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VOLUME 1 • Nº 4 • OUTUBRO-NOVEMBRO-DEZEMBRO/2018

ISSN 2595-4555


PREFEITURA ACELERA OBRA DO NOVO PRONTO SOCORRO A Prefeitura de Cuiabá está promovendo uma das maiores ações estruturantes da saúde pública da Capital. Além das reformas e construções das Unidades de Saúde da Família, o Novo Pronto Socorro de Cuiabá também já está quase pronto. Em breve será entregue a população uma unidade completamente equipada com instrumentos de última geração. É um verdadeiro marco que vem para melhorar o atendimento na saúde para nossa gente.

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BRA DA OLUÍDA C CON

E UTI D S O S T I O E 40 L 315 LEIT

URGIA R I C E D 7 SALAS

TRABALHANDO E CUIDANDO DA GENTE


SUMÁRIO DEPOSITPHOTOS

GESTÃO 05 06 07 08

Os Fatores Éticos na Aprendizagem em Saúde A Vigilância Sanitária e os Serviços de Saúde? O Enfermeiro Gestor A NR 32 no contexto da Administração Hospitalar

SEGURANÇA DO TRABALHO 09 A Hierarquia dos Atestados Médicos 10 Por que os Acidentes Acontecem? 11 Ergonomia na Saúde 12 O PPRA e a Proteção Radiológica

SEGURANÇA DO PACIENTE 13 Alimentação e Hospitalidade 14 O Técnico de Enfermagem frente à Cirurgia Segura 15 Errar é Humano

BIOSSEGURANÇA 16 Hospital Como Local de Risco 17 A Notificação Compulsória e sua Importância Epidemológica 18 Bactérias Multirresistentes e a Linha de Frente de Controle

SAÚDE E CUIDADO 22 Cifoescoliose: Você já observou seu filho? 23 Conversando Sobre AIDS 24 Novembro Azul – A vez dos homens!

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2018 3º CONSINDHOSFIL

SEÇÕES EDITORIAL ................................ 04 SINDHOSFIL............................... 19 CAPA ......................................... 20 AÇÃO SOCIAL............................. 25 SAÚDE PÚBLICA........................ 26 NUTRIÇÃO E SAÚDE................... 27 TERAPIAS ALTERNATIVAS......... 28 LIVRARIA................................... 29 ESTÉTICA E SAÚDE.................... 30 SAÚDE DA MULHER................... 31 SAÚDE INFANTIL....................... 32 SAÚDE DO IDOSO....................... 33 CURTAS ..................................... 34 PELA INTERNET ........................ 35

ERRATAS - Edição nº 3 Onde se lê: VOLUME 1 • Nº2 • MAIO-JUNHO/2018, página 21 Lê-se:

VOCÊ SABIA?............................. 37 PERFIL ...................................... 38

VOLUME 1 • Nº3 • JULHO-AGOSTO-SETEMBRO/2018, página 21

Onde se lê: JULIANA, página 07 Lê-se:

CONVERSA COM O DOUTOR ....... 36

JULIANE, pagina 07

REVISTA BIMESTRAL • VOLUME 1 • Nº 4 - ED. ESPECIAL OUTUBRO-NOVEMBRO-DEZEMBRO/2018 VERSÃO DIGITAL: www.revistasaudeinfoco.com.br FOTO DA CAPA: LIGHTSOURCE


EDITORIAL ®

JINGLE BELLS! E vamos caminhando para o fechamento de mais um ano em nossas vidas. Ano esse, cheio de turbulências e inquietações. Impossível ficarmos inertes, alheios aos muitos acontecimentos que permearam a vida do nosso País abaixo da linha do Equador. Já é habitual chegarmos ao final do ano fazendo balanços e retrospectivas. Avaliar tudo o que nos aconteceu ao longo da caminhada é uma atitude saudável. Parar, refletir sobre o que fomos, o que fizemos e, mais ainda, o impacto que causamos na vida do outro é, sem dúvida, o mais importante dos momentos de reflexão. Nossa revista está encerrando seu primeiro ano de existência e, temos muita Fé e Esperança, como todo bom brasileiro, que tenha sido o primeiro de muitos. Que tenha sido o degrau inicial de uma longa escada a ser subida. Cada dia um degrau, cada dia um passo firme, seguro no corrimão. Quando nos lançamos no objetivo de produzir a revista, em nada tínhamos certeza, apenas a convicção de que desejávamos produzir conhecimento e dividir com os muitos que praticam o cuidado da saúde. Com aqueles brasileiros que desejam transformar a vida do outro através de um carinho em forma de cuidado. Muitas vezes a beira leito. Muitas vezes em unidades de tratamento intensivo. Quer seja na ministração do medicamento, no monitoramento dos equipamentos, na distribuição de um afago ou um simples sorriso. Nós que somos produtores e disseminadores de “ conhecimento “ temos um importante papel a cumprir. Somos os responsáveis por chamar a atenção para um sistema de saúde doente, que urge cuidados especiais, que clama por medicamentos de alto custo e tratamentos de alta complexidade. Há muito que nosso sistema de saúde está nas mãos dos intensivistas. Há muito que fazemos com pouco. Nossos recursos, quando existem, por vezes são escassos. São necessários profissionais de altíssima competência e comprometimento para fazer o que, aos olhos humanos, seria o impossível. Somos todos bravos e valentes desejosos por salvar vidas. Por ofertar cuidados, por ministrar remédios que curam. Não importa qual a nossa formação, qual o nosso papel dentro desse amplo espectro chamado SAÚDE. O que importa é que cada um de nós tenha a consciência do seu papel nesse ambiente de vida. Não devemos nos reter. Não devemos nos furtar de darmos o primeiro passo em direção à saúde, ao cuidado, ao bem-estar do outro. Que 2019 nos chegue cheio de coisas boas, não custa sonhar. Que nos renove as forças e a vontade de permanecer nos dedicando a salvar vidas, curar feridas e fechar cortes. Que ao romper de um novo ano ele possa nos trazer à mente reflexões muito profundas de que somos atores principais e não coadjuvantes, dessa peça chamada VIDA. Que nesse palco onde ela é encenada, não existe ensaio, não há replay, que muitas das nossas ações não podem ser postergadas. Que sejamos breves e felizes em dar-nos de nós, do nosso melhor aos outros e, que o nosso pouco seja sempre o nosso mais belo gesto de AMOR.

EDITORA CHEFE e JORNALISTA RESPONSÁVEL Lucilene Amaral MTB 1351/MT DIRETOR EXECUTIVO Péricles Mello PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Daniela Jardim & Rene Bueno contato@danielajardim.com Luana Costa contato@designerluanacosta.com CONSELHO EDITORIAL Edison Ferreira Denise Machado Lucilene Amaral Soraya Lima COPY DESK Neyly Maria Dias COMERCIAL E MARKETING Qualitas Assessoria e Consultoria em Saúde Ltda. CUIABÁ - MT Rua W2, quadra 2, nº 16 Bela Marina - CEP: 78070-713 RIO DE JANEIRO – RJ Rua Heráclito Graça, 18/401 Méier - CEP: 20725-080 SÃO PAULO – SP Rua Líbero Badaró, 92/35 Centro - CEP: 01008-902 VENDAS comercialsaudeinfoco@gmail.com ESTAGIÁRIO DE JORNALISMO Guilherme Carvalho A revista SAÚDE IN FOCO é uma publicação bimestral da Qualitas Assessoria e Consultoria em Saúde S/S Ltda., e sua distribuição é gratuita, através de pontos estratégicos, nos principais municípios do Estado de MT, incluindo Secretarias de Saúde, Secretarias de Comunicação, Associações, Sindicatos, Bibliotecas de Universidades, Organizações de Saúde e afins. Os artigos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da revista e são de responsabilidade dos autores. Não é permitida a reprodução parcial ou total de qualquer matéria sem prévia autorização por escrito desta Editora, e com citação da fonte.

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LUCILENE AMARAL

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REVISTA SAÚDE IN FOCO


GESTÃO

OS FATORES ÉTICOS NA APRENDIZAGEM EM SAÚDE

ANA CAROLINA BRANDÃO Especialista em Terapia Intensiva Especialista em Saúde Pública Especialista em Enfermagem do Trabalho Especialista em Docencia do Ensino Superior. Enfermeira e Professora Universitária assiscarol@gmail.com Currículo Lattes http://lattes.cnpq. br/4156227988984351

O tema abordado nos mostra que na vida contemporânea lidamos com muitas adversidades que talvez não fosse uma perspectiva da visão de educadores há décadas passada. Mudanças ocorrem a todos os momentos, mas é de se esperar que as mudanças sejam para melhorias de forma bem conduzida no âmbito educacional e principalmente familiar. Como podemos saber, ética é tratada pelos filósofos, para direcionar e conduzir os seres humanos, colocando-os padronizados em suas atitudes e princípios dentro de uma sociedade. Sabemos também que dentro da conduta ética está a moral. Ética é, no entanto, uma conduta de boa convivência, saber lidar com as situações diversas, ter postura diante das adversidades. Para se conduzir um padrão ético, é necessário que seja construído dentro do núcleo familiar e nos ambientes escolares. A postura ética envolve a educação à mesa, educação com os idosos e autoridades, respeito aos pais e professores, sendo importante a construção por todos os familiares e educadores envolvidos no ambiente de construção no desenvolvimento da infância e adolescência. O trabalho no ambiente de aprendizagem é um processo de continuação da construção educacional. O cidadão não nasce ético, ele aprende a ser e lidar com a ética no seu convívio. Referente a postura ética de discentes adultos em ambiente de aprendizagem trata-se de um trabalho supostamente já construído seja ele de qual instituição e ambiente que foi construído. Não sendo assim na nossa real vivência como docente, lidamos com personalidades, formações, caráteres e fundamentação de cunho familiar, o que nos reflete perfeitamente a postura no ambiente, podendo nos facilitar o trabalho ético ou nos remeter a um trabalho na construção deste futuro profissional. No desenvolvimento deste estudo, abordarei situações de conduta ética mostrando também que faz parte da condição e formação social em nosso País, condições que nos deixam vulneráveis para uma tomada de

decisão entre a instituição de ensino e o discente que vemos hoje como nossos clientes, desta forma, não podemos “chamar atenção”, devemos ter um a manobra intelectual para mostrar a ele o certo e fazê-lo conhecer seus erros e praticar as mudanças em suas atitudes para uma melhor convivência em cidadania. Temos das vertentes Moral e normas de boa convivência O que chamamos de educação e bons costumes, são normas meramente sociais identificadas com costumes que apresentam uma obrigatoriedade externa e normas propriamente morais que obrigam em consciência. O tribunal das normas morais é a própria consciência e as ações contra as regras de convivência social são julgadas pela sociedade circundante através da reprovação grupal. Este parâmetro é moldado na sociedade e família. Moral e racionalidade A racionalidade é firmada pela moral e normas de convivência, perante a sociedade que para tal, não vejo a moral ser imposta, ela deve ser conquistada e implantada nos diversos segmentos do sujeito que denota conduta moral e ética. Moral para chamar a atenção de um subordinado; moral para chamar a atenção de um filho... Os temas possuem um alinhamento muito bem ajustado, e trabalhar dentro de postura disciplinar com discentes que precisam descobrir e conhecer claramente o que é postura ética e como respeitar, adquirir a moralidade em seu meio, nos dá a possibilidade de ir além da educação a que foi instruído e aproveitar seus conhecimentos empíricos para trazer à tona novos conceitos. O tema citado no estudo, é bastante polêmico e ilustrativo, situação em que muitos docentes estão vivenciado. REFERÊNCIAS: ARANHA, M. L. e MARTINS, H. Temas de Filosofia. São Paulo: Moderna, 1992. BARROCO, M. L. S. Ética e Serviço Social. Fundamentos ontológicos. São Paulo: Cortez, 2001.

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GESTÃO

A VIGILÂNCIA SANITÁRIA E OS SERVIÇOS DE SAÚDE? A vigilância sanitária tem o papel de promover e proteger a saúde da população, por intermédio do controle sanitário da produção e consumo de produtos e serviços, como os medicamentos e alimentos, mas também os produtos utilizados como saneantes (limpeza, desinfecção, higienização e sanitização), os produtos fumígenos (cigarros, tabaco e outros), agrotóxicos, o controle sanitário em portos, aeroportos e fronteiras e os serviços de saúde. A vigilância sanitária atua direta e indiretamente em clínicas, consultórios, hospitais e laboratórios com o objetivo de garantir a melhoria da qualidade dos serviços prestados e o resguardo da segurança do paciente. Um serviço de saúde funciona a partir do cumprimento de várias normas sanitárias, como as Boas Práticas para Funcionamento dos Serviços (RDC nº 63/2011) e ações obrigatórias

para a Segurança do Paciente (RDC 36/2013), além de outras normas específicas, ao tipo de serviço de saúde. Compete à Anvisa a elaboração de normas de vigilância sanitária de estados e municípios, os quais podem complementar estas normas elaborando regulamentos de acordo com a sua realidade local. Em alguns serviços de saúde, as VISAs exigem a aprovação da planta e projeto para construção e reforma dos serviços de saúde (como previsto na RDC nº 50/02). Assim, todo serviço de saúde que cumpre as normas deve possuir uma Licença Sanitária (também conhecia como alvará sanitário), que é emitida, após inspeção do agente de VISA do estado ou município. O alvará sanitário deve estar sempre atualizado. A inspeção sanitária é uma forma de avaliação externa da qualidade dos serviços de saúde, e é realizada pelo agente ou fiscal de VISA, durante

Figura 1 - Tecnologias de Intervenção da Vigilância Sanitária

BENEFRAN JUNIO DA SILVA BEZERRA Mestrando em Saúde Pública pela Fiocruz/RJ Especialista em Gestão de Centro de Material e Esterilização Especialista em Vigilância Sanitária Especialista em Regulação e Vigilância Sanitária – Anvisa Enfermeiro benefran.bezerra@gmail.com Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/ 3852669320562016

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a visita in loco, no estabelecimento, onde o fiscal verifica se o serviço de saúde conforme os marcos regulatórios (legislações, normas e portarias). O objetivo da inspeção é fornecer dados para que o serviço de saúde adote ações para atingir a melhoria contínua da qualidade e a segurança do paciente. Ao final da vistoria, é comum solicitar que o próprio serviço de saúde elabore um plano de melhoria. Além disso, a VISA atua de forma a estimular a avaliação interna da qualidade, determinando que os serviços de saúde tenham estruturas para gerenciar riscos, a fim de identificar e gerenciar riscos aos pacientes, como quedas, erros de medicação, segurança cirúrgica e outros(RDC 36/2013); comissões de controle de infecção hospitalar, para adotar medidas de prevenção (Portaria 2606/98) e adoção de mecanismos para melhoria na qualidade dos serviços de

atenção ao parto (RDC 36/08), UTI (RDC 07/10) e home care (RDC 11/01), assim como outros serviços, por meio de diretrizes. O trabalho da vigilância sanitária é efetivo quando o serviço de saúde conta com gestores e profissionais comprometidos com a garantia da qualidade, responsáveis diretos pela implementação das ações de melhoria indicadas pela VISA. Assim, a eficácia da VISA só será possível com pacientes e usuários conscientes de seus direitos e que cobrem segurança, eficiência e qualidade. REFERÊNCIAS: COSTA,E.A.M. Vigilância Sanitária em Serviços de Saúde: os desafios da prática. Vig Sanit Debate 2014; 2(2): 27-33 LOPES,C.D. LOPES, F.F.P(Org.) Do risco à qualidade: a Vigilância Sanitária nos Serviços de Saúde. Editora Anvisa. Brasília-DF. 2008.

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FREEPIK

GESTÃO

O ENFERMEIRO GESTOR

SUELEN MATOS SALES Residente em Clínica Médica e Cirúrgica (em andamento) Especialista em Auditoria de Sistemas de Saúde Enfermeira smspauling@gmail.com Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/ 8491534253956196

Atualmente o ritmo das organizações de saúde, educacionais e industriais almejam que as competências do enfermeiro sejam ampliadas e exigidas para que este profissionais sejam competentes e que suas habilidades sejam cada vez maiores neste ramo. Há muito tempo o papel deste profissional vem sendo desconcentrado e sendo requerido pelo mercado de trabalho pelo seu potencial holístico de desmistificar o ambiente em que ele trabalha, transformando o local de acordo com as necessidades a curto e longo prazo, seja hospitais, clínicas, ambulatórios, indústrias, empresas administrativas e até mesmo em escolas. O(a) enfermeiro (a) é um profissional que tem um olhar aguçado e ambicioso, estudioso e em busca de melhorias para sua atuação. É detentor de diversos adjetivos dentre os quais competitivo e resolutivo, sendo uma das metas que as instituições mais buscam para alcançar as suas metas, para tanto o enfermeiro deve possuir fundamentos básicos de sua área assim como gestão em saúde, saber desenvolver os conhecimentos gerenciais a partir de novas abordagens de gestão, agregando um novo olhar assistencial e econômico, aperfeiçoando suas capacidades no enfrentamento de contingências que surgem durante gestão dos serviços de enfermagem, implementar estratégias gerenciais e aperfeiçoar o perfil gerencial dos serviços de enfermagem, para assim atuar entre extremos, desde um ambiente complexo e mutável à locais com certas limitações. Diante deste contexto, é importante destacar que o enfermeiro é um ser ‘político’, é o elo da comunicação, o centro, este cria uma ligação comunicativa entre os profissionais que o rodeia, este destaque tem como objetivo unir as perspectivas, missões, visões e valores delineados pelos dirigentes da instituição à linha operativa por meio do planejamento, direcionamento, organização e controle da gerência de enfermagem. Para que isto aconteça a função do enfermeiro gerencial deve ser reconhecida, entendida e incentivada pelas organizações para que obtenha resultados satisfatórios garantindo assim uma assistência de qualidade e segura, e isto também contribui para o reconhecimento da classe e satisfação pessoal e profissional do que contribui para uma atuação saudável (FERST, 2015, p12). É necessário salientar que o enfermeiro não nasce gestor, esta função não é obtida através somente de um certificado, é construída gradativamente de forma pessoal com o

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desenvolvimento de competências, conhecimento científico, experiências assistenciais e administrativas para sustentar o perfil de um enfermeiro gestor em seu processo de trabalho. Ser gestor é ser seguro nas decisões que somente serão obtidas através do conhecimento experiencial e por competências, ou seja, é necessário saber ‘colocar a mão na massa’, se envolver para entender e conseguir decidir, não dá para tomar decisões superficiais e inconcretas seria um risco à saúde do cliente, e riscos é sinônimo de insegurança, que induz a erros. Conforme o dicionário Aurélio (2018), entende-se por experiência o ato de experimentar, ensaiar, tentar, um conhecimento adquirido por práticas, estudos e observações, um ser de experiência é conhecedor das coisas da vida. Assim como entende-se por competência um conjunto de conhecimentos, habilidades, atitudes e comportamentos que induz o profissional a ter eficácia e eficiência nas atividades que desenvolverá diante das contingências. Diante de todo este contexto o enfermeiro atual é um profissional completo que tem um longo caminho a trilhar para se desenvolver, é um ser diferenciado que exercitará constantemente a comunicação, negociação, gestão, assistência, conhecimento, decisão, liderança e mais do que nunca flexibilidade, relacionamento interpessoal, criatividade, empreendedorismo entre os profissionais, organizações e assistidos. REFERÊNCIAS: FERST, E.H. A qualificação do Enfermeiro enquanto gestor. 2015. HOLANDA, A. Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa Online. Editora Positivo.2017. Disponível em: https://dicionariodoaurelio.com/ experiencia;

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GESTÃO

EDISON FERREIRA DA SILVA Especialista em Gestão Hospitalar Especialista em Gestão de Resíduos de Serviços de Saúde Administrador Hospitalar Advogado Membro do seguimento Patronal da Comissão Tripartite Permanente Regional de São Paulo CTPR/SP da NR 32 dredisonfs@uol.com.br Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/ 5216096023352695

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A Portaria nº 485 de 11 de novembro de 2005 (DOU 16.11.05) que introduziu a Norma Regulamentadora 32 (NR-32), tem finalidade de estabelecer as diretrizes básicas para implementação de medidas de proteção à saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde, bem como daquele que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral. A referida norma assume reflexos na gestão da saúde e segurança ocupacional não só em Hospitais, mas também em Faculdade de Medicina, Centro de Pesquisas Cientificas, Escolas Técnicas (enfermagem, radiologia, hematologia e etc), Laboratórios de Análises Clinicas, Clinicas em Geral e até na gestão das equipes de PSF – Programa de Saúde da Família, ou seja, em todas as ações de promoção, recuperação, assistência, pesquisa e ensino em saúde em qualquer nível de complexidade.” A criação da norma se caracteriza pela necessidade de uma gestão de saúde ocupacional no ambiente de prestação de serviços de saúde, demonstrando quais são as medidas preventivas aos colaboradores face às questões de subnotificação de acidentes de trabalho na área hospitalar, a qual supera a da construção civil. Desde a criação da Portaria 3214/78, que criou uma série de normas regulamentadores de Segurança e Medicina do Trabalho, a portaria da NR32 define regras impositivas para que administração hospitalar assuma o controle dos riscos Biológicos - Químicos - das Radiações Ionizantes, dos Resíduos, Condições de Conforto por Ocasião das Lavanderias, da Limpeza e Conservação, da Manutenção de Máquinas e Equipamentos. Para que se possa identificar esse grau de importância o PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional), previsto na Portaria 3214/78 em sua NR – 07 reforça que a gestão de saúde ocupacional é necessária para o reconhecimento e a avaliação dos riscos biológicos; a localização das áreas de risco; a relação contendo a identificação nominal dos trabalhadores, sua função, o local em que desempenham suas atividades e o risco a que estão expostos; a vigilância médica dos trabalhadores potencialmente expostos; o programa de vacinação, além de medidas preventivas. Desta forma há necessidade de integração do PCMSO e PPRA, uma vez que ambas atuam com base nas diretrizes e normas preconizadas pela NR-32, que agregam os seguintes condicionantes: • Os trabalhadores não devem deixar o local de trabalho com equipamentos de Proteção

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A NR 32 NO CONTEXTO DA ADMINISTRAÇÃO HOSPITALAR

Individual e as vestimentas utilizadas em atividades laborais. • O empregador deve comprovar a inspeção do trabalho a realização das capacitações. • Deverão ser elaboradas instruções escritas e de linguagem acessível das rotinas realizadas no exercício da função e esclarecer as medidas preventivas de acidente e doenças profissionais. • As instruções devem ser escritas e entregues ao trabalhador, mediante recibo e ficar à disposição da inspeção do trabalho • O empregador deve assegurar a capacitação dos trabalhadores antes do início de suas atividades e de maneira continuada. • O empregador deve assegurar informações aos colaboradores quanto às vantagens, efeitos colaterais, expostos por falta ou recusa de vacinação, com documentos comprobatórios. A respeito das normativas de Prevenção e Saúde Ocupacional o Código de Processo Civil Brasileiro (Lei 10406/02) prescreve em seu artigo 927 que: “Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem." Ressalta-se que os empresários de serviços de saúde devem preocupar-se não só com a sobrevivência da atividade de negócio, mas principalmente com sua responsabilidade socioambiental, por isso carecem de profissional de Segurança do Trabalho. REFERÊNCIAS: NR32 MTE

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SEGURANÇA DO TRABALHO

A HIERARQUIA DOS ATESTADOS MÉDICOS

DIEGO A. REZENDE MARCONDES Graduando em Direito Técnico em Segurança do Trabalho diegoarezende@gmail.com

É muito comum em qualquer instituição o fornecimento de atestados médicos a funcionários, principalmente por parte de instituição de saúde. Pelos seus riscos, condições ou ritmos de trabalho é razoável o trabalhador necessitar de afastamento provisório, e isso só é possível através de atestado médico, devidamente válido e corretamente preenchido, conforme normas do CRM e CRO. É válido, pois, apenas podem ser considerados os atestados fornecidos por médico ou dentista, os demais profissionais (Fisioterapeuta, psicólogo, educador físico, assistente social, etc) não têm autoridade legal para atestar incapacidade laborativa, nem determinar convalescença de uma enfermidade. Não quero dizer com isso que a instituição deva recusar um atestado fornecido por esses profissionais, mas sim verificar o caso concreto. Você sabia que existe uma hierarquia entre os atestados médicos? Que o empregador pode homologar ou revisar o atestado médico? Sim, isso é possível e tem respaldo legal. Assim determina as Leis 605/49 art. 6º, §2º, § 2º [...A doença será comprovada mediante atestado médico da instituição da previdência social a que estiver filiado o empregado, e, na falta deste e sucessivamente, de médico do Serviço Social do Comércio ou da Indústria; de médico da empresa ou por ela designado; de médico a serviço de representação federal, estadual ou municipal incumbido de assuntos de higiene ou de saúde pública; ou não existindo estes, na localidade em que trabalhar, de médico de sua escolha...], e lei 8.213/91, art. 60, § 4º [...A empresa que dispuser de serviço médico, próprio ou em convênio, terá a seu cargo o exame médico e o abono das faltas correspondentes ao período referido no § 3º, somente devendo encaminhar o segurado à perícia médica da Previdência Social quando

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a incapacidade ultrapassar 15 (quinze) dias...]. Sendo assim, é licito e recomendável que a empresa faça a avaliação dos atestados entregues até mesmo para traçar um perfil epidemiológico dos afastamentos e com isso criar ações de prevenção dos atestados. Ressalta-se que o médico do trabalho tem uma visão ocupacional da situação, muitas vezes melhor do que a do médico particular, ou seja, em muitos casos, o médico do trabalho pode apenas autorizar que o colaborador realize rotinas que não exponham o trabalhador a risco de agravamento da enfermidade ou lesão até a melhora do quadro. Muitas empresas, inclusive, vinculam a assiduidade com a obtenção de benefícios tais como, plano de saúde, gratificações, etc. O que pode causar algum receio é o fato de o trabalhador, muitas vezes, trabalhar doente para não entregar o atestado médico, ou muitas vezes não ir ao médico, já sabendo do resultado, temendo o o desconto ou perca dos benefícios. Por isso é necessário muito cuidado e critério na avaliação desse trabalhador para não incorrer no fenômeno chamado “Presenteísmo” ou “assiduidade Contagiosa”. Outra cautela importante é a exposição da intimidade do trabalhador obrigando-o a fornecer o CID nos atestados, o que é proibido, a não ser que o colaborador conscientizado autorize. Salienta-se que estamos tratando de atestados médicos que diferenciam das licenças previstas na CLT, como exemplo, o comparecimento em audiências judiciais, casamento, óbito, as quais não são passíveis de validação por profissionais médicos. Assim sendo, é de extrema importância a validação de atestados médicos nas instituições, contudo, alguns cuidados são necessários para não tolher a entrega destes por parte de quem realmente necessite, fazendo com que o trabalhador realize suas atividades, doente, agravando ainda mais seu quadro.

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SEGURANÇA DO TRABALHO

POR QUE OS ACIDENTES ACONTECEM?

DOUGLAS CAMPOS Especialista em Gestão Ambiental Especialista em Auditoria, Avaliações e Perícias em Engenharia Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho Engenheiro Civil douglastacampos@hotmail.com www.linkedin.com/in/ douglas-ansolin-campos988bb731/

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Os acidentes de trabalho acontecem ou são provocados? Quais são as suas principais causas? Em quais setores temos os maiores índices de acidentes? Segundo a definição da previdência social, considera-se acidente de trabalho toda a ocorrência durante o exercício da atividade laboral à serviço da empresa que provoque lesão corporal, morte, perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade ao trabalho. Entre 2012 e 2017 foram registrados no Brasil mais de 3 milhões de acidentes de trabalho, provocando mais de 14 mil mortes conforme descreve recente estudo do Ministério Público do Trabalho - MPT. De acordo com os dados oficiais do Ministério do Trabalho, Emprego e Previdência Social, dos 549 mil acidentes ocorridos no Brasil em 2017, cerca de 10% ou 54 mil se deram em estabelecimentos de assistência à saúde colocando este setor como aquele de maior risco para a saúde do trabalhador. Dentre os profissionais mais vitimados no ano passado pelos acidentes destacam-se negativamente na segunda posição os técnicos de enfermagem e outros profissionais que atuam nos hospitais, trazendo impactos na vida das suas famílias e perdas significativas para a econômica brasileira, estimadas em 4% do PIB. Nancy Leppink, especialista da Organização Internacional do Trabalho – OIT, trouxe durante o seminário “Saúde na saúde”, evento promovido em conjunto com o MPT, um estudo conduzido pela União Européia e a OIT de que a taxa de acidentes de trabalho na área de saúde é 34% maior do que em outros setores. E por que os acidentes acontecem com tanta frequência na área da saúde? Dentre as principais causas de acidentes de trabalho dentro da área de saúde temos: falta ou insuficiência de conhecimento técnico, não utilização do equipamento de proteção individual ou coletivo, negligência na orientação ao trabalhador, ausência de fiscalização, motivação incorreta por parte do líder, descumprimento da legislação aplicável, atitudes imprudentes, segregação incorreta dos resíduos, falta de padronização da tarefa, sobrecarga de trabalho, fragilidade na cultura de segurança da empresa, dentre outras. Assim sendo, percebe-se que as causas dos acidentes não são únicas e facilmente determinadas, em verdade são variadas e envolvem fatores múltiplos, todavia entender as suas relações, bem como reconhecer, identificar, avaliar e gerir os riscos presentes nos ambientes de trabalho são passos relevantes e cruciais para a

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sua prevenção e mitigação de seus efeitos nocivos, o que significa promover mais segurança, saúde e qualidade de vida aos trabalhadores. Nesta perspectiva, temos no gerenciamento dos riscos uma importante ferramenta e metodologia para melhor administrar todos os possíveis riscos ambientais dentro de um estabelecimento de assistência à saúde, quais sejam: os agentes físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes que, em função de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição, tenham capacidade de causar danos à saúde do trabalhador. Condições e fatores que afetam o bem-estar de funcionários, trabalhadores temporários, pessoal contratado, visitantes e qualquer outra pessoa no local de trabalho devem e merecem a atenção especial e recorrente de todas as empresas. É importante que a empresa fomente a formação de uma cultura em segurança e saúde do trabalho e proporcione um ambiente de trabalho livre e isento de riscos capazes de gerar lesões e doenças aos seus colaboradores, focando na gestão estratégica das pessoas e não apenas em resultados. REFERÊNCIAS: MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO. Taxa de acidentes de trabalho é 34% maior na área de saúde. Acesso em 01/10/2018. Disponível em: http://portal.mpt.mp.br/wps/portal/ portal_mpt/mpt/salaimprensa/mptnoticias/ d454833b-96ef-4c8f-9c96-51ea895e76cc PREVIDÊNCIA SOCIAL, Lei de nº 8213 que dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social e dá outras providências. 1991

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SEGURANÇA DO TRABALHO

ERGONOMIA NA SAÚDE

MARCIAL M. CABRAL Especialista em Metodologia de Ensino Graduando em Engenharia de Produção Gestor de Pessoas Técnico de Segurança do Trabalho marcialcabral.mc@gmail.com Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/ 0972977467229887

Quando falamos em ergonomia, a primeira imagem que vem em nossa mente é um ambiente tradicional; quer seja, a ideia de uma mesa com um computador e uma pessoa sentada de maneira incorreta à sua frente. Bem, podemos dizer que o termo está relacionado à necessidade de otimização da qualidade laboral, mas não é apenas isso. Ergonomia é o estudo prático da adaptação do trabalho ao homem. Não importa o tipo de trabalho, a atividade deve ser estruturada às condições biopsicofísicas do trabalhador. No Brasil, o estudo tem como base legal a Norma Regulamentadora (NR) nº 17 – Ergonomia, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que destaca em seu texto o conforto humano. Da mesma forma, a NR-17 em seu item 17.5, defende as ‘condições ambientais de trabalho’, fazendo referência às adequações as quais devem considerar as características psicofisiológicas dos trabalhadores e a natureza do trabalho a ser realizado. Esses regulamentos determinam que os conhecimentos à concepção de ferramentas, máquinas e dispositivos devem ser utilizados pelo trabalhador, proporcionando-lhe o máximo de conforto, segurança e eficácia para o desenvolvimento laboral. Atualmente, devido ao valor significativo no ambiente de trabalho, a ergonomia, antes de ser adotada pelos estabelecimentos de saúde, deve ser primeiramente estudada para, posterior aplicação de maneira correta, em cada situação ou atividades exercidas pelos trabalhadores, em seus diversos setores e funções. Não simplesmente de maneira genérica ou

documental, mas pura e individual para que os trabalhadores não sofram lesões que possam comprometer sua saúde ao longo da vida. O assunto é preocupante e por isso tem sido objeto de intensas discussões pelos gestores no contexto organizacional atual, visto que estamos em tempo de arrumar a casa e atender à legislação para o e-social, além de propor aos colaboradores que suas práticas de trabalho sejam realizadas com conforto, segurança e com o padrão ergonômico adequado. Em relação aos recursos financeiros, um dos grandes obstáculos para o desenvolvimento de ações ergonômicas na área da saúde pesa sobre o seu custo que, na opinião de muitos, a ergonomia é cara. Quem pensa assim está equivocado. Esse conceito deve mudar e deve-se assimilar que existem situações de correção dispendiosa financeiramente, mas, em contrapartida, há um grande número de situações inadequadas de correção fácil e barata. Couto (2014) diz que ergonomia é engenharia mais gestão. Compartilho desse pensamento e digo que no setor saúde há também uma série de outras situações ergonomicamente incorretas que poderão ser corrigidas somente pela melhoria na gestão do processo de trabalho, e ainda situações que somente serão corrigidas pela melhoria na condição psicossocial do trabalho (ambiente). Consequentemente, haverá redução dos adoecimentos e afastamentos, redução de acidentes de trabalho e de perdas financeiras. Aos gestores caberá a decisão: investir ou pagar.

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SEGURANÇA DO PACIENTE

O PPRA E A PROTEÇÃO RADIOLÓGICA

RENATO MOREIRA Graduando em Física Graduando em Radiologia Técnico em Segurança do Trabalho Técnico em Eletrônica reclau14@gmail.com

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A legislação trabalhista brasileira embora possua inúmeros pontos duvidosos, tem suas regras com relação à SST - Segurança e Saúde dos Trabalhadores. As leis de proteção em nosso país iniciaram de forma tímida com o crescimento do trabalho assalariado, após a abolição da escravidão em 1888 e com a vinda dos imigrantes europeus para o País. Tais leis e normas foram ganhando recursos de organização com a evolução da sociedade e das próprias relações de trabalho. Com a necessidade de reunir as normas trabalhistas em um único código abriu espaço para Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), criada em 1943 e então o tema de SST recebeu um capítulo inteiro denominado Higiene e Segurança do Trabalho – Capítulo V. As diretrizes legais para promoção da integridade física e da saúde do coletivo laboral passam a ser referenciados neste documento legal, estabelecendo um conjunto de ações e obrigações específicas visando boas práticas de trabalho, interações seguras com máquinas e equipamentos, atenção ao ambiente e, claro, ao trabalhador como indivíduo e parte do processo produtivo. Em 1977 o capítulo V da CLT, que após mudanças, tinha como título: “DA SEGURANÇA E DA MEDICINA DO TRABALHO”, passa por novas alterações provocadas pela lei 6514. E no ano seguinte, ainda por influência da citada lei, publica-se 28 NRs as chamadas Normas Regulamentadoras. Normas que enfatizavam diversos aspectos de proteção ao trabalhador brasileiro e que deveriam ser observadas nos ambientes de trabalho de todo o país. Atualmente contamos com 36 NRs trazendo abordagens técnica como a de Eletricidade (NR10), específica como a NR32 – Trabalhos em Serviço de Saúde e ainda geral, que se aplicam a todas as empresas. Entre as normas de abordagens gerais destacamos a NR 9 que trata do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA, atualizada em 1994 esta norma tem o objetivo de criar um programa permanente que estabeleça metodologias práticas e técnicas para manter os Riscos Ambientais (Físicos Químicos e Biológicos), que os processos produtivos geram, controlados através de medidas que constantemente se renovam. Entre os fatores de riscos Físicos tipificados nesta norma encontramos a Radiação Ionizante. O PPRA deve considerar este fator de risco e estar totalmente conectado com outro programa

previsto pelo Ministério da Saúde – Secretaria da Vigilância Sanitária, o Programa de Proteção Radiológica, que por sua vez também é previsto em outra Norma Regulamentadora, a NR 32 (Serviços de Saúde), chamado de Plano de Proteção Radiológica. Ambos, Programa e/ou Plano, devem munir a área de SST com seus dados e avaliações, que constarão no PPRA, como por exemplo: • Testes ambientais (Levantamento Radiométrico e Fuga de Cabeçote); • Testes de integridade de Equipamentos de Proteção; • Testes de Controle de Qualidade, etc. Outras ações definidas no cumprimento da Portaria 453/98 do MS/SVS ou da NR 32 do MTE, sempre que objetivarem a redução impacto da Radiação Ionizante no trabalhador devem ser consideradas, registradas e inseridas como ações e medidas de controle do PPRA, são elas: Redução da Radiação Ionizante na fonte (tubo de raios-x, softwares de controle, etc.); Atenuação em sua trajetória (Portas e paredes blindadas, biombos e saiotes plumbíferos, etc.); Medidas administrativas (ordens com intuito de manter portas fechadas, restringir acessos, reduzir carga horária ou realizar rodízio na exposição a este agente, etc.); E por fim como recurso adicional aos anteriores, a previsão do uso dos EPIs com equivalência em chumbo adequado ao serviço. Sem dúvidas a interação das medidas propostas pela Portaria 453/98, com os preceitos das normas regulamentadoras de Proteção ao trabalhador, unidas passam a garantir boas práticas, preservação da integridade física e qualidade de vida ao profissional da saúde, refletindo no bom atendimento e satisfação total do trabalhador e do paciente.

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SEGURANÇA DO PACIENTE

ALIMENTAÇÃO E HOSPITALIDADE

ANA MARIA CUNHA Mestre em Hospitalidade Especialista em Administração Hospitalar e Sistemas de Saúde Enfermeira e Professora Universitária anacampo174@gmail.com Currículo Lattes http://lattes.cnpq. br/4189761774207357

Chegamos ao final de 2018, época de confraternização, nas empresas, entre amigos e na família. Nesta ocasião, a alimentação e a hospitalidade estão intrinsicamente ligadas, assim como a ideia de compartilhar o alimento também se associa ao princípio básico da hospitalidade: o prazer de satisfazer as necessidades dos outros, que, segundo teorias psicológicas é uma recompensa acima de tudo emocional (PAULA, 2002, 2004; CAMARGO, 2003, 2004). Atualmente, em relação à prestação de serviços hospitalares, fatores de hospitalidade como o atendimento às expectativas são identificáveis como valores contributivos para a concepção e construção de um diferencial de serviço. Alguns resultados de satisfação irão depender do estado emocional, psicológico e físico em que esse paciente se encontra, porém não impossibilita serem mensurados. O requisito sobre o sabor da refeição é uma das questões mais relativas da análise, pois cada paciente irá julgá-lo de uma maneira diferente, dependendo dos seus hábitos alimentares, antes do internamento. Além disso, devido aos processos clínicos necessários para o tratamento, o paciente, muitas vezes, está com o seu paladar alterado pelo uso de medicamentos, podendo comprometer sua percepção em relação à alimentação fornecida pelo hospital. Sendo assim, a alimentação hospitalar deve ser uma intervenção obrigatória e adjuvante, para melhorar o prognóstico da doença. A intervenção adequada e individualizada melhora a sintomatologia, reduz a morbimortalidade, apresentando um prognóstico favorável. Desta forma, a gastronomia hospitalar concilia a prescrição dietética à elaboração de refeições atrativas e saborosas, a fim de promover a nutrição com prazer e ainda à apresentação do prato, a variedade do cardápio, o treinamento de funcionários, a cordialidade no atendimento e a rapidez do serviço.

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Nas organizações de saúde, o chefe de cozinha desenvolve papel primordial junto equipe de nutrição, oferecendo uma alimentação mais prazerosa, adaptando as dietas às tendências gastronômicas e preservando as características sensoriais e terapêuticas dos alimentos. A gastronomia, em sua essência, se insere no contexto hospitalar trazendo uma proposta de adaptação, introduzindo processos e serviços, com a finalidade de proporcionar prazer, despertar sensações, fidelização e melhorar a rentabilidade. Muitas vezes, são empreendidos esforços para oferecer algo novo, surpreendente ao paladar; outras vezes, providencia-se algo diferente que se tem certeza de que o paciente/cliente aprecia; desta forma tornamos a hospitalidade memorável a ponto de fazer com que seja fidelizado, e possa retornar sempre que necessário, apesar de outros fatores terem sido desfavoráveis e apenas o item alimentação satisfaça suas expectativas. REFERÊNCIAS: CAMARGO, L. O.(2003). Os domínios da hospitalidade. In: Dencker, A. & Bueno, M. Hospitalidade: cenários e oportunidades. São Paulo: Pioneira Thomson Learning.2003 Camargo, L. O. (2004). Hospitalidade. Coleção ABC de Turismo. São Paulo: Aleph Paula, N. M. (2002). Introdução ao conceito de hospitalidade em serviços de alimentação. In: Dias, Célia M.M. (org.). Hospitalidade: Reflexões e perspectivas.São Paulo: Manole. Paula, N. M. (2004). Planejamento e gestão da hospitalidade em restaurantes. In Dencker, A. (org.) Planejamento e Gestão em Turismo e Hospitalidade. São Paulo: Pioneira Thomson Learning Telfer, E. (2004).Afilosofia da hospitabilidade. InLashley C. & Morrison(org.), A. Em busca da Hospitalidade: perspectivas para um mundo globalizado. Barueri: Manole

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SEGURANÇA DO PACIENTE

O TÉCNICO DE ENFERMAGEM FRENTE À CIRURGIA SEGURA

ALICE SERIQUE Especialista em Instrumentação Cirúrgica Enfermeira e Professora Universitária alice_serique2@hotmail.com Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/ 3619808653711105

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O profissional técnico de Enfermagem (TE) dentro do Centro Cirúrgico (CC) é de extrema importância, visto que tem papel central em todas as localizações do CC (pré-operatório, sala operatória e sala de recuperação pós-anestésica), sendo então de extrema importância que ele tenha algumas características: seja ágil, responsável, atento, respeitoso, ter conhecimento a cerca da área atuante, tenha noção de contaminação, que tenha atitude e que não tenha medo, além de ser assíduo. Seu trabalho inicia na sala do pré-operatório em que auxilia na avaliação e conferência dos exames pré-operatórios, o paciente adentrando, o TE já o monitoriza para que assim possa-se visualizar seus parâmetros de sinais vitais (SSVV), confirma o local cirúrgico, presença de próteses, órteses e adornos, é repassado ao paciente informações sobre o procedimento cirúrgico, realiza o seu registro na SAEP – Sistematização da Assistência de Enfermagem Peri-operatória. Na hora do paciente adentrar a Sala Operatória (SO) o TE do pré-operatório registra os dados de como está encaminhando o paciente, comunica o técnico da SO sobre informações específicas, como: alergia, se houve alteração nos SSVV e etc. Quando se refere ao técnico da SO o trabalho inicia-se em organizar a sua sala, repor materiais, testar equipamentos, auxiliar o instrumentador cirúrgico (IC) na montagem da sala através da abertura na técnica asséptica dos materiais cirúrgicos, comunicar aptidão ou não da SO. Sendo então autorizado que o paciente adentre à SO, ele se encaminha à Sala do pré-operatório e o leva à SO, realiza então o registro do recebimento do paciente com: hora da entrada, modo como adentrou a sala: cadeira de rodas, maca ou a pé, registro dos SSVV e um breve exame físico do paciente. Após a sua entrada e o seu devido monitoramento inicia-se o auxílio ao Anestesista, tendo atenção para com as medicações, diluições, acesso venoso periférico e outras situações. Finalizando a anestesia se inicia o auxílio da equipe cirúrgica para as demandas, sempre anotando os materiais de consumo que serão abertos para ser realizado a sua contagem, além de registrar os SSVV. Finalizando o procedimento cirúrgico auxilia no curativo, higiene do paciente, colocação da fralda descartável, finalizando encaminhando o paciente para Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA).

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Após a saída do paciente da SO inicia-se o procedimento de retirada d o material, como: instrumentais, borracha e frasco de aspiração, caneta de bisturi e etc., juntamente com o Instrumentador, se houver, separação, identificação da peça cirúrgica e encaminhamento da mesma para o setor pertinente. Encaminhamento do material cirúrgico para o setor do expurgo, lembrando de levá-lo dentro de um recipiente próprio para seu devido encaminhamento. Além de reorganizar a SO para que se inicie o ciclo de uma nova cirurgia. No tocante ao técnico da SRPA o mesmo faz o registro de como recebeu o paciente vindo da SO, faz um breve exame físico com o seu devido registro, anota os SSVV conforme horário estipulado pela instituição, percebendo alguma alteração comunica então o seu enfermeiro. Após a alta do anestesista o paciente será encaminhado para a enfermaria, sendo então a presença do TE altamente necessária, para que seja feito a continuidade do registro da SAEP e então a passagem do paciente para o técnico da enfermaria, sempre ressaltando alguma alergia, se houve alguma intercorrência no período transoperatório ou alguma observação. Portanto, é de extrema importância a valorização dessa categoria por vezes tão esquecida, mal remunerada, muitas vezes por questões financeiras se vê obrigado a ter vários empregos, sem a classe de Enfermagem não tem como dar continuidade a rotina cirúrgica tornando-se então um procedimento não seguro. REFERÊNCIAS: https://experienciasdeumtecnicodeenfermagem.com/centro-cirurgico/

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ERRAR É HUMANO? PIXABAY

LARISSA S. GUTIERRES Mestre em Gestão do Cuidado em Enfermagem Especialista em CC e CME e RPA Especialista em Gestão em Saúde e Controle de Infecção Enfermeira larasiqueira@hotmail.com Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/ 1379629713278434

A cada cinco minutos morrem três brasileiros nos hospitais por falhas evitáveis, segundo dados publicados no primeiro anuário de segurança assistencial hospitalar do Brasil, produzidos pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). O estudo mostra que, em 2016, cerca de 302.610 brasileiros faleceram em hospitais públicos e privados como consequência de um evento adverso. Nem todos os eventos adversos culminam em óbito, alguns podem levar a lesões permanentes ou temporárias, mas o fato é que a maioria desses acontecimentos poderiam ter sido evitados. Embora assustadora, essa é uma realidade mundial que vem sendo divulgada desde 1999, com a publicação do relatório do Institute of Medicine, que retratou o panorama sobre erros relacionados à assistência nos EUA. Quando falamos em erro relacionado à assistência em saúde, versamos sobre uma falha na execução de uma ação planejada e NÃO INTENCIONAL. Nem todos os eventos que ocorrem durante a assistência são decorrentes de erros, por isso são chamados de incidentes em saúde. Os incidentes podem ocorrer por erros, transgressões, abusos de doentes e atos deliberadamente perigosos. O incidente em saúde é um evento ou circunstância que poderia resultar - ou resultou - em dano desnecessário para o doente. Para entender melhor o impacto dos incidentes para os pacientes, a taxonomia da Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica em quatro tipos: • Circunstância notificável é uma situação que tem um potencial significativo para causar um dano, mas que não chega a gerar um incidente ao paciente; • Quase erro é um incidente que não alcançou o doente, foi percebido e detectado antes; • Incidente sem dano é um incidente que chegou ao paciente, mas não resultou nenhum dano perceptível; • Incidente com dano, conhecido também como evento adverso, no qual o incidente gerou o dano ao paciente. O dano se caracteriza por algo que gerou prejuízo na estrutura ou funções do corpo e/ou qualquer efeito, incluindo nova doença, lesão sofrimento, incapacidade ou morte. Pode ser físico, social ou psicológico, podendo ser leve, moderado e grave. Sobre a gravidade, um estudo em 2012 relatou nos EUA eventos que nunca deveriam acontecer denominados never events. A lista dos never events está publicada no caderno 6. Implantação do Núcleo de Segurança do

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Paciente da ANVISA. Diante do exposto, é importante considerar que o fato de estar hospitalizado é por si só um risco, no qual existe uma probabilidade de ocorrência de incidente. Por isso que a principal atuação dos profissionais de saúde, além de prestar a melhor assistência, é realizar ações que minimizem e reduzam o risco dos pacientes. Cabe ressaltar que nós, profissionais da saúde, temos em nosso DNA a intenção de cuidar de pessoas e salvar vidas. Nenhum profissional consciente e comprometido com o seu trabalho tem a intenção de errar com seus pacientes, os erros não são intencionais. Muitas vezes, inclusive, somos julgados e acusados inadvertidamente. Os erros são multifatoriais e normalmente ocorrem por conta um conjunto de fatores que contribuíram para que o erro acontecesse, seja relacionado ao método de trabalho, estrutura da organização, entre outros. Portanto, quando ocorre um incidente, deve-se analisar os fatores que contribuíram para o ocorrido e envolver o paciente e a família, a fim de se evitar julgamento e apontamentos que possam ser prejudiciais para o andamento da resolução. Atualmente, envolver o paciente e a família no processo de cuidado, proporcionando educação e saúde (health literacy), estimulando que ele supervisione as práticas de cuidado, tem se mostrado a principal estratégia para prevenção e mitigação dos riscos. Afinal de contas, está claro que errar é humano, mas todos juntos, profissionais, pacientes e família podemos minimizar os erros e salvar vidas. finalizando encaminhando o paciente para Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA).

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HOSPITAL COMO LOCAL DE RISCO

ÉRICA LUI REINHARDT Doutora em Saúde Pública Mestre em Biotecnologia Especialista em Saúde Pública Bióloga erica.fundacentro@gmail.com Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/ 4484921014935675

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Pretendo, nesta coluna, contribuir para desfazer um mito: exatamente o de que o hospital é, e sempre será, um local de risco. Pois, como em qualquer empreendimento humano, os riscos são em larga medida derivados de como as pessoas agem e de quais valores estão em jogo. Por exemplo, a prevenção contra os riscos biológicos e os químicos abordados brevemente nas colunas anteriores depende inteiramente de uma gestão comprometida e de uma boa organização do trabalho. São esses fatores que fazem a diferença na determinação de um hospital como um local de risco ou de um local com mais segurança e esperança, afetando igualmente trabalhadores e pacientes. Em reconhecimento a isso, o Brasil instituiu o Programa Nacional de Segurança do Paciente por meio da Portaria no 529/2013 em que aponta como fundamentais: a criação de cultura de segurança; a execução sistemática e estruturada dos processos de gerenciamento de risco; a integração e a articulação de todos processos de cuidado e organizacionais dos serviços de saúde; as melhores evidências disponíveis; a transparência, a inclusão, a responsabilização e a sensibilização e capacidade de reagir a mudança. Recentemente foi publicado o 2º Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar no Brasil, divulgando que 148 pessoas morrem diariamente por falhas nos hospitais brasileiros. Embora assumindo que as falhas assistenciais não intencionais provavelmente sempre existirão, os especialistas responsáveis pelo Anuário acrescentam que elas podem ser reduzidas com o aperfeiçoamento da segurança dos sistemas de saúde como um todo e que culpar ou punir indivíduos por erros devidos a causas sistêmicas não resolve as causas nem impede a repetição do erro. Isto é, a solução passa por mudanças e melhorias na gestão e na organização do trabalho do hospital. Esta é a mesma tônica do relatório “Errar é Humano: Construindo um Sistema de Saúde Mais Seguro” (To Err is Human: Building a Safer Health System), publicado pelo Instituto de Medicina dos Estados Unidos (IOM) em 1999. Este relatório aponta que o hospital, como outras organizações complexas, tende a ter uma frequência mais alta de acidentes e eventos adversos, mas que estes são amenizados por uma gestão e organização voltadas à segurança, que emerge das interações de todos os componentes organizacionais e não da ação isolada de pessoas ou departamentos. Um compromisso firme com a segurança, altos níveis de redundância de

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pessoal e medidas de prevenção e uma cultura organizacional robusta permitindo o aprendizado contínuo e a vontade de mudança contribuiriam decisivamente para essa redução. O relatório estabelece alguns princípios relacionados à segurança em hospitais: • (1) assegurar a liderança; • (2) respeito aos limites humanos no planejamento dos processos; • (3) promover o funcionamento efetivo da equipe; • (4) antecipar o inesperado; e • (5) criar um ambiente de aprendizado contínuo. • Além deles, também recomendou que programas de segurança do paciente devem: • (1) dar uma atenção visível, clara e firme para a segurança e implementar sistemas não-punitivos para registrar e analisar erros; • (2) incorporar princípios de segurança bem compreendidos, como padronização e simplificação; • (3) estabelecer um programa de capacitação interdisciplinar que incorporem métodos comprovados de gestão de pessoas; e • (4) implementar práticas medicamentosas seguras. Quero concluir afirmando que investir na segurança e na saúde do paciente também é promover a segurança e a saúde do profissional de saúde, tornando o ambiente hospitalar cada vez mais saudável, seguro e construtivo. Como visto, o hospital como um local seguro ou um local de risco não é um destino, depende da escolha humana. Com a palavra, a gestão do hospital!

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MICHELLE M. FORTUNATO Mestranda em Gestão do Cuidado em Enfermagem Especialista em Gestão em Saúde e Controle de Infecção Especialista em Urgência, Emergência e UTI Enfermeira michelle.ccih@gmail.com Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/ 9399055811710246

A Lei Orgânica da Saúde (Lei 8.080/1990) define Vigilância Epidemiológica como um “conjunto de ações que proporciona o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes da saúde individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças e agravos”. Já a Portaria 1.378/2013, determina que Vigilância em Saúde é “um processo contínuo e sistemático de coleta, consolidação, disseminação de dados sobre eventos relacionados à saúde, que visa ao planejamento e a implementação de medidas de saúde pública para a proteção da saúde da população, a prevenção e controle de riscos, agravos e doenças, bem como para a promoção da saúde”. As doenças e agravos de notificação compulsória são determinadas por fatores que incluem potencial de disseminação, disponibilidade de medidas de controle, gravidade, regulamentos sanitários e compromissos internacionais. Portanto, é de extrema importância que as instituições de saúde estejam atentos à suspeita e confirmação de determinadas situações. Cada ocorrência a ser notificada, deve-se preencher com o máximo de dados possíveis na ficha de investigação distinta a cada problema, bem como o completo preenchimento da Ficha Individual de Notificação. Esses documentos permitirão a obtenção de dados que possibilitem a identificação da fonte de infecção e os mecanismos de transmissão da doença. Mas quais situações devo notificar? A Portaria 204/2016 delibera a Lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e eventos que devem ser notificadas, e dentre elas estão doenças como dengue, meningite, febre amarela, influenza e tuberculose. Já entre os agravos, estão acidente com material biológico, acidente por animal peçonhento e violência interpessoal ou autoprovocada. O problema é que muitos profissionais desconhecem algumas de suas obrigatoriedades, e uma delas é que todo profissional de saúde e educação, seja de instituição pública ou privada, tem o dever de notificar as doenças e agravos conforme a Lei 6.259/1975. A omissão de notificação de doença é crime, e está prevista no Código Penal Brasileiro no capítulo III – Dos crimes contra a saúde pública –, no artigo 269. A omissão dessa notificação pode levar a graves consequências sociais, e os surtos podem causar danos irreversíveis à população. Quem

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A NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA E SUA IMPORTÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

não lembra da pandemia em 2009 de gripe A (Influeza), mais conhecida como gripe suína? E do surto no Brasil em 2015 de microcefalia associado ao Zika vírus? Para aqueles já nascidos na década de 80 lembrarão também da epidemia de AIDS no mundo. Esses problemas de saúde podem ser reduzidos consideravelmente se a notificação da ocorrência for realizada em tempo hábil, pois será possível planejar as ações de prevenção e controle de epidemias pelos órgãos de saúde pública. É importante salientar que a comunidade tem um papel respeitável no controle de epidemias, e essas estratégias de ação popular são defendidas por órgãos nacionais e internacionais. Ressalta-se ainda que os profissionais de saúde além de vigiar, tem o dever de educar a população no quesito saúde pública, pois somente assim, poder-se-á ter um trabalho em conjunto e com contribuição efetiva no controle e disseminação de doenças e eventos com potencial causador de surtos, epidemias, endemias e pandemias. REFERÊNCIAS: BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde. 1ª edição atualizada – versão eletrônica. Brasília, 2016. 773 p. SILVA, G. A.; OLIVEIRA, C. M. G. O registro das doenças de notificação compulsória: a participação dos profissionais da saúde e da comunidade. Rev. Epidemiol Control Infect. 2014;4(3):215-220. Disponível em: <file:///C:/ Users/Administrador/Downloads/4578-23778-1PB.pdf>. Acesso em: 29 set. 2018.

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BACTÉRIAS MULTIRRESISTENTES E A LINHA DE FRENTE DO CONTROLE EQUIPAMENTOS NÃO FAZEM LIMPEZA, PESSOAS FAZEM. É comum quando os estabelecimentos de saúde pretendem elevar sua imagem e reputação, investirem em tecnologias ou em um conceituado especialista. Tais investimentos atraem publicidade, bem como pacientes que buscam os melhores cuidados de saúde disponíveis. Ultimamente, porém deveríamos atentar para uma descoberta, talvez inesperada. Os tipos de gastos que realmente melhoram a segurança do atendimento ao paciente não deveriam, muitas vezes, ser direcionados ao topo somente, mas sim na parte “inferior”, aos colaboradores anônimos. Atingiremos essa percepção ao tentar lidar com uma tendência alarmante. Na última década, os organismos causadores da maioria das infecções em pacientes hospitalizados tornaram-se mais difíceis de tratar. Um dos motivos é o aumento

ANNY CRISTINE ROSA Especialista em Vigilância sanitária Tecnóloga em Gestão Ambiental Técnica de Segurança do Trabalho annyrosa@escolade limpeza.com.br

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da resistência aos medicamentos; algumas infecções agora respondem a apenas uma ou duas drogas no vasto arsenal de antibióticos. Há alguns anos, o problema de bactérias nocivas que atacavam pacientes em hospitais era o MRSA, ou Staphylococcus aureus, resistente à meticilina. Como o MRSA se agarra à pele, a principal estratégia para limitar sua disseminação foi a lavagem completa das mãos. Agora, no entanto, as bactérias mais perigosas são aquelas que sobrevivem em superfícies inorgânicas, como teclados, grades de cama e cortinas. Para se livrar desses germes, os hospitais devem contar com funcionários que observem e limpem todos os cantos, conheçam das técnicas e produtos de limpeza específicos e entendam quais compostos químicos utilizar. A higienização das mãos é muito importante, mas estamos começando a entender que é uma das várias intervenções necessárias para romper a cadeia de infecção que ameaça os pacientes. ”Enterococcus resistentes à vancomicina, ou VRE, Clostridium difficile, conhecido como C. diff, seguido por um grupo de bactérias coletivamente referidas como organismos altamente resistentes: Escherichia coli, Klebsiella, Pseudomonas e Acinetobacter, entram através de múltiplas avenidas. Acinetobacter e Pseudomonas por exemplo, preferem viver no solo e na água, mas são transportados para hospitais em sapatos e roupas das pessoas. Em contraste, VRE, E. coli, Klebsiella e C. diff prosperam dentro de seres humanos. Essas bactérias entram nos hospitais, nos intestinos dos pacientes, e escapam quando os pacientes que ficam na cama sofrem de diarreia, contaminando o ar e os equipamentos ao redor deles.” ¹ Dessa maneira, as ameaças bacterianas criam um risco de infecção pelo menos tão grande quanto as mãos contaminadas dos profissionais de saúde. Isso demonstra a obrigatoriedade de elevar o nível da higienização hospitalar

EQUIPE OPERACIONAL DE LIMPEZA: O REFORÇO NECESSÁRIO. A limpeza então, está se tornando uma questão básica de saúde, quando o problema é bactérias em superfícies, eliminá-las depende das equipes de serviços de higienização. Tradicionalmente, os estabelecimentos de assistência à saúde consideram esses auxiliares como trabalhadores descartáveis - difíceis de treinar porque acreditam ter um baixo nível de compreensão e cultura e não vale a pena ser treinada, porque eles podem não ficar

muito tempo no emprego. É urgente entender que para a eficácia no controle de IRAS, tais intervenções exigem que os trabalhadores de serviços de higienização tenham conhecimento sobre a prevenção e a transmissão de doenças e sejam bem treinados, com as melhores práticas de processos e que conheçam dos produtos para o controle que garanta a segurança dos pacientes.

1. Centros de Controle e Prevenção de Doenças, Utilização Hospitalar (em hospitais não federais de curta permanência), Internamento Hospitalar Número de Descargas; Procedimentos Realizados, 14 de maio de 2015; http: // www. cdc.gov/nchs/ fastats/hospital.htm

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SINDHOSFIL

CERTIFICAÇÃO DA QUALIDADE EM HOSPITAIS FILANTRÓPICOS

JULIANE PEREZ Especialista em Hemoterapia Farmacêutica Bioquímica Juliane_perez@hotmail.com Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/ 6296261215192523

Em 1919, Ernest Amory Codman MD (grande defensor da reforma hospitalar) afirmou que os pacientes tinham o direito de saber do verdadeiro desempenho da equipe de profissionais que os atendiam. Montou assim um relatório “The Ends Results” demonstrando que houveram 123 erros em 337 altas analisadas (entre 1911 e 1916). Assim neste ano, ele definiu a primeira Padronização Mínima para Hospitais, enfatizando a importância da definição de processos e controle sobre todos os setores envolvidos no atendimento ao paciente. Na década de 1990, tendo como forte influência os primeiros modelos direcionados à gestão da qualidade da assistência nos EUA e Canadá, as instituições de saúde no Brasil começaram a se preocupar fortemente com a avaliação dos serviços oferecidos à população. A saúde, consagrada na Constituição Federal de 1988 como direito social fundamental, recebe, deste modo, proteção jurídica diferenciada. Ao reconhecer a saúde como direito social fundamental, o Estado obrigou-se a prestações positivas, e, por conseguinte, à formulação de políticas públicas sociais e econômicas destinadas à promoção, à proteção e à recuperação da saúde, implantando e sistematizando a estrutura hierarquizada de representação sindical no Brasil. Através dessas mudanças no cenário brasileiro, foi fundado o Sindicato das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Estado de São Paulo. Marcando o início da independência na representatividade jurídica trabalhista das instituições sem fins lucrativos da área da saúde. Sabe-se que hoje, o setor hospitalar filantrópico corresponde a uma importante parcela do parque hospitalar brasileiro, com especial presença entre os prestadores de serviços assistenciais para o Sistema Único de Saúde (SUS). Visando tamanha importância da fatia de pessoas atendidas e preocupados com a tendência do mercado de qualificação das instituições de saúde no Brasil, que o SINDHOSFIL/SP buscou um instrumento essencial na consolidação dessas perspectivas, já que estas entregam maior credibilidade, garantia de eficácia nos métodos de gestão referencial seguro para a melhoria contínua, além de um diagnóstico objetivo sobre o desempenho dos processos, fortalecendo seu respeito perante os olhos dos clientes (pacientes), fornecedores e colaboradores. A certificação da qualidade, é o

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instrumento que irá configurar um parecer positivo indicado por uma equipe de Certificação a instituição. Pensando em suas características individuais, estruturais e culturais, baseada na diferença de demanda comparada à iniciativa privada, que o Sindicato da Santas Casas e Hospitais Filantrópicos elaborou os Selos de Certificação da Qualidade, apresentados em seus diferentes níveis de contemplação (3 níveis de certificação: Ouro, Prata e Bronze) atestando o grau de conformidade mensurado. Estamos presenciando que administrar colaboradores deve instigar a criação de ambiente de Qualidade, propício a aprendizagem e possibilitar mecanismos que operacionalize efetivamente a formulação de estratégias para as entidades e comprove o incentivo de estudos, profissionalismo e processos de intensa capacitação nas obrigações quanto a saúde, segurança e direitos trabalhistas. Assim são estas comprovações de experiências no segmento de prestação de serviços de saúde, possibilita evidenciar conformidades nos processos de Gestão de RH diferente, qual seja de pessoas cuidando de pessoas. Os critérios serão apresentados através de Manuais da Qualidade, elaborados por uma equipe de especialistas altamente gabaritada e qualificada. Documento este que irá fornecer as regras, diretrizes ou características para atividades ou seus resultados, visando à obtenção de um grau ótimo de ordem em um dado contexto. Estes são baseados em um consenso de expertises no assunto. Na era atual, de transparência e responsabilização, com uma escalada na complexidade dos cuidados de saúde, a certificação dos Hospitais Filantrópicos certamente irá contribuir para assegurar que os cuidados tenham os melhores padrões de qualidade. Servirá para mitigar o risco, medir desempenho, e oferecer objetivos e metas claras para acompanhamento. Podendo ser usada como ferramenta de detecção de pontos fortes e áreas com oportunidades de melhoria, fortalecendo as boas práticas, cultura e a identidade institucional. REFERÊNCIAS: ORGANIZAÇÃO NACIONAL DE ACREDITAÇÃO (ONA). Manual das Organizações Prestadoras de Serviços Hospitalares Versão 2001. Coleção Manual Brasileiro de Acreditação ONA. Volume 1. Pelotas: Educat, 2001.

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CAPA

2018 3º CONSINDHOSFIL POR LUCILENE AMARAL

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conteceu durante os dias 01 a 03 de outubro de 2018, nas dependências de um elegante Hotel em Águas de Lindoia – Cidade a 160 km da capital Paulista – uma agradável Estação de Águas - o Terceiro Congresso do Sindicato dos Hospitais Filantrópicos do Estado de São Paulo. Numa atmosfera de elegância e clima ameno foram 3 dias de intensas atividades, onde o tema central foi

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a Inovação Tecnológica e Avanços da Legislação, seus impactos na Gestão de Recursos Humanos e nos Resultados Econômicos das Instituições Filantrópicas de Saúde, sediadas naquele que é o maior Estado da Federação. O evento, em sua terceira edição, contou com um público bastante participativo e exigente quanto aos questionamentos dirigidos aos palestrantes. Ao término de cada palestra ministrada eram abertas

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rodadas de perguntas onde, através de um aplicativo a plateia interagia com o preletor, expandindo as temáticas apresentadas, em tempo real, acompanhado por um mediador que, aleatoriamente, definia as questões a serem levantadas, com foco na máxima da pertinência e relação entre pergunta e tema. A tecnologia foi o tema da vez. Além do APP que foi disponibilizado para as plataformas Android e Apple, facilmente encontrado em suas

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Case Tema: Orgulho De Ser GRAACC Instituição: GRAACC

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Outro ponto de relevância no evento foi, após um animado show de artistas regionais e saboroso coquetel, servido aos participantes, a divulgação e apresentação dos selos de Certificação da Qualidade que, em 2019 o Sindicato disponibilizará aos seus Associados, visando aumentar o nível de excelência dos serviços prestados pelos Hospitais Filantrópicos. Em entrevista, o Presidente do Sindicato – Dr. Edison Ferreira da Silva fez um balanço positivo sobre o evento, disse ele: “as expectativas foram alcançadas e muitos desafios estão previstos para o próximo ano. Desenvolver e aprimorar a capacidade de uma Gestão de Pessoas voltada à excelência da prestação de serviços e bem-estar dos trabalhadores, garante, acima de tudo, a segurança do paciente”.

Case Tema: Programa Medida Ideal Grupo de Atenção Ao Sobre Peso e Obesidade Instituição: SANTA CASA RIO CLARO

Case Tema: Pesquisa de Clima Organizacional Como Ferramentas de Boas Práticas de Gestão De Pessoas Instituição: SANTA CASA PIRACICABA

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respectivas stores, antes do evento, outras ferramentas se fizeram marcantes. Acesso ao auditório e confirmação de presença por leitura ótica dos códigos de barra dos crachás, autoconfirmação de presença nos Totens disponibilizados na antessala do auditório, avaliação das palestras em terminais. Tudo para garantir maior integração entre os participantes e organizadores. O desempenho do evento era observado e monitorado permanentemente. As temáticas foram acompanhadas de uma miniexposição, onde, empresas e produtos do segmento de saúde estiveram disponíveis aos representantes das diferentes instituições e seus participantes, durante os 3 dias das atividades. Um dos destaques foi a participação do Palestrante, de renome internacional, Steven Dubner, fechando o primeiro dia dos trabalhos. Com uma palestra de tom motivacional, Steven mostrou a importância do esporte na vida das pessoas, especialmente, dos portadores de necessidades especiais. Sua organização ADD – Associação Desportiva par Deficientes http://www.add.org.br

– trabalha na formação de atletas com deficiências físicas diversas e o mesmo deixou uma forte mensagem de empoderamento aos participantes, que atentamente, se deleitavam com brilhante e lúdica atividade. Nos dias subsequentes, outras atividades impactantes, mostraram as diversas realidades de como são os ambientes de gestão dentro dos hospitais filantrópicos, sempre com recursos mínimos e, as vezes escassos, são vencidos através de desafios, criatividade e integração dos gestores e suas equipes. Para incentivar, cada vez mais, e elevar o padrão de desempenho dos Associados, o SindHosfil premia os cases que são apresentados durante o evento. Na edição desse ano, os agraciados foram as seguintes instituições:

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SAÚDE E CUIDADO

DEPOSITPHOTOS

CIFOESCOLIOSE:VOCÊ JÁ OBSERVOU SEU FILHO?

TRATAMENTO DA CIFOESCOLIOSE Dependendo do ângulo, tanto da cifose quanto da escoliose, o tratamento pode ser classificado em: • conservador • cirúrgico

TRATAMENTO CONSERVADOR É indicado para as curvaturas menores que 40° (escoliose) e 80° (cifose), e consiste no acompanhamento com o ortopedista e fisioterapeuta e o uso de coletes ortopédicos. Os pacientes devem usar os coletes por no mínimo 22 horas/dia, até atingir a correção e o crescimento ósseo necessário por volta dos 1718 anos de idade). Os coletes são personalizados, confeccionados através de um molde de gesso de cada paciente.

ANAMARIA M. PINHO, PHD PHD Doutora em Saúde Coletiva – área de Planejamento, Gestão e Desenvolvimento de Serviços de Saúde Mestre em Qualidade dos Serviços de Saúde Especialista em Administração Hospitalar Enfermeira e Professora Universitária pinho.uerj@gmail.com Currículo Lattes http://lattes.cnpq. br/2359906081427255

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TIPOS DE COLETES ORTOPÉDICOS Para cada tipo de deformidade da coluna vertebral, existe um colete ortopédico, sendo o mais comum: a) Colete de MILWAUKEE: usado no caso de cifoses e escolioses altas (altura das vértebras torácicas). Permite, através do uso de almofadas, corrigir as deformidades da coluna vertebral, estabilizando e bloqueando a progressão das alterações posturais. É indicado para escolioses de 20° a 40° e cifoses de 40° a 70°. Denomina se também colete OCTLS (ÓRTESE CERVICOTORACO-LOMBOSACRA) onde se incluí o colete de Milwaukee; b) Colete de BOSTON: Estabiliza a coluna vertebral, corrige e mantém a compressão contra a rotação da coluna vertebral. É indicada em curvatura escoliótica de níveis baixos, ou seja, baixo da 7ª vértebra torácica, incluindo as vértebras lombares. Assim como o Milwaukee, a denominação

denomina-se OTLS ( ÓRTESE TÓRACO LOMBOSACRA), é utilizada também para o colete de Boston; Outros tipos de coletes menos comuns também podem ser encontrados: • OLS (ÓRTESE LOMBO SACRA) –é o caso do Colete de Putty, serve para estabilização em casos de doenças/compressões do nervo ciático. • OTL (ÓRTESE TORACO LOMBAR) – é um tipo de colete que permite que o paciente force a posição em lordose.

TRATAMENTO CIRÚRGICO Tanto a escoliose quanto a cifose quando apresentam angulação elevada (escoliose acima de 50° e cifose acima de 80°), a indicação é cirúrgica. A cirurgia é chamada de ARTRODESE e consiste na colocação de parafusos e hastes metálicas (aço cirúrgico ou titânio) de modo a estabilizar e retificar a coluna vertebral, a qual deve ser feita por profissionais especializados em coluna vertebral (ortopedista ou neurocirurgião) em virtude dos riscos inerentes é de 06 a 08 horas, dependendo da técnica cirúrgica utilizada, número de vértebras à serem retificadas, condições clínicas do paciente e possíveis intercorrências cirúrgica-anestésicas. A recuperação total do paciente leva em torno de 4 a 6 meses. O diagnóstico precoce evita o procedimento cirúrgico e possíveis complicações e intercorrências. , uma vez que nenhuma conduta está isenta de intercorrências. Como as maiores incidências são de adolescentes, a presença dos pais e da escola são primordiais para a aceitação do colete por parte do paciente, fazendo-se necessário, também, o acompanhamento psicológico. Leia matéria completa, com as imagens de referência, acessando o site: www.revistasaudeinfoco.com.br

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SAÚDE E CUIDADO

CONVERSANDO SOBRE AIDS

MARIA PAULA JACOBUCCI BOTELHO Doutora e Mestre em Odontologia Dentística Especialista em Odontopediatria e Especialista em Fisiopatologia e Educação em Saúde Odontóloga e Professora Universitária paulajacobucci@hotmail.com Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/ 7066878750035482

O dia primeiro de dezembro foi escolhido para ser o dia para se discutir a respeito da AIDS1 , trocar informações e experiências em todo o mundo. Além disso, é um dia para fortalecer ações de apoio às pessoas que vivem com o vírus, para se estimular a tolerância e o cuidado com essas pessoas. É preciso lutar contra o vírus e não se colocar contra os portadores do vírus. Para que as pessoas não tenham preconceito em relação aos portadores do vírus, é preciso conhecer mais ao seu respeito. O HIV foi encontrado em amostras de sangue humano datadas da década de 1950 na África. Até a década de 1980 o vírus se disseminou em silêncio pelo mundo (por isso essa fase é denominada fase silenciosa da aids). Em 1981 foram publicados os primeiros relatos sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), nos Estados Unidos (RACHID; SCHECHTER, 2008). A identificação do vírus da imunodeficiência humana (HIV) foi feita em 1983 por pesquisadores franceses (BASÍLIO-DE-OLIVEIRA, 2005): trata-se de um vírus RNA que se caracteriza pela presença da enzima transcriptase reversa, que permite a transcrição do RNA viral em DNA (daí o nome retrovírus - RNA transcrito / copiado de volta no DNA da célula), que pode então se integrar ao genoma da célula do hospedeiro (RACHID; SCHECHTER, 2008). Pertence à subfamília Lentiviridae, que tem como característica a ação lenta, levando a um curso gradual das doenças que causam. Essa é uma informação importante: se alguém se colocou em uma situação de risco para a transmissão do HIV é fundamental que faça o teste o mais rapidamente possível. O vírus pode demorar até 15 anos para causar a doença aids. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico da infecção pelo HIV, melhor o prognóstico. Quando a doença aids se manifesta é porque as células de defesa (CD4) da pessoa já estão muito diminuídas. Como sua função é coordenar as ações

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do sistema imunológico, este fica com suas funções altamente prejudicadas (BRASIL, 2008). É importante destacar que o diagnóstico precoce da infecção pelo HIV permite que seja instituído o tratamento precocemente, preservando as células de defesa e garantindo melhor qualidade de vida aos portadores do vírus. A medicação utilizada atualmente tem muito menos efeitos adversos e é altamente eficaz. Apesar de o conhecimento a respeito das formas de transmissão do vírus terem sido elucidadas, a epidemia ainda não está sob controle e já foi responsável pela morte de pessoas maravilhosas. Até quando vamos continuar a nos colocar em risco? Até quando vamos continuar a discriminar os portadores e os doentes de aids? Como diria Betinho: “é fundamental, portanto, reafirmar que esse vírus não é mortal. Mortal somos todos nós. Isso sim é o inelutável e faz parte da vida”. Vamos nos unir na luta contra a aids e em favor dos portadores do HIV e doentes de aids. 1. Algumas siglas, popularizadas pelos meios de comunicação, assumiram um sentido nominal: é o caso de AIDS (em inglês), a síndrome da imunodeficiência adquirida, sobre a qual a Comissão Nacional de Aids do Ministério da Saúde (que se faz representar pela sigla CNAIDS) decidiu recomendar que todos os documentos e publicações do ministério nomeiem por sua sigla original do inglês – aids –, em letras minúsculas (Brasil. Fundação Nacional de Saúde. Manual de editoração e produção visual da Fundação Nacional de Saúde. Brasília: Funasa, 2004. 272p.)

REFERÊNCIAS: BASÍLIO-DE-OLIVEIRA, C.A. ATLAIDS. Atlas de Patologia da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids/HIV). São Paulo: Atheneu, 2005. BRASIL. Ministério da Saúde. Recomendações para terapia anti- retroviral em adultos infectados pelo HIV. Brasília: Ministério da Saúde, 2008.

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SAÚDE E CUIDADO

NOVEMBRO AZUL A VEZ DOS HOMENS! Alerta Para o Novembro Azul, o mês de combate mundial ao câncer de próstata. O Novembro Azul é considerado o mês mundial de combate ao câncer de próstata. Está entre os tipos mais comuns que acomete os homens, sendo responsável por cerca de 30% das mortes da população masculina que desenvolve a neoplasias malignas. A próstata é uma glândula exócrina existente somente os homens e se localiza na parte baixa do abdômen. É um órgão pequeno, componente do sistema reprodutor, e situa logo abaixo da bexiga e à frente do reto. Sua função, junto com as vesículas, é produzir o espermatozoide, liberado durante o ato sexual. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de próstata no Brasil fica atrás apenas do câncer de pele não melanoma, como o mais comum que atingem as pessoas do sexo. O tipo é considerado uma doença da terceira idade, já que cerca de três quartos dos casos registrados no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. O tempo de vida é um fator importante a ser considerado, pois, o risco se eleva conforme o tempo avança, uma vez que tanto a incidência, quanto a mortalidade aumentam expressivamente após os 50. Parentes diretos, pai ou irmão, que tiveram o câncer antes dos 60 anos é capaz de aumentar as chances de se contrair a doença de 3 a 10 vezes, comparado à população, em geral, podendo representar tanto fatores genéticos (hereditários) quanto hábitos alimentares ou a maneira de vida que alguns indivíduos adotam. Estudos recentes mostram maior ameaça aos homens com peso corporal elevado contraírem a doença. Já é comprovado que uma dieta abastada com frutas, verduras, legumes e cereais integrais, alimentos com menos gordura, principalmente as de origem animal, ajudam a diminuir os perigos, como também de outras doenças crônicas não transmissíveis. Contudo, nesse sentido, a adoção destes e de outros hábitos saudáveis também são recomendados, como fazer, no mínimo, 30 minutos diários de atividade física, manter o peso adequado à altura, diminuir o consumo de bebidas alcoólicas e não fumar. No início, a doença pode ser silenciosa. Os sinais costumam aparecer quando os tumores estão no estágio avançado, dificultando a cura. Os sintomas, na fase avançada, entre os mais comuns são: a dificuldade de urinar, demora em começar e terminar, dor óssea, presença de

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sangue no sêmen, ou, quando muito grave, infecção generalizada e insuficiência renal. A maneira mais eficaz de garantir a cura é o diagnóstico precoce. O histórico familiar de câncer de próstata é um fator a ser considerado para monitorar e dar início a uma investigação, mesmo com a ausência de sintomas. Este tipo de câncer tem maior recaimento sobre homens negros. A partir dos 45 anos, o urologista deve ser consultado para conversar sobre o exame de toque retal, que permite ao médico avaliar alterações da glândula, como endurecimento e presença de nódulos suspeitos. Cerca de 20% dos pacientes com câncer de próstata são diagnosticados somente pela alteração detectada no exame de toque. Outros procedimentos, como as biópsias, exame que retira fragmentos da próstata para análise, guiadas pelo ultrassom trans retal, poderão ser solicitados se houver alguma suspeita de câncer. A prevenção ainda é o melhor remédio, o monitoramento para detectar a doença em estágio inicial é a iniciativa mais recomendada, já que não existe uma forma ideal e adequada de tratamento, pois, depende de vários aspectos como: quadro do enfermo, estado de saúde no momento da detecção do tumor, estadiamento da doença e expectativa de vida do paciente. Em casos de tumores de baixa agressividade há a opção da vigilância ativa, na qual se faz um monitoramento do desenvolvimento da patologia e intervindo, cirurgicamente, se houver alguma progressão. FONTE: Ministério da Saúde, INCA

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AÇÃO SOCIAL

ASSOCIAÇÃO MATO-GROSSENSE DE EQUOTERAPIA – AME A Associação Mato-grossense de Equoterapia (AME) é um projeto social que começou em 2007, mas só em 2008 tornou-se uma associação constituída e está em seu décimo ano de existência, sendo uma das mais antigas do segmento de terapia de Cuiabá, prestando assistência a crianças e adolescentes portadores de necessidades especiais, como a síndrome de Down, paralisia cerebral, esclerose múltipla e autismo, proporcionando a condição de se reabilitarem por meio da equoterapia, tratamento que usa os cavalos para estimular o desenvolvimento da mente e do corpo. A AME foi idealizada a partir de um projeto familiar, por Sandra Terezinha Barbosa, presidente da instituição há 6 gestões, que também, é uma das especialistas em equoterapia.

são subdivididos em programas com a Equoterapia, Hipoterapia (reabilitação), Paraequestre (transição do praticante, parte do programa que possibilita o domínio do cavalo e a montar sozinho) e o Esportivo (para aqueles que querem ter a prática da equitação como esporte).

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A equipe é composta de profissionais capacitados e treinados para desenvolver as atividades dentro da instituição. Os colaboradores passam por um período de adequação e são monitorados em todas as sessões durante o tratamento. Os fisioterapeutas, juntamente com o treinador dos cavalos, acompanham e orientam os pacientes durante todos os exercícios de estímulo com o animal, que são feitos apenas uma vez por semana, por, no máximo, 30 minutos. As sessões da Equoterapia duram em média uma hora e acompanham os pacientes a vida toda. O espaço utilizado para realização dos procedimentos multidisciplinares é totalmente planejado para atender as necessidades dos frequentes. Os tratamentos

A AME atende cerca de 26 famílias e conta com crianças e adolescentes de várias idades. O membro mais antigo está inserido há 10 anos. O Projeto social tem por finalidade dar sustentabilidade e reabilitar principalmente crianças, com a interação dos exercícios realizados com o cavalo, os quais promovem o desenvolvimento mental, comportamental e empático, alterando a resposta do sistema nervoso central, que permite a melhora da postura e da percepção dos movimentos. O projeto, que não tem fins lucrativos, faz todos os atendimentos de forma gratuita e prioriza o atendimento a famílias de baixa renda,que não podem arcar com as despesas do tratamento em uma clínica particular. Devido à carência de apoio para gerar recursos, a AME tem a empresa USI-AÇO como sua maior patrocinadora. Mais do que cooperar, disponibilizando o espaço totalmente adaptado à AME, a empresa também promove reparos e adaptações nos aparelhos e presta suporte com a construção de dispositivos personalizados e ajustados, imprescindíveis em alguns programas, o que possibilita a execução correta dos processos e dos exercícios.

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Outra importante instituição apoiadora é o Serviço Nacional de aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT) que, fazendo doações, contribui para manter a integridade do espaço e dos equipamentos. Qualquer pessoa, física ou jurídica, pode fazer parte, se associando ao projeto, sendo um contribuinte. As doações são bem acolhidas. Qualquer tipo de recurso será bem acatado, quer seja financeiro, atividades voluntárias ou equipamentos, etc.. Além do trabalho com portadores de necessidades especiais, a AME mantém um intercâmbio internacional que recebe jovens estudantes de vários países da América do Sul e Europa para atuarem em diferentes setores, como: Marketing e Administração, que se integram junto aos demais profissionais. Atualmente, a associação conta com a colaboração de dois intercambistas no seu quadro. ARQUIVO

As atividades apresentam ótimos resultados, proporcionam o bem-estar aos pacientes, que aprendem também educação ambiental. O endereço da AME é: Av. Miguel Sutil 14.500 - Jd. Ubatã, Cuiabá, sua ajuda é fundamental para a continuidade do trabalho que está sendo desenvolvido. O telefone é (65) 3637-4539

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SAÚDE PÚBLICA

CONHEÇA A PREP do tenofovir, medicamento inibidor da transcriptase reversa, aprovado como anti-retroviral para tratar as pessoas infectadas com o HIV, com o emtricitabina, um nucleosídeo também inibidor da transcriptase utilizada no tratamento contra o HIV, que bloqueiam alguns caminhos que o vírus percorre para infectar o organismo. Tomando diariamente, a medicação pode impedir que o HIV se estabeleça e se espalhe no corpo da pessoa. Para eficácia de suas funções, que já foram evidenciadas em diversos estudos e demonstrações clínicas, um único comprimido deve ser tomado todos os dias habitualmente, caso contrário, pode não haver concentração suficiente do medicamento na corrente sanguínea para bloquear a passagem do vírus para o organismo, fazendo, sempre que possível, um acompanhamento, com exames médicos regulares para monitoramento de possíveis contaminações. O método preventivo leva em média sete dias para seus efeitos se manifestarem em uma exposição a uma relação anal e 20 dias de uso para vaginal, garantindo de forma incisiva a redução dos riscos de aquisição. Contudo, a PrEP não protege as estruturas do corpo de outras Infecções Sexualmente Transmissíveis, tais como gonorreia, sífilis e Herpes genital, e, portanto, deve ser combinada com outras formas de prevenção, como o preservativo, único totalmente seguro.

A PrEP por ser um novo artificio de prevenção à infecção pelo HIV/aids, não significa que todos possam vir a fazer o uso da medicação. O remédio é indicado para pessoas com maiores riscos de entrar em contato com o HIV e se contaminarem, tais como Gays, Transexuais e Trabalhadores (as) do sexo, pessoas que frequentemente deixam de usar camisinha em relações sexuais. Embora tenha se mostrado ser um recurso com grande potencial preventivo, antes de iniciar o uso, um profissional de saúde deve ser consultado, para orientar corretamente os usuários a respeito dos procedimentos que devem ser seguidos através da indicação. O enquadramento em algum dos subgrupos apresentados, não necessariamente caracteriza o individuo como alguém que frequentemente é exposto ao HIV. As praticas sexuais devem sempre ser observadas para uma caracterização especifica e precisa. Contudo, quanto maior for à proteção, menor serão os riscos. O método de barreira, o preservativo, ainda é o único que garante a segurança eficiente para a pessoa e não deve ser substituído.

FONTE: http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2017/ protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-para-profilaxia-pre-exposicao-prep-de-risco

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A PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) é um novo recurso de prevenção à infecção pelo HIV/aids. O comprimido impede que o vírus causador da AIDS infecte o organismo antes da pessoa ter contato com o agente infeccioso. No Brasil, grupos populacionais particulares estão sob maior risco de contaminação, devido a vulnerabilidades especificas do ambiente em que estão expostos. A prevalência da infecção pelo HIV, no contexto geral, é de 4%, enquanto outros grupos segmentados apresentam índices mais elevados, que frequentemente deixam de usar camisinha em relações sexuais, gays e outros HSH, indivíduos que fazem uso de drogas, profissionais do sexo e trans. O estudo iPrEx, que avaliou o PrEp de forma oral diariamente em homens que fazem sexo com homens (HSH) e mulheres trans, houve redução de 44% no risco de contaminação. Em heterossexuais, a eficiência geral foi de 62%, com 49% entre as mulheres e 80% para os homens que foram monitorados no estudo. Em todos os testes realizados, a PrEP mostrou ser mais agressiva e eficiente nos homens. A PrEP por ser um novo artificio de prevenção à infecção pelo HIV/aids, não significa que todos podem vir a fazer o uso da medicação. O remédio é indicado para um subgrupo de pessoas com maiores riscos de entrar em contato com o HIV. O medicamento é uma combinação

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NUTRIÇÃO E SAÚDE

A NUTRIÇÃO NO COMBATE E PREVENÇÃO DO CÂNCER

FREEPIK

RAQUEL MORAIS Especialista em Nutrição Clínica Nutricionista raquelmorais@yahoo.com.br Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/ 0088361463317417

Segundo o Instituto Nacional de Câncer, a alimentação inadequada é classificada como a segunda causa de câncer que pode ser prevenida, perdendo apenas para o tabagismo. É sabido que os agrotóxicos utilizados na produção de grande parte dos alimentos que consumimos causam danos, tanto ao meio ambiente quanto à saúde do produtor rural e do consumidor. O Brasil, país com alto índice de uso do agrotóxico, tende a apresentar incidência de câncer acima da média mundial. Estudos mostram relação do consumo exagerado de alguns adoçantes com o aparecimento do câncer. O uso do açúcar está relacionado ao ganho de peso, considerado fator de risco para o aparecimento do câncer. Por isso, deve-se reduzir tanto o consumo de açúcar quanto dos edulcorantes, para que se possa prevenir e sentir o sabor dos alimentos. O modo de preparo da comida também influencia o risco de câncer. Quando se submete os alimentos a temperaturas acima de 120°C, aumenta a formação de compostos químicos que aderem à superfície dos alimentos, deixando-os com uma coloração escurecida. Essas substâncias são encontradas nos alimentos defumados e industrializados, pois na indústria uma grande variedade de alimentos é processada em altas temperaturas, como as batatas chips, biscoitos, cereais matinais, café instantâneo, etc. De acordo com a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), essas substâncias são classificadas como prováveis carcinogênicos para seres humanos. Porém, com o consumo diário de alguns alimentos que são ricos em compostos bioativos, pode-se prevenir ou retardar o aparecimento de várias doenças, entre elas o

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câncer, são os chamados alimentos funcionais há comprovações científicas que uma alimentação rica em carotenoides, flavonoides, ômega 3 e fibras é fundamental para uma vida saudável e protegida contra ações carcinogênicas. Esses compostos são encontrados em frutas, verduras, legumes, leguminosas, oleaginosas, azeite de oliva e cereais integrais. Os probióticos também fazem parte deste grupo de alimentos, são bactérias benéficas, que naturalmente habitam no intestino e são responsáveis pela saúde da microbiota intestinal, podendo ser encontrados em iogurtes e suplementos alimentares específicos. Além disso, a prática da amamentação diminui o risco do câncer de mama. Enquanto o bebê suga o leite, o movimento promove uma espécie de esfoliação do tecido mamário, assim, se houver células agredidas, elas são eliminadas e renovadas. Quando termina a lactação, várias células se autodestroem, dentre elas algumas que poderiam ter lesões no material genético. Em respeito à questão, guias alimentares sugerem uma dieta saudável e variada, rica em vegetais, frutas, grãos integrais, sem excesso de gordura saturada e alimentos ultraprocessados, como possíveis benefícios na prevenção e na redução do risco de recorrência de neoplasias. REFERÊNCIAS: Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva – INCA. Disponível em http://www2.inca. gov.br/wps/wcm/connect/cancer/site/prevencao-fatores-de-risco/alimentacao. Acesso em 09 de outubro de 2018. PADILHA, P. C.; PINHEIRO, R. L. O Papel dos Alimentos Funcionais na Prevenção e Controle do Câncer de Mama. Rio de Janeiro. Ver. Brasileira de Cancerologia. 2004.

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TERAPIAS ALTERNATIVAS

ACUPUNTURA

NELSON MARQUES RIBEIRO JUNIOR Mestre em Ciências da Saúde e Ambiente Especialista em Ciências da Prep. Física e Treinamento Desportivo Especialista em Acupuntura Fisioterapeuta e Professor Universitário nelsonfisio1@gmail.com Currículo Lattes http://lattes.cnpq. br/5742419002100535

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Nos países orientais o método vem sendo utilizado com finalidades preventiva e terapêutica há milênios. De fato, agulhas de pedra e de espinha de peixe foram utilizadas na China durante a Idade da Pedra (cerca de 3000 anos a.C.) (ALTMAN, 1992). A Acupuntura é uma a técnica da medicina alternativa que usa As agulhas como ferramenta, que são aplicadas sobre algumas regiões específicas no corpo e são capazes de tratar diversas doenças físicas ou emocionais. A inserção das agulhas estimula as terminações nervosas existentes na pele e nos outros tecidos do corpo, provocando diferentes efeitos. O tratamento tem por objetivo equilibrar e harmonizar a energia interna do organismo, sua utilização pode ser usada para tratar dores e doenças e também agir de forma preventiva para evita-las. O procedimento promove à estimulação de pontos no corpo humano com a finalidade de promover e restaurar as funções energéticas dos tecidos e órgãos do paciente. A Acupuntura é uma técnica de intervenção terapêutica da MTC (Medicina Tradicional Chinesa) que adota essa postura que se fundamenta no primado da energia sobre a matéria, do doente sobre a doença, e na ideia de “tipos constitucionais humanos”, características de pessoas com determinados padrões físicos, estruturais, psicológicos e de comportamento (Hicks, Hicks, Mole, 2007). De uma maneira direta, a acupuntura pensa no ser humano e não na doença. O Ministério da Saúde classifica a acupuntura como uma prática voltada para a promoção, proteção e a recuperação da saúde, a partir do diálogo entre a diversidade de saberes, valorizando os saberes populares, a produção de conhecimentos e enriquecendo o próprio SUS. O Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou novos procedimentos de terapias alternativas, ou medicina alternativa, totalizando agora 29 PICS, que inclui a acupuntura entre os tratamentos. No Brasil, muitos pacientes são adeptos ao novo modelo, que varia os números de atendidos a cada estado. Segundo o Ministério da Saúde, em Minas Gerais, cerca de 560 municípios utilizam as Práticas Integrativas Complementares (Pics) no tratamento de pacientes do SUS na atenção básica, enquanto no Acre, apenas 11 municípios registram atendimentos que são ofertados. As Pics estão presentes em 9.350 estabelecimentos de em 3.173 municípios brasileiros, sendo que 88% são oferecidas na Atenção Básica, com a acupuntura sendo a mais difundida com 707 mil atendimentos e 277 mil consultas

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individuais. Na Medicina Tradicional Chinesa, corpo e a mente são sistemas complementares inerentes. O que torna a acupuntura um dos aspectos fundamentais que investiga e inspeciona o paciente. No diagnóstico DA acupuntura deve-se observar vários aspectos durante as seções, como a face, a língua, os olhos, a cor da pele, a voz, a postura, secreções e excreções para entender as mudanças patológicas dos órgãos internos. Qualquer pessoa pode ser tratada com acupuntura, inclusive gestantes, que durante a gravidez convivem com dores nas costas e um desconforto causado pelo peso da barriga, idosos e crianças, essa prática é um dos novos tratamentos que utilizam recursos terapêuticos, baseados em conhecimentos tradicionais, voltados para cuidar e prevenir diversas doenças, como depressão, hipertensão, Problemas gastrointestinais, Distúrbios do sono, Sintomas associados a problemas hormonais nas mulheres, Estados emocionais alterados, Rinite, sinusite e asma. A acupuntura está ganhando cada vez mais notoriedade pelos benefícios que proporciona ao paciente combinada com outros tratamentos específicos e especializados em certas áreas do corpo, como acupuntura auricular, com funções estéticas de emagrecimento. Quando aplicada, a energia é estimulada a fluir para determinados pontos. Esse estímulo viaja pelo corpo através de caminhos chamados meridianos, atingindo terminações nervosas que são ligadas com órgãos e vísceras. FONTE: Ministério da Saúde https://www.center-ao.com.br/ Tudo-sobre-acupuntura/o-que-e-acupuntura/

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LIVRARIA

LER FORNECE AO ESPÍRITO MATERIAIS PARA O CONHECIMENTO, MAS SÓ O PENSAR FAZ NOSSO O QUE LEMOS. - JOHN LOCKE

PREVENÇÃO E CONTROLE DE INFECÇÃO: TEORIA E PRÁTICA PARA GESTÃO DO SERVIÇO. André Luiz Alvin, Bráulio Couto, Carlos Starling, Estevão U. Silva, Fernanda f. Almeida

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Este livro tem como objetivo facilitar o processo de gestão de trabalho dos profissionais de saúde, trazendo uma abordagem sistemática sobre as principais medidas sinérgicas que reduzem às infecções e promovem a segurança do paciente. É uma obra que chega no melhor momento, tendo em vista novas atualizações de Guidelines, Portarias, Resoluções da Diretoria Colegiada (RDCs) e estudos científicos fortemente recomendados. Páginas: 420.

PEDIATRIA - URGENCIAS+EMERGÊNCIAS Jayme Murahovschi Editado de forma a tornar o encontro rápido da informação desejada e sua visualização fácil, esta obra oferece aplicação prática e bons resultados, mesmo que o médico não tenha muita experiência no problema. Orienta o sentido de um bom atendimento tanto com recursos (médicos e financeiros) sofisticados quanto limitados. Facilita o raciocínio e fornece bases sólidas para que o médico possa, em última instância, tomar suas próprias decisões, as mais apropriadas às circunstâncias de cada atendimento. Páginas: 610

NR-32 - A IMPORTÂNCIA DA NORMA REGULAMENTADORA 32 NOS SERVIÇOS DE PRESTAÇÃO DE SAÚDE Edison Ferreira da Silva Este livro demonstra as questões das exigências na NR 32 com as observações de pontos práticos das imposições e a realidade do ambiente hospitalar, configurando a necessidade do duplo compromisso do tomador e prestador de serviços, adequando-se às normas dos estabelecimentos de saúde e configurando a assistência, não só de quem cuida, mas, em especial, de quem é o cuidador nesses ambientes. Páginas: 104

IRAS - INFECÇÃO RELACIONADA Á ASSISTÊNCIA Á SAÚDE Edwal Ap. Campos Rodrigues, Rosana Richtmanm Uma obra de consulta rápida, prática e objetiva dos principais temas relacionados à prevenção e ao controle da infecção relacionada à assistência à saúde (IRAS). Este material será útil para todos os profissionais que trabalham com IRAS, incluindo médicos, cirurgiões, enfermeiros, farmacêuticos, administradores, estudantes, entre outros. Páginas: 262

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ESTÉTICA E SAÚDE

GEICE RAFAELA DE SOUZA BUFOLLO Graduanda de Biomedicina Esteticista e Cosmetóloga geicirsb@gmail.com

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A Criolipólise é um tratamento estético não invasivo que tem como objetivo reduzir a gordura localizada, isto é, aquela que se concentra em certas áreas do corpo e da qual é muito difícil de se livrar mesmo com uma dieta adequada e a prática de exercícios físicos, como o famoso “pneuzinho”. A Criolipólise é um tratamento estético não invasivo que tem como objetivo reduzir a gordura localizada, isto é, aquela que se concentra em certas áreas do corpo e da qual é muito difícil de se livrar mesmo com uma dieta adequada e a prática de exercícios físicos, como o famoso “pneuzinho”. O procedimento não se trata de uma técnica que proporciona o emagrecimento, e sim de um procedimento estético, que não é indicado para pessoas obesas ou que enfrentam sobrepeso. A técnica é indicada para pessoas que possuem e querem se livrar da gordura localizada. O tratamento envolve a colocação de uma máquina que funciona com o uso de uma ponteira similar a um aspirador, que suga a gordura superficial através da criação do vácuo e a submete à baixas temperaturas. A baixa temperatura afeta as células de gordura, causando apoptose (morte programada da célula) e posterior absorção e eliminação, sem que ela seja metabolizada pelo fígado e outras regiões do corpo. No procedimento, é coloca uma manta protetora anticongelante sobre a área em que a criolipólise será feita, para a proteção da pele. O uso dessa capa é necessário, já que a gordura é submetida à uma temperatura que varia entre -5ºC e -15ºC. Nos primeiros momentos, alguma dor e um desconforto podem ser sentidos, mas, conforme o decorrer do processo, a área tratada vai ficando dormente e o desconforto se esvaece, ou seja, é passageiro. Essa técnica é baseada na intolerância das células de gordura a baixas temperaturas, que se danifica quando estimuladas polos equipamentos de criolipólise. O tratamento poderá eliminar medidas e até 40% da gordura localizada em apenas 1 sessão de tratamento. Tem seu efeito potencializado quando associado com outros procedimentos estéticos como, técnicas massagens modeladoras, drenagens, aparelhos como ultrassom que auxilia ainda mais na eliminação da gordura. Antes das sessões, é feita uma avaliação para saber o estado geral de saúde e contra indicações. È feita a medição da prega cutânea (medidas para avaliação da gordura corporal) da região que deseja tratar para ter certeza de que

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CRIOLIPÓLISE

pode ser tratado. Com a ajuda de um adipômetro (equipamento que serve para medir a espessura do tecido adiposo em diversas partes do corpo), ele vai fazer a medida e se o resultado for inferior à 2cm, o procedimento é contraindicado. As sessões duram em média uma hora e, por não ser invasivo, permite que o paciente volte às suas atividades normais no mesmo dia. As sessões devem ter um intervalo de pelo menos 2 meses entre si, podendo ser realizado com segurança em até 4 partes ao mesmo tempo. Só algumas áreas do corpo podem ser submetidas ao tratamento. Pode ser feita no contorno corporal, abdômen, costas, flancos, coxas, glúteos, braços e joelhos e tem se mostrado um procedimento efetivo no cumprimento do seu propósito. Entretanto, a obtenção de bons resultados depende também de fatores comportamentais do paciente. Se a pessoa que se submeteu a técnica não seguir as recomendações pós-criolipólise, o procedimento não vai apresentar resultados tão satisfatórios. É importante ressaltar que em alguns casos será necessário realizar varias sessões para se obter os resultados esperados. Os resultados começam a surgir em cerca de 15 dias, mas são progressivos e vão acontecendo em até de 8 semanas após o tratamento. Tempo necessário para o organismo eliminar a gordura que é morta por um processo auto-imune. As células de defesa vão “matar” essa gordura que vai para a circulação sanguínea e depois é eliminada por vias normais, ou seja, urina e sudorese, dentro de 60 dias. Contudo é muito importante a procura de um profissional habilitado para realização do procedimento da criolipólise, se feito de forma incorreta pode se trazer várias consequências como queimaduras de alto grau e manchas. FONTE: https://minutosaudavel.com.br/criolipolise/

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SAÚDE DA MULHER

PARA UMA VIDA EM COR DE ROSA É PRECISO FALAR SOBRE O CÂNCER DE MAMA FREEPIK

PAULO ALEXANDRE DE SOUZA SÃO BENTO Doutor em Ciências Mestre em Enfermagem Especialista em Enfermagem Obstétrica Licenciatura em Enfermagem Enfermeiro e Professor Universitário paulo_saobento@hotmail. com Currículo Lattes http://lattes.cnpq. br/4600721186125401

CARLA OLIVEIRA SHUBERT Doutoranda em Enfermagem Mestre em Enfermagem Especialista em Saúde do Trabalhador - Saúde Pública Enfermeira Obstetra e Coordenadora e Professora Universitária carlashubert@yahoo.com.br Currículo Lattes http://lattes.cnpq. br/7317662170923655

O Outubro Rosa é um movimento para estimular a população no que tange à prevenção do câncer de mama. O Laço Rosa se tornou símbolo da luta, assim como, no início do século XX a música “Round her neck she wears a yellow ribbon” inaugurou a utilização deste através do primeiro Laço da história, de cor amarela. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA), para o ano de 2018, é de 59.700 novos casos de câncer de mama, o tipo mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, à exceção do de pele não melanoma. Em 1% dos casos também acomete os homens, sendo, portanto, raro nesta população. É raro também em mulheres abaixo dos 35 anos, com incidência crescente e progressiva a partir desta idade, mormente, após os 50 anos. Os cânceres de mama possuem comportamentos distintos. Podem ser observados por diferentes manifestações clínicas e genéticas que revelará respostas terapêuticas diversificadas. As anormalidades proliferativas acometem os lóbulos e ductos das mamas, incluindo: hiperplasia, hiperplasia atípica, carcinoma in situ (localizado) e invasivo. O tipo histológico mais comum é o carcinoma ductal infiltrante correspondendo a 80/90% do total de casos. Os sinais e sintomas incluem: nódulo geralmente indolor, duro e irregular (não sendo regra); edema cutâneo, que faz a pele da mama se assemelhar a uma casca de laranja, com retração da mesma; inversão do mamilo; hiperemia (vermelhidão); descamação ou, até mesmo, o aparecimento de ferida nos mamilos. Pode ocorrer saída de secreção papilar, de forma espontânea e unilateral. Atenção para descargas transparentes, podendo também ser rosadas ou avermelhadas (na presença de sangue). O INCA estima que 30% dos casos podem ser evitados quando são adotadas práticas saudáveis, entre elas: praticar atividade física; alimentar-se de forma saudável; manter o peso corporal adequado; evitar o consumo de bebidas alcoólicas e amamentar. Os fatores de risco para a doença são divididos em: ambientais e comportamentais; fatores da história reprodutiva e hormonal; e genéticos e hereditários, além de outros fatores idade; história familiar de câncer de mama; história pessoal de alterações mamárias; nuliparidade; terapia de reposição hormonal, por mais de cinco anos; obesidade; sedentarismo; tabagismo;

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alcoolismo etc. A detecção precoce é fundamental. Mas, de acordo com Lima et al. (2016) deve-se ter cautela quanto às estratégias sobre diagnósticos e tratamentos (o que intitulam de “O outro lado do outubro rosa”). Pelo INCA, o autoexame, para detecção da doença, não é o mais indicado. O Exame Clínico das Mamas (ECM) deve ser feito por profissional qualificado (médico ou enfermeiro), durante a consulta médica e de enfermagem; a mamografia está indicada, uma vez a cada dois anos, para mulheres acima dos 50 anos, até os 69 anos (sem fatores de risco); mulheres com alto risco (vários casos de câncer de mama na família, principalmente antes dos 50 anos; história familiar de câncer de ovário em qualquer idade; história familiar de câncer de mama em homens; alteração genética) devem conversar com o um médico para avaliação do risco e decisão quanto à conduta a ser adotada. Em referência a Carlos Heitor Cony (2010), na obra infantil “Laço Cor-De Rosa”, convido aos leitores para uma reflexão, com a intenção de divulgar informações de qualidade sobre o assunto. FONTE: CONY (2010), LIMA et al. (2016) e INCA (2018).

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SAÚDE INFANTIL

A IMPORTANCIA DAS PRIMEIRAS VACINAS PARA OS RECÉM-NASCIDOS

A vacina se destina a prevenção e não ao tratamento.

SORAIA S. SOUZA Mestre em Ciência da Saúde - UFMT Especialista em Enfermagem Especialista em Neonatologia Especialista Saúde Pública com Ênfase em PSF Especialista em Docência do Ensino Superior Enfermeira e Professora Universitária soraiassouza@terra.com.br Currículo Lattes http://lattes.cnpq. br/4237920096808215

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A confiabilidade e a segurança da vacinação não se resumem à aplicação da vacina e dependem de vários fatores: • Armazenamento adequado das vacinas e imunoglobulinas; • Manipulação correta desses produtos; • Conhecimento dos profissionais da saúde envolvidos na vacinação com capacitações técnicas.

VOCÊS SABEM QUAIS SÃO AS PRIMEIRAS VACINAS PARA RECÉMNASCIDO? E QUAIS DOENÇAS ELES PROTEGEM? 1. BCG (Bacilo de Calmette e Guérin) é a única vacina existente contra a tuberculose. Criada em 1921 pelos cientistas franceses Camille Guérin e Albert Léon Chaves, é utilizada para imunizar os recém-nascidos. Deverá ser aplicado o mais precocemente possível, de preferencia ainda na maternidade, em recém-nascidos com peso maior ou igual a 2.000g. A aplicação da BCG ID demanda treinamento diferenciado em virtude da técnica de administração intradérmica (via de acesso localizada entre a derme e a epiderme camadas da pele), que é diferente das demais técnicas de administração. 2. HEPATITE B Recomendações pelo Programa Nacional de Imunização (PNI), Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) a vacina contra Hepatite B deverá ser aplicado, o mais precocemente possível, de preferência ainda na Maternidade nas primeiras 12 horas de vida.

POR QUE ESTAS VACINAS DEVERÃO SER APLICADAS NAS PRIMEIRAS 12 HORAS? HEPATITE B A hepatite B é uma doença infecciosa causada pelo VHB, que pode estar presente no sangue, no esperma, no líquido amniótico, nos fluidos vaginais, no sangue do cordão umbilical e no leite materno. O maior risco de transmissão para o recém-nascido é durante o parto, quando a criança entra em contato com o sangue e secreções maternas infectadas. No entanto, estudos

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Este tema foi assunto abortado Pela Enfermeira Soraia na Jornada Nacional de Imunização (SBim) setembro de 2018. Preocupada pela falta da vacina nas unidades de saúde, pela falta de profissional qualificado para aplicação da BCG e a falta da aplicação das vacinas nas maternidades particulares! Vacinas são produtos farmacológicos que contêm agentes imunizantes capazes de induzir imunização ativa. A imunização é uma das medidas mais eficazes para prevenção de doenças infecciosas. Em muitos países, a implantação de programas de imunização tem contribuído para reduções significativas nas taxas de morbidade e mortalidade por várias doenças infecciosas. A vacina estimula o organismo a produzir defesas contra os agentes causadores destas doenças, e prevenir as mesmas no futuro.

indicam que a amamentação por mulheres positivas para HBsAg não aumenta significativamente o risco de infecção para os seus filhos. Apesar de existir o risco teórico de transmissão se a criança entrar em contato com o sangue materno existente em fissuras ou traumas mamilares. (SBP, 2007) Por este motivo que toda gestante deverá está com seu esquema vacinal completo para Hepatite B e as demais vacinas para gestante conforme o calendário do Programa Nacional de Vacinação e Sociedade Brasileira de Imunização!! PASSIVES FONTES DE TRANSMISSÃO DA HEPATITE B Pais, profissionais da Saúde, familiares e babás!! A vacina BCG, a qual protege a criança das formas mais graves, como a tuberculose miliar e a meníngea. A vacina está disponível gratuitamente, nas salas de vacinação das redes de serviços do Sistema Único de Saúde, incluindo maternidades. Confira o Calendário Básico de Vacinação do PNI e Sbim Uma dica da Enfermeira Soraia...Gestante e todos familiares devem está com a cobertura vacinal completo e seu recém nascido vacinado o mais precoce possível com as primeiras vacinas! FONTE: Calendário Básico de Vacinação da Criança. Ministério da Saúde. Disponível em http//: www.portal.saude.gov.br. Acessado em 21/09/18. Sociedade Brasileira de Pediatria. Calendário Vacinal 2018. Disponível em http//: www.sbp.com.br. Acessado em 14/08/2018.

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SAÚDE DO IDOSO

MARISOL ALVES FESTA Mestre em Ciências Farmacêuticas Especialista em em Epidemiologia e Controle de Infecção Hospitalar Especialista em Estomaterapia Enfermeira e Professora Universitária marisolfesta@hotmail.com Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/ 3476419804193380

O processo de envelhecimento do ser humano vem ganhando, cada vez mais, espaço em publicações em saúde e também nas mídias sociais, uma vez que a população mundial de idosos, entendida como indivíduos com mais de 60 anos, aumenta consideravelmente com o passar dos anos. No Brasil, segundo, Luiz Roberto Ramos, professor da Escola Paulista de Medicina (UPM) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que coordenou o projeto de pesquisa sobre a efetividade de ações de promoção da saúde em idoso, “Teremos uma das seis maiores populações de idosos no mundo em 2025”, o que poderá impactar diretamente nos sistemas de saúde pública e previdência do país, e muito mais, na maneira de “cuidar” dessas pessoas. A arte de “cuidar de pessoas” faz parte dos atributos dos profissionais em saúde, necessitando de constante aprimoramento, a fim de atender as necessidades específicas de cada população. Em relação à população idosa, temos, nesta última década, muitas novidades no processo saúde e doença, e nem sempre tão agradáveis, como por exemplo, as problemáticas de ordem neurológica e degenerativas, que requer do profissional, empenho e estudo. O indivíduo idoso, independentemente de estar saudável ou não, encontra-se vulnerável a inúmeras situações, dentre as quais destaco o risco da integridade da pele prejudicada, objetivo principal deste artigo. As lesões de pele aos quais os idosos estão mais suscetíveis, variam desde queimaduras às lesões perfurantes, lesões por pressão e as mais comuns que são conhecidas como “Skin Tears” (ST) que são superficiais, muitas vezes não valorizadas, mas que causam dor e riscos de infecção. Dependendo do nível de comprometimento tecidual, as lesões podem ser classificadas como superficiais, profundas ou também como Grau I, II, III e IV, sendo I para superficial e IV com acometimento de tecidos mais profundos. As ST estão comumente relacionadas às atividades de vida diária do idoso e que pode ter sua origem em pequenos traumas em maçanetas de porta, cadeiras, móveis ou mesmo quando são tocados por outro indivíduo, durante sua mobilização de um local para outro. Como descrito por Strazzieri-Pulido, 2015 a assistência direcionada a pessoas com a pele sensível é desafiadora, uma vez que o pequeno trauma pode gerar a ST ou, em nosso país, mais conhecida como Lesão por Fricção (LF). Embora alguns estudiosos afirmem que elas são mais prevalentes do que as queimaduras e lesões por pressão, as LF passam desapercebidas, pois

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IDOSOS EM SITUAÇÕES DE VULNERABILIDADE

configuram feridas traumáticas rasas, acometendo em sua maioria as extremidades dos idosos, resultante de fricção ou de uma combinação de fricção e cisalhamento, o que leva à separação entre epiderme da derme (lesão de espessura parcial), ou totalmente, a epiderme e a derme das subjacentes (lesão de espessura total). Estas são vistas como inerentes à idade, instigando a sensação de uma condição irrelevante, mas com repercussão desagradável devido a dor. O tecido tegumentar encontra-se fragilizado em pessoas idosas devido a características naturais, fisiológicas do próprio envelhecimento favorecendo então, um maior risco a essa população, quando comparado a indivíduos em outra faixa etária. Estratégias de prevenção a essas lesões são necessárias onde, dentro do planejamento da assistência, a avaliação do local onde esse idoso vive, suas condições fisiológicas e patológicas, além de se considerar a rigidez musculoesquelética senil, déficit na sensibilidade sensorial, acuidade visual e a capacidade cognitiva, interferindo na mobilidade física e elevando a dependência para as atividades básicas da vida diária. A respeito do tema, em discussão chamo a atenção do leitor a para a leitura de um documento que, no dia 1º de outubro de 2018, completou 15º anos de existência, o ESTATUTO DO IDOSO, e, afinal, são quinze anos de normas estabelecidas, conforme dispõe a Constituição Federal de 1988. REFERÊNCIAS: https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/ brasil-que-envelhecimento-voce-quer-para-o-futuro/

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CURTAS

Entre janeiro e junho deste ano, foram 1.765 doadores efetivos, que representa um crescimento de 7% em relação ao mesmo período de 2017. Este aumento impacta em crescimento nos transplantes de fígado, pulmão e coração, além de medula óssea O Ministério da Saúde divulgou no Dia Nacional de Incentivo à Doação de Órgãos, 27/09, o balanço sobre a doação de órgãos, tecidos e células, e transplantes realizados no país no primeiro semestre de 2018. Também foi lançada a Campanha Nacional de Incentivo à Doação, que este ano traz o slogan “Espalhe amor. Doe Órgãos”. Em 2018, o país deve realizar 26.400 transplantes. Desse total, 8.690 serão órgãos sólidos (coração, fígado, pâncreas, pulmão, rim e pâncreas rim), registrando recorde em comparação aos últimos oito anos.

VACINAÇÃO EVITA DOENÇAS E SALVA VIDAS O ditado popular “melhor prevenir do que remediar” se aplica perfeitamente à vacinação. Muitas doenças comuns no Brasil e no mundo deixaram de ser um problema de saúde pública por causa da vacinação massiva da população. Poliomielite, sarampo, rubéola, tétano e coqueluche são só alguns exemplos de doenças comuns no passado e que as novas gerações só ouvem falar em histórias. Por isso, não podemos deixar de buscar as vacinas disponíveis nas salas de vacinação, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Deixar que doenças já erradicadas no Brasil voltem a assombrar as nossas crianças não está nos planos do Ministério da Saúde. Lembrem-se que a saúde não é uma responsabilidade exclusiva do governo, das secretarias, dos profissionais e dos médicos. E, sim, de todos nós.

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Brasil Aumenta Doação De Órgãos E Bate Recorde Em Transplantes

ESTUDO APONTA QUE 75% DOS IDOSOS USAM APENAS O SUS Pela primeira vez, estudo traça o perfil da saúde do idoso, o uso dos serviços de saúde, as causas de hospitalizações, entre outras condições sociais que vão permitir aprimorar as políticas públicas para esta população. O Ministério da Saúde divulgou estudo com dados inéditos sobre o perfil de envelhecimento da população no Brasil. O Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil) faz parte de uma rede internacional de grandes estudos longitudinais sobre o envelhecimento e traz informações sobre como a população está envelhecendo e os principais determinantes sociais e de saúde. A ideia é que esse estudo traga subsídios para a construção e adequação de novas políticas públicas para fortalecer a saúde do idoso. O Elsi- Brasil apontou que 75,3% dos idosos brasileiros dependem exclusivamente dos serviços prestados no Sistema Único de Saúde, sendo que 83,1% realizaram pelo menos uma consulta médica em 12 meses. Nesse período, foi identificado ainda 10,2% dos idosos foram hospitalizados uma ou mais vezes. Quase 40% dos idosos possuem uma doença crônica e 29,8% possuem duas ou mais como diabetes, hipertensão ou artrite. Ou seja, ao todo, cerca de 70% dos idosos possuem alguma doença crônica.

ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA A Estratégia Saúde da Família (ESF) visa à reorganização da atenção básica no País, de acordo com os preceitos do Sistema Único de Saúde (SUS), é tida pelo Ministério da Saúde e gestores estaduais e municipais como estratégia de expansão, qualificação e consolidação, por favorecer uma reorientação do processo de diretrizes e fundamentos da atenção básica, de ampliar a resolutividade e impacto na situação de saúde das pessoas e coletividades, além de propiciar uma importante relação custo-efetividade. É prevista a implantação de Agentes Comunitários de Saúde nas Unidades Básicas como uma possibilidade para a reorganização inicial da atenção básica com vistas à implantação gradual da ESF ou como uma forma de agregar os agentes comunitários a outras maneiras de organização da atenção básica.

Fonte: Ministério da Saúde REVISTA SAÚDE IN FOCO


PELA INTERNET www.ecycle.com.br

LINHAÇA E SEUS BENEFÍCIOS Os principais benefícios para a saúde das sementes de linhaça são embasados cientificamente.

Apenas uma colher de sopa de linhaça em pó fornece uma boa quantidade de proteínas, fibras e ácidos graxos ômega 3, além de ser uma rica fonte de vitaminas e minerais. Uma colher contém: • Calorias: 37 • Proteína: 1,3 gramas • Carboidratos: 2 gramas • Fibra: 1,9 gramas • Gordura total: 3 gramas • Gordura saturada: 0,3 gramas • Gordura monoinsaturada: 0,5 gramas • Gordura poli-insaturada: 2,0 gramas • Ácidos graxos ômega 3: 1.597 mg • Vitamina B1: 8% • Vitamina B6: 2% • Folato: 2% • Cálcio: 2% • Ferro: 2% • Magnésio: 7% • Fósforo: 4% • Potássio: 2% Os benefícios da linhaça para a saúde são atribuídos, principalmente, aos ácidos graxos ômega 3, lignanas e fibras que ela contém. Elas são uma rica fonte de ácido alfa-linolênico (ALA), um ácido graxo ômega 3. O ALA é um dos dois ácidos graxos essenciais que deve ser obtido pela ingestão de alimentos, pois o organismo não o produz. O ALA presente nas sementes impede que o colesterol seja depositado nos vasos sanguíneos do coração, reduz a inflamação nas artérias e o crescimento de tumores. Pessoas que consomem ALA tem risco menor de ataque cardíaco do que aqueles que consumem menos. As fibras solúveis e insolúveis são fermentadas pelas bactérias no intestino grosso, aumentando as fezes e resultando em

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Os benefícios da linhaça são reconhecidos há séculos. Hoje em dia, as sementes têm ganhado fama de superalimento. E alguns estudos confirmam seus proventos, que incluem a redução do colesterol e diminuição do risco de ter câncer. Cultivadas desde o início da civilização, as sementes de linhaça são uma das culturas mais antigas do mundo. Existem dois tipos, marrom e dourado, que são igualmente nutritivos.

movimentos intestinais mais regulares. A fibra solúvel aumenta a consistência do conteúdo do intestino e diminui a taxa de digestão. Isto ajuda a regular o açúcar no sangue e a reduzir o colesterol. Já a fibra insolúvel permite que mais água se ligue às fezes, aumenta a sua massa e resulta em fezes mais macias. Isso é útil para prevenir a constipação. Apenas 3 colheres de sopa de pó de linhaça diariamente durante três meses podem reduzir o colesterol total e o colesterol LDL (o "ruim") em quase 20%. Já pessoas com diabetes, uma colher de pó de linhaça diariamente por um mês resulta em um aumento de 12% no colesterol HDL, o "colesterol bom". Estes efeitos são devidos às fibras que existem nas sementes, uma vez que, elas se ligarem aos sais biliares e serem excretadas pelo organismo. Para reabastecer esses sais biliares, o colesterol é retirado do sangue para o fígado. Ingerir 30 gramas de linhaça diariamente por seis meses pode reduzir a pressão arterial sistólica e diastólica. Para aqueles que já tomam medicação para pressão sanguínea, a semente de linhaça diminuiu ainda mais a pressão arterial. Uma redução de 2 mmHg na pressão arterial pode diminuir o risco de morte por acidente vascular cerebral e de doença cardíaca. A semente ou o óleo de linhaça podem ser adicionados a muitos alimentos comuns. Podem ser adicionadas na água e beber como parte da ingestão diária de líquidos, o óleo de semente de linhaça pode servir como um molho de saladas, e o pó pode ser polvilhado sobre o cereal matinal. Muitos benefícios de saúde são atribuídos ao consumo de linhaça. As sementes não são tão benéficas se forem ingeridas inteiras, pois o intestino sozinho não consegue quebra-las, o pó, sim, libera todas as vitaminas e minerais de seus componentes. FONTE: Healthline

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CONVERSA COM O DOUTOR POR LUCILENE AMARAL

DEPRESSÃO Psicólogo Clínico, graduado pela Universidade de Cuiabá, Especialista em Terapia Cognitiva Comportamental. Especialista em Liderança e Coaching. Especialista em Gestão de Pessoas e Rotinas Trabalhistas. fabiorodriguespsi@hotmail.com Currículo Lattes http://lattes.cnpq. br/7478114807285266 ARQUIVO

DR. FÁBIO RODRIGUES CORRÊA

SAÚDE IN FOCO: Tristeza é sinônimo de depressão? Dr. Fábio R.Corrêa: Não. A tristeza é um sentimento momentâneo, considerado saudável, importante. A emoção tristeza nos auxilia na elaboração de perdas ou sofrimentos ocasionais. O individuo que vivencia uma perda pode atravessar uma fase de tristeza, sofrimento e angústia, porém, após a elaboração, a vida vai voltando ao eixo natural. Entretanto, se a emoção tristeza não passa, e começa a surgir sentimentos de utilidade, culpa, apatia, desesperança, a tristeza passa a colaborar com sintomas claro de depressão. SAÚDE IN FOCO: Quais são as causas da depressão? Dr. Fábio R.Corrêa: A depressão associa-se à química do cérebro, diferenças nos seus níveis de serotonina noradrenalina, além de outras substâncias químicas, que podem deixá-lo mais propenso à depressão. Todavia, os terapeutas cognitivos comportamentais acreditam em inúmeros fatores, que perpassam por experiências posteriores na vida, podem colocá-lo em um episódio depressivo, exemplo: maus tratos na infância. Segundo pesquisas os principais motivos vivenciados por indivíduos e que o levam a ficarem depressivos são: ficar viúvo, divorciar-se, ou separar-se, conflitos de relacionamento, estar desempregado. SAÚDE IN FOCO: Quais são os principais sintomas?

SAÚDE IN FOCO: O que é Depressão? Dr. Fábio R.Corrêa: A depressão não é apenas um ou dois sintomas, é uma junção de diferentes pensamentos, sentimentos, comportamentos e experiências. O diagnóstico técnico que damos como profissional é “transtorno depressivo maior”, que, segundo a “Sociedade Americana de Psiquiatria – ( American Psichiatric Association)”, significa que o “individuo” esteve com humor deprimido ou perda de interesse nas atividades por um período de duas semanas, além disso, a doença tem pelo menos mais quatro dos seguintes sintomas: Sentimentos de inutilidade ou culpa, Dificuldade de concentração ou de tomar decisões, Fadiga ou baixa energia, Insônia ou hipersonia (sono aumentado), Perda ou ganho de peso, Agitação ou retardo psicomotor, Pensamentos de morte ou de suicídio.

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Dr. Fábio R.Corrêa: O diagnóstico clínico é essencial para descobrir o grau de ginecomastia e sua causa. Clinicamente, o médico endocrinologista é apto para diagnosticar e recomendar a melhor forma para o tratamento da ginecomastia. A informação vai ajudar a grande maioria dos homens em vários grupos etários que sofrem em silêncio a viver melhor, com mais auto estima e saúde. SAÚDE IN FOCO: Quais os tipos de tratamentos e remédios para Ginecomastia, mais frequentes? Dr. Fábio R.Corrêa: sentimentos de inutilidade ou culpa, dificuldade de concentração ou de tomar decisões, fadiga ou baixa energia, insônia ou hipersonia (sono aumentado), perda ou ganho de peso, agitação ou retardo psicomotor, pensamentos de morte ou de suicídio.

SAÚDE IN FOCO: Quais sinais comprovam um quadro de depressão? Dr. Fábio R.Corrêa: Além dos sintomas já citados, estudos comprovam que 60% das pessoas deprimidas relataram um estressor significativo nos nove meses anteriores, tais como: aborrecimentos diários, problemas no trabalho, dificuldades no arranjo da vida, estresse por viajem, pressões financeiras extremas, discussões penosas, conflitos com outros. SAÚDE IN FOCO: Todas as pessoas estão sujeitas a ter depressão? Dr. Fábio R.Corrêa: A depressão não reconhece barreiras, qualquer indivíduo, independentemente de renda, educação, raça, gênero, sucesso ou beleza, pode ficar deprimido. SAÚDE IN FOCO: Há uma faixa etária mais vulnerável à doença? Dr. Fábio R.Corrêa: A depressão não é restrita a uma faixa etária, isto é claro. Porém, estudos comprovam que a prevalência da depressão está entre os jovens entre 18 a 29 anos e os indivíduos com mais de 60 anos. SAÚDE IN FOCO: Qual o melhor tratamento? Dr. Fábio R.Corrêa: Não existe uma classificação de melhor ou menos melhor, não há um peso e uma medida para o tratamento da depressão. Depende de uma avaliação médica ou de um profissional psicólogo para a escolha adequada para cada indivíduo. Existem tratamentos com uso de remédios, sessões de psicoterapia, eletroconvulsoterapia. Considero o tratamento ajustado a melhor escolha, que é o uso combinado de medicação e psicoterapia, porém este dependente de uma avaliação clínica. SAÚDE IN FOCO: A depressão tem cura? Dr. Fábio R.Corrêa: Sim, tem cura. SAÚDE IN FOCO: Qual a incidência da doença nos dias de hoje, no Brasil? Dr. Fábio R.Corrêa: A incidência no Brasil, segundo Organização Mundial de Saúde, é de 5,8% da população brasileira, número acima da incidência mundial que hoje é de 5%.

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OS INCRÍVEIS BENEFÍCIOS DA BANANA Os benefícios que a banana pode proporcionar à saúde são embasados em análises científicas

Uma banana, contém em média 118 gramas: • Potássio: 9% da IDR (Ingestão Diária Recomendada); • Vitamina B6: 33% do IDR; • Vitamina C: 11% do IDR; • Magnésio: 8% do IDR; • Cobre: 10% do IDR; • Manganês: 14% do IDR; • Carboidratos líquidos: 24 gramas; • Fibra: 3,1 gramas; • Proteína: 1,3 gramas; • Gordura: 0,4 gramas. As bananas são ricas em dois tipos de fibra, a pectina e o amido resistente. Essas duas substâncias ajudam a regular os níveis de açúcar no sangue.Têm um baixo índice glicêmico (uma medida de 0 a 100 que quantifica a rapidez com que os alimentos aumentam os níveis de açúcar no sangue).

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As bananas são extremamente deliciosas. Mas a boa notícia é que essa não é sua única qualidade. Ela também é muito rica em nutrientes essenciais e ainda proporciona benefícios para a saúde do coração, níveis de açúcar no sangue entre outros benefícios. A banana está entre as frutas mais populares de consumo diário. Apesar de serem nativas do sudeste da Ásia, elas são cultivadas no mundo inteiro, e podem ser encontradas em diversos tamanhos, cores e formas, sendo a mais comum a banana amarela, que é verde antes de amadurecer. Cada banana contém cerca de 105 calorias, sendo composta por água e carboidratos. As bananas contêm pouca proteína e quase nenhuma gordura. ao longo de 13 anos, aquelas que comiam bananas de duas a três vezes por semana tinham 33% menos probabilidade de desenvolver doença renal. Outros estudos descobriram que quem come banana de quatro a seis vezes por semana é quase 50% menos propenso a desenvolver doenças renais, em comparação com pessoas que não comem. O alimento funciona, especialmente, no controle da pressão arterial. Apesar de sua importância, a maioria das pessoas não consome a quantidade ideal da fruta. Mas, as bananas não nos deixam na mão, elas são riquíssimas em potássio, e uma quantidade razoável de magnésio, outro mineral importante para a saúde do coração.

Enquanto o valor glicêmico das bananas verdes é de cerca de 30, das bananas maduras é de 60. O valor médio de todas as bananas é de 51. Isso significa que o consumo não causa grandes picos nos níveis de açúcar no sangue em indivíduos saudáveis. No entanto, isso não se aplica aos diabéticos, que devem evitar comer bananas muito maduras (por causa do açúcar).

De acordo com estudos, comer banana pode ajudar a reduzir cãibras e dores musculares relacionadas ao exercício, que afetam até 95% da população geral. A razão para as cãibras é desconhecida. Pois, nenhum estudo encontrou relação entre o consumo de banana e a diminuição das cãibras. Mas, em compensação, de acordo com estudo, as bananas são capazes de fornecer excelente nutrição antes, durante e depois o exercício físico.

As bananas são aliadas de quem deseja perder peso de modo saudável. Para começar, uma banana média contém apenas 100 calorias e ainda consegue ser nutritiva. Comer fibras de origem vegetal tem sido associado a menor peso corporal e perda de peso. E as bananas estão cheia de fibras!

A banana é um dos alimentos mais fáceis de adicionar à dieta. Elas fazem um ótimo complemento ao café da manhã. Você pode usá-las no lugar do açúcar, quando estão bem maduras. Outro benefício é que a fruta raramente contém pesticidas devido à sua espessa camada protetora.

O potássio é um mineral essencial para a saúde do coração e para a função renal. Um estudo feito com mulheres mostrou que,

VOLUME 1 • Nº4 • OUTUBRO-NOVEMBRO-DEZEMBRO/2018

FONTE: Healthline

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PERFIL

POR LUCILENE AMARAL

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LUIZ SOARES UM CARTESIANO HUMANISTA EM PROL DA SAÚDE MINEIRO DE NASCIMENTO, DA CIDADE DE FREI INOCÊNCIO, LUIZ SOARES CHEGOU EM MATO GROSSO AINDA ADOLESCENTE, NOS IDOS DA DÉCADA DE 1970. SUA MUDANÇA PARA O ESTADO DEU-SE DEVIDO À TRANSFERÊNCIA DA FAMÍLIA, E SEU PRIMEIRO DESTINO FOI O MUNICÍPIO DE POXORÉO, POR JÁ TER PARENTES NA CIDADE. Em 1974, devido à necessidade de estudar, mudou-se para a capital Cuiabá. Aqui foi aluno do Colégio Salesiano São Gonçalo, onde consolidou sua base de formação católica, religião que conserva até os dias de hoje. De fala mansa, com ar desconfiado, como bom e típica mineira, Luiz Soares, então jovem, cursou Engenharia Sanitária na UFMT. Ambiente propício para descobrir sua vocação política e a prática da militância. Além da engenharia se especializou em Saúde Pública – Gestão Organizacional de Serviços de Saúde com foco em Processos. Apesar da formação cartesiana, sua trajetória profissional tem uma forte presença na área de humanas, com viés na assistência social. Soares se diz uma pessoa vinculada à vivência da saúde, a influência do seu primeiro trabalho, como atendente em uma farmácia o despertou para as mazelas e enfermidades que acometiam a população. A experiência em lidar com pessoas de saúde fragilizada e em busca de tratamentos diversos criou nele a inquietação por conhecer e contribuir para uma melhor qualidade de vida das pessoas mais carentes, dentro dos municípios. Com perfil municipalista, não foi muito difícil se aproximar das instituições ligadas à saúde. Sua dedicação à causa o levou a exercer vários cargos junto às Secretarias de Saúde Estadual e algumas municipais, como: Alta Floresta, Cotriguaçu, Barra do Garças, General Carneiro, além de atuar junto às etnias indígenas Xavante, onde esteve como Diretor de Distrito Sanitário e Diretor Sanitário Especial. Sua atuação política e militante, de viés socialista, dentro e fora da academia, sempre contribuiu para que empreendesse a favor da saúde pública. 38

Na década de 1980 foi um dos fundadores do COSEMS aqui no Mato Grosso. Após a Constituição de 1988, com a criação do SUS, participou da transição que mudou o sistema e seus processos. Em 1995, tornou-se funcionário concursado, da Fundação Nacional de Saúde – FUNASA. Sua vocação e sensibilidade o levaram sempre para um protagonismo junto à realidade da região amazônica, de modo a perceber e combater fragilidades. Sempre se fez presente buscando acrescentar melhorias nos sistemas de saúde dos ambientes mais carentes. Apesar da formação em engenharia, tem uma forte capacidade de análise acerca da gestão e suas ferramentas. Soares defende que apenas a educação é capaz de transformar o atual sistema e de que não se faz saúde apenas pelo espectro do governo, além disso, que o cidadão consciente e politizado é capaz de conhecer, reconhecer e exigir seus direitos por uma melhor qualidade de vida, antes de adoecer. Entende que a população deve estar organizada em ambientes com o mesmo foco e discurso para que possa alcançar os objetivos em prol de uma sociedade melhor. No que tange ao social, afirma que se não partilhar com o outro aquilo que conquistou, não ofertará sentido à vida, de sorte que, do resultado da soma deve surgir a divisão para possibilitar uma sociedade mais justa e igualitária. Casado há 36 anos com uma professora de matemática, é pai de duas filhas sendo uma Médica e outra Psicóloga; diz, entre um misto de orgulho e saudade, que ambas moram no exterior – França e Canadá – o que o leva a ter que se dividir entre os 3 países, já que mesmo estando perto da aposentadoria, não pretende sair do Brasil. Tem como hobby o futebol, que joga recreativamente com os amigos, a pescaria no pantanal, e a predileção por locais junto à natureza. Mesmo estando muitos anos em solo mato-grossense, tem o Cruzeiro de Minas Gerais como time do coração.

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Revista Saúde in Foco • volume 1 • nº 4 •Outubro - Novembro - Dezembro • Ed. Especial.  
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