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Sumário Plantação de eucaliptos Iniciativa sustentável que reduz custos na produção

Automação Melhor qualidade, uniformidade, classificação perfeita e menor custo na produção

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Eventos................................................................. 04 Notícias Curtas..................................................... 06 Postura em Foco.................................................. 18 Ciência Avícola.................................................... 20 Associações.......................................................... 30 AviGuia................................................................ 32 Classificados......................................................... 52 Portfólio Aviguia ................................................ 53

JBS e Marfrig Empresas realizam aquisições na avicultura

Ponto final João Carlos de Ângelo comenta a maximização da nutrição pré-inicial

CBNA

ESTATÍSTICAS E PREÇOS

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Evento discute uso de leveduras na alimentação animal

expediente Produção Animal - Avicultura ISSN 1983-0017 Coordenador Editorial José Carlos Godoy jcgodoy@avisite.com.br MTB - 9782 Comercial Paulo Godoy Christiane Galusni publicidade@avisite.com.br Redação Érica Barros Thaís Façanha Maruoka imprensa@avisite.com.br Diagramação e arte Mundo Agro e Grupo WL luciano.senise@grupowl.com.br Internet Darcy Júnior webmaster@avisite.com.br Circulação e assinatura Cristiane dos Santos (19) 3241-9292 assinatura@avisite.com.br Fale com a redação! imprensa@avisite.com.br Tel: (19) 3241 9292 Mundo Agro Editora Ltda. Rua Erasmo Braga, 1153 13070-147 - Campinas, SP

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Produção e mercado em resumo........................................... 40 Alojamento de matrizes de corte...........................................41 Produção de pintos de corte................................................. 42 Produção de carne de frango................................................ 43 Exportação de carne de frango............................................ 44 Disponibilidade interna de carne de frango........................ 45 Alojamento de matrizes de postura..................................... 46 Alojamento de pintainhas comerciais de postura................47 Desempenho do frango vivo no mês de setembro............. 48 Desempenho do ovo no mês de setembro........................... 49 Matérias-primas...................................................................... 50

eDITORIAL

Mercado do frango e ovo em ritmo lento; aquisições de empresas em ritmo acelerado Na última edição da Revista do AviSite, as páginas sobre o mercado do frango e do ovo já haviam usado o adjetivo pior para se referir aos resultados de agosto de 2009. Em setembro, a situação não foi muito diferente. No entanto, as altas registradas pelo frango vivo na última semana sinalizam que a oferta de aves vivas se encontra melhor ajustada às necessidades do mercado e sugerem maior estabilidade em outubro. No que se refere ao ovo, tudo indica que a exigência legal de que todos os descartes de poedeiras comerciais e de reprodutoras sejam direcionados para abatedouros com SIF, atingiu a avicultura de postura. Desta forma, teve dificuldades para corrigir de forma rápida a distorção de mercado, que provocou a queda dos preços. Fica o alerta: a legislação em vigor precisa ser revista e melhor equacionada. Pois parece totalmente equivocado deixar o produtor com uma única válvula de escape. Que, além disso, está tentando equacionar seus próprios problemas, não tendo como se voltar para o problema dos outros. (Mais informações na seção Estatísticas e Preços página 40).

Após a queda meteórica verificada nos preços do frango e do ovo no início do mês que passou, na segunda quinzena de setembro, a avicultura brasileira e mundial foi surpreendida pelas compras realizadas pela Marfrig (página 14) e pelo JBS (página 11). Agora, com a aquisição da Seara, a Marfrig, que até o início de 2008 não tinha operações no setor avícola, ocupa a segunda posição na avicultura e na suinocultura brasileira, atrás apenas da Brasil Foods. Já a JBS comprou a gigante Pilgrim’s Pride, nos Estados Unidos, que havia pedido concordata em 1º de dezembro de 2008, assolada por dificuldades financeiras. Com a compra, a JBS tornou-se a maior companhia de proteína animal do mundo, superando a Tyson Foods. Os leitores da Revista do AviSite também conferem nesta edição, textos sobre a automação na avicultura de postura (página 24) e a plantação de eucaliptos nas propriedades avícolas como forma de redução de custos (página 36). Na próxima edição você confere a segunda parte da reportagem sobre automação, desta vez voltada para o setor avícola de corte. Produção Animal | Avicultura 3


Eventos

2009

2010

Outubro

Janeiro

10 a 14 de outubro Anuga 2009 Local: Koelnmesse, Colônia, Alemanha Informações: www.anuga.com/ E-mail: anuga@visitor.koelnmesse.de

27 a 29 de janeiro 62ª International Poultry Expo-Feed Expo Local: Georgia World Congress Center - Atlanta, Geórgia – EUA Realização: US Poultry & Egg Association Contato: (770) 493-9401 Informações: www.internationalpoultryexposition.com

19 a 21 de outubro VIV China 2009 Local: Pequim, China Informações: www.viv.net E-mail: wang.yunyun@vip.163.com 21 a 23 de outubro 8º Simpósio Técnico de Incubação, Matrizes de Corte e Nutrição Local: Balneário Camboriú, SC Realização: ACAV (Associação Catarinense de Avicultura) Contato: (49) 9977-1021 Informações: www.acavsc.org.br E-mail: acav-chapeco@hotmail.com

Novembro 11 a 13 de novembro I Congresso Internacional sobre Nutrição de Aves e Suínos Local: Auditório do Instituto Agronômico de Campinas Av. Barão de Itapura, 1481 Realização: CBNA Informações: www.cbna.com.br E-mail: cbna@cbna.com.br 18 a 19 de novembro V Encontro Técnico Unifrango Local: Centro de Eventos Araucária, Maringá, PR Realização: Unifrango Contato: (44) 2103-6600 Informações: www.unifrango.com.br

Dezembro 2 e 3 de dezembro Workshop Atualidades e Futuro da Incidência e Controle da Bronquite Infecciosa na Avicultura Brasileira Local: IBE Centro de Convenções, Rua José Paulino, 1369, Centro, Campinas, SP Realização: FACTA Contato: (19) 3243-6555 Informações: www.facta.org.br/bronquite E-mail: facta@facta.org.br 4 Produção Animal | Avicultura

Fevereiro 1 a 3 de fevereiro VIV Índia 2010 Local: Bangalore International Exhibition Centre, Bangalore, Índia Informações: www.viv.net E-mail: viv.india@interads.in

Abril 6 a 8 de abril XI Simpósio Brasil Sul de Avicultura Local: Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nês, Chapecó, SC Realização: Núcleo Oeste de Médicos Veterinários E-mail: nucleovet@nucleovet.com.br

Maio 25 a 28 de maio Feira Nacional do Frango (FENAFRANGO) Local: Passo Fundo, RS Realização: Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agropecuária e Sindicato Rural Informações: www.fenafrango.com.br


Notícias | Brasil Exportação

Cai o ritmo de valorização do frango in natura Produto registrou alta de 7,72% em abril. Em agosto, índice foi de menos de 1%

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epois de ter atingido o “fundo do poço” em fevereiro passado, o preço médio da carne de frango in natura exportada pelo Brasil vem, desde então, registrando valorização contínua – ou o correspondente a um incremento de 23% no espaço de seis meses. É notório, porém, que em julho e agosto caiu sensivelmente o ritmo de valorização do preço médio. A desaceleração reforça a tese de esgotamento da “bolha de consumo” observada no segundo trimestre do ano. Mas, provavelmente, a perda de ritmo está sendo ocasionada muito mais pelo aumento da produção brasileira de carne de frango, como aponta um empresário do setor exportador. Ele explica:

“Quando reconhece que a oferta é limitada, o importador não se nega a pagar mais. Tanto que a maior valorização vista neste ano coincidiu, exatamente, com o mês de menor produção de 2009. Mas o importador também sabe quando o produto passa de escasso a disponível. E, nessas horas, não há negociador que consiga segurar o preço anterior”.

Na pauta, carne de frango in natura recua à posição ocupada em 2007 Depois de, no ano passado, ter subido para a quarta posição da pauta exportadora brasileira e garantido 2,94% de toda a receita cambial do País, a carne de

frango in natura corre o risco de, em 2009, retroceder para o mesmo sexto posto que ocupou dois anos atrás, em 2007, quando a participação do produto na receita cambial ficou em 2,63%. A queda, entretanto, pode ficar restrita à posição, não necessariamente à participação na receita cambial. Pois entre janeiro e agosto deste ano, ainda que a receita auferida pela carne de frango in natura tenha recuado 22% em relação aos primeiros oito meses de 2008, sua contribuição na captação de divisas aumentou 4,12% e representou 3,2% dos US$97,935 bilhões da receita cambial total que, no mesmo período, alcança apenas três quartos (é 25% menor) da receita anterior.

Primeiro sinal de recuperação veio em março, com alta de 0,62% no preço do frango embarcado. Três altas significativas vieram na seqüência: +7,72% em abril, +4,34% em maio e +5,73% em junho. Já em julho passado esse índice de expansão foi de apenas 2,23% e, em agosto, de menos de 1%

Matérias-primas

Milho: agora é iniciar o próximo levantamento Já se sabe que a soja é quem deve reinar no período 2009/2010

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o início de setembro, CONAB e IBGE consideraram encerrados os trabalhos relativos à maior parte da safra de grãos 2008/2009. Em relação ao milho, embora a produção tenha recuado quase 15% (de 58,6 para 50,1 milhões/t), o suprimento acabou sendo similar ao da safra anterior (diferença de -0,1%), graças, 6 Produção Animal | Avicultura

essencialmente, a um aumento de cerca de 260% nos estoques iniciais de 2009. A colheita total fechou em 134,3 milhões de toneladas, atrás apenas das 144,14 milhões de toneladas do período anterior (- 6,8%). A produção da soja alcançou 57,1 milhões de toneladas.

O plantio da safra 2009/2010 começou em setembro e os números em relação ao milho não são nada alvissareiros, pois a soja é quem deve reinar nesta próxima safra. Já o estoque final de 2009 deverá ser o segundo maior da história do setor com um volume final próximo aos 10 milhões de toneladas.


Supermercado Moderno

As “top five” dos varejistas na carne de frango Sadia e Perdigão continuam na liderança das marcas mais lembradas

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esquisa da revista Supermercado Moderno mostra que Sadia, Perdigão, Copacol, Penasul e Sertanejo são, pela ordem, as marcas de frango (resfriado ou congelado) mais lembradas/destacadas pelos varejistas brasileiros. Em outro produto do setor – os empanados de frango – Sadia e Perdigão continuam na liderança e são seguidas pelas marcas Seara, Aurora e Doux. Porém, o que mais ressalta na pesquisa é o percentual de “outros”. Ou seja: enquanto nos empanados o percentual de outras marcas citadas corresponde a apenas 7% das citações (quer dizer: as “top five” respondem por 93% das citações), no frango esse percentual sobe para 70%, as “top five” respondendo por apenas 30% das indicações – uma demonstração da altíssima pulverização ainda observada no setor.

A Supermercado Moderno levantou, também, os Destaques Regionais. As maiores menções ao frango, aqui, foram para a Flamboiã (Grande São Paulo), Itabom (interior de São Paulo) e Superfrango (Centro-Oeste, Norte e parte do Nordeste do País). O levantamento da revista abrange somente produtos industrializados. Assim, o ovo não participa da pesquisa.

TOP FIVE As marcas preferidas dos varejistas na área de carne de frango, pela pesquisa da revista Supermercado Moderno SETEMBRO DE 2009 FRANGO RESFRIADO CONGELADO Colocação MARCA

% DE INDICA ÇÕES

EMPANADO DE FRANGO CONGELADO MARCA

% DE INDICA ÇÕES

Sadia

11%

Sadia

45%

Perdigão

7%

Perdigão

36%

Copacol

5%

Seara

7%

Penasul

4%

Aurora

4%

Sertanejo

3%

Doux

1%

Outros

70%

Outros

7%

Fonte dos dados básicos: Supermercado Moderno Elaboração e análises: AVISITE

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Notícias | Brasil Mercado

Em agosto, preço do frango no varejo paulistano variou até 20% Diferenças no preço do ovo são menores

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cesta regional da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) relativa ao varejo paulistano mostra que os preços do frango no varejo de São Paulo podem variar até 20%, conforme a região da cidade. Em agosto, o menor preço foi registrado na chamada Zona Sul II (R$3,64/kg) e o mais elevado na Zona Oeste (R$4,34/kg). Já as diferenças no preço do ovo são menores, com variação inferior a 10%. No mês que passou o preço mais vantajoso para o consumidor foi registrado na Zona Norte (R$2,84/dúzia). E o mais caro na Zona Sul I, região rica da cidade (R$3,10/dúzia). A propósito: indicadores do mercado avícola apontam que em agosto o frango abatido resfriado obteve na cidade de São Paulo preço médio de R$2,33/kg. Portanto, o produto foi disponibilizado ao consumidor (considerando o preço médio no varejo) com um adicional médio de 70%. No ovo o adicional foi bem mais elevado, de

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135%, já que no atacado o produto recebeu valor equivalente a cerca de R$1,25/dúzia (R$37,40/caixa).

Frango e ovo: o que mostra a relação de preços entre granja e atacado Comparando-se os preços pagos ao produtor no interior paulista com aqueles praticados no atacado da cidade de São Paulo, é possível constatar que existe íntima correlação entre eles pelo menos em relação ao ovo. Já no frango a história é diferente. Começando pelo ovo: no período analisado (2 de janeiro a 2 de setembro de 2009), o valor de venda no atacado correspondeu, em média, a 1,21 vezes o valor pago na granja. Ou seja: para um valor 100 recebido pelo produtor por caixa de 30 dúzias, registrou-se um adicional de 21% no atacado, esse percentual variando de um mínimo de 17% a um máximo de 27%. Portanto, com uma amplitude de 10 pontos per-

centuais entre o mínimo e máximo. No frango, a correlação média no período foi de 1,45 vezes, ou seja, o frango abatido registrou acréscimo médio de 45% em relação à ave viva, o que é pertinente, pois depende de processamento. Porém, as variações foram bem maiores que as observadas com o ovo, indicando menor correlação de preços entre vivo e abatido. Dessa forma, os preços praticados pelo atacado foram desde 30% até 80% superiores aos do frango vivo. Neste caso, o adicional mínimo foi registrado em 2 de fevereiro de 2009, ocasião em que o frango vivo foi comercializado por R$1,80/kg e o abatido (frango inteiro resfriado, grande atacado de São Paulo) registrou valor médio de R$2,35/kg. Já o acréscimo de 80% data do início de setembro (dia 2), ocasião em que o frango vivo foi comercializado por R$1,25/kg, enquanto o abatido registrou média de R$2,25/kg.


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Notícias | Panorama Internacional Imbróglio russo

Rússia deve alterar quotas para carnes Para 2010, quota de importação de frango sofre corte de cerca de 100 mil t

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e acordo com a entidade representativa das indústrias de carnes locais, o governo russo deve definir antes de 31 de dezembro, as quotas de importação de carnes para 2010. Está previsto um aumento nas quotas para carne bovina e uma concomitante redução nas quotas das carnes suína e de frango. A entidade do setor de carnes afirma que a quota de importação de carne bovina deve ser aumentada em 100 mil toneladas e passar para 550 mil toneladas anuais. Já a quota de importação de carne de frango sofre um corte de cerca de 100 mil toneladas e cai para 850 mil toneladas/ano (952 mil toneladas em 2009), enquanto a de carne suína perde 32 mil toneladas e fica em 500 mil toneladas/ano. A demanda russa pelas carnes vermelhas (bovina e suína) e pelos embutidos caiu cerca de 15% entre janeiro e julho deste ano, enquanto o consumo de carne de frango continuou crescendo. A associação defende que, para o próximo ano, a quota de importação de carne de frango seja reduzida em (aproximadamente) 100 mil toneladas.

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Entretanto, outras entidades classistas (como a Associação Russa dos Operadores de Mercado das Carnes Avícolas) defendem um corte maior – de 130 mil/t a 170 mil/t – o que, se aprovado, reduz as quotas atuais para um volume entre 780 mil e 820 mil toneladas.

Novamente Rússia ameaça suspender importação de frango dos EUA O Food Business Daily (FBD) anunciou na primeira quinzena de setembro que o governo da Rússia está na iminência de suspender, senão totalmente, grande parte das importações de carne de frango dos EUA, seu maior fornecedor. Desta vez a justificativa para a futura interrupção das compras dos EUA é um novo regulamento técnico para as carnes – ainda em estudo, mas com adoção prevista para “muito breve,

possivelmente ainda este ano”, segundo Viktor Zubkov, Vice-Primeiro Ministro russo – prevendo a proibição de importação de carne de frango tratada com cloro. O veto não inibe o uso do cloro, mas sua utilização a partir de uma determinada concentração. E isso, segundo o FBD, acabaria com praticamente todas as exportações dos EUA para a Rússia, pois o procedimento padrão é a lavagem das carcaças com água fortemente clorada.

País quer negociar em bolsa 15% das quotas de carnes De acordo com a agência de notícias russa Prime-Tass, o Serviço Federal Anti-Monopólio da Rússia está propondo que 15% das quotas de importação de carnes do país sejam negociadas em bolsa de mercadoria. Os 85% restantes seriam distribuídos entre os importadores, proporcionalmente ao volume importado em 2009. Informando que a proposta está sendo encaminhada ao governo central da Rússia e, em especial, ao Ministério do Desenvolvimento Econômico, portavoz do Serviço Anti-Monopólio explicou que a venda de parte das quotas em uma bolsa de mercadorias vai permitir que novas empresas acessem o mercado importador de carnes. Ao mesmo tempo – acrescentou – a medida vai permitir que as empresas já operantes nesse segmento tenham sua participação ampliada mediante, apenas, mecanismos rotineiros de mercado.


Empresas Mercado concorrido

Em um mesmo dia, JBS fecha negócio no Brasil e nos EUA 64% das ações da Pilgrim’s passam à JBS. Com Bertin, acordo firmado é para associação

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o dia 16 de setembro, a brasileira JBS, maior empresa de carne bovina do mundo, fez um duplo comunicado, ao anunciar que a Pilgrim’s Pride, que até recentemente foi a maior produtora de carne de frango dos EUA, concordou com a venda de 64% de suas ações ordinárias por US$800 milhões. Na mesma ocasião, o JBS, que fez aquisições importantes fora do Brasil nos últimos anos, anunciou o fechamento de um acordo para uma associação com o frigorífico Bertin, um de seus concorrentes diretos e também com foco principal em bovinos.

Com a Pilgrim’s Pride, JBS passa a atuar na avicultura norte americana O acordo anunciado avalia a Pilgrim´s Pride em US$ 2,8 bilhões e afasta o risco

de falência da segunda maior processadora de frango dos EUA. A empresa norte-americana deve continuar com 36% das ações da companhia. A marca Pilgrim’s Pride está presente no mercado norte-americano há mais de 60 anos (foi fundada em 1946, no Texas). A concretização da compra permanece no condicional porquanto – como ocorre no Brasil nas negociações entre Sadia e Perdigão, atual BRF – o negócio deve passar pelo crivo e aprovação das autoridades antitruste dos EUA. A Pilgrim´s possui 33 plantas de processamento nos EUA, três no México e uma em Porto Rico, com aproximadamente 41 mil trabalhadores ao todo. A empresa exporta para mais de 80 países e tem a capacidade instalada de processar cerca de 4,1 milhões de toneladas de frango por ano. No ano fiscal de 2008, a Pilgrim´s Pride obteve receita líquida de US$ 8,5 bilhões.

“Nova Holding” é criada para associação com Bertin No que se refere à associação com o Bertin, presente no Brasil há mais de 30 anos no segmento de agroindústria, os controladores do JBS irão transferir todas as suas ações para uma holding batizada de “Nova Holding”, que reunirá ainda 73,1% do capital social da Bertin

mediante aporte de seus atuais controladores. O Valor Online divulgou que, após essas transferências, o controle da JBS e da Bertin passará a ser detido pela Nova Holding. A estimativa das empresas é

Acordo anunciado avalia a Pilgrim´s Pride em US$ 2,8 bilhões e afasta o risco de falência da segunda maior processadora de frango dos EUA de que o peso da JBS na holding será de 60%, com o Bertin representando os 40% restantes. Com o Bertin, o JBS tem seu portfólio de atuação ampliado para os produtos lácteos, já que pertencem a esta empresa marcas tradicionais como a Vigor, Danúbio e Leco. Isso amplia os canais de distribuição da empresa que terá só aí uma sinergia estimada em R$500 milhões. Mas essa sinergia pode

Pilgrim’s Pride Fundada em 1946, no Texas, EUA, a empresa pediu concordata em 1º de dezembro de 2008, assolada por dificuldades financeiras. Em 2006, após a aquisição da Gold Kist, havia assumido a liderança americana e mundial na produção de carne de frango

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Bertin Fundada no Brasil há 30 anos, a associação com o Bertin, que tem foco principal em bovinos levanta a expectativa da entrada da empresa no segmento de carne de frango no Brasil

ser ainda mais ampliada com a inclusão de outros alimentos – por exemplo, à base de frango.

porque a empresa, em recuperação judicial, continua enfrentando sérios desafios financeiros e vem fechando plantas (prin-

Novo cenário A JBS se torna não apenas o maior produtor de carnes vermelhas dos EUA, mas também um dos maiores produtores de frango daquele país, já que a Pilgrim’s Pride detém, conforme projeções locais, 22% da produção norte-americana de carne de frango. E o que isso representa? Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), em 2008 foram produzidas no país cerca de 16,5 milhões de toneladas. Portanto, a produção da Pilgrim’s Pride girou em torno dos 3,6 milhões de toneladas de carne de frango, volume que deve sofrer redução em 2009 – e não só porque o mercado impõe, mas também

JBS agora é maior processadora mundial de carne bovina e dona de uma das maiores empresas avícolas do mundo cipalmente abatedouros e incubatórios) em vários estados dos EUA. Mesmo assim a Pilgrim’s deve continuar maior, por exemplo, que a recém-

estreante Brasil Foods, resultado da fusão Perdigão/Sadia e, hoje, uma das maiores do mundo na produção de carne de aves (ou, essencialmente, de frango). Pois, conforme o balanço de 2008 das duas empresas brasileiras, no ano que passou seu abate de aves (aí incluso o peru e outras aves) somou 2,6 milhões de toneladas – um milhão de toneladas a menos que o alcançado pela Pilgrim’s só com a carne de frango. A negociação com a Pilgrim’s representa também um novo desafio para a Tyson Foods, a maior empresa norteamericana de carnes bovina, suína e avícola. Juntas, Pilgrim’s Pride e a unidade nos EUA da JBS – que inclui a JBS australiana – tiveram, no ano passado, vendas da ordem de US$20 bilhões. As vendas da Tyson no ano fiscal de 2008 somaram US$27 bilhões.

Estruturação

BR Foods aporta R$ 3,5 bilhões na Sadia Valor foi levantado com oferta pública de ações

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e acordo com informações divulgadas pelo Valor Online, a Brasil Foods deve transferir R$ 3,5 bilhões à Sadia até o fim de 2009. O dinheiro vai como adiantamento para futuro aumento de capital. Deste total, R$ 950 milhões já foram transferidos para o caixa da Sadia. O valor foi levantado a partir da bem sucedida oferta pública primária de ações que BRF realizou com o objetivo 12 Produção Animal | Avicultura

de levantar dinheiro para acertar o caixa da Sadia. A venda das ações resultou na captação de R$ 5,29 bilhões, mais de 80% desse valor será utilizado para equalizar as dívidas da Sadia. Também sobre a Brasil Foods, a Folha de S. Paulo, divulgou que até a aprovação da fusão entre a Perdigão e a Sadia pelo Cade, a nova empresa só fará investimentos para a manutenção das operações. No orçamento de 2010, a

empresa deve destinar R$ 1 bilhão para investimentos. O jornal cita José Antonio do Prado Fay, presidente da BRF, ao afirmar que hoje apenas a parte financeira da empresa está unificada. O manejo da dívida da Sadia também já está sob administração da BRF. A expectativa de Fay é que todos os débitos da empresa sejam quitados ainda neste ano.


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Empresas Mercado concorrido II

Por US$ 900 milhões, Seara Alimentos passa às mãos da Marfrig Negócios de proteína animal da Cargill no Brasil e no Exterior estão incluídos

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s atividades da Marfrig Alimentos na avicultura, que foram tema de matéria publicada na edição de setembro da Revista do Avisite, não param de crescer. A companhia informou no dia 14 de setembro que fechou a compra da Seara Alimentos por US$ 900 milhões, sendo US$ 706,2 milhões em moeda e US$ 193,8 milhões em assunção de endividamento. O negócio inclui a totalidade do negócio brasileiro de proteínas animais (aves, suínos e industrializados) da Cargill Inc, representado pela Seara Alimentos Ltda. (atual Cargill Alimentos S.A.) e por afiliadas na Europa e na Ásia, incluindo a marca Seara no Brasil e no Exterior, 12 plantas no segmento de produtos processados de valor adicionado e industrializados de aves e suínos e um terminal

portuário, com um faturamento líquido anual da ordem de US$ 1,7 bilhão (um bilhão e setecentos milhões de dólares norte-americanos). No comunicado enviado ao mercado, a Marfrig explica que expressou o seu interesse junto à Cargill no momento em que esta promovia uma revisão do plano estratégico da Seara. Após avaliar a proposta da Marfrig e considerando as mudanças na dinâmica na indústria de proteína animal no Brasil, a Cargill considerou que a combinação Marfrig e Seara fazia mais sentido no presente e no futuro. O financiamento da aquisição poderá envolver aumento de capital da Marfrig através de oferta primária de ações. A Marfrig acredita que a transação seja concluída no quarto trimestre de 2009. Além disso, ressalta que com a aquisição da Seara, deve firmar-se como o segundo maior player no mercado interno e de exportação de aves e suínos, ao mesmo tempo em que agrega a marca Seara em produtos processados de alto valor adicionado. Reportagem divulgada pelo Valor

Econômico no dia anterior ao anuncio, afirmava que a Cargill tinha interesse em vender a Seara porque não estava satisfeita com o desempenho de sua unidade de carnes no Brasil, que voltou a ter prejuízo em 2008 - de R$ 72,5 milhões, apesar do crescimento de 38% na receita líquida, para R$ 2,9 bilhões. A empresa, que pertenceu à Bunge até o fim de 2004, tem 70% de sua receita proveniente de exportações. Por isso sofreu com a queda dos preços internacionais de carnes em decorrência da crise financeira global a partir de setembro de 2008. No rol das principais empresas exportadoras brasileiras (40 maiores pela receita cambial obtida), no quadrimestre janeiro/abril (último resultado publicado pela SECEX/MDIC) a Seara Alimentos S.A. encontra-se na 20ª posição. No mesmo período do ano passado, a empresa ocupava o 30º lugar. Vale destacar que a Marfrig, quarta maior processadora de carne bovina do mundo, agora ocupa a segunda posição na avicultura e na suinocultura brasileira, atrás apenas da BRF Foods.

Os negócios da Seara que serão adquiridos pela Marfrig incluem: 7 unidades industriais de aves com a capacidade de abate de 1,2 milhão de aves/dia e 2 unidades industriais de suínos com a capacidade de 5.800 cabeças/dia; 3 plantas de industrializados e processados de valor adicionado com a capacidade de produção de 17.500 toneladas/mês; Terminal portuário privativo para cargas frigoríficas e cargas secas (Braskarne) em Itajaí, SC; Marca “SEARA” e demais marcas operadas neste segmento; Operações de distribuição e comercialização no exterior, localizadas no Reino Unido, Japão e Cingapura, detentoras de quotas de exportação/importação a partir do Brasil para diversos países; 9 fábricas de ração localizadas em SC, PR, SP e MS; 6 granjas de matrizes de aves em SC, PR, SP e MS com cerca de 3.000 produtores integrados de aves e suínos. 14 Produção Animal | Avicultura


Empresas Novo frigorífico

MT recebe empreendimento Construção acontece em parceria com a Perdigão

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nicípios que serão contemplados por essa iniciativa são: Nova Marilândia, Arenápolis, Santo Afonso e Nortelândia. Por muitos anos, Nova Marilândia sobreviveu da atividade garimpeira, que acabou degradando o município. A avicultura de corte surgiu como uma alternativa para o desenvolvimento econômico. As informações foram divulgadas pelo jornal O Documento, de Mato Grosso. Secretaria de Comunicação de MT

União Avícola Agroindustrial, frigorífico que está sendo construído em Nova Marilândia (MT) pelo União Avícola Ltda., em parceria com a Perdigão, deve entrar em funcionamento até dezembro de 2009. Serão criados mil empregos diretos, além de três mil oportunidades de modo indireto. Cerca de 250 novos aviários devem ser instalados, além da construção de fábricas de ração e outros setores envolvidos na cadeia produtiva. Os mu-

Comitiva do governador de MT, Blairo Maggi, em uma visita às obras do novo frigorífico

Novo frigorífico II

Uniaves chega ao Espírito Santo Lacuna da avicultura capixaba pode ser preenchida

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Gazeta on-line divulgou que o Uniaves, maior frigorífico para o abate de frangos do Espírito Santo, entrou em operação em Castelo, no sul do estado. Para construir o Uniaves foram investidos R$ 45 milhões e a viabilização do empreendimento, que tem capacidade para abater 150 mil frangos por dia e vai gerar 500 empregos, contou com apoio do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo S/A (BANDES),

do Banco do Estado do Espírito Santo (BANESTES) e do Grupo Executivo para Recuperação Econômica do Espírito Santo (GERES). O novo frigorífico vai preencher uma lacuna que existia na avicultura de corte do Espírito Santo. Antes, sem uma unidade de processamento, os produtores comercializavam o frango vivo para outros estados. Agora, os avicultores capixabas têm nova opção para a venda de frango.

Uniaves, em Castelo, ES Produção Animal | Avicultura 15


Notícias

As mais lidas no AviSite em setembro Pilgrim’s, Bertin, 1 JBS, Marfrig, Cargill…

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jornalista norte-americano, Chris Wright, observou em seu blog que é clara a disputa entre JBS e Marfrig pelo mercado da carne bovina. Agora, essa disputa se estende à indústria avícola. O editor de Indústria Avícola levanta uma indagação que, sem dúvida, não é só dele: de onde estão tirando tanto dinheiro? Diversas notícias que envolveram as últimas aquisições da JBS e do Marfrig estiveram entre as mais acessadas no mês passado. A página 11 comenta um pouco mais sobre esse assunto.

anos depois, as 2 Dois “10 mais” de 2007 estão reduzidas a seis

A

última referência disponível a respeito (“ranking” da UBA de 2007) mostra que as dez maiores empresas produtoras de frango do Brasil de dois anos atrás – responsáveis, então, por 52,82% do número de cabeças de frango abatidas no País - podem estar, no momento, reduzidas a apenas seis.

Possível ranking de 2009 BRF

31,68%

Marfrig

10,12%

Doux

5,29%

Diplomata

2,71%

Aurora

2,35%

Big Frango

1,57%

TOTAL 6

53,72%

*Baseado nos dados do ranking da UBA de 2007

externas de 3 Vendas carne de frango: desafio, agora, é repetir 2008

O

s resultados observados em julho e agosto indicam não só que a meta que visava o aumento de 5% nas exportações de carne de frango tornou-se totalmente inviável, mas também que o grande desafio do setor será repetir o volume registrado em 2008. Leia mais sobre o assunto na página 44.

do frango vivo 5 Alta prossegue em São Paulo

N

o dia 14 de setembro, o frango vivo comercializado em São Paulo obteve nova alta de cinco centavos (a terceira em menos de uma semana) e foi negociado por R$1,40/kg. Minas Gerais manteve o preço praticado desde o dia 11 de setembro, R$1,50/kg, mas também no estado os negócios se desenvolveram em mercado firme. Essa e todas as notícias que envolveram o preço do frango estiveram entre as mais lidas no mês de setembro. Saiba mais na página 48. 16 Produção Animal | Avicultura

da produção de 4 Evolução carne de frango no Brasil nos últimos 30 anos

C

omo evoluiu o volume de produção de carne de frango no Brasil nos últimos 30 anos? Em 1979, a produção brasileira foi pouco além de um milhão de toneladas. Dez anos depois, o setor já obtinha tal produção em pouco mais de 58% do tempo inicial, ou seja, em sete meses. Neste ano, o mesmo volume foi obtido em apenas um mês.


Evento

Congresso do CBNA discute uso de leveduras na alimentação animal E já que são necessárias mais pesquisas para concretizar o avanço tecnológico que representa a utilização de leveduras na alimentação animal, como acredita o palestrante Renato Luis Furlan, o CBNA recebeu e avaliou diversos trabalhos científicos sobre o tema. Na próxima edição da Revista do AviSite, os leitores da publicação podem conferir informações mais detalhadas sobre os trabalhos científicos e os assuntos abordados no I Congresso Internacional sobre Uso da Levedura na Alimentação Animal.

Sede do ITAL, em Campinas, SP

À

medida que o uso de antibióticos promotores de crescimento torna-se cada vez mais restrito em todo o mundo, as leveduras e seus derivados surgem como uma alternativa no combate a patologias entéricas, pois podem promover melhora nos índices zootécnicos e maximizar a produção. Com o objetivo de abordar os diferentes aspectos da levedura na alimentação animal, o Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA) promoveu entre os dias 17 e 18 de setembro, no Instituto Agronômico de Campinas (ITAL), o I Congresso Internacional sobre Uso da Levedura na Alimentação Animal. A nutrigenômica, ciência que explica como os nutrientes de uma dieta influenciam a saúde através da modificação da expressão ou estrutura genética de um indivíduo, também foi discutida no evento. Fernando Rutz, da Universidade Federal de Pelotas (RS), que discutiu o tema, afirma que os “avanços na nutrigenômica propiciarão a resposta para perguntas chave sobre a dieta e o seu efeito sobre o organismo. Com essa avaliação, podemos estabelecer Produção Animal | Avicultura 17

estratégias nutricionais que promovam uma melhora significativa na saúde e produtividade animal”.

O CBNA ainda promove entre os dias 11 e 13 de novembro deste ano, o I Congresso sobre Manejo e Nutrição de Aves e Suínos, também no Auditório do IAC, em Campinas, SP. Mais informações: www.cbna. com.br.


Postura em Foco Fomento

Seguindo com seu projeto, Ovos Brasil publica boletins Nesta nova ação, instituto busca informar profissionais da saúde e do próprio setor

A

Ovos Brasil, instituição que fomenta o consumo de ovos no país com a disseminação de informações sobre as propriedades nutricionais do ovo, publicou na segunda semana de setembro a primeira edição do “Boletim do Ovo – Área da Saúde Humana” no site www. ovosbrasil.com.br. Com informações diversas sobre as propriedades nutricionais do produto, o boletim traz dados e estudos analíticos sobre os benefícios do consumo do ovo. “Queremos mostrar aos profissionais da área de saúde humana que argumentos contrários ao consumo deste alimento não têm fundamento”, explica o diretor executivo da entidade, José Roberto Bottura. A tiragem é de 15.000 cópias, além do envio de 50.000 boletins via internet. O público alvo deste segmento são os médicos cardiologistas, geriatras, pediatras, ginecologistas, obstetras, endocrinologistas, nutricionistas e enfermeiros. A instituição também divulgou um segundo boletim, o “Ovos Brasil Infor-

18 Produção Animal | Avicultura

ma”, voltado para a cadeia produtiva, com informações pertinentes ao segmento, que está sendo distribuído na forma de 5.000 exemplares. A idéia é publicar cada uma destes boletins com uma periodicidade de três ou quatro meses. O Ovos Brasil Informa é produzido pela Litera – Construindo Diálogos, sendo distribuído entre vendedores de pintainhas e as Associações de Classes Estaduais. Já o Boletim do Ovo, produzido pela empresa RN Comunicações Total, é divulgado para os profissionais cadastros nos Conselhos Regionais de cada classe médica e por meio de empresas que atuam nesta área.

Bottura conta também que o instituto está deixando à disposição de seus colaboradores os displays que foram usados nas ações dos pontos de venda em supermercados. “Agora, estamos disponibilizando os displays para que os colaboradores organizem uma divulgação em seus próprios pontos de venda. Com isso teremos a interiorização das ações em todos os estados, diminuindo os custos da Ovos Brasil na execução desta ação”, afirma. Para visualizar os boletins, acesse: www.ovosbrasil.com.br/download/ boletim01.pdf www.ovosbrasil.com.br/download/ informa01.pdf


Crescimento

Produção “free range” avança no Reino Unido Participação do segmento passou de 27% do total no primeiro semestre de 2007 para 36% em 2009

REINO UNIDO

Distribuição da produção de ovos segundo quatro diferentes sistemas de produção (em gaiola convencional; em galpão, sobre piso; “free range” e orgânico)

Fonte: DEFRA/UK – Elaboração e análises: AVISITE

D

e acordo com órgãos de agropecuária do Reino Unido, nos últimos dois anos (dados relativos ao primeiro semestre) a produção britânica de ovos aumentou 4%, sustentada sobretudo pelo avanço da criação “free range” – o sistema de produção ao ar livre e com o uso de galpões apenas para o abrigo noturno das aves.

reu no ultra-defendido sistema orgânico de produção – cujos benefícios, aliás, estão sendo questionados. Em resumo, pois, o único sistema que avançou no biênio foi o “free-range”, cuja

produção aumentou perto de 38%, fazendo com que a participação do segmento passasse de 27% do total no primeiro semestre de 2007 para 36% no mesmo período de 2009.

Produção de ovos britânica aumentou 4% devido ao avanço da criação “free range” De 2007 para 2009, a produção de ovos em gaiolas convencionais (cujo uso estará proibido a partir de 2012, permitindo-se apenas a utilização de gaiolas equipadas ou “enriquecidas”) recuou perto de 8%. Caiu também (cerca de 2,5%) a produção em galpão sobre piso. Mas o maior índice de redução (volume produzido 23% menor, quase um quarto de queda) ocorProdução Animal | Avicultura 19


Ciência Avícola Desinfecção

Dureza da água tem papel importante na remoção de bactéria da pele do frango Pesquisa sugere que água macia remove até 37% mais patógenos

N

a cidade de Athens, na Geórgia, Estados Unidos, cientistas do Serviço de Pesquisas Agrícolas do Departamento de Agricultura dos EUA (ARS/USDA, na sigla em inglês), afirmam que a diminuição da dureza da água (nível de concentração de minerais dissolvidos, como cálcio e magnésio) pode aumentar a remoção de bactérias da pele do frango. O microbiologista Arthur Hinton Jr. e o químico Ronald Holser do Centro de Pesquisa Richard B. Russel do ARS, conduziram estudos comparando a capacidade da água “muito dura” (200ppm), “moderadamente dura” (100ppm) e “macia” (ou destilada) de enxaguar e retirar bactérias como Campylobacter, Staphylococcus e Pseudomonas da pele da carcaça do frango.

Água de processamento usada na avicultura comercial pode ter um importante papel na qualidade da carne de frango produzida Para isso, foi dissolvido cloreto de cálcio e de magnésio em água destilada para preparar a água muito dura. Já a água moderadamente dura foi preparada diluindo uma parte de água bem dura e uma parte de água macia. O citrato de potássio foi usado para reduzir a dureza da água. Após cinco enxaguadas consecutivas com cada tipo de água, a ave foi 20 Produção Animal | Avicultura

examinada para determinar a quantidade de bactéria que pôde ser retirada da pele. Os resultados indicaram que a água macia (ou destilada) removeu até 37% mais que os outros dois tipos. A Campylobacter é encontrada na área do intestino de aves e pode contaminar a carcaça do animal durante o processo. Já a Pseudomonas é um tipo de bactéria que pode ser observada na água de processamento e a Staphylococcus normalmente é encontrada na pele das aves. O estudo conclui que a água de processamento usada na avicultura comercial pode ter um importante papel na qualidade da carne de frango produzida. O pH, a concentração de amônia, o nível de contaminação microbial e a dureza da água usados em tanques de escaldadura, lavadoras e tanques de chiller são fatores que podem influenciar a capacidade de remoção de microorganismos das carcaças durante o processo. O experimento mostrou que ao reduzir a dureza da água é possível aumentar a capacidade de remover bactérias da carne de frango processada. A pesquisa se refere apenas às bactérias normalmente encontradas na camada de água que cobre a superfície da pele e não às situadas em gorduras e proteínas secretadas. Assim, desde que as bactérias se encontrem neste local, a indústria processadora de frango pode reduzir este número através do monitoramento e controle da dureza da água de processamento. Esta pesquisa foi publicada no International Journal of Poultry Science, número 2, volume 8, entitulada “Role of Water Hardness in Rinsing Bacteria from the Skin of Processed Broiler Chickens”. Para conferir o estudo na íntegra, acesse: www.pjbs.org/ ijps/fin1354.pdf .


Restrição Alimentar

Forma de higienização também pode contaminar abatedouro Pesquisa desenvolvida no Kansas revela efeito oposto ao objetivado com lavadoras de alta pressão

S

urpreendentemente, pesquisadores da Universidade de Kansas (KSU), nos EUA, constataram que a forma de uso das lavadoras de alta pressão nos abatedouros pode, em vez de reduzir a conta-

Água sob alta pressão remove bactérias que aderem às paredes e grades dos drenos, mas seus aerossóis podem transferir essas bactérias para outras superfícies minação ambiental, contribuir para a disseminação de bactérias patogênicas. É um efeito totalmente oposto ao objetivado. A propósito, os pesquisadores Jasdeep Saini, James Marsden e Daniel Fung, da KSU, integrantes de um chamado Consórcio de Inocuidade dos Alimentos (FSC, na sigla em inglês), observam que os drenos existentes no piso dos abatedouros são, reconhecidamente, um dos principais pontos de concentração de bactérias nas plantas de abate, porquanto para eles é direcionada não só parte das águas utilizadas no processo, mas também resíduos do processamento. Não é por menos que se exige que esses drenos sejam higienizados diariamente ou várias vezes ao dia, sempre com água sob alta pressão. Mas é aí que surge o novo desafio no processo de desinfecção. Analisando os procedimentos adotados, a equipe do FSC constatou que a água sob alta pressão remove, sim, as

James Marsden, um dos pesquisadores da equipe da KSU

bactérias que eventualmente aderem às paredes e grades dos drenos, mas em contrapartida seus aerossóis (as gotículas que se formam quando a água é submetida à alta pressão) podem transferir essas bactérias para outras superfícies. No caso em foco, os pesquisadores voltaram a atenção, especificamente, para a Listeria Monocytogenese. Que possui a capacidade, entre outras características, de formar biofilmes, um conjunto encapsulado de bactérias que adere firmemente a uma superfície. É essa característica que, na higienização sob alta pressão, acaba “jogando” a L. Monocytogenese para outras superfícies, eventualmente para

onde a carne está sendo processada. “Felizmente, essa é uma situação que pode ser remediada”, dizem integrantes do FSC. Mas, para isso, os trabalhadores responsáveis pelos serviços de higienização da planta precisam ser devidamente treinados “para fazer a coisa certa”. Mais detalhes a respeito podem ser encontrados na última “newsletter” trimestral do FSC (Food Safety Consortium), publicação que, aliás, interessa bem de perto a todos quantos atuam no abate animal e processamento de carnes. Para acessar a edição mais recente do boletim periódico do FSC, entre no site www.uark.edu/depts/fsc/news-htm/ news.current.htm . Produção Animal | Avicultura 21


Ciência Avícola Conservação

Ácido cítrico prolonga por até 8 dias vida útil da carne de frango Estudo foi conduzido pela Universidade de La Rioja, na Espanha

O

ácido cítrico, presente de forma natural no limão, reduz de maneira considerável a presença do patógeno causador da listeriose e aumenta a vida útil da carne de aves em até oito dias. Foi o que demonstrou a equipe da pesquisadora Elena González Fandos, da Universidade de La Rioja (em Lograño, capital da La Rioja, Espanha). Os resultados foram publicados no International Journal of Food Science and Technology. O ácido cítrico é um ácido orgânico usado como conservante natural e está presente na maioria das frutas, sobretudo em cítricos como o limão e a laranja. A listéria (ou listeria monocytogenes) é uma bactéria móvel, resistente ao congelamento e outras condições adversas. A infecção por listéria é conhecida como listeriose, e é especialmente grave em gestantes, recém-nascidos e pessoas imunodeprimidas. Em uma coletiva de imprensa, que contou com a presença do vice-reitor da Universidade, González explicou que o estudo evidencia a eficácia do ácido cítrico para a melhor conservação da carne de frango e também como medida adicional de segurança alimentar. Além disso, os órgãos regulatórios da União Européia poderiam autorizar o método para descontaminação de carne de aves. 22 Produção Animal | Avicultura

Segundo o estudo, a lavagem da carne logo após o abate com soluções de ácido cítrico a baixas concentrações, entre 1 e 2%, pode reduzir de forma significativa a presença da bactéria que causa a listeriose.

Lavagem da carne logo após o abate com soluções de ácido cítrico a baixas concentrações, entre 1 e 2%, pode reduzir de forma significativa a presença da bactéria que causa a listeriose A pesquisadora ressaltou também que este patógeno se espalha de forma ampliada na natureza, incluindo os alimentos, e não é perigoso até alcançar certa concentração. O ácido cítrico, mesmo que não

destrua totalmente a bactéria, reduz fortemente a sua presença. Além de sua ação antimicrobiana, o ácido cítrico prolonga a conservação do frango em boas condições entre dois e três dias a mais que o habitual (que é de três a quatro dias), sem a embalagem e até oito dias se armazenado a quatro graus em ambiente controlado. A qualidade sensorial do produto, odor, cor e textura, não é afetada. Este aumento na vida útil da carne de aves se deve à redução, graças ao ácido cítrico, da flora presente no frango, de forma natural. Estes microorganismos não são prejudiciais à saúde, mas deterioram o produto ocasionando odor e sabor desagradáveis. A pesquisadora Elena González também lembra que a carne de aves é particularmente propensa à proliferação deste tipo de flora devido a seu pH e outras características que fazem do frango um dos alimentos que se deterioram mais facilmente. O estudo de alternativas naturais, como o limão, se justifica, já que a União Européia não permite a lavagem da carne de frango com nenhum produto antimicrobiano. O resumo do trabalho em inglês está disponível no link: www3.interscience.wiley.com/journal/120081729/ abstract


Produção Animal | Avicultura 23


Automação | Avicultura de postura

Automação e tecnolo postura possibilitam P

Crédito: Paulo de Abreu

rocesso através do qual são implantados sistemas para garantir maior rendimento e produtividade com qualidade e a custos compatíveis com o mercado. Essa é a definição da palavra automação e não por acaso a avicultura de postura vem investindo na tecnologia que pode lhe trazer maior rendimento e produtividade. O controle automático em diversas áreas da produção tira o homem de tediosas tarefas de rotina e lhe permite dedicar sua capacidade em fins mais úteis, diminuindo a mão-de-obra e tornando o manejo do sistema produtivo mais fácil, confiável e preciso, além de reduzir desperdícios. Paulo Giovanni de Abreu e Valeria Maria Nascimento Abreu, Pesquisadores da Embrapa Suínos e Aves, observam que, à medida que vão aumentando as aplicações e o uso do controle automático, vão aumentando também as exigências de precisão e confiabilidade que lhes

24 Produção Animal | Avicultura


gia na avicultura de maior rendimento Sistemas de distribuição de ração, fornecimento de água e climatização revolucionam setor

são exigidas. A automação do processo produtivo exige funcionalidade para armazenar dados, abrindo campo para introdução de computadores. “Entre os dispositivos eletro-eletrônicos que podem ser aplicados estão os computadores ou outros dispositivos capazes de efetuar operações lógicas, como controladores lógicos programáveis (CLP), microcontroladores, SDCDs (Sistema digital de controle distribuído) ou CNCs (Controle Numérico Computadorizado). Estes equipamentos, em alguns casos, substituem tarefas humanas ou realizam outras que o ser humano não consegue realizar”, completam. Paulo de Abreu afirma que, dentro da grande variedade de equipamentos que podem ter as granjas avícolas, os que mais têm revolucionado o setor são os sistemas de distribuição de ração, de fornecimento de água e de climatização. No setor de produção de ovos, os computadores podem estar desde o

fornecimento de ração, coleta e transporte de ovos até o empacotamento. Os pesquisadores da Embrapa explicam que, atualmente, o ovo é coletado nos aviários e chega até o consumidor sem que haja contato manual, um processo totalmente automatizado. O ambiente térmico interno do aviário pode ser controlado em função das condições climáticas externas, por meio de dados adquiridos da estação meteorológica instalada na própria granja e, dessa forma, acionar ventiladores, nebulizadores e sistemas de cortina. Este mesmo sistema armazena os dados referentes à produção e são conectados a um sistema de alarme que pode alertar o produtor na ocorrência de algum problema. Além disso, os sistemas de climatização automatizados serão cada vez mais necessários para propiciar às aves maior conforto e bem-estar, já que o adensamento elevado no siste-

CLP (Controladores Lógicos Programáveis)  Computador especializado, baseado num microprocessador que desempenha funções de controle de diversos tipos e níveis de complexidade SDCDs (Sistema digital de controle distribuído)  Tem como função o controle de processos de forma a permitir uma otimização da produtividade industrial. É composto por dispositivos que se completam no cumprimento de diversas funções CNCs (Controle Numérico Computadorizado)  Controlador numérico que permite o controle de máquinas e reduz o número de erros humanos, aumentando a qualidade dos produtos e diminuindo o desperdício

Conceito Automação: Sistema automático de controle pelo qual os mecanismos verificam seu próprio funcionamento, efetuando medições e introduzindo correções, sem a necessidade da interferência do homem. Este sistema de controle permite também diminuir os custos e aumentar a velocidade da produção. A palavra automação, do latim, significa mover-se por si.

ma de gaiolas nem sempre confere às aves uma condição ótima de conforto térmico, causando altas mortalidades nos períodos críticos de temperaturas elevadas. Fons Visschers, Diretor de Vendas da Diamond Moba Américas, acredita que a automação na avicultura de postura é um caminho sem fim e que sempre haverá tecnologia e desenvolvimento para melhorar a qualidade e a produtividade com cada vez maiores níveis de mecanização. Ele também acredita que a tecnologia no setor de classificação de ovos é uma das mais importantes áreas na automação do setor. “Os produtores têm um longo trabalho desde a criação das pintainhas até a produção de ovos. Depois de toda essa dedicação não é viável a perda do produto justamente no momento da classificação”, afirma Visschers, observando que o ovo é um produto frágil e quanto mais manipulado, maiores as chances de perdas por quebra.

Produção Animal | Avicultura 25


Automação | Avicultura de postura

26 Produção Animal | Avicultura

Produção de ovos há 25 anos Comedouro de madeira contínuo, o que permitia o arraçoamento com caçamba automática;

Aviários construídos em estilo californiano, padronizados com tamanho de 100 x 3 metros com cobertura de telha de barro e 2,4 metros de altura; Gaiolas de arame com tamanho de 25 cm x 45 cm de fundo, dispostas uma sobre a outra, em 2 andares; Bebedouros em formato de calha de alumínio;

Estercos amontoados abaixo da gaiola; Iluminação com lâmpadas incandescentes de 40 Watts, fornecia às aves um período de 17 horas de luz; Coleta de ovos realizada manualmente.

Produção atual de ov os Aviários em bateria ou piramidais, com 15 x 100 metros, cobertura de telha metálica e pé direito de 5 ou 6 mestros de altura; Gaiolas com arame são protegidas com tinta especial, tamanho 43 cm x 64 cm x 74 cm, dispostas uma sobre a outra, em 5 ou 6 andares; Comedouro constituído de metal contínuo com caçamba automática para distribuição de ração;

Bebedouros do tipo nipple; Esterco recolhido por meio de esteiras automáticas; Iluminação realizada por meio de lâmpadas compactas de 11 W controladas por timer; Ovos coletados por meio de esteiras e transportados em ovodutos até o setor de classificação e empacotamento.

foto: Granja Mantiqueira

Na década de 80 já se tinha algum processo de automação das granjas de aves de postura como a adoção do sistema de distribuição da ração com caçamba automática que corria sobre o cocho ou mesmo os bebedouros de alumínio em formato de calha e uso de timer para programas de iluminação. De certa forma, alguns desses processos necessitavam de mão de obra para acionar e/ou desligar o sistema. Com o aumento da escala de produção nos anos 90, a automação tornou-se imprescindível no sistema de produção de ovos desde o fornecimento de ração e água até a coleta de ovos. Há 25 anos, quando a automação não havia chegado à avicultura de postura, os aviários eram construídos em estilo californiano, padronizados com tamanho de 100 x 3 metros com cobertura de telha de barro e 2,4 metros de altura. As gaiolas de arame apresentavam tamanho de 25 cm x 45 cm de fundo, dispostas uma sobre a outra, em 2 andares. O comedouro era construído de madeira contínuo, o que permitia o arraçoamento com caçamba automática. Já os bebedouros eram em formato de calha de alumínio. Os estercos ficavam amontoados abaixo da gaiola. A iluminação com lâmpadas incandescentes de 40 Watts, fornecia às aves um período de 17 horas de luz. Hoje, os aviários suspensos ou não, são em bateria ou piramidais, com 15 x 100 metros, cobertura de telha metálica e pé direito de 5 ou 6 metros de altura. As gaiolas com arame são protegidas com tinta especial, tamanho 43 cm x 64 cm x 74 cm, dispostas uma sobre a outra, em 5 ou 6 andares. O comedouro é constituído de metal contínuo com caçamba automática para distribuição de ração. Os bebedouros são do tipo nipple. O esterco é recolhido por meio de esteiras automáticas. A iluminação é realizada por meio de lâmpadas compactas de 11 W controladas por timer.

foto: Associação dos Avicultores de MG

As granjas de postura há 25 anos e hoje


Alguns aviários possuem sistema de climatização por meio de ventiladores, nebulizadores ou padcooling. Os ovos são coletados por meio de esteiras e transportados em ovodutos até o setor de classificação e empacotamento. Agora, com o sistema automatizado, tem-se o melhor aproveitamento

das edificações, concentrando o maior número de aves por m2 e otimizando o custo, além do melhor uso da mão de obra, que diminui a carga do operador do galpão. Atualmente, o setor de produção de ovos também conta com o fortalecimento da produtividade, devido a menor intensidade de mane-

jo e redução do estresse das aves causado pela presença humana e outras vantagens como redução do índice de ovos rachados, maior comodidade para as aves devido a menor manipulação, pois as atividades de alimentação, retirada de esterco e recolhimento dos ovos são todas automatizadas.

Economia de mão de obra e redução do custo de produção Para Luiz Roberto Angelotti, zootecnista e Gerente de Produção da Katayama Alimentos, com sede em Guararapes, São Paulo, presente no setor avícola de postura desde a década de 60, os maiores benefícios da automação são a economia de mão de obra, a redução do custo de produção e a melhora na qualidade dos ovos produzidos. “Quanto maior o nível de automação da empresa, menor é o custo de produção. O ideal é que todas as fases da criação, da produção, da fabricação de ração e classificação dos ovos sejam totalmente integradas no processo de automação”, completa.

de postura continue se valendo da automação no setor, altos investimentos devem ser realizados. “A automação de toda a cadeia de ovos requer investimento inicial elevado e a disponibilidade de crédito é um fator restritivo para o setor. Incentivos governamentais devem estimular o setor a se modernizar tornando o Brasil uma referência em tecnologia de ponta e know-how na produção de ovos”.

Paulo de Abreu: A automação permite o aumento da produtividade de ovos e o consumidor pode ter um produto diferenciado com melhor qualidade, uniformidade, classificação perfeita e menor custo

Ele explica também que diversos fatores levam uma empresa a investir na automação, como a busca por competitividade, as exigências de qualidade do mercado, dos clientes e dos órgãos fiscalizadores, a redução de mão de obra e as questões ambientais. “Os investimentos são altos, mas viáveis. A atividade tem margem para um retorno bastante satisfatório”, finaliza. Também sobre investimentos, Paulo de Abreu considera que para que toda a avicultura Produção Animal | Avicultura 27


Automação | Avicultura de postura

Automação na produção de ovos Classificadoras

Distribuição de água

Permitem rapidez, maior número de ovos e precisão. Proporcionam melhoria significativa na qualidade do produto final, pois podem ser configuradas com módulos, como detector de trincas, lavadora e outros.

Disponibiliza o volume de água necessário para cada fase das aves, garantindo a melhor distribuição em todos os pontos do aviário, com controle de pressão e vazão nos nipples.

Retirada de esterco

Coleta de ovos É realizada por cintas que previnem rachaduras e amontoamento do produto. Recolhe e transfere os ovos para os coletores, que mantém os mesmos constantemente na posição correta durante a transferência para a esteira transversal, que conduz os ovos até a sala de classificação. O sistema pode ter ainda contadores mecânicos do produto por linha, totalizador e sistema de limpeza da esteira colhedora.

Distribuidor de ração É feita por meio de carros auto propulsores, sobre trilhos de baixo consumo elétrico. Permitem boa distribuição da ração, redução de desperdícios e acionamento automático por meio de timer.

É realizada por meio de cintas localizadas em baixo das gaiolas, que recebem o esterco. O resíduo é depositado em uma transportadora transversal e inclinada, e segue para fora do aviário, diretamente nas caçambas dos caminhões.

Sistema de climatização de galpões É importante para promover os ajustes necessários ao conforto térmico das aves, de forma mais precisa e rápida. Para isso, são utilizados sensores termostatos e umidostatos como controladores da temperatura e umidade, respectivamente.

Novas técnicas Os pesquisadores da Embrapa, Paulo de Abreu e Valeria Nascimento Abreu, lembram que para que a automação continue trazendo vantagens, o processo de desenvolvimento de novas tecnologias é sempre necessário. Ele explica melhor: “A inovação tecnológica 28 Produção Animal | Avicultura

em decorrência da difusão e transferência do conhecimento tem um efeito inicial de ganho na competitividade, aumentando a produtividade e reduzindo os custos. Entretanto, a adoção destas técnicas deve ser substituída por outras quando a tecnologia adotada

não gera mais ganhos, ou seja, novas tecnologias são necessárias para completar o ciclo. Atualmente, por exemplo, novos equipamentos para pesagem de aves estão sendo desenvolvidos para melhorar ainda mais o processo de automação nas granjas de postura”.


Produção Animal | Avicultura 29


Associações

Goiás

AGA e UFG atualizam profissionais Evento foi dividido em três painéis: frango de corte, aves de postura comercial e matrizes pesadas

Participantes do Simpósio

C

om o objetivo de discutir problemas encontrados no setor avícola, a Associação Goiana de Avicultura (AGA) realizou, em parceira com a Escola de Veterinária da Universidade Federal de Goiás (EV/ UFG), o IX Simpósio Goiano de Avicultura. Mais de 300 pessoas participaram de discussões sobre as boas práticas de fabricação, legislação ambiental, atualidades em aditivos, métodos de compostagem, desinfetantes, painel de climatização para

Organizadores do evento

30 Produção Animal | Avicultura

postura, fertilidade em matrizes pesadas, empreendedorismo, entre outros. Neste ano a novidade foi o painel de matrizes pesadas que reuniu todas as pessoas envolvidas com matrizes e incubatórios.

Legislação ambiental, métodos de compostagem, painel de climatização para postura e BPF foram alguns dos temas discutidos O evento, realizado nos dias 03 e 04 de setembro, foi dividido em três painéis: frango de corte, aves de postura comercial e matrizes pesadas, com palestras científicas a cada segmento produtivo. Estiveram presentes no evento representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e

Abastecimento (MAPA), da Embrapa, do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Minas), de Universidades e de empresas diversas. Segundo a organização, o Simpósio foi voltado aos profissionais e estudantes que atuam no setor avícola, instituições de pesquisa, universidades e órgãos públicos, consultores, produtores, empresários, investidores e todo o mercado que compõe a cadeia de aves, além dos segmentos de apoio como logística, armazenamento, classificação e certificação. Já os palestrantes foram escolhidos em reuniões realizadas pela associação, com a participação da Universidade Federal de Goiás (UFG) e a Universidade Católica de Goiás (UCG), além de profissionais da avicultura. O evento aconteceu no salão de eventos do Castro´s Park Hotel, em Goiânia, GO. Para obter mais informações, acesse o site www.agagoias.com.br.


Bahia

ABA promove 2º Simpósio Regional da Avicultura e Suinocultura Evento discutiu temas como nutrição, manejo, sanidade e genética

E

ntre os dias 02 e 04 de setembro a Associação Baiana de Avicultura (ABA) e a Associação Baiana de Suinocultura (ABS) promoveram, em Salvador, o 2° Simpósio Regional da Avicultura e Suinocultura. Paralelamente ao evento, aconteceu o 2º Encontro das Indústrias Avícolas e Suinícolas da Bahia. Com mais de 360 participantes, o simpósio discutiu temas técnicos como nutrição, manejo, sanidade e genética, além de tópicos econômicos e conjunturais relacionadas às

diversas necessidades da cadeia produtiva – da granja à agroindústria. Um dos painéis discutiu a produção de grãos e as oportunidades de negócios na região Oeste da Bahia e teve a participação de representantes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) e da Cooperativa Agropecuária Oeste Bahia (Coproeste). Após os pronunciamentos, os palestrantes debateram a comerciali-

zação de grãos, as perspectivas da produção com interação com as atividades pecuárias e os mecanismos de comercialização para sustentação de preço mínimo do MAPA. A primeira edição do simpósio foi organizada com o objetivo de “treinar” Salvador para receber, em 2012, o 24º Congresso Mundial de Avicultura. O simpósio é uma oportunidade para desenvolver e estimular a participação dos segmentos avícola e suinícola da Bahia em grandes eventos regionais.

Rio Grande do Sul

Pedido de leilões PEP pela Asgav é atendido Representante da Conab anunciou que companhia irá atender demanda do setor avícola

A

Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) se reuniu no começo de setembro com os representantes do Ministério da Agricultura José Maria dos Anjos e João Antônio Fagundes Salomão. O encontro aconteceu na Expointer 2009 com o objetivo de fazer o pedido de leilões de Prêmio para Escoamento de Produção (PEP), de subsídios ao frete, direcionados para avicultura do Rio Grande do Sul. Na reunião foram apresentados dados e informações sobre o mercado de milho no RS, em outros estados e no exterior. O Diretor de Operações e Abastecimento Agrícola e

Pecuário da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), Rogério Colombini, anunciou que a compa-

CONAB atenderá o pleito da avicultura gaúcha disponibilizando mecanismos de leilões de milho e outros para atender a demanda do setor Avícola nhia atenderá o pleito da avicultura gaúcha disponibilizando mecanismos de leilões de milho e outros para

atender a demanda do setor avícola gaúcho. Os leilões são importantes para a competitividade da indústria, pois sem renda, a produção é desestimulada. A Asgav através do Secretário Executivo, José Eduardo dos Santos, juntamente com Presidente da ABEF, Francisco Turra, e o Diretor Executivo Ricardo Santin, entregaram documento oficializando as solicitações do setor. A Expointer aconteceu entre os dias 26 de agosto e 6 de setembro, no Parque de Exposições Assis Brasil em Esteio, RS, reunindo 420.000 visitantes. Produção Animal | Avicultura 31


AviGuia: produtos, serviços e empresas Expansão

Poli-Nutri anuncia quarta unidade fabril Empresa também investe em novo centro de distribuição

A

Nova fábrica em construção em Treze Tilias, SC

Aditivo probiótico

Poli-Nutri está investindo cerca de R$ 15 milhões em uma nova unidade fabril, localizada na cidade de Treze Tilias, em Santa Catarina, além de um novo centro de distribuição na região de Caruaru, no estado de Pernambuco. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2010, a quarta fábrica da Poli-Nutri terá capacidade de produção acima de 5.000

toneladas/mês, além de contar com mais 150 colaboradores na nova unidade, valorizando a mão de obra regional. A planta foi concebida para atender todos os requisitos das Normas Legais de Segurança e Normas de Boas Práticas de Fabricação, contando com um sistema de reaproveitamento da água da chuva e com um programa de gerenciamento de resíduos.

Expansão II

Pfizer e Adisseo e Bluestar Chr. Hansen confirmam nova planta ampliam Unidade produtora de metionina está localizada na China parceria União engloba A comercialização do GalliPro Tect

A

Pfizer e a fabricante do GalliPro, Chr. Hansen, decidiram estender a cooperação que haviam firmado neste ano. Agora a parceria engloba a comercialização do GalliPro Tect, novo aditivo probiótico para aves que está sendo lançado no Brasil, Estados Unidos e Europa. O produto será distribuído exclusivamente pela Pfizer. GalliPro Tect é indicado para ganho de peso e melhora da conversão alimentar, de uso exclusivo na alimentação animal. O grande diferencial do produto é a composição à base de Bacillus licheniformis, probiótico altamente eficaz na modulação da microbiota intestinal, sendo alternativa ao uso de promotores de crescimento em ambientes com alto desafio entérico na produção de frangos de corte.

32 Produção Animal | Avicultura

Adisseo e sua companhia controladora China National Bluestar confirmaram a construção da nova planta de produção de metionina em Nanjing, na China.

Nova planta deve entrar em operação no segundo semestre de 2012 A escolha deste local foi feita principalmente tendo em vista à otimização de todas as etapas do

“supply chain”: a nova planta de produção de Metionina não apenas será beneficiada pela abundância local de matérias-primas como gás, propileno, metanol e enxofre, mas sua localização também é perfeita para facilmente atender todo o continente asiático. A previsão é de que a nova planta entre em operação no segundo semestre de 2012. Em um primeiro momento, a unidade terá capacidade anual de produção de 70 mil toneladas.


Lançamento

LINPAC lança gaiola para transporte de frango griller Novo produto é 50 mm mais baixo que o convencional

A

LINPAC Pisani está lançando no mercado a gaiola 80, que é 50 mm mais baixa que o modelo convencional para frangos griller. O novo modelo não apresenta nenhum risco para o conforto e bem-estar animal e afasta os problemas de hematomas e lesões.

Dados Técnicos Peso: 5,70 KG Capacidade de Carga: 15 frangos de 1,4000 Kg Dimensões Externas: 770 mm x 570 mm x 231 mm Empilhamento por pilha no transporte: até 11 gaiolas

Concurso

Gaiola 80 é 50mm mais baixa que modelo convencional

Reconhecimento

Guabi recebe “Eu que vacino com Merial” destaca vencedores prêmio Vacinadores participaram da escolha do tema da campanha de 2010

A

Merial Saúde Animal promodesempenho da atividade, os ve há 11 anos o Concurso vacinadores participaram da esco“Eu que Vacino com Merial”. O lha do tema da campanha de programa, que 2010. O vencevisa orientar e dor deste ano Vencedor foi estimular funciofoi o vacinador nários de incubaMarçal Roberto o vacinador tórios sobre a Huskof, da Marçal Huskof, correta vacinação Cooperativa da Cooperativa de aves no priLanguiru I, do meiro dia de Languiru I, RS, com Rio Grande do vida, já premiou Sul com a sua sugestão “Merial e gestão “Merial centenas de vacinadores em você de mãos dadas e você de mãos todo o país. dadas para para proteger” proteger”. Na primeira fase do concurso de 2009, participaram 27 incubatórios de frangos de corte e 5 incubatórios de postura comercial. Além de receberem prêmios pelo

Para saber mais informações sobre o concurso, acesse o site www.merial.com. br/avicultores/concursos/ euquevacino_2009.

Uma das melhores empresas de rações

A

Guabi foi premiada como uma das melhores empresas fornecedoras de rações para animais de produção e animais de companhia de 2009. A pesquisa foi realizada por profissionais da Expo AgroRevenda e a premiação aconteceu paralelamente ao evento, na segunda semana de agosto. A empresa foi avaliada em quatro atributos: apoio no ponto de venda; prazo e pontualidade na entrega; condições de compra e qualidade de atendimento comercial. O objetivo da pesquisa foi oferecer subsídios para que os fornecedores ajustem seus serviços às reais necessidades dos revendedores. Informações sobre a empresa: www. guabi.com.br Produção Animal | Avicultura 33


AviGuia: produtos, serviços e empresas Recursos

CASP entrega equipamento financiado pelo “Mais Alimentos” Linha de crédito de até R$ 100 mil pode ser paga em até 10 anos

N

o Espaço Feirão “Mais Alimentos”, montado na Expointer 2009, aconteceu a entrega simbólica do primeiro equipamento CASP para aves e suínos financiado pelo Programa “Mais Alimentos”. A iniciativa foi criada em 2008 pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para a modernização produtiva das unidades familiares brasileiras.

Profissionais da CASP entregam equipamento

O “Mais Alimentos” é uma linha de crédito de até R$ 100 mil, que podem ser pagos em até 10 anos, com juros de 2% ao ano e prazo de até três anos de carência para começar a pagar.

Curso

Fort Dodge cria módulo direcionado para reprodutoras Programa foi renovado para dar atenção especial à este mercado

N

a última semana de agosto, a Fort Dodge Saúde Animal promoveu o primeiro módulo do curso destinado exclusivamente ao segmento de aves reprodutoras no Curso de Sanidade Avícola. Em uma iniciativa de acompanhamento das necessidades de um mercado em expansão, a Fort Dodge renovou o programa do curso dando uma atenção especial às necessidades do mercado de aves reprodutoras. O evento contou com a presença de 75 participantes de diversas regiões do País e foi realizado no Hotel Duas Marias, em Jaguariúna (SP), durante quatro dias.

34 Produção Animal | Avicultura

Fort Dodge renovou programa do curso dando atenção especial às necessidades do mercado de aves reprodutoras


Pas Reform Brasil

Coordenação

Expansão de vendas

Biovet cria cargo

Novo consultor para clienteschave

C

om a chegada da Pas Reform ao Brasil e seus primeiros passos no mercado nacional, a empresa aponta Adaile de Castro Filho como consultor para clientes-chave. Com mais de 30 anos de experiência no setor avícola, Castro traz além de conhecimento operacional, grande conhecimento do mercado avícola e seus clientes-chave. Anteriormente ele trabalhou como diretor superintendente do grupo Hygen de Rio Claro.

Profissional será responsável por coordenar ações do laboratório até o campo

O

Laboratório Biovet acaba de criar o cargo “Gerência de Produto e Serviços Técnicos Coccidiose”, que será ocupado pela Médica Veterinária Patricia Babadopulos. “O Biovet tem primado desde a concepção da vacina de Coccidiose Bio-Coccivet R para reprodutoras, culminando com a conquista de mais de 80% do mercado. Agora está se preparando para o lançamento da vacina de Coccidiose para frangos de corte”, explica a Gerente da nova divisão, Patricia Babadopulos. No Biovet, Patrícia será responsável por coordenar as ações do laboratório até o campo.

Médica Veterinária Patricia Babadopulos

Top Five

Copacol entre as marcas mais conhecidas

Pesquisa é realizada pela revista Supermercado Moderno

A

Copacol (Cooperativa Agroindustrial Consolata), com sede em Cafelândia, Paraná, está entre os principais fornecedores nacionais na categoria Frango Resfriado e Congelado segundo a Pesquisa Nacional de Reconhecimento de Marca. A pesquisa é realizada pela revista Supermercado Moderno, que promove anualmente junto aos supermercadistas a edição Top Five. “Esse reconhecimento é resultado do compromisso com a qualidade, da transparência e da seriedade com que trabalhamos, tendo como foco o melhor atendimento de nossos clientes supermercadistas e, consequentemente, de todos os consumidores”, reforça o gerente comercial da Copacol, Valdemir Paulino dos Santos.

A Cooperativa que abate mais de 300 mil aves ao dia, sendo que 60% dessa produção é comercializada no mercado interno, também atende consumidores de mais de 30 países. Há 27 anos no mercado avícola, os investimentos tecnológicos da Copacol no processo de incubação dos ovos, assistência técnica avançada, abate, industrialização e comercialização, aliado às certificações ISO 9001, BRC – Produtos Alimentícios e APPCC/HACCP – Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle, certificam a Cooperativa não apenas como uma indústria apta a produzir

alimentos, mas como uma empresa especializada e segura para atender demandas do mundo inteiro, incluindo os mercados mais exigentes. A Copacol possui unidades de venda nas cidades de Cafelândia e Curitiba (Paraná), Campo Grande (Mato Grosso do Sul), Brasília (Distrito Federal) e Bebedouro (São Paulo), além de possuir 11 unidades de armazenagem e recebimento de grãos na região Oeste do Paraná, para o atendimento de mais de 5.500 associados e 6.500 colaboradores diretos. Mais informações sobre a empresa: www.copacol.com.br/ Produção Animal | Avicultura 35


Sustentabilidade

Plantio de atividade produção

Fontes de energia esgo ser substituídas por m

P

ara o produtor avícola que pretende unir redução de custos, recuperação ambiental e diminuição de cortes de plantas silvestres ou nativas, o plantio de eucaliptos é uma solução. Além de ser utilizada na construção de aviários, a madeira é aproveitada para o aquecimento dos lotes de frango, secagem de milho ou soja, nas caldeiras frigoríficas e no processamento de sub-produtos. Segundo Cláudio Almeida Faria, Gerente Geral do Complexo Agroindustrial da Pif Paf de Goiás, o plantio de eucalipto traz benefícios tanto à avicultura, quanto ao produtor e ao meio ambiente. “O sombreamento direto ou através do amortecimento da radiação solar propicia um clima favorável ao desenvolvimento das aves comerciais, reduzindo o impacto negativo causado pela amplitude térmica”, afirma. Além disso, a plantação for-

foto: L

SU COA

36 Produção Animal | Avicultura


Eucaliptos:

sustentável reduz custos na de frango

otáveis utilizadas em várias etapas da produção avícola podem madeira de eucaliptos O eucalipto possui diversas vantagens se comparado com outras árvores e é por este motivo que é o mais procurado pelos produtores avícolas. A plantação não atrai aves silvestres, cresce rapidamente, não agride benfeitorias, tem múltipla utilização, é de fácil comercialização e de boa liquidez. O Gerente da Pif Paf diz que a espécie de eucalipto para cada local é escolhida conforme recomendação dos agrônomos que atuam na região, mas que atualmente as mais usadas são “GG-100” e “I-144”

chuvas, melhora na ambiência do galpão e na ventilação, além de poder explorar mais para frente o próprio eucalipto, que servirá como lenha para o fogão aquecer os pintainhos na fase inicial”, disse. As mudas de Edson foram compradas em uma empresa de Palmeiras de Goiás, GO, por 40 centavos cada. “Plantei apenas uma vez. Meu projeto é pequeno, com 4.000 mudas. Cobri em volta do empreendimento todo, fi-

foto: Pif Paf

ma uma barreira vegetal, favorecendo a biossegurança e oferecendo uma proteção natural contra destelhamentos e perdas provocadas por vendavais. Já em relação ao meio ambiente, substitui a utilização de fontes de energia esgotáveis, como gás natural e lenha nativa, promovendo de forma ambientalmente correta a auto-sustentabilidade, através do plantio em áreas pouco produtivas. Outra vantagem é a otimização da utilização da propriedade minimizando a tributação do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Valmor Ceratto, Gerente Agroindustrial da Frangos Canção, sediada em Maringá, PR, afirma que o plantio de eucaliptos reduz o custo de aquecimento das aves em 50% e amplia a rentabilidade dos criadores de frango em cerca de 10%, além de oferecer vantagens para a construção de galpões e da cama de frango. Ele explica a vantagem para a habilitação de exportação a diversos mercados que consideram as barreiras ambientais como diferenciais na compra de produtos. “Toda vez que você busca uma certificação para exportar para a Europa, por exemplo, e eles percebem um incentivo para os produtores, você ganha pontos”. Já Cláudio Faria acredita que agir de forma ambientalmente correta não é mais um diferencial, pois atualmente o mundo está voltado para questões ambientais. “O contrário (não exercer atividades sustentáveis) é que se tornou condição restritiva ao acesso de determinados mercados”, afirma.

Iniciativa reduz custo de aquecimento das aves em 50% e amplia rentabilidade dos produtores em cerca de 10% A Pif Paf começou a plantar eucaliptos em dezembro de 2006, na unidade de produção de ovos férteis (matrizeiro), localizada em Paraúna, GO. Após dois anos, foi a vez dos integrados começarem a praticar essa atividade sustentável. Hoje, 70% dos parceiros da Pif Paf possuem eucaliptos nas propriedades. Por recomendação da empresa, que realiza um trabalho de conscientização demonstrando as vantagens que a floresta oferece, Edson José de Sousa, integrado desde dezembro do ano passado, começou a fazer a cobertura de eucaliptos em fevereiro de 2009. ”Me interessei pelos benefícios que a Pif Paf disse que traria para a granja, como a proteção de ventos e

Plantação forma barreira vegetal

cando cercado de todos os lados. A Pif Paf recomenda plantar eucaliptos à 20 metros de distância do galpão”, disse. Já na Frangos Canção, os produtores que fazem o plantio de eucalipto representam cerca de 30% dos integrados. A empresa incentiva a atividade há mais ou menos dois anos, fazendo campanhas de plantio nas áreas não utilizáveis da propriedade. “A gente mostra aos integrados que o eucalipto resulta em uma redução no custo de produção de cerca de R$ 350,00 em média por lote de 33.000 aves criadas. Assim, o produtor tem uma economia de mais de R$2.000,00 por aviário em um ano”, explica ValProdução Animal | Avicultura 37


foto: Valmor Ceratto

mor Ceratto, completando que a cada hectare (ou 10.000 m2) é possível plantar cerca de 4.000 mudas. Paulo Maciel, integrado da Frangos Canção há dez anos, plantou eucaliptos pela primeira vez cerca de dois anos atrás. “Eu plantava milho e soja nessa área. De repente eu parei e achei que fosse bom plantar com eucalipto”, diz. Paulo começou com essa atividade pensando na barreira que a plantação forma, que, segundo ele, segura o vento forte das laterais dos aviários. “A plantação faz um filtro e pode proteger contra os vírus de possíveis doenças”, afirma. A intenção do produtor é cobrir os aviários com eucaliptos, fechando a parte da frente e as laterais. “Onde eu posso, estou plantando eucalipto para ficar com uma área protegida no caso de um temporal. Além disso, vou ter uma área fresca, porque a sombra atinge o espaço dos aviários e, futuramente, uma produção própria para o aquecimento de pintainhos”, diz. Ele ainda fala que as primeiras árvores plantadas já mostram eficiência. “Elas já fazem uma barreira enorme, já dá

para sentir muita diferença”. Paulo conta que na primeira remessa chegou a plantar 26.000 mudas, na segunda 1.200, na terceira 2.500 e na última, ainda em setembro deste ano, 600 mudas. “Eu mesmo plantei da segunda remessa em diante. Em duas horas planto mil mudas”. Depois de plantados, os eucaliptos estarão prontos para serem cortados e utilizados na produção em cerca de três anos. Paulo Maciel consumiu na 38 Produção Animal | Avicultura

criação do último lote de frangos 60 metros cúbicos de lenha. Custando R$ 50,00 o metro, gasta R$ 3.000,00 por lote para atender as necessidades de produção. “Eu creio que quando começar a utilizar a lenha dos eucaliptos que plantei, vou economizar de R$ 10.000,00 a R$ 12.000,00 por ano, já que tenho quatro aviários. E isso tudo pagando apenas 13 centavos por muda”, afirma. Cláudio Faria lembra que além de o integrado poder plantar para o consumo próprio reduzindo gastos com aquecimento, pode produzir excedentes para a comercialização. Ele ainda diz que o produtor pode bancar com recursos próprios ou obter linhas de crédito específicas, que inclusive possuem taxas e carências diferenciadas. “Se o produtor optar por não produzir a própria madeira, terá que comprar, devendo se cadastrar como consumidor e adquirir de fornecedor também cadastrado. Hoje aqui na região (GO)

Eucalipto não atrai aves silvestres, não agride benfeitorias, tem múltipla utilização, é de fácil comercialização e de boa liquidez a lenha de eucalipto não sai por menos de R$ 90,00 o metro cúbico”. Segundo Valmor Ceratto, a cada mil aves criadas, há um consumo de quatro metros cúbicos de madeira de eucaliptos. “O Brasil produz anualmente 5 bilhões de cabeças de frango de corte, correspondendo a um consumo de 20 milhões de metros cúbicos de madeira de eucalipto”, explica. Essa atividade também tem se tornado freqüente em outras empresas,

foto: COASUL

Sustentabilidade

como a Sadia e a Coasul. A primeira vai construir uma nova unidade de produção em Campo Verde (MT), à 130 quilômetros de Cuiabá. O novo projeto da Sadia prevê reduzir o impacto da instalação da unidade sobre o meio ambiente, reflorestando com eucaliptos 3,5mil hectares na cidade, o que permitirá a planta se tornar auto-suficiente no uso de biomassa a partir de 2013. Já a Coasul, repassou aos produtores cerca de 250 mil mudas de eucaliptos no ano passado e mais de 200 mil até junho deste ano, além de reflorestar as áreas próprias da empresa. De acordo com a assessoria de imprensa da Coasul, existem cerca de 60 hectares cobertos com eucaliptos em São João, São Jorge D´Oeste, Francisco Beltrão, Marmeleiro e Chopinzinho, municípios do Paraná. “A Coasul está plantando mais de 25 mil mudas em suas áreas. Em anexo ao terreno em que está sendo construído o abatedouro de aves da cooperativa em São João-PR, estão sendo plantados 12.000 pés de eucaliptos do tipo Grandis em uma área de 4,7 hectares”, diz a assessoria. A empresa ainda está reflorestando uma área de dois hectares junto a esse local, na margem de um riacho que nasce nas terras da cooperativa. “São cerca de 8.000 mudas que atendem a um Termo de Compromisso assumido junto ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em 28 de fevereiro de 2007”, afirma o release enviado pela assessoria.


A plantação de eucalipto e suas características

Cerca de quantas mudas são plantadas por alqueire? São plantadas 1.667 mudas/hectare. Como em Goiás o alqueire tem 4,84 ha, são plantadas 8.068 mudas/ alqueire. (Um campo de futebol tem cerca de 10.800 m2. Cada Alqueire equivale a 24.200 m2. Assim, um alqueire é equivalente a mais ou menos 2,24 campos de futebol.) Por que plantar eucaliptos e não outro tipo de árvore? São várias as vantagens que o eucalipto traz à avicultura. Entre elas: • Não produz frutos (evitando atrair aves silvestres); • É de crescimento rápido; • Seu sistema radicular não agride benfeitorias; • Apresenta eficiente alelopatia, inibindo o crescimento de vegetais silvestres (manutenção); • Possui múltipla utilização, é de fácil comercialização e boa liquidez. • Não é caducifólia (mantendo limpeza, barreira de proteção e micro clima favorável durante o ano todo); Quanto custa para plantar eucaliptos em torno do aviário? Para o processo completo que in-

necessário projeto econômico e ambiental, já no plantio com recursos próprios não há necessidade. Para corte da madeira será necessário autorização e neste momento ocorre a vistoria.

Cláudio Almeida Faria, Gerente Geral do Complexo Agroindustrial da Pif Paf de Goiás

clui preparo do solo, mudas, plantio, adubação, controle de formigas e replantio, o primeiro ciclo de cinco anos fica em R$4.500,00/hectare. Após o primeiro corte ocorre a rebrota, minimizando consideravelmente o custo do segundo corte. Em quais etapas a madeira é utilizada na produção avícola como fonte de energia? No caso dos integrados, é usada nas fornalhas para aquecimento dos aviários, desde o primeiro dia de alojamento, até a terceira semana do desenvolvimento das aves. Já nas fábricas de rações, é utilizada nos secadores de grãos, bem como nas caldeiras que geram vapor para as peletizadoras. No frigorífico também é utilizada em grande escala na geração de vapor para o abate. Quem pode fazer o plantio de eucaliptos? É feita alguma vistoria no local para a atividade ser autorizada? A princípio, todo produtor rural pode fazer o reflorestamento desde que respeitadas as restrições compreendidas pelas áreas de preservação permanente e de reserva legal. Para realizar plantios financiados é

Qual o espaço mínimo necessário na área do produtor para fazer o plantio? Para que se tenha um manejo sustentável ao longo do ciclo produtivo do eucalipto mantendo o fornecimento contínuo, é necessário plantar 1,5 hectares por aviário. Quais as etapas o produtor tem que seguir para fazer o plantio de eucaliptos? Qual a primeira atitude a ser tomada? Existem empresas de assessoria para desenvolver projetos econômicos e ambientais customizados de acordo com o perfil do produtor. No caso de reflorestamento para exploração comercial, é necessário se cadastrar previamente na Agência Goiana de Meio Ambiente, onde será aberto um processo e concedida a autorização. É necessário que o produtor peça licença para alguma secretaria ou algum órgão? Toda comercialização é regulamentada pelo IBAMA, onde o produtor e o consumidor devem se cadastrar. Em Goiás é necessário também o cadastramento de consumidor junto à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH), no caso dos integrados da Pif Paf, todos já obtém o cadastro juntamente com a licença ambiental de funcionamento do empreendimento. foto: Valmor Ceratto

Cláudio Almeida Faria, Gerente Geral do Complexo Agroindustrial da Pif Paf de Goiás, respondeu à redação da Revista do AviSite algumas questões sobre a plantação de eucaliptos nas propriedades avícolas. Custos, características e etapas de plantação foram alguns dos temas discutidos na entrevista. Acompanhe o texto abaixo e tire suas dúvidas sobre essa atividade sustentável.

Produção Animal | Avicultura 39


Estatísticas e Preços

Produção e mercado em resumo Apesar do equívoco no aumento da produção de pintos de corte, setor avícola reagiu rápido para contornar queda de preços

S

em contar com qualquer apoio oficial – como ocorreu com alguns segmentos da indústria e da própria agropecuária – a avicultura brasileira, pelo esforço próprio, foi uma das primeiras atividades econômicas do País a conseguir tirar o pescoço fora do lamaçal em que a economia mundial foi jogada logo no início do terceiro quadrimestre de 2008. Enfim, poucos setores conseguiram tão rápida reação de mercado como, por exemplo, a do frango, que sete meses depois de enfrentar um de seus piores natais de todos os tempos, obteve preços até melhores que os alcançados em condições normais de mercado. Mas o que se aplica ao bem, também serve para o mal, as reações sucedendo-se ininterruptamente às ações. E a atividade reagiu afoitamente à melhora de preços, supôs

(equivocadamente) que o pior passou e, assim, podia retornar tranquilamente à normalidade, ou seja, à produção máxima. Deu no que deu: enquanto a chegada do segundo semestre acena com um período natural de altas (é a chegada da entressafra da carne), desta vez registrou-se o inverso: a queda de preços começou em julho, prosseguiu agosto a dentro e acentuou-se ainda mais em setembro, quando começou a dar sinais de reversão, mas sem ainda dar sinais de rentabilidade ao setor produtivo tanto de corte como de postura. Mas como só acontece no setor avícola, a reação a essa situação também está sendo rápida. Assim, por exemplo, depois de alcançar resultado inédito em julho – superação da marca de meio bilhão de cabeças em apenas um mês – já em agosto a produção brasileira de pintos de corte

Indicadores de que a oferta continua a superar a demanda do momento

Ovo Na granja

26,81

Frango Vivo

1,37

R$ a caixa

R$ o quilo

No atacado

Abatido

R$ a caixa

R$ o quilo

33,88

2,30

Em setembro, ambos tiveram os piores preços de 2009 40 Produção Animal | Avicultura

voltou a retroceder e apresentou o menor volume real dos últimos três meses, com indícios de nova queda também em setembro (independente do menor número de dias do mês). Melhor que a reação a uma situação adversa, são as tomadas rápidas de decisão que fazem a diferença. E, neste aspecto, a avicultura agiu rápido, quase sem titubear, buscando readequação ao mercado – que sem dúvida virá no curto prazo. Corrigida a rota, fica a lição: a toda ação corresponde uma reação nem sempre proporcional. Não pelo menos para alimentos como frangos e ovos, cujos preços despencam de forma desproporcional comparativamente ao aumento da oferta. Isso não pode ser esquecido, sob pena de a avicultura sofrer permanentes altas e baixas. E, com certeza, baixas também negativamente desproporcionais às altas.

Indicadores de que, no curto ou médio prazos, a oferta poderá estar melhor adequada à demanda Na Postura No Corte No ano, redução de quase 12% no alojamento de matrizes

No ano, redução de quase 10% no alojamento de matrizes

Estabilidade no alojamento de pintainhas

Redução, em agosto (e provavelmente em setembro) na produção de pintos de corte


Alojamento de matrizes de corte Segmento apresenta recuo de 2,5% sobre o mês anterior

Q

uem apostava em um retorno aos níveis observados no primeiro semestre de 2009 (média mensal de, aproximadamente 3,6 milhões de cabeças) perdeu. Em agosto, conforme a UBA, foram alojadas no Brasil 3,977 milhões de matrizes de corte. Há quem conteste que essa queda de 2,5% signifique redução. A explicação é que agosto teve uma incubação a menos (total de 20, contra 21 do mês anterior) e, com isso, a produção do último mês foi relativamente maior que a de julho. De toda forma, o recuo em relação ao mesmo mês do ano passado foi expressivo, de 8,53%. Decorridos dois terços do ano, o alojamento brasileiro de matrizes de corte permanece quase 10% abaixo do registrado no mesmo período de 2008, já que recuou de 32,820 milhões de cabeças para 29,620 milhões de cabeças. Mas essa diferença vai se diluindo no decorrer do ano: no fechamento do primeiro trimestre alcançava 12,62%; no encerramento do primeiro semestre estava em 10,39%; e agora está em 9,75%. É improvável, no entanto, que essa variação se torne positiva no quadrimestre final do ano, pois isso solicita alojamentos médios mensais de mais de 4,7 milhões de cabeças, inviáveis nas condições atuais. O mais provável é um alojamento mensal em torno dos 4 milhões de matrizes de corte, o que representaria no ano alojamento total de 45,6 milhões de cabeças, 6% a menos que o alojado em 2008. Por ora, o alojamento acumulado nos últimos 12 meses totalizou 45,364 milhões de cabeças, recuando 4,97% em relação aos 47,736 milhões acumulados nos 12 meses anteriores. Detalhe importante é que o volume acumulado em 12 meses se encontra agora quase 7% abaixo do recorde alcançado em dezembro de 2008.

EVOLUÇÃO MENSAL MILHÕES DE CABEÇAS

MÊS

2007/2008

2008/2009

VAR. %

Setembro

3,347

3,866

15,52%

Outubro

3,945

3,915

-0,77%

Novembro

3,858

3,965

2,76%

Dezembro

3,766

3,999

6,18%

Janeiro

4,265

3,560

-16,53%

Fevereiro

3,852

3,496

-9,23%

Março

3,944

3,482

-11,71%

Abril

3,953

3,488

-11,77%

Maio

4,012

3,679

-8,30%

Junho

4,037

3,858

-4,45%

Julho

4,409

4,081

-7,46%

Agosto

4,348

3,977

-8,53%

EM 8 MESES

32,820

29,620

-9,75%

EM 12 MESES

47,736

45,364

-4,97%

Fonte dos dados básicos: UBA – Elaboração e análises: AVISITE

Produção Animal | Avicultura 41


Estatísticas e Preços

Produção de pintos de corte Após quatro meses de alta, volume volta a ficar negativo em relação ao mesmo mês de 2008

F

ato praticamente inédito no setor, em agosto passado a produção brasileira de pintos de corte retrocedeu em relação ao mês anterior. Após quatro meses sucessivos de altas, o volume produzido foi inferior ao registrado no mesmo mês do ano passado. E mais: em valores reais (volume médio produzido diariamente), a produção do último agosto foi a menor do trimestre junhoagosto de 2009. De acordo com a APINCO, a produção de pintos de corte em agosto de 2009, inicialmente prevista em 497 milhões de cabeças, acabou retrocedendo e ficou em 482,7 milhões de cabeças um volume 0,34% e 3,52% inferior aos registrados, respectivamente, um ano antes (484,3 milhões/cabeças) e um mês antes (500,3 milhões/cabeças). A queda no volume efetivamente alcançado (de quase 3%) em relação ao que vinha sendo originalmente previsto indica que o setor – afetado por preços internos onerosos e por quedas nas exportações de carne de frango – decidiu recolocar o pé no freio. Explica-se, assim, a reversão de mercado e a relativa estabilização do frango em setembro – em níveis ainda insuficientes para proporcionar retorno ao setor. Com a desaceleração observada em agosto, o volume de pintos de corte produzidos nos dois primeiros terços de 2009 voltou a apresentar índice de expansão ligeiramente menor que o observado até julho (+0,73%). Assim, o volume até agora acumulado aproximase dos 3,633 bilhões de cabeças, sendo 0,59% maior que o registrado no mesmo período de 2008. Com as perspectivas alteradas para o restante do ano, 2009 deve ser encerrado com um volume em torno dos 5,550 bilhões de pintos de corte, ou até menos. Ou seja: se até recentemente se apontava que a produção do ano deveria aumentar mais de 3%, a indicação, agora, é de que o incremento pode ficar aquém dos 2%.

42 Produção Animal | Avicultura

Evolução mensal MILHÕES DE CABEÇAS

MÊS

2007/2008

2008/2009

VAR. %

Setembro

424,434

485,261

14,33%

Outubro

463,378

496,165

7,08%

Novembro

431,508

431,662

0,04%

Dezembro

451,775

443,854

-1,75%

Janeiro

460,687

417,755

-9,32%

Fevereiro

427,892

406,918

-4,90%

Março

441,119

425,628

-3,51%

Abril

429,048

455,711

6,21%

Maio

455,492

461,811

1,39%

Junho

437,041

482,089

10,31%

Julho

476,081

500,270

5,08%

Agosto

484,328

482,678

-0,34%

EM 8 MESES

3.611,688

3.632,859

0,59%

EM 12 MESES

5.382,784

5.489,802

1,99%

Fonte dos dados básicos: UBA – Elaboração e análises: AVISITE


Produção de carne de frango Rompida a barreira do milhão de toneladas em um único mês

E

m agosto passado a avicultura de corte brasileira alcançou pela primeira vez a marca do milhão de toneladas de carne de frango produzidas em um único mês. Pelas projeções da APINCO, foram produzidas no período 1.004.081 toneladas de carne de frango, volume 8,69% superior ao registrado em agosto de 2008 e 4,97% maior que o do mês anterior. Com esse resultado, a produção do bimestre julho-agosto de 2009 soma 1,960 milhão de toneladas, volume 7,68% superior ao de idêntico período do ano passado. Já a produção do ano totaliza 7,117 milhões de toneladas, encontrando-se menos de meio por cento aquém dos 7,141 milhões de toneladas alcançados entre janeiro e agosto de 2008, período que antecedeu a grande crise da economia mundial. Note-se que esse é o menor índice de redução observado neste ano em relação ao mesmo período do ano anterior. Em março, por exemplo, a produção acumulada nos três primeiro meses do ano apresentava queda de quase 6,5% sobre idêntico período de 2008. Mas esse índice passou a sofrer paulatina redução nos meses subseqüentes e, doravante, tende a apresentar resultados positivos. Por sinal, não é preciso muito para que essa inversão se concretize: basta que em setembro corrente se produzam pouco mais de 950 mil toneladas de carne de frango, um volume inferior ao registrado nos meses de julho e agosto. Então, o que era redução se transformará em crescimento. Mas a tendência é de que essa expansão se acelere no quadrimestre final de 2009, pois dificilmente a produção do período ficará muito aquém do milhão de toneladas/mês. De toda forma, o incremento do ano não deverá chegar a 1%, o que significa produção em torno de 11,110 milhões de toneladas.

evolução mensal MIL TONELADAS

MÊS

2007/2008

2008/2009

VAR. %

Setembro

866,903

926,548

6,88%

Outubro

891,434

990,463

11,11%

Novembro

887,928

998,586

12,46%

Dezembro

945,515

975,672

3,19%

Janeiro

914,036

889,681

-2,66%

Fevereiro

866,302

780,499

-9,90%

Março

926,478

862,047

-6,95%

Abril

879,984

830,420

-5,63%

Maio

872,144

901,884

3,41%

Junho

861,759

892,223

3,54%

Julho

897,014

956,585

6,64%

Agosto

923,774

1004,081

8,69%

EM 8 MESES

7.141,491

7.117,420

-0,34%

EM 12 MESES

10.733,271

11.008,689

2,57%

Fonte dos dados básicos: UBA – Elaboração e análises: AVISITE

Produção Animal | Avicultura 43


Estatísticas e Preços

Exportação de carne de frango Volume embarcado em agosto foi o menor dos últimos seis meses

O

s números divulgados pela ABEF revelam que em agosto passado as exportações brasileiras de carne de frango ficaram em 301.257 toneladas, apresentando recuos de 5,03% e 6,64% sobre, respectivamente, o mês anterior e o mesmo mês do ano passado. Esse foi o menor volume embarcado nos últimos seis meses, somente superando os números registrados em janeiro e fevereiro deste ano. Mas poderia ter sido pior, o que não ocorreu por ter sido registrado, no mês, significativo acréscimo nas exportações de carne de frango salgada (cerca de 23,8 mil toneladas, 76% mais que no mês anterior e 94% mais que há um ano). Foi o que impediu que os embarques do mês ficassem aquém das 300 mil toneladas. Até agora, decorridos dois quartos do ano, as exportações de carne de frango somam pouco mais de 2,425 milhões de toneladas, volume que significa redução de 3,14% sobre o mesmo período de 2008. Esse resultado corresponde ao embarque médio mensal de 303,2 mil toneladas que, por sua vez, projetam para a totalidade do ano exportações da ordem de 3,638 milhões de toneladas, praticamente o mesmo volume alcançado em 2008 (3,645 milhões de toneladas – diferença a menos, portanto, de cerca de 7 mil toneladas). Nos 12 meses encerrados em agosto de 2009 as exportações de carne de frango totalizaram 3,567 milhões de toneladas, 2,5% a menos que o registrado nos 12 meses imediatamente anteriores. Quase 5% menor que o recorde atingido em outubro do ano passado (em 12 meses, 3,743 milhões de toneladas), esse acumulado também corresponde ao pior resultado dos últimos 15 meses. 44 Produção Animal | Avicultura

Evolução Mensal MIL TONELADAS

2007/2008

2008/2009

VAR. %

Setembro

MÊS

242,126

323,949

33,79%

Outubro

313,372

315,632

0,72%

Novembro

298,903

235,061

-21,36%

Dezembro

299,929

266,598

-11,11%

Janeiro

274,897

274,781

-0,04%

Fevereiro

292,538

263,222

-10,02%

Março

313,233

306,539

-2,14%

Abril

270,022

329,922

22,18%

Maio

361,415

303,767

-15,95%

Junho

330,125

329,014

-0,34%

Julho

339,360

317,207

-6,53%

Agosto

322,698

301,257

-6,64%

EM 8 MESES

2.504,289

2.425,708

-3,14%

EM 12 MESES

3.658,619

3.566,948

-2,51%

Fonte dos dados básicos: UBA – Elaboração e análises: AVISITE


Disponibilidade interna de carne de frango Oferta superior a 700 mil toneladas explica fraqueza do mercado do frango em agosto

S

e havia alguma dúvida quanto às razões que levaram o frango – vivo e abatido – a registrar em agosto o menor preço deste ano, tudo ficou bem mais claro a partir do momento em que se divulgaram os dados de produção e exportação do mês. Com a produção em expansão e as exportações em retração, a oferta interna de agosto voltou a superar as 700 mil toneladas, o terceiro maior volume da história do setor. Em agosto, considerados os dados da APINCO (produção de 1,004 milhão de toneladas) e os da ABEF (exportação de 301,2 mil toneladas), permaneceram no mercado interno cerca de 702.824 toneladas de carne de frango, volume que superou em quase 10% as 639.378 toneladas do mês anterior, e em quase 17% as 601.076 toneladas de agosto de 2008, época em que o mundo ainda não havia provado os dissabores da crise econômica. Era inevitável, pois, a ocorrência de um “nó” no mercado. Em função do volume alcançado em agosto, a oferta interna dos dois primeiros terços do ano somou pouco mais de 4,691 milhões de toneladas e aumentou 1,18% em relação aos oito primeiros meses de 2008, época em que – já foi dito, mas nunca é demais repetir, pois é assim que se aprende a lição – o mundo ainda não havia entrado na atual crise econômica e o consumo era bem melhor que o registrado agora. A breve reversão na produção de pintos de corte registrada em agosto indica que, independentemente do comportamento das exportações, a disponibilidade interna do bimestre setembro-outubro deve ficar aquém das 700 mil toneladas. Porém, mantida a média alcançada no bimestre julhoagosto, o volume total do segundo semestre irá superar os 4 milhões de toneladas e aumentar cerca de 3% em relação ao mesmo período ano passado, dessa forma quase neutralizando a redução de 3,71% do primeiro semestre.

EVOLUÇÃO MENSAL MIL TONELADAS

MÊS

2007/2008

2008/2009

VAR. %

Setembro

624,757

602,599

-3,55%

Outubro

578,062

674,830

16,74%

Novembro

589,025

763,525

29,63%

Dezembro

645,586

709,074

9,83%

Janeiro

639,139

614,900

-3,79%

Fevereiro

573,764

517,277

-9,84%

Março

613,245

555,508

-9,41%

Abril

609,962

500,498

-17,95%

Maio

510,729

598,117

17,11%

Junho

531,634

563,21

5,94%

Julho

557,654

639,378

14,65%

Agosto

601,076

702,824

16,93%

EM 8 MESES

4.637,203

4.691,712

1,18%

EM 12 MESES

7.074,633

7.441,740

5,19%

Fonte dos dados básicos: UBA – Elaboração e análises: AVISITE

Produção Animal | Avicultura 45


Estatísticas e Preços

Alojamento de matrizes de postura Valores acusam incremento de mais de 120%

D

e acordo com a UBA, em agosto passado o alojamento brasileiro de matrizes para postura atingiu o segundo maior volume dos últimos 15 meses. No mês, foram alojadas no País 100.270 reprodutoras destinadas à produção de poedeiras, o que significou aumento de 121,58% sobre as 45.253 matrizes de agosto do ano passado. Inicialmente, divulgou-se que a participação das reprodutoras de linhagens de ovos vermelhos correspondeu a quase dois terços do total alojado, as linhagens de ovos brancos significando apenas 37,83% do alojamento do mês. Mas posteriormente essa informação foi corrigida, observando-se uma relação dentro dos padrões normais de alojamento entre ovos brancos e vermelhos (61,16%: 38,84%). Mas, de certa forma, o alto índice de incremento observado no mês se justifica, visto que o volume alojado em agosto de 2008 esteve entre os menores do ano passado. Mesmo assim, o número alcançado em agosto passado é elevado, pois se encontra 18% acima das 84.867 matrizes de postura alojadas no mês anterior, julho de 2009. Mesmo assim registre-se, em defesa do setor, que o volume total alojado no ano permanece negativo em relação a 2008. O total acumulado entre janeiro e agosto deste ano soma 504.703 matrizes de postura, quantidade que corresponde a uma redução de 11,76% sobre idêntico período do ano passado. Mantido esse comportamento no restante do ano, o volume produzido no terço final do ano irá ficar em torno das 250 mil reprodutoras, fazendo com que o volume total de 2009 alcance as 750 mil cabeças, pouco mais pouco menos, contra 775 mil cabeças em 2008. Por ora, em 12 meses o volume total alojado não chega às 710 mil cabeças e se encontra 6,16% abaixo das 754 mil matrizes de postura alojadas entre setembro de 2007 e agosto de 2008.

46 Produção Animal | Avicultura

Evolução Mensal

(ovos brancos e vermelhos) MILHARES DE CABEÇAS MATRIZES DE POSTURA

MÊS

% OVO BRANCO

2007/08

2008/09

VAR. %

Setembro

67,212

32,233

-52,04%

2007/08

43,68%

2008/09

61,20%

Outubro

24,339

78,722

223,44%

55,63%

69,35%

Novembro

40,126

47,700

18,88%

91,92%

66,04%

Dezembro

50,503

44,380

-12,12%

80,03%

71,16%

Janeiro

92,858

16,736

-81,98%

56,45%

87,23%

Fevereiro

98,130

29,311

-70,13%

85,95%

81,24% 59,22%

Março

47,021

17,549

-62,68%

62,69%

Abril

42,813

83,830

95,81%

69,68%

67,14%

Maio

83,202

82,784

-0,50%

81,46%

75,57%

Junho

104,611

89,356

-14,58%

68,73%

67,60% 68,64%

Julho

58,108

84,867

46,05%

69,68%

Agosto

45,253

100,270

121,58%

31,33%

61,16%

EM 8 MESES

571,996

504,703

-11,76%

68,26%

68,88%

EM 12 MESES

754,176

707,738

-6,16%

67,71%

68,53%

Fonte dos dados básicos: UBA – Elaboração e análises: AVISITE


Alojamento de pintainhas de postura Números de agosto mantiveram o mesmo passo anterior

P

rossegue sem a mínima alteração significativa o alojamento mensal de pintos fêmeas de um dia destinados à produção de ovos. Em agosto, por exemplo, foram alojadas no País, conforme a UBA, 5,046 milhões de pintainhas de postura (71,86% delas correspondentes a linhagens produtoras de ovos brancos), o que significou aumento de 3,09% sobre agosto de 2008 e redução de 2,5% sobre julho de 2009. Não é mera retórica a afirmação de que o alojamento prossegue sem a mínima alteração significativa: nos quase três anos decorridos desde novembro de 2006, os alojamentos mensais do setor variaram entre um mínimo de 4,749 milhões de cabeças e um máximo de 5,237 milhões de cabeças, média de 5,003 milhões de cabeças mensais. A amplitude aí observada, de 10% entre o alojamento mínimo e o máximo, difere bastante dos dois segmentos de reprodução – os de matrizes de corte e de postura. Entre as matrizes de corte, no período analisado, os alojamentos variaram de um mínimo de 2,961 milhões de cabeças a um máximo de 4,409 milhões de cabeças (média de 3,757 milhões de cabeças), o que dá uma variação próxima de 50% entre o mínimo e o máximo. Já entre as matrizes de postura, o volume alojado variou desde pouco menos de 20 mil cabeças (16,7 mil cabeças em janeiro de 2009) até mais de 100 mil cabeças (104,6 mil cabeças em junho de 2008) – o que significa diferença de 525% (!) entre o menor e o maior alojamento. Mas, retornando às pintainhas de postura, o fato é que se mantêm dentro da média quer no ano (5,014 milhões de cabeças entre janeiro e agosto, variação de 0,12% sobre idêntico período anterior), quer em 12 meses (5,013 milhões de cabeças entre setembro de 2008 a agosto de 2009, variação, negativa, de 0,45% sobre os 12 meses imediatamente anteriores).

Evolução Mensal

(ovos brancos e vermelhos) MILHÕES DE CABEÇAS PINTAINHAS COMERCIAIS DE POSTURA

MÊS

2007/2008

2008/2009

VAR.%

5,074

5,135

1,22%

Outubro

5,166

5,015

Novembro

5,105

4,811

Dezembro

5,017

5,083

1,31%

Janeiro

4,897

4,990

Fevereiro

5,048

4,790

Março

5,122

5,161

Abril

5,127

Maio Junho Julho

Setembro

% OVO BRANCO 2007/08

2008/09

72,28%

74,34%

-2,92%

73,26%

72,88%

-5,77%

73,80%

73,22%

75,79%

74,79%

1,90%

75,11%

74,87%

-5,11%

73,17%

75,92%

0,76%

72,51%

75,27%

4,951

-3,43%

71,79%

75,30%

4,788

4,797

0,18%

74,17%

72,92%

4,955

5,209

5,12%

74,39%

74,77%

5,237

5,173

-1,22%

74,30%

72,84%

Agosto

4,895

5,046

3,09%

74,48%

71,86%

EM 8 MESES

40,068

40,116

0,12%

73,01%

74,21%

EM 12 MESES

60,430

60,160

-0,45%

73,27%

74,08%

Fonte dos dados básicos: UBA – Elaboração e análises: AVISITE

Produção Animal | Avicultura 47


Estatísticas e Preços

Desempenho do frango vivo em setembro de 2009 No mês, a menor média de preços dos últimos 17 meses

C

om certeza não há equívoco em dizer que o frango (vivo e abatido) teve no mês que passou o pior setembro de sua história. Normalmente, como o período é de entressafra da carne, o produto alcança no mês seu segundo ou terceiro melhor preço do ano. É verdade que, em relação à cotação alcançada no segundo dia do mês (R$1,25/kg), o frango vivo fechou setembro com uma valorização de 24% (R$1,55/kg dia 30). Mas isso não impediu que registrasse no mês a pior média de preços dos últimos 17 meses. Nos dois anos decorridos desde outubro de 2007 até setembro de 2009, em apenas duas ocasiões a cotação do frango vivo teve valor inferior ao registrado em setembro último (em março e abril de 2008, quando o setor enfrentou profunda crise de superprodução). O preço médio alcançado em setembro, de R$1,37/kg, ficou quase 26% abaixo daquele registrado um ano atrás, em setembro de 2008. O valor alcançado também marcou o terceiro mês consecutivo de queda de preços em relação ao mês anterior. O valor de setembro último acabou ficando 27% abaixo daquele registrado três meses antes, em junho de 2009, quando o produto atingiu sua máxima cotação neste ano. Por fim, o preço médio dos nove primeiros meses de 2009 (R$1,66/kg) se encontra apenas três centavos acima da média alcançada em 2008, de R$1,63/ kg. Ou seja: é menor o risco de o preço médio do ano ficar negativo. Mas, será devido aos baixos preços alcançados no trimestre final de 2008 do que, propriamente, à valorização do produto nos três meses finais de 2009. Vale lembrar: o desempenho aquém do esperado nas exportações de carne de frango e a necessidade de abrir espaço nas câmaras frigoríficas para o “frango especial” do Natal podem gerar o aumento de oferta do frango abatido e retardar a ansiada valorização.

48 Produção Animal | Avicultura

FRANGO VIVO

Evolução de preços na granja, interior paulista – R$/Kg MÊS

MÉDIA R$/KG

VARIAÇÃO % ANUAL MENSAL

SET/2008

1,85

10,12%

-4,64%

OUT/2008

1,63

1,87%

-11,89%

NOV/2008

1,74

12,25%

6,75%

DEZ/2008

1,62

-1,82%

-6,90%

JAN/2009

1,68

10,52%

3,70%

FEV/2009

1,80

30,43%

7,14%

MAR/2009

1,68

35,48%

-6,66%

ABR/2009

1,60

20,30%

-4,76%

MAI/2009

1,61

0,00%

0,63%

JUN/2009

1,88

5,62%

16,77%

JUL/2009

1,80

-4,56%

-4,05%

AGO/2009

1,49

-23,07%

-17,16%

SET/2009

1,37

-25,84%

-8,18%

Médias Anuais entre 2000 e 2009 ANO

R$/KG

VAR. %

ANO

R$/KG

2000

0,91

2001

0,97

2002

1,13

16,49%

2003

1,45

28,31%

VAR. %

14,57%

2005

1,35

-8,72%

6,47%

2006

1,16

-14,70%

2007

1,55

33,62%

2008

1,63

5,16%

2004

1,49 2,75% 2009* 1,66 1,66% Fonte dos dados básicos: JOX - Elaboração e análises: AVISITE Obs.: valores finais arredondados, daí eventuais diferenças nos percentuais * Até 30 de setembro de 2009

Frango vivo - preços históricos e preço efetivo em 2009 PREÇO HISTÓRICO (MÉDIA 1998/2008): preço em dezembro do ano anterior igual a 100 PREÇO MÉDIO EFETIVO EM 2009: (R$/KG, granja, interior paulista)


Desempenho do ovo em setembro de 2009 O pior preço em quase três anos OVO BRANCO EXTRA

Evolução de preços no atacado paulista – R$/caixa de 30 dúzias MÊS

MÉDIA R$/CXA

VARIAÇÃO % ANUAL MENSAL

SET/2008

43,25

12,57%

-5,93%

OUT/2008

37,92

1,69%

-12,32%

NOV/2008

39,36

5,78%

3,80%

DEZ/2008

39,69

-12,38%

0,84%

JAN/2009

37,40

-3,33%

-5,76%

FEV/2009

43,54

-14,14%

16,41%

MAR/2009

46,94

-6,68%

7,80%

ABR/2009

45,46

14,71%

-3,15%

MAI/2009

41,84

-6,19%

-7,96%

JUN/2009

43,12

-5,89%

3,06%

JUL/2009

36,92

-22,27%

-14,37%

AGO/2009

37,40

-18,65%

1,30%

SET/2009

33,88

-21,66%

-9,42%

Médias Anuais entre 2000 e 2009 ANO

R$/CXA

VAR. %

ANO

R$/CXA

VAR. %

2000

23,12

16,89%

2005

33,48

-2,87%

2001

24,07

4,11%

2006

27,48

-17,92%

2002

27,88

15,83%

2007

39,42

43,45%

2003

39,67

42,29%

2008

43,62

10,65%

2004

34,47 -13,11% 2009* 40,59 -6,95% Fonte dos dados básicos: JOX - Elaboração e análises: AVISITE Obs.: valores finais arredondados, daí eventuais diferenças nos percentuais * Até 30 de setembro de 2009

Ovo Extra branco - preços históricos e preço efetivo em 2009 PREÇO HISTÓRICO (MÉDIA 1998/2008): preço em dezembro do ano anterior igual a 100 PREÇO MÉDIO EFETIVO EM 2009: (R$/caixa, no atacado paulista)

H

á quase três anos o setor de postura não registrava um mês tão ruim quanto foi o último setembro. O preço médio alcançado pelo ovo no mês – R$33,88/caixa no atacado da cidade de São Paulo – não era visto desde janeiro de 2007, quando foi registrado preço médio de R$30,30/caixa. Em decorrência, o produto encerrou os nove primeiros meses de 2009 com um valor médio da ordem de R$40,59/ caixa, quase 7% a menos que o preço médio alcançado no decorrer de 2008. Esses valores não retratam toda a realidade vivida pelo produto, cujo preço médio em setembro passado foi 21,66% menor que o registrado no mesmo mês de 2008. Normalmente, nas circunstâncias observadas em setembro, as distorções de mercado são corrigidas de forma rápida, antecipando-se ou mesmo acelerando o descarte de poedeiras. Desta vez, o setor se viu refém de uma limitação de ordem legal que atingiu também o descarte de reprodutoras de corte e de postura. Pela legislação vigente, todos os descartes, de poedeiras comerciais e de reprodutoras, devem, obrigatoriamente, ser direcionados para abatedouros com SIF. Que, em determinados momentos podem enfrentar um fluxo de descartes superior à sua capacidade de abate ou acima das necessidades do mercado consumidor de aves abatidas. E isso só agrava a situação do produtor de ovos que não consegue reduzir a produção. Há quem observe, porém, que situações do gênero são desencadeadas pelo próprio setor produtivo que, em situações favoráveis de mercado, posterga os descartes normais. Isso acaba gerando uma concentração de descartes em momentos nem sempre receptivos ao abate de poedeiras. Ou seja: se houvesse rotina nos descartes, situações como a atual seriam minimizadas. De toda forma, a legislação em vigor precisa ser revista e melhor equacionada. Produção Animal | Avicultura 49


Estatísticas e Preços

Matérias-Primas Milho cai pelo quarto mês consecutivo

Farelo de soja tem leve queda no mês

O

O

preço médio do milho, saca de 60 kg, interior de SP, que já havia recuado nos meses anteriores, fechou setembro de 2009 com média de R$18,83, queda de 2,18% sobre o preço médio de agosto deste ano, R$19,25/saca. Na comparação com o valor da saca de um ano atrás, no estopim da crise econômica mundial, a redução é bem maior: 21,54% em relação ao valor médio de setembro de 2008, R$24,00/saca. Valores de troca – Milho/Frango vivo Mais determinante que a redução do preço do milho, a queda no valor do frango vivo em setembro fez com que o produtor precisasse de quase 6,5% a mais de frango para comprar a mesma quantidade do grão. Considerado o valor médio da saca de milho, em setembro de 2009 o produtor precisou de 229,1 kg de frango vivo (interior de SP) para comprar uma tonelada do grão. Este valor foi 6,41% maior que o de agosto– 215,3 kg/t. Com preços em queda pelo segundo mês seguido, o frango vivo fechou setembro com média de R$1,37/kg (na granja, interior de São Paulo), queda de 8,05% em relação ao mês anterior. Valores de troca – Milho/Ovo De acordo com os preços médios dos produtos, a relação de troca entre o ovo (granja, interior paulista) e o milho em setembro de 2009 foi de 11,71 caixas de ovos para uma tonelada do grão. Em agosto foram necessárias 10,60 caixas/t, o que significa 10,47% mais ovos para obter a mesma quantidade de milho. O fator principal dessa queda no poder de compra do avicultor de postura foi o recuo no preço do ovo no mês: o preço médio da caixa de 30 dúzias caiu 11% em setembro, ficando em R$26,81 - no mês anterior a média havia sido de R$30,25.

50 Produção Animal | Avicultura

farelo de soja (FOB, interior de SP) foi comercializado em setembro ao preço médio de R$812/tonelada, valor 1,93% menor que o de agosto/09 – R$828/t. Na comparação com setembro de 2008 – R$726/t – a cotação de setembro último foi 11,85% superior, valorização que faz do farelo de soja uma exceção entre as commodities, que na maioria dos casos caíram de preço em 2009. Valores de troca – Farelo/Frango vivo Considerado o preço médio do farelo de soja em setembro, foram necessários 592,7 kg de frango vivo (na granja, interior de SP) para adquirir uma tonelada do insumo. Como em agosto passado essa relação foi de 555,7 kg/t de farelo, o volume de frango necessário para se obter a mesma quantidade do produto aumentou 6,66%. Comparado aos valores de julho de 2009, a quantidade de frango vivo necessária para comprar uma tonelada de farelo aumentou mais de 30%, criando um cenário de perigosa redução do poder de compra da avicultura. Em relação aos valores de um ano atrás, houve grande redução na capacidade de compra: -33,79%, posto que em setembro de 2008 foram necessários 392,43 kg de frango vivo para adquirir uma tonelada de farelo de soja. Valores de troca – Farelo/Ovo Em setembro, considerados os preços médios de um e outro produto, foram necessárias 30,3 caixas de ovos (valor na granja, interior paulista) para adquirir uma tonelada de farelo de soja. O poder de compra do avicultor caiu 9,67%, já que em agosto passado 27,37 caixas de ovos adquiriram uma tonelada de farelo. Em relação a setembro de 2008, a queda no poder de compra é bastante acentuada (36,30%), já que naquele período uma tonelada de farelo de soja custava, em média, 19,3 caixas de ovos.

Fonte das informações: www.jox.com.br


Produção Animal | Avicultura 51


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Ponto Final

Maximização da nutrição pré-inicial

C

João Carlos de Ângelo é Gerente de Formulação e Avicultura da Guabi Nutrição Animal

om a produção de frangos de corte em crescimento, a exigência do consumidor e a competitividade do setor têm feito com que as empresas busquem maior eficiência no ciclo de produção. Dentro deste universo, o constante progresso genético reduz o período da criação, tornando a fase pré-inicial cada vez mais importante. Por isso, são fundamentais os avanços nos conhecimentos em nutrição, sanidade e manejo para suplantar o potencial que o pintinho de corte e postura tem capacidade de exacerbar. No sistema de produção avícola, onde produtividade e lucratividade são cruciais para a perenidade das empresas, a otimização da nutrição pré-inicial é uma ferramenta real, que permite aumentar a produtividade e os ganhos econômicos, proporcionando à empresa uma vantagem competitiva. Faço uso das sábias palavras dos granjeiros para expor o que pretendo evidenciar: “Pintinho que começa bem, termina bem”. Já para pintainhas, a fase pré-inicial representa a maior uniformidade na fase de maturidade e picos maiores de produção pela melhor formação inicial da estrutura muscular e esquelética. Várias são as razões que sustentam a maximização da nutrição pré-inicial. Nesta idade as aves têm a anatomia e a fisiologia do aparelho digestivo diferenciadas das aves com mais idade e também níveis nutricionais diferenciados em função da dificuldade em digerir e absorver certos nutrientes. Além disso, apresentam um rápido potencial de crescimento nestes primeiros dias de vida e necessitam de muito calor ambiental para se desenvolver adequadamente. Todos esses fatores tornam-se ainda mais limitantes, pois os frangos de corte estão cada vez mais precoces. Dentro deste novo conceito, precisamos conhecer a importância do saco vitelino pós eclosão, pois este fornece a maior parte dos nutrientes necessários durante o início da vida dos pintos. Entretanto, é a presença do alimento sólido no trato digestivo que propicia alterações no mesmo e induz a produção de secreções digestivas. Além do aspecto nu-

54 Produção Animal | Avicultura

tricional de mantença e crescimento a absorção do saco vitelino tem importância na proteção imunológica do pintinho. Em condições práticas, o arraçoamento pode ser feito no incubatório, nas caixas de transporte, ou ao retirar os pintos das câmaras de eclosão. Na formulação de uma ração pré-inicial temos que levar em consideração os aspectos de exigência nutricional, tipo e qualidade de ingredientes, sendo fundamental um rígido controle da qualidade dos ingredientes, como uma forma de maximizar a capacidade digestivo-absortiva nesta fase. A maior parte dos mecanismos de absorção é dependente de sódio, desta forma, ao aumentarmos os níveis de sódio da dieta na fase pré-inicial, propiciamos um aumento na probabilidade de encontro deste mineral com o sítio modulador das proteínas carregadoras de nutrientes dependentes de sódio. Considerando que logo após o nascimento, os pintinhos têm dificuldade de consumir ração na forma farelada e preferem ração com um diâmetro levemente inferior ao tamanho de sua glote, a ração minipeletizada e/ou triturada proporciona melhores resultados por ter um tamanho de partícula mais apropriado à ingestão. A evolução da nutrição pré-inicial é de fundamental importância em função das diferentes características anatomo-fisiológicas do aparelho digestivo das aves. A maximização da nutrição pré-inicial deve considerar as características únicas dos animais nessa fase da vida. Uma dessas características é a presença de reservas nutritivas de origem materna até o terceiro dia de vida, que têm sua utilização otimizada à medida que é possível reduzir o período entre a eclosão e o acesso ao alimento. Portanto, o investimento nutricional feito nesta fase de vida da ave acaba sendo convertido em melhor resultado zootécnico e lucratividade. Lembrando que os níveis nutricionais, a escolha dos ingredientes, o controle de qualidade das matérias-prima utilizadas, o processamento e a tecnologia de fabricação são fatores fundamentais para o sucesso da nutrição pré-inicial.


Produção Animal | Avicultura 55


Ponto Final

56 Produção Animal | Avicultura

Producao Animal Avicultura - ed30  

30a edição da revista sobre o mercado avícola do Brasil e do mundo

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