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É P O C A S P L U X O

luxo

ED I Ç Ã O E SPEC I A L D A R E V IS TA ÉP O C A S Ã O PAULO

O MELHOR DO MELHOR EM TODA A CIDA DE SUPERGUI A COM OS 1 8 0 ENDEREÇOS M A IS E XCLUSIVOS DE S ÃO PAULO G A S TRONOMI A , LOJ A S , NOITE , MODA , JOI A S , C A S A ...


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10 lojas fora de série Endereços incríveis, de lugares em que luxo também é sinônimo de arte, design e altas descobertas pessoais Por Teté Martinho • Fotos Everton Balardin

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o vasto e intrincado labrinto do consumo paulistano, há lugar para mais de um conceito de luxo. Nos últimos anos, a cidade viu chegar, uma a uma, as marcas globais que reinventaram o segmento top com seus ícones de status, riqueza e poder. Isso não impediu que, na mesma vizinhança eleita por elas para fincar suas bandeiras, os Jardins, brotassem também opções para quem identifica luxo a uma produção mais arrojada de bens: aquela que desafia o usual, o modismo e o gosto médio apostando na excelência em design, qualidade artística, humor e inteligência. Ou, de preferência, tudo isso junto. Coincidência ou não, os endereços que melhor exemplificam esse luxo que se avizinha da arte estão concentrados no eixo imaginário composto pela alameda Gabriel Monteiro da Silva e a Rua Melo Alves, nos Jardins, e por pontos estrelados da região contígua de Pinheiros. Alguns são novos. Outros, tradicionais: antiquários especializados em design, garimpeiros de objetos únicos, artesãos extremamente requintados. Trata-se, de todo modo, de um circuito de negócios singulares, em que os produtos são garimpados mundo afora ou frutos de ideias criativas e de um trabalho aetesanal minucioso. Esses, digamos, tais 90

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LUXO NA CABEร‡A Tiara aberta, em bronze banhado com ouro rosa e รกgata tingida, de Elisa Stecca


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segredos “luxos singulares” custam tanto quanto os outros – às vezes até mais. Nesse circuito, a regra são peças cotadas em outras moedas e valores que os vendedores precisam ir lá dentro checar. Como as poltronas Leatherworks, que os irmãos Fernando e Humberto Campana criaram para a fábrica italiana Edra, e que ocupam lugar de destaque no sofisticado mix de móveis e objetos da Conceito Firma Casa (Al. Gabriel Monteiro da Silva, 1.522, tel. 3068-0380). Afinal, quanto valem as folhas de couro primorosamente cortadas e costuradas, acrescidas do toque do gênio da dupla, que figura entre os designers mais reconhecidos do mundo? A moça volta com a resposta: 14.899 euros. Mesmo para aqueles movidos por simples curiosidade, a loja é uma visita deliciosa. Contemporânea e irreverente, mistura design de primeira qualidade e última geração com arte popular e peças garimpadas em viagens à China. Para completar, a Conceito ainda exibe, aqui e ali, óculos da marca inglesa Cutler & Gross, peças de roupas brasileiras e italianas escolhidas a dedo e até miudezas, como velas de cores incríveis. Um humor sutil transparece na escolha de itens como o pufe de cordas de náilon coloridas de Marcelo Rosembaum ou o bule enfeitado com fatias de bolo de porcelana. Peças de maior porte, como o candelabro envolvido por uma “saia” de poliéster reflexivo, do estúdio holandês Moooi, não deixam dúvida: em matéria de design, eles estão falando sério. Uma das grifes mais celebradas do momento, a Moooi também está presente com grande destaque em outro templo paulistano ao design contemporâneo: a MiCasa (R. Estados Unidos, 2109, tel. 3088-1238). Com o Volume B, um “cubo cinza” projetado por Marcio Kogan anexo à sua fachada, a loja incentiva aquele gênero de design que prefere correr o risco de horrorizar à desventura de não provocar reação alguma. Muitas peças ali vendidas exibem uma boa pitada de provocação em suas formas. Além de estripulias como a luminária espetada na cabeça de um cavalo em tamanho natural, a MiCasa oferece preciosidades para clientes arrojados: o gabinete da BD, de Barcelona, com paisagens de histórias em quadrinhos esculpidas na resina branca que recobre a madeira; o cabideiro infantil Paradyse Tree, de Oiva Toikka, uma enorme haste de flor estilizada; e a mesa Crochê, um prodígio de delicadeza e simplicidade de Marcel Wanders, da Moooi. Ao produto dos designers da hora, a loja soma clássicos dos clássicos (Eero Arnio, Charles Eames) e bambambãs (Javier Mariscal, Philippe Starck), e também criações de novos artistas, como a mesa de centro feita com um portão pelo brasileiro Zanini de Zanine, filho do arquiteto José Zanine Caldas. O dono da MiCasa, Houssein Jarouche, pretende erguer um hotel-design ao lado da loja.

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Bem-vindo à Melo Alves

Como o hotel ainda não saiu do papel, alguma hora você terá de ir embora. Pena, ainda que a perspectiva de subir a Melo Alves seja animadora. Logo depois da Oscar Freire, a diversão continua na Loja do Bispo (R. Dr. Melo Alves, 278, tel. 3064 8673), uma garantia de boas ideias de grande impacto visual. Na casinha antiga, a criativa honorária Pinky Wainer faz valer o mote do néon sobre a entrada: “A revolução continua”. O que, em seu caso, se traduz em reunir vários atributos – senso de humor, erudição em arte contemporânea e cultura pop, olho vivo, faro fino – para a reunião de uma oferta sem igual na cidade. Que,


DESIGN E ARTESANATO O mix contemporâneo da Conceito Firma Casa: em sentido horário, a partir do alto, à esquerda, pufe de metal e corda de náilon do arquiteto e designer brasileiro Marcelo Rosembaum; macaquinho asiático de madeira pintada; a poltrona Aguapé, que Fernando e Humberto Campana lançaram em Milão, há dois anos; e a bem-humorada boleira de louça da inglesa Tina Tsang

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JOIAS LUMINOSAS Lustres de murano italianos na Collector’s: à esquerda, da década de 1940, com esferas rosa e transparentes; nesta página, modelo da década de 30

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COR Tropicália, de Patricia Urquiola, na MiCasa

nesta temporada, inclui um recanto dedicado aos livros de artista, peças artesanais únicas ou produzidas em séries limitadas por profissionais daqui e do exterior. Na Loja do Bispo você pode encontrar ainda: uma maravilha chamada Papier d’Armenie, papeizinhos que você queima e que deixam um aroma delicioso na casa; letras e números soltos, de fontes clássicas, retirados de imóveis demolidos; colares requintados de pedra e retalhos de tecido; um livro sobre pássaros no qual, ao virar a página, você aciona não apenas uma maquete pop-up do habitat do bicho, mas também um mecanismo sonoro que reproduz o seu canto; frases para adesivar na parede, como “Speak low” ou “I will survive”; um pôster de filme africano; um ex-voto com pulseira. Em suma: presentes para quem já tem tudo. Tudo mesmo. Em vez de voltar à realidade, atravesse a rua e ande meia quadra Jardins adentro: você retrocederá meio século até a era de ouro do modernismo brasileiro. A especialidade 96

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da Passado Composto (Al. Lorena, 1996, tel. 3088-9128) é a produção de design dos luminares do movimento no Brasil: Sergio Rodrigues, Joaquim Tenreiro, Jorge Zalszupin, Jean Gillon, Geraldo de Barros, Lina Bo Bardi, Michel Arnault, Zanine Caldas. Desfrute a beleza, o conforto e a “brasilidade” de criações como a Poltrona Mole, de Rodrigues, de couro e jacarandá; e conheça “irmãs” não tanto notórias, mas não menos incríveis, como a Jangada, de Gillon, cujos assentos de couro repousam sobre redes de pescador. Essas duas peças bastariam para fazer do “antiquário moderno” um lugar de sonho. Mas há muito mais à mostra. Como uma autêntica tapeçaria de Kennedy Bahia, sucesso nos anos 1960, e três lustres de cristal gigantescos, arrematados no recente leilão dos móveis e objetos do finado Hotel Ca’D’Oro. Loucura maior, em matéria de lustres deslumbrantes, só na Collector’s Século XX (R. Melo Alves, 395, tel. 3062 4805). Há 20 anos no local, a galeria é referência em mobiliário e objetos art decô, móveis brasileiros de meados do século passado e, sobretudo, lustres italianos e franceses dos anos 30 e 50 – verdadeiras obras de arte, com suas cascatas de murano e seus preços razoáveis. Antes de deixar os Jardins, vale passar pela As Elisas Butique (Al. Franca, 1.357, tel. 3062-2672), casa que a estilista gaúcha Elisa Chanan e a designer paulistana Elisa Stecca abriram no fim do ano passado. Formada em artes plásticas pela Faap e com passagem pelo célebre Estúdio Berçot, em Paris, Stecca trabalha com metais, vidro, resina e pedras brasileiras, recriando formas da natureza em brincos, tiaras e grandes colares. Tudo personalíssimo. Nos últimos anos, começou a criar também o que chama de “joias para a casa” – bandejas acrílicas com


IDEIAS Em sentido horário, a partir do alto, à esquerda, móveis à venda no Volume B da MiCasa; página do livro Lubok, de vários artistas, na Loja do Bispo; detalhes da poltrona Antibody, de Patricia Urquiola, e da mesa Crochê, da Moooi, na MiCasa; manequim com meridianos de acupuntura na Loja do Bispo e o interior da loja

FORMA Vaso de murano italiano da década de 1950

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COM HUMOR Band-aid, anel de cobre da designer Elisa Stecca

recortes, talheres com corpo em forma de coral – e “joias luminosas”, luminárias-instalações cujos desenhos se desdobram em sombras e cores projetadas nas paredes.

Outras joias

Atravessando a Rebouças, o outro “alto” de Pinheiros esconde endereços descolados do mesmo naipe. Num quarteirão insuspeito, por trás de uma fachada linda mas um tanto escondida, encontra-se a coleção de móveis dos anos 50, 60 e 70 da Varuzza (R. João Moura, 499, tel. 3898-0458). Há anos que o dono, Ricardo Varuzza, especializou-se em garimpar mesas, cadeiras, sofás e luminárias da época, de madeira, acrílico ou espelhadas. Parte delas carrega pedigree. Parte é singelamente anônima, como o carrinho de feira de madeira. A poucas quadras, outro quarteirão pacato acolhe a Livraria Pop (R. Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 297, tel. 3081-7865), um paraíso para os viciados em artes visuais e cultura pop. A coleção de livros de fotografia, design gráfico, tipografia, 98

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ilustração, moda, cinema, quadrinhos e arquitetura é de babar – e ainda há toy art, caderninhos portugueses irresistíveis, uma arara de camisetas exclusivíssimas e pequenos objetos. Concebida pelo diretor de arte Roger Bassetto e sua mulher, a publicitária Mônica Fragoso, para acolher “mentes artísticas, criativas e curiosas”, a Pop ainda abriga um café-bar charmoso e uma galeria de arte. Outro casal reunido em torno de um projeto criativo, Caio Medeiros e Daniela Scorza, mantém um pouco mais longe, na Vila Madalena, o pequeno – porém diferente de tudo – Estúdio Manus (R. Girassol, 310, tel. 3032-0679). É na loja-ateliê que os dois desenvolvem e expõem seus “inutilitários”: espelhos coroados, xícaras com asas, chapéus étnicos convertidos em luminárias. Inspirados em viagens por destinos que vão da Bolívia à República de Mianmar, as criações da dupla são unanimidade entre os que entendem do babado. “O Estúdio Manus produz hoje a mistura mais sofisticada de desenho e arte de São Paulo”, diz, sobre eles, o arquiteto Isay Weinfeld. Os objetos dos Manus, assim como de uma leva de outros novos e talentosos designers brasileiros de joias, roupas e acessórios, estão também na IT Design (R. Coropés, 88, tel. 2245-1916), loja que a empresária Marisa Ota, ex-dona da saudosa Zona D, criou dentro do Instituto Tomie Ohtake. Das joias de prata de Marina Sheetikoff às roupas de seda com versos bordados da Dormir para Despertar, de gargantilhas de renda a echarpes cortadas a laser, a loja oferece uma sucessão de surpresas em desenhos inovadores e produtos especiais. Incrível que, num espaço tão pequenino, seja possível reunir tantas ideias para quem busca luxo. Mas sempre salpicado por algo mais. Aquele algo que faz toda a diferença. SPL


FORMA Vaso de murano italiano da década de 1950

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O esporte puro-sangue Os bastidores da Copa Ouro de Polo, o principal torneio brasileiro do esporte, uma celebração que combina a natureza, o amor aos cavalos, a boa vida e a elegância Por Camilo Vannuchi • Foto Renato Stockler/na lata

UNIFORME Como chuteiras personalizadas, simpáticas polainas desenham um colorido balé sobre o gramado. 1 0 0 ÉPOCASP LUXO


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anhã de sol em Indaiatuba, a 90 km de São Paulo. Os cavalos chegam cedo ao Clube de Polo São José. É preciso escová-los, aparar as crinas, trançar as caudas. Selados e vestidos com simpáticas polainas, eles aguardam à sombra pela primeira prova. Uma partida juvenil ocupa um dos três campos do clube. Como os golpes costumam castigar os gramados, o melhor deles tem de ser preservado para a grande final, prevista para as 15 horas. Antes, um amistoso entre mulheres usará o mesmo campo. Os atletas juvenis, de 10 a 16 anos, deixam o ringue. Entre eles Dudu, de 15 anos, filho de José Eduardo Kalil, o anfitrião da jornada. Dono do Clube de Polo São José e comandante da equipe homônima, Kalil é um dos maiores entusiastas do polo equestre no Brasil. Tem 43 anos de idade e 30 de polo. Aos 19 anos, diz ter sido acudido após uma queda em Londres por ninguém menos que Lady Di. Kalil joga todos os anos na Argentina, país que é uma referência internacional no esporte. É ele o promotor da Copa Ouro, que inaugura a temporada brasileira de alto handicap – e reúne a elite da modalidade. Única prova no país que conta pontos para o ranking mundial, a Copa Ouro foi disputada em maio, com a pompa necessária para firmar-se como nossa maior vitrine do polo. Exclusiva para convidados das equipes e dos patrocinadores, a festa da final transformou um sábado de sol em uma celebração ao esporte e à vida no campo. Ambas com estilo e sofisticação, como revelam as imagens deste lindo ensaio.

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ESTRELAS O tráfego de helicópteros foi constante ao longo do dia, trazendo parte dos convidados da capital. Vizinho ao aeroporto de Viracopos, o Clube de Polo São José recebeu a visita de muitos argentinos, entre competidores e entusiastas do esporte. O local também é conhecido por sua bem-sucedida criação de cavalos da raça puro-sangue inglês, especialmente desenvolvidos para a prática do polo.

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BELAS E FERAS Poltronas de vime e pufes de feno converteram os arredores dos campos em um atraente lounge ao ar livre. O cenário bucólico foi favorecido pelo desfile de belas garotas, devidamente trajadas com chapéus panamá. Na arena, indiferente à música e ao espumante, o time da casa, liderado por José Eduardo Kalil (de preto), saiu na frente, mas foi derrotado pela equipe de João Paulo Ganon (à direita) por 9 a 8.

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INFANTARIA O arsenal bélico inclui tacos diversos, com pesos e tamanhos distintos, quepes especiais, botas e luvas. Quando há amistoso feminino, o guarda-roupa é improvisado à beira do campo. Em uma partida, dividida em seis tempos de sete minutos, cada uma das oito jogadoras (quatro de cada lado) troca de cavalo em todos os intervalos e chega a mudar de taco mais de dez vezes.

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HORIZONTE Com poucos dias de chuva e a menos de uma hora de carro da capital, Indaiatuba se consolidou como o polo do polo paulista. O município reúne os dois principais clubes do estado, o Helvetia e o São José, e mais de 20 campos particulares. “Venho treinar de helicóptero toda quarta-feira às 11h e volto ao escritório às 15h”, diz Kalil, que torce pela popularização do esporte. Na Argentina, os torneios são transmitidos pela TV.

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TRADIÇÃO Polo é esporte para ser apreciado em família. Com poucas escolas no Brasil e raras opções de treinamento para quem não tem os próprios animais, quase todos os polistas herdaram dos pais a paixão pela modalidade e a praticam na própria fazenda ou nos campos dos amigos. Torneios como a Copa Ouro são sempre ótimas oportunidades para reunir a cavalaria e combinar o próximo jogo.

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PRIMEIRAS TACADAS Na final da Copa Ouro de Polo, em Indaiatuba, o clube São José recebeu a elite do esporte com toda a sofisticação exigida por um dos mais importantes torneios realizados no Brasil. Logo cedo, quem roubou a cena nos gramados foram os filhos dos nossos principais jogadores. Hábil com os tacos, a nova geração de polistas demonstrou destreza em campo e confirmou um futuro promissor para a modalidade no pais

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