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AÇÃO COOPERATIVISTA PARA UM MUNDO MELHOR

Cooperativas gaúchas entre as melhores distribuidoras de energia elétrica do Brasil ENTREVISTA Diretor-presidente do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Odacir Klein

#8 ANO 2 • 2016 OUT/NOV/DEZ

PERFIL Presidente da Federação das Cooperativas Médicas do Rio Grande do Sul (Unimed RS), Nilson Luiz May


E

m outubro, Gramado foi sede do XVII Seminário Gaúcho do Cooperativismo, que teve como tema “Cooperativas:

o poder de agir para um futuro sustentável”. Durante dois dias, os participantes, divididos em sete grupos de trabalho avaliaram o atual cenário econômico, apontando desafios, oportunidades e caminhos para o desenvolvimento das

PAL AVR A DO PR ESI DENTE

Cooperativismo para um futuro sustentável

cooperativas gaúchas. A questão fortemente apontada foi a necessidade das cooperativas operarem entre si, seja em forma de parcerias, fusões, incorporações, redes de negócios, serviços coletivos, união de capitais. Nesse sentido, em 2017, voltaremos nossa especial atenção para o princípio da intercooperação, no Encontro de Presidentes e Executivos de Cooperativas (Epecoop). Destaco também o Programa de Educação e Cultura Cooperativista, que com o objetivo de divulgar a doutrina cooperativista e importância do cooperativismo, promoveu seminários com lideranças e entidades representativas, mulheres, jovens e crianças na cidade de Campo Novo, região Celeiro do Estado. O evento foi coroado com a 9ª edição do Festival O Rio Grande Canta o Cooperativismo, onde mais de 3 mil pessoas apreciaram músicas inéditas que versaram sobre a educação cooperativista. Se cantarmos o cooperativismo, o estaremos divulgando duas vezes. Ressalto ainda o Encontro Estadual de Comunicação Cooperativista, que aconteceu em novembro para discutir a Comunicação na Era Digital. Precisamos estreitar as relações entre o sistema cooperativo e a imprensa como um todo para que todos sejamos portadores de boas notícias e informações do cooperativismo e possamos desenvolvê-lo cada vez mais. No encerramento do encontro, em parceria com a Secretaria do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), entregamos o Prêmio Cooperativismo Gaúcho de Jornalismo a cinco jornalistas que destacaram a importância estratégica das cooperativas gaúchas para o enfrentamento da crise. Apesar do cenário de austeridade e recessão econômica que atinge diversos setores, o cooperativismo transforma as adversidades em oportunidades de desenvolvimento e expansão de negócios. E isso ocorre porque a sociedade cooperativa tem no VERGILIO FREDERICO PERIUS

seu DNA a organização de pessoas, que em tempos de dificuldades se unem mais, se reúnem mais e atuam em conjunto.

PRESIDENTE DO SISTEMA OCERGS-SESCOOP/RS

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PERFIL

Nilson Luiz May: Médico, cooperativista, escritor e esportista

ENTREVISTA

Odacir Klein: Um político com origem cooperativa à frente do BRDE

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SEMINÁRIO

Seminário Gaúcho do Cooperativismo debate desafios para o crescimento das cooperativas

ARTIGO

Programa de Desenvolvimento da Gestão das Cooperativas (PDGC)

ESPAÇO SESCOOP/RS

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ESPAÇO ESCOOP

ESPAÇO SESCOOP/RS

34

ESPAÇO ESCOOP

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ARTIGO

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PARA RECORDAR

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ARTIGO

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COOPERATIVISMO DIGITAL

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MARKETING E COMUNICAÇÃO

Sicredi Nordeste RS vence o 9º Festival Rio Grande Canta o Cooperativismo

Encontro de Comunicadores do Sescoop/RS debate Comunicação na Era Digital

CASE

Plantando o Bem para um mundo mais sustentável

LEGISLAÇÃO

Da Impenhorabilidade VERGILIO FREDERICO PERIUS das quotas-parte por PRESIDENTE DO SISTEMA terceiros estranhos à OCERGS-SESCOOP/RS sociedade cooperativa 4

Seminário apresenta metodologia do PDGC para cooperativas do RS

PAL AVR A DO PR ESI DENTE

SUMÁRIO

ATUALIDADES

Cooperativas gaúchas estão entre as melhores distribuidoras de energia elétrica do Brasil

6 12 18 26 30 36

ESPAÇO SESCOOP/RS

SESCOOPRS.COOP.BR • OUT/NOV/DEZ • 2016

3ª Semana Acadêmica e Mostra de Iniciação Científica

Fatores de Influência nas Redes de Intercooperação entre Cooperativas Agropastoris

Aconteceu no Cooperativismo

Cooperativismo nas redes sociais

AÇÃO COOPERATIVISTA PARA UM MUNDO MELHOR

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GERAÇÃO COOPERAÇÃO Um dia na vida

Sindicato-OCERGS Conquistas que projetam o futuro

Programa Aprendiz Cooperativo

Era digital: você sofre de “Decision Fatigue”?

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O destaque especial nessa edição é o Prêmio Índice Aneel de Satisfação do Consumidor (IASC 2016), que reconhece as distribuidoras de energia mais bem avaliadas pelos consumidores. As cooperativas agraciadas foram Cermissões, Coprel, Creluz-D, Ceriluz, Cooperluz, Certel Energia, Certaja Energia e Creral. Rio Grande Cooperativo apresenta o perfil de liderança do presidente da Federação das Unimeds no Rio Grande do Sul nas últimas três décadas, Nilson Luiz May. O médico e escritor relata sua trajetória, sua ligação com a política, sua paixão e dedicação à literatura e ao futebol e sobre como a prática da cooperação surgiu na sua jornada, ainda na infância.

EXPEDIENTE Rio Grande Cooperativo é uma publicação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo do Estado do Rio Grande do Sul – Sescoop/RS Endereço: Rua Félix da Cunha, 12 – Bairro Floresta – Porto Alegre CEP 90570-000 - Fone: (51)3323.0000 – email: rafaeli-minuzzi@sescooprs.coop.br site: www.sescooprs.coop.br Produção e edição de textos e imagens: Assessoria de Comunicação do Sistema Ocergs-Sescoop/RS (jornalistas Luiz Roberto de Oliveira Junior Reg. 10.824, Rafaeli Drews Minuzzi - Reg. 16.359 e Leonardo Custodio Machado - Reg. 15.934) – Assessoria de imprensa de cooperativas. Texto do perfil do jornalista André Pereira. Os artigos são de responsabilidade de seus autores. Responsável: Rafaeli Drews Minuzzi Projeto Gráfico: Moove Comunicação Transmídia Capa: Robson Santos | Tikinet Diagramação: Robson Santos | Tikinet Impressão: Gráfica e Editora Relâmpago Tiragem: 8.625 Distribuição Gratuita

A última edição de 2016 da revista Rio Grande Cooperativo traz como principal reportagem o XVII Seminário Gaúcho do Cooperativismo, que aconteceu em Gramado e reuniu cerca de 400 pessoas para buscar caminhos para o desenvolvimento cada vez mais sustentável das cooperativas gaúchas. A publicação apresenta o perfil de liderança do presidente da Federação das Unimeds no Rio Grande do Sul nas últimas três décadas, Nilson Luiz May. O médico e escritor relata sua trajetória, sua ligação com a política, sua paixão e dedicação à literatura e ao futebol e sobre como a prática da cooperação surgiu na sua jornada, ainda na infância. Rio Grande Cooperativo traz também uma entrevista com o diretor-presidente do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Odacir Klein. O político tem vasta experiência em cargos do executivo, já foi deputado federal, secretário estadual da Agricultura e ministro dos Transportes, e sempre esteve próximo ao cooperativismo nas funções públicas exercidas. Nesta edição, ele conta algumas atividades que exerceu a favor do sistema, a importância das cooperativas para a sociedade e quais os desafios que elas enfrentam no momento atual. No Espaço Sescoop/RS, os destaques são o Seminário de apresentação do Programa de Desenvolvimento da Gestão das Cooperativas (PDGC) para as cooperativas gaúchas, a entrega do Prêmio Ocergs de Cooperativismo e o Troféu Padre Theodor Amstad, o Programa de Educação e Cultura Cooperativista, a 9ª edição do Festival O Rio Grande Canta o Cooperativismo, o Encontro Estadual de Comunicação Cooperativista e a entrega do Prêmio Cooperativismo Gaúcho de Jornalismo. Na editoria Atualidades, a revista traz os diversos prêmios recebidos pelas cooperativas gaúchas, com destaque às oito agraciadas com o Prêmio Índice Aneel de Satisfação do Consumidor (IASC 2016), que reconhece as distribuidoras de energia mais bem avaliadas pelos consumidores. E ainda, a inauguração da primeira usina solar do Estado pelo Grupo Creluz e o reconhecimento da ONU ao Programa Propriedade Sustentável da Sicredi Alto Uruguai RS/SC. O Projeto Plantando o Bem, desenvolvido pela Cooperativa Santa Clara é o case de sucesso desta edição, um projeto que ensina crianças e jovens sobre alimentação saudável e plantio de hortas, com o objetivo de estimular a conscientização sobre sustentabilidade e consumo. Boa leitura!

EDITORIAL

Cooperativismo e sustentabilidade

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Leonardo Machado

ESPAÇO SESCOOP/RS

Seminário apresenta metodologia do PDGC para cooperativas do RS

Presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Vergilio Perius, realizou a abertura do evento e ressaltou que as cooperativas gerem pessoas e não capitais, diferentemente das empresas mercantis

C

om o objetivo de apresentar o Programa de

explanou sobre a mudança no modelo de gestão

Desenvolvimento da Gestão das Cooperativas

da Sicredi Serrana e destacou que uma das prin-

(PDGC) e mostrar sua metodologia, presidentes, di-

cipais preocupações da instituição foi buscar ouvir

rigentes e representantes de cooperativas gaúchas

as propostas de valor e os pontos de vista dos

participaram no dia 7 de outubro, no Centro de

coordenadores de núcleo sobre os associados da

Formação Profissional Cooperativista, em Porto

Cooperativa, capacitando os colaboradores para

Alegre, do seminário que tratou de um dos progra-

atenderem como cooperativa de Crédito e não

mas do Sescoop voltado ao desenvolvimento da

como banco. Na sequência, a representante da Fundação

autogestão das cooperativas.

Nacional da Qualidade (FNQ), Luciana Lima, apre-

CASE SICREDI SERRANA RS O objetivo principal do PDGC é promover a adoção de boas práticas de gestão e governança pelas cooperativas. Nesse sentido, nada melhor do que

sentou a palestra “Cenários e perspec tivas da gestão & Apresentação do Programa de Desenvolvimento da Gestão das Cooperativas”. Luciana explanou sobre os elementos essenciais pa-

apresentar um exemplo bem-sucedido de gestão

ra o alto desempenho organizacional e classificou

no cooperativismo gaúcho, a Sicredi Serrana RS,

a produtividade, a competitividade e a gestão co-

que em 2013 obteve a distinção na Faixa Prata do

mo fatores imperativos para o crescimento susten-

Prêmio Sescoop Excelência de Gestão.

tável das organizações.

Para tratar do case da Sicredi Serrana RS, o presidente da Cooperativa, Marcos André Balbinot,

Para mais informações sobre o PDGC acesse o site pdgc.somoscooperativismo.coop.br.

ENCONTRO DEBATE NOVAS FORMAS DE COMUNICAR O COOPERATIVISMO O Sistema OCB promoveu nos dias 4 e 5 de outubro, em Brasília (DF), o Encontro de Comunicação Cooperativista, que reuniu 62 participantes de diversos estado do Brasil. O destaque ficou por conta da matéria sobre o Dia de Cooperar (Dia C), veiculada em 1º de julho de 2016, no programa Bom Dia Rio Grande, na RBS TV, que foi apresentada como exemplo de divulgação do projeto com ações de assessoria de imprensa. A apresentação foi realizada pelo coordenador de comunicação do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Luiz Junior.

COOPERATIVAS DE ELETRIFICAÇÃO GARANTEM APROVAÇÃO DE EMENDAS IMPORTANTES NA MP 735/16 A Comissão Mista do Congresso Nacional que analisa a Medida Provisória 735/2016, propondo modificações na gestão e rateio da Conta de Desenvolvimento Energético, aprovou no dia 5 de outubro o parecer do deputado José Carlos Aleluia (BA) com alterações pleiteadas pelas cooperativas de eletrificação. As emendas aprovadas evitam o corte abrupto nos descontos para compra de energia, concedendo tempo para que as cooperativas se adaptem. O texto é fruto do trabalho árduo da OCB, Infracoop e federações do setor, que contou com a participação da Agência Nacional de Energia Elétrica, Ministério de Minas e Energia e da Casa Civil. 6

SESCOOPRS.COOP.BR • OUT/NOV/DEZ • 2016

AÇÃO COOPERATIVISTA PARA UM MUNDO MELHOR


ACI lança o Monitor Global de Cooperativas Com o objetivo de demonstrar o potencial econômico do movimento cooperativista em todo planeta, a Aliança Cooperativa Internacional (ACI) lançou o Monitor Global de Cooperativas edição 2016, durante a III Cúpula Internacional de Cooperativas, realizada em Quebec, no Canadá. O Monitor lista as maiores cooperativas do mundo, de acordo com seu faturamento bruto e per capita, ou seja, o valor dos negócios das cooperativas, dividido pelo seus cooperados. O monitor lista também as maiores cooperativas por ramo de atuação. De acordo com os dados divulgados, a soma dos faturamentos das 300 maiores cooperativas do mundo atingiu a cifra de US$ 2,5 trilhões. Se estas cooperativas juntas fossem um país, seriam hoje a sétima economia do mundo, superando o PIB do Brasil e da Rússia. Para chegar a estes números, a ACI coletou, em parceria com o Instituto da União Europeia para a Pesquisa em Cooperativismo e Economia Social (Euricse), informações de cooperativas em todo o planeta. Foram 2.370 cooperativas participantes de 62 países, 57 delas do Brasil, que figura na lista com oito cooperativas. O Sistema Unimed aparece na quarta posição entre as cooperativas com maior faturamento per capita e a Central Nacional das Cooperativas Médicas Unimed do Brasil aparece isolada como a maior cooperativa de Saúde do mundo, enquanto que o Sicredi é o 14º colocado entre as cooperativas de Crédito em todo o mundo. A OCB é uma das patrocinadoras oficiais do Monitor desde sua criação. A publicação completa está disponível em: www.monitor.coop.

O desenvolvimento da doutrina cooperativista nas escolas estaduais técnicas agrícolas norteou um encontro com cerca de 30 diretores de estabelecimentos de ensino no dia 5 de outubro, no Centro de Formação Profissional Cooperativista, em Porto Alegre. A ação faz parte de um acordo de cooperação assinado durante a Expointer, entre o Sescoop/RS e o governo do RS, através das Secretarias da Educação e do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo. O termo prevê a implementação da educação cooperativista nas escolas técnicas agrícolas estaduais, comunidades e cooperativas, nos municípios onde se localizam as escolas. No dia 20 de outubro, as cooperativas de Crédito em todo o mundo comemoraram o Dia Internacional do Cooperativismo de Crédito, ou DICC, como é mais conhecido, um evento anual para celebrar a importância econômica e social do movimento cooperativista. O 12º Agrimark Brasil, realizado no dia 4 de novembro, no Salão Nobre da Federasul, teve como tema a realidade do agronegócio no contexto atual e o desafio de potencializar a produção de alimentos com o mínimo de impacto possível para o meio ambiente. O presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Vergilio Perius, apresentou cases que ilustram o avanço tecnológico na rotina das cooperativas.

PROGRAMA NACIONAL SOBRE LIDERANÇA

Sistema OCB

Aprofundar o desenvolvimento das habilidades de liderança e governança dos presidentes de suas organizações estaduais. Com essa perspectiva, o Sistema OCB promoveu entre os dias 7 e 11 de novembro, em Brasília (DF), o Programa Nacional de Desenvolvimento de Líderes e Executivos, em parceria com a escola americana Babson College, uma das principais instituições de educação executiva do mundo. O evento contou com a presença do presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Vergilio Perius.

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Luiz Junior

ESPAÇO SESCOOP/RS

Sicredi Nordeste RS vence o 9º Festival O Rio Grande Canta o Cooperativismo C

erca de 3 mil pessoas compareceram ao

Uma semana antes, no dia 19 de novembro, o

Complexo Poliesportivo de Campo Novo, na

Sescoop/RS realizou um trabalho de educação coo-

região Celeiro do Rio Grande do Sul, onde o Sescoop/RS

perativista com quatro diferentes grupos: jovens, li-

realizou no dia 26 de novembro a 9ª edição do Festival

deranças, mulheres e crianças, incentivando-os a se-

O Rio Grande Canta o Cooperativismo. A grande vencedora da noite foi a cooperativa Sicredi Nordeste RS, de Rolante, com a obra Chasque para um Guitarreiro, interpretada por Nílton Ferreira. A canção mais popular, escolhida pelo público, foi a música Harmonizando, interpretada por Rodrigo Gonçalves, que representou a Sicredi Celeiro RS/SC. O presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Vergilio Perius, acompanhado dos presidentes das cooperativas locais, Gelson Bridi, da Cotricampo, e Vitor Augusto Rizzardi, da Sicredi Celeiro RS/SC, recepcionou os convidados e saudou o público na abertura do evento. O prefeito de Campo Novo, Antônio Sartori, também prestigiou o Festival, que foi abençoado pelo pároco do município, Maurício Karpinski.

PROGRAMA DE EDUCAÇÃO E CULTURA COOPERATIVISTA Em 2016, o Festival esteve inserido no Programa de Educação e Cultura Cooperativista, que contou com o apoio das cooperativas da região, Cotricampo e Sicredi Celeiro RS/SC. O Programa teve como objetivo integrar dirigentes, associados, colaboradores, familiares e comunidades em que atuam as cooperativas e divulgar a doutrina cooperativista, sempre destacando os princípios e valores do cooperativismo e promovendo a educação cooperativista por intermédio de espaços culturais, prioritariamente a música. 8

SESCOOPRS.COOP.BR • OUT/NOV/DEZ ABR/MAI/JUN ••2015 2016

rem protagonistas no desenvolvimento e na gestão das cooperativas. Durante a finalíssima do FRGCC, os três grupos de participantes do projeto educacional receberam seus certificados de participação. Após a apresentação das dez finalistas, a comunidade de Campo Novo e região prestigiou o show do grupo Tchê Barbaridade. As vencedoras por ordem de classificação e a mais popular da etapa de 2016 foram: 1º Lugar: Chasque para um Guitarreiro 2º Lugar: Nossa Gente Pensa Assim 3º Lugar: Unindo Sonhos 4º Lugar: Sustentável 5º Lugar: Com o Coração 6º Lugar: Apenas Penas 7º Lugar: Harmonizando (Mais popular) 8º Lugar: As Portas Estão Abertas 9º Lugar: A Canção do Futuro 10º Lugar: De Viver e Cooperar

AÇÃO COOPERATIVISTA PARA UM MUNDO MELHOR


Uma comitiva técnica do Grupo de trabalho – Auditoria Interna do Rio Grande do Sul participou, entre os dias 12 e 21 de novembro, de missão técnica na Alemanha, com o objetivo de aprimorar conhecimentos em controle, auditoria e melhoria no processo de gestão. A comitiva foi composta por 14 representantes do Estado, Sescoop Nacional e Sescoop/RS e das cooperativas Coasa, Cotrisal, Cotribá, Piá, Coopermil, Coagrisol, Cooperativa Vinícola Garibaldi e Cotrisel.

A revista britânica The Economist, uma das mais respeitadas do mundo na área econômica, dedicou um de seus artigos à economia da região Sul. A reportagem mostra que os três Estados têm uma economia mais diversificada e com um desempenho acima da média do resto do Brasil. A publicação destaca o papel das cooperativas de Crédito, que tornam mais abundantes os recursos para os empreendedores, e as cooperativas agrícolas – citando como exemplo a paranaense Coamo.

Luiz Junior

O presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Vergilio Perius e representantes dos ramos Infraestrutura e Agropecuário, receberam no dia 17 de novembro, no Centro de Formação Profissional Cooperativista, em Porto Alegre, uma comitiva de alemães da região da Saxônia, liderada pelo cônsul-geral da Alemanha em Porto Alegre, Stefan Traumann e pelo secretário do Meio Ambiente e Agricultura da Saxônia, Thomas Schmidt. No encontro, foram tratados temas para futuras cooperações na área agrícola, em energia renovável e recuperação de água e solo.

Cooperativas ampliam resultados com ferramenta de autogestão A

ferramenta de autogestão das cooperativas agropecuárias e seus benefícios econômicos e financeiros para o sistema foram

o tema central da primeira edição do Seminário Estadual de Autogestão, realizado no dia 17 de novembro, com a organização do Sistema OcergsSescoop/RS e da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS). Dirigentes de cooperativas gaúchas e paranaenses estiveram presentes no evento que ocorreu na casa da Ocergs, localizada no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. Conforme o presidente da FecoAgro/RS e diretor-secretário da Ocergs, Paulo Pires, o objetivo foi criar um marco de discussão com as cooperativas do Paraná, que desde os anos de 1990 vêm implementando o projeto e obtendo resultados. O dirigente ressaltou a importância do programa para a gestão do sistema, onde as cooperativas mantêm suas individualidades, mas apresentam um crescimento conjunto, além do quesito transparência na organização junto aos associados.

Participação de cooperativas em licitações A C o mis s ã o E s p e cia l d o Desenvolvimento Nacional, do Senado Federal, aprovou o projeto de lei do Senado 559/2013, que propõe a modernização da Lei de Licitações e Contratos com a Administração Pública. O texto inicial do projeto restringia as possibilidades de participação das cooperativas nas licitações, cujo objeto de contratação exigisse subordinação. A alteração na redação do artigo 14 do projeto assegura a

participação das cooperativas em licitações públicas, observadas as regras estabelecidas na legislação cooperativista. O texto recebeu também um dispositivo que confere a dispensa de licitação para as cooperativas de catadores de resíduos sólidos na contratação da coleta, processamento e comercialização de resíduos sólidos urbanos recicláveis ou reutilizáveis, em áreas com sistema de coleta seletiva de lixo, conforme dispõe a lei 8.666/1993. 9


Leonardo Machado

E S P A Ç O A ST EU SACL O I DOAPD /R ES

Encontro de Comunicadores do Sescoop/RS debate Comunicação na Era Digital O

Sescoop/RS promoveu no dia 24 de novem-

Na sequência, Martha discorreu sobre gerencia-

bro, no Centro de Formação Profissional

mento de crises e as formas criativas de atingir os

Cooperativista, em Porto Alegre, o Encontro Estadual

diferentes públicos, e destacou o trabalho de análi-

de Comunicação Cooperativista. Cerca de 100 as-

ses da OCB para saber como se posicionar para atin-

sessores de imprensa, jornalistas, publicitários, rela-

gir o público das cooperativas.

ções públicas e demais profissionais ligados à área de comunicação e marketing das cooperativas gaúchas assistiram ao workshop sobre Comunicação na Era Digital, com a escritora e consultora Martha Gabriel. Com o tema “Comunicação na Era Digital: Comportamento, Plataforma e Cases”, o encontro abordou o comportamento das instituições em um cenário em que a comunicação é dinâmica, multimídia e inovadora, analisando a plataforma de comunicação e apresentando cases de sucesso de marcas consolidadas. Na primeira parte do workshop, Martha Gabriel apresentou o cenário atual da comunicação digital, as diferenças entre o marketing digital e tradicional, as diferenças dos consumidores das mídias e propagandas, as novas plataformas de mídia, estratégias e tendências. “Estamos vivendo um colapso na comunicação e nunca o comunicador foi tão importante. Precisamos achar o foco da comu-

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Oportunidades e ameaças nas mídias sociais A programação da tarde iniciou com a apresentação do coordenador de Comunicação do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Luiz Roberto de Oliveira Junior, das atividades desenvolvidas pelo setor. Em seguida, Martha iniciou a análise das oportunidades e ameaças nas mídias sociais. Nesse contexto, ressaltou a relação das empresas com seus consumidores através da internet. Para ela, a internet força as empresas a adquirir intimidade com os consumidores. Além disso, os comunicadores precisam refletir sobre o que fazem no seu dia a dia, para que mostrem os valores do cooperativismo. “Esses encontros são importantíssimos para que possamos trabalhar a comunicação em uma linguagem única, para todos di-

nicação, prestar atenção na estratégia para melho-

vulgarem uma só causa: os valores do cooperativismo”,

rar o conteúdo”.

complementou Martha.

SESCOOPRS.COOP.BR • OUT/NOV/DEZ • 2016

AÇÃO COOPERATIVISTA PARA UM MUNDO MELHOR


Leonardo Machado

Encontro Estadual do Ramo Educacional Cooperativas educacionais do RS participaram no dia 23 de novembro, no Centro de Formação Profissional Cooperativista, do primeiro Encontro Estadual do Ramo Educacional. O evento foi coordenado pelo presidente da Coopeeb e diretor da Ocergs, Valdir Feller. Em seu discurso, Feller ressaltou a importância das cooperativas educacionais repensarem sua atuação. O diretor do ramo Educacional discorreu também sobre a situação legal das cooperativas do ramo, e explanou sobre a atuação do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, que pode auxiliar as cooperativas através da área de Monitoramento, e também com assessoria contábil e jurídica, entre outras questões. Ao fim dos trabalhos, os presentes aprovaram a criação do Conselho Consultivo do Ramo Educacional.

Encontro dos Superintendentes Superintendentes das organizações estaduais do Sistema OCB se reuniram no dia 23 de novembro, em Brasília (DF), para sua terceira reunião ordinária. O encontro, que contou com a participação do superintendente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Norberto Tomasini, tratou de questões que envolvem as três instituições do cooperativismo brasileiro: OCB, Sescoop e Cncoop, dentre elas: Sinac, PDGS e a participação do grupo no Programa Nacional de Desenvolvimento de Líderes e Executivos em 2017.

Grupo para fomentar o cooperativismo A Secretaria do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (Sdect) recebeu, no dia 22 de dezembro, na Sala do Investidor, lideranças do setor cooperativo do RS, para debater e fazer uma análise mais profunda da estratégia que o Estado poderá desenvolver para colocar à disposição deste segmento benefícios que possam fomentar o setor. O secretário da Sdect, Fábio Branco, defendeu a criação de um grupo de trabalho que envolva agentes do Estado e do setor cooperativista, para que se possa incentivar investimentos industriais dentro do setor cooperativista.

Prêmio Cooperativismo Gaúcho de Jornalismo destaca vencedores

O

s autores das melhores matérias sobre a importância estratégica das cooperativas gaúchas para o enfrentamento da crise foram reconhecidos no dia 24 de novembro, no Centro de Formação Profissional Cooperativista, em solenidade que marcou a entrega da segunda edição do Prêmio Cooperativismo Gaúcho de Jornalismo, realizado pelo Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (Ocergs) e pela Secretaria do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR). Este ano, 36 trabalhos concorreram em cinco categorias: Jornalismo Impresso, Telejornalismo, Webjornalismo, Radiojornalismo e Mídia Cooperativa – e dividiram R$ 25 mil em prêmios.

Os Vencedores Jornalismo Impresso: Jornalista Marina Schmidt, com a reportagem “Cooperativismo aponta novos rumos para o mundo”, publicada pelo Jornal do Comércio. Obs.: O jornalista Guilherme Daroit representou a jornalista Marina Schmidt na solenidade de entrega do Prêmio. Telejornalismo: Jornalista Dulci Sachetti, com a reportagem “Sem crise para as cooperativas gaúchas que veem na produção orgânica uma oportunidade de negócio”, veiculada pela RBS TV. Webjornalismo: Leandro Augusto Hamester, com a reportagem “Parcerias possibilitam formação inédita do Aprendiz Cooperativo do Campo”, publicada no site da Cooperativa Languiru. Radiojornalismo: Jornalista Laura Becker, com a reportagem “Dos pagos ao exterior: A força do cooperativismo gaúcho“, veiculada pela Rádio Bandnews FM. Mídia Cooperativa: Jornalista Carina Marques, com a reportagem “Sai o trabalho braçal, entra o braço mecânico”, publicada no jornal Dália em Notícias, da Cosuel, de Encantado.

O Prêmio Cooperativismo Gaúcho de Jornalismo 2016 foi patrocinado por Sicredi, FecoAgro/RS, Unicred, Unimed e Uniodonto Federação, com apoio do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) e Associação Riograndense de Imprensa (ARI). 11


Divulgação Aneel

AT UA L I DA D E S

Presidente da Cermissões, Diamantino Marques dos Santos (C), recebeu a distinção em nome da Cooperativa, eleita a Melhor Distribuidora de Energia Elétrica do Brasil pelo terceiro ano consecutivo

Cooperativas gaúchas estão entre as melhores distribuidoras de energia elétrica do Brasil O

cooperativismo gaúcho é sinônimo de energia elétrica de qualidade. É o que aponta o Prêmio IASC 2016, Índice Aneel de Satisfação do Consumidor, que reconhece as distribuidoras de energia elétrica mais bem avaliadas pelos consumidores, com base na percepção do consumidor residencial, aferida por meio de pesquisa de opinião realizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A solenidade de premiação ocorreu no dia 23 de novembro, em Brasília (DF). O destaque fica por conta da presença de oito cooperativas gaúchas entre as melhores distribuidoras de energia elétrica do Brasil: Cermissões (Caibaté), Coprel (Ibirubá), Creluz-D (Pinhal), Ceriluz (Ijuí), Cooperluz (Santa Rosa), Certel Energia (Teutônia), Certaja Energia (Taquari) e Creral (Erechim).

Cermissões é tricampeã A Cermissões obteve a maior nota na avaliação dos consumidores entrevistados, entre as 63

Cooperativa Vinícola Aurora conquista Prêmio Folha Verde 12

concessionárias e 38 permissionárias do País. Ao todo, foram 24.926 entrevistas presenciais domiciliares e a Cooperativa da região das Missões sagrou-se vencedora com o índice de 89,38, conquistando pelo terceiro ano consecutivo a categoria “Permissionárias Acima de 10 mil unidades consumidoras”, e o troféu e certificado do Prêmio Índice Aneel de Satisfação do Consumidor.

Permissionárias têm as maiores notas em pesquisa da Aneel A nota média das cooperativas permissionárias, segundo o ranking é maior do que a das concessionárias brasileiras. Nesta edição, a média geral de todas as cooperativas foi de 70,89% de aprovação e a das concessionárias foi de 64,86%. O Índice Brasil Permissionárias superou o do ano anterior em 1,58 ponto (2,28% de aumento), ficando próximo do Índice de Satisfação do Consumidor Americano, que em 2016 registrou o valor de 71,90.

A Cooperativa Vinícola Aurora conquistou o Prêmio Folha Verde, promovido pela Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembleia Legislativa do RS. A solenidade de entrega do prêmio ocorreu no dia 5 de dezembro, no Teatro Dante Barone, na capital gaúcha. A Cooperativa de Bento Gonçalves sagrou-se vencedora na categoria Cooperativas Agrícolas. Os vencedores foram eleitos por uma comissão julgadora formada por 14 membros, entre jornalistas e representantes dos poderes públicos estadual e federal. As 12 categorias premiaram pessoas, instituições e empresas que se destacaram no segmento rural do Estado.

SESCOOPRS.COOP.BR • OUT/NOV/DEZ • 2016

AÇÃO COOPERATIVISTA PARA UM MUNDO MELHOR


Com mais de 27 mil associados e atendimento em 19 municípios, a Certaja celebrou no dia 17 de outubro 47 anos. Para comemorar a data, a Cooperativa promoveu no dia 16 de outubro, na Associação dos Funcionários da Certaja, o “1º Dia da Família Certajana”, que reuniu aproximadamente 500 pessoas. O enólogo-chefe da Cooperativa Vinícola Aurora, Flávio Ângelo Zílio, foi eleito o Enólogo do Ano 2016 pela Associação Brasileira de Enologia (ABE). A distinção reconhece o profissional que se destacou e contribuiu para o setor ao longo de sua trajetória. O Sistema Unicred RS recebeu no dia 21 de outubro, homenagem da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, em reconhecimento aos 20 anos de história. A cerimônia de entrega ocorreu em sessão solene de outorga de diplomas de Honra ao Mérito, no Plenário Otávio Rocha, do Palácio Aloísio Filho. A Coopatrigo oficializou no dia 29 de outubro uma parceria com a Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa), para utilização de parte da estrutura existente em São Luiz Gonzaga. Atualmente, a Cooperativa engloba mais de 4 mil produtores em 13 municípios. A Cooperativa Piá, com sede em Nova Petrópolis, recebeu no dia 5 de novembro a visita do embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witschel, acompanhado do cônsul geral, Stefan Traumann.

Guilherme Kardel

A Cotriel promoveu no dia 11 de outubro, na Afeco, em Espumoso, o 13º Encontro de Mulheres, que contou com mais de 1.900 participantes. Além de comemorar os 57 anos da Cooperativa, o encontro serviu para a integração das mulheres associadas, esposas e filhas de sócios às atividades da Cooperativa.

Unimed Nordeste-RS conquista Prêmio SOMOSCOOP – Melhores do ano A

cerimônia de entrega dos troféus da 10ª edição do Prêmio SOMOSCOOP – Melhores do ano, realizado no dia 22 de novem-

bro, em Brasília (DF), pelo Sistema OCB, contou com a participação de lideranças cooperativistas, autoridades políticas e parceiros do movimento. Entre as cooperativas agraciadas, destaque para a Unimed Nordeste-RS, de Caxias do Sul, que conquistou o 1° lugar na categoria Cooperativa Cidadã, com o projeto Viver Melhor, que surgiu efetivamente como projeto social em 2006. De lá para cá, tem sido um diferencial para a comunidade de 13 municípios da área de abrangência da Cooperativa, especialmente para famílias de baixa renda que têm filhos com deficiência. O acesso facilitado a médicos especialistas e a exames vêm contribuindo para facilitar o diagnóstico de saúde, promovendo tratamentos efetivos e melhorando a qualidade de vida dos beneficiários. Atualmente, 19 entidades são contempladas com o projeto, que beneficia 2.711 pessoas com deficiência.

Unimed Erechim recebe prêmio nacional de relacionamento com o cliente Na semana em que completou

médio porte e em terceiro no ran-

45 anos, a Unimed Erechim rece-

king geral do País. Já a Atendente

beu o Prêmio Nacional Unimed de

Nota 10, Jandimara Silvestri, ob-

Relacionamento com o Cliente e,

teve cinco avaliações com nota

pelo segundo ano consecutivo, o

máxima.

Troféu Atendente Nota 10, con-

A cerimônia de premiação foi

cedidos pela Central Nacional

realizada durante o Encontro Na-

Unimed (CNU).

cional Unimed de Relacionamento

A Cooperativa foi classificada em primeiro lugar na categoria

com o Cliente, nos dias 6 e 7 de outubro, em São Paulo. 13


AT UA L I DA D E S

150 Melhores Empresas para Você Trabalhar As cooperativas do RS estão entre as melhores empresas do Brasil para se trabalhar! É o que aponta a edição de 20 anos do Guia 150 Melhores Empresas para Você Trabalhar, publicada pela Você S/A, que destaca cinco cooperativas do Estado na relação: Unimed Vales do Taquari e Rio Pardo (Unimed VTRP), Unimed

Central de Serviços RS, Sicredi, Unimed Porto Alegre e Unimed Missões/RS. O levantamento da revista lista as organizações que são modelos de gestão de pessoas no Brasil. Em 2016, o guia contou com a inscrição de 345 empresas de todo o País, divididas em 23 setores.

Prêmio Responsabilidade Social 2016 A Unimed Vale do Sinos recebeu no dia 23 de novembro, no Teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa do RS, o Prêmio Responsabilidade Social 2016, na categoria Sociedades Cooperativas. As três medalhas da categoria foram concedidas à Unimed Vales do Taquari e Rio Pardo, Unimed Nordeste RS e Unimed Porto Alegre. As cooperativas certificadas foram: Sicredi Alto Uruguai RS/SC, Cotrisal, Cotrijal, Federação das Cooperativas Médicas do RS, Unimed Alto Jacuí/RS, Unimed Erechim, Unimed Fronteira Noroeste/RS e Unimed Vale das Antas.

40 melhores empresas para trabalhar no RS Realizada pela revista Amanhã em parceria com a consultoria Great Place to Work (GPTW), a pesquisa Melhores Empresas para Trabalhar no Rio Grande do Sul 2016 relacionou quatro cooperativas entre as 40 melhores empresas para trabalhar no Estado. Na lista aparecem as cooperativas Unimed Missões/RS, Unimed Litoral Sul/RS, Coagrisol e Unicred RS.

Elas se destacam na categoria de empresas que empregam até 999 funcionários. A Unimed Missões/RS, de Santo Ângelo, ocupa a quinta posição; a Unimed Litoral Sul/RS, de Rio Grande, figura no 10° lugar; a Coagrisol, de Soledade, aparece no 20° lugar, enquanto que a Unicred RS, de Por to Alegre, ocupa o 25° lugar.

Teatro na Escola da Unimed Litoral Sul O projeto Social Teatro na Escola da Unimed Litoral Sul, desenvolvido em parceria com a Cia de Teatro Sobrinhos de Skakespeare, realizou sua última apresentação do ano no dia 14 de novembro e atingiu, somando os dois semestres, 8.325 alunos, num total de 61 escolas visitadas. As peças teatrais abordam temas de cunho social para escolas da rede municipal, estadual e particulares de ensino. 14

SESCOOPRS.COOP.BR • OUT/NOV/DEZ • 2016

AÇÃO COOPERATIVISTA PARA UM MUNDO MELHOR

No dia 11 de novembro a Languiru organizou evento em comemoração ao seu 61º aniversário, celebrado no dia 13 de novembro. A programação ocorreu na Associação Social dos Funcionários da Cooperativa e reuniu cerca de 350 pessoas. O Sescoop/RS, em parceria com o Colégio Teutônia e a Cooperativa Languiru, promoveu no dia 12 de novembro, em Teutônia, o 1º Seminário do Programa Aprendiz Cooperativo do Campo. O evento abordou o tema da sucessão de gerações nas propriedades rurais. O departamento de Recursos Humanos e Segurança do Trabalho da Coopermil promoveu no dia 11 de novembro, em Santa Rosa, encontro com profissionais das áreas. O evento reuniu 45 participantes, das cooperativas Cotrirosa, Cotripal, Cotricampo, Cotrijal, CCGL, Cotrijuc, Cotribá, Coagrisol, Cotrisal, Comtul, Cotrimaio, e da anfitriã Coopermil. As ações dos sete projetos vencedores do Programa Começar foram apresentadas pela Banricoop no dia 18 de novembro, no Clube do Comércio, em Porto Alegre. A iniciativa faz parte das comemorações de 70 anos da Cooperativa. Os selecionados receberam apoio técnico e financeiro – até 70% do valor do projeto. Também foram oferecidos 60 dias de crowdfunding para captação de mais recursos. A Cooperativa Vinícola Aurora foi eleita pela Associação Gaúcha dos Atacadistas e Distribuidores (Agad) como a Melhor Fornecedora de Bebidas do atacado gaúcho. Esta é a sétima vez que a entidade confere esse reconhecimento à Cooperativa. O presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Vergilio Perius, esteve em Soledade, no dia 25 de novembro, participando das comemorações dos 35 anos da Sicredi Botucaraí RS. A solenidade contou com a presença do presidente da Central Sicredi Sul, Orlando Müller e do deputado e vicepresidente da Frencoop nacional, Giovani Cherini.


Em sua 33ª edição, o Carrinho Agas 2016, promovido pela Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), divulgou no dia 28 de novembro, em Porto Alegre, os 34 vencedores em diferentes categorias, escolhidos pelos 255 maiores supermercadistas do RS. Destaque para as cooperativas Vinícola Garibaldi, Vinícola Aurora, Piá, Languiru e Santa Clara, premiadas em setores como vitivinicultura e derivados de leite. As cooperativas Cotricampo, de Campo Novo, e a Cooperativa da Agricultura de Precisão Farol, de Tapejara, receberam no dia 28 de novembro, no NH Hall, em Novo Hamburgo, o Destaque Gaúcho Empresarial 2016 – Prêmio Administrativo, Comercial e Industrial. Pelo 27° ano, o prêmio foi concedido pela Revista Destaque Gaúcho. Conforme o levantamento da edição “Valor 1000: 1000 Maiores Empresas”, da revista Valor Econômico, 11 cooperativas do RS estão presentes na relação: Cotrijal, Cotrisal, Languiru, Cosuel - Dália Alimentos, Cotripal, Coopatrigo, Agropan, Coagrisol, Camnpal, Cotricampo e Cotrisul. A Certel lançou no dia 30 de novembro, em Teutônia e Lajeado, a nova edição do seu Programa de Eficiência Energética, que beneficiará 98 instituições públicas e filantrópicas, entre elas 65 escolas, 28 creches, três hospitais e duas clínicas geriátricas. Uma grande festa marcou a inauguração do Super Cotrirosa do bairro Sulina, em Santa Rosa, no dia 6 de dezembro. O evento marcou a inauguração do 21º supermercado da rede Super Cotrirosa, sendo cinco somente em Santa Rosa.

Edevaldo Stacke/Ascom Creluz

As cooperativas Languiru e Sicredi receberam no dia 27 de novembro, no Hotel Deville, em Porto Alegre, o Troféu Destaque 2016, concedido pela Associação Gaúcha de Laticinistas e Laticínios (AGL) aos melhores da cadeia do leite em 2016. A entidade também prestou homenagem a representantes das cooperativas Piá, Cotriel, Cosuel e Cooplib.

Grupo Creluz inaugura primeira usina solar do RS O

Grupo Creluz inaugurou no dia 9 de dezembro, no ano do seu cinquentenário, a primeira usina solar do Rio Grande do Sul.

Construída em tempo recorde de sete meses, a solenidade oficial de inauguração da Usina Solar Boa Vista reuniu autoridades e lideranças de todo o Estado. O evento aconteceu no local do empreendimento, em Boa Vista das Missões. A Usina Solar Boa Vista foi desenvolvida com aproveitamento de vários materiais produzidos na nova Fábrica de Artefatos de Cimento inaugurada pela Creluz, em abril de 2016. Na fase A, foram instalados 1.008 painéis para captação da luz solar com 7 inversores, capazes de gerar energia suficiente para suprir todo o consumo interno da Cooperativa. Além da sustentabilidade, o projeto se destaca pela viabilidade financeira, já que utiliza como abatimento, todo o ICMS gerado pelo Grupo, se enquadrando na lei da microgeração de energia.

500 Maiores do Sul A edição “500 Maiores do Sul”,

Coopatrigo (151°), Camnpal (186°),

elaborada pela revista Amanhã,

Coagrisol (191°), Cotrisel (204°),

em parceria com a consultoria PwC,

Unicred RS (217°) e Unimed Vales

conta com a presença de 12 coo-

do Taquari e Rio Pardo (292°).

perativas gaúchas. Nessa relação

Na relação das 500 Emergentes

aparecem: Sicredi (6°), Unimed

do Sul, três cooperativas do Estado

Porto Alegre (68°), Cotrijal (81°),

marcam presença: Unimed Encosta

Cotripal (98°), Languiru (118°),

da Serra/RS (693°), Certel (813°)

Cosuel – Dália Alimentos (125°),

e Uniodonto Porto Alegre (931°). 15


Carina Marques

AT UA L I DA D E S

Do turismo à reflexão, foi o que Federação das Cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul - Fecovinho, proporcionou no dia 13 de dezembro aos conselheiros(as) e suas esposas(os), jovens e dirigentes das cooperativas filiadas, durante o seu Evento Anual de Confraternização, no Salão da Comunidade Sete de Setembro, em Flores da Cunha. O encontro contou com uma visita à planta industrial da Cooperativa Nova Aliança, e um ciclo de debates e apresentações, com a presença do presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Vergilio Perius.

Dália Alimentos inaugura Bistrô em Encantado E

ncantado agora conta com um ambiente diferenciado volta-

No dia 16 de dezembro, o Seminário de Sustentabilidade 2016 reuniu, no Salão de Eventos do Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre, lideranças e colaboradores do Sistema Unimed-RS dispostos a refletir e aprender mais sobre

do à alimentação. O Bistrô Dália foi inaugurado no dia 9 de

dezembro e oferece à comunidade um espaço ao estilo cafeteria, servindo doces, salgados, bebidas, cafés, sucos, refrigerantes, água, além de um buffet com 16 diferentes sabores de sorvete. O Bistrô Dália está localizado junto ao Dália Supermercados de Encantado, no mezanino, com acesso pela escadaria no hall de entrada do supermercado. Os ambientes dispõem de mesas e cadeiras tradicionais e mesas

investimento social privado,

ao estilo “pub inglês”, além de televisão, música ambiente e climatiza-

foco dos debates. O presidente

ção. O espaço também poderá ser utilizado para reuniões informais,

do Sistema Ocergs-Sescoop/RS,

encontros, confraternizações e happy hour.

Vergilio Perius e o diretor técnico sindical da Ocergs, Irno Pretto, prestigiaram o evento.

O funcionamento segue o expediente do supermercado: das 8h30 às 19h, sem fechar ao meio-dia, de segunda-feira a sábado. Este é o segundo Bistrô da Cooperativa, que inaugurou no dia 25 de novembro um espaço no município de Arroio do Meio.

A CredCorreios inaugurou no dia 22 de dezembro suas novas instalações, na Avenida Borges de Medeiros, 340, sala 62, em Porto Alegre. O evento contou com a presença de mais

O Laboratório de Análise de

os 25 laboratórios de análise de

empregados dos Correios,

Sementes da Cotrijal recebeu um

sementes de trigo avaliados, a Co-

advogados, delegados eleitos

certificado que o classifica como

trijal também obteve conformida-

2017/2019, conselheiros e

um dos melhores do Brasil. De 54

de em todos os 17 itens, junto com

diretores da Cooperativa.

laboratórios de análise de semen-

de 50 convidados, entre eles

As novas instalações contam

outros seis laboratórios.

tes de soja avaliados pelo Minis-

O certificado de desempenho

tério da Agricultura, Pecuária e

foi emitido no dia 5 de dezembro,

Abastecimento (Mapa), apenas

pela Associação Rede de Metro-

exclusivo para o associado, sala

dez apresentaram conformidade

logia e Ensaios do Rio Grande do

de reuniões e salas para os

em todos os 20 itens analisados,

Sul, contratada do Mapa para rea-

colaboradores.

entre eles o da Cotrijal. E dentre

lizar os ensaios.

com salas de recepção, atendimento, caixa para pagamentos de contas, serviço

16

Laboratório de Análise de Sementes da Cotrijal está entre os melhores do Brasil

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AÇÃO COOPERATIVISTA PARA UM MUNDO MELHOR


Divulgação Sicredi Alto Uruguai RS/SC

SICREDI PIONEIRA RS COMPLETA 114 ANOS A Sicredi Pioneira RS, que tem sua sede na Capital Nacional do Cooperativismo, em Nova Petrópolis, e conta com mais de 116 mil associados, completou 114 anos no dia 28 de dezembro. Inspirada no modelo alemão de cooperativismo “Raiffeisen”, a Cooperativa foi constituída por 20 pessoas da comunidade de Linha Imperial, lideradas pelo padre suíço Theodor Amstad. É reconhecida como a primeira cooperativa de Crédito da América Latina, constituída em 1902.

PROGRAMA PARA IDOSOS DA UNIMED PELOTAS É DESTACADO PELA ANS A Unimed Pelotas foi uma das operadoras de saúde selecionadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para o Projeto Idoso Bem Cuidado. A Cooperativa mantém um detalhado programa de atividades para beneficiários a partir de 60 anos. O trabalho desenvolvido pelo Núcleo de Atenção Integral à Saúde da Unimed Pelotas (Nais) foi aprovado e classificado pela ANS para o Grupo Azul do Projeto Idoso Bem Cuidado, categoria daqueles considerados mais completos pela agência reguladora. A proposta busca promover um novo modelo de cuidado ao idoso, integrado, continuado e multidisciplinar.

ONU reconhece programa da Sicredi Alto Uruguai RS/SC O

programa Propriedade Sustentável da Sicredi Alto Uruguai RS/SC e a prática de intercooperação desenvolvida com a CooperAmetista,

foram iniciativas publicadas na Plataforma de Boas Práticas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no mês de maio de 2016. No dia 3 de dezembro, a Cooperativa recebeu o reconhecimento das mãos do oficial nacional de programas da FAO para a região Sul do Brasil, Carlos Antonio Bias. O programa Propriedade Sustentável desenvolvido na Cooperativa é uma iniciativa que visa à orientação de agricultores para a sustentabilidade de propriedades rurais nos aspectos sociais, ambientais e eco-

SANTA CLARA E SICREDI CONQUISTAM MÉRITO LOJISTA 2016

nômicos. E também, busca trabalhar em conjunto com cooperativas

As cooperativas Santa Clara e Sicredi foram agraciadas no Prêmio Mérito Lojista RS – 2016, concedido pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul (FCDL-RS), em cerimônia realizada no dia 13 de dezembro, no Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre. Pelo sexto ano consecutivo, a Cooperativa Santa Clara conquistou o prêmio na Categoria Alimentos, segmento Laticínios. Já o Sicredi foi homenageado com dois prêmios: o Personalidade Empreendedora 2016, concedido ao presidente da Central Sicredi Sul, Orlando Müller, e o Empresa Empreendedora 2016, no qual foi reconhecido através de pesquisa direta com os empresários gaúchos, que compõem o Prêmio Mérito Lojista.

Coprel e Sicredi assinam Convênio de Cooperação

da área de atuação da Sicredi Alto Uruguai, como é o caso da parceria desenvolvida com a CooperAmetista de Ametista do Sul.

Com o objetivo de estimular o

dia 20 de dezembro, em Ibirubá.

desenvolvimento do campo e ge-

O benefício é o diferencial das

ração de renda nas propriedades

taxas de juros de financiamento,

rurais, a Coprel e a Central Sicredi

que serão custeadas em 50% pela

Sul assinaram um convênio de coo-

Coprel. Assim, o associado da

peração, que tem como objetivo

Cooperativa terá a possibilidade de

viabilizar os investimentos dos as-

financiar os investimentos em ener-

sociados na expansão de linhas

gia e internet em até 36 meses. Para

de distribuição de energia elétri-

usufruir desta linha de crédito, o

ca, telefonia e internet no meio ru-

beneficiado deve ser associado do

ral. A assinatura foi realizada no

Sicredi ou então associar-se. 17


SEMINÁRIO

XVII SEMINÁRIO GAÚCHO DO COOPERATIVISMO REUNIU CERCA DE 400 PESSOAS, NOS DIAS 20 E 21 DE OUTUBRO, EM GRAMADO, COM O OBJETIVO DE BUSCAR CAMINHOS PARA UM DESENVOLVIMENTO CADA VEZ MAIS SUSTENTÁVEL NAS COOPERATIVAS

Seminário Gaúcho do Cooperativismo debate desafios para o crescimento das cooperativas C

om foco no tema de 2016 da Aliança Cooperativa Internacional – “Cooperativas: o poder de agir para um futuro sustentável”, o XVII

Seminário Gaúcho do Cooperativismo, promovido pelo Sescoop/RS, reuniu cerca de 400 participantes nos dias 20 e 21 de outubro, no Hotel Master Premium Gramado, em Gramado. Na pauta, a análise dos cenários econômicos e financeiros do Brasil, com o objetivo de buscar caminhos para um desenvolvimento cada vez mais sustentável nas cooperativas. Na abertura, a diretoria da Ocergs e o presidente do Sistema OcergsSescoop/RS, Vergilio Perius, formaram a mesa principal do evento, acompanhados de representantes do governo do Estado. Em nome da diretoria e dos cooperativistas presentes, Perius apresentou dados e números que representam a força do cooperativismo no Estado, com grande representatividade e inclusão social. O dirigente destacou a participação de jovens e mulheres no Seminário, ressaltando a abrangência dos temas trabalhados. O diretor de cooperativismo da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, Lino Hamann, representou o governo do RS na cerimônia de abertura do evento.

CENÁRIOS E PERSPECTIVAS PARA O BRASIL A primeira conferência do Seminário tratou do tema “Cenários e perspectivas para o Brasil”, com o jornalista e comentarista William Waack, que falou sobre o atual momento de crise que o País enfrenta e quais medidas são necessárias a curto e longo prazo para sair dela. Para ele, a crise brasileira não é atual, fiscal e nem apenas de representatividade. Waack colocou nas mãos da sociedade o papel de agente da mudança. “Como sociedade, nós temos uma série de dificuldades. Isso vai exigir de nós fazermos escolhas, às vezes cruéis. Não temos condições de sustentar o que viemos sustentando até agora em benefícios sociais. Alguém vai pagar por isso, alguém vai perder. A força popular dos últimos tempos arrebentou muitas amarras, mas o que queremos mudar no Brasil está em nossas mãos, mas precisamos dar sentido e direção”.

DESAFIOS PARA O CRESCIMENTO DAS COOPERATIVAS Em seguida, o público assistiu à apresentação do painel “Face à conjuntura brasileira, quais os desafios para o crescimento das cooperativas?”, com o diretor-presidente do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Odacir Klein, e o presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Rio Grande do Sul (Ibef-RS), Ademar Schardong. 18

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AÇÃO COOPERATIVISTA PARA UM MUNDO MELHOR


Leonardo Machado

O jornalista e comentarista William Waack apresentou a conferência que tratou do tema “Cenários e perspectivas para o Brasil”, em que falou sobre o atual momento de crise que o País enfrenta

Klein apresentou o status institucional das cooperativas e afirmou que a crise existe, mas que a sociedade deve assumir responsabilidades. E defendeu que o crescimento deve objetivar o desenvolvimento, senão será vazio, mas que existem alguns desafios como planejamento, gestão, transparência e intercooperação. No último painel do primeiro dia do Seminário, Schardong analisou a conjuntura econômica, o momento atual e as perspectivas de futuro. Com larga experiência no mercado financeiro, tendo atuado no Sistema Sicredi desde a sua fundação até 2015, quando deixou a presidência do Banco Cooperativo Sicredi, tratou das perspectivas de curto prazo como inflação, câmbio e juros, abordando essa realidade de uma forma didática, demonstrando como as cooperativas precisam se comportar perante esses cenários. Schardong destacou temas como o PIB gaúcho e brasileiro, desemprego e por fim, abordou as questões políticas institucionais, destacando

do

M

ac

ha

do

as últimas ações do governo do presidente Michel Temer, como o arrocho

o Le

na

r

orçamentário, a revisão dos programas sociais e a retomada das parcerias público-privadas. Em sua explanação, lembrou da aprovação em primeiro tur-

no da PEC 241, que aconteceu no Congresso Nacional, e destacou que as medi-

das são necessárias, na sua visão, para que o País retome o crescimento, que são

as alterações em sua estrutura política, como a implementação do parlamentarismo,

Leonardo Machado

Leonardo Machado

o voto distrital e desempenho mínimo para partidos.

O diretor-presidente do BRDE, Odacir Klein, afirmou que o Sescoop/RS tem um papel fundamental no estímulo da solidariedade e gestão eficiente das cooperativas

O presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Rio Grande do Sul, Ademar Schardong, tratou das perspectivas de curto prazo como inflação, câmbio e juros 19


Luiz Junior

SEMINÁRIO

Márcio Lopes de Freitas, presidente do Sistema OCB, destacou que o cooperativismo é o modelo capaz de superar dificuldades e gerar oportunidades

No fim da tarde, antes do encerramento dos tra-

incerteza, mas o cooperativismo é o modelo capaz

balhos, foram formados os grupos de trabalho que

de superar dificuldades e gerar oportunidades. Somos

discutiram os temas pertinentes ao setor coopera-

o modelo mais indicado, porque somos uma socie-

tivo gaúcho, que apontaram desafios e oportunida-

dade de gente que constrói junto e gera confiança.

des para o desenvolvimento sustentável das coope-

Já construímos e estamos construindo um sistema

rativas. As equipes de trabalho foram divididas em

que gera esperança”. E apresentou as expectativas

sete grupos, que reuniu todos os 13 ramos do coo-

para o Sistema. “Em 2020, o cooperativismo será

perativismo gaúcho.

exemplo de sustentabilidade, modelo de negócio

Os relatórios dos grupos de trabalhos abriram a programação do segundo dia do evento. Através

20

preferido das pessoas e o tipo de empresa com crescimento mais rápido”.

das discussões e das pautas levantadas pelos gru-

Na sequência, o governador do RS em exercício,

pos, os relatores responderam à pergunta “Face à

José Paulo Cairoli, defendeu que o cooperativismo

atual conjuntura brasileira, quais os desafios e opor-

é uma visão moderna de construção de sociedade.

tunidades para o desenvolvimento sustentável das

“Pude presenciar no RS e no País como um todo a

cooperativas”?

importância das pessoas que se associam livremen-

Em seguida, o presidente do Sistema OCB, Márcio

te na construção de alguma coisa para o coletivo. O

Lo p e s d e Freita s , a p re se nto u a p ale s tra

Brasil está começando a perceber a política de uma

“Oportunidades para o crescimento das coopera-

nova forma e eu vejo que o papel do cooperativismo

tivas no momento atual”. Na oportunidade, ele dis-

é cada vez mais fundamental para construir uma

correu sobre o contexto atual, os novos mecanis-

realidade de sucesso. Nas cooperativas se vê foco,

mos de comunicação, a história do cooperativismo

gestão e participação de todos”, comentou.

que, segundo ele, demonstra, desde o seu surgi-

Por fim, Vergilio Perius realizou o discurso de en-

mento, a capacidade de mitigar os efeitos da crise,

cerramento do evento agradecendo a presença de

através dos seus princípios.

todos, em nome da diretoria, e reiterou que o coo-

Freitas falou também sobre o enfraquecimento

perativismo faz a diferença. “As cooperativas con-

do modelo político atual e destacou que o Brasil não

tribuem para o desenvolvimento do Rio Grande do

está apenas em uma crise política, mas também de

Sul. Somos um Estado cooperativista. Continuemos

confiança em todos os processos, em todas as es-

pensando na cooperação, pois ela é a salvação para

feras políticas e instituições. “O cenário é de

um mundo melhor”.

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AÇÃO COOPERATIVISTA PARA UM MUNDO MELHOR


Prêmio do Cooperativismo Gaúcho é destaque no primeiro dia Quatro cooperativas gaúchas e uma personalidade de destaque no setor cooperativo receberam na noite do dia 20 de outubro, em Gramado, durante a programação do XVII Seminário Gaúcho do Cooperativismo, o Prêmio Ocergs de Cooperativismo e o Troféu Padre Theodor Amstad, iniciativa que reconhece e divulga as cooperativas que prestam relevantes serviços aos seus associados e à comunidade em geral, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social. Em sua segunda edição, o prêmio foi entregue em quatro categorias: Intercooperação, Inovação em Educação, Cultura, Gestão ou Tecnologia, Responsabilidade Social e Responsabilidade Ambiental. Ao todo, 29 cooperativas inscreveram os projetos que foram avaliados por uma comissão julgadora integrada por representantes de federações de cooperativas, Ocergs e Sescoop/RS. Na categoria Intercooperação, que reconhece a adoção de práticas que possibilitem a cooperação com outras cooperativas de maneira que se obtenham resultados sociais e econômicos de significativa relevância, a vencedora foi a Coagrisol, de Soledade, com o projeto de Intercooperação com a Coopemarau. O prêmio foi recebido pelo vice-presidente da Coagrisol, José Luiz Leite dos Santos. Na categoria Inovação em Educação, Cultura,

cultura, gestão ou tecnologia, a vencedora foi a cooperativa Coprel, de Ibirubá, com o projeto Coprel na Escola. O prêmio foi entregue ao presidente da Cooperativa, Jânio Stefanello. Na categoria Responsabilidade Social, que reconhece a adoção de práticas que beneficiam a sociedade, a vencedora foi a Unicred Porto Alegre, com o projeto de incentivo à doação de órgãos, intitulado O Melhor Instrumento é a Voz, que foi entregue ao presidente da Cooperativa, José Cesar Boeira. Na categoria Responsabilidade Ambiental, que reconhece a adoção de práticas voltadas à sustentabilidade, que beneficiem o meio ambiente, a vencedora foi a cooperativa Santa Clara, de Carlos Barbosa, com o projeto Plantando o Bem, que foi entregue para o diretor da Cooperativa, Alexandre Guerra. Por fim, o presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Vergilio Perius, e o diretor da Ocergs, Orlando Borges Müller, entregaram o troféu Padre Theodor Amstad para o advogado Ademar Schardong, por seus relevantes serviços ao cooperativismo gaúcho. Schardong é advogado com atuação nas áreas Financeira, Societária e de Gestão Empresarial. Atualmente, é sócio-proprietário da empresa Ademar Schardong – Consultoria Empresarial e preside o Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças Seccional do Rio Grande do Sul (Ibef-RS). Após a entrega das premiações, o evento foi en-

estratégias inovadoras que permitem o desenvolvi-

cerrado com a apresentação da Orquestra Sinfônica

mento do cooperativismo nas áreas da educação,

de Teutônia. Leonardo Machado

Gestão ou Tecnologia, que reconhece a adoção de

Entrega do Prêmio Ocergs de Cooperativismo e do Troféu Padre Theodor Amstad ocorreu na noite do primeiro dia do Seminário 21


CASE

PROJETO PLANTANDO O BEM, DESENVOLVIDO PELA COOPERATIVA SANTA CLARA, ENSINA CRIANÇAS E JOVENS SOBRE ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL E PLANTIO DE HORTAS, ESTIMULANDO A CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE SUSTENTABILIDADE E CONSUMO

Plantando o Bem para um mundo mais sustentável E

nfocar a importância do meio ambiente e

horta em casa, descrevendo a importância das di-

ensinar as crianças e jovens sobre alimenta-

ferentes cores de legumes, propriedades dos tem-

ção e hortas é uma proposta que visa não só a ado-

peros, entre outras informações para os alunos. Já

ção da prática de uma alimentação mais saudável,

a parte prática compreende a montagem de hor-

como também busca valorizar a agricultura familiar

tas nas escolas participantes, também com auxílio

e estimular hábitos mais sustentáveis que sejam le-

dos estudantes.

vados como exemplo às famílias e comunidade. É

O projeto reforça a importância da preservação

com esse objetivo que a Cooperativa Santa Clara,

do meio ambiente e trabalha com o conceito de sus-

com sede em Carlos Barbosa, desenvolve com alu-

tentabilidade. Nesse sentido, propõe às crianças que

nos de escolas locais o projeto Plantando o Bem. O projeto conta com a participação do Mercado Agropecuário de Carlos Barbosa e faz parte do Programa Compartilhar, que desenvolve ações junto aos funcionários da Cooperativa e comunidade, com foco em sustentabilidade e desenvolvimento cultural e social. Entre junho e agosto de 2016, o projeto contemplou 12 escolas do município de Carlos Barbosa. Nesse período, 911 estudantes, de seis a 16 anos, do ensino fundamental e médio, participaram das atividades. Para a nutricionista Renata Boscaini David, que

utilizem materiais recicláveis como garrafas plásti-

ministra as oficinas teóricas do projeto, fazer parte dessa iniciativa é um motivo de satisfação e orgulho. “Integrar o projeto Plantando o Bem foi além da concepção de executar uma atividade profissional, foi uma experiência marcante na minha vida, através dele pude sentir o olhar de esperança em cada criança e a receptividade do grande público, ambos que acreditam na força da alimentação e na melhoria do mundo que nos cerca. Ensinar sobre alimentos saudáveis, sobre plantio de hortas e sobre a necessidade de pessoas conscientes e ativistas é a maior premiação que um profissional pode receber”.

cas e paletes para a montagem das hortas, especialmente como alternativa a quem tem pouco espaço com o canteiro vertical. As escolas que receberam a visita da equipe do Plantando o Bem tiveram hortas montadas ou revitalizadas e receberam um kit com mudas, floreiras, vasos, terra, paletes e materiais necessários para continuar a manutenção de suas próprias hortas. E não é por falta de espaço que não se pode colher seus próprios alimentos, pois mesmo em espaços reduzidos, como por exemplo em sacadas, é possível construir uma horta. Renata destaca que os alunos aprendem, através das atividades teóricas e práticas desenvolvidas nas escolas, sobre o plantio de hortas tradicionais, verticais e compactas, os benefícios da alimentação saudável e orgânica, e da agricultura familiar. A nutricionista explica como uma alimentação com frutas, verduras e legumes influencia no desenvolvimento do corpo humano e na prevenção de doenças. Em tempos em que a nova geração cada vez mais é exposta a comidas industrializadas, valorizar e reconhecer a importância de uma alimentação saudável é extremamente importante

INÍCIO DO PROJETO O projeto iniciou com a Oficina do Gosto, quando foi feita uma interação com as diretoras das escolas locais e a explicação sobre a proposta. Na sequência, cada escola definiu as turmas que participariam do projeto e foram agendadas as visitas da equipe do Plantando o Bem. As visitas contam com uma exposição teórica sobre alimentação saudável e como montar uma 22

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para crianças e jovens. Nas oficinas teóricas, a nutricionista também fala sobre adubagem, compostagem, minhocário e outros meios de tornar a horta ainda mais sustentável. A simplicidade de fazer uma composteira em casa ou na escola e a utilidade deste item, não só no destino do lixo doméstico como na preservação do meio ambiente, foram questões trabalhadas nas aulas.

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A Escola Estadual de Ensino Fundamental Dom Vital, de Carlos Barbosa, recebeu a equipe do projeto Plantando o Bem

Divulgação Cooperativa Santa Clara

A conscientização sobre sustentabilidade e consumo rendeu ao projeto Plantando o Bem duas importantes premiações em 2016: o Prêmio Ocergs de Cooperativismo, concedido à Cooperativa pela iniciativa na categoria Responsabilidade Ambiental, e o Top de Marketing 2016, na categoria Setorial Agronegócio. Segundo o diretor Administrativo e Financeiro da Santa Clara, Alexandre Guerra, a missão da Cooperativa como indústria alimentícia é produzir alimentos de qualidade e diferenciados, voltados para o bem-estar. “O projeto Plantando o Bem nos possibilita estar com as crianças e adolescentes preparando-os para o futuro, fornecendo esse conhecimento e contribuindo por uma alimentação mais saudável. É gratificante ver o envolvimento das crianças e uma satisfação plantar essa semente para semear educação e cultura para um mundo mais sustentável”, afirma Guerra. O dirigente destaca que o conhecimento adquirido pelos estudantes é transmitido para as suas famílias e amigos, o que amplia o alcance do Plantando o Bem. “O projeto vai além da oportunidade de eles colocarem a mão no solo, produzirem seu próprio alimento, plantar a horta nas escolas, com legumes e verduras que foram utilizados na própria merenda escolar. Foram entregues cartilhas para que cada aluno pudesse repassar o que aprendeu para os pais, irmãos, vizinhos, levando à continuidade pelo conhecimento que permanece e vai sendo passado adiante”, explica Guerra.

Divulgação Cooperativa Santa Clara

PREMIAÇÃO E RECONHECIMENTO

Crianças descobrem a delícia que é colher e comer o que se plantou com as próprias mãos

AMPLIAÇÃO

Através das aulas, o projeto tem a intenção de formar jovens mais preocupados com sua alimentação e o meio ambiente, que tenham atitudes sustentáveis e valorizem o pequeno produtor e os produtores orgânicos. A ideia é estimular crianças e jovens a terem contato com a terra e o plantio. Além disso, o projeto também prioriza a redução do desperdício e o consumo consciente de alimentos.

Divulgação Cooperativa Santa Clara

Com o reconhecimento e o sucesso alcançado, outros municípios se interessaram pelo Plantando o Bem e solicitaram à Santa Clara que estenda o projeto a outras regiões onde está presente com seus associados e unidades. Para 2017, já estão confirmados 11 municípios que irão receber o projeto, todos nos quais a Cooperativa está presente com suas lojas: Paraí, Veranópolis, Fagundes Varela, Cotiporã, Estação, Vila Maria, Nova Roma do Sul, Jacutinga, Tapera, David Canabarro e São Pedro da Serra.

A nutricionista Renata fala sob os olhares atentos das crianças da Escola Padre Pedro Piccoli, em Carlos Barbosa

Todos os alunos receberam mudas de plantas e uma cartilha explicativa sobre o cultivo de hortaliças, sendo orientados a repassarem os conhecimentos adquiridos para casa, influenciando familiares, vizinhos e amigos a cultivarem os próprios alimentos. 23


LEGISLAÇÃO

Da Impenhorabilidade das quotas-parte por terceiros estranhos à sociedade cooperativa TIAGO MACHADO

ADVOGADO, PÓS-GRADUADO EM RESPONSABILIDADE CIVIL, DIREITO IMOBILIÁRIO E CONTRATOS – IDC E COORDENADOR JURÍDICO DO SISTEMA OCERGS-SESCOOP/RS

A

s cooperativas são sociedades de pessoas.

participação dos sócios ou acionistas no movi-

Tal definição está disposta na Lei 5.764/71,

mento ou volume de suas operações. Nos negó-

em seu art. 4°. A ênfase, portanto, está na singula-

cios com terceiros, estranhos ao quadro associa-

ridade do sócio (e não no capital), nas característi-

tivo, é que ela espera obter os benefícios desti-

cas próprias que lhe permitem o ingresso e perma-

nados à retribuição do capital.

nência na sociedade cooperativa, pois a realização do objeto da cooperativa está intimamente ligada às características das pessoas que integram seu quadro social. Consequentemente, o capital numa sociedade cooperativa tem caráter instrumental, diferenciando-se das demais sociedades de capital, onde a participação nos resultados (lucro) não decorre do fato de ter o acionista operado com a sociedade ou não. Nessas sociedades o que importa é possuir o capital para investir, cuja remuneração ocorrerá de acordo com o capital investido, conforme ensinou Walmor Franke , nestes termos: 1

Nas Sociedades Cooperativas a participação nos resultados está intimamente ligada com as operações realizadas pelo sócio, que antes mesmo de operar, para ingressar na sociedade cooperativa, precisa preencher requisitos estatutários de ingresso e permanência na sociedade. O capital, no caso da sociedade cooperativa, não pode ser utilizado como base para distribuição de quaisquer benefícios, salvo os juros de até o máximo 12% ao ano, sobre a parte integralizada, nos termos da Lei 5.764/712. As cooperativas de Crédito, da mesma forma, encontram tal vedação disposta na Lei Complementar 130/20093, exceto remuneração anual limitada ao valor da taxa

Uma vez constituída a sociedade mercantil, o êxi-

referencial do Sistema Especial de Liquidação e de

to do e m p re e n dim e nto não d e p e n d e da

Custódia – Selic. Recorre-se, novamente, aos

1 FRANK. Walmor. Direito das sociedades cooperativas. Direito Cooperativo. São Paulo, SARAIVA. 1973. P. 49. 2 Art. 24. O capital social será subdividido em quotas-partes, cujo valor unitário não poderá ser superior ao maior salário mínimo vigente no País. (...) § 3° É vedado às cooperativas distribuírem qualquer espécie de benefício às quotas-partes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros excetuando-se os juros até o máximo de 12% (doze por cento) ao ano que incidirão sobre a parte integralizada. 3 Art. 7° É vedado distribuir qualquer espécie de benefício às quotas-parte do capital, excetuando-se remuneração anual limitada ao valor da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - Selic para títulos federais. 24

SESCOOPRS.COOP.BR • OUT/NOV/DEZ • 2016

AÇÃO COOPERATIVISTA PARA UM MUNDO MELHOR


ensinamentos de Walmor Franke, que em sequência

distinguindo-se das demais sociedades pelas

ao texto referido anteriormente, afirma que:

seguintes características:

Nas cooperativas, ao contrário, elemento essencial à consecução dos seus fins e a colaboração constante do sócio na vida e no funcionamento da organização. Esta, em verdade, só tem razão de existir enquanto operar com associados e enquanto os associados, por sua vez, se utilizarem dos serviços cooperativos. É certo dizer-se que no centro da cooperativa está a pessoa do sócio, em íntima co-par ticipacão nas atividades empresariais. Tratando-se de sociedade tipicamente democrática, sendo sociedade de pessoas, o voto de cada sócio não está baseado no capital subscrito ou integralizado. É o que está expresso na Lei 5.764/71, em seu art. 42, onde se afirma que “nas cooperativas singulares, cada associado presente não terá direito a mais de 1 (um) voto, qualquer que seja o

(...) IV - incessibilidade das quotas-partes do capital a terceiros, estranhos à sociedade; Art. 1.094. São características da sociedade cooperativa: (...) IV - intransferibilidade das quotas do capital a terceiros estranhos à sociedade, ainda que por herança; É possível encontrar decisões que compreendem perfeitamente as características da sociedade cooperativa4. Resta, entretanto, a assimilação desse entendimento por parte de alguns julgadores integrantes do Poder Judiciário, que muitas vezes não aplicam esse entendimento, causando grave prejuízo e anomalia jurídica ao funcionamento das sociedades cooperativas.

número de suas quotas-partes”. Um associado, um voto. A força de impulsão da vida da cooperativa cabe à pessoa do sócio, novamente, decorrente de suas características, que criam uma identidade com os demais associados. Assim, ninguém que não atenda aos requisitos estatutários pode ingressar na Sociedade Cooperativa. Essas características próprias das sociedades cooperativas seriam suficientes para demonstrar a impossibilidade de acesso as quotas por terceiros estranhos à cooperativa. Entretanto, alguém poderia defender a tese de que as quotas integralizadas em sociedade cooperativa não constam no rol de impenhorabilidade do art. 833 do Código de Processo Civil. Ocorre, entretanto, que tal questão encontra-se regulada por legislação especial – Lei 5.764/71 e pelo Código Civil, nestes termos, respectivamente: Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados,

4 Ementa: EMBARGOS DE TERCEIROS. PENHORA DE COTA CAPITAL DE ASSOCIADO DE COOPERATIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 4º, INC. IV, DA LEI 5.764/71 E ART. 1094, INC. IV, DO CÓDIGO CIVIL. A impenhorabilidade das cotas de cooperativado decorre de lei, conforme se depreende da leitura do artigo 1.094, inc. IV, do Código Civil e inciso IV, da Lei 5.764/71 que dispõem serem incessíveis as cotas de cooperativado a terceiros, estranhos à sociedade, exceto se o credor for outro cooperativado ou a própria cooperativa e desde que inexista outro bem passível de constrição, observada a gradação do art. 655 do CPC. Este posicionamento se justifica em vista de que a arrematação/adjudicação de terceiro, estranho aos objetivos sociais da entidade cooperativa, prejudicaria a affectio societatis existente nessa modalidade de sociedade. Sentença confirmada por seus próprios fundamentos. RECURSO IMPROVIDO. (Recurso Cível Nº 71003669157, Primeira Turma Recursal Cível, Turmas Recursais, Relator: Marta Borges Ortiz, Julgado em 26/03/2013) 25


Divulgação Federação Unimed/RS

PERFIL

Presidente da Federação Unimed/RS, Nilson Luiz May

26

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AÇÃO COOPERATIVISTA PARA UM MUNDO MELHOR


O PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO UNIMED/RS, NILSON LUIZ MAY, É O PERFIL DE LIDERANÇA DESTA EDIÇÃO, ONDE RELATA SUA TRAJETÓRIA COMO MÉDICO E ESCRITOR.

Médico, cooperativista, escritor e esportista Quem não gosta de

Ferramenta de trabalho paterno, a bola era brin-

política é mandado por quem

quedo lúdico para o piá praticamente desde que

gosta”. Esta máxima de singela contundência, usada com frequência pelo médico Nilson Luiz May, presidente da Federação

nasceu, em Santa Cruz do Sul, no dia  15 de maio de 1940. “Em ambiente de cooperativa, o futebol, que é jogado em equipe, pode servir de exemplo de compartilhamento e modelo de solidariedade”, compara. A prática da cooperação surgiu na jornada de May, em formato empírico, ainda na infância,

das Unimeds do Rio Grande do

quando contribuía para engordar o orçamento do-

Sul nas três últimas décadas,

tes caseiros, pés de moleque e doces de coco da

inspira a filosofia que norteia a

mãe Leolita Cecília (a Vó Lita, hoje com 102 anos). 

entidade-líder do sistema

é nome de avenida na Capital - May garante que

cooperativo empresarial gaúcho”.

E

méstico da família auxiliando na venda dos quitu-

Apadrinhado pelo tio médico Oscar Pereira - que aos 7 anos já estava traçado seu destino profissional. Mais tarde, aos 14 anos, o irmão único de Rosa Maria era aluno diferenciado e professor precoce

ntre outros diplomas emoldurados que abar-

do Colégio Lassalista Nossa Senhora do Carmo,

rotam a parede do gabinete da presidência

partilhando o conhecimento, na forma de ajuda aos

da Federação Unimed/RS, os certificados que

colegas menos apegados aos livros, que ele tanto

atestam as posses nas Academias Sul-Riograndense

apreciava e que, mais tarde, o impulsionariam a

de Medicina e de Letras, evidenciam inequívoco

estudar literatura e criar obras de ficção. Guarda

arrebatamento literário e o reconhecimento à sua

até hoje, caprichosamente encadernada, em uma

dedicação profissional.

notável biblioteca pessoal de 3 mil livros de ficção,

Na sua escrivaninha, porém, repousam objetos como uma chuteira prateada e um porta-retrato

a primeira edição que leu de “A Cidadela”, clássico de AJ Cronin.

em que posa sorridente, na foto do seu time de fu-

Formado doutor em 1963 pela UFRGS da capi-

tebol amador, reveladores de outra paixão insupri-

tal, iniciou a carreira, como a maioria à época, em

mível do dirigente. Cercado de livros e documen-

uma comunidade do interior. Rapazola de 23 anos,

tos diversos em sua mesa de trabalho, Nilson Luiz

já casado e pai do primogênito Nilson Rodolfo,

May informa que está escrevendo uma nova obra

transferiu-se em janeiro de 1964 para a pequena

de ficção, cultivando assim o que denomina “se-

Vila Progresso – onde foi gerada a filha Ana

gundo ofício”. Ressalta ainda, sem modéstia, que

Cristina (teve também a filha Juliana, falecida em

sua destreza com a bola legitima os 1.241 gols ano-

2005). Ainda clinicou em Marques de Souza, no

tados no decorrer de mais de 50 anos e é atribuída

mesmo Vale do Taquari e em 1967 mudou-se para

à herança genética do pai, boleiro profissional.

Lajeado, onde vinculou-se à Sociedade de Medicina

Armindo Rodolfo May, o Rudi, de 1,88m, magro e

do Alto do Taquari (Smat). Começou secretarian-

esguio, “center-half” de força e técnica do Sport

do, graças à habilidade na redação das atas, e aca-

Clube Santa Cruz, depois contratado para dividir

bou presidindo a entidade, em nova carreira polí-

a função de escriturário com a de jogador da equi-

tico-institucional na defesa da categoria e na re-

pe da Eberle Metalúrgica, de Caxias do Sul.

presentação dos colegas. Impôs-se, a partir de 27


PERFIL

então, sua liderança no associativismo, que marca

Hoje, May acentua, “a própria medicina envere-

seu percurso profissional participando do grupo

da por atalhos delicados no País, assolado por uma

que fundou o cooperativismo no Estado em 1971.

crise econômica, política e ético cultural”. Não é

Candidato interiorano inusitado à presidência da

mais humanitária como em seu tempo de consultó-

Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs)

rio, que tratava o paciente como um ser integral e

historicamente dirigida exclusivamente por médicos

não com o foco clínico em partes determinadas por

da capital, em 1981, perdeu por escassa votação. Mas

especialidades. “Em um mundo da pressa e do ime-

foi eleito e reeleito presidente da Unimed Vales do

diatismo, com sistema de saúde pública que não

Taquari e Rio Pardo. Em 1985, foi escolhido pela pri-

funciona, o profissional é mal remunerado, precisa

meira vez presidente da Federação das Unimeds do

de volume de atendimentos e apela automaticamen-

RS, começando uma formidável trajetória estadual

te para os recursos tecnológicos de que dispõe, des-

e nacional no cooperativismo médico.

cuidando-se da relação médico-paciente.”

LIDERANÇA E CAPACIDADE PARA AGREGAR “Quem não gosta de política é governado por

“tem uma missão desafiadora ainda maior do que antes: manter-se fiel à doutrina e, ao mesmo tempo, fortalecer a gestão empresarial para inovar e

quem gosta”, costuma dizer, como um mantra con-

enfrentar as dificuldades do mercado”.

tra a má interpretação da neutralidade proposta

O SEGUNDO OFÍCIO

pela doutrina. “O sistema não deve ser apolítico, como muitos acham. Deve ser, sim, apartidário. Mas

Além de médico especializado em Gastroente-

fazer política é imprescindível para relacionar-se

rologia, May conquistou reconhecimento também

com as instituições e posicionar-se perante a so-

como escritor. Estudioso da teoria literária, com alen-

ciedade onde atua”.

tada produção de mais de 200 ensaios, artigos e

Sob este conceito foi forjada a Unimed gaúcha,

críticas, é autor do romance “Terra da Boa Esperan-

que hoje compatibiliza o complexo cooperativo

ça”, de 1989; do livro de contos “Inquéritos em Pre-

empresarial e um instituto de viés social, respon-

to-e-Branco”, de 1994; de crônicas “Pelos (des)ca-

sável por um fórum anual de debates densos, que

minhos da Medicina Assistencial Brasileira”, de 1996;

propõe reflexões sobre os dilemas contemporâ-

da novela “Céus de Pindorama”, de 2000; de crô-

neos com pensadores estrangeiros e nacionais, di-

nicas “A Máquina dos Sonhos”, de 2008, e do ro-

vulgados na revista “Pensar”.

mance folhetim “Misterioso caso na Repartição Pú-

Envolta em uma marca de grande valor, a Federação

28

O cooperativismo dos dias de hoje, para ele,

blica”, de 2010.

gaúcha possui uma estrutura vigorosa que reúne 26

Na crítica à obra mais recente “Última Chamada”,

cooperativas singulares, com 15 mil médicos asso-

de contos, editada em 2012 por sua própria editora

ciados que atendem quase 2 milhões de clientes,

Scriptum, o escritor e jornalista Juremir Machado da

além da Unimed Central de Serviços e a Unicoopmed.

Silva define: “May tem literatura nas veias. Seu olhar

É proprietária também da empresa de serviços Uniair,

penetrante desnudando o absurdo vivido no coti-

líder em transporte aeromédico no País que atua

diano por homens condenados à própria existência,

ainda em voos executivos e táxi aéreo.

que já se conhecia das narrativas longas, agora apa-

Graças à conduta de agregador, hábil em buscar

rece, com a força e a pulsação (nos contos), o que

as convergências em lugar de acirrar as diferenças,

exige, em linguagem de futebol, muita técnica e

acumula a direção da holding Unimed Participações

domínio de bola em curto espaço”. Para o escritor

em São Paulo (para onde viaja semanalmente), é vi-

Sérgio Faraco os relatos de May costumam repro-

ce-presidente da confederação regional Unimed

duzir “amargas experiências de solidão, em que os

Mercosul e por diversas vezes recusou candidatar-

protagonistas, na esperança de uma longínqua fe-

-se (em chapa única) à presidência da Confederação

licidade, elegem caminhos que os fazem voltar ao

Unimed do Brasil, por razões pessoais e, sobretudo,

ponto de partida, num ritornelo de desventuras”.

por gostar do ambiente de lealdade e transparência

Para ele, May é “um fino observador de extração

que ajudou a construir no cooperativismo médico

shopenhauriana: os episódios que derrubam as qui-

gaúcho. “Se posso me orgulhar de algo que conse-

meras de seus personagens sugerem que, em regra

gui, nesses anos todos, foi colaborar para consoli-

a vida é um negócio que não vale o investimento.

dar este clima de companheirismo e rejeição à hi-

Mas a ficção salva, com seus encantos, aquilo que

pocrisia, em nosso cooperativismo”.

a vida desencanta”.

SESCOOPRS.COOP.BR • OUT/NOV/DEZ • 2016

AÇÃO COOPERATIVISTA PARA UM MUNDO MELHOR


Fotos: Arquivo pessoal

1940

Nasce em Santa Cruz do Sul no dia 15 de maio

1963

Forma-se em Medicina pela UFRGS

1964

Inicia a carreira médica em Vila Progresso, então distrito de Lajeado

1967

Transfere-se para Lajeado depois de clinicar em Marques de Souza

1971 Em Lajeado ajuda a criar a primeira Unimed no RS e inicia na liderança associativa

1982

Mora em Paris-França e conhece a Europa viajando de trem

1985

Eleito presidente da Federação Unimed RS pela primeira vez

1995

Fixa residência definitiva em Porto Alegre

2006 Vence a mais acirrada disputa à presidência da Federação e é sucessivamente reeleito em 2010 e 2014

2010

Eleito presidente da  Unimed Participações, em São Paulo

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PDGC

Programa de Desenvolvimento da Gestão das Cooperativas (PDGC) E

m sua atuação sistêmica, o Sescoop desen-

O Programa é aplicado em ciclos anuais, visando

volve ações de aprendizagem que contribuem

à melhoria contínua a cada ciclo de planejamento,

para o desenvolvimento da autogestão das coope-

execução, controle e aprendizado.

rativas, pautado no conceito de sustentabilidade,

Desenvolvido em ambiente web, o Programa ofe-

pelo qual as cooperativas se tornam economicamen-

rece um instrumento de avaliação, que permite um

te viáveis, socialmente justas e ambientalmente cor-

diagnóstico objetivo da gestão, gerando relatórios

retas, resguardando as características societárias

com pontos fortes e oportunidades de melhoria a

que as distinguem e respeitando os princípios e va-

serem utilizadas na elaboração do planejamento es-

lores do cooperativismo.

tratégico e dos planos de ação da cooperativa. Além

Atualmente, o Sescoop adota três eixos direcionadores das ações de desenvolvimento da autogestão das cooperativas: •

disso, gera indicadores para acompanhamento do processo de melhoria da gestão e da governança. O instrumento de avaliação é dividido em dois

Eixo Societário, focado em resguardar as ca-

questionários. A cooperativa primeiro responde ao

racterísticas que distinguem as cooperativas

Questionário de Diagnóstico, que verifica a confor-

dos demais tipos societários, conforme de-

midade legal em relação à Lei 5.764/71 e identifica

finem as leis cooperativistas.

as boas práticas de gestão. Na sequência, responde

Eixo Gestão, focado em promover a adoção

ao Questionário de Autoavaliação, que avalia a ges-

das boas práticas de gestão e de governan-

tão da cooperativa com base no Modelo de Excelência

ça pelas cooperativas.

da Gestão®.

Eixo Econômico-Financeiro, focado em pro-

Tendo como premissa o processo evolutivo, a me-

mover a autogestão econômico-financeira

todologia da Fundação Nacional da Qualidade, ado-

pelas cooperativas por meio da análise de

tada pelo Sescoop, possui quatro estágios de matu-

indicadores e de cenários.

ridade da gestão, sendo que cada qual tem, de for-

Cada eixo possui um programa próprio para viabilizar sua implementaç ão. O Programa de

ma implícita, uma pontuação. •

Desenvolvimento da Gestão das Cooperativas (PDGC)

– aplicável às cooperativas em estágio inicial

é um dos programas do Sescoop vinculado ao Eixo

de um programa de melhoria da gestão.

Gestão voltados ao desenvolvimento da autogestão

COMPROMISSO COM A EXCELÊNCIA – apli-

das cooperativas; seu objetivo principal é promover

cável às cooperativas que estão em estágios

a adoção de boas práticas de gestão e de governan-

iniciais de evolução do seu sistema de gestão

ça pelas cooperativas.

e começando a medir e a perceber melhorias

A metodologia desse Programa está pautada no Modelo de Excelência da Gestão® (MEG) da Fundação

30

PRIMEIROS PASSOS PARA A EXCELÊNCIA

nos seus resultados. •

RUMO À EXCELÊNCIA – aplicável às coope-

Nacional da Qualidade (FNQ), que é um modelo re-

rativas cujo sistema de gestão está em franca

ferencial utilizado para promover a melhoria da qua-

evolução e que já demonstrem competitivi-

lidade da gestão e o aumento da competitividade

dade e atendimento às expectativas das par-

das organizações.

tes interessadas em vários resultados.

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EXCELÊNCIA – aplicável às cooperativas que têm um sistema de gestão bastante evoluído, já demonstram excelência em alguns resultados, competitividade na maioria e pleno atendimento às expectativas das partes interessadas em quase todos eles (estágio ainda não disponível).

BENEFÍCIOS DO PROGRAMA Ao participar do PDGC, a cooperativa obterá os seguintes benefícios: • •

• •

PRÊMIO SESCOOP EXCELÊNCIA DE GESTÃO O Prêmio Sescoop Excelência de Gestão é o reconhecimento nacional às cooperativas que promovem o aumento da qualidade e da competitividade do cooperativismo, por meio do desenvolvimento e da adoção de boas práticas de gestão e governança. Promovido a cada dois anos, a iniciativa é dirigida às cooperativas singulares registradas e regulares com o Sistema OCB, participantes do PDGC. É uma excelente oportunidade para o aprimorar a gestão, ampliar a rede de re-

Verificação da sua conformidade em relação

lacionamentos e aumentar a visibilidade da

aos principais requisitos da Lei 5.764/71;

cooperativa.

Conhecimento do grau de maturidade de suas

Para se inscrever no Prêmio as cooperativas pre-

práticas de governança e gestão com base

cisam participar do PDGC. Após responder os ques-

em modelo referencial construído a partir das

tionários de Diagnóstico e Autoavaliação, a inscrição

boas práticas de governança e do MEG®;

deverá ser confirmada. 

Oportunidade de reflexão sobre suas práticas

As cooperativas que alcançarem a pontuação

d e g e s t ã o p o r m e i o d o p ro c e s s o d e

definida pela banca julgadora serão reconheci-

autoavaliação;

das nas faixas em que se enquadrarem, dentro

Relatórios com pontos fortes e oportunidades para melhoria de sua situação legal, suas práticas de governança e gestão, possibilitando a construção de planos de melhoria para o aumento da competitividade e da sustentabilidade; Promoção do aprendizado organizacional, desenvolvendo a cultura da excelência; Desenvolvimento da visão sistêmica dos dirigentes.

dos níveis de maturidade escolhidos no momento da inscrição no PDGC (Primeiros Passos para a Excelência, Compromisso com a Excelência ou Rumo à Excelência). As faixas de reconhecimento em cada nível de maturidade são Ouro, Prata e Bronze. Além disso, entre as reconhecidas, a c o o p e r a t iv a c o m a s m e l h o re s p r á t i c a s d e Governança será eleita Destaque Governança Cooperativista.

Em 2017 haverá a 3ª edição do Prêmio e a inscrição é gratuita. Acesse http://pdgc.somoscooperativismo.coop.br e participe!

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Rafaeli Minuzzi

ESPAÇO ESCOOP

3ª Semana Acadêmica e Mostra de Iniciação Científica A

Escoop promoveu, entre os dias 21 e 23 de novembro a 3ª Semana Acadêmica e 3ª Mostra de Iniciação Científica da instituição, com o tema “A Responsabilidade Social das Cooperativas e o Desenvolvimento Regional”. Sob o tema do primeiro dia, “Migrações no RS: o papel das cooperativas na inserção de imigrantes e refugiados”, o presidente da Cosuel – Dália Alimentos, Gilberto Piccinini, contou a caminhada da Cooperativa no trabalho com imigrantes, que começou no ano de 2012. Após, a presidente da Fetrabalho/RS, Margaret Cunha, falou sobre os ciclos migratórios e dados sobre os refugiados no Brasil e no RS. A advogada Márcia Abreu, integrante do Grupo de Apoio aos Imigrantes e Refugiados da UFRGS, apresentou dados sobre emigração e o trabalho desenvolvido pelo Grupo de Apoio. Houve também a apresentação de artigos acadêmicos da Escoop e uma atividade alusiva ao Dia da Consciência Negra, com a conferência “Caminhos Negros de Porto Alegre”, com o professor Manoel José Ávila e com a graduada pela Escoop, Rejane Marques.

N o s e g u n d o d i a (2 2 / 1 1), h o uve o p a i n e l “Desenvolvimento Regional e Inclusão Social”, com a pesquisadora da Unisc, Vonia Engel, o vice-presidente da Cooperativa Languiru, Renato Kreiemeier, o presidente da Sicredi Centro-Leste, Paulo Learsi e o coordenador administrativo da Coohagig, Paulo Roberto Franqueira, seguido da apresentação de artigos acadêmicos da Escoop. No último dia (23/11), após a saudação do secretário de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo do RS, Tarcisio Minetto, os presentes participaram do painel “Educação Cooperativista e Desenvolvimento Regional”, com o gerente do Projeto d e C o o p e r a ç ã o D G R V (C o n f e d e r a ç ã o d a s Cooperativas da Alemanha), Arno Boerger. Por fim, os professores do Núcleo de Pesquisa da Escoop apresentaram os temas de seus projetos de pesquisa, objetivos e metodologias, que estão sendo desenvolvidos, ligados à Gestão Estratégica de Cooperativas.

4ª Revista Reflexão Cooperativista Durante a abertura da 3ª Semana Acadêmica da Escoop, também ocorreu o lançamento da quarta edição da Revista Reflexão Cooperativista, com artigos escritos por professores e acadêmicos dos cursos de graduação e pós-graduação da Faculdade de Tecnologia do Cooperativismo – Escoop sobre o cooperativismo. A publicação é destinada a contribuir na divulgação, debate, aprofundamento e criação de saberes que venham a promover o movimento cooperativista brasileiro.

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Rafaeli Minuzzi

62ª FEIRA DO LIVRO

O professor pesquisador da Escoop, Heitor Mendina participou da sessão de autógrafos do livro “Remando contra a maré: política industrial e desenvolvimento econômico no RS (2011-2014)”, da editora Bookman, lançado no dia 9 de novembro, durante a 62ª Feira do Livro de Porto Alegre. O livro aborda a história do desenvolvimento e declínio de regiões em um mundo exposto ao intenso processo de globalização. Mendina é o autor do capítulo que trata da contribuição da economia da cooperação para o desenvolvimento econômico e social do RS.

II FÓRUM CONECTA PPGA – UFSM

Os professores do Núcleo de Pesquisa da Escoop, Deivid Ilecki Forgiarini e Heitor Mendina, participaram do II Fórum Conecta, organizado pelo Programa de PósGraduação em Administração da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que ocorreu em novembro e contou com apresentação de centenas de artigos científicos da área de gestão.

ESTUDANTES DA ESCOOP VISITAM A COOPERATIVA LANGUIRU

Em outubro, a Cooperativa Languiru recebeu a visita de estudantes da Escoop, atividade que integrou aprendizado de uma disciplina ministrada pelo professor Ernesto Krug. Na oportunidade, o grupo visitou o Frigorífico de Suínos da Languiru, a Indústria de Laticínios, além do Supermercado Languiru. Na propriedade do associado Gilberto Brune, com produção de leite e suínos, os estudantes conheceram as instalações e características da propriedade familiar. Segundo Brune, a solução para o agronegócio está no cooperativismo. “Sempre fui cooperativista e sinto muito orgulho de participar da Cooperativa. Como associados, somos donos do negócio”, afirmou.

Escoop realiza prova do Vestibular 2017 Com a presença de 36 candidatos, a Escoop realizou no dia 4 de dezembro a prova do Processo Seletivo – Vestibular 2017, para o Curso de Tecnologia em Gestão de Cooperativas. Com o tema “Em momentos de crise, qual a importância e o papel do cooperativismo”, os candidatos tiveram que escrever uma redação de até 30 linhas. Ao candidato foi recomendada a entrega de 1 kg de alimento não perecível. Ao todo, foram arrecadados 52 kg de alimentos que foram entregues à Sociedade Espírita Ramiro D’ Ávila, de Porto Alegre. O Curso Superior de Tecnologia em Gestão de Cooperativas visa à formação de profissionais da área de ciências organizacionais, capazes de responder aos desafios da sociedade e cooperativas em contínua transformação, que possuam domínio da tecnologia de conhecimentos e de suas aplicações para atuar profissionalmente na área de tecnologia em cooperativismo.

Escoop assina acordo de cooperação com a Cudecoop A Escoop assinou no dia 17 de novembro, em Montevidéu, no Uruguai, durante o Congresso da ACI Américas, um acordo de cooperação com a Confederação Uruguaia de Entidades Cooperativas - Cudecoop. O acordo tem como objetivo a cooperação técnico-científica, profissional e cultural com o intuito de desenvolver projetos e atividades dirigidas à promoção do ensino, pesquisa e extensão do ensino cooperativo. Segundo o professor Derli Schmidt, diretor geral da Escoop e representante do cooperativismo gaúcho no Congresso da ACI Américas, a assinatura do convênio se deu após a visita dos uruguaios ao Brasil, quando conheceram a estrutura da Escoop e reconheceram a importância do pioneirismo da iniciativa. 33


ESPAÇO ESCOOP

Fatores de Influência nas Redes de Intercooperação entre Cooperativas Agropastoris PROFESSOR DOUTOR HEITOR JOSÉ CADEMARTORI MENDINA CONSULTOR E PROFESSOR PESQUISADOR DO CURSO DE TECNOLOGIA EM GESTÃO COOPERATIVA DA ESCOOP

PROFESSOR DOUTOR JOSÉ ANTÔNIO VALLE ANTUNES JÚNIOR PROFESSOR DO PPGA UNISINOS E CONSELHEIRO DO BADESUL

PROFESSOR DOUTOR JOSÉ JERONIMO DE MENEZES LIMA PROFESSOR, PESQUISADOR E CONSULTOR

E

ste artigo sintetiza pesquisa sobre fatores im-

Em relação à reputação/comportamento, apon-

pulsionadores e restritivos à intercooperação

taram-se como fatores impulsionadores: cultura or-

entre cooperativas agroalimentares que atuam em re-

ganizacional de qualidade e sustentabilidade, aten-

de, a partir da análise em uma rede formal sem su-

dimento de normas, regulamentos e legislações se-

cesso no RS, formada por 18 cooperativas coorde-

toriais e alto nível de exigência das cooperativas em

nadas por uma federação; uma rede informal com

relação aos cooperados. O fator restritivo identifi-

governança centralizada bem-sucedida no Paraná (PR),

cado foi concorrência entre as cooperativas, ocasio-

formada por três cooperativas; e uma rede formal

nando disputa de mercado entre elas.

bem-sucedida em Santa Catarina (SC), formada por 13 cooperativas coordenadas por uma central. Foram identificados fatores que atuam como restritivos e impulsionadores à intercooperação que tendem a acontecer independentemente do nível de formalismo do modelo de atuação, do modo como a rede está estruturada e da forma como a cooperação se manifesta, como apresentado no quadro da página 35. Em relação à criação de vantagens competitivas, os fatores impulsionadores englobaram: presença de marca forte para comercialização dos produtos dos cooperados, aprendizado organizacional decorrente da troca de informações entre as cooperativas da rede, economia de escala e redução de custos. Do ponto de vista dos fatores restritivos, destacaram-se parcerias equivocadas e impossibilidade de abrir o capital. Sobre governança/gestão da rede, foram percebidos como fatores impulsionadores: tomada de decisão colegiada, utilização de mecanismos formais de governança, coparticipação societária, ges-

34

Quanto aos fatores impulsionadores de evolução/ desempenho da cooperação: competitividade dos cooperados e poder moderador da central/rede. Os fatores restritivos foram: culturas organizacionais diferentes, jogos de poder e resistência à mudança. Em termos de estratégias de cooperação, foi considerado como fator impulsionador a comercialização centralizada por uma única estrutura, visando economias de escala e redução de custos. No que diz respeito aos fatores restritivos decorrentes das estratégias de cooperação, foram destacados falta de visão de mercado e resistência à inovação. A governança/gestão da rede é considerada como o principal fator impulsionador ou restritivo, pois é a partir do modelo de governança/gestão da rede que se forma a imagem positiva ou negativa que caracteriza a reputação/comportamento das cooperativas envolvidas e da própria rede, influenciando a elaboração de estratégias de cooperação para promover a evolução/desenvolvimento da intercooperação.

tão profissionalizada e criação de unidades de ne-

Uma sugestão relevante para incentivar a inter-

gócios independentes. Como fator restritivo foi no-

cooperação é a realização de assembleias conjuntas

tada ausência de mecanismos formais de prestação

para avaliação de resultados e planejamento conjun-

de contas conjuntas.

to. É relevante, ainda, a formalização de contratos

SESCOOPRS.COOP.BR • OUT/NOV/DEZ • 2016

AÇÃO COOPERATIVISTA PARA UM MUNDO MELHOR


com cláusulas punitivas que evitem disputas e ações

comercialização dos produtos das cooperativas da

o p o r tu n i s ta s e ntre a s co o p e r ativa s e s e u s

rede.

cooperados.

Destaca-se a relevância da distribuição de re-

Recomenda-se integração das áreas de recursos

sultados de forma proporcional ao desempenho dos

humanos das cooperativas para capacitação con-

cooperados, em relação às unidades de negócio

junta dos cooperados e colaboradores, uniformiza-

em que efetivamente participem, além da definição

ção de culturas organizacionais e quebra de resis-

de políticas de seleção e de contratação de gesto-

tência às mudanças e inovações.

res competentes com remuneração justa e partici-

Sugere-se a realização de programas conjuntos

pação nos resultados.

de comunicação interna e externa para uniformiza-

Finalmente, indica-se a definição de programas

ção de informações repassadas às partes interessa-

de educação continuada, em todos os níveis, para

das, em especial, aos colaboradores e cooperados.

cooperados, sucessores, gestores e colaboradores

Considera-se oportuna a criação de unidades

das cooperativas e das redes, com vistas à capaci-

de negócios independentes em sua gestão para a

tação para o exercício eficaz de suas atividades den-

industrialização e prestação de serviços e/ou

tro e fora da rede.

Construtos Pesquisados

Fatores Impulsionadores Marca forte

Vantagem Competitiva

Aprendizado organizacional Economia de escala Redução de custos

Fatores Restritivos

Parcerias equivocadas Impossibilidade de abrir o capital

Tomada de decisão colegiada Governança/Gestão

Mecanismos formais de governança

Ausência de mecanismos for-

Coparticipação societária

mais de prestação de contas

Gestão profissionalizada

conjuntas

Unidades de negócios independentes

Cultura organizacional de qualidade e de sustentabilidade Reputação/Comportamento

Atendimento de normas, de regulamentos C o n c o r r ê n c i a e n t r e a s e legislações setoriais

cooperativas

Nível de exigência das cooperativas em relação aos cooperados Culturas organizacionais Evolução/Desempenho

Competitividade dos cooperados

diferentes

Poder moderador da central/rede

Jogos de poder Resistência à mudança

Estratégias de Cooperação

Comercialização centralizada

Falta de visão de mercado Resistência à inovação

35


Rafaeli Minuzzi

E N T R E V I S TA 36

m sua vasta experiência política, o político natural de Getúlio Vargas, Odacir Klein acumulou importantes funções, sempre com a marca da lealdade e transparência. De fala forte e marcante, sua rapidez de raciocínio se destaca. Técnico em contabilidade e depois advogado, põe na conta de sua eleição de prefeito aos 25 anos o contato com os associados da então cooperativa de produção de Banha Sant’ana (Cobanha), sediada em Estação, na época distrito de Getúlio Vargas e hoje município. Deputado federal, secretário estadual da Agricultura e ministro dos Transportes, sempre esteve próximo ao cooperativismo nas funções públicas exercidas. Em 2009, lançou o livro “Conversando com os netos”, onde relata como superou o alcoolismo. Casado e pai de cinco filhos, atualmente é diretor-presidente do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul – BRDE.

E

SESCOOPRS.COOP.BR • OUT/NOV/DEZ • 2016

ODACIR KLEIN Diretor-presidente do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul – BRDE

Um político com origem cooperativa à frente do BRDE Qual o seu olhar para a trajetória do cooperativismo gaúcho? Antes de ter sido prefeito, vereador, deputado federal e ter passado por outros cargos do executivo, eu fui cooperativista. Comecei minha atividade profissional muito novo e aos 18 anos eu fui admitido no escritório da cooperativa de produção de Banha Sant’ana (Cobanha), em Estação, que era um bairro de Getúlio Vargas. Era uma cooperativa de pequenos suinocultores que industrializava e comercializava seus produtos e lá eu aprendi o cooperativismo e a força da cooperação. Como deputado federal sempre tive uma série de atividades voltadas para o fortalecimento do cooperativismo. Ajudei, por exemplo, para que o cooperativismo de Crédito pudesse participar da compensação de cheques.

Como o senhor vê a importância das cooperativas para a sociedade? Cooperação é fundamental. Um conjunto de pessoas procurando resolver problemas produz mais resultados do que a busca de solução isolada. É por isso que o cooperativismo vinga mais entre os menores do que entre os maiores. Se nós pegarmos regiões de produtores mais abastados, veremos que eles procuram resolver seus problemas pela competição e não pela cooperação. Onde há a necessidade da soma de esforços para resolver pela cooperação, nós temos o fortalecimento do cooperativismo. Dentro AÇÃO COOPERATIVISTA PARA UM MUNDO MELHOR


Cooperação é fundamental. Um conjunto de pessoas procurando resolver problemas produz mais resultados do que a busca de solução isolada. É por isso que o cooperativismo vinga mais entre os menores do que entre os maiores”. desse quadro, o professor Vergilio Perius fala com muita propriedade que o cooperativismo cresce e tem maior visibilidade.

O senhor presidiu a Fecotrigo. Que relação o senhor consegue estabelecer entre aquele momento e o atual? Eu era secretário da Agricultura e saí para ser presidente da Fecotrigo, porque em uma análise que fizemos na época, era mais importante a presença em uma entidade de cooperativas, gestionando junto ao governo federal por soluções, do que ficando em um organismo vinculado ao poder público estadual. Nós tínhamos uma situação completamente diferenciada de agora. Nós não tínhamos lei agrícola e a Fecotrigo se empenhou muito no sentido de que nós pudéssemos avançar para que houvesse segurança jurídica maior para o setor. Estávamos em época de tramitação da nova Constituição Federal. O cooperativismo conseguiu fazer com que fossem colocadas na nova Carta algumas normas da maior importância, como a liberdade de organização, a não intervenção do poder público e o estímulo ao cooperativismo. Também a previsão que o ato cooperativo para efeitos tributários fosse diferente de outros atos. Era um momento de efervescência, de necessidade de consolidação legislativa. Ao longo do tempo foi se avançando no sentido de conquistas. É verdade que há muito para se conquistar ainda. Era um momento de crise econômica nacional, consolidação democrática, votação de leis importantes para o sistema, necessidade de conquista de espaço institucional e uma grande crise decorrente da situação da Centralsul. O atual tem crises, tem problemas, algumas cooperativas por questões de gestão passam por dificuldades, mas temos espaços institucionais muito melhor organizados que na época.

No nosso Seminário Gaúcho do Cooperativismo o senhor relatou vários cenários brasileiros e mundiais. Esses cenários são positivos para o cooperativismo? Eu diria que o cooperativismo é que cria condições positivas para a modificação de cenários. Se

olharmos especificamente a área do agronegócio, nós vamos constatar que existem fundamentos que não há como serem alterados. Nós temos crescimento da população urbana, aumento da longevidade, necessidade de alimentos e de produção de energia, e cada vez mais haverá demanda por matérias-primas, por insumos. Se esta demanda ocorrer através do cooperativismo, nós estaremos garantindo renda e produção. Haverá uma demanda crescente, por isso o cooperativismo, organizando a produção e rentabilizando aqueles que estão na atividade agrícola, tem um papel fundamental.

O senhor traçou ainda alguns desafios para as cooperativas, entre eles a intercooperação. Eu tracei alguns desafios, primeiro a necessidade de gestão. E aí o Sistema Ocergs-Sescoop/RS tem um papel fundamental na preparação de gestores. Segundo, transparência. Às vezes quando as cooperativas têm momentos de crise entendem que o melhor é esconder dos associados para não prejudicar mais e não agravar a situação, quando deve ser exatamente ao contrário. É fundamental que nós tenhamos cuidados na administração das cooperativas e a intercooperação é muito importante. Nas cooperativas do agronegócio, por exemplo. Desde a compra de sementes e insumos, ou da pesquisa e produção de sementes, ou de tudo aquilo que diz respeito à armazenagem comum, um pequeno agricultor não tem como investir em rmazenagem. Se houver condições de intercooperar na logística para o transporte, na industrialização e na comercialização, é muito melhor do que corporações competindo entre si.

O senhor classificou o Sescoop/RS como valioso instrumento para estimular a solidariedade e a gestão eficiente das cooperativas. Como é que o senhor percebe a atuação do Sistema OcergsSescoop/RS hoje? Muito produtivo, porque hoje a visão é sistêmica. Eu lembro da época em que para o presidente da Ocergs viajar a Brasília, nós da Fecotrigo precisávamos contribuir com a compra da passagem aérea para que ele pudesse se locomover. O Sescoop foi resultado de uma longa luta, principalmente da OCB, destaco os presidentes Roberto Rodrigues, o Dejandir Dalpasquale e o Wilson Thiesen. Todos se empenharam muito no sentido que fosse criado esse instrumento. Hoje o Sescoop desenvolve uma atividade da maior importância para a preparação de gestores, por todas essas ações que fazem com que o cooperativismo se aprimore e se fortaleça, e tenha condições de institucionalmente agir mais fortalecido. 37


Rafaeli Minuzzi

E N T R E V I S TA

É fundamental que nós tenhamos cuidados na administração das cooperativas e a intercooperação é muito importante. Nas cooperativas do agronegócio, por exemplo. Desde a compra de sementes e insumos, ou da pesquisa e produção de sementes, ou de tudo aquilo que diz respeito a armazenagem comum, um pequeno agricultor não tem como investir em armazenagem”. Qual o papel do BRDE como indutor do desenvolvimento das cooperativas? O banco é de desenvolvimento, não é um banco de crescimento. Crescimento é uma parcela do desenvolvimento. Como ele é de desenvolvimento, visa estimular a inovação, a cooperação e uma atividade econômica que tenha condições de dar respostas a todas essas demandas do momento. O banco atua fortemente com o cooperativismo, que tem concorrido para que possa ser um multiplicador de créditos. O BRDE consegue pulverizar o crédito porque interage principalmente com as cooperativas de Crédito e cooperativas de produção. O banco recebe das linhas oficiais para repasse e faz convênios com as cooperativas de Crédito, e com as de produção o banco financia. São as cooperativas que fazem com que os recursos cheguem às mãos dos produtores ou estimulantes da atividade produtiva. Essa interação faz com que tenhamos promoção não só de crescimento econômico, mas de desenvolvimento.

Um dos gargalos das cooperativas hoje é a falta de capital de giro. O que o BRDE tem feito ou pode fazer para amenizar essa situação? O Prodecoop contempla financiamentos para investimentos fixos e capital de giro. O Procap-Agro também tem situações para a questão do capital de giro.

O senhor vê possibilidades para um projeto nos moldes do BNDESPAR voltado ao cooperativismo? Temos que buscar aquilo que achamos importante e usar a criatividade. Se quisermos copiar um BNDESPAR nós não vamos conseguir, pela nossa formação societária. É preciso que haja propostas inovadores de linhas de crédito que possam avançar a situação que temos hoje, de Procap-Agro, de Prodecoop, garantindo recursos para que as cooperativas possam se capitalizar. A dificuldade econômica de momento não será apenas para que possamos avançar nas propostas dessa natureza, será para o geral do crédito. Aquele crédito facilitado com ingresso através do BNDES, com o BNDESPAR estimulando investimentos que dali a pouco resultavam em prejuízos incríveis para o contribuinte, não tem mais condições de prosperar. Nem o BNDESPAR, daquela forma, tem condições de prosperar. Como não tem mais condições de ocorrer crédito com juros baixíssimos, suportados na verdade pelo contribuinte. 38

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AÇÃO COOPERATIVISTA PARA UM MUNDO MELHOR


R

io Grande Cooperativo a cada edição res-

A ssociação dos Jornalistas de Economia e

gata e registra um fato histórico do coope-

Associação dos Jornais do Interior.

rativismo gaúcho, pesquisado no acervo da biblioteca da Escoop.

PARA RECORDAR

Aconteceu no Cooperativismo Na oportunidade, o presidente da Ocergs, Adelar da Cunha, e da Fecoergs, Frederico Bavaresco, en-

Na reportagem desta edição, a Revista Nova

fatizaram que o objetivo do prêmio era levantar

Direção ano I, n.07, p. 2, jun/jul 1986, destacou o

questões dificilmente abordadas pela imprensa, que

lançamento do concurso de jornalismo, intitulado

se caracterizava por apontar erros do sistema. Os

“Prêmio Ocergs de Jornalismo”, divulgado no dia

dirigentes lembraram, como exemplo, do trabalho

3 de julho de 1986, que tinha como objetivo des-

das cooperativas de eletrificação rural, que esten-

tacar as melhores reportagens sobre a importân-

dem suas redes nas mais longínquas regiões, mui-

cia do cooperativismo no desenvolvimento da eco-

tas vezes abandonadas pelas concessionárias.

nomia riograndense. Patrocinado pela Ocergs,

Pesquisa realizada pela bibliotecária da Escoop,

contava com o apoio da Secretaria da Agricultura,

Raquel Reis dos Santos. A Nova Direção foi uma pu-

Associação Riograndense de Imprensa, Sindicato

blicação da Ocergs. Edições da década 80 encon-

dos Jornalistas Profissionais de Porto Alegre,

tram-se na biblioteca à disposição para pesquisa.

39


C O O P E R AT I V I S M O D I G I TA L

SISTEMA COOPERATIVISTA DO RS UTILIZA SUA PÁGINA NO FACEBOOK, O PERFIL NO TWITTER E O CANAL PRÓPRIO NO YOUTUBE PARA DIVULGAR OS PRINCÍPIOS E VALORES DO COOPERATIVISMO, COM MUITA INFORMAÇÃO, CULTURA E NOVIDADES

Cooperativismo nas redes sociais M

ais que um modelo de negócios, o coopera-

sociais do Sistema Ocergs-Sescoop/RS visam esta-

tivismo é uma filosofia de vida que busca trans-

belecer interação, integração e inter-relacionamen-

formar o mundo em um lugar mais justo, feliz, equi-

tos com indivíduos de diferentes classes sociais, etnias,

librado e com melhores oportunidades para todos.

culturas, crenças e nacionalidades.

Um movimento que mostra que é possível unir de-

A fan page do Sistema conta com mais de 3.500

senvolvimento econômico e social, produtividade e

curtidas e o perfil no Twitter tem mais de 550 segui-

sustentabilidade, o individual e o coletivo. E o coo-

dores, com cards e posts que trazem muitas infor-

perativismo moderno dispõe de canais de comuni-

mações sobre os programas e eventos da entidade,

cação que propiciam a interação e integração de

curiosidades sobre as cooperativas gaúchas, ramos

seus stakeholders, compartilhando cultura, informa-

de atuação, números, cases nacionais e internacio-

ção e conhecimento.

nais. A comunicação também traz exemplos de coo-

Em consonância com o destaque que as redes

perativas que inspiram novas ideias, apresenta posts

sociais recebem atualmente em diversas esferas e

didáticos, como criar uma cooperativa por exemplo,

áreas de atuação, como no universo acadêmico, ge-

e compartilha muitas curiosidades e novidades do

rencial, social, político, econômico, cultural e am-

Geração Cooperação, plataforma coletiva de cons-

biental, o Sistema Ocergs-Sescoop/RS utiliza sua

trução de conhecimento sobre o cooperativismo de-

página do Facebook, o seu perfil no Twitter e o ca-

dicada às novas gerações, lançado pelo Sescoop/RS

nal próprio no YouTube para divulgar os princípios

no início de 2012.

e valores do cooperativismo, com muita informação, cultura e novidades.

O canal no YouTube é outra rede social que apresenta novidades para os diversos públicos envolvidos

As redes sociais do Sistema cooperativista gaú-

com o cooperativismo, como por exemplo os vídeos

cho preenchem a necessidade das pessoas estarem

da campanha Histórias Reais do Cooperativismo, cria-

interconectadas em espaços sem limites, rompendo

da em 2016, que contam histórias interessantes do

fronteiras e atingindo seus stakeholders, com obje-

cooperativismo gaúcho, as quais mostram a trans-

tivos afins ou não, com novas formas de socializa-

formação econômica e social que o modelo traz para

ção. Assim como o modelo cooperativista, as redes

a vida das pessoas.

https://www.facebook.com/Ocergs.SescoopRS https://twitter.com/OcergsSescoopRS https://goo.gl/xtjhFO

Almir tem 289 hectares de terra em Não-Me-Toque destinados para a agricultura. Conheça sua história. 40

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AÇÃO COOPERATIVISTA PARA UM MUNDO MELHOR


GERAÇÃO COOPERAÇÃO

APRENDIZ COOPERATIVO Seis aprendizes cooperativos contaram sua história para o Geração Cooperação nesse trimestre. Foram muitos conhecimentos e experiências compartilhadas pelos jovens que participam do Programa em diversas cooperativas gaúchas.

DIFERENÇAS ENTRE EMPRESAS MERCANTIS E COOPERATIVAS Trabalhar em uma empresa mercantil ou cooperativista tem várias diferenças. E o Geração enumerou algumas para ajudar na hora de decidir qual modelo de trabalho seguir.

UM DIA NA VIDA Na série Um dia na vida contamos a história de cinco aprendizes cooperativos em quatro cidades gaúchas: Porto Alegre, Teutônia, Nova Petrópolis e Bento Gonçalves. Mostramos que é possível ter uma experiência com o cooperativismo e aprender muitas lições mesmo com pouca idade.

Acompanhe e participe do Geração: Acesso o site e conheça mais projetos: geracaocooperacao.com.br Curta a fan page: facebook.com/Geracaocoop Mais de 72 mil curtidas Assista aos vídeos: youtube.com/Geracaocoop

Ajude a construir um futuro mais cooperativo!

41


S I N D I C ATO

Sindicato-OCERGS Conquistas que projetam o futuro IRNO PRETTO PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO UNIODONTO E DIRETOR TÉCNICO SINDICAL DA OCERGS

PEDRO MALHEIROS BACHAREL EM DIREITO E ANALISTA ADMINISTRATIVO DA OCERGS

ROSANA SCHUSTER BACHAREL EM LETRAS, MBA EM ASSESSORIA EXECUTIVA E ANALISTA ADMINISTRATIVA DA OCERGS

H

á 15 anos surgia o Sindicato-OCERGS, inte-

trabalho e ações de dissídio coletivo, atuando para

grando a Organização das Cooperativas do

fortalecer e consolidar a representação da categoria

RS, como entidade sindical patronal, passando a de-

econômica que, é bem verdade, vem consolidando-

nominar-se Sindicato e Organização das Cooperativas

-se ano após ano. Atualmente, as convenções e acor-

do Estado do Rio Grande do Sul, representativo da

dos coletivos de trabalho firmadas pela OCERGS com

categoria econômica das cooperativas e com o ob-

os mais diversos sindicatos laborais e abrangendo

jetivo de assegurar as relações de trabalho e permi-

as mais diversas cooperativas do Estado, têm sido

tir que desempenhem plenamente suas atividades.

registrados no Ministério do Trabalho e Emprego,

As sociedades cooperativas, que têm como prin-

propiciando a segurança na administração das suas

cípios a Adesão voluntária e livre, a Gestão democrá-

42

relações laborativas.

tica pelos associados, a Participação econômica dos

De toda a sorte, ainda hoje essa legitimidade por

associados, a Autonomia e Independência, Educação,

vezes é questionada. Tratam-se de entidades patro-

formação e informação, a Intercooperação e o

nais que se arvoram como entidade representativa

Compromisso com a comunidade, se distinguem dos

da categoria. Ocorre que, ainda hoje, as cooperati-

demais tipos societários por serem sociedades de

vas enfrentam ações de cumprimento e cobrança

pessoas que, unidas, objetivam auferir vantagem eco-

da contribuição sindical, notadamente as coopera-

nômica (que não o lucro) e permitam eliminar inter-

tivas do ramo agro, detentoras de postos de com-

mediários que oneram o seu objeto social.

bustível em seu negócio, onde ditos sindicatos re-

São as cooperativas, portanto, livres para exer-

presentativos postulam o recolhimento da contribui-

cerem qualquer tipo de atividade - desde que ali-

ção, alegando a representação para si. Além do pre-

nhada com seus objetivos sociais -, o que implica,

juízo financeiro à cooperativa, este tipo de ação ju-

por vezes, em empreendimentos idênticos aos de

dicial macula o entendimento majoritário de enqua-

outros tipos societários. É neste cenário que ganha

dramento sindical único, por atividade preponderante

destaque o conhecimento de suas regras sindicais,

exercida pela cooperativa.

já que, no plano prático, as cooperativas que desen-

E é neste cenário, de embate judicial nos fóruns

volvam várias atividades teriam que se preocupar

trabalhistas, que recente julgado posiciona o enten-

com apenas uma representação sindical patronal -

dimento jurídico da questão, e que deve nortear as

não poucas vezes pulverizada em diversos sindica-

cooperativas que passam por situação análoga. Segue:

tos, justamente em face da diversidade de suas ati-

“Sucede que o enquadramento sindical no Brasil, na

vidades, como ocorre - e alinhando-se a apenas um,

forma do § 2º do art. 581 da CLT, é regido pela ativi-

no caso, o Sindicato-OCERGS.

dade econômica - exclusiva ou preponderante - exer-

Daí a participação incansável do Sindicato-

cida pela empresa. No prisma dos obreiros, a pres-

OCERGS no trato das negociações coletivas de

crição normada diz que os empregados integram e

SESCOOPRS.COOP.BR • OUT/NOV/DEZ • 2016

AÇÃO COOPERATIVISTA PARA UM MUNDO MELHOR


enquadram-se, também sem possibilidade de ato de

pretensão autoral”. (Dr. IVANILDO VIAN, Juiz Titular

vontade, na categoria profissional contraposta a de

de Vara do Trabalho de Três Passos. Processo nº

seu empregador, com a exceção de categoria pro-

0020155-49.2016.5.04.0641, de 11.07.2016).

fissional diferenciada. Contudo, segundo informado

Além de relevante o posicionamento judicial em

na peça contestatória e de conhecimento geral, in-

destaque, de interesse direto das cooperativas do

clusive deste juízo em função da vivência nesta re-

ramo agro, detentoras de postos de combustível, a

gião geográfica, de fato, a cooperativa demandada

presente decisão tangencia, também, outro ponto

possui como exercício primordial atividades de pro-

sensível para o Sindicato -OCERGS, qual seja a rea-

moção e auxílio, em regime de cooperação, ligadas

firmação da representação patronal e o consequen-

ao setor primário da economia e não ao comércio

te recolhimento da contribuição sindical para a en-

varejista de combustíveis”.

tidade correta.

E complementa,

Os valores arrecadados à título de contribuição

[..] ainda que tenha diversificado a sua atuação

sindical possibilitam minimamente o desenvolvimen-

econômica também sobre o comércio de combus-

to das atividades do Sindicato-OCERGS e, especial-

tíveis, isso não lhe retira a preponderância de exer-

mente no ano de 2016, propiciou, entre outras, a

cício de cooperação na esfera da agricultura e da

assessoria jurídica especializada do escritório Guedes,

pecuária, de sorte que não pode ser tida como re-

Pedrassani, escritório renomado, cujo consultor, Dr.

presentada pelo sindicato-autor. Paralelamente, o

Ermes Pedrassani, representou o Sindicato-OCERGS,

artigo. 86 da Lei nº 5.764/1971, que institui o regime

em Brasília, no evento comemorativo aos 75 anos da

jurídico das cooperativas, autoriza que tais socieda-

Justiça do Trabalho e dos 70 anos do TST, onde foi

des forneçam bens e serviços a não associados, des-

agraciado com medalha comemorativa por ter pre-

de que tal faculdade atenda aos objetivos sociais.

sidido aquele Tribunal, o que evidencia e qualifica a

Assim, [...] nem mesmo o fato de o posto de com-

autoridade que nos orienta diuturnamente na con-

bustível vender para o público em geral determina

secução dos objetivos do Sindicato; bem como com

o enquadramento sindical da cooperativa-ré junto

o Conselho Técnico Sindical, órgão consultivo que

ao SULPETRO. Mais, a comercialização de combus-

reúne-se ordinariamente três vezes ao ano para de-

tível, consoante exigência da Portaria nº 116 da ANP

liberar as matérias de interesse das cooperativas e

– Agência Nacional de Petróleo - somente pode ser

na administração do Sindicato.

realizada por pessoa jurídica com essa finalidade,

Os recursos sindicais também permitiram a cons-

situação que justifica o fato de o posto questionado

trução da Casa do Cooperativismo, obra erguida no

operar com CNPJ diferente daquele utilizado pela

Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, de am-

matriz, sem que disso resulte a noção de que a coo-

plo acesso às cooperativas para o seu uso.

perativa esteja a realizar múltiplas atividades econô-

Diante desse panorama, perfazendo um breve

micas sem que nenhuma delas se destaque. Registro

retrospecto da história do Sindicato e suas realiza-

também que, à luz do art. 8º, II, da CF/88 e do art.

ções para firmar-se como parceiro das cooperativas,

516 da CLT, não se mostra adequada a representa-

pautado pelo diálogo permanente junto aos Sindicatos

ção de uma mesma categoria econômica por mais

dos trabalhadores, é que caminhamos na defesa dos

de uma entidade sindical dentro de uma mesma ba-

interesses da categoria econômica das cooperativas,

se territorial, o que também afasta a viabilidade da

mirando para o futuro destas relações.

43


ARTIGO

Programa Aprendiz Cooperativo

GABRIEL SIMAS S. BUSSMANN

FERNANDA HILLESHEIM FRANÇA

ANALISTA TÉCNICO DA PROMOÇÃO SOCIAL DO SESCOOP/RS

ANALISTA TÉCNICA DA PROMOÇÃO SOCIAL DO SESCOOP/RS

O

P ro g r a m a A p re n d iz C o o p e r a t i vo d o Sescoop/RS proporciona às cooperativas condições para o cumprimento da lei nº 10.097/2000, regulamentada pelo decreto nº 5.598/2005 e portaria nº 615/2007, onde prevê que os estabelecimentos de qualquer natureza tenham em seu quadro de empregados entre 5% e 15% de jovens aprendizes. O cálculo do percentual aplicável a cada estabelecimento é baseado na quantidade de funções que demandam formação profissional. O Sescoop/RS atende à legislação vigente de aprendizagem e à demanda das cooperativas gaúchas, com o Programa Aprendiz Cooperativo com sete modalidades de cursos: - Auxiliar Administrativo; - Serviços de Supermercado; - Processamento de Carnes; - Assistente para Manufatura de Calçados; - Processamento de Leite e Derivados; - Eletrotécnica Básica; - Aprendiz Cooperativo do Campo. A proposta pedagógica dos cursos elencados objetiva apresentar os jovens para o mundo do trabalho, para atuarem dentro de cada área específica, ou seja, áreas administrativas, supermercados, indústrias de carnes, laticínios, calçados, infraestrutura, setores de manutenção e no ambiente rural. 44

SESCOOPRS.COOP.BR • OUT/NOV/DEZ • 2016

Na prática, o Sescoop/RS está estimulando os jovens a trabalharem como empregados das cooperativas, pois estão sendo formados e apresentados para o mercado de trabalho como a primeira experiência profissional na condição de empregado. Com o programa atual, uma grande parte das demandas das cooperativas estão atendidas, contudo, há uma controvérsia, por assim dizer, entre a vocação das cooperativas ou do cooperativismo e a finalidade do programa de aprendizagem. Explicando melhor, os programas de aprendizagem proporcionam aos jovens uma possibilidade muito forte de se tornarem empregados de cooperativa ou de outra organização, enquanto a própria cooperativa tem nos seus fundamentos doutrinários a formação de pessoas para se tornarem sócias dos seus quadros e donas do empreendimento cooperativo, uma coisa não se coaduna com outra. Claro que as cooperativas necessitam de mão de obra na condição de empregados para atuarem nas atividades meio, mas há de se convir que o gene de uma cooperativa está em desenvolver e perpetuar o seu quadro social. O Programa Aprendiz Cooperativo do Campo apresenta em sua proposta, formar jovens para atuarem como sócios das cooperativas do ramo Agropecuário e estimular estes a permanecerem no campo, atendendo também um dos grandes desafios do cooperativismo Agropecuário que é a sucessão familiar.

AÇÃO COOPERATIVISTA PARA UM MUNDO MELHOR


O curso Aprendiz Cooperativo do Campo é realizado observando o crivo da legislação da aprendizagem profissional, agregando unidades temáticas que contextualizam a realidade rural e suas principias culturas e tipos de empreendimentos agropecuários, condizente com a realidade de cada região do Estado do Rio Grande do Sul. Desta forma, estão contemplados os jovens que convivem com atividades de grãos, hortifrutigranjeiros, pecuária de corte e leiteira e criação de suínos e frangos. Os jovens recebem conhecimento teórico e prático em aulas articuladas entre si que permitam o desenvolvimento do profissional dentro da propriedade rural, bem como as relações de mercado existentes na cadeia produtiva de sua atividade fim. No campo do saber, os jovens irão estudar o agronegócio, a cadeia produtiva e seus ciclos, o mercado e suas relações com a cooperativa a qual a propriedade rural participa. Proporcionar uma abordagem prática da importância da sucessão familiar exitosa e a permanência do jovem no campo. Agregando formação cidadã e tendo o cooperativismo como prática de relação entre produção e consumo, princípios e valores numa dimensão ético-social observando as diretrizes da aprendizagem profissional no Brasil, legislação e seus regulamentos. Este programa tem por objetivo preparar os jovens para o mundo empreendedor e do trabalho, garantindo a formação técnico-profissional, compatível com o seu desenvolvimento físico, moral e psicológico. Desta forma, o Sescoop/RS cumpre um de seus principais objetivos que é a formação profissional de empregados e sócios de cooperativas, além de contribuir para o desenvolvimento social das comunidades. Em 2016, o programa atendeu 2.427 jovens participantes, que equivalem a 84% da demanda plena, considerando entre estes os PCD’s (Pessoas Com Deficiência), tanto em turmas exclusivas quanto em turmas mistas. A pedagogia do programa para esse público é desenvolvida especialmente, conforme cada situação dos participantes, observando suas deficiências, mas trabalhando nas suas potencialidades. Neste sentido, as cooperativas que acolhem o aprendiz deficiente também em muito estão contribuindo e alocando esforços para que no final do

curso todos tenham a oportunidade de permanecer na cooperativa como empregado regular e/ou associado. Vale registrar que 100% dos aprendizes estão cotizados (contratados com registro em Carteira de Trabalho) pelas mais de 100 cooperativas gaúchas participantes do programa. Conforme orientações e instruções disponíveis no site (http://www.sescooprs.coop.br/programas/ aprendiz-cooperativo25), o Programa Aprendiz Cooperativo contribui para a formação destes jovens em turmas próprias, onde trabalhamos de forma transversal o cooperativismo, ambiente em que passarão a fazer parte. Apresentado em dois módulos: um teórico (realizado em sala de aula ou de treinamento) e outro prático (realizado nas instalações da cooperativa que contratou o aprendiz, em propriedades modelos ou Escola Agrícola, no caso do Aprendiz do Campo), os jovens vivenciam as complexidades de forma gradativa. A metodologia do programa também observa diretrizes do M.T.E. – Ministério do Trabalho e Emprego, quanto à alternância entre aulas teóricas e práticas, que vai do início ao fim do curso. Por fim, pode-se afirmar que consoante à questão de inclusão de jovens no mundo do trabalho, as cooperativas gaúchas, articuladas com o Sescoop/RS, estão no caminho certo, fazendo da legislação da aprendizagem uma ferramenta de inclusão social e desenvolvimento regional sustentável. O gráfico abaixo representa os atendimentos no RS, por ramos:

APRENDIZ COOPERATIVO EM ANDAMENTO - ANOS 2015 a 2016 Infraestrutura: 2,189% Produção: 4,073%

PCD´s: 2,953% Outros: 0,051%

Saúde: 8,605% Crédito: 7,077%

Agropecuário: 75,051%

As cooperativas interessadas em participar do programa deverão procurar o SESCOOP/RS através dos seus analistas técnicos. GABRIEL SIMAS S. BUSSMANN

FERNANDA HILLESHEIM FRANÇA

(51) 3323-0054 (51) 3323-0050 gabriel-simas@sescooprs.coop.br

fernanda-franca@sescooprs.coop.br

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MARKETING & COMUNICAÇÃO

Era digital: você sofre de “Decision Fatigue”? MARTHA GABRIEL ESCRITORA, PROFESSORA, CONSULTORA E PALESTRANTE NAS ÁREAS DE MARKETING DIGITAL, INOVAÇÃO E EDUCAÇÃO, PÓS-GRADUADA EM MARKETING (ESPM) E DESIGN (BELAS ARTES), MESTRE E PHD EM ARTES (ECA/USP) COM EDUCAÇÃO EXECUTIVA EM INOVAÇÃO PELO MIT SLOAN

A

o mesmo tempo em que a vida moderna nos

seu estoque para ser usado nas próximas. Esse pro-

traz incontáveis benefícios, ela também tem

cesso prejudica a nossa capacidade de julgamento

se revelado como um dos nossos piores e mais implacáveis inimigos, que nos sabota de forma invisível.

Assim, se desperdiçamos nossa capacidade de decisão com coisas que não são importantes, tere-

Sofremos, hoje, uma mudança de era, regida por

mos dificuldade de decidir as coisas que importam

um ritmo vertiginoso inédito de transformações de-

ao longo do dia. Por exemplo, se iniciamos o dia ten-

vido ao aumento de velocidade que a tecnologia

do que resolver coisas banais - roupa que usaremos,

nos impõe. Uma das principais consequências ime-

se passamos na lavanderia, o que preparar no jantar,

diatas desse fenômeno é a multiplicação exponen-

respostas nas mídias sociais, etc. -, quando chega-

cial de possibilidades (variedade) e quantidade

mos no trabalho e precisarmos tomar decisões im-

(volume) das opções que se apresentam em cada

portantes, já teremos consumido uma boa parte da

instante da nossa existência. Essa sobrecarga de op-

nossa força de vontade para decidir.

ções e informações, por sua vez, impacta conside-

Para combater a Decision Fatigue precisamos

ravelmente uma dimensão essencial de nossas vidas:

fazer a gestão e planejamento das nossas decisões,

a força de vontade que temos disponível a cada

que podem ser feitos com duas medidas práticas:

momento para fazer análises e tomar decisões.

46

e ação.

1) Delegar para outros decidirem tudo aquilo em

Ao contrário do que se imagina, a força de von-

que não somos essenciais – a pergunta a ser feita é:

tade não é um fator constante no nosso organismo,

quem é a melhor pessoa para decidir isso? Se não

mas uma habilidade que diminui conforme a vamos

for você, delegue.

utilizando – esse efeito é batizado de “Decision

2) Gestão das decisões – todas as decisões ba-

Fatigue”, ou, “Fadiga de Decidir”. Em outras pala-

nais possíveis devem ser tomadas na noite anterior

vras, quanto mais decisões somos obrigados a to-

e não no início do dia.

mar ao longo do dia, mais debilitados vamos ficando

Pequenas mudanças na gestão da nossa vida po-

para tomar novas decisões, pois cada uma delas con-

dem trazer grandes diferenças de resultados. Somos

some um pouco da nossa força de vontade dispo-

a soma das nossas decisões - quanto melhores elas

nível, diminuindo (e, eventualmente, esgotando) o

forem, melhores seremos também.

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AÇÃO COOPERATIVISTA PARA UM MUNDO MELHOR


Rg coop #8 - ANO 2  
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