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A REVISTA DO FUTEBOL ALTERNATIVO FEV. 2017 e MAR. 2017 -- N.8

PAULISTA A-3 DOS FAMOSOS SÉRIE

TRAGÉDIA

NAUFRÁGIO NA UGANDA

GUIA

AMAZONENSE SÉRIE B 2017

E SE...

A COPA DE 1942


OS ESTADUAIS RENDEM PAUTA

F

alar sobre Estaduais rendem um ótimo e grande texto, ainda mais na mesmice da discussão atual, que agora não entraremos no tema, mas que é necessário ser dito uma coisa: para quem trabalha com futebol alternativo, os Estaduais rendem muitas pautas. E com certeza renderiam o mesmo, caso se trabalhe na mudança do formato. Pois bem, nessa oitava edição temos o Estadual como destaque, aliás, a partir deste ano (mesmo tendo iniciado em 2016) toda edição de fevereiro/março terá a editoria Guia com um especial sobre algum estadual, dessa vez, o Amazonense Série B é a nossa pauta, com as informações dos quatro clubes da disputa, além de tabela, informações históricas e as desistências. Nossa matéria de capa é especial, como não pode deixar de ser, traz o Campeonato Paulista Série A-3, com muitas contratações inusitadas. Muitos jogadores famosos estão por aí, para representarem algumas equipes que buscam as duas vagas na segunda divisão estadual, com destaque para Gabiru, André Luis e Wendel. Que

EDITOR Felipe Augusto (@felipeseriez) PROJETO GRÁFICO e DIAGRAMAÇÃO Felipe Augusto

campeonato! Ainda pelo Brasil, temos mais uma crônica cincomilista, o quase Caxias da Série A 2002, a história de Matheus Gerlach, o dedo e o São Bernardo (!?). Viajando para fora, duas belas entrevistas, com Elias Pepeta, figurinha carimbada do Campeonato Capixaba, que se aventura na Oceania e o ídolo alternativo do Santo André, Mario Jara. O fim de 2016 foi pesado. Depois da tragédia da Chapecoense, a Uganda se entristeceu, mas a grande mídia nacional ignorou, por isso, trouxemos uma matéria especial sobre o assunto, com aquilo que não foi acompanhado pela imprensa local. Ainda pelo mundo, sabemos que não tivemos Copa do Mundo em 1942 e 1946, mas como seriam essas competições, é o que trazemos na primeira parte de um especial. No mais, falamos um pouco sobre o TCC que deu origem a Revista Série Z e a Letônia de 2004. Vamos viajar!

REVISÃO Felipe Augusto COLABORADORES Kaique Augusto Matheus Gerlach Yuri Casari

Felipe Augusto Criador e editor da Revista Série Z

FOTOS de CAPA Inúmeros autores (Ver pg.22)


ESCALAÇÃO 14 CINCO MIL FC O craque se foi

32 cONTEXTO Um TCC de Futebol Alternativo

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CONEXÃO FUTEBOL Entrevista: Elias Pepeta

APITO INICIAL A tragédia na Uganda

34 22 LADO B Os “famosos aqueles” da A-3

BOLA DE CAPOTÃO O Caxias da Série A 2002?


38 POR ONDE ANDA? Letônia da Euro 2004

56 CAMISA 12 Crônica: o dedo e o Bernô

40 CAMISA 10 Entrevista: Mário Jara

58 FUTEEBOL UTÓPICO Como seria a Copa de 1942

44 GUIA Amazonense Série B 2017


CONEXÃO FUTEBOL

(Foto: Divulgação/Rewa FA)

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elias pepeta

desbravando

a oceania

O apelido incomum, o faro de gol e o carisma de ídolo. Essas são as principais características do atacante Elias Pepeta, de 28 anos, que após passagem marcante pelo futebol capixaba, hoje se aventura do outro lado do mundo. A Revista Série Z conversou com Elias sobre sua carreira e sobre o momento atual na Oceania, jogando pelo Amicale

por YURI CASARI editor do Escrevendo Futebol e jornalista do Do Rico ao Pobre

2009

2009

2011-2013 2014-2015

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Pra começar, vou fazer uma pergunta que acredito que todo mundo faça. Qual a origem do apelido “Pepeta”? O apelido surgiu quando tinha meus 11 anos de idade. Meus amigos foram me chamar lá em casa para brincar e minha mãe mandou eles entrarem. Só que eu estava dormindo na rede com uma chupeta na boca e fui acordado com zoações. A partir daquele momento surgiu o Pepeta. E como foi o início da sua carreira, e por quais dificuldades passou para que conseguisse chegar ao profissional? O início da minha carreira foi muito difícil. Passei por várias situações de dificuldades até conseguir me profissionalizar. Tive que vender picolé, trabalhar limpando as praias, depois limpando fossa para ganhar o pão de cada dia. Perdi meu pai muito cedo, aos 6 anos de idade. Sempre corri atrás pra ajudar minha mãe e com o decorrer dos anos conheci um cara chamado Armando Zanata, que quando eu tinha meus 15 anos, me levou para o Americano-RJ e depois fui para o Goytacaz. De lá, aos meus 16 anos, me levou para o Cruzeiro. Na Toca da Raposa fiz minha base. Aos 18 me profissionalizei no Estrela do Norte. Foi onde fiz belos jogos e tive a oportunidade de me destacar no Estado e ser conhecido. Houve um momento em que você quase desistiu da carreira de ser jogador. Como foi isso? Já faz três anos que minha mãe partiu para morar com Deus, e a perda dela foi umas das piores coisas que aconteceu na minha vida pois cheguei a desistir do futebol, de tudo, pois ela era minha base, minha estrutura. Mas pensei logo que não seria

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(Foto: Acervo Pessoal/Elias Pepeta)

“Sobre o futebol aqui é

como se fosse uma Série B

do Brasil, com jogadores

com alto rendimento e

muita força física”


a coisa certa pois era o maior sonho dela, então estou correndo atrás e graças a Deus as coisas tem dado certo . Depois de quatro anos no Estrela, você passou um período fora dos gramados e virou jogador de beach soccer. Como foi essa experiência no futebol de areia? Depois que rescindi meu contrato com o Estrela, eu conheci um cara chamado Rogério Moura que me fez o convite de ir jogar em Pedro Canário-ES para jogar uma seletiva de futebol de areia para disputar o Capixabão de beach soccer. Tudo deu certo e lá fui campeão estadual e ainda Deus me abençoou em fazer o gol do título. Fomos campeões e lá aprendi muitas coisas, foi uma experiência maravilhosa que jamais será esquecida. Após uma boa passagem no Atlético Itapemirim, você recebeu uma chance no Rio Branco, maior campeão do estado, e logo caiu nas graças da torcida. Conta pra gente como foi virar ídolo do Capa Preta. Tive essa oportunidade no Atlético Itapemirim em que fiz um belo campeonato e gols que ajudaram o Atlético a subir pra primeira divisão. No término do contrato, o Armando Zanata, que citei no começo da entrevista, foi convidado para ser diretor do Rio Branco e me fez o convite para jogar por lá. Aceitei na hora e graças a Deus pude me destacar e ser muito querido pela torcida. Me adaptei muito rápido ao Rio Branco e à torcida pois sempre tive uma índole boa. Sou um cara muito batalhador e humilde e graças a Deus me dei bem com os torcedores. Fizeram músicas, máscaras (ver box). Sou muito grato a tudo o que vivi lá no clube.

(Foto: Acervo Pessoal/Elias Pepeta)

(Foto: Acervo Pessoal/Elias Pepeta)

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(Foto: Acervo Pessoal/Elias Pepeta)

Pepeta do mal Os gols e atuações com a camisa do Rio Branco durante o Campeonato Capixaba de 2015 fizeram com que Elias Pepeta se tornasse rapidamente ídolo da torcida Capa Preta. Além de máscaras com o rosto do atacante, os torcedores fizeram uma pequena adaptação ao apelido do jogador. “Pepeta do Mal, é sensacional”. O canto, adaptado de um funk do cantor MC Livinho, embalou a campanha do Rio Branco que conquistou o 37º título de campeão estadual de sua história.

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(Foto: Acervo Pessoal/Alex Brandão)


Você foi um dos principais jogadores do título do Rio Branco no estadual em 2015 e na série C, mas não permaneceu em 2016. O que aconteceu? Fui convidado para jogar pelo Estanciano de Sergipe que iria participar do estadual, da Copa do Brasil e da Copa do Nordeste, então pensei que seria uma boa oportunidade de me destacar na elite. Já no Estanciano, a equipe não foi muito bem nas três competições que disputou. O que faltou para que o time alcançasse os objetivos da temporada? Olha, nosso time era muito bom, tinha um elenco de 30 jogadores com qualidade, mas infelizmente no futebol há pessoas que acham que entendem tudo no mundo da bola, e não é bem assim que são as coisas. O que mais faltou foi a

(Foto: Acervo Pessoal/Elias Pepeta)

união do grupo e diretoria. E nada dava certo e só fomos perdendo e saímos dos campeonatos muito rápido. No segundo semestre surgiu essa oportunidade de jogar na Oceania. Como foi que o Amicale entrou em contato com você? Lá no Estanciano conheci um zagueiro chamado Diego Máximo e fiz uma boa amizade com ele. Assim que voltamos pras nossas cidades, ele tinha me dito que haveria uma oportunidade pra ele jogar na Oceania e se eu queria ir com ele. Aí falei, “ajeita que eu tô indo” e graças a Deus e ao Diego deu tudo certo e estou aqui. Logo nas primeiras partidas você causou grande impacto. Como é o nível técnico do futebol de Vanuatu? E a torcida? Quando chegamos aqui depois de 13 horas de voo, fomos direto para o jogo e pude fazer um gol e ajudar o Amicale a sair com a vitória. Sobre o futebol aqui é como se fosse uma série B do Brasil, com jogadores com alto rendimento e muita força física, Já sobre a torcida, o Amicale tem uma das maiores da Oceania, pois é um time de chegada, sempre montou elenco bom e sempre chegou em finais. Já foram sete vezes campeões. A Oceania é conhecida pelas belas praias. Como tem sido viver aonde “os outros passam férias”? Aqui é um lugar maravilhoso, com belas praias, ilhas, que seria o sonho de qualquer um vir pra esse lugar. Mas o que me admirou muito aqui foram as pessoas, com uma humildade fora do normal

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Diego Máximo, Marcelo Tannus e Elias Pepeta, os brasileiro do Rewa (Foto: Divulgação/Vanuafoot)

e sempre com sorrisos no rosto, com alegria da vida. Apesar das boas atuações, vocês acabaram perdendo o título no saldo de gols e ficaram sem a vaga na Liga dos Campeões. Como foi o clima após a vitória contra o Tafea? Infelizmente a classificação não veio. Estávamos muito felizes com a vitória, mas com medo de não conseguir a classificação, pois ainda haveria um próximo jogo, e eles poderiam abrir as pernas (aqui, Elias se refere ao Ikira Black Birds, que enfrentaria o concorrente do Amicale ao título, o Erakor Golden Star) para nos tirarem. E não foi diferente, aconteceu da forma que pensávamos e não classificamos. (O Golden Star venceu

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por 4 a 0). Agora você e os outros dois brasileiros do Amicale (o zagueiro Diego Máximo e o meia Marcelo Tannus), foram emprestados ao Rewa, de Fiji, que está na Liga dos Campeões. Como está sua expectativa para jogar uma competição continental? Como aqui é um campeonato bem visto, o presidente do Amicale nos emprestou para disputar a Liga dos Campeões, e assim que soubemos, começamos a nos focar e a treinar todos os dias. Não tivemos descanso e nem férias, estamos trabalhando para chegar bem fisicamente, pois estamos muitos felizes com essa nova missão em poder fazer um belo campeonato continental.


Uma palavra Seu ídolo no futebol?

Ronaldo

gostaria de marcar um gol?

Seu ídolo na vida?

Buffon

Um jogo inesquecível seu?

Thiago Silva

Minha mãe

Rio Branco x Desportiva (Final Capixabão 2015)

Um gol inesquecível seu?

Pelo Atlético Itapemirim de bicicleta, aos 48 do segundo tempo, o gol da classificação Em qual goleiro

Qual zagueiro queria que te marcasse? Com quem gostaria de formar uma dupla ou trio de ataque?

Neymar. Seria pura velocidade Queria poder um dia atuar ao lado de...

Ronaldinho Gaúcho O futebol é... minha

vida e o que mais amo fazer

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CINCO MIL FC

Vai com fé, craque!

C

riado na cidade, jogador da várzea e que muitos diziam que teriam um grande futuro. Foram cinco anos de Cinco Mil FC, com vários títulos e conquistas. Junto com isso, muitas especulações surgiam a cada semestre sobre uma possível saída. Ele, para nove de dez torcedores, é o ídolo maior do clube que tem poucos anos de idade, mas que já foi possível deixar o nome de um craque marcado na história cincomilista. Quem é ele? Caio Tornado! Apesar do “Tornado” parecer apelido e ter uma relação com a posição que atua, a ponta-esquerda, trata-se do sobrenome do jogador, Caio Djalma Tornado, 24 anos. O pai dele, Adalberto foi um volante coadjuvante no futebol amador local, que junto com irmãos e primos fundou o Ciclone da Baixada, que fez boas campanhas no Amadorzão na cidade, mas sem títulos. A mãe, Simone, foi uma das precursoras do

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futebol feminino na cidade e trabalha com tal equipe do Cinco Mil FC. Com o futebol na veia, a entrada de Caio no futebol foi natural e sempre com apoio dos pais. O Ciclone da Baixada foi extinto antes de Caio ingressar no futebol. Nas escolinhas, ele já chamava atenção, assim como nos interclasses da vida. Com o tempo, se criou a expectativa da criação de uma equipe profissional na cidade e Caio era apontado como o cara para ser o primeiro reforço. O time foi criado. Tornado foi pinçado da várzea diretamente a uma equipe profissional. O começo era novidade para todo mundo, mas Caio Tornado já despontava com xodó da torcida. Inicialmente, era banco e uma espécie de 12º jogador. Se o time estava vencendo, ele entrava para aproveitar os contra-ataques e se estivesse perdendo, era para dar profundidade a equipe. Seis meses depois, o atacante era titular incontestável e participou de grandes conquistas. Sabe a relação Diego e Santos nas janelas

de transferências? Então, a mesma coisa acontecia com Caio Tornado no meio e fim/começo de ano, quando ele sempre era cotado para sair do clube, para jogar em um clube melhor divisionado ou até mesmo fora do país. Incrivelmente, o Cinco Mil relutou muito na transferência e Tornado não demonstrava descontentamento com isso, o que o tornava maior a cada dia. Mas eis que uma proposta chegou e ele... aceitou! No dia, o baque na torcida foi imediato. Ficamos meio aéreos com a notícia, sem (querer) entender, mas aos poucos compreendemos e desejamos a ele toda força! Ele foi contratado por um clube recém-promovido à primeira divisão nacional, que irá fazer a estreia na elite, mas com boas perspectivas. Teve time grande interessado no jogador, que não queria pagar a multa, mas enviando uns refugos para nós. Aqui nós temos como política não aceitar empréstimo de novos apenas por aceitar. Fato é, Caio Tornado se foi, mas sempre estará conosco. Vai com fé, craque...

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APITO INICIAL

O SEGUNDO

BAQUE 16


Em pleno Natal, mais uma tragédia entristeceu o futebol. A Série Z traz uma matéria especial, além da pouca abordagem da grande mídia nacional sobre o naufrágio na Uganda

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O

final de 2016 foi pesado para o amante do futebol. Chapecó, Brasil, Colômbia e o mundo sentiram muito a tragédia envolvendo a delegação da Chapecoense, jornalistas e tripulantes, causada por um acidente aéreo, que deixou 71 pessoas mortas e cinco sobreviventes. Nos recuperando do baque, o futebol teve mais um capítulo triste, dessa vez na Uganda, quase um mês depois da primeira catástrofe. No último Natal, a delegação do Buliisa FC, clube de Kaweibanda, clube filiado a Associação de Futebol de Kitara, viajava para um amistoso para Runga, em Hoima, em um barco com 45 pessoas no Lago Albert, quando naufragou, deixando nove pessoas mortas. Inicialmente, o número de desaparecidos era de 21 pessoas, horas depois do acontecido, mas segundo informações do site local, Daily Monitor, todas as outras 36 pessoas sobreviveram. O barco com a delegação e torcedores, segundo autoridades, teria capacidade para apenas 18 pessoas. Junto a isso, relatos confirmam que parte dos passageiros estava alcoolizado, incluindo o timoneiro. Em meio ao lago, a torcida fazia a festa com, por exemplo, tambores, o que resultado em um grande movimento no barco que acabou naufragando a cem metros da orla, além de um desequilíbrio de pessoas sentadas em determinado lado do barco. “Surpreendentemente, o barco

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(Fotos: Divulgação/AFP)

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Homenagem da Chapecoense (clique na imagem para ver a publicação) - “O futebol está em luto mais uma vez. Desta vez, um naufrágio tirou a vida de atletas e torcedores de um clube da Uganda. Estamos torcendo para que encontrem mais sobreviventes. #ForçaUganda”. (Arte: Comunicação/AF Chapecoense)

Arte feita pelo Motoca (clique na imagem para ver a publicação), que foi compartilhada por mais de 36 mil usuários no Facebook. Foi usada também como forma de protesto a pouca cobertura da grande mídia (Arte: Motoca. @colaresmaira)

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virou quando não havia vento sobre a água. Aqueles que sabiam nadar sobreviveram facilmente”, afirmou um dos sobreviventes, Godfrey Opira, presidente da associação de árbitros do distrito, em entrevista ao Daily Monitor. David Okecha (42), Consolate Akutu (18), David Ocan (25), Oyirowth (23), Oketiwendi (28), Piwe (22), Ozele Kasamba (29), Oting (26) e Twambe (idade não encontrada) não sobreviveram ao acidente. Não encontramos os nomes de quais seriam jogadores ou membros da equipe. Piwe, Kasamba e Twambe (timoneiro) eram funcionários do proprietário do barco. Entre as histórias relatadas, a que chama a atenção é a de Consolate Akutu, uma torcedora que sempre acompanha o clube. Akutu era (sempre será) mãe há cinco meses, quando houve a tragédia. “Nós finalizamos o enterro, mas não conseguimos obter dinheiro para seus últimos ritos funerários”, disse Pascal Okaba, irmão de Akutu, em entrevista ao Daily Mirror, ele que ainda cita que Consolate era parte importante do sustento familiar, composto por muitos pescadores. Logo após, o naufrágio, a Federação de Futebol da Uganda (FUFA), soltou nota lamentando o ocorrido. “Nós sabemos que o futebol traz alegria às comunidades, especialmente nesta época festiva. Foi um infeliz incidente

para jogadores e torcedores”, citou parte da nota, que lembra que os amistosos de futebol são parte tradicional das festividades de Natal no país. Nós entramos em contato, com a FUFA, no início de janeiro, para buscar algumas perguntas não respondidas ou dúvidas, que a imprensa mundial não trouxe, incluindo, a grande mídia brasileira, com pouca cobertura e sem averiguar os desdobramentos do acontecido. Não obtivemos respostas da entidade, até o fechamento dessa edição. Entre algumas questões, estavam a divisão e o nome do clube, as informações sobre o funeral, a reconstrução da equipe e se o clube recebeu algum tipo de solidariedade por parte de alguma agremiação esportiva. No Brasil, dois clubes manifestaram condolências (mediante pesquisa) ao país. Na noite do dia 27 de dezembro, a direção do Internacional em homenagem as vítimas deixou a iluminação do Beira-Rio com as cores da bandeira ugandense: preto, amarelo e vermelho. Como era esperado na época, a empatia tomou conta e a Chapecoense publicou bela mensagem ao povo da nação africana. Em um momento triste, a comunidade do futebol repensou novamente a vida, que segue, mas sempre com todos estes na memória...

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LADO B

ESTAMOS

AQUI O mercado da bola no começo do ano nos mostra muitos “famosos” que param em clubes menores para a disputa dos estaduais. Em 2017, não é diferente! Um dos campeonatos que mais apostará em jogadores renomados será o Paulista Série A-3. Os clubes buscarão duas vagas na segunda divisão estadual e para isso trouxeram veteranos com passagens por grandes clubes, as eternas promessas (ou não) dos clubes do G-12 e jogadores que ficaram marcados por clubes em disputas da Série B. A Série A-3 está recheada de jogadores desse tipo e a Série Z te mostra quais são...

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Combo #1 | TABOÃO Adriano Gabiru

Esse dispensa apresentações! Autor do gol do título mundial do Internacional em 2006, Adriano Gabiru foi a terceira estrela anunciada pelo Taboão para 2017. Apresentado em uma padaria, o atacante é lembrado pelos colorados, mesmo que as últimas gestões do clube não reconheçam o feito. Após uma parada na carreira, ele busca ajudar o Taboão na A-3.

Adriano Gabiru (Foto: Divulgação)

Beto Acosta

Esse dispensa apresentações (2)! Desconhecido, quando chegou ao Náutico, em 2007, saiu como ídolo no clube, pelo qual foi vice-artilheiro, com 19 gols. Depois disso acertou com o Corinthians, onde chegou com bom status para a Série B, mas não correspondeu. Nos últimos anos, se tornou ídolo do Santos do Amapá, onde participou de campeonatos nas últimas quatro temporadas.

Acosta (Foto: Divulgação/Agência Estado)

André Luis

Esse dispensa apresentações (3)! A lista do Taboão contava com Túlio Maravilha, quando o CATS anunciou o quarto famoso, o zagueiro André Luis. Atleta que foi “revelado” no Santos, quando foi titular da equipe no título brasileiro de 2002. Ficou muito conhecido por ter ficado irado em jogos contra Náutico e Estudiantes, quando atuava pelo Botafogo.

André Luis (Foto: Divulgação/ Gazeta Press)

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Combo #2 | MARÍLIA Agenor

Há quase duas décadas no futebol, o volante Agenor “explodiu nacionalmente” em 2009, quando começou a trajetória dele no Atlético Goianiense, no acesso à Série A, onde disputou as duas temporadas seguintes. Depois disso, passou pela Ponte Preta e América Mineiro, em 2012, e depois disso começou a rodar o Brasil e terá uma segunda chance no Marília, no qual estava em 2016.

(Foto: Divulgação)

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Fabiano Gadelha

Um dos maiores ídolos do Marília, o meia Fabiano Gadelha vai para a quinta passagem pela equipe. Com grandes jogos com a camisa do clube, Gadelha chega para ser o maestro de uma equipe experiente, que busca voltar a regularidade e brilhar como nos bons tempos de Fabiano. Além do Marília, o armador teve boa passagem pela Ponte Preta!

(Foto: Divulgação/Marília AC)


Osmar

Outro que a torcida palmeirense lembra bem. Passou pela equipe entre 2004 e 2007, com um hiato entre 2005 e 2006 para atuar no Grêmio, Morelia e Oita Trinita. O centroavante é nascido em Marília e fará nesta nova temporada, a terceira passagem pelo clube, no alto dos seus 36 anos.

(Foto: Divulgação/Diário de São Paulo)

Valmir

Os palmeirenses sentem frio ao ouvir o nome do lateral-esquerdo formado nas categorias de base do CRB e que apareceu na equipe profissional palestrina em 2007, após breve passagem pelo time B. Fez cerca de 20 jogos pela equipe, mas não durou muito, até acertar com Vasco no ano seguinte, onde não foi bem. Depois disso se tornou um nômade da bola, até chegar ao Marília.

(Foto: Divulgação)

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Combo #3 | OLÍMPIA Jougle

Uma das eternas promessas lançadas no fim da década passada pelo Botafogo, Jougle fez poucos jogos na equipe profissional. A carreira do volante ganhou destaque a partir de 2010 quando foi emprestado ao Duque de Caxias e ficou durante duas temporadas para a disputa da Série B. Mesmo com a experiência adquirida nunca teve chances de retornar a Estrela Solitária. Será a segunda passagem pelo Olímpia.

(Foto: Alex CarvalhoAgif/Gazeta Press)

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Max Pardalzinho

Após contratar lateral Cicinho, o zagueiro Thiago Heleno, o volante João Vitor e o atacante Adriano Michael Jackson, o Palmeiras no dia 20 de janeiro de 2011 anunciou o atacante Max Pardalzinho. Ninguém entendeu? De temporada anterior no Vila Nova, o rápido atleta se tornou folclórico no pouco mais de seis meses, um quarto do contrato previsto, que cumpriu no Palestra. Hoje, ele é sempre lembrado pelos palmeirenses em listas de reforços non-sense da equipe.

(Foto: Léo Barrilari/Gazeta Press)


Combo #4 | PORTUGUESA SANTISTA Adiel

Uma das figuras mais carismáticas que passaram pelo Juventus da Mooca nos últimos anos, Adiel terá a missão de fazer o mesmo que fez pelo Moleque Travesso em 2015, quando ajudou a equipe a voltar para a Série A-2 estadual. De Cubatão, o meia formado no Santos e campeão brasileiro de 2002 e 2004 (saiu durante o campeonato) terá um segundo clube para jogar na mesma cidade.

(Foto: Divulgação)

Luis Gueguel

Mais um da geração 2007 lançado no Palmeiras. Luis começou ano no Palmeiras B, para depois se juntar aos profissionais. Fez 11 jogos e três gols, pelo Brasileirão. Mesmo com os gols, Luis não ficou no elenco para o ano seguinte, e começou a andar o Brasil, até chegar ao Al Riffa, do Bahrein, último clube antes de acertar com a Portuguesa Santista.

(Foto: Reprodução/Douglas Fany)

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Filipi Sousa | São Carlos O santista mais atento e com boa memória deve lembrar do lateral-direito Filipi Souza, que alguns devem se perguntar o porque não foi mais utilizado. Lançado em 2008, ano do “quase rebaixamento” no Brasileirão, o lateral deixou a equipe um ano depois para andar pelo Brasil. Em 2015, jogou pela Portuguesa e passou pelo São Carlos. Após boa temporada no ABC volta à equipe paulista.

(Foto: Ricardo Saibun/Gazeta Press)

Rafael Caldeira | Paulista

(Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press)

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De início nas categorias menores do Marília, o zagueiro Rafael Caldeira se tornou Menino da Vila, onde se profissionalizou. Visto, por muitos, como um grande potencial para a zaga santista, Caldeira nunca se firmou, com pouquíssimos jogos disputados e recorrentes empréstimos. A maior estabilidade que teve foi em 2012, quando defendeu o Bragantino. Desde o fim de 2015 não é mais ligado ao Santos e procura seu espaço dessa vez no Paulista de Jundiaí.


Bruno Bertucci | Atibaia O lateral Bruno Bertucci é um dos exemplos das participações corinthianas em Copa São Paulo. Com boa participação no título da competição em 2009, o defensor foi mais um que encheu de esperanças a Fiel de se aproveitar mais a base, mas foram poucos jogos. Logo no fim do ano partiu para a Turquia, mas nunca voltou ao clube. Passou pelo Neftchi, do Azerbaijão, até passar pela Portuguesa, Caldense e chegar ao Atibaia.

(Foto: Reprodução/MeuTimão)

Renato Peixe | São José FC

(Foto: Fábio Rubinato/AGF)

Figurinha carimbada nas divisões paulistas, Renato Peixe virou uma espécie de sinônimo de Guaratinguetá, onde atuou por três temporadas com atuações decisivas. Nas últimas temporadas passou pelo São Caetano e Santo André e agora chega como principal contratação do São José FC, ex-Joseense, para a disputa da A-3.

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(Foto: Reprodução/Twitter)

Wendel | Desportivo Brasil O clube de Porto Feliz tem como intuito revelar jogadores, ainda mais agora como parceiro do Shandong Luneng, que possibilita o intercâmbio de chineses por aqui. No profissional, o acesso demorou a vir. Feito isso, a equipe busca experiência de Wendel, ex-lateral do Palmeiras, que teve 10 anos de Palestra, mas se tornou um “nômade”. Chega para ser o líder da equipe.

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Alcides Eduardo | Matonense Vitória, Schalke 04, Santos, Chelsea, Benfica, PSV Eindhoven e Dnipro. Foram 10 anos de estabilidade, seja em clube ou local. Depois disso, o lateral/zagueiro não teve uma chance em clubes de séries A e B. Nas últimas três temporadas jogou pela Ferroviária, onde fez bons jogos. Para esse ano, o a Matonense é a nova casa!

(Foto: Reprodução/MeuTimão)

Roberto | Rio Branco

(Foto: Catarina Morais/zerozero.pt)

Atualmente, o volante pode não ser tão conhecido, mas em 2005, ele era considerado uma das revelações do Guarani. A boa fase o levou a seleção sub-20, onde disputou o Mundial daquele ano e participou de seis dos sete jogos do campeonato, onde o Brasil ficou com o 3o lugar. No fim da temporada, acertou com o Celta de Vigo, mas não se deu bem. A carreira foi estabilizar entre 2009 e 2012, quando atuou pelo Marítimo, vindo do Leixões. Atuou ainda pelo Persepolis, do Irã. Voltou ao Leixões e desde 2015 estava sem clube.

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CONTEXTO

UM TCC EM

FUTEBOL

ALTERNATIVO

D L N

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E

sta é oitava edição da Revista Série Z! Como muitos sabem, nós nascemos como um simples blog em 2013. Eu, Felipe Augusto, editor da revista, criei a Série Z em meio a faculdade de Comunicação Social/Jornalismo, que cursei na Faculdade Maringá. No fim de 2014, prestes a entrar no ano de realização do Trabalho de Conclusão de Curso, tive um clique: escrever sobre futebol alternativo e, junto com isso, levar a Série Z para o debate como exemplo de mídia especializada. Pois bem, foram mais de dez meses de produção, desde o pré-projeto, a pesquisa, a produção da revista e a apresentação nas bancas, para a aprovação em 8 de dezembro de 2015. Passou o tempo e a publicação ficou exclusivamente na biblioteca da faculdade, perdi algumas datas para envios, mas eis que no final de 2016, o Ludopédio, o maior portal acadêmico de futebol do Brasil, disponibilizou a plataforma para a publicação do trabalho (clique no banner a esquerda para ler). A grande dificuldade do trabalho foi a falta de referência específica. Não havia trabalhos que apresentavam um conceito sobre futebol alternativo. Isso é um ponto importante da discussão: um conceito e não, “a definição”. Seria prepotência, antiética e mentira! Desde os tempos que descobri


INTRODUÇÃO, 10 2 METODOLOGIA, 13 2.1 Conhecimento científico e senso comum, 13 2.2 Metodologia: pesquisa bibliográfica, pesquisa documental, entrevista e análise documental, 14 3 FUTEBOL ALTERNATIVO, 21 3.1 O contexto, 21 3.2 O histórico, 26 3.2.1 O termo no meio acadêmico, 29 3.3 O conceito, 30 3.3.1 O futebol que a grande mídia não mostra, 30 3.3.2 O lado inusitado do futebol, 36 3.4 A rotina e os hábitos de informação, 36 3.4.1 Presencial: o futebol alternativo diretamente dos estádios, 37 3.4.2 O futebol alternativo antes da internet, 37 3.4.3 O futebol alternativo e a internet, 38 3.4.3.1 Transmissão em vídeo, 39 3.4.3.2 Sites para se informar sobre futebol alternativo, 40 3.5 A proposta, 42 4 JORNALISMO ESPECIALIZADO, 43 4.1 Jornalismo geral: notícia para todos, 43 4.2 O jornalismo especializado, 44 4.3 Especialização e segmentação, 51 5 JORNALISMO ESPORTIVO, 54 5.1 Jornalismo esportivo é jornalismo, 54 5.2 Jornalismo esportivo e a especialização, 55 5.3 O jornalista esportivo: postura e ética, 57 5.4 Futebol, entretenimento e espetáculo, 60 6 JORNALISMO DE REVISTA, 63 6.1 A revista e suas características, 63 6.2 Os gêneros jornalísticos, 66 6.2.1 Jornalismo Informativo, 67 6.2.2 Jornalismo Opinativo, 69 6.2.3 Jornalismo Interpretativo, 71 6.3 Mercado editorial de esportes: Placar e Trivela, 72 6.3.1 Placar, 72 6.3.2 Trivela, 74 6.4 Revista digital: conceito e histórico, 75 7 REVISTA SÉRIE Z, 78 7.1 Formato: revista digital, 78 7.2 Nome da revista, 79 7.3 Público Alvo, 79 7.4 Editorias, 80 7.5 Páginas, 84 7.6 Periodicidade, 85 7.7 Circulação, 85 CONSIDERAÇÕES FINAIS, 87 REFERÊNCIAS, 90 ANEXOS, 95 ANEXO A – ENTREVISTA ALDO BIZZOCCHI, 95 ANEXO B – ENTREVISTA DANIEL PAES CUTER, 96 ANEXO C – ENTREVISTA EMANUEL COLOMBARI, 97 ANEXO D – ENTREVISTA FERNANDO MARTINEZ, 99 ANEXO E – ENTREVISTA GUSTAVO HOFMAN, 100 ANEXO F – ENTREVISTA JULIO SIMÕES, 101 ANEXO G – ENTREVISTA LEONARDO BERTOZZI, 103 ANEXO H – ENTREVISTA LEONARDO BONASSOLI, 104 ANEXO I – ENTREVISTA MATHEUS C. LABOISSIÈRE, 105 ANEXO J – ENTREVISTA SÉRGIO OLIVEIRA, 107 ANEXO K – TABELA NÚMERO DE CLUBES BRASILEIROS ATIVOS EM 2015, 108

o termo, passei a ver diferentes “definições” sobre. Com o passar desse, na minha cabeça, conceituei o termo, apenas com a experimentação. Para muitos, o futebol alternativo tem dois vieses: interesse por eventos do futebol que não fazem parte do mainstream e aquilo que é inusitado dentro do esporte. Nesse ponto, apenas o primeiro caso é trabalhado e visto por mim. Como disse, é um conceito. O trabalho não é um guia do que é futebol alternativo, mas uma pesquisa necessária para dar base a Revista Série Z. Toda essa visão que estabeleço, aqui, está argumentada de uma maneira maior e melhor no TCC. O trabalho conta com referências de todos os tipos para afunilar a pesquisa. Como dito no texto do trabalho: “[...] a abordagem se dará inicialmente pelo contexto do futebol, desde a criação na Inglaterra até as competições mais importantes do esporte, para daí sim, contextualizar o que é futebol alternativo, por meio de entrevistas, relações com a mídia e a etimologia. O capítulo (Futebol Alternativo), também, irá abordar os locais de informações sobre futebol alternativo”. Aproveite, leia, compartilhe, pesquise. O futebol e o futebol alternativo apresentam uma vasta área de possibilidade para se pesquisa, seja na comunicação ou qualquer outra área.

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BOLA DE CAPOTÃO

O quase

CAXIAS

da

Série A 2002 Em meio a indefinições, o Bepe apareceu no guia da Placar, com informações do elenco e histórico do clube na elite

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E

ra um sábado, dia 22 de dezembro de 2001, quando Figueirense e Caxias disputavam a última rodada do quadrangular final da Série B. Um dos dois estaria na Série A seguinte com uma vitória, pois estavam empatados com seis pontos, mas nos critérios de desempate, o Figueira tinha maior número de gols (7 a 6). No jogo, Abimael abriu o placar para os catarinenses, aos 16’/2º, até que aos 46 minutos, faltando 50 segundos, segundo o árbitro da partida, Alfredo dos Santos Loebeling, a torcida alvinegra não aguentou a euforia e invadiu o campo... Estava feita a desordem. O regulamento previa que o Caxias teria os pontos da partida pelo que ocorreu, mas uma pressão da comissão de arbitragem fez com que na súmula se contasse que Loebeling já havia apitado o fim da partida.

A decisão no tribunal saiu apenas em 2002, na véspera do início da primeira divisão, mas e a imprensa, os guias da competição, como se saíram na época? Tradicional produtora dos guias, a Placar, como o, então, próprio diretor de redação da revista, Sérgio Xavier Filho citou, optou em “ser mais razoável pecar pelo exagero do que pela falta”, dessa forma, sem a definição se Caxias ou Figueirense disputariam a Série A 2002, as duas equipes foram colocadas no guia, ou seja, 27 equipes foram apresentadas, mas depois ficou definido que o Figueira era dono da vaga e o Caxias teve que se contentar com a Série B, na qual ficou com a modesta 14ª colocação. Fato é, que a partir da página 24 daquela edição estava o Caxias, com todas as informações históricas do clube, ficha técnica, estádio, timebase e os 28 jogadores do elenco (sendo 18 com foto e dez sem). Tudo pronto para uma possível

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decisão favorável ao Bepe, que não ocorreu. Vendo os jogadores que faziam parte do elenco nos veio a seguinte questão, será que algum deles continua jogando? Fomos atrás disso e descobrimos quem daquele quase elenco de Série A atuou em 2016.

Rafael Muçamba (35 anos, volante)

Criado na base do Caxias, Rafael foi escolhido como destaque da equipe na edição, estampando a primeira página do clube. Após o Caxias, a melhor fase do volante

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foi no Paraná onde atuou entre 2005 e 2007, mesmo com alguns empréstimos para América de Natal e São Caetano. Depois disso, andou pelo Brasil e neste ano defende o União Frederiquense, que lutou pelo acesso na Segunda Divisão Gaúcha.

Lê (31 anos, atacante)

O atacante foi formado pelo Caxias e tem boa parte da carreira em clubes gaúchos, com mais destaque para o Veranópolis, onde atua desde 2011 em determinadas competições. Em 2016, fez seis jogos no Gauchão, mas não marcou nenhum.


Baggio (34 anos, zagueiro)

Mais um formado na base, Baggio era um dos que não tinham foto. O atleta chegou a jogar em Portugal e Espanha. Passou por vários clubes na última década e atualmente é zagueiro do Hercílio Luz, que disputa a Divisão de Acesso de Santa Catarina.

Reinaldo Gaúcho (35 anos, atacante)

O centroavante fez as últimas três temporadas em Hong Kong, sendo que em 2015/16 estava no Wong Tai Sin e após essa passagem

está sem clube, pois não renovou contrato. Passou por mais de dez clubes brasileiros após o Caxias até chegar à Ásia. Em contrapartida, os outros 24 jogadores encerraram a carreira, com destaque para Gedeon (2014/ América Teófilo Otoni), Orlando (2012/Sampaio Corrêa), Walter (2015/Villa Nova – vale frisar que trata-se de Walter Minhoca) e Léo (2014/Nacional Atlético Muriaé – trata-se de Léo Medeiros). Fica a lembrança aos torcedores, que ao menos no Guia Placar do Brasileirão 2002, o Caxias foi Série A!

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POR ONDE ANDA?

(Foto: Divulgação/Getty Images)

LETÔNIA 2004: POR ONDE ANDA AQUELE ELENCO O inesperado sucesso daquela seleção não teve continuidade, mas na memória sempre lembraremos daquele time comandado por Verpakovskis, que aliás, será que continua jogando...

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T

odo dia 15 de junho é especial na Letônia. É a data da estreia na inédita Eurocopa, o maior feito do futebol letão conquistado em 2004. Já fazem 10 anos daquela nostálgica participação. Os mais fanáticos devem se lembrar: o craque da seleção na época era Märis Verpakovskis, mas será que ele ainda desfila seu futebol? Dos 23 jogadores convocados, 13 jogavam no país local. O Skonto Riga, com nove atletas, era o clube com mais jogadores; Ventspils (três) e Metalurg (um) eram os outros clubes representados. Os outros 10 jogavam na Rússia (cinco atletas), Inglaterra (dois) e os três restantes jogavam na Bélgica, Ucrânia e Dinamarca. Apenas seis jogadores não entraram em campo naquela campanha. Na primeira rodada, o adversário era a República Tcheca e a história letã

ganhou um charme todo especial, pois aos 45 minutos do segundo tempo, o craque, Verpakovskis fez um gol histórico abrindo o placar contra os tchecos, aliás, o único daquela campanha. Porém, a vitória não veio com a virada adversária. Na segunda rodada, um resultado histórico e heroico, empate em 0 a 0 com a Alemanha, que não lembrava em nada a vice-campeã mundial de 2002, mas que não tira os méritos da equipe treinada por Aleksandrs Starkovs, que comandou a seleção até julho de 2013. Na última rodada não teve forças para segurar a Holanda, 3 a 0 no placar. Quase treze anos se passaram e quantos deles continuam jogando? Ao todo, apenas dois jogadores encerraram a última temporada em campo, que terminou em dezembro. Em janeiro de 2014 eram seis jogadores, no texto primário dessa pauta. Estas são as lendas que continuam jogando:

(Foto: )

(Foto: Romans Kokšarovs, Sporta Avize)

Aleksandrs Kolinko

Andrejs Pavlovs

41 anos | Goleiro | Três jogos na Euro 2004 Último clube: Spartaks Jürmala

37 anos | Goleiro Último clube: Ventspils

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CAMISA 10

(Foto: Alberto Jara/Popular)

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MARIO JARA

O ÍDOLO

ALTERNATIVO DO RAMALHÃO

Em janeiro, o site da Revista Série Z publicou um “Las Feras Meia Boca” do Santo André. Entre os citados, um nome chamou atenção: argentino, volante, marcador, raçudo e com poucos jogos. Mario Jara chegou ao Santo André no fim de 2010, para a temporada seguinte. Fez apenas seis jogos, seis jogos, mas se tornou uma espécie de ídolo alternativo do clube, com parte da torcida o idolatrando até hoje, o pedindo de volta, mas dessa vez, como treinador. Conversamos com Jara sobre Santo André, a experiência como treinador e a passagem por outros três clubes do Brasil

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Qual explicação pode ser dada para essa idolatria que a torcida do Santo André tem por você? Então, eu acho que foi recíproco, né! Eu, quando cheguei no clube, a torcida me recebeu muito bem. Sobretudo, três torcedores que viraram amigos meus, o Mauricio Noznica, o Guilherme Miranda e a Mariana Arruda. A gente começou uma amizade, além do futebol. E a torcida, em geral, percebeu que eu gostava demais do clube, então aí começou esse carinho mútuo entre nós!! Sua passagem pelo clube, porém, foi de poucos jogos. O que aconteceu durante 2011? Sim, o primeiro problema foi a documentação, (que) demorou demais. Quando eu fiquei habilitado para jogar, o treinador (Pintado) foi embora e ficou o Sandro Gaúcho, que com ele quase não joguei, porque não era do agrado dele.

(Foto: Reprodução/Ramalhão News)

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Nesses poucos jogos, o que chamou atenção da torcida para que você ficasse na memória até mesmo depois de sair do clube? Eu acho que o jogo contra o Palmeiras, pela Copa do Brasil, foi o que acabou de apegar esse carinho, porque nesse jogo, que foi um dos poucos que joguei, deixei tudo (de mim). (Mesmo) não tendo ritmo de jogo, eu deixei tudo (de mim em campo) e, além disso, eu sei tudo o que torcedor sofre pelo clube, o amor que eles têm pela camisa e eu acho que no futebol os principais artistas são os torcedores. Porque a diretoria passa, os jogadores passam, mas a torcida fica sempre nos maus e bons momentos do clube. Então, eles merecem todo meu respeito. Em 2012, você estava fora do Santo André e a torcida começou uma campanha para você voltar. O que você sentiu ao vê-la? Houve algum contato para sua volta? Nossa, aquilo foi muito lindo! Um orgulho


(Foto: Reprodução/Ramalhão News)

para mim! Eu acho que não mereço tanto carinho porque não consegui devolver no campo de jogo, tudo isso, mas fiquei com muita emoção e vai ficar na minha lembrança pra sempre! Agora, eu estou trabalhando como treinador e meu sonho é voltar para o clube, para virar campeão com essa camisa!!! Assim, eu acho que vou devolver todo esse amor! Sobre ser treinador. Qual a sua experiência, por enquanto? E o seu foco futuro é o Santo André? Como treinador, comecei em um time amador. (Fiquei) dois anos no Independiente de Formosa. Depois fui contratado pelo General Díaz, clube da primera divisão do Paraguai, depois Deportivo Santani, Rubio Ñu e o Sportivo Luqueño, onde deixei o time classificado à Sul-Aamericana! Com certeza, que meu objetivo é dirigir o Santo André. Não sei quando, mas vou dirigir o Santo André, se Deus quiser.

O jogador e treinador Mario Jara são iguais? Pensam o futebol da mesma forma? Sim, a mesma mentalidade. Quero ganhar sempre, mas com uma ideia de jogo, não quero ganhar de qualquer jeito, quero ganhar jogando futebol bem jogado!! Você teve “três passagens” por clubes brasileiros em 2012. O que aconteceu em cada uma delas: Lagarto, Osvaldo Cruz e América-PE? No Lagarto, eles prometeram uma coisa e não cumpriram. Daí, fui embora pro América, mas o torneio estava acabando e tinha que esperar acabar, para jogar e não quiseram esperar. Fui para o Osvaldo Cruz, onde, também, as pessoas que dirigiam o clube não eram sérias. Joguei um jogo e fui embora. Eu já estava pensando mais em me aposentar do que em continuar jogando!

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GUIA

GUIA

AMAZONENSE B

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SÉRIE

2017


SEIS JOGOS OU A GLÓRIA

A

pós dois anos, o Amazonense Série B está de volta, mas com um formato diferente. Dessa vez, as quatro equipes lutam por vaga na primeira divisão do mesmo ano. A competição acaba em uma semana e na outra, as duas equipes que garantiram acesso iniciam a trajetória no Amazonense. Assim, duas equipes terão apenas seis rodadas de calendário, isso mesmo, seis míseros dias de futebol em todo ano. A luta pelas duas vagas de acesso, então, representam a possibilidade de um calendário maior (mesmo que não seja o adequado) e quem sabe sonhar com o título, consequentemente, competições nacionais. Originalmente, seis equipes disputariam a competição, mas Cliper e Sul América, duas carismáticas equipes, desistiram. Sobraram assim, para CDC Manicoré, Holanda, Penarol e Tarumã, a missão de disputarem o acesso. Os quatro clubes têm experiência na Série B, sendo que o Manicoré e Holanda já conquistaram títulos, enquanto a melhor colocação do Penarol foi um vice e o Tarumã, com um quarto. Três equipes despontam como favoritos ao acesso: Penarol, Holanda e Tarumã. O primeiro está no primeiro

degrau, pela preparação iniciada com antecedência e pelas características dos jogadores contratados, com uma mescla de faixas etárias. Holanda e Tarumã incomodarão o Penarol, mas não se surpreenda se os dois ocuparem a vaga. O Holanda aposta em um modo de jogo moderno e o Tarumã quer refletir o trabalho de base no profissional. O CDC Manicoré corre por fora, com um time caseiro, com ídolos do clube. Sem dúvidas, os elencos atuais serão as bases para a disputa da primeira divisão, mas deverão passar por algumas possíveis contratações, para irem bem na elite, no qual Holanda e Penarol já foram campeões. Seria um sonho repetir o efeito com duas conquistas estaduais no mesmo ano. O nosso guia está publicado após a realização da primeira rodada, para cumprir outras exigências da revista, mas foi algo positivo para a realização desse trabalho, para ter uma situação mais fiel ao que acontecerá daqui para frente na competição que terá pouco mais de um mês de realização, onde a glória é chegar ao dia 7 de março, data da estreia do Amazonense e não viver o pesadelo de ter apenas seis jogos de calendário em um ano. O nosso guia está aí, para ver todas as informações do Amazonense Série B.

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cdc manicoré

CENTRO DE DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO MANICORÉ FUNDAÇÃO

100% Bacurau

30 de maio de 2007 CIDADE

Manicoré MASCOTE

Bacurau FACEBOOK

/CDCManicoreAM ESTÁDIO

Bacurauzão (3.500 pessoas) TÍTULOS

Amazonense Série B (2011) TÉCNICO

Manoel Galdino

(Foto: Reprodução/GloboEsporte.com)

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Um clube de Manicoré feito por jogadores da cidade. O CDC Manicoré disputa mais uma edição da Série B e dessa vez com o lema orgulhoso “100% Bacurau, todos manicorenses”. Isso mesmo, todo elenco do clube é formado por jogadores nascidos na região. Dentre as equipes foi que a que começou a preparação mais tardiamente. A aposta da equipe é em um elenco com aproximadamente 70% formado por jogadores das categorias de base, que não disputou nenhuma competição da Federação Amazonense de Futebol, em 2016. Será a primeira experiência de boa parte dos jogadores, que terão nas figuras de Preto e Joiner Tanque, a experiência para liderar a equipe, dois ídolos da equipe. O primeiro é zagueiro, 36 anos, no clube desde 2009, com uma curta passagem pelo Nacional Borbense há dois anos. Joiner é outro ídolo do clube, com a carreira iniciada no Gigante do Madeira, em 2007, ele já rodou o estado para atuar no Fast Clube, Princesa e Manaus. As apostas do clube fazem com que o Manicoré seja considerado um azarão na disputa, ainda mais com a derrota na estreia. Talvez, a grande chance seja a segunda fase, após uma primeira avaliação do elenco. Em um campeonato, onde uma fase tem apenas três jogos, perder é deixar o acesso mais longe.

TIME-BASE (3-5-2) Toca; Irinewton, Bernardo, Preto; Uillian, Elri, Marconi, Gilvane, Joiner; Joiner Tanque e Nilson

(Foto: Reprodução/oGol.com)

JOINER 33 anos | Goleiro Clubes: CDC Manicoré (2007-2010), Fast Clube (2011-2012), Princesa (2013), CDC Manicoré (2013), Manaus (2014-2015) e CDC Manicoré (2016)

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(Foto: Reprodução/Revista Série Z)

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holanda

HOLANDA ESPORTE CLUBE FUNDAÇÃO

21 de outubro de 2007

Para repetir a façanha

CIDADE

Rio Preto da Eva MASCOTE

Laranja FACEBOOK

/ CT-HolandaEsporte-Rio-Preto-daEvaAM/423142557696654 ESTÁDIO

Chicão (8.000 pessoas) TÍTULOS

Amazonense (2008) Amazonense Série B (2007) TÉCNICO

Sidney Bento

(Foto: Gabriel Mansur)

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Apesar do formato diferente, o Holanda quer repetir, ou melhor, sonha com o que aconteceu em 2007 e 2008, quando em um ano foi campeão da Série B e no seguinte ergueu a taça de campeão estadual, os únicos títulos do clube na história. A equipe ficou perto da disputa da Série C 2009, quando a competição foi reformulada. Mesmo assim, os últimos anos do clube foram de idas e vindas. Em 2017, o projeto parece retomar um caminho de estabilidade, mesmo com uma troca de treinadores durante a preparação, quando o primeiramente anunciado Carlos Prata, que não treinava uma equipe desde 2014, acabou saindo por decisões da diretoria que o incomodaram. A mudança não foi abrupta, já que Sidney Bento, então auxiliar técnico, foi efetivado. Com experiência na base da equipe e que comandou o clube no Estadual 2014, o treinador prometeu uma equipe de “futebol moderno” e mesmo antes de entrar em campo, afirmou que o 4-3-2-1 seria o esquema, que privilegia a defesa, mas com poder ofensivo. O elenco é uma mescla de experiência e juventude. De um total de 26 jogadores, seis são pratas da casa, enquanto o restante tem experiência, principalmente, o atacante Marinho e o lateral-esquerdo Alberto, ambos ex-São Raimundo. O Holanda é favorito a uma das duas vagas.

TIME-BASE (4-3-1-2) Douglas; Jussan, Chicão, Fuinha, Alberto; Anderson Palheta, Diogo, Kelve, Erivelton; Marinho e Ronni

(Foto: Reprodução/oGol.com)

MARINHO 37 anos | Atacante Clubes: [+] Parauapebas (11), Penarol, Ananindeua, Castanhal (2012), São Raimundo, Manaus, São Raimundo-PA (2013), Manaus, Clíper (2014), São Raimundo (2015-2016) e Holanda (2016)

HISTÓRICO NA COMPETIÇÃO 1914

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(Foto: Reprodução/Futebol do Amazonas)

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penarol

PENAROL ATLÉTICO CLUBE FUNDAÇÃO

8 de agosto de 1947

Objetivo? 7 de março

CIDADE

Itacoatiara MASCOTE

Leão SITE

penarol.com.br FACEBOOK

/ Penarol-AtléticoClube-495516240625433 TWITTER

@penarolac ESTÁDIO

Floro de Mendonça (5.000 pessoas) TÍTULOS

Amazonense (2010 e 2011) TÉCNICO

Fábio Luiz

(Foto: Juka Balla/Penarol)

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Bicampeão amazonense, o Penarol tem como ponto chave nessa Série B, o início da preparação desde o fim de dezembro, com parte do elenco sendo apresentado no início de 2017. A equipe aposta em Fábio Luiz, como treinador, que estava no último amazonense como auxiliar. Seguindo uma recente tendência, o Penarol, fora de campo, tem como destaque a criação de uma marca própria, a Patada do Leão. A intenção é obter rendas a longo prazo com uma nova fonte, incluindo outros produtos, além dos uniformes. A ideia é que o uniforme seja mais barato que de costume, um ponto interessante para a empreitada. Primeiramente, a equipe se apresentou com 17 jogadores, com destaque para o goleiro Ray, 25 anos, com sete anos de Penarol e o zagueiro Samir, 35, exRio Negro e Princesa. Logo em seguida, chegaram mais jogadores, como zagueiro Victor Hugo, 31, ex-America-RJ, o meia Eduardo Magrão, 26, ex-Náutico-RR e o atacante Kitó, 32, ex-Fast e que foi campeão em 2011. De início, o elenco conta com 25 jogadores, que deve aumentar caso a equipe conquiste a vaga de acesso. O time é apontado como grande favorito, apesar do empate na estreia, desta Série B. O objetivo está traçado: dia 7 de março, data de início do Amazonense.

TIME-BASE (4-3-1-2) Paulo Roberto; Neto, Samir, Victor Hugo, Roniel; Juninho, Jorginho, Kitó, Eduardo Magrão; Alex e Rodrigo Marajó

(Foto: Reprodução/oGol.com)

samir 35 anos | Zagueiro Clubes: [+] São Carlos (2011), Sertãozinho, Foz do Iguaçu, Penarol (2012), São Bento (2013), Fast Clube, Itaporã, Iporá (20140, Taubaté (2015), Princesa, Rio Negro (2016) e Penarol (2017)

HISTÓRICO NA COMPETIÇÃO 1914

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(Foto: Juka Bala/Penarol)

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tarumã

ESPORTE CLUBE TARUMÃ FUNDAÇÃO

3 de março de 1974

Aposta na juventude

CIDADE

Manaus MASCOTE

Lobo

FACEBOOK

/Esporte-Clube-Tarumã -390294634487062 ESTÁDIO

Colina (10.000 pessoas) TÉCNICO

Fernando Lage

(Foto:Willian D’Ângelo/Tarumã)

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Tradicional nas categorias de base, forte no futebol americano, iniciando no futebol de 7, bom trabalho de mídia social, incluindo uma rádio online própria, mas sem uma campanha de respeito no futebol profissional. É com essa intenção, que o poliesportivo Tarumã entra na Série B almejando a vaga na elite, seja com o título ou o vice. A aposta é na gestão da equipe, que possa refletir em campo. Para o comando da equipe, Fernando Lage foi anunciado antes da virada do ano e recebeu da diretoria, a missão de mesclar juventude e experiência, sendo que os mais jovens deveriam ter preferência, em um elenco de 28 atletas. Foi isso o que fez. Forte nas categorias de base, os pratas da casa dominam o elenco que tem média de aproximados 23 anos de idade. Entre os mais experientes, destaque para o lateral Juninho, 27 anos, e o atacante Elson Bala, 32. A preparação do elenco teve percalços, mas com pontos positivos. A equipe teve dificuldades quanto a um local adequado de treinamento e até mesmo, a indefinição sobre em que estádio jogaria a Série B. Em amistoso contra o Nacional, a equipe conseguiu um empate sem gols, que Lage viu problemas no setor ofensivo, mas com boas perspectivas para a defesa. É bom ficar de olho no Tarumã.

TIME-BASE (4-2-3-1) Erick; Luan Kennedy, Léo, Taison Luis, Juninho; Alessandro, Robson, Emiliano, Luciano e Erik; Geraldo

(Foto: Divulgação/Plano Tático)

Elson bala 32 anos | Atacante Clubes: Sul América (2011 e 2014), Cliper (2014), Nacional Borbense, Iranduba, Holanda (2015) e Tarumã (2017)

HISTÓRICO NA COMPETIÇÃO 1914

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(Foto: Joel Anthus/AGECOM)

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os campeões 1914

1915

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1917

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MANAOS SPORTING

MANAOS SPORTING

MANAOS SPORTING

RIO NEGRO

FAST CLUBE

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1961

1962

INTERNACIONAL

1958 GUARANI

1959

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FLUMINENSE

ESTRELA DO NORTE

AMÉRICA

LABOR

AMÉRICA

2007

2008

2009

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2011

HOLANDA

RIO NEGRO

COMPENSÃO

OPERÁRIO

CDC MANICORÉ

2013

2014

MANAUS FC

OPERÁRIO

Um campeonato marcado por várias reviravoltas e hiatos. Nos primórdios da competição, o torneio não era de acesso, mas uma reunião de “segundos quadros”, os atuais times B, das equipes que disputavam o Estadual. A primeira divisão de acesso de fato foi em 1931 e 16 anos depois retornou. No fim dos anos 1950, a segunda divisão teve seis campeonatos seguidos. No século 21, o campeonato retorna, mas a crise no futebol estadual deixa a segunda divisão fraca, sendo novamente, extinta.


tabela 1ª RODADA

PRIMEIRA FASE 29/1 29/1

PENAROL HOLANDA

2 2 4 0

PENAROL TARUMÃ

1/2 16h 1/2 20h

PENAROL TARUMÃ

5/2 16h 4/2 16h

PRIMEIRA FASE

x x 2ª RODADA

x x

3ª RODADA

x x

SEGUNDA FASE

TARUMÃ CDC MANICORÉ

11/2 16h 11/2 16h

CDC MANICORÉ HOLANDA

18/2

HOLANDA CDC MANICORÉ

25/2

16h

18/2 16h

16h

25/2

16h **Datas da segunda fase e final a se confirmar

REGULAMENTO | O Amazonense Série B dará duas vagas à primeira divisão de 2017. O campeonato é dividido em duas fases (ou turnos), com o mesmo formato. A cada fase, as equipes se enfrentam entre si. O campeão da primeira fase e o campeão da segunda fase se classificam para a final, disputada em jogo único com vantagem de empate para o de melhor campanha. Caso um clube seja campeão das duas fases, a equipe será declarada campeã. O segundo acesso, portanto, ficará com a equipe de melhor campanha subsequente.

SEGUNDA FASE

CDC MANICORÉ HOLANDA PENAROL TARUMÃ

FINAL 4 de março | Sábado | 16 horas

x

as desistências

Primeiramente, o Campeonato Amazonense Série B 2017 teria seis clubes, com a participação dos carismáticos Cliper e Sul América. A Federação Amazonense de Futebol (FAF) chegou a divulgar a tabela com as duas equipes, mas confirmou a desistência da dupla, dias depois. Segundo o presidente da FAF, Ivan Guimarães, os clubes alegaram que o abandono se deu pela situação financeira. A data de início foi mantida, mas o formato original em turno único foi alterado.

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CAMISA 12

A primeira vez a gente nunca esquece por MATHEUS GERLACH estudante de jornalismo

Matheus (direita), ao lado do amigo Victor Nadal (que não é o citado no texto), em mais uma aventura pelo São Bernardo (Foto: Acervo Pessoal/Matheus Gerlach)

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A

vida de um torcedor é cheia de histórias, e muitas delas são perrengues que passamos para ver nosso time jogar. Por exemplo, o dia quem que fui na minha primeira caravana, com destino à Sorocaba, para ver São Bento 3 x 0 São Bernardo. Saí de Santos (cidade onde eu moro) na noite anterior ao jogo e dormi na casa da minha mãe, para 6h estar na rua. Encontrei com um amigo meu que morava perto e fomos para a avenida principal pegar um ônibus rumo ao estádio 1° de Maio, para pegarmos a caravana. No decorrer do trajeto, surgiram dois homens pedindo o meu celular, tentei fugir e enquanto um me segurou, o outro rasgou a bermuda e pegou o celular que caiu no chão e correu. Fiquei brigando com o que havia me segurado e em ação de desespero ao ver que eu não o largava, o ladrão me deu alguns arranhões no rosto. Sim, um ladrão me arranhou, mas calma que essa não foi a pior parte. Com os arranhões, a minha

mão, que estava segurando a cabeça dele se soltou um pouco e se aproveitando disso, o ladrão mordeu o meu dedo. Sim! O ladrão me mordeu! Lógico que acabei o soltando, e ele fugiu. Desiludido, vi um carro parar ao meu lado, dizendo “Entra que vamos recuperar!”. Entrei no carro ainda meio sem saber o que estava acontecendo, e vi uma arma no colo do motorista, que se disse policial. Fizemos a volta no meio da avenida, e entramos no estacionamento do supermercado em que os ladrões estavam e enquanto eu e meu amigo fomos atrás do ladrão que estava com o meu celular, o policial pegou o que estava brigando comigo. Recuperamos o celular e ainda conseguimos chegar a tempo de pegar a caravana e ir para o interior. Chegando lá, 40° na sombra e vi a derrota de 3 a 0 fora, o baile, com a bermuda ainda rasgada. Em 10 horas estive em duas cidades, vi um jogo com metade da bermuda rasgada, tentaram me assaltar e ainda perdi um pedaço do dedo, para ver meu Tigre jogar. Que dia!

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FUTEBOL UTÓPICO

ARMAS NAS MÃOS E CHUTEIRAS NOS PÉS

O MUNDIAL QUE NÃO FOI REALIZADO PARTE I

por KAIQUE AUGUSTO jornalista

No vocabulário cotidiano do futebol, um dos termos presentes e citados por jornalistas esportivos, comentaristas e também torcedores, ganha destaque quando o assunto é relembrar grandes jogos, campeonatos, viradas épicas e os demais componentes que formam a história do esporte. Estamos falando do “e se”. Pois é, volta e meia a expressão circula nos mais acalorados debates futebolísticos, com memórias do tipo, “E se fulano tivesse feito aquele gol”, “E se beltrano fosse convocado em tal campeonato”. Enfim, memórias vagas que apenas permeiam o lado lúdico das conversas.

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O mundo em 1942

N

este texto, vamos nos permitir viajar na ideia da realização da Copa do Mundo de 1942, mas antes, é necessário relembrar o contexto social e político que abraçava a população mundial, que vivia sob a Segunda Guerra Mundial, que duraria até 1945. A América do Sul era predominantemente governada por regimes militares ou populistas. O Brasil, por exemplo, vivia a “Era Vargas”, que duraria até Janeiro de 1946. Já a Argentina estava prestes a sofrer o segundo golpe de estado da história. Países como Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela conviviam com constantes trocas presidenciais ou com governos interinos. Na América Central a situação era semelhante à parte Sul do continente. E na América do Norte, os Estados Unidos sob a presidência de Roosevelt comandava os Aliados na luta contra os países do Eixo na Segunda Guerra

Mundial. Enquanto isso, no Velho Continente, os alemães, com a liderança de Adolf Hitler já haviam anexado a Checoslováquia, Iugoslávia, Bulgária, Polônia, Áustria, parte norte de França, os Países Baixos e a Grécia ao território nazista. Britânicos e franceses combatiam as tropas de Hitler e Mussolini no lado oeste de Europa, enquanto a União Soviética impedia o avanço das forças do Eixo na fronteira oriental. Portugueses, espanhóis e suíços permaneciam neutros durante as batalhas. Na África, os países do norte foram disputados de forma intensa. Com exceção ao Egito; Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia eram controlados por italianos e alemães. Já os demais países da África Subsaariana declararam apoio às forças dos Aliados ou mantinham-se neutros nos combates. Na Ásia e Oceania, as atenções estavam voltadas aos combates entre chineses e filipinos, apoiados pelo governo dos Estados Unidos e da GrãBretanha contra o Império Japonês, que por vez era apoiado pelas forças nazistas.

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Os favoritos à conquista No meio deste imbróglio em que vivia o mundo, é praticamente impossível afirmar como as seleções estariam representadas nos mundiais, tendo em vista que muitos atletas abdicaram do esporte para enfrentar os terrores da guerra e defender suas respectivas pátrias com armas ao invés de chuteiras. Mas vamos imaginar que alguns países usariam da boa vontade e fossem disputar a competição mundial. Desta forma, a Alemanha apareceria como uma das favoritas à conquista da Taça Jules Rimet. De modo em que fosse representada principalmente por jogadores do Schalke 04, equipe que vinha de seis conquistas do campeonato alemão, e contava os atacantes Ernst Kuzorra e Fritz Szepan. Destaques do futebol alemão na década de 1940. O escrete germânico também poderia contar com jogadores do Rapid Viena, equipe austríaca que no momento disputava o campeonato nacional da Alemanha, e que havia vencido o campeonato nacional em

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1941, e dispunha do meia Franz Wagner, veterano das copas de 1934 e 1938 Outro país do Eixo que seria forte candidata ao título mundial é a Itália. A bicampeã das Copas de 1934 e 1938 e campeã dos Jogos Olímpicos de 1936 encontrava nos times da Ambrosiana (atual Internazionale de Milão), Bologna e Juventus a força para a representação nacional. A Azzurra contaria com uma das melhores linhas ofensivas de todos os tempos, composta por Giuseppe Meazza, Silvio Piola, Aldo Boffi, Ettore Puricelli e uma promessa da época chamada Valentino Mazzola. Muito por conta da rivalidade imposta pela Segunda Guerra Mundial, a Inglaterra poderia realizar sua estreia em Copas no ano de 1942. A tentativa de conquistar uma vitória a nível mundial diante dos países inimigos poderia derrubar a empáfia da Federação Inglesa de ficar presa ao rótulo de “inventores do futebol”, e colocar a Terra da Rainha no certame. O campeonato inglês, na época, contava com uma disputa particular entre Arsenal e Everton. As duas equipes


Ernst Kuzorra e Fritz Szepan, a dupla que dominava a equipe do Schalke 04 (Foto: Graeber Gerhard/Presse Bild Verlag)

Guiseppe Meazza, ídolo eterno da Inter, seria certeza na Copa de 1942 (Foto: Divulgação)

Os gols de Tommy Lawton serviriam para ajudar na possível estreia inglesa (Foto: Divulgação/Getty Images)

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A base da seleção argentina campeã da Copa América 1941 era cotada como a “grande possível campeã” do Mundial de 1942 (Foto: Divulgação/Conmebol)

Na Copa de 1942, Leônidas da Silva, sem dúvidas, iria para o terceiro Mundial da carreira, caso fosse realizada (Foto: Reprodução/SPFC International)

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A década de 1940 foi a qual Heleno de Freitas explodiu no futebol, mas sem Copas, o alvinegro não pôde disputar uma Copa (Foto: Reprodução/USPNet)


buscavam o sexto título nacional. Correndo por fora, estava a equipe do Wolverhampton, que ficou na terceira colocação nas temporadas de 1937/1938 e 1938/1939, últimas edições do campeonato antes da paralisação por conta da Guerra. Para a disputa da Copa do Mundo de 1942, a Inglaterra tinha à disposição o atacante do Arsenal, Ted Drake, artilheiro do campeonato inglês no ano de 1934/1935, com 42 gols. Junto a ele, figurava o também atacante, só que do Everton, Tommy Lawton, que havia conquistado a artilharia nos anos de 1937/1938, com 28 gols e 1938/1939 com 35 gols. Entre as seleções da América do Sul, a Argentina estava alguns passos à frente do que as demais, e configuraria como a melhor equipe latina do momento. Campeã das edições de 1937 e 1941, da Copa América, a Alviceleste era composta basicamente pela equipe do River Plate. Para aquele mundial, a Argentina, além de contar com bons jogadores como os meias, José Manuel Moreno, José Maria Minella, Adolfo Pedernera (todos do River Plate), e também o

atacante, Juan Marvezzi, que atuava no Tigre, tinha um grande reforço no banco de reservas. A seleção era treinada por Guillermo Stábile, que já havia sido vicecampeão e artilheiro da primeira Copa do Mundo realizada em 1930. Após conquistar a terceira colocação no mundial de 1938, o futebol do Brasil contava com o surgimento de bons jogadores, a ponto de credenciar como segunda melhor equipe da América do Sul, já que o Uruguai havia perdido parte da força conquistada na década de 1930. Porém nem tudo eram flores nas terras tupiniquins, disputas bairristas entre as federações carioca e paulista ainda assombravam as diretrizes da CBD (Confederaç��o Brasileira de Desportos). Em campo, estariam à disposição da seleção nacional nomes como Leônidas da Silva, que atuava pelo São Paulo, o atacante Patesko, que atuava pelo Botafogo (RJ), o meia do Corinthians, Brandão, Zizinho, atacante do Flamengo (RJ), o zagueiro Domingos da Guia, que também atuava pelo Corinthians e também o jovem Heleno de Freitas, que vestia as cores do Botafogo (RJ).

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A sede Estádio Olímpico de Berlin

Monumental de Nuñez

Maracanã

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Para a Copa do Mundo de 1942, Alemanha, Argentina e Brasil requisitaram o direito de ser a sede do Mundial, porém, logo após o início da Guerra, a FIFA suspendeu a competição. Os nazistas, representando a Alemanha, queriam, assim como na Olímpiada de 1936 sediar o mundial com propósito de realizar propagandas políticas de seu país para o resto do mundo. Já os argentinos requeriam o direito de ser a sede do mundial desde 1930. Porém eles tiveram que aguardar 48 anos para conseguirem tal feito. Apenas em 1978, sob o comando ditatorial de Jorge Videla os nossos vizinhos sulamericanos puderam sediar a Copa do Mundo. O Brasil por vez era o mais bem visto pela FIFA para receber o mundial. A entidade buscava ampliar as atividades políticas na América do Sul e via o país como parceiro ideal, tanto que após o fim da Segunda Guerra Mundial, o Brasil sediaria o Mundial de 1950.


Em março de 1941, o Stamford Bridge recebeu uma partida amistoso entre membros do Exército Britânico e Forças Armadas Aliadas (Foto: Popperfoto/Getty Images)


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O futebol longe dos holofotes, uma paixĂŁo pelo alternativo


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