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TERÇA-FEIRA 23 DE ABRIL DE 2019 | R$ 1,00

MAIO / JUNHO

Edição: 4.257 - Ano XXI - Fechamento: 18h00 - www.bomdiaonline.com

Agência Brasil divulga lista de barragens interditadas em Minas Seis se encontram na Bacia do Piracicaba, incluindo Barragem do Diogo, Sul Superior e Campo Grande em Alegria Página 3

Festa do Vinho destacará gastronomia catasaltense

Governo “fura” mais uma vez com a Rodovia da Morte Átila Lemos

Buscando retornar a suas origens, mais uma vez a Festa do Vinho estará valorizando a cultura local, destacando a gastronomia e as delícias da jabuticaba. Página 5

Anunciada verba de 2 bi para rodovias, são insuficientes já que considerando apenas o trecho entre a capital mineira e João Monlevade – o custo estimado era de R$ 1,5 bilhão. Página 7


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BOM DIA

opinião

2. EXPEDIENTE

BOM DIA • Diretor Responsável: Geraldo Magela Gonçalves (Interino) • Diretor Geral:

O ECOPASTOR

Luiz Gonazaga de Castro • Comercial: comercial@bomdiaonline.com 3851-1515 • Edição Breno Botelho • Diagramação/Arte: Sérgio Henrique Braga • Impressão: Gráfica Bom Dia • Colaboradores: Márcio Naoto Suzuki (Up Street) Lúcio Flávio Carlos Augusto - Gugu (Meu Palpite) Tayana Duarte (Interiores com Estilo) Marcos Martino (Cenários) • Representante Comercial: Super Mídia Brasil - BH Central de Comunicação - SC Redação e Administração Rua Nossa Senhora Aparecida, nº 152, Sl. 305, Aclimação, CEP.: 35930-028 João Monlevade / MG / Brasil (31) 3851.1515 • Bom Dia online: www.bomdiaonline.com Circulação: Alvinópolis, Barão de Cocais, Bela Vista de Minas, Bom Jesus do Amparo, Catas Altas, Dionísio, Dom Silvério, Itabira, João Monlevade, Nova Era, Rio Piracicaba, Santa Bárbara, São Domingos do Prata, São Gonçalo do Rio Abaixo, São José do Goiabal.

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Enquanto isso, um pastor pregava na porta de uma loja... - Prestem atenção na palavra...preparem-se pois a besta está solta...o apocalipse se aproxima e o salvador vai voltar pra reinar sobre a terra. - Ô seu pastor...será que o senhor poderia pregar mais pra lá...perto da praça? - Mas por que eu deveria? Estou no lugar certo...O FIM DO MUNDO SE APROXIMA... - Com todo o respeito...o senhor está espantando a freguesia. - Pelo menos vou salvar algumas almas. Sua loja é um templo de satanás. - Mas como assim? Fique sabendo que eu levo a vida honestamente. - Sei...vendendo cigarro e bebida alcóolica pras pessoas? Conta outra... - Que eu saiba, não é proibido. As pessoas precisam de diversão. - Diversão? Sabia que o alcool e o cigarro matam mais que qualquer guerra? A besta do apocalipse se manifesta através do consumo. - Então, por que o senhor não vai pregar na porta de um supermercado? Lá tem produtos terriveis também. Sabia que coca-cola faz um mal danado? E aqueles chips, um monte de produtos que fazem mal e não servem pra nada. - Mas eu prego em frente aos supermercados também. A besta se manifesta lá também. Consumis-

mo do inferno. - Ah...olha só...veja aquela farmácia. Vc sabe quantas drogas são vendidas ali? - Mas é claro. Droga pra dormir, pra ficar acordado, pra emagrecer, pra engordar, droga pra brochura, sossega leão pros tarados. - Então? Vá assombrar... quer dizer, vá pregar na frente da farmácia. - Não...eu vou pregar é aqui mesmo... aproximem-se, pessoal. Venham ouvir as palavras sagradas...o fim se aproxima...e os templos do consumismo continuam abertos...

- Meu senhor...vou ser obrigado a chamar a polícia pro senhor... - Calma. Eu já vou parar por hoje...vou pregar lá na porta da loja Pagueleve. - Que alívio...quer dizer...

que bom que o senhor vai levar a palavra de Deus até lá - Lá eles vendem aqueles lixos de 1,99. Só mercadorias péssimas, quinquilharias pra poluir ainda mais o mundo. - Mas Pastor, pra pagar as contas e sustentar famílias, as pessoas tem de trabalhar e no meu caso, preciso vender meus produtos. - Essa é a lógica capitalista. Tem de cavar a terra, tirar minério pra fazer o aço pra fazer carros e objetos metálicos. E tem a poluição decorrente, degradação ambiental. E isso numa escala global, matando rios, mares, florestas inteiras, extinguindo espécimes, destruindo tudo por causa do consumo. E o ser humano vai se tornando escravo do próprio consumo, endividado e sem horizontes. Vc tem alguma dúvida de que a humanidade está cavando

sua própria sepultura? - Ah, meu caro Ecopastor. Isso ainda vai demorar alguns séculos. Temos de rezar pra economia crescer, acelerar, pras pessoas voltarem a fazer negócios... - Meu cego amigo. É exatamente o contrário. Temos de torcer é pela desaceleração...por um pouco de paz e convívio com a natureza. O que temos é a besta em alta velocidade, morro abaixo e sem freio. - Você é muito pessimista, pastor. A humanidade está evoluindo e a tecnologia haverá de nos ajudar a vencer os desafios ambientais. A tecnologia nos trouxe os desastres de Brumadinho, Mariana, várias guerras, bombas nucleares, as fakenews. Estão a serviço da besta, meu ingênuo amigo. - Tá bom, pastor. Mas vc fala sobre a volta do Salvador. Como é que ele vai consertar essa bagunça? - Ah...não me pergunte como...provavelmente vai ter de formatar...


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cidade

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Barragens de Barão, Itabira e Rio Piracicaba permanecem na lista de 32 da Vale que estão interditadas Geral – Apesar da mineradora Vale ter divulgado no dia 8 deste mês que foram emitidos laudos técnicos que atestam a estabilidade das barragens Diogo, Porteirinha e Monjolo, da mina Água Limpa, no município de Rio Piracicaba, uma relação de estruturas interditadas liberada pela própria empresa, mantinha a barragem do Diogo listada. Segundo informações veiculadas na imprensa nacional, 32 barragens da mineradora Vale sediadas em Minas Gerais estão com as atividades interditadas. A suspensão das operações tem ocorrido tanto por decisão da Justiça como da Agência Nacional de Mineração (ANM), da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad) ou da própria mineradora. Das estruturas interditadas, três estão na Mina Córrego do Feijão, onde também ficava a barragem que se rompeu em janeiro. Além de Brumadinho, as estruturas com operações suspensas estão localizadas nas cidades mineiras de Nova Lima, Ouro Preto, Itabirito, Itabira, Barão de Cocais, Rio Piracicaba e Mariana. Outras duas barragens localizadas em Sabará - Galego e Dique da Pilha 1 - não aparecem na relação da Vale, mas são alvo de uma decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) publicada no dia 9 de abril. Foi determinada, entre outras medidas, a interrupção imediata de qualquer atividade que

comunidade na zona de autossalvamento (ZAS). Diante da nova legislação, casos como o de Rio Piracicaba, onde grande parte da cidade se encontra na ZAS, em relação à barragem do Diogo, não se pode mais falar em alteamento e sim em novas tecnolo-

gias para minerar. A Vale O Bom Dia enviou solicitação de esclarecimentos à assessoria da Vale em Belo Horizonte, mas até o fechamento desta edição a empresa ainda não havia retornado.

Confira a lista de todas as barragens interditadas A suspensão das operações tem ocorrido tanto por decisão da Justiça

importe elevação e incremento de risco de rompimento nessas estruturas de contenção de rejeitos. Sobre a ausência das duas barragens na lista, a Vale informou que ainda não foi notificada da decisão e que adotará as medidas cabíveis quando tomar conhecimento de seu teor. “Importante destacar que a barragem Galego já estava inativa e possui declaração de condição de estabilidade, enquanto o Dique da Pilha 1 já foi descaracterizado”, afirmou a mineradora em nota. Segundo a empresa, ela não planeja voltar a operar em todas estruturas interditadas. Pelo menos nove delas estão em processo de descomissionamento, conforme anúncio feito cinco dias após a tragédia de Brumadinho. Além dessas nove, também está sendo descaracterizada a barragem que se rompeu. Todas elas são alteadas pelo método a montante. Considerado menos seguro, o método de alteamento a montante está associado não apenas à ruptura em Brumadinho, mas também em Ma-

riana, no ano de 2015, quando 19 pessoas morreram após o vazamento de rejeitos em um complexo da mineradora Samarco, joint venture da Vale e da anglo-australiana BHP Billiton. De acordo com a mineradora, o processo de descomissionamento deve ser concluído em aproximadamente 3 anos. Evacuações Em todo o Estado, são mais de mil atingidos pelas evacuações. Além dos 271 de Brumadinho, 755 moradores de outras cidades estão fora de suas casas. O município mais afetado é Barão de Cocais, onde 456 pessoas não sabem quando poderão retornar às suas residências. Evacuações também afetam Nova Lima, Ouro Preto e Rio Preto. O nível 2 de segurança é obrigatoriamente acionado quando a declaração de estabilidade é negada. O documento deve ser fornecido por uma empresa terceirizada contratada pela mineradora para avaliar suas estruturas. Entre os alvos das investigações em

torno do rompimento da barragem em Brumadinho, estão os engenheiros da consultora alemã Tüv Süd, que forneceu à Vale a declaração de estabilidade. Desde então, diversas empresas, inclusive a própria Tüv Süd, têm anunciado a reavaliação de algumas barragens a partir de critérios mais rígidos. Já o nível 3, representa o alerta máximo, que significa risco iminente de ruptura. Atualmente, há quatro barragens nesta situação: Forquilha I e Forquilha III, em Ouro Preto; B3/B4 em Nova Lima; e Sul Superior, em Barão de Cocais. Alteamentos A Lei 23291, de 25/02/2019, que Institui a política estadual de segurança de barragens em seu capítulo II - Do licenciamento ambiental de barragens, diz: Art. 12 –Fica vedada a concessão de licença ambiental para construção, instalação, ampliação ou alteamento de barragem em cujos estudos de cenários de rupturas seja identificada

BRUMADINHO 1) Barragem VI, da Mina Córrego do Feijão 2) Barragem Menezes I, da Mina Córrego do Feijão 3) Barragem Menezes II, da Mina Córrego do Feijão NOVA LIMA 4) Barragem Vargem Grande, do Complexo de Vargem Grande (em descomissionamento) 5) Dique III, do Complexo de Vargem Grande 6) Barragem Captação Trovões, do Complexo de Vargem Grande 7) Dique Taquaras, da Mina de Mar Azul 8) Barragem B3/B4, da Mina de Mar Azul (em descomissionamento) 9) Dique B, da Mina de Capitão do Mato 10) Barragem Capitão do Mato, da Mina de Capitão do Mato 11) Dique Auxiliar da Barragem 5, da Mina de Águas Claras 12) Barragem 8B, da Mina de Águas Claras (em descomissionamento) 13) Barragem Fernandinho, da Mina Águas Claras (em descomissionamento) OURO PRETO 14) Barragem Forquilha I, do Complexo de Fábrica (em descomissionamento) 15) Barragem Forquilha II, do Complexo de Fábrica (em descomissionamento) 16) Barragem Forquilha III, do Complexo de Fábrica (em descomissionamento) 17) Barragem Forquilha IV, do Complexo de Fábrica 18) Barragem Grupo, do Complexo de Fábrica (em descomissionamento) 19) Barragem Marés II, do Complexo de Fábrica 20) Barragem Doutor, da Mina de Timbopeba 21) Barragem Natividade, da Mina de Timbopeba 22) Barragem Timbopeba, da Mina de Timbopeba ITABIRITO 23) Barragem Maravilhas I, da Mina do Pico 24) Barragem Maravilhas II, da Mina do Pico ITABIRA 25) Dique Cordão Nova Vista, da Mina de Cauê 26) Dique Minervino, da Mina de Cauê 27) Dique 02, do sistema de barragens de Pontal BARÃO DE COCAIS 28) Barragem Sul Superior, da Mina de Gongo Soco (em descomissionamento) RIO PIRACICABA 29) Barragem Diogo, da Mina Água Limpa MARIANA 30) Barragem Campo Grande, da Mina de Alegria SABARÁ 31) Barragem Galego, da Mina Córrego do Meio 32) Dique da Pilha 1, da Mina Córrego do Meio


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editais

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cultura

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Gastronomia local terá destaque na XIX Festa do Vinho de Catas Altas Catas Altas - A 19ª edição da Festa do Vinho de Catas Altas, que acontece nos dias 17, 18 e 19 de maio, na Praça Monsenhor Mendes, terá o produto gastronômico local e seus produtores como destaques. O evento de 2019 vai dar mais evidência ao vinho catas-altense, trazendo pratos elaborados para harmonizar com a bebida fabricada há mais de 120 anos no município. No cenário onde foram gravadas cenas da minissérie “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, a cidade celebrará o lançamento do programa “Harmonize com Jabuticaba”, incentivando o consumo do vinho e a geração de renda por meio do turismo gastronômico. A proposta é redescobrir sabores locais e divulgar o que tem de melhor na gastronomia mineira, valorizando as comidas típicas e incentivando a elaboração de novos pratos, como parte da cultura a ser preservada. A Prefeitura de Catas Altas iniciou em feverei-

Lucas Nishimoto

ro deste ano, em parceria com o Senac Minas, o projeto “Turismo em Alta – Capacitando para o futuro”, que tem como objetivo a profissionalização e desenvolvimento do turismo local. Os expositores gastronômicos do evento já estão participando de cursos e mentorias com chefs do Senac quanto à elaboração e montagem dos pratos a serem servidos no dia da festa. Neste ano, o evento, além das atrações culturais, terá ainda feiras que reúnem gastronomia e produtos artesanais e o tradicional concurso para eleger a melhor bebida da cidade. Festa do Vinho O evento foi criado para enaltecer a produção do vinho de jabuticaba, que é conhecido nacionalmente por sua qualidade, e para homenagear uma tradição que vem passando de geração em geração. Com o passar dos anos o evento, com shows nacionais, começou a atrair um público cada vez mais crescente o que veio a causar impacto no patrimônio histórico da cidade

e chegou a tirar a essência da festa. Diante a situação o Iepha orientou a prefeitura a reduzir o público e ou mudar o evento de lugar. Para manter a tradição e resgatar o espírito que engrandeceu a Festa do Vinho, a administração preferiu reduzir o evento, buscando voltar às raízes culturais da manifestação. A Festa resgata uma tradição que remete ao século XIX, quando as

minas de ouro se esgotaram e a produção de vinho se transformou em uma nova opção de subsistência. Realização A Festa do Vinho é uma realização da Prefeitura de Catas Altas, em parceria com a Associação dos Produtores de Vinho, Agricultores Familiares e Outros Produtos Artesanais de Catas Altas (Aprovart).


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cidade

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João Monlevade sediará Festival Científico Internacional em Bar O festival é reconhecido por manter a diversidade de assuntos e habilidade dos palestrantes em realizar um bom diálogo com a plateia

A iniciativa de trazer o festival para João Monlevade partiu de professores da Uemg

João Monlevade - Entre as 400 cidades do mundo que vão sediar, em maio, uma edição do “Pint of Science”, um festival com temas científicos feito em um bar, regado a cerveja e bate papo de alto nível sobre temas emergentes e que borbulham nas universidades do planeta, está João Monlevade. A iniciativa de trazer o festival para João Monlevade partiu de professores da Universidade do Estado

de Minas Gerais (UEMG) – Unidade João Monlevade, e contou com adesão de outras duas importantes instituições de ensino superior com sede no município: a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e Faculdade Doctum de João Monlevade. O Pint of Science Brasil é o maior do mundo e a edição monlevadense vem com a novidade de que esse ano não vai ter power point no bar! Pois é, este ano o festival não

terá “aulas nos bares”: serão muitas conversas e muitas mesas redondas com o objetivo de estimular o debate. Por que o festival faz esse sucesso? A resposta poderia vir recheada de dados e justificativas de comparação científico-culturais, mas o fato é que o brasileiro adora uma boa conversa. O festival é reconhecido por manter a diversidade de assuntos e habilidade dos palestrantes em reali-

zar um bom diálogo com a plateia. Na edição 2019 (a 4ª no Brasil) o Pint mantém a diversidade também nas cidades participantes: de Alegrete à Macapá, o Pint tem a participação de todas as regiões do país e abordará temas das áreas de Legislação, vacinação, modificação genética, astronomia etc… Em João Monlevade, a programação contará com 6 conversas com as seguintes temáticas: Psicologia e Contemporaneidade, Redes Complexas e Mobilidade Urbana, Engenharia da Computação, Barragens de Rejeitos e seus desafios tecnológicos, Raça e Etnias e Metalurgia, Materiais e Mineração. Os eventos serão nos bares Estação 59 e Nomad (ambos na avenida Castelo Branco, no bairro República). A programação completa e os currículos dos

cientistas participantes podem ser conferidos no site http://pintofscience.com. br/events/joaomonlevade. Saiba mais: Nascido em 2013, da iniciativa de 2 pesquisadores do Imperial College, que trabalhavam com doenças neurodegenerativas e perceberam o interesse do

público não acadêmico pela Ciência; em 3 anos o festival já conquistou os 5 continentes. Em 2019, o Pint chega ao Brasil nos dias 20, 21 e 22 de maio e as apresentações ocorrem no período noturno, entre 19h e 22h e espera-se um público de 70 mil pessoas prestigiando o festival em todo o país.

(31) 3851-6953


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cidade

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Governo anuncia verba insuficiente para a BR-381, a Rodovia da Morte Valor total de R$ 2 bilhões para dividir por seis rodovias federais não paga a duplicação da mais perigosa estrada de Minas. Só no pior trecho, até Monlevade, são necessários R$ 1,5 bi

Geral - A liberação de R$ 2 bilhões para investimentos em rodovias federais, anunciada ontem em cerimônia no Palácio do Planalto com quatro ministros, representará poucos avanços concretos para as principais obras em andamento no país. Entre as ações anunciadas pelo Ministério da Infraestrutura está a conclusão da duplicação da BR-381, entre BH e Governador Valadares. No entanto, o montante necessário para finalizar a obra é bem maior do que o total prometido pelo governo federal ontem. Considerando apenas o trecho com maior número de acidentes com mortes da via – entre a capital mineira e João Monlevade – o custo estimado quando as obras foram licitadas, em 2014, era de R$ 1,5 bilhão. Isso significa que pelo menos 75% do total anunciado teriam de ser destinados para a rodovia mineira. Mas o montante vai contemplar também outras seis grandes obras rodoviárias e a manutenção de dezenas de estradas pelo país. De acordo com o ministério, o recurso será destinado para a conclusão da duplicação da BR-381 (Minas Gerais), conclusão da duplicação

da BR-116 (Rio Grande do Sul), entrega da segunda ponte do Guaíba (Rio Grande do Sul), conclusão da pavimentação da BR-163 (Pará), conclusão da duplicação da BR-101 (Bahia), construção de oito pontes na BR-242 (Mato Grosso) e complementação de trecho da BR-135 (Maranhão). Procurado para informar qual o valor será reservado para a BR-381, o Ministério da Infraestrutura informou que a pasta e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) ainda não determinaram quanto será gasto em cada obra ou o prazo para os repasses. “A intenção do anúncio foi demonstrar que a liberação do recurso foi conquistada. Nas próximas semanas serão feitos os estudos sobre quais serão as obras priorizadas”, informou o ministério. Incertezas Parlamentares mineiros aguardam detalhamento sobre o destino do repasse e esperam que parte significativa seja destinada à Rodovia da Morte. “Recebemos as informações amplas, então pedimos um detalhamento sobre esses investimentos e uma reunião com o diretor do Dnit foi marcada para a próxima semana. Ele ficou de nos apresentar os detalhes sobre como se-

rão feitos esses gastos na BR-381”, contou o líder da bancada mineira na Câmara, deputado Diego Andrade (PSD). Segundo ele, em conversas do ministro Tarcísio Gomes com a bancada mineira ficou claro que a intenção da pasta é avançar no processo de concessão da rodovia à iniciativa privada. O ministro afirmou aos deputados considerar a duplicação da 381 a “obra mais complexa do Brasil” e que as desapropriações são um dos entraves para a obra. Pedágios O objetivo do governo

federal é conceder a Rodovia da Morte ao setor privado no primeiro semestre de 2020 e, segundo Gomes, estão sendo feitos estudos para a viabilidade do processo. “A ideia é buscar concessões não onerosas, em que o menor preço do pedágio administra a rodovia e faz os investimentos necessários. Enquanto não tiver duplicado, o pedágio cobrado é menor, quando for duplicado o pedágio aumenta”, disse Andrade. A parceria com o setor privado para a duplicação pode representar um obstáculo para o governo federal. Desde 2013, o Dnit e o Banco Nacio-

nal de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fizeram dois estudos diferentes para analisar a possibilidade de concessão da BR-381. Os levantamentos demonstraram que o valor do pedágio, considerando as obras necessárias pelas concessionárias, seriam proibitivos – cerca de R$ 9 a cada 30 quilômetros. Meia década de anúncios e paralisações A duplicação da BR381, entre BH e Valadares, começou em maio de 2014, quando a então presidente Dilma Rousseff (PT) assinou a or-

dem de serviços para o início das obras. A previsão era de que até o final de 2018 todos os 303 quilômetros estivessem concluídos. A Rodovia da Morte foi subdivida em 11 lotes e todos os editais foram lançados para disputa entre empresas interessadas em assumir a obra. Meia década depois, quase nada foi entregue aos motoristas que usam a rodovia e grande parte do trecho nem sequer tem previsão para retomada das obras. Apenas dois lotes da duplicação têm ações em andamento, porém sem recursos garantidos para a continuidade das obras. Este ano, a Comissão de Orçamento do Congresso Nacional aprovou um orçamento com previsão de R$ 169 milhões para a duplicação. O montante – menor do que o do ano passado, quando foram gastos R$ 230 milhões – não será suficiente para concluir os trechos com obras em execução. Em fevereiro, deputados e senadores da bancada mineira prometeram brigar por recursos extras para que a obra não sofra nova paralisação. A expectativa de órgãos empresariais que acompanham a novela da duplicação é que parte do montante anunciado seja somado ao valor reservado no orçamento para a conclusão dos lotes com obras em andamento.

Fonte: EM


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