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Centro de Formação de Associação de Escolas Braga/Sul

Caderno, Escola Formação

TOMO II


Coordenação de Ana Paula Vilela José Carlos Magalhães

Centro de Formação de Associação de Escolas Braga/Sul Cadernos Escola e Formação Braga 2013

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Ficha Técnica Titulo Coordenação de Ana Paula Vilela José Carlos Magalhães Autor da imagem de Capa Maria Goretti Soares Revisão Ana Paula Vilela José Carlos Magalhães Edição Cadernos de Escola e Formação do Centro de Formação de Associação de Escolas Braga/Sul Arranjo Gráfico Ricardo Carvalho e Tiago Lopes ISBN Depósito Legal

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Ă?ndice

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PARTE III

C

ontributos para a Implementação Sexual 2º e 3º Ciclo

entro de formação braga sul

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Formadores: Sandra Mendes

Nível de Ensino: 1º Ciclo. Grupo de recrutamento: 1 10

Formandos:

Cecília Vivas

José Miguel Vieira

“Compreensão da Fisiologia Geral da Reprodução Humana”

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Maria Teresa Leite


Este trabalho resulta da oficina de formação “ Actuação Docente na Educação para a Sexualidade na Aplicação do Programa PRESSE (2º e 3º Ciclos), promovida pelo centro de Formação de associação de escolas Braga Sul. O PRESSE é o Programa Regional de Educação Sexual em Saúde Escolar, promovido pela Administração Regional de Saúde do Norte, I.P (ARSN) através do seu Departamento de Saúde Pública (DSP) em parceria com a Direcção Regional de Educação do Norte (DREN). Este programa tem como finalidade incluir, nos projectos educativos e nos currículos das escolas básicas e secundárias (Lei nº 60/2009, de 06 de Agosto - Artigo 1.º), um programa de educação sexual estruturado e sustentado, para aumentar os factores de protecção e para diminuir os comportamentos de risco dos alunos em relação à sexualidade. Este trabalho, realizado no âmbito do PRESSE e de acordo com a Lei nº 60/2009, irá constituir o Projecto de Educação Sexual das turmas do oitavo ano. Este será o primeiro ano de implementação da Educação Sexual em Meio Escolar. Este trabalho consta de uma planificação de quatro aulas de 45 minutos sobre a Compreensão da Fisiologia Geral da Reprodução Humana que incluirá o Projecto de Educação Sexual da Turma, de uma turma de oitavo ano. A Lei nº60/2009 de 6 de Agosto (artigo 7º) determina a elaboração do Projecto de Educação Sexual da Turma, no qual devem constar os conteúdos e temas que, em concreto, serão abordados, as iniciativas e visitas a realizar, as entidades, e técnicos e especialistas externos à escola a convidar. A Portaria nº196A/2010 de 9 de Abril, determina os conteúdos curriculares a implementar por anos de escolaridade (nº1 do artigo 3º) e no Projecto Curricular do Agrupamento de Escolas estão definidos os temas a abordar nos diferentes anos de escolaridade.

A Sexualidade Humana é um conceito que abrange várias dimensões do ser humano: orgânicas, fisiológicas, emocionais, afectivas, sociais e culturais. Está marcada pela história, cultura, ciência, assim como pelos afectos e sentimentos, expressando-se com singularidade em cada indivíduo. A sexualidade é algo inerente ao desenvolvimento do ser humano e manifesta-se desde o momento do nascimento até à morte, em cada etapa da vida. As crianças, os adolescentes, os adultos e os idosos são sexuados; têm interesses sexuais e expressam a sua sexualidade através de diferentes comportamentos. O desejo, os interesse sexuais e a capacidade de enamoramento permanecem ao longo do ciclo vital. Segundo a Organização Mundial de Saúde OMS 1975, a sexualidade é: “ Uma energia que nos motiva a procurar Amor, contacto, ternura e intimidade, que se integra no modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados; é ser-se sensual e ao mesmo tempo sexual; ela influencia pensamentos, sentimentos, acções e interacções e, por isso influencia também a nossa saúde física e mental.”

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Segundo um consenso de especialistas da OMS 2002, a sexualidade é: “… é uma dimensão da vida de todo o ser humano que engloba o sexo, a identidade de género, a orientação sexual, o erotismo, o prazer, a intimidade e a reprodução. Ela é vivida e manifesta-se através de pensamentos, fantasias, desejos, crenças, atitudes, valores, comportamentos, práticas, regras e relações interpessoais. A Sexualidade é influenciada pela interacção com factores de ordem biológica, psicológica, social, económica, política, cultural, ética, legal, histórica, religiosa e espiritual.” Ao longo do ciclo de vida, todos nós fazemos aprendizagens em diversos domínios, sendo um desses domínios a sexualidade, pois como área de desenvolvimento humano que é, implica aprendizagem. Essa aprendizagem faz-se de uma forma informal, determinada pelas experiências do quotidiano, mas também formal/intencional com recurso a profissionais, assumindo a escola e o professor um meio educativo por excelência. “A escola e os professores são o contexto e os agentes privelegiados para intencionalizar processos de análise, consciencialização e mudança ao nível de conhecimentos, sentimentos e comportamentos em termos de sexualidade humana” (Júlio machado Vaz, 1996). ADOLESCÊNCIA E PUBERDADE A adolescência é caracterizada por um período conturbado, pleno de ansiedades, tensões e conflitos, dependentes de condicionantes sociais, culturais ou familiares, é “um período de vida que exige ao indivíduo capacidade de adaptação às exigências sociais no momento em que está a sofrer transformações biológicas e psicológicas” (Anastácio, 2010). A puberdade delimita o início da adolescência e caracteriza-se por um conjunto de transformações biológicas em que o formato do corpo e do rosto mudam e os órgãos reprodutores ou sexuais crescem e se desenvolvem. Implica diferentes mudanças corporais nos rapazes e nas raparigas, nomeadamente, a primeira menstruação nas raparigas e a primeira ejaculação no rapaz. É importante preparar os adolescentes para estas alterações, assim como é necessário, nesta altura, a aquisição de noções básicas, e adequadas, sobre os processos de reprodução, fecundação e contracepção (Machado Vaz, 1996). Este período é ainda caracterizado por uma relativa estabilidade emocional assim como pelas mudanças que ocorrem nas percepções que os rapazes e raparigas têm de si e dos outros e pelas relações que estabelecem entre si e com os adultos (Frade e col., 2006; Ministérios da Educação e da Saúde & APF, 2000). Na esfera individual, no domínio da intimidade, assiste-se frequentemente ao desenvolvimento de sentimentos mais ou menos novos de pudor, timidez e vergonha face ao corpo e até ansiedade, nomeadamente em casa, junto dos pais e irmãos e na escola, junto dos colegas e das colegas (Ministérios da Educação e da Saúde & APF, 2000; Frade e col., 2006). Segundo Frade e colaboradores (2006), as relações entre os dois sexos também vão sofrer alterações importantes. É frequente os professores e pais relatarem situações de afastamento e mesmo hostilidade entre rapazes e raparigas na escola, em casa ou em grupos de amigos. Os mesmos autores referem que outra destas manifestações é a constituição de grupos e de espaços ferozmente monossexuais (proibição absoluta dos

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rapazes entrarem nos grupos das raparigas e vice-versa). É como se houvesse um período em que se torna interiormente muito importante mostrar claramente, a si mesmo e aos outros, que se pertence a um sexo bem definido, com características muito específicas e opostas ao outro sexo. Todavia, esta relação é ambivalente. São frequentes as queixas, principalmente por parte das raparigas, dos “apalpões”, do “levantar as saias” ou dos “beijos roubados”. Existe um misto de hostilidade e de jogo de provocação e sedução. Há um não querer e querer, um não precisar e precisar, um não gostar e gostar (Ministérios da Educação e da Saúde & APF, 2000). As paixões profundas existem, mesmo nesta idade; rapazes e raparigas têm os seus amores inconfessados, muitas vezes escondidos por um aparente afastamento, desdém e troça (Frade e col., 2006). Em termos de comportamentos sexuais, Frade e colabores (2006) apontam, para além destes jogos entre os dois sexos, a existência de brincadeiras entre jovens do mesmo sexo, nomeadamente os jogos masculinos e femininos de comparação do corpo. Outro comportamento importante que estes autores mencionam, em alguns dos rapazes e raparigas pré-adolescentes, é a masturbação. Esta funciona como uma descoberta do corpo e de novas sensações e pode ser vivida com um misto de prazer e de curiosidade, mas também com muitas dúvidas ou culpabilidades, dados os comentários negativos ou o silêncio dos adultos sobre este assunto. FISIOLOGIA DA SEXUALIDADE A sexualidade está ligada aos sentimentos e às emoções. Também ao corpo, à forma de estar em relação a ele e aos prazeres que ele proporciona. A capacidade de sentir prazer não está reduzida aos órgãos genitais mas aos cinco sentidos do corpo humano. Existem zonas erógenas em todo o corpo. As zonas erógenas são partes do corpo que, ao serem estimuladas produzem uma resposta sexual. REPRODUÇÃO HUMANA As formas de vida mais avançadas reproduzem-se sexualmente, ou seja, o material genético do novo indivíduo resultam da junção de material genético de dois indivíduos diferentes. O material genético é o que defina as características de cada indivíduo, nomeadamente cor do cabelo, dos olhos, tamanho dos dedos, tipo de feições…, e está contido numas estruturas denominadas cromossomas. Cada progenitor doa 23 cromossomas, de tal forma que o novo ser fica com 46 cromossomas que contêm todas as informações e instruções genéticas para se desenvolver. Todos os homens e mulheres produzem células reprodutoras, que diferem das outras células do organismo (pulmões, músculo, baço…), por apenas conter metade do número de cromossomas (23). Para que se dê a reprodução é necessário que uma célula reprodutora feminina (óvulo) se una com uma célula reprodutora masculina (espermatozóide), quando um homem e uma mulher têm relações sexuais, designando-se este processo fecundação. Assim a mulher só produz um óvulo de 28 em 28 dias (em média) e só a partir da puberdade até à menopausa. Nos ciclos com duração variável, que não os 28 dias, a fecundação também é possível desde que exista ovulação. A fecundação é definida como a união entre o óvulo e o espermatozóide. Este processo ocorre, habitualmente, na Trompa de Falópio e o ovo, produto da fecundação, migra para o interior do útero e, se as condições forem adequadas, implantase no endométrio – a este

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fenómeno chamase nidação. Iniciase aqui um processo que vai durar cerca de 40 semanas: a gravidez. (Pereira & Freitas, 2002)

GRAVIDEZ A gravidez é o período que vai desde a fecundação, na trompa de Falópio, até ao parto, passando pela nidação e todo o processo de desenvolvimento do feto. Quando a nidação se dá em local que não o útero chama-se gravidez ectópica, e se não houver remoção do embrião atempadamente, pode levar à morte da mãe. Após a nidação, o ovo dá origem ao embrião, desenvolve um sistema sanguíneo e o útero fornece alimento e oxigénio através do cordão umbilical. O sangue do feto não se mistura com o da mãe. Alguns medicamentos e vírus, no entanto, podem atravessar a placenta e atingir o feto. Por isso desaconselha-se o uso de medicação sem ser por prescrição médica. A gravidez desenvolve-se durante cerca de 40 semanas e divide-se por três trimestres: no primeiro (até às 12 semanas) a mulher suspeita de gravidez pela ausência de menstruação, aumento dos seios e podem ocorrer enjoos e/ou vómitos; no segundo trimestre (entre as 13 e as 28 semanas) o útero aumenta de volume, os mamilos ficam mais escuros. A partir da oitava semana a mãe pode sentir o bebé a mexer. No terceiro trimestre (da 29ª à 40ª semana) pode aparecer uma linha escura desde o umbigo até aos pêlos púbicos. Algumas mulheres iniciam a produção de colostro (líquido muito nutritivo para a alimentar o bebé). O parto é o processo através do qual o feto sai do útero para o exterior. A altura do parto é anunciada com umas dores, tipo cólicas, que são provocadas pela contracção dos músculos do útero. Estas dores ocorrem a intervalos cíclicos, inicialmente mais espaçados, mas com a aproximação da expulsão vão ficando mais fortes e mais próximas umas das outras. O colo do útero dilata-se cada vez mais e acaba por se extinguir. Rompe-se o saco amniótico e o líquido que envolvia o bebé sai, estando este em condições de ser expulso, com a ajuda da mãe. GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA “ Uma gravidez não planeada é sempre uma possibilidade, quando existe uma vida sexual activa. No caso de esta acontecer durantre a adolescência, acrescem um conjunto de riscos físicos e psicossociais.” (Vilar & Gaspar, 1997 cit in Pais, 2000)

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Propostas que podem ser apresentadas à adolescente, face a uma gravidez indesejada: Riscos associados à gravidez na adolescência: Riscos físicos Riscos psicológicos    

O corpo da adolescente ainda não atingiu o desenvolvimento completo; Maior probabilidade de problemas no parto e depois do parto, com a mãe e o bebé; Maior probabilidade de depressão pós-parto; Bebés com baixo peso à nascença.

     

Não conclusão do percurso académico; Perda de identidade; Perda de relacionamentos afectivos com o grupo de pares, significativos para o adolescente; Excessiva responsabilidade, que se pode reflectir, posteriormente, na relação com a criança; Falta de conhecimentos para tratar do bebé; Falta de apoio do pai da criança, da família, dos colegas.

Existem vários locais nos quais os adolescentes podem procurar apoio se uma gravidez acontecer: centros de saúde, médicos de família, consulta de planeamento familiar, apoio psicológico, entre outras associações. Sempre que possível, é muito importante ter a ajuda da família. É essencial relembrar aos jovens que uma gravidez é sempre responsabilidade de duas pessoas. Assim, não é só a rapariga que se tem de preocupar neste sentido, mas também o rapaz. Assim, tanto o rapaz como a rapariga devem tomar todas as medidas para se protegerem, tanto para que não aconteça uma gravidez indesejada como uma infecção sexualmente transmissível.

De acordo com as orientações dadas / quadro de conteúdos definidos no âmbito do PESES/PRESSE para o Agrupamento, é apresentada, de seguida, a planificação para as 12 horas (equivalentes a 16 tempos de 45 min) sobre a “Compreensão da Fisiologia geral da Reprodução Humana”. A riqueza de significados da sexualidade humana engloba naturalmente o conceito de reprodução, mas não se limita a este aspecto, embora seja fundamental o seu conhecimento (Dias, Ramalhete, Marques, Seabra, & Antunes, 2002). Para que haja reprodução humana é necessário que se processe a fecundação do óvulo com o espermatozóide, ou seja, a união das células sexuais feminina e masculina. O conhecimento dos aparelhos reprodutores, feminino e masculino, e em particular das diversas fases do ciclo menstrual da mulher, permite compreender o processo de fecundidade. Serão apresentados, para a concretização desta planificação, apresentações em PowerPoint, vídeos, actividades com recursos materiais como fichas de trabalho e jogos. Será necessário ainda, a existência de equipamento multimédia com acesso à internet para a visualização de imagens, documentos ou vídeos online. As temáticas em estudo, serão sempre acompanhadas de reflexão/diálogo e esclarecimento de dúvidas, com a finalidade de criar meios para levar aos jovens a adopção de comportamentos responsáveis e a tomada de decisões assertivas nas diversas interacções sociais.

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TEMAS/CONTEÚDOS SEXUALIDADE HUMANA 

Conceito de Sexualidade

Masturbação

Sexo e Género

I. Saúde Sexual e Reprodutiva

OBJECTIVOS - Aceder às concepções prévias dos alunos. - Aumentar e consolidar conhecimentos. - Rever e sedimentar o conceito abrangente de Sexualidade Humana nas várias dimensões. - Compreender o significado da palavra Sexo - Desmistificar a

(FISIOLOGIA GERAL DA “Masturbação". REPRODUÇÃO HUMANA) 

Conceito de Saúde Sexual

Conceito de Saúde Reprodutiva

- Compreender a noção de Saúde Sexual e Reprodutiva

METODOLOGIA/ACTIVIDADES

RECURSOS

TEMPO

 Apresentação do PowerPoint (do Diapositivo Projector nº 1 até ao nº 15): Multimédia  Como motivação para a temática, colocar a Computador seguinte Questão: “Como falar de Sexo e Sexualidade?” Explorar os Diapositivos nºs 3, 4 e 10, salientando a dificuldade que (ainda)  Tela existe em se falar sobre sexo e sexualidade (seja em que idade for…); e enfatizando a importância de se falar sobre este tema. Colunas de som  ACTIVIDADE I - Apresentação dos Vídeos: “Virgem” e “Como explicar a masturbação ao seu  Quadro filho”, seguida de debate devidamente branco e orientado. marcadores

 Através da exploração dos Diapositivos do nº 11 ao nº 15, esclarecer os alunos sobre a definição de Saúde Sexual e de Saúde Reprodutiva.

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(1ª AULA) 45`


TEMAS/CONTEÚDOS

OBJECTIVOS

II. Saúde Sexual e Reprodutiva

- Compreender a fisiologia geral da reprodução humana

(FISIOLOGIA GERAL DA - Perceber quais as REPRODUÇÃO HUMANA) diferenças entre a Infância e a Adolescência

O Corpo Humano transformação * As semelhanças e as diferenças entre o corpo feminino e o corpo masculino * A Puberdade * A Adolescência * A Idade Adulta

em

- Identificar, aceitar

e compreender as mudanças e alterações corporais na Puberdade - Compreender/aceitar os diferentes ritmos de crescimento - Apreender o conceito de Adolescência e de Idade Adulta - Reconhecer a importância do crescimento saudável - Valorizar

os hábitos de higiene pessoais

METODOLOGIA/ACTIVIDADES  Apresentação do PowerPoint (do Diapositivo nº 16 ao nº 32):  Através da exploração dos Diapositivos nºs 16 e 17, chamar a atenção para as mudanças que ocorrem nos corpos entre os nove e os quinze anos.  ACTIVIDADE II - Apresentação da Música: “Cinderela”, de Carlos Paião, cuja letra será previamente distribuída aos alunos. Recorrer ainda, ao Diapositivo nº 18. De seguida, os alunos deverão identificar as características físicas e emocionais do corpo humano até aos 10 anos.  Para se conhecerem as mudanças físicas e emocionais da adolescência, explorar os Diapositivos: do nº 19 ao nº 25.  ACTIVIDADE III – Trabalho de Grupo: “O diário de um adolescente com borbulhas”, onde os alunos terão que responder a questões relacionadas com as características emocionais da adolescência. Será distribuída a cada grupo uma cartolina com um excerto do respectivo diário (do 1º Acto ao 5º Acto). Recorrer à projecção do Diapositivo nº 26 para orientar a tarefa. Posteriormente, recorrer-se-á, também, aos Diapositivos do nº 27 ao 31. Concluir esta actividade com a exploração do Diapositivo nº 32 e a reprodução da Música: “Estou além”, de António Variações. A letra da música será distribuída previamente a cada aluno.

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RECURSOS

TEMPO

Projector Multimédia Computador  Tela Colunas som

de

 Fotocópias  Cartolinas

(2ª AULA) 45`

 Material

escolar (caderno, esferográfi ca ou lápis, …)  Quadro branco e marcadores


TEMAS/CONTEÚDOS

OBJECTIVOS

III. Saúde Sexual e Reprodutiva

- Aumentar e consolidar os conhecimentos sobre o corpo sexuado e o funcionamento dos seus órgãos internos e externos

(FISIOLOGIA GERAL DA REPRODUÇÃO HUMANA) 

A Figura Corporal

A Morfofisiologia do Sistema Reprodutor Feminino

* O Ciclo Sexual Feminino (ou Ciclo Menstrual) 

A Morfofisiologia do Sistema Reprodutor Masculino

- Identificar os órgãos dos aparelhos reprodutores masculino e feminino - Aprofundar os conhecimentos sobre o ciclo menstrual - Desenvolver o autoconhecimento e a noção de valorização do corpo - Uniformizar e adoptar terminologia sexual adequada.

METODOLOGIA/ACTIVIDADES

RECURSOS

TEMPO

 Apresentação do PowerPoint (Diapositivos do Projector nº 33 ao nº 77): Multimédia  ACTIVIDADE IV - Apresentação do Vídeo: Computador “As novas toalhas do IKEA” Promoção do debate, devidamente orientado, sobre morfologia masculina e feminina. Recorrer à  Tela projecção do Diapositivo nº 33. Explorar, ainda, os Diapositivos: do nº 34 até ao nº 71. Colunas de som  ACTIVIDADE V - Projectando o Diapositivo nº 72, fornecer aos alunos uma Ficha de Trabalho, intitulada “Faz a legenda…”. Nesta ficha, os  Fotocópias alunos deverão legendar os esquemas de ambos os Sistemas Reprodutores (Feminino e  Quadro Masculino). Para a sua correcção, recorrer branco e marcadores ainda aos Diapositivos: do nº 73 ao nº 76.  ACTIVIDADE VI: Projectando o Diapositivo nº 77, organizar a turma para a concretização de um Jogo: “O Bingo”. Distribuir por cada dois alunos um Cartão do Bingo. Retirar de um saco uma bola numerada e efectuar a pergunta correspondente. Cada grupo deverá indicar no cartão, o número da pergunta e a respectiva resposta. Repetir este procedimento, até que um grupo complete o cartão e diga “Bingo”!

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 Jogo: “ O Bingo” (e respectivo material)

(3ª AULA) 45`


TEMAS/CONTEÚDOS

OBJECTIVOS

IV. Saúde Sexual e Reprodutiva

- Aumentar e consolidar conhecimentos sobre os mecanismos de Reprodução Humana, compreendendo os elementos essenciais acerca da Fecundação, da Gravidez e do Parto

(FISIOLOGIA GERAL DA REPRODUÇÃO HUMANA)

● A Fecundação ● A Gravidez *A Gravidez na Adolescência ● O Parto

- Compreender os riscos físicos e psicológicos de uma Gravidez na Adolescência - Discutir as repercussões da Gravidez na Adolescência - Desenvolver atitudes de prevenção face a riscos para a saúde, nomeadamente na esfera sexual e reprodutiva - Compreender a importância da Contracepção

METODOLOGIA/ACTIVIDADES  Apresentação do PowerPoint (os Diapositivos nº 78 até ao nº 82):  ACTIVIDADE VII: Recorrendo aos Diapositivos nºs 78 e 79, apresentar a história “Para onde foi o Zezinho…”, referindo que a mesma relata, de uma maneira simples, a forma como somos concebidos, como nos desenvolvemos dentro do útero materno e como nascemos. Projectar e explorar o PowerPoint “Para onde foi onde foi o Zezinho…” Posteriormente, recorrer à projecção e exploração do PowerPoint “Da fecundação ao desenvolvimento de um novo ser”. Finalizar esta actividade, com a projecção do Vídeo: “Fecundação”, da Nacional Geographic. Promover o levantamento de questões e o esclarecimento de dúvidas.  ACTIVIDADE VIII: Através da exploração dos Diapositivos nºs 81 e 82, chamar a atenção para os riscos físicos e psicológicos de uma gravidez na adolescência. Posteriormente, projectar dois Vídeos, intitulados “Gravidez na Adolescência”. Promover a discussão dos mesmos, efectuando um “Brainstorming”, em que as reflexões/conclusões deverão ser registadas no quadro branco. Finalizar com apresentação do Diapositivo nº 82.

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RECURSOS

TEMPO

Projector Multimédia Computador  Tela Colunas de som

 Quadro branco e marcadores

(4ª AULA) 45`


A avaliação dos alunos será realizada com base nos seguintes parâmetros:    

Trabalhos realizados Empenho demonstrado na concretização das actividades Grelhas de observação Ficha de auto-avaliação

 Luís, Mª da Paz e outros, Guião PRESSE – Formação de Professores, ARS Norte, I.P., Outubro 2010.  Luís, Mª da Paz e outros, Guião PRESSE – Formação de Professores do 5º ano, ARS Norte, I.P., 2008.

ANEXOS

Como “anexos” são consideradas as pastas, devidamente identificadas, com as respectivas aulas, actividades, PowerPoint, fichas de trabalho, entre outros.

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Actividade VII (A) - Apresentação Para onde foi o Zézinho.

Clique na imagem acima para visualizar a apresentação

Actividade VII (B)- Apresentação DA FECUNDAÇÃO AO DESENVOLVIMENTO DE UM NOVO SER.

Clique na imagem acima para visualizar a apresentação

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Formadores: Sandra Mendes

Nível de Ensino: 1º Ciclo. Grupo de recrutamento: 1 10

Formandos: Jorge Reis

Elsa Lopes

Cristina Peitxoto

INTRODUÇÃO O presente trabalho pretende ser um instrumento dinâmico e flexível, apresentando de forma clara noções fundamentais à abordagem da educação sexual no quinto ano de escolaridade, com uma perspectiva abrangente da sexualidade. Desta forma, serão abordados três temas: “Normalidade, importância e frequência das variantes biopsicológicas”, “Diversidade e respeito” e “Sexualidade e género”, descrevendo a sua componente teórica, seguida de sugestões pedagógicas que incluem propostas de actividades e referência a outros recursos úteis, que nos permitirão o desenvolvimento desta temática. Este grupo de trabalho ao ter em conta o grau de ensino para o qual iria realizar o trabalho optou por elaborar três aulas de 45 minutos com actividades para cada uma delas e realizou um PowerPoint como complemento da última temática. Em complemento irá em anexo uma grelha com os conteúdos curriculares a que se refere o Nº1 do Artigo 3º da Portaria nº196-A/2010 de 9 de Abril. A componente teórica abaixo descrita e resumida foi retirada do guião fornecido pelas formadoras, tentou-se retirar o essencial e aquilo que se considerou mais fácil de compreensão por parte deste grau de ensino e facha etária na qual se enquadram.

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Sexualidade e Género (Freitas 2003) A sexualidade inicia o seu processo de formação desde o primeiro encontro do bebé com o mundo. As primeiras vivências com a sexualidade inserem-se no contacto com os pais (mamar, ser acariciado, dormir com os pais...). Desta forma a criança vai assimilando os valores associados à sexualidade, vai aprendendo a estabelecer contacto com o mundo, no que se refere à sexualidade. A família desempenha um papel preponderante nesta fase inicial da educação sexual da criança, ao permitir-lhe a construção de vínculos afectivos. É também com a família que a criança adquire um código de conduta aceitável ou não aceitável em relação à vida sexual. É neste sentido que a família é fundamental para construir a versão que se tem de sexualidade e todas as aprendizagens necessariamente relacionadas com valores e regras culturais. Porém, e apesar de toda a abordagem inicial, a família irá passar por dificuldades de comunicação, provocada por falta de competências parentais nesta área. A criança, agora adolescente, evita certos temas relacionados com a sexualidade no contexto familiar, de forma a evitar críticas e intromissões na sua própria intimidade (Vilar, 2002). Apesar de se considerar a família uma referência fundamental na aprendizagem sexual infantil, o ambiente escolar é considerado um espaço único de socialização do aluno, espaço esse onde ocorrem vivências afectivas e sexuais, pelo que esta não deverá esquecer a sua responsabilidade educativa no desenvolvimento sexual da criança (Ministério da Educação, Ministério da Saúde, APF 2000). O conceito de Género refere-se à construção social do “Ser-se homem”, “Ser-se mulher”, elaborado a partir das diferenças biológicas entre ambos os sexos. Numa determinada sociedade, o género define os papéis e as responsabilidades dos indivíduos enquanto elementos de um ou de outro grupo. O género implica diferenças socialmente construídas entre mundos masculinos e femininos, mas também uma hierarquia estabelecida entre ambos, em que o primeiro tem sido dominante desde sempre. Se por um lado o modelo tradicional de papéis de género tende a evoluir, existem ainda, por outro, discursos que o perpetuam.

Diversidade e Respeito (Pereira e Freitas 2002) A orientação sexual é usualmente definida como referência de um indivíduo por um determinado sexo. Assim, homossexualidade implica envolvimento sexual com um indivíduo do sexo oposto, homossexualidade implica envolvimento sexual com um indivíduo do mesmo sexo e bissexualidade implica envolvimento sexual com indivíduos de ambos os sexos. No entanto, “na adolescência, com o despertar da sexualidade, poderão existir relações homossexuais, sem que isso determine a orientação sexual”. (Alcobaça, Mendes e Serôdio, 2003).

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Na sociedade actual, a homossexualidade é a orientação mais comum. Não existem respostas definitivas que expliquem a origem das orientações sexuais. A orientação sexual será o resultado de uma complexa interacção de factos psicológicos, sociais e culturais. Além destas definições, é sabido que a orientação sexual pode mudar ao longo da vida, e muitas vezes é dinâmica. Estudos demonstram que a orientação sexual não é uma escolha voluntária. Provavelmente teremos no futuro uma concepção mais vasta e complexa que permita melhorar a compreensão da orientação sexual.

A SEXUALIDADE E A AUTO-IMAGEM POSITIVA

Objectivos: • Consciencializar-se da sua imagem. • Relacionar os comportamentos/hábitos com a auto-imagem. • Construir uma auto-imagem positiva e auto-estima. Materiais: • Ficha de trabalho: “Comportamentos e auto-imagem” • Quadro ou papel de conferência • Papel de cenário com o esquema aumentado da “Estrela da auto-imagem positiva” Actividades: 1. Introdução (3min) acerca do trabalho a desenvolver usando frases do tipo:  Como é que cada um se vê ao espelho?  O que conhecemos acerca do nosso corpo?  Gosto da minha imagem/corpo? 2. 2.O docente informa os alunos acerca das actividades que vão desenvolver, dizendo, por exemplo: “Para melhor sentirem que imagem têm do vosso corpo, fechem os olhos e procurem ver-se projectados numa tela localizada no interior da vossa cabeça (como se estivessem a ver-se ao espelho). Procurem fixar-se, por uns momentos, nessa imagem – dois minutos de silêncio”. (5min) 3. O docente distribui a ficha de trabalho “Comportamentos e auto-imagem” e pede para cada aluno assinalar hábitos/comportamentos seus que influenciam a imagem que visualizaram no ponto 2. (8min)

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4. Orientar uma discussão de modo a que os alunos  Relacionem os comportamentos/hábitos com a auto-imagem.  Relacionem a valorização e aceitação do corpo com os cuidados a ele dispensados.  Discutam a necessidade de estabelecer o equilíbrio entre cuidar da aparência física e estar obcecado por ela. (10min)

5. Depois de trabalhar o aspecto físico da auto-imagem, o professor desafia os alunos a construírem uma auto-imagem que inclua, também, os aspectos psicológicos e Relacionais. A frase: “O aspecto físico é apenas uma das partes do que a pessoa é.” Poderá ser um bom ponto de partida (5min) 6. Pedir aos alunos para construírem frases simples que forneçam pistas para desenvolver uma auto-imagem positiva, registando-as nos raios de luz do esquema “Estrela da auto-imagem positiva” desenhada no papel cenário (10 min.).

Fig 1. Exemplo da “estrela da auto-imagem positiva”

Notas: Possíveis pistas para a construção de uma auto-imagem positivam:      

Falar com os pais acerca das suas preocupações. Apreciar os seus talentos e capacidades (musicais, atléticas, artísticas, etc.). Seleccionar o lixo. Respeitar e proteger os animais. Respeitar a opinião dos outros. Respeitar os seus sentimentos.

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PowerPoint – formação

Clique na imagem acima para visualizar a apresentação.

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Formadores: Ana Paula Ferreira

Nível de Ensino: 1º Ciclo. Grupo de recrutamento: 1 10

Formandos: Alexandra Dias

Sara Ferraz

Projecto de Educação Sexual 1. Designação do Projecto: [Conhecer-me… descobrindo-me…] 2. Professor responsável pelo Projecto: Alexandra Dias (Directora de Turma e professora de Ciências da Natureza) e Sara Ferraz (professora de Área de Projecto) 3. Fundamentação do Projecto: Somos seres sexuados providos de um corpo que responde a estímulos para procurar a satisfação e o bem-estar. A sexualidade é parte integrante da pessoa humana sendo a Educação Sexual “um processo através do qual a pessoa se desenvolve enquanto ser sexuado e sexual”. A elaboração/implementação deste projecto surge da definição Educação Sexual como uma dimensão a tratar na Escola e mais especificamente ao nível de cada grupo turma. O quadro legal e normativo legitima a existência de Educação Sexual como componente da Educação, atribuindo responsabilidades e deveres ao sistema educativo em geral, e à Escola em particular, integrando uma perspectiva de que a Sexualidade se constrói através do processo de socialização: a Sexualidade deriva de um processo continuado de aprendizagens e interacções que se realizam em todos os contextos da vida, família, pares e escola. Tendo por base esta noção prevê-se que a Educação para a Sexualidade seja uma “abordagem transdisciplinar desta matéria” visando Educar para criar cidadãos com uma atitude individual responsável e consciente nas suas escolhas e tomadas de decisão quanto à sexualidade. A sexualidade, como realidade multidimensional e abrangente nas suas várias dimensões deve ser tida em conta na aprendizagem e aquisição de valores, comportamentos e conhecimentos que a Escola oferece, (numa dinâmica jovem – família – sociedade), devendo esta, por isso, tornar-se um espaço seguro onde os jovens possam falar, ser ouvidos, esclarecer e reflectir numa construção pessoal e social e para a promoção da saúde sexual e reprodutiva, assumindo uma dimensão imprescindível do processo global da Educação e da promoção de saúde. O presente projecto pretende facilitar a construção do conhecimento sexual com informação objectiva, completa e rigorosa, quanto possível, a nível biológico, psíquico e social e fomentar a aquisição de atitudes positivas de respeito e responsabilidade face a este tema. Promover e incentivar uma abordagem pedagógica de temas de sexualidade humana, integrada em contextos curriculares, numa lógica interdisciplinar, privilegiando a turma C do 6º ano e as diferentes necessidades de cada um individualmente. O debate de ideias e de valores pessoais será favorecido nas actividades aqui propostas, de modo a qua a participação de todos possa contribuir para um enriquecimento necessário à construção de referências que orienta as dinâmicas individuais. As estratégias escolhidas visam a reflexão e a partilha de opiniões intercaladas com momentos de síntese.

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4. Finalidades do Projecto: [consultar a Lei n.º 60/2009, de 6 de Agosto, artigo 2.º] a) A valorização da sexualidade e afectividade entre as pessoas no desenvolvimento individual, respeitando o pluralismo das concepções existentes na sociedade portuguesa; b) O desenvolvimento de competências nos jovens que permitam escolhas informadas e seguras no campo da sexualidade; c) A melhoria dos relacionamentos afectivo-sexuais dos jovens; d) A redução de consequências negativas dos comportamentos sexuais de risco, tais como a gravidez não desejada e as infecções sexualmente transmissíveis; e) A capacidade de protecção face a todas as formas de exploração e abuso sexuais; f) O respeito pela diferença entre as pessoas e pelas diferentes orientações sexuais; g) A valorização de uma sexualidade responsável e informada; h) A promoção da igualdade entre os sexos; i) O reconhecimento da importância de participação no processo educativo de encarregados de educação, alunos, professores e técnicos de saúde; j) A compreensão científica do funcionamento dos mecanismos biológicos reprodutivos; k) A eliminação de comportamentos baseados na discriminação sexual ou na violência em função do sexo ou orientação sexual.

A Bússola das emoções As emoções são importantes porque promovem a aproximação de outras pessoas. Ajudam-nos a estar preparados para algo que pode acontecer. Ajudam-nos a proteger o organismo de situações ou acontecimentos prejudiciais. Alertam-nos para algo que aconteceu de forma diferente do que estávamos à espera que acontecesse e ajudamnos a formar consciência das nossas necessidades e fraquezas. Indica uma situação que te faça sentir cada uma das emoções abaixo referidas: Amor, Alegria, Vergonha, Raiva, Ansiedade e Tristeza.

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Jogo CTM (Cabeça, Tronco e Membros) Escolhe 6 números de 1 a 20 e escreve-os aleatoriamente nas 6 partes do corpo da figura abaixo. A cada número corresponde uma questão. Assinala com um círculo os números que forem sendo sorteados e quando todos tiverem saído… CTM.

Anota as questões e as respostas:

1 2 3 4 …

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Sexualidade é: Lê e reflecte sobre as 10 palavras da tabela. Escolhe e recorta as que te parecem definir sexualidade.Cola-as na letra que te foi atribuída. CORRER

BRINCAR

CANTAR

LER

TERNURA

MEDO

ALEGRIA

VIAJAR

CANTAR

ANSIEDADE

Sexualidade é: Lê e reflecte sobre as 10 palavras da tabela. Escolhe e recorta as que te parecem definir sexualidade. Cola-as na letra que te foi atribuída. TELEFONAR

AMOR

DORMIR

CUMPLICIDADE

FELICIDADE

EUFORIA

DORMIR

EXCITAÇÃO

SAÚDE

PARTILHA

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Sexualidade é: Lê e reflecte sobre as 10 palavras da tabela. Escolhe e recorta as que te parecem definir sexualidade. Cola-as na letra que te foi atribuída. PAIXÃO

CUMPLICIDADE

ANDAR

TERNURA

CORRER

DANÇAR

ENAMORAMENTO

OLHAR

ALEGRIA

ANSIEDADE

Sexualidade é: Lê e reflecte sobre as 10 palavras da tabela. Escolhe e recorta as que te parecem definir sexualidade. Cola-as na letra que te foi atribuída. SENTIR

SINTONIA

DÚVIDA

SENTIR

BEIJAR

PAIXÃO

DANÇAR

VIAJAR

NADAR

RELAXAR

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“Menino ou Menina” 

Cartazes utilizados na actividade para identificarem caracteres sexuais primários

As alterações que ocorrem no teu corpo

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(imagem para mostrar os caracteres sexuais secundários)

(Fichas a utilizar na abordagem do Sistema Reprodutor Masculino)

Problema:

“ Imagina que és o sistema reprodutor masculino, quais são os órgãos que te constituem?” Lê com atenção o texto que se segue e responde ao problema inicial:

“ Os órgãos sexuais internos masculinos são os testículos, os canais deferentes, as vesículas seminais e a próstata. O escroto encerra dois testículos. A próstata é uma glândula que se encontra precisamente sob a bexiga. As vesículas seminais estão ligadas à uretra.”

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O sistema reprodutor masculino

O espermatozóide – célula sexual masculina

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(Fichas a utilizar na abordagem do Sistema Reprodutor Feminino)

O SISTEMA REPRODUTOR FEMNINO Observa a figura:

Faz a legenda da figura, apoiando-te na informação do teu livro. 1. 2. 3. 4. 5.

__________________ __________________ __________________ __________________ __________________

Cartaz Sistema reprodutor feminino

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Projecto de Educação Sexual de Turma

Clique na imagem acima para visualizar a apresentação

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Formadores: Sandra Mendes

Nível de Ensino: 1º Ciclo. Grupo de recrutamento: 1 10

Formandos:

Maria Manuela Machado

Mª Florinda Grilo

Ana Paula Silva

INTRODUÇÃO O presente trabalho pretende ser um contributo para o desenvolvimento de um dos conteúdos - os métodos contraceptivos - da área temática Saúde Sexual e Reprodutiva, previstos na legislação (quadro anexo à Portaria nº196 –A/2010), para abordagem no 9º ano de escolaridade Compreensão do uso e acessibilidade dos métodos contraceptivos e, sumariamente, dos seus mecanismos de acção e tolerância (efeitos secundários). A escolha destes conteúdos deve-se ao facto de os jovens iniciarem a sua actividade sexual cada vez mais precoce, muitas vezes sem protecção contraceptiva, resultando em alguns casos em gravidezes indesejadas que podem comprometer a sua saúde e a sua vida académica e social. Neste sentido, torna-se necessário ajudar o adolescente a planear a sua vida reprodutiva, dando-lhe a conhecer as estratégias de prevenção que o ajudem a vivenciar a sua sexualidade de forma plena e responsável. A abordagem e as actividades que propomos centram-se numa lógica articulada e multidisciplinar, não se limitando a sua gestão curricular à disciplina de Ciências Naturais ou à área de Formação Cívica. Por outro lado, o desenvolvimento deste trabalho contará com o apoio da equipa da Educação para a Saúde do Agrupamento e com o apoio técnico das instituições ou serviços com os quais se tenham estabelecido parcerias. A dinâmica de trabalho para a concretização das actividades visa a construção de um conhecimento com prazer, fruto da curiosidade, da criatividade e da participação que se deseja. No essencial, espera-se que o aluno desenvolva comportamentos sexuais responsáveis, incluindo habilidades de comunicação e tomada de decisões segura e séria.

PRESSUPOSTOS TEÓRICOS “(…) a educação sexual acontece em cada momento através dos modelos, dos comportamentos da diversidade de marcações do que é, e do que deve ser, visível e invisível socialmente. Por isso, todos os pais e mães, todas as famílias, todos os agentes de educação formal ou não formal, fazem educação sexual. Em casa, nos meios de comunicação social e, claro também em meio escolar (…) Em meio escolar, desde a educação de infância, passeando pelos diversos ciclos, faz-se educação sexual na forma como se responde, ou não responde, às questões dos alunos, ou mesmo às suas provocações, relacionadas com a sexualidade. Tornámos difícil, ou acessível, falar destas questões, não só pelo que dizemos, mas muito especialmente pela forma como o dizemos ou não dizemos. Não é possível não fazermos educação sexual em meio escolar. Não é possível só fazer educação sexual

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numa disciplina de educação para a saúde. O que sempre foi possível, foi fazer educação sexual de uma forma negativa, sem que o educador clarifique os seus próprios valores, sem enquadrar a sua acção educativa nos valores e orientações da Constituição, Lei de Bases do Sistema Educativo, e noutros documentos orientadores. A formação científica relacionada com educação sexual não está separada, de forma estanque, da formação pessoal e social e de um quadro de valores. (…) Note-se que todos e todas temos sexualidade desde que nascemos e durante toda a vida, mas cada um de forma diferente. Assim, é necessário dar especial atenção ao quotidiano dos alunos e, nomeadamente, às famílias e comunidades em que se integram para que se possam adaptar conteúdos, mensagens e reflexões, de uma forma que promova uma sexualidade gratificante. Uma sexualidade vivida de forma informada e responsável, em que a informação, a reflexão e a capacidade de decisão cheguem antes dos acontecimentos.” Maria João Duarte Silva, Professora Coordenadora da Escola Superior de Educação do Porto (em entrevista) Nesta entrevista levantam-se questões importantes que vão ao encontro dos pressupostos do nosso trabalho. Acreditamos que “Não é possível não fazermos educação sexual em meio escolar” pois a escola é um dos locais privilegiados para a educação sexual, quer pelo número de adolescentes que nela se concentra, quer pelo tempo de permanência na instituição quer ainda pelo ambiente de relações humanas que marcam a vida de cada um. Com efeito, uma educação sexual em contexto escolar deve proporcionar aos jovens informação objectiva relacionada com os aspectos científicos e técnicos da sexualidade nas suas várias dimensões (biológica, pessoal e relacional, expressiva, histórica e social) mas também os instrumentos para a procurarem e para questionarem e reorganizarem a informação que recebem. Deve ainda criar oportunidades para desenvolver capacidades de comunicação, de negociação, de escuta, de assertividade, de procura de ajuda, de tomada de decisão, de reconhecimento e de resistência às pressões, assim como capacidades para lidar com desafios e com preconceitos, para reconhecer e ultrapassar barreiras e para discutir assuntos morais e sociais. Apesar da complexidade da questão a escola deve assumirse como um contexto privilegiado para o debate sobre questões morais. A responsabilidade individual e colectiva e a tolerância face à diversidade e à livre escolha deverão ser eixos orientadores e organizadores de todo o trabalho a desenvolver. Acreditamos que uma escola cuja acção assente nestes pressupostos contribuirá para a formação de jovens mais responsáveis e mais felizes. Eles esforçarse-ão por construir o seu projecto de vida e conduzi-lo, conhecendo-se melhor, respeitando-se, respeitando os outros na diferença, responsabilizando-se pelas decisões tomadas, pelas consequências que destas resultem e estabelecendo relações interpessoais mais saudáveis e gratificantes. Achamos fulcral assumir que esta temática é da responsabilidade geral de toda a comunidade educativa, apesar das responsabilidades específicas de alguns sectores como é o caso dos professores de Ciências da Natureza (2º ciclo), Ciências Naturais (3º ciclo), e dos Directores de turma que, entre outros momentos não formais, poderão aproveitar o tempo destinado à Formação Cívica para o desenvolvimento do projecto.

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O facto de haver conteúdos já abordados no 2º ciclo e no 7º e 8º ano do 3º ciclo não obsta a que, sempre que se entenda necessário, se retomem e aprofundem. A experiência demonstra vantagens de se voltar a abordá-los visto os alunos estarem numa fase de aceleradas transformações tanto a nível físico quanto a nível mental. Pensamos que a abordagem deve ser sempre acompanhada por uma reflexão sobre atitudes e comportamentos relativos ao presente vivenciado.

Planificação Anual de Educação Sexual – 9º ano Conteúdos 

Compree nsão do ciclo menstrua le ovulatóri o; Compree nsão da fisiologia geral da reproduç ão humana; Compree nsão do uso e acessibili dade dos métodos contracep tivos e, sumariam ente, dos seus mecanis mos de acção e tolerância (efeitos secundári os).

Objectivos AUMENTAR

Área curricular E

CONSOLIDAR

CONHECIMENTOS SOBRE:

 O corpo sexuado e do funcionamento dos seus órgãos internos e externos.  Os mecanismos de reprodução humana.  Os mecanismos da resposta sexual humana.  Do planeamento familiar e, em particular, dos métodos contraceptivos;  As infecções de transmissão sexual, formas de prevenção e tratamento.  As taxas e tendências das interrupções voluntárias de gravidez.  Os recursos existentes para a resolução de situações relacionadas com a saúde sexual e reprodutiva.  Os direitos, a legislação, os apoios e os recursos disponíveis na prevenção, acompanhamento e tratamento dos problemas de saúde ligados à expressão da sexualidade.

Ciências Naturais Os conteúdos desta programação são leccionados no âmbito da disciplina de Ciências Naturais, servindo, desta forma, como pressupostos científicos para as actividades a desenvolver nas restantes áreas. Formação Cívica Ficha 1 – Sexualidade é … Ficha 2 - É melhor prevenir … Ficha 3- Cocktail contraceptivo ITIC / EDV Ficha 4 – Eu contraceptivo apresento-me

DESENVOLVER ATITUDES DE:  Prevenção face a riscos para a saúde, nomeadamente na esfera sexual e reprodutiva.  Prevenção das infecções sexualmente transmissíveis e gravidez não desejada.  Reconhecimento de que a maternidade e paternidade deve

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Matemática

/

Estudo

Acompanhado Ficha 5 – A Matemática na contracepção

História


resultar de uma opção voluntária e consciente.

Ficha 6 –

DESENVOLVER COMPETÊNCIAS PARA: - tomar decisões responsáveis - adoptar comportamentos informados e responsáveis relativos à saúde sexu FICHA Nº1 Área Disciplinar:

Formação Cívica

Actividade:

Sexualidade é…

Objectivos:  Definir/Rever o conceito abrangente de sexualidade humana.  Promover o conceito abrangente de sexualidade humana nas várias dimensões.  Expressar oralmente as suas vivências de forma aberta e dinâmica.

Duração 45’

Recursos: Canetas Quadro Rectângulos de papel Computador e Videoprojector

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Descrição passo a passo: 1. Distribuir três rectângulos de papel a cada aluno; 2. Pedir para que escrevam de imediato uma palavra em cada rectângulo, em letras maiúsculas, após ouvirem a palavra que lhes é proposta; 3. A palavra proposta é SEXUALIDADE; 4. Recolher todos os rectângulos de papel; 5. Registar de forma aleatória todas as palavras no quadro; 6. Com a colaboração dos alunos, reorganizar as diferentes palavras de acordo com a sua ligação, interligação, construindo de forma lógica e coerente o conceito de sexualidade; 7. Projectar a definição de sexualidade da OMS de 1975 e 2002. (Anexo 1) 8. Síntese das diferentes dimensões da sexualidade e dos princípios de igualdade, respeito e responsabilidade que devem nortear as relações sexuais.

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FICHA Nº2 Área Disciplinar: Formação Cívica Actividade: “É melhor prevenir…” Objectivos:  Adoptar comportamentos informados e responsáveis relativos à saúde sexual e reprodutiva.  Assumir comportamentos preventivos face a riscos para a saúde nomeadamente, na esfera sexual e reprodutiva.  Expressar oralmente as suas vivências, bem como as experiências em relação ao mundo que as rodeia, de forma aberta e dinâmica. Duração 45’

Recursos:  Quadro/giz/caneta  Vídeos “Conversa Íntima, parte I”  Computador  Videoprojector.

Descrição passo a passo: 1- Projecção do vídeo 2- Exploração e registo no quadro das ideias chave do filme, tais como:  a importância do respeito e da partilha da responsabilidade nas relações sexuais;  a importância da contracepção como forma de prevenção de uma gravidez indesejada;  a importância do aconselhamento médico;  … 3- Distribuir a cada aluno uma folha de papel com a seguinte informação: Imagina que tu és a rapariga do vídeo ou o seu namorado. Regista os t rês pensamentos que insistentemente te assaltam nesta situação de incerteza de uma possível gravidez na adolescência. (Anexo 2) 4- Apresentação dos pensamentos/riscos à turma e consequente debate. 5- Projecção de um slide com riscos físicos e psicossociais de uma gravidez na adolescência. (Anexo 1)

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FICHA Nº3 Área Disciplinar:

Formação Cívica

Actividade:

“Cocktail” contraceptivo

Objectivos:  Distinguir os vários métodos contraceptivos.  Reconhecer a especificidade de cada método contraceptivo.  Sensibilizar para a adequabilidade de cada um dos métodos contraceptivos consoante a história pessoal/clínica do seu utilizador. Duração 45’

Recursos: Quadro/Canetas Fichas identificativas de cada método contraceptivo Caixas para os “ingredientes” da caracterização de cada método Rectângulos de papel (“ingredientes”) com informação individual por itens. Vídeo “Conversa intima”- parte II Computador e Videoprojector

Descrição passo a passo: 1. 2. 3. 4. 5.

6. 7. 8. 9.

Interrogar os alunos sobre o conceito de contracepção. Projecção do filme “Conversa intima”- parte II Registar as ideias chave do filme no quadro. Dividir os alunos em grupos. Colocar em cima de uma mesa seis caixas identificadas com informação relativa aos itens constantes na ficha identificativa do método contraceptivo (exemplo: classificação, eficácia, etc). (Anexo 3) Dar a cada grupo duas fichas identificativas de dois métodos contraceptivos. (Anexo 3) Cada grupo terá de completar a ficha com a informação adequada ao método em estudo, que se encontra em cada uma das caixas. No final, o professor entrega a cada grupo as fichas identificativas dos métodos estudados por cada um. (Anexo 3) Fazer um folheto de divulgação de cada um dos métodos contraceptivos para apresentação à turma numa aula futura.

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FICHA Nº4 Área Disciplinar:

Introdução às Tecnologias de Informação ou Educação Visual

Actividade:

“Eu, contraceptivo, apresento-me!”

Objectivos:  

Caracterizar especificamente cada método contraceptivo. Divulgar informação sobre métodos contraceptivos.

Duração 45’

Recursos: Computador Videoprojector Outros recursos solicitados e apresentados pelos alunos

Descrição passo a passo: Com a informação fornecida aos alunos na ficha 3, cada grupo terá como tarefa fazer uma apresentação do(s) método(s) contraceptivo(s) estudado(s) pelo grupo, com recurso às novas tecnologias . Na sequência deste trabalho poderão ainda elaborar cartazes e folhetos/desdobráveis informativos sobre esta matéria para utilização e divulgação no GIA.

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FICHA Nº5 Área Disciplinar:

Matemática / Estudo Acompanhado

Actividade:

“A Matemática na contracepção”

Objectivos:  

Avaliar a eficácia de cada método contraceptivo, através de gráficos, tabelas e cálculo de probabilidades. Divulgar informação sobre métodos contraceptivos.

Duração 45’

Recursos: Ficha de trabalho elaborada para o efeito.

Descrição passo a passo: Os alunos resolvem a ficha individualmente. A ficha requer conhecimentos sobre os métodos contraceptivos para responder a algumas questões. O professor poderá fazer um pequeno resumo no inicio da aula, podendo utilizar para isso os materiais da ficha 3.

CONCLUSÃO A escolha e o desenvolvimento das actividades que propomos foram orientados com o objectivo de promover a motivação, o interesse e a participação dos alunos. As actividades são diversificadas. Os vídeos que apresentamos contam uma história que facilitará a motivação para os assuntos a trabalhar, não apenas pelo recurso às diferentes linguagens (auditiva e visual), mas também pela relação afectiva que se pode vir a criar com os seus actores e respectivas problemáticas. As fichas, os debates, as reflexões privilegiam aprendizagens significativas e intencionais, possibilitam ao aluno aplicar conhecimentos a situações reais do seu dia-a-dia e a familiarizar-se com eles e sobretudo facilitam um diálogo franco e aberto entre todos sobre as suas vivências, as suas dúvidas, as suas angústias e todas as questões muito significativas para a subjectividade de cada ser. Para que estes objectivos sejam alcançados é imperioso que os docentes criem laços de confiança e aproximação com os alunos para que eles se sintam seguros e àvontade para falar das suas dúvidas, das suas angústias e das suas experiências de forma descontraída, confiante e sem preconceitos. Por último, o desenvolvimento dos conteúdos que seleccionamos não se esgota nestas disciplinas assim como a educação sexual do 9º ano também não se esgota neste conteúdo. Este é o nosso contributo para um dos elementos estruturantes da formação da personalidade dos adolescentes.

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Vídeos Conversa íntima - Informações sobre métodos contraceptivos - Parte 1

Conversa íntima - Informações sobre métodos contraceptivos - Parte 2

Métodos Contraceptivos

Métodos Contraceptivos

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Anexo 1 - Power point Fichas 1 e 2

Clique na imagem de capa acima para visualizar a apresentação.

Anexo 2 - Gravidez na adolescência Imagina que tu és a rapariga do vídeo ou o seu namorado. Regista os três pensamentos que insistentemente te assaltam nesta situação de incerteza de uma possível gravidez na adolescência

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Anexo 3 – Cocktail Contraceptivo

Cocktail Contraceptivo Procura em cada uma das caixas a imagem e informação solicitada para o método contraceptivo em análise. “Ingredientes”

Método

Foto

Nome do método contraceptivo

Eficácia

IST

Classificação

Vantagens

Desvantagens

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A ficha anterior deverá ser entregue a cada grupo de alunos. Eles terão que procurar os ingredientes para construírem o “Cocktail”. Os ingredientes encontram-se em caixas, elaboradas para o efeito, separadas em : foto, eficácia, classificação, infecções sexualmente transmissíveis (IST), vantagens e desvantagens. Depois de reproduzidas as fichas abaixo recortar-se-ão em tiras por “ingrediente”. No final, o professor mostrará a ficha correspondente a cada um dos grupos para confronto de resultados. Etiquetas para as caixas

Foto Eficácia IST Classificação Vantagens Desvantagens

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Anexo 4 – Ficha de Matemática

1. Um estudo efectuado a 313 casais revelou o seguinte: Método Nº de entrevistados Contraceptivo Laqueação de trompas 21 Vasectomia

6

Naturais

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Pílula

143

Dispositivo intra uterino

6

Outros

5

Preservativo

80

a) Qual a percentagem de casais que usam os métodos naturais? b) Vai ser escolhido um casal para dar testemunho do método utilizado. Qual a probabilidade de escolher um casal que use métodos cirúrgicos/tecnológicos? c) Indica a moda da distribuição. Diz o seu significado. d) Constrói um gráfico de barras da distribuição.

2. Numa cidade fez-se um estudo sobre os métodos anticoncepcionais utilizados. Foram inquiridas 2500 mulheres que engravidaram, apesar de usarem método anticonceptivo. Método contraceptico 1- Calendário 2 - Interrupção do coito 3- Preservativo masculino 4 – Diafragma com espermicida 5 - Laqueação 6 - Pilula 7- Vasectomia

% de casos em que ocorreu gravidez 20 16 2 2 0,4 0,5 0,4

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a) Quantas mulheres engravidaram usando o método: a1) Pílula anti concepcional a2) Interrupção do coito. b) Identifica os métodos anticoncepcionais masculinos. c) Qual dos métodos reversíveis consideras mais eficaz? Justifica. d) Constrói um gráfico de barras que traduza o estudo 3. O método das temperaturas ou da temperatura basal é baseado na alteração térmica que o corpo apresenta quando ocorre a ovulação. Esse aumento devese ao aumento da progesterona. A temperatura é medida diariamente, antes da mulher se levantar. São consideradas temperaturas basais as que acontecem na primeira fase do ciclo. A Sofia tem um ciclo de 28 dias e mediu a temperatura, diariamente, obtendo os valores apresentados no gráfico abaixo.

Temperatura basal Temperatura

37,5 37 36,5 36 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 dia do ciclo

a) Qual a temperatura observada: b) c) d) e) f)

a1) no 1º dia a2) no 15º dia. Indica a temperatura mínima e a máxima. Cerca do 14º dia ocorre a ovulação. O que acontece à temperatura? Determina a variação da temperatura ao longo do ciclo. Entre que valores variam as temperaturas basais? Numa pequena composição refere a tua opinião sobre a (in)eficácia deste método contraceptivo. Sugestão: No caso de seres do sexo feminino constrói o gráfico da tua temperatura durante um ciclo ovárico. Xx

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4. Observa o gráfico que representa a variação hormonal que ocorre durante o ciclo sexual feminino. a) A concentração da hormona LH é superior à FSH em que período do ciclo sexual? b) Em que período do ciclo a progesterona diminui? c) “No 14º dia do ciclo obtêm-se os valores mais altos para a concentração das hormonas”. Verdadeiro ou Falso? d) Com base no gráfico comenta a frase. “ A concentração de progesterona influencia a temperatura basal.” e) Sabendo que durante a gravidez a concentração de progesterona aumenta, o que poderás concluir sobre a temperatura basal de uma grávida?

Anexo 5 – A mulher no inicio e no fim do seculo XIX

Anexo 6 – Séc. XX

Clique na imagem acima para visualizar a apresentação.

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Anexo 7 – 1920 Loucos Anos Vinte Alta burguesia (João e Mercedes são amigos. Ele tem vinte e cinco anos, ela vinte e três. Vivem em Lisboa.) Mercedes – Nasci em 1906. A minha família tem dinheiro suficiente para viver em bemestar, os negócios correm bem e eu quero ter uma nova vida. Tudo agora é diferente do tempo de juventude da minha mãe que passou a vida apertada em faixas e espartilhos, envolvida em largos metros de tecido abotoado, atado com cordões e preso com colchetes. Ela vivia presa, mas não era só a roupa que a prendia. Era tudo; os costumes, as ideias, a falta de tudo…. Eu sou uma mulher diferente. Quero viver tudo e depressa. A noite para mim é tão importante!... Quero dançar, ouvir música nova, vestir-me como as damas de Paris… quero divertir-me… João, o meu amigo, ficou de me vir buscar depois de nos levantarmos. É quase 1 hora da tarde, deve estar a chegar. Vamos tomar o pequeno-almoço à Versalhes, que fica na Avenida da República. Depois vamos ao Hipódromo do Campo Grande para ter uma aula de equitação. (Entra João) João – Bom dia minha amiga como passou a noite? Mercedes – Um pouco tonta, o champanhe e o barulho no Bristol Club acho que são os culpados… João – Não será da cocaína? Ai, Estou com dores de cabeça! (boceja) Mercedes – João, vamos apresse-se, temos tanto que fazer. Depois da aula vamos almoçar no Bénard, no Chiado. Depois quero ir ao Rossio comprar aquela estola. E o meu amigo vai ver aqueles modelos de chapéus na Gardénia e as luvas nos Armazéns do Chiado. João – Não esqueça os Almeida e os Eça que nos esperam para o chá na Pastelaria Garrett. Mercedes – Sim. Depois jantamos no Maxim`s nos Restauradores e no início da noite vamos aos travestis no Trindade… vamos rir imenso, verá. João – não quer ir também ao parque Mayer ver a dança erótica? Mercedes – Se der tempo… João – Jantamos no Bristol. Hoje há charleston e jazz. Mercedes – Os Teixeira e os Almeidas também vão? João – Ai não sabe?! Os Teixeira divorciaram-se…

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Mercedes – Há! Vamos. (Saem) (Texto inspirado em Joaquim Vieira, Portugal no século XX. Crónica em imagens, 1920-1930. Círculo de Leitores)

Anos Sessenta Maio 1968 (Grupo de amigos estudantes universitários. Numa praça de Paris.) Jean – Hoje continua a luta. Temos que continuar a luta. A imaginação ao poder. Marie – Somos pela não-violência, pelo fim das guerras! Paule – Amor livre, fim da família burguesa. Paz e amor. Louise – Mas o que é o amor? Jean – É vivermos em natureza, é gostarmos, é sermos livres, é sermos diferentes… É estarmos com quem gostamos sem olhar a raça, classe ou regras. Decretemos o estado de felicidade permanente. Louise – Liberdade e emancipação. A pílula há-de libertar-nos. Podemos dormir com quem nos apetecer… A emancipação será total ou não será. Paule – A poesia está na rua. Abaixo a sociedade de consumo. Amem-se uns aos outros. Marie - Eu gozo. Os jovens fazem amor, os velhos fazem gestos obscenos. Jean - As paredes têm ouvidos. Mas os teus ouvidos podem ter paredes. Quanto mais eu faço amor, mais tenho vontade de fazer a revolução. Quanto mais faço a revolução, mais tenho vontade de fazer amor. Abraça o teu amor sem largar a tua arma. Um homem não é estupido ou inteligente: ele é livre ou não é. Temos que abrir as janelas do nosso coração.Fim à familia burguesa. (Senhora idosa que passa) Senhora – Que vergonha!. Só hippys! Só querem amor livre. A culpa é dos pais que não lhes dão a educação. Que gente esta! Não respeitam nada. Violentos, anarcas... Deviam ir para os bordéis, desavergonhadas. (Sai) Texto inspirado em grafites do «Maio de 68»

Mulheres Jovens

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1970 - Portugal (conversam á mesa de um café) Maria – Eu tomo o comprimido, foi o médico que receitou por causa das dores de barriga. Rosa – E não te faz mal? A minha mãe diz que é perigoso tomar a pílula. Ana – A minha diz que só as mulheres da vida é que tomam. Mas eu acho que ela diz isso com medo que eu tenha relações com o meu namorado. Maria - E tu não tens? Ana – Tenho, mas usamos preservativo. Maria – Ah! Ai se ela sabe! Ana - Põem-me na rua. Mas a minha vida vai mudar, quando o João começar a trabalhar, para o ano, casamos. Rosa – Em Portugal estamos tão atrasados! A minha prima está com os meus tios emigrada em Paris e diz que lá é tudo diferente.

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Formadores: Sandra Mendes

Nível de Ensino: 1º Ciclo. Grupo de recrutamento: 1 10

Formandos:

Maria P.M Oliveira

Fernando A.B Fernandes

CONTEXTUALIZAÇÃO Através da Lei N.º 3/84 de 24 de Março, o Estado assume “… a garantia da educação sexual dos jovens através da escola…”, perspectivando a adaptação dos programas escolares e a “… formação inicial e permanente dos docentes…” (Art.º 2º). No mesmo sentido, é projectada a formação dos profissionais de saúde envolvidos em de planeamento familiar, no sentido de garantir os “…conhecimentos científicos adequados sobre educação sexual…” (Art.º 16º). Segundo esta mesma Lei, “o Estado e as autarquias incentivarão a instalação de centros de atendimento de jovens…” e esses centros, bem como os centros de consulta sobre planeamento familiar prestarão “…aos estabelecimentos de ensino a colaboração que lhes for solicitada” (Art.º 13º). Muito mais progressista, a Lei N.º 120/99, de 11 de Agosto, determina que “… nos estabelecimentos de ensino básico e secundário será implementado um programa para a promoção da saúde e da sexualidade humana, no qual será proporcionada adequada informação sobre a sexualidade humana, o aparelho reprodutivo e a fisiologia da reprodução, sida e outras doenças sexualmente transmissíveis, os métodos contraceptivos e o planeamento da família, as relações interpessoais, a partilha de responsabilidades e a igualdade entre os géneros” (N.º1 do Art.2º). Estávamos perante um Normativo abrangente que, para a prossecução deste desiderato, sempre estribado na decisão dos órgãos directivos de cada estabelecimento de ensino e nas suas associações de pais e de alunos, apontava práticas e intervenções concretas e estimulava o envolvimento de agentes educativos em sentido muito amplo (serviços de saúde da respectiva área e os seus profissionais, centros de formação de associação de escolas, associações de pais e associações de estudantes, criação de um gabinete de apoio aos alunos, colocação de máquinas de preservativos nos estabelecimentos de ensino secundário e superior).

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Na sequência da Lei acima referida, foi publicado o Decreto-Lei N.º 259/2000, de 17 de Outubro, que “…contempla obrigatoriamente a abordagem da promoção da saúde sexual e da sexualidade humana, quer numa perspectiva interdisciplinar, quer integrada em disciplinas curriculares cujos programas incluem a temática” (N.º 1 do Art. 1º). Estamos, portanto, agora, num contexto de obrigatoriedade da abordagem da educação sexual e reprodutiva, num âmbito absolutamente global e integrado, no ensino básico e secundário. Este Decreto-Lei pressiona as escolas ao seu cumprimento ao determinar que o projecto educativo de cada escola integre “…estratégias de promoção da saúde sexual, tanto no desenvolvimento do currículo, como na organização de actividades de enriquecimento curricular, favorecendo a articulação escola-família, fomentar a participação da comunidade escolar e dinamizar parcerias com entidades externas à escola, nomeadamente com o centro de saúde da respectiva área” (N.º 2, do Art. 1º). Como que a apertar ainda mais a malha, este normativo foca o último documento colectivo do trabalho docente, o Projecto Curricular de Turma, referindo que esse mesmo PCT contemple “… uma abordagem interdisciplinar da promoção da saúde sexual, por forma a garantir uma intervenção educativa integrada” (N.º 3, do Artigo 1º). Para garantir a qualidade desta intervenção, determina-se ainda o apoio “…à realização de acções de formação contínua de professores no domínio da promoção da saúde e da educação sexual” (Art.5º). A Lei N.º 16/2007, de 17 de Abril traz um articulado que passará a ter implicações muito importantes, no que diz respeito às questões da contracepção: a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG), vulgarmente designada por “aborto”. De facto, entre outras questões, o Art.º 142, alínea e), determina que não é punível a interrupção da gravidez, quando “for realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas de gravidez”. O N.º 5 do mesmo Art.º estipula que “no caso da mulher grávida ser menor de 16 anos ou psiquicamente incapaz, respectiva e sucessivamente, conforme os casos, o consentimento é prestado pelo representante legal, por ascendente ou descendente ou, na sua falta, por quaisquer parentes da linha colateral”. Através da Lei N.º 60/2009, de 6 de Agosto, o governo, explicitando a aplicação deste documento “…a todos os estabelecimentos da rede pública, bem como aos estabelecimentos da rede privada e cooperativa com contrato de associação, de todo o território nacional” (N.º 2, do Art. 1º), assume, ainda mais objectivamente, a intervenção directa do Estado na implementação da educação sexual nas escolas - no ensino básico, no ensino secundário e no ensino profissional –, referindo as áreas curriculares em que ela ocorre, mas indo mais além ao enfatizar a “… transversalidade da educação sexual nas restantes disciplinas dos curricula dos diversos anos” (N.º 1, 2, 3 e 4 do Art. 3º). O governo chama a si uma intervenção incisiva na questão da educação sexual, ao determinar que lhe compete “… definir as orientações curriculares adequadas para os diferentes ciclos de ensino” (Art. 4º), ao determinar a carga horária dedicada a cada nível de ensino (Art. º 5º) e, sobretudo, ao exigir que a educação sexual seja “…objecto de inclusão obrigatória nos projectos educativos dos agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas…” (Art. 6º). Para garantir a aplicação da Lei a que vimos fazendo referência, é exigido, a cada turma, no início do ano lectivo, a elaboração do “… projecto de educação sexual da turma” (N.º 1, do Art.º 7º), onde “… devem constar os conteúdos e temas que, em concreto, serão abordados, as iniciativas e visitas a

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realizar, as entidades, técnicos e especialistas externos à escola, a convidar” (N.º 2, do Art.º 7º). Os agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário devem também disponibilizar aos alunos um “Gabinete de Informação e Apoio” (GIA), “…no âmbito da educação para a saúde” (N.º 1, do Art. 10º), ficando sob a responsabilidade de “…profissionais com formação nas áreas da educação para a saúde e educação sexual” o atendimento e funcionamento aí prestado (N.º 2, do Art.º 10º). O GIA, “…em articulação com as unidades de saúde, assegura aos alunos o acesso aos meios contraceptivos adequados” (N.º 8, do Art.º 10º). A Portaria 196-A/2010, de 9 de Abril, que regulamenta a Lei n.º 60/2009, de 6 de Agosto, perspectiva a inclusão da educação sexual nos currículos, integrada na educação para a saúde, esbatendo um pouco a sua centralidade, ao colocá-la no mesmo patamar que a educação alimentar, a actividade física, a prevenção de consumos nocivos e a prevenção da violência em meio escolar. Fica-se com a sensação de que o governo percebeu a necessidade de esbater um pouco o afã legislativo que se vinha fazendo há anos, descurando outras áreas de intervenção nuclear, no que à educação para a saúde diz respeito. Só assim se compreende que esta Portaria pareça querer justificar este lapso, ao afirmar que “a educação sexual foi integrada por lei na educação para a saúde precisamente por obedecer ao mesmo conceito de abordagem com vista à promoção da saúde física, psicológica e social”. Mais à frente, esta mesma Portaria reforça a mesma ideia ao referir que “… a educação sexual é uma das dimensões da educação para a saúde”. Sempre a sublinhar a mesma ideia, esta Portaria volta a referir que “… a educação sexual é aplicada nos ensinos básico e secundário, no âmbito da educação para a saúde…” (N.º 1, do Art. 2º) e “… os conteúdos da educação sexual são ministrados (…) em formação cívica [uma vez que as outras áreas vão ser extintas no próximo ano lectivo] e completados pelas áreas curriculares disciplinares (N.º 2, do Art. 3º). Relativamente à carga horária definida, por exemplo no 3º ciclo do ensino básico e no ensino secundário, verifica-se que não pode ser inferior a doze horas (N.º 2, do Art. 5º), ou seja, e após a exclusão da Área de Projecto e do Estudo Acompanhado, a um terço do tempo disponível para educação para a saúde. Determina-se ainda que sejam afectados à educação sexual “…tempos lectivos de disciplinas e de iniciativas e acções extracurriculares que se relacionem com esta área” (N.º 3, do Art.5). Quanto aos docentes, valoriza-se de forma inequívoca a sua formação na área da educação sexual, atribuindo o estatuto de formação em qualquer grupo de recrutamento à formação efectuada no âmbito da educação para a saúde e educação sexual (N.º3, do Art. 6º). Parece claro, portanto, que a educação sexual tem, para o legislador, um papel preponderante, relativamente a outras áreas da educação para a saúde acima referidas (educação alimentar, prevenção de consumos nocivos e prevenção da violência em meio escolar). Importa ainda referir que este normativo refere os objectivos mínimos que a implementação da educação sexual deve contemplar, referindo que eles “…podem ser abordados nas áreas disciplinares ou nas áreas curriculares não disciplinares” (Art. 8º, Quadro Anexo), não referindo, no entanto, se essa abordagem fica apenas confinada à Formação Cívica e às Ciências Naturais. Finalmente, uma nota de circunstância… ou talvez não: os normativos legais aqui referidos, apesar de terem um universo de publicação que vai de 1984 a 2010 (vinte e seis anos, portanto, com a contribuição de várias legislaturas), foram todos aprovados em governos do mesmo partido político, o que pode indiciar alguma falta de convergência ou,

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pelo menos, a afectação de diferente pertinência à questão da obrigatoriedade da educação sexual nas escolas – com efeito, também é voz corrente que esta matéria diz respeito à família. Pela nossa parte, dado o falhanço óbvio das famílias, que o tempo se encarregou de confirmar, consideramos que deve caber à escola essa abordagem, sempre balizada pelo contributo da sociedade em geral e pela reflexão generalizada e ponderada de toda a comunidade escolar, em particular. Neste trabalho, vamos fixar-nos no assunto que nos foi proposto, relativamente à educação sexual, considerando os conteúdos curriculares do 9º ano, explicitados no quadro anexo a que se refere o n.º 1, do artigo 3º, da Portaria N.º 196A/2010 de 9 de Abril. Dos quatro itens apresentados para o 9º ano, seleccionámos o último (“Conhecimento das taxas e tendências das interrupções voluntárias de gravidez, suas sequelas e respectivo significado”). Isto não significa que, aqui e ali, não tenhamos necessidade de aflorar aspectos de outros conteúdos, se isso for aconselhável. Com efeito, o carácter holístico da sexualidade humana remete para a globalidade da pessoa humana, tocando todas as suas vertentes.

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NOTA FINAL: Ao seleccionarmos, para desenvolvimento deste projecto de trabalho, o conteúdo “Conhecimento das taxas e tendências das interrupções voluntárias de gravidez, suas sequelas e respectivo significado”, sabíamos que estávamos a entrar num domínio muito sensível, cuja informação disponível é quase sempre comprometida com ideologias e aspectos de natureza moral e ética. Talvez por isso, ao que parece, nenhum outro grupo abordou esta temática. Por esse ou por outros motivos, também o Guião PRESSE quase parece esquecer este conteúdo. Neste contexto, pareceu-nos mais desafiante e quiçá mais útil para a abordagem plena dos conteúdos previstos no quadro anexo a que se refere o n.º 1 do artigo 3º da Portaria N.º 196-A/2010 de 9 de Abril , enveredar por este percurso, com toda a prudência e sensibilidade que a temática exige, sobretudo em contexto de jovens adolescentes (13/15 anos). Ou seja, tentámos ser objectivos e assertivos, centrámo-nos no essencial, não escalpelizámos os assuntos que poderiam colidir com a susceptibilidade de toda a comunidade educativa (alunos, encarregados de educação e professores).

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Guia de Atividades IVG Adolescência

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Recursos para actividades 

Atividade 1

1.Vídeo 1 - Gravidez na adolescência

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TEXTO 1 ACTIVIDADE 1 GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA (…) A gravidez durante a adolescência coloca inúmeras questões que representam, sobretudo, desvantagens. Em termos físicos, o corpo ainda não atingiu o seu completo desenvolvimento e maturidade. Em termos psicológicos, também não foi atingida a maturidade. A personalidade ainda está em formação e a jovem ainda não conseguiu uma completa autonomia em relação à sua própria mãe. Está a desempenhar, essencialmente, o papel de filha e impreparada para criar a sua própria família e desempenhar os papéis que lhe são exigidos como mãe. A precariedade das relações afectivas, nesta fase da vida, não contribui também para que se construa uma família. É frequente que se façam casamentos, motivados por uma gravidez precoce, que rapidamente se desfazem. Em termos sociais, os jovens com filhos sofrem perdas significativas que vão desde o abandono escolar, com interrupção de uma eventual carreira académica ou profissional que lhes permitiria viver o futuro com melhores condições, até à impossibilidade de desfrutar desta fase da vida como é habitual (sair com os amigos, por exemplo, passa a ser algo difícil de realizar). Por vezes é necessário que, para fazer face a novas necessidades financeiras, ingressem demasiado cedo no mundo do trabalho. Sem completar a sua formação escolar e profissional, serão, frequentemente, pessoas mal remuneradas e com empregos precários o que se reflectirá negativamente na sua realização como pessoas. A gravidez na adolescência é mais penalizadora para as raparigas, mas também os muitos rapazes que assumem as suas responsabilidades vão sofrer grandes limitações na vivência dessa fase da vida. Antes de se assumirem como pais, ainda deveriam ter outras experiências necessárias ao seu desenvolvimento. Que saídas? Há três saídas habituais, nestas situações: 1. Deixar seguir a gravidez, ter a criança e ficar com ela; 2. Deixar seguir a gravidez, ter a criança e entregá-la para adopção; 3. Interromper a gravidez, isto é, abortar. PEREIRA, Maria Manuela e FREITAS, Filomena, Educação Sexual, Contextos de Sexualidade e Adolescência, ASA, 2001, pp. 51-52.

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FICHA A1 ACTIVIDADE 1 Após a leitura do TEXTO 1, “Gravidez na Adolescência” (de Maria Manuela Pereira), preenche, em pequeno grupo, a seguinte grelha, apontando as consequências resultantes de cada uma das três opções:   

Deixar continuar a gravidês e ficar com a criança Deixar continuar a gravidês, mas dár a criança paraadoção Proceder a uma Interrupcão Voluntária de Gravidez(IVG)

FICHA A2 - SUGESTÕES DE RESOLUÇÃO TEXTO 1 - “Gravidez na Adolescência” , de Maria Manuela Pereira SUGESTÕES DE RESPOSTA

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Atividade 2 TEXTO 2 ACTIVIDADE 2 GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA Cláudia, 16 anos, ex-estudante, tem a filha nos braços, uma bebé de um mês, e ao olharmos para ela parece-nos que estamos perante duas filhas – embora faça um esforço por assumir o papel de mãe da pequena Maria. Sente-se deprimida e sem vontade de nada, muito menos de dizer ao pai da bebé que daquele encontro nasceu uma menina. Soube da gravidez dois meses depois de ter feito 16 anos, mas achou que era um engano, e ficou sempre à espera que o resultado do teste fosse um erro. Aos três meses de gravidez, ficou muito impressionada quando sentiu o bebé mexer. O susto foi tão grande que Cláudia não conseguiu ir às aulas, pois aterrorizava-a a ideia de que pudesse voltar a acontecer e que os outros percebessem. Foram momentos difíceis. Gritava para si mesmo que tinha de falar, mas de cada vez que imaginava a reacção dos pais não conseguia. O tempo passava e a barriga crescia e o bebé cada vez se mexia mais. Um dia, a mãe olhou-a desconfiada e disselhe: “Tu estás a ficar muito gorda, filha, até pareces grávida”. Chorava todos os dias, não tinha vontade de sair de casa nem de ver ninguém, não disse nada nem à melhor amiga, nem ao rapaz. Tinham tido um relacionamento de uma noite: “Foi uma vez só. Muitas amigas minhas fizeram o mesmo! Por que é que comigo aconteceu isto?”

ABREU, Noelma Viegas d’, “Gravidez na Adolescência”, Revista Xis, N.º 106, Jornal Público, Junho de 2001 (transcrito em Formação Cívica, de Clara Santos e Conceição Silva, Edições ASA, 2002, pág. 157).

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FICHA B1 ACTIVIDADE 2 Depois da leitura do TEXTO 2, “Gravidez na Adolescência”, em pequeno grupo, preenche a seguinte ficha:

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FICHA B2 - SUGESTÕES DE RESOLUÇÃO TEXTO 2 - “Gravidez na Adolescência”, de Noelma Abreu

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Atividade 3 IPJ Sexualidade Infantil

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Gráficos e Tabelas

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Texto 3 – Abortos aumentam e custam três milhões

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Texto 4 – Todos os dias, 12 adolescentes dão à luz em Portugal.

25 de Setembro de 2010 http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/contracepcao-gravidez-adolescentes-tvi24/11940824071.html Todos os dias, 12 adolescentes dão à luz em Portugal. Idealizado como um projecto de vida, a maternidade transforma-se muitas vezes num «trampolim para a pobreza», alertam especialistas. Os estudos sobre a caracterização das mães adolescentes portuguesas indicam que a grande maioria são raparigas oriundas de famílias carenciadas que abandonaram a escola antes do tempo. Em Portugal, a maternidade na adolescência é vista por especialistas como um «fenómeno cultural» relacionado com a ausência de objectivos. (…) Não se sabe ao certo quantas adolescentes ficam grávidas. Os números oficiais revelam apenas quantas jovens decidem interromper a gravidez recorrendo aos serviços de saúde e quantas decidem ser mães. «Mais de dez por cento das interrupções voluntárias de gravidez ocorrem em adolescentes até aos 19 anos e quase cinco por cento dos nascimentos são de jovens mães», lembrou Duarte Vilar, director executivo da Associação para o Planeamento Familiar (APF). No ano passado, 4347 raparigas entre os 12 e os 19 anos decidiram levar a gravidez até ao final. No ano anterior, o número de novas mães adolescentes foi mais alto (4844) e, em 2006, passou as 5500, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística. Os números mostram que esta é uma realidade que tem vindo a diminuir, apesar de ser um processo «muito lento». «Na década de 80, entre 14 a 15 mil adolescentes eram mães todos os anos. Agora rondam as cinco mil», sublinhou Duarte Vilar. A introdução de aulas de educação sexual nas escolas e a distribuição de métodos contraceptivos são alguns dos projectos pensados para combater este fenómeno, mas Duarte Vilar alerta para a sua real aplicação no terreno: «É preciso garantir que todas as escolas estão a aplicar a lei e é preciso lembrar que o acesso a métodos contraceptivos é diferente numa pequena cidade do interior ou numa grande cidade.»

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Atividade 4 TEXTO 4 ACTIVIDADE 4 Interrupção da gravidez por opção da mulher A escolha do método O aborto é a interrupção da gravidez pela morte do feto ou embrião, durante qualquer momento da etapa que vai desde a fecundação (união do óvulo com o espermatozóide) até o momento supostamente anterior ao nascimento. O aborto pode ser espontâneo ou provocado, mas aqui abordaremos apenas do aborto provocado, tecnicamente conhecido como Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG). A IVG pressupõe a interrupção deliberada da gravidez, pela extracção do feto da cavidade uterina. A técnica a utilizar depende do tempo de gravidez, da situação clínica e dos recursos técnicos disponíveis. A mulher opta pelo método com a ajuda do médico, na consulta prévia: 1 - A interrupção cirúrgica da gravidez pode ser praticada até à 10ª semana de gravidez, e terá que ser feita obrigatoriamente num estabelecimento de saúde oficial ou oficialmente reconhecido. 2 - A interrupção medicamentosa da gravidez pode ser praticada até à 9ª semana de gravidez em regime de ambulatório, num estabelecimento de saúde oficial ou oficialmente reconhecido.

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FICHA B3 ACTIVIDADE 5 Depois da leitura e interpretação dos documentos 1 e 2 (“IGV por opção da mulher por classe etária da utente” e dos documentos 3 e 4 (“IGV por opção da mulher por situação laboral da utente”), preencham a seguinte ficha, relativamente à IVG na adolescência

Elaborem um slogan que expresse a vossa opinião relativamente aos dados observados.

Atividade 6 IVJ – Pelo sim, pelo não.

Clique na imagem acima para ver o vídeo. Lei 16/2007 De 17 de Abril http://dre.pt/pdf1s/2007/04/07500/24172418.pdf

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FICHA B5 ACTIVIDADE 6 Após as sessões que agora terminam, estarás em condições de preencheres, em pequeno grupo, conscientemente a seguinte grelha:

FICHA B6 - SUGESTÕES DE RESOLUÇÃO

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Parentalidade postiva

Clique na imagem acima para ver o vĂ­deo.

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Formadores: Sandra Mendes

Nível de Ensino: 1º Ciclo. Grupo de recrutamento: 1 10

Formandos:

Maria M. Miranda

Teresa F. Machado

Rosa M. Sarmento

Vânia M. Araújo

O Corpo Sexuado em Transformação Puberdade Enquadramento: «A promoção da educação para a saúde em meio escolar é um processo em permanente desenvolvimento para o qual concorrem os sectores da Educação e da Saúde. Este processo contribui para a aquisição de competências das crianças e dos jovens, permitindo-lhes confrontar-se positivamente consigo próprios, construírem um projecto de vida e serem capazes de fazer escolhas individuais, conscientes e responsáveis. A promoção da educação para a saúde na escola tem, também, como missão criar ambientes facilitadores dessas escolhas e estimular o espírito crítico para o exercício de uma cidadania activa.» In Protocolo entre o Ministério da Educação e o Ministério da Saúde

O trabalho que se segue pretende ser uma proposta de planificação na área da Educação Sexual, especificamente no âmbito de intervenção O Corpo em transformação, no que diz respeito à Puberdade e aos Caracteres sexuais secundários; para o sexto ano que integrará parte dos conteúdos previstos na Legislação que regulamenta a aplicação da Educação Sexual na Escola. Foi elaborado pelas professoras Marta Miranda, Rosa Sarmento, Teresa Machado e Vânia Araújo, como trabalho final da acção de formação PRESSE, realizada na Escola Básica do 2º e 3º ciclos Frei Caetano Brandão, entre Novembro de 2010 e Janeiro de 2011. Durante a realização houve a preocupação de promover a interdisciplinaridade e transversalidade na abordagem do tema, daí que, os recursos apresentados englobem as áreas curriculares de: língua portuguesa, história e geografia de Portugal, matemática, ciências da natureza, educação visual e tecnológica e formação cívica. Tal como todas as planificações, pretende ser uma proposta aberta, dinâmica servindo não como um ponto de chegada mas antes como um ponto de partida.

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ÁREA DE INTERVEN ÇÃO

OBJECTIVOS GERAIS

 Promover a aceitação do corpo e da sexualidade: - aceita das mudanças fisiológicas e emocionais próprias da sua idade; - comunica acerca de temas relacionados com a sexualidade. Distinguir correctamente as diferenças anatómicas importantes entre os dois sexos: descreve as diferenças anatómicas entre os dois sexos; O CORPO enumera as partes fundamentais dos órgãos sexuais EM externos masculinos e femininos; TRANSFORM compara anatomicamente os órgãos sexuais internos e AÇÃO externos. Utilizar linguagem e termos apropriados:  PUBERDADE; usa vocabulário apropriado para nomear os órgãos do CARACTERES sistema reprodutor; SEXUAIS levanta questões sobre a sexualidade; SECUNDÁRIOS identifica o símbolo representativo da sua identidade sexual. Compreender que o corpo sofre transformações ao longo da vida: descreve as mudanças bio fisiológicas que operam na puberdade; identifica os caracteres sexuais primários; identifica os caracteres sexuais secundários;

OBJECTIVOS ESPECÍFICOS  Identificar a puberdade como um período de transição em personagens da literatura infantojuvenil

 Articular saberes

 Articular saberes  Descrever as mudanças bio fisiológicas que operam na puberdade; 81

ÁREAS CURRICULARES E ACTIVIDADES LÍNGUA PORTUGUESA Exploração: - Os diários de “Adrian Mole”; - “O diário de um Banana” ou ”O diário de uma tótó“; - “A rapariga dos Anúncios”Colecção Triângulo Jota Sugestão de Exploração: dois últimos parágrafos da página 62 e 64. HISTÓRIA E GEOGRAFIA DE PORTUGAL - Investigação sobre os símbolos de fertilidade. (Ex.: Menires e Deusas Mãe) - Estudo do conceito de “Adolescência” ao longo da História. MATEMÁTICA Estudo estatístico das alturas dos alunos da turma, distinguindo os rapazes das raparigas CIÊNCIAS DA NATUREZA - Exploração de uma actividade organizada em duas fases: a 1ª fase consiste num conjunto de palavras que permite a caracterização dos alunos; a 2ª

TEMPO PREVIST O

CALENDARI ZAÇÃO

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90’

90’

3º Período

90’

3º Período


relaciona as mudanças com os caracteres sexuais secundários; infere a puberdade como o período em que tais transformações ocorrem; identifica a puberdade como um período de transição; conhece as mudanças biossociais associadas à puberdade.

fase consiste num texto que permite a exploração do desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários. Exploração de uma apresentação em powerpoint sobre a morfofisiologia dos órgãos reprodutores.

 Desenvolver nas crianças e jovens uma ideia ajustada de si mesmo, fortalecendo a auto-estima e fomentando a comunicação, a compreensão e o respeito pelos outros  Esclarecer sobre mitos e/ou concepções pessoais relacionadas com aspectos da reprodução humana  Promover uma cultura de respeito pela diferença entre as pessoas e pelas diferentes orientações sexuais

 Clarificar algumas ideias incorrectas acerca do corpo feminino e do corpo masculino.

 Entender as mudanças que ocorrem na puberdade.  Identificar transformações do seu próprio corpo.

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FORMAÇÃO CÍVICA - Actividade: “A Puberdade” – (Pág. 44 e 45- Educação Sexual na Escola, de Alice Frade, António Manuel Marques, Célia Alverca e Duarte Vilar, da Texto). - Actividade: “A Puberdade” – “As Borbulhas” - Exploração do powerpoint “Adolescência” EDUCAÇÃO VISUAL E TECNOLÓGICA Actividade: “O que eu era/O que sou agora” (Pág. 44 - Educação Sexual na Escola de Alice Frade, António Manuel Marques, Célia Alverca e Duarte Vilar, da Texto).

45’ 45’ 45’

90’


Língua Portuguesa

ACTIVIDADE

• “A rapariga dos Anúncios”- Colecção Triângulo Jota • Sugestão de Exploração: dois últimos parágrafos da

página 62 e 64.

Tempo previsto • 90 minutos Metodologia:

1. Leitura do texto (exemplo):

À noite, já muito tarde, o Joel virou-se e revirou-se na cama sem conseguir pegar no sono. Aquela rapariga não lhe saia da cabeça. Havia nela qualquer coisa que o perturbava e o fazia tremer por dentro, embora ele não soubesse o que era. Sabia que lhe tinham nascido duas novas borbulhas e ele sentia-as latejar, crescer. E sentia que se passavam coisas novas no corpo dele, que também crescia; coisas que ele não conseguia compreender. Estendeu-se ao comprido na cama, de barriga para baixo, e deixou-se deslizar suavemente entre os lençóis. Depois abraçou o travesseiro onde tinha derramado umas gotas de perfume de Mulher e imaginou as mais doces fantasias. 2. Levantamento da área vocabular das palavras “Crescer/Adolescência” em post-its individuais; 3. Criação de um painel, no quadro, a partir dos post-its; 4. Elaboração de um texto colectivo com base no painel.

Recursos necessários: Ficha de trabalho, painel de corticite, post-its, canetas

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História e Geografia de Portugal

ACTIVIDADE • Investigação sobre os símbolos de fertilidade(Ex.: Menires e Deusas Mãe)

• Estudo do conceito de “Adolescência” ao longo da História.

Tempo previsto • 90 min. Metodologia:

1. Formar grupos de 2 ou mais alunos; 2. Realizar uma pesquisa orientada na Internet, com base nos links fornecidos e apresentar uma síntese sobre a temática por eles escolhida.

http://www.adolescenciaesaude.com/detalhe_artigo.asp?id=235 http://www.ipv.pt/millenium/Millenium32/11.pdf http://pt.wikipedia.org/wiki/V%C3%AAnus_(mitologia) http://pt.wikipedia.org/wiki/Deusa_m%C3%A3e 3. Proporcionar a apresentação/ discussão dos textos elaborados.

Recursos necessários: Computadores com acesso à Internet

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Matemática ACTIVIDADE • Estudo estatístico das alturas dos alunos da turma, distinguindo rapazes e raparigas.

Tempo previsto • 90 min. Metodologia: 1. Na turma, a professora pergunta aos alunos as suas alturas, e com esses dados preenche a tabela seguinte, distinguindo os rapazes das raparigas.

Altura (cm)

Rapazes

Raparigas

135-139 140-144 145-149 150-154 155-159 160-165 a. Quantos alunos tem a turma? b. Completa a tabela de frequências, agrupando os dados por classes. c. Quantos alunos medem 140 cm? d. Qual a percentagem de alunos que mede menos de um metro e meio? e. Constrói um histograma de frequências absolutas. Nota: Um Histograma é um gráfico de barras adjacentes cuja base é o intervalo da classe e altura é o respectivo valor da frequência.

2. Os alunos constatam que de uma forma geral as raparigas são mais altas que os rapazes. 3. A professora relaciona esta constatação com a adolescencia.

Recursos necessários: Ficha de trabalho, computador, projector, fita métrica, canetas.

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Ciências da Natureza

ACTIVIDADE • Exploração de uma actividade organizada em duas fases: a 1ª fase

consiste num conjunto de palavras que permite a

caracterização dos alunos; a 2ª fase consiste num texto que permite a exploração do desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários.  Exploração de uma apresentação em powerpoint sobre a morfofisiologia

Tempo previsto • 90 min.

dos órgãos reprodutores.

Metodologia 1 - A professora entrega os exercícios e de imediato passa à exploração da actividade n.º1: a partir de um conjunto de palavras os alunos completam um esquema, a correcção do mesmo é feita em voz alta. A professora conclui que efectivamente somos todos diferentes uns dos outros, no entanto esta distinção não pode ser baseada nas diferenças de género. Esta heterogeneidade permite acima de tudo a unicidade, afirmando que por essa razão somos especiais. 2 - Com o exercício n.º2 e o apoio do powerpoint, a professora inicia a segunda etapa da aula, relativa às transformações que o corpo sofre ao longo da vida. Desta forma o texto é lido até ao parágrafo 18. De seguida os alunos visualizam uma animação relativa às modificações que se operam durante a puberdade no corpo das meninas. A professora questiona os alunos: “Refere os locais do corpo da rapariga onde se operam as transformações.”; “descreve que transformações ocorrem (1º) nas mamas, (2º) nos órgãos genitais, (3º) na forma e tamanho do corpo”. Da mesma forma, exploram-se as modificações que ocorrem no corpo dos rapazes, para os órgãos sexuais masculinos, para a voz, tamanho e forma do corpo. Por fim a professora refere que são estas características que reflectem o desenvolvimento das características sexuais, ocorrem numa determinada altura, atribuem-se o nome de características sexuais secundárias. Por fim os alunos lêem o resto do texto e resolvem o exercício 2.1. Recursos necessários: Ficha de trabalho, canetas, computador e

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Ciências da Natureza

Ficha de trabalho 1. No seguinte conjunto de palavras encontrarás as características que permitem fazeres a tua identificação. Selecciona-as de forma a completares o esquema abaixo.

Ovário, rapaz, pénis, olhos castanhos, rapariga, femininos, útero, masculino, pele escura, olhos verdes, pele clara, cabelos castanhos, cabelos loiros, vagina, testículos, cabelos curtos, cabelos compridos, olhos azuis. Sou_____________________________________ Pertenço ao sexo__________________________ O símbolo do meu sexo é____________________ Tenho__________________________________________________________ ________________________________________________________________ ___________________________ Sou especial porque__________________________________________________________ ___ 4. Faz a legenda dos sistemas reprodutores masculino e feminino.

1-_____________________ 2-_____________________ 3-_____________________ 4-_____________________ 5-_____________________

1-___________________ 2-___________________ 3-___________________ 4-___________________ 5-___________________

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5. Lê o seguinte texto com atenção

ESTOU A CRESCER Naquela noite, o João e a Joana ficaram a ver televisão até mais tarde… De repente, são surpreendidos por uma cena da telenovela. Uma mulher muito bonita está a tomar banho num rio e sai da água nua. Ao ver tal cenário, ficam os dois embasbacados, muito calados. Nessa altura, a Dona Bernardete grita lá de dentro, da cozinha: - Meninos!… Chega de televisão. Está na hora de dormir!! Amanhã têm escola. Mas eles mal ouvem a mãe e não tiram os olhos da televisão. No dia seguinte, na escola, a professora Marta, sempre de bom humor, cumprimenta os seus alunos: - Bom dia, meninos! Mas os alunos mal lhe respondem e começam logo a perguntar: - Professora viu ontem à noite a telenovela? - pergunta o João. - Aquela parte onde aparecia uma mulher toda nua?! - acrescenta a Joana. E começam todos a falar ao mesmo tempo. A professora Marta considera uma boa oportunidade para conversar com os seus alunos, de uma forma clara, sobre as diferenças que o corpo vai sofrer durante o crescimento. - Vi, vi. O que é que vocês acharam? - Eu não vi a novela…- diz a Rita desapontada. - Eu gostei - comenta o João. - Eu também… - remata o Gaspar. - Ih!!! A mulher tinha umas maminhas tão grandes! - observa a Joana. Então a professora começa a sua explicação: - É verdade. Mas nós não somos todos iguais! Reparem em vocês: umas meninas são altas, outras baixas, umas magras e outras mais gordinhas. Ao crescerem vão ficando cada vez mais diferentes e, quando forem já umas mulherezinhas, umas vão ter as maminhas maiores do que outras. Os rapazes desatam a rir às gargalhadas. As meninas, essas, ficam logo envergonhadas. A professora Marta, reparando que os rapazes acharam graça, acrescenta logo: - Por outro lado, nos meninos as maminhas não vão crescer da mesma maneira que nas meninas. Podem até ter pêlos… Silêncio total. É a altura dos meninos ficarem perplexos. - Ai é? - pergunta o João. - A possibilidade de haver tantas diferenças entre as pessoas faz de nós seres únicos e especiais - conclui a professora. Com ajuda de animações, a professora começa a descrever as mudanças por que o corpo das meninas e dos meninos irá passar. Todos os alunos estão atentos e curiosos. -No rapaz a pele vai ficar mais oleosa e a voz mais grossa… Vão aparecendo pêlos nas axilas e junto ao pénis, este também vai aumentar de volume.

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Passando depois à rapariga: - Na rapariga, a pele também fica mais oleosa, as maminhas crescem e as ancas e pernas ficam mais arredondadas. Aparecem pêlos nas axilas e à volta da vagina. Por fim tornam-se adultos: HOMEM e MULHER. Entretanto, pode acontecer que sintam muito amor e carinho um pelo outro. Poderão decidir ficar juntos… até ter um bebé… que vai crescer e tornar-se, por sua vez, homem ou mulher! ___________________________________________

O texto refere-se ao desenvolvimento dos caracteres sexuais primários. Só a partir da adolescência é que se desenvolvem outras características, os caracteres sexuais secundários, que permitem distinguir os rapazes das raparigas. 3.1. Completa o quadro com os caracteres sexuais secundários:

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Powerpoint:

Órgãos sexuais externos

Órgãos sexuais internos

Ovário

Trompa de Falópio

Útero

Vagina

Ovário

Vesícula Seminal Trompa de Falópio

Canal deferente

Útero

Pénis Vagina

Testículo

Canal deferente Vesícula Seminal Próstata Pénis Testículo

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Formação Cívica I

ACTIVIDADE • Abordagem do tema Acne através da leitura de um pequeno texto.  Criação de um diálogo com “As Borbulhas”

Tempo previsto• 45 min. Metodologia: 1. Leitura do texto (exemplo):

Na fase da puberdade, as glândulas estão mais activas do que nunca: algumas provocam o aumento da transpiração (suor), enquanto outras fazem com que a pele produza mais gordura. É por este motivo que é possível que apareçam algumas borbulhas na cara, ombros e costas. A isto chama-se acne. 2. Formar grupos de 2 ou mais alunos; 3. Distribuir a ficha da actividade “ As Borbulhas” e solicitar a continuidade do diálogo; 4. Proporcionar a apresentação/ discussão dos textos elaborados.

Recursos necessários: Ficha de trabalho, canetas

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Formação Cívica II

ACTIVIDADE • Resolução de um questionário relacionado com A Puberdade1 • Debate/esclarecimento sobre as diferentes opiniões

Tempo previsto • 45 min. Metodologia: 1. Explicar a necessidade de clarificar algumas ideias acerca da puberdade.

2. Distribuir um questionário aos alunos e pedir que respondam se é verdadeiro ou falso, tal como no exemplo que se apresenta a seguir:

Assinalar com um V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações: 1. 2. 3. 4. 5.

Em média as raparigas entram na puberdade antes dos rapazes. O corpo das raparigas começa a mudar aos 11 anos. Quando a menstruação aparece, as raparigas podem engravidar e vir a ter bebés. Quando os nossos corpos mudam, os nossos sentimentos também podem mudar. Uma glândula localizada no nosso cérebro é a responsável pelas transformações pubertárias. 6. Por vezes, durante o sono, os rapazes ejaculam. 7. Acariciar os órgãos sexuais não faz mal. 8. Temos que nos lavar com mais frequência a partir da puberdade. 3. Para a correcção da ficha, podem ser utilizados dois métodos.

Se os alunos mostrarem interesse, facultar a consulta individual de livros. Apresentar uma ficha de correcção para os alunos auto-avaliarem o seu trabalho, ou facultar a consulta de livros para, em grupo, pesquisarem as respostas. Recursos necessários: Questionários; livros.

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Formação Cívica III ACTIVIDADE • Powerpoint sobre a “A Adolescência”

Tempo previsto • 45 min. Metodologia: 1. Exploração do powerpoint sobre “A Adolescência”

2. Resolução da ficha de trabalho consolidação de conhecimentos.

Recursos necessários: Computador, projector, power point, ficha de trabalho, caneta. Power-point:

A sexualidade é…

SEXUALIDADE HUMANA

A necessidade de buscar sensações de bem-estar, prazer, afecto, contacto, carinho que todo o ser humano tem podendo expressar-se de várias maneiras: amor, amizade, contacto físico, prazer, sexo, etc.

Somos seres humanos sexuados, mulheres e homens que ao longo de toda a nossa vida, da infância à velhice, vamos manifestando, de maneiras diversas, a nossa sexualidade. A sexualidade implica-nos na totalidade e não só numa parte do nosso corpo.

Enfim, a sexualidade tem possibilidades infinitas!

Identidade sexual

Puberdade

A sexualidade existe desde o nascimento e prolonga-se até ao fim da vida do ser humano. As manifestações da criança são diferentes das do adolescente, do adulto ou do idoso.

A puberdade é o início de um período mais amplo, a adolescência. A adolescência é a passagem da infância à idade adulta. É uma fase de afirmação pessoal, de crises, de mudanças. É uma época em que queremos descobrir quem somos para podermos construir a nossa própria maneira de viver, de entender a vida.

Por isso, desde muito cedo a criança deve ser ajudada a encontrar a sua identidade sexual, isto é, permitir que ela se veja menina ou menino, como uma pessoa que pertence ao sexo que tem.

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Com certeza que já observaste o teu corpo e verificaste que estão a surgir algumas alterações.

A idade do início da puberdade é muito variável e está muito condicionada pela hereditariedade, pelas condições ambientais, pelo clima, pela saúde.

rapazes

• • • •

Os mamilos podem ficar doridos e inchados O tamanho do pénis Voz Altura

• Atraso no aparecimento da 1ª menstruação

De um modo geral, a puberdade inicia-se nas raparigas por volta dos 10 anos e nos rapazes a partir dos 12 anos.

raparigas

• Dores associadas à menstruação • Ter uma mama maior que a outra • Altura

As raparigas

Cuidados de higiene

Se não és menstruada, brevemente terás a primeira menstruação, como acontece à maioria das raparigas da tua idade. A menstruação é um fenómeno que ocorre geralmente de 28 em 28 dias.

Deves tomar banho diariamente porque as glândulas sudoríparas e sebáceas estão mais activas, provocando odor corporal e acumulação de gorduras na pele e no cabelo.

Os cuidados de higiene são fundamentais. Deves tomar banho e mudar a roupa interior todos os dias; quando estiveres menstruada muda regularmente o penso ou o tampão.

Não te esqueças do banho diário!

Nos rapazes Durante a puberdade e a adolescência o corpo torna-se gradualmente mais pesado e mais alto. O rosto menos infantil, a pele e o cabelo mais oleosos, as borbulhas surgem em especial no rosto, o corpo transpira mais , desenvolvem-se os seios, crescem pêlos nas axilas e na zona púbica.

A partir dos onze anos, irás aperceber-te de que começam a surgir alterações exteriores no teu corpo. Durante este período, o tamanho do teu pénis e escroto aumentam, na base do pénis surgirão pêlos, assim como nas outras partes do corpo.

A tua voz torna-se mais grave e profunda resultado do aumento do tamanho da laringe.

como

Puberdade e Adolescência

À puberdade e à adolescência estão muitas vezes associadas as alterações de humor. Sem saberes porquê a vida está cinzenta e, segundos depois cor-de-rosa.

A adolescência é uma extraordinária etapa na vida de todas as pessoas.

Isto acontece aos jovens da tua idade. Partilha as tuas dúvidas com alguém da tua confiança.

É nela que a pessoa descobre a sua identidade e define a sua personalidade.

As mudanças físicas e psicológicas são causadas por hormonas. Estas hormonas são substâncias químicas que começam a fabricar-se nesta altura do crescimento.

…procura conhecê-la e vivê-la responsavelmente!

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Ficha de trabalho A Adolescência Liga as afirmações às figuras correspondentes (Rapaz/Rapariga).

É um ser sexuado. A puberdade é o início de um período mais amplo, a adolescência.

A sexualidade existe desde o nascimento e prolonga-se até ao fim da vida.

A puberdade iniciase por vota dos 10 anos.

A puberdade e a adolescência estão muitas vezes associadas a alterações de humor.

Aparece a primeira menstruação.

O sémen/esperma pode ser lançado através do pénis durante a noite.

A puberdade iniciase por volta dos 12 anos.

A voz torna-se mais grave e profunda como resultado do aumento do tamanho da laringe.

A vulva é um órgão sexual externo. Crescem pêlos nas axilas e na zona púbica.

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A pele torna-se mais gordurosa e as borbulhas surgem, em especial no rosto.


Educação Visual e Tecnológica

ACTIVIDADE • O que era/ O que sou agora

Tempo previsto • 90 min. Metodologia: 1. Pedir aos jovens que tragam fotografias de quando eram crianças, para servirem de reflexão sobre a forma como mudaram. Cada aluno poderá reflectir sobre algumas características suas nessa idade (era baixo/alto; gordo/magro; chato/giro, etc.) e/ou informar-se junto dos pais. 2. Dividir o grupo em 4 subgrupos: — 2 para trabalhar o corpo feminino — mulher/rapariga; — 2 para trabalhar o corpo masculino — homem/rapaz. 3. Dar a cada subgrupo papel de cenário para desenhar o contorno do corpo que vão trabalhar. Os participantes, preferencialmente de alturas diferentes, podem servir de modelos para contorno, podendo o docente colaborar. 4. Após realizado o contorno, pedir a cada grupo que, através de desenho, complete a figura com os órgãos e caracteres sexuais externos que diferenciam os dois sexos nas diferentes idades: homem, rapaz, mulher, rapariga. 5. No final, pedir a cada grupo que apresente o seu trabalho, para analisar em conjunto as transformações que ocorrem na puberdade. O professor deve clarificar possíveis dúvidas que surjam.

Recursos necessários : Papel de cenário; marcadores; canetas; fotografias.

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Mudanças na Puberdade

PUBERDADE - Fase da tua vida de grandes mudanças. O teu corpo muda dia a dia e começas a pensar de maneira diferente. Entras na puberdade

-se és RAPARIGA por volta dos10 anos, -se és RAPAZ por volta dos 11/ 12 anos. A PUBERDADE TERMINA AOS 16-17 ANOS. O TEU CORPO VAI-SE TRANSFORMANDO LENTAMENTE, ATÉ PERTO DOS 20 ANOS. Mas todas as pessoas são diferentes e por isso têm o seu próprio ritmo. Principais Mudanças RAPARIGA Aparecem pêlos nas axilas Os seios desenvolvem-se A cintura fica mais estreita Surgem os pelos púbicos As ancas alargam-se Aparece a 1ª menstruação

RAPAZ Aparecem os pelos nas axilas O pénis e os testículos aumentam de tamanho Os ombros alargam-se Os pelos púbicos crescem Aparecem os pelos no rosto Aparecem pelos no peito

Outras Mudanças Uma das mudanças físicas mais importantes é a menstruação ou período menstrual. Trata-se de um sinal externo de maturidade corporal. Um sinal de que os seus ovários entraram em funcionamento Progressivamente, o rosto, em pouco tempo, também vai mudar: o nariz e os maxilares crescem e a testa aumenta. Os ombros ficam mais largos. A "maçã-de-adão" vai desenvolver-se e a voz muda. Os órgãos sexuais também crescem: primeiro os testículos e depois o pénis. Os pés também crescem, os músculos e as nádegas começam a ganhar volume e ficam mais arredondados. Os órgãos sexuais começam a funcionar. A voz torna-se mais grave.

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RAPARIGA

RAPAZ


MODIFICAÇÕES DURANTE O CRESCIMENTO

CRIANÇA

ADOLESCENTE

ADULTO

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Bibliografia Townsend, S. (2010). Os diários de “Adrian Mole”. Edições: Difel.

Kinney, F. (2010).O diário de um Banana. Edições: V&R.

Russel, R. (2010). O diário de uma tótó”. Edições: Gailivro.

Magalhães, A. (2006). A rapariga dos Anúncios. Colecção Triângulo Jota. Edições Asa.

Frade, A.; Marques, A.; Alverca, C.; Vilar, D. (2009). Educação Sexual na Escola – guía para profesores, formadores e educadores. Texto Editores.

Zamith, J. (2010). Sexualidade e Educação – Ciência, História, Mito e Arte. Edição: Cadernos Escola e Formação do Centro de Formação de Associação de Escolas Braga/Sul.

Caldas, I.; Pestana, I. (2007). Terra Viva, Manual de Ciências da Natureza - 6º Ano. Santillana.

Neto, M.; Luís, M.; Delgado, L.; Gonzaga, M.; Guimarães, C.; Sousa, S.; Carmona, M. (2009). Caderno de actividades PRESSE – Formação de alunos do 2ºciclo do ensino básico, Departamento de Saúde Pública, ARS Norte, I.P.

Protocolo entre o Ministério da Educação e o Ministério da Saúde. Disponível em: http://www.portaldasaude.pt/portal/conteudos/informacoes+uteis/saude+escolar/educa caosaude.htm. Consultado em: 12 de Janeiro de 2011.

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Adolescência

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Características Sexuais Secundarias

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Formadores: Leonel Lusquinhos

Nível de Ensino: 1º Ciclo. Grupo de recrutamento: 1 10

Formandos:

Ana Veloso

Maria Celeste Peixoto

Maria José Ferreira

Planificação de Atividade 5º/6º Ano de Escolaridade Actividade:

“Apaixonados” Relações interpessoais (5.1)

Área Tematica

Comportamentos assertivos

Objetivos:       

Introduzir o conceito de comunicação e sensibilizar os alunos para a importancia de se comunicar claramente Clarificar o significado de comportamento assertivo Promover o comportamento assertivo Demonstrar que o auto-conceito é multi-dimensional Desenvolver o espírito crítico Criar e manter boas relações no seio do grupo Reforçara auto-estima

Duração: 45’ + 45’

Recursos:     

Videograma “Apaixonados” adaptado do livro de Rébecca Dautremer(7:00’) Cartões com as várias definições de “Apaixonado” Esferográfica/lápis Computador Videoprojetor

Passo a passo: 1. Projeto e leiturada história “Apaixonados”. 2. Interpretação da história. 3. Divisão da turma em grupos (10 ou 12 conforme o nº de alunos). 4. Atribuição de uma personagem/definição acada grupo (distribuição de um cartão com cada definição de “apaixonado” dada pelas diferentes personagens da história). 5. Interpretação da definição de “Apaixonado” dada por cada personagem da história (Abel, Guilherme, Justina, Ana, Aristedes, Celeste, Célia, Tiago, Lúis, Emília, Salomé, Luizinho. 6. Debate

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7. Definição conclusiva, em turma, do termo “Apaixonado” 8. Avaliação

Carta inventada de uma gravidez mais-que-verdadeira Actividade: Reprodução Humana (3.3) Área Tematica

Saúde sexual e reprodutiva

Objetivos:  Discutir as repercussões da gravidez na adolescencia.  Compreender a importancia da contracepção. Duração: 45’

Recursos:     

Videograma “Carta Inventadade uma gravidez mais-queverdadeira” (6:53’). Cartões com as várias definições de “Apaixonado”. Esferográfica/lápis. Computador. Videoprojetor.

Passo a passo: 1. Projeção do videograma “Carta inventada de uma gravidez mais-queverdadeira”. 2. Interpretação dahistória 3. Debate 4. Conclusões Gravidez na adolescência

Apaixonados

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Formadores: Laura Ribeiro

Nível de Ensino: 1º Ciclo. Grupo de recrutamento: 1 10

Formandos:

Marinha Paula F.N Fernandes

José F. Loureiro

Métodos Contraceptivos

Clique aqui para ver o vídeo

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Isabel M.F. Barbosa


Actividade:

Métodos Contraceptivos

Área temática:

Saúde Sexual e reprodutiva (3.4)

Objectivos:  Adoptar comportamentos informados e responsáveis relativamente à contracepção;  Conhecer os vários métodos contraceptivos;  Promover a vivência da sexualidade de forma saudável e segura;  Reduzir a incidência das IST e as suas consequências, designadamente, a infertilidade;

Duração: 45’+ 45`

Recursos:

divulgação em suporte informático. Passo a passo: Criar grupos de trabalho. 1. Utilizar um brainstorming, partindo da seguinte pergunta: “Quais os métodos contraceptivos que conhecem?” 2. Escrever no quadro os métodos contraceptivos, à medida que forem sendo enumerados. Se a lista estiver incompleta poderá completá-la. 3. Uma vez completa a lista, solicitar ao grupo que diga o que sabe à cerca de cada um dos métodos indicados. 4. Proceder à identificação das dúvidas sobre contracepção. Rapazes e raparigas devem, anonimamente, escrever todas as perguntas que gostariam de fazer sobre o tema proposto: Uma pergunta por tira de papel (Caixa de Perguntas). 5. Apresentação em power-point, sobre os diferentes métodos contraceptivos. 6. Cada grupo irá elaborar uma pequena pesquisa sobre um método contraceptivo escolhido. 7. Feita essa pesquisa cada grupo apresenta à turma o seu trabalho numa breve exposição. O objectivo será dar respostas às questões anteriormente colocadas na caixa de perguntas. 8. As questões que ficarem sem resposta serão esclarecidas pelo professor

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Formadores: Ana Paula Ferreira

Nível de Ensino: 1º Ciclo. Grupo de recrutamento: 1 10

Formandos:

Susana Pinto

Margarida Martins

1. Designação do Projeto: [sempre que possível devem ser os alunos a sugerir uma designação para o Projecto de Educação Sexual da Turma] 2. Professor(es) responsável(eis) pelo Projeto: Margarida Célia Rodrigues Martins e Susana Maria Coelho da Mota Pinto 3. Fundamentação do Projeto: A elaboração do presente projeto contou com a conjugação dos seguintes parâmetros: a) A Educação Sexual é uma vertente imprescindível do processo global de educação e visa a promoção da saúde da população escolar; b) A Escola e a família devem agir, em parceria e de modo assertivo, como instituições sespecializadas na área da Educação Sexual dos adolescentes e no desenvolvimento de projetos específicos, tendo sempre um papel formativo, interventivo e construtivo. c) A proposta de conteúdos a serem abordados, elaborada pela Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular (DGIDC) do Ministério da Educação (ME), de modo a serem alcançados os objectivos mínimos da área da educação sexual.Dar relevância à participação ativa dos adolescentes na sua própria formação, na área da sexualidade, promovendo o desenvolvimento de personalidades eticamente responsáveis e de metodologias, como a dinâmica de grupo. Neste âmbito, foram dinamizadas, com os alunos das turmas B e C do 8º ano de escolaridade, duas sessões de levantamento de expectativas, dúvidas e necessidades, incluindo os temas que gostariam de ver abordados e as atividades pertinentes a concretizar, inerentes à sexualidade, em trabalho de grupo. Os discentes registaram as ideias supra-citadas, em documento próprio, que servirá de base para a construção do presente Projeto de Educação Sexual das citadas turmas B e C do 8.º Ano. Assim, está reservada a garantia, de que o Projeto vai ao encontro das expectativas e das necessidades dos alunos destas turmas e que o aluno teve um papel fulcral e ativo na seleção dos temas, problemas, atividades e formação que pretende, ou necessita. Procurou-se, também, que haja coerência entre as temáticas abordadas e as atividades orientadas para a ação. Foi valorizada a formação numa vertente alargada que inclua o domínio afetivo, com respeito pelos valores éticos, sexual, biológico e preventivo, respeitada a proposta de conteúdos mínimos enviada pelo ME e pela DGIDC. Foi igualmente garantida a transdisciplinaridade, para que os temas sejam abordados de forma regular e mais integradora, fazendo a articulação com várias áreas curriculares disciplinares, nomeadamente Educação Moral e Religiosa Católica, Inglês, Língua Portuguesa, História e a área curricular não disciplinar de Formação Cívica; e) A faixa etária dos alunos e a correspondente fase de desenvolvimento psicossocial. Os alunos têm idades compreendidas entre os 13 e os 14 anos e constata-se que a maioria se encontra na adolescência. Nesta fase verificam-se mudanças significativas no

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corpo e na mente do adolescente que geram múltiplas implicações, no campo psicológico e social, motivadoras de interrogações e de dificuldades em lidar com todas as alterações sofridas. Além disso, também se verifica variações significativas, a nível individual, do desenvolvimento dos alunos. Muitos estão numa fase mais avançada, com notória evidência dos carateres sexuais secundários, com apetência para o convívio com o sexo oposto, podendo caminhar para as primeiras relações amorosas, incluindo a primeira relação sexual; f) O meio socioeconómico e cultural em que se insere a escola e a família dos alunos; g) As necessidades, interesses e motivações dos alunos do grupo turma. 4. Finalidades do Projeto (de acordo com o artigo 2º da Lei nº 60/2009 de 6 de Agosto): a) A valorização da sexualidade e afectividade entre as pessoas no desenvolvimento individual, respeitando o pluralismo das concepções existentes na sociedade portuguesa; b) O desenvolvimento de competências nos alunos que permitam escolhas informadas e segurasno campo da sexualidade; c) A melhoria dos relacionamentos afetivo-sexuais dos jovens; d) A redução de consequências negativas dos comportamentos sexuais de risco, tais como a gravidez não desejada e as infecções sexualmente transmissíveis; e) A capacidade de protecção face a todas as formas de exploração e de abuso sexuais; f) O respeito pela diferença entre as pessoas e pelas diferentes orientações sexuais; g) A valorização de uma sexualidade responsável e informada; h) A promoção da igualdade entre sexos; i) O reconhecimento da importância de participação no processo educativo de encarregados de educação, alunos, professores e técnicos de saúde; j) A compreensão científica do funcionamento dos mecanismos biológicos reprodutivos; l) A eliminação de comportamentos baseados na discriminação sexual ou na violência em função do sexo ou orientação sexual.

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5. Planificação

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6. Avaliação do Projeto: [ponto de situação do Projeto de Educação Sexual de Turma a registar em ata de Conselho de Turma, nos 1.º, 2.º e 3.º períodos] A avaliação do projeto será realizada de uma forma contínua. A avaliação intermédia far-se-á nos Conselhos de Turma dos 1.º e 2.º períodos através de pontos de situação para reajustar e/ou refazer a planificação inicial de algum dos subtemas. A avaliação final far-se-á no Conselho de Turma do 3.º período. 7. Informação acerca do Projeto de Educação Sexual da Turma aos Pais/Encarregados de Educação: [Lei n.º 60/2009, de 6 de agosto, artigo 11.º. Todos os Encarregados de Educação irão receber informação acerca dos aspetos significativos da Lei n.º 60/2009, de 6 de agosto e da Portaria n.º 196-A/2010, de 9 de abril. O Diretor de Turma dará a conhecer o Projeto de Educação Sexual de Turma aos respetivos Pais/Encarregados de Educação, na reunião de Conselho de Turma de Avaliação de 1.º período]

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Designação da Atividade: «A primeira vez»

Área temática da oficina de formação PRESSE e conteúdo do Quadro Anexo da Portaria 196A/2010, de 9 de abril: Saúde sexual e reprodutiva  

 

Dimensão ética da sexualidade humana; Compreensão da sexualidade como uma das componentes mais sensíveis da pessoa, no contexto de um projeto de vida que integre valores (afeto, ternura, crescimento, maturidade emocional e compromisso); Compreensão do uso e acessibilidade dos métodos contracetivos; Compreensão da epidemiologia das principais IST em Portugal e no mundo.

Objetivo(s):  Incentivar a reflexão sobre a importância e os cuidados imprescindíveis a ter aquando da iniciação da atividade sexual do adolescente; Educar para a afetividade e as relações interpessoais, promovendo o desenvolvimento de personalidades eticamente responsáveis;  Promover a mobilização de saberes e a troca de valores e atitudes;  Desenvolver comportamentos assertivos na tomada de decisões e opções. Duração: 90 minutos Recursos: Computador; projetor multimédia; vídeo da canção e respetiva tradução em português; papel e esferográfica; ficha de trabalho (fotocópias); colunas de som. Instruções passo a passo para a realização da atividade: De acordo com as conclusões retiradas do trabalho de grupo, realizado nas sessões de Formação Cívica, destinado ao levantamento de questões, expectativas e dúvidas acerca da sexualidade, foi levantada a questão de «quando deveria ser a 1ª vez?» na iniciação da sua vida sexual. Dado a importância capital do tema, como ponto marcante da sexualidade do adolescente, de cuja atuação podem advir marcas ou traumas que acompanhem a vida do adolescente, foi decidido dar primazia ao tema, desenvolvendo esta atividade, cujo campo de ação se passa a delinear: 1.º Os alunos vão ser informados, numa aula de Inglês, que devem ouvir e ver o vídeo, com muita atenção e, individualmente, por escrito, numa folha, que façam um comentário do vídeo, atendendo ao tema fulcral que é tratado e a todas as situações e implicações que possam ser intuídas a partir da visualização do vídeo e respetiva letra da canção.

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2.º Em Formação Cívica, a turma será dividida em grupos de quatro elementos. Será distribuída, a cada grupo, uma fotocópia com a letra da canção. 3.º No final da leitura, cada elemento deve apresentar, ao grupo, as conclusões individuais registadas na aula de Inglês. Em grupo, devem debater essas conclusões e elaborar um texto onde conste um comentário ao vídeo, eleito por todos como mais clarificador e completo e onde conste uma reflexão sobre as condições ideais para se iniciar a vida sexual, bem como as respostas às questões orientadoras, fornecidas pela docente de FC e outras que os alunos considerem pertinentes. Entre as questões orientadoras, indicam-se as seguintes: a) A partir da interpretação do verso «Eu talvez vou beber mais do que eu posso esta noite», consideras que haveria condições para iniciar a vida sexual? Justifica a resposta. b) Com base no mesmo verso, consideras que seria possível usar, com segurança, os métodos anticoncecionais, particularmente o preservativo (masculino ou feminino)? Porquê? c) Comenta as afirmações: «Me dê tudo esta noite Pois todos sabemos que podemos não estar aqui amanhã» d) Consideras que o amor e a afetividade estiveram presentes neste relacionamento demonstrado nos versos e perduraram para além daquela noite? e) Para ti, um relacionamento físico deve ou não ser acompanhado de sentimentos eticamente responsáveis e duradouros? Reflete e justifica a questão. f)

Consideras que deve existir uma idade e um parceiro(a) ideais para iniciar a vida sexual? Justifica a resposta

4.º No final da apresentação dos trabalhos, a docente fará um balanço da atividade e, com a colaboração dos alunos, far-se-á uma síntese das ideias dimanadas por todos, valorizando e dando enfoque à afetividade, ao amor, aos valores eticamente responsáveis, de forma que a contribuir para uma consciencialização dos jovens e uma preparação condigna para uma experiência futura que possa ser benéfica e não traumática para os intervenientes. Avaliação da atividade: A avaliação da atividade é feita através da observação direta de toda a participação dos alunos e da qualidade dos textos por eles produzidos.

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Instruções para o aluno: 1.º Na aula de Inglês: devem ouvir e ver o vídeo em exibição, com muita atenção e, individualmente, por escrito, numa folha, façam um comentário do vídeo (em inglês ou português, conforme decisão da docente desta área) atendendo ao tema fulcral que é tratado e a todas as situações e implicações que possam ser intuídas a partir da visualização do referido vídeo e respetiva letra. 2.º Em Formação Cívica: vão dividir-se em grupos de quatro elementos (por ordem numérica). Leiam, com muita atenção, a fotocópia distribuída com a letra da canção. 3.º Após a leitura, cada elemento deve apresentar, ao grupo, as conclusões individuais registadas na aula de Inglês, traduzidas para português. O grupo deve debater as conclusões extraídas e elaborar um texto onde conste um comentário ao vídeo, eleito por todos como mais clarificador e completo e onde conste uma reflexão sobre as condições ideais para se iniciar a vida sexual. 4.º Respondam às questões orientadoras (fornecidas pela docente de FC). Procurem elaborar outras questões que julguem pertinentes e que completem as que vos apresentei. Entre as questões orientadoras, indicam-se as seguintes: a) A partir da interpretação do verso «Eu talvez vou beber mais do que eu posso esta noite», consideras que haveria condições para iniciar a vida sexual? Justifica a resposta. b) Com base no mesmo verso, consideras que seria possível usar, com segurança, os métodos anticoncecionais, particularmente o preservativo (masculino ou feminino)? Porquê? c) Comenta as afirmações: «Me dê tudo esta noite Pois todos sabemos que podemos não estar aqui amanhã» d) Consideras que o amor e a afetividade estiveram presentes neste relacionamento demonstrado nos versos e perduraram para além daquela noite? e) Para ti, um relacionamento físico deve ou não ser acompanhado de sentimentos eticamente responsáveis e duradouros? Reflete e justifica a questão. f)

Consideras que deve existir uma idade e um parceiro(a) ideais para iniciar a vida sexual? Justifica a resposta

5.º O porta-voz de cada grupo (ou a totalidade dos elementos) deverá (ão) apresentar os trabalhos ao grupo-turma.

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Atividade Gravidez na adolescência. Área temática da oficina de formação PRESSE e conteúdo do Quadro Anexo da Portaria 196A/2010, de 9 de abril: Saúde sexual e reprodutiva:  Conhecimento das taxas de maternidade na adolescência e compreensão do respetivo significado;  Compreensão da noção de parentalidade no quadro de uma saúde sexual e reprodutiva saudável e responsável. Objetivo(s):  Refletir sobre a gravidez na adolescência;  Promover a troca de opiniões, valores e atitudes relativamente à gravidez na adolescência;  Informar os alunos sobre os seus direitos e quais os apoios sociais que tem ao seu dispor no caso de uma gravidez indesejada;  Promover a análise de comportamentos perante uma situação difícil, como por exemplo uma gravidez na adolescência;  Alertar para os perigos de uma gravidez precoce;  Compreender o papel ativo e fundamental dos pais (da família) no acompanhamento e na tomada de decisões;  Reconhecer a necessidade de mudar de vida a nível pessoal, social e económico comoconsequências de uma gravidez indesejada. Duração: 45 minutos Recursos: Ficha de trabalho, apresentação eletrónica em PowerPoint, computador, projetor e quadro. Instruções passo a passo para a realização da atividade: 1. Distribuir a todos os alunos a Ficha A escolha de Cláudia. 2. Após a leitura do texto Gravidez na adolescência, será dividida a turma em grupos. 3. De seguida, cada grupo responde às questões e/ou dá a sua opinião a respeito das questões propostas. 4. Posteriormente será efetuado o debate em grupo-turma. 5. Conclusões. 6. Visionamento de uma apresentação eletrónica em PowerPoint.

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A GRAVIDEZ DE CLÁUDIA

Lê o seguinte texto: Gravidez na adolescência Cláudia, 16 anos, ex-estudante, tem a filha nos braços, uma bebé de um mês, e ao olharmos para ela parece-nos que estamos perante duas filhas – embora faça um esforço por assumir o papel de mãe da pequena Maria. Sente-se deprimida e sem vontade de nada, muito menos de dizer ao pai da bebé que daquele encontro nasceu uma menina. Soube da gravidez dois meses depois de ter feito 16 anos, mas achou que era um engano, e ficou sempre à espera que o resultado do teste fosse um erro. Aos três meses de gravidez, ficou muito impressionada quando sentiu o bebé a mexer. O susto foi tão grande que Cláudia não conseguiu ir às aulas, pois aterrorizava-a a ideia de que pudesse voltar a acontecer e os outros percebessem. Foram momentos difíceis. Gritava para si mesma que tinha de falar, mas de cada vez que imaginava a reação dos pais não conseguia. O tempo passava e a barriga crescia e o bebé cada vez se mexia mais. Um dia, a mãe olhou-a desconfiada e disse-lhe «Tu estás a ficar muito gorda, filha, até pareces grávida». Chorava todos os dias, não tinha vontade de sair de casa nem de ver ninguém, não disse nada nem à melhor amiga, nem ao rapaz. Tinham tido um relacionamento de uma noite. «Foi uma só vez. Muitas amigas fizeram o mesmo, porque é que comigo aconteceu isto?». Noelma Viegas d’ Abreu, Revista Xis, n.º 106 (integrante do jornal Público), Junho 2001 Depois de uma leitura atenta, responde às seguintes questões: 1. Indica as emoções/sentimentos que a Cláudia sentiu perante a sua gravidez. 2. Concordas com a atitude da Cláudia em não dizer nada ao pai do bebé e aos seus pais? Justifica a tua resposta. 3. A vida de Cláudia mudou, desde o momento que engravidou. Comenta esta afirmação, indicando, sob o teu ponto de vista, os aspetos em que se verificam mudanças na vida de Cláudia.

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Gravidez na adolescência – PowerPoint

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Aborto DL n_º 48-95, de 15 de Março

http://www.pgdlisboa.pt/leis/lei_mostra_articulado.php?nid=109&tabela=leis

Vídeo contra o aborto

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Aborto és a favor ou contra?

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Formadores: Laura Ribeiro

Nível de Ensino: 1º Ciclo. Grupo de recrutamento: 1 10

Formandos:

Alfredo Rodrigues

Fernanda Hintze Oliveira

Planificação Actividade:

Apresentação de um PowerPoint (90minutos) Inquérito (90 minutos) Tratamento estatístico das opiniões (90 minuto)

Área Temática:

Sexualidade e Género

Objectivos:

Duração: 90’ + 90’+90’

Reconhecer e contextualizar “ Sexualidade e Género” ao longo do tempo. Ter conceitos abrangentes de “Sexualidade e Género” Recursos:  Computador  Projetor  PowerPoint  Texto para alunos  Textos para professores  Textos para pais  Inquérito  Caneta  Caderno diário

Passo a passo: 1. Apresentar o PowerPoint 2. Entregar PowerPoint em texto a cada aluno 3. Pedir para que leiam silenciosamente/atentamente o texto 4. Fazer um esquema conceptual /histórico de “ Sexualidade e Género” em grupo de dois. 5. Apresentar as conclusões de cada par no quadro. 6. Chegar a um consenso “ Esquema de todos”… 7. Levantar a questão: “ Qual é o meu género?” Refletir em casa… (fim de 90m) 8. Preenchimento de um inquérito (início de 90m) 9. Acerto? de possíveis respostas. (em cada par - fim 90m) 10. Tratamento estatístico de respostas obtidas (inicio de 90m) 11. Debate orientado 12. Conclusões possíveis 13. Questões em aberto

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Material para o professor

IDENTIDADE DE GÉNERO e SEXUALIDADE Miriam Pillar Grossi Desde 1989, que dou a disciplina de Antropologia da Mulher e das Relações de Género no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social e a de Relações de Género no curso de Ciências Sociais da UFSC. Com base nessa experiência, tenho refletido, com várias gerações de alunos, sobre a abrangência da categoria género para as Ciências Sociais contemporâneas1. Este texto procura preencher um vazio na bibliografia em português sobre o conceito e sobre os diferentes usos do género e é, de alguma forma, a continuação da reflexão iniciada num texto intitulado “O conceito de género: um novo coração de mãe nos estudos sobre a mulher”, escrito com o grupo Em Canto e apresentado na ANPOCS de 1989. Passados quase dez anos desta primeira reflexão teórica sobre o uso do conceito de género no Brasil, procurei, aqui, definir a problemática da identidade de género a partir de várias instâncias: a aquisição da identidade de género primária, a aprendizagem dos papéis sexuais, o vasto campo da sexualidade e as novas questões referentes à reprodução humana. No texto procuro desconstruir o senso comum ocidental que considera que a identidade de género é marcada pela opção sexual, inclusive com o intuito de mostrar como as práticas homo eróticas não produzem um terceiro género (nem masculino, nem feminino), tão-pouco “distúrbios da identidade de género”, como afirmam alguns psicólogos e educadores que lidam com indivíduos com experiências não exclusivamente heterossexuais.

Material para os PAIS Informe-se: Género e sexualidade nas práticas escolares ST. 07 Ivanilsa de Oliveira Silva i Vera Helena Ferraz de Siqueira ii NUTES/UFRJ. Palavras-chave: construção identidade, educação sexual, gravidez na adolescência. Sexualidade, Gravidez e Género: Construção Identidade numa Escola Pública. Introdução: Muito do que se aprende nas escolas em termos de valores, comportamentos e crenças relacionam-se com as experiências de interacção entre alunos e professores. Contudo, as instituições académicas e os/as docentes mantêm-se frequentemente afastados das transformações de ordem cultural, da ética etc., que marcam o mundo contemporâneo e fazem parte do mundo dos estudantes, e incluem mudanças nos comportamentos sexuais e nas relações de género. Nesse contexto, questões como as doenças sexualmente transmissíveis e a crescente incidência da gravidez na adolescência são abordadas de forma reducionista, centrando-se na transmissão de informações e em aspectos biológicos. De acordo com Heilborn (1999), “ apenas quando o jovem não tem de esconder ou esconder-se da sexualidade, quando está

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seguro de que o sexo é um domínio humano não ligado à culpa, ao pecado, ao segredo e à mentira, ele pode procurar conscientemente o usufruto seguro da sua sexualidade”. Nesse sentido, não se pode desprezar o papel e a participação do professor/a para que o/a estudante em geral reconstrua a sua rede de relações, resgate a sua cidadania e transforme a sua identidade. Para Stuart Hall, “a identidade preenche o espaço entre o "interior" e o "exterior" entre o mundo pessoal e o mundo público. O fato de que nos projectamos a "nós próprios" nessas identidades culturais, ao mesmo tempo em que interiorizamos os seus significados e valores, tornando-os "parte de nós" contribui para alinhar os nossos sentimentos subjectivos com os lugares objectivos que ocupamos no mundo social e cultural. A identidade, então, costura o sujeito à estrutura”. (HALL, 1992, p.11-12) A minha preocupação com esta temática surgiu a partir de um estágio, feito na graduação, na Escola Estadual Presidente Dutraiii. No curso de formação de professores dessa escola, chamou a minha atenção a presença de muitas jovens grávidas e o fato de inexistir um investimento maior nesse curso voltado à abordagem da educação sexual. A partir daí, surgiu o interesse em entender melhor o papel exercido pelos professores na condição de mediadores das questões de sexualidade e género em cursos de formação docente. Nesse sentido, o presente projecto visa analisar as mediações feitas por docentes dessa instituição na construção da identidade dos alunos/as no que concerne às questões de sexualidade, género e gravidez. O meu interesse recai na análise dos significados que as pessoas constroem quando agem no mundo através do discurso. Parto do pressuposto que a orientação sexual nas escolas é fundamental para que os jovens possam falar sobre a sua sexualidade, conhecendo-se e constituindo-se como sujeitos reflexivos, que procurem um auto conhecimento e possam exercer opções bem informadas. Ou como MOITA LOPES (2002, p.91) argumenta desenvolvendo as ideias de FOULCAULT “as escolas, por exemplo, determinam em grande parte não somente o que as pessoas fazem como também quem são, serão, e podem ser”. Com este estudo eu acredito estar a contribuir para a implementação dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs na escola. Procedimentos Metodológicos: O referencial teórico metodológico da pesquisa é a análise crítica de discursos. Conforme HARRÉ e GILLET (1994, p.104) apud (MOITA LOPES, 2002, p.92) dizem, “a mente de todo o ser humano é construída pelos discursos nos quais estão envolvidos, no privado e no público”. Para a recolha dos dados são utilizadas técnicas de observação e entrevistas semi-estruturadas. Segundo LAKATOS E MARCONI (1979, p. 190-195) “a observação é uma técnica de recolha de dados para conseguir informações e utiliza os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. Não consiste apenas em ver e ouvir, mas também em examinar fatos ou fenómenos que se desejam estudar. “A entrevista semiestruturada, em geral, é aquela que parte de certos questionários básicos, apoiados em teorias e hipóteses, que interessam à pesquisa, e que, em seguida, oferecem um amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem as respostas do entrevistado. Desta maneira, o entrevistado, seguindo espontaneamente a linha do seu pensamento e das suas experiências dentro do foco principal colocado pelo investigador, começa a participar da elaboração do conteúdo da pesquisa”. (TRIVIÑOS, 1987, p.146).

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O contexto da pesquisa é a Escola Estadual Presidente Dutra, acima mencionada. A instituição está situada no município de Seropédica - RJ, Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, com 284 km² e 73.262 mil habitantes. A escola possui 1.180 alunos no ensino médio, em três turnos, sendo 724 alunos em 19 turmas no curso normal (formação de professores), dos quais aproximadamente 85 por cento são mulheres. O ensino médio não-profissionalizante conta com um total de 456 alunos em 12 turmas. Estão a ser feitas observações em sala de aula de diferentes disciplinas do curso normal, visto que os PCNs preconizam a educação sexual como tema transversal. Já foram feitas entrevistas com quatro professores - 2 homens e 2 mulheres - que leccionam nos cursos normais e médio, do 1º ao 4º ano. Contei com a transcrição das entrevistas e das interacções em sala de aula como corpus deste estudo. Neste trabalho, em primeiro lugar, trago uma visão do discurso como acção social, discutindo o seu papel mediador na construção da identidade social e questões relacionadas com a Sexualidade e Género. A seguir, apresento a análise empírica dos discursos. O discurso como acção social e o seu papel mediador na construção das identidades de Género e Sexualidade. O discurso é acção social: é importante pensar que as pessoas estão constantemente a criar o mundo à volta delas, com elas mesmas e com os outros nas práticas sociais onde atuam. Por outras palavras, “o discurso é um modo de acção, uma forma pelas quais as pessoas podem agir sobre o mundo e especialmente umas com as outras, tal como um modo de representação (...) é uma prática não só de representação do mundo, mas de significação do mundo, constituindo e construindo o mundo em significado” (FAIRCLOUGH 2001, p.91). Portanto, o traço mais característico do discurso é a sua natureza social na medida em que: a) como seres humanos usamos a linguagem entre nós, isto é, o discurso tem uma natureza dialógica; e b) construímos o mundo e as pessoas nas circunstâncias culturais, institucionais e históricas nas quais estamos situados, isto é, o discurso tem uma natureza sócio-contorcionista. (BAKHTIN, 1981, apud MOITA LOPES, 2002, p.93). Outro traço da natureza social do discurso é o fato de que ao mesmo tempo em que levamos em consideração a alteridade quando nos engajamos no discurso, também podemos alterar o outro, assim como o outro nos pode modificar. Ou seja, “ao mesmo tempo em que consideramos as identidades dos participantes discursivos, estamos também (re-) construindo as identidades deles nas práticas discursivas nas quais estamos envolvidos e eles estão (re-) construindo as nossas através do discurso”. (MOITA LOPES, 2002, p.94). A alteridade molda o que dizemos e, da mesma forma, como nos percebemos a luz do que o outro representa para nós: a identidade não é uma qualidade inerente de uma pessoa, ela nasce na interacção com os outros, isto é, as práticas discursivas moldam as nossas identidades sociais. MOITA LOPES (2002, p.95), apoia-se em ideias de CONNEL ao afirmar que “o género não é fixado antes da interacção social, mas é construído na interacção”. Por outras palavras, as identidades são construídas no discurso, sendo, portanto fragmentadas, contraditórias e ambíguas. A pretensão nesta pesquisa é entender tanto o género como a sexualidade na condição de constructos culturais, constituintes das identidades dos sujeitos. Para FOULCAULT (1997, p.100) 4 “a sexualidade é o nome que se pode dar a um dispositivo histórico: não à realidade subterrânea que se apreende com dificuldade, mas à grande rede de superfície em que a estimulação dos corpos, a intensificação dos prazeres, a incitação ao discurso, a formação dos conhecimentos, o reforço dos

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controlos e das resistências, se encadeiam uns nos outros, segundo algumas grandes estratégias de saber e de poder”. O filósofo evidenciou na sua obra “ História da Sexualidade: vontade do saber” como nasce na sociedade moderna, por volta do século XVIII, uma incitação política, económica, técnica, a falar de sexo. Ou seja, nega a teoria vigente sobre a repressão do sexo, afirmando que na sociedade moderna cada vez mais se vai falar sobre o assunto. Não se fala pouco e sim de uma outra maneira, a partir de pontos de vista diferentes e com objectivo de obter outros efeitos, e é nesta prática que a identidade sexual dos sujeitos é (re-) constituída. Neste sentido, Guaracira Louro faz uma aproximação às formulações mais críticas dos Estudos Culturais e compreende “os sujeitos como tendo identidades plurais, múltiplas; identidades que se transformam, que não são fixas ou permanentes, que podem, até mesmo, ser contraditórias. Assim, o sentido de pertença a diferentes grupos - étnicos, sexuais, de classe, de género, etc. - constitui o sujeito e pode levá-lo a se perceber como se fosse empurrado em diferentes direcções. Ao afirmar que o género institui a identidade do sujeito pretende-se referir, portanto, a algo que transcende o mero desempenho de papéis, a ideia é “perceber o género fazendo parte do sujeito, constituindo-o. Estas práticas e instituições “fabricam” os sujeitos”. (LOURO, 1998, p.25). As crianças e jovens, a partir das interacções que mantém com os professores, com a média, na família e nas redes sociais as que pertencem, aprendem valores, noções diversas e posicionam-se sobre questões centrais como o comportamento sexual. Encontram respostas para questões referentes à sua identidade: quem são e o que podem querer, para onde vão. Temos no professor uma figura chave na formação dos jovens e o seu compromisso não se restringe à transmissão de conhecimentos e informações, mas abrange a preparação para que os jovens possam exercer uma escolha consciente e bem informada de comportamentos sexuais, coerentes com os valores que assumirem como seus. Análise dos Dados: As observações até o momento vêm mostrando, de forma geral, que questões referentes à sexualidade e género estão bastante presentes nas salas de aula. Evidenciam também que os discursos docentes na maior parte das vezes reincidem em modelos tradicionais de orientação sexual; entretanto, trazem também marcas de uma abertura para os deslocamentos que vêm ocorrem nos comportamentos sexuais dos jovens. Os discursos de uma professora de Português e Literatura, que chamaremos de Alicev, servirá de base param a análise que segue, uma vez que as suas falas encerram contradições importantes. Numa das suas aulas, uma jovem de 17 anos, no dia dos namorados, recebeu um ramo de rosas vermelhas, durante a aula. A professora começou a falar de como... É importante comemorar o dia dos namorados com responsabilidade, usando camisinha... Implícito no seu discurso está o reconhecimento de que nos dias atuais o relacionamento sexual integra frequentemente o comportamento de jovens. O discurso dessa professora reflecte uma preocupação quanto ao exercício da sexualidade dos jovens, alertando para um fato que é de suma importância: o uso da camisinha. Através desse discurso está construindo os alunos como sujeitos a quem é possibilitada uma escolha em termos do exercício da sexualidade. Foucault diz que “se o sexo é reprimido, isto é, fadado à proibição, à inexistência e ao mutismo, o simples fato de falar dele e da sua repressão possui como que um ar de transgressão

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deliberada”, (FOULCAULT, 1997, p.12). O estudioso afirma na sua obra “Microfísica do Poder” que o indivíduo não é onde se exerce e se abate o poder. O indivíduo, com as suas características, a sua identidade, é o produto de uma relação de poder que se exerce sobre si. E o poder no seu exercício nunca é o poder total, absoluto: “ (...) a partir do momento em que há uma relação de poder, há uma possibilidade de resistência. Jamais somos aprisionados pelo poder: podemos sempre modificar a sua dominação em condições determinadas e segundo uma estratégia precisa”. (FOULCAULT, 2003, p.241). Nos discursos desta professora a partir da entrevista, pudemos perceber contradições e marcas de um discurso pedagógico tradicional. Vejamos: - Eu falo muito sobre isso. Sobre protecção. Tem que se proteger não é? Eu falo muito disso, mesmo sendo professora de Português. Eu aconselho-os como aconselho os meus filhos, como falo com minha filha. Falo sobre doenças, de como evitar filhos e estudar para no futuro ser financeiramente independente. Fica evidente aqui uma visão tradicional da educação sexual, identificada com palestras e recomendações. O seu discurso caracteriza claramente uma situação pedagógica em que o/a professor/a detém o conhecimento e a informação, que estende para um sujeito que nada sabe. Em momento nenhum desse discurso utiliza a primeira pessoa do plural, e assim exclui os jovens de um possível diálogo. Mais tarde, na entrevista, confirma a sua visão de como seria a abordagem pedagógica para as escolas devidamente contemplarem problemáticas que envolvem os alunos: “Palestras para início de conversa”. É importante, também, falar aqui do currículo como uma outra arena das práticas sociais. Tomás Tadeu da Silva diz que “o currículo pode ser visto como um discurso que, ao corporificar narrativas particulares sobre o indivíduo e a sociedade, constitui-nos como sujeitos – e sujeitos também muito particulares. Pode-se dizer, assim, que o currículo não está envolvido num processo de transmissão ou de revelação, mas num processo de constituição e de posicionamento: de constituição do indivíduo como um sujeito de um determinado tipo e de seu múltiplo posicionamento no interior das diversas divisões sociais” (SILVA, 1996, p. 195). Esta mesma professora culpabiliza constantemente a instituição escolar e a família pelos problemas referentes à aprendizagem, comportamentos e valores do alunado. “A escola está parada! Falar é fácil, fazer é que é difícil (...) Eles [referindo-se aos professores] tentam, mas ficam cansados ao fim de pouco tempo. (...) A coisa é séria, é o filho que mata o pai, o mundo está louco mesmo. (...) às vezes prefiro nem ouvir. Tenho medo disso, sabe, não sei lidar com isso, com drogas, eu tento, mas tenho medo e não sei como agir. Aqui está cada vez pior, pior mesmo. Olha está cada dia mais difícil. Eu tento, tento mesmo (...) Eu sinto, sabe, que isso tudo é falta de família, família de verdade, estruturada.”. Devem-se lembrar aqui as formulações de Foucault sobre a família que no século XVIII se tornou um lugar obrigatório de afetos, de sentimentos, de amor. O filósofo fala, ainda, de uma “família reorganizada, com laços mais estreitos, intensificada com relação às antigas funções que exercia no dispositivo de aliança (...) a família é o cristal no dispositivo de sexualidade: parece difundir uma sexualidade que de fato reflete e difrata”, (FOULCAULT, 1997, p.105). É a essa família, uma das instituições exemplares do exercício do posicionamento moderno em relação à sexualidade, a que o discurso dessa professora se refere. Considerações Finais:

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Se as escolas como instituições são lugares democráticos, é essencial que haja uma oportunidade para que os seus atores possam ensaiar novas formas de subjetividade. Nesse processo, o professor exerce um papel importante como mediador dos afetos, crenças e valores dos alunos. As mediações estabelecidas pelos docentes envolvem a (re-) constituição das identidades dos/as alunos/as, influindo em última instância nos seus comportamentos sexuais. Se os significados sobre a sexualidade assim como os outros traços das nossas identidades sociais são socialmente construídos, também é possível que sejamos construídos noutras bases: que nos possamos ver de outro modo, de nos dizer de outras maneiras. Mesmo neste estudo, encontrando-se na sua fase inicial, foi preciso perceber a necessidade de um investimento num programa que possa mobilizar principalmente os professores nesta tarefa complexa que é a abordagem da sexualidade e género. Maria Odete Fachada Psicologia das Relações Interpessoais, Edições Rumo Na construção da sua identidade e género o ser humano é influenciado por diversos fatores, responde ao seguinte questionário e procura conhecer-te melhor...

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Sexualidade e Género

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Formadores: Laura Ribeiro

Nível de Ensino: 1º Ciclo. Grupo de recrutamento: 1 10

Formandos:

Anabela M. Pereira

Mª Fátima Teixeira

Atividade:

A descoberta

Área temática:

Puberdade: Aspetos biológicos e emocionais

Objetivos:  Explorar as diferenças existentes no desenvolvimento corporal dos rapazes e das raparigas;  Identificar mudanças biológicas e emocionais que ocorrem na puberdade;  Encarar, com naturalidade, as mudanças biológicas associadas à puberdade. Duração: 45min.

Recursos:  Cartaz com as fotos dos alunos em bebés;  Silhueta masculina e feminina;  Grelha com as principais alterações biológicas na puberdade;  Grelha com as características psicossocioemocionais na adolescência e na puberdade;  Powerpoint com a sistematização das mudanças biológicas e emocionais na puberdade.

Passo a passo: 9.

“Quem é Quem?” a. Observar as fotografias dos alunos (até aos 12 meses) dispostas num cartaz gigante e descobrir Quem é quem.

10. “À descoberta da mudança” a. Dividir a turma em pares, preferencialmente heterogéneos em relação ao género. b. Distribuir, a cada grupo, uma silhueta masculina e uma feminina, bem como grelha com as características fisiológicas da puberdade. c. Os diferentes grupos colocam na grelha os números correspondentes de cada uma das silhuetas. 11. “À volta das Emoções” a. Aspetos Emocionais (distinção entre as fases da infância e da adolescência) Grelha onde figuram as diferentes características psicossocioemocionais respeitantes a cada uma das fases. b. Os alunos assinalam uma X nas colunas infância OU adolescência, para cada uma das frases, de acordo com a sua perceção de cada uma das fases de desenvolvimento. 12. Apresentação do PowerPoint – Sistematização da informação

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TEMA 1: PUBERDADE – Aspectos biológicos e emocionais Atividade: À descoberta da mudança Nº correspondente Parte do corpo

Informação relativa ao desenvolvimento púbere

Ancas

Começam a alargar.

Axilas

Crescem pelos e as suas glândulas são umas das responsáveis pelos odores. Aparecem os primeiros pelos no rosto; a barba desponta e fazse anunciar.

Barba Coxas

Tornam-se mais volumosas.

Lábios

Os pequenos e grandes da vulva aumentam.

Mamas

Começam a desenvolver-se e por vezes os mamilos incham.

Ovários

Os ovários aumentam de volume.

Peito

Pénis Pernas, Pés e Braços Testículos

Alarga-se. Os ombros alargam e os músculos desenvolvem-se. Começam a crescer pelos e a engrossar. Fica mais volumoso, aumentando de comprimento e de diâmetro e, toma uma coloração mais escura e surgem à sua volta os pelos púbicos. Crescem a uma velocidade maior do que as outras partes do corpo dando-lhes um aspeto desengonçado. Começam a crescer pelos e a engrossar. Aumentam de volume e dão início à formação de espermatozoides.

Útero

Surgem modificações no endométrio e colo do útero.

Vulva

Crescem os pelos púbicos que a protegem; a pele torna-se mais espessa e escura.

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Silhueta feminina

Silhueta masculina


Nº correspondente Parte do corpo

Informação relativa ao desenvolvimento púbere

Silhueta feminina

Ancas

Começam a alargar.

5

Axilas

Crescem pelos e as suas glândulas são umas das responsáveis pelos odores. Aparecem os primeiros pelos no rosto; a barba desponta e fazse anunciar.

1

Coxas

Tornam-se mais volumosas.

8

Lábios

Os pequenos e grandes da vulva aumentam.

7

Mamas

Começam a desenvolver-se e por vezes os mamilos incham.

2

Ovários

Os ovários aumentam de volume.

4

Barba

Peito

Pénis Pernas e Braços Testículos

Alarga-se. Os ombros alargam e os músculos desenvolvem-se. Começam a crescer pelos e a engrossar. Fica mais volumoso, aumentando de comprimento e de diâmetro e, toma uma coloração mais escura e surgem à sua volta os pelos púbicos. Crescem a uma velocidade maior do que as outras partes do corpo dando-lhes um aspeto desengonçado. Começam a crescer pelos e a engrossar. Aumentam de volume e dão início à formação de espermatozoides.

3 1

2 5 9

6 4

Útero

Surgem modificações no endométrio e colo do útero.

3

Vulva

Crescem os pelos púbicos que a protegem; a pele torna-se mais espessa e escura.

6

135

Silhueta masculina


CARACTERÍSTICAS PSICOSSOCIOEMOCIONAIS 1.

Necessidade de um clima de confiança, ternura e alegria.

2.

Impulsividade e probabilidade descontrolo emocional.

3.

Aumento do seu interesse e capacidade de se relacionar com os outros.

4.

Aprecia, de modo positivo, a integração em grupo, já que este tipo de convivência é muito do seu agrado.

5.

Confronto com diferentes exigências, de acordo com as práticas do seu grupo social.

6.

Os afetos dispensados pelos adultos exercem enorme influência no seu desenvolvimento.

7.

Inicia a construção da identidade com a escolha do papel social e desenvolvimento vocacional.

8.

Adquire a possibilidade de perspetivar a realidade e o possível de forma muito mais ampla.

9.

Os pais constituem um modelo e ponto de referência pelo que tendem a imitá-los.

de

existência

de

algum

10. Fase de definição de modelos adultos de conduta. 11. Desenvolve uma escala de valores individual e procura dar um sentido de direcionalidade à sua vida. 12. À medida que vai contactando com novas realidades, vai alargando o seu círculo social. 13. Encontra-se numa fase de desenvolvimento e integração social muito rica, em que fazer amigos é intenso e divertido. 14. Aperfeiçoamento do seu espírito crítico, devido à necessidade de criar opinião própria. 15. Reage às pessoas e situações de forma estável, se bem-educada e fortalecida nas suas relações sociais. 16. Etapa de vida imaginativa, sendo o devaneio um mecanismo natural e eficiente de projeção no futuro e de experiência da personalidade. 17. Desperta o sentido de emancipação e liberdade. 18. A confiança em si própria e nos seus recursos pessoais deve ser estimulada. 19. Vai formando um grupo de iguais em que as lideranças são brandas e estáveis. 20. Observa-se uma certa crise de independência, de afirmação de personalidade, marcada por algum egocentrismo.

136

INFÂNCIA ADOLESCÊNCIA


CARACTERÍSTICAS PSICOSSOCIOEMOCIONAIS

INFÂNCIA ADOLESCÊNCIA

X

1.

Necessidade de um clima de confiança, ternura e alegria.

2.

Impulsividade e probabilidade descontrolo emocional.

3.

Aumento do seu interesse e capacidade de se relacionar com os outros.

X

4.

Aprecia, de modo positivo, a integração em grupo, já que este tipo de convivência é muito do seu agrado.

X

5.

Confronto com diferentes exigências, de acordo com as práticas do seu grupo social.

6.

Os afetos dispensados pelos adultos exercem enorme influência no seu desenvolvimento.

7.

Inicia a construção da identidade com a escolha do papel social e desenvolvimento vocacional.

X

8.

Adquire a possibilidade de perspetivar a realidade e o possível de forma muito mais ampla.

X

9.

Os pais constituem um modelo e ponto de referência pelo que tendem a imitá-los.

de

existência

de

algum

X

X X

X

10. Fase de definição de modelos adultos de conduta.

X

11. Desenvolve uma escala de valores individual e procura dar um sentido de direcionalidade à sua vida.

X

12. À medida que vai contactando com novas realidades, vai alargando o seu círculo social.

X

13. Encontra-se numa fase de desenvolvimento e integração social muito rica, em que fazer amigos é intenso e divertido.

X

14. Aperfeiçoamento do seu espírito crítico, devido à necessidade de criar opinião própria. 15. Reage às pessoas e situações de forma estável, se bem-educada e fortalecida nas suas relações sociais. 16. Etapa de vida imaginativa, sendo o devaneio um mecanismo natural e eficiente de projeção no futuro e de experiência da personalidade.

X X X X

17. Desperta o sentido de emancipação e liberdade. 18. A confiança em si própria e nos seus recursos pessoais deve ser estimulada.

X

19. Vai formando um grupo de iguais em que as lideranças são brandas e estáveis.

X

20. Observa-se uma certa crise de independência, de afirmação de personalidade, marcada por algum egocentrismo.

137

X


Puberdade – Aspetos biológicos e emocionais

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Nirvana – Smells Like Teen Spirit

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Formadores: Leonel Lusquinhos

Nível de Ensino: 1º Ciclo. Grupo de recrutamento: 1 10

Formandos:

Américo A. Fernandes

Paula Sofia B. Silva

INTRODUÇÂO Os 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico abrangem períodos distintos de evolução da sexualidade dos jovens e do seu desenvolvimento global, caraterizados por mudanças rápidas e em ritmos muito diferenciados de jovem para jovem. As ações de educação sexual devem, pois, ter em conta o fato de envolverem populações muito heterogéneas em termos de desenvolvimento, dúvidas, preocupações e respostas emocionais. Da mesma forma, as disparidades quanto a contextos de vida familiares, económicos ou socioculturais, devem ser tomadas em consideração quando se trabalha neste domínio. Numa perspetiva global, e tomando em consideração os valores enunciados é desejável que, no decurso deste nível de ensino, os alunos tenham: Aumentado e consolidado os conhecimentos acerca: Das dimensões anátomo-fisiológica, psico-afetiva e sociocultural da expressão da sexualidade; Do corpo sexuado e dos seus órgãos internos e externos; Das regras de higiene corporal; Da diversidade dos comportamentos sexuais ao longo da vida e das diferenças individuais; Dos mecanismos da reprodução; Do planeamento familiar e, em particular, dos métodos contraceptivos; Das infecções de transmissão sexual, formas de prevenção e tratamento; Dos mecanismos da resposta sexual humana; Das ideias e valores com que as diversas sociedades foram encarando e encaram a sexualidade, o amor, a reprodução e a relação entre os sexos; Dos recursos existentes para a resolução de situações relacionadas com a saúde sexual e reprodutiva; Dos tipos de abuso sexual e das estratégias dos agressores. Desenvolvido atitudes de: Aceitação das mudanças fisiológicas e emocionais próprias da sua idade; Aceitação da diversidade dos comportamentos sexuais ao longo da vida; Reflexão e de crítica face aos papéis estereotipados atribuídos socialmente a homens e mulheres; Reconhecimento da importância dos sentimentos e da afectividade na vivência da sexualidade; Aceitação dos diferentes comportamentos e orientações sexuais; Prevenção face a riscos para a saúde, nomeadamente na esfera sexual e reprodutiva; Aceitação do direito de cada pessoa a decidir sobre o seu próprio corpo. Desenvolvido competências para: Expressar sentimentos e opiniões;

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Tomar decisões e aceitar as decisões dos outros; Comunicar acerca do tema da sexualidade; Aceitar os tipos de sentimentos que podem estar presentes nas diferentes relações entre as pessoas, incluindo os do âmbito da sexualidade; Adoptar comportamentos informados em matérias como a contracepção e a prevenção das infecções de transmissão sexual; Adequar as várias formas de contacto físico aos diferentes contextos de sociabilidade; Reconhecer situações de abuso sexual, identificar soluções e procurar ajuda; Identificar e saber aplicar respostas adequadas em situações de injustiça, abuso e perigo e saber procurar apoio, quando necessário. Deste modo, ao longo deste trabalho, propomo-nos a explorar o tema “O corpo em transformação”, por acharmos de profunda importância o conhecimento do próprio corpo e a aceitação das diferenças, de modo a promover a autoestima dos adolescentes, uma vez que, “também no contexto da sexualidade ter uma autoestima adequada significa correr menos riscos (de gravidez não desejada, frustrações amorosas, etc.), comunicar melhor, confiar nos outros e ter relacionamentos mais satisfatórios”.

PLANIFICAÇÃO OBJETIVOS GERAIS

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Aprofundar conhecimentos sobre

Refletir sobre o processo de crescimento ao longo da puberdade;

as transformações do corpo ao longo

Identificar as principais mudanças físicas que ocorrem ao longo da vida;

da vida;

Situar as mudanças pubertárias no quadro de transição para a idade adulta,

TEMPO PREVISTO

aceitando como necessárias as mudanças do corpo ( aparecimento de caracteres 

Desenvolver uma atitude positiva

face às transformações do corpo; 

Compreender alterações a nível

de comportamento na adolescência; 

Desenvolver uma atitude positiva

face

às

alterações

físicas

e

sexuais secundários, menstruação, poluções noturnas…); 

Compreender as alterações que ocorrem na adolescência;

Explicar as mudanças fisiológicas que acompanham a puberdade;

Identificar transformações do seu próprio corpo.

Aceitar que cada pessoa tem o seu ritmo de crescimento;

Ser capaz de expressar sentimentos relativos ao seu crescimento;

Melhorar o autoconhecimento do adolescente segundo a necessidade de

aprender a viver com o seu próprio corpo e interior; 

psicossociais;

Aprender a expressar os sentimentos em relação aos outros, da mesma forma

que se aprende a ouvir e a respeitar os sentimentos dos outros; 

Desenvolver

atitudes

e

comportamentos não discriminatório;

outros; 

Melhorar

a

autoestima

dos

Aumentar a autoconfiança e, simultaneamente, aumentar a confiança nos

Fomentar conceitos como a coesão do grupo a partir de atitudes de respeito e

tolerância em relação aos outros e a si mesmos.

participantes, evidenciando as suas

melhores caraterísticas pessoais;

necessidade de estar bem física e emocionalmente consigo próprio; 

Potenciar a expressão dos bons

sentimentos para os outros.

Compreender a importância de aceitar as suas próprias limitações e a

Relativizar o conceito de beleza física, através da compreensão de fatores

sociais e culturais que o determinam, e entender a importância de outros fatores, como o caráter e os valores individuais no momento de criar uma imagem pessoal; 

Observar como atitude positiva o autorrespeito, de forma a potenciar a

140

8

sessões

(45 minutos)


capacidade de relação com os outros; 

Contribuir para a melhoria da autoestima do adolescente através da análise das

caraterísticas positivas deste e da visão que os outros (a turma, os amigos e os familiares) têm dele; 

Observar como atitude positiva o autorrespeito, de forma a potenciar a

capacidade de relação com os outros; 

Fomentar conceitos como a coesão do grupo a partir de atitudes de respeito e

tolerância em relação aos outros e a si mesmos.

METODOLOGIAS No desenrolar das sessões serão utilizadas metodologias participativas que se expressam na utilização de um conjunto muito vasto de técnicas. TRABALHO DE PESQUISA O trabalho de pesquisa é um estímulo interessante para as atividades, ajudando a clarificar ideias e levando o sujeito a interrogar-se. A pesquisa de informação pode ser feita com base em inúmeras e diversificadas fontes: livros, revistas, jornais, via Internet, etc., podendo recorrer-se também a entrevistas, trabalho de campo, arquivos, bancas de dados e visitas de estudo. Estes trabalhos podem constituir ótimos momentos de reflexão e divulgação de informação a toda a comunidade educativa. Em termos de organização pode ser realizado em pequenos grupos ou fruto do trabalho individual, sendo a primeira modalidade mais adequada à metodologia proposta ao pretender colocar em interação diferentes sujeitos. JOGOS DE CLARIFICAÇÃO DE VALORES Consiste em promover o debate entre posições diferentes (podendo ou não chegar-se a consenso), através da utilização de pequenas frases que sejam opinativas e polémicas. Pode-se pedir a um dos participantes para assumir a defesa da opinião expressa na frase, a um segundo para a atacar (ainda que essas não sejam as suas posições na realidade) e a um terceiro ainda que observe o debate, para depois o descrever ao grande grupo. Podem utilizar-se escalas do tipo “concordo totalmente”, “concordo em parte”, “é-me indiferente” “discordo em parte” e “discordo totalmente”, fazendo mover as pessoas na sala para cada uma das posições (que são afixadas nas paredes), ou utilizando as opiniões individuais para o debate em pequenos grupos e, numa fase posterior, em grande grupo. UTILIZAÇÃO DE QUESTIONÁRIOS Em geral, os questionários são utilizados para recolher conhecimentos e opiniões existentes. No entanto, também podem ser utilizados para transmitir (e não apenas

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para avaliar) conhecimentos. Preenchidos os questionários, individualmente ou em grupo, pode-se depois responder às perguntas em grande grupo. FICHAS Facilitam o desenvolvimento dos trabalhos, e devem ser construídas de acordo com os objectivos a alcançar: a recolha de informação; a exploração de informação; a síntese de informação e a avaliação. Têm ainda a vantagem de serem um ótimo recurso, quando o tempo para a atividade curto. EXPLORAÇÃO DE VÍDEOS E OUTROS MEIOS AUDIOVISUAIS Estes materiais podem ser um auxiliar muito importante para o desenvolvimento das atividades, no entanto, muitas vezes, confunde-se a utilização do instrumento com a própria realização da atividade. Assim, aconselha-se que sejam diferenciados os momentos “antes da projeção” e “após projeção”: Antes da projeção - deve haver recolha de perguntas e assuntos que a turma ou grupo deseja ver tratados de forma a ajustar às necessidades do grupo. Após a projeção – é importante identificar as partes do vídeo que apresentem mais interesse, os conhecimentos que ficaram e as dúvidas que surgiram. A construção de guiões de utilização pode ser uma forma de ajustar o material às necessidades do grupo.

O CORPO EM TRANSFORMAÇÃO ENQUADRAMENTO TEÓRICO MUDANÇAS NA ADOLESCÊNCIA Este assunto poderá ser introduzido recorrendo à projeção do filme “Crescer: Mudanças” – Edição Flamínia que aborda as mudanças físicas e psicológicas da adolescência. A espécie humana demora mais tempo do que as outras até chegar ao estado adulto. Entre o nascimento e a idade em que se podem reproduzir, as crianças vivem um longo período durante o qual crescem e se desenvolvem. Durante esta fase, as crianças têm como principal apoio os pais, outros adultos e a família. Mas durante a fase da puberdade, acontecem uma série de mudanças corporais, psíquicas e comportamentais. É o início de uma nova fase da vida: a adolescência. Com estas modificações também se despoletam importantes alterações nas relações interpessoais, o que implica uma intensa reestruturação da autoimagem e impulsiona decisivamente a formação da identidade humana. De um ponto de vista afetivo, os adolescentes autonomizam-se em relação aos pais, e investem mais profundamente na construção da sua personalidade. Vivem um período contraditório: por um lado, procuram desesperadamente definir a sua própria identidade e, por outro, manifestam uma irreprimível

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necessidade de se sentirem aceites e integrados no grupo dos seus pares. É uma fase em que podem gerar-se conflitos emocionais que podem ser difíceis de gerir. Na fase da adolescência, vão-se consolidando os sentimentos, as atitudes e os valores pessoais face à sexualidade, nomeadamente no conforto/desconforto em relação ao corpo e aos diversos sentimentos, às fantasias, aos comportamentos sexuais e às formas de comportamento e relacionamento (aceitação positiva ou rejeição da sexualidade e das suas expressões pessoais e relacionais). A relação com os outros, principalmente com os adultos sofre também profundas alterações. Geram-se muitos processos conflituais resultantes do processo de crescimento dos jovens e também, não raras vezes, da dificuldade dos adultos em lidar com o rapaz ou a rapariga que se estão a tornar adultos.

Mudanças na afetividade Mudanças no pensamento

Mudanças no corpo

ADOLESCÊNCIA

Mudanças nas relações com os pares

Mudanças na relação com os pais Mudanças na identidade

Etimologicamente, a palavra adolescência tem origem no vocábulo latino adolescere, cujo significado é crescer. No contexto das mudanças que ocorrem durante a adolescência, o termo puberdade designa, muito em particular, o explosivo conjunto de transformações morfofisiológicas que conferem capacidade biológica para procriar.

CARATERES SEXUAIS SECUNDÁRIOS A adolescência encontra na puberdade um marco que facilmente delimita o seu início. Assim, a puberdade carateriza-se por um conjunto de transformações biológicas em que o formato do corpo e do rosto mudam e os órgãos reprodutores ou sexuais crescem e se desenvolvem. Implica diferentes mudanças corporais nos rapazes e nas raparigas, nomeadamente, a primeira menstruação nas raparigas e a primeira ejaculação no rapaz. A idade de inicio da puberdade é muito variável, começando, frequentemente, cerca de um ano e meio mais cedo nas raparigas. Em média, as raparigas costumam ter a

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primeira menstruação a partir dos 10 anos e os rapazes a possibilidade da primeira ejaculação a partir dos 12 anos.

MUDANÇAS FÍSICAS RAPAZ

RAPARIGA

 Alargamento dos ombros e o peito;

 Alargamento

 Desenvolvimento dos músculos;

volume

 Desenvolvimento dos órgãos sexuais, o pénis fica mais volumoso e adquire uma coloração mais escura;

das

das

ancas,

nádegas

e

aumento das

 Desenvolvimento das glândulas mamárias;  Aparecimento de pêlos púbicos;

da produção de espermatozóides;

 Crescimento de pêlos nas axilas;

 Aparecimento dos pêlos púbicos, axilares,

coxas,

desenvolvimento do tecido adiposo;

 Aumento de volume dos testículos e início  Mudança de voz;

do

 Aumento

de

volume

dos

ovários

e

libertação dos primeiros óvulos. Tem início a

barba, bigode, entre outros;  Nalguns casos, um ligeiro desenvolvimento das glândulas mamárias, ou apenas de uma delas (sem importância e que desaparece

ovulação e as modificações do endométrio e do colo do útero, ocorrendo a menarca;  Surgem as secreções vaginais.

algum tempo depois);  Poluções noturnas ou “sonhos molhados”.

NOS DOIS SEXOS  O corpo cresce muito rapidamente, nem sempre de forma harmoniosa;  É frequente o aparecimento de acne;  As glândulas sudoríparas são ativadas. Aumenta a transpiração em todo o corpo e o seu cheiro torna-se intenso. A pele e o cabelo tornam-se, por vezes mais oleosos;  Possibilidade da expressão física, através da excitação e do orgasmo, dos desejos sexuais, tornados mais importantes pelas hormonas em circulação.

As responsáveis por estas mudanças na puberdade são as hormonas. As hormonas são substâncias químicas que o corpo produz e que atuam não somente sobre os órgãos reprodutores, mas também sobre o cérebro. Assim, na puberdade o hipotálamo envia uma mensagem para a glândula pituitária (ou hipófise) e esta, começa a produzir duas hormonas: a Lúteo-estimulina (LH) e a Foliculo-estimulina (FSH). Estas hormonas circulam pelo sangue até aos ovários nas raparigas e até aos testículos nos rapazes.

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Com a chegada das hormonas, os óvulos que estão dentro dos ovários começam a amadurecer e os testículos iniciam a produção de espermatozóides. Os ovários transportam de 300.000 a 400.000 óvulos e destes, só 400 a 500 irão adquirir maturidade. Durante a infância os óvulos ficam em quiescência até este momento, em que as hormonas sexuais desencadeiam o ciclo menstrual. A partir daí todos os meses amadurece um óvulo num dos dois ovários da jovem, ao mesmo tempo que o útero se prepara para uma gravidez (Pereira e Freitas, 2002). Quando os testículos são ativados por influência das hormonas produzidas pela hipófise, começam a produzir testosterona, a hormona sexual masculina. Por ação destas hormonas ocorre a produção de espermatozóides, que são as células sexuais masculinas. O número de espermatozóides que o testículo produz por dia é de cerca de cem milhões a trezentos milhões. De cada testículo, os espermatozóides vão deslocar-se através do epidídimo do mesmo lado, passando pelos canais deferentes e pelas vesículas seminais. A mistura dos espermatozóides com o líquido das vesículas seminais e da próstata dá origem ao esperma ou sémen. É importante preparar os adolescentes para estas alterações, assim como é necessário, nesta altura, a aquisição de noções básicas, e adequadas, sobre os processos de reprodução, fecundação e contracepção (Machado Vaz, 1996). Este período é ainda caracterizado por uma relativa estabilidade emocional assim como pelas mudanças que ocorrem nas percepções que os rapazes e raparigas têm de si e dos outros e pelas relações que estabelecem entre si e com os adultos. Na esfera individual, no domínio da intimidade, assiste-se frequentemente ao desenvolvimento de sentimentos mais ou menos novos de pudor, timidez e vergonha face ao corpo e até ansiedade, nomeadamente em casa, junto dos pais e irmãos e na escola, junto dos colegas e das colegas Estes sentimentos de pudor e timidez são naturais face a um corpo em que acontecem coisas novas que o tornam mais próximo de um corpo adulto, e que já não deve ser tão manuseado como o corpo de uma criança. É uma nova preservação do espaço pessoal, ao nível físico e social. As relações entre os dois sexos também vão sofrer alterações importantes. É frequente professores e pais relatarem situações de afastamento e mesmo hostilidade entre rapazes e raparigas na escola, em casa ou em grupos de amigos. Outra destas manifestações é a constituição de grupos e de espaços ferozmente monossexuais (proibição absoluta dos rapazes entrarem nos grupos das raparigas e vice-versa). É como se houvesse um período em que se torna interiormente muito importante mostrar claramente, a si mesmo e aos outros, que se pertence a um sexo bem definido, com características muito específicas e opostas ao outro sexo. Todavia, esta relação é ambivalente. São frequentes as queixas, principalmente por parte das raparigas, dos “apalpões”, do “levantar as saias” ou dos “beijos roubados”. Existe um misto de hostilidade e de jogo de provocação e sedução. Há um não querer e querer, um não precisar e precisar, um não gostar e gostar. As paixões profundas existem, mesmo nesta idade; rapazes e raparigas têm os seus amores inconfessados, muitas vezes escondidos por um aparente afastamento, desdém e troça. Nesta fase, os adolescentes habituam-se a ser bastante críticos com o seu físico. Quando se olham ao espelho costumam procurar aquilo que não lhes agrada, aquilo que não pára de crescer ou de mudar contra a sua vontade, ou aquilo que se alterou e que parece não os satisfazer mesmo nada. Embora por vezes aconteça o contrário: incomoda-lhes o fato de as mudanças que se produzem nos outros colegas não se produzirem neles. No desenvolvimento, ser o

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primeiro ou a primeira, desenvolver-se pouco ou demasiado, ou ser o último entre os colegas, pode ser um problema. Para que alguém se aceite, é importante ver-se ao espelho sem exigências e entender que, embora todas as pessoas do mesmo sexo sofram mudanças parecidas, cada corpo é único e diferente. Ver-se ao espelho sem preconceitos e sem comparações com os outros é algo que, muito frequentemente, custa a todas as pessoas, principalmente na adolescência. Comparar dois momentos de uma mesma vida permite apreciar as mudanças que a evolução do próprio corpo e da própria personalidade envolve. É por isso importante não perder de vista a perspetiva de que as mudanças são os componentes de um processo que se inicia no ventre materno e que dura toda a vida. E, na adolescência, essas mudanças apenas são mais rápidas, mais visíveis e em maior número. Os adolescentes têm muita tendência a compararem-se com os outros e, na maioria das vezes, fazem comparações com outras pessoas que possuem alguma caraterística que consideram maior, menor, mais marcada, mais exótica, em resumo, mais adequada do que a que eles têm. Ou seja, veem nos outros aquilo que desejariam ou que julgam não ter. Esta atitude consegue baixar a autoestima, fazer sentir-se mal e perdido. É por isso importante aprender a apreciar-se, para se aceitar como pessoa. Quando se está numa fase de mudanças como é a adolescência, as alterações no aspecto físico dificultam o autorreconhecimento, ou seja, reconhecer-se como o menino ou menina que era. E, a verdade é que já não se é um/a menino/a, mas também não é um adulto… ainda. Por vezes a transição faz com que alguns traços físicos continuem a ser de menino/a e outros sejam de mais velho. Essa incerteza no aspeto físico envolve, por vezes, uma certa insegurança, que se reflete na vergonha por se mostrar aos outros e ser observado por eles. A vergonha é o reflexo de falta de aceitação, da diferença entre o que se desejava (segundo os estereótipos sociais) ou imaginava que seria o seu corpo com as mudanças físicas, e a realidade. Isso implica sentir-se inferior e, portanto, afecta a autoestima. Em suma, o jovem não se reconhece. O espelho não é nada objetivo, antes reflete todas as dúvidas, medos e complexos. De tal maneira que ninguém se vê como é, mas sim como o seu estado de espírito lhe mostra. Ver-se bem ou mal é algo subjetivo que determina a autoimagem do adolescente. É por isso importante que o adolescente se questione: «O que é vergonhoso ou inadequado?». As mudanças que os adolescentes sofrem durante a puberdade fazem-nos sentir, tal como diriam eles, feios. O que é que se pode fazer quando as mudanças corporais da puberdade se convertem num problema? A reflexão relativamente a este ponto passa pela autoestima. Quanto melhor se sente uma pessoa em relação a si mesma, maior é a sua capacidade para aceitar e compreender as suas mudanças. Um adolescente necessita de se sentir compreendido e, como em qualquer outra etapa da vida, é importante que se sinta valorizado como pessoa e apoiado nas suas decisões. Neste ponto, o papel da família, educadores e amigos é decisivo. Os colegas costumam exercer bastante influência e pressão sobre os adolescentes, e a opinião que têm em relação à sua pessoa afeta a imagem que têm de si mesmos. A perceção do próprio corpo e as mudanças que aconteceram nele ou que ainda estão a acontecer pode ser positiva ou negativa, dependendo do que os outros digam e da importância que lhes for dada. Em certas ocasiões não se trata apenas de como os veem ou «qualificam» os seus colegas, mas como pensam eles que são vistos pelos outros. Ou seja, eles criaram uma imagem negativa deles mesmos e pensam que os

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outros os veem exatamente dessa maneira, ou mesmo pior. No entanto, a realidade pode ser muito diferente e, às vezes, ver-se ao espelho nos outros pode ser a melhor solução para melhorar a autoestima. Um grupo sem diferenças é importante na adolescência. Os amigos podem ser uma ajuda muito valiosa no processo da maturação, uma vez que são companhia, compreensão, segurança, etc. Quando as opiniões dos nossos amigos ou conhecidos são construtivas, ajudam-nos a crescer. Se são destrutivas, devemos prescindir delas. Deste modo, o trabalho que o educador tem que desenvolver neste ponto centra-se em fazer com que os alunos se sintam compreendidos e aceites. Respeitar os outros para se fazer respeitar há que cumprir três aspetos: sentir-se seguro de si mesmo; ser capaz de se autoafirmar; ser capaz de responder corretamente aos outros. Estes três aspetos constituem a chamada assertividade, que consiste precisamente em respeitar-se a si próprio e aos outros.

AVALIAÇÃO Não faz sentido dar aulas de educação sexual sem que se faça, também, uma avaliação. A avaliação pode ser definida como uma função desempenhada pelos professores com o objetivo de reunir a informação necessária para tomar decisões corretas. Estas decisões devem ter na sua base informações o mais relevantes e exatas possíveis. Para isso devemos reunir informações. Essa avaliação pode conduzir-nos à reavaliação (reorientação) da aula ou à reformulação de um projeto, alterando-lhe assim os seus objetivos. A avaliação do projeto deverá ser contínua, com observação direta e utilização de instrumentos de avaliação e concretizada no final de cada sessão.

INDICADORES  Grau de consecução dos objetivos /Aumento de conhecimentos  Aumento de competências pessoais e/ou sociais  Grau de satisfação e interesse dos alunos nas atividades  Nível de participação/envolvimento  Grau de resolução do (s) problema (s) inicialmente identificado (s)  Qualidade dos trabalhos dos alunos

INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO  Questionários/Inquéritos/Estudos  Relatórios  Fichas de avaliação e autoavaliação  Trabalhos produzidos pelos alunos

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REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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SESSÃO 2

DURAÇÃO: 45 MINUTOS

 Aprofundar conhecimentos sobre as transformações do corpo ao longo da

O CORPO EM TRANSFORMAÇÃO

vida;  Desenvolver uma atitude positiva face às transformações do corpo.

COMPETÊNCIAS A DESENVOLVER  Identificar as principais mudanças físicas que ocorrem ao longo da vida;  Situar as mudanças pubertárias no quadro de transição para a idade adulta, aceitando como necessárias as mudanças do corpo ( aparecimento de caracteres sexuais secundários, menstruação, poluções noturnas…);

RECURSOS  Fotografias/imagens trazidas pelos alunos;  Caderno

DESENVOLVIMENTO O professor inicia a sessão fazendo um apanhado dos temas abordados na sessão anterior. Posto isto, o professor organiza a turma em grupos de trabalho de quatro elementos e explica a atividade que terão que desenvolver: os alunos devem proceder à análise das fotografias recolhidas, caraterizando as diferentes fases de crescimento dos homens e das mulheres. O professor sugere ainda que os alunos comparem fotografias de pessoas da mesma faixa etária, mas com um desenvolvimento ou imagem corporal diferente. Segue-se a apresentação e discussão dos trabalhos dos vários grupos.

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SESSÃO 3 O CORPO EM TRANSFORMAÇÃO

DURAÇÃO: 45 MINUTOS

 Compreender alterações a nível de comportamento na adolescência.

COMPETÊNCIAS A DESENVOLVER  Compreender as alterações que ocorrem na adolescência;  Refletir sobre o processo de crescimento ao longo da puberdade;  Explicar as mudanças fisiológicas que acompanham a puberdade;  Identificar transformações do seu próprio corpo.

RECURSOS  Caderno;  Computador;  Projetor;  PowerPoint 1;  Ficha de trabalho 1 - “Diferenças e semelhanças entre os sexos”

DESENVOLVIMENTO O professor inicia a sessão fazendo um apanhado dos temas abordados na sessão anterior. O professor apresenta o PowerPoint 1 que sintetiza as conclusões tiradas na sessão anterior, relativamente às mudanças que ocorrem nas raparigas e nos rapazes durante a puberdade. De seguida irá distribuir a ficha de trabalho 1 - “Diferenças e semelhanças entre os sexos”. Em grupos de dois, os alunos irão preencher as tabelas com informação relativa aos carateres sexuais secundários. Em conjunto faz-se a correção da ficha. Para a dinamização da próxima sessão, o professor solicita aos alunos, a realização de entrevistas a familiares e amigos, a puberdade e os sentimentos mais significativos relativos à vivência das mudanças corporais nesta fase do desenvolvimento.

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FT_1 DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS ENTRE OS SEXOS

RAPAZES E RAPARIGAS  Pêlos nas axilas;  Aparecimento da acne;

SEMELHANÇAS

RAPAZES

RAPARIGAS

 Alargamento dos ombros;

DIFERENÇAS

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 Alargamento da bacia;


Puberdade –PowerPoint

Clique na imagem acima para visualizar a apresentação.

154


SESSÃO 4 O CORPO EM TRANSFORMAÇÃO

DURAÇÃO: 45 MINUTOS

 Compreender alterações a nível de comportamento

na adolescência.

COMPETÊNCIAS A DESENVOLVER 

Aceitar que cada pessoa tem o seu ritmo de crescimento;

Ser capaz de expressar sentimentos relativos ao seu crescimento;

RECURSOS  Entrevistas realizadas pelos alunos;  Caderno;  Computador;  Projetor;  PowerPoint 2.

DESENVOLVIMENTO O professor inicia a sessão fazendo um apanhado dos temas abordados na sessão anterior. Posto isto, o professor organiza a turma em grupos de trabalho de quatro elementos e explica a atividade que terão que desenvolver: analisar as entrevistas realizadas aos familiares e amigos e registar os principais sentimentos relativos às transformações corporais e psicológicas ocorridos na puberdade. Os alunos devem fazer uma comparação entre os receios das raparigas e os receios dos rapazes. Segue-se a apresentação e discussão dos trabalhos dos vários grupos. O professor faz então a apresentação do PowerPoint 2, para síntese do que foi discutido durante a sessão.

155


Puberdade – PowerPoint

Clique na imagem acima para visualizar a apresentação.

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SESSÃO 5 EXPERIMENTAR MUDANÇAS

DURAÇÃO: 45 MINUTOS

 Desenvolver uma atitude positiva face às alterações físicas e psicossociais  Desenvolver atitudes e comportamentos não discriminatório

COMPETÊNCIAS A DESENVOLVER  Melhorar o autoconhecimento do adolescente segundo a necessidade de aprender a viver com o seu próprio corpo e interior;  Aprender a expressar os sentimentos em relação aos outros, da mesma forma que se aprende a ouvir e a respeitar os sentimentos dos outros; 

Aumentar a autoconfiança e, simultaneamente, aumentar a confiança nos outros;

 Fomentar conceitos como a coesão do grupo a partir de atitudes de respeito e tolerância em relação aos outros e a si mesmos.

RECURSOS  Caderno;  Ficha de trabalho 2 - “Não há pessoas feias” .

DESENVOLVIMENTO O objetivo da sessão dedicada é que os alunos possam refletir e falar da sua própria imagem para entenderem e aceitarem melhor algumas das mudanças físicas que ocorrem na puberdade. O professor deve incitar os alunos a falarem da imagem que uma pessoa tem de si mesma, a partir de um debate acerca dos valores que nos fazem ver as pessoas mais ou menos bonitas. Para tal, o professor propõe a realização da ficha de trabalho 2 - “Não há pessoas feias”. A turma é organizada em grupos de 4 elementos. Cada grupo deverá nomear um porta-voz, que se encarregará de transmitir a opinião dos colegas de grupo ao resto da turma. Convém deixar os alunos à vontade no momento da formação dos grupos. Deste modo, facilitar-se-á a comunicação dentro do grupo. No grupo, os alunos terão de dar a sua opinião sobre o texto e disporão de um quarto de hora, no máximo, para a apresentar. Posto isto, o professor fará a presentação da atividade que será desenvolvida na sessão seguinte, e que passa pela resolução da ficha de trabalho 3 – “Vejo-me assim”. Deste modo, o professor solicita aos alunos que façam uma recolha de fotografias suas, que ilustrem várias fases do seu crescimento. Os alunos devem escolher quatro momentos da sua vida. Cada um destes momentos tem que representar uma idade diferente. Os dois últimos deverão ser do ano passado e do momento atual, respetivamente.

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FT_2 NÃO HÁ PESSOAS FEIAS

Lê atentamente o texto que se segue.

Não há pessoas feias! O feio é o medo, a angústia, o ódio, a violência. O amor, a ternura, a confiança embelezam qualquer pessoa. Por muitas borbulhas, peso ou idade que tenha, uma pessoa é bonita se se aceita tal como é, se está em paz com o seu corpo. Por isso, muitos jovens são atraentes porque se sentem bem com eles mesmos.

Faz um comentário crítico ao texto

158


SESSÃO 6 EXPERIMENTAR MUDANÇAS

DURAÇÃO: 45 MINUTOS

 Desenvolver uma atitude positiva face às alterações físicas e psicossociais  Desenvolver atitudes e comportamentos não discriminatório

COMPETÊNCIAS A DESENVOLVER  Compreender a importância de aceitar as suas próprias limitações e a necessidade de estar bem física e emocionalmente consigo próprio;  Relativizar o conceito de beleza física, através da compreensão de fatores sociais e culturais que o determinam, e entender a importância de outros fatores, como o caráter e os valores individuais no momento de criar uma imagem pessoal;  Observar como atitude positiva o autorrespeito, de forma a potenciar a capacidade de relação com os outros;  Contribuir para a melhoria da autoestima do adolescente através da análise das caraterísticas positivas deste e da visão que os outros (a turma, os amigos e os familiares) têm dele;

RECURSOS  Ficha de trabalho 3 - “Vejo-me assim”;  Ficha de trabalho 4 - “Tudo depende da forma de olhar”.

DESENVOLVIMENTO Esta sessão é a continuação do trabalho desenvolvido na sessão anterior. Pretende-se que os alunos reflitam sobre a sua própria imagem, trabalhem o autoconhecimento, um caminho para que o adolescente aprenda a ver o seu próprio corpo, a aceitá-lo tal como é e a estar contente com ele. Estas atitudes não só ajudam a melhorar a auto-estima, como também ajudam a estabelecer uma relação mais positiva com os outros. Para tal, o professor propõe a realização da ficha de trabalho 3 - “Vejo-me assim” e a ficha de trabalho 4 - “Tudo depende da forma de olhar”. Esta atividade é desenvolvida individualmente. Posteriormente, pode fazer-se uma reflexão em conjunto sobre a atividade.

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FT_3 VEJO-ME ASSIM

A vida é uma constante mudança e, para tomares consciência disso, propomoste o seguinte: 

Escolhe quatro momentos da tua vida. Cada um destes momentos tem que

representar uma idade diferente. Os dois últimos deverão ser do ano passado e do momento atual, respetivamente. 

Em seguida, escolhe uma fotografia tua de cada fase, uma de que gostes.

Dedica um tempo a observar a tua evolução. Não percas de vista que evoluir

significa caminhar para a frente, incorporando aspectos que te permitem ser quem és atualmente. Tenta responder às seguintes perguntas: 1.

Como te vês em cada uma destas fases?

2.

Que mudanças físicas sofreste? E, concretamente, entre o ano passado e este

ano? 3.

Que interesses e gostos tinhas antes e quais tens agora? As tuas preferências

mudaram muito entre este ano e o ano passado? 4.

Quanto ao caráter, que diferenças vês em ti próprio agora, que não tinhas

antes ou que se modificaram? Pensas que é devido a quê?

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FT_4 TUDO DEPENDE DA FORMA DE OLHAR

Talvez haja dias em que não te sintas muito bem contigo mesmo e, de repente, vejas em ti um monte de defeitos. Tenta dar-lhes a volta. De certeza que poderás converter essas caraterísticas da tua personalidade em qualidades.

-

+

Se calhar és muito indeciso ou indecisa,

Mas de fato pensas muito bem nas coisas.

Talvez penses que és muito ingénuo ou ingénua,

Mas, na verdade, só não pensas mal dos outros.

Por vezes achas-te incapaz de fazer amigos,

Mas preferes conhecê-los bem antes.

161


SESSÃO 7

DURAÇÃO: 45 MINUTOS

 Melhorar a autoestima dos participantes, evidenciando as suas melhores

ACEITAR-SE E SER ACEITE

caraterísticas pessoais;  Potenciar a expressão dos bons sentimentos para os outros.

COMPETÊNCIAS A DESENVOLVER  Observar como atitude positiva o autorrespeito, de forma a potenciar a capacidade de relação com os outros;  Contribuir para a melhoria da autoestima do adolescente através da análise das caraterísticas positivas deste e da visão que os outros (a turma, os amigos e os familiares) têm dele;  Fomentar conceitos como a coesão do grupo a partir de atitudes de respeito e tolerância em relação aos outros e a si mesmos.

RECURSOS  Caderno.

DESENVOLVIMENTO O objetivo da sessão é potenciar a descoberta que os alunos possam fazer de si mesmos para se valorizarem e se aceitarem. Isto pode ajudar os alunos a verem-se ao espelho nos outros com uma atitude mais positiva. Para tal, o professor forma grupos 6 alunos. Cada aluno vai escrever a todos os colegas do seu grupo um texto anónimo e curto sobre o que mais gosta dessa pessoa: pode ser um piropo, alguma coisa que admire nessa pessoa, algo que lhe agrade… Os papéis com as mensagens dobram-se e da parte de fora escreve-se o nome da pessoa a quem vai dirigido. Recolhem-se todos os papéis e entregamse aos destinatários. Depois de cada aluno ter lido os seus textos, os que quiserem podem lê-los em voz alta. Na segunda parte da sessão, o professor reorganiza a turma, desta vez em grupos de 4 elementos. Um dos membros de cada grupo sai fora da aula. O resto do grupo deve anotar numa folha, com o nome da pessoa que saiu, as suas caraterísticas positivas. Quando entra, é-lhe perguntado o que pensa que foi dito dele/dela pelos membros do grupo e, em seguida, os colegas leem o que escreveram. No final, o grupo entrega a folha ao rapaz ou à rapariga. A partir daqui o mesmo processo é repetido com os restantes membros do grupo, passando assim todos pela mesma experiência. No final todos/as os/as rapazes/raparigas que constituem o grupo podem comentar a experiência.

162


SESSÃO 8

DURAÇÃO: 45 MINUTOS

 Melhorar a auto-estima dos participantes, evidenciando as suas melhores

ACEITAR-SE E SER ACEITE

caraterísticas pessoais;  Potenciar a expressão dos bons sentimentos para os outros.

COMPETÊNCIAS A DESENVOLVER  Observar como atitude positiva o autorrespeito, de forma a potenciar a capacidade de relação com os outros;  Contribuir para a melhoria da autoestima do adolescente através da análise das caraterísticas positivas deste e da visão que os outros (a turma, os amigos e os familiares) têm dele;  Fomentar conceitos como a coesão do grupo a partir de atitudes de respeito e tolerância em relação aos outros e a si mesmos.

RECURSOS  Ficha de trabalho 5 - “No espelho dos outros”;  Ficha de trabalho 6 - “O meu espelho familiar”.

DESENVOLVIMENTO Esta sessão é a continuação do trabalho desenvolvido na sessão anterior. Para tal, o professor propõe a realização da ficha de trabalho 5 - “No espelho dos outros” e da ficha de trabalho 6 - “O meu espelho familiar”. Esta atividade é desenvolvida individualmente. Posteriormente, pode fazer-se uma reflexão em conjunto sobre a atividade.

163


FT_5

NO ESPELHO DOS OUTROS

Pensaste alguma vez em ser o espelho de um amigo ou amiga? E se por uma minute te convertesses no espelho de um amigo teu? Sou o espelho de ____________________________ e vejo-o assim:

__________________________ é o meu espelho e vê-me assim:

FT_6 O MEU ESPELHO FAMILIAR

Dizem-nos um monte de vezes que nos parecemos com algum familiar (com os nossos pais, com os nossos irmãos, tios, avós ou até com alguém que nunca conhecemos). Pode ser que a parecença não seja apenas física, mas também de personalidade, forma de se expressar ou de se mover, etc. Se isto te acontece a ti também, podes colar aqui uma fotografia da pessoa com a qual tanto te pareces. Se preferes escrever sobre essa pessoa ou desenhá-la, a página é tua. Se não te acontece, podes pensar em quem acreditas que te pareces e porquê. Podes também explicar porque não te pareces com a pessoa que os outros indicam.

164


Formadores: Ana Paula Ferreira

Nível de Ensino: 1º Ciclo. Grupo de recrutamento: 1 10

Formandos: < Mª Céu Oliveira

Lúcia Rodrigues

Margarida Oliveira

165

Natália Azevedo


3 – Fundamentação do projeto O quadro legislativo atual torna obrigatória a inclusão da Promoção e Educação para a Saúde (PES), como área de formação global do indivíduo, no Projeto Educativo da Escola. Este projeto surge da necessidade de dar cumprimento à lei nº60/2009 de 6 de Agosto, regulamentada pela portaria nº 196‐A/2010, que estabelece o regime de aplicação da educação sexual em meio escolar. No entanto, assumindo esta temática particular importância no crescimento e desenvolvimento de cada pessoa, independentemente, do sexo, desde o nascimento, e ao longo de toda a vida, ela deve constituir um plano de aprendizagem integrado no desenvolvimento harmonioso do indivíduo, encarado como um ser biopsico-sociocultural, com necessidades afetivas de relacionamento e de comunicação, indispensáveis à construção do “EU”. Mais do que transmitir informações sobre bases morfológicas e fisiológicas da reprodução humana, já previstas nas próprias Orientações Curriculares de Ciências da Natureza, a Educação Sexual em Contexto Escolar deve ser um contributo importante para a manutenção de um estilo de vida saudável, a nível físico e mental, que passa indiscutivelmente por uma maior consciência e tomada de decisões em liberdade e responsabilidade. Assim, a opção para este projeto passa por uma abordagem interdisciplinar. Algumas crianças chegam à escola com um conhecimento da linguagem vulgar sobre sexualidade, não distinguindo as de valor positivo e negativo e ligando sexualidade a sexo única e exclusivamente. Ora, as crianças crescendo nestes ambientes ou não necessitam de ser apoiadas/orientadas para compreenderem a sexualidade como algo alargado e amplo. Precisamos de construir um mundo de educar para os afetos, aprender a construir um mundo humano, para isso necessitamos de perceber que a afetividade e a sexualidade têm pontos em comum. Neste domínio, a escola assume um papel importante na interiorização dum conceito de sexualidade que englobe todas as dimensões da sexualidade: dimensão biológica, psicológica, emocional, afetiva, social que permita escolhas construtivas, gratificantes e duradouras. Ao longo da construção deste projeto, concluímos que a implementação de projetos desta natureza, nas Escolas, tornam-se muito benéficos, na medida em que mudando o conceito de sexualidade de um mais restrito, para um mais alargado teremos pessoas mais (in) formadas e com a mente mais recetiva e aberta.

Em suma, é importante que os nossos alunos saibam gerir os conflitos que irão surgir ao longo da vida, que saibam tomar decisões envolvendo o pensamento crítico (exp: O que são as minhas opções?). Se os objetivos traçados desde o quinto até ao nono ano forem atingidos teremos alunos mais preparados para a vida e desenvolvidos integralmente.

166


4 – Finalidades do projeto A Lei n.º 60/2009 de 6 de Agosto, regulamentada pela Portaria nº 196A/2010 de 9 de Abril, estabelece o regime de aplicação da Educação Sexual em meio escolar, apresentando várias finalidades, das quais selecionamos as seguintes para a construção do nosso projeto: a) A valorização da sexualidade e afetividade entre as pessoas no desenvolvimento individual, respeitando o pluralismo das conceções existentes na sociedade portuguesa; b) O desenvolvimento de competências nos jovens que permitam escolhas informadas e seguras no campo da sexualidade; c) A melhoria dos relacionamentos afetivo – sexuais dos jovens; e) A capacidade de proteção face a todas as formas de exploração e de abuso sexuais; f) O respeito pela diferença entre as pessoas; g) A valorização de uma sexualidade responsável e informada; h) A promoção da igualdade entre os sexos; j) A compreensão científica do funcionamento dos mecanismos biológicos reprodutivos.

5 – Planificação As docentes levaram para a sala de aula uma caixa e um conjunto de cartões. Entregaram os cartões aos alunos e sugeriram-lhes que, anonimamente, indicassem três problemas/dúvidas que os temas “adolescência e sexualidade” lhes suscitavam e os colocassem na caixa. Posteriormente e após a análise desses cartões, aperceberam-se das suas dúvidas e inquietações e procuraram planificar os temas de modo a responder às suas perguntas: - Que mudanças ocorrem no nosso corpo? - O que é a menstruação? - O que é a ejaculação? - O que é o esperma? - O que é e para que serve um preservativo? - Para que serve a pílula? Tendo em conta as necessidades de certos elementos das turmas, as docentes também consideraram conveniente abordar as seguintes temáticas: - A autoestima; - A higiene; - A assertividade; - Diversidade e respeito; - Sexualidade e género.

167


PLANIFICAÇÃO FORMAÇÃO CÍVICA - EDUCAÇÃO PARA A SEXUALIDADE ÁREAS TEMÁTICAS

1. O CONHECIME NTO E VALORIZAÇ ÃO DO CORPO

TEMAS

OBJETIVOS

ATIVIDAD ES

Puberdade – aspetos biológicos e emocionais O corpo em transformação Carateres sexuais secundários

Descrever as mudanças anatómicas e psicossociais mais importantes que ocorrem na puberdade.

Atividade 4: O que se passa com o meu corpo? Fornecer aos alunos uma ficha com o corpo masculino / feminino e pedir-lhes que reflitam sobre as alterações físicas que ocorrem na puberdade tendo em conta várias partes do corpo.

Incentivar à autoanálise das características próprias.

Promover uma autoestima 168

CALENDARIZ AÇÃO / RECURSOS MATERIAIS Formação Cívica 45 Minutos Caderno Presse PowerPoint

Formação Cívica 45 Minutos Caderno Presse


positiva.

PowerPoint sobre a puberdade para consolidaçã o do conteúdo da atividade anterior.

Atividade 15: Anúncio de jornal 1. Na aula anterior, pedir aos alunos para trazerem uma ou várias fotografias de que gostem especialmen te mas em que estejam sozinhos. 169


2. Distribuir a ficha n.º 15 pelos alunos. 3. Incentivar os alunos a fazer um anúncio para um jornal, em que se devem ‘publicitar’ a eles próprios, considerand o as suas característic as físicas e o potencial que estas contêm. 4. Enquanto os alunos escrevem o seu próprio anúncio, começar a criar numa cartolina o 170


“Jornal da turma – área de classificados ”, com marcadores. 5. À medida que os alunos forem acabando os seus anúncios, incentivá-los a colaborar na criação do Jornal. 6. Quando todos tiverem terminado o seu anúncio, pedir alguns voluntários para o lerem para a turma. 7. Pedir a todos os alunos que 171


2. SAÚDE SEXUAL E REPRODUTI VA

Reconhecer a importância da higiene corporal.

Reprodução humana e crescimento

Solidificar a aprendizagem das etapas / procedimento 172

recortem o seu anúncio e que o coloquem no Jornal. 8. Terminar a atividade com algumas consideraçõ es sobre a importância de valorizarmo s o que somos e de gostar de nós tal como somos. Atividade 2: A hora do banho 1. Dividir a turma em grupos de 3/4 alunos. 2. Distribuir um exemplar

Formação Cívica 45 Minutos Caderno Presse


s que compõem o banho.

Identificar atitudes assertivas, agressivas e passivas. Refletir sobre as vantagens/des vanta-gens de cada uma delas. Promover a assertividade.

173

das fichas n.º 2.1 e 2.2, por cada grupo. 3. Mostrar à Formação Cívica turma os 45 Minutos vídeos da Caderno Presse Rua Sésamo sobre o banho. 4. No final da visualização de cada vídeo, incentivar os alunos a responder à ficha em questão, em grupo. 5. No final dos dois vídeos e do preenchime nto das respetivas fichas, partilhar em grande


Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas

174

grupo. 6. O(a) professor(a) deve ir corrigindo as fichas (soluções nas fichas n.º 2.3 e 2.4), culminando com uma conclusão sobre os corretos procedimen tos de higiene na puberdade. Atividade 11: Aprender a ser assertivo. 1. Dividir a turma em grupos de 2/3 alunos. 2. Distribuir a ficha n.º 11, uma por cada grupo. 3. Ler os textos em voz alta.


Evidenciar as diferenças entre os papéis sexuais no nosso contexto sociocultural.

Diversidade e respeito Sexualidade e género

Adquirir papéis de género igualitários e não discriminatóri os.

3. EXPRESSÕES DA SEXUALIDA DE E DIVERSIDAD E

Desenvolver o espírito crítico. Dimensão ética da sexualidade humana

175

Atividade 6: Caixinha de surpresas! Passo a passo, antes de realizar a atividade: 1. Imprimir a ficha n.º 6.1, de forma a distribuir uma por cada grupo de alunos. 2. Recortar os cartões de cada ficha. 3. Rechear cada caixa com um conjunto de cartões. 4. Nas duas folhas brancas a atribuir a cada grupo, escrever no

Formação Cívica 45 Minutos Caderno Presse

Formação Cívica 45 Minutos Caderno Presse


Saber expressar gestualmente os sentimentos. Saber interpretar os sentimentos manifestados pelos outros.

176

cabeçalho de uma “MASCULI NO” e no cabeçalho da outra “FEMININ O”. Passo a passo, para realizar a atividade: 1. Dividir a turma em grupos de 4/5 alunos. 2. Distribuir uma caixa com cartões a cada grupo. 3. Distribuir uma folha a dizer “MASCULI NO” e outra a dizer “FEMININ O” a cada


grupo. 4. Cada aluno deve, sem olhar para dentro da caixa, retirar um cart達o e classificar o comportam ento como sendo masculino ou feminino, colando-a na folha respetiva. 5. Quando todos os grupos tiverem terminado, comparar as folhas em grande grupo. 6. Terminar a atividade promovend oa 177


discussão sobre a nãodiscriminaçã o de género. Atividade 8: Adivinha o que estou a sentir! 1. Pedir aos alunos para se colocarem de pé e se organizarem em 3 filas de 7 a 9 pessoas. 2. Todos os alunos deverão estar virados no mesmo sentido. 3. Solicitar ao último aluno de 178


cada fila para retirar um cartão do saco / caixa. 4. Depois de ler o sentimento, o aluno deve expressá-lo gestualment e ao colega que está à sua frente (que se deverá virar de forma a que seja o único a ver a transmissão do sentimento) . 5. Este deve transmitir ao colega seguinte o que acha 179


que lhe foi transmitido. 6. Repetir o ponto 4 atĂŠ chegar ao primeiro aluno da fila. 7. Cada aluno sĂł pode ver como lhe expressam o sentimento a si, recebendo uma Ăşnica mensagem e expressand o apenas uma vez o sentimento que acha que lhe foi transmitido. 8. Quando a mensagem chegar ao primeiro aluno da fila, 180


solicitar-lhe que diga em voz alta qual o sentimento que acha que lhe foi transmitido. 9. Se não acertar, dar a vez ao segundo aluno da fila e assim sucessivame nte até algum aluno acertar. 10. É necessário ter em conta que as falhas podem dever-se ao emissor, ao recetor ou a ambos. Não se trata de 181


encontrar culpados, mas sim dar-se conta que, muitas vezes, a mensagem se distorce. 11. No final pode modificar-se a ordem da fila ou mesmo baralhar os alunos de cada fila, de forma a recomeรงar o processo com mais sentimentos .

182


PLANIFICAÇÃO CIÊNCIAS DA NATUREZA - EDUCAÇÃO PARA A SEXUALIDADE TEMAS OBJETIVOS ATIVIDADES

ÁREAS TEMÁTICAS

Puberdade – aspetos biológicos.

O corpo em transformação

1.  O CONHECIMENTO E VALORIZAÇÃO DO CORPO

Carateres sexuais secundários

Compreensão do ciclo menstrual e ovulatório

Atividade 8: Órgãos sexuais externos. 1. Distribuir as fichas n.º 8.1 e 8.2 pelos alunos. Aprender a localizar os órgãos 2. Explicar aos alunos que existem externos femininos diferenças anatómicas e fisiológicas e masculinos. relacionadas com os órgãos sexuais externos, masculinos e femininos, e com as funções de cada um. 3. Solicitar aos alunos que preencham as Adquirir linguagem fichas n.º 8.1 e 8.2, individualmente. técnica. 4. Depois de todos terem tentado preencher a sua ficha, incentivar os alunos a comparar as respostas com o colega do lado, tentando criar consensos. 5. Em seguida, pedir voluntários para dizerem a resposta em grande grupo. 6. Caso a resposta não esteja correta, incentivar os restantes alunos a dar a resposta correta para que, desta forma, se Definir os conceitos corrija a ficha na totalidade. de menstruação, 7. No final, entregar as fichas n.º 8.3 e 8.4 ejaculação e outros aos alunos. conceitos associados.

Atividade 13: Menstruação? Ejaculação? O que é isso?! Passo a passo, antes de realizar a atividade: 183

CALENDARIZAÇÃO /RECURSOS MATERIAIS Ciências da Natureza 45 Minutos Caderno Presse

Ciências da Natureza 45 Minutos Caderno Presse


Desconstruir mitos associados à menstruação e à ejaculação.

1. Na aula anterior, o(a) professor(a) deve pedir a cada aluno para escrever numa folha todas as dúvidas que tenha sobre menstruação e ejaculação. 2. Ler as dúvidas expressas pelos alunos e conjugar essa informação em algumas questões-chave que serão colocadas à turma (caso haja alguma questão que o(a) professor(a) considere ser relevante mas que não tenha sido levantada pelos alunos, pode incluí-la também). Passo a passo, para realizar a atividade: 1. Dividir a turma em grupos de 3/4 alunos. 2. Distribuir três dos cartões das fichas n.º 13.1 – 13.3 por cada grupo, explicando que contêm a compilação das perguntas levantadas pelos alunos no final da aula anterior (as fichas n.º 13.1 – 13.3 têm apenas sugestões de questões; o(a) professor(a) deve adaptá-las ou acrescentar outras, consoante as dúvidas dos alunos). 3. Incentivar os alunos a procurar, no manual de ciências, Kit bibliográfico de apoio às ações de educação sexual no 2º ciclo do ensino básico (APF), internet e bibliografia requisitada na biblioteca da Escola, a resposta à pergunta que consta no seu cartão, da forma mais completa possível. 184

Ciências da Natureza 45 Minutos Caderno Presse


4. Cada grupo deverá partilhar com a turma as perguntas que lhes calharam, assim como as respostas a que chegaram. 5. O(a) professor(a) deverá ir fazendo as correções / adequações necessárias. Sugestão de bibliografia: Darvill, W. & Powell, K. (2008). O pequeno livro da puberdade. (2º edição). Lisboa: Editorial Bizâncio. Feinman, J. (2006). Menstruação, tudo o que precisas saber para te sentires bem. Lua de Papel. Roca, N. (2009) Sou uma adolescente! (10ª edição). Barcarena: Editorial Presença. Robert, J. (2005). A minha sexualidade dos 9 aos 13 anos. Porto: Porto Editora.

2. SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA

 

Contraceção e planeamento familiar

Conhecer os meios e métodos para evitar a gravidez.

Atividade 8: Quantos contracetivos conheces? 1. Dividir a turma em grupos de 2/3 alunos. 2. Distribuir um conjunto de duas imagens de cada contracetivo (32 cartões). 3. Os alunos devem baralhar as cartas e colocá-las de face para baixo sobre a mesa. 4. Cada aluno joga à vez, virando apenas duas cartas e dizendo em voz alta para os restantes alunos do grupo os nomes dos contracetivos que constam das cartas viradas. 185

Ciências da Natureza 45 Minutos Caderno Presse


5. Se o aluno virar duas cartas iguais numa jogada, retira esse par e guarda-o, dando a vez ao jogador seguinte. 6. Se o aluno não virar duas cartas iguais numa jogada, volta a colocar as cartas de face para baixo nos mesmos sítios e dá a vez ao jogador seguinte. 7. No final da atividade, o(a) professor(a) deve explicar à turma as características de cada método contracetivo, assim como as principais vantagens e desvantagens de cada um. Obs. Dado que os pares de cartas são poucos, nenhum jogador pode jogar duas vezes seguidas, mesmo que faça par na sua jogada.

186


PLANIFICAÇÃO LÍNGUA PORTUGUESA - EDUCAÇÃO PARA A SEXUALIDADE ÁREAS TEMÁTICAS

TEMAS

1. O CONHECIMENTO E VALORIZAÇÃO  DO CORPO

2. SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA

Puberdade – aspetos biológicos e emocionais

OBJETIVOS

Refletir sobre os sentimentos e emoções que se manifestam durante a adolescência.

Audição da canção: “Não há estrelas no céu” de Rui Veloso. Preenchimento de um texto lacunar (letra da música). Visualização do vídeo com a letra para correção. Análise do seu conteúdo.

Ser capaz de identificar e de expressar medos pessoais.

Leitura do texto: “O medo”. Análise e resolução do questionário.

O corpo em transformação

Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas

ATIVIDADES

Consciencializar os alunos de que todas as pessoas têm os seus medos.

Identificar e adotar respostas assertivas adequadas à

Atividade 10: Tenho medo mas mando-o embora! Passo a passo, antes de realizar a atividade: 1. Distribuir um cartão por cada aluno. Cada criança recebe um cartão e escreve nele uma situação que, em geral, lhe gera medo. 2. Solicitar aos alunos que escrevam pelo menos um medo no cartão. 3. Recolher os cartões e, fora da aula, compilar os medos descritos pelos alunos e 187

CALENDARIZAÇÃO /RECURSOS MATERIAIS Língua Portuguesa 45 Minutos Texto lacunar Vídeo

Língua Portuguesa 45 Minutos Caderno Presse


3. EXPRESSÕES DA SEXUALIDADE E DIVERSIDADE

Diversidade e respeito

Sexualidade e género

Dimensão ética da sexualidade humana

superação de alguns medos.

selecionar os que pareçam mais relevantes / frequentes. 4. Fazer novos cartões apenas com os medos selecionados, de forma a poder entregar dois cartões por cada grupo de alunos. 5. Colocar os cartões todos num saco, para levar para a aula seguinte. Passo a passo, para realizar a atividade: 1. Dividir a turma em grupos de 3/4 alunos. Língua Portuguesa 2. Entregar aleatoriamente dois cartões a 45 Minutos Caderno cada grupo de alunos. Presse 3. Solicitar aos alunos que, em conjunto, leiam os cartões que lhes calharam e procurem imaginar caminhos / soluções para ultrapassar os medos apresentados. 4. Partilhar em grande grupo e, caso o(a) Professor(a) considere pertinente, pedir mais alternativas de resolução aos restantes alunos.

Aprender / solidificar os conceitos de discriminação e de discriminação de género.

Leitura e análise da Banda desenhada: “Um mundo de diferenças”. Explorar outros tipos de discriminação, como por exemplo, a de género.

188

Língua Portuguesa Formação Cívica Banda desenhada


6 – Avaliação do projeto Com o objetivo de se obter uma reflexão sobre o trabalho desenvolvido, no final do ano letivo, as docentes responsáveis pelo projeto disponibilizarão um questionário de Avaliação do Projeto, a ser preenchido pelo Diretor de Turma, ouvidos todos os intervenientes no processo, baseado nos seguintes parâmetros: - Número de horas estabelecidas para o ano; - Abordagem dos conteúdos previstos; - Impacto das atividades na aprendizagem dos alunos; a) - “Feedback” da Comunidade Educativa. a) A avaliação dos alunos é uma avaliação qualitativa do processo, com toda a carga de subjetividade que lhe é inerente, podendo basear-se em:  Observação direta.  Diálogo com os intervenientes em cada atividade.  Reflexão final sobre cada atividade. Com os dados recolhidos proceder-se-á à elaboração de um relatório sobre o desenvolvimento do projeto, de forma a possibilitar uma reformulação sustentada no final do ano letivo, caso seja necessário.

7 – Informação acerca do Projeto de Educação Sexual da Turma aos Pais/Encarregados de Educação: Compete à Escola informar os Pais e Encarregados de Educação sobre todas as atividades curriculares e não curriculares desenvolvidas no âmbito da educação sexual. Assim, em reunião de Pais e Encarregados de Educação, a Diretora de Turma deve explanar os objetivos e conteúdos a abordar no Projeto de Educação Sexual da Turma e informá-los acerca dos aspetos significativos da Lei n.º 60/2009, de 6 de Agosto e da Portaria n.º 196-A/2010, de 9 de Abril. As docentes sugerem que seja distribuído aos Encarregados de Educação uma ficha informativa, como a que se segue, a título exemplificativo:

INFORMAÇÃO AOS PAIS E ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO PROJETO DE EDUCAÇÃO PARA A SEXUALIDADE ANO LECTIVO – 2011 / 2012 2º CICLO O Projeto de Educação para a Sexualidade da Turma, com carga horária mínima de 6 horas para o 2º ciclo, a distribuir de forma equilibrada pelos diversos períodos do ano letivo, tem por base as necessidades/interesses dos alunos e respeitará os objetivos mínimos da área de educação sexual constantes do Anexo à Portaria nº 196A/2010 de 9 de Abril que regulamenta a lei 60/2009 de 6 de Agosto.

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Os conteúdos da educação sexual são ministrados na área curricular não disciplinar, designadamente em Formação Cívica e completados pelas áreas curriculares disciplinares (Língua Portuguesa, Ciências da Natureza, etc.), que abordam conteúdos curriculares afins. Do Projeto de Educação para a Sexualidade, constam: Os objetivos mínimos a atingir, conforme anexo; Áreas temáticas e temas que, em concreto, serão abordados. Os Encarregados de Educação serão informados de todas as atividades curriculares e não curriculares desenvolvidas no âmbito da educação sexual (Projeto de Educação para a Sexualidade) e, ainda, da existência do Gabinete de Informação e Apoio ao Aluno no âmbito da educação para a saúde e educação sexual. O atendimento e funcionamento do respetivo gabinete de informação e apoio é assegurado por profissionais com formação nas áreas da educação para a saúde e educação sexual. De acordo com o legislado na Lei 60 (art.º 11), os Encarregados de Educação e a respetiva estrutura representativa devem ter um papel ativo na prossecução e concretização das finalidades desta lei. ANEXO PORTARIA N.º 196-A/2010, DE 9 DE ABRIL Objetivos mínimos da área de educação sexual que podem ser abordados nas áreas disciplinares ou nas áreas curriculares não disciplinares. SEGUNDO CICLO (5º E 6º ANOS) _ Puberdade: aspetos biológicos e emocionais; _ O corpo em transformação; _ Caracteres sexuais secundários; _ Diversidade e respeito; _ Sexualidade e género; _ Reprodução humana e crescimento. _ Contraceção e planeamento familiar. _ Compreensão do ciclo menstrual e ovulatório; _ Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas; _ Dimensão ética da sexualidade humana.

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Nome: _______________________________ n.º: _____ Turma: _____ NÃO HÁ ESTRELAS NO CÉU Não há estrelas no céu a dourar o meu caminho, Por mais ______________________ que tenha sinto-me sempre _______________________. De que vale ter a ___________________ de casa para entrar, Ter uma nota no bolso pr'a cigarros e bilhar? [Refrão] A ________________________ da vida é bonita de viver, Tão depressa o sol brilha como a seguir está a chover. Para mim hoje é Janeiro, está um frio de rachar, Parece que o _________________ inteiro se uniu pr'a me ______________________! Passo horas no café, sem saber para onde ir, Tudo à volta é tão feio, só me apetece fugir. Vejo-me à noite ao ____________________, o corpo sempre a ________________________, De manhã ouço o conselho que o ___________________ tem pr'a me dar. [Refrão] Hu-hu-hu-hu-hu, hu-hu-hu-hu-hu. Vou por aí às _______________________, a espreitar às janelas, Perdido nas ______________________ e achado nas vielas. Mãe, o meu primeiro _________________ foi um trapézio sem rede, Sai da frente por favor, estou entre a espada e a parede. Não vês como isto é duro, ser _____________________não é um posto, Ter de encarar o futuro com ____________________ no rosto. Porque é que tudo é __________________________, não pode ser sempre assim, Se não fosse o Rock and Roll, o que seria de mim? [Refrão] Não há-á-á estrelas no céu... http://www.youtube.com/watch?v=m3zO1ovQZX8

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Nome: _______________________________ n.ยบ: _____ Turma: _____

O medo

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Nome: _______________________________ n.ยบ: _____ Turma: _____

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Nome: _______________________________ n.º: _____ Turma: _____

O que se passa com o meu corpo? À medida que o menino vai crescendo o seu corpo vai-se modificando. Observa, com atenção o corpo do menino, o corpo do adolescente e o corpo do homem.

Com a menina também acontece o mesmo. Observa, com atenção o corpo da menina, o corpo da adolescente e o corpo da mulher. Tendo em conta as partes do corpo mencionadas, escreve as alterações que ocorrem no corpo do homem e no corpo da mulher aquando do crescimento.

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Parte do corpo Ancas Axilas Barba Coxas Lábios Mamas Ovários Peito Pelos Pénis Pernas,

Pés

e

Braços Testículos

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Soluções

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Nome: _______________________________ n.ยบ: _____ Turma: _____

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CAIXINHA DE SURPRESAS Grupo:__________________ MASCULINO

FEMININO

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Nome: _______________________________ n.ยบ: _____ Turma: _____

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Soluções

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Nome: _______________________________ n.ยบ: _____ Turma: _____

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http://www.youtube.com/watch?v=2JYkImeU6bQ&feature=youtu.be

http://www.youtube.com/watch?v=QeSjm8L2wNw&feature=youtu.be

Puberdade http://issuu.com/tiagolopess95/docs/puberdade

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Educação Sexual Programa PRESSE 12-04-2012 Trabalho realizado por: Lúcia Maria Rodrigues e Maria do Céu Oliveira EB 2/3 de Real

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1. Designação do Projeto: O meu espelho: o que me diz? 2. Professores responsáveis pelo Projeto: Lúcia Maria Rodrigues e Maria do Céu Oliveira 3. Fundamentação do Projeto: O projeto foi concebido em função das nossas turmas do 7.º ano, com o conhecimento real dos alunos resultante da nossa atuação enquanto professores e diretores de turma e de um breve diagnóstico inicial. Tem correspondência com a realidade concreta da nossa escola e as necessidades, ansiedades, dúvidas e inquietações transmitidas pelos nossos alunos. Nesse sentido, este projeto procura dar reposta a essas vicissitudes pelo que foi delineado não com o objetivo primordial de transmitir conteúdos/conhecimentos, mas, essencialmente, informar, desmistificar, debater, orientar, prevenir e contribuir para uma educação sexual, num projeto de vida que integre bom relacionamento interpessoal, valores, afetos, crescimento e maturidade emocional e capacidade de lidar com todo o tipo de sentimentos. Na elaboração do projeto, o Conselho de turma teve em atenção o seguinte: 217


A proposta dos conteúdos mínimos elaborada pela direção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular do M.E. e que constam na Portaria nº 196-A/2010 de 9 de abril; A fase de desenvolvimento psicossocial em que se encontram os alunos, com idades compreendidas entre os 11 e os 13 anos, estando a maioria na fase inicial da adolescência; Diagnóstico geral de algumas dificuldades /preocupações dos alunos, através de diálogo com o grupo turma e/ou através do levantamento de dúvidas recorrendo à caixa de questões.

4. Finalidades do Projeto: A valorização da sexualidade e afetividade entre as pessoas no desenvolvimento individual, respeitando o pluralismo das conceções existentes na sociedade portuguesa; O desenvolvimento de competências nos alunos que permitam escolhas informadas e seguras no campo da sexualidade; A melhoria dos relacionamentos afetivo-sexuais dos jovens; A capacidade de proteção face a todas as formas de exploração e de abuso sexuais; O respeito pela diferença entre as pessoas e pelas diferentes orientações sexuais; A valorização de uma sexualidade responsável e informada; A promoção da igualdade entre sexos; O reconhecimento da importância de participação no processo educativo de encarregados de educação, alunos, professores e técnicos de saúde; A compreensão científica do funcionamento dos mecanismos biológicos reprodutivos; A eliminação de comportamentos baseados na discriminação sexual ou na violência em função do sexo ou orientação sexual. 218


5.Planificação:

Necessidades e expectativas para o Projeto

O que é sexualidade?

Área temática da Formação PRESSE

a Apresentação do programa Sexualidade Humana Compreensão da sexualidade como uma das componentes mais sensíveis da pessoa, no contexto de um projeto de vida que integre valores (por exemplo: afetos, ternura, crescimento e maturidade emocional, capacidade de lidar com frustrações, compromissos, abstinência voluntária)

Objetivo(s) das atividades

Atividades orientadas para a ação

Brainstorming ou “Tempestade de Definir o conceito ideias” de sexualidade humana; Promover o APF: Atividade nº1 conceito de “sexualidade é …” sexualidade humana nas várias dimensões. Definir e interiorizar o conceito de sexualidade humana nas várias

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Recursos materiais Recursos humanos

Quadro branco Cartolinas/Fotos Pequenos papéis Definição de sexualidade da OMS

Área curricular não disciplinar/área curricular disciplinar e identificação dos professores envolvidos e/ou articulação com os Projetos do Agrupamento N.º de horas Calendarização Formação Cívica 45’


e uma dimensão ética

O conhecimento e valorização do corpo Porque me aparecem tantas borbulhas?

Puberdade: aspetos biológicos e emocionais; O corpo em transformação;

Quando aparece a menstruação?

Quando começam a crescer as mamas?

Caracteres sexuais secundários;

dimensões.

Exploração do PowerPoint: Conhecimento Adolescência. das mudanças Realização do teste físicas e “ Testa a tua psicológicas na normalidade” puberdade. Mudanças Pubertárias Atividade 1” as fantásticas viagens do óvulo e do Distinção entre espermatozoide!” caracteres sexuais Atividade 2primários e “Sexualidade para secundários todos – Corpos de masculinos e diferentes tamanhos femininos. e formas” APF Aprender a localizar os órgãos

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Formação Cívica 45’+ 45’

PRESSE: Atividade 2 da APF

Ciências Naturais 45´+45´

Cartolinas, papéis de cores variadas, materiais de desenho

Educação Visual 90´


externos femininos masculinos.

Elaboração de e cartazes

Compreender a maturação dos órgãos sexuais e a ejaculação nos rapazes. Compreender o desenvolvimento dos órgãos sexuais e o aparecimento do ciclo menstrual nas raparigas. Adquirir linguagem técnica.

e pintura.

Exploração do PowerPoint: “Caracteres sexuais/Sistemas reprodutores”.

Ciências Naturais 45’

uma

Saúde Sexual e Reprodutiva Reprodução humana

Reconhecer a

Visionamento e 221

Sessão de

Formação Cívica


e crescimento

Porque não devemos confiar em pessoas estranhas?

Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas

importância da higiene corporal.

exploração do Vídeo: Cuidados com a nossa saúde -Higiene pessoal

Treinar a assertividade como prevenção do abuso.

Presse Atividade nº17 ” Estás a seguir as minhas instruções?”

sensibilização sobre higiene pessoal com uma enfermeira (encarregada de educação de uma aluna da turma do 7ºE)

Ficha nº17 Pão Manteiga ou compota Faca Prato

Descrever o que é um abuso sexual e saber reagir em caso de ser alvo de tentativa de abuso.

222

45’

Formação Cívica 45´


Relações Interpessoais Porque sentimos coisas diferentes?

Afetos e expressão dos sentimentos

Desenvolver a expressão emocional.

PowerPoint: Os Sentimentos Exploração do PowerPoint: Os Sentimentos Atividade 2diferentes formas de expressar sentimentos

Formação Cívica 45’

Ficha de trabalho

Atividade 2- APF

Apreender o fenómeno da afetividade. Assertividade

Identificar diferentes formas de exprimir sentimentos Promover os afetos.

Autoestima

Leitura e comentário do Texto Informativo: Assertividade

Promover o Ficha de trabalho: comportamento Comportamento assertivo. 223

Ficha de trabalho

Atividade nº13 “como anda a tua

Formação Cívica 45’


assertivo.

Promover autoestima positiva

Assertividade” Caderno presse 2º ciclo Sessão informativa e esclarecimento de uma dúvidas.

Formação cívica 45´

PRESSE: Atividade nº18 Dizer bem nas a costas.

Promover autoestima individual, através da heteratribuição de elogios.

6.Avaliação do Projeto: [ponto de situação do Projeto de Educação Sexual de Turma a registar em ata de Conselho de Turma nos 2.º e 3.º Períodos] 7.Informação acerca do Projeto de Educação Sexual da Turma aos Pais/Encarregados de Educação: [Lei n.º 60/2009, de 6 de Agosto, artigo 11.º. Todos os Encarregados de Educação receberam informação acerca dos aspetos significativos da Lei n.º 60/2009, de 6 de Agosto e da Portaria n.º 196-A/2010,

224


Havia algum tempo que a Susana e o Ricardo saíam juntos. Um dia, à saída das aulas, foram dar uma volta de carro. O Ricardo, enquanto que conduzia, começou a falar dos seus sentimentos, mas a Susana interrompia-o constantemente com atitudes provocatórias, sugerindo-lhe que seguisse pela marginal. Era pelos fins de Outubro e não se via ninguém na praia. “Sei que pensas que sou parvo”, disse o Ricardo de olhos baixos. “Além de parvo és estúpido”, respondeu a Susana em voz alta, de nariz empinado, enquanto gesticulava. “Ok, vamos embora!”, disse o Ricardo em voz sumida. A Susana nunca mais procurou o Ricardo. Não era o seu estilo.

Na semana das intercalares, estando a Susana no café rodeada de colegas, vê entrar o Tiago que meteu conversa com um dos do grupo. A Susana não tirava os olhos dele! Saíram juntos do café. Como habitualmente, a Susana quis avançar rapidamente. Num dia em que o grupo se reuniu, convidou o Tiago para ir a sua casa porque os pais tinham saído. “Preciso de falar contigo a sós. Importas-te de mudar de mesa?”. O Tiago sentou-se numa mesa um pouco afastada, colocou as mãos sobre a mesa e olhandoa nos olhos disse calmamente, com voz firme: “Cada coisa a seu tempo. Precisamos de nos conhecer melhor. O amor constrói-se.” 225


Helena Decide-se

Como muitas, aos 16-17 anos eu sonhava encontrar um homem ideal. Um dia conheci o Sérgio. Tudo era maravilhoso! Rapidamente a nossa relação se transformou num namoro tranquilo. Estávamos na mesma turma, víamo-nos todos os dias e à noite telefonávamo-nos durante horas para contarmos as últimas novidades. Em resumo, tudo ia bem. (...) Mas, um dia, o Sérgio fez-me sentir que o “flirt” já não o contentava. Queria ir mais longe. Recebi isto como uma martelada. É verdade que à nossa volta, todos o faziam. Mas eu não podia ceder: era ir contra as minhas convicções, a minha família, tantas coisas que não podia esquecer. Também não consegui decidir-me e acabar o namoro. Tinha medo. Medo da solidão e de já não ter ninguém que me amasse. Ele reprovava as minhas convicções e falava disso aos outros. Lembro-me de uma amiga comum que veio ter comigo um dia para me dizer: “Acho que o Sérgio tem muita coragem para continuar contigo! Não tens o direito de lhe negar o que ele quer! Só precisas de tomar a pílula e é tudo”. Esta situação durou até ao Verão seguinte. Por fim, já sem aguentar mais, decidi acabar. Não foi fácil. Conheci momentos de solidão, pois já não ousava rever os antigos amigos. Mais tarde encontrei o Alexandre, que gosta de mim como eu sou. Ainda bem que fui fiel a mim mesma.

226


Testa a Tua Normalidade

Instruções: Lê cada questão cuidadosamente e responde apenas depois de teres pensado bem na resposta. Assinala com um círculo SIM ou NÃO. Soma os totais para saberes as conclusões.

1. Vês-te com frequência ao espelho?...................................................SIM..............NÃO 2. Sonhas acordado(a) frequentemente?...............................................SIM..............NÃO 3. Detestas estudar?..............................................................................SIM...............NÃO 4. Ouves música aos berros?.................................................................SIM..............NÃO 5. Coleccionas posters de estrelas de música, do cinema ou de mulheres nuas (se és rapaz)?...................................................................................................SIM..............NÃO 6. Discutes com a família?.....................................................................SIM..............NÃO 7. Tens muitas mudanças de humor?.....................................................SIM..............NÃO 8. Achas tudo uma seca?........................................................................SIM..............NÃO 9. Achas todos uma seca?......................................................................SIM..............NÃO 10. Precisas de fazer testes como este?.................................................SIM..............NÃO

http://issuu.com/tiagolopess95/docs/m_todos_contraceptivos

http://issuu.com/tiagolopess95/docs/doen_as_sexualmente_transmissiveis

http://issuu.com/tiagolopess95/docs/tomada_de_decis__es

http://issuu.com/tiagolopess95/docs/os_sentimentos

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Formadores: Sandra Mendes

Nível de Ensino: 1º Ciclo. Grupo de recrutamento: 1 10

Formandos:

Orlando M.P Freitas

Susana I.E. Anjos

Maria Graça Pereira

Roteiro para o Professor

Conteúdo Ano de Escolaridade Aulas Previstas 1º

Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas 5º Ano 2 x 45 minutos*

Apoio ao professor

AULAS 1 e 2

  

Planificação Actividade 1 História do Capuchinho Vermelho

AULAS 3 e 4

   

Planificação Actividade 2 Inquérito Documento - "Correcção do inquérito"

São fornecidas 2 opções para a implementação das duas sessões de 45 minutos: - Opção 1 - Aulas 1 e 2 - Opção 2 - Aulas 3 e 4

228


TEMA: Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas 5º Ano Aulas n.º 1 e 2

Competências

Objectivos

Contribuir para que cada aluno adquira:  Saberes relacionados com os abusos sexuais;  Saberes sobre crenças associadas aos abusos sexuais. Contribuir para que cada aluno fique predisposto a:  Proteger-se e saber lidar com os abusos sexuais contra si e junto de amigos  Pedir ajuda junto de pessoas da sua confiança e/ou organismos específicos Contribuir para que cada aluno seja capaz de adoptar comportamentos preventivos relacionados com os abusos sexuais

Ajudar os alunos a:  Percepcionarem situações de risco;  Terem consciência dos seus direitos de criança;  Conhecer as tácticas usadas por algumas pessoas para levá-las a cooperar em actividades inapropriadas;  Aprender a identificar as pessoas que usam estas tácticas. Educar os alunos para a responsabilidade; Fornecer aos alunos dicas acerca de como reagirem perante tais situações, bem como locais, pessoas e / ou instituições a quem se dirigirem.

Conteúdos 

Aspectos relacionados com os abusos sexuais a ter em conta numa perspectiva preventiva

Situações de risco

Respostas às situações de risco

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Termos/conceito s Abuso Risco Segurança Abuso sexual

Recursos materiais Breve introdução teórica sobre o  Multimédia tema;  Computador Fazer a ponte com o conto  Fotocópias “Capuchinho vermelho” que será lido do conto pelo docente em vozTRUQUES, alta; ENGANOS, SUBORNOS, CHANTAG “Capuchinho Os alunos acompanham com a sua Vermelho” fotocópia (ou poderão acompanhar  Caderno através do texto projectado); diário Concretizar os passos da Ficha  Quadro “Aprender a Avaliar Situações de Branco Risco”;  Marcador Os alunos identificam e registam em folha própria as diferentes situações de risco pelas quais passou o Capuchinho e a sua avó e as respectivas soluções; O professor avalia as actividades realizadas na aula com os alunos.

Procedimento metodológico 1. 2. 3. 4. 5.

6.


APRENDER

A AVALIAR

SITUAÇÕES

DE

RISCO

DESCRIÇÃO DA ACTIVIDADE Usando o conto “Capuchinho Vermelho”, os alunos identificam as diferentes situações de risco pelas quais passou o Capuchinho e a sua avó. MATERIAIS  Conto Capuchinho Vermelho (ou resumo);  Fotocópias das folhas para registar as situações de risco e as soluções.

230


PASSOS A SEGUIR Ler o conto; Dar exemplos de situações de risco; Identificar e escrever as situações de risco na história; Escrever as soluções possíveis; Quando os alunos estão a escrever as soluções, o professor recorda-lhes que haverá sempre alguém que as vai escutar e não há nada tão terrível que não possam contar. Ajudar os alunos a recordar os lugares onde podem dirigir-se em caso de se sentirem em risco. Ao terminar a sessão, o professor avalia a aula fazendo perguntas como:  Que aprenderam com a experiência?  Que aprenderam sobre as situações de risco?  O que gostaram mais da sessão?  O que menos gostaram?

ALGUNS EXEMPLOS DE SITUAÇÕES DE RISCO Capuchinho     

Uma capa vermelha que muito chama a atenção num bosque; Caminha sozinha pelo bosque; Não leva nada consigo para se defender; Não há casas nem pessoas no bosque; Não sabe que o lobo é um animal capaz de matar os seres humanos.

Avó      

A casa está aberta; Está sozinha em casa; Não há vizinhos; É bastante idosa, um pouco cega e surda; Não tem como comunicar com os vizinhos; Não pode cuidar de si sozinha.

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Capuchinho Situações de risco

Soluções

________________________________

________________________________

________________________________

________________________________

________________________________

________________________________

________________________________

________________________________

________________________________

________________________________

________________________________

________________________________

________________________________

________________________________

Avó Situações de risco

Soluções

________________________________

________________________________

________________________________

________________________________

________________________________

________________________________

________________________________

________________________________

________________________________

________________________________

________________________________

________________________________

________________________________

________________________________

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TEMA: Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas 5º Ano Aulas n.º 3 e 4

Competências

Objectivos

Contribuir para que cada aluno adquira:  Saberes relacionados com os abusos sexuais;  Saberes sobre crenças associadas aos abusos sexuais;  Conhecimentos acerca de procedimentos a adoptar perante uma situação de abuso sexual.

Ajudar os alunos a:  Percepcionarem situações de risco;  Terem consciência dos seus direitos de criança;  Conhecer as tácticas usadas por algumas pessoas para levá-las a cooperar em actividades inapropriadas;  Aprender a identificar as pessoas que usam estas tácticas.

Contribuir para que cada aluno fique predisposto a:  Aperceber-se das agressões sexuais contra si próprio;  Proteger-se e saber lidar com os abusos sexuais contra si e junto de amigos;

Educar os alunos para a responsabilidade;

Conteúdos 

Aspectos relacionados com os abusos sexuais a ter em conta numa perspectiva preventiva

Situações de risco

Respostas às situações de risco

Termos/conceito s Abuso Risco Segurança Abuso sexual Truques Enganos Subornos Chantagens Ameaças

1.

2. 3.

4.

5.

Fornecer aos alunos dicas acerca de como reagirem perante tais situações, bem como locais, pessoas e / ou instituições a quem se dirigirem.

6.

233

Recursos materiais Revisão das situações de risco que  Multimédia os alunos identificaram e  Computador registaram na aula anterior  Caderno (Formação Cívica – Ficha 1); diário Concretizar os passos 2, 3 e 4 da  Cartões com ficha “Truques, Enganos, Subornos, textos e Chantagens, Ameaças”; desenhos O ponto 6 da ficha referida deverá  Quadro ser registado no caderno diário Branco dos alunos, apósTRUQUES, ouvidas ENGANOS, as  Marcador SUBORNOS, CHANTAG sugestões destes; Explicar e dar exemplos aos alunos do significado das palavras “truques”, “enganos”, “subornos”, “chantagem” e “ameaça”, utilizando situações (histórias) hipotéticas e exemplos ilustrados nos cartões; Seguir os passos 7 e 8 da ficha Truques, Enganos, Subornos, Chantagens, Ameaças”;

Procedimento metodológico

O docente aplica o questionário


Competências

Objectivos

Termos/conceito s

Conteúdos

 Pedir ajuda junto de pessoas da sua confiança e/ou organismos específicos.

Procedimento metodológico

7.

Contribuir para que cada aluno seja capaz de:  Adoptar comportamentos preventivos relacionados com os abusos sexuais;  Tomar consciência de aspectos físicos e emocionais decorrentes dos abusos sexuais.

234

“O que eu sei sobre abusos sexuais”, que será respondido individualmente; Debater em grupo-turma todas as respostas às questões do inquérito.

Recursos materiais


APRENDER

A AVALIAR

SITUAÇÕES

DE

RISCO

RECORDE QUE… Algumas crianças têm dificuldades em crer que certas pessoas utilizam o seu poder para manipulá-las, enganá-las e abusar delas sexualmente, especialmente as que crianças cresceram com a ideia que devem obedecer cegamente à autoridade dos adultos. Portanto, para prevenir o abuso sexual, é importante que as crianças saibam que os agressores sexuais utilizam técnicas como as que se vão explicar nesta aula e que, quando tal ocorra, devem informar, imediatamente, um adulto. Para a segurança das crianças, é importante que tenham em conta que os presentes e as ofertas podem ser usados para fazer com que guardem um segredo ou que permitam ser tocadas de uma forma inadequada. Em ambas as situações, devem recusar e contar o sucedido a alguém que os possa ajudar.

OBJECTIVOS  Conhecer as tácticas utilizadas pelos adultos ou pelas pessoas que têm algum tipo de poder sobre elas para levá-las a cooperar em actividades inapropriadas;  Aprender a identificar as pessoas que utilizam estas tácticas;  Aprender que tácticas como estas são sempre mais fortes quando se guarda um segredo. DESCRIÇÃO DA ACTIVIDADE 235


Explicar e dar exemplos aos alunos do significado das palavras “truques”, “enganos”, “subornos”, “chantagens” e “ameaças”, utilizando situações hipotéticas e exemplos ilustrados nos cartões.

MATERIAIS   

Cartões com desenhos; Definições; Situações.

PREPARAÇÃO  Fotocopiar e recortar os cartões com os desenhos;  Para que possam ser utilizados noutras aulas, os cartões podem ser plastificados;  Escrever as situações em papéis separados.

PASSOS A

SEGUIR Os alunos sentam-se nas cadeiras em semi-círculo. O professor apresenta uma definição e explicação sobre as seguintes palavras: “truques”, “enganos”, “subornos”, “chantagens” e “ameaças”. Explica-se que a maioria das vezes, estas tácticas de manipulação são acompanhadas por um segredo. Alguns alunos poderão contribuir contando relacionadas com cada um dos termos explicados.

experiências

O professor lê as histórias e debate, com os alunos, as possíveis soluções e pede que os alunos associem a história com o termo mais adequado (truque, engano, suborno, chantagem, ameaça).

236


A turma é dividida em seis grupos. Cada grupo recebe uma imagem que irá descrever e apresenta uma solução para a situação de risco ilustrada. Cada grupo mostra à turma a sua imagem e apresenta a história inventada e a respectiva solução. A avaliação da actividade pode ser realizada perguntando aos alunos:  Que aprenderam com a actividade?  Porque não se deve manter em segredo os enganos, as chantagens ou os subornos?  O que mais gostaram da sessão?  O que menos gostaram? O professor aplica o questionário “O que eu sei sobre ABUSOS SEXUAIS” (este questionário poderá ser explorado numa aula de Formação Cívica).

DEFINIÇÕES Enganar Não dizer a verdade ou fazer crer a outra pessoa algo que é falso. Truque Procedimento engenhoso para mentir ou enganar outra pessoa. Armar uma artimanha para enganar outra pessoa. Subornar Induzir ou fazer com que uma pessoa actue para mau fim. Um suborno distingue-se de uma prenda porque alguém espera algo de ti em troca. Chantagem Consiste em obter dinheiro, favores ou algum proveito sob a ameaça de revelar algo comprometedor ou de forma escandalosa Amaçar Dar a entender, com palavras ou actos, que se a pessoa não faz o que se lhe pede lhe vai causar algum dano.

237


HISTÓRIAS 

São dez horas da noite. Carla manda a sua filha Sónia de 9 anos pedir açúcar à vizinha para terminar um bolo. Sónia toca à porta e aparece o Sr. Vítor. Ela pergunta pela Sr.ª Rosa mas o Sr. Vítor diz-lhe que saíram todos. No entanto, diz-lhe para entrar e que lhe dará o açúcar. Sónia não está muito segura em entrar na casa. O Sr. Vítor insiste e diz-lhe que tem guloseimas para lhe dar.

O Sr. Francisco sempre convida o Carlos de 12 anos para ver futebol, além de lhe oferecer prendas. Como Carlos tem muitos irmãos, o Sr. Francisco pede-lhe constantemente que ele não lhes conte que é o seu preferido. Carlos sente-se contente, mas não gosta que o Sr. Francisco lhe coloque a mão no ombro e que, de vez em quando, o abrace e o observe bastante. O Sr. Francisco diz a Carlos que se for obediente sempre cuidará dele e lhe entregará dinheiro.

Rosário, de 13 anos, ficou na escola depois das aulas. Na saída, Manuel, que faz a limpeza do estabelecimento comercial ao lado, vê Rosário e pede-lhe que fique com ele até que termine o seu trabalho. Manuel diz-lhe que a acompanhará a casa. Rosário fica em dúvida, mas Manuel insiste, oferecendo-lhe gelados e guloseimas.

Ana e Joana, de 9 e 10 anos, no caminho da escola para casa, vêm um casal. Elas notam que os dois adultos olham e sorriem muito para elas. O casal parece ser muito elegante e amável. Ana e Joana já viram este casal várias vezes e recordam que está sempre no mesmo lugar. Passam umas semanas e, um dia, o casal aproxima-se de Ana e Joana e dizlhes que são muito bonitas e que poderiam trabalhar como modelos para uma revista muito famosa. O casal diz-lhes ainda que as duas meninas podem ganhar muito dinheiro e que esta é uma oportunidade de ajudarem as suas famílias.

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Era uma vez uma menina tão bonita como não havia outra; a mãe gostava muito dela, e a avó mais ainda. Tinham-lhe mandado fazer uma capinha vermelha com um capuchinho, que lhe ficava tão bem que toda a gente lhe chamava Capuchinho Vermelho. Certo dia, a mãe fez um bolo e disse-lhe: — Vai saber da avozinha, porque me disseram que está doente; leva-lhe este bolo e este boiãozinho de manteiga. O Capuchinho Vermelho partiu logo para ir visitar a avó, que morava noutra aldeia. Ao passar pela floresta encontrou o lobo (que estava resolvido a comê-la, mas não se atreveu por causa dos lenhadores que andavam a cortar árvores), que lhe perguntou onde ia. A menina, que não sabia como era perigoso parar no caminho para falar com um lobo, respondeu: — Vou visitar a minha avó e levar-lhe um bolo e um boiãozinho de manteiga que manda a minha mãe. — E ela mora longe? — perguntou o lobo. — Ah!, mora — respondeu o Capuchinho Vermelho. — Fica para além daquele moinho que se avista lá muito adiante; na primeira casa da aldeia. — Muito bem — disse o lobo. — Também quero ir fazer-lhe uma visita. Eu vou por aqui, e tu vais por ali. Veremos quem chega primeiro. O lobo deitou a correr pelo caminho mais curto e a menina foi pelo caminho mais comprido, entretendo-se a apanhar avelãs, a correr atrás das borboletas e a fazer raminhos com as flores que encontrava. O lobo não levou muito tempo a chegar a casa da avó. Bateu à porta: truz! Truz! — Quem é? — perguntou a avozinha. — Sou a sua netinha Capuchinho Vermelho — disse o lobo, disfarçando a voz. — Trago-lhe um bolo e um boiãozinho de manteiga que manda a minha mãe. A boa avozinha, que estava de cama com uma constipação, gritou: — Pega na aldraba e levanta o fecho. O lobo pegou na aldraba e a porta abriu-se.

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Atirou-se à avó e já se preparava para a comer num abrir e fechar de olhos, porque havia mais de três dias que não comia nada, quando a avó, muito assustada, fugiu e foi esconder-se no armário, fechando a porta por dentro. O lobo apanhou a touca e os óculos da avó, pôs ambas as coisas e meteu-se na cama à espera do Capuchinho Vermelho, que dali a pouco veio bater à porta. Truz! Truz! — Quem é? — perguntou o lobo, mas já à espera do Capuchinho Vermelho. O Capuchinho Vermelho, que ouvira a voz grossa do lobo, assustou-se, mas, julgando que a avó estivesse constipada, respondeu: — Sou a sua netinha Capuchinho Vermelho. Trago-lhe um bolo e um boiãozinho de manteiga que manda a minha mãe. O lobo disse, com uma voz muito meiga: — Pega na aldraba e levanta o fecho. O Capuchinho Vermelho pegou na aldraba e levantou o fecho, e a porta abriuse. O lobo, ao vê-la entrar, disse-lhe, escondendo-se debaixo do cobertor: — Põe o bolo e o boiãozinho de manteiga em cima da arca e vem deitar-te ao pé de mim. O Capuchinho Vermelho tirou a capa e ia meter-se na cama, quando olhou muito admirada para a avó e perguntou: — Avó, porque tem uns braços tão grandes? — São para te abraçar melhor, minha neta! —Avó, porque tem umas pernas tão grandes? — São para correr melhor, minha neta. — Avó, porque tem as orelhas tão grandes? — São para te ouvir melhor, minha neta. — Avó, porque tem uns olhos tão grandes? — São para te ver melhor, minha neta. — Avó, porque tem uns dentes tão grandes? — São para te comer. E, dizendo estas palavras, o lobo mau saltou da cama para comer o Capuchinho Vermelho. Mas a menina gritou, gritou tanto, tanto, que os lenhadores que andavam na floresta vieram a correr para lhe acudir. E deram uma tareia tão grande no lobo que ele fugiu a ganir, cheio de medo e nódoas negras. Depois, os lenhadores abriram o armário, dentro do qual a avó, coitada, tinha desmaiado com o susto. Mas bastou molharem-lhe a testa com uma pinguinha de água

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fresca para ela abrir os olhos e ficar logo boa. O Capuchinho Vermelho abraçou-se à avó e prometeu que nunca mais queria conversas com o lobo. E ambas comeram o resto do bolo. O resto, sim, porque primeiro a avó tinha, cortado umas poucas de fatias para oferecer aos lenhadores que as tinham livrado daquele grande perigo.

O Capuchinho Vermelho. In Os melhores Contos de Perrault. Adaptação de Maria Isabel Mendonça Soares e ilustrações de Paul Durand. Verbo

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Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas

1. Modelos e evolução de Educação Sexual Os modelos conceptuais de Educação Sexual (impositivos conservadores, impositivos de ruptura, a sexualidade utilizada como instrumento de mudança social, médico preventivo, relacionais abertos, de desenvolvimento pessoal) e a acepção de Desenvolvimento Integral fazem parte do conjunto de propostas para o enquadramento teórico a realizar no âmbito da nossa formação. Pelo entender do grupo, far-se-á então uma breve resenha histórica da evolução da acepção se Educação Sexual, dando conta, posteriormente, dos pressupostos, dos sentidos e dos enquadramentos ao redor deste conceitos por forma a aludir a cada um dos modelos.

1.1 Evolução Histórica da Educação Sexual A preocupação com o controlo da natalidade e com o planeamento familiar estão associados ao surto demográfico do pós-guerra e à reconstrução planificada das sociedades. Segundo Soares e Campos (1986: 72), nesse período estavam criadas as condições para que os pilares da moral tradicional fossem abalados: “A função erótica pode mais facilmente destacar-se da função reprodutiva. Ao mesmo tempo começa-se a assistir a uma transformação da mulher na sociedade, o que a nível sexual vai provocar uma mudança progressiva no chamado sexual feminino. Confrontando-se com isto tudo isto», as entidades responsáveis pela educação começaram a estar conscientes de que os jovens adultos e os adolescentes pouco sabiam sobre os processos e os mecanismos da reprodução. Pensava-se que esta ignorância ou o conhecimento erróneo sobre a fisiologia sexual, sobre a reprodução, etc., estaria em grande parte na base destes problemas que preocupavam os responsáveis pela Educação e pela Saúde Pública. Daí que os primeiros programas de

242


educação sexual nas escolas fossem orientados para o conhecimento da biologia, da fisiologia ou da reprodução humana e animal”. A educação sexual viria então a incidir noutros aspectos, como a compreensão da sexualidade ou o conhecimento do desenvolvimento sexual, todavia, permanece a sua incidência nas formas de impedir ou reduzir os problemas relativos à área sexual. Marques, Frade, Félix e Vilar (1990: 6) referem que dos programas educativos estruturados sobre o tema da sexualidade humana emergem diferentes entendimentos da educação sexual, relativamente aos seus conteúdos e à sua abrangência. Estes autores enumeram os vários esquemas de classificação destes entendimentos e modelos: a) O modelo «preventivo», «médico» ou para evitar riscos» - que surgiu como um dos modelos iniciais de educação sexual, incidindo fundamentalmente na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e

das

gravidezes

não

desejadas.

Este

modelo

revalorizou-se

recentemente com o aparecimento da SIDA. A sua tónica principal é a aprendizagem de formas de prevenção, para evitar alguns riscos ou doenças relacionados com as actividades sexuais. b) o modelo «biológico», próximo deste, tem como objectivo fundamental aumentar os conhecimentos das crianças e jovens sobre os factos relacionados com a anatomia e fisiologia da reprodução. c) O modelo «moral», «tradicional e de autoridade moral», que tem por o objectivo orientar o desenvolvimento sexual para o matrimónio, evitando as condutas sexuais pré-matrimoniais. Este modelo privilegia a utilização da sexualidade no contexto da reprodução no casamento, o que de algum modo desvaloriza a vertente erótica da sexualidade e todos os comportamentos fora do coito heterossexual entre pessoas casadas. Este modelo é prosseguido, por exemplo, pelos organismos de tipo religioso ou confessional, que se interessam pela educação sexual. d) O modelo definido como «social», «de revolução sexual e social» ou «radical cultural ou subcultural». É um modelo que tem como objectivo fundamental a denúncia da política do conservadorismo moral e que postula essencialmente posições de ruptura e de luta ideológica.

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e) O modelo «pessoal», «de base biográfica» ou «profissional, democrático e aberto». Este modelo não é neutro nem nos seus objectivos nem nos seus conteúdos, uma vez que integra igualmente a crítica a um modelo negativo e erotofóbico. Baseia-se nas necessidades que emergem do processo de desenvolvimento sexual e também nos dados do estudo científico da sexualidade humana. Este modelo procura favorecer uma atitude positiva e responsável nestas questões, reconhece a existência de várias atitudes e de uma pluralidade de valores em relação à sexualidade, reconhece a existência e o valor das diferenças e do debate das mesmas, e procura favorecer e apoiar um processo individual de procura e de apropriação crítica dos valores pessoais sobre a sexualidade. Relativamente ao contexto português, Ribeiro (2006: 7-8) faz uma análise retrospectiva sobre a educação sexual no nosso país. A autora verifica que: a)

Na década de 70, com a Revolução do 25 de Abril, dá-se a queda dos valores tradicionais em que estava fundamentada toda a educação. Simultaneamente, verifica-se a divulgação de informação sobre os comportamentos sexuais dos jovens dos USA e da Europa, bem diferentes dos tradicionais portugueses, o que vai provocar, gradual e progressivamente uma alteração no comportamento dos nossos jovens.

b) Na década de 80, os programas do ensino oficial passam a englobar o tema da sexualidade, mas numa perspectiva biológica e baseada em factores emocionais. Apresentam a contracepção como a alternativa segura para a prática sexual, ao mesmo tempo que são aceites, com a mesma valorização, todas as formas de comportamento sexual. As regras morais e sociais bem como os valores humanos que regiam os comportamentos passam a ser desvirtuados e conotados como entraves à liberdade e à realização pessoal. c)

Na década de 90, a expansão da SIDA e da hepatite B e todo o espectro de morbilidade e mortalidade que as acompanha impõem à prática da sexualidade, até então despida de preconceitos ou valores, um novo valor, a prevenção destas e de outras doenças infecciosas, através da panaceia universal – o uso do preservativo. Quem o utiliza está

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moralmente correcto, quem o não utiliza é um inconsciente sem qualquer moral ou sentido do bem comum. Os jovens são fortemente incentivados à sua utilização, quer através de campanhas nas escolas, quer através dos meios de comunicação. d) Actualmente, a educação sexual feita nas escolas enfatiza os aspectos hedonistas – o prazer, a liberdade, a felicidade como objectivos centrais a atingir. O outro tem lugar na vida de cada um na medida em que colabora no alcance daqueles objectivos. O sexo aparece como bálsamo para o vazio existencial, como aliás diz Victor Frankl: “o instinto sexual hipertrofia-se fortemente, tendendo a ocupar o espaço deixado pelo vazio existencial”. Caímos no erro das performances sexuais inatingíveis publicitadas por todo um comércio de produtos relacionados com a satisfação sexual. A sexualidade encontra-se definitivamente separada da moral, da procriação, da responsabilidade, da ligação estável, da necessidade de um vínculo definitivo, da fidelidade.

1.2 A acepção de educação sexual Começamos por destacar a definição do conceito de sexualidade preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS, 1973) que a considera como: “ uma energia que nos motiva a procurar amor, contacto, ternura e intimidade, que se integra no modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados, é ser-se sensual e ao mesmo tempo sexual; ela influencia pensamentos, sentimentos, acções e interacções e, por isso, influencia também a nossa saúde física e mental”. Podemos, desde já, observar que na mesma definição se uma visão integrada de sexualidade, entendendo-a como uma componente fundamental da vida, na qual residem emoções como amor ou paixão e a importância do cuidado com a saúde, primordiais para manutenção do bem-estar no domínio individual e interpessoal. Este conceito realça também a importância da saúde mental e da intimidade numa perspectiva complexa que valoriza a dignidade da pessoa humana e o desenvolvimento de sua personalidade. O próprio conceito de educação sexual também envolve alguma complexidade, sendo «...ainda hoje objecto de múltiplos entendimentos ao nível do seu significado, dos seus conteúdos, da sua eficácia e consequências» (Vilar, 1987).

245


A associação ou dissociação da informação sexual da educação sexual conduz a diferentes interpretações sobre o que representa a educação sexual do indivíduo. Se para uns a informação sexual deve ser neutra e transmitida pelas escolas (estando a educação sexual ao encargo da família), para outros informar é também educar (Werebe, 1977), na medida em que não se pode limitar a educação sexual à transmissão de conhecimentos de fisiologia e de reprodução humana, devendo este tipo de acções ser complementado com objectivos mais amplos, dirigidos ao indivíduo no seu todo biopsicossocial. Assim, a educação sexual, tomada num sentido amplo, compreende todas as acções, directas ou indirectas, deliberadas ou não, conscientes ou não, exercidas sobre um indivíduo (ao longo do seu desenvolvimento), que lhe permitem situar-se em relação à sexualidade em geral e à sua vida sexual em particular. Num, sentido mais restrito, a educação sexual distingue-se pelo seu carácter de intervenção deliberada e sistemática, com intenções que podem ser mais ou menos explicitadas. A expressão informação sexual é correntemente utilizada para designar a comunicação de conhecimentos sobre a sexualidade. As opiniões divergem quanto ao facto de se poder ou não denominar informação sexual a conhecimentos que se limitam aos aspectos biológicos (anatómicos e fisiológicos) da sexualidade (Werebe, 1977). A educação sexual é, assim, um processo que decorre ao longo da vida, implicando a aquisição de informações e a formação de atitudes, crenças e valores sobre a identidade, as relações e a intimidade. A educação sexual dirige-se às dimensões biológica, psicológica, sócio-cultural e ética da sexualidade, nos domínios cognitivo (informação), afectivo (emoções, valores e atitudes) e comportamental (competências de comunicação e tomada de decisão), abrangendo temáticas como o desenvolvimento sexual, a saúde reprodutiva, as relações interpessoais, os afectos, a intimidade, a imagem corporal e os papéis sexuais (SIECUS, 1996). A exploração do conceito de educação sexual em Portugal e as reflexões efectuadas em volta dos seus objectivos e conteúdos reflectem a passagem do paradigma médico, para uma abordagem desenvolvimental, ainda que recentemente trilhando algumas derivações construtivistas. Soares e Campos (1986) depois de enquadrarem o desenvolvimento psicossexual no contexto mais geral do desenvolvimento psicológico, abordam a educação sexual como um problema de intervenção no desenvolvimento. No mesmo ano, Raposo (cit

246


in. Alferes, 1996) perspectiva a educação sexual no contexto da educação afectiva. Vilar (1987) discute os limites da educação sexual escolar enfatizando a abordagem dos aspectos corporais, dos sentimentos, dos valores, atitudes e comportamentos relacionados com uma actividade (expressão erótica) e diferenciação corporal (masculino/feminino) específica. Em 1989, Cortesão Silva e Torres referem-se à educação sexualizada para designar não só a informação sexual, mas também a discussão de valores do domínio sócio-afectivo e a educação da afectividade. Em 1996, Vaz e colaboradores referem-se à perspectiva desenvolvimental da educação sexual pela importância de se promover o desenvolvimento do todo-indivíduo (a construção da identidade) como ser sexuado. Em 1997, Alferes analisa a educação sexual como um conjunto de práticas discursivas, de rituais simbólicos e de mecanismos de socialização consignados numa acção pedagógica sistemática do tipo escolar. Consideram-se as noções de educação sexual formal e informal utilizadas por Vaz e colaboradores (1996), dada a sua sistematização prática e integração na perspectiva desenvolvimental. A Educação Sexual Informal refere-se, assim, à integração de ideias e valores relacionados com a sexualidade, de modo não estruturado/intencionalizado, por meio das relações sociais, da integração cognitiva, do contexto cultural, etc. A intencionalização da Educação Sexual por processos de aprendizagem sistemática, desenvolvida por profissionais, é designada por Educação Sexual Formal. Na sua intencionalização, pode-se ainda distinguir uma Educação Sexual Não Formal – cujo processo apesar de ser intencional, integra técnicos alternativos, em associações ou até nas escolas, mas de modo extra-curricular – de uma Educação Sexual Formal propriamente dita - realizada no contexto escolar por professores e integrada no currículo (Vaz et al., 1996). Nesta evolução conceptual, a educação sexual é identificada com outras funções para além do pressuposto de educação para a saúde com que surgiu da Medicina. Os movimentos de emancipação feminina trouxeram-lhe uma dimensão social, que possibilitaria a liberdade de escolha da mulher. A divulgação do conceito de planeamento familiar e dos métodos anticoncepcionais trouxeram um contributo político associado para muitos países ao controlo da natalidade e ao crescimento demográfico (Werebe, 1977). Da área da Psicologia e da Educação salientou-se a dimensão do bem-estar intra e inter-pessoal do indivíduo.

247


A sexualidade é um dos temas centrais do desenvolvimento humano. A maturação sexual traduz-se em modificações do organismo que irão afectar progressivamente todos os aspectos da vida biológica, psicológica e social do indivíduo (Sanchéz, 1995). O desenvolvimento psicossexual do ser humano reflecte, assim, a interacção destes aspectos, pela integração do sexual nos processos de identidade, na definição das atitudes e na acção comportamental (Soares & Campos, 1986). Esta concepção de desenvolvimento integral não pressupõe um compasso comum em função de ritmos biológicos, mas contempla movimentos tantas vezes contraditórios ao sabor da estruturação psicológica e das marcações sócio-culturais. A educação sexual não deverá centrar-se exclusivamente na prevenção dos riscos, o seu fim último terá de ser viver a sexualidade como uma realidade positiva, de decisão livre, dentro de um contexto de relações éticas e respeitadoras das outras pessoas, entre todas e cada uma das possibilidades que esta oferece: prazer, comunicação, afecto, procriação, etc. (López e Furtes, 1990). 2. O Abuso Sexual “Todas as pessoas devem respeitar o corpo das crianças. Ninguém pode abusar dele, fotografá-lo ou filmá-lo, se elas não souberem para que são essas fotografias e esses filmes e quem os vai ter. Ninguém pode levar uma criança a mostrar ou usar o seu corpo para ganhar dinheiro.” Artigo 34º da Convenção dos Direitos da Criança

248


O abuso sexual sobre crianças não é um fenómeno novo da actualidade. Ele tem permanecido envolto num pesado manto de silêncio, fazendo parte dos segredos das famílias. Pode afirmar-se que o abuso sexual sobre menores tem sido um dos maiores tabus sociais da história da Humanidade e só num passo recente, a partir dos anos vinte, começou a ser objecto de investigação na Europa, Canadá e Estados Unidos América. Em Portugal a sensibilidade para este tipo de violência só há pouco começou a despertar e continua a ser um assunto de difícil abordagem, mas os indicadores disponíveis permitem aconselhar pais, educadores, professores, técnicos de saúde, bem como a sociedade em geral a procurar informação para saber intervir. A definição de abuso sexual mais actual e mais consensual é a do National Center of Child and Neglect, que passamos a transcrever: “Contactos e interacções entre um adulto e uma criança, quando o adulto usa a criança para estimular-se sexualmente a si próprio, à criança ou a outrem. Também pode ser cometido por uma pessoa menor de 18 anos, quando a sua idade for significativamente superior à da vitima, ou quando estiver em clara posição de poder ou controlo sobre ela.” No âmbito da formação educação sexual, em contexto escolar destacamos algumas informações relevantes para o trabalho a realizar com os nossos alunos.

2.1 Comportamentos que devem ser entendidos como formas de abuso sexual Quando a maioria das pessoas ouve falar de abuso sexual, pensa em violação o que não é totalmente correcto. Por abuso sexual (com contacto ou sem contacto) deve ser entendido um quadro de comportamentos de maior abrangência tais como: 1. Carícias inapropriadas (tocar em partes privadas do corpo – órgãos genitais masculinos/femininos e seios) 2. Exibicionismo 3. Voyeurismo 4. Telefonemas obscenos 5. Utilização de crianças para fotografias pornográficas 6. Incesto

249


7. Sexo Oral 8. Sexo Anal 9. Prostituição infantil

2.2 Mitos sobre o abuso sexual Sobre esta temática proliferam um conjunto de mitos que desresponsabilizam os agressores. A aceitação destes mitos como verdades, têm as seguintes finalidades: manter a criança em silêncio, proteger o agressor, manter a sociedade em geral e os profissionais da infância, em particular, afastados deste tipo de incidentes. Se não forem verdadeiras as acusações e os relatos das agressões, ninguém terá que se ocupar deles. Pela gravidade de que se reveste a manutenção destes mitos, passamos a referir os mais relevantes: 1.

As crianças mentem.

2.

O abuso sexual raramente ocorre.

3.

Os rapazes raramente são vítimas de abuso sexual.

4.

Acontece mais com as raparigas porque elas são sedutoras e provocam os homens.

5.

O abuso sexual só ocorre em zonas rurais ou em zonas degradadas das grandes cidades onde existem focos de pobreza.

6.

Os abusadores são doentes mentais.

7.

Os indivíduos que abusam dos seus filhos, não abusam de crianças fora da família.

8.

Os agressores são quase sempre desconhecidos.

9.

As consequências são quase sempre muito graves.

10. Crianças deficientes correm menos riscos de serem abusadas. 11. Os agressores devem ser facilmente reconhecidos pelo seu aspecto exterior. 12. Existem mais abusos sexuais na actualidade do que antigamente. 13. As crianças muito pequenas não são vítimas de abuso sexual. 14. O abuso sexual está sempre associado à violência física. 15. Só existe abuso sexual quando há penetração.

250


16. O abuso sexual intra-familiar faz parte da esfera do privado e como tal não deve ser denunciado.

2.3 Motivos que levam a criança a silenciar o abuso Os motivos que levam as crianças a manterem segredo o abuso a que foram ou continuam a ser sujeitas são: 1. medo que não acreditem nelas. 2. medo de serem culpabilizadas. 3. medo de represálias do abusador. 4. medo que a família se dissolva. 5. medo de ser retirada à família e ir para uma instituição. 6. medo que o abusador mostre fotografias da criança envolvida em práticas sexuais 7. receio de deixar de receber prendas e dinheiro. 8. as crianças muito pequeninas podem não se aperceber que o abuso sexual é uma prática inapropriada. 9. as crianças muito pequeninas podem não saber verbalizar o abuso. Podem

mostrar

o

seu

sofrimento

através

de

alterações

de

comportamento. É necessário saber olhar! 10. podem sentir-se culpadas. 11. podem experimentar um sentimento de vergonha ou sentirem-se embaraçadas ao saberem que têm de contar o abuso. 12. podem ter sido avisadas para não falarem de sexualidade.

2.4 Técnicas que os pedófilos usam para seduzir as crianças 1. Aproximar-se de crianças de maneira não violenta. 2. Saber jogar os jogos da criança. 3. Oferecer prendas ou dinheiro. 4. Conquistar a amizade da criança. 5. Saber contar histórias à criança.

251


6. Conhecer um agressor que tenha acesso à criança. 2.5 Recomendações para os pais/mães, encarregados/encarregadas de educação 1.

Proporcionar um ambiente familiar em que as crianças sintam que pais e mães as escutam e se preocupam com elas.

2.

Os pais e as mães devem ter um papel activo na vida da criança.

3.

As crianças devem saber que são amadas e que as suas opiniões são importantes.

4.

Os pais devem usar linguagem precisa quando fazem perguntas aos filhos.

5.

Se os pais vêem brinquedos, doces, dinheiro que não conhecem a sua origem, devem perguntar aos filhos como e onde essas coisas foram adquiridas.

6.

Pais e mães precisam de ter conhecimento seguro sobre a prevenção do abuso sexual.

2.6 Consequências do abuso sexual 1. Emoções e afectos: Ansiedade, distúrbios do humor, angústia, desconfiança, medos; agressividade e hostilidade. 2. Auto-representação:

Baixa

auto-estima,

culpabilidade,

vergonha,

auto-

estigmatização. 3. Sexualidade: Precocidade de comportamentos sexuais, curiosidade excessiva; prostituição infantil e juvenil. 4. Outras

manifestações:

dificuldades

de

ordem

cognitiva

(memória,

concentração); perturbações alimentares e do sono; insucesso escolar; comportamentos anti-sociais; abandono do lar.

2.7 Formas de detectar o abuso sexual numa criança Não existe sintomas considerados específicos do abuso sexual. Educadores e professores devem prestar atenção às mudanças bruscas operadas numa criança e

252


tentar averiguar o que se está a passar com ela. Existem alguns indicadores que se encontram associados ao abuso sexual mas que devem ser cuidadosamente interpretados. 1. Indicadores físicos: sangue nos órgãos genitais, fissuras anais, infecção urinária, dor a sentar-se ou a andar, problemas de sono, problemas alimentares, gravidez em adolescentes. 2. Indicadores comportamentais: isolamento, conhecimento e/ou práticas de comportamentos sexuais que não são próprios da idade, masturbação excessiva, agressor de outras crianças, problemas escolares (dificuldade de concentração). 3. Indicadores emocionais: sintomas de ansiedade, terrores nocturnos, depressão, sentimentos de culpa, medo de um adulto específico ou medo de adultos do mesmo sexo do agressor, conflitos com a família e amigos. 2.8 Formas de actuação perante um caso de suspeita de abuso sexual. 1. Falar com a criança a sós e logo de seguida, sem adiar para mais tarde. Assegurar-lhe confiança, dando-lhe reforços positivos. 2. Mostrar calma e acreditar na criança. 3. Dizer-lhe que não é culpada, a criança NUNCA é culpada. Esta frase deve ser repetida várias vezes à criança e família. 4. Se a criança quiser falar acerca do abuso deve ser encorajada a faze-lo. 5. Expressar-lhe afecto. Numa situação traumática como esta, a criança necessita que lhe seja dado carinho e afecto. 6. Mostrar sensibilidade relativamente ao que aconteceu à criança (caso de abuso sexual extra-familiar). 7. Oferecer-se para responder a qualquer pergunta que a criança deseje fazer. Se não souber responder-lhe, comprometa-se a ir procurar informação junto de quem a saiba. 8. Comunicar o abuso à família o mais rápido possível. 9. Procurar ajuda profissional para a criança e família.

253


2.9 Razões de peso a favor da denúncia 1. A denúncia protege a criança e impede que o abuso se volte a repetir. 2. A denúncia impede o agressor de abusar de outras crianças. 3. A denúncia obriga o agressor a assumir os seus actos, responsabiliza-o inteiramente. 4. A denúnica obriga o agressor a tratamento. 5. A denúncia desculpabiliza a criança e faz-lhe justiça. 6. A decisão da denúncia, não só da parte dos professores, mas também de todos os profissionais que lidam com a valência da infância, pode ter como consequência que o abuso sexual de menores diminua. 7. A denúncia é um dever social, para além de ser um dever profissional. 8. A denúncia evita abusos sexuais de outras crianças.

2.10 Motivos que levam alguns professores/educadores a não denunciarem o abuso 1. Pensam que não faz parte das suas funções intrometerem-se na vida privada das famílias. 2. Pensam que a denúncia pode trazer-lhes conflitos com o agressor ou com a família. 3. Pensam que a criança pode ser retirada à família, o que pode ser pior para a criança. 4. Pensam que a denúncia pode ter consequências graves ao nível da relação professor/pais ou professor/aluno. Bibliografia consultada Alferes, V. (1997). Encenações e Comportamentos Sexuais. Para uma Psicologia Social da Sexualidade. Porto: Edições Afrontamento. Colom, A. J. (2000): Desarrollo sostenible e educación para el desarrollo. Barcelona: OCTAEDRO. Gardner, H. (2000). Inteligências Múltiplas: a teoria na prática, Porto Alegre: Artes Médicas.

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López, F. e Fuertes, A. (1990). Para comprender la sexualidade. Navarra: Estella. Marques, A; Frade, Mª; I. Félix; Vilar, D. (1990). Programa de Educação Sexual para Jovens em Formação Profissional no Regime de Aprendizagem. Lisboa: Associação para o Planeamento da família. Pereira, C. (2006). Guia de Educação Sexual e Prevenção do Abuso. Pé de Pagina Editores. Pike, G. e selby, D. (1988). Global Education: the irreductible global perspective. The Social Science Teacher. Ribeiro, T. (2006). Os Jovens e a educação Sexual: contributos para a aplicação dum programa de educação sexual. Em Ribeiro, T. (Coord) Educação da Sexualidade na Escola: Um Treino de Competências. Braga: Edições “Casa do Professor”. Selby, D. (1996). Educación global: hacia una irreducible perspectiva global en la escuela. Innovación Educativa. nº 51, 25-30. SIECUS (1996). National guidelines task force: guidelines for comprehensive sexuality education. Kindergarten- 12th Grade New York: SIECUS [on-line]. Soares, I. e Santos. B. P. Cadernos de consulta psicologia, 2, 1986, 71-79. Vaz, J., Vilar, D. & Cardoso, S. (1996). Educação sexual na escola. Lisboa: Universidade Aberta. Vilar, D. (1987). Aprendizagem sexual e educação sexual. Em Allen Gomes & A. Albuquerque (Eds.), Sexologia em Portugal: II Volume Sexualidade e Cultura. Lisboa: Texto Editora. Vilar, D. (1987). Aprendizagem sexual e educação sexual. In Allen Gomes & A. Albuquerque (Eds.), Sexologia em Portugal: II Volume Sexualidade e Cultura. Lisboa: Texto Editora. Vilar, D. (1999). Falar disso… Contributos para compreender a comunicação sobre sexualidade entre progenitores e adolescentes. Dissertação de Doutoramento em Sociologia. Lisboa: ISCTE. Werebe, M. (1977). A educação sexual na escola. (A. Ribeiro, Trad.). S. Paulo: Moraes Editores. (Publicação original 1976)

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Formadores: Sandra Mendes

Nível de Ensino: 1º Ciclo. Grupo de recrutamento: 1 10

Formandos:

Pedro Oliveira

Celia Simoes

Maria Aldina CarvalhoLeite

Centro de Formação de Associação de Escolas de Braga / Sul

Tema: Compreensão da noção de parentalidade no quadro de uma saúde sexual e reprodutiva saudável

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Roteiro para o Professor

Enquadramento Teórico

O Programa de Educação para a Saúde nas escolas abrange um leque variado de temas, entre os quais a saúde sexual reprodutiva ocupa um lugar de destaque pela sua relevância no contexto da formação integral do indivíduo. Neste âmbito, são tratados um conjunto alargado de temas e de procedimentos que visam promover o bem-estar físico e psicológico do ser humano. A preocupação com a saúde do adolescente tem adquirido uma importância mundial, nomeadamente o problema da gravidez na adolescência, que se tem revelado um assunto de saúde pública. Assim, os assuntos relacionados com a saúde reprodutiva são de importância vital para os jovens, à medida que se preparam para desempenhar o papel de adultos. Inerente à saúde sexual reprodutiva está a possibilidade de decidir livremente se se quer ter e quando se quer ter um filho. Trata-se do direito de responsável e livremente determinar o número de filhos e o intervalo entre eles, assim como o direito ao mais elevado padrão de saúde sexual e reprodutiva. Isto implica, também, o direito de todas as pessoas a protegerem-se de gravidezes indesejadas e de doenças sexualmente transmissíveis, entre as quais o VIH. Situamo-nos, assim, na esfera dos direitos reprodutivos, que são direitos humanos que derivam do reconhecimento de que todas as pessoas têm o direito a fazer escolhas livres, sem discriminação, coerção ou violência.

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No contexto da adolescência, a parentalidade tem fortes impactos no projecto de vida dos jovens, ao nível do seu crescimento, da sociabilidade e do percurso escolar e profissional, variando em função da classe social, do género e do suporte familiar. O nascimento de um filho é considerado um momento do ciclo de vida que acarreta profundas mudanças na vida dos pais. Implica um conjunto de reorganizações a nível dos papéis que os membros do casal desempenham, muitas vezes gerador de perturbação. Para além da gravidez propriamente dita, o fenómeno da gravidez na adolescência coloca em foco uma alteração no ciclo de desenvolvimento dos adolescentes pais e mães, a partir do nascimento da criança. Muitos adolescentes imaginam o seu papel de pais com pouca maturidade, de forma irrealista e idealizada, identificando a tarefa de cuidar de um bebé como fácil e divertida. Inerentes à parentalidade estão as tarefas quotidianas que os pais devem executar junto da criança. São cuidados parentais e não apenas maternais pois cada um dos pais tem o seu papel a desenvolver nessas tarefas. Entenda-se por cuidado não apenas cuidados físicos, mas igualmente cuidados psíquicos. A noção de parentalidade não inclui apenas o sentido biológico do termo. Para se tornar um pai ou uma mãe é preciso ter feito um trabalho interior. Na maioria dos casos o exercício da parentalidade na adolescência é um “acidente” de percurso e resulta do uso de métodos de contracepção de eficácia reduzida ou, simplesmente, da utilização incorrecta de métodos contraceptivos, nomeadamente da pílula. Na realidade, esses jovens ainda não se encontram suficientemente habilitados para lidar com eles mesmos e deparam-se com novas responsabilidades. Frequentemente são obrigados a interromper os estudos antes do planeado e são impedidos de um convívio social mais intenso para se restringirem ao ambiente familiar. Pais e mães adolescentes enfrentam uma tarefa dupla: tornarem-se adultos, superando as contingências da adolescência: construção de uma identidade, construção da imagem corporal, superação das figuras parentais e, ainda, educar seus filhos. No contexto da educação sexual, pretende-se que os adolescentes, no seu processo de construção individual, sejam dotados de recursos que lhes permitam tomar decisões firmes sobre questões de importância. A maioria dos jovens toma decisões saudáveis e conscientes se dispuser das ferramentas para o fazer. Uma sexualidade apreciada e uma boa saúde reprodutiva passam, também, por uma questão de aprendizagem. No entanto, a abordagem da sexualidade não deve ser sempre feita num quadro de riscos. Pretende-se que os jovens ou adultos encarem a sexualidade como uma fonte de alegria, intimidade, satisfação emocional e confiança. Independentemente da opinião que se possa ter sobre a sexualidade na adolescência, o objectivo final desta abordagem deve ser o de que nenhum adolescente ou adulto vivencie qualquer forma de encontro sexual que seja assustador, não acordado ou perigoso para a saúde. E a chave para uma sexualidade saudável na vida adulta está, também, na disponibilização de informação adequada à idade, de forma progressiva, que permita uma maturação sexual.

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Daí, a necessidade de incluir nos programas de Educação Sexual para adolescentes conhecimentos sobre bebés e suas necessidades, os quais podem contribuir para o futuro exercício da parentalidade e para uma atitude mais responsável perante o sexo e uma possível gravidez. Além disso, o adolescente deve compreender a importância do planeamento da gravidez, já que, entre outros aspectos permite criar um ambiente saudável para o feto, prevenir defeitos à nascença e ajuda a prevenir a exposição da mãe a medicamentos e substâncias potencialmente perigosas durante os primeiros tempos de gravidez. É importante que o jovem perceba todas as responsabilidades que ser pai e mãe implica, bem como as alegrias e os ganhos que ter um filho pode proporcionar. Todas estas informações poderão contribuir para uma melhor decisão face a uma crise com que o adolescente se confronte, como é o caso de uma gravidez não desejada. É fundamental que os jovens avaliem antecipadamente todos os aspectos e o impacto na sua vida e daqueles que os rodeiam. Ajudar os adolescentes neste processo de construção de uma identidade será apontar-lhes um caminho para que conquistem autonomia e desempenhem bem o papel que desejarem.

Referências Bibliográficas Dias, Alda; Ramalheira, Carlos; Marques, Luís; Seabra, Maria; Antunes, Maria (2002), Educação da sexualidade no dia-a-dia da prática educativa, Braga, Edições Casa do Professor Solis-Ponton, Letícia (2004), Ser Mãe, Ser Pai: Parentalidade um desafio para o terceiro milénio, Casa do Psicólogo Alcobia, Helena; Mendes, Alexandra; Seródio, Helena (2003), Educar para a sexualidade, Porto Editora Brochura da Associação para o Planeamento da Família Revista Pontos nos Is – A educação sexual lá em casa www.apf.pt www.dgidc.min-edu.pt/saude/Paginas/Sexualidade.aspx www.arpgravideznaadolescencia.blogspot.com/ www.juventude.gov.pt www.kingcounty.gov/healthservices/health/personal/famplan/educators.aspx www.perfil.com.pt www.portaldasaude.pt www.pr.gov.br/divulgacoes/seed/index_remocao.html

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http://issuu.com/ricardocfbs/docs/powerpoint_de_apoio_para_aula_n.__1

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Formadores: Sandra Mendes

Nível de Ensino: 1º Ciclo. Grupo de recrutamento: 1 10

Formandos:

Cecília de Mariana Sousa

Felisbela Carvalho

Amélia Carvalho

ENQUADRAMENTO DO PROJECTO O conceito actual de saúde preconiza a integração de intervenções preventivas globais, através da promoção de competências pessoais e sociais para a saúde. A aprovação, em 6 de Agosto, da Lei n.º 60/2009 que estabelece o regime de aplicação da educação sexual em meio escolar, integrando-a no âmbito da educação para a saúde, remete-nos, uma vez mais, para a necessidade de recorrer à metodologia do trabalho de projecto para melhor enquadrar e orientar aquele que é um dos imperativos expressos no Artigo 7.º, o Projecto de Educação Sexual da Turma. De acordo com o ponto 1, este deverá ser elaborado no início do ano lectivo pelo director de turma, o professor responsável para a saúde e educação sexual, bem como os demais professores envolvidos na educação sexual no âmbito de uma abordagem transversal. Pela portaria n.º 196-A/2010 de 9 de Abril procede-se à regulamentação da Lei n.º 60/2009, de 6 de Agosto, nas matérias e nos termos nela previstos. A temática da Educação Sexual foi, de acordo com o disposto na estrutura curricular do ensino básico, sempre trabalhada no âmbito dos conteúdos específicos das disciplinas de Ciências Naturais e de Ciências da Natureza. Mas por se considerar que correspondia a uma necessidade fundamental na formação das nossas crianças e jovens, contribuindo para a sua formação pessoal, cívica e emocional e proporcionando uma vivência responsável e plena como pessoa, a temática da Educação Sexual tornouse de abordagem obrigatória na Área Curricular Não Disciplinar de Formação Cívica. Partindo de uma reflexão teórica e de um trabalho de pesquisa, criámos alguns instrumentos de trabalho, planificações e tentámos colmatar alguns aspectos menos explícitos, de modo a simplificar e concretizar a estruturação e aplicação do Projecto. “A sexualidade é uma energia que nos motiva a procurar amor, contacto, ternura e intimidade; que se integra no modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados; é ser-se sensual e ao mesmo tempo sexual; ela influencia pensamentos, sentimentos, acções e interacções e, por isso, influencia também a nossa saúde física e mental.” O.M.S. - Organização Mundial de Saúde

A definição de Sexualidade dada pela Organização Mundial de Saúde, reflecte bem a complexidade desta temática. Acompanhando a evolução do Homem ao longo dos tempos, a sexualidade reflectiu valores, sentimentos, dinâmicas de poder, liberdades e moralidades... foi o reflexo da caminhada humana... Sendo fonte de realização e de vida, a sexualidade humana envolve componentes morfológicas, fisiológicas, emocionais, afectivas e culturais.

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Muitos dos receios em torno da Educação Sexual, devem-se à ideia redutora do conceito de Sexualidade. Pois, a Sexualidade para a maior parte das pessoas, resume-se ao sexo e ao sistema reprodutor. É verdade que a reprodução é uma componente indispensável nos programas de Educação Sexual, mas a Sexualidade é muito mais abrangente. Estamos, hoje, mais conscientes de que a sexualidade não se esgota no acto sexual uma vez que ela é prazer e descoberta, é palavra e gesto, é amizade e afecto, satisfação e sofrimento, enfim, é expressão da nossa existência. A sexualidade expressa-se não só no que sabemos, mas sobretudo nos nossos sentimentos, atitudes e comportamentos. A sexualidade aparece mais como uma experiência pessoal, fundamental na construção do sujeito.

FINALIDADES DO PROJECTO A sexualidade e a afectividade são componentes essenciais da intimidade e das relações interpessoais. Tendo em conta os princípios subjacentes ao desenrolar de um Projecto de Educação para a Sexualidade, em contexto escolar e para que o resultado final, seja benéfico e enriquecedor para todos os intervenientes, vamos: Proporcionar aos alunos a aquisição de conhecimentos, ao nível das atitudes e dos valores de forma a ajudá-los a optar e a tomar decisões adequadas à melhoria da sua saúde e ao seu bem-estar físico, social e mental; Fornecer aos alunos ferramentas necessárias para que sejam cada vez mais conscientes, autónomos, críticos, responsáveis, cooperantes e intervenientes, adoptando estilos de vida saudáveis; Valorizar as diferentes expressões da sexualidade ao longo do ciclo de vida; Reconhecer a importância da comunicação e do envolvimento afectivo e amoroso na vivência da sexualidade; A promoção de direitos e oportunidades entre homens e mulheres;

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A abordagem da temática da Educação Sexual ao nível do 2.º ciclo engloba: - Normalidade, importância e frequência das suas variantes biopsicológicas; - Diversidade e respeito; - Sexualidade e género; - Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas; - Puberdade – aspectos biológicos e emocionais; O corpo em transformação; Caracteres sexuais secundários; Compreensão do ciclo menstrual e ovulatório. - Reprodução humana e crescimento; - Contracepção e planeamento familiar; - Dimensão ética da sexualidade humana.

Com o projecto de educação para a sexualidade pretendemos que os jovens adquiram uma visão da sexualidade em todas as suas componentes: biológica, emocional, afectiva, social e espiritual e que adquiram competências para a vivência adulta da sexualidade, promotoras de relações afectivas estáveis e duradouras, assente em compromissos vividos em liberdade. Estamos convencidos que um percurso assim feito vai dar espaço para que os nossos alunos adquiram ferramentas para a compreensão da sexualidade em todas as suas componentes e como uma dimensão que constrói a pessoa a todos os níveis. O grande desafio que se põem é o de aproveitarmos o momento actual para darmos aos nossos alunos os instrumentos necessários para que sejam eles a escolher o mundo que pretendem vir a ter e a pessoa que pretendem ser.

AULA Nº 1 Normalidade, importância e frequência das suas variantes biopsicológicas.

A sexualidade, já o sabe, envolve toda a personalidade humana ao longo da vida. Permite-nos comunicar, estabelecer laços, dar e receber afecto, prazer e é com todo o corpo que a experienciamos. Como tal é muito importante conhecermos o nosso corpo para podermos viver a nossa sexualidade sem medos, sem falsas expectativas e sem angústias.

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AULA Nº 1 Actividade

 Como sou…

Área Temática

 Normalidade, importância e frequência das suas variantes biopsicológicas.

Competências:  Comunicar acerca do tema da sexualidade

Objectivos:    

Identificar as diferenças físicas entre rapaz e rapariga; Conhecer o seu próprio corpo; Saber que as alterações do corpo são normais; Facilitar a comunicação sobre sexualidade. Recursos:  Power Point  Jogo “Descobre de quem?”

Duração: 45 minutos

 Cartolinas  Tiras com as frases  Saco

Passo a passo: 1º Exploração do power point. 2º Esclarecimento de dúvidas. 3ºApresentação do jogo. 4º São colocadas duas imagens, uma de rapaz e outra de rapariga, no quadro. 5º Cada aluno retira de um saco uma frase que refere uma característica feminina ou masculina e coloca-a junto da imagem respectiva. 6º Após a colocação de todas as frases, será feita em grupo a correcção das erradas.  Recolha de imagens (revistas, jornais, livros, etc).

Avaliação

 Recorte e colagem das imagens.  Legendagem.

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AULA Nº 2 Diversidade e Respeito

Respeito por si e pelo outro – como norma da convivência a dois. O respeito do outro como ele é, o respeito pelas decisões que toma, pelas escolhas que faz. O respeito por mim pelo que sou e pelo que pretendo ser. Liberdade – como componente essencial duma vivência autónoma aceitando e desenvolvendo o que se é, e aceitando o outro como é.

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AULA Nº 2 Actividade Área Temática

 Agora escolhe!  Diversidade e respeito.

Competências:  Comunicar acerca do tema da sexualidade;  Aceitar positivamente a sua identidade sexual. Objectivos:  Aceitar os diferentes comportamentos. Duração: 45 minutos

Recursos:  Situações problemáticas.  Power point

Passo a passo: 1º Explicação da actividade. 2º Esclarecimento de dúvidas. 3º Formação de grupos de dois ou três elementos, dos dois sexos. A cada grupo é atribuído um número. Aos grupos: de 1 a 6 ser-lhe-á entregue a situação A e as possíveis escolhas. Aos grupos: de 7 ao 12 ser-lhe-á entregue a situação B e as possíveis escolhas. Aos grupos: de 13 ao 18 ser-lhe-á entregue a situação C e as possíveis escolhas. 4º Cada grupo terá 10 minutos para preparar a sua dramatização. 5º De seguida os alunos da situação A irão dramatizar a sua situação. 6º Projecção por parte do professor das possíveis escolhas mais acertadas De seguida haverá um debate para troca de ideias e a verificação de conhecimentos. 7º De seguida os alunos da situação B irão dramatizar a sua situação. 9º Projecção, por parte do professor, das possíveis escolhas mais acertadas. De seguida haverá um debate para troca de ideias e a verificação de conhecimentos. 10º De seguida os alunos da situação C irão dramatizar as suas situações. De seguida haverá um debate para troca de ideias e a verificação de conhecimentos. 11º Projecção, por parte do professor, das possíveis escolhas mais acertadas.  Para trabalho de casa, cada grupo terá que fazer uma pequena Banda Desenhada (1 pag. A4). No final, serão Avaliação compiladas num pequeno livrinho, que será colocado na Biblioteca Escolar, para consulta.

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AULA Nº 3 Sexualidade e Género

Os estereótipos masculinos e femininos só são úteis na medida em que facilitam o conhecimento antecipado do que é socialmente esperado como desempenho numa dada situação. No entanto, podem até tornar-se contraproducentes se forem adoptados de modo rígido e sem criatividade. Os papéis de cada um não são uma construção exclusivamente cultural, mas a expressão social de uma modalidade de ser sexuado. Mesmo realizando tarefas idênticas, cada homem e cada mulher vivencia-as de modo diferente. A imprescindível igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres não deve implicar o esbatimento da diversidade de modo de ser. Nem pode tentar diminuí-la ou escondê-la atrás de um redutor esquema.

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AULA Nº 3 Actividade

 A identidade sexual

Área Temática

 Sexualidade e género.

Competências:  Comunicar acerca do tema da sexualidade

Objectivos:  Compreender que é possível e útil desenvolver qualidades que não são habitualmente associadas ao seu sexo. Duração: 45 minutos Recursos:  Texto.  Ficha  Cartolina  Material de pintura

Passo a passo: 1º Distribuir a cada aluno a ficha (anexo 3). 2º Esclarecimento de dúvidas. 3º Em seguida o professor e os alunos vão:  Verificar que atributos suscitam maior consenso e quais foram indicados por menos alunos;  Analisar se os ideais masculinos e femininos da nossa sociedade coincidem com as características mais apontadas. 4º Elaborar em conjunto um perfil de atributos que se associam à personalidade feminina e à masculina com base nas respostas dos alunos. (Em cartolina) 5º De seguida questionar os alunos se:  Consideram desejável que um homem não possua os atributos que tendem a ser considerados femininos?  Como seria uma mulher sem iniciativa, sem independência, sem força de vontade, etc? 6º Leitura e análise do texto “ Guerra de sexos?”

Avaliação

 Reflexão individual, por escrito, sobre “O que aprendi hoje?”

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FICHA ANO

DE

TRABALHO TURMA

ANO LECTIVO 2010 -2011

NOME: _______________________________________________________________________________

Nº: ____

A identidade sexual é determinada pelos genes, pelos processos biológicos de diferenciação sexual e pelas influências do ambiente. Na lista seguinte assinala com F as características que costumam ser atribuídas ao sexo feminino e com M as que habitualmente se consideram atributos masculinos.

Compreensão

Valentia

Pragmatismo

Independente

Ternura

Romantismo

Frieza

Intuição

Prudência

Sensibilidade

Liderança

Iniciativa

Honestidade

Generosidade

Autodisciplina

Entusiasmo

Amabilidade

Força de vontade

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Formadores: Sandra Mendes

Nível de Ensino: 1º Ciclo. Grupo de recrutamento: 1 10

Formandos:

Ana Rita Pereira

António Pereira

Carminda Gomes

Martine Costa

Comunicação e Comportamento sexual Trabalho realizado por: Ana Rita Alves Pereira António Aristides Pereira Carminda Dias Gomes Martine de Sousa Costa

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Prefácio O presente trabalho surge no âmbito da realização da Oficina de Formação “Actuação Docente na Educação para a Sexualidade na Aplicação do Programa PRESSE. (2º e 3º Ciclos)” e serve dois propósitos: i) ser um elemento de avaliação dos Docentes que o elaboram; ii)produzir materiais didácticos e respectivas planificações de utilização, disponibilizá-los à comunidade docente com o intuito de serem utilizados no contexto da Educação Sexual junto dos alunos do Ensino Secundário.

Introdução 1. Educação Sexual na Escola A Educação e Formação dos indivíduos ocorrem em três contextos fundamentais: a Família, a Sociedade e a Escola. Esta última tem um papel fundamental e institucional nestas tarefas. Uma das vertentes da formação pessoal bastante relevante é a Educação para a Saúde. Em particular, quando nos reportamos a crianças ou adolescentes, a temática da Educação Sexual assume uma importância paradigmática. A Escola tem obrigação moral, cívica e legal de providenciar informação científica, isenta, credível e estruturada acerca de todos os aspectos da Sexualidade. De acordo com a OMS (2002), “Sexualidade é um aspecto central de ser humano ao longo da vida e engloba sexo, identidade e papéis de género, orientação sexual, erotismo, prazer, intimidade e reprodução. A sexualidade experiencia-se e expressa-se através de pensamentos, fantasias, desejos, crenças, atitudes, valores, comportamentos, práticas e relacionamentos.” A Lei nº 60/2009, de 6 de Agosto, estabelece como objectivos para a Educação Sexual nas Escolas os seguintes: a) A valorização da sexualidade e afectividade entre as pessoas no desenvolvimento individual, respeitando o pluralismo das concepções existentes na sociedade portuguesa; b) O desenvolvimento de competências nos jovens que permitam escolhas informadas e seguras no campo da sexualidade; c) A melhoria dos relacionamentos afectivo-sexuais dos jovens; d) A redução de consequências negativas dos comportamentos sexuais de risco, tais como a gravidez não desejada e as infecções sexualmente transmissíveis; e) A capacidade de protecção face a todas as formas de exploração e de abuso sexuais; f) O respeito pela diferença entre as pessoas e pelas diferentes orientações sexuais; g) A valorização de uma sexualidade responsável e informada;

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h) A promoção da igualdade entre os sexos; i) O reconhecimento da importância de participação no processo educativo de encarregados de educação, alunos, professores e técnicos de saúde; j) A compreensão científica do funcionamento dos mecanismos biológicos reprodutivos; l) A eliminação de comportamentos baseados na discriminação sexual ou na violência em função do sexo ou orientação sexual. As temáticas a abordar, o grau de profundidade e o ângulo de abordagem em cada ciclo de ensino são naturalmente diferentes. A Portaria n.º 196-A/2010 de 9 de Abril vem regulamentar a Lei nº 60/2009 e define, entre outros aspectos, os conteúdos a trabalhar junto de cada faixa etária. No Ensino Secundário, o mote é “Compreensão ética da sexualidade humana” e a abordagem dos conteúdos “deve ser acompanhada por uma reflexão sobre atitudes e comportamentos dos adolescentes na actualidade”. Neste enquadramento normativo, um dos temas definidos pelo Agrupamento de Escolas de Maximinos (ao qual os docentes estão afectos), para ser trabalhado no 12.º ano de escolaridade, em Área de Projecto, é a Comunicação e Comportamento Sexual. Foi este o tema genérico escolhido pelos Docentes para a realização do presente trabalho. As actividades propostas versarão a temática mais específica da ligação intrínseca entre sexo e afectividade, bem como da assertividade nos relacionamentos afectivo-sexuais. 2. Sexualidade e afectividade A sexualidade faz parte do processo de desenvolvimento da identidade do adolescente e é assim uma parte importante do seu desenvolvimento humano. O sexo corresponde a um fenómeno instintivo que se caracteriza pela sensação de excitação que experimentamos ao tocarmos as nossas zonas erógenas. Essa é a sua primeira manifestação e que se dá pelo fim do primeiro ano de vida. É evidente que este processo se sofistica principalmente a partir da puberdade, quando surgem as diferenças físicas entre os sexos e onde entra em cena a excitação que deriva dos estímulos visuais e também aqueles que derivam de fantasias que a nossa mente é capaz de construir. O Amor é o vínculo emocional com outra pessoa, capaz de receber e alimentar as estimulações sensoriais e psicológicas. A sexualidade está intrinsecamente unida à afectividade, portanto, não há como separar estes dois conceitos. Escolher quais os caminhos a seguir e que decisões tomar é difícil em qualquer fase da vida. Durante a adolescência tomar decisões e fazer escolhas são grandes tormentos, gerando dúvidas e conflitos. Quando o assunto é a sexualidade as dúvidas parecem ser ainda maiores. O comportamento do jovem mudou nos últimos anos, a sexualidade é vista de maneira banalizada, assim como também os relacionamentos afectivos. A omnipresença da sexualidade nos média influencia de sobremaneira os

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comportamentos dos jovens. Ao folhear as revistas para o público adolescente, constatamos que existe uma série de artigos que os levam a adoptar comportamentos de sedução essencialmente sexuais. Os videoclips, as séries para adolescentes (Morangos com Açúcar), os reality shows, a publicidade, os filmes, a Internet apresentam um conteúdo sexual explícito, que impele o adolescente a ter uma vida sexual activa, reproduzindo os comportamentos sexuais visionados. A aparente liberdade gera conflito, principalmente entre os jovens que estão a viver um momento de transição entre a adolescência e a vida adulta. Seguir os valores herdados da família ou assumir o comportamento adoptado pelo grupo, consideravelmente influenciado pelos órgãos de comunicação social? Essa é uma dúvida muito frequente entre os jovens. Os jovens para se sentirem inseridos no grupo, adoptam comportamentos, como consumir bebidas alcoólicas e drogas ou assumir determinados comportamentos sexuais, sem estarem de facto conscientes dessas atitudes e, portanto, preparados para as possíveis consequências dessas escolhas. É preciso reflectir sempre os “porquês” das nossas atitudes, especialmente quando elas exigem responsabilidades pessoais e sociais. Actualmente, os jovens iniciam a sua vida sexual mais cedo. A sexualidade vem sendo discutida de forma mais “aberta”, nos discursos pessoais, nos meios de comunicação, na literatura e nas artes, mas, essa aparente “liberdade sexual” não torna as pessoas mais “livres”, pois ainda há preconceitos sobre o assunto. Na década de 90 surge a expressão “curtir” e “andar com”, expressões que representam uma nova condição de relacionamento em que as pessoas irão manter contactos físicos e afectivos durante um curto tempo, sem que isso signifique um vínculo duradouro. O “curtir” e o “andar com” apesar de aparentarem uma grande liberdade sexual estão repletos de regras. Será este comportamento um avanço nas relações afectivas? Constituirá um factor de desenvolvimento afectivo do adolescente? Por um lado, haverá uma maior possibilidade de escolha de parceiros sem que esse relacionamento necessariamente leve a um compromisso sério, por outro, uma possível banalização das relações, o que muitas vezes pode provocar frustrações para ambas as partes envolvidas. O adolescente do século XXI é visto como livre, bem informado com os acontecimentos, mas quando o assunto é sexo há muitas dúvidas e conflitos; desde dúvidas específicas sobre questões biológicas, como as doenças sexualmente transmissíveis, até conflitos sobre os valores e as atitudes que devem tomar em determinadas situações. Apesar de iniciarem a vida sexual mais cedo, os jovens não têm informação e orientação suficientes. Frequentemente os órgãos de comunicação social contribuem para a desinformação sobre sexo e a deturpação de valores. A banalização de assuntos relacionados à sexualidade e das relações afectivas geram dúvidas e atitudes precipitadas. Isso pode levar muitos jovens a relacionarem-se de forma conflituosa com os outros e também com a própria sexualidade.

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Ainda que a sociedade imponha um certo tipo de comportamento sexual e afectivo considerado normal, o que deve ser levado em conta é o bem-estar de cada um. A iniciação sexual (a famosa “primeira vez”...), para a maioria das pessoas, é uma situação de ansiedade, euforia e medo. Ela pode representar o afecto e a preocupação com o outro, mas pode, também, ser fonte de sentimentos de frustração e de desilusão. Ninguém esquece a primeira relação sexual, porque normalmente fazemos muita “fantasia” e criamos muita expectativa de como vai ser esse momento. Embora existam muitos motivos que levam os adolescentes a ter relações sexuais pela primeira vez e continuar a actividade sexual, estes não são todos igualmente válidos, uns são francamente melhores que outros: • Como forma de conseguir maior proximidade; • Um modo de ter novas experiências; • Para provar a maturidade que se alcançou; • Para ser como os outros amigos e conhecidos; • Como um meio de encontrar alívio de certas pressões; • Por desejo e atracção sexual; • Por amor. Segundo uma investigação publicada em www.sexualidades.info, em que se pediu a adolescentes que explicassem o que os levou a ter relações sexuais pela primeira vez, descobriu-se que: • 73% das raparigas e 50% dos rapazes, tiveram relações sexuais pela primeira vez porque se sentiram pressionados a fazê-lo; • 11% das raparigas e 6% dos rapazes, escolheram o amor como a razão para terem deixado de ser virgens. Isto significa que muita gente teve relações sexuais pela primeira vez, sem realmente o desejar, ou seja, há o risco de se começar a vida sexual sem estar verdadeiramente preparado para o fazer. Para os adolescentes que estão prestes a iniciar uma relação sexual, é importante que haja diálogo sobre: • Se querem mesmo ter a relação; • A contracepção; • As IST; • A importância do uso do preservativo; • O lugar e o momento da relação; … assim como há ideias que são importantes clarificar: i) A adolescente pode engravidar na primeira vez que se tem relações sexuais e pode haver risco de transmissão de uma infecção. Por isso, para se protegerem de uma gravidez indesejada e de uma infecção sexualmente transmissível, é indispensável o uso de preservativo, e de preferência associado ao uso de outro método contraceptivo (ex. pílula hormonal). ii) Não existe uma altura certa para se estar preparado a começar a vida sexual activa. Todos sabemos que somos diferentes uns dos outros, alguns mais

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altos, outros mais baixos, alguns um pouco gordos, outros demasiado magros, alguns crescem rapidamente outros levam muito tempo a desenvolver-se. É assim, também, em relação à sexualidade, uma pessoa não passa de criança a adulto de um momento para o outro, todos sabemos que as mudanças operam-se de forma gradual. Enfim, hoje existe uma aparente liberdade sexual. Ao mesmo tempo em que as pessoas são, em comparação com gerações anteriores, mais livres para fazer escolhas no campo afectivo e sexual, ainda há muito condicionamento por parte da sociedade, levando a que as pessoas tendam a assumir comportamentos e valores adoptados pela maioria. A comunicação assertiva é uma ferramenta fundamental em qualquer tipo de relacionamento, mas com especial ênfase nas relações de carácter afectivo e sexual. Em particular, entre os jovens e adolescentes, em que o desejo de agradar aos outros tantas vezes tende a sobrepor-se aos desejos do próprio indivíduo, a assertividade é uma competência chave a desenvolver e que se reveste de uma importância extrema. O saber fazer respeitar os seus direitos, expressar correcta e livremente as suas opiniões, sentimentos e vontades é fulcral para a feliz e sã vivência da sexualidade e da afectividade. Uma postura passiva num relacionamento, ou seja, aquela em que o próprio indivíduo se diminui, não manifestando claramente os seus pensamentos, violando os seus direitos, achando que as vontades e direitos do outro são mais importantes que os seus é relativamente comum nos adolescentes. Provoca no indivíduo que a adopta uma sensação de que o outro é que é importante e que o seu querer deve submeter-se ao do parceiro. Não há uma verdadeira liberdade de escolha e as atitudes tomadas são, em grande medida, decididas pelo outro, que pode assim fazer valer, exclusivamente, a sua vontade. Esta postura vem normalmente acompanhada por uma diminuição da auto-estima e pela consequente falta de respeito por parte do parceiro. Quando um dos indivíduos envolvidos num relacionamento afectivo/ sexual adopta um estilo de comunicação passivo abre lugar para que o parceiro tenha um estilo agressivo. Este caracteriza-se por uma expressão de pensamentos, sentimentos e vontades de forma impositiva e que viola os direitos do outro. Os sujeitos com esta postura não manifestam grande respeito pela visão do parceiro e têm a sensação de que só eles importam e, consequentemente, os outros devem submeter-se à sua vontade. Ora, na adolescência, altura em que os conflitos interiores entre muitíssimas influências externas convergem e um tumulto de emoções fervilha dentro do jovem torna-se muito difícil lidar correctamente com todas as questões relacionadas com a sexualidade e a afectividade. Por um lado, o desejo de agradar, de pertencer ao grupo, de ser aceite, como já referido, pode levar os jovens a actuar passivamente numa relação, cedendo à vontade do outro; por outro lado, a imaturidade emocional que faz com que o adolescente esteja ainda muito centrado em si (em particular, em fases iniciais da adolescência) pode provocar um egocentrismo e egoísmo que tende a

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objectizar o parceiro, vendo-o como um meio para atingir um fim (satisfação sexual, elevação do “estatuto social” – por se ter muitos(as) namorados(as)/parceiros(as) sexuais,…). Neste contexto, torna-se muito importante treinar os jovens para comportamentos assertivos, de modo a que respeitem os direitos do outro e façam respeitar os seus. Só assim poderão tomar decisões relativas à vivência da sua sexualidade de modo responsável, saudável e feliz. Só assim poderão construir relações que alicercem positivamente a construção da sua personalidade.

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PLANIFICAÇÃO TEMÁTICA: Comunicação e Comportamento Sexual

Actividade 1- Formas de ver e de viver OBJECTIVOS  Reflectir sobre preconceitos associados a papéis de género no que diz respeito aos conceitos de sexo e amor.  Concluir se há ou não diferentes visões sobre sexo e amor para os rapazes e para as raparigas.  Desenvolver a mudança relativamente aos estereótipos existentes nesse domínio.

CONTEÚDOS

ESTRATÉGIAS

 Estereótipos sobre os papéis de género no que diz respeito aos conceitos de sexo e amor.

 Projecção de duas imagens.

 Conceitos / definição de sexo e amor.

 Apresentação do trabalho e respectiva interpretação.

 Divisão em grupos de rapazes e raparigas para construção de um cartaz evidenciando a representação que cada um tem de amor e sexo.

RECURSOS

Nº BLOCOS

Computador, projector multimédia. Cartolinas, tesoura, cola, revistas e jornais.

1,5

Ficha fotocopiada.

 Debate de ideias.

 Desocultar os conceitos de sexo e amor.  Defender os seus pontos de vista apresentando uma argumentação válida.

Actividade 2 – À volta da canção Amor e sexo OBJECTIVOS  Diferenciar sexo de amor.  Defender os seus pontos de vista apresentando uma argumentação válida.  Compreender a importância de uma relação sexual baseada na afectividade.

CONTEÚDOS

ESTRATÉGIAS

Diferentes visões / representações de amor e sexo.

 Completamento de tabela com a selecção de palavras da canção “Amor e Sexo” de Rita Lee.  Justificação das opções tomadas  Audição e visionamento do vídeoclip da canção para correcção da actividade anterior.

RECURSOS

Nº BLOCOS

Papel e lápis, esferográficas. Computador, projector multimédia, colunas de som, Ficha fotocopiada.

1

 Considerações à volta da letra da canção e das escolhas feitas pelos alunos.

284

7


Actividade 3- Motivações OBJECTIVOS  Apresentar as motivações que podem estar na base de uma relação sexual.  Atribuir um grau de importância às motivações apresentadas.

CONTEÚDOS  Motivações dos adolescentes para as relações sexuais.

ESTRATÉGIAS  Seleccionar opções quanto às motivações dos adolescentes para as relações sexuais.

RECURSOS

Nº BLOCOS

Ficha fotocopiada. Papel e lápis, esferográficas.

0,5

Actividade 4- Conseguir dizer OBJECTIVOS  Assumir um papel e defender as suas opiniões de uma forma assertiva.  Debater as situações dramatizadas a partir das experiências de vida de cada um.  Defender os seus pontos de vista apresentando uma argumentação válida.

CONTEÚDOS  Defesa assertiva de opiniões pesssoais.

ESTRATÉGIAS  Realização de uma actividade de “role playing”, por parte de 2 grupos de 2 alunos, voluntários ou escolhidos pelo professor, para análise de duas situações de comunicação entre um par de namorados.  Debate de ideias a partir das situações criadas.

285

RECURSOS

Nº BLOCOS

Ficha fotocopiada. Papel e lápis, esferográficas. 1


Actividade 1- Formas de ver e de viver 1- Como interpretas as imagens que se seguem? 2- Concordas com a mensagem veiculada? Justifica a tua opinião.

o

3- Em grupo de 6 elementos, separados por rapazes e raparigas, compõe dois cartazes definindo respectivamente amor e sexo. Para a realização do teu trabalho, deverás seleccionar e recortar imagens das revistas e dos jornais que tens à tua disposição e proceder à sua composição e colagem. 4 - Cada grupo expõe o seu cartaz e justifica as opções tomadas. 5 - A turma debate o assunto tendo em conta as seguintes questões: - Qual a ideia de sexo e amor presentes nos cartazes? - São visíveis diferenças entre as interpretações dos grupos dos rapazes e das raparigas? - As concepções de amor e sexo encontradas são comuns na nossa sociedade? - Que outro tipo de imagens seria de acrescentar aos cartazes? - Retirariam algumas das imagens? Porquê?

286


Actividade 2 – À volta da canção Amor e sexo 1 - Antes de ouvires a canção de Rita Lee Amor e Sexo, onde é feita a distinção entre estes dois conceitos, preenche o quadro seguinte com as palavras que, segundo a tua opinião, se adequam melhor à definição de amor e de sexo. Para cada par de palavras constantes no quadro abaixo, deves atribuir uma à definição de amor e outra à definição de sexo.

Amor é…

Sexo é…

2 - Explica as razões das tuas opções. 3 - Completa a frase seguinte, que faz parte da canção: Amor sem sexo é ______________, sexo sem amor é _________________. 4 - Ouve atentamente a canção de Rita Lee, acompanhada pelo seu vídeoclip, e completa correctamente o quadro. http://www.youtube.com/watch?v=KQjN-YFp-gU

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Amor é…

Sexo é…

um livro / desporto escolha / sorte novela / cinema poesia / prosa cristão / pagão latifúndio / invasão divino / animal carnaval / bossa nova do bom / do bem um / dois antes / depois

5 - Compara a letra da música às opções que fizeste. Reflecte sobre as diferenças encontradas. 6 - Algum dos conceitos aparece com uma carga mais positiva que o outro? 7 - Na canção os dois conceitos aparecem dissociados. Pensas que essa é a situação ideal?

288


Actividade 3- Motivações

1 - Considera as seguintes motivações para ter relações sexuais. - Como uma forma de conseguir maior proximidade com o parceiro; - Um modo de ter novas experiências; - Para provar a maturidade que se alcançou; - Para ser como os outros amigos e conhecidos; - Como um meio de encontrar alívio de certas pressões; - Para investigar os mistérios do amor; - Por desejos e atracções sexuais; - Por amor. 1.1- Reflecte sobre estas motivações. Escreve a razão mais importante e a menos importante para ti, num papel e entrega ao professor. 1.2- Conforme os resultados obtidos, que razões prevalecem na turma?

Actividade 4- Conseguir dizer 1 - Realiza um role play tendo em conta as seguintes situações. a) Recusar ter relações sexuais com o(a) namorado(a): - O(A) teu(tua) namorado(a) propõe-te ter relações sexuais. - Não te sentes preparada(o) e recusas. - O(A) teu(tua) namorado(a) insiste. - Apresenta as razões da tua recusa. - Chegam os dois a uma conclusão. b) Planear com antecedência a relação sexual com o(a) namorado(a): - Tu e o(a) teu(tua) namorado(a) sentem que já estão preparados para terem relações sexuais. - Planeiam esse momento, de forma a criarem um ambiente de intimidade, tornando o momento especial e evitando consequências indesejadas. 2 - Findas as apresentações, debate o seu conteúdo tomando em consideração as seguintes questões:

289


Comenta a forma de se expressar de cada um dos intervenientes na conversa, referindo o facto de utilizarem uma linguagem mais passiva, agressiva ou assertiva. O que sentiu cada um dos intervenientes? Quais os argumentos que tiveram mais importância na tomada da decisão? Qual a importância de expressar os sentimentos e as decisões face a determinadas situações? Estas situações são frequentes? Comenta com situações reais de que tenhas conhecimento.

Bibliografia / Webgrafia

 CARVALHO, Rita Lee, Amor e Sexo, http://www.youtube.com/watch?v=KQjNYFp-gU (2003)

 FRADE, Alice, MARQUES, António, ALVERCA, Célia e VILAR, Duarte, Educação Sexual na Escola- Guia para Professores, Formadores e Educadores, 5ª edição, Colecção “Educação Hoje”, Texto Editora, Lisboa (2001).

 SANTOS, Ana, OGANDO, Clara e CAMACHO, Helena, Educação da Sexualidade na Escola. Da Teoria à Prática, Didáctica Editora, Lisboa (2001).

 http://www.apf.pt/temas.htm  http://www.juventude.gov.pt/Portal/  http://www.portaldasaude.pt/portal/  http://www.sexualidades.info,  http://www.sida.pt

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Formadores: Laura Ribeiro

Nível de Ensino: 1º Ciclo. Grupo de recrutamento: 1 10

Formandos:

Carlos A. Pereira

Maria Cristina Leal

Plano de Aula TEMA: OS AFETOS

Objetivos

Estratégias e Metodologias

 Saber interpretar os sentimentos manifestados pelos outros.  Valorizar e facilitar a expressão dos sentimentos.  Desenvolver os relacionamentos afetivo-sexuais dos jovens.  Compreender a importância da afetividade e da maturidade na vivência da sexualidade.

 Apresentação aos alunos do tema afetos, questionando “ O que são afetos?”. Sugerir vários exemplos e no final apresentar o diapositivo.  Diálogo com os alunos sobre os vários tipos de sentimentos (questionar os alunos sobre o sentimento que têm pelos pais, amigos, vizinhos, o que sentem quando recebem um teste positivo ou negativo, etc).  Apresentação e exploração de diapositivos em PowerPoint sobre os sentimentos.  Distribuição e resolução, pelos alunos, de uma ficha sobre o assunto abordado.  Análise e discussão de algumas das respostas dadas pelos alunos.  No final, e através do diálogo, os alunos devem concluir que nem sempre é fácil expressar os sentimentos e que as suas vivências dependem dos sentimentos que conseguem expressar. http://issuu.com/tiagolopess95/docs/apresenta_plano_2

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Recursos  Quadro branco;  Computado r;  Projetor;  Diapositivo s;  Ficha de trabalho.

Avaliação

 Observação direta das atitudes e comportamentos;  Nível de participação.


AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE REAL Escola do Ensino Básico do 2.º e 3.º Ciclos de Real Nome:_____________________________________________ nº:_____

OS SENTIMENTOS…

Sinto-me quando ____________________________________ __________________________________________

Sinto-me quando ____________________________________ __________________________________________

Sinto-me quando ____________________________________ __________________________________________

Sinto-me quando ____________________________________ __________________________________________

Sinto-me quando ____________________________________ __________________________________________

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Turma:_____


Formadores: Laura Ribeiro

Nível de Ensino: 1º Ciclo. Grupo de recrutamento: 1 10

Formandos:

Jorge V. R. Silva

Mª Luz Sampaio

Educação Sexual em meio escolar: metodologias de abordagem/intervenção

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Primeiro Beijo Rui Veloso

NãO Há Estrelas No CéU Rui Veloso

Recebi o teu bilhete para ir ter ao jardim a tua caixa de segredos queres abri-la para mim e tu nao vais fraquejar ninguém vai saber de nada juro nao me vou gabar a minha boca é sagrada

Não há estrelas no céu a dourar o meu caminho, Por mais amigos que tenha sinto-me sempre sozinho. De que vale ter a chave de casa para entrar, Ter uma nota no bolso pr'a cigarros e bilhar?

Estar mesmo atrás de ti ver-te da minha carteira sei de cor o teu cabelo sei o shampoo a que cheira já não como, já não durmo e eu caia se te minto havera gente informada se é amor isto que sinto Quero o meu primeiro beijo não quero ficar impune e dizer-te cara a cara muito mais é o que nos une que aquilo que nos separa Promete lá outro encontro foi tão fogaz que nem deu para ver como era o fogo que a tua boca prometeu pensava que a tua língua sabia a flôr do jasmim sabe a chicla de mentol e eu gosto dela assim

[Refrão] A primavera da vida é bonita de viver, Tão depressa o sol brilha como a seguir está a chover. Para mim hoje é Janeiro, está um frio de rachar, Parece que o mundo inteiro se uniu pr'a me tramar! Passo horas no café, sem saber para onde ir, Tudo à volta é tão feio, só me apetece fugir. Vejo-me à noite ao espelho, o corpo sempre a mudar, De manhã ouço o conselho que o velho tem pr'a me dar. [Refrão] Hu-hu-hu-hu-hu, hu-hu-hu-hu-hu. Vou por aí às escondidas, a espreitar às janelas, Perdido nas avenidas e achado nas vielas. Mãe, o meu primeiro amor foi um trapézio sem rede, Sai da frente por favor, estou entre a espada e a parede. Não vês como isto é duro, ser jovem não é um posto, Ter de encarar o futuro com borbulhas no rosto. Porque é que tudo é incerto, não pode ser sempre assim, Se não fosse o Rock and Roll, o que seria de mim? [Refrão] Não há-á-á estrelas no céu...

Quero o meu primeiro beijo não quero ficar impune e dizer-te cara a cara muito mais é o que nos une que aquilo que nos separa

294


Não Vou Me Adaptar Nando Reis Eu não caibo mais Nas roupas que eu cabia Eu não encho mais A casa de alegria Os anos se passaram Enquanto eu dormia E quem eu queria bem Me esquecia... Será que eu falei O que ninguém ouvia? Será que eu escutei O que ninguém dizia? Eu não vou me adaptar Me adaptar... Eu não tenho mais A cara que eu tinha No espelho essa cara Não é minha Mas é que quando Eu me toquei Achei tão estranho A minha barba estava Desse tamanho... Será que eu falei O que ninguém ouvia? Será que eu escutei O que ninguém dizia? Eu não vou me adaptar Me adaptar... Não vou! Me adaptar! Me adaptar! Não vou! Me adaptar! Não vou! Me adaptar!...

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Formadores: Laura Ribeiro

Nível de Ensino: 1º Ciclo. Grupo de recrutamento: 1 10

Formandos:

Domingos Bacelar Oliveira

Mª José M. Ramos

Introdução.

A adolescência é uma etapa marcante na vida de todas as pessoas. É nela que através de uma série de mudanças físicas e emocionais cada um descobre a sua identidade e define a sua personalidade.

Estas mudanças permitem-nos descobrir o nosso corpo e ao mesmo tempo sentir urgência em explorar o corpo do sexo oposto. Começamos a namorar, deixamos-mos levar pelas sensações, até que... um belo dia... recebemos a notícia de que vamos ser pais. É então que o mundo parece desabar sobre nós... o o o

o o

Temos vergonha! Sentimo-nos tristes e infelizes por já não sermos crianças! Estamos apavorados por, de um dia para o outro, sermos abrigados a assumir responsabilidades de um mundo adulto, ao qual não pertencemos! Estamos sós! Mas será que tem que ser assim? É o nosso fim! Descobre a resposta seguindo para a Tarefa

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Tarefa. Nesta webquest vocês vão ser Técnicos Especializados em Saúde Sexual exercendo funções numa área residencial onde a percentagem de mães adolescentes é relativamente elevada. A vossa tarefa consiste em elaborar e exibir à vossa turma uma apresentação eletrónica que sirva de base a Acções de Sensibilização a realizar em escolas dessa região.

Processo Para concretizarem a vossa tarefa serão divididos em 3 grupos e explorar os subtemas que a seguir se apresentam. Para exploração dos subtemas deverão consultar os recursos que vos são aconselhados, ou outros que considerem importantes. Não se esqueçam que os textos devem ser da vossa autoria e a linguagem deverá ser clara, adequada à vossa idade e cientificamente correcta. Uma apresentação eletrónica deve sempre conter o título do trabalho, a identificação de quem o realizou e, no final, um slide com a bibliografia/sites consultados. A vossa apresentação não deve ultrapassar os 10 min e todos os elementos do grupo devem falar. GRUPO 1: Subtema: " COMPORTAMENTOS DE RISCO E GRAVIDEZ " A vossa apresentação deve: o o o o

Explica r em que consiste um comportamento de risco. Dar exemplos de comportamentos de risco. Referir as principais consequências desses comportamentos. Explicar o que fazer para evitar a gravidez.

GRUPO 2: Subtema: " ESTOU GRÁVIDA! E AGORA??? " A vossa apresentação deve: o o

o o

Explicar o que fazer para confirmar a suspeita de uma gravidez. Referir como se deve agir no caso da suspeita se confirmar, indicando procedimentos a adoptar pela futura mamã, para que não se sinta sozinha e desesperada. Dar exemplos de comportamentos a adoptar por uma jovem que decidiu ter o seu bebé. Explicar que mudanças podem ocorrer no corpo de uma jovem, durante a gravidez.

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GRUPO 3: Subtema: "A GRAVIDEZ: Cuidados e Direitos " A vossa apresentação deve: o o o o

Explicar quais os cuidados a ter com a higiene e alimentação, durante a gravidez. Ter informação sobre o exercício físico se pode/deve fazer e que roupas usar, durante a gravidez. Indicar o que comprar para o enxoval do bebé e o que é necessário levar para a maternidade. Referir os Direitos que a jovem tem durante a sua gravidez.

Recursos. Grupo 1 Comportamento Sexual de Risco. Gravidez Indesejada-Causa. Portal da Saúde-Métodos Contraceptivos. Site do Público - Métodos Contraceptivos Grupo 2 Portal da Juventude Gravidez na Adolescência DGS - A Gravidez da Adolescente PAV - Associação de Apoio às Grávidas

Grupo 3 DGS - A Gravidez da Adolescente Portal da Saúde Cuidados Durante a Gravidez PAV - Os Direitos; A Mala; O Enxoval Cuidados com a gravidez mês a mês

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Itens para avaliar o vosso trabalho: Apresentação Eletrónica - 55 % Slide com título do trabalho e identificação dos elementos 5 % do grupo Existência de definição de informação relevante 10% Quantidade de texto adequada por slide

5%

Textos com linguagem clara e cientificamente correcta

10%

Utilização de imagens adequadas aos textos

10%

Criatividade e originalidade

10%

Slide com bibliografia / sites consultados

5%

Apresentação Oral - 45 % Linguagem clara e cientificamente correcta

10 %

Postura adequada e séria

10 %

Capacidade de explicar o que apresenta

10 % 15 %

Cumprimento do tempo estipulado

Conclusão. A Gravidez na Adolescência é uma situação problemática originada por uma série, a maioria das quais se prende com inexistência de prevenção e prática de sexo seguro. A Gravidez Precoce não deve, no entanto, constituir um "pesadelo" para os jovens, podendo ser encarada com tranquilidade e alegria, já que o resultado será o nascimento de um ser humano.Se este tema vos interessou, poderão prosseguir a vossa investigação, pesquisando informações sobre: - O Parto (acto mágico e único, na vida de uma mulher). - Como cuidar de um bebé - Como cuidar de um recém-nascido.

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Formadores: Laura Ribeiro

Nível de Ensino: 1º Ciclo. Grupo de recrutamento: 1 10

Formandos:

Emília M.C Pereira

Sara G.S.R.V Borges

Plano de unidade didática

A- Levantamento de conhecimentos prévios. B- Projeção do Power Point “O autoconceito” C- Projeção do Power Point do poema “Metade” de

Atividades

Oswaldo Montenegro D- Realização de uma composição visual Área temática

AUTO-CONCEITO

9º ano 6º ano

Objetivos    

Aprofundar e ampliar o conhecimento pessoal; Conhecer como se forma o autoconceito; Promover a reflexão de si próprio e dos outros; Desenvolver a auto-estima.

Recursos

Duração 45min x 5

Computador e projetor multimédia;

Autoconceito (Power Point);

Poema de Oswaldo Montenegro - Metade;

Papel A3, revistas, tesoura, cola, lápis de grafite, lápis de cor (9º ano)

Programa de edição de vídeo (6º ano)

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Passos 1ª Sessão 1- Apresentação de imagens projetadas para levar os alunos a descobrir o que é o autoconceito. Possíveis questões a colocar à turma:

a) O que vês nas imagens? b) Que relação existe entre o que observamos nas imagens e o comportamento humano? c) Em apenas uma ou duas palavras como descreveriam as imagens? 1.1- Depois de ouvir as respostas dos alunos, caso ainda não tenha sido referido, sugerir autoconceito como definição para a imagem. Projeção do Power Point “O auto-conceito” (ANEXO I) para clarificar o conceito. 1.2- Projeção de um vídeo do poema “Metade” de Oswaldo Montenegro (http://youtu.be/6rDKimlN6Dw), como motivação para a realização de composições visuais que descrevam a forma como cada aluno se vê a si próprio (letra do poema em Anexo II). 2ª e 3º Sessões 2 -Os alunos são convidados a realizar uma composição visual que reflicta a forma como se vêem a si próprios, com o objectivo de aprofundar e ampliar o seu conhecimento pessoal.

4º Sessão 4- Como forma de promover a reflexão de si próprio e dos outros, os alunos formam grupos de quatro elementos, onde cada aluno apresenta a sua composição e todos reflectem sobre as principais características positivas do aluno que a executou. 5ª Sessão 5- Em grande grupo, como forma de promover a auto-estima, cada aluno faz uma auto e hétero avaliação sobre as atividades desenvolvidas. a) O que vês nas imagens? b) Que relação existe entre o que observamos nas imagens e o comportamento humano? c) Em apenas uma ou duas palavras como descreveriam as imagens? 1.1- Depois de ouvir as respostas dos alunos, caso ainda não tenha sido referido, sugerir autoconceito como definição para a imagem. Projeção do Power Point “O auto-conceito” (ANEXO I) para clarificar o conceito. 1.2- Projeção de um vídeo do poema “Metade” de Oswaldo Montenegro (http://youtu.be/6rDKimlN6Dw), como motivação para a realização de composições visuais que descrevam a forma como cada aluno se vê a si

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próprio (letra do poema em Anexo II). 2ª e 3º Sessões 2 -Os alunos são convidados a realizar uma composição visual que reflicta a forma como se vêem a si próprios, com o objectivo de aprofundar e ampliar o seu conhecimento pessoal. 4º Sessão 4- Como forma de promover a reflexão de si próprio e dos outros, os alunos formam grupos de quatro elementos, onde cada aluno apresenta a sua composição e todos reflectem sobre as principais características positivas do aluno que a executou. 5ª Sessão 5- Em grande grupo, como forma de promover a auto-estima, cada aluno faz uma auto e hétero avaliação sobre as atividades desenvolvidas. A avaliação dos alunos será observada / realizada com baseada nos seguintes aspectos (Anexo III): - Interesse e empenho demonstrado durante a aula; - Participação na exploração das actividades; - Colaboração com o professor e com os colegas na realização da actividade proposta; - Capacidade de interpretação, síntese e análise das actividades na aula; - Comportamento na sala de aula. As formandas Emília Pinto Sara Borges

Apresentação dos resultados: 6ºano- http://www.youtube.com/watch?v=7qRBeN0V9Kc 9º Ano- Anexo IV

302


Anexo I

Auto-Conceito

303


Anexo II METADE Que a força do medo que tenho Não me impeça de ver o que anseio; Que a morte de tudo em que acredito Não me tape os ouvidos e a boca; Porque metade de mim é o que eu grito, Mas a outra metade é silêncio... Que a música que eu ouço ao longe Seja linda, ainda que tristeza; Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada Mesmo que distante; Porque metade de mim é partida Mas a outra metade é saudade... Que as palavras que eu falo Não sejam ouvidas como prece E nem repetidas com fervor, Apenas respeitadas como a única coisa que resta A um homem inundado de sentimentos; Porque metade de mim é o que ouço Mas a outra metade é o que calo... Que essa minha vontade de ir embora Se transforme na calma e na paz que eu mereço; E que essa tensão que me corrói por dentro Seja um dia recompensada; Porque metade de mim é o que penso Mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste E que o convívio comigo mesmo Se torne ao menos suportável; Que o espelho reflita em meu rosto Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância; Porque metade de mim é a lembrança do que fui, A outra metade eu não sei... Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito E que o teu silêncio me fale cada vez mais; Porque metade de mim é abrigo Mas a outra metade é cansaço... Que a arte nos aponte uma resposta Mesmo que ela não saiba E que ninguém a tente complicar Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer; Porque metade de mim é platéia E a outra metade é canção... E que a minha loucura seja perdoada Porque metade de mim é amor E a outra metade... também. Oswaldo Montenegro Oswaldo Montenegro

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Anexo III

-

Nº e nome do aluno

Ficha de avaliação contínua AUTOCONCEITO

Revelou empenho e interesse pelas atividades Participou na exploração das atividades Colaborou com o professor Interpretou corretamente a ideia de autoconceito Colaborou com os colegas Teve uma boa atitude na sala de aula Refletiu sobre o trabalho desenvolvido Atribuir a cada um dos parâmetros um valor qualitativo. Legenda: NS- Não Satisfaz S- Satisfaz SB- Satisfaz Bastante

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Anexo IV

Auto-Conceito Trabalhos realizados por alunos do 9 ยบ ano

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Formadores: Laura Barreira

Nível de Ensino: 1º Ciclo. Grupo de recrutamento: 1 10

Formandos: Mª Fátima Queirogas

Virginia Carvalho

Introdução Numa sociedade onde cada vez mais são notórias as diferenças de opinião quanto à questão da sexualidade, tornou-se imperioso legislar sobre a educação sexual. Surge, assim, a Lei n.º 60/2009, de 6 de Agosto que estabelece o regime de aplicação da educação sexual em meio escolar. É de realçar que a criação do próprio diploma legal poderá, por um lado, promover e desenvolver a formação sexual dos estudantes e, por outro lado, garantir a protecção dos docentes na abordagem de um tema que até há bem pouco tempo era considerado de” trato delicado”. O aludido diploma legal previu, expressamente, no seu artigo 2.º as finalidades da educação sexual, competindo às escolas portuguesas em articulação com o Ministério da Educação e o Ministério da Saúde a sua concretização. Desta forma, foi instituído um regime jurídico que permitiu a aplicação da educação sexual nos estabelecimentos de ensino. Este diploma obriga à inclusão da Educação Sexual nos projectos educativos (artigo 7.º da Lei n.º 60/2009, de 6 de Agosto) e à criação de Gabinetes de Informação e de Apoio aos alunos (artigo 10.º da Lei n.º 60/2009, de 6 de Agosto), constatando-se, deste modo, a força e a importância que o legislador atribui à integração da educação sexual nas escolas. Alguns estudos relatam que ao longo da história ocorreram mudanças de comportamentos e crenças relacionadas com sexualidade. E em diferentes culturas essa foi se tornando questionável em todos os campos de conhecimentos, que inicialmente eram encarados como natural e posteriormente certos relacionamentos eram tidos como anomalias e inclusive com tratamentos clínicos, como a homossexualidade que era considerada doença. Assim sendo, a escola deve agir, de forma a produzir mudanças de paradigmas através da produção de conhecimentos que nos leve a uma vida digna, sem desigualdades sociais. Pois segundo Meirelles (1997, p. 83) “o professor é mediador e organizador do processo

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pedagógico, favorece a visão de conjunto sobre a situação, e propõe outras fontes de informação, colocando o aluno em contato com outras formas de pensar” O trabalho que, a seguir, se apresenta é constituído de duas partes: na primeira tentamos fazer uma abordagem teórica ao tema sexualidade e género, de seguida, porque consideramos importante uma aplicação prática daquilo que aprendemos nesta formação, apresentamos uma planificação de aula e os respetivos resultados. Género e sexualidade Há alguns estudos sobre género, como o da autora brasileira Louro (2010a), que nos mostra que as diferenças biológicas estabeleceram desigualdades sociais nos diferentes espaços, que ambos ocupam na sociedade, constituindo um constante carater de oposições dicotómicas sobre o feminino e o masculino e que, portanto, diante dessas oposições binárias, essas relações de género foram se construindo. As referências sobre género como instrumento político – que trouxe à tona a visibilidade da mulher e, sua especificidade como sujeito de sua própria história na sociedade. Desde o século XIV, nos idiomas alemão, francês, espanhol e inglês, a palavra género aludia apenas a conjuntos gramaticais. Género na sua definição mais genérica significa classe, espécie e família. Entretanto, atualmente, os estudos sobre género se associaram aos conceitos de sexo, sexualidade e diferença sexual, tornando-se o eixo central na edificação de uma classificação de sistemas de diferenças, apoiando-se em oposições dicotómicas como sexo e género. Sexualidade é um aspecto central do ser humano durante sua vida e compreende o sexo, identidades e papéis de género, orientação sexual, erotismo, prazer, intimidade e reprodução. A sexualidade é vivenciada e expressa em pensamentos, fantasias, desejos, crenças, atitudes, valores, comportamentos, práticas, papéis e relações. Género refere-se às relações sociais desiguais de poder entre homens e mulheres que são o resultado de uma construção social do papel do homem e da mulher a partir das diferenças sexuais. As relações de género são produto de um processo pedagógico que se inicia no nascimento e continua ao longo de toda a vida, reforçando a desigualdade existente entre homens e mulheres. O papel do homem e da mulher é constituído culturalmente e muda conforme a sociedade e o tempo. Esse papel começa a ser construído desde que o(a) bebé está na barriga da mãe, quando a família segundo as expectativas, começa a preparar o enxoval de acordo com o sexo. Dessa forma, cor-de-rosa para as meninas e azul para os meninos. Depois que nasce um bebé, a primeira coisa que se identifica é o sexo: “menina ou menino” e a partir desse momento começará a receber mensagens sobre o que a sociedade espera desta menina ou menino. Ou seja, por ter genitais femininos ou masculinos, eles são ensinados pelo pai, mãe, família, escola, média, sociedade em geral, diferentes modos de pensar, de sentir, de atuar. Por exemplo, as meninas são incentivadas a serem passivas, sensíveis, frágeis, dependentes e todos os brinquedos e jogos infantis reforçam o seu papel de mãe, dona de casa, e consequentemente responsável por todas as tarefas relacionadas ao cuidado dos filhos e da casa. Ou seja, as meninas brincam com as boneca, às casinhas, a fazer comida, a limpar a casa, tudo isto dentro do lar. Pelo

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contrário, os meninos brincam em espaços abertos, na rua. Eles jogam à bola, brincam com carrinhos, à guerra, etc. Ou seja, desde pequenos eles dão conta que pertencem ao grupo que tem poder. Até nos jogos os meninos comandam. Ninguém os manda fazer a cama, ou lavarem a louça, eles são incentivados a serem fortes, independentes, valentes. A sexualidade na mulher tem sido relacionada com a reprodução, ou seja, para a mulher o centro da sexualidade é a reprodução e não o prazer. Os homens, ao contrário das mulheres, recebem mensagens e são preparados para viver o prazer da sexualidade através do seu corpo, já que socialmente o exercício da sexualidade no homem é sinal de masculinidade. De um modo geral podemos dizer que as mulheres desde que nascem são educadas para serem mães, para cuidar dos outros, para “dar prazer ao outro”. A sua sexualidade é negada, reprimida e temida. Outro dos eixos onde se constrói e se concretiza a desigualdade entre homens e mulheres é a reprodução. A mulher pode gerar um filho, e isto que em si é uma fonte de poder tem sido controlado e tem determinado outros papéis diminuindo as possibilidades e limitando a vida das mulheres noutros âmbitos, como por exemplo, no mundo do trabalho. Pelo fato biológico que a mulher é quem engravida e dá de mamar, tem sido atribuído a ela a totalidade do trabalho reprodutivo. Às mulheres, portanto, se atribui o ficar em casa, cuidar dos filhos e realizar o trabalho doméstico, desvalorizado pela sociedade e que deixa as mulheres “donas de casas” limitadas ao mundo do lar; com menos possibilidade de educação, menos acesso à informação, menos acesso à formação profissional, etc. A situação nos últimos tempos tem mudado e cada vez mais um número maior de mulheres está saindo do lar e estão ingressando no mercado de trabalho, no entanto, as desigualdades ainda permanecem. Diferentes estudos mostram que em geral as mulheres ganham menos que os homens em todos os campos, e que as mulheres têm menos possibilidades de obter um cargo diretivo. Em geral, é muito difícil ter mulheres nos lugares de tomada de decisões. Isto explica - se pelo processo de socialização que ao determinar o trabalho reprodutivo (casa e filhos) para a mulher, cria condições que a marginalizam do espaço público, e pelo contrário, o homem é quem assume o trabalho produtivo e as decisões da sociedade. A desigualdade de género, como outras formas de diferenciação social, trata-se de um fenómeno estrutural com raízes complexas e instituído social e culturalmente de tal forma, que se processa quotidianamente de maneira quase imperceptível e com isso é disseminada deliberadamente, ou não, por certas instituições sociais como escola, família, sistema de saúde, igreja, etc. Sem dúvida alguma os sistemas de diferenciação social como classe, raça, etnia, geração, além de género, têm como objetivo o exercício e manutenção de poder implicando sempre em relações desiguais e de submissão com consequências importantes para a autonomia individual e coletiva, e para o exercício pleno da cidadania, quando se considera o ser humano como agente protagonista de sua própria transformação num contexto bio psico social. Na verdade, mesmo considerando que os indivíduos ou grupos não são meros depositários de valores, normas e condutas que determinam comportamentos e atitudes

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institucionais e portanto normativas, mas que também refletem e reagem, modificam ou mesmo interpretam essas regras, não nos podemos esquecer que grupos e indivíduos inseridos nesse contexto estão sob mecanismos estruturados de coerção como os contextos sócio político, económico, cultural etc, que não só criam a desigualdade entre segmentos sociais, como as mantém como processo de garantia dos privilégios dos que exercem o poder. Todavia, ao pensarmos em género vamos encontrar um sistema disciplinário, normativo que define as bases do papel da mulher e que tem determinado a sua posição na sociedade ao longo da história humana, à raiz de uma consequência biológica, a capacidade de gerar filhos. A partir disto, estabelece-se um dos mais importantes mecanismos de controle e poder, o controle da reprodução, que não podendo ser desvinculada da mulher, determina “esse seu lugar social”. A reprodução processa-se no corpo e, portanto este será o território onde serão travadas as batalhas para seu controle. Evidentemente incorporar género de maneira transversal na escola, é a possibilidade de ampliar o debate, conhecer e reconhecer que existem relações desiguais entre homens e mulheres e poder com isso refletir e visualizar a possibilidade de construção de novas relações. Todavia, trabalhar género, num espaço específico junto à sexualidade, é a possibilidade de garantir ações mais efetivas na desconstrução desse modelo tão arraigado, construído e estruturado no desenvolvimento sexual que tanto tem prejudicado as mulheres e consequentemente os homens também. Os indivíduos aprendem desde muito cedo a reconhecer os seus lugares sociais e aprendem isso através de estratégias muito difíceis de reconhecer. Referir-se a meninos e meninas ou homens e mulheres sempre na forma masculina favorece uma superioridade de um género sobre o outro. A linguagem no masculino não é um reflexo do real, ou seja, a escolha do homem serviu para denominar a única espécie do planeta que se raciocina que tem inteligência. Sabat (2007, p. 149) argumenta que “A educação, compreendida de maneira ampla, é um dos processos mais eficientes na constituição das identidades género e sexual. Em qualquer sociedade, os inúmeros artefatos educativos existentes têm como principal função com/formar os sujeitos, moldando-os de acordo com as normas sociais”. Assim, facilmente poderemos dizer que tanto as questões de género como de sexualidade são social e historicamente construídas e, portanto, podem ser transformadas. As mudanças ao longo da história refletem-se na sociedade e na cultura, mas ainda existem preconceitos com relação a obesidade, ser homem ou mulher, negro/a ou branca/o, homossexual ou heterossexual são construções sociais ideológicas para legitimar o poder. A mulher não deixou de ser mulher e sim acumulou tarefas e responsabilidades do lar, as formas pelas quais se reconhece e se distinguem as desigualdades de género exercidas pela sociedade. Sexualidade e Género na Arte Os filmes, tal como a literatura, a música, as artes em geral e todas as expressões culturais de uma determinada época revelam a mentalidade prevalente da mesma e dão coerência ao mundo. Picasso (por exemplo) representou as mulheres e o feminino em todas as fases de sua obra e de diferentes maneiras. Na pintura

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moderna, na arte moderna em geral, várias são as representações dadas às mulheres e ao feminino. Podemos dizer que estas obras refletem: a visão do artista sobre o feminino, sobre a mulher, o momento social e o posicionamento social das mulheres em cada época e a relação estabelecida entre o artista e o feminino. Nas famosas fases Rosa e Azul, o desenho predomina com maestria e autoridade, elegante, é harmonizado com tons suaves. Seus temas enfocam o casal e o abraço, assim como o circo. As carícias são delicadas, quase tímidas, repletas de um abandono em um mundo de miséria. Os sentimentos contidos, do homem e da mulher, não conseguem brotar e os dois se entregam a um enfrentamento na busca de uma comunicação real que nunca é atingida. A obra La vie, pintada em 1903, faz parte do período Azul em que os tons melancólicos dominam sua obra. Os quadros desta fase expressam o pessimismo social, a desolação e o desespero. La vie é um resumo da visão do artista naquele tempo. Um homem e uma mulher nus estão de pé à esquerda de frente para uma mulher vestida, no lado direito da tela segurando uma criança nas dobras de uma túnica. Entre eles, dois desenhos pairam: um casal aconchegado no mais sombrio abatimento e uma mulher encolhida. Esta obra é perturbadora, há uma ausência de esperança de vida, a mulher parece apoiada ao homem pedindo proteção e aconchego, enquanto a outra, sozinha se encolhe. Parece não haver comunicação entre as pessoas e é este, um retrato das relações da época. Homem e mulher se apoiavam em relações em que não existia diálogo e a supremacia do masculino era algo inquestionável, era ao homem a quem cabia a proteção, era ele o ser supremo da relação. Há também a representação da mãe com seu filho, sinalizando que a posição social da mulher era ligada a maternidade, ou seja, a posição social da mãe. Em 1904, Picasso pinta o La repasseuse, o que poderíamos chamar de uma pintura de Género. Uma mulher bocejando e passando a ferro. A figura se eleva acima da esfera da vida quotidiana como a imagem de uma santa. Ela simboliza todo o trabalho incessante da mulher, e retrata também a posição da mulher no contexto familiar e social da época, a quem cabia o cuidado com a casa, com os filhos, ou seja, os afazeres domésticos. A mulher passando é encarado como uma mártir da sociedade humana. “Picasso, um adorador do corpo feminino e das mulheres, pinta a representação do nu, em uma cena de bordel e leva-nos a pensar também na representação do corpo e no silêncio em que vive o corpo feminino. Silêncio que não permite a expressão do prazer, em que o prazer feminino é negado e muitas vezes associado a “coisas de prostitutas”. O corpo feminino é lugar apenas de reprodução e toda sua beleza retratada pelas pinturas é algo que deve ser escondido e silenciado, censurados.” É importante ressaltar que as mudanças no papel da mulher e na construção de sua identidade ocorrerem a partir de um processo, em que a mudança de valores está atrelada a uma mudança nos papéis, na família, na feminilidade e na masculinidade.

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Exposição do tema “Sexualidade e género” em contexto de sala de aula.

Plano de Aula Agrupamento de Escolas André Soares | Braga ACTUAÇÃO DOCENTE NA EDUCAÇÃO PARA A SEXUALIDADE NA APLICAÇÃO DO PROGRAMA PRESSE NOS 2ºe3ºCICLOS

Atividade:

Desenho e pintura (sexualidade e género na arte)

Área temática:

Sexualidade e género

Objetivo: Representar em papel através de desenho e pintura a sexualidade e género de forma artística. Duração: 45’ + 45’

Recursos: - Papel; lápis de grafite; Lápis pastel a óleo - Computador / projector multimédia; - Quadro; - Material de divulgação em suporte informático.

Passo a passo: Breve abordagem ao tema sexualidade e género; Projeção de um PowerPoint sobre ”Sexualidade e género na Arte ( obras de vários pintores). 1. É solicitado aos alunos que: Façam um desenho e pintem a lápis de pastel a óleo a sexualidade e género na sua visão artística.

Escola E.B. 2,3 André Soares, 7 de Março de 2012.

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Sexualidade e GĂŠnero na Arte (vista por vĂĄrios alunos)

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Conclusão O ser humano é um todo formado pelo biológico, psicológico e social, conceitos muitas vezes não lembrados. Mesmo na era de avanços tecnológicos e o acesso a inúmeros veículos de comunicação, pode-se observar, a ausência da participação da escola e da família no processo de educação sexual. A saúde sexual deve ser pensada de forma contextualizada para que possa acontecer uma desconstrução continuada das questões de género, dos modelos opressores de corpos, como também a hierarquia entre eles. Acreditando na parceria com as políticas públicas, e estas por sua vez, sejam criadas não somente para o atendimento das necessidades, mas que tenham uma visão mais ampla, proporcionando o conhecimento e a formação da consciência crítica entre os indivíduos da sociedade, assim, como uma sociedade mais justa e igualitária. Nesta perspectiva seria necessário que os professores repensassem a forma de produzir, veicular, pensar, dizer, agir e viver a realidade diversa e complexa que envolve os sujeitos da educação e também contribuírem como profissionais da educação na construção de uma sociedade igualitária em todos os níveis das relações humanas. Seria importante que os/as educadores/as procurassem conhecimento científico sobre a referida matéria, pois sabe-se que o processo de ensino aprendizagem é muito complexo e requer um preparação prévia do profissional da educação, e acima de tudo não deixar de reconhecer o seu papel como cidadão que leva a uma sociedade a sua contribuição. Discutindo assim a sua função social no tratamento pedagógico de questões de género e diversidade sexual.

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