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2011


Espelho, espelho meu, existe alguém como eu? Autorretratos fazem parte da história da humanidade, da história da arte. Eternizar a própria imagem, deixar um registro, uma marca, nos acompanha desde os tempos das cavernas até os dias atuais. Artistas como Rubens, Rembrandt, Velázquez, Courbet, Cézanne, Van Gogh, Monet, Picasso, Munch, Frida Kahlo, entre muitos outros se representaram uma, duas, várias vezes e em diferentes situações e épocas de sua vida. Artistas contemporâneos, como por exemplo Vik Muniz, Arnulf Rainer e Takashi Murakami, continuam se representando e alguns fazem do autorretrato o centro de toda a sua obra como a artista americana Cindy Sherman. Vinte e três artistas foram convidados para participar desta exposição temática. Com linguagens distintas fizeram seus autorretratos. Alguns de forma mais literal, outros de forma mais abstrata. Cada um desenvolveu sua obra de acordo com o momento vivido. Momento atual ou momento passado. Ao olhar para cada um destes autorretratos, meu pensamento se volta para o meu autorretrato, em como eu me representaria, em como sou, em como eu me vejo. Quem eu vejo no espelho sou eu? Que ângulo me favorece, quais minhas expressões mais comuns, que sentimento estampa meu rosto, o que faz com que eu seja único, o que me faz igual? Que flor, que cor, que número, que animal me representa? Eu me vejo no olhar do outro? Retratar-se é um desafio, mesmo para estes talentosos artistas. Cada rosto tem muito mais que uma história, tem muitos momentos, muitos pensamentos, muitos sentimentos, e escolher um para eternizar não parece ser uma tarefa fácil. Deixo aqui registrado o meu agradecimento aos artistas que abraçaram este projeto e que com suas imagens participaram. Meu desejo é que muitos autorretratos sejam possíveis na construção da nossa trajetória.

Tânia Sciacco Agosto de 2011


. Exposição “Autorretratos” A Exposição “Autorretratos”, tem a curadoria do Sciacco Studio, e conta com a participação de 23 artistas plásticos, que através de diferentes linguagens apresentam uma leitura de si mesmos. .

Fotografias, pinturas, desenhos, colagens e esculturas fazem parte da mostra. .

A exposição terá início no dia 25 de agosto, com um coffee break às 10h, e uma palestra sobre o tema às 11h pela jornalista e blogueira Liliane Ferrari. .

Toda a programação acontece na Galeria de Arte da Casa de Portugal, que estará aberta ao público do dia 25 de agosto até dia 06 de setembro, de segunda a sextafeira, das 9h às 17h. .

Artistas participantes: Amélia Piza, Bel Miller, Cris Mason, Daniel Fontoura, Eliete Maesano, Eris Focesi, Fernanda Meirelles, Inês Vitória, Jaci Mattos, Jacqueline Giovannini, Jhorie, Laís Lopes, Leandro Carvalheira, Léia Puton, Leticia Freire, Luciana Futuro, Odhila Renófio, Rita Biagi ,Saramello, Sueli Martini, Suzana Garcia, Vera Pimenta e Yvone Karam. .

Sciacco Studio: O Sciacco Studio é um Escritório de Arte localizado em São Paulo com foco na divulgação da arte e na diversidade dos artistas que representa. O Escritório apresenta escultores, pintores e fotógrafos, com diferentes estilos, respeitando as diferenças e investindo nesta pluralidade. Organiza exposições e projetos nacionais e internacionais e visa, através do intercâmbio entre diferentes culturas, estabelecer relações que se tornam possíveis pelas várias formas que as conexões da arte permitem, extrapolando as barreiras do idioma e costumes. .

Lili Ferrari: Jornalista e blogueira. Mantém um blog pessoal (lilianeferrari.com) há mais de 7 anos, escreveu em diversos blogs corporativos e atualmente bloga para empresas como LG, Tecelagem Santaconstancia, Filhos&Maternidade, Lifebuoy/Unilever, CAIXA, Pulsarte, entre outros. É editora de conteúdo online da Axpe Imóveis. Foi apontada como uma das 10 mulheres mais influentes da internet brasileira pelo IG. Está no Twitter @lilianeferrari. .

Serviço: Abertura e Coffee Break: Quinta-feira, dia 25 de Agosto, às 10h Palestra sobre o Tema, com Liliane Ferrari, às 11h Local: Casa de Portugal de São Paulo Endereço: Avenida da Liberdade, 602 Exposição: de 26 de Agosto a 06 de Setembro de 2011 Horário de Visitação: de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h .

Organização: Sciacco Studio Escritório de Arte


“Autorretrato” - 100 x 80 cm - Acrílica sobre Tela - 2011


“Cabeça Florida” - 50 x 40 cm - Colagem e Acrílica sobre Madeira - 2009


“Autorretrato” - 40 x 29,5 cm - Acrílica sobre Tela - 2011


“Autorreflexo” - 54 x 60 cm - Fotografia - 2010


“Autorretrato” - 70 x 50 cm - Acrílica sobre Tela - 2001


“Autorretrato” - 80 x 60 cm - Acrílica sobre Tela - 2011


“Autorretrato” - 120 x 80 cm - Acrílica sobre Tela - 2011


“Faces de Mim” - 90 x 60 cm - Acrílica e Colagem sobre Tela - 2011


“Autorretrato” - 100 x 80 cm - Técnica Mista sobre Tela - 2011


“Autorretrato” - 31,5 x 26,5 cm - Óleo sobre Tela - 2011


“Autorretrato” - 40 x 30 cm - Pastel - 2011


“Autorretrato #5” - 40 x 40 cm - Fotografia - 2011


“Mago Magnético Branco” - 100 x 100 cm - Lápis sobre Canson - 2011


“Autorretrato” - 70 x 70 cm - Óleo sobre Tela - 2011


“Reflexão” - 100 x 100 cm - Fotografia Analógica P&B - 2011


“O Atelier e Eu” - 80 x 60 cm - Acrílica sobre Tela - 2009


“Autorretrato” - 33,5 x 23,5 cm - Óleo sobre Tela - 1986


“Sem Título” - 100 x 100 cm - Técnica Mista sobre Tela - 2009


“Autorretratos” - 20,3 x 12,7 cm (cada) - Aquarela sobre Papel - 2011


“Autorretrato” - 60 x 80 cm - Reprodução Giclée sobre Tela - 2011


“Autorretrato de Suzana” - 120 x 115 cm - Acrílica sobre Digigrafia em Tela - 2011


“Autorretrato” - 100 x 120 cm - Acrílica sobre Tela - 2011


“Autorretrato” - 39 x 29 x 14 cm - Bronze - 1998


“Autorretrato” - 40 x 30 cm - Óleo sobre Tela - 1997


Autorretrato A produção de autorretratos acompanha uma parcela considerável da história da arte. Não são poucas as vezes em que os artistas projetam suas próprias imagens no papel ou na tela, em trabalhos que trazem a marca da autorreflexão e, por isso, tocam o gênero auto-biográfico. Nesses retratos em que os artistas se vêem e se deixam ver pelo espectador -, de modo geral, o foco está sobre o rosto, quase sempre em primeiro plano. O semblante do retratista/retratado raramente se apresenta em momento de relaxamento ou felicidade. Em geral, a visão do artista sobre si próprio é sombria, angustiada e até mesmo cruel, quando se evidenciam defeitos físicos ou mutilações. O exemplo mais célebre nessa direção é o Autorretrato com Orelha Enfaixada, pintado por Vincent van Gogh (18531890), em 1888, após uma crise que o leva a cortar o lóbulo da orelha esquerda. Difícil localizar nos autorretratos algum tom edificante, heróico ou celebrativo. Ao contrário, essas imagens traduzem, pelo registro da expressão, momentos de angústia e introspecção. Os artistas se retratam, vez por outra, em cenas cotidianas - como em Bonjour, Monsieur Courbet (1954), de Gustave Courbet (1819-1877), ou em situações de trabalho, por exemplo: O Ateliê do Pintor: Uma Real Alegoria que Define uma Fase de Sete Anos de Minha Vida Artística (1854-1855), também de Courbet. Ainda que o autorretrato se inscreva como arte figurativa, é possível localizar alguns exemplos que fogem a essa tendência. Pintura Suprematista: Autorretrato em Duas Dimensões (1915), de Kazimir Malevich (1878-1935) é uma composição abstrata realizada com base em formas geométricas. O artista, autor de um autorretrato anterior (1910) em que sua cabeça se encontra justaposta a imagens do corpo feminino nu - retoma o tema da criação artística na tela abstrata de 1915. Como ele afirma, o autorretrato suprematista lança luz sobre a tarefa do artista e, fundamentalmente, sobre o que ela não é: cópia do mundo e da natureza. A produção de autorretratos segue o desenvolvimento do retrato, gênero que se afirma de modo autônomo no século XIV e, a partir de então, passa a ocupar lugar destacado na arte européia, atravessando diferentes escolas e estilos artísticos. A difusão da retratística acompanha os anseios da corte e da burguesia urbana de projetar suas imagens na vida pública e privada. Paralelamente aos retratos realizados sob encomenda, e a outros concebidos com amigos e familiares, os artistas produzem uma profusão de autorretratos, que funcionam como meio de exercitar o estilo, como instrumento de sondagem de estados de espírito e também como recurso para a tematização do ofício. Não se trata de inventariar essa copiosa produção, que atravessa a história, mas de localizar alguns casos representativos. Na produção retratística de Diego Velázquez (1599-1660), por exemplo, um autorretrato está entre as suas obras mais famosas. Afinal o que é a tela As Meninas (ca.1656) senão um autorretrato do pintor,


no estúdio, acompanhado de parte da família real espanhola? A arte barroca européia ganha singularidade nas telas de Peter Paul Rubens (1577-1640). O célebre Autorretrato com a Mulher (1609) é revelador do caráter autoral do pintor, expressa na liberdade da pose, na tonalidade dourada que ilumina a tela e na paisagem que se deixa entrever por trás dos corpos em primeiro plano. Rembrandt van Rijn (1606-1669) é outro grande nome do retrato no século XVII. Em meio a sua produção, os autorretratos ocupam lugar destacado, sobretudo aqueles realizados na fase final de sua vida, por ocasião de forte crise pessoal. Dois autorretratos datam do último ano de sua vida: Self Portrait at the Age of 63 [Autorretrato com a idade de 63 anos], pertencente a National Gallery, Londres, e Self Portrait in the 1669 [Autorretrato em 1669], pertencente ao Mauritshuis, Haia. Os séculos XVIII e XIX fornecem novos contornos aos retratos, representando figuras de segmentos sociais amplos (e não apenas dos círculos aristocráticos) por meio de mais liberdade expressiva. Os pósimpressionistas, por sua vez, rompem com o acento naturalista que marca a tradição retratística. Num contexto de reflexão sobre as possibilidades e limites da representação - que o advento da fotografia agudiza - e sobre o caráter eminentemente interpretativo da obra pictórica, a produção de autorretratos se acentua. Além dos angustiados autorretratos de Van Gogh e Paul Gauguin (1848-1903), Auto-Retrato: Os Miseráveis (1888), deve ser lembrada a série de autorretratos realizada por Paul Cézanne (1839-1906), no decorrer dos anos de 1861, 1866, 1873, 1880. A última fase da produção de Edvard Munch (1863-1944), por exemplo, está repleta de autorretratos de forte tom introspectivo (entre outros, Autorretrato na Janela, Autorretrato com Cabeça de Bacalhau, Autorretrato na Varanda Envidraçada II, todos de 1940). Artistas ligados às vanguardas figurativas e não-figurativas experimentam autorretratos em algum momento da carreira. São lembradas, entre outras, as diversas auto-imagens pintadas por Frida Kahlo (1907-1954) e mais recentemente as obras de Arnulf Rainer (1929) e Cindy Sherman (1954). No Brasil, do mesmo modo, a produção de autorretratos acompanha o desenvolvimento da arte. Alguns artistas, entretanto, ligam-se diretamente ao gênero, como Eliseu Visconti (1866-1944) - autor de verdadeira autobiografia pintada -, Guignard (1896-1962), José Pancetti (1902-1958) e sobretudo Ismael Nery (1900-1934). Atualizado em 29/11/2005 Definição obtida na enciclopédia Itaú Cultural de artes visuais (www.itaucultural.org.br)


Realização:

sciaccostudio@gmail.com (11) 3168 9891 ; (11) 9904 1644 twitter: @SciaccoS

Para descobrir quem são os autores, e de quais quadros foram retirados os detalhes de seus autorretratos (páginas 2,3, 35 e 36), visite o site abaixo e encontre uma compilação de autorretratos de artistas nacionais e internacionais. www.issuu.com/sciaccostudio/docs/autorretrato


Catálogo Exposição "Autorretratos"  

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