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Rico Lins

: projetos grรกficos comentados

Solisluna Editora apresenta


Rico Lins

: projetos grĂĄficos comentados

Solisluna Editora SĂŁo Paulo, 2010


publicação | publication

Rico Lins +Studio Rico Lins e Amanda Dafoe layout e diagramação Alejandra Adeikalam assistente de arte Leila Schöntag textos Rico Lins texto de introdução Agnaldo Farias e Adélia Borges preparação Carla Mello Moreira fotografia Julieta Sobral projeto gráfico

design e direção de arte

www.ricolins.com/graficadefronteira contato@ricolins.com exposição

Rico Lins +Studio e Zucca Produções Rico Lins e Agnaldo Farias concepção e criação Rico Lins direção de produção Julio Augusto Zucca produção executiva Julieta Sobral coordenação de produção Anna Ladeira assistentes de produção Luiza Carino e Bina Zanette design e produção Rico Lins +Studio fotos Julieta Sobral realização curadoria

Esta publicação integra a exposição itinerante Rico Lins: uma gráfica de fronteira, ganhadora do prêmio APCA 2009 pela obra gráfica. CAIXA Cultural Curitiba Rua Conselheiro Laurindo, 280, Centro Curitiba – PR Tel.: (41) 2118-5114 www.caixa.gov.br/caixacultural E-mail: caixacultural.pr@caixa.gov.br Central de Ouvidoria: 0800 725 7474 Atendimento a pessoas com deficiência auditiva: 0800 726 2492 SAC CAIXA: 0800 726 0101 Todos os eventos com entrada franca. Acesso para portadores de necessidades especiais. Atendimento a escolas com agendamento prévio.

REALIZAÇÃO | PRODUCTION:

PATROCÍNIO | SPONSORSHIP:


Rico Lins – designer onívoro Agnaldo Farias*

A obra gráfica de Rico Lins demonstra como são imprecisos os limites entre a arte e o design. Mais ainda: arte e vida. Mas comecemos pela arte, aqui compreendida no sentido amplo, sem se restringir às artes plásticas, mas desbordando para a música, dança, arquitetura, fotografia, moda, poesia... e, além disso, ignorando uma outra fronteira interna, aquela que até bem pouco separava as formas de expressão cultas, forjadas nas academias, das formas populares, nascidas de inteligências tão potentes que, como é frequente em nosso país, vingam em territórios inóspitos, áridos e violentos. Para realizar essa fusão, esse amálgama de feixes visuais diversos, porque o mundo de Rico Lins sempre foi o da imagem, foi fundamental seu singular percurso, a começar pela vasta biblioteca do avô, repleta de livros ilustrados, e pelos passeios, levado pelas mãos de seu tio, para os ateliês de artistas tão discrepantes como Volpi, Djanira e João Câmara. A cálida e sensual geometria do mestre italiano, com as marcas rítmicas e sutis de suas pinceladas tumultuando suavemente os impulsos geométricos, a ingenuidade inteligente de Djanira, situada no gume que separa a expressão popular da erudita, o gosto pela narrativa sobre a vida política de Câmara, que especialmente na passagem dos anos 1960 para os 70 ele soube renovar por meio de um engenhoso processo de esquartejamento e remontagem das figuras. Como aferir o impacto dessas experiências precoces e difusas como a revista que se folheia quando criança ao longo das tardes chuvosas, por parte de alguém que desde cedo acostumou-se a desenhar de tudo, a exercitar-se livremente em paráfrases visuais, interessado que era por ilustrações? A seguir, um tantinho mais velho, mais sistemático, disciplinado, porque se sabe que as aulas de Maciej Babinski e, principalmente, de mestre Evandro Carlos Jardim, puxassem por isso, veio o envolvimento no processo de produção de imagens, a vivência nas oficinas de aquarela e gravura. A entrada no gráfico dava-se então pelo convite ao desafogo do universo íntimo e não, como é comum nas escolas de design, pelo respeito ao repertório do outro, a esse desejo de comunicabilidade que, levado com respeito excessivo, conduz à redundância e, com ela, ao sono e à cegueira. Afinal, não foi essa a verdadeira lição da mítica Sherazade em As mil e uma noites: aquele que narra garante o interesse, e com ele a própria vida, daquele que escuta através da carga de surpresa e mistério que ele logra embutir na forma e no conteúdo daquilo que é narrado? Pois o nome dessa mulher não merecia estar fixado nos umbrais das escolas de design?

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Rico Lins ingressou aos 17 anos na Escola Superior de Desenho Industrial – ESDI, onde estavam Aloisio Magalhães, Décio Pignatari, Karl-Heinz Bergmüller e Zuenir Ventura, o que por si só dá conta das posições diversas sobre uma profissão, termo que aqui deve ser entendido como um modo de estar no mundo e que naquela altura nem sequer existia no Brasil. Um ofício em construção e que por isso gozava do singular e extraordinário estatuto de não possuir uma compreensão unitária. Vale lembrar que a ESDI ficou conhecida como a ponta de lança da Escola de Ulm, a autodenominada sucessora da Bauhaus. E também a devoção de Ulm a um racionalismo que ultrapassava largamente o preconizado pela escola-mãe, esta sim propositora de um ensino holístico e fundado no intercâmbio de linguagens, como posteriormente, já nos Estados Unidos, à frente da Black Mountain College, na Carolina do Norte, e da New Bauhaus, em Chicago, haviam demonstrado dois de seus principais artistas/pedagogos, propagadores de seus princípios, Josef Albers e Lázló Moholy-Nagy, respectivamente. Pensar a Escola de Ulm no Rio de Janeiro era o mesmo que submeter Apolo a uma batucada das mais brabas, calciná-lo sob uma canícula outra, muito diversa da que ele, deus do sol, estava acostumado. Pois junte o racionalismo postulado pela ESDI com a contracultura, com o “desbunde” – é, as palavras envelhecem... – que florescia sob as frestas da ditadura, numa curiosa associação com o rock e com a resistência política, os grupos de esquerda submersos na clandestinidade, e o leitor terá uma ideia do que podia acontecer com um jovem como Rico formando-se sob um fogo cruzado dessa magnitude. Em termos de design, 1976, quando Rico Lins ingressou na ESDI, o Brasil já havia sentido fazia muito tempo a força seminal da gráfica de Rogério Duarte, o homem que desenhou o cartaz de Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, as capas dos primeiros discos de Caetano Veloso e Gilberto Gil, pedras basilares do tropicalismo, e foi até o Flor do Mal, jornal editado por Luiz Carlos Maciel. No turbilhão de um período que ainda deu de Hélio Oiticica a Zé Celso Martinez, que a editora Civilização Brasileira exumou o sacrossanto defunto Oswald de Andrade em edições apresentadas por Haroldo de Campos, Duarte havia puxado a fila na defesa de uma estética antropofágica quando, em 1965, manifestou sua reserva aos caminhos da ESDI, escola que ele ajudou a fundar, mas onde não ensinou formalmente “porque nunca me foi permitido isso”.1 Em 1976 muita água já havia rolado debaixo da ponte. Isso no nosso país. E o que dizer do resto do mundo? Por exemplo, de seus estudos aprofundados e 1 Chico Homem de Melo (org.). O design gráfico brasileiro. Anos 60. São Paulo: Cosac Naify, 2006, p. 195.

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o consequente “deslumbramento” pelo dadaísmo e algumas ramificações do surrealismo? Compreender a obra de Rico Lins, esse designer onívoro, sacar sua voracidade por assuntos, territórios do conhecimentos, tempos e espaços diversos, passa por essas incontáveis referências diretamente aludidas e outras tantas intuídas e, aliadas a todas elas, uma noção importada da física que ele sempre defendeu como subjacente a toda sua prática, a de que o “atrito gera energia”. Contudo, uma coisa é receber a informação em sua própria casa, a energia produzida pelo contato com um corpo escorado em ambientes e aromas familiares. Outra, muito diferente, foi a opção de Rico Lins pelo nomadismo, largando-se pelo mundo afora, dezesseis anos de peregrinação por França, Inglaterra, Holanda, Alemanha, Estados Unidos, mantendo permanentemente aberta a cesura mental provocada por aquilo que eu não compreendo ao certo, que não é meu. Apesar da sua pouca idade, quando Rico Lins entendeu que o seu negócio era o design, ele já era muitas outras coisas e ainda queria muito mais: lidava e transitava por territórios diversos um cidadão do mundo para o qual a nacionalidade, mais que um limite, era uma falsa questão, e o intercâmbio de ideias, o contrabando de tempos e espaços, uma condição para se sobreviver num mundo, para o bem e para o mal, definitivamente contaminado. Afinal, quais são mesmo as fronteiras da língua? E da visualidade? Quem gosta da imagem, que tem a voluptuosidade da imagem, parafraseando Pedro Nava em sua defesa da palavra, interessa-se por tudo que há, seja aquilo que provém do outro ou aquilo que, sob a forma de erro, provém de mim mesmo, um mim oculto, incerto. Um objet trouvé encontrado à tona da escuridão mais íntima. Ciente de que cada vez mais o design é uma colagem, zona de articulação da tecnologia, mercado e cultura, e que cada um desses termos é um conceito pletórico, Rico Lins sempre se pautou pela sobreposição de técnicas e linguagens díspares, da xilogravura e da tipografia mais ortodoxa ao recurso gráfico de última geração; do lambe-lambe à informação processada digitalmente; daquilo que é aplicado com apuro ao que se obtém arrancando. A colagem garante ao trabalho gráfico um resultado mais próximo dos processos operacionais e da imagética própria à cultura contemporânea que da experiência visual controlada e que era oferecida pelos modernos. Um jogo de justaposições entre vozes e ruídos; uma área de tensão em que formas e figuras mantêm-se num equilíbrio precário, crispado, ambíguo, que é, afinal das contas, o responsável por demandar inteligência àquele que se põe a lê-la. Em Rico Lins o design converte-se em trespassamento de estruturas de pensamento e de técnicas produtivas: a comprovação de que o atrito produz

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energia, o mesmo tipo de energia que se desprende da vida das nossas cidades, dos seus muros e espaços crespos. Por tudo isso é que “Rico Lins – Uma gráfica de fronteira” não é uma mostra no sentido convencional, não se reduz a uma apresentação de seu magnífico portfólio. Mais do que isso, tem-se aqui um artista que traz a público a seiva de sua poética, a explicitação em estado mais puro dos processos e elementos dos quais se vale. Daí o caráter ambiental dessa mostra, uma sorte de “instalação” que esclarece a visão de mundo de Rico Lins, própria a um designer gráfico capaz de fundir, combinar e reciclar palavras, imagens e ritmos, encarnandoos em tecidos, papéis e edifícios, sons e projeções e até mesmo em suportes que rondam a imaterialidade.

* Agnaldo Farias é professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP desde 2003 e consultor de curadoria do Instituto Tomie Ohtake (desde 2000). Foi curador da Representação Brasileira para a 25a Bienal Internacional de São Paulo (2002) e curador geral do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1998 a 2000).

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Territórios reinventados Adélia Borges*

Todos nós – pessoas, instituições, empresas – estamos vivendo hoje, de alguma forma, a necessidade de combinar uma compreensão ampla do mundo com uma atuação que parte de um olhar e de um sentimento nascidos do local em que vivemos, da nossa história particular. Isso que hoje é um atributo da contemporaneidade, Rico Lins já vem trazendo ao campo do design gráfico há algumas décadas. Trafegar entre culturas diferentes sem abrir mão da sua própria, trazer ao design gráfico forte dose de criação pessoal, beber no caos das ruas e do popular para escrever o erudito, prever e incentivar a interação com o usuário do seu projeto, recorrer à manualidade da tradição brasileira para compor o digital são práticas incensadas em nossa época que Rico aporta desde o começo de sua caminhada. Sua formação e início da atuação profissional ocorrem no Rio de Janeiro nos anos 1970, período de forte dominância da ideia de que o design deveria ser neutro, asséptico e asceta; uma visão importada, sem questionamentos, das tendências alemã e suíça das artes gráficas. Já em seus primeiros trabalhos, Rico se insurge contra essa visão, incorporando a casualidade e a riqueza da cultura das ruas para chegar a um resultado marcado pela experimentação e, sobretudo, pela invenção. As temporadas estudando e trabalhando em Londres, Paris e Nova York, o chamado circuito Helena Rubinstein, que durante tantos anos ditou tendências para o resto do mundo, foram decisivas no alargamento de seus horizontes, na ampliação de seu conhecimento humanista e na diversificação de seu repertório. Nessas cidades, Rico esteve no olho do furacão, trabalhando em ou para instituições e empresas importantes: da gravadora CBS ao Beaubourg, o Centre Georges Pompidou; do The New York Times à Random House. Nelas, contudo, o designer não se deixou cair na armadilha daqueles que aderem a um estilo de vida e a uma linguagem internacionalista buscando um passaporte para o reconhecimento internacional. Antes, usou essa vivência para ampliar, de um lado, a sua compreensão da multiculturalidade como um dos fatores decisivos do mundo hoje e, de outro, para alimentar e treinar a sua liberdade criativa. De volta ao Brasil, e desta vez para São Paulo, permaneceu aberto às influências externas de um mundo em movimento e com fronteiras cada vez mais

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diluídas, a partir de um olhar pessoal e local – algo como a correspondência, no design, da parabólica fincada na lama com que o pernambucano Chico Science inventou uma sonoridade musical. De seu estúdio paulistano, Rico atende a demandas diversificadas nas várias especialidades do design, incluindo livros, folhetos, cartazes, embalagens, sites, exposições, aberturas de programas de tevê e de filmes, ilustrações etc. etc. etc. A prática de um design múltiplo e consistente, capaz de conversar com outras formas de expressão, somar opostos e, assim, efetivamente falar às audiências às quais seus trabalhos são dirigidos, tem atraído muitos empreendedores da área cultural sintonizados com as demandas da contemporaneidade. Sua trajetória o credencia a um amplo espectro de clientes, tanto daqueles brasileiros que querem falar a uma audiência internacional como dos estrangeiros que querem chegar mais fundo aos mercados emergentes da nova cartografia mundial. Rico vem se situando desde os anos 1970 na ponta de lança da tradução na comunicação visual das noções de identidade, pertencimento, inclusão do espectador e construção de repertórios comuns, que hoje são a bola da vez dos departamentos de marketing das empresas. Esta exposição e este catálogo certamente permitirão um olhar abrangente sobre uma trajetória rica e nos capacitar a trilhar, juntos, novos caminhos.

* Adélia Borges é jornalista e curadora especializada em design. Foi diretora do Museu da Casa Brasileira (2003-2007) e editora de design do jornal Gazeta Mercantil (1998-2002).

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Reciclando Rico Lins Do ponto de vista criativo, sempre me intrigou a ideia do design gráfico como “obra única reproduzida em série”. Tal proposta revela a ambiguidade central do trabalho de criação gráfica, sua efemeridade, sua existência limitada por sua condição essencialmente utilitária, reprodutível e descartável. Por outro lado, ela funciona também como um termômetro permanente de seu tempo. De algum modo, sempre esteve presente em parte de meu trabalho a apropriação de clichês visuais, seja reutilizando ícones da cultura de massa, seja extraindo referências de obras de artes plásticas ou pelo mero reaproveitamento de materiais impressos industrialmente. Das fotomontagens construtivistas de Rodchenko à banana pop de Andy Warhol, de Kurt Schwitters a Walt Disney, o universo visual contemporâneo é o da cultura de massa e seus produtos: recortes de revistas, tickets,

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dinheiro, embalagens, santinhos, rótulos, folhetos de cordel, bulas, formulários, propaganda, e a imensa produção de lixo decorrente. Em outras palavras, gerando a matériaprima com que são produzidos os papéis reciclados. Quando a indústria de papéis Suzano me convidou em 2000 a participar do evento de lançamento do papel Reciclato, minha proposta teve como eixo o tema “reciclagem”, abrangendo nesse conceito o processo de criação até os de impressão e utilização finais do papel. O ponto de partida foram trabalhos de minha autoria, nos quais me servira de imagens criadas por outros artistas, ou por mim mesmo, reutilizando-as posteriormente em diferente contexto. Na ocasião criei quatro trabalhos a partir da combinação de outros, alterando suas proporções e cores, recompondo seus detalhes, superpondo transparências e finalmente reutilizando os fotolitos para reimpressões com variadas cores especiais, vernizes e relevos, visando sua utilização na fabricação de embalagens falsas e outros volumes tridimensionais apresentados no evento. Além das peças elaboradas para o lançamento do Reciclato, busquei também que essa proposta servisse como uma oportunidade para, ao estender a ideia de reciclagem ao processo criativo, aprofundar a reflexão sobre direitos autorais, reprodução digital, originalidade e outros temas


centrais da comunicação contemporânea, que estavam — e permanecem — na ordem do dia. Tanto essas imagens como o papel onde estão impressas coexistem no mesmo refugo industrial. A reciclagem soma, divide, multiplica e subtrai, quer do ponto de vista de sua função social, econômica e ambiental, quer das estratégias de marketing. Através dos sinais dessa aritmética básica, vê-se o papel em seu estado bruto nas superfícies não impressas. Algum tempo depois, a convite da revista Nervo Optico, registrei dois outros passos do mesmo processo. O primeiro, para dentro, cavando na genealogia autoral um tanto ou quanto acidental dessas imagens para recompô-las e revelar suas referências e origem. O segundo, para fora, mas não menos acidental, na medida em que esse inventário de referências — fossem elas casuais ou explícitas — fizessem eco a um modo de pensar e fazer design. É natural, portanto, que essas reflexões se encontrem num recorte entre o autoral e o comercial, em que a pessoa física e a jurídica se deparam no espelho. É nesse espaço delimitado pela diversidade que a singularidade se revela: na identidade visual do Rico Lins +Studio e sua busca em integrar o aleatório e o sistemático, num gesto

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elástico que contém da previsibilidade de um cartão de visitas à imprevisibilidade randômica de um site em permanente construção. A grande variedade de opções de peças gráficas resultantes do processo permitiu criar um sistema altamente renovável e durável, gerando impacto, curiosidade e empatia no público-alvo. Na época de sua produção, a reutilização de material gráfico foi inovadora como processo e atitude criativa, ao instigar reflexão sobre identidade visual e reaproveitamento de recursos. Todos os componentes foram produzidos de fragmentos dos cartazes originalmente criados para o lançamento dos papéis. E, assim, propomos como alternativa aos que creem que nada mais se cria, a certeza de que tudo se transforma.


cartazes da dupla de páginas anterior:

Projeto Reciclato Cliente: Suzano papel e celulose São Paulo, 2000

envelopes e cartões de visita nesta dupla de páginas:

Identidade visual Rico Lins +Studio Cliente: Rico Lins +Studio São Paulo, 2000

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Promo +Studio Cliente: Rico Lins +Studio São Paulo, 2000

Este projeto de divulgação dos trabalhos do +Studio foi concebido e realizado totalmente a partir do aproveitamento de sobras de folhas impressas com materiais gráficos comerciais — mais especificamente,

decorrentes de sua produção foram extremamente reduzidos. A alta qualidade de impressão e a opção pela edição das peças escolhidas para o folder, a grande e inusitada variedade de opções de envelopes

folhas usadas para acerto de cor e limpeza de rolos de impressão. Os processos gráficos de produção desses materiais se reduziram a corte, dobra e cola, sem qualquer consumo extra de papel e impressão. Ao aproveitar 100% das aparas, coleturas, processos de impressão e acabamento, os dejetos gráficos

resultantes do processo permitiram criar um sistema altamente durável, gerando impacto, curiosidade e empatia no público-alvo. Além disso, o baixo custo e alto aproveitamento de materiais e produção foram diferenciais positivos para os clientes. Esse trabalho integrou a 4a Bienal de Design, em 1998. 15


Kit Acácia Cliente: Ripasa São Paulo, 2002

Em 2002 a Ripasa S. A. Celulose e Papel ampliou sua linha de papéis Acácia, com novas cores e gramaturas, além de outras opções de superfícies texturadas. Rico Lins foi contratado para desenvolver um novo mostruário e propor ações de relacionamento para o produto. Logo constatou que inúmeras possibilidades de aplicação do papel não estavam claras para os usuários, e seu uso acabava restrito a impressos comemorativos e alguns produtos especiais. Rico propôs uma ação de reposicionamento com os profissionais de criação, potencializada pela extensa rede de parceiros institucionais da empresa. Estabeleceu assim uma parceria entre a indústria gráfica e o Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo e criou uma série de peças voltadas à educação artística. Elas foram desenvolvidas a partir de obras do acervo e trabalhos produzidos nos ateliês e cursos do Museu, e seu resultado foi lançado em uma instalação no MAM Ibirapuera. Ao construir uma nítida ponte entre a criatividade e a inovação das atividades educacionais do Museu e as qualidades do papel, essa ação não apenas agregou valor ao Acácia, como gerou exemplos de excelência técnica

para as gráficas envolvidas no processo e beneficiou o MAM, que passou a contar com uma série de materiais paradidáticos para seu uso. Abriu-se o leque de potencialidades do papel para impressão de imagem em quadricromia, cores especiais, vinco, dobra e corte entre os profissionais de criação, evidenciando suas reais qualidades e, com isso, ampliando sua percepção e consumo no mercado. Além do novo mostruário, o kit Acácia é composto de materiais interativos que exploram a capacidade gráfica da nova linha de papéis: baralho de letras, jogo da memória e embalagens com conteúdo artístico. Na página ao lado, o frasco originalmente acondicionado em embalagem produzida com o papel traz frases e mensagens direcionadas ao público-alvo.

Prêmio: 7a Bienal Brasileira de Design Gráfico, da ADG, 2004. Direção de criação e concepção: Rico Lins. Curadoria e evento: Arte 3. Produção gráfica: Jairo da Rocha

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multiplicação resu sultado qualidade

adole lescente

cooperação

mudança

história integra ação co ores

comunica ação expres essão

diferenciação valor

crianças inclusão

participa ipação parceiros image ens

patroc ocinadores versatilidades proccesso cresciimento espectadores

relacionamento

pais

criatividade

educação

essência a

sinergia iden ntidade

comunidade

música

pertencimento


Projeto Guri Cliente: Projeto Guri São Paulo, 2006-07

Em 2006, Rico Lins foi convidado a redesenhar a marca do Projeto Guri, organização que promove a inclusão social de crianças e adolescentes carentes através da educação musical. Os valores da marca foram reposicionados e um projeto de comunicação institucional foi desenvolvido pelo +Studio, que definiu o sistema de identidade visual, design de peças promocionais, site, uniformes, famílias tipográficas etc. O novo sistema, apresentado ao público interno em uma oficina de alinhamento, é autossustentável, flexível e includente, e permite ser ajustado e aplicado de acordo com as necessidades e possibilidades de cada um de seus mais de 400 polos no Estado de São Paulo. Essa flexibilidade resultou também da associação do logotipo às ilustrações que remetem às atividades e às

ações do Projeto Guri para seus diversos públicos. Esse sistema e suas diretrizes de utilização foram colocados à disposição de seus colaboradores na extranet do Projeto Guri, permitindo ser atualizado virtualmente. O manual de identidade visual contém, além do conceito da marca, exemplos de todos os materiais de divulgação, promoção e sinalização, incluindo instruções claras para utilização de cores e duas famílias de vinhetas tipográficas organizadas como dingbats, alusivas à música e à comunidade.

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Comunicação Institucional Goethe Cliente: Goethe-Institut São Paulo São Paulo, 2009-10

O Goethe-Institut São Paulo havia tempos sentia necessidade de reformular sua comunicação visual para tentar dar mais objetividade, coerência e unidade a toda sua interlocução com o público. O +Studio partiu do entendimento de que o Goethe é um instituto de peso na divulgação e promoção da cultura alemã no Brasil e propôs que se desenvolvesse uma linguagem gráfica que trouxesse à tona personalidades alemãs representativas do cinema, esportes, música, arquitetura, entre outras áreas do saber, abrangendo desde os primórdios da história do país até os dias de hoje. A partir da vetorização de retratos emblemáticos dessas personalidades, do uso de cores chapadas, somado a transparências e sobreposições, criou-se uma identidade marcante, de fácil reconhecimento, suportando ao mesmo tempo grande variedade de usos em diferentes suportes, sem que a ideia se torne repetitiva. Assim, essa mesma linguagem pôde ser adotada tanto para a comunicação visual do espaço do instituto como, por exemplo, no layout do folder/cartaz da programação cultural.

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Linguagem Natura Cliente: Natura São Paulo, 2003-04

O Rico Lins +Studio pensa o design como instrumento de construção de identidade. O projeto Linguagem Natura, conjunto de diretrizes que definem um novo caminho criativo para a linguagem visual da marca, desenvolvido em 2003 e 2004 com a Thymus Branding, é um bom exemplo dessa proposta. Essência, crenças e valores passaram a ser mais bem expressos, aproximando dos diferentes públicos os atributos éticos e a percepção da marca, integrando todas as ferramentas e ações de comunicação. Nesse processo foram realizadas oficinas de capacitação e alinhamento com fornecedores, parceiros, colaboradores e gestores de comunicação interna e externa e workshops com fotógrafos, designers, jornalistas, arquitetos, agências de propaganda e comitês estratégicos de linguagem da marca. As bases lançadas com a publicação do Linguagem Natura vêm sendo aplicadas desde 2004 na comuni-

cação da marca, em campanhas publicitárias, peças institucionais, eventos, ações de relacionamento e novos produtos nos mercados onde a Natura atua. Um exemplo dessas propostas são os materiais de comunicação para o ponto de venda da linha Natura Ekos França: série de quatro cartazes apresenta para o consumidor francês o produto, seus principais ativos e ingredientes, bem como seu processo de produção, incluindo referências sociais e culturais locais. Impresso em papel reciclável, esses cartazes seriam reutilizados nas embalagens e apresentação dos produtos.

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H.Stern Cliente: H.Stern São Paulo, 2003-04

O Rico Lins +Studio foi contratado pela H.Stern para criar um material de relacionamento a ser enviado no dia do aniversário de cada cliente. Essa peça comemorativa deveria não apenas celebrar a data, mas conter uma mensagem que reforçasse a percepção da marca como exclusiva, valiosa e durável. O símbolo da estrela, já agregado à marca H.Stern, associou-se a uma carta celeste zodiacal onde o aniversariante localizava seu signo com uma lupa, embalada em um estojo de cor prata. No fundo do berço que acondicionava a lupa lia-se, através dela, a palavra VOCÊ, impressa em letras microscópicas.

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Panamericana ‘96 Graphic Design Cliente: Escola Panamericana de Artes São Paulo, 1996

Em 1996 foi desenvolvido material de divulgação para o Congresso Internacional de Design Gráfico promovido pela escola, com o tema “Local x Global”. Rico Lins foi responsável pela direção de criação do evento e de toda sua campanha de comunicação, que reuniu dezoito designers, brasileiros e membros da AGI-USA. O conceito de criação enfatizou a pluralidade de expressões no design gráfico e incluiu cartaz, catálogo, programas, folders, campanha publicitária para rádio, comercial em animação para TV e anúncios para revistas e jornais. Cada designer convidado elaborou um cartaz para o evento. No catálogo-convite (ao lado), as dimensões do sistema modular permitiram o aproveitamento total do papel, o que serviu de base para a formatação de todo o projeto. O catálogo é composto por lâminas avulsas com portfólio e notas biográficas de cada participante. Esse trabalho integrou a 4a Bienal de Design, em 1998. Direção de criação: Rico Lins. Design e direção de arte: Rico Lins. Fotografia: Fábio Ribeiro. Produção gráfica: Ricardo Aiello. Agência: W/Brasil, São Paulo, 1996

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Catálogo Iguatemi Cliente: Shopping Iguatemi São Paulo, 1988

A concepção do catálogo promocional do Shopping Iguatemi para o mercado internacional tinha como objetivo transmitir a imagem de solidez do shopping, aliada a sua conexão com a moda. A tiragem limitada, confeccionada com uma tela de fios de aço, possui formato de fichário que permite a customização para públicos exclusivos. Bilíngues, as lâminas internas apresentam o Iguatemi, sua história e localização, mercados consumidores, marcas, campanhas publicitárias etc.

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Alice Zoomp Cliente: Zoomp São Paulo, 1997

O projeto do catálogo para a Zoomp reuniu vários artistas em torno do tema Alice no País das Maravilhas, entre eles Arnaldo Antunes, Augusto de Campos e Waly Salomão. Foi o primeiro catálogo de moda de Rico Lins, que, por expor menos moda e mais atitude, revelou a possibilidade de estreitar a ligação entre moda e cultura. Com o objetivo de produzir um livro/catálogo que tivesse duração

maior que a dos sazonais catálogos de moda, introduziram-se conteúdos que geraram mídia espontânea em cadernos de cultura, contribuindo para o reposicionamento da marca. Um dos primeiros trabalhos da modelo Gisele Bündchen, antes de estourar nas passarelas. Esse trabalho integrou a 4a Bienal de Design, em 1998.

Direção de criação: Rico Lins, Carlos Nader, Paulo Borges, Graça Cabral e Denise Basso. Design: Rico Lins +Studio. Direção de arte: Rico Lins. Projeto gráfico: Rico Lins, Mariana Bernd. Fotografia: Willy Biondani. Produção gráfica: Jairo da Rocha

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Almanaque dos Sentidos Zoomp Cliente: Zoomp São Paulo, 1997-98

Dando continuidade ao espírito do catálogo anterior, o Almanaque dos Sentidos, elaborado para a coleção primavera-verão 1997/98, combina as peças da coleção com jogos, testes, curiosidades, receitas, trabalhos de artistas, fotógrafos e poetas, associados livremente aos cinco sentidos. Tal exploração de recursos e as soluções de design propostas acabaram virando referência no mercado editorial. O projeto recebeu vários prêmios, como o da Society of Publication Designers, do Art Directors Club de New York, e o Brasil Faz Design, e foi publicado em várias revistas especializadas, como Graphis Magazine e First Choice. Esse trabalho integrou a 4a Bienal de Design, em 1998. Direção de criação: Rico Lins, Carlos Nader, Paulo Borges, Graça Cabral e Denise Basso. Direção de texto: Carlos Nader. Design: Rico Lins +Studio. Direção de arte: Rico Lins. Projeto gráfico: Rico Lins, Monique Schenkels. Fotografia: Willy Biondani, Fernando Laszlo. Produção gráfica: Jairo da Rocha

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Coleção Ponta de Lança Cliente: Editora Língua Geral Rio de Janeiro, 2006-07

O Rico Lins +Studio criou a identidade visual da editora Língua Geral, especializada na literatura lusófona do Brasil, Portugal e África. O projeto da nova identidade inclui o logo da editora, selos e projetos gráficos para as coleções, direção de arte e design para as capas dos livros e materiais de divulgação. O design da coleção, cuja proposta é revelar vozes novas ou ainda pouco conhecidas de autores de língua portuguesa, baseia-se nos cadernos de viagem com tira de elástico, no estilo Moleskine. O projeto gráfico de lançamento buscou aproximar os jovens autores contemporâneos desconhecidos do público

brasileiro valendo-se de cores vivas e puras e fotos de capa inusitadas aplicadas ao formato “caderno de viagem”. Além das qualidades literárias, um dos objetivos do projeto era a valorização do livro como objeto gráfico; posteriormente, aboliu-se o elástico para adequar a coleção às condições do mercado. Em contrapartida, passou-se a utilizar fotos coloridas e a trabalhar com portfólio de fotógrafos brasileiros, portugueses e africanos.

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Identidade e Conflito Cliente: Arte Educação/ Centro Cultural Banco do Brasil Brasília São Paulo, 2004

O trabalho desenvolvido pelo +Studio é voltado não só para projetos editoriais, mas também para curadorias, expografias e concepção de exposições para o Brasil e exterior, visando sempre promover as ações de forma a potencializar o alcance, a visibilidade e a clareza dos conteúdos. Um exemplo desse tipo de trabalho foi a criação da identidade visual e do projeto gráfico para a exposição Identidade e Conflito, do artista plástico brasileiro Alex Flemming, realizada no Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília. O material incluiu projeto gráfico das peças impressas (catálogo, folder, convite, cartaz) e do espaço expositivo (banners, textos e legendas). Especificamente em relação à concepção do convite, o partido adotado foi o de fac-similar em tamanho real.

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Revista Bravo! Cliente: Editora D’Ávila São Paulo, 1997-2000

A revista Bravo! surgiu em 1997 com a proposta de trabalhar com uma combinação de ensaios, artigos e serviços na área cultural. Rico Lins colaborou desde a primeira edição, alternando capas com páginas internas. A exemplo de seu trabalho para outras publicações, optou por não se apoiar em um estilo, mas buscar a solução gráfica que melhor se adequasse a cada tema. Isso permitia não apenas garantir a variedade das capas, utilizando da colagem à fotografia, à ilustração, mas experimentar graficamente, apoiado pelo projeto gráfico inovador da publicação. Entre as capas mais conhecidas estão as publicadas nestas páginas. Em 1996, uma das capas de Rico para a Bravo! foi premiada na exposição Brasil Fa Design em Milão e na 3ª Bienal Brasileira de Design Gráfico, da ADG. Esse trabalho integrou a 4a Bienal de Design, em 1998.

Design e arte: Rico Lins. Direção de arte: Noris Lima

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Big Brasil Cliente: Big Magazine São Paulo, 1999

Rico Lins foi convidado a cuidar da curadoria, direção criativa e design da primeira edição brasileira da Big, revista internacional de estilo, arte e comportamento. A opção por retratar a produção cultural urbana brasileira contemporânea, com a colaboração de artistas convidados e designers, confirmou o compromisso criativo de Rico Lins +Studio com a pluralidade de expressões e a diversidade que compõem a identidade cultural brasileira. Na capa, o figo cortado ao meio sintetizava, de modo inusitado e provocador, alguns dos mais reconhecidos e identificáveis atributos brasileiros: a exuberância da natureza, a sensualidade explícita e a liberdade no uso das cores.

O convite para a festa de lançamento da revista (ao lado) foi acondicionado e enviado em saquinhos de nylon, popularmente utilizados para embalar frutas. Um exemplo das páginas internas é a matéria “Serial Kisser”, sobre o Beijoqueiro, personagem do folclore carioca que ganhou notoriedade por beijar celebridades. O projeto recebeu a Gold Medal do The Art Directors Club e o Merit Award da Society of Publication Designers (SPD), em New York, e o prêmio Brasil Fa Design, São Paulo/Milão.

Assistente: Dag Rizzolo. Colaboradores: Fernando Laszlo, Monique Schenkels, Rafic Farah, Guto Lacaz, Luiz Stein, Gringo Cardia, Marcelo Tas, Fausto Fawcett, Waly Salomão, Carlos Nader, Fernanda Abreu, Braulio Tavares, Carla Caffé, Daniela Thomas, Guto Lins, Adriana Lins, Bebel Franco, Cássio Vasconcellos, Ana Marianni, Mario Cravo Neto, Seu Jorge, Geléia da Rocinha, Edson Meirelles, Antonio Sagesse, Klaus Mitteldorf, Tomas Lorente, Marcelo Serpa, Ale Gama e outros

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Newsweek Cliente: Newsweek Magazine New York, 1993

A Newsweek é a segunda maior revista semanal de informação dos Estados Unidos e circula mundialmente em quatro edições: América do Norte, América Latina, Europa e Ásia. As características de produção de uma publicação desse porte exigem não apenas logística sofisticada, mas a produção simultânea de material editorial exclusivo para os quatro mercados, obedecendo aos prazos definidos pelas pautas jornalísticas. Esse contexto obriga à criação semanal de várias opções de capa para as diferentes edições, cujos prazos de fechamento devem ser rigorosamente obedecidos: os temas das capas são definidos na tarde de terça-feira, para

serem criadas, aprovadas, editadas e impressas até a madrugada de sábado, possibilitando que circulem mundialmente no fim de semana. Para responder a essa agenda, podem vir a ser solicitadas mais de vinte diferentes capas por semana. Nos anos em que viveu em Nova York, Rico Lins manteve estreita relação com as revistas Newsweek e Time, atuando como ilustrador, designer ou diretor de arte para matérias ou capas, algumas delas circulando exclusivamente em um dos quatro mercados. Na capa ao lado, publicada mundialmente, celebra-se a interatividade como o ovo de Colombo da tecnologia. Rico Lins assinou o design e direção de arte. Esse ovo digital, que reflete apenas a mão e o logo da publicação, foi a solução visual encontrada no estúdio de finalização para enfatizar a natureza editorial da imagem, ao situá-la explicitamente no contexto da capa da revista. Abaixo, duas capas de edições asiáticas.

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BusinessWeek Cliente: BusinessWeek Magazine New York, 1993-97

Um dos mais importantes semanários sobre negócios do mundo, a revista BusinessWeek é publicada pelo grupo McGraw-Hill e mantém uma equipe composta por duplas editor-diretor de arte para cada uma de suas seções editoriais, como as grandes publicações americanas. Rico Lins foi colaborador frequente de diversas editorias e criou inúmeras capas, algumas resolvidas sob a pressão das atualidades semanais. No exemplo ao lado, a solução gráfica foi encontrada durante o telefonema que recebeu da diretora de arte, na hora do fechamento da edição.

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Revista KulturRevolution Cliente: Klartext Verlag Bochum-Hattingen Paris, São Paulo, Londres, Nova York, 1982-2008

Rico Lins colabora com a revista acadêmica KulturRevolution desde sua fundação, em 1982. Dedicada à teoria do discurso, criada e editada por professores da Universidade de Bochum, na Alemanha, ela se caracteriza não só pela versatilidade temática como também pela liberdade (de expressão) gráfica e o consequente experimentalismo de suas capas — desenvolvidas analogicamente e impressas em offset três cores por uma gráfica na Alemanha. A escolha pelo processo analógico requeria grande dose de experimentação gráfica, valendo-se da superposição e encaixe de três layers, e as especificações correspondentes à impressão de cada cor. O sucesso do resultado final dependia não só de uma tentativa de previsão da somatória das cores por parte do designer, como da compreensão de todas as indicações técnicas por parte da gráfica. E essa orquestração conta sempre com a possibilidade do inesperado. Para celebrar o permanente diálogo desta revista com temas da atualidade, a capa comemorativa de seus 20 anos integra a imagem de um tradicional pente preto sobre os revoltos cabelos coloridos da juventude alemã, que se enroscam no nome da publicação. No destaque no alto, a matéria de capa questiona a existência de um coletivo simbólico no século 21, representada na capa pela foto de Edson Meirelles, de um carrinho de refrigerante. No centro, “O Discurso Faz a Hegemonia”, baseada numa imagem do construtivista russo Alexander Rodchenko, a figura híbrida mistura a careca de Michel Foucault, a barba de Marx, a estrela de Mao Tsé-Tung e o bottom com Trótski para questionar se o discurso faz, realmente, a hegemonia da esquerda. Ao lado, “Esquerda/Direita” discute a alternância de poder e a ascensão da social-democracia na Alemanha pré-queda do Muro de Berlim pela superposição do passo de tango “volta à esquerda” nas cores da bandeira alemã.

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Convite EXPO KR Cliente: Centre Georges Pompidou/ Centre de Création Industrielle (CCI) Paris, 1999

No início dos anos 1990, o Centre Georges Pompidou dispunha do Point-de-Mire, espaço expositivo dedicado a apresentar mensalmente um projeto de atualidade em design. A revista francesa BàT divulgara o trabalho que Rico Lins vinha desenvolvendo para a revista KulturRevolution e ele foi convidado a expor esse projeto. Para a mostra, Rico Lins criou um convite que refletia o processo de criação utilizado na KulturRevolution, partindo das mesmas características técnicas descritas no texto anterior. Como elemento surpresa, foi incorporada aos convites da exposição enviados pelo correio uma separação da palavra E-X-P-O em quatro partes desconexas, que só fariam sentido quando associadas entre si pelos visitantes. A exposição foi posteriormente apresentada no Museu de Arte Contemporânea (MAC) de São Paulo e no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, com cartazes que, seguindo a peça concebida para o Centre Georges Pompidou, eram cortados em seis partes, que serviam como convites.

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Les Droits de l’Homme et du Citoyen Cliente: Artis 89 Paris, 1989

Durante as comemorações do bicentenário da Revolução Francesa, um grupo internacional de 66 designers foi convidado a criar cartazes alusivos à Declaração dos Direitos do Homem e a participar de um fórum internacional sobre o papel social do design gráfico. Os cartazes produzidos resultaram em uma exposição em Paris, inaugurada no Couvent des Cordeliers, local onde foi lavrada a primeira versão da Declaração, 200 anos antes. O conjunto de cartazes impressos em offset permitiu o lançamento simultâneo da exposição em diversas cidades do mundo.

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Brecht Cliente: Berliner Ensemble e VGD Alemanha, 1998

A companhia de teatro Berliner Ensemble celebrou o centenário de seu fundador, o dramaturgo Bertolt Brecht, com a exposição internacional Brecht 100 Plakate. Organizada pelo designer Alex Jourdain, líder do coletivo Nous Travaillons Ensemble, e pela associação Verband der Grafik-Designer (VGD), contou com a participação de cem designers convidados. Partindo de uma foto de jornal e das cores da bandeira alemã, o cartaz de Rico Lins põe o holofote sobre o olhar do dramaturgo, para o qual convergem sua obra e sua visão de mundo.

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Oleanna – A Power Play Cliente: Serino Coyne Nova York, 1992

David Mamet foi um dos primeiros autores a abordar no teatro a polêmica questão do assédio sexual, em montagem lançada no Orpheum Theatre, em Nova York. A ambiguidade do tema e a tênue linha que separa o papel de vítima e algoz sugeriam a imagem de um alvo formado pela alternância de um rosto masculino e um feminino, como vemos nas colagens iniciais nesta página. A extrema simplicidade gráfica do resultado final garantiu, no entanto, seu destaque dentre os coloridos cartazes de teatro nova-iorquinos.

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The real thing Cliente: Saque Sagaz Promoções Nova York, 1991

O cartaz para a exposição Coca-Cola – 50 Anos com Arte parte da garrafa celebrizada por Andy Warhol, para imprimi-la em preto sobre preto. O único elemento em cor é o título “The real thing”, transferindo o real valor da marca para sua comunicação: a cor vermelha e seu slogan.

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XXI Bienal de São Paulo Cliente: Fundação Bienal de São Paulo São Paulo, 1991

Rico Lins, Neville Brody, Ikko Tanaka e Roberto Sambonet foram os jurados do concurso internacional de cartazes para a XX Bienal de São Paulo (BISP). O cartaz escolhido — que retratava uma banana cortada ao meio, remendada com grampos de metal — gerou grande polêmica, levando, na edição seguinte, à realização de um concurso fechado, para designers convidados. Dessa vez, o eixo curatorial da XXI BISP foi “O Homem” e o projeto vencedor, criado por Rico Lins, era composto por uma série de três peças que propunham a releitura de três esculturas masculinas clássicas. O

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Pensador, de Rodin, foi impresso no formato cartaz e as estátuas do Discóbolo e de Mercúrio, em cartões-postais. A pré-produção e a seção de fotos feitas em formato analógico pelo espanhol Alejandro Cabrera envolveram grande dose de experimentação técnica e resultados inesperados, como a da foto utilizada no cartaz vencedor e no catálogo da mostra.


Connexions >< Conexões Cliente: SESC-SP e CulturesFrance São Paulo, 2009

Como parte das comemorações do Ano França-Brasil, a exposição Connexions><Conexões foi concebida ao redor da ideia do design gráfico autoral, reunindo duas dezenas de novos talentos brasileiros e franceses em torno dos conceitos de territorialidade, diversidade e identidade. O evento ocorreu no SESC Pompeia e incluiu workshops, palestras e encontros criativos, que exploraram o diálogo entre a produção gráfica contemporânea dos dois países. Com curadoria de Rico Lins e Christelle Kirchstetter – ex-diretora do Pôle Graphisme de Chaumont, França –, a exposição ofereceu um panorama do novo design francês e brasileiro e foi além dos impressos em geral, dialogando com mídias digitais, espaços públicos, arte contemporânea e manifestações vernaculares.

O Rico Lins +Studio foi responsável pelo design gráfico e pelo projeto da exposição, concebido para gerar baixo impacto ambiental com a reutilização de materiais de exposições anteriores. A letra “X”, sinal universal para intercâmbio e multiplicação, serviu como elemento central do projeto, sendo aplicada a múltiplos significados, da letra comum que une as duas línguas ao algarismo romano X, número de participantes de cada um dos países. Para reforçar a ideia de um intercâmbio equilibrado, o designer estabeleceu no cartaz (na página ao lado) uma simetria que permitiu que ele fosse fixado em qualquer posição. O cartaz-folder (nesta página) foi entregue ao público como uma folha de papel inteira (66 x 96 cm), que continha, de forma aparentemente aleatória, informações sobre os designers participantes da exposição, linhas de picote e vinco. Seguindo instruções de dobra e corte fornecidas, o visitante era convidado a montar, ele mesmo, o catálogo. Ao final, o conteúdo aparentemente aleatório se mostrava perfeitamente organizado e inteligível. Esse partido também gerou economia de recursos em sua produção. 59


Projeto “Brasil em Cartaz” Clientes: Les Silos/ Pôle Graphisme de Chaumont Chaumont, França, 2005

Em 2005, o Pôle Graphisme de Chaumont convidou Rico Lins para montar uma exposição de cartazes brasileiros. A mostra foi parte de sua programação anual de exposições internacionais, pela primeira vez dedicada ao Brasil. O projeto “Brasil em Cartaz” figurou como o principal evento de design gráfico no calendário da programação do Ano do Brasil na França, em 2005, e resgatou a produção artística de cartazes brasileiros criados a partir da segunda metade do século 20: da I Bienal de São Paulo, em 1951, às recentes experimentações da street-art e da produção digital. Com curadoria de Rico Lins e produção coordenada pelo +Studio, o evento teve como compromisso e objetivo sistematizar a produção do cartaz no Brasil e refletir sobre ela, apresentando e integrando parte substancial da memória gráfica brasileira ao cenário internacional contemporâneo. Para a mostra, que incluía conferência, workshop e atividades paralelas, foi criado um conjunto de peças de comunicação e relacionamento.

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Além de um catálogo com duas centenas de obras, textos críticos e ensaios inéditos, foi impressa uma tiragem experimental exclusiva de cartazes que sobrepunham impressões digitais, serigráficas e tipografia tradicional em estilo lambe-lambe, resultando no projeto final do cartaz de divulgação do evento, impresso em policromia offset e serigrafia grande formato (página ao lado). O pregador de roupas, referência a uma das mais difundidas manifestações gráficas brasileiras – o cordel – e ao caráter efêmero do cartaz, foi adotado como elemento central da identidade visual do projeto e reproduzido de diferentes formas.


My City Is Where I Am Cliente: “Better home city, better life” poster project Xangai São Paulo, 2010

There are places I remember All my life though some have changed (Lennon-McCartney) Rico Lins foi convidado a participar do projeto “Better home city, better life”, na Exposição Mundial em Xangai, na China. Os cartazes criados foram expostos na galeria da Escola de Belas-Artes da Universidade de Xangai. O projeto incluiu workshops, exposições e fóruns, entre o verão e o outono de 2010. O paralelo entre a Cidade e o Homem se evidenciou no percurso dos meridianos de um mapa anatômico do corpo humano usado na acupuntura chinesa. De Londres a Londrina, de Creta ao Crato, de New York a Nova Iguaçu, foi criado um percurso imaginário pelo corpo, passageiro, veículo e roteiro de memórias urbanas. Cidades e corpos são organismos vivos que expressam e partilham alguns princípios básicos: fluxo, crescimento, ritmo, mobilidade, equilíbrio, capilaridade, expansão, circulação, sistemas periféricos etc. “Minha memória é a minha casa, minha herança, minha paisagem. Minha cidade é onde estou.”

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Jazz Sinfônica Cliente: Jazz Sinfônica São Paulo, 2006-07

Reconhecida por sua versatilidade e grande empatia por parte do público, a Orquestra Jazz Sinfônica se caracteriza por oferecer concertos que combinam a formação de orquestras sinfônicas e de jazz com convidados especiais da música popular. Quando Rico Lins foi convidado para redesenhar sua identidade visual, partiu-se do consenso de que nada a traduziria melhor que a qualidade de sua programação e repertório. Essa percepção evidenciou a necessidade de uma ação de reposicionamento de comunicação que reforçasse essas qualidades para seus públicos, abrangendo ouvintes, 64

patrocinadores e a própria Orquestra. O Rico Lins +Studio foi responsável por todo o projeto de comunicação da Orquestra, incluindo naming, identidade visual, desenvolvimento de uniformes, anúncios e outros materiais de divulgação dos concertos, assinaturas etc. Para a série “Jazz Sinfônica+convidados”, além de um novo logotipo, foi criado um programa do concerto, em cujo verso há impresso um cartaz. A série de cartazes, desenvolvida entre 2006 e 2007, foi impressa digitalmente em grande formato e resultou em exposições, que, no final de cada temporada, celebravam e consolidavam o trabalho da Orquestra naquele ano. O projeto, que teve início no Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo, viajou pelo Brasil, agregando os novos espetáculos da série, e terminou em Havana, Cuba, com a exposição do total de 27 cartazes criados.


João Penca Cliente: RCA Discos Rio de Janeiro, 1985

Para a capa do primeiro disco da banda de surf music João Penca e seus Miquinhos Amestrados, Rico Lins apropriou-se da irreverência debochada do grupo em uma colagem inusitada, partindo dos elementos típicos das capas do gênero. Direção de arte: Tadeu Valério e Ronaldo Bastos

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Me, Myself and Eyes Cliente: Royal College of Art Londres, 1987

Fotomontagem tridimensional criada para a série de cartões-postais do projeto Around Dada, desenvolvido no Royal College of Art em Londres. Este autorretrato foi novamente publicado em 2009 na revista Inventa, que publicou matéria de capa com Rico Lins (ao lado).

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Sentinela Cliente: The Royal College of Art Londres, 1987

No período em que estudou no Royal College of Art, Rico Lins desenvolveu inúmeras experiências com colagem, fotografia e cinema de animação. Da imagem da ratoeira com olhos desta fotomontagem tridimensional (à esquerda) foi desenvolvida uma holografia, que integrou o projeto “Around Dada”, de conclusão de curso (nesta página).

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Marilyn Mouse Cliente: The New York Times Nova York, 1992

Entre 1987 e 1997 Rico Lins foi colaborador assíduo de diversas editorias do The New York Times, criando inúmeras ilustrações editoriais, vinhetas e capas. Considerado o principal jornal diário norte-americano, sua estrutura de produção requer a presença de um diretor de arte e um editor específico para cada seção. A maioria dos trabalhos realizados era semanalmente encomendada pela Op-Ed Page, pelo suplemento literário Book Review e pelos cadernos regulares do jornal. A colagem ao lado, publicada em destaque na capa dominical do caderno de Arte&Entretenimento, combina ícones da cultura pop americana no formato de uma máscara. Mickey Mouse, Coca-Cola, os filmes blockbusters de Hollywood, a Marylin Monroe de Andy Warhol e o dólar compõem esta figura híbrida, síntese da poderosa indústria do entretenimento. Criadas analogicamente, a produção destas imagens era fruto da combinação de diversos materiais, suportes e processos. Fotografia, recortes de imprensa, fotocópias, fax, objetos do cotidiano, impressos comerciais e materiais tradicionais de desenho e escritório convivem nestes trabalhos. Direção de arte: Linda Brewer

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Rebento Cliente: Projeto Imagem do Som Gilberto Gil São Paulo, 2000

Integrante da exposição Imagem do Som, dedicada à música de Gilberto Gil, a canção “Rebento” foi concebida como uma colagem tridimensional em grande formato. Inédita, esta imagem faz parte de uma série formada pela superposição de dois rostos anônimos, criados originalmente por Rico Lins para a Op-Ed Page do jornal The New York Times. Como esta, as ilustrações originais publicadas em preto e branco se valem de rostos recolhidos na imprensa diária em matérias sobre a questão racial.

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Burocracia Nova York, 1992

No período em que morou em Nova York, Rico Lins colaborou como ilustrador de diversas publicações, tendo sido agenciado pela PushPin Studio por vários anos. Para ilustrar uma matéria sobre relações interpessoais nas empresas – sugerindo ao leitor precaução contra a burocracia, foram utilizados apenas materiais presentes em escritórios: papéis para planilhas, envelopes, carimbos, grampos etc. O uso de materiais do cotidiano sempre foi uma constante em seu trabalho e é um dos temas mais frequentes nas oficinas de criação que ministra no Brasil e no exterior.

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Sobre Rico Lins

Designer, diretor de arte, ilustrador e educador, Rico Lins acumula extensa carreira de atividades profissionais e didáticas para instituições e empresas de destaque, tanto no cenário brasileiro como internacional. Graduou-se em desenho industrial pela ESDI-Rio em 1976 e recebeu o Diplome d’Études Approfondies em artes plásticas pela Université de Paris viii, em 1981. Em 1987, obteve o título de Master of Art pelo Royal College of Art, Londres. Atuou nos últimos 30 anos entre Paris, Londres, Nova York, Rio de Janeiro e São Paulo, em projetos para empresas como CBS Records, Time Warner, The New York Times, Newsweek, MTV, Le Monde, Centre Georges Pompidou, TV Globo, Editora Abril, Zoomp, Natura, SESC, entre muitas outras. Ex-professor da School of Visual Arts de Nova York, coordenou e atualmente é professor do Master em Graphic Design no Istituto Europeo de Design, em São Paulo. Promove palestras e workshops no Brasil e no exterior, como no Festival de Chaumont, Festival della Creatività Firenze, IED Barcelona, Senac e Senai, Escola Panamericana de Artes, Universidade do Livro, RevelaDesignRecife, além de um programa itinerante das chamadas oficinas de design analógico no seu estúdio e em diversas instituições. Com exposições individuais em Paris, São Paulo, Rio de Janeiro, Caracas e Chaumont, tem participado também ativamente dos principais congressos, bienais e mostras coletivas de design em vários países, como expositor, curador e membro de júris. Tem artigos e portfólio publicados nas principais revistas e livros especializados internacionais e há obras suas nas coleções permanentes de instituições como o Musée d’Histoire Contemporaine, Musée de l’Affiche et de La Publicité e Bibliothèque Nationale Française, em Paris, o Pôle Graphisme de Chaumont, o Staatliches Museum für Angewandte Kunst, em Munique, e o Museu de Arte Contemporânea de São Paulo. Recebeu, entre outros prêmios, as medalhas de ouro do NY Art Directors Club e da Society of Publication Designers, o Prêmio Abril, o Design by Designers 2001 e o Merit Award do Type Directors Club em 2007. É membro do Comitê de Notáveis da Escola Panamericana de Artes, São Paulo, e desde 1997 integra a AGI – Alliance Graphique Internationale.

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FONTES Din PAPEL offset IMPRESSテグ offset 4 cores GRテ:ICA Ricargraf


PatrocĂ­nio:

catálogo "Rico Lins: uma gráfica de fronteira"  

catálogo da exposicão "Rico Lins: uma gráfica de fronteira"

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