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Seafood Brasil 58_digital

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www.seafoodbrasil.com.br

Desenhando os rumos

Existe uma engrenagem quase invisível movendo os bastidores da piscicultura brasileira. Na reportagem de Capa desta edição #58 da Seafood Brasil, o mergulho é no universo da genética aplicada à aquicultura, matéria em que contamos os avanços deste tema e como eles estão desenhando os rumos da produção nacional. Seja com o melhoramento genético clássico ou com tecnologias mais sofisticadas, nossa equipe de reportagem mostra como instituições de pesquisa e empresas do setor vêm apostando na ciência para saltos de produtividade e eficiência.

Essa busca por mais competitividade dialoga diretamente com outras reportagens desta edição. Em 5 Perguntas (pág. 06), convidamos Fabricio Stocker para uma conversa sobre o ESG e entender como este tema se tornou um novo vetor de crescimento aquícola - spoiler: é um caminho que vai além da responsabilidade ambiental.

Já em Estatísticas (a partir da pág. 58), os dados do Anuário PeixeBR 2025 mostram um setor em expansão, especialmente com o avanço consistente da tilapicultura. E, falando nela, na seção MKT & Investimentos (a partir da pág. 12), a tilápia também esteve entre os destaques nos estandes das empresas

Redação redacao@seafoodbrasil.com.br

Publishers: Julio Torre e Ricardo Torres

Editor-chefe: Ricardo Torres

Editor-executivo: Léo Martins

Repórter: Fabi Fonseca

Designer gráfico: Thalita Cibelle Medeiros

Marketing e Tráfego: Letícia Baptiston

Crédito da foto de capa: Heitor Marcon/UEM

brasileiras na última edição da Seafood Expo North America, em Boston, nos EUA, reforçando o posicionamento do pescado brasileiro no mercado global.

No Especial (pág. 66), a gente conta como a logística do pescado importado no Brasil revela um enredo marcado por desafios, tecnologia e parcerias para manter a cadeia do frio.

Por fim, no varejo, o movimento é de visibilidade. É isso o que mostra a prévia da Apas Show 2025 (pág. 24), que traz o pescado em uma das maiores vitrines de alimentos e bebidas das Américas.

Cada uma dessas pautas aponta para um setor em amadurecimento, que entende que o futuro do pescado como proteína acessível e cada vez mais presente nas mesas dos consumidores, seja no Brasil ou mundo afora, também passa por ciência, inovação, planejamento, logística e posicionamento.

Boa leitura!

Fabi Fonseca

comercial na Argentina Av. Boedo, 646. Piso 6.

Fabi Fonseca e Ricardo Torres

O futuro resumido em três letras

Com tantas formas disponíveis para mostrar que está na vanguarda, o especialista Fabricio Stocker conta os motivos que levaram o ESG a se firmar como o caminho mais sólido, assertivo e um requisito real para empresas que sonham em conquistar um espaço entre aquelas que ditam o ritmo do mercado de pescado

Texto: Fabi Fonseca e Léo Martins

Existem vários caminhos que uma empresa que atua no ramo do pescado pode seguir para mostrar que está na vanguarda do mercado. Podemos enumerar inovação, tecnologia, qualidade técnica, equipe qualificada, sustentabilidade, entre outros fatores. Porém, nenhum desses caminhos é tão assertivo quanto três letras que, apesar de simples, mostram o quanto uma organização está a passos largos rumo ao amanhã: ESG

Sigla de Environmental, Social and Governance, o ESG se refere às práticas empresariais que priorizam sustentabilidade, responsabilidade social e uma governança corporativa

“Quando a empresa enxerga seu papel social, ela não só faz o bem, como também constrói uma reputação sólida e duradoura.”

transparente. No setor de pescado, onde questões como rastreabilidade, impacto ambiental e inclusão social ganham cada vez mais relevância, a adoção de estratégias ESG não é apenas uma tendência, mas um diferencial competitivo crucial para acessar mercados globais e atrair consumidores e investidores mais conscientes. Em outras palavras, é o caminho para quem quer chegar ao futuro!

Para falar sobre o tema, nesta edição da Seafood Brasil, conversamos com o especialista em ESG e estratégia organizacional Fabricio Stocker, pesquisador de pós-doutorado e coordenador do MBA em ESG da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV EBAPE). Com experiência acadêmica e prática em governança, riscos e stakeholders, Stocker também atuou em projetos humanitários em diversas partes do mundo e é autor de artigos publicados em periódicos internacionais sobre gestão e sustentabilidade.

Na entrevista, o especialista discute os desafios e as oportunidades que a implementação do ESG traz para a indústria do pescado. Desde práticas ambientais que fortalecem a competitividade, passando pela governança corporativa como base essencial, até o impacto positivo nas comunidades locais, ele revela como o setor pode se preparar para um futuro mais sustentável e rentável.

Bateu curiosidade para saber como levar a sua empresa ao futuro com o ESG? Confira a entrevista a seguir!

O conceito de ESG tem ganhado destaque no mercado global. Em suma, o que ele é e como você avalia sua adoção na indústria de alimentos (especialmente a de pescado) e quais os principais desafios para sua implementação estruturada?

ESG, para mim, é, antes de tudo, uma mudança de mentalidade. É a forma como as empresas passam a olhar não só para o lucro, mas também para o impacto que geram no meio ambiente, na sociedade e na forma como se organizam internamente. Na prática, é sobre responsabilidade e visão de longo prazo.

Já na indústria de alimentos, especialmente no setor de pescado, a adoção do ESG ainda está em um estágio inicial. Porém, já vemos movimentos promissores. O desafio maior aqui está em estruturar isso de forma consistente – afinal, não basta “parecer sustentável”, é preciso ser de fato. E isso envolve desde rastreabilidade na cadeia produtiva até investimento em governança e inclusão social. No entanto, muitos produtores ainda enfrentam dificuldades com recursos, capacitação ou mesmo entendimento do que o ESG representa na prática.

2 No pilar ambiental, como iniciativas responsáveis na aquicultura e na pesca podem impactar a competitividade das empresas?

Cada vez mais, a sustentabilidade ambiental está se tornando sinônimo de competitividade. No caso da aquicultura e da pesca, práticas como o manejo responsável, o cuidado com a biodiversidade, a redução de resíduos e o uso eficiente de recursos naturais vêm ganhando espaço pelo impacto direto na imagem da empresa e na qualidade do produto final.

3 Apesar de serem pilares do ESG, a governança corporativa e o impacto social ainda representam desafios em diversas cadeias produtivas. Como as empresas da indústria de alimentos e de pescado podem fortalecer suas práticas de transparência e conformidade regulatória, ao mesmo tempo em que contribuem para as comunidades locais e melhoram as condições de trabalho de seus colaboradores?

Governança é aquela parte do ESG que, às vezes, fica esquecida, mas que é o alicerce de tudo. Quando falamos de governança, estamos falando de processos claros, regras bem definidas, prestação de contas... Ou seja, tudo aquilo que garante que as boas intenções se transformem em boas práticas.

No setor de pescado, vejo que ainda há um caminho importante a ser percorrido, principalmente quando falamos de pequenos e médios produtores. Mas há muito que pode ser feito: digitalização de processos, melhoria na gestão, criação de canais de denúncia, políticas anticorrupção, etc. E, claro, investir em capacitação das lideranças para que a cultura da integridade e da transparência realmente se espalhe por toda a organização.

Já a parte social é um ponto que me toca muito. Afinal, a indústria de alimentos e, especialmente, o setor de pescado, têm um papel enorme nas comunidades onde estão inseridos. Muitas vezes, são regiões com poucas oportunidades, onde a empresa representa uma chance real de transformação.

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Empresas que conseguem mostrar que têm um impacto ambiental controlado e positivo ganham vantagem, principalmente em mercados mais exigentes. Isso vale tanto para o consumidor final, que está mais consciente, quanto para os investidores, que estão de olho em riscos ambientais e querem apostar em negócios com futuro.

Sendo assim, valorizar o trabalhador, investir em capacitação, garantir segurança e dignidade no ambiente de trabalho, tudo isso precisa ser prioridade. Mas também é possível ir além: apoiar projetos locais, incentivar a inclusão de grupos historicamente excluídos, comprar de produtores locais. Quando a empresa enxerga seu papel social, ela não só

faz o bem, como também constrói uma reputação sólida e duradoura.

4 ESG também se traduz em oportunidades de mercado. Como investidores e consumidores enxergam empresas da indústria de alimentos com a de pescado, que adotam essas práticas? E como a adoção de políticas ESG pode facilitar o acesso a novos mercados e agregar valor aos produtos?

Tem uma frase que gosto muito que diz: “Quem não acompanhar essa mudança, vai ficar para trás.” O mercado já está dando sinais muito claros e por isso, investidores estão cada vez mais atentos a riscos ESG, o que leva as empresas que adotam essas práticas de forma consistente a terem acesso a linhas de financiamento melhores, ganharem reputação e conseguirem se diferenciar.

Do ponto de vista do consumidor, isso é ainda mais visível. A origem do alimento, a forma como foi produzido, o impacto social... Tudo isso entra no radar na hora da compra. No setor de pescado, onde o apelo à sustentabilidade é muito forte, quem adota ESG de verdade não só atende a essa nova demanda, mas também agrega valor ao produto e abre portas em mercados internacionais que exigem certificações e comprovação de impacto positivo.

5 Por fim, quais são as tendências globais em práticas ESG que devem impactar diretamente a indústria de alimentos, especialmente a de pescado, nos próximos anos? Uma tendência muito clara é que o ESG está deixando de ser algo “aspiracional” para se tornar um requisito real de negócios. E isso vai ter impacto direto no setor de pescado, especialmente por se tratar de uma cadeia produtiva altamente sensível - seja por questões ambientais, sociais ou de governança.

“No setor de pescado, onde o apelo à sustentabilidade é muito forte, quem adota ESG de verdade não só atende a essa nova demanda, mas também agrega valor ao produto e abre portas em mercados internacionais (...)”

A primeira grande frente é a rastreabilidade da cadeia de valor. Cada vez mais, empresas precisarão mostrar de forma clara e confiável de onde vem o produto, como foi pescado ou produzido, em que condições, com que impacto ambiental e social. Isso não é só sobre reputação, mas sobre acesso a mercados: compradores internacionais, redes de varejo e até plataformas digitais já estão exigindo informações detalhadas sobre a origem e o processo produtivo. Quem não consegue rastrear sua cadeia pode simplesmente ser excluído de grandes contratos.

Outra questão é a due diligence socioambiental, que passa a ser cobrada por investidores, bancos e importadores. Ou seja, isso significa fazer uma varredura nos riscos da operação - como violações trabalhistas, desmatamento ilegal, pesca predatória - e mostrar o que está sendo feito para prevenir e remediar esses pontos. E no Brasil, com discussões avançando sobre legislações de cadeia limpa, isso vai se tornar obrigatório em pouco tempo.

E, por fim, algo que tem ganhado força é o engajamento multistakeholder. Não dá mais para a empresa atuar isolada: o diálogo com comunidades pesqueiras, fornecedores locais, órgãos ambientais e parceiros comerciais será cada vez mais determinante para construir soluções sistêmicas e gerar valor compartilhado. Ou seja, mais do que relatórios, o que está vindo por aí são exigências práticas e operacionais que vão mexer com a forma como o setor se organiza. E quem sair na frente, se antecipando a essas mudanças, certamente vai colher os frutos - em competitividade, reputação e longevidade do negócio.

Divulgação

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Na Água

Tecnologia para pesca e criação

Crédito das fotos:

Divulgação/Empresas

Impulso técnico inicial

A Guabi está lançando uma nova linha de produtos para as fases iniciais de peixes de cultivo: a Guabitech Impulse, solução voltada para maximizar o desempenho zootécnico e potencializar a imunidade dos peixes. Segundo a empresa, a novidade é formulada com ingredientes de alta qualidade e conta com tecnologias como prebiótico, probiótico, ácidos orgânicos, nucleotídeo e DHA. Por fim, o produto está disponível em pó nas seguintes apresentações: 0,8-1,0 mm; 1,3-1,5 mm; e 1,7-1,9 mm.

Comida em grande escala

Para alimentar peixes e camarões em grande escala, o sistema Trevisan atua para otimizar ainda mais a alimentação dos animais, e também evitar desperdício de alimento. A solução é um dosador de ração que funciona de maneira automática, realizando o cálculo do volume dessa ração por meio de sensores

que são posicionados na válvula dosadora. Segundo a empresa, a solução possibilita a criação do relatório de arraçoamento, porque faz a coleta de dados da ração que é descarregada em cada viveiro, com data e hora. O sistema ainda proporciona velocidade na distribuição de ração, tem ventilador de alta pressão e o silo pode ser estacionário ou sobre rodas.

Santíssima trindade

O compressor radial, também conhecido como aerador ou soprador 4,60 CV, é a aposta da Asten para sistemas que necessitem de pressões intermitentes ou contínuas tendo assim uma diversidade de aplicações. De acordo com as informações da empresa, no caso de sistemas de aquaponia, piscicultura ou bioflocos, o motor tem como objetivo proporcionar a aeração necessária para a manutenção dos mesmos. Com uma vazão máxima de 6,6 m³/ min, além de uma pressão máxima de 2,2 m de coluna d’água, o produto conta com vácuo máximo de 2.300 mmCA, pressão máxima de 2.200 mmCA e vazão máxima de 6,25 m³/min.

Trazendo novos ares

O aerador chafariz de 2.0 CV da Weemac, além de incorporar o oxigênio na água, ainda proporciona a quebra da barreira de temperatura entre o fundo e a superfície do tanque, deixando-a ainda mais homogênea. É dessa forma que, segundo a empresa, o equipamento melhora a uniformidade dos peixes ou camarões, rendendo no seu crescimento. Além disso, a tecnologia

oferece ao produtor a abrangência de até 4.500 m², tudo com baixo consumo de energia (1,49 Kw/h).

“Analisando essa cadeia hereditária”

A Acqua Supre destaca o Kit Compacto para produtores e outros profissionais que precisam realizar análises de água no campo ou em laboratório. A empresa destaca que o kit permite com que sejam realizadas análises como: pH (método colorimétrico por reagente); alcalinidade total (método titulométrico) –determinação da necessidade de calagem; dureza total (método titulométrico); gás carbônico (método titulométrico); amônia total (método colorimétrico) - amônia tóxica determinada por coeficiente de conversão; e nitrito (método colorimétrico). Por fim, a solução conta com o oxigênio dissolvido (método titulométrico) e disco de Secchi como itens opcionais.

Puçá vida

A Mar do Sul Aquicultura destaca suas redes puçá para despesca e biometrias. Confeccionadas em aço galvanizado a fogo, o item conta com um aro pegador de 60 x 60, além de malhas de 3 a 15 mm. Ainda de acordo com a empresa, a solução, que é indicada para pisciculturas e carciniculturas, é disponibilizada no mercado em diversas aberturas de malhas para assim, ser aplicada em várias situações.

Marketing & Investimentos

Brasil lança sua rede na maior feira de pescado da América do Norte

Comitiva nacional busca novos negócios e reforça imagem do País como fornecedor confiável na Seafood Expo North America, em Boston, nos EUA

ETexto: Mariana Naviskas participou com 17 empresas, além de associações e governo. A comitiva foi organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil) em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), com foco especial na tilápia – um dos carros-chefes da piscicultura nacional e estrela discreta nos menus do food service norte-americano.

ntre 16 e 18 de março, o Boston Convention and Exhibition Center se transformou em uma espécie de aquário gigante com seus mais de 23 mil2 dedicado a apresentar o que as águas do mercado de pescado têm de melhor. A Seafood Expo North America (SENA 2025) marcou sua 43ª edição reunindo mais de 20 mil profissionais e 1.200 expositores de 51 países.

O Brasil, que vem nadando com mais força no mercado internacional,

“O projeto setorial entre Abipesca e ApexBrasil, o Brazilian Seafood tem sido fundamental para a promoção

do pescado brasileiro no mercado internacional. Em 2024, as empresas participantes do projeto tiveram um crescimento de 63,3% nas exportações em relação a 2023 - um resultado expressivo, especialmente quando comparado ao crescimento de 21% nas exportações totais do setor”, explicou a diretora de Relações Institucionais da Abipesca, Liliam Catunda. Neste contexto, cabe ressaltar que essas empresas representam 55,1% de tudo que o Brasil exporta em pescado atualmente. “O que consolida o projeto como um dos

Em sua 43ª edição, Seafood Expo North America recebeu mais de 20 mil profissionais do setor e 1.200 expositores de 51 países diferentes
Seafood Brasil

Abrir novos mercados, colocar o pescado nacional no mesmo patamar de qualidade do mundial, além de reforçar a sustentabilidade e rastreabilidade do País: participação da comitiva brasileira na SENA 2025 teve múltiplas missões para o Brasil

principais motores da competitividade internacional do setor”, acrescenta.

Além da missão de abrir novos mercados, a participação brasileira teve um componente estratégico: reforçar a imagem do pescado nacional como sinônimo de qualidade, sustentabilidade e rastreabilidade, atributos esses cada vez mais valorizados no setor de alimentos. “Todas as ações realizadas foram estrategicamente pensadas para fortalecer a imagem do pescado brasileiro no mercado norte-americano,

que é um dos nossos principais destinos de exportação. Desde a escolha do layout do estande, que é moderno, sustentável e alinhado à identidade do Brasil, até a curadoria das empresas selecionadas para compor o espaço. Tudo foi planejado para valorizar a diversidade, a qualidade e o potencial do nosso pescado”, contou a diretora.

Seafood Excellence Awards

Um dos destaques da Seafood Expo North America foi a premiação Seafood Excellence Awards, que destaca os melhores novos produtos de pescado no mercado norte-americano, com duas categorias principais: “Melhor Novo

Festival Internacional do Tambaqui de Rondônia

Em 2023, o Brasil ganhou ainda mais destaque na SENA quando o tambaqui da Agropecuária Água Boa, de Rondônia, foi o vencedor da premiação na categoria food service.

Por isso, pelo segundo ano consecutivo, uma parceria entre o governo de Rondônia, o Sebrae, o frigorífico Friocenter Pescados e a Associação dos Criadores de Peixes do Estado de Rondônia (Acripar) realizou o Festival Internacional do Tambaqui de Rondônia, que contou com degustações exclusivas do pescado amazônico em três locais: um restaurante em Boston, a Embaixada do Brasil em Washington e o Consulado Geral em Nova York.

A iniciativa busca ampliar a visibilidade internacional do tambaqui e impulsionar as exportações da espécie para os Estados Unidos, um dos principais destinos do pescado brasileiro.

Produto para Varejo” e “Melhor Novo Produto para Foodservice”.

A Icy Waters, LLC foi reconhecida com o prêmio na primeira categoria pelo seu salmão do Atlântico com cobertura de mostarda doce Guinness e crosta de panko. Já a empresa American Unagi Inc. conquistou o título de “Melhor Novo Produto de Foodservice” com seu filé de enguia kabayaki sem glúten. A seleção dos vencedores, feita por um júri composto por compradores de frutos do mar e especialistas dos setores de varejo e food service, considerou critérios como inovação, sabor, adequação ao mercado, valor nutricional, conveniência e potencial comercial. Ao todo, 11 finalistas disputaram a premiação.

A queridinha dos americanos

Os Estados Unidos são o maior mercado mundial para filé de tilápia, fresco e congelado, e, nos últimos anos, os produtores brasileiros vêm se destacando nessa venda. “As empresas brasileiras têm questões comerciais facilitadas”, explicou o diretor presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR) Francisco Medeiros.

Em outubro do ano passado, o Brasil conquistou isenção de Certificado Sanitário Internacional (CSI) para

O estande da ApexBrasil na SENA 25 reforçou o pescado brasileiro no mercado internacional, focando especialmente na tilápia
DivulgaçãoMinistério da Pesca e Aquicultura

Marketing & Investimentos

exportação de pescado aos EUA, graças ao trabalho conjunto do governo, associações e empresários do setor.

“Conseguimos sensibilizar a Food and Drug Administration (agência federal dos Estados Unidos que regula a segurança de alimentos, medicamentos, cosméticos e outros produtos) e o Mapa. E, em menos de 3 meses, saiu o acordo.”

Essa isenção, de acordo com Medeiros, permite o aumento das exportações, uma vez que diminui riscos e custos e reduz a burocracia.

Presença brasileira

Nesta edição, o Brasil esteve representado por 17 empresas: Allmare, Noronha Pescados, Brazilian Fish, Cais do Atlantico, Ayamo, Fider Pescados, Leardine, Produmar, Friocenter, C.Vale, Mar e Terra, Copacol, Prime Seafood, Pampa Foods, Green Fiss, Frescatto e Independent Brazil.

Para além das negociações comerciais, a participação na Seafood

Expo North America tem um peso simbólico e estratégico para as empresas brasileiras: estar entre os grandes. “O Brasil deixou de ser uma promessa e passou a ser um importante player no mercado internacional de tilápia”, afirmou o diretor de Unidade de Negócios da Fider Pescados, Juliano Kubitza. A empresa já tem atuação relevante no segmento de filés frescos nos EUA e, segundo o executivo, a agilidade dos processos e a proximidade com aeroportos internacionais têm favorecido a competitividade da tilápia da Fider no mercado americano.

Já a C.Vale levou a esta edição o portfólio atualizado de sua tilápia, com foco na versatilidade de seus produtos para atender às especificidades do mercado norte-americano. “A C.Vale leva consigo a imagem de uma empresa com foco em qualidade e rastreabilidade certificada globalmente. Nossa presença na feira, assim como a de outras grandes empresas do setor de pescado, reforça ao mercado internacional que o Brasil é um País confiável para a compra desta proteína, o que contribui para consolidar a imagem positiva do pescado brasileiro no cenário global”, afirmou Fernando Aguiar, gerente do Departamento Comercial da empresa. Apesar do bom desempenho, Aguiar alerta para os desafios recentes impostos por novas taxações dos EUA:

“Foi implementada recentemente uma taxa adicional de 10%, totalizando 13% sobre o produto brasileiro exportado para os EUA, o que impacta diretamente na competitividade.”

Já a Friocenter Pescados apostou em um diferencial: o pescado amazônico. A empresa levou à feira espécies como tambaqui, pirarucu e pintado, com a intenção de apresentar – ou reapresentar – peixes nativos ao público internacional. “O tambaqui é um peixe raiz, que você só encontra no Brasil, e ele merece estar entre os principais pescado do mundo. Nossa ideia, ao estarmos na feira, é poder mostrar o tambaqui para os demais mercados”, destacou o diretor Danillo Oliveira. A empresa, que iniciou sua atuação no mercado norte-americano de forma tímida, agora vê crescimento sólido por meio de distribuidores em regiões como Massachusetts, Miami e, em breve, Califórnia e Washington. Segundo Oliveira, os Estados Unidos é um país bastante exigente, assim como o Brasil. “Mas hoje nós temos uma indústria totalmente preparada para atender a essas exigências e conseguir entregar um trabalho de excelência e ser recebido com bastante positividade”, ponderou.

De forma unânime, os três executivos destacam que estar presente na Seafood Expo North America vai muito além de simplesmente expor produtos em busca de compradores. A participação

As premiações foram alguns dos momentos mais aguardados do evento
Festival Tambaqui da Amazônia divulgou a espécie nativa nos corredores do evento
Seafood Brasil
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Marketing & Investimentos

na feira representa uma estratégia mais ampla e estruturada: tratase de marcar território no cenário global, fortalecer a reputação do pescado brasileiro como uma proteína de qualidade e confiável, além de construir relacionamentos estratégicos que podem abrir portas e consolidar a presença do Brasil nos principais mercados internacionais. É, portanto, um investimento no futuro do setor, com foco em visibilidade, credibilidade e crescimento sustentável.

Apoio governamental

O apoio do governo brasileiro também foi importante para viabilizar a participação brasileira na Seafood Expo North America 2025. Além da Apex Brasil, as empresas participantes contam com o respaldo do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) para participar e ampliar oportunidades de negócios. Nesta edição, o MPA participou representado pelo assessor especial do ministério, Carlos Mello, e pelo secretário nacional da Pesca Industrial Expedito Neto.

“O MPA, sob a liderança do ministro André de Paula, apoia a participação em feiras internacionais para o fortalecimento da cultura exportadora e da imagem do pescado brasileiro no mercado mundial”, afirmou Mello. Segundo ele, participar da Seafood Expo North favorece a consolidação das relações profissionais com representantes não apenas dos Estados Unidos como de governos de outros países, como por exemplo Reino Unido, Noruega e Canadá. “Cabe destacar que este ano, houve um recorde de expositores no Pavilhão Brasil e os resultados foram muito positivos. Tudo isso nos permite subsidiar a formulação de políticas e diretrizes para o desenvolvimento do setor, relacionadas à oferta e à demanda de produtos para exportação e importação”, complementou.

Para o secretário, o evento é ainda uma oportunidade de promover produtos brasileiros em eventos paralelos que ocorrem ao

A Pampa Foods foi uma das empresas brasileiras participantes da Seafood Expo North America

longo da exposição. “É o caso do Festival Internacional do Tambaqui, realizado com sucesso em Boston pelo Consulado do Brasil, em parceria com o MPA e o governo de Rondônia”.

Em relação às barreiras comerciais e regulatórias que dificultam a competitividade do pescado brasileiro nos EUA, Mello explicou que o MPA trabalha em parceria com a Adidância Agrícola (SCRI/MAPA) e a Embaixada em Washington (MRE). “Mais uma vez, pela oportunidade da SENA 2025, em Boston, e com apoio dos nossos representantes na capital norte-americana, foi possível dialogar presencialmente com a equipe do

Para as empresas brasileiras, a SENA 2025 vai além de expor produtos: é reforçar a qualidade do pescado brasileiro no cenário mundial

governo dos EUA responsável pelo pescado. Estamos em um momento muito importante para as relações comerciais no mundo e, portanto, é fundamental nos posicionarmos institucionalmente com parceiros e autoridades pesqueiras e aquícolas nacionais”. Já o secretário ainda considera que, para atuar com cada vez mais competitividade no mercado mundial, a indústria brasileira precisa focar no “trabalho interno”. “A qualidade do produto brasileiro já é reconhecida no mundo todo. No entanto, precisamos constantemente dedicar esforços para reduzir os custos de produção e nos adaptarmos ao cenário econômico global”, analisou.

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SENA 2025 reuniu em três dias de evento em um espaço de mais de 23 mil m² no Boston Convention and Exhibition a nata do mercado global de pescado

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Neste ponto, conforme Neto, o MPA tem trabalhado institucionalmente para auxiliar as empresas brasileiras no mercado internacional. Uma das ações com esse objetivo foi a recente criação de três Comitês Temáticos: Carcinicultura, Tilapicultura e Pesca, no âmbito do Conselho Nacional de Aquicultura e Pesca (Conape). “Esses comitês são presididos por representantes de seu respectivo segmento produtivo e têm como principal objetivo subsidiar políticas públicas importantes e necessárias para sermos mais competitivos, de acordo com a visão e demandas daqueles diretamente envolvidos na atividade”, explicou.

Complementarmente, o MPA trabalha para desburocratizar e dar celeridade aos serviços públicos relacionados à produção e à comercialização. “Podemos citar, por exemplo, o Certificado de Origem Legal do Pescado (CAOL),

Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) ofereceu respaldo para ampliar oportunidades de negócios das empresas brasileiras. O objetivo foi fortalecer a cultura exportadora e a imagem do pescado brasileiro no mercado mundial

utilizado para exportar nosso pescado para determinados países, que, em 2024, foi totalmente modernizado com uso de inteligência artificial na Plataforma Nacional da Indústria do Pescado (PNIP).”

Além do mercado americano e dos esforços para retomar as exportações de pescado brasileiro à Europa, o secretário pontua que o MPA ainda tem ampliado sua atuação para conquistar novos mercados estratégicos. A intenção é diversificar os destinos comerciais, explorando regiões com potencial de crescimento, como Ásia, Oriente Médio e América Latina, a fim de fortalecer a presença internacional do pescado nacional e reduzir a vulnerabilidade a oscilações específicas de mercado.

Aqui, é importante reforçar ainda que atualmente, o pescado brasileiro tem

acesso a mais de 90 mercados no mundo, mas a relevância de cada um deles muda a cada momento. “Por exemplo, em 2024, pela primeira vez, estivemos com um pavilhão brasileiro na disputada China

International Seafood & Fisheries Expo 2024 e, apesar da China ser globalmente o maior parceiro comercial do Brasil, para o nosso pescado, esse mercado ainda está em processo de consolidação e temos muito para avançar.”

Segundo o secretário, o mais importante é manter o foco no que o setor produtivo indica como relevante. “Mesmo com um imenso leque de parceiros comerciais, acredito que o foco é na reabertura do mercado europeu e na abertura do mercado do Reino Unido. Sempre devemos prestar atenção ao cenário geopolítico atual para identificar oportunidades e atuarmos no momento certo”, concluiu.

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Divulgação
C.Vale
Produtos e lançamentos chamaram a atenção no evento
Diretor da Friocenter Pescados, Danillo Oliveira (à esquerda) destacou o tambaqui durante a SENA 2025
O gerente do Departamento Comercial da C.Vale, Fernando Aguiar, no estande da marca que levou ao evento seu portfolio focado em tilápia

Sorrindo para o futuro

Com forte presença brasileira, 43ª Seafood Expo North America (SENA) mostrou em três dias o otimismo do setor ao reunir a nata do pescado mundial formada por visitantes, profissionais, compradores e empresas de diversas nacionalidades.

Diogo Sabião (Sebrae RO), Luiz Paulo Batista (SEAGRI RO), Darci Agostinho (Sebrae RO), Jaqueline Corradi (Acripar), Marcos Rocha (Governador de RO), Edson Sápiras (Acripar), Denis de Farias (Sebrae RO) e Leandro Cesar Francisco (Friocenter Pescados)

Renato Morandi, Thiago Tochetti e Dagoberto Coracini (Qualyfish)

Juliano Kubitza e Alexandre Vasto (Fider Pescados|MCassab)

Valdemir Paulino, Valter Pitol, Genezio Clemente e Tiago Anderle (Copacol)

Rafaella Bittencourt e Bruna Carboni (Pampa Foods)

Fernando Aguiar (CVale), Yanic Bertini (Aquabest Seafood) e Tiago Souza (CVale)

Júlio Cesar Iglesias, Arimar França Filho e Cesar Calzavara (Produmar)

Aline Mattos, Attilio Leardini e Lucas Leardini (Leardini Pescados)

Pedro Freitas (Independent Brazil) e Guilherme Epitácio (Miamar Fish Export)

Danillo Oliveira e Leandro Cesar Francisco (Friocenter Pescados)

Jaqueline Corradi e Edson Sápiras (Acripar)

Luciano da Silva e Thais Carnevalli (Mar & Terra|Coprimar|Bello Alimentos)

Paola Martins e Lucas Martins (Green Fish BR)

Tiago Bueno (Seafood Brasil|Seafood Show), Antônio Ramon Amaral e Ana Helena Amaral (Brazilian Fish|Grupo Ambar Amaral)

José Gonçalves Filho e Aline Gonçalves (Allmare)

Jairo Gund, Liliam Catunda e Eduardo Lobo (ABIPESCA)

Kazumy Miura (Japa da Ostra) e Alexandre Reis (Brasil Seafood|Deep Sea)

Jorge Garcia (Oxpher Business Consulting), Guilherme Blanke e Tanara de Carvalho (Noronha Pescados|Popeye Seafood)

Esteban Villen e Emanuel Ricardo (Ayamo Foods|Cais do Atlântico)

Jairo Gund (ABIPESCA), Expedito Ferreira Jr. (Maris Pescados), Armando Medeiros (Mark Foods) e Israel Viana (Maris Pescados)

Danillo Oliveira (Friocenter Pescados), Edson Sápiras (Acripar), Marcos Rocha (Governador de RO) e Leandro Cesar Francisco (Friocenter Pescados)

Eduardo Ono e João Campos (Nova Aqua)

Thiago de Luca e Rafael Barata (Frescatto)

Josué Epitácio (Tudo do Mar Pescados) e Guilherme Epitácio (Miamar Fish Export)

Erick Tadeu (TAG Cargo) e Tiago Bueno (Seafood Brasil|Seafood Show)

Justin Conrad (Bay Hill Seafood) e Vinicius Orsi

Carlos Mello (MPA), Guilherme Blanke (Noronha Pescados), Ana Lucia Viana (MAPA), Paula Soares (Apex Brasil) e Jorge Garcia (Oxpher Business Consulting)

Astrid Holtan e Marianne Sivertsen (Ministério Pesca e Oceanos da Noruega), Carlos Mello e Expedito Netto (MPA)

Arimar França Filho (Produmar), John Roy (Boston Bluefin INC), Paiva Bacarat (Bala) e Cesar Calzavara (Produmar)

Manoel Pedrosa (Embrapa Pesca e Aquicultura) e Francisco Medeiros (PeixeBR)

Nordeste em evidência

A Expo Pesca e Aquicultura Nordeste 2025 destacou a integração entre a aquicultura, pesca artesanal e agricultura familiar, além de servir como uma plataforma para fortalecer o diálogo entre a cadeia produtiva, governo e academia

Texto: Fabi Fonseca

AExpo Pesca e Aquicultura Nordeste 2025 é reflexo de um movimento que busca consolidar o Nordeste como um dos principais polos da pesca e da aquicultura no País. Realizada entre os dias 3 e 6 de abril, no Centro de Convenções de Salvador (BA), durante a programação da Bahia Origem Week, a feira reuniu empresas, produtores, representantes governamentais e a academia em uma programação que incluiu exposições, palestras e capacitações.

A edição deste ano marca a consolidação de um projeto que nasceu em Sergipe, em 2022, para regionalizar e ampliar a visibilidade da produção pesqueira e aquícola do Nordeste. A evolução, segundo Humberto Eng, CEO da Expo Pesca e Aquicultura Nordeste, foi natural e estratégica: “Na primeira

edição, tivemos só Sergipe. Na segunda, já conseguimos englobar Sergipe, Alagoas e Bahia. E, este ano, demos um up e crescemos para mostrar o Nordeste”, relata. “Tivemos cerca de 32 mil pessoas passando pelo Centro de Convenções. Essa é a grande evolução do evento”, afirma o organizador.

O evento contou com o apoio do Governo Federal e do Governo do Estado da Bahia, por meio da Bahia Pesca, órgão vinculado à Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri). “A Expo Pesca e Aquicultura reúne os mais importantes atores do segmento, não só da Bahia, como de todo o Nordeste, em um ambiente para a interlocução entre instituições públicas, entidades privadas, associações, colônias de pesca e cooperativas para a troca de conhecimentos, experiências e oportunidades de negócios”, conta o presidente da Bahia Pesca, Daniel Victória.

Novas conexões, mesma essência

Uma das principais inovações desta edição foi a sinergia com a Bahia Origem Week, evento focado na valorização da agricultura familiar e dos produtos regionais.

Para Humberto Eng, essa aproximação foi decisiva para reforçar a integração entre os diferentes elos da cadeia, o que foi extremamente positivo. “Conseguimos atingir novas comunidades, novas pessoas. Mostramos, na Bahia, a força que a pesca e a aquicultura têm para várias empresas”, destaca o idealizador, que antecipa o desejo de manter a parceria em 2026.

Destaques da Expo Pesca e Aquicultura Nordeste 2025

Exposição e venda de produtos e serviços

O que foi: Estandes com empresas do setor pesqueiro.

Cozinha Show

O que foi: Espaço gastronômico com apresentações ao vivo.

Oportunidades e capacitações

O que foi: Espaço para networking e negócios.

Podcast Expo Pesca

O que foi: Conteúdo exclusivo gravado ao vivo no evento.

Fonte: Expo Pesca e Aquicultura Nordeste

3ª edição da Expo Pesca e Aquicultura Nordeste foi realizada em Salvador (BA) e reforçou protagonismo regional

Criatividade e sustentabilidade ganharam espaço no evento

Visibilidade, diálogo e desenvolvimento

A Expo Pesca tem se firmado como uma plataforma de diálogo entre a cadeia produtiva, o governo federal e os Estados. “O setor do Nordeste enfrenta vários problemas. Precisamos rever algumas questões de liberação ambiental e melhorar a cadeia produtiva do camarão e da piscicultura”, enumera Humberto Eng. “Neste ponto, o evento contribui para

mostrar o que a gente está precisando e o que a gente está fazendo de bom.”

Para Daniel Victória, o principal desafio da região está em fechar o ciclo da cadeia produtiva da pesca e aquicultura. “Ou seja, agregar valor à produção da matéria-prima, fomentando investimentos públicos e privados no beneficiamento, logística, distribuição e venda para o varejo e para o atacado”, afirma. Ele reconhece que ainda há barreiras em diferentes elos da cadeia, mas reforça que os esforços estão voltados à superação desses entraves.

Nesse contexto, a Expo Pesca e Aquicultura e a participação em outros eventos do setor ganham ainda mais relevância, ao impulsionar a visibilidade e a competitividade dos produtores locais. “Além disso, promovem práticas sustentáveis que ajudam a conscientizar o público sobre a importância de preservar a biodiversidade marinha e de fortalecer as comunidades litorâneas e ribeirinhas.”

Redes de conhecimento

O workshop “Construindo Redes”, promovido pela Bahia Pesca, reuniu mais de 80 alunos dos cursos de engenharia de pesca, zootecnia e biologia do campus de Cruz das Almas da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB).

Além dos estudantes, o encontro contou com representantes do MPA, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e de outras instituições. Durante o workshop, os alunos assistiram a quatro palestras técnicas e participaram de uma mesaredonda com especialistas.

“Entendemos que a educação é o melhor investimento para o desenvolvimento da pesca e da aquicultura da Bahia”, conta Daniel Victória. “São essas instituições que formam grande parte dos engenheiros de pesca, biólogos e veterinários”, finaliza.

Maré de negócios

Apas Show 2025, maior feira de alimentos e bebidas das Américas, busca superar os R$ 15 bilhões movimentados em 2024 e reforçar sua vocação como palco estratégico para o varejo

Texto: Fabi Fonseca

Reconhecida como a maior feira de alimentos e bebidas das Américas, a Apas Show se prepara para mais uma edição histórica. De 12 a 15 de maio de 2025, o Expo Center Norte, em São Paulo, volta a ser o epicentro de inovações, negócios e conexões estratégicas para o varejo. Com o tema “Um novo líder para um novo varejo”, a próxima edição projeta superar os R$ 15 bilhões movimentados em 2024 e fortalecer seu protagonismo globale o setor de pescado estará, mais uma vez, representado.

Se em 2024 o pescado foi representado por cerca de 32 estandes, mantendo o patamar de 2023, a edição de 2025 sinaliza uma estabilização com viés de crescimento. Com cerca de 34 expositores do segmento, conforme apurou nossa equipe de reportagem, a presença do pescado na Apas se

consolida como estratégica para as empresas do setor, que encontram na feira uma vitrine para dialogar com as grandes redes supermercadistas, ampliar a distribuição e posicionar suas marcas diante de um público qualificado.

Entre empresas brasileiras e estrangeiras, com estandes posicionados nos pavilhões Azul, Amarelo, Branco, Verde e Vermelho, marcas tradicionais como Brazilian Fish, Raguife, Masterboi, Qualimar (Carapitanga), Mar & Rio e outras dividem o espaço com grandes nomes das proteínas animais, como JBS e GTF.

“As expectativas para a Apas são sempre as maiores e melhores possíveis, pois ela, como uma das maiores feiras supermercadistas do Brasil, proporciona contato com os maiores e melhores clientes. Acreditamos muito no potencial do evento. Por isso, a expectativa sempre é grande, porque ele traz novos clientes

e representantes, e conseguimos projetar a marca em nível nacional”, resume Abner Almeida, CEO e cofundador da Caxamar Brasil.

Um evento pensado para transformar

A organização da Apas Show ressalta que a edição 2025 busca se destacar como um ambiente inovador, atuando como uma plataforma de negócios e promovendo conexões exclusivas entre os principais players do setor e novas oportunidades.

O evento vai além de alimentos e bebidas, abrangendo todas as vertentes do varejo, como tecnologia, logística, equipamentos e infraestrutura, sempre com foco em oferecer soluções práticas e estratégicas para os desafios do mercado atual. Mais do que um encontro convencional, segundo a organização, a feira se estabelece como uma fonte de negócios.

Seafood Brasil
Para além do bacalhau, da tilápia e do camarão, outras empresas do setor levarão um mix de produtos e espécies, reafirmando a relevância do pescado no principal palco do varejo supermercadista

Durante quatro dias, o festival será um espaço de troca intensa de conhecimento e experiências, com palestras e debates que trarão conteúdos sobre o presente e o futuro do varejo, explorando temas como transformação digital, comportamento do consumidor, sustentabilidade, liderança e inovações tecnológicas. “Queremos que o Festival Apas Show seja mais do que um evento: ela precisa ser uma experiência transformadora para quem busca se destacar no setor”, afirma Carlos Corrêa,

sobre o perfil do consumidor

diretor-geral da Apas Show.

Segundo ele, os participantes terão a oportunidade de adquirir novos conhecimentos, aplicar estratégias, fechar negócios e expandir suas redes de contato. “Nossa missão é ser uma plataforma para quem deseja estar à frente das mudanças no varejo de forma contínua, durante todo o ano, com reflexos gerados a partir de iniciativas tomadas no encontro”, diz.

Com a promessa de áreas interativas,

Congresso Apas Show: o palco de formação

O congresso transforma o evento em uma verdadeira plataforma de conhecimento, colocando o profissional no centro das discussões estratégicas.

Temasdedestaque:

• Inovação

• Tecnologia

• Sustentabilidade

• Humanização

• Expansão do setor

Objetivo:

Formar líderes capazes de conduzir um varejo mais:

• Diverso

• Sustentável

• Conectado

Fonte: Comunicação Apas Show

De olho nesses destaques

O bacalhau, uma das estrelas tradicionais da Apas, vem com força em 2025. O produto estará presente nos estandes de empresas já conhecidas do mercado brasileiro e internacional, como a Soguima e a Ferraz & Ferreira, além da BomPORTO, da Riberalves e outras reforçando o protagonismo do item nas gôndolas brasileiras.

Já entre as cooperativas de tilápia, nomes de peso como a CVale, a Copacol e a LAR levarão suas soluções para o varejo, enquanto gigantes da proteína animal, como a BRF e a Marfrig, garantem amplitude ao portfólio apresentado na feira.

Além do bacalhau e da tilápia, o camarão segue como uma aposta importante. Empresas como a Marchef Pescados, a Qualimar/ Carapitanga e outras apresentarão os produtos com valor agregado.

rodadas de negócios, lançamentos e muito networking, a edição de 2025 se apresenta como uma oportunidade importante para quem atua na indústria do pescado e deseja ampliar sua presença nas gôndolas do Brasil - e além.

Nas próximas páginas, confira a lista completa de expositores de pescado na Apas Show 2025!

Evento também trará a divulgação de pesquisa com recortes inéditos

O mapa do pescado na apas show 2025

Áreadeexposição:

78 mil m2

Mapa atualizado em 24/04*

De 12 a 15 de maio 2025

ExpoCenterNorte–SãoPaulo(SP)

Navegue entre os peixinhos do mapa e as tabelas para encontrar as empresas que levarão pescado na Apas Show 2025**.

*Esse é o layout e as empresas confirmadas na Apas Show 2025 até o fechamento desta edição. Mudanças podem ocorrer até o dia do evento, o que vai ocasionar divergências com as informações aqui publicadas com aquilo que vai se ver nos dias de feira.

**Até o fechamento dessa edição, não pudemos confirmar as empresas que representarão cada país. No entanto, as localizações estão indicadas na tabela que se encontra na página ao lado.

As notícias mais importantes de nosso site no último bimestre

Tarifaço de Trump cria cenários distintos para o pescado brasileiro

O chamado “tarifaço” do presidente norte-americano Donald Trump de 10% sobre todas as exportações para os Estados Unidos reacendeu discussões sobre competitividade internacional e impactos nas cadeias globais de suprimentos. O Brasil, apesar de ter sido incluído na lista de nações tarifadas com alíquota mínima, pode ter cenários distintos para o pescado brasileiro. “Atualmente, somos o segundo maior exportador de filé de tilápia fresca para os EUA, atrás apenas da Colômbia. Como nossos concorrentes diretos também terão a taxa de 10%, não perderemos competitividade”, afirma Francisco Medeiros, presidente da Associação Brasileira de Piscicultura (PeixeBR). Já para o CEO da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Jairo Gund, o tarifaço pode ter outra visão. “Estamos vivendo uma sequência de derrotas setoriais: ficamos de fora da reforma tributária, abrimos a importação de conserva e vimos o retorno da tilápia do Vietnã ao mercado brasileiro. Mas aí o Trump aparece com essa medida e, para nós, acaba sendo positiva”, avaliou. Porém, Julio César Antônio, presidente da Associação Brasileira de Fomento ao Pescado (Abrapes), reforça que as tarifas têm um impacto significativo no mercado global de pescado. “O Brasil agora enfrenta uma tarifa de 10% nas exportações para os Estados Unidos. Porém, o cenário fica mais evidente quando olhamos para outros players: o Chile, que antes era isento de impostos para o salmão exportado aos EUA, agora também está sujeito à mesma tarifa.”

Produção global de farinha e óleo de peixe inicia 2025 em alta

O início de 2025 trouxe um forte crescimento para a produção global de farinha e óleo de peixe. Segundo relatórios de inteligência de mercado da International Fishmeal and Fish Oil Organisation (IFFO), a produção total de farinha de peixe em janeiro de 2025 foi cerca de 75% superior à do mesmo período de 2024. Dentro desse contexto, o aumento expressivo foi impulsionado principalmente pelo Peru, que registrou um salto de 300% na produção. No entanto, outros países, como Chile, Estados Unidos, Espanha e algumas nações africanas, também apresentaram crescimento no setor. Já no segmento de óleo de peixe, o cenário também foi positivo: a produção global em janeiro de 2025 aumentou 71% em relação ao ano anterior, novamente com o Peru liderando a expansão.

Setor de food service tem avanço moderado de 0,8% em 2025, diz IFB

O Índice de Desempenho do Foodservice (IDF) foi divulgado pelo Instituto Foodservice Brasil (IFB) para janeiro de 2025. De acordo com a instituição, os dados coletados apontaram para um crescimento nominal de 7,5% nas vendas em relação ao mesmo período de 2024, mesmo levando em consideração que o avanço real (descontada a inflação) tenha sido de 0,8%.

A análise incluiu as vendas em mesmas lojas (unidades com mais de um ano de operação), que, por sua vez, registraram um crescimento moderado, com o desempenho sendo influenciado por fatores como o consumo típico do início do ano e medidas como programas de fidelidade. Por fim, o número total de transações em estabelecimentos do segmento, que inclui redes franqueadas e lojas próprias, apresentou aumento de 1,4% em relação a janeiro de 2024, movimento que indica manutenção do volume de operações no período.

Governo confirma imposto zero para sardinha, mas com limite fixado

Em março, o Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu zerar a alíquota do Imposto de Importação sobre um grupo de alimentos, incluindo a sardinha. A medida, criticada por entidades representativas do setor pesqueiro, que temem possíveis impactos negativos na cadeia produtiva, entrou em vigor em 14 de março. Um detalhe na decisão é o estabelecimento de um limite de importação de até 7,5 mil toneladas de sardinha com imposto zerado. A decisão, que integra um pacote de reduções tarifárias para 11 alimentos, havia sido anunciada pelo governo e foi tomada com o objetivo de conter a alta de preços dos alimentos.

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Consumo nos Lares Brasileiros avança 2,24% no bimestre

O Consumo nos Lares Brasileiros, cujos indicadores são deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA/ IBGE) e abrangem todos os formatos de supermercados, registrou retração de -4,25% em fevereiro em relação a janeiro, movimento sazonal típico do início do ano. No entanto, mesmo ao se analisar o acumulado do primeiro bimestre, o indicador registra alta de +2,24% e crescimento de +2,25% na comparação com fevereiro de 2024. Em resumo, os resultados têm a ver com a expansão da renda, redução da taxa de desemprego e continuidade dos programas sociais. Segundo o relatório, nos dois primeiros meses do ano, o orçamento das famílias é pressionado por despesas obrigatórias, como reajustes das mensalidades escolares, transporte, tributos, etc. Além disso, fevereiro é mais curto e, como o Carnaval foi em março, esses fatores influenciaram no desempenho mensal. Já para os próximos meses, a tendência é que haja uma recuperação no poder de consumo do público.

Korin reinaugura loja em Higienópolis e reforça oferta de pescado

A Korin reinaugurou, em março, a loja no bairro de Higienópolis, na capital paulista. Agora sob gestão própria, a unidade é a maior da rede e reforça o compromisso da marca com a alimentação saudável e sustentável. A loja pretende se tornar um ponto de referência mais completo para consumidores que buscam produtos livres de transgênicos, antibióticos e outros aditivos sintéticos. A nova gestão também amplia a oferta de pescado, reforçando esse segmento dentro do portfólio da empresa. “Essa área tem um grande potencial de consumidores de produtos naturais. Então, a estratégia é oferecer um pescado diferenciado, incluindo o lançamento do salmão Korin, além dos outros que já temos em linha, como a tilápia livre de hormônios e antibióticos e a truta criada de forma sustentável”, explica Reginaldo Morikawa, diretor de Negócios da Korin.

Definidas as regras e cotas para a pesca da tainha em 2025

No dia 28 de fevereiro, o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) publicaram a Portaria Interministerial MPA/MMA nº 26/2025. A Portaria estabelece o limite de captura, para o ano de 2025, nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, as cotas de captura por modalidade e área de pesca, bem como as medidas de registro, monitoramento e controle associadas à espécie tainha (Mugil liza). Segundo os órgãos, o limite de captura total da espécie tainha é de 6.795 mil toneladas. Em síntese, toda a definição foi feita com base na avaliação de estoque mais recente da espécie, publicada em 2023, e considerando as discussões do Grupo de Trabalho da Tainha.

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Divulgação

Na Planta

Tecnologia em processamento de pescado

Próxima

estação

A Engemaq destaca a sua estação para abate e evisceração de pescado para trazer dinamismo no dia a dia da indústria. Feita com aço inox AISI 304 e com acabamento em jateamento com microesfera de vidro e escovado, o item é equipado com todas as etapas do processo como sangria, evisceração, toalete, cortes/filetagem, toalete e separação de cortes. Para isso, o equipamento é composto pelos seguintes elementos: esterilizadores de facas; grelha de sangria; apoios de corte em PEAD; óculos para resíduos; torneiras para lavação; e gradeado inferior duplo para apoio de caixas.

No olho do raio-X

O sistema de inspeção por raios X IX-GN da Ishida do Brasil oferece um controle de qualidade para produtos que necessitam de uma inspeção mais minuciosa, justamente por ter a sensibilidade necessária para superar produtos desafiadores. A empresa informa que a máquina opera com algoritmos genéticos

patenteados pela Ishida permitem desenvolver filtros exclusivos de análise de imagem para corpos estranhos nos produtos. Por fim, a solução ainda possui tubos de tensão variáveis que permitem detectar densidades muito baixas de corpos estranhos.

Como uma

luva

Já a luva anticorte da Prevemax é indicada como um item indispensável em ambientes como frigoríficos, por exemplo. Confeccionada em malha de aço inox, com fio de 0,50 mm de espessura, anel de diâmetro externo de 4,0 mm, a luva possui uma pulseira da mesma malha com 2,5 cm de largura, travas e gancho para fechamento e ajuste. O item de segurança ainda conta com uma plaqueta de inox fixada no dorso e na pulseira, além de ser antibacteriana e resistente à abrasão, rasgos e furos.

Lava outra, lava uma mão

Busca um equipamento que permita a limpeza completa das mãos e do antebraço, removendo sujeiras e contaminantes com facilidade? O lavador de mãos da Inox Design pode oferecer o que você procurava. Acoplado com esterilizador elétrico com capacidade para 4 facas ou 2 chairas, o produto garante completa esterilização dessas ferramentas, eliminando assim germes e bactérias. Por fim, a empresa destaca que o lavador possui design robusto e durável, o que assegura um desempenho confiável e longa vida útil.

O mestre da filetagem

Precisão e elevada capacidade são as palavras-chave da Filetmaster 180, destaque da Kroma AS. Máquina de filetagem indicada para trutas, dourados e robalos, o equipamento foi projetado com uma estrutura em aço inoxidável AISI 304 para garantir a estabilidade de trabalho em todas as condições e momentos. Equipado com uma transmissão por correia de cames que é muito simples de ajustar e manter. Podendo filetar peixe inteiro ou peixe que já tenha sido eviscerado, o produto tem a capacidade de processar até 120 peixes/minuto com peso que pode variar de 0,25 e 2 kg.

Separação eficiente

A despolpadeira de pescado da Branco Máquinas foi desenvolvida para realizar separação da carne entre as espinhas de diversos tipos de pescado – para isso, a máquina utiliza o método Carne Mecanicamente Recuperada (CMR). De acordo com a empresa, a tecnologia tem produção de 400 kg/h (apara tilápias) e conta com uma bandeja superior para acolhimento dos peixes a serem processados, outra bandeja acumuladora de polpas na bica de saída e volantes especiais para controle de tensão da correia e pressão na extração da carne de entre as espinhas.

Crédito das fotos: Divulgação/Empresas

De boca aberta com a genética

Avanços em genética e programas de melhoramento buscam elevar o patamar do peixe brasileiro, mas também revelam que uma verdadeira revolução pode estar a caminho para o setor

Texto: Fabi Fonseca

Agenética é, muitas vezes, vista como um campo técnico e distante da rotina da produção e, principalmente, do consumidor final. Mas basta olhar para os alimentos do nosso prato e refletir que tudo ali é, basicamente, fruto de ciência aplicada na genética e de técnicas de melhoramento genético. Afinal, a prática da seleção não é nova na história da humanidade e, desde os primórdios da agricultura e da domesticação de animais, o ser humano observa e escolhe os indivíduos mais produtivos ou adaptados. Porém, a compreensão científica sobre a hereditariedade e os genes - que emergiu no início do século passado - permitiu transformar essa prática empírica em ciência aplicada.

Já o melhoramento genético tornou possível, por exemplo, reduzir o ciclo de produção de frangos de 90 para 40 dias, conquista esta que teve efeitos diretos na segurança alimentar e no acesso da população a proteínas animais. “Na década de 70, o brasileiro consumia cerca de 3 kg de frango por ano. Hoje, esse número chega aos 45 kg. Ou seja, esse incremento na produtividade possibilitou a redução do preço do frango, bem como a expansão do consumo na população”, diz o

Tripé da produção animal

Genética: performance produtiva vem dos genes.

Nutrição: fornece a energia necessária para o crescimento.

1 2 3 Manejo:

garante bem-estar para que o potencial genético se manifeste.

professor da Universidade de Mogi das Cruzes e coordenador do Laboratório de Genética de Organismos Aquáticos e Aquicultura, Alexandre Hilsdorf.

A vez da piscicultura

Enquanto a agropecuária colhe os frutos de mais de um

século de seleção genética dirigida, a piscicultura ainda está praticamente nos seus primeiros passos. Os primeiros programas científicos de melhoramento genético de peixes surgiram na Noruega, com o salmão, na década de 1970. Já hoje, estima-se que cerca de 99% do salmão consumido no mundo venha da aquicultura.

No Brasil, o avanço foi impulsionado por outra espécie: a tilápia. A história desse sucesso começa com o programa Genetically Improved Farmed Tilapia (GIFT), iniciado na Ásia nos anos 1980, com apoio da WorldFish. O programa cruzou diferentes linhagens de tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus) - oriundas do Rio Nilo e de outras regiões - criando famílias com maior variabilidade genética, base para a seleção dos indivíduos superiores.

A introdução dessas variedades GIFT no Brasil aconteceu no começo dos anos 2000 pelo Departamento de

Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e transformou a tilapicultura nacional. “Quando fiz Zootecnia, na década de 1980, a tilápia chegava a 500 g em cerca de 8 meses, dependendo da temperatura. Na época, era impensável ter uma

tilápia economicamente viável de 800 a 1 kg”, conta Hilsdorf. Hoje, as variedades geneticamente melhoradas como a GIFT, atinge esse peso em sistemas intensivos, com manejo adequado e temperaturas ideais em média de 5 a 6 meses.

Melhoramento genético busca reposicionar o peixe no prato do consumidor Canva Heitor Marcon/UEM

Política RGen+ Sustentável

Foco

• Inovação, conservação e valorização genética

Objetivo

• Promover inovação com sustentabilidade e uso eficiente de recursos

Pilares

• Inovação agropecuária e florestal

• Conservação genética

• Eficiência no uso dos recursos

Resultados esperados

• Sistemas sustentáveis

Novos negócios

• Valorização de saberes tradicionais

Fonte: Mapa

Ribeiro reforça que, atualmente, o método predominante nos programas é a genética quantitativa, amplamente utilizada em outras cadeias animais e vegetais. “Hoje, estimamos que temos no Brasil entre oito e dez programas independentes sendo conduzidos”, diz. A maioria segue o modelo clássico, mas já existem iniciativas com o uso de tecnologias moleculares como métodos auxiliares e com grandes perspectivas para o futuro.

Além da tilápia…

A comparação não é meramente estatística. Afinal, o avanço genético viabilizou a produção em escala industrial e colocou o Brasil entre os maiores produtores mundiais da espécie. “É na tilapicultura que as estratégias de seleção vêm mostrando maior perenidade e impacto sobre os índices zootécnicos da produção”, completa o professor Ricardo Ribeiro, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), e um dos responsáveis por trazer a GIFT ao Brasil.

Conservação genética e política pública

Com a genética ganhando espaço nas cadeias produtivas, conservar recursos genéticos tornase estratégico. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), os recursos genéticos abrangem todos os materiais com valor atual ou potencial para usos diretos ou indiretos na alimentação e na agropecuária. Em resposta, o Governo Federal lançou, em março, a Política Nacional de Conservação e Uso Sustentável dos Recursos Genéticos (RGen+Sustentável).

Embora a tilápia lidere em tecnologia e adoção de melhoramento genético, outras espécies também já foram foco de iniciativas. Ribeiro lembra que esforços com tambaqui e bagres, foram iniciados em diferentes momentos da aquicultura brasileira. “Mas essas iniciativas não avançaram, especialmente pelo longo intervalo entre gerações e a redução do interesse dos produtores”, diz.

Apesar disso, um entrave clássico do tambaqui vem recebendo atenção científica há alguns anos: as espinhas intramusculares, conhecidas como espinhas em Y. “Na verdade, elas não são propriamente espinhas, mas sim tendões ossificados, presentes na musculatura de algumas espécies de peixes.

A presença dessas ‘espinhas’ são um entrave para o processamento industrial de peixes como tambaqui, pacu, matrinxã entre outras espécies nativas utilizadas na piscicultura nacional”, explica Hilsdorf.

Segundo ele, seu laboratório foi pioneiro nos primeiros estudos na identificação de um mutante da espécie tambaqui sem essas espinhas e, posteriormente, em uma colaboração internacional com um grupo de pesquisa na China, do gene responsável por essa característica. Ele vê nessa descoberta um exemplo claro do potencial da genética para transformar a aquicultura nacional. “Claro que daria para desenvolver um tambaqui de alto rendimento e sem espinhas, mas para isso, é preciso incorporar essa característica em um programa de melhoramento. Isso é o que falta.”

Laboratório de Hilsdorf investe em linhas de pesquisa como o uso de ultrassonografia para medição de área de lombo de tambaqui
Hilsdorf

Ricardo Ribeiro defende que o melhoramento genético pode impactar a qualidade do pescado na rastreabilidade total no processo e na padronização de períodos de produção, cortes comerciais, rendimento, entre outros.

Nova fronteira estratégica

Tudo indica que o caminho para o peixe ocupar um lugar de maior relevância na mesa do consumidor passa, necessariamente, pela genética. “Um dos impactos da genética pode ser exatamente diminuir custos – afinal, você vai produzir um peixe em menos tempo, com uma melhor conversão alimentar. Ou seja, você vai gastar menos ração, o que vai possibilitar diminuir o custo de produção”, defende Alexandre Hilsdorf.

O raciocínio é simples, mas poderoso: assim como a avicultura popularizou o frango ao torná-lo acessível, a genética pode permitir à aquicultura produzir peixes com mais eficiência, menos custo e maior padronização. “O que fez a gente comer mais frango? O valor. Peixe ainda é um produto caro”, completa o professor.

Atualmente, no Brasil, empresas do setor já têm desenvolvido seus próprios programas de melhoramento, enquanto outras optam por comprar produtos melhorados de terceiros. “O programa de melhoramento envolve os custos da empresa e gente especializada. E nem todas as empresas fazem isso. Na verdade, no Brasil, são pouquíssimas as que fazem: a maioria são de produtores pequenos que produzem alevinos e optam por matrizes como a GIFT, mas sem programas de melhoramento tecnicamente certificados”, diz Hilsdorf.

Ao abordar os avanços recentes que impulsionam a produtividade e a competitividade do setor aquícola, o professor Ricardo Ribeiro destaca que, embora existam dados sobre a resistência a doenças em tilápias

ESPECIALISTAS EM PRODUTOS

A genética pode permitir à aquicultura produzir peixes com mais eficiência, menos custo e maior padronização. È assim que o pescado pode se tornar acessível como o frango a partir de um ponto sensível para o consumidor: o valor

Barreiras no caminho da genética

em alguns programas, essa não é uma prática ainda amplamente aplicada de forma sistemática nos sistemas de seleção genética. “É fato que os animais melhorados, como são avaliados em sistemas de produção com todos os desafios ambientais de uma produção comercial, é evidente que está se selecionando animais mais adaptados a estes desafios”, afirma.

No que diz respeito à eficiência alimentar, Ribeiro observa que não há, até o momento, relatos de programas de seleção genética conduzidos de forma integrada com fábricas de ração ou com o desenvolvimento de dietas específicas. Ainda assim, o mercado tem forçado soluções nesse sentido. “O próprio mercado tem exigido uma evolução no desenvolvimento de dietas mais adequadas às novas necessidades das linhas mais produtivas”, aponta.

O professor ressalta que há uma lacuna importante a ser preenchida: a necessidade de trabalhos específicos que integrem os elos da genética e da nutrição. “A associação entre genética e nutrição, aliada à evolução dos sistemas de produção [ambiente], é o que traz o resultado final do cultivo”, fala.

Apesar do potencial e do progresso já observados, o melhoramento genético no pescado ainda enfrenta entraves técnicos e estruturais. Ribeiro destaca que os gargalos regulatórios - como a falta de entendimento do setor público regulador em facilitar os processos de produção, seja no licenciamento ambiental ou no uso de novas linhagens melhoradas - e a própria conscientização do setor produtivo ainda são barreiras ao avanço mais robusto da genética aplicada à piscicultura brasileira. “O principal hoje é o entendimento do setor produtivo sobre a necessidade do uso de animais melhorados, pois estes, em qualquer situação de criação, são mais produtivos e eficientes do que qualquer linha não melhorada.”

Também é importante, segundo ele, quando se fala no uso de técnicas moleculares e de biotecnologia no melhoramento, considerar a percepção pública em relação ao consumo desses animais. “Não é só produzi-los: temos que ver se o mercado vai consumi-los.”

Outro ponto relevante para programas de melhoramento de peixes nativos ou de espécies ainda não melhoradas é a participação do poder público no financiamento, até que o nível tecnológico atinja um patamar de produção sustentável

que permita a adoção e condução desses programas exclusivamente pelo setor produtivo. “O financiamento público no início dos programas é fundamental”, completa Ribeiro.

Neste contexto, o professor da UEM relata que os programas públicos com acesso privado têm cumprido uma função importante, sendo responsáveis por mais de 60% de toda a genética distribuída e utilizada pelo setor produtivo. “Enquanto isso, os programas privados estão se consolidando e tomando corpo”, afirma.

Já Alexandre Hilsdorf é enfático ao apontar a ausência de uma cultura de investimento em P&D por parte da iniciativa privada. Assim, segundo ele, o papel das universidades, das agências públicas de fomento e dos programas voltados para a cadeia produtiva ainda é central no desenvolvimento científico aplicado à agropecuária e à aquicultura. “Quem colocou a agropecuária nesse patamar que nós temos hoje, foi o dinheiro governamental”, lembra.

E, apesar dos desafios, o investimento compensa, conforme Hilsdorf. Ele destaca o esforço envolvido nos programas tradicionais, que exigem a formação de famílias, a identificação individual dos animais e uma base robusta de dados fenotípicos. “É trabalhoso e custoso”, resume.

Pesquisas com uso do melhoramento genético também estudam a variedade de tilápia vermelha
Hilsdorf

Tecnologias promissoras

Com isso, entre as tendências e inovações que podemos esperar para os próximos anos no campo da genética aplicada à piscicultura, Ricardo Ribeiro pontua que novas tecnologias como o uso da edição gênica e o uso da genômica serão muito importantes no futuro destes programas.

Mas, ao mesmo tempo em que a genética se fortalece e avança, suas diferentes técnicas ainda são um campo desconhecido e confuso para muitos. Sendo assim, um dos focos agora é, por exemplo, a edição genética, especialmente a ferramenta conhecida como CRISPR-Cas9. “É o mesmo fenômeno biológico que as bactérias têm, por exemplo, como sistema de defesa contra vírus. O pessoal entendeu esse processo e

viu que ele podia ser usado para reconhecer e editar regiões específicas do DNA”, explica Hilsdorf.

Hilsdorf, que também é membro do Comitê Técnico Nacional de Biossegurança (CTNBio), exemplifica a dificuldade com a confusão entre técnicas como a edição gênica e os alimentos transgênicos. Diferentemente da transgenia, ele conta que a edição gênica não introduz material genético externo de outra espécie. Afinal, trata-se de um ajuste preciso no próprio DNA do organismo o que, conforme a legislação atual brasileira, não o enquadra como Organismo Geneticamente Modificado (OGM). “Edição gênica não é transgênico”, pontua.

Entre os exemplos mais discutidos da edição gênica está a inativação do gene da miostatina - responsável por

controlar, por exemplo, o crescimento muscular dos animais - atualmente utilizado em pesquisas com tilápias, e na busca de peixes sem espinhas, como o tambaqui. Entretanto, como lembra o especialista, os ganhos potenciais precisam ser avaliados com responsabilidade. “A tilápia vai ter algum problema de bem-estar? Ela vai diminuir a fertilidade? Não sei. São perguntas que a gente tem que fazer quando está desenvolvendo uma pesquisa”, pondera.

Assim, em meio a tantos avanços, o essencial é que o setor também não perca de vista o básico: seja com o melhoramento genético clássico ou a lançar-se rumo a tecnologias mais sofisticadas, a busca deve seguir por uma produção mais eficiente, associada à produtividade, à sustentabilidade e ao bem-estar animal.

Aposta de dentro para fora

Subsidiária do grupo global GenoMar Genetics, a GenoMar Genetics Brasil tem presença consolidada no País e aposta em nova linha em meio a planos de expansão

Aaquicultura brasileira, especialmente a tilapicultura, vive um momento decisivo. Em meio à crescente pressão por eficiência, produtividade e segurança alimentar, a inovação genética aparece como um dos pilares mais promissores para sustentar o crescimento e a rentabilidade do setor. E, diante da demanda, empresas de genética surgem cada vez mais como peças-chave - a exemplo da GenoMar Genetics Brasil, subsidiária do grupo global GenoMar Genetics, que recentemente consolidou sua identidade no País com a mudança do nome anterior, AquaGenetics do Brasil. Com quase 35 anos de atuação no desenvolvimento de genética de tilápia, o grupo aposta em um modelo integrado de inovação, combinando centros de melhoramento genético, testes de campo e feedback dos clientes para entregar linhagens adaptadas às realidades específicas de cada mercado. “Em 2024, o Brasil bateu recordes de produção de tilápia,

GenoMar Genetics Brasil investe em centros de melhoramento genético e produtos para expansão, como a nova linhagem que deverá estrear em breve no mercado brasileiro

crescendo mais de 14%. Esse aumento rápido de produção necessita de tempo para adaptação do mercado, o que muitas vezes leva à redução de preços e dificuldades na colocação dos produtos”, explica o CEO do GenoMar Genetics Group, Gustavo Bozano.

Com preços mais baixos pagos ao produtor e margens mais apertadas, Bozano é certeiro ao destacar que é primordial pensar em estratégias que ofereçam ao produtor a possibilidade de reduzir custos de produção - e a genética é uma ferramenta que pode auxiliar de diferentes formas, seja na melhoria da conversão alimentar do animal, na redução do ciclo produtivo ou no aumento do rendimento de carcaça. “Cabe ao produtor escolher a estratégia e ajustar o sistema para tirar o melhor proveito das vantagens de um produto genético diferenciado.”

GenoMar 1000: um novo capítulo

Em 2024, a empresa anunciou a chegada da linha GenoMar 1000 ao

Brasil, marcando um novo capítulo neste processo de evolução. Conforme a companhia, o produto é resultado de mais de três décadas de seleção genética contínua e foi desenvolvido com foco em crescimento acelerado, produtividade e resistência sanitária.

Segundo Bozano, o diferencial do GenoMar 1000 está na performance acima de 300 g, especialmente a partir dos 600 g, podendo chegar a 20 g/dia. “É a linhagem escolhida pelos nossos clientes ao redor do mundo que buscam mais ciclos de produção por ano, melhor uniformidade dos animais e maior rendimento de carcaça”, detalha. O desempenho em campo também revelou alta tolerância à Streptococcus agalactiae, patógeno comum em sistemas de produção.

Desafios de adoção e ajustes

Porém, para que uma genética de alta performance possa ter um impacto significativo na competitividade - seja na indústria brasileira ou no mercado

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global -, é preciso superar desafios como os regulatórios, a aceitação do mercado interno à inovação e a adesão de mais produtores e parceiros.

Nesse contexto, Bozano defende a genética trazida pela companhia ao Brasil. “Nossos clientes que já usam o produto, sabem diferenciar os tanques que têm GenoMar só de olhar. Mas, como toda nova tecnologia, alguns ajustes de manejo são necessários, como, por exemplo, taxas de alimentação”, pontua.

Exemplificando, ele conta que uma tilápia, para chegar a 1 kg, necessita comer 1,5 kg de ração em 180 dias. O animal da marca vai consumir os mesmos 1,5 kg de ração em 160 dias. Isso significa, conforme o CEO, que o animal vai ingerir mais ração por dia, mas chegará ao peso de abate antes - mantendo a mesma conversão alimentar ou até melhorando-a. “Se não usarmos uma taxa de alimentação diária adequada para esse animal (mais alta, principalmente a partir de 300 g), ele não mostrará o potencial que a genética tem”, diz.

Outro exemplo usado por Bozano está no fato de que algumas tabelas de alimentação sugerem a redução da oferta de alimento em temperaturas de água inferiores a 240C. Porém, ele defende que o produto consome e converte alimentos mesmo em temperaturas mais baixas. “Esses são ajustes que nossos clientes estão fazendo e, cada vez mais, entendendo como manejar esse novo produto”, afirma.

Logo, segundo ele, os produtores que derem as condições para o animal expressar todo o seu potencial podem ser surpreendidos com os resultados .

Expansão e biosseguridade

No começo do ano, a então AquaGenetics do Brasil anunciou sua transição para um novo nome e identidade visual, passando a se chamar GenoMar Genetics Brasilmudança que trouxe também reflexos concretos para as operações brasileiras. “A transição de AquaGenetics para

O CEO do GenoMar Genetics Group, Gustavo Bozano, defende que não basta ter a melhor genética; ela tem que vir dentro do melhor produto e fornecendo segurança para os clientes

GenoMar Genetics Brasil acelera ainda mais o uso do conhecimento gerado em cada país para o desenvolvimento de linhagens que estejam direcionadas às necessidades dos nossos clientes no Brasil, o que nos dá flexibilidade e celeridade para ajudá-los com os desafios que estão por vir”, explica o CEO.

Conforme ele, com centros de melhoramento genético nas Américas e na Ásia (GGLatam e GGAsia), o grupo distribui alevinos com perfis específicos para diferentes mercados. No Vietnã, que enfrenta desafios sanitários na produção de tilápia, por exemplo, a aposta é na linhagem com maior rusticidade.

Já nas Filipinas, o mercado local demanda peixes “de mesa” com 400 g, e a escolha é a linha que proporciona maiores crescimentos entre 100 g e 500 g. Porém, no caso da Malásia, que tem perfil de produção em tanquesrede com filé para exportação, a

A melhoria genética se apresenta como uma ferramenta indispensável para que o produtor possa reduzir seus custos de produção através da melhoria da conversão alimentar do animal, na redução do ciclo produtivo e no aumento do rendimento de carcaça

GenoMar Genetics Brasil

linha escolhida une crescimento, uniformidade e rendimento de carcaça. “Nossos programas genéticos permitem que nossas linhagens sejam direcionadas para os desafios de cada país ou região”, completa.

No Brasil, além da nova linha e dos produtos já existentes, o grupo avança com investimentos em biosseguridade. “Até o final deste ano, todas as nossas fazendas utilizarão poços ou sistemas de entrada de água tratados com tecnologia UV como fonte de abastecimento. Este ano, estamos também estruturando nossa primeira unidade de produção de alevinos em RAS [sistema de recirculação de água], que deverá estar 100% funcional no final de junho”, revela. A mudança trará capacidade para 68 milhões de alevinos por ano e servirá de modelo para futuras expansões do grupo.

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A organização mantém, no mercado brasileiro, o fornecimento das marcas Aquabel e GenoMar

Tecnologia pretende alcançar, em um ano, o progresso genético equivalente a duas décadas de melhoramento convencional

Editando a próxima geração

Com uso de edição genética, a Brazilian Fish lidera projeto que busca elevar o rendimento de carcaça, reduzir o tempo de cultivo da tilápia e “democratizar” o pescado na mesa do brasileiro

Apiscicultura brasileira avança no campo da inovação genética, com iniciativas que prometem transformar não apenas a produtividade, mas também a competitividade do setor. E esse é um dos objetivos da Brazilian Fish, produtora de tilápia de Santa Fé do Sul (SP), que movimentou o setor ao anunciar, no início deste ano, o desenvolvimento bem-sucedido da primeira espécie geneticamente editada no País.

A inovação de uma das empresas pertencentes ao Grupo Ambar Amaral nasce da parceria estratégica firmada com o Center for Aquaculture Technologies (CAT), dos Estados Unidos. O projeto utiliza técnicas de alta precisão para promover alterações específicas no DNA da tilápia, sem introdução de material genético externo. A meta é clara e um sonho para a indústria nacional: aumentar o rendimento de filé, reduzir o tempo de produção e otimizar a conversão alimentar, promovendo ganhos expressivos em escala.

Segundo o diretor da Brazilian Fish, Ramon Amaral, a edição genética representa um salto tecnológico significativo em relação aos métodos tradicionais de melhoramento. “Geralmente, o processo convencional consiste na seleção de indivíduos com base no fenótipo - características visuais como cabeça, lombo e comprimento - e genótipo, com coleta de material a fim de evitar, por exemplo, a consanguinidade. A evolução existe, mas é devagar. Para você conseguir melhorar uma característica, você demora muitos anos, às vezes, uma vida e não consegue evoluir”, explica.

Neste contexto, a inovação proposta pela empresa vai além da seleção genética convencional. Amaral detalha que a técnica aplicada pela companhia consiste em “nocautear” um gene específico - a miostatina, responsável por limitar o desenvolvimento muscular. “Selecionamos um animal com morfologia ideal e sem consanguinidade, coletamos espermatozóide e o óvulo, fazemos a fecundação em laboratório e aplicamos a

técnica que inativa esse gene”, resume. Os ganhos projetados não se restringem à performance zootécnica. Hoje, uma tilápia leva de 10 a 12 meses do nascimento ao abate e apresenta um rendimento médio de carcaça de cerca de 33%. Com a nova tecnologia, a meta é alcançar até 40% de rendimento, reduzir o tempo de cultivo em até 20% e melhorar a conversão alimentar em aproximadamente 15%. Porém, os reflexos não param no campo: “Você imagina aumentar em 40% o rendimento de carcaça? Isso pode significar uma redução de mais de 25% no preço final ao consumidor”, projeta Amaral.

Edição com responsabilidade

É indiscutível que a segurança biológica e a conformidade regulatória são aspectos indispensáveis em qualquer inovação genética. Por isso, o diretor da Brazilian Fish reforça que toda a trajetória do projeto passou por um rigoroso processo de validação junto à Comissão Técnica Nacional

Brazilian Fish

de Biossegurança (CTNBio). “Ela [a CTNBio] é um órgão muito exigente. Temos que mandar relatórios, e eles acompanham tudo com muito critério”, relata.

Instituída em 2005, a CTNBio é um colegiado multidisciplinar vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações responsável por prestar apoio técnico consultivo e assessoramento ao Governo Federal na formulação, atualização e implementação da Política Nacional de Biossegurança relativa aos Organismos Geneticamente Modificados (OGMs). A comissão atua na formulação de normas técnicas e pareceres sobre proteção à saúde humana, organismos vivos e meio ambiente, cobrindo todo o ciclo de vida de OGMs e derivados - da construção e experimentação ao descarte e comercialização.

Nesse sentido, Amaral é enfático ao destacar que a tecnologia utilizada para edição genética pela Brazilian

Fish é diferente da transgênica. “O editado não é isso [transgênico]. Você não pega nenhum fragmento, nenhuma parte de DNA, nada de uma outra espécie. É dentro do mesmo indivíduo. Você só nocauteia. É como se você fizesse um corte no DNA naquele lugar onde quer que ele pare ou continue a se desenvolver”, explica.

Embora disruptiva, ele pontua que a tecnologia adotada pela companhia não é inédita em outras cadeias produtivas e já está presente em alimentos que fazem parte do cotidiano da população. Assim, a inovação, que teve início há quase 3 anos com um parceiro anterior, antes de ser assumida pela CAT, só foi adiante após cumprir todos os trâmites legais e regulatórios. “Demoramos muito por conta das questões regulatórias. Só começamos depois de aprovar tudo na CTNBio. Aqui, se não for para estar dentro das quatro linhas, a gente nem começa”, reforça.

Tilápia para todos

Além do impacto na produção, a Brazilian Fish enxerga também um forte potencial social na proposta. Considerando que a tilápia é atualmente a principal espécie de peixe produzida no Brasil, com mercado consolidado e ampla capacidade de ganho de escala, o objetivo declarado da empresa também é “democratizar” o acesso à proteína. “Hoje, o brasileiro não consome mais peixe porque é caro. Eu quero que a tilápia se transforme

na proteína mais barata na mesa do consumidor”, afirma Ramon Amaral.

E se, por exemplo, inicialmente o foco da edição genética está em características como o rendimento de carcaça, a ambição vai além. “Amanhã, vamos tentar ver se conseguimos formar um animal com couro vermelho, que é muito valorizado, mas hoje não tem desempenho satisfatório. Quem sabe conseguimos uma tilápia de couro vermelho com boa performance?”, projeta Amaral, já mirando novos atributos de mercado.

No entanto, apesar do entusiasmo com os resultados já alcançados, o diretor demonstra ter consciência da magnitude do desafio. “Às vezes, eu paro e penso: será que vai ser a gente que vai fazer isso? Acho que nem os meninos aqui que participam neste projeto têm noção de que, se 10% do que estamos tentando der certo, nós vamos escrever um capítulo na história da aquicultura para o resto da vida”, reflete.

Dessa forma, ao mesmo tempo disruptiva e cautelosa, a aposta da Brazilian Fish busca consolidar uma nova era para a piscicultura brasileira e reforçar a tilápia como protagonista na mesa do consumidor, não apenas por seu valor nutricional, mas pela eficiência de produção e acessibilidade ao consumidor. “É um negócio muito grande e a gente está muito entusiasmado. Não pretendemos expandir para outras espécies, mas pretendemos continuar”,

Mais do que um projeto interno, Ramon Amaral enxerga a tecnologia como um legado para o setor
Edição genética utilizada pela empresa promete fazer diferença no prato do consumidor
Brazilian Fish
Canva

Como é o projeto da tilápia geneticamente editada?

1. Fase de estruturação

Duração: 2 anos

Ação: Planejamento técnico e pesquisas preliminares

2. Testes genéticos iniciais

Equipe envolvida:

• Cientistas do CAT (Centro de Aquicultura)

• Núcleo de P&D da Brazilian Fish

Método:

• Indução reprodutiva

• Fertilização in vitro

Finalidade:

Obter ovos fertilizados ideais para a geração de variações genéticas precisas

3. Resultados alcançados

Criação dos primeiros animais geneticamente editados

Características visadas:

• Crescimento acelerado

• Maior eficiência alimentar

• Melhor rendimento de carcaça

4. Fase atual

Situação: Animais segregados com segurança

Próximo passo:

• Avaliações de desempenho zootécnico

• Testes genômicos de precisão

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Capa

Com base em ciência, tecnologia e parcerias estratégicas, a Embrapa Pesca e Aquicultura está no caminho para uma piscicultura mais moderna, competitiva e adaptada aos desafios atuais, especialmente entre as espécies nativas – e o tambaqui pode ser o primeiro a nadar nessa nova corrente genética

ÀEm busca do tambaqui ideal

medida que o setor avança rumo à profissionalização, a genética deixa de ser coadjuvante na piscicultura brasileira e cresce a percepção de que a competitividade das espécies nativas também passa, necessariamente, pelo melhoramento genético. Nesse movimento, a Embrapa Pesca e Aquicultura tem desempenhado um papel importante com a busca pelo desenvolvimento de linhagens superiores de tambaqui (Colossoma macropomum), o peixe nativo mais produzido no Brasil.

“A genética é um dos pilares fundamentais da produção vegetal e animal. No entanto, a maior parte do tambaqui produzido na aquicultura ainda não passou por um processo efetivo de melhoramento genético”, alerta a pesquisadora da Embrapa, Luciana Shiotsuki. Segundo ela, isso representa uma lacuna, mas também uma oportunidade estratégica para empresas que apostam em genética. “Sem produtos geneticamente melhorados, a cadeia produtiva do tambaqui atualmente enfrenta dificuldades para se tornar competitiva na indústria do pescado”, reforça.

Etapas e metodologias do projeto

“Inovação Genômica na Aquicultura”

O programa segue uma abordagem científica robusta e multidisciplinar. Confira as principais etapas:

1 2

Reprodução e formação de famílias

Reprodutores selecionados geram famílias distintas de tambaqui, base do programa de melhoramento

Distribuição do material genético

Os animais são distribuídos entre instituições parceiras: Centro de Aquicultura da Unesp (Caunesp) –Jaboticabal/SP, Unesp de Registro/SP e Embrapa Pesca e Aquicultura – Palmas/TO

Fonte:

Os alevinos de cada família são cultivados para posterior avaliação fenotípica e genotípica

Testes de desempenho e resistência

São realizados experimentos com foco em três pilares:

• Crescimento : Avaliado na Embrapa Pesca e Aquicultura

• Resistência ao frio: Conduzido por Rafael Vilhena Reis Neto (Unesp – Registro/SP)

• Resistência à Flavobacterium oreochromis: Estudo liderado por Diogo Teruo Hashimoto (Caunesp– Jaboticabal/SP)

Estudo da base genética dos fenótipos

Aplicação de análise genômica ampla Genome-Wide Association Study (GWAS) para mapear regiões genômicas associadas às características de interesse

3 4 5 6

Predição genômica

Utilização de painéis de marcadores moleculares (SNPs) de baixa e alta densidade, além da imputação de genótipos, para aprimorar a seleção genética do tambaqui

Projeto de inovação genômica da Embrapa Pesca e Aquicultura visa transformar a produção do principal peixe nativo do Brasil

A Embrapa lidera um projeto que busca mudar esse cenário: o “Inovação Genômica na Aquicultura: Estratégias de Seleção para Potencializar a Produção Sustentável do Tambaqui”, iniciativa vinculada ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Biodiversidade e Uso Sustentável de Peixes Neotropicais (INCT Peixes). Coordenado pelo professor Marcelo de Bello Cioffi, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o projeto reúne uma rede robusta com 30 universidades e institutos nacionais e 22 instituições internacionais.

Estrutura da pesquisa e resultados esperados

Na unidade da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), o foco está na criação das progênies e nos testes de desempenho. Lá, os dados coletados incluem peso, comprimento total, altura e outras variáveis fenotípicas de interesse. “A implementação de um programa estruturado de melhoramento genético para o tambaqui não apenas fortalecerá a cadeia produtiva dessa espécie nativa, mas também permitirá a padronização da produção e a seleção de indivíduos com melhor desempenho zootécnico, resultando em um ciclo produtivo mais eficiente, com maior taxa de crescimento, menor mortalidade e menor incidência de deformidades”, explica a pesquisadora Luciana Shiotsuki.

Além disso, a caracterização genética da espécie impulsionará o desenvolvimento de pacotes tecnológicos integrados, incluindo rações mais eficientes e adaptadas ao metabolismo do tambaqui, protocolos sanitários e estratégias reprodutivas otimizadas.

O pesquisador Diogo Teruo Hashimoto complementa que o impacto esperado vai além do ganho técnico. “O principal impacto deste projeto é melhorar a cadeia produtiva do tambaqui, viabilizando a disponibilização de material genético de alto desempenho zootécnico para a indústria de peixes nativos. Isso será alcançado por meio de um programa acelerado de genômica, que impulsionará

pesquisadora Luciana Shiotsuki afirma que os avanços com o tambaqui permitirão o desenvolvimento de soluções genéticas específicas para cada sistema e região, ampliando as oportunidades para as empresas do setor

significativamente o melhoramento genético da espécie”, afirma.

Segundo Hashimoto, a pesquisa busca identificar indivíduos com melhor desempenho produtivo, utilizando ferramentas genômicas de baixo custo, especialmente voltadas para crescimento acelerado e resistência a fatores ambientais adversos.

Gargalos da pesquisa

Mas, como lembra a pesquisadora Luciana Shiotsuki, os avanços enfrentam uma série de entraves técnicos e logísticos que exigem alto nível de planejamento e dedicação da equipe. “Um dos principais obstáculos enfrentados pela Embrapa Pesca e Aquicultura é a dimensão e complexidade do trabalho, que abrange desde a

formação das famílias e larvicultura até o acompanhamento das avaliações fenotípicas e genotípicas. No entanto, a equipe disponível para executar todas essas etapas é reduzida, o que demanda uma estratégia eficiente de gestão de pessoal”, relata.

Para contornar as limitações estruturais, a Embrapa conta com o apoio de alunos de pós-graduação da Caunesp e promove treinamentos intensivos para alunos de graduação. Essa estratégia não apenas supre demandas operacionais, como também contribui para a formação de novos talentos especializados em genética aplicada à aquicultura.

Outro desafio é garantir a rastreabilidade genética das progênies. Os peixes são mantidos em cultivo indoor até a identificação individual, o que exige uma série de cuidados contínuos, como alimentação frequente, protocolos sanitários rigorosos, controle de qualidade da água e gestão de riscos, como quedas de energia ou falhas no funcionamento de bombas e sistemas de aeração.

Esses desafios demandam estratégias de manejo altamente especializadas e investimentos contínuos em infraestrutura e capacitação da equipe. “Superar essas dificuldades é essencial para garantir a confiabilidade dos dados e a eficácia do programa de melhoramento genético, promovendo avanços concretos para a aquicultura de espécies nativas no Brasil”, conclui Shiotsuki.

Foco na resistência

Mesmo diante de diversas dificuldades no caminho da pesquisa, a Embrapa vem buscando frutos importantes. Um dos pilares do projeto é, por exemplo, o desenvolvimento de linhagens de tambaqui com maior resistência à columnariose, uma das enfermidades bacterianas mais desafiadoras da piscicultura nacional.

Segundo o pesquisador Diogo Hashimoto, a doença afeta especialmente os alevinos durante

A
Jefferson Christofoletti

manejos de rotina, como o transporte, comprometendo a sobrevivência e o desempenho dos animais. Nesse cenário, a genética surge como um diferencial competitivo. “A resistência natural via seleção genética é uma alternativa promissora”, destaca.

Conforme ele, os resultados do projeto permitirão que o setor

Os animais, todos identificados individualmente, são acompanhados durante um ciclo de 12 meses em viveiros escavados que simulam as condições reais de uma piscicultura

produtivo tenha acesso a animais geneticamente superiores, com maior capacidade de enfrentar infecções sem comprometer o desempenho. “Isso significa menores taxas de mortalidade, menor necessidade de antibióticos e maior previsibilidade na produção, favorecendo um modelo de criação mais eficiente e

ecologicamente responsável.”

Os próximos passos da pesquisa já estão bem delineados: a Embrapa Pesca e Aquicultura pretende avançar, intensificando a coleta de dados fenotípicos e a aplicação de ferramentas de seleção genômica, como a predição genômica e os estudos de associação ampla (GWAS)

Próximos passos do projeto

• Intensificação da coleta de dados fenotípicos

• Aplicação de ferramentas de seleção genômica, como:

- Predição genômica

- Estudos de associação ampla (GWAS)

Objetivo a Longo Prazo

Coleta e Análise de Dados 1 2 3 5 6

Seleção de Reprodutores

Identificação dos melhores reprodutores com base em:

• Velocidade de crescimento

• Resistência a doenças

Fonte: Embrapa Pesca e Aquicultura

• Acesso a matrizes geneticamente superiores

• Formação de plantéis:

- Mais produtivos

- Mais resilientes a desafios ambientais e sanitários

- Com maior eficiência alimentar

4

Parceria com o Setor Produtivo

Consolidação de um programa de melhoramento genético do tambaqui

Expansão para Outras Espécies

Possibilidade de adaptação das metodologias para outras espécies nativas com interesse comercial, como:

• Pacu

• Pirarucu

Impacto Esperado

• Fortalecimento da sustentabilidade e competitividade da piscicultura brasileira

• Ampliação do potencial da aquicultura de espécies nativas no País

Na Gôndola

A oferta de peixes, crustáceos e moluscos

Crédito das fotos: Divulgação/Empresas

E viva o marinheiro Popeye

A Noronha Pescados dá um passo decisivo rumo à internacionalização da marca com o lançamento da Popeye Seafood. A iniciativa, fruto de um licenciamento global com a icônica figura do Popeye, estreia nos Estados Unidos e mira mercados como Oriente Médio e Europa. A nova linha chega com três produtos empanados: polaca selvagem do Alasca com espinafre, em formatos de peixinho, estrelado-mar e âncora; barrinhas de polaca empanadas; e o camarão empanado, agora rebatizado como Popeye Shrimp Popcorn. Segundo a empresa, a expectativa é expandir futuramente para outros países da América do Sul.

O individualista

Quer uma opção prática para saborear um bom salmão sem complicação?

A Copacol aposta em seu filé de salmão individual congelado, pensado especialmente para quem busca conveniência. Produzido com a espécie Salmo salar ou salmão do Atlântico, o produto é comercializado em pedaços com pele e pode ser encontrado em embalagens de 125 g.

Cozidos e saborosos

Se praticidade é essencial na sua cozinha, o camarão descascado, cozido e congelado da Maris Pescados pode ser a solução ideal. Desenvolvido para agilizar o preparo sem comprometer o sabor, o produto está disponível nas gôndolas em embalagens de 400 g.

Um é pouco, dois é bom

Com um rigoroso processo de seleção e controle de qualidade, a Robinson Crusoe reforça no mercado suas sardinhas. Desde o

recebimento da matéria-prima até a finalização do produto, todo o processo é certificado e segue padrões elevados de segurança alimentar. Disponíveis nas versões com óleo e molho de tomate, as sardinhas passam por um duplo cozimento, conferindo maior maciez, textura e sabor, sem alterar o valor nutricional. O pescado é uma fonte natural de fósforo, triptofano, vitamina B12 e vitamina D.

Selecionados para os selecionados

A Frumar lança sua nova linha Select, definida pela empresa como um novo padrão de pescado premium. Disponível nas versões filé de salmão (em pedaços ou inteiro) e camarão, a linha foi desenvolvida para consumidores exigentes que buscam qualidade superior. Para isso, a seleção dos produtos segue critérios rigorosos, garantindo frescor e uma experiência gastronômica diferenciada.

Pescada exigente

Para quem busca um pescado de sabor marcante, a Iberconsa apresenta sua pescada congelada, derivada das espécies Merluccius hubbsi,

Merluccius capensis/paradoxus e Merluccius australis. A empresa destaca que o produto atende tanto consumidores exigentes que apreciam pratos sofisticados quanto os padrões das grandes redes varejistas.

Trajada à empanada

A Swift apresenta sua tilápia empanada como uma opção de carne branca e magra, com sabor suave e textura delicada. Para garantir um produto de alta qualidade, a rede utiliza filés íntegros, no tamanho ideal para refeições rápidas e práticas. Os filés já vêm temperados, empanados com uma combinação de farinha de trigo e milho, sem adição de glutamato monossódico, e são préfritos. Congelados individualmente, permitem que o consumidor utilize apenas a quantidade desejada, sem precisar descongelar todo o pacote. O produto é comercializado em embalagens de 500 g.

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Para todos os salmãolovers

Os amantes de salmão têm mais um motivo para comemorar com os novos lançamentos da Korin: salmão em postas e salmão defumado em fatias. A marca destaca que os produtos são elaborados com salmão cultivado nas águas frias da Patagônia e certificados pelo selo “Certified Humane Brasil”, que atesta boas práticas de bem-estar animal. Vendido congelado em embalagens de 500 g, o salmão em postas traz filés com pele, enquanto a versão defumada em fatias é comercializada sem pele.

Roupagem inédita

Cada um no seu quadrado

Que tal experimentar quadrados de peixe empanado? Essa é a proposta da Costa Sul para quem busca um petisco prático e diferenciado. Os Quadritos de Tilápia chegam ao mercado pré-fritos, proporcionando mais praticidade no dia a dia. Segundo a empresa, o produto, disponível em embalagens de 400 g, também é ideal para preparo em air fryers.

A Mar & Rio aposta em um novo visual para sua linha de produtos, buscando capturar a atenção dos consumidores nos mercados de todo o Brasil. Os primeiros itens a ganhar essa roupagem renovada são o camarão Santana, o filé de merluza e o filé de salmão. Apesar das mudanças no design, a empresa reforça que a qualidade e o sabor que consolidaram a marca permanecem inalterados.

Estatísticas Mergulho no crescimento

Piscicultura brasileira bateu recorde em 2024, atingindo 968,7 mil toneladas e consolidando seu crescimento

Texto: Fabi Fonseca

Apiscicultura brasileira não apenas manteve sua trajetória de ascensão:: ela também acelerou o passo em 2024 e mergulhou no crescimento da atividade, ultrapassando a marca histórica de 968,7 mil toneladas produzidas.

No lançamento do Anuário 2025 da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR), realizado na Fiesp, em São Paulo , os números recordes foram celebrados por lideranças e autoridades, entre elas o ministro da Aquicultura e Pesca, André de Paula “Nos últimos dez anos, a fonte de

Publicação evidencia que a piscicultura se firma, ano após ano, como uma das cadeias produtivas mais dinâmicas do Brasil

proteína animal que mais cresceu foi o pescado”, afirmou o ministro. Para ele, além de celebrar os avanços, o Anuário permite uma visão mais clara dos desafios e gargalos que ainda precisam ser superados para garantir a sustentabilidade e expansão do setor.

EVOLUÇÃO DA PISCICULTURA NO BRASIL

0

O crescimento contínuo da piscicultura brasileira reforça o papel estratégico da atividade na economia do País. Desde 2015, quando o levantamento da PeixeBR teve início, a produção saltou de 638 mil toneladas para os atuais números

recordes. Para de Paula, acompanhar essa evolução de perto é fundamental. “Nesses 2 anos de governo, participei de três lançamentos do anuário, o que demonstra a importância que conferimos a esse momento. Esse documento funciona como um

farol, uma bússola que os nossos produtores têm para planejar sua atividade” , disse.

Atividade em expansão

“Em um ano marcado pela oscilação de preços da tilápia ao produtor, nossa

Estatísticas

ESTADOS X VOLUMES (T.) X ESPÉCIES | PEIXE BR 2024

1

*Carpas, trutas e/ou pangasius, principalmente

espécie mais relevante, a atividade superou adversidades e não apenas manteve o ritmo de crescimento como acelerou o avanço, aproximando-se de 1 milhão de toneladas”, assinala Francisco Medeiros, presidente executivo da PeixeBR.

A tilápia seguiu como carro-chefe do crescimento, alcançando 662,2 mil toneladas, um avanço expressivo

de 14,3% sobre o ano anterior. Em contrapartida, os peixes nativos enfrentaram um cenário desafiador, com leve retração de 1,8%, totalizando 258,7 mil toneladas, reflexo da menor produção na região amazônica. Já as outras espécies, como panga, carpas e trutas, registraram alta de 7,5%, atingindo 47,8 mil toneladas. Em resumo, considerando a

Mesmo com oscilação de preços, tilápia continua como a espécie mais relevante: alcançou 662,2 mil toneladas, um de 14,3% se comparado a 2023

Tilápia Nativos Outros * Todas as espécies de peixe

DISTRIBUIÇÃO PEIXES DE CRIAÇÃO NO BRASIL EM 2024

oscilação dos preços da tilápia e a redução da produção de nativos, 2024 fechou com saldo positivo. Diversos Estados intensificaram o cultivo e/ou criaram condições para aumentar a oferta local e o avanço da piscicultura também reflete o fortalecimento do consumo interno. “Definitivamente, o brasileiro aprendeu a apreciar nossos peixes. Assim como na parte norte do País os nativos já fazem parte da alimentação das pessoas, a tilápia assumiu relevância indiscutível no centro-sul, tornando-se presença semanal no prato. Essa consistência da demanda é um ingrediente essencial para o contínuo aumento da produção desta que é a proteína animal que mais cresceu na última década”, ressalta Medeiros.

Os números revelados no Anuário da PeixeBR reforçam a potência da tilápia na cadeia produtiva de pescado no Brasil. Conforme o levantamento, Paraná, São Paulo e Minas Gerais seguem na liderança da produção da espécie. Já a expansão da tilapicultura foi observada em praticamente todas as regiões do País, com exceção do Norte, onde os peixes nativos seguem predominantes.

Para a PeixeBR, o crescimento da tilápia reflete as condições favoráveis de produção, ao empenho dos produtores, ao retorno econômico da espécie e, na ponta, ao contínuo aumento do consumo em todas as localidades.

E, embora a tilápia continue dominando o setor, os peixes nativos

Estatísticas

Anuário mostrou que 2024 não foi um ano de bons preços da tilápia aos produtores, resultando em oferta superior à demanda e redução das cotações. Por outro lado, nos peixes nativos observou-se movimento inverso, com baixa oferta e melhoria dos preços pagos ao produtor

Para a PeixeBR, o crescimento da tilápia reflete as condições favoráveis de produção, ao empenho dos produtores, ao retorno econômico da espécie e, na ponta, ao contínuo aumento do consumo em todas as localidades

e as “Outras espécies” também se destacam no cenário produtivo, apesar dos desafios do ano. Segundo a PeixeBR, a produção de nativos fechou o ano passado com 258.705 toneladas, registrando uma queda de 1,81% em relação ao ano anterior. Aqui, cabe dizer que o segmento enfrenta ainda um ciclo de retração em todos os Estados, especialmente na região Norte. Para a entidade, não se pode dizer, no entanto, que 2024 tenha sido um ano

negativo para os produtores de peixes nativos – afinal, a demanda foi boa e os preços também. Porém, preocupa o recuo da oferta na região Norte. “Esse cenário tem sido recorrente nos últimos anos. Bom pelo lado das cotações, mas ruim pelo lado da produção. Tal situação torna-se mais delicada num cenário de crescimento do consumo de peixes de cultivo em detrimento dos peixes de captura”, analisa Medeiros.

Já o segmento de “Outras espécies” manteve um crescimento sólido, com alta de 7,5% em 2024 e produção de 47.810 toneladas. O desempenho foi impulsionado pelo panga, que registrou um salto de 74% no Maranhão, consolidando-se como um novo vetor de crescimento. Com esse resultado, panga, carpas e trutas representam, juntos, 4,93% da produção brasileira de peixes de cultivo.

Com Paraná em alta, Sul lidera piscicultura nacional

Das 968,7 mil toneladas registradas pela piscicultura brasileira em 2024, o Paraná se destacou com um crescimento de 17,35%, alcançando 250.315 toneladas, impulsionado, conforme a publicação, pelo modelo

Seafood Brasil

TOP 5 - ESTADOS PRODUTORES DE TILÁPIA | 2023 X 2024

cooperativista e pelos núcleos de piscicultores independentes. O Estado ficou atrás apenas de Mato Grosso do Sul (20%) e Minas Gerais (+18,18%) no ranking dos maiores avanços do setor em percentual de crescimento.

O levantamento também apontou mudanças no ranking nacional de peixes de cultivo: Rondônia, maior produtor de peixes nativos, caiu da 4ª para a 5ª posição, sendo ultrapassado por Santa Catarina. Entre os 10 principais produtores, apenas Mato Grosso apresentou leve retração (-0,8%), enquanto Rondônia mantevese estável (+0,07%).

PRODUÇÃO DE TILÁPIA NO BRASIL | 2023 X 2024

Paraná
Minas Gerais
São Paulo
Santa Catarina
Mato Grosso do Sul

Estatísticas

TOP 5 - REGIÕES NACIONAIS DE PEIXES DE CULTIVO| 2023 X 2024

EXPORTAÇÕES DE PEIXES DE CULTIVO DISPARAM EM 2024

Crescimento expressivo

+102% em volume: 13.792 toneladas exportadas Filés frescos de tilápia

US$ 36,6 milhões (62% do total)

+138% em faturamento: US$ 59 milhões

Principais produtos exportados

Peixes inteiros congelados US$ 17,5 milhões (29,7% do total)

Destino das exportações

Estados Unidos: US$ 52,2 milhões (89% do total)

Outros mercados: Peru, China, Canadá, Japão

Perspectivas

Com o fim da obrigatoriedade do Certificado Sanitário Internacional, o Brasil pode assumir a liderança nas exportações de filé fresco para os EUA

Juntas, essas categorias representaram 91,7% da receita total

Evolução no mercado americano

Em 2020, o Brasil era 8º maior fornecedor de tilápia para os EUA

Em 2024, assumiu a 4ª posição , com crescimento de 718% nas vendas

No segmento de filés frescos de tilápia, o Brasil já é o 2º maior fornecedor, atrás apenas da Colômbia

Desafio comercial

Apesar do crescimento nas exportações, o déficit da balança comercial de peixes cresceu 8,5%, totalizando US$ 992 milhões em 2024

O cenário regional da piscicultura em 2024 ainda reafirma a liderança do Sul como maior polo produtivo, impulsionado pelo avanço expressivo no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Já o Sudeste destacou-se pelo maior crescimento percentual, superando o Nordeste, que também manteve um ritmo positivo. Por fim, o Centro-Oeste voltou a crescer após oscilações, enquanto o Norte do País apresentou um avanço tímido, inferior a 1%, com a produção de peixes nativos registrando queda.

O ministro do MPA, André de Paula, reconheceu a necessidade de ações específicas para reverter esse cenário visto no Norte. “Essa região tem mostrado um crescimento muito discreto, às vezes até um decréscimo, e precisamos fazer disso uma prioridade”, afirmou. Nesse sentido, conforme de Paula, o Ministério tem intensificado seus esforços em duas frentes: a ampliação do acesso ao mercado internacional, com destaque para o mercado americano, e a implementação de ações em parceria com governos estaduais para estimular a recuperação e a expansão da produção de peixes nativos.

Sul Centro-Oeste
Sudeste
Nordeste Norte
Fonte: Dados consolidados por Manoel Xavier Pedroza Filho e Hainnan Souza Rocha, da Embrapa Pesca e Aquicultura e divulgados no Anuário 2025 da PeixeBR.

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Reprodução/Pexels/Thomas

Para trazer pescado dos mares orientais até o Brasil, empresas de logística precisam investir em tecnologia e fechar boas parcerias

Do mar à gôndola: como funciona a logística do pescado importado

Entre oceanos e estradas, a logística do pescado importado revela um enredo de desafios, tecnologia, parcerias e um esforço diário para manter a cadeia do frio - e a qualidade - até o destino final

Texto: Mariana Naviskas

Alogística do pescado importado exige precisão em todas as etapas - do transporte internacional ao controle de temperatura. Neste contexto, empresas enfrentam desafios como burocracia alfandegária e falta de mão de obra qualificada, enquanto tentam manter a cadeia do frio e os custos sob controle. Apesar do potencial produtivo do Brasil, a importação de espécies como salmão e bacalhau, por

exemplo, continua essencial, tornando a eficiência logística peça-chave para a competitividade do setor.

A KPM Logistics importa pescado principalmente do Vietnã e China, além de alguns de Taiwan. “Produtos de maior valor agregado também vêm da Europa, como o bacalhau”, conta o gerente de produtos refrigerados, Saulo Becker. Ele explica que o Brasil importa grandes quantidades de peixe da China e do Vietnã devido à produção em larga escala e preços baixos: a China é líder na exportação

de tilápia, enquanto o Vietnã se destaca no panga. Entre as principais espécies importadas pela KPM, estão o próprio panga, polaca, lula, polvo e bacalhau.

O pescado da KPM chega, principalmente, pelo Porto de Santos, de onde é distribuído para São Paulo, Rio de Janeiro e cidades do centro-oeste e nordeste. Há também as importações que chegam para atender os clientes da região Sul, por Santa Catarina - pelos portos de Itapoá, Itajaí e Navegantes. Os trâmites aduaneiros nos portos, segundo Becker, levam entre 10 e 12

Infraestrutura deficiente, instabilidade cambial e morosidade burocrática: os desafios logísticos afetam diretamente a oferta, a previsibilidade e a precificação do pescado importado, com impacto no fluxo de suprimentos e no preço final cobrado ao consumidor

dias e somente aí os produtos são liberados. A partir da liberação, o transporte do pescado passa a ser majoritariamente rodoviário, processo que não é feito pela empresa, mas pelo próprio importador.

Outra importadora que traz pescado principalmente da Ásia é a O Primo. “Compramos principalmente do Vietnã, mas China também, seguido por Portugal e Marrocos”, conta o diretor comercial da empresa, Augusto Ferraiol. Panga, bacalhau e polaca são os itens mais comprados atualmente, com essas cargas chegando pelos portos de Santos, Navegantes, Porto do Rio e Suape (PE). Ferraiol explica que o pescado é distribuído, principalmente, para a região sudeste, com seus clientes também responsáveis pelo transporte a partir da entrega da mercadoria nos portos.

Contornando desafios

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Fomento ao Pescado (Abrapes), Julio César Antônio, as empresas importadoras de pescado no Brasil enfrentam desafios logísticos devido às características estruturais do País e também às especificidades do mercado de produtos perecíveis. “Um dos principais gargalos é a infraestrutura de transporte deficiente, especialmente nas rodovias e nos portos, que muitas vezes, não oferecem condições adequadas para o escoamento rápido e seguro de cargas refrigeradas”, explica. Nos portos, por exemplo, a burocracia alfandegária e a morosidade nos processos de desembaraço aduaneiro frequentemente atrasam a liberação das mercadorias, comprometendo a agilidade necessária para esse tipo

de produto e aumentando os custos de armazenagem. Outro desafio é a falta de integração entre os modais de transporte, como ferrovias e hidrovias. “Além disso, a capacitação insuficiente de mão de obra para operar cadeias frias, a volatilidade cambial e os altos custos de energia para refrigeração também pressionam as operações logísticas”, diz Antônio.

O presidente da Abrapes ainda explica que os desafios logísticos afetam diretamente a oferta, a previsibilidade e a precificação do pescado importado, com impacto no fluxo de suprimentos. “Atrasos nos portos ou nas estradas podem interromper o fluxo contínuo de suprimentos, gerando rupturas no estoque e reduzindo a oferta em períodos sazonais de consumo elevado como a Páscoa e o Natal”, explica. Já na precificação, ainda segundo Antonio, os custos adicionais desses gargalos são frequentemente repassados no preço final. “A instabilidade cambial, junto dos

Nomenclaturas importantes na logística de pescado

• Freetime,demurrage ou sobrestadia: período de tempo em que um contêiner pode permanecer no porto sem pagar taxas adicionais.

• Per diem: multa causada pelo demurrage.

• Transit time: tempo de trânsito.

• Reefer: refrigerados.

• Custo Brasil: termo criado para tratar do conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas que encarecem a produção e reduzem a competitividade das empresas no País.

• BillofLading (BL) ou Conhecimento de Embarque: documento que comprova o recebimento da carga pelo transportador, formaliza o contrato de transporte e pode servir como título de posse da mercadoria. Ele contém informações como remetente, destinatário, descrição da carga, rota e condições do transporte.

Fonte: entrevistados durante a matéria

custos logísticos imprevisíveis, dificultam uma precificação fixa e gera insegurança para importadores e varejo.”

“Falou em logística nacional, já estão intrínsecos ali os desafios por ter um efeito cascata. Não é apenas um único prestador de serviço, já que trabalhamos com logística internacional”, complementa Saulo Becker, da KPM. O gerente exemplifica os atrasos na cadeia logística, que são comuns. “Um contêiner comprado da China vai passar por diversos portos até chegar ao Brasil. Se acontecer qualquer problema climático, maré baixa, até mesmo uma greve portuária, os navios não conseguem entrar. São fatores que não podemos controlar.”

O pescado importado pela O Primo vem, principalmente, da China e Vietnã
O Primo/Divulgação

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Driblando os entraves

Para contornar esses gargalos, Becker considera fundamental escolher bons parceiros na hora de importar. “As cargas congeladas precisam de pessoas com know-how em reefer, por exemplo”, complementa. Por isso, a empresa busca analisar criteriosamente as rotas escolhidas, os armadores e o transit time mais eficientes. Além disso, a KPM opta por parceiros que podem oferecer serviços adicionais quando há demanda dos clientes, como por exemplo: vistorias, relatórios e pesquisas e monitoramento de temperatura da carga.

Já a O Primo atua com agentes

Próximos passos do projeto

Existem obstáculos na logística que afetam a oferta, a previsibilidade e a precificação do pescado importado, com impacto no fluxo de suprimentos de forma direta ou indireta. Conheça os principais:

presentes nas origens e focos do processo, para o auxílio no desembaraço aduaneiro. “Também investimos no relacionamento com os armadores em suas sedes, na Ásia, o que nos garante os equipamentos necessários e o tempo que precisamos para agilizar o fluxo de cargas, tudo para driblar os principais desafios como volatilidade dos preços de frete e morosidade da fiscalização brasileira”, detalha Augusto Ferraiol. Outro ponto importante, segundo ele, é observar o histórico das rotas e escolher armadores especializados, com melhores condições de frete e melhores transit times. “Precisamos ter um free time diferenciado para tentar evitar mais custos para o importador.”

Para ter um bom free time, a KPM busca parceiros que ofereçam boas condições, além de sugerir aos clientes que trabalhem com terminais experientes em produtos refrigerados. “Se o importador escolhe um terminal em que o fiscal não possui experiência com reefer naquele recinto alfandegário, pode demorar mais tempo”, informa Becker.

Burocracia alfandegária

Perdas por deterioração

Taxas extras de armazenagem em portos

Falta de integração entre os modais de transporte

Volatilidade cambial e dos preços de frete

Insuficiência de mão de obra para operar cadeias frias

Morosidade nos processos de desembaraço aduaneiro

Altos custos de energia para refrigeração

Infraestrutura de transporte deficiente

Problemas climáticos, maré baixas e greves portuárias

Por fim, a O Primo também atua priorizando o free time e busca, além disso, trabalhar com trânsito direto de mercadorias e negociação do per diem. “Negociar prazos bem alongados de utilização do contêiner e um valor especial para a multa após o prazo são questões vitais”, detalha Ferraiol.

O outro lado da ilha

Fechar boas parcerias também é uma preocupação das empresas que compram o pescado importado, como é o caso da Noronha Pescados “Temos parcerias de muitos anos com os maiores produtores de cada um dos itens que importamos e trabalhamos com programação de embarques para períodos de 3 a 8 meses para a frente para garantirmos que sempre vamos ter o produto que necessitamos”, explica o CEO, Guilherme Blanke.

Pelos constantes problemas no transporte e na liberação das cargas nos portos brasileiros, a Noronha

Julio César Antônio cita as características estruturais do País e especificidades do mercado de produtos perecíveis como desafios logísticos
Fonte: entrevistados durante a matéria.

procura contar sempre com um prazo de desembaraço de 15 a 25 dias em média. “Um número bem acima do que ocorre na maioria dos portos pelo mundo, onde a liberação ocorre entre 2 e 5 dias. Essa demora no desembaraço sempre gera custos desnecessários de armazenagem e demurrage, o que termina encarecendo mais o produto final”, explica o CEO.

Hoje, a empresa possui duas indústrias de pescado no Recife, mas Blanke reforça que o Brasil precisa importar mais para atender à demanda interna. “Infelizmente, o Brasil não produz algumas das espécies mais consumidas, como salmão, bacalhau, merluza e polaca, o que nos obriga a fazer a importação para que seja processado e distribuído em todo o País.”

Trabalhando com embarques de mais de 15 países, com destaque para Argentina, Estados Unidos e Chile, a

Noronha atua com programação de embarques e com estoques mais elevados para lidar com a variação cambial, os custos operacionais da importação e manter o nível de atendimento.

Aliados tecnológicos

A automação e a digitalização têm se consolidado como aliadas estratégicas na superação dos principais desafios logísticos da importação de pescado. Com sistemas integrados de gestão, rastreamento em tempo real e processos automatizados de documentação, essas tecnologias agilizam o desembaraço e garantem maior previsibilidade nas entregas, além de reduzirem o tempo de espera nos portos e contribuírem para a preservação da cadeia de frio.

Saulo Becker conta que tanto a KPM, quanto seus clientes e armadores, vêm investindo em tecnologia para

desenvolver o setor de logística com auxílio da automação e digitalização. “Investimos muito em Tecnologia da Informação para agilizar os dados e harmonizar o que vem dos sites dos armadores, já que sua atuação se baseia naquilo que é fornecido pelas companhias marítimas”, revela. Um dos exemplos de tecnologia da KPM é um sistema que escaneia o Bill of Lading (BL) e faz com que as informações já sejam digitalizadas automaticamente para o sistema da empresa, utilizando também Inteligência Artificial (IA).

Por outro lado, a Noronha Pescados trocou recentemente seu sistema ERP (Enterprise Resource Planning) por um mais robusto. “Estamos implantando novas políticas de gerenciamento para otimizar nossa logística em tudo que está sob nosso controle”, explica Guilherme Blanke.

Já a O Primo atua com disparos diários de follow-up impulsionados por robôs que verificam nos sites dos armadores o posicionamento diário das cargas. “Ano passado, utilizamos rotas via Espanha com transit time maior, mas com um custo 40% menor nos portos da Ásia para o Brasil. Essas rotas nem apareciam como opção do armador”, conta Augusto Ferraiol.

O que o futuro reserva?

Ao pensarmos no amanhã da logística de pescado no Brasil, Saulo Becker considera que existe uma resposta otimista e outra realista. “Eu prefiro pensar na otimista e por

A cadeia logística para importação de pescado costuma sofrer com atrasos, que aumentam os custos para as empresas e, consequentemente, para o consumidor final
Augusto Ferraiol, diretor comercial da O Primo, acredita que o futuro da logística nacional será automatizado e
As cargas compradas pela O Primo chegam nos portos de Santos, Navegantes, Rio e Suape

isso, nós buscamos melhorias em tecnologia, pessoal, treinamento, em tudo”, diz. “Porém, a infraestrutura dos terminais e portos não acompanha a ampliação do comércio interior. A capacidade portuária cresce muito menos do que o número de bens importados”, complementa.

Neste contexto, ano passado, os portos do País movimentaram 1,32 bilhão de toneladas, um aumento de 1,18% em relação a 2023, com o volume de bens importados aumentando 17,2% de 2023 para 2024. Por isso, o ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, anunciou em janeiro que o setor portuário brasileiro deverá receber aproximadamente R$ 20 bilhões em investimentos neste ano. Porém, para Becker, esse investimento terá resultados apenas a longo prazo. “Infelizmente, o importador brasileiro é penalizado no ‘Custo Brasil’.”

Guilherme Blanke, CEO da Noronha Pescados, também ressalta que para uma empresa que compra pescado importado, é importante se fechar boas parcerias

Já Augusto Ferraiol acredita em um futuro mais otimista, automatizado e com oportunidades. Para ele, haverá um aumento de frotas de contêineres que permitem o monitoramento de

refrigerados em tempo real e enviam informações ao vivo sobre temperatura, localização, alertas de desligamento, entre outros. “Também considero que haverá crescimento na automação dos serviços de fiscalização e aumento no número de Estações Aduaneiras do Interior (EADIs)”, explica.

No entanto, Guilherme Blanke vê de forma preocupada o futuro da logística, com a retomada no crescimento de importações da Ásia, bem como a volta da prática de tratamento de produtos e agregação de gleiser sem que o peso adicional seja compensado nas embalagens. Porém, com otimismo, o CEO da Noronha Pescados espera que ocorram melhorias nos processos e atividades que geram atraso nas liberações das cargas importadas. “Isso terá reflexo no custo do produto final e possibilitará à população ter acesso a alimentos mais baratos.”

Noronha Pescados/Divulgação

Personagem Confissões de um inventor

Carlos Henrique Krüger utiliza sua criatividade não só para desenvolver tecnologias para sua piscicultura, mas também inventar um novo sentido para a atividade reinventar uma vida

Texto: Léo Martins

Quando você pensa em um inventor, quem vem a sua mente? Para mim, que escrevo este texto e nasci em 1985 (olha eu entregando a minha idade), lembro do icônico Professor Pardal, o inventor mais famoso de Patópolis. Mas, como o foco aqui na Seafood Brasil é o mundo do pescado e não dos patos, não seria exagero dizer que Carlos Henrique Krüger, personagem desta edição, é o nosso próprio Professor Pardal. Afinal, a criatividade para inventar coisas - e sua própria história - faz parte do DNA deste paranaense de Guarapuava desde seus 6 anos.

Filho de Augusto e Deusi, Carlos conta que desde criança era fascinado pelo meio rural, pelo contato com a água e pelos peixes. “O negócio da família era a piscicultura. Então, na fazenda do meu pai, eu criava pequenos lagos, pescava e brincava com peixes”, relembra. Essa vivência, aliada à curiosidade por desmontar carrinhos e motores, só aguçava sua criatividade. “Nas feiras de ciências da escola, sempre ganhava os primeiros lugares com meus projetos.”

No entanto, anos mais tarde, ele foi convencido pela família a cursar Medicina ou Direito. “Tentei ambos, mas logo percebi que não era o que eu queria, o que me deixou perdido e infeliz”, conta. E foi tentando lidar com essa frustração que Carlos acabou se tornando dependente químico. “Foi quando me vi no fundo do poço. Busquei ajuda espiritual para passar por tratamento terapêutico, trabalhei como missionário no sertão nordestino e me formei engenheiro agrônomo em 2010.”

Após essa fase, Carlos retornou à sua cidade e começou a trabalhar na piscicultura fundada por seu pai nos anos 80. “Quando meu pai decidiu vender parte dos bens e distribuir entre os filhos, usei minha herança para começar do zero uma nova fazenda e dar continuidade ao legado da família. Foi assim que nasceu a Piscicultura Krüger.”

Atualmente, a piscicultura cultiva cerca de 20 espécies de peixes, incluindo o catfish americano, carpas, jundiá e, em breve, trutas. Mas é ao falar das tecnologias que desenvolveu que os olhos do nosso inventor brilham. “Acredito que tecnologia vai além de equipamentos modernos: trata-se do conhecimento aplicado para transformar a produção. E foi essa visão que me levou a ser reconhecido e premiado na área”, diz.

Ele explica que, devido às características da região - 1.100 metros de altitude e temperaturas de até -80C no inverno -, algumas espécies não podem ser cultivadas. Para superar esse desafio, Carlos criou um sistema compacto e altamente produtivo, alcançando até 300 peixes por metro quadrado, muito acima da média de 50. Além disso, ele desenvolveu um sistema de abastecimento de água por gravidade, eliminando motores elétricos e tornando toda a estrutura mais eficiente e sustentável.

As invenções de Carlos chegaram ao seu ápice em 2024, quando ele ganhou o Prêmio Orgulho da Terra na categoria Tecnologia. “Esse prêmio não é só um reconhecimento pelo meu trabalho, mas também uma homenagem ao que meu pai construiu e à minha trajetória de vida que teve obstáculos como a dependência química”, diz. “Por isso, para mim, a piscicultura é mais do que uma fonte de renda: ela é uma oportunidade de superação e transformação pessoal.”

Hoje, com 46 anos de idade, casado com Adalgisa e pai de Luis Henrique e Miguel Felipe, Carlos utiliza dessa visão singular da piscicultura para traçar o futuro de seu negócio para torna-lo mais eficiente e sustentável através da tecnologia. “Porém, a piscicultura é minha missão de vida. Acredito que meu trabalho, junto com os projetos que desenvolvo para crianças e dependentes químicos, pode transformar vidas e, assim, honrar o nome da minha família com compromisso social”, finaliza. E para um inventor com uma trajetória como a de Carlos Krüger, não há invenção maior do que a habilidade de reinventar a própria história.

Rodrigo Azevedo

Con ra algumas redes do Varejo que visitaram a úl ma edição:

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