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editorial Rodrigo Antonio Rosso A Revista Nacional de Reabilitação é uma publicação bimestral da C & G 12 - Comunicação e Marketing S/C Ltda. Telefone (PABX): (11) 3873-1525 Fax: (11) 3801-2195 www.revistareacao.com www.revistareabilitacao.com.br cg12@cg12.com.br Diretor Responsável - Editor Rodrigo Antonio Rosso Reportagem: Maria Luiza de Araujo Consultores Técnicos: Romeu Kazumi Sassaki Carlos Roberto Perl Colaboradores: Suely Carvalho de Sá Yañez Neivaldo Augusto Zovico Hermes Oliveira Fabiano Puhlmann Geraldo Nogueira Márcia Gori Alex Garcia Silvia de Castro Deborah Prates Frederico Viebig Tatiana Rolim Luciene Gomes Wiliam César Alves Machado Marketing: Jackeline Oliveira Depto. Comercial: Nataliane Paiva Paulo Brandão Etiane Bastos Administração: Cissa de Carvalho Circulação: Jairo Prates José Faustino Maria das Graças Santos Assinaturas: Cissa de Carvalho - Coordenação

Fone: 0800-772-6612 Tiragem: 20 mil exemplares Redação, Comercial e Assinaturas: Caixa Postal: 60.113 CEP 05033-970 São Paulo - SP É permitida a reprodução de qualquer artigo ou matéria publicada na Revista Nacional de Reabilitação, desde que seja citada a fonte.

Diretor/Editor

As coisas estão mudando... Mas queremos e podemos muito mais !!!

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governo federal vem anunciando queda nos juros para todo lado. E no nosso setor não foi diferente. Um exemplo disso é a queda do IPI na compra do carro 0K. Mesmo não nos atingindo diretamente, uma vez que os automóveis 0K já são vendidos para pessoas com deficiência com a isenção do IPI, a baixa desse imposto incidente sobre o mercado pode nos atingir positivamente também. Já diretamente sobre nós, temos boas notícias no tocante às aliquotas de PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), que foram isentas pelo governo para compra de 27 produtos voltados para pessoas com deficiência. Elas foram reduzidas a zero ! Isso mesmo: a Lei 12.649/12 foi publicada no Diário Oficial da União em maio, e atinge itens como: teclados com adaptações específicas, mouses com acionamento por pressão, digitalizador de imagens - scanners equipados com sintetizador de voz, lupas eletrônicas, próteses oculares e softwares de leitores de tela que convertem texto em voz em caracteres Braille para utilização de surdocegos. A presidente Dilma Rousseff sancionou a lei dentro dos objetivos do plano “Viver sem Limite”. Também contam com isenção desde novembro do ano passado, partes e peças para cadeiras de rodas. Outras medidas importantes e que mexem diretamente no nosso bolso e nas nossas vidas, ainda vêm sendo discutidas e implementadas, como o Projeto de Lei que estende às pessoas com deficiência mental leve e moderada a isenção do IPI na aquisição de automóveis. A intenção é contemplar com o benefício quem possui Síndrome de Down. Outra medida é a autorização para que, em casos de perda total do veículo em acidentes, as pessoas com deficiência possam usar o benefício da isenção do IPI na compra de um novo carro antes do prazo de 2 anos exigido como intervalo para aquisições de novos veículos 0K. Recentemente, em uma ação conjunta de entidades e lideranças do setor, com participação fundamental da ABRIDEF, mais uma antiga reivindicação do segmento foi conquistada, e a partir de janeiro de 2013, em todos os Estados da nação, as pessoas com deficiência “não condutoras” também terão isenção do ICMS na compra do carro 0K. E o benefício é estendido ainda ao tutor, familiar ou responsável. Ainda no campo dos automóveis, a próxima briga agora é o aumento do valor teto limite para a compra de carros com isenção total de impostos. Atualmente o valor do carro não pode ser superior a R$ 70 mil, mas já estamos trabalhando junto dos órgãos responsáveis para aumentar esse valor para, no mínimo, R$ 100 mil até o final deste ano. Mas a principal luta mesmo e que vai beneficiar a todos, tanto indústrias, revendedores, lojistas e principalmente consumidores com deficiência, é a isenção total de ICMS em toda matéria-prima utilizada para a fabricação de produtos para pessoas com deficiência. Isso irá desonerar toda a cadeia produtiva, automaticamente barateando os produtos e equipamentos para PcD. Por isso e para isso, contamos e muito com o apoio da frente parlamentar do congresso nacional em defesa dos direitos da pessoa com deficiência, em Brasília/DF, com os deputados estaduais em todos os estados da nação, as secretarias de direitos das pessoas com deficiência espalhadas pelo Brasil, com o CONADE e com a Secretaria Nacional da Pessoa com Deficiência (antiga CORDE), as associações de e para PcD, associações de classe, como a própria ABRIDEF e outras, e com todas as lideranças das pessoas com deficiências para que, neste momento, se unam em torno de objetivos comuns maiores. É assim que conquistamos o que já alcançamos. E é assim que ainda temos muito para conquistar todos os dias... Com união e perseverança. Compromisso e seriedade. Já mudamos muito a nossa realidade e ainda vamos fazer mais para termos um Brasil inclusivo de verdade !!! “Porém tu, SENHOR, és um escudo para mim, a minha glória, e o que exalta a minha cabeça... Com a minha voz clamei ao SENHOR, e ouviu-me desde o seu santo monte...”...

Salmos 3:3-4

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entrevista

Linamara Rizzo Battistella Com uma sólida carreira acadêmica e reconhecimento internacional, depois de estar anos à frente da DMR, a médica fisiatra formada pela USP chegou à Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo em março de 2008, sendo a primeira titular da pasta a qual comanda brilhantemente até hoje...

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ormada em medicina em 1974, Linamara foi a primeira fisiatra a ter o título de doutora pela USP e primeira livre docente em fisiatria. Ela participou ativamente da criação das políticas de Saúde e Reabilitação para as pessoas com deficiência no Estado de SP, com repercussão nacional. Implementou o sistema integral e interdisciplinar de assistência a pessoas com deficiências no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP que, desde 2001, se tornou padrão para as Redes de Reabilitação normatizadas pelo Ministério da Saúde. Por mais de 20 anos, foi Diretora do Instituto de Medicina de Reabilitação do HC, o DMR, e é uma unanimidade quando é liderança e capacidade nas questões das

pessoas com deficiência no Brasil, sendo reconhecida, inclusive, internacionalmente pelo seu trabalho, dedicação e competência. A permanente busca pelo seu desenvolvimento científico viabilizou a publicação de 146 trabalhos em conceituados periódicos do setor, a edição de sete livros e a participação em 126 capítulos. Reconhecida no Brasil, a “doutora Linamara” – como é mais conhecida - também se tornou referência internacional. Foi Presidente da International Society of Physical and Rehabilitation Medicine nos anos de 2004 a 2006, instituição da qual é, atualmente, Presidente Honorária. É professora convidada da Universidade Tor Vergata, de Roma. Além disso, foi personagem ativa no processo de ratificação da Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Uma curiosidade: Linamara teve seus primeiros contatos com a deficiência ainda criança, quando foi atriz em novelas e seriados, e atuou como uma criança com deficiência em mais de uma oportunidade. Em 1957, com 6 anos de idade, foi escolhida, entre quase trezentas crianças, como protagonista de uma série de novelas infanto-juvenis nas emissoras da Organização Vitor Costa, hoje, Rede Globo. Participou ainda como “Menina-Símbolo” da Campanha em Rede de Televisão “Um Lírio na TV”, em benefício das crianças carentes da então Associação de Assistência à Criança Defeituosa – AACD, em 1957. Vamos conhecer juntos, a partir da gora, um pouco mais do trabalho desta grande profissional e apaixonada pela causa da pessoa com deficiência, e suas conquistas e planos à frente da Secretaria Estadual da Pessoa com Deficiência de São Paulo. REVISTA REAÇÃO - A Secretaria completou 4 anos de existência no último mês de abril. Quais as principais conquistas da pasta até agora? Linamara Rizzo Battistella - As vitórias espelham os direitos das pessoas com deficiência na conquista de um Plano Estadual de Habitação, que oferece acessibilidade em 100% das habitações e no entorno. Temos que destacar os avanços na saúde e a criação da Rede de Reabilitação Lucy Montoro. Há também a formação de profissionais técnicos em orientação e mobilidade, capacitação de cuidadores e o Centro de Treinamento do Cão-Guia. O Concurso


entrevista

Moda Inclusiva, que está em sua 4ª edição, foi convidado para produzir um desfile em uma feira este mês em Milão. Podemos destacar também as Paralimpíadas Escolares, maior evento do gênero da América Latina, que reúne estudantes de todo o país e não só incentivam a inclusão pelo esporte, mas também buscam revelar atletas brasileiros para as Paralimpíadas de 2016. Além do Time São Paulo, que patrocina 25 atletas de alto rendimento. RR - A senhora sempre teve uma participação internacional no debate dessas questões. Qual é a situação do Brasil em termos mundiais ? A legislação é considerada avançada, mas como a execução pode ser aprimorada ? LRB - O Brasil é reconhecido pela capital e se destaca muito pelo modelo de qualidade na assistência e pesquisa. RR - A senhora escolheu comemorar o aniversário junto com jornalistas, durante um workshop, em que foi discutido como a imprensa deve tratar a questão das pessoas com deficiência. Em sua opinião, qual é o papel dos meios de comunicação nessa questão ? LRB - Acredito na imprensa livre e a serviço do desenvolvimento. Quando pensamos em equiparação de oportunidades, nada é mais importante do que a comunicação. E tem sido essas modernas ferramentas de comunicação e informação que têm oportunizado esse movimento em direção ao reconhecimento de quem são as pessoas com deficiência e como elas vivem. Queremos contar com a disponibilidade da imprensa para atingir a sociedade, oferecer conteúdo de qualidade que permita aos jornalistas escrever cada vez mais

sobre o assunto e atingir de uma maneira consistente todos os segmentos da sociedade. RR - Até por sua experiência como médica fisiatra, a secretaria tem destacado muito a importância da tecnologia para as pessoas com deficiência. Ainda há pouco acesso das pessoas com deficiência à tecnologia? O que precisa ser feito? LRB - A tecnologia e a inovação são fundamentais para o desenvolvimento social. A Rede de Reabilitação Lucy Montoro, pioneira em uso de robôs na reabilitação, comemorou em maio 4 anos com novos equipamentos de robótica. Nada supera o investimento em recursos humanos e o trabalho feito pelos profissionais da área de reabilitação, mas o apoio tecnológico vai dar eficiência ao trabalho e viabilizar que mais pessoas sejam atendidas pelos profissionais altamente qualificados. Nos próximos meses, estaremos ampliando o nosso parque tecnológico, levando estes mesmos e outros equipamentos relativos ao estímulo à plasticidade cerebral, para a nossa unidade na Vila Mariana. Portanto, este é o primeiro passo de uma longa jornada. RR - Em sua gestão, as pessoas com deficiência são encaradas como consumidoras e até um convênio com o Procon foi firmado nesse sentido. Qual o objetivo e como vai funcionar ? LRB - Trata-se de mais uma grande conquista da população, promovida pelo Governo de São Paulo. Por meio desse convênio, esperamos promover os direitos das pessoas com deficiência, também nas relações de consumo, por meio da capacitação mútua de equipes das Secretarias. O convênio

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entrevista o objetivo de criar indicadores da inserção das pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Esses indicadores devem ter a propriedade de, ao mesmo tempo em que descrevam a inclusão do grupo alvo, compará-los com os demais grupos de trabalhadores. Os indicadores devem utilizar as informações mais acessíveis e mais rotineiras sobre o mercado de trabalho, já que seria inviável criar pesquisas periódicas e permanentes, especialmente para a finalidade pretendida no projeto. A fonte de dados ideal é a constituída pelos levantamentos mensais do Cadastro Geral de Empregados e Deempregados (CAGED), que podem ser combinados com os dados anuais da Relação Anual de Informações Socias (RAIS). Como é sabido, ambos os levantamentos cobrem o universo do mercado de trabalho formal, pois todos os estabelecimentos devem entregar as informações ao Ministério do Trabalho e Emprego.

tem o objetivo promover e difundir a proteção e defesa dos consumidores com deficiência, através da efetividade de suas normas quanto à acessibilidade nas relações de consumo. A iniciativa prevê o desenvolvimento de uma série de ações, como a capacitação dos funcionários dos órgãos sobre os direitos dos consumidores com deficiência, fiscalização das demandas destes consumidores nas relações de consumo e a capacitação dos membros dos Conselhos Municipais da Pessoa com Deficiência. Além disso, também prevê a realização de debates e seminários temáticos e a produção e divulgação de material educativo. RR - Educação e empregabilidade são dois dos grandes pilares para a verdadeira inclusão da pessoa com deficiência. Quais são os principais problemas enfrentados nessas áreas ? A própria Lei de Cotas, considerada um marco, depois de 20 anos, ainda não é obedecida por grande parte das empresas. O que a Secretaria faz nesse sentido ? LRB - A Secretaria realiza o monitoramento do cumprimento da Lei de Cotas pelo Monitoramento da Inserção da Pessoa com Deficiência no Mercado de Trabalho (MODEM). O MODEM tem

RR - A sociedade ainda não está preparada para oferecer acessibilidade de uma maneira geral às pessoas com deficiência, são comuns problemas com calçadas, edificações e muitos outros. Como essa situação pode ser mudada e qual o papel da Secretaria? LRB - Seguindo os princípios do Desenho Universal, a Secretaria desenvolveu, em colaboração com a Secretaria de Habitação e da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU), uma tipologia para as habitações de interesse social com o objetivo de garantir a acessibilidade de moradias adequadas à vida independente. O fomento à inovação de design na confecção de vestuário, facilitando o uso, valorizando a estética e contribuindo para a autoestima, também é uma ação inspirada nos conceitos do Desenho Universal que é contemplada na Secretaria pela promoção anual do Concurso Moda Inclusiva. RR - No workshop para jornalistas a senhora se referiu ao aumento dos casos de violência em relação a pessoas com deficiência. Como será o plano de prevenção e combate a essa questão ? LRB - A violência e a negligência não são temas novos quando falamos em deficiência. O enfrentamento ao problema exige esse interesse à inclusão social. Desde o ano passado, a Secretaria recebe as denúncias que chegam ao Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e as encaminha para o Ministério Público, órgão responsável para investigar e tomar as providências cabíveis. Acompanhamos os procedimentos e buscamos alternativas que possam significar prevenção da violência e mais apoio social. RR - Quais os planos para a Secretaria paulista? LRB - A Secretaria deve continuar inserindo a questão da deficiência e inclusão em todos os debates políticos e garantindo ao cidadão com deficiência acesso aos bens, produtos e serviços disponíveis na sociedade.


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coluna especial

por Romeu Kazumi Sassaki

Atendente pessoal e autonomia da pessoa com deficiência

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- PARTE 2 -

Parte 2 deste artigo prossegue informando e discutindo sobre o serviço de atendentes pessoais, o qual “frequentemente faz uma diferença crucial ao determinar se uma pessoa com deficiência poderá, ou não, conseguir um emprego e/ou residir na comunidade sem que seja necessário ser colocada em uma clínica de repouso” (CARRILLO, SUGARMAN & VIVONA, 1985). Estes autores escreveram o manual “The independent living workbook”, incluindo a metodologia de uma oficina de atendimento pessoal. Passados quase 30 anos, este manual continua sendo atual e, portanto, útil nos dias de hoje, motivo pelo qual apresento uma adaptação resumida da metodologia da oficina, conforme segue:

Atendente pessoal

O atendente pessoal (AP) é um profissional que assiste uma pessoa com deficiência para que ela faça o que ela não consegue fazer sozinha. O AP oferece uma variedade de serviços nas áreas de: cuidados pessoais (usar o sanitário; alimentar-se; vestir-se; tomar banho; cuidados de intestino e bexiga; fazer exercícios físicos etc.); tarefas domésticas (cozinhar; limpar os cômodos da casa; fazer pequenos consertos da casa etc.); tarefas externas (fazer compras; dirigir veículo e/ou usar transporte público; frequentar escola; exercer atividade laboral; participar em atividades comunitárias de lazer, esportivas, culturais, cívicas; visitar amigos; viajar etc.). Pessoas cegas podem usar, por exemplo, o serviço de APs ledores. Pessoas com deficiência que tenham grande dificuldade para administrar sua renda podem recorrer a um AP financeiro.

O usuário

O usuário é uma pessoa com deficiência (PcD), de qualquer idade e que reside fora de um hospital ou de um internato, portanto na comunidade (no próprio domicílio ou em residência coletiva). Com frequência, uma PcD tem mais de um AP, dependendo da variedade e do volume do atendimento a ser prestado. Como foi explicitado na Parte 1 deste artigo, o tipo de pessoas atendidas por um atendente pessoal é diferente daquele atendido por um cuidador. Acrescente-se que estes dois tipos são também diferentes do atendido por um acompanhante terapêutico. No Brasil, devido à pouca informação disponível para a sociedade em geral, alguns usuários têm se referido ao atendente pessoal com designações informais: amigo especial, secretário particular, ajudante particular, ‘enfermeiro’ (mesmo no caso em que ele não se formou em Enfermagem), entre outras.

Modelos de serviço

A pouca disponibilidade de serviços de APs pode impedir ou dificultar que a pessoa atendida mantenha o estilo de vida que ela gostaria de ter. Em todo o caso, são quatro os modelos de atendimento pessoal: Modelo informal. O serviço não está organizado formalmente. Ele é geralmente oferecido por círculos próximos da pessoa a ser atendida (membros da família ou amigos) e o AP não é remunerado. Raramente a família contrata e/ou remunera um AP de fora destes círculos. Modelo voluntário. Os APs voluntários são recrutados e treinados por uma organização (por ex., uma paróquia, uma clínica, uma entidade social) que os apresenta ao usuário interessado. Estes APs não recebem remuneração. Modelo governamental. O governo recruta, treina e apresenta os APs aos possíveis usuários, que poderão selecionar o AP que irá atendê-los. Estes APs são funcionários pagos pelo governo (federal, estadual ou municipal).

Modelo de vida independente. Os APs são contratados e pagos diretamente pela PcD. O AP e a PcD estabelecem uma relação empregador/empregado. O cliente seleciona o AP e tem controle sobre a maneira como suas necessidades de atendimento serão satisfeitas. Os recursos para este pagamento poderão advir diretamente de fontes governamentais para a PcD, que então pagará ao AP selecionado. Este modelo é o preferido pelo movimento de vida independente porque ele permite à PcD um maior controle sobre sua vida e sobre a responsabilidade pela própria vida. Observação: Nos modelos 3 e 4, há diversas formas de pagamento. Em geral, o AP é pago por hora de trabalho calculada sobre o piso salarial determinado por lei (nos Estados Unidos da América). Em certos casos, o AP é contratado para morar na casa da pessoa com deficiência, se forem necessárias muitas horas de atendimento pessoal ou se o cliente requerer atendimento ao longo da noite e da madrugada. Nestes casos, o pagamento inclui refeições e salário.

Não-remuneração

Podem ocorrer problemas em relação ao controle sobre a prestação do serviço de atendentes pessoais, quando o serviço não envolver remuneração: Se o serviço for oferecido pelo modelo 1 (“informal”), a PcD não necessariamente escolherá um AP. Ela terá de aceitar aquela pessoa da família ou do seu círculo de amizades para ser o seu AP. Como este AP não terá uma remuneração formal, é comum haver um “acordo informal” no sentido de se estabelecer uma relação de troca: o serviço de atendente pessoal por um serviço no qual a própria pessoa atendida possua habilidades: confeccionar algum objeto, dar aulas sobre algum tema, entre outras. Pelo modelo 2 (“voluntário”), a PcD não escolherá o AP; simplesmente, aceitará o AP apresentado por uma organização voluntária. Se a PcD vier a ficar insatisfeita com o trabalho do AP, ela poderá ficar sem jeito para lhe pedir que ele atenda às suas necessidades de outra forma ou para pedir que a organização substitua este AP. Tudo porque o serviço é gratuito. Mas, problemas poderão ser evitados ou resolvidos se a PcD elaborar uma descrição de trabalho cobrindo todas as tarefas ou ações que ela espera que o AP execute, e entregar a descrição para ele. É importante discutir com a organização sobre a possibilidade de demitir o AP, caso o serviço dele venha a mostrar-se insatisfatório.

Outras questões

Além da questão da remuneração, as seguintes situações têm sido relatadas como problemas na prestação de serviços de atendentes pessoais: Diferença de idade. Quando o AP for muito mais velho que o usuário ou vice-versa. Em geral, idades próximas têm sido preferidas. Questão de gênero. AP do sexo masculino pode atender uma usuária? AP do sexo feminino pode atender um usuário? Serem ambos do mesmo gênero ou de sexos opostos é uma questão que será mais bem resolvida dependendo do tipo de serviço a ser prestado pelo AP à pessoa usuária. Privacidade ou intimidade. É preciso deixar clara a diferença entre uma e outra. Constituindo o atendimento pessoal uma relação estritamente profissional, a intimidade está fora de questão. O AP sabe e respeita os momentos em que o usuário precisa de privacidade parcial ou total. Então, ele se afasta discretamente do usuário (que, por exemplo, desejará conversar a sós com outras pessoas ou ficar sozinho).


coluna especial Abusos sexuais. Tem sido relatado, formal ou informalmente, que alguns usuários foram submetidos a assédios ou violências sexuais por parte de um AP durante o atendimento. Proteção ao consumidor. Tem havido casos de violação de direitos do consumidor na prestação de serviços de atendentes pessoais.

Atendente pessoal e MVI

Já nos anos 60 do século20, muitas universidades americanas ofereciam o serviço de atendentes pessoais a seus alunos. A partir de 1972 - ano da criação do primeiro centro de vida independente do mundo - o movimento de vida independente (MVI) desenvolveu solidamente os conhecimentos sobre esse tipo de serviço. Pois, a necessidade de organizar e utilizar este serviço foi uma das grandes preocupações enfrentadas pelos pioneiros do MVI. (SASSAKI, 2011) As pessoas com deficiência que utilizam este serviço devem ser empregadores de seus atendentes pessoais. Como empregadores, os usuários devem: decidir quais APs irão trabalhar para eles, definir as tarefas a serem cumpridas, treinar os atendentes da forma que os usuários desejam, estabelecer as horas de trabalho e ter o direito de demiti-los, se necessário. Este sistema – segundo o qual os usuários têm o direito de exercer controle sobre suas necessidades quanto ao atendimento pessoal causou impacto quando foi defendido pelo MVI já na década de 60. Eis uma síntese do sistema: PcD tem controle a respeito do próprio corpo. As PcD têm o direito de ser atendidas de uma maneira que seja respeitosa para com elas. Não cabe a outras pessoas determinar quais são as necessidades das PcD e de que modo essas necessidades deverão ser atendidas. Como se a PcD fizesse as coisas por si mesma. Quando o usuário controla ou diz quem será o AP e como este irá atendê-lo, é como se o usuário fosse capaz de fazer sozinho o que for necessário. Uma usuária disse: “Minha atendente pessoal é uma extensão de mim.” Sem sentimento de culpa. Antes deste sistema, os usuários se sentiam culpados ou desconfortáveis quando precisavam expressar suas necessidades e opiniões àquela pessoa que os atendia, principalmente se esta pessoa fosse alguém da própria família ou um amigo ou um voluntário encaminhado por uma organização filantrópica. Era como se o usuário, visto como um fardo, estivesse “incomodando” o atendente. Na relação empregador-empregado, isto não acontece, pois o AP (empregado) é pago pela PcD (empregador). Este arranjo é benéfico para ambos os lados.

Exercício de Atendimento Pessoal

Objetivo: Pensar sobre as necessidades de vocês para terem um AP. Partilhar e compartilhar informações sobre quais serviços de atendimento pessoal existem na região onde vocês moram e sobre quais ações as outras pessoas estão executando. Gerar ideias sobre como melhorar o sistema de atendimento pessoal existente. Para responder individualmente Necessito ter um AP? Se SIM, para qual tipo de necessidade preciso de AP (cuidados pessoais, tarefas domésticas, tarefas externas)? O que está bom na maneira como estou obtendo atendimento pessoal? Para responder em grupo Quem precisa de atendente pessoal neste grupo? O que cada um de nós respondeu nas perguntas individuais? O que está bom na maneira como as outras pessoas do grupo estão obtendo o atendimento pessoal? E o que não está bom? Nas regiões onde cada um de nós mora, existe algum programa de atendimento pessoal financiado pelo governo? Se SIM, coletem e compartilhem nomes e endereços completos. Como poderíamos obter fundos governamentais? Como as PcD se sentem por precisarem de AP? Como cada um de nós gostaria que um sistema de atendimento pessoal venha a funcionar no futuro? Como organizaremos esse sistema?

Para responder com um líder Convidem um líder com experiência própria em usar atendentes pessoais e com conhecimento sobre o que está disponível na comunidade. O líder desempenhará o papel de “perito” em atendimento pessoal. Para expressar ideias e necessidades, apliquem as técnicas de dramatização de tipos de necessidades, entrevista simulada de seleção de AP e entrevista simulada de negociação na contratação de AP.

Gestão do atendimento pessoal

Um importante documento (“Opening the doors to independent living”), publicado há 24 anos, continua atualíssimo nos dias de hoje, fato que me encoraja a apresentar agora uma adaptação resumida. Como diz Sandra Anderson, sua autora: “Estar no controle da vida não significa que a pessoa com deficiência necessariamente deva fazer tudo sozinha; mas significa estar no controle do que acontece na vida dela. O atendente pessoal é contratado, não para cuidar da pessoa com deficiência, mas para ajudá-la a cuidar de si mesma” (ANDERSON, 1988, p.19). Este conceito sinaliza uma diferença fundamental em relação à tradicional atividade do cuidador de pessoas idosas fragilizadas por doença degenerativa. (SASSAKI, 2012) O Programa de Gestão do Atendimento Pessoal foi desenvolvido pelo Metropolitan Center for Independent Living, Inc., em St. Paul, estado de Minnesota, EUA. São os seguintes os principais tópicos do programa: Áreas de atendimento pessoal. Cuidados pessoais, tarefas domésticas, tarefas externas, entre outras. Autoavaliação de necessidades da PcD. Preenchimento da lista de habilidades de vida diária de acordo com necessidades resultantes de deficiência estável ou progressiva. Recrutamento de APs. Pessoas da família e/ou amigos espalham a notícia do recrutamento. Uso de anúncios em classificados. Seleção e entrevistas de candidatos. Não aprovar o primeiro e único candidato, mas decidir pela aprovação após entrevistas com vários candidatos. Descrição de trabalho. Tarefas esperadas, pré-requisitos e referências profissionais etc. Acordo de emprego. Espécie de contrato de trabalho a ser assinado

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coluna especial pelo AP e pela PcD. Monitoramento sobre o AP. Verificar como o AP está desempenhando suas tarefas de acordo com a descrição de trabalho, o acordo de emprego e os entendimentos feitos na entrevista. Relacionamento com o AP. A PcD e o AP manterão relacionamento aberto e sincero, mas sempre estando a PcD no controle. A comunicação da PcD com o AP deverá ser assertiva, ou seja, não-autoritária, mas firme; não-pressionadora, mas objetiva. A PcD comunica suas necessidades, mas também ouve as necessidades do AP. Tarefas bem feitas devem ser reconhecidas com elogio, o que motiva o AP a continuar trabalhando bem. Fim do acordo de emprego. Poderá acontecer de a PcD precisar encerrar o acordo de emprego, por exemplo em decorrência de precário desempenho de algumas tarefas do AP. A decisão de demitir o AP poderá não ser tão difícil se todos os tópicos acima tiverem sido bem executados.

AP nas universidades

Na década de 60, a maioria das universidades americanas já possuía um serviço de atendentes pessoais, disponibilizado para pessoas com deficiência existentes entre seus alunos, professores e funcionários (por ex.: RUSK, 1961; UNIVERSITY OF CALIFORNIA/Berkeley, 1962 [in SASSAKI, 2001], 1981, 1982; URIE, 1967; SWITZER, 1967; HOEHNE, 1970; SOUTHERN ILLINOIS UNIVERSITY/Carbondale, 1972, 1979, 1981, 1990; SIMON, 1977; FRIEDEN, 1977; HRADESKY, CALLAS, CRANSTON & KILE, 1978; FETTER & BARNES, 1978; DE GRAFF, 1979; BIRDWELL & FONOSCH, 1980; BONNEY, 1980; HUSS & REYNOLDS, 1980; SPOONS, 1980; UNIVERSITY OF CALIFORNIA/Irvine, 1981; CALLAS, 1981; POLLARD, 1981; DOLAN, 1981; UNIVERSITY OF NORTH DAKOTA, 1983; SEEKINS, KEFFER & BUDDE, 1984; CARRILLO, SUGARMAN & VIVONA, 1985; ANDERSON, 1998; BENSHOFF, KROEGER & SCALIA, 1990; DEGENER, 1992; ROBERTS, 1993; WORLD INSTITUTE ON DISABILITY, 1993; MARTINEZ & SEWELL, 2000; SASSAKI, 1982, 2001, 2011, 2012).

Uma carta de Ed Roberts

Ed Roberts (1939-1995) tinha tetraplegia severa e se locomovia em uma cadeira de rodas motorizada. Ed não movia nenhuma parte do seu corpo, exceto a boca e os olhos. Para respirar, ele tinha de ficar à noite deitado dentro de um pulmão de aço (“um enorme tanque”, como ele gostava de chamar) e ficar sentado na cadeira de rodas por apenas algumas horas durante o dia, com um respirador portátil. Foi assim que Ed Roberts, sempre junto com seus atendentes pessoais, viajou pelos EUA e pelo mundo para disseminar o conceito de vida independente e falar sobre os direitos da pessoa com deficiência. Ed foi considerado “o pai do movimento internacional de vida independente”. (SASSAKI, 2001) Em 1993, Ed escreveu a seguinte carta (grifos meus) dirigida ao MVI: “Na minha infância, fui ensinado a não olhar fixamente para pessoas com deficiência. Aos 14 anos de idade, contraí a pólio e passei a ser uma ‘daquelas pessoas’. Antes da pólio, eu era um saudável atleta adolescente. De repente, me tornei um paciente. Mas eu não era, como pensavam as pessoas, um aleijado sem ação. Aos 20 anos, me matriculei na Universidade da Califórnia, em Berkeley. A universidade me arranjou moradia dentro do hospital localizado no campus. Havia outras pessoas como eu em Berkeley. Começamos a discutir sobre o que poderíamos realizar se a universidade nos proporcionasse serviços, por exemplo de atendentes pessoais. Poderíamos morar fora do hospital. Poderíamos ir a restaurantes e outros locais de uso público. Seríamos capazes de levar uma vida semelhante à de outros alunos. Convencemos a universidade a nos disponibilizar o serviço de atendentes pessoais e começamos a fazer estas coisas. Logo descobrimos outras pessoas como nós nas vizinhanças. Os serviços que começamos poderiam ajudar outras pessoas, além de alunos com deficiência. Em seguida, procuramos e conseguimos fundos para iniciar uma organização comunitária, o Centro de Vida Independente. Então oferecemos informações sobre os serviços para pessoas com deficiência, montamos uma oficina de conserto de cadeiras de rodas, encaminhamos atendentes pessoais, e criamos uma atmosfera propícia para pessoas com deficiência se apoiarem mutuamente. Nós ajudamos a tornar possível para as pessoas com deficiência severa terem vida independente na comunidade. Hoje, viajo pelo país

e pelo mundo falando sobre os direitos da pessoa com deficiência. Vida Independente é agora um movimento internacional. Para onde quer que eu vá, constato preocupações e necessidade semelhantes às nossas: as pessoas com deficiência simplesmente desejam ser incluídas nas atividades das comunidades onde moram. É isso o que significa Vida Independente: que cada um de nós (e não apenas as pessoas com deficiência) tem o direito e a capacidade de participar em todas as atividades da sociedade.” (ROBERTS, 1992) Em 1992, foi publicado um livro sobre os programas de serviço de atendentes pessoais existentes nos EUA, Suécia e Alemanha, escrito com base em uma exaustiva pesquisa que comprovou a importância e a urgência deste serviço e incluiu o documento “Princípios do Serviço de Atendentes Pessoais” aprovado em 14/4/89 durante a primeira Conferência Europeia sobre Serviços de Atendentes Pessoais, por mais de 100 pessoas com deficiência procedentes de 14 países. (DEGENER, 1992)

Bibliografia consultada

ANDERSON, Sandra. Attendant care management. In: ANDERSON. Opening the doors to independent living. St. Paul: Metropolitan Center for Independent Living, Inc., 1988. BENSHOFF, John; KROEGER, Sue Ann; SCALIA, Vincent. Career maturity and academic achievement in college students with disabilities (Southern Illinois University). J. Rehab., v.56, n.2, abr/jun. 1990, p. 40-44. BIRDWELL, Vicki; FONOSCH, Gail. In the university setting: model attendant care program benefits all (California State University). J. Rehab., v. 46, n. 4, out/dez. 1980, p.26-31. BONNEY, Sharon. Attendant care: the role of the disabled student’s office (University of California). In: The handicapped student on college campuses: advocacy, responsibility, and education. Washington: U.S. GPO, 1980, p.41-44. CALLAS, Gwen. Implementing programs for independent living on the college campus (Kent State University). In: The accessible institution of higher education: opportunity, challenge, and response. 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Romeu Kazumi Sassaki é consultor e autor de livros de inclusão social E-mail: romeukf@uol.com.br


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associações

Instituto Baresi cuida das “pessoas raras” no Brasil

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ormalizado em 2011, o Baresi nasceu da constatação de que havia um grande hiato em termos legais e de políticas públicas, além de muita falta de informação sobre as chamadas “doenças raras” no Brasil. Aquelas que, segundo o critério de prevalência da Organização Mundial de Saúde (OMS), são as que afetam 65 em cada 100 mil habitantes de uma localidade. No caso brasileiro, portanto, o total dos afetados por algum tipo delas deve superar 13 milhões de pessoas. Mais de 4.500 patologias são hoje caracterizadas internacionalmente como raras e há estudos que apontam mais de 8 mil enfermidades nessa classificação, variando de acordo com a fonte. A maior parte tem origem genética, mas podem também ter outras etiologias, como a oncológica e a ambiental, causando sérias deficiências: físicas, auditivas, visuais, cognitivas, comportamentais ou múltiplas. O nome do Instituto é uma homenagem ao padre italiano Giampietro Baresi, missionário comboniano, por seu impor-

tante trabalho dedicado à cidadania e a justiça social. Foi justamente a militância na área de direitos humanos, há mais de 12 anos, que levou Adriana Dias, antropóloga, mestre e doutoranda em Antropologia Social pela Universidade de Campinas/SP (UNICAMP), a se interessar pelo assunto. Juntamente com Rita Amaral, que tem Osteogenesis Imperfecta (primeira doença rara a ter um protocolo pelo SUS) como ela, Adriana estudou a situação e concluiu que a abordagem deveria ser feita levando-se em conta o modelo social, preconizado pela Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Nasceu assim o Instituto, para apoiar de várias formas as associações que congregam essas pessoas: juridicamente, na gestão, formação, com cursos sobre cuidadores, voluntariado, redes sociais, SUS e saúde da família, e apoio e localização de centros de referência para tratamento. “Fazemos uma aliança com as associações e também acolhemos pessoas diretamente num núcleo de raríssimas, quando não há entidade formada ou o número de afetados por determinada patologia não é suficiente para dar conta de formar um grupo”, explica Adriana, que é diretora de Estratégia e Metodologia do Baresi. O Instituto é formado por uma Diretoria Executiva e Institucional, um Conselho Fiscal e por um forte Conselho Científico, com mestre e doutores das mais renomadas universidades do país, além de um colegiado de diretores. Há núcleos regionais organizados na macro região de Campinas e Araçatuba (SP), e nos estados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Pernambuco. Estão em organização os do Amazonas, Acre, Bahia, Ceará, Rio de Janeiro, Paraná e Brasília.


associações “Temos pessoas com doenças raras ou associações em todos os estados brasileiros e, até o final de 2012, desejamos ter núcleos em pelo menos metade deles”, explica a diretora. O diretor regional do Rio Grande do Sul, por exemplo, é o articulista da Revista Reação Alex Garcia, pessoa surdocega, presidente da Associação Gaúcha de Pais e Amigos dos Surdocegos e Multideficientes (AGASPASM): “o Núcleo pretende colaborar com o desenvolvimento de Políticas Públicas para as pessoas com doenças raras”, afirma. “No Estado está claro o doloroso e secular descaso do Poder Público para com as pessoas surdocegas, e para com as pessoas com doenças raras. Desejamos e podemos nos desenvolver plenamente colaborando com a sociedade através do Modelo Social, que nos coloca como agentes, com voz, com direitos e deveres. Seres humanos politizados e que se opõem ao Modelo Médico, que historicamente nos coloca como pacientes, pacientes do Modelo Médico e, assim, pacientes políticos”, explica Garcia.

Principais problemas A dificuldade no tratamento médico começa na falta de um mapeamento nacional das pessoas com doenças raras. A baixa notificação, quando comparada com outros países, leva à suspeita de que muitos casos não são diagnosticados, portanto, ficam sem atendimento próprio. O diagnóstico e o tratamento são dificultados pela falta de conhecimento sobre essas doenças e de protocolos de atendimento específicos. Faltam, ainda, profissionais especializados, o que leva ao agravamento de sintomas e sequelas. Muitas vezes, as próprias pessoas ou as associações que as congregam é que são responsáveis por localizar e traduzir as pesquisas mais recentes sobre as patologias. O isolamento social de pacientes e suas famílias é uma das principais consequências. O Baresi já foi autor ou parceiro de diversos projetos de lei a respeito de doenças raras, entre as várias atividades que desenvolve. Faz parte do Grupo de Trabalho de Atenção às Doenças Raras instituído em abril, que congrega Ministério da Saúde, especialistas e sociedade civil. A ideia é também discutir a implantação da Política Nacional de Atenção Integral em Genética Clínica, lançada pelo Ministério da Saúde em 2009, que engloba essa questão. Com reuniões bimestrais, o grupo, entre outras questões, pretende organizar a metodologia de atendimento e apresentar uma proposta em 6 meses. “O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tem se mostrado muito sensível à questão das raras”, garante Adriana, que fará palestra na conferência Rio+20, agora em junho. “Nosso objetivo é cuidar da pessoa com rara, estendendo esse cuidado à família cuidadora, porque não existe apenas pessoa com rara, existe família com doença rara. Nós continuaremos cuidando das pessoas com raras do Brasil”, conclui. Mais informações no site http://institutobaresi.com. O Instituto mantém ainda uma agência de notícias sobre o tema em http://agenciararas.com.br

AVAPE faz aniversário e comemora inclusão no mercado de trabalho A Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência (AVAPE) completa 30 anos em junho, comemorando o crescimento contínuo de seu trabalho em capacitar e incluir pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Com 12 unidades próprias no Estado de São Paulo, sendo duas na capital paulista, tem ainda 13 unidades licenciadas espalhadas em todas regiões do País, organizadas na Rede AVAPE, que desenvolvem a metodologia e a marca em programas de reabilitação, capacitação e inclusão profissional. Para realizar seu trabalho, a AVAPE mantém parcerias com várias empresas e entidades, como: Yakult, Casas Bahia, Casa & Construção, Federação Brasileira de Bancos, Grupo Votorantim, Microsoft, Souza Cruz, Caixa Econômica Federal, entre outras. “Nos últimos 30 anos, muita coisa mudou na nossa sociedade em relação ao universo das pessoas com deficiência. Há 30 anos, não tínhamos a Lei de Cotas e nem o esclarecimento das pessoas em relação ao enorme potencial desses cidadãos. O preconceito era infinitamente maior, e as possibilidades, infinitamente menores”, lembra Izabel Romeiro, presidente executiva da entidade. “Felizmente, ajudamos a escrever, ao longo de nossa história, um presente melhor para as pessoas com deficiência que hoje se preparam, competem e vencem, seja no mercado de trabalho e em tantos outros âmbitos da sociedade. Temos orgulho de ter contribuído para isso e de continuarmos tão focados nesta missão de promover a inclusão, a igualdade de oportunidades. Só em 2012, atingimos a marca de 2 milhões de pessoas atendidas, o que é muito significativo, e queremos continuar avançando, pois os desafios ainda são grandes”, conclui a presidente.

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direito

por Geraldo Nogueira

Eleição e Deficiência

A

evolução histórica do voto no Brasil começou com o advento da Constituição Imperial de 1824, quando o sufrágio era restrito aos homens maiores de vinte e um anos e com renda anual acima de cem mil reis. Após o período imperial, no ano de 1891, surge a República e, com ela, as constituições republicanas, introduzindo novas regras sobre votação no Brasil. No período compreendido entre os anos de 1891 a 1934, o ato de votar era proibido para mendigos, analfabetos e soldados. Após a revolução de 1930, mais precisamente no dia 24 de fevereiro do ano de 1932, surge pela primeira vez a permissão legal para o voto feminino, ainda que parcial, pois não era obrigatório, como era para os homens e só era permitido para mulheres que tivessem renda própria. Nesta época, foi criada a Justiça Eleitoral e, também, houve a determinação para que os votos fossem secretos, universal e em dois turnos. Com o advento da Constituição de 1934, a Justiça Eleitoral, que até então estava organizada por lei infraconstitucional, conhecida como Código Eleitoral de 1932, foi alçada ao âmbito constitucional, mantendo as mesmas condições anteriores em relação ao voto e, como novidade, trouxe a possibilidade da perda ou suspensão dos direitos políticos. Em 1935, surge o segundo Código Eleitoral, que manteve a garantia do voto secreto e obrigava o alistamento das mulheres que exercessem função pública remunerada. Após este período, sustentado por setores sociais conservadores, surge o Estado Novo, promulgando-se a Constituição de 1937, a “polaca”, como ficou conhecida, por ter extinguido a Justiça Eleitoral, abolido os partidos políticos, suspendido as eleições livres e estabelecido eleição indireta para presidente da República, bem como por ter mantida a vedação ao alistamento dos analfabetos, militares ativos, mendigos e dos que estivessem privados temporária ou definitivamente de seus direitos políticos. Com a promulgação da Constituição de 1946, a Justiça Eleitoral retorna ao âmbito constitucional, permanecendo o voto direto e secreto, mas agora obrigatório para as mulheres, consagrando-se também os institutos da perda e da suspensão dos direitos políticos. Finalmente, em 15 de julho de 1965, edita-se novo Código Eleitoral através da Lei nº 4.737 que, ainda hoje, encontra-se em vigor. No transcurso desse tempo, alguns de seus dispositivos foram revogados ou modificados por leis mais recentes que incorporaram o nosso ordenamento jurídico e, especificamente, o sistema eleitoral brasileiro. Atualmente, a Constituição de 1988 é que estabelece os princípios referentes ao direito eleitoral, instituindo a regulação dos direitos políticos, grafados nos artigos 14 a 16, as normas sobre partidos políticos no art. 17 e linhas mestras da organização da Justiça Eleitoral, grafadas no inciso V do art. 92 e nos artigos 118 a 121. O Código Eleitoral Brasileiro, Lei nº 4.737, de 15 de julho de

1965, incorpora as leis, de inelegibilidade, dos partidos políticos, das eleições, mais legislação correlata e as súmulas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Este arcabouço de normas, além de impor voto e alistamento obrigatórios para os brasileiros de ambos os sexos, proíbe o alistamento aos que não sabem se exprimir na língua nacional e aos que estiverem privados de seus direitos políticos, temporária ou definitivamente e, por mandamento da Constituição de 1988, art. 14, §1º, I e II, ficou determinado alistamento e voto obrigatórios para os maiores de dezoito anos e alistamento e voto facultativos para os analfabetos, para os maiores de setenta anos e para os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos. Assim, a condição de alistamento dos analfabetos que era proibida, passou a ser facultativa. Não obstante a existência de exceção grafada no art. 6º, inciso I do Código Eleitoral de 1965, no que se refere à obrigatoriedade de alistamento para os “inválidos”, os maiores de setenta anos e os que se encontram fora do país, a Resolução nº 21.920/2004 do TSE, tornou o alistamento eleitoral e o voto, obrigatórios para as pessoas com deficiência. Facultando-se o voto aos enfermos, aos que se encontrem fora de seu domicílio e aos funcionários civis e militares, cujo serviço os impossibilite de votar. No entanto, o TSE, entendendo que existem casos de pessoas com deficiência cuja natureza e gravidade desta as impossibilitam ou tornam oneroso o exercício de suas obrigações eleitorais, baixou por resolução o entendimento de que, nestes casos, estas pessoas podem requer por si ou através de terceiros devidamente habilitados, certidão de quitação eleitoral com prazo de validade indeterminado, tornando-as isentas da obrigação de votar. No campo da acessibilidade o Decreto nº 5.296/04 que regulamenta as Leis nº 10.048 e 10.098, ambas de 2000, que neste aspecto incorporam o Código Eleitoral no âmbito da legislação correlata, estabeleceu a seguinte regra:

Artigo 21

Os balcões de atendimento e as bilheterias em edificação de uso público ou de uso coletivo devem dispor de, pelo menos, uma parte da superfície acessível para atendimento às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, conforme os padrões das normas técnicas de acessibilidade da ABNT. Parágrafo único. No caso do exercício do direito de voto, as urnas das seções eleitorais devem ser adequadas ao uso com autonomia pelas pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida e estarem instaladas em local de votação plenamente acessível e com estacionamento próximo.

O mandamento legal acima clarifica a obrigatoriedade dos Tribunais Regionais Eleitorais em manter acessibilidade física e de


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direito meios, tanto para a fase de alistamento eleitoral como para o momento de votação pela pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida. Ressaltando em seu parágrafo único, a necessidade das urnas estarem adequadas ao uso com autonomia pelo público que especifica. Neste caso, autonomia significa a possibilidade de uso do equipamento por meios próprios ou com auxilio de ajuda técnica. E para atender a esta obrigatoriedade legal, o TSE baixou a Resolução nº 23.372/2011, que dispõe sobre os atos preparatórios para as eleições de 2012, aperfeiçoando a terminologia relativa às pessoas com deficiência em norma que se repete nos anos eleitorais desde 2004, estabelecendo em seus artigos 56 e 57, o seguinte:

Artigo 56

O eleitor com deficiência ou mobilidade reduzida, ao votar, poderá ser auxiliado por pessoa de sua confiança, ainda que não o tenha requerido antecipadamente ao Juiz Eleitoral. § 1º O Presidente da Mesa Receptora de Votos, verificando ser imprescindível que o eleitor com necessidades especiais seja auxiliado por pessoa de sua confiança para votar, autorizará o ingresso dessa segunda pessoa, com o eleitor, na cabina, podendo esta, inclusive, digitar os números na urna. § 2º A pessoa que auxiliará o eleitor com necessidades especiais não poderá estar a serviço da Justiça Eleitoral, de partido político ou de coligação. § 3º A assistência de outra pessoa ao eleitor com necessidades especiais de que trata este artigo deverá ser consignada em ata.

Em vista do artigo 57 da Resolução TSE nº 23.372/2011, abaixo transcrito, tratar especificamente da pessoa com deficiência visual, poder-se-ia pensar que esta não estaria incluída entre os detentores da prerrogativa acima. No entanto, mesmo com o tratamento especial dado a esse segmento, a norma não lhes trouxe qualquer impedimento para o exercício da prerrogativa do art. 56 e parágrafos. Na verdade, o artigo 57, abaixo em destaque, procura garantir ao deficiente visual, que conheça o sistema braile, o exercício do voto de per si, inovando ainda na regulamentação do art. 150, incisos I e III da Lei nº 4.737/1965, por trazer a previsão da inovação de uso de sistema auditivo ou de marcação da tecla número cinco da urna eletrônica. Assim, não se pode impedir que o indivíduo com deficiência visual, não conhecedor do sistema braile, ou mesmo não habituado para o uso das novas tecnologias, como ocorre em vários municípios do interior do país, requeira o auxílio de uma pessoa da sua confiança para praticar o exercício do voto.

Artigo 57

Para votar, serão assegurados ao eleitor com deficiência visual (Código Eleitoral, art. 150, I a III): I – a utilização do alfabeto comum ou do sistema braile para assinar o caderno de votação ou assinalar as cédulas, se for o caso; II – o uso de qualquer instrumento mecânico que portar ou lhe for fornecido pela Mesa Receptora de Votos; III – o uso do sistema de áudio, quando disponível na urna, sem prejuízo do sigilo do voto; IV – o uso da marca de identificação da tecla número 5 da urna.

Mesmo fazendo uso do adágio jurídico “lex specialis derogat generali”, no que se refere ao artigo 57, acima transcrito, como dissemos, não houve a revogação do direito ao auxílio de outra pessoa para votar. Na realidade, as inovações da Resolução apenas asseguram outros meios para garantir autonomia de voto por pessoa com deficiência visual. A própria Convenção sobre os Diretos das Pessoas com Deficiência, recentemente editada pela ONU (2006), e incorporada ao ordenamento jurídico nacional com força de emenda constitucional (2008), prevê em seu artigo 29, a participação da pessoa com deficiência na vida política e pública, assegurando a acessibilidade aos meios e equipamentos de votação, bem como o auxílio de uma pessoa, se for o caso, para ajudá-la no momento de votar.

Artigo 29

Participação na vida política e pública Os Estados Partes garantirão às pessoas com deficiência direitos políticos e oportunidade de exercê-los em condições de igualdade com as demais pessoas, e deverão: a. assegurar que as pessoas com deficiência possam participar efetiva e plenamente na vida política e pública, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, diretamente ou por meio de representantes livremente escolhidos, incluindo o direito e a oportunidade de votarem e serem votadas, mediante, entre outros: I. garantia de que os procedimentos, instalações e materiais e equipamentos para votação serão apropria¬dos, acessíveis e de fácil compreensão e uso; II. proteção do direito das pessoas com deficiência ao voto secreto em eleições e plebiscitos, sem intimi¬dação, e a candidatar-se nas eleições, efetivamente ocupar cargos eletivos e desempenhar quaisquer funções públicas em todos os níveis de governo, usando novas tecnologias assistivas, quando apropriado; III. garantia do livre arbítrio das pessoas com deficiência como eleitores e, para tanto, sempre que necessário e a seu pedido, permissão para que elas sejam auxiliadas na votação por uma pessoa de sua escolha. (grifos nossos)

O importante é o exercício da cidadania, fundamentado na noção de uma sociedade na qual todas as pessoas têm o direito de participar do processo políticos e de debater ou decidir sobre os rumos da política de sua Nação, tendo em mente que estes direitos são universalizados a partir dos princípios da liberdade de expressão, dignidade humana, respeito pela autonomia individual, inclusive a liberdade de fazer as próprias escolhas, bem como o respeito pela diferença e pela aceitação das pessoas com deficiência como parte da diversidade humana.

Geraldo Nogueira é advogado, cadeirante, e presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB-RJ.


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pesquisa

Pesquisa mostra situação no mercado de trabalho

A

consultoria i.Social, com foco em inclusão social e econômica, realizou este ano a segunda edição da pesquisa “Pessoas com Deficiência: expectativas e percepções do mercado de trabalho”. Foram 674 entrevistados, de todas as regiões do país. Três novas perguntas entraram no questionário de 2012, revelando dados até então desconhecidos. Em uma delas, a questão era se quem estava respondendo tinha recebido alguma promoção em seu último emprego formal. “Observamos que 3/4 dos respondentes não recebeu nenhuma promoção no último emprego e, se considerarmos que a maioria dos pesquisados está (ou ficou) há mais de um ano no atual emprego, podemos suspeitar, ainda que não afirmar, que mesmo com um tempo relativo de emprego, essas pessoas não estão evoluindo dentro da empresa”, avalia Júlia Rosemberg, gerente de projetos da i.Social. Outra pergunta era sobre preconceito no ambiente de trabalho: “nos impressionou bastante o fato de 47% dos pesquisados já terem sofrido algum tipo de preconceito. Isso pode explicar que 93,5% dos respondentes considera que os profissionais de RH e gestores necessitam se informar e conscientizar sobre o tema da inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho”, afirma a gerente. Os entrevistados também falaram sobre o que poderia ser interessante para a ampliação e/ou melhora da qualidade das vagas oferecidas pela Lei de Cotas. 31% dos pesquisados acreditam que teveria ter maior fiscalização, ou seja, que a punição é o caminho mais eficaz para o cumprimento da legislação. Enquanto isso, 25% avaliaram que o aumento da porcentagem de pessoas com deficiência na empresa seria uma saída e, 23%, o incentivo fiscal para as empresas contratantes.

Comparações A nova pesquisa permitiu comparar a situação com 2011. Assim como na primeira versão, a maior parte dos respondentes possui deficiência física (63,5%), seguida pela auditiva (26,5%) e visual (7,9%). “Do ano passado para esse, houve uma inversão entre as deficiências intelectuais e múltiplas: 1,2% dos respondentes têm deficiência intelectual, enquanto que 0,9% deficiência múltipla”, comenta Júlia. Em relação à escolaridade, percebe-se um leve aumento no grau de educação. Em 2011, 49% dos pesquisados tinham ensino superior em andamento e, na versão atu-

al, a marca subiu para 53%. Nos dados atuais, foi observada uma menor inserção no mercado de trabalho, formal ou informal: 38,5% dos pesquisados estão desempregados, enquanto que no ano passado, eram 29,10%. Em 2011, apenas 7% estavam empregados em cargos técnicos, ao passo que em 2012, 21% dos respondentes ocupam esssas posições. Houve um importante decréscimo de pessoas com deficiência empregadas em cargos gerenciais - apenas 2% em 2012, contra 9% em 2011. De um ano para o outro foi possível verificar um ligeiro aumento na pretensão salarial dos entrevistados. Em 2011, 41,6% dos pesquisados tinham a pretensão salarial de R$ 1.501 a R$ 4.500 enquanto que, em 2012, 49,2% dos respondentes informaram ter essa mesma pretensão salarial. Na pesquisa de 2011, as três barreiras citadas como impeditivas para a inclusão de profissionais com deficiência no mercado formal de trabalho foram, em ordem de importância: poucas oportunidades, foco exclusivo no cumprimento de cota e oportunidades ruins. Em 2012, as barreiras citadas foram as mesmas, no entanto, alterou a ordem de classificação: oportunidades ruins, foco exclusivo no cumprimento de cota e poucas oportunidades.


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trabalho

Indústria da Construção Civil discute inclusão

Vice-presidente de Relações Capital-Trabalho, Haruo Ishikawa

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ados apurados pelo Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo (SINDUSCON-SP) mostram que 92% das pessoas com deficiência empregadas no setor têm desempenho e produtividade igual ou superior à média dos funcionários, de acordo com seus superiores. Outro item aponta que 83% dessas pessoas têm um relacionamento interpessoal de bom a ótimo. Os resultados fazem parte do “Estudo de Viabilidade para Inserção Segura de Pessoas com Deficiência na Construção Civil”, divulgado no final de 2011, e apresentado no último mês de abril em seminário sobre a Lei de Cotas e a inclusão desses trabalhadores no setor. O trabalho foi feito em parceria com o Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo (SECONCI-SP), por meio do Insituto de Estudos e Pesquisas Armênio Crestana (IEPAC). De acordo com Sérgio Watanabe, presidente do SINDUSCON-SP, há mais de 10 anos o tema faz parte das discussões do sindicato. “Em 2001 tivemos a honra de receber o primeiro selo de acessibilidade e 5 anos atrás o vice-presidente Haruo Ishikawa começou a estudar a inclusão da pessoa com deficiência nos canteiros, o que não é uma operação simples, mas possível”, diz Watanabe. O Estudo de Viabilidade recomenda restrição total nos canteiros à contratação dos grupos de pessoas com deficiência visual, intelectual severa ou profunda, membros superiores e dos ostomizados. O trabalho mapeou as restrições médicas e técnicas que uma pessoa com deficiência tem, ou não, para realizar 29 diferentes atividades inerentes a 17 funções dentro do canteiro de obra, com base naquelas apontadas pelo Manual

de Saúde, Segurança do Trabalho do SESI-SP e na pesquisa que a Associação Horizontes fez para o Sindicato. Também foi apontado que há espaço para as pessoas com outros tipos de deficiência no processo produtivo do setor, sendo possível inserir os anões, pesssoas com dificiência física de membros inferiores (paraplegia, monoplegia, monoparesia, prótese unilateral, encurtamento com bota, pé torto congênito ou genu varu ou valgo – que possuem pernas em forma de alicate ou em “x”) e pessoas com deficiência auditiva e intelectual moderadas. Foi montada uma tabela para as principais funções, com recomendações divididas em 3 categorias: sem restrição, restrição parcial e restrição total. O sindicato ainda estabeleceu o tipo de restrição, o local das restrições e as adaptações indicadas em cada caso. “Estamos correndo o Brasil inteiro com esse trabalho e ainda vamos realizar diversos eventos abordando a inclusão segura de pessoas com deficiência. Isso é só o começo”, afirmou Ishikawa no evento, que foi transmitido em tempo real para 9 regionais do Sindicato. Na avaliação do desembargador federal do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região, Ricardo Tadeu Marques da Fonseca, que possui deficiência visual, hoje o conceito de deficiência deixou de ser clínico e passou a ser político. “O que discutimos aqui reafirma a minha crença de que tudo é possível e não há limites para a capacidade humana”, afirmou, ao revelar ter se emocionado com o estudo. “É a prova de que, se há uma barreira, com empenho e dedicação é possível superá-la, seja desenvolvendo um novo equipamento ou adaptando o sistema”, completa Ricardo Tadeu.

Desembargador Tadeu Marques da Fonseca


trabalho

Mães da Guarapiranga promove Dia da Beleza !

Casa da Photo

Rede de empregadores quer estimular contratações

nota

Uma rede nacional de empresas empenhadas na inclusão no mercado de trabalho foi formada no último mês de maio. O assunto dominou as discussões do 26º Fórum Serasa Experian de Empregabilidade de Pessoas com Deficiência, realizado na capital paulista. O projeto conta com apoio da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que enviou inclusive uma representante, Debra Perry. Experiências semelhantes com apoio da entidade estão em desenvolvimento em Paris, Nova York, Bangalore (Índia) e Buenos Aires. O grupo inicial tem cerca de 50 empresas e conta com uma equipe para tocar o dia a dia, composta pela própria Serasa Experian, Telefônica/Vivo, Grupo Pão de Açúcar, Delphy, Ernest & Young, IBM e GTcon. A primeira tarefa será a elaboração do regimento interno. A programação inclui encontros mensais de todos os envolvidos e semanais do núcleo. Para o mês de junho está prevista a participação de novas empresas que não puderam participar do Fórum. “A ideia é trocar experiências e discutir os problemas, obstáculos, grau de risco e outras questões”, explica João Ribas, coordenador de Diversidade e Inclusão da Serasa Experian. A rede pretende também produzir material sobre inclusão para as empresas mais distantes e de médio e menor porte. Para ele, as grandes se movimentaram primeiro nas contratações porque foram as mais fiscalizadas. A rede também pretende ser uma referência na área, estabelecendo contatos e dando opiniões, inclusive para programas do próprio Governo. Um exemplo citado por Ribas de como os empresários poderiam opinar é em relação à própria qualificação profissional do Ministério da Educação e do Sistema S, formado por SENAI, SENAC e SENAT, entre outros serviços. “É preciso pensar um pouco melhor na qualificação para que a empregabilidade de pessoas com deficiência cresça”, defende o coordenador. Nesse sentido, a rede pretende ajudar as empresas na adequação de seus profissionais. Outro ponto é estudar a própria legislação vigente e sugerir adequações. Ribas cita o exemplo da Lei de Cotas que exige um percentual de contratações, mas deixa de fora questões específicas. É o caso, segundo ele, das empresas de vigilantes armados: o trabalho em carros fortes, por exemplo, tem regulamentação própria que impede o serviço dessas pessoas. “Há legislações contraditórias, poderíamos aprimorar e permitir até mais contratações”, conclui o coordenador.

O Projeto Mães da Guarapiranga promoveu mais um evento de sucesso, no Parque Ecológico Guarapiranga, na zona sul da capital paulista. Foi um dia de muita festa, em homenagem ao Dia das Mães. “Foi um dia de muita alegria e qualidade de vida. Além do encontro, que contou com centenas de mães e seus filhos, com e sem deficiência, numa reunião harmônica e muito gratificante, ainda os presentes puderam se deliciar com um almoço, uma gostosa macarronada que foi servida a todos”, destacaram Carlos Roberto Perl e sua esposa Clarice, organizadores do evento, que contou com o apoio, parceria e participação ativa das seguintes entidades, empresas, órgãos públicos e pessoas: INIS, IPDA, Parque Ecológico Guarapiranga, Águas Cristalinas, Marcos Belizário, o cabeleireiro Edson Nunes e equipe, Operação Conta Gotas, ICC, Apartesp, Mafre Seguradora e Banco do Brasil, Makro, Revista Reação e Platech Plataformas. Foram realizados ainda, exames de saúde gratuitos em grande parte das pessoas presentes, que também tiveram a oportunidade de serem atendidas no salão de beleza montado no local, assistir a palestras e tudo sob o comando de um mestre de cerimônias pra lá de especial, o palhaço Esquindo-lelê. “É muito gratificante ver cada evento Mães da Guarapiranga atraindo sempre mais gente... tivemos mais de 500 pessoas com e sem deficiência se divertindo e curtindo o prazer de viver”, comemoram os organizadores.

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especial

Reatech fecha 2012 com promessa de expansão para outras cidades

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e 12 a 14 de abril, mais uma vez o Centro de Exposições Imigrantes, na capital paulista, foi palco de um encontro que ocupa o terceiro lugar no mundo entre as feiras especializadas para pessoas com deficiência. O balanço oficial, segundo a organização do evento, indica 49 mil visitantes e 250 expositores neste 11º ano de atividades da Feira Internacional de Tecnologias em Rabilitação, Inclusão e Acessibilidade (REATECH). O evento já deu frutos: Milão (24 a 27/05); Reacess Rio (29/06 a 01/07) e Cingapura 27/02 a 01/03 de 2013). A julgar pela disposição de visitantes e organizadores, a Reatech continuará sua expansão. Pelo menos dois dos deputados federais presentes à abertura, Waldir Tosta (PSD/MG) e Rosinha da Adefal (PT do B/AL), manifestaram interesse em levar a feira para seus estados. “Estou maravilhado, é a primeira vez que venho pessoalmente, nos 10 anos anteriores eu não pude participar por razões diversas, mas estou realmente surpreendido com tanta inovação. Está sendo muito gratificante e assumo um compromisso com os organizadores de levar lá para Minas Gerais. Acredito que não o ano que vem, mas em breve, tenho certeza disso”, garante Tosta. Para Rosinha, é importante que a Reatech aconteça em São Paulo, mas também deve se expandir. “Sabemos que a maioria das pessoas com deficiência em nosso país são de baixa renda e essa dificuldade da locomoção não se deve só à deficiência, mas à falta de recursos também. Chegar aqui, infelizmente, ainda não é para todo mundo”, afirma a deputada. “Estamos trabalhando essa ideia, já falamos com alguns empresários, mas infelizmente, muitos dos que contatamos estão apenas visando lucro, não querem ainda plantar a sementinha para colher depois, mas é questão de trabalhar. A curto prazo a gente consegue mudar essa ideia e levar a feira para Alagoas também”, explica. José Roberto Sevieri, diretor de operações do Grupo Cipa Fiera Milano, organizador do evento, considera que a Reatech continua crescendo porque é o reflexo de um mercado. “Se a feira cresceu é porque o mercado cresceu também, a sociedade está

a cada dia que passa aceitando mais a pessoa com deficiência. Hoje os restaurantes adaptados já são em quantidade maior, os hotéis, os shoppings, as casas de show, os trocadores de roupa, tudo isso faz com que as pessoas andem mais, que o mercado cresça, e a feira contribui bastante porque ela impacta a sociedade levando-se em conta a competência também dos expositores”, considera Sevieri. A Reatech já esteve no Rio de Janeiro, em Florianópolis e Goiânia. Além das novas em Milão e Cingapura e das candidaturas de Alagoas e Minas Gerais, há propostas da Rússia, Índia, China e Argentina. “Vamos ter uma feira nova em 2013 com certeza, brasileira ou internacional. Há um limite para a gente trabalhar dentro da empresa. Se aparecer uma nacional e uma internacional é até possível, porque temos parcerias no exterior. Precisamos continuar mantendo as que já estão acontecendo com a mesma qualidade que as pessoas estão acostumadas”, garante o diretor.

As muitas faces da feira

A ideia central da Reatech é que cada um encontre o que foi buscar: um produto específico, uma novidade tecnológica, esporte, atrações musicais, encontro com os amigos. “A feira tem essa mescla de poder atender todos os desejos, cada um na sua diferença, cada um na sua necessidade, mas juntos no mesmo ambiente” diz Sevieri. Um dos setores mais procurados é o de novidades tecnológicas. O IPO – Instituto de Prótese e Órtese, de Campinas/SP, por exemplo, líder no mercado nacional em produtos de alta tecnologia na área de reabilitação física em próteses e órteses, aproveitou para comemorar seus 10 anos na Reatech. Chamou a atenção a performance de pacientes correndo em esteira elétrica, pedalando, jogando bola, fazendo roda de capoeira. “Conseguimos realizar nosso objetivo, ou seja, demonstrar que pacientes plenamente reabilitados podem retomar suas atividades diárias com a maior naturalidade”, comenta José André Carvalho, diretor do IPO.


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especial

Para as pessoas com deficiências visuais, a Pináculo, indústria eletrônica sediada em Taquara/ RS, trouxe o Vocalizer que funciona como uma espécie de visão, já que possibilita a identificação de cores e cédulas de dinheiro, além da leitura de textos impressos e digitais, entre várias outras funções. Desenvolvido com apoio da FinanEstande Pináculo ciadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (FINEP), integra várias tecnologias em um aparelho portátil e foi aprovado pessoalmente pelo diretor da empresa, Carlos Wolke, que perdeu completamente a visão há 8 anos. Em outro estande, foi apresentada uma nova máquina de escrever, a Smart Perkins™ Brailler. Com alta tecnologia, fornece retorno visual e de áudio juntamente com uma cópia impressa. O novo produto permite ao aluno aprender braile de forma independente, mesmo quando um professor especialmente treinado não está presente. Os retornos de áudio e visual na tela estão disponíveis em Português via software Acapela de comando de voz. “Acreditamos que este lançamento realmente permite que as pessoas estejam no mesmo nível e desmistifica o sistema braile para permitir uma experiência de aprendizado compartilhado”, comenta David Morgan, vice-presidente e diretor geral da Perkins Products. A Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual (LARAMARA) também marcou presença com lançamentos desenvolvidos no Centro de Tecnologia Assistiva para Pessoas com Deficiência Visual (LARATEC), além de produtos pedagógicos do Centro de Ludicidade Brincanto, que contribuem para o aprendizado infantil. Entre as novidades estão o Prisma (primeiro identificador de cores e dinheiro para pessoas com deficiência visual com tecnologia totalmente brasileira); o SLEP (Scanner Leitor Portátil para acesso das pessoas com deficiência visual a textos não impressos em braile); Pentop (rotulador de objetos com voz) e um cadeado com segredo acessível (funciona não com um segredo numérico, mas com uma combinação de até 16 movimentos). Para deficiência auditiva, o Grupo Microsom lançou o aparelho Moxi 3G, disponível em diferentes cores, com tecnologias que possibilitam uma série de benefícios, entre elas a wireless que permite ao usuário escutar músicas de um tocador de MP3 ou até mesmo falar ao celular sem precisar estar com o telefone móvel próximo da orelha. Esta interação entre os aparelhos é possível porque o som que sai do equipamento portátil é enviado via Bluetooth para um acessório utilizado no pescoço do usuário (espécie de colar) e convertido para uma tecnologia que transmite as informações. É indicado para perdas auditivas de grau leve a severa.

Em outra área, foram apresentados produtos para incontinência urinária da Tena, presente em mais de 90 países. Com produtos especiais para mulheres ativas com mais de 35 anos, homens e mulheres ativos com mais de 55 anos e pessoas com pouca ou nenhuma mobilidade, a marca apresenta desde absorventes finos e discretos até modelos para serem vestidos como uma roupa íntima, garantindo rápida absorção da urina. No concorrido mundo das cadeiras de rodas, a Jumper, de Rio Claro/SP, trouxe modelos Monobloco, 100% fabricadas no Brasil. A WCMX é especial para iniciação em Hardcore Sitting: feita com liga nobre 6061, tem dobra especial com reforço na estrutura, o que permite sua utilização em pistas de skate. Já a cadeira de rodas para Downhill (esporte que tem descidas em alta velocidade) é a aprimeira com freio a disco 100% brasileira. Para Carol Kobylanski, diretora do segmento de cadeira de rodas da empresa, a participação na Reatech foi importante para o público conhecer melhor a marca. “Em relação à feira, acho importante ter outros eventos no decorrer do ano em cidades espalhadas pelo Brasil. Feiras menores, onde o foco seja em produtos de acessibilidade”, avalia.

Estandes para todos os gostos

A Reatech apresenta opções variadas, desde os grandes estandes da indústria automobística, que oferecem test-drive aos interessados, até os institucionais como Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência de SP, Comitê Paralímpico Brasileiro, que promoveu um torneio de esgrima, do Governo Federal e de entidades das mais variadas, como a Casa de Davi e o Instituto da Cidadania. Um dos mais movimentados foi a o Associação Desportiva para Deficientes (ADD), que esteve pelo 9º ano consecutivo na feira. “É uma excelente oportunidade de mostrar o resultado de trabalho que transforma a vida das pessoas há 16 anos”, afirma a diretora Eliana Miada. Na Sports Arena, com 5 mil m², as pessoas com deficiência puderam conhecer e vivenciar modalidades esportivas e, com isso, despertar o gosto e abrir novas possibilidades de inclusão social por meio do esporte. “No espaço, além da apresentação das atividades oferecidas pela ADD, demos a oportunidade para que outras instituições também demonstrassem seu trabalho. Incluímos pessoas sem deficiência nas práticas esportivas como forma de transmitir informações através da vivência das dificuldades e limitações”, explica a diretora. A ADD teve alguns parceiros na Reatech, como a SABB/Coca-Cola,


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que distribuiu seus produtos aos visitantes. Os atletas mirins saborearam o Kapo Juice, voltado para essa faixa etária: “nosso objetivo ao contribuir com a ADD é aumentar a valorização da diversidade e inclusão de pessoas com deficiência em diferentes ambientes da sociedade. Na SABB acreditamos que todos têm potencial e, quando as pessoas são reconhecidas e apoiadas, podem entregar o melhor de si”, explica Vivian Morroni, supervisora de desenvolvimento organizacional. A Indústria Brasileira de Bebedouros Ltda (IBBL), que fabrica bebedouros acessíveis, também colaborou com a ADD, espalhando várias unidades. Foi o sétimo ano de parceria:

“Além de incentivar o esporte e a inclusão social, consolidamos ainda mais a marca IBBL em oferecer produtos que garantam uma água de qualidade também aos atletas com mobilidade reduzida. Com essa parceria conseguimos avaliar de perto necessidades e percepções dos usuários em relação aos nossos produtos e implementar melhorias e novas tecnologias que facilitam a independência e mobilidade das pessoas com deficiência”, garante Eduardo Luiz Paes Netto, gerente nacional de Marketing da empresa. Os modelos permitem o encaixe perfeito das cadeiras de rodas e possuem botões que podem ser acionados com qualquer parte do corpo, não somente com as mãos, e ainda possuem identificação em braile para as pessoas cegas ou com baixa visão. A Reatech terminou, mas a rede social Facebook, por exemplo, registrou por muitos dias depois os comentários e fotos dos participantes, reforçando a ideia da importância do encontro.

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especial Vamos acompanhar o depoimento de algumas pessoas e empresas que participaram da Reatech 2012: Rubens Oliveira – Toyota: A Reatech é o evento de maior importância para o canal de vendas diretas da Toyota, uma vez que o Corolla é visto como um dos modelos mais desejados deste segmento.

João Paulo Toscano – Citröen: A Reatech, por mais um ano, demonstrou a sua força e organização. É um evento com abrangência nacional que consegue reunir os principais fornecedores do país e estes, por sua vez, procuram apresentar as novidades para os clientes. Esta é a melhor oportunidade que os clientes possuem de análise e escolha. Alexandre Oliveira – Renault: A chegada das versões automáticas do Logan e do Sandero, além do Fluence com CVT, e do Duster automático, proporcionaram à marca registrar um crescimento de 650% nas vendas para pessoas com deficiências, quando comparamos 2010 com 2011, no segmento que registrou um aumento de 10%. Todo este esforço da Renault foi apresentado na Reatech 2012. Mônica Cavenaghi – Cavenaghi: O evento, como sempre, é referência no mercado.

Marco Antonio Bertoglio – Bengala Branca: O evento foi pelo menos tão bom quanto no ano passado. A organização estava impecável. Neste ano trouxemos para a feira o lançamento mundial da Smart Perkins que é uma máquina de escrever em Braille que tem novos recursos que vão facilitar e muito o aprendizado no ensino do sistema, criada na mesma plataforma da nova máquina de escrever Perkins. É uma evolução de um produto de 60 anos e está voltada para a educação, porque reconhece tudo o que ocorre mecanicamente, com reprodução em áudio, reprodução do caracter em tinta e em Braille. O professor acompanha em tempo real e o texto pode ser salvo com Pen drive e usado por pessoas que não conhecem o Braille, tanto professores quanto colegas e pais que não compreendem linguagem. Estamos muito felizes com este produto que é fantástico. Antonio José Ferreira - Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência: Como sempre a Reatech estava lotada e esgotamos todo nosso material de divulgação. O Brasil hoje tem a política de inclusão mais avançada da América do Sul e o diferencial é que o país conseguiu um marco regulatório. Estou na Reatech pela primeira vez como secretário representando o Governo Federal com o Plano Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, o Viver sem Limite, que é o maior projeto já apresentado no país com investimento de cerca de R$ 7,5 bilhões. As principais atividades da nossa participação aqui foram as ações deste plano, uma exposição sobre o movimento social das pessoas com deficiência e o I Fórum Nacional de Tecnologia Assistiva em que se colocou em discussão junto com pessoas do terceiro setor, empresários e desenvolvedores que trabalham cotidianamente as opções para melhorar a vida das pessoas com deficiência. Carlos Araújo – Nissan: A Reatech é uma oportunidade que as empresas que prestam serviços neste segmento de apresentar seus produtos. Os clientes e compradores tem muito mais liberdade aqui do que no Salão do Automóvel.

Abelardo Pinto – Diretor de Vendas da Nissan do Brasil: Na verdade o crescimento da Nissan em todos os segmento da marca foi uma montagem de várias etapas. Há dois anos e meio viemos com produtos mais populares e esse foi o estopim deste processo. No caso das pessoas com deficiência nós temos dois produtos feitos no país focados neste segmento, a família Livina, com o Livina e o Grand Livina, e entendemos que é um mix perfeito e adaptado para as necessidade das PcD porque tem um excelente custo x benefício com toda a tecnologia japonesa. Nós somos ainda uma empresa pequena, mesmo com o nosso crescimento, mas estamos introduzindo nossa linha no mercado, viemos à Reatech e estamos muito satisfeitos. O stand ficou muito bom e mostrou a nossa força nesse mercado. Vamos continuar e atuaremos aqui e em todos os segmento onde tivermos oportunidades estaremos pois é um segmento que cresce a cada ano. Aumentamos em três vezes o tamanho do stand e temos energia para investir neste segmento. Bruno Tsuda – Honda: A Reatech vem crescendo, o público participa mais intensamente e isso se reflete no mercado geral com a busca por soluções para os condutores e não condutores.

Alberto Andrade – VW: A Volkswagen do Brasil tem orgulho de fazer parte da vida dos brasileiros e a participação da marca na feira Reatech, pelo nono ano consecutivo, revela a importância que a empresa dedica ao segmento, ao mesmo tempo em que demonstra sua responsabilidade com a satisfação de todos os clientes. Além das adaptações, que podem ser realizadas nos veículos, a tecnologia da transmissão automatizada I-Motion permite atendermos cerca de 80% das pessoas com deficiência. Marcos Saraiva – Chevrolet: Mais um ano, um bom evento e uma feira bem organizada com muitos contatos com os vendedores e mostramos os novos produtos Chevrolet que foram um grande sucesso.

Antonino Grasso – SMPED: Foi uma participação interessante, bastante válida. Tivemos um stand inclusivo com uma série de atendimentos que foram da área de trabalho, esportes educação, transportes, entre outros e o nosso maior destaque foi a divulgação do Censo-Inclusão, do início de abril, que esperamos que terá um retorno muito grande de adesão e para isso contamos com a mídia, pois será uma ferramenta importantíssima para a SMPED e para a cidade de São Paulo, pois vai criar as condições para fazermos uma fotografia real sobre como se encontra o problema da pessoa com deficiência na nossa cidade, com que tipo de deficiência, como eles vivem, a renda familiar a escolaridade para que se possa implementar políticas públicas, pontuais e que possam surtir efeito. Luciane Habib – Auto Escola Javarotti: Foi um evento movimentado, mas o pavilhão precisa de melhorias.

Marcos Arada – Signosinal: A acessibilidade está se disseminando e temos mais gente interessada, com jovens direcionando sua carreira para isso. A questão da sinalização está cada vez mais em evidência pela cobrança pública.


especial Cinytia Takahashi – Senac/SP: Foi um evento muito movimentado no qual pudemos manter contato com o público de nosso interesse.

Henrique Zamboni – Transformers: A feira deu à Transformers a possibilidade de mostrarmos nossos serviços de uma forma mais ampla para o público que usa os nossos equipamentos, nos trazendo grandes oportunidades e novos desafios.

Jair Rais – Andaluz: A frequência este ano está cada vez maior e cada vez mais a divulgação funcionou. Tivemos espaço nas palestras e conseguimos fornecer a informação sobre o elemento tátil. Além disso, lançamos o “Luquinha”, um projeto de inclusão das deficiências visuais.

Wagner de Conto- Personal Acess: Voltamos a Reatech em 2011 e novamente em 2012 e tivemos mais uma vez um sucesso a altura das nossas expectativas. O evento reúne pessoas de outros estados e isso estende nosso potencial de negócios.

Rafael Alves – Civiam Brasil: A possibilidade de fazer as pessoas com mobilidade reduzida terem uma opção de inclusão e autonomia por meio de dispositivos especiais de informática foi a nossa maior realização na Reatech. Gabriela Calacio – IBM: A Feira foi bem produtiva uma vez que a empresa tem um programa de inclusão e foi possível também apresentar a marca ao público.

Carolina Kobylanski – Jumper: Lançamos a primeira cadeira de rodas com freio a disco do Brasil. A boa aceitação dos nossos produtos, pela inovação, preço e variedade, foram as principais características da nossa participação na Reatech.

José Guedes – Sindautoescola: Para o sindicato, dentro de nossos projetos, esta edição da Reatech é mais uma etapa vencida. Divulgamos muito bem os serviços prestados por nossos associados.

Daianne Martins e Bernadete Vasques – CLIK: A Reatech repetiu o êxito dos outros anos e a CLIK teve novamente seu stand repleto de visitantes durante todos os dias da feira. O que apreciamos nesta feira é que além dos contatos comerciais, temos o encontro com nossos usuário, seus familiares, terapeutas e outros profissionais da tecnologia assistiva. Neste ano exibimos alguns produtos de ponta, como o EyeMax, computador com comando ocular e lançamos os novos vocalizadores GoTalk Express, VideoBrix e TalkTrac. Foi importante notar a presença dos órgãos governamentais, que são hoje os grandes indutores dos negócios desta área. Aconteceram encontros e debates com representantes dos Ministérios da Saúde, Ciência Tecnologia e Inovação, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República que engrandeceram o evento.

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educação

Como está a educação inclusiva no Brasil ?

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ara responder à pergunta, o Instituto Rodrigo Mendes, em parceria com o Ministério da Educação, lançou em abril passado o projeto: “Compromissos da Gestão Pública com a Educação Inclusiva” (diversa.org.br/gestao-publica), que faz parte da Diversa, uma plataforma de troca de experiências e construção de conhecimento sobre a questão. A iniciativa permite que as políticas públicas sejam acompanhadas pelos interessados, que também podem fazer comentários e dar sugestões. Nela, estão presentes 54 municípios. “O Observatório Gestão Pública já conquista avanços relevantes”, assegura Rodrigo Mendes, fundador do instituto que leva seu nome. Municípios como: Barcarena/PA, Mãe do Rio/PA, Mossoró/RN, Rio Branco/AC, Rio Grande/RS, São José do Rio Preto/SP, Sorocaba/SP e Uberlândia/ MG, esclareceram dúvidas de munícipes, compartilharam suas conquistas e têm recebido mensagens de apoio de membros das equipes da Secretaria e diversos outros integrantes da comunidade escolar que se manifestaram por meio de comentários no próprio site, elogiando a proposta de ações e ressaltando sua importância. A ideia é mediar e facilitar a comunicação entre as Secretarias Municipais de Educação participantes do projeto e a comunidade. “Como exemplo dessa interação, merece destaque o caso do município de Franca/SP. O projeto recebeu uma

mensagem de uma munícipe sobre as dificuldades encontradas para manter sua filha com deficiência matriculada no ensino regular da rede pública da cidade. A partir do contato da equipe do IRM, a Secretaria de Educação enviou o parecer detalhado com as providências tomadas para solucionar o caso”, conta Mendes. “O engajamento da comunidade é fundamental para que as cidades avancem na construção de uma educação pública efetivamente inclusiva, servindo de exemplo e referência para outros municípios”. No primeiro momento, a estratégia foi de divulgação junto a um Grupo de Trabalho que reúne as secretarias de educação das 200 maiores cidades brasileiras, incluindo as capitais. Esse Grupo se encontrou em outubro de 2011, em um evento promovido pelo Ministério da Educação, quando o Diversa foi apresentado e lançou-se o desafio de que elas assumissem compromissos públicos com a educação inclusiva. “Esperamos que a próxima edição deste projeto, que terá início após o GT das Grandes Cidades, no segundo semestre deste ano, conte com mais adesões, inclusive por conta das ideias e ações que já estão sendo compartilhadas em nosso portal, ampliando o conhecimento coletivo e a geração de novas propostas”, explica Mendes. Os municípios interessados em compartilhar suas ações em relação à educação inclusiva poderão enviar relatos com a experiência dos seus projetos por meio da área: “Compartilhe sua experiência”, do portal Diversa.

O Instituto Rodrigo Mendes A instituição sem fins lucrativos, foi fundada em 1994. Sua missão é colaborar para a construção de uma sociedade inclusiva por meio da educação e da arte. Suas ações desenvolvem-se por meio de um Centro de estudos e três programas: Singular, Plural e Geração. O projeto DIVERSA – em parceria com o MEC - é uma plataforma de troca de experiências e construção de conhecimento sobre educação inclusiva. Ela dá acesso a estudos de caso, vídeos, relatos de educadores, artigos, notícias e outros materiais de referência. Ao perceber que os educadores das escolas já dispunham de interessantes experiências sobre educação inclusiva, a direção do IRM vislumbrou a criação de um portal na Internet destinado à troca de experiências e à construção de conhecimento, a partir das práticas das próprias escolas. Anos mais tarde, a ideia começou a se transformar em realidade durante um seminário realizado em Cambridge, pela Escola de Educação de Harvard, do qual o fundador Rodrigo Mendes, participou como conferencista. Na ocasião, foram identificados os primeiros parceiros do projeto e iniciou-se o desenho conceitual e estratégico da iniciativa, posteriormente batizada de DIVERSA.

Visita Rodrigo Mendes e Rogerio Arns


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novidade

Curso à distância acessível pode ser boa opção de ensino

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olocar um curso à distância à disposição dos alunos não significa que ele seja proveitoso para todos os interessados. Foi o que percebeu a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), por meio da Secretaria Geral de Educação à Distância (SEAD). No ano passado, a instituição se viu com o primeiro aluno com deficiência visual matriculado e percebeu que os cursos não estavam totalmente adaptados para o acesso de pessoas com deficiência. Frente à nova situação, a universidade iniciou, no final de 2011, um programa para mudar a situação. A ideia é que, em pouco tempo, os cursos de graduação à distância em sistemas da informação, engenharia ambiental, educação musical, pedagogia e tecnologia em produção sucroalcooleira atendam às necessidades de PcD, num esforço para democratizar o ensino superior de qualidade para todos. No futuro, outros cursos deverão ser incorporados ao modelo não presencial. A professora Joice Otsuka é uma das responsáveis pelo projeto de acessibilidade da UFSCar e explica as várias frentes de trabalho: adaptação dos materiais didáticos das disciplinas; audiodescrição de ilustrações, vídeos e animações; geração de material em formatos compatíveis com softwares de leitura de tela e uso de techas de atalho; legendamento de vídeos e animações; inclusão de janela de libras em vídeos e animações; elaboração de audiolivros; impressão de gráficos, tabelas e símbolos em alto relevo e impressão em braile, entre outras providências. Ela

informa que estão investindo na formação de professores para a preparação dos materiais didáticos e do ambiente virtual de aprendizagem, bem como para acompanhar e interagir com alunos com diferentes necessidades. “Estamos no início desse processo e ainda testando e validando diferentes alternativas. Há um longo percurso pela frente, com muitos desafios”, afirma Joice. A professora considera que essa modalidade de ensino é bastante apropriada para atender o público PcD, pois permite que o processo de aprendizagem seja desenvolvido no tempo e espaço de cada aluno, de acordo com suas necessidades e possibilidades. “Acreditamos que, desenvolvendo soluções para tornar os cursos da UFSCar mais acessíveis, estaremos abrindo as portas para um grande contingente de pessoas que não teriam condições de realizar um curso de graduação. Vale ressaltar também que a nossa abordagem é de inclusão e não de diferenciação, ou seja, estamos pensando em soluções de acesso universal, na expectativa de melhorar o acesso a cursos de graduação públicos e de boa qualidade para todos”, conclui a professora.

O primeiro aluno Toda essa história começou por causa de Alan Ghelardi, que tem deficiência visual e ingressou no último vestibular do curso de Sistemas de Informação na modalidade à distância. Atualmente, ele está colaborando no desenvolvimento de soluções de acessibilidade da UFSCar, vinculado como bolsista no projeto de extensão “Laboratório de Objetos de Aprendizagem” (LOA). Ghelardi tem 29 anos de idade, é casado, reside na cidade de São Paulo e perdeu a visão aos 14, em razão de uma doença neurológica. Já tinha feito um curso livre à distância em que foi praticamente impossível acompanhar os conteúdos, justamente porque não se pensou com antecedência na possibilidade de que um dia existiria ingresso de um cego. “Me identifico com o modelo pedagógico proposto pela modalidade, que exige do egresso uma maior autonomia como sujeito ativo no processo de ensino-aprendizagem. Além disso, vejo um grande potencial inclusivo, principalmente porque os diversos recursos de aprendizagem são disponibilizados através dos ambientes


novidade ensino médio na rede pública. Ele participa auxiliando nas pesquisas de acessibilidade para tais objetos. “Além disso, estou desenvolvendo, em conjunto com outros profissionais da UFSCar, um tocador de mídia acessível para o ambiente virtual da universidade, o qual será utilizado nas animações e vídeo aulas disponibilizadas nos cursos à distância. O projeto está caminhando bem e nossa ideia é desenvolver um player que seja interativo do ponto de vista visual e, ao mesmo tempo, plenamente acessível a pessoas com deficiência visual e com baixa mobilidade motora, que utilizam o computador através do teclado e não do mouse”, conta o aluno. Ele acredita que, de forma geral, tanto a educação presencial quanto a educação à distância carecem de metodologias mais específicas, que levem em consideração as necessidades de aprendizagem de pessoas com deficiência. Ivan Rocca, Joice Otsuka e Mariana Ambrósio que “Sem tais metodologias, essas pessoas se veem obrigadas trabalham no projeto da UFSCAR a encontrar formas alternativas de acesso à informação virtuais o que, se bem estruturados, oferecem uma maior por conta própria ou a dependerem demais do auxílio dos autonomia na aquisição do conhecimento, sobretudo, por colegas, professores e familiares. Em ambos os modelos parte de pessoas com deficiência visual que têm no compu- existem desafios a serem enfrentados para que a inclusão tador uma importante ferramenta de acesso à informação”, no processo educacional ocorra de forma efetiva”, afirma. explica o aluno. “Toda pessoa é capaz de aprender e desenvolver-se, desde Alan está bastante entusiasmado com seu trabalho no LOA que as oportunidades lhe sejam dadas de forma adequada, Redação Pit Peça Formato Produção Gráf. Dir. de Arte Atendimento Coordenação Revisão que envolve profissionais e outrosData bolsistasFinalização da universidade o que inclui disponibilizar a informação e o conhecimento AZS001912 26 x 12 cm 01/06/2012 Anúncio e visa o desenvolvimento de objetos áudio visuais de apren- de maneira que sejam acessíveis a qualquer pessoa”, condizagem, que serão empregados nas aulas de estudantes do clui Ghelardi.

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acontecendo

Rede Lucy Montoro inaugura laboratório de robótica em São Paulo/SP

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InMotion

specializada em reabilitação, a rede conta com um novo laboratório de robótica, inaugurado em maio, no bairro do Morumbi, na capital paulista, realizado em parceria com a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, a Secretaria de Estado da Saúde e a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). De acordo com a secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Linamara Rizzo Battistella, é o mais completo em sua especialidade no país e na América Latina. A Rede Lucy Montoro foi criada em maio de 2008, seguindo o modelo do Hospital das Clínicas, ao qual ela é vinculada: “Com muita garra, com muita competência, a rede leva o programa HC de reabilitação para todo o Estado de São Paulo, um projeto como referência dentro do Brasil. Estamos nos tornando rapidamente uma referência para muitos países latino-americanos”, afirmou a secretária. Entre os diversos equipamentos, o centro conta com duas unidades do

Armeo Spring

InMotion, único robô disponível na América Latina que estimula a movimentação dos membros superiores, indicado especialmente para pacientes que sofreram acidente vascular encefálico (AVE), esclerose múltipla e paralisia cerebral, entre outros casos. Já o Armeo Spring, exclusivo no Brasil, é utilizado para melhorar a função do braço, combinando exercícios terapêuticos por meio da simulação de tarefas específicas e jogos. O Lokomat, antes exclusivo da Rede SUS, é destinado a pessoas que tiveram também acidente vascular encefálico, lesão medular, traumatismo crânio encefálico, esclerose múltipla, paralisia cerebral e outras condições que podem ser geradas no aparelho locomotor. O equipamento Ergys é semelhante a uma bicicleta e utiliza

Lokomat


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acontecendo “Pulmão de Aço Uma vida no maior hospital do Brasil”

Lokomat

Ergys

a estimulação elétrica funcional computadorizada (CFES). Destinado para que pacientes com pouco ou nenhum movimento nas pernas possam pedalar, permitindo que indivíduos com lesão medular e outras condições neurológicas se beneficiem da ativação da musculatura dos membros inferiores. Nos próximos meses, a Rede Lucy Montoro pretende ampliar seu potencial tecnológico, levando esses mesmos equipamentos e outros relacionados com a área da neurociência para a unidade da Vila Mariana, também na capital. Em junho, um novo centro da rede foi inaugurado na cidade de Mogi Mirim/SP, ocupando cerca de 1,6 mil m² para atendimento de 5 mil pacientes por mês. Com uma equipe formada por médicos fisiatras, psicólogos, enfermeiros, nutricionistas, assistentes sociais, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, entre outros, a Rede Lucy Montoro tem como foco auxiliar na reabilitação de pessoas com lesão medular, amputação e má formação, lesão encefálica, paralisia cerebral, dor incapacitante, Síndrome de Down, com deficiência auditiva, visual, intelectual e ainda, idosos.

Esta é a história de Eliana Zagui, que há 36 anos vive deitada em um leito de UTI do Instituto de Ortopedia do HC. A editora Belaletra lançou o livro “Pulmão de Aço - uma vida no maior hospital do Brasil”, em que ela conta sua experiência, desde os dois anos de idade, quando chegou ao hospital com poliomielite, vinda de Guariba/SP, e foi colocada em um pulmão de aço, máquina para recuperar a função respiratória, porque não conseguia respirar sozinha. Como não apresentou melhora significativa, os médicos avisaram aos pais que ela teria pouco tempo de vida. Sem os movimentos do pescoço para baixo, contrariando os prognósticos, Eliana sobreviveu e está lá até hoje, usando um respirador artificial. Formada no ensino médio, aprendeu inglês, italiano, fez curso de história da arte e tornou-se pintora usando a boca para escrever, pintar e digitar. Foi assim que escreveu o livro em que conta como sobreviveu e se tornou uma artista. O HC teve outros pacientes com pólio nessas condições mais graves até a década de 70, mas só ela e Paulo Machado, que está com 43 anos, e a quem ele dedica o trabalho, resistiram e continuam por lá. Segundo os médicos, eles poderiam viver com as famílias, apoiados pelo hospital, mas não houve interesse por parte delas, que raramente fazem visitas. “Em 2002, aos 28 anos, resolvi anotar algumas lembranças num diário. Na época, nem parei para pensar em qual seria o resultado disso. Não me importava se as anotações seriam guardadas, rasgadas ou escondidas. No inicio, nem sequer cogitei a possibilidade de transformá-las num livro. O objetivo era repensar minha vida e, principalmente, desvendar meu passado”, conta Eliana no primeiro capítulo.


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crônica

por Tatiana Rolim

Nasce um desejo. E com ele, mais um sonho... Rapha Bathe

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a adoração da barriga que abrigava no meu ventre um pedacinho de mim, até agora, na contemplação do meu pedacinho, pra mim. Eu vivenciava cada momento nobre de ter sob meus cuidados, a minha filha “Maria Eduarda”, tão doce e tão esperada. Tudo isso, com a alegria e o cansaço da rotina diária de quem acaba de se tornar mãe ! E nas madrugadas, quando me levantava para amamenta-la, ainda com tão poucos dias de vida se aconchegando no meu seio, eu buscava uma forma de eternizar aquele momento tão mágico, tão envolvente. Foi assim que

nasceram as primeiras páginas num diário de bebê. Mas o relato se perdia, se fragmentava, perdia-se num contexto que a emoção não era exposta. Então passei a dar sequência num texto, e as páginas cresceram, multiplicaram-se até onde eu vivia as etapas iniciais da maternidade e me encontrava no processo de “maternagem” com minha bebê. Foi então que ao reler as páginas, senti o meu texto vago. Minha história inicial precisava de mais dados, maiores informações e curiosidades, que eu mesma me questionava: como lidaria com a minha filha quando ela tivesse um aninho ? Dois aninhos... três, quatro ? Como seriam minhas estratégias motoras para cuidar dela? Dar banho, por e tirar do carrinho, do

Filhos de mulheres cadeirantes A preocupação e curiosidade do ser humano faz parte de sua identidade, e esta última em maior intensidade. Especialmente no que se refere a qualquer que seja o contexto fora da normalidade. E por falar em fora da normalidade, não posso deixar de citar a pessoa com deficiência, já que, por si só, a própria estrutura físicia, estética, cognitiva ou mental fogem ao princípio da normalidade. E se o impacto do diferente, para não dizer “anormal” já promove uma certa preocupação, que dirá curiosidades... Se de maneira geral a sociedade ainda reluta em aceitar pessoas com deficiência transitando, diria rodando, muletando ou pulando de um lado para o outro, imagine então com a figura feminina grávida e sentada numa cadeira de rodas, como tem acontecido com frequência nos últimos tempos. Ao meu ver, isto é sinônimo de sociedade, socialização e portanto, resultado de uma inclusão que permite a PcD estar no mercado de trabalho, conquistar seu espaço e com isso, resultam possibilidades afetivas, sexuais ou ambas juntas, que sugerem uma relação, um vínculo, e com isto a possibilidade de escolha ou surpresas de uma gravidez. Não é a toa que tem sido tão comentado a frase no programa Jô Soares, quando ele se referiu a uma colocação que apresentei no texto do livro: Maria de Rodas, quando um fotógrafo me interrogou se minha gravidez foi por inseminação e eu prontamente respondi ter sido por sexo mesmo. Observem a charge do cartunista Ricardo Ferraz, que ilustra claramente o fato ocorrido na

época. E se no meio do caminho, entre os ditos normais e anormais, estiver transitando numa cadeira de rodas uma mulher cadeirante com um bebê ou uma criança sentada no colo então, esta curiosidade é ainda maior ! Me surpreendo, pensando em qual seria a possível abordagem da próxima cena que eu poderia comentar com vocês...


notas

crônica bebê conforto ? Como fazer com as situações cotidianas ? Naquele momento essas dúvidas nem eram assim tão essenciais, mas com a velocidade do tempo, de repente eu me veria nestas etapas. Estava certa de que daria conta, mas queria um caminho mais assertivo, afinal, qual mãe quer errar ? A partir disso, tive o propósito de convidar outras mulheres cadeirantes para escreverem comigo num texto que traduzisse ações e emoções do “melhor da vida”. As autoras para sequencia do trabalho não poderiam ser outras que não as companheiras do movimento de inclusão do qual faço parte nos últimos 18 anos da minha vida, desde que me tornei lesada medular. À esta altura eu já trocava e-mails com a Editora Scortecci, que me orientou num questionário para reorganização do texto. E de posse disso, fiz a provocação para as meninas, hoje “Marias”, pela extensão do nosso trabalho: Flávia Cintra e Carolina Ignarra. Do relato pessoal e individualizado, constituímos um trabalho em conjunto, as três. Transformamos toda nossa experiência como mães, num texto envolvente, e batizamos de “Maria de Rodas”, que propõe um mergulho sensível e apaixonado em um mundo tão igual e tão diferente, para homens e mulheres, com e sem deficiência, que acreditam que o melhor da vida é viver. Não contentes com nossas experiências, estendemos um convite para autoras convidadas, como: Juliana Oliveira e Kátia Hemelrijk, que enriqueceram nossa proposta fortalecendo o objetivo em comum de levarmos nossa história a todos os cantos onde, de fato, não acessamos por infinitas justificativas, e a mais contundente de todas, é nos depararmos com o fato de que somos “MARIAS DE RODAS”... e que queremos levar informações e direitos às escolhas como toda e qualquer mulher, neste caso, como toda e qualquer “Maria”. Com o texto, declaramos que nenhuma de nós somos SUPER-MULHERES, ou SUPER HEROÍNAS, mas somos apenas “mulheres” e “Marias Comuns”, mas que lutam, sonham, desejam e que concretizam sonhos em realidade, acreditando no melhor da vida. Para mim, a maior surpresa, sem dúvida, foi e tem sido a repercussão que nosso trabalho tem tido, pois levantamos um tema ainda cheio de tabus a respeito da opção da maternidade, seja ela por vias de reprodução ou adoção, e o quanto ainda há um atraso social e técnico para profissionais da saúde lidarem com esta demanda da mulher: o desejo da maternidade ! Fica aqui a provocação ao leitor para envolver-se com as histórias destas “Marias de Rodas” no livro: Maria de Rodas - Delícias e Desafios na Maternidade de Mulheres Cadeirantes, da Editora Scortecci. O lançamento nacional foi dia 10 de maio e os demais lançamentos estão sendo divulgados nas redes sociais.

Tatiana Rolim é psicóloga, escritora e consultora em inclusão social e autora dos livros “Meu Andar Sobre Rodas” e “Maria de Rodas – Delícias e Desafios na Maternidade de Mulheres Cadeirantes”.

Mente Livre brilha na Casa da Cultura

No dia 14 de abril último, na Casa da Cultura do bairro de Freguesia do Ó, zona norte da capital paulista, a escritora e colaboradora da Revista Reação, Joice Laki, que é portadora de Paralisia Cerebral, lançou oficialmente seu primeiro livro: “Mente Livre”, que conta a sua trajetória de vida. A Casa da Cultura foi palco de uma história de superação e contou com a ajuda de uma enorme equipe que se dedicou a realizar o evento. Também Participou do lançamento, um grupo de dança cigana, e em seguida, foi servido um delicioso coquetel e uma emocionante retrospectiva da autora.

Atleta Paralímpica busca apoio

Ana Tércia Venâncio Soares, 32 anos, é massoterapeuta, nasceu em Penápolis/SP, e tem deficiência visual. Hoje ela está no o 4º ano do curso de Fisioterapia da Unorp, cuida da casa e da filha com esmero e representa o Brasil há 5 anos como atleta profissional de atletismo Paralímpico nas provas de velocidade (100, 200, 400 e 800m rasos) da classe T12. Desde 2009 é a 1ª do ranking paulista e nacional, e atualmente é a 6ª melhor atleta do mundo. Hoje, seu sonho é disputar a 2ª Paralimpíada, em Londres, mas ainda não tem a certeza de ir. “As vagas na Seleção estão menores e ainda precisamos participar de meetings europeus como preparação ideal, reconhecimento das adversárias diretas e confirmação dos índices que conquistei ano passado no Parapanamericano do México. Além dessas viagens de alto custo, os tratamentos médicos e acompanhamentos das lesões estão além do apoio que recebemos do poder público, que ainda não trata o esporte com profissionalismo. Um patrocínio e a parceria com uma empresa privada, além de incentivar o paradesporto, forneceria as condições necessárias para a conquista do objetivo principal: uma medalha olímpica”, comenta Tércia.

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momento surdo

por Neivaldo Zovico

Cidadãos Surdos

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ainda estão com barreiras de comunicação em diversas repartições públicas e privadas

urante anos os Surdos foram considerados incapazes de viver em sociedade, porque não conseguiam se comunicar em língua oral, visto que usavam somente a Língua de Sinais. A sociedade brasileira não conhecia a língua de sinais, pensando ser esta, apenas o uso de gestos. Assim, os Surdos viviam isolados ou conviviam em pequenas comunidades, como em Escolas de Surdos, tendo ali um espaço para comunicação em língua de sinais. Os Surdos continuaram usando sua Língua de Sinais em lugares públicos. Ao se exprimirem, foram atraindo a atenção de diferentes pessoas, muitos ficaram interessados na língua de sinais dos Surdos e surgiram mitos de que essas pessoas eram surdas por castigo de Deus, considerando ser pessoas castigadas por Deus por terem sido fofoqueiros em encarnações passadas. No ano de 1936, um surdo foi à Delegacia de Polícia para esclarecer um fato que havia acontecido, o Delegado chamou a professora do Instituto Paulista de Surdos para intermediar o depoimento do surdo sobre o que havia acontecido, pois o Delegado não conhecia a Língua de Sinais. Durante anos, nas igrejas e associações de Surdos, muitos intérpretes de Língua de Sinais foram aprendendo a língua de sinais e se tornaram voluntários em trabalhos de tradução da missa e de reunião nas Associações, quando da presença de ouvintes. Os Surdos solicitavam intérpretes para ajudar na comunicação para resolver problemas em diversos lugares, como: escola, hospital, prefeitura, no judiciário, delegacia etc. Mas nenhum órgão público e privado reconheciam essa necessidade. Às vezes, os Surdos pagavam um valor simbólico ao próprio intérprete, outras vezes pagavam para o intérprete pelo menos o transporte, e os intérpretes faziam um trabalho voluntário. No ano de 2002, conquistamos a Lei de LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais, reconhecendo a LIBRAS como a 2º segunda Língua oficial no Brasil. A Convenção de Direitos da Pessoa com Deficiência (2009) garantiu muitos direitos dos Surdos, reconhecendo sua especificidade de uso da Língua de Sinais e de sua Cultura, nessa época também, outros países reconheceram e respeitaram as Língua de Sinais e a Cultura dos Surdos. Então, um grupo composto por Líderes Surdos e Intérpretes de LIBRAS se reuniram com uma Vereadora da Cidade de São Paulo, apresentaram o Projeto de Lei para a criação da Central de Interpretes da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS e Guias-Intérpretes para Surdocegos, um serviço disponível 24 horas, pensando também em caso de emergência. Assim, os intérpretes de LIBRAS poderiam ir ao local onde o Surdo estava para interpretar, como: hospital, delegacia, no judiciário, prefeitura etc. O projeto de Lei foi aprovado pela Câmara dos Vereadores da Cidade de São Paulo, mas foi alterado por não atender o que os Líderes Surdos e Intérpretes de LIBRAS pediam. Foi criada a Central de Interpretes da Língua Brasileira de Sinais –

LIBRAS e Guias-Intérpretes para Surdocegos para atendimento em todas as Subprefeituras da Cidade de São Paulo, exclusivamente em serviços públicos. Todavia, esse serviço foi implementado usando a tecnologia de WEBCAM para a interpretação de LIBRAS, com imagem de baixa qualidade de resolução e a velocidade muito lenta, deixando os Cidadãos Surdos insatisfeitos, já que tal serviço inviabiliza o seu uso fora da Subprefeitura. Em Brasília/DF, a Secretaria da Justiça do Governo de Distrito Federal criou a Central de Intérpretes, onde o Surdo pode agendar o acompanhamento de intérprete em local e hora marcados, pode encontrar com o intérprete de LIBRAS no próprio local. Já foram realizados diversos serviços de interpretação em diversos lugares, e estes serviços têm deixado os Surdos bem satisfeitos, podendo assim resolver problemas com a mediação do Intérprete de LIBRAS em repartições públicas e privadas, ajudando os Surdos a quebrar as barreiras de comunicação e a receber as informações corretamente. Esperamos que o Governo de São Paulo e a Prefeitura da Cidade de São Paulo reconheçam os direitos dos Surdos de resolver seus problemas com a presença de Intérprete de LIBRAS ou videofone com Intérprete de LIBRAS em diversos lugares, mas que prestem um serviço com qualidade. Lembrando que, no Artigo 5 da Constituição Federal, ela ressalta a premissa de que deveremos tratar todos com igualdade, tendo direitos iguais. Nós, da Comunidade Surda, agradecemos imensamente a iniciativa e toda e qualquer medida de desenvolvimento para a integração e a Sociabilização da Comunidade Surda no Brasil. Mas essas ações devem garantir de fato a igualdade de acesso. Neivaldo Augusto Zovico é professor, consultor de Acessibilidade para Surdos e pessoas com deficiências auditivas, Coordenador Nacional de Acessibilidade para Surdos da FENEIS, Diretor de Relações Públicas da APSSP – Associação dos Professores Surdos do Estado de São Paulo e colaborador da equipe do site: www.portaldosurdo.com www.acessibilidadeparasurdos.blogspot.com E-mail: neivaldo.zovico@terra.com.br


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comemoração

Atende: 15 anos de bons serviços à população !!! Criado pela prefeitura do município de São Paulo em 1996, como um sistema de transporte “porta a porta” gratuito ao usuário, hoje é referência de sucesso e bom atendimento à pessoas com deficiência e serve de base e modelo para várias cidades do Brasil

O

Serviço de Atendimento Especial – Atende, começou em 1996 com 35 veículos apenas. Na ocasião não havia base de informações suficientes para se saber com exatidão, qual a demanda por este tipo de serviço, e de acordo com o que se pôde levantar na época, o serviço foi disponível somente para pessoas que usavam cadeira de rodas. Hoje, o sistema já possui 383 veículos com plataformas elevatórias. A gestão dos serviços e a logística para sua realização é de responsabilidade da SPTrans – São Paulo Transportes, órgão da Prefeitura de São Paulo, já as vans e a sua operação são de cada empresa, em sua região de atuação. “A execução dos serviços é das empresas e a fiscalização é nossa”, afirma José Carlos Biagioni, gerente do serviço Atende da SPTrans. Ele explica que as vans ficam sediadas cada uma nas suas empresas, nas suas garagens nos bairros. Os carros pertencem às empresas, mas ficam à disposição do Atende, gestor da operação, que paga as empresas pelos serviços. A frota é composta por vans, mas conta também com 3 micro ônibus, que levam 13 pessoas em bancos e 2 em cadeiras de rodas. As vans levam 7 pessoas em banco e 2 em cadeiras. “Optou-se por vans, porque temos localidades na cidade em que um micro-ônibus não chega, e a van sim. A van oferece mais agilidade e uma logística melhor”, comenta Biagioni, que já está no Atende há 14 anos e como gerente do sistema há 2 anos.

É sempre bom lembrar que o Atende não substitui o transporte ofertado pelos ônibus acessíveis, sua função é operar em paralelo, para atender um público bem específico, e somente no município de São Paulo. Seu horário de funcionamento é das 7h às 20h, de segunda a domingo, e de forma sempre gratuita, para pessoas cadastradas, com deficiência física de alto grau de comprometimento, vinculadas à cadeira de rodas. Quando o sistema começou havia muita demanda e as pessoas com deficiência aguardavam muito para serem atendidas, afinal, eram vans de menos e gente demais precisando dos serviços. Além da demanda reprimida que existia, era difícil se inscrever para usar os serviços. Haviam temporadas de inscrições, abertas por um período e que depois se encerravam. E mesmo quem conseguia se inscrever esperava na fila. “Em 2005 as inscrições foram abertas para as PcD que precisam usar o Atende de forma ininterrupta e permanentemente abertas. Então, acreditamos que a demanda que temos agora é real. E hoje o perfil dos serviços também é outro. Não necessariamente a PcD precisa estar sentada


comemoração numa cadeira de rodas para ser atendida pelo sistema, mas desde que a pessoa tenha um vínculo com a cadeira, já pode ser atendida”, lembra José Carlos. Hoje, segundo o gerente do Atende, a demanda está equacionada. Os interessados precisam de um laudo médico (Ficha de Avaliação Médica) que pode ser acessada através do site da SPTrans (www.sptrans.com.br) ou retirada nos postos de atendimento da prefeitura (ligue 156). De posse deste documento, a pessoa ou familiar leva ao médico este formulário para ser preenchido, carimbado e assinado por ele. Esse documento deve ser enviado ao Atende e é por ele que o sistema vai se basear para nortear a logística de atendimento de cada pessoa, de acordo com sua deficiência e sua necessidade explicada na ficha de avaliação, e encaixá-la nas rotas de atendimento. “A maioria das pessoas hoje, que solicitam o serviço, são atendidas imediatamente. A demanda reprimida hoje é de pouco mais de 100 pessoas, que serão atendidas em um, dois ou três meses no máximo, nos casos mais complicados de encaixe logístico. Agora, as pessoas que já usam o sistema, mas que fazem alguma mudança em sua rotina ou itinerário, essa alteração pode levar até 20 dias para ser atendida”, conta Biagioni. O gerente comenta que o Atende tem hoje um público atendido de 4.300 pessoas na capital paulista, e cerca de 800 pessoas por mês pedem alterações de seus roteiros, com até 5 alterações por mês. Isso gera uma demanda logística de mais de 8.000 operações por mês, só de alterações e acomodações de roteiros, e mesmo assim, o prazo para essa adequação é de no máximo 20 dias. E tudo isso é feito de forma bastante humanizada, feita pelos técnicos, mas ouvindo sempre os usuários. “Até o perfil dos nossos motoristas que são destinados ao Atende são pensados, são pessoas bastante tranquilas. Mas qualquer caso diferente disso, qualquer reclamação neste sentido, tem que ser encaminhada à SPTrans para serem tomadas as orientações e providências”, alerta o gerente. “Cada usuário do sistema tem direito até 5 atendimentos por semana – segunda a domingo – a maioria de segunda

a sexta-feira”, para 2 destinos diferentes e não há restrição alguma para a atividade que a pessoa vá fazer com esse transporte, desde que seja respeitada a rota pré-determinada e a frequência de dias e horários para cada pessoa. Mas existem os outros atendimentos para eventualidades esporádicas também”, explica José Carlos, lembrando que hoje são feitos 3 tipos de atendimento: sistema convencional, sistema eventual e atendimento a eventos de finais de semanas.

Sistema Convencional Este sistema é destinado às pessoas efetivamente cadastradas, as quais apresentaram o perfil. As viagens devem ser fixas e programadas e o pedido de viagem deve ser entregue com antecedência mínima de 20 dias. O atendimento é feito sempre, para cada pessoa, com uma viagem ao dia (ida e volta), sendo permitidas 5 no período de segunda a domingo. E como já dito, são atendidas todas as necessidades do usuário, em qualquer tipo de atividade, saúde, educação, laser, mas sempre prioriza-se a reabilitação, o tratamento de saúde e educação na formação das rotas.

Sistema Eventual Este sistema só está disponível para quem já é usuário do Atende. E não a novas demandas. Ele consiste em uma viagem eventual dentro do mês, mas para fins de consultas médicas (avaliações, consultas, exames e tratamentos que não tenham frequência semanal) que não estão no roteiro rotineiro e convencional do usuário. Este agendamento é feito por telefone e neste caso, passeios, cursos, por exemplo, não são atendidos.

Sistema para Eventos de Finais de Semana

José Carlos Biagioni, gerente do serviço Atende da SPTrans

Neste caso, quem solicita os serviços do Atende são prioritariamente instituições, associações e órgãos de atendimento e trabalho com pessoas com deficiência. Sempre com pelo menos uma semana de antecedência. E é a própria instituição que formula o pedido e o atendimento, neste caso, pode ser feito para pessoas com qualquer tipo de deficiência (cadastradas ou não, afinal o pedido é feito pela instituição)

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comemoração

e serão atendidos grupos de pessoas. Esse sistema atende a eventos semanais e a grandes eventos, como por exemplo: carnaval, Fórmula I, Fórmula Indy, 7 de setembro, mini-maratona, feiras como a Reatech, Teleton, reuniões de conselhos, plenárias, eventos religiosos de forma geral etc.

Referência para o Brasil e até exterior Nesses mais de 15 anos de atividade, o Atende é referência para o sistema de transporte de pessoas com deficiência porta-a-porta para diversas cidades em várias regiões do país, como por exemplo: Campinas, São José dos Campos, Ribeirão Preto, Santo André, Osasco,

Guaratinguetá e Ibiúna (SP), Vitória (ES), Uberlândia e Juiz de Fora (MG), Curitiba (PR), Blumenau e Joinville (SC), Goiânia (GO), Manaus (AM), Aracaju (SE) e Recife (PE). Estas já com sistemas implantados e funcionando nos moldes do Atende. Outras cidades também já estão em contato e estudando programas semelhantes, como: Praia Grande, Jundiaí, Jacareí, Itatiba, Bebedouro (SP), Macaé (RJ), Fortaleza (CE), Natal (RN), Florianópolis (SC), Campo Grande (MS), Rio de Janeiro (RJ). Outros países também já vieram conhecer o nosso Atende, como a ONG Adaptive Inviroment, de Boston/EUA. Além da África do Sul, China, Uganda, Moçambique, Chile, Uruguai, Peru e

Costa Rica. Até uma emissora de TV chinesa já fez matéria do sistema. O sistema de transporte da cidade de São Paulo é formado por 8 empresas/consórcios e todos com veículos do Atende. Segundo José Carlos, essa interação com a sociedade, o contato próximo do usuário, o empenho das empresas e dos profissionais envolvidos, os motoristas, os técnicos, ministério público, o conselho municipal, tudo isso contribuiu e fez com que o sistema alcançasse o grau de excelência que tem hoje. “Ainda temos muita coisa para acertar, muita coisa por fazer, mas já atingimos um grau de excelência muito grande... temos uma diretoria que nos dá o apoio necessário, nossa equipe é muito competente e tem autonomia para trabalhar, e todos somos apaixonados pelo trabalho que realizamos. Esse sucesso alcançado só se deu pela soma de tudo isso, e vamos continuar trabalhando para melhorar ainda mais, sempre”, completa Biagioni.

ATENDE - SPTRANS Telefone do Serviço Atende: (11) 2693-2572 Central de Atendimento Atende: 0800-015-5234 www.sptrans.com.br


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movimento

Dia Mundial de Luta contra ELA

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Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença que afeta mais de 350 mil pessoas da população mundial e mata mais de 100 mil por ano, no Brasil atinge cerca de 2.500 pessoas anualmente. O dia 21 de junho foi escolhido pela Aliança Internacional das Associações de ELA/DNM, em 1997, para marcar a luta pela conscientização em relação ao problema. A data é um solstício – o sol se encontra sobre o Trópico de Câncer, sua posição mais ao norte em relação ao Equador. Começa o inverno no hemisfério sul e o verão no hemisfério norte. “É um ponto que marca mudanças e todos os anos a comunidade internacional de ELA/DNM realiza atividades para expressar sua esperança de que este dia seja um ponto especial, um dia simbólico de transformação, na busca da causa, do tratamento e cura desta terrível doença”, explica Antonio Jorge de Melo, ativista brasileiro, presidente do Movimento em Defesa dos Direitos da Pessoa com ELA (MOVELA). “Este é um dia que permite reconhecermos que não estamos sozinhos e que os pacientes, cuidadores, familiares, cientistas, profissionais de saúde, voluntários e muitos outros são parte desta grande luta”, garante Melo. DNM é um termo que engloba um grupo de doenças dos neurônios motores. ELA - Atrofia Muscular Progressiva (AMP), Paralisia Bulbar Progressiva (PBP), Esclerose Lateral Primária (ELP) são todos subtipos. DNM é um termo genérico usado mais na Europa enquanto o termo ELA é mais usado nos EUA. ELA/DNM é caracterizada pela degeneração progressiva dos neurônios motores no cérebro, tronco cerebral e na medula espinal. Esses neurônios controlam os músculos voluntários que permitem a pessoa fazer os movimentos, falar, respirar e engo-

Antonio Jorge de Melo, presidente do Movela e outros integrantes do movimento

lir. Quando não há nervos para ativá-los, os músculos gradualmente enfraquecem e atrofiam. Os sintomas podem incluir a fraqueza e a paralisia do músculo, como também a dificuldade para engolir e respirar. Na maioria dos casos não afeta o intelecto, memória ou os sentidos. O progresso é inexorável e geralmente rápido, com uma expectativa de vida de 2 a 5 anos a partir do início dos sintomas. Embora qualquer um possa ser afetado, ocorre mais frequentemente no grupo de idade de 40 a 70 anos.

Em Brasília/DF No dia 21 de junho, em Brasília/DF, haverá uma sessão especial no Congresso para marcar a data, presidida pelo deputado federal Romário (PSB/RJ). Entre as presenças previstas, estão os ministros da Saúde e da Previdência Social, Alexandre Padilha e Garibaldi Alves Filho. Além de palestras com especialistas no assunto, que falarão sobre pesquisas e legislação, haverá o lançamento oficial da Frente Parlamentar em Defesa das Doenças Raras. Constituída no mês de abril, a frente tem como presidente o deputado federal Maurício Quintella Malta Lessa (PR/AL) e o vice, o deputado federal Jean Wyllys De Matos Santos (PSOL/RJ). Um grupo de pacientes, familiares e cuidadores envolvidos e engajados nas questões da ELA pretende ir em caravana até Brasília/DF para a celebração da data. O objetivo é programar ações que possam favorecer os cerca de 13 mil pacientes de ELA no Brasil, além de chamar a atenção dos órgãos reguladores da saúde e da pesquisa clínica para que tratamentos experimentais com células-tronco comecem a ser feitos no país, seguindo os protocolos internacionais de segurança. “Não é difícil concluir que há uma longa jornada a ser feita pelos pacientes de ELA, seus familiares, cuidadores e simpatizantes da causa, e há muito que se discutir sobre a delicada questão que envolve as pessoas acometidos das DNM´s e as opções de tratamentos que em breve poderão ser disponibilizadas para esses pacientes que, definitivamente, não têm tempo a perder, e que só querem ter assegurado o seu direito à vida e a felicidade de viver”, conclui Melo.


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parakart

por Hermes Oliveira

Copa Banco Volkswagem de Parakart 2012 Taxi para motorista profissional com deficiência física.

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nfim começou a Copa VW de Parakart 2012 !!! Foi no dia 5 de maio último... uma correria danada para organizar tudo e realizar a prova, mas deu tudo certo e os pilotos que estavam ansiosos para voltar à pista, puderam amenizar um pouco a adrenalina. E da melhor forma: correndo ! A prova teve início por volta das 19 hs, no Kartódromo da Granja Viana, em Cotia/SP – região metropolitana da capital paulista - num circuito inverso. Quando deu a largada o piloto Rafael Rodrigues, do grupo A, que já foi bi-campeão de Parakart, saiu na frente e liderou do início ao fim. E ele, que vai ser pai de gêmeos, dedicou a sua vitória aos filhos que vão nascer este ano. Yves Carbinatti estreou com vitória também, no grupo B. Ele ainda continua em busca de recursos para continuar na Stock Car JR. A Parakart agora está dividida em Parakart A e B. Sendo assim, fica mais competitiva. E pelo motivo de correr tudo junto, na mesma prova, os três melhores do Grupo B, sobem para o Grupo A... E os 3 piores resultados do grupo A, caem para o grupo B no final do campeonato. Nos pelotões intermediários não faltou emoção. O final de reta foi cenário de ultrapassagens incríveis ! Por isso, se preparem. Em sua 5ª temporada a Parakart vai ser emoção garantida do começo ao fim... não deixe de acompanhar.

O vereador por São Paulo/SP, Antonio Carlos Rodrigues, propõe projeto que sugere vagas para taxistas com deficiência física ou mobilidade reduzida. É o Projeto de Lei 436/2010, que dispõe sobre a reserva de no mínimo 2 % do total de vagas nos pontos de táxi para taxistas devidamente habilitados, mas com deficiência física ou mobilidade reduzida. “Apresentei o Projeto de Lei com a finalidade de procurar ampliar o número de opções de trabalho para as pessoas com deficiência”, comenta Rodrigues. Neste caso, “se o motorista possui carteira de habilitação e utiliza um veículo devidamente adaptado, não há motivo para não participar de sorteio de vagas existentes para taxistas no município de São Paulo,” explica o vereador. O Projeto sugere a reserva de vagas da mesma maneira que já é adotada em outros setores como: distribuição de casas populares, cota em concurso público, ingresso na Universidade etc. O vereador considera que: “a sociedade ainda tem algum preconceito em relação a esses motoristas e acredito que é preciso vencê-lo. Defendo também que as oportunidades no mercado de trabalho sejam iguais para todos os cidadãos”. Hoje, São Paulo tem um total de 32 mil alvarás ativos de taxistas concedidos pelo Departamento de Transportes Públicos – DTP, órgão ligado à SPTrans. Trata-se de um número bastante significativo, que com a aprovação do Projeto, permitirá que a categoria receba em seu quadro, profissionais com deficiência física ou mobilidade reduzida. Faço sempre questão de lembrar que eu, Hermes de Oliveira, já sou taxista há mais de um ano, fiz o curso Condutax e já participei de um sorteio de alvará em São Paulo/SP, e agora aumenta a minha esperança de conseguir o meu alvará ! Isso mesmo, eu quero um alvará de inclusão para poder comprar meu veículo branco e por nele uma placa vermelha e trabalhar... Só quero poder “trabalhar”! Ou será que os vereadores vão votar contra ?

Hermes Oliveira é Piloto de Kart adaptado patrocinado pela Revista Reação, escritor do livro “Um motorista especial de carreta” e estudante de logística.


por Fabiano Puhlmann

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sexualidade

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Educação Sexual na Escola Inclusiva

ste texto foi baseado no programa de educação sexual de Sergio Meresman, do “Instituto Interamericano sobre Discapacidad y Desarrollo Inclusivo”, e de Diego Rossi, do Programa de Educación Sexual, NEP-CODICEN. Dentro de uma escola existem muitos atores do processo educativo: professores, gestores, orientadores pedagógicos, além da equipe da administração e de manutenção, todos interagem diretamente com alunos com e sem deficiência em um contexto sócio-educativo. A sexualidade tem aspectos biológicos, psicológicos e sociais que devem ser levados em conta quando queremos ter uma visão ampla do desenvolvimento saudável de nossos alunos. Todo professor deve receber treinamento para atuar como facilitador do desenvolvimento afetivo sexual de todos os seus alunos. A sexualidade, antes de fazer parte do plano cognitivo, é sensorial e emocional. Os educadores devem estudar e trabalhar com sexualidade de maneira responsável. Na escola são consolidados os principais valores que irão nos acompanhar durante a vida. Manifestações sexuais acontecem junto com o desenvolvimento dos papéis sociais, a construção da identidade é gradual e se inicia no contato dos pais e familiares com a criança se estendendo no contato social na escola, trabalho e lazer. A sexualidade não se restringe ao desabrochar da adolescência, que acontece normalmente no ensino

médio se estendendo ate o nível universitário, nas creches, nas escolas de ensino fundamental são construídas as bases de uma sexualidade saudável e inclusiva. A educação sexual na escola fornece conhecimentos científicos sobre o funcionamento do corpo, os mecanismos de reprodução e temas relacionados à afetividade. O aluno aprende sobre as

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sexualidade diferenças de gênero, sobre direitos humanos, sobre as diferenças entre homens e mulheres na expressão da sexualidade. Aprende a respeitar os diferentes modos de viver e expressar a identidade sexual. Iniciando no ensino infantil, passando pelo ensino fundamental e ensino médio os conteúdos educativos relacionados à sexualidade são transmitidos a todos os alunos. Todo este conhecimento é transmitido de forma gradual, respeitando a idade os interesses do aluno e seu grau de maturidade. A escola inclusiva deve colaborar para que todos os alunos recebam educação sexual integral, ensinando o respeito à diversidade, as opiniões alheias, aos direitos de livre expressão, fornecendo informações que ajudem a reflexão livre e a tomada de decisões sexuais responsáveis. O estudo da sexualidade na escola é importante para prevenir a violência sexual e promover a valorização do corpo, do bem estar e da saúde. É função da escola, ensinar e promover a igualdade de direitos entre homens e mulheres. As diferenças devem ser respeitadas e favorecidas em todas as atividades escolares, promovendo uma sociedade com oportunidades, obrigações e responsabilidades equivalentes, independente do sexo, deficiências, raça e gênero da pessoa. Existem diferentes maneiras de sentir, viver e expressar a sexualidade, pessoas que se sentem atraídos por pessoas do mesmo sexo (homosexualidade), de diferente sexo (heterosexualidade) ou de ambos os sexos (bisexualidade). No decorrer da história humana, as diferenças de orientação sexual serviram de desculpa para discriminação, estigma e até encarceramento de alguns destes grupos. Tratar igualitariamente a todos implica em não discriminar ninguém, a escola e a família tem que estar juntas na garantia dos direitos sexuais. A escola, ao promover a diversidade humana, pela riqueza envolvida e por se tratar de um direito, evita a discriminação e o estigma, e promove a inclusão afetiva sexual de todos. A inclusão afetiva sexual implica em ensinar os alunos a ter relações igualitárias, sem discriminar ninguém por idade, sexo, deficiências, orientação sexual, características físicas, lugar de procedência etc. Na escola inclusiva deve-se promover um clima de respeito e confiança para que a comunicação sobre temas ligados à sexualidade aconteça de um modo amplo e aberto. O intercambio de experiências, a expressão de emoções, sentimentos, dúvidas e inquietudes, promovem a aprendizagem a partir de diferentes pontos de vista, compreendendo melhor a si mesmo e a seu semelhante. A escola inclusiva também deve trabalhar com as famílias e a comunidade informando sobre os recursos e serviços da comunidade sobre saúde sexual e reprodutiva. A escola também deve preparar os alunos para lidar com as novas tecnologias, internet, redes sociais. A inclusão digital é uma ferramenta de comunicação que ajuda os alunos a desfrutar da aprendizagem, investigar, comunicar-se e fazer amigos. Apesar destes benefícios, existem muitos perigos no mundo virtual. A inclusão digital é uma ferramenta importante

para ampliar nossa comunicação, e torna-la globalizada, sem esquecer das formas tradicionais de comunicação, leitura, escrita, prática de esportes, estar com amigos. A escola deve ajudar as famílias a evitar o abuso sexual virtual, enfatizando a importância da privacidade e da linguagem ética. A Inclusão digital de crianças e jovens, deve ser monitorada: o computador deve estar em áreas comuns da escola, os alunos não devem navegar sozinhos, o monitor deve ser facilmente visualizado, com contas de usuário limitadas, controles e restrições. Os alunos não podem mudar a configuração do sistema ou instalar novos hardwares ou softwares. Checar periodicamente o histórico das páginas visitadas, bloquear páginas não confiáveis. Os alunos devem aprender a omitir informações pessoais ou dados familiares, evitando a publicação de fotos íntimas ou que indiquem locais de residência, utilizar salas de bate-papo públicas, administrar os contatos de e-mail das crianças, evitar a correspondência com desconhecidos, ensinando bons hábitos de navegação. Para alunos com deficiência a internet é sinônimo de liberdade, surfar na rede, conhecer amigos, participar de comunidades virtuais, trabalhar etc. As ajudas técnicas para inclusão digital (programas de acessibilidade digital como JAWS e DOS VOX, diferentes tipos de mouses, acionadores e teclados, sites acessíveis, conteúdo com contraste, possibilidade de aumento da letra, lupas digitais etc) trouxeram para a rede, para as salas de bate papo, para o Orkut inúmeras pessoas com deficiência que também compartilham a história de suas vidas, contam intimidades, fazem novos amigos que no mundo real seriam improváveis. Assim, o preconceito é quebrado, porque as ideias, os pensamentos e sentimentos penetram as pessoas através de rampas subjetivas. A expansão das fronteiras de comunicação e informação tem favorecido a implementação de uma nova forma de luta pelos direitos à união em torno da cidadania plena de todas as minorias, e o esforço individual de cada pessoa com deficiência, favorecendo uma identidade coletiva plena de vigor, potência e transformação, que pode ser compartilhada com todos. Pessoas com deficiência num mundo acessível tem escola, trabalho e lazer inclusivo, aumentando sua qualidade de vida afetiva.

Fabiano Puhlmann Di Girolamo é psicólogo formado pela universidade São Marcos; psicoterapeuta especialista em psicologia hospitalar da reabilitação pela Faculdade de Medicina da USP; especialista em Sexualidade Humana pelo Instituto H. Ellis; especialista em integração de pessoas com deficiências pela Universidade Salamanca/Espanha; especialista de São Paulo; educador sexual pela Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana e Faculdade de Medicina do ABC; atuação reconhecida nas áreas de acessibilidade e tecnologias de apoio para o ambiente educacional e corporativo, e consultor do Instituto Paradigma.


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CRUZE HATCH Lançamento da GM (Chevrolet) dá nova vida à marca no segmento de pessoas com deficiência e mexe com o desejo dos consumidores: é paixão à primeira vista !!!

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omo já é tradição nesta revista, estamos sempre testando carros que, em sua maioria das vezes, são modelos solicitados por nossos leitores, ávidos por informações sobre suas qualidades, pois já tinham visto o carro nas ruas com certa frequência, e o tal modelo tinha chamado a atenção deles, por isso nos escrevem, mandam e-mails, solicitam à nossa redação que façamos os testes necessários para o uso daquele determinado veículo por pessoas com deficiência e publiquemos nossas impressões nas páginas da Revista Reação, como acontece há quase 15 anos. Neste caso foi diferente... Numa ação conjunta entre a Revista Reação e a fábrica (GM), resolvemos fazer uma surpresa aos nossos leitores, e testamos um lançamento que ainda mal chegou às ruas brasileiras: o Cruze Hatch ! O carro foi recém lançado ao público, e em especial, ao consumidor com deficiência, foi apresentado em abril, durante a Reatech em São Paulo/ SP, onde este teste foi acertado entre a revista e o departamento de Vendas Especiais da Chevrolet. Assim que a feira terminou, o modelo foi enviado à Cavenaghi (adaptadora de veículos) para os últimos

ajustes nas adaptações e em seguida, veio direto para a redação da Revista Reação, afim de ser submetido aos testes por nossa equipe exclusiva de profissionais especializados e também, para ser testado pelas próprias pessoas com deficiência em situações comuns de uso no dia-a-dia. O Cruze Hatch ficou em poder da revista por 30 dias, e foi submetido aos testes de uso diário, em situações das mais diversas no uso por uma pessoa com deficiência e sua família. Ainda pouco visto nas ruas, circular com Cruze Hatch atrai olhares dos mais curiosos. É incrível como todos, sem exceção, param para admirar o carro por onde ele passa. O comentário das pessoas é inevitável. O modelo, por seu porte avantajado, sua beleza, esportividade e design inovador, desperta o desejo por onde passa. O modelo enviado pela GM e testado por nossa equipe,


teste drive

foi a versão Cruze LTZ - Automático, que é o modelo Top, com todos os opcionais de fábrica, inclusive teto-solar, acionamento “start/stop” no painel e outros, porém, este modelo ultrapassa a casa do valor permitido para compra com isenção. Mesmo assim, vale destacar que a versão disponível para compra por PcD dentro do valor limite para as isenções de impostos, é a do Cruze Hatch LT - Automático, que possui a mesma mecânica do LTZ testado, ou seja, motor 1.8 Ecotec Flex 16 V – 144 cv – transmissão automática de 6 marchas, banco de couro, e ainda, itens de destaque que são os mesmos da versão LTZ, como: air bags frontais e laterais, programa eletrônico de estabilidade (ESP), controle eletrônico de tração (TCS), freios ABS com EBD (distribuição eletrônica de frenagem), assistência de frenagens de emergência (PBA), direção elétrica progressiva, espelho retrovisor interno eletrocrômico e retrovisores externos com desembaçador, faróis de neblina, ar condicionado eletrônico, computador de bordo, volante com controle de som e piloto automático com viva voz e bluetooth, central multimídia com sistema de som, sensor de chuva, rodas de alumínio aro 17” e muito mais. Apesar da diferença de valor entre as versões, são praticamente os mesmos itens diferenciais oferecidos, que dão requinte, sofisticação e segurança ao Cruze.

Acessibilidade e transferência Os quesitos de acessibilidade e transferência chegam a ser até ofuscados pela beleza do modelo, porém, não deixam de ser sentidos e percebidos pelas pessoas com deficiência quando testam o Cruze Hatch. A altura do carro é perfeita para a transferência. Nem tão baixo e nem tão alto, permite uma transferência tranquila. Porém, um ponto des-

tacado pela maioria dos cadeirantes que fizeram os testes, é que o ângulo de abertura de portas do Cruze é pequeno. Outro detalhe fica por conta da ponta do painel junto à porta. Ela avança um pouco, e os cadeirantes de estatura mais alta, acabam por bater as pernas nesta ponta na transferência da cadeira para o carro. Uma dica também para a montadora, é que seria muito importante e confortável, além de seguro para a pessoa com deficiência, principalmente o cadeirante, que fosse colocada uma alça interna também sobre a porta do motorista, assim como já existe na porta do passageiro. Este item, que para muitos é até insignificante, auxilia e muito na transferência do cadeirante para o interior do carro. O espaço interno para o motorista é muito bom, mesmo depois de instaladas as adaptações. Destaca-se também o espaço interno para os passageiros do carro. Os comandos do painel e controles no volante facilitam a vida do condutor com deficiência. Tudo fica muito próximo e bastante ao alcance do motorista, tornando muito prática a sua condução. Para a versão testada pela revista, o fato do carro não possuir chaves e sim um botão no painel para ligar e desligar, além de oferecer mais segurança e facilidade ao condutor, principalmente aqueles que possuem alguma limitação nos membros superiores e encontram dificuldade em virar a chave para dar partida, ainda dá um charme e modernidade ao modelo, afinal, essa é uma tendência. O Cruze Hatch também foi testado e aprovado nestes quesitos de transferência e acessibilidade por pessoas com dificuldades de locomoção e idosos.

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teste drive

Dirigibilidade, visibilidade, conforto e desempenho Na estrada ou na cidade, o Cruze Hatch é muito silencioso, parece que desliza pelo asfalto. Conduzir o modelo na estrada é uma sensação ímpar, e apesar de pesado, o modelo desenvolve bem a velocidade e responde com presteza quando exigido em ultrapassagens. Na cidade o modelo também se mostra diferenciado. Robusto e ao mesmo tempo esportivo, com suas linhas modernas, proporciona ao seu motorista um status diferente. Passa ao condutor uma sensação de segurança e poder, domínio do carro, com respostas eficientes e muito conforto, tanto para quem conduz o veículo, como para os passageiros. A ergonomia dos bancos para usuários com deficiência é outro ponto que também merece destaque, pela segurança e adaptabilidade que oferece. O encaixe do tronco é perfeito !

A visibilidade no Cruze Hatch é muito ampla e boa. O modelo, por seu sistema de suspensão, é muito macio e gostoso de dirigir, e o novo câmbio automático da GM, diferente dos antigos usados em modelos anteriores da marca, oferece trocas de marcha que não são sentidas, sem trancos e roncos. Enfim a GM apresenta nestes novos modelos, além de um novo conceito visual e moderno, também uma transmissão automática atualizada e eficiente. A regulagem dos bancos também permite um dirigir com mais conforto, e pelo bom espaço interno, as adaptações ficam instaladas (alavanca de freio e acelerador) numa posição que não atrapalha a entrada e saída do carro. Tudo foi mais que aprovado e é muito bom no Cruze Hatch, mas um item que merece um comentário à parte, não tão favorável assim, é o alto consumo de combustível. Tem-se que levar em conta que o modelo é um esportivo e que tem uma motorização forte e uma condução mais agressiva, mas mesmo assim, vale ressaltar que o consumo assusta, principalmente quando a opção é pelo etanol (álcool) como combustível. Na gasolina o consumo é um pouco menor. Isso tudo também pode ser considerado apenas um detalhe para aqueles que gostam e optam por modelos deste tipo. Mas vale o alerta.

Porta-malas Com 402 litros de capacidade, o porta-malas do Cruze Hatch é fantástico e merece destaque, pois não é comum para um modelo deste tipo, ter um espaço tão bom para carregar bagagens, e no nosso caso, também uma cadeira de rodas, que nele, pode ser levada e transportada com folga, tanto inteira (se retirado o tampão) como desmontada. E ainda sobra espaço para muita bagagem.


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teste drive Líder do movimento “Inclusão Já”, provou e aprovou o Cruze Hatch !

O ativista social paulista e líder do movimento “Inclusão Já”, Valdir Timóteo, 46 anos, paraplégico em decorrência de um acidente de automóvel ocorrido há 11 anos, que fez com que ele seja um usuário de cadeira de rodas desde então, também foi um dos que testaram o Cruze Hatch e aprovaram o carro. Timóteo tem um trabalho fantástico à frente do movimento e é uma das figuras mais ativas no meio. Ele foi o fundador do “Inclusão Já”, em 2004 e a ideia nasceu pelas próprias dificuldades encontradas por ele próprio em seu dia-a-dia. Hoje, o “Inclusão Já” tem cerca de 400 participantes, e promove eventos, encontros, passeios e cobranças de políticas públicas junto às autoridades e órgãos competentes, além de lutar pelos direitos das pessoas com deficiência. Valdir participa sempre do programa Assembleia Popular, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, levando reinvindicações das pessoas com deficiência. As conquistas do movimento foram muitas nestes anos de existência, mas algumas valem destaque, como a instalação de brinquedos adaptados e acessíveis no Parque do Ibirapuera, e a que fez com que o sistema Atende, da SPTrans, voltasse a atender as PcD para consultas e exames médicos na capital paulista. Até o Censo que está acontecendo na cidade de São Paulo hoje, foi uma iniciativa do movimento, através de um Projeto de Lei encaminhado por Timóteo à câmara em 2006. Isso entre outros encaminhados e aprovados por ele, alguns que, com apoio de vereadores paulistanos, acabaram até se transformando em leis. “Infelizmente outros projetos nunca saíram do papel, e por má condução de alguns políticos que só usam essas ideias e projetos para sua própria auto promoção e não para o benefício da sociedade”, lamenta Valdir. Timóteo testou o Cruze e adorou. “A anatomia do banco, principalmente para pessoas com deficiência que tem pouco controle de tronco, dá bastante segurança, encaixa bem, fica firme... a transferência da cadeira para o carro é tranquila. A suspensão e o sistema de amortecimento são muito bons, você não sente os buracos das ruas, é suave... gostei muito. Os controles são próximos das mãos... O motor e o câmbio respondem bem e é suave. Eu iria com esse carro para Aruba com minha esposa, dirigindo e nem sentiria... o carro é excelente, é perfeito !”, afirma o líder do movimento. “Para entrar neste carro foi fácil... gostei tanto dele que o difícil vai ser me tirar daqui de dentro, e olha que eu sou briguento”, encerrou sorrindo Timóteo.

notas Filme fala sobre sexualidade de pessoas com deficiência

O filme “Hasta La Vista” estreou na capital paulista na última semana de maio com um tema que não costuma ser muito explorado pelo cinema. Produção belga de 2011, do diretor Geoffrey Enthoven, trata da história de três rapazes, um tetraplégico, outro cego e o terceiro com uma doença mortal, vivendo em uma cadeira de rodas. Eles decidem perder a virgindade em um bordel espanhol especializado em pessoas com deficiências motoras. A obra conta essa viagem dos amigos, que se comportam como qualquer jovem. O grande mérito do filme, segundo a crítica, é encarar a sexualidade das pessoas com deficiência, considerada, muitas vezes, ainda um tabu, com bom humor.

Concurso abre espaço para estilistas

Até 31 de julho estão abertas as inscrições para o IV Concurso Moda Inclusiva, realizado pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo. Podem participar estudantes matriculados em instituições de ensino superior, escola técnica ou profissionais formados na área de moda. O concurso tem o objetivo de contribuir para uma sociedade mais justa e inclusiva, na qual todos tenham acesso igualitário aos produtos, bens e serviços disponíveis, promovendo um debate sobre moda diferenciada, além de incentivar o surgimento de novas soluções e propostas em relação ao vestuário para as pessoas com deficiência. Mais informações e inscrições exclusivamente no site: http://modainclusiva.sedpcd.sp.gov.br.


arte

Teatro Cego em São Paulo/SP Com um elenco formado por 5 atores, sendo 3 deles cegos, e mais 4 músicos, pela primeira vez no Brasil, a ideia do projeto da Caleidoscópio é imergir o público no universo das pessoas com deficiências visuais...

O

formato surgiu em 1991, na cidade de Córdoba, na Argentina, e atualmente está em cartaz em Buenos Aires. Em 2009 um dos produtores da Caleidoscópio esteve na cidade, assistiu a um dos espetáculos e resolveu produzir em São Paulo uma peça nos mesmos moldes do teatro argentino, porém adaptada a um texto brasileiro. As apresentações ocorrerão no Teatro Tucarena, e a encenação acontecerá no mesmo espaço, ocupado pelo público. Os atores circularão por corredores entre as cadeiras, dando a sensação de que os espectadores estão dentro da cena. Com isso, o público fica inserido na trama e não sentado nas arquibancadas do teatro. Serão recebidas 150 pessoas por apresentação. A estreia é dia 13 de junho.

A peça

A peça é baseada no conto “O Grande Viúvo”, de Nelson Rodrigues, apresentada de forma inédita no Brasil, com todo o desenvolvimento da trama acontecendo em um local completamente escuro, fazendo com que os espectadores, sem que possam contar com a visão, tenham que se valer de todos os seus outros sentidos (olfato, tato, paladar e audição) para compreenderem o conteúdo da peça. A proposta é abrir um novo campo de trabalho

para atores, produtores, técnicos, inclusive priorizando o trabalho de pessoas com deficiências visuais que atuam ou tenham intenção de atuar nessa área, e que é normalmente excluído profissionalmente. A peça cumpre assim, também, um papel social, abrindo a possibilidade de uma forma de expressão artística a PcD visuais. Um exemplo disso é o músico Sergio Sá, que nesse projeto, tem a oportunidade de trabalhar como ator pela primeira vez. Durante o espetáculo, sons, vozes e cheiros chegarão aos espectadores vindos sempre de locais diferentes. Tais sensações serão o caminho para a compreensão da trama, mesmo ela ocorrendo completamente no escuro. “O Grande Viúvo”, extraído do livro “A Vida como ela é”, de Nelson Rodrigues, conta a história de um viúvo que, após ter perdido sua amada esposa, comunica à família que também quer morrer e ser enterrado junto à falecida. Porém, não antes de construir um mausoléu, onde os dois corpos, o dele e o da esposa, deverão repousar lado a lado. A família, inconformada, tenta a todo custo convencê-lo a desistir do suicídio, mas tem apenas o tempo da construção do mausoléu para fazê-lo. Enfim, encontra uma forma inescrupulosa, baseada em calúnias sobre a falecida, de evitar a tragédia. Mas o resultado disso tudo acaba sendo totalmente inesperado para todos.

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esportes

Vela adaptada faz sucesso na represa Guarapiranga Um dos fatos marcantes foi o projeto conjunto desenvolvido com o curso de Engenharia Naval da Escola Politécnica da USP: o barco Poli-19, com as características ideais de um veleiro para pesoas com deficiências físicas e visuais (estabilidade, segurança, espaço adequado no cokpit e possibilidades de adaptações variadas) e custo acessível. O barco é uma plataforma adaptável para qualquer tipo de atleta com deficiência e pode, inclusive, ser modificado rapidamente de uma equipe para outra.

Os participantes

Dupla que vai para Londres, Bruno e Elaine

T

odos os finais de semana, das 9h às 17h, as águas da Guarapiranga, na zona sul da capital paulista, são tomadas por barcos dos velejadores do Projeto Água Viva, do Clube Paradesportivo Superação. Os treinos já deram tão bons resultados, que dois dos frequentadores, Bruno Landgraf das Neves e Elaine Pedroso da Cunha, representarão o Brasil nas Paralimpíadas de Londres, entre 29/08 e 09/09. O projeto começou em 1999, pioneiro de vela para diversos tipos de deficiências físicas, como amputação, paraplegia, tetraplegia, paralisia cerebral, sequelas de pólio, além de vários graus de deficiência visual. Sua sede hoje é nas dependências da Associação dos Servidores do Banco Central (ASBAC), um clube náutico às margens da represa. “A finalidade do Projeto Água Viva é dar oportunidade a todas as pessoas com algum tipo de deficiência física ou visual de experimentarem a sensação de velejar”, explica a fisioterapeuta Berenice Chiarello, classificadora funcional de vela adaptada e uma das coordenadoras. Nesses vários anos de atividades, o Água Viva criou um sistema de iniciação ao esporte e treinamento avançado, baseado no trabalho de profissionais da vela, voluntários e dos próprios atletas paralímpicos, todos atuando juntos para a captação e formação de novos velejadores. Atualmente, cerca de 20 atletas comparecem ao treinamento, distribuídos em clínicas para iniciantes, aulas regulares para aprendizado e treinamento específico para os que querem competir, sob a supervisão dos treinadores Gian Jaque Ferrauolo e Vitor Hugo Pinheiro.

Andréia Úrsula, por exemplo, treina há 10 meses: “Fiquei fascinada pois não imaginava que eu, como cadeirante, poderia praticar esse esporte maravilhoso, foi uma sensação única, navegar em um barco à vela é uma sensação de liberdade e harmonia com a natureza”, garante. “A força de vontade supera a limitação, todos nós, independente de uma limitação física, somos muito mais fortes do que imaginamos ser”, completa Andréia. Bruno já treina há mais tempo, quase quatro anos. Tetraplégico devido a um acidente de carro, jogava futebol, e sempre gostou de esporte, praticando também natação. Antes de pensar em competir, ele conta que a vela o ajudou muito porque tinha que ganhar mais força e movimento para poder melhorar, no que foi orientado por sua fisioterapeuta. Ele participou do Mundial em Weymouth/Inglaterra, onde o Brasil conseguiu a vaga e também da Semana Olímpica da França, em Hyeres. “Somos os primeiros na Classe Skud 18 e os únicos representante da vela na Paralimpíada. Esperamos

Michele no treino


esportes

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no barco treinando, estou na academia me fortalecendo, ganhando resistência, na fisioterapia alongando, consertando o que não estiver bem”, conta a atleta. Os dois falam da falta de estrutura de uma maneira geral mas contam que, em novembro passado, ingressaram no Time São Paulo, convênio formado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro e Governo do Estado que visa, justamente, melhorar a estrutura de treinos: “Eles compraram o Skud 18 com o qual faremos a Paralimpíficar entre os oito porque não temos o barco da competição ada e que está em processo de entrega (usam o Poli-19) e não treinamos no mar. Na represa não direto para a Inglaterra, entre outras coiAndreia Ürsula tem ondas e ventos fortes”, explica Bruno. Mesmo assim, ele sas mais”, explica Elaine. “Somos muito garante que “é muito gratificante representar o Brasil, com gratos ao Time São Paulo e esperamos continuar tendo esse isso podemos divulgar o esporte e servir de exemplo para apoio para melhorar ainda mais nossos resultados para a Paralimpíada no Rio/2016, que é quando pretendemos ter que mais pessoas comecem a praticar”, afirma. Elaine veleja há 3 anos, tem paraplegia incompleta. Sempre chances reais de medalha. Para a Paralimpíada de Londres treinou na companhia de Bruno. Antes, praticava remo adap- 2012, nosso objetivo é fazer uma bonita participação, supetado, categoria individual, mas como gostava de trabalhar em rar nossos limites, conquistar o melhor resultado possível e pela primeira vez, a bandeira brasileira em uma Vela de equipe, optou pela vela. “Atualmente o esporte é minha vida, levar, Redação Pit Peça Formato Data Finalização Produção Gráf. Dir. de Arte Atendimento Coordenação Cliente Revisão tenho dedicado parte meu tempo em prol da Vela, Skud18. Também serei a primeira mulher a estrear em uma AZS001912 21 x 14 cm do 01/06/12 Anúncio grande treino todos os dias da semana, sem folgas, sem dar importân- Paralimpíada na Vela Adaptada e isso me enche o coração cia às dores e ao cansaço do meu corpo. Quando não estou de orgulho! Torçam muito por nós!” conclui a atleta.

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autismo

Autistas poderão ter política nacional de proteção de direitos Foto: Lia de Paula Agência Senado

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Congresso em azul no Dia Internacional do Autismo

defesa de uma nova legislação foi o ponto principal das discussões no Dia Internacional de Conscientização sobre o Autismo, celebrado dia 2 de abril. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas, em 18/12/2007. De acordo com a ONU, há cerca de 70 milhões de pessoas com autismo em todo o mundo. Para comemorar, os principais monumentos e prédios públicos do país tiveram iluminação especial em azul, como o Cristo Redentor no Rio de Janeiro/RJ, o Teatro Amazonas em Manaus/AM, e o Congresso Nacional em Brasília/DF, juntamente com outros prédios famosos em várias partes do mundo. O Centro de Estudos do Genoma Humano (CEGH), ligado ao Instituto de Biociências da USP, afirma que a prevalência do autismo é de 5 a cada 1.000 crianças, sendo mais comum no sexo masculino, na razão de quatro homens para cada mulher afetada. Sua origem ainda é desconhecida, porém os estudos apontam para a existência de um forte componente genético atuando em sua determinação. O autismo é uma disfunção global do desenvolvimento, alteração que afeta a capacidade do indivíduo de estabelecer comunicação com os outros, desenvolver relacionamentos e responder apropriadamente ao ambiente. Algumas crianças autistas apresentam inteligência e fala intactas, mas outras possuem atraso no desenvolvimento da linguagem. Os diversos modos de manifestação também são designados de espectro autista, indicando uma gama de possibilidades dos sintomas. Na Câmara dos Deputados, uma sessão requerida pela deputada Rosinha da Adefal (PTdoB/AL) marcou a data, colocando em

pauta a necessidade de aprovação do Projeto de Lei nº 1.631/2011, responsável por instituir a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. O PL, de autoria do senador Paulo Paim (PT/RS), equipara os autistas às pessoas com deficiência. Atualmente não são considerados desse modo, portanto o autista não consegue ser atendido no sistema público de saúde, por exemplo. A matéria foi aprovada em março último pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara, mas ainda depende de análise de outras duas comissões e do Plenário. A próxima que deverá analisar a questão é a de Seguridade Social e Família, que tem como relatora a deputada federal Mara Gabrilli (PSDB/SP). Ela promoveu um encontro na capital paulista para discutir o projeto de lei com familiares e representantes de ONGs e apoio da Defensoria Pública de SP em maio. Para a defensora Renata Flores Tibiriça, hoje o autismo é tratado como um transtorno psiquiátrico com atendimento na área de saúde mental: “Com o projeto haverá uma garantia de capacitação de profissionais para diagnóstico precoce e intervenção multidisciplinar melhorando a qualidade de vida das pessoas com a síndrome e de suas famílias”, afirmou a defensora, explicando que o maior ganho trazido pelo projeto traz é, justamente, considerar a pessoa com autismo como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais. O Ministério da Saúde desenvolve atualmente o primeiro protocolo clínico para pessoas com transtorno autista, sendo que em março também foi colocado para consulta pública o primeiro protocolo para pessoas com Síndrome de Down.


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dança

Dançar é para todos: Faz bem ao corpo e à mente

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xpressão corporal, manifestação dos sentimentos, forma de comunicação: muito se poderia falar sobre a dança, seu caráter artístico, esportivo e educacional. Para as pessoas com deficiência, dançar significa também benefícios para a saúde, melhora da autoestima e inclusão social, estimulando a independência e a interação. De 05 a 08 de julho, será realizado o XI Campeonato Brasileiro de Dança em Cadeira de Rodas, em Belém/PA, que mais uma vez demonstrará a evolução dos dançarinos brasileiros. A Confederação Brasileira da modalidade tem tanto caráter artístico quanto esportivo, e reúne 11 equipes filiadas, que participam regularmente das competições. Fundada em novembro de 2001, na Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas/SP (UNICAMP), durante o I Simpósio Internacional de Dança em Cadeira de Rodas, a CBDCR reúne também diversos grupos que se apresentam nas mostras de dança artística. Entre administração, árbitros, atletas, técnicos, artistas, coreógrafos e parceiros, a entidade conta com cerca de 100 pessoas envolvidas. “A dança esportiva em cadeira de rodas, como as demais modalidades esportivas, traz a possibilidade dessa prática e seus benefícios, sejam eles: físicos, psíquicos e sociais. A dança, além disso, trabalha intimamente as questões de relação com o corpo e expressão, o que é, sem dúvida, excelente para qualquer pessoa”, garante a presidente da Confederação, Eliana Lúcia Ferreira. A competição paraense terá a disputa dos atletas, em julho, e a mostra de dança artística. A cada ano os encontros trazem novos grupos o que, para a presidente, demonstra o crescimento e fortalecimento da modalidade no país. Segundo Eliana, neste ano haverá a participação de três novas equipes. O crescente interesse de novos participantes foi sentido inclusive da última Reatech, feira realizada na capital paulista, em abril, quando a entidade promoveu 4 oficinas de dança em cadeira de rodas bastante concorridas, além de estar presente com um estande. Outro termômetro de que cada

vez mais pessoas estão interessadas na prática, foi o curso à distância montado em parceria com a Coordenação de Acessibilidade da Universidade Federal de Juiz de Fora/MG. A segunda edição começou em maio e teve cerca de 200 inscrições. “Foi uma maneira que encontramos para divulgar de forma acadêmica e técnica a modalidade em um país de tão vasta extensão”, explica a presidente. O curso reúne profissionais que produziram materiais de qualidade para divulgar e ensinar por meio da Internet.

Dançarinos No caso dos atletas, eles normalmente são subsidiados pela CBDCR, com diversos cursos de capacitação, tanto em nível nacional como internacional. Muitas vezes conseguem patrocínios privados. A Confederação já trouxe para o Brasil, nesses 11 anos, profissionais de diversos países da Europa, com objetivo de desenvolver a técnica da modalidade por aqui. “A nossa maior dificuldade é o fato de não termos muitos profissionais da dança esportiva (para andantes) no Brasil”, explica Eliana. Os atletas brasileiros participam frequentemente de competições internacionais, mundiais, abertos e copas de dança esportiva. “Em especial, nos mundiais da modalidade, a CBDCR não tem medido esforços para apoiar a participação dos campeões brasileiros. Essas participações têm colocado o Brasil em posição de destaque no seu estilo de dança. Isso tem nos permitido avançar bastante tecnicamente”, comenta a presidente. Eliana faz questão de salientar outro aspecto das atividades da CBDCR: “um dos objetivos de sua criação foi o apoio ao desenvolvimento de pesquisa nessa área, já que muitos dos seus sócios fundadores são também universidades brasileiras. Sendo assim, hoje o Brasil é destaque internacional na ciência desta temática com publicação de vários livros, artigos, tese de mestrado e doutorado”, conclui. Mais informações sobre a Confederação e os grupos filiados estão em www.cbdcr.org.br.


por Márcia Gori

mulher

Lugar de mulher é na política... E a mulher com deficiência ? Qual é o lugar dela ?

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m minhas andanças pelas redes sociais e nas mobilizações que temos feito nas ruas, tenho observado muito a revolta e a preocupação da população em relação à tanta corrupção, descaso com o nosso dinheiro público, demonstrando claramente que o povo não é mais tão alienado a respeito de política, desejando as mudanças de paradigmas e políticas partidárias. Temos poucas mulheres em cargos políticos, mesmo com a Presidência da República estando sob o comando de uma mulher, somos estatisticamente em menor número, com uma representação ainda tímida no que tange a defesa de nossos direitos. No entanto, o que mais me chama atenção é no baixissimo número de mulheres com deficiência na política, se posicionando e fazendo de fato a inclusão social. As poucas que estão comprometidas, tem feito de tudo para que alcancemos o respeito e a visibilidade, porém existe o lado da conscientização, que necessita ser reforçado e trabalhado com muita seriedade. No final de semana de 26 de maio, tivemos uma manifestação em diversos estados brasileiros que refletiu nacionalmente, com a Marcha das Vadias, com movimentos sociais feministas em toda a sua pluralidade e diversidade, enxotando para as ruas todas as mazelas que afligem as mulheres, levando através da mídia todo o conhecimento par a essa parcela da sociedade que sofre todo o tipo de violência e que na maioria das vezes não tem consciência do seu tormento. Porém, tivemos a notícia que em uma movimentação tão importante e de tanta visibilidade, as mulheres com deficiência estiveram presentes somente com uma amiga militante do Maranhão, outra em Belo Horizonte/MG, as demais não participaram, talvez por insegurança, falta de entendimento do significado da palavra “vadia”, que por ser até hoje usada de forma tão pejorativa e pesada, essas mesmas mulheres preferiram ficar de fora e não aparecer para reivindicar seus direitos, já tão usurpados no dia a dia. Afinal, porque essa manifestação tem o nome de Marcha das Vadias ? A “Marcha das Vadias” ou “Marcha das Vagabundas” (em inglês: slutwalk) iniciou-se em 3 de abril de 2011, em Toronto no Canadá, e desde então tornou-se um movimento internacional realizado por diversas pessoas em todo o mundo. A Marcha das Vadias protesta contra a crença de que as mulheres que são vítimas de estupro pediram isso devido às suas vestimentas. As mulheres durante a marcha usam roupas provocantes: como blusinhas transparentes, lingerie, saias, salto alto ou apenas o sutiã. Em janeiro de 2011, ocorreram diversos casos de abuso sexual em mulheres na Universidade de Toronto. Daí então, o policial Michael Sanguinetti fez uma observação para que “as mulheres evitassem se vestir como vadias (sluts, no inglês original), para não serem vítimas”. O primeiro protesto levou 3.000 pessoas às ruas de Toronto. Agora imaginem quantas de nós, mulheres com deficiência, passam por esse constrangimento, todo o tipo de violência de pessoas próximas ou transitórias em nossas vidas, e acabam se calando por medo, vergonha, necessidade, devido à toda limitação que nossa deficiência nos impõe para que tenhamos o mínimo de condições de vivência social com dignidade. Se uma mulher como a Xuxa se calou diante da tirania que sofreu, que dirá nós, que ainda nem somos reconhecidas socialmente como sujeito de direitos. Contudo, qual o preço que vamos pagar pela falta de participação ativa nos momentos e movimentos de protestos, de nos agrupar com outros segmentos, evidenciando que atualmente não queremos mais políticas públicas de assistencialismo, com recortes de supressão dos nossos direitos humanos como mulheres e, ainda com um plus, ao meu ver, de pura beleza, que é a nossa deficiência.

De fato, o lugar da mulher é na política, principalmente nós com deficiência, porque é lá que as mudanças acontecem, a visibilidade vem e nos garante que alcançemos o status de cidadãs plenas de cidadania e direitos. Mas o que vivencio em nosso dia a dia é a omissão, a visão de que fazer política é chato e não leva a nada, que o poder tem cartas marcadas, que não haverá jamais mudanças, embora tenhamos registrado na história da humanidade que toda transformação acontece em momentos bem críticos, de desconforto geral. O que mais precisamos para ter esse start ? Lembrando que, no instante em que nos omitimos de participar da política partidária e social, seremos sempre governados pelos que não se recusam em estar lá. Ficamos então, sujeitos a regras, políticas públicas que podem, em muitos casos, afetar-nos diretamente com retrocessos difíceis de contornar, nos desgastando para novas lutas e conquistas. Gostaria muito de saber o que falta para essa mulher com deficiência ter a iniciativa para frequentar reuniões, ser mais articulada, participativa, provocativa, reflexiva, aguerrida em transformar seu meio social através da política ? É medo ? Falta de informação ? Acessilidade ampla e geral para essa saída de sua conchinha ? Vergonha, por ser mulher, e nestes espaços termos mais homens ? Mas é nesse contexto social, ainda dominado pelos homens, que temos que sair de nossos cásulos, esticando nossas asas, mostrando nossas capacidades, necessidades, vontades, revoltas, indignação com tantas omissões e falta de ética, e um olhar para o vulnerável social. Buscar mudanças, trazer soluções, instigar reflexões. Vamos fazer um mundo melhor com nossa participação da mulher com deficiência ! Enfim, como dizem os jargões da Marcha das Vadias: meu corpo, minhas regras - toda mulher tem o direito a uma vida sem violências - eu não vim da sua costela, você que veio do meu útero - nem puta, nem santa, somente mulher e com deficiência (essa seria nossa). E para finalizar: NADA SOBRE NÓS SEM NÓS !!! Até nosso próximo encontro ! Márcia Gori

é bacharel em Direito-UNORP, idealizadora da Assessoria de Direitos Humanos - ADH Orientação e Capacitação LTDA, ex-presidente do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência - CEAPcD/SP 2007/2009, ex - apresentadora do Programa Diversidade Atual no canal 30 - RPTV, ex-Conselheira Estadual do CEAPcD/SP 2009/2011, presidente do Diretório Municipal do PTC - Partido Trabalhista Cristão, Presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de São José do Rio Preto/SP, membro do CAD - Clube Amigos dos Deficientes de São José do Rio Preto/SP. Idealizadora do I Simpósio sobre Sexualidade da Pessoa com Deficiência do NIS – Núcleo de Inclusão Social da UNORP, Seminário sobre Sexualidade da Pessoa com Deficiência na REATECH 2010/2011, I Encontro Nacional de Políticas Públicas para Mulheres com Deficiência, capacitadora e palestrante sobre sexualidade, deficiência e inclusão social da Pessoa com Deficiência, modelo fotográfico da Agência Kica de Castro Fotografias. E-mail: marcia_gori@yahoo.com.br

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SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE TECNOLOGIA EM ÓRTESES, PRÓTESES ORTOPÉDICAS E REABILITAÇÃO Mais um grande evento que irá trazer, pela primeira vez, importantes e valiosas parcerias...

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pós a realização do II Congresso Internacional de Órteses e Próteses Ortopédicas em 2011, a ABOTEC – Associação Brasileira de Ortopedia Técnica irá promover agora com grandes parceiros o II Seminário ABOTEC e ISPO-Brasil de Tecnologia em Órteses e Próteses Ortopédicas e Reabilitação. Este evento irá acontecer no Centro de Exposição do Anhembi na Cidade de São Paulo nos dias 16 e 17 de Agosto de 2012 juntamente com a realização da Feira Reabilitação que é Organizada pelo Grupo Hospitalar Feiras e Eventos, promotora também das Feiras Hospitalar e Couro Moda. O objetivo deste segundo seminário é permitir que as empresas fabricantes de produtos, componentes e serviços em órteses, próteses ortopédicas e reabilitação apresentem

suas inovações para profissionais ortesistas e protesistas ortopédicos, médicos fisiatras e ortopedistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, estudantes e demais pessoas envolvidas na área. Será também a 1ª vez que a ABOTEC e a ISPO-Brasil participarão na preparação da grade curricular acadêmica e comercial para a apresentação destas tecnologias, com a já conhecida realização de palestras e eventos da ABOTEC no Brasil inteiro e o grande histórico internacional da ISPO, será garantia de grandes apresentações do que a academia está preparando para a ortopedia técnica Mundial. Será um evento de grandes surpresas, nós garantimos.


II Seminário ABOTEC e ISPO-Brasil de Tecnologia em Órteses e Próteses Ortopédicas e Reabilitação Palácio de Convenções do Anhembi – Rua Professor Milton Rodrigues, s/nº - São Paulo/SP DATA: 16 e 17 de Agosto de 2012 INSCRIÇÕES: www.abotec.org.br ORGANIZADORES: ABOTEC – Associação Brasileira de Ortopedia Técnica ISPO – Brasil – Sociedade Internacional de Próteses e Orteses – Capítulo Brasil GRUPO HOSPITALAR Feiras e Eventos VALORES: Associados da ABOTEC: R$ 400,00 (Válido para ACT*) Não Associados da ABOTEC: R$ 800,00 (Válido para ACT) Estudantes: R$150,00 (Sem validade para ACT – vagas limitadas) Demais Profissionais*: R$ 200,00 (Sem validade para ACT – vagas limitadas) •ACT: Atestado de Capacidade Técnica emitido pela ABOTEC •Demais Profissionais: Médicos Fisiatras e Ortopedistas - T.O. - Fisioterapeutas e demais interessados.


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lição de vida

Futura jornalista edita revista para pessoas com deficiência

E

la ainda nem se formou, mas seu trabalho já foi parar nas mãos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A autora da proeza é Samara Andresa Del Monte, de 23 anos, moradora de Diadema/SP. Ela nasceu com o cordão umbilical enrolado no pescoço, teve falta de oxigênio no cérebro (anorexia neonatal), o que ocasionou uma lesão cerebral. Hoje, se locomove em cadeira de rodas e não fala, mas isso não a impede de ir a lugar algum. Com sua cadeira motorizada, que tem controle no queixo, fez parte de um grupo de dança, o “Mão na Roda”, que deixou quando entrou na faculdade, por problemas de horário. Já voou com paraglider duas vezes e sonha em saltar de paraquedas. Sem coordenação manual, escreve no computador com um capacete com ponteira. “Não oraliza, mas fala mais do que a boca através do Sistema Bliss de Comunicação”, explica Cláudia, sua mãe coruja. A participação da família foi muito importante no desenvolvimento de Samara. A irmã Sarita, dois anos mais velha, brincava de escolinha, ensinando as coisas que aprendia na aula. Os primos também participavam muito, principalmente Carolina, que não dispensava a boneca. “Assim, Samara teve uma infância igual à de outras crianças. Mesmo sem andar, ela participava de brincadeiras e, sem falar, escolhia do que queria brincar. Foi crescendo e suas vontades, desejos e sonhos também. Muitos foram sendo realizados, pois todos da família doam um pouco de si para a Samara. Somos a parte motora ! E nos apropriamos de seus sonhos como se fossem nossos e, quando ela os realiza, a nossa felicidade também

é muito maior, muito mais do que se fosse um sonho só nosso”, conta a mãe. A menina entrou na escola com 4 anos e com 7 estava alfabetizada, mas ela queria ir para uma escola “normal”. Aos 14 anos conseguiu ser aceita na Escola Espaço Livre, onde cursou até a oitava série. Fez supletivo do ensino médio e prestou vestibular na UNIP. Agora está no último ano: “escolhi jornalismo porque, além de gostar de escrever, é através da escrita que posso trabalhar e falar o que sinto, o que penso, e tentar mudar a visão que a sociedade tem das pessoas com deficiência”, explica Samara. A faculdade aceitou que ela tivesse uma acompanhante e mais uma vez, a irmã Sarita se apresentou. “Alguns professores entendem mais, outros nem tanto. Alguma provas são feitas em dupla, grupo ou sozinha no computador. Eles também avaliam o conteúdo teórico e não a prática, pois não consigo tirar fotos e nem ser apresentadora de TV ou de rádio, por exemplo”, diz Samara. A “Mais Eficiente”, a revista que foi parar nas mãos de Lula, é anterior ao curso de jornalismo. Aos 12 anos ela pensou em escrever para falar como era a vida de uma pessoa com deficiência. Hoje está na 10ª edição, já que faz uma por ano, e tem amigos que colaboram com as despesas e a ajudam. Faz os textos em Word e pede para tirarem as fotos, enviando posteriormente para diagramação. Fala sobre direitos e deveres, dicas para ajudar as pessoas com deficiência, tipos de deficiência, denúncias, projetos, poesias e “trechos de músicas que ajudam a levantar as pessoas”. A distribuição é feita por amigos. Samara também escreve artigos para o jornal da Igreja Matriz de Diadema. A história com Lula vem desde 2005, quando ele foi à cidade e viu uma apresentação do grupo de dança. Ela


notas

lição de vida

NOTA DO EDITOR CONVITE DA REVISTA Gostaria de fazer aqui, de público, um convite mais do que especial para Samara Del Monte, para que ela, a partir de nossa próxima edição da REVISTA REAÇÃO - caso seja de seu interesse, obviamente - passe a compor o seleto grupo de articulistas e colaboradores desta publicação, unindo-se a outros grandes nomes do nosso segmento, nos dando a honra de escrever uma coluna assinada por ela em todas as nossas edições. O tema de sua coluna é livre, a colaboração é voluntária, e nossa sugestão é para que o nome da sua coluna nesta revista seja justamente o mesmo nome da sua revista: “Mais Eficiente”. No que depender de nós, da REVISTA REAÇÃO, Samara já pode se considerar parte do time. Seja Bem-Vinda !!!

Municípios paulistas aderem ao “Praia Acessível”

O frio ainda vai demorar para ir embora em São Paulo mas vários municípios já se preveniram para o tempo mais quente e assinaram convênios em abril com a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência dentro do programa Praia Acessível. Mesmo sem ficarem próximos ao mar, aderiram à ideia de inclusão para pessoas com deficiência e receberão cadeiras anfíbias para serem usadas no lazer em água doce. São eles: Arealva, Avaré, Fartura, Itapura, Panorama, Presidente Epitácio, Rifaina, Rosana, Santa Fé do Sul e Teodoro Sampaio. Em janeiro, a Estância Turística de Ilha Solteira foi a primeira a participar, recebendo 10 cadeiras, entregues na Praia Catarina. O programa foi lançado no verão de 2010, na Praia Grande, Baixada Santista. As cadeiras utilizadas são feitas com um pneu especial que permite superar a dificuldade da areia e também não afundam dentro da água. A altura delas é compatível com a possibilidade do usuário sentir a água, numa profundidade não perigosa do mar ou do rio. A transferência é simples porque os braços são removíveis.

Curso para professores sobre Síndrome de Williams

Na literatura internacional existem relatos de experiências pedagógicas bem sucedidas de inclusão nas escolas de pessoas com a Síndrome. Como no Brasil não há um registro sistematizado sobre aprendizagem nesses casos, embora muitas crianças e jovens estejam matriculados da rede pública e privada, a Associação Brasileira da Síndrome de Williams (ABSW) resolveu preencher essa lacuna, montando um curso de sensibilização e formação de professores. O objetivo é promover a compreensão biológica, comportamental e cognitiva da SW e abordar práticas pedagógicas que auxiliem, efetivamente, na aprendizagem e na inclusão dentro de sala de aula. É destinado a professores de alunos que possuam a Síndrome, profissionais da área de educação que possam atuar como facilitadores e multiplicadores dentro de suas redes e profissionais de saúde. São 8 horas de aulas, com custo de R$150. Em junho o curso foi realizado na APAE de Rio Claro/SP e em agosto está programado para a capital paulista, ainda sem data definida. O site da ABSW é www.swbrasil.org.br

Cidades desconhecem rampas para pessoas com deficiência A percepção de que as cidades brasileiras, em sua maioria, não oferecem condições satisfatórias, agora tornou-se uma certeza: um estudo inédito do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado em 25/05, mostra que nas proximidades de 95,3% dos domicílios urbanos no país não existem rampas de acessiblidade para pessoas com cadeiras de rodas. O “Censo Demográfico 2010 - Características Urbanísticas do Entorno dos Domicílios”, pesquisou vários aspectos das cidades, como a existência de iluminação pública, arborização, bueiros, esgoto a céu aberto, calçada e acúmulo de lixo. O estudo foi feito por meio da observação dos recenseadores, e não pela resposta a questionários. Em relação às rampas, a constatação é de que apenas 4,7% dos domicílios urbanos contavam com elas nas proximidades. A ocorrência variou de apenas 1,6% no Norte e Nordeste para 5% no Sudeste e 7,8% no Sul e Centro-Oeste. A rampa é um exemplo marcante da desigualdade entre os municípios: enquanto Porto Alegre/RS chega a 23,3%, Fortaleza/CE fica com 1,6%. De acordo com o levantamento, nenhuma cidade brasileira tem todas as ruas com a benfeitoria: a cidade melhor colocada é Jaguaribara/CE, a 255 Km de Fortaleza/CE, que chega a 75,5%. Nos 15 municípios com mais de um milhão de habitantes em 2010, a situação era a seguinte: Foto: Cristina Gomes

escreveu para ele e entregou a revista número 2. Depois disso, nas outras vezes que ele voltou à Diadema/SP, ela sempre estava lá para entregar um novo exemplar. O próximo deve sair no final do ano. Agora que está perto do curso terminar, Samara diz que pretende trabalhar na profissão, em uma função que não precise “oralizar”. Acredita que exercer o ofício em casa pode ser uma boa pedida. No mais, Samara gosta de ler, ouvir música, dar palestras e namorar, que ninguém é de ferro. Há 10 anos ela está com Caio, que também tem paralisia cerebral e a conheceu nos tempos da escola especial. “Terminamos algumas vezes, mas voltamos porque a gente se gosta muito”, conta Samara. Ela aproveita para deixar uma mensagem às pessoas na mesma situação que a dela: “se vocês têm sonhos e acreditam que eles vão acontecer, não fiquem parados, esperando!”

Porto Alegre/RS: 23,3% Brasília/DF: 16,6% Curitiba/PR: 12,5% Goiânia/GO: 10,2% Belo Horizonte/MG: 9,6% São Paulo/SP: 9,2% Rio de Janeiro/RJ: 8,9% Campinas/SP: 6,5%

Recife/PE: 4,6% Belém/PA: 2,7% Manaus/AM: 2,5% Guarulhos/SP: 2,4% Salvador/BA: 2,2% São Luís/MA: 1,9% Fortaleza/CE: 1,6%

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INFORME PUBLICITÁRIO

SELO DE QUALIDADE ABRIDEF entidade quer certificação em produtos e serviços para pessoas com deficiência e apresentou o programa durante a Reatech e a Hospitalar 2012...

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Associação Brasileira das Indústrias e Revendedores de Produtos e Serviços para Pessoas com Deficiência (ABRIDEF) elaborou um plano de certificação para o setor: se todos os requisitos solicitados forem cumpridos, esses produtos e serviços poderão receber um Selo, que atestará a sua qualidade e segurança. Hoje, por exemplo, é quase impossível alguém comprar uma embalagem de pó de café sem procurar o “Selo de Pureza ABIC”, da Indústria Brasileira da Indústria de Café, garantia de que o fabricante participa de um programa de controle permanente. Essa certificação foi pioneira, lançada em 1989, e o SELO que a ABRIDEF quer implementar aos produtos e serviços do setor de reabilitação e tecnologias assistivas busca o mesmo propósito. “O SELO DE QUALIDADE ABRIDEF nasce da necessidade real de nosso mercado de se profissionalizar, colocando à disposição das pessoas com deficiência e usuários produtos e serviços específicos, de qualidade comprovada”, explica o presidente Rodrigo Rosso, que lançou oficialmente o projeto em apresentação durante a Reatech, em abril, ocasião em que também foi comemorado o aniversário de 2 anos da entidade. O Selo também foi apresentado na Hospitalar, feira realizada também em São Paulo/SP, em maio. Haverá palestras também sobre o tema na Copa for All (12 a 13/06), em São Paulo/SP, e na Reacess (29/06 a 01/07), no Rio de Janeiro/RJ. Outras apresentações estão sendo marcadas em Brasília/DF, para os ministérios que compõe o plano “Viver sem Limite” do Governo Federal, e para a Frente Parlamentar da Pessoa com Deficiência, composta

por Senadores e Deputados Federais, e também em São Paulo, para a Secretaria Estadual da Pessoa com Deficiência. A ABRIDEF tem hoje 50 filiados diretos e cerca de 400 indiretos, representados pelas associações parceiras: Associação Brasileira de Ortopedia Técnica (ABOTEC) e Associação Brasileira de Tecnologia Assistiva (ABTECA). O mercado de produtos e serviços para PcD, que Rosso representa, movimentou em 2011 cerca de R$ 3,5 bilhões, cinco vezes mais do que há 10 anos. Para 2012, a expectativa é de um crescimento médio de 20%. De acordo com levantamento realizado no ano passado pela ABOTEC, o setor conta com mais de 7.500 empresas que atuam na área da saúde, reabilitação, inclusão, acessibilidade e tecnologias assistivas. Até agora, porém, não há certificação oficial para nenhum produto fabricado para atender essa parcela de consumidores e a esse mercado emergente, ou mesmo para serviços. Paulo Sergio Brito Silva, pesquisador da Divisão de Articulação Externa e Projetos Especiais do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO), veio do Rio de Janeiro para assistir à palestra sobre o SELO DE QUALIDADE ABRIDEF na Hospitalar. “Vemos com bons olhos essa iniciativa da associação do setor, na medida que acaba ajudando o governo nessa missão de atender a sociedade”, declarou Silva. Para ele, é importante essa divisão de responsabilidades, porque não é possível para o Governo suprir todas as demandas. O pesquisador informou que o INMETRO está em entendimentos para trabalhar junto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) no processo de avaliação da con-


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formidade de cadeiras de rodas. Em relação à certificação de responsabilidade do órgão no setor, Silva disse que o INMETRO é responsável também, pela fiscalização do transporte coletivo rodoviário, urbano e seletivo de passageiros para pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida. O SELO DE QUALIDADE ABRIDEF usará critérios e laboratórios acreditados pelo INMETRO para sua certificação, o que fortalece a parceria com o órgão e assegura a credibilidade das ações.

Como se dará a certificação A ABRIDEF, em parceria com um dos maiores institutos certificadores do Brasil (o mesmo responsável pelo Selo da ABIC do café), elaborou um plano que prevê várias fases. A primeira, deverá se desenvolver em 4 anos, quando a entidade elaborará as normas que deverão ser seguidas, obedecendo à regulamentação e normas técnicas já existentes - quando houver, tanto brasileiras quanto estrangeiras - e credenciará os laboratórios e empresas certificadoras que deverão ser procurados pelos interessados em obter o selo. Nessa etapa poderão pleitear a certificação produtos como: aparelhos auditivos convencionais, cadeiras de rodas manuais e motorizadas, componentes para próteses, lupas eletrônica e manual, órteses e plataformas residenciais e veiculares. Os produtos foram escolhidos porque são os que o Governo mais licita e compra, e os mais consumidos também pela sociedade como um todo. A ideia é que, no futuro, as normas utilizadas para a obtenção do SELO sejam observadas nesses processos, garantindo para o próprio governo a aquisição de produtos com real qualidade em suas licitações públicas. Também poderão pleitear a certificação empresas de serviços, como consultorias em acessibilidade, lojas de produtos e equipamentos médico-hospitalares e oficinas ortopédicas. Todo o processo será voluntário, cada empresa opta se pleiteará ou não o Selo. Os gastos previstos inicialmente são de cerca de R$ 3 milhões. A entidade está buscando apoio financeiro do governo federal, com recursos do Programa “Viver sem Limite”, para a realização do processo inicial do Selo (primeira etapa – 4 anos), que após a primeira etapa deverá ser autossustentável. No primeiro

momento, a associação irá subsidiar parte dos recursos que seus filiados necessitarão para participar do processo. “Nosso setor precisa se modernizar, mas de forma ordenada e ética, seguindo normas e padrões. Nossos produtos e serviços são responsáveis pela qualidade de vida de seres humanos e isso requer respeito e responsabilidade, que vão desde a fabricação do produto até o ponto de venda e o atendimento ao cidadão com deficiência, mobilidade reduzida, idosos e seus familiares”, conclui Rodrigo Rosso. A ABRIDEF cresceu como entidade em número de associados diretos, 500% em 2 anos. Saindo de 8 empresas e entidades associadas em agosto de 2010, para 50 em junho de 2012. Isso sem contar com os associados indiretos. As empresas, sejam indústrias ou revendedores, ou até mesmo lojistas e profissionais da área, bem como entidades do setor, que queiram conhecer melhor os trabalhos da ABRIDEF ou mesmo se associar, fortalecendo ainda mais o setor como um todo, podem entrar em contato através do site: www.abridef.org.br ABRIDEF E VOCÊ: JUNTOS FAREMOS A DIFERENÇA !!!

Lançamento oficial da Feira Reabilitação durante a Hospitalar 2012


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espaço aberto

por Alex Garcia

Neste momento percebi que teria que ter mais atitude !

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olegas... Gosto muito de relembrar o passado. Fatos marcantes que emocionaram e que vocês podem observar algo semelhante. Eu, Alex Garcia, vivi intensamente muitas emoções desde muito jovem. O passado sempre deve ser lembrado para que possamos projetar o futuro de forma mais justa e igualitária. Vou contar a todos uma história real, vivida por mim quando tinha 16 anos. Título dessa história: “Neste momento percebi que teria que ter mais atitude !” Quando contava com 16 anos, iniciei o ensino médio em uma Escola Estadual. Nesta escola, no mesmo ano, chegou a primeira sala de recursos para Pessoas com Deficiência Visual. Chegou a primeira máquina Braille. Foi a oportunidade de Pessoas com Deficiência estarem na escola. Até então eu era o primeiro e único surdocego a estar na escola regular. Estava desde os 6 anos, desde

a pré-escola na Escola Regular. Em nossa cidade e região – interior do Rio Grande do Sul - as Pessoas com Deficiência sempre estiveram em escolas especiais ou em suas casas. Lembro minha idade hoje: 35 anos. Podem perceber através de minha idade atual, que Pessoas com Deficiência buscam estar na escola regular à cerca de 20 anos apenas. Voltando à sala de recursos para Pessoas com Deficiência Visual, entrei nesta sala. Aprendi rapidamente o Braille, e acabei trabalhando de voluntário na própria sala, apoiando outras Pessoas com Deficiência. Se hoje ainda tenho grande entusiasmo, vontade e amor, vocês imaginam quando eu tinha 16 anos ? Eu estava literalmente em todas as “divididas”. A primeira sala de recursos para Pessoas com Deficiência Visual. A primeira máquina Braille. Então pensei: “Tenho que fazer algo para mostrar isso à sociedade”. Assim, na aula de biologia onde estávamos estudando os sentidos, organizei um trabalho sobre o tato e é claro, tendo o Braille como centro. A professora de biologia adorou. Eu mantendo a força, convidei alguns colegas e inscrevi o trabalho na feira de ciências da escola. Vencemos a feira da escola ! Estávamos classificados para a feira de ciências do município. E vamos que vamos ! Vencemos também a feira do município. Ebaaa ! Era o Braille circulando. Estava com dores na mão de tanto escrever nomes de pessoas em Braille. Pessoas estas, que visitaram nosso espaço nas duas feiras. Vencendo a feira do município, estávamos classificados para a feira regional de ciências. Nossa ! Iríamos representar nossa cidade !!! Era uma alegria tremenda. Na feira regional de ciências novamente muito trabalho e o Braille muito divulgado. Nesta etapa perdemos... Sim. Fomos derrotados por minhocas. Tiramos o 4º lugar. O terceiro lugar ficou com uma caixa de vidro cheia de terra e muitas minhocas a circular. Era um trabalho para mostrar como as minhocas fazem os sulcos na terra colaborando com a irrigação. Chorei muito naquele momento. A professora de biologia tentava me acalmar, mas senti ali a dor do preconceito. A dor da pressuposição. Não preconceito. Não pressuposição contra mim. Senti contra o método que era sim o “trampolim” para vôos mais altos de muitas Pessoas com Deficiência. Desde aquele momento, mais ou menos 20 anos atrás, percebi que teria que ter mais atitude !!!

Alex Garcia é gaúcho e Pessoa Surdocega. Presidente da Agapasm. Especialista em Educação Especial. Autor do livro “Surdocegueira: empírica e científica”. Vencedor do II Prêmio Sentidos. Rotariano Honorário - Rotary Club de São Luiz Gonzaga/RS. Líder Internacional para o Emprego de Pessoas com Deficiência pela Mobility International USA/MIUSA. Membro da Federação Mundial de Surdocegos. Site: www.agapasm.com.br E-mail: contato@agapasm.com.br


por Suely Carvalho de Sá Yanez

ponto de vista

Vale à pena ???

H

Voluntários: exemplos na REATECH...

á 4 anos são realizadas capacitações (básicas) para estudantes universitários, com vivências e material apostilado (contendo orientações) para serem voluntários e conduzirem pessoas com deficiência visual que comparecem desacompanhadas na Reatech - Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade, que acontece na capital paulista. Não são profissionais. A maioria são estudantes de 1º ano dos cursos de Terapia Ocupacional e Educação Física. Durante o evento, acontecem sempre muitas histórias, acertos e também falhas, que mostram que devemos estar sempre atentos, mas isso JAMAIS destruindo o que se construiu. Em todo o tempo, busca-se o incentivo aos futuros novos profissionais para o aprimoramento na área, pois possuem interesse, disposição e amor, fundamentais para a profissão. Trabalhamos as críticas, que são sempre bem vindas, desde que, não “matem” quem ainda está sendo gerado. Todos crescemos juntos... Neste ano, mais uma vez, foram dias cheios de situações adversas que todos enfrentamos. Foram também exemplos de superação, principalmente quando o cansaço batia forte, mas a disposição, paciência, carinho e compreensão permaneceram... Os depoimentos a seguir, de alguns desses “guerreiros” voluntários que participaram deste trabalho na Reatech 2012, nos trazem alguns “sinais” que devem ser apreciados: “Foi uma experiência incrível ! Claro que nos primeiros momentos dá um medo de fazer bobagens, falar besteiras, você acaba cometendo gafes sem querer, mas enfim, depois me ambientei e tudo ficou bem. O contato com os outros voluntários... compartilhar experiências, é muito válido e enriquecedor. E para o ano que vem pretendo ir mais preparada. Estudar mais essa área para saber lidar da melhor maneira com as pessoas com deficiência...” Juliana Romero Scharra “A Reatech está presente em minha vida há 3 anos e é incrível como o tempo passa e sempre parece o primeiro. Ajudar é bem mais que uma alegria, é conhecer e fazer amigos ! A feira mais uma vez foi ótima ! Muitas coisas ainda vão melhorar... esse é o intuito. Ser voluntária é muito bom !” Ariana “Ter participado foi muito bom e foi a primeira vez. Impressionante como foram bem treinados e se esforçaram para bem atender ao público. Foram experiências marcantes de superação e de que somos capazes de ir além dos nossos limites” Solange Silva “Nunca tinha participado e senti que foi uma experiência e tanto... e as histórias de vida e a luta de cada uma das pessoas que acompanhei ficarão para sempre em minha memória... Acho que elas todas hoje, fazem parte da minha história também... Muitas das coisas que valeram a pena ter

participado e dado meu suor para que desse tudo certo, foi o fato de tê-los conhecido.” Daniella Yurie “Foi uma ótima experiência, pois para todas as pessoas, principalmente para os voluntários que participaram pela primeira vez de uma feira desta magnitude e importância, esta oportunidade possibilitou um crescimento, um amadurecimento social e cultural. Passamos a ajudar não apenas aos outros, mas a nós mesmos também...” Jeh Katayose “Com certeza, a Reatech foi uma experiência muito rica. Sinto que acompanhando os DVs pude conhecê-los muito melhor, conhecer alguns estandes mais específicos...” Andrea Sato “Gostei da experiência do voluntariado na Reatech, pude conhecer pessoas maravilhosas que lidam de maneira positiva com a deficiência e, apesar de algumas limitações, amam a vida e amam viver...” Andréia Pina “Foi a primeira vez que fui à Reatech e me apaixonei. Fico grata por essa oportunidade. Olha que lindo... atendi um surdo do Paraguai e quase chorei ! Espero sempre poder participar... Sou de Poá/SP e sou professora, estou quase concluindo uma pós em Libras...” Tatiani Miguel Mantovani “Um trabalho voluntário nos agrega diversos aprendizados. Dentre eles, o de parar, e pensar um pouco mais além do que aquele mundinho em que vivemos. Diria que, o trabalho voluntário abre portas e janelas para que possamos ver o mundo com outros olhos e podermos dar mais valor a aquilo que chamamos de VIDA...” Bianca Ollitta

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ponto de vista

“Fizemos amizades, trocamos experiências, sorrisos, abraços, mas também trabalhamos duro, muito duro... suamos, cansamos, mas mesmo assim estávamos lá, em pé, nem tão firmes, mas, dentro de nós existia uma força bem maior do que todo e qualquer cansaço: esta que se chama DETERMINAÇÃO... Determinação para poder enfrentar o preconceito (em relação à deficiência) e vencê-lo... uma questão de saber conviver e respeitar o próximo, assim como gostaríamos de ser respeitados...” Bianca Ollitta Garcia “Eu AMEI essa nova experiência na feira... de verdade, eu não esperava tanto !” Mayara Araujo “Sou estudante em Marília/SP. Foi muito gratificante... porque além da oportunidade de atuar como voluntária, pude conhecer as novidades, além de conhecer profissionais da área... E embora ainda sendo estudante, tenho a certeza de ter escolhido a profissão que me trará realização pessoal (e espero alcançar a realização profissional também).” Patrícia Luzetti “Participar como voluntário foi uma grande experiência, onde pude aprender e entender como funciona a vida das pessoas com deficiência, principalmente das visuais. Nesta feira eu pude quebrar tabus, e compreender que apesar da deficiencia, a vida continua e que podem ter uma vida normal...” Wellington Oliveira =“Agradeço a oportunidade de participar dessa experiencia que, particularmente, AMEI ! Eu tive o privilégio de acompanhar pessoas sempre animadas, simpáticas e educadas. Por isso, a experiência se tornou ainda mais prazerosa, pude conhecer pessoas maravilhosas que me ensinaram muito...” Barbara Bezerra Alguns “guerreiros” ficaram inseguros pela inexperiência e possíveis falhas. Entendemos que o erro faz parte do acerto. Os erros nos ensinam a valorizar muito mais os acertos, as vitórias, pois, a experiência nos leva à excelência. O ser humano foi criado com características para realizar e conquistar, onde os erros devem ser vistos como propósitos de ensinamentos e experiência para nos levar à vitória. A incerteza e possíveis erros, não podem nos amedrontar, muito pelo contrário, devem nos estimular. Vale à pena investir no trabalho, crescendo e comemorando os acertos... Que possamos ajudar uns aos outros a sermos melhores, principalmente os que estão começando, pois eles poderão ser as flechas que voarão mais longe do que nós ! Aplausos a todos !!!

Suely Carvalho de Sá Yañez é Terapeuta Ocupacional especializada em Orientação e Mobilidade para pessoas com deficiência visuaL e atua na área de reabilitação.

homenagem

Celelê comemora 19 anos de carreira! Cantora e compositora aposta nos benefícios da música no trabalho com pessoas com deficiência... Foto: Sérgio Wata

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ompositora, cantora, atriz, musicoterapeuta e professora de música: assim se define Celise Melo, ou melhor, a Celelê, personagem criada por ela em 1993, e que está em 2012, comemorando 19 anos de atividade. Ela já se apresentou praticamente no país todo divulgando seu trabalho, dedicado especialmente às crianças e também, com um carinho todo especial, a pessoas com deficiência. Nascida na cidade de Limeira/SP, essa artista paulista já lançou DVDs e livros e agora está em plena temporada de shows, com a colega Talili, para divulgação do novo trabalho, o DVD/Livro: “Está na Hora de Uma História eu Escutar”. À parte desse trabalho artístico, Celelê também ministra cursos para educadores, como: “Música na Educação com introdução à Musicoterapia”, “Cante o Ano Todo 1 e 2”, “A importância da música na Síndrome de Down”, entre outros. Aos 7 anos de idade, Celise começou a aprender a cantar e tocar violão, e depois de seis meses compôs a primeira letra e música: “Natureza”. Aos 12 já dava aulas de música para outras crianças, e com 18 anos começou a trabalhar em escolas de educação infantil. Aos 21 anos, em 1986, iniciou o trabalho de musicoterapia com pessoas com deficiência. “A música tem o poder de acalmar e de alegrar, de consolar e, muitas vezes, de inspirar e fazer pensar. Seus efeitos positivos para o corpo e para a mente são inúmeros e facilmente perceptíveis. Está comprovado cientificamente que os sons atingem a região do cérebro responsável pelos sentimentos, pela motivação e pela afetividade”, explica Celelê. “A musicoterapia ajuda muito o desenvolvimento, pois estimula a atenção, o senso rítmico e auditivo, a coordenação motora, a memorização, favorecendo o aprendizado, a criatividade e a sociabilidade”, afirma a artista. Por mais de 15 anos, por exemplo, Celelê realizou um trabalho no Centro de Vivência Evolução com crianças que tinham autismo, psicoce infantil e deficiência mental: “Os resultados foram extraordinários”, garante ela. Des-


homenagem

Celelê e Daniella Lamim

Celelê e Amigos

Celelê e Yolanda Cattoni

de 2010, Celise participa de um projeto de música e teatro na Associação para o Desenvolvimento Integral do Down (ADID), também com ótimo aproveitamento. Ela também deu aulas particulares e cita o caso de Daniella Lamim, com Síndrome de Down, que começou aos 3 anos e hoje, aos 25, canta, toca violão, dança, trabalha e tem ótimo convívio social. Celise lembra de outro caso, Yolanda Cattony, que tem deficiência visual parcial e a música contribuiu para que desenvolvesse suas habilidades vocais

e teatrais. As duas gravaram cantando uma música cada uma com ela no CD “Cante o Ano Todo”. Os shows, livros, CDs e DVDs são inclusivos, pois possuem uma linguagem simples e direta para todos entenderem. Ela costuma se apresentar em várias instituições para crianças com deficiência, como: Laramara, GRAACC, AACD, LALEC, Hospital das Clínicas, Instituto do Coração, Evolução e ADID. Isso fora as creches beneficentes e escolas. Seus temas preferidos são os educativos, como amizade, o cuidado com a natureza, higiene, vogais, números, cores, animais, frutas e legumes, entre outros assuntos. Para os jovens, são abordagens mais adultas como a importância da vida e de ajudar a todos

que mais precisam, amor, doação, igualdade, união, paz e alegria. Para quem quiser conhecer melhor o trabalho, Celelê estará no Rio de Janeiro, durante a feira Reacess, no palco, apresentando o show e a palestra: “A Importância da Música com Celelê e Amigos – Musicoterapia”. Ainda no Rio, dia 01 de julho, às 17h, haverá o show infantil: “Está na Hora de Uma História Eu Escutar”, na Saraiva Mega Store do Shopping Rio Sul, em Botafogo. Em São Paulo, a apresentação será em 21 de julho, às 16h, na Saraiva Mega Store do Morumbi Shopping. Toda a programação, vídeos dos shows e o trabalho com os alunos com deficiência da Celelê, estão no site www.celeleeamigos.com.br. Vale conferir!

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moda e estilo

por Silvia de Castro

Ideias que facilitam o vestir

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m 13 de abril, ministrei uma palestra durante a REATECH, com o tema MODA INCLUSIVA. E o resultado foi extremamente interessante e diferente, pois desta vez o público, na grande maioria, era formado por fisioterapeutas, os quais conheceram um pouco mais sobre o resultado positivo que a moda inclusiva faz na vida das pessoas com deficiência, bem como dos cuidadores, sejam mães ou pessoas contratadas para estarem com pessoas cujas deficiências que não permitem que se vistam sozinhas. No final da palestra, alguns(as) fisioterapeutas vieram conversar comigo para compartilhar suas experiências e expectativas em relação ao tema. Obtive um feedback imediato, pois pude interagir com pessoas que convivem diretamente com as situações do dia a dia das pessoas com deficiência. Fantástico !

E como também não poderíamos deixar de falar de um dia tão especial comemorado no mês de maio, que foi o Dia das Mães, estas que inúmeras vezes abdicam de suas próprias vidas para acompanharem tratamentos, escolas e o dia a dia de filhos que apresentam alguma deficiência. Parabéns a estas guerreiras que trazem em seus corações um amor tão grande, que alteram o rumo de suas vidas com alegria para poder dar o melhor a seus queridos e amados filhos. Este artigo é dedicado para estas inúmeras mães maravilhosas, sugerindo algumas idéias de modelos de roupas que possam também facilitar o vestir. Em casos onde a pessoa não consegue vestir-se sozinha, necessitando que outra pessoa o faça, os desenhos deste artigo podem mostrar que existem formas de tornar isso mais fácil. Vejamos a seguir:

MODELO 1 – Camisa com abertura total nas costas (transpasse) O transpasse das costas é preso através de velcros colocados nos ombros. Frente

Costas

Detalhes do molde FRENTE 1 vez

MANGA 2 vezes

VISTA 2 vezes

COSTAS 2 vezes

GOLA 4 vezes

SUPORTE PARA A GOLA** 2 vezes

**Velcro aplicado na altura dos ombros (costas)


moda e estilo MODELO 2 – Jaqueta com abertura total nas costas (transpasse) e echarpe

MODELO 3 – Calça com fechamento entrepernas

Costas

Frente

O transpasse das costas é preso através de velcros colocados nos ombros.

Detalhes do molde Lateral da frente 2 vezes

Costas

Frente Meio da frente 4 vezes

Manga 2 vezes

Detalhes do molde Frente 2 vezes

Costas (transpassado)** 2 vezes

Encharpe 1 vez

Detalhe entrepernas 2 vezes

Costas 2 vezes

Cós traseiro 2 vezes Cós dianteiro 4 vezes Passante 1 veze

**Velcro aplicado na altura dos ombros (costas) (As franjas são aplicadas na echarpe)

Todas estas idéias mostram o quanto a moda inclusiva pode levar a praticidade na vida, tanto das pessoas com deficiência, como na vida destas mães e cuidadores no momento de vestir uma roupa. Ressaltando ainda que, além disso, contribui muito na melhoria da autoestima de quem usa esta moda, pois saber que é possível encontrar no mercado algo que melhore a qualidade de suas vidas, sem dúvida proporciona um resultado positivo também para toda a família e consequentemente, para a sociedade, pois esta passa a ser mais justa. Aproveitem estas idéias e coloco-me à disposição para

Obs.: Os bolsos são somente costuras (pespontos) imitando bolsos – não tem molde. O detalhe entrepernas é preso com colchetes de pressão na parte frontal

contato, seja através do meu blog ou pelo meu email. Abraços a todos e obrigada pelos momentos com vocês !

Silvia de Castro é consultora e estilista de moda, especializada em moda e estilo para pessoas com deficiência. Email: scestiloterapia@gmail.com Blog: www.estiloterapia.com.br

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relacionamento

Site de relacionamentos busca amor inclusivo !

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romover e facilitar a comunicação e o relacionamento entre as pessoas com deficiência. Com esse objetivo, o site www.amorespecial.com.br, que tem como lema “aqui o amor é incondicional”, resolveu entrar na rede no último mês de março. O grupo reúne quatro amigos, Victor Milanez Gigueira, Helton Dantas, Flavio Lopes e Marcos Lopes. Helton e Marcos têm deficiências físicas. A ideia foi de Helton, que já havia enfrentado problemas de relacionamento e discriminação por sua condição. Ele resolveu criar um site para que pessoas que passaram pela mesma experiência pudessem ter um canal sem qualquer preconceito. Procurou então, o amigo Victor, consultor de turismo, que logo abraçou a causa. Flavio e Marcos chegaram depois. “Graças ao nosso trabalho em equipe e a vontade de fazer diferença na vida das pessoas, conseguimos tornar realidade esse projeto”, conta Victor, o porta-voz do grupo. “Eu costumava navegar nesse tipo de site e essa lacuna das pessoas com deficiência sempre foi evidente”, justifica. Apesar de pouco tempo, o site tem uma média de seis a oito usuários novos por dia. “Com isso, já conseguimos gerar uma interação constante e diariamente renovada, pois novas pessoas chegam e estão dispostas a interagir”, garante o sócio. Ele explica que sites do tipo são comuns em Equipe do Site Amor Especial outros países, mas, no Brasil, o “Amor Especial” – como é chamado - é pioneiro no conceito, adaptando a ferramenta para uma fácil navegação dos usuários, com conteúdos diversificados, layout e menus personalizados. Mesmo tendo um público definido, o site é aberto a qualquer interessado. “Temos pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e sem deficiência procurando todos os perfis, ou seja, não é uma verdade absoluta que esses grupos somente querem se relacionar com pessoas nas mesmas condições”, explica Victor, para quem muitas amizades podem ser construídas, evoluindo para relacionamentos casuais ou mesmo sérios. “O que é notório é a vontade e necessidade das pessoas se relacionarem, pois existem dificuldades para o deslocamento com frequência, somando-se a isso os lugares sem preparação ou pouco acessíveis”, considera. A experiência dos sócios até agora revela que cada usuário tem uma busca e um motivo diferente, mas todos se preocupam quanto a uma menor exposição e maior confiabilidade. Por causa disso, Victor garante que o site é comprometido com a privacidade e segurança dos usuários e que reforçou a área de dicas e informações. O cadastramento é gratuito, mas o interessado pode optar por ser assinante. “Buscamos ser uma referência quando se trata de relacionamento através de um ambiente agradável, seguro e divertido”, diz Victor, que dá as dicas aos interessados: “Mande uma foto atual, seja você mesmo, dê um tempo para as pessoas lhe responderem, seja detalhista e alegre, diga exatamente o que está procurando e encontre características que mais lhe agradam!”

notas Pessoas com deficiência poderão se aposentar mais cedo

O projeto que concede o benefício foi aprovado no plenário do Senado em abril, e seguiu para apreciação na Câmara Federal. É um substitutivo do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) ao Projeto de Lei da Câmara 40/10 — Complementar. Originalmente, a matéria foi apresentada em 2005, pelo então deputado federal Leonardo Mattos (PV). A atual legislação previdenciária não estabelece nenhum critério especial para essas aposentadorias. Pelo projeto, haverá redução dos limites de tempo de contribuição e de idade. Em casos de deficiência grave, o tempo de contribuição para aposentadoria integral de homens cai de 35 para 25 anos. Para mulheres, de 30 para 20 anos. Para pessoas com deficiência moderada e leve, as novas condições passam a ser de 29 e 33 anos para homens e 24 e 28 anos para mulheres, respectivamente. Os novos limites para aposentadoria por idade, independentemente do grau de deficiência, caem de 65 para 60 anos para homens, e de 60 para 55 anos para mulheres — as mesmas condições para os trabalhadores rurais. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) irá atestar, por meio de perícia, o grau de deficiência. Um regulamento do Poder Executivo definirá os graus de deficiência como grave, moderada e leve para a aplicação da lei.

Atleta paralímpico ganha dia próprio O Brasil vai comemorar, pela primeira vez, a superação e as vitórias de seus atletas paralímpicos. A presidenta Dilma Roussef sancionou em maio, a Lei nº 12.622, que institui o Dia Nacional do Atleta Paralímpico, a ser comemorado anualmente em 22 de setembro. “A data foi muito bem escolhida. É logo após o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência, que remete à origem do Esporte Paralímpico, que adveio de um movimento de luta. Esse é um justo reconhecimento aos nossos atletas que representam um Brasil vencedor, que cresce na adversidade, se supera e vence”, afirmou Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). O Brasil está entre as 9 maiores potências nesses esportes e espera uma posição de destaque na próxima Paralimpíada de Londres, que será disputada de 29/08 a 09/09. Deverão participar 165 países, 19 a mais que na última edição em Pequim, em 2008. Serão 4.200 atletas nas diversas modalidades, número 10% superior. Depois de ficar em 14º lugar no número de medalhas em Atenas (2004) e em 9º na China, a meta brasileira neste ano é a 7ª posição.


l a i c e Esp


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Quais as condições das calçadas brasileiras?

equipe do portal Mobilize Brasil (www.mobilize.org. br) saiu às ruas de várias capitais brasileiras, entre os meses de fevereiro e abril, para descobrir a resposta. Afinal, calçadas em boas condições são fundamentais para todos que transitam nas ruas e podem se tornar verdadeiras armadilhas, especialmente para pessoas com alguma deficiência. Foram escolhidas ruas e áreas com alta circulação de pedestres, como estações de transportes, proximidades de hospitais e ruas comerciais de Porto Alegre/RS, Curitiba/PR, São Paulo/SP, Belo Horizonte/MG, Rio de Janeiro/RJ, Goiânia/ GO, Brasília/DF, Salvador/BA, Fortaleza/CE, Natal/RN, Recife/ PE e Manaus/AM. Entre os itens observados estavam irregularidades no piso, largura insuficiente, degraus, obstáculos como postes e bancas de ambulantes e jornais, rampas de acessibilidade e sinalização, entre outros.

Resultados

Mobilidade urbana O Mobilize Brasil, além da pesquisa sobre as calçadas, já realizou em 2011 um outro trabalho de destaque, o “Diagnóstico da Mobilidade Urbana Sustentável”. Souza conta que, de forma geral, todas as cidades brasileiras vão mal, pelo excesso de automóveis e pela prioridade que as autoridades dão aos veículos particulares. Os transportes públicos carecem de investimentos, não há metrôs, trens ou corredores de ônibus na maior parte das cidades. Também não há ciclovias e nem terminais que permitam a conexão entre ciclistas com outros

Fotos: Mobilize Brasil

A primeira conclusão é que, numa mesma cidade, há grande disparidade entre bairros e regiões. Um bom exemplo é Fortaleza/CE que recebeu nota média acima de 9 em algumas ruas, enquanto a região central ficou com a média 5,38 - bem abaixo da nota 7, que foi considerada a mínima para uma calçada de boa qualidade. Recife/PE teve nota 8,50 na Praia de Boa viagem e 3 na rua do Hospício, no Centro. Em São Paulo/SP, enquanto a Avenida Paulista tem uma calçada nota 10, a rua Darzan, em Santana, ficou com a nota 3,13 - e a região da rua 25 de Março, no centro, obteve média 5,14. E num mesmo quarteirão, no entorno da estação Santa Cruz do Metrô, há calçadas bem cuidadas, com notas 8,75 e outras cheias de falhas e obstáculos, que só conseguiram 5,63.

Depois da pesquisa publicada, o site, que tem patrocínio e apoio de pessoas físicas e empresas privadas, disponibilizou a página para que os próprios usuários façam suas avaliações. De acordo com Marcos de Souza, coordenador do Levantamento Calçadas do Brasil, jornalista, editor e porta-voz do Mobilize Brasil, a receptividade do público foi acima do esperado e há várias cidades, de diferentes pontos do país, que já aderiram à campanha, como: Ananindeua/PA, Porto Velho/RO, Teresina/ PI e no interior do Rio Grande do Sul. “Muitas pessoas encaminharam mensagens de apoio ou de repúdio à má vontade das prefeituras em responder às reclamações sobre a qualidade das calçadas”, explica Souza. “Da parte das autoridades, a única cidade a se manifestar foi o Rio de Janeiro, onde o prefeito Eduardo Paes anunciou o projeto Calçada Lisa. A maior parte dos prefeitos reiterou a tese de que a conservação das calçadas é compartilhada entre o poder público e o proprietário do imóvel”, conta o coordenador. A campanha segue até este mês de junho quando será fechado um documento que mostre como está a condição das calçadas em todo o país. Será entregue às prefeituras e ao Ministério das Cidades, com cópias aos Ministérios Públicos Federal e Estaduais, além da divulgação à imprensa.

Rua Rui Barroso - Manaus

Ladeira da Fonte - Salvador

Largo da Calçada, Cidade Baixa - Salvador


Foto: Cristina Gomes

Entorno da Rodoviária de Porto Alegre

Avenida Paulista - São Paulo

sistemas de transporte. “Criamos um ranking da mobilidade urbana entre onze cidades, mas não consideramos as redes de metrô porque poucas cidades têm esse sistema de transporte. Por causa disso, São Paulo teve a pior classificação entre as capitais avaliadas”, explica o coordenador. O objetivo do Mobilize agora é refazer esse estudo a cada dois anos e retomar a avaliação das calçadas. Também será estudada a acessibilidade no transporte para pessoas com deficiência e há possibilidade do desenvovimento de pesquisas e levantamentos para prefeituras, empresas e entidades que tenham interesse em mobilidade urbana.

Uma história que merece ser contada O que também chama a atenção no projeto é a própria ideia do portal e como ele surgiu. Por trás de toda a equipe está Ricky Ribeiro, jovem de 32 anos que há quatro foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Graduado em Administração Pública pela FGV-EAESP, com Mestrado em Sustentabilidade pela Universidade Politécnica da Catalunha (UPC,

Botafogo - Rio de Janeiro

Espanha) e MBA Executivo pela Universidade de Barcelona (UB, Espanha), Ricky tinha experiência em consultorias multinacionais (Ernst & Young e ICTS Global), trabalhando com sustentabilidade, prevenção de perdas e gestão estratégica, quando recebeu a notícia. A doença neurológica degenerativa causa atrofia muscular global enquanto a mente permanece intacta. Mesmo assim, ele continua trabalhando ativamente com auxílio da tecnologia e das pessoas que o cercam, como a mãe, Cristina Ribeiro, que conta: “Ele perdeu todos os movimentos e atualmente trabalha no Mobilize escrevendo com os olhos, graças a um equipamento. Ele, que está sem mobilidade, está pensando na mobilidade dos outros e lutando para que as cidades tenham transportes mais humanos e de melhor qualidade”. O Mobilize Brasil é uma realização da Associação Abaporu, da qual Ricky é sócio-fundador, sendo Cristina a diretora-presidente, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OCISP), fundada em 2003, que atua nas áreas de educação, cultura e cidadania.

São Paulo/SP: restaurante indiano foca na acessibilidade A adaptação de locais públicos para acesso a pessoas com deficiência caminha mais devagar do que é desejável, mas já há bons exemplos de estabelecimentos comerciais que se preocupam com a questão. Um exemplo é o Madhu, restaurante indiano instalado na capital paulista, que iniciou as atividades em janeiro de 2010. É considerado o primeiro “fast food” dessa especialidade no Brasil e, até onde os seis sócios sabem, também na América do Sul. Serve 12 combos, combinados que incluem pratos à base de carne, frango, cordeiro e peixe. O foco do restaurante é a culinária do sul da Índia que, apesar de ter aspectos vegetarianos muito fortes, não se restringe a eles. Os pratos são totalmente originais, exceto pela inclusão de saladas como opções para atrair o paladar brasileiro e utilização da pimenta à parte, também por conta da preferência do público. Em termos de acessibilidade, há rampa na entrada, cuidado com os pés das mesas para encaixe de cadeira de rodas e banheiro totalmente adaptado, obedecendo à legislação. Na montagem do estabelecimento, ajudou muito o fato de uma das sócias, a indiana Janaki Nayar, ser uma expert do tema. Ela trabalha em uma organização norte-americana, a Society for Accessible Travel & Hospitality - SATH, empenhada justamente

em disseminar por diferentes países a questão da acessibilidade no turismo. “Procuramos seguir todas as normas vigentes quando da construção do restaurante, levando em conta também as próprias limitações do ponto e a falta de auxílio dos demais agentes envolvidos, incluindo o poder público”, conta Leonardo Menezes, também sócio e dirigente do local. Ele explica que a preocupação com o tema quer mostrar que o Madhu está “antenado” com causas consideradas importantes para o novo milênio e procurando se preparar inclusive, para grandes eventos que o país vai receber nos próximos anos. Menezes espera “reforçar” a mobilização por parte das pessoas com deficiência para exigirem cada vez mais lugares adaptados e espera que elas prestigiem aqueles que já oferecem boas condições. Mais informações: www.madhurestaurante.com.br


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por Deborah Prates

Prédios Públicos deixam a desejar em acessibilidade

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legria, alegria ! Meu coração estava saltitante na noite do último dia 27 de abril, em razão da homenagem que receberia na Câmara dos Vereadores/ RJ. Meu nome figurava na relação das mulheres DONAS-DE-CASA que tiveram destaque hodiernamente. Tão feliz fiquei com a MOÇÃO HONROSA que entendi por bem dividi-la com TODAS as mulheres administradoras do lar com deficiência. Penso que a mulher é o alicerce da família, em todos os tempos. No princípio da escadaria de acesso à porta principal constatei o quão é verídico o dito popular: ALEGRIA DE POBRE DURA POUCO... No primeiro degrau perguntei pela rampa. Uma voz masculina respondeu que não havia. Ainda contente perguntei pelo corrimão para garantir a minha segurança na trajetória com meu companheiro, o cão-guia Jimmy. Um balde d’água fria ! Inexistia ! Nossa, quanta vergonha por um amigo com deficiência física, que estaria presente para me prestigiar ! Uma PcD constrangida perante outra, pela falta de HUMANIZAÇÃO ! Loucura total ! Sustentando um sorriso social, cumprimentei os semelhantes presentes e fui ter um “dedo de prosa” com uma funcionária pública de longa data, que disse amar de paixão a Câmara dos Vereadores/RJ. Indaguei-lhe sobre a ausência da acessibilidade física e comunicacional na entrada principal da “Casa do Povo”. Deixou transparecer sinal de insegurança no início do discurso. Disse que tinha uma certa cadeira para o acesso dos cadeirantes. - Cadeira ? Que cadeira é essa ? - Ah, não sei bem explicar ! Acho que a cadeira de rodas entra dentro dessa que nós temos. Não sei bem como funciona. - Mas e a falta do corrimão até para as pessoas, por exemplo, que sofrem de labirintite ? E a ausência do piso tátil para direcionar os usuários de bengala ao local correto da entrada ? Sem ter para onde correr, a pessoa, extremamente sem graça, deixou ecoar uma risadinha tímida diante da patética situação. Balbuciou a falta de verba. Que falta de sensibilidade dos HOMENS PÚBLICOS ! A cerimônia aconteceu como tantas outras e eu trouxe para casa a minha Moção. Trouxe também a dura realidade da total falta da ACESSIBILIDADE ATITUDINAL, como carro-chefe. Sem esta, claro que ausentes às acessibilidades física e comunicacional ! No dia seguinte conversei com alguns vereadores que me contaram que havia acessibilidade na entrada do anexo pela Rua Álvaro Alvim. Fiquei abatida ao ouvir que tratava-se de uma rampa de madeira do tipo “quebra-galho”. Ponderei sobre elevador adaptado, aliás, qualquer elevador ! Tantas evasivas que não entendi a real existência. Sendo mais incisiva, perquiri sobre a inexistência de uma programação visual nas entradas, de forma

a prestar à coletividade as informações básicas sobre os acessos para pessoas com deficiência. Sem resposta. Alguns profissionais ligados à construção civil relataram que algumas rotas de acessibilidade física foram traçadas para o trânsito no Palácio Pedro Ernesto. Todas iniciavam na Rua Álvaro Alvim e uma delas aproveitava um vazio existente na escadaria de serviço do anexo, muito bem localizado, onde facilmente, poderia ser instalado elevador ao público “diferente”, para acessar TODOS os Pavimentos do Palácio, valendo dizer, do plenário até as “arquibancadas”. Essa adequação ainda serviria para o transporte de materiais de toda ordem, de maneira a racionalizar o investimento, facilitando, inclusive, a vida dos funcionários. Outro projeto previa rampa para vencer alguns degraus de acesso aos elevadores do Anexo da Câmara e, de lá, até o prédio principal. Certo é que tantas propostas de HUMANIZAÇÃO e cumprimento da legislação vigente não prosperaram por “n” razões infundadas. Até hoje os Srs. Vereadores - eleitos pelo Povo - insistem em afirmar que há acessibilidade ! Nítido que não sabem nem o que é ! E não venham com a desculpa esfarrapada que é um BEM TOMBADO e que, por isso, não pode ser mexido/adaptado. Normas Regulamentadoras existem para as cabíveis e HUMANAS adequações. Pessoas COM deficiência não podem permanecer INVISÍVEIS ! Nessa “Casa do Povo” os cariocas comparecem para acompanhar e PRESSIONAR o trabalho dos Srs. Vereadores. Será essa uma forma de nos CALAR ? Fato é que o “HOMEM PÚBLICO” não tem propriedade de perceber as modificações do meio externo ou interno e de reagir a elas de maneira conveniente. Uma cidade acessível é para TODOS e não apenas para as pessoas com deficiência. Amigos leitores, reflitam se é de interesse dos “HOMENS PÚBLICOS” informar/educar o Povo. Aliás, seria de bom tom que TODOS, antes de serem empossados, fizessem uma PROVA sobre os DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA. Se reprovados, não tomariam posse. Simples, né? Deixo-os na companhia de Alexandre Graham Bell: “Nunca ande pelo caminho traçado, pois ele conduz somente até onde os outros foram.”

Deborah Prates é advogada e delegada da Comissão de Direitos da Pessoa com Deficiência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RJ). Mantém um blog em que trata de questões sobre os direitos dessas pessoas (http://deborahpratesinclui.blogspot.com/)


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Porto Alegre/RS: um taxista preocupado com a acessibilidade José Cestari dirige seu táxi há 19 anos em Porto Alegre/RS e, desde 2002, exerce sua atividade junto à Estação Rodoviária da cidade. Seria mais um entre tantos profissionais, não fosse seu interesse pelo turismo e por considerar que o motorista deve deixar de ser apenas uma condutor, para se tornar um “protagonista de sua cidade”. Além de dirigir seu carro modelo 2009/10, com Gás Natural Veicular (GNV), ele faz palestras motivacionais para outros taxistas. Por conta disso, já esteve em mais de 87 cidades brasileiras, realizando cerca de 100 palestras para quase 3 mil colegas. Entre os muitos eventos que compareceu como palestrante e debatedor, esteve no Primeiro Fórum Nacional dos Taxistas, no Rio de Janeiro, no Simpósio Internacional de Ecoturismo, em São Paulo, em 6 edições do Salão Brasileiro de Turismo e em 4 edições da Feira de Produtos e Serviços para Táxi. Seu projeto “Taxi Turismo” está inscrito na CFM (Cities for Mobility) em Stuttgart (Alemanha), organizadora da Copa 2014. Ele foi indicado para fazer palestras para os taxistas das 12 cidades sede brasileiras. Por reivindicação dele, o deputado federal Afonso Hamm (PP/RS) se reuniu com o assessor especial do Ministério do Turismo, Rodrigo Lamego, para reivindicar a priorização de programas de qualificação profissional de atendimento aos turistas, em especial para os taxistas das cidades-sedes da Copa das Confederações e Copa do Mundo. “Um dos primeiros contatos dos turistas é com os taxistas”, afirma Cestari. Nesse sentido, ele considera de fundamental importância qualificá-los. Cestari não tem deficiência, mas usa bengala por ter rompido o ligamento patelar esquerdo. A preocupação com a questão está presente em seu trabalho como palestrante. Ele diz que o tema da acessibilidade só recentemente começou a ser mais discutido pela sociedade. “Falo que, quando uma pessoa

com deficiência faz sinal para o taxi, ele tem de parar e, se não parar, pode ser chamado pela EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação) para explicar qual o motivo de não ter parado”, afirma o motorista gaúcho. Ele ressalta que muitos carros com GNV no porta-malas acabam não tendo espaço para levar uma cadeira de rodas, mas o motorista deve explicar à pessoa. “Mostro dois DVDs, um dos taxis de Nova York e outro de Londres, que têm equipamentos de acessibilidade, sendo exemplos de taxi no mundo”, conta Cestari. Ele acredita que os prefeitos dos municípios brasileiros devem se preocupar um pouco mais com acessibilidade em suas cidades, colocando opções para o transporte de pessoas com deficiência, como: táxis, vans, ônibus e veículos especiais. Em Porto Alegre/RS, por exemplo, ele conta que começou em abril um processo de escolha de novos permissionários de táxi com acessibilidade, contendo plataformas para pessoas em cadeiras de rodas. Especialista em levar turistas, Cestari afirma que uma cidade do Brasil se mostra preocupada com a acessibilidade: Socorro/SP. “Deve ser a cidade mais preparada para receber essas pessoas e também a cidade de Caxias do Sul/RS, por meio da Secretaria de Turismo, que está tendo muito interesse em fazer uma cidade receptiva para esse publico residente e o turista/passageiro”, afirma. Para a Copa, ele sugere que deveria haver uma secretaria exclusiva para cuidar da acessibilidade, que recebesse os turistas nas cidades em que ocorrerão treinos e jogos e que o responsável fosse uma pessoa com deficiência: “pois somente ela sabe das dificuldades”, explica Cestari.


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por Frederico Viebig

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O Contraste Tátil

s contrastes táteis são percebidos fundamentalmente pela pele, através das terminações nervosas, com seus reflexos condicionados ou não. São especialmente importantes nas Pessoas com Deficiência Visual, que por meio das diferenças de tato, percebem o ambiente. Certas diferenças são fáceis de entender quando se associam pequenos volumes a formatos cotidianos, como por exemplo, formatos de frutas, legumes e talheres, entre outros. Naturalmente, há todo um processo educativo especialmente para as pessoas que já nasceram cegas. A aculturação e inclusão social desses grupos de pessoas, passa necessariamente pela possibilidade de comunicar-se com os demais grupos e obter informações que permitam o entendimento e convivência no ambiente. Embora toda a pele possa ser utilizada como meio sensitivo, as mãos são especialmente importantes, pois que são tentáculos que recebem estas informações à distância formando assim uma espécie de barreira ambiental de proteção. Os membros inferiores (pés), embora também tentáculos, são de baixa qualidade nervosa. Assim, transferem-se para as mãos a responsabilidade sensitiva de maneira geral. A forma mais clara desta troca de informações, pelo tato, se dá pela Linguagem Braille. Esta linguagem estabelece uma série enorme de códigos definidos por pontos em relevo que são reconhecidos e decodificados pelo cérebro transformando-se em números, letras, palavras e frases. O “Braille” é uma linguagem bastante desenvolvida com uma amplitude universal e pode ser “lida” e entendida em qualquer língua. O ponto em relevo, que é o princípio do Contraste Tátil do Braille, tem formato e dimensões definidas, gerando a maior facilidade possível de reconhecimento destes relevos, dada a sensibilidade tátil da almofada dos dedos do leitor em Braille. Pontos suaves e bem definidos facilitam a leitura e não causam estresse da leituAplicação típica de Informação em Braille associada a informação textual romano em relevo

Formato da Celas Braille

ra, visto que a decodificação e agrupamento de palavras e frases dependem sempre de tempo longo de contemplação. Outras formas de relevo têm sido desenvolvidas em várias partes do mundo, especialmente os pisos táteis, que nada mais são que aplicação de relevos nos solos para orientação e direcionamento, criando planos adjacentes com diferentes texturas para reconhecimento. Sendo uma forma nova de comunicação, ainda carece de uma linguagem bem definida. Diversos países têm desenvolvido formatos diferentes para os relevos e consequentemente seus contrastes. Em princípio poder-se-ia imaginar que os pisos em relevo fossem reconhecidos e “lidos” pelos tentáculos inferiores (pés), porém estes são de reconhecimento pobre dada às infinitas diferenças de relevo nos ambientes, diferença enorme dos calçados e mesmo que esses não existissem a própria sola dos pés gera uma camada grossa de baixa sensibilidade para proteção do corpo no ato de caminhar. Adicionalmente o reconhecimento do ambiente com uma barreira de proteção maior é desejável ao ser humano, o que é obtido por meio do uso de bengalas longas que aumentam o raio de ação desta barreira de proteção. Portanto, a “leitura” tátil do ambiente por meio de uma bengala é uma prática comum transferindo-se a informação do relevo para as mãos (tentáculos) superiores.

Aplicação do contraste O Brasil adotou desde as primeiras normalizações, dois tipos de relevo. O Tronco-cônico e o Linear. A combinação de quantidades e disposição destes, se traduzem em formas de relevo bem definidas que permitem o reconhecimento e a formação de uma Linguagem Tátil. Diferentemente da Linguagem Braille, carece ainda de muito estudo e um processo educativo amplo que permita sua utilização como linguagem adequada à sinalização tátil. A ansiedade dos grupos de cegos que desejam alguma linguagem de solo tem levado, muitas vezes, a aplicações bastante equivocadas, o que frequentemente descaracteriza a informação e como consequência, faz com que este tipo de sinalização perca seu crédito junto ao usuário. Por outro lado os arquitetos dos ambientes na vontade de promover a utilização desta forma de comunicação aplicam-no de forma indiscriminada sem análise correta do benefício a ser advindo desta aplicação. No Brasil temos duas normas que tratam a respeito: A NBR 9050, norma especificadora dos tipos e formatos, e um Projeto de Norma que está em Consulta Nacional, ainda não homologada, que orienta como esta linguagem tátil deve ser utilizada. Entendo que em breve deveremos ter uma norma


89 que regulamente o desempenho destes relevos no solo, pois que interferem não apenas na leitura correta das informações pelos cegos, mas também aos transeuntes comuns como barreiras e armadilhas arquitetônicas. Condições de tropeços, quedas em piso molhado, calçadas mal conservadas etc, devem ser objeto de constante observação.

Os Materiais Os materiais utilizados na construção dos “pisos táteis” incorporam dois fatores de percepção ao mesmo tempo. O contraste tátil e o contraste visual. Desta forma, em uma mesma peça obtém-se a construção de uma linguagem que favorece a todas as pessoas com deficiências visuais. Importante lembrar que da visão perfeita à cegueira é uma questão de escala, em que nos situamos momentaneamente. Poeticamente podemos dizer que ao longo da vida caminhamos para a escuridão! Assim, há diversos desenvolvimentos de pisos, desde os cimentícios aos plásticos. Todos têm qualidades cuja aplicação interage com o ambiente de alguma forma positiva, mas nenhum deles se apresentou ainda como solução definitiva.

Por estas razões os Pisos Táteis têm grande importância uma vez que, por combinarem dois fatores de contraste ao mesmo tempo – Contraste Visual + Contrate Tátil – tornam-se especialmente interessantes. Arquitetos e engenheiros: unam-se na criação de ambientes seguros e de bem estar para qualquer pessoa. Ou seja, deixemos “O Mundo Todo para Todo Mundo” !!!

Os equipamentos de medição A medição dos relevos é bastante fácil de executar. Paquímetros ou mesmo réguas simples permitem analisar e verificar se os relevos dos tronco-cônicos ou relevos lineares estão de acordo com as normas, e mesmo se a disposição entre eles está adequada.

Frederico Viebig é engenheiro e diretor geral da Arco Sinalização Ambiental, e coordenador da ABNT - CB-40 - CE.01 - GT Sinalização.


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por Luciene Gomes

Fotos: Cristina Gomes

Apesar da norma, pedestres enfrentam problemas nas calçadas

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om o crescimento desordenado das cidades, é muito comum observarmos a má utilização dos espaços públicos e, ao percorrê-los, percebe-se o caos que impera nessas paisagens onde a existência de barreiras urbanísticas dificulta a acessibilidade de qualquer cidadão, ainda mais se forem pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. A apropriação inadequada desses espaços pode ocorrer de diversas maneiras: equipamentos urbanos, vegetação, bancas de jornal, mesas de bares que obstruem a passagem e o uso inadequado de atividades comerciais nos espaços de circulação, são alguns exemplos de como a má utilização desses locais pode dificultar ou impedir a mobilidade urbana. Mas são nas calçadas onde ocorre grande parte do desrespeito ao pedestre quando ocupadas de forma irregular e, muitas vezes, sem a autorização do poder público. A falta de fiscalização e o descumprimento das Leis agravam ainda mais essa situação. Além de locais de circulação, as calçadas são espaços de sociabilização, devendo ser acessíveis e seguras, portanto um bom desenho de calçada deve considerar:

Fonte: NBR9050/2004

uma faixa de serviço próximo à rua, destinada à instalação de equipamento e mobiliário urbano, vegetação, rampas de acesso; uma faixa central contínua e livre de qualquer obstáculo, com no mínimo 1,20m. Em calçadas com mais de 2,00m de largura, deve haver uma faixa de acesso contínua ao imóvel ou terreno, usada para abrigar floreiras, por exemplo. O piso deve ser antiderrapante, sem desníveis, com guias rebaixadas para facilitar o acesso de cadeirantes, mães com carrinho de bebê etc. E qualquer projeção (como por exemplo, um toldo), deve respeitar uma altura livre de 2,10m. Outros obstáculos encontrados em grande quantidade pelas cidades são os tapumes, entulhos, caçambas e materiais de construção que ocupam calçadas e algumas vezes até as ruas. A NBR9050 prevê que nestes casos, seja feito um desvio pelo leito carroçável da via sinalizado e com rampa provisória, mas raramente a norma é cumprida. A autorização para utilização do espaço público, tais como ruas, praças, calçadas, deve ser solicitada ao órgão competente de cada município, já que é preciso uma avaliação da viabilidade do uso desses locais. A dificuldade do pedestre em trafegar pelas cidades por conta dos obstáculos encontrados torna esta condição nada ideal, muito perigosa. A busca de uma cidade mais inclusiva deve respeitar o espaço público e torná-lo acessível a qualquer cidadão. Luciene Gomes é cadeirante, arquiteta e urbanista, sócia do escritório “Plano Livre - Arquitetura e Acessibilidade”, especializado em projetos acessíveis e consultoria, e mestranda na Universidade Federal de São Carlos/SP (UFSCar)


EMPHASIS

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por Wiliam César Alves Machado

Acessibilidade: da Retórica aos Fatos

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cada dia que vejo nos noticiários dos jornais e demais mídias, matérias que denunciam a falta de acessibilidade para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida nas cidades brasileiras, e mais fico certo de que iniciativas para eliminar essa questão tão presente nos discursos das elites dominantes da classe política se perpetuam na conivência dos próprios gabinetes, talvez por receio de implementar medidas que possam comprometer seus anseios eleitorais. Isso mesmo, uma desfaçatez que se caracteriza pelo total bloqueio da coerência entre discurso e prática política, ainda que se trate de medidas fundamentalmente legais. Fico envergonhado ao ver que as pessoas ainda enfrentem dificuldades de circular com autonomia nas calçadas da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo. A “Cidade Maravilhosa”, mas com calçadas verdadeiramente caóticas, armadilhas à espera da próxima vítima, seja por seus inúmeros buracos, desníveis, degraus, seja pela presença de postes, desvios, bugigangas, anteparos de toda sorte. Isso as vésperas de dois grandes eventos internacionais que atraem atenção do mundo para nossas belezas naturais, para o emblemático crescimento da nossa economia em tempos sombrios para tantos países do chamado mundo desenvolvido. Da mesma forma, estejamos certos, inseguros quanto ao que poderão encontrar aqui, no Atlântico Sul. O péssimo estado de conservação das calçadas e a degradação em termos de mobilidade urbana não são exclusividade das grandes regiões metropolitanas do Brasil. Pode ser constatado nos mais de 5 mil municípios brasileiros, em maior ou menor proporção, mas, sempre evidente. Assim como é regra a falta de oportunidade nos mais diversos setores da sociedade para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. Constrangedora mesmo é a situação enfrentada por cadeirantes que dependem do transporte público e são insultados por motoristas, cobradores e demais usuários do sistema, pelo fato

de o equipamento não funcionar no embarque e desembarque, acabando culpados pelo eventual atraso dos demais em seus compromissos. Manifestação do que há de pior em cada ser humano, intolerância, insensibilidade e falta de empatia. Como se não tivéssemos direito de cidadania. De viver em plenitude. Olha que fomos signatários e aqui até existe Decreto Presidencial que ratifica a Convenção das Nações Unidas sobre Direitos das Pessoas com Deficiência. Direito de ir e vir teoricamente assegurado por dispositivo legal com valor de Emenda Constitucional, que emperra na inoperância da mentalidade politiqueira tupiniquim, das maquiagens e arranjos políticos, enquanto milhões de brasileiros amargam vivências no transporte coletivo inacessível, perdem anos em escolas excludentes, não ocupam vagas de trabalho por exclusiva falta de qualificação e escolaridade, não recebem atendimento digno nos serviços de saúde, não desfrutam dos mesmos direitos dos demais em atividades esportivas, de lazer e cultura. Tudo isso por absoluta falta de políticas públicas claras, objetivas, responsáveis, comprometidas com a diversidade da condição humana. Afinal, o que foi feito dos compromissos protocolares? Onde se aplicam as disposições legais? Até onde se pode suportar tanto desrespeito? Como milhões de atentos cidadãos e cidadãs nesse país, podemos mudar o rumo dessa história. Vamos começar ? Como disse o poeta, “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

Wiliam César Alves Machado é professor/doutor, cadeirante e Secretário do Idoso e da Pessoa com Deficiência de Três Rios/RJ


notas REACESS 2012

Rio de Janeiro terá feira para pessoas com deficiência

A IV Feira Nacional de Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade - REACESS está marcada para o período de 29 de junho a 01 de julho, no Rio Centro, Rio de Janeiro/RJ. O evento é organizado pelo mesmo grupo que comanda a Reatech, em São Paulo, o Cipa Fiera Milano. Com a iniciativa da Prefeitura do Rio, a mostra tem promoção do Grupo Miksom. São esperados 90 expositores que apresentarão produtos e serviços destinados a pessoas com deficiência, familiares e profissionais do setor. Estarão representados, além dos mais expressivos fabricantes de diversas áreas, agências de emprego, instituições financerias, terapias alternativas, turismo e lazer. A exemplo da Reatech, haverá também palco para shows, palestras, equoterapia, pista para test-drive de veículos adaptados e quadra esportiva. Destaque para o Seminário de Tecnologia dos Expositores - Reashow, em que eles poderão fazer palestras sobre seus produtos e linhas de atuação em um auditório especialmente preparado. “Todos os dias, 500 pessoas adquirem algum tipo de deficiência. O mercado e as grandes capitais do país precisam acompanhar essa demanda por produtos e serviços”, destaca José Roberto Sevieri, presidente do Grupo Cipa Fiera Milano. Mais informações em http:// www.reacess.com.br A entrada para o evento é gratuita e ele acontece das 13 às 20h no dia 29 de junho, e nos dias 30 de junho e 01 de julho, das 10 às 19h.

Doações podem ser deduzidas no Imposto de Renda

O Governo Federal abriu a possibilidade de empresas e pessoas físicas deduzirem do Imposto de Renda doações ou patrocínio a instituições filantrópicas dedicadas ao tratamento de câncer e reabilitação de pessoas com deficiência. Essas doações e os patrocínios entram no cálculo do abate no imposto limitado a 6% para a pessoa física e 4% para empresas, conforme a Medida Provisória 563, publicada em 4 de abril no Diário Oficial da União. A MP cria os programas Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (PRONON) e de Apoio à Saúde da Pessoa com Deficiência (PRONAS/PCD), que possibilitam as deduções. Elas poderão ser feitas na declaração do IR de 2013, que trará os dados financeiros dos contribuintes deste ano. A doação pode ser feita por meio de quantias em dinheiro, transferência de imóveis, cessão de equipamentos, pagamento de despesas de conservação e reparo de móveis, imóveis e equipamentos e fornecimento de remédios, alimentos e material de uso hospitalar. Segundo o Ministério da Saúde, a ideia é captar recursos para ampliar a oferta de diagnóstico e tratamento de pessoas com câncer e aumentar o acesso à reabilitação e adaptação de pessoas com deficiência por meio do uso de órteses, próteses e outros meios de locomoção.

Inclusão e acessibilidade na festa junina pernambucana

Caruaru/PE, no agreste do Estado, conhecida como a “capital do forró”, promete muita animação até o final do mês com o tema “São João com Direitos Humanos”. A ênfase é na campanha contra a exploração sexual de crianças e adolescentes. As pessoas com deficiência são lembradas no “Camarote da Acessibilidade”, com 900 vagas, disponível para que seja possível a participação na festa com todo conforto. No ano passado, foram distribuídos convites entre as várias entidades do setor mas agora foram também disponibilizados 100 lugares para demanda espontânea, com inscrições via ouvidoria da secretária de Desenvolvimento Social

e Direitos Humanos (SEDSDH). A previsão é receber no local pessoas com deficiência das cidades de Bezerros, Gravatá, Santa Cruz do Capibaribe, São Caetano, Altino, Agrestina, Garanhuns, Rio Formoso, Riacho das Almas, Surubim, Limoeiro, Olinda, Recife, Vitória de Santo Antão, Abreu e Lima, Camaragibe, São Lourenço da Mata, em Pernambuco, e até dos municípios da Paraíba e de Alagoas. O camarote tem posição privilegiada em relação ao acesso e ao acompanhamento de shows do palco principal do Pátio do Forró. A SEDSDH já realizou o Camarote da Inclusão no Galo da Madrugada, no Recife/PE e o Projeto “Paixão pela Acessibilidade”, garantindo equipamentos de áudio descrição para cegos e libras para surdos poderem assistir a Paixão de Cristo, de Nova Jerusalém, ambos por dois anos e no Recife pela primeira vez em 2012.

Novo portal tem acessibilidade como tema

O portal “Atitude Inclusão” (www.atitudeinclusao.com.br) é uma iniciativa da Fundação para o Desenvolvimento da Tecnologia, Educação e Comunicação (FUNDETEC) e reúne informações variadas sobre o tema central, com notícias e serviços de conteúdo colaborativo que abordam educação, esporte, lazer, dicas de livros, comportamento, agenda de eventos, políticas públicas, saúde e trabalho. Lançado oficialmente em março passado, o portal traz ainda endereços de clínicas médicas, instituições sociais, de ensino e órgãos públicos. Disponibiliza vídeos de interesse, legislação e banco de vagas. Tem como parceiros de conteúdo o Instituto Paradigma, o Vez da Voz e a Associação Desportiva para Deficientes (ADD). Segundo o coordenador do projeto, Dirceu Pereira Júnior, o objetivo principal do portal é “contribuir para a inclusão social das pessoas com deficiência por meio da disponibilização de informações e serviços úteis e promover ações que estimulem a conscientização popular e o debate sobre a diversidade”. Para a diretora-executiva da FUNDETEC, Juliana Grasso, “a ação está alinhada com a missão da FUNDETEC de utilizar recursos tecnológicos para elevar o nível de igualdade social e qualidade de vida das pessoas”.

Governo Federal destina verbas para rede de saúde

O Diário Oficial da União publicou, em abril, duas portarias: a primeira institui a rede de cuidados à pessoa com deficiência e a outra cria incentivos financeiros de investimento e de custeio para a rede. As ações fazem parte do Viver Sem Limite - Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, lançado em 2011, que vai investir nos próximos 3 anos R$ 7,6 bilhões. Deste montante, R$ 1,4 bilhão será destinado ao eixo da saúde. De acordo com informações do Ministério da Saúde, a rede tem como objetivo ampliar o acesso e qualificar o atendimento às pessoas com deficiência temporária ou permanente, progressiva, regressiva, ou estável; de forma intermitente ou contínua no SUS; ampliar a oferta de Órtese, Prótese e Meios Auxiliares de Locomoção (OPM), dentre outros. Já em 2012 o Ministério da Saúde pretende investir aproximadamente R$ 250 milhões a mais que ano passado, quando foram investidos R$ 641 milhões na Saúde da Pessoa Com Deficiência. A verba promoverá, ainda segundo a portaria, a construção, reforma ou ampliação dos Centros Especializados em Reabilitação (CER) e do serviço de oficina ortopédica e aquisição de equipamentos e outros materiais permanentes. Com ela também será possível custear o funcionamentos dos novos CERs, com valores que variam R$ 140 mil a R$ 345 mil por mês. Os CERs são considerados uma das novidades do programa e são serviços que agregam tecnologia para atender às várias modalidades de reabilitação de modo integrado para os diferentes tipos de deficiência. Até o fim 2014 está prevista a criação de 45 CER (sendo 22 qualificados). Para facilitar o acesso e a frequência da pessoa com deficiência aos locais de reabilitação, os CERs garantirão o transporte. A meta inicial é adquirir até 2014, 88 veículos adaptados para transportar pessoas com deficiência.

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sensualidade

foto: Kica de Castro

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Anny Souza Tetraplégica 32 anos Salvador/BA

A atitude sensual é aquela que nos torna verdadeiramente conscientes do “sentir”, e nos convida a estar presentes com todo o nosso “Ser” quando tocamos, ouvimos, olhamos, falamos e percebemos aromas e odores...


Reação 86  

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