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CONTENTS 04 Doomal - nova coluna 07 Thin Lizzy 11 World Metal 15 Metal Force Trauma 21 capa - Lacuna Coil 27 1º Black Moon Fest 35 Suprema 41 U2 e Michel Teló? 43 O que estou ouvindo? EXPEDIENTE Direção Geral Pei Fon

Divulgação

Revisão Yzza Albuquerque Capa Pei Fon Equipe Daniel Lima Jonas Sutareli Lucas Marques Pei Fon Yzza Albuquerque Colaboradores Breno Airan João Marcello Cruz Rodrigo Bueno Thiago Santos (Ilustração) Agradecimentos Pollyanne Costa Reign in Metal - Cris Loureiro e Welerson Campos e Silva CONTATO Email: contato@rockmeeting.net Facebook: Revista Rock Meeting Twitter: @rockmeeting Veja os nossos outros links: www.meadiciona.com/rockmeeting

Lacuna Coil


EDITORIAL

Resgate Para qualquer lugar que olhamos, há sempre alguma coisa que você gostaria de resgatar. Sempre há. É inevitável. Reflita um pouco. O que te deu mais alegria, vivacidade, brilho, que gostaria de tirar do passado e transportar para o hoje? ... É, são tantas coisas. Ao iniciar este ano apocalíptico, para os que gostam de profecias, parece que o sentimento do passado retornou, e com bastante força. Não é de agora que se ouve estes rumores, não é de agora que algo está incomodando no interior de cada indivíduo. Incrivelmente, quem pode estar presente no último dia 12, pode lembrar como era o som da Black Verses. Muito tempo parados, e atenderam ao chamado da música.

Agora, te faço a breve pergunta: o que quer resgatar? Responda para si. É um ato de reflexão e amadurecimento, ao mesmo tempo. Não é apenas musicalmente, o que está sendo cogitado aqui. O exemplo foi dado, resta a você colocar em prática. Não é uma fórmula, não é uma lição de vida, só estamos querendo te fazer lembrar o que realmente importa e importou para cada um que aqui ler este editorial. Não adianta fugir do passado se ele está mal resolvido. Resolva-o. Busque respostas. Cresça. É fácil? Não. Mas tente! São com tentativas que nos tornamos incríveis. E se não fizer nada, não tem problema. Ou há problema. Procure o que seja melhor segundo seu julgamento. Porém, antes disso, resgate quem você deixou lá atrás.


Por Rodrigo Bueno

(Funeral Wedding | requiem@funeralwedding.com)

As raízes gélidas

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ara este primeiro texto “regionalizado”, deveríamos começar pelo nosso ensolarado e não menos depressivo país, mas ainda há muitas informações desencontradas e, para não ser injusto com ninguém, até concluir as pesquisas, decidi começar falando do cenário finlandês, que sempre foi um dos mais pró-ativos em todo o segmento metálico, seja ele do mais pútrido black metal até o metal sinfônico. E com o doom metal não seria diferente, vide a vasta gama de bandas já vindas desde o final da década de 1980 até os dias atuais. Começando por aqueles que se intitulam como a primeira banda de doom metal finlandesa: “Spiritus Mortis”. Praticante de um epic doom com fortes influências de Candlemass e heavy metal tradicional, gravaram diversas demos, 8 no total, sendo a primeira já no início da década de 1990 e a última em 2002. No ano de 2004 debutaram em seu primeiro full length. Hoje, a sua formação conta com Sami Hynninen nos vocais, que ficou bem conhecido na cena doom por ter feito parte do grandioso “Reverend Bizarre”. Antes dela, tivemos a banda Oppression, com seu death/thrash com elementos doom, e não sei se podemos incluir nessa lista, enfim...

Spiritus Mortis

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Já na sonoridade mais extrema, ou seja o death/ doom, podemos constatar o surgimento, em 1988, com o “Holy Hell”, tendo seu primeiro registro em 1989, e que posteriomente se tornaria o “Unholy”, em 1990. Outra banda que começou em 1988 foi a “Sceptical Schizo”, que tinha um approach voltado para o death/ thrash e que, já em suas primeiras demos, foi incorporando elementos do atmospheric doom, até mudar o nome para “Lavra”, onde lançou um material chamado “Bluenothing”, para, logo em seguida, encerrar as atividades. A partir da década de 1990, que a coisa por lá começou a tomar forma com o surgimento do conhecido “Thergothon” e o não muito “Rippikoulu”. Podemos afirmar que o “Thergothon” foi o pioneiro do funeral doom que conhecemos hoje, tamanha era a sua “lentidão”, principalmente para aqueles tempos. Já o “Rippikoulu” veio de uma linha “punk & metal”, talvez a mesma seguida pelo “Impaled Nazarene”, e foram incorporando elementos doom em seu som. Esses finlandeses foram a primeira banda de metal extremo a cantar em sua língua natal. Em 1991 tivemos o surgimento de duas importantes bandas do funeral doom, “Unburied” e “Skepticism”. O “Unburied” tocou seu funeral doom em seus dois primeiros registros e em sua última demo, “Motherlove”, já continha elementos industriais/experimentais e noise. Já pelos lados do “Skepticism”, tivemos os primeiros esboços do funeral doom orgânico que tocam hoje. O meu primeiro contato com esse som foi após receber um catálogo da Sound Riot, e a descrição do material era essa: “Funeral Doom ultra lento da Finlândia”. O “Skepticism” era uma banda exclusivamente de estúdio. Após o lançamento do álbum “Farmakon” eles resolveram fazer algumas tours, e parece que tomaram gosto pela coisa. Ainda pelos lados do funeral doom, temos o “Faltomy”, que lançou apenas uma demo em 1992, outra

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banda que sucumbiu pouco tempo após. Esta banda continha o baterista Mikko Laine, que também fez parte de um dos grupos mais “originais” oriundos das terras geladas, o “Decoryah”. Apesar de rotularem o som como gothic metal, em muito tem de atmosférico/ doom/progressivo, e sinta-se felizardo aquele que possuir o clássico “Wisdom Floats”. Uma pena que a banda encerrou as atividades anos mais tarde. Outra banda que merece destaque e tem seu futuro indefinido é o “Corpus Omni Domini”, ou somente C.O.D., com um belíssimo death/doom melodioso. É até inacreditável que estejam nessa indefinição, e também por nunca terem lançado um full length, apenas 2 demos e um EP. No ano de 1994, tivemos o surgimento de um dos maiores “gênios depressivos” de todos os tempos: falo do multiinstrumentista Juhani Palomäki. Formando primeiramente a banda “Flegeton”, onde fazia um doom/ death metal, para posteriormente formar o grande “Yearning”. Um pouco antes, Juhani ensaiou com a banda “Autumnal”, participando como baterista. Lançaram apenas uma demo, e segundo o site Metal Archives, a banda está “em espera”. Durante a indefinição da continuidade do “Yearning”, Juhani comandou um novo projeto funeral doom chamado “Colosseum”, e teve seu último registro lançado após a sua morte, em 2010. Por volta de 1995, tivemos o surgimento

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da banda “Kaamos”, que foi outra com apenas um registro e que sucumbiu. A demo lançada com apenas 2 músicas tem uma pegada doom/ death, e com certeza teria rendido ótimos frutos se tivesse continuado. Voltando ao “lado negro da força”, temos a one-man band “Pohakka”, que lançou apenas 2 demos, com uma música em cada, que variavam entre 18 e 14 minutos e levavam um black/doom metal arrastado e depressivo, no que hoje poderia ser chamado de depressive black metal. Em 1998, tivemos o surgimento do “Raven”, que foi o embrião de uma das bandas mais aclamadas dentro do funeral doom metal, sendo referência para muita gente nos dias de hoje, a “Shape of Despair”. Em sua demo de 1998, temos alguns sons que, anos mais tarde, debutaram em seu primeiro CD, já sob o nome do “Shape”. Poderia ficar aqui por horas, comentando sobre essa cena em específico, e sei que muitas bandas acabaram passando batido, algumas por não ter conhecimento, e outras pelo próprio esquecimento; mas, através deste documento, já podemos ter uma ideia do que acontecia no underground finlandês, do final da década de 1980 até o final dos anos 1990. Numa outra oportunidade, poderemos abranger mais a fundo algumas bandas, e também o que ocorreu no cenário, nessa última década. Stay Doom!


700x Thin Lizzy Gravações inéditas, versões para músicas já consagradas e demos foram ‘encontradas’ em baú de amigo de Phil Lynnot Por Breno Airan

(@brenoairan | brenoairan@ hotmail.com)

Fotos: Divulgação

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A notícia estava num periódico do início de janeiro: mais de 700 gravações inéditas do Thin Lizzy haviam sido descobertas em um baú. A capa do Belphast Telegraph, da Irlanda do Norte, estampava a novidade, de bom grado. Dia 4 de janeiro, fazia-se 26 anos da morte de Phil Lynnot, cantor, baixista e compositor de uma das bandas de Hard Rock mais importantes daquela região. As gravações foram feitas antes de 1986, ano que o frontman deixou o mundo do Rock N’ Roll ainda mais preto, depois de uma terrível pneumonia, seguida de falência múltipla dos órgãos. Elas estavam sob os cuidados de um fã e amigo de Lynnot, que só agora resolveu vir a público e noticiar o fato. Há canções alternativas de hits consagrados, além de músicas inéditas desde o primeiro e homônimo play ao álbum “Renagade”, de 1981. A depender dos integrantes remanescentes da banda – que voltou à ativa em 2010 com outro vocalista -, Scott Gorham e Brian Downey, respectivamente, guitarrista e baterista, pode haver em breve um box especial contendo essas pérolas, que estão em 150 fitas cassetes.

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Estátua de Thin Lizzy em Dublin - Irlanda


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Outro box já lançado, o “Vagabonds, Kings, Warriors, Angels”, repassa toda a carreira da banda, desde os primórdios em Dublin, na Irlanda, nos idos de 1969, até os problemas com drogas do frontman e divergências musicais entre os integrantes, em 1983. Para quem estiver ansioso pelo material, calma. Há ainda um apanhado feito recentemente que mostra as melhores performances ao vivo do Thin Lizzy em programas de TV, o “At The BBC” – diga-se de passagem, o “Live And Dangerous” deles, de 1978, é considerado por muitos críticos um dos melhores álbuns ao vivo da história, com sucessos como “Jailbreak”, “Rosalie”, “Still In Love With You”, “Johnny The Fox Meets Jimmy The Weed”, “The Boys Are Back In Town” e “Sha La La”, só faltando a clássica canção “Whiskey In The Jar”, reproduzida depois pelo Metallica, no CD de covers “Garage Inc.” com muito mais peso. O momento agora, no entanto, é de espera por essas gravações chegarem aos fãs. E de reverenciar a estátua de bronze em tamanho real de Phil Lynnot, em Dublin. Por que não?!

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Alice In Chains - No forno Em entrevista recente, o baixista Mike Inez comentou o status do trabalho do quarteto grunge Alice In Chains em seu novo álbum. “Estamos enfurnados em estúdio, escrevendo as músicas. Esperamos começar a gravar logo; já estou ansioso”, conta ele. Esse play será o sucessor do ótimo Black Gives Way to Blue, de 2009, e com William DuVall nos vocais.

Ai, se o Ozzy te pega Enquanto no Brasil o sucesso do momento e hit do verão Ai, se eu te pego, de Michel Teló, passa em propagandas diversas - inclusive a de um carro “popular” -, no exterior, a coisa anda diferente. A Honda fez um criativo comercial de seu mais novo Pilot, que tem lugar para oito pessoas, mostrando um coro de muito bom gosto para a música clássica Crazy Train, de Ozzy Osbourne. A canção é do disco Blizzard of Ozz, de 1981, e marca a estreia de Randy Rhoads nas guitarras - ele, que morreu um ano depois em um trágico acidente de avião. Em 2012, faz-se 30 anos de sua morte, enlutando ainda mais o mundo do rock. Assista a propaganda AQUI

Hall do Guns O tecladista Dizzy Reed revelou que todos os membros da formação original do Guns N’ Roses estarão na cerimônia de indução do Rock And Roll Hall Of Fame, dia 14 de abril, em Cleveland. “Não sei exatamente o que acontecerá. Mas espero que todos compareçam com uma boa atitude. Não combinamos nada em relação a tocar juntos, mas tenho certeza que conversaremos sobre isso até lá”, conta. Esse é um alento para muitos fãs em redor do mundo. Aguardemos...

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Luto Hermano No final da noite da quarta-feira (8), a notícia enfim foi divulgada na imprensa hermana: morreu o pai do rock da Argentina, Luis Alberto Spinetta. O vocalista, guitarrista e compositor de duas das bandas mais importantes do país – Almendra e Pescado Rabioso – lutava contra um câncer de pulmão. Ele chegou, inclusive, a ter alta médica antes do Réveillon de 2012, mas foi acometido pela doença de vez e não resistiu.

2x Neil

O vocalista, guitarrista e compositor Neil Young, que há pouco comentou que está com raiva do modo de se fazer música na atualidade, fez seu lance. Ele deve lançar com sua banda de apoio Crazy Horse, ainda este ano, dois novos álbuns de inéditas. Coisa que não acontecia desde seu “Broken Arrow”, de 1996. Segundo Young, um dos compactos está praticamente pronto – faltam apenas detalhes de masterização. O outro, em fase de ‘processamento criativo’. A banda e ele estão compondo sem parar.

Let There Be Gold Heart - Ao Topo É, o Heart – aquela banda dos anos 1970 que tocava “What About Love” e “Barracuda” das irmãs Ann e Nancy Wilson – já tem o nome do novo álbum, o 14º da carreira. Ele se chamará “Fanatic”. O último do grupo, o “Red Velvet Car”, foi lançado há dois anos atrás e alcançou o 10º lugar no Top 10 da Billboard. 12

Os australianos do AC/DC conseguiram a incrível marca de 500 mil álbuns vendidos nos EUA, em tempos de mp3. A coletânea em questão é a “AC/DC: Iron Man 2”, trilha sonora do filme, que foi lançada em 2008, juntamente com a película estrelada por Robert Downey Jr. Desta feita, a banda conseguiu o Disco de Ouro.


At Last

A cantora de blues e R&B, a diva Etta James, morreu no dia 20 de janeiro com 73 anos. Ela vinha sofrendo de leucemia, hepatite e demência. Estava em estado terminal há algum tempo, segundo médicos. Gravou sucessos como “Good Rockin’ Daddy” e “The Wallflower”, mas com “At Last”, de 1961, deixou sua voz cravada nos corações de todos. Etta ganhou seis prêmios no Grammy e 17 Blues Music, entrando para o Hall da Fama do Rock N’ Roll em 1993 e no do Blues, em 2011.

A volta da Rainha Depois de algumas audições e do sucesso inenarrável de seu vídeo no Youtube cantando “Somebody to Love”, o então desconhecido cantor Adam Lambert, vai enfim integrar o Queen. O timbre de voz do rapaz parece um pouco com o de Freddie Mercury, que, segundo o guitarrista Brian May, “teria aprovado a escolha do novo vocalista. E, pela reação do público, foi acertada”. A banda vai tocar em julho no Sonisphere Festival.

Max com paralisia O cantor do Soulfly e do Cavalera Conspiracy, Max Cavalera, foi diagnosticado, em meados de fevereiro, com a Paralisia de Bell e ficou com o rosto ‘parado’. A paralisia facial se deu por conta do nervo craniano VII foi afetado. “Achamos que fosse um derrame, então corremos para o hospital. Nunca tinha ouvido falar dessa doença. Meu olho direito não pisca e parece que levei um soco do Mike Tyson. Dói demais. De qualquer modo, estou indo para o Brasil. O show deve continuar”, contou ele à imprensa.

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Metal Force Tra Necromesis

Por Daniel Lima (@daniellimarm | daniel@rockmeeting.net) Fotos: Daniel Lima | Pei Fon (@poifang | peifang@rockmeeting.net)

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auma apresenta: s e Cangaรงo Fevereiro comeรงou com muito metal

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Aos quatro dias de fevereiro aconteceu o Metal Trauma Force, no Orákulo Chopperia, contando com as participações das bandas alagoanas Penitência, Autopse e Cheiro de Calcinha, além das atrações principais que foram Necromesis (SP) e Cangaço (PE). O público compareceu em pequeno número, mas com bastante fôlego para prestigiar as bandas, sem contar com o pequeno atraso, que ocasionou a diminuição do tempo das bandas. O evento só iniciou após o término do show que acontecia em um ambiente paralelo ao Metal Trauma Force, problemas acontecem. Várias pessoas foram impedidas de entrar na casa por não estarem munidas da identidade, pois o estabelecimento só permite a entrada de maiores de 18 anos. Voltando para o show, o thrash metal da banda Penitência foi o que deu início ao evento. Começou com mais ou menos duas horas de atraso, porém eles não se abateram e mostraram o que sabem fazer para o público no moshpit. O repertório da banda variou entre as músicas do EP intitulado “The Home Tracks” e alguns covers de bandas admiradas pelo público alagoano, como os mineiros do Sepultura. Foi porrada do começo ao fim. A banda Penitência foi bastante aplaudida ao terminar sua apresentação.

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Em seguida, a banda Autopse se apresentou. Eles também entraram com bastante fervor e fúria, destacando músicas do álbum “Descontrole Mental” e alguns covers de Sepultura e Soulfly. O público continuava correspondendo à banda em cada música tocada. A Autopse, assim como a anterior, teve seu tempo reduzido por causa do atraso e finalizou sua apresentação aclamada pelo público. A terceira banda a tocar fez uma apresentação muito rápida, apenas cinco músicas. Cheiro de Calcinha, liderada por Lobão, apresentou-se rapidamente para que pudesse dar tempo para as bandas convidadas. Entres as músicas tocadas estavam “A mulher do delegado é muito boa” e “As periquitas das meninas”. Como sempre, o público foi para frente do palco cantar os sucessos do grupo, que terminou a apresentação muito aplaudido. A quarta banda a tocar foi a dos paulistanos da Necromesis. Uma apresentação que pôde mostrar aos alagoanos as músicas do EP e do disco lançado em 2011 intitulado “Evolving To An Underworld”. O repertório ficou basicamente nos dois lançamentos da banda, como as faixas “Building an underworld” e “Unlives as undeads”, além do instrumental “O Ovo” do ilustre alagoano Hermeto Pascoal, que foi originalmente gravado em 1967 pelo Quarteto Novo. Necromesis iniciou a sua turnê pelo Nordeste em Maceió e passou por Recife e Garanhuns (PE), João Pessoa e Campina Grande (PB) e Salvador (BA), participando do Palco do Rock – evento que ocorre durante o carnaval em Salvador.

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A última banda a se apresentar foi a Cangaço, se apresentando pela segunda vez em Maceió. Eles, mais uma vez, mostraram toda a mistura rítmica que consolidou o grupo. O repertório ficou entre os três lançamentos da banda que foram: “Cangaço”, “Parabelo” e “Positivo”. “Decives Of Astral”, “Statu Variabilis”, “Positivo”, “Al Rasif” e “Deserto do Real” foram algumas das músicas executadas pela banda, houve tempo para dois covers um do Raimundos e um do Deep Purple. Mais um grande esforço dos produtores de Maceió para realizar novos eventos e, infelizmente, o público não compareceu em massa. Outros virão!

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Por Rodrigo Bueno (Funeral Wedding | requiem@funeralwedding.com) Fotos: Katja Kuhl (Divulgação)

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“A energia vem do fato de nós amarmos o que fazemos” Com a proximação da vinda da banda italiana para o Brasil, junto com os norte-americanos Lamb of God e Hatebreed, aproveitamos o momento para saber um pouco mais sobre o Lacuna Coil e seu novo álbum. Acompanhe esta entrevista exclusiva com Cristina Scabbia, vocalista, feita por Rodrigo Bueno (Funeral Wedding) para a Rock Meeting. Passado o nervosismo do lançamento do novo álbum, agora é hora da correria, com entrevistas, sessão de fotos, mais entrevistas, shows. De onde você arranja tanta energia para isso?

A energia vem do fato de nós amarmos o que fazemos. Eu gostaria que todos pudessem ser capaz de fazer um trabalho sobre a maior paixão na vida. O mundo seria um lugar melhor. Ouvir a faixa “End of Time” nos traz uma sensação boa, por ser uma canção doce, e na sequência temos a pesada “I Don’t Believe in Tomorrow”, o que, para mim, representou algo como a aceitação da “morte” e a “revolta” por não estar mais no mundo dos vivos. Elas possuem uma ligação, ou são apenas o oposto uma da outra para dar um contraponto no álbum?

As músicas não estão ligadas de uma maneira que haja uma história que as mantém conectadas, mas há definitivamente uma vibe que atravessa todas as músicas, que começaram a partir de um período negro da nossa vida no início da canção. “I Don’t Believe in Tomorrow” é uma canção que fala sobre o que você precisa para se levantar por si mesmo quando há algo errado em sua vida e não tem como adiar decisões, mas precisa agir rapidamente Depois de “Enjoy the Silence”, dessa vez foi feita uma escolha bem inusitada. Quem sugeriu essa versão para “Losing my Religion”?

Não é realmente incomum. Acho que a letra de “Losing My Religion” acabou se encaixando perfeitamente em nossa temática. A ideia vem de anos, mas “Dark Adrenaline” foi o recipiente perfeito para incluir esta canção. Coincidência engraçada é que, meses depois que gravamos a canção, o REM decidiu se separar, por isso mesmo que algumas pessoas pensam que a música é um “tributo”; nós gravamos a canção porque simplesmente quisemos uma versão diferente.

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E qual a ligação dos italianos com essa faixa em especial, visto que, anos atrás os, também italianos do Graveworm fizeram essa versão que tinha um approach mais black metal? Nenhuma conexão, na verdade. Essa música é conhecida em todo o mundo e tem sido gravada por diferentes artistas. Nós demos a nossa própria interpretação. E você, Cristina, já perdeu sua religião?

Depende do que você quer dizer com isso. Eu não perdi minha espiritualidade, mas eu gosto de manter isso para mim. A faixa “My Spirit” representa o final de tudo, seja o final de um relacionamento, o fim de uma jornada ou mesmo o fim da vida. Como surgiu a ideia para ela?

É uma canção que escrevi depois que Peter Steele, do Type O Negative, faleceu, e é dedicada a todos os queridos que perdemos nestes anos

A única coisa que me deixa triste é pensar nos amigos que perdi nesses anos, Peter Steele, Paul Gray, acima de tudo.

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Para algumas pessoas, a morte é o fim de tudo. Para outras, o início. Qual a relação de vocês com a morte?

A morte é uma passagem e, mesmo quando perdemos pessoas queridas, nós levamos o legado delas para sempre. Qual música do Lacuna Coil que vocês já não aguentam mais tocar, mas mesmo assim tem que fazê-la?

Nós não temos de tocar qualquer música, gostamos de todas, mesmo tocando algumas muitas vezes.


Como está a expectativa para os shows no Brasil, na metade do ano?

Eu acho que vai ser um show incrível. Nós tocamos no Brasil antes e a multidão foi quente e louca. Estamos esperando por ainda mais loucuras e “bateção de cabeça”. Qual foi o pior show que vocês já tocaram? Por quê?

Talvez alguns dos poucos em nossa carreira com poucos espectadores. Mas é por aí que todos começam, e é isso que faz você construir uma maior experiência. 25

Mudando um pouco de assunto, vi uma postagem sua, através do seu Facebook, demonstrando sua decepção com o vazamento do álbum dias antes de seu lançamento mundial. Até onde você acha que a Internet ajuda, e até onde você acha que ela “estraga” as coisas?

Ela ajuda, porque as pessoas em locais onde o álbum não é distribuído podem conferir uma nova banda de fora, e mais pessoas podem falar sobre ela. Ela estraga as coisas, porque isso estraga a surpresa. Há algo de doente


em alguém que se sente um gênio ao liberar um álbum antes da data de lançamento. Eu gostaria que este povo soubesse quanto trabalho está envolvido em um processo de gravação, ou tentasse trabalhar por alguns meses sem receber seu salário. Vocês já passaram por muita coisa, nesses anos de banda. Qual história que você lembra que te deixa triste? E qual foi a história que até hoje você ri sozinha quando recorda?

Triste? A única coisa que me deixa triste é 26

pensar nos amigos que perdi nesses anos, Peter Steele, Paul Gray, acima de tudo. O resto da viagem foi chegar ao céu. Agradeço por ter cedido seu tempo para responder essa entrevista, e gostaria que deixasse um recado para seus fãs brasileiros.ileiros.

É melhor se prepararem, porque estamos ansiosos para dar a vocês uma dose da “adrenalina das trevas”. Vai ser uma loucura!


Um dom reencontro Com bandas que estavam paradas, bandas mais recentes e tendo a produção da “Black Moon” em seu primeiro fest, o rock alagoano foi contemplado Texto e Fotos: Pei Fon

(@poifang | peifang@rockmeeting.net)

O

dia 12 de fevereiro pode ser lembrado como a fênix (aquele pássaro da mitologia grega que quando morria, provocava uma autocombustão e, após um período, retornava das cinzas), pois foi um dia especial para a memória dos headbangers alagoanos. Por quê? Sabe quando você

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tem uma banda que compôs músicas, fez algumas apresentações e acabou? E após um longo período, volta aos palcos como se nada tivesse acontecido? A sensação é que não houve esta lacuna que o tempo deixou. Talvez tenha sido esta a fórmula para voltar ainda melhor. Os bangers compareceram,


mingo de os e emoções

podendo dizer que a “velha guarda” estava presente e os da “nova geração”. Se bem que, ultimamente, está acontecendo uma reviravolta das antigas bandas alagoanas e, por conta disso, algumas figuras têm saído de suas casas para conferir aquilo que lhe dava prazer em ver. Status: revival.

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Particularmente – expondo a opinião de quem vos escreve – a áurea, principalmente da primeira banda que tocou no “1º Black Moon Fest”, era o “reavivamento” de um passado que não fora esquecido. Mas vamos falar do show que aconteceu no Kfofo Music Bar, numa tarde atípica de domingo.


Apresentações

A primeira da tarde/noite, já que estava

programado para iniciar às 16 horas e iniciou duas horas depois, o Black Verses veio com todo o seu poder, após cinco anos na gaveta, seus ouvintes não o esqueceram. O grupo é liderado por Rafael Souza – Braga (vocal), Welton Cavalcante (guitarra), Douglas Cabral – Panga (bateria), Moisés Nascimento (Baixo) e Luan Felipe(Guitarra).

Com seu Death Metal, com pitadas de Doom,

o som não poderia ficar mais agressivo e melancólico ao mesmo tempo. Riffs velozes, um gutural sombrio e a o drama do doom foram os elementos que não faltaram no som dos caras da Black Verses. Era nítida a satisfação da banda ao retornar aos palcos.

Com músicas próprias e alguns covers incluindo

“My Dying Bride” e “Death”, o BV executaram o setlist, digamos, rápido demais para os que estavam aguardando por aquele retorno. De certeza, as músicas próprias empolgaram bastante. E ficou o gostinho de quero mais.

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A próxima do lineup foi a Wanted

(Baixo), Erick Bruno (Bateria) fizeram

(Hard Rock). A banda também esteve

um show em particular.

neste festival com um gás a mais. Sua

última apresentação foi em 2010 e este

como “Drink and Rock N’Roll”, “Once

show marcou a volta dos caras aos palcos.

Again” e “Gasoline”, por exemplo, o

Com André Sousa (Vocais), Thales

público reagiu bem. Mas os covers do

Harrysson

Kiss “Strutter” e “Love Gun”, “Lady Evil”

(Guitarras),

Diego

Melo

Tocando suas músicas próprias


do Black Sabbath, “Fool For Your Loving”

A terceira banda da noite foi a Life in Black

do Whitesnake, “Big City” do Scorpions,

(Heavy Metal). Mostraram que também

“Judgement Day” do Van Halen e “Dream

tem som próprio e levou o Heavy para os

on” do Aerosmith foram o ponto alto da

domínios do Kfofo. A banda é formada por

apresentação.

Victor Barros (vocal), Luan Marcel (bateria),

Edson Souza (guitarra), Dinho Montenegro

A Wanted finalizou seu show com um

do Raibown, “Long Live Rock N’ Roll”.

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(guitarra) e Tássio Monteiro (baixo).


LiB armou-se e trouxe um setlist interessante. Com músicas próprias, como “The Sun”, “Tyrant” e “Contortion” levantaram o público que, há um bom tempo, não escuta este segmento dentro do Metal. Victor mostrou-se bem nos agudos e a banda tem tudo para despontar no Heavy Metal alagoano. Mas com os covers de Iced Earth “The Dark Saga” e “Melancholy” os ânimos ficaram exaltados, positivamente. Ainda deu tempo para “Ghost of Navigator” do Iron Maiden. E para finalizar o show com maestria, tocaram “Break the Law” do Judas Priest. Para encerrar a noite, um Death Metal sem frescura da Introspection. O trio é composto por Virgínio Gouveia (baixo/vocal), Kleyton Farias (guitarra) e Paulo Oliveira (batreria). Os caras executaram apenas músicas próprias e foi possível sentir a força delas. Tocadas agressivamente e com uma levada old school, eles tocaram: “Eternal return”, “Lord of fate”, “Domination of death”, “Lighst of the lies”, “The death of god”, “Suicidal psychology”, “Feel, kill Christ” e “Fuck all”.

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SupreMa cada vez mais pesado

Traumatic Scenes passou por Macei贸 e trouxe consigo energia e uma bateria monstruosa Texto e fotos: Pei Fon (@poifang | peifang@rockmeeting.net)

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Após o período carnavalesco de folia e descanso para alguns, no último domingo de fevereiro foi a vez dos bangers curtirem o som que pouco tem sido tocado. A nova tour da banda paulista SupreMa passou por Maceió e trouxe um setlist variado: músicas do seu novo álbum e algumas antigas, além de um tributo ao Iron Maiden. Muito heavy metal, progressivo e hard rock no Orákulo. Antes de começar o show dos caras do SupreMa, as bandas Foxy e Wanted foram convidadas para abrir as apresentações da noite. A 37

primeira foi a Wanted, uma hora depois do horário previsto. A Wanted repetiu o mesmo repertório tocado no primeiro Black Moon Fest, com uma mudança. Tocando as músicas próprias e alguns covers, o destaque foi para “Easy Lover”, de Phil Collins. A banda teve um problema com o som: quando iniciavam o cover de “Dream On” do Aerosmith, a guitarra não funcionava. Problemas técnicos acontecem, mas a motivação dos caras não foi abalada. Recomeçaram a música e deram continuidade à apresentação.


Em seguida, a Foxy voltou aos palcos surpreendendo. Novas músicas foram tocadas, o que deixou muitos boquiabertos. Um ano que os separavam dos shows deu a oportunidade de incrementar uma pegada mais progressiva ao som. Alguns covers foram executados, como “Nailed to the Wheel”, do Edguy, e “Distant Thunder”, do Shaman. Dentre as próprias, destaque para “The Mystery of the Reason”, a faixa mais longa do próximo EP. Para encerrar a noite, no palco principal do Orákulo, a banda paulista SupreMa estava munida de seu arsenal técnico para oferecer o melhor para os fãs, nesta tour de lançamento do “Traumatic Scenes”, seu primeiro álbum full-length. Começando com dois covers do Iron, o SupreMa fez acordar e agrupar a galera que estava dispersa e à espera daquele momento. Em segundos, incendiou o público com os clássicos da donzela: “Aces High”, “Flight of Icarus” e “Be Quick or Be Dead”. E o público ainda foi agraciado com “Pull Me Under”, do Dream Theater.

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Do novo álbum, “Traumatic Scenes”, foram executadas “Dark Journey”, “Fury and Rage”, “Nightmare”, “Iced Heart” e “Burning My Soul”, que contou com a participação especial de Victor Silva, da banda alagoana Raiser. Não podendo esquecer a monstruosidade da bateria do novo baterista, Rafael Rosa: além de uma demonstração sonora, a bateria deixou os bangers com um leve sentimento de “quando crescer, quero ter uma bateria que nem a dele”. Detalhe: ela leva cerca de quatro horas para montar/desmontar. Os paulistas fecharam a noite com mais um cover do Iron, “Wrathchild”. Ficou o gostinho de quero mais.

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Qual é a música, Sílvio?!

Emissora brasileira cai em pegadinha e mostra U2 ‘tocando’ hit de verão de Michel Teló Por Breno Airan (@brenoairan | brenoairan@hotmail.com)

É. As gafes da ‘grande mídia’ parecem não cessar. Depois de a Rede Globo confundir integrantes do Angra, do Iron Maiden e um sem números de artistas internacionais, foi a vez do concorrente Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), de Sílvio Santos, pisar na banana do rock. Em uma reportagem especial publicada no dia 3 de fevereiro no programa de jornalismo “SBT Brasil”, a receita de como se fazer um ‘hit de verão’ foi explicada. Até aí, tudo bem. O axé é uma das manifestações culturais mais latentes de nosso povo e, sobretudo, da cultura afro – no final de tudo, todos nós temos sangue negro nas veias, com muito orgulho. Ademais, esse tipo de música, pelo menos atualmente, acaba não agradando a todos – que é a minoria. Não por ser descontextualizada ou não ter uma pegada interessante. Mas por justamente ser contextualizada e ter uma pegada que agrade a muitos. Hoje, as canções feitas por músicos no cimo da cadeia alimentar da indústria fonográfica retratam exatamente, senão espelham a geração em que se vive.

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Divulgação


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Se a letra é fútil, a sociedade também o é, de certa forma. A questão aqui, no entanto, não é essa. Não se trata de apenas idiossincrasia do repórter que fala com leitor abertamente por este meio, contudo, do fato sendo repercutindo pela mídia de forma equivocada. A reportagem do “SBT Brasil” abordou a fórmula de um hit-chiclete, para que ele fique na boca do povo por “todo” o festejo momesco. A repórter Cláudia Lemos afirma na matéria que para que uma música faça sucesso nessa época são necessárias “uma boa letra e uma boa harmonia”. Esses seriam os fatores responsáveis para a fama repentina de qualquer canção de Carnaval, segundo a jornalista, e ainda “para que ela passe pelas gerações”. Na própria matéria aparecem autoridades no assunto falando sobre a nuance que deve ser seguida, até que chega a hora: a reportagem cita uma paródia infectada na rede pelo Youtube, que ganhou logo repercussão. O músico de Sertanejo Universitário Michel Teló ganhou notoriedade na Europa e conquistou diversos fãs por lá. Um internauta, diante de todo esse sucesso repentino, brincou com uma versão feita por Teló em inglês para a “Ai, Se Eu Te Pego”. Na montagem de vídeo, o cantor da banda irlandesa U2, Bono Vox, aparece cantando o hit em cima da base da clássica “With Or Without You”. As imagens eram de um show feito em 2001, na “Elevation Tour”, em Boston, inclusive, registrado em película. A voz colocada tem o timbre bastante semelhante ao de Vox. O detalhe é que o U2 não faz espetáculos desde julho do ano passado. Tudo não passou de uma brincadeira. Mas a reportagem levou a sério. Nossa! Assim vocês me matam...

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Rob Zombie

Breno Airan (@brenoairan | brenoairan@hotmail.com)

Era dia 13 de janeiro deste ano. Uma sexta-feira, como outra qualquer. Mas, ainda assim, dia 13. Tem gente que tem superstição com esta data, que acontece pelo menos uma vez a cada 12 meses. Há quem tenha parascavedecatriafobia, que é o medo mortal desta data. Estou bem longe disso, inclusive – é, mas voltando ao assunto... Eu estava andando pelo bairro do Centro de Maceió, numa rua aonde sempre vou quando possível. A dos alfarrábios. Rua Pontes de Miranda. Eu estava procurando por livros do Stephen King, um dos meus autores prediletos – sempre tive essa tendência ao horror, não sei por que –, e acabei achando um, o “Buick 8”, de 2003. Além dele, levei também “616 – Tudo É Inferno”, dos escritores David Zurdo e Ángel Gutiérrez. E ‘para fechar a tampa do caixão’, sem querer, acabei encontrando o primeiro CD solo do Rob Zombie num daqueles sebos. Eu conhecia seu trabalho no cinema depois dos remakes dos clássicos cult “Halloween – O Início” e “Halloween 2”. É, além de músico, ele é um pomposo diretor de filmes de terror. Tem bela fotografia, tomadas bem encaixadas em plongée e ainda sua mulher abrilhantando o elenco de todos os seus

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longas-metragens, a bela e competente Sheri Moon Zombie, com destaque de sua atuação em “Rejeitados pelo Diabo”, de 2005. O papo rumou para o cinema porque uma das músicas do disco que encontrei por acaso – e comprei, claro – é trilha sonora de uma filme de terror: o “A Noiva de Chuck”, de 1998, mesmo ano do compacto em questão, o “Hellbilly Deluxe”. A música usada na película do ‘brinquedo assassino’ foi a “Living Dead Girl”, com temática que se encaixava de certa forma no enredo. Já a levada do primeiro play de Rob não era mais aquele Groove Metal conhecido em seu White Zombie. A sonoridade mudou e elementos mais “modernos” foram postos à mesa. O estilo, o Metal Industrial, conquistou fãs antigos, hipnotizados com a voz rasgada e histórias de terror contadas a cada solfejo alcançado. Tudo começa com a intro macabra “Call To The Zombie”, emendada de supetão com a excelente “Superbeast”. Como destaques, ainda temos as ótimas “Dragula”, “Spookshow Baby” e “Meet The Creeper”, sem falar na “Living Dead Girl”. Recomendo! Nota 13.


Skate Aranha

João Marcelo Cruz (@jota_m | jomarcelo_@hotmail.com)

Cara, não sei se é um exagero momentâneo ou uma alucinação causada pelo ‘que’ de magia negra que essa banda carrega, mas essa grupo Piauiense, de Teresina é atualmente uma das minhas bandas preferidas. Pra mim, um dos maiores achados dos últimos anos. É impossível definir esses caras dentro de apenas um estilo, passeiam por várias influências de forma es-plendo-ro-sa!!! E o melhor, sem parecer uma cópia de nada. Ao contrário, diferente demais! Gostei de todo o disco desde a primeira escutada (e olhe que isso não é muito fácil). A mistureba dessas aranhas impressiona muito por conseguir mesclar de uma forma muito espontânea o punkrock/ horror do Misfits com doses de psychobilly, thrash, death, grind, blackmetal, satanismo e canibalismo. Pode parecer mentira ou exagero que uma banda consiga misturar isso tudo, mas vai lá, escuta! Véi, eu acho que essa é resenha mais rasgação de seda que já fiz. Mas é porque realmente eu acho tudo lindo nessa banda. A arte do disco é belíssima! Começando pela capa com aquela caveira medusa linda... passando pelo encarte total blackmetal! As letras também merecem destaque, muita carnificina e bom humor. A maioria é em inglês, mas também há espaço para o português. Soa bem das duas formas. Sem contar a gravação que está com uma qualidade filé. Para a minha surpresa, soube 44

através do próprio guitarrista Josh S. que essa gravação não foi sequer mixada. Recentemente o selo capixaba LajaRecords providenciou lançar esse petardo em vinil! Chique demais. Porém, infelizmente assim como alegria de pobre que dura pouco, algumas semanas depois, enquanto saía dizendo pra todo mundo a banda foda que eu descobri, um amiguinho tratou de me informar que a banda já tinha acabado. Todos chora. Em uma rápida pesquisa, descobri que eles encerraram as atividades em 2009 no mesmo ano em que o único registro ― o disco Evil and Dead, foi lançado. Tendo uma vida curta de apenas três anos. †2007-2009† Ao mesmo tempo em que a Aranha teve de ser sacrificada, outra besta surge! O guitarrista Josh S. e o então baixista do Skate Aranha, Júnior Mortal Thrash, agora baterista, montaram outro belo projeto chamado Bode Preto, bagulho bem blackmetal, mas aí já é outra história...


Silent Cry

Daniel Lima (@daniellimarm | daniel@rockmeeting.net)

Olá caros leitores, mais uma vez passando para falar um pouco sobre o que andei ouvindo neste ultimo mês ou quem sabe nos últimos tempos e continua a se estender um pouco mais. Uma tendência Doom vem me acompanhando ultimamente e tenho ouvindo muito o álbum “Darklife” da banda brasileira Silent Cry. Eles são sete integrantes quem derramam harmonia e sentimentos neste álbum que não há como escutá-lo sem relaxar e com certeza você não irá pular nenhuma faixa por que ele é muito bom. A primeira faixa se chama “Sufocated In Darknes”, ela é bastante curta para músicas os padrões do Doom Metal já que é normal ouvir algumas com oito minutos ou mais e esta tem pouco mais de três minutos. A vocalista Sandra Felix com sua voz suave inicia a sessão para que Dilpho Castro, que além de cantar toca guitarra, possa soltar a voz num gultural espetacular. Já a seguinte intitulada “Sweet Serenades” inicia com um piano bastante obscuro e uma guitarra acompanhando. Está ao contrário da anterior, se encaixa mais no estilo da banda (opinião pessoal) e com mais variações harmônicas que a anterior. Seguindo a sequência das músicas deste álbum, “Remembrances Of Future” é a terceira faixa deste álbum seguida por “Last Goodbye” que é uma daquelas faixas que inicia com um piano e vocal. Uma capela como é conhecida, um tipo de música bastante explorado em bandas que estão entre o Doom e Gothic Metal 45

que possuem uma vocalista. A quinta faixa se chama “Innocence’s Look”, ela tem uma pegada mais voltada para um lado sinfônico, mas sem deixar o Doom desaparecer. Assim como nas faixas anteriores, as guitarras estão sempre em destaque e a bateria ficou mais destacada nesta música. Após “Innocence’s Look” vem a música “My Tears Are still Falling”, é o tipo de música que você chama os amigos para bater cabeça. Uma das melhores faixas desse álbum na minha opinião. A sétima faixa se chama “The Wine’s Dance”, já é mais consistente que as anteriores e o teclado está mais destacado no refrão. A oitava e penúltima faixa se chama chamada “The Moment Is the Time”, mais uma para relaxar e outra que não tenho muito a falar, basta ouvir. Para encerrar este álbum, “Enigmatic” começa como som de uma tempestade para que o piano inicie e a voz de Sandra Felix acompanhe até a metade da música onde a banda entre junto ao solo de guitarra. A música acaba com a mesma tempestade que inicia com ela. Uma capelinha para resumir já que ela não canta junto com a banda. Não lembro exatamente o ano de lançamento desse álbum, mas acho que é 2005 e posso garantir que existe muita coisa para ser garimpada nas bandas brasileira desde os anos 80. E mais uma vez, eu recomendo.


Scorpions

Pei Fon (@poifang | peifang@rockmeeting.net) Era uma tarde qualquer quando fui com a minha mãe comprar o primeiro CD. Foi o do Lionel Ritchie, na antiga Aki Discos, em um período de transição do vinil para o CD. Era preciso comprar o aparelho para “tocar” o CD separadamente, ainda não havia essa conjugação do aparelho de som com o CD, como tinha com o vinil. Este aparelho parecia um vídeo cassete, só que mais leve. Neste mesmo período, alguém da minha família, acho que foi minha tia, adquiriu o “Live Bites” dos alemães Scorpions. Como eu não sabia do que se tratava, eu nem dei tanto valor. Estava saindo da infância e não conhecia nada sobre música... Boa. Após uns anos, comecei a escutá-lo. Só ouvia a famosíssima “Wind of Change” e adorava “White Dove”. Parava, apenas, para escutar essas duas e não simpatizava com as demais. E o CD voltava para o seu lugar. O referido álbum é de 1995, ao vivo e gravado no México, Estados Unidos, Rússia e Alemanha. Os áudios foram concebidos durante a turnê “Face the Heat”, em 1994, e o álbum foi lançado no ano seguinte. Recentemente, por uma explosão de nostalgia, voltei a escutá-lo. As músicas são antigas, mas conseguem se renovar com o tempo cada vez que são ouvidas. Hoje, é engraçado reconhecer o quanto fui tola naquele início, quando comecei a ouvir Scorpions, ao me limitar àquelas duas canções. Hoje, o álbum não sai da minha 46

playlist. Ouvindo o “Live Bites”, lembrei, também, que “dei fim” a este CD. Fui vasculhando em minhas lembranças e recordei que troquei este incrível álbum por alguma bobagem que prefiro nem pensar. Só sei que não foi nada à altura. Arrependida! É melhor nem voltar a este assunto, é até vergonhosa a maneira como “dei fim” nele. Melhor ficar calada. (risos) De qualquer modo, foi muito interessante ouvi-lo novamente. Novas e boas sensações me fizeram flutuar e perceber a grandiosidade que “Live Bites” representa para o Hard Rock e, principalmente, para mim. Poderia destacar todo o álbum, já que são 16 faixas , sendo duas inéditas. Mas há uma sequência matadora em “Live Bites”: “Tease Me Please Me”, “Is There Anybody There?”, “Rhythm of Love”, “In Trance”, “No Pain No Gain” e “When Smoke is Going Down”. E para completar vem “Alien Nation”, “Crazy World” e as duas que já foram mencionadas no início. Destaco mesmo: “In Trance”, “When Smoke is Going Down” e “White Dove”. Scorpions se tornou para mim mais que um grande ícone do Hard Rock mundial, que foi iniciado nos anos 70 e faz sucesso até hoje. Scorpions para mim é memória. É afetividade.


Revista Rock Meeting #30  

Revista Rock Meeting #30. Nesta edição: Capa – Lacuna Coil, O que estou ouvindo?, World Metal, Review: Metal Force Trauma, 1º Black Moon F...

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