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A REVISTA TÉCNICA DO SETOR GRÁFICO BRASILEIRO

ANO XXII Nº 104 • VOL. III 2018 • ISSN 1678-0965

CONGRESSO INTERNACIONAL DE TECNOLOGIA GRÁFICA Sustentabilidade e impressão digital, principais tendências no universo da embalagem

COMUNICAÇÃO VISUAL

Tire suas dúvidas sobre o preparo das superfícies para aplicação de vinil PVC

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COMO FUNCIONA

A tecnologia LED aplicada na secagem de tintas e vernizes gráficos

PÓS-IMPRESSÃO

A integração do offset com o acabamento sob a ótica da indústria

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GESTÃO DE

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Volume III – 2018 Publicação da ABTG – Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica e da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica, Rua Bresser, 2315 (Mooca), CEP 03162‑030 São Paulo SP  Brasil ISSN: 1678-0965 www.abtg.org.br ABTG – Telefax (11) 2797.6700 Internet: www.abtg.org.br ESCOLA SENAI – Fone (11) 2797.6333 Fax (11) 2797.6309 http://grafica.sp.senai.br Presidente da ABTG: Francisco Veloso Filho Diretor da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica: Elcio de Sousa Diretor da Revista Tecnologia Gráfica: Manoel Manteigas Jornalista Responsável: Tânia Galluzzi (MTb 26897) Projeto Gráfico Mara Cristine Aguiar Conselho Editorial: Andrea Ponce, Bruno Cialone, Bruno Mortara, Elcio de Sousa, Enéias Nunes da Silva, Manoel Manteigas de Oliveira, Mara Cristine Aguiar e Tânia Galluzzi Elaboração: Escola Senai Theobaldo De Nigris Produção: Escola Senai Theobaldo De Nigris Editoração Eletrônica: Escola Senai Theobaldo De Nigris Impressão e Pós-impressão: Escola Senai Theobaldo De Nigris Capa: Verniz Soft Touch - Printverniz Hot Stamping - fitas Crown do Brasil Assinaturas: 1 ano (4 edições), R$ 40,00; 2 anos (8 edições), R$ 72,00 Redação redacao@revistatecnologiagrafica.com.br

Apoio:

Esta publicação se exime de responsabilidade sobre os conceitos ou informações contidos nos artigos assinados, que transmitem o pensamento de seus autores. É expressamente proibida a reprodução de qualquer artigo desta revista sem a devida autorização. A obtenção da autorização se dará através de solicitação por escrito quando da reprodução de nossos artigos, a qual deve ser enviada à Gerência Técnica da ABTG e da revista Tecnologia Gráfica, pelo e-mail: abtg@abtg.org.br ou pelo fax (11) 2797.6700

Prepare-se para as atuais demandas

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om o mercado cada vez mais competitivo, as inovações e as necessidade dos nossos clientes se modificam a todo instante. Com isso, a agilidade na solução de problemas tornase cada vez mais necessária. Mas como prever tais demandas, o futuro de nossos produtos e processos e quais investimentos teremos de fazer para atingir os clientes? Todas essas perguntas são difíceis de responder e sempre estarão no nosso cotidiano. Portanto, a busca por informação já é e continuará sendo uma constante em nossas vidas. Para implantar as soluções inovadoras que surgem quase que diariamente, várias questões têm de ser solucionadas antes da introdução de uma nova tecnologia. Quando falamos em implantar o conceito de Indústria 4.0, que pode parecer um tema ainda fora da realidade de muitas empresas, 75% dos problemas de implantação não estão relacionados à tecnologia em si. Estão ligados à necessidade de fazer melhor uso da tecnologia digital, de pensar na reengenharia dos processos para acomodar as novas tecnologias, de investir em capacitação dos colaboradores para que se possa aproveitar todo o potencial da solução e, por fim, de fazer o gerenciamento da aplicação das tecnologias. Isso prova que podemos ir muito além do que já estamos fazendo e precisamos olhar por outro ângulo. Ou, usando o jargão atual, temos de olhar fora da caixa. Vamos começar? Elcio de Sousa

Diretor das Escolas Senai Theobaldo De Nigris e José Ephim Mindlin VOL. III  2018  TECNOLOGIA GRÁFICA

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Sumário 10

Congresso Internacional de Tecnologia Gráfica discute a embalagem do futuro

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Boas práticas na pré-impressão para grandes formatos

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ESPECIAL

PRÉ-IMPRESSÃO

Efeito dupla exposição no Photoshop TUTORIAL

Semana de Tecnologia Gráfica 2018

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Serigrafia Sign agora é FuturePrint

16

Especial

Especial

Embalagens, cervejas e sistema Academia

Integração de processos na gráfica 4.0 Pós-impressão

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Mercado de mídia impressa, não é o fim

Gestão

A precisão nas medições de cor na indústria gráfica e a ISO TR 23031-parte 1 Normalização

A tecnologia LED UV

Como Funciona

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Na rede Cursos

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32 A REV ISTA

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Cuidados na aplicação de vinil em PVC Comunicação Visual

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Errata Na edição 103 publicamos incorretamente ExpoPrint/Converflex na chamada de capa. ConverExpo é o nome correto da feira, dedicada ao segmento de conversão de flexíveis, corrugados e rótulos.

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Notícias

TÉC NIC ANO XXII A DO SET Nº 104 • VOL. OR GRÁ III 2018 FICO BRA • ISSN SILE IRO 1678 -096 5

Capa: Mara Aguiar Ilustração: Freepik

CONGRE INTERN SSO TECNOL ACIONAL DE OGIA GR ÁFICA

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COMUNIC

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vamos conversar?


Notícias

Participe da elaboração de normas técnicas Você vai precisar delas

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uitas empresas estão aproveitando o período de baixa demanda para rever processos com o objetivo cortar custos e elevar a produtividade. As normas técnicas podem e devem ser usadas como norte para esse trabalho. Elas existem justamente para orientar a forma mais adequada de realizar procedimentos, ajudando a reduzir o desperdício de tempo e recursos, especificar matéria-prima adequada, padronizar equipamentos, ampliar a produtividade, facilitar e melhorar a capacitação de mão de obra, proporcionar uniformidade e aumentar a segurança. No setor gráfico, a ABTG , por meio do ONS27 (Organismo de Normalização Setorial de Tecnologia Gráfica), é responsável pela elaboração dessas normas. Para tanto, coordena o trabalho de várias comissões de estudos, da quais participam profissionais da indústria que fazem parte da cadeia produtiva relacionada à tecnologia gráfica, inclusive fornecedores e clientes. Justamente por guiar a conduta da indústria, é fundamental a participação de todos nessas discussões, além das reuniões representarem uma oportunidade valiosa para troca de informações e aprendizado. Nos encontros, que têm em média duas horas de duração, os membros discutem as especificações técnicas, terminologia, métodos de ensaio, padronização de produtos, qualidade de materiais e outros temas. As reuniões acontecem na ABTG e para participar basta entrar em contato com a associação, que fornecerá todos os detalhes necessários para sua participação. Não há custos, pois o trabalho é voluntário. O trabalho do ONS27 é patrocinado pelo Sindigraf, Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo.

Comissões

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Fev/19

Pré-impressão

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Segurança em Documentação Eletrônica

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Tintas

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Colorimetria Metalgrafia Pós-impressão

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Questões Ambientais

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Gerenciamento de Cores

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Impressão Offset Controle de Processo de Reprodução Gráfica

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Escola Senai Theobaldo De Nigris iniciará em janeiro de 2019 a primeira turma do curso técnico em comunicação visual. O curso foi desenvolvido para atender a demanda por profissionais com formação técnica neste segmento. O perfil do concluinte do curso foi definido por comitê técnico setorial composto por especialistas do mercado e convidados de acordo com metodologia já consolidada pelo Senai. O curso é gratuito e tem duração de 3 semestres com a carga horária de 1.125 horas, realizado de 2ª a 6ª feira. O processo seletivo será aberto semestralmente para a entrada de novas turmas, ofertado nos período matutino e noturno. Para mais informações acesse: www.grafica.senai.br

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Impressão Digital

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Impressos de Segurança

Novo curso técnico no Senai Theobaldo

I Simpósio das Faculdades Senai

o dia 26 de novembro foi realizado no Teatro Sesi, localizado na Avenida Paulista, o I Simpósio de Informação e Conhecimento das Faculdades de Tecnologia do SENAI-SP. Trata-se de um evento multidisciplinar tendo como principais pilares a disseminação da produção científica da comunidade acadêmica e a projeção do desenvolvimento tecnológico e da sociedade como um todo. O simpósio é gratuito e aberto à participação tanto da comunidade acadêmica como também do segmento empresarial. A Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica contribuiu com a submissão de 10 produções acadêmicas em forma de artigos técnicos e científicos desenvolvidos pelos alunos e / ou docentes da graduação e pós-graduação. Estes artigos foram apresentados nas seguintes categorias: Anais, Banners e Apresentação Oral. Os temas dos artigos selecionados abrangeram diferentes áreas como: Educação, Artes e Design, Indústria Gráfica e Embalagens.

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Bombou na Serigrafia Sign

que mais chamou a atenção dos visitantes no estande da ABTG na Serigrafia Sign FutureTextil 2018 (que em sua próxima edição passa a se chamar FururePrint) foi a hashtag #ABTG produzida em painel estruturado. A decoração do estande foi viabilizada por meio da parceria com a Hexacell, pioneira no Brasil na fabricação de painéis estruturados. Um de seus produtos, o EcoBoard, tem como foco o segmento de comunicação visual. Produzido com preenchimento interno no sistema “honeycomb”, em formato de colmeia, tem como características a resistência, com alta rigidez e estabilidade dimensional. As placas são revestidas com papel kraft ou branco de alta gramatura com tratamento de superfície, obtendo uma menor absorção de umidade e alta qualidade de impressão. É ideal para elaboração de peças como expositores, displays, estandes para feiras, ambientação de eventos, cenários, sistemas de sinalização, mobiliário sustentável e quiosques indoor. Partindo de um material leve e ao mesmo tempo resistente, o EcoBoard possibilita a construção de estruturas robustas, porém fáceis de transportar e instalar. “O EcoBoard é 100% reciclável, facilitando o descarte, representando economia no custo do frete e no manuseio das peças. Ele tem alta resistência e estabilidade estrutural, além de aumentar o envolvimento da empresa usuária com a causa ambiental”, comentou Fabiano Ulian, da área comercial e de desenvolvimento da Hexacell. Presente na Serigrafia Sign em estandes de clientes que estavam utilizando seus produtos, Fabiano acabou passando boa parte da feira no espaço da ABTG por conta do interesse gerado pelo logotipo da entidade em EcoBoard.

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Pós-graduação EAD

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Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica em parceria com o Centro Senai de Educação a Distância está lançando a pós-graduação Inovação e Competitividade Industrial. A inovação é o propulsor da competitividade industrial, podendo contribuir para a redução de custos e a otimização de processos da cadeia produtiva e para a garantia do desenvolvimento de produtos, serviços e processos mais ajustados às necessidades da sociedade. Portanto, é consenso que o incentivo à inovação estimula o crescimento econômico, sendo uma poderosa arma no esforço para superar o subdesenvolvimento e os momentos de crise em países desenvolvidos ou emergentes. Por este motivo, o Senai-SP, visando atender pessoas de diferentes regiões desenvolveu este curso para ser desenvolvido a distância. A primeira turma está prevista para começar no início de março/2019.

Ouse, use papel

ara discutir o segmento de papéis especiais, a ABTG e a G Martin Comunicação e Marketing realizaram no dia 16 de agosto o segundo Encontro Papéis Finos. Cinquenta e sete pessoas participaram do evento no auditório da entidade, na Escola Senai Theobaldo De Nigris. A primeira palestra foi ministrada por André Poppovic, fundador da OZ Design e presidente da Abedesign. O criativo lembrou o início de sua carreira e sua relação com papel, ressaltando as características do material como fatores para a sua perpetuação. “Hoje, a opção pelo papel, tanto por parte das pessoas quanto pelas empresas, já é por si só uma atitude.” Em seguida, Claudia Ferreira, gestora do Portal do Papel, e Luciano Moraes, gerente de Desenvolvimento de Negócios da HP Indigo, falaram das possibilidades abertas pela tecnologia digital. “Não existe papel bom ou ruim e sim o papel mais adequado para determinado fim. A ideia é que o papel sirva como um elemento de criação dentro do projeto”, disse Claudia na abertura de sua apresentação. Ela mostrou papéis para impressão digital e como suas características, cores, texturas e formatos podem enriquecer a comunicação. Complementando, Luciano aprofundou-se na tecnologia digital de última geração como fator impulsionador para o uso de papéis especiais. “Atualmente, quem tem a ousadia de mandar mensagens impressas se diferencia”, afirmou o gerente, reforçando a opinião de André Poppovic. Manoel Manteigas de Oliveira, diretor técnico da ABTG e da campanha Two Sides, falou sobre mitos e fatos que envolvem o impacto ambiental do papel. Para discutir o uso de papéis finos na serigrafia, as organizadoras convidaram Reinaldo Araújo, diretor da Efeito Visual. Entre outros recursos, ele destacou o braile. Finalizando, Noca Bobrow Falbel, diretora da Casa 8 Design em Papel, palestrou sobre papéis finos, acessórios e técnicas para convites de Luxo. Além de vários exemplos, Noca enfatizou a importância do atendimento de alto nível nesse segmento e o suporte de uma boa equipe de design. VOL. III  2018  TECNOLOGIA GRÁFICA

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NOTÍCIAS

2º edição do Dia do Encontro

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Senai e parceiros levam prêmio internacional

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o dia 25 de setembro a Escola Senai Theobaldo De Nigris e seus parceiros Cliart Clichês e a Flint Group foram premiados na “Label Industry Global Awards 2018”, realizada em Chicago, como parte da Labelexpo Americas 2018 . O prêmio é reconhecido internacionalmente e celebra a inovação e excelência. Com esse prêmio a Escola Senai Theobaldo De Nigris reafirma seu compromisso com a disseminação do conhecimento e tecnologia buscando a excelência no ensino profissional. A peça gráfica “Tools” (Ferramentas) é um rótulo em quadricromia impresso em adesivo em BOPP metalizado, realizado em conjunto com parceiros e a equipe técnica da impressão flexográfica da escola.

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Peça gráfica premiada“Tools” (Ferramentas)

o dia 15 de setembro aconteceu na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica e Escola Senai Theobaldo de Nigris a 2º edição do Dia Encontro com a temática “Quem lê sabe por quê”. O evento, que acontece a cada dois anos, é destinado a promover a socialização entre alunos, ex-alunos e a comunidade em geral, além da participação de todos os professores e funcionários fomentando a leitura e outras atividades artísticas e culturais. Neste ano aconteceram diversas atividades distribuídas no circuito gráfico, circuito literário e circuito infantil. No circuito gráfico ocorreram demostrações nas oficinas e laboratórios da escola nos diferentes processos. As crianças participaram atividades lúdicas como a oficina de contação de estórias e oficina de origama. No circuito literário o grande destaque foi a palestra da escritora Nanette Blitz Konig, autora do livro “Eu sobrevivi ao holocausto” que deu seu depoimento sobre este período da história, cerca de 150 pessoas tiveram a oportunidade de ouvir seu emocionante testemunho. Além das atividades, o Dia do Encontro proporcionou a confraternização e reencontro de pessoas que fizeram ou fazem parte da história da faculdade e da escola. Para deixar o ambiente mais acolhedor o evento contou com os tradicionais food trucks. O Dia do Encontro já faz parte da agenda de eventos da faculdade e a próxima edição será em 2020! Aguardamos por você!

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TWO SIDES

Vida longa ao livro

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livro certamente é o produto mais emblemático da indústria gráfica. Talvez em função da profunda transformação que seu o advento provocou nos destinos da humanidade, para muitos o livro é o objeto mais poderoso já produzido pelo ser humano. Dificilmente encontra-se um instrumento tão perfeito para o fim a que se destina. Nesse sentido, Umberto Eco compara o livro físico com ferramentas como a colher, o martelo e a tesoura – não seria possível criar algo melhor para fazer a mesma coisa. A prova disso é que, mais de 20 anos após o advento do e-book e dos e-readers, o livro impresso continua firme. Remando contra a maré, nos Estados Unidos e na Europa foram os livros eletrônicos que viram sua participação no mercado declinar depois de um pico em 2013. Para os e-readers a queda é maior. Os consumidores tendem a migrar para a leitura dos e-books em tablets e celulares ao invés de usar dispositivos dedicados a isso. Pesquisa de 2017, conduzida pelo instituto Toluna, a pedido da campanha Two Sides, mostra que o livro de papel continua preferido por 72% dos consumidores. No Brasil, especificamente, esse percentual chega a 78%. A enquete ouviu 10.762 entrevistados, em 10 países: África do Sul, Alemanha, Austrália, Brasil, Espanha, EUA , França, Itália, Nova Zelândia e Reino Unido. Outra pesquisa, realizada nos Estados Unidos em 2016 pelo Pew Research Center, revela que 65% dos americanos leram um livro físico em 2015, contra 28% que leram um e-book e 14% que ouviram um áudio-livro. Naquela ocasião, o histórico indicava estabilidade dessa divisão nos últimos dois anos analisados. A mesma pesquisa informa que apenas 6% dos americanos leram exclusivamente livros eletrônicos, contra 38% que leram somente livros impressos. Esses números parecem contrariar uma tendência em direção ao consumo da informação digitalizada, como aconteceu fortemente com a distribuição de música, por exemplo. No entanto, mesmo nessa indústria, as mídias analógicas não morreram e, após uma queda acentuada, ressurgiram para atender a nichos de preferência. Assim é que prensas voltaram a ser ativadas para a produção de vinis e até fitas cassete voltaram a ser produzidas. David Sax, em seu livro “A Vingança dos Analógicos”, conta diversos cases de produtos físicos cuja morte havia sido decretada pelos profetas do mundo digital, mas que experimentam um renascimento. De qualquer modo, em geral esses nichos de nenhum modo ameaçam a primazia do digital, embora sejam grandes o suficiente para enriquecer “novos” empreendedores. O livro impresso, no entanto, se destaca ao desafiar seu concorrente digital. Por que será?

COMPLETUDE

Uma explicação pode ser, justamente, a perfeição do objeto livro a que ser refere Umberto Eco. Fácil de portar, não depende de fontes de energia para funcionar, tem baixo impacto ambiental, resolve muito bem a maneira de organizar as informações (embora perca no quesito “busca”, quando comparado com o e-book). Diferentemente, ouvir música em mídia analógica requer dispositivos mais complexos que os digitais. Outro aspecto é a “sensorialidade” do livro impresso. Talvez isso mude um dia, mas hoje praticamente todos os consumidores preferem a experiência prazerosa de manusear o livro, sentir a materialidade do papel, sua textura e até mesmo seu cheiro. Segurar um livro nos leva a estabelecer uma outra dimensão emocional com o seu conteúdo. É como se pudéssemos apreender esse conteúdo fisicamente, antes mesmo de abrir o livro e começar a lê-lo. Vários estudos demonstram que a compreensão das informações a partir do livro impresso é mais efetiva do que com o eletrônico, mesmo entre jovens para quem o digital é conhecido desde a primeira infância. Talvez a disruptura que levaria o livro eletrônico a sobrepujar o livro impresso ainda esteja em processo, de forma mais lenta do que esperavam os profetas do apocalipse do papel. Até este momento, contudo, o futuro mais provável parece ser uma convivência permanente entre essas duas mídias, em que haverá sinergia e complementariedade, com o livro impresso ocupando um espaço muito maior do que um simples nicho dedicado a consumidores diferenciados ou mesmo mantendo sua primazia. Avalio que a grande revolução tecnológica que alavancaria o negócio dos livros eletrônicos já aconteceu e o fim dos livros impressos não veio. O que mais pode aparecer que mude esse cenário? Um novo dispositivo de leitura muito melhor que os atuais? Smartphones com as telas tão maiores que tornem a leitura nelas um hábito? Telas flexíveis? Não acho que tais avanços mudariam radicalmente os hábitos dos leitores. Continuo acreditando que a grande ameaça ao mercado de livros no Brasil, sejam os eletrônicos ou os físicos, é o baixo nível educacional da nossa população, que lê muito pouco. MANOEL MANTEIGAS DE OLIVEIRA é diretor técnico da ABTG e da campanha Two Sides Brasil e diretor da Associação Brasileira de Encadernação e Restauro, Aber. VOL. III  2018  TECNOLOGIA GRÁFICA

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ESPECIAL Tânia Galluzzi

Congresso de Tecnologia Gráfica discute a

embalagem do futuro

Elogiado pelos participantes, com índice de aprovação de 98%, o congresso reuniu 263 pessoas no dia 23 de agosto para debater os caminhos da embalagem.

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om o objetivo de discutir como a embalagem estará posicionada frente às demandas da sociedade e de que forma as novas tecnologias podem ajudar gráficas e convertedores a responderem a esse cenário, a ABTG promoveu em agosto a segunda edição do Congresso Internacional de Tecnologia Gráfica. Empresários, executivos, técnicos e especificadores lotaram o auditório do Milenium Centro de Convenções, em São Paulo, dispostos a entender o panorama do mercado de embalagens no Brasil e no mundo por meio de indicadores, conceitos e visões dos especialistas convidados. 98% dos participantes que responderam à pesquisa de satisfação avaliaram o evento entre excelente e bom. Sustentabilidade e impressão digital deram a tônica do congresso. A primeira apresentação, A embalagem do século XXI, tendências de consumo, foi ministrada por Renato Wakimoto, diretor de Inovação, Pesquisa e Desenvolvimento da Albéa, líder mundial em embalagens para beleza e cuidados pessoais, com duas fábricas no Brasil. Segundo Renato, o consumidor está preocupado tanto com a embalagem quanto com o que está dentro dela. Ele apresentou pesquisas mostrando que 50% dos consumidores que compraram produtos de beleza nos últimos 12 meses no Reino Unido procuraram produtos fabricados com ingredientes naturais, 31% dos consumidores norte-americanos utilizam

produtos para tratamento facial apenas com ingredientes naturais, e que 45% das chinesas planejam utilizar produtos de tratamento de pele apenas com ingredientes naturais ou ervas. A corrida por produtos ecologicamente corretos permeia todas as áreas, incluindo a cadeia logística. A necessidade de desenvolver produtos e embalagens para nichos cada vez mais específicos é outro caminho sem volta na opinião do executivo da Albéa. O consumidor está também atento a postura ética das empresas. E na luta pela conquista da preferência dele, as novas tecnologias são grandes aliadas da indústria, como o uso da Realidade Aumentada como forma de ampliar o contato das empresas com o consumidor final. Citando exemplos do movimento no packaging, que questiona o porquê das embalagens, o executivo afirmou que “a embalagem tem de fazer parte do hábito de consumo, senão pode morrer”. Questionado sobre os rumos da Albéa, cuja matéria-prima principal é o plástico, diante do apelo da sustentabilidade, Renato afirmou que o desafio da companhia hoje é o desenvolvimento de novos materiais. “A empresa sabe que com essa tendência ela não se sustentará se não caminhar para materiais de fontes renováveis.” Na sequência, Philipp Fries, gerente de produto da Heidelberg, falou sobre os novos recursos na produção de embalagens dentro do conceito da Indústria 4.0. Ele mostrou como a automação e o

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controle de processos pode cortar custos, economizar recursos, reduzir erros, eliminar desperdícios e elevar a qualidade, resultando no aumento das margens de lucro das gráficas, sobretudo diante da queda nas tiragens. Gil Anderi da Silva, professor associado do Departamento de Engenharia Química da Escola Politécnica da USP, colocou a sustentabilidade no centro da discussão na palestra Embalagem e meio-ambiente – um compromisso. Especialista em Avaliação do Ciclo de Vida, ferramenta de gestão ambiental que analisa todo o processo de produção, o professor contextualizou historicamente o consumo desenfreado, abordando os pilares e os desafios da sustentabilidade. Logo depois, inovações tecnológicas em embalagens foram destacadas por Aleks Zlatic, gerente geral de softwares de embalagem da EFI. Ele reforçou a tese de que os produtos precisam ser mais amigáveis ao meio ambiente, acompanhando especialmente a consciência social dos jovens. O crescimento do e-commerce é outra tendência que impacta as embalagens e por isso deve ser observada. “O comércio eletrônico representa uma oportunidade, em especial para o segmento de papelão ondulado. A embalagem primária e a secundária vão se fundir.” FLEXIBILIDADE DIGITAL

Na volta do almoço os participantes se reuniram para conhecer a visão de Felipe Toledo, diretor de negócios da Camargo Embalagens, sobre a impressão digital como modelo de negócio. No final de 2015 a empresa, que sempre trabalhou com rotogravura, decidiu investir em uma HP Indigo 20000, o primeiro equipamento voltado para embalagens flexíveis a chegar na América Latina. A máquina representou um acréscimo de apenas 1% na capacidade produtiva da Camargo. “Não queríamos oferecer mais volume. Apostamos no modelo de negócio, na possibilidade de atender a demanda por personalização, por edições limitadas. A tecnologia digital é uma ferramenta de inovação e o grande desafio é vender o mesmo produto de forma diferente”, afirmou Felipe. “Tudo o que não conseguíamos fazer antes agora podemos. Lotes menores, ajustes de última hora, prazos curtíssimos”, completou. Na mesma toada, Rafael Godinho Aranjues, gerente regional de produto da Epson, abordou a transformação digital no mercado de etiquetas e VOL. III  2018  TECNOLOGIA GRÁFICA

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Para falar sobre a embalagem como ferramenta estratégica de marketing foi convidado Aislan Baer, diretor do ProjetoPack, que enfatizou mecanismos de construção de uma marca de sucesso. “O maior desafio de uma marca é mantê-la relevante em um mundo conectado.” Aislan mostrou o poder do shelf appeal, de atração do consumidor na escolha de um produto. Para isso, é preciso estar atento ao futuro da embalagem, em aspectos como conveniência, inteligência e interatividade. Encerrando os trabalhos, Marcos Cardinale, gerente de marketing da Esko, falou sobre o que o mundo digital oferece para aumentar o desempenho e resultados na produção de embalagens. Nesse sentido, seis tecnologias são decisivas: gerenciamento de projeto, design 3D, pré-impressão automatizada, gama expandida, gravação digital de chapas e acabamentos digitais. CONTEÚDO DE QUALIDADE

rótulos. Partindo da premissa de que a impressão digital é um complemento à analógica, o executivo destacou a presença da tecnologia no segmento. Segundo dados do relatório Smithers Pira – The Future of Label Printing to 2019, em 2015 a impressão digital representava 24% das vendas de etiquetas coloridas no mundo e 21% na América Latina. A expectativa é de que essas porcentagens cheguem aos 31% e 29% respectivamente em 2019. Dentre as tecnologias digitais, a inkjet é a que mais cresce, responsável pela produção de 41% das etiquetas comercializadas na América Latina em 2015 (impressas digitalmente), com previsão de alcançar os 48% em 2019. De acordo com Rafael, quatro tendências de mercado impulsionam esse crescimento: segmentação de produtos, personalização, otimização de custo (menor desperdício e redução de estoque) e menor tempo de resposta. 12 TECNOLOGIA GRÁFICA 

O nível das palestras foi elogiado por vários participantes. Na média, elas foram avaliadas entre boas e excelentes por 89% dos profissionais que preencheram a pesquisa de satisfação. Juan Pino, diretor industrial da InnovaPack Embalagens, afirmou: “numa apresentação sucinta e muito bem elaborada, pudemos nos atualizar sobre tecnologias e cases que comprovam a eficiência delas”. Para Felipe Salles Ferreira, gerente de marketing e planejamento estratégico da Macron, o evento, que já havia sido um sucesso no ano de 2017, conseguiu se superar. “A definição de trabalhar com o segmento de embalagens deixou o congresso muito interessante para a gente que é do setor. Outro fator importante foi trazer para a discussão um case disruptivo de sucesso no segmento de embalagens [Camargo], dando esperança para todos que estavam presentes”. Paulo Gonçalves, diretor da Gráfica Gonçalves, parabenizou a ABTG pelo evento. “Os temas escolhidos foram muito atuais e esclarecedores e os palestrantes de alto nível.” O congresso foi organizado pela APS Marketing de Eventos, com patrocínio da Suzano, Canon, Epson, Heidelberg, Ibema, EFI , Esko, FuturaIM , Koenig & Bauer, Papirus e Sun Chemical; e apoio institucional da Abigraf São Paulo, Afeigraf e Fedrigoni. A próxima edição já está marcada para o dia 22 de agosto de 2019 e o tema, escolhido por meio da pesquisa de satisfação, será impressão digital.

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ESPECIAL

A Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica promoveu em 2018 dois eventos distintos, porém com o mesmo objetivo: fomentar a tecnologia no setor gráfico e promover o networking entre profissionais do mercado.

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nualmente a Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica promove a Semana de Tecnologia Gráfica. Neste ano, o evento ocorreu entre os dias 23 e 25 de outubro e o tema foi inovação e novas tecnologias aplicadas ao mercado gráfico. A programação contou com a apresentação diária de palestras proferidas por profissionais da área, seguidos por painéis técnicos, dos quais participaram os palestrantes, convidados especialistas e professores da Faculdade Senai. Nos três dias de palestras foram abordados diferentes temas como realidade aumentada e virtual, negócios em web-to-print e mercado de embalagens. A faculdade recebeu por volta de 400 participantes nos três dias de evento, platéia composta pelos alunos da faculdade e comunidade gráfica. No primeiro dia a faculdade Senai recebeu o CEO da 3DE stúdio, Fábio LC, com a palestra Realidades aumentada e virtual aplicadas à Comunicação Visual e Educação. Logo após, houve o pré-lançamento da plataforma educacional Educ 360, um projeto em parceria com da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica, que utiliza os recursos de realidade mista como facilitador no processo de ensino-aprendizagem. O lanÎamento oficial está previsto para o primeiro semestre de 2019. O painel técnico

da primeira noite foi formado por Fábio LC (3DE stúdio), por Fábio Oliveira (Fojool) e Getúlio Alves (Faculdade Senai). Na segunda noite o palestrante foi Martílio Bueno, da PrintOne, que abordou Novos produtos e negócios em web-to-print. Do painel técnico, além do palestrante, fizeram parte Rafael Perrone (Pergraf), Stefano Majocco (Printi), Renato Oliveira (Compulaser) e como mediador Rodrigo Soares (Faculdade Senai). Fechando a Semana de Tecnologia Gráfica o tema foi embalagem. Aislan Baer, da ProjetoPack & Associados, trouxe a palestra Embalagem como ferramenta estratégica de mídia. Já no painel técnico juntou-se ao palestrante André Moriz (Izes Embalagens), Rogério Wittmann (FW8 Design) e Rui Lanfredi (Faculdade Senai). Os participantes da Semana de Tecnologia Gráfica também tiveram a oportunidade de conferir os table tops no saguão do auditório da faculdade, onde parceiros da escola demostravam seus produtos e soluções. As empresas participantes foram Rubbercity, Böttcher, Etirama, UV Tech, WPS Insumos, Tünkers, Bronz´art, Compulaser e Comm5. Neste ano o destaque foi o Octógno das Sensações Fluorescentes da Compulaser e HP. O octógno é uma cabine escura onde o visitante pode conferir diversas peças gráficas com aplicação das tintas fluorescentes da HP (tintas que reagem a luz negra).

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Confira mais fotos e vídeos da Semana de Tecnologia Gráfica 2018

Uma semana 4.0

E

Oportunidades de uma revolução em curso

ntre os dias 12 e 16 de junho, a Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica promoveu, na Theobaldo De Nigris, a Semana Gráfica 4.0 – Manufatura Avançada. O objetivo foi promover a discussão do conceito de Indústria 4.0 e seu impacto no setor gráfico e atividades afins. Durante a semana foram realizadas várias atividades envolvendo alunos e funcionários da escola e público em geral. Ao longo do dia, a programação incluiu workshops, table tops, open house e o plantão gráfica 4.0. Em oito sessões diárias, quem participou dos workshops conheceu um pouco mais sobre web-to-print, soluções de integração de sistemas, Realidade Aumentada (RA) e impressão 3D. No open house, alunos e profissionais puderam assistir em tempo real a execução dos pilares da Indústria 4.0. Duas ilhas foram montadas: Dig Lab e Print Lab. A primeira demostrava a integração da solução web-to-print com o gerenciamento de dados, a computação na nuvem, a simulação virtual, Internet das Coisas (IoT), impressão digital e realidade aumentada. A segunda ilha mostrou a união de sistemas verticais e horizontais, computação na nuvem, simulação virtual, IoT, workflow automático, robô colaborativo interagindo com a máquina de impressão flexográfica e a RA .

O Dig Lab contou com a participação da PrintOne e Canon do Brasil na viabilização do projeto, já o Print Lab contou com os parceiros Comm5, Pollux, DuPont, Esko, Speed Label, Núcleo Loguin, Eng DTP e Multimídia e 3DE stúdio. No final das apresentações, os visitantes receberam brindes especiais produzidos nas ilhas. Permaneceram à disposição a exposição dos produtos e serviços das empresas parceiras da Escola Senai no Projeto Indústria 4.0, bem como a equipe de Relacionamento com a Indústria da Theobaldo De Nigris, esclarecendo os principais aspectos que envolvem a Indústria 4.0. Completando o programa, nos cinco dias o evento foi encerrado com palestras, ministradas por docentes e instrutores do Senai. Na terça, Enéias Nunes da Silva falou sobre os pilares da Indústria 4.0. No dia seguinte, Felipe Consiglio abordou a integração da pré-impressão na Indústria 4.0. Na quinta foi a vez de discutir o impresso inteligente com Getúlio Alves. A integração da impressão com a pós-impressão na Gráfica 4.0 foi o tema da sexta, com Jairo Alves e Marcelo Sartori. No último dia, Sandra Almeida e Catarina Cano fecharam a semana debatendo competências e habilidades do gestor para a Indústria 4.0.

ROBÔ COLABORATIV0

INTEGRAÇÃO DE SISTEMAS

WEB-TO-PRINT

REALIDADE AUMENTADA

IMPRESSÃO 3D

Confira as fotos e vídeos da Semana Gráfica 4.0 VOL. III  2018  TECNOLOGIA GRÁFICA

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ESPECIAL

FuturePrint é a nova marca da Serigrafia Sign

Feira ganha novo posicionamento, marca e identidade visual. Objetivo é reforçar os atributos do evento como plataforma de negócios, tecnologia e conexão humana.

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C

om o objetivo de abrir portas para novos negócios e conectar ainda mais suas áreas de atuação, a Informa Exhibitions anunciou, durante o próprio evento no final de julho, que a Serigrafia Sign FutureTextil passa a ser chamada de FuturePrint. A nova marca acompanha a evolução e as tendências do mercado de impressão e comunicação visual, ampliando a proposta de valor do evento para uma melhor entrega aos expositores e visitantes da feira. A mudança envolve a criação de novos negócios, reposicionamento no mercado, identificação e criação de outras oportunidades, expansão para demais setores relacionados e novas atrações. “Somos uma feira consolidada que já está há 28 anos no mercado, mas ao mesmo tempo estamos sempre atentos às mudanças. A marca FuturePrint reflete a transformação dos setores que representamos, que passam por constantes inovações. Dessa forma, conseguimos adotar uma linguagem única para diferentes mercados, além de agregar novos segmentos que serão criados ao longo dos anos”, afirmou Liliane Bortoluci, diretora da feira. A nova marca atende também a estratégia de internacionalização da mostra.

De acordo com Liliane, a FuturePrint surge como uma renovação da Serigrafia Sign. “Seguimos sendo o mesmo evento, mas com um maior foco em inovação, na entrega de valor, no diálogo com novas ideias e gerações, passando a se colocar de maneira mais clara junto ao mercado”, comentou a executiva. A nova arquitetura da marca foi criada pela agência Haus para modernizar a linguagem e ampliar a conexão com o público. A Informa Exhibitions iniciou esse processo de estudo da marca há cerca de dois anos com o objetivo de reforçar os atributos da feira como plataforma de negócios, tecnologia e conexão humana. “FuturePrint é resultado de muito investimento intelectual e análises do mercado por profissionais de diversas áreas não só da Informa Exhibitions, mas também parceiros e fornecedores. Temos certeza de que essa nova etapa vai corroborar ainda mais para o crescimento da feira, que é o maior e mais completo evento de tecnologias e soluções para os mercados de impressão e comunicação visual”, disse Araceli Silveira, vice-presidente de marketing da Informa. A próxima edição da feira ocorrerá entre os dias 10 e 13 de julho de 2019, no Expo Center Norte.

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Evandro F. Dias - Escola Senai Theobaldo De Nigris

Catarina Cano - Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica

Rodrigo Soares - Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica

Camila Christini Tomas - Escola Senai Theobaldo De Nigris

Martílio Bueno - PrintOne

Robson Xavier de Carvalho - Cor e Processo

Feira atrai 36.800 visitantes A 28ª edição da Serigrafia Sign FutureTextil, realizada de 25 a 28 de julho, no Expo Center Norte, em São Paulo, reuniu 600 marcas dos segmentos de serigrafia, sublimação, sinalização, impressão digital têxtil, grandes formatos, brindes e personalização. Além de mostrar produtos e serviços, a feira proporcionou mais de 100 horas de conteúdo técnico distribuídos em palestras, workshops e atendimentos. Para a indústria têxtil, a Serigrafia em Ação e o Circuito de Impressão Digital Têxtil apresentaram, em formato de visitas guiadas, as novas técnicas de impressão, outros nichos de mercado e as principais tendências em tintas e substratos. Já o Fórum Serigrafia Sign FutureTextil ofereceu conteúdo gratuito para os visitantes com uma programação dividida em

quatro temas distintos, que abordou a sublimação, a impressão digital têxtil, a comunicação visual e a gestão dos negócios. O fórum contou com o apoio da ABTG e da Escola Senai Theobaldo De Nigris, com profissionais de seus quadros ministrando palestras. A parceria com entidades também viabilizou a Sala de Crédito, reunindo Fiesp, Abigraf e Sindigraf para oferecer programas especiais de financiamento para a aquisição de equipamentos, compra de matéria-prima, construção ou reformas de instalações produtivas. No mesmo espaço, as entidades, juntamente com o Sebrae e o Senai, organizaram o Ciclo de Palestras Temáticas, que tratou de assuntos como gestão, marketing, recursos humanos, finanças, vendas, impressão, inovação e Indústria 4.0. VOL. III  2018  TECNOLOGIA GRÁFICA

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ACADEMIA

Luiz Rogério Wittmann

Embalagens, cervejas e sistemas

O

objetivo deste artigo é apresentar a abordagem sistêmica aplicada no projeto de uma embalagem de cerveja de uma grande marca comercializada no Brasil, realizada pelos alunos do curso de pós-graduação em Gestão de Projetos de Embalagem do Senai. O valor desse método está em identificar as relações entre causa e efeito de cada decisão adotada no sistema de uma embalagem, relações estas que não seriam perceptíveis com uma abordagem analítica. As atribuições de uma embalagem vão além dos materiais que acondicionam o produto que se apresenta no ponto de venda. Elas são resultado de um processo complexo de projeto e produção que envolvem múltiplas áreas do conhecimento, como engenharia, marketing, finanças, logística, pesquisa e desenvolvimento e design. Mesmo em produtos de distribuição em massa como cervejas, que possuem uma linha de produção padronizada, é possível encontrar oportunidades de melhoria e inovação utilizando o método sistêmico. PENSAMENTO SISTÊMICO

Há certas coisas que podem ser separadas em partes sem perderem sua essência, mas outras só fazem sentido quando analisadas em seu conjunto porque perdem sua função quando segregadas. Uma uva não deixa de ser uma uva quando separada do cacho, ela mantém todas suas propriedades. Mas um coração humano, ao contrário, perde sua função quando separado do corpo. Dentro dessa perspectiva, podemos definir sistema como um conjunto formado por partes que têm um objetivo único e não podem ser dissociadas, pois perdem sua função. E as embalagens não são da mesma categoria das uvas, mas sim dos corações. Assumindo que embalagens são sistemas formados por um conjunto de processos, materiais e pessoas que têm a finalidade múltipla de proteger, transportar, informar e dar significado a um produto, atendendo critérios técnicos, ambientais, 18 TECNOLOGIA GRÁFICA 

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éticos, legais, estéticos e financeiros, faz-se necessário para administrar esse sistema e entender sua completude uma visão que permita enxergar além de uma área de domínio técnico específica. É preciso ferramentas adequadas para atuar em sistemas de embalagens. MÉTODO SISTÊMICO

O primeiro passo para um projeto dessa natureza foi construir uma visão sistêmica compartilhada da embalagem com o grupo. Os alunos participantes trabalham no setor de embalagem, porém em áreas distintas como engenharia, design, finanças e logística. O que parecia ser uma dificuldade, dialogar com profissionais de formação e experiências heterogêneas, foi na verdade fundamental para o trabalho. Inicialmente cada aluno desenhou um diagrama com sua visão sobre sistema de embalagem e após discussões chegou-se a um modelo comum que foi aperfeiçoado com a fundamentação teórica da disciplina, baseada em autores de administração como Peter Senge, Peter Checkland e Eliyahu M. Goldratt. Uma das dificuldades foi dissociar o produto da embalagem. Embora em determinado momento do sistema ambos tornarem-se simbióticos, o objeto de estudo era a embalagem e não o produto em si. Outra questão foi visualizar o sistema pelo viés da indústria consumidora da embalagem, nesse caso da fabricante da cerveja, e não dos fornecedores. Superadas as dúvidas iniciais era fundamental delimitar e definir o sistema. Para esse trabalho, foi selecionada uma lata de cerveja de 350 ml com uma embalagem multipack em papelcartão de uma marca internacional vendida no Brasil. A seguir, as etapas do método utilizado e as informações que foram levantadas: ◆◆ Características da cerveja: requisitos de conservação, validade, ingredientes, condições de armazenagem, legislação, fatores que degradam o produto e conteúdo líquido.

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1 DISTRIBUIÇÃO - Transporte e armazém - PDV [exposição em gôndola, custo de posição, etc]

Consumidores PROJETO - Marketing - Pesquisa de mercado

Produto acabado

Briefing PRODUÇÃ0 - Envase, montagem, paletização - Movimentação/estoque/produção - Movimentação/produção estoque/distribuição

CRIAÇÃO - Agência, prototipagem, Design Logística reversa

Arte Final

Materiais disponíveis para produção

REGULAMENTAÇÃO - Legislação

ESTOCAGEM - Custo/área - Controle [níveis de estoque] - Movimentação

Especificação final [planta técnica]

RECEBIMENTO - Análise de nota fiscal - Volume, custo, quantidade [fiscalização] - Impostos [tributos gerais]

Formalização de custo

ESPECIFICAÇÃO - Teste de Desempenho - Documentação - Qualidade

Teste em linha - Compra de lote AVALIAÇÃO DE FORNECEDORES - Visita Técnica - Documentos legais - Análise de mercado e capabilidade COMPRAS - Negociação [custo, lote mínimo, lead time].

Homologação

Sistema da embalagem multipack para latas de alumínio 350 ml

Sistema da embalagem multipack para latas de alumínio 350 ml

Características de comercialização: traçar todos os trajetos da cerveja envasada entre a fábrica, centro de distribuição, atacadista, varejista e consumidor, enfatizando o manuseio da embalagem em cada etapa. Descrição da unidade de venda, região de comercialização e análise dos pontos de venda. ◆◆ Características do sistema embalagem: identificar as entradas e saídas de materiais e informações de cada etapa do sistema previamente definido. Apresentar o conceito da marca e do design ◆◆

da embalagem, os materiais utilizados, sistemas de impressão e detalhar as principais etapas do sistema que foram divididas em: consumidor, criação, especificação, seleção de fornecedores, compra, recebimento, estocagem, envase, estocagem produto acabado, distribuição, ponto de venda e meio ambiente. ◆◆ Custos do sistema: a etapa mais crítica, uma vez que as empresas não fornecem os dados internos. Para fins didáticos foram utilizados dados disponíveis no mercado e dessa forma foi possível estimar VOL. III  2018  TECNOLOGIA GRÁFICA

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2

Valor 135.000.000 12

Unidade un meses

Etapa

Custo componente (R$)

Custo unitário (R$)

Projeto

325.000,00

0,00241

Criação

28.700,00

0,00021

Especificação

122.000,00

0,0009

Avaliação de fornecedores

420.000,00

0,0311

Compras

97.750.000,00

0,72407

Recebimento

672.500,00

0,00498

Estocagem de materiais

268.750,00

0,00199

Envase

190.000,00

0,00141

Distribuição

30.133.928,57

0,22321

Pontos de venda

6.886.000,00

0,05101

Total Geral

136.796.878,57

1,04129

Quantidade de produto Período considerado

Planilha de custos resumida do sistema de embalagem por unidade de produto

o valor de cada etapa do sistema no custo final da embalagem. Foram observados os custos de material, produção e recursos humanos de cada fase, considerando a unidade de medida de um determinado lote de produto. ◆◆ Propostas de melhoria: após os dados levantados e o amadurecimento da visão sistêmica da embalagem, foi possível discutir melhorias tanto incrementais como inovadoras para o sistema de embalagem, possibilitando novas abordagens aos problemas identificados. SISTEMA DA EMBALAGEM DE CERVEJA

Após a definição da embalagem utilizada no projeto, foi elaborado um diagrama do sistema mostrando os principais setores envolvidos (1). O objetivo desse sistema é entregar a cerveja ao consumidor, que é o ponto inicial do sistema e a razão dele existir. A unidade de medida utilizada no levantamento de custos do sistema foi de um período de 12 meses, o que equivale a uma produção estimada de 135 milhões de latas (2). O estudo considerou os custos diretos da empresa fabricante do produto e dos serviços de terceiros. Como os valores exatos são de caráter confidencial, para este estudo 20 TECNOLOGIA GRÁFICA 

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foram considerados valores médios de mercado, obtidos em tabelas de preços setoriais e consultando fornecedores de embalagens para cerveja. Depois da análise do sistema e seus custos, foi possível discutir pontos críticos e identificar oportunidades de melhorias. Um dos pontos negativos foi a demora para tomada de decisões gerenciais, uma vez que elas precisam ser submetidas a matriz da empresa no exterior, sobretudo na etapa de criação e seleção de fornecedores. Outros aspectos técnicos da embalagem secundária podem ser melhorados para o consumidor, como o uso de uma alça de papel que passe mais segurança ao ser transportada e um zíper no painel superior para facilitar a retirada das latas (3 e 4). RESULTADOS

A visão sistêmica da embalagem é um consenso entre especialistas, a própria natureza interdisciplinar do projeto de embalagem requer esse tipo de abordagem. Com este projeto foi possível observar os seguintes resultados do ponto de vista didático, em relação à aplicação do método sistêmico no curso de pós-graduação em Gestão de Projetos de Embalagem da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica:

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RESULTADOS

Fornecer subsídios técnicos e conceituais para melhores tomadas de decisão em nível estratégico para profissionais que podem no futuro ocupar cargos gerenciais no setor de embalagem. Portanto, o conceito sistêmico de embalagem pode agregar valor e contribuir com soluções inovadoras para a gestão de embalagens, ampliando a visão dos profissionais que atuam nesse sistema, sendo uma disciplina fundamental para o estudo de embalagens.

◆◆

A visão sistêmica da embalagem é um consenso entre especialistas, a própria natureza interdisciplinar do projeto de embalagem requer esse tipo de abordagem. Com este projeto foi possível observar os seguintes resultados do ponto de vista didático, em relação à aplicação do método sistêmico no curso de pós-graduação em Gestão de Projetos de Embalagem da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica: ◆◆ Conscientizar os alunos sobre a complexidade do projeto de embalagem, levando-os a compreender como as diferentes áreas atuam dentro do sistema e como as decisões de uma parte afetam o todo. ◆◆ Gerar empatia pelos demais profissionais que atuam no sistema, facilitando o diálogo entre os setores. ◆◆ Desenvolver o pensamento crítico sobre a embalagem, estimulando a busca de soluções para problemas em partes ignoradas do sistema.

Luiz Rogério Wittmann é professor dos cursos de pósgraduação em Gestão de Projetos de Embalagem e Desenvolvimento e Produção de Embalagens Flexíveis na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica e mestre em Engenharia de Embalagem pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Colaboraram Demian Ferreira, Diego Marangoni, Felipe Torres, Jaqueline Morais, Mateus de Sousa, Pablo Spyer, Weber Queiroz, alunos do curso de pós-graduação em Gestão de Projetos de Embalagem.

VERNIZ PARA OS SEGMENTOS: Offset, Flexograa, Rotogravura e Serigraa Proposta de abertura de zíper para retirar as latas

Verniz Base água brilho Verniz Base água fosco Verniz Perolizado Verniz Soft Touch Verniz Blister Verniz Barreira Verniz UV brilho Verniz UV fosco Vernizes Especiais (Glitter, textura, aroma e outros)

100 95 75

25 5 0

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PÓS-IMPRESSÃO

Integração da impressão offset e pós-impressão na gráfica 4.0

Jairo Alves

Assim como todo processo gráfico, a impressão e a pós-impressão não poderiam ficar fora da gráfica 4.0. Diante da necessidade de integração de todos os setores visando a elevação da produtividade, neste artigo iremos abordar essa integração sob a ótica da indústria 4.0.

A

necessidade de integrar o processo produtivo da indústria gráfica não é algo novo. Em 1985, várias empresas concentraram esforços nesse sentido, criando o CIP3, Cooperation for the Integration of Prepress, Press and Postpress. O sucesso dessa iniciativa foi tão grande que se fez necessário incorporar informações para o monitoramento da produção da impressão offset e da pós impressão, dando início ao CIP4 com o formato JDF (Job Definition Format). O principal papel desse sistema é unir a cadeia produtiva para implementar e aprimorar a automação na produção gráfica. Entre os benefícios da integração da impressão offset com a pós-impressão, através do CIP4, estão: ◆◆ Dados de cores para acerto do tinteiro ◆◆ Programação de corte

Marcelo Sartori

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Programação de refile Programação de alceamento ◆◆ Monitor amento da produção ◆◆ Integração com ERP (Enterprise Resource Planning), consistindo em um sistema inteligente que integra todos os dados e processos de uma organização em um único sistema. A gráfica 4.0, com o ferramental necessário, realiza com facilidade e precisão um melhor planejamento dos processos e seu monitoramento contínuo, podendo atender as exigências do mercado sem abrir mão da qualidade, reduzindo erros na fonte e controlando as perdas de material em acerto e produção. O quadro a seguir mostra a interrelação das exigências de mercado da gráfica 4.0 e os recursos tecnológicos encontrados em impressora offset a folha. ◆◆ ◆◆

Exigências de mercado da gráfica 4.0

Recursos tecnológicos da impressão offset e da pós-impressão

Setup com tempo reduzido

Ajustes de troca de substrato automatizado Dispositivos de lavagem automática de cilindros impressores e sistema de entintagem Dispositivo de motores independentes ou de acionamento direto na unidade impressora Programação de corte e refile computadorizado (setup externo) Pré-ajuste de formato de dobra e corte trilateral

Aumento da produtividade

Sistema de logística de pilhas de papel em paletes Sistema de troca de pilha nonstop automatizados Empilhamento automático da guilhotina (inserção do substrato por trás)

Redução de desperdício de material na produção

Sistema de inspeção de impressos em linha Sistema de correção automática de cor em linha

Gestão da produção em tempo real

Dispositivo móvel e aplicativo de gerenciamento da produção

Redução de lead time

Cura UV por tecnologia de LED

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A IMPRESSÃO OFFSET E A PÓS-IMPRESSÃO NA GRÁFICA 4.0

AJUSTES DE TROCA DE SUBSTRATO AUTOMATIZADO

O processo offset na gráfica 4.0 enfrenta a 4a revolução industrial, com recursos tecnológicos em impressoras alimentadas a folha desenvolvidos pelos principais fabricantes, como Heidelberg, Komori, Ryobi, Mitsubshi, Koenig&Bauer e Manroland.

Consiste no ajuste automático do formato do substrato (largura e comprimento), da espessura (distância entre cilindros de transferência, altura das guias do esquadro frontal e distância do cilindros impressores que determinam a pressão de impressão) e do ar de sopro e sucção necessários para emissão da folha, transferência entre unidades e formação da pilha na mesa de recepção, em altas velocidades, com a possibilidade de salvar o acerto com inteligência para otimização no próximo acerto. DISPOSITIVOS DE LAVAGEM AUTOMÁTICA DE CILINDROS IMPRESSORES E SISTEMA DE ENTINTAGEM

Esses recursos tecnológicos são associados a softwares que gerenciam a programação e o processamento de uma lista de trabalhos de impressão, com parâmetros de produção definindo etapas de preparação e sequências lógicas de processo para o operador seguir. Isso viabiliza tecnicamente um novo conceito operacional, o da “impressão autônoma”, que funciona com inovações tecnológicas em automação, controle e tecnologia da informação, constituindo uma solução para gráficas que fazem diversos acertos de trabalhos ao dia. É adequado também para modelos de negócio web-to-print, para empresas que vem buscando imprimir cerca de 10 trabalhos diferentes por hora ou três acertos em até 10 minutos, e que precisam disponibilizar o trabalho finalizado em prazos curtos, de até 6 horas. Já para a pós-impressão na gráfica 4.0 o grande desafio é a eliminação de gargalos diante da diversidade e complexidade de itens de acabamento e enobrecimento, tornando a impressão offset e a pós-impressão uma linha de produção contínua. Para isso, a pós-impressão conta com recursos tecnológicos implementados e disponíveis em guilhotinas lineares e trilateral e alceadeiras desenvolvidos pelos principais fabricantes, dentre eles Heidelberg, Müller Martine, Polar, MBO, Kolbus. TECNOLOGIA DISPONÍVEL

Para que a união da impressão com o acabamento, dentro do conceito da gráfica 4.0, aconteça, são necessários alguns recursos tecnológicos. Listamos aqui esses sistemas

Os opcionais de lavagem de cilindros impressores (blanqueta e contrapressão) e dos rolos do sistema de entintagem corroboram em reduzir o tempo de setup, aumentam a produtividade e diminuem o contato do operador com os produtos químicos e com o equipamento, reduzindo riscos de acidentes. Os dispositivos de lavagem de cilindros impressores que equipam as impressoras offset atualmente funcionam por meio de rolo de escova (rolo com cerdas, que umedecido com solvente e água entra em contato com os cilindros impressores e por rotação conjunta executa a limpeza) ou por rolo de tecido (ao ser umedecido por solvente e água, entra em contato com os cilindros impressores, desbobinando o material e, dessa forma, realizando a lavagem dos cilindros). Já o dispositivo de lavagem automática é composto por uma lâmina acoplada a um reservatório para o recolhimento do resíduo ou tinta diluída e um dispositivo de pulverização com solvente de lavagem e água. Nesse dispositivo com automação, o tempo de lavagem, a quantidade de água e a quantidade de solventes de lavagem são definidos no posto de comando central da impressora. DISPOSITIVO DE MOTORES INDEPENDENTES OU DE ACIONAMENTO DIRETO NA UNIDADE IMPRESSORA

É direcionado a impressoras com tiragens muito mais curtas, cerca de 2000 impressos ou menos. Projetado para reduzir os tempos de acerto, o opcional consiste em incorporar um motor elétrico de alto torque acoplado ao cilindro porta chapa, no lado motor (força motriz de acionamento da impressora), junto a um sistema de embreagem que proporcionará diferentes rotações entre os cilindros impressores e sistema de entintagem (rolaria) e molhagem. O sistema de motores independentes opera os cilindros porta chapas, acionando diretamente VOL. III  2018  TECNOLOGIA GRÁFICA

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SISTEMA DE TROCA DE PILHA NONSTOP AUTOMATIZADOS

A função do sistema nonstop é realizar a troca da pilha na mesa de alimentação e recepção, durante a produção, evitando paradas para abastecimento e desabastecimento de papel. Indo ao encontro da gráfica 4.0, os fabricantes oferecem sistemas nonstop automatizados, que realizam a troca da pilha sem nenhuma intervenção do impressor, realizando essa tarefa com maior precisão, evitando paradas desnecessárias e reduzindo desperdício de tempo e matéria-prima. SISTEMA DE INSPEÇÃO DE IMPRESSOS EM LINHA

em cada unidade de impressão, e pode ser usado no momento de troca automática da chapa, possibilitando a troca de todas as chapas no mesmo instante, independentemente do número de cores da impressora, em menos de um minuto. A troca de chapas também pode ser realizada com a tinta, a unidade de entintagem e de molhagem acionadas pelo motor principal da impressora e o motor de acionamento direto acionando a função de troca automática de chapas e remoção. O mesmo pode ser feito com a lavagem. A troca da chapa de impressão pode ocorrer enquanto a blanqueta, os cilindros de impressão e o sistema de entintagem (rolaria) estão sendo lavados. Isso significa que duas ou mais operações de preparação podem ocorrer ao mesmo tempo.

Os sistemas de inspeção podem detectar sujidades na impressão como falhas, caroços, manchas, velatura, desvios de cor ou defeitos de substrato. As folhas rejeitadas podem ser separadas e até removidas do lote de modo automático. É possível determinar a inspeção em áreas mais relevantes do impresso para a detecção de defeitos.

SISTEMA DE LOGÍSTICA DE PILHAS DE PAPEL EM PALETES

São sistemas de transporte e logística de pilhas de papel em paletes de forma totalmente automática, podendo ser composto por módulos que realizam o transporte automático por esteira e armazenagem de paletes vazios. Além disso, registra e armazena dados referente ao tipo de substrato, formato do palete, programa de virada de pilha e esquadro.

Outro ponto importante é que esse sistema pode funcionar comparando a imagem impressa com seu respectivo arquivo PDF. Após o PDF com a especificação do cliente ser carregada no posto de comando central, a impressão referência é comparada com o PDF. Havendo variações, o operador pode decidir se faz alterações ou não. A partir da aprovação, a na produção, todas as impressões podem ser comparadas com a impressão de referência, realizando o controle de qualidade do lote. SISTEMA DE CORREÇÃO AUTOMÁTICA DE COR EM LINHA

Technologies offset. 2014. Disponível em: <www.ryobi-group.co.jp>.

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Este sistema emprega sensores localizados que reconhecem a linha da folha de modo a ler tiras de controle de cor ou imagens inteiras em tempo real

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móvel e transmitidos automaticamente para o software de informações de gerenciamento da empresa. CURA UV POR TECNOLOGIA DE LED O uso da cura por radiação UV por meio da tecnologia LED corrobora para redução de lead time (tempo

(folha a folha), para alcançar o densidade do alvo no tempo mais rápido possível. O sensor de linha pode ser comparado a um microscópio capaz de identificar qualquer deformação de ponto ou mancha no papel maior que 0.05 mm, separando o defeito automaticamente, e tudo isso em velocidade máxima. O controle de cor ocorre sem paradas, não havendo a necessidade de coletar impressos, evitando retrabalhos futuros, economizando tempo e reduzindo o desperdício de matéria-prima em regime de produção. O recurso pode disponibilizar documentação completa da produção efetivada. DISPOSITIVO MÓVEL E APLICATIVO DE GERENCIAMENTO DA PRODUÇÃO

O aplicativo fornece uma série de informações da produção em execução em tempo real, incluindo até mesmo o consumo de energia e as emissões de carbono equivalentes a 1.000 folhas. Com a função de dados do lote produzido, os insumos e matérias-primas, como papel, tinta, blanquetas, solventes e chapas de impressão, podem ser rastreados manualmente ou por meio de códigos QR também para fins de rastreamento ou gerenciamento de estoque, imediatamente e sem outras intervenções. Dessa forma, os dados são enviados ao dispositivo

entre o pedido do cliente até a entrega do produto), visto que após a impressão, o produto não necessita de tempo de espera para secagem da tinta devido ao filme de tinta ser curado de modo instantâneo. Assim sendo, a produção é realizada de forma contínua entre a impressão offset e a pós-impressão. O módulo de LED pode ser instalado entre cada unidade impressora da máquina offset (para imprimir em plásticos e materiais sem a absorção de tinta), ou somente após a última unidade (para impressão em substratos celulósicos. A tecnologia de cura UV por LED apresenta diversas vantagens em relação a tecnologia de cura UV convencional (por lâmpadas), dentre elas: baixo consumo de energia, não gera calor, ausência de odor no impresso, durabilidade (vida útil é cerca de 10 vezes superior ao convencional), dispensa a necessidade de instalação de dutos de exaustão por não gerar ozônio. A tecnologia de cura UV por LED viabiliza a disponibilização do trabalho finalizado para clientes com prazos curtos, em até 6 horas. PROGRAMAÇÃO DE CORTE E REFILE COMPUTADORIZADO (SETUP EXTERNO)

A programação de corte e refile computadorizado pode ser gerada na guilhotina, em um terminal computadorizado ou importado por um arquivo gerado pelo JDF ou PPF. Tais dados servem para gerar o programa de corte, seja manual ou automático, reduzindo os tempos de programação na máquina, aumentando a produtividade da guilhotina, otimizando a quantidade de cortes, inserindo comentários adicionais, visualização gráfica da sequência operacional, configuração de velocidade do corte e movimentação do esquadro, contribuindo significativamente para minimizar possíveis erros. EMPILHAMENTO AUTOMÁTICO DA GUILHOTINA (INSERÇÃO DO SUBSTRATO)

Trata-se de um equipamento de alimentação automatizada que fica na lateral da guilhotina. Têm a função de arejar o papel, organizar na mesa vibradora, retirar o ar, posicionar o material a ser cortado nos esquadros.

Autonomous printing – Made by KBA. 2017. Disponível em: <https://www.koenig-bauer.com>

JAIRO OLIVEIRA ALVES é instrutor de pós-impressão e MARCELO APARECIDO SARTORI é instrutor de offset na Escola Senai Theobaldo De Nigris

REFERÊNCIAS AUTONOMOUS printing – Made by KBA . 2017. Disponível em: <https://www.koenig-bauer.com>. Acesso em: 04 mar. 2018. DIRECT drive Man Roland 700. 2007. Disponível em: <https:// www.printweek.com>. Acesso em: 5 abr. 2018. INDUSTRIA 4.0: Guia completo da indústria do futuro. 2017. Disponível em: <www.foccoerp. com.br>. Acesso em: 04 abr. 2018. POLAR Cutting Systems, from ef ficient to highly profitable versions. 2015. Disponível em: <http://www.polar-mohr.com>. Acesso em: 04 maio 2018. PUSH to Stop – Heidelberg makes autonomous printing a reality. 2016. Disponível em: <https://news.heidelbergusa.com>. Acesso em: 04 abr. 2018. NEW Sheet-Fed Offset Press Series: DIAMOND V3000. 2009. Disponível em: <http://www.mhi.co. jp>. Acesso em: 04 maio 2018. TECHNOLOGIES offset. 2014. Disponível em: <www.ryobi-group. co.jp>. Acesso em: 4 mar. 2018.

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GESTÃO

Mercado de mídia impressa, não é o fim

Sandra Almeida Silva

É

Você pode assistir o vídeo completo com a professora e mestre em Finanças Sandra Almeida Silva sobre o mercado de mídia impressa

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inegável que a indústria gráfica, particularmente a mídia impressa, esteja diante de um grande desafio. Inovações disruptivas & destruição criativa, como se adaptar? É verdade também que nunca na história de uma indústria se alardeou tanto o seu fim como o da mídia impressa. Alexander Ross, pesquisador desse setor, afirma que a mudança é de paradigma. Ela vem sendo anunciada desde o final dos anos de 1980. E há pelo menos duas décadas a mídia impressa tenta entender quais tecnologias, processos e produtos se encaixam melhor em seus novos modelos de negócios. Exemplo recente do impacto desse cenário pôde ser visto no Grupo Abril. Em agosto de 2018, a companhia anunciou o corte de 800 vagas em seu quadro de funcionários, declarou-se em recuperação judicial, quer reestruturar seus ativos, reduzir o endividamento e obviamente cortar custos. Tais mudanças levaram a editora a descontinuar diversos segmentos e revistas. O economista austríaco Joseph Schumpeter (1883-1950) cunhou o termo “destruição criativa”, o qual descreve o processo de eliminação de práticas rotineiras que impedem a evolução de um segmento ou mercado por diversas razões, como financeiras, tecnológicas e estruturais. Entende-se deixar a zona de conforto e lançar mão de novas tecnologias, destruir o velho para criar o novo. Porém esse “novo” não precisa ser “genuinamente novo”, é o que pensam os pesquisadores sobre o termo inovações disruptivas. Clayton M. Christensen afirma que a disrupção de um negócio, segmento ou produto é uma realidade para grande parte dos mercados de produtos e serviços, aqueles os quais a tecnologia está sendo incorporada como estrutura, como matriz em sua base produtiva. A inovação disruptiva de um negócio é um tipo de inovação que logo no início oferece ao mercado um produto ou serviço de menor

desempenho em comparação ao que já existe, entretanto, após o estabelecimento do serviço ou produto diante da mudança de comportamento do consumidor, ele se consolida e tende se a propagar alterando os modelos de negócio e a forma como o segmento se comporta. Mas não é o fim! A mudança ocorrida na mídia impressa causada pela digitalização dos processos é a principal causa da disrupção nos modelos de negócio existentes no mercado gráfico, mas tal mudança implementou, adicionou, transformou, mas não acabou com o segmento e muito menos com o mercado. Sabemos que a inovação também pode ocorrer por meio de melhorias aparentemente menores, nas quais tecnologias ou componentes são integrados para melhorar profundamente o desempenho de produtos ou serviços existentes. É sabido que o mercado gráfico sinalizava uma fragilidade em seus modelos de negócios sustentados e baseados na existência de máquinas mecânicas pesadas, conhecidas pelo método tradicional de impressão. Porém, lentamente nos últimos anos essa dependência física foi diminuindo. SERVITIZAÇÃO

Tal redução acontece em virtude do uso da tecnologia digital, assistida por redes de computadores, incorporada à área de design, desenvolvimento de sites, aos aplicativos de smartphone e, atualmente, à Indústria 4.0 e à impressão 3D. Esse movimento já era uma adaptação ao novo mercado de mídia impressa que surgia, materializado na oferta de produtos por meio de plataformas integradas e online, viabilizadas pela tecnologia web-to-print. Tal tecnologia viabilizou modelos integrados, conhecidos como self service, que oferecem produtos e serviços personalizados, mais baratos, considerados produtos de “prateleira”, de maneira mais eficiente, rápida e baixo custo.

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Modelo representativo de plataforma web-to-print

Contudo não param aí as transformações para produtos que exigem um tratamento diferenciado. A customização como fator de valor agregado surge de maneira definitiva na introdução de diferentes tecnologias, forçando a adaptação das empresas às novas tendências. A utilização de QR Codes, Realidade Aumentada, RFID e métodos para identificação automática e captura de dados (AIDC) podem ser citados como exemplos. A Semana Gráfica 4.0 realizada pela Faculdade Theobaldo De Nigris em junho deste ano é um exemplo de como uma simples adaptação tecnológica pode alterar um modelo de negócio e agregar valor a todo o cluster de um segmento. Ao fazer a leitura de um QR Code que foi aplicado na revista impressa Indústria 4.0 por meio de um smartphone, o usuário era direcionado a um jogo educativo sobre a Indústria 4.0 em Realidade Aumentada. Outra aplicação mostrada durante o evento foi a plataforma web-to-print. Nela eram ofertados dois produtos de “prateleira” e os clientes que a acessavam podiam personaliza-los com fotos pessoais. O diferencial é a união da impressão digital com o e-commerce, incorporados ao conceito de Internet das Coisas (do inglês, Internet of Things, IoT). Há integração da gestão e produção para atender as demandas do cliente e mercado. Esse é o movimento no mercado gráfico atual, cada vez mais tecnológico, procurando as adaptações necessárias em seus modelos de negócio que incluam como premissa o desenvolvimento de produtos atrelados a serviços, a chamada “servitização”. Reestruturar novas formas de fazer negócio

é imprescindível para a sustentabilidade do segmento, que se transforma e ressurge mais forte, mais agregado a cadeia de valor do cliente. Entretanto, com todas essas transformações surge uma pergunta: haverá mão de obra qualificada para atender a todas essas mudanças? Especialistas em mídia impressa internacional afirmam que diante das transformações da indústria gráfica, os currículos das instituições educacionais deverão responder prontamente às necessidades do mercado, e que já existe um movimento de alteração nas grades curriculares das universidades americanas e europeias desde 2010 em atendimento às novas premissas requeridas pelo mercado e indústria de comunicação gráfica. A educação terá também um grande desafio: a inclusão nas bases curriculares de disciplinas que integrem Internet das Coisas, crossmedia, web design, criatividade, entre outros temas, a fim de estruturar um novo escopo de cursos. Esse novo conjunto deve aproximar os escritórios de design e publicidade à mídia impressa com o principal objetivo de atender à demanda da nova geração (geração Z), formada por jovens nascidos no fim da década de 1990 até 2010, na qual a tecnologia continuará a ser um elemento básico, bem como para toda a sociedade. Não é o fim, é apenas o começo.

SANDRA ALMEIDA SILVA, mestre em Finanças Estratégicas pelo Mackenzie, pós-graduada em Mercados e Finanças, com especialização em Negócios Internacionais, é docente do Senai e atua na área de consultoria em finanças e comportamento.

REFERÊNCIAS SCHUMPETER , J. A - Teoria do Desenvolvimento Econômico, São Paulo, Nova Cultura, 1997 CHRISTENSEN , C. O dilema da inovação. São Paulo: Makron Books, 2001. GRAFICA 4.0. Web-to-print. Escola Senai Theobaldo De Nigris, São Paulo, 2018. Disponível em < http://grafica40.print-one.com.br/loja/home/>. Acesso em 24.jun.2018 INDUSTRIA 4.0. Revista Escola Senai Theobaldo De Nigris, São Paulo, v.1, 2018. MACRO. Kenneth L. Printing on the Starship Enterprise: The Future of Graphic Communication Education in the USA . International Circular of Graphic Education and Research, No. 7, 2014. Disponível em: < // https://kenmacro.weebly.com/publications.html>. Acesso em: 24. jun. 2018. RO OS , Alexander. Business Models and Strategy finding for the Printing Industries. International Circular of Graphic Education and Research, No. 9, 2016. Disponível em < https:// www.internationalcircle.net/ international_circle/circular/ issues/16_01/ICJ _09_2016_>. Acesso em: 24. jun. 2018. VOL. III  2018  TECNOLOGIA GRÁFICA

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NORMALIZAÇÃO

A precisão nas medições de cor

Bruno Mortara

na indústria gráfica e a ISO TR 23031 – Parte 1

E

nquanto, ao longo do século passado, praticamente todas as indústrias aprenderam a controlar seus processos, a indústria gráfica ainda hoje sofre com a falta de monitoramento e medição durante o processo produtivo. Entre as variáveis importantes de controle, a cor é uma das mais cruciais. Para a avaliação de cor, os gráficos se utilizam da visão, densitômetros e espectrofotômetros. A parte 1 deste artigo procura cobrir as dificuldades de se obter números consistente com os instrumentos de medição de cor, em especial espectrofotômetros, essenciais para o controle dos processos de reprodução gráfica.

O sistema de cores CIELab é o mais utilizado nas artes gráficas graças ao seu caráter intuitivo na integração com as primárias CMYK . O espaço CIELab possui um eixo vertical iluminação, Espaço dede cores CIELabassim como o CIELCH.

UM POUCO DE TEORIA

As cores são definidas historicamente a partir das decisões da Comissão Internacional de Iluminação, CIE . As cores foram classificadas e organizadas em um espaço tridimensional, denominado CIELCH e CIEL ab. Sistema de coordenadas de cores CIELCH

Luminosidade

Branco

ão

Cinza

aç tur Sa

Representação gráfica do espaço de cores CIELab, onde L* é o eixo vertical, a* é o eixo magenta-verde e b* o eixo amarelo-azul. (Fonte: X-Rite “The color guide”)

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Ângulo Matiz °

Preto

Representação gráfica do espaço de cores CIELCH, onde L* é o eixo vertical, C é a saturação e H é o ângulo de matiz. (Fonte: X-Rite “The color guide”)

Em lugar de saturação, ângulo de matiz e eixo de saturação, o CIELab possui um eixo a* que vai de valores positivos no vermelho, passa pelo zero na intersecção com o eixo L*, tom neutro, terminando nos valores negativos no verde. Além disso, há o eixo b* que vai de valores positivos no amarelo, passa pelo zero na intersecção com o eixo L*, tom neutro, e termina nos valores negativos no azul. O espaço CIELab e CIELCH englobam todas as cores visíveis por humanos, cada cor definida por um valor único de L*, a* e b*. Nesse modelo de cores se pode trabalhar com avaliação de diferença entre amostra e reprodução por diferença de Lab, também conhecida como DeltaE ou simplesmente, ∆E. na fórmula mais recente da diferença entre cores, o DeltaE 2000, ou DE00, ou ainda ∆E00, a precisão é excelente entre a diferença percebida visualmente e numericamente.

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A

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Prata da Casa - estúdio de finalização Av. Francisco Matarazzo, 404 - cj 303 Tel: 051-11-3825-7690

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Printer: Epson Stylus Pro 4800 RIP: Flexo Proof GMG 4.0 Color Profile: Swop Grade 3

Tarja de controle da Idealliance, usada para controle de processo e certificação de provas e impressos. (Fonte: autor)

A VISÃO E SUAS LIMITAÇÕES

Até a década de 1990, a qualidade da reprodução gráfica não era tão crítica a ponto de demandar medições de cor instrumental. Os gráficos se acostumaram a avaliar a precisão das reproduções fazendo comparações, sob iluminação controlada. Nessas condições, a visão humana é muito precisa, conseguindo distinguir até ∆E 0,5, desde que esteja auxiliada por iluminação padronizada e operadores com visão normal. Em geral, as impressoras analógicas possuem em seus consoles sistemas de iluminação padronizados. No entanto, a troca de lâmpadas por versões não compatíveis com a norma ISO 3664, ou a interferência de janelas ou paredes coloridas, pode arruinar a capacidade de o ser humano avaliar a proximidade de uma amostra e sua reprodução. Diante de divergência entre as cores, um operador pode também ter dificuldade de saber se a diferença está no eixo CIEL*, CIEa* ou CIEb* (luminosidade, vermelho x verde ou amarelo x azul) a olho nu. Sensibilidade dos filtros do espectrofotômetro

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Os filtros do densitômetro e suas sensibilidades. (Fonte: autor)

DENSITÔMETROS

Em tecnologia gráfica, tanto o densitômetro quanto o espectrofotômetro trabalham com emissão e recepção direcional, geometria 0/45 ou 45/0 graus.

Área de medição de meios tons

Normalmente, as figuras são feitas de retículas de várias cores somadas. (Fonte: autor)

A leitura é feita através de três filtros: vermelho, verde e azul. Os filtros combinados ou separados permitem avaliar a refletância das cores complementares CMY e do preto. A amostra é iluminada verticalmente e visualizada em um ângulo de 45° ou o oposto, evitando-se reflexos especulares a partir da superfície da amostra entintada, às vezes chapada (100%), outras reticuladas. Para superar a dificuldade de medição em áreas reticuladas, como imagens, ou em áreas de difícil medição, como linhas ou textos, se utilizam tarjas de controle. Nelas, pode-se medir facilmente cada área de tinteiro (offset) ou a homogeneidade de carga (digital e flexo) e fazer a leitura das cores primárias, secundárias e balanço de grises. O densitômetro é uma excelente ferramenta para residir no console de máquinas gráficas. Se forem máquinas de alta velocidade, eles devem ser motorizados para fazer a leitura a tempo de influenciar na tiragem, avaliando as flutuações de carga de tinta, controlando a estabilidade do processo. No entanto, se tivermos uma cor especial ou o processo tiver VOL. III 2018  TECNOLOGIA GRÁFICA

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algum descontrole, muitas vezes o densitômetro não fornece informações suficientes sobre como corrigir o processo a fim de se obter o ajuste desejado. Às vezes, somente subindo a carga de uma cor ou baixando a de outra não é o suficiente. Precisamos de informações sobre a cor propriamente dita. ESPECTROFOTÔMETROS

Um espectrofotômetro é um instrumento projetado para análise de amostras físicas por meio de medição de cores analisadas ao longo de todo o espectro. Ao medir as energias por faixas espectrais, ou seja, a refletância a cada banda de comprimento de onda, ele obtém dados precisos além dos observáveis pelo olho humano. Em geral, os instrumentos medem a cada 5 nm de largura de banda. PROBLEMA NA VIDA REAL

Durante a produção de materiais impressos, sejam em digital, gravura, flexo ou offset, muitas vezes temos um alvo para ser atingido, a representação do desejo do cliente. Por exemplo, meu cliente deseja que eu imprima sua revista em papel couché e sua expectativa (presente nos arquivos PDF) é que a condição de impressão seja GRACoL2013. Isso significa que durante a impressão tenho que manter os materiais (tinta e papel) e controles (curvas de chapas e carga de tinta de sólidos) de modo a atingir os alvos dessa condição de impressão. Para isso utilizamos espectrofotômetros sobre tarjas de controle, com leitura manual, semiautomática ou automática com close-loop (as leituras fornecem informações ao console que corrige o tinteiro automaticamente sem intervenção humana). Sensibilidade dos filtros do espectrofotômetro

Muito bem, então temos um cliente com requisitos e vamos controlar os sólidos, curvas etc.

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O QUE FAZER?

Em primeiro lugar é preciso que se espere uma precisão dentro do que o instrumento pode fornecer: não se deve esperar que dois espectrofotômetros estejam sempre dentro de 0,3 ∆E pontualmente e na média de várias medições. Em condições de laboratório, uma concordância média de 1,0 ∆E não é incomum. Até hoje isso nos leva a nunca estabelecer tolerância nas quais a incerteza do instrumento ocupe mais que 30% da tolerância. Por exemplo, os dispositivos de medição de um comprador de impressão e de uma gráfica diferem 0,5 ∆E em uma determinada cor crítica. Com essa quantidade de discordância, uma janela de tolerância menor que

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Os filtros do espectrofotômetro e suas sensibilidades. (Fonte: autor)

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A medições de qualidade são feitas com instrumentos em uma mesma gráfica, em diferentes plantas e até no cliente, durante uma auditoria de qualidade da produção. Para isso esperamos que todos os instrumentos forneçam valores iguais para uma mesma amostra! Porém, isso não ocorre na vida real. Segundo Peter Nussbaum1 durante medições em laboratório “quase todos os instrumentos produzem valores superiores a 0,5∆E para todas as 14 cerâmicas medidas”. Greg Radencic, da norte-americana Printing Industries of America, PIA , conduziu um estudo similar2 com oito espectrofotômetros vindos diretamente de quatro fabricantes e comparou as medições sobre um material de referência. Os instrumentos foram comparados com a mediana de todos os instrumentos. Observou o cientista que “ao medir o material de referência padrão com os oito instrumentos, os resultados mostram que todos os oito instrumentos não mediram as 12 cores da mesma forma. Em muitos casos, a diferença entre quaisquer dois instrumentos foi maior que 1 ΔE . Cores problemáticas para os instrumentos eram específicas de cada um deles. Todos os instrumentos tinham cores problemáticas, significando que cada um era incapaz de medir todas as cores dentro de 1 ΔE da mediana”. Esse documento relata diferenças de medição de cor de até 10 ΔE .

1  Nussbaum, Peter, Aditya Sole, Jon Y. Hardeberg, Consequences of Using a Number of Different Color Measurement Instruments in a Color Managed Printing Workflow, TAGA 2009 2  Radencic, Greg, Eric Neumann e Dr. Mark Bohan, Spectrophotometer inter-instrument agreement on the color measured from reference and printed samples, TAGA 2008

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1,5 ∆E é contraproducente para a produção daquele impresso naquela determinada cor. O TC130 da ISO está desenvolvendo um padrão, a norma ISO TR 23031, com a qual se espera que com o uso de procedimentos padronizados e com materiais de referência comuns a todos os usuários se possam diminuir as diferenças entre os instrumentos. Isso é essencial para melhorar a comunicação na cadeia gráfica. No entanto, se você estiver achando que um erro médio de 0,3 ∆E é muito alto para seu instrumento, saiba que isso é para as cores que ele tem “dificuldade de ler” e normalmente é de cerca de 0,1 ∆E. Industrialmente isso é mais do que adequado, quando se observam comumente variações entre 1,0 e 2,0 ∆E durante a produção. Na parte 2 deste artigo vamos examinar com detalhes a norma ISO TR 23031. Leitura espectral do Pantone 021 C, com sua curva de energia espectral, além do valor CIELab de 60,67 de L*, 65,70 de a* e 85,40 de b*. (fonte: autor)

BRUNO MORTARA é superintendente do ONS27, coordenador do ISO/TC130/WG13 – Avaliação da Conformidade e professor de pós-graduação na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

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COMO FUNCIONA

A tecnologia LED UV.

Passado, presente e futuro

Jefferson Zompero

A

maioria das impressoras offset alimentadas a folha utilizadas no Brasil trabalham com tintas convencionais que secam por absorção e oxidação. Esses processos podem consumir tempo, energia elétrica e gás, dependendo da aplicação. Uma alternativa surgiu com a cura ultravioleta. Esse processo de secagem, por sua vez, tem evoluído. Hoje é muito comum ouvirmos termos como LE UV, H UV, HE UV e LED UV. O termo LED UV tem gerado grande repercussão no mercado por se tratar de uma tecnologia relativamente nova e que promete melhorar o processo de cura ultravioleta. Os LEDs (da sigla em inglês “Light Emitting Diode” ou em português “Diodo Emissor de Luz”) podem ser facilmente encontrados em nossa vida cotidiana em lâmpadas, eletrodomésticos, lanternas e controles remotos, até monitores, carros e outros equipamentos. Os LEDs já existem há muito tempo. E a radiação UV já vem sendo usada há décadas, com lâmpadas convencionais e mesmo, as bem mais antigas lâmpadas de arco voltaico. A tecnologia LED UV, porém, é relativamente nova.

+

A HISTÓRIA DO LED

A descoberta da eletroluminescência foi feita por um engenheiro elétrico chamado Henry Joseph Round (1881–1966). Ao aplicar uma corrente elétrica em um cristal de carbeto de silício (SiC), ele percebeu que o cristal liberava luz em baixa intensidade. Depois dessa descoberta, vários estudos foram conduzidos por outros cientistas físicos, como o russo Oleg Lossew e o francês Georges Destriau, considerado o pai da eletroluminescência. Em 1962, o americano Nick Holonyak desenvolveu o primeiro diodo de luminescência com fosforeto arsenieto de gálio (GaAsP), que produzia uma luz vermelha. A partir daí vários LED s foram desenvolvidos com diferentes comprimentos de onda, inclusive na faixa espectral do ultravioleta. Inicialmente com potência insuficiente para aplicações na impressão, a partir de 2008 surgiram LED s UV capazes de secar tintas e vernizes. A partir daí várias empresas começaram a desenvolver equipamentos voltados para essa tecnologia, impulsionando a área. Esses desenvolvimentos foram acompanhados pela formulação de novas tintas com fotoiniciadores adequados à emissão espectral UV dos LED s. FUNCIONAMENTO Os LED s funcionam por meio da junção P-N. Mas

Fonte: www.wikienergia.pt

Lado P

Lacunas Luz Lu uz

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Lado N

Elétrons Recombinação

o que é isso? Nos circuitos elétricos, a corrente flui de um terminal positivo para um terminal negativo. E para que a corrente flua nesse sentido, os elétrons devem simultaneamente fluir no sentido oposto ao da corrente (terminal negativo para o positivo). O diodo age restringindo esse fluxo de eletricidade como se fosse uma válvula. O diodo é desenvolvido com camadas de materiais semicondutores com a espessura menor que um micrômetro. O tipo de material utilizado para se produzir o semicondutor é que vai gerar as diferentes frequências de ondas eletroluminescentes. Os semicondutores são “dopados” de forma que um dos lados tenha um elétron a menos, deixando lacunas nas camadas eletrônicas do átomo,

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Exemplos de cabeçote LED

o que torna esse lado o P (ânodo). Na outra parte, o semicondutor é dopado para conter um elétron a mais, tornando-se o lado N. Pelo fato de o material ser um semicondutor, os átomos não interagem se não houver um estímulo. A corrente elétrica gera o estímulo necessário para que os elétrons da zona N atravessem a junção e se recombinem com os átomos do lado P. Esse ciclo, por sua vez, libera energia na forma de fótons. COMPONENTES DO SISTEMA LED O sistema LED é composto basicamente de três

itens: a unidade de gerenciamento de energia, os cabos de conexão e o cabeçote LED. Em sistemas com intensidade de emissão maior, é necessário também um sistema de arrefecimento para manter a temperatura dos LED s baixa e assim não reduzir sua eficiência e sua vida útil. O sistema de resfriamento geralmente é formado por um trocador de calor e um líquido de arrefecimento, ligado por tubos que vão da unidade de resfriamento até o cabeçote LED. Existem também sistemas resfriados a ar, que utilizam ventoinhas para resfriar os LED s e os componentes eletrônicos. O cabeçote abriga os LED s. Geralmente ele inclui uma proteção de quartzo, que protege fisicamente os LEDs de impactos, poeira e outros materiais que possam interferir no seu funcionamento. Um cabeçote pode conter dezenas, centenas ou até milhares de LED s. Quanto mais LED s estão envolvidos na construção de um cabeçote, mais caro é o sistema. Mas o fato de existirem vários LED s gera flexibilidade de construção e funcionamento, já que o cabeçote pode ter em vários

formatos, adequando o acionamento do LED à demanda de um trabalho (os LED s podem ser ligados/desligados conforme o formato do trabalho). LED UV E OUTROS SISTEMAS UV

Enquanto as lâmpadas de arco de mercúrio e de micro-ondas emitem energia em todo o espectro UV, um pouco no visível e IR (infravermelho), os LEDs emitem radiação concentrada em regiões específicas do espectro UV. As mais comuns são as de 365nm, 375nm, 385nm, 395nm e 405nm. Nessas regiões específicas, os LEDs geram mais radiação do que as tecnologias convencionais. Esse valor pode ser até cinco vezes maior quando comparado a tecnologia UV convencional. No entanto as tintas e vernizes utilizadas precisam de fotoiniciadores específicos, que sejam sensíveis às radiações com aqueles comprimentos de onda. Outro aspecto a se considerar é o ajuste de intensidade. Nos LEDs, a emissão depende da corrente elétrica aplicada. Isso permite uma variação de intensidade de 0 a 100% de emissão. Nas lâmpadas de arco voltaico e de micro-ondas, essa variação de emissão depende dos reatores e dos magnétrons. A variação nessas lâmpadas não é total. Geralmente de 40% a 100% de emissão. As lâmpadas convencionais consomem mais energia e por isso exigem um sistema de gerenciamento de energia de grande porte se comparado ao sistema LED. Além disso, o processo convencional produz ozônio, exigindo o uso de sistemas de exaustão, o que não acontece com o sistema LED. Pelo seu baixo consumo de acionamento, seu sistema de gerenciamento de energia é de menor porte. O tempo de vida útil é outro fato a se considerar. A vida útil das lâmpadas convencionais chega a VOL. III  2018  TECNOLOGIA GRÁFICA

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2.000 horas de trabalho e os LEDs costumam durar entre 10.000 a 50.000 horas. Os LEDs geram pouco calor já que não emitem ondas IR , o que diminui a dilatação/contração de substratos sensíveis ao calor. Vale destacar o acionamento instantâneo dos LED s. Em lâmpadas convencionais, é necessário aguardar o tempo de resfriamento e aquecimento para que as lâmpadas atinjam a frequência ideal de trabalho. Isso não acontece com o LED, pois o fenômeno de luminescência é diferente e eles não precisam ser aquecidos para atingir a temperatura de trabalho. Podem ser acionados imediatamente antes do início da produção. Em termos econômicos em geral os LEDs consomem menos energia que o sistema convencional. No entanto, está limitado ao uso de tintas mais reativas às suas frequências e ainda são mais caros do que os sistemas convencionais. TENDÊNCIAS NO CAMPO LED UV

A Drupa 2016 mostrou a tendência na impressão offset de diminuição de tempo de espera para iniciar o processamento do material nas etapas de pós-impressão com a utilização da tecnologia ultravioleta. A maioria das máquinas apresentadas tinham sistemas de cura UV e, dentre essas, muitas utilizando sistemas de cura LED UV.

Com o sistema de cura LED UV, além da redução do tempo de espera, a economia de energia também é grande. O aumento de produtividade é consequência dessa redução de tempo tanto de espera como de produção, gerando um produto mais competitivo num mercado onde a tecnologia evolui constantemente. O potencial de crescimento dessa tecnologia é grande, pois existem boas vantagens sobre o sistema de lâmpadas. Infelizmente o sistema ainda é mais caro que o que utiliza lâmpadas e há poucas empresas que fornecem as tintas com alta reatividade necessárias para o LED UV. Cada vez mais as gráficas tornarão suas produções enxutas e eficientes. Da mesma maneira, os fornecedores de equipamentos e insumos buscam novas maneiras para satisfazer as necessidades de seus clientes, tornando seus produtos mais atraentes. A tecnologia de cura LED UV ajuda nessa questão por diminuir custos e aumentar a eficiência do processo, atendendo as reais necessidades das gráficas e aumentando a competitividade da impressão offset.

JEFFERSON ZOMPERO é instrutor de impressão offset da escola senai theobaldo de nigris.

400

Comparativo lâmpada de mercúrio e UV-LED

350

Hg

Fonte: http://www.uv-technik-shop.de

Intensidade (%)

300

UV LED 395 nm

250

200

150

100

50

0 200

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250

300

350

400

450

500

550

600

650

700

Comprimento de onda (nm)

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PRÉ-IMPRESSÃO

Boas práticas na pré-impressão para grandes formatos

Bruno Mortara

C

om a crescente demanda por impressões digitais em grandes formatos e a ausência de normas técnicas internacionais que padronizem sua produção, é muito importante a utilização de boas práticas que permitam resultados consistentes com a qualidade exigida pelos compradores do setor. Este artigo propõe uma metodologia que pode suprir a ausência de padrões até que eles sejam publicados. Devido à ampla gama de materiais sobre os quais podem ser impressas peças de grande formato, se faz necessária a classificação e distribuição dos produtos em diferentes níveis de qualidade. Dessa forma, as gráficas devem entregar o máximo de qualidade efetivamente necessária para aquele produto/ aplicação. Para essa categorização é interessante classificar os produtos por Nível de Qualidade do Produto, ou NQP. Os requisitos de avaliação do produto são divididos em duas partes: ◆◆ A primeira, bastante conhecida dos usuários de normas técnicas, é a fidelidade de cores. A fim de manter uma correlação com outros produtos impressos, é importante – sempre que possível– adotar o conjunto de dados colorimétricos Fogra39L como referência e simulação. As tolerâncias devem ser avaliadas utilizando-se as fórmulas de diferença de cor DeltaE2000 1 , DeltaH (∆H ou dH) e DeltaCh (∆Ch ou dCh). ◆◆ A segunda parte das boas práticas se refere à avaliação da qualidade da imagem impressa. Entre os requisitos importantes estão a resolução efetiva, a legibilidade de texto e o registro. A qualidade de imagem em relação aos requisitos de qualidade deve ser determinada, sempre 1 

ISO/FDIS 11664-6:2011 - Colorimetry — Part 6: CIEDE 2000 Colour-difference formula.

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que possível, de forma objetiva. No entanto, haverá alguns requisitos em que será necessária a avaliação visual. NÍVEL DE QUALIDADE DO PRODUTO (NQP)

O nível de qualidade do produto classifica os vários produtos impressos segundo a exigência de qualidade de imagem necessária para a aplicação específica a que se destina e o grau de fidelidade colorimétrica em relação ao arquivo original. Os níveis de qualidade são: ◆◆ Nível 1 – Alta qualidade: São classificados como Nível 1 os produtos que exijam absoluta conformidade entre o original colorimétrico e o impresso de produção. A informação transmitida requer elevada aproximação na reprodução de detalhes e cores. Os usuários finais observarão o produto a uma curta distância, independentemente do tamanho do impresso e, para isso, a reprodução de detalhes é fundamental.

Nível 1- Reproduções de obras de arte para exposição (vistos a uma curta distância) ◆◆

Nível 2 – Boa qualidade: Estão classificados como Nível 2 os produtos que exijam um bom grau de conformidade entre o original colorimétrico e a produção impressa. A informação transmitida

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Exemplo de Nível 2: faixas, painéis, banners e cartazes (vistos a uma distância média)

requer boa aproximação na reprodução de detalhes e cores. Os usuários finais observarão o produto a uma distância média em relação a sua diagonal.

Devido ao grande número de substratos existentes e, consequentemente, a falta de padronização da cor do substrato, os valores de referência do Dataset Fogra39L podem ser adaptados para o ponto de branco do substrato utilizado. A adaptação pode ser feita conforme Anexo A da norma técnica ISO 15339 ou com a planilha “CGATS 21 Computational Spreadsheet”2 . Os resultados obtidos são similares aos conseguidos com a edição do ponto de branco do perfil simulado (white point), com o uso de softwares de gerenciamento de cores. Para impressão do testform é essencial que: ◆◆ Seja impresso em 100% do tamanho, sem redimensionamento ◆◆ Seja interpretado diretamente no RIP da impressora e não passe por conversões em softwares de edição, como: Adobe Photoshop, Adobe Illustrator, Corel Draw ou qualquer outro ◆◆ Seja impresso com simulação do Dataset Fogra39L. Apesar de ser opcional, a edição para o ponto de branco do substrato (white point) trará maior fidelidade de cor e facilitará a aprovação do impresso.

2 Faça o download da

planilha “CGATS 21 Computational Spreadsheet”

Exemplo de Nível 3: faixas, painéis, banners e cartazes (vistos a uma distância grande)

Nível 3 – Qualidade básica: Estão classificados como Nível 3 os produtos que exijam conformidade média na reprodução em relação ao original. A informação transmitida requer aproximação aceitável na reprodução de detalhes e cores. Os usuários finais observarão o produto a uma distância grande em relação a sua diagonal. AVALIAÇÃO DOS PRODUTOS IMPRESSOS

Testform com três requisitos: fidelidade colorimétrica, registro da impressão e resolução efetiva visual da impressão. A impressão do testform deverá ser feita no mesmo substrato e NQP solicitado pelo cliente, além de se fazer um para cada máquina de impressão. É importante que se observe a utilização de tintas de alta qualidade para se obter o melhor resultado de reprodução de cores e de permanência, em materiais de boa duração. A impressão do testform de avaliação colorimétrica deverá ser feita com simulação do Dataset Fogra39L, ajustada no RIP do sistema de impressão.

Exemplo de testform com tarja de avaliação colorimétrica e alvos de avaliação física.

Legibilidade de Texto NÍVEL DE QUALIDADE

TOLERÂNCIA

Nível 1 - Qualidade ALTA

04pt - Pos. e Neg.

Nível 2 - Qualidade BOA

08pt - Pos. e Neg.

Nível 3 - Qualidade BÁSICA

12pt - Pos. e Neg.

Tolerâncias para resolução segundo NQP

Registro NÍVEL DE QUALIDADE

TOLERÂNCIA

Nível 1 - Qualidade ALTA

< 0,2 mm

Nível 2 - Qualidade BOA

< 0,4 mm

Nível 3 - Qualidade BÁSICA

< 0,6 mm

Tolerâncias para variação de registro entre duas cores, segundo NQP VOL. III  2018  TECNOLOGIA GRÁFICA

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RESOLUÇÃO

Nível 1 - Qualidade A LTA ITEM AVALIADO

TOLERÂNCIA

Cor do Substrato

INFORMATIVO

Todos os outros patches (excluindo substrato) CMYRGB CMYKRGB (Sólidos e Tonais)

Méd. ∆E00 < 3 Máx. ∆E00 < 6 Méd. ∆H*ab < 3 Méd. ∆E00 < 3 Méd. ∆Ch < 3

Balanço de gris Tolerâncias para avaliação colorimétrica, NQP1

Nível 2 - Qualidade B OA ITEM AVALIADO

TOLERÂNCIA

Cor do Substrato

INFORMATIVO

Todos os outros patches (excluindo substrato) CMYRGB CMYKRGB (Sólidos e Tonais)

Méd. ∆E00 < 5 Máx. ∆E00 < 8 Méd. ∆H*ab < 5 Méd. ∆E00 < 5 Méd. ∆Ch < 4

Balanço de gris Tolerâncias para avaliação colorimétrica, NQP2

Nível 3 - Qualidade BÁSICA ITEM AVALIADO

TOLERÂNCIA

Cor do Substrato

INFORMATIVO

Todos os outros patches (excluindo substrato) CMYRGB CMYKRGB (Sólidos e Tonais)

Méd. ∆E00 < 6 Máx. ∆E00 < 10 Méd. ∆H*ab < 7 Méd. ∆E00 < 7 Méd. ∆Ch < 5

Balanço de gris Tolerâncias para avaliação colorimétrica, NQP3

Para avaliar a resolução é importante que o alvo de legibilidade de texto tenha as seguintes tolerâncias: Também relacionado às características físicas da reprodução temos o registro, que deve ter as seguintes tolerâncias: REQUISITOS DE COR

Com a leitura da tarja de controle Fogra Media Wedge v3 LFP com um espectrofotômetro, será verificado se o gamut de cores do sistema é capaz de reproduzir integralmente a condição de impressão padronizada Fogra39L. A diferença de cor entre a impressão da tarja de controle e o original colorimétrico (Fogra39L) será avaliado com a fórmula DeltaE2000. Para cada nível de qualidade de produto será definida uma tolerância de variação de cor. Uma vez que essa metodologia adapta os alvos colorimétricos de avaliação do Fogra39L para o ponto de branco do substrato, tornou-se necessário considerar o requisito do substrato somente informativo. Os requisitos para a precisão colorimétrico, de acordo com o NQP é definido nas tabelas a seguir. Essas boas práticas levam a uma consistência de produção e de reprodução que dão aos gráficos e compradores a certeza de que seu produto terá um equilíbrio eficiente entre qualidade e custo, de acordo com sua classificação, o que depende da aplicação a que se destina. A indústria gráfica não deve esperar até que uma norma técnica para grandes formatos (ainda em desenvolvimento) seja publicada. Precisamos já de parâmetros claros para implementação de boas práticas e organização do mercado. Mãos à obra! BRUNO MORTARA é superintendente do ONS27 e coordenador do TC130/WG13 Conformance Assessment.

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38 TECNOLOGIA GRÁFICA 

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LITERATURA

Gráfica: Uma Indústria em Transformação

NA REDE

GBC www.gbc.net.br

Hamilton Terni Costa O livro traz uma coletânea de artigos publicados entre 2012 e 2018, sobretudo na Revista Abigraf. Aislan Baer, CEO da ProjetoPack & Associados, afirma que o livro é um mapa, onde o próprio leitor vai costurando os artigos, preenchendo as lacunas e avaliando como a comunicação impressa sofreu profundas transformações ao longo das últimas décadas, perdendo espaço para o meio digital e para uma sociedade que não se comunica mais da forma tradicional. “Para não sufocar, a tecnologia gráfica – plataforma da comunicação impressa – teve que enveredar para outros rumos, como o da comunicação visual, promoção (embalagens e peças de apoio), impressão industrial e tantos outros segmentos novos e fora do eixo convencional dos empresários gráficos. É claro que mudar não é só uma reorientação comercial. Mudança implica em buscar novas competências, novos modelos de negócios e alianças com o meio digital para uma entrega mais coerente com o que os novos consumidores estão buscando.” Justamente o universo coberto pelos textos de Hamilton Costa, consultor, empresário, professor e autor, há mais de 40 anos na indústria de comunicação gráfica.

Scortecci Editora www.asabeca.com.br

O gbc.net.br é um website de negócios especializado na indústria gráfica, desenvolvido para conectar compradores com vendedores de máquinas, acessórios, peças, serviços, produtos, empresas e imóveis. Lançada em 2018, a plataforma online para negócios B2B (business-to-business), multi-idioma e multi-moeda, utiliza as melhores práticas corporativas e alta tecnologia. O objetivo é oferecer exposição online permanente no Brasil e também nos principais mercados internacionais com baixo investimento para o anunciante. Está atualmente em campanha de lançamento com anúncios grátis durante os próximos meses. Após o encerramento da campanha de lançamento, o valor do anúncio será de R$ 30 ao mês, com descontos progressivos de acordo com o tempo e a quantidade de anúncios contratados.

Chambril www.portalchambril.com.br

A International Paper lançou em agosto o novo site de sua linha de papel offset Chambril. O Portal Chambril foi reformulado com o objetivo de levar mais informação aos profissionais da indústria gráfica, além de mais facilidade na navegação. Com design moderno, o Portal Chambril oferece uma série de ferramentas e conteúdos, como calculadora editorial, quadro de dobras e aproveitamento de papel, artigos técnicos e ainda dicas de gestão e produtividade, entre outras informações. A linha de papéis offset Chambril possui nove produtos que atendem diversas necessidades do universo gráfico. Com variação de gramaturas (de 45 a 240 g/m²) o Chambril pode ser um suporte para diversos acabamentos gráficos como laminação, verniz de reserva, texturas, relevo, hot stamping e outros. VOL. III  2018  TECNOLOGIA GRÁFICA

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COMUNICAÇÂO VISUAL

Aplicação de vinil em PVC

Evandro Ferreira Dias

para revestimento de móveis, veículos, ambientes e sinalização

O

superfícies irregulares, modo de aplicação e tempo de resistência até as normas de aplicação para sinalização. Vamos começar abordando o substrato. VINIL AUTOADESIVO EM PVC O PVC , sigla para policloreto de vinila, é dividido

em dois tipos: calandrado e cast, sendo eles diferenciados pela forma de confecção. O calandrado, por sua vez, é subdividido em dois tipos, o monomérico e o polimérico, sendo o último de alto desempenho na sua fabricação, o que o torna mais rentável e, claro, mais acessível. O PVC calandrado monomérico é direcionado à produção de vinil a ser aplicado em superfícies planas, como carros, caminhões, vidros de lojas, mesas de restaurantes e decoração de paredes. Observação: O PVC monomérico é caracterizado como não moldável.

Fotos: Evandro F. Dias

objetivo deste artigo é mostrar um pouco do mundo do vinil autoadesivo e dar dicas básicas de limpeza, tratamento das superfícies, organização das ferramentas e substrato a ser utilizado. Hoje é muito comum encontrar no mercado de comunicação profissionais com inúmeras dúvidas sobre a aplicação do vinil PVC . Elas vão desde o tipo do vinil, seu comportamento junto a

40 TECNOLOGIA GRÁFICA 

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O PVC polimérico é produzido com a junção de monômeros e oligômeros por meio da adição de foto-iniciador ativado por luz UV, promovendo a característica de semimoldável. É indicado para aplicação em superfícies com curvas leves, pois seu efeito memória pode causar desprendimentos e rupturas em curvas mais agudas (de pequeno raio). Revestimento de móveis, eletrodomésticos residenciais e industriais, veículos, recorte eletrônico, sinalização interna e externa sãos algumas das aplicações do PVC polimérico. O PVC cast é conhecido como vinil de alta performance, sendo adequado para superfícies que possuem curvas complexas. Seu modo de fabricação lhe confere atributos de excelente qualidade, durabilidade, além de ser moldável. Com a crescente demanda pela sinalização, o mercado vem cada vez mais apostando nos vinis de PVC cast, sobretudo em função dos benefícios desse material, como praticidade, menor mão de obra e redução de retrabalho. LIMPEZA E SEGURANÇA

Não importa qual superfície irá receber o PVC . Se ela não estiver limpa ocorrerão problemas de aderência; sujidades como pó, resíduos de cola, gordura e até o pó de papel do liner que se desprende no processo de corte podem resultar em uma péssima aplicação. Cada material possui uma resistência a produtos de limpeza e isso deve ser observado antes do processo. Agredidos pela sujeira, tanto o PVC quanto o adesivo podem perder o seu tack. Cada fabricante possui um manual de boas práticas

indicando o produto correto para cada superfície e modo de limpeza. Vamos usar como exemplo o revestimento de um veículo. O processo deve cumprir cinco etapas: 1o. Lavagem geral com detergente neutro e enxágue, a fim de garantir que todo detergente foi eliminado, sendo proibida a aplicação de qualquer tipo de cera. 2o. Limpeza fina de todos os possíveis pontos de não alcance da lavagem, como embaixo das borrachas e final de cada painel onde terá o debrum. 3 o. Limpeza com pano de microfibra (não solta resíduos) e solução especial composta de 300 ml de álcool industrial (99% GL), 700 ml de água e 4 ml de shampoo infantil. 4o. Retirada de toda a solução de limpeza utilizando soprador com baixa temperatura ou por meio de exposição do veículo à luz do sol por volta de uma hora. 5o. Aplicação do adesivo utilizando as técnicas ideais para cada tipo de vinil, (impresso em UV, adesivados com recortes, reposicionáveis, calandrados, cast etc), realizando acabamento adequado para obter boa visualização e redução da manutenção. Dica importante: para cada material existe uma espátula própria. É comum a indicação do tipo de espátula na compra do vinil adesivo. O uso adequado de cada uma delas facilita a aplicação, assim como reduz a possibilidade de gerar riscos, vincos e até corte nos vinis. Para alguns vinis especiais, as espátulas devem ser usadas com revestimento especial unidos com cera ou água. VOL. III  2018  TECNOLOGIA GRÁFICA

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A segurança do aplicador é de suma importância. Trabalhar em situações onde exista a mínima possibilidade de acidente não é admissível. Por isso, ao subir em escadas ou andaimes impróprios, pode-se criar condições inseguras que levarão a atos inapropriados e possíveis acidentes. O aplicador deve estar sempre a par dos riscos para evitá-los. Ter noções básicas de segurança em relação à altura é de suma importância para qualquer profissional do ramo de comunicação visual, seja aplicador de adesivos, montador de painéis, especialista em iluminação etc; recomenda-se a participação nos cursos de NR 35, NR10, NR17 e NR6 visando evitar acidentes e identificar situações de risco. O Senai-SP oferece cursos de NR 35 e NR10. Acesse www.sp.senai.br ORGANIZAÇÃO

A organização voltada para a aplicação deve ser pautada sempre nas questões de viabilidades, considerando tempo de entrega, ergonomia, salubridade do ambiente e praticidade na realização da atividade. Dessa maneira, tudo fica mais fácil de ser encontrado. O aspecto visual é o cartão de visita de qualquer empresa prestadora de serviços, portanto é necessário manter o local organizado do início ao fim do trabalho, transmitindo responsabilidade, compromisso e organização ao cliente. É claro que essas ferramentas de nada servem se após realizar o trabalho o prestador de serviço não visitar o cliente para saber se está tudo correto, se atende o que foi solicitado, podendo ser reparadas quaisquer imperfeições no projeto, alcançando assim a parceria desejada. 42 TECNOLOGIA GRÁFICA 

A Escola Senai Theobaldo De Nigris vem preparando alunos nas mais diferentes áreas de aplicação, como impressão digital, offset, rotogravura, tampografia, serigrafia e recorte em plotters de mesa e em torre. Os alunos do curso técnico em pré-impressão têm um módulo que ensina conceitos teóricos e técnicas práticas de preparação de arquivos para diversos tipos de plotters de recorte, montagem e adesivagem dos trabalhos realizados. Nesse módulo, os alunos substituem a sinalização de equipamentos da escola, como máquinas impressoras offset e de acabamento, as quais tiverem logomarcas e avisos de segurança danificadas pelo uso diário, aplicação de produtos de limpeza ou mesmo degradados pela ação da luz. A Theobaldo De Nigris está acompanhando a crescente demanda do mercado de comunicação por treinamento e estará disponibilizando em breve vários cursos na área de comunicação visual. Dentre eles destacam-se o curso Técnico de Comunicação Visual, com duração de três semestres, e cursos de curta duração, como programação visual gráfica aplicada à geração de arte final, decoração de ambientes, vitrinismo, adesivagem e envelopamento automotivo, impressão digital de grandes formatos, gerenciamento de cores para comunicação visual, operação de mesa de corte para comunicação visual (Router), instalador de comunicação visual, manutenção preventiva e corretiva em impressoras digitais, luminotécnia e instalações elétricas para comunicação visual.

EVANDRO FERREIRA DIAS é especialista em pósimpressão, serigrafia e sinalização na Escola Senai Theobaldo De Nigris.

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Você sabia que o papel é feito de árvores plantadas exclu sivamente para essa finalidade? Todos os dias no Brasil são plantados o equivalente a cerca de 500 campos de futebol de novas florestas para a prod ução de papel e outros produtos.

O Brasil tem 7,8 milhões de hectares de florestas plantadas. As indústrias que usam essas árvores conservam outros 5,6 milhões de hectares de matas nativas. s sabendo que o papel Você gostará ainda mais de revistas e jornais impresso l. que vem de árvores plantadas, é reciclável e biodegradáve Descarte corretamente. Seja um consumidor responsável. Fonte: Relatório Ibá 2017, Indústria Brasileira de Árvores Two Sides é uma organização global, sem fins lucrativos, criada em 2008 por membros das indústrias de celulose, papel e comunicação impressa. Two Sides promove a produção e o uso responsável da impressão e do papel, bem como esclarece equívocos comuns sobre os impactos ambientais da utilização desse recurso. O papel, por ser proveniente de florestas certificadas e gerenciadas de forma sustentável, é um meio de comunicação excepcionalmente poderoso, de fonte renovável, reciclável e biodegradável.

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TUTORIAL

Efeito dupla exposição no Photoshop

André Lam

O

efeito de dupla exposição é uma técnica na qual duas ou mais fotos são compostas em uma única imagem, criando uma nova composição. Ela foi muito aplicada na época da fotografia convencional, quando uma parte do filme sensível era exposto a um tempo e uma quantidade de luz, realizando a captura de uma cena. Após o disparo dessa primeira foto, o filme era rebobinado manualmente para que o fotógrafo pudesse realizar a segunda exposição no mesmo pedaço de filme, fazendo com que a mesma foto tivesse uma sobreposição das duas imagens fotografadas. Uma mistura criativa com um efeito visual bastante interessante. Recentemente esse efeito voltou à baila e podemos vê-lo aplicado em diversos cartazes de filmes, como em “O Regresso” e “Enemy”, tendência que ficou ainda mais forte em 2018. Hoje, é possível realizar essa técnica nas câmeras digitais, bastando acessar o menu do equipamento. Mas neste tutorial iremos apresentar uma

outra forma de realizar esse efeito. Com o popular Photoshop obteremos o efeito desejado de forma simples e utilizando poucos passos. Para isso, abriremos no Photoshop uma imagem de uma pessoa que servirá de base para o efeito (1). 1

Se a imagem estiver colorida, transforme-a em P/B. São diversas opções de conversão no Photoshop, escolha a de sua preferência. Nós utilizamos a opção Preto e branco da camada de ajuste (2). Regule o preto e branco da imagem por meio do painel para obter um contraste mais intenso. Ajustamos o cabelo e blusa para que ficassem mais escuros, e o rosto e pescoço mais suaves Se necessário, depois utilize as ferramentas subexposição (Dodge) e superexposição (Burn) para clarear ou escurecer partes da imagem (3). 2

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3

5

6

4 7

7 Lembre-se de ajustar o tamanho do alvo da ferramenta para agir somente na área selecionada. Além disso, regule entre as opções sombras, tons médios ou realces para agir mais intensamente nas áreas específicas da imagem segundo sua porcentagem (25% realces, 50% tons médios e 75% sombras) (4). A cada clique no mouse com a ferramenta subexposição selecionada parte da imagem irá clarear. E se estiver com a ferramenta superexposição, parte da imagem será escurecida. Deixamos os cabelos e a blusa mais escuros e o fundo da imagem mais claro (5). Para o efeito funcionar melhor é importante que o fundo da imagem não fique com muitos detalhes, e que esteja bem definida a forma (silhueta) da menina. Depois disso, incorpore uma imagem de paisagem no arquivo. Acesse o menu arquivo e escolha a opção colocar incorporados (6). Ajuste o tamanho da imagem incorporada por meio das alças para que cubra toda a silhueta da

8

9

imagem abaixo (menina). Se manter pressionada a tecla Shift durante o ajuste, a largura e altura mudarão proporcionalmente (7 e 8). Dê Enter para confirmar a transformação. Após, selecione a camada da paisagem e altere o modo de mesclagem da camada de Normal para Divisão (9). Ao trocar o modo de mesclagem, a camada interage com a camada abaixo. O resultado é a mistura entre o rosto da menina com a paisagem. Se desejar, faça ajustes na opacidade de cada camada para obter a intensidade desejada. No exemplo, preferi algo mais sutil. Por isso, diminuí um pouco a opacidade de cada camada e ainda apliquei uma máscara para reduzir a intensidade de algumas áreas pontuais da imagem e também para moldar as bordas, deixando-as mais arredondadas. Está pronto! Aproveite e faça a sua versão de dupla exposição. Experimente, exercite e deixe sua criatividade solta. ANDRÉ LAM é instrutor de Pré‑impressão na Escola Senai Theobaldo De Nigris. VOL. III  2018  TECNOLOGIA GRÁFICA

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CURSOS

CURSOS SENAI 2019 Curso

CH

Dias

Horário de início

Horário de término

Data de início

Data de término

Valor

Corel Draw

40

Sábado

8h

17h

19/1

16/2

R$ 550,00

Encadernador Manual de Livros

32

Sábado

8h

17h

19/1

9/2

R$ 525,00

Excel Básico

40

Sábado

8h

17h

19/1

16/2

R$ 500,00

Impressão offset em máquina quatro cores

60

Sábado

8h

17h

19/1

16/3

R$ 1.280,00

Impressor de Corte e Vinco Automático

80

Sábado

8h

17h

19/1

30/3

R$ 1.260,00

Indesign

40

Sábado

8h

17h

19/1

16/2

R$ 550,00

Meio Oficial Impressor Flexográfico Banda Estreita

80

Sábado

8h

17h

19/1

30/3

R$ 1.275,00

Meio oficial impressor offset em máquina monocolor

60

Sábado

8h

17h

19/1

16/3

R$ 840,00

Método de Análise e Solução de Problemas MASP

20

Sábado

9h

15h

26/1

16/2

R$ 262,00

NR-11 - Operação de Empilhadeira

32

Sábado

8h

17h

19/1

9/2

R$ 600,00

Operador de Guilhotina Linear

28

Sábado

8h

17h

19/1

9/2

R$ 535,00

Planejamento e Controle da Produção

32

Sábado

8h

17h

19/1

9/2

R$ 490,00

Pré-impressão digital para flexografia

32

Sábado

8h

17h

19/1

9/2

R$ 598,00

Produção Gráfica

40

Sábado

8h

17h

19/1

16/2

R$ 604,00

Conservação de livros e documentos

40

3ª a 5ª

18h

21h

26/2

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R$ 590,00

CURSOS SENAI – Para in‑ scrição é necessário apresentar, para simples conferência, cópias ou originais dos seguintes documentos: histórico ou certi‑ ficado do ensino fundamental ou médio (conforme requisito de acesso), RG, CPF, comprov‑ ante de residência e comprov‑ ante do pré‑requisito. Alunos menores de idade deverão comparecer para matrícula acompanhados por responsável. 46 TECNOLOGIA GRÁFICA  VOL. III  2018

RTG104-cursos.indd 50

O pagamento dos cursos livres pode ser dividido no boleto bancário. O Senai reserva‑se o direito de não iniciar os cursos se não houver número mínimo de alunos inscritos. A programação, com as datas e valores, pode ser alterada a qualquer momento pela escola. A Escola atende de 2ª a 6ª-feira, das 8h às 21h, e aos sábados das 8h às 14h.

Escola Senai Theobaldo De Nigris

Inscrições também pelo site: grafica.sp.senai.br

Rua Bresser, 2315 (Moo­ca) 03162-030  São Paulo- SP Tel. (11) 2797.6333 Fax: (11) 2797.6307 Para mais informações: senaigrafica@sp.senai.br www.sp.senai.br/grafica

19/11/2018 15:43


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Revista Tecnologia Gráfica - 104  

A revista Tecnologia Gráfica mescla a opinião e análise de especialistas estrangeiros com o pensamento e a crítica de experts brasileiros, p...

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