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Espelho d’água Sandra Rey


Espelho d’água Sandra Rey


S a n d r a

Re y

www.sandra-rey.com

contato: sandrarey­­- estudio@gmail.com Ateliê: Av. Viena 406 90240-010 Por to Alegre, Brasil Tel. (55)51-30232999 Representação: Galeria Mamute, Por to Alegre,RS. Galeria Mamute Rua Caldas Júnior, 375 | Centro Histórico Por to Alegre, RS | Brasil CEP 90.010.260 contato@galeriamamute.com.br ​ T: 51 3286.2615 T: 51 9916.8818


Espelho d’água Sandra Rey


Espelho d’ågua Sandra Rey Curadoria Bruna Fetter Galeria Mamute de 16 de outubro a 27 de novembro 2015 Porto Alegre


Espelho d’água Bruna Fetter

Os barcos que navegam as águas de qualquer rio carregam em si o rio e as paisagens pelas quais deslizam. Em cenários flutuantes, árvores, céu, água espelhada. Deslocamentos fluídos ao ritmo da correnteza e da brisa fazem dançar a vegetação, questionam as margens e obrigam as raízes a se suspenderem, num precário equilíbrio emaranhado. Os espelhos formados pelas águas – como os barcos – são acessos, pontes móveis que conectam realidades distintas, existências várias. Para entender um espelho, primeiro temos que entender a luz. Temos que entender o processo de virtualização que reflete a realidade, imitando-a até o limite dos índices de incidência e reflexão. Para Foucault, o espelho age como um espaço de negociação entre o utópico e o heterotópico, um lugar onde ideal e real parecem se encontrar por fragmentos de momento, para logo se desencontrarem em suas possibilidades. É nesse ‘lugar sem lugar’ 1 que o virtual toma forma e abriga os trabalhos de Sandra Rey apresentados nessa exposição. A partir de uma série de obras inéditas, Sandra nos conduz por seu processo artístico: ela se desloca e, ao fazê-lo, estabelece um íntimo diálogo com a paisagem. Lançando o olhar para o exuberante cenário natural da Ilha de Combú, cerca de dois quilômetros distante de Belém do Pará, a artista toma o rio Guamá por estrada e nos convida a observar as quebras da paisagem contidas nos reflexos do rio. Mais do que reflexos, refrações de furos e igarapés possibilitadas pela incidência da luz em suas águas voluptuosas. Fotografias-espelho que extrapolam sua planaridade e são convertidas em objetos dotados de tridimensionalidade. Os ângulos que as imagens adquirem nessa delicada montagem jogam com a perspectiva e com nossa percepção. Pequenas rupturas e reincidências nos conduzem à fronteira do real-virtual e reforçam a imagem impressa como superfície refletora.


Espelho d’ågua, 2015. Fotografias, montagem em caixas de formatos irregulares.


Conectando Norte e Sul, em caminhadas pela Colônia (Z3) de pescadores da Praia do Laranjal, a artista registra as casas da comunidade às margens de outras águas: aquelas pertencentes às imensidões da Lagoa dos Patos. As casas e armazéns são fotografados por seções. Espaços construídos se desdobram, aparentando multiplicar-se no detalhe quando somente a adição é possível. De forma diversa, durante trajeto de trem entre Ouro Preto e Mariana, em Minas Gerais, a artista fotografa a paisagem da janela conectando segmentos dispersos de horizontes. A justaposição desses fragmentos cria novas paisagens, possíveis apenas do outro lado do espelho. Reflexos especulares. Permeando os encontros com lugares tão variados, Sandra desenterra raízes e as faz objeto. Logo após uma árvore deixar de ser semente ela já é raiz. É a partir da raiz, com suas derivações, que qualquer planta se fixa ao solo mais difícil. É por ali que ela se alimenta recebendo água e os minerais necessários ao seu desenvolvimento. Na mostra, Sandra desdobra isso em imagens; seja através das aéreas raízes dos manguezais belenenses que, por descontinuidade e repetição, revelam, por aproximações de fragmentos, a delicada resistência de existir; ou seccionando e invertendo arbustos secos cujas raízes, apontando para cima, embaralham a noção de origem e de fim e sugerem que espelhamentos podem ser complexos sistemas da natureza. Na exposição, as obras agenciam estranhamentos entre imagem e referente, possibilitando reordenações visuais que desestabilizam, em diferentes gradações, a noção de real. A água, aqui, conecta as obras não por sua capacidade refletora, mas sim por sua condição reflexiva. ­­­­­­­­­ 1 FOUCAULT, Michel. Dits et écrits 1984, Des espaces autres (conferência no Cercle d’études architecturales, 14 de março 1967), in Architecture, Mouvement, Continuité, n°5, outubro 1984, pp. 46-49.


Re f l e c t i n g p o o l Bruna Fetter

Boats sailing river waters carry the river and the passing landscape with them. Floating scenes of trees, skies and reflected water. Fluid movements to the rhythm of the current and the breeze cause the vegetation to dance, questioning boundaries and forcing roots to hang in a precarious tangled balance. Mirrors formed by the water – like the boats – become access points, moveable bridges connecting different realities and diverse existences. To understand a mirror, we have first to understand light, to understand the process of vir tualisation that reflects reality, imitating it to the limits of incidence and reflection. For Foucault, the mirror acts as a space of negotiation between utopia and heterotopia, a place where the ideal and the real seem to meet in fragments of the moment, and then separate into their possibilities. This ‘placeless place’ 1 is where the vir tual takes shape and is the place of Sandra Rey’s work in this exhibition. Sandra’s new series of work leads us through her ar t process: through movement, establishing an intimate relationship with the landscape. Casting her gaze over the lush natural setting of Ilha de Combú, some two hundred kilometres from Belém in Pará, the ar tist follows the Guamá River and askes us to observe the breaks in the landscape contained in the reflections of the river. More than just reflections, refractions of channels and watercourses caused by light falling on their sensual waters. Mirror -photographs whose flatness is overcome to be conver ted into three-dimensional objects. The es in this delicate montage play with perspective and with our perception. Small breaks and regressions lead us to the boundary between real and vir tual, and reinforce the printed image as reflective surface. Connecting Nor th and South on walks through the Praia do Laranjal fishing colony [Z3], the ar tist records the homes

of this community on the shores of different waters: the vast expanse of Lagoa dos Patos. Houses and sheds are photographed in sections. Constructed spaces unfold, seeming to multiply in detail when only addition is possible. In another approach, on a train journey between Ouro Preto and Mariana, in Minas Gerais, the ar tist photographs the landscape through the window, connecting different segments of horizon. The juxtaposition of these fragments creates new landscapes, possible only from the other side of the mirror. Specular reflections. In these encounters with such different places, Sandra unear ths roots and makes them into objects. Shor tly after a tree stops being a seed it is already a root. And with that root, and its offshoots, every plant holds itself in the hardest soil, feeding on the water and minerals necessary for its development. Sandra discovers this in the images in this exhibition, be it through the aerial roots of the Belém mangroves, whose discontinuity and repetition reveal the delicate force of existence through proximity and fragment; or by selecting and inver ting dried shrubs whose roots point upwards to confound ideas of beginning and end to suggest that reflections can be complex systems of nature. The works in this exhibition address unfamiliar connections between image and referent, suggesting visual reorganisation that to different degrees destabilises notions of the real. The works are connected by water, not through its reflective quality but instead through its reflexive condition.

1 FOUCAULT, Michel. Dits et écrits 1984, Des espaces autres (Cercle d’études architecturales conference, March 14 1967), in Architecture, Mouvement, Continuité, n°5, October 1984, pp. 46-49.


Sala 1 Margens [Furo da Paciência] 2015. Fotografias, montagem em caixas de formatos irregulares e alturas variáveis. Tríptico 235x70cm.


Sala 1 Casas [Z3], 2015. Margens [Furo da PaciĂŞncia], 2015.


Sala 1 Casas [Z3], 2015. Fotografias, montagem em caixas de 10cm de altura. Díptico. 96x63cmx10cm (cada peça).


Sala 1 Casas [Z3], 2015. Fotografias, montagem em caixas de 5cm de altura. Díptico. 75x50x5cm (cada peça).


Sala 1 Casas [Z3], 2015. Fotografias. Desnatureza, 2015. Objetos.


Sala 1 No chão: Desnatureza, 2015. Galhos secos seccionados e unidos por imãs presos em cubos de madeira. Dimensões variáveis. Na parede: Casa [Z3], 2015.


Sala 1 Desnatureza, 2015. Casas [Z3], 2015. Fotografias. Díptico. 75x50x5cm (cada peça).


Sala 2 Brisa, 2015. Fotografia (montagem) 173x95 cm com intervenção gráfica e sobreposição de vídeo. Dimensão total: 203x125cm. Peça única. Casas [Z3], 2015. Fotografias, montagem em caixas de 7cm de altura Díptico. 75x63x7cm (cada peça). Edição 5 exemplares.


Sala 2 Brisa, 2015. Peça única.


Mangal. 2015. Fotografia (Montagem de 18fotos) Dimensões 173x95 cm. Edição 5 exemplares.


De-paisage, 2015. Fotografia /montagem. Dimensões 65x45 cm. Edição 5 exemplares.


De-paisagem 2015. Fotografia /montagem Dimensões 65x45 cm. Edição 5 exemplares.


Desnatureza, 2015. Galhos seco seccionados e unidos por imãs. Peça única, dimensões variáveis.


Paisagem Improvável, 2015. Fotografias montadas em caixas. de 10 cm de espessura, arbusto. Peça única, dimensões variáveis.


Paisagem Improvável, 2015. Fotografias montadas em caixas de 10 cm de espessura e arbusto (raíz recoberta com folha de ouro branco 24 kilates). Peça única, dimensões variáveis.


Paisagem Improvável, 2015. (Detalhe). Fotografias montadas em caixas de 10 cm de espessura. Peça única, dimensões variáveis.


Paisagem Improvável, 2015. (Detalhe) Fotografias montadas em caixas de 10 cm de espessura, arbusto, imãs. Peça única, dimensões variáveis.


Paisagem Improvável, 2015. (Detalhe) Fotografias montadas em caixas de 10 cm de espessura. Peça única, dimensões variáveis.


Heterotopias, 2014. Fotografias molduramadeira natural e vidro antireflexo. Díptico 164x56 cm. Edição 5 exemplares.


Heterotopias, 2014. Fotografias moldura madeira natural e vidro antireflexo. Díptico 164x56 cm. Edição 5 exemplares.


Casas [Z3], 2015. Fotografias, montagem em caixas de 7 cm de altura. Díptico 154x50cm. Edição 5 exemplares.


Casas [Z3], 2015. Fotografias, montagem em caixas de 5cm de altura. Díptico 120x40cm. Edição 5 exemplares.


S a n d r a

R e y

(vive e trabalha em Porto Alegre, RS) Desenvolve produção a partir de pesquisas em fotografia e tecnologia digital produzindo trabalhos em grandes e pequenos formatos, vídeos, instalações, livros de artista. Fotografando a natureza, a artista se interessa em explorar a desnaturalização do natural através de diversas estratégias que envolvem processos de montagens suscetíveis de enfatizar a heterogeneidade dos pontos de vista e produzir obras em que a fotografia só pode ser entendida como uma imagem estética, não mimética. Considera a fotografia como imagem contaminada pelo contato com o real mas, uma vez isolada de seu contexto, a ser trabalhada como um material. Seu processo artístico implica a relação arte-vida e um vínculo estreito entre pesquisa formal mediada pelas tecnologias e reflexão teórica, resultando na articulação do pensamento visual com a escrita. Expõe e publica textos e artigos sobre questões referentes à pesquisa em Artes Visuais e escritos de artista. Possui obras em coleções públicas (MACRS - Museu do Conjunto Nacional da República, em Brasília - MUNA, Uberlândia, MG - Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, Instituto de Artes, UFRGS, Porto Alegre, RS Pinacoteca Rubem Berta, Porto Alegre, RS).


Exposições/Exibitions (recentes/last) (2016) Ensaio sobre o Visível. Curadoria Ana Carvalho, Galeria Mamute, Porto Alegre-RS. (2015) Gravura, Palavra, Imaginário: 500 Anos De Ganda. Exposição Coletiva. Instituto Goethe, Porto Alegre-RS. Espelho D’Água. Exposição Individual. Curadoria Bruna Fetter. Galeria Mamute, Porto Alegre-RS. Inter | dito. Exposição Coletiva, artistas participantes do Grupo de Pesquisas Processos Híbridos na Arte Contemporânea. Curadoria Sandra Rey e Niura Borges. Galeria Mamute, Porto Alegre-RS. Inter | dito. Exposição Coletiva, artistas participantes do Grupo de Pesquisas Processos Híbridos na Arte Contemporânea. Curadoria Sandra Rey e Beatriz Rauscher. MUnA-Museu Universitário de Arte, Uberlândia, MG. In Tandem. Centro Cultural da ESPM, Porto Alegre-RS. (2014) Situações Brasília - Prêmio de Arte contemporânea. Museu Nacional do Conjunto Cultural da República, Brasília-DF. [CASA]-[LUA]. Exposição Individual, Casa de Cultura da América Latina, Brasília-DF. De longe de perto. Exposição Coletiva dos artistas representados pela Galeria Mamute. Curadoria de Angélica de Moraes, Galeria Mamute, Porto Alegre-RS. Neblina, a fotografia no Acervo do MACRS. curadoria de Elaine Tedesco, Galeria dos Arcos, Usina do Gasômetro, Porto Alegre-RS. Variações e Afinidades. Obras do Acervo do Muna, curadoria de Alex Miyoshi e Marco de Andrade, MUNA, Museu Universitário de Arte, Uberlândia, MG. Sem Destino. Mostra de Vídeos, curadoria de Elaine Tedesco, Pinacoteca Instituto de Artes da UFRGS, Porto Alegre -RS. Representados. Curadoria de Niura Borges, Galeria Mamute, Porto Alegre-RS. (2013) Forapalavradentro. Curadoria de Lurdi Blauth, Centro Cultural do Teatro da Feevale, Novo Hamburgo-RS. Fazer e Desfazer a Paisagem. Curadoria de Sandra Rey, MACRS - Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, Porto Alegre-RS. Casa de Cultura UFJF, Juiz de Fora-MG, Pinacoteca da FEEVALE, Novo Hamburgo-RS; MARP -Museu de Arte de Ribeirão Preto-SP. (2012-13). EmMeio#5. Curadoria de Suzete Ventureli, Museu da República, Brasília-DF. Únicos e Múltiplos. curadoria de A. Eckert, H. Kannaan, M. Caruso. Paço Municipal, Porto Alegre-RS. (2012) Prêmio Fotografia CIência e Arte (CNPq). Obra Premiada: Jardim das Delícias. Lugares. Exposição individual com curadoria de Blanca Brites e Leandro Selister, Studio Clio, Porto Alegre-RS. (2012). Mostra Videoarte Mamute. Curadoria Niura Borges. Santander Cultural. Idades Contemporâneas. Curadoria de Paulo Gomes, MACRS -Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, Porto Alegre-RS. Condutores Digitais. curadoria de Paulo Gomes, Galeria Mamute, Porto Alegre-RS.


ESPELHO D’ÁGUA — Catálogo da exposição de Sandra Rey realizada na galeria Mamute. Porto Alegre, 40 p. 2015. Texto Bruna Fetter. Fotografias Sandra Rey e Claudia Hamersky. 1. Arte Contemporânea. 2. Fotgrafia. 3. Objeto. 4. Instalação. 5. Sandra Rey.

© Sandra Rey


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