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MOMENTO DE FESTA

Com orçamentos flexíveis, mercado de buffets e decoração para aniversários infantis vive fase de expansão. Pág. 8

Curso ajuda empreendedor a ‘vender o peixe’ do seu negócio Pág. 6

Para competir no mercado, revendedor vira dono de indústria Pág. 16

Po rt ad ee nt 10 rada a , ME Pá n os I c g. om 4 pl et a

| www.sebraesp.com.br | 0800 570 0800 | julho de 2019

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André de Oliveira é proprietário de um buffet no ABC: expectativas altas


2 | JORNAL DE NEGÓCIOS EXPEDIENTE Publicação mensal do Sebrae-SP

Profissão: ‘empreendedor’

Edição impressa

CONSELHO DELIBERATIVO Presidente: Tirso Meirelles

ACSP, ANPEI, Banco do Brasil, Faesp,

FecomercioSP, Fiesp, Fundação ParqTec, IPT, Desenvolve SP, SEBRAE, Secretaria de Desenvolvimento Econômico,

Ciência e Tecnologia, Sindibancos-SP, Superintendência Estadual da Caixa Econômica Federal.

DIRETORIA EXECUTIVA

TIRSO MEIRELLES, Presidente do Sebrae‑SP

Todos os dias somos bombardeados com notícias sobre o nível de desemprego e da informalidade no Brasil, uma dupla danosa ao processo de crescimento sustentável. Já são 13,4 milhões de pessoas desocupadas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE) e a economia subterrânea gera perdas de 5,6% do PIB, algo em torno de R$ 382 bilhões. O que pouca gente sabe é que o quadro poderia ser ainda mais sombrio, não fosse a criação, há dez anos, da figura jurídica do Microempreendedor Individual (MEI), que veio para descomplicar e reduzir o peso dos tributos dos pequenos negócios. Atualmente, mais de 8 milhões de brasileiros decidiram não ficar desocupados

Diretor-superintendente: Wilson Poit Diretor técnico: Ivan Hussni

e escolheram como profissão ser empresários. Em São Paulo, esse contingente é de cerca de 2,2 milhões de pessoas. Se estar ocupado deixou de ser uma dor de cabeça, ser empreendedor traz outras e novas preocupações, como manter-se em atividade e não engordar outra estatística: a da alta mortalidade dos pequenos negócios. Por estar num mercado extremamente concorrencial, muitas vezes o empreendedor acaba ficando no meio do caminho porque não conseguiu gerenciar corretamente seu negócio. Atentos a esse movimento em 2016, o Sebrae-SP criou um programa específico para esses empreendedores, fundamentado em três pilares: conhecimento, crédito e acesso a mercados. Dos 40 mil empreendedores que participaram, a maioria reportou aumento de faturamento

em 19% e redução de custos de 28%. Para marcar nosso compromisso com o fortalecimento desses empreendedores e incentivar que sejam os empregadores de amanhã, aprimoramos o programa e a família SuperMEI cresceu. Agora são 52 horas de ações focadas nas necessidades do empreendedor durante as diferentes fases do negócio. A meta é certificar 20 mil MEIs ainda neste ano. Com esses ajustes e a melhoria da gestão dos negócios, o impacto no aumento da sobrevivência dos empreendimentos e na geração de postos de trabalho será imenso. Acreditamos que esse é o melhor investimento e o mais curto caminho para conquistar o crescimento pleno. Por isso continuaremos investindo na profissão “empreendedor”.

Diretor de administração

e finanças: Guilherme Campos JORNAL DE NEGÓCIOS

Unidade Marketing, Publicidade e Propaganda Institucional

Gerente: Marcus Vinicius Sinval

Coordenadora: Marcelle Carvalho Editores responsáveis e redatores:

Gabriel Jareta (MTB 34769) e Roberto

Capisano Filho (MTB 46219). Assessores de imprensa: Gisele Tamamar, Patricia Gonzalez e Rogério Lagos. Imagens: istockphoto.com. Diagramação:

Daniel Augusto de Resende Neves, Bruna Santos, Gisele Resende Costa e Letícia

Durães. Fotos: Ricardo Yoithi Matsukawa – ME e Carlos Raphael do Valle – ME para o Sebrae-SP. Apoio comercial:

Unidade Relacionamento: (11) 3177-4784 SEBRAE-SP

Rua Vergueiro, 1.117, Paraíso

São Paulo-SP. CEP: 01504-001 PARA ANUNCIAR

0800 570 0800

Novidades

Trinta anos após a criação, o Brasil adere

com apenas um pedido internacional, uma

ao Protocolo de Madri, um tratado interna-

data de prorrogação, uma moeda para os

cional que facilita e reduz custos para o re-

principais pagamentos e um idioma.

gistro de marcas de empresas no exterior. A

A Confederação Nacional da Indústria

previsão do Instituto Nacional de Proprieda-

(CNI) calcula que os prazos de análise e

de Industrial (INPI) é que a nova sistemática

custos de registro podem ser 75% me-

comece a funcionar em outubro no país. O documento aprovado pela Câmara dos Deputados e Senado está disponível na internet e inclui o regulamento comum para registro internacional de marcas. O termo facilita o registro de marcas em 120 países (responsáveis por mais de 80% do comércio internacional). As principais vantagens do sistema são: reduções dos cus-

nores do que os atuais. De acordo com o diretor de Desenvolvimento Industrial da entidade, Carlos Abijaodi, há casos em que o registro no Brasil demora até quatro anos. Para ele, a adesão vai dar mais segurança às empresas, que passam a ter mais garantias quanto ao investimento e ao esforço que estão fazendo para re-

tos de depósito e de gestão; maior previsibili-

gistrar a marca no país, divulgar e atingir

dade no tempo de resposta; simplificação de

outros mercados. Abijaodi acredita que as

todo o procedimento; e monitoramento per-

maiores beneficiadas serão as pequenas

manente para a gestão de marcas em todos

empresas. “Essas não têm condição de

os países em que estiver registrada.

contratar um advogado para procurar a

A empresa requerente passa a trabalhar

Justiça em outro país”, disse.

istockphoto.com

Brasil adere a protocolo que facilita registro de marcas no exterior


EDIÇÃO 303 | JULHO DE 2019 | 3

Entrevista do mês

Por mais créditos às MPEs

O presidente da Febraban, Murilo Portugal, analisa a relação entre bancos e pequenos negócios

C

om a experiência de uma carreira sólida na área econômica do setor público, ocupando cargos no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), governo federal, Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional (FMI), Murilo Portugal está desde 2011 na presidência da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Na entrevista abaixo, ele comenta sobre a relação entre bancos e pequenos negócios e como é possível melhorar o ambiente de crédito no país. Pesquisa do Sebrae mostra que 89% dos pequenos negócios não solicitaram empréstimo novo nos últimos seis meses. A maioria alegou que não necessita ou não gosta de empréstimo. Como a Febraban atua para incluir esse contingente? O setor bancário tem interesse em melhorar o ambiente de crédito no país e ampliar o acesso ao financiamento bancário de empresas de menor porte. Lamentamos que uma parcela tão significativa dos microempreendedores individuais não tenha utilizado o crédito para seus negócios. A Febraban contratou estudos para fazer uma análise dos entraves para ampliar o atendimento a essas empresas. Um dos problemas é a ausência de informações econômico-financeiras de qualidade que são necessárias para analisar um pedido de empréstimo. A esse problema se soma a falta de garantias a serem oferecidas. Por outro lado, as pequenas empresas são mais expostas a crises e flutuações do mercado do que as grandes, ou seja, apresentam maior risco. Uma ideia para minorar o problema da ausência de informações confiáveis de qualidade seria, com autorização prévia do microempresário, buscar as informações que existem a respeito da empresa nas bases de dados do governo. Por exemplo, consultar as bases de dados da nota fiscal eletrônica para checar as informações de faturamento, checar as informações da Receita Federal para confirmar as

Divulgação

Portugal: “Há espaço e os juros estão caindo”

informações sobre o lucro, consultar as informações do FGTS ou da Rais para checar o número de empregados, e assim por diante. A definição de um modelo mais simples de demonstração financeira e com auditoria externa mais barata é outro caminho que poderia ser seguido. O que afasta os pequenos empresários das instituições financeiras quando o assunto é o crédito produtivo? A experiência nacional e internacional mostra que as pequenas empresas enfrentam mais dificuldades do que as de maior porte para acessar recursos de financiamento. A falta de garantias, como mencionei antes, é um dos fatores que aumentam o risco nas operações de crédito envolvendo companhias de menor porte. Segundo o Banco Central, em dezembro do ano passado a inadimplência das micro e pequenas empresas foi de 7%, enquanto a média de todas as empresas foi 2,4%. A confluência desses fatores é uma possível causa de um

ambiente pouco favorável e atrativo para os pequenos empresários acessarem o crédito produtivo. No mesmo estudo, dos 11% que solicitaram financiamento, a maioria diz que os juros são muito altos. Há espaço para diminuir as taxas? Há espaço e os juros já estão caindo. Os bancos têm aproveitado a queda na taxa básica de juros, a Selic, para reduzir o custo do crédito. Nos empréstimos para pessoas jurídicas com recursos livres, o corte na taxa média foi de 10,3 pontos porcentuais de outubro de 2016 até abril de 2019. Os juros médios nessas operações eram de 30,2%, em outubro de 2016, e recuaram para 19,9%, em abril deste ano. Juros altos não são bons nem para os bancos nem para os clientes. A redução das taxas é uma questão que precisa ser discutida com base em dados técnicos para alcançar resultados efetivos e auxiliar a economia no país a crescer mais.

Segundo dados da FintechLab, em 2018 o número de fintechs cresceu 40% no Brasil. Como o senhor vê a relação dessas startups e dos bancos? Os bancos veem com bons olhos o crescimento das fintechs, em relação às quais temos postura de parceria. Acompanharam com interesse o desenvolvimento destas startups, porque acreditam que inovações tecnológicas podem trazer benefícios ao consumidor. As principais instituições financeiras criaram fundos para investir em fintechs e mantêm ambientes de incubação e aceleração para essas empresas. Que previsão o senhor faz para o mercado de crédito para próximos cinco anos, considerando que sejam colocadas em prática as reformas da Previdência, tributária e simplificação legal? Não temos previsões numéricas para cinco anos. Mas nossa expectativa é de que o crédito possa crescer um pouco mais rápido do que o PIB, como aconteceu no passado. No curto prazo, uma pesquisa realizada com 20 bancos, que representam cerca de 80% do mercado de crédito brasileiro, mostrou que 61% dos respondentes acreditam que o bom ritmo de crescimento que a carteira de crédito livre tem apresentado, um crescimento em 12 meses de 11%, deve se manter até o final do ano. O que o pequeno empreendedor tem de apresentar para obter crédito? As políticas e critérios para concessão de crédito variam de banco para banco, de acordo com a estratégia comercial de cada instituição. O que o empreendedor tem que apresentar são elementos que permitam ao banco avaliar com confiança que o empréstimo é um bom negócio. Que vai gerar um caixa suficiente para pagar o empréstimo e os juros.


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ANOS DE MEI Há dez anos, surgia no país a figura jurídica e tributária do Microempreendedor Individual (MEI), um marco na história do empreendedorismo brasileiro. Com a criação do MEI, profissionais que trabalhavam de forma autônoma e informal puderam regularizar sua situação, passaram a ter um novo status no mercado e direitos que, em muitos casos, até então estavam fora de sua realidade. O MEI representou a conquista de cidadania para aqueles que viviam à margem da legislação e se transformou na porta de entrada para o empreendedorismo. Mas o que é MEI? É aquele empreendedor que trabalha por conta própria, possui registro de pequeno empresário e exerce uma das mais de 460 modalidades de serviços, comércio ou indústria. A figura do MEI tomou forma em 2008, com a lei complementar nº 128, buscando formalizar trabalhadores brasileiros que até então desempenhavam diversas atividades de maneira informal, sem nenhum amparo legal ou segurança jurídica. Com a legislação em vigor desde 2009, mais de 8,4 milhões* de pessoas no Brasil já se formalizaram como MEI. No Estado de São Paulo existem mais de 2,2 milhões de Microempreendedores Individuais, número que representa cerca de 26,7% do total. *Dados de 1/6/2019, via Portal do Empreendedor

ATIVIDADES MAIS PROCURADAS • Cabeleireiros (com 658,5 mil MEIs, 7,9% dos MEIs do país) • Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios (651 mil, 7,8%) • Obras de alvenaria (366,6 mil; 4,4%)

BENEFÍCIOS • Legalização das atividades desempenhadas

• Facilidade na abertura de contas e obtenção de crédito

• Contribuição de valor menor para a Previdência

• Emissão de notas fiscais

• Aposentadoria • Auxílio-doença

• Possibilidade de contratação por outras empresas

• Auxílio-maternidade

• Pagamento simplificado de tributos

• Realização de empréstimos com taxa de juros reduzida

• Redução do número de impostos, com isenção dos federais.

ENTRADA E RETIRADA DE ATIVIDADES

MUDANÇAS NO FATURAMENTO

Não é comum, mas a lista de atividades permitidas do MEI pode sofrer alterações com o passar dos anos. Algumas mudanças significativas ocorridas foram a retirada de atividades como personal trainer, dedetizador e comerciante de fogos de artifício, e a inserção de outras como diaristas, vigilantes e cuidadores de animais. Para ficar sempre atualizado sobre as atividades permitidas, acesse o Portal do Empreendedor: www.portaldoempreendedor.gov.br

De 2009 a 2011, um dos requisitos para ser MEI era faturar até R$ 36 mil por ano. Em 2012, subiu para R$ 60 mil. Esse limite durou até o fim de 2017, quando outro projeto de lei foi aprovado. Desta vez o limite anual de faturamento para a adesão ao regime tributário do MEI passou para R$ 81 mil a partir de 1º de janeiro de 2018.


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PRODUTOS Pensando nos empreendedores que já são MEI ou naqueles trabalhadores informais que planejam se formalizar, o Sebrae-SP possui um portfólio de produtos para auxiliar nessas jornadas empreendedoras. São opções presenciais e a distância que trabalharão desde os primeiros passos para se tornar um MEI até a expansão do negócio.

PARA QUEM AINDA NÃO É MEI:

EAD – Como se tornar um Microempreendedor Individual

EAD – Como captar recursos para seu negócio

Carga horária: 2h

Carga horária: 2h

Gratuito

Gratuito

www.bit.ly/como_sermei

www.bit.ly/captarrecurso

PARA QUEM JÁ É MEI: EAD - Como agir de maneira empreendedora

EAD – Como aumentar suas vendas

SUPERMEI – Primeiros passos

SUPERMEI – Organize seu negócio

SUPERMEI – Pronto para crescer

Carga horária: 2h

Carga horária: 3h

Gratuito

Gratuito www.bit.ly/como_ter_mais_ vendas

Carga horária: 16h presenciais sobre gestão / 4h EAD sobre gestão

Carga horária: 20h presenciais sobre gestão

www.bit.ly/agir_empreendedor

Carga horária: 8h presenciais sobre gestão / 4h EAD sobre gestão Gratuito

Gratuito

Gratuito

Auxílio fundamental

De MEI para ME

Alexandra Castañeda, proprietária da Talelê Doces, trabalha há mais de 30 anos no segmento, mas se formalizou como MEI em 2011. Entre os benefícios de ser MEI, o auxílio-doença foi fundamental para a empreendedora. Depois de formalizada, utilizou o benefício em duas oportunidades por causa de uma artrite reumatoide. “Perceber que eu teria os mesmos benefícios de CLT como MEI foi mais uma razão para me formalizar. Não há burocracia, o tratamento é igual. Quando estou em crise, peço o benefício”, explica. Além disso, a empresária emite notas fiscais e atende empresas que antes da formalização não conseguia. De lá para cá, viu o seu negócio crescer mais de 50%.

Beatriz Alves montou o Hotelzinho Tia Bia já pensando no futuro: criar uma escola. Como MEI, ela vem construindo todos os alicerces para colocar o projeto em prática. Seu hotelzinho atende cerca de 25 crianças fixas em Mogi das Cruzes com atividades lúdicas de aprendizagem. A empresária participou do Super MEI do Sebrae-SP e conseguiu, no fim do curso, um empréstimo a juro zero de aproximadamente R$ 20 mil. “Foi importante para a reforma e expansão do espaço. Até o primeiro ano de formalização como MEI trabalhávamos com 10 a 12 crianças. Nossa expectativa é termos 50 crianças fixas.” MEI desde junho de 2017, hoje o Hotelzinho Tia Bia está em vias de se tornar ME. “A documentação está pronta e o contrato, redigido. Até agosto subiremos de patamar”, comemora. “As crianças maiores de quatro anos precisam ir para a escola regular. Queremos crescer nesse sentido.”


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Aprendendo a

Curso da Escola Superior de Empreendedorismo (ESE), do Sebrae-SP,

A professora Letícia Gonçalves e sua turma de alunos da ESE

Letícia Castello Nunes

S

aber “vender o peixe” é essencial em qualquer negócio. Para isso, é preciso apresentar sua ideia, produto ou serviço com clareza, objetividade e segurança. Dessa forma, a possibilidade de conquistar clientes, investidores e parceiros é muito maior. A boa notícia é que esse tipo de habilidade pode ser aprendida. Segundo a professora da Escola Superior de Empreendedorismo Sebrae-SP (ESE) Letícia Pedreira Diniz Gonçalves, as técnicas para desenvolver as competências nesse sentido podem ser aplicadas em diferentes situações, seja uma exposição mais detalhada e longa, seja um

pitch, realizado em poucos minutos para atrair investidores. Ela ressalta que a autoconfiança é um dos aliados nessa tarefa. Letícia é responsável pela trilha educacional Future Skills da graduação em Administração da ESE, que tem como objetivo formar os empreendedores do futuro. Para isso, logo no primeiro semestre do curso, os alunos participam das atividades práticas da disciplina Storymakers – Como criar narrativas e improvisar. “Eu digo que essa disciplina é uma narrativa aberta. Sei como ela vai começar, mas como vai terminar depende da dedicação do aluno. E, dessa forma, colocando o aluno no protagonismo do seu

aprendizado, criando a sua própria história, reforçamos a autoconfiança dele”, diz a professora.

PLANEJAR NARRATIVAS

Na primeira parte da disciplina, os alunos desenvolvem, entre outras habilidades, a capacidade de planejar narrativas e argumentos de forma roteirizada ou improvisada por meio de recursos verbais e não verbais. Eles também estudam recursos visuais para contar uma história e vender uma ideia de negócios, tais como: composição gráfica, edição e estética da imagem. Na segunda parte da disciplina, as habilidades do empreendedor do futu-

ro são desenvolvidas por meio de técnicas teatrais. “Logo no início, fazemos uma análise do aluno e identificamos quais pontos devem ser trabalhados ao longo do semestre. Por exemplo, nos casos de alunos que falam muito rápido ou baixo, vamos trabalhar exercícios que melhoram o controle da respiração, ajudam a relaxar as expressões faciais, ensinar a articular melhor as palavras e a projetar a voz em diferentes ambientes e situações”, conta Letícia. Outros aspectos também trabalhados durante as aulas são: leitura corporal, consciência e ocupação de espaços, engajamento emocional, argumentação, persuasão e improviso.


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‘vender o peixe’

ensina como apresentar uma ideia de negócio de forma eficiente “Em um dos exercícios, por exemplo, tivemos de nos vestir para uma reunião de negócios e subimos ao palco do auditório da ESE para nos apresentar e justificar porque seremos empreendedores de sucesso no futuro. Durante o exercício, erramos e fomos corrigidos em tempo real para melhorar nossa apresentação. Foi uma ótima maneira de aprender a ter uma postura e um discurso que demonstram mais autoconfiança”, conta Marcela Luara da Silva Delago, aluna da graduação em Administração da ESE. Diferente de criar uma boa ideia de negócios, o objetivo da disciplina é ensinar os alunos a apresentarem

ESCOLA SUPERIOR DE EMPREENDEDORISMO SEBRAE-SP A Escola Superior de Empreendedorismo Sebrae-SP (ESE) forma empreendedores e é fruto da experiência do Sebrae, a principal instituição de fomento ao empreendedorismo do país. Os cursos da ESE estão centrados em metodologias ativas que ajudam os alunos a desenvolverem as competências empreendedoras. A ESE oferece os seguintes cursos: • Graduação em Administração (opções: semi-integral e noturno); • MBA em Estratégias de Crescimento para Pequenos Negócios; • MBA em Empreendedorismo de Alto Impacto e Inovação Aplicada aos Negócios. www.ese.edu.br

qualquer tipo de proposta e em qualquer tipo de situação. “Os alunos ainda têm mais alguns anos de estudo na ESE. Não precisam desenvolver uma ideia de negócios viável logo no primeiro semestre. E nem a montar o pitch perfeito para essa ideia. Mas precisam começar, desde já, a acreditar em si mesmos para, quando tiverem uma ideia de negócios formulada, conseguirem fazer com que mais pessoas também se engajem nessa proposta”, ressalta Letícia. “Eu sou muito tímido. E, durante as aulas, estou aprendendo a falar em público com mais tranquilidade e confiança. Outra coisa que aprendi é fazer o recorte correto das informa-

ções, para aproveitar ao máximo a atenção destinada à minha fala”, conta Raduan Oliveira Galli Muarrek. “Eu pretendo me tornar empreendedor depois de concluir a graduação em Administração ESE. Mas, independentemente dos rumos que vou seguir, tenho certeza que vou usar essas habilidades aprendidas em qualquer situação”, completa.

Negócios Sebrae-SP Alencar Burti (Speed Mentoring, Startup SP e Incubadora SP) oferecem oficinas para desenvolver o pitch ideal.

Não é apenas nas disciplinas da ESE que as técnicas de vendas de ideias de negócios são desenvolvidas. Os programas de capacitação de empreendedores da Escola de

Durante essas atividades, são desenvolvidas habilidades que, para Fábio Zoppi, Gestor Estadual do Programa Startup SP, são essenciais para uma boa apresentação de uma ideia de negócios. “Assertividade na comunicação, linguagem corporal, slides de apoio, empatia e, principalmente, o treino. Quanto mais o empreendedor treinar, mais chances de acertar no momento de apresentação do pitch”, diz.

SPEED MENTORING

INCUBADORA SP

STARTUP SP

O programa gratuito oferece 40 horas de atividades práticas, rodadas de mentoria e bate-papo com especialistas da área para que o empreendedor alcance, de forma eficaz, o desenvolvimento e as validações iniciais do seu projeto inovador e de base tecnológica. A cada mês, são selecionadas startups em fase de validação de diferentes segmentos de negócios.

O programa, também gratuito, oferece oito meses de acompanhamento para a startup. Entre as atividades: mentoria com consultores do Sebrae-SP, atividades de educação a distância, transmissões ao vivo com especialistas em temas relevantes para o dia a dia do empreendedor. Podem se inscrever as startups em fases ideação, validação, crescimento e tração em várias cidades do Estado de São Paulo.

www.escolasebraesp.com.br

PARA UM BOM PITCH

Informações: 0800 570 0800

O programa gratuito oferece quatro meses de capacitação por meio de oficinas, workshops, vídeoaulas, mentorias e reuniões de acompanhamento dos negócios, para ajudar os empreendedores a desenvolverem a ideia de negócios, aumentarem o faturamento e lançarem o MVP (mínimo produto viável). Ao final, os empreendedores participam de um bootcamp (imersão empreendedora na cidade de São Paulo) e de um Demo Day (apresentação das ideias de negócios para investidores). A cada semestre, são selecionadas startups em fase de validação de várias cidades paulistas. www.startup.sebraesp.com.br


8 | JORNAL DE NEGÓCIOS

Um mercado

Setor de buffets e decoração para aniversários infantis continua a se

André de Oliveira, do buffet Pepe’s Park: agenda cheia até o final do ano

Patricia Gonzalez

O

empreendedor André de Oliveira faz parte de um mercado que está a todo vapor no Brasil. Por mês, ele recebe cerca de 200 solicitações de orçamentos e está com a agenda praticamente lotada até o final deste ano. Seu negócio, o buffet de festas Pepe’s Park, em São Bernardo do Campo, foi inaugurado em abril de 2016, mas o planejamento começou um ano antes, quando resolveu mudar de ramo – antes, ele era dono de um mercado. Na ocasião, André dedicou seu tempo a realizar as reformas do espaço, aprovação do projeto arquitetônico e a realizar consultorias de marketing, gastronomia e planejamento para alavancar o seu negócio. “Antes de abrir o espaço eu já sabia que não iria começar a receber clientes do dia para a noite. Ninguém fecha uma festa sem uma

indicação ou sem ter certeza de que tudo vai ser bom. O primeiro ano foi bem difícil, eu sempre precisava colocar dinheiro do meu bolso para investir mais”, relembra. Entre os principais custos, André cita as manutenções periódicas do ambiente, que compõem parte considerável do custo. Por isso, para a empresa funcionar bem, ele reforça a importância de manter um bom capital giro, além de foco no público-alvo definido e a escolha de bons parceiros. O pacote de serviços oferecidos pelo buffet de André inclui todo o básico necessário para realizar uma comemoração: além do espaço, decoração, alimentos, bebidas e fotos. “Cerca de 70% das vendas estão concentradas em indicações e em convidados da festa. Por isso, trabalhamos para que o cliente não precise se preocupar com nada e oferecemos a melhor experiência possível”, diz. Na opinião do em-

preendedor, um dos seus diferenciais é que tudo que é oferecido na festa é produzido pela própria empresa, o que assegura a procedência e a qualidade. De acordo com a Associação Brasileira do Comércio de Artigos de Festa (Asbrafe), o mercado de festas – em especial o de festas infantis – é um dos que mais crescem no país. Nos últimos quatro anos, a associação calcula que mais de mil novas lojas de artigos voltadas para esse setor foram abertas no país – e grande parte delas migrou de outros ramos para aproveitar as oportunidades de mercado. O presidente da Asbrafe, João Pedro de Oliveira, afirma que, apesar do momento de redução do consumo, o número de festas continua a crescer – mesmo que não sejam realizadas em buffets. Isso porque as festas realizadas em casa ou na escola contribuem muito para aquecer esse mercado. “Hoje, as lojas de

artigos de festas trabalham mais de 100 temas diferentes. Desse total, 80% dos produtos são voltados para crianças até 10 anos”, afirma. Por isso, para se destacar nesse mercado concorrido, o buffet de André precisou investir em soluções práticas. Atualmente, ele conta com sua própria máquina de fabricação de salgadinhos e também mantém um ateliê com cerca de 60 metros quadrados para guardar todo o acervo usado na decoração das festas. Para ele, o potencial desse mercado é evidente pelos números. “Temos aumento de vendas todos os anos. Em 2018, por exemplo, tive um crescimento de 6% em comparação com 2017. Para este ano espero crescer pelo menos 5%”, analisa. Cada festa realizada no Pepe’s Park custa em média R$ 7 mil. Pouco mais da metade das festas é feita para meninas e o tema mais escolhido hoje é o de unicórnio. Já para os meninos, o campeão de


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em festa

expandir, ainda que com adaptações para todos os bolsos

ADAPTAÇÃO

Juliana Villa, do buffet Villa Party, em Moema, empreende há dez anos nesse mercado. Atualmente, o local recebe de 20 a 30 festas mensais, com no mínimo cinco festas por semana. Além do buffet, ela realiza festas em casa e até fora do país – graças à rede de relacionamento que ela conquistou no decorrer dos anos. Nos últimos anos, porém, a empreendedora revela que

houve uma mudança no público. “Com a crise, meu público mudou e eu tive de mudar o meu negócio. Precisei adaptar cardápio e louça para um público mais exigente e, hoje, muitos preferem fechar festas comigo a gastar R$ 30 mil ou R$ 40 mil em um buffet ‘chique’. Eu sobrevivi na crise porque eu soube me adaptar e atender um público mais exigente”, afirma a empreendedora, que oferece opções de R$ 3 mil a R$ 10 mil. Para Juliana, o uso de ferramentas que ajudem na profissionalização do negócio e facilitem a gestão é fundamental. Atualmente, ela tem um sistema que a auxilia no relacionamento com os clientes, resultados e até orçamento online. “Isso eliminou muitos daqueles controles manuais e planilhas que eu costumava

“MINHA EMPRESA REALIZA SONHOS” Para quem está por dentro do ramo de festas infantis, a “party planner” (planejadora de festas) Andrea Guimarães dispensa apresentações. Queridinha dos famosos, ela atua no setor há mais de 20 anos e sua marca registrada são as decorações de grande porte, com muita inovação e criatividade. Andrea falou sobre como sua experiência pode ajudar quem está entrando no mercado de festas infantis. “Eu sou nutricionista de formação. Estudei muito e trabalhei até na seleção masculina de vôlei. Depois que meu filho nasceu, eu comecei a procurar opções para fazer festas para ele e nada que eu via no mercado me enchia os olhos. Resolvi eu mesma fazer a festa do meu filho e tudo começou. Quando comecei, uma das minhas maiores dificuldades foi ganhar mercado. É preciso estudar e conhecer a área para ter o retorno necessário. Eu já tinha

uma profissão e precisava ter esse retorno. Para quem está começando, o importante é ter foco, perseverança e vocação. É isso que um bom profissional necessita. A pessoa não precisa ser decoradora. Ela tem que ter vocação e amor pelo que ela faz. O resto tem que correr atrás. É importante também estar sempre atualizado. Eu viajo muito, vejo vitrines, vou aos parques da Disney. As minhas inspirações são todas de fora do Brasil. Também assisto a muitos desenhos e filmes. Além disso, é importante saber que os clássicos nunca saem de moda. É preciso investir em decorações como Disney, circo, jardim encantado. Minha empresa realiza sonhos, por isso nunca falamos não. Mesmo que eu não tenha de imediato o que o cliente quer, eu mando produzir. Faço exatamente o que o cliente quer, o que ele sonha. Meu objetivo é esse: uma empresa de sonhos.”

fazer. Além disso, hoje o cliente consegue acessar o site, solicitar um orçamento e recebê-lo diretamente no e-mail de forma automática”, diz. O mercado de festas infantis envolve uma rede de fornecedores que vai além dos espaços e opções oferecidos pelos buffets. A empreendedora Sheila Moura trabalha há 28 anos no ramo de balões decorativos. Hoje em dia, ela atende uma média de 40 a 50 clientes por mês com festas, fora os clientes de sua loja física, na região do ABC. Para ela, o mercado está em expansão e há nichos para serem aproveitados pelos decoradores. “Antigamente, quem estava nesse ramo fazia tudo. Agora está mais abrangente. Quem trabalha com flores está fazendo parceria com o decorador de montagens de mesa, ao mesmo tempo

em que os fornecedores de doces, bolos, artes gráficas e papelaria se uniram”, afirma. Com sua empresa, Sheila consegue faturar ofertando desde lembrancinhas até projetos completos de decoração para ambientes. Na loja física, trabalha com a criação de arranjos personalizados e delivery dos produtos. Entre seus clientes, estão personalidades da TV e artistas. “Na loja não há limite para quem vai fazer uma festa. A tendência mais atual no momento são as festas afetivas, aquelas que têm a personalidade do cliente”. Um projeto de balões personalizados pode variar de R$ 500 a até mais de R$ 6 mil – tudo depende da imaginação do cliente.

Andrea Guimarães, decoradora dos famosos

Divulgação

pedidos são os Vingadores. “Tenho dedicação integral ao meu negócio. Vendi meu apartamento para conseguir investir e penso na possibilidade de, no futuro, abrir uma segunda unidade do meu buffet. Os clientes estão cobrando porque quase não tenho mais datas para atendê-los”, diz.


10 | JORNAL DE NEGÓCIOS

Uma história de perseverança

Wilson Poit, diretor-superintendente do Sebrae-SP conta como se transformou em empresário de sucesso

S

er dono de uma empresa especializada no aluguel de geradores de energia e vendê-la por R$ 400 milhões para a líder mundial da área. Nada mal para quem, na infância, viveu numa casa sem eletricidade, consequentemente sem geladeira e televisão. Esses fatos estão contados no livro O não você já tem, então vá à luta, do empresário e diretor-superintendente do Sebrae-SP, Wilson Poit. A obra narra a história de superação e empreendedorismo, que vai da infância de Poit, marcada por privações, passa pela graduação em engenharia elétrica na Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) até a transformação em um empresário admirado por nomes como Jorge Paulo Lemann, que assina o prefácio do livro. “É um livro que fala de muita perseverança, erros, acertos e várias tentativas. Antes de acertar, tive várias empresas que não chegaram a quebrar, mas andavam de lado; só na última, a Poit Energia, tive sucesso, quando eu estava com 40 anos”, conta Poit que, diferentemente de muitos biografados, não

esconde seus medos, fraquezas e obstáculos, além de compartilhar aprendizados e filosofias de vida, como a que dá título à publicação.

“É um livro que fala de muita perseverança, erros, acertos e várias tentativas”, Wilson Poit, diretor-superintendente do Sebrae-SP Natural da zona rural de Oswaldo Cruz, interior de São Paulo, Poit relembra que, quando criança, caminhava descalço oito quilômetros por dia para ir à escola e voltar. O começo de vida difícil, a iniciativa de empreender e a concretização desse ideal servem de inspiração para quem crê ser possível sair do nada, montar seu próprio negócio

e prosperar. “Quando saí da faculdade, eu tinha na cabeça a ideia de montar meu negócio e não só procurar emprego”, afirma. A obra, que contou com a colaboração do jornalista e escritor Luís Colombini, traz o relato otimista de alguém que enxerga uma luz no fim do túnel para o Brasil: empreender.

PREMIAÇÃO

Poit recebeu em 2009 o Prêmio Empreendedor do Ano, da Ernst&Young; 2012 ficou marcado como o ano em que vendeu a Poit Energia para a inglesa Aggrekko e, em 2013, passou a se envolver em projetos de transformação no setor público, com foco na melhoria de eficiência, redução do Estado e programas de desestatização. Participou de duas gestões municipais na prefeitura de São Paulo, tendo sido presidente da SPturis, presidente da SP Negócios e Secretário de Desestatização e Parcerias, função em que liderou a condução do Plano Municipal de Desestatização, programa referência em todo Brasil.

À frente do Sebrae-SP, Poit ressalta a importância estratégica do empreendedorismo para o País. “A saída para o Brasil hoje está nos micro e pequenos negócios, são eles que vão gerar os empregos que o país necessita”, afirma. “Chego ao Sebrae-SP em um momento em que o Brasil precisa muito capacitar empreendedores e vamos trabalhar intensamente por eles”, conclui.

Sebrae-SP premia projeto de estagiários Um projeto para arrecadar alimentos para doação junto aos participantes da Feira do Empreendedor foi o vencedor do Prêmio Estagiário Empreendedor 2019, realizado pelo Sebrae-SP. Com o “Sebrae+Social”, os estagiários Ana Cláudia Bastos da Silva, Clisman da Silva Moreira e Silvyelle Júlia da Luz de Farias fizeram a proposta de arrecadar cerca de 88 toneladas de alimentos não-perecíveis com o público participante da Feira – eles inclusive descreveram a logística necessária para levar o material às entidades escolhidas para receber as doações. O prêmio é uma iniciativa para proporcionar ao estagiário do Se-

brae-SP a oportunidade de conhecer os principais produtos e processos da entidade, além de fomentar a atitude empreendedora entre os jovens, oferecendo ao estudante a oportunidade real de desenvolver seu conhecimento e aplicá-lo na prática. O objetivo final é auxiliar na construção da carreira do estagiário. Neste ano, 29 projetos foram avaliados e 81 estagiários participaram da disputa. Todos os participantes receberão um certificado com 60 horas. Os responsáveis pelo projeto vencedor também ganharam um processo de avaliação feito por profissional de Recursos Humanos.

Ana Cláudia, Silvyelle e Clisman: Sebrae+Social


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Empreender com qualidade JOSÉ EDUARDO CARRILHO, Consultor do Sebrae-SP

Competição entre mercados O pequeno mercado tem mais agilidade e capacidade de adaptação que as grandes redes, pois tem maior poder de decisão sobre seus rumos. Também tem mais facilidade para entender a necessidade do cliente e satisfazê-la. Um ponto que não pode ser esquecido é o atendimento, que deve ser empático e atento. Capacitar a equipe é investimento, não gasto. Buscar parcerias locais é outra ferramenta importante no aumento da competitividade. Comprar coletivamente alguns itens aumenta o poder de barganha e permite oferecer preços mais competitivos, inclusive aumentando sua margem. Os mercados de bairro devem apostar num mix de produtos enxuto e customizado, bem adequado ao perfil do cliente, adaptado ao local onde se localiza e que atenda de forma personalizada. A comunicação visual das grandes redes é padronizada, muitas vezes sem identidade com o local onde se encontra; o pequeno varejo pode inovar. A seção destinada a frutas, legumes e verduras deve receber atenção especial, pois gera fluxo diário e fomenta o consumo dos demais produtos. Para os pequenos mercados interessados em se modernizar, é preciso di-

ferenciar modernização de tecnologia. Tecnologia sem evolução de comportamento pouco acrescenta. Pequeno varejo moderno é aquele que consegue satisfazer seus clientes e surpreendê-los entregando algo mais. Esse algo mais não é necessariamente uma mercadoria; pode estar na preocupação de bem atender. Procure conhecer seu cliente com profundidade para propor inovação mais assertiva. Fique atento às novas tecnologias que visam dar agilidade e segurança ao processo de finalização da compra, pois a última impressão é tão importante quanto a primeira. Atender pode ser aprendido e aperfeiçoado. Pesquisas recentes apontam o atendimento diferenciado como o principal fator de fidelização. Busque conhecer as preferências de consumo e mostrar ao cliente que ele é importante. Simpatia, profissionalismo, eficiência, agilidade, atenção e empatia são indispensáveis e um enorme diferencial competitivo. Referência mundial do atendimento, a americana Stew Leonard’s leva a questão tão a sério que tem duas regras de conduta: 1) O cliente tem sempre razão; 2) Se o cliente estiver errado, releia a regra um.

O Sebrae Responde é um serviço para tirar dúvidas de empreendedores sobre a abertura de novos negócios e questões relacionadas à gestão de empresas já em atividade.

O atual momento da nossa economia é de apreensão. O Produto Interno Bruto (PIB) caiu 0,2% no primeiro trimestre e a previsão é de que o crescimento neste ano fique pouco acima de 1%. Para uma economia desenvolvida, seria aceitável. Para o Brasil, é pouco. Some-se ainda o alto desemprego – existem cerca de 13 milhões de pessoas sem trabalho – e já temos complicadores suficientes. Por outro lado, o empreendedorismo se mostra capaz de ajudar a mudar esse quadro. Atualmente, há 13 milhões de pequenos negócios no território nacional, que representam 98% das empresas formais do país. Na hipótese de cada uma criar um posto de trabalho, seriam 13 milhões de novas vagas, contribuindo sensivelmente para amenizar o problema. Outro aspecto relevante é que 33% da população deseja ter seu próprio negócio, segundo a mais recente pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM). Além disso, aumentou de 18,9%, em 2017, para 22,2%, em 2018, a participação de empreendedores mais jovens (de 18 a 24 anos) no total. Ou seja, boa parte dos brasileiros quer empreender, cresce o número de jovens que almejam ter o

próprio negócio e o Brasil precisa deles para melhorar sua situação. Porém, não basta querer, é essencial fazer da forma certa. É ótimo que mais jovens tenham esse interesse, mas a chave é se preparar. Abrir uma empresa é uma coisa. Mantê-la viva no mercado é outra. Daí ser fundamental a educação empreendedora. Quanto antes houver contato com essa cultura, mais chance de prosperar. O empreendedorismo tem de estar ao alcance de todos, no maior número possível de salas de aula nos diversos níveis. O estudante de hoje é o empresário de amanhã e a ele devem ser dadas as condições de se capacitar para ter êxito. Mesmo que nunca venha a ter um negócio, a cultura empreendedora fará dele um profissional melhor. Empreendedores qualificados levam a empreendimentos sólidos e à criação dos empregos que o Brasil necessita para fazer a roda da economia girar.

WILSON POIT, diretor-superintendente do Sebrae-SP

Sebrae-SP

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12 | JORNAL DE NEGÓCIOS

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Para tornar a comunicação mais acessível ao cliente com deficiência auditiva, o Sebrae-SP disponibiliza o serviço de intérprete de Libras em seus eventos presenciais. A solicitação do serviço deverá ser comunicada no ato da inscrição e com antecedência de 5 (cinco) dias úteis à data de realização do evento. O cliente ou seu representante poderá se inscrever pessoalmente nos Escritórios Regionais, pelo portal do Sebrae-SP ou pelo 0800 570 0800.

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AGENDA

ELOGIE. SUGIRA. CRITIQUE. RECLAME. Queremos ouvi-lo: 0800 570 0800 ouvidoria@sebraesp.com.br

FEIRAS DE NEGÓCIOS

EVENTOS DO SEBRAE-SP

FUTUREPRINT

ER BARRETOS

Quando: 10 a 13/7

SEBRAE MAIS GESTÃO DE PESSOAS - ENCONTRO INICIAL

Onde: Expo Center Norte

Quando: 10/7

Rua José Bernardo Pinto, 333 - Vila Guilherme, São Paulo - SP

Onde: Escritório Regional Sebrae Barretos Rua 14, 735, Centro

Informações: serigrafisign.com.br

FIEE SMART FUTURE

Valor: R$ 1,5 mil

Quando: 23 a 26/7

ER CAPITAL OESTE

Onde: São Paulo Expo

PROJETO SETOR SEGMENTO - VESTUÁRIO DA MODA

Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, Vila Água Funda, São Paulo - SP

Quando: 22/7

Informações: fiee.com.br

Onde: ER Capital Oeste Rua Clélia, 336

FEIRA ABIMAD Quando: 23 a 26/7 Onde: São Paulo Expo Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 - Vila Água Funda, São Paulo - SP Informações: abimad.com.br

Valor: R$ 870

ER CAPITAL SUL NA MEDIDA GESTÃO FINANCEIRA Quando: 29 a 31/7 e 1 e 2/8

Quando: 23 a 26/7

Onde: ER Capital Sul Av. Adolfo Pinheiro, 712 - Santo Amaro

Onde: Expo Center Norte

Valor: R$ 260

Rua José Bernardo Pinto, 333 - Vila Guilherme, São Paulo - SP

ER OSASCO

FIPAN

Informações: feirasenegocios.com.br

NA MEDIDA GESTÃO FINANCEIRA

3ª EXPO TOYS

Quando: 15 a 19/7

Quando: 7/7 Onde: Pro Magno Centro de Eventos

Onde: ER Osasco Rua Dona Primitiva Vianco, 640, Centro

Av. Profa. Ida Kolb, 513 - Jardim das Laranjeiras, São Paulo - SP

Valor: R$ 260

Informações: expofeiras.gov.br

ER SÃO CARLOS

EXPOCATÓLICA – FEIRA INTERNACIONAL DE CARISMAS, TURISMO, EDUCAÇÃO, LIVROS E ARTIGOS RELIGIOSOS

TÉCNICAS DE ENTREVISTA E SELEÇÃO

Quando: 12 a 15/7 Onde: Expo Center Norte

Onde: ER São Carlos Avenida Bruno Ruggiero Filho, 649 - Jardim Santa Felícia

Rua José Bernardo Pinto, 333 - Vila Guilherme, São Paulo - SP

Valor: R$ 160

Informações: copastur.com.br

ER SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

FÓRUM E-COMMERCE BRASIL 2019

OFICINA GANHE MERCADO

Quando: 16 a 18/7

Quando: 18/7

Onde: Transamérica Expo Center Av. Dr. Mário Vilas Boas Rofrigues, 387 - Santo Amaro, São Paulo - SP

Onde: ER São José dos Campos Rua Humaitá, 227, Centro, São José dos Campos

Informações: eventos.ecommercebrasil.com.br

Valor: Gratuita

Quando: 24 e 25/7


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TEC &

LIVROS O mundo (quase) secreto das startups (Figurati)

PEQUENOS NEGÓCIOS USAM POUCO OS RECURSOS ONLINE, SEGUNDO GOOGLE gettyimages.com

O que Nubank, Cabify e Peixe Urbano têm em comum? Para responder a essa pergunta e mostrar todos os passos necessários para montar uma startup de sucesso, a jornalista especializada em carreiras e RH Caroline Marino e o professor e especialista em empreendedorismo Vitor Magnani conversaram com os fundadores dessas empresas, que aceitaram contar de forma franca suas histórias. O livro aborda desde a concepção da ideia, passando por aspectos jurídicos e de planejamento, até o momento da grande virada: disputar de igual para igual com as grandes companhias. Do mil ao milhão (Harpercollins)

Rápido e devagar: duas formas de pensar (Objetiva) Rápido e devagar: duas formas de pensar apresenta uma visão tão inovadora quanto inquietante sobre como a mente funciona e como as decisões são tomadas. No livro, Daniel Kahneman explica as duas formas como se desenvolvem o pensamento humano: uma é rápida, intuitiva e emocional; a outra, mais lenta, deliberativa e lógica. Kahneman expõe as capacidades extraordinárias — e também os defeitos e vícios — do pensamento rápido e revela o peso das impressões intuitivas no processo de tomada de decisões. O autor revela quando é possível ou não confiar na intuição. Oferece insights práticos e esclarecedores sobre como são tomadas as decisões nos negócios e na vida pessoal, e como se pode usar diferentes técnicas para proteger contra falhas mentais que, muitas vezes, colocam o indivíduo em situações de apuro.

PESQUISA APONTA PMES MAIS BUSCADAS NA INTERNET EM 2018 gettyimages.com

O criador da plataforma O Primo Rico, Thiago Nigro, em seu primeiro livro ensina aos leitores os três pilares para atingir a independência financeira: gastar bem, investir melhor e ganhar mais. Por meio de dados e de sua própria experiência como investidor e assessor, Nigro mostra que a riqueza é possível para todos – basta estar disposto a aprender e se dedicar.

Levantamento do Google mostra que os pequenos e médios negócios brasileiros ainda usam pouco o mundo online e menos ainda os anúncios comercializados pela gigante de serviços online, como o Google Ads. “Um a cada quatro negócios nos conta que não possui tempo para administrar suas campanhas e a maioria deles não atua no segmento de marketing”, afirmou Kim Spalding, diretora global em gerenciamento de produtos para pequenas e médias empresas. O Relatório de Impacto Econômico do Google no Brasil mostra que cada empresa anunciante, das pequenas às grandes, ganha entre R$ 5,75 e R$ 12,50 em vendas para cada real investido no Google Ads. Outro estudo mostrou que campanhas dotadas de inteligência artificial fazem com que as pequenas e médias empresas alcancem resultados três vezes melhores e tráfego de consumidores 80% mais relevante em comparação ao uso manual do Ads.

Pesquisa realizada pela Lista Mais – plataforma de busca de empresas e profissionais liberais locais – apontou os segmentos mais procurados pelos consumidores na internet no ano passado. O levantamento, feito com base em mais de 230 mil consultas realizadas entre fevereiro de 2018 e 2019, apontou os 20 setores de pequenas e médias empresas que mais foram buscados durante o período. O setor de alimentação ocupou a primeira posição no ranking de categorias mais buscadas na Lista Mais: ao todo foram 30.284 buscas por empresas de marmitex, o que representa 7,9% das pesquisas realizadas na plataforma. As farmácias e drogarias conquistaram a segunda colocação no levantamento, com 27.009 buscas (7,1%), seguida de perto por empresas de massagens, com 25.425 (6,6%). A pesquisa também apontou as 20 categorias mais orçadas pelos clientes na plataforma. No total, foram 25.209 buscas e os serviços de materiais para construção lideraram, com 5.338 procuras, representando um total de 21,2%, seguidos pelas empresas de autoescola, procuradas 2.674 vezes (10,6%), e autopeças, com 2.183 buscas (8,75%).


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IDEIAS

PERGUNTE A QUEM ENTENDE Existe alguma ferramenta para facilitar o cadastro dos clientes da empresa? Jung Park, CEO da startup de inovação InovaMind, responde:

COMIDA DE RUA Em alguns países asiáticos, como Tailândia e Índia, fazer as refeições em barraquinhas de rua é um hábito tão comum como o arroz e feijão do brasileiro. Nesta primeira temporada, a série Street Food, produzida pela Netflix, mostra como é essa tradição em nove países da Ásia, com histórias sobre pessoas que assumiram um negócio da família – aqueles com a famosa receita secreta – ou decidiram trabalhar por conta própria para satisfazer sua paixão por cozinhar e servir.

Divulgação

Quem faz bolos para vender tem agora um marketplace para chamar de seu. A Vem de Bolo (vemdebolo.com.br) é o primeiro marketplace especializado no comércio de bolos e doces caseiros. A plataforma conecta boleiros caseiros com pessoas que querer adquirir produtos artesanais. Atualmente, 20 boleiras oferecem seus produtos, além de uma vasta lista de espera em processo de curadoria. A meta é neste semestre ao menos dobrar o número de boleiras dentro da plataforma. O atendimento, que começou pela região sul de São Paulo, iniciou a expansão para toda a capital em maio e pretende, para o ano que vem, atingir as principais capitais brasileiras. “Não colocamos qualquer profissional na plataforma. Visitamos suas casas, provamos os bolos e doces para verificar sua qualidade e conferimos o armazenamento de insumos. Não colocamos ninguém na plataforma que não siga as boas práticas para manipulação de alimentos”, garante Pedro Santelmo, CEO da Vem de Bolo.

Divulgação

gettyimages.com

LANÇADO PRIMEIRO MARKETPLACE DE BOLOS CASEIROS

Existem várias, e a tecnologia já está revolucionando essa relação. Chamamos de onboarding o conjunto dos serviços de cadastro, identificação e aceite de condições para início de um relacionamento comercial. A boa notícia é que o cadastro pode ser feito totalmente online, remotamente e em tempo real. Ganham a empresa, que precisa ter segurança ao admitir novos clientes, e o usuário, que quer seu cadastro aprovado rapidamente. Alguns vão ficar surpresos se eu disser que dá para fazer isso sem preenchimento manual. Há serviços de cadastro digital em tempo real com uso de inteligência artificial e big data que exigem apenas que o cliente tire uma selfie e uma foto de seu documento. A partir daí, a tecnologia faz sua parte: levanta e entrega os dados relevantes daquela pessoa automaticamente, em um processo que leva minutos – a ferramenta realiza captura e digitalização dos dados de documentos fotografados; comparação de imagens para validação de identidade; busca de informações adicionais; prova de vida; análise de crédito etc. Em muitas empresas, até hoje esse processo ainda tem diversas etapas manuais que são caríssimas e poderiam ganhar precisão, velocidade e escala, com redução de custos e de riscos operacionais. O setor financeiro sempre foi o que teve a maior robustez em processos de admissão de clientes até por conta de exigências legais. Com um relacionamento muito mais online e em escala, hoje a necessidade de onboarding e background checking de clientes é uma realidade para todos os tipos de serviço. Cada vez mais os clientes ajudam a impactar a imagem da empresa – para o bem e para o mal! Vejam o caso dos patinetes elétricos: se o usuário deixa os patinetes jogados em local inapropriado, desrespeitando as regras da empresa, ele prejudica a imagem da marca. O Uber também acaba de anunciar que vai banir do serviço usuários mal-avaliados. Nestes casos, o onboarding inteligente tem muito a contribuir – para os dois lados. Tem alguma dúvida sobre como a tecnologia pode ajudar o seu negócio? Pergunte a quem entende! Mande um e-mail para imprensa@sebraesp.com.br.


16 | JORNAL DE NEGÓCIOS

Da revenda à fábrica

Há 20 anos no mercado, Renato Raimundo se tornou um dos líderes em componentes da América do Sul

Renato Raimundo: nosso maior patrimônio são as pessoas

Gisele Tamamar

“E

u trabalhei durante 18 anos em uma empresa que revendia componentes para calçados. Um dia, quando meus antigos patrões não me deram um aumento de R$ 300 que pedi, no valor do dinheiro de hoje, resolvi sair e montar uma revenda. A empresa foi aberta em 1999 com um cheque especial de R$ 1,1 mil e um carro que eu tinha, um Escort Hobby no valor de uns R$ 5 mil. Quando completamos dez anos, o mercado começou a ficar muito difícil para revendas. As empresas onde eu comprava começaram a vender direto para as fábricas em pequenas quantidades. Fui para a China e tive a ideia de trazer algumas máquinas para começar a fabricar esses componentes. Começamos bem pequenos, em um galpão, com três máquinas e dois funcionários. Ou eu montava a fábrica ou eu ia sair do mercado

em dois ou três anos, porque não tinha como ser competitivo. Hoje, o grupo Stickfran tem 20 anos e a parte de fábrica tem dez. Mas, nesses dez anos, simplesmente nós explodimos no mercado com os diferenciais de qualidade e rapidez. Às vezes acontece de o pequeno engolir o grande. Fabricamos fitas, cursores, zíperes e outros componentes, não só para o segmento calçadista, mas também para o têxtil, automobilístico, mercado pet. Com isso, diversificamos nossos clientes. Quando montamos a empresa em 1999, estávamos em um espaço de 16 metros quadrados e hoje, 20 anos depois, estamos com 7 mil metros de área de produção e aproximadamente 300 funcionários. Foi uma mudança muito grande. Hoje, a fábrica está localizada em Claraval, Minas Gerais, e a loja em Franca, no interior de São Paulo. O que ocorreu nesse período? Foi foco, pesquisa, participação em

feiras, cursos, principalmente os cursos do Sebrae, onde fizemos de qualidade, Empretec, projeto comprador, entre outros, sempre focando em se diferenciar no mercado. Produto todo mundo tem igual. Nosso maior patrimônio são os nossos clientes e colaboradores. A nossa equipe realmente faz toda a diferença, atuam como se fossem deles. Eu fiz o Empretec em 2001, quando tinha 16 funcionários. Por causa do curso, precisei ficar ausente alguns dias e deixei a responsabilidade com eles. Fui morrendo de medo, mas nesses dias que fiquei fora, a empresa faturou mais do que se eu estivesse junto, ali presente. A partir daí eu comecei a delegar mais. Esse é um grande diferencial da nossa empresa. Cada um sabe da sua responsabilidade. Todo mundo trabalha livre, é uma empresa muito dinâmica, aberta, mas todo mundo é cobrado por resultados.

Eu fiz essa empresa para ser uma empresa diferenciada. Nós cuidamos muito de pessoas. Esse é o nosso diferencial. Hoje temos um portfólio de mais de 21 mil clientes em todo o Brasil e na América do Sul. Já exportamos hoje para sete países. Atendemos desde grandes empresas até os pequenos. O pequeno hoje será o grande de amanhã. Ninguém começa grande. Estamos crescendo e mantendo um mercado onde planejar é a maior dificuldade de todo mundo. Temos muito foco, buscamos muito pesquisas de mercado, o que está acontecendo, focando nas pequenas vendas também, que é um diferencial. E atendimento é o diferencial da empresa. Os concorrentes podem até copiar produtos, mas ninguém consegue copiar o coração dos meus funcionários. Enquanto tivermos essa mentalidade, não temos limite.”

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Jornal de Negócios - 1 de Julho de 2019 - edição 303  

Jornal de Negócios - 1 de Julho de 2019 - edição 303  

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