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nas bordas da pista:

PARQUE URBANO DA LAGOINHA parte 1

RONEY HAARENGL MOREIRA GOIÂNIA, 2019


nas bordas da pista:

PARQUE URBANO DA LAGOINHA parte 1


nas bordas da pista:

PARQUE URBANO DA LAGOINHA parte 1

RONEY HAARENGL MOREIRA GOIÂNIA, 2019


Universidade Federal de Goiás Faculdade de Artes Visuais Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I Discente Roney Haarengl Moreira Braz Júnior Docente Christine Ramos Mahler GOIÂNIA, 2019 Projetográficoinspiradopelolivro“ConfiguraçõesdaAvenidaW3Sul Brasília”deLauraCamargo,realizadoporBrunoRibeiroeRalphMayer


Este volume é primeira parte de um Trabalho de Conclusão de Curso de Arquitetura e Urbanismo. Compreende um estudo sobre a distribuição de áreas verdes dentro dos centros urbanos, e a qualidade projetual necessária para que esses espaços tenham um uso cotidiano pela população. O objeto de estudo é o Hipódromo da Lagoinha, em Goiânia-GO. A Lagoinha, como é chamada pelos moradores do bairro, é tombada como patrimônio cultural e ambiental e passa um processo de subutilização e apagamento da paisagem urbana. São apresentadas aqui medidas para a reversão desse estado, culminando na proposição do Parque Urbano da Lagoinha. palavras-chave: Áreas Verdes, Parque Urbano, Patrimônio, Requalificação


Figura 1 | Cavalo recebendo banho na Lagoinha (Foto: Autor, 2019)

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conteúdo

I

II III

considerações iniciais

6

1 “Humildezinha, mas de grandeza histórica” 2 Objetivos 3 Metodologia Geral 4 Abordagem Teórica: “Percepção de Lugar” “Parques auto-regenerativos e Patrimônio Vivo”

8 9 10

aproximações

18

6

20

situação urbana 7 8 9 10 11 12 13

IV

VI

Hierarquia Viária Centralidades Usos e Ocupação Mobilidade Densidade Demográfica, Renda e Gabaritos Aspectos Ambientais Contexto das Áreas Públicas

o sítio 14 15 16 17

V

Contexto Histórico

Levantamento Geral Levantamento de Aspectos Ambientais Levantamento Fotográfico: Invisibilidade do Objeto Estímulos Percebidos

11 16

26 28 30 32 34 36 40 42

46 48 50 52 60

potencial

62

18 19 20 21

64 65 67 77

Espacialidade dos Lugares Projeto de Programa Projetos Referenciais Estudo de Caso: Városliget

parque urbano da lagoinha

78

21 Recursos de Projeto 22 Partido Projetual Lugar de Pluralidade: Esplanada da Lagoinha Lugar de Memória: Centro Equestre da Lagoinha Lugar de Aura: Centro Ambiental da Lagoinha 23 Considerações Finais

80 82 84 86 88 90

Referências

91

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Figura 2 | Jรณquei e cavalo na pista do Hipรณdromo da Lagoinha (Foto: Autor, 2019)

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Este estudo trata sobre o Hipódromo Ubirajara Ramos Caiado, mais conhecido por Hipódromo da Lagoinha, equipamento urbano de propriedade do Jóquei CLube de Goiás, localizado no Setor Cidade Jardim, bairro de Goiânia-GO. Criada no final dos anos 1950 com a função de pista de turfe do Jóquei Clube de Goiás, a Lagoinha se tornou progressivamente subutilizada ao longo dos anos, perdendo partes de seu território para outras instituições. A intenção de a preservar do interesse imobiliário motivou seu tombamento municipal em 2008. Ao abordar a questão da oferta de áreas verdes de qualidade para a população, bem como a manutenção do patrimônio cultural da cidade, busco propor uma discussão de como intervir em um espaço aberto, culminando em uma proposta de parque urbano, para reinseri-lo na paisagem urbana de maneira ativa. A escolha do lugar aconteceu por motivos pessoais e afetivos. Mudei para a Cidade Jardim no início da adolescência. Sentar na arquibancada do Hipódromo olhando a pista vazia e imaginar o que ele poderia ser foi algo que fiz ao 10, aos 15, aos 18 anos. Agora, aos 22 anos, continuo imaginando. Para abordar o espaço estudado, de modo a respeitá-lo enquanto área ambiental e patrimônio, bem como inseri-lo na qualidade de vida dos seus usuários, foi utilizado como base o trabalho do arquiteto gaúcho Lineu Castelo (2007) e seus estudos sobre a concepção de ‘lugar’, bem como seus métodos propostos para potencializar a ‘pluralidade’ de um lugar, tornando sua urbanidade mais potente. A fim de reconhecer os diferentes estímulos que o Hipódromo oferece, foi aliada sua teoria a levantamentos de dados e do histórico da região, bem como vivências in loco, que juntos formam a parte primeira desse Trabalho de Conclusão de Curso.

parte 1: considerações iniciais

considerações iniciais | 11


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“humildezinha, mas de grandeza histórica” Atualmente, a Cidade Jardim é um dos maiores bairros da capital (DUTRA; GOYA; LIMA, 2005, p. 1). Seu reconhecimento se dá pelas intensas áreas comerciais integradas a pacatos quarteirões residenciais, arrematados por canteiros centrais arborizados que são características de seu desenho urbano da década de 1950. No entanto, o desenvolvimento do bairro viu também a degradação de um de seus espaços mais importantes: o Hipódromo da Lagoinha. Ao longo de quase 60 anos, o Hipódromo foi perdendo sua força como equipamento urbano. Mudanças nos hábitos de lazer da população reduziram seu público, e consecutivas más administrações o afetaram profundamente. De seus 60ha originais, mais de 25ha foram desapropriados, sendo a maior das desapropriações a do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (LONGO, 2008, p. 2). Os parcelamentos subsequentes “esconderam” o Hipódromo no interior da quadra, culminando em uma invisibilidade do espaço para o restante da cidade. Nos anos 2000, o interesse do ramo imobiliário pela área se intensificou. Rumores de uma casa de shows ou um shopping center começaram a circular. Em entrevista ao jornal O Popular, Álvaro Castro, presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (ADEMI-GO) disse: “A região de Campinas é desprovida de um centro comercial de grandes proporções, a ideia do Shopping no Hipódromo é um filão, pode fazer o bairro deslanchar” (LONGO, 2008, p. 2). A então vigente gestão do Jóquei Clube de Goiás , sob a presidência de Joaquim Naves, iniciou negociações com a Faculdade Padrão, na qual resultou o desmatamento do bosque na Sede Social na Rua 7, bem como maior descaso com o Hipódromo em si1. As constantes ameaças ao turfe e ao Hipódromo levaram a Associação dos Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida do Estado de Goiás a manifestar um pedido de tombamento da área em 2005. Com o auxílio do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, o Hipódromo foi tombado em sua totalidade pelo município em novembro de 20082. No ato de tombamento, foi ressaltada a importância histórica e ambiental da área, enquanto Patrimônio Cultural da cidade e Área de Preservação Permanente. Com uma pista oval de 1,6 quilômetros de extensão, é o único hipódromo da Região Centro-Oeste, dentre os onze hipódromos ainda em atividade no país. As provas de turfe acontecem duas vezes ao mês, e atraem um público local, os ‘joqueanos’, muito afeitos ao lugar e ao esporte. Nas palavras de Bariani Ortêncio (2008), em carta a favor do tombamento, a Lagoinha é “humildezinha, mas de grandeza histórica”.

A gestão do Jóquei na época impugnou o pedido de tombamento, alegando que “No Hipódromo Ubirajara Ramos Caiado não se visualiza qualquer expressão artística e cultural que motive uma intervenção estatal na propriedade privada. As formas de expressão da edificação não trazem uma importância histórica ou artística, não há um conjunto paisagístico importante a memória municipal”, “não ficou demonstrado que o bem material esteja sofrendo depredação” [Fonte: Arquivo Secult] 2 Decreto n° 2.769, de 14 de novembro de 2008. D.O. n° 4.495, de 19 de novembro de 2008 12 | nas bordas da pista: parque urbano da lagoinha 1


Figura 3 | Vista Aérea do Hipódromo da Lagoinha nos anos 1960 (Foto: Hélio de Oliveira / Fonte: Acervo Fotográfico da Gerpat)

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objetivos

OBJETIVO GERAL: Elaborar a requalificação do Hipódromo da Lagoinha e seu entorno, de acordo com sua função histórica, patrimonial e ambiental

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

I.Desenvolver o desenho urbano do parque (acesso, percursos, conexão com os lotes lindeiros) II.Propor novos edifícios/requalificar os pré-existentes (julgando ou não a necessidade de removê-los), mantendo a pista e os elementos elencados no seu tombamento e inserindo usos complementares pertinentes a sua condição de Área de Proteção Permanente, III.Elaborar projeto paisagístico,

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metodologia

1. TEMA

2. LEVANTAMENTOS E ANÁLISES

• • • •

Pesquisa documental e histórica Revisão bibliográfica Consulta em órgãos municipais, Estruturação do histórico da região e da Lagoinha

Pesquisa exploratória para subsidiar o diagnóstico do entorno do entorno e objeto, contemplando:

3

a.Entorno: Centralidades, Densidade Demográfica e Renda, Usos e Ocupação, Aspectos Ambientais, Hierarquia Viária, Mobilidade, Alturas, Uso do Solo e Legislação, Contexto das Áreas Públicas b.Hipódromo: Levantamento Geral, Contexto das Atividades, Levantamento Fotográfico, Vegetação

3. SÍTIO

• • • •

Compreensão das dinâmicas dentro do Hipódromo Observação da área in loco Registro do cotidiano e das apropriações do equipamento Levantamento fotográfico

4. PROJETO

• • •

Conceito Projeto de Programa Proposta

A fim de compreender com mais clareza e decifrar os comportamentos dos usuários na Lagoinha, os estudos aqui apresentados tomam três escalas de abrangência, baseadas na dimensão do equipamento urbano em questão. Nas palavras de Jan Gehl (2010, p 209), “estudar a vida na cidade como de fato é e, então, utilizar essa informação para elaborar planos sobre como e onde reforçá-la”. As duas escalas mais abrangentes, a da cidade (Escala Macro) e a da região (Escala Meso, que toma o bairro Cidade Jardim e seus bairros vizinhos menores), serão utilizadas nas partes 1 e 2.a da metodologia, para compreender o histórico da Lagoinha, bem como as atuais relações que estabelece com o território. A terceira, a escala do Hipódromo em si (Escala Micro), será utilizada da etapa 2.b em diante, culminando nas diretrizes urbanas e propostas de novos usos para o equipamento. Esta é a escala escolhida para detalhamento arquitetônico, que acontecerá na segunda parte desse Trabalho de Conclusão de Curso.

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abordagem teórica

percepções de lugar O século XXI é inaugurado por uma nova sociedade pós-industrial, baseada na tecnologia da informação, em um contexto de alta urbanização e globalização. Esse novo tipo de sociedade culmina em novos comportamentos, que influem diretamente na criação de novos espaços, fundamentais para novas práticas cotidianas a ser preservadas. Apesar desse contexto ao qual as cidades são submetidas, o meio urbano permanece essencial para o contato entre as pessoas e para a vida coletiva, o que justifica a existência das cidades. Lineu Castelo (2007) definiu ‘urbanidade’ como a característica exclusiva e típica do ambiente construído pelo ser humano, que envolve as variadas relações de pessoas com as atividades e o local. Dessa relação entre usuário e espaço surge uma unidade nomeada pelo autor como ‘lugar’. Ao permitir variadas ligações entre usuários diversos e os espaços oferecidos, a cidade compreenderia, então, uma pluralidade de ‘lugares’, que dialogam com essa ‘urbanidade’.

espaço

usuário

estímulos

percepção de lugar

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“As relações entre as pessoas e os espaços, além da evidente correspondência física que forçosamente entre eles se estabelece, tem um forte componente psicológico. As pessoas se sentem melhores em certos espaços. Ou, em outras palavras, certos espaços se distinguem dentro do Espaço maior onde se situam as pessoas e, ao se distinguirem, se tornam percebidos de maneira diferente. Em geral, são espaços percebidos como detentores de qualidades. Diz-se, então, que esses espaços são percebidos como lugares por seus usuários. Suas qualificações habilitam-nos a serem percebidos como um lugar, delimitado dentro do espaço maior que constitui o todo da cidade. Isto é: permitem distinguir um lugar de um espaço. ” (CASTELO, 2007, pg 12)

lugar de aura

lugar de memória

Nessa concepção, um espaço então age sobre o usuário através de estímulos, e são desses estímulos que a noção de lugar surge. Para Castelo (2007), distinguem-se três tipos de lugares, a partir do tipo de estímulo que ele oferece: aura, memória e pluralidade. O lugar da aura compreende aquele espaço em que os estímulos são provenientes da própria espacialidade enquanto natureza ou produto da ação humana, “as marcas deixadas pela ação humana” (2007, pg 19), bem próximo do conceito de genius loci, e se relacionam com o usuário de uma maneira impactante. O lugar da memória dialoga com estímulos provenientes da dimensão da temporalidade, e da memória, coletiva ou individual, que é atribuída aquele espaço. É o acúmulo de vivências pessoais e eventos sociais que se desenrolam no local. O lugar da pluralidade refere-se, então às variadas relações interpessoais que são possíveis de se estabelecer em um lugar, a condição essencial para que exista, “o que necessariamente estará a lhe garantir a dimensão social indispensável de sua existência” (2007, pg 18). A partir dessa multiplicidade de ‘lugares’, opções, contatos e experiências, a cidade confirma seu propósito como espaço social e da vida coletiva. É essa cidade viva e plural que Jane Jacobs defende em seu seminal livro Morte e Vida das Grandes Cidade (1961). No contexto das cidades americanas, “[...] precisamos de todos os tipos de diversidade, intricadamente combinados e mutuamente sustentados. Isso é necessário para que a vida urbana funcione adequada e construtivamente, de modo que a população das cidades possa preservar (e desenvolver ainda mais) a sociedade e a civilização” (2009, pg 267).

lugar de pluralidade

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Com o enorme contingente populacional das cidades brasileiras, buscar uma melhor qualidade de vida para os seus habitantes é uma necessidade. E se é essa cidade da pluralidade, da vida coletiva e do encontro social é a que é almejada, é necessária uma maior oferta de lugares urbanos que permitam o desenvolvimento dessa ‘urbanidade’. Espaços subutilizados são um sintoma de território urbano fragmentado somado às mudanças da sociedade. Ao tratar dos vazios urbanos, Francesco Careri (2013) abre nossos olhos para a questão de como espaços aparentemente vazios são apropriados e tornam-se um lugar ao receberem um significado a ele agregado. Ao revisitar a abordagem do arquiteto americano Tony Smith sob os espaços vagos nos subúrbios americano, ele diz: “Observando esse novo território, evidenciou-se cada vez mais que havia uma presença que, após ter sido pano de fundo por tanto tempo, tornava-se cada vez mais protagonista da paisagem urbana: essa presença era o vazio. [...] Com efeito, os difusos não frequentam apenas casas, autoestradas, mas também os vazios que não foram inseridos no sistema. Efetivamente, os espaços vazios dão as costas para a cidade pra organizar para si uma vida autônoma e paralela, mas são habitados. É lá que os difusos vão cultivar a horta ilegal, levar o cachorro, fazer um piquenique, fazer amor e buscar atalhos. É lá que seus filhos vão buscar espaços de liberdade e de socialização. [...] São diferentes espaços vazios tradicionalmente entendidos como espaços públicos – praça, jardins, parques” (CARERI, 2013, pg 156).

O espaço subutilizado é vazio de uma perspectiva funcionalista, racional. No entanto, ali podem-se acumular memórias, narrativas e vivências. No contexto cotidiano, ele é incorporado à vida do morador suburbano, e ao estabelecer relações entre o ambiente e o usuário, ele passa a configurar um ‘lugar’. É um ‘lugar’ sazonal, restrito, fugidio. Sendo assim, ao propor um projeto de um espaço, o que se propõe é que ele passe a ser visto como um ‘lugar’ por uma maior parte da população. Esse projeto de ‘lugar’, para Castelo (2010, pg 31), pode recorrer à tática de valorizar estímulos já percebidos no local, utilizando-os para estruturar o espaço; ou podem recorrer à estratégia de estimular uma percepção, agregando novos estímulos com o mesmo intuito.

Figura 4 | Praia do Sena: durante o verão, Paris recorre a estímulos de regiões praianas, como palmeiras, sombreios e areia, para potencializar a percepção dos usuários da margem do rio Sena em uma praia de fato (Foto: Sharat Ganapati, 2012/Fonte: Flickr)

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Nessa dualidade de estímulos percebidos e de percepção estimulada, os elementos projetados comumente buscam potencializar a imagem de ‘urbanidade’ do espaço, ou seja, as variadas relações entre pessoas, atividades e o local. E para tal, tomam como referência os sinais mais característicos de outros espaços em que a pluralidade é percebida. A percepção estimulada se torna um recurso projetual para requalificar a imagem da cidade. “Quando essa percepção intencional, além de ressaltar a manifestação de pluralidade se vê estimulada por fenômenos relacionados à memória e/ou à aura que cercam o lugar, esse espaço urbano apresenta condições de passar a se tornar percebido como um novo lugar urbano para a cidade”. (CASTELO, 2010, p 31)

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parques auto-regenerativos e patrimônio vivo O parque urbano tem uma trajetória interessante no contexto brasileiro. Introduzido na malha urbana no século XVIII, o parque urbano surgiu de uma vontade das crescentes elites urbanas em recriar cenários europeus, onde os parques já existiam. No entanto, era “um grande cenário, um elemento urbano codificador de uma modernidade importada, totalmente alheio às necessidades sociais da massa urbana contemporânea de então, que usufruía de outros espaços, como terreiros e várzeas” (MACEDO, SAKATA, 2003, pg 24). Conforme aponta Bonduki (2010), o aspecto diminuto dos núcleos urbanos os deixava ainda muito próximos de áreas naturais, onde eram praticadas as atividades de lazer urbano. Esse cenário muda drasticamente no século XX: áreas informais de lazer, como várzeas, fundos de vale e riacho, são extensivamente ocupadas. As áreas de lazer urbano se tornam escassas, e o parque urbano toma para a si esse programa de recreação pública. No entanto, como a implantação desses parques estava ligada a uma classe social alta, esses parques se concentram em logradouros centrais ou vizinhos a áreas ricas, de difícil acesso à massa marginalizada. O histórico de Goiânia não foge desse padrão. Conforme Ribeiro (2004), apesar de o planejamento inicial da cidade tomar como partido um sistema de áreas verdes de viés preservacionista, essas áreas foram concebidas dentro de um programa sanitarista, de evitar a insalubridade dentro da cidade. Fatores como o crescimento populacional, especulação imobiliária e falha do poder público em coordenar a ocupação do território levaram à fragmentação desse sistema, que hoje compreende pontos isolados na malha urbana, consolidados em áreas centrais ou elitizadas. O parque urbano se tornou uma ambição e uma necessidade social da população, pois garante “um espaço de lazer e de contato com a natureza” (BONDUKI, 2010, p. 190). Ao longo do século XX, a questão dos parques urbanos enquanto esfera de preservação ambiental ganhou mais atenção, estimulada pelo colapso de recursos naturais e o decorrente discurso emergente sobre avanço sócio-ecômico ecologicamente correto. Em Goiânia, são aproximadamente 160 as áreas enquadradas como Unidades de Conservação cadastradas pela Agência Municipal de Meio Ambiente de Goiânia, o que leva ao maior índice de área verde do país, com 100,25 m² por habitante (INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO DO CENTRO OESTE, 2008, p. 154). Esse coeficiente, no entanto, não abrange as variáveis referentes à cobertura vegetal dessas áreas, o grau de preservação da vegetação ou mesmo o acesso dos habitantes às áreas verdes.

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Ao abordar a questão do sistema de áreas verdes em Goiânia, Ribeiro destaca um ponto importante para sua existência: a “possibilidade permanente da auto-regeneração” (2004, p. 136) de uma área verde, ou seja, a capacidade de um parque, praça ou jardim de permanecer íntegro. Isso é atingido a partir do momento que a área verde é incorporada ao cotidiano da população, e a coletividade passa a identificar o espaço como parte da sua realidade, promovendo a sua preservação. “Só cuidamos daquilo que nos é caro” (RIBEIRO, 2004, p. 136). Tal abordagem sobre a questão das áreas verdes se aproxima da discussão sobre a manutenção do patrimônio de uma cidade, que é o cerne do equipamento aqui estudado. A Lagoinha é uma área verde, ao mesmo tempo que foi tombada como patrimônio da cidade. Conforme Lyra (2016), a concepção de patrimônio sob uma ótica preservacionista, de imobilidade e rigidez em relação ao tempo e as mudanças da sociedade tem se mostrado nocivas quanto à preservação do patrimônio. Em benefício da própria existência do patrimônio, é necessário, tal qual a área verde, que seu potencial socioeconômico seja reconhecido e que ele seja inserido na vida contemporânea. A preservação do bem pode usufruir de medidas legais que assegurem sua proteção (no caso da Lagoinha, o seu tombamento), mas deve ser associada também à restauração, referente à dimensão material, física; e a revitalização, que se refere ao seu uso e fruição contínua. O produto final será o “patrimônio vivo” (LYRA, 2016, p. 234).

Figura 5 | Recorte do mapa de Goiânia contendo as regiões Central, Sul, Campinas e Macambira-Cascavel. Em verde, os parques urbanos implementados. Em termos comparativos, região centrais ou eletizadas possuem mais parques. (Fonte: Mapa elaborada pelo Autor.)

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Figura 1 | Crianรงas brincando na grade da pista, a Lagoinha ao fundo (Foto: Autor, 2019)


Nessa parte, é analisado o histórico de ocupação do bairro Cidade Jardim, o surgimento do Hipódromo na região, e a decorrente importância cultural e ambiental da Lagoinha. Ao lado, o mapa de inserção urbana, com a região Campinas, da qual a área analisada faz parte, em destaque.

Santo Antônio de Goiás

Nerópolis

Goianira

Goianápolis

Trindade 10 12

11 9 2

1

3 Senador Canedo

8 5 7

6

4

Hipódromo da Lagoinha Abadia de Goiás

Aparecida de Goiânia

1. Região Central 2. Região Campinas 3. Região Leste 4. Região Sudeste 5. Região Sul 6. Região Macambira Cascavel 7. Região Sudoeste 8. Região Oeste 9. Região Mendanha 10. Região Noroeste 11. Região Vale do Meia Ponte 12. Região Norte

parte 02 aproximações

inserção urbana municípios do entorno regiões de Goiânia recorte de estudo ‘escala macro’


5

contexto histórico

A origem do Hipódromo e do seu entorno dialoga com o histórico bairro de Campinas, assentado na banda ocidental do Córrego Cascavel, próximo a junção desse ao Ribeirão Anicuns. Com a construção de Goiânia, nova capital do Estado de Goiás, O entorno de Campinas foi loteado e ocupado, e se desenvolveu como uma “cidade-satélite” ao novo centro urbano (MEDEIROS, 2010). Grande parte da região era propriedade dos irmãos Jerônimo e Abelardo Coimbra Bueno, que recebiam seus honorários pelos serviços prestados à capital em terras disponíveis . Os Coimbra Bueno aprovaram e comercializaram vários loteamentos. Um desses foi o Loteamento Macambira, aprovado em 1953, ao sul de Campinas, que posteriormente foi desmembrado em bairros menores (MEDEIROS, 2010, pg. 135). Uma parte plana do loteamento foi cogitada para abrigar o segundo aeroporto da cidade, que teria o nome de Aeroporto Internacional Cidade Jardim (DVAC/SEPLAM, 2008, p. 3). O Ministério da Aeronáutica posteriormente considerou o local inadequado, restando para essa parte do loteamento Macambira o nome Cidade Jardim, que foi aprovado como bairro em 1956.

ocupação urbana e bairros (escala macro)

2 4

Córrego Cascavel

Córrego Macambira 5

7 8

11

9

10

16

12 13

18 17

14

6

15

19 21 22 23

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24

20

3 1


A noção de cidade-jardim portadora de ruas arborizadas estava presente no discurso de Ewald Jansen (MEDEIROS, 2010, pg 146), engenheiro alemão que trabalhou para o governo do Estado nos anos 1950. Em parecer de 1952, o engenheiro diz que o projeto inicial da cidade estava mutilado “em setores adjacentes, as ideias foram abandonadas por completo e foram projetados bairros de traçados retangulares e monótonos” (JANSEN apud MEDEIROS, 2010, pg 145), e aponta cidades-jardins (enquanto ruas arborizadas, não enquanto modelo urbanístico) como uma solução para incluir zonas suburbanas na malha da cidade. A Cidade Jardim se estabelece a partir de um largo central, a Praça Abel Coimbra, em uma esplanada entre o córrego Cascavel e o córrego Anicuns. Dela, partem seis vias radiais, com canteiros centrais largos e arborizados, que conectam o bairro com o restante da cidade. Ao se considerar os bairros limítrofes, como o Setor Rodoviário e o Setor Sudoeste, a implantação da Cidade Jardim mostra certa mudança no padrão de quadras e vias ortogonais.

até 1930 1930-1940 1940-1950 1950-1960 1960-1970 1970-1980 1980 em diante 1. Setor Campinas 2. Setor São José 3. Setor Central 4. Setor Aeroviário 5. Setor Rodoviário 6. Setor Cidade Jardim 7. Bairro Industrial Mooca 8. Vila Aurora Oeste 9. Vila Santo Afonso 10. Vila Aurora 11. Vila Santa Rita 12. Conjunto Guadalajara 13. Setor Nsa. Sra. de Fátima 14. Conjunto Morada Nova 15. Vila Adélia 16. Vila Santa Tereza 17. Conjunto Romildo Amaral 18. Vila Bethel 19.Conjunto Castelo Branco 20. Setor Sol Nascente 21. Vila Canaã 22. Vila Anchieta 23. Vila Lucy 24. Setor Sudoeste

Figura 2 | Planta de Urbanização da Cidade Jardim (1957). No projeto, percebe-se a atenção dada à praça central e avenidas radiais. O Hipódromo da Lagoinh ocupa toda a sua quadra. (Fonte: Arquivo Seplam)

aproximações | 25


a cidade jardim e a lagoinha

Surge na história um importante personagem: o Automóvel Clube de Goiás, fundado em 1935, cujo presidente era Pedro Ludovico, interventor do Estado. Após viagem ao Rio de Janeiro, Ludovico foi informado que “o governo Federal disponibilizava verba para a construção de clubes, desde que a atividade fosse o hipismo” (BERNARDES; CAIXETA, 2011, p. 7). Em 1937, mudou-se o nome da instituição para Jóquei Clube de Goiás, com sede em um casarão neocolonial na Rua 7, Setor Central. A intenção da construção de um hipódromo já estava presente em Goiânia desde o seu Plano Diretor de 1938. No Decreto N 90-A, tem-se a seguinte inscrição: “a área urbana de Goiânia abrangerá os setores Central, Norte, Sul, Oeste, Satélite Campinas, e as áreas destinadas ao Aeroporto, Parque dos Buritis, do Capim Puba, dos Bandeirantes, Zoológico Hipódromo e Vila Hípica” (DVAC/SEPLAM, 2008, p. 4). Esse hipódromo foi primeiramente situado entre Campinas e o Parque Zoológico, com acesso pela Av. Anhanguera, como mostra a Figura 1. A pista de turfe chegou a ser implantada, mas com o início de ocupações irregulares na região, o local foi doado e atualmente compreende o atual Setor dos Funcionários. Figuras 4 e 5 I Casas típicas da ocupação inicial da Cidade Jardim (Foto: Autor, 2009)

Figura 3 I Planta Geral de Orientação de Goiânia . Em vermelho, área do primeiro hipódromo da cidade, hoje Setor dos Funcionários (Fonte: Arquivo Seplam)

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Após a inviabilidade do primeiro terreno, Jerônimo Coimbra Bueno doou para o Jóquei Clube de Goiás uma área de 60ha em seu loteamento Cidade Jardim, terreno plano e alagadiço, em uma cláusula de uso exclusivo para atividades hípicas. As corridas de cavalo, que já aconteciam na parte central de Goiânia, logo foram transferidas para o novo terreno, com a pista de turfe instalada em 1957, antes mesmo da regularização da doação em 1959. (DVAC/ SEPLAM, 2008, p. 4) Oficialmente o espaço foi nomeado Hipódromo Ubirajara Ramos Caiado, em homenagem ao seu fundador. O nome Lagoinha, por sua vez, foi dado pela presença de um brejo no local. O trecho da carta de Bariani Ortêncio em favor do tombamento do Hipódromo, em 2005, retrata a ambiência desse brejo. “De fato, a Lagoinha à época ficava bem distante, quase uma viagem, pois na década de 1940, eu e meu amigo e colega do Liceu e do Tiro de Guerra 323, Brasilino do Brasil de Oliveira, iamos de bicicleta caçar paturis que chegavam em bandos dos rios Meia Ponte e dos Bois. Várias vezes vimos veados campeiros chegarem para beber água”. (ORTÊNCIO, 2005, p. 1)

Figura 6 | Registro de prova turfística no Hipódromo da Lagoinha (1989) (Foto: Arquivo Pessoal de José Rodrigues)

Figura 7 | Hipódromo da Lagoinha nos anos 1960 (Foto: Hélio de Oliveira / Fonte: Arquivo Seplam)

aproximações | 27


setor do trânsito Devido ao grande número de nascentes na região, a ocupação efetiva da região foi postergada. Os anos 1960 e 1970 presenciaram a chegada de infraestrutura1 e equipamentos na região. De acordo com Medeiros (2010, pg. 254), em 1965 foi construída da Vila Canãa ao sul da Cidade Jardim, dentro da política de construção de mutirões do prefeito Íris Rezende. Em 1968 chegou a energia elétrica. A Faculdade Anhanguera (1973) e o SESI Vila Canaã (1977) se instalaram na Vila Canaã. Em 1979, com a chegada do asfalto, a Prefeitura drenou o terreno alagadiço e a ocupação da Cidade Jardim foi levada a cabo. (JÚNIOR, 1994, p. 10). Mudou-se para o bairro uma população de origem popular e interiorana, cujos hábitos foram replicados e se tornaram parte da essência urbano-rural que a região vive até hoje. De acordo com Júnior (1994): “Enquanto nas avenidas os estabelecimentos comerciais parecem empilhar uns sobre os outros e altamente frequentados pela freguesia, as ruas estreitas oferecem silêncio e calmaria. Nessas ruas, a arquitetura da maioria das casas lembra o aspecto de habitações rurais. A tranquilidade das pessoas sentadas às portas dessas casas e a falta de trânsito confere ao bairro uma forte semelhança com as pequenas cidades do interior.” Em 1980, o DETRAN-GO se instalou em uma área pertencente ao Hipódromo da Lagoinha, e o bairro passou a ver um aceleramento na ocupação (DUTRA; GOYA; LIMA, 2005, p. 1).

Figura 8 | Avenida Pio XII em 1982 (Fonte: Arquivo Seplam)

Figura 9 | Implementação da rede de esgoto, Avenida Pio XII, em 1986 (Fonte: Arquivo Seplam)

Em 1950, Jerônimo Coimbra Bueno, eleito governador em 1947, alterou o Código de Edificações de Goiânia. A aprovação de novos loteamentos deixou de exigir a implantação de infraestrutura, sendo necessária somente a abertura e locação das vias. 1

28 | nas bordas da pista: parque urbano da lagoinha


Figura 10 |Pórtico de entrada do Detran, na confluência da Pio XII com Attílio Corrêa Lima, década de 1980 (Fonte: Arquivo Seplam)

O Detran atraiu consigo uma gama de usuários e usos: candidatos à CNH, motoristas, autoescolas, feiras de carros, escritórios de despachantes, clínicas médicas, fábricas de placas. Essa condição alterou a configuração do bairro, que passou a se tornar um polo gerador de atividades na região oeste de Goiânia. A avenida Pio XII se estabilizou como uma via comercial, aliada à avenida Castelo Branco. Outros grandes serviços foram transferidos para a região, como o SENAI (1981, instalado da Vila Canaã), a COMURG (1983, instalada na Vila Santa Helena, território do matadouro municipal e sede da antiga Companhia de Iluminação Municipal de Goiânia) e o IML (1986, também em área pertencente ao Hipódromo). As redes de água e esgoto chegaram na região em 1986, após o surgimento de novos conjuntos residenciais: Morada Nova, Guadalajara, Castelo Branco, Romildo do Amaral (JÚNIOR, 1994, p. 10). De certa forma, o brejo e a pista do Hipódromo estabeleceram uma relação simbiótica nessa trajetória. Em um primeiro momento foi o fato de ser uma plano alagadiço que designou a área a ser a pista do Hipódromo. E é a existência da pista que permitiu que o brejo e suas nascentes fossem preservadas, enquanto o restante do bairro foi extensivamente ocupado, drenado e impermeabilizado. A coexistência de ambos tem sido benéfica, e ter sido tombado em instância cultural e ambiental ateste a importância em mantê-los lado a lado.

Figura 11 | Obras de pavimentação na Avenida Sonnemberg, em 1982 (Fonte: Arquivo Seplam)

Figura 12 |Área residencial da Cidade Jardim em 1985 (Fonte: Arquivo Seplam)

Figura 13 |Panorama da Cidade Jardim, com Hipódromo no centro e Morro do Mendanha ao fundo, em 1991 (Fonte: Arquivo Seplam)

aproximações | 29


Figura 1 | Compertidores durante pรกreo (Foto: Autor, 2019)


Na próxima parte, será utilizada a Escala Meso, analisando o bairro Cidade Jardim e seu entorno. A área demarcada para análise foi a compreendida a sul da Avenida Castelo Branco, a norte na Avenida C-12 e entre os Córregos Macambira e Cascavel, por compreender que esse quadrilátero possui uma dinâmica própria e está em um raio de influência do Hipódromo da Lagoinha que será beneficiado imediatamente com a implementação de um parque urbano na região.

parte 03 situação urbana


6

estrutura viária

O bairro Cidade Jardim tem uma posição estratégica dentro do município de Goiânia, conectando a parte central da cidade com o todo o Oeste Goiano. Do bairro partem rodovias para Inhumas, Rio Verde, Guapó, Trindade, Cidade Jardim e até mesmo Campo Grande-MS e Cuaibá-MT, dando a Cidade Jardim o papel de “portal” da capital. A área original do Hipódromo da Lagoinha fornecia acesso a três dos principais avenidas do bairro: Av.Pio Xii-Aderup, Av. Attílio Corrêa Lima e Av. Altamiro Moura Pachêco. Atualmente, com as sucessivas desapropriações, o acesso é feito somente pela última, perdendo a oportunidade de se conectar com outras partes do bairro.

Figura 2 e 3 | Estrutura Viária da Cidade Jardim: avenidas largas e canteiros centrais arborizados nas avenidas Pio XII e Attíllio Corrêa Lima (Foto: Autor, 2019)

32 | nas bordas da pista: parque urbano da lagoinha


mapa de estruturas viárias (escala meso)

Saída para GO-060 e GO-070

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vias expressas vias arteriais mananciais vias coletoras áreas mata ciliar viasde locais


7

centralidades

Importantes centralidades se localizam nos arredores do Hipódromos: 01  Avenida Consolação e região da Vila Canaã são um polo de comércios e serviços, principalmente relacionados a carros e caminhões. 02 O eixo Avenida Aderup – Avenida Pio XII é polo de comércio e serviços, e eixo de ligação entre a parte norte do bairro e a saída para o GO060, que liga Goiânia a Guapó. Nesse eixo está localizado o Shopping Cidade Jardim, equipamento de uso primário dentro do bairro. 03 O eixo Castelo Branco é um importante polo de comércio e serviços para a cidade. No trecho estudado, destaca-se sobretudo atividades relacionadas a manutenção e venda de veículos automotores 04 O Departamento de Trânsito do Estado de Goiás (DETRAN-GO) é um importante órgão estadual que coordena e fiscaliza o trânsito. Atende a cidade em uma escala municipal. 05 O Instituto de Medicina Legal (IML) e o Serviço de Verificação de Óbito (SVO) formam um equipamento estadual vinculado à Secretária de Segurança Pública, responsável pelas necropsias e laudos cadavéricos. 06 O Complexo de Delegacias Estaduais e Hospital da Polícia Militar, na Avenida Atílio Corrêa Lima, abriga a Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DERFRVA), a Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios (DIH) e a Central de Flagrantes, todos atuando em um nível de abrangência estadual. 07 A Companhia de Urbanização de Goiânia (COMURG) é uma empresa responsável pela manutenção dos logradouros urbanos da cidade de Goiânia, como limpeza, poda das árvores e ajardinamento. 08  O SESI/SENAI Vila Canaã é um complexo de educação, esportes e lazer, com ensino médio e fundamental e cursos profissionalizantes de abrangência municipal 09 e 10  A Faculdade Anhanguera e Faculdade Cambury (9 e 10 respectivamente) são duas instituição de ensino superior privadas de alcance municipal. 11 O Santuário Sagrada Família é um centro religioso católico que angaria devotos da cidade toda (estima-se que 80 mil pessoas visitem a igreja ao longo da semana).

34 | nas bordas da pista: parque urbano da lagoinha


mapa de centralidades (escala meso)

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Córrego Cascavel

pólos geradores de atividades vias geradores de atividades mananciais áreas de mata ciliar


8 usos e ocupação

A área apresenta uma equilibrada variedade de usos, com igrejas e colégios e hospitais bem distribuídos pela malha. Comércios e serviços institucionais concentram nas avenida principais, com maior expressividade na parte norte da região pela proximidade com a Avenida Castelo Branco. As áreas residenciais se localizam entre as avenidas comerciais, com maior expressividade na porção sul. A ocorrência de lotes vagos é pequena, se localizando a maioria em áreas próximas às margens dos córregos. O Hipódromo acaba se convertendo em uma fronteira entre a parte residencial ao sul e a porção comercial a norte, garantindo um respiro ambiental para uma área majoritariamente ocupada. Considerando que, em termos de serviços, o bairro já está contemplado suficientemente, a proposta de um parque urbano complementará a qualidade de vida para os residentes. Ao observar as áreas verdes da região, elas estão pulverizadas em pequenas praças, impossibilitando a formação de um sistema de áreas verdes efetivo. A construção de conjuntos habitacionais, com diferentes tipologias (casas unifamiliares, blocos de apartamentos) garantiu uma densidade habitacional intermediária, uma concentração básica de moradores para o florescimento de uma diversidade urbana. Apesar do DETRAN ser um equipamento consolidado na região, no que poderia ser um caminho sem volta para extinção da diversidade ao transformar o uso automobilístico em uso principal do bairro, o contingente populacional assegurou que certa diversidade se mantivesse, com usos diversos (residencial e comercial) pulverizados.

36 | nas bordas da pista: parque urbano da lagoinha


mapa de usos (escala meso)

comércios/serviços/institucional residencial centros religiosos centros educacionais

centros de lazer lotes vagos centros de saúde veios hídricos áreas verdes


9

mobilidade

A malha de transporte público mostra as possíveis conexões com outros pontos da cidade. As atuais linhas de ônibus localizadas no raio de influência do Hipódromo oferece ligações com as regiões Central, Noroeste e Oeste da cidade. O acesso à Lagoinha é dificultado por possuir apenas uma entrada, na Avenida Moura Pacheco. O fato de o terreno ser intransponível faz com que o equipamento falhe em criar conexões de interesse para os usuários. Não existem na região rotas cicláveis implementadas, apesar de a bicicletas serem um meio de transporte recorrente dentro do bairro.

plano diretor de goiânia A Cidade Jardim e seus bairros adjacentes aparecem em alguns momentos do Plano Diretor de Goiânia (2007): Eixos Estruturadores a serem implantados: • Corredor Pio XII (Av. Mato Grosso do Sul; Av. Dom Eduardo; Rua 13 no Bairro Aeroviário; Av. Dom Vital; Av. Pio XII; Av. Armando Godoy; Av. Aderup; Av. Pedro Ludovico; BR-060); • Corredor 17 (Av. Pedro Ludovico; Rodovia BR-060); Corredores Preferenciais de Transporte Público (vias dotadas de faixas de tráfego com prioridade à circulação dos ônibus) • Corredor 11 (Av. Pio XII, Av. Aderup); • Corredor 12 (Av. Nazareno Roriz, Av. Sonnemberg, Av. Pedro Ludovico, Av. C-15); • Corredor 17 (Av. Pedro Ludovico - Rodovia BR-060) Eixo de Desenvolvimento Exclusivo (Área Adensável a 350m): • Avenidas C-12 e C-17 (Eixo T-7) • Avenida Consolação

Figura 4 e 5 | O uso de bicicletas é muito recorrente no setor, apesar da ausência de rotas cicláceis na região (Foto: Autor, 2019)

38 | nas bordas da pista: parque urbano da lagoinha


mapa de acessibilidade (escala meso)

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Eixo Consolação: 164/187/370/930/935 Eixo Pio XII: 149/005/022/182/341/707/940 Eixo Castelo Branco: 009/052/164/590 Eixo T7: linhas 003/027/029/169

pontos de ônibus eixos adensáveis


10 densidade demográfica, renda e gabaritos O mapa ao lado ajuda a compreender a distribuição de renda na área a ser beneficiada pela implementação do parque, bem como a identificação do perfil da população. Predomina um perfil de classe média no entorno imediato ao Hipódromo. A posição centralizada do parque urbano proposto se mostra acessível, atendendo a uma parcela menos abastada da sociedade. A região apresenta, entre as situações mais frequentes, edificações de até dois pavimentos, o que aponta o potencial de adensamento que a região ainda guarda. Apresenta alguns conjuntos residenciais de até seis pavimentos, assinalados nas imagens em laranjado, (Figuras 6 e 7), de modo que a verticalização da área é pontual e recente. De acordo com o Anuário Estatístico da Prefeitura de 2013, em 2010 a Cidade Jardim e seu entorno apresentava uma população de 39.643 habitantes. A densidade demográfica atual pode ser incrementada, e garantir um parque urbano no centro desse bairro resguardaria a população futura de uma melhor qualidade de vida.

40 |nas bordas da pista: parque urbano da lagoinha


mapa de distribuição de renda (escala meso)

Fonte: Atlas Brasil 2013 - Censo 2010 | Organizado por Datapedia.info | Mapa editado pelo autor Nota Técnica: Valor do rendimento nominal médio mensal das pessoas de 10 anos ou mais de idade (com e sem rendimento)

entre R$510 e R$755 entre R$755 e R$1020 entre R$1020e R$1750 entre R$1750 e R$2550 veios hídricos áreas de mata ciliar


mapa de densidade demográfica (escala meso)

Fonte: Atlas Brasil 2013 - Censo 2010 | Organizado por Datapedia.info | Mapa editado pelo autor Nota Técnica: Moradores em domicílios particulares e domicílios coletivos por setores censitários (2010). Números de habitantes por manchas territoriais

entre 307 - 604 entre 604 - 901 entre 901 - 1199 entre 1199 - 1496 veios hídricos áreas de mata ciliar


gabaritos

Figura 6 | Imagem aéra da parte norte do bairro, com a Praça do CSU ao centro e DETRAN em primeiro plano (Fonte: Google Street View/ Foto: Editada pelo Autor)

Figura 7 | Imagem aéra da parte sul do bairro, com a pista do Hipódromo no canto superior e Setor Sudoeste e2m primeiro plano (Fonte: Google Street View/ Foto: Editada pelo Autor)

conjuntos habitacionais edifícios verticais em altura

situação urbana | 43


11

aspectos ambientais O mapa ao lado permite observar a topografia do bairro Cidade Jardim, limitado pelos córregos Cascavel e Macambira, dois dos principais mananciais da cidade, que desaguam no Ribeirão Anicuns, bem como o Córrego Attílio Corrêa Lima, um dos contribuintes do Córrego Cascavel. A Lagoinha compreende um porção com lençol freático aflorante, de grande importância da recarga dos aquíferos, o que a classifica como uma área de banhado. A “lagoa” e sua nascente abastecem o Cascavel por meio do Córrego Attílio Corrêa Lima, bem como por infiltração dos aquíferos. A topografia predominante plana com poucos declives influência o acúmulo de água na planície; com a impermeabilização do solo decorrente da ocupação, surgem no período de chuva pontos de alagamentos dentro do bairro. O Parque Cidade Jardim, única área verde proposta para o bairro em sua implantação1, deveria preservar a cabeceira do córrego Attílio Corrêa Lima. A área do parque atualmente encontra-se invadida e desmatada. O afluente, de extensão diminuta, tem suas áreas de mata ciliar pouco ocupadas, com pequenas edículas e usos pouco nobres, como ferros-velhos e garagens de caminhão, mas que o escondem da paisagem urbana.

Figura 8 | Córrego Attílio Correa Lima (Foto: Autor, 2019)

Figura 9 | Parque Cidade Jardim, com edificação abandonada, área completamente desvegetadada (Foto: Autor)

mananciais Dentro do perímetro estudado, o córrego Cascavel encontra-se canalizado, margeado por vias de trânsito expressa. A única parte efetivamente implantada do projeto da Marginal Cascavel, a obra data de 1992 e visava criar um eixo viário ao longo do curso do rio, juntamente com outros córregos da capital como o Botafogo e o Capim Puba (RIBEIRO, 2004). Culminou na retirada da mata ciliar do afluente, desconsiderando seus aspectos ambientais e comprometendo seu potencial enquanto infraestrutura verde para a cidade. O córrego Macambira, por outro lado, encontra-se em vias de ser reintegrado à paisagem urbana da cidade como parte do Programa Urbano Ambiental Macambira Anicuns (PUAMA), iniciado em 2003 pela Prefeitura Municipal de Goiânia. O programa visa a criação de um extenso parque linear de 24km de extensão, ao longo dos leitos do Macambira e do Ribeirão Anicuns, beneficiando o bairro Cidade Jardim. O projeto contempla questões de organização urbano-ambiental, regularização dos assentamentos e implementação de infraestrutura.

Figura 10 | Marginal Cascavel (Fonte: Diário da Manhã/ Foto: Aroldo Costa)

Figura 10 | Córrego Macambira (Foto: Autor, 2019)

Criado no ato do parcelamento Decreto Estadual nº 43 de 30/03/1957; Decreto Municipal nº 567 de 30/04/1987

1

44 | nas bordas da pista: parque urbano da lagoinha


mapa de aspectos ambientais (escala meso)

Parque Campina das Flores

Córrego Macambira Córrego Cascavel

Córrego Attílio C. Lima

Parque Cidade Jardim

Brejo

Córrego Macambira

Córrego Cascavel área de banhado veios hídricos áreas de mata ciliar

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12 contexto dos espaços públicos A região estudada apresenta uma quantidade relevante de áreas públicas, em sua maioria praças, que ao lado dos canteiros centrais arborizados criam um sistema singelo de áreas verdes, mas que por estar pulverizado perde a possibilidade de criar um respiro ambiental de qualidade. De um modo geral, há uma notável carência no desenho desses espaços abertos para que eles contemplem não só o caminhar, mas também o permanecer. Grande parte desses logradouros verdes servem meramente como cruzamento para pedestres, decorrente da falta de um projeto de qualidade. A falta de um projeto de paisagismo que incremente a cobertura vegetal também é recorrente. As áreas, que poderia funcionar como um ponto de conforto térmico, falham em oferecer sombra e o uso diurno é prejudicado. Apesar de pequenas, muitas dessas praças são utilizadas pela comunidade no final da tarde para fazer caminhadas, passear com cachorros e brincar com os filhos. Em alguns desses espaços estão instaladas estruturas para abrigar unidades de atendimento à comunidade, como o Centro de Referência de Assistência Social na Praça Vila Canaã ou o Núcleo de Assistência Social (NAS) na Praça Santo Antônio. As feiras livres tem um papel protagonista da apropriação do espaço público no bairro. Foram contabilizadas feiras em sete pontos distintos da região, alternando durante os dias da semana.

No sentido horário: Figura 11 | Famílias atravessando a praça Sagrada Família após missa Figura 12 |Falta de arborização na praça Vila Canaã Figura 13 |Jovens na Praça do Jóquei, sem espaços de permanência de qualidade (Fotos: Autor, 2019)

46 | nas bordas da pista: parque urbano da lagoinha


mapa de espaços públicos (escala meso)

Praça Santo Antônio

Praça Abel Coimbra (Praça do CSU)

Parque Cidade Jardim

Praça do Guadalajara

Praça Constelação

Praça do CMEI

Praça Marquês Lopes

Centro Esportivo Morada Nova

Praça Niemeyer

Praça Tiradentes (Praça do Morado Nova)

Praça Tomaz Gonzaga

Praça do Jóquei

Praça do Burguês

Praça Vila Canaã (Praça do CRAS) Praça da Igreja Batista

Praça C-10

Praça da Sagrada Família

Praça C-18

Praça C-5

locais do bairro com ocorrência de feiras livres

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No intuito de compreender como se dá a apropriação e uso dos espaços abertos na porção estudada, bem como as dinâmicas estabelecidas entre esses logradouros e usuários, foi dado enfoque para dois desses espaços públicos, a Praça do CSU (Praça Abel Coimbra) e a Praça do Jóquei:

praça do csu O Centro Social Urbano da Cidade Jardim (CSU) foi um equipamento urbano inaugurado na Praça Abel Coimbra em 1978. O centro contava com salas de recreação, gabinete médico e dentário e biblioteca, e funcionou ativamente com um espaço de encontro da comunidade até sua desativação nos anos 1980. O impacto do CSU no imaginário do bairro foi tão efetivo que até hoje a praça leva o seu nome. Atualmente, a estrutura remanescente do centro é utilizada como creche e centro de artes para a comunidade durante o dia. Funciona também em suas dependência do Centro de Saúde Cidade Jardim e uma das unidades de apoio do Programa Urbano-Ambiental Macambira Anicuns (PUAMA) O ginásio é centro de treinamento do time goiano de vôlei Monte Cristo, e oferece aulas para a comunidade durante toda a semana. Aos finais de semana, as calçadas da praça são utilizados para uma feira livre. Apesar da falta de infraestrutura, o espaço continua sendo apropriado pela comunidade, e se mostra uma área extremamente viva dentro do bairro durante toda a semana.

Figura 14 | Feira livre do CSU (Foto: Autor, 2018)

Figura 15 | Panorama da Praça do CSU (Foto: Autor, 2019)

Figura 16 | Aula de vôlei para a comunidade no ginásio do CSU (Foto: Autor, 2019)

48 | nas bordas da pista: parque urbano da lagoinha


praça do jóquei Localizada na Avenida Altamiro Moura Pachêco, do lado oposto ao Hipódromo da Lagoinha, está a Praça do Jóquei. Apesar da falta de infraestrutura, a praça é regularmente utilizada pelos moradores do bairro no final da tarde para caminhadas. Aos finais de semana, é utilizada para sediar a feira de automóveis da Cidade Jardim, um dos momentos de maior vivacidade do espaço. Os carros à venda são estacionados ao redor da praça e da ilha central da avenida, e os vendedores se abrigam nas sombras das árvores. Vendedores ambulantes tomam conta do espaço, e estruturas temporárias são instaladas para venda de alimentos, como pasteis e caldo de cana.

Figura 17 | Panorama da Praça do Jóquei(Foto: Autor, 2018)

Figura 18 | Pessoas se acomodando na sombra da praça (Foto: Autor, 2019)

Figura 19 | Venda espontânea de comidas por conta da feira de automóveis (Foto: Autor, 2018)

situação urbana | 49


Figura 1 | Piscina para cavalos, com Vila Hípica e Caixa D’água ao fundo (Foto: Autor, 2019)


Na próxima parte, é dado um passo mais próxima do objeto em estudo, o Hipódromo da Lagoinha, sendo utilizada a Escala Micro de análise. Abaixo, um glossário com termos relacionado ao Hipódromo para facilitar a leitura. Equitação: a arte da cavalgada, treinamento feito para coordenar a consciência humana com a do animal. Hipismo: modalidade da arte de montar a cavalo que compreende todas as práticas desportivas que envolvam o animal. Envolve diferentes modalidades, dentre adestramento, salto, corridas e polo, existindo modalidades olímpicas, paraolímpicas e não-olímpicas. A base do hipismo é a equitação. Hipódromo: área descoberta em que se realizam corridas de cavalo e outros exercícios de equitação. Equoterapia: método terapêutico baseado na equitação. Busca-se o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência e/ou com necessidades especiais. A Equoterapia emprega o cavalo como agente promotor de ganhos a nível físico e psíquico. Exige a participação do corpo inteiro, contribuindo para o desenvolvimento da força muscular, relaxamento, conscientização do próprio corpo e aperfeiçoamento da coordenação motora e do equilíbrio. Turfe: Modalidade do hipismo baseado em corridas de cavalos, envolve o treinamento do cavalo, a competição e apostas Páreo: Nome dado à corrida de turfe. Reunião: Conjuntos de páreos realizados em um mesmo dia. Picadeiro/Arena: Local designado para ensinar a equitação. Pode ser utilizado para provas de saltos e para a equoterapia. Padoque: termo curinga que designa área onde o cavalo descansa ou onde é preparado para as corridas. Este também pode ser chamado de selaria. Jóquei: atleta responsável por montar o cavalo. Vila Hípica: Instalação dentro de um hipódromo responsável por acomodar os cavalos, os treinadores e o pessoal de apoio responsável pelo preparo do animal para as provas de turfe.

parte 04 o sítio


13 levantamento geral 01 - DETRAN - GO (Funcionamento: 7h-19h) 01.A Setor de Atendimento 01.B Setor de Provas 01.C Setor de Transporte 01.D Pátio de Vistoria 01.E Central de Monitoramento 01.F CEI Fernanda Reis 02 - Estacionamento do DENTRAN-GO (Área pertencente ao Hipódromo da Lagoinha) 03- Sede Administrativa SINTRAN-GO (Desativada) 04-Complexo de Delegacias da Polícia Civil (Funcionamento: 7h-18h) 04.A Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos (DERFRVA) 04.B Delegacia Estadual de Investigações Criminais (DEIC) 04.C Delegacia Estadual de Capturas (DECAP) 04.D Delegacia Estadual de Investigação de Homicídos (DEIH) 04.E Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (DENARC) 04.F Pátio de Veículos 1 04.G Pátio de Veículos 2 04.H Campo de Futebol 05 - Central de Flagrante (Funcionamento: 24h) 05.A Ginásio 06 - Hospital da Polícia Militar de Goiás (Funcionamento: 7h-22h) 06.A Pronto Atendimento (Funcionamento: 24h) 06.B Laboratório Clínico 06.C Centro Odontológico 06.D Faculdade da Polícia Militar 07 - Instituto Médico Legal (Funcionamento: 24h) 07.A Instituto Médico Legal 07.B Instituto de Criminalística 07.C Serviço de Verificação de Óbito 07.D Associação dos Peritos em Criminalística em Goiás 08 - Clube da Telegoiás (Funcionamento: 8h - 17h) 08.A Campo de Futebol 08.B Piscinas 08.C Área de Churrasco 08.D Ginásio 09 - Lotes privados 10 - Hipódromo da Lagoinha 10.A Vila Hípica: Baias e Caixa D’Água 10.B Hospital Veterinário 10.C Arquibancada 10.D Edifício Social: Lanchonete/Restaurante Panorâmico/Salão de Festas/Administração/ Caixa de Apostas/Banheiros 10.E Pista 10.F Torre de Observação 10.G Bar 10.H Selaria 10.I Piscina para Cavalos 10.J Banheiros (Desativado) 10.K Padoque 52 | nas bordas da pista: parque urbano da lagoinha


mapa de levantamento geral (escala micro)

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0,1km

Área Original do Hipódromo: 60,1ha Área Atual do Hipódromo: 32,7ha Área da Pista e Brejo: 16,1ha

acesso ao hipódromo acesso aos demais equipamentos

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14 levantamento ambiental No intuito de pensar em como realizar o manejo ambiental da área, foi feito um levantamento da cobertura vegetal da região, bem como as áreas de brejo dentro da Hipódromo da Lagoinha. As principais nascentes estão localizadas na parte interior da pista, o que garante sua integridade. Uma outra grande mancha de área alagada está ao sul do terreno, protegida por uma intensa massa arbórea. Quando comparado com outros equipamentos da quadra, como o DETRAN-GO e o Complexo de Delegacias, o Hipódromo possui pouca cobertura vegetal, na justificativa pela de garantir amplitude visual de toda a pista a partir da arquibancada. Entretanto, a preservação das nascentes poderia ser contemplada com a reconstrução ecossistêmica da região. De acordo com BERTONI (1965, apud BARBOSA 1989, p. 175), a cobertura vegetal contribui ao diminuir do impacto da chuva sobre o solo. Com o auxílio das raízes, o solo aumenta os níveis de matéria orgânica, aumentando também a percolação da água e a capacidade de retenção hídrica, diminuindo a velocidade com que a enxurrada escoa. De acordo com o Instituto Terra, que já recuperou mais de 7.000ha de mata atlântica no interior de Minas Gerais, a recomposição do solo promove o resgate dos recurso hídricos da região, eleva a quantidade de biomassa e permite um retorno de animais nativos à região. A estratégia seria adequada na manutenção da Lagoinha enquanto patrimônio ambiental.

Figura 2 | Reserva Particular de Proteção Natural Fazenda Bulcão, do Instituto Terra em 2002. (Fonte: Arquivo Instituto Terra)

Figura 3 | Fazenda Bulcão em 2017, após reconstrução ecossistêmica (Fonte: Arquivo Instituto Terra)

Av. Moura Pachêco

Av. Attílio Corrêa Lima

Brejo

ÁREA RESIDENCIAL

HIPÓDROMO DA LAGOINHA

PÁTIO DE VEÍCULOS

PARQUE CIDADE JARDIM

corte esquemático do terreno

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mapa de aspectos ambientais (escala micro)

Brejo

Bambuzal

Brejo

0,1km

Área Original do Hipódromo: 60,1ha Área Atual do Hipódromo: 32,7ha Área da Pista e Brejo: 16,1ha

áreas permeáveis area de banhado

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15 levantamento fotográfico No intuito de transmitir ao leitor uma melhor compreensão do objeto em estudo, foi feito um levantamento fotográfico entre os períodos de março e junho de 2019. O levantamento abrange três instâncias: o Hipódromo da Lagoinha, os equipamento em seu entorno e os aspectos ambientais da área.

invisibilidade do objeto De um modo geral, observa-se um ponto relevante que deve ser discutido em relação W de tomarem ciência da sua existência. Tomar proveito dessa leva de pessoas poderia ser benéfico para a própria conservação da Lagoinha, e sua reinserção no imaginário da cidade enquanto espaço de lazer.

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mapa do levantamento fotográfico (escala micro)

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1 0,1km

Área Original do Hipódromo: 60,1ha Área Atual do Hipódromo: 32,7ha Área da Pista e Brejo: 16,1ha

entorno hipódromo aspectos ambientais

Figura 4 | Imagem de Satélite da Cidade Jardim

(Fonte: Mapa Fácil de Goiânia, 2017 - Editado pelo autor)

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estímulos percebidos A Lagoinha, apesar de ser considerada subtutilizada enquanto equipamento urbano, comporta uma variedade de “lugaridades”, decorrentes da apropriação dos moradores do bairro. No intuito de ilustrar a dimensão do Hipódromo, bem como os vários estímulos e as diferentes percepções de lugar que ele emana, foi realizada esta ilustração. Compreendendo os estímulos percebidos, será possível conceber um programa de necessidade que os potencialize.

No centro da pista está o brejo. Ambos são os elementos mais importantes do conjunto.

Para as atividades que se relacionavam aos tipos de lugares enunciados por Lineu Castelo, foi atribuída uma cor, sendo elas: lugar de pluralidade lugar de memória lugar de aura

Na Praça do Jóquei, pessoas fazem caminhadas e passeam com seus animais. Jovens usam o espaço como ponto de encontro.

Durante a feira de automóveis, os carros são expostos na Avenida Pachêco de Moura. Os vendedores se aproveitam da sombra dos flamboyant na ilha central para colocar suas cadeiras de praia e esperar pelos clientes. Espontamente, vendedores montam barracas de comida para atender à feira de automóveis. As quadras de futebol e seu bar atraem usuários durante toda a semana.

Na faixa central do Hipódromo, entre a avenida e a pista, concentram-se as atividades relacionadas ao turfe. Por aqui, os cavalos são levadas, a pista, ao hospital veterinário e à piscina para realizar a limpeza.

64 | nas bordas da pista: parque urbano da lagoinha


Ao fundo, o Morro do Mendanha é um elemento visual de interesse. O Projeto Macambira Anicuns prevê a construção de um parque urbano em suas dependências, o Parque da Pedreira.

As baias, edifícios da década de 1950, abrigam os cavalos de corrida e as famílias que cuidam deles. A caixa-d’água do conjunto é um marco visual na paisagem.

Na parte posterior do Hipódromo, a ambiência muda. Árvores espaçadas são casa para diferentes animais: guarás, rãs, quero-queros, curicacas, araras-canindé, garças. Várias espécies de gramíneas e pequenos trechos alagadiços evocam o ambiente natural da região. Vez ou outra é possível ver moradores da região coletando plantas ou frutos no Hipódromo. Ingá, macela, taioba e capuchinha são alguns dos insumos que podem ser encontrados. Coletar frutos é um hábito antigo relatado no bairro.

Nas arquibancadas do Hipódromo, os usuários assistem as provas de turfe e observam a vista. Alguns dias durante o mês, o salão de festas recebe eventos noturnos. Durante a semana, quando está vazio, jovens utilizam a arquibancada como espaço de encontro.

Os muros cercando o Hipódromo limitam o espaço e interrompem a paisagem.

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Figura 1 | PĂşblico acomodado na arquibancada assisitindo pĂĄreo na Lagoinha(Foto: Autor, 2019)


Anterior ao seu tombamento em 2008, o Hipódromo já configurava no Plano Diretor de Goiânia de 2007 como uma das Áreas de Programas Especiais de Interesse Urbanístico, nas quais “serão atribuídos programas de ação de interesse estratégico preponderante, com o objetivo de promover transformações estruturais de caráter urbanístico, social, econômico e ambiental”, “sujeitos às ações de requalificação urbanístico-ambiental e econômica, objetivando a valorização de suas peculiaridades e relações”. Na minuta do novo Plano Diretor de Goiânia (2018), o Hipódromo está listado dentre os bens tombados pelo Município (Anexo XIX), integrando o Patrimônio Cultural da cidade (Art. 11) ao quais podem ser aplicados incentivos fiscais para “restauração, reparação e conservação” (Art. 43). De acordo com Artigo 137, ele está integrado à unidade territorial identificada como Área de Patrimônio Histórico e Urbanístico (APHA). Apesar de a mesma minuta apontar que uma APHA é composta pela Área do Bem Tombado e Área do Entorno do Bem Tombado, o Hipódromo não apresenta os parâmetros que delimitam a Área do Entorno do Bem Tombado em nenhum momento do documento. A verba para a requalificação do Hipódromo, desse modo, pode ser oriunda de programas dedicados a preservação do patrimônio. Considerando que o Hipódromo é propriedade particular do Jóquei Clube de Goiás, o projeto pode ser viabilizada por Operação Urbana Consorciada a partid do diálogo dos proprietários dos terrenos e o Poder Público.

parte 05 potencial


17 espacialidade dos lugares A partir dos estímulos apreendidos, é possível perceber que a Lagoinha evoca os três tipos de lugares enunciados por Lineu Castelo. Na vista abaixo, foram remetidos a fim de perceber a espacialidade que eles tomam:

lugar de pluralidade

É nesse espaço em que se concentra a maior diversidade de usuários, motivados por diversas razões. Pessoas chegando ao Hipódromo, compras, vendas, trocas. Pessoas jogando futebol, festejando no bar, caminhando na praça, descansando na sombra, constantemente interagindo uma com as outras.

lugar de memória

Por memória, compreende-se as vivências dos usuários, principalmente as ligadas ao turfismo. Pessoas cuidando dos cavalos, cavalgando-os, acompanhando as corridas enquanto sentadas nas arquibancadas, um programa que acontece aqui por mais de 50 anos.

lugar de aura

O conceito de aura refere-se tanto a aura cultural de um local, aqui relacionada ao hipismo, tanto quanto à aura natural do espaço, o genius loci. De certa forma, foi a conformação da região enquanto terreno alagadiço que motivou a sua doação ao Jóquei Clube de Goiás, e foi a existência do Hipódromo que permitiu que a área fosse conservada conforme a área foi ocupada. Aqui tem-se a amostra mais próxima desse ambiente natural, onde se pode sentir a natureza, o brejo, as gramíneas, os pássaros.

68 | nas bordas da pista: parque urbano da lagoinha


18 projeto de programa A partir dos tipos de lugares percebidos no Hipódromo, foi feito um exercício buscando entender quais hábitos de cada tipo de lugar poderiam ser potencializados.

ENCONTRAR CHEGAR

COMPRAR

CONVERSAR

VENDER

INTERAGIR ENTRAR

ANDAR A CAVALO

DESCOBRIR SENTIR A NATUREZA

PRESERVAR CAMINHAR OBSERVAR PÁSSAROS

FESTEJAR EXERCITAR VER OS CAVALOS CELEBRAR

DESCANSAR

VER A NATUREZA

COLETAR FRUTOS PERMANECER OBSERVAR OBSERVAR O GOIÂNIA MENDANHA

potencial | 69


Em seguida, considerando os hábitos percebidos como positivos, pensou-se como esses hábitos poderiam ser potencializados, ou seja, quais estrutura, espaços e novos estímulos poderiam ser introduzidas no espaço. O produto final desse exercício é um projeto do programa de necessidades na requalificação do Hipódromo da Lagoinha

ESPLANADA DA LAGOINHA

• •

Espaço livre para abrigar pequenos eventos e apropriações espontâneas dos usuários Transição entre avenida e Hipódromo Implementação de mobiliário urbano e priorização de espaço sombreado

CENTRO AMBIENTAL DA LAGOINHA

REQUALIFICAÇÃO DO COMPLEXO DO HIPÓDROMO: CENTRO EQUESTRE DA LAGOINHA • • • •

70 | nas bordas da pista: parque urbano da lagoinha

Implementação de escola de equitação e centro de equinoterapia Expansão da área de arquibancada Novo edifício social para Hipódromo Manutenção da Vila Hípica e hospital veterinário

• • • • •

Recuperação ecossistêmica da área Rearborização Laboratório de semeadura, viveiro de mudas e estufa Implementação de passarelas de acesso e espaços de permanência Mirante


19 projetos referenciais

Figura 2 | Passeios e áreas de estar criadas no projeto do parque, intercalados por área alagadas (Foto por: Turenscape/Fonte: Landezine)

parque de águas pluviais de quinli projeto: Turenscape localização: Haerbin City, China área: 34,2hectares ano: 2010 O distrito de Quinli, na cidade de Haerbin City, na China, foi construído em 2006 sob uma área pantanosa, considerada uma zona protegida pela importância ambiental. Com a ocupação intensiva, as nascentes remanescentes na área estavam ameaçadas, o que culminou na proposta da criação de um parque de terras pluviais na porção intocada que ainda existia, no centro do distrito. A intenção projetual foi de, ao manter o núcleo ambiental intacto, permitisse que ele armazenasse as águas das chuvas para que elas pudessem infiltrar no aquífero, ao mesmo tempo em que promovesse um novo espaço urbano para a comunidade.

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Figura 4 | A passarela se converte em mirante (Foto por: Turenscape/ Fonte: Landezine)

estratégia projetual

A fim de permitir a preservação do ambiente, a primeira estratégia tomada foi deixar o núcleo central (onde estão as principais áreas de banhado) intocado. A partir de um sistema de cortes e aterros na topografia do entorno do parque, foi criado um sistema de pequenos lagos e morros que isolam o centro das vias do entorno. Esse sistema permitiu a implementação de um sistema e tratamento de água, que por meio de decantação (e com o auxílio de variadas plantas) purificam a água que são liberadas na parte central para que sejam infiltradas. A segunda estratégia foi a construção de uma rede de passarelas sob essas pequenas lagoas e montes, fornecendo espaços de permanência e caminho para o usuários. O fato de estarem suspensas permite que os usuários tenham um contato com a área verde que não gera interferência no núcleo a ser preservado. Mirantes e áreas com bancos são os espaços projetados para que o contato entre usuário e local seja efetivo e duradouro. Ao deixa que o núcleo central permaneça intocado, o projeto permite que a auto-regeneração do parque, auxiliado pelo sistema de cortes e aterros que promove o manejo correto das águas pluviais. A clara distinção entre ambiente natural e ambiente construído permite que o parque atinja ambas suas ambições de espaços para a comunidade e preservação do meio ambiente.

Figura 5 | Ao suspender a passarela, o terreno alagado fica livre para se regenerar (Foto por: Turenscape/ Fonte: Landezine)

Figura 6 | Entrada do parque, com passarelas se elevando (Foto por: Turenscape/ Fonte: Landezine)

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Passeios e áreas de estar criadas no projeto do parque, intercalados por área alagadas (Foto por: Turenscape)

Figura 7 | A esplanada da praça, assentada com tijolos queimados. Ao fundo, arquibancada e tótens de concreto (Fonte: Archdaily)

praça pampulha projeto: Arquitetos Associados localização: Belo Horizonte, Brasil área: 19.000m2 ano: 2008 Implantação: Localizado na orla da Lagoa da Pampulha, a Praça Pampulha foi um intervenção urbana construída no intuito de prover ao complexo um espaço desimpedido, capaz de acolhar eventos de médio e grande porte. A praça se abre para a lagoa, e amplia sua área ao alocar serviços complementares (banheiros) abaixo do nível da praça, e tornando sua cobertura em área da praça. Programa: A parte principal da praça compreende uma esplanada seca, complementado por postes de concreto para iluminação. Conforme se distancia da lagoa, a área gramada aumenta, contemplando um uso mais intimista com arborização. Sanitários públicos e lanchonete complementam o uso, com face voltada para a área de estacionamento. A cobertura dessas instalações é utilizada como arquibancada, delimitando a área da praça.

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Figura 8 | Planta de implantação (Fonte: Archdaily)

Tectônica: Em contraposição à grande explanada, postes robustos (totens) de concreto marcam a praça verticalmente. O orçamento restrito para uma extensa área motivou o uso de materiais resistentes e de baixo custo: o tijolo requeimado para pavimentações e elementos verticais; o concreto para os tótens; brita e grama para as áreas permeáveis.

Figura 9 | Área gramada na parte posterior da praça (Fonte: Archdaily)

estratégia projetual

O equilíbrio entre a parte seca e parte arborizada garante que praça seja utilizada para mais de um tipo de evento. A escolha da pavimentação em tijolo requeimado, permitindo que os totens mais elaborados plasticamente fossem incluídos no orçamento. A implantação dos espaços complementares em uma cota abaixo do nível da praça, utilizando a parte de cima como complemento da praça é um uso interessante da topografia.

74 | nas bordas da pista: parque urbano da lagoinha

Figura 10 | Espaços de apoio em meio nível; voltados para estacionamento (Fonte: Archdaily)


Figura 11 | Em primeiro plano, o projeto de expensão. Ao fundo, o hall coberto/arquibancada pré-existente. (Foto por: Patrick Miara /Fonte: Archdaily)

hipoddrome de la baie projeto: NOMADE Architects localização: Yffiniac, França área: 1.095m2 ano: 2015 O projeto consiste na reabilitação e extensão do Hipódromo de la Baie, em Yffiniac, na França, considerando uma renovação da estrutura presente e um diálogo entre pré-existência e novas adições. A intenção projetual consistia em aprimorar as instalações de recepção do público e garantir espaços que atendesse a outros eventos. Implantação: O projeto toma como ponto de partido a arquibancada pré-existente, e os novos espaços são localizados conforme a necessidade de que o usuário estabeleça contato visual com a pista. A expansão é compacta, suspensa por pilotis, na intenção de reduzir o impacto no solo. Forma: A escolha os volumes monolíticos criam uma leveza no conjunto, permitindo que a o hall coberto garanta sua importância visual e peso.

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Figura 12 | No primeiro andar, sala de reuniões; no segundo, o restaruante com vista para a pista (Foto por: Patrick Miara /Fonte: Archdaily)

Programa: A adição consiste em três blocos monolíticos, interligados por um quarto bloco de concreto que conecta a arquibancada com a expansão. Por meio de uma caixa de circulação vertical, ascende ao primeiro pavimento, que dá acesso à administração e salas de reunião, e no segundo andar ao restaurante, com vista para a pista de corrida, e às arquibancadas . Tectônica: O projeto faz uso de diversos materiais, conforme a necessidade de permeabilidade visual e proteção solar. No hall coberto, estrutura de madeira é conjugada a estrutura metálica, e a vedação translúcida confirma o caráter público do espaço. Os três blocos suspensos são feitos de estrutura metálica, e suas vedações são uma combinação de painéis metálicos com vidro. O volume que une os três é em concreto aparente, com uma sobriedade que é equilibrada pelas aberturas irregulares em sua fachada.

Figura 13 | Acesso aos pavimentos e às arquibancadas (Foto por: Patrick Miara /Fonte: Archdaily)

estratégia projetual

Ao trabalhar com uma pré-existência, o projeto garante que o que é adicionado crie uma distinção entre novo e velho, reduzindo o impacto no solo com os blocos suspensos. No programa, a inclusão de um restaurante panorâmico e de salas de reunião aumentam as possibilidades de uso do complexo.

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Figura 14 |Em primeiro plano, a arquibancada. Ao fundo, o projeto de expansão (Foto por: Patrick Miara /Fonte: Archdaily)


Figura 15 |Em primeiro plano, o picadeiro aberto, em seguida o edificio. Ao fundo, açude criado pela drenagem do terreno (Foto por: Lisbeth Grossman /Fonte: Archdaily)

centro equestre projeto: Seth Stein Architects, Watson Architecture+Design localização: Merricks, Austrália área: 3.000 m2 ano: 2014

Implantação: A implantação do edifício equestre demandou a nivelação do terreno e a drenagem da água, que proporcionou a criação de um pequeno lago com uma ilha como santuário para aves. Programa/Forma: O edifício em formato de meio lua proporciona estábulos, área de lavagem, depósito e espaço para workshop e alimentação, bem como um pequeno escritório. Um celeiro armazena o feno e estacionamento pros veículos do estábulos. Externamente, uma pequena piscina para cavalos, dois pátios (um seco e outro com grama) e uma arena para eventos de demonstração prática e saltos.

potencial | 77


Figura 16 | Planta de implantação, com edificio em meia-lua, picadeira e açude. (Foto por: Lisbeth Grossman /Fonte: Archdaily)

Figura 17 |Parede de taipa e vedações em madeira (Foto por: Lisbeth Grossman /Fonte: Archdaily)

Tectônica: A cobertura em telha de zinco é apoiada por uma parede de taipa, suportada por estrutura em madeira laminada e vedação em painéis de madeira.

estratégia projetual

O edifício em meia lua faz as vezes de muro do própria complexo, e centraliza as atividades para a arena, e o programa se acomoda em uma volumetria compacta. A cobertura também serve para direcionar a água das chuvas, que alimentam o açude. Figura 18 |Transição entre baias e arenas (Foto por: Lisbeth Grossman /Fonte: Archdaily)

78 | nas bordas da pista: parque urbano da lagoinha


Figura 19 | A estufa, com seus cinco pavilhões conjugados, em estrutura abobadada (Fonte: Archdaily)

estufa da exposição de agricultura de Taoyuan projeto: BIAS Architects localização: Taoyuan, China área: 3.000 m2 ano: 2018

Implantação/Forma/Tectônica: Localizado em um terreno plano próxima a um lago, a estufa compreende 5 pavilhões conjugados, todos concebidos em uma estrutura metálica delgada com vedação em telas de diferentes colorações e espessuras, conforme a necessidade de cada ambiente, com dois acessos principais, criando um circuito entre aos espaços.

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Figura 20 |Planta da estufa, com ênfase nos espaços de circulação (Fonte: Archdaily)

Programa: A intenção do projeto é permitir com que os usuários tenham uma experiência sensorial e lúdica junto às plantas, criando um percurso e mesclando a estufa com diferentes programas. Cada pavilhão atende a uma especificidade climática para um conjunto de plantas específicas. O primeiro e segundo pavilhões são sombreados, úmidos e arejados; alojam samambaias e funcionam como um espaço de estar e espaço de refeições. A terceira parte acomoda uma cozinha, e uma horta hidropônica vertical, que são processados na cozinha e servido no segundo pavilhão. A quarta zona é mais quente e seca, com maior incidência solar, e serve para a dissecação de vegetais. A quinta e última parte é quente, úmida e escura, e comporta a cultura de fungos, bem como um pequeno auditório.

Figura 21 |Primeiro pavilhão, com samambaias (Fonte: Archdaily)

estratégia projetual

Conjugar espaços de atividades com às áreas de cultivos de muda amplia a vocação de um viveiro. A criação de um percurso interno, com pequenos mezaninos. O uso de estrutura metálica leve reduz o impacto no meio ambiente. Figura 22 |Viveiro vertical, e escada para segundo pavimento do pavilhão (Fonte: Archdaily)

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20 estudo de caso: városliget parque da cidade (városliget) projeto: Heinrich Nebbien localização: Budapeste, Hungria área: 302ha período de projeto: 1817 (projeto inicial), 1896 (celebrações do Milênio ), 1970- (projetos de renovação pela municipalidade de Budapeste) Durante o século XVIII, com a expansão da malha urbana de Pest, uma área pantanosa distante do centro foi drenada por medidas sanitaristas, visando a futura ocupação da região. Posteriormente, a área foi convertida em um parque público para a cidade, o Városliget. A área foi rearborizada, caminhos para pedestres foram abertos, e equipamentos de lazer urbano foram instalados em suas dependências, como as Termas Széchenyi e o Zoológico da cidade. Localizado no final da Avenida Andrássy, foi o palco principal da Exposição do Milênio. Recebeu uma leva de pavilhões, como o Castelo Vajdahunyad e o centro de artes Kunsthalle. Após um período de descaso durante grande parte do século XX, o Városliget voltou a ser um ponto de interesse para a cidade a partir dos anos 1970. Atualmente cada edifício do parque abriga uma atividade diferente, a maioria delas relacionadas a atividades culturais, contemplando instâncias de lazer ativo (pista de caminhada, quadras poliesportivas, ringue de patinação durante o inverno) e lazer passivo (áreas de permanência ao redor do lago, gramados para banho de sol, polo gastronômico).

Figura 24 | Vista aéra do parque (Fonte: Liget Budapest)

Figura 25 | Kertem, área com bares no interior do parque (Fonte: We Love Budapest)

estratégia projetual

O Városliget chama a atenção por ser um respiro verde dentro da malha urbana, e ao mesmo tempo oferecer um programa de cultura e lazer diverso. Os edifícios implantados dentro dos 302ha de área permitem que o parque preencha o espaço negativo, e se torne a amarração desse quarteirão cultural. Ao fornecer diferentes usos primários, como o Zoológico e as termas, é garantido que o público do parque se renove constantemente durante o dia, se tornando um lugar extremamente vivo. O espaço do parque também funciona para acomodar atividades fora do programa preestabelecido, permitindo que ele seja palco de pequenos festivais de música, parques de diversão, feiras, entre outros.

Figura 26 |Banhos termais Szécheny, no interior do parque (Foto por: Dave Patten/Fonte: Flickr)

Figura 27 |Ringue de patinação cosntruído no parque durante o inverno. Ao fundo, castelo Vajdahunyad, que hoje funciona como museu (Foto por: Vilmos Vincze/Fonte: Flickr)

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Figura 1 | Hipรณdromo da Lagoinha, com morro do Mendanha ao fundo (Foto: Autor, 2017)


Na última parte desse caderno, é explorada a proposição do Parque Urbano da Lagoinha, bem como as estratégias aplicadas a fim de que o parque tenha sua urbanidade potencialidade, e seja capaz de ser um auto-regenerativo, enquanto área verde, e vivo enquanto patrimônio, As propostas aqui reunidas serão o ponto de partida para a parte 2 desse Trabalho de Conclusão de Curso, a ser realizado no segundo semestre de 2019.

06 parque urbano da lagoinha


21 recurso de projeto Nesse momento, são analisados quais recursos serão aplicados à área de intervenção, baseados nas estratégias obtidas através dos estudos de caso, tomando como base os três tipos de lugares (pluralidade, memória, e aura) e suas conexões. Seguindo o exemplo do Parque da Cidade de Budapeste, a primeira medida seria integrar os edifícios na quadra por meio do parque, que corresponderia ao espaço negativo entre eles. Para tal, os muros entre os edifícios serão removidos, bem como algumas pequenas edificações (assinaladas na Vista 01 ao lado). Os setores de Transportes e Vistoria do DETRAN-GO serão remanejados para outra área dentro do lote da instituição. Serão incorporados porções do lote do Complexo de Delegacias, com a relocação do Pátio 2 da DEFRVA por entender que seu uso enquanto depósito de carros e ferro-velho é pouco nobre mediante a proposta do parque. Do atual complexo do Hipódromo, será demolido apenas o edifício social, mantendo-se a Vila Hípica, o Hospital Veterinário, a piscina para cavalos, a Torre de Observação e a arquibancada. O programa será realocado para o novo Centro Equestre proposto.

o novo parque Na nova conformação, o DETRAN-GO, o Complexo de Delegacias, o Complexo do IML, o Hospital da Polícia Militar, o Clube da TeleGoiás e o Hipódromo da Lagoinha funcionarão todos dentro do mesmo logradouro, o Parque da Lagoinha. O Parque da Lagoinha, com sua multiplicidade de usos, terá movimento contínuo e uma constante renovação dos usuários. As áreas incorporadas passarão por reconstrução ecossistêmica , a qual será levada a cabo pelo Centro Ambiental proposto. A pista e o brejo se manterão intransponíveis no centro do parque, com os passeios sendo implementados nas suas bordas, por entendê-los como os principais elementos do parque, bem como a fragilidade das nascentes no interior na pista.

84 | nas bordas da pista: parque urbano da lagoinha


vista 01 - demolições (escala micro)

SETOR DE TRANSPORTES E VISTORIA (DETRAN-GO)

SEDE RECREATIVA DO SINTRAN-GO (DESATIVADA)

PÁTIO 02 (DEFRVA)

paredes demolidas edifícios demolidos terrenos incorporados

EDIFÍCIO SOCIAL (HIPÓDROMO)

vista 02 - o novo parque (escala micro)

DETRAN-GO COMPLEXO DE DELAGACIAS HOSPITAL DA POLÍCIA MILITAR COMPLEXO DO IML CLUBE DA TELEGOIÁS

lugar de pluralidade ESPLANADA DA LAGOINHA lugar de memória CENTRO EQUESTRE DA LAGOINHA (PROPOSTA NOVA EM LARANJA) lugar de aura CENTRO AMBIENTAL (PROPOSTA NOVA EM VERDE)

área do parque limite entre equipamento e o parque acessos diretos ao parque

parque urbano da lagoinha| 85


22 partido projetual passarelas e acessos

A fim de diminuir o impacto no solo e reduzir a porcentagem de impermeabilização, as passarelas serão elevadas, e fazendo a conexão entre os edifícios do parque. Os percurso acontecerá nas às bordas da pista, mantendo esta e seu núcleo, o brejo, intocados e intransponíveis. O parque contará com cinco diferentes acessos: três pela Avenida Moura Pachêco (01, 02, 03) e dois pela Avenida Attílio Corrêa Lima (04, 05), uma conexão direta com o DETRAN-GO e outra com o Centro Ambiental.

Passarela térrea (deck) nas faixa entre a pista e o centro equestre

Passarela elevada nas demais áreas do parque, de acordo com a topografia

Referência Construtiva: Passarelas do Parque Quinli, por Turesncape

ACESSO 01: somente pedestres espaço transitório

ACESSO 02: acesso dos moradores da vila hípica veículos e pedestres caráter mais íntimo espaços de permânencia prolongada

ACESSO 03: acesso ao centro equestre veículos e pedestres caráter mais social pequenos bares em quiosques utilizar desnível para criar terraços espaço de permanência prolongada

Esplanada

corte esquemático Brejo

PARQUE URBANO DA LAGOINHA

86 | nas bordas da pista: parque urbano da lagoinha


mapa 01 - plano geral de partido (escala micro)

ACESSO 04: somente pedestres espaço transitório bicicletário

ACESSO 05: acesso ao hospital da polícia militar veículos e pedestres quiosques bancos espaço de permanência prolongada

conexão com DETRAN-GO

conexão com centro ambiental

cir cu la ç

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lugar de pluralidade ESPLANADA DA LAGOINHA

te

rn

a

lugar de memória CENTRO EQUESTRE DA LAGOINHA

lugar de aura CENTRO AMBIENTAL DA LAGOINHA

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lugar de pluralidade: esplanada do lagoinha A inserção de uma nova modalidade de espaço público é motivada pelo grande vivacidade que a Avenida Moura Pachêco tem, o histórico de apropriações urbanas do bairro Cidade Jardim, e o fato de essa ser a maior entrada para o Parque da Lagoinha. A praça se divide em três momento: os dois momentos de acesso, nas laterais, e a praça seca de (140 x 50m) no centro. A proposta de uma praça seca é ser um espaço urbano capaz de receber eventos temporários, como festivais de música, atrações circenses, exposições a céu aberto, parques de diversão, e criar um espaço de recepção para o Parque.

Referência Projetual: Praça Pampulha, Belo Horizonte Referência Projetual: Praça Vitor Civita, São Paulo

PRAÇA SECA

ACESSO 02: acesso dos moradores da vila hípica veículos e pedestres caráter mais íntimo espaços de permânencia prolongada

CAIXA D’ÁGUA VILA HÍPICA

88 | nas bordas da pista: parque urbano da lagoinha

espaço para realização eventos de porte médio preâmbulo do parque vista do centro equestre


Materialidade

Pedra Portuguesa

Aço Corten

Madeira

PROGRAMA ALMEJADO

Referência Projetual: Amenidades Urbanas, Caracas ( Venezuela)

ACESSO 03: acesso ao centro equestre veículos e pedestres

AMBIÊNCIA DESEJADA

caráter mais social pequenos bares em quiosques utilizar desnível para criar terraços espaço de permanência prolongada

HOSPITAL VETERINÁRIO

MURO DO PARQUE

corte esquemático BB

parque urbano da lagoinha| 89


lugar de memória: centro equestre da lagoinha Para que um lugar continue vivo na memória do coletivo, é necessário renovar seus usuários para que eles criem novas memórias. O Centro Equestre parte da premissa de atrair um número maior de usuários ao hipismo, ampliando o programa do Hipódromo ao incluir uma escola de equitação e equoterapia. No novo edifício social proposto, o programa pretende expandir as possibilidades de se utilizar o equipamento, com um salão de festas que pode ser alugado para pequenos eventos, e novas instalações para bar. Implantação: O novo edifício social estará localizado adjacente à arquibancada pré-existente, paralelo à pista. O edifício social terá dois pavimentos, de modo que o salão de festas tenha vista de todo o parque, ao passo que a escola de equitação será térrea, com um picadeiro centralizado

HOSPITAL VETERINÁRIO ESPLANADA DA LAGOINHA

ARQUIBANCADA

PISCINA VILA HÍPICA PISTA

PASSARELA

PRAÇA DO JÓQUEI

vista 03 - estudo de implantação

90 | nas bordas da pista: parque urbano da lagoinha

Edifício Social Térreo: • Pré-Existência: Arquibancada • Arena Fechada • Hall • Bar • Caixa para Apostas • Sanitários • DML Primeiro Pavimento: • Administração • Depósito • Sala dos Funcionários • Vestiário Segundo Pavimento: • Salão de Festas • Copa • Banheiros

TORRE DE OBSERVAÇÃO

CENTRO EQUESTRE

Programa:

Escola de Equitação e Equoterapia • • • • • • •

Picadeiro Lounge Vestiário para Jóqueis e Alunos Consultório (para terapeuta e psicólogo, pode ser compartilhado) Depósito para Obstáculos Sala Multiuso

Selaria • 15 células individuais de 3x4 • Depósito de Feno • Depósito para Selas • Garagem para Tratores Edifícios mantidos do Hipódromo: • Hospital Veterinário • Vila Hípica • Piscina para cavalos • Torre de Observação


Fluxograma PASSARELA

PISTA EDIFÍCIO SOCIAL ESCOLA DE EQUITAÇÃO

ARQUIBANCADA

SELARIA PADOQUE

PICADEIRO

ARENA FECHADA

FLUXO DOS CAVALOS FLUXO DOS VISITANTES PISCINA HOSPITAL VETERINÁRIO

ACESSO 02

ESTACIONAMENTO

PRAÇA SECA VILA HÍPICA

ACESSO 03

ESPLANADA DA LAGOINHA

Materialidade

vista 04 -estudo preliminar de volumetria

ARQUIBANCADA

Tijolo de Barro

PICADEIRO

Madeira

Aço Corten TORRE DE OBSERVAÇÃO

PASSARELA

PISTA

HOSPITAL VETERINÁRIO

parque urbano da lagoinha| 91


lugar de aura: centro ambiental da lagoinha Os estímulos para ampliar a percepção de lugar aura seriam decorrentes de dois pontos:

Referência Construtiva: Estufa por B Architects

1. A expansão da área verde do parque 2. A rearborização e reconstrução ecossistêmica da área Garantida a expansão da área verde com a integração entre o Hipódromo e os edifícios do entorno, o Centro Ambiental surge como estratégia para coordenar a rearborização, um ‘canteiro de obras’ , mas que também seja aberto ao visitante do parque, coma oferta de espaços de permanência e oficinas. Implantação: Será implantado na parte central do parque, próxima às instalações de banheiro que serão reativadas para dar apoio ao centro e evitar maiores impactos ambientais.

vista 05 -estudo de implantação HOSPITAL DA POLÍCIA MILITAR

CLUBE DA TELEGOIÁS CENTRO AMBIENTAL

PASSARELA PISTA BANHEIROS

Programa: Térreo: • Laboratório de Sementes • Laboratório de Mudas • Viveiro • Sala Multiuso • Administração • Depósito

92 | nas bordas da pista: parque urbano da lagoinha

Mezanino • Mirante • Sala de Funcionários (Copa e Descanso)

Figuras 1 e 2 | A estufa é também um espaço do usuário (Fonte: Archdaily)


BIAS

Tectônica Estrutura Metálica Modular - facilidade na eventual necessidade de transferir de lugar, pouco impacto no solo, permite expansão

todas as salas térreas com conexão direta com o parque vedação em tela de fibra para viveiro

estrutura elevada do chão (umidade do solo alta)

Fluxograma mirante (acesso por escada à partir do viveiro) sala dos funcionários e administração

trajeto para o visitante

viveiro

laboratório de mudas

laboratório de sementes

o viveiro e os dois laboratórios estão conectados

Estrutura Metálica

sala multiuso

depósito

Materialidade

Madeira

parque urbano da lagoinha| 93


23 considerações finais As propostas desse estudo apresentam diretrizes não apenas para a requalificação do Hipódromo da Lagoinha, mas para o desenvolvimento de um outro formato de acesso à áreas verdes, como uma tentativa de ampliar a qualidade de vida da população. Ficam estabelecidos os seguintes pontos a serem desenvolvidos na segunda parte desse Trabalho de Conclusão de Curso, à partir do que foi proposto no último capítulo: 1. Detalhamento das passarelas, com enfoque em seu sistema construtivo, e estabelecendo suas conexões com os acessos e outros edifícios do parque. 2. Desenvolvimento do projeto da Esplanada da Lagoinha, com enfoque em sua implantação no terreno de modo a causar menor impacto possível ambiental à área do Parque. 3. Desenvolvimento do projeto do Centro Equestre, com enfoque em sua materialidade e conexão com o sítio. 4. Detalhamento do Centro Ambiental, com enfoque em seu sistema construtivo.

94 | nas bordas da pista: parque urbano da lagoinha


24 anexo

Carta de Bariani Ortêncio em favor do tombamento do Hipódromo da Lagoinha Goiânia, 10.03.08

Em vista das negociatas e invasões das grandes áreas verdes da Capital, a Associação de Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida do Estado pede o tombamento do Hipódromo da Lagoinha Ubirajara de Ramos Caiado, com grande área já ocupada pelo DETRAN-GO, o IML, e demais. Parte da sede do Jóquei Clube de Goiás, na Avenida Anhanguera, dirigente do Hipódromo, foi, recentemente, negociada, e o arvoredo adjacente, retalho do Bosque dos Buritis, arrancado por tratores da noite para o dia, enquanto a AMMA estava na cama. Em 1935 foi criado o Automóvel Clube de Goiás, e, em 1938, mudado para Jóquei Clube. As primeiras corridas de cavalo se deram entre a Avenida Goiás e a Avenida Araguaia. Como o centro foi crescendo, o evento passou para a Praça Tamandaré. Foi criado, em 1957, o Hipódromo da Lagoinha, bem mais distante, onde permanece até hoje. O nome Hipódromo Lagoinha nasceu da pequena lagoa, circundando a atual a Avenida Venerando de Freitas Borges e o DETRAN. De fato, à época, a Lagoinha ficava bem distante, quase uma viagem, pois, na década de 1940, eu e o meu amigo e colega do Liceu e do Tiro de Guerra 323, Brasilino do Brasil de Oliveira, íamos de bicicleta caçar paturis que chegavam em bandos dos rios Meia Ponte e dos Bois. Várias vezes vimos veados campeiros, vindos do mato do Riôlo Morais (hoje Vila União), chegarem para beber água. A Lagoinha fez parte hidrográfica na escolha da Nova Capital, com os rios Meia Ponte, Anicuns, João Leite e mais de 80 córregos, sendo os principais, Cascavel, Capim Puba, Botafogo, Caveiras... água sobrante para os 50.000 habitantes planejados. A mudança de Automóvel para Jóquei foi devido a nova-capital buscar modelos nos grandes centros, como Rio e São Paulo, quando, nos jóqueis clubes, pelos grandes prêmios, desfilavam ou ainda desfilam as elites, as senhoras e senhoritas da alta-sociedade. O certo mesmo seria o Poder Público tombar e revitalizar a área para que seja preservada a história cultural, o meio-ambiente, o verde, marginando a nossa Lagoinha, humildezinha, mas de grandeza histórica, aoalhendo e resguardando a pouca fauna que ainda existe e persiste. Que seja mantida a atividade-hipódromo, e crie uma escola de equitação, principalmente, às crianças carentes, para preservar a tradição do cavalo na cultura e economia brasileiras. E, também, para evitar “aconchegos”, edificações até de shoppings, como pretenderam no estádio do Atlético Clube Goianiense. E que a revitalização seja de bom gosto, como está sendo a reforma do Bosque dos Buritis, porque Goiânia é uma das cidades brasileiras mais modernas, mais floridas e campeã de áreas verdes. Goiânia já não copia: é copiada! Se acaso não houver o tombamento e persistirem as “invasões”, a gleba periga voltar para a família dos engenheiros Jerônimo e Abelardo Coimbra Bueno, doadores da área, caso desvirtue a finalidade: hipódromo. Já é tempo de acabar com a rotina do desrespeito ao direito e passar por cima das leis. Direito é direito. Lei é lei! E para não matar o veado e nem deixar a onça com fome, todo cuidado é pouco. Macktub! (o autor é membro do conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de Goiânia)

parque urbano da lagoinha|| 95


referências AMARAL, Camilo Vladimir L. Planos de Goiânia: a construção da cidade moderna na perspectiva urbanística. In: CAIXETA, Eline Maria M.P.; ROMEIRO, Bráulio (Org.). Interlocuções na arquitetura moderna no Brasil: O caso de Goiânia e outras modernidades, Goiânia, p. 43-69, 2015. BARBOSA, L. M. Estudos Interdisciplinares do Instituto de Botânica em Moji-Guaçu, SP. In: SIMPÓSIO SOBRE MATA CILIAR, 1989, Campinas. Anais do Simpósio sobre Mata Ciliar. Campinas, SP: Fundação Cargill, 1989. p. 171-183. BERNARDES, Mariana Nahas Dafico; CAIXETA, Eline Maria Moura Pereira. Jóquei Clube de Goiás: documentação e história em busca do resgate memorail. 2011. Monografia de iniciação cientifica (Graduação em Arquitetura) - UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS, FACULDADE DE ARTES VISUAIS, Goiânia, 2011. Disponível em: http://www.sbpcnet.org.br/ livro/63ra/conpeex/pibic/trabalhos/MARINA_N.PDF. Acesso em: 14 abr. 2019. CARERI, Francesco. Walkscapes: o caminhar como prática estética. Prefácio de Paola Jacques Berenstein. Tradução de Frederico Bonaldo. São Paulo: Editora G. Gilli, 2013. CASTELO, Lineu. A Percepção de Lugar. Porto Alegre: PROPAR-UFRGS, 2007. CHUVAS transformam Cidade Jardim em lagoa. Folha de Goiás, Goiânia, p. 06, 31 jan. 1982. (Disponível no Arquivo Seplan) CIDADE Jardim em festa: o esgoto chegou. Diário da Manhã, Goiânia, p. 10, 20 out. 1987. (Disponível no Arquivo Seplan) CINTRA, Lucas Gabriel. Cidade Jardim: Diretrizes para a Qualificação do Espaço Público. 2018. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Arquitetura) - UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS, FACULDADE DE ARTES VISUAIS, Goiânia, 2018. DIVISÃO DE ACOMPANHAMENTO E CONTROLE/DVAC, SECRETARIA MUNICIAL DE PLANEJAMENTO /SEPLAM (Goiânia-GO). Tania Daher, Vilmar Augusto L. da Silva. Parecer de Tombamento do Hipódromo Ubirajara Ramos Caiado (Jóquei Clube da Lagoinha). 008/2008. Goiânia: [s. n.], 16 ago. 2008. DUTRA, Gabriela ; GOYA, Ricardo César; LIMA, Ivar. Cidade Jardim: Mudança de Comportamento. Diário da Manhã, Goiânia, 6 mar. 2005. Meu Bairro, p. 1-3.

  nas 96 | bordas da pista: parque urbano da lagoinha


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Roney Haarengl - Nas Bordas da Pista: Parque Urbano da Lagoinha (TCC Parte 1)  

Primeira parte de um Trabalho de Conclusão de Curso de Arquitetura e Urbanismo. Compreende um estudo sobre a distribuição de áreas verdes de...

Roney Haarengl - Nas Bordas da Pista: Parque Urbano da Lagoinha (TCC Parte 1)  

Primeira parte de um Trabalho de Conclusão de Curso de Arquitetura e Urbanismo. Compreende um estudo sobre a distribuição de áreas verdes de...

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