Catálogo da Exposição online WorkInProcess_NovoNormal

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WorkInProcess_NovoNormal Exposição online da Disciplina de Modos de Fazer e Pensar: Poiéticas e Poéticas Doutorado em Artes Visuais PPGART/UFSM Organização: Profa. Dra. Raquel Fonseca Curadoria: Cristina Landerdahl, Milena Duarte Corrêa, Tainan Silva do Amaral


WorkInProcess_NovoNormal Exposição online da Disciplina de Modos de Fazer e Pensar: Poiéticas e Poéticas Doutorado em Artes Visuais PPGART/UFSM


Modos de fazer e pensar: a criação e pensamento possível da arte Profa. Dra. Raquel Fonseca

Em meio a uma situação incomum, chegamos ao final deste semestre centrado sobre Modos de fazer e pensar poiética e poética; leituras, seminários, análises críticas e criação artística transcorreram numa relação de troca de conhecimento e colaboração ativa entre os doutorandos. Se para os artistas pesquisadores o work in process os levou a considerar, como preconiza Paul Valéry, mais a ação que faz do que a coisa feita, os estudantes pesquisadores em História, Teoria e Crítica (HTC), foram contemplados com obras e textos que animaram o pensamento crítico acompanhado de um rigoroso trabalho nessa troca de experiências. Contando com a ação poética e obras resultantes dos doutorandos deste semestre, uma exposição curada pelos doutorandos em HTC, acompanhada de um catálogo, encerra esta etapa do curso. Na posição de professora e coordenadora desse projeto, posso dizer que, se chegamos com êxito neste final de um semestre atípico, isto se deu pelo rigor dos doutorandos que desde o início estiveram comprometidos com a pesquisa. A liberdade necessária ao pensamento e o espírito crítico no interior do grupo, permitiu a abordagem de autores cujos conteúdos estudados favoreceram

o estabelecimento de relações com objetos de cada pesquisa; pensar e analisar as obras de artistas consolidados em consonância com as obras realizadas pelos doutorandos, favoreceu contornos e abriu pistas necessárias ao aprofundamento da pesquisa. Esta progressão necessária que a pesquisa exige, culmina com uma exposição online acompanhada de um catálogo, mérito de um grupo que se confrontou com incertezas, dúvidas, desafiou pensamentos e gestos, abordou imagens e signos cruzados pela visibilidade e invisibilidade do momento vivido. Contudo, em meio a tantas coisas, houve sempre a certeza do trabalho realizado na esperança de um outro amanhã nesta aventura. Uma aventura que reuniu estudantes pesquisadores onde o objetivo é fazer avançar a pesquisa como arte e em arte. Assim como diz René Passeron*, são os atos que contam numa conduta onde o criador se aventura, dizemos também que o teórico e crítico da arte não se exclui desta aventura ainda que sua especificidade seja outra. *Passeron, René, La naissance d’Icare, Paris, a2cg Éditions, 1996, p. 32.


Work in Process_Novo Normal

Cristina Landerdahl, Milena Duarte Corrêa, Tainan Silva do Amaral.

WorkInProcess_NovoNormal apresenta aquilo que é próprio do processo artístico que está vindo a ser. No cenário do Novo Normal, o distanciamento social acentua a emergência de pensar a poética no momento de sua instauração, assim o fazem as e os artistas que compõem essa exposição virtual. Todos são acadêmicos do curso de doutorado em Artes Visuais - PPGART/UFSM. O trabalho de Ceila Bitencourt, O que sobrou?, lida com a limitação do deslocamento, sair e fotografar/filmar. O que fotografa é parte de um segmento invisível da sociedade, invisibilidade esta acentuada no período de isolamento social. O processo de Kalinka Mallmann também lida com a alteridade, lançando mão de registros, documentos ou arquivos audiovisuais, oriundos de um projeto em comunidade kaingáng. Arquivos Fragmentados produz uma nova poética ligada à identidade cultural coletiva. Manausmir, na série des(Configuração), lida com a limitação a partir da ideia de navalha. Do artista no corpo a corpo com a obra, é exigida a subtração, a escolha. Por outro lado, Marcella Rodrigues, em Faces de Isolamento, apresenta possibilidades em um jogo onde a soma é posta. A criação em casa, somada à demanda

demanda de ser mulher, mãe, esposa, professora e todos os sons e imagens do que confrontam-se na criação artística no período do isolamento. Marcelo Birck também apresenta um novo espaço criado na pandemia. Em Arqueologia Doméstica, o artista faz do isolamento a possibilidade de instauração de uma moradia-ateliê-instalação, na qual relaciona objetos cotidianos de maneira inusitada. Por fim, apresentam-se os trabalhos de Matheus Moreno e Ricardo Garlet – ambos apresentando o Novo Normal e a investigação do espaço virtual acentuado do período. Em AtopicTime_FractalLine, Matheus Moreno aborda a perda do tempo no contexto da navegação pela timeline. Postagens, imagens, perfis e reportagens fazem metáfora à nova vida social, que ocorre apenas nas redes. Com Picturação, Ricardo Garlet fecha a exposição virtual proposta, utilizando suportes e técnicas contemporâneas em uma obra pensada para uma das demandas mais emergentes: a transmissão ao vivo. Reúne-se assim, a efervescência das obras nesta exposição virtual instaurando o work in process como o Novo Normal do isolamento social.


Ceila Bitencourt Santa Maria . 1972

Doutoranda (2020) e mestre em Artes Visuais na linha Arte e Tecnologia (2017), pelo Programa de Pós-graduação em Artes Visuais, pela Universidade Federal de Santa Maria. Possui graduação em Artes Visuais (bacharelado) pela Universidade Federal de Santa Maria (2000). Possui graduação em Artes Visuais (licenciatura plena) pela Universidade Federal de Santa Maria (2002). Membro do Grupo de Pesquisa Arte e Design/CNPq (desde 2014) da Universidade Federal de Santa Maria, destacando as relações arte, design e tecnologia. Tem experiência nas áreas de Artes Visuais (com ênfase em Desenho e Pintura), Arte e Tecnologia e Cinema de Animação. Pesquisa Cinema Documentário. Participa do MOVIOLA Laboratório de Estudos, Pesquisas e Produção em Memórias e Narrativas Audiovisuais/CNPq (desde 2017). Email: ceilabitencourt1972@gmail.com


Ceila Bitencourt O que sobrou? (2020) Audiovisual 7'22" Link do trabalho O vídeo O que sobrou? aborda situações de vulnerabilidade social onde vemos pessoas que vivem e sofrem pela falta de oportunidades. Sobrou-lhes como alternativa recolher o que descartamos para sobreviver. As imagens deste vídeo soam como um convite para pensar/refletir sobre nossa maneira de ver, de ver sem muitas vezes enxergar… Ver essas pessoas em estado de vulnerabilidade que, paradoxalmente, contrasta com a força de quem não abandona e segue invisível na rudez de seu caminho. A ideia de vulnerabilidade social dos deixados à sua própria sorte é inquietante e, nas imagens, ela grita em nome de quem caminha em silêncio. A visibilidade das imagens revela a parte invisível que a narrativa verbal ecoa como metáfora da realidade do que sobrou.



Kalinka Mallmann Santa Maria . 1984

Artista multimidía, doutoranda em Artes Visuais (UFSM), ênfase em arte e tecnologia. Mestre em artes visuais pelo Programa de Pós Graduação em Artes Visuais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM/2018). Bacharel em Artes Visuais (UFSM/2010). Atua em projetos experimentais de Arte que fomentam a criação de redes colaborativas atreladas a grupos sociais. Atualmente é membro do (LABINTER/ PPGART/CAL/UFSM). Autora do projeto de extensão intitulado “Ativação da cultura indígena por meio de práticas colaborativas em arte, ciência e tecnologia”. Email: kalinkamallmann@gmail.com


Kalinka Mallmann Arquivos Fragmentados (2020) Vídeo em stopmotion 1'44" Link do trabalho Fragmentar a identidade pessoal em prol da construção de uma identidade cultural e coletiva diz respeito à ideia central da videoarte “arquivos fragmentados”, a qual é elaborada a partir de arquivos/registros oriundos de uma prática artística desenvolvida em comunidade kaingáng, no período de 2016 à 2019. Nessa videoarte, a poética se instaura por meio de um processo de colagem em camadas em sobreposição, que permite conectar arquivos de imagens, vídeos e áudios: ora são registros de alguma ação, ora são os próprios resultados das ações realizadas pelas crianças das comunidades. Ao manipular esses “arquivos fragmentados”, se propõe outros modos de narrativas sob aquilo que já nos foi narrado e registrado, e que possibilitam aberturas e deslocamentos para outras poéticas se desdobrarem.



Manausmir

Júlio de Castilhos . 1972

Valdemir de Oliveira (nome civil). Bacharel e Licenciado em Desenho e Plástica UFSM; Mestre em Educação - UFSM; Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais - UFSM. Professor da Universidade do Estado do Amazonas - UEA; Artista Visual e Performátivo. Organizador e curador da Mostra Universitária de Vídeo e Dança - UEA e Casarão de Ideias; Membro do Grupo de Estudos GAP/UFSM e Intercidade UEA. Coordenador do Projeto de Extensão Laboratórios Didáticos - UEA. Email: oliveiramanaus@gmail.com | Instagram: @manausmir


Manausmir Série: (des)Configuração (2020) Fotografia digital 42 x 29,7 cm Link do trabalho Do corpo em relação com espaços, subtrai-se o (im)possível. Resta o resto da existência frágil. Eu morrente, amputado em verbo, sobrescrito na carne. Contingências do pensar, do fazer e do ser. Existência despida, escarificada pelo pensamento meu/teu. Academia como navalha.



Marcella Rodrigues Porto Alegre . 1990

Bailarina e Performer. Doutoranda e Mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal de Santa Maria. Bacharela em Dança pela UFSM. Participante do Grupo de Pesquisa Corpo-arte performativo: processos educacionais em dança, teatro e manifestações culturais. Participante do grupo de pesquisas Performances: arte e cultura, vinculado ao CNPQ, assim como também do Laboratório de Performance, arte e cultura (LAPARC), vinculado ao PPGART e ao Curso de Dança Bacharelado da UFSM. Email: marcellanunesrodrigues@gmail.com | Instagram: @marcellarodrigues_ballet facebook.com/mah.rodrigues.906


Marcella Rodrigues Faces de Isolamento (2020) Vídeo-Performance e Foto-Performance 5' Link do trabalho O ato de criar em casa, trabalhando em home-office, estudando, sendo mãe e neste contexto em específico mãe-educadora, esposa há três meses, e todas as demais demandas femininas nascentes do momento, surgem em cada detalhe deste processo. O tempo em que vivemos estabelece suas próprias formas de organização e o isolamento social é um dos únicos possíveis modos de sobrevivência. Estar vulnerável à rotina, à casa, à luz interna e externa, à roupa mais simples, ao barulho das pessoas que moram comigo, ao cheiro de comida vindo da cozinha, a música que o vizinho ouve todas as manhãs, está implicado processualmente aqui. O que pensava ter se tornado uma impotência de criar passa a ser a motivação de transformar a inoperosidade em ação.



Marcelo Birck Porto Alegre . 1965

Professor do bacharelado em Música e Tecnologia da UFSM. Doutorando em Artes Visuais na mesma instituição, na linha de pesquisa Arte e Transversalidade, na qual desenvolve trabalho sobre relações entre o visual e o sonoro. Como artista visual, participa de exposições coletivas (Em Processo de Errância, MASM, Sta. Maria, 2019; Primeira Via Coletiva, II Mostra de Arte, Cinema e Audiovisual, Sobre(_) Posições, Sala Claudio Carriconde, Sta Maria, 2019) e mostras de audiovisual (Cine Esquema Novo, Porto Alegre, 2018; Efêmera Imagem, Planetário da UFSM, Sta Maria, 2019). Compositor, possui dois discos solo. Participou de festivais como Tim Festival e Lollapalooza, em carreira solo e como integrante da banda Graforreia Xilarmonica. Contato: eletrolas@gmail.com


Marcelo Birck Arqueologia Doméstica (2020) Instalação e vídeoperformance 3.55 minutos Link do trabalho O projeto consiste na integração de moradia-ateliê-instalação, ocorrida em função das restrições a deslocamentos causadas pela pandemia do Corona vírus. Nesta vivência, peças montadas com refugos escavados dentro de casa são dispostas no ambiente doméstico, em um processo de descoberta de espaços e de ajustes de tempos vivenciados no período. O resultado remete a um gabinete de curiosidades, no qual as noções de errância e deslocamento surgem como um paradoxo em um contexto de confinamento. Para a exposição virtual, serão apresentadas fotos e uma vídeo-performance.



Matheus Moreno Santa Maria . 1980

Doutorando e Mestre em Artes Visuais na linha de pesquisa Arte e Tecnologia pelo PPGART/UFSM em 2016. Membro desde 2012 do Laboratório Interdisciplinar Interativo (LABINTER/CAL/UFSM) Grupo de Pesquisa e Criação InterArTec (CNPq), e integrante do Grupo de Pesquisa Objeto e Multimidia (UFRGS/CNPq). Arquiteto Urbanista graduado pelo Centro Universitário Franciscano de Santa Maria em 2011, e Bacharel em Artes Visuais - Atelier de ObjetoArte e Multimeios pela Universidade Federal de Santa Maria em 2008. Email: mscarqeart@hotmail.com


Matheus Moreno AtopicTime_FractalLine (2020) Audiovisual 666x666 pixels / 3:33 minutos Link do trabalho Emana da deriva na timeline do FaceBook, do zapear em transe que gera uma narrativa não linear, da perda de tempo, clicando em hiperlinks rizomáticos que se desdobram em outras janelas. Neste território midiático atópico, onde indivíduos e mídias se hibridizam na topologia desta rede “social”, informativa e imaterial. Percebido nas distorções e falhas deste meio de informações excessivas, que produzem uma disritmia fractal, onde temporalidades, localidades e “humanos” virtuais se entrecruzam em publicações frenéticas. Estas imagens e textos, “reais” ou fakes, de influenciadores digitais, políticos, comediantes, repórteres, perfis e contatos diversos, contaminam apreciações, disputam curtidas e compartilhamentos. Sendo impossível “desver”.



Ricardo Garlet Frederico Westphalen . 1986

Ricardo de Pellegrin (nome civil). Doutorando em Artes Visuais, com ênfase em poéticas visuais, pelo Programa de Pós-graduação em Artes Visuais da UFSM (2019-). Mestre em Artes Visuais, com ênfase em poéticas visuais, pelo Programa de Pós-graduação em Artes Visuais da UFSM (2013). Graduado em Artes Visuais, Bacharel com habilitação em Pintura (2009) e Licenciatura (2009), pela UFPel. Desde o ano de 2006 atua como artista em exposições individuais e coletivas. No ano de 2013 realizou a exposição individual De objetos a personagens no MACRS (Porto Alegre/RS), participou da Residência de Inverno ibero- americana: Infraestruturas poéticas na NUVEM: Estação Rural de Arte e Tecnologia (Visconde de Mauá/RJ) e foi vencedor do prêmio aquisição no IV Prêmio João Simões Lopes Neto de Artes Visuais (Pelotas/RS). Professor titular do curso de Licenciatura em Artes Visuais da Unochapecó, atua também como produtor e curador de eventos de arte, com destaque para o Evento Internacional arte#ocupaSM (edições 2012 e 2013). Coordenador do Setor de Artes Visuais da SECUL da Prefeitura de Chapecó desde 2016. Membro do Grupo de Pesquisa Momentos-Específicos - UFSM (2011 - atual) e do Grupo de Pesquisa Arte, Visualidade e Cultura - Unochapecó (2015 - atual). Email: ricardoppgart@gmail.com | Instagram: @garler.art


Ricardo Garlet Picturação (2020) Performance 14 minutos e 37 segundos Link do trabalho A performance Picturação integra a Pesquisa Tecnopicturificação, em desenvolvimento no curso de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da UFSM - PPGART, com orientação da Profa. Dra. Rebeca Stumm. Explorei no trabalho a transversalidade entre a pintura, a performance e a instalação multimídia, considerando a internet como espaço de produção e exibição. O processo poético envolveu: a criação de um óculos que proporciona uma experiência mediada de percepção; a montagem de uma instalação com diferentes materialidades, como o tecido e a tinta - que evocam a tradição da pintura - e recursos tecnológicos conectados em rede através da internet; e a realização de uma performance do processo pictórico mediado com transmissão ao vivo.



WorkInProcess_NovoNormal Exposição online da Disciplina de Modos de Fazer e Pensar: Poiéticas e Poéticas Doutorado em Artes Visuais PPGART/UFSM