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ANO 9 - Nº 33 - 5,00€ ABRIL | MAIO | JUNHO 2019 (TRIMESTRAL) WWW.REVISTA-RUMINANTES.COM

A REVISTA DA AGROPECUÁRIA

FALHA NA TRANSFERÊNCIA DA IMUNIDADE

O inimigo dentro de portas

ENTREVISTA A VIVIANA MOTA

Veterinária de campo na Ilha de São Miguel

LIMOUSINE

VISITA A UMA EXPLORAÇÃO DE CRIAÇÃO DE REPRODUTORES


EDITORIAL

REVISTA RUMINANTES EDIÇÃO 33 ABRIL - MAIO - JUNHO 2019 DIRETOR Nuno Marques nm@revista-ruminantes.com COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Ana Cachapa, António Cannas, António Moitinho, Carlos Neves, Carlos Vouzela, Carolina Silva, Catarina Marinho, César Silva, Cristiana Pinto, David Catita, Deolinda Silva, Filinto Osório, Gonzalo Mateos, Graça Pacheco de Carvalho Helena Vala, Isabel Fonte, Ivo Carregosa, Javier Lopez, João Santos, Joaquim Pais Azevedo, José Caiado, Júlia Fernandez Julian Sancho, Laura Hernández, Lina Costa, Lorenzo Lasater, Luís da Veiga, Luís Raposo, Luís Silva, Luísa Silva Pereira, Luiza Fernandes, Maria José Blasco, Marine Gauthier, Miguel Minas, Paula Soler, Pedro Castelo, Pedro Fonte, Rute Santos, Sara Garcia, Sérgio Henriques, Teresa Moreira, Vítor Santos, Viviana Mota PUBLICIDADE E ASSINATURAS Nuno Marques comercial@revista-ruminantes.com REDAÇÃO Francisca Gusmão, Inês Ajuda, Joana Silva, Margarida Carvalho. FOTOGRAFIA DE CAPA Francisco Marques DESIGN GRÁFICO E PRÉ-IMPRESSÃO Sofia Marques prepress@revista-ruminantes.com IMPRESSÃO Jorge Fernandes Lda Rua Quinta Conde de Mascarenhas nº9, Vale Fetal 2825-259 Charneca da Caparica Telefone: 212 548 320 ESCRITÓRIOS E REDAÇÃO Rua Alexandre Herculano nº 21, 5º Dto

Caro leitor,

A

um ritmo estonteantemente rápido, a tecnologia vai mudando pequenos e grandes hábitos, e ritmos, nas nossas vidas. Por um lado, os computadores, que passaram a ser a “alma” de muitas máquinas, libertaram-nos de tarefas repetitivas consumidoras de tempo. Por outro, o acesso imediato à informação através da Internet — que passou a estar disponível não só através de computadores e telemóveis, como também de um número cada vez maior de aparelhos e máquinas —, veio acrescentar potencialidades quase ilimitadas à nossa capacidade de saber mais sobre todas as coisas. As salas de ordenha modernas e os robots, assim como os programas de gestão dos rebanhos, são bons exemplos da evolução tecnológica no setor da produção de carne e de leite, facultando aos produtores uma imensidão de dados sobre cada animal e sobre o rebanho. Hoje, a produção está cada vez mais informatizada e pode ser planeada ao mínimo detalhe. Se alguma coisa tiver que correr mal, não será por falta de ferramentas.

2780-051 Oeiras Telemóvel: 917 284 954 geral@revista-ruminantes.com PROPRIEDADE/EDITOR Aghorizons, Lda / Nuno Marques Contribuinte nº 510 759 955 Sede: Rua Alexandre Herculano nº 21, 5º Dto. 2780-051 Oeiras GERENTE Nuno Duque Pereira Monteiro Marques DETENTORES DO CAPITAL SOCIAL Nuno Duque Pereira Monteiro Marques (50% participação) Ana Francisca C. P. Botelho de Gusmão Monteiro Marques (50% participação) TIRAGEM 5.000 exemplares PERIODICIDADE Trimestral REGISTO Nº 126038

Mas ainda que seja possível planear e gerir com grande precisão, de vez em quando as surpresas acontecem… para nos lembrar que o know how e a experiência de campo dos agricultores continuam a ser imprescindíveis. As informações sobre os animais chegam-nos, em tempo real, ao telemóvel mas não substituem as visitas presenciais aos estábulos e ao campo, nem a interpretação pessoal das situações. Quem tiver mais conhecimento e capacidade de observação conseguirá melhor antecipar problemas e também soluções. É como diz o ditado: "O olhar do dono engorda o gado." A tecnologia facilitou, sem dúvida, muita informação aos produtores e aos técnicos para os ajudar na tomada das decisões mais corretas e atempadas na exploração, mas a boa gestão duma exploração exige bem mais: que persista a paixão pelos animais, pelo negócio e pelo conhecimento de tudo o que este envolve. Porque as surpresas acontecem, e só um agricultor bem preparado consegue tomar as melhores decisões.

DEPÓSITO LEGAL Nº 325298/11 O editor não assume a responsabilidade por conceitos emitidos em artigos assinados, anúncios e imagens, sendo os mesmos da total responsabilidade dos seus autores e das empresas que autorizam a sua publicação. Reprodução proibida sem a autorização da Aghorizons Lda Alguns autores nesta edição ainda não adotaram o novo acordo ortográfico. O "Estatuto Editorial" pode ser consultado no nosso site em: www.revista-ruminantes.com/estatuto-editorial

O Concurso Nacional de Forragens de 2019 tornou-se mais abrangente para chegar a mais produtores: se faz silagem de erva, milho, luzerna, sorgo ou se tem na sua exploração alguma forragem menos comum, não deixe de participar. Leia o regulamento nesta edição. Este concurso, promovido pela Revista, pretende encorajar os agricultores a melhorar a qualidade das forragens produzidas, procurando assim contribuir para o reforço da sustentabilidade ambiental e económica da produção pecuária em Portugal.

ENVIE-NOS AS SUAS CRÍTICAS E SUGESTÕES PARA: nm@revista-ruminantes.com

NUNO MARQUES

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ruminantes abril . maio . junho 2019

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ÍNDICE DE CONTEÚDOS

LIMOUSINE Visita a uma exploração de criação de reprodutores

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FALHA NA TRANSFERÊNCIA DA IMUNIDADE O inimigo dentro de portas

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ENTREVISTA A VIVIANA MOTA Veterinária de campo na Ilha de São Miguel

ALIMENTAÇÃO

46 Índice VL e índice VL erva

20 O efeito da suplementação com metionina ou lisina protegidas em ovelhas em produção de leite

60 Regulamento Concurso Nacional Forragens - 2019

28 Quatro etapas para otimizar o desempenho da engorda de novilhos 30 Ciência e inovação com o foco em alimentos líquidos

FORRAGENS

GENÉTICA 24 Como escolher o sexo da descendência?

34 Rescue Calves, porque todas as novilhas contam!

64 Raça Beefmaster, será uma escolha acertada para os produtores portugueses?

40 Otimização do maneio alimentar – novilhas de carne

66 Quinta do Muroz – “As ProCross são mais resistentes”

44 Total Dairy Azores 2.0 “O caminho faz-se caminhando”

PRODUÇÃO

70 Desmame precoce: será vantajoso?

ECONOMIA

34 Observatório de matérias primas 34 Observatório do leite

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102 No caminho da modernização – entrevista a Luís Silva

PRODUTO

96 Novidades de produto

SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL 62 Redução de antibióticos no alimento de borregos lactantes 76 Como prevenir a mastite frustrante causada pela Streptococcus uberis? 80 Neosporose 82 Resistência a antibióticos na produção de ovinos, qual o papel do produtor?

48 Produção de ovinos de carne na Herdade da Sanguinheira

86 Vitelo MAX, confiança, controlo e rentabilidade na cadeia de produção de carne

92 De 3 ordenhas numa sala convencional, ao robot de ordenha – exploração de Maria Isabel e Pedro da Fonte

105 Fotografia com história

88 Higiene e desinfeção da exploração de leite

ATUALIDADES

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GEA DairyRobot R9500

Excecionalmente eficiente como monobox ou multibox: ordenha automatizada a qualquer momento

gea.com


O braço de ordenha adapta-se facilmente aos movimentos naturais da vaca. Isso evita o mau posicionamento do jogo de ordenha, quedas e respirações. Se uma tetina cai, ela nunca toca o chão é rapidamente recolocada, e nunca se perde o bom posicionamento das ressaltantes tetinas. As mangueiras de leite curtas proporcionam estabilidade e evitam flutuações de vácuo.


NOTÍCIAS

RÚMEN SCHOOL

CONTROLO E MANEIO DA EFICIÊNCIA RUMINAL E ALIMENTAR EM NOVILHOS DE ENGORDA

“Como otimizar o rendimento de uma exploração através do maneio do rúmen” foi o tema de um dia de campo organizado em março passado pela Tecadi e pela Lallemand. Esta iniciativa faz parte da Rúmen School, um programa teórico e prático, dirigido a técnicos da área de nutrição e saúde animal, dedicado a monitorizar na exploração o

funcionamento do rúmen e a eficiência alimentar. Para tal, é realizada uma auditoria em que são avaliados 8 critérios relacionados com os animais e o meio envolvente. Os indicadores vão sendo registados em folha de trabalho ou na aplicação digital REI Beef, com vista a ir propondo melhorias em sucessivas visitas.

Este dia de campo teve lugar na Agro Landeiro, na localidade de Silveiros, Barcelos, uma exploração com um efetivo de cerca de 800 novilhos. Participaram neste evento 38 pessoas, na sua maioria técnicos ligados à nutrição de ruminantes, mas também alguns criadores, além dos técnicos da Tecadi, da Lallemand e dos proprietários da Agro-Landeiro.

2019 SERÁ O ANO DO CABRITO? Todos os anos, várias publicações tentam prever os alimentos que vão estar na moda. De acordo com a revista britânica Good Food Magazine da BBC. Este ano a carne de cabrito faz parte da lista de alimentos preferidos. O consumo de carne de cabrito está a ser incentivado, uma vez que os machos, por não produzirem leite, são abatidos e a sua carne é frequentemente desperdiçada em vários países que não têm por hábito o seu consumo. A sensibilização para este tipo de desperdício vem na sequência de um aumento da procura de produtos lácteos e leite de cabra que sustentam a produção destes animais na maioria destes países. A Austrália parece estar à cabeça desta nova tendência, com as exportações de carne de cabra a atingirem as 28.426 toneladas. Também no Reino Unido, as cadeias de supermercados estão a testar refeições prontas contendo

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carne de caprino, e alguns restaurantes conceituados já a incluem nas suas ementas.


NOTÍCIAS

REDUZIR O DESPERDÍCIO ALIMENTAR É PRIORITÁRIO Os custos com ração constituem a maior parte das despesas dos produtores no Reino Unido. Mais, por cada três libras de ração, cerca de uma acaba perdida por desperdício. Ciente dessa situação, a Alltech propõe-se ajudar a reduzir essas perdas, no espaço de três anos. Com esse propósito, e em conjunto com especialistas da indústria, a empresa realizou um estudo piloto em explorações de leite, em Inglaterra e no País de Gales, cujas conclusões confirmaram perdas avultadas em várias fases da cadeia. No armazenamento há uma perda importante de matéria seca, de acordo com o estudo, as perdas ocorrem principalmente na parte mais nutritiva da silagem com um aumento da porção não digerível, o que pode acarretar prejuízos para a saúde dos animais. Em relação à alimentação, foram dois os pontos principais responsáveis pelo desperdício:  a apresentação do alimento, que pode levar à “escolha” pelos animais e, por outro lado, o tamanho do comedouro que, na maioria das explorações, não respeita o mínimo de 65 cm por vaca.  Problemas de saúde das vacas são outros fatores que podem, também, levar a perdas e falhas no índice de conversão alimentar. 

POR CADA TRÊS LIBRAS DE RAÇÃO, UMA ACABA EM DESPERDÍCIO.

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TEMA DE CAPA

ENTREVISTA A DAVID CATITA

PAIXÃO E VOCAÇÃO NA CRIAÇÃO DE REPRODUTORES DE RAÇA LIMOUSINE Viajámos até Serpa para conhecer David Catita e a sua exploração de bovinos Limousine. Ficámos impressionados pelo gosto sincero que demonstra pela atividade, a capacidade de observar os animais e a preocupação que tem em preservar o ambiente e respeitar a natureza. FOTOGRAFIAS FRANCISCO MARQUES E DAVID CATITA

Como gosta de se apresentar? O que faz? Gosto de me apresentar como alguém que está na agricultura por uma relação emocional muito forte. A agricultura sempre foi a minha paixão à qual está aliada uma vocação. O meu avô passou-me um bocadinho essa paixão. No fundo gosto de dizer que sou um agricultor apaixonado por isto, pelo monte, por esta terra, pelos animais. E que estou a dar o meu melhor, e a gerir tudo isto até passar para os

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meus filhos. Isto não é bem meu, é uma passagem, vem do meu avô. Não tenho uma formação especifica em agricultura, sou licenciado em ciências do ambiente. Tenho feito algumas formações, mas o que me tem ensinado mais é o dia-a-dia, é um parar e observar. Na agricultura é tudo muito diverso e cada dia é um dia diferente. Temos que observar os animais para perceber o que se passa quando, por exemplo, um animal coxeia. Se é uma coisa sem importãncia, ou algo que o poderá prejudicar para sempre.

Porque se tornou criador de bovinos de genética? Já vinha da sua família? E porquê a raça Limousine? Quando cá cheguei, em 1999, o meu avô tinha vacas charolesas das quais tinha muito orgulho. Lembro-me que tinha um touro charolês chamado Nero. Na época a raça estava muito em voga, mas era frequente morrerem vacas e bezerros. Chegavam a morrer aqui mais de 10% dos bezerros. Como


Entrevista a David Catita

sabe, antigamente, antes de existirem as cercas, as vacas andavam em transumância na herdade ou entre várias herdades e havia um pastor permanentemente com elas e um ajudante que o apoiava. No momento do parto, se houvesse alguma dificuldade o pastor apercebia-se e atuava. O que aconteceu é que com o advento das cercas a figura do pastor tornou-se desnecessária. As vacas tornaram-se autónomas em termos de maneio, mas não eram tão autónomas em termos reprodutivos. Nessa altura tomei conhecimento que uma das vantagens da raça limousine é a facilidade de parto e disse ao meu avô: vamos vender o Nero e compramos um Limousine. E assim foi, fizemos isso e nunca mais morreram vacas nem bezerros, o que deixou o meu avô muito entusiasmado. Não havia na altura muitos criadores de Limousine, e por isso pensei: muita gente tem este problema dos partos e não está a ver a solução, seguramente que é interessante ser criador destes animais. E foi assim que começou, aos poucos. Primeiro comprei duas vacas puras que cruzei com o touro que já tinha comprado e a partir daí fomos crescendo.

É criador de genética, quais os principais traços de personalidade para se ser um bom criador? Não se pode ser impaciente, porque o trabalho de genética é um trabalho sem fim. Imaginemos, eu agora tenho aqui um touro que é muito bom, cruzo-o e obtenho vacas descendentes dele. E agora vou cruzá-las com quem? Tenho que ir buscar outro touro muito bom com características que vão equilibrar alguma coisa que elas tenham menos boa... É um processo muito lento. Se comprar hoje um touro só vai ter resultados visíveis daqui a quatro anos: esse touro vai ter que cobrir as vacas, elas vão ter que criar os bezerros, estes vão ter que crescer... E mesmo assim não se vê logo, só podemos avaliar as novilhas quando elas parem. E quatro anos é metade da vida de um touro. Para perceber se ele é bom “gastamos” muito tempo. É preciso ter algum objetivo, pensar onde queremos chegar, nunca perder o foco. Vejo que tem muito cuidado com os animais, respeita o espaço deles para eles também reagirem de forma calma. Se as suas vacas falassem o que é que diriam de si? Eu penso que elas diriam

DADOS DA EXPLORAÇÃO Nome exploração Fonte de Corcho - David Catita Localização: Serra de Serpa Nº empregados: 3 permanentes Nº total de animais: 120 cabeças em permanência - 75 vacas, 5 touros, 20 machos e 20 fêmeas Hectares: 340 - 100 de olival, 200 de montado e 40 de terra limpa onde está um pivot Sistema alimentar: Extensivo - tenta sincronizar partos para o outono (setembro/ outubro) de forma a tirar partido da erva no inverno e primavera. Idade ideal de venda dos animais? Entre os 16 e os 20 meses. FONTE: corcho@gmail.com

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TEMA DE CAPA

"Alguém que produza bezerros precisa de ter duas coisas para ganhar dinheiro: muitos bezerros e que cresçam bem"

essencialmente bem, porque aqui na exploração as vacas vivem em espaços grandes. As necessidades naturais de um animal gregário são cumpridas: viver em grupo e viver num espaço aberto. Se elas falassem em português, eu acho que diriam bem. Se falassem francês, e conhecessem a realidade francesa saberiam que em França iriam morar num sitio onde há sempre erva e talvez gostassem mais. Os meus touros, penso que diriam que são muitos touros para poucas fêmeas. Acho que questionariam porque é que não são os melhores a cobrir todas as vacas. E eu responderia, se tivesse oportunidade, que a função do touro, além de produzir um bezerro é também transmitir alguma coisa à descendência, e nem todos transmitem as mesmas coisas. Eu quero que os meus touros transmitam facilidade de parto e tenham rusticidade para se destacarem dentro do grupo. Mas um touro nunca é bom em tudo, tal como as pessoas. Ou seja, diriam que é um líder com bom senso, que sabe aquilo que faz, que respeita os animais... Sim, sem dúvida. Tento entender o que é que elas estão a ver. Acho que diriam que consigo olhar pelos olhos dos bovinos. Que é uma coisa que quando temos a leviandade de não fazer temos muito mais tendência a errar.

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Que indicadores utiliza, num negocio de genética, para perceber se o negócio está no bom caminho? Um selecionador tem que ter uma visão ampla e perceber se os animais que está a criar servem para quem os compra. Na raça limousine nós temos a classificação ouro, prata e bronze. No fundo quanto mais “ouros” tiver melhor. Um bom criador tem que ter mais de metade dos animais classificados como ouro. Mas desconfio de criadores que digam que só têm ouro. Aceito que existam numa exploração também animais prata ou bronze por diversos motivos. Ou porque são novilhas de primeira barriga e ainda não produzem muito leite, ou porque é uma vaca que já está velha e teve um bezerro bronze. É normal, natural, que exista diversidade numa população. Acho que um bom criador tem que entender a natureza dos animais. Como caracteriza os seus animais, a sua genética? O que os diferencia da concorrência? Aquilo que na minha casa se destaca mais, e que quem me compra animais diz, é que são animais muito rústicos,

que se adaptam a todas as condições. O que eu imponho aos meus animais é que sejam animais com muito boa genética, e a partir daí seleciono os que melhor se adaptam e acabo por aliar rusticidade e genética. Procuro animais com facilidade de parto e harmoniosos. Não tenho animais nem muito grandes nem no extremo da precocidade. A harmonia traduz-se num animal que seja equilibrado, que ao olhar não nos pareça feito “por peças”. A harmonia é o que vai influenciar a fisiologia do animal. Não devemos procurar que os animais tenham um bom lombo por ser a peça mais valorizada pelos talhantes, mas sim porque é aquele musculo que o animal vai utilizar para se empinar e cobrir as vacas. Porque é que deve ter profundidade de peito? Porque é o que lhes permite perder calor pela respiração. Cada aspeto do fenótipo está ligado a uma função. Como faz a seleção? Eu tenho um grupo de 20 vacas com cada touro. Seleciono as vacas que beneficiarão mais daquele touro. Tento juntar um touro com características que irão complementar as vacas daquele grupo. Os touros que


TEMA DE CAPA

ÍNDICES IBOVAL MÉDIOS DOS BEZERROS NASCIDOS EM 2017 NA EXPLORAÇÃO COMPRAÇÃO CRIADOR - RAÇA

CRIADOR 2017

RAÇA

EFETIVO

25

251028

IFNAIS

101,1

100,8

CRsev

103,2 (+5,0 kg)

101,2

DMsev

102,2 (+1,0 pt)

101,0

DSsev

103,4 (+1,9 pt)

101,1

FOSsev

96,8

99,2

ISEVR

106,1

101,6

IFNAIS: Facilidade de nascimento // CRSEV: Crescimento ao desmame DMsev: Desenv. Muscular desmame // DSsev: Desenv. Esquelético desmame FOsev: Finura de osso desmame // ISEVR: Índice global ao desmame

ÍNDICES IBOVAL MÉDIOS DOS TOUROS EM ATIVIDADE NA EXPLORAÇÃO 2017 COMPRAÇÃO CRIADOR - RAÇA

CRIADOR 2017

RAÇA

EFETIVO

25

225559

IFNAIS

100,0

99,6

CRsev

110,6 (+16,2 kg)

103,3

DMsev

105,6 (+2,5 pt)

103,3

DSsev

107,8 (+4,4 pt)

102,7

FOSsev

86,7

97,8

ISEVR

111,4

104,5

AVel

107,8

100,0

ALait

105,0 (+4,3 pt)

100,1

IVMAT

116,5

104,3

IFNAIS: Facilidade de nascimento // CRsev: Crescimento ao desmame DMsev: Desenv. Muscular desmame // DSsev: Desenv. Esquelético desmame FOsev: Finura de osso desmame // ISEVR: Índice global ao desmame AVel: Aptidão ao parto // ALait: Aptidão leiteira IVMAT: Índice global qualidades maternais

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vou tendo é com base neste tipo de seleção. É por isso que tem mais touros do que necessitaria? A questão da cobrição das vacas é muito interessante. As pessoas nem sempre se lembram que o cio das vacas é influenciado por fatores externos, como a lua ou o efeito touro, mas que acontecem para todos os animais em simultâneo e em ondas. Pensando que geralmente um touro só cobre uma vaca por dia, se tivermos poucos touros não iremos conseguir aproveitar estes períodos. Onde compra reprodutores para o seu efetivo? Compro onde acho que vou encontrar o que quero. Nos concursos vêm-se algumas coisas, mas não é bem aí que eu procuro. Eu gosto de criadores que sejam apaixonados por este ofício. Tenho ido comprar a um criador histórico desta raça, José Maria Pacheco dos Reis, que é um grande criador, é uma pessoa com uma história por trás dele imensa. É o melhor criador da raça há mais de vinte anos, um criador que palmilhou um caminho muito grande sempre a tentar ser melhor. Já comprei a outros criadores nacionais aos quais dou preferência, mas também já comprei em França por achar que determinados animais tinham características que iriam beneficiar a minha exploração. Em termos de seleção que objetivos tem para os próximos 5 anos? As explorações têm vários índices, e analisando-os vamos

percebendo de que forma vão evoluindo. E havia uma característica em que a minha exploração estava abaixo da média da raça. Desde 2014 para cá a curva infletiu e já vou acima da média da raça. O que quero no fundo é que os vários índices da minha exploração, índices ao desmame e índices da parte maternal vão subindo acima da média da raça, sem nunca comprometer a facilidade de parto. Como comercializa e promove os seus animais? Como somos um país muito pequenino, a maior parte das pessoas que me compra animais vem cá vê-los e escolhe-os cá, no campo. Uma das formas de divulgação passa por levar animais a concurso, apesar de o meu tipo de maneio não ser um maneio muito fácil para ida a concurso porque é um maneio muito extensivo, um maneio largo. Outra forma será fazendo alguma publicidade em revistas da especialidade, ir a feiras, ir aparecendo para as pessoas nos conhecerem. Faria sentido a certificação das explorações relativamente à saúde animal? Poderia ser uma ferramenta útil para quem deseja comprar animais e por outro lado promover os criadores que têm todas as preocupações com a saúde dos animais? Cá em Portugal não existe, mas acho que faria todo o sentido. Aliás, a sanidade é um dos desafios do futuro, e cada vez mais, quando vamos comprar um animal a uma exploração, queremos garantias. Ao trazer


Entrevista a David Catita

VALORES DOS BEZERROS NASCIDOS NA EXPLORAÇÃO NA CAMPANHA 2017

PARÂMETROS

NÚMERO

COMPARAÇÃO ENTRE A MÉDIA DA RAÇA E OS VALORES INDEXADOS DO CRIADOR NA CAMPANHA 2017

VALORES BRUTOS

M

F

M

F

Pds nais.

10

15

39,6 kg

38,2 kg

PAT 120 js

10

14

184,5 kg

PAT 210 js

9

10

DM

8

DS

8

MÉDIA DA RAÇA

PARA O CRIADOR Nbre

Moy.

Efeito sexo M/F

Efeito animal

42,6 kg

25

38,6 kg

+1,2 kg

-4,0 kg

178,0 kg

170,9 kg

5

208,2 kg

+69,4 kg

+34,1 kg

302,6 kg

295,6 kg

274,6 kg

19

300,6 kg

+1,7 kg

+24,9 kg

9

67,1 pt

63,4 pt

59,2 pt

17

66,5 pt

+3,4 pt

+6,5 pt

9

66,0 pt

66,4 pt

61,0 pt

17

67,4 pt

-0,2 pt

+5,3 pt

Pds nais: Peso ao nascimento // PAT 120 js: Peso aos 120 dias // PAT 210 js: Peso aos 210 dias // DM: Desenvolvimento Muscular // DS: Desenvolvimento Esquelético

um touro para a nossa exploração trazemos um “cavalo de tróia”, o que vem com ele entra na exploração. É importante saber se o animal é saudável, se a exploração de origem não tem problemas de sanidade, se está uma zona com algum problema. Aqui na minha exploração outra qualidade que por vezes me apontam é a sanidade. O nosso clima seco acaba por trazer algumas vantagens a esse respeito. Há doenças para as quais não vacino porque nunca as tive cá, nem nunca tive sintomas dessas doenças. Há pouco tempo vendi umas novilhas a um produtor que também tinha vacas de leite e que me pediu que fizesse uma série de análises aos animais: brucelose, neospora, leptospira, paratuberculose, antigeno BVD, IBR gE, besnoitiose, IBR e BVD, e deu tudo negativo. Tenho a sorte de ter uma exploração que pelas suas características tem sido sempre saudável, mas claro que faria sentido essa certificação, cada vez mais. Ajudaria muito quem vai comprar.

Não tenho cercas muito grandes, com cerca de 10 a 20 hectares, porque acho que a forma mais inteligente de aproveitar a erva é com alguma carga animal. Ou seja, entra um grupo de vacas numa cerca e consome toda a erva e só depois passa para outra. Assim permitimos que a erva da primeira cerca volte a crescer, com a matéria orgânica que os animais lá deixaram. Damos tempo a que as ervas cresçam

"Ao trazer um touro para a nossa exploração trazemos um “cavalo de Troia”, o que vem com ele entra na exploração".

É um “homem do ambiente” com formação nesta área, que cuidados tem na sua exploração que possam ser interessantes implementar por outros produtores?

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TEMA DE CAPA

porque às vezes quando a erva é comida muito pequenina o milagre da fotossíntese ainda não teve grande expressão. Não devemos deixar que as vacas andem em todo o lado em permanência porque senão comem com cinco bocas, a boca mesmo e as quatro patas que andam a pisar tudo. Outro cuidado que tenho é controlar a entrada de vacas em cercas que têm zonas mais alagadiças. Tenho também o cuidado de utilizar desparasitantes que não matem os organismos do solo. Porque o desparasitante serve para matar e eliminar parasitas dentro do organismo da vaca, o que acontece é que quando a vaca defeca elimina pelas fezes parte desse produto e se um escaravelho comer essas fezes, pode também morrer. Explorações que utilizam esses desparasitantes estão a quebrar o ciclo da entrada da matéria orgânica no solo. Na minha exploração, tenho solos pobres, a matéria orgânica é sempre um fator limitante e por isso tento ao máximo que entre no solo sem se perder. A sua produção não é biológica, faria sentido produção animal biológica na sua exploração? No fundo, os rótulos do tipo de produção estão relacionados com o mercado que queremos atingir. No caso da minha exploração de vacas acho que não faria sentido, porque eu vendo reprodutores e quem mos compra não tem esse interesse. Mas por exemplo o meu olival é produção biológica, faço azeite biológico. Temos que ir um pouco ao encontro do que o mercado nos pede, mas temos que ser realistas e avaliar se temos condições para isso. Porque deve um agricultor que faz cruzamentos industriais comprar Limousine? Alguém que produza bezerros precisa de ter duas coisas para ganhar dinheiro: muitos bezerros e que

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cresçam bem. A limousine dá-lhe essas duas coisas. Tem muitos porque tem facilidade de parto, e é provável que tenha um bezerro viável por cada vaca. E depois a limousine tem esta vantagem, nascem pequeninos, mas crescem muito bem. Na sua opinião que cuidados deve ter um agricultor que quer comprar um reprodutor? Quais são os 5 principais pontos a ter em atenção? A primeira coisa a que se deve olhar é ao peso ao nascimento desse animal. Se o animal nasceu pequeno é um indicador importante ralativamente à facilidade de parto. Nesta raça somos obrigados a pesar mal o animal nasce. Um macho deve ter entre 35 e 45 kg, e uma fêmea entre 30 e 40 kg. Outro aspeto a ver são as características da mãe do animal, se a bacia é equilibrada, se tem bons tetos, boa índole. Também é importante observar a harmonia do animal, como se movimenta. Olhar para o aparelho reprodutor e avaliar os testículos. Por fim, pensar nas vacas que ele vai beneficiar, ou seja, olhar para as características dele sempre numa perspetiva relativa. Se eu tiver vacas com pouco músculo, é interessante ter um animal que seja mais forte nessa característica. Quais os problemas de saúde animal que mais o preocupam? A patologia mais frequente aqui na minha casa é a Moraxella. Uma bactéria transmitida pela mosca, que afeta os olhos dos animais podendo levar à cegueira. Como é algo muito visível e muito limitante, era algo que me preocupava muito. Por isso recolhemos de animais doentes estirpes diferentes e fizemos uma vacina. Todos os anos vacinamos com as estirpes que temos armazenadas. É uma doença complicada, cara

de tratar e muito debilitante, daí a aposta na prevenção. Qual o destino final dos animais que cria? Mercado nacional ou internacional? Eu vendo muito para Espanha, estamos a 30 km da fronteira. Em termos de reprodutores vendo cerca de ¼ dos machos para Espanha. A raça Limousine em Portugal está muito bem conotada. Contrariamente aos espanhóis nós temos um sistema de classificação dos animais muito claro: ouro, prata e bronze é fácil de entender. Os criadores que vêm cá geralmente vêm mais do que uma vez. Compram, levam e gostam e depois dizem a outros. Quantos animais tem para vender por ano? Aproximadamente 30, 35 machos. Fêmeas não tenho tantas porque temos sempre que ir fazendo um esforço de reposição. Para termos uma vacada mais ou menos jovem não devemos deixar que as vacas ultrapassem muito os 10-12 anos.

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CUIDADOS A TER NA COMPRA DE UM REPRODUTOR

1) Peso ao nascimento (30-40 fêmeas/35-45 machos) 2) Características da mãe: avaliar bacia, tetos, cabeça. 3) Harmonia, como se movimenta 4) Aparelho reprodutor 5) Procurar características que complementem as vacas que já tem.


TEMA DE CAPA

CRIADOR

COMPARAÇÃO ENTRE O CRIADOR E A RAÇA

100,0

îî

99,6

CRsev

110,6

ììì

103,3

DMsev

105,6

ììì

103,3

DSsev

107,8

ììì

102,7

FOSsev

86,7

îîî

97,8

ISEVR

111,4

ììì

104,5

AVel

107,8

ììì

100,0

ALait

105,0

ììì

100,1

IVMAT

116,5

ììì

104,3

+0

2017

11%

-2

10%

-4

9%

-6

6%

8%

-8

CRpsf

112,5

ììì

103,6

IABjbf

108,8

ììì

105,4

0

+2

+4

+6

+8

14%

IFNAIS

-10

8%

2016-2017

10%

2017

Distribuição de I’IVMAT dos efetivos

RAÇA

11%

EVOLUÇÃO

12%

VALORES

+10

CRpsf: Índice de capacidade de crescimento pós desmame. Traduz a aptidão para o ganho de peso numa produção de novilhas, do desmame aos 2 anos de idade. IABjbf: Índice de síntese aptidão cárnica numa produção de jovens bovinos em exploração. Indica a aptidão de crescimento do desmame ao abate e da conformação das carcaças dos novilhos.

O que pensa das novas tendências alimentares que excluem os produtos de origem animal e em particular as carnes vermelhas? Como produtor como é que acha que se pode promover a carne de bovino junto do consumidor? Acho que as pessoas podem ter alguma razão. Que existe alguma sabedoria da multidão. De facto, há tipos de maneio que são muito pouco naturais. A mim não me preocupa muito, porque sei que as explorações que vão sobreviver são as explorações extensivas e ambientalmente sustentáveis, como a minha. Explorações em que a vaca além de valorizar a exploração em termos económicos, permite

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ruminantes abril . maio . junho 2019

aproveitar áreas de montado que dificilmente seriam aproveitadas de outra forma. Ou seja, a bovinicultura de carne, na região do Alentejo, se nós a soubermos defender de forma inteligente, tem futuro. Eventualmente sistemas mais fechados, mais intensivos terão menos futuro. No fundo se não proporcionamos uma alimentação maioritariamente à base de erva a um ruminante estamos a afastar-nos um bocadinho do que a natureza definiu. Eu acho que a tendência é conseguirmos aceitar que há tipos de bovinicultura que não estão tão corretos, mas não podemos deixar que esse conceito afete todo o setor. Temos que conseguir demonstrar

que ter as vacas no montado estamos a aproveitar um recurso da natureza enquanto ao tê-las fechadas num casão a comer milho e soja não. E por isso o consumidor também tem que ser educado a não olhar só para o preço, porque obviamente criar os animais fechados num casão é mais barato. Tem que haver sentido critico, rastreabilidade dos animais, o consumidor tem que conhecer a origem, saber de onde vem, como foi criado. Origem dos dados apresentados: BGTA 2018 - Bilan Génétique du Troupeau Allaitant INSTITUT DE L'ELEVAGE - Maison Régionale de l'Agriculture 87060 LIMOGES – FRANCE Relativo ao criador David Catita em 2018


Entrevista a David Catita

David Catita Criação de reprodutores Suffolk puros A raça de ovinos Suffolk é uma raça de ovinos de carne utilizada mundialmente em linha pura ou em cruzamento, com o objetivo do melhoramento do rendimento em carne. Na exploração de David Catita, em Serpa, para além da produção de reprodutores Limousine e Suffolk de elevado gabarito genético, os ovinos são utilizadas para a função complementar de controlo da vegetação herbácea nos olivais mais jovens, nos quais, por estarem em Modo de Produção Biológica não é aplicado qualquer tipo de herbicida e deste modo são os ovinos que fazem o controlo das ervas. No entanto, para que não comam as oliveiras, é colocado um

açaime em cada ovelha que lhes permite comer naturalmente no solo, mas que impossibilita o acesso aos ramos. Com base nesta tecnologia as ovelhas Suffolk do criador controlam a vegetação e em simultâneo fertilizam os campos com matéria orgânica. É um aspeto essencial para a produção de um azeite de qualidade, que já em 2019 foi distinguido como o quarto melhor azeite do mundo, no concurso internacional de azeites biológicos, na afamada feira Biofach, na Alemanha. Uma forma ambientalmente interessante de compatibilização da pecuária com a agricultura, com benefícios para ambas as atividades.

ruminantes abril . maio . junho 2019

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ALIMENTAÇÃO

O EFEITO DA SUPLEMENTAÇÃO COM METIONINA OU LISINA PROTEGIDAS

EM OVELHAS EM PRODUÇÃO DE LEITE As proteínas, e em particular o seu perfil de aminoácidos, são um dos fatores cruciais para a produção de leite em ruminantes com elevado perfil genético.

TEXTO JAVIER LOPEZ, TECHNICAL SALES MANAGER RUMINANTES KEMIN EM ESPANHA E PORTUGAL

N

a prática, durante o período do periparto, a proteína microbiana e a proteína da dieta são insuficientes para colmatar as necessidades de aminoácidos essenciais e consequentemente alcançar uma ótima performance. A deficiência em aminoácidos limitantes como a metionina (Met) e a lisina (Lis), pode ser prevenida pela suplementação da dieta com formas estáveis que não sejam degradadas no rúmen. Para além do efeito positivo na produção de leite, os aminoácidos protegidos da ação ruminal podem também melhorar outros aspetos funcionais dos animais. Relativamente ao seu impacto no metabolismo dos lípidos, dados recentes sugerem que estes aminoácidos limitantes têm uma ação antioxidante. O objetivo do presente estudo foi determinar o efeito da suplementação com metionina (MetaSmartR Dry) ou lisina (LysiGEM™) protegidas na ação ruminal, na performance e status oxidativo de ovelhas em produção de leite, de acordo com o programa de aminoácidos Kemin.

20

ruminantes abril . maio . junho 2019

MATERIAL E MÉTODOS Quarenta e oito ovelhas de raça pura Chios, entre os três e quatro anos de idade, com uma média de 50± 4 dias em lactação e 2,6±0,2 kg de produção de leite diária, foram distribuídas em quatro grupos homogéneos (n=12). Os grupos foram equilibrados pela produção leiteira diária, peso corporal e idade, e mantidos estabulados durante o período experimental que durou 70 dias. As ovelhas foram alimentadas com uma dieta base (BD) à base de forragem de luzerna, palha de trigo e concentrado (grão de milho, farelo de trigo, farelo de soja, farelo de girassol e minerais e vitaminas). O grupo de controlo (Control) recebeu a dieta BD sem aminoácidos rúmen-protegidos, enquanto os outros grupos foram suplementados com MetaSmartR Dry (MS), com LysiGEM™ (LG) e com uma combinação de ambos (MS+LG) (Tabela 1). O perfil nutricional de aminoácidos para os diferentes grupos experimentais foi estabelecido de forma a alcançar 2,40 % MetDI (% PDI) no grupo MS, 7,40 % LysDI (% PDI) no grupo LG, e um rácio de 3,09 de Lisina: Metionina no grupo


O efeito da suplementação com metionina ou lisina protegidas

MS+LG (Tabela 2). Os principais objetivos deste estudo foram perceber a influência da Metionina, da Lisina e da junção de ambas, na performance produtiva e status oxidativos no início da lactação de ovelhas de aptidão leiteira. A determinação da capacidade antioxidante total (TAC), no plasma sanguíneo e no leite, foi feita por dois métodos indiretos diferentes: o FRAP (Ferrous Reduced Ability of Plasma) e o ABTS [2.2-azino-bis (3-ethylbenzo-thiazoline-6-sulphonic acid)]. Adicionalmente, o MDA (malondialdehyde), um aldeído tóxico produto da degradação de ácidos gordos polinsaturados, foi determinado no plasma sanguíneo das ovelhas, assim como a atividade da glutationa transferase (GST). O perfil nutricional para os diferentes grupos de tratamento durante a fase experimental pode ser observado na Tabela 3.

RESULTADOS E DISCUSSÃO A Tabela 4 mostra o rendimento médio diário de gordura e proteína, a composição do leite (gordura, proteína, sólidos totais e sólidos totais sem a gordura), a produção de leite corrigida para energia (ECM) e o conteúdo de ureia no plasma sanguíneo. A suplementação com LysiGEM™ e /ou MetaSmartR Dry tendem a aumentar o valor de ECM de 7 % (LG) para 9% (MS+LG), e em 13 % (MS) quando comparados com o grupo de controlo. A adição de MetaSmartR Dry resultou num aumento significativo da produção diária de gordura e proteína em 16 % e 14 % respetivamente, comparativamente ao grupo controlo, enquanto a adição de LysiGEM™ aumentou a gordura do leite em 12 %, proteína 8 %, sólidos totais 7 %, e sólidos totais sem gordura em 4 %, comparativamente ao grupo de controlo. A Tabela 5 mostra o teor de caseína e proteína do leite nos quatro diferentes tratamentos. Nestes resultados observamos que a adição de LysiGEM™ aumentou o teor de caseína no leite em 10% comparado com o grupo de controlo. Já a suplementação com MetaSmartR Dry aumentou a caseína no leite 3 a 4% em relação ao grupo de controlo. Além disso, o teor de caseína nos grupos suplementados com MS ou LG, representa 77 % do total de proteína no leite, enquanto que no grupo que recebeu a suplementação MS+LG representa 79 % do total de proteína no leite. A capacidade antioxidante total (TAC), no plasma sanguíneo e no leite, foi estudada neste projeto. A atividade da glutationa transferase (GST), e o

TABELA 1: COMPOSIÇÃO DA DIETA PARA CADA GRUPO DE TRATAMENTO CONTROL

MS

LG

MS+LG

Feno de Luzerna (kg)

1,1

1,1

1,1

1,1

Palha (kg)

0,6

0,6

0,6

0,6

Concentrado (kg)

1,5

1,5

1,5

1,5

Metasmart®Dry (g)

0

6

0

6

Lysigem (g)

0

0

5

5

TABELA 2: PERFIL DE AA PARA CADA GRUPO DE TRATAMENTO CONTROL

MS

LG

MS+LG

MetDI (%PDI)

1,88

2,40

1,87

2,38

LysDI (%PDI)

6,61

6,56

7,4

7,35

MetDI (gr)

4,69

6,02

4,69

6,02

LysDI (gr)

16,45

16,45

18,6

18,6

LysDI/MetDI

3,51

2,73

3,97

3,09

TABELA 3: PERFIL NUTRICIONAL PARA CADA GRUPO DE TRATAMENTO CONTROL

MS

LG

MS+LG

DMI¹ (kg)

2,9

2,90

2,9

2,9

CP² (DM)

14

14

14

14

PDIE (%DM)

8,7

8,7

8,7

8,7

MJ NEL³/kg DM

5,8

5,8

5,8

5,8

LysDI (gr)

16,5

16,5

18,6

18,6

MetDI (gr)

4,7

6

4,7

6

LysDI (%PDI)

6,6

6,6

7,4

7,4

MetDI (%PDI)

1,9

2,4

1,9

2,4

LysDI/MetDI

3,5

2,7

4

3,1

¹DM= MATÉRIA SECA, ²CP= PROTEINA BRUTA, ³NEL ENERGIA LÍQUIDA PARA LACTAÇÃO

biomarcador de stress oxidativo malondialdeido (MDA) no plasma sanguíneo, estão apresentados na Tabela 6. A inibição pelo ABTS (2.2 – azino-bis 3-ethylbenzo-thiazoline-6-sulphonic acid) diminuiu no plasma sanguíneo em todos os grupos tratados, quando comparados ao grupo de controlo. O mesmo aconteceu para o ABTS e FRAP (Ferrous Reduced Ability of Plasma) no leite, no tratamento que combina LysiGEM™ e MetaSmartR. A atividade da GST diminuiu no grupo suplementado com LysiGEM™ relativamente ao grupo de controlo. O MDA no plasma sanguíneo diminuiu significativamente nos três tratamentos quando comparados ao grupo de controlo. Os principais produtos primários da peroxidação dos lípidos são hidroperóxidos lipídicos, que por sua vez originam produtos secundários da oxidação, que são maioritariamente aldeídos como o MDA.

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21


ALIMENTAÇÃO

TABELA 4: PARÂMETROS DE PRODUÇÃO DE LEITE E UREIA PLASMÁTICA PARA CADA GRUPO DE TRATAMENTO (N=12) CONTROL

MS

LG

MS+LG

Gordura (%)

5,84a

Produção de gordura diária (g)

102a

6,2ab

6,59b

6,26ab

118b

114ab

113ab

Proteína (%)

5,92a

6,17ab

6,42b

6,11ab

Produção de proteína diária (g)

103a

117b

111ab

110ab

ECM¹ (kg)

1,56a

1,76b

1,67ab

1,70ab

Total sólidos (%)

18,3a

19,0ab

19,5b

19,0ab

Total sólidos sem gordura (%)

12,4a

12,8ab

12,9b

12,7ab

Ureia plasmática (mg/dl)

54,0c

46,5b

46,6b

41,6a

ECM= PRODUÇÃO DE LEITE CORRIGIDA PARA ENERGIA, ECM= PRODUÇÃO DE LEITE*(0,071*GORDURA(%) +0,043*PROTEÍNA(%)+0,224) BOCQUIER ET AL., 1993, DIFERENTES SUPERÍNDICES (A,B,C) EM CADA FILA (ENTRE OS TRATAMENTOS DIETÉTICOS) PARA CADA PARÂMETRO, SIGNIFICA QUE DIFEREM SIGNIFICATIVAMENTE (p≤0.05).

TABELA 5: PARÂMETROS DE PRODUÇÃO DE LEITE E UREIA PLASMÁTICA PARA CADA GRUPO DE TRATAMENTO (N=12) CONTROL

MS

LG

MS+LG

Proteína (%)

6,04±0,55a

6,29±0,43ab

6,68±0,57b

6,21±0,33a

Caseína(%)

4,69±0,45a

4,82±0,46ab

5,16±0,54b

4,89±0,33ab

AS MÉDIAS COM DIFERENTES SUPERINDICES (A, B, C) EM CADA FILA (ENTRE OS TRATAMENTOS DIETÉTICOS) PARA CADA PARÂMETRO, DIFEREM SIGNIFICATIVAMENTE (p≤0.05).

TABELA 6: INDICADORES DE ANTIOXIDANTES POR CADA GRUPO TRATAMENTO (MÉDIA ± DESVIO PADRÃO, N=12) CONTROL

MS

LG

MS+LG

ABTS¹ sangue (% inibição)

36,32a

34,87b

34,55b

34,83b

ABTS leite (% inibição)

32,32a

29,48b

31,29ab

28,41c

FRAP² leite (μM ácido ascórbico)

4,43a

4,28ab

4,67a

3,80b

GST³ (unidades/ml sangue)

0,169a

0,158b

0,152b

0,58b

MDAɮ⁴ (μM MDA en sangue)

0,81a

0,59b

0,56b

0,150b

PC⁵ (nmol/ml sangue)

8,72

8,02

8,1

8,37

¹ABTS= 2.2 -AZINO-BIS (ÁCIDO 3-ETILBENZO-TIAZOLIN-6-SULFÓNICO, ²FRAP = FERROUS REDUCED ABILITY OF PLASMA, ³GST = GLUTATIONA TRANSFERASE, 4MDA= MALONDIALDEIDO. AS MÉDIAS COM DIFERENTES SUPERÍNDICES (A, B, C) EM CADA FILA (ENTRE TRATAMENTOS DIETÉTICOS) PARA CADA PARÂMETRO DIFEREM SIGNIFICATIVAMENTE (p≤0.05).

A suplementação de ovelhas com MetaSmartR Dry e/ou LysiGEM™ diminuiu significativamente a concentração de MDA no plasma sanguíneo, comparativamente ao grupo não suplementado (control). Adicionalmente, este pressuposto é suportado pela redução numérica na concentração de carbonilos proteicos (PC) no plasma das ovelhas que consumiram aminoácidos protegidos da ação ruminal. Estes compostos são produzidos pela lesão de proteínas em circunstâncias como o stress oxidativo. Estes resultados indicam que tanto a metionina como a lisina são eficientes

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ruminantes abril . maio . junho 2019

a estimular o sistema antioxidante das ovelhas e têm um impacto positivo na saúde animal. Esta capacidade da lisina e da metionina faz com que, ao adicionálas sob a forma protegida na dieta dos ovinos, se aumente a qualidade do leite e lacticínios. Um aumento na capacidade antioxidante e na qualidade do leite foi conseguido pela suplementação com MetaSmartR Dry e/ou LysiGEM™, mas é necessária mais investigação para clarificar o mecanismo através do qual isto acontece. Paralelamente é também necessária mais investigação sobre a suplementação de ovinos de aptidão

leiteira de forma a encontrar as quantidades ótimas e o rácio destes aminoácidos a partir da suplementação com MetaSmartR Dry e/ ou LysiGEM™.

CONCLUSÕES Há diferenças nas necessidades de aminoácidos essenciais entre vacas, ovelhas e cabras. Existem atualmente poucos estudos feitos em ovelhas e cabras. Este estudo demonstrou o efeito positivo da suplementação com metionina e lisina protegidos da ação ruminal (MetaSmartR Dry e LysiGEM™, respetivamente), na produção leiteira e no conteúdo sólido do leite de ovinos. Os resultados acima indicam que tanto a metionina como a lisina eram aminoácidos limitantes para os animais deste estudo. Os resultados do estudo demonstraram claramente que não só as quantidades de aminoácidos adicionados à dieta, mas também o rácio entre eles, afetam os parâmetros do leite. No entanto, é necessária mais investigação em pequenos ruminantes, de forma a encontrar níveis ótimos, mas é claro que ambos os aminoácidos protegidos da ação ruminal são necessários, de forma a maximizar a resposta produtiva. Este facto foi já demonstrado em bovinos de aptidão leiteira (Awawdeh, 2016). A suplementação das dietas de ovinos de aptidão leiteira de mérito genético elevado com aminoácidos protegidos da ação ruminal (MetaSmartR and LysiGEM™) afeta positivamente a produção leiteira e a composição química do leite (gordura, proteína) o que pode aumentar o lucro do produtor. Um maior teor em caseína pode também ser benéfico na produção de queijo, pelo que o retorno do investimento na utilização do Programa é elevado. Este deve ser medido não só pelo aumento da performance produtiva, mas também por um melhor status metabólico e elevado valor para a produção de queijo. Rações com um teor equilibrado de aminoácidos com MS e LG do Programa de Aminoácidos da Kemin são mais baratas e contêm menos nitrogénio que as rações não balanceadas. Esta escolha com viabilidade económica não compromete a performance zootécnica em ovinos de aptidão leiteira e reduz o impacto ambiental do nitrogénio.


Durante estes últimos dez anos, o nosso objetivo tem sido sempre manter os nossos clientes formados e informados com a finalidade de maximizar os benefícios do uso de aminoácidos, convertendo o Programa de Aminoácidos da Kemin numa referência em toda a Europa.

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GENÉTICA

COMO ESCOLHER O SEXO DA DESCENDÊNCIA?

No caso da sexagem de espermatozoides, uma vez que são as células masculinas que conferem o género ao novo organismo, é possível selecionar previamente à fecundação os espermatozoides que sejam portadores do cromossoma Y ou os que sejam portadores do cromossoma X. TEXTO CAROLINA BALÃO DA SILVA, MÉDICA VETERINÁRIA, INSTITUTO POLITÉCNICO DE PORTALEGRE

A

sexagem é uma biotecnologia aplicada na área da reprodução para permitir escolher o sexo da descendência. É importante diferenciar a este nível a sexagem de embriões da sexagem de espermatozoides. No caso dos embriões é normalmente realizada uma biópsia embrionária que permite, através de uma análise genética, identificar o novo organismo como sendo masculino (portador do par de cromossomas XY) ou feminino (portador do par de cromossomas XX). Este procedimento, embora permita manter a viabilidade do embrião, implica que a deteção do género seja realizada apenas após a fecundação e o desenvolvimento embrionário. No caso da sexagem de espermatozoides, uma vez que são as células masculinas que conferem o género ao novo organismo, é possível selecionar previamente à fecundação os espermatozoides que sejam portadores do cromossoma Y ou os que sejam portadores do cromossoma X. Esta seleção é possível através de técnicas como a eletroforese, a separação em gradiente, os marcadores de superfície ou a citometria de fluxo. Na maioria das técnicas utilizadas, o fator determinante é a diferença na quantidade de ADN existente entre

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ruminantes abril . maio . junho 2019

o cromossoma X e o cromossoma Y (figura 1). Resumidamente, a citometria de fluxo consiste na utilização de um sistema de injeção associado a um sistema ótico composto por um ou mais lasers, dois sensores (FSC e SSC) e diversos fotodetetores, denominado no seu conjunto citómetro, ou seja, medidor de células. A análise das células que atravessam o circuito do citómetro é realizada através de um sistema digital de análise de dados, que traduz a informação detetada pelos sensores e pelos fotodetetores, criando uma imagem (citograma), que é posteriormente estudada pelo operador. Para que seja possível detetar e analisar cada tipo de célula ou componente celular é necessário recorrer à utilização de sondas ou fluorocromos, que consistem em corantes específicos que se fixam a determinada molécula. Cada sonda possui um comprimento de onda (c.d.o) específico de excitação, o que significa que quando incide sobre esta um laser detentor desse mesmo c.d.o, a sonda emitirá fluorescência com um segundo c.d.o também específico dessa molécula. Desta forma, utilizando fluorocromos que sejam específicos para determinado parâmetro ou molécula, é possível detetar e quantificar as células que apresentem ou não essa informação.

Como principais vantagens, a citometria de fluxo apresenta assim uma elevada precisão, uma vez que recorre à utilização de fluorocromos que se ligam especificamente a organelos ou marcadores celulares; elevada sensibilidade, na medida em que uma quantidade reduzida de sonda é suficiente para emitir um sinal detetável pelos fotodetetores do citómetro; alta velocidade de análise, podendo analisar entre 50.000 e 100.000 células por minuto; versatilidade, permitindo associar mais do que uma sonda em simultâneo, obtendo uma análise multiparamétrica; e por último permite obter um elevado número de dados para tratamento estatístico, uma vez que a velocidade de deteção de eventos do citómetro

XX Fêmea

XY Macho

FIGURA 1: Par de cromossomas sexuais na fêmea e no macho. Adaptado de Graves (2014).


Como escolher o sexo da descendência?

FIGURA 2: Características das cabeças dos espermatozoides e índices de separação para os animais domésticos e o homem. O índice de separação é dado pela fórmula: área da cabeça (µm2) *diferença de ADN X – Y (%). Adaptado de Garner (2006). DIMENSÃO COMPRIMENTO (um)

Touro

Varrasco

Carneiro

Coelho

Gato

Cão

Garanhão

Homem

9.1

9.0

8.1

7.7

7.7

7.0

6.5

4.6

4.7

5.0

4.0

4.5

3.2

3.5

3.4

3.2

SEÇÃO SAGITAL DA CABEÇA

LARGURA (um) PERFIL DA CABEÇA

34.5

37.5

26.6

28.0

19.0

20.9

15.2

10.8

DIFERENÇA X-Y (%)

3.8

3.6

4.2

3.0

4.2

3.9

3.9

2.8

ÍNDICE SEPARAÇÃO

131

115

112

84

80

82

59

31

ÁREA (um2)

Nas diferentes espécies de animais domésticos, a diferença na quantidade de ADN existente entre um espermatozoide portador de cromossoma X e um espermatozoide portador de cromossoma Y varia entre 3 e 4%. supera bastante a capacidade de visualização do olho humano. Relativamente à sexagem de espermatozoides por citometria de fluxo, esta baseia-se, como foi indicado anteriormente, na diferença entre o ADN existente nos espermatozoides portadores do cromossoma X e os espermatozoides portadores do cromossoma Y. Nas diferentes espécies de animais

domésticos, a diferença na quantidade de ADN existente entre um espermatozoide portador de cromossoma X e um espermatozoide portador de cromossoma Y varia entre 3 e 4%, sendo de aproximadamente 3,8% na espécie bovina. Contudo, esta espécie possui um excelente índice de separação (área da cabeça*diferença entre X e Y) dada a dimensão elevada da cabeça do espermatozoide, como podemos verificar no esquema comparativo apresentado na figura 2. Para realização do processo de separação os espermatozoides são inicialmente incubados com um fluorocromo específico (Hoechst 33342) que se fixa ao seu ADN, e com um corante vermelho alimentar (FD&C40) que penetra apenas nas células mortas ou cuja membrana se encontra danificada. A função deste corante é permitir identificar e descartar estes espermatozoides da amostra final, uma vez que a sua fixação às células diminui consideravelmente a capacidade

do fluorocromo H33342 de emitir a fluorescência. Após a incubação, as células em solução são colocadas no citómetro para que o equipamento proceda à sua aspiração, as sujeite à ação do laser e realize a deteção do sinal através dos sensores e dos fotodetetores. Como indicado anteriormente, o fato de existir maior quantidade de ADN nos espermatozoides portadores do cromossoma X em comparação aos espermatozoides portadores do cromossoma Y, faz com que a emissão de fluorescência do primeiro grupo de células seja sempre superior à emissão de fluorescência do segundo grupo. Na figura 3 podemos visualizar o citograma produzido através do sistema digital de análise de dados, após a passagem dos espermatozoides corados pelo citómetro. O processo de separação dos dois tipos de espermatozoides é conduzido através do sistema digital de análise de dados, selecionandose quais os grupos de células que

ruminantes abril . maio . junho 2019

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GENÉTICA

FIGURA 3: Citograma com representação da fluorescência de 0º e 90º. Representação dos espermatozoides orientados (R1) e não orientados (R2) em relação aos sensores, e dos espermatozoides mortos (R3). Adaptado de Sharpe e Evans (2009).

Hoje em dia a sexagem de espermatozoides por citometria de fluxo é utilizada comercialmente na espécie bovina, produzindo doses seminais com elevada pureza a velocidades aceitáveis.

512 R2

Não orientados

Fluorescência 0º

384

R1

256

Orientados R3

128

Mortos 0 0

128

256

384

512

Fluorescência 90º

FIGURA 4: Esquema do funcionamento do citómetro de fluxo com capacidade de separação celular.

laser

-

+

x 26

y

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correspondem aos espermatozoides portadores de X (população mais acima, com maior fluorescência) e de Y (população mais abaixo, com menor fluorescência). O operador indica assim ao citómetro que deve conferir diferentes cargas elétricas às duas populações celulares, permitindo assim, através de forças electroestáticas, direcionar cada tipo de célula para um recipiente diferente, que contém um meio adequado para a manutenção da sua viabilidade. Em simultâneo, os espermatozoides que tenham permitido a entrada do corante vermelho alimentar são descartados para um terceiro recipiente (figura 4). Após a recolha das células e previamente ao processamento das amostras (inseminação artificial ou conservação por refrigeração ou criopreservação), é ainda necessário proceder à centrifugação do conteúdo dos recipientes, uma vez que a

passagem das células pelo citómetro implica a presença de fluido e uma diluição excessiva da amostra recolhida. Hoje em dia a sexagem de espermatozoides por citometria de fluxo é utilizada comercialmente na espécie bovina, produzindo doses seminais com elevada pureza a velocidades aceitáveis. Ainda assim, o êxito da fecundação depende de fatores como a qualidade seminal individual, o número de espermatozoides inseminados, o momento e local da inseminação, as capacidades do técnico, o estado reprodutivo das fêmeas e o maneio dos animais. Adicionalmente, a fertilidade das doses de sémen sexado congelado é menor, dada a necessidade de passagem das células por dois procedimentos relativamente agressivos: a criopreservação e a separação por citometria de fluxo. Este processo, embora efetivo, implica que os espermatozoides passem por diversos ambientes e processos químicos e mecânicos que diminuem inequivocamente a sua viabilidade. É assim fundamental para o desenvolvimento desta biotecnologia reprodutiva que continuem a estudarse formas de mitigar os efeitos negativos que o procedimento em si provoca às células espermáticas.

APOIO: Projeto ALTBioTech RepGen Recursos genéticos animais e biotecnologias: projeções para o futuro ALT20-46-2016-06


ALIMENTAÇÃO

QUATRO ETAPAS PARA OTIMIZAR

O DESEMPENHO DA ENGORDA DE NOVILHOS

E TEXTO LUÍS RAPOSO, ENGENHEIRO ZOOTÉCNICO, DEPARTAMENTO RUMINANTES NA REAGRO L.RAPOSO@REAGRO.PT

m explorações de engorda de novilhos, a otimização do desempenho técnico e económico é imprescindível para alcançar a rentabilidade. A obtenção prática do objetivo requer uma abordagem que podemos segmentar em quatro etapas: estudo e decisão dos mercados alvo, análise da situação atual, elaboração de um programa alimentar personalizado, e finalmente a validação final das soluções implementadas.

ESTUDO E DECISÃO DOS MERCADOS ALVO É fundamental que os produtores tenham em conta o tipo de produto que os seus mercados-alvo exigem por forma a estabelecerem as suas metas de produção, ou seja, vitelos desmamados, bezerros com menos de 12 meses, bezerros de 14 a 16 meses, ou qualquer outro. O conhecimento prévio destas metas comerciais permite a determinação de objetivos em relação ao peso final, ao ganho médio diário (GMD), quantidade de gordura ou cor da carne, etc. Com esta informação será mais simples decidir o tipo de dieta a implementar e garantir os níveis nutricionais necessários bem como o programa de alimentação mais apropriado a ser aplicado.

ANÁLISE DA SITUAÇÃO ATUAL Atingir as metas propostas requer uma boa visão geral e um bom entendimento dos sistemas

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Quatro etapas para otimizar o desempenho da engorda de novilhos

atualmente implementados na exploração. Neste ponto, a realização de uma auditoria prática da exploração ajudará a identificar as áreas suscetíveis de melhoria, tanto do ponto de vista técnico como económico. Além disso, existem várias ferramentas de gestão que nos permitem prever o potencial desempenho e consequentemente prever os potenciais ganhos expectáveis. Estas ferramentas de gestão consideram e relacionam várias informações de mercado (preço de custo dos vitelos, preço de venda de novilhos, custo da dieta implementada, etc.) permitindo dessa forma determinar margens de lucro.

ELABORAÇÃO DE UM PROGRAMA ALIMENTAR PERSONALIZADO A elaboração de um programa alimentar personalizado deverá ser baseada, entre vários fatores, numa relação entre um ótimo técnico e um ótimo económico para a exploração. A elaboração desse programa alimentar deverá considerar: a otimização de recursos (forragens, rações, aditivos minerais ou vitamínicos, matériasprimas e subprodutos disponíveis); o potencial de crescimento dos animais - GMD potencial (Ganho Médio Diário) e curva de crescimento; o dimensionamento da engorda os objetivos, as metas e as margens pretendidas. A relação dos dados acima, entre objetivos pretendidos e as especificidades de cada exploração, poderão ser inseridos num software de otimização por forma a calcular não só as necessidades nutricionais necessárias à obtenção desses objetivos mas também sugerindo assim o melhor programa de alimentação.

Como obter o melhor programa alimentar? Um conhecimento geral dos valores nutricionais dos respetivos recursos existentes na exploração (forragens, matéria-prima...) e a consideração das metas de produção ajudarão a determinar até que ponto esses recursos podem ser usados ​​na dieta, bem como quais os complementos alimentares necessários e adequados para uso. Esses complementos alimentares ajudarão a compensar as deficiências e as limitações identificadas na dieta em termos de perfis energéticos, proteicos e minerais da dieta. Ao projetar a dieta, a consideração de certos critérios contribuirá para uma gestão mais precisa das respetivas fases de engorda: adaptação / início / crescimento / acabamento. O outro benefício de tais precauções é que as perturbações digestivas que provavelmente ocorrerão em alguma destas fases serão mais controladas e, portanto, mais bem evitadas. Um programa de alimentação inadequado pode resultar num baixo desempenho e distúrbios digestivos vários (acidose, enterotoxemia...), com consequências frequentemente pesadas: utilização ineficiente de dietas, menor ganho de peso diário em período de engorda, desempenho reduzido, claudicação, morte.... Além disso, a incorporação de soluções aditivadas na dieta dos animais pode aumentar os benefícios dos nutrientes e ajudar a que esses possam assumir todo o seu potencial. Para esse efeito, existem várias soluções que podem garantir uma otimização segura do crescimento dos novilhos. O modo de ação dessas soluções consiste em orientar as fermentações ruminais para produzir ácido propiónico. O ácido propiónico terá por sua vez um efeito favorável no

Soluções personalizadas ajudam a alcançar mais facilmente os objetivos de cada exploração em particular! crescimento muscular e contribuirá para conter as emissões de metano, soluções essas que além do mais também limitam o desperdício de energia.

VALIDAÇÃO DAS SOLUÇÕES IMPLEMENTADAS Uma comparação final entre a dieta que foi realmente implementada e o ganho de peso resultante proporcionará uma avaliação técnico-econômica precisa do programa implementado para o efeito. Esta avaliação ajudará a determinar quais as áreas suscetíveis de melhoria, tendo em conta as condições existentes na exploração e os métodos de alimentação mais apropriados e suscetíveis de serem aplicados.

CONCLUSÕES

Para otimizar o desempenho de crescimento em gado de engorda há que recorrer a apoio técnico especializado. O acompanhamento das várias etapas dum projeto permitem atingir os melhores objetivos ao melhor preço. Através de pequenas auditorias, usando ferramentas de gestão adequadas ou utilizando softwares de otimização será mais fácil tomar decisões, implementar programas nutricionais específicos ou apenas melhorar seus programas de alimentação. Soluções personalizadas ajudam a alcançar mais facilmente os objetivos de cada exploração em particular!

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ALIMENTAÇÃO

CIÊNCIA E INOVAÇÃO

COM O FOCO EM ALIMENTOS LÍQUIDOS POR LUÍZA FERNANDES, RESPONSÁVEL DO DEPARTAMENTO DE INVESTIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA DIVISÃO EUROPEIA ALIMENTOS LÍQUIDOS DA EMPRESA ED&F MAN TRADUZIDO E ADAPTADO FILINTO GIRÃO OSÓRIO, AREA MANAGER IBERIA ED&F MAN

O

grupo inglês ED&F MAN nasceu em 1783 como uma empresa multinacional comercializadora de produtos tradicionais como o açúcar, o café e os melaços. No entanto, a empresa continuou a adaptar-se às necessidades do mercado criando, desde há décadas, a divisão de alimentos líquidos para produzir e comercializar alimentação líquida para o gado. Esta divisão combina a experiência da empresa na venda de matérias primas líquidas com a tecnologia e inovação, conseguindo produtos mais seguros, de alta qualidade e maior eficácia, que podem satisfazer as expetativas de todos os produtores de gado a nível mundial. Historicamente, os melaços têm sido o ingrediente base da maior parte

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dos alimentos líquidos utilizados nas dietas para ruminantes e na maioria das situações os produtores de gado podiam observar respostas positivas quando se utilizava esta fonte de açúcares. No entanto faltavam respostas para perguntas sobre como otimizar e standartizar os efeitos desejados. Com isso em mente a ED&F MAN (sob a marca SUGARPLUS em Portugal) decidiu encabeçar um projeto de investigação para gerar melhores ferramentas técnicas para nutricionistas e ser capaz de desenhar produtos mais eficazes para os seus clientes. Sob estas premissas, iniciou-se uma investigação na Universidade de Bolonha, assistida por reconhecidos peritos internacionais do setor como Charles Sniffen. É agora depois de 3

anos de trabalho, que partilhamos os primeiros resultados conclusivos numa conferência organizada em Bolonha para mais de 350 nutricionistas de toda a Europa sob o tema “Dos Açúcares aos Alimentos Líquidos. Da Investigação ao Futuro”. Tal como vincado pelo diretor europeu da divisão de alimentos líquidos da ED&F MAN, Paolo Galliussi: o título do evento transmite a necessidade de mudar o ponto de vista tradicional, até agora aplicado nos alimentos líquidos, uma vez que muitas vezes são apenas valorizados pelo seu aporte energético, esquecendo que nem todas as fontes de energia funcionam da mesma forma e desprezando o papel que desempenham no transporte de outros elementos solúveis, como aminoácidos, NPN, minerais, ácidos orgânicos, glicerol, etc. que de outro modo seriam difíceis de manejar e facilmente desaproveitados. O programa científico deste congresso reuniu alguns dos mais relevantes cientistas do setor, como Paul Weimer da Universidade de Wisconsin – Madison (EUA), cuja apresentação versou sobre uma descrição geral das consequências da nutrição na composição da flora ruminal e na produção de leite, destacando o facto de que cada animal demonstra a sua própria resposta à dieta. Pela sua parte, o professor Gregory Penner, da Universidade de Saskatchewan (Canadá), promoveu o uso de açúcares, explicando que este nutriente deve ser visto, não apenas


Ciência e inovação com o foco em alimentos líquidos

Esta divisão combina a experiência da empresa na venda de matérias primas líquidas com a tecnologia e inovação, conseguindo produtos mais seguros, de alta qualidade e maior eficácia que podem satisfazer as expetativas de todos os produtores de gado a nível mundial.

como uma fonte de energia, mas como um ingrediente funcional na dieta dos ruminantes. Isto deve-se ao facto de que os açúcares podem aumentar a absorção total de glicose na dieta mediante a estimulação de receptores específicos denominados em inglês “glucose taste receptors” (traduzido para português como sensores de sabor doce) presentes ao longo do trato gastrointestinal, aumentando a absorção de energia através destes mecanismos. Falou também sobre como os açúcares aumentam o transporte de AGV (ácidos gordos voláteis) dependente de bicarbonato, ajudando a estabilizar o pH ruminal, e partilhou resultados sobre como açúcares e alimentos líquidos podem estimular a ingestão de matéria seca. Pela mão de Alberto Palmonari da Universidade de Bolonha (Itália) conhecemos os dados da investigação patrocinada pela ED&F MAN, alguns dos resultados mais relevantes são: COMPOSIÇÃO DOS MELAÇOS Estudou-se a composição dos melaços (principalmente cana e beterraba) provenientes de todo o mundo, e pela primeira vez, graças à precisão dos métodos analíticos utilizados, pudemos conhecer 98% da sua composição em matéria seca. Também se destacou o quão variáveis podem ser estas matérias primas no que toca a valores e perfis de açúcares, proteínas e minerais (e, consequentemente, valores catioaniónicos), evidenciando a necessidade

de optar por produtos finais mais constantes aplicando um foco na nutrição de precisão na formulação de dietas para vacas de alta produção. PRODUÇÃO DE AGV E GÁS Os melaços desencadearam produções de gás in vitro mais altas e mais cedo, salientando o seu papel como fonte de energia mais rápida. Além disso aumentaram a proporção de butirato produzido, provando o efeito que exercem como ingredientes modeladores das fermentações ruminais, podendo aumentar a eficiência do epitélio ruminal. DEGRADABILIDADE DOS AÇÚCARES Constatou-se que a degradabilidade in vitro dos açúcares dos melaços foi de 95% em 2 horas. Isso demonstra que o

baixo kD (taxa de degradação expressa em percentagem por hora) atualmente considerada pelo CNCPS (Cornell Net Carbohydrate and Protein System) provavelmente não será constante e deveria ser incrementada de 20%/h a cerca de 60%/h. A aplicação correta do kD é de fundamental importância para formular com açúcares em softwares dinâmicos, porque é o que permite aos nutricionistas de ruminantes estimar com maior precisão o seu efeito promotor de uma maior síntese de proteína microbiana e uma maior eficiência na utilização de azoto. MICROBIOLOGIA RUMINAL Os melaços demonstraram um grande impacto sobre o perfil microbiológico do rúmen. Falando dos efeitos sobre as espécies mais conhecidas, estas fontes de açúcares parecem estimular as populações de Butirivibrio e M. elsdenii, relacionadas positivamente com a produção de gordura no leite, digestibilidade da fibra e controlo do pH. Além disso, não foram observados impactos dos melaços nas bactérias produtoras de metano, pelo que não se contemplam as perdas de energia através deste processo.

Nutricionistas presentes na conferência (da esquerda para a direita): João Sousa (LACTICOOP), Paulo Aranha (FINANÇOR), Marta Lopes (EUROCEREAL), Filinto Girão Osório (ED&F MAN)

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ALIMENTAÇÃO

DIGESTIBILIDADE DA FIBRA Quando se comparam diferentes fontes de alimentos e o seu efeito sobre a digestibilidade da aNDFom (fibra neutrodetergente obtida com o uso de amílase e corrigida para o conteúdo de cinzas) os melaços demonstraram funcionar melhor que a sacarose pura, provando que este ingrediente é mais do que uma fonte de açúcares simples. Cabe-nos destacar neste processo que, de todos os ingredientes testados, foi o alimento líquido Milker o que obteve maior impacto na digestão de NDF (ver tabela). Joe Harries, vice-presidente da divisão nos EUA, com mais de 30 anos de experiência em investigação e desenvolvimento de alimentos líquidos, salientou as vantagens no uso de alimentos líquidos aniónicos em vacas secas. O Professor Andrea Formigoni, da Universidade de Bolonha (Itália) foi encarregado de realizar uma revisão completa de todas as frações de hidratos de carbono, explicando como formular com arraçoamentos

balanceados com açúcares, a sua recomendação é de 6-8% de açúcares totais no arraçoamento, desde vacas secas até à fase mais tardia da lactação. No entanto, enfatizou que é importante não utilizar açúcares apenas para substituir amido, se não usar alimentos líquidos para otimizar todos os nutrientes e aplicar um foco nutricional mais “holístico” nas explorações de vacas leiteiras. A informação surgida desta conferência internacional representa uma nova forma de observar os alimentos líquidos, com um foco que vai muito mais além da sua função como fonte de energia. Na prática, ao avaliar a introdução nas explorações, os nutricionistas devem ter em conta que os alimentos líquidos SUGARPLUS podem aumentar a ingestão de matéria seca, a homogeneidade da mistura, a digestibilidade da fibra, a eficiência do uso de azoto assim como ajudar a estabilizar o pH ruminal e aumentar a absorção de energia em todo o arraçoamento. Todos estes aspetos não

podem ser medidos apenas através de uma ficha técnica, em particular quando estas se utilizam em programas estáticos de formulação. O grupo ED&F MAN, e em particular a equipa SUGARPLUS em Portugal comprometem-se a prosseguir proporcionando informação ao setor e continuar os seus projetos de investigação que permitam o desenvolvimento de novos produtos e serviços cada vez melhores, com o objetivo de que os alimentos líquidos sejam uma opção inteligente quando se procura uma alta eficiência e rentabilidade no setor pecuário. DIGESTIBILIDADE IN VITRO DA ANDFOM

Produto

48h

Soro de Leite

+2,54

Açúcar branco (sacarose)

+7,42

Amido puro

+15,03

Extracto de Malte

+17,38

Melaço de Beterraba

+17,86

Melaço de Cana

+20,89

MILKER (ED&FMAN)

+27,18

BREVES

SUPLEMENTAÇÃO COM QUITOSANO PARA AUMENTAR A PRODUÇÃO DE LEITE De acordo com uma investigação realizada em várias universidades no Brasil, o quitosano, presente na quitina das cascas de moluscos e crustáceos pode ser um bom suplemento para vacas de alta produção. O estudo, realizado em 24 vacas de leite da raça Holstein Frisia, avaliou a suplementação com quitosano e óleo de soja na dieta no que respeita à performance, consumo alimentar, teor de ácidos gordos, fermentação no rúmen, balanço de azoto e digestibilidade. Segundo os investigadores, os resultados do estudo indicam que a suplementação com quitosano (sem óleo de soja) aumenta a performance dos animais, melhora a utilização de azoto e aumenta a eficiência alimentar. Além disso, a suplementação com este produto aumentou a concentração de ácidos gordos insaturados no leite. O quitosano é um produto não tóxico, e biodegradável que,

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pelas suas características, pode funcionar como alternativa ao uso de antimicrobianos ionóforos na suplementação dos animais de alta produção. Ao contrário, a associação de quitosano com óleo de soja parece estar associada à redução da performance dos animais.


O IMPULSO CERTO PARA TER MAIS QUALIDADE E EFICIÊNCIA MEAT PLUS é uma mistura de açúcares líquidos que optimiza o arraçoamento de bovinos de carne.

PRINCIPAIS VANTAGENS E BENEFÍCIOS

6-8% AUMENTO DOS GANHOS MÉDIOS DIÁRIOS

ARRAÇOAMENTO ARRAÇOAMENTO MAIS HOMOGÉNEO E MAIS PALATÁVEL

DIGESTIBILIDADE AUMENTO DA DIGESTIBILIDADE DO ALIMENTO

PH RUMINAL PH RUMINAL MAIS ESTÁVEL E ANIMAIS MAIS SÃOS

00351 914 937 848 | alledier.geral@gmail.com — 00351 910 454 951 | alledier.ruigodinho@gmail.com — 00351 910 212 749 | alledier.joaociriaco@gmail.com

Atingindo a necessidade de açúcar de 8%, obtém-se um arraçoamento mais balanceado com a garantia de maior eficiência digestiva. Os mais recentes estudos científicos reconhecem que os açúcares são uma necessidade importante a satisfazer no arraçoamento dos bovinos de carne. A necessidade de açúcar é de 8% em matéria seca. No arraçoamento típico encontramos valores entre 2 a 3%.


PUBLIRREPORTAGEM RESCUE CALVES

RESCUE CALVES

PORQUE TODAS AS NOVILHAS CONTAM!

O VÍTOR SANTOS, TERRITORY MANAGER RUMINANTS - CARGILL

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novo programa Provimi® RESCUE CALVES foi projetado para salvar as vitelas da alta taxa de mortalidade típica dos primeiros dias de vida, obtendo assim novilhas bem conformadas e prontas para serem inseminadas aos 14 meses. Um bom começo, essencial, para se tornarem boas produtoras de leite. As explorações de leite em Portugal refugam, por ano e por diferentes razões, em média 35% das suas vacas em lactação. Em consequência, para manter a dimensão do efetivo constante, é necessário que produzam um número suficiente de novilhas para fazer face ao chamado custo de reposição. No entanto, muitas vezes acontece que as nossas explorações não são capazes de manter o número de animais com a própria recria e são forçadas a comprar novilhas no mercado.

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Mas qual é o verdadeiro problema? É apenas a fertilidade das vacas? Certamente as margens para melhorar a fertilidade são ainda grandes, no entanto, o número de vitelas nascidas anualmente seria mais do que suficiente para manter o tamanho do rebanho constante, mesmo perante uma taxa elevada de refugo. Existem muitas vezes problemas que são subestimados, tais como: Perdem-se muitas vitelas e novilhas antes do primeiro parto: Em média, chegam ao primeiro parto entre 75 a 80% das vitelas nascidas vivas. Nos melhores casos podem chegar aos 90%. As novilhas parem com vários meses de atraso em comparação com a idade ideal – 24 meses – que garante o melhor retorno fisiológico e económico.


PUBLIRREPORTAGEM RESCUE CALVES

OPORTUNIDADES DE MELHORIA

Face a estes problemas nasce o RESCUE CALVES, o novo programa Provimi® que pretende, de um modo relativamente fácil e acessível a todos os produtores, recuperar importante valor muitas vezes esquecido e/ou desvalorizado. O novo programa Provimi® RESCUE CALVES permite atingir os 3 objetivos fundamentais no processo de produção de novilhas: 1. A curto prazo: Salvar as vitelas da alta taxa de mortalidade típica das primeiras fases de vida (perinatal, neonatal e desmame); 2. A médio prazo: Obter novilhas bem conformadas e prontas para serem inseminadas, com 130 cm de altura à cernelha aos 14 meses de idade; 3. A longo prazo: Produzir novilhas bem desenvolvidas a parir aos 24 meses de idade com um peso de 650 kg.

RESCUE CALVES É um alimento starter que alia o fator forragem à melhor combinação de nutrientes proteicos e energéticos. Com uma apetência excecional, garante a ingestão adequada do primeiro alimento sólido da vitela. O programa alimentar é bastante simples, uma vez que pode ser administrado desde que se deixa de dar o colostro (4º dia de vida) até que a vitela completa os 3 meses de idade. Para um melhor resultado pode-se ainda completar a dieta da cria com a administração de um substituto do leite materno de elevada qualidade,

Cada vitela deve ser vista pelo produtor como uma oportunidade de crescimento.

o L-ACTIVO em quantidades que não excedam as 500-750 gr/cabeça/dia, dividida em 2 tomas. Será possível iniciar o desmame quando a vitela conseguir ingerir 1 kg/dia de RESCUE CALVES, durante 2 dias consecutivos. Uma vez que o alimento possui um elevado teor de fibra, não é aconselhável a adição de qualquer tipo de feno na dieta dos animais nos seus primeiros 60 dias de vida, evitando assim o desenvolvimento tardio das papilas do rúmen.

EASY GROWER Este alimento foi desenvolvido para complementar uma alimentação seca (com feno de gramíneas ou leguminosas), desde os 3 até aos 10 meses de vida, combinando fontes de energia e proteína de elevado valor biológico. O objetivo será ter um crescimento médio por dia em torno de 750 a 800 gr/cabeça. Superados os 10 meses de idade é necessário manter o ritmo adequado e constante de crescimento das novilhas, sem exceder na contribuição de energia, para garantir que os tecidos do corpo continuem a desenvolver-se de forma harmoniosa e obter o crescimento máximo do sistema mamário. Com o propósito de ter uma primeira lactação com alta produção de leite de qualidade, desenvolveu-se a última fase do programa Provimi® RESCUE CALVES, com a formulação de um

O PROGRAMA PROVIMI® RESCUE CALVES É UMA VISÃO 360º SOBRE A CRIA E RECRIA DE NOVILHAS QUE INCLUI: APOIO TÉCNICO

Monitorização do crescimento das vitelas e das novilhas e aconselhamento técnico de práticas que o ajudam a aumentar a sua rentabilidade.

FERRAMENTAS EXCLUSIVAS

Instrumentos de campo que permitem identificar, reconhecer e resolver rapidamente os principais problemas.

ALIMENTOS ESPECÍFICOS

Satisfação das necessidades de cada etapa do desenvolvimento da novilha com a combinação ideal de nutrientes. Estes alimentos são formulados especificamente para atender às necessidades das futuras vacas. São eles, o RESCUE CALVES, o EASY GROWER e o HEIFER 30. produto que visa reduzir custos e aumentar o retorno económico de desenvolvimento da novilha, tendo animais fortes e bem desenvolvidos.

HEIFER 30 É um núcleo com proteína de elevada digestibilidade e uma alta concentração de vitaminas e minerais que visa equilibrar a dieta das novilhas com mais de 10 meses. Este alimento maximiza o uso de forragem, para que os custos alimentares não tenham um grande impacto na rentabilidade da exploração. As novilhas deverão manter esta dieta até entrarem na fase de pré-parto, conseguindo parir por volta dos 24 meses e ter uma longa produção, sem percalços, alinhada com o objetivo do negócio.

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SAÚDE & BEM-ESTAR

A FALHA NA TRANSFERÊNCIA DA IMUNIDADE

O INIMIGO DENTRO DE PORTAS RUTE SANTOS1, GRAÇA PACHECO DE CARVALHO1, ANA CACHAPA1, LAURA HERNÁNDEZ1, CAROLINA SILVA1, HELENA VALA2, LINA COSTA1, LUÍSA SILVA PEREIRA1 E MIGUEL MINAS1 1

INSTITUTO POLITÉCNICO DE PORTALEGRE //

E

m regiões geográficas com condições edafoclimáticas mais adversas, a produção de carne em regime extensivo apresenta-se como uma das maiores fontes de receita e de empregabilidade das explorações agrícolas. No entanto, e dadas as características da produção extensiva, qualquer fator que condicione as margens de rentabilidade da exploração pode comprometer a sua viabilidade. É neste enquadramento que importa alertar o produtor para a importância da falha da transferência da imunidade passiva nos vitelos de carne. O que é a FTIP? A falha na transferência da imunidade passiva (FTIP) é um fenómeno que se pode descrever como a incapacidade, ou deficiente capacidade, de assimilação pelo vitelo dos anticorpos maternos transferidos através do colostro. A placenta dos ruminantes não permite, pelas suas características, a passagem dos anticorpos maternos durante a gestação, pelo que o vitelo recém-nascido depende unicamente dos anticorpos presentes no colostro que ingere após o nascimento – transferência da imunidade passiva – para proteção contra agentes patogénicos nas primeiras semanas

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INSTITUTO POLITÉCNICO DE VISEU

de vida. Quando esta transferência não é adequada (em virtude de ingestão insuficiente ou má qualidade do colostro), estamos perante FTIP. Trata-se, portanto, não de uma doença, mas de uma circunstância que propicia a incidência de diversas patologias nos vitelos desprotegidos. A FTIP em bovinos é, ao que tudo indica, um problema com uma elevada prevalência, quer em bovinos de carne quer em bovinos de leite, e está associada a uma alta taxa de morbilidade e mortalidade. Além das considerações económicas, o estado imunitário enfraquecido dos bezerros recém-nascidos interfere também com a sua saúde e bem-estar. Como é que a FTIP afeta os efetivos bovinos de carne? Um estudo recentemente publicado evidenciou que o período de maior risco de doenças em explorações de bovinos ocorre entre o nascimento e o primeiro mês de vida (Todd et al., 2018). Em Portugal, não existem dados publicados sobre a prevalência de FTIP em efetivos bovinos de carne, mas dados publicados noutros países apontam para taxas de mortalidade que variam entre 8 e 25 %. Numa meta-análise das consequências da FTIP, o risco de mortalidade no grupo de animais diagnosticados com falha da transferência da imunidade

foi 2,12 vezes superior ao do grupo controlo, o risco de transtornos respiratórios foi 1,75 vezes superior, o risco de diarreia foi 1,51 vezes superior e a taxa de morbilidade em geral (envolvendo qualquer patologia) foi 1,91 vezes superior à do grupo controlo (Raboisson et al., 2016). Além do incremento no risco na mortalidade e morbilidade, observam-se efeitos negativos sobre o peso ao desmame e o ganho médio diário. A primeira causa de morte é a diarreia neonatal aguda causada por E. coli enterotoxigénicas, embora existam outros agentes patogénicos comumente associados a diarreias em vitelos, como os rotavirus, coronavirus e Cryptosporidium spp.

Trata-se, não de uma doença, mas de uma circunstância que propicia a incidência de diversas patologias nos vitelos desprotegidos. Além das considerações económicas, o estado imunitário enfraquecido dos bezerros recém-nascidos interfere também com a sua saúde e bem-estar.


A falha na transferência da imunidade

A segunda causa de morte são os problemas respiratórios, incluindo a pneumonia. Podem também observar-se septicemias, onfalites (patologia umbilical), e inflamações osteoarticulares como consequência da falha na transferência dos anticorpos através do colostro. Quais são os impactos da FTIP no rendimento das explorações? As consequências da FTIP têm grande impacto económico em explorações nas quais os produtos são os vitelos, que são vendidos ao desmame ou após um período de engorda. Para além do impacto económico direto da taxa de mortalidade dos bezerros, acresce também o impacto económico relacionado com os bezerros que conseguem resistir. Estes serão sempre animais com rendimentos inferiores, quando comparados com os da mesma faixa etária que não

tenham sofrido FTIP. Além disso, a FTIP em fêmeas vai afetar a sua produtividade a longo prazo. Os baixos níveis de anticorpos têm sido associados à fraca produtividade na primeira e segunda lactação e ainda a um aumento na taxa de refugo de novilhas à primeira lactação (Beam et al., 2009; Cuttance et al., 2017). Nos custos da morbilidade incluemse os gastos dos tratamentos das enterites, septicemias, onfalites e doenças respiratórias e da assistência veterinária. Em explorações de aptidão cárnica, o custo estimado da FTIP por vitelo foi de aproximadamente 80 euros (com um intervalo de predição situado entre os 20 e os 139 euros) (Raboisson et al., 2016). É possível prevenir a FTIP? Embora seja utópico pensar que se pode reduzir a zero a prevalência

de FTIP em efetivos em sistemas extensivos, há um conjunto de práticas que pode contribuir de forma relevante para a sua diminuição. Um dos aspetos que é por vezes descurado nas explorações é a manutenção de registos completos, que permitam ao produtor conhecer, a cada momento, os indicadores produtivos da exploração, assim como o histórico produtivo de cada reprodutora. Os critérios de refugo deverão ter em conta, não só a idade dos animais, como também a eficiência reprodutiva e os resultados negativos exibidos ao longo da vida produtiva (designadamente, a mortalidade das crias até ao desmame). Para garantir que as vacas produzem colostro de qualidade em quantidade suficiente, há dois aspetos fundamentais a ter em conta: a sua condição corporal no último terço da gestação e o seu estado

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SAÚDE & BEM-ESTAR

Para garantir que as vacas produzem colostro de qualidade em quantidade suficiente, há dois aspetos fundamentais a ter em conta: a sua condição corporal no último terço da gestação e o seu estado imunitário. imunitário. As vacas devem ter uma condição corporal adequada a uma produção de colostro e de leite que permita o desenvolvimento das crias nas melhores condições. Por outro lado, é fundamental que o produtor estabeleça, com o apoio do médico veterinário assistente, um plano profilático que garanta a estimulação imunitária das progenitoras antes do parto, como forma de garantir um título de anticorpos suficiente no colostro. Para que esse plano seja ainda mais efetivo, a gestão reprodutiva da exploração deverá

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permitir uma concentração de partos, facilitando a vacinação das progenitoras até 90 dias pré-parto. A sensibilização e formação dos vaqueiros é outro aspeto crítico para diminuir o impacto da FTIP. O acompanhamento próximo do efetivo, idealmente duas vezes por dia, permite a deteção precoce das situações em que o vitelo está fraco, não consegue mamar ou em que a mãe não o deixa mamar, permitindo a administração de colostro ou substitutos que contribuam para diminuir ou suprimir a FTIP. Para permitir este acompanhamento, o produtor necessitará provavelmente de investir na instalação de parques de menores dimensões e em maior número, facilitando um acompanhamento mais exaustivo dos grupos. O que é o projeto RUMMUNITY? O projeto RUMMUNITY (SAICTPOL/23757/2016) é um projeto desenvolvido pelo Instituto Politécnico de Portalegre, Instituto Politécnico de Viseu e duas explorações pecuárias.

O objetivo do projeto é aumentar o grau de conhecimento sobre a prevalência e os impactos da FTIP em efetivos bovinos de carne em sistemas extensivos, e testar a viabilidade terapêutica da administração de plasma a vitelos diagnosticados com FTIP. Pode consultar mais informação em: https://sites.google.com/view/ projeto-rummunity.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Beam, A. L., Lombard, J. E., Kopral, C. A., Garber, L. P., Winter, A. L., Hicks, J. A., & Schlater, J. L. (2009). Prevalence of failure of passive transfer of immunity in newborn heifer calves and associated management practices on US dairy operations. J Dairy Sci, 92(8), 3973-3980. doi:10.3168/jds.2009-2225 Cuttance, E., Mason, W., Denholm, K., & Laven, R. (2017). Comparison of diagnostic tests for determining the prevalence of failure of passive transfer in New Zealand dairy calves. New Zealand Veterinary Journal 65(1), 6-13 Raboisson, D., Trillat, P., & Cahuzac, C. (2016). Failure of Passive Immune Transfer in Calves: A MetaAnalysis on the Consequences and Assessment of the Economic Impact. PLoS One, 11(3), e0150452. doi:10.1371/journal.pone.0150452 Todd, C. G., McGee, M., Tiernan, K., Crosson, P., O'Riordan, E., McClure, J., . . . Earley, B. (2018). An observational study on passive immunity in Irish suckler beef and dairy calves: Tests for failure of passive transfer of immunity and associations with health and performance. Prev Vet Med, 159, 182-195. doi:10.1016/j.prevetmed.2018.07.014


ALIMENTAÇÃO

OTIMIZAÇÃO DO MANEIO ALIMENTAR - NOVILHAS DE CARNE -

A condução e o maneio das novilhas de hoje influenciam as performances técnicas e económicas das explorações de amanhã, uma vez que o custo de recria de uma novilha tem um impacto económico muito significativo nas contas de uma exploração. Por isso, nos últimos anos, os produtores de vacas aleitantes têm-se dedicado à procura de sistemas de produção que lhes permitam, cada vez mais, antecipar a idade ao primeiro parto.

O PEDRO CASTELO DIRETOR TÉCNICO ZOOPAN PEDRO. CASTELO@ZOOPAN.COM

SARA GARCIA TÉCNICO-COMERCIAL ZOOPAN

SARA.GARCIA@ZOOPAN.COM

40

s sistemas de produção em que a idade ao primeiro parto é antecipada, permitem aumentar a eficiência económica da exploração. Estes sistemas requerem também uma adaptação dos ritmos de crescimento das novilhas, de modo a prepará-las adequadamente para a entrada na vida reprodutiva. Assim, o plano alimentar terá que ser adaptado à fase de crescimento em que as novilhas se encontram, bem como às performances de crescimento que se pretendem atingir. De modo a que as novilhas de substituição possam ser colocadas à reprodução, o produtor deverá garantir que as mesmas atinjam 60% do seu Peso Vivo Adulto. Exemplo: se em adulta uma vaca pesa 650 kg, então ela poderá iniciar a sua vida reprodutiva quando tiver

ruminantes abril . maio . junho 2019

atingido 390 kg de Peso Vivo. Como tal, iremos apresentar neste artigo um estudo prático realizado em Portugal, sendo esta análise focada na recria de novilhas cruzadas, de modo a que a primeira inseminação seja feita entre os 14 e os 16 meses de idade e os respectivos partos aos 24 meses, aproximadamente. Aproveitamos para fazer um agradecimento especial ao Dr. João Oliveira Soares (Herdade da Abegoaria, Canha), pela disponibilidade da partilha de toda a informação que tornou possível a realização deste artigo. Como sabemos, o custo da recria de uma novilha contribui de forma significativa sobre o custo de renovação e sua viabilidade. No entanto, o custo pode variar consideravelmente devido à disponibilidade


Otimização do maneio alimentar

QUADRO 1: ARRAÇOAMENTOS MÉDIOS DAS NOVILHAS DO DESMAME ATÉ AO PARTO. A- ARRAÇOAMENTO 8-14 MESES CUSTO POR ANIMAL/DIA = 1,37€

220€ / ANIMAL QUANT. DISTRIBUÍDA

MATÉRIA-PRIMA

PREÇO (€/TON)

Farinha

275,00

KG MB

MS

1,65

1,45

CARACTERÍSTICAS NUTRICIONAIS (/KG MS) MS

UFV

PDIN

PDIE

PDIA

CA

P

G

G

G

G

G

88,13

1,16

130,09

124,82

67,47

11,35

4,54

Palha

80,00

1,15

1,03

90,00

0,36

24,00

46,00

12,00

3,50

1,00

Fenosilagem 40MS 11PB 31FB

375,00

13,77

5,51

40,00

0,81

94,95

80,99

32,42

5,62

2,88

16,57

8,00

48,26

0,81

94,95

80,99

32,42

5,62

2,88

Total

B- ARRAÇOAMENTO 14-18 MESES CUSTO POR ANIMAL/DIA = 0,55€

80€ / ANIMAL

(60,00 €/TON MS)

QUANT. DISTRIBUÍDA

MATÉRIA-PRIMA

PREÇO (€/TON MS)

Pastagem 20MS 17PB

60,00

Total

KG

CARACTERÍSTICAS NUTRICIONAIS (/KG MS) MS

UFV

PDIN

PDIE

PDIA

CA

P

MB

MS

G

G

G

G

G

45,50

9,10

20,00

0,82

120,00

103,00

50,00

5,60

4,00

45,50

9,10

20,00

0,82

120,00

103,00

50,00

5,60

4,00

C- ARRAÇOAMENTO 18-24 MESES CUSTO POR ANIMAL/DIA = 1,58€

140€ / ANIMAL QUANT. DISTRIBUÍDA

MATÉRIA-PRIMA

PREÇO (€/TON)

KG

CARACTERÍSTICAS NUTRICIONAIS (/KG MS) MS

MB

MS

UFV

PDIN

PDIE

PDIA

CA

P

G

G

G

G

G

Pastagem 20MS 17PB

60,00

14,15

2,83

20,00

0,82

120,00

103,00

50,00

5,60

4,00

Farinha

275,00

1,60

1,41

88,13

1,16

130,09

124,82

67,47

11,35

4,54

Feno azevem

133,33

2,27

2,04

90,00

52,00

36,00

61,00

16,00

3,50

1,90

Fenosilagem 40MS 11PB 31FB

375,00

12,15

4,86

40,00

0,81

99,00

76,00

27,00

4,50

2,80

30,17

11,14

39,96

0,80

96,73

86,26

35,95

5,46

3,16

Total

e qualidade das forragens e idade até ao primeiro parto. Neste artigo, apresentamos um maneio alimentar tendo como objetivo um parto precoce, devido às suas vantagens: Redução do custo de recria por novilha; Redução do número de novilhas presentes na exploração. A EXPLORAÇÃO E O MANEIO REPRODUTIVO Na Herdade da Abegoaria, a época de partos é muito concentrada, de novembro a fevereiro. O produtor opta por concentrar os partos com o objetivo de maximizar e aproveitar a disponibilidade de pastagem, na época em que as necessidades alimentares das vacas são mais exigentes (vacas em

lactação) e, consequentemente, com um custo diário por animal superior. Para além das razões económicas inerentes à concentração da época de partos, com este sistema existe a vantagem de neste período se poder dar um maior acompanhamento aos animais, reduzir o número de processos a que os animais são submetidos (vacinações, desmame, etc.). TUDO COMEÇA COM AS MÃES... As vacas em lactação têm um programa alimentar adequado às necessidades nutricionais desta fase específica (mais exigente do ponto de vista energético, proteico, entre outros). Deste modo podem expressar todo o seu potencial genético, e produzir leite em quantidade e em qualidade para

alimentar os bezerros. As futuras vacas nesta exploração, até ao desmame (6/7 meses de idade), têm o mesmo programa alimentar de todos os vitelos, ou seja, alimentação adequada das mães como referido anteriormente, e alimento concentrado ad libitum adequado a animais entre os 90 e 250 kg de peso vivo. Através do Quadro 1, é possível observar os arraçoamentos médios de cada fase após o desmame e até ao parto. Como se pode observar, de acordo com cada fase, existe um plano alimentar diferenciado de modo a melhor corresponder às necessidades nutricionais das novilhas. No que diz respeito às forragens, considerámos os valores reais obtidos por análise e o preço de mercado respetivo.

ruminantes abril . maio . junho 2019

41


ALIMENTAÇÃO

QUADRO 2: PERFORMANCE DAS FUTURAS REPRODUTORAS DO NASCIMENTO ATÉ AOS 14 MESES DE IDADE Nº SIA

DATA NASCIMENTO

RAÇA

DESTINO

DATA DE DESMAME

IDADE DESMAME

PESO ENTRADA

PESO AJUSTADO (180 DIAS)

PT_019_681_504

8/10/2016

Mertolengo x Limousine x Red Angus

Reprodutora

10/mai/17

7,0

257 kg

221 kg

PT_819_681_505

8/10/2016

Mertolengo x Limousine x Red Angus

Reprodutora

10/mai/17

7,0

241 kg

207 kg

PT_219_681_527

15/10/2016

Mertolenga x Limousine

Reprodutora

10/mai/17

6,8

218 kg

193 kg

PT_319_681_550

10/11/2016

Mertolenga x Limousine

Reprodutora

10/mai/17

6,0

227 kg

226 kg

PT_019_681_566

28/11/2016

Mertolenga x Limousine

Reprodutora

31/mai/17

6,0

234 kg

230 kg

PT_919_681_571

1/12/2016

Mertolenga x Limousine

Reprodutora

31/mai/17

6,0

207 kg

206 kg

QUADRO 3: DATA DE ISEMINAÇÃO E DE PARTO Nº CASA

CLASSE

DATA IA

ÉPOCA PREVISTA

DATA PARTO

DIAS APÓS IA

PT_019_681_504

Nº NACIONAL

90

Novilhas

22/2/2018

4/12/2018

6/12/2018

287 d

IDADE PARTO (DIAS)

789 d

PT_819_681_505

91

Novilhas

22/2/2018

4/12/2018

10/12/2018

291 d

793 d

PT_219_681_527

115

Novilhas

22/2/2018

4/12/2018

5/12/2018

286 d

781 d

PT_319_681_550

118

Novilhas

22/2/2018

4/12/2018

8/12/2018

289 d

758 d

PT_019_681_566

119

Novilhas

22/2/2018

4/12/2018

3/12/2018

284 d

735 d

PT_919_681_571

122

Novilhas

22/2/2018

4/12/2018

4/12/2018

285 d

733 d

gestantes com média de idade de cerca de 15 meses e um peso vivo superior a 380 kg (60 % do peso vivo de adulto para o caso em concreto), tal como podemos observar no quadro 2.

DO DESMAME À ENTRADA À REPRODUÇÃO A fase após o desmame e até à primeira Inseminação Artificial (IA) é muito importante no caso dos sistemas de produção onde se pretendem partos precoces. O crescimento deve ser acelerado nesta fase e as necessidades nutricionais são elevadas, no entanto a capacidade de ingestão é reduzida. Deste modo, o plano alimentar deve ser mais concentrado em energia e em proteína, mas tendo sempre em linha de conta um correto depósito de gordura (úbere e aparelho reprodutor). Como se pode verificar, da análise

42

ruminantes abril . maio . junho 2019

do Quadro 1, desde o momento do desmame até à entrada à reprodução, as novilhas custam em média 1,37 € por dia ao produtor (considerados apenas os custos alimentares), sendo o arraçoamento composto por fenosilagem, palha e alimento concentrado adaptado a esta fase de crescimento. Nesta fase, tivemos como objetivo um crescimento regular de forma a privilegiar o desenvolvimento do tecido mamário e de todo o aparelho reprodutor, ou seja um Ganho Médio Diário (GMD) de, aproximadamente, 650 g. Assim, foi possível obter animais

DA IA ATÉ AO PARTO É imprescindível manter um crescimento sustentado, continuando a acompanhar as novilhas neste período, a fim de assegurar um peso vivo adequado na altura do parto – favorável ao potencial leiteiro da novilha. O que se pretende é que as novilhas tenham uma condição corporal de 3 na altura da Inseminação Artificial (IA)/entrada à cobrição, e de 3,5 na altura do parto (Figura 1). Também da análise do Quadro 1, podemos verificar que nesta fase, as novilhas estiveram cerca de 4 meses numa pastagem de qualidade, sendo os custos alimentares de 0,55 €/animal/dia em média, para este período. Existe um impacto direto entre o estado corporal das novilhas e o sucesso da IA e/ou fertilidade. Assim, é conveniente ajustar o programa alimentar de forma a obter os GMD pretendidos em cada fase, e que as novilhas tenham uma condição corporal

G


Otimização do maneio alimentar

GANHO DIÁRIO ATÉ DESMAME

PERMANÊNCIA PARQUE

VARIAÇÃO PESO

GMD

PESO SAÍDA (28/JUN/2018)

PESO 05/DEZ/2018)

GMD

1 061 gr

49 dias

23 kg

469 gr

280 kg

388 kg

675 gr

986 gr

49 dias

35 kg

714 gr

276 kg

382 kg

663 gr

908 gr

49 dias

21 kg

429 gr

239 kg

323 kg

525 gr

1 088 gr

49 dias

30 kg

612 gr

257 kg

350 kg

581 gr

1 109 gr

28 dias

28 kg

1 000 gr

262 kg

342 kg

500 gr

978 gr

28 dias

9 kg

321 gr

216 kg

334 kg

738 gr

média (3-3,5) no período da entrada à reprodução. De forma a assegurar um parto precoce, a colocação dos animais à reprodução deve começar por volta dos 13 meses, a fim de se ter a maioria das novilhas em fase gestante com 15 meses de idade e, consequentemente, o parto aos 24 meses de idade. Desde os 18 meses e até ao parto (24 meses), estas novilhas custaram ao produtor em média 1,58 €/dia. O produtor faz acompanhamento reprodutivo das novilhas, com recurso a diagnóstico de gestação, de modo a confirmar precocemente quais as novilhas que estão gestantes e quais não estão. As fêmeas que não se encontram gestantes neste primeiro diagnóstico, são sincronizadas e submetidas a nova IA e de seguida entram em "Monta Natural". As novilhas que não ficam gestantes ou que não têm condição corporal e crescimentos

satisfatórios, apenas entram na época de reprodução seguinte, ou seja, com cerca de 25-27 meses. Da análise dos dados obtidos pelo produtor, pode concluir-se que o sistema de partos precoces é tecnicamente exequível e economicamente é vantajoso. Verifica-se que as novilhas têm um desenvolvimento óptimo até à altura do primeiro parto, tendo maior longevidade, e uma vida produtiva superior a animais explorados em sistema de partos mais tardios, onde apenas são colocadas à cobrição aos 24 meses. As novilhas têm um maior acompanhamento nas fases iniciais da vida, onde o arranque é muito importante, potenciando todo o seu desenvolvimento morfológico. De realçar ainda que o acompanhamento das novilhas não deve terminar logo após o primeiro parto, mas sim continuar pela cobrição/IA seguinte e até ao próximo parto.

65

62

62

Sucesso IA %

55

CUSTO DIA

0,95 kg

0,07 €

Fenosilagem

4,93 kg

0,45 €

Farinha

1,64 kg

0,41 €

7,52 kg

0,94 €

CONSUMOS AGOSTO KG

CUSTO DIA

Palha

1,37 kg

0,10 €

Fenosilagem

5,15 kg

0,47 €

Farinha

1,59 kg

0,40 €

8,11 kg

0,98 €

CONSUMOS SETEMBRO KG

CUSTO DIA

Palha

0,79 kg

0,06 €

Fenosilagem

5,82 kg

0,53 €

Farinha

1,62 kg

0,41 €

8,23 kg

1,00 €

CONSUMOS OUTUBRO KG

CUSTO DIA

Palha

1,02 kg

0,08 €

Fenosilagem

5,07 kg

0,46 €

Farinha

1,66 kg

0,42 €

7,74 kg

0,96 €

CONSUMOS NOVEMBRO KG

CUSTO DIA

Palha

1,58 kg

0,12 €

Fenosilagem

6,69 kg

0,61 €

Farinha

1,71 kg

0,43 €

9,98 kg

1,17 €

CONSUMOS DEZEMBRO KG

CUSTO DIA

Palha

1,40 kg

0,11 €

Fenosilagem

5,43 kg

0,50 €

Farinha

1,65 kg

0,42 €

8,48 kg

1,02 €

• 4,860 Kg de Ms de Fenosilagem speedmix

52

51

KG

Palha

De julho a dezembro 2018 consumiram, em média, além da pastagem:

58

50

CONSUMOS JULHO

A partir de janeiro 2018 os animais entraram nos prados e deixaram de ser suplementados até julho 2018.

Relação entre a condição corporal e o sucesso da IA 60

DADOS ALIMENTAÇÃO ANTES DA IA

• 2,040 Kg de Ms de feno de azevém.

45 JUL

AGO

SET

OUT

NOV

DEZ

MÉDIA

0,95

1,37

0,79

1,02

1,58

1,40

1,18

Fenosilagem 4,93

5,15

5,82

5,07

6,69

5,43

5,51

Farinha

1,59

1,62

1,66

1,71

1,65

1,65

40

Palha

35 30 1

1,5

2

2,5

3

3,5

4

4,5

5

1,64

FIGURA 1: RELAÇÃO ENTRE A CONDIÇÃO CORPORAL E O SUCESSO DA IA

ruminantes abril . maio . junho 2019

43


ALIMENTAÇÃO

TOTAL DAIRY AZORES 2.0

“O CAMINHO FAZ-SE CAMINHANDO”

N

a sequência do convite efetuado em 2018, a Ruminantes voltou aos Açores para acompanhar o Total Dairy Azores 2.0. Ao contrário da edição do ano anterior, o evento deste ano decorreu dentro de portas, e teve como convidado Gonzalo Gonzalez Mateos, professor de Ciência Animal na Universidade Complutense de Madrid. O Professor teve a seu cargo duas apresentações, “Características, valor nutricional e qualidade das matériasprimas proteicas” e “Fatores económicos e nutricionais implicados na escolha de matérias- primas para o fabrico de alimentos compostos”. A Zinpro é a única empresa no mundo dedicada exclusivamente ao fabrico de minerais orgânicos, e com este Total Dairy Azores 2.0, continua a traçar o seu caminho em direção ao conhecimento mais profundo das vacas leiteiras de alta produção.

O que aprendemos com o Professor Gonzalo? Que muitas vezes vamos resolver problemas que não existem, que o nome de um ingrediente não indica a sua qualidade, que o rúmen é o mais especial dos órgãos, que as vacas precisam de tempo para se adaptarem a novas fórmulas, que são avessas à mudança, e, mais importante, que todas as matérias-primas são boas, se conhecermos correctamente a sua origem e as suas características. Gonzalo Gonzalez Mateo fez uma verdadeira revisão da matéria dada, falou de

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ruminantes abril . maio . junho 2019

Luis Veiga e Gonzalo Mateos.

ingredientes e de nutrientes; proteína, fontes, derivados e utilização da soja, oleaginosas, polpas, DDGS e até na utilização de larvas de insectos como fonte de proteína. Após o intervalo, para a segunda parte da aula, a principal ideia transmitida foi a importância de o chefe de compras e o nutricionista partilharem a mesma filosofia e de compreenderam que estão do mesmo “lado da barricada”. Têm de trabalhar em simbiose. Coordenar a logística, o preço, e os nutrientes, não é fácil, portanto é preciso encontrar um compromisso entre entre os dois intervenientes. Mais uma vez o Prof. salientou que a qualidade de uma matéria-prima não está explicita no nome, que por vezes o barato sai caro e daí a importância do departamento de controlo de qualidade. A apresentação do Eng.º. Luís da

Veiga realçou que tudo o que fazemos, bem ou mal, vê-se nas patas, sistema hemodinâmico e extremamente vulnerável nas vacas de leite. Falou-nos dos fatores de risco para a saúde da pata e das estratégias nutricionais para combater os problemas das patas dos bovinos. A este propósito, estabeleceu a ponte com o Total Dairy Azores 1.0 e com alguns pontos referidos pelo Dr. Arturo Gomez, por ex., medidas para o recorte funcional, espaço/animal nas instalações, tipo de piso e que o período de transição é o ideal para solucionar problemas de coxeiras. As provas de avaliação serão prestadas por todos os presentes nesta aula, enquanto técnicos ou proprietários, junto das vacas e com as vacas. Ficamos (impacientemente) à espera do Total Dairy Azores 3.0.


Zinpro

LUÍS DA VEIGA

COUNTRY MANAGER ZINPRO PERFORMANCE MINERALS

A Zinpro pretendia criar um evento que se fosse tornando uma referência no setor. Nós sabemos que os Açores apresentam condições de produção extraordinariamente desafiantes para as vacas, e a Zinpro sabe que os seus produtos fazem a diferença a nível dos problemas das patas. Aqui seria portanto um sítio por excelência para termos esse contacto com o mercado, porque sabemos que é um problema muito presente, mas sabemos também que podemos fazer a diferença. No continente ainda não tivemos ocasião de fazer nenhuma reunião, mas é um projeto sobre a mesa, sempre que a Zinpro encontre os parceiros adequados. Relativamente a este evento, notei uma audiência muito profissional, com um perfil muito interessado. A rapidez de resposta

relativamente aos convites que fizemos e o interesse demonstrado no evento foi impressionante. Foi igualmente gratificante para nós, e sintoma que estamos no bom caminho, comprovar que não só a mensagem do evento do ano anterior passou, como contínua atual na memória de muitos dos presentes. O arraçoamento típico dos Açores é pastoreio, silagem de erva, silagem de milho e concentrado. Lentamente inteiramo-nos que existia aqui a tendência para diabolizar alguns ingredientes do concentrado e endeusar outros. O nosso objetivo ao convidar o Professor Gonzalo Mateos foi quebrar estes mitos, demonstrar que não existem bons ou maus ingredientes, o que o Prof. conseguiu fazer de forma brilhante.

BREVES

ÓLEOS FUNCIONAIS AUMENTAM A GORDURA DO LEITE

Um estudo realizado por investigadores do Brasil e EUA sustenta que a utilização de óleos funcionais pode ser uma alternativa à utilização de antibióticos ionóforos, como a monensina, em situações de stress por calor. Nestes casos, os antibióticos são frequentemente utilizado, embora existam evidências de que a sua utilização aumenta a temperatura retal e a frequência respiratória dos animais. Para além de que a sua utilização está a ser cada vez mais restringida devido à ocorrência de resistências. Estudos anteriores em que se usaram dois óleos funcionais - líquido da casca

da castanha de caju e óleo de castor-, tinham evidenciado propriedades antiinflamatórias e antioxidantes, bem como vantagens ao nível da proteção gástrica. Nesta nova investigação, foi realizado um ensaio com 36 vacas, num período de 6 semanas, administrando ração sem suplementos, ração suplementada com os dois óleos funcionais e ração com monensina. Concluiu-se que a utilização de óleos funcionais resultou num aumento da produção de gordura no leite sem afetar a quantidade ingerida, contrariamente à utilização de monensina que parece diminuir a ingestão de alimento e não tem qualquer efeito no desempenho do animal.

ruminantes abril . maio . junho 2019

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ATUALIDADES

ASSOCIAÇÃO CHAROLÊS PORTUGAL

A GRANDIOSIDADE DO CHAROLÊS AO SERVIÇO DO MELHORAMENTO DO CRUZAMENTO INDUSTRIAL mundial que tem a maior capacidade de transformar um quilograma de alimento em um quilograma de carne) 7. Desenvolvimento muscular  8. Precocidade  9. Rendimento de carcaça  10. Rentabilidade ao produtor

SOBRE NÓS A jovem associação Charolês Portugal tem sede nos Açores, e área de atuação em todo o território nacional. É constituída por alguns dos mais antigos criadores de Charolês em Portugal, e conta, atualmente, com cerca de 30 associados, representando uma grande parte dos criadores nacionais da raça. A Charolês Portugal tem como objetivos promover as inscrições de animais no Livro Genealógico, o associativismo e o melhoramento genético da raça Charolesa. É também detentora, desde fevereiro de 2019, do programa Carne de Charolês® e Carne de Charolês Premium®, recentemente aprovado no Ministério da Agricultura e publicado em Diário da República. Com as linhas genéticas do Charolês moderno, procuramos ir ao encontro a todos os mercados, destacando sempre as 10 características principais: 1. Facilidade de parto  2. Rusticidade  3. Docilidade 4. Qualidades maternais  5. Prolificidade  6. Capacidade de crescimento (o charolês é a raça a nível

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ruminantes abril . maio . junho 2019

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PRODUÇÃO

PRODUÇÃO DE OVINOS DE CARNE NA HERDADE DA SANGUINHEIRA ENTREVISTA A JOAQUIM PAIS DE AZEVEDO TEXTO SÉRGIO HENRIQUES

L

igado à produção de ovinos desde criança, na exploração da sua família, Joaquim Pais de Azevedo iniciou a sua formação técnica nos princípios dos anos 80, ainda estudante de Engenharia Zootécnica na Universidade de Évora, quando frequentou um curso sobre esta temática na Estação Zootécnica Nacional. Após a licenciatura ingressou em 1985 na Saprogal, hoje De Heus Nutrição Animal, tendo exercido diferentes cargos técnicos e de gestão na empresa até finais de 1999, passando a consultor externo especialista em pequenos ruminantes. Simultaneamente assumiu a gerência na Sociedade Agrícola da Sanguinheira de Codes, Lda., onde é sócio gerente. Qual a importância dos ovinos na Herdade da Sanguinheira de Codes? A Herdade da Sanguinheira sempre esteve ligada à exploração de ovinos. Situada na charneca ribatejana caracteriza-se por possuir terras delgadas e de pouca aptidão para produções agrícolas exigentes.

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É uma exploração agro-silvo-pastoril, sendo a componente florestal a que detém maior relevância. Dentro desta, o montado de sobro representa cerca de 70 % da área. Esta área encontra-se dividida em 7 cercas de igual dimensão onde se implantaram pastagens biodiversas. No sub-coberto do montado, pratica-se o pastoreio extensivo e rotacional do rebanho de ovinos para produção de borregos. No vale da propriedade, onde as terras são de melhor qualidade, existe uma área de regadio, também dividida em parcelas onde foram implantados prados permanentes de regadio. Estas áreas dão uma grande ajuda ao rebanho contribuindo com alimentos em fases de maiores necessidades do mesmo ou em alturas de pouca pastagem no sub-coberto. Todo o montado também sai apoiado, por se diminuir a carga animal na fase de renovação dos jovens sobreiros e, simultaneamente, promovendo a formação de um bom banco de sementes das pastagens. Assiste-se, aqui, à complementaridade das 3 produções envolvidas no sistema:

sobreiros, pastagens e ovelhas. Estas 3 produções quando exploradas em equilíbrio comportam-se como que numa simbiose sustentável, contribuindo cada uma para ajudar as outras, sem esquecer as componentes ambiental e bio diversa e social tão importantes nestes sistemas. O facto de haver animais no montado obriga a haver “vida” diariamente dentro deste sistema muito importante para o seu melhor acompanhamento e controle. Objetivamente, os ovinos contribuem para a manutenção das pastagens melhoradoras da matéria orgânica dos solos, utilizando-as no seu pastoreio, contribuem também para fertilização dos solos dos quais os sobreiros tiram partido, e ajudam a prevenir os incêndios controlando a vegetação espontânea. A componente económica, resultante da venda dos seus produtos, dos quais os borregos representam o maior valor, tem que ser positiva, sem a qual não seria possível manter este sistema economicamente viável. Os ovinos contribuem com cerca de 25 % da faturação anual.


Entrevista a Joaquim Pais de Azevedo

Como tem evoluído o maneio do seu rebanho ao longos dos anos? Antes de falar propriamente do maneio do rebanho deixem-me falar da evolução do próprio rebanho. Até aos anos 90 o rebanho tinha cerca de 400 cabeças e 2 pastores. Hoje tem 900 cabeças e 1 tratador. Em 1996 a herdade procedeu a uma alteração estruturante da exploração. A área de montado de sobro foi dividida em 7 parcelas de igual dimensão, tendo sido efetuados 30 km de cercas divisionais. Esta operação permitiu aumentar o rebanho para 600 cabeças e diminuir 1 assalariado afeto ao rebanho. Em 2004 iniciou-se a instalação da 1ª área de pastagem biodiversa, sendo posterior e anualmente instalada uma nova área

até se completar a instalação nas 7 áreas das 7 cercas. Simultaneamente, neste período, foram-se instalando as áreas de regadio no vale, tendo-se montado 2 pivots e uma rega de cobertura total. Com isto aumentou-se novamente o rebanho para as atuais 900 cabeças em produção. Passada a fase de aumento de efetivo e garantidas as necessidades alimentares, passámos a focarmo-nos mais na melhoria das produções. Tradicionalmente havia um parto principal e outro de repescagem, para as ovelhas que não tinham parido na 1ª fase, o chamado de serôdio. O parto principal era no fim do verão para os borregos do Natal e o de repescagem no princípio do ano para os borregos da Páscoa.

Sempre se praticou 1 parto por ovelha por ano, situação que se mantém. Dada a sazonalidade dos preços dos borregos, que atingiam 1 pico no Natal e outro, embora inferior, na Páscoa, foi o maneio reprodutivo utilizado até há pouco tempo, 2016-2017. Para nos focarmos melhor na fase reprodutiva, o rebanho foi dividido, em 2017 em 3 lotes de produção. Passaram a haver 3 épocas de parto por ano: Verão, Inverno e Primavera, acontecendo os partos de 4 em 4 meses. Não sendo os lotes de igual número de cabeças, mas cada um deles mais pequeno que o tradicional, permitiu prestar melhor atenção a cada ovelha na altura do parto, o que contribui para melhorar a produtividade do rebanho no seu todo. A partir do momento em que se começou a exportar borregos, os picos da sazonalidade dos preços foram atenuados. Em 2018 começámos a programar o rebanho para 4 lotes de produção, com partos de 3 em 3 meses. Em 2019 foi implementado este sistema produtivo com identificação diferenciativa por coleiras de cores diferentes. Apesar de termos todo o rebanho munido de identificação electrónica, a diferenciação por cores das coleiras ajuda muito no maneio do rebanho. No ano de 2019 temos partos programados para janeiro, abril,

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PRODUÇÃO

julho e outubro. O de janeiro já está finalizado com o sucesso de uma taxa de mortalidade de borregos de 1,6 %. (3 borregos mortos em 190 nascidos). O período de cobrição foi encurtado de 45 para 38 dias. Também foi implementado o sistema de partos assistidos em ovil com o objetivo de diminuir a taxa de mortalidade, tendo sido os números dos partos de janeiro de 2019 muito encorajadores Quais os fundamentos que estão na base das suas decisões técnicas? Tal como explicamos anteriormente, o rebanho tem que ser sustentável economicamente sem comprometer a sustentabilidade das outras produções, tentando maximizá-las, promovendo também as componentes ambiental e social. O fundamento das decisões tomadas é apoiado com registos de produções existentes ao longo dos anos. Após a análise dos mesmos, as decisões são mais fáceis de tomar por melhor identificação das prioridades. Que vantagens e inconvenientes lhe aportam estas decisões? Com a divisão em 4 lotes, consegue-se atenuar os picos de trabalho ao longo do ano, sendo o rebanho de cada lote tratado com mais atenção na sua época de parição. Também assim a função do pastor foi alterada para a função de tratador. À medida que se vai dividindo o rebanho em lotes de produção mais pequenos, torna-se mais fácil conhecermos a produção de cada animal, apoiada no registo de produção individual. Temos o conhecimento do rebanho na nossa posse em vez de o ter na mão do pastor. Diminui-se a dependência de uma pessoa específica. Estas vantagens também têm os seus inconvenientes. É necessário efetuar registos no campo e no escritório, monitorizá-los, o que nem todas as pessoas estão disponíveis para o efetuar. O maneio propriamente dito também se torna mais complicado visto termos o rebanho dividido em 4 e em diferentes

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estados fisiológicos. Obriga a ter estruturas em material para maneio e apoio, como ovil com área suficiente, manga de maneio e parques de parições e afilhamento e cadernos de registos de campo, suportados informaticamente. Como consegue conciliar os maneios extensivo das ovelhas com o maneio mais intensivo dos borregos? Essa é uma pergunta pertinente. Por estranho que pareça o tradicional e o atual não são incompatíveis, tal como o extensivo e o intensivo. Ambos os sistemas têm que ser sustentáveis e, muitas vezes são complementares. Objetivamente no nosso caso tentamos manter as ovelhas mais em extensivo como já explicamos anteriormente, sendo os borregos explorados de uma forma mais apoiada e acarinhada. Como animais jovens que são, necessitam obviamente de maiores cuidados especialmente na fase do nascimento e nos dias que se seguem. Adotámos recentemente os partos assistidos em ovil, sendo os resultados

HERDADE DA SANGUINHEIRA DE CODES

1992 – Divisão da área de montado em 7 unidades de gestão-cercas de áreas equivalentes (30km de cercas) Início da Gestão do montado em rotação (rotações de 7 anos) Proteção de regeneração natural Controlo da vegetação com grade de discos Adensamento de clareiras Sementeira de tremoçilha


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ruminantes abril . maio . junho 2019

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51


PRODUÇÃO

Maneio Reprodutivo em 4 Grupos 2019 LOTES Amarelo

JAN

FEV

MAR

ABR

MAI

JUN

JUL

AGO

Parição

Cobrição -2018

6.1.2019

99 0velhas

SET

OUT

NOV

DEZ

31-7 a 14-9

Laranja

Parição

Cobrição - 2018 220 ovelhas 31-10 a 12-12

Verde

Cobrição -2019

Parição

214 c/ I.F + Reg. 105 c/ Romane 14-02 a 20-3

Azul

Parição

Cobrição -2019

Cobrição -2018

21.1.2019

1-9 a 30-9 64 c/ Romane

Fêmeas

Machos

Coleira

Amarela

200 à cobrição

Coleira

Amarela

P3

Coleira

Laranja

250 à cobrição

Coleira

Laranja

Regionais

Coleira

Verde

300 à cobrição

Coleira

Verde

Ille de France

Coleira

Azul

Romane

Coleira

Azul

250 à cobrição

Coleira

Encarnada

Refugo

muitos animadores. Baixámos a taxa de mortalidade neonatal substancialmente e conseguimos homogeneizar os lotes de borregos. Nem todas as ovelhas têm o mesmo instinto maternal nem a mesma produção de leite. Com uma assistência melhor nos partos e uma suplementação às ovelhas nesta fase, atenuamos muito estas discrepâncias. Simultaneamente, uma suplementação precoce dos borregos, com alimentos formulados para esta finalidade, faz toda a diferença e uniformiza os lotes. Passada esta fase, quando os borregos atingem cerca de 15 a 20 dias, as ovelhas mães voltam para o regime extensivo, pastoreando durante o dia e amamentando durante a noite os borregos que ficaram no ovil sossegados e suplementados com alimentos concentrados. Quando os borregos atingem os 20 kg são desmamados e vendidos para os grandes centros de engorda. Desta forma entendemos que os dois regimes se conciliam positivamente. Como vê o presente e o futuro para esta atividade? Esta é uma atividade que está muito dependente de mão de obra especializada. As explorações de ovinos têm que continuar a ganhar dimensão para poderem suportar os investimentos necessários para colmatar aquela

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necessidade e não ficarem tão dependentes do tradicional pastor. É uma atividade que atravessa bons momentos sobretudo devido à crescente procura de borregos para o mercado exportador nomeadamente Israel. Prevê-se que este mercado continue, o que nos traz boas perspetivas futuras. Já tem em mente mais alguma alteração técnica ou de maneio a implementar na sua exploração? Tentamos sempre estar atualizados e evoluir, acompanhado as tendências e necessidades do mercado. A mortalidade neonatal é uma realidade em todas as explorações. Este é um ponto que estamos a melhorar e pensamos estar no bom caminho. Passado este degrau vamos evoluir na prolificidade do rebanho. Além dos carneiros merinos regionais, Ille de France e P3 (Preto Precoce Português), adquirimos em 2018 carneiros Romane, para aumentar a prolificidade das futuras ovelhas. As primeiras filhas nasceram em janeiro de 2019 e vamos ver os resultados dentro de 1 ano. Simultaneamente o maneio e o controle individual do rebanho são temas onde mantemos permanentemente o foco. De todas as alterações efetuadas qual a que considera a que teve o melhor impacto?

Sem qualquer dúvida o investimento em mais de 30 km de cercas que permitiu dividir a área da herdade em diversas parcelas foi uma alteração estruturante e que permitiu avançar e organizar todas as outras decisões tomadas. Mais recentemente a implementação de cerca 5% de área de pastagem de regadio permitiu maior segurança alimentar e não estar tão dependente de fatores climáticos, tão oscilantes e agressivos na era atual. Ultimamente depositamos muita esperança nos resultados do aumento de prolificidade promovida pela descendência dos carneiros mais prolíficos Romane.

MANEIO ALIMENTAR BORREGOS Pré-starter - Ovinistar (à descrição, a partir dos 15 dias, farinha) Starter - Ovinistarter Pro (à descrição, a partir dos 15 dias, granulado, em simultâneo com Ovinistar mas não misturados). Alimento de crescimento para BorregosBiona Diovil Crescimento (à descrição, a partir dos 30-40 dias)

OVELHAS Maneio extensivo, suplementadas na fase do pré-parto e até um máximo de 30 dias após o parto Pré-parto: Ovifos AP Semolete (à descrição) Biona Diovil Ordenha Top S (300-500 gr / dia) Pós-parto (até 30 dias no máximo após o parto) Biona Diovil Ordenha Top S Ovelhas com 1 borrego: 300 gr / dia Ovelhas com 2 borregos: 600 gr / dia Ovelhas com 3 borrego: 900 gr / dia


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ECONOMIA

OBSERVATÓRIO MATÉRIAS-PRIMAS

POR: JOÃO SANTOS

O MERCADO, E A VIDA, CONTINUAM À MARGEM DO RUÍDO DOS POLÍTICOS

O

que é que um agricultor vai fazer todos os dias, senão cuidar bem dos seus campos e produzir? Na pecuária, igualmente, não há alternativa a alimentar e cuidar os animais, a não ser sacrificálos. Às questões relacionadas com a volatilidade nos preços, intrínsecas à lei da oferta e da procura, juntam-se as questões políticas entre os Estados Unidos e a China, o espetáculo de autoflagelação a que assistimos no Reino Unido…Donde a vida continua ao ritmo que tem que andar, mas a incerteza e a falta de decisões tornam estes tempos particularmente difíceis para quem é um pouco ansioso.

PROTEÍNAS O Departamento da Agricultura dos States (USDA) também sofreu da falta de orçamento (“Goverment Shut Down”), durante o mês de dezembro e janeiro passados, levando a que não houvesse praticamente informações estatísticas sobre stock, exportações e previsões de procura e oferta. Ainda que já tenha retomado a publicação da informação de mercado, o último relatório do USDA de 8 de março passado, continua a não mencionar os fluxos de importação de grão para a China (volume dos States e volume da América do Sul), e mais importante do que isso, a não redução do consumo de soja na China para um nível em

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linha com o estimado pela maioria dos agentes comerciais, e das autoridades chinesas. Porque é que este volume é importante: a China consome 1/3 da soja no mundo, e praticamente 2/3 de toda a soja comercializada entre países, tem como destino a China. E o que se está a passar com a procura? O decréscimo do ritmo de crescimento do consumo nos últimos anos devese, em parte, ao facto de os índices de consumo de carne da China já serem similares aos do Ocidente; e por outro lado, à circunstância de a peste suína africana estar a ter um forte impacto na redução da cabana - é difícil saber quanto, algumas fontes falam de pouco mais de 1%, outras de mais de 10%; mas se considerarmos que metade dos porcos do mundo estão na China, temos uma ideia aproximada dos milhões de toneladas a menos no consumo de soja que esta redução representa. No período 2017/18, a China importou cerca de 94 milhões de toneladas, no período de 2018/19, o valor deverá estar perto dos 84 milhões. Assim, e apesar de o USDA não estar a considerar esta realidade na sua plenitude, ainda vemos que os stocks mundiais de soja continuam a aumentar. Se, pelo lado da procura, devido à redução de consumo da China, o consumo está a crescer menos, pelo lado da oferta, este ano, o Brasil,

apesar de condições climatéricas menos perfeitas, vai ter uma colheita muito boa, de cerca de 118 milhões de toneladas; à semelhança da Argentina, onde, a colheita deverá chegar às 55 milhões de toneladas. Ambos são valores próximos dos seus recordes de produção. Assim, dentro de pouco tempo os olhos vão voltarse de novo para os States onde, tudo indica, apesar da guerra comercial, o agricultor americano vai continuar a plantar soja na mesma proporção que em colheitas passadas. Dito isto, atendendo aos elevados stocks mundiais, não há razão para grandes pressas em comprar a deferido, apesar dos preços em Lisboa rondarem atualmente 310€/ton para a farinha de soja. Por outro lado, a pressão altista que a guerra comercial pôs na colza e no girassol, fez com que a China, como alternativa à soja americana, tenha começado a comprar no Mar Negro toda a que havia disponível. Em fevereiro, com o inicio da exportação de soja do Brasil, fez com que o preço da colza descesse consideravelmente. No entanto, nesta campanha, por % de proteína, a soja continua e continuará a ser a base de proteína mais competitiva. Pelo que, só depois do verão é que será de esperar que os bagaços de colza e de girassol voltem a estar mais competitivos.


Observatório matérias-primas

CEREAIS No lado dos cereais, esta campanha, exceptuando o trigo e a cevada, devido à seca do ano passado no norte da Europa tiveram colheitas inferiores, o que se refletiu no aumento dos preços destes cereais. Por isso, até à nova campanha não é de esperar uma correção nos preços. No caso do milho, como consequência das boas condições climatéricas no Brasil resultante numa muito boa safra de milho, está a aumentar a pressão nos preços da safrinha, (a segunda colheita a recolher em junho/julho). Assim, já vemos preços para a segunda metade do ano em linha com os que já tínhamos visto, a rondar os 170€/ton nos portos nacionais. Para o imediato, ainda estamos no mid 170, e a razão é que o milho ucraniano está sozinho, a alternativa dos States está fechada, uma vez que a Europa pôs direitos de importação de 25% ao milho americano, como retaliação aos direitos de importação que o Trump pôs no aço europeu. E, por outro lado, a infraestrutura de exportação no

Brasil está completamente dedicada a exportar soja, pelo que não é possível agora importar milho brasileiro. Assim no milho estamos perto dos mínimos, do que temos assistido estes últimos anos. No que diz respeito ao trigo e cevada, melhor será aguardar para ver como vem a nova colheita.

NOTAS FINAIS

maioria de setores, em grande medida que o dinheiro barato fomentou, é difícil hoje no nosso setor encontrar uma área com especialmente bons retornos donde, à margem do que os decisores mundiais decidam em relação à Guerra Comercial, não nos podemos distrair: o nosso negócio é um negócio de margem e volume, em que a disciplina no lado dos custos é a base da sustentabilidade do mesmo.

Com o dinheiro barato, e o excesso de capacidade instalada de produção na

Despeço-me com amizade...

Milhões de tm

14/15

15/16

16/17

17/18

18/19

Soja

319

312,8

351,4

340,47

360,1

Produção Mundial

77,6

76,6

96,0

98,56

107,17

Stock Finais

24%

24%

27%

29%

30%

1008,80

961,9

1070,2

1076,2

1101,2

208,2

210,9

227,0

341,2

308,5

21%

22%

21%

32%

28%

Milho Produção Mundial Stock Finais

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ECONOMIA

OBSERVATÓRIO LEITE

POR: JOANA SILVA, FONTES: COMISSÃO EUROPEIA, DAIRY AUSTRALIA LIMITED, MARKET REPORTS ON CHINA

À

medida que o novo ano avança, é tempo de olharmos com maior detalhe para o panorama leiteiro a nível mundial. Iremos igualmente abordar algumas previsões a curto e longo prazo, quiçá tão voláteis quanto o setor sobre o qual escrevemos. Na Europa, a conciliação entre as dificuldades de produção de leite em pó e a sua exportação bemsucedida trouxe finalmente alguma paz de espírito, com a redução dos stocks daí resultante a alimentar a esperança que este seja um assunto a encerrar durante o presente ano. De acordo com a Comissão Europeia, os produtores do velho continente poderão, em 2019, estar numa posição privilegiada para satisfazer a procura por parte de várias economias em crescimento – em continentes como a Ásia e África – suportando cerca de 35% do aumento da procura a nível mundial, principalmente em produtos de valor acrescentado. Poderão existir novas oportunidades de negócio para os produtores europeus no que toca a produtos diferenciados, tais como leites de produção biológica, leites de animais de pastagem e lacticínios locais. Esta diferenciação é já uma realidade em alguns países, como a Alemanha, onde cerca de 50% da produção leiteira é sustentada através de alimentação animal totalmente livre de matériasprimas geneticamente modificadas. A Alemanha está também a apostar na produção biológica, a qual se prevê que vá crescer de 3% para 10% da produção leiteira nacional até 2030. De facto, a vertente ambiental tem vindo a influenciar cada vez mais o setor: basta lembrarmo-nos dos mais de trinta mil

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ruminantes abril . maio . junho 2019

animais em produção que tiveram de ser abatidos na Holanda no ano passado ao abrigo da legislação dos limites de fosfatos. Nos Estados Unidos, o plateau atingido no mercado interno tem vindo a favorecer o fortalecimento das exportações. As tensões vividas entre os americanos e os seus parceiros comerciais têm-se refletido maioritariamente no destino dos produtos a exportar em detrimento do seu volume. A expansão das novas parcerias comerciais tem sido significativa, especialmente a nível do sudeste asiático. A paisagem australiana ainda sofre com as dificuldades sentidas no ano passado, com os altos custos de produção a prejudicar o setor leiteiro. Os produtores em maior dificuldade encontram na redução dos seus efetivos uma solução a curto-prazo, mas existem também aqueles que estão a abandonar o setor. O cenário é bem mais folgado na vizinha Nova Zelândia, onde o aumento da produção leiteira terá tudo para promover as exportações de leite e derivados em 2019. Na China, o setor leiteiro tem vindo a crescer em termos de procura interna, alimentado pela melhoria da economia e das condições de vida da população. Apesar desta maior apetência pelos produtos do setor, a produção nacional tem-se regido por aumentos algo anímicos, o que é fruto de dois grandes fatores: por um lado, a rentabilidade do negócio é constrangida por custos de produção mais altos do que a média global e, por outro, existe uma desconfiança sólida dos consumidores pela produção nacional, tendo em conta

algumas crises de segurança alimentar no passado. As necessidades de consumo são assim satisfeitas em grande parte através das importações, as quais atingiram 2,74 milhões de toneladas em 2018, um aumento de 7,8% face ao ano anterior, com o leite em pó a assumir a maior fatia em termos de valor. De forma a proteger os produtores nacionais, o governo Chinês implementou no ano passado legislação restritiva em termos de importações de produtos como o leite em pó, esperando-se uma redução de até 80% das marcas estrangeiras atualmente disponíveis no mercado chinês. Ainda assim, a conjuntura algo rígida em termos de rentabilização da produção nacional faz com que a China continue a ser um dos importadores mais apetecíveis para outras potências mundiais. Por outro lado, alguns produtores chineses estão já a investir na produção além-fronteiras, visando a exportação posterior para o seu país. As previsões apontam para que, nos próximos anos, se venha a assistir a um aumento da produção leiteira global de mais de quinze milhões de toneladas por ano, crescimento ainda assim apenas ligeiramente acima do registado na última década. Cerca de 40% deste crescimento deverá ser suportado pela Índia, com a Europa e a Nova Zelândia numa posição especialmente privilegiada para satisfazer as necessidades de importação de outros países. Mesmo com custos de produção e processamento mais elevados, é na Europa que se prevê um maior crescimento anual em volume, com mais 1,3 milhões de toneladas, contrastando com as previsões de mais 0,4 e 0,7 milhões de toneladas na Nova Zelândia


Observatório Leite

e Estados Unidos, respetivamente. A contribuir para este cenário estará a previsão de aumento do rendimento leiteiro por vaca na ordem dos 17% entre 2017 e 2030 – de 7050 kg/vaca para 8240 kg/vaca. Os produtos de valor acrescentado darão um novo ânimo às exportações, cujo volume deverá ter, nos

próximos anos, um modesto aumento na ordem dos 2% ao ano. Se em 2018 a UE era responsável por satisfazer 34% da procura mundial por queijo, em 2030 este valor poderá chegar aos 40%, com exportações direcionadas para a Ásia, maioritariamente China e Japão. A hegemonia do negócio da proteína

PREÇO DO LEITE STANDARDIZADO (1)

whey deverá manter-se até 2030, assumindo a Europa mais de 50% do seu mercado. A curto-prazo, estas previsões poderão vir a chocar com os resultados das negociações do Brexit, das quais ainda não resultou nenhuma alteração concreta para o mercado leiteiro.

LEITE À PRODUÇÃO, PREÇOS MÉDIOS MENSAIS EM 2018/2019

COMPANHIA

PREÇO DO LEITE (€/100 KG) JANEIRO 2019

MÉDIA DOS ULTIMOS 12 MESES (5)

ALEMANHA

Alois Müller

31,97

32,12

Contin.

Açores

Contin.

Açores

Contin.

DINAMARCA

Arla Foods

32,68

32,96

JANEIRO

0,318

0,298

3,87

3,73

3,31

3,20

Danone

34,21

34,42

0,318

0,298

3,84

3,71

3,31

3,22

Lactalis (Pays de la Loire)

34,89

34,06

FEVEREIRO

Sodiaal

35,11

34,63

MARÇO

0,305

0,295

3,79

3,70

3,29

3,22

Dairy Crest (Davidstow)

33,64

32,55

Glanbia

32,06

32,13

Kerry

32,51

32,35

Granarolo (North)

37,87

38,20

PAÍSES

FRANÇA INGLATERRA IRLANDA ITÁLIA HOLANDA

PREÇO MÉDIO LEITE

N. ZELÂNDIA EUA

(4)

DOC Cheese

Friesland Campina

35,72

35,40

Fonterra (3)

29,99

29,79

EUA

31,02

31,63

MESES

2018

(2)

FONTE: LTO (1) Preços sem IVA pagos ao produtor; Preço do leite de diferentes empresas leiteiras para 4,2% de MG, 3,4% de teor proteico e CCS de 249,999/ml. (2) Média aritmética . (3) Baseado na previsão mais recente . (4) Reportado pela USDA. (5) Inclui o pagamento suplementar mais recente.

2019

EUR/KG

TEOR MÉDIO DE MATÉRIA GORDA (%)

TEOR PROTEICO (%) Açores

ABRIL

0,318

0,294

3,76

3,66

3,27

3,23

MAIO

0,310

0,291

3,69

3,59

3,23

3,21

JUNHO

0,309

0,290

3,69

3,60

3,19

3,14

JULHO

0,306

0,290

3,63

3,63

3,17

3,12

AGOSTO

0,301

0,292

3,64

3,65

3,17

3,12

SETEMBRO

0,303

0,295

3,68

3,68

3,22

3,16

OUTUBRO

0,315

0,300

3,78

3,79

3,29

3,25

NOVEMBRO

0,324

0,307

3,95

3,87

3,35

3,29

DEZEMBRO

0,323

0,308

3,91

3,85

3,33

3,26

JANEIRO

0,318

0,297

3,92

3,73

3,34

3,20

FONTE: SIMA Gabinete de Planeamento e Políticas


ECONOMIA

ÍNDICE VL E ÍNDICE VL – ERVA

“URGE ALTERAR A SITUAÇÃO EM QUE SE ENCONTRAM OS PRODUTORES DE LEITE” ANTÓNIO MOITINHO RODRIGUES, DOCENTE/INVESTIGADOR, ESCOLA SUPERIOR AGRÁRIA DO INSTITUTO POLITÉCNICO DE CASTELO BRANCO CARLOS VOUZELA, DOCENTE/INVESTIGADOR, DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS DA UNIVERSIDADE DOS AÇORES/IITAA

A

nalisamos neste número da Ruminantes os Índices VL e VL - ERVA para o período de novembro de 2018 a janeiro de 2019. De acordo com os dados do SIMA-GPP (2019), durante o trimestre em análise, o preço médio do leite pago aos produtores individuais do continente variou entre 0,324 €/kg em novembro e 0,318 €/kg em janeiro. Por sua vez, na Região Autónoma dos Açores o preço médio do leite pago aos produtores individuais variou entre 0,308 €/kg em dezembro e 0,297 €/kg em janeiro. De acordo com dados do MMO (2019), o preço médio do leite pago ao produtor no período de novembro de 2018 e janeiro de 2019 foi, mais uma vez, muito inferior em Portugal (0,3159 €/kg) quando comparado com a média da UE28 (0,3554 €/kg), uma diferença de 3,95 cêntimos/kg que, aplicada a Portugal, contribuiria para o sucesso económico das explorações leiteiras. Salienta-se que

NUNO MARQUES, REVISTA RUMINANTES

em janeiro de 2019, Portugal foi um dos 5 países da UE onde o kg de leite foi pago ao preço mais baixo (Portugal, Bulgária, Letónia, Lituânia e Hungria). Assim, considera-se inaceitável que Portugal continue a ser, desde há vários meses, um dos países da UE28 com preços mais baixos pagos ao produtor de leite. Por isso, há que tomar medidas para inverter esta tendência. Relativamente ao trimestre anterior, com exceção do preço do milho (-1,1%) e do preço do bagaço de soja 44% (-2,6%), o preço médio das outras matériasprimas que entraram na formulação dos alimentos compostos utilizados neste trabalho sofreram um aumento. Destacam-se o bagaço de colza (+10,8%) e o bagaço de girassol (+8,6%). A evolução do preço das matérias-primas e dos alimentos forrageiros provocou um aumento de 0,4% no custo da alimentação da vaca leiteira tipo do continente. Na Região Autónoma dos

ÍNDICE VL DE JULHO DE 2012 A JANEIRO DE 2019

Açores o regime alimentar do trimestre em análise incluiu menor consumo de pastagem e maior consumo de alimento composto e de alimentos conservados. Esta situação provocou um aumentou de 12,2% no custo da alimentação da vaca tipo. A evolução do preço do leite e dos custos da alimentação refletiu-se no Índice VL e no Índice VL - ERVA que em janeiro de 2019 foi, respetivamente, de 1,761 e de 1,767. Refere-se que em janeiro de 2018 o Índice VL havia sido de 1,765 e o Índice VL - ERVA de 1,828. Um índice inferior a 1,5 (valor muito baixo) indica forte ameaça para a rentabilidade da exploração leiteira; um índice entre 1,5 e 2,0 (valor moderado) indica que a produção de leite é um negócio viável; um índice maior do que 2,0 (valor elevado) indica que estamos perante uma situação muito favorável para o sucesso económico da exploração (Schröer-Merker et al., 2012). Durante

Valor do Índice VL

Limiar de rentabilidade

Negócio saudável

Forte ameaça para a rentabilidade da exploração

2,0

1,5

1,0

Julho 2012

Janeiro 2019

O ÍNDICE VL É INFLUENCIADO PELA VARIAÇÃO MENSAL DO PREÇO DO LEITE PAGO AO PRODUTOR NO CONTINENTE E PELAS VARIAÇÕES MENSAIS DOS PREÇOS DOS ALIMENTOS QUE CONSTITUEM O REGIME ALIMENTAR DA VACA LEITEIRA TIPO (CONCENTRADO 9,5 KG/ DIA; SILAGEM DE MILHO 33 KG/ DIA; PALHA DE CEVADA 2 KG/DIA).

58

ruminantes abril . maio . junho 2019


Índice VL

Valor do Índice VL

EVOLUÇÃO DO ÍNDICE VL - ERVA DE JULHO DE 2013 A JANEIRO DE 2019 O ÍNDICE VL – ERVA É INFLUENCIADO PELA VARIAÇÃO MENSAL DO PREÇO DO LEITE PAGO AO PRODUTOR NA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES E PELAS VARIAÇÕES MENSAIS DOS PREÇOS DOS ALIMENTOS QUE CONSTITUEM O REGIME ALIMENTAR DA VACA LEITEIRA TIPO (PRIMAVERA/ VERÃO 60 KG/DIA DE PASTAGEM VERDE, 10 KG/DIA DE SILAGEM DE ERVA E DE MILHO, 5,6 KG/DIA DE CONCENTRADO; OUTONO/INVERNO 47 KG/DIA DE PASTAGEM VERDE, 13,3 KG/DIA DE SILAGEM DE ERVA E DE MILHO, 6,7 KG/DIA DE CONCENTRADO). o trimestre em análise, o Índice VL atingiu o valor mínimo de 1,761 e o Índice VL-Erva o valor mínimo 1,767. Pode-se concluir que tanto os produtores de leite do continente como os da Região Autónoma dos Açores se encontravam em janeiro de 2018 numa situação mais favorável do que em janeiro de 2019. De realçar que o Índice VL-ERVA reflete a realidade da produção de leite muito mais interessante na ilha de S. Miguel que produz cerca de 60% do total de leite dos Açores. Nas outras ilhas do Arquipélago a conjuntura é bastante mais desfavorável.

NOTAS O preço do leite pago aos produtores do continente em janeiro de 2019 foi igual ao preço pago em janeiro de 2018 enquanto que o valor pago aos produtores dos Açores foi inferior em 0,1 cêntimos/kg;

®

NUTRIÇÃO ANIMAL

CONSULTADORIA

OBJECTIVOS

Limiar de rentabilidade

Negócio saudável

Forte ameaça para a rentabilidade da exploração

3,0

2,0

1,5

1,0

Julho 2013

Janeiro 2019

Durante o trimestre em análise houve um aumento médio de 4,1% no preço das matériasprimas que entram na formulação dos alimentos compostos. Esta evolução contribuiu para aumentar os preços do alimento composto e do regime alimentar formulado para o cálculo do Índice VL. Nos Açores o preço do alimento composto também aumentou tendo o preço do regime alimentar formulado para calcular o Índice VL – ERVA subido no trimestre em análise, devido ao aumento do consumo de alimentos forrageiros conservados em consequência do menor consumo de pastagem fresca que ocorre a partir de setembro; As duas considerações anteriores refletem-se no Índice VL e no Índice VL - ERVA que em janeiro de 2019 foram, respetivamente, de 1,761 e 1,767.

PREMIX

ANO

2018

2019

MÊS

ÍND. VL MILHO

ÍND. VL - ERVA

Jan

1,765

1,828

Fev

1,695

1,767

Mar

1,606

1,736

Abr

1,659

2,040

Mai

1,610

2,007

Jun

1,637

2,038

Jul

1,648

2,062

Ago

1,651

2,045

Set

1,692

2,104

Out

1,767

1,792

Nov

1,802

1,823

Dez

1,783

1,826

Jan

1,761

1,767

EVOLUÇÃO DO ÍNDICE VL E ÍNDICE VL – ERVA DE OUTUBRO DE 2017 A OUTUBRO DE 2018. OS VALORES SÃO INFLUENCIADOS PELA VARIAÇÃO MENSAL DO PREÇO DO LEITE PAGO AO PRODUTOR INDIVIDUAL DO CONTINENTE (ÍNDICE VL) E DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES (ÍNDICE VL - ERVA) E PELAS VARIAÇÕES MENSAIS DOS PREÇOS DE 5 MATÉRIAS-PRIMAS UTILIZADAS NA FORMULAÇÃO DO CONCENTRADO E PELO PREÇO DOS OUTROS ALIMENTOS QUE INTEGRAM O REGIME ALIMENTAR DA VACA LEITEIRA TIPO.

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FORRAGENS

CONCURSO NACIONAL FORRAGENS 2019

REGULAMENTO DO CONCURSO NACIONAL DE FORRAGENS Este concurso idealizado e promovido pela revista Ruminantes tem como objetivo encorajar os agricultores nacionais a melhorar a qualidade das forragens produzidas, procurando desta forma contribuir para o reforço da sustentabilidade ambiental e económica da produção pecuária em Portugal. 1

automaticamente excluídas do concurso.

2

A amostra deverá conter mais de 0,5 kg de forragem, em saco de plástico limpo, transparente e selado sem ar. As amostras devem ser enviadas para: ALIP -Associação Interprofissional do Leite e Lacticínios, Rua do Agreu Nº302, Ordem 4620-471 Lousada. O remetente deve indicar claramente a sua proveniência. As amostras devem ser enviadas ou entregues entre:

Concorrem automaticamente ao Concurso Nacional de Forragens 2019 (doravante “Concurso”) todos os agricultores nacionais, do Continente e Ilhas que enviem amostras de forragens para analisar através do ALIP.

São elegíveis para participar no concurso em 2019 todas as amostras passíveis de inclusão em 5 diferentes categorias de forragem, indicadas no ponto 3, que tenham dado entrada no ALIP no período estabelecido no ponto 7, e cujos agricultores remetentes de amostras não se tenham oposto à participação no mesmo.

3

As categorias participantes no concurso são as seguintes: ›› Silagem de erva ›› Silagem de milho ›› Silagem de luzerna ›› Silagem de sorgo ›› Forragem inovadora

4

O custo das análises é apenas o que decorre do envio normal das amostras pelos seus remetentes para o ALIP, não existindo qualquer custo adicional.

5

O Júri do CNF reserva-se o direito incontestável de excluir durante o processo do concurso qualquer amostra que lhe suscite dúvidas quanto à desvirtuação do espírito do concurso.

6

É permitido o uso de conservantes no processo de ensilagem. As amostras de silagem a concurso devem ter um teor de matéria seca entre 25 e 50%. As silagens devem mostrar sinais de normal fermentação. As amostras com teores de matéria seca fora dos limites estabelecidos, ou com sinais de adulteração, serão

60

ruminantes abril . maio . junho 2019

7

›› Silagem de erva: de 1 janeiro a 31 julho 2019 ›› Silagem de milho: de 1 janeiro a 31 julho 2019

›› Silagem de luzerna: de 1 abril a 31 julho 2019 ›› Silagem de sorgo: de 1 maio a 31 julho 2019 ›› Forragem inovadora: de 1 janeiro a 31 julho 2019

8

As análises a realizar sobre a amostra visam avaliar a qualidade de conservação e o valor nutritivo da silagem.

9

A classificação final é obtida através de uma análise sensorial e de uma análise bromatológica, com um peso, respetivamente, de 30 e 70%. A análise sensorial será efetuada aquando da chegada da amostra ao ALIP e consistirá na avaliação da cor, cheiro, tamanho de partícula e presença de bolores ou outros materiais estranhos ou contaminantes. As amostras serão secas em estufa para determinação da matéria-seca (MS). Posteriormente, serão efetuadas as seguintes determinações: 9.1 ›› na silagem de erva, por NIR, o pH e os teores em Cinza Total (CT), Proteína Bruta (PB), Proteína Solúvel (PS), Azoto Amoniacal (AA), Fibra Detergente Neutro (NDF), Fibra Detergente Ácido (ADF), Fibra Bruta (FB), Açúcares Totais (AT) e a digestibilidade da matéria orgânica (DMO), PDIE, PDIN, ENL, UFL e UFC. 9.2 ›› na silagem de luzerna, pelos métodos de referência os teores em CT, PB e NDF.

9.3 ›› na silagem de milho, por NIR, o pH, os teores em CT, PB, FB, NDF, ADF, Amido, DMO, PDIE, PDIN, ENL, UFL e UFC. 9.4 ›› na silagem de sorgo pelos métodos de referência os teores CT, PB e NDF. 9.5 ›› na forragem Inovadora – as determinações que em face do tipo de forragem submetida para análise sejam consideradas pelo ALIP como as mais adequadas para a sua correta valorização nutricional e económica.

10

Ao primeiro classificado de cada uma das categorias de forragem a concurso em 2019 será atribuído um prémio monetário no montante de 500€. O prémio referente à categoria Forragem Inovadora apenas será atribuído se o Júri considerar se encontrar em presença de uma forragem prometedora e merecedora cuja novidade e valor ajudam à persecução dos objectivos deste concurso, expostos no preâmbulo deste Regulamento.

11

Os prémios serão entregues em cerimónia a realizar durante um EVENTO e em DATA a definir, comunicado através da Revista Ruminantes. Para receber o prémio os vencedores do Concurso terão que estar presentes ou informar previamente a Revista Ruminantes da nomeação de um seu representante para esse efeito.

12

O júri referente ao CNF 2019 será constituído por: ›› José Caiado: Revista Ruminantes ›› Ana Lage: ALIP ›› Rita Cabrita: Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar, Universidade do Porto

››António Moitinho Rodrigues: Escola

Superior Agrária - Instituto Politécnico de Castelo Branco

13

As decisões tomadas pelo Júri do Concurso são definitivas e em nenhum caso serão passíveis de recurso.


PUBLIRREPORTAGEM TECADI / LALLEMAND

REDUÇÃO DE ANTIBIÓTICOS NO ALIMENTO DE BORREGOS LACTANTES COM LEVEDURA VIVA S. CEREVISIAE 1077 E DERIVADOS DE LEVEDURA MARINE GAUTHIER1, PAULA SOLER1, MARIA JOSÉ BLASCO2, JULIA FERNANDEZ2, JULIAN SANCHO2 1

LALLEMAND ANIMAL NUTRITION, BARCELONA, 2 COTEVE, CALAMOCHA

INTRODUÇÃO

No contexto atual em que é questionado o uso generalizado de antibióticos em produção animal, procuram-se continuamente alternativas, sem que sejam afetados os rendimentos produtivos. Um ruminante recém nascido enfrentará melhor os desafios sanitários e produtivos com uma melhor condição fisiológica.

OBJETIVO

Neste estudo, avaliaram-se os efeitos da substituição de uma mistura de antibióticos por uma mistura de probiótico e prebiótico (Levucell SC + YANG) na saúde digestiva dos animais e nos resultados zootécnicos.

MATERIAL & MÉTODO

101 borregos com idade média de 12 dias ± 1.1 dias e peso vivo de 7,1 ±1,4 kg, foram repartidos de forma aleatória com as suas mães num grupo controlo ATB (n=51) e tratado LEV (n=50). Todos os borregos eram de raça aragonesa, nascidos na exploração e destinados à produção de carne. Os borregos do grupo LEV receberam um alimento livre de antibióticos ao qual se adicionou Levucell SC20 (150g/t = 3x109UFC/kg) juntamente com Yang (800g/t). O grupo ATB recebeu um alimento que continha uma mistura de sulfadiazina + trimetoprim (3kg/t), sem nenhum probiótico ou prebiótico. Os dois grupos tinham a mesma idade e o ensaio decorreu

na mesma nave, em dois corrais separados, durante os 45 dias do ciclo. Desmamaram-se ao dia d32. Avaliaram-se os diferentes parâmetros: peso vivo individual no início (d0), ao desmame (d32) e no final do ensaio antes de vender os primeiros animais (d45) ; consumo de alimento total por grupo; controlo da mortalidade e morbilidade individual.

RESULTADOS & DISCUSSÃO

A mortalidade e a morbilidade não foram significativamente diferentes entre o grupo ATB e LEV, ainda que a mortalidade tenha sido numericamente menor no grupo LEV (-2%). O ganho de peso individual melhorou numericamente no grupo LEV comparado com o grupo ATB (11,59 kg vs. 11,23 kg, resp.). Os desvios padrão do peso e do ganho são menores no grupo LEV do que no grupo ATB, o que demonstra uma melhor homogeneidade. A eficência alimentar do grupo LEV foi maior do que a do grupo ATB em 15%. No último dia, venderam-se 55% dos borregos do grupo LEV vs. 42% de grupo CTL-ATB. Isto significa que o grupo LEV chegou ao seu objetivo de peso mais cedo com uma aparência geral do grupo mais homogénea, o que também supõe uma poupança no alimento para o criador.

Levucell SC, muito documentado para a eficiência ruminal, permite alcançar o crescimento dos animais e a eficiência alimentar.

30

20

10

0

Yang foi selecionado para melhorar a imunidade e controlar os agentes patogénicos no intestino dos pré-ruminantes, reduzindo assim a morbilidade e a mortalidade. Um estudo anterior na mesma exploração, sem retirar a pré-mistura medicamentosa, mostrou um ganho médio diário significativamente melhorado bem como uma diminuição na incidência de diarreias. 30

MELHORIA DA HOMOGENEIDADE DO PESO : +27% ATB LEV TRATAMENTO

20

10

0

ATB

LEV TRATAMENTO

,40

MELHORIA DA HOMOGENEIDADE DO GMD : +26%

,30

,20

,10

,00

,40

ATB

LEV TRATAMENTO

,30

TABELA: BALANÇO ECONÓMICO DO ESTUDO COM LEVUCELL SC E YANG

,20

PARA 100 ANIMAIS SUPLEMENTADOS 45 DIAS

ATB

LEV

Ganho médio diário (kg/dia)

0,250

0,258

6%

4%

4.637€

4.670€

435€

397€

3.949€

4.106€

Mortalidade (%) Volume de negócio (€/100 animais)* Custo de alimentação (€/100 animais)** IOFC (€/100 animais)*** Aumento do IOFC (€/100 animais)

157€

Beneficio líquido (€/100 animais)

157€

Margem por animal e dia

0,03€

62

ruminantes abril . maio . junho 2019

CONCLUSÕES ,10

A suplementação a borregos lactantes com Levucell SC20 (150g/ton) + YANG (800g/ ton) foi eficaz para substituir uma mistura preventiva com sulfamidas. O balanço económico é muito positivo, já que com um custo de alimento mais baixo comparado com a mistura de sulfamidas, conseguiram-se crescimentos e consumos de alimento iguais e menos mortalidade. ,00

ATB

LEV

TRATAMENTO


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GENÉTICA

RAÇA BEEFMASTER

SERÁ UMA ESCOLHA ACERTADA PARA OS PRODUTORES PORTUGUESES? No âmbito das Jornadas Técnicas do Hospital Veterinário a Muralha de Évora, esteve presente em Portugal Lorenzo Lasater, neto do criador e fundador da Raça Beefmaster dos EUA, que tem dado seguimento ao desenvolvimento da raça nos EUA e também no mundo.

D

urante a estadia em Portugal, Lorenzo teve oportunidade de visitar algumas explorações na zona do Alentejo, falando depois connosco sobre a raça e todo o seu potencial genético para se desenvolver em Portugal e nos restantes países da comunidade Europeia.

ENTREVISTA A LORENZO LASATER

Sendo a Europa o berço da maioria das raças de vacas de carne utilizadas, porque é que deveria um produtor português mudar e criar a nova raça Beefmaster? A raça Beefmaster já tem mais de 80 anos pelo que não a consideraria nova. A primeira coisa que muitos produtores europeus parecem estar a perder é heterose. A maior parte das raças que são mais usadas têm origem numa área pequena, pelo que provavelmente serão muito semelhantes ao nível genético. Adicionalmente, parece que o sangue de Bos indicus é pouco utilizado. Este confere heterose quando cruzado com raças europeias e pode ajudar na adaptabilidade e eficiência alimentar. Fale-nos da origem da raça Beefmaster A raça Beefmaster foi criada em 1930, no sul do Texas, pelo meu avô Tom Lasater. É um cruzamento de três vias que engloba 50% de Bos indicus (Raças

Nelore, Ghir e Guzarette) e 50% de Bos taurus (dos quais 25% Herford e 25% de Shorthorn). A exploração foi fechada à entrada de genética vinda do exterior, pelo que os animais originais foram melhorados durante mais de 80 anos utilizando a nossa filosofia: os “seis essenciais” ou “filosofia de Lasater”. A Beefmaster é a única raça que cuja seleção evolui exclusivamente para estas características económicas: fertilidade, peso, conformação, rusticidade, disposição e produção leiteira. A raça deve ser criada como raça pura ou poderia ser cruzada com raças populares como a Charolesa, a Limousine ou Angus? Se a raça crescesse em Portugal provavelmente ambas as situações seriam necessárias. Normalmente tudo começa com pessoas a utilizar sémen de Beefmaster em cruzamentos. Ficam tão satisfeitas com os resultados que começam uma exploração de raça pura. Alguém tem que fazer isso para fornecer touros, por isso existe uma oportunidade para os primeiros a adoptar a raça. Os primeiros vitelos cruzados de Beefmaster em Portugal vão nascer este ano e os primeiros embriões de raça pura vão ser implantados em vacas durante os próximos dois meses. Estamos muito entusiasmados com as perspetivas da raça em Portugal. Quais são as características típicas de comportamento dos machos e fêmeas da raça? São animais dóceis, recetivos e inteligentes. Geralmente nos EUA são criados de um modo muito extensivo pelo que embora não sejam como os animais de leite ou aqueles criados em estabulação, são calmos e fáceis de lidar. As fêmeas são excelentes mães e os machos ótimos reprodutores.

64

ruminantes abril . maio . junho 2019


Raça Beefmaster

Há alguma peculiaridade da raça em relação à gestão da exploração? Não sei se lhe chamaria uma peculiaridade, mas o que distingue a Beefmaster é ser uma produção de baixo custo. São animais muito eficientes na utilização de forragem, precisam de menos suplementação nutricional do que muitas raças e são animais férteis com uma longa vida produtiva. Todos estes pontos fazem com que sejam bovinos de carne economicamente eficientes. As vacas da raça são nutricionalmente exigentes? O que seria o exemplo de uma dieta base para um animal em gestação? Como mencionei anteriormente, são animais que precisam de muito pouca suplementação, especialmente quando comparados com animais de muitas raças europeias. Nós criamos as nossas vacas no exterior, em pastagens naturais. Apenas utilizamos uma suplementação limitada de sais/minerais durante os meses de inverno, quando a forragem está dormente. Muitos dos nossos clientes em zonas equatoriais criam esta raça sem qualquer suplementação para além da erva. Qual é a idade ideal das novilhas para iniciarem a vida reprodutiva? E o peso médio? Essa é em parte uma questão de maneio. Nós iniciamos a reprodução das novilhas aos 14 meses, durante um período de 60 dias, para parirem aos 24 meses. A partir daí é suposto que tenham e criem um vitelo por ano no mesmo período de 60 dias. Se falharem são retiradas da exploração. Relativamente ao peso, estamos numa zona relativamente seca e as nossas vacas têm em média 550 kg. Elas pesariam mais em climas mais húmidos e menos em países com climas desérticos. Estou a tentar equilibrar o tamanho da vaca de forma a manter a máxima eficiência. Animais maiores não são necessariamente

melhores quando se tem em conta a sua manutenção e reprodução. E em relação a indicadores de performance como o índice de conversão alimentar ou ganhos médios diários? Eu vendo 200 touros por ano e eles passam por um teste único de performance durante um ano que engloba avaliação do peso ganho com erva e com concentrado. Procuramos obter ganhos de 0.45kg por dia com erva seca e tanto como 2.7 kg por dia durante os 50 dias de teste de feedlot. O objetivo é identificar animais que se destacam dos seus pares. Além do teste de ganho de peso, fazemos uma ultrassonografia à carcaça de cada animal, medindo a área de secção do músculo longissimus dorsi (olho-do-lombo) e a gordura intramuscular (marmoreado). Qual é o peso ótimo, rendimento e conformação da carcaça? Provavelmente o sistema dos EUA é diferente do vosso, mas um animal com peso ideal tem aproximadamente 566kg, um rendimento de grau 1 ou 2 e uma avaliação “high-select”, “choice” ou “prime” em relação ao marmoreado. A raça Beefmaster é muito consistente e consegue alcançar o peso pretendido sem ficar demasiado grande ou produzir demasiada gordura – dois fatores que são bastante penalizados. O rendimento dos animais excede os 64%, o que é excecional. Esta raça produz marmoreado ou gordura interna suficientes para dar sabor e tenrura, mas pouca gordura externa ou desperdício. Quais são as maiores qualidades da carne destes animais? E as peças de maior valor comercial? Nós tentamos produzir carne magra, tenra e saudável. As peças mais valiosas são o lombo e outros cortes mais caros, mas há muitos quilogramas no resto, por isso toda a carne tem que ser considerada um produto de elevada qualidade.

Durante a sua visita a Portugal teve a oportunidade de viajar na região sul do Alentejo. Pensa que esta raça se adaptaria facilmente a esta paisagem? É engraçado, mas as zonas por onde passamos parecem-se muito com algumas partes do Texas, o estado de onde sou originário. Nós temos verões muito quentes, com muitos dias com temperaturas a exceder os 40ºC no verão. É também uma zona seca, recebendo apenas 482 mm de chuva por ano. Acho que a raça não teria qualquer problema de adaptação. Na verdade, penso que quando cruzada com raças europeias, a Beefmaster podia acrescentar muita adaptabilidade, principalmente tolerância ao calor e eficiência alimentar. Que conselhos daria a um produtor português que decida mudar para Beefmaster de forma a ter sucesso? Recorre a algum protocolo? A única forma de saber é ver os resultados, por isso encorajo as pessoas a experimentar algum sémen juntamente com o seu programa normal de IA e comparar os vitelos. Penso que alguém que queira experimentar a genética em vacas do tipo Limousine ou Charolesa vai adorar os resultados, especialmente em termos de novilhas de substituição. Eu tenho muita experiência em cruzamentos de Beefmaster com Charoleses e os resultados são excecionais. A heterose é uma arma poderosa muitas vezes negligenciada. Aconselho a quem tenha interesse na raça a ler “The Lasater Philosophy of Cattle Raising” que explica o desenvolvimento da raça e filosofia que a torna única. O livro está disponível no meu website em www.isabeefmasters.com/ store em versão digital e impressa, em Inglês e espanhol. As ideias têm aplicabilidade em qualquer exploração de carne, holística, e de pastoreio, independentemente da raça.

ruminantes abril . maio . junho 2019

65


GENÉTICA

QUINTA DO MUROZ

“AS PROCROSS SÃO MAIS RESISTENTES” Sábado, 2 de março. Já ia a manhã a meio quando chegámos à Quinta do Muroz para visitar uma das maiores explorações leiteiras do concelho de Montemor-o-Velho. Pronto para nos receber, abriu-nos o portão César Silva, um dos donos e também o responsável pela gestão da vacaria. TEXTO RUMINANTES

A

Quinta do Muroz, Lda. fica na localidade de Bebedouro, e é gerida pelos três irmãos Silva — César, Fernando e Luís, por ordem de idades. O negócio não é novo na família, já vinha dos pais. Foi o gosto pela atividade que, há 40 anos, os levou a querer fazê-lo crescer e a “arrancar há 20 anos atrás, em 1997,

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com uma exploração”, como nos contou César: “Na altura não tínhamos terrenos, começámos a comprar e os que adquirimos são todos nesta zona de Muroz, e por isso assim ficou o nome da quinta. Dos 136 hectares de terrenos cultivados com erva e milho, apenas 24 hectares pertencem à Quinta

do Muroz. A zona da exploração propriamente dita ocupa cerca de 2,5 hectares, para um efetivo de 760 animais, dos quais 348 em ordenha. Na exploração existem 4 parques: pós-parto, alta, média e baixa produção, cada um com um seu programa alimentar. As novilhas são alimentadas quase exclusivamente


Quinta do Muroz

de silagem de erva todo o ano. A alimentação das vacas vai variando, sendo o forte a silagem de milho, palha, e concentrado nas vacas de leite; tudo fornecido pelo reboque unifeed, sem suplementos.

são geralmente cruzadas primeiro com Sueca Vermelha, exceto alguma que já venha com um cruzamento que tenha que ser com Montbeliard. Hoje, já têm animais resultantes dos 3 cruzamentos, embora ainda não estejam a produzir.

1/3 PROCROSS, 2/3 HOLSTEIN FRÍSIA

A INTRODUÇÃO DAS “CRUZADAS”

Atualmente, o efetivo adulto reparte-se por vacas ProCROSS (26%) e Holstein Frísia (74%). “Começámos a cruzar há cerca de 5 anos com a ideia de aumentar a média de lactações, que na altura estava em 1.6 por vaca presente, e queríamos que fosse, no mínimo, para 2.5”, dissenos César Silva. Relativamente aos cruzamentos, fazem Montbeliard com Sueca Vermelha e Holstein. As novilhas

Da experiência do gestor, ainda que curta, a introdução das “cruzadas” está a ser positiva: “Acho que as cruzadas se sentem mais compostas de carne, com pelo mais brilhante, e a minha ideia é que elas aguentam mais, e praticamente estão a dar o mesmo leite que as outras.” No que se refere à qualidade do leite, diz que é “qualquer coisa melhor e que têm menos descargas celulares do que as Frísias.” “Os animais ProCROSS são mais duros”, diz César, “se andarem bem dispostos não fazem mal a ninguém, se apertarem com eles, reagem com mais força.” Para já, os benefícios também se sentem nos gastos com a saúde, “estes animais cruzados são mais duros nos cascos”, refere. Mas também ao nível da fertilidade sente melhorias pois com as Frísias “é um problema para pegarem.” Na exploração da Quinta do Muroz, tenta-se fazer a primeira inseminação aos 13 meses. Os vitelos machos são todos vendidos à nascença, no máximo aos 8 dias de idade.

DADOS DA EXTPLORAÇÃO NOME Quinta do Muroz - Produção Agrícola e Animal, Lda. LOCALIZAÇÃO Bebedouro, concelho de Montemor o Velho, Coimbra ÁREA DA EXPLORAÇÃO 24 hectares à volta da exploração, e 136 hectares de área total Nº EMPREGADOS 10, a tempo inteiro, para todas as funções (cultivos e vacaria)

“Começámos a cruzar há cerca de 5 anos com a ideia de aumentar a média de lactações, que na altura estava em 1.6 por vaca presente, e queríamos que fosse, no mínimo, para 2.5”

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GENÉTICA

"Outro investimento de monta, previsto ainda para este ano, é uma nova sala de ordenha rotativa, com 50 pontos, a ordenhar por fora, equipada com software de gestão de dados".

diz César “é passar a ordenhar 300 vacas por hora e, no futuro passar para 600 vacas ou mais”. A sala de ordenha atual é de 2x8, em espinha, e são precisas 6 horas de manhã e 6 horas à noite para ordenhar. Em termos de instalações, está também projetado um pavilhão novo para 300 vacas, e outro para 240 vitelas desde que nascem até serem inseminadas. Também as camas, atualmente em serradura, serão gradualmente substituídas por tapetes de borracha.

INVESTIMENTOS COM RETORNO Recentemente, a exploração decidiu investir em cubículos para os animais e retirar alguns animais para outro pavilhão. A ideia era dar mais espaço a cada animal, e os resultados não se fizeram esperar: em apenas um mês, a produção subiu 2 litros. Outro investimento de monta, previsto ainda para este ano, é uma nova sala de ordenha rotativa, com 50 pontos, a ordenhar por fora, equipada com software de gestão de dados. O objetivo,

UMA PERGUNTA PARA TERMINAR: De que mais se orgulha no que diz respeito à exploração? "Orgulho-me de conseguir viver dentro deste setor, com muita dificuldade mas cá vamos andando. Arazede já foi uma das maiores freguesias produtoras de leite no País, neste momento já não é, e nós somos o maior produtor do Distrito. Mas acho que a indústria devia fazer mais junto do consumidor para promover o consumo de leite, e não apenas quando o preço está baixo".

DADOS PRODUTIVOS GERAIS DO REBANHO DADOS GERAIS DO REBANHO Idade ao abate: 4,5 anos Taxa Refugo Atual: 32% Ano Idade ao 1 Parto: 26,2 Meses IEP: 396 Dias em aberto: 116 Nº I.A. Vaca Adulta Gestante: 2,2 doses Taxa deteção de Cios: 52% Período Espera Voluntário: 60 dias % Vacas Adultas Gestantes: 55% % Novilhas Adultas (+ 13 Meses) Gestantes: 60% Distribuição Efetivo Adulto por Raças 26% ProCROSS 74% Holstein Frísia

DADOS PRODUTIVOS E REPRODUTIVOS POR RAÇAS PROCROSS DEA - 106 DEL - 153 Kg/Dia - 33kg TG - 4,47 TP - 3.46 IEP - 386

HOLSTEIN FRÍSIA DEA - 115 DEL - 166 Kg/Dia - 33,2kg TG - 4,25 TP - 3.36 IEP - 395

BREVES

É POSSÍVEL MELHORAR A UTILIZAÇÃO DE FIBRA NAS RAÇÕES A ABvista quer expandir o seu mercado na área dos ruminantes, para destinos como os EUA e o Brasil, e pretende fazê-lo através da otimização da utilização de fibras nas rações. A este propósito, o diretor comercial da empresa, Derek Mcllmoyle afirmou que, uma vez que as fibras são pouco digeridas pelos ruminantes, há todo um potencial que não está a ser utilizado e que pode ser explorado com impacto na eficiência alimentar

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e na performance dos animais. Uma das soluções previstas passa pela utilização de VistaPre-T, um líquido que, ao ser adicionado à mistura, ajuda a quebrar as fibras melhorando a sua digestibilidade. Mcllmoyle acrescentou que a capacidade de retirar mais valor nutricional da forragem, e a utilização de forragem de maior qualidade, farão com que os produtores não necessitem de suplementar a ração com energia de outras fontes.


ProCROSS

O Único programa de crossbreeding no mundo já provado A VikingRed Transmite • • • • •

Partos muito fáceis Execelente saúde do casco Muito boas caracteristicas de saúde Execelente saúde do ubere Altas produções Alguns dos actuais melhores touros que estão disponiveis • • • • • •

VR Hammer VR Tuomi VR Flame Pell-Pers Gunnarstorp V Föske

NTM NTM NTM NTM NTM NTM

+25 +19 +18 +13 +12 +10

Para mais informações contacte-nos:

+351 917 534 617

Foto: Elly Geverink

carlosserra@unigenes.com


ALIMENTAÇÃO

DESMAME PRECOCE: SERÁ VANTAJOSO? "Se por um lado é uma fase com um grande impacto no bem-estar dos vitelos, por outro a decisão de um desmame tardio pode também acarretar uma grande sobrecarga para as vacas" TEXTO MARGARIDA CARVALHO

O

tema desmame remete-nos para duas realidades diferentes que queremos acautelar: se por um lado é uma fase com um grande impacto no bem-estar dos vitelos, por outro a decisão de um desmame tardio pode também acarretar uma grande sobrecarga para as vacas. Para os vitelos o desmame significa uma quebra na ligação com a mãe, alterações alimentares e frequentemente uma nova realidade social e novos alojamentos. É verdade que os produtores querem garantir um bom ganho de peso dos vitelos, mas não se pretende que este aumento aconteça “à custa” da perda de

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condição corporal das mães. Além disso, podemos ter em consideração fatores externos como a condição da pastagem para decidir qual a melhor altura para o desmame. Neste artigo debruçamo-nos sobre algumas vantagens do desmame precoce e estratégias para minimizar o stress. PORQUÊ OPTAR POR UM DESMAME PRECOCE? Tradicionalmente, os vitelos devem permanecer na pastagem junto das suas mães até aos 6 meses de idade aproximadamente. No entanto, optar por um desmame precoce pode ter como

principal vantagem preservar a condição corporal das mães. Ao retirar esta pressão dos animais, os custos com a alimentação e suplementação das vacas diminuem. Além disso, um desmame precoce tem um impacto positivo na fertilidade das vacas e reduz o stress sobre as pastagens. Uma vez que a lactação aumenta as necessidades energéticas e nutricionais da vaca, regra geral, se temos vacas magras e escassez de pastagem devemos optar por um desmame precoce. Por outro lado, é importante considerar que o desmame pode acarretar custos com a suplementação dos vitelos.


Desmame precoce

ESTRATÉGIAS DE REDUÇÃO DE STRESS DOS VITELOS AO DESMAME Existem algumas precauções que devemos tomar na altura do desmame Não fazer o desmame ao mesmo tempo que a estabulação. Optar por fazer primeiro o desmame, duas ou três semanas mais cedo, de forma a evitar duas fontes de stress em simultâneo. Evitar procedimentos como a castração ou a descorna no mês que antecede o desmame e no mês seguinte ao desmame. Antes do desmame, o produtor deve reunir-se com o médico veterinário responsável, para decidir os protocolos de vacinação e desparasitação – a saúde dos vitelos é muito importante para o sucesso do desmame. Evitar misturar vitelos de diferentes lotes, pois pode contribuir para a propagação de doenças. Após o desmame os vitelos devem ter pastos de qualidade à disposição. Optar por alojamentos bem ventilados com baixa densidade de animais. Iniciar a suplementação dos vitelos enquanto ainda estão com as mães. Introduzir novas dietas de forma gradual.

O método tradicional, devido ao afastamento abrupto da mãe e do vitelo, leva frequentemente a uma perda de peso dos vitelos devido ao stress, pelo que é interessante considerar estratégias de desmame gradual:

“FENCELINE WEANING”

Consiste em colocar os vitelos e as vacas em parcelas contiguas apenas separadas por uma vedação suficientemente resistente, que por um lado impede que os animais mamem, mas permite o contacto com as mães.

“NOSE FLAPS”

Consiste na aplicação de abas de plástico no focinho dos vitelos que os impedem de mamar mas não impedem de comer ou beber água. Com esta prática os vitelos permanecem junto das suas mães mais uns dias, podendo depois ser separados com uma reconhecida diminuição do stress.


PRODUÇÃO

ENTREVISTA A VIVIANA MOTA, VETERINÁRIA

“COMPARO O LEITE DOS AÇORES AO VINHO DO PORTO” Na opinião de Viviana Mota, o leite continua a ser mal pago não obstante o esforço feito pelos produtores. A ‘bola’ está agora do outro lado: “Basta de apostar no leite UHT. A evolução da indústria tem de passar pelo desenvolvimento de novos produtos.”

E

ncontramo-nos com Viviana Mota no Nordeste, Ilha de S. Miguel, Açores, com um cenário inacreditavelmente bonito como fundo, como quase sempre acontece nas ilhas da bruma. Falou-nos do seu percurso como veterinária, que verdadeiramente iniciou aos 2 anos de idade, com as vacas do avô, as primeiras grandes

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TEXTO TERESA MOREIRA

responsáveis pela sua paixão pela buiatria. Mais tarde, foi na “minha rica cidade do Porto”, como diz, que concluiu a licenciatura em medicina veterinária, no ICBAS. Dividiu o período de estágio entre os Açores, para conhecer a sua realidade, e a República da Irlanda, parecida com S. Miguel, com “mais chuva”, mas que lhe permitiu contactar com formas

diferentes de trabalho em cenários semelhantes. Em contexto de trabalho ficou mais um ano na Irlanda, período ao fim do qual aceitou um convite e regressou a S. Miguel. Trabalhou 4 anos na Cooperativa mas, ansiosa pela oportunidade de uma abordagem diferente da veterinária, acabou por montar a sua empresa “ Viviana


Entrevista a Viviana Mota

"Se a marca Açores é certificada e é considerada um dos melhores leites do mundo, qual a razão de embalar para marcas brancas? (…) Ninguém faz marcas brancas de vinho do Porto." e Mota, Serviços veterinários Lda”. Começou com um grupo de clientes que lhe deram um voto de confiança e a oportunidade de fazer um trabalho diferente, pioneiro e inovador nesta ilha, baseado num acompanhamento diferenciado nas explorações, com visitas de rotina, programadas em termos da dimensão de cada cliente, muito focadas na reprodução, no maneio do periparto e na profilaxia. Imagina-se como veterinária em qualquer outro lugar que não os Açores, concretamente S. Miguel? VM - Os açorianos adaptam-se bem a qualquer parte do mundo, temos essa capacidade, portanto poderia trabalhar noutro local, mas sem dúvida que prefiro estar na minha terra, e trabalhar rodeada destas lindas paisagens. Além disso, os açorianos são um povo que gosta muito de vacas e que sabe de vacas, e por isso é bom trabalhar aqui. Trabalho por paixão, sempre quis ser veterinária, e dedicada aos meus clientes, porque eles também são dedicados a mim. Acabamos por trabalhar em conjunto e ser uma grande família, afinal estamos todos no mesmo barco. Gostava de ganhar mais dinheiro mas, enquanto os meus clientes estiverem mal, não posso subir os meus preços. Qual a melhor parte de um típico dia de trabalho? Sair de uma exploração, respirar fundo e pensar “Boa, ele tem poucos

problemas esta semana.” Fico satisfeita porque, é tudo tão complicado que ter as coisas controladas após cada visita é muito positivo. Quais são as outras partes deste dia? Planeamos as nossas visitas semana a semana, e tendo em atenção a dimensão de cada um dos clientes. Acabamos por ter os dias muito preenchidos, entre as visitas de reprodução e a parte clínica. Além da Viviana, quantas pessoas fazem parte da equipa? Quais os serviços que prestam? Neste momento sou eu e outra veterinária, a Marlene. Dividimos urgências, fins de semana, e também a ilha, uma vez que cada uma trabalha na sua zona. Basicamente, fazemos o serviço de acompanhamento às explorações. Estas visitas passam pelos diagnósticos de gestação, que faço aos cinquenta dias, uma vez que penso que, antes desse período pode existir algum tipo de estimulação uterina que eventualmente conduza a mortes embrionárias. Não estou em competição com ninguém e penso que estes 10 dias de diferença não são significativos. As nossas visitas passam também pela avaliação dos animais do pós-parto, período fundamental na vida de uma vaca e posterior arranque da lactação. Acabamos por fazer a parte clínica dos clientes que trabalham connosco. Já tivemos um centro de inseminação artificial, mas tive de abandonar por incompatibilidade com

a minha vida pessoal, concretamente com o facto de ter sido mãe. No entanto, continuo a ser a representante em S. Miguel da Ascol e da Semenzoo, mas adjudiquei a inseminação a uma empresa privada. Em termos de futuro, vamos trabalhar com um programa reprodutivo, aliás, neste sentido contactei uma pessoa para o registo e análise dos dados. Em Portugal continental é notória, desde há alguns anos, uma diminuição significativa do número de explorações de leite. Qual é a realidade micaelense? Nos últimos anos o número de explorações tem decrescido bastante, apesar do número de animais aumentar. Neste momento em S. Miguel temos aproximadamente 1300 explorações, com tendência a reduzir. No entanto, existem 67 mil vacas só em S. Miguel, o que torna a ilha muito apetecível para todos os intervenientes do setor, e um local a apostar. O leite dos Açores está a ser devidamente valorizado, sobretudo se tivermos em atenção o esforço de atualização feito pelo setor produtivo e pelos seus técnicos? Não gosto de política, a minha opinião vale o que vale, mas considero que há um grave problema a nível governamental, uma vez que existe um afastamento entre a classe política e a produção. Os políticos deveriam estar a trabalhar para o bem dos portugueses e para o bem dos setores, no entanto, na grande maioria das vezes isto não se verifica. Assisto à dedicação e ao sofrimento dos meus clientes, que acordam todos os dias de madrugada para trabalhar e não são pagos de acordo com o esforço que fazem. As explorações têm de cumprir muitos requisitos, foram-lhes exigidos muitos melhoramentos e investimentos, e o tecido produtivo

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PRODUÇÃO

açoriano tem feito o que lhe compete. A solução passa também pela indústria do leite, que em Portugal está muito aquém das suas homólogas europeias. Sabemos que o setor do leite invariavelmente sofre oscilações, mas países como a Holanda, França e Itália conseguem pagar bem ao produtor porque conseguem vender bem o seu produto e todos os produtos derivados do leite, nos quais têm feito uma aposta. Em concreto, relativamente à realidade que conheço, que é a açoriana, a indústria não está a conseguir destacar-se. Não se compreende, foi feita a certificação da marca Açores, que está muito bem trabalhada e que vende muito, mas o leite continua a ser um dos produtos mais baratos do mercado. Da mesma maneira que os produtores evoluíram, a indústria tem que evoluir. Basta de apostar no leite UHT. A evolução da indústria tem de passar pelo desenvolvimento de novos produtos. Trabalhar unicamente com grandes superfícies também não ajuda, porque impõem o preço que querem e, naturalmente, querem o mais barato até porque

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lhes permite articular promoções. Se a marca Açores é certificada e é considerada um dos melhores leites do mundo, qual a razão de embalar para marcas brancas? O consumidor está a comprar um leite de excelência a um preço muito baixo. Ninguém faz marcas brancas de vinho do Porto. Eu comparo o nosso leite ao vinho do Porto. O leite açoriano é um leite que se vende, não precisa de promoções. Neste momento, os produtores não estão a ser remunerados de acordo com os investimentos e apostas que fizeram. O leite tem que ter um preço tabelado, um preço mínimo que torne a exploração viável. Os atuais custos de produção são muito elevados. Tem que existir também um trabalho feito junto do consumidor, o leite tem que ser mais bem vendido. Enquanto isso não acontecer, os produtores estão infelizes e totalmente descapitalizados. É possível a coexistência entre o turismo e a produção de leite, nos Açores? Existe uma forte aposta no turismo, mas não nos podemos esquecer que o turista que vem aos Açores

quer continuar a ver vacas e os pastos verdes. O setor do turismo tem de estabelecer uma relação de mutualismo com a agropecuária açoriana. No entanto, a necessidade de estabular os animais, as vacas em ordenha, por exemplo, em regiões mais acidentadas da Ilha, como esta em que nos encontramos, é uma forma de aumentar o número de animais como meio de rentabilizar as explorações, por um lado, e de contornar os graves problemas de emparcelamento que temos, por outro. Não se conseguem passar 100 vacas de pastagem em pastagem, sem que isso implique stress, quebras na produção de leite, problemas podais e inclusivamente mastites. Não conseguimos ter uma ordenha fechada em cada uma das parcelas, não é viável. O caminho da produção de leite, compatível com o turismo açoriano, é a semi-estabulação. E os subsídios? Sou contra subsídios na perspetiva de que, se o leite fosse bem pago, ninguém precisava de subsídios. Atualmente, os subsídios que os produtores recebem servem para pagar contas, rendas de terras etc., porque as explorações não conseguem ser autossustentáveis. A diferença relativamente aos subsídios pagos no Continente tem a ver com a insularidade e com o preço do transporte de matérias-primas e outros fatores de produção para os Açores, enquanto região ultraperiférica. Quais são os desafios para um veterinário de campo açoriano? Da realidade continental que conhece, quais os pontos diferentes e comuns? Fazer com que os seus clientes ganhem dinheiro. Há uns anos atrás tínhamos o problema da acessibilidade às


Entrevista a Viviana Mota

explorações, maus caminhos, etc., que neste momento está praticamente ultrapassado. As pessoas estão a apostar em bons estábulos, portanto trabalhamos cada vez menos ao ar livre. O trabalho é sempre árduo, nunca se tem horários, como acontece no Continente, apesar de se planear semana a semana. Penso que atualmente as duas realidades estão cada vez mais próximas. Em que setores da exploração estão as melhores oportunidades para os produtores melhorarem a sua rentabilidade? Na recria, sem dúvida. Temos trabalhado muito esta questão. Não é lógico apostar em genética, investir em sémen sexado, a título de exemplo, nascer a vitela e não beber colostro em quantidade, qualidade e tempo devidos. Os animais jovens são o futuro produtivo da exploração para tentar ter o mínimo de problemas. Da nossa parte, tentamos rentabilizar os animais com maior viabilidade, seja do

ponto de vista reprodutivo, intervalo entre partos, redução da medicação, e tentamos atuar sobretudo em termos de profilaxia. Quanto aos animais que entendemos serem menos viáveis, definimos uma política de refugo precoce que permita ainda algum retorno em termos de pagamento da carne, caso não se justifique a sua permanência na exploração. A par com a recria, a profilaxia ou a medicina de prevenção, é outro dos nossos principais pilares, até pelo objetivo que temos de diminuição do consumo de antimicrobianos. A produção de leite açoriana está no caminho certo? Não, não está. Penso que uma correta campanha de marketing (se eu tivesse meios financeiros disponíveis faria um vídeo sobre isso) que mostrasse toda a dedicação e esforço dum produtor ­— desde que acorda às 5 horas da manhã, com chuva, sol, vento, trovoadas, tempestades, e que

acompanhasse um dia do lavrador ­— seria mais efetiva do que todas as “vacas felizes”. Não devemos fantasiar ou romancear a produção de leite, o consumidor tem de conhecer a realidade para que possa valorizar corretamente o produto final. Por outro lado, é muito importante desmistificar alguma contrainformação sobre o leite que aparece nas redes e comunicação social, e constatar que, mais uma vez, a estagnação da indústria perante estas notícias é preocupante.

Penso que uma correta campanha de marketing que mostrasse toda a dedicação e esforço dum produtor (…) seria mais efetiva do que todas as “vacas felizes”.


SAÚDE & BEM-ESTAR

COMO PREVENIR A MASTITE FRUSTRANTE CAUSADA PELA STREPTOCOCCUS UBERIS? Hoje em dia, apesar das inúmeras pesquisas e esforços que têm sido dedicados ao controlo da mastite, esta continua a ser um problema persistente e ainda é a doença com mais impacto económico em vacas leiteiras. MASTITE, O PRINCIPAL OBSTÁCULO DA PRODUTIVIDADE

DEOLINDA SILVA DIRETORA TÉCNICA E MARKETING RUMINANTES

HIPRA PORTUGAL DEOLINDA.SILVA@HIPRA.COM

HIPRA.COM

A doença restringe o lucro líquido da exploração, tanto direta como indiretamente. O leite descartado e a produção reduzida são responsáveis por aproximadamente 70% dos custos associados à mastite. Essas perdas afetam o produtor, mas também afetam a pegada de carbono do litro de leite. Vacas com mastite produzem menos leite do que animais saudáveis, então são necessárias mais vacas para produzir a mesma quantidade de leite. A mastite pode afetar até 110 milhões de vacas por ano, representando um custo de cerca de 25 a 30 biliões de dólares a nível mundial, cerca de 9 a 10% do volume de negócios das explorações leiteiras (IFCN, 2016/17).

A MUDANÇA NA EPIDEMIOLOGIA: DE AGENTES CONTAGIOSOS PARA AGENTES AMBIENTAIS Nos últimos 50 anos, a implementação dos planos de saúde do úbere para o controlo da mastite, bem como o aumento da produção de leite, levaram a uma mudança na epidemiologia das mastites, de um tipo de mastite tipicamente contagiosa (transmitida de vaca para vaca), por exemplo, Strep. agalactiae e S. aureus, para um tipo de mastite de origem ambiental (transmitida através do ambiente), como Strep. uberis, E. coli e coliformes. Verificamos essa tendência em muitos países da Europa (Reino Unido, Itália, Espanha, Portugal, etc.) e em outros países fora da Europa como a África do Sul. Analisando esses dados, podemos concluir que os planos de controlo da mastite tiveram um tremendo impacto na mastite contagiosa, mas não na mastite ambiental. Embora outros fatores possam ser discutidos, como o aumento da produção de leite, a nutrição, a genética, etc.,

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fica claro que os planos de controlo tradicionais se baseiam na eliminação de infeções pré-existentes e na redução da transmissão de vaca para vaca. Estas medidas fazem sentido para o controlo da mastite contagiosa, mas têm pouco efeito sobre bactérias cujo reservatório está fora do úbere, como no caso dos agentes ambientais. Deste último grupo, especial atenção deve ser dada à Streptococcus uberis, cuja importância aumentou nas últimas décadas, tornando-se a bactéria mais frequentemente isolada em países como o Reino Unido, Nova Zelândia ou em algumas áreas de Portugal.

O AUMENTO DA INCIDÊNCIA DA STREPTOCOCCUS UBERIS Um aumento constante na importância relativa da Strep. uberis pode ser visto nos últimos anos, por exemplo, no Reino Unido, com 17, 21, 24.5 e 32% dos casos de mastite clínica atribuídos a esta bactéria em 1969, 1980, 1993, 2005, respetivamente. Na Alemanha, essa percentagem cresceu de 10% em 1983 para 25% em 2013. Analisando dados de Portugal, encontrámos prevalências de 22% (SEGALAB, 2011 a 2017), 31% (SVA, 2009 a 2018), e de 15% (PROLEITE, 2016 e 2017), indo ao encontro do que se passa nos outros países. Estes dados confirmam o que temos visto nos últimos 6 anos em Portugal com o kit HIPRA UDDERCHECK®, onde a presença crescente de Strep. uberis em tanque de recolha de leite foi detetada (Gráfico 1).

STREPTOCOCCUS UBERIS, CONHECENDO O INIMIGO A Strep. uberis é uma bactéria ubiquitária (está em todo o lado) que coloniza os animais e também o meio ambiente que os rodeia. Estreptococos ambientais são responsáveis por cerca de um terço de todos os casos clínicos de mastite. As


Como prevenir a mastite frustrante

GRÁFICO 1 - EVOLUÇÃO DA PREVALÊNCIA DOS PRINCIPAIS AGENTES CAUSADORES DE MASTITES EM PORTUGAL DE 2012 A 2016 UTILIZANDO O KIT UDDERCHECK®.

CNS

E. coli

S. uberis

S. aureus

Outros coliformes

120 100 80 60 40 20 0

2012

2013

bactérias entram na glândula mamária pelo canal do teto. Altos níveis de patógenos no ambiente onde os animais se encontram aumentam as taxas de infeção. Zadoks et al. (2005) descobriram que a Strep. uberis estava presente em 63% das amostras ambientais (ex. terra, amostras de vegetais e material das camas), em 23% das amostras fecais e em 4% das amostras de leite. Durante o verão, as taxas de contaminação nas fezes de bovinos são maiores do que nas outras estações. A palha e outros materiais biológicos são materiais de eleição para o crescimento da Strep. uberis. A origem ambiental é o principal reservatório deste agente, no entanto, alguns tipos de Strep. uberis conseguem sobreviver dentro da glândula mamária e passam a transmitir-se de vaca a vaca durante a ordenha (origem contagiosa). Os casos de mastite clínica causada por esta bactéria estão claramente associados à higiene (limpeza e humidade), alimentação e máquina de ordenha. As infeções por Strep. uberis da glândula mamária podem ocorrer durante o período seco e muitas vezes desenvolvem um curso agudo na lactação seguinte. No entanto, as

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vacas podem infetar-se durante a lactação, representando o período seco e os primeiros 75 dias da lactação os principais períodos de risco de infeção para os animais.

A MASTITE FRUSTRANTE CAUSADA PELA STREPTOCOCCUS UBERIS Em conversas com produtores e médicos veterinários, um tema comum surge, a frustração em relação à mastite clínica recorrente devido a este agente, que eles descrevem como mastite clínica que retorna de novo e de novo. Existem vários fatores que influenciam esta perceção:

A mastite clínica é mais fácil de detetar pelos produtores e a maioria dos casos subclínicos permanece impercetível. A sua prevalência é maior em amostras de mastites clínicas do que subclínicas, portanto a probabilidade de encontrar uma amostra positiva para Strep. uberis é maior quando uma amostra é recolhida de um caso clínico em vez de subclínico. Em geral, as mastites clínicas tendem a ser recorrentes, com repetição de cerca de metade dos casos clínicos. No caso da Strep. uberis, um quarto ou vaca que teve um caso de mastite por este agente no passado, tem o risco de ser reinfectado(a) aumentado em 4 vezes. Apesar de a maioria das infeções serem de curta duração (16 a 46 dias), infeções crónicas/ persistentes (2 a 20 meses) estão descritas na literatura e podem ser explicadas pela existência de fatores de virulência que permitem que a Strep. uberis sobreviva dentro do úbere.

TRATAMENTO Atualmente, os antibióticos intramamários durante os períodos de lactação e de secagem são amplamente utilizados para controlar a Strep. uberis. Mas, o tratamento não é universalmente bem sucedido, cerca de 51% dos casos de mastite clínica não respondem aos tratamentos convencionais, e o uso prolongado e

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SAÚDE & BEM-ESTAR

off-label de antibióticos é necessário (5-8 dias). Os tratamentos prolongados implicam um aumento no custo devido ao aumento do número de dias de descarte do leite. Além disso, este tipo de protocolos não estão recomendados nas bulas dos antibióticos disponíveis no mercado, e representam um maior de risco de ocorrência de inibidores no leite. Por outro lado, o uso de antibióticos na secagem tem sido usado há muito tempo como método de curar infeções existentes, mas também para prevenir novas infecções, especialmente durante os primeiros 15 dias do período seco. Tendo em consideração de que o uso de antibióticos de secagem está a ser condicionado num número crescente de países (terapia seletiva de secagem), pode esperar-se um aumento de novas infeções por Strep. uberis durante este período.

PREVENÇÃO Nas últimas décadas foram realizadas melhorias significativas na saúde do úbere (taxas de mastite clínica e contagens de células somáticas nos tanques de recolha de leite) na indústria dos laticínios de todo o mundo, através da aplicação de medidas baseadas no controlo dos agentes patogénicos da mastite contagiosa (Plano dos 5 pontos). Três dos 5 pontos incluem o tratamento e o refugo de animais para eliminar as infeções crónicas existentes (agentes contagiosos como o S. aureus e Strep. agalactiae). Estas medidas têm um efeito reduzido no impacto da saúde do úbere derivado de agentes patogénicos ambientais como a Strep. uberis, e hoje em dia, para o controlo das mastites já falamos do plano dos 7 pontos, a saber: Desinfetar todos os tetos após a ordenha. Tratar os casos de mastites após identificar o agente e registar. Usar selante interno em todos os animais e intra-mamários de secagem

de forma seletiva. Refugar vacas com 3 ou mais casos de mastites. Ordenhar tetos limpos e secos. Melhorar a imunidade das vacas através da nutrição, estimulantes e vacinas. Minimizar a exposição da extremidade do teto à Streptococcus uberis e a outros agentes patogénicos da mastite ambientais, tais como E. coli, através da otimização da gestão da higiene do ambiente da vaca, incluindo a preparação do úbere antes da ordenha, irá reduzir significativamente novas taxas de infeção intramamária. Está claro que todos os planos de controlo de mastites têm de incluir o tratamento das mastites clínicas para o bem-estar das vacas leiteiras. Também está claro que, sobretudo nos casos de mastites por Streptococcus uberis (difíceis de tratar, recurrentes e passíveis de disseminação de vaca a vaca), os planos de controlo da mastite com base no tratamento poderão falhar se não forem implementadas medidas de controlo significativas para reduzir as taxas de novas infeções de todas as fontes. Para controlar este frustrante agente patogénico precisamos de mais ferramentas para reduzir as novas infeções por Streptococcus uberis, tanto ambientais como transmitidas por vacas infetadas, e finalmente, em 2018 foi lançada pela HIPRA a primeira vacina específica contra as mastites clínicas por Streptococcus uberis.

VACINAÇÃO CONTRA STREPTOCOCCUS UBERIS Em junho de 2018, os Laboratórios HIPRA, referência na prevenção da saúde animal, especializados na saúde do úbere, lançaram a primeira e única vacina específica contra Streptococcus uberis. Esta vacina têm resultados comprovados na redução da incidência

das mastites clínicas em mais de 50%, assim como na redução da utilização de tratamentos antibióticos (menos 56%) e perdas de produção de leite associadas a esta bactéria frustrante. Em adição a estes benefícios, esta vacina confere proteção contra todos os tipos de Streptococcus uberis, proteção heteróloga.

CONCLUSÃO A Strep. uberis é um dos mais importantes patógenos causadores de mastite clínica em vacas leiteiras, e, em muitos países do mundo, responsável por até um terço de todos os casos clínicos de mastite bovina. A Strep. uberis é conhecida por possuir um conjunto de fatores de virulência, como a formação de biofilme, responsáveis por baixas taxas de cura e infeções persistentes. É um microorganismo omnipresente, que coloniza os animais, bem como o meio ambiente. Os casos de mastite clínica causada por Strep. uberis estão claramente associados à higiene (limpeza e humidade) no maneio das explorações leiteiras. A antibioterapia não é eficaz na eliminação da infeção, sendo frequentemente seguida por novas infeções (mastite recorrente). Portanto, uma vacina, que confere imunidade específica contra esta bactéria e que reduz a incidência dos casos clínicos e o consumo de antibióticos em mais de 50%, além de diminuir as perdas de leite, será de grande beneficio nas explorações que padecem deste problema. O lançamento da primeira vacina específica contra a Strep. Uberis em 2018 pela HIPRA veio revolucionar o controlo da mastite frustrante causada pela Strep. uberis e completar os planos de controlo de mastites a nível mundial.

Referências Bibliográficas: Dossier Técnico “Take Control of Strep. uberis”, Laboratórios HIPRA. www.mastitisvaccination.com

NOTA: Para obter informações adicionais sobre os programas de saúde do úbere e vacinação contra as mastites deverá consultar o médico veterinário da exploração. 78

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ASSUMA O CONTROLO DO STREP. UBERIS

HIPRA PORTUGAL Portela de Mafra e Fontainha Abrunheira 2665-191 Malveira Portugal

Descubra mais em www.mastitisvaccination.com

Tel.: (351) 219 663 450 portugal@hipra.com www.hipra.com ruminantes abril . maio . junho 2019

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SAÚDE & BEM-ESTAR

NEOSPOROSE TEXTO MARGARIDA CARVALHO

N

eosporose é o nome dado à doença causada pelo parasita Neospora caninum. Como o seu nome indica este parasita é responsável por causar doença em canídeos, mas pode também causar abortos e nados-mortos em bovinos e menos frequentemente noutras espécies. O cão e outros canídeos são o hospedeiro definitivo do parasita, onde este se reproduz e completa o seu ciclo de vida. A Neosporose é responsável por perdas económicas importantes na exploração, principalmente pelas consequências negativas que tem na reprodução, com a ocorrência de abortos e de um aumento dos custos com assistência veterinária e do refugo dos animais positivos. COMO OCORRE A INFEÇÃO? Os bovinos infetam-se pela ingestão de ovos do parasita (oocistos), no alimento (pastagem, forragem) e bebida contaminados com fezes de canídeos (domésticos ou selvagens). Por outro lado, a infeção nos canídeos dá-se aquando da ingestão dos produtos do parto e aborto dos animais infetados. Posteriormente, o parasita atinge a

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maturidade sexual no aparelho digestivo destes animais, reproduzse, e os ovos são excretados nas fezes completando-se assim um ciclo (ver imagem.) QUAIS OS SINAIS DA DOENÇA NOS BOVINOS? Os sinais clínicos mais frequentes nesta espécie são a ocorrência de aborto, nados-mortos, ou partos prematuros. Ocasionalmente verificam-se sinais neurológicos nos vitelos. Os abortos podem acontecer a partir do terceiro mês de gestação e até ao final, mas o mais frequente é acontecerem entre o quinto e o sexto mês. DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO O diagnóstico pode ser feito pela observação de lesões características no cérebro e coração e identificação do parasita nos tecidos dos vitelos abortados, ou pesquisa de anticorpos nas mães. Infelizmente não existe tratamento eficaz para a Neosporose. PREVENÇÃO Uma vez que não existe tratamento para a doença é importante apostar na

sua prevenção. O médico veterinário assistente deve ser envolvido na execução de um plano de biossegurança que se adapte à realidade da exploração. A prevenção passa por instituir medidas de biossegurança que impeçam a contaminação dos alimentos e água dos bovinos com fezes de canídeos, e por outro lado impeçam o contacto dos canídeos com produtos resultantes de abortos ocorridos na exploração. Nesse sentido, deve ser dada particular atenção aos animais gestantes que devem ser isolados de forma a garantir que os cães não terão acesso aos produtos do parto. Estes produtos devem ser imediatamente eliminados. Podem ser usadas vedações na exploração de forma a impedir o acesso de outros animais, principalmente canídeos. Também o controlo de roedores é recomendado. Nunca é demais relembrar que a aquisição de novos animais deve ser criteriosa e estes devem ser provenientes de explorações livres da doença, devendo ainda assim ser testados antes de entrarem na exploração. Numa exploração onde já exista a doença também há medidas que podem ser tomadas: Os animais infetados não devem ser usados como reprodutores, pois caso não exista aborto há uma grande probabilidade de os vitelos nascidos dessas vacas estarem também infetados. De forma a impedir a transmissão vertical do parasita à descendência aconselha-se o refugo progressivo dos animais infetados. Em Portugal, não existe por enquanto vacina aprovada para comercialização.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Não foram incluídas por uma questão de espaço editorial, mas a autora disponibiliza bastando enviar um email para geral@revista-ruminantes.com


Neosporose

Hospedeiro definitivo

CICLO DA NEOSPOROSE Esquema ilustrativo do ciclo de vida do parasita Neospora caninum. Transmissão horizontal: Os bovinos (hospedeiros intermediários) infetam-se pela ingestão de alimento e bebida contaminados com fezes dos canídeos (hospedeiros definitivos). Os canídeos, por sua vez, infetam-se pela ingestão de carne proveniente do parto e aborto dos bovinos. O parasita completa o seu ciclo de vida no aparelho digestivo do canídeo, voltando a ser excretado para o ambiente nas suas fezes. Transmissão vertical (entre gerações) - A infecção dos bovinos resulta frequentemente em abortos ou animais congenitamente infetados.

Oocisto

TRANSMISSÃO HORIZONTAL Fezes de canídeo

Hospedeiro intermediário

TRANSMISSÃO VERTICAL Aborto

Vitelo infetado

Placenta Ciclo da neosporose - Adaptado de Goodswen, et al. (2013)

BREVES

PODOLOGIA BOVINA JÁ TEM UMA ASSOCIAÇÃO Em janeiro último, 50 profissionais da podologia bovina de Portugal e Espanha reuniram em assembleia para aprovar os estatutos da associação que zelará dos interesses desta profissão. A reunião, que teve lugar em perto de Lugo, Espanha, elegeu também  a primeira junta diretiva que trabalhará para dar forma à associação nos próximos meses. No final dos trabalhos foi convocada uma assembleia geral que terá lugar em Santiago de Compostela no dia 4 de maio, dirigida aos sócios atuais bem como a todos os interessados em fazerem-se sócios. Os objectivos da associação incluem a dignificação da profissão de podólogo bovino através da difusão do papel destes profissionais na prevenção e controlo das coxeiras no gado bovino; a promoção e a troca de conhecimentos, e a formação contínua dos seus associados mediante a realização de atividades e encontros; assim como

a colaboração com outras associações ou entidades do sector da bovinicultura. Pretende-se, desta forma, garantir um serviço de máxima qualidade que influencie de forma positiva o bem estar animal e a rentabilidade das explorações bovinas. A associação está aberta tanto a profissionais da podologia bovina, como a pessoas relacionadas com a bovinicultura e/ou a indústria, que estejam interessados na saúde podal. Todos os interessados podem contactar a associação enviando um e-mail a 2018.appb@gmail.com

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SAÚDE & BEM-ESTAR

RESISTÊNCIA A ANTIBIÓTICOS NA PRODUÇÃO DE OVINOS QUAL O PAPEL DO PRODUTOR? TEXTO MARGARIDA CARVALHO

O

s antibióticos são uma ferramenta importantíssima no combate a doenças bacterianas. Eles foram, e continuam a ser, medicamentos essenciais e responsáveis por um decréscimo na mortalidade de seres humanos e animais. No entanto, devido à utilização abusiva, estamos em risco de deixar de poder contar com estas armas essenciais. As más práticas fizeram e fazem com que as bactérias adquiram mecanismos de resistência, e os antibióticos deixem

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de fazer o efeito desejado. Se nada for feito haverá nos próximos anos muito mais pessoas a morrer em consequência de infeções bacterianas. O uso responsável de antibióticos é hoje um dever da sociedade, em particular dos profissionais de saúde (humana e animal), e de quem trabalha na produção animal. Um produtor deve estar focado em produzir alimentos seguros e ao mesmo tempo em preservar a saúde e bem-estar dos seus animais. Durante décadas, os antibióticos

foram responsáveis por manter a saúde e bem-estar nas produções de ovinos. Têm sido utilizados antibióticos para tratamento de diversas doenças, mas também de forma preventiva, na expectativa de aumentar a produção. Infelizmente, chegámos a uma fase em que precisamos de parar e refletir sobre quanta dessa utilização é realmente necessária e tem verdadeiramente a finalidade de tratamento, e pensar em alternativas à utilização excessiva/ inadequada.


Resistência a antibióticos na produção de ovinos

COMO PODE O PRODUTOR PARTICIPAR NESTA LUTA GLOBAL CONTRA AS RESISTÊNCIAS A ANTIBIÓTICOS? Existem várias estratégias que permitem que o produtor tenha um papel ativo nesta batalha sem prejudicar o seu negócio. 1

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Elaborar um plano de biossegurança em conjunto com o médico veterinário assistente. Definir estratégias claras para prevenir a entrada de doença na sua exploração. Estes planos passam também pelo investimento em ferramentas profiláticas que contribuem para a manutenção da saúde do efetivo: Vacinação Desparasitação Associada à biossegurança está também a higiene da exploração. O produtor deve esforçar-se por manter a exploração o mais limpa possível, implementando um plano de higiene e desinfeção adequado, de forma a controlar a carga de microrganismos no ambiente. Repensar as instalações. Por vezes alterações no tipo de cama utilizada ou na ventilação podem contribuir de forma bastante positiva para a redução das doenças na exploração. Optar por um tipo de cama que não permita o crescimento bacteriano é uma estratégia que pode ser aplicada especialmente nas instalações onde ocorrem partos e onde estão os borregos. Qualquer que seja o material a usar é importante mantê-lo limpo e seco. Investir no colostro pelo seu papel imprescindível na saúde dos borregos. A qualidade do colostro pode ser melhorada através da melhoria da alimentação das mães.

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Investir na genética procurando criar animais saudáveis, e adaptados ao ambiente da exploração. Monitorizar a saúde dos animais estando atento aos sinais de doença para alertar o médico veterinário assistente. Nunca utilizar antibióticos sem prescrição do médico veterinário.

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Respeitar as indicações do médico veterinário no que diz respeito à dosagem, posologia e vias de administração. O tratamento deve ser realizado até ao final, de acordo com o que foi prescrito pelo médico veterinário da exploração, independentemente da melhoria dos sinais clínicos antes do fim do tratamento. Sinalizar e garantir a correta limpeza dos comedouros e bebedouros no final da administração de alimentos medicamentosos ou no caso da administração na água de bebida. Envolver todos os trabalhadores da exploração, para que todos tenham consciência do papel importante que têm nesta luta, e percebam as medidas de biossegurança instituídas e a importância da utilização responsável dos antibióticos. Manter um registo dos antibióticos utilizados. Respeitar escrupulosamente os intervalos de segurança para carne e leite.

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ATUALIDADES

NUTRIGENETIK REALIZA JORNADAS TÉCNICAS NO CAMPO

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empresa Nutrigenetik, ligada ao setor agro-pecuário, realizou em fevereiro passado as primeiras Jornadas Técnicas no Campo. Fortemente implementada nos Açores e em Portugal Continental, a Nutrigenetik considerou ser esta uma forma mais próxima de estar em contacto com os seus clientes, técnicos e o mercado em geral. Numa primeira fase, as jornadas foram realizadas durante 3 dias no sul, no centro e no norte do país, ficando os Açores em agenda para um futuro próximo.  As apresentações estiveram a cargo dos técnicos da Nutrigenetik e das marcas que a empresa representa em Portugal - BOCK, ABS e SOP. Eduardo Gens, técnico da Nutrigenetik, falou sobre o impacto das células somáticas na produção de leite. Na sua apresentação, abordou as estratégias para manter as contagem de células somáticas (CCS) baixas, e falou sobre a repercussão deste facto na longevidade do rebanho. O sistema apresentado utiliza os produtos Sop, Valliant e UdderGold para diminuir o refugo por mamites.

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Seguidamente, Pablo Reboiro apresentou a tecnologia SexcelTM, o método de sexagem de sémen exclusivo da ABS que não danifica os espermatozóides. Este método não se baseia na utilização de carga eléctrica, como o tradicional, mas numa tecnologia a laser que faz a separação com base no tamanho e peso dos cromossomas x ou y e elimina ainda os espermatozóides com algum tipo de anomalia. Falou ainda dos resultados em termos de fertilidade, extremamente positivos, de explorações que utilizam esta tecnologia reprodutiva, comparativamente com a convencional. Sobre “Técnicas de manuseamento e conservação da silagem", falou Oliver Ploesser, apresentando a cobertura com Bock Super 7, de 7 camadas, com barreira de O2 e cobertura lateral. Trata-se de um sistema que permite conservar de forma correta a silagem, sendo também de fácil utilização, para além de funcionar como película e plástico. A encerrar a sessão teórica, Sérgio Ferreira, técnico da Nutrigenetik, apresentou o sistema de pedómetros

OPINIÃO

Norberto e João Gonçalves Exploração Encanto Natural Poiares Ponte de Lima

"A organização está de parabéns, não é fácil coordenar uma visita com uma assistência tão grande como a destas jornadas. Pela nossa parte, estamos 100% satisfeitos com a parceria com a NutriGenetik, salientamos o sistema de cobertura do silo, utilizámos em 2018 e o resultado está à vista de todos. Relativamente ao Breeder Tag, permite-nos saber exatamente a hora correta para inseminar um animal, um fator muito importante para a posterior recolha de oócitos. Estamos todos de parabéns, é sem dúvida uma parceria vencedora."

Breeder Tag (representado a nível europeu pela ABS), explicando as funções que monitorizam e realçando a importância de algumas destas funções, dos alertas que enviam e da importância destas informações. Destacou, desta tecnologia israelita, os alertas relativos ao cio, a vaca caída, vacas fora do período voluntário de espera e os relativos ao número de vezes que o animal se desloca à manjedoura. As jornadas finalizaram com a visita a uma exploração (Fonte de Leite, na região sul, Formigaleite, na região centro, e Encanto Natural, na região norte) onde se observou "in loco" a utilização dos produtos e técnicas descritas anteriormente.  No rescaldo desta primeira iniciativa, Eduardo Gens destacou o interesse dos temas apresentados, e congratulou-se pela generalidade de opiniões positivas de uma plateia que, desde o início, se mostrou atenta e receptiva.


TEMPO DE PROTEGER O PODER DA PREVENÇÃO

PT/BOV/0817/0003

Se é um produtor de ruminantes, não lhe é estranho o desafio de combinar a saúde animal com a produção sustentável de leite ou de carne de qualidade. Atualmente os produtores enfrentam preocupações crescentes com a qualidade dos alimentos e com os métodos de produção, por parte dos consumidores, da distribuição e das empresas processadoras de alimentos. Isso tem naturalmente um impacto no funcionamento de uma exploração moderna. “Tempo de Proteger” é uma iniciativa destinada a apoiar os produtores modernos com informação e partilha de experiências sobre como a vacinação preventiva pode melhorar a produtividade e a saúde animal.

Para mais informação sobre Tempo de Proteger, visite www.timetovaccinate.com


PUBLIRREPORTAGEM MSD ANIMAL HEALTH

CONFIANÇA, CONTROLO E RENTABILIDADE NA CADEIA DE PRODUÇÃO DE CARNE No passado dia 5 de fevereiro foi apresentado o projeto ViteloMAX no Centro de Leilões da APORMOR, em Montemor-o-Novo. Este é um projeto que resulta da colaboração entre a APORMOR, a Bovicare (COPRAPEC) e a MSD Animal Health e que pretende trazer uma mais-valia a toda a cadeia de valor da produção de carne, através da minimização do risco, com vista a uma maior aproximação e confiança entre todos os intervenientes, bem como uma valorização do produto final.

Eng.º Joaquim Capoulas, Presidente da APORMOR

Vivemos num mundo sem fronteiras, no qual, a competitividade global, aliada a uma pressão do crescimento da população mundial, onde a produção alimentar deverá duplicar até 2050, está na base da criação de projetos como o ViteloMAX. Este projeto começou a sua fase de desenvolvimento em dezembro de 2018, com a valiosa colaboração de produtores selecionados e das suas equipas de assistência médico-veterinária, nomeadamente, a VET+, HVME, Optivet e VetAgroMor.

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“A sanidade dos animais que chegam à cadeia de comercialização é, cada vez mais, uma preocupação dos criadores que os vendem, assim como dos que os compram”, refere o Eng.º Joaquim Capoulas, presidente da APORMOR. Os países para os quais os animais são exportados estão cada vez mais reticentes à receção de animais sem estatuto sanitário elevado, ou seja, devidamente vacinados para as doenças de controlo oficial, mas também para doenças provocadas pelo vírus BHV-1, como a rinotraqueite infeciosa bovina (IBR). O grande fator limitante do aumento da exportação recai, precisamente, na incapacidade de fornecimento de animais negativos a IBR, pois atualmente têm de ser analisadas entre 130 a 200 cabeças para comercializar 100 vitelos, no caso da exportação para países que exigem um estatuto sanitário elevado, como é o caso de Marrocos, Líbano e Espanha. “A fase de comercialização traduz-se, também, em stresse

para os animais, por esta ser uma altura que coincide com o desmame, com o transporte, com a permanência em leilões e, na fase final, com a chegada a uma nova exploração onde se juntarão a outros animais. Por sua vez, importa garantir, no decorrer deste processo, que o estado imunitário do bovino não está fragilizado”, sublinha o presidente da APORMOR.

“A sanidade dos animais que chegam à cadeia de comercialização é, cada vez mais, uma preocupação dos criadores que os vendem, assim como dos que os compram”

Nesse sentido, surge a necessidade da criação da marca ViteloMAX, que se enquadra no projeto Tempo de Proteger, que visa a mudança para atitudes preventivas, proporcionando um aumento dos níveis de bem-es-


Dr.ª Sílvia Lopes, Laboratório Coprapec

tar animal e sustentabilidade da fileira bovina. Um animal ViteloMAX está testado, através de uma avaliação serológica frente a anticorpos da IBR (seronegativo) e vacinado com uma vacina IBR marcada e para a Síndrome Respiratória Bovina (SRB). Entende-se, por isto, que é um vitelo com perfil de risco reduzi-

“Os animais com a marca ViteloMAX terão uma performance na engorda muito superior àqueles que não fizeram qualquer tipo de tratamentos de prevenção neste sentido” do, com expetativa de melhores performances sanitárias e também melhores desempenhos produtivos. Segundo a Dr.ª Sílvia Lopes, do laboratório da Coprapec, “os animais com a marca ViteloMAX terão uma performance na engorda muito superior àqueles que não fizeram qualquer tipo de tratamentos de prevenção neste sentido”. Na perspetiva do Dr. Jaime Carvalheira, também membro da direção da APORMOR, “este projeto apresenta vantagens para quem vende, pelo facto de ter

os animais vacinados numa fase final do circuito, quando chegam à exploração, mas também para quem compra, que tem a garantia de que está a adquirir um animal que já está vacinado e que já fez os devidos rastreios para despiste das doenças mais importantes. “No âmbito do projeto ViteloMAX, a vacinação é feitas pelo médico veterinário e registada num programa informático que permite, a quem compra, saber quando e contra que doenças aquele animal foi vacinado” explica a Dr.ª Sílvia Lopes. A utilização da ferramenta oficial da DGAV, o Programa Informático de Saúde Animal (PISA), para o registo dos atos médico-veterinários – vacinação, colheitas de sangue e respetivos resultados – acrescenta não só transparência a esta marca, como também capacidade de verificação e rastreabilidade, que se traduz na confiança exigida pelos importadores de bovinos.

de avaliação serológica dos animais. “Acreditamos que a prevenção e a profilaxia, que hoje é uma condição sine qua non para o

A utilização da ferramenta oficial da DGAV, o Programa Informático de Saúde Animal (PISA), para o registo dos atos médico-veterinários – vacinação, colheitas de sangue e respetivos resultados – acrescenta não só transparência a esta marca, como também capacidade de verificação e rastreabilidade, que se traduz na confiança exigida pelos importadores de bovinos. aumento da eficiência produtiva, aliada a um controlo dos processos e rastreabilidade dos mesmos, são a base para o sucesso”, assegura o Eng.º Joaquim Capoulas. “O ViteloMAX é o futuro do setor”.

SOBRE O VITELOMAX... É um projeto que pretende trazer uma mais-valia a um produto através da minimização do risco. Dr. Jaime Carvalheira, Membro da direção da APORMOR

Todos os criadores terão acesso ao ViteloMAX, basta que cumpram o protocolo necessário, que passa pela adesão ao programa BOVICARE, pelo cumprimento do plano de vacinação e

Os animais são testados através de uma avaliação serológica, para a doença do IBR, para a doença de IBR (vacina marcada) e doença respiratória. As intervenções são registadas em PISA e podem ser consultadas no boletim do animal.

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SAÚDE & BEM-ESTAR

HIGIENE E DESINFEÇÃO

DA EXPLORAÇÃO DE LEITE TEXTO MARGARIDA CARVALHO

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ão é novidade que boas condições de higiene são fundamentais para assegurar a saúde e bem-estar dos animais. Infelizmente, contrariamente ao que acontece noutros setores da produção animal, as explorações de bovinos leiteiros não têm as vantagens que um sistema “all-in, all-out” oferece. Assim, só garantindo condições ótimas de higiene no dia-a-dia, somos capazes de prevenir a transmissão de doenças entre os animais, reduzindo as perdas económicas, e contribuindo de forma positiva para a redução de utilização de antibióticos. Assegurar um bom protocolo de limpeza e desinfeção deve fazer parte das prioridades do produtor, que deve procurar o apoio do médico veterinário assistente da exploração para este efeito.

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Quanto mais intensiva é a exploração, com maior densidade animal e mais tempo de estabulação, mais importante se torna este fator. Algumas zonas da exploração merecem especial atenção quer pela sensibilidade dos animais, quer pela maior densidade animal/tempo de permanência dos animais nesses locais (ver lista ao lado). Além da higiene das instalações, não devemos nunca esquecer a higiene de todos os equipamentos e a dos próprios animais.

CARACTERÍSTICAS DO DESINFETANTE IDEAL

ü Eficiente - largo espectro de ação ü Ativo mesmo na presença

de matéria orgânica ü Rapidez de atuação ü Não tóxico

PASSO A PASSO A CONSTRUÇÃO Não é por acaso que existem regras relativamente à construção dos alojamentos para animais, em particular no que respeita aos materiais e

ü Baixo custo ü Fácil utilização ü Não danifica materiais

e superfícies


Higiene e desinfeção da exploração de leite

acabamento. Estas regras existem para garantir o bem-estar e saúde dos animais, para os quais é essencial a higiene dos espaços. Para garantir uma boa higiene e desinfeção as superfícies devem ser lisas, impermeáveis, não porosas, sem cantos ou arestas de difícil acesso. É importante estar atento a superfícies danificadas, com perfurações e rugosidades onde se podem acumular detritos.

LIMPEZA A capacidade de um agente patogénico sobreviver fora do hospedeiro aumenta pela presença de matéria orgânica. Assim, é essencial manter uma boa limpeza de todos os espaços e equipamentos que contactam com os animais. Antes de proceder à limpeza, todo o material das camas e restos de alimentos devem ser retirados. A limpeza deverá ser feita com recurso a equipamentos próprios para o efeito. Existem vários métodos possíveis como jatos com elevada pressão, equipamentos

ONDE?/O QUÊ? (ZONAS/INTERVENIENTES)

com produção de espuma ou lavagem manual. Qualquer que seja o método escolhido deve iniciar-se a limpeza por uma passagem com água quente e só depois aplicar o detergente escolhido. Este deverá ser aplicado de acordo com as instruções do fabricante, respeitando a concentração e tempo de contacto recomendados. Posteriormente deve seguir-se nova fase de enxaguamento e por fim secagem.

A ESCOLHA DO DESINFETANTE Após a limpeza segue-se frequentemente a desinfeção. É ineficaz a utilização de desinfetante numa superfície que não tenha sido previamente limpa. Num mundo ideal seria fácil optar por um só agente, eficaz, e com um largo espectro de ação. No entanto, uma vez que não existe “o desinfetante ideal” (ver caixa abaixo), mas sim uma combinação de produtos, a escolha destes produtos a utilizar deve ter em conta alguns aspetos fundamentais:

QUANDO? (FREQUÊNCIA)

É pouco provável que um só desinfetante consiga atuar nas diferentes fontes de contaminação existentes numa exploração. É importante conhecer os principais agentes que se quer “combater” e o tipo de superfícies em que vão ser aplicados os produtos. Os microrganismos têm diferentes níveis de sensibilidade aos diversos agentes desinfetantes. Um desinfetante que é eficiente no controlo de uma doença causada por um agente bacteriano pode não ser eficiente no controlo de fungos (por exemplo). Quais as instruções de aplicação? Onde e com que frequência deve ser utilizado? A escolha dos produtos a utilizar na exploração deve ser feita sob aconselhamento do médico veterinário assistente, com base numa lista de desinfetantes aprovados pela DGAV (Direção Geral de Alimentação e Veterinária), disponível no website.

PORQUÊ

COMO

SALA DE ORDENHA

Duas vezes ao dia.

Elevada densidade animal.

Limpeza depois de cada ordenha. Uma vez por semana limpeza com detergente e desinfetante.

MÁQUINA DE ORDENHA

Após cada ordenha.

Para que não se forme biofilme e não exista contaminação do leite.

Limpeza e desinfeção do interior e do exterior. O sistema CIP (clean-in-place) é frequentemente utilizado. *aconselhe-se com o fabricante do equipamento

Nota: é fundamental a higiene dos tetos para evitar a contaminação.

PARQUES

De acordo com as características da exploração.

Presença de matéria orgânica resultante das camas, alimentos e dejetos dos animais.

Retirar todo o material de cama, fazer lavagem, deixar secar e aplicar desinfetante.

INSTALAÇÕES DE PARTOS E VITELOS

Planear o ano de forma a ter um período sem animais em que seja possível fazer uma limpeza e desinfeção completas. Remover resíduos de camas, fezes e alimentos antes da lavagem. Deixar secar antes de proceder à desinfeção.

Problemas como pneumonias ou diarreias neonatais custam muito dinheiro à industria. As diarreias neonatais podem ser causadas por diferentes vírus, bactérias e parasitas.

Escolher um produto desinfetante que seja eficaz contra: bactérias (E.Coli, Salmonella), vírus (rotavírus e coronavírus) e parasitas (Cryptosporidium parvum).

PESSOAS

Antes e depois de contactar com diferentes grupos de animais. Antes e depois da ordenha. A todas as pessoas que visitam a exploração.

As mãos e as botas dos trabalhadores da exploração podem servir como vetor transmitindo as doenças entre diferentes grupos de animais.

Insistir na limpeza e desinfeção das mãos e das botas. O vestuário deve também ser limpo.

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ATUALIDADES

LANÇAMENTO DO PROGRAMA SAÚDE DO ÚBERE LEITE DO CAMPO

O CAMINHO PARA A EXCELÊNCIA NA PRODUÇÃO No dia 17 de janeiro de 2019 a LEITE DO CAMPO COOPERATIVA apresentou aos seus cooperantes um projeto inovador, o Programa Saúde do Úbere Leite do Campo.

E

sta reunião foi organizada com o apoio da HIPRA PORTUGAL, e estiveram presentes cerca de 35 produtores que cooperam com a LEITE DO CAMPO. Segundo os responsáveis da Leite do Campo, o objetivo “é a produção de leite de qualidade, de modo a tornar os nossos cooperantes mais eficientes e a rentabilizar o difícil trabalho que desempenham. O programa de qualidade de leite, que lançamos em parceria com os Laboratórios HIPRA, é a ferramenta que os produtores necessitam para a alcançar a excelência na produção”. O programa tem como base um serviço de consultadoria técnica às explorações aderentes, que inclui auditorias de qualidade de leite para diagnóstico dos agentes causais de mastite e fatores risco associados, e recomendação de medidas profiláticas e de controlo a implementar. Em complemento, serão organizadas várias sessões de formação técnica relacionadas com a saúde do úbere e prevenção de mastites, de acordo com as necessidades identificadas durante as auditorias. ENG.º PAULO MOREIRA

DIRETOR TÉCNICO DA LEITE DO CAMPO COOPERATIVA

“Enquanto Diretor Técnico da Leite do

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Campo, e peça de articulação entre a produção e a indústria, sei que o futuro passa por aqui, e que é única forma de cumprirmos os parâmetros de qualidade que os nossos compradores exigem. Do ponto de vista dos produtores, o programa de qualidade de leite representa não só um enorme acréscimo de valor ao produto final, mas igualmente uma nova linha de competência. Vamos, com certeza, ficar todos a ganhar.” DR.ª TERESA MOREIRA

MÉDICA VETERINÁRIA DA LEITE DO CAMPO COOPERATIVA

“O Programa de Qualidade do Leite da Leite do Campo, foi desenhado com o objetivo de fornecer aos cooperantes todas as ferramentas que lhes permitam acompanhar as atuais exigências da produção de leite. Apenas desta forma é possível cobrar valor pelo leite produzido e pelo trabalho que todos executam. O protocolo estabelecido entre a Leite do Campo e a HIPRA, é uma mais valia para todos, uma vez que possibilita o acesso a meios de diagnóstico, designadamente o UDDERCHECK, mas também ao conhecimento e apoio da equipa técnica, a nível de formação e suporte. O crescimento da produção de leite passa obrigatoriamente pela cooperação entre todos os elementos do sector e este é mais um passo nesse sentido. Por outro lado, e enquanto veterinária, acredito que um diagnóstico precoce das explorações e dos animais, respetivos pontos fortes e menos fortes, permite intervir com maior rapidez e conhecimento de causa e implementar medidas, designadamente profiláticas, que permitam, entre outros aspetos, reduzir a utilização de antimicrobianos. O futuro é já hoje, e esta

é uma realidade para a qual a cooperativa está alerta. Este programa acaba por ser mais uma ferramenta à qual os nossos produtores podem e devem recorrer, para se valorizarem e valorizarem o leite que produzem.” DR.ª DEOLINDA SILVA

DIRETORA TÉCNICA E MARKETING HIPRA PORTUGAL

“Nos Laboratórios HIPRA acreditamos que o futuro reside na prevenção. Nas últimas décadas temos dedicado muito do nosso tempo e recursos à investigação e desenvolvimento de novas ferramentas (diagnóstico e vacinas) que ajudem os produtores e médicos veterinários no controlo das mastites, de modo a diminuir a incidência desta doença e o seu impacto produtivo e económico. Consideramos que serviços de valor acrescentado como o diagnóstico, a consultadoria técnica e formação contínua são imprescindíveis na relação de parceria que temos com os nossos clientes. Sendo a saúde do úbere uma das nossas especialidades na saúde animal, faz para nós HIPRA, todo o sentido estabelecer esta parceria com a LEITE DO CAMPO, colaborando desta forma para a profissionalização das explorações aderentes e para a melhoria da qualidade do leite que produzem.“ IRMÃOS SENRA PEIXOTO “Este programa vem de encontro aos nossos objetivos, uma vez que pretendemos iniciar a secagem seletiva e diminuir a conta da farmácia com antibióticos. A qualidade do leite é o espelho do nosso trabalho. Este programa da cooperativa vai de certeza ajudar-nos a melhorar e a trabalhar melhor.”


Uma mudança radical no tratamento profissional de feridas NOVO

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Skin & Wound ✓ Um potente anti-microbiano que contém uma tecnologia patenteada. O Effivet mimetiza o sistema imunitário, contendo o ácido hipocloroso que atua naturalmente no organismo. ✓ O Effivet elimina por contacto as bactérias, fungos e vírus e possui um pH neutro.

Utilização

Clinicamente comprovado

✓ Feridas e infeções nos tetos e úbere

✓ Controlo de infeções

✓ Limpeza e desinfeção do umbigo e cordão umbilical

✓ Menos tempo de cicatrização

✓ Limpeza e desbridamento de feridas, cortes e abrasões

✓ Estimulação do sistema imunitário

✓ Queratoconjuntivites

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✓ Descorna

✓ Utilização segura, pH neutro

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HIDROGEL

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Outras aplicações

✓ Após aplicação de brincos de identificação ✓ Úlceras

Uso em superfícies como mesas cirúrgicas e de exame:

✓ Desinfeção pré e pós cirúrgica

✓ Elimina 99.9% dos microrganismos

✓ Feridas e infeções da boca

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Skin and Wound Líquido: 60 ml, 250 ml e 750 ml (N.º de AV: 930/00/19PUVPT)

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Feridas e cortes

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Elimina Bactérias

Picadas de insectos

Alívio das zonas de calor


PRODUÇÃO

EXPLORAÇÃO DE MARIA ISABEL E PEDRO DA FONTE

DE 3 ORDENHAS NUMA SALA CONVENCIONAL, AO ROBOT DE ORDENHA Esta exploração leiteira está situada no coração da zona de maior produção de leite do Entre Douro e Minho, na Vila de São Pedro de Rates, localizada entre os concelhos da Póvoa de Varzim e Vila do Conde. Uma atividade em que os desafios são contínuos para conseguir ser economicamente viável e garantir a sustentabilidade rumo ao futuro. TEXTO IVO CARREGOSA, ALTEIROS

O

s irmãos Pedro e Isabel da Fonte dão continuidade à exploração dos seus pais. Estes ainda continuam a ajudar no trabalho diário e são pilares de orientação e apoio, para além de

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lhes terem transmitido o espirito de missão e o gosto tão necessário nesta atividade para lutar contra as dificuldades que acompanham o setor. No final de 2018 e depois de oito anos a fazer 3 ordenhas numa

sala de ordenha convencional aos cerca de 130 animais, arrancaram com um LELY ASTRONAUT A3 R (reacondicionado) num lote de cerca de 60 animais, continuando a ordenhar 2 vezes por dia as 70 vacas


De 3 ordenhas numa sala convencional, ao robot de ordenha

A realidade foi bem diferente de alguns comentários que se ouviam, possivelmente de alguns detratores da ordenha robotizada, ou talvez a máquina Lely seja diferente

restantes na sala de ordenha. As vantagens da 3ª ordenha são inegáveis: aumento da produção de leite por vaca, melhoria da saúde do úbere e qualidade do leite com a redução das mastites, e consequente redução da conta na farmácia! A única desvantagem é a qualidade de vida, pois o aumento da mão de obra para realizar a 3ª ordenha ao longo do tempo começa a criar dificuldades. A sala de ordenha 2x10 foi colocada em 2014, pois com a realização das 3 ordenhas diárias o desgaste dos equipamentos é superior e houve necessidade de investir para melhorar o processo de ordenha e atualizar equipamentos. Porquê o robot em 2018? No mínimo para continuar a tirar proveito de todas as vantagens da 3ª ordenha com menos mão de obra. Ficámos surpreendidos pela positiva, pois com o tráfego livre e uma máquina “amiga” das vacas, fazer 4-5 ordenhas de forma natural trouxe ainda mais leite nos animais em início de lactação e melhoria de qualidade do leite, pois a contagem de células somáticas baixou depois do arranque do robot.

Porquê Lely? Por ser especialista e estar focada na ordenha robotizada há quase 30 anos. Além disso, tem bastante mais máquinas no mercado e assistência de qualidade, sendo por isso a marca mais conceituada em todo o mundo. Porquê uma máquina recondicionada? Pelo nível de investimento num cenário sem subsídios e pelos comentários e satisfação de colegas com este tipo de equipamentos. Uma máquina fundamental como esta por um preço tão competitivo e com financiamento garantido, é um bom negócio! Como foi o arranque? Correu muito bem, depois da formação dada pelo Lely Center cumprimos com os protocolos de arranque, foi 5 estrelas! Nas primeiras 3-4 noites fizemos os turnos para tocar os parques guiados de animais, depois tráfego livre e as rondas diárias para ir buscar as atrasadas. A realidade foi bem diferente de alguns comentários que se ouviam,

DADOS DA EXPLORAÇÃO FEVEREIRO 2019 MÃO DE OBRA: 4 pessoas VACAS EM PRODUÇÃO: 127 NÚMERO CUBÍCULOS: 120 NÚMERO LUGARES NA MANJEDOURA: 110 PRODUÇÃO TOTAL DE LEITE EM 2018: 1.400.000 litros COMPRADOR DO LEITE: Fromageries Bel Portugal Gordura: 3,8 Proteína: 3,4 CCS: 140 Microrganismos: 13

RESULTADOS PRÁTICOS APÓS O ARRANQUE NUMERO DE VACAS NO ROBOT: 57 PRODUÇÃO: 45-48 Litros NUMERO DE VACAS NA SALA DE ORDENHA: 70 PRODUÇÃO: 27 Litros

Manuel Correia da Fonte

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PRODUÇÃO

possivelmente de alguns detratores da ordenha robotizada, ou talvez a máquina Lely seja diferente. Resultados práticos 60 dias depois do arranque: De fato é a única máquina do mercado que não dá para ordenhar à mão nem aproveitar leite de alguns quartos! As vantagens estão á vista: a maioria das vacas visitam o robot de forma voluntária e natural, maior número de ordenhas, mais leite no tanque e melhor qualidade. No robot não fazemos nenhuma intervenção nos animais, o robot é para as vacas! A longo prazo está garantida a saúde do rebanho e sustentabilidade do negocio.

Maria Isabel e Pedro da Fonte

ALIMENTAÇÃO DOS ANIMAIS EM PRODUÇÃO As forragens para alimentar os animais são cultivadas nos cerca de 30 hectares disponíveis entre terras próprias e alugadas na região, sendo maioritariamente milho e erva para ensilagem. • Silagem de milho 30 Kg • Palha 0,8 Kg • Luzerna 1 Kg • Mistura no Unifeed 6,1 Kg • Dreche cerveja 4 Kg • Suplementação média de 4,2 Kg (no lote do robot e na box de alimentação ao lote que faz 2 ordenhas na sala convencional)

Opinião geral sobre o sistema? É mais eficiente do que as pessoas no trabalho da ordenha, deteta melhor os problemas, células muito mais baixas. As escovas de limpeza dos tetos permitem uma limpeza muito boa do úbere e dos tetos, para além disso a estimulação para descida do leite é ótima e está à vista: antes administrávamos oxitocina a cerca de 30% dos animais, agora a nenhum! A desinfeção com a PURA é feita apenas em alguns animais identificados. Projetos para o futuro da exploração? A médio prazo colocar outro robot para desligar a sala de ordenha, e no longo prazo criar condições para um sistema de alimentação automático. Expectativas e desejos para o futuro? Melhorar o preço do leite pela aposta na qualidade, estimular o consumidor a conhecer a realidade da produção de leite nacional e assim levá-lo a reconhecer o bom produto que pode consumir produzido na porta ao lado!

OPINIÃO DO NUTRICIONISTA CARLOS NEVES, NUTRINOVA O processo de transição foi bastante fácil uma vez que as vacas já faziam três ordenhas. No entanto, tirando o aspeto novidade, a transição correu sem grandes problemas. As vacas foram passando no robot, sem tirar leite, para se irem habituando aos barulhos e à rotina de uma ordenha robotizada, a ração foi sendo introduzida gradualmente, e após este treino é que se passou à ordenha propriamente dita sem grande stress para os animais. Este aspeto do treinamento foi bastante importante para o sucesso da introdução da ordenha robotizada, com os técnicos da Lely a fazer um acompanhamento diário nos primeiros dias, para evitar problemas e alertar e ensinar

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o produtor a lidar com as situações mais comuns. De salientar que com este sistema as vacas adaptaram o número de ordenhas à sua produção, sendo as vacas de maior produção as que mais vezes vão à ordenha, e onde se notou um maior aumento de produção, não tendo havido grandes variações na qualidade do leite em termos de proteína e gordura mas o teor de células somáticas baixou, talvez devido ao maior número de ordenhas e às informações que o robot dá relativamente às vacas com desvios de condutividade que alerta o produtor para alguma anomalia. Para mim, como nutricionista, a quantidade de informação disponibilizada é de extrema

utilidade, o que permite, a qualquer momento, fazer alterações, em função do leite produzido, do peso do animal e da fase de lactação, criando curvas de alimentação adaptadas a cada fase do animal. Diariamente conseguimos saber os dias de lactação, o peso individual de cada animal, a produção individual, o número de ordenhas e assim ajustar as tabelas de alimentação e mudar os animais de um grupo para outro em função do seu estado de lactação. Gostaria de realçar, que a reprodução e o controlo reprodutivo é de extrema importância para o sucesso duma exploração deste tipo ou qualquer outro, para se obter a máxima eficiência alimentar e produtiva.


O novo marco na facilidade de utilização

A Lely apresenta o Astronaut A5 Nós olhamos para as vacas e ouvimos os clientes. O nosso interface de utilização redesenhado facilita a ordenha automática. A ordenha de uma vaca pela primeira vez nunca foi tão fácil. O novo braço híbrido é silencioso e decisivo, o que dá conforto para a vaca e para o operador. E por favor, lembre-se da flexibilidade comprovada, economia de mão de obra e alivio físico. É por isso que o Astronaut A5 lhe oferece a melhor forma de ordenhar, a Si e ás suas vacas.

Saiba mais sobre este novo marco na ordenha no seu Lely Center.

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Lely Center São Félix da Marinha Alteiros t +351 227 538 339 e sao-felix-da-marinha@sao.lelycenter.com


NOVIDADES PRODUTO

CALFEXPERT - HOLM & LAUE ALIMENTADOR ELETRÓNICO DE VITELOS A Holm & Laue lançou no mercado um alimentador eletrónico de vitelos, CalfExpert, equipado com tecnologia wi-fi, capaz de administrar em simultâneo dois leites de substituição diferentes a um par de vitelos. Este alimentador pode ser programado para diferentes quantidades para cada animal, monitorizando o comportamento alimentar do vitelo e alertando quando existem alterações na frequência ou na duração das refeições. O operador pode controlá-lo através da app CalfExpert. Por forma a garantir a saúde dos vitelos, este dispositivo incorpora um sistema de higiene que garante a limpeza das tubagens onde passa o leite, a cada 5 minutos, e das tetinas e taças depois de cada contacto. Cada estação pode alimentar 140 vitelos. O preço deverá situar-se entre 12,000€ e 14,000€.

140

é o número de vitelos que cada alimentador eletrónico pode alimentar 96

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SISTEMA INTEGRADO DE PASTEURIZAÇÃO E EMBALAMENTO

DIRECT DAIRY HOLDING B.V.

A startup holandesa Direct Dairy Holding B.V. comercializa um sistema integrado de pasteurização de leite e embalamento que pode ser instalado em qualquer exploração. Trata-se de um sistema totalmente automatizado que promete revolucionar a forma como o leite é vendido ao consumidor, dando mais garantias de rastreabilidade aos consumidores. O sistema integra as máquinas de ordenha, a pasteurização e o embalamento de forma a que o leite saia da exploração embalado, pronto a consumir. O leite, ordenhado, de cada vaca é embalado individualmente em pacotes, de 720ml, com referências sobre cada animal, a hora exata da ordenha e um QR code com mais informação sobre a produção. A empresa responsabiliza-se pela promoção do leite junto do consumidor, ficando a cargo do produtor as vendas e a distribuição. Este sistema permite ao produtor uma maior liberdade, não ficando refém das empresas de lacticínios. A Direct Dairy Holding BV disponibiliza mais informação, preços e até uma calculadora do lucro no seu website em http://www.directdairy.farm

O leite, ordenhado, de cada vaca é embalado individualmente em pacotes, de 720ml, com referências sobre cada animal, a hora exata da ordenha e um QR code com mais informação sobre a produção


NOVIDADES PRODUTO

EFFIVET, COM ÁCIDO HIPOCLOROSO

PLURIVET

A Plurivet lançou o Effivet, um potente anti-microbiano com ácido hipocloroso, mais concentrado, com pH neutro. O Effivet elimina por contacto bactérias, fungos e vírus, e acelera a cicatrização de feridas. Clinicamente comprovado, pode ser utilizado em feridas traumáticas e cortes, irritações de pele, queimaduras e cuidados das áreas póscirúrgicas entre muitas outras indicações. O produto está disponível nas seguintes apresentações: Skin & Wound Líquido (60 ml, 250 ml e 750 ml) e Skin & Wound Hidrogel (60 ml e 250 ml). Plurivet - Veterinária e Pecuária, Lda. é o distribuidor exclusivo para Portugal do Effivet (www.plurivet.pt)

, a pioneira, a inovadora.

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UNIDADE DE ISOLAMENTO DE VITELOS - JFC AGRI A unidade individual de isolamento de vitelos da JFC Agri permite que cada vitelo tenha as melhores condições e a monitorização ideal. Com o pavimento perfurado e a estrutura em polietileno, esta unidade permite manter o vitelo quente e seco, preservando também a qualidade da cama. Toda a leve estrutura está assente num tabuleiro com rodas, removível, que recolhe os dejetos impedindo assim contaminações. Além disso, a unidade pode ser facilmente higienizada e totalmente desinfetada. Mais informação em www.jfcagri.com

50 anos a fornecer aos agricultores as melhores inovações para garantir a qualidade da forragem, a performance e a rentabilidade.

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NOVIDADES PRODUTO

FEIRAS

TECH-OVIN FEIRA PROFISSIONAL DOS OVINOS 4 E 5 SETEMBRO 2019 Bellac - França https://www.techovin.fr

SALON DE L´HERBE 5 E 6 JUNHO 2019

NOVO ALIADO NA DETEÇÃO DE CIOS

MILKALYSER

Uma das maiores preocupações do produtor prende-se com a fertilidade dos seus animais. Cada cio que não é detetado traduz-se em perdas económicas para o produtor. O Milkalyser é um aparelho que, através da monitorização do nível de progesterona no leite, permite a deteção de cios de forma exata. O Milkalyser pode ser ligado à máquina de ordenha e mede as alterações hormonais em todas as vacas dando indicações precisas sobre a proximidade dos cios. Através da deteção da queda nos níveis de progesterona que ocorre imediatamente antes da ovulação, o aparelho promete ser um grande aliado na decisão do timing para a inseminação. Mais informação em www.milkalyser.com

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NÃO DEIXE DE IR VIII CONFERÊNCIA DO CONSELHO PORTUGUÊS DE SAÚDE DO ÚBERE

3 E 4 DE MAIO, BRAGA

A VIII Conferência do Conselho Português de Saúde do Úbere (CPSU) terá lugar, este ano, em Braga, nos dias 3 e 4 de maio. Para além da VIII Conferência Anual terão lugar, no primeiro dia, os II Encontros Ibéricos de Qualidade do Leite. Estes encontros permitem a partilha de experiências entre colegas portugueses e espanhóis que trabalham na área da qualidade do leite.

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NOVIDADES PRODUTO

DETEÇÃO RÁPIDA DE DOENÇAS

PBD BIOTECH

E se existisse um teste patenteado, fidedigno e rápido para detetar tuberculose bovina e paratuberculose no sangue ou no leite? A start-up britânica PBD Biotech, desenvolveu um novo teste, o Actiphage Rapid bacteria test, que permite detetar microbactérias em aproximadamente 6 a 8 horas em vez das várias semanas que demoravam alguns testes. Esta tecnologia pode ser aplicada a diversas espécies animais com elevada sensibilidade. O teste permite que o leite seja analisado antes de entrar na distribuição alimentar, preservando assim a saúde do consumidor. Além disso, pode ser usado para tomar decisões relativamente a movimentos de animais, ajudando a controlar a disseminação destas doenças. O Actiphage Rapid bacteria test poderá futuramente vir a ser realizado em vários laboratórios, para onde o produtor envie uma amostra de leite ou sangue recolhida pelo médico veterinário. Este teste estará disponível internacionalmente estando agora em fase experimental no Reino Unido, França e Canadá. Mais informação em www.pbdbio.com

6a8

é o número de horas aproximadas em que o Actiphage Rapid bacteria test deteta microbactérias

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NOVIDADES PRODUTO

INOVAÇÕES E TENDÊNCIAS DA EUROTIER 2018 É na feira bienal de Hannover dedicada à zootecnia, a Eurotier, que são reveladas as últimas tendências do mundo da indústria ligada à produção animal. E não resta dúvida de que também aqui a tecnologia de informação é cada vez mais uma realidade incontornável. Como deixou claro Eberhard Hartung, Presidente da Comissão de Inovações EuroTier, na sua apreciação sobre as inovações premiadas num dos principais certames mundiais da deste setor da economia. O "colega computador" é importante mas, como gerentes, os produtores ainda são necessários.

Provavelmente, nenhuma outra inovação está a tomar tanta expressão na agricultura como a digitalização. Robôs, sensores, nuvens de dados, sistemas de gestão de rede horizontais e verticais já dão atualmente um bom suporte aos agricultores nos cuidados diários com a saúde, fertilidade e bem-estar dos seus rebanhos. Em praticamente nenhuma outra área da economia doméstica a digitalização está, em tão grande escala, posta em prática como na pecuária. O conhecimento exato sobre a fertilidade é fulcral para os parâmetros centrais de sucesso no maneio do rebanho das explorações de gado leiteiro. Os agricultores já reconheceram e avaliaram esses fatores no “tempo analógico”, mas observar digitalmente o animal individual tem as suas vantagens. O controlo digital está disponível 24 horas por dia e funciona independentemente do tamanho do rebanho. Que o "colega computador" substitua completamente o agricultor no estábulo, não é o caso. Pelo contrário. Como gerentes, os produtores ainda são necessários. “Todos os parâmetros de produção importantes podem ser recuperados a partir de praticamente qualquer local num curto espaço de tempo”, explicou Detlef May, do Instituto de Melhoramento Animais e Zootecnia em Gross Kreutz, Brandenburg. Isso é útil para os agricultores, “mas apenas a interpretação do agricultor”, afirmou May, “torna os dados em conhecimento prático”.

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Para os gerentes e os seus colaboradores, “uma boa afinidade com a IT (Tecnologia de Informação) moderna é indispensável”. A utilidade da digitalização na criação de gado é, de acordo com May, indiscutível As vantagens no planeamento do trabalho são claras: facilita o controlo de tarefas de rotina - e a sua execução com instrumentos digitais em agendas diárias e semanais. A história individual do animal é uma ajuda muito eficaz na tomada de decisões.

A digitalização e a ligação em rede da cadeia de valor tornam-se cada vez mais importantes

Na pecuária, a tendência para uma maior automatização de processos, combinada com sistemas inteligentes de gestão de dados para otimizar a regulação e o controlo da maquinaria, logística, documentação, garantia de qualidade e rastreabilidade, está a progredir de forma indiscutível. Esta tendência ficou demonstrada nas mais de 250 inovações apresentadas para o concurso Innovation Award EuroTier 2018.

Tendências nos fatores de produção agrícolas

No campo dos fatores de produção agrícolas, os alimentos especiais (suplementares) e/ou aditivos para ração estão a concentrar-se não apenas numa conversão alimentar mais eficiente, mas também na promoção/melhoria do uso de rações “domésticas”. Isso acontece porque, no contexto, por exemplo, da procura crescente dos consumidores por uma produção de leite sustentável,

após a renúncia de produtos transgénicos nas rações, a atenção está agora concentrada criticamente no uso de óleo de palma e produtos de gordura de palma. Isso significa que existe uma procura de alternativas. Da mesma forma, as abordagens baseadas na alimentação para evitar o odor sexual são um complemento muito conveniente às “alternativas” existentes.

Tendências na produção de gado

Um objetivo declarado no campo da produção de gado continua a ser a realização completamente autónoma da cadeia de processo da remoção automatizada da ração, transporte, mistura e distribuição. Existe uma procura por sistemas que possam servir em diferentes silos de alimentação e ser usados ​​sem problemas em várias instalações pecuárias. Os sistemas autónomos para o manuseamento de lixo e a remoção de estrume já têm a última palavra em tecnologia. Agora, porém, esses sistemas estão a ser combinados ou equipados com sensores adicionais, a fim de se conseguir obter uma visão ainda melhor das condições de vida e do ambiente de alojamento dos animais. Existe ainda uma tendência que visa a melhoria da segurança e da monitorização dos cornadis de alimentação com fecho automático, além de instalações técnicas para encaminhar automaticamente o tráfego dos animais e a ativação eletrónica das portas de seleção necessárias. Existe também um foco na deteção automática precoce de problemas das unhas. Isto porque a


NOVIDADES PRODUTO

identificação precoce da claudicação através da monitorização preventiva não serve somente para a saúde das unhas, mas também pode ser usada para o manejo individual dos cuidados com o animal. Também se antevê o surgimento de soluções alternativas inovadoras no campo dos tacos para unhas; e no condicionamento da temperatura de colostro previamente refrigerado ou congelado.

Tendências na tecnologia de ordenha

Este ano, os desenvolvimentos na tecnologia de ordenha abordam os campos de monitorização melhorada do volume de leite sem influenciar negativamente o fluxo de leite, a previsão da produção de leite individual dos animais durante a ordenha para um controlo mais eficiente do tempo da tecnologia de processamento/ordenha, e alternativas às borrachas convencionais do teto, que podem demorar muito tempo a serem trocadas.

INOVAÇÃO PREMIADA Acumulador de calor HeatBox Adesivos de dois componentes são frequentemente utilizados para fixar blocos de unhas. A velocidade de cura está no entanto, muito dependente da temperatura ambiente que, em particular a baixas temperaturas no inverno, conduz a qualidades de ligação adesivas mais fracas com um aumento simultâneo nos tempos de tratamento e de trabalho. Na Heatbox da Kerbl, que consiste em duas câmaras, os adesivos podem agora ser temperados de forma ideal a uma temperatura constante de 20 ° C. A primeira câmara pode conter uma pistola de dosagem completa com um cartucho adesivo, enquanto a segunda câmara suporta um cartucho de substituição à temperatura de trabalho. Utilizando o Heatbox, o adesivo cura mais rapidamente. Isto reduz consideravelmente a duração do tratamento e melhora a durabilidade dos blocos na unha através da qualidade otimizada da colagem adesiva. A ideia simples, mas inteligente, simplifica a ligação do bloco da unha e reduz o stress para a vaca através de tempos de tratamento mais curtos.

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PRODUÇÃO

NO CAMINHO DA MODERNIZAÇÃO DA EXPLORAÇÃO Falámos com Luis Silva, proprietário de duas explorações de leite em Vila do Conde. Recentemente optou por investir num robot GEA modelo Monobox. Quisemos saber mais sobre este investimento e o impacto que tem na exploração e no dia-a-dia do produtor.

Da esquerda para a direita: Susana, Luís, Madalena e Ricardo Silva

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Entrevista a Luís Silva

Conte-nos a história deste negócio, há quanto tempo trabalha neste setor? Posso dizer que estou dentro deste ramo desde que nasci. Os meus pais já estavam neste setor. Começámos com uma exploração pequena, alugada em Gião, Vila Conde e fomos crescendo. Entretanto fizemos uma sociedade com a exploração do meu pai (em Vilar) que entretanto queria terminar. Nesta sociedade entrou também a minha irmã que posteriormente saiu. Acabei por ficar eu praticamente sozinho com duas explorações: a minha e a do meu pai. Mais tarde acabei por ficar apenas com a exploração de Vilar e comprei o terreno de Malta em 2007. Em 2017 começámos a reformular esta exploração, inicialmente a pensar produzir carne mas percebemos que não teria rentabilidade. Assim dedicámo-nos também aqui à produção de leite desde dezembro de 2018. Quantos empregados tem na exploração? Na exploração de Vilar trabalho eu, a minha mulher e os meus dois filhos. Temos também um funcionário a tempo inteiro e um part-time. Aqui nesta exploração de Malta todos damos apoio, não está aqui ninguém em permanência. De onde vêm os animais desta exploração? Alguns trouxe da outra exploração, outros foram comprados. A quem vende o leite? O leite da exploração de Malta é vendido à Terra Alegre, que pertence ao grupo Jerónimo Martins e o da exploração de Vilar é vendido ao grupo Agros. Os seus animais estão em estabulação permanente? Que tipo de camas utiliza? Sim, estão. Utilizamos colchões e serradura.

Qual o sistema alimentar que utilizam? Utilizamos o Unifeed praticamente para todos os animais e damos alguns rolos ou fardos de palha aos restantes. A ração é dada no unifeed e também no robot. As nossas vacas são alimentadas com fardos de luzerna seca e silagem de milho, produzidas aqui na exploração, e diversas matérias primas. Quais as principais caracteristicas do robot? É um robot muito simples, pequeno. É um robot cuja origem e marca me dão bastante segurança. É quase uma garantia de que a máquina não me vai dar problemas. Achei interessante a funcionalidade, a forma como o animal gosta de lá estar. É muito silencioso. Tem também um sistema alimentar de precisão. O que é que este robot faz de diferente dos outros da concorrência? Separa o leite por tetos e faz a higiene dos tetos de forma e evitar contaminações. Pode separar os tetos doentes e os outros aproveitar. Esta separação pode ser feita por indicação do produtor ou automaticamente pelo robot. O robot tem a capacidade de fazer essa separação uma vez que analisa o leite por condutividade ou por cor, e consoante os valores que nós definirmos faz essa separação. A separação de um teto doente pode ser automatizada para ordenhas futuras. Porque optou por um robot? Como sabemos, hoje em dia não é fácil arranjar funcionários para a ordenha tradicional. E devido ao facto de apostar mais na qualidade requerendo menos mão-de-obra, optámos pela ordenha robotizada. Isto faz com que tenhamos uma exploração tecnologicamente mais à frente. A meu ver, as explorações têm que aderir a soluções tecnológicas, isto é o futuro tanto para nós como para os nossos filhos.

E o que é que muda no dia-a-dia, além da questão de fazer a ordenha? Nem preciso de chegar aqui para ver se está tudo bem, uma vez que o robot me envia a informação para o telemóvel. Sei se estão a ordenhar ou não, se há vacas que já deveriam ter vindo à ordenha, se há animais em cio para inseminar e visualizar tempo e horas de manjedoura. Toda essa informação é-me dada em tempo real pelo telemóvel. Dá-me muita flexibilidade de horários. Que vantagens já consegue observar ou espera retirar deste investimento? Ainda é cedo para ver grandes resultados. Estamos ainda numa fase de adaptação e não quero pôr muita pressão nos animais. Espero melhorias ao nivel da produção e da reprodução. Apesar de ser cedo já consigo ver alguns bons indicadores em relação à taxa de deteção de cios e melhorias na qualidade do leite. Noto também um comportamento animal mais calmo relativamente à outra exploração de ordenha tradicional. E na saúde animal, consegue ver alguma melhoria? Sim. Por exemplo em relação às mamites. Desde que fizemos este investimento ainda só tivemos uma mamite e foi uma situação de fácil resolução. Fora isso tivemos uma ou outra vaca com pneumonia, mas através das análises do

Este robot separa o leite por tetos e faz a higiene dos tetos de forma e evitar contaminações.

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PRODUÇÃO

forma. Mas a melhor forma tem a ver com a genética dos animais. Aumentar a longevidade e eliminar consanguinidade, para que sejam boas produtoras de leite, tenham melhor fertilidade e facilidade ao parto.

robot relativamente ao tempo de manjedoura e quantidade de leite foram detetadas e tratadas rapidamente. Que indicadores utiliza para ver se está tudo a correr bem? Para mim o mais importante é saber se o animal está a ir ao robot fazer ordenha. Também me preocupo em saber se o animal se está a alimentar regularmente ou a entrar em atividade de cio. Tudo isto é detetado pelo cowscout procedendo ao momento exato para inseminação. E por exemplo se um animal vai à ordenha e não produz a quantidade expectável é um sinal que algo não está bem e o robot envia um aviso. Como foi a adaptação dos animais, que vinham de salas de ordenha tradicionais, ao robot? Os animais não são máquinas. É preciso ter muita paciência. Ao fim de dois dias estavamos cansados. Aqui não se bate nos animais porque se ela entrar contrariada fica nervosa, não dá leite e nas próximas vezes não entra sozinha. Foram dois ou três dias de muito trabalho. Depois disso os animais começaram a entrar e a habituarse. Posteriormente adaptaram-se muito bem, não senti uma quebra na produção. 15 dias depois apenas 2 ou 3 vacas não entravam por elas. Como aumentar a produtividade do robot de ordenha? Ter animais com fluxo rápido é uma

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Por onde passa o futuro da exploração: Mais leite por vaca? Mais conforto e bem-estar animal? Na minha opinião está tudo interligado. Se tivermos uma boa produtividade mas não tivermos condições para os animais , pode aparecer de repente algum problema de saúde animal que vai acabar por afetar a produção. Temos que ter boas camas, uma boa manjedoura, espaço na vacaria e água boa à descrição. Só garantindo o bem-estar animal podemos assegurar a produção e o sucesso da exploração. Qual a sua opinião da relação entre a indústria de produção de leite e a distribuição? De que forma podia ser melhorada esta relação? A distribuição tenta sempre manter uma margem independentemente das vendas e do preço do produto. Por isso, infelizmente, nós produtores acabamos por ter que sustentar essa margem. Ninguém se preocupa em saber quanto é que aquele litro de leite nos custou a produzir. A distribuição tem muito peso e nós não temos tido a força suficiente para contrariar esta tendência. Recentemente alguns grupos têm difundido a ideia do leite de vaca como um “vilão”, com efeitos nefastos para a saúde humana, isso preocupa-o? Não acho muito preocupante porque há mercado para tudo. As pessoas que tentam difundir essas ideias na sociedade são pessoas que não gostam da realidade agricola. Além disso, a própria indústria tem vindo a adaptar-se às necessidades do consumidor criando vários derivados do leite, e os agricultores têm vindo a optar pelo

DADOS DA EXPLORAÇÃO (ROBOT) EMPRESA Maria Madalena Silva LOCALIZAÇÃO Freguesia de Malta, Vila do Conde Nº ANIMAIS E RAÇA: 49 vacas Holstein Frisia (com capacidade para 65 animais) SISTEMA DE ORDENHA: Robot GEA modelo Monobox ÁREA À VOLTA EXPLORAÇÃO: 6 hectares (4 próprios e 2 alugados) Nº DE ORDENHAS 3,1 a 3,2 MÉDIA POR VACA 34 litros/dia

QUALIDADE DO LEITE

3,5% 3,2%

DE GORDURA

DE PROTEÍNA

CÉLULAS SOMÁTICAS 95.000/ TOTAL BACTÉRIAS 17.000 MICROORGANISMOS

melhoramento genético com gene A2A2, oferecendo melhor digestibilidade do leite ao consumidor que vai ao encontro das preocupações com a saúde humana. Existe também a ideia de que o bem-estar animal não é respeitado nas explorações, de que forma é que os produtores podem ajudar a desmistificar essa ideia? Há explorações que têm visitas de escolas por exemplo. Parece-me uma boa forma de educar a população, é uma forma dos adultos de amanhã conhecerem a realidade e abandonarem essas ideias.


FOTOGRAFIA COM HISTÓRIA

FOTOGRAFIA

COM HISTÓRIA Porque “o Mundo pula e avança”, e não queremos ficar para trás, fomos conhecer duas médicas veterinárias, recém-licenciadas, por tradição familiar ligadas às vacas de leite e a trabalhar nesta área. Foi num agradável e soalheiro sábado de março, que trocamos ideias sobre o exercício da profissão, a produção de leite e o futuro, na generalidade. Desejamos às duas entrevistadas a maior sorte para a concretização dos projetos, profissionais e pessoais, e para os desafios que têm pela frente. Ruminantes - A escolha da medicina veterinária foi condicionada pelo facto de, familiarmente, estarem ligadas à produção de leite? Catarina Marinho - No meu caso, não, uma vez que a minha primeira escolha era medicina humana. Durante o curso tive oportunidade de trocar, mas resolvi continuar em veterinária, e ainda bem que tomei essa decisão. Desde a minha colocação em veterinária que os meus pais ficaram muito entusiasmados. Por outro lado, o facto de estarmos inseridas já neste meio acaba por facilitar alguns processos e aprendizagens. Cristiana Pinto - No meu caso influenciou a 100%. Na minha opinião, para quem cresce no meio das vacas

e gosta desta área, é um previlégio poder dar continuidade ao trabalho de várias gerações. O facto de ter entrado em Veterinária veio acrescentar valor à minha presença e àquilo que eu posso dar à minha exploração. Durante a licenciatura tiveram interesse e curiosidade por outras espécies ou “ as vacas” sempre foram a vossa aposta? CM/CP (em uníssono …) - Não, definitivamente não, nunca pensámos optar por outras espécies. Fomos fazendo estágios em áreas diferentes porque, por um lado, ajudam a estudar e a abrir horizontes e, por outro, foi a forma de termos a certeza de que é exatamente isto que queremos.

Qual a parte favorita de um típico dia de trabalho? CM - Ver os resultados do nosso trabalho, dos programas que implementamos mas sobretudo a satisfação dos produtores. CP - A título de exemplo, no fim de uma visita de reprodução, sentarmo-nos com o produtor e ver a evolução do nosso serviço, avaliar os indicadores, analisar os dados, mostrar que as coisas correm bem e que estamos no bom caminho. Depois de um dia de trabalho, ainda têm fôlego para fazerem os “trabalhos de casa”? Continuam a fazer ordenhas, tratar dos vitelos, ou outras tarefas relacionadas com a rotina da exploração? CP - Normalmente, não consigo chegar

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a tempo de fazer a ordenha, mas tento sempre acompanhar a parte da alimentação da recria, principalmente os vitelos. Como o registo dos dados da exploração é da minha responsabilidade, normalmente ocupo algum tempo a fazer essas atualizações. Mas nas alturas em que há muito volume de trabalho, mesmo que seja tarde ou esteja cansada, fico a ajudar. CM - Eu chego sempre a tempo da ordenha, porque os robôs trabalham 24h (risos)! Mas tal como a Cristiana disse, o volume de trabalho ou a logística da exploração sobrepõem-se muitas vezes à nossa disponibilidade ou paciência. Ainda que chegue muito tarde, cansada, ou mesmo que o dia tenha corrido mal, se houver muito trabalho, não consigo “virar costas “ e não ajudar. Na medicina de produção, qual a área pela qual têm mais interesse, ou seja, o que é que gostam mais de fazer? CM - Reprodução, sem dúvida, se bem que a cirurgia também me fascina. A parte da gestão é muito interessante, mas saímos muito mal preparados da universidade relativamente a esse aspeto. CP - Gosto mais da parte da gestão da exploração, análise de dados e indicadores e mostrar os resultados. Estamos já a começar a trabalhar a parte da gestão com alguns clientes e para mim é a base de toda a exploração, já que inclui indicadores para as diferentes áreas. Uma das componentes do meu estágio foi nessa área, como forma de tentar colmatar a lacuna da falta de formação durante a academia, referida pela Catarina. Neste momento, já inseridas no mundo de trabalho, quais os pontos mais sensíveis do exercício da profissão? CM - O mais difícil é fazer a rastreabilidade de alguns casos clínicos, por exemplo, animais que vão para o matadouro, porque não se justifica se o tratamento é viável ou não. Se o animal morre na exploração, podemos fazer uma necrópsia e confirmar ou não o diagnóstico inicial.

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É uma forma de aprendizagem muito efetiva, que ajuda a identificar, com maior certeza e grau de conhecimento, casos clínicos semelhantes. Em termos pessoais, ainda consigo conciliar bastante bem os dois aspetos. Abdiquei da banda de música, onde tocava, mas consigo ir (às vezes) ao ginásio. CP - Eu interpreto esta pergunta de uma forma mais pessoal, a dedicação que temos com esta profissão, quase a tempo inteiro, é incompatível com alguns aspetos e torna bastante difícil a gestão do tempo. CP/CM - Se não tivéssemos as vacarias, poderia eventualmente ser mais fácil desligar o “neurónio” das vacas, mas assim torna-se bastante complicado porque, de uma forma, ou de outra, nunca conseguimos desligar totalmente. São ouvidas na exploração? A vossa opinião conta? CM- A primeira cirurgia é sempre em casa, e isso diz muito. CP – Com o tempo, cada vez mais. Inicialmente não foi muito fácil, mas sempre me avisaram disso. Os pais são as pessoas que nos veem a crescer e, provavelmente, as que nos veem também a errar, e talvez por isso surja esta dificuldade. Mas são também as primeiras pessoas a perceberem que melhoramos e, portanto, as que mais rapidamente confiam em nós. Em termos de estágio, têm currículos semelhantes? CM/CP - Sim, a Califórnia é comum. Catarina Marinho – Comecei pelo Norte, pela zona de Barcelos, Vila do Conde e Maia, seguiu-se o Alentejo e depois a Califórnia. CP - Além da Califórnia, e das zonas referidas pela Catarina, estagiei também, na zona centro de Portugal, em S. Miguel e em Barcelona. Quais os grandes temas do futuro da medicina veterinária de produção? CP - Desde que saímos da faculdade, as coisas já evoluíram bastante sobretudo a

nível do controlo reprodutivo. Como em todas as profissões, temos de nos manter atualizadas, seja através de revistas da especialidade, congressos ou formações pontuais. Por exemplo, toda a temática em torno da redução da utilização de antibióticos assume cada vez maior importância na medicina veterinária de produção e é um tema do qual quase nem se falava há alguns anos atrás, tal como a gestão técnica e económica das explorações. CM - A medicina preventiva está “em crescendo” e a clínica de “bombeiro” tendencialmente irá desaparecer. O futuro passa sem dúvida pelo bem estar animal e por todas as questões relacionadas, e com a temática da redução de antibióticos. Para além destes dois temas, a biossegurança será igualmente importante. Têm algum passatempo ou atividade que pratiquem no dia-a-dia? CM - Consigo ir ao ginásio de vez em quando, como já referi. CP - Todos os meus passatempos são relacionados com as vacas, aproveito o tempo livre para tratar das minhas. Continuo a dedicar algum tempo aos concursos da raça frísia, dos quais gosto muitíssimo, de preparar e manejar os animais. Dediquei uma parte da minha formação também a este aspeto particular e é uma área pela qual continuo a interessar-me bastante. Quais os vossos sonhos? CM - Continuar a ter trabalho nesta área, tentar fazer melhor com os nossos clientes e a fazer os nossos clientes melhores. Pessoalmente, gostaria de fazer um doutoramento em gestão que permitisse abordar as explorações de uma forma que não tenha sido feita pelo menos por mim. CP- O meu grande sonho é melhorar as condições dos animais da minha exploração. Em termos profissionais, quero crescer na consultoria às explorações, porque é a forma de englobar e auditar todas as áreas importantes da exploração.


O seu bem estar, a sua rentabilidade O Programa de recria Prima da Nanta melhora a rentabilidade das explorações através do bem estar das vitelas. O Prima trabalha em quatro conceitos essenciais para o bem-estar dos animais: o colostro, a lactação, o desmame e os cuidados a ter nas diferentes variáveis como o meio ambiente, a saúde e ambiente social. O nosso programa oferece benefícios comprovados para o agricultor: maior desenvolvimento das vitelas, melhoria do seu sistema imunitário, redução do stress no desmame, antecipação da primeira inseminação e da idade do primeiro parto, mais produção de leite e maior vida produtiva da vaca. Com o Prima as vitelas são mais felizes e o agricultor também.

nanta@nutreco.com

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Edição nº33/2019 A revista da Agropecuária

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