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EDITORIAL

A REVISTA TÊXTIL é uma publicação da

R. da Silva Haydu & Cia. Ltda. Inscr. Est.: 104.888.210.114 CNPJ/MF: 60.941.143/0001-20 MTB: 0065072/SP

Diretor-Presidente: Ricardo Haydu Diretora de Redação: Clementina “Vivi” Haydu Jornalista: Renata Martorelli Designer: Carlos C. Tartaglioni Foto da capa: Arquivo Representantes Comerciais Europa: International Communications Inc. Andre Jamar 21 rue Renkin: 4800: Verviers: Belgium Tel/Phone: + 32 87 22 53 85 / Fax: + 32 87 23 03 29 e-mail: andrejamar@aol.com Ásia (Asian): Buildwell Int. Co., Ltd. Nº 120, Huludun, 2nd St., Fongyuan, Taichung Hsien: Taiwan 42086: R.O.C. Tel/Phone: + 886 4 2512 3015 / Fax: + 886 4 2512 2372 Coréia (Korea): Jes Media International 6th Fl., Donghye-Bldg.: 47-16, Myungil-Dong Kandong: Gu: Seoul 134-070 Tel./Phone: + (822) 481-3411/3 / Fax: + (822) 481-3414 Correspondente na Argentina: Ecodesul Av. Corrientes, 3849: Piso 14° OF. A. Buenos Aires: Argentina Tel/Phone: (541) 49-2154 / Fax: (541) 866-1742 Órgão Oficial das entidades

Órgão de divulgação das entidades Abint: Associação Brasileira das Ind. de NãoTecidos e Tecidos Técnicos; Núcleo Setorial de Informação do SENAI/CETIQT; Redação/Administração Rua Albuquerque Lins, 867 8º andar - Santa Cecília São Paulo/SP - Brasil - CEP 01230-001 Tel/Phone: +55 (11) 3661.5500 E-mail: revistatextil@revistatextil.com.br Site: www.revistatextil.com.br Publicação bimestral com circulação dirigida às fiações, tecelagens, malharias, beneficiadoras, confecções nacionais e internacionais, universidades e escolas técnicas. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, a filosofia da revista. A reprodução total ou parcial dos artigos desta revista depende de prévia autorização da Editora. Redação Releases, comentários sobre o conteúdo editorial, sugestões e críticas a matérias. Pedidos de informação relacionados às matérias e à localização de reportagens: e-mail: revistatextil@revistatextil.com.br Publicidade Anuncie na REVISTA TÊXTIL e fale diretamente com o público leitor mais qualificado do setor têxtil no Brasil e no mundo: e-mail: revistatextil@revistatextil.com.br

RUMO AO NOVO NORMAL Vivemos um momento inimaginável, um novo desafio e a esperança de dias melhores. Empresas tiveram que parar, as pessoas tiveram que olhar mais para si e para sua saúde, a economia praticamente parou. Foram dias difíceis e agora, com cautela, o mundo vem tentando encontrar um novo normal. E não poderia ser diferente no nosso amado setor têxtil. O setor têxtil se reinventou, tentou ajudar como pôde, fez a sua parte, produziu têxteis para ajudar na luta contra a COVID-19, e agora, mesmo com a produção reduzida, está retornando, mais cauteloso, com novas perspectivas, novas visões de negócios e mais humano. O setor de máquinas têxteis continua desenvolvendo tecnologia e inovações, nosso setor não pode parar, ainda mais agora. Temos que continuar produzindo e fazendo negócios. No varejo, as marcas buscaram o e-commerce, que acabou se tornando uma alternativa importante para manter o mercado em movimento. Os eventos do nosso setor também tiveram que se reinventar. A maioria dos organizadores de feiras e eventos optaram por realizar ações 100% online neste ano, com webinars em plataformas totalmente digitais. Outros decidiram adiar as datas dos eventos físicos para 2021. Trazemos nesta edição uma reportagem especial sobre o mercado diante da Pandemia do coronavírus. Ouvimos especialistas, economista, empresários e associações, que contaram um pouco os desafios enfrentados e as alternativas para enfrentar a nova realidade mundial. Também trazemos os destaques do universo denim, do setor têxtil, e as últimas notícias internacionais do nosso setor. Vamos em frente! Boa leitura!

Assinaturas Para renovação e outros serviços, escreva para: e-mail: revistatextil@revistatextil.com.br

Revista Têxtil #767 I 03


SUMÁRIO

EVENTOS

06

REINVENÇÃO DO SETOR DE FEIRAS E EVENTOS

PANDEMIA

22

COVID-19 E OS IMPACTOS DA PANDEMIA NA INDÚSTRIA

DENIM

36

DENIM: TENDÊNCIAS E INOVAÇÕES PÓS-CORONAVÍRUS

TÊXTIL

44

NOTÍCIAS INTERNACIONAIS

04 I Revista Têxtil #767


Make the Difference

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EVENTOS

REINVENÇÃO DO SETOR DE FEIRAS & EVENTOS Setor busca alternativas diante da COVID-19

Por Renata Martorelli

C

om o isolamento social ocasionado pela Pandemia do coronavírus, eventos nacionais e internacionais tiveram que se reinventar para continuar oferecendo para o mercado conteúdo e lançamentos. Algumas datas foram alteradas, mas a maior parte optou por lançar a versão online, com palestras, lançamentos de produtos, tendências e debates através de plataformas digitais. Confira abaixo os destaques deste primeiro semestre.

Obs.: Datas sujeitas a alteração.

FOTOS: Divulgação

Revista Têxtil #767 I 07


EVENTOS AGRESTE TEX REABRE INSCRIÇÕES PARA QUINTA EDIÇÃO EM CARUARU Após o adiamento em função da pandemia do coronavírus, profissionais e estudantes ligados à indústria têxtil e de confecção já podem se inscrever gratuitamente na quinta edição da Agreste Tex, que acontecerá em Caruaru, Pernambuco, entre os dias 27 e 30 de outubro, no Polo Caruaru. O credenciamento deste ano será totalmente online, através do site da feira: www. agrestetex.com.br. A promessa é levar ao agreste pernambucano as principais tecnologias e tendências para os confeccionistas da região. Para isso, o Febratex Group, promotor do evento junto com a Associação Comercial e Empresarial de Caruaru - ACIC, está trabalhando com rígidos protocolos, como credenciamento exclusivamente online, cabine de desinfecção, uso obrigatório de máscara e reforço na higienização e limpeza. “Passamos os últimos dois meses e seguiremos até a realização do evento, desenvolvendo estratégias em contato com autoridades oficiais e sanitárias, para garantir que a participação de todos seja o mais segura possível”, explica o diretor-presidente do Febratex Group, Hélvio Pompeo Madeira. Além de receber mais de 300 marcas participantes, que oferecem maquinário como bordadeiras ultramodernas e máquinas de costuras de última geração, o evento também contará com a Conferência Agreste Tex, que trará uma programação de palestras gratuitas, servindo como um grande treinamento aos profissionais do setor. Serão 30 palestrantes e mais de 16 horas de conteú-

“PASSAMOS OS ÚLTIMOS

DOIS MESES E

SEGUIREMOS ATÉ A REALIZAÇÃO DO EVENTO,

DESENVOLVENDO

ESTRATÉGIAS EM CONTATO COM AUTORIDADES OFICIAIS E

SANITÁRIAS, PARA GARANTIR QUE A

PARTICIPAÇÃO DE

TODOS SEJA O MAIS SEGURA POSSÍVEL” 08 I Revista Têxtil #767

do gratuito, que trarão as principais tendências em moda, sustentabilidade e tecnologia para a indústria têxtil. Entre os temas que serão abordados estão a “Sustentabilidade: Nosso papel para que nosso mundo seja preservado”, com Reinaldo Rozzati, da ABTT; “Denim City São Paulo e a proposta de um novo futuro para a grande indústria do denim brasileira”, com Cristiano Buerger, da Tecnoblu; “Sustentabilidade na prática: cinco trends definitivas para adotar já!”, com Lorena Botti, da Vicunha Têxtil; “”, com Thaisa Peralta, da Covolan Têxtil; “Comece do zero com impressão digital têxtil! By Global Química e Moda”, com Yuri Marcel e Roberto Vilela; “Têxteis avançados - Desafios e oportunidades”, com o Prof. Dr. Ivan Medeiros de Engenharia Têxtil, da UFRN; entre outros temas. A feira conta com o patrocínio das empresas Santana Textiles, Avil, Silmaq, Makital e Vicunha. O evento é aprovado internacionalmente pela UFI e conta com o apoio da ABIMAQ, ABIT, ABTT, ACIT, ASCAP, NTCPE, Sinditêxtil-PE, GBLJeans, CDL Santa Cruz do Capibaribe, Santa Cruz na Moda, FIEPE e SENAI.


EVENTOS VISTA FAIR DIGITAL A Vista Fair diante das mudanças com o distanciamento social, optou por realizar uma versão online da feira, a Vista Fair Digital. “Desde março estudamos o comportamento no Brasil e no mundo para sabermos como agir. Já estávamos no caminho digital com as publicações na íntegra do Vista Talks em nosso site, e decidimos seguir para a feira digital. Fizemos o lançamento dia 21 de maio, dia que seria inaugurada a feira física, inaugurando a plataforma digital”, revela Ana Flôres, diretora da Vista Fair. A Vista Fair Digital deverá ficar disponível até dezembro de 2020. “Acredito que até dezembro já teremos um cenário mais claro para definirmos com data exata a feira física, porque as pessoa precisam também se encontrar, ter contato e fazer networking, jamais o digital vai suprir as necessidades do meio físico, as duas coisas devem andar em paralelo”, diz Ana Flôres.

Para finalizar, Ana explica que no setor de moda praia, lingerie e fitness, apesar da dificuldade atual, a força e a união é o que fortalece a indústria. “Meu setor tem uma capacidade muito grande de se reinventar. A plataforma digital nesse momento serve para ficarmos unidos, distantes, porém próximos, porque é o que precisamos agora, de união, porque sozinho ninguém faz nada absolutamente. O digital funcionará para nos mantermos conectados, procurando ideias e fazendo o mercado movimentar”.

TEXWORLD USA E APPAREL SOURCING USA Impossibilitada de realizar a Texworld USA e a Apparel Sourcing USA nas datas previstas, a Messe Frankfurt USA realizou uma exposição virtual de 21 a 23 de Julho de 2020. As empresas de tecidos e de vestuário interessadas no mercado norte americano teve a possibilidade de encontrar novos clientes sem se deslocar. As inscrições foram pagas e realizadas até o dia 1º de junho.

Os participantes tiveram acesso a uma página personalizada, agendar vídeo conferências com potenciais clientes e participar de lives sobre os principais temas do setor.

FUTURE PRINT Em vista do novo cenário que vivemos, como sabem, nosso evento físico foi adiado para novembro. Porém, em julho completamos 30 anos de FuturePrint! São 30 anos de história, conectando pessoas, negócios e tecnologias. Inovando em oportunidades, conteúdo e tendências para impulsionar os mercados que atuamos: serigrafia, sign e impressão têxtil. Para comemorar, preparamos com carinho, uma semana muito especial: Semana FuturePrint 30

10 I Revista Têxtil #767

anos Digital, de 20 a 24 de julho de 2020 aconteceu a Semana FuturePrint 30 anos Digital, que contará com convidados especiais compartilhando suas experiências e soluções para o setor.


Nova data:

A 5a edição da Agreste Tex vai movimentar o setor de confecções e os empresários da indústria têxtil do agreste pernambucano. Os principais players do mercado se reunirão para uma exposição de tecnologias, lançamentos, negócios, startups e treinamento para acelerar o desenvolvimento da região

27 a 30 de outubro CARUARU/PE

SEGMENTOS: MATÉRIA-PRIMA - Insumos - Denim - Malha - Tecidos planos ACABAMENTO - Embalagem - Etiquetas - Aviamento

CONFECÇÃO - Corte - Costura - Bordado BENEFICIAMENTO E IMPRESSÃO - Estamparia - Impressão Digital

MODA - Pesquisa de Tendências

Inscrições abertas: agrestetex.com.br Patrocínio:

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EVENTOS FEBRATEX ACONTECE EM FEVEREIRO DE 2021 A 17ª edição da Febratex, uma das maiores feiras do mundo para a indústria têxtil e a maior das Américas, já tem nova data. O evento acontece de 02 a 05 de fevereiro de 2021, no Parque Vila Germânica, em Blumenau (SC), e terá diversas novidades, como um espaço para palestras, conteúdos, mostra de produtos inovadores e têxteis tecnológicos, que será o Febratex Conecta. “O Febratex Conecta tem o propósito de promover o conhecimento, conexões e negócios entre pessoas e empresas que trabalham na indústria têxtil e de confecção. Palestras, conteúdo, mostra de produtos inovadores e têxteis tecnológicos, tudo isso em um espaço diferenciado”, explica a diretora executiva do Febratex Group, Giordana Madeira. Ela destaca a importância de se buscar alternativas, na economia pós-COVID, de reindustrialização dos países para tornarem-se independentes de matéria prima e produtos vindos da Ásia e produzirem tanto para fornecimento interno, como para a exportação. “O Brasil é um país que tem grande potencial de matéria prima e que pode e deve produzir mais e melhor para competir com os demais países”, aponta Giordana. Outras novidades que poderão ser conferidas na próxima edição do evento são: a Mostra de Tecidos do Futuro, que apresentará tecidos, malhas, couros sustentáveis e têxteis do futuro, de empresas que desenvolvem produtos sustentáveis e tecnológicos para a cadeia produtiva têxtil; a Conferência Febratex, que será um fórum de conhecimento, com três dias de palestras e conteú-

dos relevantes, com palestrantes líderes do mercado têxtil nacional e internacional que abordarão temas como inovação, business e sustentabilidade; o Preview do Febratex Summit 2021, que será um dia com conteúdo especiais do que acontecerá na edição de 2021 do Febratex Summit, que irá apresentar cases de sucesso divididos em três trilhas de conteúdo: Gestão, Inovação e Sustentabilidade; e Green Circle, promovido pelo Citeve (Centro Tecnológico da Indústria Têxtil e do Vestuário de Portugal) pela primeira vez fora da Europa, que alinhará moda, tecnologia e sustentabilidade, apresentando produtos como tecidos, fios e roupas especiais com tecnologias inovadoras e com o viés da sustentabilidade.

“O BRASIL É UM PAÍS QUE TEM GRANDE POTENCIAL DE MATÉRIA PRIMA E QUE PODE E DEVE PRODUZIR MAIS E MELHOR PARA COMPETIR COM OS DEMAIS PAÍSES”

12 I Revista Têxtil #767


EVENTOS INSPIRAMAIS DIGITAL ACONTECE EM AGOSTO Entre os dias 25 a 27 de agosto, o Inspiramais, único programa de design de Materiais para Moda da América Latina, acontece em formato inovador, totalmente online. O lançamento do evento aconteceu dia 29 de junho, durante a live de lançamento, no canal do Inspiramais, no Youtube. “Teremos uma transformação do físico para o virtual, mas é mais do que isso, é uma inclusão do que a moda já estava fazendo, ou seja, já vinha caminhando em passos largos para a digitalização, e o mundo acompanha a moda e a moda deve acompanhar o mundo também. Para que tenhamos toda aquela riqueza que tínhamos no Inspiramais físico, também no Inspiramais virtual, tudo que estava lá também estará no virtual. A interatividade que o Inspiramais vai promover, dos contatos online diretos entre os expositores e os projetos especiais, a grande inquietude e esperança que temos é de transformá-lo além de tecnológico, em humano”, revela Ilse Guimarães, superintendente da Assintecal (Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos). Sobre a possibilidade do evento se tornar apenas digital, Ilse afirma que irão manter o evento físico e o virtual. “Temos muitas vantagens no virtual, como a logística, maior abrangência, disponibilidade global, além da oportunidade para compradores e expositores ingressarem no mundo virtual”. Segundo Walter Rodrigues, coordenador do Núcleo de Design do Inspiramais, a moda já vinha flertando com esse contexto digital há muito tempo e a Pandemia, na realidade, só acelerou o momento. “Entendemos que é muito necessário gerar negócios nesse momento e a plataforma digital possibilita isso de uma maneira interativa, muito comunicativa e faz com que os designers de produtos de todos os setores, que sempre visitaram o Inspi-

“A MODA JÁ VINHA FLERTANDO COM ESSE CONTEXTO DIGITAL HÁ

MUITO TEMPO

E A PANDEMIA,

NA REALIDADE,

SÓ ACELEROU O MOMENTO”

ramais, tenham a chance de encontrar esses novos materiais. Antes tínhamos a conexão com 7 mil pessoas no evento e agora o céu é o limite. A moda tem que estar cada vez mais acessível às pessoas e a plataforma tem todos os atributos para prover isso”. O Inspiramais virtual contará com as mesmas ações do salão presencial. “Teremos visitação ao espaço Conexão Inspiramais, que conta com todos os materiais em destaque no evento, com possibilidades de lives com explicações dos temas. O Projeto + Estampa, voltado para confecções, vai se conectar a partir das estampas, junto com os estúdios de design, e vai apresentar estampas e cartela de cores para janeiro de 2021 dentro do tema Free Spirit, com espaços para lives também. Já o Conexão Criativa é a oportunidade para pequenas e médias empresas que já têm conexão com a sustentabilidade no dia a dia. Continuaremos tendo as palestras, agora com a possibilidade digital de falarmos com o mundo inteiro, além das visitas guiadas para explicar os temas dessa edição que será a representação do ‘human to human’”, explica Rodrigues. Revista Têxtil #767 I 13


EVENTOS DFB FESTIVAL APRESENTA EDIÇÃO ONLINE INÉDITA Após reunir, em 2019, mais de 42 mil pessoas durante quatro dias de shows, desfiles, workshops, feira de empreendedorismo e gastronomia, o DFB Festival realiza sua primeira edição em formato virtual, refletindo o momento global sobre as formas de consumo dos produtos culturais e os rumos do trade da moda. O DFB DigiFest 2020 apresentara um line-up multidisciplinar, reunindo atividades online, mantendo a missão de promover o acesso de novos talentos do trade ao mercado, contemplando diversos segmentos das esferas da moda, da cultura, da formação e do empreendedorismo. A migração para o formato virtual potencializou as atividades previstas antes da pandemia, adaptando-as a um formato seguro e democrático, com acesso a partir das redes sociais do DFB Festival - @dfbfestival - e da plataforma www.dfbfestival.com.br. Segundo o diretor geral do DFB Festival, Cláudio Silveira, todo o planejamento do DFB DigiFest foi pensado para contemplar quem mais precisa de auxílio neste momento de crise, seja designer, aluno, artista, microempreendedor ou restaurante que teve suas atividades afetadas e seu faturamento comprometido.

Ações Sociais O Projeto Energia Solidária correalizado com a Enel, levará, de forma 100% gratuita, máscaras de proteção para domicílios situados nos bairros de maior vulnerabilidade da Região Metropolitana de Fortaleza. 12 designers e marcas autorais do line-up do DFB Festival desenvolveram estampas exclusivas, inspiradas em “esperança e solidariedade”. As marcas participantes foram Água de Coco, David Lee, Ivanildo Nunes, Jeferson Ribeiro, Lindebergue Fernandes, Vitorino Campos, Gabriel Baquit, Melk Zda, Gisela Frank, Espedito Seleiro e Kallil Nepomuceno. As estampas foram aplicadas em máscaras reutilizáveis, de uso prolongado, produzidas de acordo com as recomendações da RDC Nº 356, Ministério da Saúde, Anvisa e NBR 13698. Correalizado com a influencer Thyane Dantas como parte das atividades do DFB Festival desde 2017, o concurso New Faces também evoluiu nesta edição para uma versão online, com o intuito de reve-

14 I Revista Têxtil #767

lar talentos em áreas de vulnerabilidade social da Região Metropolitana de Fortaleza.

Cultura na veia A segunda edição da mostra de curtas-metragens assinados por videomakers profissionais, estudantes e amadores, a MoveModa 2020, tem como tema as múltiplas interpretações sobre visões de futuro que se desenham no horizonte. Como em 2019, a MoveModa distribuirá 10 mil reais em dinheiro para os vídeos vencedores nas quatro categorias da mostra: Fashion Film Independente, Pensamento Crítico, Inovação em Linguagem e Talento Educacional.

Design Realizada desde 2001, a tradicional competição entre instituições de ensino superior e técnico de Estilismo e Moda já havia encerrado o prazo de inscrições antes das paralisações por conta da pandemia do novo coronavírus. Para contemplar os trabalhos inscritos, sem expor os participantes aos riscos de aglomeração demandados em uma eventual segunda fase, o Concurso dos Novos realizou


EVENTOS

uma edição extraordinária. Ao invés da coleção cápsula completa, que seria apresentada em desfile durante a edição física do DFB Festival, a avaliação será feita a partir do look-piloto enviado e da análise dos projetos teóricos das propostas. Em virtude desse novo formato, o prêmio para a equipe vencedora foi atualizado para 5 mil reais.

Empreendedorismo Iniciativa realizada em parceria com o Sistema Fiec e o Sebrae/CE, o Prêmio DFB Digital foi criado em reconhecimento aos esforços da indústria têxtil do Ceará e de microempreendedores independentes, para contemplar as iniciativas que mais têm se destacado nesses tempos de isolamento social. Além de apontar iniciativas de grandes players da indústria, o Prêmio DFB Digital mira na atividade online de designers, artesãos e marcas autorais, que utilizam estratégias diferenciadas em suas plataformas digitais (sites, apps e redes sociais) para impulsionar modelos de negócio e comunicação em moda e design. Os maiores destaques, eleitos por membros dos sindicatos do trade e profissionais da Imprensa serão contemplados com um total 15 mil reais em dinheiro, que será dividido entre os três microempreendedores que se destacarem nas categorias Engajamento Social, Negócio Sustentável e Feed Criativo.

Gastronomia O DFB DigiFest realiza a versão online de sua mostra gastronômica, visando auxiliar restaurantes com expertise em comida afetiva cearense, que foram impactados pela pandemia da COVID-19. Ao todo, chefs de nove restaurantes criarão suas versões de marmita-chic, que serão comercializadas online, em suas redes sociais, com preço acessível. A renda de cada marmita-chic irá integralmente para o restaurante responsável por sua execução e venda.A curadoria da ação fica a cargo do Chef João Lima.

parceria com o Senac Ceará, promoverá palestras e workshops online gratuitos. Entre os convidados está o estilista Alexandre Herchcovitch, que participará de um bate-papo com o consultor e editor de moda Eduardo Motta no próximo dia 11 de julho, no canal do Youtube do evento. Com o tema “Criando a moda para o futuro”, a conversa online discutirá as perspectivas do segmento para o novo mercado. Na ocasião, Eduardo Motta também divulgará os próximos nomes que farão parte da iniciativa. Os encontros poderão ser acompanhados no canal do Youtube do evento (youtube.com/ dragaofashionhouse).

“A MIGRAÇÃO PARA O FORMATO VIRTUAL POTENCIALIZOU AS ATIVIDADES PREVISTAS ANTES DA PANDEMIA, ADAPTANDO-AS A UM FORMATO SEGURO E DEMOCRÁTICO, COM ACESSO A PARTIR DAS REDES SOCIAIS DO DFB FESTIVAL”

Digital Pensando Moda O DFB Digifest 2020, evento virtual do DFB Festival, iniciou a divulgação dos grandes nomes que participarão do projeto “Digital Pensando Moda”, que em Revista Têxtil #767 I 15


EVENTOS MINAS TREND REALIZA LIVES NO INSTAGRAM Desde o dia 12 de maio, o canal do Minas Trend no Instagram está promoveu lives sobre diversos assuntos relacionados ao universo da moda. A ação terminou no início de julho. A edição de abril do evento, que iria apresentar as tendências da primavera/verão 2021, foi cancelada por conta da epidemia da COVID-19. “Precisamos informar, esclarecer e dar novas perspectivas a um segmento que está em constante evolução, e que agora vem passando por um significativo momento de adaptação, devido à Pandemia do novo coronavírus”, explica Gustavo Macena, gestor do projeto. Entre os assuntos abordados estiveram as perspectivas econômicas para o momento, sustentabilidade, marketing de influência e diversidade na moda. As lives aconteceram sempre às terças e quintas-feiras, às 17h, no Instagram do evento. A programação semanal das lives está disponível no site minatrend.com.br e podem ser assistidas no perfil @minastrend.

“PRECISAMOS INFORMAR, ESCLARECER E DAR NOVAS PERSPECTIVAS A UM SEGMENTO QUE ESTÁ EM CONSTANTE EVOLUÇÃO, E QUE AGORA VEM PASSANDO POR UM SIGNIFICATIVO MOMENTO DE ADAPTAÇÃO, DEVIDO À PANDEMIA DO NOVO CORONAVÍRUS”

16 I Revista Têxtil #767


EVENTOS TEXCARE INTERNATIONAL ACONTECERÁ EM NOVEMBRO DE 2021 A Texcare International foi adiada e ocorrerá em Frankfurt, de 27 de novembro a 1 de dezembro de 2021, devido à situação econômica causada pela Pandemia do coronavírus e às restrições de viagem esperadas. Originalmente prevista para junho de 2020 e para outubro de 2020, a Messe Frankfurt, a German Textile Cleaning Association (DTV) e a VDMA Textile Care, Fabric and Leather Technologies, decidiram adiar a Texcare International para novembro de 2021, para proporcionar à indústria um evento que possa trazer novos incentivos ao mercado têxtil internacional. “Queremos fazer justiça total às expectativas que a indústria traz a uma feira líder como a Texcare International. Os regulamentos atuais que regem os principais eventos, as restrições contínuas às viagens globais, e a situação econômica crítica, no entanto, está ques-

tionando esse objetivo. Ao mesmo tempo, no interesse de expositores e visitantes, queremos evitar custos desnecessários em um estágio inicial. Nenhum de nós tomou essa decisão de ânimo leve, mas estamos agora direcionando nossas energias para apoiar a recuperação econômica no momento certo durante o evento em 2021”, diz Wolfgang Marzin, Presidente e CEO da Messe Frankfurt.

“ESTAMOS AGORA DIRECIONANDO NOSSAS ENERGIAS PARA APOIAR A RECUPERAÇÃO ECONÔMICA NO MOMENTO CERTO DURANTE O EVENTO”

COLOMBIAMODA 2020: SEMANA DA MODA DIGITAL Diante do momento incerto que o mundo está vivendo, repensar, renovar e adaptar são atributos valiosos, e a tecnologia é uma aliada na aproximação nesta nova realidade. A Inexmoda, organizadora e realizadora da Colombiamoda, optou por se adaptar e realizar a Colombiamoda 2020, conforme planejada, em plataformas digitais. O evento acontecerá de 27 de julho a 02 de agosto de 2020 e poderá ser acompanhado pelo site www.colombiamoda.com. Os participantes terão acesso a plataformas digitais para negócios de moda B2B com compradores colombianos e americanos; loja online para designers e marcas; apresentações de moda online com marcas

e designers, que lançarão suas coleções e estarão comercializando ao mesmo tempo; experiências de estilo de vida online para conectar marcas e consumidores; Pavilhão de Conhecimento Inexmoda-UPB com palestras online gratuitas; consultoria online e Master Classes com especialistas da indústria da moda. Revista Têxtil #767 I 17


EVENTOS DORNBIRN-GFC 2020 É CANCELADO Devido ao impacto do COVID-19, o congresso Dornbirn-GFC 2020 não será realizado em sua forma usual este ano. As restrições de viagem, a situação econômica e os cuidados com a saúde, adiaram o planejamento do evento. Como alternativa, será realizada a Dornbirn-GFC 2020 - Semana do Seminário Online, que contará com palestras e discussões na forma de webinars, entre os dias 16 e 18 de setembro de 2020. Entre os temas que serão abordados estão: a palestra sobre Green Deal - Implicações para a Indústria Têxtil e a entrega do Prêmio Paul Schlack / Wilhelm Albrecht; palestras e discussões sobre Tecnologias Líderes de Reciclagem de Polímeros, Cadeia de produção têxtil digital inteligente e integrada, Lições aprendidas com embalagens - esque-

FESPA DIGITAL PRINTING ANUNCIA NOVA DATA A FESPA Digital Printing adiou o evento que seria realizado em 2020 para os dias 24, 25, 26 e 27 de Março de 2021, no Pavilhão Azul do Expo Center Norte, em São Paulo, devido os problemas enfrentados com a Pandemia. “Desde o primeiro momento, nossa meta sempre foi o bem-estar de todos os visitantes, expositores, fornecedores e staff presentes no evento, e mais do que nunca, prestamos aqui nossa solidariedade aos familiares das vítimas e reforçamos nossas energias”, relata Alexandre Keese, diretor da FESPA Digital Printing. Desde que o Decreto Municipal nº 59.285/20 (que foi abrangido pelo Decreto Estadual nº 64.881) fez com que a FESPA Digital Printing fosse adiada, a APS agiu com rapidez e prudência junto a todos os envolvidos, monitorando dia após dia a evolução deste cenário, indo além e trabalhando pela construção de um protocolo de retomada das atividades de forma segura e organizada em conjunto com outras empresas e entidades do setor, fazendo parte da iniciativa global

18 I Revista Têxtil #767

mas de EPR para Têxteis, Economia Circular, e Produção de EPI - um desafio para a indústria. Em 2021, a 60ª Dornbirn-GFC acontecerá de 15 a 17 de setembro e a 1° Dornbirn-GFC Ásia está prevista para acontecer nos dias 2 e 3 de março, mas ainda será confirmada pela organização do evento. Acompanhe as informações pelo site: www. dornbirn-gfc.com

Go LIVE, cujo braço nacional, a Go LIVE Brasil, conta a ativa presença da APS. “Nos próximos dias, vamos apresentar todas as etapas e itens para que possamos estar juntos em mais um grande evento, afinal a FESPA Digital Printing não para! Nosso time segue produzindo conteúdos únicos, com informações e novos conceitos sobre o mercado de impressão digital. Acompanhe o site e redes sociais para ficar bem informado sobre tudo que acontece no segmento”, finaliza Alexandre Keese.


EVENTOS FESTIVAL DO JEANS DE TORITAMA SE TORNA DIGITAL EM 2020 O Festival do Jeans de Toritama encara o novo momento e transforma seu projeto em uma versão 100% online: o FJT DIGITAL. O evento estará disponível no site www.fjtdigital.com.br e no canal do YouTube /fjtdigital, nos dias 07 e 08 de agosto. O novo formato contará com programação em ambiente virtual, desfiles preparados para o público conhecer as novidades e tendências das marcas participantes, além de palestras e debates com nomes importantes do atual cenário de moda brasileiro. O FJT seria realizado de 30 de abril a 2 de maio, mas, por foi adiado por causa da pandemia causada pelo novo coronavírus. Informações pelo site: www.dornbirn-gfc.com

“O NOVO FORMATO CONTARÁ COM PROGRAMAÇÃO EM AMBIENTE VIRTUAL”

ITM E HIGHTEX SÃO ADIADAS PARA JUNHO DE 2021 A Exposição Internacional de Máquinas Têxteis, ITM, e a Exposição Técnica de Têxteis e NãoTecidos, HIGHTEX International, realizadas a cada dois anos em parceria com a Tüyap Tüm Fuarcılık Inc. e a Teknik Fuarcılık Inc., em cooperação com o TEMSAD, seriam realizadas entre os dias 2 e 6 de junho deste ano. No entanto, como os efeitos da COVID-19 continuam a impactar o mundo, a ITM e HIGHTEX foram adiadas para 14 a 18 de julho 2020, mas remarcadas para acontecer entre 22 e 26 de junho de 2021. “Continuamos a preparar as exposições ITM e HIGHTEX a todo vapor. Acreditamos que nossa indústria têxtil será revitalizada e alcançará um ponto melhor no fim da Pandemia do coronavírus. Enquanto todo o mundo tem dificuldade para encontrar máscaras e roupas de proteção, a Turquia está entre os maiores fabricantes de nãotecidos e equipamentos sanitários, graças à sua forte infraestrutura para a produção de tecidos, roupas e nãotecidos. Sabemos que a indústria têxtil turca, que fabrica máscaras e roupas de proteção para oferecer benefícios para a saúde de todo o mundo de hoje, se fortalecerá nesse processo e continuará seus investimentos. Acreditamos que essa sinergia e força na indústria têxtil turca terá um impacto positivo em nossas exposições”, explica o Grupo de Projetos ITM e HIGHTEX. Revista Têxtil #767 I 19


EVENTOS FELINJU REALIZA 23ª EDIÇÃO ONLINE O polo de Juruaia teve que se reinventar e realizou a 23ª edição da Felinju, entre os dias 1º e 5 de junho, totalmente online. A ação inédita, com o tema “Os bons negócios estão conectados”, contou com desfiles, palestras e cursos virtuais, com conteúdos disponíveis 24 horas por dia, que puderam ser acompanhados por lojistas, revendedores, compradores, consumidores finais, além de toda a cadeia produtiva no Brasil e no mundo. Segundo o presidente da Associação Comercial e Industrial de Juruaia, José Antônio da Silva, o evento também teve o objetivo de aumentar o seu alcance, já que possibilitou a participação de visitantes de todas as partes do Brasil e do exterior. Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza e uma das principais empresárias do mundo do varejo, foi a embaixadora da 23ª Felinju. “Adaptar-se a esse novo normal está sendo um desafio para todos os setores econômicos da sociedade e no mundo da moda não é diferente. Por isso, temos que nos reinventar, e a tecnologia está aí para nos ajudar”, explica Rosana Marques, diretora do Grupo Ouseuse.

“ADAPTAR-SE A ESSE NOVO NORMAL ESTÁ SENDO UM DESAFIO PARA TODOS OS SETORES ECONÔMICOS DA SOCIEDADE E NO MUNDO DA MODA NÃO É DIFERENTE. POR ISSO, TEMOS QUE NOS REINVENTAR, E A TECNOLOGIA ESTÁ AÍ PARA NOS AJUDAR”

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FOTOS: Divulgação

C O V I D - 1 9 E OS IMPACTOS DA PANDEMIA NA INDÚSTRIA Desafios e oportunidades do setor têxtil diante da crise do coronavírus Por Renata Martorelli

S

egundo o Ministério da Saúde, os primeiros casos de coronavírus em humanos foram isolados pela primeira vez em 1937. No entanto, em 1965 o vírus foi descrito como coronavírus em decorrência do perfil na microscopia, parecido com uma coroa. O vírus responsável pelo COVID-19 é apontado como uma variação da família coronavírus. Ao longo da vida, a maioria das pessoas se infecta com os coronavírus comuns, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectarem. Revista Têxtil #767 I 23


COVID-19

Nelson Pereira Júnior, presidente da ABTT

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Nomeada oficialmente em 11 de fevereiro de 2020, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como COVID-19, a doença originou com uma variação do vírus, na China. O primeiro alerta para a doença foi emitido dia 31 de dezembro de 2019, pela OMS, depois que autoridades chinesas notificaram casos de uma misteriosa pneumonia na cidade de Wuhan, metrópole chinesa com 11 milhões de habitantes. A COVID-19 causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, apresenta um quadro clínico que varia de infecções assintomáticas a quadros respiratórios graves. No dia 30 de janeiro de 2020, a OMS declarou o surto da doença como uma emergência de saúde pública de importância internacional, o mais alto nível de alerta da organização. Em 11 de março de 2020, a COVID-19 foi caracterizada pela OMS como Pandemia e desde então o Brasil tem adotado medidas de isolamento social, necessárias para evitar um colapso do sistema de saúde no país, seguindo exemplos de outros países, como Espanha e Itália, e mesmo com a atual flexibilização, especialistas continuam em alerta, já que os casos de contaminações e mortes causadas pela doença continuam subindo no país.

O governo criou algumas alternativas para ajudar famílias e empresários afetados pela crise, não só de saúde, mas também econômica, que o país vem enfrentando. São dias difíceis, vidas perdidas, pessoas desempregadas, empresas de portas fechadas, mas a esperança de dias melhores precisa sobreviver em meio a tantas incertezas que o mundo enfrenta.

COMO O MERCADO TÊXTIL E DE CONFECÇÃO TEM REAGIDO À PANDEMIA? Com o distanciamento social, as empresas tiveram que se reinventar. Para ajudar nesse processo, as associações do setor têxtil e confeccionista estão realizando uma série de ações para fortalecer a indústria, mesmo diante da crise mundial ocasionada pelo coronavírus. “Com o distanciamento social, não pudemos ter eventos presenciais, por isso criamos lives com conteúdos voltados para os profissionais têxteis, com convidados de renome da cadeia têxtil e de grande impacto tecnológico e conceitos, proporcionando a todos conhecimento e inovação, que sem dúvida nenhuma poderá ajudar a superar a


COVID-19 crise de saúde e outras possíveis”, explica Nelson Pereira Júnior, presidente da ABTT (Associação Brasileira de Técnicos Têxteis). As empresas não estavam preparadas para o isolamento social, inclusive a indústria têxtil. “Sofremos uma parada no planejamento e não sabemos ainda como o mercado vai reagir a tudo isso. Será uma nova fase que teremos que nos adaptar ao que virá. Nos conceitos de consumo, acredito que haverá mudanças consideráveis, mas para se preparar para tudo isso temos que, cada vez mais, entender o nosso negócio e ter condições de ter as decisões muito rápidas, por isso a organização do negócio tem que estar bem clara”, diz Pereira Júnior. Segundo o presidente da ABTT, o distanciamento social foi uma das soluções para o controle do aumento da pandemia, mas também foi criada uma crise econômica que a solução para ela será fomentar o consumo. “A pergunta é de que forma se o mercado estará doente? Este retorno terá que ser feito com muita estratégia, com controle sanitário, e isso dependerá muito dos colaboradores se atentarem aos cuidados pessoais para não ter outra parada por aumento de casos”. A ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) tem realizado também diversas ações para ajudar o setor têxtil e confeccionista nesse momento de crise. “As principais ações da ABIT estão relacionadas a grande interlocução com o Executivo e o Legislativo, principalmente propondo medidas que atenuem o impacto dessa interrupção das atividades no âmbito da indústria têxtil e de confecção. Ao mesmo tempo, nós estamos trabalhando fortemente em protocolos em todas as discussões relacionadas a segurança daqueles que estão trabalhando. Estamos trabalhando na legislação, nas medidas de crédito, na parte de energia elétrica, prorrogações nos prazos de pagamentos e tributos; e na área mais setorial, na reconversão industrial, na produção de artigos médico-hospitalares, na produção de proteções sociais, as chamadas máscaras sociais. Temos também trabalhado na área de segurança das pessoas, códigos e protocolos de funcionamento, e também com todo manancial de informações para manter a indústria e o público em geral bem informados, com todos os temas relacionados a esse momento tão dramático, fazendo lives sobre mercado, crédito, tendências futuras, discussões sobre eventos de moda,

“COM O DISTANCIAMENTO SOCIAL, NÃO PUDEMOS TER EVENTOS PRESENCIAIS, POR ISSO CRIAMOS LIVES COM CONTEÚDOS VOLTADOS PARA OS PROFISSIONAIS TÊXTEIS, COM CONVIDADOS DE RENOME DA CADEIA TÊXTIL E DE GRANDE IMPACTO TECNOLÓGICO E CONCEITOS...” Fernando Pimentel presidente da Abit

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COVID-19 FAZENDO O BEM

Vicunha doa 27 mil máscaras para combate ao Covid-19 Equipamentos de proteção estão sendo destinados a profissionais de saúde de hospitais públicos do Ceará e Rio Grande do Norte.

João Carlos Marchesan, Presidente da ABIMAQ

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enfim, uma gama de ações, não só para informar, como propor e trabalhar junto todos os atores, para que nós tenhamos o menor dano possível nesse drama coletivo”, revela Fernando Pimentel, presidente da ABIT. A indústria têxtil e de confecção tem se destacado em ações solidárias durante a Pandemia. “As empresas têxteis e de confecção, de um modo geral, pelo nosso mapeamento, já apoiaram com mais de 50 milhões de reais, com diversas ações, de doações e etc., e tenho a impressão que esse valor deve ser o dobro, a julgar pela capilaridade da nossa indústria, e muitos não estão comunicando suas ações solidárias”, diz o presidente da ABIT. Segundo Pimentel, essa é uma crise inusitada. “Nunca vivemos isso nos últimos 100 anos, o que se tem de mais parecido como referência foi a gripe espanhola em 1918/1919. Voltando às atividades encontraremos um consumidor mais cauteloso, preocupado com emprego, com cortes de salário, com cortes concomitantes de jornada, mais criterioso na sua compra, dando mais valor àquilo no que ele investe o seu dinheiro. Nós todos ficamos mais empobrecidos. Nós teremos uma rampa de subida lenta, atingindo talvez no final

do ano 65/70% de retorno das atividades”. Para o presidente da Abit esse é um momento de olhar para a indústria nacional. “Voltaremos diferentes do que saímos, e isso vai nos fazer, sem dúvida nenhuma, ter uma nova relação de negócio, uma nova relação social, uma nova relação humana, mas o aprendizado dessa crise, muito dolorosa, vamos dizer, com grandes perdas, tem que servir para o nosso futuro como pessoas, seres humanos, como empreendedores, nosso futuro como país, na valorização da indústria como um fator relevante para o progresso nacional, geração de empregos e renda de qualidade, e também para a construção de caminhos mais adequados para nós sairmos de um país de renda média empobrecida para um país de renda elevada nos próximos 20 anos. Isso passa por educação, inovação, ciência e tecnologia, saúde e saneamento básico; tocar a agenda de reformas estruturantes para darmos uma vida mais digna para a população brasileira, que merece muito”. Segundo João Carlos Marchesan, presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria


COVID-19 de Máquinas e Equipamentos), estamos vivendo um momento difícil no país como um todo e na indústria, em particular. “Temos um canal aberto com o governo federal e sabemos que muitas das medidas anunciadas tiveram origem em nossos estudos e trabalhos. Temos tido muitas interlocuções com o governo, reuniões, correspondências, telefonemas e etc. Disponibilizamos nossos materiais com análises e possíveis consequências de um período prolongado de dificuldades econômicas, causadas pela Pandemia”. Marchesan ainda afirma que a ABIMAQ está atuando junto às autoridades fornecendo dados e sugestões para o efetivo combate aos efeitos da crise, atuando especificamente na manutenção das atividades; manutenção do emprego e medidas para estimular a demanda. “Diariamente nos dedicamos à tarefa de interpretar e passar a todos os associados todas as medidas econômicas emergenciais voltadas às empresas e acreditamos sinceramente que, se essas medidas forem implementadas rapidamente e de forma eficiente, os efeitos do coronavírus sobre a economia brasileira poderão ser atenuados”. 

É MOMENTO DE SE REINVENTAR? Segundo Haroldo Eiji Matsumoto, sócio-diretor da Prosphera Educação Corporativa, consultoria multidisciplinar especializada em gestão de negócios, o país viveu e ainda vive dois problemas maiores com a Pandemia: a segurança da vida e bem-estar das pessoas e dos colaboradores e a questão econômica, que impacta as empresas de vários segmentos, algumas mais, outras menos, dependendo do setor da economia. “No caso do setor têxtil, as revendas e lojas de varejo foram bastante penalizadas com o isolamento social e a maioria desses canais de vendas não conseguiram adaptar sua operação para venda online ou delivery. Se o canal de vendas não consegue atender as pessoas, consequentemente as indústrias sofrem com a queda nas vendas. Infelizmente é um efeito dominó, que gera prejuízo para todas as empresas e para as pessoas que tiveram suspensão de contratos de trabalho, queda na renda ou foram demitidas. Outro ponto de extrema atenção é que a maioria das pequenas empresas não tem capital para suportar tanto tempo sem a geração de receita e temos o risco grande de fechamento de empresas ao longo da crise”.

Haroldo Eiji Matsumoto, Sócio-diretor da Prosphera Educação Corporativa

A adaptação e criatividade passaram a ser essenciais para evitar a falência. “Talvez seja o momento de sobreviver e não de acumular capital. Por isso, muitas empresas se adaptaram as atuais demandas do mercado. No caso do segmento têxtil, tenho observado a migração para fabricação de produtos como aventais, máscaras e produtos hospitalares. No caso do consumidor final, a questão de permanência nas residências elevou a busca por pijamas e lençóis. Para que o empresário possa verificar a demanda, minha sugestão é acessar o Google Trends e verificar no mix de produção se há aumento de procura do produto”, orienta Matsumoto. Segundo referência do Banco Central do Brasil, haverá uma retração de -4,11% do PIB do Brasil em 2020 e a retomada em 2021 também é incerta, apesar de uma perspectiva melhor, entretanto, a palavra deve ser de cautela. “As oportunidades devem ser aproveitadas para gerar a manutenção da empresa e não é reco-

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COVID-19

Guilherme Zorze, da Thymus Consultoria Estratégica

Leticia Pettená, Marcas com SAL

mendado entrada em novos mercados por conta do risco e da falta de capital para sustentar um novo negócio. As empresas devem retomar aos poucos as atividades, mesmo porque, a flexibilização do isolamento social está ocorrendo de forma gradual”, comenta Matsumoto. Durante a pandemia, algumas empresas inovaram e passaram a produzir máscaras e roupas hospitalares. Segundo Matsumoto, além dessas oportunidades, as empresas devem buscar apoio na tecnologia para identificar as demandas deste período e a capacidade da empresa de se adaptar e produzir para manter sua operação. Para Guilherme Zorze, da Thymus Consultoria Estratégica, com a crise enfrentada com o coronavírus, a gestão das empresas passaram a ser como um sistema vivo, evoluindo como o cenário exige. “O momento pede agilidade e fluxo de informação, atitude, estratégia clara entre os membros da empresa, identidade, visão crítica para ver o cenário e ter a resposta que precisa, e pensar na saúde da organização. A empresa que aprende é a que se adapta melhor às necessidades”. Já Tiago Guimarães, da Thymus, acredita que a crise acelerou o processo de evolução das companhias. “Feed-

back é ouro em pó para desenvolver e construir valor. Não existe mais plano que se realize, ninguém tem mais tempo, tudo muda muito rápido. A crise só revelou dinâmicas que já existiam. O importante é o líder ver a realidade que chegou nele e trilhar o novo caminho”. A pergunta que não quer calar é: como repensar o negócio? “Tudo é baseado na confiança, trabalhar o artigo estratégico da marca. Qual o significado do nome? Ter capacidade de adaptação, agilidade, saber atribuir valor estratégico a marca, ou seja, trabalhar a marca como artigo estratégico, ter capacidade de se adaptar a esse cenário que nem sabemos como será”, diz Guimarães.

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COMO SE COMPORTAR NESSE MOMENTO? Mudanças de hábitos nas empresas já eram tendências que vinham sendo discutidas, mas com a crise elas foram aceleradas ao extremo. “Estamos vivendo uma crise e no semestre que vem veremos coisas que eram tendências já sendo implementadas. O consumidor vai consumir o que contribuir para a sociedade de alguma forma. Essa questão irá virar algo massificado, fará parte do consumo daqui para a frente. Fazer


COVID-19 “...VOCÊ REALMENTE PRECISA TER SEU E-COMMERCE SE SEU CONSUMIDOR COMPRA POR OUTROS CANAIS, COMO WHATSAPP, RAPPI, QUE NÃO SÃO SEUS?”

o bem virou o novo luxo. Ser quem pensa na cadeia, de onde vem os insumos, será cada vez mais questionado e levado em consideração na hora das pessoas consumirem. Outras tendências são os canais digitais, não só o e-commerce, redes sociais, realidade virtual, mix realities, etc. Teremos anos de incertezas, a única certeza que temos hoje é que estamos conectados no meio digital e ele é o ponto de partida”, revela Letícia Pettená, da Marcas com SAL. Entre a nova realidade, as empresas devem prestar atenção na multicanalidade, ou seja, canais compartilhados. “Você realmente precisa ter seu e-commerce se seu consumidor compra por outros canais, como whatsapp, Rappi, que não são seus? Você precisa estar presente nos canais, mas não necessariamente ter o seu próprio. Outro ponto importante é a adaptabilidade de portfólio. Marcas que têm algo a dizer, não só focadas nos produtos. Vemos isso bem forte aqui no Brasil. Senso de comunidade é a nova norma comum. Se comunicar com a sua comunidade e deixar ela favorecer sua marca”, comenta Letícia. O mundo vai viver uma recessão e teremos um Brasil que irá consumir somente o necessário, o básico. A

classe média e as classes C e D vão valorizar mais o que é para os filhos, estarão focadas em educação e consumo básico. “Isso não deverá ser visto como retrocesso, mas como um novo tempo. Veremos pessoas apostando menos em produtos importados. Acredito que terá um certo movimento de receio com produtos da China e um prestígio com a produção local, mas os consumidores também irão se preocupar com preço. Mesmo nas classes altas veremos esse movimento, consumir o necessário. Vendas em sites de trocas, brechós online. As pessoas perceberam que não precisam consumir tanto, e também existirá um senso de comunidade, consumir do pequeno negócio”, destaca Letícia. A pandemia acelerou processos que já estavam em curso. “As pessoas estão procurando mais ser do que ter. O mercado da moda ou de bens de consumo precisam se reinventar, olhar para si mesmo de formas diferentes para entregar mais atitude e conceitos de estilos de vida e comportamento, que tornam o ser mais do que ter, e dentro do processo circular, como isso faz sentido para a marca, valorizar a durabilidade da roupa, estimular bre-

FAZENDO O BEM

Brother doa 15 máquinas de costura para voluntários do Hospital Divina Providência em Porto Alegre. Em parceria com a Celmáquinas, produtos ajudarão na produção de máscaras e aventais para o uso durante a pandemia de COVID-19.

FAZENDO O BEM

MRV produz máscaras personalizadas de times de futebol. Em ação que demonstra que a paixão pelo futebol e o cuidado podem andar juntos, empresa distribuirá gratuitamente máscaras dos times que patrocina.

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COVID-19 FAZENDO O BEM

A Rhodia, empresa do Grupo Solvay, produziu em parceira com a Lupo um total de 20.000 máscaras de uso social para proteção contra a COVID-19, que estão sendo distribuídas aos seus funcionários e familiares. As máscaras foram desenvolvidas a partir do fio de poliamida funcional, Amni Biotech®,

Felipe Sanchez, CEO da GQM

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chó dentro das plataformas da marca. Olhar para as tendências e ver você, como marca, onde se encaixa melhor. Não dá para abraçar tudo, senão você não é nada direito”, explica Carolina Mello, também da Marcas com SAL. Segundo Letícia, as pessoas vão escolher o que podem pagar, a troca e economia circular vão crescer muito por questões econômicas. Já Carolina diz que as marcas devem se comunicar com o cliente sem pensar em produto. “A moda é criatividade na alma e explora muito pouco a exposição dessa criatividade. É uma oportunidade de conversar com a tendência do ser para ter. Marcas e empresas são feitas de gente, se não olharmos para essas pessoas, estaremos perdendo oportunidade de ser coerente e ter energia de se repensar pós-crise. Existem muitas tendências, cabem às empresas olharem para elas e escolherem as que cabem para si, para se posicionar como negócio”. Nesse momento, entender como as relações com colaboradores e fornecedores podem ser mais flexí-

veis é fundamental. “É momento de flexibilizar, colher ideias. Nenhuma empresa está confortável. Reconheça a dificuldade, convide as pessoas para se envolverem e pergunte como elas querem sair da crise. Vamos presenciar a retomada da vontade de pertencer onde as pessoas estão, e, acredito que a questão física, onde irão trabalhar, será cada vez menos relevante, mas as pessoas devem se sentir parte da reconstrução, se conectarem com o trabalho e fazer dele algo que lhes faz bem”, orienta Letícia.

COMO AS EMPRESAS VÊM ESSAS MUDANÇAS? Inovação passa a ser palavra-chave nesse momento de crise. Mudar é necessário, apostar em um produto de qualidade e com preço competitivo também é imprescindível. Ter coragem para mudar e tomar as decisões certas para continuar competitivo em um cenário difícil. “Acredito que o importante é buscar escutar o que está passando na cabeça do cliente para trazer algo novo. Agora, mais do que nunca, precisamos dessa comunicação com o cliente para trazer inovação dentro da necessidade dele para o momento. Vamos


COVID-19 precisar ser mais cautelosos, temos um vírus circulando e não sabemos até onde isso irá, nunca passamos por algo parecido, e a inovação estará presente em tudo, produtos, custos. Agora precisamos nos diferenciar do produto importado, nos tornarmos rápidos em Fast Fashion para bloquear um pouco a entrada de produtos importados. Fortalecer nossa cultura, nossos produtos, para sairmos fortes desse desafio”, diz Jessé Ruiz de Moura, engenheiro têxtil do Grupo Hyosung – Creora na América Latina. As mudanças que a crise vem causando no mercado, principalmente na moda e em impressão digital, e como reagir às novas formas de consumo foi tema da primeira edição do Impressão Digitalks by GQM, com Felipe Sanchez, CEO da Global Química & Moda. “Claro que temos que considerar que é uma questão de saúde pública. Mas olhando pelo lado do negócio, a Pandemia é um ótimo cenário para o crescimento”, disse Fábio Neves, presidente da Epson do Brasil, convidado da GQM. No setor têxtil, o CEO da GQM apontou a necessidade de os empreendedores buscarem alternativas com fornecedores locais para suprir uma demanda até então atendida pelo mercado externo e também por uma necessidade de fazer a economia girar a partir do consumo local. “A gente percebe também uma mudança no comportamento do empresário. Cresceu muito a procura por produtos nacionais, por serviços internos. Existe um movimento de apoio ao nacional muito grande, impulsionado por questões econômicas, claro. Pela nossa vivência no setor têxtil por conta da impressão digital, percebemos um sofrimento significativo no setor, percebemos a necessidade de adaptações a processos tecnológicos para manter o fôlego do segmento. O ano de 2021 deverá ser um ano de retomada e o de 2022 de crescimento efetivo”, observou. O presidente da Epson avaliou que este movimento de apoiar a produção nacional não tem volta e, aliado a plataformas tecnológicas, é o que vai impulsionar a retomada econômica do setor. “A cadeia têxtil deverá passar por uma mudança no modo de fazer. Será preciso máquinas mais sustentáveis, com menos consumo de matéria-prima, energia e água. Será preciso processos mais rápidos e uma diminuição gradativa de estoques, que por sua vez afeta diretamente questões estruturais e de logística. A exposição a riscos será muito bem pensada porque a incerteza do futuro sempre vai existir daqui para frente”, afirmou.  

NÚMEROS DO SETOR TÊXTIL NA CRISE

Fabio Neves, Presidente da Epson do Brasil

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), com base em dados oficiais do Ministério da Economia, revela que, nos primeiros quatro meses de 2020, em relação a igual período do ano passado, o déficit da balança comercial do setor apresentou queda de 16,63%. O saldo negativo, que era de US$ 1,65 bilhão, fechou o quadrimestre em US$ 1,38 bilhão. As exportações cresceram 2,42%, avançando de US$ 286 milhões para US$ 293

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COVID-19 FAZENDO O BEM

A líder mundial de poliamida 6.6 premium, NILIT se mobilizou para doar máscaras de proteção e álcool em gel para instituições como o Hospital da Mulher Cais-m Unicamp – SP, a Casa Hope, o Centro de Saúde Escola – Unesp de Botucatu e a Prefeitura de Americana.

Jose Velloso, Presidente Executivo da ABIMAQ

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milhões, com um volume de embarques que caiu de 60 mil para 56 mil toneladas (-6,89%). Verifica-se, portanto, uma valorização em dólares dos produtos nacionais. As importações caíram 13,83%, recuando de US$ 1,94 bilhão para US$ 1,67 bilhão. Também houve uma redução no volume, de 483 mil para 451 mil toneladas (-6,70%). A maior parte continua sendo proveniente da China: US$ 984 milhões nos primeiros quatro meses de 2020, ante US$ 1,1 bilhão, no mesmo período de 2019, com uma queda de 11,64%. A Abit realizou uma enquete com empresários do setor têxtil e de confecção no início do mês de junho, sobre os impactos do coronavírus na indústria. Os resultados revelam que devido a epidemia, 98% dos entrevistados tiveram redução no número de pedidos, 66% estão operando com 50% ou menos da capacidade produtiva, 60% já realizou demissões na empresa e 60% procurou banco de relacionamento para ter acesso a créditos. Já com relação ao impacto da Pandemia na atividade produtiva, a pesquisa realizada pela ABIMAQ na semana do dia 28 de abril a 15 de maio, junto aos seus associados revelou que 43,6% das empresas estavam com atividades paralisadas. Entre os motivos estavam:

interrupção por iniciativa própria (28,5%) e suspensão das atividades por força da lei (15%). Entre as empresas que estavam operando, a maioria informou estar atuando com estrutura produtiva reduzida (34,7%). Apenas 21,8% dos fabricantes disseram estar trabalhando normalmente. “Observa-se que parte das empresas submetidas às restrições impostas pelas autoridades (33,8% na primeira sondagem) tiveram suas atividades normalizadas durante o mês de abril e que 91,2 % das empresas pretendiam estar em atividade nos meses de maio e junho”, ressalta José Velloso, presidente executivo da ABIMAQ. Segundo a sondagem, a falta de carteira de pedidos e ou sua redução prejudicou a atividade de 33,1% das empresas de máquinas e equipamentos. Mas, os impactos no encolhimento da atividade vieram também da restrição de mão de obra (27,7%) e do desabastecimento de insumos e componentes utilizados no processo produtivo (17,8%). Sobre a expectativa de faturamento, a pesquisa identificou que 60% das empresas fabricantes de máquinas e equipamentos registraram queda 17,1% no seu faturamento durante o mês de abril de 2020.


COVID-19 Para o mês de junho as empresas projetam crescimento de 1,3% e para julho de 5,1%. “Este cenário vem refletindo em adiamento e cancelamento de projetos de investimento, o que impactará no faturamento das empresas de máquinas e equipamentos ao longo deste ano”, relata Velloso.

COMO A INDÚSTRIA PODE SUPERAR OS DESAFIOS DE PRODUÇÃO? Segundo Rodney Repullo, CEO da Magic Software Brasil, talvez, o maior desafio na superação da crise atual, seja o combate desigual, que depende da infraestrutura de cada país e os serviços que cada localidade pode entregar aos seus moradores. O cenário desafiador leva as indústrias a um desafio maior, independentemente de sua localização: as interrupções na cadeia de suprimentos. “Não apenas as mudanças na cadeia de suprimentos variam muito de país para país, mas a situação real do modal envolvido frente às respostas dadas à Pandemia em andamento. Estamos diante de uma realidade em que as soluções que funcionaram ontem podem não funcionar hoje e, muito menos, no futuro próximo. A situação requer reavaliação cons-

tante, tomada rápida de decisões e execução ágil. As mais que necessárias medidas de isolamento social de combate à pandemia de COVID-19 causaram queda do setor produtivo brasileiro em abril, considerado o pico da crise. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), foram afetados o faturamento real, horas trabalhadas na produção e utilização da capacidade instalada que caíram para os menores níveis desde 2010. O emprego industrial foi o menor desde 2004 e a atividade industrial foi a mais baixa da década”. A situação requer reavaliação constante, tomada rápida de decisões e execução ágil. As mais que necessárias medidas de isolamento social de combate à pandemia de COVID-19 causaram queda do setor produtivo brasileiro em abril, considerado o pico da crise. O emprego industrial foi o menor desde 2004 e a atividade industrial foi a mais baixa da década”. Muitos executivos ligados à manufatura foram obrigados a trabalhar em casa (home office), limitando a visibilidade no chão de fábrica, da cadeia de suprimentos e análises de negócios. “O coronavírus e a indústria não combinam bem, mas, apesar de todos os desafios, os gerentes da cadeia de suprimentos podem criar resiliência em meio à atual pandemia. Existem muitas va-

FAZENDO O BEM

Cholet no combate ao Coronavírus. Marca doou 20 mil máscaras.

FAZENDO O BEM

Líquido lança máscaras protetivas com fio LYCRA® e ação de doação para comunidades em vulnerabilidade Rodney Repullo, da Magic Software

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COVID-19

André Roncaglia de Carvalho, coordenador da Câmara de Pós-Graduação e professor da UNIFESP

riáveis ​​em constante mudança. Algumas indústrias, como a do agronegócio, estão tentando avançar para um modelo “direto ao consumidor” como resultado do impacto da pandemia da COVID-19. Essa é uma mudança que pode persistir muito tempo depois que a crise sanitária passar, onde pular as etapas de processamento e envio se tornaria o novo padrão para muitos produtos que não eram distribuídos dessa maneira antes. Enquanto as cadeias de suprimentos estão contratando de global para local e vice-versa, as cadeias de suprimentos sempre dependem de muitas partes móveis. Portanto, independentemente das mudanças que estamos vendo, a capacidade de se adaptar rapidamente às mudanças continuará sendo crucial. E é por isso que a transição para a Indústria 4.0 não é mais opcional”, orienta Repullo.

IMPACTOS NA ECONOMIA BRASILEIRA Segundo o economista professor doutor André Roncaglia de Carvalho, coordenador da Câmara de Pós-Graduação e professor do Departamento de Economia da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios – EPPEN, da Universidade Federal de São Paulo  (UNIFESP), a crise sanitária impôs a necessidade de gerar um distan-

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ciamento social. “Com efeito, nossa economia teve de ser parcialmente paralisada, uma vez que 70% da atividade econômica no Brasil se dá no setor de serviços, que é essencialmente resultado de aglomerações de pessoas, por serem atividades com intenso contato presencial. Neste sentido, a quarentena impôs uma perda econômica necessária para impedir a sobrecarga do sistema de saúde”. Para o economista, houve uma diferença entre as medidas anunciadas e o que efetivamente ocorreu. “Em primeiro lugar, houve um atraso enorme da parte da equipe econômica em responder à crise. Além disso, a confusão na comunicação e o vaivém dos valores do auxílio emergencial às famílias e das regras de suporte financeiro às empresas causou intensa insegurança em todos os setores. Uma vez organizado o pacote de medidas, que foi na direção certa, notou-se uma paralisia operacional, com enormes dificuldades de levar o dinheiro até a ponta, onde ele é mais necessário. Assim, a eficácia das medidas ficou reduzida”, comenta Roncaglia. Sobre o processo de recuperação da economia brasileira pós-COVID-19, Roncaglia diz ser difícil saber quando a economia sairá da fase atual. “Medidas de relaxamento podem ser tomadas. No entanto, o que a experiência de outros países revela é a ocorrência de quarentenas intermitentes, resultantes de novas ondas de contágio. A economia alternará períodos de retomada com de paralisia parcial ou total até a descoberta de uma vacina eficaz. Apesar de haver inúmeras iniciativas neste sentido, a previsão é de que teremos pelo menos mais 18 meses sem uma vacina. Ou seja, esta é uma realidade mais persistente do que normalmente se acredita. A vida mudará e dificilmente retornará a exatamente o que era antes”. Para o economista, o ministro da economia tentou evitar o inevitável: emitir moeda e gastar de forma ampla para conter os efeitos secundários desta crise. “Guedes é um estrangeiro nesta situação. Preparou-se a vida inteira para cortar gastos e deixar o mercado fazer o resto. Não sabe pilotar o Estado para garantir deliberadamente uma destinação dos recursos aonde eles são necessários. O próximo passo seria trabalhar para remover os gargalos que impedem que o dinheiro chegue às famílias e empresas, bem como suspender os entraves à transferência de recursos aos estados e municípios. São estes entes governamentais que efetivamente cuidam das pessoas afetadas direta e indiretamente pela crise sanitária. O momento é de errar por excesso, garantindo que o dinheiro chegue


COVID-19 a todos, em particular ao sistema de saúde. Passada a crise, podemos discutir como pagar por esta conta, que será imensa. Todavia, com saúde não se brinca. Dívidas podem ser roladas; a vida é uma só e a morte não tem recurso”. Os impactos da pandemia estão sendo sentidos em larga escala na economia global. “No plano internacional, o efeito imediato é a falência generalizada de empresas nos setores aéreos e de turismo, os mais afetados pela paralisia. Além disso, o comércio internacional em “estado de coma” levará a uma reconsideração do que se chama de “cadeias globais de valor”, em que cada país ocupa um posto na cadeia de produção dos bens comercializados. Assim, o que se espera é uma revitalização dos sistemas de saúde nacionais, com atuação do Estado na garantia de produção e abastecimento de insumos hospitalares e vacinas contra a pandemia. Já se vê algum esboço neste sentido, com iniciativas de reconversão industrial em vários países, o que significa redirecionar as máquinas e equipamentos da indústria para a produção de insumos hospitalares ou de uso doméstico relacionado à crise sanitária”, explica Roncaglia.

CONSUMO DURANTE A PANDEMIA O isolamento social recomendado para ajudar no combate à COVID-19 mudou significativamente a rotina de boa parte da população mundial e brasileira e, consequente, o modo de consumir. Segundo a pesquisa Monitoramento da Nova Rotina - consumo, marcas e opinião, realizada pela IBOPE Inteligência, apesar da crise financeira causada pelas ações de combate à Pandemia, 40% dos entrevistados já fizeram compras de vestuário e, metade desse índice, o equivalente a 20%, realizou as transaçõe s de forma online. Com uma amostra de 1.500 pessoas com internet em todo Brasil, a pesquisa contou com cinco ondas (uma rodada por semana), de 20 de março a 20 de abril, e também apresentou os dados de consumo de moda. A divulgação do levantamento ocorreu no Webinar “Consumidores e Marcas: a nova rotina de consumo”, realizado dia 13 de maio, promovido pela The LYCRA Company. O evento contou com a participação de Andréa Braga, diretora de atendimento e planejamento do IBOPE Inteligência, e Marcella Kanner, head de comunicação corporativa e marca das Lojas Riachuelo, além das executivas da The LYCRA Company, Adriana Morasco, Vice-Presidente para a América do Sul, e Silvana Eva, Gerente de Marketing.

Adriana Morasco, Vice-Presidente LYCRA para a América do Sul

Segundo a executiva do IBOPE Inteligência, ainda que de forma lenta, há uma tendência de crescimento de transações online. “Além disso, ainda que o consumidor não esteja comprando na quantidade habitual, ele continua pesquisando informações na internet. Por isso, é importante que as marcas continuem aparecendo e com ações positivas para a sociedade”. Andréa ainda destacou que entre os clientes que fizeram transações online, as lojas de departamento ainda representaram a maior parte das compras para jeans (43%) e roupa íntima (33%). Para roupas esportivas, a maior parcela das compras, 40%, é feita em lojas especializadas contra 31% das lojas de departamentos. Na moda praia, o índice é de 33% para ambos os segmentos (departamento e especializada). Para Adriana, a pesquisa também deixou claro a importância da cultura do cuidado, com marcas mais humanizadas, que sabem o seu papel na sociedade e que ajudaram no combate à Pandemia com alguma ação. “Uma peça de qualidade, que dura mais tempo no guarda-roupa, faz o consumidor mais sustentável. Vivemos um momento único e temos a oportunidade de fortalecer a indústria nacional”. RT Revista Têxtil #767 I 35


DENIM

T E N D Ê N C I A S E I N O VA Ç Õ E S P Ó S - C O R O N AV Í R U S

O

coronavírus ocasionou uma crise mundial em todos os setores e as empresas estão tendo que se reinventar, o que não está sendo diferente no mercado jeanswear. Os fabricantes de denim continuam buscando inovações e lançando tendências, agora voltados para o novo normal pós-COVID-19. Confira os lançamentos e as ações das empresas do universo jeanswear para enfrentarem esse novo desafio.

Por Renata Martorelli

FOTOS: Divulgação


COVOLAN CELEBRA DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE Em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, a Covolan Têxtil realizou, no dia 05 de junho, o Press Day Digital Covolan para apresentar o Covolan Environmental Care 360º. Durante a reunião foram apresentados os compromissos da empresa com a Sustentabilidade. A Covolan é a empresa mais sustentável do segmento jeanswear brasileiro, fundamentada nos pilares ambiental, econômico e social, baseada em parcerias, associações e certificações nacionais e internacionais, sendo a única fabricante de denim brasileira a ingressar no Programa ZDHC e certificada no STep, além de contar com certificações como a ISO 9001, ISO 14001, OHSAS 18001, associadas ao OEKO-TEX Standard 100, BCI, entre outros. A BCI (Better Cotton Iniciative) é uma iniciativa mundial que promove a sustentabilidade para o solo, sem o uso de agrotóxicos, com o uso racional da água e relações justas de trabalho com seus colaboradores. A empresa 100% brasileira, localizada em Santa Barbara D’Oeste, no interior de São Paulo, e em Petrolina, Pernambuco, conta com uma estação de tratamento de efluentes modernizada, controlada por um sistema computadorizado. “Utilizamos também uma membrana, a Bio Reactor, que separa água limpa de germes e bactérias, separa os sólidos do aquoso, servindo como uma barreira, e a água sai limpa e transpa-

rente da estação de tratamento, só não é potável”, revela Thaísa Peralta, responsável pelo marketing e estilo da Covolan. A Covolan também apresentou seu mais novo lançamento, dentro da linha Revive, o Circular Denim, tecido uniforme com base na economia circular sustentável. “O artigo é produzido através de sobras de retalhos de denim que são transformados em fios pela Cocamar®, que compra esses fardos desfibrados e faz uma mistura com a fibra de poliéster. O tecido é super versátil em lavanderia, aspecto 100% algodão, excelente qualidade e extremamente competitivo”, destaca Thaísa.

CEDRO TÊXTIL RESSIGNIFICA SUAS REDES SOCIAIS DURANTE PANDEMIA Em quase 148 anos de história, a Cedro Têxtil já precisou se reinventar diante de diversos momentos desafiadores - e não foi diferente durante a pandemia do Coronavírus. Sem o tradicional lançamento de editorial no primeiro semestre, sem eventos de moda agendados e, ainda, sem a possibilidade de confirmar uma data para o lançamento de coleção do segundo semestre, a Cedro reestruturou suas redes sociais para estar ainda mais próxima de seus clientes e colaboradores. Com uma linguagem mais institucional e com o objetivo de aproximar, unir, criar laços e pontos de contato entre seus seguidores, todas as redes

sociais da Cedro estão com um novo posicionamento: “Realinhando o Futuro”. O conceito celebra a capacidade de resiliência da companhia, para persistir diante de situações adversas, e de adaptação, para seguir em frente apesar de cenários inesperados.


DENIM KINGPINS24 ACONTECEU NO FINAL DE JUNHO EM FORMATO ONLINE Transmitida nos dias 23 e 24 de junho, a versão online da Kingpins24, de Nova Iorque, Estados Unidos, se inspirou na imprevisibilidade para os lançamentos Inverno 2020 deles. As tecelagens apostaram em misturas mais elaboradas, com até cinco elementos na composição e em looks icônicos, além de lançamentos antimicrobianos. A Advance Denim lançou o Knit Denim, unindo o conforto da legging com o look jeanswear, com tecnologia Lycra® Freetech Knit, com elasticidade de 360º. Outro destaque foi o tecido antimicrobiano com a fibra de Grafeno Kyorene, que destrói a célula dos micróbios, além de contar com propriedades anti-odor permanentes.

SANTISTA APRESENTA COLEÇÃO OUTONO/INVERNO 2021 A crise mundial na área da saúde agravou o quadro econômico e as questões sociais urgentes. A noção de rede e de interdependência resultante da constatação da fragilidade da cadeia global resultou em compras mais seletivas e sustentáveis. O isolamento acelerou a transformação e mostrou o protagonismo do digital no dia a dia. Nesse contexto, a Santista apresentou os temas escolhidos para representar a coleção inverno 2021. O tema Futuro Sombrio e sua estética dramática e vanguardista, ancorada no descontentamento e estranhamento por qual estamos passando, celebra o caos e as incertezas do futuro. Destaque para looks que privilegiam as silhuetas distorcidas com uma pitada de rebeldia, barras com detalhes, puídos e lavanderia mais agressiva. O tingimento black e blue black salientam a gama dos azuis aos acinzentados. Os artigos Nash, First Denim Up Black, Yoyo Orion e Dani Plus são destaques para essa tendência. Já no tema Novo Modernista as regras para a vida urbana são repensadas, inspiradas no melhor do passado. Os indivíduos elegem o consumo consciente e a alegria de ser diferente como pilares para a vida moderna. As silhuetas alongadas com o uso de blazers, bootcuts, skinnies e bermudas são itens indispensáveis dessa tendência que é uma fusão dos anos 1970 e 1990. O puro índigo aparece em vários tons do amaciado aos mais lavados e tecidos mais tradicionais com

Já a Bossa enfatizou as composições ecológicas de reciclados, como o Future Denim, com composição 39% algodão orgânico, 36% denim descartado, 4% garrafa pet e 1% elastano. A empresa também apresentou produtos com Refibra, na linha Laser Best Friend, com a fibra Thermolite® da INVISTA.

sarjas marcadas são explorados, como o Ray e a família First Denim, que agora ganha a versão na cor galaxy blue black. No tema Coletivo Urbano fazer o bem, cuidar da vizinhança e estabelecer relações globais, traz uma onda de transformação que varre a cidade na medida em que as comunidades se unem para encontrar uma maneira melhor de viver. Silhuetas mais confortáveis e funcionais são predominantes para essa tendência, bolsos largos e calças volumosas com pegada skatista. Os artigos Upcycle Now, Upcycle Ind e o lançamento Ray Orion, oferecem a junção perfeita entre bem-estar e sustentabilidade.

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DENIM VICUNHA LANÇA V.TALKS E DEBATE TENDÊNCIAS A Vicunha lançou a plataforma V.Talks, com uma série de lives e webinars que compartilham conhecimento com o mercado têxtil e de moda, por meio de conversas entre convidados da cadeia e especialistas de diferentes áreas da companhia. Em celebração ao Dia Mundial do Jeans, e em um momento de reavaliação de processos e estratégias em todo o setor, a Vicunha apresentou o Webinar da série #JeansID com o tema “Humanização das marcas: Por que devemos mudar já?”, com o escritor André Carvalhal e Francisco Gonzalez, Coordenador de Moda da Vicunha Brasil, com mediação da Cool Hunter, Lorena Botti. Símbolo de resistência, adaptabilidade e reflexo do comportamento de gerações, o jeans atravessou a história e reafirma sua representatividade e importância em um período crucial de rediscussão sobre consumo e cadeia produtiva na indústria da moda. Afinal, como vamos nos adaptar para viver uma nova realidade? Segundo André Carvalhal, autor do best-seller “A Moda Imita a Vida: Como Construir uma Marca de Moda”, é preciso ter cautela ao festejar um “novo normal”. A expressão rapidamente se disseminou com o disclaimer de que nossas vidas estavam mudando e que não voltaríamos para onde estávamos. “Mas quem está incluído nesse futuro?”, questiona André. “Precisamos antes entender como todos vamos viver com o vírus, muito mais do que pensar nas tendências de um mundo pós-pandemia.” De acordo com Carvalhal, a construção atual de uma marca, mais do que nunca, baseia-se no exercício de que o “todo mundo” não existe, o normal é variável para cada pessoa e é necessário procurar respostas efetivas para questões como: qual é a necessidade e o “novo normal” para cada pessoa do seu ecossistema? Já durante a 5ª edição do webinar #JeansID com debate sobre sustentabilidade, tecnologia e eficiência no processo criativo de moda estiveram à frente da conversa, três elos da cadeia: Enrique Sillas, da Jeanologia; Pedro Daminelli, da Damyller; e Marcel Imaizumi, da Vicunha, com mediação de Fábio Felix, coordenador da Vicunha. Norteada pela discussão sobre tendências do consumidor, digitalização da produção, futuro da lavanderia, potência do Brasil no setor de moda global

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e, sobretudo, relacionada à sustentabilidade, a reunião online gerou cinco tendências de moda inteligente. Um dos resultados mais drásticos da pandemia é repercutido na crise econômica global, com impacto significativo no consumo feito por um público, cada vez mais, atento e ativista às causas socioambientais. Portanto, como atingir o consumidor com produtos relevantes e preços satisfatórios? Segundo Pedro Daminelli, Gerente de Sustentabilidade na Damyller, a comodidade é a palavra-chave no setor: “Precisamos pensar em como viabilizar isso por meio de e-commerce e outras soluções, ao mesmo tempo que agimos no nosso micro setor e conduzimos esse propósito para toda a cadeia.” Durante uma crise econômica como a atual, segundo Marcel, o caminho é contribuir com lançamentos que sejam vendáveis e viáveis para toda a cadeia. Para tanto, é necessário um trabalho contínuo de análise de tendências e investimento de conhecimento para serviços. Já Enrique defende que o envolvimento da cadeia de ponta a ponta é premissa essencial para a sustentabilidade nas empresas, uma vez que ao promoverem respeito aos consumidores, conseguirão diminuir custos e tempo de produção. Pilar importante da discussão, enunciado por Marcel, os certificados e selos de qualidade e sustentabilidade nunca foram tão necessários como agora, já que representam bandeiras importantes de diferenciação para o consumidor. Segundo Marcel, ao contrário de outros países, onde o uso de água para a cultura do algodão é em boa parte proveniente de lençóis freáticos - cada vez mais escassos - a cadeia têxtil no Brasil sai na frente por começar seu ciclo a partir de uma irrigação baseada no regime de chuvas. Tal diferenciação confere maior ganho competitivo ao país em termos de sustentabilidade, uma vez que demanda menos recursos de outras fontes. Mais do que nunca, a tecnologia já se estabeleceu como elemento essencial em qualquer modelo de negócio. Na moda, não seria diferente. Ferramentas como o eDesiger, da Jeanologia, simulam lavagens e analisam níveis de branco na tela do computador. “Em uma hora, conseguimos criar 40 lavagens diferentes. Os tecidos serão apresentados de forma digital no futuro”, afirma Enrique. Para o expert, o Brasil necessita de modelos operacionais mais eficientes.


DENIM CANATIBA REALIZA AÇÕES PARA DRIBLAR A CRISE Desde que a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou a Pandemia do Coronavírus, a Canatiba vem tomando todas as providências necessárias para a proteção dos seus colaboradores. Com a necessidade de isolamento social imposta e a paralização do comércio em todo o país, a tecelagem optou pela suspensão do contrato de trabalho dos seus funcionários da linha de produção até o dia 01 de junho desse ano. A suspensão não significou demissão, pelo contrário, se caracterizou como mais uma medida protetiva nesse momento de crise. Com a suspensão, a Canatiba continuou pagando parte dos salários que esses trabalhadores já vinham recebendo, cabendo ao Governo Federal a complementação desses vencimentos. A suspensão está prevista na Medida Provisória 936/2020.

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DENIM MEETING TALKS TEM EDIÇÃO 100% ONLINE O Guia JeansWear promoveu a primeira edição totalmente online do evento Denim Meeting, reunindo os maiores players da indústria têxtil em um bate papo sobre as possíveis ações pós-confinamento. O evento contou com a presença de Marco Antonio Branquinho, presidente da Cedro Têxtil; German Alejandro, diretor comercial da Vicunha Têxtil; Gilberto Stocche, presidente da Santista Têxtil; Eleonora França, gerente de marketing e produto da Santanense; João Bordignon, diretor de marketing da Capricórnio Têxtil; Antonio Manzarra, diretor comercial do grupo Santana Textiles; Aline Cabral, gerente de marketing planner da Covolan Têxti e Claudete Del Vecchio, gerente de produto e marketing da Jolitex Denim. O webinar teve a mediação da CEO e diretora executiva de comunicação do Guia JeansWear, Iolanda Wutzl, e da colunista do portal Vivian David. “Trazer profissionais do mesmo setor é para que os mesmos possam passar as ações que as suas empresas tem tomado, mediante o surgimento de novas demandas da nossa indústria”, disse Iolanda Wutzl no início do bate papo. Antonio Manzarra, da Santana Textiles, falou sobre a questão da sustentabilidade que vem crescendo, mas não acredita em uma mudança tão rápida pós-COVID-19. “Sendo bem realista, essa pandemia não vem potencializar a consciência do consumidor, mas talvez ele possa vir a ter um sentimento mais nacionalista e patriótico do que sustentável”. German Alejandro, da Vicunha, acredita que não haverá um mundo pós-COVID-19, mas sim, teremos que aprender a conviver com o vírus por algum tempo até que possa surgir uma vacina ou tratamento. Dentro deste contexto, ele destacou três características: consumidor mais consciente, a transparência na cadeia e, por fim, o movimento Feito no Brasil agregando valor aos produtos. Gilberto Stocche, da Santista Têxtil, acredita que as empresas vão passar a flexibilizar horários, permitindo o home office e isso vai impactar também no vestuário. Para João Bordignon, da Capricórnio Têxtil, o ritmo dos lançamentos talvez mude um pouco em um primeiro momento, com produções menores devido à demanda do mercado. Em relação aos tecidos, o executivo concordou que terá uma demanda maior por


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artigos mais elastizados, com toque suave. Neste sentido, Marco Antonio Branquinho pontuou que a Cedro Têxtil está trabalhando para adaptar seus produtos para a maior demanda do conceito indoor, onde oferecem dois mix de tecidos – um mais atemporal e outro com diferenciais em estrutura ou tingimentos. A gerente de marketing da Santanense, Eleonora França acredita que teremos que aprender a conviver com a COVID-19 através de diferentes ações. Em relação às tendências mencionadas, como os tecidos funcionais, sustentabilidade e praticidade, tudo isso já vinha sendo discutido há algum tempo e na verdade, devemos pensar o quanto isso vai representar de custo para o consumidor final. Claudete Del Vecchio, da Jolitex Denim, apontou que sustentabilidade não se faz de uma hora para outra e que gostaria muito que o setor fosse mais unido. Já Aline Cabral, da Covolan Têxtil, acredita que o jeans não vai recuar porque ele reúne qualidade, tecnologia e inovação.

SUSTENTABILIDADE NA INDÚSTRIA QUÍMICA A segunda edição do webinar com versão 100% online do evento Denim Meeting Talks, abordou questões da indústria química. O encontro reuniu os palestrantes Eduardo Fernandes, da Belffer; Fernando Sieber, da Coratex; Paulo Jório, da Hi-Tech; Ciro Carnevalli, da CHT; e Rodrigo Lima, da Garmon, com mediação da CEO do Guia JeansWear, Iolanda Wutzl. Ciro Carnevalli iniciou o debate exaltando o papel fundamental do beneficiamento, que é de fato favorecer o usuário final. Na sequência, Fernando Sieber destacou que a produção de químicos deixou de ser a “parte negra” para se tornar a “parte positiva” da indústria. Reforçando o discurso e o posicionamento de todos os participantes, Paulo Jorio recordou os quatro pilares para os profissionais de lavanderia. Segundo os participantes, há dez anos, o consumo de água por processamento de peça era equivalente a 135 litros. Atualmente no Brasil, gira em torno de uma média de 70 a 80 litros por quilo de peça, mas foram mencionados processos que alcançam apenas 27 litros.

DENIM CITY SÃO PAULO: DO NOSSO JEITO, NA NOSSA CASA, DO BRASIL No dia 15 de junho, o Denim City São Paulo apresentou o projeto Jeans do Brasil, que tem como objetivo fortalecer a indústria brasileira. O projeto une todo o setor denim nacional e tem o propósito de informar o consumidor sobre os benefícios do produto nacional, fortalecendo a indústria e o comércio do jeans brasileiro. O Brasil é o 4º maior produtor e consumidor de denim do mundo, conta com 75% da produção da fibra brasileira com certificação socioambiental, e 96% do algodão brasileiro é produzido em regime de sequeiro, com água de chuva, segundo dados da Sou de Algodão/ Abrapa. Dentro desse contexto, ao escolher o jeans fabricado no Brasil, o consumidor está comprando um produto feito com algodão responsável, com menor impacto ambiental e gerador de empregos no país.

O projeto, exclusivo para produtos fabricados no Brasil, conta com material digital para criação de uma tag, com a possibilidade de agregar o logo da marca, ou então ser impresso na própria etiqueta ou no forro do bolso da calça. O material do projeto é disponibilizado gratuitamente e a produção das tags ou etiquetas é por conta do produtor. “O consumidor não sabe das iniciativas da indústria para a sustentabilidade. Esse é um movimento inusitado no Brasil, para mostrar esse diferencial do produto nacional. Qualquer marca ou empresa, seja grande ou pequena, pode participar. É um projeto democrático”, explica a equipe do Denim City São Paulo. Mais informações podem ser obtidas através do e-mail info@denimcity.org.br. Revista Têxtil #767 I 43


TÊXTIL INDÚSTRIA TÊXTIL DELFIM DESENVOLVE TECIDO CONTRA CORONAVÍRUS A indústria têxtil Delfim tornou-se a primeira empresa brasileira a produzir um tecido que é capaz de matar o coronavírus SARS-COV-2 em menos de dois minutos por meio do contato. A inovação nasceu da inquietação de Mauro Deutsch, presidente da companhia. Um dos primeiros passos foi a busca por médicos infectologistas do Brasil para trocar informações e encontrar um caminho para tentar desenvolver algo diferente que pudesse ajudar as pessoas. O resultado dessas conversas foi a ideia de criar um tecido com propriedades bactericidas e fungicidas, além de impermeável, com efeito repelente da água. A partir daí, deu-se início às buscas por um parceiro nacional que produzisse um composto com essas características que pudesse ser adicionado ao tecido. Estava nas mãos da startup Nanox, que até então utilizava o produto para outras propriedades. As duas empresas uniram suas expertises e iniciaram a

fase de testes no final de fevereiro deste ano para encontrar o tecido adequado com a aplicação da nanotecnologia a base de prata. O tecido, que ganhou o nome de Delfim Protect, é 100% poliéster e tem como diferencial a tecnologia empregada na construção dos fios e na aplicação da nanotecnologia. As primeiras produções já foram feitas e comercializadas para alguns clientes da Delfim com uma capacidade de produção de 60 mil metros do Delfim Protect como parte do projeto piloto, mas a indústria está preparada para aumentar a escala conforme a demanda do mercado. “Temos a possibilidade de produzir 1 milhão de metros por mês”, afirma Mauro. O tecido pode ser utilizado em equipamentos de EPIs, como máscaras, jalecos, toucas, entre outros, e até mesmo para a confecção de aventais, toalhas para restaurantes, babadores e trocadores para bebês.

DUPONT APRESENTA O TYVEK® 1222 A A DuPont anunciou o lançamento do novo modelo de negócio #TyvekTogether, desenvolvido em tempo recorde para aumentar a capacidade de entrega de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Com a iniciativa, será possível desenvolver 6 milhões de vestimentas de proteção adicionais por mês em todo o mundo, número 27% maior em relação à produção global atual de tecidos de Tyvek®. O total deverá chegar a 15 milhões. Para contribuir com o enfrentamento à pandemia, a companhia criou o Tyvek® 1222 A, um tecido entregue em rolo, o que permite aos clientes fabricarem vestimentas de isolamento não cirúrgico e macacões para usos diversos com muita velocidade, o que fará a diferença para profissionais de saúde, na linha de frente do combate à Covid-19. Leve, resistente ao rasgo e impermeável, Tyvek® é reconhecido como uma das maiores inovações da indústria farmacêutica mundial para a segurança de pessoas e produtos. O tecido especial

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proporciona maior segurança contra riscos de contaminação química e biológica, além de maleabilidade e conforto aos usuários. A iniciativa #TyvekTogether também inclui o fornecimento de modelagens padrão e suporte virtual à fabricação de vestimentas de isolamento não cirúrgico e macacões, visando acelerar a produção dos parceiros. “Existe uma necessidade crítica por vestimentas de proteção e acreditamos que trabalhar com outras empresas para converter sua capacidade de corte e costura na fabricação de roupas de proteção é a maneira mais rápida de proteger pessoas”, disse John Richard, vice-presidente e gerente de soluções de segurança da DuPont. “Nossos funcionários ao redor do mundo estão trabalhando 24 horas por dia, 7 dias por semana, para disponibilizar mais materiais em Tyvek® para mais organizações. Estamos trabalhando juntos para proteger aqueles que estão nos protegendo”.


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TÊXTIL CANATIBA LANÇA TECNOLOGIA DE TECIDOS ANTIMICROBIAIS A tecnologia Everclean da Canatiba Denim Industry, desenvolvida com foco nas demandas mais urgentes de um mundo em transformação, é composta por tecidos capazes de prevenir a proliferação de vírus, bactérias e fungos. A primeira base é o Sarkozy, denim de 9 Oz, com 98% algodão e 2% elastano, que conta com acabamento em resina que repele líquidos, além de um tratamento especial desenvolvido pela companhia suíça Sanitized, utilizada até então em produtos para uso esportivo. O tratamento é um óleo de hortelã, natural e sustentável, que garante proteção contra bactérias, fungos e mofos, resultando em um produto impermeável, livre de odores, que não perde as características de conforto e toque, e permanece no tecido por mais de 30 lavagens caseiras. A única exigência é que as peças confeccionadas com esse denim passem por um processo

de amaciamento na lavanderia industrial, conservando suas características. O mesmo acabamento antimicrobial foi aplicado no Molly, uma base 100% Tencel para camisaria (5 Oz), desenvolvido em duas cores – o índigo original e o azul brilhante. A proteção diminui consideravelmente a demanda de lavagens caseiras e, por isso, prolonga a vida do tecido. O outro lançamento Everclean é o Terapia, com 56% de algodão e 44% de viscose, com acabamento HeiQ Viroblock, com sais de prata e vesícula lipossomal, um princípio usado na produção de remédios contra o câncer. A prata se conecta ao vírus e os polissomas destroem os microrganismos que aderem à roupa, com eficiência de 99%. Desenvolvido em 6 cores (preto, marinho, azul, verde, vermelho e branco), o Terapia é ideal para a confecção de roupas utilizadas por profissionais de saúde, constantemente expostos ao contato com pessoas infectadas.

TECIDO EFICAZ NA PROTEÇÃO CONTRA O CORONAVÍRUS

VICUNHA LANÇA TECIDO CONTRA CORONAVÍRUS

À medida que a Pandemia se dissemina ao redor do planeta, se espalha também a importância da inovação, da solidariedade e de ser colaborativo. Unindo experiência, conhecimento e alta tecnologia, a Tecelagem Panamericana, localizada em Santa Bárbara D’Oeste, no interior de São Paulo, desenvolveu um tecido que garante a proteção e inibe as ações do Sars-Cov-2. Para garantir eficiência no processo, o tecido é revestido por um composto com micropartículas de prata que, em contato com a Covid-19, reage quimicamente e elimina o vírus, sem nenhum prejuízo para a saúde. Segundo Marcelo Alcântara, diretor da empresa, a Tecelagem Panamericana desenvolve o tecido há mais de uma década. “A empresa estava consciente da eficácia do processo no combate a fungos e bactérias. Agora, em parceria com instituto de análise do Reino Unido, aplicou células infectadas de Sars-Cov-2 no tecido - com resultados otimistas, que comprovaram a eliminação do vírus.

A Vicunha está lançando uma coleção inédita de jeanswear, a V. Protective, criada com uma das primeiras tecnologias têxteis do mundo com eficácia contra o coronavírus comprovada em laboratório. A coleção também contará com tecidos que repelem líquidos e gotículas de saliva. A tecnologia empregada para neutralizar diversos tipos de vírus, bactérias e fungos foi criada pela empresa de inovação têxtil suíça HeiQ, que utilizou uma combinação de sais de prata e vesícula lipossomal. Enquanto os sais de prata se conectam ao vírus, os polissomas puxam e destroem o capsídeo viral, que tem como função proteger e facilitar sua proliferação. Os testes conduzidos em laboratório pela HeiQ e pelo Instituto Peter Doherty de Infecção e Imunidade em Melbourne, na Austrália, comprovaram que a técnica consegue eliminar 99% dos vírus presentes no tecido e também alguns tipos de bactérias e fungos.

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TÊXTIL INOVAÇÃO CONTRA A COVID-19 A Rhodia, empresa do Grupo Solvay, desenvolveu no Brasil o fio têxtil de poliamida Amni® Virus-Bac OFF contra a ação de vírus e bactérias. Esta poliamida funcional bloqueia a contaminação cruzada entre os artigos têxteis e o usuário, evitando assim que a roupa seja um veículo de transmissão de vírus e bactérias que podem estar em uma superfície têxtil. O fio de poliamida Amni® Virus-Bac OFF oferece uma proteção contra bactérias e vírus, incluindo os vírus envelopados, como são classificados os vírus como influenza, herpesvírus, novo coronavírus e outros. O fio tem agente antiviral e antibacteriano, que inibe a ação de vírus e bactérias, incorporado em sua matriz polimérica, e pode ser usado na construção de malhas, tecidos, em diversas aplicações, tais como roupas casuais, esportivas, uniformes escolares, roupas profissionais, meias, calçados e acessórios, máscaras de uso social e até vestimentas e enxovais hospitalares. A Santaconstancia - empresa brasileira do setor têxtil que atua há mais de 70 anos na produção e comercialização de tecidos de moda e de alta tecnologia para esporte e praia – lançou no mês de junho uma linha inédita de tecidos elaborados com fios de poliamida 6.6 antiviral e antibacteriano. A empresa catarinense Dalila Têxtil também desenvolveu um tipo de malha com acabamento antiviral que já passou por testes laboratoriais seguindo as normativas científicas reconhecidas internacionalmente. As malhas com o Acabamento Antiviral, desenvolvido pela Dalila Têxtil, provaram ser eficazes contra os vírus envelopados e não envelopados, mostrando uma notável redução na infectividade. A tecnologia por trás do Acabamento Antiviral utiliza partículas de prata para atrair o vírus com carga oposta fazendo com que o mesmo se ligue aos grupos de enxofre presentes na superfície que envolve o vírus, impedindo a ligação do vírus à célula hospedeira, bloqueando sua replicação. A indicação é de até 20 lavagens em temperatura ambiente sem perder o efeito do acabamento.

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SENAI CETIQT, FIOCRUZ E DIKLATEX: DESENVOLVIMENTO DE TECIDOS ANTIVIRAIS Em meio à pandemia de COVID-19, o Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil - SENAI CETIQT, vem reunindo parceiros no combate à disseminação do vírus. A Diklatex, uma das parceiras, única indústria têxtil selecionada no Edital SENAI de Inovação da Indústria – Missão contra o COVID-19, desenvolve o projeto do tecido antiviral. O projeto consiste no desenvolvimento de têxteis funcionais com propriedades antivirais e já conta com pesquisas e testes de eficácia realizados pela Bio-Manguinhos/Fiocruz. A expectativa é que sejam produzidas 600 mil  peças por mês, entre máscaras, aventais e scrubs, que contarão com compostos químicos que já conseguiram inativar os vírus do sarampo e da caxumba em testes. “O desenvolvimento de novas formulações para funcionalização de antivirais em substratos têxteis e ajustes de processo de aplicação”, afirma Adriano Passos, coordenador da plataforma de Fibras do Instituto SENAI de Inovação em Biossintéticos e Fibras. A Bio-Manguinhos está testando, experimentalmente, a ação antiviral do tecido em seu Laboratório de Tecnologia Virológica (LATEV). Segundo a chefe do laboratório, Sheila Maria Barbosa de Lima, os estudos foram iniciados usando como modelo outros vírus de transmissão respiratória, como os de sarampo e caxumba, agentes biológicos que podem ser manipulados em laboratório com Nível de Biossegurança 2 (NB-2) e que possuem modo de transmissão semelhantes ao Sars-CoV-2. A equipe das pesquisadoras Adriana Azevedo e Waleska Schwarcz está conduzido os ensaios. “Nossos resultados preliminares demonstraram que amostras de tecidos formulados pela Diklatex foram capazes de inativar 99% das partículas virais (sarampo ou caxumba), nos ensaios in vitro. Os tecidos com maior ação antiviral serão selecionados para a próxima etapa do estudo que irá avaliar a eficiência antiviral dos têxteis contra o Sars-CoV-2 em laboratórios NB-3. Até o momento, os resultados alcançados são promissores e a expectativa é que em curto prazo seja comprovada a ação antiviral também contra o novo coronavírus”, concluem as chefes do laboratório. O projeto é financiado com recursos do Edital de Inovação para a Indústria (SENAI) e pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).


INTERNACIONAL EDANA REALIZA OUTLOOK ™ 2020 EM FORMATO ONLINE A OUTLOOK ™, principal conferência de produtos para cuidados pessoais, higiene, toalhetes e nãotecidos, irá acontecer de 23 a 25 de setembro de 2020, através de um webinar diário de 3 horas, que contará com conteúdo exclusivo para ajudar as empresas a lidarem com a era pós-COVID e avaliarem novas perspectivas nesses tempos de mudança. Os temas que serão abordados são: Economia global e comércio: cenários para 2020; Resposta do setor

de nãotecidos para a Pandemia: desafios transformados em oportunidades - um setor resiliente e à prova de recessão?; e Inovação, Sustentabilidade e Gerenciamento de Produtos: mesmas respostas em um ambiente de mercado em mudança?. As inscrições estão abertas com um pacote especial para empresas que se inscreveram para o OUTLOOK ™ 2020 ou OUTLOOK ™ 2021, que ocorrerão em Lisboa entre os dias 21 e 23 de abril de 2021.

COMPACTDRUM PARA UM MERCADO EM RÁPIDA MUDANÇA Diante de um mercado exigente e em rápida mudança, o fabricante de têxteis português Polopique estava buscando uma solução flexível na produção de fios. O novo compactador COMPACTdrum da Rieter oferece às fiações esse novo nível de flexibilidade. O dispositivo pode ser facilmente conectado aos atuais modelos de filatórios de anel da Rieter e possibilita a fiação compacta de quase todos os tipos de fibras e misturas. Atualmente, os sistemas de fiação compacta produzem principalmente fios de algodão e viscose com baixa pilosidade. O mercado exige mudanças rápidas, são necessários novos designs de fios com uma gran-

de variedade de pilosidade. No entanto, devem ser minimizados os pelos longos. Em aplicações de tecelagem, a tenacidade é um segundo parâmetro importante capaz de facilitar o processamento posterior, incluindo o acabamento e a longevidade da peça. Em resposta a esse mercado dinâmico, a Polopique decidiu instalar o novo compactador COMPACTdrum da Rieter. A Polopique agora consegue atender às demandas do mercado da moda em quase todos os aspectos. A pilosidade muito baixa resulta em melhores características de pilling e, consequentemente, maior longevidade da peça.

RESULTADOS DE MÁQUINAS TÊXTEIS EM 2019 Em 2019, as remessas globais de máquinas de fiação, texturização, tecelagem, tricô e acabamento diminuíram em comparação com 2018. As entregas de novos eixos de grampos curtos, rotores de extremidade aberta e eixos de grampos longos caíram -20%, -20% e -66%, respectivamente. O número de eixos de texturização de tração enviados diminuiu -4,5% e as entregas de teares sem transporte diminuíram em 0,5%. Os embarques de grandes máquinas circulares contraíram -1,2%, enquanto as máquinas planas de tricotar despencaram -40%. A soma das entregas

no segmento de acabamento também caíram -2% em média. Estes são os principais resultados da 42ª Estatística Anual Internacional de Remessas de Máquinas Têxteis (ITMSS), lançada recentemente pela Federação Internacional de Fabricantes de Têxteis (ITMF). O relatório abrange seis segmentos de máquinas têxteis, a fiação, texturização, tecelagem, tricô circular, tricô liso e acabamento. A pesquisa de 2019 foi compilada em cooperação com mais de 200 fabricantes de máquinas têxteis, representando uma média abrangente da produção mundial. Revista Têxtil #767 I 49


INTERNACIONAL PRIMEIRO SEMESTRE DE 2020 IMPACTADO PELA COVID-19 Conforme relatado em 28 de maio de 2020, a COVID-19 teve um grande impacto nos negócios da Rieter na primeira metade de 2020. A pandemia do COVID-19 levou a uma situação de mercado em que a demanda pelos bens e os serviços dos três grupos de negócios diminuíram significativamente. O Grupo de Negócios Máquinas e Sistemas foi afetado pelo adiamento pelos clientes das entregas programadas. Ao mesmo tempo, a demanda por desgaste e peças de reposição diminuiu acentuadamente, devido à suspensão da produção em muitas fábricas de fiação no mundo. Isso reflete na baixa entrada de pedidos e nas vendas do Grupo de Negócio de Componentes e pós-venda. Portanto, essa situação excepcional de mercado deu origem a perdas nos negócios no primeiro semestre de 2020. O Grupo Rieter registrou uma entrada de pedidos de CHF 250,7 milhões. Isso corresponde a uma redução de 34%, se comparado ao primeiro semestre de 2019, que foi de CHF 378,3 milhões. A entrada de pedidos de Máquinas e Sistemas diminuiu 34%, 34% em Componentes e 32%

em Pós-Venda. Os cancelamentos foram inferiores a 5% e as vendas totalizaram CHF 254,9 milhões, sendo que no primeiro semestre de 2019 foram de CHF 416,1 milhões, o que representa um declínio de 39% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em Máquinas e Sistemas, as vendas diminuíram 46%. As vendas caíram 29% em Componentes e 34% no pós-venda. As medidas de redução de custos já implementadas contribuíram, entre outras coisas a uma redução nas despesas de cerca de 10 milhões de francos suíços. No entanto, devido ao menor volume, a Rieter registrou uma perda de CHF -55,0 milhões (antes dos encargos de reestruturação: CHF -46,9 milhões) no nível EBIT e uma perda de CHF 54,4 milhões do lucro líquido. Devido ao acúmulo de estoques para entregas no segundo semestre e as perdas já mencionadas, o fluxo de caixa foi de CHF -95,4 milhões. Em 30 de junho de 2020, a Rieter possuía liquidez líquida de CHF 36,0 milhões, fundos líquidos de CHF 253,5 milhões e linhas de crédito não utilizadas no intervalo médio de três dígitos.

OERLIKON NONWOVEN ENTREGA TECNOLOGIA DE PONTA Duas empresas recém-estabelecidas na Alemanha para fabricar e distribuir máscaras de proteção de alta qualidade foram destaque no início de maio com a FleeceforEurope: a Lindenpartner, consultoria de compras do Grupo Kloepfel, com sede em Düsseldorf, e a indústria com sede em Berlim, Bechinger & Heymann Holding, que planeja fabricar e distribuir até 50 milhões de máscaras respiratórias da classe de proteção FFP1 a FFP3 por mês, exclusivamente para o mercado europeu. Com o foco principal na qualidade, as máscaras de proteção - incluindo aquelas usadas em salas de cirurgia – contam com nãotecidos que absorvem o vírus. As máscaras serão fabricadas pelo novo empreendimento ‘FleeceforEurope’, usando um sistema de sopro Oerlikon Nonwoven, tecnologia líder mundial e de longa data. No processo patenteado, as fibras depositadas em um tecido nãotecido durante a fabricação são subsequentemente carregadas eletrostaticamente, antes que o material seja processado.

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A Oerlikon Barmag também comemorou a abertura do novo prédio de produção de bombas em Remscheid-Lennep, na Alemanha, apesar das dificuldades enfrentadas com o coronavírus. No entanto, juntamente com as autoridades de Remscheid, a empresa de construção Dohrmann e todas as outras empresas de construção envolvidas, a Oerlikon Barmag deve alcançar o próximo marco para a expansão do setor de construção de bombas no prazo previsto. A partir de dezembro de 2020, as bombas giratórias, de alimentação e de medição de alta tecnologia serão fabricadas e testadas no novo pavilhão. Para isso, cerca de 80 funcionários dos departamentos de entrada de mercadorias, logística e pré-fabricação se mudarão para o novo prédio. Com esse investimento no futuro, a Oerlikon Barmag está estabelecendo novos padrões nas áreas de lucratividade, estabilidade de processos e logística na construção de bombas.


INTERNACIONAL LENZING VENCE PR WEEK GLOBAL AWARD A Lenzing foi a vencedora em 2020 do PR Week Global Award, realizado pela Global PR Breakthrough. “Especialmente durante esta situação de Pandemia, essas notícias são muito bem-vindas e também mostram nosso esforço e experiência para divulgar nossa marca ao mercado e aos consumidores através de diferentes canais, incluindo PR, Digital, eBranding, Co-Branding e etc.”, comenta a equipe de marketing da Lenzing Fibers. A ação de marketing responsável pelo prêmio na categoria Global PR Breakthrough foi uma campanha da Burson Cohn & Wolfe para a Lenzing AG chamada ‘Salvaging the Reputation of Fashion’, sobre o TENCEL®.

PICANOL PRODUZ MÁQUINA DE TECER RAPIER A Picanol produziu sua 100.000ª máquina de tecer rapier, em sua fábrica em Ieper, na Bélgica e também está comemorando em 2020 45 anos de fabricação de máquinas de tecer rapier, reafirmando seu papel no segmento de máquinas de tecer rapier em todo o mundo. A 100.000ª máquina de tecer rapier (uma OptiMax-i) foi enviada para a empresa SAITEX Fabrics, com sede em Long Tho, Vietnã. “Temos todos os motivos para nos orgulharmos do fato de termos produzido 100.000 máquinas de tecer rapier e somos extremamente gratos a todos os nossos funcionários que tornaram isso possível”, diz Johan Verstraete vice-presidente de tecelagem da Picanol.

INDEX™ 20 É ADIADA PARA SETEMBRO DE 2021 Diante das incertezas contínuas diante da pandemia do COVID-19, os organizadores do INDEX ™ 20, Palexpo e Edana, estão analisando o melhor curso de ação. A segurança de todos os participantes do INDEX ™ 20 continua sendo a principal preocupação dos organizadores, que esperam o controle do vírus até o final do ano. A Palexpo e a Edana consideram que é seu dever garantir que um dos principais eventos de nãotecidos do setor ocorra nas melhores condições possíveis. Dessa forma, o INDEX ™ 20 será adiado para os dias 7 a 10 de setembro de 2021.

COMUNICAÇÃO VIRTUAL COMO ALTERNATIVAS PARA FEIRAS A Pandemia de coronavírus também está apresentando à indústria global de máquinas têxteis novos desafios de comunicação. As principais feiras de tecnologia e feiras continentais, como a ITMA Ásia, o ITM, o INDEX e o ITME, juntamente com importantes eventos do setor, como o Global Fiber Congress (GFC) em Dornbirn, não ocorrerão normalmente em 2020 e tiveram que ser adiados para o próximo ano. No entanto, que alternativas estão disponíveis para manter as redes e continuar a se comunicar com parceiros e clientes - para apresentar atrativamente novos produtos e serviços? Novas plataformas de comunicação virtual poderiam ser uma solução e, finalmente, também seriam consideravelmente mais sustentáveis a longo prazo. Segundo André Wissenberg, chefe de marketing, comunicações corporativas e assuntos públicos da Oerlikon Manmade Fibers e presidente do Comitê de Marketing e Feiras da VDMA, a princípio, todas as feiras, eventos e confraternizações semelhantes foram colocadas no gelo em meados de março. “A maioria dos organizadores inicialmente mudou as datas na esperança de que a pandemia fosse rapidamente contida e a segunda metade do ano pudesse continuar normalmente. Por fim, todos devemos reconhecer que a crise do coronavírus e seu impacto na nossa coexistência global continuarão a determinar as atividades por muito tempo. No entanto, o planejamento é tudo quando se trata de negócios de feiras e eventos internacionais - e isso se aplica a ambos os organizadores e, acima de tudo, a nós como expositores”. De acordo com Wissenberg, os webinars de tecnologia - recentemente iniciados pela VDMA, que também serão oferecidos pela Oerlikon Manmade Fibers na segunda metade do ano - ajudam a transmitir informações detalhadas para clientes existentes e potenciais. “Embora o foco didático dos seminários online seja geralmente mais parecido com as palestras universitárias, independentemente de quão criativas possam ser - não menos importantes também pelo fato de os participantes estarem competindo entre si – atualmente, plataformas de comunicação digital nascentes na forma de feiras virtuais podem representar um acréscimo inestimável para todos os participantes do mercado”.

Revista Têxtil #767 I 51


INTERNACIONAL MTEX NS E SPGPRINTS ANUNCIAM PARCERIA ESTRATÉGICA A MTEX NS, fornecedora líder de soluções de impressão digital, engenharia de software e provedores de serviços, anunciou sua nova parceria com a SPGPrints, empresa líder global em soluções de impressão têxtil convencional e digital. O acordo estratégico se estende até 2022. Nos últimos 6 meses, as equipes de P&D da MTEX NS e da SPGPrints trabalharam juntas para incorporar o know-how específico em aplicações têxteis digitais da SPGPrints nas soluções exclusivas de impressão digital da MTEX NS. Foram realizados testes que levaram a uma série de adaptações tecnológicas e operacionais para ajustar o equipamento digital MTEX às necessidades dos clientes têxteis.

Para Dick Joustra, CEO da SPGPrints, essa nova parceria oferece à SPGPrints um portfólio aprimorado de produtos e aplicativos para atender sua crescente base de clientes e abrir novos canais. "Esse contrato permite que a SPGPrints expanda sua oferta em alguns dos maiores e mais rápidos mercados de impressão têxtil do mundo, além de expandir as ofertas de ambas as empresas para novos mercados." A parceria inclui tecnologia para sublimação e impressão de pigmentos. O equipamento de impressão digital MTEX fornece uma plataforma perfeita para criar novas soluções sustentáveis de impressão digital têxtil, juntamente com as plataformas de propriedade da SPGPrints, Archer® Technology, PIKE e JAVELIN.

MEMBROS DA TMAS APOIAM TRANSFORMAÇÕES PÓS-COVID-19 Os membros da TMAS - a associação sueca de máquinas têxteis - adotaram uma série de novas estratégias em resposta à pandemia de Covid-19, com o objetivo de ajudar os fabricantes de tecidos e vestuário a se ajustarem a um novo normal, à medida que a Europa e outras regiões emergem cautelosamente do bloqueio. “Muitas empresas europeias foram forçadas a testar novos métodos de trabalho e analisar o que é possível fazer remotamente e como explorar a automação ao máximo, para se tornarem mais flexíveis”, diz a secretária geral da TMAS, Therese Premler-Andersson. “Outros correm riscos quando veem oportunidades e há um novo senso de solidariedade entre as empresas. É extremamente encorajador, por exemplo, que mais de quinhentas empresas europeias de toda a nossa cadeia de suprimentos tenham respondido à escassez de máscaras faciais e EPIs - equipamentos de proteção pessoal - convertendo partes de seus sites ou investindo em novos equipamentos”. Entre eles estão os membros da TMAS, como o Grupo ACG, que rapidamente estabeleceu uma nova fábrica dedicada a conversão de nãotecidos e de confecção de vestuário de uso único para fornecer às autoridades sa-

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nitárias suecas. Desde março produziu 1,8 milhões de metros quadrados de tecido convertido e transformou em 692.000 roupas médicas acabadas por mês. As soluções automatizadas abriram muitas possibilidades para o trabalho remoto durante a pandemia. A Texo AB, por exemplo, especialista em teares de largura para a indústria de papel, conseguiu concluir com êxito a construção e entrega de um grande pedido de vários contêineres entre abril e maio. A Svegea da Suécia, que passou os últimos meses desenvolvendo sua nova máquina de relaxamento de tecidos CR-210 para tecidos de malha, também instalou com sucesso várias máquinas remotamente, o que a empresa nunca havia tentado antes. Distanciamento social As muitas fábricas de vestuário agora equipadas com as estações de trabalho UPS da Eton Systems projetadas para economizar custos consideráveis com a automação - foram beneficiadas pelo distanciamento social não intencional que elas fornecem automaticamente em comparação às fábricas com bancos convencionais de máquinas de costura.


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