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Impresso Especial 1000007795/2006-DR/BSB

SindMédico-DF CORREIOS

Órgão Informativo do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal Brasília - Ano IX - Janeiro-Fevereiro / 2009 - nº 73

DEVOLUÇÃO GARANTIDA

CORREIOS

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Revista Médico


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Janeiro / Fevereiro 2009


Editorial

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Quando o discurso se separa da prática

ão é novidade para ninguém que mora na capital do país que o sistema público de saúde é o calcanhar de Aquiles do Governo do Distrito Federal. Os graves problemas causados diariamente à população, em virtude da precarização de hospitais e centros de saúde; e da insuficiência crônica de recursos humanos, com a falta de médicos, enfermeiros e demais profissionais, levam as autoridades responsáveis para os noticiários locais e até mesmo nacionais, revelando uma face que deixa a todos muito tristes. Na virada de ano, porém, vimos, lemos e ouvimos o GDF propagar nos meios de imprensa da cidade, que a saúde seria prioridade de governo, na expectativa de devolver a Brasília, o status que ela já teve no passado. Sem dúvida, uma boa notícia para qualquer pessoa que gosta desta cidade, principalmente nós médicos, que vivemos com muita preocupação e uma ponta de esperança, o dia-a-dia dos hospitais públicos. O fato é que tais afirmações de resgate da saúde pública devem mesmo ficar somente na retórica do discurso. Mal começamos o ano de 2009, mas já dá para saber que o desejo de priorizar a saúde não retratará a prática. Pelo contrário. A saúde pública da capital federal deve sofrer ainda mais este ano. Como podemos prever isso? Simples: basta consultar o Orçamento do Distrito Federal para 2009, aprovado pela Câmara Legislativa e publicado no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF). Ao vasculhar as centenas de páginas que compõe os indicativos de investimento do GDF para o ano, vê-se que as verbas destinadas para a área da saúde são 10% menores que em 2008. Ou seja, como a saúde pode ser prioridade de governo, se o mesmo reduz os recursos para custeio da infra-estrutura necessária ao atendimento da comunidade. Se o dinheiro já não era suficiente em 2008, como será em 2009, sendo que a população não para de crescer, e com isso, as necessidades de melhores condições de atendimento, por

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meio de novas unidades, mais equipamentos e insumos e mais profissionais em número suficiente para dar conta do acréscimo de demanda. Segundos dados da própria Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES/DF), somente de janeiro a setembro de 2008, mais de 5 milhões de atendimentos foram feitos em todas as unidades públicas da cidade. Durante todo o ano de 2000, foram 4,7 milhões de atendimentos. Ou seja, em oito anos, o volume de atendimento nos primeiros nove meses de 2008, superaram com folga todo o volume de procedimentos que a rede pública fazia na virada do milênio. E sinceramente, esse processo deve continuar não só em 2009, mas nos anos seguintes também. E aí voltamos a conclusão de que, em se tratando de saúde pública, o discurso vai passar bem longe da prática. Pois se observarmos mais atentamente a peça de orçamento para o DF, descobre-se o que não foi dito pelo governo. As verbas destinadas a obras cresceram este ano 50% com relação a 2008, revelando que a real prioridade do GDF não é dar saúde para a população, mas construir viadutos, pontes e estradas, que aparecem bem na propaganda oficial às vésperas das eleições. Afinal, as obras contratadas hoje, precisam estar prontas em 2010, para ilustrar os programas eleitorais que promovam o descongestionamento do trânsito nas rodovias da cidade. Enquanto isso, as filas na rede pública devem só aumentar, colocando cada vez mais brasilienses doentes e desesperançosos nas emergências e pronto-socorros. A maioria delas, de pessoas humildes que sequer possuem um carro para se sentirem engarrafadas no caos urbano e, com isso, serem alcançadas pela real prioridade de governo. Fato é que a fala não se sustenta diante dos dados e números. Preparem-se, pois o divórcio entre o discurso e a prática deve produzir muito mais estragos na rede pública, pois com a redução dos investimentos na saúde, os problemas vividos até 2008 devem seguramente se agravar... afinal, dinheiro de menos é igual a problemas demais.

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Sumário

Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores

Presidente (Licenciado) Dr. César de Araújo Galvão Presidente em Exercício Dr. Marcos Gutemberg Fialho da Costa Secretário Geral Dr. Rafael de Aguiar Barbosa 2ª Secretário Dr. Gustavo de Arantes Pereira. Tesoureiro Dr. Gil Fábio de Oliveira Freitas 2º Tesoureiro Dr. Luiz Gonzaga da Motta Diretor Jurídico Dr. Antônio José Francisco P. dos Santos Diretor de Inativos Dr. José Antônio Ribeiro Filho Diretor de Ação Social Drª. Olga Messias Alves de Oliveira Diretor de Relações Intersindicais Dr. Jomar Amorim Fernandes Diretor de Assuntos Acadêmicos Dr. Lineu da Costa Araújo Filho Diretora de Imprensa e Divulgação Drª. Adriana Domingues Graziano Diretor Cultural Dr. Jair Evangelista da Rocha Diretores Adjuntos Dr. Antônio Geraldo, Dr. Cantídio, Dr. Cezar Neves, Dr. Dimas, Dr. Diogo Mendes, Dr. Martinho, Dr. Olavo, Dr. Osório, Dr. Tamura, Dr. Vicente, Dr. Tiago Neiva Conselho Editorial Drª. Adriana Graziano, Dr. Antônio José, Dr. César Galvão, Dr. Francisco Rossi, Dr. Gil Fábio Freitas, Dr. Gutemberg Fialho, Dr. Gustavo Arantes, Dr. Diogo Mendes, Dr. Osório Rangel e Dr. José Antônio Ribeiro Filho. Editor Executivo Alexandre Bandeira - RP: DF 01679JP Jornalista Elisabel Ferriche - RP: 686/05/36/DF Diagramação e Capa Pedro Henrique Corrêa Sarmento Fotos Gustavo Lima e divulgação Projeto Gráfico e Editoração Strattegia Consulting Anúncios (61) 3447.9000 Tiragem 6.000 exemplares Gráfica Alpha Gráfica SindMédico/DF Centro Clínico Metrópolis SGAS 607, Cobertura 01, CEP: 70.200-670 Tel.: (61) 3244.1998 Fax: (61) 3244.7772 sindmedico@sindmedico.com.br www.sindmedico.com.br

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Entrevista

Gutemberg Fialho Novo presidente do SindMédico/DF

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Fórum

Dúplo Vínculo Máximo de 80 horas

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Jurídico

Abuso de Autoridade SindMédico/DF age contra delegado

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Especial Reinauguração do auditório Homenagem ao Dr. Tito Figuerôa

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Capa

Orçamento Dinheiro de menos, problemas demais

Aconteceu

AMBr 50 anos Inauguração da sede administrativa

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Regionais

Residência Hospitais sem médicos em março

Vida Médica

Colecionadores de prazer Médicos apaixonados por objetos

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Vinhos & Histórias

Dr. Gil Fábio Vinho do Porto

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Opinião

“Não deveria ser assim”

Gustavo Arantes Médico, ex-diretor do HBDF e 2º Secretário do SindMédico/DF

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ecentemente a colunista Jane Godoy, na sua coluna 360° do jornal Correio Braziliense, publicada na edição do dia 10 de janeiro último, criticou as mazelas que observou no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) e questionou: “Por que tem de ser assim?” Como médico e como ex-direitor do HBDF eu responderia: “não tem e nem deveria ser assim”. A questão é: “a quem interessa que seja assim?” É pelo menos intrigante o que vem acontecendo com a saúde, não só no Distrito Federal, como em todo o território nacional. Os problemas existentes não são novos, porém, estão piorando a cada dia. No DF, a situação da saúde começou a se deteriorar há 20 anos, quando, os gestores, em diferentes níveis, começaram a ser escolhidos, prioritariamente, por interesses políticos com vistas a apoios partidários e a garantia de futuros mandatos no Congresso Nacional. Competência técnica e conhecimento das dificuldades e demandas impostos pela nossa cidade e população foram relegados a segundo plano. Declarações infundadas feitas por eminentes figuras públicas, à época, de que “o melhor médico de Brasília era a ponte aérea” e que o Hospital de Base deveria ser “implodido” (por ter sido erroneamente responsabilizado pela infecção apresentada pelo então presidente eleito Tancredo Neves) contribuíram para desacreditar o nosso sistema de saúde e, injustamente, manchar a reputação dos médicos e profissionais de saúde de Brasília. O pior foi constatar que, apesar de desmentidos posteriores, depoimentos de especialistas em maté-

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rias publicadas na mídia, foram insuficientes para reparar o estrago resultante dessas declarações levianas e restaurar a verdade! Na reta final da última campanha à Presidência, os candidatos ao segundo turno mostraram total desconhecimento da real situação do sistema público de saúde no Brasil: um, ao afirmar que “nunca os hospitais públicos estiveram funcionando tão bem” (??!!) e o outro, por não questionar a infeliz afirmação. Prefiro acreditar que os dois candidatos não tinham dados condizentes com a verdadeira realidade do nosso sistema de saúde. É fácil verificar que nem eles e nem seus dependentes frequentam os consultórios e enfermarias dos hospitais públicos do Brasil. “A quem interessa a desinformação?” Nossos governantes têm se eximido do seu dever pátrio de orientar e cuidar dos seus cidadãos. Obrigações constitucionais, como a do tripé educação-saúdesegurança, há muito foram deixadas de lado. Verbas aplicadas nessas três áreas continuam sendo vistas como gastos e não como investimentos. A preocupação é a de punir o cidadão comum, com cobranças abusivas de impostos e com mecanismos de arrecadar dinheiro como os “pardais”, espalhados nas ruas e estradas deste país, que funcionam como verdadeiras máquinas caça-níqueis. Ninguém questiona a necessidade de o governo arrecadar para fazer seus investimentos, mas estamos cansados de ver, ouvir e ler sobre desvios de recursos, cortes de verbas, e corrupção, para “tapar buracos” ou até mesmo para incrementar programas eleitoreiros. O descaso com a saúde, o descompromisso com as instituições públicas e com o bem-estar comum têm levado à depauperação dos nossos hospitais e à falência do nosso sistema público de saúde. Sobram equipamentos sem manutenção e faltam medicamentos, material hospitalar e estrutura física para se proporcionar um mínimo de conforto à população que procura os hospitais. Resultado: todos nós, pacientes e médicos, profundamente insatisfeitos e frustrados, somos relegados ao abandono e forçados a buscar alguma compensação nos “braços” dos planos de saúde. Qual será o propósito? Levar-nos a acreditar que esse quadro caótico é irreversível e que somente com a ajuda da iniciativa privada será possível “consertar” o nosso sistema de saúde? E a camada da

população que não pode arcar com os custos de um plano de saúde? A terceirização bate à porta dos hospitais públicos. A parceria com a iniciativa privada pode significar a isenção dos nossos governantes ao cumprimento dos seus deveres constitucionais básicos. Pobre do país que vira as costas à sua população e lhe nega o direito e o acesso gratuito a educação, a saúde e a segurança! Os que defendem a terceirização dos serviços de saúde argumentam que os hospitais públicos não funcionam por culpa dos profissionais da área que “não querem nada com o trabalho”. Os defensores alegam que a garantia da estabilidade no emprego seria a principal causa já que os servidores públicos não desempenham corretamente suas funções e não podem ser demitidos como o que ocorre na iniciativa privada. Os que pensam assim demonstram, no mínimo, desconhecimento da Lei 8.112, que rege o funcionalismo público, pois ela prevê punição aos funcionários que não desempenham corretamente suas funções. Que sejam punidos os maus funcionários! Mas não é justo generalizar e considerar “farinha do mesmo saco” os inúmeros profissionais sérios e compromissados que trabalham na saúde pública. Mais injusto é responsabilizá-los pela falência do sistema de saúde! A verdade é que falta vontade política, comprometimento com as instituições públicas e sobram interesses pessoais! Em respeito às pessoas sérias deste país, que abraçaram a árdua tarefa de administrar nossas cidades, prefiro acreditar que não se esteja desenhando alguma campanha para desacreditar o atual modelo de saúde e, muito menos, mostrá-lo como falido para justificar a implantação da terceirização como solução para as mazelas que encontramos no nosso atual sistema público de saúde. Proponho aqui uma reflexão: a quem pode interessar declarar falido o atual sistema de saúde? Será que o novo modelo irá melhorar as condições de atendimento à população? Na prática observamos que, nos estados que adotaram esse modelo, poucos conseguiram melhorar efetivamente o sistema de saúde. Esse assunto deveria ser mais discutido com a comunidade e os órgãos de classe e não resolvido de “cima para baixo”. A terceirização será a solução? Porque insistem em “vendê-la” como tal? Uma coisa é certa: não tem de ser assim!

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Entrevista

“Unidos, venceremos os desafios” Por Elisabel Ferriche

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araíbano de Araruna, Marcos Gutemberg Fialho da Costa chegou à Brasília em 1988 para vencer o desafio de trabalhar como ginecologista obstetra na Capital da República. Não satisfeito, fez pós-graduação em perícia médica, auditoria em saúde e administração hospitalar, além de especialização em Medicina do Trabalho e Direito. Entrou para a vida sindical em 1998 com o Movimento Acorda Doutor, que mudou a filosofia do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal, antes voltado apenas para a política partidária. Com um novo paradgma, o SindMédico/DF iniciou um trabalho de resultados e voltado exclusivamente para os interesses dos médicos. Gutemberg Fialho foi diretor jurídico por dois mandatos e vice-presidente por cinco anos. Com o licenciamento do Dr. César Galvão, Gutemberg Fialho assumiu a presidência no dia 4 de fevereiro para dar continuidade ao trabalho que vinha sendo realizado e também para arregaçar as mangas e buscar melhorias para a classe médica. Nesta entrevista Gutemberg fala de seus planos.

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SindMédico - O senhor assume agora a presidência do SindMédico/DF. Qual será sua prioridade? Dr. Gutemberg - O grande desafio do Sindicato dos Médicos hoje é a luta por melhores condições de trabalho no serviço público, recuperação dos salários, criar condições para que o médico desempenhe suas atividades sem pressão, sem cobranças para atender uma demanda cada vez maior de pacientes. No setor privado temos que lutar pela implantação da CBHPM, pela autonomia nas negociações dos honorários médicos e pelo cumprimento das resoluções do CFM.

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Dr. Gutemberg Fialho - Presidente em exercício do Sindicato dos Médicos do DF

SindMédico - Qual a situa- novo concurso público, pagamenção do Sindicato hoje? to dos precatórios, a conquista da contagem de tempo de serviço Dr. Gutemberg - O SindMé- insalubre enquanto celetista para dico/DF tem hoje a maior base efeito de aposentadoria, a aquisisindical do país, uma série de ser- ção da nova sede e uma série de viços à disposição dos médicos, serviços colocados à disposição o como a assistência jurídica, o bal- médico. cão da contabilidade, o seguro decessos, escola de informática, UTI SindMédico - O senhor móvel, etc. Em breve estaremos vai manter a filosofia de que o oferecendo assistência jurídica às SindMédico/DF deve ser apartipequenas empresas, constituídas dário? apenas para recebimento de honorários médicos. Dr. Gutemberg - O Sindicato não deve ser usado como insSindMédico - Como o se- trumento de interesses políticos nhor pretende administrar as pessoais e sim da categoria. Onde divergências atualmente exis- estiver o interesse da classe méditentes? ca, independente de ideologia, o sindicato tem a obrigação de estar Dr. Gutemberg - Não há presente. divergências quando o foco do nosso trabalho é o bem estar do SindMédico - O senhor é médico. O diálogo é a chave do a favor da união das entidades sucesso. médicas? O que fará para manter essa união? SindMédico - O senhor está há dois anos na vice-presidência, Dr. Gutemberg - A união mas vem atuando na diretoria do da classe médica é fundamental SindMédico há oito anos. O que para enfrentarmos os desafios mudou no SindMédico nesse das políticas públicas, do merperíodo? cado de trabalho, a cartelização dos planos de saúde. Vamos conDr. Gutemberg - Estamos no tinuar trabalhando para a consSindMédico há dez anos, diretor trução do Conselho Superior das jurídico por dois mandatos, vice- Entidades Médicas, que é essenpresidente por cinco anos e agora cial para união das entidades assumimos a presidência. Nesse médicas e fortalecimento da caperíodo foi realizada uma verda- tegoria. deira revolução, com conquistas históricas como, regulamentação SindMédico - O Sindicato da jornada de trabalho para 20 tem como missão lutar pela clashoras que antes era de 24 horas se e defender o médico. Como o semanais, a criação da carreira senhor pretende fazer isso? médica, a implantação do novo plano de cargos e salários, com Dr. Gutemberg - A autonogratificação de titularidade, férias mia no exercício profissional é de 40 dias anuais, mudança de uma prerrogativa que o médico especialidade sem a realização de não deve abrir mão, e a obriga-

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Entrevista ção do sindicato é lutar para que ela seja respeitada. A missão do SindMédico é defender e proteger o médico. SindMédico - A classe médica vem sendo desprestigiada ao longo dos anos pelos Governos locais. A que o senhor atribui a isso? Dr. Gutemberg - O envolvimento profissional em detrimento da atuação política tem afastado o médico do centro das decisões políticas, temos que ampliar a nossa participação na Câmara Legislativa, pois sem voz, sem voto, sem participação forte no legislativo vamos continuar afastados. O médico precisa entender que não pode mais ser usado para satisfazer interesses alheios à classe médica e que deve usar sua força, seu poder de multiplicação, de formador de opinião para ser o condutor desse processo. SindMédico - Qual será o relacionamento do SindMédico com o atual governo? Dr. Gutemberg - O relacionamento do SindMédico com o governo tem que ser institucional e pragmático, quando as políticas implantadas corresponderem às expectativas da classe médica apoiaremos, quando não, combateremos. SindMédico - E como será o relacionamento do SindMédico com as demais entidades médicas? Dr. Gutemberg - De entendimento e cooperação, unidos seremos fortes e venceremos os desafios que a nova ordem política e econômica nos impõe.

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Fórum

Máximo de 80 horas para dois vínculos

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Sindicato dos Médicos do Distrito Federal quer que a jornada dos médicos, com dois vínculos empregatícios seja restrita a 80 horas semanais. A solicitação foi encaminhada pelo presidente em exercício, Gutemberg Fialho, ao deputado federal, Laerte Bessa (PMDB/DF), em uma audiência na Câmara dos Deputados. A reivindicação da classe poderá ser apresentada por meio de Projeto de Lei. O assunto foi discutido entre o presidente do sindicato e o deputado do DF, cuja assessoria parlamentar vai estudar a proposta, que mais tarde voltará a discutir o assunto com a diretoria do sindicato.

Regulamentação da EC 29 continua parada

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s negociações em torno da votação do projeto de regulamentação da Emenda Constitucional 29 (EC 29), que pareciam próximas do fim, com o voto favorável do Senado, estão novamente paradas. Na volta da Câmara, o projeto foi novamente modificado, incluindo a criação da Contribuição Social da Saúde (CSS), imposto que substituiria a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O presidente em exercício do SindMédico/DF, Gutemberg Fialho, lamenta a demora na regulamentação da EC 29, que vem trazendo prejuízos à saúde do Brasil, como um todo. A regulamentação da EC 29 é extremamente importante para que não haja mais desculpas, por parte do Governo, para que o dinheiro destinado à saúde seja aplicado em outras áreas.

Prazo para padrão TISS não é cumprido

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prazo para os médicos implantarem em seus consultórios o sistema de troca de informação eletrônica, o padrão TISS, não foi cumprido. A data limite imposta pela resolução 124 da Agência Nacional de Saúde (ANS) era 30 de novembro, mas até agora, os planos de auto-gestão no Distrito Federal não conseguiram aderir às sete missões. A data de implantação do Padrão TISS já foi adiada por quatro vezes e questionada por três estados. A Justiça concedeu liminar ao Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj), que questionava o prazo determinado pela Agência Nacional de Saúde (ANS). Também entraram com liminares semelhantes, os Conselhos Regionais de Medicina de São Paulo (Cremesp) e Rio Grande do Sul (Cremers). A liminar do Cremers foi indeferida parcialmente e da do Cremesp ainda aguarda julgamento do mérito.

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Fórum

Ministério do Trabalho decide cobrar contribuição de todos

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partir deste ano, a Contribuição Sindical será cobrada de todos os trabalhadores celetistas e estatutários. A decisão foi tomada pelo Governo Federal, em setembro do ano passado. O ministro do Trabalho, Carlos Luppi autorizou a extensão da cobrança aos servidores públicos estatutários que antes não pagavam a contribuição sindical. A Instrução Normativa foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 3 de outubro de 2008, e está vigente “não havendo estudos para a sua revogação”, conforme informou o Ministério do Trabalho em ofício encaminhado ao SindMédico/DF, após consulta feita pelo sindicato (ver fac-símile do mesmo, ao lado). A contribuição sindical é obrigatória para os profissionais de todas as categorias, independente de serem sindicalizados, e descontada direto no contracheque. O valor equivale a um dia de trabalho. Os médicos que quiserem, poderão optar em pagar a contribuição sindical por meio de boleto bancário enviado pelo SindMédico/DF no valor de R$ 124,50, até o dia 27 de fevereiro. Este valor, aprovado em assembléia geral extraordinária e estabelecido pela Confederação Nacional das Profissões Liberais, pode ser menor do que um dia de trabalho. Caso o médico opte em pagar a contribuição sindical por meio do boleto bancário, deverá levá-lo, após quitado, até o Departamento de Recursos Humanos da Secretaria de Saúde para evitar que a contribuição sindical seja descontada novamente no contracheque.

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Jurídico

Médicos do Judiciário podem receber acima do teto de R$ 24,5 mil

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s médicos do Poder Judiciário que acumulam de forma legal, mais de um emprego no serviço público, terão o direito de receber salários acima do teto do funcionalismo, fixado em R$ 24,5 mil. A decisão foi tomada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A Constituição autoriza profissionais das áreas de saúde e educação, que atuam no serviço público, a exercerem outra atividade dentro do Governo e receberem duas remunerações. Magistrados já desfrutavam do direito de ganhar acima do teto, agora os demais servido-

res da saúde e educação também serão contemplados. A decisão do CNJ atende solicitação do Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário e do Ministério Público da União no Distrito Federal (Sindjus-DF) que defendeu a tese da isonomia. A resolução do CNJ altera a Resolução nº 14 de 2006. A mudança teve como base uma ação julgada favoravelmente pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que relaciona o teto remuneratório aos valores recebidos por magistrados que exercem, de forma cumulativa, o magistério ou recebem gratificação devido a funções eleitorais.

PLANO VERÃO

Terminou em 31 de janeiro, o prazo para os médicos entrarem com ação judicial reivindicando a correção dos valores depositados em Cadernetas de Poupança, referentes ao Plano Verão no ano de 1989. Os que ingressaram com ações na Justiça, não há dúvidas, terão direito a receber os valores corrigidos, já que os correntistas foram prejudicados quando o banco creditou a correção monetária utilizando-se de índice menor do que deveria.

LICENÇA PRÊMIO

A Justiça vem reconhecendo ao servidor aposentado o direito de receber a licença prêmio não gozada convertida em pecúnia, de acordo com interpretação do 2º parágrafo do art. 87 da Lei 8.112/90. Assim, o servidor que estiver nessa situação deverá procurar a Assessoria Jurídica do SindMédico/DF para as providências cabíveis.

DESCONTO NO IR

A Justiça também vem reconhecendo a não incidência do Imposto de Renda sobre as verbas de natureza indenizatória, tais como licença prêmio e férias, não gozadas e convertidas em pecúnia. O médico sindicalizado que estiver nessa situação, também deverá procurar a Assessoria Jurídica para as devidas providências.

REMOÇÃO

No próximo dia 1º de abril, começa mais um período para a renovação do Cadastro Individual para Remoção. O prazo termina em 30 de abril. O Cadastro deve ser renovado anualmente, por isso, mesmo aqueles que já tenham preenchido o cadastro o ano passado, devem preenchê-lo novamente, sob o risco de sair da fila. As remoções dos médicos são disciplinadas pela Portaria n° 3 de 2007 e estabelece que a remoção poderá ocorrer, tanto a pedido do médico ou a critério da Administração Pública, para atender necessidades de serviço ou interesse da população. Pela portaria, as remoções são feitas por pontuação, obedecendo a critérios de antiguidade; tempo de trabalho em regime de 40 horas semanais; participação em cursos, eventos, comissões, estágios de aperfeiçoamento, palestras e seminários; trabalhos publicados; títulos de especialização; preceptoria; mestrado; doutorado; exercício em cargo comissionado; participação em conselhos e programas de saúde, além de avaliação de desempenho. Caberá à Diretoria de Recursos Humanos da Secretaria de Saúde divulgar até o dia 30 de julho, as vagas disponíveis nas unidades de saúde.

APOSENTADOS COM 36 HORAS

Os médicos aposentados com 36 horas na Secretaria de Saúde deverão solicitar, por meio de requerimento à SES/DF, a mudança de contrato para 40 horas semanais. Alguns casos já estão sendo corrigidos administrativamente. Caso não haja correção do contrato de 36 para 40 horas, o SindMédico/DF solicita aos médicos que agendem horário com a Assessoria Jurídica do sindicato para que medidas cabíveis sejam tomadas. Fone: 3244-1998 (Raquel).

Plantão da Assessoria Jurídica: 0800.601.8888

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Jurídico

Corregedoria vai investigar abuso de autoridade policial contra médico

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Corregedoria Geral da Polícia Civil abriu sindicância para investigar se houve abuso de autoridade por parte do delegado Willy Borges de Amorim, da 27ª Delegacia de Polícia, que ordenou a prisão do médico Elidimar Bento, do Hospital Regional de Ceilândia, após ele ter se recusado a entregar aos policiais de plantão, a Guia de Atendimento (GAE) de um paciente para que a mesma fosse fotocopiada. A informação foi dada pela Corregedoria Geral de Polícia, Nélia Maurício Pires Lopes Vieira, em ofício encaminhado ao Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico/DF). Até a conclusão da sindicância, o delegado Willy dará expediente em Brazlândia, para onde foi transferido, segundo informou o diretor da Polícia Civil, Cleber Monteiro. O fato ocorreu às 23h30, do dia 14 de janeiro, quando dois policiais de plantão no hospital, entraram na sala da chefia de equipe solicitando a GAE para que fosse aberto um processo policial contra um paciente que havia sido atendido. O médico Elidimar Bento agiu corretamente dentro dos princípios éticos e se recusou a entregar a GAE atendendo determinação de Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Secretaria de Saúde, de que as Guias de Atendimento são sigilosas, pois contém informações confidenciais do paciente como

Retorno às 5 horas

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ANS - 314757

horário de trabalho dos médicos lotados nos Postos de Saúde voltará a ser de cinco horas ininterruptas. O Secretário de Saúde, Augusto Carvalho, tornou sem efeito a Portaria 3,

www.interdentaldf.com.br

tipo de patologia e estado de saúde. Elas só devem ser disponibilizadas por via judicial e desde que não viole a integridade do paciente. A restrição à retirada das GAEs ou prontuários já tinha sido feita a todos os diretores de departamento da Polícia Civil, na Circular nº 01 de 2004, assinada pelo atual diretor, Cleber Monteiro Fernandes, época em que ele ocupava o cargo de Corregedor Geral da Polícia Civil. Mesmo após ter alegado a restrição de disponibilizar a GAE, o médico foi levado pelos policiais ao Posto Policial onde recebeu a ordem arbitrária e sem justificativa do delegado Willy Borges de Amorim para que fosse algemado e preso, contrariando inclusive determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que restringiu o uso de algemas. Após ter sido algemado, o médico foi levado para a 27º Delegacia de Polícia, que fica no Recanto das Emas, onde permaneceu detido por mais de três horas sendo liberado somente com a presença da advogada da Assessoria Jurídica do SindMédico/DF. Apesar do transtorno causado e da atitude agressiva do delegado, o médico Elidimar Bento decidiu não abrir processo contra o delegado responsável. A diretoria do SindMédico/DF está acompanhando o caso e solicitou ao diretor geral da Polícia Civil que os fatos sejam apurados com celeridade.

de novembro do 2008, em que estabelecia turno de quatro horas para o atendimento ambulatorial. A mudança atende reivindicação feita pelo SindMédico/DF e foi comunicada ao então presidente da entidade, César Galvão, durante audiência com o então secretário adjunto de saúde, Florêncio Figueiredo Neto. Ele explicou que a Secretaria de Saúde vai estudar melhor o horário de trabalho dos médicos que fazem ambulatório nos Postos de Saúde da rede pública.

parcelamento em 24 vezes


Especial

Sindicato homenageia médico Tito Figuerôa

Entidades compereceram a inauguração do auditório

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Sindicato dos Médicos do Distrito Federal homenageou o médico Tito Figuerôa, falecido em outubro de 2003, ao dar o nome dele ao auditório da entidade, em solenidade ocorrida no dia 4 de fevereiro. Humanista, idealizador e empresário de sucesso, Tito Figuerôa foi Secretário de Saúde do Governo do Distrito Federal, em 1984, fundador do Laboratório Exame e participou da evolução do atendimento médico social de Brasília. Na solenidade, o então presidente do SindMédico, César Galvão, disse que a homenagem era o reconhecimento do trabalho por ele realizado em prol da saúde do Distrito Federal e em função da importância da atuação dele no movimento sindical, “pelo seu pensamento progressista e um grande colaborador dessa entidade”, disse o presidente. Já o então vice-presidente, Gutemberg Fialho, disse que a homenagem do sindicato ao médico Tito Figuerôa, é “motivo de orgulho para a classe médica”. A solenidade de inauguração do auditório do SindMédico/DF contou com as presenças de importantes autoridades da classe médica, como o presidente da Associação Médica de Brasília (AMBr), Laírson Rabelo que disse sentir-se feliz com a escolha do nome de Tito Figuerôa para batizar o auditório e representar a classe. O conselheiro do CFM, Pablo Chacel, parabenizou a iniciativa do SindMédico de reconhecer a importância e o humanismo de Tito Figuerôa, de quem ele foi colega no 2º ano primário do Colégio Zacarias. O diretor do Sindicato Brasiliense de Hospitais (SBH), José Carlos Daher, lembrou a transformação de Tito

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Figuerôa em um empresário de sucesso ao transformar o Laboratório Exame em uma empresa de credibilidade em Brasília. “Tito Figuerôa era mais que um amigo era um homem que respeitava e a todos tratava com grande carinho. Sei que essa homenagem nasceu desse sentimento”, disse Daher. O médico José Leite Saraiva, presidente da Academia de Medicina de Brasília, da qual Tito Figuerôa era membro, disse que teve a felicidade de compartilhar bons momentos com Tito, que foi um dos fundadores da AMeB. O deputado distrital, Dr. Charles, também fez questão de enaltecer o trabalho do mestre e parabenizar a iniciativa do SindMédico/DF de escolher o nome de Tito Figuerôa para o auditório. O diretor de Inativos do Sindicato, Antônio Ribeiro Filho, lembrou que Brasília deve a Tito Figuerôa a Unidade de Mastologia do Hospital de Base (HBDF), criada a pedido dele, à época em que Tito era secretário de Saúde do Distrito Federal. “Um homem de visão e de muita generosidade. Que as lembranças de suas virtudes, sirvam de consolo pela sua ausência”, declarou Dr. Ribeiro. A viúva do médico, Ileana Figuerôa, emocionada, agradeceu a diretoria do SindMédico/DF a homenagem feita ao marido. “Sua passagem tem sido reconhecida por todos os colegas médicos. Tito teve uma vida profissional pautada pela intensa doação pessoal ao trabalho e a todos com quem estabeleceu fortes vínculos”. Além de médico e empresário, o trabalho de Tito Figuerôa foi reconhecido pela Câmara Legislativa do Distrito Federal que lhe outorgou, em 2000, o título de Cidadão Honorário de Brasília.

Presidentes César e Gutemberg ao lado da viúva Ileana

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Especial

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descerramento da placa foi o ponto máximo da solenidade

“Esse é o início de uma série de homenagens que são motivo de orgulho para a classe médica”

Gutemberg Fialho – Presidente em exercício do SindMédico/DF “Tito Figuerôa era um homem de pensamento progressista e teve importante participação no movimento sindical”

César Galvão – Presidente Licenciado do SindMédico/DF

“O SindMédico/DF foi feliz com a escolha do nome de Tito Figuerôa para este auditório”

Laírson Rabelo – Presidente da AMBr

“Tito Figuerôa era um amigo com quem tive o prazer de compartilhar a fundação da Academia de Medicina de Brasília”

José Leite Saraiva – Presidente da AMeB

“Tito tinha qualidades de homens especiais. Era amigo, leal e recebia a todos como ninguém”

José Carlos Daher – Diretor do SBH

“Essa homenagem atende aos anseios de todos os colegas médicos”

Dr. Charles – Deputado Distrital

“Que as lembranças de sua virtude sirva de consolo pela sua ausência”

Antônio Ribeiro Filho – Diretor do SindMédico/DF

César Galvão deixa presidência do SindMédico/DF O presidente do SindMédico/DF, César Galvão, pediu afastamento do cargo por 120 dias. Durante este período, o presidente em exercício será o médico Gutemberg Fialho, que era vice-presidente. Na semana anterior à sua saída, as contas de sua gestão foram aprovadas pelo Conselho Fiscal e pelos médicos em assembléia geral convocada especialmente para este fim. César Galvão se afasta do cargo, após mais de quatro anos à frente do SindMédico/DF como presidente da entidade, e depois de ter assumido outras funções como vice-presidente e diretor financeiro, deixando um superávit no caixa da entidade. Ele defende a união das entidades médicas, objetivo que continuará perseguindo, mesmo licenciado do SindMédico/DF.

Revista Médico

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Capa

Cadê o dinheiro da saúde? Orçamento elaborado pelo GDF e aprovado na Câmara Legislativa reduz em 10% as verbas para a saúde e consultas na rede pública continuam em expansão.

O

ano de 2009 continuará sendo apertado para a saúde. A Lei Orçamentária aprovada pela Câmara Legislativa prevê uma redução de 10% nas verbas para a saúde e a pasta terá menos dinheiro do que a Secretaria de Planejamento e Gestão, por exemplo, contemplada com uma verba de R$ 1.739.335.603,00 para gastar. Da Filas nas unidades pública de saúde só devem aumentar receita total prevista no orçamento agravando ainda mais o atendimento à população. do GDF de R$ 12.019.678.333,00, apenas R$1.624.559.742,00 é para a saúde, uma redução de 10% em relação ao orçamento do ano atender a população do Distrito Federal e Entorno. Só no perípassado. odo de janeiro a setembro do ano passado, segundo dados da Embora a saúde tenha um orçamento maior do que o da Secretaria de saúde, foram realizadas 5 mil consultas e atenSecretaria de Obras, que este ano foi contemplada com R$ dimentos o que acarreta uma sobrecarga de trabalho para o 1.177.963.005, o GDF terá em caixa 50% a mais do que o ano médico e impede a boa prática da medicina. passado para gastar em tuneis e viadutos. O Sindicato dos Médicos do Distrito Federal alerta que o E como fica a saúde? Quando tomou posse, o Governa- corte para a saúde no orçamento de 2009 é preocupante e pode dor José Roberto Arruda elencou a saúde como uma de suas piorar ainda mais a situação dos hospitais da rede pública. prioridades. Passado um ano, o que se vê na prática é bem “Não podemos mais consentir esse descaso do Governo com diferente do discurso. Continuam faltando equipamentos, me- a saúde”, garante o presidente em exercício do SindMédico/ dicamentos e profissionais em quantidades suficientes para DF, Gutemberg Fialho.

CRM constata falhas

O

Conselho Regional de Medicina, CRMDF também constatou descaso na saúde pública do DF. Em matéria publicada na edição de setembro/outubro da Revista Ética, do CRMDF, informa que em novembro passado, a entidade visitou o Hospital Regional de Ceilândia (HRC) para verificar de perto as condições de atendimento. Durante as duas horas de inspeção, a equipe do Conselho constatou

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falta de médicos e de auxiliares de enfermagem, especialmente no centro-cirúrgico. “A surpresa foi maior com a comprovação de outros problemas como a falta de utensílios baratos como agulhas e luvas para anestesia”, diz a matéria. A falta de agulhas e luvas para cirurgia também foi constatada pela reportagem do SindMédico que esteve no Hospital Regional da Asa Norte. O CRM-DF deu um prazo de 60 dias para que a Secretaria de Saúde tome providências para a solução dos problemas identificados. Caso contrário encaminhará denúncia ao Ministério Público.

Janeiro / Fevereiro 2009


Capa

Melhorias nas condições de trabalho dos profissionais de saúde

O

s deputados distritais aprovaram uma emenda ao orçamento de 2009 para a área de saúde no valor de R$ 19 milhões, que será aplicada na estruturação de Unidades de Atenção Especializada em Saúde e na construção do Hospital de São Sebastião. O deputado Roberto Lucena apresentou três emendas ao orçamento de 2009, que são fundamentais para melhorar as condições de trabalho dos médicos nas unidades de saúde, e consequentemente a saúde pública do Distrito Federal. As emendas foram votadas em plenário no dia 15 de dezembro último e já poderão ser liberadas pela Secretaria de Saúde ainda nesse primeiro semestre de 2009. Confira as emendas apresentadas pelo deputado Roberto Lucena (PMDB):

Teor da emenda Manutenção, reforma e ampliação dos locais de repouso médico das emergências dos hospitais públicos e unidades de saúde do DF Manutenção, reforma e ampliação dos locais de repouso dos enfermeiros e técnicos de enfermagem das emergências dos hospitais e unidades de saúde do DF

Valor em R$ 270.000,00 270.000,00

Aquisição de equipamentos para unidades semi-intensivas e dos pacientes cronicamente dependentes de tecnologia, visando desafogar as UTIs dos hospitais públicos do DF

200.000,00

Valor total das emendas aprovadas (em R$)

740.000,00

Deputado Roberto Lucena

Obras para fortalecimento à atenção básica

P

residente da Frente Parlamentar de Saúde do DF, o médico e deputado distrital Dr. Charles (PTB), destinou R$ 1 milhão dos R$ 5 milhões previstos a cada deputado para obras e ações na área da saúde. Defensor do fortalecimento da atenção básica, boa parte das emendas feitas por Dr. Charles ao Orçamento de 2009, são direcionadas a ampliação, melhoria e construção de postos de saúde. Eventos voltados ao combate do câncer de mama, e de tratamentos odontológicos também receberam a atenção do Deputado Dr. Charles por serem considerados como essenciais ao desenvolvimento da criança, do adolescente e mesmo do adulto. Confira as emendas apresentadas pelo deputado Dr. Charles (PTB):

Teor da emenda Valor em R$ Melhoria e ampliação do Posto de Saúde nº 5 de Vila Matias 80.000,00 Construção do Centro de Saúde do Gama 80.000,00 Construção do Bloco Materno-Infantil do Hospital Regional de 80.000,00 Taguatinga Construção do Posto de Saúde de Vicente Pires 80.000,00 Construção do Posto de Saúde da Vila São José 80.000,00 Reconstrução do Posto de Saúde de Recanto das Emas 30.000,00 Realização do VIII Congresso Internacional de Odontologia 250.000,00 do DF Realização da 9ª Semana Nacional de Incentivo à Saúde 50.000,00 Mamária Valor total das emendas aprovadas (em R$) 730.000,00

Revista Médico

Deputado Dr. Charles

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Aconteceu

Homenagem no HRAN

N

o final de 2008 o diretor adjunto do Sindicato dos Médicos, Dr. Martinho Gonçalves da Costa, foi homenageado pelo Hospital Regional da Asa Norte, pela sua enorme contribuição aquela unidade de saúde pública do Distrito Federal. Martinho é natural de Uiraúna/ PB, casado e pai de três filhas. Foi pioneiro no HRAN, lotado em 30/11/1984, 4 dias antes da inauguração, como 1º chefe do centro cirúrgico do hospital. Foi também preceptor de internos e residentes, chefe da unidade de cirurgia geral de 1990 a 1994, chefe do ambulatório e diretor do HRAN em 1994 e no período de 1999 a 2000.

T

Posse no CRM/DF

omaram posse em dezembro passado, os novos conselheiros do Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF). O evento ocorreu em cerimônia realizada no auditório da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC). O então presidente do SindMédico/DF, César Galvão, representou a entidade no evento que contou ainda com a presença do Secretário de Saúde, Augusto Carvalho. Para o novo presidente do CRM-DF, Alexandre Morales Castillo, o evento marcou o início de novos tempos para a instituição. “Iremos colocar em prática, novos ideais, novas esperanças e metas para a classe médica, priorizando a defesa da boa medicina”. Alexandre Castillo e os demais conselheiros que tomaram posse, forem eleitos durante o pleito realizado nos dias 6 e 7 de agosto, em eleições disputadas em clima de paz e harmonia.

Em defesa do serviço público

O

s servidores públicos do Distrito Federal estão discutindo estratégias de valorização da categoria e definindo uma agenda para um movimento unificado em defesa do serviço público, que será desencadeado ainda este ano. A decisão foi tomada depois que o Governador do DF, José Roberto Arruda, afirmou que os servidores do GDF não terão aumento este ano, em função da crise financeira, em discurso proferido na abertura dos trabalhos legislativos. Preocupados, representantes dos sindicatos dos servidores das áreas de saúde, segurança e educação, se reuniram na sede da CUT-DF. A representante do SindMédico/DF na reunião foi a conselheira fiscal, Mariângela Delgado Athayde Cavancanti.

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Janeiro / Fevereiro 2009


Aconteceu

AMBr faz 50 anos e inaugura nova sede

A

Associação Médica de Brasília (AMBr), completou 50 anos de existência, e para comemorar a data, inaugurou, no dia 6 de fevereiro, a sede administrativa da entidade, localizada no Clube do Médico. Em março, será entregue aos médicos o Centro de Atividades Artísticas e Culturais da Associação. Na festa de aniversário, o presidente da AMBr, Laírson Rabelo, lembrou que a data “é um marco histórico da AMBr, criada pelo sonho de 32 médicos”, entre eles, Ernesto Silva, primeiro presidente da entidade (1959/1961), homenageado na festa, juntamente com os demais ex-presidentes. O presidente em exercício do SindMédico/DF, Gutemberg Fialho, disse que a inauguração da sede administrativa da AMBr é a realização de um sonho e um grande desafio, pois o projeto sofreu a resistência de muitos e a oposição de alguns que não acreditavam na possibilidade de uma sede moderna e confortável que abrigará todas as sociedades de especialidades. O presidente da AMB, José Luis Gomes do Amaral, agradeceu a oportunidade de compartilhar o momento com todos os médicos de Brasília e o diretor da Federação Nacional dos Médicos, Márcio Bechara, disse que se sentia feliz ao ver a AMBr forte e respeitada. “Esta é uma das sedes mais bonitas do Brasil”, reconheceu. Construída em menos de três anos, a nova sede administrativa da AMBr, está localizada em uma área de 80 mil m2, com piscinas, quadras de tênis, vôlei, peteca, churrasqueiras e um excelente local para eventos, além de amplos estacionamentos. A nova sede administrativa terá três grandes auditórios: um máster, com 400 lugares, outros dois com 200 e 100 lugares, além de quatro salas com capacidade para 50 pessoas. A festa de inauguração foi prestigiada por médicos e políticos, além de autoridades do GDF. Todos os presentes elogiaram as novas instalações e parabenizaram os 50 anos da AMBr.

Evento mobilizou representantes de entidades locais e nacionais

Em nome do SindMédico/DF, Gutemberg ressaltou as qualidades da nova sede

OBITUÁRIO

F

aleceu no último dia 18 de janeiro, de infarto, o médico sindicalizado, Nivaldo Marcelino de Oliveira. Ele era alergista, diretor da AMBr e trabalhou no Hospital de Base e no Hospital Santa Lúcia, dos quais estava aposentado. Natural de Campina Grande, na Paraíba, Dr. Nivaldo residia em Brasília desde 1971, onde conquistou muitos amigos. O corpo do médico foi cremado em Valparaíso/GO.

Revista Médico

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Regionais

Hospitais ficarão sem residentes em março

M

arço será um mês difícil para a saúde pública do Distrito Federal. Como se não bastasse a falta de recursos, ocasionada com o corte do orçamento para a área, os hospitais vão ficar sem residentes. O contrato em vigor termina no dia 24 de fevereiro e os novos contratados só deverão assumir entre os dias 15 e 31 de março. Isso vai acontecer porque a Secretaria de Saúde demorou quase três meses para publicar, no dia 28/01, o edital do concurso para provimento de vagas e cadastro de reservas ao Programa de Residência Médica 2009. Como o resultado final dos aprovados só será divulgado no dia 10 de março, os selecionados só poderão tomar posse após essa data. O presidente da Associação dos Médicos Residentes (Abramer), Tiago Blanco Vieira, disse que a demora da SES em realizar novas provas para a residência vai prejudicar, principalmente, a segunda e a terceira chamadas e poderá reduzir o número de médicos residentes previstos. O presidente em exercício do SindMédico/DF, Gutemberg Fialho, reconhece a importância da residência médica no DF, onde algumas especialidades, como a clínica médica, “o trabalho é realizado basicamente pelos residentes”. Atualmente, existem no Distrito Federal, 580 residentes. Só no Hospital de Base, o maior do DF, são 254 residentes res-

ponsáveis por grande parte do atendimento médico. As novas provas para o Programa de Residência Médica do Distrito Federal foram realizadas no dia 15 de fevereiro e as inscrições dos candidatos feitas no período de 20 a 31 de outubro de 2008, foram automaticamente confirmadas. O processo seletivo foi feito pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da UnB (CESPE). A prova anterior, realizada em 16 de novembro do ano passado, foi anulada por determinação do Ministério Público, devido a denúncias de irregularidades. Entre elas a falta de organização e questões repetidas em concursos anteriores. O programa de Residência Médica do DF oferecerá vagas para as especialidades de cirurgia geral, clinica médica, ginecologia e obstetrícia, pediatria, ortopedia e traumatologia, anestesia, psiquiatria, radiologia e diagnóstico por imagem, nefrologia, endocrinologia, medicina intensiva pediátrica, neonatologia, alergia e imunologia pediátrica. Além de novas provas para a Residência Médica, a Promotoria de Defesa dos Usuários do SUS, Prosus, recomendou à SES a abertura de inquérito administrativo para apurar eventuais responsabilidades no processo de contratação da empresa Edudata, responsável pelo primeiro concurso, bem como apurar as irregularidades denunciadas, incluindo danos ao erário.

Programa Saúde da Família aguarda os reforços necessários

O

Programa Saúde da Família (PSF) considerado por muitos médicos, modelo ideal de atendimento primário à saúde da população, aguarda os reforços necessários para desafogar os hospitais da rede pública. Essa pelo menos é a expectativa do médico Tiago Neiva, presidente da Associação Brasiliense de Medicina de Família e Comunidade e diretor do SindMédico/DF. “O Programa Saúde da Família, criado pelo Ministério da Saúde há 15 anos, é referência para o mundo, porque é uma proposta que preconiza a medicina mais próxima à população”, explica o médico. Mesmo sendo um entusiasta do PSF, Tiago Neiva, reconhece que o programa no Distrito Federal carece de equipes e infra-estrutura. Atualmente atuam no DF, 44 equipes completas e no dia 12 de janeiro último, a Secretaria de Saúde (SES) deu posse a 172 médicos nas mais diversas especialidades, 133 enfermeiros e 283 auxiliares de enfermagem, que, segundo a SES, irão reforçar a atenção básica oferecida nos centros de saúde e no PSF com objetivo de evitar a aglomeração de pacientes com problemas simples de saúde nas emergências. O objetivo é abrir vaga nos hospitais para quem realmente precisa e ao mesmo tempo atender os usuários com maior conforto e perto de casa. Essa é a filosofia do programa, oferecer assistência médica para casos mais simples. De cada mil pacientes, 750

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terão queixa de saúde, nove procuram a saúde secundária e apenas um vai acabar sendo atendido em um hospital. “Isso significa que a maior parte dos pacientes que necessitam de assistência de baixa densidade, apesar da alta complexidade”, explica o médico Tiago Neiva. Ele acredita que com a contratação de novos profissionais, o PSF vai ampliar a sua cobertura de 6% para 39% da população do Distrito Federal. “Parte desse esforço, Brasília deve a médica Jacira Abrantes, atual diretora à Atenção Primária à Saúde e ao médico Valter Gaia, de Sobradinho, outro entusiasta do programa. Apesar de animado, o médico Tiago Neiva vê com cautela a contratação dos médicos para atuarem no PSF. Segundo ele, é preciso dotar o programa de infra-estrutura como o aluguel de casas ou construção de unidades de Saúde da Família que sirvam de apoio às equipes, formada basicamente por um médico, um enfermeiro, dois auxiliares de enfermagem, cinco agentes de saúde comunitários, um dentista e um técnico em saúde bucal. “Faltam ainda a contratação de agentes de saúde sem os quais as equipes ficam incompletas”, explica o médico. O Programa Saúde da Família consolida a atenção primária com a prevenção e a promoção à saúde. O PSF tem tudo para dar certo, basta vontade política e visão para fazer do programa referência em assistência de prevenção, porque prevenir, ainda é o melhor remédio.

Janeiro / Fevereiro 2009


Regionais

Teto do HRAS cai e Secretaria de Saúde fica de braços cruzados

É

dramática a situação dos pediatras, ginecologistas e obstetras que trabalham no Hospital Regional da Asa Sul (HRAS). O teto do Centro Obstétrico, da UTI Neonatal, do repouso médico e do corredor do setor de Obstetrícia caiu, depois das fortes chuvas que atingiram Brasília. O desabamento foi causado por uma falha no escoamento da calha do teto do hospital. “O problema não é novo. Desde que a nova ala da maternidade do HRAS foi inaugurada, há dez anos, estamos alertando a Secretaria de Saúde para a situação e nada foi feito”, explicou a pediatra Olga Messias, diretora do SindMédico/DF e atualmente respondendo pela UTI Neonatal. O presidente em exercício do SindMédico/DF, Gutemberg Fialho, ginecologista obstetra do HRAS, ao verificar a situação do hospital e a falta de condições de trabalho dos médicos, imediatamente convidou representantes do Conselho Regional de Medicina (CRM) para um visita ao hospital, o que foi feita em seguida. Depois, encaminhou uma notificação a 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde (Prosus) e a Promotoria de Defesa dos Usuários de Serviços de Saúde do Distrito Federal

(Pró-Vida/DF) pedindo providências para o caso. Apesar da urgência na solução do problema, até agora nada foi feito. “O teto do HRAS já foi consertado três vezes, mas todo o ano, quando chove o local fica alagado e o perigo é constante”, conta Dra. Olga. Mesmo contrariando a determinação da direção do hospital, ela e os outros médicos decidiram transferir as 34 crianças que estavam no berçário, no momento em que ele foi alagado e antes do teto desabar, evitando uma tragédia. Nesse trabalho, os pediatras do HRAS contaram com o apoio incondicional dos servidores do hospital e dos funcionários da empresa Ipanema “que não mediram esforços para nos ajudar”, conta a médica. Doutora Olga conta que também teve papel decisivo a médica Maria das Graças, do Hospital Regional de Taguatinga e a médica Flávia, do Hospital Regional do Paranoá que receberam as crianças do HRAS. Aos médicos, a Secretaria de Saúde informou que vai solucionar o problema em 120 dias, mas passados três semanas, nenhuma obra teve início. Enquanto isso, o Centro Obstétrico do HRAS que fazia 40 partos por dia, restringiu este número em apenas sete pacientes e os médicos estão atendendo em péssimas condições de trabalho.

Ao viajar leve saúde na bagagem

A

tenção, antes de fazer as malas para a merecida viagem, é necessário considerar alguns cuidados com a saúde que vão assegurar tranqüilidade e bem-estar durante o período de descanso. Isso porque todos aqueles que cruzam as estradas, os ares e os oceanos estão sujeitos a doenças infecciosas, que podem ir de uma simples diarréia a patologias mais sérias como malária e meningite. De acordo com a Sociedade Internacional de Medicina do Viajante, de cada 100 mil pessoas que viajam

anualmente, 50% experimentam algum tipo de problema de saúde. Grande parte das doenças que acometem viajantes podem ser evitadas com a imunização. Este é o caso da febre amarela, da febre tifóide, da hepatite A, da meningite C e até mesmo da gripe. “Diferentes destinos apresentam diferentes tipos de vírus e bactérias aos quais nosso organismo não está habituado. Com isso, o sistema imunológico demora a reagir e adoecemos mais facilmente”, explica a infectologista Eliana Bicudo, diretora da Clínica de Doenças Infecciosas e Parasitarias.

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Revista Médico

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Janeiro / Fevereiro 2009


Estratégia

Alexandre Bandeira

&

Consultório Consultoria Consultor de Estratégia e Marketing

A crise está aí. E daí?

É

só abrir os jornais ou ligar a televisão que ela está lá. Talvez seja um dos poucos assuntos que possa ser comentado neste momento, em qualquer lugar do mundo, com ou por qualquer pessoa. Estamos falando da crise que abalou os sistemas financeiros globais a partir do último trimestre de 2008 e que desde então, vem espalhando pelas economias, os mais diversos impactos negativos como: ondas de desemprego, queda nas vendas, fechamento de unidades produtivas, redução do crédito, perda de credibilidade nas instituições bancárias e nos mercados. Aprofundando este raciocínio para o segmento da Saúde, temos outras variáveis que precisam ser incorporadas. A necessidade de aquisição de insumos cotados em moedas internacionais (dólar ou euro); fornecedores globais com sede em países desenvolvidos, onde os impactos da crise se manifestam mais fortemente, e que também são em geral, empresas de capital aberto que operam em bolsa de valores, onde os papéis negociados registram perdas acentuadas. O cenário, de fato, requer muita atenção. Não tanto pelo o que a crise pode fazer com você, mas o que você pode fazer com ela. Imagine que o mercado de competição seja uma grande bandeja de gelatina cortada em cubos. Quando os mercados estão estáveis, não existe espaço entre um cubo e outro, mas é só sacudí-la que brechas surgirão com a quebra de alguns deles ou a queda de outros da bandeja. Isto é claramente um momento de crise, onde sobrarão novos espaços para o seu cubo entrar ou ganhar maior dimensão no mercado.

Para que isso aconteça – dentre as diversas regras que posso citar – entendo como a mais importante, a fim de que sua empresa saia melhor da crise do que entrou, a questão da atitude. Você pode se retrair, se tornar passível à conjuntura econômica e assim, ser alvo fácil dos diversos impactos já citados neste artigo; ou então, demonstrar arrojo e agressividade mercadológica para conquistar terreno deixado pelos jogadores do primeiro grupo. Se a sua disposição for por ser por personagem da história e não platéia, se prepare. Um estudo realizado por Darrell Rigby e Emilio Montes para a Bain & Company, junto a mais de 700 empresas antes, durante e depois de momentos de crises, apontam alguns elementos importantes: o primeiro passo: não perca o rumo. Ou seja, tenha foco no que você deseja fazer. Isso vai requerer ter uma estratégia definida e planejamento para o momento de vigência da crise, sabendo que o que se ganha o ou que se perde, será determinado desde o princípio, não devendo esperar a crise passar, para tentar recuperar o terreno perdido. Outro aspecto fundamental é saber distinguir o que está no curto prazo e o que está no longo prazo. Ou seja, ajustar a tomada de decisão de acordo com as necessidades da organização. Não adianta, por exemplo, demitir colaboradores para fazer caixa no curto prazo, se você precisar contratar e treinar outros, para dentro em breve.

“não perca o rumo”

Revista Médico

Contato com a coluna: consultorio@strattegia.com.br

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Vida Médica

Colecionadores de prazer Por Elisabel Ferriche

O

ato de colecionar pode ser mais que uma brincadeira e exige sensibilidade para descobrir a beleza dos objetos, muitas vezes verdadeiras relíquias. Para o médico perito do Superior Tribunal de Justiça, Luiz Cláudio Stawiarski, “colecionar é mais do que um hobby, é conquistar novas amizades”. É através da sua coleção de latas de cerveja que ele tem conhecido pessoas do mundo todo com quem se corresponde em bucsa de novidades para acrescentar à sua coleção de 40 mil latas de cerveja. Para armazenar todo esse impressionante volume, ele foi obrigado a construir em sua residência, no Lago Sul, uma “Latoteca”. É nesse espaço de 50 m2, que o médico Luiz Claúdio guarda verdadeiras relíquias, como as primeiras latas de cerveja produzidas. Ele tem em sua coleção a primeira lata de Budweiser, datada de 1939 e as primieras Barclay’s Export, inglesa, de 1940, que se forem comercializadas hoje valem US$ 1 mil, cada uma. Embora há um grande valor econômico intrínseco nas coleções, o motivo prazeroso e gratificante principal é o valor afetivo. Esse é o caso da coleção de canetas do cirurgião plástico Samuel Domingues. No seu consultório há mais de mil canetas expostas, todas presenteadas por pacientes. A primeira delas, que ele guarda com especial carinho, é uma caneta tinteiro de 1942, que esteve na familía do dono por mais de 50 anos. Pertenceu ao pai de uma paciente. Ele a ganhou quando ainda era tenente, hoje é geO dr. Luiz Cláudio Stawiarski cuida com carinho da sua coleção de 40 mil neral 5 estrelas. Trata-se latas de cerveja na sua "latoteca" de uma caneta italiana de murano, de valor incalculável. “Algumas canetas são verdadeiras obras de arte. Elas não tem valor comercial e sim, sentimental, por isso não tem preço”, conta o médico que deixa as cenetas expostas no consultório para demonstração e sempre que perguntado, conta a história de cada uma delas.

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São canetas de todas as marcas, modelos, qualidade e preços. Tem canetas desde ouro até trabalhos artesanais de madeira, mas todas tinteiro. Algumas delas, o médico Samuel Domingues mandou reformar em São Paulo para uso no trabalho.”Na minha coleção não existe o fascínio de ir atrás de modelos inéditos. Minha coleção tem valor sentimental, pois todas elas foram presenteadas”, explica o médico, que não precisa de muito espaço para a sua coleção.

No consultório do cirurgião plástico, Samuel Domingues, há mais de mil canetas expostas, todas presenteadas por pacientes

Todas as coleções surgiram totalmente por acaso. A coleção de latas de cerveja do Dr. Luiz Claúdio teve início há vinte anos quando ele esteve nos Estados Unidos a passeio com a família, e os filhos ficaram fascinados com os designs pouco conhecidos nas latas de refrigerantes que aliás, ele possui uma coleção inédita de latas de Coca Cola, inclusive as comemorativas da Copa de 2002 com a foto do Rei Pelé. Depois dessa iniciativa, em todas as viagens que fazia ao exterior, ele trazia latas vazias de cerveja na bagagem. Começou a se interessar pelo assunto e graças a internet descobriu outros colecionadores. “Fiquei surpreso em saber que não era o único maluco. Existe até leilões de latas de cerveja antigas pela Internet”, conta o médico que possui em sua coleção desde o modelo da alemã Lord, de 10 litros, a única com essa quantidade de cerveja, até a minúscula japonesa Sapporo, de 125ml. Cada lata com sua história.

Janeiro / Fevereiro 2009


Vida Médica Já a médica Niomar Correa Pacheco sente fascinação em encontrar presépios. Ela tem uma coleção de 80, cada um de um local diferente. Seu prazer é reunir os presépios que possui, montá-los na época de Natal e chamar os amigos para apreciá-los, o que não ocorreu o ano passado devido a uma mudança de residência. O primeiro presépio da coleção da Dra. Niomar foi adquirido na Palestina, há 12 anos, quando visitou a cidade de Jerusalém. Trata-se de um presépio de ripas de madeira feito à mão por um artesão local. “Fui a Jerusalém ver de perto a cidade em que Jesus nasceu e percebi que a parte cristã da cidade é relegada a segundo plano. O presépio que comprei foi a única expressão do nascimento de Cristo no lugar”, explicou a médica que não se considera uma colecionadora, mas uma “juntadora” de coisas. Os primeiros presépios surgiram na Itália, no século XVI, o seu surgimento foi motivado pela representação do nascimento de Cristo. Com esta curiosidade, Dra. Niomar começou suas pesquisas sobre o assunto e descobriu que na Alemanha há um circuito de presépios na época do Natal. Ela também guarda em sua coleção, presépios de vários países, tamanhos e materiais. Tem presépio do Japão, Chile e algumas peças raras como o presépio da Cracóvia confeccionado em madeira.

ocesa Série histórica da esc itas bon res lhe Tennent's, mu lata na sas res imp

Revista Médico

“Há também um muito bonito feito em palha e barro por um artesão de Caruaru, no Ceará”. Mesmo com o pouco tempo que lhe sobra do trabalho diário na pediatria do Hospital Regional de Taguatinga, Dra. Niomar gosta de pesquisar sobre o assunto. Aqui em Brasília descobriu um artesão que produziu para ela um presépio em miniatura, cujas peças foram esculpidas na cabeça de um palito de fósforo. “É preciso lupa para ver o formato das peças”. Tem ainda o presépio adquirido da Polônia. Ela conta que andava sozinha em uma pequena cidade polonesa quando viu um artesão trabalhando e, qual foi sua surpresa: era um presépio em madeira que ela imediatamente encomendou. “Tem também os presenteados pelos amigos como o presépio do Peru e outro da Argentina. “Todos com a mesma simbologia, apesar de terem sido construídos por pessoas de diferentes culturas, crenças e civilizações”, conta e médica. Os três colecionadores têm em comum o prazer de colecionar e a certeza de que possuem uma ótima terapia ocupacional. Agindo asssim, com caráter lúdico, como uma brincadeira em relação a coleção, os médicos colecionadores provocam e despertam a curiosidade e o interesse nas pessoas.

A menor e a maior latas de cerveja: a japonesa Sapporo, de 125 ml e a alemã Lord, de 10 litros.

Presépios de diferentes partes do mundo

A primeira lata de Budweiser, datada de 1939 e as primieras Barclay's Export, inglesa, de 1940, que hoje valem US$ 1 mil, cada uma.

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Vinhos

Dr. Gil Fábio

Vinho do Porto

O

vinho do Porto vai buscar o nome não na sua origem, mas à cidade do Porto de onde era embarcado. O Douro, a sua região de origem, começa uns 100 km para o interior, acima do rio com o mesmo nome e entende-se desde a Régua, a primeira cidade propriamente dita. Mais ou menos a mesma distância para o interior, até a fronteira com Espanha. É a paisagem vitícola mais imponente, intensiva e selvagem do mundo; é uma área isolada, onde os burros e as mulas são ainda a melhor ajuda e as uvas ainda são transportadas quilômetros às costas, até chegarem a uma via adequada a um transporte com rodas. Ainda hoje se pode ficar com uma idéia dos esforços pioneiros imensos e rudes, para alcançar os produtos do Douro. Se olharmos para os sinais da era pré-histórica, bagos de uva preservados da Idade do Bronze e vides carbonizadas descobertas em sepulcros podem nos dar uma idéia da dimensão da viticultura já nesses tempos. Durante a ocupação romana haveria com certeza vinho produzido no Douro para exportação. Não seria rentável fazer vinho apenas para consumo doméstico, dado o trabalho intensivo necessário para a viticultura neste terreno acidentado, selvagem, íngreme, de ardósia e granito. A cidade do Porto e Vila Nova de Gaia, do outro lado do rio, onde ainda permanece hoje a maioria dos vinhos do Porto, a amadurecer em garrafeiras nas encostas frescas voltadas a norte, foram sempre a força motriz econômica da região, devido ao dinamismo do comércio de vinhos e do povo que ali trabalha. Para descobrir a origem do nome do famoso vinho temos de recuar até a Idade Média. D. Afonso Henrique, conde de Portucale, autoproclamou-se rei de Portugal em 1139, fundando assim a primeira nação européia, no sentido moderno. Isto seria indispensável sem poder econômico e importância deste conselho e os seus fantásticos porto e posto de comércio. Foi o primeiro período econômico de ouro de Portugal, graças ao dinamismo das ordens monásticas (só os monges cistercienses fundaram mais de 100 mosteiros em Portugal no Século XII). A viticultura é o máximo absoluto do cultivo lucrativo e da exportação lucrativa. Desde 1096 que a dinastia de Borgonha governava Portugal, proporcionando-lhe reis de 1139 a 1395. Esta dinastia conheceu os melhores vinhos das terras altas de Portugal.

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Plantações na região do Douro Talvez o rei mais importante tenha sido D. Dinis (1279-1325) que, entre outros feitos, conseguiu implementar uma língua nacional em todo o país, que permanece quase inalterada até hoje. Derivou do antigo dialeto de latim, Porto. D. Diniz tinha o cognome "O Lavrador". Encorajou a preservação de árvores das terras e agricultura e, com os lucros das produções agrícolas de vinho e azeite, entre outros, montou uma frota de comércio sem par - com administração profissional ao nível de hoje em dia. Fundou a Universidade de Lisboa em 1290. Que moveu mais tarde para Coimbra, uma cidade mais próxima do Porto e mais firme na sua fé. Fundou também a Ordem de Cristo em 1318, para a qual adquiriu os recursos dos templários. Com isto estabeleceu as bases para que Portugal viesse a ser uma potência mundial, a nação dos grandes exploradores. O comércio, a importação e a exportação eram as grandes forças, que Portugal usava para assegurar a sua influência e a sua riqueza. Só conhecendo a história de Portugal, se torna clara a razão pela qual o vinho do Porto se tornou o vinho mais extensivamente exportado do mundo naquela época por características típicas que o identificam. Hoje em dia não só o comércio de vinho do Porto floresce . A procura de vinhos secos aumentou extraordinariamente. Em duas décadas, a área de vinhas duplicou , cobrindo agora mais de 40 mil hectares. Quase 40 mil produtores cultivam cada um terrenos de 1 hectare. O fundamento para este renascimento,contrariamente ao desenvolvimento da maioria das regiões européias, não está no grande volume de vendas, mas na política

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Vinhos regrada e disciplinada do "Instituto do Vinho do Porto", que faz um acordo todos os anos entre a poderosa associação de exportação e a igualdade da organização de produtores, Casa do Douro. Este acordo é baseado na determinação exata da qualidade de vinho do Porto que pode ser vindimado em cada terreno, sempre com base nas vendas do ano anterior. O caráter da região está baseado na sua infrainstrutura. Foi a primeira região do mundo a ser catalogada e classificada, e provavelmente a melhor. A criação da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, em 1756, iniciada pelo primeiro-ministro absolutista, mais tarde conhecido como

Marques de Pombal, pode ser vista ainda hoje como modelo, pela sua consistência , da reputação no mercado e exportação de região. O Projeto conhecido como Demarcação das Colinas, foi provavelmente empreendido pelo monge dominicano, Frei João de Marselha. Nos seus primeiros artigos da associação, a organização declarou que o cultivo do vinho é suportado pela reputação deste vinho, de forma a que o comércio possa daí lucrar, a agricultura ser recompensada, tudo isto equilibrado de forma que, o consumo não seja tornado impossível devido aos preços elevados, nem o cultivo pela sua redução.

O PERCURSO DE UMA REGIÃO

A

pós a delimitação da região do Douro pelo Marques de Pombal em 1756, foi feito um levantamento da área e esta foi dividida segundo diferentes escalões de preços. De repente foram proibidas todas as importações de vinho para a região e a prática de misturar vinhos de forma a conseguir produtos mais baratos cessara. Tipicamente, o resultado econômico de uma região vinícola é que, após um período de sucesso, os produtores de vinho, levados pelo desejo de lucrar, se aproximassem da falência, devido ao aumento ilimitado da quantidade de vinho produzido, quer aumentando a área de vinha cultivada, quer misturado ou adulterando o vinho. No Douro, o processo foi o inverso. Em 20 anos, devido ao regime ditatorial do Marquês de Pombal, não só foi estabelecida a proteção do vinho, como os preços triplicaram. Foram fundadas novas casas de vinho do Porto e região floresceu novamente, desta vez com qualidade organizada e regulamentada. Havia muita procura, mas o cultivo aumentou pouco, de forma a evitar as conseqüências negativas. Só após o aumento da liberalização é que o mercado se tornou

Revista Médico

mais instável e propenso à crise. uma enorme informação. O passo final da estabili- A informação mais imporzação do mercado e proteção da tante dos registros é a classificação região, que tanto retribuiu para a de todos os terrenos em seis clashistória e poder econômico portu- ses, de A à F, criado pelo engeguês, foi levado a cabo durante a nheiro agrícola A. Moreira da Fonditadura da Salazar, entre 1930 à seca, em 1947-1848. Cada vinha é 1974. avaliada segundo um sistema de Desde a demarcação gene- pontos que tem em conta todos rosa do limites em 1870 (corrigida os fatores que afetam a qualidade. e tornada mais rigorosa em 1921) Isto é importante ainda hoje para que fora implementada uma polí- a emissão anual do benefício: o ditica de proteção intensiva da mar- reito de produzir uma determinaca Porto, mas os preços ainda não da quantidade de vinho do Porto, eram suficientemente altos. Em com qualidade e tipicidade bem 1933 foram formadas as organi- diferenciada. zações que ainda hoje protegem a indústria: a Casa do Douro, o Grêmio dos Exportadores de Vinho do Porto e o Instituto do Vinho do Porto. Instituições oficiais responsáveis pelos interesses globais da indústria do vinho do Porto. Entre outros organismos, foi estabelecida a Câmara dos Provadores para testar o vinho. Contudo, o serviço mais importante da Casa do Douro era a provisão de um novo registro viticultural de todos os produtores e Tradição é conservada até hoje terrenos de vinhas. Isso ainda hoje existe, com

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Literárias

Dr. Evaldo Alves de Oliveira

Medicina

em Prosa

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PARACELSO, O ARAUTO DA CONTESTAÇÃO

a Grécia antiga, oito séculos antes de Cristo, exercia sua profissão aquele que viria a ser o deus da Medicina. A história nos conta que Asclépio era um homem comum, que praticava a Medicina com esmero e dedicação, chegando a ressuscitar os mortos. Mas Asclépio não era uma pessoa comum. Filho do deus Apolo com a mortal Coronis, logo após o nascimento foi entregue a Quíron para cuidar de sua criação e de sua formação. Filho de um deus, Asclépio era um semideus. A Quíron também seria entregue o menino Jason, que participaria da Expedição dos Argonautas junto com cerca de cinqüenta deuses olimpianos e não olimpianos. Quíron era um centauro que exercia a medicina de forma magistral. Os centauros eram monstros muito temidos, metade cavalo e metade homem. Atendendo ao pedido de Hades, o deus dos mortos, Asclépio foi fulminado por Zeus, sendo ressuscitado como deus, por imposição de Apolo. Aqui, a força do mito. Quatro séculos antes de Cristo surge o pai da Medicina, Hipócrates, que, com seu trabalho incansável, e utilizando-se de métodos naturais no tratamento das doenças, recupera o prestígio dos centros de cura da antiga Grécia, tendo Epidauro como ponto de destaque. Aqui, a força da fé. No início da era cristã surge Galeno, que, de certa forma, mantém o prestígio da Medicina e dos médicos, embora se soubesse da fragilidade de suas idéias. Era o início da fase científica, mas ficou estagnada por mais de mil e quinhentos anos. Em 1493, na Suíça, nascia aquele que traria a controvérsia, a contestação, a inquietude e os primeiros movimentos pela renovação do conhecimento médico. Iniciou exigindo que os nomes das doenças fossem escritos na língua pátria – no caso, a alemã. Amigo de Nostradamus e contemporâneo de Lutero e Calvino, Paracelso participou ativamente dos movimentos que varreram a Europa com o vento benfazejo das mudanças. Com seu

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lado Nostradamus, elaborou uma profecia; de sua porção Lutero, exigiu que as escolas médicas da Europa traduzissem sua produção científica para os idiomas pátrios. De sua porção Flamel, foi alquimista revolucionário, tendo descoberto o mercúrio, sempre na busca do elixir da longa vida, ao tempo em que lutava pela produção de medicamentos populares, contrariando, a um só tempo, os boticários, os médicos, a Igreja, os dentistas e todo o universo do mundo acadêmico. Era o início das grandes mudanças por que passaria a Medicina. Foi Paracelso que recuperou os escritos de Hipócrates sobre o uso dos semelhantes no tratamento das doenças – os primeiros passos da homeopatia. A força da perseverança. Teophrastus Bombastus von Hohenhein, o Paracelso, encarnou e espírito contestador, desde a mudança de seu próprio nome – Paracelso, maior que Celso, médico do início da era cristã. Paracelso lutou pela verdade do conhecimento médico, combatendo Avicena e os escritos de Galeno. Toda essa desenvoltura contestatória atrairia a fúria de seus inimigos, culminando com seu assassinato no ano de 1541, em Salzburg, na Áustria. Era a força da tirania. Porém esse filete de sangue ainda escorreria pela Europa. No ano de 1847, o médico inglês James Young Simpson, em Edimburgo, sentiria os respingos odiosos da saliva amarelada – gotículas de Flügge - da Igreja calvinista de Edimburgo, ao usar pela primeira vez a anestesia para realização de um parto. Por isso, seria decretada a sua morte. A amizade com a rainha Vitória salvou-lhe a vida e a de sua cliente, como nos conta Meyer Friedman e Gerald Friedland em seu livro As Dez Maiores Descobertas da Medicina (Editora Companhia das Letras). Médico, alquimista, meio bruxo meio xamã, visionário, professor universitário, arauto da contestação. O que significa arauto? Oficial das monarquias medievais encarregado de missões secretas, de proclamações solenes... O próprio Paracelso.

Janeiro / Fevereiro 2009


BRASÍLIA-DF 1ª TURMA EM BRASÍLIA, 20ª TURMA NO BRASIL

25 e 26/04/09, prevalecendo posteriormente sempre o 4º fim de semana de cada mês.

1ª TURMA EM BRASÍLIA, 17ª TURMA NO BRASIL

25 e 26/04/09, prevalecendo posteriormente sempre o 4º fim de semana de cada mês.

MEDICINA DO ESPORTE

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PROGRAMA MEDICINA ORTOMOLECULAR

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Revista 73  
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