, o SINDAG mais uma vez protocolou um pedido de audiência em Brasília, desta vez com o então ministro da Saúde, Marcelo Castro, para reapresentar a proposta na qual vinha insistindo havia 11 anos.

2016

Em fevereiro, o deputado federal Valdir Colatto (PMDB/SC) apresentou emenda ao projeto de Medida Provisória (MP) 712/16, incluindo a aviação agrícola nas ações de combate ao zika vírus, à dengue e à febre chikungunya – que eram o foco do projeto. No dia 16 de março, representantes do SINDAG tiveram uma reunião com técnicos da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. A audiência foi uma resposta ao requerimento feito em dezembro e a comitiva do SINDAG foi acompanhada do deputado federal Luís Carlos Heinze (PP/RS) – tanto Heinze como Colatto vinham apoiando o pleito do sindicato aeroagrícola. Ainda em março, o SINDAG defendeu sua proposta na Audiência Pública da Comissão Mista que analisava o projeto da MP 712/16 na Câmara e no Senado. Em 31 de maio, representantes do SINDAG tiveram, enfim, uma audiência com o novo ministro da Saúde, Ricardo Barros, que determinou uma nova reunião técnica para fazer andar a proposta. O encontro foi conseguido com a ajuda de Heinze, que participou da conversa. No mesmo dia, o Senado aprovou ao MP 712/16, com a emenda de Colatto. O texto foi então encaminhado à sanção do presidente interino da República, República. Michel Temer. Microcefalia por suspeita de zika: 7.723 casos investigados, com 1.489 confirmações em 25 Estados*

(*) De outubro

de 2015 a maio de 2016, segundo o Ministério da Saúde.

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Opinião de especialistas... A eficácia da aviação agrícola em operações de combate a mosquitos é compartilhada por diversos especialistas brasileiros. E pelo menos três deles elaboraram pareceres reforçando essa ideia, no sentido de ajudar o SINDAG a convencer as autoridades sobre a importância de se colocar essa ferramenta à mesa, como uma opção a ser seriamente considerada na guerra contra a dengue, chikungunya e zika: Um desses especialistas é o professor José Carlos Christofoletti, de Sorocaba/SP. Engenheiro agrônomo e doutor em Tecnologia de Aplicação Aérea, Christofoletti também participou das operações contra mosquitos realizadas em 1975, na Baixada Santista. Segundo ele, o emprego de aeronaves para a aplicação de inseticidas no combate a vetores de doenças é a técnica ideal quando é necessário um “tratamento de choque” para reduzir a infestação de mosquitos. “A literatura técnica específica tem registro de sua utilização (do avião) em várias partes do mundo com resultados positivos, principalmente pela grande área pulverizada em um pequeno espaço de tempo”, cita Christofoletti em seu parecer. Outro especialista que aposta no uso do avião contra mosquitos é o pesquisador Paulo Estevão Cruvinel, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). Há dois anos Cruvinel lidera um projeto de pesquisa sobre pulverizações aéreas na agricultura, dentro de uma parceria entre a EMBRAPA e o SINDAG – na verdade, a maior pesquisa até hoje realizada no País sobre o tema. Para ele, a pulverização aérea contra mosquitos poderia ser feita no Brasil não só utilizando os produtos empregados nos fumacês , mas também usando bioinseticidas. E aí a própria EMBRAPA já possui outra pesquisa em andamento.

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Cruvinel também considera que os ajustes e equipamentos de pulverização para ações contra vetores ainda são desconhecidos por boa parte dos pesquisadores e formadores de opinião. Um fator a mais para respaldar a importância de se fazer ensaios em uma área piloto.

A literatura técnica tem registros do uso de aviões em várias partes do mundo


...em favor da aviação Também doutor em engenharia e especialista em aviação agrícola, o professor Wellington Pereira Alencar de Carvalho, da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e integrante do corpo técnico do CAS, lembra que o próprio governo brasileiro já ensaiava uma estratégia robusta de aviões contra mosquitos nos anos 90. Da qual ele mesmo participou, mas que foi abortada pelo desmantelamento do Centro Nacional de Engenharia Agrícola (CENEA), que funcionava em São Paulo. O CENEA ficava na Fazenda Ipanema, em Iperó/ SP) e era onde o Ministério da Agricultura mantinha o Curso de Piloto Agrícola (CAVAG) e as especializações para engenheiros agrônomos e técnicos agrícolas – na época atribuição do governo federal. “Em 1991/2 o Ministério da Saúde já previa a possibilidade de num curto espaço de tempo o Brasil ter casos de dengue hemorrágica”, recorda o pesquisador. Na época, o governo importou atomizadores e os encaminhou ao CENEA, para que se iniciassem testes a fim de estabelecer um protocolo de ações contra vetores. Os ensaios ocorreram em São José do Rio Preto e avaliaram o uso dos atomizadores tanto em equipamentos terrestres como em avião. O que se constatou foi que a aplicação terrestre era eficaz, mas limitada, não atingindo os fundos de terrenos, partes superiores das casas e outros pontos de difícil acesso.

Na década de 90, o governo abandonou os estudos para uma ação com fumacê aéreo

O testes tiveram a participação de técnicos da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ/RJ), Ministério da Agricultura, órgãos estaduais e entidades privadas. “O projeto foi completamente e ‘forçosamente abandonado’ e, logo em seguida, surgiram inúmeros casos de dengue hemorrágica no país e várias famílias perderam seus entes queridos, situação que vem acontecendo em maior escala nos últimos anos”, assinala o pesquisador em seu parecer.

Confira a íntegra dos pareceres em: http://www.sindag.org.br/web/site/xhtml/content/noticias/detalhe.aspx?id=1052

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PONTO E CONTRAPONTO

A Nota Técnica 75... Em junho de 2007, o Ministério da Saúde chegou a emitir um documento – a Nota Técnica 75, descartando a realização de testes sobre o uso de aviões no combate ao mosquito Aedes aegypti. Entre os motivos, ressaltou que a técnica seria adequada apenas a casos de epidemia. A manifestação do governo veio sem que os técnicos do SINDAG e do Ministério tivessem conversado sobre a questão, motivo pelo qual o sindicato aeroagrícola achou por bem divulgar, logo em seguida, um documento levando mais elementos ao debate (veja na página ao lado). A Nota Técnica 75 se baseou em um estudo sobre pulverizações aéreas contra vetores realizado na Colômbia, em 1979, pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS). A pesquisa serviria justamente para orientar entidades e governos que quisessem optar pelo método. Além de reforçar que o avião seria útil em situações de emergência, para controle de epidemias causadas por vetores, a pesquisa também considerou a ferramenta rápida e de grande alcance e cobertura no combate a mosquitos. Porém, o relatório do ensaio apontou, entre os aspectos negativos, que a aplicação aérea era mais cara do que a terrestre e que algumas gotas maiores poderiam não ficar flutuando no ar tempo suficiente para entrar nas residências – um dos habitats preferidos do Aedes aegypti. Os técnicos do Ministério da Saúde brasileiro informaram, então, que se baseariam no estudo colombiano para apostar no controle de casa em casa para a eliminação de criadouros, segundo um protocolo que permitiria manter os níveis de infestação de mosquito abaixo de 1%. E, no caso da necessidade de aplicar produtos via fumacê, isso seria feito apenas por equipes em terra. Para tanto, o órgão manteria uma reserva estratégica de nebulizadores pesados montados em veículos. Equipamento que seria, então, repassado aos Estados.

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O Ministério da Saúde baseou sua posição em um estudo na Colômbia


...comentada pelo SINDAG No documento publicado para que o Ministério da Saúde reavaliasse sua posição, o sindicato aeroagrícola chamou a atenção para a experiência brasileira. Ao mesmo tempo, lançou um novo olhar sobre a pesquisa colombiana, que balizou a Nota Técnica 75. O documento do SINDAG foi assinado pelo então presidente Júlio Augusto Kämpf e pelo engenheiro agrônomo Eduardo Cordeiro de Araújo, assessor técnico da entidade. O texto teve como base o parecer de Araújo, que por sua vez havia participado das operações em 1975, na Baixada Santista. Aliás, o sucesso do uso de aviões no combate a mosquitos no litoral paulista já havia sido apresentado no 8º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária, no Rio de Janeiro, naquele mesmo ano. Quando ao estudo feito na Colômbia, foram analisados pontos como os valores das aplicações aéreas frente às terrestres. Nesse caso, o preço atribuído às pulverizações por terra deixou de lado o custo da compra de equipamentos como motobombas e veículos. Enquanto que no custo da aplicação aérea está lançado corretamente apenas o valor do serviço – não há a necessidade de compra de equipamentos e muito menos de aviões.

O sindicato chamou a atenção para os dados da experiência brasileira

E mais: mesmo o valor do serviço de aplicação aérea no Brasil seria três vezes inferior ao valor aferido na Colômbia. Isso porque lá eles consideraram o custo por residência. E o avião consegue abranger bem mais do que apenas a casa – fundos de terrenos baldios, construções abandonadas e extensas áreas longe do alcance da rua (aliás, sua grande vantagem). Computando por metro quadrado, claro que o avião faz muito mais com menos. O contraponto também chamou a atenção para o fato do próprio estudo colombiano ter apontado uma mortalidade de 100% dos mosquitos, dentro e fora das casas. O que corrobora o relatório da Baixada Santista onde, apesar do alvo ter sido o mosquito culex, houve 90% de mortalidade também do Aedes aegypti.

Confira os textos da NT 75 e o contraponto do SINDAG em: http://www.sindag.org.br/web/site/xhtml/content/noticias/detalhe.aspx?id=1053

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SINDAG - Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola Rua Felicíssimo de Azevedo, 53 Sala 705 CEP 90540-110 - Porto Alegre/RS Fone: (55) 51 3337-5013 sindag@sindag.org.br - www.sindag.org.br

Presidente (licenciado)

Nelson Antônio Paim Primavera do Leste/MT

Vice-presidente (presidente em exercício)

Júlio Augusto Kämpf Cachoeira do Sul/RS Secretário

Conselho Fiscal: Valdinei Silva de Paula São Borja / RS

Alan Sejer Poulsen Pelotas / RS

Nelci Afonso Arenhart Uruguaiana / RS

Nelson Coutinho Peña Pelotas/RS Tesoureiro

Francisco Dias da Silva Camaquã/RS

Consultoria técnica: Eng. Agr. Eduardo Cordeiro de Araújo Pelotas/RS

Projeto gráfico, redação e diagramação:

Castor Becker Júnior

Reg Prof.: 8862 - DRT/RS Fone: (51) 9826-3226 imprensasindag@sindag.org.br

Cartilha Aviões x Mosquitos  

Publicação do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (SINDAG) sobre o projeto colocando o setor à disposição do governo brasile...

Cartilha Aviões x Mosquitos  

Publicação do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (SINDAG) sobre o projeto colocando o setor à disposição do governo brasile...

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