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o t n e m a ç Lan

CODIGO: J3403/ABR2009

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Sumário Leveduras e seus derivados A evolução na alimentação avícola

Automação Técnicas ajudam na tomada de decisões e minimizam riscos

28

Postura em foco

Dia Mundial do Ovo motiva comemorações

18

Informe Técnico-Empresarial

Ciência Avícola Resíduos de galinhas poedeiras e nova finalidade para penas são temas de pesquisa

Espiroquetose Intestinal Aviária

36 16 24

Eventos................................................................. 04 Notícias Curtas..................................................... 06 AviGuia................................................................ 26 Portfólio Aviguia ................................................ 56 ESTATÍSTICAS E PREÇOS

Ponto final Mara Eliza Gasino Jolneau avalia o credenciamento do CDME

expediente Produção Animal - Avicultura ISSN 1983-0017 Coordenador Editorial José Carlos Godoy jcgodoy@avisite.com.br MTB - 9782 Comercial Paulo Godoy Christiane Galusni publicidade@avisite.com.br Redação Érica Barros Thaís Façanha Maruoka imprensa@avisite.com.br Diagramação e arte Mundo Agro e Grupo WL luciano.senise@grupowl.com.br Internet Darcy Júnior webmaster@avisite.com.br Circulação e assinatura Cristiane dos Santos (19) 3241-9292 assinatura@avisite.com.br Fale com a redação! imprensa@avisite.com.br Tel: (19) 3241 9292 Mundo Agro Editora Ltda. Rua Erasmo Braga, 1153 13070-147 - Campinas, SP

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Produção e mercado em resumo........................................... 44 Alojamento de matrizes de corte.......................................... 45 Produção de pintos de corte................................................. 46 Produção de carne de frango.................................................47 Exportação de carne de frango............................................ 48 Disponibilidade interna de carne de frango........................ 49 Alojamento de matrizes de postura..................................... 50 Alojamento de pintainhas comerciais de postura................51 Desempenho do frango vivo no mês de outubro................ 52 Desempenho do ovo no mês de outubro............................. 53 Matérias-primas...................................................................... 54

eDITORIAL

Tecnologia é palavra-chave na nutrição e na produção de frangos de corte Na edição de novembro de 2008 da Revista do AviSite, a crise econômica internacional dava seus primeiros sinais e não se sabia qual seria o tamanho do desafio para o ano que chegava. Agora que mais um final de ano se aproxima, a avicultura pode dar um suspiro de alívio e dizer que sobreviveu ao ano da crise, apesar da retração nos números de exportação, previsíveis devido ao cenário internacional. Além disso, nesta edição da Revista, os leitores podem conferir a segunda parte da matéria que aborda a automação na avicultura brasileira. Agora, é a tecnologia na produção de frango que está em pauta, mostrando que a automação e a informatização são um caminho sem volta, mas que profissionais ca-

pacitados é que continuam (e continuarão) fazendo a diferença (página 28). O uso das leveduras na alimentação avícola também está em destaque nesta edição. As matérias sobre nutrição sempre despertam grande interesse no setor, mas vale destacar este segmento, que apresenta grande potencial de crescimento no Brasil e se coloca como uma das alternativas viáveis ao uso de antibióticos promotores de crescimento (página 36). A próxima edição da Revista do AviSite contará com as previsões do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e de representantes do setor avícola nacional, traçando cenários e perspectivas para o setor em 2010. Não perca! Produção Animal | Avicultura 3


Eventos

2009

Fevereiro

Novembro

1 a 3 de fevereiro VIV Índia 2010 Local: Bangalore International Exhibition Centre, Bangalore, Índia Informações: www.viv.net E-mail: viv.india@interads.in

11 a 13 de novembro I Congresso Internacional sobre Nutrição de Aves e Suínos Local: Auditório do Instituto Agronômico de Campinas Av. Barão de Itapura, 1481 Realização: CBNA Informações: www.cbna.com.br E-mail: cbna@cbna.com.br 18 a 19 de novembro V Encontro Técnico Unifrango Local: Centro de Eventos Araucária, Maringá, PR Realização: Unifrango Contato: (44) 2103-6600 Informações: www.unifrango.com.br

Dezembro 2 e 3 de dezembro Workshop Atualidades e Futuro da Incidência e Controle da Bronquite Infecciosa na Avicultura Brasileira Local: IBE Centro de Convenções, Rua José Paulino, 1369, Centro, Campinas, SP Realização: FACTA Contato: (19) 3243-6555 Informações: www.facta.org.br/bronquite E-mail: facta@facta.org.br 5 de dezembro Churrascão da AVIMIG Local: Limas de Iguaratinga, Minas Gerais Realização: AVIMIG Informações: www.avimig.com.br

2010 Janeiro 27 a 29 de janeiro 62ª International Poultry Feed Expo Local: Georgia World Congress Center - Atlanta, Geórgia – EUA Realização: US Poultry & Egg Association Contato: (770) 493-9401 Informações: www.internationalpoultryexposition.com

4 Produção Animal | Avicultura

6 a 8 de abril XI Simpósio Brasil Sul de Avicultura Local: Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nês, Chapecó, SC Realização: Núcleo Oeste de Médicos Veterinários E-mail: nucleovet@nucleovet.com.br 20 a 22 de abril VIV Europe Local: Utrecht, Holanda Informações: www.viv.net

Maio 25 a 28 de maio Feira Nacional do Frango (FENAFRANGO) Local: Passo Fundo, RS Realização: Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agropecuária e Sindicato Rural Informações: www.fenafrango.com.br

Agosto 23 a 27 de agosto XIII European Poultry Conference Local: Tours, França Informações: www.epc2010.org E-mail: secretariat@epc2010.org


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As mais lidas no AviSite em outubro de frango: três 1 Carne brasileiras entre as cinco maiores do mundo

A

revista especializada Poultry International, publicada pelo Grupo Watt, divulgou o ranking dos principais produtores de frangos das Américas (do Norte e “Latina”), Europa, África, Ásia e Oceania. Confira os vencedores na página 08.

Alerta: “efeito serrote” 2 pode se tornar uma constante na avicultura de corte

U

m executivo do setor alerta que a avicultura de corte tende a apresentar constantemente o que chama de “efeito serrote”, com altas e baixas contínuas na produção. Isto só ocorre porque o potencial de produção instalado permanece visivelmente acima da demanda efetiva. Isso faz com que ao mínimo sinal de melhora do mercado o setor volte a produzir a pleno (ou quase pleno) potencial.

de corte têm o 3 Matrizes menor alojamento dos últimos cinco meses

E

m setembro passado, conforme a UBA, foram alojadas no Brasil 3,648 milhões de matrizes de corte, 5,6% a menos que no mesmo mês do ano anterior. Em relação ao mês anterior a redução foi de 8,3% em valores nominais e de 5,2% em valores reais, ou seja, levando em conta o número de dias de um e outro mês. Leia mais na página 45.

aperta cerco 5 MAPA contra produtos de origem animal na alimentação de ruminantes

O

Ministério da Agricultura aprovou novos procedimentos “a serem adotados na fiscalização de alimentos de ruminantes em estabelecimentos de criação e na destinação dos ruminantes que tiverem acesso a alimentos compostos por subprodutos de origem animal proibidos na sua alimentação” – o que inclui, entre os subprodutos da avicultura, a cama de frango, farinhas de vísceras e/ou de penas e farinhas de resíduos de abatedouros avícolas, cujo uso é proibido desde 2001. 6 Produção Animal | Avicultura

4 Robin Hood às avessas? N

a Lei 12.058 em que concedeu isenção de PIS e Cofins para bovinos vivos e seus derivados cárneos, a Presidência da República vetou artigo que previa a manutenção de isenção do Funrural para produtores pessoas físicas com produção animal destinada à reprodução ou à criação e à produção rural destinada ao plantio ou reflorestamento Um pequeno produtor inconformado conclui que “começa a se manifestar uma veia até agora desconhecida do nosso governo: tirar dos pobres (o produtor pessoa física) para dar aos ricos (o segmento de carne bovina)”.


Notícias | Brasil Corpo diretivo

A nova direção da ALA para o biênio 2009-2011 Cubano Alberto Ramirez é o novo presidente da associação

Ex-presidente da ALA, Ariel Mendes, e atual presidente Alberto Ramirez

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urante o XXI Congresso LatinoAmericano de Avicultura, realizado entre os dias 06 e 09 de outubro em Havana, Cuba, os delegados da Associação Latino-Americana de Avicultura (ALA), em Assembléia Geral, elegeram o novo Conselho Diretivo da entidade, agora presidida pelo cubano Alberto Ramirez. Assumindo a cadeira ocupada durante dois anos por Ariel Mendes, presi-

dente da União Brasileira de Avicultura (UBA), Ramirez terá pela frente o compromisso de manter o ritmo de trabalhos da gestão anterior, em prol da solidificação institucional e de parcerias do segmento avícola, além de visar à união dos países participantes da gestão. Abaixo a nova composição do corpo diretivo da ALA que, pela primeira vez em muitos anos, não tem nenhum brasileiro.

Associação Latino-Americana de Avicultura (ALA) Conselho Diretivo - Gestão 2009/2011 Presidente: Alberto Ramirez M., Cuba Vice-Presidente Técnico: Roberto Domenech, Argentina Vice-Presidente de Comunicações: Maria del Rosario De Falla, Guatemala Vice-Presidente de Relações Públicas: Alfredo Vélez L., Nicaraguá Secretário: Alberico Frachia, Uruguai Tesoureiro: Pedro Mitma O., Peru Vogal: Agustin Martinez, El Salvador Conselho Fiscal: Titular: Francisco Tagliapetra, Venezuela; Suplente: Manual Acosta, Equador Secretério Executivo: J. Isidoro Molfese, Argentina Produção Animal | Avicultura 7


Notícias | Brasil

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Ranking

Empresas brasileiras dominam as “top five” Três processadoras de frango estão entre as cinco maiores do mundo

A

revista especializada Poultry International, publicada pelo Grupo Watt, dedicou a edição de outubro às maiores empresas avícolas do mundo em 2009. Individualizado por continente, estava o ranking dos principais produtores de frangos das Américas (do Norte e “Latina”), Europa, África, Ásia e Oceania. Juntando-se tudo, se chega, mesmo que aproximadamente, aos principais “players” do mundo na carne de frango. Com a conclusão de que, entre os cinco primeiros, três deles são empresas brasileiras.

FRANGO

Ranking das maiores empresas do mundo MILHÕES DE CABEÇAS/ANO

Pilgrim's Pride* Tyson Foods EUA Brasil Foods 2.018 Brasil Doux 1.976 França 1.502 Estimativa do abate anual 1.086

Marfrig Brasil

734

Fonte dos dados básicos: Poultry International Elaboração e análises: AVISITE * Empresa norte-americana em processo de concordata, a Pilgrim's Pride está sendo adquirida pela brasileira JBS.

Decreto

IBGE

Abate de frango aumenta 3,8% Abatedouro de SP tem no 2º trimestre Carne produzida teve um crescimento de quase 5% crédito de ICMS O em venda interestadual Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou no dia 30 de setembro que o abate de frangos no segundo trimestre de 2009 aumentou 3,8% em relação ao trimestre anterior, o primeiro de 2009, mas retrocedeu 2,4% em relação a idêntico trimestre do ano passado. A carne decorrente desses abates

teve um aumento de quase 5% sobre o trimestre anterior e redução de 4,2% sobre o segundo trimestre de 2008. Feitas as contas, os frangos abatidos no trimestre mais recente tiveram um peso médio 1% superior sobre o trimestre inicial de 2009 e redução de quase 2% sobre o segundo trimestre de 2008.

FRANGO

A

Abate inspecionado* no segundo trimestre de 2009 Número de cabeças, peso total e peso médio Trimestre

Nº DE CABEÇAS (milhões)

PESO TOTAL (milhões/t)

PESO MÉDIO (kg)

2º de 2008

1,197

2,557

2,137

1º de 2009

1,125

2,337

2,078

2º de 2009

1,168

2,450

2,098

EVOLUÇÃO DO ABATE DE FRANGOS NO 1º SEMESTRE (milhões de cabeças)

2.388 2.129

VARIAÇÃO EM RELAÇÃO AOS TRIMESTRES ANTERIORES

Sem o 1º de 2009

3,8%

4,9%

1,0%

Sem o 2º de 2008

-2,4%

-4,2%

-1,8%

1.854

2.292

1.909

2005 2006 2007 2008 2009

Fonte dos dados básicos: IBGE | Elaboração e análises: AVISITE | * Inspeção federal, estadual e municipal 8 Produção Animal | Avicultura

Governo paulista acrescenta artigo nº 27 ao Anexo III do RICMS través do Decreto nº 54.897/09, publicado na edição de 10/10/2009 do Diário Oficial do Estado de São Paulo, o governo paulista introduziu alteração no Regulamento do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (RICMS). Isso significou acrescentar ao Anexo III do RICMS artigo (de número 27) que abre crédito de 7% na saída interestadual da carne de frango in natura. Para conferir o decreto na íntegra, acesse www.netcpa.com.br/ato. asp?codigo=1957&tipo=Estadual.


Notícias | Panorama Internacional Exportação brasileira

Embarques de frango devem recuar no quarto trimestre Redução poderá girar em torno de 20-25 mil toneladas a menos que em 2008

A

previsão de executivos de empresas importadoras é de que no quarto trimestre do ano os embarques de carne de frango dificilmente chegarão, na média, as 300 mil toneladas mensais. Isso antecipa que os resultados do período serão inferiores aos registrados no trimestre passado, ocasião em

CARNE DE FRANGO

Evolução trimestral das exportações nos anos 2000 MIL TONELADAS

que as exportações (estimativa) devem ter ficado aquém das 310 mil toneladas. Mantida a praxe em 2009, o recuo não se restringirá ao trimestre, mas ao ano. A redução, entretanto, não deverá ser significativa e pode girar em torno de meio por cento, o que significa cerca de 20-25 mil toneladas a menos que em 2008, ano em que foram registrados os maiores embarques da história das exportações brasileiras de carne de frango. O gráfico mostra os trimestres finais dos exercícios em que os embarques do produto ficaram aquém do terceiro trimestre.

bilhão, quase 17% da receita cambial obtida pelo país com as exportações de carne de frango. Mas em 2009 isso vem mudando. Entre janeiro e agosto, as importações japonesas se resumiram a pouco mais de 195 mil toneladas de carne de frango, volume 31% inferior ao registrado no mesmo período de 2008. A receita gerada recuou bem mais, quase 50%. Feitas as contas, o recuo nos embarques brasileiros observado em 2009, de 3,14% até agosto, tem como principal responsável o Japão. Pois enquanto as exportações totais do País apresentaram

Recuo nos embarques brasileiros observado em 2009, de 3,14% até agosto, tem como principal responsável o Japão queda de 78 mil toneladas, o volume importado pelo Japão recuou 90 mil toneladas.

Anúncio de recuo japonês preocupa exportadores brasileiros Terceiro maior importador mundial, o Japão tem no Brasil o principal fornecedor de carne de frango. No ano passado deixou em divisas por aqui, conforme dados da ABEF, perto de US$1,2 Produção Animal | Avicultura 9


Notícias | Panorama Internacional

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Embarques

Ave inteira é a que mais se valoriza na exportação Preço dos cortes recuou 26,6% em agosto, em relação a 2008

A

análise dos dados compilados pela Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (ABEF) junto à SECEX/MDIC revela que a crise econômica mundial afetou, sobretudo, as cotações dos cortes de frango, cujo preço recuou (dados de agosto) 26,6% em relação ao mesmo mês do ano passado. Em oposição, o produto menos afetado foi a carne de frango salgada, com queda de preço inferior a 5% no período analisado. Curiosamente, porém, quando analisados os mesmos preços em um período mais longo (24 meses), a carne salgada foi a única a apresentar evolução negativa – de exatos 2%.

CARNE de FRANGO

Evolução de preços do produto exportado Agosto de 2009 em relação ao mesmo mês de 2008 e 2007

Variação em 12 meses Inteiro -18,2% Cortes -26,6% Industrializado -12,9% Salgado -4,7% Preço -18,6% Médio

Variação em 24 meses 29,3% Inteiro 1,1% Cortes 8,7% Industrializado -2% Salgado Preço 11,8% Médio

Fonte dos dados básicos: ABEF | Elaboração e análises: AVISITE

Embarques

Brasil e EUA assinam Memorando de Entendimento Indústrias avícolas concordaram em trabalhar de maneira cooperativa

Representantes das entidades brasileiras e norte-americanas

L

íderes das indústrias avícolas dos Estados Unidos e Brasil assinaram na segunda semana de outubro um histórico Memorando de Entendimento concordando em trabalhar de maneira cooperativa em assuntos comuns enquanto

10 Produção Animal | Avicultura

se mantêm como grandes competidores. Brasil e EUA representam 80% das exportações de aves no mundo e concordaram em trabalhar juntos em objetivos comuns das indústrias, apesar da intensa competição entre eles. Derrubar

barreiras comerciais em todo o mundo, reduzir o impacto ambiental da produção de aves e combinar as forças em segurança de alimentos são algumas das metas desses grupos. As informações foram divulgadas pela ABEF.


Notícias/Panorama Internacinal Carne de frango

EUA mira, agora, o Oriente Médio Americanos tiveram um aumento de 52,8% na exportação para esta região

EUA

Evolução das exportações globais de carne de frango e das destinadas ao Oriente Médio Quinquênio 2005-2009 (período janeiro-julho) 2005= 100 Exportação para o Oriente Médio Exportação global

Fonte: USDA – Elaboração e análises: AVISITE

O

boletim do Serviço de Comercialização Agrícola do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) revela que nos sete primeiros meses de 2009, os 10 principais mercados de destino do frango dos EUA no Oriente Médio aumentaram suas compras em 157%, o que significou “saltar” das 122 mil toneladas entre janeiro e julho de 2008 para 314 mil toneladas no mesmo período de 2009. O USDA cita ainda que o Oriente Médio é o principal destino do frango do Brasil que, nos oito primeiros meses de 2009 (janeiro-agosto) exportou para a região 914 mil toneladas do produto, 20,6% a mais que no mesmo período

de 2008. Mesmo assim, o ganho obtido ficou visivelmente atrás daquele conquistado pelos exportadores dos EUA que, entre janeiro e julho obtiveram só na região um aumento de volume de 52,8%. Observe ainda no gráfico acima que no qüinqüênio 2005-2009 as exportações dos EUA para o Oriente Médio aumentaram quase 200%, enquanto o incremento das exportações globais do país ficou em 33%.

Balanço de janeiro a setembro Entre janeiro e setembro de 2009, enquanto as exportações brasileiras recuaram cerca de 4%, os embarques de

carne de frango destinados ao Oriente Médio aumentaram quase 20% em relação ao mesmo período de 2008 e, com um volume adicional de 168,2 mil toneladas, ultrapassaram ligeiramente o milhão de toneladas. Isso significou incremento de perto de 25% na participação, que passou de 30,1% do total entre janeiro e setembro de 2008 para 37,5% neste ano. Fora o Oriente Médio, apenas as vendas destinadas a países do continente africano registraram aumento. Mas embora o índice de incremento tenha sido quase similar (+19,5%), o adicional registrado (+49,3 mil toneladas) foi bem menos significativo. Produção Animal | Avicultura 11


Notícias | Panorama Internacional

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Mercado externo

H5N1

Rússia vai exportar carne de peru para países árabes

Influenza Aviária volta a se manifestar

Dentro da indústria avícola, segmento apresenta o mais rápido crescimento

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itado pelo site FoodBizDaily, o primeiro Vice-Ministro da Rússia, Victor Zubkov, afirmou que a indústria avícola russa já cumpriu todos os trâmites legais que permitirão, em futuro próximo, exportar carne de peru para os países árabes Na atualidade, o segmento produtor de carne de peru é que vem apresentando mais rápido crescimento dentro da indústria

avícola. De acordo com o primeiro ViceMinistro da Rússia, no ano passado foram repassados ao setor créditos no valor de 715 bilhões de rublos (cerca de US$14 bilhões). Além disso – ressalta – os empréstimos direcionados ao agronegócio estão sendo realizados numa base preferencial. E se necessário, o governo está preparado para rolar as dívidas por até 11 anos.

H1N1

Canadá detecta vírus H1N1 em granja de perus Esse é o segundo caso, no mundo, de infecção de aves por esse tipo de vírus

A

utoridades sanitárias da província de Ontário, no Canadá, relataram no dia 20 de outubro a detecção do vírus da Influenza A H1N1 em uma granja local dedicada à criação de perus. Aparentemente, esse é o segundo caso, no mundo, de infecção de aves por esse tipo de vírus. O primeiro foi

registrado no Chile em agosto passado e também foi registrado entre perus. Excetuado o caso chileno, até agora a presença do H1N1 na produção animal só havia sido detectada em suínos. Infecções do gênero foram registradas no Reino Unido, Noruega, Irlanda, Argentina, Canadá e EUA.

H5N1 II

IA pode ser uma doença sexualmente transmissível Pesquisa foi conduzida por universidade húngara

P

esquisadores húngaros da Universidade Eötvös Loränd, de Budapeste, estão despertando surpresas no mundo científico, pois apesar de se dedicarem às doenças aviárias, acabam de publicar o que aparenta ser um tratado sexual. Mas apesar de se dedicarem profundamente à avaliação das características de pênis e de vaginas, querem apenas demonstrar que é a anatomia dos órgãos sexuais de patos e patas que os torna hospedeiros quase naturais do vírus da Influenza Aviária. 12 Produção Animal | Avicultura

Brincadeira? Pois relato a respeito foi publicado na edição do dia 19 de outubro, pela renomada publicação New Scientist (www.newscientist.com), que, entrevistando os pesquisadores de Budapeste, descobriu que a hospedagem do vírus e sua disseminação para a mesma ou outras espécies têm tudo a ver com o tamanho do pênis dos machos e a complexidade da vagina das fêmeas. Mais informações: www.newscientist. com/article/dn18002#

Após surto na Espanha, vírus aparece na China e no Japão

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queda rápida das temperaturas e a próxima chegada do inverno no Hemisfério Norte já determinam o reaparecimento dos casos de Influenza Aviária, problema típico do frio. O tipo H7 da IA foi detectado em uma granja de postura comercial na região central da Espanha (Almoguera, província de Guadalajara). Esta foi a primeira ocorrência, no ano, de caso de alta patogenicidade em território europeu, que matou mais de 10% (três mil aves) do plantel da granja de poedeiras comerciais. Menos de uma semana depois, o H5N1 foi detectado no sul da China, cidade de Guangzhou. Desta vez a espécie afetada foram os patos, aves que – para alguns pesquisadores – são portadoras quase naturais do vírus sem serem por eles afetadas. O Ministério da Agricultura anunciou que, para um efetivo controle do problema, foram submetidos a sacrifício sanitário pelos serviços sanitários oficiais mais de 36 mil patos. Além da China, o Japão também registra caso de Influenza Aviária. O Ministério da Agricultura anunciou a detecção de um vírus de baixa patogenicidade entre as aves de uma fazenda pertencente à família imperial japonesa.


Empresas Reação

Aquisição

Cooperativas pensam em criação de “holding”

Justiça aprova compra da Pilgrim’s Pride pela JBS Empresa irá adquirir ações representando 64% do capital total da Pilgrim’s

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Empresas avaliam unificar operações internacionais devido à concentração de mercado

COOPERATIVAS

Posição e participação Entre os 50 maiores abatedouros de frango de 2007

Entre os 25 maiores exportadores de carne de frango de 2008

Aurora (7)

2,35%

C. Vale (7)

2,14%

Copacol (11) 1,44%

Aurora (9)

1,88%

C. Vale (15)

1,13%

Copacol (10) 1,62%

Lar (24)

0,78%

Lar (14)

ados do site Investimentos e Notícias, afirmam que o Departamento de Justiça norte-americano anunciou no dia 15 de outubro a conclusão de sua análise sobre a aquisição da Pilgrim’s Pride pela JBS USA Holdings Inc, decidindo-se pela aprovação da transação. De acordo com os termos negociados, a JBS USA irá adquirir ações representando 64% do capital total da Pilgrim’s por US$ 800 milhões, representando um valor de firma de US$ 2,8 bilhões.

Apesar disso, a conclusão da aquisição está sujeita à aprovação final do plano de reestruturação pela Corte Falimentar. A JBS estima que isso aconteça até o final do ano. “Tendo em vista nosso êxito nos segmentos de carne bovina e suína nos EUA, acreditamos estar bem posicionados para trazer a mesma energia para a Pilgrim’s Pride, seus funcionários e clientes”, afirmou em nota Wesley M. Batista, CEO da JBS USA Holdings.

1,18%

Coopavel (28) 0,66%

Languiru (16) 0,72%

Languiru (33) 0,55%

Copagril (19) 0,58%

Copagril (43) 0,46% Total

7,37%

Total

8,12%

Fonte dos dados básicos: UBA e ABEF Elaboração e análises: AVISITE Os números entre parênteses indicam a posição da cooperativa no respectivo ranking.

D

e acordo com o Valor Econômico, as cooperativas agroindustriais brasileiras conversam acerca da criação de uma “holding” unificando inclusive as operações internacionais – uma eventual resposta à concentração de mercado deflagrada por Brasil Foods e Marfrig. Isso ocorrendo, teriam 20% do mercado de carne de frango e de suínos. Os últimos dados da União Brasileira de Avicultura (UBA) a respeito datam de 2007 e mostram que naquele ano sete cooperativas agroindustriais se inseriam entre os 50 maiores abatedouros de frango do Brasil. Juntas, as sete responderam a 7,37% do abate nacional. Já nas exportações, seis delas aparecem na relação da Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frango (ABEF) que, entretanto, traz um “ranking” mais sucinto: os 25 maiores exportadores brasileiros. Em conjunto, as seis cooperativas integrantes do rol responderam por 8,12% dos quase 3,646 milhões de toneladas exportadas pelo Brasil no ano passado. Produção Animal | Avicultura 13


Empresas

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Habilitação

BRF

Avepar está apto a exportar

Brasil embarca peru para o Reino Unido

Com credenciamento, frigorífico inicia negociações com traders e compradores

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Avepar está habilitada para lista geral sob o SIF 2512, que inclui o estabelecimento na lista geral de exportadores de carnes de aves para carne de aves “in natura” e miúdos de aves “in natura”. “Agora a Avepar faz parte de um grupo seleto de empresas habilitadas para exportar com o aval do órgão cre-

denciador que é o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). O credenciamento para lista geral pelo MAPA foi assinado no dia 01 de outubro em Brasilia, e agora o frigorífico que tem capacidade para abater 200 mil aves/dia inicia as negociações com os traders e compradores.

Produto é o resultado de oito meses de pesquisa e desenvolvimento

Representantes da Avepar

Oposição

Oetker contesta fusão de Sadia e Perdigão Esse foi o primeiro registro de oposição ao negócio divulgado há cinco meses

D

e olho em uma possível aquisição e na possibilidade de aumentar sua participação de mercado, a alemã Dr. Oetker ingressou no último dia 9 de outubro com um pedido de oposição à fusão entre Sadia e Perdigão no Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Esse é o primeiro registro de oposição ao negócio divulgado há cinco meses registrado na autarquia vinculada ao Ministério da Justiça brasileiro. Juliano Maranhão, advogado do escritório Sampaio Ferraz, contratado pela multinacional alemã, relatou que a

14 Produção Animal | Avicultura

Oetker encomendou um estudo à consultoria americana Bates White para diagnosticar como ficaria o segmento de pratos congelados caso a fusão fosse aprovada sem restrições. Segundo a consultoria, a fusão irá dificultar a entrada de novas companhias no setor. O levantamento apontou que a aprovação sem restrições provocaria um fenômeno chamado de “efeito portfólio”, ou seja, a blindagem do mercado por várias marcas fortes que, entretanto, pertencem a uma única empresa.

as gôndolas da quarta maior rede inglesa de supermercados, a ASDA, já é possível encontrar o peru inteiro com aroma de manteiga, produzido pela BRF – Brasil Foods, exclusivamente para ser comercializado com a marca própria do varejista. O peru inteiro com aroma de manteiga, produzido em Carambeí (PR), é o resultado de oito meses de pesquisa e desenvolvimento, se tratando de um produto nobre de maior valor agregado, que até então saía do país como commodities, ou seja, a ave era vendida in natura para o varejista. As aves foram pré-selecionadas, respeitando-se uma determinada faixa de peso, de acordo com as especificações do cliente. Já a essência do aroma teve que ser importada do Canadá, pois de acordo com as exigências dos ingleses, era necessário ter uma quantidade específica de manteiga em sua composição.

Foto: Helena de Castro

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Bons resultados

Em expansão, Marfrig vê melhora no balanço Receita líquida alcançou R$ 2,403 bilhões, 57% mais que no mesmo período de 2008

S

egundo o Valor Online, a Marfrig encerrou o terceiro trimestre de 2009 com resultados melhores que em igual intervalo do ano passado. A empresa anunciou recentemente a aquisição da Seara e o arrendamento de 12 plantas de bovinos que eram operadas pelos frigoríficos Margen e Mercosul. O site ainda afirma que a receita líquida alcançou R$ 2,403 bilhões, 57% mais que no mesmo período de 2008. O

lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) subiu quase 60%, para R$ 272,5 milhões, e houve lucro líquido de R$ 200,5 milhões, contra prejuízo de R$ 52,7 milhões em 2008. A empresa destacou, em comunicado, alguns reflexos da contínua valorização do real em relação ao dólar. Como a maior parte da dívida é em dólar, “o efeito da apreciação da moeda brasileira gerou uma variação cambial ativa de R$

188,8 milhões, o que fez com que a companhia encerrasse o trimestre com um resultado financeiro positivo de R$ 68,7 milhões”. Para terminar, o Valor afirmou que as dívidas da Marfrig ficaram estáveis. “No fim do terceiro trimestre eram R$ 4,595 bilhões, ante R$ 4,525 bilhões ao término do segundo trimestre deste ano. Conforme a companhia, 74,2% dessas dívidas são de longo prazo”, afirma.

Evento

Rio Grande do Sul

Frangos Canção promove semana de prevenção a acidentes de trabalho

Mais frango inicia abate

Treinamento foi realizado em todas as unidades da empresa

S

A

Frangos Canção de Maringá (Norte do Paraná) realizou na penúltima semana de outubro, a Semana Interna de Prevenção de Acidentes no Trabalho (SIPAT) em todas as unidades da empresa. Com o tema “A segurança começa em casa”, o evento contou com palestras que abordam segurança no trabalho e cuidados com a saúde. Já foram realiza-

das ações na matriz, em Maringá, e nas filiais de São Manoel do Paraná e Douradina. Foram realizadas palestras e aplicados questionários que abordavam questões como segurança no lar, direção defensiva, saúde da mulher, doenças sexualmente transmissíveis e os benefícios da ginástica laboral e da atividade física à saúde.

Meta: 10 mil frangos por dia egundo o site da Rádio Progresso de Ijuí (RS), a empresa Mais Frango deu início, na terceira semana de outubro, ao abate no frigorífico, localizado à RS-330, em Miraguaí, RS. De acordo com um dos diretores da Mais Frango, Adelir Weissheimer, atualmente estão sendo abatidos 2.500 frangos. A meta é chegar ao abate de 10 mil frangos por dia. Produção Animal | Avicultura 15


Postura em Foco Dia do Ovo

Data motiva comemorações em todo o mundo, inclusive no Brasil Ovos Brasil marcou presença em eventos da área de saúde

O nutricionista Gabriel de Carvalho e o chef Renato Carioni no estande na Ovos Brasil em São Paulo

D

ia 09 de outubro, a segunda sextafeira do mês foi comemorado o Dia Mundial do Ovo. No Brasil, a Ovos Brasil marcou a data com a divulgação de releases para a imprensa em geral. Mas não só isso. Entre setembro e outubro, o instituto marcou presença em dois eventos da área de saúde. Primeiro, entre 24 e 26 de setembro, no V Congresso Internacional de Nutrição Clínica Funcional e IV Congresso Brasileiro de Nutrição Esportiva Funcional, em São Paulo. Depois, de 1 a 3 de outubro, no I Congresso Brasileiro de Alimentação Coletiva, em Porto Alegre.

Ovo Mollet servido em degustação

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No primeiro evento, a Ovos Brasil promoveu uma ação gastronômica especial em seu estande, convidando o chef Renato Carioni, do restaurante Cosi (em SP) a apresentar sua maior especialidade: o Ovo Mollet, cozido com técnicas rigorosas para que atinja o ponto perfeito de cozimento. No mesmo evento, o produto ainda foi tema de workshop ministrado pela nutricionista Valéria Paschoal, com o tema “Ovo, chocolate e óleo de coco: as gorduras do bem e seus componentes bioativos”. Já em Porto Alegre foram divulgadas informações sobre as propriedades nutricionais do ovo e seus principais benefícios à saúde. O também nutricionista Gabriel de Carvalho, introdutor do termo Nutrição Funcional no País, apresentou a palestra “Ovo: alimento funcional”, onde expôs os principais benefícios do ovo e sua importância na dieta humana. Uma das principais conclusões dos estudos do profissional é o apontamento da proteína do alimento como uma das mais qualificadas entre as demais. “O ovo oferece uma

proteína barata, de altíssimo valor biológico, de elevada digestão e de ótima absorção. Muito melhor do que o leite, a carne ou qualquer outro músculo, é um alimento incomparável em termos de qualidade”, afirma Carvalho. Foi promovida também uma degustação de omeletes feitos na hora no próprio estande, oferecida pela empresa Naturovos. A cada ano, o Dia do Ovo ganha crescente relevância em vários países da América Latina. Na vizinha Argentina aconteceu a 4ª edição da Semana Gourmet do Ovo, com a participação dos principais nomes da gastronomia do país, que apresentam receitas à base do alimento. De acordo com a Câmara Argentina dos Produtores Avícolas (CAPIA), em 2009 os argentinos devem consumir 212 ovos por pessoa. No Brasil, dividindo-se a produção total de ovos pelo número de habitantes do País, tem-se um consumo de 149 ovos per capita anuais. Coincidindo com a data, o Instituto Nacional Avícola (INA), do México, divulgou que em 2009 os mexicanos devem consumir 21,9 quilos de ovos frescos per capita, contra 21,7 quilos em 2008. Feitas as contas (média de 60 gramas por ovo), isso corresponde ao consumo de um ovo per capita/dia. Além de serem os primeiros do mundo no consumo do alimento, os mexicanos seguem ampliando a demanda do produto.

Estande da Ovos Brasil em evento em Porto Alegre


IBGE - 2º trimestre

Volume de ovos permaneceu estável No fim do primeiro semestre efetivo de galinhas poedeiras aproximava-se dos 110,5 milhões de cabeças

O

levantamento trimestral do IBGE relativo à produção animal brasileira mostrou que no segundo trimestre de 2009 foram produzidas no País 580,832 milhões de dúzias de ovos,

de 2009, correspondendo a um incremento de 2,2%, mesmo índice de aumento observado na produção de ovos. É oportuno notar que o levantamento inclui não apenas as poedeiras comerciais, mas também matrizes de corte e postura.

Sudeste detém quase a metade do plantel de poedeiras O levantamento trimestral realizado pelo IBGE sobre a produção de ovos de galinha também aponta que no fim do primeiro semestre deste ano (30 de junho de 2009) o efetivo brasileiro de galinhas poedeiras aproximava-se dos 110,5 milhões de cabeças, apresentando um incremento de 2,2% sobre o plantel existente na virada do primeiro para o segundo semestre de 2008. Alguns dos resultados apresentados coincidem totalmente com aqueles levantados pela própria avicultura. Assim, por exemplo, correspondeu a 49% do total o volume de pintainhas de postura alojadas pela Região Sudes-

te em 2008, enquanto no Centro-Oeste e no Norte do País esse percentual girou em torno de, respectivamente, 10% e 3%. Há, porém, significativa diferença nas Regiões Sul e Nordeste. Enquanto as pintainhas alojadas no Sul corresponderam a 18% do total, o plantel levantado pelo IBGE representa 25% sete pontos percentuais a mais, o equivalente a quase oito milhões de cabeças. Em função desse acréscimo no Sul, no Nordeste, naturalmente, aconteceu o oposto. Assim, enquanto as pintainhas alojadas no Nordeste representaram 19% do total alojado nacionalmente, o plantel de poedeiras representa apenas 13% - seis pontos percentuais a menos. A diferença observada talvez seja ocasionada pela contabilização, entre as galinhas poedeiras, das reprodutoras de corte. Como a Região Sul é quem mais aloja no País, seu plantel efetivo de fêmeas acaba sendo maior que o apontado apenas pelo alojamento de pintainhas de postura.

volume que representou aumento de 2,22% sobre o mesmo período do ano passado, mas que se manteve praticamente estável (variação de apenas 0,08%) em relação ao trimestre imediatamente anterior, o primeiro de 2009. Em termos reais, porém, a produção do período abril-junho foi negativa também em relação ao período janeiro-março de 2009. É que o segundo trimestre tem um dia a mais que o primeiro. Isso considerado, o trimestre foi encerrado com um recuo de 1,02%. No mesmo levantamento, o IBGE informa que o efetivo de galinhas no último dia do trimestre subiu de 107,988 milhões de cabeças no segundo trimestre de 2008 para 110,373 milhões de cabeças no mesmo período

Produção Animal | Avicultura 17


Ciência Avícola

Resíduo de galinha poed

Estudo aprovado pelo I Sigera teve como objetivo auxili de stagem Compo a avicultura d s dejeto ra de dois tu e de pos s sistemas d te a diferen o realizada n ã produç boticabal Ja UNESP

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Medição de volume das leiras de compostag em.

18 Produção Animal | Avicultura

K

arolina Von Zuben Augusto, doutoranda em Engenharia Agrícola pela Universidade Estadual de Campinas e com graduação e mestrado concluídos em Zootecnia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, teve sua pesquisa inscrita e aprovada pelo I Simpósio Internacional sobre Gerenciamentos de Resíduos de Animais (Sigera), que aconteceu entre os dias 11 e 13 de março em Florianópolis, SC. Com o título “Redução de volume e peso durante a compostagem de dejetos de galinhas poedeiras”, o estudo foi conduzido como trabalho final de mestrado da doutoranda. Karolina destaca que a avicultura de postura brasileira representa hoje uma das explorações animais que empregam maior tecnologia em sua produção. “Como conseqüência disso, há a oportunidade de instalar um alto número de animais por área, produzindo grande volume de dejetos e de outros resíduos dentro da propriedade”, diz. Ela afirma que com a obrigatoriedade legal e ambiental de tratar os dejetos gerados, a opção de tratamento deve levar em conta a diminuição do volume e do peso desses resíduos. “A compostagem é um dos tratamentos que pode ser adotado e que proporciona uma redução no volume e no peso dos dejetos no produto final que é o composto orgânico. Portanto, o objetivo deste trabalho foi avaliar a redução de volume e peso durante a compostagem dos dejetos oriundos de granjas de postura que utilizam diferentes tecnologias, a fim de auxiliar o produtor no gerenciamento e manejo de dejeto”, explica Karolina Augusto. A estudante completa que a escolha do tema do trabalho foi importante para geração de dados ao produtor, que escolhe a compostagem como tratamento na tomada de decisão para a escolha do local do processo, do manejo a ser adotado, dos materiais necessários para sua condução, planejamento e destino do produto final, o composto orgânico. Com os resultados obtidos neste trabalho, é possível afirmar que a compostagem é extremamente eficiente na redução do volume e peso dos resíduos gerados, agregando valor ao material O Sigera é uma promoção da Sociedade Brasileira dos Especialistas em Resíduos das Produções Agropecuárias e Agroindustriais (Sbera - www.sbera.org.br), com a co-promoção da Embrapa Suínos e Aves. Os trabalhos aprovados pelo evento envolveram principalmente temas como resíduos da avicultura, suinocultura, bovinocultura e aquicultura. Confira a seguir o trabalho de Karolina V. Z. Augusto na íntegra.


eira é tema de pesquisa ar o produtor no gerenciamento e manejo de dejetos

Redução de volume e peso durante a compostagem de dejetos de galinhas poedeiras Autores: Karolina Von Zuben Augusto1; Jorge de Lucas Júnior2; Adélia Pereira Miranda3 (1 - Doutoranda em Engenharia Agrícola, Feagri UNICAMP Campinas, 2 - Professor Titular do Departamento de Engenharia Rural, UNESP Jaboticabal, 3 - Doutoranda em Zootecnia, UNESP Jaboticabal)

Introdução A intensificação do setor produtivo agropecuário e a corrida por oferta e preço também acometem a avicultura de postura substituindo as instalações convencionais por novas tecnologias de automatização, aliando maior capacidade de alojamento à menores custos e preços finais ao produto tradicional com alta qualidade. No Brasil são alojadas atualmente cerca de 85,2 milhões de poedeiras com uma produção anual de 67,3 milhões de caixas de 30 dúzias de ovos (UBA, 2007). Conseqüência inevitável à

oport u n id a d e do elevado alojamento de poedeiras, há a maior geração de dejetos nas propriedades necessitando manejos diários, o que muda as características do resíduo. Estes quando dispostos sem prévio tratamento no meio ambiente comprometem a qualidade do solo, do ar e da água, com contaminação dos mananciais pelos microrganismos, risco de toxidade aos animais e às plantas e depreciação do produto,

porém com percepção em médio em longo prazo. Para o seu uso como fertilizante, o dejeto deve sofrer tratamento, que pode ser um processo de fermentação microbiológica ou cura, que irá provocar a decomposição da matéria orgânica. Este processo é denominado de compostagem, também classificada como técnica idealizada a fim de acelerar a estabilização aeróbia e a humificação da porção fermentável dos resíduos vegetais e animais através da ação de microrganismos específicos obtendo-se como produto final o composto orgânico (KIEHL, 2002). Este pode ser aplicado no solo com várias vantagens sobre os fertilizantes químicos de síntese, exercendo influências tanto nas propriedades físicas quanto nas propriedades químicas do solo. Diante do exposto, nesta pesquisa teve-se como objetivo o acompanhamento do processo de compostagem dos dejetos provenientes de diferentes tipos de instalações de poedeiras no intuito de facilitar o seu manejo e seu tratamento, transformando-o de resíduo potencialmente poluidor num composto orgânico de alto valor fertilizante e econômico.

galinhas poedeiras de mesma genética, em fase de produção, mesma idade, recebendo manejo e dieta iguais, entretanto provenientes de dois sistemas de instalação diferentes; o sistema de produção em baterias verticais automatizadas (L1), no qual os dejetos foram retirados com um dia de depósito sob as gaiolas, por esteiras coletoras; e o sistema de produção convencional em gaiolas (L2), no qual o dejeto permaneceu armazenado por 260 dias sob as gaiolas de criação, conforme manejo da granja. Nos dois tratamentos adicionouse serragem de eucalipto e bagaço de canadeaçúcar como fontes de carbono (C), em quantidades suficientes para obter equilíbrio da relação C/N e de umidade recomendados à compostagem (KIEHL, 1985; KIEHL 2002; ATAGANA, 2004; AUGUSTO, 2005). Foram monitorados o volume semanalmente e o peso das leiras men-

Material e Métodos O período experimental compreendeu 90 dias de compostagem tendo sido confeccionadas três leiras por tratamento e dois tratamentos utilizando-se dejetos de Produção Animal | Avicultura 19


Ciência Avícola

salmente, por meio de uma caixa de madeira confeccionada com dimensões conhecidas a fim de obter o volume por cálculos geométricos e por meio de uma balança eletrônica, respectivamente. O controle de umidade

20 Produção Animal | Avicultura

foi realizado semanalmente com adição de água, quando necessário, mantendo-se umidade próxima a 50%.

Resultados e Discussão Nas Figuras 1 e 2 estão apresenta-

das as médias de redução de volume das leiras, as tendências e as equações de redução, respectivamente, durante o processo de compostagem. Observando as figuras percebe-se que as reduções de volumes são mais


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Ciência Avícola

representativas no início do processo de compostagem, precisamente até a 5ª semana, quando a atividade microbiológica é mais intensa e ocorre maior perda de umidade.

22 Produção Animal | Avicultura

Esses resultados corroboram com os de GORGATI (2001), quando submeteu resíduos urbanos à compostagem e obteve maior redução do volume no início do processo, aproximadamente, 47%. Do início ao final do processo de compostagem houve redução de volume de 63,33 e 52,26% para os tratamentos L1 e L2, respectivamente. Quanto às tendências de redução de volume os tratamentos demonstraram comportamentos semelhantes. As equações que estimam a redução de volume considerando o período de formação das leiras são valiosas para o planejamento de áreas destinadas à compostagem, com subseqüente melhoria da utilização do espaço (AMORIM, 2005). Sendo que x representa o número de semanas após o enleiramento e y o volume, em m3. A redução de peso das leiras de compostagem foi expressiva, sendo que os resultados encontrados foram de 72,30% de média de redução de peso no tratamento L1 e

44,70% no tratamento L2. Esse fato se deve às diferenças na composição dos materiais, pois os diversos componentes da matéria orgânica apresentam diferenças quanto à suscetibilidade à degradação. Componentes como açúcares e proteínas são rapidamente degradados, enquanto celulose e lignina necessitam de períodos mais longos para que os microrganismos consigam degradá-los (Grossi citado por ALVES, 1996). Na Tabela 1 estão representados os pesos medidos a cada 30 dias de processo. Vale lembrar que pequenas alterações no peso das leiras durante o processo se deram devido ao acréscimo de água no sistema para controle de umidade.

Conclusões Com os resultados obtidos neste trabalho podemos concluir que a compostagem é extremamente eficiente na redução do volume e peso dos resíduos gerados, agregando valor ao material. Estas informações são de extrema importância para o processo de compostagem, pois, além de monitorar a eficiência do processo com relação aos parâmetros físicos e microbiológicos, geram dados para o planejamento e dimensionamento de uma planta de compostagem e posterior aplicação do composto orgânico na agricultura.


Biodegradáveis

Pesquisadores produzem vasos plásticos a partir de penas Produto final não polui e é capaz de liberar no solo o nitrogênio necessário às plantas

N

a tentativa de equacionar os problemas de poluição ambiental resultantes do abate de aves e causados mais especificamente pelas penas, pesquisadores de vários continentes se dedicam à questão, tentando encontrar um fim útil para o que, até agora, é apenas resíduo de lenta decomposição. Estima-se que alcancem, no mundo, cinco milhões de toneladas anuais, das quais apenas pequena parte é transformada em matéria-prima para rações. Recentemente, a revista do AviSite abordou o resultado de pesquisas que transformaram as penas em “tanque” de combustível ou, então, no próprio combustível. Agora, um pesquisador do Serviço de Pesquisas Agrícolas do Departamento de Agricultura dos EUA (ARS/USDA, na sigla em inglês) anuncia o desenvolvimento de um processo que possibilita produzir plástico a partir das penas das aves. Mas não é um plástico qualquer (ou poluente, como são os plásticos) e, sim, biodegradável. Mais ainda: capaz de liberar no solo, lentamente, o nitrogênio necessário às plantas. O responsável pela novidade é o químico Walter Schmidt, que atua no Laboratório de Gestão Ambiental e Utilização de Subprodutos do ARS/USDA localizado em Beltsville, estado de Maryland. O material é feito por equipamentos de processamento de plásticos tradicionais, com penas de galinha e outros de fácil obtenção e de origem natural. Os plásticos originados de penas podem ser moldados como qualquer outro e têm propriedades muito semelhantes aos de produtos como polietileno e polipropileno. Isso faz com que o plástico derivado da pena seja exclusivo para embalagem ou qualquer outra aplicação de alta resistência e biodegradabilidade desejada. A pesquisa descobriu ainda que a fibra de penas poderia ser adicionada em plásticos atualmente utilizados para fazer compostos. Essas fibras reforçam os componentes do material além de reduzir seu

No processo desenvolvido pelo ARS/USDA, as penas são moídas, transformadas em pó e convertidas em pellets. A seguir, com o uso de uma injetora de plástico, produz-se o objeto desejado, como por exemplo, vasos plásticos biodegradáveis

peso. Atualmente os aditivos e enchimentos utilizados nos plásticos da indústria de automóvel, por exemplo, adicionam peso significativo nas peças do carro, sendo as fibras de penas uma alternativa viável a estes aditivos. Por sinal, o plástico biodegradável é apenas mais uma das criações de Schmidt que, desde os anos 1990 vem procurando aplicações mais úteis para as penas das

aves e, com suas pesquisas, desenvolveu um método de produção de fibras de penas que – isoladamente ou em combinação com polpa de madeira – podem ser transformadas em papel utilizável, por exemplo, na fabricação de filtros (de papel) ou absorventes. Aproximadamente 1.814.400.000 (1 bilhão, 814 milhões e 400 mil) quilos de penas são geradas a cada ano durante o processo de produção de aves, resultando em um grave problema dos resíduos sólidos agrícolas. Esta nova aplicação, não só é uma solução para um problema ambiental, mas também uma solução econômica, pois aumenta o valor comercial das penas. Mas por que, na atual pesquisa, o químico do ARS/USDA está utilizando sua descoberta para a fabricação de vasos plásticos? Simplesmente porque parte de seu trabalho está sendo financiado pelo Instituto de Pesquisas Hortícolas, também do ARS, que busca para o plantio de vegetais recipientes ao mesmo tempo resistentes e biodegradáveis. Neste caso, o produto desenvolvido por Walter Schmidt concentra uma série de vantagens: utiliza como matéria-prima um resíduo poluente da natureza; desintegrase no meio ambiente em um espaço de tempo que varia de um a cinco anos; e, por fim, deposita nitrogênio no solo. O próximo passo é a produção em escala.

Walter Schmidt no centro e outros pesquisadores que participaram do estudo

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Informe Técnico-Empresarial

Espiroquetose Intestinal Aviária Uma realidade Brasileira

Méd. Vet. Guilherme Borchardt Neto, Msc, DMV - Gerente de Produtos P&P, - Novartis Saúde Animal Ltda

Introdução A Espiroquetose Intestinal Aviária (EIA) é uma doença entérica causada por algumas formas patogênicas da Brachyspira sp. (anteriormente chamada de Treponema). O primeiro cultivo e caracterização de uma espiroqueta intestinal ocorreu em 1952 em uma amostra isolada do rúmen bovino. No entanto, até a década de 80, poucos trabalhos foram descritos investigando a ocorrência e o significado da colonização de espiroquetas no trato gastrintestinal de aves. Após, vários estudos foram publicados relacionado as espiroquetas intestinais com doença entérica e quantificando impacto econômico na avicultura de corte e postura.

Agente As Brachyspiras são bactérias anaeróbicas estritas, flageladas, em formato helicoical. São comumente encontradas no ceco e reto de galinhas mas nem sempre estão associadas com doença clínica. No entanto, algumas formas patogênicas da Brachyspira, aliado a fatores como estresse, nutrição, ambiência,

FIGURA 1: Aparência típica das fezes em aves com Espiroquetose Intestinal Aviária (EIA)

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uso de promotores de crescimento, entre outros, podem favorecer o desencadeamento da EIA. As aves de postura comercial e as matrizes de corte são as categorias mais afetada. Até o momento, a Brachyspira pilosicoli, a Brachyspira intermedia e a Brachyspira alvinipulli foram relacionadas com EIA. Ao contrário, a Brachyspira innocens e a Brachyspira murdochii, apesar de presente em muitas amostras, ainda não foram relacionadas com doença clínica.

Doença Clinicamente, o quadro da EIA caracteriza-se por uma diarréia subaguda ou crônica que, usualmente, acomete parte do lote. As fezes são, comumente, de cor marrom a marrom esverdeado (Figura 1). Apesar de haver alguns relatos de aumento de mortalidade dos lotes afetados, em geral, a mortalidade é muito baixa ou quase imperceptível. O quadro clínico brando da EIA, aliado a dificuldade de isolamento e identificação das Brachyspiras sp tem dificultado o diagnóstico clínico da EIA no Brasil. Apesar dos sinais clínicos serem brandos, as perdas econômicas relacionadas a EIA são consideráveis, tanto em aves de postura comercial quanto matrizes de corte. A queda na produção de ovos varia 5-12% quando comparado a uma lote não afetado (Burch, D) (Figura 2) . Além disso, também foram descritos um aumento da fragilidade dos ovos e do percentual de cascas dos ovos marcadas com fezes. Em matrizes de corte, Smit et al., (1998) observaram uma queda de 3% do número de ovos eclodidos. Estes autores observaram um aumento significativo do número de pintos fracos no momento da eclosão. Também observaram, em muitos casos, uma piora significativa do desempenho

da conversão alimentar e do ganho de peso de frangos de corte de matrizes afetadas. O tratamento da EIA pode ser feito com alguns antibióticos, sendo que a resposta ao tratamento é boa, principalmente quando o lote é tratado no início do ciclo de postura. As Brachyspiras sp são altamente sensíveis a tiamulina, mediamente sensíveis a lincomicina e tilosina (Hampson e Stephens, 2002). Esses mesmos autores observaram que aproximadamente 50% das amostras analisadas eram resistentes a tilosina. Recentemente e corroborando com os relatos anteriores, Burch et al (2009) relataram sucesso no tratamento de lotes com EIA com tiamulina.

Prevalência Em termos globais, a prevalência da Brachyspira sp ainda não está totalmente estabelecida, mas existem trabalhos consistentes indicando uma alta prevalência em vários países. Na Holanda, Dwars et al., (1989) analisando 179 lotes de aves de postura comercial, observaram que, 27,6% dos lotes que tinham problemas entéricos, foram isoladas Brachyspiras patogênicas. No entanto, somente foram isoladas Brachypiras em 4,4% dos lotes sem histórico de problemas entéricos. Este resultado indica uma possível relação entre problemas entéricos e a presença de Brachsypiras patogênicas. Na Austrália, em 50 lotes testados, a prevalência foi de 42,9 e 68,2% para lotes de matrizes e postura comercial, respectivamente. (Stephens & Hampson, 1999). Na Itália, Bano et al. (2005) estudando granjas de postura comercial, observaram a presença da Brachyspira em 72,4%, sendo que 31% dos lotes estavam infectados com Brachyspira patogênica (B. pilosicoli ou B. intermedia). Estima-se hoje que aproximadamente 70% dos lotes de


FIGURA 2: Curva de produção de ovos em lotes afetados comparativamente com o padrão da linhagem.

postura comercial na Inglaterra usem medicamentos de forma preventiva e/ou curativa para o controle da EIA.

Identificação no Brasil No Brasil, ainda são escassas as informações sobre a presença das espiroquetas patogênicas nas produção avícola comercial. Neste sentido, a Novartis Saúde Animal em cooperação com o laboratório Simbios Biotecnologia iniciaram a pesquisa de Brachyspira patogênicas em lotes de postura comercial e matrizes de corte. O objetivo deste trabalho é

pesquisar a presença no Brasil das formas patogênicas da Brachyspira em lotes de postura comercial e matrizes de corte. Até o momento, foram analisadas 37 amostras oriundas de 5 granjas de postura comercial localizadas no Sul do Brasil. A metodologia utilizada para a pesquisa e identificação da Brachyspira sp foi o nested PCR (PCR “aninhado”). Foram identificadas Brachyspiras patogênicas em 56,7% das amostras (Figura 2), o que sugere a presença do agente da EIA em níveis relativamente altos em nossos criaFIGURA 3: Percentual de identificação de Brachyspiras patogênicas (B. intermetia, B. pilosicoli e B. hyodysenteriae) em amostras de fezes de aves de postura comercial brasileiras.

tórios. Apesar da pequena amostragem, estes resultados são semelhantes aos encontrados na Holanda, Austrália e Inglaterra e sugerem que a Brachyspira possa estar amplamente difundida nas criações brasileiras. A Novartis continua a pesquisa da Brachyspira em outras regiões do Brasil. Além disso, a Novartis está buscando parceiros em Universidades, Centros de Pesquisas e laboratórios de diagnóstico para ampliar os estudos dos impactos deste agente nas nossas condições.

Implicações O isolamento do agente da EIA em granjas brasileiras em grande parte das amostras e em todas as granjas testadas até o momento sinalizam que a EIA é uma realidade na avicultura brasileira. Desta forma, torna-se necessário que os técnicos considere a EIA como possibilidade de diagnóstico em caso problemas entéricos. É necessário também ampliar os estudos dos impactos das Brachyspiras patogênicas nas condições nacionais.

Referências Bano et al. (2005) In: Proc. Of the 3rd International Conference on Colonic Spirochaetal Infections in Animals and Humans. P.56-57 Burch, D. – International Poultry Production, n.15 v.8 Burch et al. (2009) – Avian Pathology, n.35, p.211-216 Dwars et al. (1989) – Avian Pathology, n.18, p.591-595 Hampson & Stephens, (2002). Report of intestinal spirochaetes infections in chickens. Report for Rural Industries Research and Development Corporation, RIRDC Nº02/087. www.rirdc.gov.au Shephens & Hampson, (1999). Avian Oathology, n.28. p.447-454. Smit et al., (1998) Avian Pathology. n.27. p.133-141. Produção Animal | Avicultura 25


AviGuia: produtos, serviços e empresas Companhia “verde”

Alltech destacada pela Revista Inc. Empresas catalogadas são as de mais rápido crescimento dos EUA

Representantes da Alltech

A

Alltech foi catalogada como uma das oito companhias “verdes” segundo a Revista Inc. A empresa é uma das primeiras companhias na área de saúde animal a ser incluída nesta lista. Além de ser qualificada como uma das companhias no topo da consciência ecológica, a Alltech também aparece em uma posição destacada na lista de rendimentos (66ª posição), empregados (79ª posição) e crescimento bruto (97ª posição). A cada ano, a Revista Inc. e a Inc.com (www.inc.com) celebram as conquistas dos mais destacados

empreendedores da atualidade. A lista representa a visão abrangente do segmento mais importante da economia: a dos empresários de mentalidade independente da América.

Programa Alltech Young Scientist atrai estudantes de todo o mundo Até o dia 29 de janeiro de 2010 estarão abertas as inscrições para o Alltech Young Scientist, prêmio criado pela própria empresa com a intenção de estimular pesquisas inovadoras e o desenvolvimento de estudantes de graduação e pós-

graduação de todo o mundo. Para participar, os interessados deverão escrever um artigo científico de 3000 palavras (graduação) ou 5000 palavras (pós-graduação) envolvendo algum dos temas relacionados a soluções naturais na alimentação animal sugeridos no site do prêmio. Estão aptos a participar do programa estudantes de qualquer área da ciência animal que atualmente estejam inscritos em um curso de graduação ou pós-graduação em uma universidade. Mais informações: www.alltechyoungscientist.com.

Empresa tem novo gerente brasileiro em filial na Colômbia Além do recente reconhecimento que a Alltech recebeu, a empresa designou o brasileiro Carlos Ronchi como novo Gerente Geral da filial da Alltech na Colômbia. Carlos Ronchi é graduado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Uberlândia, trabalhou durante cinco anos na Rezende Alimentos e quatro anos e meio na Granja Planalto.

ISO 9001/2008

Des-Vet recebe certificação

Sistema de gestão foi avaliado

A

Desfar Laboratórios Ltda, que participa do mercado de produtos veterinários através da sua divisão Des-Vet Produtos Veterinários, foi oficialmente certificada no dia 18 de setembro de 2009 com a norma ISO 9001/2008. Durante os últimos meses a

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empresa sofreu amplo processo de avaliação em todo o seu sistema de gestão. Foram atendidos todos os requisitos obrigatórios da norma, que em resumo organiza a empresa para focos como: cliente, que é a principal razão da busca da certificação; fortalecimento da capacidade

de gerenciamento interno com foco no desenvolvimento e treinamento das pessoas; comprometimento de todos com melhoria contínua do sistema e uma relação de parceria com fornecedores. Saiba mais em www.desvet. com.br


Leia as últimas noticias sobre as empresas do setor em www.avisite.com.br

Novidade

Inve Nutriad lança nova identidade, imagem e muda nome Diretor da Subsidiária acredita que novo nome reflete de forma positiva na companhia

D

urante os últimos anos a Nutriad cresceu organicamente e através de aquisições no mercado mundial de aditivos, e mais que triplicou sua fatia de mercado. Com este crescimento tornou-se natural que uma imagem mais independente fosse adotada, refletindo sua posição de liderança como especialista no desenvolvimento, manufatura e vendas de aditivos mundialmente. A mais antiga operação da Nutriad data de 1963, sob a marca Feed Flavors, tendo seqüência com a International Additives (estas duas posteriormente formaram a BFI Innovations) e a Nutriad International. Em 2000, estas empresas foram consolidadas sob o Grupo Inve, formando uma estrutura que se provou capaz de gerar grande crescimento de mercado e a geração de soluções efetivamente inovadoras para

produção animal. Presente no Brasil desde 2004, a Inve Nutriad experimentou grande crescimento e representa hoje a maior operação da empresa no mundo fora de sua origem, na Europa. O Diretor da

Subsidiária Brasileira, Paulo Portilho, acredita que o novo nome da empresa reflete de forma positiva na atividade da companhia. Para mais informações, acesse o site www.inve.com

Aprovação

Econase XT no mercado europeu Produto da AB Vista é o primeiro enzimático à base de xilanase

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AB Vista anunciou a obtenção da aprovação de uso/registro do Econase® XT no mercado europeu. O produto é o primeiro e único enzimático à base de xilanase, intrinsicamente termoestável (sem revestimento), que já revolucionou mercados como México, Brasil, EUA e Índia. Ensaios independentes já demonstraram o valor de Econase® XT tanto em aves e suínos, recebendo rações à base de milho ou de trigo.

A efetividade do produto em incrementar a digestibilidade das rações leva a um aumento na eficiência de uso do alimento com conseqüente redução nos custos de produção. Para obter mais informações sobre o produto, envie e-mail para waldemar.rieping@abbrasil.com.br ou entre no site www.abvista.com

Empresa é patrocinadora de Simpósio Europeu A AB Vista foi patrocinadora

“Silver” do 17° Simpósio Europeu de Nutrição Avícola (ESPN), realizado em Edimburgo, em agosto passado. O evento aconteceu durante quatro dias na Heriott-Watt University, na capital escocesa atraindo um número recorde de participantes. A empresa esteve presente com 15 membros da equipe internacional, juntamente com alguns de seus principais clientes de todo o mundo (a delegação brasileira contou com um grupo de 9 técnicos). Produção Animal | Avicultura 27


Automação | Avicultura de corte

A produção de frangos de corte em evolução Técnicas de automação ajudam na tomada de decisões e minimizam riscos

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o ouvir profissionais renomados para esta reportagem produzida pela Revista do AviSite, a equipe da publicação recebeu respostas parecidas dos entrevistados. Todos acreditam que a tecnologia na produção de frangos de corte cresceu a passos largos a partir da década de 90, mas que a evolução proporcionada pela chegada de novas tecnologias pode ir mais longe. As expectativas são

grandes. Há técnicas e equipamentos que já estão presentes nos Estados Unidos e em países da Europa e que ainda não chegaram ao Brasil. É importante lembrar, no entanto, que algumas tecnologias atendem á de28 Produção Animal | Avicultura

manda destes países. A apanha mecanizada das aves prontas para o abate é um exemplo disso. Aviários na Europa e nos Estados Unidos, onde a pouca mão-de-obra existente para a avicultura é cara, já trabalham com equipamentos com esta tecnologia que pode reduzir em 70% o número de funcionários necessários para o processo de apanha. Os equipamentos para o processo automático são semelhantes a tratores agrícolas, que pegam as aves no galpão, colocam-nas nas caixas para transporte e ainda transportam as mesmas para o caminhão. No entanto, a qualidade da apanha manual ainda é superior e o Brasil depende desta qualidade, que interfere diretamente na qualidade de carcaça da ave. A afirmação é de Francisco Bersch, gerente da área de avós da Perdigão (atual Brasil Foods), mas que também foi responsável técnico pelo setor de frangos da mesma empresa. “A qualidade da carcaça não é a mesma com a apanha mecanizada. O bem-estar das aves também é mais garantido no processo manual e uma equipe bem treinada”, diz. Valter Bampi, diretor agropecuário da Big Frango, acredita que a área de transporte das aves até o abatedouro deve ser mais explorada no futuro, visando melhorias na redução de perdas e a qualidade de pele. Ele concorda que o bem-estar não é garantido com a apanha mecanizada e sugere que novos avanços devem ser buscados na tentativa de resolver es-


Foto: Casp

ta questão. Ele justifica: “É cada vez mais difícil conseguir mão-de-obra qualificada para a etapa que compreende o embarque das aves nos caminhões de transporte”. Há outros casos em que falta infra-estrutura para expandir ainda mais as tecnologias que já chegaram à produção nacional. De acordo com Bersch, os sistemas de automação que controlam os galpões podem estar integrados à rede de telefonia celular (veja mais detalhes no subtítulo A utilização da informática para auxiliar a tomada de decisões). Qualquer alteração nas instalações pode ser avisada nos telefones móveis, como já acontece em outros países. Ele explica que no Brasil falta uma boa estrutura de rede elétrica na zona rural, para que mais este avanço possa se consolidar por aqui. E isso deve demorar. Dois equipamentos hoje comuns na produção de frangos de corte, os bebedouros do tipo nipple e os comedouros automáticos, tiveram papel importante na evolução da avicultura, mas demoraram anos para se consolidar por aqui. E ainda assim, há alguns aviários que não contam com estas tecnologias, apesar das grandes vantagens. O nipple trouxe qualidade à água de bebida das aves graças ao sistema de filtragem que compõe o produto. O equipamento permite ainda que as aves ingiram a máxima quantidade de água colaborando para o desenvolvimento de seu potencial de cres-

cimento. Com relação ao comedouro automático, uma das maiores vantagem deste equipamento é o menor esforço para o produtor, que de outra forma é o responsável pelo transporte da ração dos silos para os galpões. A fabricante de equipamentos Casp afirma: “Já que 70 % dos custos da produção avícola se concentram na ração e sabendo-se que a conversão alimentar é um dos principais fatores de custo e remuneração para os produtores, torna-se imprescindível a utilização de equipamentos automáticos com recursos que possam permitir facilidades no manejo e precisão da regulagem, de maneira que a variável mão-de-obra possa ter pouca influencia no resultado final”. A demora da consolidação dos bebedouros e comedouros no Brasil também pode ser justificada pela necessidade de ajustes para se adequar à realidade brasileira. Marcos Langaro, Gerente Comercial para a região Sul da Tecnoesse conta que quando o nipple chegou ao Brasil, a vazão de água do bico era pouca, já que a temperatura na Europa é fria. Aqui no Brasil a exigência da água é maior e o resultado zootécnico caiu porque a ave estava ingerindo menos água. Quando se percebeu este problema, os bebedouros foram ajustados para uma maior vazão. Aguinaldo Bulla, Gerente de Expansão da Frangos Canção, afirma que hoje todo o trabalho de um aviá-

rio pode ser operado com precisão pela automação, evitando falhas operacionais humanas. Opinião parecida é compartilhada por Langaro: “Temos condições de implantar uma granja de aves de corte praticamente 100% automática, desde o comedouro, bebedouro, aquecedores a lenha, a gás ou a diesel, nebulizadores de alta pressão (400 psi), exaustores com cone e sistemas de abertura da persiana com centrifugo, pesagem automática da ração, controle das cortinas, painéis de umidificação nas entradas de ar, até os painéis automáticos, que têm papel fundamental principalmente no controle da temperatura e umidade relativa do ar dentro do aviário”. No que se refere às novidades na área de automação, os técnicos e empresários do setor lembram principalmente dos avanços na área de ambiência, vacinação via ovo e na introdução do conceito de Zootecnia de Precisão.

Francisco Bersch: Em alguns países, os sistemas de automatização já estão integrados à telefonia celular

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FOTO: Tecnoesse

Nipple trouxe qualidade à água de bebida das aves e comedouro automático permitiu livrar o produtor da tarefa de transportar a ração


Automação | Avicultura de corte

Com a tecnologia para vacinação via ovo no incubatório e não mais nas granjas, é possível garantir a padronização e a eficácia da profilaxia e o tempo que seria gasto pelo produtor nesta operação pode ser dedicado ao controle da qualidade em outros processos. Francisco Bersch aposta ainda na sexagem do ovo. Para ele, o Brasil depende da qualidade da energia, da melhora da comunicação da área rural e do momento econômico para receber o que de mais recente existe em tecnologia. É o mesmo processo percorrido pelo nipple no início dos anos 90, quanto seu custo era alto a tecnologia importada. A possibilidade de desenvolvimento de técnicas para a sanitização automática da água, que hoje ainda é feita de forma manual, é lembrada por Bampi, da Big Frango. Ele sugere que a aplicação ou reposição das pastilhas de cloro seja feita de forma automática, como já acontece em algumas empresas do norte do Paraná, que possuem a tecnologia semi-automática para este fim. “A água e a ração representam os principais ingredientes na alimentação do frango. No entanto, por vezes, a água não recebe a mesma importância da ração, que passa pelo conceito de boas práticas de fabricação nas fábricas”. Ele também ressalta que para que novas tecnologias sejam criadas e

Visão externa de galpão automatizado

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Equipamento para apanha mecanizada de frangos desenvolvido pela empresa Lewis Mola, com sede nos EUA

adotadas é necessário que as empresas avícolas incentivem a realização de pesquisas. Também falando sobre as novidades da área de automação e suas vantagens, Aguinaldo Bulla diz que a instalação nas entradas de ar do sistema de cooling, em substituição à placa evaporativa, que tem um custo alto e durabilidade curta, permitiu recentemente grande melhoria na ambiência dos aviários. Ele que expli-

ca: “A partir da utilização desta técnica, as cortinas nas entradas de ar foram ligadas aos painéis e passaram a funcionar automaticamente conforme a necessidade controlada pela pressão estática necessária para o funcionamento dos exaustores e a velocidade de ar desejada nos aviários”. Já Marcos Langaro, da Tecnoesse ressalta que o clima ideal dentro dos galpões permite um resultado mais rentável do lote. “É importante inves-


tir em equipamentos de mais qualidade com maiores índices de eficiência produtiva”. Diego Cardoso Paiva, consultor técnico de Engenharia de Aplicação da Full Gauge Controls, também defende que é no controle da ambiência onde estão as maiores tecnologias, principalmente no sistema dark house, que simula o dia e a noite artificialmente, através da variação da luminosidade do ambiente (dimmer). Valeria de Abreu, zootecnista e pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, acredita que a introdução dos aviários dark house para frangos de corte (antes eram utilizados para criação de matrizes) traz também novos desafios. “Precisamos fazê-los funcionar de maneira adequada para que possam apresentar os resultados esperados. O desafio para a área de ambiência é grande, pois esse sistema tem que ser bem compreendido, ajus-

tado e até mesmo aprimorado. O mesmo deverá ser feito com os aviários gigantes, que podem trazer resultados gigantes, mas também problemas gigantes se não forem manejados adequadamente”, afirma. Ela completa dizendo que a grande expectativa para a avicultura é o desenvolvimento de modelos de auxílio à tomada de decisão. “Esse é um trabalho que está se iniciando, mas que em alguns anos poderá transformar a maneira de se trabalhar a avicultura. Esses modelos podem, em tempo real, realizar todo o diagnóstico (talvez de minuto a minuto) das condições gerais do aviário por meio de sensores e/ou biosensores e enviar comandos que farão com que os atuadores façam um trabalho de correção das anormalidades. Dessa maneira, as aves não estarão sujeitas às alterações que podem causar problemas no seu desenvolvimento”.

Valter Bampi: Ganho de escala possibilitado pela automação transforma o integrado em empreendedor avícola

Com todas estas novas tecnologias que vêm sendo incorporadas ao setor é possível aumentar os quilos de carne produzida por m². A pesquisadora Valeria alerta, no entanto, que esse aumento tem um valor crítico

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Automação | Avicultura de corte

que deve ser estabelecido com os ajustes e aprimoramentos dessas novas tecnologias, baseados no respeito ao bem estar animal, nos índices zootécnicos, na qualidade do ar dos aviários e na qualidade do produto final. Outras vantagens da automação são: minimização de riscos,

A evolução na produção de frangos

va, da Full Gauge, as companhias sempre miram a lucratividade. “Com um sistema eficiente, seguro e de fácil manejo dentro do aviário, o resultado final é melhor. Aves em um ambiente bem controlado crescem sem danos e geram mais lucro”, completa. Domingos Martins, da Uni-

Técnicos e empresários do setor lembram principalmente dos avanços na área de ambiência, vacinação via ovo e na introdução do conceito de Zootecnia de Precisão frango, diz que a tendência é que os galpões menores e não automatizados desapareçam. “Em um sistema manual, não é possível criar mais de oito ou dez mil frangos. Os automatizados alojam cerca de 40 mil aves e garantem maior lucro”, afirma. O fato de o Brasil ser grande produtor de soja e de milho, faz com que os gastos com rações sejam relativamente baixos e “sobre” capital para investir na auto-

FOTO: Big Frango

precisão na tomada de decisões, diminuição de falhas operacionais humanas, menor necessidade de mão-de-obra e melhores condições de criação para os animais e de vida para o trabalhador. Para o consumidor, o principal benefício são os produtos com mais qualidade final e preços melhores. Para que estas técnicas sejam empregadas, empresas e integradores analisam os investimentos e seu custo benefício. Segundo Pai-

Visão interna de aviário padrão 100% automático

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Valeria de Abreu, da Embrapa Suínos e Aves, lembra que, há 25 anos, a produção de frangos era em pequena escala e muito trabalhosa. No sistema integrado, cada avicultor tinha um ou dois aviários, onde o produtor, sua esposa e filhos se dedicavam ao trabalho. As aves eram criadas na densidade de 12/ m² no inverno e de 10/m² no verão, eram cerca de 5.000 frangos por aviário. Os galpões tinham 10 ou 12 m de largura x 50 a 100 m de comprimento e as construções possuíam lanternim e telhas de barro. A água do bebedouro era trocada pelo menos duas vezes ao dia para evitar o aquecimento e também era realizada a limpeza do mesmo. Do 4º ao 11º dia os bebedouros eram substituídos gradativamente pelos pendularese e a limpeza tinha que ser feita diariamente para evitar o acúmulo de ração, pó e excreções das aves no fundo dos bebedouros, garantindo a qualidade da água. Atualmente, os aviários comportam 20.000 ou 25.000 e até 90.000 aves, nos aviários gigantes. Os bebedouros nipple são utilizados do primeiro ao último dia de criação das aves. A água passa por um conjunto de filtração, que mantém a qualidade da mesma, em seguida vai para os reguladores de pressão que tem um sistema integrado de limpeza (flushing) com as linhas dos bebedouros. Os nipples são acoplados em barras de 3 metros de comprimento permitindo montá-las em qualquer comprimento do aviário. As linhas de nipple são suspensas por fixadores que são presos ao teto por um cabo acionado por uma catraca (manual ou elétrica) permitindo o ajuste da altura das linhas, tanto para atender as necessidades conforme a idade da ave, como para a retirada do lote e a limpeza da instalação. Aguinaldo Bulla, da Frangos Canção, afirma que todo este controle automatizado permitiu na avicultura moderna uma grande redução de custos, pois praticamente quase todo o trabalho de um aviário é operado com precisão pela automação evitando falhas operacionais humanas. O que não deixa dúvidas de que a automação está presente na avicultura brasileira.


Zootecnia de Precisão Na opinião da pesquisadora da Embrapa, Valeria de Abreu, o que se pretende e se necessita para a evolução da avicultura é o estabelecimento de modelos de auxílio à tomada de decisão, ou a introdução do conceito de Zootecnia de Precisão. “Assumem papel de destaque os equipamentos que monitoram processos, ambientes e animais, que realizam aquisição automática e/ou análise de dados e executam ações com base nos dados coletados e analisados, pois, permitem o conhecimento de vários fatores que afetam a produção”. Para ela, a partir da coleta, armazenamento e análise dos dados dos animais e das demais variáveis, diversas melhorias nos processos podem ser promovidas, por meio de ajustes de parâmetros envolvidos. O ciclo completo da Zootecnia de Precisão se inicia

mação da produção de frango. A afirmação é de Aguinaldo Bulla, da Frangos Canção. “Somos líderes na exportação porque temos o melhor custo x beneficio, a melhor sanidade e a proteína mais barata do mundo. Criamos frangos em verdadeiros hotéis 5 estrelas”, defende. E mesmo com todos estes investimentos em automação, os produtores que compõem a mão-de-obra da avicultura de corte não são prejudicados. Esta opinião é compartilhada por vários técnicos do setor. Para eles, os trabalhadores só têm a ganhar, inclusive, em qualidade de vida. Diego Paiva afirma: “Nosso intuito é criar novas ferramentas, mais práticas e com menor custo, que gerem uma excelente quantidade de informações sobre o andamento de todas as etapas do processo da criação. Desta forma, estes trabalhadores dispensam menos tempo verificando o sistema”. Neste caso, o que pode acontecer é a necessidade de uma atualização do trabalhador que precisa conhecer o sistema. Outro ponto importante, para o executivo da Unifrango, é o fato de a automação na avicultura proporcionar um rendimento interessante capaz de manter o homem no campo. Já Valeria de Abreu explica que, a princípio pode-se imaginar que o processo de automação substitua os trabalhadores na avicultura. Mas, na verdade, “existe hoje falta de mão-de-obra qualificada para este setor. A relação chega a ser inversa. Não é a automação que substitui os trabalhadores. É a falta de trabalhador que leva cada vez mais à automação”. Francisco Bersch, da Perdigão, completa dizendo que a automação é muito benéfica, mas a produção só é alcançada com a partici-

com a compreensão de que a variabilidade é o ponto fundamental, de que as várias tarefas que compõem as atividades que são executadas num sistema de produção animal necessitam de acompanhamento sistemático durante todos os seus processos e que as informações coletadas diariamente, juntamente com o acompanhamento das etapas de produção animal produzem dados estatísticos importantes. A seguir entram as etapas de avaliação, controle e interferência. O resultado de todo esse processo permite que o produtor utilize um sistema de suporte à decisão para auxiliar administrativamente ou gerencialmente as tomadas de decisão atendendo também a necessidade cada vez maior das propriedades de possuírem um sistema informatizado.

pação dos trabalhadores. “O aproveitamento da tecnologia apenas auxilia”. Valter Bampi, da Big Frango, diz ainda que a automação e o ganho de escala transformam o pequeno produtor em médio ou grande e o integrado em empreendedor avícola.

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Automação | Avicultura de corte

A utilização da informática para auxiliar a tomada de decisões afael Julio Crestani, Analista de Negócios da Agromanager Sistemas, conta que o setor avícola brasileiro e mundial tem uma grande quantidade de dados gerados para conhecer e melhorar a qualidade do frango e que pode contribuir com a tomada de decisões. A seguir, ele descreve o processo dos softwares para gerenciamento da produção avícola:

lização da informática é sem duvida a ferramenta de apoio dos empresários para auxiliar nesta tarefa. Softwares de gerenciamento dinamizam atividades, otimizam despesas e maximizam lucros, facilitando cada vez mais o gerenciamento da cadeia produtiva. Qualquer atividade produtiva precisa ter seus processos monitorados passo a passo, e de preferência em

Tarefas que poderiam demorar 30 dias para resolução, têm a solução apresentada em poucos minutos “Para buscar novas alternativas e aprofundar os conhecimentos, é importante identificar os gargalos que prejudicam o desempenho da produção. Um destes gargalos é a infinidade de dados que são gerados dentro de uma organização e que algumas vezes não são adequadamente analisados. A conseqüência disso é a falta de critérios que orientam as decisões empresariais. Sem critérios claros não pode haver decisões firmes e fundamentadas. Os registros dos dados da avicultura traduzem em números os fatos que compõem a história de uma empresa. Esta história deve ser compreendida para que gere parâmetros que orientarão as decisões dos empresários e profissionais do setor, a fim de conquistar o êxito na atividade pretendida. A uti-

Exemplo de software para gerenciamento da produção avícola.

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tempo real. No setor avícola, várias características podem afetar o desempenho diário do plantel, como clima, e genética, entre outros. É neste ponto que os softwares atuam: efetuando os controles que podem trazer resultados eficientes quando bem aplicados. Os softwares possibilitam gerar avalia-

FOTO: Full Gauge

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Esquema de funcionamento de outro software disponível

tizados é a agilidade com que o volume de informações geradas pelo setor pode ser processada e analisada, além de garantir a rastreabilidade de toda a cadeia produtiva. Tarefas que poderiam demorar 30 dias para resolução, têm a solução apresentada em poucos minutos”. Diego Cardoso Paiva, da Full Gauge Controls, explica que já existem softwares de gerenciamento e monitoramento a distância e permitem al-

Softwares de gerenciamento dinamizam atividades, otimizam despesas e maximizam lucros, facilitando cada vez mais o gerenciamento da cadeia produtiva ções precisas dos resultados, o que permite, mesmo durante o andamento da produção, ajustar os desvios de processo, visando maximizar a lucratividade. Atualmente existem no mercado softwares específicos para a avaliação técnica e econômica da atividade avícola. Estes softwares constituemse em ferramentas muito úteis às agroindústrias e aos criadores, permitindo um acompanhamento mais detalhado dos resultados. A utilização dessa tecnologia permite planejar a produção a curto, médio e longo prazo. A grande vantagem de se utilizar sistemas informa-

terar valores de parâmetros de funcionamento dos controladores, gerar relatórios gráfico e de texto e a visualização da instalação localmente ou via internet, pelo computador ou celular. “Este sistema de monitoramento e gerenciamento se estende também para o campo. Todos os benefícios que o controlador disponibiliza podem ser controlados de um computador sem que seja necessário ir até o aviário para saber o que está acontecendo com a climatização”, afirma. Veja mais informações sobre empresas que comercializam equipamentos para automação e softwares para gerenciamento na página 57.


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Nutrição

Leveduras:

Aditivo natural para a alimentação avícola Técnicos do setor relatam os benefícios e as expectativas com a utilização de leveduras e seus derivados

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uito já foi dito sobre o uso de aditivos na alimentação avícola. Universidades e empresas pesquisam o tema. O objetivo é o mesmo: melhorar os resultados zootécnicos da produção de frangos de corte e se preparar para um futuro em que a adição contínua de antibióticos em dose subterapêutica nas rações seja proibida no Brasil, como já acontece na Europa. Velha conhecida da indústria alimentícia, a levedura surge como mais uma alternativa à possível proibição de antibióticos. Seu uso é muito difundido na Europa, e há países que fazem uso intenso das mesmas em rações para aves. As leveduras agem como probióticos e estimulantes do sistema imune, oferecendo características desejáveis com relação à substituição de antibióticos. Guilherme Wadt, zootecnista e membro da Gerência Técnica da AB Vista na América do Sul, explica que a utilização de leveduras tem papel extremamente eficaz no controle da população bacteriana e na estimulação do sistema imune. “Diversos estudos provam que o fornecimento de leve-

duras vivas aumenta a altura de vilosidades, assim como remove diversos organismos patogênicos que a ela se ligam. Os beta-glucanos e mananos presentes na parede celular da levedura, estimulam o sistema imunológico, fazendo com que a sobrevivência de

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patogênicos seja prejudicada”, afirma. No geral, técnicos do setor defendem o uso de alternativas ao antibiótico e o uso destes medicamentos de forma responsável. Para Wadt, “com o uso de enzimas, leveduras, ácidos orgânicos e outros coadjuvantes se torna possível deixar o uso de antibióticos como promotores de crescimento. Todavia, por questões não somente es-

Uso de leveduras tem papel eficaz no controle da população bacteriana e na estimulação do sistema imune tratégicas e operacionais, mas também de responsabilidade sanitária, não é prudente abandonar totalmente o uso terapêutico de antibióticos, que podem frear surtos infecciosos, e a proliferação de patógenos que, quando não oferecem um risco iminente ao próprio consumidor, podem ocasionar perdas importantes ao setor produtivo.O caminho a seguir ainda é de ajustes no controle sanitário e no conhecimento dos formuladores a respeito do tema. Com isso, poderemos baixar significativamente o uso de antibióticos, mas o abandono completo

desta ferramenta pode ser temerário em termos financeiros e irresponsável em termos sanitários”. Na mesma linha, Ricardo Barbalho, zootecnista e Gerente comercial da ICC, afirma que o uso da parede celular de levedura, um prebiótico, já é uma realidade com a finalidade de substituir os antibióticos. No entanto, ele acredita que os antibióticos continuarão a ser utilizados de maneira prudente, de forma a resolver problemas pontuais e não de forma subterapêutica. Barbalho faz um alerta: “O MAPA está atento a isso, uma vez que cada vez mais o leque de antibióticos autorizado para uso como promotor de crescimento está sendo reduzido”. Fernando Rutz, da Universidade Federal de Pelotas, lembra que, há alguns anos, quando se começou a discutir a retirada de antibióticos como promotores de crescimento tinha-se a idéia de que haveria uma perda irreparável na produtividade avícola. “Hoje, essas perdas vão de zero a 20%, dependendo da base alimentar, das práticas de manejo, do controle ambiental e do uso de produtos alternativos a antibióticos como promotores de crescimento. Uma destas alternativas vem da própria levedura, o mananoligossacarídeo (MOS). O ideal seria o estabelecimento de um programa de saúde intestinal que envolva uma ou mais das seguintes alternativas: probióticos,

Guilherme Wadt

prebióticos, enzimas, ácidos orgânicos, óleos essenciais, glutamina, nucleotídeos e outros”, explica. Ronnie Dari, engenheiro agrônomo e Gerente Técnico da Biorigin, também acredita que o MOS pode substituir os antibióticos com eficiência. “A comunidade científica já estudou e elucidou o mecanismo de ação do MOS e centenas de experimentos já publicados relatam os seus efeitos como mantenedor e melhorador da saúde intestinal e do desempenho dos animais, substituindo ou sendo usado em conjunto com os antibióticos. O que as pessoas muitas vezes não entendem é o fato de que o MOS não proporciona as mesmas melhoras no desempenho dos animais em qualquer tipo de situação. Mas, isso não se deve esperar nem dos antibióticos”, diz, observando que o uso dos derivados da levedura vai aumentar conforme as necessidades do mercado e que a massificação do uso destes produtos vai acontecer sem muita demora”.

Produção

Cássia Yonemura (da ICC) Professor Lúcio Araújo (da USP) e Ricardo Barbalho (também da ICC)

Fernando Rutz, da Alltech, cita Leeson e Summers (2005), ao afirmar que a levedura de cerveja já era um ingrediente comum na dieta de monogástricos antes da identificação das vitaminas do complexo B. “Mais recentemente têm sido utilizadas culturas vivas de leveduras. Estas culturas Produção Animal | Avicultura 37


Nutrição

contêm a levedura e o meio onde ela cresce”, afirma. Foi no final dos anos 70, com a criação do Programa Nacional do Álcool - que estimulou o desenvolvimento da produção de álcool em larga escala e, consequentemente, o beneficiamento do creme de leveduras como um dos seus principais subprodutos que vários trabalhos foram publicados avaliando a levedura como uma fonte de proteína, substituindo o farelo de soja nas dietas. Rutz explica que, mais recentemente, novas pesquisas têm demonstrado a viabilidade do uso de

mesma espécie que se utiliza nas cervejarias. Há também cepas produzidas em usinas de álcool de cana-de-açúcar, de álcool de cereais e em fábricas de fermentos para panificação. Todas com potencial para aplicação na nutrição animal. Ronnie Dari lembra que, atualmente, já há iniciativas de produção de levedura com o único objetivo de oferecer produtos para a alimentação humana e animal. “Algumas empresas através do desenvolvimento de tecnologias específicas aprimoraram o perfil de sabor e de odor, bem como a extração e purificação de alguns compo-

Adicionalmente, há os minerais orgânicos que são produzidos a partir de leveduras, mesmo sendo estas mortas no processo. O Brasil produz atualmente 75 mil toneladas de leveduras por ano, mas tem potencial para chegar a 500 mil toneladas no médio prazo. A afirmação é de Ricardo Barbalho. “Atualmente, apenas 20% das usinas que poderiam estar produzindo, realizam o processo de secagem de levedura. Hoje, a produção é suficiente para atender a demanda e o crescimento desta produção será ditado pelo mercado. E ainda exportamos cerca de 50% da produção brasileira de levedura para Ásia e Europa.”.

Modo de ação

Secador de leveduras em destaque

levedura na dieta de animais através das diferentes funções desenvolvidas no organismo. Guilherme Wadt lembra que também beneficiou esse processo a disponibilidade da massa de leveduras produzida no processo de produção das cervejas, o que gerava uma quantidade de produto disponível, especialmente na Europa, que devia ser absorvido. As leveduras mais utilizadas são as cepas de Saccharomyces cerevisiae, a

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nentes funcionais, proporcionando um leque maior de produtos”, conta. Guilherme Wadt, da Ab Vista, completa dizendo que os derivados mais encontrados no mercado são Parede Celular de Levedura (comercializado como MOS por alguma companhias), MOS verdadeiramente dito (MananoOligossacarídeos), FOS (FrutoOligossacarídeos), Nucleotídeos e Leveduras Enriquecidas com Selênio, conhecido como Selenium-Yeast.

Guilherme Wadt explica a dinâmica de funcionamento das leveduras: As leveduras agem na nutrição em duas frentes diferentes: vivas (ativas) ou mortas (inativas). No primeiro caso, agem como probióticos, colonizando o trato gastrointestinal, melhorando o perfil do pH no ceco, quebrando polissacarídeos em ácidos graxos voláteis, diminuindo a pressão de oxigênio, dificultando a fixação de patógenos e carreando microorganismos patogênicos com as excretas. As leveduras, apesar de colonizarem o lúmen, se desprendem e são carreadas para as fezes. Como a parede celular da levedura tem grande afinidade com patógenos como E. coli e permanecem algum tempo sobre a superfície mucosa, as bactérias patogênicas acabam por fixar-se à levedura, que tem estrutura muito maior do que a da bactéria, e acabam estas carreadas também para as fezes. Neste caso, as inclusões são baixas, em produto extremamente concentrado e ativo, e o fornecimento deve ser diário, já que apesar da capacidade de colonização da levedura, a lixiviação sofrida ainda é grande e isso tende a diminuir a população de leveduras caso não haja reposição via alimento. No caso de utilização de leveduras mortas, o objetivo é aportar nutrien-


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Nutrição

tes, aproveitando vitaminas, polissacarídeos e proteínas da massa de leveduras, e parcialmente se beneficiar da adsorção de patógenos pela parede celular da levedura. As inclusões são mais altas, já que entra como um in-

Entre as leveduras e seus derivados, o MOS é citado por técnicos do setor como o melhor alternativo aos antibióticos grediente via matriz nutricional. As leveduras mortas também possuem efeito probiótico, devido aos componentes de sua parede celular e de seu conteúdo celular, que favorecem o desenvolvimento de bactérias benéficas, por serem substratos para as mesmas.

Melhor desempenho Para Guilherme Wadt, a maneira mais eficiente de se alcançar avanços em performance com o uso de leveduras é escolher fornecedores idôneos e conhecer as características do produto.

“Usualmente, dosagens de leveduras vivas abaixo de 15.000.000 UFC/animal/dia não geram os resultados esperados. Por isso, deve se ter grande atenção quanto à concentração do produto, assim como à dose administrada. Outro ponto importante a considerar é a origem e a eficiência da cepa, que quando desenvolvida com vistas à utilização nas dietas avícolas, terá mais chances de sucesso do que outras cepas não selecionadas para este fim. A conservação correta do produto também se faz importante”, ressalta. Ronnie Dari acrescenta mais algumas dicas para a utilização de leveduras como fonte de nutrientes: trabalhar com fornecedores auditados, exigir certificado de análise de contaminantes químicos e biógicos. garantir a constância na composição e origem do produto, trabalhar com produtos de elevado teor protéico e alta digestibilidade.

Mananoligossacarídeos (MOS) Bastante lembrada por técnicos que trabalham na área de levedura, o mananoligossacarídeo (MOS), derivado da parede celular de leveduras

Ronnie Dari

Saccharomyces cerevisiae, é um dos oligossacarídeos mais pesquisados e de ação prebiótica. Segundo Spring et al. (2000), a parede celular é separada do conteúdo intracelular e o líquido contendo MOS é evaporado (spray dry) para evitar a destruição da parte funcional da molécula de MOS. A parede celular da levedura é formada por glucanos e mananos, em proporções similares, e pode conter proteínas, enquanto a quitina está presente em pequena quantidade (aproximadamente 1%). A estrutura da parede celular da levedura é resistente à degradação das enzimas e bactérias do aparelho digestivo. Ronnie Dari, da Biorigin explica ainda que o MOS neutraliza a capacidade de aderência da salmonela à parede do intestino. “O MOS faz isso sem provocar a seleção de resistência nas salmonelas. É um produto sem nenhum tipo de restrição em qualquer mercado de qualquer parte do mundo”, completa.

Avanços No que se refere às leveduras e seus derivados, há avanços recentes na área de produtos que podem trazer ainda mais benefícios. Ricardo Barbalho conta que há dois anos a ICC trabalha com um conceito novo: a utilização de levedura hidrolisada, onde através de processos enzimáticos é possível alcançar uma disponibilidade de 90% de nucleotídeos livres naturalmente presentes nas leveduras. “Este produto novo atua beneficamente na recuperação de tecidos, como os enterócitos intestinais e as células hepáticas. A ICC fir-

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Nutrição

Fernando Rutz

mou com a Universidade de São Paulo, (USP/ Pirassununga) e com o professor Lucio Araújo um convênio para o desenvolvimento de uma série de experimentos com o uso de leveduras e seus derivados em rações para frangos de corte. Para tanto financiamos a construção de um galpão aviário experimental para atender a esta necessidade. Além destes trabalhos, alguns testes foram realizados na Universidade do Mississipi (EUA) e os resultados foram publicados na última Poultry Fair de Atlanta, em janeiro passado. Estamos trabalhando no desenvolvimento deste produto há quatro anos e continuaremos estudando e pesquisando para chegar a resultados ainda melhores”. Para Ronnie Dari, da Biorigin, as últimas novidades são os produtos à base de componentes específicos da parede da levedura (por exemplo, o β-glucano) ou do extrato (por exemplo, os nucleotídios), com funções específicas, como a melhoria da imunidade. “A melhoria da qualidade é outro processo que ainda está acontecendo, com produtos mais ricos em determinados nutrientes, mais digestíveis, produzidos a partir de cepas de leveduras mais eficientes”. Guilherme Wadt afirma: Há vários trabalhos em andamento e sempre surgem novas publicações sobre o uso de leveduras na nutrição animal. Os novos estudos têm focado na utilização de leveduras vivas e de derivados, assim como Selenium Yeast e outros dedica-

42 Produção Animal | Avicultura

dos ao melhor entendimento dos mecanismos de ação dos mananos e betaglucanos de leveduras. Para Fernando Rutz, as últimas novidades em relação às leveduras dizem respeito a suas frações ricas em carboidratos com uma estrutura diferenciada da tradicional fonte de energia ou componente de armazenamento para reservas energéticas. “Novas descobertas deram origem a um novo conceito denominado de glicômica, que se refere ao estudo e caracterização dos açúcares componentes das células e de sua estrutura. Esta ciência oferece uma infinidade de moléculas novas. Esta envolve estruturas como manose, frutose, lactose, galactose, estaquiose, glicose e rafinose, entre outras. Estas são os blocos de construção desses açúcares complexos. Os oligossacarídeos podem ser isolados a partir de leveduras (e de outros vegetais) e apresentar atividades biológicas bastante distintas, entre elas alternativas para promotores de cresci-

“O que já está bom pode ser melhorado” Técnicos do setor acreditam que, embora o uso da levedura na alimentação avícola tenha avançado bastante no que se refere a novos produtos e qualidade, ainda há o que percorrer. Ronnie Dari, da Biorigin, afirma: “Faltam estudos, mas sempre faltará. A busca de conhecimento não pára nunca. E isso é a melhor parte da história. O que já está bom pode ser melhorado”. Guilherme Wadt, da Ab Vista especifica dizendo que faltam estudos aprofundados sobre cepas, tipos de leveduras e detalhes do seu modo de ação ainda, que podem ajudar a elucidar melhor o funcionamento deste tipo de produto. “Sem dúvida, a produção científica ainda encontra muito espaço para novos conhecimentos no campo da utilização de leveduras”. Fernando Rutz finaliza: “A pesquisa com leveduras e suas frações não pára.

Galpão na USP construído pela ICC

mento e moduladores do sistema imunológico como mananoligossacarideos ou adsorventes de micotoxinas como os glucanos. Além disso, foi observado que vários compostos contendo selênio, como a selenometionina e selenocisteina (chamados selênio orgânico) podem ser obtidos da levedura e apresentam, entre outras funções, um efeito direto no DNA, estimulando ou inibindo genes, o que é explicado por uma nova ciência denominada de nutrigenômica”, completa.

Novas descobertas são feitas a cada dia. Após uma revisão, Araujo e Silva (2009) concluíram que mais pesquisas são necessárias na área de leveduras inativadas e hidrolizadas”. Leia mais sobre leveduras na seção Ciência & Tecnologia do AviSite: www. avisite.com.br/cet Última noticia da página 27, acertar linha fina para: Produto da AB Vista é o primeiro enzimático à base de xilanase


Informe Publicitário

ICC, a empresa brasileira que se destaca como líder mundial em leveduras e aditivos para uso em nutrição animal

Ricardo Barbalho, Gerente de Vendas da ICC

O

uso das leveduras inativas como microingrediente nobre de ação profilática, com baixos níveis de inclusão, vem apresentando excelentes resultados em aves, e pode ser uma excelente ferramenta para quem busca utilizar um produto natural para produção animal. Segundo Ricardo Barbalho, gerente de vendas da empresa o

potencial brasileiro para a produção de leveduras pode saltar das atuais 75.000 tons anuais e chegar a mais de 500.000 tons/ano, ou seja, em um ambiente cercado de restrições ao uso de diversos melhoradores de performance tradicionais, as leveduras surgem como uma excelente alternativa, não só do ponto de vista nutricional, mas como um melhorador de performance sem restrições na criação de aves e suínos. A ICC atua neste segmento há 18 anos e apresenta uma linha completa de soluções baseadas neste ingrediente, dentre os produtos que a empresa comercializa destacam-se o Star Yeast e MaxiCell Pró (leveduras inativas), Immunowall, (prebiótico à base de MOS e beta glucanas) e o Hilyses (levedura

hidrolizada – fonte de nucleotídeos). Hoje além de comercializarmos os produtos aqui no Brasil exportamos nossos produtos para mais de 50 países, além disso estamos em fase de desenvolvimento de novos produtos e em breve teremos novidades para apresentar ao mercado, destaca Barbalho. A preocupação em torno da qualidade dos ingredientes utilizados nas rações animais é uma tendência mundial, uma vez que o consumidor final está cada vez mais ciente da relação ‘nutrição e saúde’. Os produtos á base de leveduras, além de serem ingredientes 100% naturais, ganham força no mercado de nutrição animal devido a sua ação benéfica e melhoradora de desempenho, uma vez que suporta a redução do uso de antibióticos.

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Produção Animal | Avicultura 43

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Estatísticas e Preços

Produção e mercado em resumo Tendências finais da avicultura em 2009

N

o quadro abaixo, os resultados da avicultura brasileira relativos ao período janeiro-setembro de 2009 foram simplesmente projetados para a totalidade do ano e apontam, para a avicultura de corte, negatividade de todos os números, enquanto para a avicultura de postura decresce ligeiramente o plantel de matrizes, permanecendo estável o alojamento de pintainhas comerciais. Pode-se esperar alguma alteração mais sensível em relação ao que está sendo projetado? Sim, na avicultura de corte. Em relação, primeiro, aos pintos de corte e à produção e oferta interna de carne de frango, cujos números finais tendem a

ser maiores que os apontados, até com eventual crescimento em relação a 2008. E não, exatamente, porque esteja ocorrendo aumento da produção, mas porque os resultados do trimestre final do ano passado foram sensivelmente afetados pela eclosão da crise econômica mundial. Sim, igualmente, em relação às exportações que, infelizmente, tendem no momento a apresentar um recuo maior que a média registrada nos nove primeiros meses do ano. E isso também deve contribuir para que a oferta interna seja maior que a apontada na presente projeção. E quanto à remuneração obtida pelo setor?

A realidade é que 2009 começou bem melhor do que deve terminar. Para o ovo e para o frango. Pois talvez porque se operasse sob um clima de crise econômica internacional, o setor esteve mais consciente das suas reais possibilidades, conseguindo resultados acima dos esperados. Isso foi sendo esquecido e ficando para trás à medida que se alardeava que a crise estava sendo superada, o que, infelizmente, não é verdade. Pelo menos para a avicultura. Dessa forma, o setor caminha para o encerramento do ano com perdas nas exportações (que se potencializam com a valorização do real), na avicultura de postura e na avicultura de corte.

AVICULTURA BRASILEIRA Tendências de produção em 2009 2009 2008

Em 9 meses

Projeção para 12 meses

Variação

FRANGO Matrizes de corte (milhões/cabeças)

48,564

33,268

44,357

-8,66%

Pintos de corte (bilhões de cabeças)

5,468

4,100

5,467

-0,02%

Carne de frango produção (mil/t)

11,032

8,073

10,765

-2,43%

Carne de frango exportação (mil/t)

3,645

2,715

3,621

-0,68%

Carne de frango oferta interna (mil/t)

7,387

5,358

7,144

-3,29%

OVO Matrizes de postura (milhares/cabeças)

775,031

570,186

760,248

-1,91%

Pintos de postura (milhões de cabeças)

60,112

45,261

60,348

0,39%

Fontes dos dados básicos: ABEF, APINCO e UBA | Elaboração e análises: AVISITE

44 Produção Animal | Avicultura


Alojamento de matrizes de corte Números de setembro correspondem ao menor volume em quatro meses

E

m setembro, o alojamento de matrizes de corte retornou a níveis que os produtores afirmam serem mais condizentes com a realidade do mercado. Conforme a UBA, foram alojadas no mês 3,648 milhões de matrizes de corte, 5,6% a menos que no mesmo mês do ano anterior. Em relação ao mês anterior a redução foi de 8,3% em valores nominais e de 5,2% em valores reais. O fato mais importante ressaltado pela cadeia do frango está no menor alojamento dos últimos quatro meses e ao retorno aos níveis registrados entre janeiro e maio de 2009, período em que o volume médio alojado ficou próximo de 3,550 milhões de cabeças mensais. Transcorridos três quartos do ano, o alojamento brasileiro de matrizes de corte soma 33,268 milhões de cabeças, isto significando uma redução de 9,32% sobre os 36,686 milhões de cabeças alojadas entre janeiro e setembro de 2008. Correspondendo a quase 3,7 milhões de matrizes de corte mensais, o atual acumulado projeta para a totalidade de 2009 volume da ordem de 44,4 milhões de cabeças, contra 48,6 milhões de cabeças em 2008 (8,6% de redução) À primeira vista, porém, esse número tende a ser superado se, por exemplo, repetir-se o mesmo comportamento observado no trimestre final do ano passado, período em que o alojamento esteve muito próximo dos 4 milhões de cabeças mensais. Mas, essa hipótese está afastada, pois, “mais consciente ou mesmo sem condições financeiras para alojar um volume maior”, o setor deve alojar no restante do ano volumes mais próximos daquele registrado em setembro. Dessa forma, o alojamento anual deve ficar em cerca de 44,270 milhões de cabeças, quase 9% a menos que em 2008. Nos 12 meses encerrados em setembro de 2009 o alojamento de matrizes de corte somou 45,146 milhões de cabeças.

EVOLUÇÃO MENSAL MILHÕES DE CABEÇAS

MÊS

2007/2008

2008/2009

VAR. %

Outubro

3,945

3,915

-0,77%

Novembro

3,858

3,965

2,76%

Dezembro

3,766

3,999

6,18%

Janeiro

4,265

3,560

-16,53%

Fevereiro

3,852

3,496

-9,23%

Março

3,944

3,482

-11,71%

Abril

3,953

3,488

-11,77%

Maio

4,012

3,679

-8,30%

Junho

4,037

3,858

-4,45%

Julho

4,409

4,081

-7,46%

Agosto

4,348

3,977

-8,53%

Setembro

3,866

3,648

-5,64%

EM 9 MESES

36,686

33,268

-9,32%

EM 12 MESES

48,255

45,146

-6,44%

Fonte dos dados básicos: UBA – Elaboração e análises: AVISITE

Produção Animal | Avicultura 45


Estatísticas e Preços

Produção de pintos de corte Produção recua 3% no ano, mas no mês foi apenas aparente

D

epois de quatro consecutivos meses de produção positiva em relação ao mesmo quadrimestre do ano passado, a produção brasileira de pintos de corte apresentou resultado negativo pelo segundo mês consecutivo. De acordo com levantamento da APINCO, foram produzidos no Brasil em setembro de 2009 pouco mais de 467,9 milhões de pintos de corte, volume que corresponde a reduções de 3,57% sobre setembro de 2008 e de 3,05% sobre agosto de 2009. Neste último caso, porém, a redução foi apenas aparente. Pois considerada a produção diária do bimestre agosto-setembro, o volume real produzido em setembro foi 0,18% maior que o do mês anterior. Apesar, porém, desse ligeiro aumento, os números permanecem mais de 3% aquém do recorde histórico de julho último – 500,3 milhões de cabeças. Completados três quartos do ano, a produção brasileira de pintos de corte permanece praticamente a mesma do ano passado, 4,1 bilhões de cabeças, apresentando variação de 0,09% sobre o mesmo período de 2008. Em outras palavras, a média mensal de 455,2 milhões de cabeças registrada de janeiro a setembro de 2008 subiu, neste ano, para 455,6 milhões de cabeças, projetando para a totalidade do ano volume da ordem de 5,468 bilhões de cabeças, idêntica à do ano passado. Mas embora prevaleça clara tendência de, em outubro, repetirem-se os mesmos altos volumes de outubro do ano passado – 496,2 milhões de cabeças – é pouco provável que a produção do bimestre final de 2009 recue aos mesmos baixos níveis de novembro-dezembro de 2008, época em que foi reduzido o ritmo de produção. Assim, o mais provável é que o ano seja encerrado com um volume superior a 5,5 bilhões de pintos. Nos 12 meses encerrados em setembro de 2009, o volume acumulado totaliza 5,472 bilhões de pintos de corte. 46 Produção Animal | Avicultura

Evolução mensal MILHÕES DE CABEÇAS

MÊS

2007/2008

2008/2009

VAR. %

Outubro

463,378

496,165

7,08%

Novembro

431,508

431,662

0,04%

Dezembro

451,775

443,854

-1,75%

Janeiro

460,687

417,755

-9,32%

Fevereiro

427,892

406,918

-4,90%

Março

441,119

425,628

-3,51%

Abril

429,048

455,711

6,21%

Maio

455,492

461,811

1,39%

Junho

437,041

482,089

10,31%

Julho

476,081

500,270

5,08%

Agosto

484,328

482,678

-0,34%

Setembro

485,261

467,938

-3,57%

EM 9 MESES

4.096,950

4.100,797

0,09%

EM 12 MESES

5.443,611

5.472,479

0,53%

Fonte dos dados básicos: UBA – Elaboração e análises: AVISITE


Produção de carne de frango Contenção em pintos de corte se traduz em menor produção em setembro

O

resultado não chega a ser significativo, mas a ligeira redução observada em agosto na produção de pintos de corte se refletiu parcialmente na produção de carne de frango de setembro passado. Pelos cálculos da APINCO, foram produzidas no mês 956.166 toneladas de carne de frango, volume que mesmo significando aumento de 3,20% sobre setembro de 2008, correspondeu a uma redução de 4,8% em valores nominais sobre agosto de 2009. A despeito desse recuo, entretanto, o volume acumulado nos nove primeiros meses do ano tornou-se, pela primeira vez em 2009, positivo. Ou seja: entre janeiro e agosto a produção acumulado no ano havia ficado abaixo da registrada no mesmo período do ano passado. Agora, ainda que minimamente, ela é superior e apresenta incremento de 0,07%. A média mensal produzida até setembro de 2009 – pouco mais de 897 mil toneladas – projeta para a totalidade do ano volume da ordem de 10,765 milhões de toneladas, quase 2,5% a menos que o registrado em 2008. Sabe-se, porém, que no trimestre final do ano é que, normalmente, se concentra a produção de carne de frango, por conta, sobretudo, do período de Festas. Assim, a produção do período deve ser superior à média – sem, no entanto, atingir os elevados níveis estimados até recentemente. Dessa forma, exceto em dezembro, quando deve voltar a superar a casa do milhão de toneladas, a produção de carne de frango do trimestre deve se manter, mensalmente, abaixo desse nível, o que aponta volume anual próximo ou minimamente superior aos 11,033 milhões de toneladas de 2008. Por sinal, nos 12 meses encerrados em setembro de 2009 o volume produzido somou 11,038 milhões de toneladas, ficando 2,27% acima da produção alcançada nos 12 meses imediatamente anteriores.

evolução mensal MIL TONELADAS

MÊS

2007/2008

2008/2009

VAR. %

Outubro

891,434

990,463

11,11%

Novembro

887,928

998,586

12,46%

Dezembro

945,515

975,672

3,19%

Janeiro

914,036

889,681

-2,66%

Fevereiro

866,302

780,499

-9,90%

Março

926,478

862,047

-6,95%

Abril

879,984

830,420

-5,63%

Maio

872,144

901,884

3,41%

Junho

861,759

892,223

3,54%

Julho

897,014

956,585

6,64%

Agosto

923,774

1004,081

8,69%

Setembro

926,548

956,166

3,20%

EM 9 MESES

8.068,039

8.073,586

0,07%

EM 12 MESES

10.792,916

11.038,307

2,27%

Fonte dos dados básicos: UBA – Elaboração e análises: AVISITE

Produção Animal | Avicultura 47


Estatísticas e Preços

Exportação de carne de frango Menos de 300 mil toneladas em setembro e o menor volume em sete meses

D

ados da ABEF revelam que em setembro passado, pela primeira vez desde o mês de março, os embarques brasileiros de carne de frango ficaram aquém das 300 mil toneladas. O volume alcançado – 289.951 toneladas – foi também o menor dos últimos sete meses e significou quedas de 10,50% e 3,75% sobre, respectivamente, setembro de 2008 e agosto de 2009.

Desempenho atual, aquém do projetado, reduz expectativas de se alcançar o mesmo volume de 2008 Em função desse último resultado (não muito diferente do registrado em fevereiro, mês de 28 dias), o volume acumulado nos nove primeiros meses de 2009 permanece quase 4% menor que o registrado no mesmo período de 2008, aproximando-se dos 2,716 milhões de toneladas. Correspondente a embarques mensais próximos de 302 mil toneladas, o atual acumulado projeta para a totalidade de 2009 exportações da ordem de 3,620 milhões de toneladas, volume 0,7% menor que o registrado em 2008. Considerada, no entanto, a perspectiva de não se alcançarem as 300 mil toneladas mensais no trimestre final de 2009 – como aventaram alguns exportadores – o recuo pode chegar a 1%. O volume acumulado nos 12 meses encerrados em setembro de 2009 somou 3,533 milhões de toneladas e foi 5,55% inferior ao alcançado nos 12 meses anteriores. É também o menor acumulado em períodos de 12 meses registrado desde junho de 2008. 48 Produção Animal | Avicultura

Evolução Mensal MIL TONELADAS

2007/2008

2008/2009

VAR. %

Outubro

MÊS

313,372

315,632

0,72%

Novembro

298,903

235,061

-21,36%

Dezembro

299,929

266,598

-11,11%

Janeiro

274,897

274,781

-0,04%

Fevereiro

292,538

263,222

-10,02%

Março

313,233

306,539

-2,14%

Abril

270,022

329,922

22,18%

Maio

361,415

303,767

-15,95%

Junho

330,125

329,014

-0,34%

Julho

339,360

317,207

-6,53%

Agosto

322,698

301,257

-6,64%

Setembro

323,949

289,951

-10,49%

EM 9 MESES

2.828,238

2.715,659

-3,98%

EM 12 MESES

3.740,442

3.532,950

-5,55%

Fonte dos dados básicos: UBA – Elaboração e análises: AVISITE


Disponibilidade interna de carne de frango Oferta retrocede e volta a ficar aquém das 700 mil toneladas

R

ecuando pouco mais de 5% em relação ao mês anterior, a disponibilidade interna de carne de frango em setembro passado voltou a ficar abaixo das 700 mil toneladas. Considerados os dados de produção e de exportação, o volume disponibilizado no mês totalizou 666.215 toneladas. De toda forma, considerada a oferta diária do produto, o índice de redução no mês foi ligeiramente menor, de apenas 2%, considerado insuficiente para dar estabilidade ao mercado. E o mais significativo é que a disponibilidade interna de setembro de 2009 foi 10,5% maior que a registrada um ano atrás, época em que a crise econômica mundial apenas dava seus primeiros sinais e o consumo era mais ativo. E isso explica porque setembro foi o pior dos nove primeiros meses de 2009 para a cadeia produtiva do frango. O ligeiro retrocesso observado em setembro não altera a evolução da oferta acumulada no ano – que permanece positiva. Ou seja: a despeito de todo o controle efetuado no primeiro semestre, a oferta global cresceu 2,25% em valores nominais, com incremento também na disponibilidade per capita. Já se sabe que enquanto a produção do quarto trimestre deve ser a maior do exercício, há uma clara tendência de redução das exportações. Dessa forma, o volume disponibilizado internamente deve bater o de todos os trimestres anteriores, podendo chegar aos 2,070 milhões de toneladas. Por enquanto, em 12 meses, o volume disponibilizado soma 7,5 milhões de toneladas e se encontra quase 6,5% acima do registrado no mesmo período imediatamente anterior. Mas esse volume tende a sofrer forte refluxo na medida em que forem eliminados os resultados do trimestre final de 2008, época em que a crise econômica desabou sobre o mundo e o mercado interno sofreu o influxo da carne de frango não exportada.

EVOLUÇÃO MENSAL MIL TONELADAS

MÊS Outubro

2007/2008

2008/2009

VAR. %

578,062

674,830

16,74%

Novembro

589,025

763,525

29,63%

Dezembro

645,586

709,074

9,83%

Janeiro

639,139

614,900

-3,79%

Fevereiro

573,764

517,277

-9,84%

Março

613,245

555,508

-9,41%

Abril

609,962

500,498

-17,95%

Maio

510,729

598,117

17,11%

Junho

531,634

563,21

5,94%

Julho

557,654

639,378

14,65%

Agosto

601,076

702,824

16,93%

Setembro

602,599

666,215

10,56%

EM 9 MESES

5.239,802

5.357,927

2,25%

EM 12 MESES

7.052,475

7.505,356

6,42%

Fonte dos dados básicos: UBA – Elaboração e análises: AVISITE

Produção Animal | Avicultura 49


Estatísticas e Preços

Alojamento de matrizes de postura Volume de setembro aumenta mais de 100%, mas permanece dentro da média

D

epois de alcançar o maior volume em quase 18 meses e registrar variação anual de mais de 100%, o alojamento de reprodutoras de postura retornou a níveis considerados normais. Em setembro passado, conforme a UBA, foram alojadas no País 65.483 matrizes de postura, volume pouco superior ao alojamento médio mensal dos últimos 24 meses. Mesmo sendo um terço menor que o do mês anterior, o alojamento de matrizes de postura de setembro também acabou ficando mais de 100% acima do registrado um ano antes, em setembro de 2008. Neste caso, porém, o significativo incremento ocorreu por conta da baixa base anterior – 32.233 matrizes de postura um ano atrás, o menor volume de 2008.

Foram alojadas no País 65.483 matrizes de postura, volume pouco superior ao alojamento médio mensal dos últimos 24 meses Até setembro, o volume acumulado de matrizes de postura (pouco mais de 70% delas de linhagens produtoras de ovos brancos) soma 570 mil cabeças, encontrando-se 5,6% abaixo do registrado nos nove primeiros meses de 2008. Correspondendo a um volume médio mensal de 63,3 mil cabeças, o atual alojamento projeta para a totalidade de 2009 volume da ordem de 760 mil cabeças, 15 mil cabeças a menos (uma redução de quase 2%) que o alojado em 2008. Por ora, em 12 meses (outubro de 2008 a setembro de 2009), o volume acumulado é ligeiramente menor: aproxima-se das 741 mil matrizes de postura, mas está 3% acima do alojado no mesmo período anterior. 50 Produção Animal | Avicultura

Evolução Mensal

(ovos brancos e vermelhos) MILHARES DE CABEÇAS MATRIZES DE POSTURA

% OVO BRANCO

MÊS

2007/08

2008/09

VAR. %

Outubro

24,339

78,722

223,44%

2007/08

2008/09

55,63%

69,35% 66,04%

Novembro

40,126

47,700

18,88%

91,92%

Dezembro

50,503

44,380

-12,12%

80,03%

71,16%

Janeiro

92,858

16,736

-81,98%

56,45%

87,23%

Fevereiro

98,130

29,311

-70,13%

85,95%

81,24%

Março

47,021

17,549

-62,68%

62,69%

59,22%

Abril

42,813

83,830

95,81%

69,68%

67,14% 75,57%

Maio

83,202

82,784

-0,50%

81,46%

Junho

104,611

89,356

-14,58%

68,73%

67,60%

Julho

58,108

84,867

46,05%

69,68%

68,64%

Agosto

45,253

100,270

121,58%

31,33%

61,16%

Setembro

32,233

65,483

103,16%

61,20%

84,73%

EM 9 MESES

604,229

570,186

-5,63%

67,88%

70,70%

EM 12 MESES

719,197

740,988

3,03%

69,66%

70,28%

Fonte dos dados básicos: UBA – Elaboração e análises: AVISITE


Alojamento de pintainhas de postura Continuam mínimas as variações no tocante ao alojamento do ano

D

e acordo com a UBA, em setembro passado foram alojadas no País 5,145 milhões de pintainhas de postura, quase 74% delas de linhagens produtoras de ovos brancos. O volume alojado correspondeu a incrementos de 0,19% sobre setembro de 2008 e de perto de 2% sobre agosto de 2009. Dessa forma, continuam sendo mínimas também as variações no tocante ao alojamento do ano ou ao acumulado em 12 meses. No ano a variação é de apenas 0,13%, isto significando que os 45,204 milhões de cabeças de um ano atrás agora somam 45,261 milhões de cabeças. E em 12 meses, o volume alojado é meio por cento menor – caiu de 60,491 milhões de cabeças para 60,169 milhões de cabeças. Tudo ponderado e já que essa estabilidade se mantém há mais de dois anos, fica a indagação: porque motivo o ovo registra, ultimamente, um dos piores preços deste século e, talvez, de todos os tempos? Parece estar claro que o consumo, afetado pelos problemas econômicos mundiais, continua aquém do que vinha sendo registrado na fase pré-crise. Além disso, a desaceleração compulsória nos níveis de abate tem dificultado o descarte de poedeiras e impossibilitado que, via readequação do plantel, se reequilibre a produção com a demanda mais restrita. Analistas e observadores do mercado observam que o problema também pode estar sendo agravado por “procedimentos que subvertem toda a estabilidade de alojamento” – o que significa simplesmente excesso de muda forçada. Mas há também quem comente que a estabilidade de alojamento há tempos registrada pode não estar sendo real. Pouco importando qual seja a razão concreta do atual descalabro do setor, a realidade é que prevalece grande descompasso entre oferta e demanda efetiva. E isso só se corrige com menos poedeiras. E não no alojamento, mas no descarte.

Evolução Mensal

(ovos brancos e vermelhos) MILHÕES DE CABEÇAS PINTAINHAS COMERCIAIS DE POSTURA

MÊS

% OVO BRANCO

2007/2008

2008/2009

VAR.%

Outubro

5,166

5,015

-2,92%

2007/08

73,26%

2008/09

72,88%

Novembro

5,105

4,811

-5,77%

73,80%

73,22%

Dezembro

5,017

5,083

1,31%

75,79%

74,79%

Janeiro

4,897

4,990

1,90%

75,11%

74,87%

Fevereiro

5,048

4,790

-5,11%

73,17%

75,92%

Março

5,122

5,161

0,76%

72,51%

75,27%

Abril

5,127

4,951

-3,43%

71,79%

75,30%

Maio

4,788

4,797

0,18%

74,17%

72,92%

Junho

4,955

5,209

5,12%

74,39%

74,77%

Julho

5,237

5,173

-1,22%

74,30%

72,84%

Agosto

4,895

5,046

3,09%

74,48%

71,86%

Setembro

5,135

5,145

0,19%

72,28%

73,80%

EM 9 MESES

45,204

45,261

0,13%

73,16%

74,17%

EM 12 MESES

60,491

60,169

-0,53%

73,44%

74,04%

Fonte dos dados básicos: UBA – Elaboração e análises: AVISITE

Produção Animal | Avicultura 51


Estatísticas e Preços

Desempenho do frango vivo em outubro de 2009 Retrocessos foram revertidos, mas sem ganhos para o produtor

A

pós três meses sucessivos de retrocesso em relação ao mês anterior, o frango vivo comercializado no interior paulista reverteu o processo, obtendo em outubro valorização de 9,05% sobre setembro último. Mas não se conclua, precipitadamente, que isso foi um ganho: o produto apenas recuperou o que havia perdido no decorrer do mês de setembro (o pior do ano, espera-se) e, com isso, fechou o décimo mês de 2009 com, praticamente, o mesmo preço médio alcançado em agosto (a variação positiva, em outubro, foi de apenas 0,13%).

Pelo terceiro mês consecutivo, média registrada em outubro continua totalmente onerosa para o produtor de frango, que voltou a enfrentar elevação nos custos básicos, com a retomada de preços do milho Em outras palavras, as perdas foram (provisoriamente?) estancadas, mas a média registrada em outubro continuou – pelo terceiro mês consecutivo – totalmente onerosa para o produtor que, no período, voltou a enfrentar elevação nos custos básicos, com a retomada de preços do milho. Assim, o valor médio alcançado em outubro último ficou 8,21% abaixo do alcançado um ano antes, em outubro de 2008, além de permanecer mais de 20% aquém do valor máximo registrado neste ano - $1,88/kg. 52 Produção Animal | Avicultura

FRANGO VIVO

Evolução de preços na granja, interior paulista – R$/Kg MÊS

MÉDIA R$/KG

VARIAÇÃO % ANUAL MENSAL

OUT/2008

1,63

1,87%

-11,89%

NOV/2008

1,74

12,25%

6,75%

DEZ/2008

1,62

-1,82%

-6,90%

JAN/2009

1,68

10,52%

3,70%

FEV/2009

1,80

30,43%

7,14%

MAR/2009

1,68

35,48%

-6,66%

ABR/2009

1,60

20,30%

-4,76%

MAI/2009

1,61

0,00%

0,63%

JUN/2009

1,88

5,62%

16,77%

JUL/2009

1,80

-4,56%

-4,05%

AGO/2009

1,49

-23,07%

-17,16%

SET/2009

1,37

-25,84%

-8,18%

OUT/2009

1,50

-8,21%

9,05%

Médias Anuais entre 2000 e 2009 ANO

R$/KG

VAR. %

ANO

R$/KG

2000

0,91

2001

0,97

2002

1,13

16,49%

2003

1,45

28,31%

VAR. %

14,57%

2005

1,35

-8,72%

6,47%

2006

1,16

-14,70%

2007

1,55

33,62%

2008

1,63

5,16%

2004

1,49 2,75% 2009* 1,64 0,65% Fonte dos dados básicos: JOX - Elaboração e análises: AVISITE Obs.: valores finais arredondados, daí eventuais diferenças nos percentuais * Até 31 de outubro de 2009

Frango vivo - preços históricos e preço efetivo em 2009 PREÇO HISTÓRICO (MÉDIA 1998/2008): preço em dezembro do ano anterior igual a 100 PREÇO MÉDIO EFETIVO EM 2009: (R$/KG, granja, interior paulista)


Desempenho do ovo em outubro de 2009 Perdas acumuladas no ano se ampliam OVO BRANCO EXTRA

Evolução de preços no atacado paulista – R$/caixa de 30 dúzias MÊS

MÉDIA R$/CXA

VARIAÇÃO % ANUAL MENSAL

OUT/2008

37,92

1,69%

-12,32%

NOV/2008

39,36

5,78%

3,80%

DEZ/2008

39,69

-12,38%

0,84%

JAN/2009

37,40

-3,33%

-5,76%

FEV/2009

43,54

-14,14%

16,41%

MAR/2009

46,94

-6,68%

7,80%

ABR/2009

45,46

14,71%

-3,15%

MAI/2009

41,84

-6,19%

-7,96%

JUN/2009

43,12

-5,89%

3,06%

JUL/2009

36,92

-22,27%

-14,37%

AGO/2009

37,40

-18,65%

1,30%

SET/2009

33,88

-21,66%

-9,42%

OUT/2009

31,35

-17,34%

-7,48%

Médias Anuais entre 2000 e 2009 ANO

R$/CXA

VAR. %

ANO

R$/CXA

VAR. %

2000

23,12

16,89%

2005

33,48

-2,87%

2001

24,07

4,11%

2006

27,48

-17,92%

2002

27,88

15,83%

2007

39,42

43,45%

2003

39,67

42,29%

2008

43,62

10,65%

2004

34,47 -13,11% 2009* 39,64 -9,13% Fonte dos dados básicos: JOX - Elaboração e análises: AVISITE Obs.: valores finais arredondados, daí eventuais diferenças nos percentuais * Até 31 de outubro de 2009

Ovo Extra branco - preços históricos e preço efetivo em 2009 PREÇO HISTÓRICO (MÉDIA 1998/2008): preço em dezembro do ano anterior igual a 100 PREÇO MÉDIO EFETIVO EM 2009: (R$/caixa, no atacado paulista)

C

omo foi tênue, a recuperação de preços registrada na segunda quinzena de outubro não impediu que o ovo terminasse o mês com o menor preço do ano, dos últimos treze meses ou - indo um pouco mais longe – dos últimos 33 meses, já que os R$31,35/caixa de outubro último somente superam os R$30,30/ caixa de janeiro de 2007 (!). A realidade é que o produto apresentou no mês retrocesso de 17,34% sobre outubro de 2008, além de uma queda de 7,48% sobre o mês anterior, setembro de 2009. E como as baixas vêm sendo bem mais freqüentes que as altas, em relação ao melhor preço do ano (R$46,94/ caixa, na Quaresma de 2009) o ovo tem, agora, um preço 33,21% menor. O que, dito de outra forma, significa que o produtor necessitou de um volume quase 50% maior para obter a mesma renda de pouco mais de seis meses atrás. Ou, ainda: vendeu três, mas recebeu apenas dois. Um outro indicador do fraco desempenho do ovo está no fato de que, em condições normais e embora em queda, o produto alcança no décimo mês do ano valor correspondente a 97,1% daquele registrado em dezembro do ano anterior (valor médio registrado nos últimos 10 anos). Deveria, pois, ter obtido preço em torno de R$38,54/caixa, mas ficou a pouco mais de 80% desse valor – isso, note-se, a despeito de os preços de dezembro/08 terem sido extremamente fracos. Com tudo isso, as perdas acumuladas no ano vão apenas se ampliando. O preço médio registrado em 10 meses situa-se em R$39,64/ caixa. Assim, além de estar 9,13% abaixo da média alcançada nos 12 meses de 2008, apresenta um ganho de somente 22 centavos (por caixa de 30 dúzias!) em relação à média de 2007. Produção Animal | Avicultura 53


Estatísticas e Preços

Matérias-Primas Milho aumenta quase 10% no mês

Farelo de soja cai pelo segundo mês seguido

O

O

preço médio do milho, saca de 60 kg, interior de SP, reverteu a queda nos meses anteriores e fechou outubro de 2009 com média de R$20,56 - aumento de 9,19% sobre setembro deste ano, R$18,83/saca. Na comparação com o valor da saca de um ano atrás, quando eram sentidos os primeiros efeitos da crise econômica mundial, a redução é de 7,64% pois o milho foi vendido a R$22,26/saca em outubro de 2008. Valores de troca – Milho/Frango vivo A relação de troca entre os produtos permaneceu quase inalterada uma vez que o frango vivo (interior de SP) apresentou variação parecida com a do milho: a média mensal de R$1,50 em outubro foi 9,49% maior em relação aos R$1,37 obtidos em setembro. Dessa forma, foram necessários 228,4 kg de frango vivo para comprar 1 tonelada de milho, considerados os valores médios dos dois produtos. Este valor sofreu pequena variação na comparação mensal: queda de 0,31%, o que representa um leve aumento no poder de compra do avicultor, que precisou de 229,1 kg de frango para comprar uma tonelada de milho em setembro de 2009. Valores de troca – Milho/Ovo A deterioração no poder de compra da avicultura de postura continua preocupando o setor. De acordo com os preços médios dos produtos, a relação de troca entre o ovo (granja, interior paulista) e o milho em outubro de 2009 foi de 14,06 caixas de ovos para uma tonelada do grão. Em setembro foram necessárias 11,70 caixas/t, o que significa 20,17% mais ovos para obter a mesma quantidade de milho. A queda do ovo pelo segundo mês consecutivo foi o fator determinante nessa redução da capacidade de compra da postura comercial: o preço médio da caixa de 30 dúzias caiu 9,06% em outubro, ficando em R$24,38 - no mês anterior a média havia sido de R$26,81.

54 Produção Animal | Avicultura

farelo de soja (FOB, interior de SP) foi comercializado em outubro ao preço médio de R$772/tonelada, valor 4,93% menor que o de setembro de 2009 – R$812/t. Na comparação com outubro de 2008 – R$741/t – a cotação média atual foi 4,18% superior. Valores de troca – Farelo/Frango vivo Considerado o preço médio do farelo de soja em outubro, foram necessários 514,6 kg de frango vivo (na granja, interior de SP) para adquirir uma tonelada do insumo. Como em setembro passado essa relação foi de 592,7 kg para obtenção de 1 tonelada de farelo, o volume de frango para adquirir mesma quantidade do produto caiu 13,17%. Apesar do aumento do poder de compra registrado em outubro, as perdas acumuladas durante o ano ainda são significativas, uma vez que em julho de 2009 uma tonelada de farelo de soja podia ser comprada com 456 kg de frango vivo. Em relação aos valores de um ano atrás, também houve redução na capacidade de compra: -11,67%, posto que em outubro de 2008 foram necessários 454,6 kg de frango vivo para adquirir uma tonelada de farelo de soja. Valores de troca – Farelo/Ovo Em outubro, considerados os preços médios de um e outro produto, foram necessárias 31,67 caixas de ovos (valor na granja, interior paulista) para adquirir uma tonelada de farelo de soja. O poder de compra do avicultor caiu pelo segundo mês consecutivo, 4,59%, já que em setembro passado 30,28 caixas de ovos adquiriram uma tonelada de farelo. Em relação a outubro de 2008, a queda no poder de compra é bastante acentuada (25,80%), já que naquele período uma tonelada de farelo de soja custava, em média, 23,5 caixas de ovos.

Fonte das informações: www.jox.com.br


Produção Animal | Avicultura 55


Nutrição

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56 Produção Animal | Avicultura


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Ponto Final

CDME é credenciado para realizar análises na área de diagnóstico animal

U

Mara Eliza Gasino Joineau é coordenadora do Centro de Diagnóstico Marcos Enrietti (DEFIS/SEAB/PR)

m ano após o término das obras de reforma e ampliação, o Centro de Diagnóstico “Marcos Enrietti” (CDME) foi credenciado para realizar análises na Área de Diagnóstico Animal. O Centro é uma das divisões do Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária (DEFIS), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (SEAB/PR) e foi criado em 1981 para atender os serviços de Defesa Sanitária Animal e Vegetal do Estado, prestando serviços também para a iniciativa privada. A partir de 2002, passou a atender a demanda de análises microbiológicas em alimentos, do Serviço de Inspeção do Paraná (SIP/POA). Nos últimos três anos, o CDME recebeu investimentos do Fundo de Equipamento Agropecuário (FEAP) passando por uma reforma das instalações já existentes, sendo construída uma nova ala com 1.700 m2, que permitiram sua ampliação, o incremento da biossegurança e a aquisição de novos equipamentos. Além dos investimentos em infraestrutura, houve a contratação de quatro profissionais de nível superior e três laboratoristas para melhor atender as demandas sempre crescentes que o Centro vem experimentando. O CDME recebeu ainda credenciamentos para diagnósticos das Áreas de Virologia Vegetal, Bacteriologia e Virologia Animal em 1993 e, em fevereiro de 2009, para análises na Área de Diagnóstico Fitossanitário. Em setembro de 2009, foi assinada a Portaria nº 343/2009 SDA/MAPA, credenciando o Centro a realizar análises na Área de Diagnóstico Animal, em amostras oriundas do controle oficial e programas específicos do MAPA, em diagnósticos dos Programas Nacionais de Sanidade Avícola (PNSA), de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose (PNCEBT), de Sanidade dos Equídeos (PNSE) e de Controle da Raiva dos Herbívoros e outras Encefalopatias (PNCRH). Com o credenciamento, o CDME está apto a atender o Programa Nacional de Sanidade Avícola – PNSA, nos diagnósticos sorológicos de Doença de Newcastle, Influenza Aviária, Micoplasmose e Salmonelose, sendo que para esta última, além da sorologia, realizará o isolamento, as pro-

58 Produção Animal | Avicultura

vas bioquímicas e a sorotipificação. Este último processo de credenciamento teve início em dezembro de 2007, quando foram enviadas as primeiras documentações. Desde então, o Centro recebeu quatro auditorias do MAPA, havendo a emissão do novo Manual de Qualidade, entre outros documentos exigidos pelas equipes auditoras. O credenciamento do CDME foi resultado de muito empenho e profissionalismo da equipe do

Equipe do laboratório

Centro na elaboração da documentação e na implantação do Sistema de Gestão da Qualidade, baseado na norma ABNT NBR ISO/IEC 17.025/2005, que é condição para o credenciamento pelo MAPA e diz respeito a tudo que está envolvido direta ou indiretamente desde a chegada da amostra na recepção do laboratório, até a emissão e liberação dos laudos de diagnóstico. A realização dos diagnósticos, para atender o PNSA, traz para o Paraná mais agilidade e autonomia na vigilância da sanidade avícola paranaense, podendo atender programas estaduais e servindo de apoio aos laboratórios do MAPA que suportam a demanda nacional. A excelência do setor avícola nacional demanda suporte laboratorial por parte do serviço oficial, o que vem sendo alcançado no Paraná graças às parcerias e grande interação entre os setores público e privado.


Produção Animal | Avicultura 59


Ponto Final

60 Produção Animal | Avicultura


Producao Animal Avicultura - ed31  

31a edição da revista sobre o mercado avícola do Brasil e do mundo

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