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Obrigado por tudo!

Editorial O mês que passou foi para pensar na vida. Já percebeu que há tanto o que fazer, mas estamos sujeitos a ter tudo e, ao menos tempo, não ter nada? A sonhar com tudo e, de uma hora para outra, não poder mais sonhar? De estarmos vivos agora, e depois não estarmos mais? O Metal brasileiro está órfão! Mais um exímio guitarrista nos deixou para compor uma super banda no céu, ou onde você imaginar o lugar que ele tenha ido. Foi uma surpresa para todos quando Paulo Schroeber fora internado, mais ainda quando ele nos deixou. É difícil não ter se comovido com a notícia de seu falecimento. Talvez fosse algo já anunciado, mas ninguém está preparado para receber um choque deste nível. Quando alguém se vai, pelo menos para esta que vos escreve, sempre vem um alerta de que a vida é curta demais para se importar com tão pouco, que viver por tão pouco é ridículo e é preciso fazer mais por si e por quem se ama. É sempre uma lição de querer fazer diferente, de deixar o comodismo de apenas existir e começar, enfim, a viver. Paulo Schroeber se foi. Lutou até onde foi possível. Deixou um legado importante para o metal nacional. É difícil ouvir suas músicas e saber que ele não está mais aqui. Porém ele será sempre lembrado. Esta edição é dedicada a Paulo Schroeber! Descanse em paz, nobre amigo. És um exemplo de vida!


Table of Contents 07 - Coluna - Doomal 11 - News - World Metal 17 - MatĂŠria - MOA 20 - Entrevista - Krow 27 - Entrevista - Fabio Carito 33 - Capa - Obituary 36 - Entrevista - Hibria 42 - Entrevista - Unmasked Brain 52 - Entrevista - Stodgy


Direção Geral

Pei Fon

Revisão

Katherine Coutinho Rafael Paolilo

Capa

Alcides Burn

Colaboradores

Charley Gima Ellen Maris Jonathas Canuto Maicon Leite Marcone Chaves Mauricio Melo (Espanha) Rodrigo Balan Rodrigo Bueno Rômel Santos Sandro Pessoa CONTATO Email: contato@rockmeeting.net Facebook: Revista Rock Meeting Twitter: @rockmeeting Veja os nossos outros links: www.meadiciona.com/rockmeeting


Por Sandro Pessoa (Sunset Metal Press & União Doom BR)

Into Spectrum

Foto: Rayan Sales

STONED E DOOMED BRAZILIAN COMPILATIONS

O

ano de 2014 mal começou e já nos deparamos com mais um ótimo lançamento voltado ao Doom e Stoner nacional. Foram duas compilações em formato virtual, reunindo destaques de ambos os gêneros, disponibilizadas de forma totalmente gratuita. Ao todo participaram 34 bandas vindas de diferentes regiões do país. A boa repercussão destas duas compilações mostra bem o quanto os dois estilos estão fortes e bem consolidados em nosso país. Com uma boa quantidade de público consumidor daquilo que podemos afirmar ser uma das linhagens mais obscuras do metal. Para esclarecer um pouco mais a respeito de como se deu todo o processo evolutivo deste trabalho, realizamos uma entrevista com Gustav Zombetero, idealizador da “Stoned e Doomed Brazilians Compilations”

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e também administrador da página do Facebook Stoned Union Doomed. Doomal: Levando em conta o atual cenário underground brasileiro, abordar gêneros como Stoner e Doom Metal é um tanto perigoso, já que ambos fazem parte de uma classe mais controversa ao que muitos estão acostumados a escutar por aqui. Diga o que o motivou a criar estas duas compilações. Gustav: Saudações Sandro, obrigado pelo espaço. Já faz um tempo que eu me embrenhava no mundo da música Arrastada e Desacelerada, eu sempre me atualizava sobre o que rolava lá fora e conhecia alguma coisa aqui


do país. Em meados de 2013 eu resolvi criar um grupo no Facebook intitulado “Doom, Be Doomed, or Fuck Off” com a intenção de propagar tudo referente ao Doom, Stoner e afins, conheci muitas pessoas que comungam da mesma escolha musical que a minha e também muitas bandas que ali vinham divulgar o seu trabalho. Aí resolvi criar a página “Stoned Union Doomed” que, diferente do grupo, envolve apenas produto nacional, logo veio o blog “Arrastado e Desacelerado” que funciona mais como um banco de dados sobre as bandas nacionais, com algumas entrevistas e resenhas, ainda tem pouco conteúdo pelo fato de eu ter que administrar tudo sozinho, e por eu ser um cara preguiçoso (risos). Como e quando surgiu esta ideia? Após todo esse processo eu resolvi lançar a ideia das compilações. Primeiramente, eu

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queria lançá-las em Cd, como eram 2, seriam 500 cópias de cada uma, devido aos altos custos e também por ser uma parceria com as bandas, todas entrariam com uma grana e receberiam uma quantia de Cds para reembolsar o investimento. Lançar um material musical envolve muita burocracia, dor de cabeça e muito tempo. Algumas bandas ainda estavam gravando e isso atrasaria muito a finalização. Outro fato importante é a questão da quantidade de bandas, um Cd tem o seu tempo limite de duração, seriam 15 bandas na “Stoned Brazilians Compilation” e 14 na “Doomed Brazilians Compilation”, com o tempo eu fui me estressando com a situação e resolvi informar as bandas que lançaria as comps no formato mp3 via free download, todas as banda aceitaram tranquilamente, aí a SBC sofreu um acréscimo de 6 bandas, totalizando 21 bandas. Cheguei à conclusão que neste formato ambas comps teriam um alcance melhor e os downloads já ultrapassaram 500 de cada uma, sendo divulgado aqui no país e nas gringa. Para quem já acompanha o cenário Doom e Stoner nacional sabe claramente que já possuímos bandas tão boas quanto as clássicas estrangeiras.


Como foi lidar com a enorme quantidade de bandas nacionais e escolher as que fariam parte? Não foi difícil (risos). Temos bandas de muito potencial por aqui, algumas gravaram ou disponibilizaram músicas inéditas para as comps. Como sabemos, tudo que envolve muitas pessoas acaba gerando um problema ou outro. A seu ver, qual foi o principal problema nos lançamentos destas? O maior problema foi o tempo e eu chegar à conclusão que o formato deveria ser virtual.

Você obteve apoio por parte de outras pessoas? Gustav: Sim. Na hora de escolher o título das comps, a arte, e a parte burocrática, pois foi feito um documento para a permissão de uso da obra. Fora isso, as próprias bandas foram o alicerce, sempre divulgando a ideia, compartilhando com os seus e muitas pessoas que apreciam esse tipo de música também fizeram o mesmo. Eu costumo dizer que este projeto foi realizado por nós, a nós mesmos, e que o mérito é de todos os envolvidos. Em relação a arte que estampa ambas as compilações, a meu ver, ficaram muito boas representando bem a característica primordial de ambos os estilos. Quem foi o responsável pelo desenvolvimento das mesmas? Foi o camarada Tiago Prado (tecladista da banda Albor do RN - banda participante da

Necronomicon

Foto: Pei Fon

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Doomed Brazilians Compilation). Ele é um artista rápido no gatilho. Eu passei alguns detalhes para ele sobre como deveriam ser as capas e em pouco tempo ele me mandou o resultado que ficou além do esperado. Mostrei as artes pra galera envolvida e eles piraram no resultado, isso trouxe alguns trabalhos para ele, o que me deixou feliz por poder ajudar o cara de certa forma. Presenciamos uma boa divulgação por parte da Stoned Union Doomed e algumas bandas envolvidas. Qual foi a repercussão inicial assim que disponibilizadas as compilações? Foi foda, muita gente apoiou e se dispôs a ajudar da forma que lhes fosse possível, isso me ajudou e muito, me fez seguir em frente. Já possui uma previsão de quando haverá outra? Sim, talvez no 2º semestre deste ano eu comece a desenrolar as SBC e DBC volume II, que será no mesmo formato, já tenho algumas bandas em mente. Para concluir este bate-papo diga para nós seu ponto de vista em relação aos meios Stoner e Doom. Eu sou um cara viciado em música pesada e

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arrastada, confesso que nunca fui um adepto ferrenho do Stoner, o prefiro misturado ao Doom, mas as bandas Stoner nacionais possuem uma identidade própria, várias mesclam suas sonoridades. Se você ouvir a “Stoned Brazilians Compilation” com muita atenção vai entender o que eu quero dizer. O Doom por aqui é um estilo hermético praticamente, e geralmente ele emana algo mais voltado ao Doom dos anos 90, naquela pegada do trio Paradise Lost, Anathema e My Dying Bride, outras como Amorphis, Katatonia também se encaixam, mas como na questão do Stoner, as bandas também procuram a sua própria identidade. Na “Doomed Brazilians Compilation” você encontra bandas focadas no Doom puxado para as bandas dos anos 90 tanto quanto para as que trazem uma releitura do Doom tradicional, você poderá notar algumas bandas soando parecidas com os Pentagram, Candlemass e claro Black Sabbath. A última música se trata duma banda que faz um som arrastado com fortes influências dos anos 70 e uma dose de psicodelia, talvez ela se enquadre no que apelidaram de Proto-Doom (risos!). Para efetuar o Download de ambas as compilações visite a página “Arrastado e Desacelerado” clicando AQUI. Aproveite e curta a página Stoned Union Doomed no facebook, AQUI.


Novo álbum A lendária banda alemã de heavy metal, Grave Digger, revelou a capa de seu mais novo álbum “The Return of the Reaper” que será lançado via Napalm Records. O álbum caminha na influência de clássicos como “Heavy Metal Breakdown” (1984), “Witch Hunter” (1985) e “The Reaper” (1993). A arte do álbum ficou a cargo mais uma vez de Gyula Havancsák da Hjules Illustration And Design que esta a frente desde 2004 com “The Last Supper”! O álbum tem previsão de lançamento nas seguintes datas: 11 de julho na Alemanha, Áustria, Suíça, Finlândia e Benelux; 16 de Julho na Espanha, Suécia e Noruega; 14 de Julho no Resto da Europa e 15 de Julho no EUA e Canadá.

edição limitada de 666 cópias

Lançamento

O novo álbum de estúdio da lendária banda Norte Americana de Thrash Metal, Helstar será lançado dia 25 de abril (Europa) e 29 de abril nos EUA. Há ainda uma edição limitada em vinil com 666 cópias em preto! Confira a nova faixa “Fall Of Dominion” no canal da AFM Records no Youtube. Clique AQUI.

O mais novo lançamento da banda suíça Shakra vai se chamar “33 - The Best Of” com previsão de lançamento par o dia 9 de maio. O álbum duplo inclui 30 clássicos da banda e 3 músicas inéditas .

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Participações especiais

Clipe novo

A banda de Symphonic Metal da Espanha, Diabulus in Musica, disponibilizou uma prévia de cada faixa do seu mais novo álbum “Argia” a ser lançado no dia 8 de abril com participações especiais de Thomas Vikström (Therion) e Ailyn (Sirenia). Veja link o da prévia AQUI.

A banda Italiana de gothic/dark Blackdahlia lançou o clipe de “Falling Down” faixa extraída de seu mais novo álbum “Fragments” formada atualmente por Samuela Fuiani (Vocal e Piano), Ruggero Doronzo (Guitarra), Luca Raio (Guitarra e backing vocal), Antonio Petito (Baixo) e Ludovico Massariello(Bateria). Veja o resultado do clipe AQUI.

Após 15 anos A lendária banda Finlandesa, Kenziner, está de volta à estrada 15 anos após seu último álbum “The Prophecies” de 1999 e com um novo álbum a caminho “The Last Horizon” a ser lançado dia 23 maio em todo o mundo! Previa de “The Last Horizon” - Clique AQUI. Tracklist: 01. Run For Your Life 02. Our Times 03. Heroes Ride 04. Devour The World 12

05. End Of An Era 06. Keep The Flame Alive 07. I Am Eternal 08. No Turning Back 09. The Last Horizon 10. Perfect Moment (CD Bonus Track)


Turnê europeia Acaba de ser lançado, via Kill Again Records, o novo álbum dos veteranos do Executer. ‘Helliday’ é o quarto álbum de estúdio nos 27 anos de história da banda. O Executer também se prepara para sua primeira turnê pela Europa. A banda viajará no mês de abril de 2014 para aproximadamente 20 datas. Recentemente o grupo foi confirmado no maior festival de Metal de Portugal, SWR Barroselas, onde divide o palco com nomes como Metal Church, Discharge, Hirax, Misery Index, Gorguts, entre outras.

70,000 Tons of Metal A banda Cannibal Corpse foi confirmada no 70.000 Tons of Metal. Até o momento, já foram confirmadas 15 bandas, em um total de 60 para a edição de 2015 do maior festival de cruzeiro do mundo! Outras bandas já confirmadas são: Annihilator, Arch Enemy, Blind Guardian, Chimaira, Ensiferum, Equilibrium, Grave Digger, Heathen, In Extremo, Korpiklaani, Origin, Therion, Threshold e Xentrix.

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Vídeo no Brasil

A Banda Kamelot liberou a segunda e última parte do vídeo “On The Road” Series: South America Part 2” O vídeo mostra os destaques e os bastidores das cidades brasileiras do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. Assista clicando AQUI.


Show Épico

Lyric Video

Na noite do dia 21 de março a cidade finlandesa, Helsinki, teve a honrosa alegria de presenciar um show épico! A banda sueca Soilwork gravou seu dvd e contou com a participação da linda Floor Jansen (Nightwish/Revamp) e Nathan James (Sonic Syndicate) foram os convidados para este show, que será lançado em dvd/bluer ray (Photo by Timo Isoaho). Agora é aguardar para ver o resultado.

Após a saída de Alissa White-Gluz, agora no Arch Enemy, a banda The Agonist não perdeu tempo e já preencheu o cargo com uma nova vocalista. Trata-se de Vicky Psarakis! Confira o lyric vídeo com nova música “Disconnect Me”. Clique AQUI e assista o novo vídeo da banda.

Lançando em vinil Os catarinenses do Zombie Cookbook anunciaram que seu mais recente álbum, o bem-recebido “Outside The Grave”, será lançado em formato vinil. A versão em LP será no formato ‘gatefold’ ou capa-dupla e terá um pôster exclusivo desenhado pelo artista Jansen Baracho, da Peligro Graphics. Lançado em 2012 em seu formato CD, ‘Outside The Grave’ e o Zombie Cookbook, colecionaram menções de melhor disco, melhor banda e revelação do ano. 14


MOA: Uma novela sem fim Após dois anos da realização do Metal Open Air, a justiça não julgou o caso e os organizadores continuam promovendo shows normalmente Por Pei Fon (@poifang | peifang@rockmeeting.net)

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este mês de abril completará dois anos que o “Metal Open Air” aconteceu, ou melhor, não aconteceu de fato. Os seus promotores Natanael Junior (Lamparina Produções) e Felipe Negri (Negri Concerts) foram processados por parte do público presente no festival, porém a justiça ainda não julgou os produtores. Para quem não se lembra do caso, o “Metal Open Air” ‘aconteceu’ nos dias 20,21,22 de abril de 2012, na cidade de São Luís (MA). O MOA reuniria as principais bandas do cenário Rock/Metal nacional nos três dias de evento, além de bandas de renome mundial como Exodus, Megadeth, Rock’N Roll All Stars (banda formada por Gene Simmons [Kiss], Sebastian Bach [Skid Row], por exemplo), Symphony X, Anthrax e entre outros. O que seria uma celebração tornou-se um problema de ordem judicial. O que estava 17

sendo divulgado não foi cumprido e as pessoas, que optaram pelo camping, foram alojadas em estábulos para animais. No local mal havia luz. Já a água estava armazenada nos cochos para cavalos. Isolados do centro de São Luís, a região onde o evento aconteceu, no Parque Independência, é conhecida por ser um local perigoso, ainda assim eventos aconteciam com frequência. Sem falar que o acesso ao Parque é difícil e não há boas saídas de emergência, nem o transporte público prometido chegava no parque. O MOA foi notícia em rede nacional e mundial, sendo destaque nos maiores sites especializado no Rock/Metal. Por meio de nota, as bandas nacionais e internacionais publicaram os motivos pelos quais não estavam presentes no festival. Dentre os motivos estavam a falta de pagamento do cachê assinado em contrato, visto que permite a entra-


da de estrangeiros no Brasil e passagens aéreas. Após um ano de Metal Open Air, até onde é sabido, a justiça do Maranhão confiscou os bens e imóveis que estão em nome de Natanael Junior e Felipe Negri, além do bloqueio das contas bancárias dos proprietários das empresas. O processo foi movido pela 2ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de São Luís. Na ocasião, foi pedida a prisão preventiva de Felipe Negri, porém não deve ter sido apreciado, uma vez que ele fora visto num evento em São Paulo. Aparições Diante do acontecido, já se vão dois anos do MOA e nada aconteceu. Algumas pessoas conseguiram ser restituídas por meio da justiça atribuindo a responsabilidade para as outras empresas parceiras do evento. Já Felipe Negri (Negri Concerts) tem realizado eventos em São Paulo. Em outras investidas de shows que o promotor tentou realizar, o público descobriu a participação de Negri e fizeram manifestações nas páginas no Facebook das bandas que estavam para tocar no Brasil, algumas delas desistiram de vir por conta da movimentação dos fãs. Mais recentemente, Felipe Negri foi visto num show da banda P.O.D, em São Paulo, como conta Shucky Miranda, vocalista da banda Skin Culture: “Essa última tour do P.O.D. foi ele (Felipe Negri) quem fez. Quem quisesse ver ele era só ter ido ao show. Todos viram”. Miranda ainda disse que foi barrado por Negri: “Eu ia como convidado do Sonny (guitarrista do POD). Sonny me ligou pedindo pra eu não ir ao show, pois o Felipe Negri pediu para o segurança não deixar eu entrar”, conta. 18

Já para o promoter, Maicon Leite, o país está manchado pelo ocorrido em São Luís: “Estamos no Brasil, e isso já diz muita coisa. Nosso nome está manchado, e por mais que existam pessoas que pouco se importam com o ocorrido, a sensação de impotência, de não poder fazer nada, nos causa certo desconforto, pois eu sei que muitos dos headbangers lá presentes entraram na justiça e cobraram seus direitos, afinal, não é porque se trata de um festival de Heavy Metal que não devemos tratá-lo como um produto”, dispara. E finaliza dizendo que o público está contribuindo para que Felipe Negri continue atuando no cenário de shows de Rock/ Metal: “O fato é que as pessoas, que não se sensibilizaram com toda esta vergonha, estão pouco se importando quem está por trás das produções, mas sim em assistir suas bandas favoritas. Obviamente muita gente está sendo conivente com o que foi feito. O dinheiro fala mais alto”.


Pode esperar um sho

Texto: Pei Fon (@poifang | peifang@rockmeeting.net)

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Foto: Guilherme Fernandez

ow sangue nos olhos!

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Saudações galera do Krow! É um imenso prazer este nosso contato. Sintam-se livres para falar aos montes e não meçam as palavras. Primeiro de tudo, sempre pedimos para os nossos entrevistados se apresentarem para os nossos leitores. Por favor, deem as boas-vindas. Olá! Somos o KroW de Uberlândia, Minas Gerais. Guilherme Miranda (vocal/guitarra), Jhoka Ribeiro (bateria), Lucas Carcassa (guitarra), Cauê de Marinis (baixo). É um prazer poder falar com vocês da Rock Meeting. Minas sempre teve um bom celeiro de bandas de Heavy Metal. É muita responsabilidade carregar este título? Sim, responsabilidade é a palavra correta! Quando se fala que é de Minas Gerais e que a banda toca metal, principalmente Thrash, Death, a exigência é grande. 2013 foi um ano de conquistas: tour pela Europa, tour americana com o Exhumed, gravação de EP na Suécia. Qual o saldo desta experiência fora do Brasil? Na verdade, com o Exhumed, fizemos a tour pela Europa também. O saldo foi extremamente positivo. A turnê de 2013 foi uma continuação da divulgação do disco “Traces of the Trade”, mas a tour ficou tão extensa que fizemos mais um braço da tour com o nome “Framework of Violence” que é uma música do mesmo disco. Foi a continuidade do trabalho feito em 2012, dessa forma, pintaram muitos convites e passamos o ano passado inteiro na estrada. Muitos shows e sempre no palco, que é onde mais gostamos de estar. Sempre perguntamos sobe a receptivi22


dade do público europeu e americano quando se trata de bandas brasileiras. Existe algum tipo de expectativa do público ou não é nada de especial? O que percebemos é que as pessoas esperam um show intenso e energético quando se trata de bandas sul americanas, principalmente as brasileiras! Na Europa tende-se a transparecer que tudo lá acontece, em termos de eventos underground. Há diferença nos locais, na organização ou vocês acabam reconhecendo o que é feito no Brasil? Na Europa há grandes gravadoras, eventos e uma logística favorável a tudo relacionado à promoção do metal, em amplitude mundial. Há uma cena muito profissional e o business funciona bem. Mas, é obvio, que reconhecemos o que é feito no Brasil. Somos um grande mercado, todas as bandas têm passado por aqui, do underground ao mainstream. O mundo metal é global e é necessário ter um trabalho bem feito por aqui também. Vejo com bons olhos tudo o que tenho acompanhado nos últimos anos na cena do país, o número de bandas nacionais e gringas circulando aumenta a cada ano, há profissionais sérios que trabalham com o metal e isso tem feito as coisas caminharem. É claro que o fato da mídia não tratar o heavy metal no país com a devida importância, os setores conservadores crescerem a níveis alarmantes em nossa sociedade e a bandidagem generalizada em todos os setores do governo (atualmente não importa o partido ou a orientação política infelizmente), são os aspectos que eu destacaria de forma negativa. Mas, isso não diz respeito a público e bandas, e sim às questões mais profundas que se arrastam há um bom tempo no Brasil. 23


Mudando um pouco de assunto. E aí, quando sai o cd substituto de “Traces of the Trade”, o que pode nos adiantar? O que posso adiantar no momento é que lançaremos um EP com duas músicas inéditas que gravamos com nosso produtor Ronnie Bjornström (Aeon/Meshuggah) em Umea na Suécia. Sairá em formato virtual em abril e físico em julho será intitulado “Relentless Disease”. Até agora é o melhor trabalho do KroW. Estamos com uma formação sólida e isso se refletiu nos sons novos. Esse EP é uma transição para o próximo álbum que, provavelmente, começará a ser gravado em 2015. Vocês foram confirmados num dos festivais mais respeitados do Nordeste, o Abril Pro Rock. Pela primeira vez no 24

festival, conta para nós qual a expectativa de vocês e, claro, o que público do APR pode esperar? Eu acrescentaria que o APR é um dos festivais mais importantes do Brasil, não só do Nordeste! Além disso, o festival tem a tradição de revelar/consolidar bandas no cenário da música pesada e alternativa. Fazer parte disso é sensacional e surgiu no melhor momento possível. O “timing” está perfeito. A expectativa é excelente. Todos os dias temos recebido inúmeras mensagens nas redes sociais e e-mails de pessoas que irão ao show e que querem ver a banda. Quem comparecer pode esperar um show sangue nos olhos! O que vocês conhecem do público nordestino e, claro, das bandas nordesti-


nas? Temos um ótimo contato com o público do NE. Já passamos pela região em outras oportunidades e a galera é quente, fiel e insana. Não é a toa que todas as bandas curtem tocar por lá. Há muitas bandas fudidas no Nordeste. A cena é brutal! Essa semana eu fui ao show do HeadHunter DC (BA), aqui em São Paulo, e foi foda pra caralho! Temos sempre acompanhado as bandas nodestinas. São muitos nomes para serem citados. Top 5. Esta é uma pergunta chave. Qual o top 5 das bandas que influenciam o som do Krow? Fale um pouco sobre elas. Pergunta complicada. A banda tem inúmeras influências e todos ouvem muita coisa. Esta25

mos em contato com música o tempo todo. Eu posso falar somente por mim nessa. Digamos que eu ficaria com Slayer, Megadeth, Sarcófago, Sepultura e Vader, que são as bandas que eu ouvia 24 horas por dia no auge dos meus 14 anos. Isso foi muito marcante! Mas, se fosse pra fazer uma lista, ela não caberia em uma só entrevista. Muito obrigada, galera. Sucesso sempre. E fica aqui o espaço para suas considerações. Eu que agradeço pela oportunidade de poder falar ao RockMeeting e é sempre um prazer poder estar em contato com nosso público. Um grande abraço e nos vemos na estrada!


Foto: Renan Facciolo

“... Is all bass I am” Texto: Pei Fon (@poifang | peifang@rockmeeting.net)

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C

ada pessoa que toca algum instrumento pensou em gravar algum material e, a partir disso, virar um DVD, videoaula ou participar de um workshop. Arranjando alguma maneira de transmitir o conhecimento adquirido. É sobre este sonho que batemos um papo com Fabio Carito, baixista das bandas Shadowside, SupreMa e Instincted, além de fazer parte da banda que acompanhará Warrel Dane (Nevermore/Sanctuary) pelo Brasil. Perto de iniciar a tour com Dane, Fábio disponibilizou um tempinho para nós e você pode conferir o resultado desta conversa. Deleitem-se! Olá Fabio, saudações! Este é o nosso primeiro contato como músico independente das bandas que faz parte. Para tanto, para aqueles que ainda estão perdidos, por favor, apresente-se para os nossos leitores. Olá pessoal da Rock Meeting. É sempre um prazer poder participar desta revista que, com certeza, é muito importante para mim. Sou o Fabio Carito, baixista das bandas Instincted, Shadowside e SupreMa. Hoje eu também faço parte da banda solo do vocalista Warrel Dane, que canta no Sanctuary e que teve no Nevermore. Agora, em abril, você está em turnê com o Warrel Dane, vocalista das consagradas bandas Nevermore e Sanctuary. Conta para nós como foi o contato do Warrel para fazer parte da banda que vai acompanhá-lo na tour. Começou em novembro do ano passado quando o projeto ainda estava em especulações e sondagens. Naquela época, um dos guitarristas (que também tem um forte contato com o 28

Fotos: Irisbel Mello


produtor dos shows) veio até mim e perguntou se eu estava disponível para uma possível tour solo do Warrel. Como eu sou muito fã, aceitei na hora. É uma felicidade sem tamanho ter o seu nome lembrado dentre tantos músicos bons e talentosos pelo país. Para agregar valor à sua experiência, você acaba de lançar o seu próprio DVD com técnicas e músicas das bandas que você toca. Como foi todo o processo? Começou tudo em julho do ano passado. Eu entrei em contato com algumas produtoras e, depois de algumas reuniões, consegui um pessoal que captou bem a minha ideia e começamos as gravações já em agosto. Tudo fluiu tão bem que em apenas um dia eu consegui gravar tudo. Depois disso veio a parte das edições e das artes, no qual eu mesmo me encarreguei de cuidar. “... Is all bass I am” é o título do seu primeiro DVD. Qual é a sua intenção com este lançamento? Eu achei que seria interessante documentar as linhas de baixo das músicas da “Instincted” pois foge um pouco do padrão que os baixistas estão acostumados a tocar e compor. Não se trata de virtuosismo mas sim de pensar um pouco diferente. Tocando muitas vezes de uma maneira independente dos demais instrumentos e dedicar um pouco mais de atenção nos timbres de determinadas partes isoladas. Não é uma vídeoaula mas, em muitos momentos, é possível conferir até 3 câmeras filmando o mesmo trecho simultaneamente de outros ângulos. Então tem alguns momentos até artísticos. Um outro fato importante é que eu sou parceiro da Roland. Então eu usei toda a aparelhagem de pedais da marca para mos29


trar que neste caso quantidade é qualidade, só sendo necessário ter um pouco de conhecimento na ferramenta e paciência para construir um timbre próprio. Em que momento você decidiu fazer um DVD ensinando o que sabe? Seria a realização de um sonho? Não sei se “sonho” seria a palavra, mas de fato fico muito feliz em conseguir fazer minha música chegar um pouco mais longe. A internet ajuda muito. Principalmente na velocidade do compartilhamento. É um material muito específico, considero que seja praticamente para baixistas que tocam Heavy Metal, embora você possa encontrar alguns grooves que caberiam em Disco Music, por exemplo. Em maio o público pode conferir de perto o que tem no DVD. Algumas datas estão marcadas para Aracaju e Maceió. O que a galera pode esperar do workshop, Terá alguma surpresa? Com certeza muita música. Não penso em fazer do workshop um bate papo envolvendo muita teoria, pois o tempo não permitirá e também não é este o objetivo. Vou tocar todas as músicas do primeiro EP da Instincted, as músicas dos novos clipes da Shadowside e SupreMa, uma música do Nevermore e no final, alguma banda que eu me influenciou bastante, e eu gostaria que as pessoas votassem. Quem sabe algo do Iron Maiden ou Rush. Terá material das bandas para venda e alguns brindes. Com certeza quem for não sairá de mãos vazias =) É verdade que no workshop será possível ouvir suas composições? Eu gostaria muito. Tenho três composições finalizadas e gostaria de, pelo menos, apre30

sentar duas delas. Um jogo rápido contigo. Top 5. Cite as 5 bandas que influenciam Fabio Carito. Fale um pouco sobre elas. (Steve Harris) Iron Maiden – Com certeza Steve Harris influenciou os baixistas em determinado momento, mesmo indiretamente. Ele vai além da música, como letrista, líder de banda e atitude. (Geddy Lee) Rush – Na minha opinião, hoje ele possui o timbre mais bonito no Rock. Até hoje cria belas linhas no baixo e sempre toca de maneira muito precisa e uniforme. Claro que ainda consegue brechas para 0 teclado. (Lars Ratz) Metalium – É curioso porque não o considero um ‘Bass Hero’, mas ele me influenciou a tocar com palheta e a experimentar pedais de efeitos nas músicas. Acho que pela sua atitude e visual no palco ele entra


nessa lista. Infelizmente a banda não existe mais. (Felipe Andreoli) Angra – Seguindo o exemplo do Metalium, o Andreoli me mostrou os fundamentos da maneira de tocar com 3 dedos e de adquirir resistência ao tocar andamentos mais rápidos. O cara é um monstro nacional e, até agora, intocável. (Markus Grosskopf) Helloween – Com ele eu já peguei noção de slap e walking bass dentro do Metal, e ele também consegue fazer seu baixo soar presente mesmo no Metal Melódico, onde sempre tem bumbos bem presentes. Tive a oportunidade de conviver um pouco com ele, e o que também pude absorver foi a sua simpatia e simplicidade. Para finalizar, o que você pode contar de novidade das bandas que você participa. Sucesso neste novo momento de 31

sua carreira. E nos veremos em breve! Felizmente estou em um ótimo momento. Anúncio em primeira mão que a Instincted já acabou as composições para o seu segundo EP, e devemos começar a gravar em junho. A Shadowside filmou o clipe para a música ‘Habitchual’ e estamos ansiosos para lançá-lo, pois queremos compartilhar com todos o resultado final e também estamos a nos reunir para começarmos às composições do sucessor ‘Inner Monster Out’. A SupreMa também filmou e lançou o clipe da música ‘Fury and Rage’, com uma superprodução cinematográfica e felizmente o resultado com as visualizações estão sendo ótimos. Agora é hora de concentrar para os shows solo do Warrel Dane e bola pra frente! Agradeço a revista pela oportunidade e um abraço. Até maio!


Por Erick Tedesco Fotos: Divulgação

“Tocaremos os clássicos!”

Desde que a nova turnê brasileira do Obituary foi anunciada na imprensa, os fãs querem saber o que de fato é a Classic Set-List Take Over Tour. O que pode nos adiantar sobre este set-list especialmente montado para os quatro shows no Brasil em abril? Donald Tardy– Claro! A resposta é simples: vamos tocar apenas músicas dos três primeiros álbuns – Slowly We Rot (1989), Cause of Death (1990) e The End Complete (1992). Tocaremos os clássicos! E quanto às novas composições, aquelas ainda sem título definitivo, que tocaram recentemente em shows nos Estados Unidos? Sim, também tocaremos algumas destas inéditas!

com estes músicos. Esta formação está junta há algum tempo. Terry Butler é nosso amigo há mais de 25 anos, o considero um dos caras mais bacanas e generosos que se pode conhecer no meio musical. Sem contar que ele é uma lenda viva e traz ao Obituary um grau enorme de profissionalismo. Nos fez atingir um novo patamar. Ken Andrews também é um amigo de longa data, um metalhead da Flórida que encara seu trabalho seriamente e estuda nossos álbuns para compreender, analisar como pode se encaixar no contexto do Obituary, contribuir e honrar o que Allan West e James Murphy fizeram pela banda. Estamos confiantes e felizes em tê-lo como a peça final da formação. Kenny é um cara alto astral, sempre contente, sempre de bom humor e pronto para destilar o metal!

A atual formação do Obituary se apresentará pela primeira vez no Brasil. Fale-nos sobre o rendimento da banda

A banda celebra os 25 anos de lançamento do debut Slowly We Rot, quando cravaram um estilo único de fazer

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death metal. Aquele esforço em soar autêntico perdura? A filosofia para compor nossos álbuns ainda é a mesma desde o debut: não nos preocuparmos com o que acontece ao redor, precisamos simplesmente compor músicas que amamos. Nunca tentamos ‘reinventar a roda’ com nosso modo de compor, deixamos esta fissura para bandas que estudam a arte do metal técnico. Entendemos que nossos fãs têm o mesmo amor pelo estilo de música do Obituary como nós temos. Então, enquanto compormos canções que queremos ouvir, acreditamos que os fãs estarão felizes e dando suportes a estes caipiras da Flórida! Em janeiro deste ano o Obituary se apresentou no já conceituado cruzeiro do metal 70.000 Tons Of Metal. Como foi a experiência de tocar a bordo de um navio? O 70.000 Tons Of Metal é sempre divertido. E como não seria, junto a 40 bandas e mais de dois mil fãs, com muita coisa para comer e beber? O último foi ainda mais legal para os músicos, embora uma punição para nossos fígados porque virou mais uma competição de bebedeira do que um festival de música! É 34

uma experiência incrível e gostaríamos muito de participar mais vezes. Esta será a quinta turnê do Obituary no Brasil, provavelmente vocês têm ideia do que é excursionar pelo País. Do que mais gostam nas turnês brasileiras? Gostamos de tudo por poder excursionar pelo Brasil, exceto a agenda de viagens porque estamos em um avião todas as manhãs, sem dormir. Mas amamos os brasileiros, a comida típica, a cultura local, e claro, os shows! Desta vez a viagem é apenas para o Brasil, mas quando o novo álbum for lançado, com certeza voltaremos para uma turnê completa pela América do Sul. Estou ansioso! O death metal, enquanto um estilo de música extrema consolidado, mudou muito desde que o Obituary apareceu nos idos da década de 1980. Algumas bandas o tocam rápido, outras preferem andamentos lentos e compensar no peso, e há ainda formações que adicionam efeitos modernos. Em sua opinião, qual é o sentido do death metal? Death metal é apenas uma palavra e estilo genérico que cataloga bandas. Estamos na ati-


va há tanto tempo que acredito termos nosso próprio estilo, chamo de Obituary metal. Você pode achar que é mesmo death metal e ficaremos orgulhosos disso porque estamos certos que termos personalidade. Os fãs adoram o que fazemos. Groovie, Flórida, mid-tempo, southern metal, é como gosto de caracterizar o Obituary. Mas até mesmo o Obituary incrementou a sonoridade praticada. Como explica as mudanças e aperfeiçoamentos ao longo dos anos? Tentamos manter o estilo desde que o criamos mas é óbvio que cada integrante se tornou melhor no seu instrumento com o passar do tempo. Juntos, nossas técnicas de composição foram aprimoradas e fluímos melhor agora, após 28 anos de carreira. Isto não é ciência de foguete, não somos cientistas de foguete, então ralamos bastante. E nestes quase 30 anos de carreira, quais foram os melhores momentos do Obituary? Toda noite e cada show é sempre o melhor momento com o Obituary. Pergunte a qualquer fã ou banda que já saiu com a gente e sa35

berá que nosso compromisso com esta rotina é aproveitá-la! Somos caras comuns, que não se encaram a vida tão a sério, mas sempre prontos para nos jogarmos no palco e beber cervejas no backstage. A banda está gravando o nono álbum de estúdio. Pode nos adiantar algo sobre este futuro lançamento? Notícia de última hora: o novo álbum do Obituary é tão pesado quanto as bolas do saco de uma besta! Pois é, é realmente pesado assim! O álbum já tem nome? Sim, tem.. Mas se te contar eu terei que te matar depois, então, aguente mais um pouco para saber! Depois de oito álbuns lançados e tantos anos dedicados à música, você provavelmente tem suas músicas favoritas do Obituary, não tem? Com tantas músicas que compusemos nestes anos eu realmente não tenho uma favorita. Minha resposta mais honesta, com muitos músicos, é que as minhas favoritas são as novas, que ainda não possuem nomes.


“Viemos de onde as

do Under Texto: Pei Fon com Rodrigo Balan

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bandas deveriam vir:

rground!�

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Mais recente trabalho, ‘Silent Revenge’, já foi lançado há algum tempo. Como vocês analisam a recepção do disco até o momento? Primeiramente, agradecemos a oportunidade de entrar em contato com os leitores da Rock Meeting. O Silent Revenge está com uma excelente receptividade por parte dos fãs no mundo inteiro e podemos dizer que esse álbum está traçando um rumo importantíssimo para nós, aqui no Brasil, e no mundo. Algo que estamos buscando há tempo. Outro ponto legal é que o Hibria entrou nas principais pesquisas de 2013 figurando sempre entre os primeiros colocados. Por exemplo, no Brasil, fomos eleitos a melhor banda pelo Whiplash!, além de ter todos os músicos muito bem colocados no ranking. No Japão, ficamos entre os melhores lançamentos do ano na Revista Burnn!, principal publicação especializada da Ásia, e os integrantes também figuraram entre os melhores nas suas categorias. Então só temos a agradecer aos fãs que nos dão este suporte desde o início. Estamos muito satisfeitos com tudo isso. O álbum, novamente, apresenta a banda apostando numa pegada mais pesada. Este é o caminho que vocês seguirão daqui pra frente? Não vamos aliviar a mão. Muito pelo contrário. Vem muito mais peso por aí. Porém, no próximo álbum, vamos “resgatar” algumas coisas das nossas origens trazendo elementos do som que nos ajudou a projetar o Hibria mundialmente, ou seja, o Power Metal. Uma vez um fã nosso disse que o Hibria, na opinião dele, é a banda de Power Metal mais pesada que ela já tinha ouvido. Nós curtimos esse comentário e vamos segui-lo a risca.

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Foto: Cassia Fogaça / Estacio

‘Silent Revenge’ é baseado em um filme argentino. É um disco conceitual? Qual seria este conceito? O Silent Revenge, como você mesmo disse, é um álbum que teve as suas letras inspiradas no filme “O Segredos dos Seus Olhos” mas não o consideramos um álbum conceitual. Vimos o filme e curtimos muito as mensagens que tiramos dele. É um filme que trata de vingança, corrupção e injustiças que acontecem na vida de qualquer um de nós. De uma forma ou outra nos identificamos com isso e escrevemos as letras inspiradas em acontecimentos das nossas vidas também. Já o seu antecessor “Blind Ride”, por exemplo, o consideramos um álbum conceitual. Nele tentamos mostrar trechos marcantes do livro o “Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Saramago. Este ano vocês comemoram 10 anos do lançamento de ‘Defying The Rules’, primeiro álbum do grupo e considerado um clássico no mundo todo. Vocês planejam fazer algo comemorativo a respeito? É muito cedo ainda para falar sobre isso, mas nossos fãs podem esperar que, em breve, teremos novidades a respeito desse assunto. No Japão vocês são bem respeitados e conquistaram o público oriental. Ainda falta conquistar o público do Brasil, ou é um processo mais lento? Acreditamos que o “Silent Revenge” é a continuação desse processo. Após seu lançamento, tivemos a oportunidade de tocar no maior festival de rock do mundo, o Rock in Rio, e foi uma experiência espetacular. O Silent Revenge é o nosso quarto álbum de estúdio e com certeza o sucesso que tivemos na Ásia refletiu por aqui, sim. Participamos em duas

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oportunidades do Loud Park no Japão (2009 e 2012), que é um dos maiores festivais de Metal da Ásia, e também tivemos mais três turnês solo, tendo tocado em vários outros países da Ásia como: China (Primeira banda brasileira a tocar lá duas vezes), Coréia do Sul, Taiwan, Hong Kong. Tocamos no Japão cinco vezes em cinco anos. Então esse reconhecimento de um dos poucos mercados que ainda compram CDs, apesar de toda crise da indústria fonográfica, acaba vindo para o Brasil e ajudando o Hibria a se projetar cada vez mais. O Hibria é atualmente a banda brasileira de maior sucesso no Japão e isso foi conquistado com muito trabalho, seriedade e perseverança. 40

A gente veio de onde a gente acha que toda banda deveria vir: Do Underground! É lá que tá a essência de uma banda: A vontade de tocar acima de qualquer outra coisa. Infelizmente o Underground no Brasil ainda é uma coisa “mal vista” o que é uma grande bobagem. Assim como o Hibria, têm várias outras bandas que merecem respeito e trabalham sério para crescerem e conquistarem o seu lugar ao sol. A coisa no Brasil é mais lenta sim porque o público ainda não aprendeu a valorizar o que temos em casa. O dia em que isso mudar, o cenário brasileiro vai ser um dos melhores do mundo, senão o melhor. No ano passado o Hibria teve a oportunidade de se apresentar no Rock in


Foto: Marcelo Mattina/ I Hate Flash

Pela primeira vez no Abril Pro Rock, qual a expectativa de vocês? E o que se pode esperar? Estamos com uma expectativa muito, mas muito grande para tocar no Abril Pro Rock pela primeira vez. Ainda mais que é o maior festival de Rock do Nordeste. Sempre ouvimos falar muito bem do evento e também sabemos da grande responsabilidade de fazer parte dele. Temos muitos fãs que pedem o nosso show no Nordeste e agora teremos a oportunidade de fazer com que eles cantem junto com a gente e participem do show o tempo todo. Estamos preparando um setlist com clássicos mais antigos e sons atuais. Temos certeza que será um show inesquecível para eles e para nós.

Rio. Qual a principal diferença de se apresentar num festival deste porte? Tirando o fato que é o maior festival de Rock do mundo, a exposição que a banda tem é fenomenal. Sem falar que fazer parte dos bastidores de um evento espetacular como esse é uma oportunidade ímpar. Quando recebemos o convite da produção para fazer parte do cast do Rock in Rio, ficamos muito empolgados. Por outro lado sabíamos da responsabilidade que tínhamos. Apesar de sermos brasileiros, muita gente que estaria presente lá ainda não tinha tido a oportunidade de ver o show do Hibria, então pensamos que este deveria ser um dos melhores shows das nossas vidas. Entramos no palco com muita vontade de suar a camisa e suamos mesmo. 41

Vocês conhecem algo das bandas do Norte/Nordeste, do público? Conhecemos o Madame Saatan. São sons bem diferentes e interessantes. Sabemos que o público comparece em massa e curte os shows de maneira bem intensa. O nosso show é muito pesado e com energia. Então acreditamos que essa mistura vai acabar em muito suor e dores no pescoço. Top 5. Quais as bandas que influenciam o Hibria? Fale um pouco sobre elas. O legal é que já tivemos a oportunidade de tocar com grande parte das nossas influências e foi uma honra para nós. Já abrimos para o Metallica, Ozzy, Megadeth, Black Sabbath, e, no Loud Park, tocamos no mesmo dia do Judas Priest e Helloween. Acho que mais do que uma influência no som, essas bandas ainda nos inspiram por estarem na estrada detonando até hoje! São grandes exemplos para a gente e creio que para muita gente também.


“Vai lĂĄ, suba no palco plateia, intimide a melhor, conqu Por Pei Fon com Maicon Leite Fotos: Rapha Simons

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Foto: Divulgação

o, olhe no olho da plateia, faça o seu uiste a plateia”

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Rock Meeting - O Unmasked Brains já tem mais de duas décadas de estrada, e só agora está lançando seu primeiro CD, intitulado “Machina”. De lá pra cá, a banda deu uma parada e voltou com força total, disposta a espalhar seu “All Metal” para todo o mundo. Por favor, conte aos leitores os principais fatos que marcaram a carreira do grupo nestes mais de 20 anos e o que o futuro lhes reserva. Reinaldo Leal: Olá a todos da Rock Meeting! Na verdade, nós existimos como Unmasked Brains desde 1993 (tocávamos antes com outro nome), e ficamos na ativa até 1996. Durante esse período, participamos de diversos shows no Rio de Janeiro, gravamos uma fita demo e participamos de uma coletânea com 4 bandas, lançada pelo selo Garage. Ficamos um bom tempo parado mas sem nunca termos perdido o contato um com o outro. Voltamos em 2011, o que seria apenas um show para marcar o também retorno do clube underground Garage, consolidado pelo finado Fábio Costa, acabou por marcar nossa 44

reestreia! Decidimos levar adiante com o máximo de qualidade que está ao nosso alcance, seja idealizando a temática visual da banda, criando conteúdo que permita ao fã de Metal buscar e encontrar material, e, principalmente, recriando nossa estrutura musical. O “All Metal”, estilo criado pela própria banda, engloba vários elementos do Heavy Metal, focando em uma sonoridade variada, com timbres únicos e muita melodia. Entretanto, peso e agressividade não ficaram de fora desta concepção musical. Quais os fatores mais importantes que acabaram dando início a esta direção sonora tão rica e elaborada? Um fator que colabora diretamente para nossa sonoridade é o amadurecimento da banda, coletiva e individualmente falando. A formação da banda praticamente é a mesma desde o seu surgimento. Apenas o baixista entrou logo após o primeiro show do retorno. E era um amigo de longa data, que adicionou ainda mais elementos musicais, tendo em vista sua


formação erudita (Denner Campolina é membro da Orquestra do Teatro Municipal do Rio de Janeiro). LGC (guitarras) é um observador musical nato, e tem uma característica única de usar a desconstrução musical, seja do estilo que for, para utilizar elementos isolados na criação de músicas para a banda. Elcio Pineschi (bateria) é uma verdadeira máquina de percussão e consegue não só extrair muita energia de seu instrumento como também compor padrões rítmicos que acrescentam muito valor à música. Eu (Reinaldo leal, voz/ guitarra base), procuro dar preenchimento rítmico às bases e procuro sempre melhorar a interface com o público, principalmente ao vivo. Quando ao nome do estilo, na verdade não queríamos nos definir como nada, apenas Metal, até mesmo pelo lema “energia e liberdade de pensamento”, para não ficarmos presos a rótulos. Mas como eles existem, que seja “All Metal”, todas as linhas do Heavy Metal convergindo para um único estilo, sem necessariamente ter que se prender a um. E energia! Energia, raça, pressão, atitude, isso tudo traz o peso que o estilo requer! 45

Geralmente tudo o que é novo ou muito diferente do padrão, causa estranheza ou cria uma distância do público, muitas vezes não dispostos a ouvir algo inovador. O Unmasked Brains, por seguir esta linha musical tão própria, já passou por algum tipo de dificuldade ou barreira imposta por pré-conceitos? Sim, é um risco que queremos e estamos dispostos a enfrentar. Como nossa música possui vários elementos, seja do mais rápido e enérgico, passando pelo progressivo, acaba agradando de alguma forma, e esse é o start do ouvinte prosseguir com a audição e ir percebendo e descobrindo as nuances do som. No processo de criação, nós não negamos nossas influências, mas também não permitimos que a influência se torne uma cópia daquilo que vamos produzir. Seria muito mais fácil e de rápida assimilação para quem está ouvindo, mas preferimos correr riscos a fazer o que já fizeram. Nós queremos o revés. Ele deve existir, faz parte! Só que o revés com respeito. E o respeito, você e sua atitude é que impõe! Nós temos uma passagem mui-


to interessante de pessoas que assistiram ao nosso show, identificaram qualidade musical, mas não entenderam muito bem, sendo que em outro show, em uma cidade vizinha, essas mesmas pessoas estavam presentes, e como de alguma forma já tinham ouvido nossa proposta, acabaram por gostar e curtir realmente, como uma descoberta de algo novo. Não estamos em busca de tapinha nas costas no final dos shows e resenhas nota 10. Se for pra botar a cara à tapa, que seja à vera! “Machina”, pelo que ouvi e foi liberado até agora, possui uma gravação limpa e cristalina, evidenciando todos os instrumentos com igual valor. Os riffs, bem construídos, casam perfeitamente com as linhas de baixo marcantes, gravadas “na cara”, assim como a bateria. Como rolou o processo de gravação? Quais cuidados tiveram ao apertar o “play” da mesa de som? Esse processo teve início quando estávamos parados, provavelmente em 2009. Eu queria ouvir nossas primeiras músicas com uma qualidade superior, possível graças às tecnologias disponíveis hoje em dia. Fiz as bases de bateria, respeitando o que o Élcio fez na gravação da primeira demo, gravei o baixo, LGC comprou a ideia e gravou solos e mixou. O resultado foi a web demo “Turning On”, que apesar de ter sido muito bem-aceito, nós tínhamos a consciência de que não transmitia a tal energia que tanto falamos e que é transmitida em nossos shows. Precisávamos desse “punch” e fundamentalmente ele viria com a gravação real das baterias. Ficamos muito tempo parados e sem treino e assim tivemos um grande período para que pudéssemos estar em forma novamente, principalmente o Élcio (bateria), muito exigente 46

consigo mesmo. Tendo a “web demo” como base, as músicas foram renovadas, e partiu-se para a gravação. Uma coisa era certeza: nós não faríamos qualquer tipo de edição. O que fosse gravado seria aquilo que estaria na master finalizada e aquilo que está na gravação estará na execução ao vivo da banda. A bateria foi gravada da maneira mais natural possível, sem metrônomo, sem guia, para que o Élcio gravasse da maneira em que mais se sentisse confortável, tal que faz nos shows. E daí foi a coluna vertebral de onde os outros elementos foram sendo depositados. Denner fez as linhas de baixo de acordo com o que a música exigia, e as guitarras foram gravadas em camadas, que trazem definição, energia, dinâmica e peso simultaneamente. Alguns


detalhes foram gravados sem nenhum tipo de distorção. Se ouvirmos uma dessas trilhas, chegam a ser ridiculamente limpas, mas trazem um brilho e dinâmica que seriam muito difíceis de alcançar apenas com saturação e compressão. Para as linhas de voz, tentamos fazer algo mais rico melodicamente, mas sem se afastar com o peso que as composições pedem. Posso garantir que o ouvinte, cada vez que der um play nas músicas, perceberá novos elementos que ele não tinha notado anteriormente. Novamente com o comando de Jobert Mello na concepção gráfica, o Unmasked Brains sugere uma linha futurista, com uma belíssima ilustração. No que 47

se refere ao campo temático, o que as letras da banda abordam e qual o significado que tentam passar ao ouvinte? Nós sempre nos preocupamos com a identidade visual da banda. A parceria com o Jobert Mello foi fundamental! Queríamos dar uma cara para nossa música. Estamos todos nós ligados de alguma forma à tecnologia. E buscamos inspiração no título de uma de nossas músicas para chegarmos ao tema principal da banda: “Máquina”. Todas as criações do Jobert estão ligadas a este tema, com seu auge na capa do CD, que é a própria “máquina” personificada em uma figura que lembra um ser humano, uma mulher. É o fator humano que faltava, que veio dar a vida a todo apetrecho maquinário do tema. O Jobert en-


tendeu bem a proposta, e conseguiu inserir elementos da mecânica, eletrônica, acústica e biológica na arte. É o ser humano interagindo e (ainda) controlando e se utilizando dos benefícios das máquinas. O processo de criação visual ainda não está completo. Muito em breve novidades ainda serão apresentadas! E ao vivo levamos tudo isso para o palco, montando toda a estrutura cenográfica que dá identificação às nossas apresentações. Seguindo a tendência do mercado atual, “Machina” será lançado de forma independente, correto? Num mundo cada vez mais virtual, opções digitais estão nos planos? Sim. A questão de ser independente traz uma autonomia muito interessante, pois a prestação de contas é para nós mesmos. Mas essa independência, essa autonomia não significa isolamento. Nós sabemos o momento de buscar parcerias, de adicionar know-how especializado que sem sombra de dúvidas torna o processo mais profissional. É o caso da própria criação gráfica, como já disse, a cargo do Jobert. E agora ainda contamos com a assessoria da Wargods Press, tocada pelo Maicon Leite. Um fator muito importante com os suportes de terceiros é a visão exterior que eles trarão. Como sempre estabeleço, é fundamental que essa visão seja livre dos mesmos vícios que já disse anteriormente: a da palavra bonitinha, do tapinha nas costas. Quando se recebe um feedback de alguém que caminha junto com você, esperamos direcionamento, críticas, opiniões, mesmo que discordantes. Quando as oportunidades surgem, e nós percebemos que a parceria será uma via de duas pistas, ambas seguindo na mesma direção, não hesitamos em aproveitar. Outra parceria que não posso deixar de 48

mencionar é com nossa 5ª integrante, Sigried Buchweitz, esposa do baterista, editora do blog Rio de Metal. É a que mais interage com minhas maluquices, sempre aparecendo com uma maluquice maior! Acabei me alongando no assunto independência sem falar especificamente na “Machina”. Será, sim, lançado de forma independente, queremos alcançar o maior número de pessoas, botar o bloco na rua, escrever o nome no gibi. Mas adianto que o acesso às músicas será bem amplo, não ficará restrito ao CD. Estamos estudando formas de disponibilizar tudo em nosso site e em nossos canais.


A cena carioca, entre alguns altos e baixos, parece que está se reerguendo. Sendo um sobrevivente da década de 90, qual sua posição sobre esta atual conjuntura do “movimento”? O que falta para uma série de melhorias neste meio em que vivem? Na sua concepção, o que pode ser feito, em que público e bandas saiam ganhando? De cara, já adianto o que pode ser feito pra já: eliminar, de uma vez por todas, essa mania de se reclamar e buscar culpados para “o-porque-do-metal-estar-assim-ou-assado”. Já seria muito, seria excelente. Senhores, senhoras, atenção! Olhem ao redor. Nós não somos 49

um país de berço Metal, sequer Rock ‘n’ Roll. Não é um discurso conformista, mas vamos aos fatos: você, que está lendo, já parou pra pensar que o artista de música popular brasileira, cantores e músicos excepcionais que o Brasil tem, não possuem nenhum tipo de apoio ou “cena” para poderem expressar sua arte? Que na sua grande maioria tocam em barzinhos onde os frequentadores estão pouco se importando para o que o artista está tocando? Mesmo que aos trancos e barrancos, por todo Brasil existem lá seus bares Rock, seus undergrounds, onde rolam shows, eventos, até festivais, onde estarão lá pessoas específicas para ouvir sua música. Então, de


cara, paremos de reclamar. Reclamem sim, mas com conteúdo. Chega desse papo de buscar culpa em público, em produtores, em banda cover, em declarar guerra ao Funk ou ao pagode, ou seja lá ao que for. Vai lá, suba no palco, olhe no olho da plateia, intimide a plateia, faça o seu melhor, conquiste a plateia, e depois vá até a plateia trocar uma ideia, rir com seus amigos, tomar uma cerveja, tornar-se plateia e assistir à próxima banda! Outra chatice é a patrulha do metal e seu manual técnico do headbanger. Quando leio algo do tipo: “estilo Metal sem frescura”, me pergunto: o que seria essa frescura... pois uma coisa que a gente vê por aqui, ou melhor, aqui, aí, em tudo que é lugar, é frescura. Um monte de cagação de regra que só faz complicar e segregar algo que nasceu para justamente romper com as regras! Liberdade, cara. Liberdade. A 50

equação é simples. Você pode estar ouvindo um som tosco, cru, rude, batido, mas no final, o que importa é se você gostou ou não. Se aquilo te agradou, se você se identificou com aquela música ou banda. Simples! Da mesma forma a relação produtor/banda. Quando se estabelece um contato para se firmar um show, as condições são estipuladas de ambos os lados. Se aceita ou não. Se for bom para ambos, ótimo. Se não se chegar a uma condição ideal, que seja numa próxima oportunidade, sem qualquer tipo de ressentimento, apenas o respeito deve prevalecer sempre! ... Deixa essas bobeiras pros pré-adolescentes, aqueles com 8, 9 anos... Uma coisa que está virando costume por aqui, no Rio de Janeiro, que eu acho fundamental: facilitar (dentro das regras) a presença de menores em shows. Eu tenho certeza de que devemos, com todas


as forças, atrair cada vez mais os jovens. Não com aquele discurso saudosista, de que “na minha época é que era bom”. O bom é agora, como foi bom naquela época e como será em uma época futura. Traga o mais novo pro seu lado, mesmo que ele só saiba cantar “Nothing Else Matters” ou diga que “Orgasmatron” é a melhor música do Sepultura. Não ridicularize o cara, faça melhor. Estão pipocando festivais por aqui, como o Piabetá Rock e o Cruzada Metal, que o “bonde dos novinho” botam para fuder de uma maneira enlouquecida! E recentemente, o Luciano Paz vem produzindo shows no Teatro Odisséia, fazendo de tudo com a produção da casa para conseguir a liberação legal de menores de idade acompanhados. Isso é fantástico! E quando você for a um show, procure material da banda que lá tocou. Vasculhe pela internet! Replique 51

conhecimento, mostre a novidade pros seus amigos! Reinaldo, muito obrigado pela entrevista, esperamos ver a banda mostrando seu “All Metal” pelo Brasil! Algum recado especial? Gostaria de agradecer imensamente, em nome de todos da Unmasked Brains, a oportunidade e espaço concedidos! Tem muito mais assunto pra falar, mas isso é pra quando estivermos juntos, assistindo a um show e trocando uma ideia, bebendo uma cerveja, uma água ou seja lá o que for! Aguardem, pois teremos muitas novidades durante esse ano! E tenha certeza que aqui, no Rock Meeting, tem sempre café no bule! Abraços a todos!


Foco, suor e

sangue Por Ellen Maris e Kyenne Santana ( Sunset Metal Press) Fotos: Matheus Leite

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Quais as influências mais significativas para a banda visto o forte trabalho que vocês desenvolvem não apenas musicalmente mas também na temática das letras? Então, as principais influências são bandas como Slayer, Exodus, Testament, Korzus, Krisium, Sepultura e mais algumas bandas que seguem essa mesma linha. Agora, em relação às letras, nos baseamos nesse caos social que vivemos hoje. Essa bagunça desvairada que se segue, essa politicagem podre submersa em corrupção, essa alienação generalizada que se permite cegar pela ideia da copa do mundo. A todos que acham que dar 10% de algo seu para alguém é o suficiente para se redimir de algum de seus erros, a toda essa parte que está satisfeita em viver na sua própria miséria que não consegue mais se erguer contra toda essa opressão. Desejamos nossas sinceras boas vindas ao novo guitarrista Rodrigo Simão e aproveitamos para perguntar a ele sobre quais as expectativas de fazer parte de uma banda como Stodgy. Você já participou de algum outro projeto? Como tem sido a recepção? Valeu! Antes de tudo, são todos amigos de longa data. Não houve nenhum projeto anterior que valha a pena comentar, por conta da importância e outros motivos. Vivo um caso de amor e ódio com a música e com a guitarra ha muito tempo e agora tenho a oportunidade de demonstrar isso. Esse é meu estilo de banda. A atitude da Stodgy, diante do cenário sempre me agradou, fico muito feliz de fazer parte disso agora. Quanto à recepção, só estou esperando meus US$ 1 M.! É notória a crítica social presente nas 53

letras do álbum da banda. Como pensar a música como um agente de mudança ou de conscientização? Acho que a música consegue atingir os dois momentos onde, a partir do momento que haja uma conscientização, haverá certamente uma mudança. E sim, nós pensamos que se é possível exercer essa tarefa por esse caminho, afinal a música é uma forma de protesto, de insatisfação, onde dali podemos nos expressar e mostrar com exatidão onde é o ponto que não concordamos, se quem ouvir concordar, estamos cada vez mais próximos de uma possível mudança. Nossa curiosidade está aguçada quanto ao pensamento de vocês a respeito de vários fatores nos mais diversos âmbitos. Faremos uma pergunta que irá mais a fundo a fim de absorver ao máximo a ideia de vocês: Ainda existe arte verdadeira na música ou o que existem são apenas conceitos em cima de influências de bandas antigas já consagradas, em cima de algo já “pré-construído” ao longo de décadas? Olha, sempre há espaço para o novo. Acreditamos que música é inspiração, mas não tem como fugir de influências que nos circundam. Não podemos pensar que tem como fugir de algo “pré-construído”, afinal, essas influências não se estendem somente no quesito musicalidade, mas sim, em tudo o que está junto com esse “movimento”, como atitude, trejeitos, aspectos e por ai vai. Para a Stody, existe algum tipo de público específico/alvo que queiram atingir? Depende. O público alvo é quem curtir o nosso som e tiver interesse de ver o show, adqui-


rir o CD, curtir a página na rede social. Nós somos bangers e acreditamos fazer música para bangers. Mas isso não é uma determinação. Rock versus manifestações; Na visão da banda há alguma similaridade? Sim, sem dúvida. O nosso som é uma forma de manifesto. Todas as críticas levantadas, nas letras, se faz com a insatisfação do que nós percebemos de errado com o que vivemos. Claro, que não temos como generalizar isso a todas as bandas, como existem mani“festa”, existe também letra “farofa”. Uma palavra, frase ou lema que descreva o objetivo da banda para 2014? Foco, suor e sangue. Acho que isso define bem, a partir destas 3 palavras temos como 54

meta novos trabalhos, aliás, novas músicas já foram compostas, estamos ainda na dúvida se devemos esperar para lançar mais um CD ( como no caso de Rain of Hate), ou lançar um EP com algo em torno de 5 músicas. Mas são apenas planos, futuramente aparecerá alguma coisa na rede social. Para vocês, qual a sensação de subir ao palco? O público da Stodgy lhes transmitem força e verdade? Acreditam no real apoio do público? A sensação é indescritível, é boa para caralho. O nosso público é foda! Percebemos que os que estão ali, agitando, banguiando, estão curtindo de verdade, sabe? Eles estão ali por inteiro, assim como nós. Quando temos um show, nos preparamos bem para ali tocarmos 100%, para que consigamos passar tudo o


que bolamos nas letras e nas composições e percebemos bem essa troca. Sim, sem dúvida o apoio do público é um fator muito importante. Vocês já integram a cena underground ha bastante tempo e por isso acredito terem competência para opinar a respeito da cena atual brasileira. Concordam que o underground esteja sendo deixado de lado pelo próprio público/ produtores do underground? Acreditam numa evolução dessa situação pra melhor? Cara, essa é uma pergunta difícil. Acreditamos que quando o evento tem uma boa produção a galera comparece, e aqui na cena existem bons produtores. Agora, o problema, é que no meio dessa galera sempre tem tam55

bém os oportunistas de plantão, que sempre conseguem meter uns eventos, feitos a moda a caralho. Com um som ruim, que não pagam as bandas, muito mal oferecem um lanche, cobram um preço alto pelo que se propõem a fazer e acham que isso é o ideal, claro que as pessoas não vão. Tanto o público quanto as bandas merecem ser tratados com respeito. O público merece um som de qualidade, em um lugar bacana, que tenha como consumir um rango maneiro, a cerveja gelada. A banda que está mostrando o seu trabalho, merece receber uma grana. Se não tiver como pagar, pelo menos, uma ajuda de custo, se tiver como rolar uma cervejinha, pão. E tem como isso acontecer. Claro, em meados do ano passado, nós e mais duas bandas parceiras, a Monstractor e a D’Front, nos juntamos e mobilizamos um evento na cidade de Resende, aqui no estado


mesmo, que deu certo. Tivemos alguns problemas de última hora, mas como em qualquer evento pode acontecer, mas superamos e foi bem legal. Conseguimos trazer a galera do Saranha e a MetalThorn, nesse esquema que falamos acima. Se as bandas se conscientizarem que elas mesmas podem montar seus eventos e não se acomodarem esperando que as chamem, a cena pode melhorar. Agradecemos pela entrevista e apro-

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veitamos para pedir que façam suas considerações finais. Galera, muito obrigado pelo convite de participar aqui da Rock Meeting, obrigado a toda galera que curte o nosso som e nos apoia. À todas as pessoas que realmente apoiam a cena do underground, que suam para fazê-la se movimentar, as que realmente se esforçam para que esse movimento nunca suma. E aos parasitas que existem, sempre querendo se aproveitar de uma imagem “eu apoio a cena e blá,blá,blá” mas que todos sabem que não representam nada, um dia a casa cai, viu. É fácil enganar poucos, muitos, a coisa complica. Se depender de nós, vocês estão fudidos! (risos maléficos) Mais uma vez obrigado e Thrash Till Death!!



Revista Rock Meeting #55