FRANCESCA WOODMAN
Denver, 1958 - Nova York, 1981
Untitled (Providence, Rhode Island), 1976 [Sem título (Providence, Rhode Island)]
Modelo para a maioria de suas imagens, Francesca Woodman trabalhou sobretudo o autorretrato. Em suas fotografias, casas decadentes costumam ser o cenário onde mulheres jovens se apresentam em situações ambivalentes entre a força e a fragilidade. Às vezes, suas figuras se encontram em movimento e, por isso, são capturadas como vultos pela longa exposição da câmera fotográfica, seja em ruínas de arquiteturas hostis a esses corpos ou na natureza. O suicídio aos 22 anos induz uma camada de significado que dificilmente se descola da crítica produzida sobre seu trabalho. Deixou uma obra considerável, com cerca de oitocentas fotografias, a maior parte produzida quando era ainda estudante. Atualmente, seus pais cuidam dessa coleção, que carrega o drama, mas também o sarcasmo de uma artista desafiadora, que tinha domínio pleno de suas proposições. Embora muito jovem, conseguiu formular um estilo próprio e experimental, que cita o surrealismo e uma produção fotográfica do século XIX que forjava espíritos. A prática de Woodman ainda tangencia a performance e as questões de gênero e identidade, muito presentes na cena artística estadunidense dos anos 1970. Lívia Benedetti
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The model for most of her own photographs, Francesca Woodman worked mainly with self-portraits. In her pictures, set inside rundown houses, young women present themselves in ambivalent situations that suggest both strength and fragility. Sometimes her figures were photographed in movement, creating long-exposure shots of gossamery shapes seen in either dilapidated surroundings hostile to their presence or in the more welcoming bosom of nature. Woodman’s suicide at the age of 22 suggests a layer of meaning that is hard to overlook in any critical appraisal of her work. She left behind a considerable corpus of 800 photographs, most of it produced during her student years. Today, her parents are custodians of her collection, which carries all the drama and sarcasm of a challenging artist who was master of her own propositions. Though very young, she succeeded in forging an experimental style of her own that cites surrealism and the faked ghost pictures of the 19th century. Woodman’s art also touched upon performance and issues of gender and identity, weighty themes on the US art scene in the 70s.