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abril, maio e junho de 2013 • ano 14 • número 101

Mudar é preciso Novas demandas reconfiguram estrutura administrativa do ICMC A árvore de orientações de Carolina Monard

Nuvem do ICMC é referência na USP

Jogos eletrônicos no ensino e pesquisa


EDITORIAL

ÍNDICE Entrevista Destaque Ensino Pesquisa Cultura e extensão Eventos realizados Homenagens e premiações Notas e comunicados Por onde anda? Especial Ingressantes Quem sou eu? Aniversariantes Humor

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De que mudanças estamos falando? Você sabe por que foi criado o Gabinete de Planejamento e Gestão, a Comissão de Informática, a Comissão de Qualidade e Produtividade Acadêmica e a Comissão de Qualidade e Produtividade Administrativa? Quais são as atribuições de cada uma? A matéria de capa desta centésima primeira edição do ICMCotidi@no têm o desafio de responder a essas questões e mostrar à nossa comunidade que podemos nos inspirar em Fernando Pessoa para compreender que mudar é preciso. Afinal, projetar uma estrutura de suporte adequada para os anos futuros faz parte das estratégias do Plano Diretor ICMC 2021. Além de conferir as notícias de destaque nas seções de cultura e extensão, ensino e pesquisa, nesta edição, você terá a oportunidade de relembrar os principais eventos realizados no Instituto e as homenagens e premiações recebidas por professores e alunos. Não deixe de ler também “Árvore orientadora” e conheça a história da professora Carolina Monard, que revela como se sente depois de quatro décadas de dedicação ao ICMC. Para fechar a edição, entenda como o conceito de computação em nuvem tem contribuído para tornar o Instituto uma referência para a USP quando o assunto é tecnologia da informação. E se você tem alguma sugestão, crítica ou qualquer observação para enviar à nossa equipe, não deixe de mandar uma mensagem (comunica@icmc.usp.br) ou ligue para a gente (3373.9666). Lembre-se de que o ICMCotidi@no é um canal feito para você e por você! Boa leitura!

ICMC ACONTECE Julho

12 Julho

15 a 17

II Workshop de Cibernética Avançada II School on Machine Learning and Knowledge Discovery in Databases (MLKDD)

Julho

Symposium on Knowledge Discovery, Mining and Learning (KDMiLe)

17 a 19

Equipe ICMCotidi@no

Agosto

19

EXPEDIENTE

Cerimônia de entrega do Prêmio Gutierrez

Agosto

19 a 21 Agosto

21 a 24

Workshop de Dissertações e Teses da Matemática

Diretor: Prof. Dr. José Carlos Maldonado. Vice-diretor: Prof. Dr. Alexandre Nolasco de Carvalho. Edição: Denise Casatti; Neylor Fabiano. Redação: Fernanda Vilela; Maristela Galati. Arte e diagramação: Lucas Guedes. Produção e revisão: Anderson Alexandre; Giovano Cardozo; Gislene Fracolla; Glauciema Machado; Livia Rodrigues; Maria Fernanda Marreta; Renata Bertoldi; Rosana Vieira; Silvio Pomin. Supervisão: Comissão de Comunicação e Divulgação. Impressão: Gráfica Metha. Tiragem: 500 exemplares. O ICMCotidiano é uma publicação trimestral do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), da Universidade de São Paulo. Todos os direitos reservados. Av. Trabalhador São-carlense, 400, São Carlos-SP. Tel. (16) 3373-9666 – comunica@icmc.usp.br.

XVI Simpósio de Matemática para a Graduação (SIM)

Agosto

23

Colação de Grau

Agosto

23 a 28

Semana de Arte e Cultura

Agosto

31

Setembro

a

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VIII Olimpíada São-Carlense de Matemática

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ENTREVISTA

A árvore de orientações de Carolina Computação. No ICMC, teve papel primordial na criação do Laboratório de Inteligência Computacional (LABIC), onde atua até hoje com os temas de aprendizado de máquina, mineração de dados e mineração de textos.

Divulgação

Confira, no bate-papo a seguir, como a professora semeou sua trajetória e os inúmeros frutos que vêm colhendo.

Reconhecida como um dos grande nomes da área de Inteligência Artificial no Brasil, ela participou direta e indiretamente da formação de um grande número de mestres e doutores, como podemos ver nos galhos de sua imensa árvore. Sua formação acadêmica começou na Argentina, onde em 1962 licenciou-se em Matemática e Física. Fez seu mestrado em Ciências de Computação na Universidade de Southampton, Reino Unido, e doutorado em Informática na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Em 1987, retornou ao Reino Unido para fazer pós-doutorado na Universidade de Strathclyde. Dentre as diversas premiações que recebeu, destaca-se o Prêmio de Mérito Científico em Inteligência Artificial, concedido pela Sociedade Brasileira de

Foto: Fukuhara

Ela foi a primeira mulher a se tornar Professora Titular no ICMC, em 1993, exatos 20 anos depois de chegar ao Instituto como visitante. Hoje, quando a argentina Marina Carolina Monard olha sua “árvore de orientações” e vislumbra a geração de “netos” e “bisnetos” por ela orientados, fica admirada. “Na minha carreira, a maior sorte que tenho são meus alunos”, declarou a professora que, apesar de ter se aposentado em 2011, continua na ativa, agora como Professora Titular Sênior.

Como nasceu seu interesse pelas áreas de Matemática e Computação? Seu mestrado é em Ciências de Computação, um campo predominantemente masculino. Na época em que iniciou sua trajetória, havia outras mulheres que também optaram por esse caminho? Sempre gostei de Matemática, no primeiro e no segundo grau. Fui estudar Computação porque nessa época surgiu na Argentina a carreira de Computação Científica pelas mãos do professor Manuel Sadosky. Então, terminei a licenciatura e entrei na Universidade de Buenos Aires nesse curso. Depois de concluído, fui à Inglaterra fazer meu mestrado, eu era a única mulher da sala. Mas sempre foi tranquilo, nunca tive problemas com isso. Como era o ambiente de trabalho na época em que chegou ao Brasil na década de 70? O ambiente no ICMC era muito bom, aqui era bem menor. Não houve dificuldade alguma na adaptação. Como foram as suas experiências no exterior, em especial no Reino Unido? Todas as minhas experiências no exterior foram excelentes. Adoro a Inglaterra, tenho amigos ingleses até hoje, poderia ter ficado por lá, mas não quis. Morei na Inglaterra, Venezuela, Canadá e agora aqui. Quando você vive em outro país, mesmo depois da mudança, sempre acaba ficando uma ligação. Nunca tive problemas de adaptação nos países, sempre achei normal. É mais fácil morar na Inglaterra, que é um país de primeiro mundo, onde regras são estabelecidas e você deve cumpri-las rigorosamente,

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do que no Brasil, onde existem regras, mas para tudo se dá um jeito. Isso não acontece só no Brasil, mas em todos os países latinos. Qual das pesquisas que desenvolveu na área de Inteligência Artificial considera sua maior contribuição? Computação é um campo um pouco difícil porque se você fez um trabalho vinte anos atrás que teve uma grande contribuição, cinco anos depois já não representa nada porque já é algo corriqueiro. Da mesma forma, uma coisa que você faz agora pode parecer importante e daqui a três anos já se tornar elementar. Por isso, não poderia falar apenas de uma pesquisa, todas tiveram a sua importância no seu tempo. Como vê o futuro da pesquisa em Inteligência Artificial (I.A.)? Eu acho que é uma área muito promissora, não só agora, mas já faz tempo que tem se mostrado de muita importância. É uma área que está aqui para ficar, não é passageira. Nós estamos trabalhando com I.A. há mais de 20 anos. No início, criava espanto, mas agora a I.A. está em tudo. No entanto, existe muito para ser feito e também temos que pensar para onde vamos com o uso da I.A. Existe uma “Árvore de Orientações” com um leque de alunos que a senhora orientou, os quais, posteriormente, orientaram outros alunos. Qual o significado dessa árvore? Na minha carreira, a maior sorte que eu tenho são os meus alunos. A grande maioria deles ficou na parte de ensino, e eles orientaram outros. Então, isso significa que eu fiz o trabalho de formação de recursos humanos, o qual temos que fazer. Eu não tinha ideia que eram tantos alunos, era uma coisa com a qual não me preocupava, queria apenas fazer meu trabalho bem feito. E quando vi essa árvore, fiquei admirada. Já tenho netos e bisnetos, pois já tenho gente que orientei que orientou e que está orientando. É incrível!


Como é o relacionamento com os seus orientandos? Existe algum tipo de técnica para motivá-los? Cada aluno é diferente, cada um tem a sua personalidade. Mas eu gosto de trabalhar com gente jovem, eu tenho mais paciência com eles do que com adultos. Com os jovens eu me divirto e aprendo muito, acaba sendo uma troca. Depois de formados, sempre mantenho contato com meus alunos.

Maria Carolina e alguns de seus orientandos (da esquerda para a direita): André Carvalho, Graça Nunes, Sandra Aluísio, Roseli Romero e Solange Rezende.

Maristela Galati

Eu tenho sorte por trabalhar com algo que não exige esforços ou cobranças a todo o momento. Estou me aposentando aos poucos, para que eu não sinta tanta falta. Agora estou trabalhando apenas como orientadora, que é a parte de que eu mais gosto. Sempre digo aos meus alunos que nós nunca teremos um trabalho que nós gostemos 100%, todo trabalho tem uma parte que nós não gostamos, mas temos que fazer bem. Porém, mais de 50% do meu trabalho eu sempre gostei, por isso não posso me queixar.

Arquivo pessoal

Após produzir tanto, seu descanso seria mais que merecido e, mesmo assim, quis continuar na ativa como Professora Titular Sênior, por quê?

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DESTAQUE

Navegando pela mudança

No Gabinete de Planejamento e Gestão, Celestini e Salla têm o desafio de dar suporte ao constante crescimento do Instituto.

“Navegar é preciso”. Exaustivamente repetida e analisada, a mensagem de Fernando Pessoa continua a nos remeter à reflexão. Se trocássemos o verbo navegar por mudar, a poesia caberia exatamente no momento histórico vivido atualmente pelo ICMC. A reconfiguração na estrutura administrativa do Instituto compõe uma das bases de articulação do Plano Diretor ICMC 2021, projeto que propõe diversas ações estruturais até o ano de 2021, quando o Instituto completará meio século de existência. “A gestão atual criou alguns órgãos dentro da estrutura administrativa para consolidar atividades que já vinham sendo desenvolvidas na universidade, mas que precisavam ter uma estruturação melhor. Dois exemplos recentes são as área de comunicação e de internacionalização”, disse o analista administrativo Paulo Celestini, que atua no Gabinete de Planejamento e Gestão (GPG). Ele explicou que essas mudanças estruturais preparam a administração para fazer frente às novas demandas e

sustentar o constante crescimento do ICMC. Por isso, foi criado em 2012 o GPG, com o objetivo de prestar assessoria à Diretoria e apoiar projetos institucionais, o planejamento de ações e a gestão em diversas áreas, tais como: recursos humanos, orçamento e finanças, obras, inteligência corporativa, gestão de riscos, mensuração de desempenho, entre outras. O analista financeiro João Salla, também integrante do GPG, explica que, dentre diversos planos que compõem o Plano Diretor ICMC 2021, está o projeto de aumento da área construída do Instituto. "O ICMC tem hoje 19 mil metros quadrados construídos, somando os prédios do campus 1 e 2. Em cinco anos, esperamos construir mais 22 mil metros. É um desafio", comentou.

A divisão da Comissão de Qualidade e Produtividade Criada em 1999 para dar suporte às atividades de ensino, pesquisa, cultura e extensão, a Comissão Interna de Qualidade e Produtividade (CIQ&P) foi recente-

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Fernanda Vilela

Novos setores e comissões alteram a estrutura administrativa do ICMC, visando projetar um suporte adequado para os anos futuros

mente reestruturada, ficando dividida em Comissão de Qualidade e Produtividade Acadêmica (CQPAC) e Comissão de Qualidade e Produtividade Administrativa (CQPAD). O coordenador da CQPAD, André Carvalho, explicou que essa mudança foi necessária para oferecer maior suporte às atividades administrativas e acadêmicas. "Na área administrativa, damos suporte a atividades como, por exemplo, coletar dados, justificar alterações em processos. Também acompanhamos as mudanças na infraestrutura do Instituto e buscamos aprimorar nossa estrutura, além de investir em treinamento e capacitação dos funcionários", afirmou. Segundo Carvalho, um dos principais projetos da CQPAD é a expansão do processo de internacionalização do Instituto, indo além das atividades já realizadas no âmbito acadêmico. "A gestão atual sugeriu que comecemos a treinar os funcionários para a internacionalização, ou seja, mandar funcionários para o exterior, investir em estágios e em cursos de inglês para capacitá - los ", explicou.


Já o coordenador da CQPAC, Alexandre Nolasco, explicou que os participantes dessa nova comissão estão buscando a melhor forma de introduzir o conceito de qualidade e produtividade no meio acadêmico. "Estamos em uma fase de autoconhecimento em relação aos processos acadêmicos executados cotidianamente. Uma vez identificados esses

processos, vamos tentar encontrar uma forma de introduzir o princípio de qualidade e produtividade, sempre em busca da excelência acadêmica", concluiu. Além dos pilares tradicionais da universidade — ensino, pesquisa e cultura e extensão — a CQPAC atua ainda na captação de recursos. As primeira ações estão sendo delineadas e, para apoiar sua

execução, foram criadas as seguintes subcomissões temáticas: treinamento e desenvolvimento; clima e cultura organizacional; mapeamento de processos e indicadores de desempenho; sustentabilidade ambiental e desenvolvimento sustentável; planejamento e metas institucionais.

Pilares de atuação da CQPAC Ensino

• Melhoria do sistema de monitorias. • Coordenação de disciplinas com mais de uma turma. • Estudos para redução da carga didática. • Produção de material didático e complementar. • Oferecimento de disciplinas em língua inglesa

Pesquisa

• Incentivo à: - realização de estágios no exterior; - vinda de pesquisadores visitantes; - realização de eventos científicos internacionais; - participação em eventos científicos internacionais; - submissão de projetos de cooperação internacional; - melhoria da qualidade dos veículos publicados. • Capacitação para a redação de artigos em inglês.

Cultura e Extensão

• Oferecimento de cursos de difusão cultural e extensão. • Mestrados profissionais. • Identificação de potenciais ações. • Olimpíadas.

Captação de recursos

• Apoio à elaboração de projetos. • Apoio à execução orçamentária de projetos. • Capacitação para elaboração de propostas.

Nolasco coordena comissão que busca excelência acadêmica aplicando o princípio da qualidade e produtividade.

Neylor Fabiano

Os seis novos eixos da Comissão de Informática

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Outra comissão que passou por mudanças expressivas foi a de informática (CI), a qual se dividiu em seis eixos de interesses estratégicos: ensino, inteligência corporativa, segurança e privacidade, pesquisa, infraestrutura e comunicação. Em relação às atividades de ensino, a CI é responsável por acompanhar a infraestrutura em salas de aula, biblioteca, laboratórios e salas de estudo da graduação e pós-graduação. Na área de inteligência corporativa, a comissão oferece apoio na gestão dos projetos e na manutenção das aplicações computacionais e de conteúdo, além de dar suporte à administração do Instituto. Em pesquisa, a CI define políticas de disponibilização e atualização de infraestruturas em tecnologia de informação (TI) adequadas à área, cuidando para que exista o melhor serviço possível de processamento, armazenamento e de acesso à internet. Por: Fernanda Vilela


ENSINO

Programa Pró-Inovação no Ensino Prático de Graduação contemplará 32 projetos, entre eles está o do ICMC.

A Pró-Reitoria de Graduação da USP divulgou em 29 de maio a relação dos projetos aprovados na segunda edição do Programa Pró-Inovação no Ensino Prático de Graduação (Pró-Inovalab). Dentre os 32 projetos contemplados, está o InovaEnComp - Uma proposta inovadora para o ensino prático e multidisciplinar de computação, submetido em 2012 pelo ICMC. O projeto receberá um investimento de R$ 500 mil, com previsão de execução para 18 meses. Os recursos poderão ser aplicados na aquisição e manutenção de equipamentos, material bibliográfico, pequenas reformas, material de consumo, softwares, serviços de terceiros, realização de seminários e viagens. O projeto, coordenado pelos docentes Seiji Isotani, do SSC, e Renata Pontin, do SCC, busca superar as duas principais dificuldades enfrentadas pelos cursos de tecnologia: a falta de recursos tecnológicos de apoio ao ensino e a escassez de práticas pedagógicas que utilizem efetivamente a tecnologia no ensino. No caso do ICMC, o programa irá atender diretamente os cursos de Ciências de Computação, Sistemas de Informação e Engenharia de Computação. "Para atender à rápida evolução na área de computação é necessário inovar os métodos pedagógicos de auxiliar os alunos a adquirirem conhecimentos teóricos e práticos em um ambiente multidisciplinar, em que é possível praticar suas habilidades em problemas reais. Dessa forma, os profissionais formados terão maior habilidade de inserção no mercado,

tanto nas empresas quanto na academia", afirmou Isotani. Serão contempladas três área de atuação: o uso de experimentos baseados na robótica e no uso de robôs simples para a fixação de conceitos de computação aprendidos nas salas de aulas; a inovação das técnicas de ensino em aulas práticas, por meio do desenvolvimento de um projeto transdisciplinar de um processador a ser construído de maneira incremental nos laboratórios do ICMC, integrando alunos de graduação e de pós-graduação; e o ensino prático de programação paralela com utilização de GPUs (Graphical Processing Units), permitindo que os alunos desenvolvam atividades em um ambiente híbrido, estudando diferentes problemas do mundo real. Para Isotani, o projeto permitirá a realização de atividades com valor científico e social que serão fundamentais para a formação de profissionais mais qualificados. "Através desse projeto será possível imergir o aluno no conteúdo com o apoio de tecnologias e um ambiente de desenvolvimento e pesquisa que viabilizem o aprendizado cadenciado e mais duradouro. Além de melhorar o rendimento e a motivação dos alunos, acredita-se que será possível diminuir consideravelmente a evasão nos cursos do ICMC", concluiu. Além dos coordenadores, participam dos sub-projetos os seguintes docentes do ICMC: André Carvalho, Eduardo Simões, Ellen Francine, José Carlos Maldonado, Julio Estrella, Onofre Trindade Junior e Roseli Romero.

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Neylor Fabiano

O Milésimo Mestre

Nilton Júnior/Artyphotos

Projeto de laboratórios inovadores recebe investimento de meio milhão

Milésimo mestre propôs abordagem de redes complexas para segmentação de imagens de grandes dimensões.

Oscar Linares é o milésimo mestre titulado pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências de Computação e Matemática Computacional (PPG-CCMC) do ICMC. A defesa aconteceu no dia 25 de abril, no auditório Luiz Antonio Favaro. Sua dissertação, intitulada Segmentação de imagens de alta dimensão por meio de algorítimos de detecção de comunidades e super pixels, foi aprovada por unanimidade pela banca, composta pelos professores Agma Traina e Moacir Ponti Junior, do ICMC, e Alexandre Levada, da UFSCar. O orientador do projeto, João Batista Neto, participou por videoconferência, pois está no Reino Unido fazendo pós-doutorado. Linares nasceu no Peru, onde graduou-se em Ciência da Computação pela Universidade Católica San Pablo, em 2008. Seus trabalhos concentram-se nas áreas de processamento de imagens e computação gráfica. Em sua dissertação, ele propõe uma abordagem de redes complexas para segmentação de imagens de grandes dimensões de forma precisa e rápida. O trabalho determinou os melhores parâmetros usados nessa abordagem, tornando o método bastante independente desses parâmetros, algo não alcançado antes em nenhuma pesquisa dessa área. O primeiro mestre em Ciências de Computação e Estatística do ICMC fomou-se em 1976, dois anos depois da criação do curso. Em 1995, foi criado o curso de doutorado. Além de mil mestres, o programa formou, até o momento, 207 doutores. O impacto do programa fez a CAPES o avaliar com conceito 6, dentro de uma escala de 1 a 7, o que significa alto nível de excelência e inserção internacional. Por: Neylor Fabiano


Vivência em escolas e jogos matemáticos compõem licenciatura modernizada

São Carlos, inserindo os estudantes no contexto dessas escolas desde o início de sua formação acadêmica. "Hoje em dia, o papel do professor ampliou-se muito. Ele tem que fazer a gestão da sala de aula, dar conta de ensinar o conteúdo, manter a disciplina e cuidar da parte burocrática, além de proporcionar suporte afetivo, o qual muitos alunos não têm. Então, essa pluralidade e riqueza da escola eles já vão vivenciando desde o início da licenciatura", apontou Utsumi.

O processo de aprendizado nas escolas de formação básica tem mudado com o passar dos anos. Para capacitar os professores que entram neste novo cenário educacional, o ICMC tem investido em novas disciplinas e projetos no curso de Licenciatura em Matemática. A professora do SMA, Miriam Utsumi, explicou que as mudanças na estrutura curricular da licenciatura começaram a partir da observação das exigências presentes na escola. “Os alunos não estão mais dispostos a assistir uma aula de Matemática com giz e lousa. Percebemos que eram necessárias outras atividades para motivar esses alunos”, disse a docente. Neste contexto, a coordenadora do curso de Licenciatura em Matemática, Edna Zuffi, propôs duas novas disciplinas para a grade curricular: ensino de matemática por múltiplas mídias e ensino de matemática para alunos com necessidades especiais. “Incorporamos essas disciplinas com a preocupação de formar professores que saibam lidar com as novas exigências educacionais”, explicou Utsumi. Segundo Zuffi, a inserção dessas novas disciplinas no ICMC foi precoce. "Em 1998 foi proposta a de múltiplas mídias como uma disciplina optativa. E, a partir da grade de 2012, ela passou a ser uma disciplina obrigatória", disse. A docente explicou que, na época em que a disciplina foi proposta, já havia a

discussão sobre a inclusão das novas tecnologias em sala de aula. "A ideia é que haja um momento de reflexão, no curso de formação de professores de matemática, sobre o uso de tecnologias para o ensino de matemática com foco em todas as possibilidades midiáticas". Além disso, os estudantes de licenciatura do ICMC realizam diversas visitas didáticas a instituições de ensino. Segundo Utsumi, as visitas proporcionam a troca de aprendizado e experiências entre os alunos do Instituto e outras instituições. “Procuramos levar os alunos onde exista algum tema que interfira na prática escolar”.

Vivência em escolas da rede pública Financiado pela CAPES, o ICMC mantem um projeto de apoio à docência como componente articulador da prática de formação inicial do professor, proporcionando ao estudante de licenciatura a vivência dentro do ambiente escolar como iniciativa para o aperfeiçoamento e a valorização da formação de professores de educação básica. O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) concede bolsas aos alunos de licenciatura em parceria com escolas de educação básica da rede pública de ensino de

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Fernanda Vilela

Curso visa formar professores capazes de empregar técnicas que vão além do giz e da lousa.

Fernanda Vilela

Novas mídias educacionais

O SMA tem dois laboratórios especializados no desenvolvimento de novas práticas de aprendizado, utilizando jogos matemáticos. São os laboratórios de ensino de matemática e de educação matemática, ambos vinculados ao Grupo de Educação Matemática. A professora Utsumi explicou que o licenciando precisa entender e identificar as dificuldades presentes na rotina escolar. “O professor deve saber quais materiais utilizar para ensinar os alunos. Nesses laboratórios estimulamos nossos alunos a criarem novos meios de ensino para tornar a aula mais interessante e diversificada”.

Programa de Mestrado Profissional em Matemática Já em nível de pós-graduação, o ICMC participa do programa ProfMat Programa de Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional, mantido pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM). Oferecido gratuitamente, o programa concede ao professor que já atua nas escolas o grau de mestre. A prioridade é para professores de escola pública, mas também são oferecidas vagas para os demais candidatos. Por: Fernanda Vilela


PESQUISA

Scanner de gordura corporal desenvolvido no ICMC ganha versão compacta

Segundo Gazziro, scanner já será comercializado a partir do segundo semestre de 2013.

O AllBodyScan 3D, scanner de gordura corporal desenvolvido por pesquisadores do ICMC, ganhou uma nova versão, mais leve e compacta. O equipamento avalia o percentual de gordura corporal com maior precisão que a tecnologia presente no mercado, e foi lançado no dia 21 de abril durante o Circuito SESC de Corridas, em São Carlos. Na ocasião, o scanner avaliou 162 participantes. Após escanear o corpo todo em 30 segundos, o software calcula volume e altura e, complementado com dados como idade e sexo do avaliado, leva mais 30 segundos para processar o resultado final. O escaneamento é feito por meio de um sensor de infravermelho, o mesmo utilizado nos videogames modernos, que é fixado em uma torre, enquanto o avaliado permanece em pé sobre uma plataforma giratória. O software captura os dados volumétricos e gera um modelo tridimensional da pessoa. Para tanto, é necessário estar com trajes adequados, como roupas de ginástica, pois o volume das vestimentas pode influenciar na medição. A versão compacta do

Neylor Fabiano

Mudanças no projeto tornaram o equipamento mais leve e versátil

AllBodyScan 3D suporta até 250kg, o que possibilita sua utilização em pessoas com obesidade mórbida. O coordenador do projeto, Mario Gazziro, diz que as modificações em relação à primeira versão foram mínimas, sendo a principal a redução da área ocupada pelo equipamento, que antes era de sete metros quadrados e, agora, passou a ser apenas dois. “Essa diminuição de tamanho foi possível porque, nessa nova abordagem, é o avaliado que gira sobre o próprio eixo, em 180 graus. Na versão original, um poste com os sensores era rotacionado 270 graus ao redor do avaliado por meio de um trilho circular, o que tornava o equipamento grande”, revelou. Gazziro, que iniciou a pesquisa há mais de dez anos, garante que a precisão do aparelho é idêntica à do original, pois depende apenas do software e dos sensores, que continuam os mesmos. “Continuamos com a meta de 1% de margem de erro na avaliação da gordura, sendo que, como novidade, esse novo scanner também vai avaliar a massa muscular e a massa óssea com percentual de erro de 5%”, expli-

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cou o pesquisador. Essa precisão chega próxima ao que especialistas chamam de “padrão-ouro”, o mais preciso método de medição de gordura corporal, por pesagem hidrostática em tanque d’água. Outro cálculo que é feito pela nova versão do equipamento é o de peso corporal, por meio da medição da superfície. A margem de erro é de 200 gramas para uma pessoa de biotipo médio (considerando um homem com 80 quilos). O software também armazena, exibe e permite exportar esses dados para outros sistemas.

Lançamento no mercado O scanner passará a ser comercializado a partir do segundo semestre de 2013. As encomendas poderão ser feitas durante a feira Fitness Brasil, que ocorrerá entre os dias 5 e 7 de setembro, em São Paulo. Segundo Gazziro, o AllBodyScan 3D custará na faixa de R$ 70 mil e seu uso será voltado para academias de ginástica. “Esse preço ainda pode sofrer ajustes por conta das indústrias parceiras que vão realizar a produção e comercialização. Aos pesquisadores envolvidos — professores, alunos, instituições de fomento e universidade — cabe um percentual do lucro repassado em forma de royalties definido em convênios”, completou. O desenvolvimento do sistema contou com o apoio de especialistas clínicos e pesquisadores das áreas de computação, biomedicina e engenharia. Por: Maristela Galati


Ensino, pesquisa e extensão com cara de game Técnicas empregadas em jogos eletrônicos e o desenvolvimento de games invadem as salas de aula e laboratórios

Inspirado pelo Guitar Hero, grupo de desenvolvimento de jogos vinculado ao ICMC dá vida ao violino com o Virtuosi!

Ao pensarmos nos primeiros jogos eletrônicos, é comum que nos venha à cabeça games convencionais como fitas de Atari, Nintendo ou os primeiros CDs para o PlayStation ou PC. Mas os jogos atuais podem ir muito além da função de entreter. Além de serem utilizadas como ferramentas educacionais e simuladores, as técnicas empregadas nos jogos estão presentes no nosso dia a dia o tempo todo, basta prestar atenção. Tanto que a palavra game já virou até verbo: estamos na era da gameficação. O professor do ICMC Seiji Isotani, que ministra aulas de Introdução às Ciências de Computação (ICC), tem um interesse especial no uso de jogos na educação. “Gameficar a educação é utilizar técnicas de jogos para torná-la mais interessante e motivar os alunos”, explicou. Ele lembra que o uso da técnica empregada nos jogos está invadindo todas as áreas. “Às vezes as pessoas não percebem por que as companhias aéreas colocam milhagem. Ao acumular milhagem, elas ganham alguns benefícios. É o exemplo de uma técnica empregada nos jogos, que, inevitavelmente, vai invadir o ambiente escolar”, afirmou. Isotani explicou que já emprega, com seus alunos, algumas técnicas utilizadas nos jogos. “Quando os alunos participam da aula, fazendo perguntas ou respondendo um exercício na lousa, ganham ações. Essas ações podem ser trocadas por várias coisas, como uma resposta que ele não sabe na prova. É o mesmo

sistema de um game, em que o jogador troca moedas e pontos adquiridos ao longo do jogo por vidas, por exemplo”. O docente fez uma experiência em sala de aula, na qual deu liberdade para que os alunos desenvolvessem os jogos que quisessem. “Muitos fizeram os jogos de que se lembravam da época de infância, mas de um jeito pessoal. Eles desenharam as telas no papel e as transportaram para o computador, criando uma imagem inédita. Esse era o objetivo: enquanto aprendiam os conceitos de introdução à computação, aprendiam também a expressar a criatividade”, explicou. Como monitor da disciplina ICC, o aluno Bruno Orlandi, do terceiro ano do curso de Ciências de Computação, notou que uma das coisas que motiva o estudante a buscar um curso de tecnologia de computação e sistemas de informação é o desenvolvimento de jogos. “Eu fui inspirado a buscar a computação por estar muito envolvido com jogos de computador”, afirmou Orlandi. Por isso, ele organizou para os alunos da disciplina uma aula extra sobre SDL (Simple DirectMedia Layer), uma biblioteca multimídia que permite fazer jogos, gráficos e trabalhar com áudio. “Os alunos aprenderam a mexer com SDL, programando e adquirindo um conhecimento mais profundo em desenvolvimento de jogos. Esse foi o fundamento para que pudessem desenvolver os jogos na disciplina”, explicou.

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Integrantes do The Fellowship of the Game (FoG) – grupo de desenvolvimento de jogos vinculado ao ICMC – os alunos Helder Moraes e Ricardo Fuzeto contam que o grupo é focado na criação de jogos eletrônicos divertidos, de código aberto e multiplataforma. “Um pouco de matemática sempre acaba se usando, mesmo que seja a mais elementar, porque o jogo é totalmente construído com base em um modelo matemático”, disse Fuzeto. “Dependendo do jogo a ser desenvolvido, é necessário ter mais conhecimentos da área de matemática ou de física. Dois dos jogos que temos usam bastante matemática. Um deles é o remake de MegaMan”, completou Moraes. Segundo Moraes e Fuzeto, o mercado de trabalho na área de games é muito promissor. “O faturamento é absurdamente maior em relação ao mercado de cinema, por exemplo. Os dois são intimamente ligados à computação, pois dependem de efeitos visuais. Mas os jogos, em dia de estreia, chegam a faturar até cinco vezes mais que um filme”, explicaram. Eles revelam que desenvolver filmes é tão complexo quanto desenvolver jogos. "De todas as áreas de computação, a de desenvolvimento de jogos é a mais interdisciplinar. Não é à toa que muito do que se gasta para desenvolver um jogo vem da contratação de especialistas de áreas de conhecimentos diferentes”. O FoG já desenvolveu diversos jogos. Um deles é o Virtuosi!, um jogo com músicas clássicas, no mesmo formato do famoso Guitar Hero. “O idealizador do Virtuosi! escolheu a música clássica para que as a pessoas conhecessem mais e vissem que não é entediante. O instrumento escolhido para o jogo foi o violino, que deve ser manuseado com o mouse e o teclado”, revelaram. Outro jogo que merece destaque é o Strategos, que simula uma batalha espacial em que o jogador desenvolve estratégias para naves. O computador, por sua vez, também gera estratégias, comparando-as, até eleger a melhor. “A ideia é utilizar algoritmos genéticos para desenvolver isso, pois um dos princípios do FoG é aplicar os conhecimentos adquiridos na graduação”. Por: Maristela Galati


Pesquisa em linguística computacional promove inclusão digital Projeto cria ferramentas para auxiliar quem tem dificuldade na leitura e na recuperação de informações de textos

Simplifica é um editor de textos voltado a autores que querem tornar suas produções mais acessíveis a leitores menos letrados.

Segundo dados do Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (INAF) de 2011/2012, 68% da população brasileira possui um nível de alfabetização rudimentar e básico. O relatório de 2012 ainda destaca que 59% dos que completaram, no mínimo, um ano/série do segundo ciclo do ensino fundamental atinge o nível básico de alfabetismo. Um projeto de pesquisa coordenado pela professora Sandra Aluísio, do Departamento de Ciências de Computação do ICMC, tem como objetivo auxiliar esse público na leitura e interpretação de textos básicos. Chamado de PorSimples, o projeto contou com o trabalho de 37 pesquisadores, entre alunos e professores da USP e de instituições parceiras. “O PorSimples foi financiado pela FAPESP e pela Microsoft Research de 2007 a 2010, e teve como objetivo prover recursos e sistemas para tornar textos mais acessíveis a leitores com baixo nível de letramento”, explicou o doutor em Ciências de Computação e Matemática Computacional pelo ICMC, Arnaldo Candido Júnior, que recentemente defendeu a tese Análise bidirecional da língua na simplificação sintática em textos do português voltada à acessibilidade digital. O PorSimples já produziu alguns frutos, como os sistemas Simplifica e Facilita, bem como a ferramenta Coh-MetrixPort. O sistema Simplifica é um editor de textos destinado a autores que pretendem tornar suas produções mais acessíveis para leitores menos letrados,

via avaliação da complexidade de um dado texto, seguida de simplificação léxica e sintática. Já o sistema Facilita funciona como uma extensão para navegadores, destinado a leitores com baixo nível de letramento, resume o texto principal da página e simplifica-o sintaticamente, além de realizar a eliminação de propagandas e links das páginas web. “O Facilita está passando por uma reformulação para aumentar a precisão da tarefa de simplificação, o que é crucial para os leitores que já sofrem com problemas de leitura e compreensão dos textos”, ressaltou Candido Junior. Quanto ao Coh-Metrix-Port, trata-se de uma ferramenta que disponibiliza 48 métricas para avaliar a coerência e a complexidade de um texto usando vários níveis de análise linguística: léxico, sintático, discursivo e conceitual. Foram adaptadas para o português as várias métricas em inglês do Coh-Metrix. “Utilizando essas métricas, treinamos um classificador inserido no Simplifica para distinguir textos em três classes: rudimentar, básico e pleno — que correspondem aos níveis de alfabetismos apresentados pelo INAF", explicou Candido Junior. O alfabetismo em nível rudimentar corresponde à capacidade de localizar informações explícitas em textos curtos, um anúncio ou pequena carta; o nível básico corresponde à capacidade de localizar informações em textos um pouco mais extensos, realizando pequenas inferências; e o alfabetismo nível pleno corresponde à

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capacidade de ler textos longos, orientando-se por subtítulos, localizando mais de uma informação, de acordo com condições estabelecidas, relacionando partes de um texto, comparando dois textos, efetuando inferências e sínteses.

Aplicação Os objetivos do projeto PorSimples somam esforços com iniciativas em diversas frentes para aumentar a inclusão digital, em particular por meio de acessibilidade digital. “A acessibilidade é o processo de tornar softwares e conteúdos acessíveis ao maior número de pessoas possível, o que inclui usuários com necessidades especiais. O PorSimples tenta alcançar quem tem dificuldade de leitura”, ressaltou. Além de analfabetos funcionais, os resultados do PorSimples podem ser utilizados por pessoas com problemas cognitivos como afasia — causada por demências e acidentes vasculares — e dislexia, além de ser relevante para adultos e crianças em fase de aprendizado da leitura e escrita. Atualmente, o Coh-Metrix-Port está sendo adaptado por um mestrando do ICMC para avaliar demências, em colaboração com a Faculdade de Medicina da USP, e o Simplifica vem sendo utilizado pela EMBRAPA de Juiz de Fora em projetos de facilitação da leitura de cartilhas para produtores de leite. Por: Maristela Galati


CULTURA E EXTENSÃO

Portal e-Aulas disponibiliza conteúdos produzidos no ICMC têm atraído muito interesse”, explicou o docente. Smania acredita que é tudo experimental. “Ainda não temos muitos dados concretos sobre a efetividade de cada uma dessas iniciativas. É um mundo totalmente novo, cheio de oportunidades e perigos, mas acho que vale a pena participarmos desse processo de tentativas e erros até entendermos quais são os melhores modos de se utilizar essa tecnologia”, completou. O conteúdo dos vídeos geralmente é diferente daquele dado em sala de aula. Neles, o professor trata de apenas um tema específico, aprofundando-se. “A maioria são vídeos curtos, bem simples, o que me motivou a tentar fazê-los. Basta um computador, um bom microfone, uma mesa digitalizadora simples e software para captura e edição dos vídeos. Nada muito caro. Fiz alguns vídeos e os postei em meu canal no YouTube (SmaniaMat). Naquela época (junho de 2011), o portal e-Aulas sequer existia. Um vídeo levava ao outro, e já produzimos mais de sessenta”, explicou. No ICMC, há um grupo responsável por implementar e incentivar a produção de videoaulas, liderado pela professora Renata Pontin, presidente da Comissão de

Graduação. Para a docente, o futuro das aulas interativas tem grande peso no complemento de aulas presenciais. “Acredito que atualmente muitas aulas presenciais são complementadas com aulas em vídeos e outros mecanismos interativos na internet e na web em geral”, acrescentou. Pontin acredita que, antes de tudo, o professor deve perceber a oportunidade que tem em mãos e ter boa vontade para disseminar conhecimento. “Muitas vezes os próprios professores pensam em diferentes estratégias para compartilhar o conhecimento e instigar as pessoas a quererem saber mais sobre determinado assunto. Quando eles veem essa oportunidade, acabam produzindo um material muito rico, pois na maioria das vezes não dá tempo de passar todo o conteúdo necessário em sala de aula”, contou. A docente finalizou dizendo que, apesar das dificuldades, os professores sentem-se motivados. “Sem dúvida nenhuma existem professores aptos a produzirem os vídeos, basta que eles separem um tempo e dediquem-se a isso”, finalizou. Foto: Fukuhara

Com as ferramentas tecnológicas disponíveis atualmente, o sistema de ensino passa por mudanças em vários aspectos. Um exemplo é a disponibilização gratuita de aulas interativas na internet, que vem sendo a aposta das maiores universidades do mundo. Na USP, essa iniciativa vem ganhando cada vez mais espaço. O ICMC já participa do e-Aulas USP, um portal com videoaulas produzidas pelos professores da universidade. Apesar de seu caráter complementar, os vídeos estão disponíveis para qualquer pessoa que se interesse pelo conteúdo. O professor Daniel Smania, do SMA, produziu os primeiros conteúdos do ICMC disponibilizados no e-Aulas. São mais de sessenta vídeos da disciplina de Cálculo I. Ele afirma que o futuro das aulas interativas é muito relativo. “Temos professores no Brasil e exterior — e mesmo alunos e ex-alunos — fazendo vídeos por conta própria e divulgando-os no YouTube, sem estarem ligados a iniciativas institucionais de universidades. Algumas universidades de muito prestígio, como Harvard e MIT, estão oferecendo cursos online completos e gratuitos, os chamados Massively Open Online Courses (MOOC), que

Por: Maristela Galati

EVENTOS REALIZADOS

Premiação de docente e lançamento de catálogo marcam inauguração da nova sala da Congregação Duas solenidades marcaram o início das atividades da nova sala da Congregação, no dia 28 de junho: a entrega da primeira edição do prêmio Excelência em Docência de Graduação e o lançamento do Catálogo de Pesquisa do ICMC. "O Instituto exerce um papel de forte impacto na formação de recursos humanos para o país e merece um espaço digno de sua qualidade, um espaço voltado para o uso de toda a comunidade", ressaltou o diretor do Instituto, José Carlos Maldonado. "Assim como essa sala foi feita com todo o carinho, a graduação também precisa ser assim cuidada", declarou o professor Seiji Isotani ao receber o Prêmio Excelência em Docência de Graduação. Instituído pela Pró-Reitoria de Graduação (PRG) da USP,

o prêmio tem o intuito de incentivar as unidades a implementarem ações de reconhecimento e recompensa aos docentes pela qualidade de suas atividades no ensino de graduação. O professor recebeu uma placa personalizada, um notebook e um projetor multimídia para auxiliá-lo em suas aulas, além de passar a representar o ICMC na premiação que vai eleger os seis docentes que mais se destacarem em toda a USP.

Uma síntese das pesquisas do ICMC Aumentar a visibilidade nacional e internacional das pesquisas desenvolvidas no Instituto, facilitando a identificação de possíveis parcerias. Esse é o principal

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objetivo do Catálogo de Pesquisa, uma iniciativa conjunta das comissões de Pesquisa e de Relações Internacionais. O trabalho de coleta das informações sobre todos os grupos de pesquisa e de revisão dos dados obtidos levou cerca de dois anos. A ideia é que o material seja distribuído para pesquisadores que visitarem o Instituto e também seja utilizado pelos professores em suas visitas a instituições no Brasil e no exterior, contribuindo para a divulgação dos grupos de pesquisa do ICMC. Por isso, o Catálogo está disponível no formato impresso e em PDF na página do Instituto, em português e inglês. Por: Denise Casatti


24 de abril

Origami aplicado à educação é tema de oficina

Aula magna e premiação dos melhores alunos

Dez alunos do curso de Licenciatura em Matemática do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), campus Araraquara, participaram de uma oficina de origami aplicado à educação no ICMC. A atividade faz parte de um ciclo de visitas para a troca de conhecimento e aprendizado entre instituições de ensino. O aluno do curso de Licenciatura em Ciências Exatas do ICMC, Theófilo Okada, bolsista do Programa Institucional de Iniciação à Docência (PIBID/CAPES), utilizou a arte oriental do origami para demonstrar práticas de ensino em geometria.

Marcando o início das aulas no ICMC, o presidente da Academia Brasileira de Ciências, Jacob Palis Júnior, ministrou a aula magna A view of some fundamental developments in dynamics, em que contou sua história como pesquisador na área de sistemas dinâmicos e explicou conceitos como órbitas homoclínicas, heteroclínicas, caos e transformações. Antes do começo da aula, foram homenageados os melhores alunos do ICMC formados em 2012, os quais receberam diplomas de mérito acadêmico: Jean Carlo Guella, do curso de Bacharelado em Matemática; Thaís Cosmo de Souza Santos, do curso de Licenciatura em Matemática; Bruna Zanetti Panaggio, do curso de Bacharelado em Ciências de Computação; Rafael Mira Oliveira Libardi, do Bacharelado em Informática; André Luiz Verucci da Cunha, de Engenharia de Computação; Caroline Ceribeli, de Licenciatura em Ciências Exatas; e Luan de Souza Buzato, de Bacharelado em Matemática Aplicada e Computação Científica. O evento também contou com uma apresentação musical de choro, com o duo Corda Soprada, formado por Maurício Tagliadelo e Mabel Zattera.

Foto: Neylor Fabiano

1 de abril

13 de abril

Alunos e egressos do curso de Sistemas de Informação realizam encontro Um encontro entre alunos e egressos do curso de Bacharelado em Sistemas de Informação (anteriormente denominado Bacharelado em Informática) reuniu mais de 100 pessoas nas dependências do ICMC. Na parte da manhã, todos participaram de uma mesa redonda no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, na qual também estiveram presentes vários professores do curso. Para encerrar o encontro, foi realizada uma confraternização.

17 de abril

Fórum discute possibilidade de fraude nas urnas eletrônicas Os participantes do 1º Fórum Nacional de Segurança em Urnas Eletrônicas, promovido pelo ICMC, concluíram que o sistema atual brasileiro está sujeito a fraudes e encaminharam ao TSE um memorando apoiando a transição para um sistema mais seguro. O evento contou com especialistas em política e em segurança da informação, que discutiram as possibilidades tecnológicas de ocorrência de fraudes nas urnas eletrônicas utilizadas no Brasil.

27 de abril

Primeiro Campeonato de Cubo Mágico mobiliza São Carlos Os cubos mágicos invadiram o auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano do ICMC. Os competidores disputaram sete modalidades no evento aberto ao público, que contou com oficinas e demonstrações de resolução de cubo mágico durante os intervalos. Pedro Santos Guimarães venceu nas modalidades cubo de Rubik (3x3x3); cubo 4x4x4; cubo 2x2x2; cubo 3x3x3 com uma mão e Pyraminx. Já Willian Fidêncio foi o campeão na modalidade cubo 3x3x3 com os olhos vendados e Rafael Werneck Cinoto venceu na modalidade cubo 3x3x3 com os pés. A competição foi uma realização do

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Núcleo de Apoio à Pesquisa em Software Livre (NAPSoL) do ICMC e do projeto EESC ComVida da Escola de Engenharia de São Carlos.

15 de maio

Visita monitorada USP e as Profissões Aproximadamente 300 estudantes de cursos pré-vestibulares e do ensino médio, bem como pais e professores, lotaram o auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano para assistir à apresentação dos cursos do ICMC e a um seminário sobre matemática. Em seguida, puderam conhecer a infraestrutura do instituto e algumas pesquisas aqui produzidas. Os participantes receberam um kit com informações sobre os cursos e puderam tirar suas dúvidas diretamente com os coordenadores.

18 e 19 de maio

Trainee-Me mobiliza trainees das empresas juniores Temas como empreendedorismo, mercado de trabalho e motivação dominaram as palestras na 5ª edição do Trainee-Me, evento realizado pela ICMC Júnior, considerada – pelo Movimento Empresa Júnior (MEJ) – uma das melhores empresas juniores do Brasil. Destinado a promover a troca de experiências entre empresas juniores de diferentes cidades, o Trainee-Me é voltado aos trainees. Palestrantes de grandes empresas, muitos deles ex-empresários juniores, foram o destaque do evento.

26 de maio

Parceria com Poupatempo possibilita ação social no bairro Cidade Aracy Um total de 301 atendimentos, sendo 117 pedidos de primeira via de RG para menores de 18 anos, 101 relacionados ao e-poupatempo (serviços públicos disponíveis na internet) e 83 voltados ao fornecimento de informações diversas. Esse foi o resultado da parceria estabelecida entre o ICMC e o Poupatempo para a realização da 15ª edição da Ação Comunitária no bairro Cidade


Aracy, em São Carlos. O evento é promovido anualmente pela ONG Espaço Cidadão e, nesta edição, aconteceu na EMEB Afonso Fioca Vitalli (CAIC), oferecendo à comunidade vários serviços gratuitos, como atendimento médico e odontológico, apoio na expedição de documentos, corte de cabelo, atividades recreativas e culturais, dentre outros. O ICMC – que participa da ação desde 2004 por meio da Comissão de Cultura e Extensão Universitária e do grupo PET-Computação – colaborou com a infraestrutura computacional do evento, em especial para a execução dos serviços oferecidos pelo Poupatempo.

3 a 6 de junho

The Sugarcane Symposium reúne pesquisadores da área de Análise Real Realizado pela primeira vez na América do Sul, o simpósio internacional sobre Análise Real reuniu pesquisadores brasileiros e estrangeiros no ICMC, proporcionando um fórum para discussões e troca de ideias. O evento, que já está na 37ª edição, recebeu o apelido de The Sugarcane Symposium do periódico Real Analysis. Como apoia o evento, o periódico tem como tradição nomeá-lo “carinhosamente”, levando em conta as características do local em que será realizado. No caso de São Carlos, o destaque foi a produção de cana-de-açúcar. Voltado para professores e estudantes de pós-graduação, o simpósio foi organizado pelo Departamento de Matemática do ICMC, com apoio do INCTMat, SBMAC, FAPESP, CNPq e CAPES.

4 a 6 de junho

Feira de Profissões da USP em Piracicaba divulga cursos do ICMC Levar os alunos do ensino médio e vestibulandos a conhecer os cursos de graduação oferecidos pela ICMC, a estrutura existente na unidade e algumas das pesquisas e atividades extracurriculares aqui realizadas. Foi com esse objetivo que o Instituto participou da 12ª Feira de Profissões

da USP Interior, realizada no ginásio de esportes do campus Luiz de Queiroz, em Piracicaba. No estande do ICMC, os jovens puderam conhecer o futebol de robôs do grupo Warthog Robotics; os robôs de pequeno porte do Laboratório de Robótica Móvel; o Virtuosi!, jogo musical do grupo Fellowship of the Game; e os jogos matemáticos do Laboratório de Educação Matemática, como a Torre de Hanói. Professores e alunos ficaram à disposição para fornecer informações.

21 de junho

Na biblioteca, imagens contam um pouco da história de São Carlos As mil faces de São Carlos podem ser conferidas na exposição Fotografar São Carlos - 155 anos, que ocupa o saguão e o primeiro andar da Biblioteca Achille Bassi, no ICMC, até dia 10 de agosto. Inaugurada em 21 de junho, a exposição conta com a participação de 16 fotógrafos e, entre eles, está o professor do ICMC Marinho Andrade. As 230 imagens expostas são resultado de um projeto desenvolvido na Oficina Cultural Sergio Buarque de Hollanda e coordenado pelo fotógrafo Carlos Altino entre junho e outubro de 2011. Já a realização da exposição no ICMC é uma iniciativa da Comissão de Cultura e Extensão Universitária. Para conferir as fotografias, gratuitamente, basta ir ao saguão e ao primeiro andar da biblioteca, de segunda a sexta-feira, das 8 às 18 horas.

CAIS: aproximando a sociedade da universidade Alan, aluno do Projeto Pequeno Cidadão da USP de São Carlos, tem apenas 14 anos, mas já decidiu onde quer estudar: “Gostei de aprender sobre o robô Nao e como ele funciona. Tenho vontade de estudar aqui na USP”. O estudante participou da primeira Ação de Integração Social promovida no ICMC no mês de abril deste ano: Páscoa no ICMC. A ação contou com a participação de 110 crianças do Projeto Pequeno Cidadão que visitaram o Instituto, conheceram

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dois projetos de pesquisa desenvolvidos aqui e, ao final, ganharam ovos de páscoa arrecadados pela comunidade interna. Os demais ovos foram doados aos abrigos Cantinho Fraterno Dona Maria Jacinta e Cantinho de Luz. Para colocar em prática ações como essas, instituiu-se em 19 de março a Comissão de Ação e Integração Social (CAIS). Composta por 13 servidores técnico-administrativos e 4 docentes, a CAIS tem como objetivo formular e executar ações educacionais, artísticas e culturais, de cunho social, integrando e aproximando a comunidade externa ao ICMC. No mês de maio foi a vez das funcionárias que prestam serviços terceirizados de limpeza e das servidoras aposentadas interagirem com o quadro funcional do Instituto. A ação A Mãe-Mulher no ICMC, em comemoração ao Dia das Mães, trouxe a psicóloga Salete Xavier São Bernardo para ministrar a palestra 2014: Os Desafios da Mulher e apresentou a todas o projeto de pesquisa AllBodyScan 3D, do professor Mário Gazziro. Além da palestra de interação entre as mulheres, ao final, o funcionário Erick Previato emocionou o público presente com canções em homenagem às mães. Além da ação do Dia das Mães, o mês de maio contou também com o Dia do Desafio. Em 2013, a cidade de São Carlos competiu com Teresópolis (RJ). Mesmo sob um clima frio e chuvoso, no dia 29 de maio, o ICMC contou com a participação de 43 colaboradores entre docentes, funcionários e alunos numa sessão de alongamentos e ginástica laboral. Apesar do município de Teresópolis mobilizar mais participantes que São Carlos, o resultado foi considerado positivo, pois além de exercitar o corpo, os participantes promoveram a integração social, a criatividade, a liderança e o espírito de equipe. A CAIS, juntamente com a Comissão de Cultura de Extensão Universitária, continuará promovendo, durante todo o ano, ações de integração social em datas festivas, cívicas e comemorativas. Para aprimorar nosso trabalho, contamos com a participação de toda a comunidade ICMC. Para colaborar, fique atento às divulgações das ações no site do Instituto.


HOMENAGENS E PREMIAÇÕES

O docente e vice-diretor do ICMC, Alexandre Nolasco de Carvalho, tomou posse como membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC) em cerimônia realizada no dia 7 de maio, no Rio de Janeiro. O pesquisador, que assume uma das cadeiras na área de Ciências Matemáticas, foi eleito no final de 2012 junto com outros 35 cientistas de excelência em todas as áreas do conhecimento contempladas pela ABC.

Associação internacional de estatística elege docente do ICMC O International Statistical Institute (ISI), associação científica que reúne estatísticos de todo o mundo, elegeu como membro o professor do ICMC Francisco Louzada Neto. O órgão tem como objetivo o desenvolvimento e aplicação de métodos estatísticos, visando à melhoria da educação nessa área de conhecimento. Além disso, a instituição forma uma rede internacional de contatos e promove conferências e reuniões, permitindo a troca de experiências e ideias.

Artigo em lista de notáveis do ano O artigo Accelerometers data interoperability: easing interactive applications development, de autoria de pesquisadores do ICMC, figurou na lista dos trabalhos notáveis publicados em 2012, compilada pela ACM Computing Reviews. O trabalho, apresentado no 18th Brazilian Symposium on Multimedia and the Web (WebMedia 2012), no mês de

outubro, em São Paulo, investiga o uso de acelerômetros para interação entre usuário e aplicações, através de gestos e outros meios menos intrusivos. Os autores são dois professores do Departamento de Ciências de Computação – Marcelo Manzato e Rudinei Goularte – além do aluno de pós-graduação em Ciências de Computação e Matemática Computacional, Jorge Carvalho.

produtos e gera QRCodes, que podem ser exibidos em monitores de mídia out of home. Por meio desses códigos, o comprador é automaticamente direcionado à página do produto, onde poderá efetuar a compra através de seu telefone celular. O resultado foi anunciado no dia 3 de abril.

NOTAS E COMUNICADOS

Tese do ICMC recebe prêmio Destaque USP A tese de doutorado Aprendizado de máquina em redes complexas: modelagem, análise e aplicações, defendida em dezembro de 2012 no ICMC, recebeu o Prêmio Tese Destaque USP na área de Ciências Exatas e da Terra. O trabalho é de autoria de Thiago Christiano Silva e foi orientado pelo professor Zhao Liang, por meio do Programa de Pós-Graduação em Ciências de Computação e Matemática Computacional. A tese investigou as possíveis vantagens oferecidas por redes complexas no aprendizado de máquina, e propôs um método híbrido de classificação supervisionada que permitiu melhorar o desempenho de técnicas tradicionais de classificação.

Estudante e egressos vencem concurso do MercadoLivre

Docente integra programa Aproxima-Ação A Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária indicou, em maio, a professora do ICMC Solange Rezende para participar como membro da Comissão Acadêmica do programa Aproxima-Ação. Voltado às comunidades vizinhas aos campi da USP, com foco na redução de riscos e de aprimoramento pessoal e coletivo dos moradores, principalmente crianças e adolescentes, o programa era chamado de Avizinhar anteriormente. A professora também é presidente da Comissão de Cultura e Extensão do ICMC.

Professora é nomeada substituta do Pró-reitor de Pós-Graduação Em maio, a professora Agma Traina foi nomeada como segunda substituta do Pró-Reitor de Pós-Graduação da USP, professor Vahan Agopyan.

Projeto de prateleira virtual foi premiado

Divulgação

Nolasco assume uma das cadeiras na área de Ciências Matemáticas

Cristina Lacerda/ABC

Posse na Academia Brasileira de Ciências

A campeã do 1ª Hackathon Livre, concurso cultural voltado para desenvolvedores organizado pela empresa MercadoLivre, foi uma equipe formada pelos egressos Glauber Campinho e Raphael Ferras Silva, ambos do curso de Bacharelado em Ciências de Computação, e pelo estudante do curso de Engenharia de Computação Mauricio Giordano. O projeto desenvolvido por eles consiste em uma prateleira virtual em que o vendedor cadastra seus

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Quem passou por aqui Nos meses de abril, maio e junho, o ICMC recebeu diversas visitas, com destaque para o fortalecimento das perspectivas internacional e de extensão comunitária: • Philips Research: em 22 de abril, dois representantes da instituição, que colabora com o desenvolvimento de pesquisas para a Philips, conheceram os grupos de pesquisa do ICMC e os principais projetos desenvolvidos pela instituição, com o objetivo de consolidar possíveis parcerias e interesses de pesquisa. Os visitantes foram Carsten Oliver Schirra e Thomas Wendler.


• Université de Bretagne: em 10 de maio, foi a vez de Jean Peeters, reitor da Université de Bretagne-Sud (UBS), situada na França, conhecer o ICMC. Durante a visita, houve a assinatura de um convênio entre as duas instituições para promover a cooperação acadêmica na área de Ciências de Computação. • Blekinge Institute of Technology: a pesquisadora Emília Mendes, que atua no Laboratório de Pesquisa em Engenharia de Software do Blekinge Institute of Technology, da Suécia, visitou o ICMC entre os dias 23 e 25 de abril com a finalidade de analisar possíveis convênios de cooperação acadêmica, incluin-

do o intercâmbio de estudantes de graduação para a Suécia por meio do programa Ciência sem Fronteiras. • Universidade de Maryland: Carolyn Seaman, pesquisadora do Fraunhofer Center for Experimental Software Engineering da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, esteve no ICMC entre os dias 17 e 19 de junho para discutir cooperação acadêmica e ministrar palestras na área de engenharia de software. • Universidade Federal de Goiás: a doutora em museologia Manuelina Cândido, atualmente professora da Universidade Federal de Goiás, visitou o

ICMC nos dias 17 e 18 de junho para traçar um diagnóstico de preservação e conservação das peças que compõem o acervo do Museu de Computação Odelar Leite Linhares. Além disso, a pesquisadora também ministrou um curso de extensão sobre gestão de museus. • Associação VERA: no dia 14 de junho, a ICMC Júnior recebeu jovens da Associação VERA, organização de assistência social do bairro Cidade Aracy, em São Carlos. A visita, promovida no âmbito do projeto Inclusão.com, proporcionou aos jovens, com idade entre 14 e 17 anos, uma aproximação com a universidade.

POR ONDE ANDA?

Arquivo pessoal

Ana Paula Appel

“Sou natural de São Carlos e, diferentemente da grande maioria dos meus colegas, não precisei me mudar para fazer graduação, mestrado e doutorado. Minha chegada ao ICMC foi em fevereiro de 2001, havia acabado minha graduação em Ciência da Computação na UFSCar e fui aceita no mestrado. Fiz mestrado na área de Banco de Dados com o professor Caetano, trabalhando no desenvolvimento de uma ferramenta para consulta a banco de dados usando álgebra relacional. Após o término do mestrado, continuei trabalhando com o professor Caetano, mas havia uma fila de ex-alunos do mestrado querendo doutorado com ele e tive que esperar. Em paralelo, trabalhei como professora substituta tanto no ICMC quanto na UFSCar e, depois, participei do projeto TIDIA como bolsista, juntamente com o professor Dietrich Schiel, no CDCC, e a professora Maria das Graças, do Intermídia. Em 2005, entrei oficialmente no doutorado, também com o professor Caetano. Durante o doutorado, conheci Adriano, também aluno do professor Caetano, e

começamos a namorar. Foram tempos bem divertidos. Em 2008 fui para o doutorado sanduíche na Carnegie Mellon com o professor Christos Faloutos, onde fiquei por um ano. Foi um aprendizado muito legal, apesar de ter sido um esforço grande, pois nunca havia saído do país e comecei a trabalhar na área de mineração de grafos, que era totalmente nova para mim. Ao final do doutorado, comecei a tentar alguns concursos para mestre. Apesar de ter sido aprovada em alguns, acabei não sendo chamada, pois sempre ficava em segundo. Esse período foi bem desgastante, pois nessa época meu pai foi diagnosticado com câncer e havia a pressão do final do doutorado. Após a defesa, em maio de 2010, comecei a tentar concursos na região, pois queria ficar próxima a São Carlos, meu pai havia falecido, não queria deixar minha mãe sozinha e o Adriano havia passado em um concurso para analista no ICMC. Também tentei um pós-doutorado na UFSCar com o professor Estevam Hruschka. Mas, como a bolsa não saiu, acabei aceitando uma vaga na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), no campus da cidade de São Mateus (250 km acima de Vitória), reaproveitamento de um concurso que fiz para Universidade Federal de Alfenas, no qual fiquei em segundo lugar. Quando aceitei a vaga na UFES, o CNPQ reconsiderou meu pedido de bolsa. Como a contratação na UFES foi após o aceite da bolsa e a universidade ficava a mais de 250 km da UFSCar, consegui acumular a bolsa e a vaga, o qu e me

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ajudou a ter liberação e conseguir vir para São Carlos com frequência. Fiquei um ano e quatro meses trabalhando na UFES e, nesse período, casei com o Adriano. Porém, ficamos separados, já que ele continuou trabalhando no ICMC. Foi muito complicado, mas ele e minha família me apoiaram bastante, eu tentava vir todo mês, adiantava as minhas aulas, meu alunos ajudavam e entendiam. Entretanto, devido à distância, resolvi voltar a prestar concursos, agora em outros estados, mas com a condição de ser uma cidade grande, assim seria possível o Adriano encontrar emprego. Fui aprovada para a UNB em Brasília e também me candidatei para uma vaga no recém-inaugurado laboratório de pesquisa da IBM Research Brasil. Achei a ideia de ir para um laboratório de pesquisa bem atraente. Sempre gostei muito mais de fazer de pesquisa do que dar aula, apesar de não ter problemas para falar em público. Acabei sendo chamada para a IBM Research e vim para o laboratório de São Paulo, o Adriano conseguiu se transferir para o campus daqui e, um mês antes de completarmos um ano de casado, fomos finalmente morar juntos. Agora, depois de um ano na IBM Research, estou muito feliz. Faço pesquisa aplicada na área de mineração de dados e grafos. Temos um grupo bem legal, que lembra muito a época de mestrado e doutorado, do qual tenho muita saudade. A oportunidade de fazer doutorado sanduíche dada pelo ICMC e a exigência de publicação em boas conferências foram essenciais para eu conseguir essa vaga.”


ESPECIAL

Computação em nuvem marca referência do ICMC em tecnologia de informação na USP

Novos servidores oferecem maior disponibilidade e eficiência.

Nos últimos anos, o ICMC tem se tornado referência na USP pelos projetos de infraestrutura em Tecnologia de Informação (TI). A base do desenvolvimento dessas novas ferramentas implantadas no Instituto é o conceito de cloud computing, ou computação em nuvem, em que o acesso a aplicações (do tipo e-mail, redes sociais etc), armazenamento (como no Dropbox ou Google Drive) e processamento (caso o usuário precise executar um programa seu) pode ser feito a partir de plataformas simples que estejam conectada à internet. A grande vantagem é que os usuários, sejam eles indivíduos ou grupos de pesquisa, não precisam se preocupar com proteção de servidores, custos de energia e manutenção, backups, disponibilidade de dados durante viagens etc. O conceito de computação em nuvem já é aplicado com frequência no dia a dia de muitos usuários, por meio de serviços gratuitos e popularizados, oferecidos por empresas como a Amazon, Google, IBM e Microsoft. A USP já tem sua própria tecnologia de nuvem, para o serviço de e-mail e sistemas corporativos como Júpiter, Marte e Mercúrio. A "nuvem do ICMC" tem o mesmo conceito, voltado para o ambiente de pesquisa. O chefe da Seção Técnica de Informática (STI) do Instituto, Dagoberto Carvalio Junior, explicou que os novos servidores oferecem maior disponibilida-

Nilton Júnior/Artyphotos

Projetos recentes modernizaram a infraestrutura computacional do Instituto e melhoraram os serviços oferecidos aos usuários

de e eficiência. "No futuro os grupos de pesquisa não terão mais necessidade de comprar discos, backups, servidores especializados para suas páginas web, por exemplo. Nós cedemos essas áreas e, por conta da nossa infraestrutura em datacenter, conseguimos ter maior disponibilidade e, consequentemente, o grupo é beneficiado com isso", explicou. A arquitetura utilizada para a construção do sistema de computação em nuvem no Instituto foi a IaaS - Infrastructure as a Service, ou Infraestrutura como Serviço, que partilha a capacidade de processamento e armazenamento disponíveis nas plataformas da STI em máquinas virtuais, que se conformam às necessidades dos usuários. Para chegar nesse nível de infraestrutura, foi investido cerca de R$ 1 milhão, dos quais R$ 450 mil apenas em storages, dispositivos projetados especificamente para armazenamento de dados, em que, através de uma conexão via rede, é possível conectar os servidores a um único ponto, expandindo a capacidade e garantindo maior flexibilidade, gerando economia de energia e recursos humanos. Nesse momento os storages do ICMC garantem uma capacidade de armazenamento de 216 terabytes, com grande capacidade para escalabilidade no futuro. A rede é parte importante para o acesso à nuvem e, no ICMC, tanto a rede cabe-

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ada como a sem fio receberam investimentos significativos para melhoria. A rede sem fio conta com 24 pontos de acesso e, em média, 300 usuários conectados a uma velocidade média de 200 megabits por segundo. O Instituto utiliza uma arquitetura de rede sem fio controlada, na qual existe um controlador central que orquestra todas as bases de rádio instaladas no Instituto. Pelos sinais de rádio, esse controlador consegue administrar os pontos de acesso de forma que um não interfira no outro, além de fazer balanceamento da carga. "Se em um ponto de acesso temos vinte usuários e em outro ponto temos apenas dois, o controlador balanceia, deslocando uma parte dos usuários de um ponto para outro", explicou Dagoberto.

Planejamento O órgão responsável pela coordenação do projeto de computação em nuvem do ICMC é a Comissão de Informática. O professor Edson Moreira, integrante da comissão e professor do Departamento de Sistemas de Computação, informou que existe uma iniciativa da administração central da USP em prover uma nuvem que cubra toda a universidade. "No entanto, enquanto aquele sistema não vem, o projeto do ICMC foi importante para criar modelos adequados para nossa realidade, que tem particularidades, para treinar os nossos recursos humanos e estar em dia com as tecnologias de ponta em TI. O Instituto tem atribuições que dependem muito de TI como atividade fim. Por isso temos que estar atentos para termos infraestruturas adequadas às demandas da comunidade", explicou Moreira. O analista de sistemas e assistente administrativo do ICMC, Luiz Carlos Dotta, explicou que o Instituto está servindo de modelo para a aplicação de novas tecnologias na USP. "São estratégias que usamos que acabam sendo implantadas por outras Unidades e pela Instituição como um todo", concluiu. Por: Fernanda Vilela


Arquivo Pessoal

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INGRESSANTES

Cynthia de Oliveira Lage Ferreira

Denise Casatti

Luciano Lacerda Silveira

Robson Leonardo Ferreira Cordeiro

Área: Departamento de Matemática Aplicada e Estatística. Função: Professor Doutor. Cidade natal: Rio de Janeiro (RJ). Hobby: Cinema, especialmente o francês. Um sonho: Viver uns 100 anos para poder contar histórias aos mais novos. Uma ideia de felicidade: O simples fato de ter a vida, que como dizia Gonzaguinha, "é a vida, é bonita e é bonita...". Uma citação: "O essencial é invisível aos olhos" (Antoine de Saint-Exupéry).

Área: Seção de Apoio Institucional. Função: Analista de Comunicação. Cidade natal: Araçatuba (SP). Hobby: Pintar aquarelas. Um sonho: Fazer doutorado. Uma ideia de felicidade: viver a vida plenamente, desenvolvendo todo o nosso potencial. Uma citação: "... a alma de uma mulher é mais velha que o tempo, e seu espírito é eternamente jovem..." (Clarissa Pinkola Estés).

Área: Seção Técnica de Informática/Núcleo de Apoio à Pesquisa em Software Livre. Função: Especialista em Laboratório. Cidade natal: Campo Grande (MS). Hobby: Leitura. Um sonho: Que as pessoas pudessem viver em paz. Uma ideia de felicidade: Estar perto das pessoas que amo. Uma citação: "De que serve ao homem conquistar o mundo inteiro se perder a alma?" (Marcos 8:36).

Área: Departamento de Ciências de Computação. Função: Professor Doutor. Cidade natal: Mococa (SP). Hobby: Tecnologia. Um sonho: Reencontrar meus falecidos pais (em outra vida, talvez). Uma ideia de felicidade: Estar em família. Uma citação: "Dons não bastam para que alguém seja bem sucedido. Eles são apenas parte dos elementos que ajudarão a pessoa perseverante a alcançar o sucesso" (autoria desconhecida).

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Divulgação

QUEM SOU EU?


Neylor Fabiano

ANIVERSARIANTES

ABRIL 01 - Elaine Parros Machado de Sousa (SCC) 05 - Denis Fernando Wolf (SSC) 08 - Juliana Cobre (SME) 09 - Dóra Versetti (SVCONBA) 09 - Vera Aparecida Moraes da Silva (SVAPAC) 11 - Eder Bernardes da Silva (SVMAT) 12 - Ana Paula Peron (SMA) 12 - Cláudio Fabiano Motta Toledo (SSC) 14 - José Eduardo Amorim Pires (STI) 15 - Elisa Yumi Nakagawa (SSC) 17 - Evandro Raimundo da Silva (SMA) 17 - Regilene Delazari dos Santos Oliveira (SMA) 18 - Rogerio Miguel Bomfim Pascual (STI) 21 - Glauciema Brehmer Machado (SSC) 22 - éder Ritis Aragão Costa (SMA) 22 - Marcos José Santana (SSC) 23 - Antonio Gonçalves Lima (SCGRAF) 24 - Gláucia Maria Saia Cristianini (BAB) 25 - Marcos José Pisani (SCGRAF) 27 - Gustavo Carlos Buscaglia (SME) 28 - Thiago Alexandre Salgueiro Pardo (SCC) 29 - José Eduardo Prado Pires de Campos (SMA) 30 - Gislene Fracolla (BAB) 30 - Regina Helena Carlucci Santana (SSC) 30 - Rosana Teresinha Vaccare Braga (SSC)

MAIO 02 - Paulo Afonso Faria da Veiga (SME) 02 - Paulo Cesar Soares de Oliveira (STI) 04 - Maria do Carmo Carbinatto (SMA) 04 - Mário de Castro Andrade Filho (SME) 08 - Silvio Pomin (STI) 09 - Renata Cristina Bertoldi (SVPEXP) 10 - Roberta Godoi Wik Atique (SMA) 11 - Ana Carolina Venere Murata (SVPG) 12 - Marcos Nereu Arenales (SME) 12 - Mauro Flavio Spreafico (SMA) 12 - Rodrigo Fernandes de Mello (SCC) 13 - Luiz Renato Nunes (SVMAT) 15 - Ivani Conceição Tagliadelo Bragatto (BAB) 22 - Everaldo de Mello Bonotto (SME) 23 - Agma Juci Machado Traina (SCC) 23 - Fernando Santos Osório (SSC) 23 - Jorge Luis Bazán Guzmán (SME) 24 - Carlos Henrique Grossi Ferreira (SMA) 25 - Ali Tahzibi (SMA) 25 - João Antonio Aparecido Salla (DIR) 29 - Rodrigo Mantovani Pierobon (STI) 30 - Marcio Fuzeto Gameiro (SME) 30 - Pedro Geraldo Jacinto (SVAPOPER) 31 - Marlene Maria Gatti Kawakani (DIR)

HUMOR

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JUNHO 01 - Eduardo Marques (SSC) 02 - Fabrício Simeoni de Sousa (SME) 04 - Maria Alice Soares de Castro (STI) 06 - Lycaena Débora Jarina Couvre (ATAC) 07 - Solange Oliveira Rezende (SCC) 12 - Ellen Francine Barbosa (SSC) 13 - Hermano de Souza Ribeiro (SMA) 13 - Sueli Mieko Tanaka Aki (SMA) 14 - Igor Vitório Custódio (STI) 14 - Maria da Graça Campos Pimentel (SCC) 18 - José Luis de Souza Cabral (STI) 19 - Ires Dias (SMA) 21 - Ana Quintina de Oliveira Fernandes (BAB) 21 - Rosana Vieira (Secretaria do SME) 24 - Afonso Paiva Neto (SME) 26 - Douglas Tadeu de Oliveira (SVCONT) 26 - Luiz Fernando Cadei (STI) 29 - Aline Hidemi Hayashida de Barros (ATAD)


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ICMCotidiano - edição 101  

Revista ICMCotidiano, maio, abril e junho de 2013 • ano 14 • número 101

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