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CRÉDITO, VOCÊ PRECISA? Planeje para obter crédito e evitar endividamento


Introdução Se você está pensando em implantar, expandir e/ou modernizar o negócio, é preciso entender que para o sucesso de um financiamento será preciso: • Conhecer bem sua empresa e suas necessidades; • Ter um controle de gastos fixos e variáveis por meio do fluxo de caixa; • Saber qual o resultado operacional atual; • Identificar a linha de crédito adequada à necessidade da empresa; • Atender aos pré-requisitos para acesso ao financiamento; • Planejar. Quando falamos em planejamento, nos referimos basicamente ao Plano de Negócios.

Mas o que vem a ser um Plano de Negócios? * Plano de Negócios é o documento pelo qual o empreendedor formaliza o estudo a respeito das suas ideias e os passos que deve seguir para transformá-las em um negócio, minimizando riscos e incertezas. O projeto ajuda o empresário a dimensionar sua necessidade de recursos ao longo do tempo, estimar suas receitas e despesas, mensurar seu retorno e, por fim, demonstrar a viabilidade econômica e financeiras das propostas de financiamento em questão (extraído do Manual Prepare-se para obter o financiamento que precisa). Com o Plano de Negócios é possível avaliar: • se haverá aumento nas vendas nos próximos meses; • se haverá aumento nos gastos fixos e nos gastos variáveis nos próximos meses; • qual será o impacto no lucro; • qual a rentabilidade; • quais os riscos;

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• se há alternativas mais viáveis; • como será pago o financiamento. Além dessas perguntas, podem haver outras de acordo com o setor em que sua empresa está estabelecida. Quanto às instituições financeiras, elas são classificadas em: bancos públicos e privados, cooperativas de crédito, instituições de microcrédito e financeiras. Dentre os diversos serviços prestados pelas instituições financeiras que compõem o sistema financeiro nacional estão as fontes de financiamento para os pequenos negócios. A seguir, abordamos as principais modalidades de financiamento e serviços financeiros.

Investimento fixo É o financiamento destinado à compra de máquinas, equipamentos, obras civis, veículos e inovação, com o objetivo de aumentar a produção e a produtividade da empresa. É uma operação de longo prazo, normalmente com juros reduzidos, causando menos impacto no fluxo de caixa, já que as prestações são bem diluídas. Essa modalidade normalmente conta com prazo para carência, ou seja, prazo para começar a pagar as prestações. Durante o período de carência, apenas os juros da operação são cobrados. Após esse período, as parcelas incluem a amortização do principal. Os bancos costumam solicitar um plano de investimento contendo as projeções financeiras e de mercado. Essas informações são constantes do Plano de Negócios.

Capital de giro É o financiamento destinado a suprir necessidades de caixa da empresa podendo ser utilizado para pagamento de funcionários, estoques, tributos entre outros. É uma operação de curto prazo, com pagamento de parcelas mensais.

Investimento misto É o financiamento de investimento fixo com capital de giro associado, ou seja, em função do investimento realizado, um porcentual pode ser destinado à compra de insumos em razão do incremento de produção.

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Essa modalidade é uma operação de longo prazo e normalmente conta com carência, ou seja, tempo para começar a pagar as prestações, tanto para os valores investidos em ativo fixo como para o capital de giro. Durante o período de carência, apenas os juros da operação são cobrados. Após esse período, as parcelas incluem a amortização do principal.

Microcrédito É a concessão de empréstimos de pequeno valor, destinado a empreendedores individuais formais e informais, podendo ser usado para investimento fixo, capital de giro ou misto, de acordo com a linha que cada instituição financeira disponibiliza ao mercado.

Antecipação de receitas É uma forma de financiamento de capital de giro, transformando os recebimentos a prazo, chamados de recebíveis, em recebimentos à vista. • Desconto de cheques: liberação de recursos mediante desconto dos cheques pré-datados. • Desconto de títulos: liberação de recursos mediante desconto de duplicata mercantil, de serviços e letra de câmbio. • Antecipação de recebíveis: liberação de recursos mediante antecipação do valor líquido das vendas com cartão de crédito.

Vale consultar as instituições financeiras a fim de comparar as taxas de juros cobradas nessas operações.

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Agora que você já conhece as principais modalidades de financiamento/serviços financeiros e baseando-se no planejamento da empresa e do desenvolvimento do Plano de Negócios, você conseguirá avaliar as possibilidades de financiamento. Na avaliação das linhas de financiamento, alguns itens devem ser observados: • É destinado ao porte da sua empresa? • O que pode ser financiado? • Qual o valor máximo a ser financiado? • Qual porcentagem pode ser financiada? • Qual o prazo de pagamento? Há carência? • Quais os juros e encargos? • Quais as garantias exigidas? • Qual a documentação exigida? Após a análise das possibilidades, defina qual a linha de financiamento mais adequada ao seu negócio, ou seja, aquela que atende totalmente às suas necessidades, pois caso contrário, poderá comprometer o projeto. O Sebrae-SP disponibiliza um aplicativo com as principais linhas de financiamento, que o ajudará nessa pesquisa (para Android: http://sebr.ae/SP/simuladorparcelasAndroid e para IOS: http://sebr.ae/SP/simuladorparcelasIOS). Antes de solicitar o financiamento é importante conhecer alguns pré-requisitos do proponente do financiamento que são analisados pelas instituições financeiras: Situação legal (certidões negativas) e cadastral da empresa e dos sócios É analisado se a empresa e os sócios estão inscritos em órgãos de restrição ao crédito, cartórios ou ações judiciais. Capacidade de pagamento da empresa – análise de crédito Refere-se ao potencial do cliente em quitar o financiamento solicitado. A análise costuma ser realizada com

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base no valor do faturamento registrado. Garantias São analisadas as garantias disponíveis para o financiamento e variam de uma linha de financiamento para outra, podendo ser solicitadas garantias reais ou pessoais. Também podem ser utilizados os Fundos de Aval para complementar as garantias solicitadas pelas instituições financeiras. O Sebrae dispõe de um Fundo de Aval a Micro e Pequenas Empresas, denominado FAMPE, que tem como objetivo complementar as garantias exigidas em operações de crédito contratadas pelas empresas nas instituições financeiras conveniadas. A operação será inteiramente conduzida pela instituição financeira conveniada, ou seja, os critérios para aprovação e utilização do FAMPE são das instituições financeiras e não do Sebrae. Em São Paulo, os bancos conveniados são o Banco do Brasil, a Caixa, a Desenvolve-SP, o Bradesco e o Santander. No momento, o Bradesco e o Santander utilizam o FAMPE somente para financiamento de franquias. Projeto de viabilidade Todo conjunto de informações será analisado pela instituição financeira, mas será dado maior ênfase na análise econômica financeira e de mercado proposto para o financiamento, levando em consideração as circunstâncias que possam afetar a viabilidade do negócio. Aproveite os conceitos desse guia e mostre ao seu banco seu conhecimento e sua disposição para assumir um financiamento e consequentemente honrar seus compromissos. Quando da liberação dos recursos financeiros, direcione-os de acordo com o planejamento e monitore os resultados. Será também fundamental manter os controles financeiros em dia para poder tomar as melhores decisões para o negócio.

Endividamento Agora que você já entendeu os passos necessários para obtenção de um financiamento, vamos falar um pouco sobre endividamento. Endividamento é o aumento do valor ou da quantidade de dívidas sem considerar se o pagamento foi ou não

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efetivado pelo devedor. Muitas vezes confunde-se com o termo inadimplência. Inadimplência é o não-pagamento, até a data do vencimento, de um compromisso financeiro. É o descumprimento de um contrato, ou de qualquer uma de suas condições, podendo o descumprimento ser total ou parcial. Em muitas situações, para honrar o compromisso, a empresa acaba recorrendo a empréstimos rápidos, normalmente com juros elevados, sem efetuar nenhum tipo de planejamento e no mês seguinte pode não conseguir honrar mais um empréstimo, aumentando o endividamento, colocando a empresa em risco, podendo levar à inadimplência. Para se ter noção do grau do endividamento, pode-se aplicar o “Índice de endividamento”, que permite conhecer quanto a empresa está dependente de empréstimos e financiamentos:

Índice de endividamento = Total de passivos x 100 Total de ativos

O índice que demonstra o grau de endividamento deve ser analisado verificando a composição da dívida da empresa. Se a empresa possui prazo de pagamento para fornecedores, esta dívida não gera despesas financeiras (juros). A empresa também pode captar recursos com juros reduzidos destinados aos investimentos, alavancando os resultados da empresa. Nestes casos, a empresa pode apresentar um índice elevado, mas a dívida é qualificada gerando resultados positivos para a empresa. Agora, se a dívida não for qualificada, identifique qual a causa, entendendo com clareza o problema que está afetando a saúde financeira da empresa. Esta análise deve ser feita antes que a situação esteja crítica, com dívidas já acumuladas.

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Entre as diversas causas, as mais recorrentes são: • retração nas vendas; • alto volume de estoque; • os clientes estão inadimplentes; • as despesas estão elevadas; • grande volume de financiamentos. Para melhor entender a causa do problema financeiro da empresa, aplique os principais instrumentos de análise financeira, como fluxo de caixa, demonstrativo de resultado e preço de venda. O Sebrae pode ajudá-lo. É importante saber onde está o problema e buscar solução logo no início, evitando chegar à inadimplência, pois se atingir este estágio, a situação da empresa ficará mais comprometida, os fornecedores poderão negar vendas e o acesso ao sistema financeiro será mais difícil.

Dica: Se tiver o valor acumulado das dívidas, faça uma lista de todos os credores com uma tabela que conste o valor da parcela, taxa de juros, prazo de pagamento e saldo devedor. Verifique se o total das parcelas que a empresa precisa pagar por mês está de acordo com a capacidade de pagamento mensal. Procure trocar as dívidas com juros mais altos, como cheque especial e cartão de crédito, por empréstimos com menor taxa. Porém, lembre-se de que as parcelas devem ficar dentro da sua capacidade de pagamento, mesmo que precise de um prazo longo para quitar.

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Tome nota

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Para encontrar outras informações do Sebrae-SP sobre os temas tratados neste guia, acesse o portal www.sebraesp.com.br ou ligue 0800 570 0800 e agende uma consultoria com um dos nossos especialistas.

Não jogue esse impresso em vias públicas.

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