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Seafood Brasil #61

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Pesquisa, apoio institucional e investimentos: a tríade que pretende colocar oTocantins no mapa global do setor

SEAFOOD SHOW

LATIN AMERICA

4ª edição reúne mais de 4.500 visitantes, promove 110 marcas e proporciona 50 horas de conteúdo

Sem EUA e UE, com insegurança

jurídica e ameaças internas e externas, setor espera melhores notícias em 2026

#61 - Out/Dez 2025

Quando o negócio é peixe, a conversa é boa

Fomos à Seafood Show Latin America para mostrar que salmão é sinônimo de bons negócios. Ao longo de três dias, recebemos visitantes com a nossa especialidade: degustação de qualidade e boas conversas. Conheça mais em: cermaq.com

Velhos desafios, novos obstáculos

Sete anos se passaram desde que a Seafood Brasil estampou uma de suas capas mais emblemáticas, na edição #23, alertando para um momento crítico do setor. Naquele tempo, a nuvem densa que pairava sobre o segmento tinha rostos bem definidos: o rigoroso controle de parasitas, que inviabilizava a importação de produtos pesqueiros e, em uma tacada dolorosa, o fechamento do crucial mercado da União Europeia. A mensagem da capa era clara: o setor estava sob pressão, exigindo união e ação imediata. Infelizmente, ao olharmos para o panorama atual, percebemos que, apesar de todo o esforço e resiliência demonstrados pela cadeia produtiva, os velhos problemas não apenas persistem como ganharam novos e perigosos companheiros. A sensação é de déjàvu, mas com um cenário ainda mais complexo.

Hoje, a lista de dificuldades que minam a competitividade e o crescimento do setor é extensa e preocupante. O já citado embargo europeu, que por um tempo parecia um fantasma distante, hoje se soma a barreiras como o “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos, que afeta diretamente a exportação

brasileira. Internamente, a entrada da tilápia do Vietnã, embora em baixos volumes, preocupa e pressiona os produtores nacionais - como pano de fundo, a mesma espécie enfrenta o susto de inserção na lista da Conabio - felizmente revertido. Acompanhe os desafios e seus impactos na reportagem de Capa desta edição (pág.42).

Diante deste turbilhão de desafios herdados e recém-adquiridos, a lição da Capa #23 da SeafoodBrasiltorna-se mais urgente do que nunca: uma estratégia coesa, unificada e de longo prazo. Há bons aprendizados, e a primeira década de entidades como a Abipesca (leianapág.06) é um sinal disso. A emergência de novos pólos produtivos, como o Tocantins (pág.66),também. A consolidação da Seafood Show Latin America (pág.54) como palco das trocas comerciais do setor na região igualmente mostra outros caminhos. Como a feira, diversos outros eventos (apartir dapág.10), como o IFC, a Fenacam e outros encontros empresariais dão um alento a um momento tão difícil - em plena sazonalidade natalina. O clima é de consternação, mas sempre há espaço para a celebração e reconhecimento dos avanços. Certos de que iremos chegar lá, seguimos firmes no propósito da defesa dos interesses do setor. Excelentes festas a todos os nossos leitores!

Publishers: Julio Torre e Ricardo Torres

Editor-chefe: Ricardo Torres

Editor-executivo: Léo Martins

Repórter: Fabi Fonseca

Designer gráfico: Thalita Cibelle Medeiros

Crédito da foto de capa: IA/Criação Seafood Brasil

10 anos de Abipesca: “Maturidade, com ânimo de um adolescente”

Presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) faz um balanço dos 10 anos da entidade, critica o modelo de gestão compartilhada do MPA com o Ibama, destaca marcos institucionais e aponta os caminhos estratégicos para o futuro da indústria

Texto: Ricardo Torres

Odiscreto sorriso da foto não engana. Eduardo Lobo não se conforma com o que enxerga como consequências do modelo de gestão compartilhada dos recursos pesqueiros e aquícolas entre o Ibama e o MPA. “O que a gente vive hoje é um ambiente de profunda revolta. Quando aceitaram o modelo de gestão compartilhada, colocaram uma pedra no caminho do setor produtivo”, frisa. Na visão dele, é uma contradição os empresários e trabalhadores sofrerem com “decisões arbitrárias, tomadas sem explicação técnica consistente”, enquanto o MPA libera um aumento de pescadores com seguro-defeso saltar de 680 mil para algo em torno de 2,8 milhões. Em paralelo, as exportações aos EUA e União Europeia seguem sufocadas e os brasileiros perdem competitividade no mercado nacional frente aos exportadores.

Nesta entrevista, ele cita os motivos para celebrar o que passou, apesar das adversidades, e os planos para a evolução da entidade e da indústria processadora de pescado no Brasil.

A lista da Conabio, indeferimento de LPCOs por questões ambientais e outras decisões regulatórias têm gerado mais insegurança jurídica no setor. Como você avalia este momento institucional?

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O IBAMA está indeferindo praticamente todos os LPCOs do Brasil para a pesca de badejo. Mesmo quando a pesca ocorre em áreas autorizadas, como regiões tradicionais da pesca de pargo, a anuência é negada. O resultado é que tudo precisa ser judicializado. Tudo. Isso gera um custo altíssimo e um desgaste enorme para o setor produtivo.

Na minha avaliação, esse problema tem origem clara. Quando o grupo de trabalho concluiu o projeto de decreto presidencial e aceitou o modelo de gestão compartilhada, colocou-se ali uma pedra no caminho do setor. Essa gestão não é um fator de proteção; ela se transformou em um obstáculo concreto para toda

Divulgação/Abipesca
“Tudo precisa ser judicializado. Isso gera um custo altíssimo e um desgaste enorme para o setor produtivo.”

a produção e para a capacidade de desenvolvimento da pesca no Brasil.

O que a gente vive hoje é um ambiente de profunda revolta. Empresários e trabalhadores sofrem diariamente com decisões arbitrárias, tomadas sem explicação técnica consistente. Ao mesmo tempo, vemos o número de pescadores com seguro-defeso saltar de cerca de 682 mil, com cadastros revisados e auditados, para algo em torno de 2,8 milhões. Isso evidencia uma distorção enorme.

O setor privado acaba sendo tratado como pária. A insegurança jurídica é permanente, e ainda precisamos lidar com uma visão preconcebida de que todo empresário é vilão. É um cenário que exige autocontrole psicológico diário para continuar produzindo e investindo no Brasil.

2 É neste cenário crítico em que a Abipesca completa 10 anos. Que benefícios a entidade proporcionou ao setor desde sua criação?

A Abipesca criou um ambiente de direcionamento para a indústria de processamento de pescados. Ela se tornou a casa da indústria, que é quem desbrava mercado, cria produto, desenvolve hábito alimentar e faz o pescado, seja da pesca ou da aquicultura, chegar à mesa do consumidor em um país continental como o Brasil e também ao mercado internacional.

Quando a entidade surgiu, os empresários estavam completamente à deriva. Eu costumo dizer que a Abipesca foi um bote salva-vidas. Com o tempo, esse bote se transformou em um navio, com condições reais de levar seus tripulantes a locais mais seguros e mais distantes. A Abipesca surge exatamente da necessidade de criar um ambiente institucional seguro, técnico e profissional.

3 A atuação institucional da entidade teve vários marcos ao longo dos 10 anos. Quais deles você destacaria?

O primeiro grande marco foi a Abipesca conquistar um assento oficial no ICCAT [Comissão Internacional para

a Conservação do Atum Atlântico]. Foi a primeira entidade não governamental a participar desse fórum internacional e a trabalhar de mãos dadas com o governo.

Outro marco fundamental foi o combate à fraude. A Abipesca adotou um modelo muito forte de compliance e ética, que nos transformou na primeira entidade a expulsar associados que não cumpriam essas regras. Combater fraudes, adição de água e troca de espécie sempre foram um ponto de união dentro da entidade. Nós mostramos ao setor que o maior ativo é a honestidade e que o espertalhão não tem mais espaço.

O primeiro summit internacional, realizado em Brasília em 2018, foi extremamente disruptivo. Talvez tenha sido até à frente do seu tempo. Ele trouxe o mundo para debater o setor com o Brasil.

E, por fim, assumir a presidência da Câmara Setorial foi decisivo [Nota: em10dedezembro,EduardoLobofoi reconduzidooficialmenteàpresidênciada CâmaraSetorialdaIndústriadePescados doMinistériodaAgriculturaePecuária, paraumnovomandatode2anos]. A Abipesca propôs a criação ao então ministro Blairo Maggi. Foi uma luta para criar essa Câmara. Depois, naturalmente, a presidência veio para a entidade. A partir disso, conseguimos aglutinar todas as demandas do setor em um fórum oficial e ampliar de forma significativa a interlocução com os órgãos que criam normas e regras para a cadeia do pescado.

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Em que direção crescerá a Abipesca nos próximos 10 anos?

A Abipesca começou com seis fundadores. Depois, em um determinado momento, chegou a ser uma entidade de quatro. Com o tempo, passou para dez e, gradualmente, se estabilizou com um número que oscila entre 30 e 35 associados. Esse sempre foi o nosso target. Nós temos um limitador muito claro: não pretendemos ultrapassar 40 associados.

Para crescer além disso, seria necessária uma reestruturação muito grande da equipe, da estrutura física e

dos processos internos, para garantir o mesmo nível de atendimento, cuidado e serviço que oferecemos hoje. Esse modelo enxuto é estratégico justamente para preservar qualidade, proximidade e eficiência na atuação institucional.

5 Com esta limitação, como a entidade irá expandir seu campo de atuação e busca de resultados institucionais para o setor?

Eu projeto a Abipesca ficando ainda mais robusta. A Abipesca faz 10 anos e ganha a maturidade de uma entidade antiga, respeitada, mas ela se renova e tem ânimo de um adolescente. Então, está só começando.

Um dos próximos passos é a criação de um conselho de notáveis, com pessoas de notório saber político, financeiro e de negócios, para assessorar os executivos da entidade. Também queremos ampliar convênios com entidades internacionais, não só nos Estados Unidos e na Europa, mas principalmente na Ásia, além de participar de feiras que não são as convencionais. A ideia é levar o pescado brasileiro para mais mercados, em alinhamento com a ABPA [Associação BrasileiradeProteínaAnimal,quereúne aaviculturaesuinocultura] e a Abiec [AssociaçãoBrasileiradasIndústrias ExportadorasdeCarnes,quecongregaa cadeiadacarnebovina], fortalecendo a presença da proteína brasileira no exterior.

A partir de 2026 e 2027, a Abipesca vai atuar muito fortemente na aquicultura, focada do peixe vivo para frente. Não nos envolveremos em temas de manejo, mas na proteção e no fomento do setor [industrial de produtos da aquicultura] Em 2027, queremos liderar uma grande campanha de aumento do consumo de pescado brasileiro, junto com o setor privado e o governo.

Mas tudo isso depende do cenário econômico. Estamos muito incomodados com juros de 15%, que inibem o investimento. Não adianta fomentar consumo se a população não tem poder de compra ou se isso gerar desabastecimento e inflação no setor.

Na Água

Tecnologia para pesca e criação

Crédito das fotos:

Divulgação/Empresas

Para as produções de tão, tão distante

A ADM lançou durante a Fenacam 2025 o Camanutri On Flavor, solução formulada especialmente para cultivos semiintensivos e intensivos. Indicada desde o início da primeira fase de engorda para camarões a partir de 2 g a 3 g, a linha, de acordo com a empresa, foi desenvolvida para camarões cultivados em águas interiores. Para isso, o item traz uma combinação de nutrientes que agem para que o camarão tenha um conforto osmótico melhor, tudo para que ele possa se desenvolver frente a esses desafios de salinidade extrema, reduzindo ainda o tempo de produção.

informa ainda que a solução, que pode ser usada para água doce ou salgada, auxilia no crescimento e estabilidade do fitoplâncton, reduz o desenvolvimento de cianobactérias e melhora a formação do biofloco em sistemas intensivos.

Crescendo desde o berço

O SM Alevinos, ração inicial para peixes, é a proposta da Samaria Rações para oferecer aos produtores um alimento parcialmente extrusado, mas com proporção de fontes de origem animal. A empresa também comenta que o item disponibiliza aminoácidos essenciais para o desenvolvimento larval de todas espécies de peixes tropicais e, além disso, ainda conta com aditivos especiais, prebióticos e probióticos. A solução é disponibilizada em sacos de 25 kg.

À luz da desinfecção

Para uma vida de água limpa

Já o probiótico Sanolife Pro-W da Inve, comercializado pela iAqua,contém bacillus que aceleram a degradação dos resíduos e previnem o desenvolvimento de zonas anaeróbias no fundo dos viveiros, o que proporciona melhores condições do cultivo. O fabricante

Desenvolvido em materiais plásticos resistentes a corrosão, podendo operar continuamente com água doce ou marinha em pressões de até 6 bar, o equipamento multi-lâmpadas para grandes vazões da Altamar foi desenvolvido para desinfecção UV-C. De acordo com a companhia, o equipamento pode ser utilizados em laboratórios de produção de peixes, crustáceos e moluscos, aquários públicos e zoológicos, lagos e espelhos de água e redes de abastecimento. Com diferentes possibilidades de conexão hidráulica, o produto está disponível em vazões de até 200m3/h com dose de 30 mJ/cm2/s.

Self-service flutuante

A Induscava destaca seu alimentador flutuante, equipamento criado para oferecer maior qualidade de matérias primas, durabilidade e produtividade ao produtor. A empresa informa que o equipamento, que possui capacidade de 500 kg, é composto por um silo em polipropileno (PPZ) com proteção UVA e UVB, tudo para conservar as proteínas e propriedades da ração. Com seis flutuadores rotomoldados com proteção UV, a solução ainda conta com três opções de movimentação: manual, semi-automático e automático.

Remediando a água

Solução que faz parte de sua linha Aqua, o Embiotic é definido pela Korin como um biorremediador que pode ser utilizado para tratar tanto a água, quanto o solo. Destacado durante a Fenacam 2025, a solução é formada por um Core Microbiano Multifuncional (CMM) que atua no processo de decomposição de resíduos orgânicos líquidos e sólidos, oriundos de criação de animais, por exemplo. Por fim, a empresa destaca a redução de carga orgânica no efluente e a turbidez, da geração de lodo e de sólidos sedimentáveis (SS) e demanda bioquímica de oxigênio (DBO) como algumas das vantagens do Embiotic.

NOVA MARCA

Há 10 anos liderando a indústria de pescados em constante movimento, cada vez mais forte, unida e representativa.

Marketing & Investimentos

Negócios em alta (mesmo com incertezas no radar)

Em meio a desafios setoriais, a sétima edição do IFC Brasil 2025 teve três dias de programação intensa, com painéis estratégicos, feira de produtos e serviços, atividades culturais, festivais gastronômicos e ações de sustentabilidade

Texto: Fabi Fonseca no Brasil, que segue em ritmo de crescimento conforme os números oficiais, mas sob um pano de fundo mais cauteloso do que o projetado no início do ano.

Entre estandes com produtos, soluções, negociações e programação intensa, o International Fish Congress & Fish Expo Brasil (IFC Brasil) manteve, em sua sétima edição, o dinamismo de anos anteriores ao reunir 52 conferencistas de sete países, empresas nacionais e internacionais, academia e produtores. Realizado de 02 a 04 de setembro de 2025, em Foz do Iguaçu (PR), o evento ocorreu em um momento de expansão da aquicultura

O setor de pescado chegou ao encontro sob os efeitos das tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos, que elevaram a tensão sobre as exportações, especialmente de tilápia, e ampliaram a preocupação com a concorrência de produtos asiáticos. Assim, nos corredores, uma das palavras mais recorrentes foi “incerteza”.

Na avaliação da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR), o cenário estava distante das projeções feitas no início de 2024 para o desempenho de 2025. Segundo Francisco Medeiros, diretor executivo da entidade, dois fatores concentravam as maiores atenções da cadeia produtiva. “A gente tem a questão do tarifaço e a questão da tilápia do Vietnã, que são, eu acredito, atualmente as duas grandes preocupações do setor”, argumentou. De acordo com ele, os impactos dessas incertezas, no entanto, não atingem todos os segmentos da mesma forma: enquanto a produção de peixes nativos seguia sem efeitos diretos, a tilapicultura sentia os reflexos com mais intensidade.

No palco, contudo, a mensagem foi de estratégia e reposicionamento. Na abertura oficial, ao lado de lideranças

IFC Brasil conectou produção, indústria, governo, academia e mercado no Paraná
IFC Brasil

políticas e representantes do setor, o presidente do IFC Brasil, Altemir Gregolin, destacou que o momento exige cautela, mas também visão de futuro. “Primeiro, ele será superado e o setor sairá mais forte. Essa é a minha avaliação”, afirmou.

Para sustentar o otimismo, Gregolin recorreu a exemplos históricos de superação, como a reação da suinocultura brasileira após o fechamento do mercado russo e a reconfiguração da carcinicultura depois das barreiras impostas pelos Estados Unidos, em 2005. No caso do camarão, ele lembra que o setor se voltou para o mercado interno e, hoje, cerca de 99% da produção nacional é consumida no País. “Então, nós temos condições de superar seguramente esse momento. E a crise gera oportunidades”, disse. Logo, a principal aposta, segundo ele, está na valorização do mercado consumidor brasileiro.

Eliana Panty, CEO do IFC Brasil, também falou do momento de resiliência e de união. “O IFC chamou e o público veio, de todo o Brasil, da América Latina, de países da África, e estavam aqui reunidos, focados num único objetivo: aumentar o consumo de peixe, olhando para o mercado interno com uma visão muito otimista”, declarou.

Ainda segundo ela, boa parte das tecnologias apresentadas na edição já tem destino certo: “Vão para as mãos de empreendedores, agroindústrias e associações, resultado dos negócios gerados dentro da Fish Expo. O IFC 2025 é marcado por essas conexões, por

Na avaliação de Francisco Medeiros, diretor executivo da PeixeBR, as incertezas atuais do setor por conta do tarifaço e da tilápia do Vietnã, não atingem todos os segmentos da mesma forma, com a produção de peixes nativos sem efeitos diretos e a tilapicultura com impactos mais perceptíveis.

Durante a abertura do evento, representantes do IFC Brasil e do Sebrae oficializam carta de intenções

essa união do setor, tudo em torno dessa proteína valiosa vinda da água.”

Nova etapa com o Sebrae

Outro momento simbólico da abertura foi a assinatura de uma carta de intenções entre o IFC Brasil e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), voltada à implementação de ações estruturantes para o desenvolvimento do setor de pescado.

“Nós estamos nesse momento inaugurando uma nova etapa na

“O varejo em um mundo de transformação”

Público

+2500

participantes

Empresasemarcas

+100

marcas expositoras

Conteúdo Técnico

• 52 conferencistas

• 7 países representados

• + 30 horas de programação

Temas

centrais:

Conjuntura

Estratégia

Organização da cadeia produtiva Mercado

história do IFC Brasil”, afirmou Gregolin. Conforme ele, entre os temas em discussão estão a execução do Plano Nacional de Desenvolvimento do Ministério da Aquicultura e Pesca, a criação de um instituto de fomento ao consumo de pescado e o avanço da marca “Pescado da Amazônia”, voltada à certificação e à inserção do peixe amazônico no mercado internacional.

Já a Secretaria Nacional de Aquicultura do Ministério da Pesca e Aquicultura (SNA/MPA) também

Novo Formato do Evento

• Acesso livre para produtores

• Congresso: manhã

• Feira: tarde

• Participação e integração dos elos

IFC Brasil

Marketing & Investimentos

esteve presente no evento com a 3ª oitiva para a construção do Plano Nacional de Desenvolvimento

Sustentável da Aquicultura. Realizada em parceria com o Sebrae Nacional e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a oitiva da SNA buscou ouvir sugestões e perspectivas para as diretrizes do Plano, que regulamentará o Programa Nacional de Desenvolvimento

Sustentável da Aquicultura, instituído pelo Decreto nº 11.852/2023.

“Realizar a oitiva para o Plano Nacional de Desenvolvimento

Sustentável da Aquicultura dentro do IFC Brasil é estratégico, pois o evento congrega produtores, empresários, pesquisadores e autoridades de todo o setor aquícola”, contou Fernanda de Paula, Secretária Nacional de Aquicultura. Segundo ela, o espaço permite ouvir diretamente os diferentes atores. “Assim, garantimos que o Plano Nacional seja construído de forma participativa, refletindo as reais necessidades e potencialidades do setor no País, buscamos a aplicabilidade para o pequeno, médio e grande produtor”, completou.

Programação ampliada

A edição de 2025 também marcou

uma ampliação do escopo temático do IFC: mercado, gastronomia, moda e economia criativa ganharam espaço na programação, aumentando o diálogo do pescado com outros setores estratégicos da economia.

Neste contexto, o Corredor do Sabor – Agricultura Familiar, realizado em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), apresentou a diversidade da produção rural paranaense, com cerca de 20 famílias oferecendo diversos produtos em um ambiente criado para a valorização da produção local e estímulo à comercialização direta.

Já na área da gastronomia, a Cozinha Show, em parceria com a Abrasel e a Secretaria do Turismo do Paraná (Setu), promoveu aulas práticas e degustações criativas de pescado. Além disso, o público prestigiou o 1º Festival da Tilápia, o 6º Festival do Tambaqui e uma série de workshops voltados ao aproveitamento integral do pescado.

Outro destaque foi o espaço dedicado à moda sustentável, com o talk “Das águas às passarelas”, que apresentou o uso do couro de peixe como alternativa inovadora e ecológica. Na ocasião, estilistas, designers e empreendedores

mostraram como as peles de tilápia, pirarucu e salmão podem se transformar em bolsas, roupas e acessórios sofisticados, fortalecendo a economia circular e agregando valor à cadeia produtiva.

Temas que dominaram o palco do IFC

Foram três dias de intensa programação nos painéis estratégicos com temas pertinentes ao atual momento do setor e que dominam as apresentações, como estratégia, mercado, política e outros.

O painel mediado por Aniella Banat, diretora técnica da Associação Brasileira das Indústrias do Pescado (Abipesca), trouxe o tema “Mercado: Tendências e desafios em relação ao mercado do pescado – exportações, importações e mercado interno”. Banat pontuou que a comercialização é vital para qualquer negócio e, no caso do pescado, exige atenção redobrada. “Hoje, para você estar prosperando em qualquer área, isso não só para o pescado, você precisa entender muito a questão de mapear todas as ações, os riscos e as oportunidades que estão presentes”, disse.

Representando a ApexBrasil, Deborah Rossoni, gerente de Agronegócios, explicou que a agência atua em complemento às ações dos Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), além de outros ministérios e órgãos do governo federal. “Muitas vezes, trabalhamos próximos aos governos estaduais e, às vezes, até municipais - mas, principalmente, com o setor privado. O nosso trabalho é feito para o setor privado e para que as empresas brasileiras tenham a oportunidade de se apresentar no mercado internacional”, disse. Completaram as apresentações o secretário adjunto de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Marcel Moreira, e Álvaro Mário Burin, superintendente agroindustrial da Mar & Terra.

IFC Brasil
Cozinha Show estreou na 7ª edição do evento

Já o painel das cooperativas mostrou como o cooperativismo tem se consolidado como pilar estratégico da piscicultura paranaense e brasileira. Reunindo lideranças de importantes cooperativas do Estado, a mesa de debates destacou a relevância do modelo associativista. A mediação foi conduzida por José Roberto Riquem, presidente da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), que ressaltou o reconhecimento internacional do cooperativismo e sua missão de organizar economicamente os produtores, garantindo autonomia por meio da renda.

Alexandre Monteiro, analista de Desenvolvimento Técnico do Sistema Ocepar, dimensionou em números a força do cooperativismo no Paraná: 227 cooperativas, sendo 62 agropecuárias, com mais de 4 milhões de cooperados,

Lex-Experts_Anuncio_Revista-A_v2.pdf 1 05/12/2025 18:43:28

Assim como nas edições anteriores, Encontro Mulheres das Águas também fez parte da programação

150 mil empregos diretos e um faturamento superior a R$ 150 bilhões. “As maiores empresas em mais de 130 municípios em nosso Estado são cooperativas. Então, nós temos uma participação muito importante

econômica e social no Paraná”, disse. Completaram as apresentações Néstor José Brown, da Copacol; Anderson Leon Sabadim, da Primato; Dilvo Grolli, da Copavel; Paulo Poggeri, da Sevali; e Jair Mayer, da Lar.

Seafood Brasil

Marketing & Investimentos

Soluções para todos

os gargalos

Se, no campo macroeconômico, a piscicultura brasileira atravessa um período de incertezas, nos estandes do IFC Brasil 2025 os discursos também estiveram em torno de eficiência, tecnologia, rastreabilidade, biosseguridade, alimentação, entre outros temas que dominaram as soluções apresentadas pelos expositores. Confira, a seguir, o que alguns deles levaram ao evento:

Tecnologia competitiva

Na frente da digitalização da indústria, fundada há apenas um ano e meio, a Eknos Soluções Industriais chegou ao setor com uma bagagem construída ao longo de mais de uma década de atuação dos sócios na área de alimentos. No IFC, a empresa apresentou seu software de gestão voltado à indústria de pescado. Segundo André Vinicius Rossetto, diretor comercial, o foco é integrar todas as etapas do processo. “Temos desde a entrada da matéria-prima, controle de rendimento, controle de pesos, controle dos processos, estocagem, rastreabilidade, expedição, até a saída do produto para o mercado”, contou.

Mesmo com pouco tempo de operação formal, a empresa comemora o crescimento no segmento. “Foi um ano e meio em que nos surpreendemos com a velocidade do avanço. Desenvolvemos toda a eletrônica, os softwares e hoje já temos equipamentos rodando em clientes muito satisfeitos”, afirmou Rossetto.

Quando o tema é desempenho produtivo, a Wenger, parte do grupo JBT Marel, levou ao IFC suas tecnologias de extrusão voltadas à produção de ração para aquicultura. Mauricio Bernardi, diretor regional de vendas na América Latina para Aqua & Pet, apresentou soluções especialmente direcionadas à tilapicultura. “Vim

fazer duas apresentações focadas na extrusão da alimentação aquática, mais especificamente voltadas aos peixes produzidos aqui no Estado, com tecnologias que garantem produto final de alta eficiência e alta conversão alimentar”, explicou. A empresa fabrica no Brasil, na unidade de Valinhos (SP), extrusoras, secadores, recobridores e resfriadores, entregando a linha completa para produção de ração animal.

Mas, além da eficiência técnica, o cenário de mercado também pesa nas decisões. Sobre o momento do setor, Bernardi reconhece os desafios, mas destaca a vantagem da atuação global. “Nós atuamos no mundo todo. Aqui, na América Latina, há outros países que também estão crescendo, principalmente na aquicultura. E o Brasil também. Acredito que logo teremos um belo horizonte pela frente.”

Tratamento e qualidade de água

Se a nutrição é um pilar da produtividade, a qualidade da água é outro fator determinante. Por isso, a AgroTATIL apresentou a plataforma TATILFish, voltada ao monitoramento em tempo real da qualidade da água e à automação de equipamentos. Conforme o diretor comercial, Luis Henrique Volso, a tecnologia permite acompanhar oxigênio dissolvido e temperatura via celular, além de automatizar sistemas de aeração. “Com isso, conseguimos fazer o acionamento apenas quando necessário, trazendo economia de energia elétrica e garantindo o nível ideal de oxigênio dentro dos tanques.”

Essa integração entre monitoramento e automação já começa a ganhar escala. Ele ainda revelou que uma parceria com a Copacol acelerou a entrada da solução no mercado. A tecnologia já está presente em unidades de produção de alevinos, tanques de depuração e avança agora para o monitoramento no transporte dos

peixes. “A ideia é monitorar desde a alevinagem até o abate de toda a tilápia produzida pela cooperativa.”

A NanoAgro, empresa do Grupo Fienile, apresentou a aplicação da tecnologia de nanobolhas avançadas no tratamento de água para sistemas produtivos. Segundo um dos sócios, Samar Steiner, a capacidade extrema de geração de nanobolhas da tecnologia possibilita a alteração do estado físico da água, aumentando a capacidade de dissolução, retenção, permanência de oxigênio e melhorando processos de tratabilidade. “Não é uma coisa que você mede sem o procedimento correto, como em um tanque em borbulhamento. A tecnologia aumenta o ponto de saturação dos gases, como oxigênio, ozônio, nitrogênio, depende da função que você quer para aquele tratamento, e cria um bolsão de longo prazo. E então, a partir deste ponto altera todo o padrão físicoquímico da água”, explicou.

De acordo com Steiner, a tecnologia entra agora em fase de validação em fazenda piloto. Ele destaca ainda que a aplicação também é especialmente indicada para ambientes com processos mais intensos. “Com o uso da tecnologia é possível chegar a regimes de criação hiper intensivos, com o uso mais racional de recursos. Isso traz ganhos em segurança operacional, sustentabilidade, previsibilidade e eficiência, além de ser uma tecnologia de fácil aplicação”, completa.

Pacote para alimentação

Já na área de equipamentos para manejo alimentar, com sede em Marechal Cândido Rondon (PR), a Induscava levou ao IFC aeradores chafariz, aeradores de pá e alimentadores, com pronta entrega durante o evento. O gerente de vendas, Cleriston Santos, destacou também o alimentador de arrasto com sistema de partição de reservatório.

“O produtor consegue trabalhar com dois tamanhos de ração ao mesmo tempo e escalonar o trato em diferentes tanques”, explica.

Biosseguridade e sanidade

Fechando o ciclo produtivo com foco na prevenção, Evando Lorenz, gerente de aquicultura da Suiaves, apresentou os itens da Neogen, como detergentes e desinfetantes, com destaque para o Neogen Viroxide Super, um desinfetante em pó à base de monopersulfato de potássio, eficaz no controle emergencial de surtos de doenças infecciosas. Além disso, o equipamento AquaPoint, para detecção de sujeira, também esteve em evidência. “Existem pontos estratégicos em que é preciso focar quando se faz a limpeza de qualquer coisa”, reforça Lorenz.

Eficiência na produção alimentar foi uma das tecnologias apresentadas durante o IFC 2025

Formas jovens e sanidade na base

A preocupação sanitária começa ainda nas primeiras fases da produção. Assim, a Starker Fisch marcou presença para anunciar aos produtores o início da comercialização de alevinos vacinados. “Percebemos essa lacuna e essa necessidade mas, para fazer isso, é preciso ter uma equipe bem treinada, capacitada e comprometida com a cadeia”, conta Maikon Hilgert, proprietário.

Com foco em qualidade desde a origem, há cinco anos no mercado, Hilgert pontua que a piscicultura especializada em formas jovens está sempre em busca do desenvolvimento de sistemas e processos. “Neste ano, a grande ênfase da nossa operação é a questão sanitária e o aprimoramento da suplementação das rações, que já são boas, mas queremos melhorar ainda mais”, finalizou.

União, resiliência e inovação

Em meio às dificuldades enfrentadas em 2025, setor mostra resiliência ao se encontrar em Foz do Iguaçu entre os dias 02 e 04 de setembro em mais uma edição do IFC International Fish Congress & Fish Expo Brasil (IFC Brasil) e assim, encontrar na união um caminho para inovar.

Equipe de organização e comunicação IFC Brasil

Altemir Gregolin e Eliana Panty (IFC Brasil)

Tatiana Carmona (Raguife), Tamara Fonseca (Control Union), Ana Carolina Iozzi (ASC) e Luciana Lacerda (Equalize)

Edson Sápiras, Aparecido José, Jaqueline Berg (Acripar) e Walberto Fernandes (Faz. Construindo)

Carolina Vasconcelos (Alltech), Filipe Chagas (GTF Alimentos), Humberto Todesco (Biochem do Brasil) e João Paulo Rossato (Cocari)

Mauricio Bernardi e Cláudio Mathias (Wenger)

Nilton Ishikawa e Natalia Shiogiri (AquaIn | Simpop)

Felipe da Cunha, André Meneghel e Marina de Oliveira (Bello Alimentos)

Higor Souza e Daniela Nomura (Vidara)

Rodrigo Zanolo e Celso Nagai (Genomar Genetics)

Angela Furtado, Lícia Lundstedt, Fernanda O`Sullivan, Andrea Muñoz e Hainnan Souza (Embrapa)

Valeria de Melo Lima e Thais Castelo Branco (SEPEA-TO)

Marcelo Nunes, Sarah Oliveira e Thiago Ushizima (Adisseo)

Natalia Sauter e Rosemeire Cardoso (Têxtil Sauter)

João Bordingnon, Eniel Klein e Luiz Francisco (Trevisan)

Gilmar Bonkoski, Gilberto Bonkoski e Marcio Bourcheid (Bonkoski)

Fabi Fonseca (Seafood Brasil), Izabella Farias (Altamar | Tropical Aqua) e Tiago Bueno (Seafood Brasil)

Michel Ito e Renan Cucato (Casa da Piscicultura)

Luis del Guerra e Pedro Gomes (Hipra)

Claudio Ruben, Matan Bar Shalom, Luiz Felipe Porto (MAP Aqua), Marcelo Carassa (Faz. Dedo de Deus) e Nina Porto (MAP Aqua)

Sandra Toro e Gustavo Soares (de heus)

Luiz do Peixe (Alevinos Luiz do Peixe) e Fabricio Silva (APPML)

Giuliano e Paulino Gaspar (GPX)

Felipe Diaz (Fish Farm Feeder), Marcelo Shei (Altamar | Tropical Aqua) e Jomar Carvalho (Panorama da Aquicultura)

Miguel Arostegui (Fish Farm Feeder), Fabio Rossi (Marine Equipment) e Felipe Diaz (Fish Farm Feeder)

Claudinei Laismann, Cleide Kessler e Everton Knaul (Cresol)

Marcos Queiroz, Samuel Guerreiro, José Augusto Ribeiro, Caio Henrique (MQ Pack) e Juliana Rebouças (SMC Automação)

Rui Donizete Teixeira, Luciene Mignani, Juliana Lopes e João Geraldo Barros (MPA)

Bruna Wagner (Imeve) e Marco Túlio (Multifish)

Andre Schowartz, Jiana Simili e Paulo Poggere (CVale)

Jhonis Pessini (Zoetis) e Dayane Lenz (IDR Paraná)

Vinicius Lima e Maisa Selingardi (Vaxxinova)

Edirlene Arnhold e Sergio Malavazi (Alisul | Supra)

Léia Feiden, Irineu Feiden e Gabriel Maldaner (Multipesca)

Prof. Armin e Dra. Ana Maria (by fish)

Julio Berlin e Renato dos Anjos (Beraqua)

Andressa Pinheiro (Apex Brasil)

Leandro Natal e André Rossetto (Eknos)

André Blanch, Jorge Quevedo, Talita Morgenstern e Patrick Hainfellner (MSD)

Leonardo Rizello (Anpario)

Mauricio Brandão (Paragominas Fischer) e José Carlos (Peixópolis)

Eduardo Asfora (Biotê), Leonardo Oliveira (Coopermota) e Agnaldo Deparis (Polinutri)

Entre avanços e impasses

A 21ª Fenacam evidenciou o avanço da carcinicultura brasileira, mas também expôs entraves que continuam limitando o pleno potencial do setor. Ao longo de três dias, feira, simpósios e programação paralela fortaleceram sua relevância técnica e institucional, consolidando-se como evento estratégico para inovação e competitividade

Texto: Fabi Fonseca

Panorama dos corredores da 21ª Fenacam, onde inovação, expansão produtiva e debates sobre gargalos dividiram espaço

A21ª Feira Nacional do Camarão (Fenacam), realizada em Natal (RN), abriu seus corredores reconhecendo conquistas importantes, mas também expondo fragilidades de um setor que cresce rápido e ainda sofre com uma longa lista de entraves. Entre o salto produtivo e os riscos regulatórios, foi consenso entre líderes empresariais, governo e agentes financeiros que o Brasil tem condições de avançar na carcinicultura e recuperar espaço, desde que resolva obstáculos domésticos que há anos limitam seu potencial.

Entre 12 e 14 de novembro, a Fenacam, organizada pela Associação Brasileira dos Criadores de Camarão (ABCC), reforçou sua contribuição ao setor com encontros técnicos e de negócios do segmento. Na abertura, o presidente da ABCC e da Fenacam 25, Itamar Rocha, afirmou que chegava à

edição “com um sentimento de orgulho pelo dever cumprido e confiante no êxito da sua realização”. Mas rapidamente avançou para os temas críticos que, segundo ele, travam o desenvolvimento pleno da atividade.

Rocha destacou o crescimento de 150% da produção nacional de camarão marinho cultivado entre 2016 (60 mil toneladas) e 2024 (210 mil toneladas), reforçando a projeção de alcançar 230 mil toneladas em 2025. Ainda assim, lembrou que o avanço convive com gargalos persistentes: licenciamento ambiental lento, dificuldade de acesso a financiamentos e baixa presença internacional, especialmente nos mercados da Europa e da China.

Outro ponto de alerta foi a baixa industrialização. O presidente lembrou que 70% do camarão brasileiro ainda é vendido in natura, com vida útil de apenas 4 a 6 dias o que, segundo ele, reduz competitividade, impede

a interiorização e pressiona preços. “Nesse contexto, se destaca que, das 5.550 cidades brasileiras, 5.250 estão localizadas no interior e possuem menos de 100.000 habitantes, mas cujas populações correspondem a 100 milhões de habitantes, que, no entanto, não são atendidas pelo camarão comercializado na forma in natura, no gelo”, afirmou.

Sem ampliar o processamento dos atuais 30% para 60%–70%, advertiu Rocha, a atividade seguirá sujeita à “recorrente manipulação dos preços na porteira das fazendas”, afetando previsibilidade e sustentabilidade econômica.

Uma lista nada desejada

Um dos momentos mais tensos da abertura ocorreu quando Rocha mencionou a possibilidade de inclusão da tilápia e do camarão na lista de espécies exóticas

invasoras da Conabio* . Ele classificou a proposta como um “absurdo”, lembrando que essas espécies sustentam grande parte da aquicultura brasileira. “Não iremos permitir”, enfatizou.

Após Rocha, as falas no palco foram imediatas. O presidente da Associação Nacional dos Criadores de Camarão (ANCC), Orígenes Monte, respondeu de forma categórica: “Sr. ministro [se dirigindo a André de Paula, do ministério da Pesca e Aquicultura/MPA], exótica e invasora é a fome”, disse. Já Francisco Medeiros, diretor-executivo da PeixeBR, reforçou o alerta e pediu união. “Essa lista afeta a todos e é hora da gente se unir para a nossa sobrevivência.”

Presente à cerimônia, o ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula , adotou postura firme e conciliatória, em um ambiente que também trazia um clima de

Organização Fenacam

Marketing & Investimentos

Números em alta

Público e Congressistas

1.690 participantes nos XXI Simpósio Internacional de Carcinicultura e XVIII Simpósio Internacional de Aquicultura

6.500 visitantes na XXI Feira Internacional de Produtos e Serviços para Aquicultura

despedida, afirmou que, “desde o primeiro instante”, orientou sua equipe a deixar claro que “somos contra a esse encaminhamento [Lista da Conabio]”. E reforçou a disposição do governo em atuar ao lado do setor. “Nós estamos juntos e nós vamos vencer essa luta.”

De Paula também sinalizou reconhecimento à trajetória da Fenacam. “Alegria ver ano após ano esse evento crescer e se consolidar. Um fórum como este é uma oportunidade ímpar de celebrar conquistas e avanços”, disse.

Setor pede apoio

Ao final de sua fala, Itamar Rocha fez um apelo direto a autoridades, bancos públicos, cooperativas e governos estaduais e federal para que destravem licenças ambientais, ampliem linhas de financiamento e estimulem a implantação de unidades de processamento. Segundo ele, apenas com agregação de valor a atividade terá condições de ampliar sua presença no mercado interno e recuperar competitividade externa.

O presidente da ABCC ainda reforçou que a Fenacam deve funcionar também como um espaço de aproximação institucional, especialmente para gestores públicos do Nordeste. “Não pode prescindir de apoios financeiros, tanto para investimentos estruturadores, como custeio operacional e estocagem do produto processado”, concluiu.

ConteúdoTécnico

60 palestras

53 palestrantes no total, sendo 40 nacionais e 13 internacionais

ÁreadeNegócios

109 empresas e instituições na XXI

Feira Internacional de Serviços e Produtos para Aquicultura

• 71 empresas nacionais e internacionais

• 38 órgãos públicos e entidades institucionais

Cozinha

O espaço reforçou o diálogo entre gastronomia e produção aquícola, aproximando chefs, produtores e público profissional

De acordo

com

Itamar

Rocha, presidente da ABCC e da Fenacam 25, a produção nacional de camarão marinho cultivado, entre 2016 e 2024, obteve um crescimento de 150%, reforçando assim a projeção de alcançar 230 mil toneladas em 2025

A
Show, realizada em parceria com a Abrasel RN, integrou a programação paralela com demonstrações culinárias ao vivo e degustações de pratos à base de camarão e peixe.
Organização
Fenacam

Público dos simpósios reuniu especialistas, acadêmicos e produtores de várias regiões do Brasil, evidenciando a força do conteúdo técnico na programação da Fenacam

Organização Fenacam

Marketing & Investimentos

De acordo com Itamar Rocha, presidente da ABCC e da Fenacam 25, a produção nacional de camarão marinho cultivado, entre 2016 e 2024, obteve um crescimento de 150%, reforçando assim a projeção de alcançar 230 mil toneladas em 2025

da aquicultura, especialmente carcinicultura, nas Américas. Neste ano, foram 60 palestras, ministradas por 53 especialistas, 40 brasileiros e 13 internacionais, que reuniram produtores, pesquisadores, empresários e formuladores de políticas públicas. Em 2025, o conteúdo refletiu temas centrais para o avanço da carcinicultura e da piscicultura, como o forte foco em inovação, eficiência e sustentabilidade.

José Edgar Gomes Jr., do Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob) , destacou a importância do crédito cooperativo para a expansão da atividade no Rio Grande do Norte. “O crédito é o motor da produção e o cooperativismo é o combustível da sustentabilidade”, disse.

Vitrine completa

A Fenacam 2025 voltou a reunir um amplo mosaico de empresas que, juntas, espelham a diversificação tecnológica, o reforço sanitário e o avanço produtivo da carcinicultura brasileira. Em um ano marcado por desafios climáticos, sanitários, mercado e regulatórios, os expositores reforçaram tendências, apresentaram novas soluções e mostraram como a inovação tem sustentado o crescimento do setor. A seguir, alguns dos expositores que estiveram na edição:

Nutrição e aditivos para um ciclo mais resiliente

Expansão produtiva e interiorização

O evento também destacou avanços importantes, como a sanção da Lei Complementar nº 798/2025, que institui o Programa de Interiorização da Carcinicultura no Rio Grande do Norte.

Durante a cerimônia de encerramento, a governadora Fátima Bezerra formalizou a medida, que prevê a isenção das taxas de outorga pelo uso da água e das taxas de licenciamento ambiental para projetos com até 15 hectares de área inundada produtiva, um estímulo direto aos pequenos e médios produtores interessados em expandir a atividade para além da faixa litorânea. “Queremos desenvolvimento econômico com responsabilidade ambiental e compreensão estratégica da importância desse setor para o nosso Estado”, afirmou.

A programação do XXI Simpósio Internacional de Carcinicultura e do XVIII Simpósio Internacional de Aquicultura consolida a Fenacam como um dos principais polos de conhecimento técnico e científico

Já Thiago Bernardino de Carvalho, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, uma unidade da Universidade de São Paulo (USP), discutiu as “Oportunidades do mercado de carcinicultura no Brasil”, chamando a atenção para a urgência de uma comunicação mais estratégica. Para ele, superar gargalos não é apenas uma questão operacional: “Escoar não é só logística. Escoar é comunicar.”

O avanço das soluções biotecnológicas também entrou em pauta. Alysson Angelim, da empresa Biotrends, apresentou o tema “A biotecnologia no equilíbrio do microbioma: A chave para uma carcinicultura produtiva e sustentável”, destacando que “a biotecnologia se instalou em algumas áreas, como da carcinicultura, para ajudar no manejo do microbioma”.

Fechando o ciclo de apresentações da edição, Itamar Rocha trouxe uma análise sobre os desafios do mercado mundial de camarão cultivado e reforçou a necessidade de coesão entre os diferentes elos da cadeia. “Nós estamos lutando porque nós temos futuros, mas só se a gente se unir”, afirmou.

Focada em biotecnologia, a Biotrends levou ao evento seu portfólio de aditivos alimentares voltados à aquicultura. “Nós fabricamos probióticos à base de bactérias e leveduras para melhorar o equilíbrio microbiano dentro do sistema digestivo de peixe e camarão”, explicou Allysson Angelim, diretor presidente Além dos probióticos, a empresa apresentou imunomoduladores, produtos à base de ácidos orgânicos e fitobióticos. “Todos eles ajudam a promover uma microbiota saudável e favorecem o equilíbrio”, completou.

Já o grupo Guaraves, por meio da Aquavita, reforçou a importância da nutrição frente aos novos desafios sanitários do campo e a oportunidade de apresentá-los no evento. “A Fenacam é uma feira muito importante não só para o setor, mas também para nós. Por isso, participamos desde a primeira edição”, comentou Diego Dultra, representante comercial O portfólio apresentado abrange desde as fases iniciais até a terminação. “Como hoje o setor

da aquicultura passa por grandes desafios sanitários, nós trouxemos algumas tecnologias através de nutrição aditivos fitogênicos que potencializa essa ação para mitigar esses problemas sanitários”, detalhou.

Na Samaria Rações, do Grupo Potiporã, o ano também exigiu respostas rápidas. Segundo Marcelo Simão, gerente geral, 2025 foi marcado por uma mortalidade generalizada no camarão, agravada pelo inverno mais prolongado. “Para driblar estes obstáculos, criamos rações com imunoestimulantes. Isso nos permitiu continuar crescendo, apesar das dificuldades”, afirmou. A empresa apresentou ainda blends de leveduras, fertilizantes e um

produto de biorremediação. “Para 2026, vamos focar no lançamento de novas peletizadoras dedicadas ao camarão. Também vamos focar não só em produtos de imunossolução, mas também em crescimento.”

A ADM aproveitou a feira para lançar o Camanutri, solução nutricional destinada aos camarões a partir de 2 a 3 g. “Essa é uma novidade que vai ao encontro com uma necessidade do mercado: a produção de camarão em regiões mais interioranas, que são distantes do mar. Logo, isso exige mais nutricionalmente”, contou Ricardo Garcia, gerente de Produtos de Aquicultura. Ele explicou que esses desafios são traduzidos em baixa renovação de água, baixa capacidade

Fenacam 2025 ainda reservou espaço para empresas que levaram diversificação tecnológica, reforço sanitário e avanço produtivo

à carcinicultura brasileira

híbrida e desafios de salinidade extremas, sendo elas muito baixas e muito altas. “Nosso produto tem uma combinação de nutrientes que sinergicamente agem para que o camarão tenha um conforto osmótico melhor, tudo para que ele possa se desenvolver frente a esses desafios de salinidade extrema.”

A Korin , por sua vez, apresentou o Embiotic, biomediador para solo e água que vem sendo aprimorado continuamente. “Nosso trabalho com o camarão é relativamente recente e, por isso, estamos no processo de melhoramento desse produto”, comentou Zeca Marcondes, representante da marca no Nordeste . Ele destacou que o desenvolvimento tem sido pautado por estudos de campo, pesquisas científicas e parcerias institucionais. “Também temos parcerias com universidades e institutos federais, empresas privadas e laboratórios. Assim, a gente tem melhorado o produto a cada ano, de acordo com as demandas que o mercado nos propõe”, falou. Para o futuro, a empresa avalia lançar soluções em pastilhas para a linha aqua.

A feira de produtos e serviços reuniu soluções voltadas à nutrição, sanidade, automação, manejo e etc.
Seafood
Brasil

Marketing & Investimentos

Estrutura

Tecnologia, sanidade e equipamentos

Com um estande sempre movimentado, a iAqua reforçou sua estratégia de parcerias e integração entre soluções. “A feira está se expandindo cada vez mais. Por isso, estamos aqui para reforçar todas as nossas parcerias, que nos permite levar qualquer solução a nosso cliente, seja qual for o equipamento ou produto que ele precise”, afirmou o diretor Alfredo Freire . Para ele, o evento tem relevância especial pelo foco em automação. “Destaco as soluções de alimentação automática, ferramentas que vão fazer a diferença no mercado nacional.”

Buscando atacar o custo energético, um dos gargalos mais sensíveis da carcinicultura, a AquaRenova apresentou equipamentos abastecidos por energia solar. “Trouxemos equipamentos que podem reduzir o custo, aumentar a produtividade, melhorar a saúde do camarão, aumentar a oxigenação e trazer maior durabilidade, como aeradores, caixas submersas, injetores e turbinas, comedouros e alimentadores”, explicou Ariston Cavalcante.

Já a CN Cold, indústria especializada em refrigeração, destacou soluções que vão da climatização ao ultracongelamento. Segundo Leandro Chaves, sóciodiretor, o Nordeste tornou-se uma nova fronteira para o beneficiamento. “Por isso, nosso plano é ajudar o segmento daqui continuar crescendo, em especial com o camarão. Então, a gente quer diversificar um pouco mais e dar oportunidade do pequeno produtor conseguir fazer o seu beneficiamento e também chegar no cliente final. Assim, ele aumenta o

seu retorno financeiro e produtividade, potencializando o crescimento do setor.”

Celebrando uma década de atuação, a Altamar Sistemas Aquáticos apresentou sua expansão internacional. “Consolidamos alguns distribuidores importantes fora do Brasil. Hoje, a gente tem um parceiro bastante forte nos Estados Unidos, com pedidos e distribuição de equipamentos nossos, principalmente de tambor rotativo. A também exportou para o Chile e estamos concretizando um projeto na Guatemala”, afirmou o diretor Marcelo Shei. Para 2026, a empresa projeta novos desenvolvimentos. “Estaremos lançando uma nova geração do ultravioleta e melhorias no tambor rotativo. Além disso, vamos trabalhar em projetos elaborados para atender as demandas de sanidade, controle de qualidade de água e desinfeção.”

Formas jovens e promoção institucional

Na área de formas jovens, a Potiporã destacou sua performance estável ao longo de 2025, mesmo em um ano atribulado para o setor. Roseli Pimentel, gerente operacional explicou: “Nós tivemos uma tendência leve de crescimento, apesar de 2025 ter sido um ano atípico para o setor.” Entretanto as mudanças climáticas, segundo ela, impactam a atividade. “Mas hoje, temos ferramentas que nos permitem prever e se antecipar a essa microbiota. Então, foi um ano muito tranquilo de produção. Nossos gráficos apontam uma tendência maravilhosa.” Para 2026, a empresa seguirá investindo em genética. “Vamos começar uma parceria em janeiro com uma empresa de genotipagem americana para acelerarmos nosso programa de melhoramento genético.”

Já a Aquatec , um dos laboratórios de pós-larvas mais tradicionais do País, marcou presença mesmo em meio ao processo de reformulação interna. “Estamos com reformas concentradas em nossa produção, o que nos dá um limite máximo atual de 150 milhões de larvas entregues por mês, metade do que produzimos, o que coloca a gente numa posição de muita mudança, mas também do desafio de inserir essa larva no mercado”, explicou Flávio Farias, gerente de Operações . A mudança para um novo laboratório, que contará com áreas de maturação, desova e eclosão e outras, deve elevar a eficiência produtiva. “Isso vai aumentar a eficiência do laboratório e permitir fazer 50% do que fazíamos numa área de 30%.”

Entre as presenças institucionais, a Associação de Criadores de Peixes do Estado de Rondônia (Acripar) levou sua principal bandeira: o tambaqui. “Participamos da Fenacam há vários anos. E mesmo aqui sendo a capital do camarão, o tambaqui não poderia ficar de fora, né?”, brincou o presidente Edson Sapiras . A entidade destacou as barreiras recentes enfrentadas pelo setor. “Nós vínhamos em um número crescente de exportações em 250 mil toneladas para os Estados Unidos, que foi freada por essa situação”, lamentou. Sapiras também demonstrou preocupação com a possibilidade de inclusão da espécie na lista de animais ameaçados. “O tambaqui é um produto fora de série e produzido em alta escala. Não tem como ele ser um produto de extinção.”

Marketing & Investimentos

Transição para a vida adulta

Fenacam faz 21 anos de existência e recebeu no Centro de Convenções de Natal/RN, um público ansioso para saber a resposta da seguinte pergunta: o que os próximos anos guardam para o setor da carcinicultura nacional.

Cesar Calzavara (Produmar), Itamar Rocha (ABCC | Fenacam), Edson Sapiras (Acripar), Flávia Vieira (Pref. de Macau) e Arimar França (Produmar)

Bruna Fernandes, Yohanna Galarza, Marineuma Rocha e Fernanda Maruoka (ABCC | Fenacam)

Liliam Catunda (ABIPESCA) e Jackson Santos (Apex Brasil)

Carolina Vasconcelos (Alltech), Eduardo Âsfora e Diego Rocha (Biotê)

Alexandre Jacques e Delton Pereira (MSD)

Altemir Gregolin (IFC Brasil) e Daniel Victoria (Bahia Pesca)

Gastão Luiz Fachini (BioValle Group), Francisco Altimar e Daniel Almeida (Real Fish)

Thiago Cardoso (CEPEA) e Eduardo Urbinatti (Phibro)

Amanda Campos, Samila Radany, Sergio Lucas e Anna Clara (Carapitanga)

Simone Araujo, João Victor, Samuel Rebouças, Thaysa Brito, Jessyca Alexandre e Hugo Sousa (Imeve | Dimeve)

Ricardo Campos, Lucas Tavares e Tom Prado (Itaueira Camarões)

Francisco Totti, Maurício Dorigatti e Maurício Dorigatti Junior (AcquaSystem Brasil)

Maria Laura Ramos, Renan Zatti, Evandro K. Lorenz, Eduardo Conte e Candi Guttler (Suiaves)

Christianny Maia, Cristiano Maia, Moacy Maia e Luzia Maia (Potiporã | Samaria Rações)

Jozenias Assis, Ricardo Carrieiro e Italo Noronha (Bomar)

Yeico e Ana Gabriella (BlueSensor BR)

João Manoel Neto (PEC Brasil) e Luiz Paulo (APCC)

Marcelo Shei e Izabella Farias (Altamar | Tropical Aqua)

Danylo Guerra e Rômulo Fiorucci (Safeeds)

Ricardo Pedroza (Marchef), Orígenes (ANCC), Rafael Pedroza, Charles Mendonça (Marchef) e Lucas Tavares (Itaueira)

Sally Teles (Sebrae-RO), Paulo Ferreira (MPA), Mayara Olsen (Dourada Piscicultura), Edson Sapiras e Jaqueline Berg (Acripar)

Estande Bahia Pesca

Leandro Moraes, Cláudio Tuamm (Bio Futura), Jenilson Neves (JN Rações) e Eudes B. Castor (Cordas Premium)

Miguel Fernandez (Pathovet) e Luiz Peregrino (AcquaQuantica)

Gustavo Maia e Carlos Liera (Shrimpl)

Jefferson Alves (SanVet), Wagner Camis (Piscicultura Água Pura) e Pedro Gomes (Hipra)

João Maria e Daniel Serafim (Ostras da Pipa)

Fabio Sussel (IPesca-SP) e Paulo Rocha (AlliPlus)

Steffano Costa (Minerva), Marcelo Numes (Adisseo) e Daniel Pereira (iAqua | Instituto Aqualuz)

Nedyr Chiesa e Eniel Klein (Trevisan)

Hugo Botelho, Wellington Rossitto, Thais Milena e Renato Almeida (Imeve | Dimeve)

Waldo Nuez, Sarah Oliveira e Thiago Ushizima (Adisseo)

Gabriel Borba e Ana Tereza Borba (Nexco)

André Matoso, Igor Gomes (BR Group Ambiental), Álvaro Teixeira, Jonnathan Wenderson e Diego Viana (Guabi)

Augusto Rodrigues, Thiago Menezes, Igor Pinho, André de Sousa e Camila (Polinutri)

Priscilla Gouveia (Eng. Pesca) e Jaqueline Chaves (SEAGRI Glória-BA) e Gerlania Amaral (ADM)

Oscar Hennig (CAT), Roseli Pimentel (Potiporã), Daniel Lanza (UFRN) e Alitiene Pereira (Recarcina)

Dandara, Daniela, Marcelo Borba (Prosol) e Maurício Pessoa (UFRPE)

Bruno Urach, Bruno Santos e Thiago Pereira (Raguife)
Alfredo Freire, Lays Barbosa e Jose Alves (iAqua)
Alan, Evandro Penha e Gardel Lopes (BRX Aeradores)
Estande Aquatec
Flavio Farias, Ana Guerrelhas e Maria Cláudia Ferreira (Aquatec)
Roberia Ramos, Ricardo Marinho, Nayara Mendonça e Wilson Junior (Prilabsa)
Sidnei Valle e Diego Flores (Zeigler)
Alexandre Reis, Kazymy Miura, Cleune Santos e Luciana Campos (DeepSea | BRSF | Japa da Ostra)
Estande Beraque e iAqua
Arimar França (Produmar), Marisa Sonehara (Camanor) e Rodrigo Hazin (Norte Pesca)

“Festival da Abipesca”: 10 anos com eventos de peso

Com fórum jurídico pela manhã e celebração institucional à noite, Abipesca reuniu ministros, autoridades e lideranças políticas para marcar uma década de atuação e reforçar a segurança jurídica como eixo estratégico da indústria de pescado

aos fundadores e autoridades que apoiaram o desenvolvimento

Ocenário seria incompatível com grandes celebrações, mas a Abipesca completou em 2025 uma década de existência e resolveu celebrá-lo como um grande festival que tomou a agenda do dia 26 de novembro, em Brasília. 10 anos depois de nascer em meio a incertezas regulatórias e insegurança jurídica, a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) colhe os resultados da maturidade institucional e o papel estratégico conquistado ao longo da última década. A programação combinou conteúdo técnico de alto nível pela manhã, com o Fórum Segurança Jurídica para a Indústria de Pescados , e uma celebração à noite, que reuniu ministros, parlamentares, autoridades do Executivo e lideranças empresariais.

O fórum marcou o início das comemorações do primeiro decênio da entidade e foi pensado como um espaço exclusivo de diálogo qualificado entre associados da Abipesca e o Poder Judiciário. “É objetivo deste fórum aproximar o setor produtivo do Poder Judiciário. Dialogamos intensamente com o Legislativo e o Executivo, mas faltava apresentar ao Judiciário quem somos, onde estamos, quais são as nossas dores e os gargalos que precisam ser compreendidos por quem interpreta a Constituição e define a aplicação das normas”, disse o presidente da Abipesca, Eduardo Lobo, na introdução do evento.

Segundo ele, há anos o setor convive com um cenário regulatório marcado por portarias, normas e interpretações divergentes, especialmente por parte do órgão fiscalizador ambiental. “Uma mesma regra tem sido aplicada de formas

diferentes, gerando imprevisibilidade, paralisações injustas e insegurança operacional e riscos enormes para o investimento”, acrescenta. Lobo ainda acusou órgãos anuentes, como o Ibama, de adotar práticas administrativas que violam o devido processo legal, como “a doação sumária de pescado apreendido sem a cadeia de custódia clara, sem respeito ao direito das empresas e sem a mínima previsibilidade que qualquer atividade econômica necessita para existir.”

O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, teve seu primeiro encontro com o setor, cuja aproximação disse ver “com bons olhos”. Na sua fala, ele reconheceu não ter grande conhecimento a respeito, mas ponderou sobre os princípios por trás da normatização de qualquer segmento e a aplicação no setor pesqueiro. “Por que se regula uma atividade? Para fiscalizar, incentivar e planejar. Há duas matrizes básicas de pensamento. Preciso em primeiro lugar incentivar o setor. Não posso partir de uma normatização de uma regulação para matar o setor. A segunda grande matriz de pensamento é preservar os consumidores daquele serviço regulado. Tenho de permitir que a pesca aconteça, incentivar e, em contrapartida, que a pesca se perpetue ao longo do tempo, que não seja predatória, e que o consumidor tenha um bom produto na sua prateleira, na sua casa. Se saímos desta matriz, começa a haver problemas”, sublinhou.

Entre as demais autoridades presentes, estiveram os ministros do

Evento contou com a renovação do convênio entre APEX-Brasil e Abipesca para o Brazilian Seafood e homenagem
da entidade nos últimos 10 anos
Divulgação/Abipesca
Texto: Ricardo Torres

Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luiz Alberto Gurgel de Faria e Marcelo Navarro Ribeiro Dantas. O debate contou ainda com a participação de especialistas como Dr. Marcelo Guaritá, Dr. Marcos Saes e Dr. Eduardo Serur, que atuaram como painelistas ao longo das discussões. Todo o programa contou com a curadoria e comentários do ex-juiz, fundador e coordenador científico do Instituto que leva seu nome, Dr. Luiz Mário Moutinho.

Outro tema em destaque foi a avaliação jurídica dos impactos da reforma tributária sobre a produção de pescados, especialmente no que se refere aos benefícios fiscais estaduais e à reorganização da carga tributária sobre a cadeia produtiva. Também estiveram no centro do debate a necessidade de previsibilidade regulatória, a coerência entre normas infralegais e a legislação vigente, além do equilíbrio constitucional entre proteção ambiental e desenvolvimento econômico.

Inserción diciembre SB DEF IM.pdf 1 26/11/2025 8:53:08

Em palestra sobre a Reforma Tributária, o Ministro Gurgel de Faria (STJ) citou frase de autoria desconhecida e divertiu os presentes: “A diferença entre a morte e os tributos é que a morte não piora toda vez que o Congresso se reúne”

Uma noite de celebração e articulação política

À noite, o clima técnico deu lugar à celebração. A Abipesca reuniu convidados no Espaço Patú Anú, uma mansão localizada no Park Way, a

sudoeste do Lago Paranoá, a cerca de 12 quilômetros do centro de Brasília. O evento marcou oficialmente os 10 anos de fundação da entidade e contou com a presença de autoridades de peso do Executivo e do Legislativo.

Entre os convidados estiveram o ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula; o senador e ex-secretário Jorge Seif Jr.; o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana; o presidente da Frente Parlamentar Mista da Pesca e Aquicultura, deputado federal Luiz Nishimori; e o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luís Rua.

Um dos grandes marcos da noite foi a renovação do convênio para a realização do projeto setorial Brazilian Seafood, que apoia a internacionalização das empresas brasileiras do setor de pescado. Firmado em 2023, o convênio inicial entra agora em sua segunda fase, com vigência até 2027 e investimento total de R$ 12 milhões, compartilhado entre a ApexBrasil e a entidade.

Divulgação/Abipesca

Quatro décadas premium

Riberalves celebra 40 anos com festa em São Paulo e reivindica liderança no mercado brasileiro de bacalhau

Quatro décadas depois de iniciar sua trajetória global, a Riberalves comemorou seus 29 anos de atuação no Brasil com um evento de gala em São Paulo, à altura do posicionamento premium que construiu ao longo do tempo. A celebração reuniu parceiros históricos, clientes estratégicos e lideranças institucionais, com a presença do fundador, João Alves, de seus filhos Bernardo e Ricardo - CEO do grupo - um encontro que simbolizou passado, presente e futuro de uma das marcas mais emblemáticas do bacalhau no mundo.

Fundada em Torres Vedras, em Portugal, a Riberalves construiu uma história singular na indústria de pescados. Hoje, segundo o próprio CEO, responde pelo processamento de cerca de 10% de todo o bacalhau pescado globalmente, consolidando-se como referência mundial em escala, qualidade e inovação. “Essa história começou com o seu João, que trouxe o bacalhau seco e salgado para vender a parceiros que estão conosco até hoje”, relembrou Marcelo Nasser, country manager da Riberalves no Brasil, ao destacar a força das relações de longo prazo que moldaram a empresa.

A trajetória brasileira da companhia é marcada por pioneirismo. A Riberalves alega ter sido a primeira a lançar no país o bacalhau dessalgado e congelado, pronto para cozinharuma inovação que transformou hábitos de consumo e ampliou o acesso ao produto. “Em 2008, João fez um convite que muito me orgulha. Fui o primeiro funcionário da filial brasileira da Riberalves, criada naquele ano”, contou Nasser. Desde então, a operação cresceu de forma consistente, até

Gerações pioneiras: fundadores João e Manuela Alves e os filhos Bernardo e Ricardo construíram uma das líderes globais do bacalhau, que completa agora 40 anos

alcançar cerca de 60% de participação no mercado brasileiro de bacalhau.

Durante a celebração, Ricardo Alves destacou a importância estratégica do Brasil para o grupo. “Estamos hoje em mais de 20 países, mas existe um país muito especial para nós. Pela dimensão da atividade, pela grandeza das parcerias e pela antiguidade da nossa presença: o Brasil”, afirmou.

A empresa iniciou suas operações no país em 1996 e inaugurou oficialmente a filial em 2008. Atualmente, o mercado brasileiro responde por aproximadamente 25% do volume total de negócios da Riberalves.

Os números ajudam a dimensionar esse impacto. Apenas em 2024, foram comercializadas no Brasil 3.700 toneladas de bacalhau dessalgado. Globalmente, a empresa processa cerca de 100 mil toneladas de peixe

vivo por ano, o equivalente a 10% de todo o bacalhau pescado no mundo. Isso resulta em 22 mil toneladas de produto acabado e cerca de 63 milhões de refeições de bacalhau anuais, distribuídas em Portugal e nos mercados internacionais, conforme a contabilidade da própria empresa. Mais do que crescer em escala, a Riberalves reinventou o consumo do bacalhau. “Do bacalhau salgado seco ao bacalhau dessalgado, democratizamos o preparo, chegamos a famílias mais jovens e a novos mercados”, resumiu Ricardo Alves. Presente à celebração, o embaixador de Portugal no Brasil, Luís Faro Ramos, ressaltou os laços históricos e econômicos entre os dois países, aprofundados ao longo do tempo por meio do bacalhau — produto que, mais do que alimento, representa cultura, identidade e conexão.

Texto: Ricardo Torres

Boas Festas

Neste final de ano, expressamos o nosso mais sincero obrigado a você, cliente e parceiro. Sua confiança impulsiona a Raguife e fortalece o universo Aqua. Desejamos muita paz, sucesso e energia renovada. Feliz Fim de Ano. Conte conosco!

Marketing & Investimentos

Avançando em cadeia

Avança Aqua 2025 reforça integração entre os elos e transforma troca de experiências em estratégia para o avanço da aquicultura

Avançar sozinho é movimento, mas avançar em cadeia pode impactar a construção do futuro. Foi com essa lógica que o Avança Aqua 2025 reuniu, no Paraná, diferentes segmentos da piscicultura e da carcinicultura entre os dias 01 e 04 de setembro.

Ao todo, 18 participantes, de 16 empresas, participaram da programação, que combinou debates técnicos, visitas de campo e integração com o IFC 2025. “Nosso objetivo era conectar parceiros de diferentes elos da cadeia aquícola, compartilhando desafios, oportunidades e conquistas”, explicou Carolina Farias, zootecnista e gerente de vendas da Alltech.

Ao longo da programação, diversos temas estiveram no centro das discussões, como eficiência produtiva, inovação, nutrição, desafios regionais e sustentabilidade. E um dos gargalos que apareceu nos debates foi o avanço dos desafios sanitários. “Eles têm se intensificado ano após ano, tornando-se um ponto crítico para toda a cadeia e reforçando a importância da indústria de soluções para a aquicultura”, contou Farias.

Luciana Lacerda, zootecnista e fundadora da Equali-z, destaca a forma como a empresa conseguiu reunir diferentes elos da cadeia em um diálogo aberto, prático e orientado para soluções e oportunidades. “Foi muito enriquecedor ouvir a contribuição de cada um”, disse.

Para ela, essa troca amplia a visão sobre desafios e oportunidades. “Quando a cadeia conversa, toda a aquicultura avança junto, e isso se traduz em decisões mais embasadas, projetos mais robustos e melhoria contínua no meu trabalho diário.”

Imersão técnica em São Pedro do Ivaí

Um dos pontos altos do encontro foi a visita técnica à planta da Alltech em São Pedro do Ivaí (PR), unidade estratégica da companhia para a produção de soluções nutricionais. Durante a imersão, os participantes acompanharam de perto etapas do processo industrial e puderam discutir, na prática, aspectos ligados à qualidade, padronização e tecnologia aplicada às soluções de produção.

“Quando a gente entra na planta da Alltech e vê tudo funcionando com aquele nível de organização e tecnologia, muda como olhamos para o setor. Afinal, isso mostra como eficiência, escala e inovação caminham juntas na operação”, afirmou Tiago Bueno, gerente comercial da Seafood Brasil.

Parcerias regionais e planejamento pós-evento O Avança Aqua 2025 agora entra em sua fase mais estratégica: transformar conhecimento em ação. Os aprendizados obtidos ao longo do evento servirão de base para novas iniciativas e aprimoramento das estratégias regionais da Alltech nos

Participantes do Avança Aqua 2025, antigo SPI Experience Aqua, durante a visita técnica à unidade industrial da Alltech em São Pedro do Ivaí (PR) Comunicação Alltech

diferentes polos aquícolas do País. Nesse cenário, Farias destacou que a companhia está focada em acompanhar o ritmo de evolução do setor e crescer lado a lado com seus parceiros. “Por isso, nossas estratégias para 2026 seguirão priorizando soluções inteligentes, flexíveis e integradas, capazes de apoiar o produtor em diferentes realidades.”

Texto: Fabi Fonseca

Marketing & Investimentos

Trocas que impulsionam

A 4ª edição do Simpop bateu recordes, promoveu debates estratégicos e trocas de conhecimento em um momento desafiador para a tilapicultura brasileira

Mesmo diante de um ambiente econômico pressionado, marcado por preços baixos da tilápia, efeitos do “tarifaço” dos EUA e a iminente competição do produto vietnamita, o 4º Simpósio de Piscicultura do Oeste do Paraná (Simpop) registrou recordes em sua edição realizada no Clube Yara, em Toledo (PR), nos dias 16 e 17 de julho.

Criado com a proposta de aproximar os elos da cadeia produtiva em um ambiente técnico e colaborativo, o encontro ampliou seu alcance, reuniu mais de 600 participantes e cumpriu seu papel como um fórum da tilapicultura nacional. “O evento superou nossas expectativas”, afirmou Nilton Ishikawa, organizador e sócio-proprietário da Aqua In – Aqua Insumos.

Unindo as pontas

A área de networking reuniu 52 empresas com estandes, o maior número desde a criação do evento. “Várias

empresas relataram boas negociações e novas oportunidades comerciais, início de negociações promissoras e acordos técnicos encaminhados”, destacou Ishikawa.

Já a programação técnica foi

Modelo do evento foi desenvolvido para atender especialmente médios e pequenos produtores, que puderam esclarecer dúvidas com especialistas e ajustar tecnologias à realidade de campo

pensada para unir as pontas da cadeia produtiva com a ciência em conteúdos que refletiram os principais desafios e tendências da atividade. Temas como biotecnologia aplicada, com destaque para probióticos voltados à qualidade da água, ferramentas digitais de gestão, aditivos nutricionais e vacinas preventivas tiveram repercussão entre os participantes.

A segurança energética também entrou na programação, junto com avanços em genética e biosseguridade, apontados como caminhos promissores para aumentar produtividade e sustentabilidade. “Também chamaram a atenção tecnologias voltadas à nova genética e biosseguridade que demonstram grande potencial para aumentar a produtividade e sustentabilidade da tilapicultura”, reforçou Ishikawa.

Já os debates evidenciaram pontos críticos da atividade, como a necessidade de ampliar o acesso dos produtores a tecnologias disponíveis, o papel estratégico dos técnicos como difusores de conhecimento, a precificação da tilápia e os impactos da importação de pescado, como preços mais baixos e ausência de barreiras comerciais. “Esses temas dominaram as discussões por representarem os principais desafios estruturais da piscicultura nacional”, observou Ishikawa.

Assim, com um balanço positivo, a organização já projeta uma edição mais robusta para o próximo ano, com programação técnica ampliada e maior espaço de networking. “Em uma frase, o legado desta edição é a união entre conhecimento, tecnologia, mercado e produtores para impulsionar o fortalecimento da tilapicultura brasileira”, concluiu o organizador.

Ishikawa comemora o fortalecimento de parcerias entre produtores, fornecedores, cooperativas e instituições de pesquisa
Texto: Fabi Fonseca
Organização
Organização

A Brazilian Fish cresce sustentada por uma cadeia totalmente integrada, do cultivo ao produto final. Essa estrutura garante controle em cada etapa, elevação de padrões e entrega consistente de uma tilápia de alta qualidade ao mercado.

Entramos em 2026 preparados, mais próximos dos parceiros e atentos aos movimentos do setor. Investimos em tecnologia, manejo responsável e expansão do portfólio, consolidando o maior conjunto de produtos de tilápia do mundo e novos lançamentos para o ano.

Nossa visão é clara: evoluir com o mercado, elevar referências e fortalecer a categoria. Atuamos com eficiência e solidez operacional para ampliar a relevância da tilápia brasileira e reforçar o papel da Brazilian Fish no desenvolvimento do setor.

A TILÁPIA DO BRASIL TEM NOME E SOBRENOME.

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Marketing & Investimentos

Super frozen de bandeja

No dia 13 de outubro, a Japan House recebeu um evento organizado pelo escritório paulista da JETRO - órgão do governo japonês que apoia e promove o comércio entre Brasil e Japão - para apresentar os novos atuns super frozen importados diretamente do Japão pela OK Corporation, empresa da cidade de Yaizu, província de Shizuoka. Além do atum, a Jetro também levou ao evento um arroz japonês importado pela empresa Tradbras, o “Komeya no okome”, da indústria japonesa Niigata Nosho.

O encontro, que reuniu cerca de 60 profissionais da gastronomia, contou com a participação do Cônsul-Geral Adjunto do Japão em São Paulo, Jiro Takamoto. “Atum é um peixe muito especial para os japoneses, temos uma paixão. E quando me perguntam a diferença entre o atum japonês e os outros, a resposta é: o atum

japonês, seja capturado no mar do Japão ou em outros mares, é o que é pescado por barcos japoneses, ou seja, com tecnologia de congelamento”, disse.

Normalmente, o transporte e o armazenamento do peixe são feitos a apenas -20°C, enquanto esses novos atuns super frozen são importados por navios a -60°C. “Essa tecnologia de transporte da OK Corporation é mais alta e, além disso, esses atuns são pescados em mar, têm um sabor e textura diferentes”, explicou o diretor da JETRO, Tetsuya Inoue. A ideia, então, é conseguir oferecer o atum ao público brasileiro com o sabor exatamente igual ao peixe no Japão.

Segundo o sócio-diretor da OK Corporation, Roberto Silveira, o ultracongelamento garante textura, cor e sabor. “Quando o atum morre, a oxidação começa e o sabor muda. É necessário manter -60°C em tudo, desde

Evento da JETRO e OK Corporation na Japan House apresentou atuns super frozen, tecnologia de ultracongelamento de pescado Três

o barco de pesca até o caminhão e o armazém. O processamento e corte também devem ser concluído em 5 minutos e retornado ao congelamento”, disse. Além da maior qualidade, os novos atuns importados vão permitir aos restaurantes trabalharem com peixes de qualidade sem o problema da sazonalidade. “Nós temos a questão do defeso entre janeiro e fevereiro, em que há falta de atum e o produto encarece. Nós teremos atum o ano todo à disposição”, explicou Silveira.

Degustação

Durante o evento, os participantes puderam experimentar três tipos de atum: kihada, maguro (com suas subdivisões akami, toro e chutoro) e binchou. “As espécies foram escolhidas com base na gastronomia japonesa, aquilo que é mais utilizado nos restaurantes”, complementou Silveira.

De acordo com o chef Andre Kawai, presidente da Associação Geral de Sushi do Brasil e responsável pelo preparo do atum no evento, contar com um sushi importado é um grande passo para a gastronomia japonesa no Brasil. “Nos anos 90, não tínhamos quase nada de produtos importados de qualidade. Hoje, nós temos a possibilidade de escolher e trabalhar com produtos que os japoneses usam lá.”

O chef Vinicius Ikeda, que é sake sommelier do Oriental Sushya e Oriental Izakaya, destacou que esse tipo de evento estimula o relacionamento entre profissionais do setor. “Além disso, é muito legal conhecer mais sobre tecnologias de congelamento e conservação do pescado e observar que há cada vez mais empresas preocupadas em trazer bons insumos para nós trabalharmos.”

Texto: Mariana Naviskas

Controle total para melhor desempenho do corte e refile

Faça alterações em tempo real para aproveitar ao máximo a matéria-prima e as habilidades dos operadores. O monitoramento avançado dos sistemas de corte e refile StreamLine proporciona:

■ Coleta de dados em tempo real

■ Ajuste automático do fluxo de produção

■ Aumento do rendimento

A StreamLine da Marel se integra perfeitamente para transformar sua linha de processamento de pescados em uma solução completa, avançada, eficiente e precisa, que impulsionará seu negócio para o futuro.

Na Planta

Tecnologia em processamento de pescado

Pesadas & Empacotadas

A MQ Pack destaca seu equipamento focado para empacotamento, pesagem e ensacamento de tilápia como uma solução desenvolvida pela empresa para trazer mais produtividade à indústria. Em exposição na Seafood Show Latin America 2025, o maquinário possui as opções de balança horizontal de 20 e múltiplos cabeçotes, com ambas as opções empacotando tilápias em embalagens de 400 g.

Monoblocos frigoríficos

Projetados para atender a necessidades específicas de congelamento, alcançando temperaturas que variam de -5°C a -30°C, os equipamentos da linha

LT da CN Cold são monoblocos frigoríficos para congelados. Considerados plug-ins, os equipamentos da linha, segundo a empresa, são compactos e, ao combinarem evaporador e condensador em uma só unidade, eliminam a necessidade de uma casa de máquinas separada. Por fim, os itens são indicados para ambientes produtivos, incluindo frigoríficos, indústrias alimentícias e aplicações logísticas que exigem armazenamento de produtos como pescado.

Frigorífico suave

Classificado pela sua desenvolvedora como um sistema de chão de fábrica para indústria frigorífica, o Frigosoft, da Atak Sistemas, oferece suporte a todos os tipos de proteína, como o pescado. Segundo a empresa, a solução proporciona controle de todas as fases de industrialização, ou seja, abate, desossa e industrialização, bem como no que diz respeito à relação ao apontamento de produção e controle de estoque, rendimentos, custeio e rastreabilidade. O Frigosoft também oferece ao usuário controle com monitores indicadores de rendimento, perda e produtividade da indústria frigorífica.

Uni, duni, tê do camarão

Indicado para indústrias que querem buscar mais produtividade, o classificador de camarão da Brusinox classifica os camarões em seis tamanhos ao longo de seu comprimento. A empresa destaca que as esteiras de retirada podem ser fabricadas com seu sentido de

saída para a esquerda ou direita do classificador, conforme necessidade do cliente. A companhia ainda ressalta que o tamanho da classificação é regulável através da alteração do espaçamento dos cilindros, o que possibilita ao usuário escolher os tamanhos de saída do produto.

Tirando o couro

A C&M Equipamentos destaca para o mercado frigorífico a máquina de tirar pele de pescado. Também conhecida como descouradeira, o equipamento foi desenvolvido para atuar na retirada de pele de espécies com ou sem escama. Com produção de 3.000 kg filé/ dia justamente para trazer mais agilidade no processamento, a empresa informa que a máquina também pode atuar com pescado inteiro sem a cabeça.

Na espiral da produção

O espiral compacto da FlexLink foi desenvolvido pela empresa para transportar produtos verticalmente e assim, eliminar diferenças de altura e economizar espaço no chão de fábrica - ele reduz em até 40% a área ocupada. Ideal para movimentação de produtos (embalados ou não embalados), pucks, caixas ou engradados com dimensões de até 200 x 175 x 200 mm (CxAxL) e peso de 2 kg/m, o maquinário possui velocidade ajustável de 10 a 50 m/min. Ainda de acordo com a marca, a solução conta com múltiplas configurações de entradas e saídas e vem com opções de corrente emborrachada ou com taliscas.

Crédito das fotos: Divulgação/Empresas
Ano de choques simultâneos foi como um pesadelo que testou a resiliência do setor de pescado

Texto e apuração: Mariana Naviskas e Ricardo Torres

Perto do almoço da quinta, 4 de dezembro, grupos de WhatsApp de produtores, industriais e lideranças do setor aquícola brasileiro começaram a ferver. Áudios se sobrepunham, mensagens se repetiam, emojis de comemoração surgiam onde, ao longo de quase todo o ano, prevaleceram alertas, indignação e apreensão. A notícia era curta, mas carregada de alívio: estava suspensa a lista da Comissão Nacional de Biodiversidade que classificava a tilápia como espécie exótica invasora.

Segundo o próprio Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a inclusão de uma espécie na lista tinha caráter técnico e preventivo, não implicando banimento, proibição de uso ou cultivo. Apesar disso, o diretorpresidente da PeixeBR, Francisco Medeiros, atestou: Rita Mesquita, secretária nacional de biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, apresentou em reunião do Conape que tratou do tema um slide com o termo “erradicação” associado à principal proteína aquícola do país.

Parecia tão absurdo que muitos representantes da cadeia nem levaram a ameaça a sério. Não foi o caso de Medeiros e outras autoridades. Afinal, a Portaria GM/ MMA nº 1.519, que estabelece a estratégia e o plano de ação para a biodiversidade 20252030, publicada em 25 de novembro de 2025, anunciava como a sexta meta: “Reduzir,

O Brasil oferece resiliência e capilaridade de mercado ao salmão, com o consumo pulverizado em diversos canais

IMPORTAÇÃO DE FILÉ DE TILÁPIA DO VIETNÃ

até 2030, em pelo menos 50% (cinquenta por cento), as taxas de introdução e o estabelecimento de Espécies Exóticas Invasoras - EEI conhecidas ou potenciais, e erradicar ou controlar EEI (...)”.

Quando a lista caiu com um comunicado sugerindo que qualquer lista será submetida à conversa com o setor privado, de pequenos a grandes produtores comemoraram. Foi uma das raras alegrias de um ano que penalizou o setor de pescado como poucos na história recente. Um ano em que crises externas e internas se acumularam sem aviso, testando a resiliência de uma cadeia produtiva que vinha em ritmo acelerado de crescimento e profissionalização.

De fato, 2025 ficará marcado como o ano em que situações como essas parecem ter acontecido ao mesmo tempo, como mostra a cronologia a seguir:

MARÇO: Sardinha importada isenta de imposto

A pesca industrial atravessou 2025 sob uma combinação igualmente preocupante de insegurança econômica, desorganização regulatória e disputas institucionais que ameaçam a previsibilidade do setor. Em março de 2025, a decisão do governo de zerar o imposto de importação da sardinha, sob o argumento de conter a inflação dos alimentos, acendeu um sinal de alerta imediato na indústria nacional.

A Associação Brasileira da Indústria de Pescados (Abipesca) classificou a isenção à época como

“nefasta”, alertando para o potencial de inviabilização da cadeia da sardinha no Brasil, em um momento de recuperação da biomassa da sardinha nacional. Para alívio das conserveiras abrigadas na entidade, porém, o governo voltou atrás. O ComitêExecutivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) revogou a Resolução Gecex nº 709, de 13 de março de 2025, que reduziu a alíquota do Imposto de Importação (II) a 0% do produto sardinhas (preparações e conservas), classificado na NCM 1604.13.10, para 0% em uma cota de 7.500 toneladas. Com isso, a partir de 2026, o produto retorna para a Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum (LETEC) com uma alíquota de importação de 32%.

ABRIL: Mapa flexibiliza importação da tilápia do Vietnã

Poucos episódios em 2025 simbolizam tão bem a fragilidade do setor aquícola brasileiro quanto a reabertura da importação de tilápia do Vietnã. Isoladamente, a decisão já seria controversa. Inserida no contexto de um ano marcado por tarifaços, ameaças regulatórias e perda de mercados, tornou-se mais um golpe em uma cadeia produtiva emergente e preparada para alçar voos globais cada vez mais altos. Em fevereiro de 2024, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)

suspendeu a importação de tilápia vietnamita em função do risco sanitário associado ao Tilapia Lake Virus (TiLV). Pouco mais de um ano depois, em abril de 2025, o Mapa voltou atrás. Com base em uma Análise de Risco de Importação (ARI), o governo liberou novamente a entrada do produto vietnamita no Brasil. Questionado pela Seafood Brasil sobre a mudança de posição, o ministério afirmou, uma semana depois, que o risco era considerado “negligenciável”, uma vez que a autorização se restringia ao filé de tilápia congelado, o que reduziria drasticamente a possibilidade de contágio pelo vírus.

A resposta, embora tecnicamente embasada pela ARI, não foi suficiente para dissipar a apreensão do setor. Em agosto de 2025, a própria Vasep, entidade que representa a indústria de pescado do Vietnã, publicou uma nota em seu site reconhecendo que a TiLV é um problema grave e persistente no país, responsável por dizimar cerca de 15% da produção de tilápia local.

À margem de eventuais problemas sanitários, o produto vietnamita é extremamente competitivo e gera a sensação de competição desleal nos produtores brasileiros, dadas as alegadas “vantagens produtivas locais”, com baixo custo de mão de obra e subsídio governamental naquele

EXPORTAÇÕES DE PESCADO AOS EUA

país, em contraste com o “custo-Brasil”. Seja como for, em novembro de 2025, o Vietnã exportou cinco contêineres de filés congelados de tilápia a US$ 4,03 (FOB) o kg, o que representa em torno de R$ 21,5, de acordo com a cotação média do dólar em novembro.

JULHO: O porrete do Tio Sam

A decisão dos Estados Unidos de elevar para 50% a tarifa de importação sobre produtos brasileiros (10% anunciados em abril, mais 40% em julho) desencadeou a maior crise do setor no ano. O impacto foi imediato: pedidos suspensos, embarques inviabilizados, contratos revistos às pressas e estoques represados. Os

Pham Minh Chinh, celebram a parceria em meio a caixas de carne bovina da Friboi e tilápia da Navico

números ajudam a dimensionar o choque: 97% das exportações brasileiras de tilápia tinham como destino o mercado americano. Com a tarifa, esse fluxo praticamente parou. A consequência foi sentida em cadeia: redução do povoamento, cortes de turnos e adiamento de investimentos.

Outras cadeias também amargaram perdas. O Nordeste sofreu fortemente com atum, lagosta e pargo; o Sul, com corvina; e a tilápia impactou o País inteiro. De acordo com o presidente da Abipesca e da Câmara Setorial da Indústria de Pescados do Mapa, Eduardo Lobo, o setor deve fechar 2025 com a perda estimada de 3 mil a 3,5 mil postos de trabalho e deixar de exportar cerca de US$ 200 milhões - leia mais

Canva
Em junho de 2025, para simbolizar a abertura recíproca de mercados durante o encontro dos BRICS, o presidente Lula e o primeiro-ministro do Vietnã,

Senado paraguaio aprovou lei que regulamenta cultivo de tilápia em corpos hídricos do país, inclusive o reservatório da Itaipu Binacional; potencial é de 400 mil toneladas por ano

sobre o tarifaço, seus impactos e a busca de saídas na pagina 46.

SETEMBRO: MMA vence a ciência no caso do Cação Azul

O conflito em torno do ordenamento da pesca do Cação Azul atingiu seu ponto mais agudo em setembro de 2025, quando pesquisadores, entidades científicas e representantes da gestão pesqueira nacional divulgaram uma Nota de Repúdio à decisão do governo de revogar a Portaria Interministerial MPA/MMA nº 30/2025, que reconhecia a captura do cação azul (Prionace glauca) como espécie-alvo na pesca industrial com espinhel de superfície.

A manifestação foi motivada por um comunicado feito durante a 9ª Reunião Extraordinária do Comitê Permanente de Gestão da Pesca e do Uso Sustentável dos Atuns e Afins (CPG Atuns e Afins), no qual se anunciou a revogação. O tom da nota refletiu não apenas discordância técnica, mas indignação institucional. Para seus signatários, “a revogação representou um retrocesso construído à margem do próprio sistema de governança criado pelo Estado brasileiro”.

Os estoques no Atlântico são geridos pela ICCAT (Comissão Internacional para a Conservação do Atum do Atlântico), que também regula tubarões oceânicos. Segundo levantamento do Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura (Conepe), em 2023, a Comissão atualizou suas avaliações e estabeleceu um limite global de captura de 27.711 toneladas, das quais 3.481 toneladas foram alocadas ao Brasil, com

base em seu histórico legal de capturas. Para Cadu Villaça, presidente do Conepe, ao deixar de capturar sua cota, o Brasil compromete seu próprio futuro: “as alocações futuras são definidas justamente pelo histórico de utilização”. Enquanto isso, outros players avançam. “A União Europeia, por exemplo, já detém mais de 17 mil toneladas da cota do estoque sul, consolidando espaço que o Brasil abdica por inação.”

DEZEMBRO: sinais de reconstrução

Apesar do cenário adverso, 2025 não termina sem luzes no horizonte. A missão da União Europeia ao Brasil que pode determinar a reabertura do Mercado Comum Europeu ao pescado brasileiro já está agendada para junho de 2026, abrindo caminho para a retomada de um mercado estratégico, especialmente para produtos de maior valor agregado (leia mais a respeito nas próximas páginas).

Outra boa notícia veio do Paraguai, onde o Senado autorizou o cultivo de tilápia em Itaipu, sinalizando maior integração regional e oportunidades produtivas. No dia 10 de dezembro, os senadores aprovaram a lei que estabelece o regime de licença ambiental para o cultivo de espécies não nativas, como a tilápia, em corpos hídricos do Paraguai, incluindo o reservatório da Itaipu Binacional. Se sancionada pelo presidente Santiago Peña, a nova lei permitirá que Brasil e Paraguai avancem, de forma coordenada, na regulamentação internacional da atividade aquícola no lago. Com base na outorga de uso de

águas para fins de aquicultura, publicado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o potencial estimado de produção de peixes no reservatório é de 400 mil toneladas ao ano, com geração de produção de até R$ 2 bilhões por ano e cerca de 50 mil empregos diretos e indiretos.

Do ponto de vista institucional, há outros sinais positivos. O MPA retomou, após anos, a estatística pesqueira e aquícola oficial, trazendo mais transparência e unificando as bases de dados que estavam dispersas. O relatório indica que a produção aquícola já é o dobro da pesca extrativa, o que amplia a responsabilidade do setor no abastecimento nacional. Os preços pagos ao produtor se recuperaram, e o consumo interno segue firme. “O consumidor brasileiro está comendo mais peixe. No fim das contas, o resultado é mais positivo do que parecia no meio da tempestade”, resume Francisco Medeiros, da PeixeBR.

2025 foi o ano em que o setor de pescado apanhou de todos os lados. Mas também foi o ano em que mostrou que, mesmo acuado, sabe reagir, se articular e sobreviver. A festa improvisada de 4 de dezembro talvez não tenha sido pelo que se conquistou — mas pelo que, por pouco, não se perdeu. Segundo Eduardo Lobo, da Abipesca, o que virá em 2026 dependerá, em grande medida, das decisões tomadas nas próximas semanas, seja nos Estados Unidos ou em Brasília. Isso sem contar nas eleições gerais de outubro…mas o tema fica para uma outra edição.

O golpe da tarifa extra de 40% nas exportações aos EUA desarticula cadeias exportadoras, mas setor confia em um desfecho positivo nas negociações com os americanos e na reabertura do mercado europeu

Cais do Atlântico: Canadá, Colômbia, China e alguns países da África são alternativas aos EUA

Das exportações de pescados feitas pela Cais do Atlântico, em Santa Catarina, cerca de 50% eram destinadas ao mercado americano, segundo o diretor, Jean Carlos Gonçalves “Estávamos, ano a ano, estreitando laços com os clientes americanos e customizando produtos para esse mercado, moldando a operação para poder servi-lo com certificações específicas e equipamentos específicos. Foi um impacto muito significativo nas exportações e na nossa operação como um todo”, conta. Ele relata efeitos imediatos: cancelamentos de pedidos e adiamento de negociações.

A experiência de Gonçalves ilustra o que se seguiu à decretação do tarifaço. Na C.Vale, uma das líderes na remessa de tilápia aos EUA, com volume de 540 toneladas/mês, o gerente industrial, Jair de Sordi, aponta redução de 71% no volume e 64% no faturamento. Para lidar com a situação, a cooperativa reduziu o volume exportado, mas manteve a parceria com importadores norte-americanos. “Acreditamos em uma solução negociada para as tarifas”, explica.

A solução negociada parecia destinada a se concretizar em 20 de novembro, quando o governo Trump anunciou a revogação da taxa extra de

“O mercado europeu, apesar de ainda pouco explorado por tilápias frescas de alto valor agregado, é uma opção que agrada. Tem renda pra isso, temos voos diretos para grandes capitais e provavelmente vai somar bastante caso ocorra”, afirma Jean

Carlos Gonçalves, da Cais do Atlântico

Lisa Wallenda Picard, presidente e CEO da NFI: “o aumento dos custos [com as tarifas extras] tornou [o pescado] inacessível para muitas famílias nos EUA.”

40% contra mais de 200 produtos, entre os quais café, carne bovina, frutas, suco de laranja, cacau e outros itens. De pescado, porém, nada. A Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos calcula que 36,5% dos produtos brasileiros seguem taxados, entre os quais todos os itens da pauta exportadora de pescado. Deixar de incluir a proteína aquática na lista de exceções frustrou todo o setor. “Se o governo não teve influência alguma na negociação e foi uma decisão unilateral dos EUA, acreditamos que aconteceu em cima de um volume de produtos que contribuem para a inflação”, avalia Eduardo Lobo, da Abipesca.

De fato, a decisão não se aplica apenas ao Brasil. México e Canadá, por exemplo, também não viram o pescado entre os 200 itens com tarifas extras removidas, o que motivou o desconforto do National Fisheries Institute (NFI), entidade análoga à Abipesca nos EUA. “Embora o pescado seja a proteína animal mais saudável do planeta, o aumento dos custos a tornou inacessível para muitas famílias. Instamos o presidente [dos EUA, Donald Trump] a incluir todos os produtos de pescado nos ajustes tarifários. Isso é fundamental

Luis Ravagnani Vargas, do MPA: “estamos prontos para receber a missão da União Europeia”, agendada para junho de 2026

para reduzir os preços ao consumidor, manter empregos americanos no setor de frutos do mar e garantir que os americanos permaneçam saudáveis e bem alimentados”, declarou em comunicado Lisa Wallenda Picard, presidente e CEO da NFI.

Na avaliação de Jairo Gund, CEO da Abipesca, o pescado brasileiro faz parte das soluções dos problemas americanos de abastecimento e a NFI sabe disso. “O Brasil vinha [despontando] como alternativa de redução da dependência do produto asiático. Os EUA importam 85% do que consomem de pescado, sobretudo da China - que representa 52% do que importam.”

Prejuízos x diversificação

Na Allmare Alimentos, que exporta camarão, lagosta e pescados, a gerente de exportação Fernanda Studart, relata queda de receita, renegociação de contratos, redirecionamento de cargas e aumento de estoques. “As novas tarifas impostas afetaram muito nossa atuação, uma vez que os EUA são um dos principais destinos para nossos produtos”. Mesmo caso da Brazilian Fish: “Houve redução da margem,

queda de volume nas renegociações de contratos e aumento dos estoques”, explica a diretora de exportação, Natasha Castellan. Concorrente no mercado do hemisfério norte, mas também no mercado interno, a Fider tentou outras opções, mas teve de renegociar. Juliano Kubitza, diretor da Fider Pescados, destaca que o maior impacto inicial foi a queda nos preços ofertados. “Com isso, passamos a buscar outras opções e reduzimos os negócios com os EUA”.

As “outras opções” são menos restritas no caso de peixes selvagens, cuja diversificação de mercados é mais comum. “Por sorte, não sei se posso colocar assim, nós não dependemos somente do mercado americano”, enfatiza Gonçalves. A Cais do Atlântico exporta para Canadá, Colômbia, China e alguns países da África. “No Canadá é ainda pouco volume, mas é um mercado promissor, por serem itens similares ao que fazemos para os Estados Unidos, assim como o mercado colombiano, que também tem sido alternativa para alguns produtos. Estamos na esperança de abertura do mercado europeu, para ajudar a suprir as margens que tínhamos com os Estados Unidos, e também temos expectativa de aumentar o volume para o mercado chinês, embora ele seja um pouco similar ao mercado africano, com peixes inteiros e de pouco valor agregado”, detalha.

A Fider também passou a direcionar produtos para outros destinos, principalmente para o mercado interno. “Apesar de muito importante e de ser um mercado bastante promissor, sabemos que menos de 5% da produção de tilápia brasileira é exportada. O mercado interno e outros países absorveram a redução nos EUA. Ainda mantemos algum volume de vendas por entender que o tarifaço não deve perdurar eternamente e queremos ter as portas desse importante mercado abertas aos nossos produtos”, relata Kubitza.

No mercado doméstico, ao contrário do que se poderia esperar, a falta de escalabilidade e uma recuperação dos preços pagos ao produtor exerceram uma

Juliano Kubitza e Alexandre Vasto, da Fider/MCassab: presença em Boston em 2025 anunciava parcerias promissoras, frustradas pelo tarifaço

Após crescimento sustentado em valor e volume pós-pandemia, o setor passou a conviver com uma nova conjuntura, agora vista pela pressão sobre preços, redirecionamento de fluxos comerciais e um cenário geopolítico mais desafiador.

pressão altista sobre os preços da tilápia. “Isso reforça a tese de que o volume exportado, apesar de importante, ainda é pequeno frente ao mercado interno, que tem muito espaço para crescer no prato do consumidor brasileiro, que ainda come pouco peixe”, avalia.

Sordi, da C.Vale, explica que a cooperativa busca otimizar processos e explorar novos mercados. “Mas tudo isso é um processo demorado. Até agora, nenhum negócio novo foi fechado e o mercado interno não tem conseguido absorver toda a produção que era direcionada aos Estados Unidos.” Para ele, os mercados mais promissores como alternativas aos EUA são Canadá, Colômbia e Emirados Árabes Unidos

Na Allmare, a prioridade é fortalecer parcerias e retomar clientes em stand by. “Muito pouco é absorvido pelo mercado brasileiro, já que a maioria dos nossos produtos atende ao mercado externo”,

afirma Studart. A empresa enxerga como boas rotas de escoamento Canadá, Austrália e Ásia como um todo.

A Brazilian Fish aposta no marketing doméstico e em feiras internacionais, como a Fine Food, na Austrália. “As vendas no mercado interno começam a aquecer somente em novembro e seguem até o final da Quaresma. Estamos trabalhando para abrir mercados no Canadá, México e Austrália”, detalha Castellan.

Brasil Soberano e medidas emergenciais

Para tentar amortecer os impactos, o governo federal apresentou medidas emergenciais. O Plano Brasil Soberano destinou R$ 30 bilhões ao Fundo de Garantia à Exportação (FGE), oferecendo crédito com condições facilitadas às

Acervo/Seafood Brasil

empresas exportadoras, incluindo aquelas da pesca e aquicultura. Além de financiar operações, os recursos poderiam cobrir custos de armazenagem, um alívio para indústrias que viram estoques represados.

Outra medida discutida foi a ampliação das compras públicas de pescado, direcionando parte da produção antes destinada aos Estados Unidos para programas como merenda escolar, hospitais e unidades prisionais. Paralelamente, a Abipesca apresentou um pedido de crédito emergencial de R$ 900 milhões, com seis meses de carência e pagamento em até 24 meses, alertando para uma “crise de capital de giro” agravada pela queda súbita das exportações.

Nenhuma das duas medidas deu resultados práticos. O crédito não veio, já que os bancos não estão aceitando o FGE e continuam exigindo garantias individuais. No caso das compras públicas, o orçamento disponível foi aprovado no ano anterior, sem possibilidade de uma suplementação a Estados e Municípios para adquirirem pescado extra ainda este ano.

Gonçalves foi um dos que pleiteou o crédito - sem sucesso. “Não foi uma medida eficaz, já são meses lutando pelo acesso ao crédito. Devia haver uma política pública para tornar o crédito acessível diretamente com o BNDES, com análise de crédito mais favorável”. A compra pública também não saiu do papel. “A empresa mandou dados dos produtos e também ficou uma situação difícil. Poderia ser um alento para desovar os estoques aos preços que a empresa praticava nos Estados Unidos, pelo menos neste início, para não ficar desamparada tendo que arcar com a armazenagem”.

Retomada da UE e novos mercados

A crise evidenciou a forte dependência do Brasil em relação ao mercado norte-americano. Desde o final de 2017, o País não consegue acessar o mercado europeu devido a falhas em rastreabilidade e controle sanitário. Em novembro, porém, o

setor celebrou a confirmação da nova auditoria da autoridade sanitária europeia (DG Sante), já agendada para o início de junho de 2026, que irá definir se o País poderá voltar a exportar pescado ao maior mercado premium do mundo.

À Seafood Brasil, o ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, disse que ele e o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, ouviram dos próprios representantes do DG Sante a confirmação de que a auditoria irá ocorrer. “Nós havíamos solicitado a formalização desta auditoria que irá nos permitir reabrir o mercado europeu para o nosso pescado”, disse. De Paula havia incumbido o diretor do Departamento da Indústria do Pescado (DIP) do MPA, José Luis Ravagnani Vargas. “Completei um ano aqui e acabo de renovar meu mandato por mais um ano; não há um dia em que eu não venha para cá pensando no que precisamos fazer para reabrir este mercado”, disse Vargas.

O primeiro passo foi dado com a preparação para a auditoria do Reino Unido, em setembro do ano passado, cujo nível de exigência ao cumprimento de normas higiênicosanitárias é o mesmo do Mercado Comum Europeu. Fontes que tiveram acesso ao relatório disseram que as falhas apontadas dizem respeito a problemas de trânsito de informações entre o MPA e o Mapa, não a deficiências no setor. “Fizemos as nossas considerações e, em breve, devemos ter um relatório final com as conclusões do Reino Unido”, anuncia Vargas, complementando: “a nossa responsabilidade principal como MPA

são as questões de certificação higiênico-sanitária das embarcações de produção primária. Tivemos uma série de capacitações, treinamento e auditorias feitas nas embarcações.”

Até o momento, são 7 embarcações certificadas, aptas a fornecer matériaprima à exportação caso o mercado seja reaberto. “Estamos completamente preparados para receber a missão”, garante Vargas. Quando a exportação foi interrompida preventivamente pelo Mapa, eram 194 embarcações certificadas. A meta do MPA é qualificar 200 embarcações para receber o Certificado Oficial de Conformidade da

Embalagem para o mercado americano dos empanados de espinafre e polaca do Alasca na marca Popeye Seafood

Noronha Pescados vai processar nos EUA

Entre tantas empresas sofrendo com o tarifaço, há uma exceção: a Noronha Pescados. A empresa não foi afetada diretamente, porque ainda não exportava aos Estados Unidos, e aproveitou o cenário para confirmar uma decisão estratégica: processar sua nova linha Popeye em território americano. Segundo o CEO da empresa, Guilherme Blanke, a ideia já estava em estudo, mas ganhou urgência com as tarifas.

“A gente já tinha pensado em fazer uma parte lá para ter uma capacidade produtiva maior. Quando veio a tarifa, tivemos certeza de produzir nos Estados Unidos”. Isso porque quem produz nos Estados Unidos não tem tarifa. “É como se eu fosse uma empresa americana processando lá”, explica. A marca, criada para o mercado americano, acabou lançada também no Brasil após pedido do Sam’s Club e venceu o prêmio Seafood Innovation Show em primeiro lugar, durante a feira Seafood Show Latin America.

Com o processamento nos EUA, o Brasil passa a ser plataforma para outros mercados da Noronha, como Canadá, América, Oriente Médio e África. Para Blanke, a crise reforça uma velha lição: “Temos que procurar alternativas, tanto no mercado interno como no externo. Não podemos nunca estar na zona de conforto”. Com produção nos EUA e expansão para novos destinos, a Noronha Pescados se consolida como um dos poucos players que transformaram o tarifaço em oportunidade estratégica.

Embarcação de Pesca e a inclusão na Lista Oficial de embarcações de pesca da produção primária que integram a cadeia de produtos da pesca destinados à União Europeia e ao Reino Unido. “Estamos certos de que estamos com o trabalho de casa feito, de forma a contemplar as necessidades deles”, acrescenta o diretor.

Uma alta autoridade europeia consultada pela Seafood Brasil, porém, teme que as condições higiênico-sanitárias das embarcações atuais ainda não atendam às exigências dos inspetores europeus. Em paralelo, a reportagem apurou que existe uma forte pressão de indústrias europeias pela reabertura, em virtude da proximidade da assinatura do acordo da UE com o Mercosul e também pela falta de matéria-prima diante do complexo cenário geopolítico global.

A assinatura de outros acordos, como Mercosul-EFTA, também contribuem com o cenário mais otimista. O EFTA tem atualmente quatro países membros: Islândia, Lichtenstein, Noruega e Suíça. O acordo prevê redução tarifária para diversos produtos, incluindo o pescado. Apesar de o bloco ser menor que a UE, seus países têm alto poder aquisitivo e tradição no consumo de pescado.

A Europa é o “sonho de consumo” de muitos empresários. “É um mercado realmente promissor que absorveria itens com valor agregado melhor”, afirma Gonçalves. Kubitza vê potencial inclusive para tilápia. “O mercado europeu, apesar de ainda pouco explorado por tilápias frescas de alto valor agregado, é uma opção que agrada. Tem renda pra isso, temos voos diretos para grandes capitais e provavelmente vai somar bastante caso ocorra.” Para a Allmare, a reabertura é vista como alternativa estratégica aos EUA. “O setor precisa dessa rota como alternativa aos EUA”, declara Studart.

Na Gôndola

A oferta de peixes, crustáceos e moluscos

Crédito das fotos: Divulgação/Empresas

Salmão de prata

Ideais para receitas práticas como grelhados, assados, saladas e preparações do dia a dia, os filés de salmão em postas da Korin são produzidos nas águas frias da Patagônia. Segundo a empresa, o pescado, importado pela Damm, é certificado pelos programas ASC e Certified Humane, o que garante bem-estar animal e origem sustentável. Indicado para quem procura textura, sabor e qualidade em um só produto, o produtoque conquistou o segundo lugar no prêmio Seafood Innovation Show 2025 - é comercializado em embalagens de 500 g.

Tira daqui, tira dali

A Blumar apostou nas tirinhas de salmão empanadas, lançamento ideal para quem procura bons petiscos. Pronto para ser frito ou assado, o produto, que faturou o terceiro lugar no prêmio Seafood Innovation Show, foi desenvolvido no estilo tempurá para oferecer ao consumidor crocância na hora do consumo. De origem chilena, o item está disponível em embalagens de 500 g.

Nova paixão do Bob Esponja

Opção para quem procura sofisticação e sabor em um só produto, o hambúrguer de salmão coho da Costiero Pescados promete ser uma boa pedida para quem quer aliar algo diferente a suas refeições, mas sem abrir mão da qualidade. De acordo com a empresa, o item foi produzido com salmão selecionado para proporcionar textura macia, sabor marcante e um toque gourmet, transformando um lanche ou prato em uma nova experiência. A novidade é vendida em embalagens de 360 g.

Na pontinha das patas

O kani patinha de caranguejo da lnak, marca da Ecil, foi relançada recentemente pela empresa. O item, que vem em embalagens de 250 g, é indicado para ser preparado de diversas formas: churrascos, frito ou assado no forno, o que, segundo a marca, demonstra a versatilidade do produto. De acordo com a companhia, a patinha de caranguejo, apesar de ser vendida de forma congelada, vem pronta para fritar.

Tudo que enche um bom bolinho

Ao desenvolver seu bolinho de salmão com cream cheese, de 320 g, a Mar & Rio apostou na combinação desses dois ingredientes para oferecer ao consumidor um petisco que fosse prático, mas sem deixar de lado o sabor. O item, segundo a marca, pode ser preparado tanto de forma frita ou em air fryer que mesmo assim, não perde sua crocância e cremosidade. O público que for procurar o produto vai encontrálo em embalagens com 12 unidades cada.

Você sabe o que é caviar?

Quando você ouve falar de caviar, você pensa em paladares elegantes, sofisticados e refinados? Foi para atender esse consumidor que O Rei das Ovas lançou o Black Trufado, opção que une a tradicional ova de peixe-voador com um aroma das trufas. Conforme a empresa, a ideia dessa combinação é criar uma experiência que junta textura crocante, sabor suave do mar e a intensidade aromática da trufa negra. O produto também é indicado para ser servido junto com sushis, temakis, canapés, massas frescas, risotos e entradas que sejam mais sofisticadas.

Atum Sub-Zero

A aposta da OK Corporation para fisgar os amantes de atum foi justamente lançar no Brasil os atuns super frozen (ou ultracongelado). Apresentados em um evento da JETRO em outubro (leia mais na pag.36), o pescado, que é importado direto do Japão pela própria empresa, chega ao Brasil a -60°C o que, segundo a companhia, preserva a cor

e sabor do atum, desde o barco até o armazenamento. Por fim, a empresa destaca que o corte do pescado é feito em até 5 minutos e o descongelamento exige técnica específica para manter a qualidade.

Candidato a novo queridinho

Com o intuito de fazer do salmão uma escolha na rotina dos lares brasileiros, a Costa Sul aposta em sua nova linha de filés de salmão pensada para quem cozinha para si, para família ou para amigos. Apresentado em diferentes formatos que se adequem ao perfil e jeito de cozinhar de cada consumidor, o lançamento é disponibilizado para o público em pedaços (125 g, 400 g e 450 g) e em filé de 800 g. A Costa Sul ainda destaca que a nova linha pode ser preparada na grelha, no forno ou na air fryer.

Japa da Camarão, pode?

O destaque da Japa da Ostra, marca da Brasil Seafood, fica a cargo do camarão cinza descascado eviscerado cozido congelado. Vendido em embalagens de 454 g, o produto foi desenvolvido justamente para dar agilidade a quem não dispensa o crustáceo em seus pratos. Pensando ainda em oferecer ao consumidor custo-benefício, a empresa disponibiliza o item em embalagens de 51/60 unidades.

Bacalhau sem enrolação

Para quem não resiste a um bacalhau e procura praticidade na hora de preparar este pescado, a Rebela apresenta ao consumidor uma opção: trata-se do lombo de bacalhau salgado sem pele e sem espinha da linha Bacala Mare. De procedência norueguesa, a empresa informa que o produto se destaca por sua suculência e textura justamente por ser retirado de um corte nobre da espécie Gadus macrocephalus. Ainda conforme a marca,

Quaresma e o Natal - porém, também pode ser consumido em pratos que tenham esse pescado como estrela.

Fique viciado Fique viciado

Seafood Show Latin America

Um show da Seafood Show

Seafood Show Latin America 2025 entregou uma edição vibrante, unindo conteúdo técnico, experiências gastronômicas e conexões internacionais. Com mais de 4.500 profissionais reunidos em São Paulo, o evento trouxe painéis, debates, ativações e demonstrações que reforçam tendências e desafios do setor

Assim como um grande espetáculo musical depende de repertório, experiência e sintonia com o público, a Seafood Show Latin America 2025 entregou uma edição que pode ser chamada, sem exagero, de show. Em um dos momentos mais desafiadores para a cadeia do pescado no Brasil, o evento mostrou que tem mais do que uma boa “atração principal”, oferecendo uma experiência completa, capaz de mobilizar, engajar e inspirar o setor.

Realizada de 21 a 23 de outubro, no Distrito Anhembi, a feira reuniu mais de 4.500 profissionais, representantes de 24 países, 25 estados brasileiros e mais de 110 marcas expositoras. Mas, assim como nos grandes palcos, os números são apenas o pano de fundo. Afinal, o que realmente sustentou a atmosfera desta edição foi a combinação entre conteúdo de alta qualidade, ampla estrutura, conveniência, curadoria e, sobretudo, a energia coletiva que percorreu os corredores.

A programação foi diversa, atual e alinhada às demandas reais do

mercado, reunindo painéis técnicos, debates estratégicos, experiências gastronômicas, inovação aplicada ao varejo e ao food service, tecnologia e agendas internacionais. E em um espetáculo, esse é o “setlist” decisivo.

Durante a cerimônia de abertura, ao lado de lideranças nacionais e internacionais, o ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, sintetizou esse momento ao afirmar que a Seafood Show “permite perceber como nós, apesar de todas as dificuldades, dos obstáculos previstos e dos que surgem de forma inesperada, este é um

Corredores refletem o dinamismo da Seafood Show 2025, que reuniu mais de 4.500 profissionais em três dias de intensa troca de negócios e conhecimento

evento que dá conta da força do setor e do quanto ainda podemos avançar a partir do nosso potencial.”

Ao mencionar o impacto do tarifaço norte-americano, o ministro reforçou que o cenário atual “chama a atenção para a importância de lutar pela abertura de novos mercados, estreitar parcerias estratégicas e construir relações sólidas.”

A quarta edição do evento rendeu alta aprovação de expositores e visitantes. “O nosso indicador de visitantes satisfeitos bateu o recorde: 99% disseram que conseguiram realizar negócios”, conta o editor da Seafood Brasil, Ricardo Torres, que também assumiu no evento o cargo de head da feira - antes ocupado por Valeska Ciré, que em 2026 se dedicará a outras feiras do portfólio da Francal, como a Natural Tech, BioBrazil e IFPA. Antes de encerrar esta edição da revista, Torres já antecipou que a renovação para 2026 foi bem sucedida: 68% dos espaços disponiveis na planta já foram ocupados. “A meta é ocuparmos 10 mil m² do pavilhão 5 do Anhembi”, completa.

Um pouco de tudo

A edição 2025 da Seafood Show foi um retrato do momento e também das ambições do setor. Com público e número de expositores em alta, a feira combinou conhecimento técnico, gastronomia, inovação no varejo e presença internacional. A seguir, os destaques que marcaram o encontro.

Da Itália à Noruega

Com início pela manhã, antes da abertura oficial da feira, o seminário “O Futuro do Bacalhau no Brasil” contou com a presença da Ministra da Pesca e Política Oceânica da Noruega, Marianne Sivertsen Næss, e do então Embaixador Odd-Magne Ruud, da Embaixada Real da Noruega no Brasil. Um dos temas do seminário foi “Quais as tendências globais no consumo de pescados?”, apresentado por Børge Grønbech, Diretor de Operações Globais do Conselho Norueguês da Pesca.

Segundo Randi Bolstad, diretora Brasil do Conselho Norueguês da Pesca, o encontro reforça o compromisso da Noruega com o desenvolvimento sustentável e com a ampliação das oportunidades comerciais para o bacalhau norueguês no País.

“O Brasil é um mercado estratégico e de grande relevância para o bacalhau norueguês. Nosso objetivo é fortalecer parcerias e ampliar o diálogo sobre sustentabilidade e inovação”, afirmou.

Da Noruega à Itália

O evento também sediou o início da Missão Empresarial Italiana da Cadeia da Pesca e Aquicultura no Brasil, organizada pela ICE – Agência para a Promoção no Exterior e Internacionalização das Empresas Italianas (ITA – Italian Trade Agency),

com programação de 21 de outubro a 1º de novembro de 2025.

Entre as atividades, o Seminário Itália-Brasil sobre Oportunidades de Colaboração no Setor da Pesca e Aquicultura reuniu autoridades italianas e brasileiras, incluindo representantes do Ministério da Pesca e Aquicultura, Instituto de Pesca de São Paulo, Secretaria do Estado do Ceará e Abipesca.

O encontro reuniu representantes e especialistas dos dois países para fortalecer a cooperação no desenvolvimento tecnológico do setor, especialmente em processamento, inovação e sustentabilidade.

Pelo lado italiano, participaram Francesca Galli, Vice-Diretora do Escritório ITA – Italian Trade Agency em São Paulo, Domenico Fornara, Cônsul-Geral da Itália em São Paulo e Gianluca Cicchiello, Especialista Agroalimentar da Embaixada da Itália em Brasília. Pelo lado brasileiro, Cristiane Rodrigues Pinheiro Neiva, Diretora Geral do Instituto da Pesca do Estado de São Paulo, Oriel Nunes Filho, Secretário da Pesca do Estado do Ceará e José Luis Ravagnani Vargas, diretor do Departamento da Indústria do Pescado (DIP), da Secretaria Nacional de Pesca Industrial, Amadora e Esportiva do MPA.

Mais que um rito protocolar, o corte da faixa marcou o início de três dias de articulação, negócios e reposicionamento do setor com autoridades do Brasil e do exterior

Técnica, sabor e valorização do pescado no Seafood Service Show

O Seafood Service Show foi um dos espaços mais vibrantes da feira, reunindo chefs, especialistas e formadores de opinião em torno da valorização do pescado na gastronomia profissional. Entre os destaques, o consultor César Calzavara , por exemplo, conduziu a abertura guiada de um pirarucu, detalhando cortes, possibilidades de preparo e finalizando com degustação. Já o sushichef Régis Sassaki realizou a abertura de um atum bluefin, demonstrando técnica, precisão e respeito à matéria-prima.

Debatendo e compartilhando conhecimentos na Arena Talks

Por mais um ano, a Arena Talks reuniu especialistas nacionais e internacionais para discutir temas atuais do setor. O painel “Novos tempos, novas rotas: os caminhos do pescado na América Latina” contou com o diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Jairo Gund . “Temos oportunidades de grandes trocas comerciais aqui e todos têm seu espaço ao sol. O que vai se destacar é a capacidade competitiva, é conseguir fazer o consumidor comprar mais pescado”, declarou.

Por outro lado, o debate “Tendências e avenidas de crescimento no food service” tratou do futuro do pescado no food service, com temas como sabor, tecnologia e desafios do mercado. “Falamos aqui do envolvimento dos fornecedores em soluções que possam de fato atender o que o cliente quer, além da busca por tecnologia para minimizar perdas nos restaurantes e maximizar resultados e lucro, ofertando cada vez mais produtos de qualidade a preços acessíveis”, detalha Bruno Dayrell, diretor de Marcas Asiáticas do Grupo Trigo.

Na palestra “Como a IA vem modificando o marketing e a jornada do consumidor”, o

especialista Caio Camargo abordou a transformação da busca por produtos. “Cada vez menos pessoas utilizam o Google para pesquisar e hoje uma marca aparece ou não na resposta da IA e isso é de suma importância para exposição de marca”, destacou.

A conversa “Boutiques de pescado: as novas peixarias” apresentou Amado Peixe e Mar & Rio Pescados. “O varejo exige que a gente aprimore e, para isso, investimos em qualificação profissional, bom atendimento e qualidade de produtos. Oferecemos sugestões de vinhos, azeites, entre outros produtos, que criam uma experiência para o consumidor”, destacou a sóciofundadora Fabrícia Roweder.

Na roda “Grandes superfícies: supermercados e atacarejos” , discutiu-se a importância da colaboração entre varejo e indústria. “Abordamos muito a união da categoria e como nos conectarmos para fazer melhores produtos, ter melhor sortimento de pescados e disseminar, cada vez mais, esses itens para o consumidor”, explicou Felipe Scartezzini, gestor da Swift.

O último dia focou na gastronomia japonesa. No painel “Culinária Nikkei: o uso do pescado nessa tradição gastronômica”, o chef Dagoberto Torres, do Barú Marisqueira, compartilhou sua experiência. “Um dos casos mais incríveis de junção de culturas é a cozinha japonesa e peruana, que nos abriu inúmeras oportunidades. Hoje pudemos compartilhar um pouco como foi esse caminho de pesquisa e como é possível aproveitar a cozinha nikkei.”

Rodolfo Vilar, fundador do Projeto A.Mar , mostrou como o trabalho une técnicas japonesas à pesca artesanal. “Ajudamos a disseminar as técnicas e valoriza o trabalho dos pescadores artesanais em comunidades, isso pode transformar a alimentação no Brasil e agregar valor para todos.”

Seafood Service Show reuniu chefs e especialistas, com demonstrações técnicas e foco no aproveitamento integral do pescado
Arena Talks reuniu personalidades, especialistas e profissionais para discutirem temas relevantes para o presente e o futuro do setor

Negócios, celebração e reconhecimento no Global Reception

Em clima de celebração e networking qualificado, o Global Reception , coquetel oficial da feira, foi palco da premiação dos principais destaques da edição. Durante o evento, foram anunciados os vencedores das disputas Melhores Peixeir@s do Brasil e do Innovation Show , reconhecendo talento, técnica e inovação em diferentes elos da cadeia.

Melhores Peixeir@s do Brasil

1º lugar: Alan Gomes e José Edson (Natural da Terra – Paraíso/SP)

2º lugar: Edilson Pereira e Caio de Oliveira (Peixaria Carrefour – Butantã/SP)

Innovation Show

1º lugar: Noronha Pescados – Empanado Popeye (Polaca do Alasca com espinafre)

2º lugar: Damm – Filé de Salmão Defumado Korin

3º lugar: Blumar – Tirinhas de Salmão Empanadas tipo Tempurá

O Seafood Innovation Show reconhece produtos criativos, sustentáveis e alinhados às tendências de consumo moderno

Disputado em dupla, o concurso Melhores Peixeir@s do Brasil valoriza profissionais de todo o Brasil que atuam em peixarias e são referência em técnica, organização, higiene e paixão pela profissão

Competição e talento no Campeonato

Brasileiro de Sushi

A segunda edição do campeonato reuniu os principais sushichefs do País em uma disputa marcada por alto nível técnico e criatividade

Encerrando a Seafood Show 2025, a 2ª edição do Campeonato Brasileiro de Sushi reuniu alguns dos melhores sushichefs do Brasil em uma disputa que combinou técnica, precisão e criatividade.

O grande campeão foi Willian Utida (MS) . O segundo colocado, Rodrigo Bando , também garantiu premiação internacional: ambos conquistaram acesso à próxima edição do maior campeonato de sushi do mundo, em Tóquio.

Encontro das marcas

A Seafood Show Latin America 2025 reuniu marcas nacionais e internacionais expositoras, que apresentaram ao mercado seus principais lançamentos em produtos, tecnologias, soluções logísticas, processamento, embalagens e serviços para a cadeia do pescado. Confira, a seguir, algumas empresas que estiveram na edição deste ano:

A força da tilápia

No estande da Brazilian Fish , o público pôde conferir cerca de 15 novidades. “Dentre nossos lançamentos, nosso destaque fica por conta de uma linha kids inédita, com comidinha focada exclusivamente para nossas crianças”, indicou Sônia Amaral, presidente do Grupo Ambar Amaral. A linha, toda feita com tilápia, é formada pelos seguintes produtos: nuggets, pasteizinhos, macarrãozinho, estrogonofinho e nhoquito.

O filé de tilápia também foi a grande aposta da Bello Alimentos para atrair o público ao seu estande. Disponível em cortes de filé ou em postas, o produto pode ser encontrado em embalagens de 400 g e 800 g. “Nossa indústria fica em Mato Grosso do Sul, na cidade de Itaporã. Por lá, fazemos todo o nosso abate”, reforçou Diego Almeida, supervisor de marketing . Ainda no espaço da empresa, os visitantes também puderam conferir produtos derivados do tambaqui e do pintado.

Buscando dar ainda mais visibilidade à tilápia, que é seu carro-chefe, a Coopermota levou a sua marca Candú, que ganhou destaque no evento pelo filé de tilápia premium. “Ele é

congelado de forma individual, produzido especificamente em tanque-rede e, depois, drenado, ou seja, sem nada de adição de água”, disse Juliano Plens, gerente comercial da empresa.

“Trouxemos o steak de tilápia empanado, que já é oferecido para algumas cozinhas industriais e food service e que, em breve, poderá ser encontrado em mercados”, contou Gustavo Palmeira, diretor comercial da New Fish Segundo ele, a marca também levou à feira uma linha gourmet inédita para os visitantes, que ainda puderam conferir o filé de salmão porcionado com molho de maracujá, o camarão descascado com molho tradicional de salsa galega e o kit paeja de frutos do mar com molho espanhol.

Empanados em alta

Campeã da Seafood Innovation Show 2025, a Noronha Pescados teve como destaque, em seu estande justamente o produto responsável por trazer o título à empresa neste ano: a linha Popeye no Brasil. “Este é um conceito de marca, de branding, super inovador, que usa o personagem Popeye, que já tem 95 anos”, detalhou Guilherme Blanke, CEO da empresa. Disponível nas opções barrinhas de peixe empanadas, empanadinhos de peixe com espinafre e camarões empanados, Blanke ressaltou a felicidade com o produto. “Esse projeto começou há mais ou menos um ano que une saudabilidade e peixe de origem sustentável, pensando sempre nas crianças.”

“As marcas de pescado precisam inovar e otimizar custos dentro da própria indústria para que elas consigam chegar bem neste final

de ano”, expôs Fabrícia Roweder, diretora da Mar & Rio . Segundo ela, mesmo em um ano de 2025 difícil, a empresa conseguiu levar diversos itens ao evento, com destaque para a sua linha de aperitivos de coxinha de camarão, croquete com atum e bolinho de salmão, todos recheados com cream cheese.

Já Mário Silva, gerente comercial da Bom Peixe , revelou que a marca lançou sua linha de bolinhos produzidos com três espécies: salmão, pirarucu e camarão. “Como diferencial, procuramos diversificar o tamanho das embalagens, que servem tanto famílias como casais, por exemplo.”

O empanado também foi a aposta da Copacol . No estande da cooperativa, o público pôde encontrar o petisco temperado. “Nós já temos este item em modelo in natura e agora, estamos trazendo também para o público esta opção em embalagens de 400 g”, detalhou Maurício Deliberaes, gerente nacional.

Salmão sempre presente

“Por conta de como as tarifas americanas estão impactando todos os mercados mundiais, acredito que este ano foi muito desafiador. Mesmo assim, foi um bom ano, porque vemos que, aqui no Brasil, o consumidor está comendo mais salmão”, contextualizou Max Dominguez, diretor de vendas da Aquachile , ao fazer uma análise sobre o consumo do peixe no País. Por isso, a empresa levou ao seu estande produtos derivados de salmão das espécies salar e coho.

“Também estamos com salmão defumado e, em breve, vamos

lançar bolinhos e empanado de salmão”, antecipou.

Em sua primeira participação no evento, o salmão também esteve entre as apostas da Dellys Food Service , que apresentou sua linha Pesquali. “Ela é composta por salmão, crustáceos, camarão, filés de peixe e toda a linha de pescado da Amazônia”, apontou Rodrigo Caetano, diretor de compras.

Já para a Costiero Pescados, o foco ficou no lançamento do seu hambúrguer de salmão, como revelou Marcelo Bobsin, analista comercial da empresa. “Ele [o hambúrguer] conta com 87% de naturalidade e, por isso, é a nossa grande aposta. Tanto é que ele foi um dos oito finalistas da Seafood Innovation Show deste ano”, justificou.

Bacalhau, polaca e outros na mesa

Em seu terceiro ano na feira, a

Rebela apresentou o portfólio daquele que é considerado o seu produto com maior movimento: o bacalhau. “Nós diversificamos muito os cortes, entre lombos, filés e desfiados, tudo para dar praticidade à dona de casa”, esclareceu Sérgio Pires, gerente da marca . Ele ainda contou que o evento é uma oportunidade para que a empresa tenha ideias para novos produtos. “Contamos com a participação dos clientes aqui no nosso estande, dando opiniões para futuros lançamentos. Em breve, teremos novidades para a feira de 2026.”

Já o Alaska Seafood Marketing Institute (ASMI) marcou presença com um portfólio diversificado de empresas e novidades. Entre os destaques, estiveram os recentes lançamentos da MGS Foods, empresa brasileira especializada em kanikama. Segundo Thiago Ferreira, gerente comercial, a

Em um ambiente orientado a negócios, a feira de produtos e serviços conectou indústrias, distribuidores, varejo, food service, fornecedores estratégicos e organizações institucionais

companhia apresentou ao mercado dois novos produtos à base de surimi da polaca do Alasca: o Kamaboko e o Naruto. “Esses itens não contêm alto teor de gordura e nem de sódio. Eles ainda não têm transgenia e são ricos em proteína e fibras”, disse. A ASMI ainda reforçou em seu estande o lançamento do Kifish, produto da Bom Porto, também feito com a polaca do Alasca.

Protagonismo do camarão

Para apresentar sua nova marca Japa da Ostra ao mercado, a Brasil Seafood deu destaque ao camarão cinza descascado, eviscerado, cozido e congelado, em embalagens de 454 g. “Essa é uma embalagem que poderia perfeitamente ser vendida nos Estados Unidos e na Europa, pois se encaixaria perfeitamente no perfil deste consumidor”, ressaltou Alexandre Reis, sócio-diretor da empresa . Para ele, a Seafood Show foi o lugar perfeito para lançar a marca aos consumidores. “Lançá-lo neste evento, que tem uma relevância internacional, é a estratégia perfeita”, frisou.

Já a Maris Pescados reforçou seu portfólio do crustáceo, como conta o gerente de vendas, Nacione Torres . “Nesse sentido, nosso principal lançamento foi o espeto de camarão temperado, produto que vem com sete unidades em pacotes de 300 g e é prático, fácil e rápido de ser consumido. Ou seja, é só abrir o pacote, botar na grelha e, após três minutos, ele está pronto”, detalhou. Outra novidade da marca é a volta das embalagens identificadas com cores.

“Distinguindo cada tipo de camarão por determinada cor, facilitando a percepção e a escolha do cliente no PDV.”

Caviar, caranguejo e kits premium Por sua vez, o caviar foi o grande destaque no estande do O Rei das Ovas . “Trouxemos seis tipos de caviares: o Siberian, Sevruga, Ossetra, Beluga, Golden Sterlet e o White Sturgeon. Todos são de nossa marca, o que nos torna a primeira empresa nacional a ter marca própria de caviar”, contou o CEO da empresa, Rodrigo Vege.

A Ecil também diversificou, mas com um relançamento. “Nós estamos apresentando aos visitantes um produto que já temos no nosso portfólio faz um tempo, mas que estamos relançando: as patinhas de caranguejo, também chamadas de muslitos do mar”, disse Paulo Rillo, diretor comercial da Ecil . Ainda de acordo com Rillo, a empresa também levou bolinho de salmão e uma sopa de tilápia. Neste ano, a IE Pescados foi à feira para consolidar o seu mix de produtos, que já é vendido em redes de mercados, restaurantes e peixarias. “Além disso, trouxemos o lançamento do Kit Paeja, que conta com o diferencial de ter só ingredientes premium, como polvo, lula calamar, camarão médio sem vísceras e mexilhão nacional. Ou seja, é para quem gosta muito”, detalhou Fabricio Ribeiro, diretor da empresa.

“Nós viemos com tudo para esta edição da Seafood Show”, anunciou Fabiana Ferrari, representante da Karam’s Mar Para sustentar essa expectativa, a empresa lançou seu kit paeja de 400 g, com 100 g de cada item.

“Também estamos lançando o kit de merluza família de 1,8 kg, além da pescadinha branca”, complementou.

Participando pela primeira vez, a Lagubrás marcou sua estreia levando não só seu portfólio de produtos - que vai do pescado inteiro ao eviscerado -, mas também para anunciar novidades em sua forma de se comunicar com o público. “A gente trouxe a reformulação da nossa marca, do logotipo e das novas embalagens, que apresentamos para antigos e futuros clientes”, destacou Rone Coradini Jr., gerente comercial.

Muita tecnologia, equipamentos e processamento

As tecnologias e equipamentos também tiveram forte presença no evento. A Atak Sistemas, por exemplo, levou suas novas soluções, como detalhou Daiane Scareli, gerente comercial. “Uma delas é o comprovante digital, que possibilita ao entregador fazer a leitura da nota fiscal e coletar a assinatura direto no aplicativo. Isso deixa o processo mais rápido e ainda evita o transtorno do canhoto”, explicou. Outro destaque foi a reformulação do EasyPack, ferramenta usada para o controle de qualidade, que agora conta com uma nova plataforma para o usuário.

“Nós trouxemos ao vivo um equipamento focado para empacotamento, pesagem e ensacamento de tilápia”, comentou Marcos Queiroz, proprietário da MQ Pack . Ele destacou que a participação da marca na feira deste ano foi bastante focada. “O pescado, em meu segmento, representa 25% do meu faturamento, o que mostra a força deste ramo. Então, como

estamos idealizando cada vez mais equipamentos para o setor, essa feira faz todo o sentido para nós.”

Articulação e representatividade institucional

Como ponto de encontro importante entre os diversos elos do segmento, os institucionais também estiveram presentes na edição. A exemplo da Associação Brasileira de Fomento ao Pescado (Abrapes) , que fez questão de marcar presença num momento em que o setor enfrenta dificuldades por conta do contexto tarifário, como contextualizou Thamires Quinhões, diretoraexecutiva da entidade . “Temos diversas reuniões amanhã, bem como participação em painéis, tudo para discutir novos rumos e rotas para o pescado na América Latina. Por isso, a feira é ótima para o nosso setor.”

“Nós estamos aqui comemorando a quarta edição de participação na Seafood Show. E com uma felicidade muito grande, porque estamos acompanhando a evolução e estamos muito satisfeitos de ver, a cada dia, que ela melhora mais”, reforçou Itamar Rocha, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC).

No estande da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR), Francisco Medeiros, diretor-presidente , ressaltou que o ano apresentou uma contradição clara. Primeiro porque ele está pujante, com muita produção, investimento e novas empresas. Em compensação, os maiores desafios também estão acontecendo no ano como a possível inclusão da tilápia na

lista da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) como espécie exótica invasora*, impactos esses que, conforme ele, vão além do produtor: “O sistema financeiro mundial também não financia nenhuma espécie que o órgão oficial tenha falado que é uma espécie invasora”, exemplificou.

Do lado da indústria da pesca, o tom também foi de preocupação. Para Jairo Gund, diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) , os entraves comerciais são um dos principais gargalos atuais. “A gente está sem o mercado americano e sem o mercado europeu”, disse. Mas, conforme ele, o desafio vai além das relações comerciais e o setor ainda sofre com a falta de prioridade nas pautas oficiais. “A nossa grande luta é fazer com que o pescado seja relevante para o governo brasileiro.”

Já as organizações estaduais também estiveram no evento, como a Secretaria de Pesca e Aquicultura do Ceará (SPA-CE), que divulgou suas ações em prol do pescado na região. “Somos muito fortes em lagosta, atum e camarão. E essa força se deve muito também a programas que temos, como o de interiorização, que permite que o camarão, que era cultivado somente em água marítima, também seja cultivado em água doce”, expôs França Vieira, secretário-executivo da pesca e aquicultura do Estado do Ceará.

Outros locais do mundo

Como ponto de encontro do pescado na América Latina, a edição também recebeu representantes internacionais, como a organização do governo do

Japão responsável pela promoção de alimentos do país no Brasil, a Japan External Trade Organization (JETRO) . “No ano passado, participamos juntamente com o pessoal da Associação Brasileira de Gastronomia Japonesa. Como percebemos que existe um potencial gigante, então, neste ano, viemos com um espaço só nosso”, apontou Elina Kawaguchi, analista de comércio exterior.

Já a trade uruguaia Montepez participou pela primeira vez. “Apesar de estarmos sempre em contato com os clientes, queríamos que as pessoas conhecessem nossas caras”, explicou Jade Krobel, account executive . Ela conta que a empresa, que atua como facilitadora de importação para clientes no Brasil, recebeu um grande número de interessados no estande. “Esse foi o primeiro passo para frutos que, certamente, vamos acabar colhendo lá na frente”, mensurou.

Por sua vez, a Argentina foi representada por um estande exclusivo, que reuniu diversas empresas e entidades do país. No Espaço Argentina , os visitantes da SSLA encontraram as seguintes marcas: o Conselho Federal Pesqueiro; a Newsan Food; o Grupo Conarpesa; e a Iberconsa.

*Em dezembro de 2025, a Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais (SBio), que preside a Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) no âmbito do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), anunciou a suspensão temporária da elaboração da Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras Presentes no Brasil.

Rumo a 2026!

Principal evento focado na comercialização de pescado no continente, Seafood Show Latin America ofereceu um ambiente recheado com tudo o que o setor precisa para se fortalecer e continuar crescendo no próximo ano.

Anna Pizarro e Alvaro Camargo (ProChile)

Francisco Oliveira e Jessica Levy (Jubart Data)

Diego Almeida, Anderson Serafim, Thais Carnevalli e Marcelo Cirelo (Bello Alimentos)

James Loureiro e Eduardo Frasson (Bom Peixe)

Vanessa Pamio (ASMI) e Angélica Seiblitz (BomPORTO)

Carolina Vasconcelos (Alltech), Luciana Lacerda e Elane Correia (Equali-z)

Rodrigo Mascareñas, Letícia Baptiston, Vanessa Pamio e Guilherme Nascimento (ASMI)

Gustavo Gutierres e Roberto Gutierres (Bom Peixe)

Gabriel Miorelli, João Cardoso, Paulo Miorelli e Tiago Alves (Costiero Pescados | Grupo Perte)

Expedito Ferreira Jr. e Expedito Ferreira (Maris Pescados)

Tiago Dreher e Jennifer Zimmermann (Focus Trading) e Pedro Gomes (Hipra)

Paulo Rocha e Ricardo Carvalho (Alimentos Yeda)

Ricardo Torres, Pedro Carnevalli, Fabi Fonseca, Leo Martins, Letícia Baptiston, Marcelo Tarraga, Thalita Cibelle e Tiago Bueno (Seafood Brasil | Seafood Show)

Rodrigo Vece e Bruna Carla Vece (O Rei das Ovas)

Jiana Simili, Claudia Colmiran, Bruna Viegas, Robson Vargas, Ana Emilio e Diego Silverio (CVale)

Alexandre Reis e Kazumy Miura (BRSF | Japa da Ostra | DeepSea)

Felipe Katata, Eliana Marin, Katerinna Elgueta e Ricardo Saffie (Cermaq Brasil)

Maria Florência, Dat Trinh, Hoa Truong e Olivia Tanaka (Vinh Hoan)

Fabricio Ribeiro e Monique Lacerda (ie Pescados)

Andrea Marzal e Nicolas Falcao (Invermar)

Fernando Ruas (Seafood Show | Francal), Pedro Pereira (Delly´s | Pesquali), Ricardo Torres (Seafood Brasil | Seafood Show), Daniel Lima (Seafood Show | Francal)

Tu Tran, Tuong Le e Tien Huynh (I.D.I. Corporation)

Ricardo Pedroza (Marchef Pescados) e Lucas Tavares (Itaueira)

Francisco Ramos, Max Domínguez, Anaís Vera, Francisca Torres, Raphaela Oberlaender, Jorge Maldonado e Maximiliano Salinas (AquaChile)

Paulo Pscheidt, Luzando Pscheidt (Costa Sul) e Tiago Bueno (Seafood Brasil | Seafood Show)

Alessandro Karam e Fabio Karam (Karam`s Mar)

Roberto Tardin, Luiz Carlos Ribeiro e Bastian Parischewsky (Salmones Blumar)

Maikon Siqueira, William Yamamoto e Fred Klein (Frumar)

Alexandre Masuda, Miguel Shoiti Kikuchi, Roberto Silvério e Yoichi Ogawa (OK Corporation Brasil)

Tiago Bueno (Seafood Brasil | Seafood Show) e Francisco Medeiros (PeixeBR)

Sthefanni Coradini, Rone Coradini, Rone Coradini Jr. (Lagubras Pescados)

Felipe Scartezzini (Swift) e Fábio Gusman (Mar & Rio Pescados)

Fred Klein, Eder Krummenauer, José Ricardo Soler, Diovano Klein, Matheus Welter (Frumar)

Sonia Amaral, Antônio Ramon Amaral e Ana Helena Amaral (Brazilian Fish | Grupo Ambar Amaral)

Gustavo Faria (Lex Experts), Matheus Santana (Mar & Rio Pescados) e Sarah de Oliveira (Lex Experts)

Leonardo Roweder Antônio, Fabricia Roweder Antônio e Julio Cesar Antônio (Mar & Rio Pescados)

Leticia Hoag (Auburn University) e Fabio Sussel (IPesca)

Sergio Pires, Marcelo Tadeu e André Luiz (Rebela)

Estande Noronha Pescados

Estande IPesca

Daiane Scarelli (Atak Sistemas) e Gustavo Pedroza (Marchef Pescados)

Apolyanna Camargo, Michel Simoni e Rafael Lopes (Atak Sistemas)

Wagner Simões, Marcel Simões e Ricardo Da Hora (LM Pescados)

Valdemir Paulino, Alexandre Lachi e Maurício Deliberaes (Copacol)

Jade Krobel, Santiago Pargui, Diego Parguiña (Montepez) e Igor Andrade (Orleans & Castro)

Marcos Queiroz, Cristina Salles e Sheila Salmeron (MQ Pack)

Fernanda Mafra, Eduarda Mülhbauer, Elaine Cristina Alves, Zoraide Todt e Pablo Nunes (Independent Brazil)

Pablo Rillo, Alexandre Vegas e Edclei Oliveira (Ecil Pescados)

Eduardo Suga (Edo Sushi) e César Calzavara (Calzavara Qualidade de Pescado)

Anastazja Kramska, Ania Pawliszak, Izabela Chrystowska, Arletta Wenderlich e Valeria Kabluka (Polish Association of Fish Processors)

Pablo Basso (Iberconsa)

Andreia Lara e Marcelo Lara (Abrapes)

Paulo Oliveira, Diogo Oliveira, Glauco Stella e Paulo Escorse (Multivac)

Flávio Sbrevat (Nobrezas do Mar), Luis Palmeira e Gustavo Palmeira (New Fish)

Ivan Lazaro Filho (Opergel), Reovaldo Rebelato (Rebela) e Dionato Ladwig (Opergel)

Luciana Ito, Sandra Takahashi Nonaka e Marcia Tamai (Nordsee Pescados)

Estande KPM Logistics

Paulo Amaral e José Wellington (Marnobre | Brasmar)

Selena e Hoang (Godaco)

Francisco Oliveira (Jubart Data), Kaká Ambrósio (Du Peixe), Eduardo Ferraz (IPesca) e Lucas dos Reis (Du Peixe)

Leo Martins, Mariana Naviskas, Tiago Bueno, Fabi Fonseca e Jhonathan Oliveira (Seafood Brasil | Seafood Show)

Sheila Castro e Itamar Rocha (ABCC | Fenacam)

Danielle Dias, Cristiane Neiva, Thais Moron e Nathália Fortunato (IPesca)

Moshiko Frenkel (Inst. Inna) e Luiz Felipe Porto (Map Aqua)

Rui Donizete Teixeira (MPA), Roberto Imai (FIESP), Luana Coutinho (ABIPESCA) e Jose Vargas (MPA)

Juliano Plens (Coopermota)

Amadeu Toricelli e Sabrina Boff (Chef`s Brasil)

Momoyo Horiike, Suely Suzuta, Elina Kawaguchi (Jetro São Paulo)

Roberta Roxilene e Pedro Xavier (IABS)
Josué Bezerra, Lucas Alves, França Vieira (Secretaria da Pesca e Aquicultura do Ceará - SPA-CE)
Daniel Ahlgrimm (Kapok Tecnologia), Douglas Morinaga (Ken Sushi) e Mahite Bueno (Kapok Tecnologia)
Larissa Ortolan, Wesley Bertuzzi, Willian Bertuzzi e André Valentim (Fartura Foods)

Especial

Entre avanços e gargalos históricos, o Tocantins projeta crescimento e mira o topo da produção nacional de pescado

Quando a água vira produção

Tocantins busca acelerar o desenvolvimento da sua cadeia aquícola, enquanto consolida os peixes nativos como base produtiva e amplia a participação da tilápia. Ao mesmo tempo, o Estado entra em um novo ciclo de organização com uma nova secretaria e projetos privados ganhando tração com verticalização e expansão industrial

Vista do alto, a paisagem do Tocantins revela mais do que a imensidão de suas belas águas. Antes sinônimo apenas de potencial, agora elas refletem um estágio mais maduro da piscicultura estadual. Entre nativos que buscam ganhar escala, a entrada gradual da tilápia e a reorganização institucional da cadeia, o Estado avança para transformar vocação em produtividade, planejamento em investimento e água em cada vez mais pescado.

Ao longo de uma semana, a equipe de reportagem da Seafood Brasil percorreu alguns dos principais polos produtivos, centros de pesquisa e unidades de processamento do Tocantins para entender o avanço da aquicultura no Estado. O resultado é um Especial que produzimos em duas partes!

Na primeira parte que você vai ler a seguir, o foco recai sobre a estrutura produtiva, o papel do governo na organização do setor e alguns empreendimentos que vêm puxando a oferta regional. Já a segunda parte mergulha no eixo tecnológico que também dá competitividade ao Estado, com genética, pesquisas, alevinagem e novas espécies de cultivo com potencial de elevar o patamar de produtividade tocantinense. Juntas, as duas reportagens traçam um panorama sobre uma cadeia que busca avançar na aquicultura brasileira.

Naspróximaspáginas,convidovocêparamergulharcomagentenaságuasdoTocantinseassim,entenderoqueoEstadoestá fazendoembuscadefigurar entre os grandes produtores nacionais.

Texto: Fabi Fonseca
SeafoodBrasil

Números que confirmam

Ainda modestos em participação nacional, os números da piscicultura no Tocantins avançam. Segundo a Pesquisa Pecuária Municipal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (PPM/IBGE 2024), o Estado superou a marca de 15 mil toneladas de peixes de cultivo, um salto de 31,6% frente ao ano anterior. O ritmo de expansão é reforçado pela Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR): das 968.745 toneladas produzidas no País em 2024, 18.100 toneladas tiveram origem na região, sendo 17.400 toneladas de espécies nativas e o restante de tilápia.

“O Estado possui grandes oportunidades para a cadeia produtiva da piscicultura, principalmente em função das condições climáticas, qualidade de água, logística e indústria de insumos. Sua localização privilegiada também favorece o atendimento de mercados em várias regiões brasileiras”, resume a publicação.

Apesar do momento, a publicação também chama atenção para gargalos ainda sensíveis, sobretudo no campo da regularização ambiental, que afeta principalmente pequenos produtores. A informalidade limita o acesso ao crédito, dificulta a organização produtiva e inviabiliza a competitividade. Essa lacuna ganhou

De acordo com o PPM/IBGE 2024, o Tocantins superou a marca de 15 mil toneladas de peixes de cultivo, expansão essa reforçada pela PeixeBR revelando que das 968.745 toneladas produzidas no País em 2024, 18.100 toneladas tiveram origem no Estado

produção nos últimos anos”, alerta o texto do Anuário.

Mesmo assim, a demanda permaneceu aquecida e os preços sustentados, como reforçou o presidente da PeixeBR, Francisco Medeiros. “Bom pelo lado das cotações, mas ruim pelo lado da produção. Tal situação torna-se mais delicada num cenário de crescimento do consumo de peixes de cultivo em detrimento dos de captura. […] Ou seja: é preciso união de todos os envolvidos, incluindo os órgãos públicos responsáveis, para que os nativos retomem o ritmo de crescimento da oferta.”

Uma nova secretaria para um novo ciclo

No Tocantins, um ponto de reforço institucional veio em janeiro de 2023, com a criação da Secretaria de Aquicultura e Pesca do Tocantins (Sepea). Segundo Thiago Tardivo, diretor de Aquicultura, a pasta nasce para transformar o potencial aquícola do Estado em realidade. “Temos [o Tocantins] tem uma das maiores potencialidades aquícolas que acabou tendo momento de impulsionamento e outros de retração, sem sequência de políticas públicas para a cadeia do pescado. Com a criação da Sepea, busca-se reduzir esse gap de

Thiago Tardivo, diretor de Aquicultura da Sepea defende uma estratégia de reorganização institucional que busca transformar o potencial hídrico do Estado em crescimento sustentável da produção

Especial

Conforme ele, o órgão ainda opera em um cenário de consolidação, mas já com ritmo e direção definidos a partir do Plano Estadual de Pesca e Aquicultura do Tocantins 2023–2033.

Neste contexto, a Sepea estruturou sua atuação em três frentes estratégicas: pesca artesanal, pesca esportiva e aquicultura. Esse modelo reflete a diversidade produtiva do território, e uma das primeiras ações institucionais foi sediar, ainda no ano de criação, o 1º Encontro Nacional de Pegada de Carbono na Aquicultura, do qual surgiu a “Carta de Palmas”, documento-base para políticas subsequentes.

Entre as iniciativas derivadas está o programa Trilha da Pesca e Aquicultura, transformado em lei em 2024. Em outras palavras, trata-se de uma caravana técnica itinerante que conecta governo, instituições de pesquisa, assistência técnica, fomento e bancos públicos para identificar o potencial produtivo específico de cada município. Até agora, 14 cidades já foram visitadas, com Termos de Cooperação assinados, mapeamento de recursos naturais e definição da

atividade com maior aderência local.

“Todas as ações são desenvolvidas de acordo com a vocação, recursos naturais e humanos que o município tem, buscando fortalecer as potencialidades e resolver os principais desafios”, explica Tardivo.

No campo fiscal, ele conta que o setor também avançou, para a prorrogação até julho de 2027 da isenção do ICMS via decreto nº 6.886, de janeiro de 2025. a mudança, toda operação interna ou interestadual do pescado de cultivo no território tocantinense passa a ser isenta do imposto. “É fundamental buscarmos benefícios fiscais para o setor até que este esteja consolidado no Estado. Uma das formas que podemos auxiliar é lutando via governo pelas isenções fiscais do pescado da aquicultura para promover sua competitividade em relação a outros Estados.”

Carassa representa a terceira geração da família no agronegócio.

Em 2023, ao conhecer o antigo projeto Tamborá, então paralisado, identificou ali a possibilidade de agregar valor à produção de grãos do Grupo

Se, de um lado, o poder público tenta organizar as bases e reduzir entraves históricos, do outro, o setor produtivo começa a responder com movimentos concretos de retomada e expansão.

“De baixo para cima”

Em 2025, o Estado finalizou o Projeto de Lei da Política da Pesca e Aquicultura que se encontra em fase final para encaminhamento para a Assembleia Legislativa. Esta política, nas palavras de Tardivo, foi construída “de baixo para cima”, a partir das demandas vindas do setor da pesca e da aquicultura. O texto, segundo ele, inclui capítulos modernos dedicados à aquicultura, contemplando financiamento, governança e pautas ESG. A

ideia é que a nova legislação dê segurança jurídica ao robusto mapeamento técnico das áreas mais adequadas ao cultivo, permitindo orientar investidores com base em infraestrutura, logística e disponibilidade hídrica.

Neste contexto, o diretor defende que a reestruturação da cadeia produtiva já está sendo visível, pois produtores antes desmotivados ou em situação de informalidade, passaram a se engajar de forma mais ativa. “O resultado aparece nos dados estatísticos”, completa.

Seafood
Brasil

Tocantins no mapa do pescado brasileiro

A Secretaria de Aquicultura e Pesca do Tocantins (Sepea) foi criada em 2023 para transformar o potencial aquícola do Estado em realidade ao promover ações que consigam trazer investimentos em todos os elos necessários para que o setor cresça de forma sustentável

O Estado vive um novo ciclo de crescimento, impulsionado por avanços institucionais, expansão produtiva e forte vocação hídrica:

Por que o Tocantins cresce na produção de pescado? 1

• Clima favorável e abundância de recursos hídricos

• Qualidade da água e boa capacidade ambiental para cultivo

• Localização estratégica para atender diferentes regiões do País

• Indústria de insumos instalada

Números de 2024 que comprovam o avanço do Estado 2

• +31,6% de crescimento de peixes de cultivo (PPM/IBGE 2024)

• 15 mil toneladas de peixes cultivados

• 18.100 toneladas produzidas (PeixeBR)

• 17.400 toneladas de espécies nativas

• Produção nacional: 968.745 toneladas

• Demanda crescente por peixes nativos e tilápia

Avanços que mudam o jogo 3

• Criação da Sepea em 2023 para atuar com pesca artesanal, esportiva e aquicultura

• Plano Estadual de Pesca e Aquicultura (2023–2033) para desenvolver de forma sustentável o setor pesqueiro e aquícola

• Finalização do Projeto de Lei da Política da Pesca e Aquicultura , com capítulos de financiamento, governança e pautas ESG

• Sediar o 1º Encontro Nacional de Pegada de Carbono na Aquicultura que gerou a “Carta de Palmas”

• Isenção de ICMS até 2027 para operações internas e interestaduais do pescado

• Trilha da Pesca e Aquicultura para identificar o potencial produtivo específico de cada município

Entraves que ainda desafiam o Estado 4

• Gargalos na regularização ambiental, principalmente para pequenos produtores

• Informalidade que limita crédito

• Logística irregular em parte do Estado

• Falta de mão de obra técnica especializada

• Queda de nativos na região Norte (-1,81%)

SeafoodBrasil

Em um ambiente ainda marcado por oscilações de oferta e concorrência informal, a Bonutt aposta na constância operacional e busca ampliar a oferta de congelados para elevar o ticket e reduzir a pressão logística

Onde o Estado quer chegar? 5

• 600 mil toneladas/ano

• R$ 6 bilhões/ano movimentados

• Entrar no Top 5 de produção nacional

Fonte: dados retirados da matéria

Especial

Polo em reconstrução: a chegada da Dedo de Deus

Sob o comando do Grupo Atlântida, a Fazenda Dedo de Deus, em Almas (TO), opera um sistema integrado que reúne produção de peixes nativos, fábrica de ração e frigorífico próprio. O local já foi um importante polo aquícola no Estado, onde abrigou um dos maiores projetos de piscicultura de água doce do Brasil, o antigo Tamborá, que marcou o setor na região Norte. Agora, o empreendimento inicia suas atividades em um cenário distinto, com desafios e oportunidades próprias. A estratégia é reduzir custos, garantir competitividade e fortalecer a cadeia produtiva local, como explica o presidente do Grupo Atlântida e proprietário da fazenda, Marcelo Carassa. “A nossa ideia é fomentar a produção local, com o acompanhamento do que a gente está fazendo e está dando certo”, diz.

Da oportunidade à consolidação industrial: a Bonutt no pescado

Já a entrada do Grupo Boi Brasil, dono da empresa Bonutt, aconteceu bem antes, há cerca de 13 anos. Desde então, a companhia instalou, em Aliança do Tocantins (TO), uma operação que abrange frigorífico, piscicultura própria, fábrica de ração e uma rede de fornecedores que abastece peixes nativos e tilápia para o mercado. O arranjo nasceu, como lembra o gerente administrativo Roger Eduardo Ferreira Carvalho, de um diagnóstico preciso sobre uma lacuna do setor: “foi uma oportunidade”.

Naquele período, a ausência de plantas com Serviço de Inspeção Federal (SIF) aptas ao fornecimento para redes varejistas e a forte presença da informalidade abriram espaço para que o grupo, já tradicional na bovinocultura, utilizasse sua estrutura industrial para ingressar no segmento de pescado.

Hoje, com mais de 100 colaboradores, a empresa mantém ritmo constante na região, embora a trajetória até aqui tenha sido marcada por instabilidade e recomeços, uma realidade que ainda ecoa no setor como um todo.

Integração produtiva

e foco nos nativos

Com a retomada da produção em janeiro de 2025, o projeto da Fazenda Dedo de Deus concentra-se no cultivo de tambaqui e tambatinga. Para isso, a fazenda utiliza um modelo de cultivo “de forma livre”, aproveitando represas naturais e um ciclo produtivo dividido em duas etapas. “Quanto mais espaço tiver, melhor é o desenvolvimento do peixe”, explica Alysson Azevedo de Menezes, responsável pela parte técnica da produção.

Por causa do tamanho da produção, o manejo diário inclui a utilização de barcos para distribuir a ração. Já a disponibilidade hídrica, essencial no período seco do Tocantins, também passa por controle rigoroso. “Não é que a gente precise diminuir a produção, mas temos que ter uma estratégia bem dimensionada”, pondera Menezes.

A verticalização é um dos pilares do projeto, e o primeiro passo foi reativar a fábrica de ração própria. “Startar o desafio, porque só aí nos garante quase 50% de redução em relação ao

mercado. Isso nos dá competitividade”, afirma Marcelo Carassa.

Com capacidade entre 60 e 70 toneladas por dia, a unidade deve abastecer também pequenos produtores da região. Em paralelo, o grupo ainda finaliza a instalação do seu frigorífico. “O projeto está aprovado e estamos terminando”, relata Carassa, reforçando ainda que o objetivo é atender o mercado interno e, futuramente, abrir portas para exportação.

Já no campo ambiental, a integração também se estende ao reaproveitamento de subprodutos. “Todos os produtos que, em algum momento, seriam subprodutos, desde que tenham qualidade, entram para compor a ração”, explica. “Vamos produzir o grão e transformar em ração e proteína aqui dentro”, completa o presidente do Grupo Atlântida.

A operação atual da Bonutt também é verticalizada e concentra-se em quatro espécies principais: tambatinga,

Modelo integrado impulsiona expansão de pescado do Grupo Boi Brasil no Norte

Na Fazenda Dedo de Deus, projeto do Grupo Atlântida que fica em Almas (TO), é utilizado um modelo de cultivo “de forma livre” que aproveita represas naturais e um ciclo produtivo dividido em duas etapas para cultivar tambaqui e tambatinga

tambaqui, pintado e tilápia, estrategicamente selecionadas para assegurar regularidade de oferta. Embora espécies nativas de ciclo mais sensível também seguem no radar, mas com menor frequência. “As únicas espécies que nunca faltam são o tambaqui e a tambatinga”, afirma Roger Carvalho.

Costa

Carvalho lideram uma operação que busca crescer em escala, mercado e presença nacional

Pescados com qualidade

o ambientemeio Exija do seu fornecedor a qualidade dos produtos Natubrás

Matéria-prima da melhor procedência, ótimas práticas de fabricação, instalações que respeitam a legislação e equipamentos de congelamento ultrarrápido são alguns dos fatores que garantem o padrão de qualidade Natubrás. São camarões, lulas, mexilhões, polvos e cortes nobres de peixes, em embalagens práticas e seguras ao consumidor.

Bruno
e Roger Eduardo Ferreira
SeafoodBrasil

Especial

Na mesma área da planta fabril, a empresa mantém uma piscicultura própria com cerca de 25 tanques escavados, com capacidade hídrica de 239 mil m3 e abastecidos pela Represa Brahma. A produção atual de tambaqui e pintado soma cerca de 250 mil peixes, mas em breve deverá se expandir, pois há um plano estruturado para elevar o número em mais de 1 milhão no próximo ano.

Entretanto, o avanço depende da liberação ambiental para ampliar a lâmina d’água. “A gente tem todo um estudo ambiental, toda outorga já montada, porém a gente não conseguiu essa licença, que está em análise”, diz Bruno Costa, gerente comercial da Bonutt.

Acompanhando o movimento, a fábrica de ração do grupo também cresce em ritmo acelerado, abastecendo produtores do Tocantins, Maranhão e Bahia. Com capacidade atual entre 160 toneladas e 180 toneladas/mês, a produção pode chegar a 400 toneladas sob a marca FishNutt, impulsionada por crescimento mensal entre 20% e 30%.

Desafios a perder de vista

Mesmo com esse leque amplo de espécies, a trajetória da indústria da Bonutt na região, porém, não foi linear. Durante anos, o frigorífico operou no mínimo necessário para manter ativo o SIF e apenas nos últimos 4 anos, a unidade atingiu ritmo contínuo, como explica Costa. “A gente manteve uma constância e mesmo assim com muita dificuldade.”

Parte dessas dificuldades está ligada à irregularidade de fornecedores e à imprevisibilidade da oferta regional, embora o cenário tenha melhorado ao longo do tempo. “Hoje, nosso crescimento foi a constância da produção, porque antigamente os produtores locais não conseguiam atender à demanda”, reforça Costa. Isso porque, apesar de manter sua piscicultura própria, a dependência do mercado externo permanece

significativa para o grupo. “A média no ano é 20% nossa e o restante [80%] é tudo comprado.”

Já as limitações logísticas também pesam, fazendo com que a equipe percorra longas distâncias para consolidar carga. Além disso, a infraestrutura precária ainda persiste em parte dos produtores e compromete o padrão de despesca e, consequentemente, a qualidade exigida pela planta. “É muito difícil administrar”, pontua o gerente comercial da Bonutt.

Na indústria, outro desafio é a formação de mão de obra. “A gente não tem mão de obra mesmo. Então, todo mundo que entra aqui tem que ensinar. [...] Até a pessoa pegar isso demora uns 6 meses”, relata Costa.

Fora isso, o mercado de pescado no Tocantins também enfrenta um desafio comum no setor: a presença de pescado clandestino que, no varejo, afeta a previsibilidade e as margens da empresa. “Hoje, por ter ainda muito clandestino, a gente perde”, completa Roger Carvalho. Logo, o resultado é um ambiente competitivo assimétrico e desafiador para quem opera dentro da formalidade.

A fábrica própria de ração, com possibilidade de fornecimento também a pequenos produtores da região, é uma das principais apostas de crescimento da Dedo de Deus

Apesar de estar entrando agora no setor, com estrutura robusta e alto potencial, os desafios também são significativos para a Dedo de Deus. O licenciamento ambiental, por exemplo, exigiu tempo e recursos. “Tivemos que fazer todo um projeto com Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental para legalizar a propriedade. Foi algo oneroso e que consumiu tempo”, relata o presidente Marcelo Carassa.

Na região, a infraestrutura e a logística também são pontos sensíveis, especialmente para o escoamento da produção e eventuais planos de exportação. “Hoje, estruturalmente, sofremos porque estamos a 20 km de estrada de chão até a entrada da fazenda, e isso dificulta dar vazão ao produto”, diz Carassa.

Portfólio variado

O catálogo da Bonutt inclui peixe fresco e cortes embalados a vácuo, geralmente entre 700 g e 800 g. O portfólio inclui:

• Tilápia inteira, com ou sem escama, e filé;

• Tambaqui em postas, ventrechas, costelinha, banda com ou sem couro e versões sem espinha;

• Produtos congelados provenientes da linha de cortes.

Expansão no radar

E, mesmo estreando em um setor cheio de desafios, Carassa vê oportunidades na regularização da cadeia e na oferta consistente de peixes nativos. “Nossa aposta é regularidade e controle de custo. É assim que queremos ganhar mercado com o nativo.”

Assim, ele acredita que a retomada do projeto poderá reativar um ecossistema produtivo que, no passado, sustentou centenas de famílias.

“Quando esse projeto funcionava, dava suporte para mais de 100 pequenos produtores. Quem quiser ser parceiro da Dedo de Deus, vai contar com a gente desde o fornecimento da ração até a garantia de abate do produto final.”

Na Bonutt, os planos também são de crescimento, com ampliação das vendas, expansão geográfica e fortalecimento da presença nacional. “A gente não tem intenção de ficar só aqui. Queremos atender onde a gente conseguir parceiro”, afirma Costa.

“Nossa busca é por quantidade, porque a qualidade já tem”, completa Carvalho.

Assim, Thiago Tardivo projeta que, com clima favorável, abundância hídrica, logística robusta (rodovias, Ferrovia Norte-Sul e proximidade relativa a portos) e alinhamento institucional, o Estado pode alcançar uma capacidade produtiva de até 600 mil toneladas por ano, movimentando valores próximos a R$ 6 bilhões anuais.

“O Tocantins tem as melhores características para ser um polo aquícola no coração do Brasil”, finaliza. E a meta é tão ambiciosa quanto o potencial: entrar no grupo dos cinco maiores produtores de pescado do País.

Acompanhe a nossa saga pelas águas do Tocantins na segunda parte desta matéria que sairá na Seafood Brasil #62. Não perca!

Por dentro da Fazenda Dedo de Deus

Localização: Almas, Tocantins

Área: 10.500 hectares

Foco: peixes nativos

Produção na piscicultura: 20 toneladas/dia

Frigorífico próprio com capacidade de: 40 toneladas/dia

Fábrica de ração com capacidade de: 70 toneladas/dia

Bruno Costa, gerente comercial da Bonutt, aponta que as limitações logísticas são um dos desafios que mais pesam no Estado, junto com a infraestrutura precária que ainda persiste em parte dos produtores e compromete o padrão de despesca

Clima favorável, abundância hídrica, logística robusta (rodovias, Ferrovia Norte-Sul e proximidade relativa a portos) e alinhamento institucional são fatores apontados por Thiago

Tardivo para que o Estado possa alcançar uma capacidade produtiva de até 600 mil toneladas por ano

A falta de mão de obra especializada é apontada por Costa como um dos grandes entraves para que a atividade se desenvolva com mais rapidez no Estado

Personagem Um tesouro chamado Baú

Ao contar os segredos de sua história, Baú, apelido de João Araújo do Nascimento, revela o real tesouro que ele (e cada um de nós) carrega dentro de si

Texto: Léo Martins

Claro que saber que o nome do Personagem desta edição é João Araújo do Nascimento e que ele nasceu em Ouro Branco (RN) é importante para contar esta história. Porém, existem outros dois grandes porquês de termos escolhido esse potiguar que mora na cidade de Barueri (SP) há 29 anos para ser Personagem da última Seafood Brasil de 2025: o local em que ele trabalha e o seu apelido.

Começando pelo segundo motivo, Nascimento veio de uma família de 11 filhos. “Meu pai era agricultor e minha mãe era doméstica. Tivemos uma infância muito difícil porque éramos muito pobres”, relata. Apesar das dificuldades, foi nesse período que ele ganhou o apelido pelo qual é conhecido até hoje: Baú. “Jogando futebol, tinha um menino lá que era muito parecido comigo e que tinha o nome de Baú. Por isso, colocaram esse apelido em mim que está até hoje. Eu nem sei mais meu nome”, conta sorrindo.

Baú morou na roça até os 20 anos e se mudou para a cidade para trabalhar como montador de móveis. Mais tarde, ele recebeu um convite de seu irmão para vir trabalhar com ele em São Paulo em uma empresa que organizava feira e eventos: a Francal, que hoje é responsável por realizar a Seafood Show Latin America. “Entrei na Francal em 1993 como ajudante geral e estou aqui desde então”, complementa. Com 32 anos de casa, Baú faz questão de frisar o elemento mais importante para se trabalhar com eventos: disposição. “Afinal, nessa área, não existe dia para se trabalhar”, frisou.

E é claro que tantos anos atuando na mesma área deram a Baú muitas histórias vistas e vividas. A mais engraçada foi envolvendo um primo que trabalhava com eles em pintura. “Ele saiu para ir a um estande e se perdeu dentro do Anhembi [local em São Paulo que recebe feiras e eventos]. Quando a gente encontrou ele, já era final do dia, com ele sem almoço e sem saber onde estava. Quase não o encontramos! Foi muito engraçado”, conta rindo.

Depois de tanto tempo trabalhando com feiras e eventos, fazem 4 anos que nosso Personagem oficialmente faz parte do mundo do pescado - afinal, ele trabalha na produção da

Seafood Show Latin America desde a primeira edição. “A feira é muito bonita e o que mais me chamou atenção nela nesta edição de 2025 foi o tamanho dos peixes, que são gigantes!”, destacou ele, apontando ainda que a grande dificuldade para realizar este evento está no tempo, que é muito curto. “Isso torna tudo muito corrido para a Seafood Show.”

No entanto, Baú faz questão de lembrar que o peixe já era presente em sua vida muito antes da Seafood Show. “Sempre fui da pesca esportiva. Ainda vou muito a pesqueiros em minhas horas vagas”, diz. Já para consumo, apesar de ser um grande fã de tilápia e camarão, para ele, nenhuma espécie chega perto do salmão. “Esse é meu peixe favorito. Na churrasqueira, eu mesmo preparo para comer, só com sal mesmo. Fica uma delícia!”

Com 59 anos completados dia 10/12 (parabéns, Baú!), esse verdadeiro tesouro da Francal elege o que ele mais aprendeu em anos de trabalho com eventos. “Vi o que é lutar como ser humano para conquistar minhas coisas”, comenta Baú, que aproveita a deixa para dizer o que ele guarda de mais valioso trabalhando nesta área. “Ter começado na Francal como ajudante geral e hoje, ser encarregado de produção. A minha vida todinha foi construída dentro da empresa. Pude formar minha família a partir daqui ”, finaliza ele, que é casado há 29 anos com Sonara e é pai de dois filhos engenheiros, Bernardo e Breno.

Dizem por aí que não se deve falar o que se sente à qualquer um – afinal, baú aberto não protege tesouro. Porém, ao conhecermos a história de João Araújo do Nascimento, descobrimos que o que torna o Baú tão valioso é justamente aquilo que ele guarda dentro de si: um tesouro chamado vida.

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