ZELO 46

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46ª Edição - Ano XIV - R$ 20,00 revistazelo.com.br

Poder

Primeira-dama Gracinha Caiado fala à Zelo sobre sua trajetória e obras sociais que tem realizado

Decoração

CasaCor propõe retorno às origens ao buscar na terra e na ancestralidade equilíbrio entre passado e futuro

Cultura

Artista plástico Juliano Morais comenta sobre sua infância, carreira e linha artística






SUMÁRIO

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Urbano Com mais de 50 parques espalhados pela cidade e centenas de áreas verdes, Goiânia está entre as cidades mais arborizadas do País

Perfil Comemorando 40 anos de EBM, empresário Elbio Moreira revela

trajetória e planos para o futuro da incorporadora

Mostra CasaCor Goiás reuniu

profissionais para apresentarem sua Casa Original, em uma verdadeira volta às origens

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Comportamento Especialistas explicam como a

passagem do tempo foi modificada em decorrência do momento em que vivemos

Cultura Em entrevista, goiano Juliano Morais fala sobre arte, o interesse pelo assunto na infância e seu fascínio pela imensidão do universo

Goianidade Fotografado na CasaCor Goiás, as marcas Naya Violeta e Thear Vestuário são as estrelas do editorial deste número

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ZELO

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Responsabilidade Em exclusiva à Zelo, Gracinha Caiado compartilha ações pelas quais tem lutado enquanto primeira-dama do Estado

Gourmet Ícone da culinária japonesa, chef Jun Sakamoto aterriza

com seu estrelado restaurante em terras goianas

Viagem Reunimos alguns dos mais

interessantes destinos no Brasil e no mundo para você ficar por dentro do “turismo de isolamento”


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ZELO

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DIRETORA EDITORIAL Rosângela Motta DIRETORA EXECUTIVA Ângela Motta EDITORA Hannah Motta REPORTAGEM Alexandre Parrode Ana Cláudia Rocha Elizeth Araújo Lucas Pereira Sara Luiza Tati Fernandes Victor Lisita Matheus Cruvinel

ROSÂNGELA MOTTA

ÂNGELA MOTTA

HANNAH MOTTA

tempo, tempo, tempo

FOTOGRAFIA André Cywinski Cristiano Borges Edgar César Fábio Lima João Carlos Lucas Panobianco Paulo José DIAGRAMAÇÃO Gabriel Evan Borba TRATAMENTO DE IMAGENS Joãozimar Oliveira REVISÃO Fátima Tolêdo JORNALISTA RESPONSÁVEL Astero Motta (JP - 2233) ZELO EM BRASÍLIA Kell Motta (61) 9 9915 5115 IMPRESSÃO Formato Mota Editora Ltda CNPJ 02.589.924/0001-09 Telefone: (62) 3259 6510 / (62) 98501 0333 www.revistazelo.com.br redacao@revistazelo.com.br Rua C-148 esq. C-136, Qd 304, Lt 12 Nº 868 - CEP: 74.250-010 Jardim América - Goiânia-GO A Revista Zelo não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nas colunas e artigos assinados por seus colaboradores e não tem vínculo empregatício com os mesmos.

CAPA

NATHÁLIA QUEIROZ USA PANTALONA THEAR. FOTOGRAFIA DE JOÃO AUGUSTO OLIVEIRA, ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA ARIANA LETÍCIA, STYLING MARCOS QUEYROZ, ASSISTENTE DE STYLING LEANDRA NISHIMOTO, BEAUTY JOÃO PEDRO MENDONÇA E PRODUÇÃO EXECUTIVA WANESSA CRUZ

Nesta edição, batemos na tecla do tempo. Você tem a sensação de que o tempo está passando mais devagar ultimamente? Ou seria o contrário? Para alguns, o ano está lento demais; para outros, voando. Na Zelo 46, especialistas explicam que vários fatores, como emoções, cotidiano, sentidos e expectativas, influenciam na forma como sentimos a passagem do tempo. E por falar nele, que tal reservar um momento para conhecer os parques de Goiânia? Muitas vezes, a rotina exaustiva impossibilita o goianiense de perceber as áreas verdes da nossa Capital, que são oásis dentro de uma vida urbana caótica. E quem abrilhanta ainda mais as nossas páginas é a primeira-dama do Estado de Goiás, Gracinha Caiado, advogada e produtora rural, casada com o governador Ronaldo Caiado, mãe de duas filhas, que nos contou que, assim como o tempo, o poder é passageiro: “O que fica é o resultado de mudar a vida das pessoas para melhor.” Quem também tem o tempo a seu favor é o empresário Elbio Moreira, que comemora os 40 anos da EBM. Ele faz questão de renovar o compromisso com colaboradores, parceiros e clientes. “Cremos no prazer de fazer bem-feito. Por isso, a gente quer fazer a cada dia melhor”, diz. Em nossas páginas também está o artista plástico Juliano de Morais, representante do movimento contemporâneo em Goiás. Ele relembra o interesse pelo assunto na infância, comenta sobre a carreira, seu fascínio pela vastidão do mundo e fala sobre sua linha criativa. Aqui, você também confere o caminho traçado pela goiana Aline Guedes, gerente de Marketing do Grupo Flamboyant, que acompanha a velocidade do mundo. Ela se reinventa, aprende, segue a linguagem de cada público. Conversamos ainda com a assessora de casamentos goiana Gabriela Baleeiro, que falou sobre a sua paixão pelo universo de eventos e a responsabilidade de se dedicar a transformar sonhos em realidade. O turismo de isolamento também ganha destaque por aqui. Dos campings às residências de luxo, passando pelas viagens ecológicas, turistas têm buscado opções nas quais o distanciamento social seja uma escolha e não um esforço. Na seção Casa Zelo, apresentamos o especial CasaCor Goiás 2021, que este ano tem como tema “A Casa Original”, trazendo uma série de reflexões, sobretudo pelo desejo de retorno às origens, de buscar a ancestralidade, de valorizar as histórias e o equilíbrio entre o passado e o futuro. Afinal, viver a casa e senti-la foi o que mais fizemos nos últimos meses. Ainda no mood CasaCor, levamos o nosso editorial para a mostra de decoração, com produções de marcas goianas que vêm contando boas narrativas na moda nacional. Porque, no final, o que vale são as histórias que deixamos ao longo da vida. Como escreveu Quintana ao fim do poema O Tempo: “Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.” E assim a Zelo segue, focada em trazer boa leitura para também fazer parte do seu tempo. Vamos juntos? ROSÂNGELA MOTTA



Colaboradores

LUCAS PEREIRA

@outlucas

MATHEUS CRUVINEL

@mathcruvinel

JORNALISTA

JORNALISTA

KELL MOTTA @kelldamotta FOTÓGRAFA

SARA LUÍZA

@saraluizaa

JORNALISTA

GABRIEL EVAN

VICTOR LISITA

@evanborba DESIGNER GRÁFICO

@lisitavictor JORNALISTA

ANA CLÁUDIA ROCHA

ASTERO MOTTA @asterofontenelle JORNALISTA

@anacrocha64 JORNALISTA

ELIZETH ARAÚJO

@elizetharaujo

CRISTIANO BORGES

@cristianoborgesphoto

JORNALISTA

TATI FERNANDES

@tatifernandesr

JORNALISTA

JOÃO CARLOS @joaocarlos84 FOTÓGRAFO

FOTÓGRAFO

ALEXANDRE PARODE

@alexanddreparrode

JORNALISTA

FÁTIMA TOLÊDO @mfatimatoledo03 REVISORA

PEDRO MOTA

COMUNICAÇÃO

@peeedromota DIGITAL

JOÃOZIMAR OLIVEIRA

@estudiojoaooliveira

TRATAMENTO DE IMAGEM

EQUIPE EDITORIAL DE MODA FOTOS: JOÃO AUGUSTO PRODUÇÃO EXECUTIVA: WANESSA CRUZ BEAUTY: JOÃO PEDRO ASSISTENTE DE STYLING: LEANDRA NISHIMOTO STYLING: MARCOS QUEYROZ MODELO: NATHÁLIA QUEIROZ ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA: ARIANA LETÍCIA

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COLECIONAR ARTE

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colecionismo é a prática que as pessoas têm de guardar, organizar, selecionar, trocar e expor diversos itens por categoria, em função de seus interesses pessoais. Em todo o mundo, milhões de colecionadores organizam as mais diversas coleções de objetos.” Wikipedia falou, quem sou eu para discordar? E a conceituação no site de busca não para por aí; tem subdefinições. Aí é que entra a parte interessante, quando decupamos a palavra e seu conceito. Quando levamos para o campo das artes, o tema adquire uma dimensão colossal. Não apenas do ponto de vista teórico, do que é ou deixa de ser. Mas também da possibilidade da dilatação dessa premissa de reunir itens por algum motivo, seja por afeto, por prestígio, por conhecimento ou mero hábito. Agrupar coisas semelhantes sempre conferiu à humanidade uma sensação de ordem, de bem-estar. Veja o exemplo do estímulo do colecionismo nas crianças, conduzindo-as ao lugar lúdico de pertencimento, de identidade, para garotos e garotas ostentarem seus itens de coleção, suas figurinhas, seus bonés, suas bonecas, seus carrinhos... Como é bom compartilhar essa experiência com outro aficionado do mesmo tema! A questão que acomete muitos é quase uma ideia geral de como pode ser possível colecionar um item tão caro. Acontece que o valor da arte não está relacionado à frieza de quanto custa em dinheiro de forma

comparativa com outros itens, mas com a importância que esse item pode ou não ter na sua vida. Para os que são capazes de pagar muito em itens eleitos (por motivos vários), sugiro procurar compreender de uma vez por todas, sem o questionamento usual, o quão necessário pode ser possuir ou consumir peças de arte para determinadas pessoas. Aqui evocaríamos o conceito de arte, mas nenhum deles coloca a arte no lugar de elemento utilitário, portanto, não cabe comparativos com outros objetos ou ideias menos abstratos. Cabe sim o respeito, o reconhecimento, a informação. Arte vale e pronto, não cabe questionamento. Sobre valer mais ou menos, isso é com os profissionais das artes: artistas, professores, curadores, galeristas, diretores de instituições culturais, marchands, colecionadores. E mesmo eles poderão devolver a abstração como resposta. Isso não quer dizer que o produto artístico não pode ser aferido ou avaliado para que se estabeleça valor. Claro que há formas objetivas e subjetivas de precificar arte. Mas também há, para esses profissionais mencionados, a responsabilidade com o aspecto umbrátil do tema. Tem-se que levar em consideração até as definições de uso do objeto de arte questionado. Voltando ao colecionismo, a sugestão é, após a definição do tamanho da importância da arte em sua vida, estabelecer de início algumas mínimas regras, que podem ser

SANDRO TÔRRES ARTISTA VISUAL E MESTRE EM HISTÓRIA

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FOTO: ARQUIVO PESSOAL

A ARTE DE

de ordem organizacional ou apenas afetiva. Por exemplo, a religião tem espaço relevante em sua vida? Dê às peças com esse tema a ênfase que merecem. Outro exemplo: é um grande admirador das obras com técnicas e suportes tradicionais? Escolha-os, destaque-os e agrupe-os. Uma premissa de coleção é o quantitativo, portanto, deve-se ter por onde começar. Eleger o tipo de característica que terá sua coleção é uma preocupação para um segundo momento. Não sei quantos estágios existem na prática do colecionismo, mas posso afirmar que o prazer aumenta à medida que sobe de fase. Sobre o título do texto “A arte de colecionar arte”, colecionar com critério e denodo, a ponto de tornar evidente o senso de harmonia e/ ou artístico, chega a ser uma forma de manifestação prática da estética. Usa-se a palavra arte para expressar ênfase sobre alguma ação ou resultado plástico considerado bem-sucedido ou destacado. Ou seja, algo diretamente associado ao belo ou às habilidades técnicas é, para o senso comum, algo artístico. Não é uma total inverdade, mas não pode jamais resumir o conceito. Veja pelo lado bom: não há momento certo para iniciar uma coleção de arte. O que sabemos que há é um mundo de possibilidades para ser explorado e uma indescritível sensação de bem-estar para ser vivida. Um conselho que talvez Oscar Wilde ratificasse: resista a tudo, menos à tentação de ter arte!


E X T R A O R D I N A R Y

Rua Rio Quente Qd. C-4 Alphaville Flamboyant, Goiânia - GO

@rildolasmar rildolasmar.com.br

Foto: André Cywinski

A COR E O DESIGN DEFINEM A FORÇA DE UM SORRISO


Qual é o seu movimento? FOTO: DAVID HOFMANN/UNSPLASH

"Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? Amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar?" Amar, Carlos Drummond de Andrade

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or INÉRCIA, eu continuava naquele MOVIMENTO.” Pesquei essa frase de uma analisante. Anotei na agenda e, mais tarde, no mesmo dia da sessão, ela me pediu que lhe enviasse para que pudesse pensar mais sobre o que havia dito. É. O inconsciente escapa por diferentes vias, mas nem sempre a pessoa consegue pescar. Mas, voltando à frase, é verdade: parece esquisito a princípio – por que motivo as palavras inércia e movimento estão juntas? Se inércia é, por definição, uma ausência de movimento, como é que por inércia se continua em movimento? Só uma análise mesmo para dar conta disso. Disso que a linguística já nos falava sobre, que são as palavras antitéticas. Antitético é o oposto. São antitéticas as palavras alto e baixo, por exemplo. E tem mais: ao estudar a língua egípcia primitiva, o filólogo Karl Abel mostrou que existiam vários vocábulos com duas significações, uma delas o oposto da outra. Além disso, os sentidos opostos não se excluem – um existe

em relação ao outro. Só dá para saber que alguém é alto porque há um outro baixo. Sendo assim, os opostos estão em nós, no nosso inconsciente, que é estruturado como uma linguagem, e nas formações que ele produz. O pai da psicanálise, Sigmund Freud, apostou ter observado isso nos sonhos e escreveu sobre o assunto no texto Sobre o sentido antitético das palavras primitivas, dizendo que quando sonhamos existe uma preferência por combinar os contrários em uma coisa só. Ele ficou bem satisfeito ao conhecer os estudos de Abel, mas muito se debateu essa questão desde aquela época – com argumentos contra e a favor da tese. Fato é que pensamos e significamos o mundo de forma contrastante. Os poetas que o digam. A contradição naquilo que sentem ganha o escrito e nos toca porque fala de nós. Vamos amar e malamar, amar e desamar, como diz Drummond. Então, quando a civilização exige de nós coerência, é justamente isso o que não

temos para dar. Daí a gente se estranha (“Não estou me entendendo!”) ou se acha esquisito, porque o contraditório aparece. Como a analisante que, por inércia, continuava naquele movimento. O que ela queria dizer, afinal? Seria “eu ando (ou pelo menos acredito estar andando), gasto uma energia danada nisso, pareço estar fazendo o oposto do que fazia antes, mas no fim das contas não saio da mesma posição”? Então, isso significaria que onde a pessoa parece estar em movimento, em deslocamento, existe apenas uma repetição, uma fixidez? Dar conta de ouvir o seu inconsciente, do jeito que ele conseguir aparecer na vida, é um movimento verdadeiro – ou seja, ser curioso por si mesmo já torna possível ir a um novo lugar. Não é coisa simples de se fazer, porque o novo assusta, mas quando o incômodo anda insuportável e o estranhamento causa um mal-estar constante, talvez seja chegada a hora de se permitir sair da repetição e usar uma pele que se renova para estar no mundo.

LUCIENE GODOY E VALÉRIA BELÉM LUCIENE GODOY É PSICANALISTA, PESQUISADORA E ESCRITORA; VALÉRIA BELÉM É PSICANALISTA, ESCRITORA E JORNALISTA

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SEM ESSA DE ACHAR QUE VOCÊ PODE TUDO.

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ASSÉDIO É CRIME DEIXEM AS MULHERES TRABALHAREM EM PAZ! A MENSAGEM FORA DE HORÁRIO, COM CANTADAS INAPROPRIADAS, É IMPORTUNAÇÃO SEXUAL.

A PREFEITURA DE GOIÂNIA ATUA NA PREVENÇÃO E NO COMBATE AO ASSÉDIO NO AMBIENTE DE TRABALHO. DESSA FORMA REPUDIA ESSE COMPORTAMENTO. INVESTIGA TODAS AS DENÚNCIAS E ENCAMINHA PARA DELEGACIA OS CASOS CONFIRMADOS; ALÉM DE DAR TOTAL APOIO ÀS VÍTIMAS.

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Design Biofílico tem sido muito citado e utilizado nos últimos tempos. O termo Biophilia (bio: natureza, philia: amor) foi popularizado em 1984 pelo biólogo Edward Osborne Wilson, que explora a hipótese de que existe uma necessidade inconsciente do homem em relação à natureza. Sabemos desse anseio. Buscamos pela natureza em nossos cotidianos ou simplesmente para fugir da rotina urbana, buscamos o ar fresco do campo, as águas geladas das cachoeiras, os pés na areia da praia, paisagens paradisíacas, ou optamos por ter plantas em casa. O que talvez não seja tão observado é como essa interação é importante para o corpo humano. O Design Biofílico é uma resposta da Arquitetura e do Design para intervenções nos espaços. Não se trata simplesmente de inserir vegetações, plantas ou materiais naturais. Vai além da sustentabilidade, pois abrange questões comportamentais. Também ultrapassa a reparação estética, já que responde a uma dependência física, intelectual e cognitiva das pessoas. Até a década de 1950, só um terço da

população mundial habitava as cidades. Apenas a partir de 2007 é que a maioria da população passou a ocupar os ambientes urbanos. Vemos as pessoas focadas na produtividade, extremamente pressionadas por desempenho e com cargas horárias pesadas. A sociedade do século XXI já é conhecida como a “sociedade do cansaço” e o nosso habitat de ambientes construídos faz com que olhemos cada vez menos para os ambientes naturais. Em agosto de 2021, o IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), das Nações Unidas, publicou seu 6º Relatório de avaliação de mudanças climáticas, em que os cientistas trouxeram mais evidências do que nunca sobre a responsabilidade humana pelo aquecimento global. Temos agora um planeta alterado e menos estável. Outros dados, como os da Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam que o Brasil é o país que apresenta maior prevalência de depressão na América Latina e de ansiedade no mundo. O que descobrimos com frequência é que nossas cidades e subúrbios foram concebidos de uma forma que nos aliena da natureza, além de de-

ANNA CAROLINA CRUZ ARQUITETA E URBANISTA, É CONSELHEIRA DO CAU/GO

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gradar o meio ambiente. Fatores que têm piorado significativamente com a Covid-19, pois resultam em estresse crônico, isolamento social, ambientes desagradáveis, deterioração física, jornadas intermináveis, trabalho remoto etc. Ambientes que tenham conexão com a natureza são indispensáveis no atual período pandêmico, pois são uma forma de projetar buscando melhorias físicas, emocionais, psicológicas e cognitivas. Tudo isso é biofilia. Mas ela é mais que uma prática projetual. Trata sobre preservação e busca por metodologias para uma conexão efetiva entre homem e natureza. Para nós, arquitetos urbanistas, não há dúvidas de que os espaços influenciam diretamente o comportamento, as emoções e a vida das pessoas. Assim, inspirados pelas premissas do Design Biofílico, acreditamos em estratégias de projetos que estejam diretamente alinhadas às demandas da população para melhorias nas cidades e nas edificações. Mas sabemos que a Arquitetura, o Urbanismo e o Design por si só não são suficientes para combater os impactos já instaurados. Para isso, as soluções deverão ser coletivas e multidisciplinares.

FOTO: AUGUSTO MIRANDA/MTUR/ REPRODUÇÃO/ FLICKR

O impacto do Design Biofílico na vida das pessoas


S.O.S.CERIMÔNIA ALEXANDRE LOZI alexandre@grupolozi.com.br

FOTO: IACOB HITICAS/UNSPLASH

Terno x Costume Por serem peças bastante utilizadas em ocasiões que pedem um pouco mais de requinte, acabam sendo tratadas como sinônimos, então vamos às diferenças. Começando pelo terno, que, como o próprio nome já adianta, é composto por três peças: paletó, colete e calça. O colete gera um pouco mais de formalidade ao traje e deve ser usado em eventos sociais de mais requinte. Geralmente os noivos optam pelo terno. Já o costume inclui calça e paletó, o que o torna mais casual, e cabe tanto em eventos de traje passeio como passeio completo. Quer mais elegância à sua imagem?

FOTO: JONATHAN BORBA/UNSPLASH

Experiência sensorial

As lembrancinhas das festas de casamento são um charme indispensável para agradecer a presença dos convidados. É interessante que esse presente possa ser útil para as pessoas que irão recebê-lo e, por isso, novas tendências estão sempre surgindo. Atualmente, algumas delas são: presentear os convidados com mudinhas de plantas ou flores, artesanatos para decoração de ambientes e, até mesmo, as tradicionais lembrancinhas comestíveis, mas sem deixar de lado um toque especial e personalizado, ou seja, que lembre o evento.

FOTO: JONATHAN BORBA/UNSPLASH

FOTO: MUSIC HQ/UNSPLASH

Como estamos em um período com poucos eventos, mais do que nunca, é importante que sua celebração se destaque, prendendo a atenção dos convidados. Isso é possível quando se proporciona experiências originais e singulares. A chave está em promover eventos que possibilitem experiências multissensoriais, envolvendo os cinco sentidos: paladar, olfato, visão, audição e tato. É possível apostar em decorações que utilizem textura, combinações de cores que atraiam o olhar, aromas que resgatam lembranças ou trilhas sonoras que estimulem certas emoções. Ah, e o paladar fica por conta de um menu de comidas e bebidas bem elaborado!

Lembrancinhas e mimos

Corporativo Acrescentar uma atração de entretenimento ao seu evento é uma ótima decisão para agradar os seus convidados e quebrar um pouco o clima formal, como uma maneira de agradecer e retribuir a presença de todos. Esse pode ser um toque agradável para proporcionar leveza e harmonia ao seu evento corporativo. 17 ZELO


PARAHOMENS

FOTOS: REPRODUÇÃO

LUCAS PEREIRA outlucasp@gmail.com

Ivy Park x Adidas

FOTO: MATHEUS ORNELLAS

A mulher não para! Beyoncé lançou recentemente sua coleção-cápsula com a Adidas, intitulada Rodeo. Com uma vibe cowboy fashionista, as peças foram inspiradas na infância da Queen B no Texas, com o propósito de celebrar a história dos cowboys e cowgirls negros. Entre estampas, franjas, calças e shorts jeans e conjuntos de moletom monocromáticos, destaque para o tênis da Ivy Park Rodeo, no modelo chunky, com sola tratorada e as clássicas listras da marca. As opções são em branco com azul e um nude. Outro modelo é o Ultraboost, em tom de laranja e azulmarinho. Difícil escolher um só!

Um ano de Squad

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A goiana Squad For Men, lançada por Diego Oliveira e Vanderlan Dias, celebra seu primeiro aniversário rompendo barreiras. A grife tem conquistado público em todo o Brasil e até em outros países. Com diversas linhas de sungas, carro-chefe da marca, a Squad lançou uma coleção de conjuntos, shorts e regatas, com a mesma pegada despojada e estilosa. Com uma essência colorida e irreverente, as peças aliam excelência, conforto e um visual inigualável. “É uma sensação muito gratificante de reconhecimento e ao mesmo tempo entusiasmo para inovar ainda mais. Para o nosso segundo ano, o plano é expandir, sempre investindo em diferenciais como a nossa produção 100% própria e um atendimento humanizado mais próximo do cliente”, afirmam os sócios. Para conferir, basta acessar o site squadformen.com.br ou @squadformen no Instagram.

Atemporal e indispensável, essa é a bolsa Nine, da Misci. Uma peça que não é de homem e nem de mulher, é de gente, como a própria loja caracteriza. Pequena e bem estruturada, aliando design retilíneo e curvo, ela é essencial para guardar itens do cotidiano com personalidade. Ela conta com forro em camurça, bolso fole com logo cliche em baixo relevo e zíper interno. Ainda possui alça de mão e acompanha outra removível, podendo ser usada no ombro ou transpassada. Confira no site: misci.co e no perfil da loja no Instagram: @misci__.

+ conforto + estilo Não é à toa que a Zerezes é conhecida como a ótica do futuro. O catálogo traz os óculos, de grau e de sol, mais estilosos que se pode imaginar e oferece opções para todos os perfis, propostas e diferentes tamanhos de rostos, com as medidas bem detalhadas. São peças de visual incomparável, com qualidade e preços que cabem no bolso. E a Zerezes ainda destina 10% dos lucros anuais para pessoas com deficiência visual. Para conferir, o site é o zerezes.com.br e o perfil no Instagram é @zerezes.



urbano

Um respiro de ar puro em meio ao caos Considerado um dos municípios mais arborizados do País, Goiânia tem mais de 50 parques e centenas de áreas verdes. Relação do goianiense com esses locais passa pela história, estilo de vida e paisagismo

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FOTO: FÁBIO LIMA

LOCALIZADO NO SETOR BUENO, O PARQUE VACA BRAVA É UM DOS MAIS TRADICIONAIS DE GOIÂNIA. DURANTE OS FINS DE SEMANA, ABRIGA FAMÍLIAS QUE QUEREM APROVEITAR UM PEDACINHO DA NATUREZA


Sara Luiza

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uitas vezes, a rotina exaustiva do dia a dia, a correria para entrega de demandas e trabalhos dentro do prazo e até mesmo a intensa vida digital impossibilitam o goianiense de perceber um pedaço da nossa Capital que é referência em todo o Brasil e que é um oásis dentro de uma vida urbana caótica: os parques e áreas verdes distribuídos por toda a cidade. Segundo informações da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), existem 54 parques e bosques em toda a área de Goiânia, sem contar as 192 áreas verdes contabilizadas por toda a extensão do município. E por mais que passem despercebidos para alguns, esses espaços fazem parte do estilo de vida goianiense, seja ao praticar exercícios físicos nas pistas de corrida ou estruturas de ginástica montadas, ou para piqueniques com familiares e amigos em um fim de semana, encontros românticos, ou para simplesmente sair da rotina, relaxar e aproveitar todo o meio natural proporcionado pelas áreas verdes. Segundo a arquiteta, urbanista, doutora em Geografia e presidente da Associação para Recuperação e Conservação do Ambiente (Arca), Maria Ester de Souza, dentro da questão urbanística, os parques seriam um “lugar de respiro” nas cidades, principalmente em áreas urbanas com temperaturas elevadas e de baixa umidade como Goiânia. É onde o cidadão tem a oportunidade de sair de uma casa apertada ou ensolarada para respirar um ar fresco e puro. Já do ponto de vista da paisagem, segundo Maria Ester, ao andar em uma cidade, seja de ônibus, carro, a pé, ou até mesmo sobrevoando, e se deparar ao longo do trajeto com “uma massa verde e um espaço livre sem barreiras, sem paredes, um local de lazer... torna a nossa qualidade de vida menos sofrida, árida ou pesada”. A arquiteta e paisagista Yara Hasegawa, responsável por grandes projetos de paisagismo e revitalização de espaços considera que vivências e lembranças criadas nos bairros, parques e praças são fundamentais para o desenvolvimento do ser humano e transformam a relação das pessoas com os bairros e cidades. “Os espaços públicos mais agradáveis, normalmente, estão em lugares abertos e verdes para convivência, que servem não só apenas como conforto físico, mas também emocional. Essa sensação se dá pelo fato de serem ao ar livre. Com a pandemia, nós percebemos a força desses espaços. As pessoas ficaram com a circulação restrita e procuraram por esse tipo de ambiente para um respiro, um refresco, para

EM 2019, O JARDIM BOTÂNICO PASSOU POR REVITALIZAÇÃO, QUANDO AS ESTRUTURAS DO PÍER, ANFITEATRO, BORBOLETÁRIO E VIVEIRO FORAM RECUPERADAS

a criação de novas memórias", afirma ela. RELAÇÕES Para o presidente da Amma, Luan Alves, os goianienses têm uma relação forte com as áreas verdes que fazem parte da paisagem urbana. “A gente percebe que os parques passaram a ser uma parte importante da rotina, do dia a dia das pessoas, e várias delas escolhem celebrar aniversários e casamentos nessas unidades, justamente por essa importância”, afirma. Segundo Alves, a implantação das unidades de conservação e parques reforça a criação de vínculos entre esses lugares e a comunidade local, revertida em proteção e cuidado. “Por exemplo, temos locais em que antes a área verde era vista pelos moradores como uma área para o descarte clandestino de lixo. Depois da implantação do parque, ela passa a ser vista como patrimônio e a comunidade passa a cuidar do local”, comenta. Ele ainda afirma que a Prefeitura de Goiânia tem buscado aliar a preservação das áreas verdes com espaços de promoção da qualidade de vida, do lazer e da sociabilização. Em relação à preservação e manutenção dos parques urbanos, o presidente diz que elas são feitas de acordo com cronograma 22 ZELO

estabelecido pela agência, que leva em conta as necessidades de cada espaço, o seu tempo de implantação e o estado de conservação dos seus equipamentos públicos. HISTÓRIA Mas a relação do goianiense com seus parques, e o fato de a cidade ser altamente arborizada, não acontece por acaso. Em seu projeto urbanístico para a Capital, em 1933, Attilio Corrêa Lima já apresentava as áreas demarcadas para serem parques ou reservas florestais da futura cidade. Porém, o planejamento era de uma área muito maior do que temos hoje. De acordo com a doutora e professora de Arquitetura Lana Jubé, o projeto original era generoso em relação às áreas verdes, chegando a um total de 34% de toda área delimitada para a nova Capital. “Hoje a gente tem muito aquém disso, e o Atílio já previa que essa área ia diminuir dentro do projeto de urbanização. Mas essa redução previa que ela chegasse ao mínimo de 25%, que era o que preconizava os preceitos de uma cidade que estava se opondo já naquele momento a uma cidade densamente ocupada. Então era previsto que reduzisse, mas não na proporção que se reduziu”, comenta.


FOTO: PAULO JOSÉ

FOTO: PAULO JOSÉ

NO CORAÇÃO DO CENTRO DA CIDADE, O BOSQUE DOS BURITIS POSSUI LAGOAS E CASCATAS, ALÉM DE TRILHAS E PISTAS DE CAMINHADA FOTO: FÁBIO LIMA

FOTO: PAULO JOSÉ

A CAPITAL GOIANA CONTA HOJE COM 192 ÁREAS VERDES, SENDO 54 PARQUES E BOSQUES, QUE ABRIGAM A FAUNA E FLORA DO CERRADO

NOS PARQUES, É POSSÍVEL AVISTAR DIVERSAS ESPÉCIES DE AVES DO NOSSO BIOMA, COMO AS GARÇAS BRANCAS

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FOTO: JAVARDH/UNSPLASH

comportamento

Distorções do Tempo Às vezes temos a sensação de que a passagem dos dias e horas está lenta demais. Em outros momentos, de que tudo passou em um piscar de olhos. Por que isso acontece? Especialistas explicam por que temos essa percepção e a participação da pandemia neste processo


Matheus Cruvinel

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mentos de perigo, de medo, exigem atenção e tempo de resposta – e mora aí a alteração da nossa percepção do tempo. MEDO DA PANDEMIA Para o psiquiatra Frederico Urzêda, membro-sócio da Associação Brasileira de Psiquiatria em Goiás, a maioria se sente dessa forma por sequela das restrições da pandemia: estão em home office, não podem comemorar datas e nem planejar viagens. Como isso pouco acontece e o cenário não se modifica, o tempo parece que não se moveu.

“O tempo, uma das únicas certezas da vida, pode ser bem incerto. A percepção é diferente para cada pessoa.” A memória também tem uma influência significativa nesse processo. Quanto mais estímulos, menos foco teremos para registrar as coisas ao nosso redor. “Quando mais atribulados, mais dificuldade temos para memorizar. Nosso cérebro está realizando uma tarefa pensando na seguinte. Mas quando, por algum motivo, estamos em estado de ócio, de falta de movimento – como na pandemia –, esse efeito é oposto”, explica Frederico.

“Nós nunca prestamos tanta atenção em algo como agora. Vivenciamos uma situação inusitada, com uma quantidade verborrágica de informações sendo despejadas em nossas cabeças todos os dias. E o problema não é só esse: tivemos que lidar com o luto, com pessoas adoecidas e com uma situação constante de incertezas. A falta de perspectivas nos fez sentir paralisados no tempo”, esclarece o psiquiatra. Ele adverte que a alteração dessa percepção também pode ser um sintoma de algum transtorno mental. “A dificuldade de enxergar a realidade como ela é pode ser fruto de uma alteração na sensopercepção do paciente. Registramos o tempo através dos nossos sentidos: olfato, visão, audição; se o cérebro não consegue codificar corretamente esses estímulos – gerando uma real distorção da assimilação do tempo –, isso pode ser causado por um transtorno: como a esquizofrenia, que causa alucinações visuais e auditivas”, explica Urzêda. Esse diagnóstico, é claro, é apenas uma das possibilidades. No entendimento do psiquiatra de Goiânia, a interpretação subjetiva do tempo é uma das propriedades mais curiosas do cérebro humano. “Compreender esse mecanismo nos mostra que o tempo, uma das únicas certezas da vida, pode ser bem incerto. A percepção é diferente para cada pessoa.”

FOTO: JON TYSON/UNSPLASH

ocê tem sentido que o tempo está passando mais devagar ultimamente? Por mais que nosso relógio não mude, a sensação de que ele está passando mais rápido ou mais lentamente é uma queixa comum em nossa sociedade atual. Neste momento em que vivemos – com as regras de distanciamento social e o enfrentamento à Covid-19 –, a realidade parece se mover contra o desejo de todos: engatinhando, ao invés de correr. Vários estudos já comprovam esse efeito. Um deles, feito pela Universidade Liverpool John Moores, na Inglaterra, constatou que 80% dos voluntários sentiram alguma distorção na passagem das horas durante a quarentena. Na Universidade de Delaware, nos Estados Unidos, o psicólogo Philip Gable realizou um estudo certificando os impactos do estado emocional na percepção temporal. E a realidade é o que já suspeitávamos: os momentos ruins passam devagar, e os bons, depressa. Quem vivenciou algum acidente de carro sabe que o tempo parece desacelerar, como em um filme. Enquanto um dia de trabalho produtivo ou uma tarde divertida dedicada ao lazer parece passar em minutos. O americano clarifica que as emoções e motivações estão interligadas, e que elas “nos obrigam” a agir de certa forma, sempre com foco em nossa sobrevivência. Mo-

A CRISE SANITÁRIA ATUAL NOS FEZ PRESTAR MAIS ATENÇÃO DO QUE NUNCA AO TEMPO. “E O PROBLEMA NÃO É SÓ ESSE: TIVEMOS QUE LIDAR COM O LUTO, COM PESSOAS ADOECIDAS E COM UMA SITUAÇÃO CONSTANTE DE INCERTEZAS. A FALTA DE PERSPECTIVAS NOS FEZ SENTIR PARALISADOS NO TEMPO”, ESCLARECE O PSIQUIATRA FREDERICO URZÊDA


FOTO: JORDAN-BENTON/PEXELS

COM O FIM DAS NOSSAS ROTINAS NORMAIS, COM HORÁRIOS BEM ESTABELECIDOS DE ENTRADA, ALMOÇO, E SAÍDA DO TRABALHO, DIAS ÚTEIS BEM DEFINIDOS, E O INÍCIO DO HOME OFFICE DEVIDO À PANDEMIA, OS DIAS E HORAS PARECEM SE MISTURAR

Mas como podemos conseguir tomar controle do nosso tempo? Ou pelo menos da percepção dele? De acordo com o psicólogo e presidente do Conselho Regional de Psicologia (CRP) em Goiás, Wadson Arantes Gama, o primeiro passo é entender o seu caso. “A forma como o sujeito desenvolve a sua vida é determinante para a nossa percepção. Uma pessoa que possui habilidades suficientes para lidar com seus desafios, por exemplo, tende a sentir o tempo acelerado. Nós estamos vivendo um momento em que, se não tivermos cuidado, agiremos de forma automática. Precisamos criar metas para a vida ter um sentido de caminhada. Só assim veremos o tempo passar apropriadamente”, aconselha o psicólogo. Ele alerta que as restrições impostas pela pandemia também são fundamentais para entender esse processo. “O tempo sempre acompanha o espaço, e vice-versa. E esse é um tópico muito confuso durante a quarentena, principalmente pelo fator do trabalho remoto. Antes você tinha uma rotina: acordava cedo, fazia café, enfren-

tava o trânsito e conversava com os colegas do trabalho. Hoje, você trabalha, estuda e se diverte em casa. Às vezes os três ao mesmo tempo, e com a mesma roupa. Essas questões podem levar a esse desvio da nossa percepção.” A melhor forma de fugir dessa distorção é gerenciando nosso “Cronos”. Para o presidente do CRP, o autoconhecimento é fundamental para isso. Com planos bem definidos, conseguimos estabelecer nossas prioridades e, a partir delas, descobrir nossos ‘detratores’ (hábitos que sugam nosso tempo e concentração), e controlá-los. COMO UM BORRÃO Wadson Arantes também afirma que é importante compreender a diferença entre os dois tipos de tempo: o Cronos e o Kairós. Cronos é o tempo quantificado, ordenado pelo relógio, onde às horas sucedem-se os dias e a esses os meses e os anos. Na mitologia grega – fonte do nome –, Cronos era o Deus do Tempo, representado como um velho tirano e cheio de crueldade, que ditava aos mortais o que deveria ser feito. Ao seu lado estava Kairós, o deus da oportunidade, 26 ZELO

do momento adequado e oportuno. Kairós é o tempo que não é ditado pelas regras do Cronos e, portanto, não pode ser cronometrado. Ele simplesmente acontece, e sem qualquer previsibilidade. Na mitologia, Kairós é retratado como um jovem quase calvo, com uma agilidade sem igual, com asas nos ombros e nos calcanhares. Tão rápido que só é possível detê-lo agarrando-o pelos poucos cabelos e o encarando de frente. Porém, se ele passasse e você não conseguisse pegá-lo, nada o traria de volta. E devido a sua velocidade, percebê-lo não é uma tarefa fácil. Percebe a riqueza da metáfora? Vivemos sob essas duas regras: a do relógio, com o poder tirânico de sua passagem, e o da oportunidade – do tempo subjetivo, correto. É por isso que quando nos lembramos do passado, e de todas as oportunidades e momentos que deixamos de aproveitar, sentimos que o tempo passou rápido demais e que não conseguimos aproveitá-lo. Porque ele é como Kairós: rápido como um borrão. Na religião cristã, o tempo Kairós é chamado de “tempo de Deus”, enquanto o Cronos é o “tempo do homem”.


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FOTOS: CRISTIANO BORGES

competência

Herança altruísta SOBRE SEU TRABALHO ENQUANTO PRIMEIRA-DAMA, GRACINHA É PRECISA: “O QUE VAI FICAR DESSES QUATRO ANOS É SE EU PUDER VOLTAR NOS LUGARES DE CABEÇA ERGUIDA, COM DIGNIDADE”


“O poder é passageiro. O que fica é o resultado de mudar a vida das pessoas para melhor.” É assim que Gracinha Caiado vê o momento em que vive. Em entrevista exclusiva à Zelo, a primeiradama do Estado de Goiás compartilha as ações sociais pelas quais tem lutado Elizeth Araújo Uma baiana apaixonada por Goiás, o coração do Brasil. Assim se autodefine Gracinha Carvalho Caiado, ou simplesmente Dona Gracinha. Advogada e produtora rural, casada com o governador Ronaldo Caiado e mãe de duas filhas. Mas a maior paixão da atual primeira-dama de Goiás é ajudar as pessoas mais vulneráveis. Por isso, ela reuniu três estruturas voltadas à proteção social no governo estadual. Criou o Gabinete de Políticas Sociais e tem fortalecido a Secretaria Estadual de Serviço Social (SED’s) e a Organização das Voluntárias de Goiás (OVG). “Isso fortalece a primeira-dama?” Ela responde: “Fortalece uma política de Estado de oferecer oportunidades para as pessoas vulneráveis.” Além das três estruturas, Dona Gracinha apostou na integração de todas as pastas do governo com a área social. “A vulnerabilidade se trabalha com todas as áreas”, diz ao lembrar que também está unida a todos os Poderes, Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça e órgãos de controle do Estado. O resultado desse trabalho pode ser conferido nos números alcançados pelos programas sociais implantados na atual gestão. “Quando acabar esse mandato, eu quero olhar para trás e dizer que valeu a pena! Que esse ano está melhor que o ano passado, que está melhor que o ano anterior e que as pessoas realmente tiveram melhoras na vida delas. Isso é o que vai valer a pena!” Confira nesta entrevista. Revista Zelo – Quem é dona Gracinha? Dona Gracinha – Sou Gracinha Carvalho Caiado, apaixonada por Ronaldo Caiado e pelas minhas filhas, Maria e Marcela. Apaixonada por pessoas. Sou uma pessoa simples e quando eu entro para trabalhar, em qualquer coisa que eu faça, eu faço com paixão e determinação. Hoje meu marido está governador de Goiás e eu estou primeira-dama. Daqui um ano e quatro meses encerra-se o mandato dele. Digo todos os dias que o mandato e o poder são passageiros. O que eu peço às minhas filhas é que nunca levem isso com vaidade, mas, sim, como o trabalho que o pai delas faz, com consciência e por amor a Goiás.

Revista Zelo – A senhora está falando de um propósito. De ajudar as pessoas. Herdou isso de alguém ou construiu? Dona Gracinha – Com certeza, herdei do meu pai e da minha mãe. Até vou contar um caso aqui. Quando eu tinha 14 anos, o meu pai me disse uma coisa que eu nunca me esqueci. Ele era uma pessoa muito viajada. Rodou o mundo todo. Eu lembro que há 40 anos ele foi à Rússia, Arábia Saudita e outros países. Ele era apaixonado pela Inglaterra. Eu tive a oportunidade de estudar em um colégio bem bacana na Inglaterra, mas, quando voltamos, meu pai disse: “Agora você vai voltar para a fazenda, para a sua realidade. Vai ver as pessoas que precisam, porque aquilo ali foi só um aprendizado e o que eu quero deixar para os meus filhos é eles saberem conviver com realidades e pessoas

"Estar primeira-dama do Estado de Goiás é um aprendizado, uma oportunidade de ajudar mais pessoas" diferentes e ajudar as mais humildes.” E foi assim. Eu trago isso comigo. Na minha cabeça, estar primeira-dama do Estado de Goiás é um aprendizado, uma oportunidade de ajudar mais pessoas. Todos os dias, quando me lembro do meu pai, penso se aprovaria meu trabalho. Eu tenho certeza de que sim, e isso me deixa feliz. Revista Zelo – Foi o pai da senhora que inspirou criar o intercâmbio no Programa Aprendiz do Futuro? Dona Gracinha – Sim. E também vamos receber alunos de outros países que vivem em vulnerabilidade. É uma nova oportunidade para esses alunos, que vão ter também um acompanhamento em Português e Matemática. Sabemos das dificuldades desses alunos para que eles realmente possam ter oportunidade do Primeiro Emprego quando saírem dali. E o que dá essa oportunidade é a aprendizagem e o aprendizado. Eu tenho certeza de que, para essas crianças e jovens que vivem em situação de vulnerabilidade, o 29 ZELO

que falta é exatamente a oportunidade. Revista Zelo – O setor social chegou a ser marginalizado em Goiás. Como surgiu a ideia de reunir três estruturas de rede de proteção social? Dona Gracinha – Eu não consigo ver nenhuma área atuando sozinha. Por exemplo, é a educação que traz dignidade, independência e oportunidades. Só que, quando falamos em vulnerabilidade, é muito maior que isso. A gente fala em saúde, fala em habitação, renda, esporte, lazer, energia elétrica, água e comida. Enfim, tudo o que o ser humano precisa para viver com a mínima dignidade. A partir desta reflexão é que foi criado o Gabinete de Políticas Sociais, do qual sou coordenadora. Junto com o GPS, atuam a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sed’s) e Organização das Voluntárias de Goiás (OVG). Trabalhamos com o Cadastro Único do governo federal, pois é nele que estão as pessoas em vulnerabilidade. Usamos o Índice Multidimensional de Carência das famílias, baseado nas Nações Unidas. Já chegamos aos 246 municípios. Eu optei por ir primeiro nos municípios mais carentes. E qual a primeira cidade? A mais carente, que era exatamente o município de Cavalcante, no Nordeste Goiano. Revista Zelo – Foi justamente em Cavalcante que a senhora se encantou pelos Kalungas. O que a levou a se dedicar a essa comunidade? Dona Gracinha – É uma comunidade maravilhosa. Uma das maiores comunidades quilombolas do Brasil. Eu vi que aquele povo estava totalmente esquecido, sofrendo violências domésticas, sem água, sem luz, sem banheiro, sem casa, sem escola. Os meninos sentados em latas embaixo de uma árvore para assistirem aula, com toda determinação. Isso mexeu demais comigo. Encontrar uma pessoa que faz hemodiálise, que tem diabetes e não tem onde guardar sua insulina porque não tem geladeira. Foram histórias assim que ouvi e vi. Nós já conseguimos levar energia, água, sala de aula e benefícios em várias áreas. Quando a energia chegou, um senhor, que acendeu a luz pela primeira


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Aqui no Brasil, tem-se o hábito de medir a pobreza pela renda, mas nas Nações Unidas não é assim. A pobreza é medida na habitação, educação, saúde e outros parâmetros.

vez, chorou de alegria. São cenas que nos fazem chorar, mas nos fazem concluir que vale a pena esse trabalho. Agora, o próximo passo são as casas, pois muitos deles ainda vivem em casas de palha, de adobe, com um índice muito grande de barbeiros [mosquito transmissor da doença de Chagas], exatamente pela desproteção. Revista Zelo – Qual seria a diferença do Mães de Goiás para outros programas de transferência de renda? Dona Gracinha – O Mães de Goiás é um programa que atende mães que têm filhos de 0 a 6 anos. Por quê? Porque essas crianças estão fora da escola. Essas crianças muitas vezes não têm nem o alimento. Então, quando nós fizemos um recorte no Cadastro Único, chegamos a 96 mil mães em extrema vulnerabilidade, sem saber como alimentar essa criança nessa idade. Eu sei que nós vamos chegar a mais de 100 mil mães. No dia 9 de setembro, iniciamos a entrega desses cartões. Quando eu digo transferência de renda... O Bolsa Família, por exemplo, eu não considero uma vitória

quando você aumenta o número de pessoas no Bolsa Família. A vitória é quando você tira essas pessoas do Bolsa Família para terem sua própria renda.

E aí nós criamos o Goiás Social, que é exatamente esse projeto. O dia que nós fizemos as primeiras entregas, eu chorei também. Eu não conseguia parar de chorar.

Revista Zelo – É a famosa porta de saída? Dona Gracinha – Sim, mas é preciso lembrar que há outras coisas além da renda. Aqui no Brasil, tem-se o hábito de medir a pobreza pela renda, mas nas Nações Unidas não é assim. A pobreza é medida na habitação, educação, saúde e outros parâmetros. Então, dentro desses critérios, fizemos um recorte das casas no Risco Cinco. Habitação você tem o zero, um, dois, três, quatro e cinco, e o risco cinco são aquelas que não têm nada. Não têm banheiro na casa, não têm piso. Todas as vezes que vou em alguma cidade, eu faço questão de visitar as casas em risco cinco. E eu sempre vejo se o nosso levantamento condiz com a realidade. E condiz. As pessoas muitas vezes têm o terreno, têm a casa e não querem sair porque vivem em sua comunidade, no seu cantinho. Só que não têm dinheiro para fazer um banheiro.

Revista Zelo – Qual é a essência do Goiás Social? É um programa muito grande. Dona Gracinha – Ele é um programa bem audacioso. É enorme, porque tem todas as secretarias envolvidas e a primeira entrada é pela Organização das Voluntárias de Goiás (OVG), com os analistas de campo. Eu quero aqui agradecer a todos os secretários e suas equipes por essa integração. As famílias são selecionadas pelo Cadastro Único e com um questionário bem completo identificamos sua situação social e econômica. Muitas vezes vemos telhado caindo, casa sem piso, sem fogão, sem nada. Então, o questionário nos ajuda a identificar a prioridade daquela família. Entregamos a casa pronta, instalação elétrica, hidráulica, pintura e telhado. Não é um programa fácil. Ele reúne Agehab, Sebrae, Senar, a Secretaria da Retomada, a Secretaria da Agricultura, a Secretaria de Desen-

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volvimento Social, Secretaria de Segurança Pública. Então, muitas pessoas recebem seu documento de identidade, resolvem seu problema na saúde, fazem capacitação e acessam o Crédito Social. A alegria das pessoas é imensa. Revista Zelo – Como nasceu a ideia do Crédito Social? Dona Gracinha – Nestas minhas visitas, na primeira casa que eu entrei, no município de Americano do Brasil, uma moça falou: “Não, eu não quero mais fazer curso de capacitação. Eu já fiz um curso no Sebrae de cabeleireira, mas eu não tenho dinheiro nem pra comprar um secador. Foi a primeira cidade que o Goiás Social entrou e foi em decorrência disso que o programa até atrasou um pouco. Não havia achado aquela situação justa e fomos providenciar linhas de crédito. A Assembleia Legislativa aprovou por unanimidade e quero aqui agradecer a todos os deputados parceiros. O governo, sozinho, não faz nada. Sem eles, eu não teria essa aprovação, a aprovação do Aprendiz do Futuro, do Mães de Goiás e do Crédito Social. Hoje a confeiteira pode comprar seu forno, a psicultora pode comprar o tanque-rede, os alevinos, para criar peixes.

Metropolitana. Hoje são 21, oito do Estado e 21 conveniados, com mais de 1.200 UTIs. Esses hospitais vão garantir os atendimentos qualificados à população nas sequelas da Covid-19 e de outras doenças. Revista Zelo – A senhora é uma pessoa religiosa. Como está a relação com Deus neste momento? Dona Gracinha – Deus está comigo em todos os momentos da minha vida. É com fé que a gente consegue fazer qualquer coisa na vida. Eu não consigo ver ninguém que possa fazer algo na vida sem fé em Deus. Então eu, meu marido, minhas filhas, a gente faz nossas orações juntos e pedimos sabedoria. Fé é tudo, sem fé eu não estaria nem aqui sentada com você agora dando essa entrevista.

Revista Zelo – Que legado a senhora quer deixar? Dona Gracinha – Me perguntam muito que legado eu quero deixar. Não sei se eu usaria a palavra legado. Eu acho muito forte para uma pessoa pequena como eu. Um governo pode muito, mas não pode tudo, mas, onde a minha vista alcançar, vou estender minha mão. Eu me vejo aprendendo todos os dias. Eu quero deixar a vida das pessoas melhor, fazer a diferença usando o campo social na vida delas. O que vai ficar desses quatro anos é se eu puder voltar nos lugares de cabeça erguida, com dignidade, poder olhar para trás e dizer que esse tempo que ficamos aqui valeu a pena. Que valeu a pena ter feito um trabalho pelo social no Estado e ter ajudado muitas pessoas.

Revista Zelo – Que caminho a senhora enxerga no pós-pandemia? Dona Gracinha – Não existe outro caminho que não a vacinação. Algumas pessoas têm resistência a se vacinar e eu peço a elas que, por favor, se vacinem! O que todos nós queremos em Goiás, no Brasil e no mundo é nos vermos livres dessa pandemia e não existe outro caminho que não seja a vacinação. Infelizmente, por onde esse vírus passa, ele deixa sequelas. Vivemos uma guerra onde o inimigo é invisível, mas não desistimos de lutar contra ele. Revista Zelo – Qual o momento mais difícil na pandemia? Dona Gracinha – Sem dúvidas, foi o fechamento do comércio. Em meados de março de 2020, me lembro que eu estava angustiada com a situação e falei com o Ronaldo que as pessoas não concordavam em fechar o comércio. E ele me disse: “Gracinha, eu tenho que ajudar! Nós não temos UTI em Goiás. Se eu deixar com que essas pessoas se contaminem pelo Estado, elas vão morrer. Só temos a ‘ambulancioterapia’ para as pessoas chegarem até aqui.” Ele relatou o que aconteceu em Manaus, que ficou sem oxigênio. Nós tínhamos apenas 200 leitos de UTI, três hospitais estaduais aqui na Região

ENTRE AS GRANDES PAIXÕES DA PRIMEIRA-DAMA, GRACINHA CAIADO, ESTÃO SEUS CÃES

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negócios

PRAZER DE FAZER BEM-FEITO 32 ZELO


FOTO: EDGARD SOARES

Em entrevista à Zelo, o empresário Elbio Moreira comemora os 40 anos da EBM e revela planos para o futuro da companhia Allan David

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uando o empresário Elbio Moreira coloca sua Harley-Davidson na estrada, o vento no rosto leva embora o estresse e a sensação de liberdade refrigera a mente. Ele volta para Goiânia renovado. Está cheio de ideias para compartilhar com a equipe na EBM Desenvolvimento Imobiliário. A empresa acaba de completar 40 anos no mercado nacional, e tem na figura do seu fundador, o próprio Elbio, a reputação de construir pelo “prazer de fazer bem-feito”. Mesmo com 2,7 milhões de metros quadrados construídos pela EBM ao longo de quatro décadas, Elbio está convicto de que há espaço para realizar mais. “O melhor empreendimento sempre será o meu próximo”, brinca o empresário. Empreendedor nato, como ele se autodefine, sabe combinar gratidão e ambição. Numa escala já mastodôntica, a soma dos metros quadrados edificados pela EBM equivale a uma área maior, por exemplo, do que o território de Palmas, capital do Tocantins. Enquanto Elbio viaja de moto, joga tênis ou se exercita na academia, ele aproveita para pensar nos próximos passos da EBM. A joint-venture, que hoje atua na incorporação, na gestão de propriedades para fins comerciais e em loteamentos, quer agora ampliar suas operações no mercado imobiliário do Estado de São Paulo. Elbio explica que, com o aumento na demanda por imóveis novos durante a pandemia de Covid-19 e consequentes quedas nas taxas de juros, “o momento está bem propício ao financiamento bancário”. O presidente da EBM avalia que a empresa está pronta para intensificar as atividades no disputado mercado paulista. De acordo com Elbio Moreira, as dificuldades enfrentadas pela companhia nos seus primeiros 20 anos de operação, sobretudo na década de 1980, a prepararam para se adaptar rapidamente a mudanças. É o diferencial que, na avaliação do empreendedor, justifica a longevidade e competitividade da empresa. “Os primeiros 20 anos da empresa foram muito conturbados, com inflação de 80% ao mês no Brasil, várias trocas de moeda, confisco da poupança e seguidos 33 ZELO

planos econômicos. Mas a gente sempre soube sobreviver trabalhando com diferentes tipos de produtos e procurando atuar em outras praças, sempre no intuito de crescer”, relembra. Além de Goiás, a incorporadora já construiu e entregou empreendimentos no Distrito Federal, em Salvador (BA) e no Estado de São Paulo, tanto na capital quanto no interior. E foi ainda mais longe com o braço da companhia para venda de terrenos em loteamentos. Os negócios da empresa nessa área atravessaram as divisas do Estado para chegar também a Fortaleza (CE), Bahia e municípios do interior fluminense. Aos 66 anos, o empresário lembra de quando saiu de Goiânia para estudar em São Paulo, onde foi recrutado pela antiga Encol ainda recém-formado. Permaneceu na companhia por três anos, até surgir a oportunidade de atuar pela construtora na sua cidade natal. Voltou à capital goiana e não saiu mais. Elbio deixou os quadros da Encol para abrir sua própria incorporadora. A história mostra que ele estava certo na decisão. “Esse negócio de ser empreendedor é muito nato. A gente sempre quer fazer mais; esse é o DNA do empreendedor. Criei a EBM justamente pela ânsia de ser mais ativo, de querer construir e participar mais”, acrescenta. De 1981 para cá, já são 40 anos de história. Muitas oportunidades criadas, famílias empoderadas, trajetórias sendo percorridas. Têm colaboradores da empresa que caminham com Elbio desde o início, há quatro décadas. Muitos outros, segundo ele reconhece, também ajudaram na consolidação da companhia. Hoje, conforme números da empresa, a EBM gera cerca de 800 empregos diretos e mais 2 mil indiretos. A EBM tem mais de 165 empreendimentos no portfólio. Para Elbio Moreira, não é o suficiente. Ele se diz um eterno insatisfeito e, por isso, quer conduzir o seu negócio a patamares ainda mais elevados. Nesses 40 anos da companhia, faz questão de renovar o compromisso com colaboradores, parceiros e clientes. “Cremos no prazer de fazer bem-feito. Por isso, a gente quer fazer a cada dia melhor”, arremata.


cultura

O incrivelmente vasto mundo da arte de Juliano Moraes

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FOTO: MARTA BELKOT

“POR MAIS QUE EU SEJA UM ARTISTA CONCEITUALISTA, EU GOSTO DE MANTER O ENIGMA DOS MEUS TRABALHOS NO HORIZONTE. O QUE EU FAÇO É UM ENIGMA PARA MIM MESMO”, EXPLICA JULIANO MORAES SOBRE SUA ARTE


Representante do movimento contemporâneo em Goiás, o artista plástico relembra interesse pelo assunto na infância, comenta sobre a carreira, seu fascínio pela imensidão do universo e sua linha criativa, que alia o conceitualismo com uma observação intuitiva: o fruto do fazer Lucas Pereira

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história de um garotinho tão fascinado pela imensidão do mundo que começa a preenchê-lo com cores, formas e sentimentos com a sua arte. Essa poderia ser uma forma de apresentar Juliano Moraes, 59, artista plástico e professor da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás (UFG). No entanto, nada na história de vida, carreira e nas suas criações parece poder ser resumido, limitado, sintetizado. A visão do artista é macro, é de uma sensibilidade que avista o longe e, mais do que isso, o sente para ressignificá-lo. “Eu me tornei artista compulsoriamente, nunca pensei em ser artista. Eu sonhava mesmo em ser astrônomo, físico, cientista. Só depois de mais velho eu compreendi que o que me interessava era a vastidão, o incrivelmente vasto. E, através da arte, eu poderia lidar com isso”, conjectura. Ele conta que o interesse por arte surgiu muito cedo. A primeira influência partiu de

um vizinho que trabalhava com Publicidade e foi quem lhe ensinou a desenhar. “Eu fiquei fascinado aos dez anos. Então, eu pedia para ele me ensinar, eu rabiscava no chão, buscava telhas e tintas xadrezes”, relembra. Foi uma amiga da mãe que alertou que o

"A arte era uma brincadeira que eu fazia no fundo de casa, uma rebeldia, uma provação" menino tinha talento. Ele começou, então, a frequentar um curso no Museu de Arte de Goiânia (MAG), no Bosque dos Buritis, com a arte-educadora Ivone Lira, onde ficou até os seus 17 anos, quando entrou para a faculdade. “Eram várias técnicas, aulas com giz pastel, tinta guache, desenho de obser-

vação. Era uma grande escola de formação para crianças e adolescentes”, afirma. Foi também na adolescência que conheceu outros artistas da sua geração, como Marcelo Solá e Patrícia Ferreira. “E aí a arte se tornou irreversível na minha vida”, conta. Seu primeiro prêmio veio aos 18 anos, durante a Segunda Bienal de Goiás. “Ela foi muito emblemática para mim e acho que para a história da arte. Ela foi um marco para a instalação da arte contemporânea em Goiás, que era muito modernista. Havia alguns artistas que a retratavam, mas pontualmente. Foi um período em que surgiu uma turma muito nova, composta por nós. Um bando de meninos com uma linguagem muito diferente. Nós queríamos um frescor da arte contemporânea, da cultura pop, da urbanidade. Chegamos questionando bastante o termo de ‘goianidade’ e propondo uma nova perspectiva”, lembra. Juliano também conta que a premiaFOTO: DIVULGAÇÃO

A ESCULTURA CORRIMÃO INFINITO, EM MADEIRA, FAZ PARTE DA EXPOSIÇÃO CONTRARQUITETURA, INSTALADA NO MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA DE GOIÁS (MAC-GO)

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FOTOS: DIVULGAÇÃO

ção na Bienal ainda o marcou pessoalmente, como um aval, uma coroação enquanto artista. “A arte era uma brincadeira que eu fazia no fundo de casa, uma rebeldia, uma provocação. E, naquele momento, foi como se a partir dali eu fosse realmente um artista. Foi como uma chancela, o momento de decidir o que eu queria para a minha vida”, relembra. “Significou um momento de me pensar definitivamente como um artista”, complementa. O CONCEITUAL E O INCONSCIENTE “Por mais que eu seja um artista conceitualista, eu gosto de manter o enigma dos meus trabalhos no horizonte. O que eu faço é um enigma para mim mesmo. Eu vou produzindo e começo a olhar o que eu faço para depois entender”, diz. Ele declara que a natureza entra na sua arte como uma discussão acerca da paisagem. “Quando eu comecei a produzir esculturas e ocupar espaços, eu pensava em chapas pretas, que eram uma espécie de anulação do espaço, de desenho. Dali eu comecei a perceber uma ideia de paisagem. A natureza entra como uma matéria, algo vivo que se transforma com o tempo. É muito mais uma percepção do tempo e da transformação das coisas”, analisa. Juliano também explica que ao longo do tempo, produzindo, olhando e pensando, aprendendo com os seus próprios trabalhos, começou a ver que havia uma ideia que atravessava a tudo. “Aquilo tinha algo da paisagem de Goiás, do sertão, daquele laconismo, do horizonte profundo e do vazio da própria paisagem. Algo que entrava em mim, atravessava e tinha um rebatimento social de uma ideia de sertão enquanto estranho. E isso é uma percepção que me vem depois de anos. Então, existe natureza [nas obras], mas é uma questão de vida, de pensar novas formas de vida a partir desse ignoto simbólico que é Goiás. A ideia de natureza é um processo de subjetivação, de conhecimento desse mundo”, conjectura. Sobre o seu processo criativo, ele explica que não tem um ritual propriamente dito. “Eu crio assistindo televisão, conversando com as pessoas, caminhando pela rua. Um artista está o tempo inteiro criando.” Juliano conta que tem um processo que ele chama de comum. “Eu me sinto muito livre para criar, para burlar a minha própria ideia de estilo. O estilo é aquilo que se repete no artista, que o caracteriza. Eu tenho estilo no sentido de que é um pensamento que atravessa todas as minhas obras, mas nem sempre está claro como ele aparece. Eu produzo, dou um passo para trás, olho, aprendo com

FEITO COM MADEIRA, LONA E CORDA, O LÍDER EMPACOTADO TAMBÉM FAZ PARTE DA EXPOSIÇÃO NO MAC-GO. BOLAS DE BARRO COZIDO LIGADAS POR FIOS DE COBRE COMPÕEM A INSTALAÇÃO

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CONTRARQUITETURA, QUE TAMBÉM CONTA COM DESENHOS, FALA SOBRE A RELAÇÃO ENTRE A PRODUÇÃO DO ARTISTA E O ESPAÇO ONDE VIVE E TRABALHA

EM "CEDOFEITA APRÈS LA LETTRE”, JULIANO MORAIS FALA SOBRE ESTAR EM O PORTUGAL, CIDADE ONDE VIVE HOJE

O ARTISTA PARTIU DE SUA DESCOBERTA PELA IGREJA DE SÃO MARTINHO DA CEDOFEITA, NA CIDADE DO PORTO

o que eu faço, então crio algo a partir daquilo, conceitualizo. E, depois, olhando de novo, aprendo mais uma porção de coisas que escaparam ao meu planejamento. É uma investigação alquímica.” O artista acredita que a arte tenha uma inteligência própria, uma espécie de desafio de questionar e dar respostas por meio de si própria. Ele ainda revela que desenhar é algo relaxante, uma meditação, é íntimo. “Eu não penso no desenho como uma obra final. Eu gosto desse envolvimento material, do toque e dos sentidos. É uma dupla influência, do conceitualismo e de algo inconsciente, fruto do fazer”, pontua. O goiano, que vive hoje em Portugal, afirma que acredita, sim, haver certa influência local em suas criações. “Mas não é um regionalismo. Eu tenho muito de uma arte local que dialoga com o global. Gosto de discutir a ideia de ser um artista goiano por

AS OBRAS TIVERAM INFLUÊNCIA DA CHEGADA DA PANDEMIA DE COVID-19

meio de coisas que me atravessam, como a paisagem, o ermo simbólico que significa Goiás, o diálogo com o tempo e os espaços amplos”, esclarece. Ele ainda diferencia suas criações de obras narrativas. “Minha linha vem do minimalismo, da arte conceitualista. É um trabalho de representação do mundo. E eu acho que existe um lugar absolutamente utópico da arte, de resistência, que é de exatamente fazer cortes na realidade e dar novas formas de percepção do mundo e ressignificação do olhar. Então, eu acho que a arte é um lugar que pensa o tempo, o espaço, as formas de vida. A arte contemporânea hoje está pensando as relações pessoais, a condição e o lugar do sujeito no mundo. São questões profundas e de extrema importância para todos nós. É o pensar em novas formas de vida. E, para isso, a arte é fundamental”, conclui. 37 ZELO


gourmet FOTO: CRISTIANO BORGES

UM DOS MAIORES ÍCONES DA CULINÁRIA JAPONESA EM TERRAS BRASILEIRAS, RESTAURANTE DE JUN SAKAMOTO AGORA TAMBÉM TEM OPERAÇÃO EM GOIÂNIA, NO POLO GASTRONÔMICO DO FLAMBOYANT SHOPPING

Alta Gastronomia Japonesa Com a repercussão que só uma estrela Michelin pode dar, Jun Sakamoto participa da CasaCor Goiás 2021 e abre restaurante em Goiânia

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ão é novidade para ninguém que a comida japonesa caiu no gosto do brasileiro. É cada vez mais comum encontrarmos restaurantes especializados em shoppings, eventos, centros comerciais, e em toda esquina das cidades. Em Goiânia não é diferente. O goianiense já se revelou apaixonado pela suculência do peixe cru e o sabor do uruchimai (arroz japonês). Com isso em mente, o reconhecido chef Jun Sakamoto – precursor da alta gastronomia japonesa no Brasil e detentor de uma estrela Michelin – decidiu expandir suas atividades. Na capital goiana, o restaurante abriu as portas no Polo Gastronômico Flamboyant com capacidade para mais de 100 pessoas, e carrega seu nome e sobrenome. O reconhecimento que o chef possui no mundo gastronômico se justifica principalmente pela qualidade e exclusividade dos seus pratos. Em São Paulo, no seu

restaurante mais conhecido, o ato de preparar sushi é visto como uma exibição de arte: os clientes que se sentam no balcão podem testemunhar o talento do chef e provar o menu-degustação (chamado de Omakase), que muitos críticos definem o sabor como “puro equilíbrio”. Esse equilíbrio é justamente o grande diferencial da sua cozinha. Para os ocidentais, o destaque da comida japonesa é o peixe, mas, para os japoneses, é o arroz, e é o seu tempero que acende seus pratos para a complexidade. Seu famoso tempero do Shari – o arroz avinagrado que se usa para o sushi – é secreto até hoje, e foi um dos grandes responsáveis pelo sucesso do restaurante. Os destaques do cardápio são os sushis do menu-degustação do chef. Atum wakame, toro de Atum Bluefin, barriga de salmão com raspas de limão-siciliano, robalo com shissô, linguado com pasta de yuzu, pargo com umeshu, entre outras opções. Jun acredita que o crescente interesse pela comida japonesa se deve principalmente ao paladar do brasileiro. “A culinária japonesa é riquíssima e ainda pouco conhecida aqui no Brasil. Mas ela se adapta muito bem aos gostos dos brasileiros e todos os dias novos pratos entram na rotina alimentar do País. Nossa missão é antecipar e identificar esses 38 ZELO

pratos e, assim, encantar nosso público.” GOIÂNIA O interesse pela Capital aconteceu após uma visita à cidade, promovida por alguns contatos. “Fiquei encantado com a hospitalidade do goianiense e seu estilo sofisticado de viver.” Sobre expandir ainda mais sua marca em Goiânia, o chef garante que o foco agora é assegurar uma operação competente, “gerando empatia e fidelização” com o público frequentador. Até a inauguração do restaurante, os talentos de Jun foram antecipados na CasaCor Goiás 2021. Pensado para mesclar sofisticação e descontração, o arquiteto Marco Leal projetou o ambiente onde o Sushi Bar está alocado. Com drinques e entradas de inspiração japonesa, o espaço foi marcado por contrastes, que caminham entre a ausência e o excesso, onde os opostos coexistem. “Gostei de todos os ambientes e não conseguiria escolher um preferido. O tema [Casa Original] foi uma oportunidade neste momento em que estamos voltando os nossos olhos para o lar. Todos os arquitetos do evento conseguiram explorar isso com muito calor e sofisticação. Sou um apaixonado por arquitetura e operar dentro da CasaCor foi um sonho.”, finaliza Sakamoto.


business

Uma vida dedicada ao marketing À frente da operação de marketing do Flamboyant Shopping, Aline Guedes faz dos desafios cases de sucesso

FOTO: DIVULGAÇÃO

Ana Claudia Rocha

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caminho traçado pela goiana Aline Guedes, gerente de marketing corporativo do grupo Flamboyant, acompanha a velocidade do mundo. Ela se reinventa, aprende, segue a linguagem de cada público. Com diversificada atuação na área, atualmente consegue equilibrar a vida em família e no trabalho. Casada e mãe de dois filhos adolescentes, comanda a operação de marketing do Flamboyant há sete anos. Formada em Administração de Empresas pela PUC-GO, com pós-graduação em Marketing pela FAAP, Aline passou por setores como a telefonia, trabalhando em Goiânia, São Paulo e Brasília. Até decidir se mudar. “Voltei para Goiânia, para a família. Reduzi as viagens”, lembra. E logo veio o convite para gerenciar o Flamboyant Shopping, que comemora 40 anos em 2021. Os desafios, no entanto, não cessaram. O setor de shopping center foi um dos mais atingidos pela pandemia do Coronavírus. “Foi um desafio enorme, um impacto operacional muito grande. Mas o Flamboyant continuou em voo, não parou”, informa. “Na retomada, recebemos o público de volta com muita cautela. Aceleramos a criatividade com a implantação de projetos”, completa.

O relacionamento com o cliente precisou ser revisto e estimulado. “Promoções, sorteios e a chegada de marcas internacionais trazem mais qualificação. E o público goiano pode ter acesso ao que há de mais atual”, diz Aline. As promoções com trocas de cupons passaram a ser totalmente no formato digital. “Com os mecanismos digitais, o shopping consegue se manter relevante, reinventando para estar mais próximo do cliente”, explica. CENTRO DE EXPERIÊNCIAS O shopping se tornou um local de experiências em moda, lazer e gastronomia. “O Flamboyant é algo muito maior do que um centro de compras. É um espaço de convivência, onde o cliente tem uma relação emocional”, define Aline. Este ano, o shopping abriu espaço para a CasaCor Goiás, instalada no Garden e em integração com o Polo Gastronômico. O Polo é referência na cidade. “A gastronomia extrapola a Praça de Alimentação, que também vem sendo ampliada com mix eclético. É uma experiência diferente, em que há relações de negócios e lazer dentro da alta gastronomia”, ressalta. Aline explica que um dos sucessos do 39 ZELO

projeto Food Garden, o Garden Festival, criado em 2015, se estabeleceu sob quatro pilares: gastronomia, teatro, cinema e música. “O objetivo é reunir a família, proporcionar lazer e momentos agradáveis nas férias, levando cultura e abrindo o palco para os artistas goianos, no conforto de uma ambientação lúdica”, diz. Com a consagração dos festivais de música, a gerente de marketing adianta que o Flamboyant In Concert, criado em 2005, deve ser retomado em março de 2022. “No setor de moda, o Vogue Fashion Night Out movimentou lojistas e consumidores entre 2014 e 2019 e foi considerado pela Vogue o melhor evento do País”, informa. A executiva cita outros projetos, como o Clube Kids, realizado desde 2018, e o Conexão Flamboyant, de 2019, em parceria com a revista Vida Simples, para incentivar o consumo consciente, e A Vitrine do Conhecimento, que surgiu em 2017, em parceria com o Instituto Flamboyant. E na programação natalina, a chegada do Papai Noel é destaque, enriquecida com a apresentação de coral. “Tudo dentro de uma ação de arrecadação de brinquedos doados a entidades”, frisa a gerente de marketing.


festa

Talento para realizar sonhos FOTO: NAJU DE CASTRO

Assessora de casamentos goiana Gabriela Baleeiro fala sobre sua paixão pelo universo de eventos e a responsabilidade de se dedicar a transformar sonhos em realidade

Lucas Pereira

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busca pela realização de sonhos e metas talvez seja um dos poucos elementos universais, uma unanimidade. Assim, ter o seu próprio sonho atrelado a tornar possíveis os desejos de outras pessoas requer sabedoria, cuidado, atenção e uma habilidade tão sensível que não haveria como não chamar de dom. E é justamente ao ofício de realizar sonhos que se dedica a assessora de casamentos goiana Gabriela Baleeiro, de 26 anos. A empresária conta que as datas comemorativas e as festas em família sempre foram motivo de entusiasmo para ela, desde a infância. “O Natal é o meu momento favorito do ano, por exemplo. Eventos sempre me emocionaram muito”, lembra. Formada em Relações Públicas pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Baleeiro destaca que a matriz curricular do curso fez despertar aquela emoção adormecida pelos eventos e a partir daí ela não abandonou mais esse universo. Paralelamente à universidade, ela iniciou uma jornada de especializações e foi ao trabalhar como assistente de cerimonialistas em Goiânia que a paixão pela realização de casamentos teve início.

Com o olhar atento, sensibilidade inata para compreender os anseios dos clientes e o que se pode chamar de visão além do alcance, a profissional tem uma carreira promissora e em ascensão. “Lidar diariamente com a realização de sonhos é uma responsabilidade muito grande. É preciso ter muito cuidado com todo o planejamento de um casamento. Ele envolve não só os noivos, mas todas as pessoas que amam aquele casal. Então, entregar um evento 100% satisfatório é uma sensação indescritível. Ter o retorno de uma noiva dizendo que eu fiz a diferença na vida dela não tem preço”, diz. Em um processo envolto por sentimentos tão latentes, a relação entre a profissional e os casais é uma via de mão dupla. “O planejamento dura em média de um ano a um ano e meio, e esse período é crucial para poder conhecer bem quem são aquelas pessoas, o que elas sentem e desejam. Eu não consigo ler ninguém do dia para a noite, então esse contato direto é valioso”, conta. A profissional enfatiza que a relação entre clientes e fornecedores requer igual sensibilidade. “Eu acredito que um dos maio40 ZELO

res desafios é se fazer entender de maneira clara para todos os envolvidos no processo e estar sempre disponível para garantir a melhor experiência para todos”, afirma. Lidar com expectativas sempre traz certa pressão no pacote e Gabriela revela que a sua cobrança interna existe. “Eu sempre penso que aquele é o grande evento da vida daquelas pessoas, então eu não posso errar. Mas gosto de olhar como um estímulo para fazer sempre o melhor”, avalia. Ela ainda revela que o cenário de pandemia, que impactou diretamente o setor de eventos, tornou cada processo mais delicado. “É preciso garantir segurança acima de tudo e saber transmitir esse estado de confiança”, pontua. Um evento como um casamento é uma reunião de momentos memoráveis e inesquecíveis. E sob a ótica de Gabriela Baleeiro, podemos dizer que cada missão dada – e cumprida – é também um sonho transformado em realidade a ser vivido. GABRIELA BALEEIRO (62) 98145-7847 @GABRIELABALEEIROEVENTOS WWW.GABRIELABALEEIROEVENTOS.COM.BR


FOTO: EDGAR CÉSAR

CasaCor

Mergulhados no tema ‘A Casa Original’, profissionais da arquitetura e do design apresentam seus projetos para a mostra 41 ZELO


arquitetura FOTOS: EDGAR CÉSAR

LOUNGE VITRINE FLAMBOYANT - MILENA NIEMEYER

De volta às origens CasaCor Goiás 2021 propõe uma reflexão sobre a conexão entre a modernidade e nossas raízes. Com 6.600 m², mostra apresenta 44 ambientes projetados por 66 profissionais Matheus Cruvinel

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emos andado em direção ao futuro com pouco, ou nenhum, apreço pelas nossas raízes. O acelerado avanço tecnológico do século XXI nos obrigou a estar em um constante ciclo de adaptação, nos fazendo esquecer como era nossa vida antes da popularização das novas tecnologias. Afinal de contas, é penoso lembrar como nossa rotina era sem o celular, como era trabalhar sem internet ou viver sem muitas distrações. Pensando nisso, a CasaCor Goiás propôs o tema “Casa Original” para sua edição 2021. A inspiração nasceu justamente das consequências provocadas pelo avanço tecnológico e sua desconexão com nossas raízes. Mas como podemos relacionar o mundo moderno e nossas origens? A arquiteta Eliane Martins, franqueada da mostra em Goiás ao lado de Sheila

de Podestá, explica que a proposta é uma resposta direta a essas metamorfoses tecnológicas. “A velocidade de inovações, mudanças e novas tendências também nos causa uma sensação de instabilidade. Seja pelo ímpeto de se atualizar e acompanhar os passos dessa rápida evolução”, reflete. “A Casa Original vem justamente da urgência de encontrar uma resposta para essa reflexão e, por meio da criatividade e do retorno às origens, buscar na terra, na ancestralidade e na simplicidade um equilíbrio entre o passado e o futuro”, conclui a arquiteta. Em uma área de 6.600 m², no Garden do Flamboyant Shopping Center, o público pode conhecer soluções e projetos de diversos arquitetos e designers. Nesta edição, os 44 ambientes, assinados por 66 profissionais, tiveram grandes proporções: boa parte deles conta com mais de 100 m². Espaço 42 ZELO

suficiente para refletir sobre o passado. O ambiente dos arquitetos Eduardo Medeiros e Gabriel Bela Cruz, por exemplo, tenta resgatar memórias e recuperar as raízes que se perderam com a modernidade. Chamado Deca Raízes, é uma verdadeira homenagem e reinvenção das cozinhas de fazenda – o coração da casa goiana. Para alcançar essa atmosfera rural, a dupla valoriza materiais como o chapisco grosso, o fogão a lenha e o cimento queimado tingido de vermelho. Contornando o interior, o ambiente conta com uma espécie de “cinturão”, que contrasta com os materiais nobres, mas ainda rústicos. O jardim vertical, uma referência direta ao ambiente bucólico das fazendas, e o mobiliário nacional trazem uma elegância poética que só a cultura brasileira pode propiciar. Ana Maria Miller e Tainá Torres também responderam à reflexão de uma for-


ma singela: nossa casa é onde nosso coração está. Por isso, o conceito do ambiente assinado por elas, batizado de “The Sun e Lounge The Sun”, é resgatar o convívio em família sem interferências tecnológicas, privilegiando o contato e tornando protagonista a grande sala, composta por vários sofás e poltronas dispostas de maneira circular. Para as arquitetas, a ausência de televisores – algo incomum para os dias de hoje – promove o chamado “olho no olho” e a troca real de experiências. A Casa Serena, concebida pela arquiteta Anna Paula Melo, também é um refúgio em meio ao caos urbano. As pedras Bossa Nova, as cores claras e a textura natural das paredes, acompanhadas pelo verde dos vasos espalhados pelo ambiente, criam um local acolhedor e tranquilizante. O uso focal da luz gera espaços diferentes na casa, evidenciando as melhores obras de arte e peças de mobiliário. O excesso é um dos grandes problemas da modernidade, e no design e na arquitetura isso não é diferente. Com isso em mente, Kerley de Melo exibe um ambiente que representa perfeitamente a expressão “menos é mais”. Inspirado pelas dificuldades impostas pela pandemia, o espaço é uma home-

RESTAURANTE - GENÉSIO MARANHÃO E MARCOS QUEIROZ

THE SUN E LOUNGE THE SUN - ANA MARIA MILLER E TAINÁ TÔRRES

CASA OGGI - WILLIAM HANNA

VENTURA CASA SERENA - ANNA PAULA MELO

QUARTO CLOSET - LARISSA LEITE


FOTOS: EDGAR CÉSAR

SALA DE BANHO ALDEIA - LEO ROMANO

nagem aos profissionais da saúde e possui todo o necessário para viver bem. William Hanna, arquiteto responsável pela Casa Oggi, também acredita que os tempos de home office e distanciamento social fizeram o aconchego se tornar imprescindível para uma casa. Assim, o exagero do glamour foi trocado por uma identidade mais caseira, com referência a pessoas reais. Um lar mais confortável, para que as pessoas se sintam bem e pertençam a elas. Os móveis de design, obras de arte e adornos usados proporcionam envolvimento usuário-espaço e traduzem o sentimento de bem-estar e conforto. Vencedores do 6º Prêmio Jovem Profissional, Expedito Bezerra e Lucas Panobianco estreiam na mostra para abraçar a “Casa Original”, transportando o visitante às suas origens. O projeto, que traz a simplicidade da arquitetura vernacular, utiliza materiais naturais, com elementos modernos e objetos de arte, complementando-se harmoniosamente em busca pela ancestralidade. A neutralidade dos tons quentes, aliada ao som de água ao fundo, cria uma sensação de segurança e aconchego. Da mesma forma, a iluminação é um espetáculo à parte que, ao lado das experiências sensoriais provocadas pelo local, origina um ambiente quase teatral. Com revestimento acústico nas paredes e teto, e uma paleta clara que anuncia uma “atmosfera de paz”, o arquiteto Leo Romano assina o ambiente “Sala de Banho Aldeia”. Com incríveis 175 m², o espaço foi todo decorado com mobílias projetadas pelo próprio arquiteto, que estabelece conexão entre as formas e o conteúdo da decoração. A ideia foi fazer da sala o epicen-

RECEPÇÃO & LOUNGE - ALLON TREVISAN

CASA DA MATA - FABÍOLA NAOUM E WILKER GODOI

LOFT DO MÉDICO - KERLEY DE MELO

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ciclo natural que consegue traduzir com poesia e energia o que, ao primeiro olhar, poderia ser uma imagem vista como desoladora e triste. O projeto busca proporcionar ao morador um espaço onde ele também possa renascer e desfrutar de um bem escasso e muito valioso: o tempo. O Loft é a tradução do bem-estar e permitiu a conexão consigo, com o outro e com as coisas que nos fazem bem. Genésio Maranhão e Marcos Queiroz assinam o ambiente que recebeu na mostra o Restaurante Juá, que apresenta um cardápio inspirado na gastronomia tradicional de diversas regiões brasileiras. Projetado dentro de dez containers, essa “brasilidade” deu o tom do design, com vários elementos que remontam ao Nordeste e à cultura brasileira. CASA CINZA CERRADO - NANDO NUNES

LOUNGE GARDEN - PEDRO ERNESTO E LEANDRA CASTRO

tro do bem-estar pessoal, transformando o hábito do banho em um ritual valioso. Veteranos da CasaCor Goiás, o arquiteto e urbanista Pedro Ernesto e a designer de interiores Leandra Castro retornam à mostra com a proposta de um ambiente de conexão com a natureza, transportando o conceito da Casa Original para o descanso. Com 117 m², o “Lounge Garden” une materiais naturais, como porcelanato, piso vinílico e mármore travertino, a peças brasileiras de design e ao verde das flores e folhas dispostas no local. Também experiente na mostra, a designer de ambientes Doriselma Mariotto já está em sua 18ª participação. Com um espaço atemporal e contemporâneo, o “Loft

SUSHI BAR JUN SAKAMOTO - MARCO LEAL

Trajetória 20”, de 235 m², foi inspirado em seus 20 anos de carreira e não seguiu tendências. O destaque foram os materiais naturais, como pedras e madeiras. BRASILIDADE O Cerrado é o elemento mais importante das raízes do povo goiano. É dele que saiu nossa culinária, nossa cultura e nossa história. O seu renascimento, após cada novo período de queimada, serviu de inspiração para Nando Nunes criar o conceito do “Casa Cinza Cerrado”. Ao contrário do que acredita o senso comum, a ação natural – e amiga – do fogo preserva a diversidade do bioma e o faz brotar novamente. As queimadas fazem parte de um 45 ZELO

BANHEIRO PÚBLICO - EXPEDITO BEZERRA E LUCAS PANOBIANCO


orgânico

Conexão afetiva Arquiteto Lucas Machado resgata memória familiar e elementos sensoriais para compor ambiente com ares de praça de encontros que pulsa como o coração da CasaCor Goiás 2021 FOTOS: LUCAS PANOBIANCO

Lucas Pereira

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enhum homem é uma ilha. Essa frase, do filósofo inglês Thomas Morus, diz muito sobre a vida e sobre a importância das relações interpessoais. É a partir daí, da noção dessa troca tão imprescindível a todos nós, que nasce o Convívio, ambiente assinado pelo arquiteto Lucas Machado na CasaCor Goiás 2021. O profissional faz um convite a reconectar-se, uma proposta irrecusável para desacelerar, sentir o lugar ao redor, visualizar o outro e enxergá-lo, relembrar memórias calorosas, receber a família. Com 190 metros quadrados, o espaço

propõe uma experiência que alia o sensorial ao prático para instigar a conexão interpessoal e com a natureza. Desse modo, em meio ao verde e aos elementos naturais que prevalecem, o bem-estar, a sensação de relaxamento e conforto emocional se tornam quase palpáveis. O arquiteto, que faz sua estreia na mostra, explica que parte fundamental do projeto surgiu do conceito de design biofílico. “É um conceito que chega para resgatar ambientes naturais e trazê-los aos espaços construídos pelo homem, conectando nossa necessidade inerente de afiliar a natu46 ZELO

reza ao ambiente moderno”, esclarece. A inspiração vem dos refúgios verdes da vida cotidiana, como praças, parques e jardins, por isso, a presença abundante de vegetação e o predomínio da natureza convidam à tranquilidade, com um jardim vertical de 20 metros quadrados. O paisagismo ainda foi distribuído estrategicamente para melhorar a qualidade do ar, a climatização do local e o aumento da umidade. Aliando-se ao verde, os elementos naturais presentes criam uma harmonização suave e aconchegante. Assim, estão ali o piso amadeirado, o teto com palha


A INSPIRAÇÃO PARA O PROJETO VEM DOS REFÚGIOS VERDES DA VIDA COTIDIANA, COMO PRAÇAS, PARQUES E JARDINS ARDINS FOTO: HALYNI ARANTES

ARQUITETO LUCAS MACHADO

ELEMENTOS NATURAIS COMO O MACRAMÊ E A PALHA NO TETO COMPÕEM UMA HARMONIZAÇÃO SUAVE E ACONCHEGANTE

lugano, uma parede revestida com pedra natural, cestos e peneiras de palha, e o macramê. O resultado é uma variação de texturas e padrões que propiciam um resgate afetuoso de um lugar onde já se esteve, um aroma familiar, uma história que se conta gargalhando, um ponto de acolhimento que vive na lembrança. A memória afetiva do arquiteto também está presente no espaço. A lembrança da avó, dona Tita, sentada em um banco que ficava na porta de casa, o cheiro do café quentinho que ela coava na hora, os tecidos que a matriarca costurava para

os netos, a infância no quintal envolto por muitas plantas e árvores. “Eu cresci em uma casa muito arborizada. O local onde a minha família se reunia e confraternizava era no próprio quintal, então é algo muito presente nas minhas lembranças. Quando eu comecei a relacionar o meu projeto, foi muito gostoso revisitar essas raízes”, afirma ele. O profissional também chama atenção para a relevância que os espaços abertos adquiriram diante do cenário de pandemia. “Jardins e varandas ganharam uma importância ainda maior nas residências que de47 ZELO

sejam oferecer qualidade de vida e conexão entre as pessoas. Por isso, o Convívio é destinado a todos os perfis de público, é um espaço livre”, conjectura. Conviver é democrático, é humano, libertador. E essa essência do que o arquiteto concebeu faz pulsar uma sensação de que a vida continua e dias melhores sempre virão.

LUCAS MACHADO (62) 99860-8510 @STUDIOLUCASMACHADO CONTATO@STUDIOLUCASMACHADO.COM.BR WWW.STUDIOLUCASMACHADO.COM.BR


FOTOS: EDGAR CÉSAR

afetivo

A FORTE PRESENÇA DA MADEIRA E O JARDIM VERTICAL SÃO OS PROTAGONISTAS DA COMPOSIÇÃO E TRAZEM ACONCHEGO AO AMBIENTE

Alexandre Parrode

Um chamado à sensibilidade Arquiteta Valentina Craboledda projeta na antiga varanda um home office em que a premissa é reconectar-se com tudo aquilo que é essencial

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o Brasil há quase dez anos, a arquiteta Valentina Craboledda estreia na CasaCor Goiás com um ambiente que traduz bem suas origens sardas: a efervescência cultural e a paixão pelas belezas naturais da ilha ao Sul da Itália. Quem entra no Home Office Essenziale não se depara de imediato com elementos tradicionais da arquitetura italiana, mas sabe bem que não se trata de um ambiente comum. “O que seria o óbvio aqui? Uma arquiteta italiana fazer um ‘ambiente italiano’. Eu não queria isso. Trouxe minhas raízes na alma, na concepção, que se traduziram em cada parte desse home office. Não é preciso cha-


pisco e pedra na parede, aqui a Itália aparece como uma história a ser contada”, explica a profissional, que nasceu em Cagliari. Com sotaque ainda perceptível, Craboledda fala orgulhosa de suas origens, como aqueles que sentem saudades de sua terra, mas com um sorriso hospitaleiro no rosto que entrega a paixão de uma brasileira nata. Talvez por isso a escultura do coração alado que adorna a estante do ambiente esteja exatamente em cima do livro sobre o Brasil. É nessa parte do ambiente que a arquiteta conta sua história e apresenta o “Essenziale” – tudo aquilo que é realmente importante. Sob o quarteto de elementos “arte, cultura, origens e natureza”, o home office toma forma como um espaço que, mesmo tendo o trabalho como principal objetivo, não perde o aconchego e a consciência daquilo que realmente importa na vida. “Cada um de nós tem suas prioridades, aquilo que lhe é essencial. O que eu considero muito importante: luz natural e natureza, que estão no jardim vertical; cultura e arte, nos quadros e livros; e nossas origens, aquilo que não importa onde estivermos, não podemos nos esquecer. Por isso, trabalhei uma

decoração afetiva, cada pedaço do ambiente aqui conta um pouco sobre o que é essencial para mim. Isso é originalidade”, explica ela. Apaixonada por arquitetura, brinca que até mesmo em um consultório médico presta atenção ao acabamento dos rodapés, à iluminação e à decoração do ambiente. Vive a profissão o tempo todo e justamente por isso se preocupou em criar no Home Office Essenziale elementos para deixar um pouco os momentos de trabalho e se reconectar com aquilo que é essencial. Seja na aquarela de sua cidade natal (presente do irmão que ficou na Itália), na foto da sobrinha, ou até mesmo nas esculturas de cogumelos – que a remetem ao avô, veterano da Segunda Guerra Mundial que colhia os fungos em sua casa na França –, as raízes estão em todo o espaço. Já a paixão pela leitura convida o visitante a uma atual e importante reflexão. No livro aberto na mesa, o título do capítulo anuncia: “A Crise da Sensibilidade”. “Estamos vivendo um momento muito difícil, cada vez mais nossas vidas estão extremizadas. As pessoas perderam a compaixão, não existe mais empatia e nem sensibilidade. Meu ambiente é

um convite para que o visitante reflita sobre o que realmente importa. Conheça um pouco sobre minha história, as nuances que coloquei em cada parte do espaço”, acrescenta. Ao final do corredor que integra o home office de Valentina Craboledda, uma poltrona com um puff, ladeado por uma mesa de apoio que tem, claro, um livro em cima. Qualquer visitante pode se sentar ali, colocar os pés para cima e relaxar apreciando duas pinturas abstratas do artista goiano Nilander. “Na saída do ambiente, eu queria que as pessoas se sentissem felizes, alegres com o que estava propondo, mesmo que não o tivessem entendido completamente. Wassily Kandinsky [pintor russo, expoente da arte abstrata] dizia que do mesmo jeito que você pode não entender a melodia, ou mesmo a letra de uma música, mesmo assim ela te traz emoção e te toca, o mesmo acontece com a arte”, arremata. Após um período desafiador como o que passamos durante a pandemia de Covid-19, um home office que não seja somente um espaço de trabalho e que nos permita lembrar daquilo que realmente nos importa não é só necessário de se compreender, é essencial.

FOTO: JOÃO CARLOS

ARQUITETA VALENTINA CRABOLEDDA

VALENTINA CRABOLEDDA ARQUITETURA@VALENTINACRABOLEDDA.COM.BR (62) 99168-4373 (WHATSAPP) @VALENTINACRABOLEDDA

UM RELAXANTE TOM DE VERDE TOMA CONTA DA MARCENARIA, QUE ABRAÇA PEÇAS AFETIVAS, QUADROS, LIVROS E NÃO PERMITE QUE O ESPAÇO PERCA SUA ESSÊNCIA FAMILIAR

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sensibilidade

Uma questão de olhar Desenvolvido para um casal moderno com filho dentro do espectro autista, Quarto Be Blue é adaptado às necessidades da criança FOTOS: EDGAR CÉSAR

O AMBIENTE GANHOU O “CANTINHO DA TERAPIA”, UMA CASINHA DENTRO DO PRÓPRIO QUARTO, ONDE A CRIANÇA PODE TER SEU MOMENTO COM O TERAPEUTA

Alexandre Parrode

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nota-se o brilho azul”, descobre-se que aquele ambiente não é uma mera combinação de móveis. Fernanda sonhou com a frase que decora a parede e a partir desse conceito de mudança de olhar ela buscou inspiração. “Precisava de elementos que fossem baixos, criados mais soltos, um ambiente mais limpo e que só os brinquedos estivessem à altura da criança. O espaço da brincadeira é amplo, por isso o tapete, e como o Rafael tem muita dificuldade com texturas, fizemos dois pisos, o couro no pufe para não o incomodar, mas incentivando essa habilidade”, elenca ela. O azul, cor símbolo do TEA, se soma ao marrom e ao cinza para criar um ambiente sofisticado e moderno, mas ao mesmo tempo sóbrio, sem muitos estímulos que pudessem incomodar a criança, e as luzes no teto remetem a um céu estrelado. Pensando na relação entre os pais e a criança, Fernanda projetou o quarto infantil conjugado com o dos pais. “Por incrível que pareça, quando pensei nesse espaço integrado, pensei mais nos pais. Você não tem noção como esses pais ficam carentes. É uma carência do olhar da criança, de uma interação mais profunda. O conjugar é também isso: entrelaçar”, complementa. 50 ZELO

ARQUITETA FERNANDA GEMUS

FOTO: PAULA TALEB

sse não é o quarto do autista. É um quarto adaptado para uma criança atípica.” É dessa maneira que a arquiteta Fernanda Gemus definiu seu pioneiro quarto Be Blue, um dos ambientes mais comentados da CasaCor Goiás 2021. Projetado para atender as necessidades de uma criança dentro do espectro autista, o ambiente roubou a cena da mostra com uma proposta que, apesar de parecer corriqueira, marcou a história como o primeiro ambiente pensado para uma pessoa atípica. Durante décadas negligenciado e tratado como doença, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição de desordem complexa do desenvolvimento do cérebro, caracterizada pela dificuldade de comunicação e interação social, além de comportamentos repetitivos e interesses restritos. E é nesse grupo que está o pequeno Rafael, sobrinho da arquiteta, que foi a fonte de inspiração para a construção do quarto Be Blue. Estreante na CasaCor, ela conta que decidiu desenvolver o projeto não só como uma forma de conscientização, mas também cumprindo um dever como profissional. Logo ao entrar no quarto, o visitante é convidado a buscar um novo ponto de vista. A partir da frase “Na profundeza do olhar,

Uma das partes mais importantes do quarto Be Blue é o cantinho da terapia: uma casinha dentro do próprio ambiente, com mesinha e cadeiras, sem apelo visual, de costas para os brinquedos, mas muito aconchegante, para que a criança possa ter o momento com o terapeuta. Apesar dos detalhes que tornam o ambiente tão especial, o quarto chama atenção mesmo pela beleza e aconchego. Muita gente, inclusive, questiona a arquiteta sobre “o que tem de diferente” ali. Para Fernanda, é uma questão que está no olhar. FERNANDA GEMUS FERNANDA@FERNANDAGEMUS.COM.BR (62) 98221-1515 @FERNANDAGEMUS.GEMUSARQ


ancestralidade

Origens atemporais Jordana e Juliana Bessa buscaram na infância inspiração para o ambiente “Café e Vinho” da CasaCor Goiás 2021 FOTO: CRISTIANO BORGES

A DESIGNER DE INTERIORES JORDANA BESSA E A ARQUITETA JULIANA BESSA

FOTOS: LUCAS PANOBIANCO

A DUPLA ESCOLHEU O COBOGÓ PARA TRAZER MAIS ILUMINAÇÃO E VENTILAÇÃO NATURAIS AO AMBIENTE, ALÉM DE ADICIONAR UM TOQUE DE BRASILIDADE AO PROJETO

Tatiane Fernandes

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da terra que vem o café, as uvas do vinho e também as origens das irmãs Jordana e Juliana Bessa. E foi pensando nessas raízes que a designer de interiores e a arquiteta conceberam o espaço "Café e Vinho” para a CasaCor Goiás 2021. “A gente cresceu na fazenda, brincando com o pé no chão e em meio às plantas. Então, quando soubemos que o tema da mostra neste ano seria ‘Casa Original’, percebemos que a terra é o início de tudo. É onde se semeia, planta e colhe. É nossa raiz, e tem tudo a ver com vinho e café”, conta Juliana. “Foi por isso que a gente quis buscar nossa infância, fazendo com que os visitantes da mostra e clientes do nosso espaço se sentissem acolhidos, à vontade, de uma forma aconchegante. Apesar de não ser um ambiente residencial, queríamos que todo mundo se sentisse em casa aqui”, completa Jordana. Para gerar essa sensação, materiais como cobogó, tijolinhos, cerâmica e madeira, combinados a uma paleta de cores terrosas, com texturas naturais, renderam simplicidade, refinamento e o desejado clima acolhedor ao ambiente de 150 m². “Nós duas gostamos muito de um design conceitual, de sair da caixinha. O espaço do café, por ser

comercial, é ideal para nos fazer entendidas. Tentamos valorizar os acabamentos que estavam presentes na nossa infância, trabalhando com materiais crus e com bom custo-benefício. Misturamos, de forma não usual, o rústico aos toques de requintes”, explica a designer de interiores. Estreantes na mostra, o grande desafio das irmãs foi projetar um ambiente funcional. “A gente sempre quis fazer a CasaCor, e quando recebemos a oportunidade, visitamos o local e nos apaixonamos por esse espaço. Refletimos sobre a questão do fluxo, de as pessoas passarem mais tempo dentro do nosso ambiente, já que ele é funcional, mas estávamos empolgadas. Foi desafiador, porque o espaço é muito grande. Fazendo a mostra, a gente vê também o lado do cliente de obra”, conta Juliana, aos risos. “Mas tudo foi se encaixando. Nós duas nos comprometemos e nos complementamos, com muita dedicação. Têm nossos dedos em 100% de tudo aqui e estamos felizes com o resultado”, arremata Jordana. DO “CAFÉ E VINHO” PARA CASA Para a dupla Juliana e Jordana Bessa, a maior mensagem do ambiente é 51 ZELO

que elaborar um projeto que exprima seu próprio gosto, resultando em algo diferenciado, independente do ambiente, seja residencial ou comercial, é totalmente possível. Quer saber como? Confira algumas dicas das profissionais. Invista em cores: “Uma maneira prática e barata de mudar qualquer ambiente é com a pintura. A dica é apostar em uma composição de tons sobre tons ao invés de dar destaque a uma só parede”, sugere Juliana. Circulação do ambiente: “Busque materiais que facilitem a iluminação e ventilação. O cobogó, por exemplo, é um material sustentável, que permite não só esses benefícios, mas também que quem está no ambiente veja do outro lado”, indica Jordana. Barato e sofisticado: “Algumas pessoas acham que requinte exige alto custo, brilho e luxo. E não necessariamente! Encontramos materiais simples e baratos que podem causar o mesmo efeito. Os tijolinhos são uma dessas opções", finaliza Jordana. JORDANA E JULIANA BESSA PORJORDANABESSA@GMAIL.COM/ CONTATO@JULIANABESSA.COM (62) 98155-2985/ 98117-0790 @PORJORDANABESSA/@JUBESSA


conexão

Doce conforto Espaço “Sorveteria”, na CasaCor Goiás 2021, inova ao eliminar barreira entre o consumidor e a sobremesa, fazendo o cliente se sentir em casa Tatiane Fernandes

E

xistem momentos, olfatos e sabores que fazem parte das nossas memórias. Geralmente, boa porção dessas construções é feita ao longo da infância, quando estamos descobrindo todos esses sentidos. Quem não se lembra, por exemplo, do cheiro de um bolo, daquela música que sempre tocava ou daquelas brincadeiras que tornavam a vida tão irresistível? Era tudo tão simples, não é? Não à toa, o tema de 2021 da CasaCor Goiás é “Casa Original”. Apesar de ter sido pensado antes da pandemia de Covid-19, ele se ajustou direitinho ao contexto atual. Afinal, temos vivido uma realidade tão dura que, às vezes, queremos voltar ao passado, à infância, à época em que nada

era algo tão complicado. E se a intenção é encontrar tais memórias afetivas, nada melhor do que um delicioso sorvete. Mas, e se além dessa gostosa sensação, o ambiente puder proporcionar também o aconchego do lar? Essa é a proposta dos arquitetos Anna Helisa Porto, Diego Mendonça e Isabella Gondim, estreantes na CasaCor e responsáveis pelo espaço “Sorveteria”. “A gente queria muito passar essa sensação de casa. A intenção é que o cliente se sinta tomando sorvete, durante um domingo à tarde, em casa”, conta Anna. Para alcançar esse objetivo, o projeto do trio inova principalmente na forma de apresentar o produto, eliminando a barreira entre o consumidor e a sobremesa. "Utiliza-

FOTOS: EDGAR CÉSAR

UMA ILHA CENTRAL, QUE FAZ AS VEZES DE BALCÃO, FOI DESENHADA PARA SERVIR COMO MEIO DE CONEXÃO ENTRE O AMBIENTE COMERCIAL E O CLIENTE

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mos uma ilha de pedra como balcão central para desburocratizar e tirar a sistematização de atendente de um lado e cliente do outro, de forma que tivéssemos uma mesa mesmo, com clientes dos dois lados, humanizando o atendimento e gerando proximidade. Usamos o mármore branco para aproximar ainda mais o cliente dessa realidade de família reunida em volta da mesa. Afinal, o mármore branco é um material que todo mundo tem contato, tem em casa ou já viu. Essa é uma coisa inerente à casa das pessoas, à cidade, para remeter mesmo ao aconchego da residência", explica Diego. Projetada em construção modular, a "Sorveteria" traz para a mostra as invenções gastronômicas da Alata Sorvetes, do chef Ian


Baiocchi. “A Alata é uma marca totalmente consolidada no mercado goiano e para nós, além da satisfação em participar da CasaCor, é uma honra termos sido escolhidos para o projeto. Aqui, pensando no conceito de morar-ocupar, buscamos o retorno às raízes e o próprio sorvete da Alata é algo que remete ao natural, às raízes”, acrescenta Isabella. Os fundamentos da Alata, aliás, foram decisivos na escolha dos materiais. “Para não brigar com o espaço, porque estamos em um jardim que tem assinatura, trouxemos um ar de sobriedade para o projeto, buscando a simplicidade, tema da mostra. Uma das nossas apostas são os revestimentos em formato 20x20, que revestem toda a fachada, que foram muito usados nos anos 1990 em grande parte das casas dos brasileiros, e criam uma base monocromática. Dentro do espaço, optamos por tons mais neutros, trazendo cores pontuais apenas para dar o ar divertido e lúdico do sorvete, respeitando o que vimos nas outras unidades da Alata", conta Anna. LOGO DE CARA, OS TIJOLINHOS QUE REVESTEM A FACHADA CHAMAM A ATENÇÃO. O MATERIAL FOI ELEITO PARA COMPÔ-LA COM O INTUITO DE TRAZER SOBRIEDADE, MAS COM MUITO CHARME

FOTO: CRISTIANO BORGES

OS ARQUITETOS ISABELLA GONDIM, DIEGO MENDONÇA E ANNA HELISA PORTO

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OFFSITE Com o objetivo de otimizar processos e aumentar a qualidade, a chamada indústria 4.0 trouxe muitas transformações para a construção civil. Nesse sentido, a construção modular offsite é uma dessas ideias incríveis que têm crescido no mercado. Sustentável, baseada em módulos industrializados fabricados fora do canteiro de obras, a construção modular deve crescer globalmente 5,75% ao ano até 2025, segundo dados da Terracotta Ventures. O relatório aponta ainda que o Brasil está entre os três países com mais oportunidades para esse setor se desenvolver, ao lado da China e do Japão. “Além de originalidade, tema da CasaCor, a construção modular trouxe contemporaneidade ao projeto. Não temos entulho, é sustentável. Esse é um tema muito atual, mas, ao mesmo tempo, algo que nossos avós também se preocupavam ao escolher onde morar: a relação com a natureza”, ressalta Anna. “É a primeira vez que trabalhamos com construção modular e nos apaixonamos. Há muitos desafios, lógico, mas vemos futuro promissor. A gente já até imagina essa sorveteria indo para outros cantos da cidade, de forma itinerante. É uma maneira de aproveitar o que a gente fez aqui e a facilidade que a construção modular oferece", finalizam os arquitetos. ANNA HELISA PORTO, DIEGO MENDONÇA E ISABELLA GONDIM AUTEM.ARQUITETURA@GMAIL.COM | CONTATO@DIEGOMENDONCAARQ.COM.BR (62) 98626-0020 | (62) 98136-9698 | (62) 98103-37139 @AUTEM.ARQ | @MENDONCADIEGO


FOTOS: EDGAR CÉSAR

abrigo

A PINTURA DA PAREDE RECEBEU EFEITO VELVET, O QUE TROUXE CONFORTO VISUAL AO ESPAÇO

Victor Lisita

A Caixa Verde de Veludo Em sua primeira participação na CasaCor Goiás, arquiteta Carol Rosa entrega ambiente que utiliza estímulos sensoriais para abraçar o público e resgatar memórias

o caminhar pelos ambientes da CasaCor Goiás 2021, um projeto chama a atenção devido ao aroma que exala do local. Através do vão da porta, os visitantes da mostra são automaticamente persuadidos a conhecer a “Caixa Verde de Veludo”, da arquiteta Carol Rosa, um apelido que ela carinhosamente deu à sua Loja Tempo. Tendo os sete pilares da neuroarquitetura como base, a profissional se aproveita de estímulos sensoriais para se conectar com qualquer pessoa que entre no espaço. Com a exposição de produtos de cerâmica, velas, itens de madeira, bordados e peças em tecidos sustentáveis, todos desenvolvidos por diversos artistas goianos, Carol explica que tudo foi pensado nos mínimos detalhes para resgatar as memórias mais íntimas dos visitantes. Desde um produto que remetesse ao passado a uma textura que a pessoa nem se lembrava, ou 54 ZELO

mesmo uma cor que automaticamente traz aconchego, é impossível entrar na Loja Tempo e não sentir uma certa nostalgia e uma sensação agradável de aconchego. “A memória é a chave. Um dos meus maiores objetivos também é fazer com que as pessoas criem aqui novas lembranças”, explica a arquiteta. Ainda nessa esfera, Carol fez questão de dar apenas um novo tratamento ao piso do local da mostra onde seu ambiente foi instalado, que ficou com um aspecto de cimento queimado. Ela explica que é uma forma de mostrar o que havia ali antes, e o que aquele espaço se tornou. Uma verdadeira viagem no tempo, em que o passado e o presente se conectam não apenas no meio físico, mas também no coração das pessoas. "E onde cada um entende a importância da conexão, de estarmos presentes e valorizarmos nossas memórias", acrescenta. Ao priorizar a cor verde e um som ambiente leve, ela associou a Loja Tempo a


UMA ÁRVORE DE FICUS COM APROXIMADAMENTE TRÊS METROS DE ALTURA TRAZ PARA O LOCAL BEM-ESTAR E ACOLHIMENTO FOTO: CRISTIANO BORGES

PENDENTES CIRCULARES FORAM UTILIZADOS NA ILUMINAÇÃO, PROPORCIONANDO SENSAÇÃO DE TRANQUILIDADE AO VISITANTE

aspectos naturais. O resultado? Um efeito calmante praticamente automático! A arquiteta pontua que a iluminação foi muito importante para chegar ao resultado final. “Além das luzes pontuais, nos rodapés e nas prateleiras, a iluminação foi pensada para trazer um movimento na parte superior do ambiente”, acrescenta. O local conta ainda com uma árvore de Ficus Lyrata, com aproximadamente três metros de altura e uma folhagem exuberante que lembra o instrumento musical lira, que é capaz de nos transportar para um pedacinho da natureza. Outro destaque é o trono de madeira resgatado do fundo do mar, vindo diretamente da Maison & Objet Paris. Não à toa que, de acordo com a arquiteta, a maior inspiração para o ambiente foram as sensações, e o que essas sensações podem transformar em cada um de nós. “Eu parti de todo o conceito de ter essa sensação de abraço e acolhimento,

tanto é que até desenvolvi uma fragrância especialmente para o ambiente”, destaca. Através de cheiros cítricos e especiarias, o aroma da Coleção Veludos, criada pela arquiteta, refresca e acalma, além de resgatar a afetividade e deixar a sensação de que o espaço, de alguma forma, está vivo e conversa com o público. O sucesso foi tanto que Carol já tem elaborado novas coleções. Cores, Iluminação, Som, Personalização, Forma, Aroma e Biofilia, o amor à vida. Os sete pilares da neuroarquitetura estão presentes em cada detalhe, revelando muito sobre a própria profissional e ainda mostrando que cada particularidade é importante para a criação de um projeto que ficará na memória. Primeira participação em uma CasaCor, Carol não esconde que foi um grande desafio, mas a resposta positiva durante o evento fez com que a arquiteta tivesse certeza de ter chegado ao seu objetivo: um ambiente de sensações. 55 ZELO

ARQUITETA CAROL ROSA

CAROL ROSA (62) 99647-6172 CONTATO@CAROLROSAARQUITETURA.COM.BR @CAROLROSAARQINTERIORES WWW.CAROLROSAARQUITETURA.COM.BR


requinte

Das origens à modernidade

FOTOS: EDGAR CÉSAR

Arquiteta Rubiana Teixeira mescla tendências da arquitetura atual com referências da cozinha raiz e entrega ambiente aconchegante e sofisticado

UM SUAVE TOM DE VERDE MENTA TOMA CONTA DA MARCENARIA, QUE ROUBA A CENA NO PROJETO

Matheus Cruvinel

O

cheiro de manjericão, os revestimentos hexagonais, as peneiras e a cor menta da Cozinha 21 parecem um pedacinho legítimo da “casa da vovó”, não fosse pelo tom contemporâneo que toma o lugar. O ambiente, assinado pela arquiteta Rubiana Teixeira para a CasaCor Goiás 2021, pode ser sintetizado pela expressão “das origens à modernidade”, já que mescla elementos da arquitetura atual com a cozinha raiz. A composição dos revestimentos hexagonais em tons de verde, por exemplo, é uma referência direta aos ladrilhos hidráulicos, muito utilizados antigamente. “A ideia era unir alguns elementos que nos transportassem para nossas raízes. Para o conceito dos ladrilhos, adaptamos o revestimento ‘Hexa Love’ de tonalidades variadas da Portinari, encontrado na

Versato Acabamentos. Esses hexágonos se ‘abraçam’, criando desenhos e padrões de cores únicos, trazendo muita personalidade. Eles lembram mesmo os ladrilhos, como costumávamos usar no passado”, conta a arquiteta. Outro elemento tradicional foi empregado no piso com a inclusão de uma opção que lembrasse o cimento queimado: no ambiente, foi utilizado um porcelanato de 1,00 x 1,00, também da Portinari. O diferencial é a textura, que é mais rígida e antiderrapante. “Também usamos detalhes em ferro curvo e Metalon exatamente como nas cozinhas antigas. Nas bancadas, nos bancos e no sofá, temos esses detalhes de ferro. E, para fechar todos esses principais elementos, escolhemos a cor menta, tentando unir todos esses componentes tradicionais para entregar um espaço bonito, sofisticado, mo56 ZELO

derno e, ao mesmo tempo, com esse aconchego antigo”, esclarece Rubiana. No mobiliário da Ventura Casa, as cores estão em harmonia com a proposta definida pela profissional. Nas poltronas, foi utilizado couro; no sofá, almofadas em tons terrosos e um azul mais forte – para diferenciar das paredes e armários. O verde, é claro, também está presente em todo o lugar. Além do jardim suspenso, outras plantas, vegetais, frutas e folhas foram usados no balcão central – como o repolho roxo, o manjericão e o alecrim, que são reais e frescos, objetivando tornar mais crível e orgânico. "Isso nos afasta da concepção de que aquilo é uma exibição. Nos sentimos acolhidos, abraçados, como se já pudéssemos imaginar nossa família ali", explica a profissional. A ilha no centro da Cozinha 21 foi posicionada de forma calculada, tornando


possível a quem esteja preparando algum alimento se acomodar, conversar e ter contato visual com qualquer outra pessoa no ambiente “A proposta é fazer um espaço que aproxima, que acolhe. Então, por que não um sofá na cozinha, permitindo e incentivando esse tipo de conexão? O ar quente do ambiente vai para cima, circula em toda a casa. O cheiro não fica no sofá”, garante. As luminárias trabalhadas no Metalon são compostas por arandelas que dão um movimento singular para a iluminação do espaço. E a temperatura da cor, temida por alguns, é o confortável amarelo. Rubiana explica a escolha: “Durante toda a minha jornada profissional, encontrei clientes que temiam a luz amarela, porque buscavam por claridade. E isso é completamente compreensível. Mas em alguns ambientes, o aconchego que a luz quente fornece é fundamental. E nós achamos um meio-termo perfeito, uma luz com 3.000 Kelvin, ficando extremamente bem iluminado, ao mesmo tempo que a claridade não causa desconforto aos olhos”, esclarece. Ainda na iluminação, uma das paredes do projeto é um show à parte. “Com o apoio da Milimike Lighting, conseguimos desenvolver uma ideia de painel muito singular e moderna. Todo embutido, com fitas de Led e spots dentro de um trilho iluminado. As arandelas iluminam o painel de cores, que refletem tons levemente diferenciados", ex-

A COMPOSIÇÃO DE REVESTIMENTOS HEXAGONAIS EM TONS DE AZUL FAZ REFERÊNCIA AOS LADRILHOS HIDRÁULICOS USADOS ANTIGAMENTE

plica a profissional. A tecnologia inovadora da cozinha também é um grande sucesso entre os visitantes da CasaCor Goiás 2021. Em cima da bancada, a arquiteta usou armários automatizados e acionados por controle remoto. A cristaleira, que aparentemente parece comum, recebeu uma “porta camarão”, que se abre em um vão completo do armário sem ocupar mais espaço. Ao lado da geladeira, uma parte discreta da marcenaria se revela extremamente versátil: ao abrir, um mecanismo chamado “guilhotina” promete facilitar o armazenamento de eletrodomésticos. Sem a necessidade de puxar uma gaveta, você poderia usar, por exemplo, um liquidificador camuflado dentro do armário e já ligado à energia, ou montar um café, esconder uma TV, ou, até mesmo, organizar um espaço para bebidas. As possibilidades são muitas. REPERCUSSÃO O processo de criação da Cozinha 21 tem algo que lhe dá muita credibilidade: o primeiro esboço foi inspirado na cozinha da própria arquiteta. Rubiana conta que a repercussão do ambiente com o público tem sido extremamente positiva, e que causou até emoção em algumas pessoas. “Eu acredito que conseguimos cumprir muito bem com a proposta apresentada", revela, animada, a arquiteta. 57 ZELO

FOTO: CRISTIANO BORGES

OS LEGUMES NA BANCADA SÃO REAIS E FRESCOS. O INTUITO É TORNAR O AMBIENTE MAIS CRÍVEL E ORGÂNICO

ARQUITETA RUBIANA TEIXEIRA

RUBIANA TEIXEIRA ARQUITETURA E INTERIORES (62) 99631-5535/ 3941-0330 @RUBIANA.ARQ WWW.RUBIANATEIXEIRA.COM.BR PARCEIROS: VERSATO ACABAMENTOS, MILIMIKE LIGHTING E VENTURA CASA


arte FOTO: MARCELO MENEZES

FLORESTA MÁGICA - STUDIO DO ESPORTISTA

Fotografia imersiva

Com 14 quadros expostos em três ambientes diferentes da mostra CasaCor Goiás, Marcelo Menezes revela uma paixão antiga pelo Cerrado e pela natureza Matheus Cruvinel

A

arte de Marcelo Menezes se faz presente por onde ele passa. Para a CasaCor Goiás 2021, o artista goiano levou a simplicidade e o amor ao Cerrado e pelos litorais brasileiros em fotografias que se tornaram um dos maiores destaques da mostra. Sob suas lentes sensíveis à natureza, vemos cenas do cotidiano da vida natural, cachoeiras, árvores, animais, flores, que encantam até os mais entusiastas pela vida urbana e a agitação dos grandes centros. “O Cerrado, em especial, sempre me encantou por sua singularidade e simplicidade. Quanto mais conheço sobre ele, mais entendo sua importância. É tão único, tão atípico, que me traz uma fascinação indescritível”, destaca. Nascido em Minas, essa relação com o bioma remonta à infância. “Moro em Goiânia desde os meus primeiros dias de vida. Sempre tive muito contato com a natureza, fazendo trilhas e durante os pedais", conta Marcelo. “Mas o interesse pela fotografia se iniciou na minha vida dentro do mercado criativo. Aos 16 anos já trabalhava em agências de propaganda; aos 20 anos entrei na faculdade de Publicidade e Propaganda,

ESPUMA DO MAR - STUDIO DO ESPORTISTA

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onde fiz o curso de Fotografia. Desde então, não abandonei mais.” Para garantir o resultado perfeito, o profissional usa técnicas sofisticadas, o "FineArt", a mesma utilizada em museus mundo afora. A alta tecnologia empregada nos equipamentos de captura, papéis em algodão e impressão com tinta de micropigmento mineral garante cores vivas, realismo e uma durabilidade de até 200 anos. "Após a captação da imagem, também são usadas técnicas de pós-produção para resgatar a originalidade da cena, tornando-a ainda mais única e realística, trazendo a sensação de se estar no lugar. É o que eu chamo de 4K da fotografia", explica.

CALMARIA EM ALTO-MAR E DUAS ARARAS - STUDIO DO ESPORTISTA

FOTO: CRISTIANO BORGES

MUDANÇAS Publicitário, designer de interiores e empresário, Marcelo Menezes não esperava que tão logo começaria a comercializar as suas peças, já que teria espaço e reconhecimento. Apesar de estar envolvido com a fotografia já há muito tempo, só em 2020 o hobby se tornou trabalho. E o resultado não poderia ser melhor: a expectativa era ter um ou dois quadros expostos na CasaCor Goiás. No fim, foram 14 obras espalhadas pelos ambientes Lounge The Sun, Home Office Essenziale e Studio do Esportista, assinados por Ana Maria Miller e Tainá Torres; Valentina Craboledda e Adriane Conti, respectivamente. Em 2007, quando teve uma Lesão por Esforço Repetitivo (LER) em ambos os braços, Marcelo mudou de área: saiu do mercado publicitário e foi para o de interiores e decoração. “Na tentativa de procurar outra área para trabalhar, encontrei a decoração. Abri uma indústria de móveis planejados, que existe até hoje, me formei em Design de Interiores e Paisagismo e fiz um MBA em Iluminação de Interiores. Só quando comecei a me envolver com FineArt, e ver o potencial e beleza dessas fotografias, que senti que precisava imprimi-las e enquadrá-las”, comenta. A ideia é não parar mais. Recentemente, o fotógrafo desembarcou em Fernando de Noronha e nos Lençóis Maranhenses para uma “experiência imersiva”, que rendeu, segundo ele, excelentes cliques. O próximo passo é elaborar um projeto com o Cerrado. “Vejo um interesse grande do brasileiro em conhecer as particularidades do Cerrado e do nosso Estado. Minha ideia é fotografá-lo em toda a sua exuberância, para fomentar a cultura e o turismo da nossa região.” Marcelo hoje comercializa suas fotografias autorais em quadros e portais FineArt, com medidas personalizadas, fotos com tiragem limitada, diretamente nas suas redes sociais e site.

FOTÓGRAFO MARCELO MENEZES

MARCELO MENEZES | PHOTO ART MARCELO@MARCELOMENEZES.COM.BR (62) 98410-7699 WWW.MARCELOMENEZES.COM.BR @MARCELO_MENEZES_PHOTO 59 ZELO


publizelo

Design e Conforto Parceiros da Matriz Office, arquitetos Allon Trevisan e Lucas Machado exploram soluções da marca na CasaCor Goiás 2021

A

s limitações impostas pela pandemia do novo Coronavírus fizeram o mercado evoluir e atender a novas demandas. Com séculos de existência, o cooperativismo sempre se adaptou aos novos cenários, deu respostas às diversas crises e foi referência em inovação. A CasaCor Goiás 2021 quer promover justamente essa reflexão: como a modernidade se conecta com nossas origens. Um dos maiores exemplos disso na mostra é a "Recepção & Lounge ", ambiente assinado pelo arquiteto Allon Trevisan. Em entrevista à Revista Zelo, o profissional explica que a utilização do mobiliário da Matriz Office foi fundamental para o trabalho. “Como meu espaço é de recepção e bilheteria, tive que usar muitos elementos de escritório. A Matriz Office trabalha com marcas muito boas, como a Bortolini e a Cavaletti, que usei na mostra.” Seguindo o tema do evento, Allon con-

ta que trouxe elementos marcantes da sua infância para o projeto. “Quis dar um ar mais ‘urbano’ para o ambiente, mas sem perder a elegância e o aconchego. Além dos móveis da Matriz, utilizei mármore, materiais em tecido nobre como linhama e outros materiais personalizados.” Igualmente importante para a mostra, o arquiteto Lucas Machado também projetou sua participação com a ajuda da Matriz Office. Seu objetivo é ousado: criar um espaço, que recebeu o nome de "Convívio", em que as pessoas pudessem conectar-se umas com as outras e com o meio natural. “É um conceito que chega para resgatar a natureza e para trazê-la aos espaços construídos pelo homem, conectando nossa necessidade inerente de afiliar a natureza ao ambiente moderno”, explica. O espaço foi inspirado em vários elementos da infância do arquiteto, como o conforto e aconchego da casa da avó –

que, como lembra, era local de muita conversa e descontração entre seus familiares. O banco Spin (foto), um dos protagonistas da decoração, foi fundamental para promover o contato entre os visitantes. Além do conforto e da estética única, o móvel conta com uma conectividade diferenciada, com diversas entradas USB e tomadas – facilidade que atrai a todos. As novas normas de distanciamento social também foram importantes para a idealização. “A pandemia fez nos afastarmos uns dos outros, nos fez sentir falta de contato. A ideia do ‘Convívio’ é justamente propor uma reconexão humana, mostrar a importância de se ter um lugar para aproveitar as pessoas que a gente ama.”

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FOTO: LUCAS PANOBIANCO

FOTO: EDGAR CÉSAR

O BANCO SPIN, DESTAQUE POR OFERECER INTERATIVIDADE SOCIAL E VIRTUAL, POSSUI DESIGN MODERNO COM ENTRADAS USB E TOMADAS

A RECEPÇÃO & LOUNGE DE ALLON TREVISAN CONTA COM LINHA PREMIUM DE MOBILIÁRIO OFFICE PARA O ATENDIMENTO DOS VISITANTES


FOTOS: ANDRÉ CIWYSKI

integração

A INTEGRAÇÃO MÁXIMA ENTRE OS ESPAÇOS VALORIZOU O CONVÍVIO E O CONFORTO DOS MORADORES E PROPORCIONOU MAIOR SENSAÇÃO DE AMPLITUDE

Funcionalidade Harmônica Designer de interiores Amanda Calil dá preferência aos detalhes para alcançar o aconchego e equilibrar espaços Victor Lisita

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e antes as casas eram vistas como refúgios da correria do dia a dia, um lugar para repouso e tranquilidade, atualmente essa ideia evoluiu para um conceito mais amplo. Deixando para trás uma época em que as pessoas passavam longos períodos fora de seus lares, o mundo se transformou e passou a exigir justamente o contrário: salas de aula e escritórios foram trocados pelos cômodos das casas. Mas como fazer essa mudança dar certo? Foi pensando na resposta para essa pergunta que a designer de interiores Amanda Calil aceitou o desafio de integrar harmonicamente os ambientes de um apartamento de 123 m². Para que o espaço abrigasse perfeitamente um jovem casal, seus dois filhos pré-adolescentes e o cãozinho de estimação, a profissional sabia que conforto, beleza e funcionalidade deveriam caminhar juntos. Para integrar a sala de TV, sala de jantar e a varanda gourmet, Amanda focou nos detalhes de cada ambiente e contou com a execução da marcenaria pela NL Móveis Planejados como forma de equilibrar os espaços e levar sensação de aconchego. “Para dividir os ambientes, um sofá foi utilizado no layout, com um aparador sob medida nas costas do móvel para não prejudicar a sen-

sação de hospitalidade”, explica a designer. Pensando no futuro, a profissional ainda optou por utilizar um revestimento em mármore travertino na parede de TV, uma opção que, segundo ela, não só deixa o ambiente elegante como ainda atribui um aspecto atemporal. Além de organizar os aparelhos eletrônicos, o rack da NL conta ainda com uma particularidade: um nicho lateral para receber a caminha do pet. Já para valorizar os espaços, os perfis de LED se mostraram uma ótima opção, tanto para as prateleiras laterais da sala de TV quanto para o painel de MDF Fulgê na sala de jantar. “Também não dá para esquecer do painel ripado na parede lateral, escolhido para camuflar a porta do lavabo”, detalha Amanda. Segundo a designer, a preferência pela madeira em suas opções mais quentes agrega maior aconchego e calor ao ambiente. Sobre a escolha da NL, presente na maior parte do mobiliário, Amanda Calil é rigorosa: “A marca sempre acompanha as etapas de produção e está preparada para buscar as melhores soluções em caso de divergências entre o projeto e a execução.” Com essa preocupação com a qualidade do serviço e prazo de entrega, a designer tem certeza de que mais parcerias estão por vir.

DESIGNER DE INTERIORES AMANDA CALIL

NL MÓVEIS PLANEJADOS @NLPROJETOSDEINTERIORES (62) 98187-5096/ 3432-7900 AMANDA CALIL DESIGNER DE INTERIORES @AMANDACALILDESIGNER (62) 99507-9292


FOTOS: MARCUS CAMARGO

lar

A MARCENARIA COLORIDA E BEM EXECUTADA PELA BONTEMPO É DESTAQUE NA COZINHA

Casa Fortaleza Com ambientes que priorizam o essencial e o afetivo, William Hanna projeta residência como um respiro ao morador Victor Lisita

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m meio às múltiplas possibilidades de construção em uma área de 275 m², o arquiteto William Hanna optou por uma mistura entre um projeto totalmente integrado e cercado de afetividade para acomodar um único morador. Com ênfase na vida mais ativa, a “Casa Fortaleza” teve como ponto de partida as dinâmicas da rotina do cliente. Apenas o essencial foi aplicado e, como o próprio nome já diz, a casa foi pensada como um espaço focado na proteção, na segurança e no bem-estar do indivíduo. “A prioridade do cliente era valorizar a

arquitetura e seu estilo de vida em poucos elementos, de modo que todos os ambientes tivessem uma função acima da estética”, explica William. Desde o projeto estrutural aos mínimos detalhes, envolvendo iluminação, esquadrias e louças, tudo foi disposto com bastante precisão, sobretudo a marcenaria executada pela Bontempo. São diferenciais que, antes de mais nada, podem ser percebidos na entrada da residência. O profissional frisa que a Casa Fortaleza “se difere e se destaca da arquitetura do entorno de forma poética e com inspirações no Brutalismo Paulistano, que mistura concreto, estruturas com vidros e explora a diversidade de ângulos”. Localizada no Setor Oeste, em Goiânia, a construção se sobressai a outros projetos por não se encontrar em um condomínio fechado, mas, sim, em uma parte bem carregada da cidade. “Ela se instala como um respiro, mesmo com uma fachada não voltada totalmente para a rua. Sua plasticidade se fe-

cha e se abre de forma a preservar a vida íntima do seu morador”, detalha William. E uma vez dentro, a fortaleza literalmente se abre para as pessoas. Os espaços são distribuídos por uma setorização que foge do convencional, e não necessariamente segue divisões fixas com paredes, mas permite que os ambientes sejam setorizados pelo próprio mobiliário. Assim que o morador entra no coração da casa, o pavimento térreo apresenta um closet aberto da Bontempo, projetado em tons escuros para dar um ar mais masculino e contemporâneo. Uma escolha de localização diferente, mas que é explicada pela ideia de que, assim, o morador pode se “despir do que trouxe de fora” e deixar todo o peso das impurezas do exterior logo na entrada. Também da Bontempo, a cozinha ganha forma com a aplicação de laca autobrilho, utilizada para imprimir cor e identidade ao ambiente. Já entre esses espaços encontra-se o living com pé-direito duplo


e aberto, que tem conexão física e visual tanto com a cozinha quanto com os outros ambientes da casa. Enquanto isso, no pavimento superior, a ideia inicial continua e o morador fica diante de espaços sem paredes, onde o quarto, banheiro e home office se dividem apenas pelo mobiliário. “A parte mais privativa da casa”, como diz o arquiteto. Privativa, mas não secreta, já que uma parede de vidro dá visibilidade para toda a parte superior. “Da sua fortaleza, o morador consegue observar tudo o que acontece na casa ao mesmo tempo”, lembra. E, embora tenha essa vasta gama de elementos novos, o arquiteto ainda priorizou a história do lugar e do morador. Ao lado da marcenaria bem executada da Bontempo, que William ressalta ter levado o diferencial em tecnologia e cores, peças de valor sentimental foram integradas ao lado de elementos encontrados no próprio terreno, como um tronco de árvore que, mais tarde, foi reaproveitado como mesa de centro. Mesmo com as amplas possibilidades, a certeza que fica é que nada está fora do lugar.

LOGO NA ENTRADA, HÁ UM CLOSET ABERTO, PROJETADO EM TONS ESCUROS PARA DAR UM AR MAIS MASCULINO E CONTEMPORÂNEO AO LOCAL

A ÁREA EXTERNA ROUBA A CENA PELO ACONCHEGO E CONVITE AO RELAXAMENTO

ARQUITETO WILLIAM HANNA


FOTOS: LUCAS PANOBIANCO

atual

Modernidade e tecnologia De olhos no amanhã, Cinex Arch Goiânia lança novo showroom e esquadria que utiliza do minimalismo para integrar interior e exterior Victor Lisita

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MINIMALISMO E PERSONALIZAÇÃO DEFINEM A PORTA LUME. COM VIDRO TRANSLÚCIDO, PERMITE A INTEGRAÇÃO DOS AMBIENTES

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m meio à constante busca por soluções personalizadas e tecnológicas para projetos de arquitetura, a Cinex Arch Goiânia mostra que sua paixão pelo vidro e alumínio não está focada apenas no presente, mas também no futuro. Em meio à caminhada mundial para sair da pandemia, a marca abriu as portas para seu novo showroom como forma de se unir aos clientes para terminar 2021 renovada e pronta para as demandas do amanhã. Ao lado de Cesar Cine, presidente da Cinex, profissionais da área tiveram a oportunidade de conhecer, em primeira mão, um ambiente com novas possibilidades de experimentação dos produtos e que honra o tripé da marca: inovação, emoção e sofisticação. A loja da capital goiana segue se firmando em um segmento premium do mercado. Arrojada? Talvez, mas nada a que a Cinex não esteja familiarizada. Como diz o diretor da Cinex em Goiânia, Pedro Paulo Duque Estrada, “é um showroom glamouroso em termos de detalhes e acabamentos, que irá suprir as necessidades de mercado com soluções contemporâneas”. Um ambiente com ares italianos que não só chama atenção pelo design diferenciado, mas também por toda a experiência sensorial que explora os cinco sentidos. O melhor em portas, esquadrias e revestimentos é apresentado logo na entrada, quando o cliente é surpreendido pela imponência da Esquadria Sotille e a Porta


Dolomia, ambas desenvolvidas para grandes vãos e usadas na fachada da loja. Ao lado de uma playlist escolhida a dedo e uma experiência gustativa com opções vindas da Serra Gaúcha, Pedro Paulo explica que até o lado olfativo foi explorado, com o uso do aroma padrão das lojas Cinex. E se o tato é o tocar com a alma, não poderia faltar a experimentação através do toque. Com a possibilidade de conhecer bem de perto as texturas dos produtos, os clientes desenvolvem intimidade de forma diferenciada, como quando conhecem o design de superfície em alto relevo e acabamento em alumínio do revestimento Rigatto. INTEGRAÇÃO ESPONTÂNEA Nesse mesmo sentido, o novo showroom também trouxe os lançamentos Cinex da temporada 2020/2021, com destaque para a Esquadria Veritas, que chega ao mercado com a promessa de levar conforto aos ambientes mantendo a conexão com a natureza. Com menos alumínio e mais área envidraçada, o produto traz uma forte tendência paulista para Goiânia, sem perder o alto desempenho baseado em normativas europeias. Ao proporcionar a integração do exterior com o interior, a coordenadora de marketing da Cinex, Fernanda Fialho, afirma que a Veritas é ideal para quem busca um alto padrão construtivo. “Através da proposta ‘revele o seu morar’, a esquadria apresenta um design minimalista, que proporciona uma limpeza visual com folhas deslizantes e sistemas de trilhos incorporados à arquitetura”, detalha. E para completar as novidades, a Porta Dolomia se junta à Porta Montblanc com o objetivo de abraçar ambientes com grandes medidas sem perder a resistência e segurança características da Cinex. E se a essência dos produtos procura o contato com o natural em suas funções, o mesmo tipo de busca foi adotado durante o desenvolvimento dos nomes de cada criação. Enquanto Dolomia é uma referência à “Dolomitas”, a principal cadeia montanhosa dos Alpes do norte da Itália, Montblanc não fica distante da ideia de imponência e pega como base o nome de uma das mais altas montanhas dos Alpes e da União Europeia, com mais de 4.800 metros de altura. Com a dedicação em cada detalhe, da escolha do nome ao cuidado de oferecer ao cliente uma assessoria no desenvolvimento do mapa de esquadria, a Cinex Arch começa o segundo semestre de 2021 tendo a “modernidade” como sobrenome.

COM NATURALIDADE, A VERITAS SE CARACTERIZA PELA COMPLETA INTEGRAÇÃO DO INTERNO COM O EXTERNO

A PORTA BRENTA GARANTE UM VISUAL ÚNICO E ELEGANTE DEVIDO AO SEU DESIGN OUSADO

A LUME PODE RECEBER CUSTOMIZAÇÃO DE CORES E ACABAMENTOS DIVERSOS

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qualidade FOTO: CRISTIANO BORGES

DENISE E DANIELLA CARVALHO, EMPREENDEDORAS À FRENTE DA MUNDIAL MIX

Mundial Mix expande showroom com Decortiles Boutique será primeira e única loja do projeto Black em Goiás

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Tatiane Fernandes

U

ma experiência única e interativa, proporcionada por funcionalidades de serviços, exclusividade e personalização, em um ambiente que promete aguçar os sentidos. Viver a experiência é o lema da nova loja Mundial Mix Acabamentos, que está expandindo seu showroom e trará com exclusividade para Goiânia a marca Decortiles, criada pela Eliane Revestimentos Cerâmicos, referência no mercado. A inauguração faz parte do projeto Lojas Black, ação que tem como objetivo a criação de uma rede nacional de showroons dedicados aos produtos Decortiles. “Esta será a primeira e única loja Black de Goiás. Teremos produtos exclusivos da Decortiles, além de artigos diferenciados e exclusivos dos nossos parceiros”, conta a designer de interiores Denise Carvalho, CEO da Mundial Mix. A boutique coloca a relação com o cliente como prioridade e tem o domínio de suas marcas em destaque – ali, oferecer condições diferenciadas, seja em relação a preços, produtos ofertados ou aos serviços qualificados, é um importante fator para proporcionar facilidades e fortalecer essa relação. “Todos os nossos consultores de vendas são arquitetos. Afinal, são vendas complexas, que exigem especialistas”, explica Denise. “Mais do que a venda, nossos consultores oferecem apoio e ajuda em várias questões, como com o quantitativo, calculando a quantidade de material que o cliente precisa, por exemplo. Há o depar-

tamento de projetos, que dá consultoria gratuita para o cliente e também indicamos mão de obra especializada para cada tipo de acabamento adquirido na loja”, completa Daniella Carvalho, sócia-administradora do empreendimento. Outro diferencial do novo espaço é que, apesar de oferecer exclusividade, os produtos estarão disponíveis para pronta-entrega. “Esse é o maior empreendimento na área de acabamentos em Goiás. Vamos proporcionar conceitos diferenciados e uma verdadeira experiência aos nossos parceiros e clientes, mantendo nossos preços acessíveis e um estoque gigantesco, além de exclusivo. A experiência será inesquecível”, garante Denise. BLACK É VERDE! A pandemia de Covid-19 fez com que muita gente voltasse ao próprio interior, buscando conexões com o meio ambiente, a família ou no trabalho. Esse processo impactou diretamente na forma de morar, refletindo também na busca por aconchego e conforto em casa. Talvez por isso os elementos naturais e o conceito da natureza, que estão no radar da decoração há algum tempo, hoje se revelam como principais apostas de tendência permanente e atemporal. “Com a necessidade do distanciamento, o home office foi imprescindível e, consequentemente, naturalizado. Cada vez mais pessoas estão trabalhando em casa.

A EXPANSÃO DA MUNDIAL MIX FAZ PARTE DO PROJETO LOJAS BLACK, COM SHOWROOM ÚNICO DEDICADO AOS PRODUTOS DECORTILES

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Pensar em integração, em sustentabilidade, visando o orgânico, se tornou comum, e levar a natureza para dentro de casa ou do escritório já é algo usual”, expõe Daniella. A natureza, aliás, é um dos conceitos presentes na nova boutique Mundial Mix. “O orgânico é algo que os clientes vão encontrar por toda a nossa loja. Vão poder interagir com os ambientes e aproveitar os espaços instagramáveis para tirar fotos", revela Denise. “Queremos justamente ampliar a experiência de compra, mexendo com todos os sentidos dos visitantes já a partir da entrada. A loja foi projetada pelo arquiteto Thiago Lobo e o showroom da Decortiles leva a assinatura do também arquiteto Alexandre Brunato. Teremos vários ambientes projetados com parceiros selecionados para melhor exposição de produtos, mas de uma forma que os clientes não vão perceber que estão em uma loja de acabamentos. Tenho certeza de que muitos vão gostar tanto que não vão querer ir embora. Será como uma CasaCor fixa”, completa. E por falar na mostra de arquitetura e design, a Mundial Mix é figurinha carimbada na CasaCor Goiás, estando presente nos ambientes de vários arquitetos. “Desde a inauguração da loja, estamos na mostra. Neste ano, a Mundial está nos pisos e paredes de mais de 11 projetos. A mostra envolve um trabalho de equipe muito grande, que exige dedicação, mas nós amamos”, relata Daniella.


FOTOS: GMFOTTUS

CONFIRA AS DICAS DE DENISE E DANIELLA CARVALHO SOBRE AS TENDÊNCIAS DO MOMENTO:

COM UM AMPLO PORTFÓLIO, A LOJA TEM NA EXPERIÊNCIA DO CLIENTE E EM MARCAS EXCLUSIVAS SEU GRANDE DIFERENCIAL DE MERCADO

A PALAVRA DE ORDEM É ORGÂNICA A decoração orgânica nada mais é do que trazer um pouco da natureza para dentro do ambiente, por meio de elementos que compõem uma paleta de cores neutra, com matéria-prima natural, texturas livres e materiais leves. Para as arquitetas, essa é uma tendência atemporal. GRANDES FORMATOS Pisos e revestimentos em grandes formatos, que têm a partir de um metro de comprimento, podem ser muito inovadores. Segundo Denise, além de práticos, eles deixam os ambientes mais atuais. SEM BRILHO O piso ou revestimento acetinado, conhecido também como mate, é aquele que não recebe o acabamento brilhante e fica com um toque sedoso. De acordo com Daniella, é uma excelente opção de revestimento, trazendo também um toque fino e discreto para o ambiente.

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RETORNO A madeira remete aos aspectos naturais, sendo um dos materiais mais antigos na decoração e que volta com tudo agora. As sócias garantem que a madeira traz aconchego, podendo ser combinada com diversas cores e materiais para a casa.


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ZELOBELEZA HANNAH MOTTA hannah@revistazelo.com.br

Absoluta A francesa Lancôme apresenta L’Absolu Rouge Drama Ink, com a missão de reinventar o matte e se tornar o melhor aliado das mulheres. A novidade deixa os lábios confortáveis devido a uma película até quatro vezes mais fina do que um batom tradicional e com um efeito duas vezes mais pigmentado. Para ser usado durante todo o dia com apenas uma aplicação, sem a necessidade de retoques. Para estrelar a campanha, a modelo americana Taylor Hill foi a eleita. Dez cores estão disponíveis: 196 French Touch, 525 French Bisou, 274 French Tea, 888 French Idol, 481 Nuit Pourpre, 270 Peau Contre Peau, 500 L'orfevre, 138 Rouge Drama, 311 Rose Cherie, 288 French OperA. FOTOS: DIVULGAÇÃO

Glow Laura Mercier apresenta RoseGlow, coleção com seis novos Caviar Stick Eye Color e um Highlighting Powder de edição limitada em tons rosados que se adaptam a todos os tons de pele, que promete uma tonalidade universalmente neutra para todos. É formulada por finas partículas de pérolas refletoras de luz, com acabamento sutil e natural. As partículas autoajustáveis e semitransparentes se misturam para um acabamento iluminado e equilibrado na pele.

Aromaterapia Com itens funcionais que proporcionam sensação de calma, energia e relaxamento, O Boticário apresenta sua marca de perfumaria inspirada na aromaterapia, com itens funcionais que proporcionam sensação de calma, energia e relaxamento. As fragrâncias da linha contêm óleos essenciais, proporcionando benefícios que já foram comprovados pela neurociência. São três as opções olfativas: Calma na Alma, um floral cítrico que acalma; Menos Stress, Por Favor, aroma oriental floral que relaxa; e Energia pro Dia, um floral frutal, que energiza e aumenta a sensação de alegria e positividade.

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Skincare A Creamy lança seu sétimo produto, o ácido salicílico A solução, que possui 2% de ácido salicílico, xilitol, tea tree e complexo pré e pós-biótico, ajuda a desobstruir os poros, evitando a formação da acne e reduzindo a oleosidade. É indicado para peles mistas, oleosas e acneicas, promete contribuir com a diminuição da formação de cravos e espinhas e facilitar a renovação celular.

Verão sem fim Nova fragrância

Orgasm on the Beach Cheek Palette é um verdadeiro mergulho no verão. Conta com seis tons dourados e corais inspirados no icônico blush Orgasm de Nars, que trazem microesferas translúcidas em sua composição, que destacam a pigmentação para entregar a máxima coloração real com uma textura inovadora. Sua fórmula leve permite construir e esfumar de maneira uniforme.

Luna Confiante é a nova fragrância feminina de Natura. Com Chipre musk envolvente e marcante, celebra a liberdade de sentir-se confiante em sua própria pele. Traz sofisticação e sensualidade em uma combinação de patchouli amadeirado com um toque de cumaru, ingrediente da biodiversidade brasileira cuidadosamente extraído por cooperativas parceiras na região da Floresta Amazônica.

Para colecionar Eyebrows A reconhecida Anastasia Beverly Hills acaba de desembarcar no Brasil, marcando sua entrada na América do Sul. A marca é referência mundial em cuidados com sobrancelhas e traz para o mercado mais de 30 produtos, com fórmulas veganas e cruelty free, entre eles o best-seller Brow Wiz. Os produtinhos podem ser encontrados com exclusividade na Sephora.

A nova fragrância masculina de Paco Rabanne, Phantom, traz um aromático futurista, nascido da união entre o artesanato de luxo e tecnologia inovadora, afinal, ele se conecta ao smartphone. O intuito é fazer quem usa se sentir energizado, confiante e sexy. Phantom é feito na França, a partir de ingredientes de origem responsável e ética, como lavanda orgânica, limão italiano e vetiver do Haiti. A embalagem, uma verdadeira peça de colecionador, é um caso de amor à parte. E mais: é recarregável!

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FOTO: GIANPAOLO AGOSTINI

empreendedorismo

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Atenção aos detalhes A fisioterapeuta Bel Lasmar está em uma ascendente que já dura anos. Ao lado do marido, Rildo Lasmar, a empresária criou um império da estética em Goiânia Matheus Cruvinel

B

el Lasmar chega à sua clínica todos os dias às 8h. Com calma, caminha pelos corredores – tomados por obras de arte – para inspecionar todos os consultórios. Tudo precisa estar perfeito e em ordem: o brilho do porcelanato, o cheiro das salas, a posição dos móveis e as esculturas. A atenção religiosa aos detalhes é justificável: o lugar é frequentado por seus pacientes. Todos eles exigem o que ali possui em demasia: bom gosto, requinte e conforto. O que talvez eles não saibam é que todos esses detalhes impecáveis não são apenas por acaso. O sorriso da recepção, o gosto do café Kopenhagen servido na espera e o exclusivo aroma floral do consultório são marcas da gestão atenta da fisioterapeuta. E claro que são: sua dedicação pela minúcia só se encerra quando alcança seus próprios padrões. “Faça para os outros o que gostaria de receber.” Esse é o ensinamento que ela passa aos mais de 40 colaboradores que trabalham, hoje, nas sete empresas que comanda ao lado do marido, o odontólogo Rildo Lasmar. No prédio, localizado no Alphaville Flamboyant, o casal compartilha o sucesso nos negócios. Além do Espaço Bel Lasmar, a empresária está profundamente envolvida com franquias. No ano passado, 2020, abriu sua própria unidade da Pink Lash – empresa nacional de extensão de cílios. Depois, se tornou franqueada do Além do Olhar – ateliê de sobrancelhas. Hoje, a ideia é criar sua própria franquia: a Bel Laser. A empresária aposta muito no crescimento do segmento do laser. Sua nova aquisição, o Laser “Soprano Ice” é considerado a mais completa e eficiente solução para remoção de pelos do mercado. E o sucesso absoluto não se deve só a isso: o procedimento, ao contrário dos tradicionais, não dói. O tratamento é mais confortável porque a pele é protegida do calor do apa-

relho pela diminuição da temperatura local, e é daí que vem o nome. Sua linha de cosméticos, a Lascalla, também nunca é deixada de fora. Com a própria fábrica inaugurada – no fim de 2021 –, a empresa vai desenvolver suas próprias essências: criando fragrâncias exclusivas e feitas sob encomenda. O inconfundível cheiro da clínica é, inclusive, trabalho de Bel em frente à marca de cosméticos. Esse movimento constante é característico em pessoas empreendedoras, e não é diferente com ela. Logo após formar-se em Fisioterapia, em 1997, trabalhou no Hospital de Queimaduras de Goiânia com um dos maiores cirurgiões plásticos da área no Brasil, Dr. Nelson Picollo. Experienciar de perto o poder de transformação da autoestima a fez encontrar a vocação que seguiria pelo resto da vida: a estética. Mesmo quando foi aprovada em concurso para o Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), não desistiu do sonho e seguiu atenta às possibilidades. Formando-se, inclusive, na primeira turma em Dermato-Funcional do Estado. Em 2013, após a abertura de um novo consultório do marido, a oportunidade surgiu. Deixou o bom cargo público no Crer e, no fundo do novo consultório, deu início à história do Espaço Bel Lasmar. Mesmo comprometida com a ideia de atender, ela percebeu a necessidade de alguém assumir a administração da empresa. Com duas colegas fisioterapeutas cuidando do atendimento, Bel aceitou o desafio. Com a gerência administrativa, financeira, comercial e de marketing sob sua tutela, o Espaço cresceu vertiginosamente e em pouco tempo tornou-se um dos maiores sucessos da cidade. O que era “necessidade de gestão” virou profissão. E ela, que é fisioterapeuta, se tornou também mulher de negócios. Hoje, oito anos depois, os frutos conti-

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nuam a ser colhidos. O Espaço Bel Lasmar e o Instituto Odontológico Rildo Lasmar crescem tanto que o escritório atual, conhecido pela sua imponência, ficou pequeno. O projeto é ampliar a clínica para um espaço que consiga atender todas as demandas da área da estética. “Um lugar onde qualquer um, homem ou mulher, possa entrar e ter todos os serviços de que precisa. Desde a ponta da unha até o último fio de cabelo.” O projeto desse novo local já está em execução, deve dobrar a capacidade de atendimento das empresas da família e vai ser finalizado, antecipa ela, nos próximos dois anos. As mulheres que lhe inspiram revelam que ela sempre esteve no caminho certo: a caridosa Madre Tereza de Calcutá, a fashionista Coco Chanel, as empresárias Cristiana Arcangeli e Luiza Trajano, a chanceler da Alemanha Ângela Merkel e a deputada estadual goiana Cristina Lopes. Sua família é produto de sucesso: o filho mais velho, João Lasmar, tem 19 anos e já segue os passos do pai: faz Odontologia e está envolvido em todos os negócios, inclusive no Instituto Brasileiro de Odontologia, franquia criada pela família e que está prestes a ser lançado em Goiânia; a mais nova, Beatriz Lasmar, com apenas 13 anos e muita responsabilidade, é sócia, ao lado da mãe, da Pink Lash. O que muitos não sabem é como alguém como Bel, mãe e parte fundamental de uma engrenagem gigantesca, consegue se manter tão calma e serena. Ao contar sua história e rotina à Zelo, foi procurada inúmeras vezes, por meio de chamadas telefônicas, pelos colaboradores e familiares. Em todas as ligações, atendidas com um fone pendurado na orelha, a voz seguia sossegada e aprazível. “É preciso jogo de cintura”, brinca, após ser indagada sobre. “Consegui encontrar minha serenidade com o yoga e a meditação”, acrescenta. Mas a gente sabe que é talento, né?!


FOTOS: DIVULGAÇÃO

publizelo

Clínica Anis torna-se espaço Coworking Repaginando a sua atuação no mercado, empresa se une ao Instituto Liftoff e prepara cursos de aprimoramento 74 ZELO


É

tempo de mudanças! A Clínica Anis tornou-se oficialmente um espaço de coworking de consultórios para a saúde estética. A renovação ocorreu após a parceria com a empresa Liftoff, instituto de aprimoramento em estética. Agora, a clínica volta suas atividades para os profissionais, ministrando cursos aos finais de semana e oferecendo, sempre, o melhor atendimento do mercado goiano. O Liftoff é um instituto de cursos, focado em treinamentos avançados na área da saúde, e agora será – também – gestor do espaço da Clínica Anis. Através dessa parceria, a empresa pode explorar seu potencial de atendimento exclusivo e personalizado aos profissionais clínicos e seus pacientes. O instituto aliou-se à Clínica Anis para apresentar um novo projeto, aliando toda a referência em atendimento da clínica a um novo modelo de negócios: proporcionando aos profissionais a oportunidade de oferecer um atendimento exclusivo aos seus clientes, com um ambiente confortável e luxuoso. O coworking, algo como “trabalho colaborativo” em português, é um conceito novo, mas com bastante receptividade pelo mercado. Foi utilizado pela primeira vez em 2005, com o mesmo propósito que se mantém hoje: a locação de salas de escritório. Na Clínica Anis, as locações serão divididas por período ou por hora, e ficarão disponíveis para atendimentos de segunda a quinta-feira, com funcionamento das 08h às 18h. Para entender melhor como será o o horário de atendimento da Clínica Anis dentro dessa nova proposta de negócio, os gestores da Liftoff, Juliano Tacassi e Felipe Teixeira, explicaram um pouco mais sobre isso: “O profissional poderá selecionar a modalidade de locação, com ou sem assinatura de plano comercial. Com o plano comercial,

ele paga uma taxa mensal, e tem direito de utilizar o endereço da clínica como endereço comercial, serviço de gestão de correspondências e recepção dos seus pacientes dentro ou fora do horário de locação”, explica Juliano Tacassi, um dos gestores da Liftoff. Felipe Teixeira, outro gestor da empresa, pontua que o profissional pode comprar horas ou períodos, e agendar diretamente com o atendimento totalmente personalizado: que reserva e prepara a sala para uso no dia e horário indicados. “Neste formato de serviço, o profissional pode focar sua atenção no que realmente importa: seus pacientes e o desempenho do seu trabalho, sem se preocupar com outras questões, que ficam à nossa responsabilidade. Nós nos empenhamos para entregar um serviço de ponta, zelando pelo conforto e bem-estar dos clientes e pacientes.” SERVIÇO COMPLETO Na locação do espaço para atendimento, o profissional tem acesso a todo o equipamento de trabalho necessário: desde as macas, mesas, aparelhos de laser etc. Além dessa estrutura, a Clínica Anis irá disponibilizar materiais para a prática clínica, por um valor extra. Ou seja, o médico pode escolher entre levar seu material de atendimento ou utilizar os materiais da clínica. Além disso, a Clínica Anis se propõe a prospectar novos clientes para nossos profissionais parceiros. Assim, você, que já está segmentado no mercado, consegue uma rentabilidade maior, com uma maior cartela de clientes, e você, que iniciou a atuação em consultório recentemente, tem a oportunidade de construir a sua clientela através de quem entende e estará disposto a focar no seu crescimento profissional. A recepção continua sendo responsabili75 ZELO

dade de quem já é referência no mercado. Ao contratar a locação do espaço, você garante a experiência de recepção e tratamento para o seu cliente: desde a comunicação inicial, a chegada ao espaço e a alimentação. Podemos servi-lo com o melhor cappuccino, chá gelado ou o que preferir! A clínica é repleta de opções para todos os gostos para a hora do brunch, e o acompanhamento também se estende ao agendamento dos atendimentos. CURSOS Além do coworking, a Clínica Anis agora também ministra cursos de sexta-feira a domingo, especialmente no segmento da estética – com atualizações constantes do que está “em alta” no mercado. Com turmas reduzidas de até oito alunos, todos os cursos ministrados serão realizados com embasamentos teóricos atuais e vivência na prática clínica. A rotatividade de clientes no ambiente continua, e não só em virtude dos atendimentos coworking. Os “clientes modelos” serão, também, parte do novo modelo de trabalho da clínica. Esses serão convidados para procedimentos, realizados por profissionais já formados, e supervisionados pelo docente responsável pelo curso vigente. O cuidado com a segurança desse cliente é, evidentemente, equivalente ao cuidado com qualquer outro. É uma nova fase, de mudanças e novidades. Mesmo sob novo modelo de negócio, seguimos aguardando você na Clínica Anis: fomentando o cuidado em prol da beleza, do bem-estar e da felicidade.

CLÍNICA ANIS SAÚDE ESTÉTICA ED. NEW TIMES SQUARE, SALA 1.013, AV. T-10, 208, SETOR BUENO (62) 99652-3500 (WHATSAPP) (62) 3622-3280 @CLINICAANIS


AUTORAL & ORIGINAL

VESTIDO ROSÉ E CHEMISE LISTRADA THEAR, SAPATO JEANS THEAR FOTOS: JOÃO AUGUSTO ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA: ARIANA LETÍCIA STYLING: MARCOS QUEYROZ ASSISTENTE DE STYLING: LEANDRA NISHIMOTO BEAUTY: JOÃO PEDRO MENDONÇA MODELO: NATHÁLIA QUEIROZ PRODUÇÃO EXECUTIVA: WANESSA CRUZ AGRADECIMENTOS: CASACOR GOIÁS


CAFTAN FUXICO E CALÇA PANTALONA THEAR, CINTO ACERVO PESSOAL


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CALÇA PINK PREGAS E LENÇO ESTAMPADO NAYA VIOLETA, CAMISA VISCOSE CRIOLO E CINTO KARINE BRASIL

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CARROS

FOTOS: DIVULGAÇÃO

ASTERO FONTENELLE astero@revistazelo.com.br

Novo Range Rover O novo Range Rover Velar Auric Edition chega com modernos elementos de design, disponibilidade de pintura e tecnologia atualizada que proporciona mais opções de personalização. Como novidade traz a estreia do Cabin Air Purification Plus (mecanisco que garante ar limpo dentro da cabine). Disponibiliza atualizações de software over the air (SOTA), o Apple CarPlay sem fio que proporcionará conveniência adicional. Chega por € 70.085, na Alemanha.

BMW lança X1 M Sport O BMW X1 M Sport é apresentado ao mercado brasileiro em edição especial para comemorar os 25 anos de atuação da marca no País. A frente conta com para-choque dianteiro esportivo com entradas de ar recortadas pelos faróis de neblina, que são de LED. Já a traseira tem para-choque com desenho exclusivo e duas saídas duplas de escapamento. Tanto os faróis dianteiros quanto os traseiros são em Full LED. O modelo tem motor 2.0 turbo ActiveFlex de 192 cv. A aceleração de zero a 100 km/h ocorre em apenas 7,7 segundos e a velocidade máxima chega a 225 km/h. São três opções de cores: Branco Alpino, Preto Safira e Cinza Mineral.

Fiat Toro: séries Chrome e Black Edition

Volvo lança o XC40 Recharge Pure Eletric

A nova Fiat Toro traz como novidade as séries Chrome e Black Edition exclusivamente para a versão Volcano Turbo 270 Flex. A série Chrome acrescenta à nova Fiat Toro grade frontal cromada e overbumper. Já na Black, a picape exibe grade frontal e overbumper escurecidos e rodas de 18 polegadas de liga leve pintadas de preto. O pacote Tecnologia conta com a nova central multimídia de 10,1” posicionada na vertical, Apple CarPlay e Android Auto sem fio, comandos de voz Bluetooth, MP3, Rádio AM/FM, entrada auxiliar e porta USB. A Fiat Toro Volcano conta com o motor turbo flex mais moderno, potente, que gera 185 cv de potência máxima. A versão Volcano Turbo 270 Flex tem preço sugerido de R$ 153.990.

A Volvo lançou em terras brasileiras o XC40 Recharge Pure Electric, primeiro carro 100% elétrico vendido pela fabricante no País. A novidade chega com design, tecnologia de ponta, segurança, potência e compromisso com o futuro. Equipado com dois motores elétricos, que juntos geram 408 cv de potência e a alta tecnologia da bateria de 78 kWh, que carrega até 80% de sua capacidade em 40 minutos e permite uma aceleração de 0 a 100km/h em apenas 4,9 segundos. Entre os destaques estão o One Pedal Drive e a conectividade: com o Google Automotive Services, o motorista pode usar a voz para diversos comandos do carro, mantendo o foco na estrada. 83 ZELO


destino FOTO: TUCA REINES

A ACOMODAÇÃO NA VILLA BOM JARDIM, EM PARATY, FICA SUSPENSA SOBRE O MAR. É UMA ANTIGA CASA DE BARCOS, QUE FOI REDESENHADA PARA SE TORNAR UM LOFT MODERNO E AREJADO, COM PAREDES DE VIDRO QUE DESCORTINAM UMA VISTA INCRÍVEL

Banho de Natureza As mudanças impostas pela pandemia do novo coronavírus criaram o chamado “turismo de isolamento”. A Zelo reuniu alguns dos melhores destinos do Brasil e do mundo para você conferir

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vida precisa de pausas. Férias e viagens são importantíssimas para que o ser humano tenha uma mudança de ambiente, recarregue as energias e coloque a cabeça no lugar. Mesmo com a velocidade da vacinação, o futuro do turismo parece seguir incerto no Brasil. Nesses tempos de pandemia, vários especialistas da indústria acreditam que a busca por destinos isolados, onde não há contato, ou o contato mínimo com outras pessoas, deve crescer ainda mais daqui para frente. O que era a única forma de tornar o distanciamento social uma escolha, e não uma obrigação, acabou se transformando em hábito de muita gente. Esse “turismo de isolamento”, como fi-

cou conhecido, vende a ideia de “mudança de ares”, principalmente para indivíduos, grupos de amigos ou famílias que estão isolados juntos durante a pandemia. Apesar do respiro da quarentena, e a reabertura do setor hoteleiro, muitos ainda preferem viajar para esses locais mais remotos, alugando casas ou acomodações distantes umas das outras, com uma boa infraestrutura e, de preferência, em meio à natureza. “A tendência é que as pessoas cada vez mais busquem esses locais, como mar ou montanhas, em que tenham privacidade e ao mesmo tempo em que podem contar com o serviço de uma equipe treinada para zelar pelos visitantes”, acredita Félix Jorge, gerente de relacionamento da Villa e Loft 84 ZELO

Bom Jardim, propriedade à beira-mar, na baía de Paraty, no Rio de Janeiro. Essa tendência é tão significativa que uma pesquisa desenvolvida pela Datastore estima que, nas cidades de Brasília, Goiânia e Anápolis, quase 90 mil famílias têm interesse em investir em uma segunda morada – afastada, mas nem tanto, dos grandes centros – próxima da natureza. BANHO DE FLORESTA Imagine poder trabalhar enquanto observa o mar? Ou tirar uma pausa, tomar um café, olhando para a silhueta de montanhas? O chamado “novo normal”, em que o trabalho pode ser feito de qualquer lugar, também motivou as pessoas que pro-


curam esses destinos não para descansar, mas para trabalhar. Uma série de empresas nacionais, inclusive, já aproveitam essa onda para oferecer pacotes vantajosos para quem quer se desligar da rotina doméstica. Chamado de “workation” – uma junção de work e vacation: trabalho e férias em inglês –, a expressão designa todos aqueles que buscam um pouco de conforto e lazer em resorts, hotéis ou casas alugadas enquanto trabalham de forma remota. Os dois pré-requisitos necessários? Conforto e Wi-Fi! E esse comportamento é muito positivo para nossa sociedade. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Pádua, na Itália, revelou que a energia mental das pessoas melhora consideravelmente só ao observarem fotos da natureza. Outro estudo, realizado pela renomada Universidade de Harvard, constatou que áreas verdes melhoram em 30% a nossa saúde mental. E esses benefícios não foram descobertos só recentemente. No Japão, por exemplo, um conceito milenar já dizia que o “banho de floresta” (em japonês, shinrin-yoku) proporciona redução do estresse, relaxamento e maior concentração nas tarefas. É raro encontrar alguém que não se sinta melhor, e mais produtivo, quando está em contato direto com lugares bonitos, silenciosos e “poéticos”.

ECOTURISMO As viagens para descanso que visam testemunhar a natureza, não necessariamente o isolamento, também não param de crescer. Um levantamento realizado pela agência ViajaNet monitorou o volume de buscas e de venda de passagens aéreas nacionais e internacionais durante todo 2020 e 2021, e demonstrou uma mudança nos hábitos dos turistas, com uma nítida preferência por viagens ecológicas. Sua grande diferença para o “turismo de isolamento” e o workation é seu objetivo: preservar a natureza enquanto as pessoas a admiram. Sendo assim, diferente dos outros dois, que têm motivos mais individualistas, o ecoturismo objetiva a natureza, e não a pessoa. Os turistas e visitantes apenas participam desse processo de preservação para se informar e observar. O visitante pode, por exemplo, fazer um passeio pelos recifes de corais a bordo de um barco, enquanto observa os peixes pelas águas transparentes e o instrutor lhe explica as espécies, seu comportamento e seu relacionamento com o habitat. Ou uma viagem por um Safári na África para observar a caça de um grupo de leoas. E o Brasil, como era de se esperar, é um dos principais países do mundo nesse segmento. Um dos destaques está em Goi-

ás: a Chapada dos Veadeiros, no Norte do Estado, é o terceiro local mais procurado em todo o País. Seja para descansar, trabalhar ou testemunhar a natureza, as opções que o mundo nos dá são extensas e maravilhosas. Ficou com vontade? A Zelo reuniu alguns dos lugares mais bonitos, naturais e isolados para se viajar no Brasil e no mundo. Confira: TOCA DO GUARÁ ECOPOUSADA – SÃO JORGE (GO) Conhecida por hospedar muitos dos famosos que vão até a Chapada dos Veadeiros, a Toca do Guará está situada em área de Preservação Ambiental, no entorno do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, Patrimônio Natural da Humanidade (Unesco). A Toca do Guará proporciona uma experiência única de Integração com o Cerrado, paz e sossego às margens das águas cristalinas e medicinais. VILLA BOM JARDIM – PARATY (RJ) Fica a 15 minutos de barco do cais de Paraty, com uma praia de 300 metros, uma casa de sete suítes e um loft de três, com vistas para o mar e para a Mata Atlântica. Conta com um jardim privativo de 30 mil metros quadrados, e é o refúgio ideal para quem busca o aconchego de uma casa FOTO: SITE/TOCA DO GUARÁ

A TOCA DO GUARÁ ESTÁ SITUADA EM ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL, NO ENTORNO DO PARQUE NACIONAL DA CHAPADA DOS VEADEIROS

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FOTOS: DIVULGAÇÃO

na praia, em um local seguro, cercado de serviços exclusivos. No entorno, além da praia, há palmeiras, pomar, horta orgânica com ervas aromáticas e um jardim botânico com mais de 5 mil pés de palmito jussara, lichia e maracujá. Uma segunda trilha leva ao Forte da Tapera, também dentro da propriedade, com três canhões do tempo do Brasil-Colônia apontados para o mar. Esse forte protegia justamente contra a invasão de piratas holandeses e ingleses. Do alto, o local oferece um panorama privilegiado da baía de Paraty. CRISTALINO LODGE – ALTA FLORESTA (MT) Eleito um dos 25 melhores ecolodges do mundo pela National Geographic Traveler, o Cristalino Lodge é a pedida certa para se reconectar com o meio ambiente. Localizado no sul da Amazônia, na cidade de Alta Floresta, no Mato Grosso, o hotel foi projetado em total harmonia com a natureza e está inserido em uma reserva particular com 11.399 hectares – uma área 30% maior que a ilha de Manhattan, nos Estados Unidos. No local, aliás, é possível avistar uma grande variedade de espécies de aves, répteis, insetos e mamíferos, como a anta-brasileira, o caricato tamanduá-bandeira e os simpáticos bicho-preguiça e a lontra. Sem falar na oportunidade de acordar ao som da natureza.

O SIX SENSES BOTANIQUE FICA A POUCO MAIS DE 150 QUILÔMETROS DA CAPITAL PAULISTA

FOTO: SITE/MATA ENCANTADA

BOTANIQUE HOTEL & SPA – TRIÂNGULO DAS SERRAS (SP) Localizado no Triângulo das Serras, confluência dos municípios de São Bento do Sapucaí, Santo Antônio do Pinhal e Campos do Jordão, o Botanique Hotel &

CRAVADO ÀS MARGENS DO RIO CRISTALINO, O HOTEL OFERECE FÁCIL ACESSO A DIVERSAS TRILHAS PELA MATA

SPA é opção para quem procura se desligar completamente do mundo exterior e aproveitar o silêncio absoluto que só as montanhas são capazes de presentear. Um aconchegante e convidativo Jatobá vem conquistando o coração dos hóspedes. O espaço tem se destacado como um verdadeiro oásis de tranquilidade para refeições ao ar livre, oferecidas pelo hotel, ou até mesmo para a prática de yoga e meditação.

RESORT OFERECE APENAS SEIS ACOMODAÇÕES, DISTRIBUÍDAS EM UMA ÁREA VERDE DE MAIS DE 15.000M² DE MATA NATIVA

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MATA ENCANTADA – SANTA CRUZ CABRÁLIA (BA) O ecoresort está dentro de uma área de 15 mil m² de mata e de frente para o mar. Cercado por árvores nativas, típicas da floresta tropical, fica em frente à Praia de Santo André, que já foi eleita por revistas especializadas como uma das dez mais


FOTO: SITE/TERRA ATACAMA

bonitas do Brasil. O resort possui somente seis casas, duas na árvore para casais e quatro Villas (casas de dois dormitórios) espalhadas pela imensa área verde. As casas de um ou dois dormitórios são totalmente equipadas com jardim privativo de 800 m² e Wi-Fi de ótima qualidade. TIERRA ATACAMA – CHILE Fuja para um mundo de céus claros, lagoas de alta altitude e vales lunares no Tierra Atacama. Localizado no alto do deserto norte do Chile, o lodge boutique no Atacama combina um lindo design, experiências autênticas e a atmosfera íntima de um lar, onde um sentimento tanto de turismo de aventura quanto de relaxamento puro pairam no ar. WHITEPOD ECO RESORT – SUÍÇA Nem só de selva e savanas africanas vivem os lodges. Na neve, também há opções. É o caso do Whitepod Eco Resort, nos Alpes Suíços. Com acomodações “móveis”, o hotel é composto por 15 “pods”, que são uma espécie de tenda em forma de iglus revestida com lona. As acomodações apresentam 40 m², móveis em madeira de reflorestamento, mantas de fibras naturais e uma excepcional janela com ampla vista

NO TIERRA ATACAMA É POSSÍVEL CONFERIR DE PERTO AS BELEZAS MÍSTICAS DO DESERTO MAIS ÁRIDO E ALTO DO PLANETA

sobre lagos e montanhas nevadas. CLAYOQUOT WILDERNESS – CANADÁ Às margens do Rio Bedwell, em British Columbia, o Clayoquot Wilderness buscou inspiração nos grandes acampamentos do século XIX para tornar a experiência dos hóspedes inesquecível. Com terapias holísticas, observação de ursos e baleias, aulas da chamada “cozinha moderna natural” e uma série de atividades ao ar livre, como a prática de rafting e tiro com arco, o lugar oferece uma verdadeira imersão à natureza. Destaque para as acomodações oferecidas pelo hotel, que estão inseridas em exclusivas tendas ultraconfortáveis e equipadas com camas king size, bons lençóis, lareira e mobiliário completo.

FOTO: SITE/WHITEPOD ECO RESORT:

OS PODS ASSOCIAM CONFORTO À RESPONSABILIDADE AMBIENTAL EM PLENA NATUREZA DOS VALAIS, NA SUÍÇA

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KLEIN’S CAMP – TANZÂNIA No continente africano, o destaque fica por conta do ecolodge Klein’s Camp, na Tanzânia. O hotel faz parte de um santuário natural de 10 mil hectares de uma concessão outorgada por tribos Masai, no Parque Serengeti. O empreendimento, a propósito, oferece vista privilegiada para a grande migração anual de gnus, zebras, e outros herbívoros e une safáris com luxo e conforto, além de promover o


FOTOS: DIVULGAÇÃO

O GLAMPING AUSTRALIANO É AMPARADO POR DUNAS SUAVES E COM VISTA PARA ULURU

desenvolvimento sustentável, sem deixar impactos na região. LONGITUDE 131 – AUSTRÁLIA Alinhado entre as dunas antigas de Yulara e com uma vista sem igual sobre a pedra de Uluru, uma das maiores atrações turísticas da Austrália, o lodge Longitude 131 reúne 16 pavilhões de tendas cuidadosamente projetadas para oferecer um verdadeiro santuário ao luxo. O mobiliário personalizado e a incrível paisagem predominantemente vermelha chamam a atenção dos hóspedes, que podem observar o cenário do interior através de janelas do chão ao teto, relaxar em decks ao ar livre e, até mesmo, dormir sob um cobertor de estrelas. CAMP SARIKA – FLÓRIDA (EUA) Cercado por 600 hectares de natureza selvagem no coração do deserto de Utah, o Camp Sarika é composto por apenas dez pavilhões com suntuosas tendas. O acampamento é um refúgio sereno e atemporal, onde as sombras das nuvens dançam sobre formações rochosas de cor avermelhada, os céus sem limites expandem os horizontes e o tempo para. Dentro deste santuário remoto, totalmente sintonizado com a natureza, os hóspedes podem experimentar solidão, privacidade, escapismo e aventura.

O ACAMPAMENTO DE LUXO É CERCADO POR UMA NATUREZA EXUBERANTE E INTOCADA

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projeto social

Maneiras de ajudar Petshop de Goiânia realiza diversos projetos filantrópicos no decorrer do ano. Agora, a meta é acumular rações para os animais desabrigados. Depois, brinquedos para as crianças no Natal

Matheus Cruvinel

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xistem inúmeras maneiras de melhorar o dia de alguém. É como dizem, “uma gota no oceano ou um simples grão de areia pode mudar tudo”. A pandemia trouxe impactos fortíssimos para nossa economia, fazendo crescer o número de desempregados, desabrigados e pessoas em situações de fome e rua. Elinilson Tavares, veterinário e proprietário do petshop Bicho Mimado, no Jardim América, decidiu agir para ajudar. Ele conta que sua história com doações começou pelo trabalho de outro projeto social, o “Pão com Amor”. “Eu vivia com uma pessoa que fazia parte do projeto, então me envolvi bastante, ajudando como eu podia. Eu observava as atitudes dela e achava aquilo tudo muito bonito.” Tempos mais tarde, ao levar a mãe à missa em uma igreja que não conhecia, deu de frente com uma situação delicada: vários moradores de rua se acumulavam em frente ao templo. Sensibilizado, ele comprou alguns pães, manteiga, preparou o café e deixou na carroceria de sua camionete com o aviso: “Tome

aqui seu café da manhã!”. O sucesso foi tanto que a ação se tornou um hábito, e todas as vezes que ia à missa o café da manhã ia com ele. A ação contagiou o padre João Batista de Lima, que decidiu fazer sua parte, e abriu o banheiro da igreja para que os desabrigados usassem. “Eles chegavam, tomavam café da manhã e depois banho. Alguns até participavam da missa. Era nítida a diferença que aquilo fazia na vida deles”, conta. Algum tempo depois, a parceria dos dois alcançou outro patamar: João Batista encontrou algumas quitinetes para oferecer aos moradores, e Elinilson, com a ajuda de Nayara Pereira – membro do “Pão com Amor” –, conseguiu vários móveis para mobília. Muitos saíram da rua. “Um deles, que prefiro não identificar, um dia me chamou para conversar. Me disse que era homossexual, que estava vivendo com o HIV e que queria, desesperadamente, sair daquela vida. Queria sair das ruas e lidar de frente com a dependência química. Consegui uma vaga para ele no Credeq, e hoje ele está superbem. São essas coisas que nos motivam”, relata o veterinário.

Depois disso, várias outras iniciativas foram planejadas e realizadas pelo Pet Shop Bicho Mimado e Elinilson. Uma delas, focada em doação de alimentos, conseguiu arrecadar 150 cestas. Hoje, são quatro projetos anuais, de três em três meses. No início do ano, material escolar. Depois, na época fria, agasalhos. Agora, o foco são os animais, com doação de alimentos. Depois, próximo do Natal, brinquedos para crianças. “Viver aquilo me fez enxergar o quão pouco é preciso fazer para ajudar essas pessoas. Porque eu sempre fiz o fácil, que é doar dinheiro. A partir daquele momento, decidi fazer algo diferente. E quando a pandemia começou, e a dificuldade começou a aparecer para todo mundo, foi o meu ponto de partida. Escolhi alguns produtos e serviços da clínica para converter em doações, e venho fazendo isso desde então”, destaca Elinilson. Para doar alimentos para os animais, o projeto atual, basta visitar algum dos vários pontos espalhados pela cidade, como no próprio Pet Shop Bicho Mimado ou mesmo na revista Zelo.


social

Casa Original Realizado no Garden do Shopping Flamboyant, convidados e imprensa conferiram, em primeira mão, as ideias, soluções e projetos de arquitetos, designers e decoradores para a CasaCor Goiás 2021. Com o tema “Casa Original”, esta edição apresenta 44 ambientes, distribuídos em uma área de 6.600 m². Os 66 profissionais participantes desfrutam desse espaço para criar ambientes de verdadeiras proporções, com boa parte tendo mais de 100 m². A ocasião, cercada por brindes, contou com brunch assinado por Hanna Buffet. SHEILA DE PODESTÁ, PEDRO ARIEL E ELIANE MARTINS FOTOS: JOÃO CARLOS

EXPEDITO BEZERRA E LUCAS PANOBIANCO

VICTOR CAMILO E LOHANNE ASSIS

LEO ROMANO, ANNA PAULA MELO E GENÉSIO MARANHÃO

EDUARDO MEDEIROS E GABRIEL BELA CRUZ FOTO: CRISTIANO BORGES

MILENA NIEMEYER


FOTOS: JOÃO CARLOS FOTO: CRISTIANO BORGES

PEDRO ERNESTO E LEANDRA GUALBERTO

WILLIAM HANNA

BIBIANA E GIORDANO ROGOSKI

MARCO LEAL

ALLON TREVISAN

NATALIA VELOSO

WILKER GODOI E FABÍOLA NAOUM

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NANDO NUNES

JORDANA E JULIANA BESSA

LARISSA LEITE

FELIPE FÉLIX

KERLEY DE MELO

RUBIANA TEIXEIRA

PEDRO NOGUEIRA E FERNANDO PINTO

RICARDO LIMA E FLÁVIA ARAÚJO

TAINÁ TORRES E ANA MARIA MILLER

DÉBORAH MEIRELLES E ELIZABETH PIRES

FOTO: PEDRO MOTTA

LUCAS MACHADO

FOTO: CRISTIANO BORGES

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FOTOS: HALYNI ARANTES

social

Brinde O arquiteto Lucas Machado recebeu um seleto grupo de parceiros em seu ambiente, o espaço Convívio, na CasaCor Goiás, para comemorar o sucesso de sua participação na mostra. A noite, de muitos brindes, contou com André Monteiro no saxofone.

SILVINHA HERINGER E LUCAS MACHADO

LUCAS MACHADO, ROSE DE FREITAS E MADALENA MARQUES

DANDLEY MACHADO E PATRÍCIA NUNES

FOTOS: DIVULGAÇÃO

JACQUES VANIER

LEOPOLDO VEIGA

MARCELO BAIOCCHI

Senac Infinite O Senac Goiás lançou o Senac Infinite. O programa vai proporcionar ao público goiano um espaço voltado para tecnologia, inovação, empreendedorismo, educação e tudo que se refere ao ecossistema de startups em Goiás, no Brasil e no mundo. Com cursos, conteúdos, eventos e atividades de inovação em parceria com universidades e organizações do Brasil e do exterior, o Senac Infinite tem por objetivo movimentar o cenário em Goiás. ADEMILDO GODOY, LEOPOLDO VEIGA, SILVANA DE OLIVEIRA, MARCELO BAIOCCHI E MARCELINO LUCENA

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FOTOS: CRISTIANO BORGES

social

CAROL MUNHOZ E GABRIELA SABACK

REJANE DE CASTRO E DORISELMA MARIOTTO

MARIA TEREZA BARBO E VALENTINA CRANOLEDDA

Reposicionamento de marca A Studio Luz promoveu um evento com veias intimistas para apresentar o reposicionamento de sua marca. A executiva Maria Flávia Portes, responsável pela Flos no Brasil, realizou um bate-papo interativo com os arquitetos convidados. Consagrando o momento, a loja não ganhou somente nova ambientação, mas abrangência em seu portfólio. O evento foi animado pelo som de Tom do Sax.

MARIA FLÁVIA, REJANE DE CASTRO E ALEXANDRE MILHOMEM

ANETON VILELA, VALENTINA E RICARDO ASSIS

LUCAS MACHADO, REJANE DE CASTRO E ALLON TREVISAN

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CARINE ROCHA


social FOTOS: CRISTIANO BORGES

Lançamento A Cinex Arch Goiânia reuniu um pequeno grupo de arquitetos para apresentar a nova coleção Vestirsi. A novidade foi revelada em quatro eventos, realizados no ambiente “Estar e Quarto de Casal”, de Patrícia Neto, na Mostra Artefacto 2021. Nele, a arquiteta escolheu os painéis pivotantes da linha Trama da coleção para compor seu projeto. Vestirsi busca o aconchego do toque, o conforto no olhar e o tátil à flor da pele. É a artesania dos tecidos e tramas aplicados junto à inovação dos vidros e alumínios da Cinex. Além da linha Trama, a coleção conta também com Velocitá, Genus e Diaphanous. O evento foi embalado por muita conversa e um cardápio assinado pelo chef Fernando Hanna.

CÉZAR CINI E PEDRO PAULO ESTRADA

WILLIAM HANNA, DORISELMA MARIOTTO, PATRÍCIA NETO E ALEXANDRE MILHOMEM

LUISA MACEDO E CRISTIANE MOUSSA

CARINE ROCHA

VANESSA GRANER

ANDRÉ LENZA

CAROL MUNHOZ, GIOVANNI BORGES E ANA PAULA MUNHOZ

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social FOTOS: CRISTIANO BORGES

Instituto Vitalux inaugura A médica dermatologista Lana Bezerra inaugurou com coquetel para convidados o Instituto Vitalux. O lançamento contou com a presença da apresentadora Vera Viel. Com aparelhos de tecnologia de ponta, os profissionais vão oferecer o que há de mais novo nas áreas de dermatologia e estética. O moderno projeto leva a assinatura do arquiteto William Hanna. No palco, a banda Amplo Spectro, formada por integrantes médicos, animou os convidados.

CAMILA ROSA️, GISELLE DE GÓES E MARIS TAVARES

LANA BEZERRA E VERA VIEL

WALDEMAR NAVES E MARA SANDRA DO AMARAL

MURILO MACEDO E STÉPHANIE BORGES

RÔMULO DE CASTRO E SABRINA TANNUS

WILLIAM HANNA, LANA BEZERRA E TONI GISCH

ANA CARLA MAIA E ANDRÉA MOTA

BANDA AMPLO SPECTRO

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