Catálogo comemorativo - Magdalena Querido Guisard: arte e vida de uma musicista

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Arte e vida de uma musicista

Taubaté – SP 2021



Arte e Vida de uma Musicista

Pesquisas de DIMAS OLIVEIRA JUNIOR



Prefácio Uma estrela voltando ao céu Notas da imprensa - 1956 1914 – Nasce uma estrela Casamento A rádio nacional do Rio de Janeiro: O mestre Ary Barroso Notas da imprensa Recordando Magdalena Resgatando através da arte, a memória da grande musicista Bibliografia e consultas



A memória de Jaurés Guisard


O resgate de nossa história

Camões Filho * Entre agosto de 1976 e fevereiro de 1977 a TV Globo exibiu a sua última novela em preto e branco, "Estúpido Cupido", escrita por Mário Prata e dirigida por Régis Cardoso. Na abertura da novela, a brilhante gravação de Celly Campello, que voltava a encantar o público brasileiro. O álbum da telenovela vendeu mais de 1 milhão de cópias, um recorde à época. De repente as novas gerações tiveram contato com a música singela e encantadora de Celly, considerada a primeira cantora de rock brasileira. Foi essa talentosa taubateana que cantou a trilha sonora de uma geração que começava a mostrar sua força, inserindose em todos os setores de uma sociedade até então extremamente conservadora. Foi nessa época - meados dos anos 1970 - que conheci um jovem taubateano, quando dirigia o jornal A Tribuna, que logo mostrou seu talento através de seus escritos. Eu o convidei para escrever nas nossas edições de domingo e ele começou a brilhar com matérias especiais, dignas do melhor estilo de reportagem. Assim começou a maravilhosa carreira de Dimas de Oliveira Junior, autor desta importante biografia de Magdalena Querido Guisard, que ele apresenta, corretamente, como a nossa insuperável artista. Dimas construiu, a partir das entrevistas e reportagens que produzia para A Tribuna, uma carreira vitoriosa no teatro, cinema e televisão. Um orgulho para mim, que vi seus primeiros passos, mas já sabedor que tinha diante de mim uma joia preciosa, que logo estaria brilhando em nossa constelação artística, levando o nome de Taubaté para os principais centros culturais e artísticos do país. Competente e generoso, além de produzir dezenas de grandes documentários, Dimas de Oliveira Junior foi um mestre para uma grande plêiade de atores e atrizes, que hoje fulguram nos nossos palcos e nas nossas telas. Um de seus recentes documentários conta exatamente a vida, história e carreira de Celly Campello, com depoimentos inéditos sobre nossa notável cantora, que ao longo de décadas formou um gigantesco rol de fãs, anônimos e famosos. Exilado em Londres, no período da ditadura, ao lado do seu amigo Caetano Veloso, Gilberto Gil em uma emblemática canção dizia que matava saudades do Brasil ouvindo Celly Campello. Esta obra em uma nova edição, revista e ampliada, sobre Magdalena Querido Guisard, exalta o legado dessa talentosa artista, nascida em Taubaté em 26 de novembro


de 1914 - mesmo ano em que surgiu o Esporte Clube Taubate - tendo sido esposa de um dos ícones da política de nossa terra, Jaurés Guisard. Pianista, acordenista, compositora, Magdalena, como nos mostra Dimas, foi uma musicista completa, a ponto de no Rio de Janeiro encantar Ary Barroso no seu célebre programa, ao executar no acordeon, ainda menina, a obra "O Guarany", de Carlos Gomes. Tal feito foi noticiado na renomada revista "Noite Ilustrada", importante publicação dos anos 1940. Outro grande artista brasileiro a se encantar com Magdalena, nos conta Dimas, foi Lamartine Babo, que chegou a batizar uma das composições da talentosa taubateana. Magdalena Querido Guisard nos deixou no dia 13 de maio de 1956. Oswaldo Barbosa Guisard, que tenho a honra de ter como meu Patrono na Academia Taubateana de Letras, que era cunhado da renomada musicista, assim escreveu acerca de sua passagem, exatamente no Dia das Mães: "Mãe íntegra, exemplar caminhou serenamente para o Além, nobremente, de alma e coração, resignadamente sublime, como a mais modelar das mães no dia de sua consagração". Minha querida amiga Patrícia Querido Guisard, filha do Seu Oswaldo, como era carinhosamente chamado, destaca em depoimento para este livro, outro aspecto ímpar de Magdalena: sua elegância. Lembra Patrícia: "Ela era uma pessoa muito vaidosa. Ninguém nunca viu a Tia Magdalena sem estar arrumada. Impecável. Sempre foi uma verdadeira lady". Dimas integra uma lista de renomados documentaristas brasileiros, como Humberto Mauro, João Batista de Andrade, Eduardo Coutinho, Leon Hirszman, Sílvio Tendler, Rogério Sganzerla, Gláuber Rocha. Seguramente podemos afirmar que o palco é o seu chão e sua vida se movimenta em ritmo de cinema, a 24 quadros.por segundo. Taubaté se orgulha de sua história, raízes e tradições. E especialmente de sua gente, de suas personalidades. Dimas de Oliveira Junior, como ninguém, tem sabido resgatar as peculiaridades dessa cidade, a essência de sua alma. Ele garimpa na poeira do tempo gente e acontecimentos e nos apresenta deliciosamente, em textos, como pode ser aquilatado nesta obra, ou em suas produções, notadamente no formato de documentário, retalhos de uma história que, não fosse seu afã e sua competência no resgate, estariam definitivamente perdidos. A história não é letra morta. Aqui o autor mostra que ela está viva, muito viva. Boa leitura.

* Camões Filho, Ribeiro do Couto, natural de Taubaté, é jornalista, escritor e pedagogo, pós-graduado em Jornalismo e Assessória de Imprensa. É membro titular da Academia Taubateana de Letras, onde ocupa a Cadeira nº 7, tendo como Patrono Oswaldo Barbosa Guisard.



13 de Maio de 1956 “A dor onde aparece é formação de luz” – Emmanuel Uma jovem mulher de apenas 41 anos cantarola baixinho músicas de sua infância...Estranhamente ela se mostra alegre, permanece em seus lábios o mesmo sorriso, aquele sorriso franco e aberto que sempre iluminava suas audições musicais...talvez em seus ouvidos ainda esteja bem nítida a impressão de carinho com que sempre foi recebida pelos admiradores de sua arte musical! Talvez se lembre da menina precoce que dedilhava o piano de sua mãe, extraindo a música que hoje lhe traz doces lembranças...O irmão poeta, Lycurgo, a comunhão perfeita da poesia com a sua música...tão cedo dedicou-se à arte musical! Sem pretensões, apenas com a emoção na alma de verdadeira artista. A menina alegre e risonha que corre pela casa, transbordante de alegria e otimismo, cantarola músicas que fazem parte de seu dia à dia...Taubaté de seu nascimento, Taubaté de suas maternidades! Talvez as doces recordações sejam a verdadeira anestesia que ameniza as dores da cruel doença que a consome. Em uma mesa de operações, sendo assistida pelo Dr. Pirajybe Nogueira, do Hospital Santa Catarina, em São Paulo, apesar de uma delicada operação no fígado, o médico admira o estado de espírito elevado de sua paciente, que sob efeito da anestesia local, canta antigas canções com o mesmo sorriso que sempre a acompanhou em suas excursões artísticas nos palcos da vida! O estado de saúde de Magdalena é delicado, talvez até fatal, mas o otimismo é mais forte. Quantas criações mágicas ela ainda poderá fazer ao piano, não é mesmo? As crianças precisam da mamãe...eles ainda são filhotinhos, precisam das asas protetoras da mamãe...O piano não pode silenciar ainda! Quem vai continuar tocando Strings of Pearls1 ? É muito cedo... As lágrimas que sempre vinham em cascatas, junto a uma sinfonia de risos simbolizando toda uma alegria de viver e ser feliz, deixam agora escapar o receio de interromper tanta coisa para se fazer ainda. Mas é preciso cantar! Recordar! Fortalecer o espírito com doces recordações...Em todo o seu ser reinava a luz, a alegria, o desejo de viver, de ser feliz, de ficar curada. As crianças...o piano...mamãe...Jaurés...Essência de violetas pairam no ar! As lembranças enchiam o espaço. E uma luminosidade surpreendente tomou conta do ambiente. A manhã que estava radiosa de luz, transformou-se repentinamente...tudo se transformou! Por toda a parte, a tristeza e o silêncio absoluto. Não mais se escuta uma velha canção...Cor de cinza...Solidão. Era Dia das Mães, 13 de maio de 1956. O trágico e súbito desaparecimento de Magdalena Querido Guisard, transformou a vida das pessoas que a cercavam. Dias sempre tão alegres, tornaram-se sem vida, sem sentido, vazios e silenciosos, como o piano da sala de estar, que definitivamente encerrava sua curta carreira.

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(*) Strings of Pearls (Música de 1941, gravada por Glenn Miller e sua Orquestra pela RCA Bluebird. Composição de Jerry Gray com letra de Eddie DeLange.


O corpo de Magdalena foi trazido de São Paulo para Taubaté, para seu repouso eterno na terra que amava e que a levou a ser conhecida, reconhecida e divulgada, através de suas excepcionais qualidades artísticas e a radiosa simpatia. A partir desse momento, a arte musical de Magdalena passou a brilhar com intensidade, como uma luz vinda de uma força maior, nos céus de Taubaté: Uma Luz que nunca deixou de brilhar, alcançando cada vez mais, a glória de ser reconhecida pela terra que amou, que fez de um curto espaço de vida, uma sequência de obras musicais que tornaram-se inesquecíveis. A luz e a luminosidade de sua arte musical, a sensibilidade de suas composições, a energia de sua alma guerreira permanecem vivas, cada vez que um solo musical é executado. A arte de Magdalena não tem tempo e nem espaço! Nem a morte conseguiu apagar o brilho de seu talento, a prova é quando escutamos suas antigas gravações em discos de 78 rotações e constatamos um efeito mágico vindo daquelas gravações, hoje prejudicadas pelos anos passados com chiados provocados pelo implacável tempo, mas nem isso afeta o brilho musical de seu piano ou do acordeon. Magdalena Querido Guisard continua com seu brilho ímpar, viva na memória de sua terra natal, que pode se orgulhar de ter abrigado a alma e a arte de uma grande musicista, que pode sem a menor dúvida, ser denominada como: “Uma Luz nos Céus de Taubaté”.

Magdalena Querido Guisard



15 de Maio de 1956

DEIXEMOS FALAR O CORAÇÃO Nota da Redação – Rádio Difusora Taubaté Profunda consternação tomou conta do coração taubateano, no domingo à noite, quando ecoou pela cidade a infausta notícia do falecimento de D. Magdalena Querido Guisard, esposa do Sr. Jaurés Guisard, atual prefeito municipal de Taubaté e nosso presado amigo. Seu estado inspirava cuidados especiais e sua família já não nutria esperança alguma quanto ao desfecho da tremenda luta entre a vida e a morte. Magdalena Querido Guisard é um nome que traz para nós recordações de uma era de ouro quando, na C.T.I., a vida transcorria feliz e prospera para todos. As festas que se realizavam no amplo salão do Clube, hoje desaparecido em parte por um incêndio, marcaram época no Vale do Paraíba. E ao espírito alegre e comunicativo de Magdalena Querido Guisard, sempre à frente daqueles empreendimentos, ficamos devendo a projeção que o Clube C.T.I., alcançou. Deixemos, portanto que fale o coração. Abrimos espaço, hoje, à nossa nota de redação, para ler o trabalho de Oswaldo Barbosa Guisard, inserto em “A Tribuna”, sob o título: “A mãezinha que partiu no Dia das Mães”. (Ler a nota de O.B.G.)

A Mãezinha que partiu no “Dia das Mães” - 15 de Maio de 1956

Mãe! Fostes chamada no “Dia das Mães”. O domingo passou frio, triste e sem sol como o daquela manhã que aviamos evocado. E a noite veio de mansinho, calma e fria também. Assim ela também se foi. Extinguindo-se nos seus derradeiros alentos devagarinho até os últimos sopros de sua vida. Lutara valentemente como uma amazona legendária, trazendo no semblante enquanto a lucidez a animou a conformação impressionante dos que se despedem desta vida envolvidos no halo da resignação. Despediu-se de todos os que a cercavam com o carinho maternal das palavras, dos olhares cheios de ternura, apertando-lhes as mãos, firme, não chorando e fazendo lágrimas rolarem nas faces amigas. Mãe, mãe íntegra, exemplar, caminhou serenamente para o Além, nobremente, de alma e coração, resignadamente sublime, como a mais modelar das mães no dia de sua consagração! Cumprira sua missão na terra onde cada existência humana é como um trecho acidentado do planeta; forte nas adversidades, sóbria nas alegrias. Assim ela partiu, legando somente exemplos. Descansa na santa paz do senhor!


E, nós, e os seus aqui, ficamos guardiões do patrimônio infinito, da eterna evolução dos homens e das coisas. Nas nossas consciências como uma perene gota d’água `cair, num consolo imutável de fé: “não te esqueças, que há para além da morte uma esperança”. Foi assim que Oswaldo Barbosa Guisard, ferido também no intimo de sua alma pelo acontecimento infausto, falou sobre a ocorrência triste. E daqui, deste cantinho, enviamos ao Jaurés o nosso comovido abraço de solidariedade, na grande dor que o atingiu, abraço esse extensivo a D. Licinia e a todos os membros da família enlutada, pedindo a Deus que os conforte diante do inexorável. Emílio Amadei Beringhs

Jornal A TRIBUNA Terça-feira – 15 de Maio de 1956 Taubaté


DESAPARECE A PRIMEIRA DAMA DA CIDADE CAUSOU PROFUNDA CONSTERNAÇÃO O FALECIMENTO DA SRA. MAGDALENA QUERIDO GUISARD – O SEPULTAMENTO Faleceu domingo último em São Paulo, no Hospital S. Catarina, onde se achava em tratamento, a Sra. Magdalena Querido Guisard, esposa do Sr. Jaurés Guisard, prefeito de Taubaté. O infausto acontecimento repercutiu dolorosamente em todos os círculos sociais do Município, pois a extinta, que descendia de tradicional família local, soube ser mãe extremosa e esposa dedicada, sempre procurou emprestar sua cooperação aos empreendimentos sociais e filantrópicos. Artista consumada que era, a Sra. Magdalena Guisard, foi durante muito tempo, figura de relevo na organização e direção do Departamento Social da Cia. Taubaté Industrial – cujas atividades artísticas, sociais e culturais, marcaram época nesta cidade. Nos bons e maus momentos de sua existência, a extinta foi sempre de uma dedicação ímpar e, não obstante à modéstia que lhe era peculiar, tornou-se credora de vasto círculo de amizades. Os funerais da Sra. Magdalena Guisard, realizaram-se ontem, as 12 horas no Cemitério Municipal de Taubaté, com acompanhamento de incalculável multidão representada por elementos de todas as classes sociais. Vários colégios da cidade fizeram-se representar nos funerais, a exemplo de personalidade de destaque nos meios políticos, classes trabalhadoras e produtoras da cidade e da região. O prefeito Jaurés Guisard e seus familiares, por motivo da irreparável perda sofrida, vêm recebendo de toda a população incontáveis provas de solidariedade e manifestações de pesar. O comércio local, num gesto bastante louvável, cerrou suas portas à hora do sepultamento.

Jornal A TRIBUNA Quarta-feira – 16 de Maio de 1956 Coluna Indicador Social Taubaté


Jornal O Estado de São Paulo – página 9 – Geral – 15 de Maio de 1956


COISAS DA VIDA – MARIA MAGDALENA Mais moça do que eu dois anos, diferença pequena no meio de uma irmandade numerosa, tivemos a mesma infância, a mesma juventude, os mesmos sonhos pela vida afora. Inda me lembro das suas primeiras manifestações artísticas, tocando com os dedinhos pequenininhos, ao piano, mal alcançando o teclado, ligeiras melodias que deixavam antever a virtuose de mais tarde. Recebíamos, desconfiados, os elogios a ela dirigidos pelos parentes mais velhos. Aos dez anos, no Teatro Municipal de São Paulo, recebia flores pela sua arte. Vimo-la botão, vimo-la rosa. Uma rosa bonita, dessas que nascem nos jardins pelas madrugadas de abril. Seu rosto redondo era levemente pintado de sardas, para mágua de sua vaidade inocente de menina. Seu coração, entretanto não tinha a mais leve mancha. Boa filha, boa irmã, boa esposa, boa mãe. Foi, porém, nos últimos dias de seu sofrimento, que deixou perceber a maior virtude do seu coração – a serena confiança em Jesus. Em meio à maior dor, esboçava um sorriso, - que para nós parecia sobre humano – e agradecia ao Pai por ter lhe dado forças para saltar mais uma pedra do caminho. Orai por ela. Coisas da Vida... JAP

Nota do Autor: Crônica escrita por Lycurgo Barbosa Querido, com seu pseudônimo artístico/literário: JAP, para o Jornal A TRIBUNA (Taubaté), em 16 de Maio de 1956 (quartafeira), Coluna Indicador Social.

LYCURGO BARBOSA QUERIDO (1912-1982) – Poeta e Orador consumado, Jornalista,

funcionário da C.T.I., (Companhia Taubaté Industrial), Redator do C.T.I., Jornal, Vereador. Nome verdadeiramente ligado às artes, à cultura e ao progresso. Pertenceu o Rotary ClubCentro, e foi o introdutor das linhas telefônicas nas cidades fora do eixo Rodovia Presidente Dutra, como São Luis do Paraitinga, Cunha, Ubatuba e outras. Fundou um Hospital para os pobres, fazendo apostolado kardecista em Alcântara (Maranhão). Irmão de Magdalena Guisard e um dos maiores incentivadores de sua arte musical, sempre presente na vida artística da irmã, contribuindo com seus dotes artísticos de grande qualidade.

Jornal A TRIBUNA Terça-feira – 19 de Maio de 1956 Taubaté


AGRADECIMENTO As famílias Querido e Guisard, vêm de público expressar os seus melhores agradecimentos a todos os quanto de qualquer modo emprestaram sua magnífica solidariedade moral e material, durante a enfermidade de sua pranteada Magdalena Querido Guisard, e posteriormente no decorrer de seus funerais, muitos dos quais se desvelaram com o maior empenho para que outro fosse o resultado dos seus esforços. Em sua imensa sabedoria não quis o Supremo Senhor dos mundos conservá-la com vida e sua família sente-se confortada em poder manifestar o seu mais sincero reconhecimento por todas essas manifestações de carinho recebidas, e sem que deseje estabelecer divisores nas excepcionais demonstrações de amizade, de generosidade e mesmo de abnegação recebidas, quer respeitosamente lembrar nestas linhas os nomes dos ilustres médicos, Dr. Piragibe Nogueira, Lauro Sant’Ana, Paulo Rebocho, Carlos Ryoma Ione e Antonio M. Marcondes, a irmã Deolinda e todas as enfermeiras do 5. Andar do Sanatório Santa Catarina, a direção do destacado estabelecimento hospitalar, os nobres amigos doadores de sangue e entre esses os dignos elementos do 5. B.C., ao Hospital Santa Isabel, o Instituto Adolfo Lutz de Taubaté, a Companhia Telefônica Brasileira e atenciosas telefonistas de Taubaté, às Câmara Municipal e Prefeitura de Taubaté, às imprensa escrita e falada da cidade, aos colégios e Escolas Secundárias e Normal de nossa cidade e mais todos os que contribuíram para minorar as amarguras vividas pela família com o passamento prematuro da querida extinta. A todos, o nosso Deus lhe pague.



A FORMAÇÃO DO “TRONCO” DA ÁRVORE GENEALÓGICA DA FAMÍLIA BARBOSA-QUERIDO Em 1 de Setembro de 1872 nasce em Cunha, pequena cidade paulista situada entre o Vale do Paraíba e a Serra do Mar, um menino que na pia batismal recebeu o nome de Bernardino. Filho de José Augusto Pereira Querido e Faustina Brícia de Araújo Querido, teve Bernardino uma infância sem maiores consequências, como os demais meninos de sua época. Filho de fazendeiro abastado, comensal do Imperador Dom Pedro II, destinado a futuro fidalgo da Corte, sua adolescência foi toda ela tendente à formação de sólida cultura e educação esmerada, própria dos moços destinados aos serviços do Imperador do Brasil. Em 15 de novembro de 1889, quando tinha 17 anos, aconteceu a República, cortando assim os passos e a carreira sonhada. Mas, o golpe republicano acabou sendo de certa forma positivo para Bernardino, que descobriu a sua verdadeira vocação: o magistério. Desde essa época não fez outra coisa em sua vida a não ser ensinar, ensinar, ensinar! Várias gerações passaram por suas mãos, sendo reconhecido durante toda a sua vida como um grande Mestre, que ensinou os primeiros passos para muitos jovens, que sempre foram reconhecidos para com os ensinamentos do Professor Bernardino. É de sua autoria a frase inscrita no portão de acesso ao Aeroporto Santos Dumont do Rio de Janeiro: “Quando Santos Dumont contornou a Torre Eiffel, o nome do Brasil deu a volta ao Mundo”. Grande orgulho entrar no Aeroporto da Cidade Maravilhosa do Brasil, e poder ler essa frase em destaque. Em homenagem a esse grande homem, a cidade de Taubaté colocou o nome do Mestre em uma via pública no bairro da Vila São José e em uma Escola a “E.E. Prof. Bernardino Querido”.

BERNARDINO QUERIDO E LICÍNIA NOGUEIRA BARBOSA – foto de 1948


Em 11 de Abril de 1869, na cidade de SIlveiras, estado de São Paulo, nascia Licínia Nogueira Barbosa, filha do Dr. Francisco de Paula Nogueira Barbosa e de Dona Iria de Alcântara Nogueira Barbosa. Licinia Nogueira Barbosa, iria se tornar grande amante da música e uma pianista de grande sensibilidade, estudante normalista aos 48 anos de idade e uma notável mãe de família. Em 30 de Julho de 1898, Bernardino, o poeta das Rimas na Prosa e Licinia, a pianista, casaram-se em Taubaté, em cerimônia celebrada pelo Padre Antonio do Nascimento Castro, mais tarde Monsenhor. Em 10 de Junho de 1899 nasceu o primeiro filho do casal, Jarbas, falecido em 17 de Março de 1900, antes de completar o primeiro ano de vida. O segundo filho foi José Augusto, nascido a 12 de Agosto de 1900, em Tremembé. Em 13 de dezembro de 1901, em São Paulo, nasceu Dalila, a terceira filha. Andrieux é o quarto filho, nascido em 12 de Fevereiro de 1905 em Taubaté. Em 10 de Março de 1907, nasce Dinorah, a quinta filha, na cidade de Taubaté. Guajira é o sexto filho do casal, nascido em 3 de Março de 1910. Em 15 de janeiro de 1912, nasce Lycurgo, o sétimo filho. Em 26 de novembro de 1914, nasce Magdalena, na cidade de Taubaté. Mary, que viria a ser a nona filha, nasce em 15 de dezembro de 1916. A décima filha é Guiomar, nascida em 28 de agosto de 1918, e falecida no mesmo ano no dia 2 de dezembro. Em 21 de janeiro de 1920, nasce Arthur. Em 3 de fevereiro de 1923, nascia o décimo segundo filho do casal, Francisco. Zélia, seria a décima terceira filha, nascida em 21 de agosto de 1925.

A FAMÍLIA BARBOSA QUERIDO EM 1932 - * Magdalena é a primeira à esquerda.


Magdalena Barbosa Querido, a oitava filha dos professores Bernardino Querido e Licinia Barbosa, nasceu exatamente no primeiro ano da Primeira Guerra Mundial (também conhecida como Grande Guerra ou Guerra das Guerras até o início da Segunda Guerra Mundial) foi uma guerra global centrada na Europa, que começou em 28 de julho de 1914 e durou até 11 de novembro de 1918. Dias antes de seu nascimento, Venceslau Brás era eleito o nono Presidente da República no Brasil e em 26 de novembro, uma quinta-feira, dia de seu nascimento, comemorava-se 254 anos da Fundação de Tremembé, a bucólica cidade do Estado de São Paulo, vizinha de Taubaté. Também nesse ano, no dia 1 de novembro foi fundado, o Esporte Clube Taubaté e a Estrada de Ferro de Campos do Jordão, já eletrificada e que ligava a cidade de Pindamonhangaba a Campos do Jordão. Na música, seria um ano extremamente importante com o nascimento de grandes nomes como, o compositor César Guerra-Peixe, o cantor, compositor e pintor Dorival Caymmi, a poetisa e compositora Adalcinda Camarão, a cantora Aracy de Almeida e o compositor Lupicínio Rodrigues. Magdalena nasceu em Taubaté, na época em que os carros de boi passavam chiando, cantando aos ouvidos sonolentos dos carreiros, carregados de lenha para os fogões da cidade, quando as casas tinham grandes beirais onde os passarinhos em bela variedade se escondiam da ira dos pardais, no tempo dos afamados pastéis do “Teixeira”, dos bolinhos de carne, dos bolinhos de peixe do mercado todos com uma pequena cabeça de lambari em relevo ao centro identificando o produto, das decantadas “pipocas do Guerrinha” no findar da era do pinhão cuzido...quando o “Dito Bandeira” o “Dito Trapeiro”, erguia socando terra e água nos caixões, os derradeiros muros de taipa na cidade, quando cavaleiros passavam orgulhosos e vaidosos pelas ruas. A partir da primeira metade do século XIX, o Vale do Paraíba experimentou o surto de progresso com a chegada do café, produto que por mais de cem anos seria a base da economia não apenas regional, mas de todo o Brasil. Na região vale – paraibana, numerosas fazendas dedicaram-se à monocultura do café. Só em Taubaté eram mais de 80. O café, produzido em grandes quantidades em todo o Vale do Paraíba, caracterizou essa região como a região mais rica e produtiva do Brasil. A concentração de grandes fortunas constituídas a partir da produção e comércio do café deu a Taubaté um grande impulso de progresso, nunca vistos até então. Nesse período, Taubaté e toda a região vale-paraibana adquiriram grande prestígio por sua situação econômica confortável, que proporcionava a seus moradores uma qualidade de vida superior à média do País naquela época.

TAUBATÉ ANOS 20 – acervo Mistau (Museu da Imagem e do Som de Taubaté)


Em fevereiro de 1906, Taubaté sediou um importante encontro dos governadores dos três maiores produtores de café no Brasil, os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que tinha como propósito se criar uma “Caixa de Conversação” para maior valorização do café. Foi um importante acontecimento para a história local, o que comprovava a posição de destaque que Taubaté desfrutava como a cidade de maior projeção no Vale do Paraíba. O declínio acentuado na produção do café nas primeiras décadas do século XX provocou uma necessidade de mudança na atividade econômica de todo o Vale do Paraíba. Com a decadência do café, muitos fazendeiros falidos tiveram de vender suas propriedades, assim, a atividade econômica antes concentrada integralmente na monocultura do café agora se tornava diversificada. As duas primeiras indústrias de Taubaté foram a Companhia de Gás e Óleos Minerais de Taubaté (1833) e a companhia Taubaté Industrial - C.T.I. (1891), sendo que esta última absorveu em seu quadro de funcionários grande parte dos imigrantes e antigos moradores da zona rural, que vieram para a cidade após a decadência do café.

CTI – Companhia Taubaté Industrial – acervo Mistau (Museu da Imagem e do Som de Taubaté)

Além das duas empresas pioneiras em Taubaté, outras de menor porte se juntariam a elas durante as primeiras décadas do século XX: as Indústrias Reunidas Vera Cruz, em 1923 (tintas); a Companhia Fabril de Juta, em 1927 (sacaria); a Corozita S.A., em 1935 (botões) entre outras.


Vários fatores contribuíram para um maior incentivo à industrialização em Taubaté, como a disponibilidade de mão-de-obra barata e especializada; as facilidades de comunicação entre São Paulo e Rio de Janeiro, pela estrada de Ferro Central do Brasil, e a rodovia São Paulo - Rio de Janeiro, ambas interligando cidades vale-paraibanas. Mas ela nasceu numa cidadezinha onde um bucolismo rescendia a cheiro suave de mato das madrugadas porque, nela havia muita e muita música, música sentimental e linda, desde a aurora até pelas noites adentro. E música executada, música fresca, música das almas humanas brotando do coração, longe bem longe das conservas, dos “enlatados”. E mais do que a pequena cidade, sua casa, era uma fonte de música desde as manhãs pelas mãos privilegiadas da grande pianista Licínia. Desde bem pequenina ainda, Magdalena, encostava-se à sua mãe para ouvir música, acompanhando de olhinhos vivos a marcha dos dedos da grande pianista que era Dona Licínia. Possuidora de notável senso auditivo, voltava sozinha ao piano para tentar imitar sua mãe. Segundo registro de Oswaldo Barbosa Guisard no livro “Taubaté no aflorar do Século”, contava que o Dr. Oberdank Montelli, ilustre cirurgião taubateano, por duas vezes atravessou a rua pela manhã, quando se dirigia ao Hospital de Santa Izabel e se encostou a uma janela semi-aberta da “casa grande” para admirar vendo e ouvindo, um fabuloso quadro, expressão da inocência infantil, em busca da beleza da música:

“Magdalena, aos quatro anos, pequenina, gordinha, completamente despida, de pé para alcançar os pedais, ali estava tocando, manejando as teclas com facilidade, e tocando as músicas que assimilara de cor, das que ouvira de sua mãe”. Na segunda vez, depois de ouvir a exibição da “pequenina Eva”, foi por ela percebido que correu, célere para dentro da casa!

Magdalena menina. – Anos 20


No início da década de 20, era prática comum no Theatro Municipal de São Paulo, audições beneficentes, geralmente tendo como “patronesses”, grandes damas da sociedade paulistana, como Eglantina Penteado da Silva Prado que era casada com o político Antonio da Silva Prado Junior, e que serviam para apresentar jovens talentosas na música e na dança em eventos especiais. O Theatro Municipal de São Paulo é um dos mais importantes teatros do Brasil e um dos cartões postais da cidade de São Paulo. Localizado no centro da cidade, na Praça Ramos de Azevedo, foi inaugurado em 1911 para atender ao desejo da elite paulista da época, que queria que a cidade estivesse à altura dos grandes centros culturais. Seu estilo arquitetônico é semelhante ao dos mais importantes teatros do mundo e foi inspirado na Ópera de Paris. Além de sua importância arquitetônica, o teatro também possui notabilidade histórica, pois foi palco da Semana de Arte Moderna, o marco inicial do Modernismo no Brasil. É considerado um dos palcos de maior respeito do Brasil e apresenta uma das maiores e melhores produções líricas do país. Importantes artistas já pisaram em seu palco como Enrico Caruso, Beniamino Gigli, Mario Del Monaco, Maria Callas, Renata Tebaldi, Bidu Sayão, Benito Maresca, Niza de Castro Tank, Neyde Thomas, Arturo Toscanini, Camargo Guarnieri, Villa-Lobos, Francisco Mignone, Magdalena Tagliaferro, Guiomar Novaes, Pietro Mascagni, Ana Pawlova, Isadora Duncan, dentre muitos outros.

Teatro Municipal de São Paulo

E foi nesse palco, aos 6 anos de idade no ano de 1920, que Magdalena Barbosa Querido fez seu “debut” artístico, apresentando-se para a nata da elite paulistana. Não fossem as grandes dificuldades financeiras de seu pais, Magdalena teria oportunidade de poder prosseguir seus estudos na Capital e desenvolver-se como uma figura gloriosa nacional e até mesmo internacional, como as grandes pianistas brasileiras, Guiomar Novaes


e Magdalena Tagliaferro. Mas quis o destino que ficasse em Taubaté e brilhasse como uma das mais importantes musicistas de Taubaté e do Vale do Paraíba, como acordeonista, pianista e compositora. Em final da década de 20 e início de 30, começou a nascer a paixão dos primosirmãos, Jaurés e Magdalena. A família via com bons olhos a futura união e iniciou-se assim um romance que iria durar até após a morte de Magdalena. Todos sabem que a devoção, amor, carinho e orgulho que Jaurés devotava a sua “Madá” (como ele carinhosamente a chamava) era intenso e verdadeiro, totalmente correspondido por Magdalena. Jaurés sempre olhou para Magdalena com muito orgulho, vaidoso da arte musical da mulher que amava. Jaurés Barbosa Guisard nasceu em Taubaté no dia 4 de fevereiro de 1905, filho de Eugênio Guisard (irmão de Felix Guisard) e de Zilia de Alcântara Nogueira Barbosa (irmã de Licínia, mãe de Magdalena). Curiosamente, seus dois irmãos casaram-se com irmãs de Magdalena: Victor Barbosa Guisard, casou-se com Dalila em 21 de dezembro de 1922 e Oswaldo Barbosa Guisard com Dinorah em 26 de dezembro de 1936. Jaurés foi vereador em Taubaté na 1ª Legislatura (1948 a 1951) e 4ª Legislatura (1960 a 1963). Foi prefeito em três ocasiões: 1947 (entre abril e maio), de 1956 a 1959 e de 1964 a 1969. Como chefe do executivo, inaugurou a era dos asfaltos e a construção de arranha-céus na cidade, criou o ginásio municipal e a escola de música e artes plásticas, sancionou a lei que criava o IPMT (Instituto de Previdência do Município) e urbanizou a Praça Santa Terezinha. Foi também vereador, deputado estadual e diretor da CTI (Companhia Taubaté Industrial).

Jaurés Barbosa Guisard


Jaurés Guisard sempre foi um homem de extrema honestidade e defensor de seus ideais políticos, mesmo sendo prejudicado por sua transparência ao falar o que pensava e sentia, e isso em vários momentos de sua carreira política, como no caso de defesa à Monteiro Lobato, o que lhe rendeu ser fichado no DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) juntamente com o Dr. Felix Guisard Filho, em um dossiê de 32 páginas, apenas pelo motivo de apoio a criação da Semana Monteiro Lobato, em Taubaté. Além disso, ficou famosa a “lenda” de Jaurés ter atirado em Getúlio Vargas: 1º de novembro de 1947. Praça D. Epaminondas lotada. Depois de fazer um banquete no TCC, Getúlio Vargas sobe no palanque improvisado na escadaria da catedral. Naquela época, votava-se separadamente ao cargo de vice-governador e Vargas estava na cidade para defender Cyrillo Jr. em oposição a Noveli Jr., candidato apoiado pelo presidente Dutra e pelo governador Ademar de Barros.

Ficha do DOPS de Jaurés Guisard

O clima era tenso. Taubaté, além de “ademarista”, mantinha sangrando as feridas do levante paulista de 1932. A bandeira paulista hasteada a meio-pau no prédio que ficava do lado oposto ao palanque dava o recado. A praça estava lotada. O discurso de Getúlio, que chegou a ser interrompido por um corte de energia, foi concluído sem incidentes. A fala de Wilson de Carvalho criticando duramente Ademar de Barros e Dutra transformou a D. Epaminondas numa praça de guerra. Para conter os ânimos, soldados atiraram para o alto provocando um corre-corre geral. No palanque, o espetáculo não foi diferente. Enquanto deputados se jogavam no chão, outros gritavam histéricos. Getúlio foi atirado ao chão pelo seu guarda-costas, Gregório Fortunato, e, de “pernas bambas”, foi obrigado a fugir de Taubaté. O site Almanaque Urupês conta detalhes inéditos desta história a partir de documentos do DEOPS e de jornais de várias partes do Brasil. Tenta também responder a uma antiga lenda: Jaurés Guisard atirou em Getúlio Vargas? De minha parte pesquisando nos Arquivos da Fundação Getúlio Vargas no CPDOC, encontrei um telegrama (Serviço Radiotelegráfico- Radiograma) de Jaurés Guisard, então


Deputado, para Getúlio Vargas, datado de 22 de dezembro de 1953, e analisando o teor do mesmo, não me parece que alguém que teria “promovido” um atentado, mudasse radicalmente de ideia e posicionamento político. O texto fala por si só:

“Presidente Getulio Vargas–Palácio do Catete Rio. Recebemos com entusiasmo diretriz histórica traçada seu discurso Curitiba. Vimos alertando nação durante vários anos sobre interferência Cias estrangeiras no processo desenvolvimento nossas industrias. Quase sozinhos, pregamos nacionalização da LIGHT e a construção da Usina do Vale do Paraíba, condições imprescindíveis ao crescimento do nosso Parque Industrial, sendo ferozmente combatidos pelos “Trustes” e pelos seus agentes, na Imprensa e no parlamento e constantemente vigiados pelos DOPS. Congratulamo-nos com V. Excia. Por tão patriótica advertência que servirá de marco histórico da nossa campanha nacionalista dos homens de bem em favor nossa Patria e contra os seus exploradores, nacionais e estrangeiros. V. Excia. Passará para a posteridade como o defensor das nossas riquezas de Petroleo, mineirais uraníferos e agora o aproveitamento da nossa Hulla branca. Como soldado de V. Excia. Continuamos na estacada em defesa da honra e das riquezas de nossa pátria, pusnando pela Independencia econômica do pais, sem que a liberdade política será mera ficção. Jaurés Guisard – Deputado.”

Telegrama de Jaurés Guisard para Getúlio Vargas.


“Sou baixinho, mas sou Espeto”, era a frase com que Jaurés Guisard se definia. Fica para análise o documento acima, do homem que é apontado como um “atirador”, mas que exalta o chefe da nação Brasileira, em outro momento, em um documento real. Cabe ao leitor as suas próprias conclusões. Em 1978, o vereador Djalma José de Castro apresentou projeto de resolução, dispondo sobre a denominação de Plenário Jaurés Guisard o local onde os vereadores realizam as sessões. Ao apresentar o projeto, Djalma Castro justificou que Jaurés Guisard foi vereador em duas ocasiões, deixando “seu nome gravado indelevelmente como autêntico municipalista, defensor intransigente das justas causas em favor dos munícipes taubateanos”. Faleceu em Taubaté no dia 26 de junho de 1978. Em 9 de julho de 1932 teve início a Revolução Constitucionalista, uma revolta do Estado de São Paulo contra o governo de Getúlio Vargas. A exigência dos paulistas era que Vargas criasse uma nova Constituição (novo conjunto de leis para o país). Taubaté parecia uma cidade sitiada. Soldados ocupavam as ruas e havia toque de recolher. O prefeito controlava preços e estoques públicos e particulares de alimentos. Quase todos os prédios públicos estavam cedidos ao Comando de Guerra. “Sem salvoconduto, ninguém entrava ou saía de Taubaté”. Taubaté formou 5 batalhões voluntários:

Batalhão Jacques Felix; Batalhão dos Caçadores; Batalhão Arquidiocesano; Batalhão Mantiqueira e Batalhão Auxiliar da Força Pública do Estado. O então prefeito de Taubaté, o major Paranhos de Bello, além de controlar a cidade, comandava também um batalhão de soldados, o Batalhão Auxiliar da Força Pública do Estado, popularmente conhecido como “Batalhão Major Paranhos”. Taubaté teve pelo menos 6 voluntários mortos em combate. Só dois deles – Voluntário Benedito Sergio Pinto e Voluntário Penna Ramos – foram homenageados com seus nomes em ruas da cidade. A população foi intimada a vigiar vizinhos e vizinhanças a procura de “traidores ou espiões”. Quem não segurasse a língua poderia ir para a cadeia. Em Taubaté, ao menos duas pessoas foram presas por “derrotismo”. Taubaté ficou em Estado de Guerra e prédios públicos foram usados em prol da revolução: - Câmara Municipal (hoje Banco do Brasil, Rua Visconde do Rio Branco) – abrigou a Delegacia Técnica do MMDC; Estação Ferroviária – A cantina do Soldado de 32, organizada por senhoras da sociedade local, funcionava 24 horas; Colégio Lopes Chaves – Era onde se alistavam os voluntários do Batalhão de Caçadores; Fábrica de Seda Felenas (depois Embaré, hoje um condomínio de luxo) – ali foi instalado um posto de vigia com duas metralhadoras. A população do Vale do Paraíba foi a que mais sofreu durante os combates. Aqui estavam concentradas a maior parte das tropas, tanto do governo federal, quanto do exército constitucionalista. Muitas famílias perderam parentes, bens, animais e criação. Jaurés, já noivo de Magdalena, fez parte das tropas revolucionárias, ao lado dos futuros cunhados: Lycurgo, José Augusto, Guajira e Andrieux e seu amor não seria impedido de ser declarado à Magdalena, enviando uma fotografia, uniformizado com a dedicatória: “A minha noiva querida, Magdá, a recordação do Jaurés – 09 -7-932“


Jaurés na Revolução de 32, dedicando a fotografia para sua noiva “Magdá”.



As famílias Barbosa Querido sempre unidas por um grande laço de amor familiar, moravam todos juntos, na chácara de Dona Iría de Alcantara (avó e grande matriarca). As crianças iam nascendo e crescendo em meio ao seio familiar. Era uma tradição familiar, de que as crianças mais velhas, cuidassem dos mais jovens e dos recém nascidos...e eram muitas crianças, pois, para ser ter uma idéia, Dona Zilia teve 12 filhos, Dona Licina 13 e Joviniano 14. Nada mais justo e pratico que uma tradição familiar, para ajudar a tomar conta de numerosa prole. Quando Magdalena nasceu em 26 de novembro de 1914, Jaurés Guisard, nascido em 1905, já contava 9 anos, e foi incumbido de ser o “babá” da pequena prima recém nascida, cuidando dela com muito mimo e carinho, tornando-se assim, oficialmente o guardião da pequena “Madá”, aquela bonequinha sorridente. Esses cuidados foram desde o nascimento dela. Conforme Magdalena crescia, ainda menina, Jaurés chegou para sua tia Licínia e declarou que iria casar-se com a prima: - Tia Licínia, eu vou esperar a Madá crescer e vou casar com ela! E isso aconteceu de fato. Ele já um mocinho, esperando a adorada prima, ainda criança, completar 18 anos para poderem casar-se.

Jaurés já mocinho e a menina moça Magdalena, anterior ao casamento.

Ele era apaixonado por ela, completamente apaixonado. As sobrinhas achavam lindo de se ver, tanto amor e sonhavam em encontrar em suas vidas adultas, um homem tão apaixonado, como era o “Tio Jaurés” pela “Tia Magdalena”. O tão esperado casamento aconteceu no dia 15 de janeiro de 1933, em Taubaté, e as daminhas de honra foram a irmã de Magdalena, Zélia, e a sobrinha Dalila.


O casamento de Magdalena e Jaurés em 15 de janeiro de 1933

Dessa união, nasceriam os filhos: Zilia (07 de novembro de 1934), Dyla (05 de Maio de 1936), Celso (22 de Agosto de 1938), Edna (05 de novembro de 1942) e Régis (14 de novembro de 1949).



1939 A Rádio Nacional do Rio de Janeiro, foi a mais importante emissora de todo o Brasil. A emissora foi a primeira a ter alcance em praticamente todo o território do Brasil. Tinha, então, o prefixo PRE-8, com o qual também era identificada pelos ouvintes. Tornouse um marco na história do rádio brasileiro. Quando foi criada, em 12 de setembro de 1936, a transmissão teve início às 21 horas, com a voz de Celso Guimarães, que anunciou: "Alô, alô Brasil! Aqui fala é a Rádio Nacional do Rio de Janeiro!". Depois, vieram os acordes de "Luar do Sertão" e uma bênção do Cardeal da cidade. Inicialmente uma empresa privada, foi estatizada pelo Estado Novo de Getúlio Vargas em 8 de março de 1940 que a transformou na rádio oficial do Governo brasileiro. Mais interessado no poder e na penetração do rádio como instrumento de propaganda o Estado Novo permitiu que os lucros auferidos com publicidade fossem aplicados na melhoria da estrutura da rádio o que permitiu que a Rádio Nacional mantivesse o melhor elenco de músicos, cantores e radio atores da época, além da constante atualização e melhoria de suas instalações e equipamentos. Em 1941, a Rádio Nacional apresentou a primeira radionovela do país, "Em busca da Felicidade" e, em 1942, inaugurou a primeira emissora de ondas curtas, fato que deu aos seus programas uma dimensão nacional. A rádio também contava com programas de humor como: "Edifício Balança mais não cai" que contava com Paulo Gracindo, Brandão Filho, Walter D’Ávila, entre outros, e "PRK-30" que simulava uma emissora clandestina que "invadia" a freqüência da Rádio Nacional, o programa era escrito, dirigido e apresentado por Lauro Borges e Castro Barbosa, ele parodiava outros programas, inclusive da própria Rádio Nacional, propagandas e até cantores e músicas.[2] Foi pioneira também no radio jornalismo quando, em 1941, durante a II Guerra Mundial, criou o Repórter Esso. Criado basicamente para noticiar a guerra sob o ponto de vista dos aliados, o Repórter Esso acabou criando um padrão inédito de qualidade no radio jornalismo brasileiro que, até então, limitava-se a ler no ar as notícias dos jornais impressos. Com o seu modo austero e preciso de noticiar, o Repórter Esso fez escola e serviu de modelo para diversos outros programas de notícias que se seguiram, até mesmo na televisão. O Repórter Esso ficou no ar até 1968 e seu slogan era: "a testemunha ocular da história". Teve como seus maiores locutores Heron Domingues, Celso Guimarães, César Ladeira, Ary Barroso, entre outros. Dos anos 1930 até o final dos anos 1950, o rádio possuía um enorme "glamour" no Brasil. Ser artista ou cantor de rádio era um desejo acalentado por milhares de pessoas, especialmente os jovens. Pertencer aos "cast" de uma grande emissora como a Rádio Nacional era suficiente para que o artista conseguisse fazer sucesso em todo o país e obtivesse grande destaque e prestígio. E foi na Rádio Nacional que a notável Magdalena Guisard foi comtemplada com o primeiro prêmio no programa “Em busca de Talentos”. Em 27 de Junho de 1939, o jornal A NOITE ILUSTRADA, um dos principais veículos de comunicação da época, noticiava:

O programa da PRE-8, “Em busca de talentos”, tem apresentado aspectos encantadores de arte, verdadeiras revelações que surpreendem e que deliciam o público. As gravuras mostram duas premiadas ultimamente: Sra. Magdalena Guisard, que veio de Taubaté, São Paulo, especialmente para concorrer, tendo logrado o primeiro premio com a


execução primorosa de um trecho do “Guarani” em acordeon – e Sra. Maria Mucia, que interpretou com singular maestria a conhecida canção russa “Olhos Negros”.

Jornal A Noite Ilustrada de 27 de junho de 1939

1949 Inaugurado em São Paulo o Museu de Arte Moderna, com a exposição “Do Figurativismo ao Abstracionismo”! Morre no Rio de Janeiro o general Isidoro Dias Lopes, um dos líderes das revoluções paulistas de 1924 e 1932! O Brasil sagra-se campeão sulamericano de futebol! O TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) inicia sua fase profissional com a estreia de “Nick Bar”, dirigida por Adolfo Celi e estrelada por Cacilda Becker! O Presidente da República, Eurico Gaspar Dutra recebe no Brasil a visita do Presidente norte americano, Harry Truman! A novata Marlene é eleita a Rainha do Rádio Brasileiro de 1949! Francisco Alves é considerado o cantor mais amado do Brasil! Getúlio Vargas articula sua candidatura à presidência! Fim de um década marcada pel Segunda Guerra Mundial, esperança nos corações brasileiros de uma nova fase! No então Distrito Federal, Rio de Janeiro, o Rádio Brasileiro vive seus dias de apogeu, Ary Barroso, o famoso compositor de “Aquarela do Brasil”, “Na Baixa do Sapateiro”, “Os Quindins de Iaiá”, “Risque” e tantos outros clássicos da música popular brasileira, imortaliza os programas de calouros, que ficaram famosos pelos disparates que os candidatos diziam e pelo gongo, Ary brincava com os calouros, fazendo os rádio ouvintes se divertirem com os absurdos ditos ao microfone. Extremamente crítico, profundo conhecedor da arte musical, tudo isto aliado à um gênio irascível e um mau humor crônico,


faziam de Ary Barroso, o pesadelo de diversos candidatos que apresentavam-se em seus programas nas Rádios Cruzeiro do Sul, Tupi e Nacional.

O compositor Ary Barroso

Como faziam todos os anos, a família Guisard se transportava para o Rio de Janeiro para merecidas férias. Quebrando a rotina, resolveram trocar hotéis e pensões por um apartamento na Avenida Atlântica, 554 – apartamento 54, no elegante bairro do Leme. Jaurés, Magdalena e seus filhos: Zilia, Dyla, Celso e Edna, aproveitavam as merecidas férias sob o sol e a brisa de Copacabana. Mas, mesmo em descanso, Magdalena não conseguia ficar muito tempo longe de sua arte musical, e decidiu ir ao Programa do Ary Barroso, na Rádio Nacional.

A família Guisard, Magdalena, Jaurés e filhos: Zilia, Dyla, Celso, Edna e Régis


Entre humilde e assustada, mas consciente e firme de sua arte, Magdalena Guisard inscreveu-se para participar do temido Programa de Calouros. No grande dia, a incomparável pianista e acordeonista apresentou-se com uma sanfona de 12 baixos executando como solista, “O Guarani” de Carlos Gomes, deixando perplexo o genial Ary Barroso, que percebeu que à sua frente estava uma consumada e verdadeira musicista da mais alta qualidade! Além do Primeiro lugar conquistado, Magdalena foi contratada pela Rádio nacional para tocar 1 hora por dia, enquanto durasse seu passeio no Rio de Janeiro. O reconhecimento e a vitória da menina de Taubaté que com seu brilhantismo perfeitamente sincronizado com sua arte de musicista, conquistou o “ranzinza” Ary, que ficou comovido e constrangido, porque viu que tinha à sua frente uma grande artista.

Rádio Nacional do Rio de Janeiro – anos 40 Talvez se Magdalena tivesse permanecido no Rio de Janeiro, com certeza seria uma das grandes estrelas da música, presentes na constelação radiofônica. Mas, apesar de seu grande amor à música, seus deveres de mãe e esposa foram muito fortes em seu coração, voltando para Taubaté, e continuando a encantar seus conterrâneos, brilhando nos palcos de sua terra mãe.


Aos 35 anos, Magdalena Guisard deixou o sonho absoluto da década de 40, que era o de ser uma estrela do Rádio Brasileiro, para continuar em sua cidade natal, contratada pela Rádio Difusora Taubaté e contribuindo para a formação de tantos jovens, com suas aulas de piano e inesquecíveis apresentações artísticas. Uma simples e caseira sanfona de 12 baixos nas mãos de Magdalena conseguiram traduzir o encanto e a alma brasileira no seu mais expressivo toque musical! Rapidamente o destino poderia sofrer grandes alterações, mas o seu mais valioso prêmio no ano de 1949, seria em novembro, a chegada de Régis, que veio para preencher ainda mais, o coração materno de nossa artista.

Magdalena Guisard e seu famoso acordeon.



JORNAL TAUBATÉ COUNTRY CLUB ANO II – 3 de Janeiro de 1940 NÚMERO 25 – PÁGINA 2

BAILE EM HOMENAGEM AOS PRESIDENTES DRS. RAUL GUISARD E ARTHUR B. AUDRÁ Realizou-se com grande brilho no dia 2 do corrente, o baile que em homenagem aos seus presidentes drs. Raul Guisard e Arthur B. Audrá, foi promovido pelos associados do Taubaté Country Club. A parte musical esteve brilhantíssima e nela tomaram parte a Sra. Magdalena Guisard, Fêgo Camargo, as srtas. Nazareth Romão, Yvette Reis e o jovem Paulo Magalhães. Serviu como “speaker”, Ricardo Moura. A sra. Magdalena Guisard, tanto nos números de piano como nos de concertina, portou-se admiravelmente, tendo encantado o auditório. Fêgo, como sempre, irrepreensível. Após a sessão lítero-musical teve início um animado baile.

JORNAL TAUBATÉ COUNTRY CLUB ANO III – 10 de Outubro de 1940 NÚMERO 34 – CAPA

TAUBATÉ COUNTRY CLUB SOCIAL UMA SÉRIE DE FESTAS INTERESSANTES – CONCERTO LARANJEIRA – TABACOW CHÁS DANÇANTES – DEPARTAMENTO DE CULTURA

O Taubaté Country Club tem oferecido aos seus associados uma série de festas interessantes, destacando-se entre elas os chás dançantes que foram oferecidos aos concertistas, Raul Laranjeira e Adolpho Tabacow e à srta. Prof. Helena Elias. Este chá que se realizou a 14 de setembro último, foi o início de uma série de festas desse gênero que a diretoria pretende oferecer aos srs. Sócios, das quais a próxima terá a finalidade filantrópica, pois visará lucro em benefício da nova sala de operações do Hospital Santa Isabel, a tradicional e bem querida casa de caridade de Taubaté. Uma parte artística deu início à festa na qual se fizeram ouvir o trio composto pelas srtas. Zélia Querido e Abigail Guisard e sr. Arthur Querido, o sr. Paulo Magalhães, as sras. D. Yolanda Beretta e Magdalena Guisard. Findos estes números, Tabacow e Laranjeiras voltaram a encantar o auditório, notadamente este último quando executou com a maestria que lhe é peculiar o “Canto do Rouxinol”, uma peça de Sarazate que arrancou prolongados aplausos dos presentes.


JORNAL TAUBATÉ COUNTRY CLUB ANO III – 5 de dezembro de 1940 NÚMERO 36 – CAPA

UM FESTIVAL INTERESSANTE

Realizou-se a 16 de novembro último, o festival promovido pelo Taubaté Country Club, em benefício da reforma do Bloco Cirúrgico do Hospital Santa Isabel. Foi uma festa interessante que veio revelar um grande número de artistas, além de ter contado com o concurso de Nhô Totico, o notável humorista patrício. A festa teve início às 20:30 horas e constou de 3 partes. A primeira de música ligeira, na qual se fizeram ouvir o trio Dalca-Cecília-Zurma, em magníficos foxes acompanhados ao piano pela sra. Magdalena Guisard; o trio “Vem cá Bitú” na interpretação de sambas estilizados; o Sr. Paulo Magalhães em ótimos números; e finalmente o conjunto sinfônico do qual fazem parte a sra. Magdalena Guisard, com acordeon, srta. Abigail Guisard, piano, srs. Victor B. Guisard, saxofone, Arthur Querido, clarineta, Lycurgo Querido e Olavo Guisard violões, e Chicão Querido, bateria, que executaram o tango “Mano à Mano”, “Mi Oracion” e o samba “Direito de Pecar”, também cantado pelo sr. Arthur Querido. Após esse show teve início o baile que se prolongou ate alta madrugada, cuja animação esteve a cargo do Jazz do clube.

JORNAL TAUBATÉ COUNTRY CLUB ANO III – 5 de dezembro de 1940 NÚMERO 36 – PÁGINA 2

Coluna SOCIAIS – ANIVERSÁRIOS DE NOVEMBRO

26 – a sra. D. Magdalena Querido Guisard, esposa do Sr. Jaurés Guisard.


JORNAL TAUBATÉ COUNTRY CLUB ANO IV – 8 de março de 1941 NÚMERO 39 – PÁGINA 4

DEPARTAMENTO CULTURAL MAGNÍFICA SESSÃO DE REABERTURA COM A PRESENÇA DO ILUSTRE DO ACADÊMICO DR. PEDRO DE OLIVEIRA RIBEIRO NETTO José Pedro Saturnino Na noite de 3 último, o Departamento Cultural do Taubaté Country Club se engalanou todo para o início da temporada artístico-literária de 1941. A parte artística Se magnífica foi a parte literária, também o que se refere à parte artística nada deixou a desejar. D. Magdalena Querido Guisard, aplaudida musicista conterrânea, de valor reconhecido nos grandes centros artísticos do país, deliciou aos presentes, exceutando ao piano a “11ª Valsa de Chopin”, e em acordeon a “Canção do Amor Indú” e trechos da Ouverture do “Barbeiro de Sevilha”.

JORNAL TAUBATÉ COUNTRY CLUB ANO IV – 13 de maio de 1941 NÚMERO 41 – PÁGINA 4

Conferências realizadas 7 de Abril – Iniciado o mês de abril, tivemos como conferencista na noite de 7, o sr. Miguel Rizzo, que dissertou sobre o tema “Pátria e Mocidade”. Orador de extraordinários recursos, a sua palestra agradou plenamente. A parte artística esteve a cargo das sras. Licínia Barbosa Querido e Magdalena Querido Guisard em números de piano e acordeon. Como sempre o auditório as aplaudiu como bem merecem essas nossas consagradas musicistas conterrâneas.


JORNAL TAUBATÉ COUNTRY CLUB ANO IV – 11 de agosto de 1941 NÚMERO 44 – PÁGINA 4

RÁDIO DIFUSORA Programas: Hora Doce – Também a fábrica de Doces Embaré tem apresentado regularmente, 2 vezes por semana, às 19:45 horas, Magdalena Guisard. É este um nome que dispensa comentários. Magdalena Guisard tem empolgado já, por inúmeras vezes, os seletos auditórios do Country Club e da Rádio Difusora. Os seus números ao acordeon são sempre ouvidos com prazer. São esses os programas com que a Embaré tem deliciado aos ouvintes da ZYA 8. Ave Maria – Não menos interessantes tem sido os esplêndidos programas do morim Ave Maria. A Cia. Taubaté Industrial faz transmitir pela Difusora, dois quartos de horas semanais, que estão a cargo de Magdalena Guisard, em solos de piano. A CTI que não se tem descurado de sua organização, apresenta em todos os seus programas novidades muito interessantes. CALOUROS EMBARÉ Conforme foi amplamente anunciado, realizou-se a 9 do corrente, às 21 horas, o primeiro programa de “Calouros” da cidade, patrocinado pela firma Inglês de Souza Filho & Cia Ltda, fabricantes dos afamados produtos Embaré. Os estúdios e auditório da Rádio Difusora apanharam uma concorrência extraordinária, tal o interesse despertado no seio dos rádio-ouvintes. O programa decorreu dentro de um ambiente de extrema alegria, animado pela “verve” e “bom humor” de Tomanini, que fez proezas ao microfone. A comissão encarregada da classificação dos concorrentes foi composta da sra. Magdalena Guisard, João Barbosa Fonseca e Aguinaldo Teixeira Pinto, como representante do Sr. Evandro Campos.


JORNAL TAUBATÉ COUNTRY CLUB ANO IV – 10 de setembro de 1941 NÚMERO 45 – PÁGINA 4

RÁDIO DIFUSORA – O MÊS QUE PASSOU MAGDALENA GUISARD D. Magdalena já é nossa conhecida de há muito. Artista na acepção do termo, a sua presença nos estúdios é garantia para o sucesso do programa. A seu cargo estão o programa Ave Maria, com solos de piano, a Hora Doce dos Produtos Embaré, de números de acordeon, além de acompanhamentos ao piano, de determinadas músicas que exigem esta forma de acompanhamento. Interessante em seus programas é a composição, na hora, de qualquer gênero de música pedida pelo auditório. Um fox, um samba, etc., e, um minuto depois está prontinha a música. É com muita justiça, portanto, que a denominaram de “a pianista que brinca com o teclado”.

JORNAL TAUBATÉ COUNTRY CLUB ANO IV – 13 de outubro de 1941 NÚMERO 46 – PÁGINA 4

MAGDALENA GUISARD Magdalena Guisard é a artista máxima da Rádio Difusora Taubaté. Suas audições, quer no acordeon, quer ao piano, são verdadeiros concertos de arte. Portadora de um passado brilhante, tendo se exibido nos centros mais cultos do país e perante auditórios onde se encontravam críticos de grande nomeada, seu nome é hoje conhecido como um dos grandes nomes da música brasileira. A Z Y A 8 se orgulha de conta-la entre os componentes do seu cast principalmente em se tratando de uma virtuose que podia figurar com destaque em qualquer emissora nacional. Despida de qualquer sentimento de vaidade, dona de um coração bondoso, amiga de estimular as vocações nascentes, Magdalena Guisard trata a todos com bondade e não se esquiva nunca de auxiliar os valores novos que diariamente estão aparecendo na Estação, ora acompanhando-os ao piano, ora ensaiando e ajudando-os com sua prática e desembaraço frente ao microfone. Magdalena Guisard atua, ao piano, semanalmente sob o patrocínio exclusivo da Companhia Taubaté Industrial, e ao acordeon, sempre por gentileza de Inglês de Souza Filho & Cia. Ltda. Nos dias dos seus programas o auditório da Difusora está sempre repleto, pois é bem grande o número de seus admiradores em toda a cidade. É por isso que temos o grande prazer de reafirmar as nossas palavras iniciais, dizendo com a mais profunda convicção: “Magdalena Guisard é a artista máxima da Radio Difusora de Taubaté!”


JORNAL TAUBATÉ COUNTRY CLUB ANO IV – 14 de Novembro de 1941 NÚMERO 47 – PÁGINA 4 DIFUSORA Taubaté recebeu com indizível prazer a visita do consagrado compositor brasileiro e vulto de destacada projeção em nosso meio radiofônico, Ary Barroso. A ele, a cidade inteira prestou homenagens pelo seu grande valor, tendo ocorrido em todos os lugares onde Ary se apresentou. À tarde na Z Y A 8, sob os aplausos de grande multidão, foi realizado um programa de estúdio exclusivamente com músicas de Ary Barroso, tendo tomado parte Magdalena Guisard, Ormira Martins, Arthur Querido e Carioca, finalizando o programa com uma gentileza de Ary Barroso que executou, ao piano, alguns números de seu repertório. A diretoria da Difusora esteve presente para cumprimenta-lo. Antes do programa na Rádio, foi o Dr. Ary Barroso, recebido no Taubaté Country Club pelos srs. Victor Barbosa Guisard e Avelino Corrêa Porto de Abreu, sendo por este oferecido um “cocktail” no qual tomaram parte os representantes da imprensa e demais pessoas gradas. À noitinha foi-lhe oferecido um jantar no Palace Hotel, tendo comparecido pessoas de destaque na nossa sociedade. Finalmente no Cine Palas, o programa Ary Barroso, foi um sucesso, tendo sido pequenas as instalações para conter a grande multidão que para lá acorreu a fim de aplaudir o maior compositor nacional de músicas populares: Ary Barroso.

JORNAL TAUBATÉ COUNTRY CLUB ANO V – 9 de maio de 1942 NÚMERO 51 – PÁGINA 4

RÁDIO DIFUSORA Romance e Melodia – Romance e Melodia o novo cartaz da Difusora, apareceu e agradou plenamente. Contando com a colaboração de Magdalena Guisard, Celeste Silva, Leopoldo Pereira e Arthur Querido, esta nova iniciativa da Casa de Taubaté logrou despertar o interesse do público ouvinte, pela sequência dos acontecimentos pois que dá vida a personagens românticas nesta hora agitada do século que passa.


JORNAL TAUBATÉ COUNTRY CLUB ANO VII – 30 de março de 1944 NÚMERO 93 – CAPA ROTARY CLUB Mais uma concorrida sessão realizou anteontem o Rotary Club de Taubaté. Após a abertura, que constou inicialmente da saudação ao pavilhão Nacional, foi em seguida procedida a leitura do expediente do dia. Por Lycurgo Querido foi solicitado que os rotarianos apresentassem os seus convidados. Depois pelo associado Nicolau Surnin foi proferida a palestra da noite, que versou sobre o tema “Mobilização do Solo”. Uma curiosidade apresentou o orador da noite aos rotarianos e convivas: um vidro contendo terra arenosa de Murmansk, o grande porto russo próximo ao Pólo Norte. Finalmente a parte artística esteve a cargo da Sra. Magdalena Querido Guisard, que com a sua arte admirável deleitou os presentes com números de acordeon e piano. Pelo Rotary agradeceu Nelson Campello e Victor B. Guisard deu por encerrados os trabalhos.

JORNAL NOSSA TERRA ANO IX – Taubaté, 8 de julho de 1945 NÚMERO 507 – CAPA FESTIVAL Conforme esteve amplamente anunciado, efetuou-se no dia 3 deste, no velho Politeama, o grandioso festival pró monumento aos heróis taubateanos, que combateram na Europa. A feliz iniciativa de Jacira Manara encontrou o melhor apoio na sociedade local, e os que compareceram ao belo espetáculo musical tiveram oportunidade de aplaudir com entusiasmo os excelentes números do programa, todos primorosamente executados. Os musicistas taubateanos Senhora Magdalena Guisard, senhorinha Jacira Manara e Fêgo Camargo deram o maior brilho ao espetáculo, prestigiando-o com o seu inapreciável concurso, do que, aliás se desincumbiram com a habitual galhardia. Em igual plano, o prof. Carlos Alberto Aliandro. Pena é que a grande noitada de arte não tivesse podido contar com uma assistência maior, bastante seleta no entanto.


Cartaz do Show para os heróis taubateanos – Teatro Politeama – 1945


JORNAL NOSSA TERRA ANO XI – Taubaté, 14 de outubro de 1945 NÚMERO 521 – CAPA ESCOLA TÉCNICA DE COMÉRCIO DE TAUBATÉ Constituiu uma nota de alta distinção social a festa de coroação da Rainha daquele acreditado estabelecimento de ensino realizado nos amplos salões do “Taubaté Country Club”, no dia 6 do corrente. Todas as dependências do principal clube da cidade estavam inteiramente tomadas. Os números constantes do caprichoso programa organizado, mereceram francos aplausos das exmas. famílias presentes. A orquestra esteve à cargo da Sra. Magdalena Guisard. Como parte a destacar, além do ato principal da apresentação da Rainha, a gentil Sra. Nancy Guisard, foi prestada significativa homenagem ao bravo expedicionário taubateano. As danças estiveram bastante animadas e se prolongaram até altas horas da madrugada. Gratos pelo convite que foi endereçado.

Coroação de Nancy Guisard no Taubaté Country Club.


JORNAL NOSSA TERRA ANO XI – Taubaté, 25 de novembro de 1945 NÚMERO 527 – PÁGINA 4 SOCIAIS Fazem anos: Amanhã (26): a sra. D. Magdalena Querido Guisard, esposa do Sr. Jaurés Guisard e ornamento da mais fina sociedade taubateana.

C.T.I. JORNAL Taubaté, 25 de fevereiro de 1942 NÚMERO 58 – PÁGINA 12 AS BRILHANTES COMEMORAÇÕES POR OCASIÃO DO 80 ANIVERSÁRIO DO SR. FELIX GUISARD No dia 21, já às 20 horas no salão do Clube Náutico CTI, teve início o baile. O salão lindamente enfeitado apresentava um espetáculo sem par. Irradiado diretamente da sede desse clube pela Z Y A 8, na pessoa do estimado locutor Vital Claro, e fazendo um desfile maravilhoso de astros de “sua estação” que, cantando ao microfone dessa emissora, ganhavam as mais calorosas palmas, o baile prolongou-se até altas horas da manhã de 22. No entanto, maiores supresas estavam reservadas para o fim. “Marinheiro d’água doce”, um fox de autoria de d. Magdalena Guisard, foi o número seguinte, dançado por um grupo de alunas. Um sucesso! Uma baiana ricamente vestida dá entrada no palco para o número seguinte. É Maria José da Cunha, da 4ª Escola, que demonstrou ter bossa para o samba. Mais parecia uma “estrela” dos teatros de verdade! Ao pandeiro, “Café”, um dos elementos do conjunto, ao piano d. Magdalena Guisard. Não foi possível evitar um “bis”, pedido com insistência. “Tarantela” foi outro número que nos fez esquecer que se tratava de uma festa de crianças. Foram 6 garotas que se desempenharam com uma perfeição rara mesmo em muitas companhias que têm nos visitado. Este número é justo que se diga, foi idealizado e ensaiado por d. Magdalena Guisard. Aquela coordenação de movimentos simultâneos por um grupo de seis crianças de curso primário é cousa que não se consegue com pouco tempo de ensaio. Reina geral curiosidade entre a assistência. Para uma festa daquelas não era prever o que seria a apoteose... E não nos enganamos. Abre-se o pano e vemos deslumbrados um quadro vivo da “Ave Maria”, ladeado por um grupo de meninas e meninos com os uniformes da CTI. Palco a meia luz, e Magdalena Guisard executando ao piano, a “Ave Maria” de Schubert. Terminada a Ave Maria, irrompe o hino da CTI. Acendem-se as luzes; as crianças agitam no ar pequenas bandeiras brasileiras, e entoam com entusiasmo o hino oficial da CTI que é de autoria de d. Magdalena Guisard e letra de Licurgo Querido. Muda um pouco o ambiente, até o meio do hino, quando retiram-se as fitas verdes e amarelas que cobriam ao fundo um retrato a óleo de Felix Guisard. Nesse momento a assistência prorrompe em frenéticos


aplausos e, mais uma vez, lágrimas indiscretas deslisam pelas faces de quase todos os presentes. Desta vez, temos a certeza, eram de saudades do imperecível e venerando Félix Guisard. Reservamos para o fim d. Magdalena Querido Guisard para poder dizer-lhe da nossa admiração sincera, profunda, quase que indescritível pelo que conseguiu realizar com tão pequeninos artistas.

Magdalena à frente da Orquestra CTI, ao lado do Jaurés Guisard.

C.T.I. JORNAL Ano VIII - Taubaté, 15 de abril de 1944 NÚMERO 85 – PÁGINA 7 4 DE MAIO

A data dos ceteienses, o “Dia da Fundação da CTI”, será neste ano comemorado de maneira diversa da dos costumeiros festejos desse dia entre os nossos trabalhadores. É que a 4 de maio próximo, o “CTI Clube” fará a apresentação oficial, ao público ceteiense, da sua secção ou melhor, do seu conjunto teatral, cuja supervisão está a cargo de nosso competente companheiro, Lycurgo Querido. E não poderíamos antes de encerrar o nosso rápido comentário deixar de citar os nomes dos ceteienses que tomarão parte do espetáculo de 4 de maio, ressaltando em primeira, o trabalho ingente do Maestro Raul de Taubaté, do veterano artista João Batista dos Santos a cuja direção estão entregues os ensaios da peça de d. Magdalena Q. Guisard e outros. Tomarão parte no festival, no desempenho de várias funções e números entre outros, os ceteienses: Bento Lino de Moraes, José Jorge de Castro (Carioca), Celeste Silva, Arthur Querido, entre outros.


C.T.I. JORNAL Ano VIII - Taubaté, 9 de setembro de 1944 NÚMERO 90 – PÁGINA 3 PROGRAMA Estréia da revista “Festa da Primavera”, que será apresentada pelo Departamento Teatral da CTI em première, sábado dia 9 (sessão especial), e nos dias 10 e 12 em duas sessões cada dia: Hino da CTI – orquestra regida por Magdalena Querido Guisard.

Programa do evento Festa da Primavera


C.T.I. JORNAL Ano IX - Taubaté, 25 de maio de 1945 NÚMERO 98 – PÁGINA 5 AS REPRESENTAÇÕES DE “O AVARENTO” NO DEPARTAMENTO TEATRAL DA C.T.I. 3 espetáculos que marcaram época triunfal no teatro proletário taubateano. A grande peça do teatro clássico francês, criado pelo gênio de Moliére teve magnífico desempenho dos amadores ceteienses. Comemorando o aniversário da Companhia Taubaté Industrial, o Departamento Teatral da Companhia Taubaté Industrial, dirigido pelo nosso companheiro Lycurgo Querido, fez subir à cena no palco do Departamento Social em um espetáculo n sexta feira dia 4 do corrente, e em duas sessões sábado 5, a grandiosa criação de Moliére, “O Avarento” um estudo ao vivo de aspectos da sociedade francesa do século XVII e uma sátira mordaz ao vício eterno da usura. Foi o seguinte o programa: PROGRAMA III-

Overture – Hino da C.T.I. – Orquestra CTI Clube, dirigida por d. Magdalena Querido Guisard. Representação da notável peça de Moliére.

Mereceu uma referência especial os veteranos João dos Santos, Francisco Lima, Bento Lino de Moraes, D. Magdalena Querido Guisard, D. Dinorah Querido Guisard, D. Odete Guisard Miranda, que muito contribuíram como sempre para o compensador resultado social produzido.

C.T.I. JORNAL Ano IX - Taubaté, 25 de maio de 1945 NÚMERO 98 – PÁGINA 8 PRIMEIRA COMUNHÃO DOS ALUNOS DO GRUPO ESCOLAR C.T.I. O que foi essa grandiosa parada de fé dos pequeninos ceteienses Quando a 9 de setembro de 1937, abriu-se, seguindo o pedido da saudosa dama d. Olga de Mattos Guisard, à rua Padre Carlos, a primeira escola para filhos de operários da monumental indústria de FELIX GUISARD, a principal preocupação de seus criadores foi a devida assistência espiritual aos alunos. E anualmente, esse ato tem sido realizado no Santuário de Santa Therezinha, ali à praça da mimosa santinha de Lisieux. Após a recitação de uma Ave Maria por todos os presentes, foi cantado o lindo hino do Grupo Escolar C.T.I., belíssima composição de Lycurgo Querido com música da exímia pianista d. Magdalena Guisard, que fez o acompanhamento.


C.T.I. JORNAL Ano IX - Taubaté, 23 de julho de 1945 NÚMERO 100 – PÁGINA 3 GALERIA C.T.I. ARTHUR QUERIDO – Taubaté, 21 de janeiro de 1920 Filho do nosso prezado colaborador prof. Bernardino Querido (o conhecido Joel de “Rimas na Prosa”), e de sua digníssima esposa d. Licínia Barbosa Querido, o nosso biografado, aos 15 anos já se candidata a prestar sua valiosa colaboração nas industrias do “seu” Felix, para ali entrando como ajudante de almoxarifado à 25 de abril de 1935. Inaugurando-se nesta cidade a 19 de julho de 1941, a Rádio Difusora Taubaté, logo em seu início, em agosto do mesmo ano, tendo vocação para o microfone, Arthur Querido, ensaiado pela sua irmã sra. d. Magdalena Querido Guisard, pôs-se a espalhar pelos céus do Brasil lindas canções, que ouvidas com carinho por centenas de fãs, deram-lhe, com justeza, a alcunha de “a voz bonita da cidade”. E durante um ano, até agosto de 1942, tivemos o grato prazer de ouvi-lo atuando frente ao microfone da Z Y A 8.

C.T.I. JORNAL Ano IX - Taubaté, 29 de dezembro de 1945 NÚMERO 106 – CAPA COOPERATIVA DE CONSUMO DOS INDUSTRIÁRIOS DA COMPANHIA TAUBATÉ INDUSTRIAL LIMITADA O que foi a festa de encerramento do ano social da Cooperativa CTI – A Assembléia – O sorteio de Prêmios – O Hino Cooperativista cantado por 60 vozes – A Grande Valsa – O Baile. Constituiu sem dúvida nenhuma, uma festa de arte e bom gosto, o encerramento do ano social da Cooperativa de Consumo dos Industriários da Companhia Taubaté Industrial Limitada, realizada nos salões da CTI Clube, no dia 7 do corrente. A GRANDE VALSA Chegamos a um dos pontos mais atrativos do programa. De há muito vinha sendo ensaiada a “Grande Valsa” de autoria de d. Magdalena Querido Guisard, nome suficiente para encerrar sinal de sucesso em iniciativas de tal natureza. Cerca de 30 pares, trajados à caráter, dando a nota alegre o elemento feminino, na variedade de cores de suas toilettes, essa empolgante festa social, foi uma demonstração de alegria e arte arrancando os maiores elogios das pessoas presentes que não cessaram de tecer os maiores e melhores encômios aos organizadores de tal iniciativa, que veio provar mais uma vez o sentido uníssono de cooperação existente na tenda de trabalho da Companhia Taubaté Industrial. O BAILE Como parte final dos festejos realizados no dia 7 do corrente, realizou-se finalmente, pomposo baile que se prolongou até as primeiras horas do dia 8, abrilhantado pelo Jazz da CTI Clube, regido por d. Magdalena Querido Guisard e que decorreu num ambiente de sadia animação.


C.T.I. JORNAL Ano IX - Taubaté, 29 de dezembro de 1945 NÚMERO 106 – PÁGINA 5 FESTA DE ENCERRAMENTO DO ANO LETIVO NO GRUPO ESCOLAR C.T.I. A distribuição de brinquedos de Natal aos filhos de operários no dia 15 do corrente.

No dia 30 de novembro último, com a presença do sr. Inspetor de Ensino nesta cidade, das professoras do Grupo Escolar C.T.I. e dos diretores da Companhia Taubaté Industrial, realizou-se a festa de encerramento do ano letivo nauele estabelecimento de ensino, e entrega dos diplomas aos que concluíram o curso em 1945. A PARTE ARTÍSTICA Finda a primeira parte do programa, sob a direção artística de D. Magdalena Querido Guisard, no palco pelos alunos do Grupo Escolar, foi apresentada a parte artística, que primou pela beleza dos cenários, pela originalidade do guarda-roupa apresentado e pela maravilhosa interpretação dos pequenos artistas.

C.T.I. JORNAL Ano IX - Taubaté, 19 de novembro de 1946 NÚMERO 116 – PÁGINA 2 SOCIAIS Sra. D. MAGDALENA QUERIDO GUISARD Transcorre no dia 26 próximo, o aniversário da Sra. D. Magdalena Querido Guisard, esposa do Sr. Jaurés Guisard, sub-gerente da Companhia Taubaté Industrial. A aniversariante que é elemento de destaque na sociedade taubateana é também diretora do Jazz C.T.I., e por certo será muito cumprimentada nesse dia. - “CTI Jornal” desde já, deseja a distinta dama os melhores votos de felicidades.


C.T.I. JORNAL Ano IX - Taubaté, 20 de dezembro de 1946 NÚMERO 117 – PÁGINA 4 GRUPO ESCOLAR C.T.I. A entrega de diplomas aos alunos que completaram o curso no ano de 1946 – A festa de encerramento – Discursos – Outras Notas.

Foram entregues a seguir, os prêmios aos alunos que mais se distinguiram durante o ano, constando de curso ginasial, normal ou comércio, cabendo aos pequenos Francisco Guilherme Leite e Ruth Antunes Lobato, filhos de antigos colaboradores da casa de trabalho de Felix Guisard. Encerrando a solenidade cantando o “Hino da Despedida” com letra do conhecido intelectual prof. Bernardino Querido e música da sra. Magdalena Querido Guisard. Ressaltamos aqui a interpretação magistral daquele lindo samba de Ari Barroso – “ Na Baixa do Sapateiro”, que conquistou os mais fartos aplausos da grande assistência que lotava o salão de festas do Clube Operário. Nota do autor: - O paraninfo das diplomadas de 1946, foi o Sr. Jaurés Guisard. O discurso da aluna, representando as diplomadas de 1946, foi realizado pela menina Dyla Querido Guisard, filha de Magdalena Guisard e Jaurés Guisard, que transcrevo um trecho significativo:

“...Um verdadeiro sonho azul de criança feliz! De repente!...O diploma, uma festa bonita e um adeus a todas estas coisas que aprendemos a venerar, durante quatro anos. É triste a despedida! Mas, voltemos a realidade. É neste momento que iniciamos a caminhada pela estrada da vida. Levamos conosco o bom exemplo dos nossos maiores, a inspiração de nossas mestras, a vontade de vencer. À Diretoria da Cia. Taubaté Industrial, simbolizada na pessoa do bondoso chefe Felix Guisard; ao nosso paraninfo Sr. Jaurés Guisard; à Diretoria e queridas professoras o nosso coração, o nosso adeus e o nosso muito obrigado.”


Festa do Grupo Escolar CTI

(*) EM TEMPO: As notas da Imprensa foram transcritas com a ortografia da época, conforme os documentos originais.



UMA FIGURA MUITO ESPECIAL...”MADÁ” Tia Magdalena foi uma pessoa muito especial, querida por todos da família, pelos amigos, pelos funcionários da CTI, enfim, todas as pessoas que se aproximavam de Tia Magdalena se sentiam imediatamente atraídas por ela! Seu bom humor era contagiante, e sua alegria de viver era admirável...Como artista foi insuperável! Ela era uma pessoa muito vaidosa! Ninguém nunca viu a Tia Magalena sem estar arrumada. Impecável! Sempre foi uma verdadeira “lady”! Minha mãe, Dinorah, era o lado alegre e bonachão da família, muito prendada nos afazeres do lar, aliás, ela confeccionava os figurinos das peças teatrais da CTI. Minha mãe era uma quituteira de mão cheia! Tocava piano também, mas de uma maneira quadradinha, sabe como é!? Tia Magdalena ao contrário de mamãe, era uma verdadeira artista, 24 horas por dia! Eu me lembro muito bem que um dia, vindo de São Paulo, a Tia Magdalena chegou em casa, e disse para minha mãe: - Dinorah, eu assisti em São Paulo um filme lindo sobre o Glenn Miller, “Música e Lágrimas”2, adorei a música Strings of Pearls. E ela sentou ao piano e executou a música para mamãe: - Dinorah, veja só que música linda vou tocar! “Colar de Pérolas” (Strings of Pearls), passou a ser uma das músicas preferidas de Tia Magdalena, tocando sempre, em diversas ocasiões.

As irmãs Dinorah e Magdalena em Tremembé – 1930

Filme: Música e Lágrimas (The Glenn Miller Story) – Ano de Produção: 1954 – EUA – Direção de Anthony Mann – Elenco: James Stewart, June Allyson, Charles Drake 2


Meu tio Jaurés, marido dela, era verdadeiramente alucinado pela Tia Magdalena! Ele fazia tudo que ela queria, tudo! Um marido naquela época que consentia e apoiava uma esposa artista, não era nada comum...Ele era bem bravo, mas com ela era mansinho demais, fazendo tudo por ela! A casa da Rua América (atual Armando Salles de Oliveira), no Bairro Chique de Taubaté, ele fez do jeito que ela queria. Tudo para ele se resumia na Tia Magdalena, ou “Madá” como ele sempre a chamou! O Tio Jaurés tinha muito orgulho da arte dela. Quando ele foi Deputado em São Paulo, passaram a residir lá, mas quando vinham para Taubaté, ficavam hospedados em minha casa na Rua Dona Chiquinha de Mattos. O papai (Oswaldo Barbosa Guisard), tinha muito carinho pela Tia Magdalena.

Magdalena, Dinorah, Zélia, Dalila, Jaurés, Oswaldo, Victor e Francisco.

A doença e a morte da Tia Magdalena foi uma coisa muito triste para toda a família...Não dava para acreditar em todo aquele talento indo embora aos poucos...Eu fiquei muito impressionada devido a doença dela! Numa das vezes que ela voltou de São Paulo do tratamento que vinha se submetendo, foi para a casa da Tia Dalila, na Avenida 9 de Julho, aqui em Taubaté. Eu me lembro muito bem, que a encontrei sentada em uma poltrona, muito abatida...O médico tinha passado uma dieta muito séria para ela, á base de ricota, pois ela não podia mais nada com sal, nem com açúcar! Ela ainda sorria, mas seu olhar exprimia muita tristeza...ainda me recordo do olhar dela para mim, dizendo: - Olá Patrícia... Nunca vou me esquecer daquele olhar de despedida da Tia Magdalena.


Sala da casa da Dalila. Nesta sala, Magdalena tocou piano pela última vez.

Existem várias suposições sobre a doença dela, pois apesar da cirrose hepática, ela nunca fumou nem bebeu! Mas, infelizmente, a Tia Magdalena tinha verdadeiro pavor de engordar, e passou a vida inteira fazendo regimes violentos, passava até fome para não engordar! Qualquer coisa que mandassem ela fazer para manter a forma, ela fazia...era impressionante! Era limão, vinagre...enfim...acredito que todo esse sacrifício à conduziu para o trágico e repentino fim. Engraçado...ela era uma acordeonista perfeita, mas o que ficou como marca registrada em sua vida, foi o piano. Quando se fala em Tia Magdalena, sempre vem o piano, dificilmente se lembram do acordeon. Mas, na arte musical, o talento de Tia Magdalena foi indiscutível. Ela era perfeita! Foi uma perda irreparável para todos nós.

Patrícia Querido Guisard – sobrinha Depoimento realizado no dia 07 de Outubro de 1996


EXTROVERTIDA, ALEGRE, MUITO CAPRICHOSA, GENTIL... Eu era professora primária do Grupo Escolar CTI, nas décadas de 40 e 50, um período que me traz muitas saudades...A organização existente na Companhia Taubaté Industrial, que sempre foi o lema do excepcional homem que foi Felix Guisard fizeram daquele estabelecimento de ensino o modelo de escola da cidade de Taubaté! O Grupo era destinado aos filhos dos operários da fábrica, que recebiam uma atenção e um ensino primoroso. Basta lembrar que por iniciativa da Administração da CTI, foi criada a “sopa escolar” para os alunos, preparada com legumes e carne de primeira qualidade! Todos os livros utilizados pelos alunos, bem como os uniformes, meia, sapatos, etc., eram fornecidos pela CTI! Uma estrutura de primeiro mundo. Magdalena Guisard, era casada com meu irmão Jaurés e ela cuidava de todas as festividades que ocorriam no Grupo Escolar. A Magdalena dirigia as crianças nos espetáculos artísticos nos mínimos detalhes, na maneira de andar, de cantar, dançar...Ela estava sempre atenta e preocupada com a montagem dos espetáculos teatrais do Grupo, além de compor as músicas e executá-las ao piano, nas festas. Os pais dos alunos tinham adoração por ela. O Brasil natalino foi nosso aluno, e sempre era escalado para os espetáculos. Ele era um menino lindo e muito talentoso. A Magdalena escolhia os alunos para os espetáculos, e se preocupava com todos os aspectos para a realização dos shows escolares. Eu sempre gostei de costurar, e minha responsabilidade era para com os figurinos dos espetáculos. A Magdalena tinha as idéias e as passava para mim para a confecção das roupas...Ela gostava de muito brilho, cetim de cores vivas, modelos diferentes, arrojados...tudo tinha que ser perfeito para ela. Ela era muito festiva, e até nisso combinávamos. Minha mãe, Zilia, que era irmã da mãe dela, a Tia Licínia, tinha adoração pela Magdalena, e você sabe que isso é muito difícil, sogra se dar com nora, não e´? Ela sempre recebia muito bem a minha mãe, em todas as ocasiões, sempre extrovertida, alegre, muito caprichosa em tudo. Eu me lembro dos jardins da casa da Rua América, muito florido...lindo de se ver, um capricho que ela tinha para com as flores! Além disso, gostava demais de crianças! Eu me dava muito bem com ela, aliás, acho que todos se davam bem com a Magdalena! Ela estava sempre sorrindo, muito gentil, agradável, simpática para com todas as pessoas que a cercavam. Ela era muito vaidosa, sempre com um cuidado todo especial com a aparência. Tinha verdadeiro horror em engordar e vivia fazendo sacrifícios para manter a forma, sem medir as consequências. Eu me lembro que em uma festa que ocorreu no Grupo Escolar, eu estava comendo uns doces quando ela chegou, e eu a chamei: - Magdalena, venha comer uns doces, estão uma delícia! - Não posso Ivone, estou fazendo dieta. Vai ter um baile no Country Club, e preciso estar em forma para usar meu vestido novo. Um baile para Magdalena era motivo para um mês de preparativos! A preocupação com a “toilette”, a maneira de se apresentar...enfim, ela estava sempre muito bem nessas ocasiões. Ela adorava bailes, festas...ela vibrava! Era uma entusiasta e este entusiasmo era contagiante! Meu irmão tinha verdadeira obsessão por ela...foi apaionado por ela a vida inteira. Tudo para ele se resumia na “Madá”, como a chamava. Ele comprou um piano de cauda para ela, disse que ela merecia um bom piano! Tudo era para ela, tudo de melhor ele fazia para a sua “Madá”! Sempre estava ao seu lado. Ela era muito comunicativa...vivia o momento! Nunca a Magdalena brigou com alguém! O apoio do marido foi fundamental para ela, sempre ao lado dela.


Magdalena e Jaurés em baile no Taubaté Country Club

As festas na casa da Magdalena eram maravilhosas, muita alegria, muita m´sucia...aliás, eu acho que a música reúne as pessoas, até hoje, e ela, através do dom musical que tinha, conseguia ter à sua volta, sempre, artistas, músicos... Ela fazia ensaios na casa, com cantores, ou melhor, com pessoas que ela acreditava que tinham alguma possibilidade de seguir carreira na arte musical. O “Carioca” (José Jorge de Castro), músico, era muito ligado à ela e sempre estava presente nesta lapidação de artistas! Eles eram muito ligados. Taubaté era uma cidade muito pequena, com pouco desenvolvimento na década de 40, e quando acontecia algum fato importante, era um verdadeiro furor...todos comentavam, e os comentários duravam muito tempo! Quando a Magdalena ganhou o Primeiro Prêmio no Programa da Rádio Nacional, Em Busca de Talentos, meu irmão, quando voltou do Rio de Janeiro para Taubaté, não cabia em si de satisfação, e contava com muito orgulho sobre a vitória dela em tão concorrido programa. Foi um furor! A morte de Magdalena foi uma tragédia para toda a família. Meu irmão ficou completamente desorientado com a ausência dela! Magdalena foi uma pessoa muito especial em nossas vidas.

Ivone Barbosa Guisard Ferrari – cunhada Depoimento realizado no dia 09 de Outubro de 1996


UMA PESSOA ADORÁVEL E DE GRANDE TALENTO! A Magdalena Guisard era uma pessoa adorável, de grande talento, haja visto todas as festas suntuosas que ela preparava na CTI (Companhia Taubaté Industrial). Ela, seu irmão Lycurgo e seu marido Jaurés Guisard estavam sempre à frente destas organizações artísticas. Me lembro muito bem, que por ocasião do aniversário da CTI, em 4 de maio de 1944, foi preparada uma grande festa, com figurinos maravilhosos, com um brilho e uma pompa que dificilmente poderia se acreditar que tenha acontecido naquela época! As grandes festas eram realizadas duas vezes por ano, pois os diretores da CTI, não poupavam esforços para um trabalho de alto nível! Magdalena Guisard, compôs a música e o Lycurgo, a letra de uma rapsódia enaltecendo a glória da Companhia Taubaté Industrial. Foi em 4 de maio de 1944, com uma sessão às 19 horas e uma segunda sessão às 21h30 horas e em 6 de maio, uma sessão única às 20 horas. Esta Rapsódia intitulava-se: 4 DE MAIO DE 1891, que representava o despertar da manhã, da tarde e da noite de 4 de maio de 1891, data máxima da Companhia Taubaté Industrial.

Celeste Silva


Eu cantava, e na primeira parte aparecia com um vestido branco, longo, com um chapéu de abas largas, muito bonito, cantando a música. No encerramento, com um efeito surpreendente para a época, nem sei como conseguiam, aparecia um céu todo estrelado...Foi muito lindo! O Jaurés e a Magdalena me convidaram para ir à São Paulo gravar em disco a Rapsódia, eu no canto e ela no piano. Gravamos em 78 rotações, aqueles discos da época, com poucos recursos técnicos, o que era muito comum naquela época. A gravação do disco foi realizada na Discos Continental. Me lembro muito bem da nossa volta para Taubaté, pois o carro do Jaurés deu problema, e a viagem foi um martírio. Para se ter ideia, saímos de São Paulo às 11 horas da manhã e só conseguimos chegar em Taubaté às 4 horas da madrugada. O carro não colaborou conosco. Foram tempos maravilhosos...Me lembro com muitas saudades de tudo isso...

Celeste Silva – Cantora e amiga Depoimento realizado no dia 02 de Outubro de 1996

(*) Celeste Silva, já falecida, nasceu em Taubaté em 08 de dezembro de 1917. Foi cantora da Rede Difusora Taubaté e a Primeira Locutora Feminina de Rádio na região. Foi pioneira na arte do canto em clubes da cidade. Passou a dedicar-se posteriormente à poesia.


SEMPRE COM UM SORRISO NOS LÁBIOS, PRONTA PARA AJUDAR TODAS AS PESSOAS! Acho até meio suspeito, um irmão dar opinião sobre alguém tão próximo, como foi minha irmã Magdalena. Ela era uma pessoa maravilhosa, uma irmã fantástica, muito boa, muito voltada para obras de caridade, sempre com um sorriso nos lábios, pronta para ajudar a todas as pessoas. Quando Magdalena começou a sua carreira, eu não acompanhei muito de perto, porque era mais moço e estava mais interessado em jogar futebol e me divertir! Mas uma coisa que me marcou muito e escutei diversas pessoas comentarem, é que a minha irmã, com cinco, seis anos de idade, já tocava piano para ganhar um dinheirinho! Isso foi no Cine Metrópolis (Teatro Politeama), na década de 20. O cinema era mudo e existia uma pequena orquestra para fazer o acompanhamento dos filmes. Minha mãe também costumava tocar lá, pois era uma pianista maravilhosa. Minha irmã herdou de minha mãe, Licínia, esse dom musical. O fato dela tão criança, já trabalhar para ganhar seus trocadinhos, me impressionou muito. A Magdalena era muito vaidosa, estava sempre arrumada. Ela tinha um problema com excesso de peso, tinha verdadeiro pavor de engordar e vivia recorrendo a regimes violentos, inclusive tomando muita água com limão, com vinagre...Até acho que foi isso que a prejudicou e acabou provocando a doença, pois não tem outra explicação para a cirrose, pois ela nunca bebeu e nem fumou. Ela vivia para a sua arte, aliás, meu irmão Lycurgo, estava sempre ao lado dela, ele era representante oficial da família em todas as ocasiões que houvesse necessidade de um discurso, ou qualquer coisa no gênero. Nós, eu, a Zélia e o Guajira somos mais pacatos, mais quietos...É uma pena que o Lycurgo não esteja mais aqui para poder passar maiores informações sobre a Magdalena. Me lembro bem que a Magdalena sempre viveu para a sua arte musical, e é uma pena que isso não seja reconhecido pelas pessoas da cidade. O próprio Ary Barroso (compositor brasileiro), reconheceu o seu valor artístico, mas...o esquecimento veio! Acho que agora, este resgate está vindo em bom tempo, pois ela merece este trabalho que está sendo feito! Ela era maravilhosa, como irmã, como esposa, como mãe, como artista! Ela foi uma pessoa que deixou muitas saudades no coração de todos que a conheceram. Eu tenho muito orgulho da obra da minha irmã, e do que ela deixou para as futuras gerações de Taubaté.

Francisco Barbosa Querido – Irmão Depoimento realizado no dia 01 de Outubro de 1996


TUDO QUE QUERIA TOCAR, TOCAVA AO PIANO, COM OU SEM PARTITURA! Nós somos de uma família numerosa, meu pai e minha mãe tiveram 13 filhos: Jarbas, José Augusto, Dalila, Andrieux, Dinorah, Magdalena, Guajira, Lycurgo, Guiomar, Mary, Arthur, Francisco e eu, Zélia, a caçula. Hoje somente eu, Guajira e Francisco, estamos vivos. Era uma família muito alegre, sempre movida pela música! Mamãe costumava levantar até de madrugada para tocar piano. Nas férias de agosto, quando meus pais alugavam uma casa em Tremembé (SP), para nossas férias e as festas de Bom Jesus, minha mãe fazia questão que o piano fosse junto com a família. Minha irmã Magdalena foi a que mais herdou o talento musical da mamãe. Existia uma grande afinidade musical entre elas, apesar de minhas outras irmãs também tocarem, mas a Magdalena era impressionante...tudo que queria tocar, tocava, com ou sem partitura! Eu cheguei, quando mocinha, à me apresentar algumas vezes na Rádio Difusora, cantando em dupla com minha prima Abigail, músicas populares brasileiras, e o meu irmão Arthur tocava violão e cantava muito bem. Faleceu em 1959, em um desastre de automóvel na Via Dutra. Foi uma grande perda. Quando a família se juntava, era baile na certa! A Magdalena era uma irmã muito boa, participante de todo movimento artístico da cidade de Taubaté, principalmente na Companhia Taubaté Industrial (CTI). Ela estava sempre à gente dessas organizações, promovendo peças teatrais, festas, bailes, etc. Ela vivia pela música, e não perdia uma festa! Eu ia muito à casa dela, inclusive ela batizou minha filha Nilda. A alegria da Magdalena era contagiante...Era também muito vaidosa, sempre impecável na sua maneira de ser. Sua casa era perfeita, nós até comentávamos, como ela conseguia sempre estar tão bem, principalmente quando estava sem empregada, mas mesmo assim, com sua aparência e com a casa e filhos, tudo era extremamente impecável. Ela tocava todos os dias, e meu cunhado, Jaurés, sempre acompanhava a Magdalena quando ela ia se apresentar, dando apoio e incentivo à arte musical dela. As festas que ela organizava na casa do Bairro Chique (Rua América, atual Av. Armando Salles de Oliveira), próximo à CTI, eram uma beleza. Todos os artistas que vinham para Taubaté, frequentavam a casa deles, que estava sempre repleta de pessoas. Me lembro bem do cantor Gilberto Alves, lá.

Casa da Rua América (atual Av. Armando Salles de Oliveira). A torre que se vê, era da sala do piano de Magdalena.


Eu a via com muita frequência, tínhamos um ótimo relacionamento. Me lembro bem quando ela ganhou o primeiro prêmio no Programa da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Saiu uma fotografia no jornal “A Noite Ilustrada”, onde ela está recebendo o prêmio das mãos do Radialista Urbano Lóes, o que para nós foi um grande orgulho. Quando a Magdalena ficou doente, foi um baque para todos nós. Foram 8 meses de sofrimento, com a manifestação da doença, cirrose hepática. Ela nunca bebeu e nunca fumou. Quando a doença se manifestou, a Magdalena ficou uns tempos na casa da Dalila, mas depois disso teve que ir à São Paulo, onde se tinham maiores recursos médicos. Ficou internada no Hospital Santa Catarina. Ela sabia que ia morrer! Ela lia sobre a doença e sabia o que ia acontecer...mas por nenhum momento, perdeu a alegria e a esperança! Passo à passo da doença, ela conhecia...Ela foi definhando...Sempre tinha alguém ao lado dela em São Paulo. A família nunca a abandonou. Eu ia de vez em quando, devido a ter filhos pequenos, tudo ficava mais difícil. Quando tínhamos notícias do quadro clínico da Magdalena, que era cada vez pior, contávamos para nossa mãe, que não se conformava e costumava dizer, muito desesperada: - “Ela não pode morrer! Ela toca piano tão bem...” A Magdalena se dava muito bem com a mamãe, aliás com todos da família. Tenho que confessar que ela era minha irmã preferida, pois tínhamos uma ligação muito forte. Eu estava na casa da mamãe quando recebemos a ligação de São Paulo, informando o falecimento dela. Foi um choque para todos nós, mas por sermos, toda a família, voltados para a filosofia espírita, conseguimos ter a clareza de nos conformarmos e encarar essa vida como uma passagem! A Magdalena tinha chegado ao fim de sua missão na terra! Por ocasião do falecimento dela, meu cunhado e meus sobrinhos, residiam na antiga Rua das Palmeiras (atual Rua Conselheiro Moreira de Barros), bem ao lado do TCC (Taubaté Country Club). Lembro bem que com a doença da Magdalena, sofremos muito. Meu pai, Bernardino Querido, morreu em julho de 1955, logo após meu cunhado, Victor, marido de minha irmã Dalila, e depois a Magdalena. Em menos de um ano perdemos três entes tão queridos. Eu me lembro muito bem que, meu cunhado Jaurés Guisard, quando criou a Escola de Artes e Música de Taubaté, a idéia era que a escola levasse o nome de minha irmã Magdalena, em homenagem à sua arte musical, mas isso ocorreu durante o final de seu mandato como Prefeito de Taubaté, e após isso, decidiram colocar o nome do Fêgo Camargo na Escola. Infelizmente, após isso, nenhuma homenagem póstuma foi realizada. Muito triste isso. Mas, Magdalena Querido Guisard, viverá sempre nos corações de quem conheceu a sua perfeita obra musical.

Zélia Querido Sales – Irmã Depoimento realizado no dia 30 de Setembro de 1996

(*) A Sra. Zélia Querido Salles faleceu em Taubaté, em 4 de fevereiro de 2019.


MINHA MÃE, MAGDALENA! Quando meu pai, Jaurés Guisard, era Diretor da Companhia Taubaté Industrial (CTI), ele tinha o costume de todas as manhãs, nos levar para assistir a entrada dos funcionários na fábrica. Todos os dias seguíamos esse “cerimonial”, papai, eu, Dyla e Celso. Mamãe ficava em casa, e vaidosa como sempre foi, enrolava os cabelos, colocava um turbante, saia, colete de tricô vermelho e branco e sapato baixo com meia soquete branca, e ia para o piano tocar, pois a sua maior paixão era a música. As 10 horas, mamãe soltava o cabelo e ficava esperando papai voltar. Em 23 anos de casamento, durante toda essa convivência, nunca papai viu mamãe sem que ela estivesse impecavelmente arrumada. Quando papai e mamãe completaram 10 anos de casados, deram uma festa lindíssima, com muita gente, inclusive com a presença do Celso Guimarães (locutor da Rádio Nacional do Rio de Janeiro) e o famoso Trio de Osso (Yara Salles, Héber de Bôscoli e Lamartine Babo) em nossa casa, aqui em Taubaté, isso em 10 de janeiro de 1943. Nessa época residíamos na hoje atual Avenida Armando Salles de Oliveira. Uma casa muito bonita, com duas torres, atualmente a casa é utilizada para fins comerciais. Papai mandou construir uma piscina especialmente para mim, pois desde os quatro anos que pratico natação. Mamãe também adorava água, queria ver ela feliz longe do piano, somente quando estava em Ubatuba, na praia.

Magdalena e Jaurés em Ubatuba, com as filhas Dyla e Zilia.

Mamãe era muito alegre, sempre brincando, rindo até as lágrimas rolarem pelo seu rosto...seu bom humor era contagiante. Uma alegria de viver impressionante, sempre amando e vivendo sua arte musical! Pode-se até observar nos retratos dela, sempre com um sorriso estampado no rosto. Esta alegria e o dom artístico de mamãe, contagiavam papai, que tinha verdadeira adoração em ver ela ao piano, sempre acompanhando, incentivando e principalmente, apoiando a mamãe em todas as suas audições. Papai acompanhava mentalmente as audições de mamãe, e curiosamente, sem entender de música, conseguia distinguir nota por nota, e qualquer erro que pudesse ocorrer, ele


identificava e comunicava a mamãe. Era um carinho muito grande, ele sempre estava ao lado dela nos bailes e festas que ela tanto gostava.

Magdalena na praia com amigas em Ubatuba – Anos 30

Me lembro que meus tios, Lycurgo, Arthur e Leopoldo, se reuniam em nossa casa para ensaiar com mamãe. Era uma barulheira...uma alegria contagiante...Existia um programa na Rádio Difusora, que ia ao ar às 10 horas, e tio Lycurgo abria o programa anunciando, enauqnto mamãe tocava. Eu tinha 7 anos e foi aí que comecei a entender de cozinha, na marra, pois enquanto eles estavam envolvidos com os ensaios, eu ia preparar lanches para todos. Mamãe com toda a alegria, sempre feliz e risonha, como já falei, era porém, muito rígida em nossa educação, sempre insistindo nos estudos, no hábito da leitura, nas aulas de piano. Eu toco “mais ou menos”, mas minha irmã Edna é uma artista como mamãe, o seu estilo de tocar é muito parecido com o dela. É uma pena que não toque com muita frequência. Como mãe ela era bem séria, e eu como filha mais velha, lembro bem da mamãe. Ela sempre foi uma “auto didata”. Sua percepção musical era imensa, sem fronteiras, de um ouvido musical impressionante! De 2 ou 3 notas musicais, mamãe executava qualquer ritmo, sempre com perfeição, recebendo elogios calorosos em qualquer apresentação, como quando participou de um concerto, na casa da pianista Magdalena Tagliaferro, com o Maestro Tabacow. Mamãe gostava muito de música clássica, não sei dizer bem ao certo quais era seus compositores preferidos...mas lembro que gostava muito de Chopin, Stravinsky...


Nas festas da CTI, mamãe organizava tudo para as crianças, Teatro, espetáculos de dança, coral...sempre utilizando funcionários da fábrica e conseguindo apresentar grandiosos espetáculos como a super Revista em 2 atos de sua autoria e de tio Lycurgo, A FESTA DA PRIMAVERA, com grande elenco, inclusive um dos quadros intitulado: “Balet Russo” com uma dança característica com José Marcondes e Tereza Nunes. Eu me apresentei ao piano e minha irmã Dyla ao violino. Tio Lycurgo era o Diretor geral, papai o Diretor Administrativo e mamãe a Diretora de Bailados. Nesta revista foi apresentado o Hino da CTI com orquestra regida e formada por mamãe:

Nesta escola de amor e trabalho Sob a luz de esplendor sem igual Saberemos honrar nossa casa Taubaté Industrial Foi daqui que partiram as bandeiras Sob o manto de um céu de anil E daqui hão de vir novamente Operários p’rá todo o Brasil CTI , CTI, CTI Nesta escola de amor e trabalho Sob a luz de esplendor sem igual Saberemos honrar nossa casa Taubaté Industrial Num colar de pedras preciosas Um brilhante mandou-se engastar E essa jóia ficou se chamando CTI de Felix Guisard CTI, CTI, CTI

Esta revista musical era em dois atos, quatorze quadros e cinco cortinas, inclusive tinha um chamado, “No Fundo da Mata Virgem”, também com música de mamãe! Era um batuque africano que foi cantado por tio Arthur e minha prima Nancy Guisard.


Encarte do Programa da Revista “A Festa da Primavera”

Quando Nancy foi eleita Rainha dos Estudantes de Taubaté, na década de 40, houve um grandioso baile de gala no Taubaté Country Club (TCC) e a orquestra foi preparada e regida por mamãe, que em todos os eventos importantes da cidade estava presente. Papai foi eleito deputado estadual, e em 1950, mudamos para São Paulo, indo residir no Bairro Jardim América, rua Atlântica, posteriormente fomos para um amplo apartamento na Rua Martins Fontes, no centro, isso até 1954. Mamãe costumava fazer compras na Rua Augusta, que era o ponto chique das elegantes da época! Sempre com um gosto muito apurado ao se vestir, mamãe mantinha muito cuidado com sua aparência, frequentava bons cabelereiros e manicures. Ela era muito elegante! Quando mamãe ficou doente, começou a tratar-se com o Dr. Nelson Ferreira Leite, em Taubaté, mas teve que prosseguir o tratamento em São Paulo, onde se tinham mais recursos para poder proporcionar cuidados médicos especiais para ela. Papai não poupou esforços, inclusive chegou a vender algumas propriedades para o tratamento. Mamãe ficou internada no Hospital Santa Catarina sob os cuidados do Dr. Pirajybe Nogueira, que contava que ficou impressionado com o bom humor da mamãe, que


cantarolava músicas infantis sob efeito da anestesia local. Nem mesmo no hospital, passando por todos os problemas de saúde que estava, perdeu o otimismo e o bom humor. A morte de mamãe foi um choque para todos nós, um abalo muito forte em nossa família. Me lembro que ela faleceu em São Paulo, e o corpo foi trazido para Taubaté...O carro funerário com o corpo da mamãe, e nós seguindo pela estrada, segurando as lágrimas porque papai não queria que chorássemos, pela nossa filosofia espírita. Acredito que papai não se recuperou jamais da ausência de mamãe...Nada conseguiu preencher o vazio que mamãe deixou em nossas vidas!

Magdalena e Jaurés, um amor eterno!

ZIlia Guisard – Filha Depoimento realizado no dia 18 de Setembro de 1996

(*) Zilia Guisard, faleceu em 24 de janeiro de 2003, na cidade de Taubaté.


O MAIOR ORGULHO DO PAPAI

Me lembro perfeitamente do orgulho que papai tinha do virtuosismo de mamãe! Ele levava muitas pessoas, amigos, funcionários, políticos em casa, para ver as execuções de minha mãe ao piano. Posso dizer, que durante toda a vida de casados, papai foi o maior incentivador da carreira musical de mamãe, acompanhando-a em excursões por diversas cidades, aplaudindo e divulgando a sua arte especial...Quando viajavam, papai podia esquecer qualquer coisa, menos o acordeon de mamãe! Ele costumava sempre contar, quando a mamãe fez um concerto em praça pública, aqui em Taubaté, executando ao acordeon: O GUARANY3! Em meio a música, uma ventania levou a partitura, mas ela continuou tocando da mesma maneira! Papai sempre comentava esse fato conosco. Nós, os filhos também tínhamos admiração tremenda pela sensibilidade artística da mamãe.

Dez anos de casamento. (esq. para direita): Eugênio, Zilia, Jaurés, Magdalena, em seu colo Edna, Licínia, Bernardino. No chão as crianças: Dyla, Celso e Zilia.

Guarany (em português, O Guarani) é uma das óperas do compositor brasileiro Antônio Carlos Gomes. É uma ópera ballo em quatro atos, em italiano com libreto de Antônio Scalvini, baseado no romance de José de Alencar, O Guarani. Estreou no Teatro Scala de Milão, na Itália, em 19 de março de 1870, com grandioso sucesso. A ópera Il Guarany tem como maior destaque a sua abertura. Esta é até hoje muito interpretada, além de muito conhecida por ser o tema do programa de rádio A Voz do Brasil. 3


Mamãe ensaiava no piano, de 3 à 4 horas por dia. Todos os dias às 5 horas da tarde ela terminava seus ensaios e ficava impecável na sua maneira de vestir, no penteado (ela fazia permanente, pois tinha o cabelo muito liso), esperando papai chegar da fábrica (CTI). Ela ficava um pouco nervosa quando estava ao piano, com cinco filhos brincando em volta dela, mas foi uma excelente mãe, excelente esposa...de vez em quando vinha um tapinha, mas a base de sua educação para conosco, era o diálogo. Mamãe gostava muito de cinema, nunca perdíamos uma sessão das 5, aos domingos no Cine Palas (Taubaté). O filme O GRANDE CARUSO4 com Mário Lanza era um de seus preferidos. Me recordo que fomos ao cinema, eu e mamãe em São Paulo, no Cine Broadway, eu devia ter uns 10 anos, assistir ao filme LUZES DA RIBALTA5, de Charles Chaplin, e uma coisa me impressionou muito...foi na cena final...eu olhei para mamãe e as lágrimas escorriam por suas faces continuamente...Eu não entendi o porque do choro da mamãe, realmente era muito criança para entender a sensibilidade artística dela. A música SMILE6, de Charles Chaplin era uma de suas preferidas...ela adorava esta canção e a executava sempre ao piano. Quando mamãe ficou doente e teve que ser internada em São Paulo, no Hospital Santa Catarina, nós íamos todos os sábados visita-la. Ela sempre procurou se mostrar alegre, apesar das dores que sentia e do avanço da doença sobre seu organismo. Preocupava-se muito com o Régis, que era o caçula. Mamãe tinha uma corrente de ouro com uma medalha onde tinha a imagem de um corcunda e um índio! Quando estava para morrer, chamou meu pai e pediu para ele entregar a corrente com a medalha para o Régis, quando ele completasse 21 anos. Após muitos anos, quando ele chegou nesta idade, durante a festa programada para festejar sua maioridade, papai se aproximou dele e entregou o presente de mamãe. Meu irmão no dia seguinte, foi ao túmulo de mamãe no Cemitério Municipal e, espiritualmente agradeceu ao presente, colocando em seu próprio pescoço a corrente, último presente de mamãe. Não é muito fácil recordar tantas coisas, principalmente pela falta que mamãe nos fez, com sua morte inesperada.

Edna Guisard Thaumaturgo – Filha Depoimento realizado no dia 21 de Outubro de 1996

4 O Grande Caruso (The Great Caruso) – Ano de Produção: 1951 – EUA – Direção de Richard Thorpe – Elenco: Mário Lanza, Ann Blyth, Dorothy Kirsten. 5 Luzes da Ribalta (Limelight) – Ano de Produção: 1952 – EUA – Direção de Charles Chaplin – Elenco: Charles Chaplin, Claire Bloom, Buster Keaton. 6 Música: Smile – Ano de Produção: 1936 – EUA – composta por Charles Chaplin para seu filme, Tempos Modernos. Em 1954, John Turner e Geoffrey Parsons, adicionaram letra à canção.


DONA MAGDALENA EM MINHA VIDA! O negócio é o seguinte, eu cantava no Taubaté Country Club7 e a Dona Magdalena foi em um baile lá, e me viu cantando com a orquestra local. Não demorou muito e me fez um convite para fazer parte do JAZZ CTI, que ela havia formado, com os operários da fábrica. Eu não pensei duas vezes, pedi demissão e fui embora com ela! Foi a pessoa mais espetacular da minha vida! Inteligente, meiga, carinhosa, excepcional musicista, uma virtuosidade perfeita. Aí eu passei a conviver muito com ela. Eu era praticamente, como se diz, o “puxa saco” dela, como a turma me chamava...qualquer coisinha, ela já dizia: - “Chame o Carioca8 que ele resolve!” Nós tínhamos uma ótima convivência. Com o JAZZ CTI, ela fez a revista musical “A FESTA DA PRIMAVERA”, que foi uma semana de sucesso! Para você ter uma idéia, ela TCC – Taubaté Country Club - Mais um dia quente, pudera mês de fevereiro de 1936.Há um encontro marcado no Bar do Alemão para o qual vêm Victor Barbosa Guisard, Ruy Pinto, Carlos Herculano Inglês de Souza, Paulo Florençano, Raul Guisard e Arthur Audrá. Eles chegam, trocam cumprimentos, deixam os chapéus e fazem o pedido, chopps. Por um instante ficam em silêncio, observam o cenário: nas ruas poucos Fords; os senhores trajando calça, camisa, colete, paletó e chapéu acompanhavam suas senhoras às compras. Elas sempre elegantes, com seus vestidos, chapéus e a bolsinha de mão. Na Praça da Catedral, o coração da cidade, rodas de amigos discutiam o assunto do momento, ou seja, os problemas causados pela Grande Depressão que atingiram violentamente a valorização do café e demais preços agrícolas. Chegaram os chopps. Brindam. Depois do primeiro gole, iniciam a conversa. Cujo tema é a situação dos clubes da cidade. Como frequentadores assíduos das quadras de tênis do Esporte Clube Taubaté, todos eles sentem falta de outros esportes. Empolgados, começam a planejar a fundação de mais um clube na cidade. Victor logo recomenda um terreno no caminho de Quiririm, ao lado do campo de aviação. Com tanto entusiasmo, os seis amigos deixaram o bar naquele instante e juntos seguiram para o terreno.Deslumbrado com o lugar, Carlos Herculano até sugere um nome “Taubaté Country Club”, que foi aceito pelo grupo. A ideia estava tomando forma. Surge a questão: Qual seria a freqüência, tamanha a distância e a falta de automóveis? Nas fisionomias, dúvida e preocupação. Desistem do terreno, mas continuam a procurar o local apropriado. Num dia, Raul Guisard, enquanto caminhava e pensava na questão do novo clube, avista o terreno ideal para a realização do sonho: Rua das Palmeiras, centro da cidade. Grande expectativa traz de volta o ânimo. Ansioso quer encontrar os amigos para contar a novidade e marca com eles outro encontro no Bar do Alemão.Quando Raul Guisard revela a novidade, a alegria foi geral. Mais um chopp foi servido para o brinde especial, ao Taubaté Country Club. Na praça, no Bar do Alemão, no barbeiro, nos escritórios e nos encontros depois da missa, o assunto é o mesmo: o novo clube. A sociedade acredita e apoia a ideia. Dia 16 de julho, a movimentação rumo à mercearia do seu “Miranda” aguça os curiosos. Um grupo de taubateanos sobe os degraus da escada do Edifício Miranda, rumo à sala sete do Dr. Avelino. Confirmadas as presenças, Raul Guisard inicia mais uma reunião cujo objetivo era concretizar a ótima ideia da fundação de uma sociedade esportiva, de cultura física e intelectual, sonhada antes por um grupo de abnegados esportistas e que recebia naquele momento o apoio integral da sociedade taubateana. Assim foi criado o Taubaté Country Club. 7

8 José Jorge de Castro, o popular Carioca, nasceu na cidade de Guaratinguetá, no ano de 1912. Com 8 anos de idade, já tinha vocação para o canto. Foi para o Rio de Janeiro onde permaneceu durante algum tempo, regressando, recebeu o apelido de “Carioca”, que passou a ser seu nome artístico. Veio para Taubaté para trabalhar na CTI (Companhia Taubaté Industrial), ingressou na JAZZ BAND do Sinhô Vicente, passando a cantar na Sociedade Italiana, até chegar a Orquestra do Taubaté Country Club, cantando sob a batuta do Maestro Raul Pizaroni. Após isso, foi para a JAZZ CTI com Dona Magdalena Guisard, passando a fazer dupla com o cantor Nilton Franco nas revistas musicais; SUNUNGA e DEUS SALVE A AMÉRICA. Após isso formou o conjunto TROPICAL RÍTMOS, depois TROPICAL SOUN, com o auxílio de seus filhos: Paulinho (baterista) e Cidinha (cantora). Participou ativamente do Clube do Guri da Rádio Difusora, onde revelou estrelas como Celly Campello. Carioca gravou diversos discos, inclusive o Hino de Taubaté. Faleceu em Taubaté, no ano de 1999.


mandou os cantões para Ubatuba para conhecer a Sununga9, a praia, pois determinado quadro da revista, uma opereta com música dela, era baseada na lenda da Sununga. Quem a acompanhava era o Lycurgo, seu irmão, ele fazia as letras das músicas. Então, nós fomos para Ubatuba para aprender o que era o ambiente da Sununga! Foi um sucesso tremendo, nós todos vestidos de índios, perfeitamente integrados no trabalho artístico de Dona Magdalena. Em frente à CTI10 tinha um Salão muito grande, onde foi instalada a Agência FORD. Foi neste salão que a Dona Magdalena prestou uma homenagem ao grande compositor Ary Barroso, quando ele esteve em Taubaté, para apresentar um show no Cine Palas.

9 Praia da Sununga (Ubatuba-SP) – A praia da Sununga fica no sul de Ubatuba, entre a Praia do Lázaro e a Praia das Sete Fontes. É conhecida pela Gruta que Chora ! A lenda diz que este choro são lágrimas das virgens que foram sacrificadas para acalmar uma enorme serpente que vivia na gruta. Mas um dia a gruta foi benzida por um padre, que expulsou a serpente para o mar. Desde então o mar gera espetáculos com suas violentas e revoltas ondas. CTI – Companhia Taubaté Industrial - Fundada em 1894 por Félix Guisard, a C.T.I. (Companhia Taubaté Industrial) era uma indústria têxtil de camisas e meias. Na década de 30, após um projeto ambicioso, foi concebido o edifício que recebeu o nome do seu fundador, passando a ser conhecido como “Edifício Félix Guisard”. A torre com 12 andares e com um relógio no topo se tornou um símbolo da cidade. O pernambucano Rodrigo Nazareth foi o homem que convenceu Felix Guisard a instalar a CTI (Companhia Taubaté Industrial) na cidade. Nazareth, ex-colega de seminário de Guisard, era o presidente do Banco Popular de Taubaté e garantiu a Guisard que aqui ele encontraria investidores e recursos energéticos para sua fábrica. Ficou a cargo do engenheiro Fernando de Mattos construir a primeira fábrica. Mattos, que era dono das empresas Companhia Norte Paulista e Edificadora Progresso, recebeu ações da CTI em troca da construção do prédio. A instalação da fábrica aconteceu graças à participação de grandes fazendeiros; seis deles detinham mais de 70% das ações. A CTI era gerida por três diretores: – Rodrigo Nazareth de Souza e Reis era o presidente, que cuidava da administração dos negócios. – Felix Guisard era o diretor técnico, responsável por fazer a fábrica funcionar. – Valdemar Bertelsen era o diretor comercial, responsável pelas vendas. O dinamarquês Valdemar Bertelsen era dono de uma loja de tecidos no Rio de Janeiro. Entrou como acionista da CTI por indicação de Felix Guisard. A Jeanne Guisard, esposa de Felix, coube ensinar às primeiras operárias da fábrica o ofício de costurar meias e camisas de meias. Guisard, dono do expertise técnico, instruiu os homens sobre como lidar com o maquinário importado. A empresa começou a funcionar em janeiro de 1893 com 170 funcionários. A mão de obra era formada por gente de Taubaté e região e também de migrantes de outras partes do país. Em 1953 a C.T.I. foi vendida para Claudino Veloso Borges, e mais tarde, em 1970, foi vendida novamente para o grupo têxtil Nova América. No ano de 1983 as atividades na C.T.I. pararam definitivamente. O prédio onde funcionava a companhia hoje abriga o Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Unitau (Universidade de Taubaté). A torre do relógio foi tombada pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), e em parte do edifício funciona o departamento de Ação Social da Prefeitura de Taubaté. 10


.Inauguração da Agência FORD. Ao piano, Magdalena, Carolina Cardoso de Menezes e Jacira Manara.

Foi oferecido um coquetel em homenagem à ele, e a Dona Magdalena tocou algumas composições do próprio Ary, ao piano. Ele ficou assombrado com o talento dela, ficou verdadeiramente louco, e queria levar Dona Magdalena para o Rio de Janeiro, de qualquer maneira, fez todas as propostas financeiras possíveis, mas...sabe como é...o Jaurés, marido dela, ficou todo orgulhoso da admiração de nosso maior compositor brasileiro para com a virtuosidade de sua esposa, mas não tinha jeito...sabe como é...marido, filhos... Quando os pracinhas deram baixa no exército, no término da II Guerra Mundial, dois deles eram taubateanos e, quando regressaram a nossa cidade, a Dona Magdalena fez uma peça intitulada: “DEUS SALVE A AMÉRICA”, em homenagem a eles! Esta peça ficou uma semana em cartaz, com um sucesso incrível. Para se ter uma idéia, foi uma coisa inacreditável. Ela ensaiava o artista, punha no palco, fazia tudo. Agora, o “xodó” dela era a JAZZ CTI e as crianças, filhos dos operários da fábrica, que frequentavam o Gripo Escolar, ao lado de sua casa


A JAZZ CTI sob o comando de Magdalena Guisard.

José Jorge de Castro (CARIOCA) – Cantor e amigo Depoimento realizado no dia 29 de Outubro de 1996


CARTA ABERTA À MINHA MADRINHA Querida madrinha Magdalena: Como sua figura é encantadora e admirável! A postura...nem se fala. Está sempre impecável como uma “lady”. Também...tantas vezes primeira-dama, aprendeu perfeitamente... Escrevo-lhe esta carta, para contar-lhe o quanto foi bom para minha vida, todo este carinho e ternura que tiveram para comigo: a senhora e o padrinho Jaurés Guisard. Tenho uma dmiração muito grande por vocês e pela sua paciência como esposa de politico. É um encargo muito difícil, que necessita renúncias, opções, amarguras, inimizades, etc... Senti tudo isso mais próximo de mim e pude compreender um pouco, pois meu marido, Wilson Vieira de Souza, sendo médico, quis entrar na carreira política e se candidatou a vereador em nossa cidade, conseguindo se eleger. No início, madrinha, eu resisti um pouco, porque na minha infância, este fardo foi meio pesado: eu tendo padrinho prefeito, era obrigada sempre a ouvir pessoas falando dele, bem ou mal. E eu quieta, ouvindo. Custei a aceitar. Mas, como é do meu feitio, logo “entrei de cabeça” na campanha, fazendo tudo o que tinha direito, inclusive dirigindo carro com alto-falante. Foi ótimo, porque eu me livrando dos complexos passados, “soltei as frangas”, fui à luta. Eu e meus queridos filhos: Daniel, Luciana e Carolina. Adorei. Pareceume um sonho. Conheci um mundo, até então desconhecido para mim, uma outra maneira de conviver. Vi o próximo com mais carinho, tive muitas alegrias e reconhecimentos. Amei e cresci, no sentido de meu interior ter ficado mais rico. Agradeço vocês por isso. Eu gostaria muito de dizer-lhes tudo isso pessoalmente. Mas infelizmente, algo nos separa. Uma barreira imensa, inalcançável, infinita, impossibilita-me de vê-los novamente, impedindo que eu lhe dê abraços e beijos calorosos e sinta o bater de seus corações. Não há mais tempo para isto. Vocês já se foram há muitos anos...Nem tudo nesta vida pode ser realizado. Às vezes, a não realização de um sonho, faz parte do viver, para que haja uma esperança daquele algo impossível que nos impede a alcançar. Caso a senhora esteja lendo ou sabendo da existência desta carta, escrita do fundo do meu coração, saiba que alguém aqui na Terra, amou e ainda ama vocês com o maior carinho do mundo. Meus pais passaram este amor de vocês para mim, durante toda a minha infância. Eles foram o instrumento de Deus, para que houvesse esta ligação tão linda com vocês, meus padrinhos. Obrigada pelos ensinamentos. Mando-lhes beijos carinhosos, esperando que um dia eu torne a encontrá-los, quando Deus o permitir.

Nilda Sales de Souza

(*) Nilda Sales de Souza, é filha de Zélia Querido Sales e Francisco Sales. Em 07 de Abril de 1949, foi batizada por Magdalena Guisard e Jaurés Guisard.


Batizado de Nilda em 07 de abril de 1949, com o padrinho Jaurés e a madrinha Magdalena.


A GRANDE E IMORTAL MUSICISTA Há pouco tempo atrás, recebi das mãos de Dimas de Oliveira Junior algumas gravações particulares da pianista Magdalena Guisard com parte do repertório sendo de suas próprias composições. Este material provém de uma pesquisa particular que o cineasta vem realizando sobre a musicista em questão. Me ocorre agora que somente compromissos familiares e/ou sociais poderiam tê-la tirado dos palcos. Apesar das gravações hoje contarem com mais de 70 anos e terem sido realizadas rudimentarmente no Brasil, percebe-se claramente o domínio que a interprete tem sobre o instrumento. Seus “baixos” são cheios e vigorosos constituindo-se em verdadeiros alicerces harmônicos do discurso musical. Seu “toque” é de grande perfeição e clareza absoluta. Seus “finais de frase” são de belíssimo acabamento e sua “pedalização” é quase sempre de considerável beleza. Fico me perguntando o que esse talento faria se tivesse à sua disposição os modernos estúdios de gravação digital que hoje são oferecidos aos artistas. Magdalena Guisard e sua arte particular representam para mim uma grata surpresa nesta altura da minha vida, o que indica que nunca é tarde para adquirir novos conhecimentos.

Denis Wagner Molitsas Pesquisador e Musicista São Paulo, 10 de Abril de 2019


GRAVAÇÕES EM DISCO (78 Rpm) DE MAGDALENA GUISARD REALIZADAS NA GRAVADORA E DISCOS CONTINENTAL (SÃO PAULO), NA DÉCADA DE 40.

PERFÍDIA (A.Dominguez)

Solo de Acordeon de Magdalena Guisard SAINT LOUIS BLUES (W.C.Handy)

Solo de Acordeon de Magdalena Guisard RAPSÓDIA HUNGARA N.2 (Franz Lizt)

Solo de Acordeon de Magdalena Guisard SELEÇÃO DE FOXES • • • •

Amor é sempre Amor (As Time Goes By – Herman Hupfeld) Tangerina (Tangerine-Jimmy Dorsey) Verão Indiano (Indian Summer- Dubin/Herbert) Poeira de Estrêlas (Stardust- Tim Myers/Rosin Golan)

Arranjos e Solo de Piano de Magdalena Guisard SONHANDO CONTIGO (“Tio Joãozinho”)

Arranjo e Solo de piano de Magdalena Guisard 4 DE MAIO DE 1891 (Lycurgo Querido/Magdalena Guisard)

Solo ao piano de Magdalena Guisard – Canto por Celeste Silva PEREQUETÊQUE (Magdalena Guisard)

Arranjo e Solo de piano de Magdalena Guisard Obs. O nome desse chorinho de breque foi dado pelo compositor Lamartine Babo. ÊXTASE (Magdalena Guisard)

Arranjo e Solo de piano de Magdalena Guisard


Magdalena Querido Guisard


DOCUMENTÁRIOS EM AUDIOVISUAL SOBRE MAGDALENA GUISARD MAGDALENA GUISARD, UMA LUZ NOS CÉUS DE TAUBATÉ Direção de Dimas Oliveira Junior Ano: 1996 Elenco: Duda Mattos, Sheila Guisard, Carioca, Celeste Silva, Pedro Clemente e outros

Sheila Cunha Guisard e Dimas Oliveira Junior durante as gravações em 1996

MAGDALENA GUISARD, ARTE E VIDA DE UMA MUSICISTA Direção de Dimas Oliveira Junior Ano: 2019 Elenco: Hellen Kazan, Wesley Alves, Juju Salini, Francisco Leal, Cintia Silva e elenco


Hellen Kazan como Magdalena Guisard em Arte e Vida de uma Musicista



Magdalena Guisard, vem sendo redescoberta, através de artistas que através de sua arte, estão ajudando a manter viva a memória de nossa grande musicista. Esse processo que vem ocorrendo, mostra que a arte não tem tempo, não tem limites e ressurge plena dentro da visão pessoal de cada artista, trazendo para as novas gerações a história de nosso glorioso passado musical. Salve a ARTE! ANITA SEIXAS – Artista Plástica

Homenagem a Magdalena Guisard – Técnica Mista (tinta acrílica e lápis de cor sobre papel cartão) (*) Para o Centro Cultural Municipal Toninho Mendes – Taubaté


MARGARIDA FOURNIER – Artista Plástica

Homenagem a Magdalena Guisard Técnica mista sobre lona vinílica – 2,00x0,97

(*) Para fachada lateral do Centro Cultural Toninho Mendes


ALEXANDRE DE MORAIS ALMEIDA “XANDE” – Artesão/Escultor

Homenagem a Magdalena Guisard Busto/Escultura em argila - 28 cm

CÁCIA LIMA – Professora e Artista NAIF (Maceió – Alagoas)

Homenagem a Magdalena Guisard – Acrílica sobre tela – 22x16 cm IV Mostra de Arte AS TABAETEANAS - 2021


ADRIANA ELISABETH SAMPAIO “DRI FIGUEIRA” – Figureira

Estátua Magdalena Guisard – Artesanato em Argila e tinta – 20 cm


IVAN MACHADO – Músico

Resgate das músicas compostas por Magdalena Guisard, para as novas gerações, entre elas o choro: Perequeteque.


DIMAS DE OLIVEIRA JUNIOR – Jornalista/Cineasta-Documentarista

Filme Documentário – Magdalena Guisard, Arte e Vida de uma Musicista


Livro – Magdalena Guisard - 1996


Livro – Mulheres de Taubaté – 1998 – 2020


BIBLIOGRAFIA E CONSULTAS

Arquivo Getulio Vargas/CPDOC - Cpdoc.fgv.br Almanaque Urupês – almanaqueurupes.com.br (Taubaté/SP) Mistau – Museu da Imagem e do Som de Taubaté (Taubaté/SP) Museu Histórico – Prof. Paulo C. Florençano (Taubaté/SP) Arquivo Claudevan Melo Biblioteca Nacional Digital (Rio de Janeiro/RJ) A Noite Ilustrada – Revista Brasileira de Variedades – ano 1939 Jornal A Tribuna – Taubaté (SP) – Ano 1956 CTI Jornal (Taubaté/SP) – Números: 58-85-90-98-100-106-116-117 Jornal Taubaté Country Club (Taubaté/SP) – Ano II, III, IV, V, VI, VII Jornal Nossa Terra (Taubaté/SP) – Ano XI Taubaté no Aflorar do Século – Oswaldo Barbosa Guisard Magdalena Querido Guisard, uma luz nos céus de Taubaté – Dimas Oliveira Junior



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