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zint edição #17: O MUNDO SOMBRIO DE SABRINA

OUt. 2018


e di to ri al

Boo! *Edição #17 aparece do nada, em um passe de mágica* Outubro é o mês do Halloween e, claro, trazemos na Capa nossa matéria sobre a estreia da primeira temporada de “O Mundo Sombrio de Sabrina”, além das nossas críticas sobre o novo álbum de Pabllo Vittar, “Não Para Não”, e o filme “Nasce Uma Estrela”! Ainda, materias sobre Brooklyn Nine-Nine, Elite, Twenty One Pilots, Khalid, Demolidor, O Primeiro Homem e Cher! Novas três palavras figuram no nosso Guia,pra você aprender seus respectivos significados. E com o Calendário Cultural lembramos que novembro está LOTADO de estreias, como ”Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindewald”, o novo álbum da Little Mix e os retornos de “House of Cards”, “Outlander” e “Vikings”. Aproveitem!


O QUê A ZINT TEM?

como uma publicação digital, as possibilidades de interações são promissoras. usando a plataforma ao nosso alcance, a revista sempre vem acompanhada de interatividade. aproveitamos de todos esses recursos e você pode usufruir de tudo sem muito mistério. »


paleta de cores;

para ficar fácil diferenciar as áreas de cobertura, cada uma delas possuem suas próprias cores, que ficam visíveis nas barras laterais da revista

vídeo;

stories;

com uma revista de Cultura & Entretenimento, estamos sempre escrevendo sobre algo que possui um trailer ou um videoclipe, por exemplo. o ícone do Youtube é sempre visível para encontrar esse conteúdo audivisual. ao clicar na imagem, uma janela com o player será aberto e você poderá assistir ao vídeo!

se você está pelo app Issuu, é possível ler as principais matérias da Edição em versão “Stories”. na parte superior direita você pode ver um ícone de barras; basta clicar nele para ser levado para a área onde o conteúdo está em um formato de texto corrido

playlists;

links;

algumas das nossas matérias vem acompanhadas playlists. quando isso acontece, eles são encontradas ao final da respectiva matéria. ainda, nas páginas finais de cada publicação, você pode encontrar todas as listas, com ícones para ouvi-las no Deezer, Spotify e Youtube

além do conteúdo audiovisual principal, as matérias contém outros tipos de links, como para páginas da internet, ou até mesmo outros vídeos e áudios. toda vez que essa identificação visual aparecer saiba que ela corresponde a um link. é só clicar!

rodapé;

o easter-egg da revista. no rodapé de cada página de matéria, no mesmo lugar da paginação, o zint.online sublinhado também é um link. neste caso, ele leva para a versão correspondente da matéria no site, em formato blog


colabs da edição a cada publicação, o nosso time de colaboradores muda um pouco

joão

vics

criador da revista; editor de conteúdo

criador da revista; diretor de arte

16 colaboradores participam dessa edição, com matérias sobre séries, música, filmes e indicação, além de seis novas playlists!

clique aqui para ver todos nossos colabs


adan

agnes nobre

bruna curi

carolina cassese

cecília basílio

debora drumond

deborah almeida

guilherme luis

jader theophilo

joão dicker

melissa vitoriano

mike faria

nathália cioffi

rayanne candido

vics

vitória silva


agenda cultural as principais datas de estreias e lançamentos de novembro [veja o calendário completo clicando aqui]

01

01

01

BOHEMIAN RHAPSODY

A CASA QUE JACK CONSTRUIU

O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos

02

02

02

house of card

homecoming

walls

barbra streisand

04

estreia da 6ª e última Temporada

08

estreia da 1ªt

08

outlander

o grinch

estreia da 4ªt

Millennium: A Garota na Teia de Aranha

08

08

09

Chacrinha - O Velho Guerreiro

Operação Overlord

Origins

Imagine Dragons


13

15

15

Hitman 2 PC, PS4, Xbox One

O Grande Circo Místico

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald

15

16

16

entrevista com deus

caution

Mariah CAREY

16

16

lm5

The Kominsky Method

Little Mix

18

Escape at dannemora estreia da 1ªT

estreia da 1ªT

19

The Little Drummer Girl estreia da 1ªT

16

phoenix rita ora

29

Robin Hood - A Origem

19

vikings

estreia da 5ªT

30

A Brief Inquiry into Online Relationships the 1975

narcos

estreia da 4ªT

16

She-Ra and the Princess of Power estreia da 1ªT

22

Infiltrado na Klan 29

As Viúvas

30

What Is Love? Clean Bandit


guia do en tre te ni men to

não é todo mundo que está imerso no mundo do entretenimento, podendo ficar sem entender alguns (ou vários) dos termos utilizados na área. por essa e outras, mês a mês, nos prontificamos a trazer três palavras, traduzidas, explicadas e exemplificadas

veja o dicionário completo


sample o sample é um formato musical que consiste, basicamente, em fazer, em uma música, a amostra de um som e/ou letra de uma outra produção. como músicas são criações autorais protegidas por leis, para que um artista faça um sample de uma música, o mesmo precisa pedir permissão para o artista original e até mesmo pagar para uso. em alguns casos, com o uso não autorizado de sample, o artista original pode processar e até mesmo impedir o lançamento de uma música. o hit Feel This Moment, do cantor Pitbull com parceria de Christina Aguilera, usa sample de Take On Me, do aHa. em seu recente álbum, Queen, Nicki Minaj precisou descartar uma música da tracklist, por um uso de sample não autorizado, atrasando seu lancamento.

reality show o reality show é gênero televisivo, traduzindo-se, literalmente, para “show de realidade”, ou “show de verdade”. esse gênero consiste, basicamente, em programas que exploram de algum aspecto da vida real para criar algum tipo de competição ou simplesmente a documentação seriada. exemplos de reality show de competição são o The X Factor e o The Voice, enquanto um exemplo para o reality show documental são os Keeping Up With the Kardashians e Queer Eye.

chick-lit o chick-lit refere-se a um romance leve, voltado para o público feminino. normalmente é escrito por uma autora e aborda questões relacionadas às mulheres modernas, que são retratadas como independente, culta e audaciosa. Os Delírios de Consumo de Becky Bloom, de Sophie Kinsella, e Garoto Encontra Garota, de Meg Cabot, são exemplos de chick-lit.


CONTEÚDO 16

televisão

O Mundo Sombrio de Sabrina vics

p.26

p.42

p.60

Demolidor

Alyssa Edwards

SKAM

Rayanne Candido

Debora Drumond

Agnes Nobre

p.32

p.44

p.64

Elite

Red

Merlí

Carolina Cassese

Melissa Vitoriano

Debora Drumond

p.34

p.46

p.68

Big Mouth

Shane Dawson

Fringe

João Dicker

Debora Drumond

vics

p.38

p.56

Orgulho e Paixão

Brooklyn Nine-Nine

Bruna Curi

Deborah Almeida


NA EDIÇÃO

74

102

música

filmes

Pabllo Vittar

Nasce Uma Estrela

Guilherme Luis p.80

Mike Faria p.110

Khalid

O Primeiro Homem

Jader Theophilo

João Dicker

p.84

p.114

Twenty One Pilots

Halloween

Vitória Silva

João Dicker, Adan

p.88

Cher vics p.96

Billie Eilish Cecília Basílio

p.124

Um Pequeno Favor Bruna Curi p.128

Felicidade Por Um Fio Debora Drumond p.132

Feministas: O Que Elas Estavam Pensando? Nathália Cioffi p.134

Abracadabra Bruna Curi

Indicação p.140

Clássicos da Disney Bruna Curi

playlists p.146

Todas as nossas listas musicais [ +8 ]


[

televisĂŁo

]


A HORA DAS BRUXAS texto e di ag ra m ação:

VICS

Sabrina Spellman e sua família de bruxos ganham uma repaginação com a estreia da série O Mundo Sombrio de Sabrina, assinada pela Netflix.


S

Sabrina Spellman é, sem sombra de dúvidas, uma das bruxas mais conhecidas do entretenimento. É nesse mesmo mundo que vivem outras personalidades, como Samantha Stevens (A Feiticeira), Elvira (Elvira: A Rainha das Trevas), as Irmãs Halliwell (Charmed) ou Hermione (Harry Potter). O que marca Sabrina, assim como as outras, são as histórias em que elas estão inseridas e suas respectivas gerações. A primeira vez que a personagem, originária dos quadrinhos do universo Archie Comics, foi apresentada para o público mainstream foi na década de 1990. Sob o corpo de Melissa Joan Hart (na época, já muito conhecida por seu papel como a protagonista da série Clarissa Sabe Tudo), Sabrina chegou a televisão como Sabrina, A Aprendiz de Feiticeira. 18 |

zint.online

Adotando um formato de sitcom, o público teve a oportunidade de conhecer e se apaixonar pela família Spellman. Na série, Sabrina é uma garota prestes a completar 16 anos, mas um desconhecido segredo paira a sua existência: ela é uma bruxa, assim como a maior parte de sua família. Com uma mãe mortal na qual nunca pode olhar nos olhos devido uma maldição e com um pai bruxo muito ocupado e viajante, os cuidados de Sabrina ficaram por conta de suas tias paternas: Hilda (Caroline Rhea) e Zelda (Beth Broderick). Enquanto Hilda é uma mulher de espírito livre e infantil, além de muito brincalhona, Zelda tem um pulso mais firme, mas justo, sendo a figura maternal dos Spellman. Ainda, a família conta com um gato de estimação, chamado Salem Saberhagen (dublado por Nick Bakay), que na verdade é um bruxo sentenciado a passar 100 anos sob a forma de um gato, após tentar conquistar o mundo. Tudo isso é desconhecido por Sabrina até o seu 16º aniversário, quando ela terá a chance de escolher honrar o nome Spellman. Por ser uma sitcom, A Aprendiz de Feiticeira tem um caráter bastante cômico, com Sabrina passando por diversas enrascadas onde faz o uso de sua recém descoberta magia para se safar. Seu dom também é usado para ajudar seus amigos e até mesmo sua família, ao mesmo tempo em que precisa aprender a história bruxa e ter controle total de sua magia. Para isso, ela conta com a ajuda guiada de Salem, que, embora megalomaníaco e preguiçoso, tem um bom coração. Tia Hilda e Zelda também estão ali para ajudar, ainda que uma vez ou outra causem alguns problemas.


TIA HILDA, SABRINA, TIA ZELDA E SALEM, RESPECTIVAMENTE

Sabrina, a Aprendiz de Feiticeira durou sete temporadas e 163 episódios, exibidos entre 1996 e 2003, consagrando Melissa e o elenco, que ficaram imortalizado por seus papéis. Desde então, a série é um importante marco das produções adolescentes, fazendo parte da cultura pop (inclusive citando-a diversas vezes ao longo de sua exibição) e sendo celebrado em diversos meios e produções culturais, tendo até mesmo ganhado três telefilmes: Sabrina, a Aprendiz de Feiticeira (1996, como uma base piloto), Sabrina Vai à Roma (1998) e Sabrina Vai à Austrália (1999). Com o fim da série e cheio de fãs órfãos, a produção continuou ganhando pedidos de uma reunião ou até mesmo novas temporadas, principalmente na atual época de resgate de clássicos

que Hollywood está passando. Eventualmente, o pedido foi ouvido, mas com uma condição: este não seria um revival ou remake, e sim um reboot diferente de qualquer coisa já vista. Sabrina, então, ganhou uma nova vida que seria, inicialmente, utilizada como uma personagem de Riverdale. A série da The CW é uma adaptação dos quadrinhos da Turma do Archie, universo no qual Sabrina está inserida. A produção, que adota um tom mais sombrio e misterioso, estreou em 2016, e, na concepção original, terminaria sua primeira temporada mostrando a jovem bruxa como a grande vilã para o segundo ano. A ideia

NATE RICHERT DEU VIDA À HARVEY KINKLE, NAMORADO DE SABRINA

era que, eventualmente, a personagem viesse a ganhar sua própria série spin-off — plano este que foi deixado para trás, colocando os direitos de Sabrina a venda. Para felicidade dos fãs, quem comprou o uso da personagem foi a Netflix, prontificando-se a criar o seu próprio universo com os Spellman (e, inicialmente, se distanciando do universo de Archie na The CW).

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UM NOVO COVEN O MUNDO SOMBRIO DE SABRINA estreou no catálogo da Netflix no dia 26 de outubro, trazendo 10 episódios com duração média de uma hora cada. Ainda que com um elenco completamente renovado, a nova versão da série, inspirada nos quadrinhos de mesmo nome, traz uma história um tanto semelhante com a da primeira adaptação. Sabrina Spellman (Kiernan Shipka) é uma garota como qualquer outra, prestes a completar seus 16 anos de vida. Mas o que seu namorado, Harvey Kinkle (Ross Lynch), e as duas melhores amigas Rosalind "Ros" Walker (Jaz Sinclair) e Susie Putnam (Lachlan Watson), não sabem é que os Spellman são uma família de bruxos – e ela é uma. Com seu aniversário a apenas alguns dias de distância, Sabrina precisa se preparar para o seu Batismo das Trevas, um ritual milenar onde bruxas assinam, com

sangue, seus respectivos nomes no Livro da Besta, jurando completa devoção à Satã, em troca de poder. Porém, o caso da jovem Spellman é especial: como ela é o fruto de uma relação entre uma mortal e um bruxo, sendo metade dos dois, ao assinar seu nome, ela precisa abdicar de sua vida como humana e, consequentemente, de seu namorado e amigos – algo que a jovem bruxa não está interessada em fazer. Assim, Sabrina precisa encontrar meios de quebrar as regras a seus favor e continuar com sua vida meio imersa no

mundo mortal, e meio imersa no mundo de magia. Órfã dos dois pais, Sabrina é criada por suas tias paternas, Hilda (Lucy Davis) e Zelda (Miranda Otto), donas da Funerária Spellman. Na casa, ainda vive seu primo Ambrose (Chance Perdomo), um jovem bruxo condenado a prisão domiciliar após tentar

DE COSTAS, A PROFESSORA MARY WARDWELL CONVERSA COM A TURMA DE SABRINA, COMPOSTA POR (DA ESQUERDA PRA DIREITA) SUSIE, ROS E HARVEY

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NA FOTO ACIMA, TIAS ZELDA E HILDA, RESPECTIVAMENTE. AO LADO, AMBROSE E SALEM

explodir o Vaticano. Eventualmente, a soma de moradores fica maior, com a presença do familiar Salem, um demônio em forma de gato preto que se voluntaria a ajudar e proteger Sabrina. Com um enredo quase que familiar para o seu público, O Mundo Sombrio de Sabrina, como já introduz no título, explora de um tom mais misterioso e assustador para dar o pontapé em seu universo. Será comum, para aquele que assiste, ouvir os vários nomes de Lúcifer e uns "Em nome de Satã", ver a Igreja Católi ser chamada de "falsa Igreja" e 22 |

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Deus de "falso Deus", contemplar muito sangue derramado, algumas torturas psicológicas e até mesmo canibalismo. No entanto, as tias Spellman garantem que bruxos da Igreja da Noite não são, necessariamente, maus: eles apenas possuem o livre arbítrio para fazer o que quiserem, sem se arrepender, depois, perante ao falso Deus. A série, envolta em mistério, tem um excelente ritmo bem compassado para apresentar a mitologia de seu universo. Episódio a episódio vamos descobrindo um pouco mais a regras, leis e literatura que cerca o mundo mágico de Sabrina, ao mesmo passo em que ela vai tomando conhecimento do que significa assinar

seu nome no Livro da Besta. Não só a história, mas também temos a oportunidade de conhecer cada um dos personagens mais a fundo (e até mesmo seus respectivos medos). Sabrina é uma jovem garota cheia de honra e amor por sua família e amigos, determinada a fazer qualquer coisa para ajudá-los ou salvá-los. Ambrose, embora um criminoso no passado, tendo se arrependido completamente do ato, é uma espécie de conselheiro e confidente de sua prima. Hilda é uma figura mais cômica, tendo imensa dificuldade de dizer não


à sobrinha, sempre ajudando-a e guiando-a da melhor possível, as vezes até mesmo se questionando se o Caminho das Trevas é o caminho certo. Zelda, por outro lado, é uma mulher completamente devota, determinada a elevar o nome Spellman mais uma vez, carregando o peso de cuidar de toda a sua família e dizer não sempre que achar necessário, governando com um punho justo, mas de ferro. No meio mortal, Harvey é um garoto talentoso, doce e leal, mas meio perdido e assombrado pela figura de seu pai, do qual detesta, apenas se sentindo conectado ao seu irmão mais velho Tommy (Justin Dobies). Ros é uma garota negra ciente de sua cor e não só da importância do movimento, como do feminismo e da sororidade, estando disposta a lutar pelos

seus direitos e ajudar todos aqueles que estão com medo demais para ajudarem a si próprio. Susie possivelmente é uma das personagens mais interessantes da história, com uma construção de caráter que se desmembra um pouco a cada episódio, mostrando justamente a ideia de um processo. A garota é um jovem transgênero que se identifica como garoto, embora nunca tenha falado ou comentado isso em voz alta. Ele se veste como garoto e tenta se portar como um, sendo vítima de bullying por garotos que o chamam de "sapatão" e levantam sua camisa em busca de seios. Susie ainda está se descobrindo e até mesmo passa por alguns problemas, acreditando, em certo ponto, que precisa adotar o papel

de menina pro resto da sua vida, afim de evitar ser mandada para um hospício ou até mesmo morrer. São os amigos de Sabrina que representam o laço que a bruxa tem com o mundo mortal, uma conexão que o próprio Satã quer quebrar em prol de uma profecia que nunca é abertamente contada

SABRINA, NO CENTRO, AJOELHADA, DURANTE O BATISMO DAS TREVAS. EM PÉ, NA SUA FRENTE, O PADRE FAUSTUS BLACKWOOD. AO FUNDO, À DIREITA, AS TIAS HILDA E ZELDA

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NA PRIMEIRA IMAGEM, PADRE na série. Para ajudar em seus planos, ele conta com Padre Faustus Blackwood (Richard Coyle), Sacerdote da Igreja da Noite e reitor da Academia das Bruxas, e Mary Wardwell (Michelle Gomez), uma mortal, professora da escola de Sabrina, que foi possuída por um importante demônio, braço direito de Lúcifer. Embora Faustus trabalhe com a ajuda das Irmãs Sinistras, compostas por Prudence (Tati Gabrielle), Dorcas (Abigail F. Cowen) e Agatha (Adeline Rudolph), Mary age completamente sozinha, apenas com eventuais companhias de seu familiar, um corvo preto. É da personagem de Michelle Gomez que vem, em grande parte, os discursos escancaradamente feministas e icônicos da série. É interessante ver como a produção faz um bom uso de seu espaço para fazer críticas ao patriarquismo, sexismo e ao supremacismo branco, além de outros preconceitos. É comum ouvir, durante a série, críticas aos personagens homens e até mesmo à figura de Satã. Em determinado momento, Prudence comenta que Lúcifer apenas dá duas escolhas às bruxas (liberdade ou poder) por medo do que elas representam – afinal, ele é um homem, e homens morrem de medo do resultado de dar às mulheres controle total de suas respectivas vidas. O mundo em que Sabrina vive é também controlado por Faustus, outro personagem que acredita ser um Ser Superior não apenas por sua posição de Sacerdote, mas também por ser um homem. Em uma das últimas cenas da série, é possível perceber como o reitor da Academia planeja dar continuidade a sua linhagem apenas pela figura masculina, mantendo o gênero no poder e as mulheres em submissão. É por conta desse posicionamento machista que Sabrina tenta, a todo custo, menosprezar a sua figura e quebrar as regras que ele joga para cima dela, estando sempre com uma pulga atrás da orelha de qual a sua verdadeira agenda. 24 |

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BLACKWOOD PERGUNTA A SABRINA SE ELA ABDICA DE SEU NOME, DURANTE O BATISMO. NA SEGUNDA, AS IRMÃS SINISTRAS (AGATHA, DORCAS E PRUDENCE, DA ESQUERDA PRA DIREITA). NA TERCEIRA, A JOVEM BRUXA E MARY WARDWELL NA ESTREIA DO CLUBE ESCOLAR “MAGIA”


O Mundo Sombrio da Sabrina faz uso interessante de um cenário e figurino atemporal, capaz de incorporar uma estética anos 60/70, com suas casas e carros, com algumas tecnologias do séculos 21, como iPhones e notebooks. A produção é uma deliciosa, divertida, apaixonante e macabra aventura, dando vida a algo maior do que o esperado pelos telespectadores, que são surpreendidos com excelentes atuações (e química entre o elenco), uma história forte, um roteiro bem amarrado e ótimas referências à cultura pop, como os filmes Os Goonies (1975), O Exorcista (1975), Suspiria (1977) e A Hora do Pesadelo (1984), e até mesmo aos quadrinhos Sandman, que dão origem à série Lucifer e fazem o mesmo jogo de liberdade poética com as histórias da Bíblia. Sendo aclamado pelos críticos e muito bem recebido pelo público em geral, a sua segunda temporada já está confirmada e em estágio de gravação (com seis episódios já filmados). Resta agora esperar fevereiro de 2019 para descobrir as consequências dos chocantes acontecimentos que cercam o episódio final de Sabrina. //

NO TOPO, HARVEY E SABRINA NA FESTA DE HALLOWEEN / ANIVERSÁRIO DOS 16 ANOS DA

ASSISTA A

O MUNDO SOMBRIO DE SABRINA NA NETLIX.

PROTAGONISTA. ABAIXO, SUSIE E ROS, RESPECTIVAMENTE. NA ÚLTIMA IMAGEM, HILDA E ZELDA ENFRENTAM A FÚRIA DA IGREJA DA NOITE NO JULGAMENTO DE SABRINA


A VOLTA DO DEMÔNIO DE HELL'S KITCHEN por

RAYANNE CANDIDO diagramação

VICS


NOTA DA COLAB: ESTE TEXTO CONTÉM SPOILERS DO DESENVOLVIMENTO DE PERSONAGENS.

L

ançada em 2015, a primeira produção da parceria entre Netflix e Marvel, Demolidor (2015–), apresenta ao público a história do advogado Matt Murdock (Charlie Cox). Cego desde os nove anos, em razão de um acidente com elementos químicos, o trágico evento também foi responsável por amplificar seus demais sentidos a níveis sobre-humanos, levando-o a tornar-se um herói que, apesar de suas habilidades, não é nada convencional. Durante o dia, Murdock atua como advogado em sua firma, Nelson & Murdock, ao lado de seu melhor amigo e sócio Foggy Nelson (Elden Henson). Enquanto os dois buscam por justiça na perigosa Hell’s Kitchen, bairro de Manhattan, na cidade de Nova Iorque, sozinho, à noite, Murdock atua à margem da lei como um vigilante mascarado. O submundo mafioso de Nova York é comandado pelo Rei do Crime, Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio), um dos melhores vilões do Universo Cinematográfico Marvel. Ele é a pura representação da corrupção e imoralidade que corrompe toda a sociedade, sendo um homem calculista, capaz de manipular tudo e todos, sendo o verdadeiro empecilho no caminho do vigilante. O único sinal de compaixão que o monstruoso demonstra é pelo seu interesse amoroso, Vanessa, interpretada pela bela Ayelet Zurer.

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RECAPTULAÇÃO O primeiro ano se concentra em construir um roteiro resistente, dando enfoque a onda de atos criminosos e a corrupção policial, além de introduzir a máfia russa e chinesa – tudo isso envolto em um cenário violento que se desenvolve ao longo dos 13 episódios. No segundo ano, a trajetória do Homem Sem Medo se torna ainda mais interessante com a introdução dos aclamados anti-heróis dos quadrinhos, Frank Castle/Justiceiro (Jon Bernthal) e Elektra Natchios (Elodie Yung), que inspiram violência e criminalidade por onde passam, reforçando a necessidade do demônio de Hell’s Kitchen de proteger o bairro a todo custo. Na segunda temporada, a narrativa se dividiu em mini-arcos: o primeiro, com enfoque no Justiceiro, é apresentado com o anti-herói lidando com as gangues da cidade que se multiplicaram, consequência do encarceramento de Wilson Fisk na temporada anterior. Com um código de ética retorcido, esse vigilante é uma espécie de força destrutiva da natureza – e, sem hesitar ou se preocupar em pensar muito, ele revolta a polícia e o Demolidor com seus atos. Quando o mini-arco introdutório acaba, o público é apresentado a uma figura do passado de Matt: Elektra. A personagem surge em busca da ajuda do demônio de Hell’s Kitchen em uma missão ligada ao Tentáculo, uma organização ninja milenar que planeja um ataque na cidade de Nova York. A partir daí, a trama se aprofunda no conturbado envolvimento dos dois, tanto no passado quanto no presente. Como já era de se esperar, a temporada esbanja nas lutas. Há uma selvageria nos embates entre o Demolidor e o Justiceiro, já que Frank Castle, luta de uma forma mais bruta e animalesca. Já quando se trata de Elektra, o estilo dos conflitos é bem diferente, chegando até ter coreografias com um apelo sensual. 28 |

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Os personagens Foggy Nelson e Karen Page (Deborah Ann Woll) cresceram bastante na segunda temporada, conquistaram a simpatia do telespectador cada um à sua maneira. Foggy se mostra independente, longe da sombra do herói, e Karen fica mais perspicaz, deixando sua personalidade transparecer. O elenco que acompanha a trama do homem sem medo é excepcional. O grupo de apoio de Murdock cumpre seu papel: de um lado, Foggy Nelson consegue aliviar as tensões de uma forma cômica; de outro, Karen é a própria personagem feminina inteligente e bem conduzida. Assim, a interação do trio é um ponto forte no desenvolvimento da narrativa. Em toda a sua trajetória, a série adota uma fotografia escura, se imergindo nas sombras para representar o universo pessoal do protagonista cego. Aproveitando disso, Demolidor consegue transmitir ao público a tenebrosa criminalidade que assola Hell’s Kitchen, o famoso bairro de ilha da Manhattan.

TERCEIRA TEMPORADA Inspirada no fantástico arco dos quadrinhos A Queda de Murdock, a terceira temporada de Demolidor se inicia dando continuidade aos eventos mostrados em Os Defensores. Na série que reúne Murdock, Jessica Jones (Krysten Ritter), Luke Cage (Mike Colter) e Danny Rand/Punho de Ferro (Finn Jones), o herói é dado como morto, mas ao final é apresentado que o vigilante foi resgatado e estava em tratamento em um convento.

Na Edição #3, nós falamos sobre a primeira temporada de Os Defensores. Para ler a matéria, basta clicar aqui!

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ASSISTA A

DEMOLIDOR NA NETLIX.

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Matt sempre esteve na linha tênue entre o heroísmo e o vilanismo, sendo identificado como vigilante e não como um assassino, temática que é trabalhada nesse terceiro ciclo. Tal embate ganha mais profundidade por Murdock ser religioso, com seu catolicismo sendo o que o mantêm longe do ato de matar outro ser humano. Porém, com as perdas sofridas recentemente, ele não apenas se culpa como também culpa a seu Deus, começando um processo de reflexão sobre as coisas ao seu redor, aflorando seu lado mais humano. Enquanto isso, a ameaça de Wilson Fisk cresce de uma forma surpreendente. O Rei do Crime retorna de uma forma triunfal e, como é de sua essência, controla tudo e todos. A fúria e a maldade que o personagem guarda dentro de si é explorada sem escrúpulos e definitivamente é amedrontada. A temporada inteira é uma tentativa de derrota-lo, mas como um bom vilão que é, ele está sempre à frente. Fisk firma um acordo de delação premiada com um agente do FBI, Ray Nadeem (Jay Ali), que se vê animado por conta da aparente vitória. No entanto, o plano de vingança do mafioso começa a aparecer, e, utilizando sua persuasão para controlar a imprensa, FBI e toda a cidade, as consequências se tornam desastrosas.


Sem pressa, a temporada vai construindo outro vilão, conhecido nos quadrinhos como Mercenário. Dono de uma mira sem igual, ele é capaz de usar praticamente qualquer objeto como arma letal. Na série, o vilão é o agente Benjamin “Dex” Poindexter (Wilson Bethel), um agente do FBI que chama a atenção de Fisk e é manipulado sutilmente por ele para estar ao seu lado. Vagarosamente, a perturbadora história da origem de Dex é contada e se assemelha a de Wilson Fisk, apresentada na primeira temporada. Foggy e Karen tem suas histórias particulares exploradas e são bem utilizados com papeis lógicos e essenciais que acrescentam no decorrer da história. É como se a temporada fosse um jogo de tabuleiro e cada personagem estivesse estrategicamente colocado em sua posição, fadado a cumprir determinada ação para dar continuidade a trama. A série acerta nas belas cenas de ação (incluindo a já clássica luta num corredor) e na coreografia das lutas violentas protagonizadas pelo Demolidor, tornando seu sofrimento visível. Neste ano, o público nunca o vê completamente recuperado, com Murdock mal conseguindo ficar de pé, embora já esteja em combate novamente. Estamos diante de uma temporada de qualidade que retoma o que a série tem de melhor. A terceira temporada se aproxima bastante da primeira, deixando o telespectador ansioso para o que vira em um possível próximo ano. // zint.online | 31


UM ASSASSINATO ENTRE MUROS

por

CAROLINA CASSESE

L

uta de classes, homofobia, preconceito contra muçulmanos, as dificuldades de lidar com o HIV. E um assassinato. Elite, a segunda série de produção espanhola da Netflix, se propõe a abordar todos esses temas sérios sem deixar de lado sua pegada teenager. Embarcando na repercussão de La Casa de Papel, o elenco conta com Miguel Herrán, Jaime Menéndez Lorente e María Pedraza, que interpretaram Rio, Denver e Alison Parker, respectivamente, no primeiro mega sucesso espanhol do serviço de streaming. Sabemos logo no primeiro episódio: Marina, a ruiva rebelde dos cabelos

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zint.online

diagramação

VICS

cacheados (tipo uma Merida, só que espanhola), será assassinada. A personagem é construída com complexidade e María Pedraza desempenha muito bem o seu papel. O irmão da garota, Gúzman (Miguel Bernardeau), também está entre as figuras mais bem idealizadas e desenvolvidas da série. Por outro lado, alguns personagens de Elite não conseguem escapar de clichês, como o caso de Lucrécia (Danna Paola), que parece ser a própria Blair Waldorf, de Gossip Girl: competitiva, boa aluna e abusa do uso de tiaras e arquinhos. Inclusive, as semelhanças com


ASSISTA A

ELITE NA NETLIX. Gossip Girl não param por aí. O ambiente elitizado, repleto de festas VIP e mansões luxuosas, lembram muito o da série norte-americana e pelo menos dois casais podem ser comparados com Blair e Chuck. O clima de suspense de Elite se assemelha significativamente com o de How to Get Away with Murder, da ABC, e Big Little Lies, da HBO, por conta do anúncio de um assassinato logo no primeiro episódio e vários depoimentos dados à polícia no decorrer dos outros capítulos. Dos muitos temas apresentados, destaca-se o embate entre classes sociais. Estão ali garotos de famílias riquíssimas, que promovem grandiosas festas beneficentes para se autopromover, mas não aceitam que jovens pobres estudem no colégio dos filhos. Elite consegue representar com maestria um grupo que não está nem um pouco disposto a abrir mão de seus privilégios e conviver com a diferença. A imigrante Nadia (Mina El Hammani), uma das bolsistas, é proibida pela direção da escola de usar o hijab, lenço que cobre o cabelo das muçulmanas.

A jovem questiona: “Aqui, todos usam acessórios. Bolsas caras, relógios de ouro... Tudo isso significa: 'sou mais rico que você'. Por que não posso usar um símbolo da minha fé?''. Por outro lado, a própria representação de Nadia na série esbarra em alguns clichês, como o da muçulmana conservadora, que não aceita o fato das mulheres ocidentais terem vida sexual ativa. Omar, seu irmão, tinha tudo para ser um dos melhores personagens, mas a atuação de Omar Ayuso deixa a desejar. Nos últimos episódios, os arcos individuais dos personagens perdem força e a série se concentra na resolução do assassinato, o que a partir do sexto capítulo, torna difícil de dar um tempo na maratona. Mesmo que o desfecho não seja tão bem amarrado, nossos olhos ficam grudados na tela e acabamos surpreendidos. Apesar de definitivamente não ser a série do ano, Elite é muito mais do que uma simples trama de high school – seus oito capítulos são bem dirigidos e conseguem prender a atenção do espectador. O final deixa brechas evidentes para a segunda temporada que pode almejar vôos maiores. // zint.online | 33


Risos, vergonha e puberdade por

JOÃO DICKER

diagramação

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- Como é que eu vou encarar o pessoal da escola?  - Sei que agora isso é vergonhoso, mas um dia vocês vão se lembrar dessa época com carinho. Talvez até tirem uma coisa linda dela.  - O quê? Um programa sobre crianças se masturbando? Isso não é pornografia infantil?  - Puta merda! Espero que não! Mas se for em animação… podemos no safar. Não é? Nada melhor do que um dos diálogos existentes no season finale da primeira temporada de BIG MOUTH para exemplificar o que é a série. Criada e baseada

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nas experiências vividas durante a adolescência e o florescer da sexualidade de Jennifer Flackett, Mark Levin, Nick Kroll e Andrew Goldberg, a segunda


temporada da série chegou na Netflix no último mês de outubro. Embasada por um humor desbocado e jocoso, que não se preocupa em momento algum com o que deixa ou não de mostrar, seja alegoricamente ou no próprio sentido mais direto e cru, a produção nos convida a acompanhar o cotidiano dos jovens Nick (Nick Kroll), Andrew (John Mulaney), Jessi (Jessi Klein), Jay (Jason Mantzoukas) e Missy (Jenny Slate), que ao adentrar na adolescência passam a precisar lidar com os efeitos da puberdade, cada um da sua maneira e em seu ritmo. De cara a produção se destaca pelo roteiro dinâmico e profundo, que sabe como trabalhar sua temática e seus personagens em episódios curtos, porém recheados de humor, aventura e de temas maduros. Todo o humor despretensioso, que beira o politicamente incorreto, torna os acontecimen-

tos da série alegóricos e, muitas vezes, representações reais de acontecimentos que praticamente todas as pessoas vivenciam quando jovens, explorando de ironia, acidez, metalinguagem e de algumas quebras da quarta parede para tornar tudo ainda mais interessante e ousado. O trabalho de roteiro, assinado pelos criadores da série e que recebe contribuições de diversos roteiristas a cada episódio, é eficaz ao equilibrar o humor desbocado com o peso das situações vexatórias, incomodas, marcantes e cômicas, assim como das consequências e desdobramentos que os jovens da trama passam. São momentos que criam oportunidades para falar, de maneira descomplicada

e hilária, sobre as mudanças corporais e hormonais vividas neste tempo, como o aumento da libido sexual. Big Mouth também explora assuntos referentes a conturbada relação com os pais, o primeiro beijo, o vício em pornografia, as dúvidas quanto a própria orientação sexual, os efeitos da criação familiar na formação do caráter e do comportamento de um jovem, e até mesmo as diferenças na atmosfera e nos valores de núcleos familiares diferentes. Neste ponto, vale dizer que a produção aproveita para dar

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atenção aos personagens adultos e mais maduros do enredo, explorando-os como ótimos personagens secundários para agregarem na construção de toda a bagagem e contexto dos pequenos protagonistas, mas também trazem possibilidades temáticas e narrativas interessantes para uma série que se propõe a falar sobre os desafios e efeitos de uma das épocas mais conturbadas para qualquer pessoa. No que diz respeito a novidade, o segundo ano de Big Mouth chega com ainda mais frescor e profundidade por focar ainda mais nas consequências e desdobramentos do que acontece com cada uma das crianças. A principal adição à narrativa é, justamente, o personagem que simboliza toda a desgraça e vergonha que um jovem pode passar na adolescência, ficando marcado para sempre em sua própria cabeça ou se envergonhando para seus amigos e colegas: o Mago da Vergonha (David Thewlis).

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Altamente cínico e irônico, o personagem rouba a cena por ser o catalisador de todos os acontecimentos marcantes para a vida pessoal de cada jovem. Consequentemente, o Mago centraliza, representa e externaliza o sentimento de medo, apreensão e culpa que eles sentem perante as situações em que suas respectivas famílias se encontram, as mudanças corporais que sofrem e atitudes que tomam a partir dos efeitos causados por seus Monstros dos Hormônios. Além dos medos e receios de um adolescente, Big Mouth é certeiro ao trabalhar os efeitos que essa parte da vida pode causar em um jovem, seja em um curto espaço de tempo (como nos casos de Jay e Jessie) ou a longo prazo (como na situação vivida pelo Treinador Steve). Se por um lado Jay é a resposta breve dos efeitos que uma família disfuncional pode gerar sobre um jovem e Jessie a representação de uma adolescente em crise com o


turbilhão de mudanças emocionais, hormonais e, em seu caso específico, afetivas e familiares, o Treinador Steve representa o exagero de um adulto com comportamento patologicamente desenvolvido por marcas e traumas de uma infância e adolescência problemáticas em diversos sentidos. Ainda dentro das responsabilidades e efeitos na formação e criação de um adolescente, a série retoma um diálogo iniciado na primeira temporada, quando trataram da internet como um facilitador do contato com a pornografia, para aprofundar e abranger essa conversa para uma esfera mais robusta. Não só a facilidade ao acesso à pornografia, mas deixar que a internet assuma a posição de fonte de conhecimento e formadora de valores para questões ligadas às mudanças no corpo, sexualidade, gênero e orientação sexual, não é uma posição benéfica para uma

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criança e, muito menos, responsável por parte dos pais. Com 10 episódios curtos, todos por volta de 25 minutos de duração, a série continua como uma rápida, dinâmica e gostosa experiência de assistir, muito em parte também da animação colorida, que foge de padrões comuns para representar as emoções e anseios, além das brincadeiras e experimentações em cores e texturas tão divertidas ao longo da temporada. A volta dos números musicais continua agregando a narrativa, funcionando como a externalização dos sentimentos das personagens e não propriamente como uma ferramenta narrativa de desenvolvimento da história, fugindo de qualquer tentativa de mesclar elementos de musicais à trama. O que fica ao final é a refrescante e embaraçosa lembrança de uma época conturbada que não volta mais. Uma memória que Big Mouth claramente não deixa de gozar. //

BIG MOUTH NA NETLIX. zint.online | 37


A cativante trajetória de

por

Orgulho & Paixão Bruna Curi

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ORGULHO & PAIXÃO NA GLOBO PLAY. 38 |

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E

ra uma vez um lugar chamado Vale do Café, região fictícia no interior de São Paulo, onde morava a família Benedito, composta por Ofélia (Vera Holtz), seu marido Felisberto (Tato Gabus Mendes) e suas cinco filhas: Elisabeta (Nathalia Dill), Jane (Pâmela Tomé), Cecília (Anaju Dorigon), Mariana (Chandelly Braz) e Lídia (Bruna Griphao). O grande sonho de Ofélia era casar as filhas, de forma que não perdia uma oportunidade de arranjar um bom partido para elas. Por mais que não concordasse com aquilo, Felisberto nunca chegou a se opor aos planos de sua esposa. A única pessoa que se opunha à Ofélia, por não se encaixar nos padrões da mãe, era Elisabeta. Dona de um espírito forte, bastante libertária e com uma grande ousadia, ela sempre encontrava uma maneira de afastar qualquer pretendente. Comportamento, este, sempre repreendido por Ema Cavalcante (Agatha Moreira), a neta do Barão de Ouro Verde (Ary Fontoura) e a melhor amiga de Elisabeta, conhecida como a casamenteira oficial do Vale do Café. A pacata vida da região muda com a chegada do inglês Darcy Williamson (Thiago Lacerda) e de seu melhor amigo Camilo Bittencourt (Maurício Destri), o filho da viúva Julieta Bittencourt (Gabriela Duarte), também conhecida como a Rainha do Café. Essa é a trama central da novela Orgulho e Paixão, exibida na Rede Globo, escrita por Marcos Bernstein. O enredo da telenovela é ambientada no início do século XX e teve como inspiração algumas das obras de Jane Austen, famosa

escritora inglesa. Trata-se de uma história romântica, com muita comédia e uma pitada de adrenalina e aventura. Algo que chama atenção na trama é a grande força feminina através do protagonismo de vários personagens. Apesar de diferentes, as personalidades das irmãs Benedito se complementam e cativam qualquer um — Elisabeta é marcada por sua ousadia, Jane por seu jeito meigo de ser, Mariana pelo seu espírito aventureiro, Cécilia por sua imaginação fértil e grande criatividade, e Lídia por sua molecagem. Também temos Julieta, que é uma mulher à frente de um negócio que até então era dominado por homens. E a própria Ema vai deixando alguns de seus pensamentos mais conservadores de lado, se tornando aos poucos mais independente. Outro aspecto que cativou o público foram os diversos casais que se formaram ao longo da trama. Com várias histórias se desenvolvendo ao mesmo tempo, existia o risco de alguma desandar ou de não receber o devido desenvolvimento, mas na medida do possível, Bernstein conseguiu contornar algumas dificuldades e conduzir muito bem a trama. Ficou evidente a química que rolou entre os personagens: Jane e Camilo, Elisabeta e Darcy, Mariana e Brandão (Malvino Salvador), Cécilia e Rômulo (Marcos Pitombo), e Lídia e Randolfo (Miguel Rômulo).

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Um acerto da novela foi não apostar em triângulos amorosos, o que muitas vezes acontece. Outros casais que também conquistaram o público foram Ema e Ernesto (Rodrigo Simas), e Julieta e Aurélio (Marcelo Faria). Inicialmente, a casamenteira oficial do Vale do Café estava prevista para se casar com Jorge (Murilo Rosa), mas não demorou muito para que ela passasse a se interessar pelo italiano rebelde interpretado por Rodrigo. Os dois esbanjavam química e logo conquistaram os telespectadores, sem contar que eles evoluíram muito durante a trama devido a visão de mundo diferente que tinham. Enquanto isso, a relação entre Aurélio e Julieta aconteceu de maneira bem inusitada, visto que inicialmente a Rainha do Café pretendia despejar a família de Aurélio devido às dívidas que tinham. Com o tempo, o relacionamento dos dois se tornou uma paixão intensa, que foi capaz de amolecer o coração de Julieta. Além disso, ela finalmente conseguiu superar seus traumas — no passado ela era violentada pelo falecido marido — e se redescobriu como mulher. Essa evolução é notável nas roupas que Julieta usava: no 40 |

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DA ESQUERDA PARA A DIREITA, A FAMÍLIA BENEDITO: MARIANA (CHANDELLY BRAZ), LÍDIA (BRUNA GRIPHAO), CECÍLIA (ANAJU DORIGON), OFÉLIA (VERA HOLTZ), ELISABETA (NATHALIA DILL), JANE (PAMELA TOMÉ) E FELISBERTO (TATO GABUS MENDES).

início da trama, roupas pretas marcam seu guarda-roupa, acrescentado por cores após o seu relacionamento com Aurélio. Assim como em diversas trama, Orgulho e Paixão apresentou um time de “vilões” e antagonistas consistente do início ao fim. A primeira que tentou infernizar a vida de algumas pessoas do Vale do Café foi Susana (Alessandra Negrini), que ao lado de sua ajudante Pétulia (Grace Gianoukas), fazia de tudo para acabar com o romance entre Elisabeta e Darcy. Juntas, ainda, as duas formaram uma dupla bastante hilária. Mas uma das grandes ameaças foi Lady Margareth (Natália do Vale), tia de Darcy, que entrou no meio da trama para substituir o ator Tarcísio Meira, que interpretava o pai de Darcy,


o Lorde Williamson. Ela foi a verdadeira bruxa má na história e não tinha escrúpulos para conseguir o que desejava. Logo atrás dela, temos Xavier (Ricardo Tozzi), um homem arrogante e sádico. Apesar da a audiência não ter sido das melhores, se comparada com suas antecessoras, Orgulho e Paixão conseguiu construir uma história envolvente e cativante. Os personagens e suas relações

foram bem construídos, assim como o enredo de Marcos Bernstein. Com muito romance, comédia e um toque de Jane Austen, Orgulho e Paixão pode ser considerada uma das melhores novela das 18h, ficando ao lado de grande sucessos como Cordel Encantado (2011), Sete Vidas (2015), Além do Tempo (2015) e Novo Mundo (2017). A novela chegou ao fim no dia 24 de setembro, mas o Vale do Café e seus moradores vão continuar eternizado na memória de todos. INSPIRAÇÃO Desde o início da trama global fica claro para os telespectadores que Orgulho e Paixão é inspirada nas obras de Jane Austen, com algumas pessoas considerando a novela como uma versão abrasileirada dos livros da inglesa. Da obra Orgulho e Preconceito (1813) foram inspirados os seguintes personagens: Darcy Williamson (Fitzwilliam Darcy no original), Elisabeta Benedito (Elizabeth Bennet), Camilo Bittencourt (Charles Bingley), Jane Benedito (Jane Benett), Lídia Benedito (Lydia Bennet) e Ofélia Benedito e Felisberto Benedito (Senhor e Senhora Bennet). Apesar da trama central se inspirar em Orgulho e Preconceito, outras obras de Austen também serviram como inspiração. A personagem Ema Cavalcante foi inspirada em Emma Woodhouse, de Emma (1815). Marianne Dashwood, do livro Razão e Sensibilidade (1811), serviu de inspiração para Mariana Benedito. A protagonista de A Abadia de Northanger (1817), Catherine Moreland, serviu de inspiração para Cecília Benedito. Por fim, a vilã Susana foi inspirada na personagem de Lady Susan (1871), um romance epistolar e uma das obras menos conhecidas de Austen. //

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Always and forever,

ALYSSA EDWARDS por

DEBORA DRUMOND

A ALYSSA EDWARDS é uma queen muito fabulosa para apare-

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cer apenas em duas temporadas do reality show RuPaul's Drag Race (na 5ª e All Stars 2). Mesmo sem levar a coroa, ela conquistou uma legião de fãs e despertou a curiosidade do público por ser uma dançarina

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exímia. Por isso, a nova série original da Netflix, DANCING QUEEN , mostra a vida de Alyssa fora dos palcos, como Justin Johnson, e seu estúdio de dança Beyond Belief Dance Academy.


Durante oito episódios, acompanhamos Justin em sua rotina com os alunos: ele é rigoroso e quer que tudo seja feito com excelência, vendo naquelas crianças e adolescentes o potencial para se tornarem profissionais renomados no mundo da dança. Nessa temporada, ele escolhe os melhores dançarinos para formar um grupo de elite para viajar competindo, gerando muita tensão – afinal, poucos serão escolhidos e a rotina e dedicação serão ainda mais pesadas. Como diria Alyssa, "na vida existem três coisas certas: a morte, pagar impostos e mães malucas". E não duvide: quando uma filha não é escolhida ou leva uma bronca, as mães aprontam vários barracos. É o combustível suficiente para assistir as cenas levando-as para o lado cômico, porque se não o clima fica bem pesado. As dance moms, como são conhecidas, são tão competitivas (se não mais) quanto suas filhas, fazendo de tudo para que suas garotinhas sejam escolhidas e levem o prêmio para casa. A dedicação e a paixão dos alunos pela dança é algo emocionante. Acompanhamos alguns deles mais de perto, tornando-se notório como a dança é algo que pulsa e vibra dentro deles. As cenas das apresentações fazem jus a esse sentimento, com closes em câmera lenta que captam esse sentimento de uma forma incrível. A série documental também explora um lado de Justin/Alyssa pouco conhecido. Vemos o processo de compra de sua primeira casa própria e o momento que ele revisita a casa em que morava com sua família durante a infância, podendo-se perceber a discrepante diferença. Justin também tenta se reaproximar de suas irmãs, com quem não tinha uma boa relação desde a morte da mãe. Conhecer esse lado vulnerável dele faz surgir um sentimento de aproximação e reconhecimento. Indo para a parte mais colorida e feliz, as aparições de Alyssa Edwards são fenomenais. Logo no primeiro episódio

os amigos que produzem seu figurino, assim como o figurino da Beyond Belief, a pedem para ministrar seu casamento. A cerimônia é cheia de brilho, amor e aceitação: uma drag queen casando dois homens gays. Em uma das cenas, as mães dos noivos dizem que aceitam o companheiro como membro da família para toda festa ouvir. A gravação do primeiro single da queen é registrada pelas lentes da Netflix. O lançamento, que aconteceu em Barcelona, ao lado de suas colegas ex participantes de RPDR, é uma das várias realizações que podemos testemunhar ao longo da série. Dancing Queen com certeza vai agradar aos fãs de Alyssa Edwards, além de gerar a curiosidade de quem ainda não a conhece. Provavelmente, uma segunda temporada deve ser anunciada no próximo ano, nos fazendo imergir ainda mais no mundo de Alyssa. //

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DANCING QUEEN NA NETLIX.


A envolvente e apaixonante RED Impulsionadas

NOTA DA COLAB: ESTE TEXTO CONTÉM SPOILERS.

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pela evidente carência de histórias com uma narrativa mais direta e realista que dê protagonismo a casais homossexuais, as autoras Viv Schiller e Germana Belo produziram RED. A primeira websérie de temática lésbica no Brasil vem com o intuito de suprir a necessidade de representação da relação homoafetiva nas produções nacionais, se voltando para explorar as várias nuances da atração e do relaciona-

por

MELISSA VITORIANO diagramação

mento que envolve mulheres. O projeto possui uma narrativa dinâmica, onde o enredo se desenrola com rapidez e, ainda assim, deixa aquele “gostinho de quero mais”. As personagens principais carregam histórias e realidades diferentes, o que desenvolve a websérie e abre espaço para temas recorrentes do cotidiano. Além da temática lésbica, RED aborda temas como bissexualidade, vícios e as mais variadas fragilidades do ser humano. Contando até o momento com quatro temporadas, a série retrata a história de duas atrizes que acabam trazendo o envolvimento amoroso que vivem no script de um curta-metragem para a vida real. No decorrer da trama, Liz (Ana Paula Lima) e Mel (Luciana Bollina) constroem uma

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amizade, que, com o passar do tempo, se desenvolve em uma inevitável e irresistível paixão. Na quarta temporada, que estreou em junho, a websérie mostra a relação um pouco mais madura entre Liz e Mel, que avançam uma fase a mais no relacionamento e passam a viver juntas. A convivência diária incrementa a relação e o quarto ano passa a mostrar mais da intimidade e da história das personagens. Em um ponto da narrativa, um amor do passado de Mel ressurge, despertando em Liz aquela indesejada insegurança e gerando uma certa instabilidade na relação das duas, levando a temporada a um desfecho pautado pela a incerteza do rumo que o casal vai seguir. Lançada em 2014 e inspirada em seriados norte-americanos de temática LGBTQ+, como The L Word (2004 – 2009) e Orange is the New Black (2013–), RED é uma produção totalmente nacional e independente, que conta com o apoio financeiro de seus fãs por meio de campanhas e doações realizadas pela plataforma Vimeo, onde estão disponíveis todos os episódios da websérie. A produção, em sua primeira temporada, contou com mais de 400 mil visualizações em seus primeiros três meses de vei-

culação, chegando a ser indicada, em 2015, ao NYC Web Fest na categoria de Melhor Websérie de Língua Estrangeira. Dois anos depois, em 2017, conquistou o prêmio de Melhor Série Drama pelo mesmo NYC Web Fest, além de ser consagrada com o prêmio de Melhor Série e Melhor Atriz (Luciana Bollina) no Rio Web Fest, sendo indicada novamente a várias categorias esse ano. Em seu canal no Vimeo, a serie soma atualmente mais de três milhões de visualizações, conquistando audiência em 145 países. Com a quinta temporada já gravada em setembro desse ano, o retorno dos episódios está previsto para o 1º semestre de 2019. Nas palavras da equipe, em publicação da conta oficial no Instagram, o quinto ano promete mais uma vez “uma temporada linda e de maior qualidade”. O projeto é um dos modelos atuais de representatividade da qual o público LGBTQ+ carece, contando com uma história envolvente que de fato retrata a realidade do dia a dia de mulheres que se relacionam com mulheres, cujo pontos positivos também se estende para a trilha sonora maravilhosa! Vale muito a pena dar uma conferida na produção e, de quebra, se envolver e deixar levar por essa linda história de amor e encontros chamada RED. //

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Dentro da mente de Shane Dawson através de Jake Paul por

DEBORA DRUMOND

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NOTA DA COLAB: ESTE TEXTO CONTÉM SPOILERS.

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Shane Dawson começou a postar em seu canal no YouTube há 10 anos , sendo hoje um dos maiores youtubers do mundo, ocupando a décima quarta posição no ranking de canais com mais inscritos. Grande parte disso veio em sua era antiga, quando ele produzia vídeos de humor com títulos chamativos como, por exemplo, Testando Produtos de Beleza Para Meninas. No entanto, Shane decidiu mudar sua proposta nos últimos meses, arriscando-se no universo das séries documentais. De vídeos diários, superficiais e com pouca produção, Shane passou a criar séries de vídeos elaboradas, com a ajuda de Andrew Siwicki nas gravações e edição. A primeira vista, parece uma receita para o fracasso – afinal, as pessoas têm cada vez menos tempo/paciência para ver vídeos longos. Mas Shane decidiu se arriscar e seguir com essa nova estratégia, em que seus vídeos teriam mais de trinta minutos, sendo um conteúdo imersivo. A reação do público foi tão positiva que, a cada nova série documental, o lançamento se assemelha a uma série da Netflix, principalmente com o desenrolar dos episódios. O assunto das webséries são outros youtubers, como Bunny Meyer, do canal Grav3yard Girl, Trisha Paytas, e Jeffree Star. A proposta é conhecer essas pessoas profundamente, por trás das câmeras.

O escolhido da vez é o polêmico Jake Paul, um jovem norte-americano de 21 anos, com 17 milhões de inscritos e vários milhões na conta. Seu canal no YouTube consiste em vlogs diários sobre seu dia-a-dia. Até aí ele parece ser apenas mais um youtuber da nova geração; no entanto, Jake e seus amigos, mais conhecidos como Team 10, fazem coisas bem imprudentes e fora do comum. Os vídeos de Jake são cheios de pegadinhas com seus amigos que envolvem dirigir em alta velocidade, incendiar objetos e móveis, algemá-los na cama, e por aí vai. Ah, um detalhe! O grupo mora junto numa enorme mansão em Los Angeles. Por conta de seu comportamento inconsequente (é o resultado dessas ações que o fazem ser demitido da Disney, quando ele estrelava a série do Disney Channel Bizaardvark), Shane levanta a hipótese de Jake ser um sociopata. Ele apresenta diversos comportamentos em seus vídeos que poderiam ser indícios do distúrbio. O objetivo é descobrir quem é Jake Paul de verdade. É um sociopata? É um personagem? THE MIND OF JAKE PAUL No primeiro episódio, Shane conversa com Fraser Macdonald, do canal iNabber, para conhecer a fundo todas as polêmicas que rondam Jake. Durante o papo, Fraser lista a Shane os principais temas que devem ser tratados nos vídeos. Algo que gera bastante intriga e curiosidade sobre a vida de Jake Paul é o Team 10. Em seus vídeos, o grupo de jovens aparece frequentemente sendo alvo das pegadinhas, ou participando de outras atividades perigosas, no bom estilo “jovens porra louca”. O que muitos se perguntam é como os membros conheceram Jake e entraram no grupo. Todos eles

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ASSISTA A WEBSÉRIE DE SHANE DAWSON SOBRE O YOUTUBER JAKE PAUL

querem ser/são artistas e buscam a fama. Teriam eles comprado a vaga no grupo para ter mais visibilidade? O Team 10 já teve várias gerações, por falta de melhor expressão, com vários membros deixando o grupo, como os Gêmeos Martinez, Tessa Brooks, Chance Sutton e Max Beaumont. Alguns se pronunciaram a respeito dos motivos da saída e um fator que parece ser determinante para a tomada de decisão

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são as pegadinhas e o comportamento de Jake. Comportamento este que também levaram a saída de Alissa Violet e Neels Visser, além de um completo corte de relacionamento com o youtuber, do qual eram melhores amigos. Jake, ainda, é irmão mais novo de Logan Paul. Assim como o irmão, Logan é dono de algumas polêmicas. No ano passado, durante uma viagem ao Japão, o Paul mais velho visitou a floresta conhecida por

ser um lugar onde as pessoas vão para tirarem a vida. A ideia era acampar lá e mostrar como o lugar era assombrado, consequência das almas suicidas – uma falta de respeito por si só. O episódio acabou virando notícia mundial quando o vlog foi liberado e mostra Logan filmando, de perto, o corpo de uma pessoa enforcada. Ao invés de chamar ajuda e retirar o corpo dali, o youtuber faz as cenas para seu vídeo, aparece rindo e, claro,


posta no YouTube. A repercussão foi quase imediata e completamente negativa, levando-o a retirar o vlog do ar logo em seguida. No entanto, o estrago estava feito: Logan Paul virou notícia no mundo todo, com diversos jornais físicos, digitais e televisivos (principalmente nos EUA) narrando o trágico episódio, levando até mesmo inúmeras celebridades de Hollywood se posicionarem contra o youtuber. Como punição, o YouTube retirou a monetização de todos os vídeos de Logan, que passou a dar várias entrevistas se desculpando e se desconectando das redes sociais por um tempo.

THE DARK SIDE OF JAKE PAUL O segundo vídeo é uma dramatização educativa do que é um sociopata. Shane decide convidar um profissional da saúde para falar sobre o assunto e convoca a terapeuta/youtuber Kati Morton, especialista em distúrbios alimentares e automutilação. O fato de a área de trabalho dela não ter uma relação direta com o distúrbio causou controvérsia na plataforma. Primeiramente, a abordagem é feita de uma forma mais geral apresentando as características de comportamento e personalidade de uma pessoa que sofre com o transtorno apresenta. A visão passada é bem negativa, dando a impressão de que sociopatas são pessoas extremamente manipuladoras, sem nenhum sentimento ou empatia consigo mesmos ou com o próximo. Isso é apresentado como justificativa aos comportamentos impulsivos e à falta de senso de perigo e segurança. Também é dito que quando algo ruim acontece como consequência de sua ação – um sociopata não sente remorso. Ao final, Shane revela a Kati sobre o que se trata o vídeo, dizendo que a ideia da série é descobrir se Jake é um sociopata. Ela diz que pelos vídeos é possível notar sinais do transtorno, mas que seria necessário conversar com o jovem e observá-lo para afirmar com certeza. Um dado surpreendente apresentado por Kati é que uma a cada 25 pessoas é sociopata, então elas estão muito mais presentes na nossa sociedade e na nossa vida do que imaginamos. THE FAMILY OF JAKE PAUL No terceiro vídeo, Shane e Andrew assistem ao primeiro vlog diário de Jake, na expectativa de que ele teria sido diferente no início de sua carreira, tendo um comportamento menos imprudente e mu-

LOGAN PAUL, O IRMÃO MAIS VELHO DE JAKE zint.online | 49


A FAMÍLIA PAUL: LOGAN, GREG, JAKE E PAMELA

dado suas atitudes por não saber lidar com a fama. Para a surpresa deles, ou não, Jake já se comportava de forma controversa naquele vídeo: fala com seu cachorro para pular da janela de casa direto na piscina, faz um de seus amigos jogar o outro numa fonte de um estabelecimento e acha o máximo ser alertado pelo segurança do lugar. Ao verem os vídeos do pai de Jake, Greg Paul, Shane se surpreende ainda mais. Das diversas cenas chocantes e perturbadoras mostradas, em uma delas um cachorro está latindo ao fundo e os irmãos mandam que ele se cale. Quando isso não acontece, Logan pega um prato e joga no chão bem na frente do animal, gritando com ele. Enquanto isso, Greg age como se nada estivesse acontecendo e diz “vocês gostaram da minha camisa nova?”. No canal da mãe de Jake, Pamela Ann Stepnick, há vídeos em que os filhos aparecem sem camisas e até completamente nus. São mostradas cenas

O TEAM 10 ORIGINAL, COM ALISSA E NEELS 50 |

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de Logan questionando o pai o por quê dele ter apanhado tanto quando criança. Um dos vídeos de perguntas e respostas de Pamela é intitulado Será que a Vlog Mom revela que gosta mais do Logan ou do Jake?!. Shane fica extremamente chocado com tudo isso e faz um paralelo interessante da situação de Jake com Justin Bieber. Ambos tem quase a mesma idade (Justin é três anos mais velho) e fizeram diversas coisas sem pensar, como trair a namorada. Mas como Justin é uma pessoa mais “carismática”, se os pais do cantor tivessem o mesmo comportamento dos pais de Jake, a mídia iria falar sobre isso e ver como é algo problemático. Seria até capaz de a mídia justificar os atos de Justin no comportamento dos pais e ter dó dele. Como Jake é alguém mais “detestável”, isso não ocorre. Seus pais produzem conteúdos completamente questionáveis em cima do jovem mas “tá tudo bem, são os Paul, né?!”.


THE ENEMIES OF JAKE PAUL O personagem do quarto episódio é Nick Crompton, ex-membro e ex-empresário do Team 10. O britânico acompanhou Jake desde a criação do grupo e, por consideração à ele, disse a Shane que só faria a entrevista com sua aprovação. Além de pertencer ao Team 10 e ser empresário do grupo, Nick era muito Jake, o que mudou quando ele decidiu sair de cena. Mesmo não havendo uma grande briga entre os dois, Jake não fala mais com Nick, independentemente das várias tentativas dele de entrar em contato com o amigo. Nick revela que a rotina na casa do Team 10 não era tão caótica como os vídeos fazem parecer. Quando Shane o confronta sobre os boatos de as pegadinhas serem mentira (por serem combinadas), ele se demonstra inseguro mas acaba confirmando. Para ele, as pessoas mais velhas sabem claramente dessa situação, no entanto, as crianças acreditam fielmente que aquelas situações são reais. Segundo ele, contar para as crianças que as pegadinhas não são verdade é como contar que o Papai Noel ou Coelho da Páscoa não existe.

A FORMAÇÃO DO TEAM 10 DE MAIO, AINDA COM A PRESENÇA DE NICK CROMPTON

O público de Jake é mais jovem que o usual, sendo basicamente composto por pré-adolescentes e crianças. Portanto, fazer essas pegadinhas perigosas para um público inocente é muito preocupante – em um dos vídeos Jake e a namorada são sequestrados por palhaços, enquanto dormem. Shane e Nick discutem sobre o motivo de sua saída do Team 10 e o britânico revela que o que o levou a deixar o grupo foi a intromissão de Greg. Segundo Nick, o pai Paul assumiu uma postura superior, agindo como se fosse o chefe de todos e pudesse tomar decisões pelo grupo e por Jake. Como Jake não tomou um posicionamento efetivo, apesar dos alertas de Nick, ele preferiu se retirar para evitar um possível e iminente atrito com o amigo. A conversa traz a tona o envolvimento amoroso de Alissa Violet e Logan Paul e como isso levou a jovem a deixar o grupo. zint.online | 51


Perguntando sobre os rumores de que ela foi expulsa pelo próprio Jake, Shane pergunta se isso realmente aconteceu ou se foi algo planejado. Para o choque de Dawson, Nick confirma que a expulsão foi real, falando que Jake ficou devastado ao saber da relação dos dois. Ele reconhece que Jake fez muitas besteiras e tem um comportamento impulsivo. No entanto, também reconhece a sensibilidade do amigo e não acredita na possibilidade de ele ser um sociopata. Para Nick, o atual relacionamento de Jake com Erika Costell teve e tem um papel fundamental na mudança de comportamento e amadurecimento do jovem. THE WORLD OF JAKE PAUL Finalmente chega o momento de ir a casa do Team 10 e ver a rotina de Jake Paul! Uma crítica pesada que Shane recebeu foi por ter demorado a trazer o personagem principal da série documental para os vídeos. Mas a espera vale a pena, acredite! Para que Kati possa avaliar o comportamento de Jake sem que ele saiba, Shane e Andrew a levam na mansão do grupo com o pretexto de que ela é a produtora da série. Chegando lá, o trio já se impressiona com a quantidade de carros de luxo ou com o ringue de luta no meio de uma das salas. Jake leva Shane por um tour na mansão, com foque na loja com seus produtos – isso mesmo, uma loja com todos os produtos oficiais de Jake Paul e Team 10. Dois dos residentes o conhecem desde criança e dizem que ele não mudou nada, sempre sendo meio louco. Na cozinha, Shane conhece o chef profissional da casa (aliás, todos moram na mansão: amigos e empregados). Shane conversa com Jake e Erika sobre os boatos de que o relacionamento deles não seja real. Erika responde, confiante, que 52 |

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isso não os preocupa, porque o que importa é que ela e Jake sabem que é real. No estúdio de edição/gravação, Shane tem uma conversa um pouco mais íntima com Jake e o questiona sobre ter um estilo de vida exibicionista, além do comportamento impulsivo. Jake admite que se arrepende de algumas coisas que já fez no passado e que agora pensa nas consequências antes de agir. Ambos descobriram que têm diversas coisas em comum, como uma infância conturbada pelo divórcio dos pais aos oito anos de idade. THE SECRETS OF JAKE PAUL No sexto episódio, Shane tem uma conversa muito tocante com Erika, em que discutem sobre como toda a situação do Team 10 e como o envolvimento de Greg tem sido problemático para Jake. É perceptível que ela é a pessoa que mais o conhece e por isso mais se preocupa com ele, o que lhe impede de impor certos limites. Morar numa casa que é uma empresa e ainda tendo seu sogro por perto com certeza afeta de alguma forma a relação de Erika e Jake como casal – e isso a incomoda.

A ATUAL NAMORADA DE JAKE, ERIKA COSTELL


ALISSA VIOLET E JAKE PAUL, EX-MELHORES AMIGOS

THE EX GIRLFRIEND OF JAKE PAUL Já que a atual teve a palavra, agora é a vez da ex. O sétimo episódio é o lugar de fala de Alissa Violet. Mesmo já tendo liberado um vídeo em seu canal contando a sua versão do que aconteceu, a jovem não tinha revelado tudo. Alissa concordou em participar do documentário, após tentar remarcar/cancelar diversas vezes, devido a reação negativa do público à sua relação com Logan ter sito exposta mais uma vez. Jake e Alissa de conheceram em Ohio e se tornaram amigos, trocando mensagens quando ele já estava em Los Angeles. Ele sabia da vontade dela de ir pra Hollywood e por isso, depois de alguns meses, convidou-a para participar do Team 10, dizendo que a ajudaria se tornar modelo. Em troca, Alissa deveria participar de seus vídeos. Conversando com Shane, ela dá a impressão de que Jake queria uma namorada para o YouTube, mas os dois nunca namoraram de fato, apenas ficando ocasionalmente. No entanto, ela gostava de Jake e ficou muito magoada por ele não assumir um relacionamento sério com ela, ficando com

outras garotas em sua frente. Quanto à relação que teve com Logan, Alissa explica que se arrepende e que isso aconteceu quando ela estava no limite do que podia suportar. Segundo ela, Jake teria ido esquiar com todo o Team 10 e a proibiu de ir porque queria ficar com outra garota lá. Chateada por ficar sozinha e cansada dessas situações, Alissa decide sair com Logan e seus amigos. E, após algumas bebidas, os dois acabam ficando. Ela diz que Jake a expulsou quando descobriu e que Logan não se importou se isso afetaria o irmão, como se quisesse que ele descobrisse.

ALISSA AO LADO DE LOGAN PAUL

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INSIDE THE MIND OF JAKE PAUL Encerramento. Conclusão. Esse momento chegou. O último episódio da série documental é o momento em que Shane realmente confronta Jake. A conversa acontece na casa de Shane, longe de todo o universo glamouroso do Team 10. Essa perspectiva intimista, aliada à coragem de Shane de questionar Jake sobre cada uma das grandes polêmicas de forma efetiva, 54 |

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mostra o real objetivo de toda a produção: conhecer o real Jake Paul. Dessa vez, Shane tem um papel mais ativo, apontando os erros do jovem ao longo de sua carreira ao invés de apenas ouvi-lo, como fez nas outras entrevistas. É admirável assistir como Shane conseguiu expor a Jake seus erros e fazê-lo refletir sobre a maioria deles. É notório que agora Jake tem noção das consequências de suas ações, além de se demonstrar arrependido de muitas delas. Esse foi o momento correto para ter uma conversa realmente íntima com Jake, lhe dando conselhos. As escolhas na construção da narrativa foram muito bem pensadas, ao ponto de Shane ter de atrasar alguns episódios para poder editar todo o material da melhor forma possível. Tudo isso o afetou, já que ele teve que lidar com a reação público ao mesmo tempo em que terminava de produzir os vídeos. Talvez a busca pela perfeição venha do fato de que nas outras séries documentais Shane trouxe uma espécie de “final feliz”, em que ajudava o personagem central. No caso de Jake, isso parecia ser quase impossível,

mas de certa forma a missão foi cumprida, não da forma que ele pensava, mas foi. A dedicação insaciável que Shane deu a esse projeto foi algo realmente tocante de se ver, ele se envolveu de uma forma que nem imaginava. O cuidado em tratar de um assunto tão delicado como transtornos mentais é fundamental e Shane consegue fazer isso, mesmo que com alguns deslizes. Sem falar do caráter quase jornalístico que suas investigações adquirem: Shane sabia absolutamente tudo sobre Jake antes de entrevistá-lo – e se isso não é apuração jornalística, eu não sei o que é. //

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Um brinde ao humor leve e e d a d i v i t a t n e s e r p e r o t n e m i n e t e r t n e no por

Se você gosta de

comédias e investigação criminal, BROOKLYN NINE-NINE é a série perfeita para você. Estreada em 2013 pelo canal norte-americano FOX, é o programa perfeito para dar risada leves. O seriado tem a mesma pegada que Friends (1994 - 2004) e How I Met Your Mother (2005

deborah almeida diagramação vics

- 2014), com episódios curtos e um lugar principal onde a trama acontece (sitcoms), porém, ao invés do Central Perk ou McLaren’s Pub, tudo se passa dentro da delegacia Nine-Nine do Brooklyn, em Nova York.


NOTA DA COLAB: ESTE TEXTO CONTÉM SPOILERS DO DESENVOLVIMENTO DE PERSONAGENS.

ASSISTA A

BROOKLYN NINE-NINE

A história começa quando um novo capitão chega para comandar a delegacia e tudo muda – ele é bastante rígido e o esquadrão está acostumado com um ambiente de trabalho tumultuado e livre para fazer o que quiser. Porém, ao longo dos episódios, Capitão Holt (Andre Braugher) e seus detetives passam a se conhecer melhor e a aprender a lidar uns com os outros. Quem compõe o grupo dos principais detetives são Jake Peralta (Andy Samberg), Amy Santiago (Melissa Fumero), Rosa Diaz (Stephanie Beatriz) e Charles Boyle (Joe Lo Truglio), o sargento Terry Jeffords (Terry Crews) e a secretária Gina Linetti (Chelsea Peretti). Também, temos os detetives Michael Hitchcock (Dirk Blocker) e Norm Scully (Joel McKinnon Miller), os mais

velhos da delegacia que, apesar de não estarem na trama substancial, acrescentam bastante a equipe. Um dos pontos altos do seriado é a individualidade de cada um dos personagens, que possuem características únicas, tornando-os extremamente engraçados e especiais. Enquanto Jake é o humorista do grupo, tentando ao máximo ser levado a sério, Amy é a nerd sistemática que precisa da aprovação do chefe. Rosa, por sua vez, encaixa-se perfeitamente no estereótipo de badass fria e mal-humorada, ao passo que Charles é cheio de sensibilidade e romantismo. Essas características tem uma breve semelhança à Terry, que tem emoções bastante intensas e reações

NA NETLIX. zint.online | 57


exageradas, contrariando Holt, que além de extremamente inteligente, nunca muda a sua expressão facial, independente de sua emoção (funcionando como seu ponto característico de humor). Scully e Hitchcock são personagens que não podem ser analisados separadamente, pois estão sempre juntos. A dupla, que se assemelha muito à dinâmica de um casal, nunca quer trabalhar (eles alegam já terem feito isso muito) e só estão interessados em comer. E por último, mas não menos importante, Gina, a auto-entitulado estrela do grupo, viciada em redes sociais, cultura pop e que sempre faz as melhores observações e comentários. Um dos pontos mais louváveis da série, criada por Dan Goor e Michael Schur, é sua representatividade. No elenco principal temos dois negros em posição de poder (Holt e Terry) e duas latinas (Amy e Rosa) – algo um tanto usual para quem está acostumado a assistir seriados, por saber que o comum é um elenco majoritariamente brancos. 58 |

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A trama constantemente aborda a questão da luta por direitos, tanto dos negros quanto da comunidade LGBTQ+, as vezes se entendendo as duas esferas de uma vez, já que Holt é homossexual e negro, conseguindo chegar ao cargo de capitão. Apesar do preconceito não ser o foco, a temática rodeia bastante os episódios e não passa batida. Outra questão bastante relevante é que, apesar de ter duas mulheres no cenário principal e com a mesma profissão, em nenhum momento elas são colocadas como rivais. Brigas constantes entre figuras fortes femininas são, constantemente, mostradas na indústria do entretenimento. No caso de Nine-Nine, porém, Rosa e Amy são duas ótimas detetives, que não

só são amigas, como também não ficam brigando por algum homem. Ponto duplo para a produção! Triplo, se você considerar que, ainda por cima, Rosa é uma bissexual, orientação sexual esta que em nenhum momento é mostrado como o resultado de uma mente perturbada ou em dúvida, se distanciando das diversas séries que usam o LGBTQ+ para praticar o fatídico queerbating. Ao longo dos episódios, o telespectador cria um carinho enorme


Os atores Andy Samberg e Chelsea Peretti, que fazem Jake e Gina, respectivamente, são amigos de infância na vida real (e ficcional).

pelos personagens e pela relação que criam uns com os outros. Além de colegas de trabalho, eles são, basicamente, uma família e ajudam-se diante de quaisquer dificuldades. Levando em consideração o contexto de uma delegacia, isso se torna muito importante pela constante necessidade de trabalho em equipe e de um bom parceiro para solucionar os casos. Brooklyn Nine-Nine é constantemente aclamado pela crítica e

pelo público, tendo levado alguns prêmios, como o de Melhor Série de Comédia ou Musical, no Globo de Ouro. Não só isso, a série também é elogiada pela excelente retrato da comuni-

dade LGBTQ+, sendo nomeada cinco vezes no GLAAD Media Awards (e ganhando uma), a premiação LGBTQ+ mais importante do mundo. A audiência em queda ao longo dos anos, no entanto, levou a FOX a cancelar o seriado no final de sua quinta temporada. O anúncio causou imensa comoção e desafeto em toda a internet, suficiente para resultar numa pequena crise de imagem no canal, que teve que emitir notas de desculpa

ao público e até mesmo dar explicações para a decisão. Contudo, após algumas semanas de tensão, para alívio dos fãs, o canal NBC comprou os direitos de Brooklyn Nine-Nine, garantindo, para 10 de janeiro de 2019, a exibição da sexta temporada com 18 episódios. //

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SKAM:

INSEGURANÇAS E MORALIDADE

por

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por

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AGNES NOBRE

S

éries com temática de rotina adolescente sempre chamam atenção por onde passam. Skins (2007 – 2013), Misfits (2009 – 2013), Shameless (2011) e muitas outras, trouxeram para as telas o universo teen, abordando temas que retratam a realidade de jovens ao redor do mundo. Drama, relacionamento, high school e bullying

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VICS

caracterizam esta categoria; porém, olhando mais a fundo, é possível enxergar questionamentos sociais sobre situações da atualidade. Fé, sexualidade, relações amorosas, amizade e o poder das redes sociais são alguns assuntos abordados em SKAM , a série norueguesa criada por Julie Andem e lançada pela emissora NRK P3. O programa mostra a vida dos estudantes de


um conceituado colégio de ensino médio localizado em Oslo, capital norueguesa, vivenciando seus conflitos internos e em sociedade. Traduzindo para a língua portuguesa, skam quer dizer “vergonha”. Dos sinônimos da palavra, os melhores para encontrar um significado sincero designado ao título da trama são insegurança e moralidade. As duas palavras ilustram a essência da série, cujo drama é extraído a partir das inquietações, conflitando o tempo inteiro com os ideais dos personagens, dando alma para o programa que ganhou o coração de muitos ao estrear em 2015 e foi eternizada com o seu final em 24 de junho de 2017. Ao todo, são quatro temporadas, cada uma delas focada em um personagem, narrando sua vida, suas inseguranças e seu cotidiano. A primeira é sobre Eva Mohn (Lisa Teige), seu relacionamento com Jonas (Marlon Langeland) e sua procura por novas amizades após de ter se afastado das antigas amigas. A temporada desencadeia acontecimentos que possibilitaram amadurecimento, descoberta e autoconhecimento para Eva, que se torna uma nova

pessoa ao longo dos outros anos. Na segunda, Noora Amalie (Josefine Frida) é a protagonista da vez. Empoderada e muito certa de suas decisões, ao longo dos episódios ela se mostra controversa a todos seus valores e ideais quando se apaixona, confirmando que nem sempre o que pregamos se aplica a nós mesmos. Carregando muitos segredos, amizades são colocadas a prova por consequência de suas decisões. O terceiro ano nos apresenta Isak Valtersen (Tarjei Moe). O companheirismo de seus melhores amigos foi essencial no processo de descoberta e aceitação quanto sua sexualidade quando conhece Evan e se apaixona. Ele enfrenta um grande dilema com a decisão de se assumir gay para sua mãe. A última temporada, conta a história de Sana Bakkoush (Iman Meskini) e sua espiritualidade, mas dá abertura para os planos de formatura e também para novos personagens. Os episódios aconte-

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por

COLAB

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cem durante o Ramadã, jejum muçulmano. Em sua trama, Sana, praticante da religião islâmica, passa por um conflito, ao se apaixonar por Yousef (Cengiz Al), um garoto que não compartilha das mesmas crenças. Muito comparada a Skins, a série norueguesa a contrapõe em muitos aspectos, dentre eles, a cultura dos dois países, que é uma característica muito influente no comportamento e nos costumes dos personagens. O contrário do que é mostrado na série inglesa, em Skam outro ponto que as separa é o fato de que as gerações evoluíram, ape62 |

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sar das personagens terem idades parecidas, estamos em épocas diferentes, tratando de assuntos diferentes. A série não chegou a passar em nenhuma emissora brasileira e mesmo com a insistência dos fãs, os direitos não foram comprados pela Netflix. Mas pode ser encontrada facilmente na internet, o que a tornou totalmente virtual, conhecida, compartilhada e propagada através das redes sociais. Isso aproxima os espectadores, visto que a forma de divulgação é muito tangível a realidade: todos os personagens possuem perfis no Instagram que eram

controlados por seus respectivos intérpretes, atualizados em tempo real. O que torna Skam sensível e humano são as experiências que cada um dos personagens vive, são situações reais, que qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo vive. É satisfatório os ver crescendo e amadurecendo quanto pessoas, dialogando, aprendendo e deixando de lado seus preconceitos, sempre colocando em pauta, conversas que podem estar presentes no dia a dia de qualquer outro adolescente. E no final das contas, são apenas jovens que gostam de festejar e estar juntos com os amigos.


A produção também possui um alcance social e cultural, fazendo seu telespectador ter curiosidade sobre a cultura norueguesa – além do habitual aprendizado de aprender alguma palavrinha da língua para colocar no vocabulário. Principalmente após o final da temporada de Sana, o interesse em saber sobre o Ramadã e pela religião muçulmana cresceu entre os fãs. Muitas fan pages formaram espaços de discussão e troca de informação para criar teorias e fantasias relacionadas ao que pode ter acontecido depois que a série foi concluída. E,mesmo com o final, os fãs nunca a deixaram cair no esquecimento, possibilitando a criação de outras versões. Se encontrar entre lágrimas e sorrisos ao assistir cada episódio não é muito difícil, sentir raiva também não fica de fora. Skam tem personagens para amar e para odiar, casais que torcemos para ficar juntos e outros que torcemos para se separarem. A série aflora os sentidos tornando simples se imaginar ali, querendo estar no lugar de cada um dos adolescentes junto de seus amigos.

SKAM PELO MUNDO Julie Andem não esperava que sua criação repercutisse tanto. Por isso, após concluir Skam original, não satisfeita em manter a série apenas na cultura norueguesa, decidiu expandir por outros países. França, Itália, Estados Unidos, Espanha, Holanda, Alemanha e, mais recentemente, a Bélgica ganharam versões que também conquistaram o coração do público, nostálgico pelo fim da tão queridinha primogênita. As versões não perdem a autenticidade em relação a original, mantendo os mesmos personagens, interpretados por atores diferentes. Também, a maioria dos seus respectivos plot twists são iguais à série-mãe, mas possuem essência própria, podendo surpreender vez ou outra. E, com algumas adaptações, as séries de cada país se encaixam em sua cultura, sendo mais fiéis ao comportamento e história de cada um dos respectivos países. Apesar dessas outras alternativas terem sido bem recebidas, a fã base fica de coração partido em imaginar as possibilidades de explorar outros personagens e conhecer um pouco mais da história da primeira criação de Andem, que também foram importantes na construção da série. //

PLAYLIST TEMÁTICA

Deezer

Spotify

Youtube zint.online | 63


Sejamos todos peripatéticos! por

DEBORA DRUMOND

diagramação

VICS

NOTA DA COLAB: ESTE TEXTO CONTÉM SPOILERS.

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A

prender filosofia enquanto assiste uma série divertida parecia um sonho distante até que a Netflix lançou, em 2015, a produção original catalã MERLÍ . A trama gira em torno do professor de filosofia que dá nome ao seriado e sua relação diferenciada com seus alunos e com a instituição educacional.

Merlí Bergeron (Francesc Orella) é um educador que foge da curva da conformidade, desafiando a pedagogia tradicional e, acima de tudo, preza para que seus alunos tenham tesão pela filosofia. Garanto que é esse sentimento que fica ao final de cada episódio, o tesão pelo pelo pensar. Tudo começa quando seu filho, Bruno Bergeron (David Solans),

tem que morar com ele após a mãe se mudar para Roma. O problema é que Merlí está desempregado e acaba de ser despejado de seu apartamento, o que o leva a morar com sua própria mãe, a famosa atriz Carmina Calduch (Ana María Barbany). Contrariado e sem opção, Bruno vai morar com o pai e a avó, mal sabendo que no mesmo dia o pai conseguiria um


emprego para ser professor em sua escola. Logo no primeiro dia, Merlí descobre que será o tutor da turma de seu filho que, de início, prefere não revelar o parentesco. Ele também causa desconforto entre os professores, ao mesmo tempo em que fascina seus novos alunos, por propor uma aula diferente, fora da classe. Ele leva a classe à cozinha do Insituto Angel Guimera para explicar sobre os peripatéticos: filósofos que caminhavam para refletir – acabando por se tornar o apelido “carinhoso” de Merlí com a turma. Por conta da sua forma nada ortodoxa de ensinar, o protagonista cativa cada mais os alunos, incluindo Pol Rubio (Carlos Cuevas). O garoto, mesmo tendo repetido de ano duas vezes e sendo um dos piores alunos da sala, é o que mais se interessa pela filosofia e mais indaga o professor, logo se tornando seu preferido. Futuramente na trama, quando Pol larga os estudos para trabalhar por conta das dificuldades financeiras da família, Merlí é o único que o convence de que ele deve sim voltar ao Instituto e se formar.

Outra relação incrível e profunda que Merlí desenvolve é com Ivan Blasco (Pau Poch), que já não ia às aulas a meses por ter desenvolvido síndrome do pânico devido ao bullying que sofria na sala. A escola determina, então, que um professor deve ir até a casa do garoto para lhe passar o conteúdo enquanto ele não melhora. Quem se responsabiliza pela tarefa é Eugeni Bosc (Pere Ponce), professor de literatura e “arqui-inimigo” de Merlí. Por ser totalmente o oposto do nosso protagonista, Eugeni não aceita as atitudes liberais do colega e desaprova o fato do Instituto não tomar uma ação. Merlí considera que designar uma pessoa extremamente ortodoxa para lidar com um aluno na situação de Ivan não seria correto, indo até a casa dele sem conhecimento do corpo docente. Ao longo dos primeiros episódios, Merlí se esforça para interagir com Ivan, já que o jovem não consegue se expressar e passa o dia todo em seu quarto no computador jogando ou lendo notícias. Pouco a pouco, o sábio professor vai conseguindo que o menino supere seus traumas: ele

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volta a falar, começa a arrumar a casa e tomar banho e, por fim, consegue criar coragem para sair de casa. Mas voltar ao Instituto ainda é um grande desafio, afinal seus colegas o chamavam de esquisito, riam na cara dele e o isolavam. Com paciência e um bom jogo de cintura, Merlí conversa com a sala, dizendo que todos somos diferentes e devem recebê-lo bem – seu retorno é marcado por uma festa, em uma das cenas mais tocantes de toda a série. Bruno também não fica de fora dos ensinamentos do pai. Ele acaba aceitando contar aos colegas que é filho de Merlí, mas por muito tempo mantém outro segredo: ele é homossexual e apaixonado por Pol. A única pessoa que sabe disso é sua melhor amiga Tània Illa (Elisabet 66 |

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Casanovas), com quem ele acaba brigando por ela alertar o amigo de que seria impossível que ele e seu amor platônico tivessem um romance, visto que ele não corresponde com sua orientação sexual. Na segunda temporada, com a chegada de Oliver Grau (Iñaki Mur), gay assumido,


Bruno se sente mais à vontade para assumir sua sexualidade perante aos colegas. Você deve estar estar se perguntando: tá, mas onde entra a filosofia nisso? Bem, o que deixa a série interessante é que os personagens começam a se questionar e a crescer como pessoa justamente pelas discussões que Merlí traz durante as aulas de filosofia. Pelo fato de ele ser um professor mais aberto e acessível do que os outros, ele acaba se tornando um espécie de confidente e conselheiro dos jovens quando eles enfrentam algum problema pessoal. Mesmo que eles não queiram, o protagonista acaba intervindo de alguma forma que resulta em algo positivo. Isso mostra o papel fundamental que professores têm na vida dos indivíduos, eles são responsáveis pela nossa formação como cidadão. De forma leve e descontraída, a série, influenciada por Sociedade dos Poetas Mortos (1989), aborda ao longo de suas três temporadas temas complexos e presentes na vida de todo indivíduo: a descoberta da sexualidade, problemas financeiros e familiares, bullying e amizades problemáticas. Inicialmente, Merlí pode parecer ser alguém manipulador e conquistador, mas no desenrolar da trama vemos que a maioria de suas atitudes têm uma boa intenção. Duvido que no final você não deseje ser um de seus peripatéticos! //

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Fringe e a ciência de fronteira texto e diagramação: VICS 68 |

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A

ficção científica é um dos mais interessantes e importantes gêneros da cultura pop. No campo da televisão, séries de grande repercussão e impacto como Além da Imaginação (1959-1964), Jornada nas Estrelas (19661969), Doctor Who (19631989, na exibição original) e Arquivo X (1993–) marcaram seus nomes na história do gênero. É inspirada em algumas dessas produções que nasce FRINGE . Na série criada por J.J. Abrams, Olivia Dunhan (Anna Torv) é uma agente do FBI que compõe a equipe designada a investigar o mistério em torno de um vôo comercial, vítima de um vírus desconhecido. Para entender melhor a ciência por trás do ataque biológico, Olivia, sob tutela do Agente Phillip Broyles (Lance Reddick)

e ajuda de sua assistente Astrid (Jasika Nicole), recruta Peter (Joshua Jackson) e Walter Bishop (John Noble) para o que viria a ser conhecida, logo logo, como Divisão Fringe. Cientificamente, o nome da série dá título ao que é conhecido como "ciência de fronteira", uma

área de estudo dedicada a pesquisar fenômenos no limite da nossa física/realidade, como mundos paralelos, realidades (e linhas temporais) alternativas, transmutação, telecinese, teletransporte, precognição, inteligência artificial, matéria negra, entre tantas

outras coisas. Assuntos estes que, inclusive, aparecem na intro da série, em uma das introduções e música-tema mais memoráveis da televisão. É ao longo de cinco temporadas e 100 episódios,

Peter, Olivia e Walter observam fotografias com os glifos da mitologia, enquanto um Observador é avistado ao fundo, nas sombras

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DA ESQUERDA PRA DIREITA: ASTRID, BROYLES, WALTER, OLIVIA, PETER, NINA SHARP (BLAIR BROWN) E LINCOLN LEE (SETH GABEL)

exibidos entre 2008 e 2013 pela FOX, que Fringe explora de uma rica e densa mitologia. Cada caso investigado pela Divisão se conecta, em grande ou pequena parte, aos eventos que circundam o universo seriado. Também, cada um dos personagens, principalmente Olivia e os Bishop, estão intrinsecamente conectados em um esquema universal maior e mais perigoso, do qual a própria fábrica da existência do nosso universo depende pra sobreviver. J.J. Abrams e os roteiristas Alex Kurtzman e Roberto Orci, entre outros,

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tem um cuidado louvável em construir a literatura rica de Fringe, precocemente cancelada em sua quinta temporada. Podemos mergulhar na existência dos testes de Cortexiphan, uma droga capaz de ligar habilidades inativas em crianças, que desenvolvem "poderes" como telecinese, pirotecnia e até mesmo a viagem entre universos. Também, conhecemos de perto quem são os seres conhecidos como Observadores (e até nos apaixonarmos por um deles), homens carecas de um distante futuro. Estes são uma raça humana ultra desenvolvida, que abdicou de suas emoções para dar lugar a uma super mente cognitiva, tornando-os capaz de viajar no tempo-espaço, "ler mentes" e prever todas as possibilidades de futuro (principalmente o imediato). No início, sua ocupação era apenas observar o curso da história, desde o começo dela, garantindo que tudo ocorresse exatamente como escrito (eles não podiam, em capacidade alguma, interferir).


Como uma espécie de bônus, a mitologia da série também trazia os glifos. Nosso alfabeto dá lugar a 26 variações de oito imagens: uma folha, a metade de uma maçã, uma flor, um cavalo marinho, um sapo, uma mão, uma borboleta e uma espécie de fumaça. Em cada uma delas, uma anomalia. Na maçã, por exemplo, cada metade possui uma semente, e cada semente um feto. Na mão, seis dedos. Na borboleta, o raio-x do esqueleto de dedos. A cada episódio, entre comerciais, o público recebia uma letra/imagem do alfabeto de glifos, formando uma palavra ao final, que se encaixava de alguma forma na trama do episódio e/ou na mitologia da série. A primeira temporada do programa foi recebida de uma forma positiva, mas

morna, pelos críticos. A recepção melhorou nos anos seguintes, que elogiava a criação e expansão de conceitos, ao mesmo tempo que a audiência começou a declinar. No entanto, principalmente após seu final, Fringe se tornou uma série cult do gênero e entrou para o hall de famosas séries scifi, como as já citadas Além da Imaginação e Arquivo X, que são influências claras da produção. Também, serviu de inspiração para novas gerações, como Stranger Things. Após o seu fim na televisão, Fringe deu continuidade a sua mitologia em duas histórias em quadrinhos (Tales From the Fringe, em seis partes, e Beyond the Fringe), um jogo em uma realidade alternativa, uma enciclopédia oficial (supostamente escrita por Setembro, um dos Observadores) e três livros (cada um focado no trio de protagonistas). Em 2012, durante a Comic Con de San Diego, John Noble citou que um filme poderia ser feito no futuro, mas nunca chegou a ter novidades além disso. Por enquanto, Fringe continua apenas como uma série muito bem cultuada, com um público devoto que continua ativo, criando teorias, comentando novos achados ao longo da produção e alimentando as possibilidades alternativas deste rico universo de ficção científica. //

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[

música

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Pabllo vai longe demais e isso não deve parar não

por guilherme luis diagramação vics


OUÇA O ÁLBUM

O grande nome da música pop nacional em 2017 foi Pabllo Vittar. Conhecida nacionalmente a partir do seu hit Todo Dia (com Rico Dalasam), no Carnaval, a artista colecionou sucessos durante todo o ano, como K.O., Corpo Sensual (com Mateus Carrilho) e Sua Cara (este, do Major Lazer, contando também com Anitta). Foi um período de muito orgulho pra comunidade LGBTQ+ brasileira, que até então não havia presenciado uma drag queen tocando em tanto lugar como aconteceu com Pabllo. A artista ainda passou por momentos marcantes em sua carreira, como quando subiu ao Palco Mundo do Rock In Rio, convidada por Fergie, e ao quebrar recordes de visualizações em seu clipe lançado juntamente de Major Lazer e Anitta. A drag queen libertou, desamarrou e deu voz à uma minoria, não só escancarando a arte drag brasileira, como também dando espaço para uma revolução do nosso pop que não acontecia há anos. Agora,

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com Não Para Não, seu segundo álbum, lançado dia 4 de outubro, ela carrega a responsabilidade de continuar com o sucesso do primeiro disco e ainda demonstrar muita evolução. Depois do incrível Vai Passar Mal, esse desafio não seria nada fácil. O primeiro trabalho da cantora ficou muito conhecido exatamente por misturar muito do pop atual com influências dos ritmos tradicionais de todo o país, que acabou por se tornar uma expectativa para seu segundo álbum. Problema Seu, o carro-chefe do projeto, trouxe um pop com influências do eletrônico e uma sonoridade moderna que não esquece raízes brasileiras. O clipe é o melhor da carreira: o investimento monetário é visível e garante um clipe repleto de looks, com historinha, muita coreografia e efeitos visuais. Um marco para a videografia de Pabllo e um possível hit de baladas e festas. Bom início. Disk Me é o segundo single e ganhou clipe

Apple Music Deezer

Spotify

Tidal

Youtube


quase que junto com o lançamenNa Edição to do disco. A música é um dos #4, nós pontos mais altos falamos um do álbum, na qual pouco sobre Pabllo assume uma faceta mais o cenário romântica. A da música faixa, diferentebrasileira, mente dos hits de balada anteriores, citando a não deixa de ser ascensão de dançante: seu pós-refrão pede Pabllo Vittar. pra uma danciPara ler a nha agarradinha matéria, basta ou até mesmo sozinho. É a clicar aqui! "sofrência" do pop, com letra excelente (ótimo trocadilho com o título), e produção impecável, além de possuir um clipe simples e suficiente. O primeiro ponto positivo de Não Para Não é ser um álbum conciso e direto. Apesar de 27 minutos parecerem pouco, são bem distribuídos em suas 10 músicas, que não se estendem além do necessário e cumprem o que têm a cumprir. Buzina é a canção que abre o disco, recebendo o ouvinte com muita animação. Essa faz o papel de música-carnaval do álbum. Composição da própria cantora, a música fala sobre “uma viagem muito doida em uma nave espacial”, de acordo com entrevistas da própria. O ritmo acelerado contagia e anestesia pro resto do álbum que, surpreendentemente, desacelera em todas as faixas seguintes. Destaque pra inserção inusitada de sanfona no meio da faixa que encaixa muito bem – coisa que se torna característico em todo o resto do disco. Seu Crime tem tantas virtudes que pede pra ser single. Ainda no ritmo lento e romântico de Disk Me, a letra fala sobre

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um relacionamento que terminou por culpa do outro, trazendo um forró no refrão que funciona perfeitamente e não dar uma dançadinha é impossível. Pop genious! O álbum ainda conta com participações especiais de outros cantores. Ouro leva a voz de Urias, grande amiga de Pabllo, e acaba por ser uma das mais diferentes do disco – graças aos versos em que Urias solta a voz quase em um rap. O refrão pode até parecer repetitivo, mas é um dos que mais gruda na cabeça. Ponto alto! Em seguida, Trago Seu Amor de Volta, com participação de Dilsinho, traz uma linda letra, sobre desistir de um relacionamento sem grandes complicações. A harmonia entre as duas vozes é bem encaixada, e diferentemente das outras duas, Pabllo e Dilsinho cantam mais juntos. Apesar disso, a faixa carece de influências mais explícitas do pagode para ter a marca Pabllo Vittar. A aguardadíssima Vai Embora, com Ludmilla, é um trap que quase chega no funk. Letra agressiva, Na Edição #6, vocais sensuais e nós falamos poderosos fazem da música um dos sobre as drag destaques do disco. queens com Tudo isso graças carreiras a combinação das duas cantoras e na música, pela transmissão citando a poderosa da mencarreira de sagem (com frases marcantes como Pabllo Vittar. “Ministério da Saúde Para ler a não me recomenda!”), cantada num matéria, basta batidão cujo refrão clicar aqui! final está pronto

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encerra o disco de forma tão impactante quanto foi no álbum anterior, com Indestrutível. Uma pena. O Não Para Não cumpre sua grande missão. É ótimo, conciso, coeso e apresenta grande evolução da cantora (seja de letras, produção, vocais e etc.). Talvez o disco careça de faixas chicletes e hits daqueles prontos para estourar, como era com os singles do Vai Passar Mal. Contudo, isso talvez só dite uma nova fase de Pabllo. Talvez seu desejo de agora vá além de tocar nas pistas, mas sim nas rádios, nas playlists, nos ouvidos e nos corações das pessoas. Fazer de Disk Me seu segundo single do álbum denota muito dessa mudança. Pabllo entrega, definitivamente, um dos melhores discos do ano. E é muito orgulho que nessa lista tenha tanta coisa nacional. //

para as pistas. Obrigatório que ganhe um clipe impactante! No Hablo Español é a mais diferente – e também uma das mais legais. A letra é divertidíssima e os vocais mais graves de Pabllo estão super sensuais. Apesar de não ser uma faixa totalmente em espanhol, parece sim um primeiro passo para a drag chegar onde Anitta tem pisado tanto: hits por toda a América Latina. Já Não Vou Deitar e Miragem ficam apagadas perto do resto da tracklist. A primeira, apesar de ter um forró escondido em seu refrão, parece pedir tanto por uma ponte mais impactante quanto por uma letra mais explorada, que fica parecendo muito simplória. A segunda tem uma composição que parece totalmente tirada de Perfect Illusion, de Lady Gaga, e não

PLAYLIST TEMÁTICA

Deezer

Spotify

Youtube


O guardião da cidade do sol por

JADER THEOPHILO diagramação

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uando lançou seu primeiro álbum, American Teen, em 2017, Khalid alcançou feitos admiráveis mesmo que ainda muito jovem. Seu primeiro single Location alcançou a 16º posição da parada Billboard Hot 100. Além disso, o artista recebeu cinco indicações ao Grammy e ainda levou para casa prêmio de Artista Revelação no Billboard Awards, em 2018, e no MTV Video Music Awards, em 2017.

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Agora, o cantor de 20 anos retorna as paradas com a estreia do seu mais recente trabalho musical. O EP Suncity faz uma grande homenagem à cidade em que foi criado, questiona relacionamentos e o lugar que ocupa em sua carreira, apresentando a decisão do artista de se consolidar de vez no cenário pop e R&B mundial. Em recente entrevista à revista norte-americana Billboard, o performer comentou sua relação com a fama: “Eu nunca vou pensar em fazer um disco de sucesso. Só vou ao estúdio com pessoas que amo e respeito e vejo o que acontece. É mais sobre conhecer meus colegas e colocar nosso coração e alma na música, e esperamos que (o resultado) seja algo de que ambos nos orgulhemos”. Seu novo lançamento é composto por sete faixas, incluído a já conhecida Better. Nesse projeto, Khalid trabalhou com os produtores Charlie Handsome, DIGI, DJDS, John Hill e Rogét Chahayed, responsáveis por grandes sucessos da indústria musical contemporânea como Mac Miller, Post Malone, Ariana Grande e Kanye West.

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FAIXA A FAIXA O álbum abre com 9.13, uma interlude que apresenta um ambiente de calmaria proporcionado pela harmonização de vocais. Em seguida, esse clima é contrastado por uma voz que anuncia o cantor como o detentor da chave da cidade de El Paso, no Texas, local onde Khalid morou durante a adolescência. Tanto a fala quanto o nome da música fazem referência ao episódio ocorrido em 13 de setembro de 2018, momento em que Khalid foi homenageado pelo prefeito. Na ocasião, em seu Instagram, o artista comentou e agradeceu a honraria:

“Eu quero deixar o meu muito obrigado ao prefeito Dee Margo e à cidade de El Paso por me dar a chave da cidade. Eu realmente não imaginava. Nunca senti como se eu pertencesse ou tivesse uma casa antes de me mudar para El Paso. Muito feliz em poder espalhar a felicidade/positividade que esta cidade me dá, para o mundo”.

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Em seguida, Vertigo apresenta o que parece uma sequência natural do trabalho apresentado no seu primeiro álbum. Uma baladinha com violinos, que deixa a melodia grandiosa, e o beat típico do R&B, que tem ganhado as rádios pelo mundo. É nessa música que Khalid abre espaço para questionamentos e lembranças sobre o caminho que percorreu até chegar neste momento de sua carreira. Saturday Nights é a composição que "joga seguro", mostrando a conexão do artista com seu público e nos reafirma um ídolo jovem, tratando de assuntos que parecem naturais na idade dele. A letra sobre o conflito de relacionamento com os pais e as dificuldades enfrentadas para viver um romance são embalados por um violão, que lembra bastante uma característica marcante do produtor Charlie Handsome e que nos remete à música Go Flex, de Post Malone, também produzida por ele. Em sequência, Salem’s Interlude chega como o momento de preparar terreno para a música mais ousada do álbum. Com reflexões sobre insegurança, medos e próximos passos, a faixa nos lembra Be Yourself, do último álbum de Frank Ocean, ao apresentar versos que aparecem em uma voz feminina e com sonoridade de um recado deixado em uma caixa mensagens. Logo após, vem o ponto alto do álbum: Motion. Com uma produção impecável, o artista arrisca seus vocais em uma região,

ainda, pouco explorada em suas músicas. A canção é simples, limpa e sem grandes firulas, que embora nos remeta a trabalhos do cantor Miguel, Khalid consegue imprimir personalidade em seus falsetes. Tudo funciona muito bem, inclusive o sample de sua própria música, Better, ao final da canção. Escolhida pra ser o primeiro single desse EP, a faixa segue a formula que vem dando certo para o artista, até então. Refrão chiclete e batidas que contagiam. O interessante é que embora a música pareça uma versão 2.0 de American Teen, os produtores são outros. A faixa homônima ao EP, Suncity encerra a coletânea com uma parceria com Empress Of, projeto solo da cantora e compositora Lorely Rodriguez, que possivelmente será o grande hit desse compilado de músicas. Embora não apresente muita originalidade, a canção permite que Khalid se jogue em um reggaeton, incluindo algumas frases em espanhol. No entanto, poderia ser gravado por qualquer outro artista do momento – uma tentativa, dispensável, de mostrar versatilidade. Mesmo que deixando as canções OTW, parceria com Ty Dolla $ign e 6LACK, e Eastside, com Halsey e Benny Blanco, de fora desse projeto, Khalid entrega em Suncity uma coletânea autoral poderosa e interessante, que demonstram ainda mais todo potencial do artista e o alavanca para um novo patamar em sua carreira. //

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O UNIVERSO DE

Twenty One Pilots por

VITÓRIA SILVA

diagramação

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A

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pós o sucesso do álbum Blurryface (2015), que não só rendeu um Grammy de Melhor Performance de Grupo Pop por Stressed Out mas também garantiu um certificado de Ouro para cada faixa do álbum (o primeiro a conseguir isso, na história), o TWENTY ONE PILOTS decidiu entrar em hiatus. Em julho de 2017, o duo musical, composto pelo vocalista e compositor Tyler Joseph e o baterista Josh Dun, anunciou a pausa através do Twitter da banda, usando de versos da música Car Radio, do álbum Vessel. O que ninguém imaginava era que praticamente um ano depois, no dia 11 de julho de 2018, eles retornariam de surpresa com duas novas músicas. Tendo como carro-chefe a faixa Jumpsuit, a era TRENCH  foi inaugurada. O videoclipe da música retomou toda a simbologia já existente durante a era Blurryface, que contava com um personagem de mesmo nome que, agora, teria se tornado Nico,

representando o amadurecimento de Tyler. Como já é de praxe, milhares de teorias sobre os possíveis significados dos elementos do vídeo foram criadas pelos fãs, além de possíveis conexões com videoclipes anteriores, como o de Heavydirtysoul e o de Heathens – nenhuma delas dada como versão oficial. Sem muita demora, foram ao ar também os videoclipes de Nico And The Niners e Levitate, que se incorporariam à história. Em entrevista para Rob Forbes, apresentador da rádio sul-africana 5FM, Tyler afirmou que acha interessante o fato dos fãs criarem uma própria linha do tempo sobre os acontecimentos dos vídeos e que até ele se questiona sobre onde tudo teria começado. Com isso, o grupo musical reafirmou, mesmo que de forma subjetiva, a existência de seu próprio universo, agora com novos cenários e personagens.

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Mas nem só de simbologia vive Twenty One Pilots. Aqueles que tinham receio sobre o seu quinto álbum de estúdio, lançado dia 5 de outubro, acabaram sendo surpreendidos. Apesar de seguir algumas raízes musicais dos álbuns anteriores, a dupla não repetiu a mesma fórmula sonora já conhecida e responsável por todo seu sucesso. Fugindo um pouco do pop extremamente presente no Blurryface e apostando novamente em versos poéticos de rap, que se tornaram uma marca registrada, o álbum Trench revelou um grande amadurecimento musical. Assim, é possível apreciar faixas com letras profundas mas que não se tornam melodramáticas, girando em torno de questões como inseguranças e ansiedade. Em relação a sonoridade, o ukulele de Tyler Joseph foi deixado um pouco de lado mas não completamente abandonado, se misturando com sintetizadores, guitarras e, às vezes, solos de piano, que podem ser ouvidos em

Leave The City e Neon Gravestones. Além disso, não se pode esquecer da importante presença da bateria de Josh Dun, que se destaca ao fundo de todas as músicas, desde aquelas com tom mais leve, como Morph, até as mais pesadas, como a já mencionada Jumpsuit. Com turnê Bandito Tour anunciada, a dupla é uma das principais apostas entre as possíveis atrações do Lollapalooza 2019 no Brasil, prometendo atrair uma multidão ainda maior que a de sua apresentação no festival em 2016. Tyler Joseph e Josh Dun mostraram mais uma vez que tem muito a oferecer com seu estilo musical único e que, até agora, não foi possível categorizar. //

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O mundo é de Cher – e nós apenas vivemos nele texto e diagramação de VICS

Aos 72 anos, Cher tem uma carreira ativa de meio século e, em 2018, um novo álbum e turnê mundial


Cherilyn Sarkisian talvez seja um nome que se um dia ouvisse, não reconheceria – mas eu garanto que você sabe quem é. Dona de uma voz inconfundível, CHER é uma lenda viva. Sua carreira já dura mais de 50 anos, tendo início na música quando, ao lado de Sonny Bono, a cantora colocou algumas músicas entre as 20 mais tocadas da Billboard Hot 100. Não demorou muito para que a artista logo atingisse o topo. I Got You Babe chegou ao #1 da parada musical em 1965, tendo se 90|

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tornado uma das músicas mais famosas no catálogo de Cher. Desde então, a cantora ingressou na televisão, em programas ao lado

de seu então marido Sonny, lançou discos e até mesmo deu início a uma sólida carreira no cinema, em filmes perpetuados como Silkwood (1983; ao lado de Meryl Streep e Kurt Russell), As Bruxas de Eastwick (1987; com Susan Sarandon, Michelle Pfeiffer e Jack Nicholson), e Moonstruck (1987;, co-estrelado por Nicolas Cage). Este último até lhe rendeu um Oscar de Melhor Atriz, em 1988. Aos 72 anos, Cher é, hoje, uma das artistas mais bem sucedidas do mundo do entretenimento, sendo uma inspiração e admiração de tantos outros artistas do meio. Desde 1963, a cantora e atriz já acumula um Academy Awards, um Emmy, um Grammy e três Golden Globes, além de outros prêmios. Não só isso, Cher também é colocada como uma verdadeira musa da moda, dando vida a algumas roupas e figurinos marcados pelo seu nome, levando um prêmio pelo Conselho de Designers de Moda da América, em 1999, pelo seu papel de influenciadora. Não é de se espantar, é claro, que a artista também tenha influência em outras áreas da Arte, sendo dona de um importante marco na história da música. Em outubro de 1998, o mundo ouviu, pela primeira vez, uma das músicas mais memoráveis da carreira de Cher e do mundo musical como um


O VESTIDO ASSINADO PELO ESTILISTA BOB MACKIE É UM DOS MAIS MEMORÁVEIS DO GUARDAROUPA DE CHER, JÁ TENDO ATÉ MESMO VIRADO FANTASIA DE HALLOWEEN (USADO POR PERSONALIDADES COMO KIM KARDASHIAN E DUA LIPA)

todo. Believe, carro-chefe do álbum de mesmo nome, chegou ao topo da Billboard Hot 100 e fez da artista a cantora solo mais velha a ter uma música em primeiro lugar no chart (na época, ela tinha 52 anos). Não só isso, o single é o mais vendido, de uma cantora solo, no Reino Unido, em toda a história. E, claro: Believe é uma das músicas mais vendidas em todo o mundo. Com certificados de Ouro, Platina, Platina Triplo e 5x

Ouro, Believe atingiu o #1 das listas de 21 países além dos EUA e Reino Unido, levando um Grammy por Melhor Música Dance. Aclamada pelos críticos, o single já foi regravado por diversos artistas, aparecendo em inúmeros produtos da cultura pop e colocado como uma das formas mais brilhantes de Cher de se reinventar. Mas o que Cher e Believe fizeram para mudar a música? O auto-tune. Em pleno ano de 2018, já não é

mistério para muitas pessoas do que é o auto-tune. A ferramenta (que também é um termo) é um processador de áudio capaz de corrigir e acertar o tom da voz dos artistas, para atingir determinadas notas. Sendo a tecnologia mais utilizadas, hoje, no meio musical, em 1998 o auto-tune era novidade. Believe (e Cher) é datado como a primeira música a fazer uso de tal ferramenta, criando o que é conhecido como Efeito Cher – um termo informal que significa a completa distorção do tom para produzir um efeito de voz semi-artificial, quase robôtico. O resto é história. Consequentemente, o auto-tune virou a companheira de praticamente todo o cantor e produtor da indústria fonográfica, as vezes até

mesmo se tornando um inimigo. A ferramenta também acabou sendo utilizada para muito mais do que apenas corrigir os tons, sendo explorada para criar efeitos na voz (para o bem ou para o mal). Muitas vezes, o termo é visto de forma maldosa e suja, principalmente pelo público, que enxerga na ferramenta uma forma de fazer com que cantores alcancem vocais duvidosos e insustentáveis ao vivo. Não que a cantora precisasse de alguma ajuda, mas Believe consagrou, de uma vez por todas, Cher na história da música e na carreira de cada artista que lançou algo após 1998. E como se não fosse suficiente, a cantora ainda possui uma outra barreira quebrada: Cher é a primeira e única artista (mulher ou zint.online | 91


homem) a ter pelo menos uma música #1 nos charts da Billboard em seis décadas consecutivas (1960-2010). Entrando e saindo constantemente de sua "aposentadoria", Cher se tornou uma carta-coringa. Antes de co-estrelar Burlesque (2010), ao lado de Christina Aguilera, por exemplo, a atriz estava há 10 anos sem aparecer em uma tela de cinema. O filme, inclusive, garantiu a ela um Golden Globe por Melhor Música Original,

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com You Haven't Seen The Last Of Me. A música, por sua vez, foi a que deu a ela o título de única artista com #1 em seis décadas consecutivas, atingindo o topo da Billboard Dance Club Songs, em 2011. Mesmo tendo lançado um álbum, três anos depois, intitulado Closer to the Truth, Cher voltou para a sua "aposentadoria", quebrando-a, mais uma vez, em 2018, com dois novos projetos. Como atriz, ela retornou às telas de cinema com uma participação no aclamado Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo. Como cantora, ela aproveitou seu tempo no set de filmagem, imersa na cultura ABBA, para lançar um disco com seus próprias versões de algumas das músicas mais famosas do grupo de discopop sueco.


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Dancing Queen chegou nas lojas no dia 28 de setembro, apresentando por Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight), que veio, mais uma vez, cheio do já conhecido Efeito Cher. Porém, oficialmente, quem teve um título de single, ganhando seu próprio clipe, foi SOS, segunda música liberada pela artista antes do lançamento oficial do álbum.

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EM “MAMMA MIA! LÁ VAMOS NÓS DE NOVO”, CHER É RUBY SHERIAN, A MÃE DE DONNA (INTERPRETADA POR MERYL STREEP E LILY JAMES). “FERNANDO”, PRESENTE NO ÁLBUM “DANCING QUEEN”, É O NÚMERO MUSICAL DA CANTORA NO FILME, AO LADO DO ATOR ANDY GARCIA.


O 26º disco de estúdio de Cher foi muito bem recebido pela crítica, possuindo 79% de aprovação no Metacritc. Entre jornalistas das revistas norte-americanas Entertainment Weekly, Rolling Stone, The Times e Gay Times, Dancing Queen é descrito como "o lançamento mais significante da cantora desde Believe", "soa como se as músicas do ABBA tivessem sido escrito especial para ela", "exatamente o que você espera" e "glorioso, rico e incrivelmente andrógino", respectivamente. Debutando na terceira posição da Billboard 200 (o maior pico já alcançado pela cantora) e no Top 10 de outros 18 países, o álbum é o mais vendido de Cher, na primeira semana, em solo norte-americano, com 153 mil álbuns-equivalentes vendidos. Esse total significa a soma das vendas físicas reais com a quantidade de streams que equivalem a uma cópia física comercializada. Para a Billboard, 1250 streams são iguais a venda de um único CD. Para a RIAA (a Associação que representa as gravadoras e distribuidoras dos EUA e entrega os certificados de Ouro, Platina e Diamante), esse valor sobe para 1500. Para dar suporte ao álbum, que contou com o envolvimento dos ABBAs Benny Andersson (na produção, mixagem e instrumentalização) e Björn Ulvaeus (produção executiva), Cher deu início a

uma turnê inicialmente pensada apenas para agraciar a Oceania, resultado da repercussão obtida pelo seu show durante o Mardi Grass, a parada LGBTQ+ de Sydney. O retorno foi tão positivo que a Here We Go Again Tour começou na Nova Zelândia no dia 21 de setembro, com 14 datas no continente. Não demorou muito para que a bateria de shows fosse estendida, começando nos Estados Unidos em 2019. Embora não tenha nada oficial confirmado, há uma possibilidade que a turnê ganhe outras datas em países fora do eixo da América do Norte. Se por ventura a cantora viesse ao Brasil, esta seria a primeira vez que o país contaria com shows da artista. Esta é a primeira turnê mundial de Cher desde 2005, quando ela viajou o mundo com a Living Proof: The Farewell Tour, alegando ser a última de sua carreira – porém, ela fez uma turnê norte-americana, em 2014, com a Dress to Kill Tour, em suporte ao álbum Closer to the Truth. A Turnê Lá Vamos Nós de Novo, em tradução literal, não faz referência apenas ao ABBA, mas também a essa suposta aposentadoria dos palcos, que acabou virando uma piada interna entre ela e os fãs, que já lidam com a conversa há mais de uma década. O público também pode assistir Cher em Las Vegas, em sua residência Classic Cher. //

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We want to be you por

CECÍLIA BASÍLIO diagramação

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V Voz marcante, personalidade forte e estilo inigualável são características da revelação do momento, a cantora estadunidense Billie Eilish de apenas 16 anos de idade. A cantora iniciou sua carreira na plataforma de streaming gratuito SoundCloud, fazendo covers de músicas famosas e alguns de autoria do seu irmão, o ator e cantor Finneas O’Connell. Aos 14 anos lançou a música Six Feet Under de forma independente, logo sendo convidada para trabalhar com a gravadora Interscope Records. Billie ganhou notoriedade após Ocean Eyes viralizar no Spotify atingindo mais de 133 mil streams e hoje conta com o sucesso de seu mais novo EP don’t smile at me, lançado em 2017. Certamente a idade de Billie surpreende devido ao seu vocal, que resultou em seu sucesso repentino e a tornou uma das mais promissoras jovens no cenário electropop alternativo. O estilo também é um traço marcante da cantora, que faz uso de roupas largas e muito coloridas, quase sempre de grifes famosas.

Apesar da pouca idade, a artista chega no mundo da música com uma proposta diferenciada de muitos artistas da atualidade. Considerando a fama irrelevante, seu desejo é o de fazer música sem fins lucrativos e seu objetivo é mais do que faturar com turnês e muitos álbuns vendidos, buscando por criar algo que as pessoas possam sentir, ultrapassando o básico e o superficial. Eilish espera fazer suas músicas sem perder sua essência e sem deixar de ser quem é, ao mesmo tempo procura não ser rotulada por uma um estilo de musica ou som definido. Suas músicas possuem temas variados, com destaque para a canção idontwannabeyouanymore, com temática sobre depressão e como a sociedade tenta impor estereótipos no nosso dia a dia. É possível interpretar que estamos sempre cercados por pessoas que muitas vezes consideramos “perfeitas” e desta forma nos questionamos sobre o que há de errado conosco.

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Em Copycat, Billie canta que, com o passar do tempo, um artista passa a ser reconhecido pelo seu sucesso, fazendo com que as pessoas passem a tentar imitá-lo em tudo. Assim, ela questiona: como as pessoas esperam ser autônomas se estão sempre fazendo o que as celebridades fazem? Qual o sentido de tentar ser você, se nem você consegue? Em entrevista com a revista Clash Magazine, Billie deixa claro que acha a ideia de gênero algo muito vago, pois música boa é música boa. Como também reforça em diversas entrevistas que não tem um “som”, ela experimenta todas as formas de fazer e desta forma está sempre aberta para mudanças o tempo todo. Sua personalidade forte chega a ser muitas vezes intimidante, trazendo a ideia de rebeldia, características que Eilish não gosta que relacionem com sua idade. Segundo a mesma, seus anos de vida não deve ser um fator que caracterize sua personalidade. O conjunto de todo o "pacote" Billie Eilish fez com que a rede BBC classificasse a cantora como uma das carreiras mais promissoras do ano de 2018, antes mesmo de lançar seu álbum – previsto apenas para 2019. É inevitável pensar que a artista,  com toda certeza, terá uma carreira impecável pela frente, que segue com uma turnê até março de 2019, com shows nos Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Londres, Bélgica, entre outros. //

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[

filmes

]


O RETRATO DO AMOR À LUZ DA FAMA por mike faria diagramação vics

Nasce Uma Estrela traz Bradley Cooper e Lady Gaga dando vida à uma história perpetuada pelo Cinema, com um remake que explora os prazeres e consequências da fama.


“Talento todos têm. A diferença está em quem tem algo a dizer”. Assim explica Jackson Maine, o personagem de Bradley Cooper, ao definir o que determina uma estrela. Ao lado de Lady Gaga, que dá vida a personagem Ally, os dois formam o casal do filme NASCE UMA ESTRELA , um longa impactante, intenso e cheio de reflexões.

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A produção vem de uma história já consagrada no cinema, sendo a quarta adaptação hollywoodiana. A primeira versão estreou em 1937, estrelado por Janet Gaynor, enquanto a segunda em 1954, com Judy Garland, e a terceira em 1976, protagonizado e dirigido por Barbra Streisand. Este quarto remake da obra marca as estreias de Gaga, como protagonista de um longa-metragem, e de Bradley Cooper, na posição de diretor. Certamente, os momentos mais empolgantes se fazem presentes nos palcos,

durante os duetos e canções, onde temos contato com a fama em sua forma mais aparente e atraente. Principalmente para Ally, uma artista em ascensão que vê na parceria com Maine uma possibilidade de dar o pontapé em sua carreira como cantora. Aliado a uma trilha sonora bem construída e coerente com a proposta do

filme, impulsionada pela voz inconfundível de Gaga, as músicas se revelam como a matéria-prima do longa: ricas e excitantes. Com certeza, constituem o ponto forte que vão fazer o público cantar depois de sair da sala de cinema. O roteiro de Nasce Uma Estrela consegue sustentar um drama emocionante e propõe uma investida desafiadora que traz para os telões a discussão sobre os desafios e perigos da fama, e ainda, as perdas provocadas pelo universo do estrelato, resultantes de decisões que passam pela vida pessoal e

O GRANDE BREAKTHROUGH DE ALLY É EM UM DOS SHOWS DE JACKSON, CANTANDO “SHALLOW”

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NASCE UMA ESTRELA Antes de 2018, o filme já foi estrelado por outras grandes estrelas de suas respectivas épocas. VERSÃO DE 1937 (ORIGINAL)

JANET GAYNOR Esther Blodgett

FREDRIC MARCH Norman Maine

VERSÃO DE 1954

JUDY GARLAND Esther Blodgett

JAMES MASON

Norman Maine

VERSÃO DE 1976

BARBRA STREISAND Esther Hoffman

KRIS

KRISTOFFERSON John Norman

VERSÃO DE 2018

LADY GAGA

Ally Campana 106 |

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BRADLEY COOPER Jackson Maine


ainda, amorosa. Assistimos um artista (Jackson) em decadência, que encontra no alcoolismo o escape para lidar com as frustrações e com a sensação de incompletude diante a vida, ao mesmo tempo que sua parceira se encontra em uma trajetória de crescimento profissional. Ally é uma cantora que encontra no sucesso repentino várias alternativas e a realização de um sonho desconhecido até mesmo por si própria. Apoiado nos limites de uma história já contada, Bradley impressiona ao apostar em uma profundidade emocional singular, NO PIANO, apresentada JACKSON CANTA por meio da “I’LL NEVER LOVE

Quando o filme foi anunciado, Ally seria o papel de Beyoncé, enquanto a direção ficaria a cargo de Clint Eastwood.

relação entre o casal protagonista, que dá o tom e conduz o observador durante todo o filme. Ele acerta ao combinar os efeitos de luz com a sensação dos momentos retratados, sejam eles os shows explosivos ou apresentações intimistas na casa de show de Drag Queens, local onde os dois se conhecem e que carrega uma carga dramática marcante.

AGAIN”, MÚSICA QUE ESCREVEU PARA ALLY

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Aclamado pela crítica e pelo público, Nasce Uma Estrela já faturou mais de 250 milhões de dólares no mundo inteiro, em um orçamento de US$ 36 milhões.

NÃO SÓ ESTE É O PRIMEIRO FILME ESTRELADO POR LADY GAGA, QUE JÁ FEZ ALGUNS PAPÉIS PARTICIPATIVOS Além da estrela que nasce no filme, vemos emergir dois artistas que impressionam e nos deixam esperançosos para o que ainda podem contribuir dentro da indústria cinematográfica, seja na direção ou atuação. Lady Gaga é uma protagonista forte e determinada, que tem de lidar com a cobrança e o ritmo da vida

NO CINEMA, COMO TAMBÉM É A ESTREIA DE BRADLEY COOPER NO PAPEL DE DIRETOR, QUE TAMBÉM SE DISPÔS A CANTAR TODAS AS MÚSICAS CANTADAS POR SEU PERSONAGEM E ATÉ MESMO ESCREVEU E PRODUZIU ALGUMAS DELAS, ASSIM COMO GAGA

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OUÇA A TRILHA

espetacularizada dos holofotes e paparazzi, enquanto Bradley Cooper assume também os rumos da história nos bastidores. Apesar disso, parecemos ter a sensação que a passagem do tempo poderia ter sido explorada de uma melhor forma, acompanhando os acontecimentos e o desenrolar das ações. Mesmo não sendo totalmente original por seguir uma história já contada, o longa consegue surpreender e se firmar como a nova adaptação que traz para a atualidade questionamentos sobre a vida pessoal, profissional e amorosa iluminada pela fama. Uma proposta adequada aos costumes contemporâneos em que a popularidade é cada vez mais desejada e incentivada na vida do indivíduo, ainda mais quando este sai do anonimato e conquista a imprensa, premiações, e finalmente, o reconhecimento dos outros. Dessa forma, a próxima edição do Oscar promete. Nasce Uma Estrela está pronto para conquistar a todos e se firmar como um dos mais bem-sucedidos remakes dos últimos tempos. //

A trilha sonora do filme foi lançada no dia 5 de outubro, com 19 faixas e 15 curtos diálogos. Com críticas positivas, o álbum está no topo da Billboard 200 desde então. Esta é a melhor vendagem de um álbum em mais de três anos e o primeiro álbum, desde 2007, com High School Musical 2, a permanecer no topo por três semanas.

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por

JOÃO DICKER

diagramação

UMA ÍNTIMA VIAGEM A LUA

P

raticamente todo grande diretor de cinema tem em sua filmografia um relato biográfico de uma figura pública importante ou a retratação de um relevante acontecimento histórico da humanidade. Em O PRIMEIRO HOMEM , Damien Chazelle retorna a direção de um longa

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depois de impressionar o mundo com sua qualidade e maturidade enquanto cineasta, apesar de ainda muito jovem. Nesse caso, a idade do diretor torna-se ainda mais interessante para a relação com o filme, uma vez que Chazelle é de uma geração que cresceu com a chegada do homem na lua já sendo um fato. Talvez seja, justamente, a curiosidade pessoal do

diretor em conhecer como se deu todo o processo da Corrida Espacial, prerrogativa de onde parte as escolhas narrativas da produção, que tornam O Primeiro Homem cheio de personalidade e diferente de qualquer outro filme que tangencia o mesmo tema. Assim, a principal diferença deste longa para os outros é a esco-

VICS


lha de um olhar mais seco, pouco patriota, sem os ufanismos militares e nacionalistas que Hollywood frequentemente adota. Chazelle e o roteirista Josh Singer optam por nos apresentar oito anos de uma trajetória pessoal de Neil Armstrong (Ryan Gosling), desde seu período de treinamento na NASA até a marcante chegada na Lua. Não só a opção por focar no que envolve diretamente a "pessoa" Neil Armstrong, como sua relação familiar, a maçante rotina de treinamentos, protocolos e situações perigosas em que um aspirante a astronauta passava dentro daquele contexto, mas também a noção de trabalhar o protagonista como um homem comum e não o mito heroico que se tornou devido a conquista, tornam aquela história mais humana. Vemos um homem com dificuldade de convivência social, contido e que guarda para si os sentimentos mais profundos, além de enxergamos as consequências deste comportamento em seu núcleo familiar e na relação com

sua esposa. Toda a estrutura narrativa do longa é interessante por priorizar a construção do momento

impactante que é a chegada do homem a lua, seja essa preparação os acontecimentos históricos

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ou as escolhas técnicas de Singer, Chazelle e pelo trabalho impecável de Justin Hurwitz na composição da trilha sonora, de Tom Cross na montagem do longa, de Linus Sandgren na fotografia e de todo o departamento de som. Hurwitz e Cross trazem ritmo ao filme, que não cai na armadilha de se tornar monótono ou de ser arrastado como a árdua missão de chegar a lua graças a sincronia entre uma trilha evocativa (bem trabalhada nos momentos em que se exige silêncio) e uma montagem cirúrgica para a cadencia narrativa. A cinematografia de Sandgren traz uma estética documental que agrega ainda mais à escolha do diretor de tratar dos fatos de maneira crua e realista, trabalhando com uma iluminação natural que, curiosamente, torna as cenas noturnas do longa de um apuro estético belíssimo. A passagem de tempo dos oito anos apresentados ao espectador é muito orgânica, fluindo não só pelo trabalho do montador e do compositor já citados, mas muito também pelo trabalho impecável da equipe de direção de arte e do design de produção. Desde os cenários, figurinos e

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os mais variados objetos e aparelhos troncudos asseguram uma atmosfera sessentista bem construída, além de uma evidente passagem de tempo predominante nas transformações das instalações militares e na melhoria da precariedade das aeronaves em que os pilotos são constantemente inseridos. Inclusive, a representação da claustrofobia incessante da cabine do astronauta é recriada perfeitamente devido a uma fotografia intimista, a um design de produção arrojado, de uma montagem eficaz e, principalmente, de uma edição e mixagem de sons capazes de transformarem aquele pequeno espaço em uma câmara de angustia. Uma das cenas mais impactantes, pelo menos no que tange à experiência cinematográfica, é justamente quando Armstrong e seu companheiro de jornada, Buzz Aldrin (Corey Stoll), pisam na Lua pela primeira vez, permitindo que a saída do módulo da aeronave para a


Para se aproximar ainda mais dos eventos reais que deram origem ao filme, O Primeiro Homem faz uso de gravações reais da missão. Em algumas partes do longa, ouvimos as pessoas reais, e não os atores dentro de seus personagens.

imensidão silenciosa e bruta do espaço sideral seja ainda mais intensa pelo olhar das câmeras IMAX. Para equilibrar o distanciamento e a abordagem mais crua da chegada ao satélite natural, o

roteiro constrói uma estrutura emocional sólida para seus personagens, mas sem sentimentalismos debilóides ou exageros dramáticos. Isto transforma os conflitos do cotidiano em mais um cometimento da vida e, seguindo a proposta do diretor, mais uma pedra no árduo caminho que levou Armstrong ao espaço. Ryan Gosling refaz a parceria de sucesso com Chazelle depois de La La Land para viver o protagonista com precisão, segurando as emoções e afirmando a inexpressividade do astronauta. Claire Foy traz muita personalidade a Janet, a esposa de Armstrong, com uma presença de tela impressionante e de uma intensidade no olhar que captura o espectador, servindo como

o contraponto humano e o peso que traz a atenção de seu marido para o mundo que ele já conseguiu alcançar: seu núcleo familiar. São dois personagens diametralmente opostos, que assim como a Terra e a Lua, se distanciam e se alinham em ciclos diferentes. O resultado de O Primeiro Homem é um filme maduro e consciente de sua proposta, que em momento algum abre mão tanto do que quer falar quanto da maneira com que quer dizer. As escolhas estéticas e narrativas do diretor sustentam um longa equilibrado, enervante e envolvente, capaz de propor um olhar ao mesmo tempo intimista e distante da chegada do homem à Lua. //

NA IMAGEM, RYAN GOSLING E CLAIRE FOY COMO NEIL E JANET ARMSTRONG zint.online | 113


Os 40 anos do ícone slasher joão dicker colaboração de adan diagramação vics por

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o dia 25 de outubro de 1978 chegava aos cinemas HALLOWEEN: A NOITE DO TERROR , uma das obras mais cultuadas do cinema de terror e responsável consolidar o subgênero slasher como fenômeno de público e ciclo produtivo em Hollywood. Dirigido por John Carpenter, o longa se consagrou como o "primeiro filme do ciclo slasher" por ter lapidado e estabelecido convenções narrativas e de linguagem para filmes que beberiam de sua fonte, mesmo que ele próprio não tenha sido o pio-

neiro nestes elementos. O longa não só criou uma tendência a ser seguida quanto a estilo, estética e narrativa, mas também foi seguido por diversos cineastas e estúdios que enxergaram no enorme sucesso de bilheteria, que ultrapassou US$ 70 milhões na arrecadação mundial, um sinal lucrativo para um filme com pouco mais de US$300 mil de orçamento. Mesmo que poucos anos antes de sua estreia, alguns filmes já haviam introduzido certos elementos presentes em Halloween, como Noite do Terror ou o próprio O Massacre da Serra Elétrica, ambos de 1974, foi a obra de Carpenter que conseguiu com muito esmero entregar um filme memorável, influente e atemporal.

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POR TRÁS DA MÁSCARA Uma das principais virtudes de Halloween – A Noite do Terror, que talvez só tenha sido percebida com o passar dos anos, é justamente a carga cultural e simbólica que o longa carrega. A virada para o ciclo slasher é, talvez, um dos marcos mais interessantes dentro da trajetória histórica do cinema de horror, já que na década de 70 existe uma ruptura com os temas góticos que perduravam as produções do gênero desde os sucessos de filmes 116 |

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de monstros e criaturas dos anos 30 e 40. É justamente a partir do sucesso de Halloween que a indústria volta seus olhos para toda a conjuntura social, política e cultural em que os Estados Unidos estavam mergulhados naquela época. Desta forma, a noite de terror protagonizada por Michael Myers surge como um produto de um país com orgulho ferido e tensões sociais elevadas. Recém saído de uma derrota na Guerra do Vietnã,

governado por um presidente evangélico que falhava no comando de seu governo democrata (Jimmy Carter), além de passar por transformações sociais intensas devido ao movimento hippie e o fenômeno da contra-cultura, os EUA viviam dias de uma constante angústia e insegurança, projetadas na tela e sentidas pelo espectador. No que diz respeito aos elementos cinematográficos, Halloween: A Noite do Terror é muitíssimo inspirado nos giallos, filmes italianos que apresentavam assassinatos sangrentos, compridas cenas de perseguição antes de uma morte de fato e mulheres sensuais, tudo com uma estética mais estilizada e exagerada, beirando até mesmo o gore. Assim, na virada da década, toda a simbologia que tratava das mudanças socioculturais promovidas pelos movimentos sociais ganharam representações por meio da juventude transgressora da década de 60. Com isso, após o impacto de Michael Myers, o Ciclo Slasher traz inúmeros maníacos e assassinos que representavam a figura patriarcal conservadora e responsável por punir os jovens. Não é atoa que a grande maioria dos longas consagrados nos anos 80, como Sexta-feira 13 (1980) e A Hora do Pesadelo (1984), reinterpretam as personagens femininas sexualizadas dos giallos para casais de jovens que cedem aos valores carnais, como o sexo e o uso de drogas, sendo eles os escolhidos a morrerem primeiro nas mãos de seus assassinos. Como resultado, o slasher se tornou a grande tendência da época e conseguiu revigorar o gênero em Hollywood, principalmente devido ao baixo custo de produção, o que garantia lucros exorbitantes para


o estúdio e possibilidades de sequências da franquia (o que infelizmente, em sua maioria, se comprovaram desnecessárias). Assim como todos os ciclos bem demarcados do gênero de terror, o slasher também foi explorado até seus desgaste temático, narrativo e mercadológico, perdurando na memória dos aficionados por filmes de terror como um dos períodos mais produtivos do gênero no cinema e que, até hoje, influencia produções contemporâneas. A OBRA PRIMA DE JOHN CARPENTER Além de ser um marco na história do cinema e na cultura pop, Halloween também foi responsável pelo debut no cinema de Jamie Lee Curtis, que após o sucesso vivendo Laurie Strodes, iria se aventurar ainda em outros filmes do gênero como A Bruma Assassina, Baile de Formatura, O Trem do Terror, todos de 1980, e algumas das sequencias do filme que lhe deu o estrelado como Halloween II – O Pesadelo Continua (1981), Halloween H20:

20 Anos Depois (1998) e Halloween – Ressurreição (2002). Devido ao sucesso do personagem interpretado por ela na franquia Halloween e seus diversos papeis na área do terror, Jamie Lee Curtis acabou recebendo o título de “ultimate scream queen”, sendo homenageada e referenciada em outro filme do gênero, Pânico (1996), idealizado por Wes Craven. Apresentando uma trama sinistra, que conseguia mesclar veracidade com uma angustiante sensação de sobrenatural, somos apresentados ao nosso vilão ainda bem pequeno, no ano de 1963. Já em um marcante plano sequência, o filme nos coloca na posição de testemunha ocular de um casal que se entrelaça de forma quente e intensa. Essa figura misteriosa, envolta na escuridão, vai até a cozinha, pega uma enorme faca, sobe as escadas e assassina uma garota. Ao final da cena, descobrimos que a vítima é Judith Myers – e o seu algoz era ninguém menos que seu irmão de seis anos de idade fantasiado de palhaço, Michael Myers.

O DIRETOR JOHN CARPENTER E A ATRIZ JAMIE LEE CURTIS NO SET DE FILMAGEM DE “HALLOWEEN” zint.online | 117


Passados 15 anos, na véspera de Halloween, nosso então vilão, já crescido e agora com 21 anos de idade, escapa do hospício que estava aprisionado desde aquela fatídica noite para retornar a Haddonfield e instaurar o terror naquela noite. Assim, acompanhamos o maníaco cometendo uma série de assassinatos que o estabelecem como a mítica figura que representa o "mais puro mal em sua 118 |

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forma", em uma aparente construção de personagem que mata pelo prazer ou por um chamado oculto. Só em seguida que começa a perseguir a virgem pura Laurie Strode (Curtis) e suas amigas de comportamentos desviantes, carregando em seu encalço o Dr. Sam Loomis (Donald Pleasence), que enxerga no assassino a figura do próprio demônio e fará de tudo para prender o psicopata ou dar um fim de

uma vez por todas nele. O longa original se torna tão atemporal por diversos motivos e por vários méritos em sua produção. Primeiramente, a direção de John Carpenter é cirúrgica em como construir a atmosfera a partir do famoso feriado dos Estados Unidos, criando um clima de apreensão e potencialidade para o sobrenatural. O uso de planos mais longos e contínuos tornou a expe-


riência em filmes de terror ainda mais amedrontadora, potencializando e estendendo a duração do anseio e do temor do espectador perante o que está por vir, ao mesmo tempo que constrói com perfeição a composição de cena e o que está por vir. Tais elementos são amplificados pela ótima montagem de Charles Bornstein e Tommy Lee Wallace, que ao mesmo tempo que brincam com a potencialidade enervante da sugestão, do jogo de antecipação, permitem que os planos longos e mais contemplativos tornem o clima da cidade de Haddonfield pacato e pacífico. Um palco perfeito para a hedionda presença de Michael Myers e seus atos nefastos. A construção de Myers é também impecável, não só pelo visual amedrontador com a máscara e pelo comportamento visceral do assassino, mas também pela ótima trilha sonora do filme que pela primeira vez assegurava uma canção tema para uma figura como o antagonista, e pelo ótimo trabalho de captação sonora da respiração de Nick Castle, responsável por uma atuação que exige muito da postura e de um gestual corporal imponente. É um trabalho coeso que vai desde a criação de um personagem antológico no roteiro, assinado por Carpenter em colaboração com Debra Hill, combinado a todos os outros elementos já citados, que fazem de Halloween: A Noite do Terror um marco tão importante na história do cinema e do gênero de terror.

longa original. Agora, sob o comando de David Gordon Green, HALLOWEEN retorna as telonas propondo um anunciado – até mesmo no roteiro do novo filme – descarte de todas as películas lançadas entre o filme original e essa atualização da história terrível de Laurie e Michael Myers. A primeira vista já é possível perceber a consciência do roteiro de que, passados 40 anos desde o último encontro com

aqueles personagens, existe toda uma carga emocional e um peso consequente dos acontecimentos na fatídica noite de assassinatos. Assim, somos apresentados a uma Laurie traumatizada, sofrida e que devido as profundas consequências psicológicas e emocionais que sofreu enquanto vítima, passa a viver uma vida reclusa e solitária de constante preparo para uma possível repetição daquela noite de terror. Quan-

40 ANOS CULTIVANDO O MAL Passados 40 anos desde a estreia do clássico slasher, era de se esperar que a franquia ganharia uma sobrevida no atual contexto de uma Hollywood nostálgica e impulsionada por diversos remakes e reboots de sucesso. Apesar de o universo criado por Carpenter já ter sido explorado de diversas maneiras, nenhuma delas teve sucesso em alcançar um patamar minimamente próximo do que foi o zint.online | 119


do Myers escapa de uma transferência de unidades de instalações criminais e volta a ficar livre, somos introduzidos a uma interessante possibilidade narrativa: o reencontro de uma Laurie, agora preparada e motivada por traumas e ódio, com a figura mítica, horripilante e agora potencializada depois de 40 anos sem matar, que o maníaco de Haddonfield se tornou. O principal problema do novo Halloween é, ironicamente, a inconsistência de um roteiro que de forma contraditória sabe como explorar das suas maiores virtudes, mas ao mesmo tempo insiste em desenvolver elementos narrativos que não são interessantes e não agregam a construção

de universo da produção. Os dois supostos jornalistas investigativos/produtores de podcasts, vividos por Rhian Rees e Jefferson Hall, não só são personagens irritantes que caem no clichê vazio de "personagens burros dos filmes de terror (ruins)", mas também são claramente criados como meros artifícios narrativos preguiçosos para justificar como Michael Myers retoma sua máscara. O que garante fôlego à narrativa em seu primeiro ato é, justamente, a boa direção e domínio da câmera que David Gordon Green e o diretor de fotografia Michael Simmonds proporcionam. A forma como trabalham a figura do assassino nos espaços vazios

e na profundidade de campo, ao mesmo tempo que quando o personagem entra no plano aparece sempre desfocado, recria o senso de perigo e misticismo envolta do assassino, ao mesmo tempo que agrega tons poéticos para a interpretação de que sem a sua máscara o próprio assassino ainda não está completo. A partir do momento em que o roteiro decide focar a história na construção do reencontro entre Laurie e Myers, o longa cresce exponencialmente e passa a permitir que a carga dramática previamente existente entre essas personagens seja intensificada. Se por um lado acompanhamos o caminho sangrento e violento do assassino que

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o levarão ao clímax no terceiro ato, vemos o contraponto da relação "bicho-papão e vítima" que o filme constrói, acompanhando os efeitos emocionais e pessoais que a protagonista tem em seu dia a dia. Apesar de não ser bem desenvolvida, a dinâmica existente na família Strode acaba funcionando graças uma interessante atualização das representações de cada personagem. Enquanto Laurie é o resultado extremo dos efeitos amargos de uma vítima traumatizada, sua filha Karen (Judy Greer) é o produto de uma criação problemática e de uma relação materna pautada pelo medo, violência e métodos deturpados de demonstração de afeto. Por outro lado, a neta Alysson (Andi Matichak) é o contraponto de pureza que remete aos traços virginais da protagonista do longa de 78, funcionando como um elo com a avó não só pelas tentativas de um relacionamento propriamente conhecido, mas também como homenagem aos elementos narrativos cunhados no gênero pelo clássico de Carpenter.

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É até mesmo curioso que durante o clímax a participação de Alysson seja tão marcante e participativa de uma forma em que a personagem não é desvirtuada ao papel de donzela em perigo ou de alvo de valor da protagonista. Ao não optar por transformar a neta em um meio de Myers tirar de Laurie tudo que lhe resta, o texto do longa solidifica as motivações da protagonista como as memórias passadas dos horrores vividos quarenta anos atrás, assegurando o verdadeiro peso a jornada da personagem. Todo esse amargor, raiva, tristeza e diversos outros sentimentos negativos que consomem a humanidade de Laurie são transmitidos com perfeição por Jamie Lee Curtis, que retorna para seu principal papel em sua carreira com autoridade. A atriz é imponente e um fenômeno natural em tela, assegurando toda a força, destemor e impetuosidade a avó. Como seu contraponto, Myers também é um fenômeno demoníaco em uma missão sangrenta pelas ruas da pacata Haddonfield, que não tem sua misteriosa


e mística áurea atrapalhadas pelo irritante e descartável Dr. Sartain (Haluk Bilginer), graças ao ótimo trabalho de direção de arte e design de produção na recriação da máscara macabra do assassino, e também da direção de Gordon Green. Green é astuto e consciente na forma como trabalha a junção de planos longos, de mortes grotescas e também à sugestão de outros assassinatos que não são mostrados como marcadores da brutalidade de Michael. O comando da direção no clímax também precisa ser elogiado, devido à astúcia do diretor em subverter a posição Laurie e Myers de presa e caçador, fazendo jus à construção da personagem

feminina, ao mesmo tempo que demonstra de novas maneiras à monstruosidade e esperteza do assassino para cometer suas atrocidades. Apesar de alguns deslizes de roteiro, principalmente nos excessos narrativos em cenas de humor desconsoantes com o tom geral adotado pela produção e em personagens facilmente descartáveis, que funcionam meramente como artifícios para mover a trama, Halloween não perde o seu impacto enquanto filme de terror que atualiza uma obra marcante. Apesar de não alcançar o sucesso do clássico de 78, o que de

forma alguma é uma crítica a nova película, essa sequência na história de Laurie Strodes e Michael Myers traz novos conceitos e homenagens interessantes, que contribuem para tornar o legado de Halloween ainda mais marcante. //

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O dinamismo de Anna Kendrick e Blake Lively por

Bruna Curi

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trama central do filme UM PEQUENO FAVOR (2018) surge da mistura do inocente com o inesperado. A história do longa apresenta duas mães que se conheceram através de seus filhos, que frequentam a mesma escola, dando início a uma amizade um tanto quanto atípica. Enquanto Stephanie Smothers (Anna Kendrick) é vlogueira (seu público alvo

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são as donas de casa), hiperativa e bastante perfeccionista, a personalidade de Emily Nelson (Blake Lively) vai em uma via contrário, com a personagem sendo uma executiva sensual, sem papas na língua e que tem um ar misterioso.

Apesar de todas essas diferença, logo as duas se tornam amigas e confidentes, passando a compartilhar seus segredos mais obscuros enquanto tomam um pouco de dry martinis. Um dia, Emily resolve pedir um pequeno favor para


Para acompanhar o tom divertido e chic misterioso do filme, a trilha sonora de Um Pequeno Favor é composta de músicas francesas dos anos 60.

sua amiga, perguntando se Stephanie poderia cuidar de seu filho após a escola, já que ela ficaria presa em uma longa reunião. O que pode acontecer de errado? O problema acontece quando Emily não retorna no final do dia, de forma que Stephanie se vê obrigada a procurar por ela e descobrir o motivo de tanta demora. É, no meio dessa breve busca, que a amizade delas é colocada em cheque. Inspirado no livro homônimo de Darcey Bell, a roteirista Jessica Sharzer foi a responsável por fazer essa adaptação das páginas para as telas. Um grande acerto são os diálogos

ácidos e as contradições, uma vez que o longa mescla momentos do presente com os flashbacks de relatos dos personagens, que revelam o oposto do que dizem. Sempre que isso acontece, o público fica com a pulga atrás da orelha. Quem será que está mentindo?

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Tanto Anna Kendrick quanto Blake Lively se destacaram no quesito da atuação. Kendrick parece ter nascido para viver Stephanie, uma vez que o papel combina bastante com sua personalidade, o que traz uma grande veracidade à personagem (ela consegue fazer você querer se inscrever em seu canal no YouTube que, infelizmente, não existe). Já Lively fica simplesmente deslumbrante com o figurino, que contribuiu muito para a criação do ar misterioso e sedutor de sua personagem. Além disso, em alguns momentos, ela consegue ser hilária e ameaçadora ao mesmo tempo. O diretor de Um Pequeno Favor, Paul Feig, é conhecido popularmente por fazer filmes de comédia como A Espiã Que Sabia de Menos (2015), As Bem Armadas (2013) e Missão Madrinha de Casamento (2011). Mas, em seu atual trabalho, é possível identificar um tom sarcástico e até mesmo um pouco sombrio. Contudo, apesar de apresentar algumas características de um thriller, o diretor acaba construindo uma comédia que

A Aviation, marca de gin usada no filme, é uma companhia criada por Ryan Reynolds, marido de Blake Lively.

ri das piores situações e que consegue encontrar certa leveza. Por mais que não seja o objetivo principal de Um Pequeno Favor, a película consegue criar um diálogo com o público feminino. Por meio da relação entre Stephanie e Emily, Feig tenta abordar temas como a independência, a força feminina, a inteligência e até mesmo a autoaceitação, mesmo que isso tenha resultado na reprodução de alguns estereótipos. De uma forma geral, o longa é uma surpresa agradável que se sustenta graças as ótimas atuações de Anna Kendrick e Blake Lively, unidos a um roteiro capaz de gerar suspense no público e a maneira inesperada que a trama se desenvolve, que torna a película tão marcante. //

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BASTA UM FIO PARA QUE VENHA A MUDANÇA por

DEBORA DRUMOND

NOTA DA COLAB: O texto contém spoilers. É importante também ressaltar que, em momento algum, me coloco no lugar de fala de uma mulher negra, pois essa não é minha vivência. O movimento negro deve ser protagonizado pelos negros. Meu papel aqui é analisar o filme como produto artístico, me relacionando com ele por ser uma mulher que passou pela transição capilar, assim como a protagonista. 128 |

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À

primeira vista, Violet Jones (Sanaa Lathan) parece ser uma mulher mega empoderada. Afinal, ela tem uma carreira de sucesso, é independente, tem sua própria casa e se acha maravilhosa – a vida “perfeita”, com direito a um namorado médico gostosão. Mas nunca julgue um livro pela capa! Violet se esforçava ao máximo

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para manter sua aparência impecável e um cabelo extremamente liso, tudo culpa de sua mãe que a criou exigindo que sempre se portasse dessa maneira. Tudo ia bem: o aniversário da garota seria naquela noite e sua assistente tinha garantido que Clint (Ricky Whittle), seu namorado, escolhesse tudo conforme o gosto dela. Violet tinha visto


o que parecia ser uma caixinha com um anel de noivado no paletó dele e esperava um pedido de casamento durante a comemoração. As coisas começam a ir por água abaixo quando ela precisa ir a um salão para arrumar seu cabelo e sofre um corte químico (seu cabelo não suportou a química aplicada por engano e começa a cair). A solução é colocar uma peruca e problema resolvido!, mesmo que o sapato de salto estivesse machucando seu pé durante a festa. Percebemos que Violet foi treinada, quase que num regime militar, para nunca exibir seu belo cabelo natural ou ficar levemente desarrumada. Uma cena que exemplifica isso é quando ela acorda de madrugada, antes de Clint para passar chapinha no cabelo e se maquiar de leve, retornando para a cama e fingindo dormir. O namorado a questiona por nunca estar menos do que perfeita. Uma das cenas mais memoráveis do longa original da Netflix, Felicidade Por Um Fio, é um flashback em que a personagem é criança e está na piscina pública da cidade olhando todos seus amigos dentro d’água se divertindo. Ela não podia entrar pois revelaria seu cabelo natural

crespo – e isso seria de extrema vergonha para a sua mãe (infelizmente). Violet não resiste e pula na piscina para brincar com um menino, mas quando seu cabelo começa a armar, todas as crianças zombam dela. A mãe, ao invés de consolá-la, a puxa pelo braço, com raiva, e a leva embora. Mas agora chegou o tão esperado momento. Clint pega a caixinha e entrega a Violet. Dentro dela não tinha um anel de noivado e sim uma plaquinha em formato de osso, daquelas de colocar na coleira de cachorro. O presente da verdade era uma filhote de chiuaua. Violet não consegue esconder seu descontentamento e, ao chegar em casa, revela que esperava um pedido de casamento. O namora-

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do diz, então, que nunca conseguiria se casar com ela por ela ser tão “perfeita”. Como ela não se permitia errar, ele sentia que não a conhecia. Mais uma vez Violet sente a necessidade de mudar seu cabelo, se arriscando no loiro. Seu cabelo representava grande parte de sua vida, e como ela mesma diz no filme, é um "segundo emprego". Na tentativa de esquecer Clint, ela decide ir à balada com as amigas. Depois de beber todas e deixar o local com um dos caras mais gatos da boate, ela percebe que não quer aquilo e decide ir embora. Ao chegar em casa, a protagonista decide, em momento de desespero e tristeza, se desfazer daquilo que trouxe lhe sofrimento todos esses anos: ela pega a máquina de barbear do ex namorado e raspa o cabelo. Em meio a lágrimas e risos, Violet vive

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uma epifania e se vê livre. Ao acordar no outro dia, de ressaca, ela toma um susto ao se olhar no espelho, se sentindo feia e derrotada. Mas é aí temos uma das cenas mais lindas do filme, em que seu pai a encoraja a abraçar essa nova etapa. De início, Violet não se sente bem e esconde a careca com um lenço, mas ao encontrar um grupo de mulheres com câncer, ela se sente forte para assumir o novo visual.   É interessante observar como a personagem vai se redescobrindo durante sua transição capilar no restante da trama e começa a questionar seu próprio trabalho. Violet é uma publicitária muito bem sucedida do ramo da beleza, o que passa a incomodá-la, uma vez que todas as suas campanhas reforçavam continuamente os padrões estabelecidos pela sociedade do


ASSISTA A

FELICIDADE POR UM FIO NA NETLIX.

que é belo. Buscando por mais uma mudança, Violet pede ao seu chefe um outro tipo de campanha, se colocando no desafio de desenvolver um comercial de cerveja. A mulher, então, consegue criar um comercial diferente do tradicional, empoderando as mulheres, mas acaba perdendo para dois homens que apresentam o comercial clichê de cerveja com uma mulher “gostosona”. Insatisfeita com o resultado, a jovem se demite, sabendo que aquele lugar já não a representa mais e que ela é capaz de ir além. Felicidade Por Um Fio apresenta questões profundas como aceitação, auto-estima, negritude e discussão sobre padrões de beleza de uma forma leve. Pode parecer que é apenas mais um filme de comédia romântica de Sessão da Tarde, mas, com certeza, esse tipo de narrativa também é importante para gerar questionamentos naquelas pessoas mais fechadas ao diálogo. //

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Feministas: QUEM ELAS pensam que são? por

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NATHÁLIA CIOFFI

isponível no catálogo da Netflix desde o último dia 11 de outubro, o documentário Feministas: O Que Elas Estavam Pensando? contextualiza o movimento de emancipação feminina da década de 70 por meio de relatos atuais de ativistas da igualdade de gênero e cenas de manifestações de rua da época. Dirigido por Johanna Demetrakas, a produção é construída a partir de fotos tiradas por Cynthia MacAdams, fotógrafa e ativista dos direitos humanos, enquanto a narrativa que dispõe de relatos de personalidades do movimento feminista dos anos 1970, como a atriz Jane Fonda, que conta sobre sua trajetória no movimento e o suicídio 132 |

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de sua mãe. A fotografia de MacAdams ilustra o documentário, sendo um dos principais cenários. As imagens são de mulheres e contam muito da sua história e, somado aos relatos, dão muita emoção ao enredo. O documentário traz a tona também a questão dos direitos negados a mulher – como ela era vista na sociedade e como a educação e a cultura eram diferentes entre os homens e as mulheres. Desde adolescentes as mulheres eram submetidas às aulas de economia doméstica nas escolas, onde elas aprendiam o básico das atividades feitas pelas donas de casa


(cozinhar, lavar, passar e limpar a casa), que não era lecionado aos estudantes do gênero masculino. O documentário também explora de cenas recortadas e diálogos de filmes e propagandas antigas para ilustrar as diversas manifestações e questões envolvendo a supremacia masculina sob o corpo feminino. Exibindo a cena clássica de Os Homens Preferem As Loiras (1953), onde Lorelei Lee (Marilyn Monroe) dança ao som de Diamonds Are A Girl's Best Friend, cercada por homens em roupas de gala, reforça o estereótipo das mulheres loiras como fúteis e burras e como isso era naturalizado na época. O documentário trata com responsabilidade a questão da objetificação do corpo feminino e da questão do casamento para as mulheres. A partir dos relatos das entrevistas fica clara a noção de que o casamento era algo imposto (a mulher só seria respeitada se casasse), com muitas mulheres se casando por pressão, se tornando pessoas frustradas e deprimidas. A produção aborda e problematiza, também, a questão do sexo feminino abdicar dos sonhos, da carreira e do estudo para se tornarem mães e donas de casa, enquanto os homens eram os verdadeiros "chefes da família" – aquele que era o provedor do dinheiro, poder e tomava as decisões da casa. Ainda que totalmente submersas na sociedade machista e opressora, as mulheres comemoravam as pequenas (e lentas) vitórias, como conseguir se livrar da opressão vivida no casamento e da violência doméstica graças a ascensão do movimento feminista e da literatura feminista radical. Através da popularidade do movimento, muitas mulheres acabaram se divorciando. A luta pelo aborto seguro e legal também foi pauta dos relatos das entrevistadas, com cenas de manifestações de rua dos anos 1980 com o bordão "Nosso corpo, nosso direito" ilustrando a cena.

O documentário possui uma estrutura muito boa, fontes interessantes e relatos muito reais do cenário feminista dos anos 1970, que são potencializadas pela ótima fotografia que mantém o interesse sempre em alta. Porém, a obra peca em não aprofundar tanto as pautas como o preconceito de classe e a luta pelos direitos das mulheres trabalhadoras, que são temas fundamentais no contexto vivido por elas na década de 70. Apesar disso, Feministas: O Que Elas Estavam Pensando? deve ser contemplado pelo seu otimismo em mostrar que a luta nunca acaba e que nós mulheres devemos lutar pelos direitos das nossas irmãs do futuro. Como o próprio nome diz, "o que elas estavam pensando?" seria uma crítica à "audácia" das mulheres que enfrentaram com coragem e garra a sociedade misógina e sexista. //

ASSISTA A

FEMINISTAS NA NETLIX.

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Nossa Playlist temática da Disney.

Os 25 anos de Hocus Pocus por

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Bruna Curi

á 25 anos era lançado no Brasil o filme ABRACADABRA (1993), que se tornou um clássico mundial do Halloween. Com um elenco composto por Bette Midler, Kathy Najimy, Sarah Jessica Parker, Omri Katz, Thora Birch e Vinessa Shaw, o longa conta uma história capaz de emocionar adultos e crianças. Inicialmente, a trama

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se passa em Salem, em 1693. Lá vivem três irmãs bruxas: Winifred "Winnie" (Midler), Mary (Najimy) e Sarah Sanderson (Parker), conhecidas por atraírem

crianças até sua cabana para sugarem a alma delas e, assim, se manterem jovens. Uma dessas crianças atraídas pelas bruxas é Emily Binx (Amanda Shepherd). No meio do processo de sugar a energia vital da garota, Thackery Binx (Sean Murray), o irmão

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mais velho de Emily, tenta salvá-la, mas é impedido pelas bruxas e obrigado a vê-la morrendo. Para piorar a situação, Thackery é amaldiçoado e transformado em um gato preto imortal, como forma de punição

pelos seus atos. Quando os aldeões de Salem chegam ao local, tarde demais para salvar Emily, condenam Winnie, Mary e Sarah à forca. Porém, antes de morrer, as irmãs lançam uma maldição: elas voltariam à vida


caso um virgem acendesse a vela na chama negra no Dia de Todos os Santos (31 de outubro). Thackery, na forma de um gato, assiste tudo de longe, sem poder se comunicar com seus pais para contar tudo que aconteceu. Após está contextualização, somos transportados para trezentos anos depois, em 1993, onde conhecemos Max Dennison (Katz), um adolescente que se muda para Salem junto de seus pais e de sua irmãzinha, Dani (Birch). Ele é o típico cara da cidade, que não se adequa à vida tranquila de uma cidade pequena e muito menos é ligado à tradições, principalmente em relação ao Dia das Bruxas (para ele, a data não passa de uma grande invenção

DA ESQUERDA PRA DIREITA: AS ATRIZES NAJIMY, MIDLER E PARKER, RESPECTIVAMENTE AS IRMÃS

criada pelas empresas para vender mais doces). Apesar de não acreditar nas crenças que são contadas na escola, ele resolve explorar o Museu das Irmãs Sanderson (que fica na antiga casa delas, com vários objetos preservados), junto de sua irmã e Allisson (Shaw), uma jovem pela qual é perdidamente apaixonado. Ao mesmo tempo em que quer impressionar Allisson, Max quer provar que essas lendas de Halloween não passam de uma grande baboseira e assim acaba acendendo a vela da chama negra. Como prometido há 300 anos, Winnie, Mary e Sarah Sanderson voltam à vida, determinadas a capturar Dani e outras crianças para ficarem jovens e bonitas para sempre. Assim, dá-se início a uma verdadeira corrida contra o tempo para deter as poderosas bruxas. E, para esta tarefa, Max, Dani e Allisson vão contar com a ajuda de Thackery Binx, especialista nos pontos fortes e fracos das irmãs Sanderson. Não só isso, o mundo moderno

MARY, WINIE E SARAH SANDERSON.

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DA ESQUERDA PRA DIREITA: OS PERSONAGENS ALLISSON, DANI E MAX, INTERPRETADO PELOS ATORES SHAW, BIRCH E KATZ, RESPECTIVAMENTE.

também é um fator positivo para o quarteto, uma vez que as bruxas desconhecem as tecnologias (e costumes) do século XX. Por mais que sejam muito poderosas e perigosas, o anos de 1993 vai ser um obstáculo para as Sanderson colocarem seu plano maléfico em ação. Ao longo da noite, elas conseguem se meter em muita confusão, principalmente por ser noite de Halloween. As 136 |

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irmãs confundem uma rua asfaltada com um rio profundo, bombeiros com caçadores de bruxas, não entendem o motivo das crianças estarem fantasiadas e ainda fazem amizade com um homem vestido de capeta, que elas pensam se tratar do diabo em pessoa. Dirigido por Kenny Ortega, o filme se consagrou como um clássico

do Halloween (aqui no Brasil, há alguns anos, ele sempre era exibido nessa época pelo canal a cabo Disney Channel), trazendo uma mistura da temática um pouco assustadora e um filme de pura diversão. Boa parte da comédia do longa ficou a cargo do trio de bruxas, que apresentavam personalidades bem diferentes e contrastantes. Winnie é a mais malvada das três, mas nem sempre seus planos


funcionam. Enquanto isso, Sarah é mais divertida e um pouco sedutora, apesar de bastante atrapalhada. Já Mary, é a mais cômica do grupo, além de ser bastante inocente. Abracadabra é um filme para todas as idades, visto que ao mesmo tempo em que encanta as crianças, também apresenta algumas referências mais adultas, como Madonna e o Conde Drácula, além de possuir uma trilha sonora icônica que conta com a memorável sequência com I Put Spell On You, música de Screamin' Jay Hawkins imortalizada por Nina Simone. Independente do tempo que se passe, Abracadabra continua sendo um dos maiores longas do Dia das Bruxas.

NOW THE WITCH IS BACK Todo mundo que assistiu ao longa na Sessão da Tarde ou por meio do Disney Channel já deve ter sonhado com uma sequência de Abracadabra. E, depois de 25 anos de espera, a história vai ganhar uma continuação! Recentemente, a Disney anunciou o lançamento do livro Hocus Pocus & The All-New Sequel (“Abracadabra e uma Nova Sequência”, em tradução livre), contando duas novas histórias. A primeira delas é referente ao filme, e a outra se passa após alguns anos e mostra Max e Alisson casados, com uma filha adolescente chamada Poppy. A premissa da trama indica que a família terá de enfrentar novamente as irmãs Sanderson. Além disso, a Disney também anunciou uma refilmagem para a TV, ainda sem previsão de estreia. //

O NÚMERO MUSICAL “I PUT A SPELL ON YOU” É UMA DAS CENAS MAIS MEMORÁVEIS E ENGRAÇADAS DO FILME (POSSIVELMENTE, A MAIS RELEMBRADA DE TODAS)

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INDICAÇÕES

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Clás s i c os da Disney Já que no dia 12 de Outubro é comemorado o Dia das Crianças, não há melhor para celebrar a data do que rever alguns filmes da Disney consagrados por marcar a infância de várias pessoas. Confira então algumas animações para assistir. // TEXTO bruna curi // Diagramação vics

Nossa Playlist temática da Disney.

» a pequena sereia O longa conta a história de Ariel (Jodi Benson), a filha caçula do Rei Tritão (Kenneth Mars), o comandante dos sete mares. A pequena sereia tem um comportamento rebelde e volta e meia desobedece às ordens de seu pai. Fascinada com os humanos e suas criações, ela acaba se apaixonando pelo príncipe Eric (Christopher Daniel Barnes), após salvá-lo de um naufrágio. Desta forma, Ariel  segue sua vibrante vontade de conhecer melhor o mundo da superfície e seu amado, levando-a, então, a firmar um pacto com Úrsula (Pat Carroll), uma bruxa que por meio de um feitiço dá as tão sonhadas pernas humanas para a sereia, mas sem lhe avisar do alto preço a ser pago por isso. 140|

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» A bela e a fera Um dos maiores clássicos da animação de todos os tempos, A Bela e a Fera conta a história de Belle (Paige O’Hara) uma jovem que mora junto de seu pai, Maurice (Rex Everhart), em uma pequena aldeia na França. Em um certo dia, Mauricie sai para participar de uma feira de invenções, mas se perde na floresta e é atacado por lobos, buscando abrigo em um velho castelo abandonado, mas que na verdade é o lar de uma terrível Fera (Robby Benson). Ao descobrir que seu pai desapareceu, Belle parte em busca dele e, ao chegar no castelo, sela um acordo com a Fera: se seu pai fosse libertado, ela ficaria lá para sempre. Por mais que pareça ser um acordo terrível, os “moradores” do castelo ficam animados com a possibilidade de ter Belle por lá, já que acham que ela é a pessoa certa para quebrar o feitiço que foi lançado neles.

» Pocahontas A trama do filme começa com um navio partindo da Inglaterra com o objetivo de descobrir o novo mundo, e a bordo dele está o governador Ratcliff (David Ogden Stiers) e alguns tripulantes ansiosos por aventuras, como é o caso de John Smith (Mel Gibson). Ao chegarem no território para ser explorado, John decide se aventurar um pouco pelas matas e é assim que ele conhece Pocahontas (Irene Bedard), uma bela índia por quem se apaixona. Apesar das diferenças culturais existentes entre eles, os dois se tornam bastante próximos, inclusive Pocahontas o ensina um pouco sobre sua terra, sobre o respeito pela natureza e pelos os animais. Porém, um conflito entre os ingleses e os índios é capaz de colocar essa relação em risco.


» O CORCUNDA DE NOTRE DAME A trama da história se passa em Paris, onde vive Quasímodo (Tom Hulce). Ele é o sineiro da famosa catedral de Notre Dame, onde passou boa parte de sua vida enclausurado nos interiores da igreja, uma vez que é corcunda e considerado muito feio, sendo capaz de assustar as pessoas. Porém, tudo muda quando Quasímodo decide sair da catedral para participar do Festival dos Tolos, onde conhece Esmeralda (Demi Moore), uma belíssima cigana. Logo ele se apaixona por ela, mas para que algo ocorra entre os dois, ele precisa enfrentar o poderoso juiz Claude Frollo (Tony Jay) e o guarda Febo (Kevin Kline).

» MULAN Inspirado em uma antiga lenda chinesa, o filme começa com os mongóis invadindo a China. Dessa forma, o Imperador (Pat Morita) decreta que cada homem de cada família deve lutar ao lado do exército imperial. É nesse momento, em que a jovem Mulan (Ming-Na Wen/Lea Salonga) se revolta, uma vez que seu pai que está doente é convocado para lutar. Apesar de saber muito bem a importância das tradições, ela resolve se infiltrar no exército para tentar salvar seu pai. Ela rouba a armadura dele, corta o cabelo e se disfarça de homem. Para ninguém desconfiar de seu plano, Mulan conta com a ajuda de Mushu (Eddie Murphy), um dragão que é enviado por seus ancestrais para protegê-la. Juntos, dos dois embarcam em uma missão para salvar a China.


» REI LEÃO 2 O filme se passa um tempo depois dos acontecimentos de Rei Leão (1994) e a trama foca na vida de Kiara (Neve Campbell), filha de Simba (Matthew Broderick) e Nala (Moira Kelly). Kiara é uma leoa de espírito livre, que não gosta de seguir as regras de seu pai, sempre encontrando um modo de se meter em alguma aventura.Certo dia, ela explora uma terra que não faz parte dos limites do reino, onde ficam alguns leões exilados. Lá ela conhece Kovu (James Earl Jones), outro filhote de leão e juntos eles se aventuram enquanto fogem de alguns crocodilos, mas devido a rivalidade entre suas famílias é impossível manter uma amizade entre eles. Anos mais tarde Kiara e Kovu se reencontram novamente e juntos trabalham para colocar fim numa rivalidade histórica.

» IRMÃO URSO Sitka (D.B. Sweeney), Denahi (Jason Raize) e Kenai (Joaquin Phoenix), são irmãos e bastante unidos, sempre fazendo tudo juntos. Porém, as coisas mudam quando Sitka é morto por um urso. Dessa forma, Kenai, que é muito impulsivo, decide caçar o urso que matou seu irmão como forma de vingança. Ele consegue concretizar o seu plano, mas é amaldiçoado pelos espírito e é transformado em um urso, e assim passa a ver tudo sob a perspectiva dos animais. Logo, ele faz amizade um jovem urso, Koda (Jeremy Suarez) e junto os dois se unem em uma jornada divertida e um tanto perigosa.


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a revista possui suas próprias playlists temáticas, fruto das matérias que produzimos. ao todo, são 39 listas, que você pode usufruir e escutá-las pelo Deezer, Spotify e Youtube!


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ZINT ⋅ Edição #17: O Mundo Sombrio de Sabrina  

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