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Balanço das manifestações

UMA ANÁLISE DA CONJUNTURA POLÍTICA BRASILEIRA Rui Costa Pimenta


BALANÇO DAS MANIFESTAÇÕES: UMA ANÁLISE DA CONJUNTURA POLÍTICA BRASILEIRA

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Índice Uma análise da conjuntura política brasileira

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Eles passarão... se nós deixarmos

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“Juntos”… com a extrema direita

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Revogado!

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V de Vitória, V de Vermelho

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“Vândalos”, “baderneiros” e “marginais” derrotam o governo “ordeiro” e beneficiam mais de 10 milhões de paulistanos

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Fora Alckmin, abaixo a repressão

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Estatização do transporte público! Passe Livre já!

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Não deixemos que imprensa burguesa manipule as manifestações

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O movimento passe livre e o sonho da burguesia brasileira

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Levantar as bandeiras vermelhas!

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Unir a esquerda na luta contra a direita

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s manifestações que se espalharam por centenas de cidades no país tiveram o seu ponto de partida em S. Paulo, com as passeatas contra o aumento da tarifa dos transportes coletivos implementado pelo prefeito Fernando Haddad, do PT, e o governador Geraldo Alckmin, do PSDB. A luta pelo passe livre iniciou-se anos atrás durante do governo Kassab e vem sofrendo desde aquele momento a repressão policial. Ela teve momentos de mobilizações expressivas e outros momentos de pequenas manifestações, mas se manteve como o movimento de uma frente única de organizações políticas e reivindicativas de caráter permanente. Este movimento está intimamente ligado ao movimento de luta nas universidades estaduais, em particular da USP, que ocupou a reitoria daquela universidade em duas importantes oportunidades, em 2007 e 2011. Esse é, essencialmente, um movimento da juventude e um movimento dirigido contra a ditadura que a direita, ou seja, o PSDB e seus aliados impuseram no mais importante estado da federação nacional. A eleição de Fernando Haddad do PT ou, mais precisamente, a derrota do PSDB colocou em evidência a crise dessa ditadura. O PT assume o governo não como uma alternativa popular ao PSDB, mas como uma versão mais débil de governo burguês representante do regime politico antidemocrático, antioperário e pró -imperialista, indicando o completo esgotamento dos métodos anteriores de contenção e a completa perda de autoridade da direita para governar. O movimento pela redução da tarifa As manifestações de 2013 foram mais um sintoma do agravamento da crise. Começaram com muito maior participação da juventude. Seu espírito de luta também estava incrementado. Nos anos anteriores, alas mais moderadas do movimento, como a própria direção do MPL, buscavam evitar qualquer manifestação mais radical e, particularmente, qualquer resistência à violência policial. Este ano, a esquerda do movimento, apoiada nos setores jovens da periferia que começaram a participar romperam estes diques de contenção e enfrentaram a repressão policial, apesar da óbvia desvantagem material. Os eventos de violência do início da manifestação, provocados diretamente pela repressão policial, foram apresentados pela imprensa capitalista, que logo saiu em defesa do governo Alckmin, como “vandalismo” e “baderna”. Esta é a mesma política empregada na USP, onde a luta política e social da juventude foi apresentada como um ato de criminalidade sem qualquer conteúdo político. Essa repressão, no entanto, foi justamente um dos estímulos para o crescimento das manifestações que aumentaram a cada novo episódio da ação policial.

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A manifestação anterior à quinta-feira, duramente reprimida, já indicava claramente a incapacidade da força repressiva do governo do PSDB de efetivamente conter o crescimento da mobilização política. Estava colocado o impasse para o governo estadual. Ceder às manifestações ou reprimir. Se cedesse haveria sido derrotado pela mobilização, a qual não conseguia conter, desmoralizando completamente a campanha caluniosa do movimento criminoso, do vandalismo e da baderna. Se reprimisse, abrir-se-ia a seguinte alternativa: ou não conseguir impedir a manifestação, uma desmoralização ainda maior do que ceder sem enfrentamento, ou usar de muita violência para reprimir o movimento, o que levaria à desmoralização da repressão diante da população que estava sendo desinformada com o relato de que se tratava de uma minoria de marginais. Alckmin, de maneira absolutamente equivocada, optou pela repressão e colocou em jogo um amplo contingente de repressão com milhares de soldados da PM, a Rota, a Tropa de Choque, a Cavalaria e vários destacamentos especiais. A violência da repressão – inevitável e não acidental – que atingiu simples observadores e passantes, jornalistas, além dos manifestantes, fez com que a crise política se abrisse completamente. A importância decisiva do dia 13 de junho A violenta repressão do dia 13 de junho foi o momento decisivo de toda a crise. Justamente por isso, toda a imprensa capitalista silenciou sobre esta questão nos dias posteriores. A repressão não pôde ser escamoteada pela imprensa com os argumentos conservadores tradicionais de que o governo estava cumprindo a lei, que havia agido contra baderneiros e outras fantasias da propaganda reacionária. O resultado da repressão foi a liquidação de toda a aparência de autoridade do governo do Estado e da sua máquina repressiva como fator político local e nacional. Todos os planos da direita estão baseados no controle do aparelho administrativo do Estado de S. Paulo, a tal ponto que dias antes da manifestação, o jornal Folha de S. Paulo havia estampado na capa a manchete absolutamente inverossímil de que Alckmin era eleitoralmente imbatível em S. Paulo e que seria capaz de derrotar até mesmo o próprio Lula. O colapso, contudo, não foi apenas eleitoral. O estado de S. Paulo, mais industrializado do país, com uma imensa classe operária e uma classe média muito politizada é um barril de pólvora e uma ameaça constante ao regime político. Foi daqui que não apenas partiu, mas onde se desenvolveu amplamente a luta que levaria ao fim do regime militar. Aqui está também o maior quociente de organização da esquerda nacional e o mais radical. A perda de controle em um Estado como esse e, em particular, em uma metrópole de mais de 20 milhões de habi-

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tantes como é a Grande S. Paulo, coloca o regime político de conjunto em uma crise terminal. O silêncio sobre estes acontecimentos decisivos e a sua repercussão política nacional provam acima de qualquer dúvida esta análise. A manobra desesperada dos grandes capitalistas A crise de quinta-feira levou à convocação de uma manifestação na segundafeira que todos os que têm capacidade para analisar minimamente a situação política sabiam que seria gigantesca. A convocação da manifestação no Facebook, na própria sexta-feira, já registrava mais de 100.000 pessoas confirmadas. A manifestação estava preparada para ser a marcha fúnebre da direita em S. Paulo nacionalmente e dos seus propósitos golpistas em nível nacional, articulados na embaixada norte-americana. Os preparativos do golpe, que seria um coup de main, senão um coup d’etat, viriam a se mostrar claramente na semana seguinte à repressão. A situação extremamente crítica forçou a direita a ensaiar um verdadeiro golpe, mas contra o movimento popular, que foi organizado emergencialmente de quinta a segunda-feira. A imprensa colocou em ação toda a sua capacidade de ação com as seguintes diretrizes: ocultar a repressão da quinta-feira, apoiar a manifestação que estava sendo convocada, chamar à realização de uma manifestação pacífica, ordeira e “cívica”, ou seja, o oposto do que tinha acontecido até aí. Era preciso conter a raiva e a rebelião popular contra a repressão e diluir completamente as reivindicações. Até este ponto, não se tratava de uma manobra muito distinta daquelas que estes mesmos capitalistas da comunicação, a serviço dos grandes capitalistas em geral, havia realizado antes, durante a luta contra a ditadura, nas diretas já, no Fora Collor etc. Seu objetivo era diluir, conter e, finalmente, asfixiar a manifestação popular contra o governo Alckmin. Ainda mais quando as manifestações em solidariedade a esse movimento começavam a ocorrer em todo o país e até mesmo fora do país. Não podemos esquecer que o crescimento das manifestações poderia e, na medida em que não terminaram completamente, poderá quebrar as outras duas pernas do tripé que sustenta o regime político, ou seja, os governos estaduais do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, este último, também um baluarte do PSDB. A burguesia, porém, era consciente de que esta manobra para diluir e estrangular o movimento não era suficiente. Finalmente, uma manifestação pacífica, com os mesmos objetivos e sob a mesma direção que havia atuado até então, somente serviria para transferir a luta contra a direita para o terreno eleitoral, beneficiando objetivamente o PT, e para postergar a ofensiva popular nas ruas. Era necessário fazer intervir um novo fator para destruir ou manipular os efeitos da

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manifestação. Era preciso efetivamente disputar a direção da mobilização em um sentido mais profundo e buscar direcionar o ponteiro da manifestação contra o governo, contra o PT e contra a esquerda em geral. A burguesia em crise apela para os seus pitbulls A burguesia, incapacitada de intervir contra a esquerda por meio da força policial, decidiu intervir utilizando em seu favor as forças para-policiais da extrema direita nacional. Esta escolha não foi puramente intelectual, mas foi o resultado de uma situação que está em marcha há algum tempo no Brasil, ou seja, um tenaz esforço de organização de uma direita militante, fascista ou filo-fascista, para se opor à militância operária e de esquerda. Este é um fenômeno mundial cuja base fundamental é a desagregação dos partidos tradicionais da direita como resultado do imenso fracasso da política neoliberal, enfrentada pelas massas com verdadeiras insurreições populares como na Bolívia, e soterrada pela crise capitalista. A decomposição da política implica inevitavelmente na desagregação das forças que lhe servem de base. A divisão da direita tradicional levou ao surgimento de uma ala ortodoxa de direita no interior destes partidos cuja base de desenvolvimento é a propaganda de que a política neoliberal fracassou não porque encontrou pela frente a resistência das massas, mas porque não foi levada adiante de maneira radical e coerente. A direita ortodoxa não quer se dobrar à pressão popular, que não compreende muito bem, e quer restringir a política de aliança com as alas democráticas, social-democratas e frentepopulistas do regime político. São claramente nesse sentido, uma evolução da direita tradicional para posições fascistas, independentemente da sua diversidade atual. É um fenômeno paralelo ao que acontece dentro do movimento operário e popular dirigido pela esquerda burguesa e conciliadora. Há um desenvolvimento no sentido de ultrapassar as limitações desta esquerda em um sentido oposto, revolucionário. Nesse sentido, o Partido Republicano norte-americano deu lugar ao Tea-Party; dentro da UMP francesa, após o colapso de Sarkozy, a ala oficial foi derrotada pela facção de Jean-François Copé, que busca uma aliança com o partido da extremadireita da Frente Nacional, atual Acquamarine, de Marine Le Pen; na Inglaterra, a desagregação acelerada do Partido Conservador destruído por Margareth Thatcher está levando ao crescimento da extrema-direita do UKIP, que teve um extraordinário desempenho nas eleições recentes. As organizações de direita se multiplicam no mundo todo em resposta à enorme crise capitalista e são, queiram ou não, uma arma contra a classe operária mundial. No Brasil, a crescente debilidade da direita no terreno eleitoral tem levado ao

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surgimento de vários grupos de extrema-direita que pregam contra a moderação da direita institucional e que defendem abertamente uma política de força contra a esquerda, ou seja, contra o movimento operário, que frequentemente aparece como uma defesa do golpe militar de 64. No Brasil, logicamente, a extrema-direita não apenas é mais fraca que nos países desenvolvidos, como é muito mais dependente do aparelho de Estado, em particular do aparelho repressivo. A extrema-direita é extremamente reacionária e antipopular e o Brasil, como todos os países atrasados, é um país pobre onde não há uma verdadeira base popular, nem mesmo minoritária, como nos países imperialistas, para uma política aberta de defesa dos interesses capitalistas e dos privilegiados em geral, que vivem em uma permanente guerra contra a população pobre. O que está particularmente ausente no Brasil é uma classe camponesa consolidada e uma aristocracia operária conservadora, que aparecem nos países desenvolvidos e que podemos ver no cordão bíblico dos Estados Unidos ou nas poderosas e ultraconservadoras organizações sindicais burocráticas da Inglaterra, França, Itália, Estados Unidos etc. O impulso para a organização da direita nacional vem, em grande medida, de fora, é parte do processo de organização golpista dos empresários, do governo e do aparelho de inteligência do imperialismo, em especial do norte-americano. O Instituto Millenium brasileiro é um desses centros organizadores impulsionados de fora que, assim como outras organizações, a maioria dos laços diretos com o imperialismo norte-americano, contribuem para a proliferação de grupos de extrema-direita no Brasil. A imprensa capitalista é também um dos viveiros onde cresce esta direita. Revistas de grande circulação como a revista Veja assumiram claramente uma política de direita mais aberta, mais radical, mais próxima da extrema-direita e com a sua retórica fascistoide inflamam elementos de classe média desesperados, cuja grande propensão política é buscar bodes expiatórios para as suas dificuldades, causadas pelo grande capital. A tendência ao empobrecimento de setores da pequena-burguesia leva setores conservadores a se radicalizarem sem pederem o seu impulso conservador e esta é a base social do fascismo. A direita, organizada pelo aparato policial clandestino do PSDB, foi chamada à manifestação organizadamente não para impor uma política de direita, mas para anular a política da esquerda e das lideranças do movimento. O golpe seria dar ao protesto o caráter de um não protesto, uma manifestação inócua, ecumênica, de “todos os brasileiros”, com a bandeira do Brasil, hino nacional, em resumo, uma festa, ou seja, o exato oposto de uma manifestação. Para isso, seria necessário anular a esquerda completamente. Essa necessidade levou a extrema-direita e os policiais infiltrados a usar uma política violenta de expulsar a esquerda da manifestação, não com o apoio da massa presente, mas aproveitando-se da confusão e da inconsciência dessa massa. O que foi feito e, em certa medida, com sucesso, de-

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vido fundamentalmente à covardia da esquerda pequeno-burguesa, como o Psol e o PSTU, que não quiseram enfrentar a direita violenta e que falsificaram a situação apresentando a ofensiva direitista como uma opinião popular “atrasada”, o que nada tinha de realidade. A necessidade extrema, no entanto, obrigou a direita a mostrar as suas cartas antes do que seria necessário. Tornou-se de conhecimento comum que o fascismo se organiza no Brasil para atacar a classe operária e que os propósitos da direita são claramente golpistas contra o PT. Como se organiza um golpe de Estado Toda a esquerda pequeno-burguesa, do PT ao Psol e PSTU, passando por PCdoB e outras variantes, têm feito o impossível para ocultar a ação política da direita e as tendências inerentemente golpistas da sua ação. Esta é uma das leis fundamentais da política pequeno-burguesa de conciliação de classe de frente popular: ocultar o caráter antidemocrático e violento da burguesia, anestesiando as massas com a miragem do jogo eleitoral e do reformismo medíocre, sem resultados, das negociações parlamentares. A vitória eleitoral do PT não foi uma verdadeira vitória eleitoral, mas um acordo com a burguesia para a preservação do regime político após o colapso da política neoliberal de FHC. Este acordo precário rompeu-se com a crise de 2008 e as tímidas reformas sociais do PT tornaram-se insustentáveis para a burguesia que busca desesperadamente descarregar a crise totalmente sobre os ombros das massas. O neoliberalismo privatizante do PT, embora um duro golpe contra o país e a sua classe trabalhadora, parece ao setor fundamental do capital financeiro nacional e internacional como extremamente limitado. A burguesia necessita de um ataque mais profundo contra as massas ao estilo do que está sendo feito nos países europeus para manter a sua posição dentro do pais e internacional. O que tem impedido até o momento a mudança na situação é a divisão interna da burguesia e a rebelião latente das massas. O grande problema deste setor da burguesia é justamente o arremedo de regime representativo que existe no Brasil, onde, da mesma forma em que todos os países latino-americanos, com o desenvolvimento da crise capitalista, são favorecidos os partidos com maior apelo popular e reformistas em alguma medida, ou seja, os representantes da burguesia nacional contra os representantes declarados do imperialismo. Na Venezuela, Argentina, Equador, Brasil, a mera manipulação eleitoral não é suficiente para uma direita que tem cada vez menos votos e não consegue agrupar o conjunto da burguesia em torno dela como fez com a política neoliberal. O resultado fundamental desta limitação da direita diante de forças que se apresentam como mais democráticas diante do eleitorado popular não é, como

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esperariam os crédulos da democracia, um fortalecimento do regime parlamentar e do Estado de Direito, mas o exato oposto, o seu enfraquecimento, pois a parcela mais poderosa da burguesia busca recuperar a sua posição por meios que fogem cada vez mais ao mero jogo parlamentar e que se inclinam na direção do golpe de Estado. Os atuais regimes nacionalistas, socialdemocratas e frente-populistas na América Latina são o governo da burguesia nacional, reformista e liberal que foi estabelecido com base no esgotamento da política neoliberal, que levou milhões a uma situação insustentável sem conseguir qualquer avanço na recuperação da capacidade do capitalismo funcionar. Isso quer dizer que foram uma solução forçada, de compromisso e emergencial da burguesia diante da crise, mas não a sua política fundamental. A campanha contra o PT é uma típica campanha golpista. Seu centro é o velho refrão da burguesia golpista de antes de 1964. O Brasil todo, de 1950 a 1964, foi obrigado a ouvir a cantilena dos Larcerda e outros udenistas que se erguiam como defensores da moral pública. O único objetivo desta campanha moral era um resultado material: abrir a economia brasileira e destruir boa parte dela para satisfazer a fome de lucros dos monopólios estrangeiros. Outro tema constante da agenda política dos reacionários era a defesa da democracia contra a falta de democracia do varguismo. Este objetivo foi realizado através do golpe fascista de 1964 e dispensa maiores comentários. A questão do mensalão tem sido o eixo fundamental da campanha. A direita, que domina a esmagadora maioria da imprensa capitalista nacional, criou o mito de que o mensalão teria sido o maior escândalo de corrupção que o Brasil já conheceu, uma afirmação cínica a ponto de ser cômica para os que conhecem, por pouco que seja, o interior do Estado nacional. O julgamento do mensalão pelo STF teve todas as características de um verdadeiro golpe de Estado: foi realizado em meio às eleições, com os juízes assumindo o papel de propagandistas políticos do partido de direita, um procedimento escandaloso que somente tem curso entre uma parcela da população devido ao controle da imprensa e à completa capitulação do PT diante dessa manobra política. Um julgamento sem rigor que pisoteou todas as normas possíveis do direito burguês democrático, mesmo em um sentido muito superficial, é uma ação golpista e concertada. O caráter golpista da ação da direita vem se avolumando e veio sair à luz do dia nas passeatas, onde falsificam a realidade, mostrando através de um verdadeiro truque de prestidigitação a manifestação como o oposto do que era, ou seja, não contra a direita e os seus ataques ao povo, mas contra a corrupção do PT. As falsas manifestações de massa, manipuladas pelos meios capitalistas de comunicação são uma manifestação clara da tendência golpista. A maior parte dos analistas acredita que há uma contradição absoluta não

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dialética entre a luta eleitoral e o golpe de Estado, como uma muralha intransponível. Na realidade, a relação entre ambos é de alimentação mútua, quanto mais se exacerba a luta, mais a disputa eleitoral alimenta o golpe de Estado e este radicaliza a disputa eleitoral. Quem estava nas ruas afinal e por quê? O maior mito já criado acerca das manifestações é sobre o perfil dos manifestantes. Sociólogos amadores já tiraram a conclusão de que são nacionalistas, afinal portavam bandeiras do Brasil,;são de direita, uma vez que a Rede Globo, instrumento sociológico fundamental no Brasil, mostrou cartazes contra o PT e até defendendo propostas muito à direita; que são contra partidos, afinal os partidos de esquerda foram vaiados e atacados por manifestantes. Sabe-se que as pessoas assustadas veem fantasmas atrás de cada porta. É natural que a esquerda, que foi completamente tomada de surpresa pelas manifestações visse todos estes fantasmas. O problema, porém, é que eles não são reais e sequer é correto fazer a análise a partir da observação de determinados fatos que ocorrem dentro de uma multidão confusa e heterogênea ou, para efeito de método, qualquer manifestação. É preciso fazer uma análise objetiva do desenvolvimento das manifestações, o que, para a maioria, parece não ter importância alguma ou certamente menor do que o testemunho de um cartaz escrito em papel de cartolina. A maior de todas as manifestações foi a de segunda-feira. O que provocou o afluxo da multidão às ruas? Obviamente, e inconfundivelmente, a repressão da quinta-feira passada. O clima de mobilização cresceu com o repúdio à violência da PM contra o movimento dos jovens. O que isso tem a ver com todo o conservadorismo que as testemunhas reputam tão importante? As pessoas viram na repressão, um motivo para protestar contra os partidos, contra a PEC 37, contra a liberação do aborto e a favor da ditadura militar e pelo esmagamento do comunismo. Claro que basta formular o problema para ver que ele não faz sentido algum. Todo o segredo do ilusionismo está na engrenagem política da manifestação e não na mística análise da “opinião do povo” dos sociólogos sem carteirinha ou com carteirinha. O primeiro fato fundamental é que a direção do movimento era muito fraca organizativamente para tamanho crescimento da mobilização, na qual a maioria esmagadora dos participantes era de esquerda e apoiava em algum grau a luta contra o Alckmin e pelo transporte. Essa debilidade foi ainda terrivelmente agravada pelas manias e preconceitos inculcados naquele movimento há tempos, de que ele deveria ser “horizontal”, ou seja, sem carros de som ou organização formal e de que deveria ser apartidário. Esta posição que corresponde a um anarquismo de classe média, e que é a “ideologia” dos integrantes do MPL, permitiu que a di-

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reita, mais organizada e mais dissimulada do que qualquer esquerdista, se impusesse de maneira agressiva à manifestação, ainda que relativamente. No meio da confusão e da dispersão enorme, da ausência de uma organização central, foi extremamente fácil para um grupo reduzido de direitas atacar individualmente militantes ou grupos de militantes da esquerda dentro da manifestação, acobertados pela palavra de ordem absurda de “abaixo os partidos”. A direita organizada infiltrou-se ruidosamente no meio da manifestação com as suas próprias palavras de ordem, altamente impopulares, como a defesa da volta dos militares ao poder. No entanto, a dispersão, a confusão, o clima de extrema desorganização, não permitiram reação alguma, ainda mais de pessoas não acostumadas a qualquer manifestação ou luta política em geral. Por sua vez, as redes de TV selecionavam a seu critério como mostrar a manifestação e a diluam ainda mais em um espírito de completa abstração com frases tais como a de “como isso é lindo”, “o povo está na rua”, “paz”, “somos todos brasileiros”. Obviedades e coisas sem qualquer conteúdo real ou mesmo sem sentido (se somos todos brasileiros, por que saímos à rua, o país está sendo ameaçado ou será que ganhou a Copa do Mundo com antecedência?). A mistura dentro da manifestação era heterogênea, comportando todo o tipo de gente, mas sobretudo uma parcela expressiva de classe média, em grande parte de esquerda, mas cheia de preconceitos pacifistas e morais, em bem menor parte conservadora. Embora os participantes originais da manifestação estivessem lá em grande número estavam completamente desorganizados e dispersos. As palavras de ordem reacionárias, como a de “fora todos os partidos” eram minoritárias e em alguns momentos eram confundidas pelos mais desavisados com um protesto de esquerda. O que facilitou o relativo crescimento dessa confusão e uma pequena liberdade para a direita foi a completa falta de compreensão da esquerda, boa parte da qual está educada para acreditar que a burguesia é pacífica e democrática e que o nazi-fascismo só existe em filmes e que o Brasil está acima dessas coisas estranhas. A esquerda, majoritária em todas as passeatas, deixou o caminho livre para uma minoria de direita se impor no meio da confusão. Para aqueles que nunca viram nem estudaram o mecanismo do golpe de Estado esta foi uma experiência em primeira mão ainda que em miniatura. Os golpes de Estado sempre são o golpe de uma minoria organizada e montada no poder do Estado e do dinheiro contra uma maioria desorganizada e confusa. A política da esquerda pequeno-burguesa é sempre um fator de desorganização das lutas das massas. Estes são os fatores fundamentais. O estrangulamento da mobilização em S. Paulo A manifestação convocada para a Praça da Sé na terça-feira foi a mais confusa

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e a mais dominada pela direita de todas e o número de manifestantes diminuiu consideravelmente em relação à segunda-feira. Outro erro dos que estavam encarregados da convocação foi chamar o ato para o dia seguinte. Na realidade, não fizeram qualquer análise do que estava acontecendo no quadro político geral, preocupados apenas com a negociação com os governos municipais e estaduais. De um dia para o outro, a situação ficou ainda mais difícil para a esquerda e mais fácil para a direita. A esquerda acuada pelo que havia acontecido na segunda-feira simplesmente não compareceu à manifestação, o que facilitou ainda mais a ação da direita contra nosso partido e os poucos que decidiram levantar uma bandeira. A direita, mais à vontade, partiu para a agressão contra militantes ou pequenos grupos isolados dominando completamente a manifestação. Alckmin e Haddad cederam na quinta-feira à reivindicação, mostrando que já não tinham condição de sustentar a sua resistência à manifestação, mas também que temiam o acirramento da luta no interior da mobilização e o seu crescimento nacional. A vitória do movimento é inconteste e fica realçada pelo fato de que a imprensa mais direitista, como a revista Veja, saiu no final de semana a denunciar que a vitória não havia sido “completa”, uma tática para roubar às massas o entusiasmo por esta vitória sobre um governo repressor como é o governo do PSDB. A burguesia se preocupa com que as massas não consigam medir efetivamente a sua força, o que certamente impulsionará novas manifestações e de maior ambição. Diante da vitória a esquerda, inclusive o PT, decidiu comparecer em maior número à marcha da vitória, inclusive os próprios militantes do PT, despertados pela demonstração de força da direita dentro da manifestação. A discussão sobre as agressões e a denúncia da ação da extrema-direita contribuíram para alinhar a todos contra a direita. Já não havia a mesma confusão e ilusão de dois dias antes. A concentração da esquerda no MASP agrupou mais de 500 pessoas convocadas especialmente para se impor contra a direita. A participação da esquerda era muito maior que o restante da manifestação inteira, o que pode ser observado porque a passeata se dividiu pelas duas mão da Av. Paulista. Este fato desmascarou dois dos mitos. Em primeiro lugar, que a maioria das manifestações era conservadora, antipartido etc. Em segundo lugar, que a orientação que foi imposta à manifestação pela imprensa capitalista teria sido um eixo da manifestação e não o seu estrangulamento. A quinta-feira mostrou que a burguesia já havia estrangulado efetivamente o impulso dos que reagiram à repressão do dia 13 de junho. A posição favorável da esquerda também foi perdida por motivos puramente políticos. Várias organizações da esquerda atenderam ao chamado de levantar bandeiras na manifestação da vitória, mas atenderam ao chamado com os seus próprios conceitos políticos, ou seja, de que não se tratava de organizar uma ofensiva contra a direita, de enfrentar fisicamente a repressão que havia se transferido

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para dentro do movimento e sim que a própria presença majoritária da esquerda já realizaria toda a tarefa. A esquerda não foi ao ato para combater o fascismo em broto, ou seja, uma violência e um golpe contra a manifestação, e sim para fazer uma parada eleitoral e aterrorizar os policiais à paisana, os skinheads e os integralistas com a imponência de uma propaganda puramente eleitoral. O resultado desta comédia foi o de que, quando cerca de 50 elementos da direita partiram para dentro da manifestação com gás de pimenta, bombas de efeito moral, cassetetes e uma ou outra faca, a esquerda se dispersou rapidamente e não apenas não enfrentou a violência como procurou evitar que outros, como os militantes do PCO, que já esperavam por esta ação, reagissem a ela. Um militante do PCO foi contido por um segurança do PSTU para que não reagisse à provação direitista. Essa política parlamentar, de crença na conciliação permanente, no pacifismo e na superioridade moral da democracia conduziu a passeata, que seria uma vitória segura da esquerda, a um empate. O movimento nacional O movimento nacional foi detonado pelas mobilizações de S. Paulo e pela repressão policial, particularmente depois do dia 13 de junho. O movimento todo tinha muita semelhança com o de S. Paulo, a começar pela ampla presença da juventude. Em Minas Gerais, era totalmente dirigido contra o governo do PSDB, que reprimiu com brutalidade as manifestações. No Rio de Janeiro incorporou uma parcela ainda maior da população proletária e, embora a presença da direita também se manifestasse no meio da confusão e desorientação geral, esta presença estava mais diluída. Também, em todos os estados, atendendo ao apelo carnavalesco da imprensa capitalista, as bandeiras brasileiras apareciam em número considerável, sublinhando ainda mais a falta de orientação da manifestação toda. Em muitos lugares, o movimento assumiu claramente também a bandeira de luta pela revogação das tarifas e em várias cidades foi vitorioso ainda antes do de S. Paulo. Em geral, o objetivo das manifestações era o de protestar diante das sedes dos governos municipais e estaduais, evidenciando a falácia divulgada pela imprensa de que o movimento seria contra o governo nacional do PT. Em vários lugares, Belo Horizonte em particular, o movimento dirigiu-se aos jogos da Copa, além das sedes dos governos. Para a máquina de desinformação da imprensa, isso seria uma demonstração de um repúdio à Copa do Mundo no Brasil por parte da população, uma rematada sandice, propagada intencionalmente em uma campanha orquestrada contra a Copa do Mundo pela direita para impedir que o governo use na sua demagogia eleitoral a Copa do Mundo como elemento decisivo na eleição de 2014 que será realizada imediatamente após a competição. Na realidade, os manifestantes buscam utilizar o fato de que a Copa atrai a atenção

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popular para protestar e mostrar as suas reivindicações. Outro dado importante é que o governo do PSDB proibiu qualquer tipo de manifestação em 800 cidades do Estado, o que cria automaticamente um movimento contra a repressão policial-estatal. A tendência que se verifica neste momento é a de que, na maioria dos lugares, o movimento comece a refluir no plano imediato, em função do seu término em S. Paulo, o que se dará em ritmos desiguais em cada lugar e dependendo sobretudo da repressão policial, principalmente em BH e Rio de Janeiro. A revolução dos eleitores: “contra todos os partidos” A improvisação e o desespero podem ser os piores conselheiros. Para desarmar a bomba prestes a explodir após o dia 13 de junho, a direita, apoiada pelas redes de TV direitistas, lançou duas palavras de ordem completamente sem sentido. De um lado, cartazes muito cuidadosamente improvisados diziam “contra todos os partidos”, e alguns grupos gritavam “o povo unido não precisa de partido”. São palavras de ordem completamente sem sentido, porque até mesmo os regimes ditatoriais mais bonapartistas acabam tendo uma organização partidária e um programa que lhes deem alguma coerência. O funcionamento da sociedade política sem partidos é logicamente uma fantasia delirante própria dos anarquistas e dos fascistas, manifestações políticas da pequena-burguesia encurralada pelo capitalismo e do individualismo tipicamente pequeno-burguês. A experiência histórica, porém, nos mostra que o fascismo no poder substitui os fascistas “sinceros” pelas mais burocráticas máquinas partidárias e estatais de que se tem notícia, apoiadas na monstruosa burocracia das forças armadas. Já os anarquistas acabam a reboque dos partidos democráticos (I Guerra Mundial, Revolução Espanhola de 1936) ou se diluindo nos partidos revolucionários (Revolução Russa de 1917), mas nunca conseguem ter um verdadeiro papel independente que consiste na criação de uma terceira via entre a revolução e a contrarrevolução, entre a burguesia e o proletariado. No caso específico do Brasil, sequer se poderia pensar em tal coisa, que significaria impedir forças sociais poderosas como os capitalistas e a classe operária de se organizar politicamente para fazer valer os seus interesses. Somente uma ditadura muito brutal, baseada, no entanto, em um regime de partido único, cujas frações seriam partidos dentro do partido, poderia conseguir realizar este feito e, mesmo assim, de forma falaciosa. Fato significativo é que cerca de 85% da população votaram na última eleição e naturalmente votaram em algum partido, porque o regime político brasileiro, antidemocrático, não permite candidaturas sem partido. Se tais palavras de ordem fossem realmente a política que domina o povo, como apresentaram, teríamos praticamente uma revolução dos eleitores contra si mesmos. Não temos dúvida de que, na próxima eleição, a esmagadora maioria dos que

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estiveram na manifestação irá votar em candidatos de algum partido. Há sempre, entretanto, alguma razão mesmo na pior loucura e em política, que é uma manifestação essencialmente prática do mundo real e material, as fantasias não podem ser colocadas em prática e se tornam, por este motivo, quando se tenta colocá-las em prática, em uma outra coisa, independentemente da vontade de quem a formulou, compatível com o mundo real. Nesse sentido, a fantasia e loucura políticas têm que ser interpretadas para descobrir a qual realidade estas fantasias correspondem no mundo real. No mundo real, as coisas se passam da seguinte maneira. Os partidos burgueses tradicionais, várias vezes reciclados, como se fossem papel velho, estão completamente esgotados e são rejeitados, não pela manifestação e sim pelo eleitorado. Os partidos de direita são os mais abalados. Um dos aspectos centrais de qualquer processo revolucionário em desenvolvimento é o fato das massas ultrapassarem os partidos tradicionais da burguesia, em primeiro lugar os mais conservadores, mas também os liberais, democráticos e reformistas. No Brasil, este processo está muito desenvolvido porque os partidos fundamentais da burguesia, em primeiro lugar o PMDB, se esgotaram durante o governo Sarney quando tiveram que enfrentar a classe operária em ascenso de 1983 a 1989. O único partido que ainda mantém autoridade sobre as massas é justamente o PT. A luta contra todos os partidos, contra o partidarismo em geral, é a luta dos partidos que foram completamente rejeitados pelas massas contra os partidos que não foram. Se a burguesia não consegue dizer, “largue o PT, venha para o PSDB”, então ela diz, “largue todos os partidos, todos são maus”. É um velho truque da política burguesa que leva ao bonapartismo, ao golpe de Estado e ao fascismo. Toda a campanha da direita nas manifestações, incluindo a proposta do senador Cristovam Buarque de dissolução de todos os partidos, apontam imediatamente para que a eleição de 2014 seja feita em torno de indivíduos e não de partidos, ou seja, para o reforço do tradicional sistema político brasileiro que se caracteriza pela incapacidade da burguesia de construir partidos nacionais sólidos. A formação do partido Rede da Sustentabilidade – que já busca se disfarçar eliminando o partido do nome – é parte dessa manobra para atrair o voto da classe média despolitizada e confusa, para dividir o voto contra a direita e permitir a vitória da direita. Abaixar as bandeiras ou lutar por um partido operário A esquerda pequeno-burguesa, cuja grande arte política é ver tudo do ponto de vista eleitoral e parlamentar apesar da sua escassa capacidade eleitoral, já lançou a sua tradicional política de mimetização diante da ofensiva da direita. Se “as mani-

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festações” rejeitam os partidos, vamos abaixar as bandeiras. Se “o povo” não quer partido, vamos ser partidos que sejam o menos possível partido. Esta camaleônica falta de personalidade da esquerda pequeno-burguesa é uma característica inerente a este tipo de esquerda. Nisso são uma caricatura da política burguesa que procura manipular o eleitorado em função dos seus interesses de classe, mas não sacrificar os seus interesses para se adaptar ao eleitorado. Este instinto para a mimetização, porém, impede a esquerda pequeno-burguesa de ver o lado dinâmico da situação de crise que levou a direita a um ataque frontal a todos os partidos e entregou o jogo, mostrando ao mesmo tempo que o ataque a todos os partidos é fundamentalmente um ataque aos partidos “vermelhos”. De um lado, a burguesia colocou na mesa o debate do partido e mostrou, para os mais esclarecidos, que a luta contra a organização partidária é uma luta central para ela. Em segundo lugar, levou a questão do antipartidarismo da pura retórica demagógica para a prática mostrando que a conclusão lógica do antipartidarismo é a ditadura e o golpe, esclarecendo assim ainda mais a questão. Em terceiro lugar mostrou que sem organização política, uma organização que não é apenas e nem essencialmente eleitoral, não é possível enfrentar o que a burguesia está cozinhando no seu caldeirão de bruxa: a ação fascista violenta contra todas as organizações operárias e democráticas. A conclusão inevitável destes fatos é que torna-se necessário construir um partido, na medida em que o PT não cumpre efetivamente este papel e é, claramente, o principal responsável, com a sua política de conciliação de classes, pela ofensiva da direita e pelo enfraquecimento das organizações operárias e democráticas. A proposta de frente de esquerda para defender o movimento de luta contra as agressões fascistas foi recebida por uma ampla camada de militantes com entusiasmo e expressa a tendência geral a construir um partido operário, mas, fundamentalmente, um partido operário de ação e não eleitoral, vale dizer, um verdadeiro partido operário, um partido revolucionário. As necessidades da luta vão servir para esclarecer de maneira cabal este problema e dar lugar a um partido operário que reúna todo o ativismo da juventude e da classe operária. A questão do partido está colocada integralmente na ordem do dia. “Vandalismo”: o nome da burguesia para a luta revolucionária das massas Se houve um tema que se manteve constante em todas as etapas da manifestação e que foi unânime, da esquerda pequeno-burguesa à extrema direita, passando pelo governo do PT, foi o do “vandalismo”, ou melhor, da condenação do “vandalismo”. O tema em si é muito pouco complexo e foi esclarecido até mesmo através do humor. Algumas mensagens da internet mostravam um quadro da Revolução Francesa, no dia histórico da derrubada da Bastilha e dizia, “derrubar a Bastilha

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não! É vandalismo, bora fazer uma petição online!”. Uma outra mostrava nos levantes do Leste Europeu, a cabeça de uma estátua de Stálin, enquanto um manifestante dizia para o outro: “a estátua do Stálin é patrimônio público”. É uma crítica perfeita ao cinismo, à hipocrisia da burguesia, da polícia e dos governos e à atitude beata da esquerda pequeno-burguesa que fala em revolução, mas chora quando vê uma janela estilhaçada. Já Marx havia ensinado coisa muito diferente quando assinala, durante a Revolução Alemã de 1848, que os revolucionários não deveriam conter as massas quando estas se põem a destruir símbolos do regime etc., mas estimulá-las. Um argumento particularmente cretino – uma palavra que Marx usava saborosamente contra a esquerda pequeno-burguesa da sua época – é o de que o suposto vandalismo é obra de pequenas minorias, dando a entender que seria apoiado e legítimo se fosse de uma maioria. Nesse caso, não seria melhor propor a expansão do vandalismo ao invés de condená-lo? Deixando de lado os argumentos de tipo parlamentar, o problema é simplesmente que o temor da burguesia ao “vandalismo” é um disfarce do pavor de que as massas passem da manifestação “pacífica”, ou seja, inócua, à ação violenta e revolucionária. A ação violenta, como somente poderia ser, partiu da juventude, em particular de um setor proletário da juventude, mais decidido e radical. É a expressão da evolução da luta geral para métodos mais eficazes superando a política puramente parlamentar da esquerda pequeno-burguesa. Em grande medida, o movimento foi vitorioso graças aos “vândalos” que reagiram como puderam à repressão policial. O medo dos governos estava em que estas ações se generalizassem com a ocupação de edifícios públicos e um agravamento da crise política. Basta conferir quantas vezes os órgãos da imprensa do grande capital e da direita usaram as expressões “paz”, “manifestação pacífica”, a qual foi considerada logicamente “linda”. O mesmo cenário havia se reptido na USP, onde o governo do Estado queria usar de máxima violência policial contra os estudantes e colocar a universidade em Estado de Sítio, mas a reação estudantil somente poderia ser absolutamente pacífica, ou seja, os estudantes teriam que baixar a cabeça diante da repressão, o que não é apenas contrarrevolucionário, mas indigno. Foi apenas a atitude dos “vândalos” que colocou em xeque a ditadura do PSDB. A esquerda pequeno-burguesa, do PSTU e do Psol também aí condenou o “vandalismo” de uma minoria que segundo eles não teria sido aprovada pela maioria, que supostamente seriam eles. Embora seja um truísmo, para usar um anglicismo tão de acordo com a nossa época, é preciso dizer: não há revolução sem violência. E mesmo que os revolucionários fossem mais exageradamente pacíficos do que são, a burguesia nunca lhes permitiria o luxo de uma revolução pacífica e os faria dançar conforme a mú-

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sica ou perecer. Somente preconceitos arraigados podem levar alguém a pensar de forma diferente depois de tantas manifestações da própria burguesia. Nesse sentido, não faz sentido ignorar a presença da violência na sociedade e sim compreendê-la e preparar-se conscientemente para ela. Nesse sentido, se a ação dos “vândalos” é desorganizada, deve ser organizada. Se a ação dos “vândalos” é sem objetividade, deve ser fornecido um objetivo claro. Se a ação dos “vândalos” é minoritária é preciso torná-la geral. E não combatê-la. A frente popular balança; cairá? Queremos que caia? Embora as manifestações não sejam fundamentalmente dirigidas contra o governo federal como quer a máquina de desinformação que é a imprensa capitalista, não há dúvida de que todo o regime político burguês foi sacudido e também a frente popular no governo. É importante assinalar o fato de que o principal aliado do PT, o governo do Rio de Janeiro, foi tão duramente atingido quanto os governos do PSDB de S. Paulo e Minas Gerais. Não se pode descartar que as manobras golpistas da direita conduzam à derrota do PT nas eleições, por meio de um golpe institucional ou por uma medida de força, principalmente porque a política do próprio PT colabora ativamente com as manobras da direita. Isso, no entanto, não deve ofuscar a questão central que é da crise da direita e a sua cada vez maior incapacidade não apenas para governar em geral, mas para impor a política de ataque às massas. A vitória do passe livre em S. Paulo é a maior demonstração da fraqueza da direita para impor esta política. Diante desse quadro, qual deve ser a política da classe operária? Parte da esquerda chegou à conclusão, desmentida de maneira contundente pelos recentes acontecimentos de que não havia mais direita no país, de que o PT havia agrupado toda a burguesia detrás de si, que os partidos de oposição eram um tigre de papel etc. Alguns foram inclusive ao extremo de dizer que, se houvesse algum golpe no Brasil, ele partiria do PT. Vimos a mesma posição em relação a todos os governos nacionalistas latino-americanos e, no caso recente da Venezuela, o PSTU nos esclareceu que não havia golpe e nem mesmo “dinâmica golpista”. No Brasil, alguns grupos como o Psol não conseguiram ainda chegar a uma conclusão a respeito e assinalam claramente a necessidade de manter uma frente com os elementos que, em S. Paulo, atacaram os “comunistas” dentro das marchas e pregavam o golpe militar. Segundo eles, é o “povo” naturalmente confuso e que é preciso esclarecer. Não há dúvida de que o esclarecimento seja sempre necessário, mas não atua em favor da clareza fechar pura e simplesmente os olhos à ameaça da direita e, mais ainda, participar da campanha “contra a corrupção” que somente pode ter como beneficiário o grande capital e a direita que se opõe ao PT.

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Um dos argumentos mais extraordinários apresentados por esta esquerda pequeno-burguesa é o de que “não podemos deixar a luta contra o PT para a direita e, em particular, não podemos deixar a bandeira de luta contra a corrupção para a direita”. Todos estes argumentos apenas provam que estamos diante de uma esquerda que não aprendeu o abc da luta política de classe e revolucionária. Não compreenderam que a luta de classes não é uma cruzada moral, mas que o programa e as bandeiras de agitação que se depreendem dela servem justamente para agrupar militantes e as massas em um sentido determinado. A bandeira da pseudo-luta contra a corrupção serve apenas para organizar a clientela política dos corruptos de direita contra a esquerda corrupta ou não. Usado no interior do movimento operário e da juventude não passa de um elemento de confusão. Este princípio elementar da luta política foi provado nas manifestações. Se a esquerda pequeno-burguesa moral continuar acompanhando a agitação política da direita não estará disputando com ela a propriedade da luta contra o PT, mas sendo absorvida pela direita. Isso ficou demonstrado na posição da esquerda diante do julgamento do mensalão, onde sacrificaram a luta democrática para levar adiante a miragem da luta contra a corrupção. O julgamento do mensalão buscava enfraquecer o PT, criar uma plataforma eleitoral para a direita, criar novas lideranças direitistas (Joaquim Barbosa) e tudo o que foi obtido foi isso. Para o movimento operário e para a esquerda ficaram o reforço da repressão dos julgamentos arbitrários. O mesmo se dá agora com a luta contra a PEC 37, que diminui o poder do Ministério Público, supostamente, para reprimir a corrupção. Ao fazer eco desta outra campanha da direita, a esquerda pequeno-burguesa reforça o poder repressivo de um organismo não eleito pelo povo para cometer ainda mais arbitrariedades. Nesse caso, a campanha nada mais é que um fortalecimento da repressão geral do Estado contra o povo. A luta contra a corrupção não é uma luta do movimento operário, que não defende ideais abstratas que não podem ser colocadas em prática na realidade, mas os seu próprios interesses materiais. A denúncia da corrupção, que deve ser feita contra o regime burguês de conjunto e não apenas contra a esquerda do regime, esquecendo a direita, é um meio para mostrar a necessidade de intensificar a luta pelos seus próprios interesses e não para exaltar o espírito moral da classe operária. E, finalmente, como tudo o que não é real, a luta contra a corrupção é pura demagogia eleitoral e é isso o que mais seduz a esquerda pequeno-burguesa que não resiste à tentação de tomar carona na campanha eleitoral da direita contra a poderosa máquina eleitoral do PT. Outro mito que deve ser completamente desfeito é o de que a luta da classe operária é contra o governo. Já a formulação é essencialmente eleitoral e encobre o problema de classe. A classe operária luta contra a burguesia, contra o regime político burguês em seu conjunto e contra os governos burgueses. O antigovernismo pequeno-burguês serve apenas para se alinhar ao partido de oposição bur-

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guesa mais forte do momento. A classe operária e seu partido devem lutar, ao mesmo tempo, contra a direita e a esquerda da burguesia, mas não deve confundir os dois. Chávez não é igual a Capriles e Lula não é igual a Serra, Alckmin e FHC. Nós combatemos os movimentos nacionalistas e frente-populistas sempre pela sua incapacidade de combater a direita, pelas suas alianças com a direita, por colocar em prática a política da direita quando esta não é capaz, cobrando deles as posições esquerdistas, em grande parte demagógicas, com as quais pretendem atrelar as massas. Dizer que Lula é igual ou pior que Serra serve apenas para desmoralizar quem diz isso e a própria ideia de independência política em relação ao PT e à frente popular. Se a esquerda revolucionária não combater os ataques da direita contra as pequenas realizações da esquerda burguesa, como irá convencer militantes e o movimento dos trabalhadores que fará grandes reformas através da revolução? A crítica à esquerda burguesa também não é, como assinalamos acima, uma cruzada, mas um instrumento para ajudar as massas a superar as limitações da esquerda burguesa e para organizar um movimento independente. Nossa luta não é imediatamente pela derrubada do governo PT, embora não sejamos responsáveis pela sua continuidade ou não, mas para organizar os trabalhadores e juventude em uma poderosa força independente da esquerda burguesa e da frente popular, capaz de derrotar a direita e de colocar em pauta a luta pelo poder. E agora? O desenvolvimento das manifestações defronta-se com o problema crucial da falta de organização e da falta de uma orientação política e até mesmo reivindicativa clara. Em outras oportunidades, tais movimentos que eram mais coerentes e concentrados, mas não tão amplos, serviram fundamentalmente como um estopim de uma nova etapa de lutas e de desenvolvimento revolucionário da classe operária. Em 1977, meses de intensa agitação estudantil que começaram em S. Paulo e se tornaram nacionais, deram lugar ao início do ascenso operário que liquidou de fato com a ditadura tendo como centro as greves do ABC. Em 1983, após três anos de recessão, para tomar os exemplos que correspondem à atual etapa política, impulsionado por uma manifestação do movimento dos desempregados invadiu a sede do governo estadual nos primeiros dias do governo do PMDB de Franco Montoro e deu lugar a uma semana de quebra-quebras em S. Paulo, para ceder lugar em seguida ao crescimento do movimento grevista, que realizou duas importantes greves gerais e depois à campanha das diretas e, enfim, ao amplo movimento grevista revolucionário de 1985-89. A campanha do Fora Collor, também começada pela juventude estudantil, a partir da campanha política da burguesia

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na imprensa capitalista, levou à queda de Collor, à manobra da posse de Itamar e a toda a crise que foi fechada com o Plano Real e a eleição de FHC dois anos depois. A crise interna da burguesia é certamente, como fato histórico, o maior estímulo para a explosão inicial das mobilizações populares. Nesse caso, a intensa luta entre os defensores do PT e a direita, uma clivagem no interior do bloco burguês, tem acirrado a disposição dos setores pequeno-burgueses, em primeiro lugar a juventude estudantil, tanto de esquerda, amplamente majoritário, como de direita. Um prognóstico seguro consiste em que, embora a atual onda de mobilização reflua, em função das suas limitações atuais, este refluxo é um intervalo necessário para a mudança de forma do movimento, necessária para que possa se expandir e se consolidar. Seguindo os exemplos anteriores, por analogia, podemos concluir que o movimento reaparecerá na forma de movimentos parciais de setores mais organizados, com reivindicações definidas, como foi o movimento do passe livre, incorporando a insatisfação manifestada amplamente em um movimento objetivo e organizado ou, pelo menos, mais organizado. Para isso, torna-se necessário discutir um programa concreto que ataque os problemas reais das massas e que combata a pseudo-luta contra a corrupção. Contra o crescimento da inflação, luta por aumentos salariais, salário mínimo vital, escala móvel. Contra as demissões, advindas da recessão, redução da jornada, salário desemprego, escala móvel etc. Contra a carestia em geral, reestatização de todos os serviços públicos, controle das empresas. Reforma agrária, luta contra a repressão e em defesa dos direitos democráticos, liberdade sindical, direito de greve etc. Liquidação dos mecanismos antidemocráticos do regime político, fim do senado, câmara única, congresso proporcional, liberdade de organização partidária, eleição do judiciário etc. Este conjunto de reivindicações deve apontar sistematicamente para o fim do monopólio político da burguesia na forma de luta por um governo dos operários, camponeses e do povo, de um governo dos trabalhadores, sem a participação da burguesia, seus partidos e seus dirigentes. Em todo este movimento é preciso sublinhar incansavelmente a crise terminal capitalista e o fato de que a manutenção da propriedade privada é o principal obstáculo à resolução dos problemas do país. Sobre esta base, deverá surgir através das etapas da luta um partido operário amplo, que agrupe os principais sindicatos e militantes operários e da juventude, os movimentos de mulheres, agrários, de negros etc. Para isso, é preciso lutar por uma imprensa independente e denunciar a imprensa capitalista reacionária e golpista. Este é o sentido geral da luta revolucionária na etapa atual.

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Eles passarão... se nós deixarmos

A manifestação da quinta-feira, dia 20, em São Paulo, encheu-se de bandeiras vermelhas de vários partidos de esquerda, colocando completamente na sombra o estelionato das bandeiras brancas e verde-amarelas que a Globo e o cartel de televisões capitalistas mostrava com exclusividade na última manifestação. A manifestação massiva da esquerda, que contou inclusive com os militantes de base do PT, convocados pela sua direção, foi a resposta de toda a esquerda à tentativa da direita de expulsar das manifestações os partidos de esquerda explorando a reacionária e despolitizada palavra de ordem de “não aos partidos”, que se tornou a palavra de ordem número um da direita fascista que se infiltrava nas manifestações depois que o seu aparato militar ficou completamente desmoralizado com a violenta repressão do 13 de junho. Os fascistas são uma minoria de neonazistas e policiais à paisana, acobertados pela PM e apoiado por um minoria de elementos pequeno-burgueses conservadores que estão nas manifestações para desopilar sua farisaica indignação moral e não para travar nenhuma luta política real. Estes pequenoburgueses desesperados e sem rumo sempre foram e são a massa de manobra do fascismo, de onde o mesmo retirar o seus atividades e que lhe serve como caixa de ressonância. Neste momento há uma maior quantidade de poeira e fumaça fascistóide no ar porque a esquerda pequeno-burguesa, que nunca se cansa de usar truques demagógicos e despolitizados para suprir a sua falta de uma política coerente, passou muito tempo alentando a despolitizada ideia de que os partidos

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realmente são um mal nos sindicatos e organizações estudantis, flertando com um anarquismo inconsequente e conservador. Na manifestação de ontem, esta minoria novamente se fez presente, atacando diretamente a manifestação com gás de pimenta e bombas de efeito moral (precisa dizer mais?) e colocando a esquerda despreparada para correr quando tinha tudo para esmagar este broto de fascismo. Ficou claro também que esta era uma jogada casada com as TVs, as quais não mostraram a manifestação vermelha, nada disseram sobre a agressão fascista e, no final, da noite, procuraram apresentar um punhado de pessoas como sendo a própria manifestação, mas tendo como eixo principal “a luta contra a corrupção”. Não conseguiram o seu objetivo. Durante a agressão, uma cena também familiar, a PM que estava lá fazia de conta que nada via. Cenário que o mundo vê desde as ruas da Itália e da Alemanha nos anos 20 e 30 até os dias de hoje. Ficou claro o conluio tradicional que choca o que foi chamado o ovo da serpente do fascismo: grandes empresários, governos de direita, o aparato policial, o monopólio capitalista da imprensa. Manifestantes gritavam ontem: “não passarão”. O grito de guerra do stalinistas na Revolução Espanhola de 1936. Ali, apesar do heroísmo da classe operária e das massas, eles passaram. Para as direções, não para os militantes, este grito era uma bravata demagógica, não um chamado para a luta. Temos alertado a esquerda e a classe operária brasileira para o fato de que crescem as tendência golpistas na América Latina, impulsionadas pelo imperialismo, em primeiro lugar o imperialismo norte-americano. O caso da Venezuela é um alerta estridente como um apito de fábrica, mas muitos não querem ouvir. Outra parte da esquerda está obcecada pelas eleições, além do fato de que são os crentes atordoados da farsa democrática que não garante nenhum direito real (USP, dia 13, perseguição das greves!) mas serve como conveniente cobertura para a direita. Servirá também como cobertura para o crescimento do fascismo, porque o fascismo não se opõe à democracia burguesia, mas é o seu filho mais querido. Outro inimigo mortal da esquerda é a política do Cavalo de Tróia, a aliança com a burguesia. Grande parte da esquerda pequeno-burguesa é partidária desta política, a começar pelo partido que está no governo e se estendendo até Psol e PSTU (Belém, Macapá). As frente populares, por um lado, e o fascismo por outro são as armas fundamentais da burguesia em tempo de crise. As frentes populares anestesiam o povo para os cirurgiões (ou açougueiros) do fascismo operarem. Servem também com a sua política oportunista, sem resultados reais para as massas, de demagogia e, inclusive de corrupção, para criar um alvo para demagogia fascista. Eles não passarão… se nós não deixarmos. Eles são uma minoria ínfima hoje, desesperada,mas se não forem enfrentados e esmagados, crescerão e passarão.

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Para isso, é preciso uma política clara. No entanto, não é preciso inventar nenhuma nova e sábia fórmula política. Um homem genial explicou a fórmula para combater este fenômeno inevitável da sociedade capitalista em crise. É preciso unir a esquerda, saber que há uma esquerda e uma direita, mesmo que parte da esquerda seja oportunista, safada e corrupta. Com este chamado vamos unir o trabalhador e o estudante para esmagar a direita e o fascismo. Não são precisos acordos de nenhum outro tipo, a não ser o de auto-defesa das organizações operárias e de esquerda e das manifestações. Em 1932-33, quando Hitler subiu ao poder, essa fórmula elementar não foi ouvida. Vamos ouvi-la agora. Outra coisa da maior importância. É preciso deixar completamente de lado qualquer ideia de pacifismo besta contra os bárbaros fascistas a serviço do capital. Como disse o mesmo LeonTrótski, com o fascismo não se discute. Nossa proposta é simples: até uma criança pode entendê-la: unir TODA a esquerda para defender as organizações e manifestações operárias, populares, de esquerda, de mulheres, do campo, de negros, de todos os oprimidos contra a direita fascista.

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“Juntos”… com a extrema direita

A tentativa golpista da burguesia de sequestrar as manifestações da população após a repressão à marcha pelo transporte do dia 13 de junho em S. Paulo encontrou um eco cristalino em pelo menos uma organização da esquerda nacional. Uma ala do Psol, o Movimento Esquerda Socialista (MES), cuja juventude também atende pelo nome de Juntos saiu em defesa clara do golpe, aplaudindo a tentativa da direita de transformar a luta popular em uma manifestação contra a corrupção, contra o governo do PT etc. em nome de que seria uma manifestação de setores que agora estão ganhando uma consciência política. Da mesma forma que a Rede Globo e o monopólio privado dos meios de comunicação ocultam a presença em todas as cidades da extrema-direita, organizada pela polícia e pelo PSDB para dar a entender que estes são a  verdadeira voz do povo. Em S. Paulo, após a quinta-feira, 13 de junho, o crescimento da participação popular, impulsionado claramente pelo repúdio à violência da polícia de Alckmin, tornou o ato massivo, mas também muito mais confuso e heterogêneo. Um pequeno grupo de direita, extremamente agressivo e visivelmente agindo de maneira concertada iniciou imediatamente uma ofensiva contra a presença da esquerda nos atos (aí incluído o próprio MES!) com a palavra de ordem de “fora os partidos”, a qual foi sublinhada por um grupo de bate paus completamente organizado para expulsar a esquerda do ato pela força. O que nem o Juntos nem a TV disseram em momento algum é que a manifestação de S. Paulo foi levada

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adiante justamente por aqueles que estas gangues queriam expulsar dos atos e contra o governo Alckmin, que reprimiu violentamente o movimento. A falta de ação da esquerda e a passividade da maioria dos que integraram o movimento de maneira amorfa a partir da segunda-feira permitiu tanto a violência contra a esquerda como a farsa de transformar uma enorme mobilização contra a repressão do PSDB em uma manifestação a favor das palavras de ordem do PSDB, como a luta contra a aprovação da PEC 37. A colaboração da imensa rede de falsificação que é o monopólio fascistóide dos meios de comunicação capitalista foi essencial para a montagem da farsa. Os direitistas infiltraram-se na marcha que até três dias antes estavam pedindo que fosse duramente reprimida pela polícia para exibir, em proveito da máquina de falsificação das redes de TV, cartazes que diziam claramente que R$ 0,20 não era nada, que a luta era contra Dilma (?), falar contra a Copa do Mundo (uma outra campanha orquestrada pela direita), defender a redução da maioridade penal, atacar a luta contra o aborto e, logicamente, pedir que os “partidos” saíssem da manifestação. As manifestações transformaram-se, em grande medida em uma farsa manipulada pela direita onde a esquerda era agredida e a maioria usada como cenário de figurantes. Em S. Paulo, a farsa foi desmascarada na prática duas vezes. Na manifestação do dia 20, onde a presença da esquerda com bandeiras vermelhas desfraldadas era esmagadora e no dia seguinte, quando não foi convocada manifestação e os “contra partido”, apesar da sua suposta tão grande popularidade não conseguiram mobilizar absolutamente ninguém. Para desmascarar esta farsa, é preciso ater-se ao fatos tão somente. Dentro da esquerda, há uma parcela de organizações que há muito vêm fazendo uma aliança informal com a direita fascista nacional, como o PSTU e o Psol, uma polítia suicida e criminosa. Diante da revelação espantosa, para eles, de que a direita existe e é uma direita violenta e fascista (como toda direita) que não quer varrer do mapa apenas o PT, mas toda a esquerda e, consequentemente, o movimento operário, alguns se calaram acabrunhados. Ficou patente a ameaça golpista e fascista e a organização desta direita para usar o PT como instrumento para impor uma derrota a todo movimento operário e popular. Somente pessoas completamente ofuscadas pelos preconceitos políticos podem deixar de ver que esta manifestação, ainda que improvisadamente, foi um pequeno ensaio de golpe de Estado. A direita conseguiu de fato destruir a tendência de luta real e usar as sobras como propaganda contra o governo do PT. O Juntos, porém, não se calou, mas tratou de festejar, apoiar a farsa e fazer eco com a campanha da Rede Globo e com o golpe articulado pelas forças de direita. Temos alertado sistematicamente contra a tendência golpista de uma direita

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sem voto e sem apoio popular algum. Os acontecimentos da Venezuela mostraram claramente qual é a pauta do imperialismo norte-americano e da direita para a América Latina. Parte da esquerda fecha os olhos a esta realidade por que está cooptada política e ideologicamente pela burguesia, pela direita e pelas campanha da imprensa golpista. Uma das características desta esquerda, que é nitidamente uma esquerda pequeno-burguesa que se disfarça com a bandeira inclusive do trotskismo, é o seu apego às campanhas morais da direita como a luta contra corrupção, uma das maiores farsas que este país já viu até hoje. Se a campanha histórica do lacerdismo e da UDN contra o PTB varguista e o PSD também varguista nos anos 40 e 50 podia ter alguma sombra de credibilidade porque o perfil dos udenistas era relativamente desconhecido de muitos, aceitar nos dias de hoje, os herdeiros da ditadura como representação da politica “honesta” é demais até para os mais imbecis. O Juntos comprou a luta da direita contra a PEC 37, no que faz eco com uma campanha policialesca que visa a iludir a população para criar instrumentos para o golpe de estado como já vimos no caso do STF. Na sua incapacidade de controlar o Congresso, onde é ínfima minoria no momento, e o executivo, ambos dependentes do voto popular, por mais manipulado e falsificado que seja, a direita golpista busca usar o Judiciário – que ninguém elegeu – para organizar a sua ofensiva contra o governo eleito. Apoiar esta política é transformar-se pura e simplesmente na quinta roda do golpe de Estado da direita. Organizações como o MES e o Juntos são um Cavalo de Tróia da direita dentro do movimento popular, tão infiltrados como os direitistas que atacaram e tentaram sequestrar as manifestações. É preciso denunciar energicamente esta política e organizar o movimento popular em torno à luta contra a direita e a burguesia e o regime burguês do qual o PT, com a sua política frente populista, não passa de uma conveniente cobertura.

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Anexos

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Aumento da tarifa no transporte

Revogado! Os governos revogaram o aumento das passagens em São Paulo e Rio de Janeiro na quinta-feira, 20 de junho Foi anunciado no início da noite dessa quinta-feira que tanto S. Paulo como Rio de Janeiro revogaram os aumentos nas passagens. Pouco depois foi a vez de Campinas revogar. Esta decisão reconhece o poder da mobilização popular que o movimento iniciou há aproximadamente um mês. Foram seis atos de protesto, sendo que o de quinta-feira passada foi enfrentado com a mais dura repressão pelo governo Alckmin. A vitória do movimento é uma enorme lição, em vários sentidos. Em primeiro lugar mostra que um movimento que defende tenazmente as suas reivindicações, inclusive contra a repressão pode ganhar amplo apoio popular e sair vitorioso. Em segundo lugar, expõe a natureza dos governos da burguesia como o de Geraldo Alckmin e Fernando Haddad. Não adianta esperar pela sua boa vontade, é preciso forçá-los e como o movimento operário e popular já aprendeu há muito tempo, eles somente entendem a linguagem da força. A parte decisiva da vitória se deve aos verdadeiros lutadores deste movimento que, em muitas oportunidades, enfrentaram a violência policial com a violência que podiam usar e foram chamados de “criminosos”, “vândalos”e “baderneiros”. Os governos têm que aprender que o pavio que explode a insatisfação popular está cada vez mais curto. Esta vitória é promissora e aponta para um amplo desenvolvimento das lutas operárias e populares e novas vitórias. Não temos dúvida de que na próxima etapa, a classe trabalhadora vai se manifestar através de um amplo crescimento das greves. É preciso acabar com a força repressiva do Estado, organizar a classe trabalhadora e a juventude para lutas maiores, a começar por pedir a derrubada do governo do PSDB em S. Paulo. A luta contra os 0,20 não esgota nem mesmo a pauta da própria luta do transporte que busca o passe-livre, a tarifa zero e a estatização do transporte público. E, embora, a luta não tenha terminado e tenha muito caminho a percorrer, nós que lutamos temos o direito soberano de gritar: VITÓRIA!

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V de Vitória, V de Vermelho A direita tentou, como bons estelionatários profissionais que são, confiscar a luta popular duramente construída pela esquerda. Nós, do Partido da Causa Operária, e outras organizações claramente da esquerda como o MPL, estamos neste movimento há anos, enfrentando os governos e a polícia, procurando organizar o povo para conseguir uma vitória neste terreno fundamental para a classe operária e a juventude que é o transporte gratuito. Segundo a direita, R$ 0, 20 não é nada. Não vale uma mobilização. Isso porque a direita é composta dos elementos abastados da sociedade que vivem às custas do que trabalham, não precisam economizar R$ 0,20. Para um operário, a história é outra. Porém, do ponto de vista da economia, isso também é falso. Basta fazer uma conta muito simples. Se tomarmos os cinco milhões de usuários por dia do transporte público em S. Paulo, estes R$ 0,20 representam uma transferência, por baixo, de R$ 2.000.000,00 diariamente , se considerarmos que cada um utiliza apenas dois transportes por dia, ida e volta, do bolso do povo trabalhador pobre, que vive do seu salário, para as milionárias empresas de transporte. Em um mês são R$ 60.000.000,00 e em um ano R$ 720.000.000,00. Em 10 anos, só este único aumento significam R$ R$ 7.200.000.000,00 de reais, ou seja, sete bilhões e duzentos milhões de reais! Não é mesmo uma mixaria a transferência de renda da população assalariada aos vampiros do transporte? Este é o tamanho da vitória dos “vândalos”, “banderneiros”e “marginais”  que conquistaram estes 720 milhões por ano para a população. Os governos e partidos da “ordem” somente conseguem fazer uma reforma social como esta ao revés. Valeu cada tiro de bala de borracha, cada bomba de gás, cada cacetada da PM que os manifestantes enfrentaram, que nós enfrentamos. V de vitória. Mas este V não é nem branco, nem verde-amarelo, como a farsa do monopólio capitalista das comunicações quer dar a entender, este V tem cor e esta cor começa com V. É V de vermelho. A direita fascistóide, inclusive com agressões, sonhou em tirar os partidos de esquerda da manifestação e roubar do povo o seu próprio movimento para evitar a nossa vitória. Agrediram militantes e começaram a sua campanha fascistóide para abaixar as bandeiras vermelhas na manifestação como Fernando Collor já havia feito antes. Por isso, a esquerda, principalmente aquela esquerda que conquistou esta reivindicação, da qual faz parte, na primeira fileira, o Partido da Causa Operária e, principalmente, os integrantes da sua juventude, a Aliança da Juventude Revolucionária, os que estavam na rua na quinta-feira (13) enfrentando a PM, se

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concentrou, a partir das no MASP para participar unificadamente da manifestação do último dia 20 com as suas várias bandeiras, mas todas vermelhas. Companheiro de qualquer partido de esquerda, traga a sua bandeira vermelha, companheiro que não pertence a nenhum partido traga uma bandeira vermelha sem sigla. Vamos comemorar a nossa vitória e preparar a continuidade da nossa luta.

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“Vândalos”, “baderneiros” e “marginais” derrotam o governo “ordeiro” e beneficiam mais de 10 milhões de paulistanos A vitória do movimento do passe livre veio a desmentir completamente a campanha caluniosa do monopólio de imprensa capitalista e dos governos burgueses de Alckmin e Haddad. Desde o primeiro momento, este cartel caluniou o movimento como sendo um movimento criminoso. Ignoraram o caráter legítimo e reivindicativo do movimento e procuraram apontá-lo como uma quadrilha de marginais. O truque vem sendo usado contra todos os movimentos reivindicativos, particularmente contra o movimento estudantil da USP e de outras universidades que reivindicam o fim da ditadura nas universidades e melhores condições de ensino. A Tropa de Choque da PM – a mesma que deu o espetáculo de selvageria da quinta-feira passada colocou a USP em Estado Sítio, da mesma forma que a cidade toda foi colocada em Estado de Sítio. O motivo? Proteger os “ordeiros” e combater os “baderneiros”, “vândalos” e “marginais”. Na Unifesp tentaram a acabar coma ocupação da reitoria por meio da repressão. Promotores públicos exigiram da Justiça a condenação deste estudantes por formação de quadrilha, vandalismo, crimes contra o patrimônio etc. Este tratamento não é novo. São as supostas forças da ordem contra as forças do mal, os criminosos. O resultado final, no entanto, subverte completamente o raciocínio da reação política. Os “vândalos”  e criminosos derrotaram os “ordeiros” e, com isso, beneficiaram economicamente mais de 10 milhões de habitantes da terceira maior cidade do mundo. Esta vitória foi conseguida com os métodos que os “ordeiros” condenam, com a reação pela força ao uso da força pelo Estado. Os caluniados, que se recusaram a abaixar a cabeça diante da chantagem jurídica e moral benficiaram a esmagadora maioria.

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Fora Alckmin, abaixo a repressão Depois de reprimir barbaramente a manifestação do último dia 13 usando a tropa de choque e colocando a cidade sob estado de sítio, o governo do PSDB decidiu, apoiado na campanha da imprensa burguesa, "pegar leve" com a manifestação desta segunda-feira (17). A manobra do governo em crise é incapaz de reverter o estrago que já foi feito. A repressão às manifestações contra o aumento das passagens deixou centenas de feridos, alguns inclusive com sequelas graves. A tentativa de calar os protestos e impedir que novas manifestações avancem contra o governo permanece engatilhada com o uso de um número ainda maior de policiais à paisana, acompanhando as manifestações "por dentro", em substituição aos homens fardados normalmente destacados para escoltar as passeatas. A infiltração policial se intensificou na medida em que o governo Alckmin decidiu passar da repressão escancarada às atividades de provocação e espionagem. Com o coro orquestrado pela imprensa burguesa, a direita tenta disfarçar seus propósitos. Querem "suavizar" a repressão que fica escancarada quando os protestos se radicalizam e investem contra o governo. Querem fazer a população acreditar na fábula de que a polícia militar de São Paulo, a que mais mata em todo o mundo, seria pacífica e que os manifestantes nas ruas, realizando um protesto político, são os agressores. Por isso, é preciso dizer claramente que não vamos aceitar o engodo do governo. É preciso que o governo retire a polícia das ruas que não seja aberto nenhum processo contra os manifestantes detidos nas passeatas anteriores. A repressão desencadeada pelo governo Alckmin coloca em pauta a necessidade de afastar do poder aqueles que reprimem um protesto legítimo. A postura do prefeito, Fernando Haddad (PT), demonstrou que o PT e o PSDB são dois pilares de sustentação do regime político brasileiro. Depois de décadas de controle do PSDB sobre a maior cidade do País, os paulistanos conseguiram derrotar a direita nas últimas eleições mesmo com as fraudes eleitorais e a manipulação da imprensa capitalista e alguns chegaram a pensar que Haddad ia ser menos agressivo que o PSDB nos ataques à população. Não foi o que aconteceu. Devemos exigir todos a renúncia do governador do estado, que mandou a PM agir ilegal e brutalmente contra o povo. É preciso repudiar o PT, que está assumindo o papel da direita nos ataques à população. Fora Alckmin!

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Estatização do transporte público! Passe Livre já! A luta contra o aumento da passagem coloca em pauta uma necessidade sentida por toda a população: acabar com a mamata dos empresários que sobrevivem às custas do dinheiro público. Todos os anos, milhões de reais são gastos pela Prefeitura para sustentar as empresas de ônibus, que são deficitárias e não sobreviveriam sem o dinheiro público. Só no ano passado, foram mais de R$821 milhões nessa operação de entrega do dinheiro da população a empresas privadas. Em nível estadual, o governo do PSDB gastou mais de R$ 2 bilhões para construir a Linha 4/Amarela do Metrô e entregá-la de bandeja a um consórcio privado.
As Parcerias Público-Privadas (PPPs) das quais tanto PSDB quanto PT se orgulham de ter feito são apenas uma cobertura para o assalto aos cofres públicos promovido por empresas privadas que só querem saber do lucro. Conquistamos a redução da tarifa, que motivou os protestos realizados até agora, mas defendemos também, de maneira intransigente, todo o programa do movimento e o desenvolvimento dessa luta. Nesse sentido, reivindicamos a completa estatização dos transportes, a reversão da privatização daqueles que tenham sido entregues aos abutres capitalistas e o controle da população sobre os serviços públicos. - Redução do preço das passagens já!
- Fim do monopólio capitalista sobre os transportes públicos urbanos
- Estatização das grandes companhias de transporte
- Passe livre nos transportes!

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Não deixemos que imprensa burguesa manipule as manifestações A imprensa burguesa modificou seu discurso da quinta-feira, dia 13, para a segunda-feira, dia 17. Aparentemente, a mudança foi radical. A baderna, a arruaça, passou a ser considerada uma livre manifestação da democracia. Até quinta-feira, a orientação era chamar os manifestantes de baderneiros e de ignorantes, mostrando apenas vidros quebrados, lixo queimado. Procurou-se mostrar também que o movimento era despropositado e que era impossível reduzir o preço da passagem, alegando-se que, qualquer que fosse a redução, seria o próprio povo a pagar por ela. O discurso de ontem passou a ser o da “democracia”. O próprio governador, que vinha chamando os manifestantes de criminosos, passou a elogiar a manifestação, a democracia e a ordem com que ocorreram as passeatas. O comentarista do Jornal da Globo, Arnaldo Jabor, abandonou sua notória arrogância para “reconhecer” a legitimidade do movimento. É preciso, no entanto, ressaltar que essa mudança de discurso, provocada pela enormidade dessa última manifestação, não foi apenas um recuo. Tratase sim de um recuo, mas de um recuo planejado. A ideia era aproveitar-se do movimento para caracterizá-lo como um movimento ordeiro, contra a corrupção. Lemos, nessas palavras, um movimento contra o PT, contra a PEC 37. Vez ou outra, mencionou-se os gastos para a Copa do Mundo. A imprensa tenta passar a mensagem de que as reivindicações populares são contra o governo central e contra o PT.
E, quando a manifestação dirigiu-se contra o poder legislativo, com a tomada do Congresso Nacional, em Brasília, e o ataque à ALERJ, no Rio de Janeiro, essas movimentações foram tratadas com a mesma linguagem anteriormente usada contra todo o movimento. A jogada da direita, agora, é tentar manipular o movimento, colocando palavras de ordem nele, como “abaixo a corrupção”, “punição aos mensaleiros” e, com isso, atraindo grupos de direita para o movimento. No Facebook, por exemplo, já existe um abaixo-assinado pedindo a renúncia de Dilma. Fora isso, há ainda a ideia de tentar descaracterizar o movimento como um ato político. Algumas pessoas gritavam, na manifestação de ontem, que não queriam partidos políticos ali. Hoje, o próprio presidente do PSDB, de Alckmin, foi aos jornais para dizer que o povo rejeita os partidos políticos (leia-se, partidos politicos de ESQUERDA; os de direita, sim, esses podem participar alegremente do movimento). Precisamos tomar cuidado com tudo isso; precisamos repudiar e denunciar

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a tentativa da direita de manipular e de tomar conta do movimento; e convocar todos os partidos de esquerda para que participem do movimento erguendo bem alto todas as suas bandeiras.

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O movimento passe livre e o sonho da burguesia brasileira Afonso Teixeira Filho A burguesia brasileira vive o despertar de um longo sonho. Sonhava que o povo jamais perceberia que a ditadura que assombrava o país desde 1964 ainda não acabara. Mas foi só o povo se manifestar que os instrumentos de repressão se despiram de seus disfarces democráticos. Em que diferem, essencialmente, as ditaduras das democracias? As ditaduras controlam a imprensa, proíbem as manifestações públicas e usam a força policial para reprimir a população. Por outro lado, nas democracias, deveríamos encontrar uma imprensa imparcial, que entendesse as manifestações populares e que denunciassem qualquer forma de truculência da polícia, porque, ao fim e ao cabo, essa mesma truculência, usada contra as manifestações, será usada logo mais contra a própria imprensa. Além disso, nas democracias, entende-se que é o povo quem governa. Sendo assim, é ele quem decide como deverão ser usados os recursos públicos. Até onde sei, em nenhuma democracia moderna isso é possível. Quem controla as democracias não é de fato o povo, mas seus representantes. No entanto, o povo, em nenhuma delas tem poder de interferir na decisão desses representantes, a não ser mediante um processo tão burocrático quanto inútil. Em São Paulo, o prefeito disse que o aumento das passagens de ônibus já está decidido e que não voltará atrás dessa decisão. Com que autoridade? perguntamos. Se a democracia é o governo do povo para o povo, como o prefeito pode decidir algo contrário à vontade do povo? O problema é que o prefeito, assim como todo governante, não governa para o povo. O povo é apenas uma fantasia dessa outra fantasia chamada democracia. O prefeito governa para os grandes capitalistas; governa para aqueles que lhe financiaram a campanha; governa para as construtoras (que transformam a cidade num verdadeiro caos de edifícios e shopping centers); governa para as empresas de ônibus (que transportam pessoas como se transportassem gado); governa para as empresas de limpeza e coleta de lixo (as que mais contribuem para as companhas nas cidades); governa para os bancos (desviando os recursos da cidade para o pagamento de dívidas públicas que, muitas vezes, não são da cidade mas do resto do país). Enfim, o prefeito governa para qualquer um (como uma prostituta barata), mas não governa para o povo. Para manter essa situação de ludíbrio, de engodo, de engano, é preciso manter afiada e preparada a máquina da repressão. Qualquer atitude do povo que venha a ameaçar essa situação é contida com a mesma truculência que se continha a

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guerrilha urbana da época de Costa e Silva e de Médici. Há ainda os que dizem que não é verdade que no Brasil não haja democracia, pois temos eleições diretas e imprensa livre. Para não entrarmos na questão das eleições diretas, basta lembrar que no Supremo corre uma ação de inconstitucionalidade contra um projeto do Legislativo que pretende manietar a formação partidária (o mais sagrado alicerce da democracia). Quanto à liberdade de imprensa, só rindo mesmo. Todo o mundo sabe que no Brasil a voz da Globo é onipresente. E, por acaso, alguém acredita que essa famigerada rede de comunicação fale a voz do povo? Quem a patrocina? Será que é alguém que toma ônibus todo dia? E quanto às outras empresas de telecomunicações? Serão elas favoráveis ao povo que sofre no aperto do transporte público? Ou favorecerão aqueles que lhes pagam os anúncios? Não é possível haver liberdade de imprensa no capitalismo. Por dois motivos. O primeiro já assinalado por Marx: porque o jornalismo é uma profissão. Sendo profissão, o jornalista escreve o que lhe mandam escrever, com raras exceções ou quando o assunto não é importante. O segundo motivo diz respeito ao monopólio das telecomunicações. No Brasil mandam os Marinhos e os Civitas, duas famílias fascitas que só não usam a suástica no braço por que ela não combina com o Armani e o Aramis. E como todo fascita, instigam a polícia a reprimir com violência excerbada todo e qualquer movimento popular: ocupações de terra, favelas, passeatas, greves e, até mesmo, o movimento estudantil. O governo de Geraldo Alckmin enviou sua gestapo nas seguintes operações: desocupação da reitoria da USP; desocupação do Pinheirinho em S. José dos Campos; repressão aos moradores de rua no centro de S. Paulo; e, agora, ao movimento pelo passe livre. Em todas as ocasiões, agiu com extremada violência e mobilizou enorme contingente policial para isso. Entretanto, a criminalidade aumentava em São Paulo. Pelo menos é o que diz a própria imprensa, capacho do governo. Pode ser verdade. Mas pode ser um truque para justificar mais violência contra a população. Esperemos para ver.

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Contra a direita fascista:

Levantar as bandeiras vermelhas! Uma discussão sobre o significado do apartidarismo e do ataque fascista aos partidos nos últimos atos contra o aumento da tarifa Depois da repressão violenta da polícia à manifestação de São Paulo, na quinta-feira, 13 de junho, as manifestações cresceram de tamanho. Reprimir abertamente com bombas de gás, balas de borracha e cassetete não era mais possível. A polícia então passou a estar infiltrada, à paisana, entre os manifestantes. Eram policiais disfarçados, skinheads, direitistas os mais diversos que se misturaram à passeata e tinham como principal objetivo reprimir os manifestantes e partidos de esquerda que desde o início participavam do ato. O auge foi o último ato, da quinta-feira, 20 de junho, após o governo anunciar a redução das tarifas do transporte. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, principalmente, bandeiras foram arrancadas, militantes de esquerda foram agredidos. Até mesmo pessoas que apenas vestiam vermelho foram perseguidas. Seria engano, no entanto, pensar que a maioria das pesssoas presentes, dezenas de milhares, fossem favoráveis a essa política. É evidente que o grupo que avançava sobre os manifestantes era um grupo muito reduzido, mas bem organziado, que só prosperava devido ao eco que encontrava em muitos dos presentes, devido ao sentimento antipartido muito insuflado pela própria imprensa burguesa e que atinge principalmente a classe média, que compunha majoritariamente os atos. Com gritos de “oportunistas” e “corruptos”, os grupos de direita procuravam ganhar as pessoas para o coro antipartido, disseminando a ideia de que aqueles que travam essa luta há anos estavam “se aproveitando” da manifestação. Contra os partidos!... de esquerda Uma farsa das ideologias apartidárias sob o regime “democrático” é que essa ideologia só se volta contra os partidos de esquerda. De um lado, os anarquistas fazem a propaganda contra os partidos nos movimentos sociais, estudantil, operário, popular, dificultando a organização de um partido operário e criando confusão nas fileiras da esquerda. Nenhum partido burguês é atingido por essa campanha. Primeiro porque não atuam nessa faixa da população abertamente, apenas nas eleições, tendo muitos outros meios e coberturas para camuflar sua verdadeira face e para influenciar politicamente, como a imprensa capitalista. Em segundo, porque enquanto os setores progresssistas e os trabalhadores ainda não compreenderam a necessidade de se organizar em um partido de classe, a burguesia já compreendeu isso há muito tempo e está bastante organizada em

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seus diversos partidos, dominando o regime político há séculos. Assim, enquanto no movimento estudantil predomina a ideia de que não se deve organizar em partido, a reitoria e a burocracia universitária dirigem a universidade em nome de partidos burgueses. Enquanto os operários de determinada fábrica não se organizam politicamente, os patrões estão bem organizados e representados em diversos partidos e assim por diante. Por outro lado, os ataques fascistas aos partidos também se dirigem aos partidos de esquerda, pois seu objetivo é justamente acabar com a organização de classe dos trabalhadores. A burguesia, que domina o Estado, vai continuar dominando, seja sob uma ditadura, seja sob uma democracia, com 30 ou 2 ou nenhum partido. Quem será proibida de se organizar será a classe operária. País sem partido é país sob ditadura A ideologia contra os partidos é uma ideologia pequeno-burguesa. Por isso, é natural que seja muito presente tanto em movimentos anarquistas quando em movimentos fascistas. Sempre que há uma crise no regime político, como claramente há agora no Brasil, o terreno se torna fértil para a disseminação de uma ideologia não apenas contra os partidos, como contra o parlamento. Isso porque a crise do regime é sempre acompanhada de um desgaste das instituições e uma falta de autoridade das autoridades do Estado diante da população. Frequentemente a corrupção é explorada na luta entre as diversas frações da burguesia, o que contribui ainda mais para a desmoralização dessas instituições. Mas as soluções de acabar com os partidos e o parlamento, frequentemente ventiladas pela imprensa burguesa e setores da direita apontam para uma ditadura.
São as ditaduras, como as miltares que tivemos na America Latina, que fecham o parlamento e extinguem os partidos e a liberdade de organização política para governar o Estado com mãos de ferro. Essas se apresentam sempre como uma alternativa aos partidos, à política tradicional e como um fenômeno apartidário. De fato, um dia após o golpe de 1964, o jornal O Globo dizia em seu editorial: “Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem.” E continua: “Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais. “ O apartidarismo serve assim para camuflar os setores de direita e da burguesia e neutralizar ou esmagar os setores de esquerda, operários A ideologia fascista de Mussolini e Hitler também tem essa base comum e

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deixam mais claro o motivo desse repúdio à organização partidaria: “a existência de partidos fraciona a nação, e a política é o reino da divisão do povo’’, dizia Benito Mussolini, fundador do fascismo italiano. Em um discurso antes de subir ao poder na Alemanha, em 1932, Hitler proferiu um discurso em que dizia “eu me propus um objetivo: expulsar esses 30 partidos políticos para fora da Alemanha”. Na última manifestação se podia ver uma faixa que dizia “Meu partido é meu país”, muito semelhante à ideologia dos fascistas europeus. A ideia de “nação” dos fascistas, em oposição aos partidos é uma ideia que se opõe à luta de classes. Eles propagam a ideia de um país unificado, sem partidos, ou seja, em que todas as classes convivam em harmonia. O objetivo dos fascistas é impor a colaboração entre as classes. É fazer por meio da coerção, da força, da brutalidade, aquilo que a frente popular faz em razão da relativa imaturidade política do proletariado. É uma ideologia que força a “paz” entre a classe operária e a burguesia. Essa paz significa impedir que a classe operária se revolte contra as condições de exploração a que está submetida. Quem é favorecido pelo apartidarismo? Nessa manifestação, não é preciso ser um gênio da política para perceber que o favorecido pela ideologia apartidaria é o PSDB. Primeiramente porque a transformação das manifestações em uma grande celebração do orgulho nacional, além de não significar nada concreto, aparece como um repúdio ao governo federal, em segundo lugar, porque o PSDB e a direita de conjunto estão falidos eleitoralmente. Há doze anos longe do governo federal e agora ameaçados de perder o governo de São Paulo, a direita não tem mais condições de ganhar as eleições. Não é de surpreender que o próprio Geraldo Alckmin, governador de São Paulo e um dos principais representantes do PSDB, tenha ido a público para dizer que a população repudia os partidos políticos. Ora, ele mesmo não faz parte de um partido político? O cinismo não tem fim. A direita quer transformar o seu próprio descrédito e a crise do regime político em uma crise de “todos os partidos”, para certamente dar um golpe onde os atuais partidos de direita seriam dissolvidos e recriados com outra identidade. Isso fica evidente se observamos a trajetória da ARENA, partido oficial da ditadura militar brasileria, desde o fim da mesma. A ARENA se transformou em PDS (Partido Democrático Social), depois se despedaçou, sendo que seu núcleo fundamental se agrupou em torno do PFL (Partido da Frente Liberal), que em 2007 se transformou em Democratas (DEM). A mudança de nome, a tentativa de aparecer com uma “cara nova” é sinal

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da crise desses partidos, mas também do repúdio deles junto à população. A campanha contra os partidos em geral só serve para esconder o verdadeiro repúdio da população à direita. Por um partido operário Não basta, no entanto, como alguns setores da burguesia procuram apresentar, uma defesa dos partidos em geral. A liberdade partidária é necessária e deve ser reivindicada não em nome de uma democracia abstrata, mas como um condição essencial para a organização política da classe trabalhadora. Uma ditadura e a supressão dos partidos significa um veto à organização dos operários, não da burguesia. O repúdio aos partidos, que existe, é um repúdio aos partidos da burguesia. O repúdio a esses partidos é um sinal da crise do regime político, pois são esses partidos que compõem o alicerce do regime. Muito diferente é o que ocorre com os partidos da classe trabalhadora, que não podem ser repudiados uma vez que sequer foi feita uma experiência com eles; que não participam do regime burguês. Os trabalhadores devem se organizar em um partido que defenda os seus interesses e um governo próprio dos trabalhadores; um partido da classe operária.

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Por uma frente única em defesa de nossas bandeiras e nossas organizações

Unir a esquerda na luta contra a direita Não ao golpismo e a tentativa da direita de se infiltrar nas manifestações. É preciso que toda a esquerda se unifique na ação e levante suas bandeiras! As gigantescas mobilizações dos últimos dias em todo o Pais, expressam as tendências das massas de se rebelarem em todo o país na defesa de suas reivindicações contra os patrões e seus governos, em um momento de agravamento da crise capitalista. A população saiu às ruas em peso na segunda-feira contra a brutal repressão desatada pelo governo do PSDB à manifestação do último dia 13, enfrentou e derrotou a brutalidade da direita e está forçando governos de diversos estados e municípios a voltarem atrás nos aumentos concedidos, mostrando que por meio da luta das massas tudo é possível de conquistar Entretanto, a burguesia, o Estado, a Polícia Militar, a imprensa capitalista, as organizações-chave do regime político burguês, estão atuando coordenadamente de modo a transformar e influir concretamente nos rumos dessa massa. A infiltração reacionária em nosso movimento é óbvia e é tarefa de toda a esquerda reconhecê-la, combatê-la. A direita quer impedir que a massa crie suas próprias organizações, por isso, um dos eixos de sua política reacionária é os ataques e provocações contra os partidos e organizações de esquerda e da luta dos trabalhadores e da juventude. Um povo organizado independentemente do Estado, do capital e da imprensa venal, é o gérmen de uma real mudança, uma mudança capaz de atingir os alicerces mais importantes da sociedade atual. A mobilização mostrou que burguesia pode até abrir mão de R$ 0,20 do aumento da passagem. Sem balas de borracha, foi preciso ceder. Mas, permitir que a população pobre, trabalhadora, se organize politicamente de maneira independente da burguesia, isso nunca poderão ceder. Nossos inimigos mostram-nos o caminho a não ser seguido: “fora partidos!” No silêncio da PM ecoa a ditadura militar de dentro das manifestações: “abaixem as bandeiras!” Tentaram reprimir a manifestação pública. Agora tentam reprimir a

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manifestação política. A mesma ditadura de formas diferentes. O inimigo derrotado procura misturar-se entre nós nas passeatas e recriar a reação. Já conhecemos essa história com o nazi-fascismo, o integralismo e com o golpe militar de 64. Não podemos recuar sequer um centímetro diante isso, companheiros! Dirigentes do Partido da Causa Operária  entraram em contato com as direções de outros partidos e organizações de esquerda para tentar coordenar uma ação comum em torno a essa proposta, outros grupos estão se posicionando no sentido de uma reação cojunta contra o golpismo da direita. Convocamos a unidade da esquerda, dos partidos, sindicatos, organizações populares e ativistas sem partido para enfrentar esse ataque a um dos direitos democráticos mais fundamentais, o direito de se manifestar livremente! É preciso uma frente comum na ação. É preciso que nos unamos ombro a ombro na luta contra o inimigo comum!  Não podemos esquecer quem são os verdadeiros responsáveis pela repressão ao movimento que já vinha travando a luta contra o aumento das passagens: o governo fascistóide de Alckmin e do PSDB. Ele colocou a polícia na rua para disparar contra os manifestantes. O mesmo governo responsável pelo massacre de Pinheirinho, pelo ataque às greves dos professores, às mobilizações dos estudantes da USP e UNESP etc. É o mesmo que agora tenta usar o serviço secreto da polícia para se infiltrar nas manifestações e ameaçar militantes de esquerda, tentando coagi-los a abaixar suas bandeiras. Esse é o inimigo.  Diante dessa ofensiva perigosa, chamamos todas as organizações da esquerda a se somarem, com suas bandeiras erguidas, às manifestações em defesa do programa que levantou o movimento, contra o aumento das tarifas de ônibus, metrô e trens, e pelo programa que decorre necessariamente dessa luta: pela estatização dos transportes coletivos e o passe livre! Chamamos a todos a defender um programa de luta emergencial e indissociável da atual situação e levantar as bandeiras nas próximas manifestações pelo “Fora Alckmin!” e “Abaixo a repressão!” São Paulo, 19 de junho de 2013 Comitê Central Nacional do Partido da Causa Operária

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