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MARCO UNIVERSAL II MEIO AMBIENTE NOSSO FUTURO COMUM

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MARCO UNIVERSAL II MEIO AMBIENTE NOSSO FUTURO COMUM Futuro Sustentável: o sucesso de novas políticas depende tanto de projetos coletivos quanto de ações individuais. “Até hoje, os grandes problemas da humanidade nunca foram resolvidos por decretos coletivos, mas somente pela renovação da atitude do indivíduo. Em tempo algum, meditar sobre si mesmo foi uma necessidade tão imperiosa e a única coisa certa, como nesta catastrófica época contemporânea.” Carl Gustav Jung (1916)

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FICHA TÉCNICA Projeto e Realização XBrasil Comunicação por Causas Ltda. Correalização SESC SP Patrocínio Petrobras AECID - Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento Apoio Centro de Informações das Nações Unidas Centro Cultural da Espanha em São Paulo Ministério da Cultura Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República Coordenação Geral Marta Porto Coordenação Executiva Cláudia Pavese Porto Curadoria da Mostra Marcello Dantas Produção XBrasil / Duo Informação e Cultura Reinventando os Imaginários Pesquisa e texto inicial Rachel Rezende Design Sarjana Comunicação e Design Versão Espanhol Martha Moreira Lima

Impressão Walprint Gráfica e Editora

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SUMÁRIO 1. REPENSAR E REINVENTAR 2. DESAFIOS PARA O FUTURO Clima Energia Florestas Água Consumo Corpo Cidades Êxodos 3. AGENDA AMBIENTAL Relatório Brundtland Definições de Sustentabilidade 4. CARTA DA TERRA 5. UM LEGADO PARA O FUTURO 6. AGENDA BRASILEIRA Energia Recursos para Florestas e Biodiversidade Pesquisa Inovação 7. CONSUMIDOR CONSCIENTE 8. VIDA SUSTENTÁVEL Lixo verde Produtos sustentáveis Prédios verdes Cidades ecológicas Tráfego 9. PROPOSTA DE EXERCÍCIOS 10. TEXTO EN ESPAÑOL

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Imagem: Rio Amazonas. NASA, Terra/MODIS

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REPENSAR MODELOS DE DESENVOLVIMENTO, FORMAS DE PRODUÇÃO E ESTILOS DE VIDA SUSTENTÁVEIS PARA ESTA E AS PRÓXIMAS GERAÇÕES É HOJE UM DOS MAIORES DESAFIOS PARA ESTUDIOSOS, GOVERNANTES E EMPRESÁRIOS DE TODO O MUNDO.

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REPENSAR E REINVENTAR Iniciativas pessoais e coletivas pelo mundo adotam a política sustentável dos 4 Rs – Reduzir, Reutilizar, Reciclar, Recuperar –, superando desafios para salvar o nosso futuro comum. Esgotamento de combustíveis fósseis, diminuição dos níveis hídricos, redução da cobertura florestal e aquecimento do clima são uma realidade e fomentam uma rotina de sustentabilidade em cidades no mundo inteiro. Gradualmente, atividades de agricultura, energia, transporte, consumo e saneamento passam a ser pautadas pela política dos 4 Rs – Reduzir, Reutilizar, Reciclar e Recuperar. Uma grande renovação de atitude, impulsionada pela onda verde global. O mais novo desafio contemporâneo é planejar uma integração destas práticas nas mais diversas instâncias, no cotidiano de pessoas, empresas e governos. Vivemos um momento de transição e é papel de todos repensar atitudes e reinventar valores. Não há mais espaço para hesitações. Diminuir a emissão de gases de efeito estufa acarreta, sim, modificações significativas no modelo de desenvolvimento econômico e social de cada país. Entre as mais radicais, adotar matrizes energéticas mais limpas e renováveis e mudar nossos estilos de vida. Na contramão, alguns governos mundiais ainda se mostram pouco dispostos a reduzir suas emissões de carbono. Mas o tempo urge. Daí, neste biênio 2009-2010, a segunda edição do projeto Marco Universal se dedicar ao Meio Ambiente. Tratamos das ações para o corpo que reduzem o consumo, das florestas que vêm sendo recuperadas como fonte de biodiversidade, da água que pode ser reutilizada, da dinâmica das cidades, cada vez mais sustentáveis graças às medidas voltadas para o meio ambiente, do esforço de cientistas e governos para a manutenção de um clima estável, da busca por fontes de energia renovável e de estratégias para se renovar o lixo, e dos êxodos que são causados por mudanças ambientais. Tratam-se de questões inerentes a todos os países, convocando uma mudança de pequenos e grandes hábitos da população mundial. E é este conteúdo que determinará o Nosso Futuro Comum. O projeto Marco Universal é uma iniciativa afinada com o histórico dos debates internacionais mais avançados sobre o desenvolvimento humano. Ao relacionar e comentar a movimentação de grupos, entidades, instituições 7


de pesquisa e ativistas dedicados à ecologia e aos desafios do urbanismo planejado, o Marco Universal tem como objetivo estimular uma mudança de mentalidade adaptada à realidade brasileira, sempre partindo da linguagem audiovisual. Nesse Guia de Conteúdo você encontra uma breve introdução das principais questões que mobilizam a opinião pública, especializada ou não, sobre a agenda ambiental que tomou conta do planeta nas últimas décadas. Trataremos dos temas escolhidos pelo projeto - Corpo, Água, Floresta, Cidade, Energia, Clima, Consumo e Êxodos - de forma abrangente, apresentando referências, fontes de pesquisa, infográficos e curiosidades. Ao final, um anexo com propostas de exercícios que podem colaborar para que cada um desenvolva criativamente alternativas para que possamos alcançar o tão esperado equilíbrio ambiental. Boa leitura. Veja também na Web: http://www.marcouniversal.com.br/

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É PAPEL DE TODOS REPENSAR ATITUDES E REINVENTAR VALORES. DIMINUIR A EMISSÃO DE GASES DE EFEITO ESTUFA ACARRETA, SIM, MODIFICAÇÕES SIGNIFICATIVAS NO MODELO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL DE CADA PAÍS. PRECISAMOS ADOTAR MATRIZES ENERGÉTICAS MAIS LIMPAS E RENOVÁVEIS E MUDAR NOSSOS ESTILOS DE VIDA.

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1850

1900

1950

2000

MÉDIA GLOBAL DA TEMPERATURA NA TERRA (13,5 > 14,5 oC) NÍVEL DOS OCEANOS (-150 > 50 mm) COBERTURA DE GELO NO HEMISFÉRIO NORTE (40 >32 milhões km2)

Gases de Efeito Estufa CO2 (combustíveis fosseis) – 56,6% CO2 (desmatamento, biomassa) – 17,3% CO2 (outros) – 2,8% CH4 (agropecuária, lixo) – 14,3% N2O (industria de alimentos) – 7,9% Gases F (CFC, HFC, PFC, SF) – 1,1%

Principais Emissores Fornecimento de energia – 25,9% Transporte – 13,1% Prédios residenciais e comerciais – 7.9% Industria – 19,4% Agropecuária – 13,5% Florestas (incluído desmatamento) – 17,4% Lixo – 2,8%

Fonte: AR4/2007, IPCC. Imagem: Baía Baffin, Canadá. Região do Ártico. NASA, Visible Earth.

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CLIMA Segundo a ONU, 300 mil pessoas morrem por ano em conseqüência do aquecimento global. E os gases de efeito estufa são os grandes vilões das mudanças climáticas, responsáveis por incêndios florestais, degelos, elevação do nível dos oceanos, submersão de ilhas no Pacífico e mudança de correntes marítimas. Segundo o relatório AR4/2007 do Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o período de 1995 - 2006 foram os anos mais quentes nos registros instrumentais da superfície global de temperatura desde 1850. Em 1970 foram emitidas 28.7 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa. Em 2004 esse volume aumentou para 49 bilhões de toneladas. Caso sejam mantidas as atuais políticas energéticas mundiais, estas emissões podem chegar a 80 bilhões de toneladas até 2030. Condições climáticas extremas têm sido cada vez mais freqüentes em toda a cobertura terrestre. Dias e noites mais quentes, grandes ondas de calor, chuvas torrenciais, alargamento de lagos glaciares e instabilidade nas regiões polares já são cada vez mais observados. Como o principal fator para o aquecimento global é o efeito estufa provocado pela concentração de gases na atmosfera, uma das mais importantes metas a serem alcançadas é a estabilização da concentração de carbono no mundo até 2012, data em que expira o primeiro período de compromisso dos países signatários do Protocolo de Kyoto. Neste ano, os 40 países que participam do acordo legal do Anexo I do protocolo deverão ter reduzido suas emissões em média de 5,2% dos totais emitido em 1991.

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Atualmente, praticamente toda a nossa matriz energética é baseada em fontes não renováveis. Essas fontes são finitas e causam um grande impacto ao meio ambiente.

Produção mundial de energia em 2007 (Números em quadribilhóes de BTU) Petróleo e derivados (168) Carvão mineral (133) Gás natural (109) Hidro-elétrica (30) Nuclear (27) Solar, Eólica, Geotermal (9) Fonte: US Energy Information Administration (EIA). Imagem: Campos de petróleo no Iraque. NASA, Visible Earth.

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ENERGIA A energia é renovável quando é permanente e contínua – como a solar, a eólica e a hidráulica – ou quando pode se renovar – caso da biomassa: a lenha, o bagaço de cana e o álcool. As fontes de energia não renováveis como o petróleo, o carvão mineral e o gás natural, ao contrário, não se regeneram. Atualmente praticamente toda a nossa matriz energética é baseada em fontes não renováveis. O problema é que essas fontes são finitas, e causam um impacto enorme no meio ambiente. O consumo de energia é responsável por 61% das emissões nocivas ao meio ambiente. Desastres ambientais de largas proporções, como o vazamento na plataforma da British Petroleum no Golfo do México em 2010, têm alterado drasticamente o mercado de petróleo. Além das oscilações nas bolsas de valores do mundo inteiro, a previsão é de que os gastos na área, como os seguros relacionados às plataformas de exploração, aumentem gradativa e significativamente. No relatório da US Energy Information Administration (EIA) ao lado do Cazaquistão e da Rússia, o Brasil aparece liderando o crescimento da produção de petróleo no grupo que não integra a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). No entanto, a exploração de fontes renováveis de energia, como o etanol e o biodiesel, são capazes de levar o país a um patamar de destaque no cenário energético mundial. Mudar a matriz energética e o padrão de consumo é um dos maiores desafios internacionais para reduzir as emissões de gases que causam o efeito estufa e colaboram para o aquecimento global.

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Somente em 2003 foram desmatados 27.772 km2 de florestas nativas na Amazônia Legal. Essa área é maior que todo o estado de Alagoas. 25.000 km2

20.000 km2

15.000 km2

10.000 km2

5.000 km2

Desmatamento na Amazônia entre 1988 a 2008. Dados em Km2/Ano.

Porcentagem de cobertura florestal existente em relação a florestas originais

28,3%

5,6% Ásia

0,3% Europa

7,8% África

9,7%

7,8%

1,8% América Norte

América Central

América Sul

Oceania

Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Imagem: Desmatamento no Mato Grosso, Brasil. NASA, Visible Earth.

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FLORESTAS O desmatamento global se confunde com a origem da história da humanidade: dos 64 milhões de km2 de florestas existentes antes da expansão demográfica e tecnológica, restam menos de 15,5 milhões. Em outras palavras, mais de 75% das florestas primárias já desapareceram no mundo, deixando um rastro de causa e conseqüência para o aumento da temperatura e das emissões de carbono em todo o planeta. Segundo recente estudo de monitoramento por satélite sobre a dinâmica das florestas no mundo realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), dos 100% de suas florestas originais, a África mantém hoje 7,8%, a Ásia 5,6%, a América Central 9,7% e a Europa apenas 0,3%. De acordo com a pesquisa, apesar do desmatamento realizado nos últimos 30 anos, o Brasil é um dos países que ainda mantém a maior cobertura florestal do planeta. Há 8 mil anos, o Brasil detinha cerca de 9,8% das florestas mundiais e hoje tem 28,3%. Ainda assim, o desmatamento no Brasil é um problema sério. Corresponde à nossa principal fonte de emissão de CO2, ao lado da agropecuária e do transporte de carga em veículos a diesel. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais, de 1988 até 2008 foram desmatados 353.093 km2 da Amazônia Legal. Isso equivale a um país do tamanho da Alemanha. Somente em 2004, foram desmatados 27.772 km2, o que equivale a todo o estado de Alagoas.

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Milhões de pessoas em todo o planeta já vivem sem acesso a água de qualidade. A tendência é que a partir de 2025 esse problema atinja mais da metade da população global.

Fonte: World Water Assessment Programme, ONU. Imagem: Rio Nilo, Egito. NASA, Visible Earth.

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ÁGUA De acordo com a ONU, 18% da população mundial, ou mais de 1 bilhão de pessoas, já estão sem acesso a uma quantidade mínima de água de boa qualidade para consumo. A previsão é que, se mantivermos os atuais padrões de consumo e de danos ao meio ambiente, quase todos nós teremos dificuldade de acesso à água potável. Segundo estimativas também das Nações Unidas, em 2025 seriam afetados cerca de 66% da população global e, em 2050, 75%. Além do acesso a água de boa qualidade para consumo, estimativas da ONU apontam que 2.6 bilhões de pessoas não possuem acesso a sistemas de saneamento de qualidade. Segundo o Programa Mundial para Avaliação dos Recursos Hídricos (WWAP) das Nações Unidas, por falta de acesso a água e saneamento de qualidade cerca de 2 milhões de mortes anualmente são causadas por doenças que provocam diarréia. O simples uso de água de qualidade e medidas de higiene tanto pessoal quanto no preparo de alimentos poderiam evitar essas mortes. Dentre os principais impactos causados pela atividade humana sobre os recursos hídricos, podemos observar: o aumento do consumo, principalmente ligado à agricultura e irrigação; fragmentação causada por represas e canais; conversão do uso da terra que altera os fluxos naturais de escoamento; exploração e introdução de espécies exóticas que comprometem a biodiversidade; e a descarga de poluentes químicos e esgoto não tratado.

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Consumo Global 20% mais ricos consomem 76,6% 60% de classe mテゥdia consomem 21,9% 20% mais pobres consomem 1, 5%

20%

20%

mais ricos 45% 58% 74% 84% 87%

mais pobres CARNE E PEIXE ENERGIA LINHAS TELEFテ年ICAS PAPEL AUTOMテ天EIS

5% 4% 1,5% 1,1% 1,1%

Human Development Report 1998 Overview, United Nations Development Programme (UNDP).

Fonte: Indicadores de Desenvolvimento do Banco Mundial. Imagem: Agricultura no Kansas, EUA. NASA, Visible Earth.

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CONSUMO Todo o nosso meio ambiente está sendo degradado devido aos altos índices de consumo. Nossos padrões de consumo afetam nosso clima, nossos recursos hídricos, os estoques de alimentos, florestas, matrizes de energia, além de gerar grande quantidade de lixo e poluição. Nossa cultura estimula o consumo associando felicidade à maior posse de bens materiais. Isso associado à crescente expansão populacional e ao número finito de recursos está nos levando a uma situação de insustentabilidade. Mais ainda, o consumo é um grande fator de exacerbação da desigualdade social. Segundo dados do Banco Mundial, enquanto os 20% mais ricos consomem 80% dos bens e recursos globais, os 20% mais pobres consomem 1,5%. Além do esgotamento de recursos, o consumo também gera um alto número de dejetos e poluição que degradam o meio ambiente. Segundo uma pesquisa realizada em 2009 pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), a geração de lixo atual é de 1,152 kg por habitante por dia no Brasil, padrão próximo aos dos países da União Européia, cuja média é de 1,2 kg por habitante por dia. No entanto, um estudo realizado em 2009 pelo Instituto Ethos apontou que enquanto o Brasil recicla menos de 5% do lixo urbano, nos Estados Unidos o índice é de 40%.

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POPULAÇÃO DOENTE 2.000.000.000 2.000.000.000 1.000.000.000 400.000.000 220.000.000 120.000.000 33.000.000

DIARRÉIA HEPATITE B DTN (DOENÇAS TROPICAIS NEGLIGENCIADAS) OBESIDADE DIABETE DEPRESSÃO HIV/AIDS

MORTES EM UM ÚNICO ANO 17.000.000 7.400.000 2.500.000 2.200.000 2.000.000 1.600.000 1.300.000 1.100.000 600.000

DOENÇAS CARDIOVASCULARES CÂNCER ÁLCOOL DIARRÉIA (1.500.000 CRIANÇAS COM - 5 ANOS) HIV/AIDS VIOLÊNCIA TUBERCULOSE DIABETE HEPATITE B

Fonte: World Health Organization (WHO). Imagem: Vírus H1N1. CDC Influenza Laboratory. PD-USGOV. Wikimedia Commons.

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CORPO Da mesma forma como o nosso planeta passa por grande degradação ambiental, causada por padrões de consumo insustentáveis, o nosso corpo também sente esses impactos.

CORPO

O desequilíbrio ambiental e as mudanças climáticas são responsáveis pelo aumento de mortes em ondas de calor bem como em enchentes e alagamentos. A alta densidade demográfica, os altos índices de pobreza, as mudanças nos padrões de contaminação de doenças infecciosas resultam em epidemias globais. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (WHO), mais de 1 bilhão de pessoas são afetadas por doenças tropicais negligenciadas, que ocorrem nas áreas mais pobres do planeta. Falta de saneamento básico e meio ambiente contaminado aumentam a propagação de doenças como Esquistossomose, Leishmaniose e Doença de Chagas. Mais de 3 milhões de pessoas morrem anualmente por diarréia, malária e má-nutrição, sendo a maioria crianças com menos de 5 anos. Dengue, Cólera, Ebola, Febre Amarela e outras formas de febre hemorrágica viral são doenças que assombram as agendas de diversos países. Mais de 2 bilhões de pessoas estão infectadas com tuberculose. Cerca de 33,2 milhões de pessoas vivem com o HIV em todo o mundo no final de 2007, sendo que a AIDS já matou 27 milhões de pessoas em todo o mundo. Hábitos sedentários e nutrição desequilibrados, típicos da vida urbana moderna causam obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes e câncer. Para se ter uma idéia, em torno de 90 a 95% dos casos de câncer estão relacionados a estilo de vida e fatores ambientais, enquanto apenas de 5 a 10% estão diretamente relacionados a fatores genéticos. Mais de 30% dos casos de câncer poderiam ser evitados com hábitos simples como evitar o tabaco, ter uma dieta saudável, ser fisicamente ativo e prevenir contra doenças infecciosas.

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Porcentagem vivendo em cidades (1950-2030) 100 % 75 % 50 % 25 % 0% Africa Asia América Latina e Caribe Oceania América do Norte Europa

Pesoas vivendo em favelas.(1990-2030) 400.000.000 350.000.000 300.000.000 250.000.000 200.000.000 150.000.000 100.000.000 50.000.000 0 Africa Norte Africa Sub Saariana Asia Sul Asia Sudeste Asia Oeste América Latina e Caribe Fonte: UN-HABITAT. Imagem: Roma, Itália. NASA, Visible Earth.

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CIDADES Segundo dados do Centro das Nações Unidas para os Assentamentos Urbanos (UN-HABITAT), em 2005, a população urbana mundial era de 3,17 bilhões de um total mundial de 6.450 milhões. As tendências atuais esse número vai aumentar, para quase bilhões de 2030. Entre 2005 e 2030, a população urbana do mundo deverá crescer a uma taxa média anual de 1,78 por cento, quase o dobro da taxa de crescimento da população total do mundo. Por outro lado, a população dos assentamentos rurais ao redor do mundo deverá diminuir a partir de 2015, chegando a uma taxa média anual de -0,32 em 2030 – uma diminuição de mais de 155 milhões de pessoas com mais de 15 anos. E mais, um fenômeno antes típico dos países desenvolvidos, agora se observa a tendência de formação de megacidades com mais de 20 milhões de habitantes, em países como Ásia, África e América Latina. Quanto maior a cidade, maiores os problemas. Trânsito, poluição do ar, violência urbana e falta de habitação e saneamento de qualidade impactam na qualidade de vida dessa grande população do planeta. No Brasil e em países com índices inaceitáveis de acesso ao saneamento básico, os problemas neste setor são multiplicados. Ainda segundo a UN-HABITAT, o ano de 2007 viu a marca de 1 bilhão de pessoas vivendo em favelas ou em habitações precárias com falta de saneamento nos aglomerados urbanos. Além dos evidentes prejuízos à saúde dos cidadãos que não podem contar com esgoto e água tratada, um sistema de saneamento não planejado gera também problemas ambientais que comprometem significativamente as chances de sustentabilidade das cidades. Os principais deles são o desperdício de água e energia.

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Nas próximas décadas, as mudanças climáticas levarão a uma migração de milhões de pessoas em busca de melhor abrigo e moradia.

2010: 50.000.000 2050: 700.000.000

Fonte: UN-HABITAT. Imagem: Refugiados em Port au Prince. Timo Luege/IASC Haiti Shelter Cluster. Flickr Creative Commons.

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ÊXODOS O aquecimento global e seus efeitos, entre eles a escassez de água, serão os maiores responsáveis pelos êxodos neste século. O relatório In search of shelter, produzido em 2009 por Cientistas ligados ao Agência para Refugiados da ONU (UNDHC) e à organização CARE International , estima que em 2050, 700 milhões de pessoas saiam de suas moradias devido a mudanças climáticas. Bem mais que os 50 milhões previstos para 2010. Será o maior processo migratório na história. Como a projeção de habitantes na Terra é de 9 bilhões de pessoas em 2050, muitas economias que dependem da agricultura, pecuária e pesca poderão entrar em colapso. Secas, enchentes, já são rotina em diferentes áreas do planeta. E a elevação do nível dos oceanos já faz diversas vítimas. A ONU estima que o nível do mar suba de 20 a 60 cm até 2100. Essa elevação associada à degradação ambiental tem feito grande parte de Tuvalu inabitável, devastando plantações e afetando a qualidade de boa parte da água potável. Com uma área total de apenas 26 quilômetros quadrados, o estado já perdeu três mil dos seus 11 mil habitantes. Em situação ainda pior estão as Ilhas Carteret (de Papua Nova Guiné), que começaram a ser evacuadas em 2005. Estima-se que em 2015 praticamente todas as suas terras estarão submersas. Esses migrantes climáticos não contam com a proteção de leis internacionais, ao contrário dos refugiados por perseguição devido à raça, religião, nacionalidade ou associação a determinado grupo social ou opinião política. O Relatório de Desenvolvimento Humano 2009 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) é totalmente dedicado aos múltiplos caminhos da deslocação humana. Um sinal de que os refugiados climáticos necessitam cada vez mais da atenção de governos e organismos internacionais.

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CIENTISTAS, ESCRITORES E MILITANTES LIGADOS À CAUSA ECOLÓGICA ENTENDEM SUSTENTABILIDADE COMO O CONJUNTO DAS AÇÕES AFIRMATIVAS DOS HOMENS PARA UMA RELAÇÃO EQUILIBRADA COM A NATUREZA.

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AGENDA AMBIENTAL Os problemas causados pela poluição e pela industrialização dos países desenvolvidos começaram a ser abordados com mais ênfase a partir da década de 1960. Alertas antes restritos à comunidade científica passaram a entrar na pauta de governos e organizações. Em 1972 a ONU organizou a Primeira Conferência Mundial do Meio Ambiente Humano, na cidade de Estocolmo, Suécia. A conferência contou com a participação de 113 países e mais de 400 organizações governamentais e não governamentais. Foi considerada um marco inicial na busca por princípios comuns voltados à preservação do meio ambiente. Em 1983, após uma avaliação dos 10 anos da Conferência de Estocolmo, a ONU cria a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Presidida por Gro Harlem Brundtland, anterior Ministra do Ambiente e Primeira Ministra da Noruega, a comissão examina questões críticas relativas ao meio ambiente, formula propostas realistas para abordá-las, e propõe a cooperação internacional no sentido de se orientar políticas e ações capazes de promover mudanças de atitude em indivíduos, empresas, organizações e governos. Intitulado “Nosso Futuro Comum” (Our Common Ground) e também conhecido como “Relatório Brundtland”, o relatório faz uma crítica ao modelo de desenvolvimento adotado pelos países industrializados e reproduzido pelas nações em desenvolvimento, e ressalta os riscos do uso excessivo dos recursos naturais sem considerar a capacidade de suporte dos ecossistemas. O relatório aponta a incompatibilidade entre os padrões de produção e consumo vigentes e o desenvolvimento sustentável onde “o atendimento às necessidades do presente não comprometam o atendimento às necessidades das gerações futuras”. O trabalho da comissão contou com exaustivas audiências com líderes de governo e o público em geral, e abrangeu diferentes pontos de vistas sobre questões como agricultura, silvicultura, água, energia, transferência de tecnologias e desenvolvimento sustentável.

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Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente

Declaração de Estocolmo sobre Meio Ambiente

Estocolmo

1972 Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento

Relatório Brundtland, 1987

1983 Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento

Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento

Rio de Janeiro

Carta da Terra

Agenda 21

1992

Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento

Joanesburgo

2002

Declaração de Joanesburgo sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento

Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento

Rio de Janeiro

2012

Imagem: Grand Canyon, Colorado, EUA. NASA, Visible Earth.

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Convenção sobre Mudanças Climáticas

Convenção sobre Diversidade Biológica

Protocolo de Kyoto

Protocolo de Cartagena

Convenção sobre Desertificação


O documento enfatizou problemas ambientais como o aquecimento global e a destruição da camada de ozônio e expressou preocupação sobre a velocidade das mudanças estar excedendo a nossa capacidade e habilidades de avaliar e propor soluções. Ao mesmo tempo, o relatório não sugere a estagnação do crescimento econômico, mas propõe uma conciliação entre desenvolvimento e as questões ambientais e sociais. Entre as propostas do relatório, constam a diminuição do consumo de energia, o desenvolvimento de tecnologias para uso de energias renováveis e o aumento da produção industrial nos países não-industrializados com base em tecnologias ecologicamente adaptadas. Realizada em 1992 no Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, também conhecida como a Cúpula da Terra, ou Eco-92, contou com a participação de 172 países, incluindo 108 chefes de estado, além de mais de 2.400 representantes de organizações não-governamentais. A conferência marca o reconhecimento global de que os padrões de produção e consumo, sobretudo de países desenvolvidos, alcançavam níveis insustentáveis e colocavam em risco a estabilidade de diversos bens e serviços. Dentre os principais documentos que resultaram da conferência, podemos destacar a Agenda 21, que é um conjunto de diretrizes para que cada país elabore seu plano de preservação do meio ambiente, e as convenções sobre Mudanças Climáticas, Biodiversidade e Desertificação. A Eco-92 também propôs a Carta da Terra, que é uma declaração de princípios fundamentais para a construção de uma sociedade global justa, pacífica e sustentável a ser ratificada por todos países na entrada do Século 21. A partir da Eco-92 o debate sobre preservação do meio ambiente e o desenvolvimento de políticas de sustentabilidade entra de vez na pauta de governos, da sociedade civil e do setor privado. A Agenda 21 tem sido difundida como um plano de ação para ser adotado global, nacional e localmente, por organizações do sistema das Nações Unidas, governos e pela sociedade civil, em todas as áreas em que a ação humana impacta o meio ambiente. Fez parte da pauta das conferências Rio+5, em 1997, em Nova York, e da Rio+10, a Cúpula de Joanesburgo, em 2002. Já conta com 179 países signatários. A Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, do original em inglês United Nations Framework Convention on Climate Change, firmada na Eco-92, tem sido adotada por quase todos os países do mundo com o objetivo de estabilização da concentração de gases do efeito estufa (GEE) 29


RELATÓRIO BRUNDTLAND Dentre uma série de medidas propostas pelo relatório para promoção do desenvolvimento sustentável, podemos destacar

Limitação do crescimento populacional; Garantia de recursos básicos (água, alimentos, energia) a longo prazo; Preservação da biodiversidade e dos ecossistemas; Diminuição do consumo de energia e desenvolvimento de tecnologias com uso de fontes energéticas renováveis; Aumento da produção industrial nos países não-industrializados com base em tecnologias ecologicamente adaptadas; Controle da urbanização desordenada e integração entre campo e cidades menores; Atendimento das necessidades básicas (saúde, escola, moradia). Em âmbito internacional, as metas propostas são: Adoção da estratégia de desenvolvimento sustentável pelas organizações de desenvolvimento (órgãos e instituições internacionais de financiamento); Proteção dos ecossistemas supra-nacionais como a Antártica, oceanos, etc, pela comunidade internacional; Banimento das guerras; Implantação de um programa de desenvolvimento sustentável pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Imagem: Região de Tundra na Siberia. NASA, Visible Earth.

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na atmosfera em níveis que não interfiram perigosamente com o sistema climático. Este tratado é um instrumento fundamental no controle das emissões de gases do efeito estufa. Adotado em 1997 e ratificado em 2005 como um adendo à convenção, o Protocolo de Kyoto estabeleceu metas e medidas legais para a redução das emissões entre os países signatários do tratado. As reuniões anuais dos países signatários da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, chamadas de Conferência das Partes, tem atraído a atenção global, tanto dos governos como da sociedade civil. A COP7, realizada em Marrakech em 2001 detalhou as regras de implementação do Protocolo de Kyoto. Em 2009, a realização da COP15 em Copenhagen, foi acompanhada de perto por mais de 400 organizações não governamentais de proteção do meio ambiente, além de ativistas e da mídia global. Em 2007, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês), criado pela ONU para fornecer informações científicas, técnicas e sócioeconômicas relevantes para o entendimento das mudanças climáticas, publicou um relatório fundamental alertando sobre os efeitos das mudanças climáticas e do aquecimento global, e ressaltando a importância da mudança do paradigma de geração de energia. Nesse ano, o painel ganhou o Prêmio Nobel da Paz (dividido com o ativista ambiental e ex-vice presidente Al Gore) por “criar um consenso amplo sobre a conexão entre a ação do homem e o aquecimento global”. A Declaração de Política de 2002, da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada em Joanesburgo, afirmou que o Desenvolvimento Sustentável é construído sobre “três pilares interdependentes e mutuamente sustentadores” — desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e proteção ambiental. Esse paradigma reconhece a complexidade e o inter-relacionamento de questões críticas como pobreza, desperdício, degradação ambiental, decadência urbana, crescimento populacional, igualdade de gêneros, saúde, conflito e violência aos direitos humanos. Com a divulgação freqüente de estudos que demonstram que a causa ecológica já transbordava fronteiras do que até então era encarado como visão “esquerdista” dos desafios sociais. Fica claro que os malefícios do consumo em larga escala atingem igualmente todos os países, ricos ou dependentes economicamente. O termo sustentabilidade deve ser cada vez mais incorporado aos discursos de estratégia de negócios das maiores empresas.

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Sustentabilidade ambiental: implica na capacidade de recomposição dos ecossistemas, mesmo com a interferência do Homem. Sustentabilidade ecológica: refere-se à base física do processo de crescimento que visa a incorporar os estoques de capital natural às atividades produtivas. Sustentabilidade social: visa ao desenvolvimento aliado à melhoria da qualidade de vida da população. Em países com desigualdades, implica na adoção de políticas distributivas e/ou redistributivas e na universalização do atendimento na área social, principalmente na saúde, educação, habitação e seguridade social. Sustentabilidade política: refere-se ao processo de construção da cidadania e visa a garantir a plena incorporação dos indivíduos ao processo de desenvolvimento. Sustentabilidade econômica: é a gestão eficiente de recursos considerando a regularidade de fluxos do investimento público e privado. Também considera que a eficiência da economia pode e deve ser avaliada por todos os cidadãos. Sustentabilidade demográfica: contrapõe cenários ou tendências de crescimento econômico à taxas demográficas, à faixa etária da população e a percentagem da população economicamente ativa. Sustentabilidade cultural: é o esforço para se manter a capacidade de diversidade de culturas, valores e práticas no planeta, no país e/ou numa região, que compõem ao longo do tempo a identidade dos povos. Sustentabilidade institucional: criada e fortalecida por engenharias institucionais e/ou instituições que considerem critérios de sustentabilidade em várias áreas. Sustentabilidade espacial: é norteada pela busca de maior igualdade nas relações inter-regionais.

Imagem: Lago Victoria e planície do Serengeti, Africa. NASA, Visible Earth.

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A saída, tanto no Brasil como em todo o mundo, é a aplicação do uso sustentável de recursos naturais. É repensar, renovar e reinventar. Governos e os setores agrícola e industrial podem e devem resolver problemas estruturais assim como devem alinhar suas políticas à perspectiva de sustentabilidade nesse século, que já integra muitas iniciativas da sociedade civil e do setor privado. O relatório de 2007 do IPCC apontou que são grandes, no entanto necessários, os custos econômicos das medidas ambientais para a economia global. Eles serão bem menores que o ônus de cruzarmos os braços e nos esquivarmos de nossa responsabilidade ambiental hoje. O termo “sociedade sustentável” cunhado no início dos anos 80 pelo ambientalista americano Lester Brown, e trazido à pauta global pelo Relatório Brundtland, enfoca o reconhecimento de que o excessivo consumo provocado pelos mercados não apenas aumenta a desigualdade social como também esvazia as fontes naturais de alimento e energia, além de provocar alterações climáticas já a médio prazo. A conseqüência direta deste esgotamento é a escassez de recursos para prestação de serviços básicos como transporte, energia, saneamento e moradia, ou, em outra perspectiva, a incapacidade das cidades de se autossustentarem. Sustentabilidade implica em um conjunto das ações afirmativas dos homens para uma relação equilibrada com a natureza. Mais do que uma causa defendida por cientistas, escritores e militantes ligados à ecologia, o desenvolvimento sustentável deve se transformar cada vez mais em ações efetivas. REFERENCIAS NA WEB

United Nations Environment Programme (UNEP) http://www.unep.org/ Intergovernamental Panel on Climate Change (IPCC) http://www.ipcc.ch/ Framework Convention on Climate Change (UNFCCC) http://www.unfccc.int/ Convention to Combat Desertification (UNCCD) http://www.unccd.int/ Convention on Biological Diversity (CBD) http://www.biodiv.org/ Human Settlements Programme (UN-HABITAT) http://www.unhabitat.org/ Agenda 21 http://www.un.org/esa/dsd/agenda21/ The Earth Charter Initiative http://www.earthcharterinaction.org/ Carta da Terra Brasil http://www.cartadaterrabrasil.org/ 33


CARTA DA TERRA I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DA VIDA 1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade. 2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor. 3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas. 4. Assegurar a generosidade e a beleza da Terra para as atuais e às futuras gerações.

II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA 5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial atenção à diversidade biológica e aos processos naturais que sustentam a vida. 6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução. 7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário. 8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover o intercâmbio aberto e aplicação ampla do conhecimento adquirido.

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III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA 9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental. 10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma eqüitativa e sustentável. 11. Afirmar a igualdade e a eqüidade dos gêneros como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência de saúde e às oportunidades econômicas. 12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, com especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.

IV. DEMOCRACIA, NÃO-VIOLÊNCIA E PAZ 13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e prover transparência e responsabilização no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões e acesso à justiça. 14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável. 15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração. 16. Promover uma cultura de tolerância, não-violência e paz.

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Imagem: Gary M. Stoltz. U.S. Fish and Wildlife Service Digital Library System. Via Wikimedia Commons

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UM LEGADO PARA O FUTURO Como promover desenvolvimento e preservação ambiental ao mesmo tempo? Uma alternativa tem sido olhar para os nossos seis biomas – Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Pampas – como oportunidade de biodiversidade. A região amazônica é conhecida como pulmão verde do mundo e detém 1/3 das espécies da Terra e 1/4 da água doce no mundo, sendo a maior concentradora das nossas riquezas naturais. Em 2002 o Centro da Biodiversidade da Amazônia (CBA), a fim de desenvolver pesquisas que integrem o Programa Brasileiro de Ecologia Molecular para o Uso Sustentável da Biodiversidade da Amazônia (Probem), contribuindo para o desenvolvimento da bioindústria no país, em especial naquela região. O Cerrado é a savana mais rica em biodiversidade no planeta. São mais de 10 mil espécies de plantas, das quais 45% existem exclusivamente neste bioma brasileiro. O país possui a mais extensa coleção de palmeiras (359 espécies) e de orquídeas (2,3 mil) e a maior variedade de vegetais com importância econômica mundial entre eles, o abacaxi, o amendoim, a castanha-do-pará, a mandioca, o caju e a carnaúba. Pertencem à fauna brasileira 10% de todos os anfíbios e mamíferos existentes e 17% de todas as espécies de aves. O Brasil ainda abriga a maior diversidade de primatas do planeta, com 55 espécies. E mais, o manejo florestal reduz a perda dos biomas em quase 50%. A regeneração da floresta é mais rápida nas áreas manejadas e há evidências de que o manejo reduza pela metade o tempo necessário para uma segunda extração em florestas já exploradas.

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AGENDA BRASILEIRA Tomado pela onda verde mundial, o Brasil se mostra cada vez mais flexível a priorizar a sustentabilidade na sua agenda, dando ênfase a questões ambientais. Em dezembro de 2008, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o Plano Nacional sobre Mudança do Clima, com a meta de cortar em 70% o desmatamento da Amazônia até 2017, reduzindo as emissões em 4,6 bilhões de toneladas de CO2– mais do que o compromisso assumido pelos países desenvolvidos no Protocolo de Kyoto. No mesmo ano foi criado o Projeto de Lei n° 3820, para adaptar parâmetros da política energética nacional que estava instituída desde a década de 1960. Já afinado com a interdisciplinaridade entre os temas ambientais, o projeto prevê atividades relativas ao monopólio do petróleo, institui o Conselho Nacional de Política Energética, a Agência Nacional do Petróleo e cria o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima - FNMC. Este fundo pretende assegurar recursos para projetos, estudos ou financiamento de empreendimentos voltados à redução do impacto das mudanças climáticas. Ficou estabelecido que o FNMC receberá até 60% dos 10% destinados ao Ministério do Meio Ambiente (MinC) pela Política Energética Nacional (Lei n° 9.478/97). Esse percentual incide sobre os valores a serem pagos pelas empresas contratadas para exploração de petróleo e gás natural quando houver grande volume de produção ou rentabilidade.

Energia Segundo o MME, o Brasil possui uma matriz energética por volta de 45% renovável e deve elevar esse patamar a quase 47%, de acordo com previsão do Plano Nacional de Energia 2030. O sucesso de programas como os de álcool e biodiesel estimula investimentos em pesquisa de novas tecnologias e de geração e transmissão de energia. Um grande destaque em 2008 foi o etanol, que passou a ser mais consumido do que a gasolina em veículos leves, por ser mais econômico e menos poluente. Em 1985 foi criado o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), com o objetivo de promover a racionalização da produção e do consumo de energia elétrica. O PROCEL é coordenado pelos Ministérios de Minas e Energia e da Indústria e Comércio e gerido por uma Secretaria 38


Executiva subordinada à Eletrobrás. Utiliza recursos da Eletrobrás e da Reserva Global de Reversão - RGR - fundo federal constituído com recursos das concessionárias, além de recursos de entidades internacionais. Em 1993 é criado o selo Procel, que certifica os produtos com comprovado baixo consumo de energia. O Brasil já aceita negociar que os créditos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) nos países em desenvolvimento sejam compensatórios. Até meados de 2009, a posição do país era contrária a REDD nestes termos, defendendo que funcionasse apenas como um mecanismo voluntário para projetos de preservação florestal.

Recursos para florestas e biodiversidade O projeto internacional REDD (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação) prevê que países com florestas tropicais recebam verba para conservá-las. Neste ano de 2010 o programa recebeu promessas de quatro bilhões de dólares de uma série de países industrializados. O REDD não tem apoio unânime quanto às suas formas de implementação e por isso surgiu a Accra Caucus on Forests and Climate Change, uma coalizão de aproximadamente 100 organizações de 38 países e que lançou um relatório propondo alternativas que englobariam os direitos dos povos indígenas e locais, ao mesmo tempo que protegeria as florestas. Segundo o relatório da Accra, um acordo sobre o REDD deve incluir três políticas: 1) participação integral e efetiva dos povos locais, tendo claro que nenhuma interferência pode acontecer sem “o consentimento livre, antecipado e informado” dos grupos indígenas segundo o que foi orientado pelas Nações Unidas. 2) reconhecimento dos direitos sobre a terra dos indígenas. 3) emprego de manejo florestal baseado nas comunidades, permitindo o uso sustentável das florestas pelas comunidades locais; a definição de ‘florestas’ deverá garantir que as áreas que forem convertidas para plantação ou exploração madeireira industrial sejam inelegíveis a pagamentos. O REDD estimulou a atividade entre políticos, cientistas e ambientalistas conhecida como “negociação climática”. A questão mais concreta prevista pelo REDD é a diminuição das emissões de carbono. Em contrapartida, o relatório Accra pede que os legisladores reconheçam que um programa efetivo e a longo prazo deve também incluir a preservação da biodiversidade e os direitos dos povos locais ao uso da floresta sustentavelmente. 39


Em 1996 foi criado o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) graças a uma doação de US$ 20 milhões do Fundo para o Meio Ambiente Mundial (Global Environment Facility – GEF) para complementar as ações governamentais. Nestes 14 anos de atuação em prol da conservação da biodiversidade do Brasil, o Funbio tem desenvolvido soluções e arranjos inovadores em programas e projetos como Fundo da Mata Atlântica (FMA), Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), Fundo Cerrado, Diálogos Sustentáveis, Focus Visão Brasil, Juriti Sustentável e Sistema de Informações sobre Investimentos em Conservação da Biodiversidade (na sigla em inglês, BCID).

Pesquisa O Probem é considerado um marco histórico para alavancar as redes de pesquisa em bioprospecção no Brasil. O programa estabeleceu contatos com as indústrias farmacêuticas internacionais para a pesquisa de princípios ativos de novos fármacos, um mercado que se estima gerar US$ 350 bilhões no mundo e US$ 11 bilhões só no Brasil. A partir do Probem, especialistas apontam que tem sido crescente o número de instituições que investem em pesquisa e desenvolvimento em parceria com indústrias para a geração de tecnologias e bioprodutos a partir dos recursos naturais. Entre elas estão o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Outro legado foi despertar o interesse da Amazônia para conservar sua riqueza natural e incentivar o turismo ecológico, criando fontes alternativas de renda – antes baseadas apenas na extração de madeira e minérios, pecuária e monocultura. Um programa de 2005 do governo brasileiro determinou que uma universidade em cada região do país desenvolva laboratórios, construídos em convênio com a Eletrobrás, destinados a resolver o problema do desperdício de água e energia elétrica em sistemas de saneamento. Criados no âmbito do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), os Laboratórios de Eficiência Energética e Hidráulica em Saneamento (LENHS) servem de referência para todo o país. Cada uma das cinco universidade federais recebeu recursos da ordem de R$ 800 mil para construí-los. A partir de um modelo em escala reduzida, que simula sistemas reais de abastecimento de água, viabilizam-se experimentos para aperfeiçoar os sistemas, desde o projeto até as etapas de operação e manutenção. Diante da dimensão dos sistemas, na prática é inviável testar componentes com diferentes capacidades de vazão do líquido para identificar aquele que consome o mínimo possível de energia com a maior potência possível.

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Os LENHS deverão também conscientizar estudantes e profissionais para a importância do consumo sustentável de energia elétrica. Nas universidades incluídas no programa, alunos de graduação em engenharia civil, elétrica e ambiental, entre outros cursos, passarão a ter aulas no laboratório e poderão receber bolsas de iniciação científica para realizar pesquisas no modelo. Serão ofertadas ainda bolsas a estudantes de pós-graduação e cursos de extensão para técnicos e engenheiros de empresas do setor elétrico e de saneamento. Com a disseminação deste tipo de informação, cada vez mais empresas brasileiras desenvolvem departamentos focados na preservação ambiental, estabelecendo metas para controlar seus níveis de emissão de gás carbônico. É a chamada “neutralização de carbono”: retirada voluntária de uma quantidade de CO2 da atmosfera, através de investimentos em projetos ambientais. No Brasil, a empresa MaxAmbiental é pioneira no setor, disponibilizando um programa que torna possível neutralizar total ou parcialmente qualquer atividade empresarial – promocional, administrativa ou industrial e receber o selo Carbono Neutro.

Inovação A inovação tecnológica também tem um importante papel ao estabelecer métodos de nanofabricação para reduzir a utilização de elementos tóxicos e a geração de lixo. Esta nanotecnologia verde tem sido amplamente desenvolvida por cientistas em universidades norte-americanas desde 2002. O mais recente avanço é a transformação do plástico comum em um material mais duro, leve, forte, barato e menos inflamável. O objetivo é tornar embalagens mais resistentes, equipamentos esportivos e médicos mais duráveis, automóveis e aeronaves mais eficientes no uso de combustível e turbinas de energia eólica mais eficazes. Um instituto brasileiro de ponta Em 2009, foi criado o Instituto de Tecnologia e Engenharia das Mudanças Globais em Energia e Meio Ambiente, ligado ao Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE/UFRJ). Com o objetivo de realizar estudos de identificação de vulnerabilidades e ações de adaptação às mudanças do clima em todo o Brasil, o instituto articula o desenvolvimento de novas tecnologias de energia. A conseqüência mais direta é o aprofundamento dos estudos sobre a captura de CO2 em poços de petróleo.

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Imagem: Istockphoto.com

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CONSUMIDOR CONSCIENTE Mas cabe também a cada um de nós continuarmos adotando medidas simples no nosso dia a dia. Mudanças que fazem toda a diferença para o planeta e começam nas nossas casas. Apenas 4% dos consumidores brasileiros praticam o consumo consciente. O dado é de uma pesquisa da Cetelem, empresa do setor financeiro, que aplicou a metodologia Teste de Consumo Consciente (TCC) criada pelo Instituto Akatu – que atua com foco na mudança de comportamento do consumidor. O teste considera o cumprimento de 13 comportamentos simples, como apagar as luzes ao sair de um local ou fechar a torneira ao escovar os dentes. O estudo aponta que o nível de escolaridade está diretamente relacionado ao grau de comprometimento do consumidor; quanto mais instruídos, maior o nível de consciência. Já as mulheres são mais comprometidas do que os homens. Nos outros grupos de consumo não há diferença significante entre os gêneros. Já existe em São Paulo um espaço do consumo responsável Foi inaugurado este ano em São Paulo o Espaço da Cultura de Consumo Responsável, no centro cultural Tendal da Lapa. Todas as quartas são realizadas palestras e oficinas sobre temas como segurança alimentar, sustentabilidade e economia solidária e há lugar para produtores de orgânicos e cooperativas exporem seus produtos. A iniciativa é uma parceria entre várias organizações, como Idec, Instituto Kairós e incubadoras de cooperativas da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação Getúlio Vargas.

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Imagem: CĂŠlulas fotovoltaicas. Twicepix. Flickr Creative Commons.

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VIDA SUSTENTÁVEL Com o crescimento da perspectiva de desenvolvimento sustentável, cidadãos e governos têm se preocupado cada vez mais com temas como coleta seletiva, reciclagem, redução do consumo, uso de energias renováveis e melhoria da qualidade de vida nas cidades.

Lixo verde A gestão integrada de resíduos sólidos como saída para implementar os sistemas de limpeza pública, se dá através da identificação de soluções e tecnologias adaptadas às realidades locais para alcançar o ideal sustentável de reduzir a produção de lixo e reutilizar e reciclar o que já foi gerado. Outra necessidade é tornar acessível a toda a população o depósito adequado e o tratamento saudável de dejetos. Soluções como coleta seletiva e compostagem devem entrar na agenda de todas as cidades brasileiras.

Produtos sustentáveis O mercado de produtos sustentáveis ainda engatinha, mas já existem iniciativas de certificação que estimulam a produção. Uma das formas de identificação são os Selos Verdes, como o selo Procel para eletrodomésticos e eletrônicos, o FSC para madeiras e papéis e o SustentaX, para produtos e serviços sustentáveis. Na área de orgânicos existem o IBD e EcoCert. Já existe um Aquecedor Solar de Baixo Custo (ASBC), feito com componentes hidráulicos ou placas de PVC encontrados em lojas de material de construção. Foi desenvolvido pela ONG brasileira Sociedade do Sol – que disponibiliza gratuitamente o passo-a-passo no seu site.

Prédios verdes No Brasil já existem experiências para viabilizar habitações e prédios sustentáveis. Em outubro de 2009 já existiam quatro espaços com a certificação Leadership in Energy and Environmental Design (Leed) no país.

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Imagem: Parque E贸lico Jepirachi. La Guajira, Colombia. Eduardo Z谩rate. Flickr Creative Commons.

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O “selo verde” leva em conta o empreendimento desde a sua construção e deve atender seis requisitos básicos: localização; uso racional de água e de energia; qualidade do ar e de luz no interior; uso de material reciclado e certificado; e inovação. Cerca de 80 edifícios verdes enfrentaram na fila de espera para obter o Leed no Brasil no segundo semestre de 2009 e a tendência é que estes números cresçam ainda mais a partir de 2010. O Inmetro e a Eletrobrás criaram o selo Procel Edifica, criado para certificar prédios com excelentes níveis de eficiência energética. A idéia é incentivar a criação de um maior número de projetos que valorizem a sustentabilidade em sua construção no país. Recém-lançado, o Procel Edifica por enquanto só certifica edifícios comerciais, embora já se avalie a possibilidade de ampliá-lo para prédios residenciais em meados de 2010.

Cidades ecológicas Criado pelo permacultor inglês Rob Hopkins, o movimento Cidades em Transição já engajou cerca de 110 localidades pelo mundo, propondo retirar o petróleo da vida urbana e promover economias municipais – apesar de não pregar um modelo único de transição, nem alegar ter encontrado todas as respostas para resolver o aquecimento global e a escassez de combustíveis fósseis. A idéia é que cada sociedade use seu próprio tempo, disponibilidade e criatividade para fazer mudar, começando pelos bairros e reforçando o comércio regional. Só uma comunidade na América Latina, no Chile, adotou a proposta do movimento. Para orientar cidades interessadas, Hopkins listou os 12 passos para a transição no livro The Transition Handbook. A inglesa Bristol tem mais de 400 mil habitantes e foi uma das que apostou no programa, sendo “dividida” em 12 partes que tentam, cada uma, achar sua própria solução. A também inglesa Totnes, considerada o berço do movimento, espera concluir sua jornada em 2030. A idéia de Hopkins é que, ao final, muito dos hábitos estarão modificados: habitantes consumindo produtos locais e tendo a dieta mais baseada em vegetais; crianças sendo capacitadas pelas escolas para cozinhar, construir ecovilas e fazer jardinagem; o transporte público ganhando espaço; e a sociedade estigmatizando o hábito de andar de carro, que será visto como uma espécie de comportamento antissocial.

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Imagem: Bairro ecol贸gico de Vauban, Alemanha. ADEUPa de Brest. Flickr Creative Commons.

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Vauban e Findhorn: casos de sucesso Projetado para ser um bairro-modelo em sustentabilidade – com amplo planejamento verde nas áreas de energia, transporte, moradia, água e lazer –, o bairro alemão de Vauban começou a ser construído em 1993 e habitado em 2001. Possuir um automóvel é até permitido, mas 70% dos cerca de 5 mil habitantes preferem não tê-los, já que eles devem ser estacionados fora dos limites da localidade. Motorizado, só o bonde, que atravessa a principal do bairro de 38 hectares rumo ao centro de Freiburg. Outro exemplo de sucesso urbano sustentável é a ecovila de Findhorn, na Escócia. Pioneira do gênero, começou a ganhar destaque internacional por seus experimentos com novos modelos de moradias sustentáveis e holísticas a partir de 1962 e por suas baixas emissões de carbono desde 1985. Com o reconhecimento de Melhor Prática da agência ONU Habitat em 1998, tornouse uma espécie de centro de referência mundial, recebendo anualmente cerca de 3 mil visitantes de mais de 50 países. A sustentabilidade vai desde os princípios de construção e o uso de energia até aos hábitos socioeconômicos e às práticas educacionais da comunidade. Outros destaques são os seus sistemas de tratamento ecológico de água e resíduos e produção de alimentos orgânicos. A ecovila possui quatro turbinas eólicas e 61 edifícios verdes – entre eles os famosos alambiques de uísque – e publicou o primeiro guia técnico de construção ecológica do Reino Unido.

Tráfego Em 2009, o Ministério de Minas e Energia, por meio da Secretaria de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis, lançou o inovador Projeto Ônibus Brasileiro a Hidrogênio, que pretende trazer tecnologias renováveis para o transporte urbano no Brasil. E, ainda, inserir o hidrogênio como complemento à matriz energética renovável que o Brasil já possui, reforçando uma importante vantagem comparativa que nos destaca no cenário mundial. Mais um exemplo da vanguarda brasileira em soluções energéticas não-poluentes. O uso de combustíveis fósseis para abastecer veículos é um grande fator de poluição, responsável por uma parte relevante da degradação ambiental hoje. Em 1997, a prefeitura de São Paulo promulgou a Lei n° 12.490, que autorizou o Executivo a implantar o Programa de Restrição ao Trânsito de Veículos Automotores. Para quem acha o rodízio de carros na capital paulista uma medida radical, o que pensar do bairro de Vauban, localizado ao sul da cidade alemã de Freiburg, onde não circulam automóveis?

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Imagem: ULTra Personal Rapid Transit. Antonio Edward. Flickr Creative Commons.

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Podcar O Podcar pode ser uma solução para o tráfego das grandes cidades. Também conhecido como Personal Rapid Transit (PRT), é um veículo pequeno, leve e elétrico. Com capacidade para até seis pessoas, circula sob trilhos elevados, não tem motorista e é automático. Seus passageiros selecionam o endereço de destino e o automóvel vai direto para lá ultrapassando as outras estações. O veículo elétrico sob trilhos tem o aconchego de um carro particular e as características de transporte público. As vantagens são óbvias: dispensa energia fóssil, diminui o impacto sobre o meio ambiente, reduz congestionamentos e aumenta espaços disponíveis nas vias. Sem falar que permite aos passageiros otimizar o tempo de deslocamento. Apesar de alcançar apenas 45km/h, já está sendo implementado em várias cidades do mundo. Há um protótipo de trilhos em Uppsala, na Suécia, e em Londres, na Inglaterra, está sendo construído um sistema para 18 Podcars circularem ao longo de três estações dentro do Aeroporto de Heathrow. Também em 2010 há planos de que o PRT seja incluído em Suncheon, Coreia do Norte, e Masdar, uma cidade carbono neutro que está sendo planejada em Abu Dhabi – só que, nesta última, excepcionalmente, os Podcars serão subterrâneos.

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PROPOSTA DE EXERCÍCIOS 1- Proponha Desafios NEGÓCIOS Corrente do bem Cadeias de varejo ecologicamente responsáveis pressionam fornecedores para reduzir o impacto ambiental na fabricação de seus produtos. Quais as melhores práticas? Desenhe um case e apresente. (Sugestões de fontes: Walmart Brasil, 3M, Coca-Cola Brasil, Colgate-Palmolive, Johnson & Johnson, Nestlé, Pepsico, Procter, Unilever, Natura)

CORPO Qual é a sua pegada ecológica? Desenvolva 5 ideias de como tornar viável um padrão de vida sustentável nas cidades grandes e garantir o nosso futuro comum. (Sugestões de fontes: WWF Brasil, Instituto Akatu, Instituto Ethos, Idec, Oded Grajew, Genebaldo Freire Dias – autor dos livros Pegada Ecológica e Ecopercepção)

TENDÊNCIA Moda ecofriendly Estilistas e cooperativas de artesãs criam coleções que seguem os preceitos da sustentabilidade, desde a matéria-prima até a fabricação das peças. Identifique essa tendência e aponte pontos fortes e fracos nessas iniciativas. (Sugestões de fontes: Osklen/ Instituto E, Projeto Refazenda, Geová Rodrigues, Milena Hamani)

COMPRAS Sinal verde Você mudaria seus hábitos de consumo? Faça uma enquete nos seus grupos de amigos e familiares, ou utilize as redes sociais para identificar os objetos de desejo que podem e devem ser comprados pelo consumidor responsável. (Serviço com produtos verdes de moda, beleza e decoração)

2- Desenvolva suas idéias DEBATE - REDAÇÃO A Rio +20 vem aí Em 2012, o Rio de Janeiro sediará a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – mas o que esperar dos líderes mundiais depois do fracasso da COP-15? 52


(Sugestões de fontes: Susana Kahn Ribeiro, Sergio Besserman, Carlos Nobre)

OPINIÃO - REDAÇÃO O que será do nosso futuro comum? Ambientalistas opinam sobre o tipo de herança que deixaremos no planeta para as próximas gerações (Enquete com 4 especialistas) 1 página

3. Sugestão de temas e entrevistas ENTREVISTA 1 Sergio Abranches O jornalista e cientista político, fundador do site O Eco, analisa de que forma os desafios Clima, Energia, Floresta, Consumo e Água/Êxodos exercem impacto sobre o meio ambiente hoje e como os setores público e privado podem se articular para diminuí-lo. 4 páginas

ENTREVISTA 2 Luiz Pinguelli Rosa O diretor da COPPE/UFRJ fala sobre o recém-criado Instituto de Tecnologia e Engenharia das Mudanças Globais em Energia e Meio Ambiente e analisa o futuro das tecnologias renováveis para solucionar o transporte urbano no Brasil 4 páginas

ENTREVISTA 3 Escolha uma outra liderança.

4- Pesquise CIDADE Sustentável desde a planta Tudo sobre as construções sustentáveis que obtém as certificações Leed e Procel Edifica: conheça os pré-requisitos destes selos verdes no Brasil (Sugestões de fontes: Inmetro, Eletrobrás, Green Building Council Brasil, Ecoesfera Empreendimentos Sustentáveis, Cecilia P. Herzog, Sylvia Rola) 3 páginas

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FLORESTAS Pulmão ofegante Perspectivas para a cobertura florestal da Amazônia, o Pulmão do Mundo: quais são as tecnologias de adaptação às mudanças climáticas e geração de bioprodutos. (Sugestões de fontes: CBA, Imazon, Inpa, Embrapa) 3 páginas

ÁGUA O perigo que vem do mar Como e por que quase 50% das tartarugas marinhas encontradas no litoral brasileiro tiveram morte causada pela ingestão de lixo proveniente de diversas partes do mundo (Sugestões de fontes: Projeto Tamar) 3 páginas

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TEXTO EN ESPAÑOL

Reflexionar y reinventar En el mundo de hoy iniciativas personales y colectivas adoptan la política sostenible de las cuatro R – Reducir, Reutilizar, Reciclar, Recuperar - superando desafíos para salvar nuestro futuro común. El agotamiento de combustibles fósiles, la disminución de los niveles hídricos, la reducción de la cobertura forestal y el calentamiento del clima constituyen una realidad y fomentan una rutina de sostenibilidad en ciudades del mundo entero. Poco a poco las actividades agrícolas, energía, transporte, consumo y saneamiento pasan a regirse por la política de las cuatro R – Reducir, Reutilizar, Reciclar y Recuperar. Se trata de una gran renovación en la actitud, impelida por la ola verde global. El desafío más reciente de la contemporaneidad es planificar una integración de estas prácticas a las más diversas instancias, en la cotidianidad de las personas, empresas y gobiernos. Estamos viviendo un momento de transición y compete a todos reflexionar sobre actitudes y reinventar valores. Ya no hay cabida para vacilaciones. Disminuir la emisión de gases con efecto invernadero trae consigo, sí, importantes cambios en el modelo de desarrollo económico y social de cada país. Entre los cambios más radicales se contempla conseguir fuentes energéticas más limpias y renovables y cambiar nuestros estilos de vida. Sin embargo, existen en el mundo algunos gobiernos que aún están poco dispuestos a disminuir sus emisiones de carbono. Empero el tiempo apremia. Por ello en este bienio 2009 – 2010 la segunda edición del proyecto Marco Universal está dedicada al Medio Ambiente. Emprendemos acciones para el cuerpo que reducen el consumo, para los bosques que se están recuperando como fuente de biodiversidad, para el agua que se puede reutilizar, sobre la dinámica de las ciudades cada vez más sostenibles gracias a las medidas encaminadas hacia el medio ambiente, el esfuerzo de los científicos y gobiernos para mantener un clima estable, la búsqueda de fuentes de energía renovable y estrategias para renovar los desperdicios, y las migraciones cuya causa son los cambios ambientales. Se trata de problemas inherentes a todos los países y se pide un cambio de los hábitos insignificantes e importantes de la población mundial. Este contenido determinará precisamente Nuestro Futuro Común. El proyecto Marco Universal es una iniciativa que se aviene con la historia de los debates internacionales más avanzados sobre el desarrollo humano. Al relacionar y comentar el movimiento de grupos, entidades, instituciones de investigación y activistas consagrados a la ecología y a los desafíos del urbanismo planificado, el Marco Universal tiene como objetivo estimular un cambio de mentalidad adaptada a la realidad brasileña, partiendo siempre del lenguaje audiovisual.

En esa Guía de Contenido se encuentra una breve introducción de los principales problemas que movilizan a la opinión pública, especializada o no, en torno a la agenda sobre el medio ambiente que tuvo en cuenta al planeta en los últimos decenios., Vamos a abordar los temas que propuso el proyecto – Cuerpo, Agua, Bosque, Ciudad, Energía, Clima, Consumo y Migraciones – de forma abarcadora, presentando referencias, fuentes de investigación, infografías y curiosidades. Al final un anexo con propuestas de ejercicios que pueden coadyuvar a que cada cual desarrolle creativamente alternativas para que podamos lograr el tan esperado equilibrio ambiental. Le deseamos buena lectura.

REFLEXIONAR SOBRE MODELOS DE DESARROLLO, FORMAS DE PRODUCCIÓN Y ESTILOS DE VIDA SOSTENIBLES PARA ESTA GENERACIÓN Y LAS PRÓXIMAS ES HOY UNO DE LOS MAYORES DESAFÍOS PARA ESTUDIOSOS, GOBERNANTES Y EMPRESARIOS DE TODO EL MUNDO.

Desafíos para el futuro CLIMA Según datos de Naciones Unidas, 300 mil personas mueren al año debido al calentamiento global. Y los gases de efecto invernadero son los grandes villanos de los cambios climáticos, los responsables de los incendios forestales, las descongelaciones, aumento del nivel de los océanos, sumersión de islas del Pacífico y cambio de las corrientes marítimas. De conformidad con el informe AR4/2007 del Panel Internacional sobre Cambios Climáticos (IPCC con sus siglas en inglés), el período de 1995 a 2006 fue el de los años más tórridos según los registros de instrumentos para medir la temperatura de la superficie global desde 1850. En 1970 se emitieron 28,7 mil millones de toneladas de gases de efecto invernadero. En 2004 esa cifra aumentó a 49 mil millones de toneladas. De mantenerse las actuales políticas energéticas a nivel mundial, esas emisiones pueden alcanzar 80 mil millones de toneladas hasta el año 2030. Han sido cada vez más frecuentes las condiciones climáticas extremas en toda la cobertura terrestre. Cada vez se observan días y noches más calientes, grandes olas de calor, lluvias torrenciales, expansión de lagos glaciares e inestabilidad en las regiones polares. El factor principal del calentamiento global es el efecto invernadero provocado por la concentración de gases en la atmósfera; una de las metas más importantes por alcanzar es estabilizar la concentración de carbono en el mundo hasta el año 2012, fecha en que expira el primer período de compromiso de los países signatarios del Protocolo de Kyoto. En ese año los 40 países que participan en el acuerdo legal del Anexo I del protocolo deberán haber disminuido sus emisiones en 5,2% como promedio del total emitido en 1991.

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ENERGÍA La energía es renovable cuando es permanente y continua, como la solar, eólica e hidráulica, o cuando puede renovarse, como la biomasa: la leña, el bagazo de caña y el alcohol. Las fuentes de energía no renovables como el petróleo, carbón mineral y gas natural, por el contrario, no se regeneran. En la actualidad prácticamente toda nuestra fuente energética se basa en fuentes no renovables. El problema es que esas fuentes son finitas y causan un impacto enorme en el medio ambiente. El consumo de energía es responsable del 61% de las emisiones nocivas al medio ambiente. Desastres ambientales de amplias proporciones como el derrame en la plataforma de la British Petroleum en el Golfo de México en el año 2010 trastornó drásticamente el mercado del petróleo. Además de las oscilaciones de las bolsas de valores en el mundo entero se prevé que los gastos en el área, como los seguros relacionados con las plataformas de explotación, aumenten de manera gradual y significativa. En el informe de la US Energy Information Administration (EIA) junto a Kazajstán y Rusia, Brasil aparece a la cabeza del crecimiento de la producción de petróleo dentro del grupo que no pertenece a la Organización de Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Sin embargo, la explotación de fuentes renovables de energía, como el etanol y el biodiesel son capaces de conducir al país a un nivel destacado en el escenario energético mundial. Cambiar la fuente energética y el patrón de consumo es uno de los mayores desafíos internacionales para disminuir las emisiones de gases que causan el efecto invernadero y contribuyen al calentamiento global.

BOSQUES La deforestación global se confunde con el origen de la historia de la humanidad: de los 64 millones de km2 de bosques existentes antes de la expansión demográfica y tecnológica, quedan menos de 15,5 millones. En otras palabras, más de 75% de los bosques primarios ya han desaparecido en el mundo y han dejado una huella de causa y efecto para que aumenten la temperatura y las emisiones de carbono en todo el planeta. Según un estudio reciente de monitoreo por satélite sobre la dinámica de los bosques en el mundo, realizado por la Empresa Brasileña de Investigaciones Agropecuarias (Embrapa), de 100% de sus bosques originales, África mantiene en la actualidad 7,8%, Asia 5,6%, América Central 9,7% y Europa sólo 0,3%. De acuerdo con la investigación a pesar de la deforestación de los últimos 30 años, Brasil es uno de los países que aún mantiene la mayor cobertura forestal del planeta. Hace 8 mil años Brasil poseía cerca de 9,8% de los bosques del mundo y hoy tiene 28,3%. Aun así la deforestación es un problema serio en Brasil. Se corresponde con nuestra principal fuente de emisión de CO2 junto a la agropecuaria y el transporte de carga en vehículos que utilizan diesel.

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De acuerdo con datos del Instituto Nacional de Investigaciones Especiales, de 1988 a 2008 se deforestaron 353.093 km2 de la Amazonía legal. Eso equivale a un país del tamaño de Alemania. Sólo en 2004 se deforestaron 27.772 km2, lo que equivale a todo el estado de Alagoas.

AGUA De acuerdo con datos de la ONU, 18% de la población mundial o más de mil millones de personas ya no tienen acceso a una cantidad mínima de agua potable. Según las previsiones, si mantenemos los patrones actuales de consumo y de daños al medio ambiente, casi todos nosotros tendremos dificultades para tener acceso al agua potable. Según estimaciones también de las Naciones Unidas, en el año 2025 sería afectado cerca de 66% de la población global y en el año 2050, el 75%. Además del acceso al agua de buena calidad para el consumo, estimaciones de la ONU señalan que 2,6 mil millones de personas no tienen acceso a sistemas de saneamiento de calidad. Según el World Water Assessment Programme de las Naciones Unidas, por falta de acceso al agua y al saneamiento de calidad, la causa de la muerte de cerca de 2 millones de personas son las enfermedades diarreicas. El simple uso de agua de calidad y la aplicación de medidas de higiene tanto personal como en la preparación de alimentos podrían evitar esas muertes. Entre los principales impactos causados por la actividad humana sobre los recursos hídricos podemos observar el aumento del consumo principalmente en la agricultura e irrigación, la fragmentación causada por represas y canales, la transformación del uso de la tierra de modo que altera los flujos naturales de las corrientes, explotación e introducción de especies exóticas que comprometen la biodiversidad y el vertimiento de productos químicos contaminantes y aguas residuales no tratadas.

CONSUMO Todo nuestro medio ambiente está degradándose debido a los altos índices de consumo. Nuestros patrones de consumo afectan nuestro clima, nuestros recursos hídricos, las reservas de alimentos, bosques, fuentes de energía además de producir una gran cantidad de desperdicios y contaminación. Nuestra cultura estimula el consumismo al supeditar la felicidad con la mayor posesión de bienes materiales. Ello, asociado a la creciente expansión de la población y la cantidad finita de recursos nos está llevando a una situación insostenible. Además el consumo es un importante factor para exacerbar la desigualdad social. Según datos del Banco Mundial, mientras los 20% más ricos consumen 80% de los bienes y recursos globales, los 20% más pobres consumen 1,5%. Además de que los recursos se agotan, el consumo también genera una gran cantidad de desechos y contaminación que degradan el medio ambiente. De acuerdo con una investigación que realizara en 2009 la Asociación Brasileña


de Empresas de Limpieza Pública y Residuos Especiales (ABRELPE) la producción de desechos en la actualidad es de 1,152 kg por habitante al día en Brasil, patrón que se asemeja al de los países de la Unión Europea cuyo promedio es de 1,2 kg/per cápita/día. Sin embargo un estudio que hiciera el Instituto Ethos en 2009 señala que mientras Brasil recicla menos de 5% de desechos urbanos, en los Estados Unidos el índice es de 40%.

CUERPO De la misma manera que nuestro planeta experimenta una gran degradación ambiental debido a patrones de consumo insostenibles nuestro cuerpo también siente esos impactos. El desequilibrio ambiental y los cambios climáticos son responsables del aumento de muertes en las olas de calor así como en inundaciones y crecidas. La elevada densidad demográfica, los altos índices de pobreza, los cambios en los patrones de contaminación de enfermedades infecciosas dan lugar a epidemias globales. Según datos de la Organización Mundial de la Salud más de 1 mil millones de personas se ven afectadas por enfermedades tropicales desatendidas que ocurren en las zonas más pobres del planeta. La falta de saneamiento básico y un medio ambiente contaminado aumentan la propagación de enfermedades como la Esquistosomiasis, Leishmaniasis y la Tripanosomiasis. Más de 3 millones de personas mueren anualmente a causa de diarreas, malaria y malnutrición, de ellas la mayoría son niños y niñas menores de 5 años. El Dengue, Cólera, Ébola, Fiebre Amarilla y otras formas de fiebre hemorrágica viral son enfermedades que pululan con consternación en las agendas de diversos países. Más de 2 mil millones de personas están infectadas de tuberculosis. A finales de 2007 cerca de 33,2 millones de personas en el mundo entero vivían con el VIH de modo que el SIDA ya ha causado la muerte de 27 millones de personas en el mundo. El sedentarismo y una alimentación desbalanceada, lo que es típico de la vida urbana moderna provocan obesidad, enfermedades cardiovasculares, diabetes y cáncer. Para tener una idea, alrededor de 90 a 95% de los casos de cáncer tienen que con el estilo de vida y factores ambientales, mientras que sólo de 5 a 10% están directamente vinculados a factores genéticos. Más de 30% de los casos de cáncer podrían evitarse si se adquieren hábitos sencillos como evitar el tabaquismo, tener una dieta saludable, estar físicamente activo y prevenir enfermedades infecciosas.

CIUDADES De conformidad con datos del Centro de las Naciones Unidas para los Asentamientos Urbanos (UN-HABITAT) en el año 2005 la población urbana mundial era de 3,17 mil millones de un total mundial de 6.450 millones. De mantenerse las tendencias actuales esa cifra se elevaría a casi 5 mil millones en el año 2030. Entre 2005 y 2030 la población urbana mundial deberá crecer a un ritmo promedio anual de 1,78%, casi el doble de la tasa de crecimiento de la población total del mundo. Por otra parte, la población de los asentamientos

rurales en el mundo deberá disminuir a partir de 2015 alcanzando una tasa promedio anual de -0,32 hasta 2030, o sea una reducción de más de 155 millones de personas con más de 15 años. Además, un fenómeno antes típico de los países desarrollados: ahora se observa la tendencia a crear megaciudades con más de 20 millones de habitantes en países de Asia, África y América Latina. Mientras mayor es la ciudad, mayores son los problemas. Tráfico, contaminación del aire, violencia urbana y carencia de vivienda y saneamiento de calidad son factores que inciden en la calidad de vida de esa gran población del planeta. En Brasil y en países con índices inaceptables de acceso a la higiene básica, se multiplican los problemas en esta esfera. Según UN-HABITAT en el año 2007 se constató la cifra de 1 mil millones de personas viviendo en favelas o en viviendas precarias sin salubridad en los aglomerados urbanos. Además de los evidentes perjuicios ocasionados a la salud de los ciudadanos que no pueden contar con alcantarillas y agua tratada, un sistema de saneamiento no planificado genera también problemas ambientales que comprometen significativamente las oportunidades de sostenibilidad de las ciudades. Entre ellos los principales son el desperdicio de agua y energía.

MIGRACIONES El calentamiento global y sus efectos, entre ellos la escasez de agua, serán los mayores responsables de las migraciones de este siglo. El informe In search of shelter, producido en 2009 por científicos vinculados a la Agencia para Refugiados de la ONU (UNDHC, por sus siglas en inglés) y a la organización CARE International, estima que en el año 2050, 700 millones de personas abandonen sus viviendas debido a cambios climáticos. Mucho más que los 50 millones previstos para 2010. Ese será el mayor proceso migratorio de la historia. Dado que la proyección de habitantes en la Tierra es de 9 mil millones de personas para el año 2050, muchas economías que dependen de la agricultura, la pecuaria y la pesca podrían colapsar. La sequía, las inundaciones ya son una rutina en diferentes zonas del planeta. La ONU estima que el nivel del mar aumente de 20 a 60 cm hasta el año 2100. Ese aumento unido a la degradación ambiental ha hecho inhabitable gran parte de Tuvalu, devastando plantaciones y afectando la calidad de una buena parte del agua potable. Con una superficie total de sólo 26 kilómetros cuadrados el Estado ya ha perdido tres mil de sus 11 mil habitantes. Las Islas Carteret (de Papua-Nueva Guinea) están en una situación peor, pues comenzaron a ser evacuadas en 2005. Se estima que en 2015 prácticamente todas sus tierras estarán sumergidas. Esos emigrantes climáticos no cuentan con la protección de leyes internacionales al contrario de los refugiados perseguidos por cuestiones de raza, religión, nacionalidad o asociación a determinado grupo social u opinión política. El Informe de Desarrollo Humano 2009 del Programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo (PNUD) está dedicado

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totalmente a los múltiples caminos para el desplazamiento del hombre. Esto es una señal de que los refugiados climáticos necesitan cada vez más la atención de los gobiernos y organismos internacionales. Los científicos, escritores y militantes vinculados a la causa ecológica entienden por sostenibilidad el conjunto de acciones afirmativas de los hombres con vista a una relación equilibrada con la naturaleza.

Agenda ambiental Los problemas causados por la contaminación y la industrialización de los países desarrollados comenzaron a abordarse con mayor énfasis a partir de la década de 1960. Alertas antes limitados a la comunidad científica pasaron al modelo de gobiernos y organizaciones. En 1972 la ONU organizó la Primera Conferencia Mundial sobre el Medio Ambiente Humano en la ciudad de Estocolmo, Suecia. En la conferencia participaron 113 países y más de 400 organizaciones gubernamentales y no gubernamentales. Fue considerada como el marco inicial en la búsqueda de principios comunes encaminados a preservar el medio ambiente. En 1983 después de valorar los 10 años de la Conferencia de Estocolmo, la ONU crea la Comisión Mundial sobre Medio Ambiente y Desarrollo. Presidida por Gro Harlem Brundtland, exministra de Medio Ambiente y Primera Ministra de Noruega, la comisión examina los puntos críticos relativos al medio ambiente, formula propuestas realistas para abordarlas y propone la cooperación internacional en el sentido de orientar políticas y acciones capaces de promover cambios de actitud en individuos, empresas, organizaciones y gobiernos. Bajo el título de “Nuestro Futuro Común” (Our Common Ground) y también conocido como “Informe Brundtland”, el informe critica el modelo de desarrollo adoptado por los países industrializados y reproducido por las naciones en desarrollo, y pone de relieve los riesgos del uso excesivo de los recursos naturales sin tener en cuenta la capacidad de sustentación de los ecosistemas. El informe señala la incompatibilidad entre los patrones de producción y el consumo vigentes y el desarrollo sostenible donde la “atención a las necesidades del presente no comprometan la atención a las necesidades de las generaciones futuras”. El trabajo de la comisión contó con exhaustivas audiencias donde participaron líderes de gobierno y el público en general y abarcó diferentes puntos de vista sobre cuestiones como la agricultura, silvicultura, agua, energía, transferencia de tecnologías y desarrollo sostenible. El documento hizo énfasis en los problemas ambientales como el calentamiento global y la destrucción de la capa de ozono y expresó su preocupación sobre la velocidad con que los cambios están sobrepasando nuestra capacidad y habilidad de valorar y proponer soluciones.

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Al mismo tiempo el informe no sugiere el estancamiento del crecimiento económico sino propone una conciliación entre desarrollo y las cuestiones ambientales y sociales. Entre las propuestas del informe aparecen la reducción del consumo de energía, el desarrollo de tecnologías para el uso de energías renovables y el aumento de la producción industrial en los países no industrializados sobre la base de tecnologías ecológicamente adaptadas. Celebrada en 1992 en Río de Janeiro, la Conferencia de las Naciones Unidas sobre Medio Ambiente y Desarrollo, conocida también como la Cumbre de la Tierra o Eco-92, contó con la participación de 172 países incluidos 108 jefes de Estado además de más de 2.400 representantes de organizaciones no gubernamentales. La Conferencia destaca el reconocimiento global de que los patrones de producción y consumo, especialmente de los países desarrollados, alcanzaban niveles insostenibles y ponían en riesgo la estabilidad de diversos bienes y servicios. Entre los principales documentos originados en la conferencia podemos destacar la Agenda 21 que es un conjunto de directrices para que cada país elabore su plan de preservación del medio ambiente y las convenciones sobre Cambios Climáticos, Biodiversidad y Desertificación. La Eco-92 propuso también la Carta de la Tierra que es una declaración de principios fundamentales para construir una sociedad global justa, pacífica y sostenible que todos los países deben ratificar a comienzos del siglo 21. A partir de Eco-92 el debate sobre preservación del medio ambiente y el desarrollo de políticas de sostenibilidad entra de manera decisiva en el modelo de los gobiernos, de la sociedad civil y sector privado. La Agenda 21 se distribuyó como un plan de acción para ser adoptado global, nacional y localmente por organizaciones del sistema de Naciones Unidas, gobiernos y la sociedad civil en todas las áreas donde la acción del hombre incide en el medio ambiente. Figuró en el modelo de las conferencias Río+5, en 1977, en Nueva York y Río+10, la Cumbre de Johannesburgo en 2002. Cuenta ya con 179 países signatarios. La Convención de las Naciones Unidas sobre Cambios Climáticos, del original en inglés United Nations Framework Convention on Climate Change, firmada en Eco-92 fue adoptada por casi todos los países del mundo con el objetivo de estabilizar la concentración de gases de efecto invernadero (GEE) en la atmósfera a niveles que no interfieran peligrosamente en el sistema climático. Este tratado es un instrumento fundamental para controlar las emisiones de gases de efecto invernadero. Adoptado en 1977 y ratificado en 2005 como una adenda a la Convención, el Protocolo de Kyoto estableció metas y medidas legales para reducir las emisiones entre los países signatarios del tratado. Las reuniones anuales de los países signatarios de la Convención de las Naciones Unidas sobre Cambios Climáticos, denominadas Conferencia de las Partes, han atraído la atención global tanto de los gobiernos como de la sociedad civil. La COP7 celebrada en Marrakesh en 2001 detalló las reglas para implementar el Protocolo de Kyoto. En 2009, la


celebración de COP15 en Copenhague se siguió de cerca por más de 400 organizaciones no gubernamentales de protección del medio ambiente además de activistas y los medios de comunicación masiva. En 2007 el Panel Intergubernamental de Cambios Climáticos (IPCC por sus siglas en inglés) creado por la ONU para suministrar informaciones científicas, técnicas y socioeconómicas importantes para comprender los cambios climáticos, publicó un informe fundamental que alerta sobre los efectos de los cambios climáticos y el calentamiento global y resalta la importancia de cambiar el paradigma a la hora de generar energía. En ese año el panel ganó el Premio Nobel de la Paz (ex aequo con el activista ambiental y ex vicepresidente Al Gore) por “crear un amplio consenso sobre la relación entre la acción de hombre y el calentamiento global”.

perspectiva, la incapacidad de las ciudades de autosustentarse. Sostenibilidad presupone un conjunto de acciones positivas de los hombres para tener una relación equilibrada con la naturaleza. Más que una causa defendida por científicos, escritores y militantes vinculados a la ecología, el desarrollo sostenible debe transformarse cada vez más en acciones efectivas.

INFORME BRUNDTLAND Entre una serie de medidas propuestas en el informe con vista a promover el desarrollo sostenible, podemos destacar las siguientes: - Limitación del crecimiento de la población;

La Declaración Política de 2002 de la Cumbre Mundial sobre Desarrollo Sostenible, celebrada en Johannesburgo reafirmó que el Desarrollo Sostenible se construye sobre “tres pilares interdependientes y mutuamente sustentadores” – desarrollo económico, desarrollo social y protección ambiental. Ese paradigma reconoce la complejidad y la interrelación de los problemas críticos como pobreza, desperdicio, degradación ambiental, decadencia urbana, crecimiento de la población, igualdad de géneros, salud, conflicto y violencia contra los derechos humanos.

- Garantía de recursos básicos (agua, alimentos, energía) a largo plazo;

Con la divulgación frecuente de estudios que demuestran que la causa ecológica ya traspasaba las fronteras de lo que hasta entonces se consideraba como una visión “izquierdista” de los desafíos sociales, queda claro que los maleficios del consumismo en amplia escala abarcan por igual a todos los países, ricos o dependientes económicamente. El término sostenibilidad debe incorporarse cada vez más a los discursos sobre estrategia de negocios de las empresas mayores.

- Control de la urbanización desordenada e integración entre campo y ciudades menores;

La salida tanto en Brasil como en todo el mundo es la aplicación del uso sostenible de los recursos naturales. Es reflexionar, renovar y reinventar. Los gobiernos y sectores agrícola e industrial pueden y deben resolver los problemas estructurales así como alinear sus políticas a la perspectiva de sostenibilidad de este siglo que ya integra muchas iniciativas de la sociedad civil y del sector privado. El informe de 2007 del IPCC señaló que son grandes aunque necesarios los costos económicos de las medidas ambientales para la economía global. Pero serán mucho menores que el gravamen de cruzarnos de brazos y esquivar nuestra responsabilidad ambiental hoy. El término “sociedad sostenible” acuñado a principios de los años 80 por el ambientalista norteamericano Lester Brown y llevado al modelo global por el Informe Brundtland, enfoca el reconocimiento de que el excesivo consumo que provocan los mercados no sólo aumenta la desigualdad social sino que también agota las fuentes naturales de alimento y energía además de provocar perturbaciones climáticas ya a medio plazo. La consecuencia directa de dicho agotamiento es la escasez de recursos para prestar los servicios básicos como el transporte, energía, saneamiento y vivienda, o desde otra

- Preservación de la biodiversidad y de los ecosistemas; - Reducción del consumo de energía y desarrollo de tecnologías para el uso de fuentes energéticas renovables; - Aumento de la producción industrial en los países no industrializados sobre la base de tecnologías ecológicamente adaptadas;

- Atención a las necesidades básicas (salud, escuela, vivienda). - En el ámbito internacional las metas propuestas son: - Adopción de una estrategia para el desarrollo sostenible por parte de las organizaciones de desarrollo (órganos e instituciones internacionales financieras); - Protección de los ecosistemas supranacionales como la Antártida, los océanos, etc. por la comunidad internacional; - Proscripción de las guerras; - Implantación de un programa de desarrollo sostenible a cargo de la Organización de Naciones Unidas (ONU).

DEFINICIONES DE SOSTENIBILIDAD - Sostenibilidad ambiental: presupone la capacidad de recomposición de los ecosistemas incluso con la intervención del Hombre. - Sostenibilidad ecológica: se refiere a la base física del proceso de crecimiento que tiende a incorporar las reservas de capital natural a las actividades productivas. - Sostenibilidad social: tiende a desarrollar y mejorar la calidad de vida de la población. En países con desigualdades, presupone adoptar políticas distributivas y/o redistributivas y universalizar la atención en la esfera social, principalmente la salud, educación, vivienda y seguridad social.

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- Sostenibilidad política: se refiere al proceso de construcción de la ciudadanía y tiende a garantizar la plena incorporación de los individuos al proceso de desarrollo. - Sostenibilidad económica: es la gestión eficiente de recursos considerando la regularidad de flujos de las inversiones públicas y privadas. También considera que todos los ciudadanos pueden y deben valorar la eficiencia de la economía. - Sostenibilidad demográfica: contrapone modelos o tendencias de crecimiento económico a tasas demográficas, a la franja etaria de la población y porcentaje de la población económicamente activa. - Sostenibilidad cultural: es el esfuerzo para mantener la capacidad de diversificar las culturas, valores y prácticas en el planeta, en el país y/o en una región que con el decurso del tiempo conforman la identidad de los pueblos. - Sostenibilidad institucional: creada y fortalecida por las ingenierías institucionales y/o instituciones que consideran criterios de sostenibilidad en varias esferas. - Sostenibilidad espacial: dirigida a buscar una mayor igualdad en las relaciones interregionales.

CARTA DE LA TIERRA La Carta de la Tierra será el equivalente a la Declaración de los Derechos Humanos adecuada a los tiempos actuales. Su proclamación a cargo de las Naciones Unidas tendrá lugar en los primeros años del siglo XXI. I.

RESPETAR Y CUIDAR DE LA COMUNIDAD DE LA VIDA

1.

Respetar la Tierra y la vida en toda su diversidad.

2.

Cuidar de la comunidad de la vida con comprensión, compasión y amor.

3.

Construir sociedades democráticas justas, participativas, sostenibles y pacíficas.

4.

Asegurar la generosidad y la belleza de la Tierra para las generaciones actuales y futuras.

III. JUSTICIA SOCIAL Y ECONÓMICA 9.

Erradicar la pobreza como un imperativo ético, social y ambiental.

10. Garantizar que las actividades e instituciones económicas a todos los niveles promuevan el desarrollo humano de forma equitativa y sostenible. 11. Reafirmar la igualdad y la equidad de géneros como requisitos previos para el desarrollo sostenible y asegurar el acceso universal a la educación, la asistencia médica y oportunidades económicas. 12. Defender sin discriminar, los derechos de todas las personas a un ambiente natural y social capaz de garantizar la dignidad humana, la salud corporal y el bienestar espiritual, prestando especial atención a los derechos de los pueblos indígenas y minorías. IV. DEMOCRACIA, NO VIOLENCIA Y PAZ 13. Fortalecer las instituciones democráticas a todos los niveles y dotar de transparencia y responsabilidad al ejercicio del gobierno, participación inclusive en la toma de decisiones y acceso a la justicia. 14. Integrar, en la educación formal y en el aprendizaje durante la vida, los conocimientos, valores y habilidades necesarias para un modo de vida sostenible. 15. Tratar a todos los seres vivos con respeto y consideración. 16. Promover una cultura de tolerancia, no violencia y paz.

Un legado para el futuro ¿Cómo promover desarrollo y preservación ambiental al mismo tiempo? Una alternativa ha sido recurrir a nuestros seis biomas – Amazonía, Caatinga, Cerrado, Mata Atlántica, Pantanal y Pampas – como oportunidad de la biodiversidad.

5.

Proteger y restaurar la integridad de los sistemas ecológicos de la Tierra prestando una atención especial a la diversidad biológica y a los procesos naturales que sostienen la vida.

La región amazónica es conocida como el pulmón verde del mundo y posee 1/3 de las especies de la Tierra y 1⁄4 del agua dulce del mundo siendo la mayor concentradora de nuestras riquezas naturales. En 2002 el Centro de Biodiversidad de la Amazonía (CBA) realizó investigaciones que integran el Programa brasileño de Ecología Molecular para el Uso Sostenible de la Biodiversidad de la Amazonía (Probem) contribuyendo así a desarrollar la bioindustria del país, especialmente en aquella región.

6.

Prevenir el deterioro al medio ambiente como el mejor método de protección ambiental y si los conocimientos fueren limitados, asumir una posición precavida.

Cerrado es la sabana más rica en biodiversidad del planeta. Son más de 10 mil especies de plantas de las cuales 45% existen exclusivamente en este bioma brasileño.

7.

Adoptar patrones de producción, consumo y reproducción que protejan las capacidades regenerativas de la Tierra, los derechos humanos y el bienestar comunitario.

8.

Avanzar en el estudio de la sostenibilidad ecológica y promover el intercambio abierto y aplicación amplia de los conocimientos adquiridos.

El país posee la más extensa colección de palmeras (359 especies) y orquídeas (2,3 mil) y la mayor variedad de plantas de importancia económica mundial, entre los que se encuentran la piña, el maní, la castaña do pará, la yuca, caoba y la carnaúba (palmera de Brasil). A la fauna brasileña pertenece el 10% de todos los anfibios y mamíferos

II. INTEGRIDAD ECOLÓGICA

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existentes y 17% de todas las especies de aves. Además Brasil tiene la mayor diversidad de primates del planeta, con 55 especies. Además, la dirección forestal reduce la pérdida de los biomas en casi 50%. La regeneración del bosque es más rápida en las áreas administradas y hay evidencias de que la dirección reduce a la mitad el tiempo necesario para una segunda extracción de bosques ya explotados.

Agenda brasileña Influenciado por la ola verde mundial, Brasil se muestra cada vez más flexible para priorizar la sostenibilidad en su agenda poniendo énfasis en los problemas ambientales. En diciembre de 2008 el presidente Luiz Inácio Lula da Silva firmó el Plan Nacional sobre Cambio Climático con el objetivo de disminuir en 70% la deforestación de la Amazonía hasta 2017 disminuyendo las emisiones en 4,6 mil millones de toneladas de CO2, más que el compromiso que asumieron los países desarrollados en el Protocolo de Kyoto. En ese mismo año se creó el Proyecto de Ley nº 3820 para adaptar parámetros de la política energética nacional que estaba instituida desde la década de 1960. Ya en concordancia con la interdisciplinariedad entre los temas ambientales, el proyecto prevé actividades relativas al monopolio del petróleo, instituye el Consejo Nacional de Política Energética, la Agencia Nacional del Petróleo y crea el Fondo Nacional sobre Cambio climático – FNMC. Este fondo pretende asegurar recursos para proyectos, estudios o financiamiento de empresas con vista a reducir el impacto de los cambios climáticos. Quedó establecido que el FNMC recibirá hasta 60% de los 10% destinados al Ministerio de Medio Ambiente (MME) sobre la base de la Política Energética Nacional (Ley nº 9.478/97). Ese porcentual incide en los valores que las empresas contratadas para la explotación de petróleo y gas natural deberán pagar cuando haya un gran volumen de producción o rentabilidad.

Energía Según el Ministerio de Medio Ambiente (MME), Brasil posee una fuente energética de alrededor de 45% renovable y debe elevarse a casi 47% de acuerdo con las estimaciones del Plan Nacional de Energía 2030. El éxito de programas como el de alcohol y biodiesel estimula a invertir en investigaciones de nuevas tecnologías así como en generación y transmisión de energía. En 2008 tuvo gran resonancia el etanol que pasó a consumirse más que la gasolina en vehículos ligeros pues es más económico y menos contaminante. En 1985 se creó el Programa Nacional para la Conservación de la Energía Eléctrica (PROCEL) con el objetivo de promover la racionalización de la producción y consumo de energía eléctrica. La coordinación de PROCEL está a cargo de los Ministerios de Minas y Energía y de Industria y Comercio, una Secretaría Ejecutiva subordinada a Eletrobrás se ocupa de la gerencia. Utiliza recursos de Eletrobrás y de la Reserva Global de Reversión – RGR - fondo federal constituido con recursos de las concesionarias además de recursos de entidades internacionales. En 1993 se crea el sello PROCEL

que certifica los productos de comprobado bajo consumo de energía.

Recursos para Bosques y Biodiversidad Brasil ya acepta negociar que los créditos de Reducción de Emisiones por Deforestación y Degradación (REDD) en los países en desarrollo sean compensatorios. Hasta mediados de 2009 la posición del país era contraria a REDD en estos términos, abogaba por que funcionara sólo como un mecanismo voluntario para proyectos de preservación forestal. El proyecto internacional REDD (Reducción de las Emisiones por Deforestación y Degradación) prevé que los países con bosques tropicales reciban una ayuda oficial para conservarlos. En este año 2010 el programa recibió promesas de una serie de países industrializados de enviar cuatro mil millones de dólares. El REDD no tiene un apoyo unánime en cuanto a sus formas de implementación y por ello surge en Accra Caucus on Forests and Climate Changes, coalición de aproximadamente 100 organizaciones de 38 países y que publicó un informe donde propone alternativas que englobarían los derechos de los pueblos indígenas y locales al tiempo que protegería los bosques. Según el informe de Accra un acuerdo sobre REDD debe incluir tres políticas: 1) Participación integral y efectiva de los pueblos locales quedando claro que no puede haber ninguna interferencia sin el “consentimiento libre, anticipado e informado” de los grupos indígenas conforme a lo orientado por Naciones Unidas. 2) Reconocimiento de los derechos de los indígenas a la tierra. 3) Empleo de dirección forestal basado en las comunidades, permitiéndose que las comunidades locales hagan uso sostenible de los bosques; la definición de “bosques” deberá garantizar que las áreas que se utilicen para plantaciones o explotación maderera industrial no reciban pagos. REDD estimuló la actividad entre políticos, científicos y ambientalistas conocida como “negociación climática”. La cuestión más concreta que prevé REDD es disminuir las emisiones de carbono. En contrapartida el informe de Accra pide que los legisladores reconozcan que un programa efectivo y a largo plazo debe incluir también la preservación de la biodiversidad y los derechos de los pueblos locales a hacer uso de los bosques de manera sostenible. En 1996 se creó el Fondo Brasileño para la Biodiversidad (Funbio) gracias a una donación de $20 millones de USD del Fondo para el Medio Ambiente Mundial (Global Environment Facility – GEF) con vista a complementar las acciones gubernamentales. En estos 14 años de actuación en pro de conservar la biodiversidad de Brasil, el Funbio ha hallado soluciones y ha hecho arreglos innovadores en programas y proyectos como el Fondo de Mata Atlántica (FMA), Áreas

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Protegidas de la Amazonía (Arpa) Fondo Cerrado, Diálogos Sostenibles, Foco Visión Brasil, Juriti Sostenible y Sistema de Informaciones sobre Inversiones en Conservación de la Biodiversidad (BCID con sus siglas en inglés).

Investigaciones El Probem es considerado como el marco histórico para promover las redes de investigación en bio-prospección en Brasil. El programa estableció contactos con las industrias farmacéuticas internacionales para investigar los principios activos de nuevos fármacos, mercado que se estima genere $350 mil millones USD en el mundo y $11 mil millones USD en Brasil. A partir de Probem, los especialistas señalan que ha crecido la cantidad de instituciones que invierten en investigaciones y desarrollo asociadas con industrias para la generación de tecnologías y bio-productos a partir de los recursos naturales. Entre ellas figura el Instituto Nacional de Investigaciones de la Amazonía (Inpa). Otro legado fue el despertar interés en la Amazonía para conservar su riqueza natural e incentivar el turismo ecológico, creando fuentes alternativas de ingresos que antes se basaban sólo en la extracción de madera y minerales, ganadería y monocultivo. En programa de 2005 del gobierno brasileño determinó que una universidad en cada región del país desarrollara laboratorios construidos en convenio con Eletrobrás, con vista a resolver el problema del desperdicio de agua y energía eléctrica en sistemas de saneamiento. Creados en el marco del Programa Nacional de Conservación de Energía Eléctrica (Procel), los Laboratorios de Eficiencia Energética e Hidráulica en Saneamiento (LENHS) sirven de referencia para todo el país. Cada una de las cinco universidades federales recibió $800 mil Reales para construirlos. A partir de un modelo a escala reducida, que simula sistemas reales de abastecimiento de agua, se están viabilizando experimentos para perfeccionar los sistemas, en la práctica es inviable probar componentes con diferentes capacidades de vaciamiento del líquido para identificar el que consuma el mínimo posible de energía con la mayor potencia posible. Los LENHS deberán concientizar también a estudiantes y profesionales sobre la importancia del consumo sostenible de energía eléctrica. En las universidades incluidas en el programa, los alumnos graduados en ingeniería civil, eléctrica y ambiental, entre otros, van a recibir clases en el laboratorio y podrán obtener becas de iniciación científica para realizar investigaciones en el modelo. También se ofertarán becas a estudiantes de posgrado así como cursos de extensión para técnicos e ingenieros de empresas del sector eléctrico y saneamiento. Al diseminarse este tipo de información, cada vez son más las empresas brasileñas que desarrollan departamentos enfocados hacia la preservación ambiental estableciendo metas para controlar sus niveles de emisión de gas carbónico. Se trata de la llamada “neutralización de carbono”: retirada voluntaria de una cantidad de CO2 de la atmósfera a través de inversiones en proyectos ambientales.

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En Brasil la empresa MaxAmbiental es pionera en el sector y tiene disponible un programa que hace posible neutralizar total o parcialmente cualquier actividad empresarial, ya sea promocional, administrativa o industrial y recibir el sello Carbono Neutro.

Innovación La innovación tecnológica también desempeña un papel importante al establecer métodos de nanofabricación con el fin de reducir la utilización de elementos tóxicos y la generación de desechos. Los científicos han desarrollado ampliamente esta nanotecnología verde en universidades norteamericanas desde 2002. El avance más reciente es la transformación del plástico común en un material más duro, ligero, fuerte, barato y menos inflamable. El objetivo es hacer embalajes más resistentes, equipos deportivos y médicos más duraderos, automóviles y aeronaves más eficientes con combustible y turbinas de energía eólica más eficaces. Un instituto brasileño de punta En 2009 se creó el Instituto de Tecnología e Ingeniería de los Cambios Globales en Energía y Medio Ambiente vinculado al Instituto Alberto Luiz Coimbra de Posgrado e Ingeniería de la Universidad Federal de Río de Janeiro (COPPE/UFRJ). Con el objetivo de realizar estudios para identificar vulnerabilidades y acciones para adaptarse a los cambios del clima en todo Brasil, el instituto articula el desarrollo de nuevas tecnologías de energía. La consecuencia más directa es profundizar los estudios sobre la captación de CO2 en pozos de petróleo.

Consumidor consciente Nos corresponde a cada uno de nosotros tomar medidas sencillas para reducir el consumo diario. Cambios que hacen la diferencia para el planeta y comienzan en nuestras casas. Sólo 4% de los consumidores brasileños practican el consumo consciente. Se trata de una investigación que hiciera la Cetelem, empresa del sector financiero, que aplicó la metodología Prueba de Consumo Consciente (TCC, por sus siglas en portugués) que creara el Instituto Akatu – que actúa enfocándose en el cambio de conducta del consumidor. La prueba abarca 13 conductas simples, como apagar las luces al salir de un local o cerrar la pila de agua al cepillarse los dientes. El estudio señala que el nivel de escolaridad está relacionado directamente con el grado de comprometimiento del consumidor: mientras más instruidos, mayor es el nivel de conciencia. Las mujeres son más comprometidas que los hombres. En otros grupos de consumo no hay diferencia significativa entre los géneros. En São Paulo ya existe un espacio de consumo responsable, el Espacio de la Cultura de Consumo Responsable, inaugurado este año en el centro cultural Tendal de Lapa. Todos los miércoles se realizan conferencias y talleres sobre temas como la seguridad alimentaria, sostenibilidad y economía solidaria y hay lugar para que productores orgánicos y


cooperativas expongan sus productos. La iniciativa es una asociación de varias organizaciones como Idec, Instituto Kairós y las incubadoras de cooperativas de la Universidad de São Paulo (USP) y de la Fundación Getúlio Vargas.

Procel Edifica sólo certifica por el momento los edificios comerciales, aunque ya se está valorando la posibilidad de extenderlo a los inmuebles residenciales a mediados de 2010.

Ciudades ecológicas

Vida sostenible Con el crecimiento de la perspectiva de desarrollo sostenible, los ciudadanos y gobiernos se preocupan cada vez más por temas como recaudación selectiva, reciclaje, reducción del consumo, uso de energías renovables y mejoría de la calidad de vida en las ciudades.

Residuos sólidos verdes La gestión integrada sobre los residuos sólidos como salida para implementar los sistemas de limpieza pública se da identificando soluciones y tecnologías adaptadas a las realidades locales para alcanzar el ideal sostenible de reducir la producción de residuos sólidos y reutilizar los que ya se habían producido. Otra necesidad es hacer que toda la población tenga acceso a depósitos adecuados y los desechos sean tratados saludablemente. Soluciones como la recaudación selectiva y compostaje deben figurar en la agenda de todas las ciudades brasileñas.

Productos sostenibles El mercado de productos sostenibles aún recién comienza, pero ya existen iniciativas de certificación que estimulan la producción. Una de las formas de identificación son los Sellos Verdes como el sello Procel para electrodomésticos y electrónicos, el FSC para madera y papel y el SustentaX para productos y servicios sostenibles. En la esfera de los orgánicos existen el IBD y EcoCert. Ya existe un Calentador Solar de Bajo Costo (ASBC por sus siglas en portugués) confeccionado con componentes hidráulicos o placas de PVC que se encuentran en las tiendas de materiales de construcción. Lo desarrolló la ONG brasileña Sociedad del Sol que lo pone gratuitamente en su sitio.

Inmuebles verdes En Brasil ya existen experiencias para viabilizar viviendas e inmuebles sostenibles. En octubre de 2009 ya existían cuatro espacios con la certificación Leadership in Energy and Environmental Design (Leed) en el país. El “sello verde” toma en cuenta la empresa desde su construcción y debe cumplir seis requisitos básicos: localización, uso racional del agua y energía, calidad del aire y luz en el interior, uso de material reciclado y certificado e innovación. Cerca de 80 edificios verdes tuvieron que esperar para obtener el Leed en Brasil en el segundo semestre de 2009 y la tendencia es que esas cifras crezcan aún más a partir de 2010. El Inmetro y la Eletrobrás crearon el sello Procel Edifica con el objetivo de certificar inmuebles con excelentes niveles de eficiencia energética. La idea es incentivar la creación de un número mayor de proyectos que valoricen la sostenibilidad de su construcción en el país. Recién lanzado

Creado por el permacultor inglés Rob Hopkins, el movimiento Ciudades en Transición ya tiene cerca de 110 localidades por el mundo, propone retirar el petróleo de la vida urbana y promover economías municipales – a pesar de no divulgar un modelo único de transición ni alegar haber hallado todas las respuestas para resolver el calentamiento global y la escasez de combustibles fósiles. La idea es que cada sociedad use su propio tiempo, disponibilidad y creatividad para hacer cambiar, comenzando por los barrios y reforzando el comercio regional. Sólo una comunidad en América Latina, en Chile, adoptó la propuesta del movimiento. Para orientar a las ciudades interesadas Hopkins indicó los 12 pasos para la transición en el libro The Transition Handbook. La ciudad inglesa Bristol tiene más de 400 mil habitantes y fue una de las que apostó por el programa, “dividiéndose” en 12 partes que tratan de hallar su propia solución. La también inglesa Totnes considerada la cuna del movimiento espera concluir su jornada en 2030. La idea de Hopkins es que al final muchos de los hábitos se modificarán: habitantes consumiendo productos locales y llevando una dieta basada más en los vegetales, niños que aprenden en las escuelas a cocinar, construir villas ecológicas y a practicar la jardinería; el transporte público recobrando su espacio y la sociedad estigmatizando el hábito de andar en carro que será considerado como una especie de conducta antisocial.

Vauban y Findhorn: casos exitosos Proyectado para ser un barrio modelo en sostenibilidad - con una amplia planificación verde en las áreas de energía, transporte, vivienda, agua y recreación- el barrio alemán de Vauban comenzó a construirse en 1993 y es habitado desde 2001. Se permite hasta tener un automóvil pero 70% de sus cerca de 5 mil habitantes prefieren no tenerlos pues hay que parquearlos fuera de los límites de la localidad. Motorizado, sólo el tranvía, que atraviesa la calle principal del barrio de 38 hectáreas rumbo al centro de Freiburg. Otro ejemplo de éxito urbano sostenible es la villa ecológica de Findhorn en Escocia. Pionera en su género, comenzó a destacarse a nivel internacional por sus experimentos con nuevos modelos de viviendas sostenibles y holísticos a partir de 1962 y por sus bajas emisiones de carbono desde 1985. Con el reconocimiento de Mejor Práctica de la agencia ONU Habitat en 1998 se convirtió en una especie de centro de referencia mundial recibiendo anualmente cerca de 3 mil visitantes de más de 50 países. La sostenibilidad abarca desde los principios constructivos y el uso de la energía hasta los hábitos socioeconómicos y las prácticas educacionales de la comunidad. Otro realce es su sistema de tratamiento ecológico del agua y los residuos así como la producción de alimentos orgánicos. La villa ecológica posee cuatro

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turbinas eólicas y 61 edificios verdes, entre ellos los famosos alambiques de whisky, y publicó la primera guía técnica de construcción ecológica del Reino Unido.

Tráfico En 2009 el Ministerio de Minas y Energía a través de la Secretaría de Petróleo, Gas Natural y Combustibles Renovables, lanzó el innovador Proyecto Ómnibus Brasileño a base de hidrógeno, que pretende traer tecnologías renovables al transporte urbano en Brasil. Además insertar el hidrógeno como complemento para la fuente energética renovable que Brasil ya posee lo que refuerza la importante ventaja comparativa que nos destaca a nivel mundial Otro ejemplo de la vanguardia brasileña para soluciones energéticas no contaminantes. El uso de combustibles fósiles para abastecer vehículos es un gran factor de contaminación, responsable de una parte significativa de la degradación ambiental hoy en día. En 1997 la Prefectura de São Paulo promulgó la Ley nº 12.490 que autorizó al Ejecutivo a implantar el Programa de Restricción al Tránsito de Vehículos Automotores. Para quien cree que la alternancia de carros en la capital paulista es una medida radical, ¿qué pensar entonces del barrio Vauban al sur de la ciudad alemana de Freiburg donde no circulan los automóviles?

Podcar El Podcar puede ser una solución para el tráfico de las grandes ciudades. También conocido como Personal Rapid Transit (PRT) es un vehículo pequeño, ligero y eléctrico. Tiene capacidad para hasta seis personas, circula sobre caminos elevados, no tiene chofer y es automático. Sus pasajeros seleccionan la dirección de destino y el automóvil va directo al lugar dejando atrás las demás estaciones. El vehículo eléctrico sobre carriles tiene el confort de un carro particular y las características del transporte público. Las ventajas son obvias: tiene energía fósil, disminuye el impacto sobre el medio ambiente, reduce los congestionamientos y aumenta los espacios disponibles en las vías. Sin decir que permite a los pasajeros optimizar el tiempo de desplazamiento. A pesar de que alcanza sólo 45 km/h ya está siendo implementado en varias ciudades del mundo. Existe un prototipo de carriles en Uppsala, Suecia y en Londres, Inglaterra, se está construyendo un sistema para que 18 Podcars circulen a lo largo de tres estaciones dentro del Aeropuerto de Heathrow. También se prevé para 2010 que el PRT se incluya en Suncheon, Corea del Norte y Masdar, una ciudad carbono neutro que se está planificando en Abu Dhabi, sólo que en esta última excepcionalmente los Podcars serán subterráneos.

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Meu Meio | SESC Interlagos  

Dedicada a todas as idades, inclusive educadores e públicos escolares, a mostra expositiva Meu Meio utiliza a arte digital para, em uma expe...

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