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URBANISMO E MEIO AMBIENTE Os materiais da construção civil e seus impactos ambientais e sociais.


Sumário 1. Introdução 2. Cimento

05 00 07 00

3. Aço 4. Depois do Aço

00

23

00 34 00

5. Madeira 6.Minério

00 41 00

50

00 7. Descarte

00 58 00


Introdução A revista no seu conteúdo explora e se aprofunda nos principais materiais utilizados na construção civil no Brasil procurando desvendar e elucidar as etapas do seu ciclo de vida. Separado em capítulos correspondentes a cada material, o conteúdo apresentado percorre desde a extração das matérias primas, os processos de produção envolvidos, o transporte, sua utilização, seus impactos econômicos, sociais, ambientais e também como é o pós uso daquele material, quando o mesmo é descartado.


Cimento A indústria do cimento na construção civil

O cimento é a base para a produção do concreto, material usado em larga escala no setor da construção civil tanto na construção de moradias como em obras de infraestrutura. O cimento, dessa forma, é uma commodity produzida por uma atividade industrial integrada com variedade limitada de tipos e com especificações e processos de fabricação normatizadas e semelhantes globalmente. Ele necessita de condições especiais de estocagem por prazo limitado, pois é perecível (não pode receber umidade) e ocupa grandes espaços. É comprado e utilizado conforme o andamento da obra, portanto não existem estoques reguladores nas fábricas, revenda ou consumidores. Tem uma baixa relação preço/peso, fazendo com que o frete gere um aumento significante no seu preço final, o que torna muito baixa as trocas internacionais. No Brasil, a instalação definitiva de uma unidade industrial de produção de cimento ocorreu somente no final da década de 1920, com a entrada em operação de uma fábrica da Companhia Brasileira de Cimento Portland (CBCP), cuja capacidade de produção era de 60 mil toneladas e o controle acionário era exercido por canadenses, 70%, e o restante, 30%, por capitais nacionais (FERREIRA, 1999). Nos anos 1930, os três produtores (CBCP, CNCP e Votorantim) controlavam o mercado interno com quase 80% da capacidade instalada (PELÁEZ, 1972). O fortalecimento da indústria de cimento brasileira a partir da década de 30 pode ser analisado a partir de quatro pontos: 1º - Urbanização e crescimento do mercado interno; 2º - Entrada de capital e tecnologia estrangeiras; 3º - Investimentos de outros ramos econômicos presentes no país; 4º - Apoio do Estado. O aumento populacional nas cidades ocorreu no processo de transformação da paisagem urbana, mais especificamente das casas de taipa de pilão pelo concreto armado. Não só as habitações, mas também as rodovias começaram a ser construídas com cimento. O cimento passou a ser amplamente utilizado na construção civil, gerando o aumento do consumo e a importação do produto, bem como o estímulo às iniciativas pioneiras de fabricá-lo no país. Essas condições são os principais fatores que fizeram com que o cimento (concreto armado) seja o principal material empregado no processo construtivo das edificações por todo o Brasil. As informações levantadas nessa revista elucidam desde o processo de produção até impactos econômicos, sociais, ambientais e também na saúde daqueles que estão em contato direto a extração e produção.

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Distribuição Nacional de Cimento Por região (Jan-Març de 2019)

Cimenteiras

Produção nacional (Jan-Mar de 2019)

Consumo nacional (Jan-Mar de 2019)

Norte

Norte

5

500.872t

748.336t

Sul

4 Sul 2.139.599t

3

6.010.012t

Centro-Oeste

3

1.321.021t

Sudeste

4

2.363.323t

Centro-Oeste

5

1.162.032t

Sudeste

2

5.524.432t

Nordeste

1

2.754.398t

www.yourwebsite.com

2

1

Nordeste 2.931.691t

www.yourwebsite.com

fonte: Sindicato Nacional da Indústria do Cimento

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Maiores cimenteiras

Votorantim CE-DF-GO-MA -MG-MS-MT-P A-PE-PR-RJ-R O-RS-SE-SP-TO

Intercement AL-BA-GO-MG -MS-PB-PE-RS -SP

Nassau AM-BA-CE-ESMA-PA-PE-PI -RN-SE

LafargeHolcim BA-MG-GO-PB -RJ-ES-SP

Mizu AM-ES-RJ-RN -SE-SP-MG

Distribuição das cimenteiras no estado do Rio de Janeiro

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Etapas de Produção

1

Calcário e a argila são misturados e moídos a fim de se obter uma certa "mistura crua" de produto. O processo é feito num moinho cheio de bolas ou rolos de impacto. O moinho fica colocado contra uma corrente de gás quente aqui ocorre a secagem do material;

2

O produto é estocado em silos onde é feita a homogeneização (equalização) dos resíduos;

3

Aquecimento do material cru (clinquerização). No pré-aquecedor, correm os gases quentes da combustão;

4 5 6 7 8

O conteúdo é jogado num forno rotativo, que funciona à base de óleo pesado, petróleo, carvão mineral ou vegetal. Várias reações químicas são desencadeadas como as decomposições de carbonato de magnésio e carbonato de cálcio. Após o aquecimento, o clínquer, como é chamado o material formado, é bruscamente resfriado em ar frio por duas vezes;

O clínquer é estocado em silos para a produção do cimento;

O clínquer é misturado ao gesso, usado para regular o tempo de "grude" do cimento;

O material passa por uma moagem definitiva, onde é medida a quantidade exata das substâncias convenientes para qualidade do produto final;

Após moído, o cimento é transportado para silos de estocagem, onde são extraídos e ensacados por ensacadeiras automáticas em sacos de 25 ou 50 kg. Parte da produção é entregue no local da obra a granel (silo-reboque).

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Etapas de Produção

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Custos da Produção de Cimento

O custo de implantação de uma cimenteira é de U$280 milhões, por conta das características das principais matérias-primas (recursos minerais volumosos e de baixo valor agregado), maior parte do custo de sua produção vem dos óleos e combustíveis usados na produção de cimento. O custo de produção do cimento apresenta variações, dependendo da capacidade de produção da unidade industrial, do tipo de cimento produzido, da localização da indústria em relação a matéria prima e dos valores do combustível e da energia elétrica, que variam constantemente.

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Uso dos recursos Energia e Combustível No processo de manufatura do cimento, a energia térmica gerada pelo combustível, utilizado para secagem, aquecimento e calcinação das matérias-primas, constitui 90% do total de energia consumida durante sua produção. Essa energia térmica é gerada pela queima de combustíveis fósseis, principalmente o coque de petróleo, além de carvão mineral, óleo combustível, pneus, resíduos industriais e biomassas. Porém, combustíveis alternativos já são utilizados em algumas indústrias cimenteiras pelo mundo. Eles são derivados de misturas de resíduos industriais, municipais e até resíduos perigosos, podendo ser tanto sólidos como líquidos. Além do alto grau de poluição pela emissão de gases de efeito estufa, isso demonstra a dependência da disponibilidade de petróleo cujas crises passadas demonstram uma fragilidade para o crescimento do setor.

→ Consumo atual de aproximadamente 5.000 GWh/ano pela indústria do cimento → Projeção de crescimento na demanda de energia variando de 1.000 a 2.000 GWh/ano → Consumo de combustível de 65 mil toneladas de petróleo por ano → Consumo das indústrias cimenteiras chega a 15% do total de energia mundial

fonte: Sindicato Nacional da Indústria do Cimento e ENGETOP

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Transporte

3%

32%

CIMENTO

1% 64%

No Brasil, em razão da precária infraestrutura do transporte, apenas 32% do despacho do cimento é feito a granel, enquanto que 64% é ensacado, o que eleva o custo unitário, ao todo, 96% do cimento produzido é despachado por transporte rodoviário, 3% por transporte ferroviário e 1% por transporte hidroviário.

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Transporte

g

50k

As fábricas precisam instalar-se próximas das jazidas de calcário e do mercado consumidor devido ao custo de transporte.

Devido às deficiências nos modais de transportes e para a facilitação do manuseio pelo homem, a maior parte da produção é ensacada.

Uma fábrica, em média, necessita de 300 caminhões por dia para escoar sua produção. Raio de distribuição do produto atinge em média de 300 a 500 km nas regiões SE e S, chegando a mais de 1.000 km no NE e N

Face às dimensões continentais e à estrutura de transportes do país, para se atingir todos os mercados, 2/3 do cimento é distribuído através da cadeia de revenda e devido ao baixo valor unitário, precisa ser transportado em grande quantidade para compensar o custo do transporte. Estradas em mau estado de conservação e até mesmo sem pavimentação, aliadas ao grande peso que precisa ser transportado, contribui para o aumento do preço final de venda do produto.

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Impactos ao Meio Ambiente

Alta emissão de poluentes gasosos e material particulado.

Sua fabricação libera óxido de enxofre, óxido de nitrogênio, monóxido de carbono e compostos de chumbo.

Impactos físicos como desmoronamentos nas pedreiras de calcário e erosões devido às vibrações produzidas no terreno.

As cimenteiras são responsáveis por cerca de 8% da emissão global de dióxido de carbono (CO2) liberando 1,5 bilhão de toneladas por ano.

Extração de Matéria Prima (argila, areia e calcário) Pedreiras

Dragagem dos rios

Aspectos

Aspectos

-

-

Poeira Ruídos Vibrações no terreno Emissão de gases Arremessos de fragmentos e poeira Cavas abandonadas

-

Alteração batimétricas (aprofundamento de canais e cursos d’ água) Ruídos gerados pelo funcionamento das dragas

Moagem do Calcário Aspectos -

Poeira Ruídos

Impactos -

Poluição do ar e sonora

Impactos Impactos -

Desmoronamentos Erosões Poluição do ar

-

Contaminação de águas com substâncias tóxicas Diminuição da qualidade da água dos leitos Perturbação de habitats e redução de biodiversidade fonte: adaptado de WBCSD, 2002b.

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Vias de Contaminação Solo

Inalação, ingestão ou contato dérmico com solos e poeiras contaminados: material particulado, metais pesados, dioxinas e furanos.

Ar

Água

Cadeia Alimentar

Ingestão ou contato dérmico Ingestão de alimentos contaminados, dioxinas, com corpos d’água furanos e metais pesados. contaminados, metais pesados, dioxinas e furanos.

Inalação ou contato dérmico com poluentes atmosféricos: material particulado, NOX, SOX, HCL, orgânicos tóxicos, dioxinas e furanos, materiais pesados.

fonte: Artigo “A indústria de cimento no Brasil: origens, consolidação e internacionalização”

Produção do Clínquer

Aspectos -

Poeira Emissão de gases: Dióxido de Carbono (CO2), Dióxido de enxofre (SO2), Monóxido de carbono (CO), Micropoluentes, Gases oxidantes, Óxidos nitrogenados, Compostos de chumbo

Moagem de cimento

Aspectos

Aspectos -

-

Poeira Ruídos

Poeira Ruídos

Impactos

Impactos -

Armazenamento e frete

Poluição do ar e sonora

-

Poluição do ar e sonora

Impactos -

Aquecimento global e poluição do ar

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Impactos à Saúde Humana SISTEMA RESPIRATÓRIO

VIAS AÉREAS

É comum os casos de Pneumoconiose, doença pulmonar ocupacional ocasionada pela inalação de poeiras inorgânicas.

É comum a ocorrência de irritações diversas das vias aéreas superiores, decorrente do contato com as partículas em suspensão.

PELE Grande ocorrência de Dermatites de Contato, reação inflamatória que ocorre na pele devido à exposição a um componente que causa irritação ou alergia. Erupção cutânea, coceira, vermelhidão e descamação são sintomas comuns,

Com um parque tecnológico obsoleto e poluidor, com elevados índices de contaminação individual, trabalhadores estão constantemente expostos a vários fatores de risco, como alta concentração de partículas em suspensão. Os índices de incidentes críticos são elevados assim como de acidentes leves, muitas vezes pela falta de uso de equipamentos de segurança e proteção. Estudos técnicos realizados na fábrica de Cantagalo revelam que existe índices preocupantes de câncer na região e de outras doenças que não deveriam ser altos.

Fonte::Artigo “Produção de cimento: Impactos à saúde e ao meio ambiente” Autoras: Maria Beatriz Maury, Raquel Naves Blumenschein

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Condições de Trabalho

FALTA DE EQUIPAMENTO

Atualmente, nem todas as fábricas de cimento são problemáticas, já que parte delas vem cada vez mais se comportando de forma a atender legislações, buscando uma maior responsabilidade socioambiental” [...] os trabalhadores estão constantemente expostos, a vários fatores de risco à saúde, tais como, a alta concentração de partículas em suspensão; falta de equipamentos de proteção, segurança e comunicação.

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Legislação e Controle ECONOMIA E CUSTOS

Elevadas economias de escala – A fábrica padrão com escala mínima eficiente de produção é de um milhão de toneladas ao ano. Alto investimento inicial – O capital inicial requerido para a instalação de uma unidade padrão é de cerca de US$ 300 milhões.

NORMAS E LEIS

Os principais órgãos que regulamentam e criam restrições ao setor, são a FEEMA (Fundação Estadual de Engenharia e Meio Ambiente e o CONAMA ( Conselho Nacional do Meio Ambiente).

SEGURANÇA DO TRABALHO

Existem muito riscos presentes na indústria cimenteira, desde acidentes de trabalho até riscos à saúde de quem está envolvido em todo o trabalho, como riscos físicos, ergonômicos, químicos e biológicos. Necessidade de implantação das Normas Regulamentadoras da Indústria que ajudam na prevenção de acidentes no trabalho; uso de equipamentos adequados para os serviços; Mapeamento dos Riscos.

RESOLUÇÃO CONAMA 382/06

Estabelece os limites máximos de emissão de poluentes atmosféricos. Considerando que o atendimento aos limites de emissões de poluentes atmosféricos objetiva minimizar os impactos sobre a qualidade do ar e, assim, proteger a saúde e o bem-estar da população.

RESOLUÇÃO CONAMA 264/99

Esta Resolução aplica-se ao licenciamento de fornos rotativos de produção de clínquer para atividades de coprocessamento de resíduos. O produto final (cimento) resultante da utilização de resíduos no coprocessamento em fornos de clínquer, não deverá agregar substâncias ou elementos em quantidades tais que possam afetar a saúde humana e o meio ambiente.

Fontes: https://coprocessamento.org.br/legislacao/; https://www.cimentoverdedobrasil.com.br/producao-e-consumo-de-cimento-no-brasil/

* O coprocessamento é uma tecnologia que consiste na utilização de resíduos industriais como fonte energética alternativa e/ou agregados nas matérias-primas, usados na fabricação do cimento, tais como, calcário, argila e minério de ferro. O coprocessamento pode ser feito nas cimenteiras, de acordo com a própria característica da indústria, e, para formar o clínquer, que é o núcleo do processo de fabricação de cimento, são necessários fornos rotatórios que trabalham por 24 horas por dia, em temperaturas muito elevadas, que podem chegar a 2 mil graus Celsius.

Fonte: http://www.fiocruz.br/omsambiental/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?from%5Finfo%5Findex=331&infoid=349&sid=13

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Proposta para a redução de gases de efeito estufa

Para os próximos anos, a ampliação do uso de combustíveis alternativos, com destaque para o coprocessamento, e o aumento do uso de adições, em substituição parcial ao clínquer, devem manter-se como as duas principais forças positivas para a redução da intensidade de carbono do segmento. Em relação ao uso de combustíveis alternativos, é importante destacar que uma característica dos fornos de cimento é sua possibilidade de adaptação para uso de diversos combustíveis diferentes, de tal modo que a escolha baseia-se no custo e na disponibilidade. No longo prazo, as maiores oportunidades de redução para esse segmento estão no desenvolvimento de tecnologias de captura e armazenamento de carbono e na difusão de substitutos ao cimento.

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Aço A indústria do aço na construção civil

O mercado da construção civil acompanha as tendências mundiais e busca sempre inovar almejando o desenvolvimento com redução de custos efetivos, diminuição no período das obras e aumento do quesito eficiência. A procura por alternativas capazes de conciliar esses 3 importantes pilares conduziu o cenário da construção civil para a utilização de métodos baseados na introdução do aço em suas atividades. O aço é um produto resultado da ligação entre ferro e carbono, podendo ou não ter outros compostos. Na construção civil ele tem bastante aplicabilidade devido às propriedades de resistência que apresenta. É um material que tem a capacidade de vencer grandes vãos, tendo peças de menor dimensão e peso. A utilização do produto também se apoia em um discurso de sustentabilidade defendendo a ideia de que o material que pode ser 100% reciclado além de ser teoricamente menos agressivo ao meio ambiente, visto que reduz o uso da madeira e do concreto na construção, evitando a formação de entulhos que são depositados na natureza.

Processos de produção Apesar dos discursos fortes ao redor da sustentabilidade e possibilidade de reutilização, “A indústria siderúrgica é sistematicamente apontada como uma das mais poluidoras, visto que a mesma é responsável por um grande consumo de energia e recursos naturais não-renováveis, além da produção de diversos efluentes poluentes.” Tais usinas siderúrgicas constituem um dos grandes pilares da indústria brasileira, com forte presença tanto no mercado interno quanto nas exportações do país.

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Processos Siderúrgicos Etapas de Produção

Redução

Refino

Laminação

O processo de redução consiste na transformação do minério de ferro, geralmente na forma de um óxido de ferro, em uma liga metálica de ferro-carbono, a partir do uso de um agente redutor – coque ou carvão vegetal, ambos ricos em carbono. Aciarias a oxigênio ou elétricas são utilizadas para transformar o gusa líquido ou sólido e a sucata de ferro e aço em aço líquido. Nessa etapa parte do carbono contido no gusa é removido juntamente com impurezas.A maior parte do aço líquido é solidificada em equipamentos de lingotamento contínuo para produzir semi-acabados, lingotes e blocos. Os semi-acabados, lingotes e blocos são processados por equipamentos chamados laminadores e transformados em uma grande variedade de produtos siderúrgicos, cuja nomenclatura depende de sua forma e/ou composição química.

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Processos Siderúrgicos Emissões Os poluentes atmosféricos podem ser classificados em função de variáveis como o estado físico, a sua fonte de origem, a sua classificação química, os tipos de efeitos e incômodos gerados ou a sua toxicidade. Os principais efluentes originários dos processos siderúrgicos são: Material particulado (gases e metais); Óleos e ácidos; Pós e carepas:

Lamas e escória: Metais solúveis; Sólidos suspensos e sucata.

Danos causados pela emissão de material particulado

Tosse seca

Ardor nos olhos, garganta e nariz

Danos aos sistemas respiratório e cardiovascular

Redução da expectativa de vida e danos à gestação

Mutações genéticas Câncer

Dióxido de Enxofre (SO2)

Óxidos de Carbono

Pode se formar em processos industriais diversos, onde ocorram queima de combustíveis fósseis que contenham enxofre. Pode ser convertido com ácido sulfúrico(H2SO4) - responsável pelo fenômeno da chuva ácida

De todas as emissões produzidas por essa indústria, a emitida em maior quantidade é o dióxido de carbono que é um dos responsáveis pelo efeito estufa e, por consequência, o aquecimento global.

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Indústria Siderúrgica no Brasil A indústria do aço no Brasil é representada por 14 empresas privadas, controladas por onze grupos empresariais e operando 29 usinas distribuídas por 10 estados brasileiros, levando o país a ocupar a 9ª posição no ranking da produção mundial. A privatização das empresas, finalizada em 1993, trouxe ao setor expressivo afluxo de capitais, em composições acionárias da maior diversidade. Assim, muitas empresas produtoras passaram a integrar grupos industriais e/ou financeiros cujos interesses na siderurgia se desdobraram para atividades correlatas, ou de apoio logístico, com o objetivo de alcançar economia de escala e competitividade No estado do Rio de Janeiro estão Instaladas 4 siderúrgicas, 3 delas estão dentro dos limites do município do Rio.São elas: ArcelorMittal Sul Fluminense (Barra Mansa) | ArcelorMittal Sul Fluminense (Resende) | Gerdau Aços Longos (Usina Santa Cruz) | Ternium Brasil

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O caso Ternium Brasil (TKCSA) A outra face da sustentabilidade

Uma trajetória marcada por impactos socioambientais, danos territoriais e violações de direitos. Ao longo de 13 anos, a atuação da Ternium Brasil, antiga ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA), interfere diretamente nas condições de vida e de trabalho da população de Santa Cruz, bairro da zona oeste do Rio de Janeiro, onde está localizada. Além dos altos índices de poluição atmosférica, a presença da siderúrgica no local trouxe graves consequências ao território, que atualmente se encontra em uma realidade que parece ser invisível para o Estado brasileiro e para o resto da cidade.

Entenda quem é a Ternium? “Desenvolvemos e produzimos mais de 200 tipos de aço de alta qualidade com tecnologia de ponta para diversas indústrias, sempre priorizando a segurança e o compromisso ambiental e social.” Ternium Brasil A Ternium se apresenta como uma das siderúrgicas mais avançadas do mundo. No Brasil, a empresa está presente em entidades de classe como a Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape), o Instituto Aço Brasil e a Associação Brasileira de Metalurgia (ABM), que controlam o setor siderúrgico, energético e mineral do país e possuem ampla capacidade de articulação e influência em diversos setores do Estado.

Produção de 17 milhões de toneladas por ano abastecendo diferentes clientes de diferentes indústrias.

Desde 1954, o Grupo Techint está, estrategicamente, instalado em seis países da América Latina.

Conta com isenções fiscais (estaduais) e benefícios municipais, além de financiamentos do (BNDES).

Caracterizada pela violação de direitos trabalhistas, pela intimidação e criminalização de lideranças e pesquisadores/as.

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Em 2005, a Companhia Siderúrgica do Atlântico pertencente à ThyssenKrupp iniciou os processos de remoção

2005

A empresa funcionou durante seis anos, de 2010 a 2016, sem licença de operação, além de ser objeto de ações penais movidas pelo Ministério Público Federal e outros.

2006

O empreendimento é isento do Imposto Sobre Serviços (ISS) desde junho de 2006, de acordo com a Lei Municipal n.4372/2006, renovada em 2009.

2010

2016 Primeira Chuva de Prata

Setembro 2016

INEA ignora violações e concede licença de operação à TKCSA

Poluição causada pela empresa Apontada como a responsável por elevar em 76% as emissões de CO2 na cidade do Rio de Janeiro, segundo dados da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), a concentração de poluição provocada pela siderúrgica ultrapassa as médias recomendadas pela Organização Mundial da Saúde para qualidade do ar, segundo monitoramento feito em 2017 pelo projeto Vigilância Popular em Saúde, realizado em parceria com a Fiocruz, o Instituto Pacs e a Rede Justiça nos Trilhos, através de medições realizadas por jovens moradores da região.

76% 28| UFRJ| FAU | Urbanismo e meio ambiente | 2019.2

1 habitante do Rio de Janeiro consome 248 litros de água por dia

A Ternium consome 1 bilhão e meio de litros de água por dia para a produção de aço

6.718.903 (hab RJ) x 248L = 1,6 bilhões de litros A empresa consome o correspondente a 94% da água utilizada pelos habitantes


Junho 2017

Pesquisa realizada por jovens de Santa Cruz e Piquiá encontra níveis de poluição acima do que recomenda a OMS

Cade autoriza venda da siderúrgica para grupo Ítalo Argentino Ternium

Setembro 2017

Agosto 2017

A empresa passa a pertencer à Ternium

O fenômeno chamado “chuva de prata”, ocorrido pela primeira vez em 2010, foi uma das maiores consequências da contaminação do ar. O termo consiste em uma chuva de pó brilhoso emitido em decorrência da produção de aço, que invade casas e ruas vizinhas ao local da siderúrgica. Desde então, o acontecimento se repetiu inúmeras vezes, resultando em impactos na saúde da população, que sofre com diversas doenças fisiológicas e psicológicas.

Rinite

Ansiedade e depressão

Alergias

Infecções e inflamações

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Índices de poluição em Santa Cruz Poluição atmosférica As medições feitas pelo Coletivo Martha Trindade, formado por jovens de Santa Cruz, em 2016, encontraram índices de poluição atmosférica três vezes maiores do que os recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A poluição do ar traz grande preocupação e riscos à saúde humana, pois, além de diversos efeitos à saúde, é reconhecidamente cancerígena.

O relatório sobre os resultados obtidos numa investigação de monitoramento do ar na região de Santa Cruz, atividade proposta após a oficina “Vigilância Popular em Saúde e Ambiente: monitoramento comunitário de materiais particulados na atmosfera” foi realizado pelo Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Rede Justiça nos Trilhos (JnT).

Material Particulado

“Os jovens focaram em um tipo específico de poluente: o Material Particulado de 2,5 micrômetros (MP2,5), pelo fato dele ter uma grande capacidade de penetração no sistema respiratório, gerando maiores riscos à saúde humana, e ser um dos elementos presentes no tipo de emissão atmosférica gerada pela atividade siderúrgica. Além de reconhecidamente cancerígenos, estes poluentes também causam prejuízos cardiovasculares, dermatológicos e oftalmológicos, dentre outros, ocasionando mortes prematuras.” Nota-se que as médias de concentração tendem a decrescer em janeiro (1ª campanha). Isto pode ser atribuído ao fato de ser este um mês mais chuvoso, o que precipita a poluição em suspensão no ar, como é o caso do material particulado. Em termos climáticos, as duas regiões apresentam um verão chuvoso, ou seja, as chuvas entre os meses de dezembro e fevereiro se intensificam, contribuindo para uma diminuição nos níveis de poluição neste período.

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Índices de poluição em Santa Cruz Lançamento de poluentes de madrugada Outro dado interessante que surge da análise das planilhas de coletas diárias da 2ª campanha de Santa Cruz é que os valores de MP2,5, por hora de coleta, em alguns momentos, tem uma tendência a aumentar no horário da madrugada. Em Santa Cruz as médias de concentração de MP2,5 tendem a ser maiores nos horários de coleta da madrugada. Isto pode ser associado ao fato de que algumas empresas poluidoras tendem a lançar maiores níveis de poluentes na atmosfera no horário noturno ou madrugada, pois neste período a fiscalização não é frequente e a poluição não é tão evidente.

Índices de mortalidade

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Justiça Com o intuito de pautar o debate em torno das violações geradas pela atuação da Ternium Brasil durante o período eleitoral, moradores e moradoras de Santa Cruz, incluindo articulações com grupos e coletivos de resistência do território, elaboraram uma carta pública com reivindicações e denúncias sobre o caso. O documento, destinado aos candidatos e candidatas aos cargos de governador, senador, deputado federal e estadual pelo estado do Rio de Janeiro em 2018, foi enviado com o objetivo de gerar visibilidade aos casos de violações sofridos pelo território e, consequentemente, aprofundar a luta por mudanças significativas para a população.

Material particulado presente 24h por dia sobre a cabeça dos moradores e moradoras da Reta João XXIII. Foto: Equipe Pacs

Pó escuro que se acumula sobre tudo na região da Reta João XXIII, em Santa Cruz. FOTO: Equipe Pacs

Desde o anúncio da chegada da siderúrgica ao território, moradoras e moradores das proximidades, pescadores, estudantes, donas de casa, marisqueiras, educadores e pesquisadores têm se mobilizado, muitas vezes sem repercussão, para denunciar os danos à saúde, as enchentes e outras violações. Buscam tornar visível uma realidade oculta do território de Santa Cruz, pautada por uma lógica de poder e interesses políticos e econômicos, encoberta por uma cortina de fumaça, em busca de um objetivo comum: justiça.

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O tema do trabalho da disciplina de U.M.A (Urbanismo e Meio

Depois do Aço Sucateiros, Ferro-Velhos, Siderúrgicas e o impacto do mercado de resíduos

Dessa forma, para abordar o tema “O Depois do Aço”, é utilizada a cronologia dos processos de descarte como base para a discussão de cada uma de suas partes. Inicia-se com “Os Sucateiros” como protagonistas do início desse processo, em seguida apresentando uma plataforma de compra e venda da VGresíduos, chamada “Mercado de Resíduos”, e por fim, as pontas do processo: Os ferros-velhos e as siderúrgicas, estas últimas responsáveis pela reciclagem do aço.

Ambiente) foi proposto após diversas discussões em sala sobre a conscientização do completo compreendimento do processo de trabalho nas escolhas feitos durante o processo de concepção e execução de um objeto arquitetônico. Em outras palavras, é necessário entender que cada escolha gera consequências, apesar de não haver consciência sobre a consequência e não afetar diretamente o indivíduo que projeta, quem concebe e executa uma obra precisa levar em consideração como suas escolhas afeta outras pessoas e o meio em que se trabalha e vive. Neste sentido, levantou-se a questão da origem e descarte dos materiais usados na construção civil. Quais os modos corretos de serem feitos? Quem faz? Onde é feito? É o melhor modo de ser feito? Quem é afetado por esse processo de descarte? Há exploração social sobre aqueles que dependem desse processo construtivo? O quanto isso afeta a sociedade enquanto estrutura e como isso afeta o indivíduo em sua particularidade? Essas e outras questões perpassam as mentes e debates da turma, propondo então o desenvolvimento do tema como forma de trabalho da disciplina.

OS SUCATEIROS. Quem é o link entre lixo metalúrgico e reciclagem?

O MERCADO DE RESÍDUOS. Como está vendido e comprado os vários tipos de aço?

OS FERROS-VELHOS. Como funcionam, e quais são os atores da circulação de aço na cidade?

AS SIDERÚRGICAS E O PROCESSO DE RECICLAGEM DO AÇO. Quais são as vantagens e desvantagens de reciclagem de aço?

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Os sucateiros e o Mercado de Resíduos

Segundo a folha de São Paulo 2010, no Brasil, desde os anos 2000 é evidente um aumento de mais de 50% no preços médios das sucatas de papel, plástico, vidro, aço e alumínio, associados ao aumento significativo no número de catadores, impulsionado pelo desemprego, segundo o coordenador da (Coopamare Cooperativa dos Catadores Autônomos de Papéis, Aparas e Materiais Reaproveitáveis), na época, "O crescimento se deve à valorização da sucata e também ao desemprego elevado". Houve valorização dos produtos, o que fez crescer também o número de catadores de materiais recicláveis e de sucateiros, que limpam e prensam os materiais para serem revendidos às recicladoras. Outro fator o qual também para esta realidade, foi a conscientização da sociedade de que a reciclagem é uma estratégia ecologicamente correta o que estimulou o programas em empresas. Através da mudança na Lei de Resíduos Sólidos em 2010, os sucateiros passaram a se filiar a cooperativas a fim de reduzir o risco a saúde e aumentar a renda, a fim de melhorar a qualidade do trabalho. Os catadores passaram a passar por treinamentos para melhora da produtividade. Estas cooperativas devem também se filiar a Prefeitura a fim de reduzir a informalidade dos processos. A informação disponível sobre sucateiros é muito escassa em termos tanto quantitativos quanto qualitativos, característica que conflita com um dos objetivos da Lei de Resíduos Sólidos, que, como dito anteriormente, regulamenta estes catadores. O mercado de resíduos, mundialmente, movimentou, em 2017, 713,044 bilhões de dólares, e possui previsão de movimentar 979 bilhões de dólares até 2026. .

No Brasil, este mercado movimenta aproximadamente 6 bilhões de reais anualmente, tornando-se rentável e notável l diante de suas contribuições para sua redução no consumo de energia e recursos naturais para a produção de aço: “Segundo o ex-presidente do Instituto Nacional das Empresas de Sucata Ferrosa (INESFA), Marcos Fonseca, uma tonelada de aço reciclado evita a utilização de 1.140 kg de minério de ferro e 154 kg de carvão mineral. Além disso, é responsável por reduzir em 64% o consumo de energia pelas siderúrgicas, em comparação ao minério de ferro, 76% no consumo de água e 85% da poluição do ar.” (POLEN,2019) A sucata é responsável por mais de um quarto do aço novo no país, que, atualmente, conta com cerca de 2500 empresas no setor da reciclagem de sucatas ferrosas, onde estima-se que 1,5 milhão de pessoas estão direta ou indiretamente envolvidas na coleta, processamento e comercialização da sucata, processando até 420 mil toneladas de sucata por ano. Nesse cenário, o mercado de resíduos assumiu uma nova forma: unir o comprador ao vendedor de sucata metálica, principalmente, funcionando como Marketplace (mercado virtual) essa plataforma digital cadastra os participantes suas ofertas de compra e venda e, posteriormente vão acompanhando o leilão online dos seus materiais cadastrados, sites como VG Resíduos, são responsáveis pelo cadastramento e elo entre o vendedor e comprador os quais devem cadastrar informações: como ramo de atuação da empresa , quantitativo de funcionários e objetivos , compra, venda, coleta de resíduos, software de gestão de resíduos entre outros.

Valores gerados pelo Mercado de Resíduos: Mundialmente:

U$ 713.044 bilhões em 2017.

U$ 979 bilhões até 2026.

No Brasil:

R$ 6 bilhões Anualmente.

Diante desse contexto, não é explicitado os futuros impactos os quais esta nova forma plataforma entre o vendedor e o comprador de resíduos, poderá causar diretamente aos catadores, os quais assumem o papel de intermediário entre a coleta e o ferro-velho ou siderúrgica; seja devido a falta de informações a respeito ou devido esta modalidade de mercado ser algo recente e não demandar de estudos correlacionando os seus impactos. UFRJ| FAU | Urbanismo e meio ambiente | 2019.2 | 35


Ferros-Velhos

ARMAZENAMENTO

TRANSPORTE O transporte da sucata de aço para o ferro velho é feita por carros, caminhões menores, ou carrinhos de mão, já que a maior fonte dessas sucatas são os catadores ambulantes.

PREÇO DO AÇO No ferro velho o aço é comprado a kilo, podendo variar bastante a faixa de preços de R$ 0,20 até R$ 80,0; pois é de acordo com o tipo de aço pesado, e também de qual produto aquele aço vem, como baterias de carros, latinhas, eletrodomésticos, etc.

COMLURB? O ferro velho visitado não possui nenhum tipo de vínculo com a comlurb, ou outro serviço de coleta de resíduos.

No ferro velho, o aço é geralmente empilhado sem distinção ou categorização a princípio, e essas pilhas ficam sob alguma cobertura, no ferro velho visitado esta cobertura é uma estrutura de aço com telhas. Alguns ferros velhos tem compactadores, como os caminhões de coleta de lixo, mas o fim é o mesmo anterior.

COMO GERALMENTE

SURGEM? Geralmente, começa-se como um sucateiro ou catador de aço ambulante, e posteriormente pode chegar a arrumar um local para se instalar o ferro velho. Ou ainda alguém já com o espaço instala um ferro velho e passa a receber as contribuições dos sucateiros ou outras fontes provenientes dessa sucata de aço.

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FERRO-VELHO E A SIDERÚRGICA

O reuso das sucatas é estritamente pelas siderúrgicas, o ferro velho visitado aguarda a chegada dos caminhões das siderúrgicas e faz o repasse dessa sucata.


Siderúrgicas

A sucata de aço também é um insumo mais barato que o minério de ferro bruto.

VANTAGENS A coleta desse material alimenta cerca de 3 mil empresas sucateiras pelo país, e adicionado a esse montante os ferros velhos também atuam repassando o aço adquirido à empresas de fundição e usinas. As siderúrgicas chamadas semi integradas utilizam majoritariamente a sucata como insumo para nova produção e operam prioritariamente com a reciclagem.

Os obstáculos para um maior grau de reutilização são principalmente econômicos.

Siderúrgicas se beneficiam do uso da sucata economizando os recursos na produção de um aço “novo”. Em um estudo de 2010 do IPEA (instituto de pesquisas econômicas aplicadas) estimou que para cada tonelada de aço reciclado, a siderúrgica economiza 1140kg de minério de ferro, 154kg de carvão, até 70% do consumo total de água no processo, e menos 80% no consumo de energia.

No ciclo de produção do aço, as siderúrgicas utilizam a sucata do aço incorporada ao aço “novo”, gerando placas, perfis ou peças novas de aço. Essa sucata incorporada não afeta em absolutamente nada na qualidade do material, não diminui resistência nem acarreta nenhum outro tipo de problema.

DESVANTAGENS A falta de ações governamentais que fomentem a reciclagem do aço. Pois não existe hoje nenhum programa de incentivo a reciclagem no Brasil, embora haja algumas leis que estabelecem diretrizes para reciclagem do aço.

As empresas tendem a responder melhor aos incentivos econômicos do que às ameaças ambientais.

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Mapa da cidade do Rio de Janeiro com 73 pontos de ferros-velhos (pontos vermelhos) e 8 siderúrgicas (pontos azuis). Cada ponto vermelho é interligado aos 3 pontos azuis mais próximos, assim formando uma malha conectiva que relaciona ferros-velhos à siderúrgicas e evidenciando uma tendência social para a localização desses pontos.

Reciclagem do Aço A coleta da sucata de aço é feita por catadores, empresas de coleta seletiva, ou os próprios geradores desse resíduo. A separação e classificação do aço tem como diretriz a sua contaminação por outros resíduos, e origem: construção civíl, latinhas, máquinas, etc. Destinação às usinas ou siderúrgicas para para produção de aço novo. A produção do “aço novo” a partir da sucata diminui o uso de matéria prima, energia e água, diminuindo o impacto ambiental.

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O processo de reciclagem do aço ocorre da seguinte maneira: o aço é recolhido, ou por coleta seletiva para metais não usuais na construção civil, ou recolhido por empresas especializadas no ramo da construção, ou ainda pelos sucateiros. De todo modo, o aço é separado dos outros tipos de resíduos sólidos. Vale ressaltar para fins de conhecimento a diferença entre ferro e aço. Em poucas palavras o aço é um tipo de metal que tem em sua conformação quantidades de específicas de carbono, tornando-o mais rígido e duradouro que um ferro comum. Em questões de números, para contextualizar a reciclagem o ferro que possui de 3% a 4% em sua composição é chamado ferro gusa, o ferro que possui de 2% a 3% é chamado de ferro fundido e o ferro com um percentual abaixo de 2% é chamado de aço. Esses tipos distintos de ferro são separados quanto sua dureza, resistência ao enferrujamento, resistência ao dobramento etc. Para reciclar o aço, é necessário aquecê-lo a 1.500 ºC. Identificamos que o processo de fundição do aço é o primeiro ponto negativo? não, como dito anteriormente, os problemas causados estão presentes nos âmbitos sociais e ambientais. A partir do momento em que coloca-se o minério de ferro como um recurso a ser explorado e comercializado, tal escolha leva a diversos meios de degradação ambiental e desigualdade social. Mas, por enquanto nos atemos ao processo de reciclagem do aço. O aço é fundido após a queima de energia, o que gera gases poluentes, é um problema contornável, mas não é 100% eficaz ainda. O processo de transporte do aço dos locais de coleta até as siderúrgicas também geram poluentes.


O aço pode ser pensado como uma tecnologia sobre a qual é atualmente muito falada, no entanto, ainda pouco usada e difundida em território nacional. As construções feitas em aço são relativamente leves e seus custos são compensados na velocidade de sua execução. Ainda há pouco material disponível sobre os benefícios e malefícios do uso do aço, é questionado também as fontes que mencionam e fomentam seu uso, pois leva-se em consideração que, atualmente, a maioria das empresas ou indivíduos que discutem sobre o tema buscam interesses econômicos, sendo então o incentivo do uso do aço na construção civil uma forma de aumentarem seus lucros. Durante os encontros do grupo para debater o tema, percebeu-se que durante o processo de formação da(o) arquiteta(o), inclusive durante sua atuação profissional, considera-se o valor econômico como principal motivo para a escolha dos materiais a serem usados, isso tem trazidos exclusão para diversas partes da sociedade que não usufruem de um capital capaz de arcar com os custos de tais técnicas e tecnologias aplicadas na construção civil. Ainda é tido como desafio uma arquitetura social, ou acessível para populações de baixa renda. Ércio Thomaz, pesquisador do Centro Tecnológico do Ambiente Construído do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), diz o seguinte: Sobretudo para habitações de interesse social e mais baixas, ressaltam os especialistas. “O setor do aço deve ser mais ágil na tentativa de cobrir essa lacuna”.

Sobretudo para habitações de interesse social e mais baixas, ressaltam os especialistas. ‘O setor do aço deve ser mais ágil na tentativa de cobrir essa lacuna’.

Conclusões A crítica que é levantada não se dirige apenas aos quesitos de lucros, ou abrangência social do alcance da técnica construtiva em aço a pessoas de baixa renda. Mas levanta-se questões mais aprofundadas quanto ao papel do(a) arquiteto(a) enquanto planejador e fomentador de questões que são reforçadas mediante as escolhas feitas. É responsabilidade de quem concebe o objeto arquitetônico se preocupar em buscar meios de otimizar o processo e preservar a qualidade de trabalho e vida dos envolvidos? Sim, é função de todas e todos profissionais de arquitetura ter uma postura consciente do processo e de como as escolhas em projeto influenciam ambiental e socialmente. Não isentar-se dos processos e compreendê-lo como um todo traz consigo um desejo de mudança. Durante os debates compreendemos que temos nossa responsabilidade de repensar e propor novas leis que incentivem técnicas menos agressivas ao meio ambiente, pensar estratégias que diminuam a desigualdade social em escala urbana e também no âmbito individual, de olhar para o processo de uma maneira humana e não uma reprodução mecânica sem considerar que cada escolha afeta o meio ambiente e pessoas. Não é ignorando o fato de políticas econômicas, mercado de trabalho ou a necessidade de um sistema monetário, mas o maior objetivo é despertar a atenção para questões veladas por causa, talvez, de uma metodologia acadêmica engessada durante a formação do(a) profissional de arquitetura e repensar posturas profissionais e pessoais adotadas durante o processo de concepção e execução de um projeto arquitetônico.

É responsabilidade de quem concebe o objeto arquitetônico se preocupar em buscar meios de otimizar o processo e preservar a qualidade de trabalho e vida dos envolvidos?

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Madeira A madeira na indústria dos revestimentos Madeira maciça Paredes e fachadas

Madeira Laminada Piso

Madeira de demolição Fachadas, pisos e móveis

Piso Laminado de madeira Lançado na Suécia em 1980, o piso laminado chegou ao Brasil em 1994, primeiro por meio de importações. Devido à sua imediata aceitação no mercado brasileiro, sua fabricação no País teve início em 1999. É fabricado a partir de árvores plantadas para fins industriais (pinus e eucalipto), que são fontes de matéria-prima renovável e reciclável. em um processo 100% sustentável, com ciclo de colheita e plantio renovável, sem qualquer relação com o desmatamento de florestas naturais. Estas plantações recuperam áreas degradadas previamente pela ação do homem e contribuem para a preservação da biodiversidade.

NBR 14833-1 válida a partir de 29/04/2002 Fabricado a partir de árvores plantadas para fins industriais (pinus e eucalipto) Alta produtividade: chega a 50 m2 por equipe/dia Perda de material inferior a 5% Produzido nacionalmente

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Composição Camadas que compõem o piso laminado

O piso laminado é apresentado em placas (ou réguas), compostas de fibras ou partículas de madeira.

1.

Balanço – essa é a camada inferior do piso laminado, a que fica em contato com o contra piso. Ela ajuda a manter o piso estável e também o protege contra possíveis danos da umidade. É fabricada em material maleável, que pode ser sintético ou kraft

2.

Substrato – essa é a camada mais grossa do piso, sua parte principal. Fabricada em MDF, HPP ou HDF, que são extratos de madeira, geralmente triturada e prensada para formar placas. É nessa camada que estão localizados os encaixes do tipo macho e fêmea que vão estabilizar e fixar o piso. O substrato também é a camada que torna o piso laminado resistente a impactos.

3.

Lâmina decorativa – essa camada é aquela visível do piso laminado, o que garante o seu aspecto de madeira nobre. É essa camada que determina o estilo do piso sua aparência e visual. A lâmina decorativa pode se fabricada com um filme de madeira ou então com material impresso. Essa variação depende do fabricante escolhido e da linha de laminado também.

4.

Overlay – A camada de overlay é que encerra o piso laminado. Ela é a superfície do piso, que fica em contato com o meio externo, que sofre danos e que recebe a limpeza diária. Trata-se de uma película muito resistente que suporta abrasão, e com isso previne danos como arranhões e riscos no laminado.

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Produção Etapas do processo de produção do piso laminado

1. Descarregamento: 2. Secagem natural: da matéria prima no enfileiramento dos local filetes de madeira entre réguas

5. Fabricação do suporte dos pisos: utiliza-se madeira medianamente boa

6. Encaixes: produção de encaixes macho-fêmea nas peças

3. Secagem nas estufas: de 40º a 70 ºC.

4. Controle de qualidade: separação das madeiras e secagem

7. Tratamento de acabamento

Os cultivos são realizados de acordo com princípios de manejo florestal sustentável, o que permite reduzir os impactos ambientais e promover o desenvolvimento econômico e social das comunidades do entorno dos próprios plantios e das fábricas. Vale ressaltar ainda que os resíduos do processo de produção são utilizadas na transformação da madeira em energia para o próprio consumo dos fabricantes.

Normas Normas existentes relacionadas ao produto NBR 14833-1 Revestimento de pisos laminados melamínicos de alta resistência que foi baseada na EN 6 85 - 12:19 95 O plantio respeita as normas mundiais de proteção ao meio ambiente, como a certificação ISO 14000. Além disso, as árvores plantadas são certificadas pelo Forest Stewardship Council (FSC) e pelo Programa Nacional de Certificação Florestal (Cerflor), endossado pelo Programme for the Endorsement of Forest Certification Systems (PEFC).

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Transporte E chegada do laminado de madeira no mercado A madeira chega na fábrica nos caminhões, já cortadas padronizadamente. Elas vem em filetes de mais ou menos 10cm X 3cm de seção. Os principais erros no transporte da madeira: Abastecer o caminhão com cargas mais pesadas que a exigida em lei; Não atender as regras de boas práticas de transporte e segurança do trabalhador; Excesso de velocidade e não respeito às normas de trânsito; Má estabilização e/ou amarração da carga; Não atendimento às normas específicas para o transporte da madeira;.

Panorama No Brasil e no mundo

O produto ainda é certificado por organizações independentes, como o Forest Stewardship Council (FSC) e o Programa Nacional de Certificação Florestal (Cerflor) – reconhecido internacionalmente pelo Program for the Endorsement of Forest Certification (PEFC) -, que garantem a procedência da matéria-prima utilizada.

Entre 2007 e 2016, a produção de piso laminado no Brasil cresceu 63%, produzindo-se em média 11,8 milhões de m² em um ano.

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63%


Madeira Plástica Alternativa para o uso de madeira A madeira ecológica ou madeira plástica, também conhecida com WPC (Wood-Plastic Composites) é um composto produzido a partir de plástico oriundo de pós-consumo, dentre outros materiais, como serragem de madeira, fibras vegetais e aditivos (MOLINA et al., 2009). Segundo a SBRT (Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas), "a madeira plástica é semelhante à madeira comum. Contudo, é fabricada a partir da reciclagem de vários tipos de plástico, sendo assim considerada uma solução 100% ecológica que respeita o meio ambiente, ajudando a eliminar o lixo plástico e desmatamento indevido de nossas florestas. Este dossiê aborda sobre as matérias-primas utilizadas, o processo de fabricação, a utilização, além das vantagens no uso dessa madeira." A madeira plástica apresenta todas as vantagens que o plástico em si tem: não é atacado por insectos ou fungos, não sofre com a ação de pragas, é resistente a umidade, maresia e ao apodrecimento, podendo ser utilizada em todos os ambientes hostis à madeira tradicional, e não requer nenhum tipo de tratamento especial. Além disso, apresenta uma maior fixação relativamente a pregos e parafusos, não solta farpas e pode ser trabalhada com as mesmas ferramentas da madeira.

Componentes O material utiliza de 30% a 50% de partículas de polímeros (PE, PP, PVC de alta densidade) e o restante de fibras orgânicas de madeira descartada pelas indústrias do agronegócio e alimentícia, por exemplo.

A origem do plástico no composto, quando feita de forma reciclável, colabora para evitar a derrubada de árvores. Cada 25 m² produzidos de madeira plástica, é equivalente a derruba de uma árvore adulta.

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Produção Etapas do processo de produção da madeira plástica A primeira etapa para a produção de madeira plástica é a coleta da matéria - prima: lixo plástico. A princípio pode usar qualquer tipo de plástico, contudo os mais utilizados são polietileno de baixa densidade e polietileno de alta densidade. Depois de selecionado, o plástico passa por processos de moagem, lavagem e secagem (AMARAL, 2009; PAULA e COSTA, 2008); A segunda etapa consiste em passar para o reprocessamento onde os grânulos são levados para uma máquina chamada extrusora para serem fundidos e homogeneizados. Os pigmentos e as cargas são normalmente adicionados durante o processo de fundição, mas também podem ser colocados junto com os grânulos. A extrusora opera em várias faixas de temperaturas especificadas de acordo com o tipo de plástico utilizado (AMARAL, 2009).

Etapas do Processo na máquina extrusora:

Plástico

Moagem

Pó de serra

Lavagem

Secagem

Misturador

Segundo o AECWeb – Portal Nacional de

Pigmentação

Engenharia e Construção, o novo mercado

de madeira reciclada cresce entre 30% e 40% ao ano. O preço 20% superior ao da

Extrusão

madeira comum se equipara ao da madeira convencional com selo de certificação.

Fim

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Transporte E chegada da madeira plástica no destino Principais Fabricantes: . Ecoblock Indústria e Comércio Ltda. - MG . EcoWood Rio – RJ . Logiscal – Produtos Logísticos - RJ . Policog Cogumelo – RJ Analisando o gráfico de Empresas de Reciclagem, que se equipara a geração de matéria-prima, percebe-se que as mesmas se encontram mais concentradas na região produtora. Sendo assim, conclui-se que a logística de transporte para fornecimento de matéria-prima não enfrenta grandes distâncias.

. PolyRio Polímeros Ltda. - RJ . Reciplast – SP . Wisewood Soluções Ecológicas S/A - SP

Normas Normas existentes relacionadas ao produto NBR 7190: fornece informações sobre o Projeto de Estruturas de Madeira que podem auxiliar os estudos das propriedades físicas, químicas e térmicas e classificação das madeiras (ABNT CATÁLOGO, 2012); NBR 13230: fornece informações sobre a classificação dos plásticos, os códigos e os testes que podem ser feitos nesse tipo de material (ABNT CATÁLOGO, 2012). Legislações complementares e vigentes sobre o assunto: Resolução CONAMA no 281/2001, que dispõe sobre modelos de publicação de pedidos de licenciamento (BRASIL, 2001). Indústria: Na Lei no 6.938/1981, o anexo VIII classifica as indústrias de produtos de matéria plástica como indústrias de baixo impacto ambiental (BRASIL, 1981).

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Panorama No Brasil e no mundo Ainda não existem números oficiais que retratam a situação da produção de madeira plástica no Brasil, mas sabe-se que são poucas as fábricas. A madeira natural ainda é de preferência dos consumidores, apesar de que, com o aumento do acesso às informações sobre as vantagens desse novo material e o potencial do mesmo façam com que o setor da indústria da madeira plástica siga em expansão (TRIGUEIRO; BOCARDI, 2012). O produto mostra ser uma tendência para o futuro, com características atrativas em comparação à madeira convencional e com um princípio de difusão não só na utilização em decks – como era taxado – mas também assumindo o mercado de madeiras em geral. O uso desse produto foi taxado por muito tempo pela utilização apenas em decks devido a sua vantagem em relação à madeira convencional em resistir a intempéries. No entanto, esse uso tem se difundindo, principalmente por se apresentar como possível solução a problemas ambientais desde que sua finalidade não seja utilizá-la como um elemento majoritariamente estrutural. Os compostos WPC estão ganhando popularidade como uma material seguro, ambientalmente sustentável e duradouro. A utilização de madeiras recicladas, como o reaproveitamento do bambu utilizado na construção civil na China, é um dos exemplos que confirmam ser um produto ecologicamente correto.

Benefícios do WPC:

À prova d’ água e da umidade

Reciclável e sustentável

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Alta durabilidade e resistência

Imune a cupins e mofo

Fácil instalação e manutenção


Conclusão Comparação entre a madeira laminada e a madeira plástica

Em situações onde for possível dispor de um maior investimento inicial, o WPC se mostra uma tendência para o futuro, com características atrativas em comparação à madeira convencional, como visto anteriormente. No entanto, além desse maior custo inicial, a falta de informação da população se junta a um outro problema que atrapalha a maior difusão desse produto, a existência de grande burocracia em torno da produção, patenteamento e licenciamento do produto. Dentre todas as opções de revestimentos de madeira, nos aprofundamos no piso laminado. Por ser este considerado o mais sustentável e ecológico na categoria. Vemos como ponto positivo o enfoque dado ao reflorestamento (um processo 100% sustentável, sem qualquer relação com desmatamento de florestas naturais). Na visão geral dos tipos de revestimentos, a madeira já se destaca por ser renovável. Quando se trata, então, de uma auto-renovação que tem como objetivo recuperar áreas degradadas previamente pela ação do homem, se torna um material com grandes diferenciais.

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Etapas de extração de minerais A extração mineral, caracteriza-se por principal processo, é o conhecimento do jazimento mineral e o desenvolvimento da atividade de forma tecnicamente planejada, em etapas sucessivas de pesquisa mineral, implantação, operação e desativação; - o “garimpo”, extração mineral através de métodos rudimentares e tradicionais, sem conhecimento do jazimento e sem projeto técnico específico. O processo de exploração consiste em retirar o material útil (pedaços de rocha com porções do minério), quebrá-lo em pedaços de tamanho comercial, limpar e colocar num trem que o leve ao porto mais próximo.

Lavra

Transporte

Estéril

Britagem

Separação

Concentração

Reciclagem de água

Tipos de Minérios ● ● ● ● ● ● ● ● ● ● ● ● ● ● ●

Minerais Metálicos Oxidados e Metais Nativos, Minerais Metálicos Sulfetados, Carbonatos industriais, Refratários, Minerais e rochas de uso industrial, Fibras minerais, Fertilizantes fosfatados, Minerais salinos, Gemas, Carvão mineral, Minerais radioativos, Água Mineral, Areia, Argila, Rocha Ornamental,

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Impactos ao Meio Ambiente

Areia

Mineração

Alteração do curso hídrico, assoreamento, aumento da quantidade de poeira no ar.

Rochas Ornamentais

Danos ambientais e também sociais, questão impactos visuais, sonoros, produção de resíduos, contaminação do lençol freático

O processo de extração de rochas e mineração gera grandes quantidades de resíduos líquidos, que podem contaminar lençóis freáticos e cursos de água, e resíduos sólidos arenosos, que por serem gerados milhares de toneladas diariamente, é de difícil manutenção e armazenamento.

FORMAS PARA AMENIZAR ESSES IMPACTOS ● ● ● ● ● ●

Uso de resíduos sólidos na construção civil, em substituição à areia e outros agregados; Uso de resíduos sólidos como base para pavimentação; Reprocessamento do resíduo sólido ou lama para extrair mais minério; Uso de resíduos sólidos como substitutos de agregados em artefatos cimentícios ou cargas em materiais poliméricos; Utilização da lama em diversas indústrias relacionadas à construção civil; Secagem da lama e processamento do material para obter aditivos industriais.

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Leis Ambientais

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Descarte A produção de Resíduos de Construção e Demolição (RCD) no Brasil, é estimada entre 0,3 a 0,7 tonelada de entulho por habitante todos os anos, o que dá, utilizando o dado do IBGE de 2019 que a população brasileira é de 210,1 milhões de habitantes, em média, de 63,03 a 147,07 milhões de toneladas por ano. Esse resultado é maior que o dobro do montante de resíduos sólidos domiciliares produzido no mesmo intervalo de tempo. Esse resíduo, segundo o Art. 3º da RESOLUÇÃO No 307, de 5 de Julho de 2002, deve ser classificado em quatro classes.

Classificação: CLASSE A

CLASSE B

(Tijolos, telhas, areias e outros trituráveis)

(Papel, papelão, plástico e madeira)

Resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, tais como: a) de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e de outras obras de infraestrutura, inclusive solos provenientes de terraplanagem; b) de construção, demolição, reformas e reparos de edificações: componentes cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento etc.), argamassa e concreto; c) de processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em concreto (blocos, tubos, meio-fios etc.) produzidas nos canteiros de obra.

Resíduos recicláveis para outras destinações, tais como plásticos, papel, papelão, metais, vidros, madeiras, embalagens vazias de tintas imobiliárias e gesso; (Redação dada pela Resolução nº 469/2015).

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Outros (11%)

RCD (61%)

Percentuais de resíduos sólidos urbanos

Doméstico (28%)

Concreto (4,2%)

Material Cerâmico (36%)

Composição média de RCD no Brasil

Argamassa (64%)

CLASSE C

CLASSE D

(Gesso, isopor e outros)

(Tintas, verniz e solventes)

Resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua reciclagem ou recuperação; (Redação dada pela Resolução n° 431/11).

Resíduos perigosos oriundos do processo de construção, tais como tintas, solventes, óleos e outros ou aqueles contaminados ou prejudiciais à saúde oriundos de demolições, reformas e reparos de clínicas radiológicas, instalações industriais e outros, bem como telhas e demais objetos e materiais que contenham amianto ou outros produtos nocivos à saúde. (Redação dada pela Resolução n° 348/04).

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Forma adequada de descarte segundo a legislação Decreto nº 27.078, de 27 de Setembro de 2006

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Locais de descarte

USINA DE RECICLAGEM Destinação final dos resíduos, é a própria empresa de reciclagem de resíduos de construção civil. Onde os resíduos são processados e transformados em agregados reciclados, que podem ser utilizados em obras de infraestrutura e edificações.

ECOPONTO Local de destinação temporária dos resíduos, é uma área de transbordo e triagem destinada à entrega voluntária de pequenas quantidades de resíduos de construção civil e resíduos de coleta seletiva.

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ATERRO DE INERTES Local de destinação final. Destinado a receber resíduos inertes, pertencentes aos grupos I e II, para disposição e compactação no terreno.

ÁREA DE TRANSBORDO E TRIAGEM

Destinação temporária dos resíduos, destinada ao recebimento de resíduos, para triagem, armazenamento temporário dos materiais segregados e posterior remoção para destinação adequada.

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Descarte a nível Brasil O mapa ao lado, gerado com base nos dados da ABRECON (Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição), mostra os locais de descarte e reciclagem em todo o país. A diferença se mostra extremamente discrepante ao compararmos as regiões Norte e Nordeste com as regiões Sul e Sudeste - sendo estas últimas muito mais bem equipadas -, entretanto essa discrepância não se apresenta somente por regiões, mas também entre estados, como São Paulo e Rio de Janeiro, o que explicita a deficiência da capital fluminense no tratamento dos resíduos. Enquanto São Paulo apresenta cerca de 253 pontos, que transitam entre Usinas, aterros, ATTs e Ecopontos, o Rio de Janeiro apresenta 4 pontos, todos usinas, o que também mostra uma restrição na infraestrutura já precária do estado. A ausência de ATT’s e ECOPONTOS dentro do perímetro da cidade encarece o processo de descarte pois aumenta o custo do transporte, contribuindo, assim, para o aumento de despejos ilegais nocivos ao meio ambiente e à saúde dos indivíduos que moram nas proximidades dessas áreas. Cada vez mais, nas grandes cidades, o setor privado vem investindo nesta área de coleta e processamento do RCD, com incentivo das prefeituras. A dificuldade do despejo adequado desse resíduo seja pela distância ou pelo preço leva ao descarte incorreto em áreas indevidas, o que, por sua vez, contribui para a degradação do meio ambiente e para a propagação de doenças. Muitas vezes descartado nas margens de ruas e rodovias da periferia, o acúmulo de entulho atrapalha a passagem de pessoas e veículos e realça a sensação de abandono. Além disso, esse se torna um local propício para vetores que propagam doenças, como por exemplo, moscas, mosquitos, ratos e baratas. Enchentes e deslizamentos também podem ser consequências desse descarte incorreto. 64| UFRJ| FAU | Urbanismo e meio ambiente | 2019.2


LEGENDA: 0 1a3 4a9 +10 +200

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Descarte a nível Brasil Comparativo entre estados

RIO DE JANEIRO (4 pontos)

O estado do Rio de Janeiro possui 43.696 km². Neste território são compreendidas 4 pontos de descarte de resíduos da construção civil, sendo todo eles usinas. Totalizando assim 1 ponto para cada 10.924 km².

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SÃO PAULO (253 pontos)

O estado de São Paulo possui 248.209 km². Neste território são compreendidas 253 pontos de descarte de resíduos da construção civil, sendo eles: 20 usinas, 1 usina móvel, 1 aterro de inertes e 141 ecopontos. Totalizando assim 1 ponto para cada 981,06 km².

RIO GRANDE DO SUL (11 pontos)

O estado do Rio Grande do Sul possui 281.748 km². Neste território são compreendidas 11 pontos de descarte de resíduos da construção civil, sendo eles: 3 usinas, 1 usina móvel e 7 ecopontos. Totalizando 1 ponto de descarte a cada 25.613,45 km².

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Locais de descarte Rio de Janeiro No Rio de Janeiro apesar de termos somente 4 pontos de descarte de resíduos da construção civil observamos que quando comparado a outros estados, como o caso do Rio Grande do Sul, a quantidade de pontos em relação a área do estado é maior. Entretanto todos os 4 pontos existentes no Rio de Janeiro são usinas de reciclagem, relembrando. Usinas são locais de destinação final dos resíduos, a usina de reciclagem nada mais é do que a própria empresa de reciclagem de resíduos de construção civil. Nessas usinas os resíduos são processados e transformados em agregados reciclados, que podem ser utilizados em obras de infraestrutura e edificações, de acordo com suas características.

Natura Ambiental (empresa indicada pela ABRECON)

A empresa fundada em 2004 tem uma usina na Rua Carlos Seixas, 1070 - Caju, Rio de Janeiro - RJ, que recebe Argamassa, Blocos de Concreto, Gesso, Manta de rocha e Tubos de Concreto. Além disso a empresa atua na área de gerenciamento, transporte e destinação de resíduos mais especificamente em quatro frentes: Gerenciamento de Resíduos Offshore e Industriais Limpeza de Tanques e Superfícies Bombeamento Transferência de Resíduos Locação de Equipamentos

Grupo Domingão A empresa Grupo Domingão, com 11 sedes no Rio de Janeiro, realiza serviços nas áreas de logística, infraestrutura, coleta, transporte e reciclagem de metais ferrosos e não ferrosos, plástico e aparas de papéis e papelão.

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CTR NOVA IGUAÇU (empresa indicada pela ABRECON)

A empresa Foxx Haztec, fundada através da fusão de duas empresas em 2013, tem uma usina na Estrada de Adrianópolis, 5213 - Adrianópolis , Nova Iguaçu - RJ, que recebe Argamassa, Blocos de Concreto, Gesso, Isopor, Manta de rocha, Manta de vidro e Tubos de Concreto. Responsável por atender e tratar os resíduos de Nova Iguaçu, Mesquita, Nilópolis, Queimados, São João de Meriti, além de grandes geradores, ela possui a capacidade de 5.000 toneladas de resíduos diárias. A empresa atua quatro frentes distintas: Tratamento e Destinação de Resíduos Engenharia Ambiental Energia Engenharia Florestal

Jardim Gramacho O maior lixão da América Latina, que ocupa uma área de 1,3 milhão m² à beira da Baía de Guanabara, famoso cartão postal do Rio de Janeiro, foi desativado em junho de 2012 com a promessa de que o sub-bairro seria revitalizado. Sete anos depois de seu fechamento, porém, o local que servia como fonte de renda para mais de 1.600 catadores, continua recebendo resíduos de forma ilegal. Há ainda diversos lixões funcionando e na entrada do bairro pela BR 040, há uma área de transbordo. E atualmente há 18 cooperativas de reciclagem de lixo, funcionando com aproximadamente 300 catadores.

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Estudo de caso

Pesquisa de Empresas

Contato com as empresas

Compilar informação

Contato com as empresas

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Com a intenção de investigar como ocorre o descarte na prática, buscamos empresas credenciadas junto à prefeitura no projeto Caçamba Legal. Projeto que consiste no cadastramento de empresas que fazem a locação de caçambas, com o objetivo de garantir a segurança da operação e identificar mais facilmente o responsável. Através do site da prefeitura conseguimos identificar 103 empresas cadastradas com email e telefone registrados - nem todas possuíam ambas as informações. Entramos em contato via email com todas as 103 empresas, através de 148 emails diferentes, mas somente 12 responderam. Realizamos um contato breve a fim de sanar nossas dúvidas quanto ao descarte realizado pelas empresas, ao obtermos as informações, visamos mapear as diferentes formas de descarte e com que frequência elas ocorrem, tentando estabelecer as principais transportadoras e destinadoras. As respostas, no entanto, foram genéricas em relação ao processo e não conseguimos mapear precisamente os destinos, obtendo somente a informação dos destinos mais frequentes. Isso é um reflexo do que vimos ao procurar informações oficiais sobre descarte e reciclagem; falta transparência e divulgação de dados sobre o processo.


Aterros de Inertes

A própria J. Gramacho

Licenciados INEA

GRÁFICO DE ONDE ESSAS EMPRESAS REALIZAM O DESCARTE

EMPRESAS QUE RESPONDERAM AO EMAIL

ATT

D. Caxias Aterros Licenciados

Segundo o que nos foi informado, o primeiro passo é a emissão do MTR (Manifesto de Transporte de Resíduos), esse documento é responsável por monitorar a geração, transporte e destinação desse resíduo. Desde a aprovação da Resolução Conema Nº 79, a Norma Operacional para o Sistema Online de Manifesto de Transporte de Resíduos (NOP Inea 35) passou a definir as condições adequadas para esses serviços. Todas as partes devem se cadastrar online no Sistema MTR, a fonte geradora deve emitir o documento e dar uma xerox para a transportadora, cabendo ao destinador dar baixa no MTR até sete dias após o recebimento da carga, dessa forma todos têm o controle do procedimento, facilitando, assim, a fiscalização. A destinação, no entanto, depende do tipo de resíduo, como nos informou, por exemplo, a Ambiente Verde, empresa licenciada de transporte e gestão de resíduos:

Cada resíduo (classe I, classe IIA, Classe IIB, Resíduos de Construção Civil e etc) tem uma destinação ambientalmente adequada. ● Resíduos perigosos vão para co-processamento, incineração e etc; ● Resíduos recicláveis vão para o centro de reciclagem; ● Lixo comum vai para aterro sanitário; ● Resíduo de construção civil vai para estação de transbordo e triagem de resíduos de construção civil; ● Resíduo orgânico vai para compostagem Algumas empresas relataram apenas descartar em locais licenciados pela prefeitura, não os especificando.

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Reciclagem Usinas Processa e recicla o material reinserindo-o no mercado na forma de agregado grosso e agregado fino.

RCD

Peneira

Finos (<300mm)

Magnéticos

Grosso (>300mm)

Separador Magnético

Não Magnéticos

Peneira

Poeira (descarte)

Grossos (>5mm)

Separador Pneumático

Grossos

Britador

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Agregado Reciclado Fino

Agregado Reciclado Grosseiro


Usinas Móveis A usina móvel é composta por 3 elementos: um caminhão do tipo Roll On Roll Off, uma Britadeira Móvel e uma Peneira Rotativa Móvel atracada no caminhão. Essa forma compacta e móvel permite que o processamento seja feita diretamente no canteiro sem ocupar uma grande área.

ATT Área de recebimento e triagem do RCD. O resíduo de origem mineral (concreto, argamassa, alvenaria, etc.) é encaminhado para aterros de inertes, o rejeito é levado para aterros sanitários e o resíduo reaproveitável é comercializado.

ECOPONTO Espaços licenciados para receber pequenas quantidades de resíduos volumosos da construção civil entregues voluntariamente por municípios ou catadores.

Aterro de inertes Local de recebimento, triagem e destinação do resíduo Classe A, visando o uso futuro do material.

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Reciclagem No mundo, como é feita?

Na União Europeia a taxa de reciclagem de RCD é da ordem de 70%, subindo para mais de 80% no caso da Bélgica e da Holanda

Em 2008, o estado da Flórida, EUA, fixou em 75% o nível de reciclagem de RCD como meta a ser atingida até o ano de 2020

Segundo a CDRA (Associação de Reciclagem da Construção e Demolição), em 2014 nos EUA foram gerados cerca de 582 milhões de toneladas de resíduos da construção civil; 424 milhões de toneladas foram recicladas.

Do total de cerca de 240,8 milhões de toneladas gerados em 2002 na Alemanha, mais de 85% foi reaproveitado

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Segundo dados de 2019, o Japão produz cerca de 66 milhões de toneladas de resíduos da construção, dos quais 96% é reciclado

O Japão tem um plano de estratégias para diminuir os resíduos que vai desde os possíveis usos para madeira e concreto até pensar maneiras de aumentar a vida útil das construções


Conclusão De acordo com os nossos levantamento pudemos observar que o Rio de Janeiro é muito deficitário no tratamento dos resíduos da construção civil e demolição (RCD). Considerando a existência de somente 4 pontos de descarte no estado inteiro, trazendo os dados para uma forma comparativa temos o seguinte cenário: em relação a quantidade de pontos e o território do RJ (km²) teríamos 1 ponto a cada 10.924 km²; se analisarmos por outra perspectiva fazendo uma correlação entre a quantidade de RCD por habitante - entre 0,3 e 0,7 toneladas - e a população média do Rio de Janeiro - 6,32 milhões habitantes, segundo o censo de 2010 - teremos algo entre 1,90 e 4,42 milhões toneladas de RCD, para somente 4 pontos de descarte. Fazendo esse comparativo a escassez se torna mais do que evidente. Sendo justamente ela o que propicia ainda mais o descarte irregular, criando situações de risco ao ambiente e à saúde das pessoas, além de gerar ambiências completamente insalubres como o caso do Jardim Gramacho. Ao tentarmos nos aprofundar no estudo e a análise desse campo nos deparamos com uma dificuldade maior do que a esperada, principalmente pela grande

falta de informação e divergência entre fontes. Os órgãos públicos falham em documentar, regularizar e divulgar esses processos. Condição que explicita uma possível falta de controle da existência de locais próprios para descarte e dos processos envolvidos. Por outro lado, as prefeituras vêm, cada vez mais, incentivando a iniciativa privada a lucrar com esse negócio. As usinas móveis, por exemplo, vêm se tornando uma opção mais recorrente. Avaliando o cenário nacional observamos uma disparidade entre a quantidade dos pontos de descarte do RCD. Porém a discrepância mais significativa se dá ao compararmos com a situação mundial, onde vemos que diversos países têm passado os últimos anos mudando suas políticas e debatendo sobre o assunto. É mais do que necessário repensar os possíveis usos dos resíduos, aumentando assim a porcentagem de material reciclado e repensar, além disso, a maior durabilidade das construções e os impactos que as mesmas trarão não somente na paisagem visual, mas em todo o processo de produção que compreende a construção. Para tal, seria importante o investimento nas pesquisas universitárias, que continuam a se provar uma excelente forma de criação de novas tecnologias.

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Alunos Beatriz Valencia Caio Denecke Carla Maria Oliveira Cynthia Frast Daniel Barreto Daniel Tavares Filipe Chile Giovanna Neves Isabela Guetti João Pedro Pina Larissa Costa Letícia Barbosa Letícia Gomes Letícia Nascimento Lia Biaggi Lorène Prin

Lucas Gusmão Marcela Tavares Marcos Kopanyshyn Marllon Sevilha Noémie Tecadiomona Pablo Barros Raquel Magalhães Renata Pougy Rodrigo Vellasco Simon Titeux Tatiana Pinheiro Thaís Santos Tove Dahllöf Vivian Amorim Wesley Assis Yuri Alves

Professor: Cláudio Ribeiro


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Revista de Urbanismo e Meio Ambiente 2019.2  

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