SÉRIE Z 3

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A REVISTA DO FUTEBOL ALTERNATIVO ABR. 2016 e MAI. 2016 -- N. 3


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S

e quisesse (e pudesse ou conseguisse), a terceira edição da Revista Série Z seria um especial com inúmeros guias de campeonato. Sim, isso mesmo! Neste mês, duas competições cultuadas por nós começam. Aqui no Brasil, o Campeonato Paulista da Segunda Divisão, equivalente a quarta, começa no dia 17 e dessa vez, com apenas duas vagas para o acesso. Pensei em algo, tipo a Lado B, para contar um pouco sobre o campeonato, mas até o fechamento dessa edição ainda havia incertezas, por isso, mudamos o foco e o União São João de Araras vem representar o certame em pauta. O foco é geral, digamos, mostrando lá no começo até chegar ao melancólico hoje que enfrenta o clube. Tudo isso na visão de três torcedores. Pauta cumprida! No outro lado do mundo, a Oceania conhecerá o campeão da edição 2016 da peculiar OFC Champions Leagues. E o que 99,9% da comunidade alternativa futebolística quer? Que o Auckland City não seja campeão mais uma vez. E que

EDITOR Felipe Augusto PROJETO GRÁFICO e DIAGRAMAÇÃO Felipe Augusto REVISÃO Felipe Augusto

de preferência, o título fique fora da Nova Zelândia. Talvez no Vanuatu. É lá que o zagueiro brasileiro Diego foi se aventurar para que o Amicale possa, enfim, desbancar o poderio neozelandês. Porém, Magno Vieira, atacante, quer manter o título na Nova Zelânida, mas com o Team Wellington, campeão. Na Conexão Futebol, você irá conhecer por onde eles já passaram. Pauta cumprida (2)! Daí você deve estar se perguntando: “Pois então, qual será o campeonato que pauta a Guia?”. DESCUBRA!!! Não, vamos falar aqui mesmo. Você vai viajar rumo ao Caribe, para conferir o guia da fase final da CFU Champioship Club, que conhecerá o seu campeão e os três clubes que representarão a região na Concachampions 2016/17. Agora você já pode “folhear” as nossas páginas. Tem muito mais coisa. Uma viagem pelo Brasil e pelo mundo do futebol alternativo. O que você está esperando? Vamos!!! Felipe Augusto Criador e editor da Revista Série Z

FOTO de CAPA Acervo Pessoal - Leonardo Pereira COLABORADORES Bruno Venâncio Lucas Sampaio Rafael Luis Azevedo Yuri Casari


E S C A L A Ç Ã O

8 12

26

28 32

10 38 56

62 74

76


8 10 12

CONEXÃO FUTEBOL

BOLA DE CAPOTÃO

8 BRASILEIROS NA

38 UMA SÉRIE C COM

OCEANIA

ABRE ASPAS 10

TUBARÃO DE 2002

50 UM ODE A CRUYFF E SEU LADO ALTERNATIVO

APITO INICIAL

POR ONDE ANDA?

12 O QUE ACONTECEU UNIÃO DE ARARAS?

20 O HOMEM DOS MIL

20

56 62

56 NOMES PARAENSES

QUE DECEPCIONARAM

GUIA 62

FASE FINAL CFU CHAMPIONSHIP CLUB

62

CAMISA 10

26

32

46 O SURPREENDENTE

O COMUNICADOR TORCEDOR!?

GOLS

28

38

107 CLUBES

26 ENTREVISTA:

EMILY LIMA

LADO B 28

TINGA, MÁRCIO ROZÁRIO, FRAUCHES???

CONTEXTO 32

PINOCHET E O FUTEBOL CHILENO

74 76

CAMISA 12 74 CRÔNICA: UM ADEPTO FARENSE

FUTEBOL UTÓPICO 76

A SELEÇÃO DE REUNIÃO


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CONEXテグ FUTEBOL

CONEXテグ

BRASIL OCEANIA

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U

ma viagem do Brasil à Nova Zelândia pode durar até 24 horas, dependendo das escalas. São poucos os casos de brasileiros que vão jogar futebol na Oceania, mas há. No dia 7 de abril, uma quinta-feira, o continente verá o início de mais uma edição da OFC Champions League. Onze equipes irão lutar para quebrar a hegemonia do Auckland City. Entre os favoritos para encerrar a seguência, estão o Team Wellington e o Amicale, duas equipes que apostam em brasileiros para conseguir o título inédito. Os adeptos do futebol alternativo querem muito uma segunda versão do Hekari United, clube da Papua Nova-Guiné, campeão em 2010, mas um brasileiro quer manter o título na Nova Zelândia, mas longe de Auckland: o atacante Magno Vieira. O jogador foi anunciado no começo de 2016 pelo Team Wellington e participou da arrancada da equipe rumo ao título nacional, ou seja, na Nova Zelândia, a sequência do dos Navy Blues foi quebrada, resta a continental. Magno nasceu em Brasília, mas nunca atuou no futebol brasileiro. Sua carreira foi toda construída na Inglaterra. Formado no Wigan, não teve sequência na equipe profissional e perambulou pelas ligas menores. em 2004/05 fez parte do elenco do Carlisle United, que conquistou o playoff de acesso para a quarta divisão, a League Two. Mas foi no Fleetwood Town que teve a sua melhor passagem, com 31 gols em

64 jogos. Na equipe, foi companheiro de ataque de Jamie Vardy, sim, um dos destaques do Leicester City. Em 2011//12, os dois ajudaram a equipe a conquistar o título da quinta divisão inglesa. Após sair do clube, fez três temporadas pelo Forest Green Rovers, até acertar a ida para a Nova Zelândia. Duas vezes vice-campeão, o Amicale, do Vanuatu, investiu pesado na contratação de estrangeiros, entre eles, o paulista Diego Máximo. O zagueiro carrega um feito enorme, ele já jogou por cinco continentes (futebolisticamente falando) diferentes. Resta apenas uma experiência na África. Na América do Sul, jogou pelo Guaratinguetá, onde se formou e pelo Estanciano, seu último clube. Em 2013/14, foi atleta do Ballenas Galeana, clube que disputava a segunda divisão mexicana. Entre 2008 e 2013, passou por cinco clubes iranianos. Na Polônia, entre 2006 e 2008, fez parte do elenco do Pogon Szczecin, que na época ficou conhecido pelos muitos brasileiros contratados, entre eles, o volante Amaral. Agora, Vanuatu é o seu mais novo país, em um contrato, que por enquanto, apenas vale para a competição continental. Ele ainda não sabe se fica para um possível Mundial de Clubes. Agora é acompanhar, mesmo que longe, a edição 2016 da Liga dos Campeões da Oceania e torcer, com perdão da parcialidade, pela conquista de um dos onze clubes que lutam contra o Auckland City.

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ABRE ASPAS

Quando o torcedor ilude o torcedor!

T

orcedor de clube pequeno no começo da preparação para o Estadual, independente da divisão, espera pelas informações sobre os jogadores que irão vestir a camisa amada. Geralmente, tem sempre aquela figurinha carimbada que roda o estado e você já o conhece! Mas quando você não o conhece e certos blogs ou páginas do Facebook que são comandadas por torcedores como você abordam as contratações? Aí que mora o perigo! Torcedor, em regra, é apaixonado, em alguns momentos, tapado e quer que todos ao seu redor acreditem no time, seja com jogadores ruins ou péssimos. Com essa característica, ele enxerga na internet uma oportunidade de poder falar sobre isso e mais, comentar sobre os novos jogadores que a sua equipe contratou. Por ser popular, esse tipo de torcedor é amigo da diretoria e por todo apoio que dá dentro ou fora do estádio, consegue os nomes desejados para logo divulgar. Até aí tudo certo, mas o desenrolar é perigoso. “Alô torcida

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cincomilista (veja a primeira edição da Revista), a diretoria acertou os três primeiros reforços: Juninho, Álvaro Camargo e Carlos Garanhuns. O primeiro é zagueiro tem passagens por clubes menores, forte e ágil. O segundo é volante marcador, vem para ser o delegado da nossa defesa e seu último clube era do futebol da Escandinávia. O terceiro será o velocista pela esquerda que estava no outro lado do país, é driblador e vem para ser o xodó da torcida. Todos ótimos reforços”. Fui até generoso, pois muitas vezes os erros de português dominam o texto. A ladainha se repete durante as semanas com os “ótimos reforços que eu nunca vi atuando”, porém se é o clube que torço, com certeza são bons jogadores, ou melhor, ótimos. O torcedor do outro lado da tela vai lendo tudo aquilo, vê de onde o jogador veio e se empolga. “Vi lá no ‘Cinco Mil Nossa Paixão’ que grandes jogadores foram contratados”. Outros são mais céticos e comentam na fan page. “Nunca ouvi falar. Esse ano é para não cair, desse jeito”. O torcedor

comunicador responde no ato. “Oloco, time está muito bem planejado”. Todos guardam as expectativas para vibrar no dia da estreia, em casa. Na primeira partida, um empate chato, mas “é o primeiro jogo, vamos melhorar”. O campeonato passa e as coisas que acreditaram caíram por terra, não, no gramado mesmo. O tal Juninho que era forte e ágil não consegue “marcar nem ponto em tabela de bingo” (expressão que vi numa das cornetas da page do Brasil de Pelotas)! O delegado da defesa na verdade é terceiro homem do meio campo e mais ataca que defende! O velocista pela esquerda, realmente corre, mas mais do que a bola e o pé não consegue acertar um cruzamento sequer. Iludidos ficaram os torcedores com todos aqueles adjetivos e com a sensação de que tínhamos uma grande equipe. Por isso, cuidado com a comunicação, caros amigos torcedores! Ela é uma arma muito boa para informar, mostrar e torcer, mas para iludir, também.

Para ver a primeira crônica do Cinco Mil FC, clique aqui.

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APITO INICIAL

MAIS UM ANO SEM

UNIテグ

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O passado, o presente e o futuro de uma das melhores histórias de um clube alternativo, o eterno União São João de Araras

(Foto: Acervo pessoal Leonardo Pereira)

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P

rivatti; Kiko, Eduardo, Cavalcante e Carlinhos; Vanderlei, Adauto e Juca (Muniz); Celso Luiz, Cássio e Odair (Valdir Lins). No banco, o treinador era João Magoga. Com esse time, o União São João conquistou em um domingo a tarde, dia 6 de dezembro de 1987, o acesso para a primeira divisão do Campeonato Paulista, com uma vitória por 1 a 0 sobre o Rio Preto, no estádio Engenho Grande. Ali se iniciava um arranque bem sucedido, daquelas coisas que acontecem poucas vezes. Começava a saga rumo a primeira divisão nacional. Naquele ano, Marcelo Valem, hoje bancário e pesquisador de futebol, tinha 13 anos e começava a acompanhar o clube de sua cidade. Tanto que o jogo do acesso é o mais marcante para ele, até hoje. “Foi a maior festa que vi na cidade. Nunca mais esquecerei esse momento, talvez por ter sido o primeiro grande momento da história do União. E eu estava presente”, cita Marcelo, que começou a ir aos jogos com seu pai. Nove dias depois do acesso, o título do escalão foi confirmado pela equipe de Araras. Veio 1988, a estreia na elite estadual, a inauguração do estádio Hermínio Onetto, nome do dono da Usina São João e idealizador do clube, mas o mais importante estava guardado. Um ano e três dias depois do título estadual, foi a vez da afirmação, com a conquista do Brasileiro da Série C, após dois empates contra o Esportivo de Passos (MG). A Série A era o próximo objetivo, que apenas pôde ser conquistado em 1992, quando uma mudança polêmica foi orquestrada por Fábio Koff, então presidente do Clube dos 13 e futuro mandatário do Grêmio, clube que estava na segunda divisão nacional.

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Marcelo leva consigo a paixão pelo União São João de Araras (Foto: Acervo Pessoal Marcelo Valem)


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Leonardo foi goleiro a equioe sub17 do União (Foto: Acervo Pessoal Leonardo Pereira)

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Ao invés de duas equipes subirem, 12 conquistaram o acesso. O Grêmio foi nono e, o União ficou uma posição acima e conquistou a vaga na elite nacional. Durante esse período, um ídolo surgiu. Para Marcelo, o melhor que passou por ali, o meia Glauco. “Ele jogou entre 1988 e 1993, depois voltou em 1994 e 1995. Meia habilidoso, chutava bem, passava bem e fazia belos gols. Jogou nos melhores times do União. Na minha opinião foi o melhor jogador que já passou por aqui”. O time do interior paulista permaneceu por três temporadas na Série A, até o rebaixamento de 1995, no entanto, não demorou para retornar, após conquistar o mais expressivo título de sua história, a Série B de 1996. Em 1997, não repetiu a regularidade da estreia no primeiro escalão e foi rebaixado com a lanterna. Ali se iniciava, uma queda, nada de desesperador até o momento, mas havia

um declínio. No Paulista, a equipe continuou na elite até 2006 e três anos antes, se findou a permanência na Série B. A realidade era a segunda divisão. Nesse período, o União São João continuou conquistando novos torcedores, como Leonardo Pereira e Jhonatas Diego. O primeiro tem 21 anos e sua história “se confunde” com o Verdão, pois jogou na equipe nos seus 16, 17 anos e seu pai trabalhou no clube por 23 anos. O segundo, mais conhecido como Jhon, 21 anos, acompanha a equipe desde 2009. Os dois têm algo em comum quando o assunto é ídolo. Como não viram o sucesso dos anos 1990, Junai, meiocampo que participou de campanhas na A-2, segundo eles, um cara sensacional, de muita técnica e ótimo cobrador de faltas é o que ficou marcado. Por muitas vezes, o retorno a Série A-1 era evidente, mas o que veio foi uma

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decepção inimaginável: o rebaixamento para a A-3 em 2012, o descenso para a Série B em 2013, a campanha ruim na quarta divisão em 2014 e o fechamento das portas em 2015, devido a uma crise financeira que assola a equipe. Desde então, o torcedor ficou sem manhãs, tardes e noites de Hermínio Onetto. “É uma sensação de tristeza, que eu não desejo a nenhum torcedor, é algo muito complexo, é a mistura de tristeza e ao mesmo tempo esperança de um dia rever o União dentre os grandes do Brasil”, afirma Jhonathan. Para Marcelo, em certos momentos parece que é mentira. “Um time que já esteve na Série A-1 do Paulista e na Série A do Brasileiro chegar nesta situação é muito triste. Às vezes a gente nem acredita que seja verdade”. Leonardo cita o vazio que sente. “Não é qualquer time, até então, novo no cenário nacional que ganha a Série C e B. Ter visto jogos emocionantes, estádio lotado e depois nos últimos anos ver jogos com estádio vazio, praticamente sem apoio. É uma realidade que nunca me passou pela cabeça que iria ver”. Tristeza é a palavra que ecoa entre os unienses. Havia a esperança remota de a equipe voltar a disputar o Paulista Série B em 2016 ou até mesmo, a Liga de Futebol Paulista, para se reorganizar. Nada aconteceu. O que resta é saudade. Palavra que os três trabalham no dia-a-dia, com projetos para manter viva a história uniense. Marcelo é administrador do site União Mania, que reúne informações históricas, além de colecionar uniformes e jogos em vídeo. Leonardo e Jhonathan mantêm uma página no Facebook, a União de Araras na Memória. A expectativa é por um retorno, mesmo com a desconfiança da torcida, para recolocar o clube novamente nos trilhos.

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Jhonatan ainda espera por União “entre os grandes do Brasil” (Foto: Acervo Pessoal Jhonatan Diego)


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APITO INICIAL

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ROBERTO, O HOMEM DOS MIL GOLS Roberto Alencar Lima, peladeiro de Fortaleza, é um sujeito humilde com um orgulho na vida: desde 1987, soma incríveis 1.283 gols. Mais do que Pelé!

por RAFAEL LUIS AZEVEDO jornalista e editor do Verminosos por Futebol

(Foto: Fernanda Moura/ Verminosos por Futebol)

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E

le é baixinho, marrento, tem faro de artilheiro e marcou mais de mil gols. Pode ser a definição de Romário, craque dos gramados e agora da política. Mas também de um peladeiro que bate ponto na Praia dos Diários, em Fortaleza. Conhecido por muitos pelo apelido, Roberto Alencar Lima carrega um orgulho para poucos: já marcou 1.283 gols. Um a mais do que Pelé! A mania de anotar seus gols num caderninho começou em 1987, aos 14 anos, quando passou a frequentar a praia. Roberto casou, teve cinco filhos e, hoje com 42 anos, segue figurinha carimbada no racha. No sábado e no domingo, é ele quem leva a bola e as traves. “Só não jogo todo dia porque tenho de dar de comer aos meus filhos”, conta o repositor de frios de supermercado. Poucos são tão verminosos por bola quanto Roberto. Sua família já se acostumou aos exageros, e até ri deles. “Quando nosso primeiro filho nasceu, foi só a gente chegar em casa que ele se tacou para o futebol”, descreve a dona-decasa Marinêz Bezerra da Silva, de 41 anos. Com o tempo, a esposa aprendeu a não marcar compromissos para as manhãs de fim de semana. Claro, é hora de Roberto subir na bicicleta e pedalar quatro quilômetros de sua casa, no bairro Piedade, até a avenida Beira-Mar. “Serve como meu aquecimento”, relata. Nas areias, o sujeito humilde que mora numa quitinete que acomoda sete pessoas assume outra personalidade. Vira, no convívio dos amigos, o cara dos mil gols. “No meu nível só tem Romário”, chuta a modéstia para escanteio.

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“Se soltar essa camisa, ela vai sozinha para a praia”


(Foto: Fernanda Moura/ Verminosos por Futebol)Â

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(Foto: Fernanda Moura/ Verminosos por Futebol)Â

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“No meu nível só tem Romário”

O apelido com o qual se tornou conhecido na Praia dos Diários se deve à mania de plantar-se próximo às traves. Culpa da barriguinha saliente, que afetou o fôlego. “Quando jovem, eu era magrinho e corria muito. Então engordei e comecei a ficar paradão. Aí o pessoal frescava: ‘Macho, tu quer ser o Romário, é?’”, explica Roberto, com 96 kg mal distribuídos em 1,69 m. Para reforçar a alcunha artilheira, a camisa é sempre a mesma. Uma réplica da época em que o Romário original marcou seu milésimo gol, em 2007. Surrada de tanta maresia ao longo dos anos, a blusa do Vasco ficou desbotada e cheia de buracos. “Se soltar essa camisa, ela vai sozinha para a praia”, diverte-se Roberto, torcedor também do Fortaleza e do São Paulo. Seu único lamento foi não ter tido oportunidade para mostrar o talento num clube profissional. O cearense perdeu a mãe com um ano, e o pai aos 14. Criado pela avó, precisou trabalhar desde cedo. O conforto veio na praia, onde virou o rei da travinha, como é chamado no Ceará o futebol de traves reduzidas. “Romário é bom de bola, viu?”, assegura o vendedor Paulo Oliveira. A maioria glória da “carreira” aconteceu no dia 16 de março de 2008. Como indica o caderninho guardado num armário fechado a cadeado, o gol de nº 1.000 foi assinalado às 11h37min de um domingo ensolarado. “O pessoal me carregou nos braços, e a gente deu a volta olímpica”, revive. O feito não ganhou manchetes. Mas foi, para Roberto, o momento mais feliz da vida.

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CAMISA 10

EMILY, A TREINADORA (Foto: Danilo Sardinha/GloboEsporte.com)

Os homens, até mesmo, no futebol feminino são maioria entre os treinadores de clubes e seleções. No Brasil, já tivemos casos de mulheres no comando, mas a primeira a treinar uma equipe da seleção brasileira feminina foi Emily Lima, que em 2013 após experiências na Portuguesa e Juventus, foi chamada para treinar as equipes sub-15 e sub-17. Emily foi jogadora, começou no SAAD, jogou pela base nacional, fez parte das pré-convocadas para as Olimpíadas 2004 e tem grande experiência na Europa, onde jogou na Itália e Espanha. Nós batemos um papo rápido com a atual treinadora da equipe feminina do São José, que disputa a segunda fase do Brasileirão 2016

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Quando o futebol entrou na sua vida? O futebol sempre esteve na minha vida, mas com 13 anos participei da minha primeira competição oficial. Você sofreu com o machismo (ou ainda sofre) por ter escolhido um esporte em que existe tal cultura preconceituosa? Sofri quando era atleta e quando fui assumir a Seleção Brasileira de base. Você passou oito anos na Europa. Existe uma cultura da mulher no futebol diferente do Brasil? Com certeza, somos tratadas igual ao masculino. Quando que a Emily Lima jogadora viu que gostaria de ser treinadora? Não vi (risos). Só fui ver de tanto meu irmão falar que tinha perfil pra ser treinadora. Minha ideia era ficar na gestão. Após algumas experiências em comissão técnica, você chegou a seleção brasileira sub-15 e sub-17. Você, como jogadora, atuou na base da seleção. O que mudou nesse período? O Brasil tem meninas, em quantidade e qualidade, para suprir as ausências que teremos na seleção principal?

Mudou bastante coisa, como a estrutura que a CBF disponibiliza para que nós, da comissão técnica, possamos executar o melhor trabalho possível. Hoje temos muito mais meninas praticando futebol. O Brasil tem atletas com qualidade sim, mas isso tem que ser trabalhado, pois nenhuma atleta chegará pronta na seleção principal. Você é uma das poucas treinadoras no futebol feminino, não só no Brasil. O que você espera que a sua experiência mude neste cenário? Fazer com que essas atletas queiram dar sequência no futebol como treinadoras. Como? Eu procuro passar livros pra elas lerem e sempre estou passando cursos online gratuitos para nas horas vagas de descanso ou de folga elas estarem aprendendo o que é a teoria do futebol. Treinar a seleção brasileira é um dos seus objetivos? Acredito que é o objetivo de qualquer treinador, comigo não seria diferente. Quais são os seus objetivos e sonhos dentro do futebol feminino? Entendo que sonho é diferente de objetivo, e meu sonho é estar no comando de uma equipe masculina mesmo sendo categoria de base.

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LADO B

TAILÂNDIA: A NOVA CHINA? Enquanto a China atacava o mercado brasileiro e europeu contratando nomes de destaque do futebol, a Tailândia também garimpava nomes conhecidos do futebol brasileiro, além de alguns estrangeiros. O Brasil, aliás, possui o maior número de jogadores estrangeiros da liga local. O estrangeirismo não é novidade, mas há um visível salto de nomes conhecidos indo para lá e a Revista Série Z mostra quem são eles

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Diogo – Buriram United O melhor jogador do futebol tailandês! Esse é Diogo em sua nova fase da carreira. No Brasil surgiu na Portuguesa, clube o qual viveu seus melhores (e únicos bons) momentos, além de um bom começo no Olympiakos, da Grécia. Não conseguiu a mesma proeza no Santos, Flamengo e Palmeiras. Na Tailândia é ídolo! Não será surpresa se futuramente se naturalizar tailandês.

(Foto: Buriram United)


Andrés Túñez – Buriram United Ok, ele pode não ser o mais conhecido, mas é um dos xerifes da zaga da seleção venezuelana. No Buriram, comanda a defesa em seu terceiro ano de clube, após aproximados oito anos defendendo o Celta de Vigo. (Foto: Site Wil 1900)

Reis – Chainat Hornbill Em 2010, o atacante foi uma das grandes revelações do Paulista, quando atuava pela Ponte Preta. Logo chamou atenção dos grandes clubes, como o Cruzeiro que o contratou no ano seguinte, mas não conseguiu repetir as atuações e desde então jogou por equipes da Série A e B, até chegar ao futebol asiático. (Foto: Fernando Martins/ Globoesporte.com)

(Foto: Ricardo Saibun/Ag. Estado)

Frauches – Army United Em 2011, a frase “Craque o Flamengo faz em casa” foi novamente ecoada devido ao título da Copinha. No elenco, um dos destaques era o zagueiro Frauches, que nunca conseguiu se firmar na equipe profissional do rubronegro. No ano passado foi emprestado para o Macaé, chegou a fazer um jogo pelo Boavista em 2016, mas acertou a ida para o futebol tailandês.

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Yannick Djaló – Ratchaburi Nascido em Guiné-Bissau, Djaló se formou nas bases do Sporting onde se tornou um dos destaques da equipe entre 2006 e 2011, mas tudo mudou com a “não transferência” para o Nice. Não conseguiu se firmar em mais nenhuma equipe, passando pelo EUA e Rússia e no início de ano. O atacante coleciona convocações para a seleção de base e adulta portuguesa.

(Foto: Divulgação)

Dellatorre – Suphanburi Em menos de 15 jogos pelo Internacional, Dellatorre chamou atenção do Porto, onde fez 36 jogos pela equipe B. Após a passagem por Portugal, acertou com o Atlético (PR) em 2013, onde teve sua melhor passagem participando da campanha de classificação à Libertadores. No começo de 2014 acertou com o Queens Park Rangers, uma passagem obscura sem jogos pela equipe londrina. Voltou ao Atlético onde ficou até o fim de 2015.

(Foto: Divulgação

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(Foto: Foto Arena)

Júnior Negão - Muang Thong United O corinthiano mais fanático vai se lembrar, mesmo não querendo. Júnior Negão é atacante e em 2007 foi contratado pelo Atlético (MG), junto ao Nacional (AM). Em julho daquele ano, o Corinthians anunciou a contratação do atleta que atuou apenas 45 minutos na campanha do rebaixamento para a Série B. Em um dos jogos mais emblemáticos daquela campanha, a derrota em casa para o Náutico, por 3 a 0, Arce (o boliviano) e Finazzi foram substituídos no intervalo para dar lugar a Wilson e... Júnior Negão.


Wellington Bruno – Chiangrai United Entre 2005 e 2007, o Flamengo contratou vários jogadores do Ipatinga. Wellington Bruno não foi dessa leva, mas em 2012, o meia fez o mesmo caminho, mas durou pouco e conseguiu vagas em clubes das séries A, B e C.

(Foto: Divulgação)

(Foto: Globoesporte.com)

Márcio Rozário – Suphanburi Agora é a vez dos torcedores do Botafogo e Fluminense. Lembram do zagueiro Márcio Rozário? Sim, ele faz companhia a Dellatorre e Tinga no Suphanburi, clube no qual vai para a sua terceira temporada.

(Foto:Telegraf)

(Foto: Divulgação)

Tinga – Suphanburi Esse o palmeirense se recorda! Tinga foi contratado ao fim do Paulistão 2010, junto à Ponte Preta. Fez 74 partidas em um ano e meio de Palestra. Em 2012 foi para o Ceará. Até retornou no mesmo ano e fez quatro partidas para nunca mais voltar.

Fabrício – Muang Thong United O zagueiro foi formado pelo Flamengo e mesmo sempre criticado continuava com mercado, assim defendeu Palmeiras, Cruzeiro, Atlético Paranaense, Vasco e Fluminense. No meio de 2015 acertou com o Partizan (!?) e no início do ano desembarcou na Tailândia.

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CONTEXTO

FUTEBOL CHILENO NAS MテグS DE

PINOCHET por YURI CASARI jornalista e editor do Escrevendo Futebol

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A

Ditadura Chilena durou 17 anos, de 11 de setembro de 1973, quando sob o comando de Augusto Pinochet, as Forças Armadas atacaram o Palacio de La Moneda e assassinaram cruelmente o presidente democraticamente eleito Salvador Allende, até o dia 11 de março de 1990. Os números registram pelo menos cerca de 28 mil presos políticos e torturados, 2 mil pessoas assassinadas e mais de mil desaparecidos durante o período que o Chile ficou sob as mãos de Pinochet. E assim como em diversas ditaduras ou regimes fechados, o governo usou e abusou do esporte, em especial do futebol. No momento do golpe de estado, a Seleção Chilena disputava as Eliminatórias. Em seu grupo, após a desistência da Venezuela, enfrentou o Peru, e depois de dois resultados iguais, foi necessário um jogo desempate, vencido pelo Chile, em Montevidéu. A equipe ganhou o direito de disputar a repescagem contra uma equipe europeia: a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Após o golpe, os voos foram suspensos no país. O primeiro a decolar após o 11 de setembro chileno foi o avião da delegação da seleção nacional, com destino a Moscou. A URSS, que com Allende era um parceiro, a partir dali já mudava as relações com o país sulamericano. No dia 26 de setembro, as duas equipes empataram em 0 a 0. O jogo da volta, marcado para 21 de novembro daquele ano, não aconteceu.

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O jogo da vergonha O Estadio Nacional, em Santiago, foi prontamente acionado pelas Forças Armadas ao término do golpe. Seria o local perfeito para prender e julgar o mais rápido possível quem eles quisessem declarar como inimigos do país. Apenas nos primeiros dias, estima-se que mais de 7 mil pessoas tenham passado pelo estádio, entre presos, torturados e fuzilados, entre eles, Hugo Lepe, jogador da Seleção na Copa de 1962, e salvo graças a outros companheiros do futebol. Para o jogo das Eliminatórias, a URSS se recusou a viajar, e acusou o governo chileno de utilizar as instalações do estádio como um campo de tortura. Oficialmente, a FIFA realizou uma inspeção no local de jogo, liderada pelo brasileiro Abilio D’Almeida, conhecido anticomunista e vice-presidente da entidade. Há relatos

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de que a comitiva realizou vista grossa e liberou o estádio, mesmo havendo prisioneiros no momento da “partida”. Sem adversário, os jogadores chilenos tiveram que fazer uma melancólica cena. Constrangidos, tocavam a bola um para outro como se nenhum deles quisesse marcar o gol, que ficou a cargo de Francisco Chamaco, e que selou a classificação do Chile ao mundial. Naquela equipe fardava também um dos maiores jogadores da história chilena, Carlos Caszely, um dos principais nomes de oposição ao regime. No mesmo dia, o Santos enfrentou, dessa vez de verdade, a seleção chilena. Já sabendo de antemão da desistência soviética, o governo chileno tratou de buscar uma alternativa, para não gerar revolta no público presente. O time brasileiro aplicou uma sonora goleada de 5 a 0. Um golpe não esperado pela cúpula do país.


“La juventud y el deporte unen hoy a Chile�

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O futebol de clubes Em termos locais, os clubes de maior sucesso eram Unión Española, com uma torcida não muito grande mas com excelente administração, e o já tradicional Colo-Colo. Ambos conseguiram, inclusive chegar à final da Libertadores da América. O “Cacique”, apenas meses antes do início da ditadura; e o Unión Española dois anos após, em 75. Os dois clubes enfrentaram e foram derrotados pelo argentino Independiente. Com o passar dos anos, os times com mecenas acabaram ganhando maior projeção, como o Palestino e o Everton, além do próprio Unión Española. De acordo com Braian Quezada Jara, autor do livro “A discreción, un viaje al corazón del fútbol chileno

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bajo la dictadura militar”, apesar da preocupação constante de Pinochet com o futebol, o ditador usou o esporte de maneira mais discreta que outros regimes similares, como da vizinha Argentina, por exemplo. Uma das ações, feita não apenas com o futebol, foi a tentativa de massificação dos esportes, como ciclismo e tênis. Durante o período, foram criados diversos complexos esportivos no país. Pinochet também alterou as estruturas do futebol chileno com forte injeção de dinheiro a partir do Polla Gol, loteria esportiva controlada pelo Estado. A partir daí, os dirigentes amadores, que tiravam dinheiro do próprio bolso, passaram a ter controle de uma quantia de dinheiro considerável. Também por isso, os dirigentes dos principais clubes do país, especialmente Colo-Colo e as


universidades, Católica e de Chile, permitiram a entrada de diversos militares em postos diretivos, e sem pudor nenhum, ou talvez por medo, apoiaram a eleição do general Eduardo Gordon Cañas à presidência da ACF, então órgão máximo do futebol andino. No Colo-Colo, por exemplo, Pinochet se tornou presidente de honra do Cacique e foi fundamental na construção do estádio da equipe. Apesar disso e dos boatos, Pinochet era torcedor do Santiago Wanderers, de Valparaíso, Vale ressaltar também a intromissão do regime no processo eleitoral do clube, que obviamente, era prejudicial. Torcedores de La U, insistem em dizer que as duas décadas e meia sem conquistas teria muito a ver com esse apoio ao arquirrival, mas Rolando Molina, presidente azulino na época, era conhecido por ter acesso irrestrito aos mais altos escalões do governo. Ambrosio Rodriguez, seu sucessor, era Procurador Geral da República. Ou seja, a ditadura chilena tinha amplo domínio não apenas de alguns clubes, mas de todo o futebol nacional. Tal qual o regime militar brasileiro, o chileno também se destacou por incentivar a criação de novos clubes, principalmente na região norte. O

exemplo mais destacado é o do Cobreloa, de Calama, fundado em 77, e que foi campeão chileno logo em 1980 e vice continental em 81. Com o passar dos anos, se tornou a quarta força do futebol nacional, mas atualmente milita na segunda divisão. A ditadura chilena teve ainda outros episódios de interferência no futebol, como no caso de adulteração de idade de diversos jogadores da seleção sub20, por exemplo, mas que não caberiam em um único artigo. Como em qualquer regime opressor, fica difícil enumerar os males. Curiosamente, o futebol chileno viu sua maior glória após a queda de Pinochet. O Colo-Colo, time mais popular do país, conquistou a Copa Libertadores da América em 1991, ainda que torcedores de La U digam que isso tenha sido consequência dos anos de ajuda dos militares. Hoje em dia, embora revisionistas tentem contemporizar torturas, assassinatos e desaparecimentos em nome da ordem, o próprio futebol trata de responder. No Estádio Nacional está lá, gravado na porta de entrada nº 8: “Un pueblo sin memoria, es un pueblo sin futuro”.

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BOLA DE CAPOTÃO

A GRANDEZA DA

SÉRIE C 1995 Mapa e muitas curiosidades da maior edição da terceira divisão nacional já realizada. Vamos viajar pelo país para conhecer o certame

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O

Campeonato Brasileiro Série A de 1979 reuniu 94 clubes. A competição foi utilizada pelo militarismo como forma de satisfazer a população (torcida) com a sensação de estar na elite do futebol nacional. Mas se engana quem pensa que esta edição foi o maior Brasileirão da história. Em 1995, a Série C tomou o posto de maior Brasileirão já realizado, até então (já que em 2000 foi realizada a Copa João Havelange). Foram incríveis 107 clubes no certame. A terceira divisão nacional reuniu todas as regiões. “Tinha um lance na época que as últimas divisões de campeonatos profissionais eram abertas. Então entrava todo mundo. Todo mundo mesmo. Tanto que a Série C de 1995 é o maior nacional de todos os tempos, tirando a Copa JH”, comenta o pesquisador de futebol e administrador do Jogos Perdidos, Fernando Martinez. O grande número de equipes,

porém não significava calendário pelo ano todo. A primeira fase, por exemplo, foi finalizada em 23 dias, ou melhor, em seis datas, para os grupos com seis rodadas. Entre 26 de agosto e 17 de setembro de 1995. A primeira fase contou com 32 grupos, com chaves que contavam com três ou quatro clubes. “A Série B já era relegada ao décimo plano de importância, imagina a C. Na verdade faziam mesmo por desencargo. A organização era praticamente inexistente. Mas assim, era bagunçado, desorganizado, mas era totalmente democrático. Jogava quem queria. Isso era muito legal”, lembra Fernando, que foi em um jogo que terminou em caicai, entre Nacional e Bayer de Belford Roxo, com vitória de 3 a 1 para os paulistas. Dois clubes por grupo passavam de fase. Os 64 clubes disputavam em jogo de ida e volta até chegarem a final. Daqueles 107 clubes, apenas os dois finalistas conquistaram o acesso a Série B. XV de Piracicaba, campeão e o Volta Redonda foram os dois agraciados.

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MAPA


Caso queira uma maior interação, clique nessa caixa e acesse o mapa interativo da competição, com mais informações.




OS ESTADOS

c u r i o s i d a d e s

13

São Paulo foi o estado com mais representantes, 13 no total. Na sequência, Santa Catarina, com sete. Com seis equipes, aparecem Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Goiás. Maranhão, Espírito Santo e Acre vêm em seguida, com cinco. Com quatro clubes, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e Tocantins. Pernambuco, Bahia, Ceará, Paraíba, Piauí, Sergipe, Alagoas, Amazonas e Roraima tiveram três. O Mato Grosso e Rondônia, dois e o Mato Grosso do Sul, com um

2

Pará e Amapá foram os únicos estados sem representantes

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O FUTURO

17

17 clubes daquela edição estão licenciados ou extintos: Barra de Teresópolis, Coroatá, Batalhense, União Araguainense, Bayer, Itaperuna, Campo Grande, Taveirópolis, Duque de Caxias, Corisabbá, Tiradentes, Caçadorense, Matsubara, União Bandeirante, Planaltina, Kaburé, Progresso

5

Há também, os clubes homônimos que não podem ser confundidos com os atuais, casos do AD Vitória, Brasília, Cascavel EC, Linhares EC e SE Ariquemes

3

O Intercap passou a se chamar Paraíso, o Lousano Paulista é o Paulista e o SE Ceilandense é o atual Atlético Ceilandense


9>10

O Fluminense de Feira de Santana foi eliminado na primeira fase, com dez pontos. Um ponto a mais que o Flamengo do Piauí que chegou a terceira fase da competição

0 Andirá e Caçadorense não conquistaram nenhum ponto O Alecrim não fez nenhum gol, mas conseguiu um ponto

A maior goleada foi aplicada pelo Lousano Paulista contra o Bayer de Belford Roxo: 7 a 0

A competição contou com 384 jogos e 867 gols

8

Oito clubes disputaram a segunda divisão estadual e a Série C 1995 no mesmo ano: Villa Nova, Bayer, Barra, Inter de Limeira, Ituano, Nacional, Botafogo (SP) e Santo André

5

A história melhora, já que cinco clubes paulistas disputaram a Série A-3 Paulista no mesmo ano: Paulista, Mirassol, Atlético Sorocaba, Marília e Francana

<

7x0 1251

OS ESTADUAIS

<

AS CAMPANHAS

O XV de Piracicaba foi rebaixado no Paulistão, mas conseguiu o título da Série C

10/16

O Campeonato Maranhense e o Acreano tiveram oito equipes e cinco destas disputaram a divisão

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BOLA DE CAPOTÃO

(Fotos: Homero Roberge -- Montagem: Felipe Augusto/Série Z)

Uma zebra chamada

TUBARÃO

Uma história que acabou escondida para muitos, a ótima campanha da equipe catarinense na Sul-Minas 2002

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O

ano de 2001 foi especial para o Tubarão Futebol Clube, com o terceiro lugar no Estadual e a participação na Série C. A classificação no Catarinense rendeu ao clube a vaga para a Copa Sul-Minas 2002, que pela primeira vez foi organizada como uma liga, onde 16 clubes, quatro por estado, participaram da competição que, até mesmo, rebaixaria duas equipes. O ano começou difícil. Uma crise financeira assolava a equipe, que não havia recebido a verba de uma parceira alemã, que posteriormente foi resolvido. A folha de pagamento era de 70 mil reais mensais, com média de três mil por jogador e o salário chegou a atrasar nos primeiros meses de preparação. A Copa Sul-Minas era tratada pela imprensa como o possível “melhor regional” do Brasil, tanto que o Tubarão recebeu cerca de 600 mil pelos direitos de transmissão, que ajudaram na resolução da crise. O valor era maior, por exemplo, do que Náutico, Fortaleza, Santa Cruz e Ceará receberam no

Campeonato do Nordeste. Nesse cenário, o elenco do clube foi formado por jovens jogadores, incluindo vice-campeões estaduais juvenis no ano anterior. Entre os atletas do elenco estava Raphael Zabot, zagueiro, na época com 22 anos, nascido na cidade. “Nosso time era bom. Só que ser apenas bom não bastava. Jogaríamos contra grandes equipes e sabíamos que precisávamos de algo mais. Era um time jovem, marcávamos muito e corríamos o tempo todo. As peças se encaixaram e tudo deu certo”. A primeira fase da edição 2002 foi disputada em turno único, onde os quatro melhores se classificavam para as semifinais. Ao fim da sexta rodada, a equipe era líder da competição. Nas oito primeiras rodadas, o Tubarão teve quatro vitórias, três empates e uma derrota, até que Arnaldo Lira, então treinador, decidiu sair do clube para assumir o Pelotas, em uma ida conturbada, onde o clube catarinense tentou brecar a saída, devido a um possível pagamento de rescisão de contrato.

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O último jogo de Lira ficou marcado para Raphael. “A vitória contra o Atlético (MG), em casa, com certeza foi marcante. Vitória no último minuto. Foi muito emocionante”. O gol foi assinalado por Marquinhos Mossoró, em um belo chute fora da área. Hélio Vieira assumiu a equipe e chegou a última rodada com chances claras de classificação. Precisava vencer o líder Cruzeiro, fora de casa, e torcer para que entre Atlético (MG), Atlético (PR) e Grêmio, um deles perdesse sua partida. O Tubarão foi valente e venceu o desinteressado Cruzeiro, com time misto, por 2 a 1 e a classificação estava encaminhada com o empate entre América (MG) e Atlético (PR), mas o Furacão virou a partida e a histórica campanha, que poderia ter sido maior, foi encerrada. O Galo e o Tubarão terminaram empatados, com 28 pontos na primeira fase, mas a classificação poderia ser diferente. Na penúltima rodada, o Pelotas, clube de Arnaldo Lira, e Atlético (MG) se enfrentavam, com o placar marcando 2 a 2. O clube gaúcho, aos 25 minutos do segundo tempo, tinha dois expulsos e o árbitro teve que encerrar a partida, pois três jogadores

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do Pelotas promoveram um “cai-cai”. Na época, a FIFA determinava que os resultados dos jogos finalizados a partir do minuto 23 da etapa final deveriam ser mantidos, mas Fernando Miranda, presidente da Liga Sul-Minas, afirmou logo após a partida que o Atlético não encontraria problemas para ser considerado vencedor, devido a atitude antidesportiva do time pelotense e assim foi feito, mesmo com um julgamento previamente marcado. Sem a vitória, o clube mineiro terminaria a primeira fase com 26 pontos e o Tubarão seria o quarto colocado para enfrentar o Cruzeiro. “Sabíamos que era difícil. Mas a desclassificação foi uma frustração”, conta Zabot. Mesmo com a eliminação, a campanha está na memória do exzagueiro, hoje com 37 anos, que largou o futebol um tempo depois da “conquista” para fazer faculdade e se tornar jogador de futsal. Foi o ano em que o Tubarão foi o melhor catarinense da Sul-Minas. Em 2003, estaria garantido na competição, mas foi extinta. Com poucos recursos, mas com bom futebol e garra, o Tubarão Futebol Clube foi o quinto melhor da região “Sul-Minas”.


~

TUBARAO

A surpresa catarinense

TUBARÃO FUTEBOL CLUBE FUNDAÇÃO

25 de maio de 1992 CIDADE

Tubarão (SC) MASCOTE

Tubarão ALCUNHA

Peixão ou Tricolor ESTÁDIO

Olímpico Domingos Silveira Gonzales (5.000 pessoas) TÍTULOS

Copa Santa Catarina (1998) PARTICIPAÇÕES NACIONAIS

Brasileirão Série C (1996, 1997, 1998, 2001 e 2002) Copa Sul-Minas (2002) Copa Sul (1999)

Escalação da equipe para o jogo contra o Inter, pela 7ª rodada (Foto: Reprodução)

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BOLA DE CAPOTテグ

CRUYFF EA

ALTERNATIVIDADE O universo o reverenciou pelo que fez na Espanha e na Holanda, mas a carreira de Cruyff tambテゥm ficou marcada pelo perテュodo de futebol alternativo que teve

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O

mundo do futebol perdeu um dos seus grandes símbolos: Johan Cruyff. O holandês, ídolo do Barcelona e Ajax e líder do grande time nacional de 1974 foi ser maestro em outro plano. Como dito, Cruyff foi um mestre com a camisa do Ajax, onde conquistou três títulos europeus e um mundial e pelo Barcelona, onde conquistou apenas dois títulos como jogador, mas foi responsável por uma grande mudança na filosofia de jogo da equipe quando foi treinador dos blaugranas. Nas duas equipes europeias, Cruyff passou quase 15 anos de sua carreira. Até que em 1978, insatisfeito com a diretoria do Barcelona e segundo rumores ser contrário ao regime franquista que não aceitava que jogadores se denominassem catalães, o holandês põe fim a sua (primeira) trajetória na Espanha. Johan voltou a entrar em campo, apenas no fim daquele ano para jogar um amistoso de homenagem com a camisa do Ajax, onde a equipe levou sonoros 8 a 1 do Bayern Munique. Aos 30 anos, então, ele resolve explorar o lado alternativo do futebol e seguir o mesmo caminho de outras grandes estrelas do futebol, os Estados Unidos. Os primeiros rumores davam conta que o New York Cosmos seria o clube

de destino, – onde ele realizou um jogo-exibição contra uma seleção dos melhores da Copa de 1978 – porém as negociações não avançaram e o Los Angeles Aztecs conseguiu levá-lo à NASL. Naquela temporada, Cruyff estreou com dois gols e durante o decorrer dos outros 22 jogos fez mais 11 e deu 16 assistências. Os Aztecs terminaram na segunda colocação da Divisão Oeste da Conferência Nacional e se classificaram para os play-offs. Nas quartas de final da conferência, duas vitórias sobre o Washington Diplomats (3 x 1 e 4 x 3), mas parou nas semifinais contra o Vancouver Whitecaps, campeão daquela temporada. Mesmo sem o título, se faz presente na seleção da liga e foi escolhido o Jogador Mais Valioso (MVP) da temporada. Apesar da boa campanha, Cruyff não continua no Aztecs e acerta com o Diplomats, clube o qual eliminou em 1979. Durante a época, fica com o segundo lugar da Divisão Leste da Conferência Nacional, conquista um vaga na NASL All-Stars, mas não consegue passar do primeiro playoff derrotado duas vezes pelo Seattle Sounders. O Camisa 14 faz 10 gols e 20 assistências em 25 partidas. Ele chega jogar a temporada 1981 pelo clube, com cinco jogos e dois gols, mas problemas financeiros da equipe fizeram com que não se pudesse pagar a Cruyff, o que havia sido acordado.

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Cruyff e o futebol alternativo em imagens Leicester City

Los Angeles Aztecs

Washington Diplomats

NewYork Cosmos

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Levante

Dordrecht


Johan volta a Europa. Os rumores quanto ao novo clube do holandês são variados. Primeiramente, ele aceita participar de um amistoso, defendendo o FC Dordrecht que enfrentou o Chelsea em Stamford Bridge. Da Alemanha, os boatos dizem que o Hamburgo e o Bayern Munique se interessavam, mas o país deixou marcas em Cruyff, pela derrota inesperada de 1974 e ele nem mesmo pensou na hipótese. O Arsenal também se mostrou interessado. Hoje, líder da Premier League, o Leicester City se empolgou com a possibilidade de tê-lo na equipe, que vinha de ruim campanha na primeira divisão, lutando contra o rebaixamento. Os dirigentes do clube o ofereceram quatro mil libras por jogo, em um contrato de “11 partidas”, após muitos cálculos. A notícia se espalhou no dia 25 de fevereiro de 1981. Jock Wallace, treinador da equipe, já o esperava para o jogo conta o então detentor do título, o Nottingham Forest. O discurso é que o jogador que faltava havia chegado para passar tranquilidade e experiência para o elenco, mas nesse meio tempo, o holandês pousou no aeroporto de Valencia: o Levante era o seu novo clube. O Leicester de Jock empatou com o Forest, 1 a 1 e acabou rebaixado naquela temporada. O clube valenciano estava na segunda divisão espanhola, com possibilidades reais de acesso,

porém o contrato oferecido era mais lucrativo, com pagamento fixo, promoções e participação na receita da bilheteria. “Assinei com o Levante e não me importa que a equipe jogue a segunda divisão. As negociações que mantivemos por um mês foram concluídas de forma satisfatória para todos. É verdade, estar em uma segunda divisão é um pouco estranho para um jogador como eu, mas minha vida não é apenas dinheiro ou prestígio”, citou, ao voltar a Espanha. Johan fez dois gols em dez jogos, números que se justificam por problemas com o treinador da equipe e a má forma devido a lesões que o atrapalharam. Após a estreia, a equipe conquistou apenas duas vitórias e ficou longe do acesso faltando três jogos. Na última partida da equipe, contra o Barakaldo, o holandês estava presente na arquibancada e foi vaiado pelos torcedores das duas equipes. Os valores combinados na negociação não foram pagos no total e Cruyff deixou o Levante em maio de 1981. Ele retorna a Holanda, onde defendeu o Ajax e o Feyenoord. Treinou o Ajax e o Barcelona, além da seleção da Catalunha. Deixou saudades, claro, para todos, onde foi ídolo renomado e prestigiado, mas também em Los Angeles, Washington e Valencia, onde viveu um pouco do futebol alternativo com sua eterna CAMISA 14!

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Jogar futebol é muito simples,

mas jogar um futebol simples é a parte mais difícil do jogo.

Johan Cruyff (1947-2016)


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POR ONDE ANDA?

PROMESSAS PARAENSES QUE NÃO VINGARAM

por LUCAS SAMPAIO advogado trabalhista e desportivo e colunista do Bola na Cuia

Pouco amparado e sem muita visibilidade, o Pará não está entre os maiores celeiros de craques do futebol nacional. Mesmo assim é comum ver jogadores que apresentaram potencial e não corresponderam as expectativas. O deslumbramento com a fama, negócios mal feitos com empresários, problemas com álcool e noite, e falta de estrutura psicológica para lidar com a pressão midiática foram as maiores causas da derrocada na carreira desses atletas

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(Foto: (Fernando Torres/Paysandu SC)

Vélber Revelado pela Tuna Luso, o meia destacou-se inicialmente no Remo e foi contratado em 2002 pelo Paysandu, onde viveu seu auge. Em 2003, ele disputou a Libertadores pelo clube, mas foi na Série A que ganhou grande destaque. Sendo marcante por protagonizar vários golaços, o camisa 10 do Papão impressionava com sua velocidade, habilidade e capacidade de finalização. Terminou o campeonato com 14 gols. O atleta foi contratado pelo São Paulo, onde não manteve as boas atuações. A partir de 2006, ele rodou por vários clubes, como Ponte Preta, Fortaleza, América (RN) e Luverdense, todos sem sucesso. Acabou preso em 2015 por falta de pagamento de pensão alimentícia, e atualmente, com 37 anos, já livre novamente, ganhou chance de encerrar carreira no Paysandu.

(Foto: (Fernando Santos/TBA/Folhapress)

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Wellington Saci Lateral, Saci surgiu no Vênus (PA), ficando marcado por um gol de falta contra o Paysandu do meio de campo. Contratado pelo Remo para a Série B de 2007 foi muito elogiado por jornalistas e torcedores, embora o clube tenha sido rebaixado. Foi tentada sua renovação, mas o atleta recusou. Foi para o Corinthians, onde jogava com habitualidade até a expulsão na final da Copa do Brasil de 2008. Emprestado para Atlético (MG), Goiás e Sport, começou sua andança pelo país. Jogou também pelo Vitória, Atlético (PR), Joinville, Figueirense e atualmente defende o Criciúma.

(Foto: (Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians)

(Foto: (Reprodução)

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Magnum Jogador de muita técnica, versatilidade e consistência arrebentou pelo Paysandu nos anos de ouro do clube (20012003) e foi contratado pelo Vitória. Brilhou no time baiano e chamou atenção do Santos, onde decepcionou nos seis meses que atuou. Rodou por clubes do Japão, Coréia do Sul, teve sua chance no São Caetano, Vila Nova, Remo, todos sem destaque. Atualmente joga, o Campeonato Carioca pelo Bangu aos 34 anos.


(Foto: Marcelo Seabra/O Liberal)

Landu Irreverente, o atacante paraense Landoaldo tem várias pérolas no currículo. Chutou a bolsa com a câmera do cinegrafista ao comemorar um gol, urinou na bandeirinha e imitou até uma cobra. Ídolo do Remo, o jogador não se destacava apenas pelas atitudes polêmicas, pois era dinâmico, muito veloz e sempre marcava gols. Foi contatado pelo Vasco, mas não correspondeu e foi ofuscado pelas estrelas de Edmundo e Leandro Amaral. Passou também por Santa Cruz, Gama e por outros 15 clubes até se aposentar jogando pelo Vênus (PA).

Balão O atacante Balão começou sua carreira pelo Remo. Em 2000, foi destaque na grande campanha do Leão na Copa João Havelange. Foi contratado pelo Sport, onde não foi bem. Voltou ao Remo e depois foi contratado pelo Paysandu, onde ganhou diversos títulos. Ídolo das duas maiores torcidas do Norte, o velocista só conseguiu notoriedade local, apesar das expectativas criadas. Passou pelo futebol asiático e paulista, se aposentando em 2011 atuando pelo Cametá.

(Foto: (Reprodução)

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Rogerinho O meia foi um dos mais habilidosos jogadores que já passaram pelos clubes paraenses. Figura de destaque do Remo em 2004, aos 20 anos, foi contratado pelo Figueirense, onde obteve relativo destaque. Depois passou por Paysandu, Al Wasl (Emirados), Vissel Kobe (Japão), Ponte Preta, Fortaleza, Bahia, Ceará, Náutico, entre outros. Sempre lutando contra a balança e tendo problemas de relacionamento com os elencos e treinadores, o jogador está jogando o Paulistão, pelo Capivariano.

(Foto: (O Povo)

(Foto: Adilson Barros/ Globoesporte.com)

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Moisés Em 2010, o atacante apareceu para o futebol paraense e impressionou a torcida. Artilheiro do Estadual daquele ano com 13 gols pelo Paysandu, o garoto foi contratado pelo Santos em 2011 para ser um dos Meninos da Vila. Apresentado como “Neymar do Norte” jogou apenas seis jogos pelo clube. Passou a ser constantemente emprestado, passando por Náutico, Ipatinga e Gama. Chegou a voltar ao Paysandu em 2012, mas com futebol irreconhecível. Neste ano é reserva do Tapajós.


(Foto: Dhavid Normando/Futura Press/Folhapress)

Marlon Amado por uns, contestado por outros. Assim foi Marlon nos quatro anos como titular do Remo, até ser dispensado em 2011. Tendo um chute potente e reconhecido como um bom batedor de faltas, se esperava do atleta que conquistasse sucesso nos clubes por onde passasse após sua saída do Estado. Jogou por Vila Nova e Novo Hamburgo até assinar com o Criciúma em 2012. Muito bem sob o comando de Paulo Comelli chamou atenção e foi contratado pelo Vasco. Se deslumbrou após a chegada a um grande centro do futebol pátrio. Muito mal na equipe Cruzmaltina, ainda teve chances no Paysandu e Bahia, em ambos de forma bastante apagada. Defendia o Capivariano no Paulista e foi dispensado, assinando com o Águia de Marabá para disputa da Copa Verde e Série D deste ano.

Ainda há pelo Brasil alguns paraenses que podem ter um final diferente dos já mencionados, quem sabe seguindo os passos do ex-jogador do Santos e Barcelona Giovanni. Jogadores como PH Ganso (São Paulo), Erik (Palmeiras) e Giovanni Augusto (Corinthians), que saíram novos do estado, além de Roni (Cruzeiro), Warian Santos (Corinthians) e Yago Pikachu (Vasco), que brilharam em Remo e Paysandu, podem dar orgulho pro esperançoso torcedor paraense, que sempre torce de longe pelos seus conterrâneos. Frisa-se que essas grandes promessas, que obtiveram visibilidade nacional, são apenas a “ponta do iceberg” de um estado que desperdiça constantemente vários talentos pela falta de estrutura e de apoio financeiro. É costumeiro para o torcedor paraense presenciar jovens jogadores que se perdem antes de ter alguma notoriedade até regional, por não ter estrutura psicológica e física. O lado bom é que o grande patrimônio dos clubes do norte se mantém sem desistir: a sua torcida. Se dependesse do torcedor, esse panorama já teria mudado há muito tempo. Ele não desiste e não abandona seus clubes mesmo nas situações mais adversas. Pelo contrário, parece cada dia mais apaixonado. Quem sabe um dia essa paixão não abre o olho de quem tem poder de mudar. Difícil? Sem dúvida, mas o povo paraense nunca vai deixar de sonhar.

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GUIA

GUIA

CFU CHAMPIONSHIP CLUB FASE FINAL

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2016


PARA NÃO SER O ÚNICO

D

epois de uma primeira fase, até certo ponto, tranquila dentro de campo, quatro equipes continuam a luta pelo título caribenho de clubes e por três vagas na Concachampions 2016/17. Ou seja, a luta maior é para não ser a única equipe dentre as quatro fora da competição continental da Concacaf. Uma derrota na semifinal é com certeza decepcionante. A equipe deixa a luta por um título “continental”, mas tem a chance de conquistar a terceira vaga. Se perder a decisão do terceiro lugar, aí sim é terra arrasada. A fase final da CFU Championship Club (ou Campeonato de Clubes da CFU) será definida de maneira simples, com jogo único nas semifinais e final, e em sede única, o estádio Sylvio Cator, em Port-au-Prince, capital do Haiti, recebe os quatro jogos decisivos. Não há nenhum país diferente nas semifinais. Trinidad & Tobago, Jamaica e Haiti são os representantes. Nessa edição, países como a Guiana, Porto Rico e Antígua e Barbuda que

fizeram boas campanhas recentemente não mandaram representantes para 2016. Caminho livre para a “mesmice”. O Atlético Pantoja, da República Dominicana, foi o que mais chegou perto de virar uma zebra, mas ficou no quase. O favoritismo é trinitário-tobagense, com grande possibilidade de reedição da final de 2015, entre o tradicional W Connection e o emergente Central, que é o atual campeão. Os dois juntos contam com nove jogadores convocados para a seleção nacional no decorrer das Eliminatórias para a Copa de 2018. Quem pode quebrar essa escrita é o jamaicano Arnett Gardens e o haitiano Don Bosco, duas equipes que lutam pelo primeiro título e para quebrar tabus locais. A Revista Série Z traz o seu terceiro guia e novamente ampliamos a cobertura, com um espaçamento maior para cada equipe. As semifinais no Caribe começam no fim de abril e você vai poder saber mais sobre como as equipes entrarão em campo. Vai começar!

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W CONNECTION

W CONNECTION FOOTBALL CLUB

Pitada de Colômbia

FUNDAÇÃO

1999 CIDADE

Marabella (Trinidad & Tobago) ALCUNHA

Savonetta Boys SITE

www.wconnectionfc.com/ FACEBOOK

/WCONNECTIONFC ESTÁDIO

Manny Ramjohn Stadium (10.000 pessoas) TÍTULOS

CFU Championship Club (2006 e 2009) TT Pro League- Primeira Divisão Nacional (2000, 2001, 2005, 2011–12 e 2013–14) FA Trophy - Copa (1999, 2000, 2002 e 2013–14) First Citizens Cup - Copa da Liga (2001, 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008)

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A facilidade e alegria da primeira fase é esperada nas semifinais (Foto: wired868.com)


O clube alviverde possui duas taças de campeão de fato, mas vem de um vice-campeonato em que perdeu para o “rival” Central FC. Favorito para a vaga na Conchampions, a aposta é o elenco multinacional, com mais de oito nacionalidades, mas com total soberania dos trinitinos. A posição do meio-campo conta com quatro colombianos: Stiven Concha, Yefer Lozano, Yhon Reyes e Christian Viveros. Os sul-americanos se misturam com jogadores novos e locais. A estrela da equipe não joga na frente, mas atrás, o zagueiro Daneil Cyrus, que atuava no Chicago Fire, antes de passagem pelo Vietnã, onde jogou pelo T&T Ha Noi. O atleta tem quase 50 convocações para a seleção, incluindo participação nos jogos das Eliminatórias de 2018, onde é geralmente utilizado com seus 1,92 metros. O elenco conta ainda com os selecionáveis Jomal Williams, Aikin Andrews, Winchester e Akeem Garcia, além de jogadores da Dominica, São Cristóvão e Névis e Santa Lúcia, país que advém o treinador, Stuart CharlesFevrier, que tem 12 anos de clube.

(Foto: Christian Petersen/Getty Images North America)

DANEIL CYRUS ZAGUEIRO Plymouth (Trinidad & Tobago) 1,92m | 25 anos (15/12/1990) Clubes: Santa Rosa (2010), Caledonia AIA (2011), Sporting Kansas City (2011), W Connection (2012-2014), T&T Ha Noi (20142015), Chicago Fire (2015) e W Connection (2016)

HISTÓRICO NA COMPETIÇÃO

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00 2º

01 Q

02 Q

03 2º

04 -

05 -

06 1º

07 -

09 1º

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11 -

12 2º

13 Q

14 -

15 2º

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ARNETT GARDENS

ARNETT GARDENS FOOTBALL CLUB

Para chegar ao topo

FUNDAÇÃO

1977 CIDADE

Kingston (Jamaica) ALCUNHA

Junglists FACEBOOK

/arnett.gardensfc.7 ESTÁDIO

Tony Spaulding Sports Complex (7.000 pessoas) TÍTULOS

Jamaican National Premier League - Primeira Divisão Nacional (1978, 2001, 2002 e 2015)

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Uma vaga na Concachampions é satisfatória, mas o tabu incomoda (Foto: Football Mondays)


Desde 2007, um clube da Jamaica não vence a CFU Championship e até mesmo, não chega a uma nova final. Dessa vez, o Arnett Gardens é o candidato a quebrar o tabu do país. A equipe busca um título inédito, já que em 2002 conseguiu se qualificar para a competição da CONCACAF, mas não houve uma final. Nenhum dos semifinalistas teve muitas dificuldades para se classificar. A expectativa era por confrontos específicos que poderiam ter sido mais duros. O Arnett evitou uma zebra nessa fase. No grupo 4, a equipe pensava que o America des Cayes, do Haiti, seria o grande rival, mas o Atlético Pantoja, da República Dominicana, surpreendeu e chegou ao último jogo com chances de classificação, onde precisava vencer a equipe jamaicana, que lutava por um simples empate. A vitória e a classificação chegaram apenas aos 35 minutos do segundo tempo. Até então, os Gardens participaram do jogo com mais gols da edição, o 8 a 4 para cima do Notch, de Suriname. O time espera novamente pelos gols de Michealos Martin, artilheiro da edição, com quatro gols e Kemal Malcolm, com três.

(Foto: Divulgação)

O’Neil Thompson ZAGUEIRO Kingston (Jamaica) 1,94m | 32 anos (11/08/1983) Clubes: Boys Town (2003-2008), Notodden [Noruega] (2008-2009), Barnsley (2009/10), Burton Albion (2009/10), Hereford (2010/11), Boys Town (2010-2013) e Arnett Gardens (2013-2016)

HISTÓRICO NA COMPETIÇÃO

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02 Q

03 4º

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DON BOSCO

DON BOSCO FOOTBALL CLUB FUNDAÇÃO

1963

A força do fator casa

CIDADE

Pétion-Ville (Haiti) FACEBOOK

/profile. php?id=100001376051410 (a equipe utiliza um perfil ao invés de uma página) ESTÁDIO

Stade Pétionville (5.000 pessoas) TÍTULOS

Ligue Haïtienne - Primeira Divisão Nacional (1971, 2003, 2014 e 2015)

Saint-Fort é a esperança de que a zaga não sofra gols (Foto: Le Nouvelliste)

68


Muitas vezes o fato de jogar em casa ou fora é usado como grande clichê para justificar resultados. No caso do Don Bosco, o fator “casa” pode ajudar no descanso e adaptação, que jogará a 40 minutos de Petion-Ville, cidade do clube. A torcida devido a essa distância deve comparecer em peso ao Sylvio Cator, em Port-auPrince. Esse cenário deve ser levado em conta para que a equipe possa ao menos conquistar o terceiro lugar e a classificação para a Concachampions, que escapou em 2015, quando perdeu a decisão para o Montego Bay United. Porém, se o título vier, o Don Bosco conquistará um feito inédito para o Haiti, que é o título caribenho de clube, que teve a melhor campanha em 2011, com o vice-campeonato do Tempête. Os destaques da equipe são dois jogadores que chegaram a ser convocados para a seleção local para a disputa das Eliminatórias para a Copa de 2018: Venel Saint-Fort e Constant Monuma. O primeiro é um jovem (19 anos) zagueiro que foi chamado, mas não chegou a disputar jogos pela seleção. Monuma, volante e que também atua como zagueiro, é o contraponto, experiente (32 anos) e com inúmeros jogos pela seleção.

(Foto: Haiti Tempo)

Constant Monuma MEIO-CAMPO Port-au-Prince (Haiti) - | 33 anos (01/04/1982) Clubes: Don Bosco (2007-2011), Racing Club Haïtien (2012-2014) e Don Bosco (2015-2016)

HISTÓRICO NA COMPETIÇÃO

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15 4º

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CENTRAL

CENTRAL FOOTBALL CLUB FUNDAÇÃO

2012

O emergente se firmou

CIDADE

California (Trinidad & Tobago) ALCUNHA

The Sharks FACEBOOK

/CentralFCTT ESTÁDIO

Ato Boldon Stadium (10.000 pessoas) TÍTULOS

CFU Championship Club (2014-15) TT Pro League- Primeira Divisão Nacional (2014-15) FA Trophy - Copa (2012–13 e 2013–14) First Citizens Cup - Copa da Liga (2013 e 2014)

Na primeira fase, o Montego Bay United tentou atrapalhar a vida do Central (Foto: Concacaf)

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Fundado há quatro anos, o Central FC pode até ser considerado um emergente, mas é fato que a equipe já está firmada como uma das melhores do Caribe. No primeiro ano de fundação foi campeão da copa nacional e em 2014/15 conquistou a TT Pro League e a CFU Championship, ou seja, o atual campeão. A base da equipe é formada por trinitinos. O clube teve a melhor campanha na última Concachampions entre os caribenhos, com quatro pontos conquistados em casa. A equipe é favorita para conquistar pelo menos uma das vagas para a disputa continental, mas pode ir além e quem sabe, novamente vencer o W Connection na decisão. No campeonato nacional, o Central é líder com seis pontos de vantagem para o rival (até o fechamento desta edição). Mesmo com esses sucessos recentes, o Central tem menos jogadores convocados para as Eliminatórias do que o W: quatro. O destaque é o goleiro Jan Michael Williams, presença constante na lista. Além do arqueiro, o defensor Jamal Jack e os meias Sean da Silva e Marcus Joseph (vice-artilheiro da Pro League) são os outros convocados que atuam no clube.

(Foto: Concacaf)

Jan Michael Williams GOLEIRO Couva (Trinidad & Tobago) 1,86m | 31 anos (26/10/1984) Clubes: W Connection (2001-2007), White Star [Bélgica] (2007/08), Ferencváros [Hungria] (2008), W Connection (2009-2012), St. Ann’s Rangers (2012/13) e Central (2013-2016)

HISTÓRICO NA COMPETIÇÃO

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10 -

11 -

12 -

13 -

14 -

15 1º

71


CFU CHAMPIONSHIP CLUB 2016 (PRIMEIRA FASE)

GRUPO 1

ATLÁNTICO

CS MOULIEN

INTER MOENGOTAPOE

W CONNECTION

(República Dominicana)

26/02 28/02

INTER MOENGOTAPOE W CONNECTION ATLÁNTICO W CONNECTION CS MOULIEN W CONNECTION

DON BOSCO

(Guadalupe)

(Suriname)

24/02

GRUPO 2

CS MOULIEN ATLÁNTICO INTER MOENGOTAPOE CS MOULIEN ATLÁNTICO INTER MOENGOTAPOE

(Guadalupe)

SOMERSET TROJANS

(Trinidad & Tobago)

3x2 4x2 0x1 5x1 0x4 3x1

LA GAULOISE

(Haiti)

(Bermuda)

24/02 26/02 28/02

DON BOSCO 5x0 SOMERSET TROJANS LA GAULOISE 4x1 SOMERSET TROJANS DON BOSCO 3x1 LA GAULOISE GRUPO 4

GRUPO 3 AMERICA DES CAYES

ARNETT GARDES

(Haiti)

CENTRAL

(Jamaica)

MONTEGO BAY UNITED

(Trinidad & Tobago)

(Jamaica)

ATLÉTICO PANTOJA

NOTCH

(República Dominicana)

SCHOLARS INTERNATIONAL

02/03

(Ilhas Cayman)

04/03

4x0 SCHOLARS INTERNAT. 11/03 CENTRAL 6x0 SCHOLARS INTERNAT. 13/03 MONTEGO BAY UNITED 0x1 CENTRAL

06/03

09/03 MONTEGO BAY UNITED

ARNETT GARDENS ATLÉTICO PANTOJA NOTCH ATLÉTICO PANTOJA AMERICA DES CAYES ATLÉTICO PANTOJA

(Suriname)

3x0 3x0 4x8 1x0 1x0 0x1

AMERICA DES CAYES NOTCH ARNETT GARDENS AMERICA DES CAYES NOTCH ARNETT GARDENS


(SEMIFINAL)

W CONNECTION 29 de abril (sexta-feira)

ARNETT GARDENS

1º de maio (domingo)

3º LUGAR 1º de maio (domingo)

DON BOSCO 29 de abril (sexta-feira)

CENTRAL Baixe a tabela da competição, clicando aqui.


CAMISA 12

Vocês sabem lá por BRUNO VENÂNCIO português, jornalista e torcedor do Farense

“South Side”, a claque do Farense (Foto: Acervo Pessoal)

74


O

dia 28 de abril de 2013 marcou o regresso de toda uma região de Portugal ao futebol profissional. Aos 80 minutos, um penálti do nigeriano Ibukun deu a vitória por 2-1 sobre o Leiria e garantiu a subida do histórico Farense, o maior emblema do Algarve, à II Liga portuguesa, 10 anos depois da última presença. No estádio São Luís, com capacidade oficial para 7 mil pessoas, estavam 15 mil, um número impensável no terceiro escalão português. E eu era um deles. Em Portugal, a realidade infelizmente é diferente de outros países, onde as pessoas defendem e apoiam acima de tudo o clube da sua cidade/região. 90 por cento dos portugueses são apenas adeptos de Benfica, Sporting ou Porto. Eu estou nos outros 10 por cento: aqueles que lutam unicamente pelo clube da sua cidade/região. Nasci em Faro, a capital do Algarve, e cresci a ver o mágico Farense na I Divisão a fazer a “vida negra” aos grandes – inesquecível o 4-1 ao Benfica em 1994/95. Pelo centenário clube algarvio, um dos poucos fundados em Portugal ainda no período da monarquia (1910), passaram jogadores reconhecidos mundialmente, como os marroquinos Hajry Redouane e Hassan Nader ou o goleiro Peter Rufai, titular da Nigéria nos Mundiais 94 e 98 – o zagueiro português Bruno Alves, ainda hoje na Seleção lusa, começou lá a sua carreira profissional. Em 2004, o Farense entrou em falência. Mas os sócios nunca desistiram e a equipa voltou a competir em 2006,

nos campeonatos regionais, sempre apoiada pelos indefectíveis adeptos, onde se destaca a claque “South Side Boys”, que acompanha fielmente a equipa em todos os jogos. Nesse dia 28 de abril de 2013, o golo de Ibukun provocou a explosão total: os 15 mil adeptos entraram em campo, a emoção rolou, as lágrimas caíram... o Farense voltou. E a gente, que tem este clube como o único no nosso coração, só pode virar-se para os adeptos dos “grandes” e dizer: “Vocês sabem lá. Sabem lá o que é apoiar um clube pequeno, que perde mais vezes do que ganha, que não tem fama, dinheiro ou grandeza, mas que nos enche a alma só de o ver entrar em campo. Vocês sabem lá”.

Bruno Venâncio é de lá, do Farense (Foto: Acervo Pessoal)

75


FUTEBOL UTÓPICO

76

U V R M E E A R U D N A I ~ D A E O I R A

R

eunião é mais um território ultramarino que pertence a França. Uma ilha no Oceano Índico ao leste de Madagascar. O futebol local aparece para nós, isso para quem acompanha a alternatividade, no início da Copa da França, onde o campeão nacional representa o “país”. Por esse cenário, Reunião não é membro da FIFA, apenas da Confederação Africana de Futebol (CAF), o que resulta em jogadores reunionenses que se tornam franceses, futebolisticamente falando. A liga do país é escondida, mas virou pauta dos noticiários quando Djibril Cissé, em 2015, acertou com o Saint-Pierroise, maior campeão nacional, clube no qual já teve dois grandes nomes do futebol mundial na década de 1990: o camaronês Roger Milla, no início dos anos 1990 e no final do período com Jean-Pierre Papin. A seleção compete em torneios “não-oficiais”, sendo que a última reunião (com perdão do trocadilho) do elenco foi em 2015, para os Jogos das Ilhas do Oceano Índico, quando conquistou a quarta medalha de ouro na história. Todos os jogadores convocados atuavam em Reunião, mas o território já revelou nomes de destaque como Laurent Robert, que atuou em quatro das cinco partidas da seleção francesa na Copa das Confederações 2001. A atual geração reunionense tem nomes de destaque como Dimitri Payet (West Ham) e


Benoit Tremoulinas (Sevilla). O primeiro é nascido em Reunião, enquanto o segundo tem descendência. A Revista Série Z monta uma seleção de Reunião, caso o país pudesse ser, até certo ponto, independente a França. Dos 11 jogadores citados, quatro “são locais”, o goleiro Mathieu Pelops, titular nos Jogos das Ilhas, o lateral Bertrand Robert (irmão de Laurent) com anos de Chipre, que atua no AEL Limassol, e o meio-campo tem Jean-Pascal Fontaine, do Le Havre e Karim Imira, do Tours. Desses, apenas o goleiro tem convocação para o selecionado local. Os outros jogadores, no futebol, se tornaram franceses. A zaga é formada por Samuel Souprayen (Hellas Verona), nascido no território e Mickaël Nelson (FC Sète-França), com família reunionense. Na lateral-esquerda, Benoit Tremoulinas. Completando o meio-campo, um “mito” do video game, para alguns, Sinama-Pongolle, nascido em Reunião, atual Dundee United, e com passagem pelo Liverpool, Atlético de Madrid e Sporting. A dupla de ataque é formada pelos grandalhões de 1,92 metros: Guillaume Hoarau (Young Boys) e Ronny Rodelin (Caen), ambos locais de nascença. Dessa forma, o time no clássico 4-4-2 inglês ficou assim: Pelops; Bertrand Robert, Souprayen, Nelson, Tremoulinas; Fontaine, Imira, SinamaPongolle, Payet; Hoarau e Rodelin. Será que essa equipe daria cancha nas eliminatórias? Fica para a imaginação de cada um.

LIGUE RÉUNIONNAISE DE FOOTBALL FUNDAÇÃO

1956 FILIAÇÃO À CAF

1992

TÍTULOS

Jogos das Ilhas do Oceano Índico (1979, 1998, 2007 e 2015) Copa Ultramar (2008 e 2012) PRIMEIRO JOGO

Madagascar 4 X 2 Reunião MAIOR GOLEADA

Reunião 11 X 0 Saint-Pierre e Miquelon

CAPITAL

Saint-Denis MOEDA

Euro IDIOMA

Francês POPULAÇÃO

850 mil pessoas

77


PELOPS

SOUPRAYEN

NELSON

ROBERT

TREMOULINAS

IMIRA

FONTAINE

SINAMAPONGOLLE

PAYET

HOARAU

RODELIN


Trifon Ivanov! Você se foi dois dias antes da Revista Série Z N.2 Hoje, quase dois meses depois, estamos aqui para dizer TRIFON IVANOV QUERIDO, O FUTEBOL ALTERNATIVO SEMPRE ESTARÁ CONTIGO


PRESIDENTE PRUDENTE FUTEBOL CLUBE Presidente Prudente (SP) Nasceu na Vila Industrial Três cores tem seu pavilhão E a beleza deste sonho Fez tricolor meu coração Presidente Prudente Futebol Clube Presidente Prudente Futebol Clube Tricolor desta cidade É o time de Prudente

revistaseriez.org

O futebol longe dos holofotes, uma paixão pelo alternativo

Nos gramados buscaremos Sempre a sua vitória Verde, Preto e Branco são as cores Que honrarão sua história


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