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EDITORIAL

A REVISTA TÊXTIL é uma publicação da

R. da Silva Haydu & Cia. Ltda. Inscr. Est.: 104.888.210.114 CNPJ/MF: 60.941.143/0001-20 MTB: 0065072/SP

Diretor-Presidente: Ricardo Haydu Diretora de Redação: Clementina “Vivi” Haydu Jornalista: Renata Martorelli Designer: Carlos C. Tartaglioni Foto da capa: Divulgação Representantes Comerciais Europa: International Communications Inc. Andre Jamar 21 rue Renkin: 4800: Verviers: Belgium Tel/Phone: + 32 87 22 53 85 / Fax: + 32 87 23 03 29 e-mail: andrejamar@aol.com Ásia (Asian): Buildwell Int. Co., Ltd. Nº 120, Huludun, 2nd St., Fongyuan, Taichung Hsien: Taiwan 42086: R.O.C. Tel/Phone: + 886 4 2512 3015 / Fax: + 886 4 2512 2372 Coréia (Korea): Jes Media International 6th Fl., Donghye-Bldg.: 47-16, Myungil-Dong Kandong: Gu: Seoul 134-070 Tel./Phone: + (822) 481-3411/3 / Fax: + (822) 481-3414 Correspondente na Argentina: Ecodesul Av. Corrientes, 3849: Piso 14° OF. A. Buenos Aires: Argentina Tel/Phone: (541) 49-2154 / Fax: (541) 866-1742 Órgão Oficial das entidades

Órgão de divulgação das entidades Abint: Associação Brasileira das Ind. de NãoTecidos e Tecidos Técnicos; Núcleo Setorial de Informação do SENAI/CETIQT; Redação/Administração Rua Albuquerque Lins, 867 8º andar - Santa Cecília São Paulo/SP - Brasil - CEP 01230-001 Tel/Phone: +55 (11) 3661.5500 E-mail: revistatextil@revistatextil.com.br Site: www.revistatextil.com.br Publicação bimestral com circulação dirigida às fiações, tecelagens, malharias, beneficiadoras, confecções nacionais e internacionais, universidades e escolas técnicas. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, a filosofia da revista. A reprodução total ou parcial dos artigos desta revista depende de prévia autorização da Editora. Redação Releases, comentários sobre o conteúdo editorial, sugestões e críticas a matérias. Pedidos de informação relacionados às matérias e à localização de reportagens: e-mail: revistatextil@revistatextil.com.br

UM NOVO CLIENTE PARA UMA NOVA ERA O ano de 2020 está chegando ao fim. Por agora, prezado leitor, você já deve ter lido e ouvido essa frase em diversos locais e a recebeu com certo alívio. E é com o mesmo sentimento que abrimos nosso editorial com ela, diante de todos os desafios que boa parte desses 12 meses nos trouxeram. Mas, como começamos a fazer na última edição da REVISTA TÊXTIL, é hora de olhar para o futuro. E encerramos este ano trazendo questionamentos pertinentes para a cadeia têxtil, como “quem é o cliente agora?” A pergunta, levantada no último IntergAbit expõe os desafios que as empresas enfrentarão daqui em diante, tanto na ponta final, com a confecção, quanto na produção de maquinário e matéria-prima. Acreditamos que uma forma de começar a descobrir quem é o cliente agora será por meio da sustentabilidade. Mais especificamente, pela economia circular. Afinal, com a pandemia passamos mais tempo conectados, sendo bombardeados por informação e era de se esperar que nos interessássemos não só em como são feitos os produtos que usamos, mas para onde eles vão depois que usamos. Veja também nesta edição novidades em maquinário têxtil detalhes dobre o Denim City e outros acontecimentos deste segmento e reportes de importantes eventos do setor, como a conferência da ITMF. No mais, aproveitamos para desejar a você, leitor, um excelente 2021, repleto de muito sucesso e prosperidade. Boa leitura!

Publicidade Anuncie na REVISTA TÊXTIL e fale diretamente com o público leitor mais qualificado do setor têxtil no Brasil e no mundo: e-mail: revistatextil@revistatextil.com.br Assinaturas Para renovação e outros serviços, escreva para: e-mail: revistatextil@revistatextil.com.br

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IN MEMORIAN

Norberto Arena

Ao fecharmos esta edição, recebemos a triste notícia do falecimento do empresário Norberto Arena. Conhecido no segmento de moda, no qual atuou por mais de 50 anos, Criou em 1970 a Arena Bureaux de Estilo, primeira agência de tendências internacionais do Brasil, da qual era presidente. Na filial da empresa em Americana implantou um Centro Cultural de Moda, biblioteca completa com mais de 400 exemplares das últimas décadas, entre books e revistas técnicas, todos direcionados a moda para a indústria têxtil em todos os seus setores. Além disso, também foi foi um dos criadores da Convenção da Moda Brasileira, atuou como presidente da Associação de Lojistas do Brás, em São Paulo, coordenador de moda da FIT 0/16 – Feira Internacional do Setor Infanto-juvenil e Bebê. A REVISTA TÊXTIL presta suas mais sinceras condolências à família e aos amigos de Norberto Arena.

04 I Revista Têxtil #768


Make the Difference

COMPACTdrum – A próxima etapa do inventor da compactação O compactador COMPACTdrum para filatórios de anel da Rieter é fácil de instalar e remover. Ele adiciona uma nova dimensão à redução de pilosidade, o que impressiona os clientes, juntamente com os custos de produção muito baixos. O dispositivo processa todas as matérias-primas e abrange todas as finuras de fios.

www.rieter.com Revista Têxtil #768 I 05


SUMÁRIO

FUTURO

08

QUEM É O CLIENTE DO FUTURO?

DENIM

16 18 22 24

CATAGUASES LANÇA NOVA COLEÇÃO DE TECIDOS VICUNHA LANÇA COLEÇÃO SUSTENTÁVEL CANATIBA APRESENTA NOVA TECNOLOGIA ARCHROMA ENCABEÇA LISTA DE TRANSPARÊNCIA

MODA

26 30 34 38 42

BRASIL ECO FASHION WEEK CASA DE CRIADORES FOCUS TÊXTIL SÃO PAULO FASHION WEEK INTEGRABIT

CONFERÊNCIA

44

ITMF REALIZA CONFERÊNCIA ANUAL HÍBRIDA

TECNOLOGIA

48 50 51 52 53 54

MORGANTECNICA APRESENTA MÁQUINA ESPECIAL EFI REGGIANI BOLT É RECONHECIDA ILAY TEXTILE OTIMIZA PRODUÇÃO NOVA SURECOLOR F571 OERLIKON COMBATE O NOVO CORONAVÍRUS USTER OFERECE SOLUÇÕES

MERCADO

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RIETER AVALIA RECUPERAÇÃO DO MERCADO

06 I Revista Têxtil #768


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Let’s grow together


FUTURO

QUEM É O

CLIENTE DO FUTURO? Informado, engajado e preocupado com a sustentabilidade são algumas características que definem o novo perfil do cliente. E o têxtil precisa estar pronto para ele.

N

os últimos anos, a indústria 4.0 tem atraído os holofotes do têxtil. O conceito, que reúne inteligência artificial, internet das coisas e outras evoluções em termos de maquinário, representa um salto quântico nos processos de fabricação, que visa trazer lucros em economia de recursos e minimizar erros e impactos que possam paralisar as produções. Mas, e quanto à evolução do cliente? Embora a tecnologia esteja facilitando algumas etapas produtivas e otimizando a entrega de produtos pelas empresas, ela também é responsável pelo novo perfil de consumidor que estamos nos tornado. Principalmente no que diz respeito ao acesso à informação. Segundo estudo recente da consultoria Nielsen, nós estamos realmente mais conectados: 64% dos consumidores têm um smartphone, 48% utilizam o celular para interações em redes sociais, 39% usam o dispositivo móvel para entretenimento, 51% acham que as propagandas online chamam atenção (contra 42% na TV) e 18% assistem a conteúdos online em seu tempo livre. Na prática? Temos um consumidor cada vez mais bem-informado e que faz valer esse poder na hora de adquirir seus produtos, procurando não só as características básicas de uma roupa, por exemplo, como con-

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forto, durabilidade e estilo, mas que busca saber mais sobre como se dá o processo que faz essa peça chegar às suas mãos. Por isso, mais do que nunca, é necessário se unir e pensar juntos, em fórums e conferências, para trocar informações sobre esse novo perfil de consumidor e como se preparar para atendê-lo. E é exatamente isso que o têxtil tem feito nos últimos meses. Um exemplo é o IntegrAbit, evento on-line organizado pela Associação Brasileira da indústria Têxtil e de Confecção (Abit), que contou com a apresentação de Luiz Arruda, Head da WGSN Mindset América Latina, consultoria responsável pelo estudo Consumidor do Futuro 2022, uma expectativa do comportamento de compra das pessoas em até dois anos. A empresa constatou que, nesse prazo, haverá três tipos de clientes que irão impactar as indústrias: Estabilizadores, Comunitários e Novos Otimistas.

PANDEMIA AVANÇOU O RELÓGIO Outro evento que trouxe o novo perfil do cliente para o cerne das discussões foi o Denim City, realizado entre 26 e 28 de outubro em São Paulo (SP). A iniciativa mobilizou a cadeia do setor de denim de forma híbrida, com

Fotos: Divulgação e Freepik


FUTURO

3 TIPOS DE CLIENTE ATÉ 2022 ESTABILIZADORES Pensam na relação com o tempo e soluções para serem produtivos. Estratégias como processos e soluções mais práticas para a vida. COMUNITÁRIOS Grupo que repensa como enxerga o trabalho, como executam suas atividades e o seu impacto na sociedade. A localidade é uma palavra-chave juntamente com a economia circular. NOVOS OTIMISTAS São pessoas que têm consciência que suas existências podem estar ameaçadas e estão dispostos a fazer algo a respeito.

estrutura física, montada no bairro do Brás, que reuniu showrooms, loja-conceito e um ciclo de painéis e rodas de conversa com marcas e personalidades do segmento, que também foram disponibilizadas on-line pelo canal do Denim City no YouTube (https://bit.ly/3ov1umu). Nas palestras, muitos falaram justamente sobre como a pandemia tem apressado a mudança de comportamento do consumidor, que, em casa e conectado em tempo integral, é bombardeado constantemente por informação e se tornou ávido pela inovação. Seja no produto ou na experiência de acesso a ele, forçando a criatividade das empresas para se tornarem inesquecíveis em um imaginário que muda mais rápido do que antes. E em tempos de novo coronavirus, oferecer proteção é um caminho. “Nessa pandemia, nunca fomos tão pouco ao escritório e fomos tão produtivos ao mesmo tempo. É uma experiência que não gostaríamos de passar de novo, mas tem sido de muito aprendizado. A minha camisa, por exemplo, conta com um revestimento antiviral com resistência de até 30 lavagens. Em pouco mais de 2 meses nós já tínhamos essa tecnologia disponível para o consumidor.”, comentou Newton Coelho, diretor comercial da Santista Têxtil durante painel sobre O denim do Futuro, conduzido pela jornalista Lilian Pacce.

João Bordignon, diretor de marketing da Tecelagem Capricórnio, ainda atenta para outro movimento que se intensificou na quarentena: o on-demand. “Essa experiência digital vem forte com a personalização. Teve uma ação da Levi’s até que o consumidor poderia fazer sua própria etiqueta de cós da calça com o que ele tinha deixado de fazer durante a pandemia. E depois ele recebia essa calça jeans com o que ele escreveu nessa etiqueta”, relata. Segundo ele, esse tipo de experiência deverá se tornar ainda mais comum no futuro. “A gente vê marcas trabalhando a gamificação para aumentar a experiência do cliente. Isso vai afetar o Denim não só do ponto de vista do varejo, mas de concepção de produto”, comenta Bordignon. Newton Coelho, da Santista, concorda. “Cada vez mais teremos apps integrados com a visão do consumidor. A gente consegue customizar lá na ponta e entregar essa peça exclusiva para o consumidor”, diz ele, comentando ainda que os avanços tecnológicos da indústria 4.0 é o que tornam isso possível, como teares inteligentes, que se autocalibram e coletam dados para analisar e aprender, minimizando erros na produção. Outra personalidade do setor que reiterou a importância dessa nova indústria para esse novo mo-

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FUTURO Com a pandemia, passamos mais tempo em casa e conectados. E isso está criando um novo perfil de consumidor.

mento, fora do painel do Denim City, foi Fábio Kreutzfeld, vice-presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Assessórios para a Indústria Têxtil De Confecção (CSMAT). “A indústria têxtil está buscando inovação para os processos produtivos, de modo que tenham informações reais e rastreabilidade de cada etapa do processo, desde a matéria prima até o produto acabado. Para isso está investindo em tecnologia inteligente e compatível com a atual demanda da indústria 4.0. A indústria têxtil segue em um cenário de oportunidades para desenvolver a produtividade e competitividade”, disse Kreutzfeld à REVISTA TÊXTIL.

CLIENTE SUSTENTÁVEL No Denim City, os profissionais ainda ressaltaram a importância da sustentabilidade para cativar esse novo cliente. Segundo o mesmo estudo da Nielsen que citamos aqui, 42% dos consumidores brasileiros estão mudando seus hábitos de consumo para reduzir seu impacto no meio ambiente e 30% dos entrevistados estão atentos aos ingredientes que compõem os produtos. Mais conscientes também, 58% não compram produtos de empresas que realizam testes em animais e 65% não compram de empresas associadas ao trabalho escravo: “Definitivamente a indústria está mais consciente do seu

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papel em investir em processos menos agressivos e precisa comunicar. Tem que ter uma estratégia clara e ser claro na comunicação. Dizer o que estamos fazendo, como e em que tempo”, comenta Bordignon, da Capricórnio. “Sobre a questão da sustentabilidade, temos que direcionar parte dos investimentos para isso. Não pode ficar só no discurso do empresário”, comenta Michel David, diretor presidente da Jolitex Têxtil. O executivo ainda comenta que o custo não é mais uma desculpa para rever processos e práticas e cita como exemplos os novos corantes sem anilina utilizados na indústria do denim. Na lavagem, o produto químico acaba saindo do tecido e contribuindo para a contaminação da água. “E essa nova tecnologia não veio com um custo absurdo. Ela era possível e está aí”, diz. David ainda aproveitou sua fala no Denim City para comentar sobre outra tecnologia que deverá tornar processos ainda mais sustentáveis e, portanto, ser mais atrativa às empresas para os olhos dos clientes. “Já existem duas empresas, uma na Índia e uma na Espanha, que utilizam máquinas de tingimento índigo com zero consumo de água. Elas utilizam uma tecnologia norte-americana e a adição do corante, que se faz hoje pela água, nelas é feito pelo nitrogênio. Já existe e já está em escala industrial”, conclui.


FUTURO A MUDANÇA NÃO É PARA AGORA Para Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), todos os processos de sustentabilidade que estão formando esse novo perfil do cliente são importantes e a sustentabilidade será sim ainda mais importante com o passar dos anos. “Isso vai ser pré-requisito para poder jogar o jogo”, diz à REVISTA TÊXTIL. Mas, o executivo acredita que ainda é cedo para falarmos em um novo perfil de cliente. “Não acho que dê para dizer ainda que tipo de consumidor teremos depois”, afirma. Segundo Pimentel, o fato de ainda não termos saído da pandemia é um fator importante: “Esse consumidor que estamos tentando decifrar, ele ainda está em processo de decifração. porque estamos ainda passando por um momento crítico. Ninguém que está dentro de casa consegue adquirir produtos como se estivesse com uma vida social mais intensa”, argumenta. Fernando Pimentel concorda que o engajamento do consumidor é uma tendência e que ela teve início antes da pandemia. “A tendência que já vinha antes é um consumidor mais engajado e criterioso. Principalmente nas camadas mais jovens e com maior acesso ao estudo. Esse, aliás é um desafio, levar informação, a consciência do consumo para todos os brasileiros e brasileiras”, diz. Mas, acredita que essa mudança não seja para agora. “Nós temos muita gente no Brasil e no mundo. Isso é um processo. Não acontece um big bang e as pessoas acordam com uma nova consciência, conclui”. Quem também levanta a questão educacional da formação do consumidor e como isso pode adiar o processo de mudança no perfil de consumo no Brasil é João Domingos, do SENAI Francisco Matarazzo. Na live realizada pela ABTT, ele comentou que “Ainda que a gente saiba que no país existe um esforço para a destinação correta, ainda não acontece dessa forma como um todo. No nosso país, a legislação existe e ela não é aplicada. É uma questão de cunho educacional, é cultural”, diz. Segundo ele, sustentabilidade é assunto para se debater desde cedo. “Enquanto a gente não falar disso enquanto agenda educacional, nas escolas, vai ser difícil um adulto, que nunca ouviu falar disso, trazer isso como influência de compra”, argumenta.

A economia circular é conceito que vai influenciar o comportamento do cliente

A ERA DA ECONOMIA CIRCULAR Um conceito que tem se consolidado e promete estar cada vez mais em evidência no futuro é o da Economia Circular. Nele, há a preocupação não só do que acontece antes do produto ficar pronto, mas o que acontece com ele no fim de sua vida útil. E isso é feito ao repensar o ciclo tradicional de produção, consumo e descarte para soluções que dêem preferência ao compartilhamento, à manutenção, à reutilização, à remanufatura e à reciclagem de materiais e produtos. “Já vinha um movimento muito forte, essa questão de botar o pé firme em um avanço para a sustentabilidade. O sentimento do consumo mais consciente tomou força com a questão da pandemia. E a economia circular é a palavra da moda”, comentou João Bordignon, diretor de marketing da Tecelagem Capricórnio, no Denim Show. Entretanto, a ideia, que compõe e vai além de um simples plano de sustentabilidade é mais do que um termo da moda e promete ser importantíssimo para o ponto de vista do cliente no setor têxtil, como explica Victoria Santos, pesquisadora do recém-inaugurado Núcleo de Sustentabilidade e Economia Circular (NUSEC) do SENAI CETIQT e palestrante do IntegrAbit no painel Circularidade estendida — da produção ao conRevista Têxtil #770 I 11


FUTURO

IntegrAbit.

Painel realizado no Denim City

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FUTURO UMA TENDÊNCIA GLOBAL A sustentabilidade e seus reflexos no consumo são um assunto amplamente discutido no mundo todo quando se diz respeito ao têxtil. E mesmo quem não lida com o cliente final concorda que é preciso rever os processos produtivos hoje para conquistar o consumidor de amanhã. “Nosso cliente não é o consumidor final. De qualquer forma, as empresas têxteis que são clientes dos fabricantes italianos de máquinas têxteis delinearam um novo perfil de consumidor final. Um que está cada vez mais preocupado com as questões ambientais e inclinado a comprar produtos fabricados através de processos sustentáveis”, comenta Frederico Pellegata, diretor da Associação dos Fabricantes Italianos de Máquinas Têxteis (ACIMIT) à REVISTA TÊXTIL. E o executivo também concorda que a economia circular terá papel importante para ser competitivo no futuro. “Certamente o fim de vida útil do produto e a reciclagem do vestuário são questões importantes para as empresas do setor têxtil. No futuro, a economia circular será um motor competitivo para toda a cadeia de abastecimento têxtil e de vestuário”, diz ele. Pellegata ainda comenta que essa vertente da sustentabilidade tem mobilizado os fabricantes de maquinário têxtil da Itália. “No que diz respeito à economia circular, vemos uma crescente cooperação entre fornecedores de tecnologia e empresas têxteis para encontrar soluções adequadas para a reciclagem de produtos”, finaliza.

sumo. “Com relação a mercado, me refiro ao aumento da percepção de valor dos produtos e empresas que adotam práticas circulares e sustentáveis”, diz Santos. Já Gabriela Mazepa, fundadora e diretora criativa do Re-roupa, comentou o papel da iniciativa para a economia circular. “O que pode ser feito com roupas é o principal foco do nosso trabalho. Nos entendemos mais como uma vertente educacional do que marca”, afirma Mazepa. A empresa promove oficinas de criação itinerantes pelo Brasil, inclusive atendendo a comunidades e grifes, além de comercializar peças com design autoral.

O painel ainda contou com a participação de Javier Goyeneche, fundador da Ecoalf, que trouxe detalhes sobre a atuação da empresa. A Ecoalf possui em seu portfólio de produtos mais de 400 tecidos reciclados feitos com redes de pesca, algodão, garrafas plásticas, borras de café, entre outros. “Não interessa só tirar o lixo do fundo do mar, necessitamos reciclar. Se não, estamos tirando apenas de um lugar para outro. Geralmente retiramos e produzimos no mesmo país, gerando renda e empregos”, destacou o executivo.

E COMO ESTAMOS COM ISSO? Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que 76,4% das indústrias do país desenvolvem algum tipo de economia circular. “Esse é o caminho para a inserção do país na economia de baixo carbono. Para isso, é imprescindível que haja uma ação articulada entre iniciativa privada, governo, academia e sociedade no sentido de criar novas formas de produzir e consumir”, disse o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, à Agência Brasil. A pesquisadora do NUSEC ainda destacou a importância da colaboração para que a economia circular dê certo. “A colaboração é o cerne da economia circular. Não se faz economia circular sozinho. É importante a integração entre vários atores, como indústria, academia, consumidores, entre outros”, frisou. E a afirmação dela é confirmada pela pesquisa da CNI. Segundo o estudo, 73% dos entrevistados consideram que a transição para a economia circular deve ser uma responsabilidade compartilhada entre governo, consumidores e iniciativa privada. “No Brasil, para que lógica circular se realize será necessário maior investimento em educação e inovação. Em um primeiro momento, as empresas terão de investir, mas, em uma etapa seguinte, será possível diminuir custos operacionais por meio de processos mais eficientes e voltados para o reaproveitamento de resíduos e utilização de bens reciclados”, comentou o presidente do Conselho de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Marcelo Thomé à Agência Brasil. No têxtil, esse é o papel do NUSEC, já que o Núcleo é responsável pela criação, consolidação e disseminação de conhecimento e informação relacionadas aos princípios, tecnologias e práticas de sustentabilidade e economia circular focadas no setor. “Dado o

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FUTURO

Sergio Motta, do SENAI CETIQT, Nelson Pereira Junior, presidente da ABTT, oão Domingos, do SENAI Francisco Matarazzo, Braz Costa, do CITEVE e Fernando Pimentel, presidente da Abit em live da ABTT.

tamanho e a relevância da indústria brasileira no contexto global, acredito que com cooperação e esforço coordenado podemos transformá-la em referência de sustentabilidade e circularidade no mercado de moda internacional”, finaliza.

O PREÇO DE SER ECOLÓGICO Com um consumidor tão preocupado com a rastreabilidade, conceito que diz de onde vieram as matérias-primas para que seu produto fosse feito até as políticas de descarte para o fim de sua vida útil, não é de se espantar que o mercado já esteja colocando tudo na ponta do lápis para ver, afinal, quanto custa ser sustentável e como passar isso para o consumidor final. Uma pesquisa recente feita pela IBM sobre tendências globais de consumo afirma que preço pode não ser um impeditivo para clientes engajados. Segundo os resultados, 35% dos respondentes afirmaram que pagariam a mais na etiqueta de preço se o produto for considerado sustentável e esse número tende a crescer com o passar dos anos. Fábio Kreutzfeld, da CSMAT, concorda. “O consumidor atual está buscando cada vez mais qualidade, e por consequência está pagando mais por um determinado produto. Por outro lado, a disposição de pagar mais não está atrelada somente ao design do produto,

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mas sim pelo processo produtivo em que foi submetido. Agregar valor ao produto em relação ao processo de fabricação em que foi submetido desde a matéria-prima, é o desafio da indústria”, diz à REVISTA TÊXTIL. Já Braz Costa, do CITEVE, do Centro Tecnológico Têxtil e Vestuário, sediado em Portugal, comentou durante live promovida pela Associação Brasileira de Tecnologia Têxtil, Confecção e Moda (ABTT) que não é bem assim. “Se um produto sustentável custar duas vezes o que custa um produto não sustentável, nós vamos ter muita dificuldade. Cabe à comunidade científica, tecnológica e à indústria criar soluções de sustentabilidade, mas com níveis de eficiência para que os preços sejam compatíveis com o que os consumidores estão preparados e desejam comprar”, explica. Costa ainda faz um paralelo da sustentabilidade com o celular, que, ainda que tenha dado seus primeiros passos no mundo como um produto de nicho, está hoje difundido em todas as camadas da sociedade, comentando que o desejo por produtos ecologicamente corretos não se resume somente às pessoas de alto poder aquisitivo. “O valor é extremamente importante. Não são só as pessoas de alta renda que estão motivadas pela sustentabilidade”, afirma ele, explicando sobre a importância dos processos de reciclagem e reaproveitamento têxteis serem sustentáveis também economicamente. RT


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CATAGUASES

LANÇA NOVA COLEÇÃO DE TECIDOS PARA O VERÃO 21/22 Batizada de Oasis, novidade retrata a busca da marca por tranquilidade após a pandemia global

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A

humanidade está em busca de um respiro de esperança por dias melhores devido à pandemia global pela qual estamos passando. Esse sentimento foi traduzido pela Cataguases na nova coleção Oasis. Desenvolvida por uma equipe própria, diversa e altamente qualificada, Oasis traduz, de maneira lúdica e criativa, a definição de descanso, repouso e refúgio, por meio de cores frescas e folhagens, com grande destaque para tecidos de superfície natural e aspecto rústico. A nova coleção traz o Biarritz, com a irregularidade dos fios flamês, que remetem ao linho, porém, com o frescor do 100% algodão, além de propostas em fio tinto e alternativas em estampas digitais; e o Giron, em visual falso liso e listrado, de base maquinetada, com fio flamê e composição 100% algodão, mais pesada, ideal para a parte da cintura para baixo. Já como novidade na pegada casual rústica, a coleção conta com a base Ana Ruga em fio tinto. De composição 100% algodão, ele é um tecido resistente e


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fresco, que não requer cuidados de passadoria devido ao seu visual “enrugado”. Famoso nos anos 80, ele volta com tudo nos looks da estação mais quente do ano e pode ser utilizado nas mais variadas peças e segmentos, tais como masculino, feminino, infantil e decoração. “Buscamos inspirações e ideias em todos os tipos de locais onde foi possível estar remotamente. Em nosso mood de tendências, trouxemos referências da passarela internacional, e o momento socioeconômico também diz muito sobre a moda e o comportamento de consumo, portanto, foi um forte balizador das nossas escolhas, tanto para a definição do tema, quanto para as apostas e propostas de produtos”, explica Juliana Peixoto, Coordenadora de Estilo da Cataguases. Oasis traz ainda o tecido Oxford em padronagens de listras e xadrezes e desenhos digitais estampados sobre fio tinto em opções bem democráticas e funcionais para segmentos diversos. O retorno da base Sierra, artigo de composição viscose e algodão, que tem por característica um menor amarrotamento, também promete ser grande sucesso, com quatro seleções de estampas em digital. Além disso, há muitas propostas de fio tinto e estampas digitais nas tricolines best sellers Galles e Capri.

DE OLHO EM UM NOVO CLIENTE Com muitos aprendizados durante a pandemia – que rendeu, inclusive, a parceria com a Dalila Têxtil – e uma nova coleção focada em um futuro livre do novo

coronavirus, a Cataguases está atenta ao que o consumidor dará importância no futuro e vê a sustentabilidade como ponto chave. “Identificamos que durante a pandemia, o movimento de sustentabilidade ganhou ainda mais força. O consumidor está cada vez mais consciente e vai exigir muito mais do que o preço na hora da decisão de compra. Por isso, mais do que nunca empresas como a nossa devem comunicar aos consumidores suas práticas sustentáveis”, comenta Tiago Inácio Peixoto, Diretor Comercial da Cataguases. “Nossos tecidos de algodão, por exemplo, possuem duas certificações reconhecidas internacionalmente; o Standard 100 by Oeko-Tex® e o BCI (Better Cotton Initiative), que exige o modo de produção sustentável do algodão, sem agressão ao solo e por meio de relações de trabalho sadias”, complementa. Segundo o executivo, sustentabilidade é algo levado bastante a sério na Cataguases, inclusive pela localização da sua sede. “Estamos localizados em uma região ocupada pela Mata Atlântica, por isso, possuímos em nossa filial uma área de preservação permanente. Na matriz, temos uma área de compensação ambiental com plantio de árvores nativas”, explica Peixoto, reiterando que “a água usada em todo o processo têxtil também recebe tratamento em nossa estação de efluentes”. Entretanto, as ações da Cataguases vão além de preservar recursos e, na companhia, já se pratica a economia circular. “Enxergar as possibilidades de transformar o descarte e o reaproveitamento em algo positivo é um exercício diário do nosso departamento de sustentabilidade.Também buscamos reaproveitar fios e tecidos que seriam descartados para a criação de novas soluções”, comenta o Diretor Comercial. Tiago Peixoto ainda detalha que o reaproveitamento vai desde a oferta de retalhos provenientes da fábrica, que a comunidade ao redor compra por um preço simbólico e usa na confecção de itens de decoração e patchwork até a ressignificação de resíduos propriamente dita, com a criação de tecidos únicos confeccionados com sobras de fios que seriam descartados. “Inclusive, esse ano lançamos uma coleção de camisas em parceria com a Renner, e essas camisas foram 100% confeccionadas com sobras de fios”, conclui. RT Revista Têxtil #770 I 17


DENIM

VICUNHA

LANÇA COLEÇÃO PAUTADA PELA INOVAÇÃO SUSTENTÁVEL Batizado de “Online Stop Shop”, o evento digital foi transmitido pela marca em 24 de novembro.

U

m portfólio de produtos pautados 100% por tecnologias sustentáveis. Essa foi a proposta do evento “Online Stop Shop” da Vicunha, que apresentou de forma digital sua nova coleção conectada com o que há de mais novo no universo jeanswear. De acordo com a marca, a nova coleção valoriza os processos de transformação e investe na gestão de recursos e resíduos como premissa para o desenvolvimento dos produtos. Engajada com o meio-ambiente, a fabricante aposta em artigos que contam uma história de sustentabilidade do campo ao consumidor final, e mesclam diferentes técnicas e processos, como a combinação de fibras recicladas naturais e sintéticas e processos de tingimento ou preparação que reduzem o consumo de químicos e de água, assim como a utilização de corantes naturais, produzidos a partir de resíduos renováveis. “A nova coleção une as tendências de comportamento do indivíduo, da cadeia de moda e da indústria, propondo reflexões de como minimizar desperdícios, inovar em processos produtivos, utilizar o reaproveitamento como premissa e experimentar sempre, testando novas soluções. É preciso entender as transformações do mundo, aplicando-as de forma consciente e assertiva em nosso dia a dia”, comenta Andrea Fernandes, Gerente Geral de Marketing e Inteligência de Mercado da Vicunha.

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PARCERIAS ECOLÓGICAS Além de chamar a atenção pelos novos processos produtivos, a nova coleção da Vicunha ainda conta com soluções inovadoras desenvolvidas pelos parceiros da marca. É o caso do LYCRA EcoMade, primeiro fio elastano produzido com 20% de material reciclado pré-consumo e certificação GRS (Global Recycled Standard), inédito na América Latina. Outra pioneira novidade fica por conta dos tingimentos EarthColors, da Archroma, produzidos a partir de resíduos naturais renováveis, como sobras agrícolas não comestíveis, folhas de palmeiras do palmito, cascas de nozes, extração de ervas como o alecrim, além de frutos, substituindo as matérias-primas tradicionais à base de petróleo. Além dessas tecnologias, a Vicunha traz para esta coleção tecidos com fio de poliéster reciclado ECORAMA da Indorama Ventures, derivado de garrafas PET; e fibra de liocel TencelTM RefibraTM, desenvolvida a partir da polpa de celulose da madeira e do algodão reciclado pós-consumo industrial, derivado de sobras do processo de confecção. “O caminho da sustentabilidade na moda está aberto e em constante construção e evolução. E nossa jornada de sustentabilidade é baseada em uma visão abrangente de união da cadeia. Neste lançamento, unimos nossas tecnologias já existentes, que nos permitem


DENIM

As novas peças foram desenvolvidas com a sustentabilidade como pilar e a Vicunha fez questão de deixar claro esse desenvolvimento sustentável no interior das peças.

reciclar e recuperar o algodão do processo fabril, com novas soluções de parceiros para chegar a produtos com o máximo de insumos sustentáveis em sua elaboração. Temos buscado cada vez mais desenvolver tecidos jeanswear que aliem o máximo de qualidade e inovação ao menor impacto e o maior reaproveitamento possíveis”, afirma Renata Guarniero, gerente de Marketing da Vicunha.

COMPORTAMENTO E MODA SUSTENTÁVEL Enxuta, a coleção da Vicunha nasceu não só alinhada com a sustentabilidade, mas também conectada

com quatro tendências de comportamento: Eco Extremo, Resíduos Positivos, Plant Based e - É +. Eco.Extremo: Com um caminho em aberto e partindo de uma visão sistêmica, a sustentabilidade na moda está em constante evolução. A trend é baseada na economia circular e busca traduzir o máximo de sustentabilidade em tecidos e shapes, apostando em inúmeras possibilidades e experimentos que combinam diferentes técnicas, processos e materiais. U ​m casamento perfeito entre as tecnologias Vicunha e de parceiros, que resulta em uma série de produtos inovadores e ultra ecológicos.

Revista Têxtil #770 I 19


DENIM

Evento Online Stop Shop

Um deles é o denim Taiga (9,4oz), que leva o selo Eco Cycle (Less Water e Recycle) da Vicunha e utiliza as tecnologias TencelTM RefibraTM e LYCRA EcoMade. No urdume, os fios de algodão reciclado tintos em puro índigo, com redução no consumo de água, garantem um azul intenso e versatilidade na lavanderia, perfeito para acabamentos. O estilo upcycling, patchwork, panelled, de contrastes, new folk e os efeitos vintage traduzem um novo momento para a moda Resíduos positivos: A tendência valoriza a conexão do campo com o consumidor e o investimento na gestão e transformações de resíduos da fibra mais usada no jeanswear: o algodão. Dá luz ao manuseio responsável do algodão, a partir das certificações ABR e BCI e ressalta a importância da transparência na cadeia de moda. As novidades levam o selo Eco Cycle da Vicunha: os denim com algodão reciclado Zatar (11,4oz) e Zat Black Black (10,6oz) se destacam ainda pelos tingimentos diferenciados: o primeiro deles com azul intenso para ser explorado desde o dark ao baby blue, e o segundo no black super intenso, ambos versáteis em lavanderia. O estilo da trend é contemporâneo e valori-

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za o upcycling, que explora a alfaiataria, looks com contrastes de volumes (oversized & justos) e tons (reservas de cor). As modelagens desencontradas, 80´s, girly e pretty stravaganza completam o mood. Plant Based: O reaproveitamento de materiais é uma das alternativas promissoras para sustentabilidade na moda. No jeanswear, o conceito que se originou com o algodão reciclado se expande para outros materiais que também vêm da terra, como flores, frutas, cascas e sementes, que permitem tingimentos naturais. Agora, esses resíduos orgânicos originam pigmentos que dão vida a peças cada vez mais inspirado na natureza, construindo novas relações com o que vem da terra. -É +: Essa tendência traduz a ascensão do essencial na vida das pessoas se traduz na indústria pela redução de processos, trazendo a união do denim colour rígido e estruturado com a valorização do aspecto natural, raw e bull denim. Destaque para as sarjas 100% algodão Astra (11,4oz) e Renzo (11,9oz), produzidas com algodão reciclado no urdume e na trama, conferindo destaque para a construção de shapes em alfaiataria e uma lavanderia minimalista, evidenciando o aspecto natural do algodão.


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APRESENTA NOVA TECNOLOGIA ELASTOPOL Novidade da fabricante utiliza em sua composição fios de poliéster e elastano produzidos na própria tecelagem

F

ocada em oferecer ótima performance térmica e elasticidade. Assim é a nova tecnologia Elastopol, apresentada pela Canatiba Denim Industry. A novidade ainda confere ao denim a possibilidade de secagem na metade do tempo de tecidos comuns, com mistura de algodão e elastano. Outra característica é durabilidade e resistência dessas bases com manutenção da forma, mesmo depois de inúmeras lavagens. Segundo a marca, Esse exclusivo sistema de fiação – com fios produzidos 100% nas fábricas da tecelagem – deu origem a um poliéster que ‘respira’ melhor que os fios filamentados, proporcionando um conforto térmico diante de temperaturas elevadas (ideal para o uso urbano), associado a um toque dos mais confortáveis. A Canatiba afirma ainda que as bases com tecnologia Elastopol resistem aos processos de lavagem e alvejamento sem perda da elasticidade, permitindo maior flexibilidade na lavanderia. A nova tecnologia está presente no Santa Fé Elastopol, com tingimento azul médio ecológico, 9,5 Oz, 69% de algodão, 29% de poliéster, 2% de Elastano e 25% de Stretch. A outra base

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lançada é o Denim Collor Elastopol, um PT com 9,5 Oz, 67% de algodão, 32% de poliéster e 35% de Stretch.

UM CONSUMIDOR MAIS EXIGENTE A recém-apresentada tecnologia Elastopol é a resposta da Canatiba para se destacar em um dos segmentos mais concorridos do têxtil brasileiro e para agradar a um cliente que está cada vez mais exigente. “Sentimos que o consumidor vem se transformando ao longo dos anos, desde o início da crise econômica e, de forma mais intensa, com a pandemia. Vemos isso pelos nossos clientes e pelos nossos próprios hábitos de consumo. Todos estão mais conscientes, em termos de qualidade e durabilidade do que é consumido. Isso tem mais peso que simplesmente o preço, o barato”, comenta Fabio Covolan, diretor de Marketing da Canatiba. O diretor de Marketing ainda comenta que essa escolha por um produto de qualidade implica em uma série de processos sustentáveis para toda a cadeia. “Também notamos uma parcela importante de consumidores interessados diretamente no consumo de


DENIM A nova tecnologia Elastopol utiliza em sua composição fios de poliéster e elastano.

Fabio Covolan é diretor de Marketing da Canatiba.

produtos com características sustentáveis: fibras recicladas, de origem renovável, produtos químicos responsáveis, peças com selos de origem, etc. Esse é um movimento que começou do consumo de massa para o consumo de alto padrão. É fantástico. As grandes cadeias varejistas puxaram esse movimento, seguido por outras marcas, do atacado popular ao varejo de luxo”, comenta Covolan. Segundo ele, para ser competitivo nesse mercado, levando em conta esse novo perfil de cliente, é preciso cuidado e comunicação. “A indústria têxtil que quer realmente fazer parte do mercado tem que se preocupar não apenas em como trata seus resíduos. Deve certificar seus processos, adotar boas práticas de trabalho e fazer chegar ao consumidor a informação de que o seu produto é o mais limpo possível, construído de forma consciente e sustentável”, pontua. Covolan ainda acredita que um caminho assertivo é o das certificações de sustentabilidade, que agora vão além de um mero selo de conformidade. “No passado, a preocupação era apenas cumprir a lei. Hoje buscamos as certificações que mostram de forma fantástica

A nova tecnologia está presente no Santa Fé Elastopol, com tingimento azul médio ecológico.

para o consumidor que ele está diante de um produto responsável. Ao mesmo tempo, essas chancelas doutrinam a indústria a seguir melhores padrões de controle, alcançando mais eficiência, no input e output de insumos, energia, água e lixo”, conclui. RT

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DENIM

ARCHROMA ENCABEÇA LISTA DE TRANSPARÊNCIA AMBIENTAL Empresa suíça de produtos têxteis foi reconhecida pelo Institute of Public & Environmental Affairs (IPE), órgão governamental chinês.

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suíça Archroma, empresa de produtos químicos de especialidade, conhecida por suas soluções para o segmento de Denim, passa a liderar a lista do segmento Químicos Industriais” publicada reconhecida pelo Institute of Public & Environmental Affairs (IPE), órgão chinês que cuida de assuntos relativos à sustentabilidade. De acordo com a Archroma, o que valeu o topo da lista para a empresa foram suas políticas de transparência em sua cadeia de fornecimento. A empresa ainda recebeu outro reconhecimento pelo IPE: neste ano, a empresa passou a fazer parte da lista das 50 empresas consideradas “mais verdes” em termos de cadeia de suprimentos. “Felicitamos a Archroma pela sua excelente aceleração da supervisão da cadeia de abastecimento durante 2020”, disse Linda Greer, Ph.D., Senior Global Fellow da IPE, “e estamos encantados por recebê-los no nosso Top 50 logo no seu primeiro ano. Esperamos que as empresas que adquirem produtos químicos industriais tomem nota desta liderança em sustentabilidade, como é tão raro ver no sector químico”, ressaltou. Heike van de Kerkhof, CEO da Archroma, em participação recente no Green Supply Chain Forum, evento on-line promovido pelo IPE, comentou: “Como líder da indústria, temos a responsabilidade de continuar a enfrentar o desafio climático, e de fazer tudo o que pudermos juntos para reduzir o nosso impacto sobre o ambiente”, disse

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A executiva ainda valorizou a parceria com o órgão chinês. “É aqui que a abordagem do IPE nos apoia. Eles encorajam-nos a desafiar os nossos fornecedores em termos de segurança, saúde e ambiente, e a ir mesmo além das nossas próprias políticas e processos rigorosos”. Nos últimos anos, a Archroma tornou-se especialista em cores e efeitos de moda de denim. Inclusive, a empresa criou um corante de índigo para tingimento de denim que não utiliza anilina em sua composição. Geralmente, o produto químico costuma ser danoso ao meio ambiente, pois é incorporado à água durante o processo de lavagem do tecido.

Heike van de Kerkhof, CEO da Archroma.


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MODA

BRASIL ECO FASHION WEEK CELEBRA A MODA E O PLANETA Em formato on-line, evento contou com mais de 30 painéis durante 10 dias Justa Trama faz sua estréia na passarela, com coleção de Ronaldo Silvestre

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omo você pode ler ao longo desta edição da REVISTA TÊXTIL, a sustentabilidade no segmento não só é algo urgente, como está se tornando imprescindível aos olhos do cliente. Além de ganhar novas nuances do ponto de vista do consumo, que está cada vez mais orientado pela economia circular. Tendo isso em mente, não é de se estranhar que exista todo um evento justamente com o objetivo de conscientizar para caminhos mais ecológicos na moda, engajando público e players do setor. Estamos falando do Brasil Eco Fashion Week, que nasceu em 2017 na cidade de São Paulo (SP). De início com apenas três dias, o evento, neste ano, aproveitou a estrutura digital – caminho seguido por conta dos desdobramentos da pandemia – para ficar ainda maior. Em dez dias, entre 18 e 28 de novembro, o BEFW on-line reuniu em dez dias de experiências gratuitas 33 painéis de conversa, 13 workshops, 18 desfiles, além de um showroom virtual com participação de 60 marcas. Tudo norteado pelo tema “Conectar para regenerar: Moda e Planeta”. “O tema da sustentabilidade, desde que surgiu nesse cenário, ele vem se aprofundando, ele vem ganhando novas concepções, se ampliando e se estendendo.”,

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comenta Marcelo Ramos, do Senai Cetiqt. A instituição, inclusive, inaugurou em agosto deste ano o NUSEC Núcleo de Sustentabilidade e Economia Circular, criado para conceber, estruturar e executar projetos voltados à materialização de atividades ecologicamente corretas.

AS ROUPAS ENTRAM NA “ERA DO USO” A cultura do compartilhamento vem se difundindo cada vez mais. Tudo começou com o Uber, que fez milhões de pessoas ao redor do mundo repensar a necessidade de ter um carro e, agora, o vestuário começa a ver um cenário parecido, com pessoas usando peças de roupa sem a necessidade de comprá-las. E esse assunto foi um dos temas “Ressignificando Roupas e Negócios”, que pode ser visto, na íntegra, no canal do evento no YouTube (https://bit.ly/2HT8I3c), no qual a mediadora Luly Vianna, da Saissu Design e da ONG Casa Rio, recebeu Ana Teresa Saad, cofundadora da Clo.Rent e Luiz Lyra, sócio da Oficina Muda. Saad comentou que uma marca erguida sobre conceitos de economia circular pode nascer de forma simples e informal. “O Clo.Rent começou com aquela troca informal de roupas entre amigas. A gente fazia pelo Fotos: Divulgação


MODA

W’e’ena Tikuna Arte Indígena trouxe grafismos e tecido vegetal de Tururi, típicos da cultura do povo Tikuna.

WhatsApp mesmo ou uma ia na casa da outra ver as peças. Então pensamos em como pegar isso para extrapolar o guarda-roupa da melhor amiga e deixar isso mais profissional”, explicou. Segundo ela, o passo seguinte para profissionalizar foi assumir a curadoria das peças, ressaltando que a plataforma, em si, não é dona das roupas. Ela frisa que a proposta da plataforma é afastar ao máximo o conceito de loja e mostrar que tudo que está ali está disponível para a pessoa usar quando quiser. Deixando claro, ainda, que o Clo.Rent não tem peças próprias. “A ideia sempre foi não ter peças próprias. Quando começamos a operar, pensei na curadoria e como fazer a experiência do cliente, de experimentar e sentir. Assim, a cliente nunca vai se relacionar diretamente com a dona da peça, mas sim com o Clo.Rent”, disse. Durante a apresentação, a cofundadora dividiu mais sobre o processo de atendimento das clientes, que recebem um lookbook com as peças disponíveis. Feito como um editorial de moda, o material vai além do catálogo e mostra como misturar cores, estampas e modelagens para compor o visual, utilizando as peças

No desfile da Comas, peças feitas com upcycling.

disponíveis não necessariamente para locação. É muito mais um leasing do que um aluguel. “Você usa por um tempo e depois pode devolver ou ficar para você”, contou ela.

CIRCULARIDADE COMO ECONOMIA No painel, ainda houve espaço para abordar a economia circular propriamente dita, comentando sobre políticas comerciais de reuso de materiais e como agregar valor para o consumidor. E esse foi justamente o momento de Luiz Lyra, sócio da Oficina Muda, explicar mais sobre sua iniciativa. “Nosso objetivo é de reduzir o estoque das marcas com pequenos defeitos, resumiu”. Lyra ainda contou que a ideia surgiu de “criar um híbrido entre bazar e brechó, uma coisa mais cool”. Ainda que não tenha sido bem aceita na época, já nascia ali um plano de aumentar a vida útil das peças de roupa. O que veio na sequência foi o upcycling. Ou seja, a Muda utiliza resíduos têxteis descartados processados para criar almofadas, por exemplo. E não só isso. Por meio de parceiras, como a Farm, por exemplo, ainda leva ao consumidor outras peças, que já estão no fim de suas coleções, com pequenos Revista Têxtil #770 I 27


MODA

Ricco Bracco trouxe linho e peças de alfaiataria com gênero fluído

Mesmo com o evento on-line, desfiles como o da paraibana Natural Cotton Color não deixaram de acontecer.

A Natural Cotton Color apresentou uma retrospectiva de 15 anos usando o algodão orgânico naturalmente colorido

defeitos e até as que foram usadas por um curto período de tempo e devolvidas para as lojas. “Geralmente, peças com pequenos defeitos, que surgiram durante o processo de vendas”, explicou. Lyra diz ainda que, nesse caso, a comunicação com o público é um fator chave para mostrar a preocupação sustentável da Oficina Muda e distanciá-la do bazar e do outlet. “É uma comunicação que você pre-

cisa ter constantemente com seu público, estar comunicando, estar informando, senão vira só oportunidade comercial. Uma marca bacana e com preço baixo e a gente não quer isso”, esclareceu.

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SUSTENTABILIDADE ALÉM DO ÓBVIO O evento trouxe painéis relevantes, como o “Poliéster reciclado: problema ou solução” (Veja, na


MODA

A marca cearense Catarina Mina, fará sua estreia na passarela com uma coleção de roupas com renda de bilro.

A moda da Catarina Mina foi desenvolvida em um projeto com 120 artesãs do Ceará

A Catarina Mina sempre esteve presente no Mercado Eco do evento, com bolsas e acessórios feitos à mão

íntegra, aqui: https://bit.ly/37iKkjZ) o “Denim e Práticas Sustentáveis” (veja, na íntegra, aqui: https://bit. ly/3qejAdl) e o “A Moda dentro dos limites da Terra” (veja, na íntegra, aqui https://bit.ly/2Jkcl2L), com a participação de Kate Fletcher e da professora do Re-lab Espm, consultora, escritora e referência em moda e sustentabilidade, Lilyan Berlim. Fletcher, que faz parte do Centre for Sustainable Fashion da

University of the Arts London conduz estudos que têm como base unir os princípios da natureza, cultura e design. O BEFW ainda mostrou espaço para a tecnologia e inovação no painel “Moda regenerativa: Cooperação entre Indústrias da Moda e Alimentação” (veja, na íntegra, aqui https://bit.ly/3fMHHuJ), que revelou detalhes do sistema de biorefinaria que transforma resíduos agrícolas em fios e tecidos para a indústria da moda. E ao destacar a apresentação da pesquisadora Zuzana Gombosova, fundadora da Malai, falar no painel “A Evolução dos Biomateriais na Moda” (veja, na íntegra, aqui https://bit.ly/33uQ9tD), no qual falou sobre sua celulose bacteriana, desenvolvida com água de coco residual e fibra de banana. Ao lado dela, esteve Greg Stillman, diretor de negócios da Natural Fiber Welding, que criou o biomaterial Mirum - ambos com fórmula 100% biobased - isenta de ingredientes sintéticos- um diferencial almejado em processos cada vez mais sustentáveis. Entretanto, um ponto marcante do Brasil Eco Fashion Week foi a discussão da sustentabilidade fora de temas usuais para o setor. Além de mostrar a economia circular como uma oportunidade real de negócio para novas marcas e até para as já estabelecidas, exemplo da Farm com a Oficina Muda, o evento ainda mostrou a importância da cultura das startups para se criar uma moda mais sustentável, como foi visto no painel “A Economia Criativa como estratégia de desenvolvimento sustentável” (que pode ser visto, na íntegra, aqui: https://bit.ly/3fLRQbb). Tudo isso, sem esquecer o papel dos pequenos empresários para construir esse cenário mais ecológico para o setor. “Somos muitos pequenos empresários em um grande país com força e vontade de fazer diferente”, disse Rafael Morais, cofundador do Brasil Eco Fashion Week. No final de seus dez dias, o evento se mostrou ainda maior e relevante para a indústria têxtil. Outra vitória foi o formato on-line que, ao disponibilizar todo o conteúdo completo (veja aqui: https://bit.ly/37iNswf) mesmo após sua realização, ajuda a ecoar ainda mais as discussões importantes levantadas para o futuro. Uma vez que os vídeos gravados com as falas dos profissionais participantes podem ser assistidas e revistas à vontade. RT Revista Têxtil #770 I 29


MODA

CASA DE CRIADORES CELEBRA A DIVERSIDADE E A INCLUSÃO EM EDIÇÃO ON-LINE

Evento autoral acontece de forma digital pela primeira vez, mas segue relevante ao fazer paralelo da moda com temas importantes para sociedade

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Casa de Criadores teve apenas uma edição neste ano e seguiu orientado pela diversidade cultural

C

asa de Criadores é considerado um evento referência da moda autoral no Brasil. Realizado duas vezes por ano desde 1997, vem se fortalecendo e revelando novos talentos para o têxtil nacional. Neste ano, entretanto, muito mudou. Com o surto do novo coronavírus, houve edição única do evento entre os dias 23 e 27 de novembro. O formato também foi novo. Se Casa de Criadores já havia ganhado fama por ser realizado em espaços importantes da capital paulista de forma plural, indo desde o Viaduto do Chá até a quadra do Estádio do Pacaembú, passando pela Galeria Prestes Maia e pelo Memorial da América Latina, a 47ª edição totalmente on-line se destacou por ser diferente dos anos anteriores. Entretanto, o evento se manteve fiel à sua essência. Desfiles foram realizados e os painéis e rodas de conversa virtuais seguiram debatendo temas atuais e de forte cunho social.E acabaram ficando ainda mais acessíveis, pois podem ser vistos mesmo depois do fim do evento no canal de Casa de Criadores no YouTube (https://bit.ly/3miVw6K).

Fotos: Divulgação


MODA

Sem uma sede física neste ano, o evento contou contou com vídeos gravados para mostrar sua identidade

VISIBILIDADE PARA PESSOAS PRETAS NA MODA Em tempos nos quais a igualdade vem sido amplamente discutido, com o movimento Black Lives Matter ganhando força não só nos Estados Unidos, mas no mundo todo, Casa de Criadores trouxe um painel de extrema relevância para a moda e para o têxtil como um todo: o “O que é a Moda Preta”. Conduzida pelos estilistas do coletivo Célula Preta, Jal Vieira, Fábio Costa, Weider Silveiro e Diego Gama, Hisan Silva e Pedro Batalha, a roda de conversa trouxe um pouco das reuniões periódicas do grupo. “A gente estruturou essa conversa pra abrir o diálogo que temos semanalmente”, contou Fábio. “A Célula se juntou em um momento onde a gente sentiu a necessidade de visibilizar povos pretos e pessoas pretas na moda”, continuou. Entretanto, como o painel deixou claro, o coletivo não usa as reuniões apenas para falar sobre moda, mas para debater questões importantes da sociedade, o que faz do grupo uma importante rede de apoio mútuo. “A célula surgiu em meio a esse momento tenso que a gen-

te está vivendo, esse momento pandêmico, e fora os assassinatos que fizeram ressurgir o movimento Black Lives Matter. Aí nós nos unimos. A Célula se tornou um porto seguro profissional e emocioal. Entender o outro, se espelhar no outro e ver os atravessamentos um do outro, tem feito fez toda a diferença para se sentir seguro”, comentou Vieira. Ela ainda explicou que conta muito da sua história por meio do seu trabalho. “Meu trabalho, ele diz muito sobre meus atravessamentos enquanto mulher preta, então eu acabo imprimindo muito disso em texturas, modelagens, narrativas”, disse. Weider Silveiro engrossou o coro sobre a questão da sensação de pertencimento trazida pela célula, com lugar de escuta e de fala. “Eu vou falar uma coisa que só quem é preto vai entender. Eu posso falar que em quatro meses na Célula eu me sentir num lugar mais confortável do que nos últimos 14 anos e meio”, conta ele, que tem sua própria marca e agrega outras lutas para a moda que cria, além da igualdade racial. “Eu sempre tentei trabalhar na minha marca não só pessoas pretas, mas pessoas

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MODA PRESENÇA INDÍGENA

Os participantes debateram a presença indígena na moda e apropriação cultural

trans e pessoas invisibilizadas pela sociedade como um todo”, contou. O coletivo cria a oportunidade de talentos se apoiarem uns nos outros para seguirem em frente com sua visão de moda. “Eu venho do universo do basquete e meu trabalho vem muito desse universo esportivo, mas com muita experimentação têxtil, inclusive usando materiais que não são do têxtil”, explica Diego Gama. Já Pedro Batalha falou sobre a abordagem da marca que conduz ao lado de Hisan Silva, a Dendezeiro. “Nosso traballho é muito focado na construção da autoestima de pessoas pretas. Nosso estudo de modelagem é cada vez mais agêneros e comportam cada vez mais pessoas de corpos diferentes”. E ainda há espaço para as expressões regionais. “O que a gente cria é muito do que a gente vive aqui do Nordeste”, explica Silva, que é estreante em Casa dos Criadores. As reflexões do painel podem ser vistas, na íntegra, no painel que segue disponível no canal do evento no YouTube (https://bit.ly/2JsalW4).

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Outro painel importante e diferente trazdido este ano por Casa de Criadores foi o “Descolonize a moda” cujo objetivo foi dar voz e espaço aos profissionais indígenas do segmento. Todo composto por ativistas da causa e membros do movimento Indígena Moda BR, reuniu a modelo Jessica Ribeira, o maquiador Luis Kwarahy, o designer João Sioduhi e foi mediado pela stylist Dayana Molina. Para os não iniciados na conversa, Molina explicou do que se tratava a apresentação. “Para quem não acompanha essa discussão nas redes, toda a moda é pautada no padrão eurocêntrico de beleza”. A stylist comentou ainda que a moda tem o poder de invisibilzar e excluir, mas tem o poder de ser um agente da mudança, de fomento econômico e transformação social para realizar justamente o oposto. “A moda precisa reconectar com esses propósitos e exaltar a cultura nativa desse país”, completa. Dizendo também que é preciso reconhecer não só a cultura, mas também os profissionais de raízes indígenas. Indo além da inclusão, o painel ainda chamou a atenção para a seriedade de reconhecer a identidade indígena, invisibilizada pelo padrão europeu quando se fala em moda e beleza. “Meu povo estava passando por um processo de pressão de autoestima devido a pressão eurocentrista e isso estava originando muitos suicídios na minha região. Eu queria entender porque as pessoas não estavam contentes com a beleza que elas tinham”, conta ele que utilizou a força do fato para criar sua marca. “É muito duro o mercado da moda no Brasil e eu já pensei em desistir. Eles colocam um padrão eurocêntrico e a gente tem lutado para essa diversidade”, conta a modelo Jessica Ribeira. “Não há como falar sobre beleza e maquiagem sem eu falar da falta de diversidade. Da pressão que a gente sofre, das tentativas de mudar os nossos traços a todo momento”, contou o maquiador Luis Kwarahy. Para Sioduhi, a invisibilidade dos povos indígenas é estrutural. “As pessoas tem esse abismo de conhecimento. As pessoas tem uma ideia formada e não conseguem diferenciar o que é tradicional com o contemporâneo. Quando a gente abre a boca e conta todo o processo cultural e a importância de respeitar, elas ficam pasmas, porque não sabiam nem a metade. Porque é o que se conta nas escolas”, disse ele, cuja marca


MODA

Todos os desfiles seguiram o tom da diversidade, já característico do evento

própria leva o nome do seu povo: Piratapuia, que vive na região do Alto Rio Negro, no Amazonas. Dayana Molina acredita que a geração de agora está engajada em criar um legado. “Crescemos sem referenciais nas revistas, na arte e na cultura. A ideia é ser referência para toda uma geração a seguir. A gente fala de simbologias e códigos e comunicação, inspirar e empoderar, criar nova ótica. Muitos dos nossos ancestrais não tiveram acesso ao mercado de trabalho e ao ensino superior. Nossa geração tem esse comprometimento”. Ela ainda explica que, para isso, é muito importante desconstruir a imagem que se tem do povo indígina reservado apenas às aldeias. “Nós somos indígenas em qualquer lugar que a gente ocupe”, diz a stylist.

APROPRIAÇÃO CULTURAL Polêmico e necessário, o tema da apropriação cultural não poderia ficar de fora do painel. “Já vi stylists que colocam estampas de pessoas indígenas sem buscar informações. Eles nos tratam como se fôssemos pessoas que não buscam viver nas cidades grandes. É muito triste e o pior de tudo é que eles dizem ser homenagem e não colocam uma pessoa indígena protagonizando. Colocam essa estampa no corpo de uma mulher alta e branca”, comentou Jessica Ribeira. Já Luis Kwarahy chamou a atenção para os equívocos do Carnaval, uma vez que a maior festa popular do Brasil tem muito de moda e ainda mais de apropriação cultural. “As pessoas sexualizam o corpo indígena e esvaziam nossa cultura no Carnaval. Não é só sobre você usar. Você precisa pensar criticamente o que está usando, com o que aquela homenagem está contribuin-

do. A apropriação cultural traz a desumanização dos nossos corpos” explicou. Dayana Molina finalizou chamando a atenção do papel da moda para essa realidade. “A gente sabe o quanto a moda se empodera de elementos que não são seus. As pessoas usam esse argumento de homenagem como se fosse algo correto e não, não se pode usar nem um tipo de elemento da nossa cultura, quando você não faz parte da nossa cultura. E a indústria da moda precisa combater esse tipo de prática. Porque se a gente quer uma estética que fale de origem e ancestralidade, a gente precisa convidar pessoas em seus lugares de fala para mostrar isso”, disse a stylist. Com um conteúdo denso e importante para mudarmos a forma de ver a relação do têxtil com os nossos povos nativos, o painel “Decolonize a moda” também está disponível, na íntegra, no YouTube (https:// bit.ly/2Vf92fK). RT

Ainda houve espaço para manifestações culturais

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MODA

FOCUS TÊXTIL

PROMOVE SEMINÁRIO ON-LINE COM 45 HORAS DE CONTEÚDO Realizado durante dois dias, Focus Fashion Summit recebeu 90 convidados para abordar diversos segmentos da moda

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ever cumprido. É com essas palavras que a Focus Têxtil definiu a segunda edição do Focus Fashion Summit, o completo seminário que promoveu on-line, entre os dias 28 e 29 de outubro. Com a participação de 90 palestrantes, sendo dois deles da Inglaterra, o evento abordou diversos lados da moda em lives e palestras. O evento foi dividido em dois palcos virtuais: enquanto o principal trouxe discussões pertinentes para todo o universo do têxtil, o segundo, batizado de Mentoria, veio com temas específicos para determinados nichos do segmento. Nele, profissionais competentes dividiram seus conhecimentos em painéis que abordavam desde a moda infantil até as tendências do jeanswear para o ano que vem. Passando, claro, pelo que deverá acontecer nas coleções primavera-verão 21/22 entre cores e formas. Entre as rodas de conversa virtuais realizadas no palco principal, Loretta Pettinatti, estilista e parte da equipe do evento ESTAMPAR, comandou um descontraído bate-papo sobre estampas com o tema “Vamos nos Permitir”. O painel contou ainda com a participação de Fernanda Feijó, Diretora de Estilo da Renner; Lucius

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O painel “Vamos Nos Permitir” foi Mediado por Loretta Pettinatti, da Estampar

Vilar, Coordenador de Estampas do Inspira Mais; Janaína Salgado, Cool Hunter da Trend2; Felipe Sanchez, CEO da Global Química e Moda e Fábio Neves, CEO da Epson no Brasil. No painel, o grande destaque foi o papel da tecnologia para a democratização da estamparia no Brasil, o CEO da Epson ressaltou a importância do digital para o novo comportamento do consumidor no atual cenário de pandemia, quando as pessoas estão se adptando a trabalhar de outras formas no quesito vestuário. “Eu achei muito interessante esse título, ‘Vamos Nos Permitir’. Achei bem forte e importante para o que a gente tá passando. As pessoas estão procurando por roupas cada vez menos formais”, comentou ele, reiterando no quanto esse movimento contribui para a estamparia. “Essa mudança no comportamento do consumo, acelera a digitalização do processo fabril têxtil aqui no Brasil. Hoje, na Epson, nós temos um portfólio bastante flexível, com soluções que ocupam pouco espaço e permitem que pequenas empresas cresçam mais rápido. Pois elas permitem que várias estampas sejam impressas no mesmo dia para atender esse desejo do consumidor”, conclui Fábio Neves.

Fotos: Divulgação


MODA

Ainda sobre a democratização dos processos, Felipe Neves, CEO ds Global Química e Moda, vê positivamente a consolidação da estampa no Brasil. “A gente vem trabalhando fortemente para ter novas formas de estamparia digital, incluindo parcerias estratégicas. Ficamos muito contentes em poder colaborar com soluções de ponta a ponta para qualquer tamanho, qualquer perfil de empresa, onde a gente vê o digital tomando cada vez mais corpo e sendo não só uma tendência mas uma certeza para o Brasil”, comemorou.

SUSTENTABILIDADE PRESENTE Como não poderia deixar de ser, sustentabilidade foi outro tema importante no evento e com painel dedicado no palco virtual principal. Sob mediação de Paulo Cristelli, Gerente de Sustentabilidade na Focus Têxtil e responsável pelo Instituto da empresa, os convidados Donatti, Vice-presidente da C&A; Henry Costa, Diretor de Produto da Renner; Andreia Meyrelles, gestora de projetos do Instituto E e Yoni Stern, Diretor Executivo da Focus Têxtil, discutiram “Como Ser Sustentável em Larga escala”. “O tema do painel é provocativo. É para gente pensar e discutir sobre ele”, comentou Cristelli ao iniciar o

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MODA

Os convidados do painel que discutiram ações sobre sustentabilidade no têxtil

bate-papo. Contudo, a discussão logo tomou corpo com Donatti, que foi bastante direto ao falar se é possível ser sustentável em larga escala. “Respondendo a pergunta, eu digo que é impossível não ser sustentável em larga escala. Os nossos clientes, a sociedade como um todo, não aceitam, então estamos todos nesse caminho”, comentou. Esse consumidor engajado e bem informado tem sido agente da mudança pra diversas empresas dentro desse tema e na C&A não é diferente. Segundo Donatti, a empresa aborda o tema de maneira cultural, indo de treinamentos internos para seus associados até usar seus canais em redes sociais para se unir ao público na discussão do porquê a sustentabilidade é importante. Já Andreia Meyrelles complementa o pensamento dizendo ainda que o bom desempenho de uma empresa agora passa necessariamente pela sustentabilidade. “É preciso olhar a parte ambiental e sem dúvida a parte social, principalmente aqui no Brasil e trazer isso para a parte de governança. O que a gente vê como uma mudança forte que está acontecendo é justamente as

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MODA

indústrias, as empresas e os diferentes elos dessa cadeia começarem a terem a sustentabilidade como um indicador de sucesso, mesmo. Para dentro e para fora”, explica a gestora de projetos do Instituto E. Meyrelles também engrossa o coro da importância do consumidor nesse processo de incutir a sustentabilidade como cultura. “Colaboração é base para crescer sustentabilidade e a gente precisa desse consumidor como parte ativa disso, a gente precisa da inclusão dele nessa cadeia, de uma maneira consciente. Porque se a gente quer agregar valor a esse produto, lá na ponta, esse valor precisa ser reconhecido”, finaliza.

CONSTRUINDO O DESIGN VIVO O Focus Fashion Summit ainda abriu espaço para a inovação no painel “Biodesign, o design vivo”, que foi mediada pelo Diretor de Produtos da Focus Têxtil, Leonardo Hallal e contou com a participação de Louis Alderson-Bithell, designer e palestrante sobre o tema no Royal College of Art, em Londres; Victoria Geaney, designer de moda interdisciplinar e conceitual; Renan Serrano, líder da startup Visto.bio; Alê Farah, jornalista especialista em moda e sustentabilidade. “Estamos aqui pra falar de um tema muito interessante que é o Biodesign. Essa área que consegue misturar ciência com arte e com moda”, abriu Hallal a apresentação que deu espaço primeiro para os convidados brasileiros e depois para os internacionais. “Quando a gente fala de biodesign, ele e muito amplo. Eu percebi que os clientes compravam roupas que eles já tinham comprado, não só as novidades que eu fazia. Eu passei a analisar esses dados e percebi o que estava

acontecendo. Eles me diziam que gostavam da roupa que eu tinha feito antes, mas compravam novamente porque, após algumas lavagens, ela já não era a mesma”. Dentro desse cenário, o líder da startup Visto.bio constatou que o que faz as pessoas lavarem a roupa vai além da sujeira, mas as bactérias que dão odores à peça. Contudo, embora a solução de colocar acabamento bactericida parecesse óbvio, Serrano também percebeu que ele não era unanimidade, afinal existem clientes que não estão dispostos a pagar mais caro por isso. “Foi então que decidimos dar essa opção ao cliente. Ele entra no nosso site, compra o produto e decide em qual peça ele vai colocar. E isso tem ajudado muita gente a cuidar melhor daquela roupa cara que ela comprou em um brechó, por exemplo”. Contudo, criar roupas com o uso do biodesign vai muito além de peças resistentes ao suor, como explicou designer de moda interdisciplinar, Victoria Geaney. Pesquisadora, ela criou, por meio de sua pesquisa, um “kit de ferramentas” que ajuda designers de moda a trabalhar com biólogos para ver de que forma esses conhecimentos podem convergir para trazer inovações de origem biológica para o vestuário. “A minha pesquisa é impulsionada por intersecções entre microbiologia e design de moda. É preciso entender o relacionamento entre o corpo e as bactérias. Com isso, podemos usar bactérias luminescentes para criar roupas com esse design, por exemplo” finaliza. Os conteúdos variados que compuseram essa segunda edição do Focus Fashion Summit podem ser vistos no canal da empresa no YouTube (https://bit. ly/369OVFM). RT Revista Têxtil #770 I 37


MODA

SÃO PAULO FASHION WEEK

Os desfiles foram projetados em locais de destaque da capital paulista.

CELEBRA 25 ANOS COM EDIÇÃO INOVADORA

Quatro dias de evento contaram com desfiles transmitidos pelo YouTube e projetados em pontos importantes da capital paulista

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omemorar seus 25 anos em meio a uma pandemia foi desafio da edição 2020 da São Paulo Fashion Week, cuja segunda temporada do ano aconteceu entre 16 e 20 de outubro. Com os desfiles transmitidos pelo canal do evento no YouTube, era preciso ir além e tirar o maior evento de moda da América Latina e um dos mais importantes do mundo do lugar comum das lives que permearam a quarentena imposta nesse ano pelo novo coronavírus.

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“A gente sempre fez uma edição diferente da outra, a gente sempre fazia a edição pensando no futuro. O São Paulo Fashion Week nasceu para ser uma plataforma de criatividade e dar protagonismo ao mercado brasileiro”, comentou o criador do evento, Paulo Borges, em vídeo feito para explicar como o SPFW iria se expandir além de duas semanas neste ano. “A gente quer sim pisar em lugares que não foram pisados”, complementou Fotos: Divulgação


MODA

Para Paulo Borges, criador da SPFW, o plano para 2020 era ocupar a cidade com um festival de criatividade.

Alexandre Herchcovitch iniciou as comemorações dos seus 50 anos mostrando peças importantes para sua trajetória, como o vestido de tricô.

Com isso em mente, um dos caminhos foi democratizar a moda e levar para as ruas o lançamento das coleções. Como? Por meio de projeções em prédios estrategicamente localizados na capital paulista, incluindo o Vale do Anhangabaú. Ao todo, foram 33 marcas, sendo 6 delas estreantes nesta edição, que apresentaram suas coleções em conteúdos digitais criados de maneira livre.

pressar off-line de alguma forma. O jeito escolhido foram dez lambe-lambes, painéis com imagens que relembram a história do evento e que eram orientados por verbos escolhidos por Felipe Morozoni: transformar, manifestar, inspirar, provocar, criar, ocupar, construir, conectar, reconhecer e acreditar. Todos localizados na região central de São Paulo, em pontos conhecidos e de grande fluxo de pessoas, mesmo na pandemia, como a Rua Augusta, a Rua Vergueiro, a Avenida Liberdade e a Rua da Consolação; e acompanhados de QR codes para quem quisesse acompanhar a programação do evento. Com as intervenções e as projeções, a edição digital da SPFW acabou sendo a de maior alcance, como era o projeto de Paulo Borges desde o início. “Um festival de criatividade que vai ocupar a cidade de São Paulo, do centro à periferia e vice-versa, democrático inclusivo, diverso para celebrar a criatividade”, comentou no vídeo de abertura.

ON E OFF-LINE Ainda no campo digital, o evento preparou uma exposição, também projetada em prédios com mais de 500 mil fotos e horas e mais horas de material de vídeo, que contam um pouco das duas décadas e meia da SPFW. A curadoria das imagens ficou por conta de Marcelo Soubhia, da Agência Fotosite, que também é o autor de todas as fotos que compõem a mostra, enquanto o material audiovisual ficou nas mãos do documentarista Richard Luiz. Complementando a experiência on-line, palestras e rodas de conversa sobre temas pertinentes também foram para o YouTube, como a live “Crochê e Conversa: Um bate-papo sobre o documentário ‘O Ponto-Firme’” (veja em: https://bit.ly/33Io2XS) Condizente com o tema deste ano, “Moda e arte para transformar”, a SPFW também precisava se ex-

MUITO ALÉM DOS DESFILES Sem as limitações da passarela, os estilistas ainda puderam ousar ainda mais para apresentar suas coleções. Galpões, áreas de construção e outros locais serviram de locação para mostrar as peças. Além disso, os Revista Têxtil #770 I 39


MODA

O desfile de Lino Villaventura mostrou uma poderosa performance teatral com direito à narração de Ney Matogrosso

A apresentação da Amapô Jeans foi marcada por dança, música e denim.

desfiles ganharam ares de mini-documentários. Foi o caso da apresentação de Alexandre Herchcovitch (que pode ser vista aqui: https://bit.ly/3gcXm6J). O estilista deu início às comemorações de seus 50 anos escolhendo seis peças e contando um pouco da história delas. Já Lino Villaventura foi por um caminho mais teatral. Com narração do cantor Ney Matogrosso, interpretando em forma de poesia a música “Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua”, o estilista trouxe clima de mistério para mostrar peças extravagantes e coloridas em um

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monocromático galpão, que realçou ainda mais formas e cores. (veja aqui: https://bit.ly/3okvbWc). A Amapô Jeans, por sua vez, encontrou seu caminho por meio da música e da dança, com as modelos dançando em luz de foco único e um ambiente vazio para mostrar suas peças de denim. (veja aqui: https:// bit.ly/39K5rys) Os desfiles estão todos disponíveis, na íntegra, no canal da São Paulo Fashion Week no YouTube. Assista RT em: https://bit.ly/3giGFa3.


MODA

INTEGRABIT:

OS RUMOS DA MODA E DO CONSUMO Novo congresso 100% digital trouxe bom equilíbrio de temas pertinentes ao têxtil

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os dias 4 e 5 de novembro, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) reuniu empresários de toda a cadeia produtiva do setor, especialistas e formadores de opinião do Brasil e do mundo para debater o tema “Moda e consumo: onde estamos, para onde vamos” em seu primeiro IntegrAbit, evento que contou com o patrocínio da Associação Brasileira de Tecnologia Têxtil Confecção e Moda (ABTT). O novo evento é um seminário virtual idealizado pela associação, exclusivo para credenciados, no qual os participantes encontram palestras com especialistas, ambiente exclusivo para networking e até um salão de exposição de patrocinadores. Nesta edição de estreia, o evento apresentou um panorama do comportamento de consumo nacional e internacional. Nos painéis, o futuro do varejo e da moda — elementos que integram e movem todos os elos da cadeia. “É com muito orgulho que apresentamos o IntegrAbit. A nossa ideia é propor para o público uma nova maneira para trocar conhecimento e conectar todos os atores da rede têxtil e de confecção do Brasil e do mundo”, conta Fernando Valente Pimentel, Presidente de Abit. O executivo ainda descreve o evento como um ecossistema rico, no qual a indústria pode se reunir, independentemente de ser fisicamente, para se informar e debater novos caminhos. Algo muito necessário em tempos tão ágeis e voláteis. “A ideia é dar continuidade a esse trabalho de pensar em soluções e debater assuntos disruptivos, porém, agora propomos uma experiência completamente inovadora e 100% digital, alinhada com o cenário atual”, finaliza. O congresso ainda abriu espaço para assuntos, como novos materiais e suas potencialidades de inovação para a indústria, o serviço como um drive estratégi-

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co e a circularidade estendida (como você pode ver em nossa matéria de Capa). Outros recortes que prometem pautar as discussões são as nuances da comunicação e seus reflexos na sociedade, a diversidade de canais e experiências de venda, on e offline, além da importância da valorização do “made in Brasil”.

A INOVAÇÃO E OS NOVOS MATERIAIS A importância dos novos materiais na indústria é tão grande que esse foi justamente o assunto do primeiro painel do IntegrAbit. Na apresentação, mediada pelo presidente emérito da Abit, Rafael Cervone, Adriano Passos, coordenador de Inovação em Fibras do Senai-Cetiqt, abordou desde a criação de novas fibras com aplicação de nanotecnologia até o papel da sustentabilidade na criação de novas matérias-primas. “A reciclagem de têxteis também é uma oportunidade”, pontuou. O papel da economia circular nesse novo cenário, que envolve o consumidor, aliás, foram alguns dos insights do painel “Circularidade estendida — da produção ao consumo”, cujas principais conclusões trouxemos em nossa matéria de Capa. Contudo, o painel ainda demonstrou cuidado para mostrar que o sintético

Fernando Pimentel, presidente da Abit, abriu o evento, que contou com um palco virtual para os mediadores dos painéis.

Fotos: Divulgação


MODA não é o único caminho. Passos usou como exemplos de inovação fibras criadas com matérias-primas naturais e corantes de origem vegetal, feitos a partir de cebola, cúrcuma e manga. Esse assunto ainda rendeu outras reflexões no painel, como a substituição de produtos nocivos ao meio-ambiente por alternativas naturais, tendo a inovação como fio condutor. “Trabalhamos na substituição de derivados de petróleo virgem por matérias-primas renováveis, recicláveis, naturais e reciclados”, exemplifica Reges Henrique Andrade da Costa, líder de pesquisa e desenvolvimento da Veja/Vert. Costa se refere a um case específico de uma marca de sapatos, que iniciou os trabalhos em 2004 e que vai fechar o ano de 2020 com 2,2 milhões de pares produzidos, sempre na busca por alternativas mais sustentáveis. “É um trabalho desafiador, mas que traz reconhecimento”, complementa.

adaptação está muito mais ligada à sobrevivência empresarial do que à inovação em si. “Responder ao que o mercado espera de nós não é inovação, é resposta; a maior parte do que está acontecendo no período da pandemia é resposta, não é inovação. Nós evoluímos, não inovamos”, deixou claro. No entanto, a pandemia fez mais para o varejo do que impulsionar a evolução e adaptação das empresas, ajudando a derrubar ainda mais as barreiras entre as compras on-line e presenciais. “Discutimos esse tema há tempos e a pandemia somente acelerou essa transformação”, disse Silvia Machado, diretora Executiva de Moda e Beleza do Magazine Luiza. Segundo ela, o movimento que se intensificou deve ser aproveitado. “E nesse movimente, a indústria da moda tem a oportunidade de se reinventar, criar a prática constante de sempre se adaptar. É uma janela de oportunidades para as marcas”, concluiu.

O VAREJO NO INTEGRABIT

ESTREIA DE SUCESSO

Ainda que tenha abordado muitos temas futuristas e conceituais, o IntegrAbit ainda teve espaço para falar de varejo, um campo do segmento que viu grandes mudanças acontcerem em 2020. Mediado por Rafael Cervone, presidente emérito da Abit, o painel “On-line/ Off-line: o fim das fronteiras no consumo e nas vendas” recebeu Andrea Tavares, gerente Regional de vendas da DeMillus, que falou como a pandemia potencializou não só o e-commerce da marca, como trouxe outras oportunidades de negócios.“Passamos a produzir novos produtos, como máscaras de proteção e aventais. Além disso, agora temos revistas off-line e on-line, além de vendas pelo aplicativo e whatsapp”, contou. Contudo, Carlos Ferreirinha, presidente e fundador da MCF Consultoria, acredita que essa vertente de

Ao final dos dois dias, o IntegrAbit fechou sua edição de estreia com sucesso. Com paineis relevantes e equilibrando o tom dos conteúdos entre assuntos mais visionários e temas práticos, de relevância imediata para o setor. “Espero que tenhamos todos as condições de incorporar todos os elementos que foram trazidos. Procuramos fazer um evento integrativo”, disse o presidente da Abit, Fernando Valente Pimentel. “A Abit quer ciar pontes e não muros. Estamos aqui para intermediar várias questões e estreitar os caminhos. Todo esse universo estamos ocupando para integrar e viabilizar junções. O digital faz parte da vida, mas o físico continua. O mix de soluções é o que vai operar a frente, como vários speakers colocaram”, concluiu Pimentel. RT

Carlos Ferreirinha (MCF Consultoria), Andrea Tavares (DeMillus) e Silvia Machado (Magazine Luiza) participaram do painel “Online/ Offline: o fim das fronteiras no consumo e nas vendas”

Rafael Cervone mediou o bate-papo “Novos materiais e as potencialidades de inovação para a indústria”.

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CONFERÊNCIA

ITMF REALIZA

CONFERÊNCIA ANUAL HÍBRIDA PARA DEBATER RUMOS DO SETOR Evento foi co-apresentado pela Federação Coreana de Indústrias Têxteis e trouxe como tema: “A Pandemia do Coronavírus: Reformatando a Cadeia Global do Têxtil

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ntre os dias 20 e 22 de outubro, a ITMF, Federação Internacional de Fabricantes Têxteis, realizou sua tradicional conferência anual. Contudo, a forma híbrida com a qual o evento se desenrolou, foi totalmente diferente do que a entidade costuma fazer, como explicou Kihak Sung, presidente da ITMF, que ao lado de outros dignatários da associação estava na Coréia do Sul, enquanto o restante dos interessados assistiu ao evento on-line. “Este ano, estamos nos reunindo para nosso encontro anual sob circunstâncias incomuns. A Federação das Indústrias Têxteis da Coréia – KOFOTI –co-apresentadora da conferência deste ano, teria adorado dar as boas-vindas a nossos colegas e amigos de todo o mundo aqui em Seul. Mas, como todos sabemos, a situação da COVID-19 e da quarentena não mudou, e foi uma boa decisão do ITMF e da KOFOTI procurar por uma solução alternativa que permitiria ao mesmo número de pessoas reuniões o mais possível. Os delegados locais estão reunidos aqui em Seul e todos os outros estão se juntando virtualmente a esta conferência”, explicou. Ao longo dos três dias, a conferência abordou temas de interesse para o setor, desde fibras sintéticas até o algodão, sem deixar de comentar sobre alguns

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mercados locais, como o chinês e o coreano, que são relevantes para toda a cadeia global. Assuntos como inovação, têxteis técnicos e sustentabilidade também receberam painéis especiais. Os vídeos com todas as apresentações podem ser vistos em página dedicada da ITMF (https://bit.ly/3dXcJ2b).

TÊXTIL MAIS SUSTENTÁVEL O presidente ainda comentou sobre os esforços do setor para fazer o têxtil mais sustentável. “Nosso segmento já está desenvolvendo tecnologias que podem drasticamente reduzir a poluição. Medidas preventivas e pró-ativas contra-ações para deter a poluição devem ser aplicadas a toda a cadeia de suprimentos. Então, podemos transformar este infortúnio em nossa vantagem de alcançar uma cadeia sustentável de têxteis, moda e consumo”, disse sung. Ele ainda ressaltou o papel da tecnologia nessa missão. “Digitalização, IA, e automação também podem ajudar a reduzir a poluição, bem como o consumo de energia. Muitas oportunidades de negócios podem surgir enquanto tentamos cumprir com as normas ambientais obrigações, como o desenvolvimento de novas máquinas melhoradas e/ou requisitos de alteração de máquinas já

Fotos: Divulgação


CONFERÊNCIA

O presidente da Federação Internacional de Fabricantes Têxteis (ITMF), Kihak Sung

existentes. Além disso, se formos capazes de encontrar uma solução simplificada para tingimento, acabamento e lavanderia eficazes, nós poderemos até reduzir a freqüência de lavagem e a quantidade de água consumido pelos usuários finais como resultado”, explica. Entretanto, Kihak Sung da ITMF, deixou claro o papel de associações dos países produtores na saga por um têxtil ecologicamente correto. “Quanto à conservação da natureza, nossa indústria têxtil é conhecida por emitir o segundo maior volume de CO2 entre todas as indústrias. Precisamos descobrir como reduzir a emissão de CO2 em quantidade total. Associações têxteis nacionais e membros corporativos do ITMF devem tomar mais interesses em questões ambientais, fazendo todo o possível para minimizar a poluição e a contaminação causada por microplásticos, processos de tingimento de tecido ou produção excessiva de poliéster”, disse o presidente.

REFORMATANDO A CADEIA GLOBAL Sobre o tema da conferência anual, o presidente da ITMF deixou claro que a Federação vem conduzindo estudos para mensurar o impacto da pademia no setor. “Como anunciado anteriormente, o tema geral da conferência deste ano

é “A Pandemia do Coronavírus: Reformatando a Cadeia Global do Têxtil”. Mas a ITMF não esperou até outubro para discutir o caminho à frente. Realizamos pesquisas que revelaram até que ponto empresas ao redor do mundo foram negativamente impactadas pela pandemia. Estas pesquisas nos ajudaram a entender melhor a escala dos desafios. Por exemplo, a pesquisa de setembro revelou que pode levar até 2024 para a indústria têxtil mundial se recuperar das perdas sofridas este ano”, apresentou Kihak Sung. No total, participaram do estudo 216 empresas de todo o mundo e os resultados mostraram que os players do segmento de finalização, como impressores, por exemplo, esperam uma queda de 30% no volume de negócios em 2020, sendo o setor que mais deve sofrer com a pandemia no ano, em relação a outros segmentos, como fabricantes de fibras, por exemplo. Como revelou o 4º ITMF Corona-Survey, os fabricantes integrados parecem estar lidando melhor com os efeitos negativos da pandemia do que os outros segmentos e esperam uma queda menor em seus negócios, de 15%. Já empresas que fornecem produtos químicos, corantes, material auxiliar, etc devem computar perdas de 9%, uma vez que podem participar de outros ramos da indústria além do têxtil.

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CONFERÊNCIA A pandemia ainda provou de forma brutal a importância das capacidades digitais quando as interações físicas com fornecedores ou clientes são impossíveis ou restritas. De todas as empresas que responderam, 21% vêem uma necessidade de melhorar suas capacidades digitais. Já 18% são da opinião que reduzir a dependência de poucos clientes é importante no futuro, seguidos por 17% para as quais tanto a ampliação dos produtos em ofertas como o fortalecimento do balanço são cruciais no futuro. Para finalizar, 15% são da opinião de que é necessário mudar os produtos oferecidos e 10% acreditam que a redução da dependência de poucos fornecedores é um objetivo relevante. O presidente da ITMF ainda disse que a COVID-19 obrigou o setor a questionar os modelos de negócios existentes trabalhados até o ano passado, que não são adequados para o período pandêmico e pós-pandêmico. E ainda comentou que trabalhar com países em desenvolvimento faz parte dessa mudança. “Um de nossos objetivos deve ser dar aos países subdesenvolvidos uma chance em têxteis leves e vestuário indústrias. Os países da África, Ásia e América Latina não têm recursos adequados para construir outras indústrias. Entretanto, eles são adequados para indústrias de costura com mão-de-obra abundante. Devemos, como tentativa de otimizar o desenvolvimento global, direcionar trabalhos de costura para eles.”, comentou. “Se trabalharmos juntos em todos esses aspectos, acredito que podemos elevar com sucesso nosso segmento a outro nível de sustentabilidade crescimento e parceria”, finalizou Kihak Sung.

O CONSUMO E A SUSTENTABILIDADE Um dos painéis mais interessantes da conferência foi justamente um cujo tema era sustentabilidade e economia circular, mostrando que o segmento têxtil internacional continua preocupado com questões ambientais. “O desafio da mudança climática não foi embora ou foi adiado por conta da recessão causada pela pandemia”, comentou Edwin Keh, representante do Instituto de Pesquisa de Têxteis e Vestuário de Hong Kong (HKRITA). Em sua palestra – que pode ser vista, na íntegra, aqui: https://bit.ly/2JN6ent – Keh ainda deixou claro como isso irá afetar os hábitos de consumo futuramente. Segundo ele, os pilares nos quais o têxtil se apoiava

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Edwin Keh é representante do Instituto de Pesquisa de Têxteis e Vestuário de Hong Kong (HKRITA) e segundo ele, a recessão causada pela pandemia não anula a preocupação com as mudanças climáticas

antigamente para vender estão sofrendo uma mudança radical. Antes, o cliente tinha uma postura mais passiva, tendo como critérios a aparência, o conforto ao vestir e o custo. Agora, há uma abordagem mais ativa. “O cliente pensa: essa peça me faz bem, me deixa seguro, me protege e ainda faz o bem de alguma forma?”, explica ele, dizendo ainda que agora a demanda do consumo é pelo valor agregado ao produto. O representante do HKRITA ainda concluiu sua apresentação dizendo que as oportunidades no futuro terão de mostrar que a indústria está se adaptando, ao utilizar materiais pós-consumo, terá que informar o público, sobre o uso de novas fibrassintéticas, por exemplo e, por fim, reinventar o “sentir-se bem”, aliando proteção ao vestuário. “Nós temos que aprender e nos adaptar. Temos que começar a entender a cadeia de valor do porque as pessoas consomem conosco. “Temos que dar uma razão para consumirem conosco. Eles têm que se sentir bem porque consomem conosco”, destacou Edwin Keh. RT


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TECNOLOGIA

MORGANTECNICA APRESENTA MÁQUINA ESPECIAL PARA CORTE DE DENIM Next 2 70 ΔDenim se destaca pela inteligência artificial e os baixos custos de produção

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fabricante italiana Morgan Tecnica seguiu a tendência de outras empresas e aproveitou a praticidade da internet para apresentar suas soluções focadas no mercado de denim. No Denim Show, a companhia revelou detalhes sobre seus softwares, como o Mastermind, que faz gerenciamento de pedidos para garantir a melhor eficiência possível em termos de consumo de material e tempo, além de otimização de equipamentos de corte; e o 3Dress, utilizado na criação de modelos e amostras de produtos de vestuário denim. Entretanto, o que chamou mesmo a atenção foi a Next 2 70 Δdenim, uma máquina desenvolvida especificamente para a produção de jeans. Equipada com inteligência Artificial, a novidade da Morgan permite melhor controle de processos, como ciclos de nitidez ou controle de velocidade em tempo real. Segundo a fabricante, essa tecnologia garante a mais alta qualidade combinada com a máxima produtividade e os menores custos de operação. Com lâmina de espessura de 3 mm, a máquina permite uma expessura máxima de corte de 7 cm comprimida, a uma velocidade de 120 m/min. Next 2 70 ΔDenim


TECNOLOGIA A Next 2 70 ΔDenim foi lançada pela MorganTecnica em evento virtual

também conta com sensores e algoritmos sofisticados, que compõem um sistema de diagnóstico automático, que é capaz de detectar sozinha anomalias operacionais, reduzindo drasticamente interrupções na produção. Fabrizio Giachetti, CEO da MorganTecnica, falou sobre a iniciativa de apresentar o Mastermind e a Next 2 70 ΔDenim no Denim Show. “O show virtual é uma nova ferramenta de comunicação direta com clientes existentes e potenciais em todo o mundo. É claro que o futuro se moverá cada vez mais nessa direção. A crise da Covid-19 acelerou essa revolução inevitável. Nosso primeiro experimento de feira virtual em julho de 2020 foi um grande sucesso, então agora criamos um novo evento para apresentar nossas melhores soluções para a fabricação de roupas jeans. Certamente faremos muitos outros”, conclui.

APRESENTAÇÃO SUSTENTÁVEL Para apresentar suas novas soluções, a MorganTecnica, durante três dis de evento virtual, cortou mais de 3.000 metros de tecido denim. Assim, alinhada com seus preceitos de sustentabilidade, a empresa doou toda a produção de jeans para entidades italianas locais.

A fabricante, em parceria com a empresa Programma Itália, dona da marca DNA, confeccionou 300 peças de jeans, modelos masculino e feminino, para serem doadas à Proteção Civil da província de Bérgamo e o lucro da venda de outras 300 peças será doado à cidade de Brescia para financiar o apoio social durante a emergência de Covid-19. Todas as outras peças cortadas foram doadas à Maite, uma associação sem fins lucrativos localizada na cidade de Bérgamo. “A sustentabilidade sempre inspirou nossa conduta corporativa e está totalmente refletida nas soluções tecnológicas da MorganTecnica. Neste Denim Show, procuramos não desperdiçar nenhum tecido cortado, transformando-o em uma série especial e limitada de jeans de alta qualidade “Made in / for Bergamo & Brescia, contra Covid”, cuja venda será revertida para apoiar associações que operam nas províncias de Bergamo e Brescia, na Itália, durante a emergência do Covid-19, representando um pequeno, mas concreto exemplo de sustentabilidade real, da qual estou particularmente orgulhosa”, disse Federica Giachetti, presidente da MorganTecnica. RT Revista Têxtil #770 I 49


TECNOLOGIA

EFI REGGIANI BOLT

É RECONHECIDA COM PRÊMIO DE TECNOLOGIA Impressora é a primeira do segmento têxtil a receber o InterTech, concedido a produtos de grande impacto de transformação

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EFI Reggiani BOLT foi a primeira impressora têxtil a receber o prêmio de tecnologia da InterTech. Concedido pela Printing United Alliance, o troféu reconhece tecnologias de forte impacto para a transformação dentro do segmento de impressão. Para os organizadores da premiação, a impressora EFI Reggiani BOLT se destaca de outros dispositivos por conferir aos fabricantes têxteis alto tempo de atividade e confiabilidade, rendimento, desempenho, uniformidade e precisão de impressão incomparáveis. Uma solução de plataforma industrial robusta projetada para operação 24 horas por dia, 7 dias por semana que oferece um cabeçote de impressão de recirculação de baixa manutenção e rápida inicialização, com impressão de alta qualidade a um tempo de atividade superior. A fabricante frisa que os usuários podem reduzir o custo por metro de têxteis impressos digitalmente com a EFI Reggiani BOLT, além de criar uma gama mais ampla de projetos de maneira rápida e eficiente. “Estamos extremamente orgulhosos com esta conquista”, disse a vice-presidente sênior e gerente geral da EFI Reggiani, Adele Genoni. “A EFI Reggiani está fortemente comprometida com o desenvolvimento de tecnologias de ponta e soluções sustentáveis para a indústria têxtil, pois acreditamos que a inovação é a chave para o sucesso de nossos clientes. Este prêmio valida ainda mais nossa dedicação em fornecer as melhores soluções de tecnologia possíveis e é uma grande fonte de motivação para a equipe.” Equipada ainda com sistema de suprimento de tinta de alto desempenho para impressão direta em tecido, a EFI Reggiani BOLT de 1,8 metro de largura é a impressora têxtil digital mais rápida disponível, segundo

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a marca, e proporciona uma velocidade de produção máxima de 90 metros por minuto em uma resolução de 600 x 600 pontos por polegada (dpi). Ela traz imagens avançadas em tamanhos de gota que variam de 5 a 30 picolitros, além de fornecer impressão premium com resolução máxima de 600 x 4.800 dpi, permitindo que os clientes atendam a todas as necessidades de variação de design. Já o gerenciamento de cores com o front-end digital (DFE) EFI Fiery BT-1000 e a solução de RIP impulsionam o equipamento, permitindo um gerenciamento de trabalho eficiente ao mesmo tempo em que envia os trabalhos diretamente para a impressora em tempo real respeitando os detalhes, cores sólidas limpas, pretos intensos e alta saturação. Triagem superior e algoritmos de pontilhamento finos com o DFE Fiery proporcionam resultados de impressão de alta qualidade. Até o momento, três impressoras BOLT foram instaladas, uma na Itália e duas no Paquistão, país que ganhará em breve sua terceira instalação. No primeiro ano em que as impressoras BOLT estiveram em operação, produziram mais de 10 milhões de metros lineares de tecido impresso e, até o momento, imprimiram mais de 25 milhões de metros lineares em todo o mundo. De acordo com a marca, esses números representam um recorde mundial de produção têxtil digital proveniente de uma única plataforma de impressão, refletindo a operação altamente confiável da impressora em ambientes de alto volume. A EFI Reggiani ainda afirma que a BOLT é uma solução verdadeiramente revolucionária que será um impulsionador significativo para levar a indústria têxtil mais adiante em sua transformação analógica para digital. RT


TECNOLOGIA

ILAY TEXTILE OTIMIZA

PRODUÇÃO COM EQUIPAMENTOS MONFORTS Empresa fundada em 1993 em Bursa, na Turquia registrou ganhos em economia de energia com a nova solução. Sediada em Bursa, na Turquia, a Ilay Textile estabeleceu sua reputação ao assumir a liderança em novas técnicas e tecnologias de impressão e conquistou clientes em toda a Europa, assim como com muitas das principais marcas turcas. Com uma força de trabalho dedicada de mais de 500 pessoas, a fábrica se estende por mais de 50.000 metros quadrados, desde a tecelagem de tecidos e tecelagem de malhas urdidas, passando por extensas operações de tingimento, acabamento e impressão, até a confecção final de peças de vestuário e embalagem. “Fornecemos para clientes na Alemanha, França, Itália, Holanda, Espanha e Reino Unido, inclusive para grandes marcas como Inditex e Otto”, diz o diretor de produção da empresa, Fikri Savass. “Agora estabelecemos escritórios em Barcelona e Nova Iorque, a fim de consolidar e expandir nosso alcance geográfico. E produzir de modo sustentável é muito importante para nós e para nossos clientes. Queremos melhorar isto a cada novo investimento em tecnologia que fazemos”, comenta Savass. Para isso, a Ilay adquiriu uma linha de stenter da Monforts com largura de trabalho de dois metros e oito câmaras TwinAir. “Esta instalação nos proporciona opções de controle muito melhores para todos os parâmetros do processo e, em comparação com o velho stenter que está substituindo, estamos particularmente impressionados com a economia de energia que estamos fazendo”, diz Savass. Conseguir economia de energia nos stenters Montex tem sido o foco dos projetistas e engenheiros da Monforts na Alemanha por muitos anos. Com o sistema de câmara de aquecimento TwinAir dentro de um sten-

ter Montex, os fluxos de ar superior e inferior podem ser regulados de forma completamente independente um do outro, garantindo que o calor só seja aplicado quando e onde for necessário. O sistema de balanceamento Optiscan garante a avaliação automática contínua da distância entre os bicos e o tecido para uma secagem altamente econômica e sem contato. A taxa de evaporação constante dentro do stenter ainda garante uma ótima utilização da energia. Além disso, as câmaras TwinAir apresentam painéis especiais para baixa radiação térmica, vedação cuidadosa de todas as posições de conexão e pontos de acesso à câmara e travas de ar tanto na entrada quanto na saída. “Os stenters Monforts estabelecem a referência em termos de eficiência energética e ajudam a conservar recursos”, diz Ahmet Kılıç, fundador da Neotek, o representante da Monforts na Turquia. “A definição automática da necessidade inicial de umidade para um processo específico antes da secagem a um valor mínimo ajuda a reduzir a evaporação de calor e, por consequência, o consumo de energia”. A vedação hermética da estrutura do stenter evita ainda mais a perda de ar aquecido, bem como a entrada de ar frio excessivo - que tem que ser aquecido novamente se não for mantido fora em primeiro lugar”, conclui. Fikri Savass ss ainda comenta sobre o bom atendimento prestado pelo representante local da Monforts. “Os proprietários da Neotek acompanharam a montagem cuidadosamente e nos apoiaram de todas as maneiras para que a máquina entrasse em produção o mais rápido possível”, explica. “Os técnicos que instalaram a máquina e a colocaram em operação foram muito sociáveis e trabalharam muito harmoniosamente RT com nossa própria equipe”, finaliza Savass.

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TECNOLOGIA

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IMPRIME COM TINTA FLUORESCENTE Impressora de sublimação têxtil da Epson tem apenas 24 polegadas e é indicada para pequenos empresários

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Epson apresentou ao mercado brasileiro sua nova impressora de sublimação SureColor F571. Ideal para atender ao mercado de brindes, a impressora utiliza sublimática fluorescente e pode ser utilizada para personalizar desde almofadas até estampas para canecas. Entre seus pontos mais atrativos, segundo a Epson, está a confiabilidade, a facilidade ao operar e o baixo custo operacional para pequenos empresários. O tamanho é outro diferencial, de acordo com a marca. Com apenas 24 polegadas, o equipamento é ergonomicamente projetado, com uma base de suporte opcional e software de impressão otimizado Epson Edge Print. A máquina também tem conectividade versátil via USB, Ethernet ou Wi-Fi integrado para agilizar e gerenciar os processos remotamente. O modelo oferece impressão e alto brilho com 4 cores de tintas UltraChrome DS: ciano, rosa fluorescente, amarelo fluorescente e preto para a reprodução de imagens únicas, seguindo as novas tendências A F571 possui um sistema de abastecimento de tanque de tinta com

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alta capacidade e carregamento rápido e prático, além de um suporte de papel versátil com uma bandeja de alimentação de 50 folhas e rolo com um cortador embutido. “Este equipamento vem para atender às demandas do mercado. A SureColor® F571 chega ao setor como um produto inovador, principalmente pela compatibilidade com as últimas tendências em tintas fluorescentes, um diferencial no mercado de brindes para área têxtil. Eles também são projetados em um design compacto com softwares que facilitam seu uso pelo empresário, mas sem perder a alta resolução e qualidade de imagem dos equipamentos Epson”, afirma Evelin Wanke, Diretora de Negócios da marca. A nova SureColor F571 ainda possui tecnologia de cabeça de impressão PresicionCore microTFP que fornece ao equipamento resoluções de impressão de até 2.400 x 1.200 dpi, qualidade de impressão, além de maior controle e precisão para imagens mais nítidas. Em termos de velocidade, é uma das impressoras de sublimação mais rápidas de sua categoria, imprimindo tamanho A1/D em 62 segundos. RT


TECNOLOGIA

OERLIKON COMBATE O

NOVO CORONAVÍRUS COM TECNOLOGIAS MELTBLOWN E SPUNBUND Fabricante alemã registrou recorde de pedidos de suas soluções em não tecidos desde o início do surto

A

s tecnologias meltblown e spunbund, utilizadas pela Oerlikon na produção de nãotecidos, principalmente para máscaras, garantiram recorde de pedidos para a fabricante desde o início do surto do novo coronavírus. Segundo comunicado da empresa enviado à imprensa, a crescente demanda por máscaras de proteção e outros equipamentos médicos de proteção desde o início da pandemia de coronavírus e o aumento da capacidade de produção global associada também resultou em um aumento da demanda por nãotecidos e um consequente gargalo de fornecimento, uma vez que não havia muitos fabricantes fora da China. E isso colocou a Oerlikon em posição de vantagem. “Devido à estrutura de nosso grupo, estamos na posição afortunada de redistribuir e liberar rapidamente nossas capacidades de produção”. Isto significa que somos capazes de entregar com relativa rapidez não apenas sistemas de “meltblown”, mas também equipamentos spunbond”, explica o Dr. Ingo Mählmann, Chefe de Vendas e Marketing da Oerlikon Nonwoven, falando sobre a situação positiva da empresa. Os filtros para máscaras respiratórias disponíveis na Europa até hoje são predominantemente fabricadas em sistemas da Oerlikon Nonwoven. “Nossas máquinas e sistemas para a fabricação de soluções em fibra sintética e nãotecido têm uma excelente reputação em todo o mundo. Cada vez mais fabricantes nos mais diversos países esperam tornar-se independentes das importações”, comenta o Dr. Mählmann. Os sistemas Oerlikon Nonwoven Meltblown estão sendo entregues na Alemanha, China, Turquia, Reino Unido, Coréia do

Sul, Itália, França, América do Norte e - pela primeira vez - na Austrália até 2021. A proteção contra infecções como o coronavírus só pode ser garantida com o fator de proteção correto. Por um lado, isto se refere à forma como as máscaras são feitas. Por outro lado, trata-se, acima de tudo - como tantas vezes acontece - do que está dentro. Porque o nãotecido usado nas classes de proteção FFP1 até as máscaras respiratórias FFP3 desempenha um papel decisivo. “Oferecemos a nossos clientes sistemas adaptados às suas exigências. Nós os fornecemos com o pacote total - desde o processo de extrusão até os produtos não tecidos em rolo, todos de uma única fonte”, afirma o Dr. Mählmann. Mesmo em uma situação confortável comercialmente, a Oerlikon ainda acredita que é importante entregar inovação em suas soluções. Além de oferecer nãotecidos que empregam as tecnologias meltblown e spunbund mescladas, Segundo a empresa, os não tecidos podem ser carregados eletrostaticamente a fim de melhorar ainda mais o desempenho do filtro sem aumentar adicionalmente a resistência respiratória. As unidades que compõem essas cargas foram batizadas pela empresa de ecuTEC+. Assim, os fabricantes de nãotecidos podem escolher livremente entre numerosas opções de variação e definir o método e intensidade de carga ideal para suas aplicações específicas. Desta forma, mesmo as menores partículas ainda são atraídas e separadas de forma confiável por um não tecido com poros relativamente abertos. No entanto, os usuários de máscara ainda são capazes de inspirar e expirar facilmente devido à formação das fibras. RT Revista Têxtil #770 I 53


TECNOLOGIA

USTER OFERECE SOLUÇÕES DE CONTROLE DE QUALIDADE PARA TECIDOS TÉCNICOS Q-BAR 2 e EVS FABRIQ VISION inspecionam cadeia de produção desde a tecelagem até o acabamento

54 I Revista Têxtil #770

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fabricante suíça Uster revelou detalhes sobre suas soluções em controle de qualidade para tecidos técnicos, a Q-BAR 2 e a EVS FABRIQ VISION. Segundo a marca, os padrões de qualidade em todos os lugares estão aumentando o tempo todo: em setores como a indústria automotiva, os níveis de defeito zero já são obrigatórios. Aplicações como airbags, forros de teto, estofados e cordas de pneus exigem uma qualidade impecável, continuamente. Mas há também muitos outros segmentos da indústria têxtil que devem atender às expectativas dos clientes exigentes. Nos ambientes de produção atuais, soluções automatizadas de qualidade são essenciais. Os dois sistemas oferecidos, garantem que os tecidos atendam aos padrões de qualidade exigidos para


TECNOLOGIA proteger os fabricantes de reclamações que possam gerar danos na reputação e até processos. Ambos também acrescentam valiosos benefícios extras. O sistema Q-BAR 2 de monitoramento de qualidade de tecidos evita desperdícios, enquanto o sistema de garantia de qualidade EVS FABRIQ VISION melhora significativamente o rendimento de primeira qualidade para todas as aplicações. O Q-BAR 2 e o EVS FABRIQ VISION causam um impacto real no sucesso comercial dos usuários - fato confirmado em numerosas instalações em todo o mundo. O Q-BAR 2 se destaca com seu design elegante e fino, desenvolvido para instalação simples em teares já instalados. Ele representa a última geração de sistemas de monitoramento e inspeção on-loom, oferecendo melhorias operacionais. Posicionado diretamente acima da palheta em cada máquina, o Q-BAR 2 da Uster está localizado de forma ideal para a detectar o quanto antes defeitos de tecido. Isto permite que o operador responda rapidamente aos alarmes e sinais de parada. A correção imediata impede que os problemas de qualidade continuem minimizando o desperdício de material. A solução da Uster ainda categoriza e previne falhas de tecido, criando um 'mapa de defeitos' para cada rolo, que pode ser recuperado e revisado posteriormente através da intuitiva tela sensível ao toque. O sistema oferece diferentes possibilidades de classificação e permite que os rolos sejam categorizados de acordo com o número, tamanho e posição dos defeitos, bem como com os critérios do cliente. Ele também classifica os rolos automaticamente. Em resumo, o Q-BAR 2 reduz a necessidade de inspeção pós-fabricação para a maioria das aplicações.

QUALIDADE E MÁXIMO RENDIMENTO DE TECIDO Já o EVS FABRIQ VISION consegue uma taxa consistente de detecção de defeitos usando controle automatizado durante a inspeção intermediária e final - e criando gráficos de inspeção de rolos. Isto elimina a necessidade de uma inspeção manual lenta, dispendiosa e não confiável, liberando os operadores para se concentrarem em trabalhos mais qualificados. A capacidade do sistema de capturar qualquer defeito visível permite aos usuários otimizar o rendimento do tecido.

Durante o processo de inspeção, a tinta infravermelha é aplicada sobre o tecido. As posições dos defeitos são então sincronizadas com o módulo de software de otimização de corte. Usando as marcas de tinta infravermelha, a tabela de inspeção para exatamente na posição correta para cada defeito, minimizando o risco de erros. O sistema ainda trabalha coletando e analisando dados continuamente para otimizar ainda mais o processo de produção. Juntos, o Q-BAR 2 e o EVS FABRIQ VISION da Uster oferecem um controle efetivo sobre defeitos de tecido e entregas. "Produtores bem conhecidos em várias indústrias já asseguraram seus negócios instalando soluções USTER em suas linhas de produção", diz Ingo Kiefer, Gerente de Produto de Inspeção de Tecidos da Uster Technologies. “Os defeitos não podem ser totalmente evitados, por isso é vital localizá-los com precisão", finaliza o executivo. RT

Revista Têxtil #770 I 55


MERCADO

RIETER AVALIA

RECUPERAÇÃO DO MERCADO Em report divulgado para investidores, marca suíça registrou um faturamento de mais de 425 milhões de francos suíços entre janeiro e setembro deste ano

A

Rieter divulgou seu report para investidores, com os resultados da empresa até setembro deste ano. Segundo o comunicado, a recuperação do mercado, que a Rieter relatou em junho de 2020, continuou. Isto é refletida na utilização da capacidade das plantas de fiações no mundo inteiro, que a Rieter monitora. Em Abril de 2020, a proporção de fábricas de fiação foi de cerca de 40%, enquanto no final de setembro de 2020, foi de 90%. Neste contexto, o Grupo Rieter aumentou a entrada de pedidos no terceiro trimestre de 2020 a 174,4 milhões de francos suíços, sendo que no segundo semestre de 2020 foi de 45,7 milhões. Nos primeiros nove meses de 2020, o Grupo Rieter alcançou um faturamento acumulado de 425,1 milhões de francos suíços em pedidos, contra 524,5 milhões em 2019. Em comparação com o ano anterior, isto representa um declínio de 19%. Devido à evolução positiva no terceiro trimestre de 2020, o volume pedidos recebidos na divisão de Máquinas & Sistemas do grupo alcançaram um total de 234,5 milhões de francos suíços nos primeiros nove meses. A razão para o declínio relativamente pequeno de 8% em comparação com o ano anterior é que o novo negócio de máquinas já era caracterizado por restrições ao investimento nos três primeiros trimestres do ano de 2019.

56 I Revista Têxtil #770

A divisão de Componentes registrou uma redução de 33% para 116,6 milhões de francos suíços, enquanto a divisão Pós-Venda registrou um volume de pedidos no valor de 74,0 milhões, uma redução de 23%. Isto ilustra os efeitos da baixa utilização das plantas de fiação. Especialmente no segundo trimestre de 2020, como resultado da pandemia da COVID-19. A carteira de pedidos em 30 de setembro de 2020 era de cerca de 515 milhões de francos suíços, enquanto no mesmo período de 2019, era de 285 milhões de francos suíços). Os cancelamentos estavam na faixa normal, em torno de 5%.

LIDANDO COM A CRISE DE COVID-19 A Rieter implementou rapidamente uma gestão de crise abrangente da COVID. A prioridade dada foi a de proteger os funcionários, cumprir os compromissos dos clientes e garantir liquidez. As medidas necessárias para proteger os funcionários foram implementadas em todo o mundo e o acúmulo de pedidos está sendo processado em grande parte como planejado. A Rieter introduziu 40% de trabalho em horário reduzido na Suíça e na Alemanha para o segundo semestre de 2020 e medidas similares foram implementadas em todo o mundo dentro do escopo das opções legais disponíveis. Em 30 de setembro de 2020, a Rieter tinha fundos líquidos de 216,7 milhões de francos suíços e linhas de

Fotos: Divulgação


MERCADO PARCERIA COM A BRASILEIRA WW SYSTEMS

A Rieter anunciou em comunicado seu balanço até setembro e a parceria com uma empresa brasileira de software, a WW Systems.

crédito não utilizadas na faixa média de três dígitos de milhões, a fim de garantir liquidez. No final de setembro de 2020, foi divulgada uma dívida líquida de 1,2 milhões de francos suíços.

IMPLEMENTAÇÃO CONTÍNUA DA ESTRATÉGIA Nos últimos anos, Rieter tem implementado a estratégia de forma consistente com o foco em liderança em inovação, fortalecendo os negócios na base consolidada e otimização dos custos. A empresa pretende seguir em frente com a estratégia em nos próximos meses, a fim de fortalecer a posição de mercado para o período após a pandemia de COVID-19. O CAMPUS Rieter é um elemento importante da estratégia de inovação da Rieter e, dependendo da situação comercial, os trabalhos de construção devem começar na primeiro metade de 2021.

BALANÇO DE 2020 Como já anunciado, em termos de vendas e rentabilidade, a Rieter espera um segundo semestre do ano mais forte, em comparação com o primeiro semestre de 2020. No entanto, devido ao adiamento das entregas pelos clientes, a empresa também concluirá a segunda metade do ano - e portanto o ano completo de 2020 com uma perda líquida.

O Grupo Rieter concluiu um acordo de licença com a WW Systems em 5 de novembro de 2020 e integrará a promissora solução da empresa brasileira em sua suíte de fiação digital ESSENTIAL. O “OptCotton” da WW Systems, de acordo com a Rieter, oferece o único sistema de software no mundo que permite uma mistura uniforme de algodão para o processo de fiação. Com esta cooperação, a Rieter está dando um importante passo em frente na implementação de sua estratégia digital e oferecer a seus clientes mais valor agregado na produção de fios. Ao contrário de qualquer outro sistema no mercado atualmente, o “OptCotton” elimina variações em qualidade entre as misturas de algodão que estão sendo preparadas para o processo de fiação. Desta forma, o fio de qualidade padronizada pode ser produzido eficientemente no processo de fiação. Desde a chegada dos fardos no armazém até seu uso no linha blowroom, “OptCotton” gerencia todo o processo de mistura sem a necessidade para categorização. Isto resulta em maior eficiência no armazenamento e logística bem como o desempenho da máquina.

INTEGRAÇÃO COM A SUÍTE DIGITAL ESSENTIAL Ao integrar esta solução, Rieter fortalece seu conjunto de fiação digital ESSENTIAL. O acesso a dados de fibras relacionadas a fardos e informações sobre matéria-prima abre novos horizontes e possibilidades de controlar a fábrica de fiação. Em combinação com módulos ESSENTIALbasic, ESSENTIALmonitor, ESSENTIALmaintain e ESSENCIALpredito, o sistema otimiza todo o processo de fiação e eleva a inteligência digital a um novo nível.

Devido às incertezas existentes, continua a ser difícil prever as vendas e rentabilidade para o segundo semestre de 2020. Por este motivo, a Rieter se abstém de fornecer informações mais específicas para o ano completo de 2020. RT Revista Têxtil #770 I 57


Garanta já o seu espaço no evento que mais uma vez vai movimentar o Norte e o Nordeste!

14 a 16 de setembro

Evento paralelo:

2021 - Fortaleza/CE Centro de Eventos do Ceará Pavilhão Oeste

NÚMEROS DO SETOR FIAÇÃO

TECELAGEM

MALHARIA

BENEFICIAMENTO

CONFECÇÃO

• PRODUÇÃO 471 MIL TONELADAS

• 51 UNIDADES PRODUTIVAS

• 50 UNIDADES PRODUTIVAS

• 109 UNIDADES PRODUTIVAS

• 3,6 MIL UNIDADES PRODUTIVAS

• 24 MIL EMPREGOS DIRETOS

• 6,7 MIL EMPREGOS DIRETOS

• 4 MIL EMPREGOS DIRETOS

• 229 MIL EMPREGOS DIRETOS

• PRODUÇÃO 241 MIL TONELADAS

• PRODUÇÃO 38,5 MIL TONELADAS

• PRODUÇÃO 1,5 MILHÃO DE PEÇAS

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