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SUMÁRIO

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EDITORIAL O FUTURO A REVISTA TÊXTIL é uma publicação da

R. da Silva Haydu & Cia. Ltda. Inscr. Est.: 104.888.210.114 CNPJ/MF: 60.941.143/0001-20 MTB: 0065072/SP

Diretor-Presidente: Ricardo Haydu Diretora de Redação: Clementina “Vivi” Haydu Jornalismo: Carlos E. Bazela Designer: Carlos C. Tartaglioni Foto da capa: Arquivo Representantes Comerciais Europa: International Communications Inc. Andre Jamar 21 rue Renkin: 4800: Verviers: Belgium Tel/Phone: + 32 87 22 53 85 / Fax: + 32 87 23 03 29 e-mail: andrejamar@aol.com Ásia (Asian): Buildwell Int. Co., Ltd. Nº 120, Huludun, 2nd St., Fongyuan, Taichung Hsien: Taiwan 42086: R.O.C. Tel/Phone: + 886 4 2512 3015 / Fax: + 886 4 2512 2372 Coréia (Korea): Jes Media International 6th Fl., Donghye-Bldg.: 47-16, Myungil-Dong Kandong: Gu: Seoul 134-070 Tel./Phone: + (822) 481-3411/3 / Fax: + (822) 481-3414 Correspondente na Argentina: Ecodesul Av. Corrientes, 3849: Piso 14° OF. A. Buenos Aires: Argentina Tel/Phone: (541) 49-2154 / Fax: (541) 866-1742 Órgão Oficial das entidades

Órgão de divulgação das entidades Abint: Associação Brasileira das Ind. de NãoTecidos e Tecidos Técnicos; Núcleo Setorial de Informação do SENAI/CETIQT; Redação/Administração Rua Albuquerque Lins, 1151 2º andar: Santa Cecília Cep 01230-001: São Paulo: SP: Brasil Tel/Phone: +55-11-3661-5500 E-mail: revistatextil@revistatextil.com.br Site: www.revistatextil.com.br Publicação bimestral com circulação dirigida às fiações, tecelagens, malharias, beneficiadoras, confecções nacionais e internacionais, universidades e escolas técnicas. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, a filosofia da revista. A reprodução total ou parcial dos artigos desta revista depende de prévia autorização da Editora. Redação Releases, comentários sobre o conteúdo editorial, sugestões e críticas a matérias. Pedidos de informação relacionados às matérias e à localização de reportagens: e-mail: redacao@revistatextil.com.br Publicidade Anuncie na REVISTA TÊXTIL e fale diretamente com o público leitor mais qualificado do setor têxtil no Brasil e no mundo: e-mail: revistatextil@revistatextil.com.br Assinaturas Para renovação e outros serviços, escreva para: e-mail: revistatextil@ revistatextil.com.br

O espaço fascina. Toda vez que vemos algo sobre aquela imensidão escura, o instinto de explorador desperta dentro de nós e cria uma vontade incontrolável de chegar lá. A esse instinto, que uma vez fez as grandes navegações acontecerem, é o que nos faz singulares enquanto espécie e a principal representação do conceito de evolução que podemos ter. Afinal, nada como um objetivo tido como impossível ou com poucas chances de sucesso para fazer com que as grandes cabeças pensantes percam o sono em busca de soluções, não é mesmo? E foi com esse pensamento de otimismo em relação ao amanhã que nós deixamos a edição 2017 da Techtextil e da Texprocess, que aconteceram em Frankfurt, na Alemanha. Com as viagens espaciais como tema, as feiras foram ousadas no conceito e, focaram no futuro para enaltecer o agora. Afinal, não é sobre viver no espaço, mas o que estamos fazendo para chegar lá e, principalmente, como essas inovações em têxteis técnicos podem mudar nossa vida agora e aqui mesmo na Terra. No Brasil, a Tecnotêxtil Brasil apresentou na FINTT o que os tecidos técnicos e nãotecidos já estão fazendo em nosso país e suas expectativas para um mercado que não para de crescer e se tornar promissor. Não deixe de conferir também uma entrevista com Jorden Lindahl, Gerente Sênior de Vendas Digital Têxtil da SPGPrints Holanda, que também estará presente na Sign 2017 FutureTextil que terá em nossa próxima edição sua cobertura. A Revista Têxtil ainda esteve presente no DFB Festival, que marcou o aniversário de 18 anos do evento. Considerado o maior evento de moda autoral da América Latina, o festival trouxe música, gastronomia e mostrou que o Nordeste brasileiro tem muito potencial para pensar e produzir moda original e atemporal. Tudo isso com base nos elementos mais ricos da cultura local, como por exemplo, o artesanato. Veja também os lançamentos em denim das principais empresas do setor, mostrando que o jeans pode e deve ir muito mais além do que uma simples calça azul com diversas lavagens. Deve utilizar materiais tecnológicos em prol do conforto, proteção, sustentabilidade e durabilidade. Obrigado e boa leitura

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TERCEIRIZAÇÃO NÃO PRECARIZA O TRABALHO ESTIMULA A ECONOMIA

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A MODERNIZAÇÃO TECNOLÓGICA E ORGANIZACIONAL DA INDÚSTRIA TÊXTIL

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TÊXTEIS DO FUTURO E SUAS MÚLTIPLAS APLICAÇÕES

FUTURO

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TECHTEXTIL INVESTE ALTO E LEVA O TÊXTIL ÀS ESTRELAS TEXPROCESS MOSTRA QUE O FUTURO É AGORA E CONECTADO ALTA COSTURA EM ÓRBITA:TECIDOS TÉCNICOS E VESTUÁRIO MOBILIDADE É DESTAQUE NA TECHTEXTIL FIBRAS E TECIDOS NO CORPO HUMANO TECHTEXTIL MOSTRA SOLUÇÕES EM ARQUITETURA PLAYERS DO SETOR EXPÕEM PORTFÓLIO NA TECHTEXTIL

DIGITAL

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SPGPRINTS: ESTAMPARIA TÊXTIL TRADICIONAL E DIGITAL

FEIRAS & EVENTOS

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TECNOTÊXTIL BRASIL E EVENTOS PARALELOS REÚNEM PLAYERS DO SETOR

MODA

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EMPRESAS AGITAM SEGMENTO DE DENIM COM EVENTOS NORDESTE BRASILEIRO VIRA CENTRO DA MODA AUTORAL

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TERCEIRIZAÇÃO NÃO PRECARIZA O TRABALHO ESTIMULA A ECONOMIA por

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oi muito positiva a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do Projeto de Lei (PL) 4.302/1998, que estabelece a terceirização também das atividades-fim das empresas. Tal avanço é imprescindível. Por isso, é importante desmistificar dogmas negativos que permeiam o tema. Nesse sentido, é preciso deixar claro que o modelo não precariza o trabalho, como se pode observar na análise de algumas estatísticas taxativas: segundo dados do IBGE, os serviços terceirizados empregam cerca de 22% dos trabalhadores formais do Brasil. É a atividade que mais contrata em nosso país, à frente da indústria de transformação. Além disso, a sua taxa de formalização é a mais elevada dentre os segmentos avaliados, com 72,1% dos recursos humanos tendo carteira assinada. Na manufatura, esse índice é de 69,7%. É provável que a regulamentação agora aprovada favoreça ainda mais a contratação formal, considerando que processos disciplinados em lei oferecem mais segurança jurídica às empresas e estimulam práticas corretas. Também favorece a criação de postos de trabalho o fato de o projeto permitir a terceirização dos serviços diretamente ligados ao core business das empresas, e não mais apenas das atividades-meio, como ocorria até agora. Outro estudo, a Sondagem Especial: Terceirização, realizado em 2014 pela CNI, reforça o conceito de que o modelo não promove a precarização do trabalho. Vejamos: 75% das indústrias usam serviços terceirizados; dentre as que utilizavam, 84% pretendiam manter ou aumentar a sua contratação nos próximos anos. Ou seja, a perspectiva é de que o segmento continue gerando empregos em escala crescente, principalmente a partir da retomada do crescimento da economia bra-

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FERNANDO VALENTE PIMENTEL*

sileira. Além disso, 75% das empresas que recorrem a serviços terceirizados verificam, de maneira espontânea, se a contratada cumpre as obrigações trabalhistas, normas de saúde e segurança do trabalho. As micro e pequenas empresas e os microempreendedores, que representam parcela expressiva do mercado da terceirização, só têm a ganhar. Para eles, a regulamentação oferece segurança jurídica, mercado mais acessível e com regras transparentes e maiores oportunidades de se inserirem na produção em redes. Outra ideia equivocada que se imputa à terceirização é a da diminuição dos gastos com a folha de pagamentos. O conceito transcende em muito a esse propósito. Mais importante para a empresa que contrata os serviços é, sim, a redução dos custos de produção, mas mediante ganhos de especialização, eficiência e produtividade. Cabe, ainda, enfatizar algumas vantagens da terceirização: redução das ações na Justiça do Trabalho; mais segurança jurídica para empresas e trabalhadores; melhoria da produção em rede, favorecendo inserção competitiva do Brasil na globalização; segmentos com fluxos sazonais têm no modelo a melhor alternativa para suprir suas demandas de recursos humanos e serviços; contratação de especialistas qualificados em cada área, otimizando resultados em todas as etapas, da gestão ao chão de fábrica. Em meio aos grandes problemas que hoje enfrentamos no Brasil, é um passo relevante em nossa luta pela recuperação da competitiRT vidade e retomada do crescimento.

*Fernando Valente Pimentel é presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção.

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A MODERNIZAÇÃO TECNOLÓGICA E ORGANIZACIONAL DA INDÚSTRIA TÊXTIL por

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modernização tecnológica e organizacional da indústria têxtil exige dos profissionais um novo perfil e também uma visão atualizada das demandas de mercado, neste sentido a ABTT tem se pautado na busca de levar através de parcerias com produtores de máquinas e equipamentos as tecnologias e os avanços tecnológicos a diversas partes do pais, além de concentrar no Congresso Nacional e agora em um Congresso Internacional, o intercâmbio de conhecimento e tecnologias. Procura também participar de várias feiras e eventos na área para estar “Up-to-date” com as inovações e aparecimentos de novidades no mercado e desta forma apresentar as características procuradas e desejadas pelos profissionais e pelas necessidades da indústria. As novas tecnologias e as rápidas mudanças no sistema produtivo se refletem nas organizações, que caminham rapidamente para outro patamar em termos de modernização e conceitos de gestão. Entre as principais demandas estão a atualização dos processos e equipamentos industriais, novas matérias-primas (materiais inteligentes, materiais biodegradáveis), automação na produção e aplicação de programas de qualidade gerencial (ISO 9000, Just in time) e ambiental (ISO 14000, BS 7750). O perfil do profissional têxtil também mudou: além de sólida formação básica, é preciso ter conhecimento e especialização em áreas diversificadas como gestão da produção, marketing e vendas, desenvolvimento de produtos, processos industriais e equipamentos. Da mesma forma as organizações em especial as associações devem acompanhar estas mudanças e estar sintonizadas em apontar caminhos e as ideias

ANTONIO CESAR CORRADI

surgidas do mercado para sinalizar caminhos aos associados e trazer informação ao setor. Os meios educacionais estão se aperfeiçoando e modernizando suas ferramentas de ensino, é inviável, hoje em dia, o afastamento de profissionais para longos períodos de capacitação em instituições distantes dos centros produtivos. A atualização deve ser constante, em função da rápida adoção por empresas e indústrias inovadoras, de novos conceitos e processos. Por isso, é essencial que as instituições de formação profissional e técnica para o setor têxtil e de confecção entendam as necessidades das empresas, repensando os procedimentos pedagógicos sem deixar de ofertar os serviços, a ABTT, procura trabalhar esta sintonia de forma ativa e uma das formas foi a criação do CONTEXMOD (veja a pag. 10), já reconhecido pelo mercado e um sucesso de participação das instituições do pais todo. O Brasil é o único país que conta com uma cadeia produtiva têxtil completa, desde a produção de fibras até o varejo, passando por fiações, tecelagens, beneficiadoras, confecções, uma importante cadeia de moda e uma expressiva rede de varejo. É o segundo maior empregador da indústria de transformação, com 1,5 milhão de trabalhadores diretos e 8 milhões atuando indiretamente, o segmento têxtil é também o segundo maior gerador do primeiro emprego e o que mais conta com mão de obra feminina (75%). São 33 mil empresas formais registradas no país. Com a globalização temos uma concorrência externa presente o que torna a modernização uma questão de sobrevivência. A atualização do parque industrial que de início parece um alto investimento é logo recuperado pelo rápido retorno e pela melhor eficiência e pela melhor qualidade dos produtos e aumento da produção.

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ABTT Os avanços tornam possíveis a redução dos desperdícios, a redução do tempo de produção, a otimização dos recursos naturais, o aumento da produtividade, a criação de um design diferenciado e a rapidez no escoamento da produção, respondendo rapidamente às demandas do mercado e fazendo frente aos importados. O uso de tecnologias 3D no mercado têxtil é uma destas modernidades, a utilização de equipamentos capazes de materializar as roupas desenhadas por estilistas, designers, diretamente sobre um manequim digital, encurtando o período de criação e produção de roupas, simplificando o trabalho e promovendo uma melhora na qualidade e desenvolvimento de peças e na redução de custos, cria uma vantagem tecnológica revolucionando o mercado de confecção. A participação, em feiras e eventos têxteis, sempre foi uma marca da ABTT e que traz, em parceria com as empresas, os lançamentos, como na 27° FEVEST, feira de moda intima, praia, fitness e matéria prima, que aconteceu de 5 a 9 de julho em Nova Friburgo, um evento que tende a trazer as novidades para a temporada 17/18. A grande novidade divulgada é a utilização de tecidos tecnológicos, em diversas texturas e rendas com destaque para a aproximação entre o digital e o físico, unindo o mercado da moda. Um meio de apresentar ao público novos métodos de criação, distribuição, tecnologia, design e inovação, com o objetivo de acompanhar as macrotendências. Com isso, possibilitar novas experiências de consumo, antecipando o futuro. A tecnologia digital embarcou de vez no setor, a Digital Influencier, Camila Coelho, lançou em parceria com a Riachuelo, sua primeira coleção, que já está a disponível nas lojas em todo o pais. Estamos mesmo numa nova era, basta uma postagem no instagram e pronto, são vários likes, comentários e muita gente querendo saber: qual a marca de um produto; o preço; o serviço; onde encontrar, etc.. Eventos, coberturas, idas a salões de beleza, indicações de produtos, publicação em blogs, esta é a atribuição do novo profissional o “Digital Influencier”, termo que significa o influenciador digital, com grande poder de influência estes profissionais são formadores de opinião, criam e mudam hábitos, comportamento e tendências em seus seguidores, este é o novo profissional que temos que preparar para o mercado.

O BRASIL É O ÚNICO PAÍS QUE CONTA COM UMA CADEIA PRODUTIVA TÊXTIL COMPLETA, DESDE A PRODUÇÃO DE FIBRAS ATÉ O VAREJO, PASSANDO POR FIAÇÕES, TECELAGENS, BENEFICIADORAS, CONFECÇÕES, UMA IMPORTANTE CADEIA DE MODA E UMA EXPRESSIVA REDE DE VAREJO...

Agora também contamos com o apoio do governo de São Paulo que zerou a carga tributária do ICMS, na cadeia têxtil com o objetivo de estimular a produção e gerar empregos. O imposto somente ocorrerá na aquisição do produto final pelo consumidor e deste modo, não haverá perdas de arrecadação, segundo o governo. Este foi o cenário que a ABTT passou, nestes últimos dois anos, atravessando esta enorme crise, mas buscando o desenvolvimento como a maior parte do povo brasileiro, sendo reconhecida pela sua luta e pelo seu esforço em lutar pelo crescimento da cadeia produtiva, Agora deixo a cadeira de presidente da ABTT e sou substituído pelo também Técnico Têxtil Nelsom Pereira Junior, pessoa do setor com grande capacidade e pronto para dirigir nossa Instituição e que tenho certeza continuará a imprimir na ABTT um caminho para o desenvolvimento. Meus votos de sucesso para RT nova diretoria.

*Antonio Cesar Corradi é presidente da Associação Brasileira de Técnicos Têxteis desde 2015 e deixa o cargo agora, em 2017.

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TÊXTEIS DO FUTURO

E SUAS MÚLTIPLAS APLICAÇÕES por

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os dias atuais, vem crescendo a demanda por tecidos inteligentes/funcionais, isto é, por materiais que desempenham uma ou várias funções específicas, visando praticidade, conforto, segurança, economia e durabilidade (tecidos que respiram; isolam; e com tantas mais variadas aplicações). Como por exemplo: roupas de proteção, roupas que apresentam troca térmica, para garantir maior conforto do usuário, roupas com proteção UV, geotêxteis, bases para manta asfáltica, entre outras inúmeras finalidades. A parceria entre a Vicunha Têxtil e a Nilit Fibers culminou na elaboração de tecidos inteligentes e altamente funcionais desenvolvidos para uso diário. Previamente, tecidos de alta performance eram essencialmente destinados a aplicações técnicas específicas. A fim de atender ao dinâmico e exigente mercado da moda, essa união tornou a tecnologia acessível ao cotidiano, criando novas tendências. Dentre as novidades apresentadas, destaca-se o Ice Powered By Nilit Breeze, tecido desenvolvido explorando os aspectos termodinâmicos. A presença de um aditivo inorgânico incorporado ao polímero, associada a um processo de texturização exclusivo e a uma secção transversal diferenciada, é capaz de reduzir a temperatura corporal em até 1°C. Além disso, o tecido é ideal para as condições climáticas atuais, por apresentar proteção eficiente à radiação ultravioleta (U.V). Prezando versatilidade e maior economia na manutenção doméstica – sobretudo nas lavagens – foi desenvolvido o Sense Powered By Nilit Body Fresh, que apresenta propriedade bacteriostática impedindo a proliferação de bactérias que causam odor. Valendo-se de propriedades de hidrofilidade adquiridas por meio de uma secção transversal triplo T, com formação de microcanais, foi desenvolvido o Confort Powered By Nilit Aquarius, capaz de transportar a umida-

MÁRCIA CAROLINE DA SILVA*

de e o suor da pele para o tecido e em seguida para o ambiente. Este produto é altamente indicado para dias quentes e para práticas esportivas. Os tratamentos físicos e químicos aplicados nos substratos têxteis ainda estão em processo de evolução, mas já alcançam mais de 25% da produção têxtil Global e proporcionam muitos benefícios, tanto aos consumidores, quanto aos próprios fornecedores. Os tecidos inteligentes/ funcionais apresentam comportamentos diferenciados quando comparados aos tecidos comuns, visto seu alto valor agregado. Alterações na morfologia, aplicação de microcápsulas ou incorporação de minerais, podem fornecer alta performance aos têxteis. Propriedades termodinâmicas ou bacteriostáticas, anteriormente empregadas em aplicações técnicas, podem ser experimentadas no cotidiano do consumidor moderno. As microcápsulas, obtidas por técnicas diferenciadas, podem conter em seu interior diferentes produtos, tais como essências ou mesmo fármacos, liberados gradualmente de acordo com condições térmicas (temperatura corporal), pH e fricção. Dessa forma, a indústria têxtil acompanha a dinâmica tecnológica, por meio de pesquisas e desenvolvimento de novos produtos, com o apoio de profissionais da moda, da indústria química, da engenharia de materiais, dentre outras, tudo para fomentar a nova tendência de agregar características diferenciadas e valor aos produtos para o consumidor. Afinal, seria incoerente a têxtil desenvolver tecidos com alta performance voltados para o setor do vestuário, sem que esses atraíssem o consumidor final, em outras palavras, essa parceria melhora a característica estética do produto para que ganhe mercado chamando atenção inicialmente pela aparência. RT

*Aluna do 3º semestre do curso de Engenharia Têxtil da Universidade de Tecnologia Federal do Parana.

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TECHTEXTIL INVESTE ALTO E

LEVA O TÊXTIL ÀS ESTRELAS Feira alemã usa exploração do espaço como conceito para mostrar inovações

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ntre os dias 9 e 12 de maio, a Messe Frankfurt, organizou a edição 2017 da Techtextil, feira focada no mercado de tecidos técnicos e a Texprocess, que mostra aplicações práticas dos conceitos exibidos em sua feira irmã e a RT este lá a convite da empresa. Neste ano, ambos os eventos trouxeram 1.789 expositores vindos de 66 países, o que representa um crescimento de 7% em relação à última edição. A edição deste ano também bateu recorde de público. De acordo com os organizadores, foram 47.500 visitantes vindos de 114 países, um aumento de 14% em relação aos 41.826 registrados em 2015. Todo esse crescimento encontra explicação quando vemos o tamanho do mercado de tecidos técnicos na Europa e no mundo. Segundo a Euratex, órgão europeu do segmento têxtil, esse nicho corresponde a 15% de todo o mercado no continente e cresceu 6% mundo afora desde 2010. Já de acordo com um estudo realizado em 2015 pelo Commerzbank, os tecidos técnicos mordem uma fatia de 27% do têxtil ao redor

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do mundo e devem representar cerca de 160 milhões de dólares em 2018. E a razão de Frankfurt se tornar parada obrigatória para os players da indústria de tecidos técnicos a cada dois anos não é ao acaso. O país lidera mundialmente o mercado deste ramo têxtil e movimenta anualmente, de acordo com os organizadores do evento, uma quantia aproximada de 13 bilhões de euros. Neste ano, a Techtextil e a Texprocess ainda comemoraram a chegada de expositores do Líbano, México e Vietnã, mostrado a importância crescente do setor em todos os cantos do mundo. “Nós tivemos a maior Techtextil já feita. O grande número de expositores reflete o incrível dinamismo entre os produtores de tecidos técnicos, que desejam continuar crescendo. A vasta gama de aplicações vista no evento, que vão desde a indústria automobilística até arquitetura, medicina, vestuário e esportes, mostra o poder de inovação da indústria têxtil”, diz Detlef Braun, membro do Conselho que gerencia a Messe Frankfurt GmbH, organizadora do evento. Fotos: Divulgação

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FUTURO

O TÊXTIL ALÉM DA TERRA E por falar em poder de inovação e múltiplas aplicações, neste ano, o evento escolheu um tema ousado para unir a Techtextil e a Texprocess: a vida no espaço. “Na mostra ‘Vivendo no Espaço’, os visitantes da Techtextil e da Texprocess puderam ver diversos exemplos de materiais têxteis e suas aplicações em um contexto específico. Em conjunto com nossos parceiros e expositores, nós criamos uma área divertida e informativa, como nunca foi visto antes na Techtextil e na Texprocess, explica Michael Jänecke, Gerente de Marca de Têxteis Técnicos e Processamento Têxtil da Messe Frankfurt. A seção ainda trouxe óculos de realidade virtual que simulavam uma viagem pelo espaço até o planeta Marte e diversos outros exemplos que ligavam viagens interplanetárias com o universo têxtil. Um exemplo disso era a Galeria de Materiais, onde cerca de 40 fabricantes expuseram materiais e formas de processar fibras para criar soluções de uso espacial e que também podem resolver muito problemas aqui mesmo na Terra.

Além de dividir espaço com veículos para exploração de outros planetas e outros utensílios de astronautas. É o caso da empresa sueca Björn Borg, que desenvolveu protótipos de roupas íntimas com alta resistência ao calor e não inflamáveis para funcionários e funcionárias de fundições. O projeto foi feito com base em estudos realizados pela Agência Espacial Europeia (ESA) e utiliza Nomex, material utilizado em trajes espaciais e para criar shorts e principalmente tops femininos. De acordo com os criadores, não existem acessórios que resistam às altas temperaturas deste tipo de trabalho feitos para mulheres e o algodão, normalmente utilizado em sutiãs, retém calor e queima com facilidade, deixando o peito desprotegido. E esse é apenas um exemplo. O tema espacial da mostra também influenciou outros nichos do evento, que mostram a aplicação de tecidos técnicos na arquitetura e no vestuário. Além de outros grandes segmentos, como automobilístico e médico, como você verá a seguir nas páginas da Revista Têxtil. Revista Têxtil #749 I 13

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TEXPROCESS MOSTRA QUE

O FUTURO É AGORA E CONECTADO Evento paralelo à Techtextil se aprofundou no conceito de Indústria 4.0 e mostrou como ele pode revolucionar o segmento têxtil

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Texprocess, que dividiu a área de exposições do pavilhão de exposições alemão, em Frankfurt, com a Techtextil entre os dias 9 e 12 de maio, mostrou as novas tecnologias de processamento para produtos têxteis e algumas de suas aplicações. Na edição deste ano, o evento centrou esforços no segmento de impressão digital têxtil e mostrou que a o conceito de Indústria 4.0 já é uma realidade e pode revolucionar a forma como se produz em um futuro próximo. “Nós estamos expandindo nossa programação focada em impressão digital em resposta à crescente demanda por tecnologias digitais para processamento de vestuário, tecidos técnicos e materiais flexíveis”, comentou Michael Jänecke, Gerente de Marca de Têxteis Técnicos e Processamento Têxtil da Messe Frankfurt, organizadora de ambos os eventos. O diretor da área de Tecnologia em Couro e Tecidos da VDMA, entidade alemã que reúne fabricantes de máquinas, Elgar Straub, concordou. “Graças à impressão digital, nós podemos imprimir vestuário, sapatos e tecidos técnicos diretamente. A tendência agora no vestuário é a exclusividade, que demanda produtos exclusivos para um tipo de público. Isso está tornan-

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do a impressão digital a tecnologia do futuro para as empresas deste segmento”, completa o executivo. De acordo com a VDMA, os fabricantes que fornecem para o mercado de confecção alemão registraram um aumento de 9,5% nas vendas realizadas nos primeiros quatro meses de 2017.

PRATA DA NOSSA CASA Totalmente integrado com o conceito de fábrica digital conectada, estava a Audaces, autointitulada a única empresa brasileira a participar do evento alemão. A empresa levou seu portfólio completo de soluções com destaque para o Audaces 360. Segundo a companhia, esta é sua principal novidade para 2017 e inclui todas as etapas necessárias para a produção de uma confecção. Com o Audaces 360, é possível criar roupas em um manequim tridimensional, gerar ficha técnica automatizada, realizar simulação de custo da produção, digitalizar moldes e fazer encaixes e, de acordo com a empresa, aproveitar melhor os tecidos. “Os visitantes estavam muito interessados em nossas soluções”, comemorou Diretor de Vendas Internacionais da Audaces, após o evento.

Fotos: Divulgação

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ada stria 4.0 c ú d In e d o conceit nhã – de trar que o o do ama s s e c Para mos ro p to como o o segmen se mostra e – para -s a ig d vez mais , n o e lm te róxim fábrica tota hã bem p n ro a ic m m a a m m u u ia foi cess tinha ário. A ide ro tu p s x e e v T e a d têxtil, l de itens cada vez e funciona so estão a s d e a c ig ro rl p te o in sd ito de ao conce o as ponta e m o c ia g r a lo tr o mos as à tecn ver como imas graç i possível fo , a h n li mais próx Na esign onectado”. desde o d , “c ro o e ri z á o in d u maq ário nasce o pela im to de vestu , passand o ã ç a z li um produ a e fin e, costura até o cort onfecções igital. eixar as c d ra a p pressão d o d nvolvida so tem tu nologia e c te a d O proces eor conta ra reconh ntáveis. P meras pa â c e d o mais suste a s m tizu e da auto ra sos, que fa s tu e s c o c ro p e s no s de corte ia humana ntos certo interferênc m o c , o cer os po ã onomiduç ício ao ec ima da pro rd x e á p m s e o d ã ç o za ualiuzir ssível red arantir a q g o , p o é p , m a te id reduz o mesmo prima e, a a ri té a m r is za l. dução ma roduto fina ixa a pro e d m é dade do p b “E das. sia 4.0 tam de deman s o p A Indústr ti s o ro r divers shion’ mic ra atende re ‘fast fa b o s tila versátil pa fa rá p se m ar ideias e te quando c n lo e o c lm e ia c d e p cios, idade s de negó a oportun lo e o d ã o d m s a s c o fábri tentar nov comenta desejam”, tamente e s ia d re e o id im m a c logias consu is e tecno o que os te n x ê e T s a e b d com residente idt, Vice-P Olaf Schm amos kfurt. o mencion esse Fran m M o o c d , te is n te Têx do clie ando ao m desejo está cheg e d a Por falar e id iv s exclu desejar nceito de vez mais o a c d a o c , a o ã acim midores ir ele e isso Os consu ente para m a ic n u vestuário. o para feit adaptada ue pareça ja q te o s lg e a o r ti ã ves produç vendas. “A a linha de irá perder ta is n io exige que c que o nfec necessita o ou o co s ’ is is a r u e d id n iv ate tos ‘ind el”. Produpor produ mais flexív ja e s o ir demanda te o in s ou até e produçã z melhore d e v o s a s d e a c c pro om lotes de serem rie, mas c possíveis o ã s ra ção em sé o g as e cosó, a tomatizad ma peça u u a o te m n s e e m s totalm as a linha DMA. aub, da V feitos graç tr S r a lg E explica nectadas”,

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ALTA COSTURA EM ÓRBITA:

TECIDOS TÉCNICOS E VESTUÁRIO Tema espacial da Techtextil e da Texprocess guia criadores de roupas e concurso de moda inovadora

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área da Techtextil destinada à soluções em vestuário também foi influenciada pelo tema espacial da feira. Na área “Vivendo no Espaço” foi possível ver as criações dos estudantes da escola de moda ESMOD de Berlin e também do Politecnico di Milano, centro de design sediado dentro da Universidade de Milão. Todos os modelos apresentados seguiam as mesmas diretrizes: ajudar a regular a temperatura do corpo, ser fácil de limpar, drenar umidade para fora, ser durável e ser estiloso. No desafio de criar uma moda funcional que deixasse o usuário elegante mesmo nas condições extremas do espaço, alguns projetos chamaram a atenção, como as roupas da coleção “Espaço Dinâmico” de Rachel Kowalski (Universidade de Pforzeheim), que traziam eletrodos para estimular grupos de músculos importantes em situações de gravidade zero; e os modelos feitos

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por Leyla Yalcin e Sena Isikal, da AMD Düsseldorf, que incluíam um saco de dormir feito com revestimento de tecido prateado para proteger de radiação eletromagnética, um casaco que reflete a luz e conserva a temperatura do corpo. Podemos não ter chegado tão longe nas estrelas, mas há diversas empresas pensando em como melhorar os tecidos técnicos para aplicações atuais. A alemã Interactive Wear mostrou na feira as soluções iThermX e iTherm Flex, com microfilamentos que podem ser usados em jaquetas que aquecem o usuário de forma segura e ainda podem carregar gadgets por uma entrada USB. “As indústrias de confecção de vestuário e têxteis prosseguiram para o futuro em um estágio inicial e, durante as duas feiras, mais uma vez demonstraram que eles se classificam entre os setores mais viáveis e ​​ progressivos”, disse Elgar Straub, Diretor Geral da VDMA Textile Care. Fotos: Divulgação

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FUTURO

RA A INOVADOdição da TechtexD O M E D O ae CONCURS e na últim vol-

u ora de destaq da Inovad Com gran rso de Mo u c n o i ainda C fo o ste ano rocess, e p x e e T s a a ir d til e tos das fe colas de e de even tes de es n a ip ic rt a tou à grad a vez m p cional, co i, mais um a fo rn o fi te a in s e a mais aíses. O d tidos com diversos p cnicos ob té s o id moda de c om te . as feitas c processos criar roup ologia de n c te s pelos vim id e vra escolh o m ra fo s última pala o is que, s premiad ternaciona in s a ir Os projeto fe rincipais nce de vo as duas p ram a cha e v ti , s u ia o sitantes d d eiros aplicativo s três prim usando um , m m durante o ra ta s o g prêmios e delos que ceberam re s re tar nos mo o d ence rela. Os v na passa ller € 3.000. Gross-Mü lor total de a v o n o ir no foi Julia a te s dinhe e d n u mo elo vencedora olklore,’ se F d rl o A grande ‘W textil lado s da Tech Trier. Intitu te le n u a h it c is s v h c s da Ho ortugal, favorito do foi para P o como o io id m lh o rê c p s e o i d fo Degun of Art and 2017. O se e s g s e lle c o ro C p D e Tex a da ESA nara Beni na Almeid io foi Eleo a ri m a rê M p o ra ir a e p do terc vencedora rença. sign. Já a u a cerina em Flo lia a It ia m haft apoio e c d ts a ir c c lW A ti a x d Te rêmio de mídia pecial, o P s e io m O veículo rê com um p tes foram premiação os visitan , o s a c te mônia de es to de ir tschaft. N seu favori lW lo ti e x p e T k o c li o Pub no Faceb O vences a votar m jurado. u r o p s o d convidado leciona eida. los pré-se ariana Alm M i fo oito mode m é b prêmio tam dor deste

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FUTURO

MOBILIDADE

É DESTAQUE NA TECHTEXTIL Evento, que acontece paralelamente à Texprocess, mostra aplicações de tecidos técnicos nos meios de transporte

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m dos principais grupos de visitantes da Techtextil 2017 era a indústria automotiva. Pudera. A associação alemã do segmento têxtil IVGT estima que, durante a produção de um carro utiliza-se cerca de 35 metros quadrados de material com base em fibras. Aliás, a área de transportes como um todo recebeu bastante atenção dos organizadores da feira em um espaço chamado Mobilitech. Refletindo o mundo real, o setor Mobilitech é a segunda maior área da Techtextil voltada para as aplicações. Cintos de segurança, assentos, mangueiras, painéis de instrumentos, filtros, peças feitas de fibras plásticas reforçadas e etc se espalham pela área. Estima-se que metade dos expositores do evento tenha levado alguma solução para o segmento de mobilidade. As cifras do segmento automotivo dentro do universo têxtil também são impressionantes. Segundo o IGVT, os 9 mil fornecedores dessa cadeia de produção movimentam anualmente 218 bilhões de euros e estima-se que chegará a cerca de 32 bilhões de euros por volta de 2024. A título de comparação, a indústria têxtil alemãexcluindo a parte de vestuário – movimentou 10,8 bilhões de euros em 2016. “Nessa edição, recebemos em torno de 650 expositores com produtos e materiais para serem empregados em carros e caminhões, incluindo veículos de emergência”, explica Michael Jänecke, diretor da Techtextil.

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O TÊXTIL TÉCNICO E OS CARROS “A busca por atingir metas como redução de peso, aumento de conforto e sustentabilidade é o que impulsiona o uso de materiais têxteis em carros”, comenta Philipp Prost, Deputy CEO da C.H Müller. A empresa era um dos expositores da feira e entre os materiais que produz estão compostos naturais e sintéticos que são empregados na fabricação de assentos e acabamentos de painéis, por exemplo. No evento, a Müller mostrou a Velamina, um novo material para acabamentos para o interior de automóveis feito de microfibra de poliéster. “Nós queríamos mesclar a textura da microfibra moderna com poliéster ecologicamente sustentável”, comentou Prost. O Deputy CEO da empresa ainda comentou que os trabalhos da Müller em têxteis técnicos para automóveis vão muito além da estética e revestimento. Segundo ele, a empresa também trabalha em botões, eletrodos e sensores feitos de materiais têxteis, o que promete levar a interação das pessoas com os tecidos técnicos a um novo patamar. “Não vai demorar muito e será possível carregar smartphones em áreas de indução nos assentos dos carros”, comenta o executivo. Outra inovação vem da Roköna, empresa situada no sudoeste alemão. A empresa mostrou um assento especial para crianças feito de fibras têxteis que pode alterar suas proporções. A ideia foi criar uma cadeirinha que possa “crescer” com a criança até que ela não precise mais dela. Fotos: Divulgação

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TECIDOS EM FOGUETES Como as demais áreas do evento, a seção Mobilitech também convergia para a mostra espacial da Techtextil. Entre as inúmeras aplicações de materiais têxteis em veículos e soluções de transporte, está um fio de carbono utilizado para criar um tanque de armazenamento para o combustível sólido utilizado no Ariane 6, foguete lançador de satélites que está em desenvolvimento pela ESA (agência espacial Europeia). O foguete deverá fazer seu primeiro voo lá para 2020.

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FUTURO

FIBRAS E TECIDOS NO

CORPO HUMANO Techtextil e Texprocess 2017 trazem conceitos de aplicações têxteis na medicina

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ibras formam as mais básicas estruturas responsáveis pela vida. Com base nesse conceito, a Techtextil 2017 reuniu ideias e conceitos de como os tecidos técnicos podem contribuir para o setor médico. Mais do que isso, a feira convidou os presentes a imaginar – levando em conta o que já temos atualmente – o que as fibras de alta tecnologia poderão fazer em 2020 por outros tipos de tecido mais complexos: os dos nossos corpos. “Primeiro e mais importante, o corpo humano irá aceitá-los e eles terão propriedades adaptáveis em termos de rigidez e absorção. Alguns deles serão novos tipos de produtos, cobrindo implantes e feitos sob medida para cada paciente”, revela o doutor Klaus Jansen, que pesquisa a aplicação de têxteis na medicina. Entre os futuros avanços estão desde curativos que podem ministrar doses de medicamentos diretamente nos ferimentos até estruturas para o uso no coração e pulmões capazes de serem “recobertas” com as próprias células do corpo, minimizando riscos de rejeição. Pulmões artificiais com núcleo têxtil e até mesmo fibras inteligentes, que ajudam a monitorar os sinais vitais dos pacientes e colher dados úteis para os médicos, podem se tornar realidade dentro de poucos anos. Mesmo que, por enquanto, sejam inovações que ainda estão engatinhando dentro dos laboratórios. Para se ter uma ideia, institutos localizados na Univesidade de Dresden já desenvolveram sensores miniaturizados feitos com base em fibras têxteis para monitorar ferimentos de maneira contínua e registrar se algum distúrbio está comprometendo o processo de cura. Algo útil em problemas crônicos.

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FUTURO

A BIÔNICA E OS TECIDOS TÉCNICOS Biônica é um termo que ilustra o ato de reproduzir formas e movimentos orgânicos de forma artificial. Mesmo que lembre o futuro e imediatamente ciborgues e coisas do tipo, a palavra surgiu na década de 1940. O mesmo acontece com a ideia de adaptar fibras têxteis de acordo com a biologia humana. Embora os avanços estejam cada vez mais ousados, o uso de tecidos técnicos para aplicações médicas vem de muito antes da invenção do esparadrapo. Bandagens e linhas para suturas são utilizadas desde os tempos dos faraós, enquanto produção industrial de algodão cirúrgico começou na Alemanha em 1871. No início da década de 1970, o estudante de tecnologia têxtil, Henry Planck completava sua tese de conclusão de curso, na qual reflete sobre a criação de vasos sanguíneos prostéticos em poliéster, utilizando um tear para deixá-los o mais próximo possível do que a natureza havia criado. Sua ideia revolucionária de aplicar conceitos de biônica criou todo um campo conhecido hoje como têxteis médicos. Entre outras aplicações de têxteis técnicos na indústria de healthcare, que derivam diretamente do trabalho de Planck, estão os implantes de pele para queimaduras graves. Fotos: Divulgação

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FUTURO

TECHTEXTIL MOSTRA

SOLUÇÕES EM ARQUITETURA Feira que acontece em conjunto com a Texprocess mostra aplicação de tecidos técnicos em edifícios e até moradias espaciais

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Techtextil também levou muita inovação no campo da arquitetura e construção. Segundo o arquiteto Werner Sobek “é quase impossível imaginar qualquer inovação em termos de engenharia utilizando material leve que não utilize como base materiais têxteis.” Atualmente contratado pela empresa alemã ThyssenKrupp, Sober trabalha em um projeto que consiste aplicar um revestimento externo de fibra de vidro em uma torre para teste de elevadores de 250 metros de altura. O projeto é ambicioso e já é tido como o maior projeto do mundo a utilizar uma membrana de revestimento para essa finalidade. Além do design chamativo, a forma em espiral escolhida para a torre reduz o calor no interior da construção e ainda resiste ao vento e seus efeitos, como a vibração, por exemplo. O material utilizado por Sobek vem da Verseidag, um dos expositores da Techtextil 2017, e presente no

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pavilhão Buildtech, que trouxe apenas produtos e soluções feitas para o segmento de arquitetura. O arquiteto, que começou a utilizar têxteis em seus projetos ainda na década de 1990, comentou que parcerias com empresas como a Verseidag “fazem parte do seu dia-a-dia tanto quanto a lida com fornecedores de aço e concreto”.

CONCRETO E TECIDO Um dos principais pontos de interesse da área Buildtech foi a utilização de tecido para reforçar estruturas de concreto. Um dos primeiros projetos desse estilo surgiu na Universidade de Dresden em 1992 e consistia em utilizar fibras de tecido no lugar de aço. Quase um quarto de século depois, esse material, agora chamado de concreto carbono, esteve na Techtextil pra mostrar outra novidade: a incorporação de sensores.

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“Nós queremos mostrar como concretos reforçados com têxteis vão nos ajudar a monitorar os prédios por dentro para que possamos nos precaver sobre problemas como temperatura e rachaduras, explica o professor Chokri Cherif, diretor do Instituto de Máquinas Têxteis e Tecnologia de Materiais Têxteis de Alto Desempenho da Universidade de Dresden. Fibras de carbono com sensores poderiam medir as mudanças causadas na estrutura de construções, como prédio, estadios, shoppings etc, e seriam de grande ajuda em áreas suscetíveis a terremotos, por exemplo. Obter uma leitura real de um dano sofrido por uma construção ajudaria a salvar vidas no caso de uma emergência e até facilitaria nos esforços de resgate, pois seria possível saber com mais certeza o quanto um prédio ainda pode se sustentar antes de desabar por completo.

ALTERNATIVA AO AÇO A tendência antecipada pela Techtextil de utilizar fibras como substituto do aço em construções já é seguida em alguns lugares do mundo. A ponte Yavuz SultanSelim, construída sobre o estreito de Bósforo, na Turquia, que liga os continentes asiático e europeu, foi completada no ano passado e graças aos materiais têxteis. De acordo com Roland Karle, diretor da Solidian empresa alemã que forneceu os painéis de concreto reforçado com têxteis, “aço era pesado demais” para construir os pilares de 320 metros de altura de onde partem os cabos que suportam a ponte estaiada. “Nos recebemos os parâmetros e recalculamos utilizando concreto reforçado com têxtil”, completa Karle, provando que outra tendência da Techtextil não foi apenas mostrar o futuro, mas dar exemplos práticos de que ele já está entre nós. Revista Têxtil #749 I 23

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FUTURO

PLAYERS DO SETOR EXPÕEM

PORTFÓLIO NA TECHTEXTIL Mesmo sem uma grande quantidade de lançamentos, as empresas de maquinário têxtil marcaram presença em feira na Alemanha

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o circular pelos corredores da Techtextil a Revista Têxtil conversou com os players mais importantes do setor e foi em busca de novidades. Em quase todos os estandes, a resposta era unânime: “Estamos guardando nossos lançamentos para a ITMA Barcelona 2019”. Contudo, uma vez que a visão futurista da Techtextil sempre traz muitos visitantes – neste ano foram mais de 33.600 de 104 países sem contar a Texprocess – a feira é uma oportunidade excelente para ver, ser visto e, claro, fechar negócios. Confira a seguir as fabricantes que mais se destacaram na visita da RT aos estandes da feira.

INVESTIMENTO Algumas empresas ainda aproveitaram a feira para se posicionar no mercado de tecidos técnicos. Embora não tenham levado nenhuma solução nova, utilizaram a atenção do setor ao evento para mostrar que pretendem investir mais no segmento. É o caso da companhia de fibras belga Beaulieu, que irá utilizar um aporte de 15 milhões de euros em novembro deste ano para extender sua produção de fibras e atender melhor futuras necessidades dos clientes. Donald De Deygere, gerente de vendas e marketing da Fibers Industrial, Beaulieu Fibers International, comentou: "Sendo o líder europeu das fibras descontínuas de poliolefina, também é nosso compromisso de manter a frente como inovador tecnológico. Nossa estratégia de inovação é a pedra angular de nossas atividades e vários prêmios provaram esse sucesso.

Estamos orgulhosos de anunciar novos investimentos industriais na Bélgica e na Itália, que vem acontecendo desde 2016 e até o fim de 2018 devem somar mais de 80 milhões de euros".

BASF Na parte de fios e fibras, a BASF se destacou com soluções feitas com base no poliuretano termoplástico Elastollan. Na feira, o Elastollan apareceu sendo usado como filme laminado para têxteis impressos. Para esta aplicação, em particular, o material oferece uma ampla gama de vantagens, além de apresentar uma adesão ao material muito boa e resistência à abrasão, ele também tem excelente capacidade de impressão, mesmo para contornos complexos.

DORNIER Focada em sustentabilidade, a Dornier aproveitou a feira para mostrar suas máquinas “verdes” produzidas sob o conceito de sustentabilidade. A máquina de tecelagem de pinças P2 é a última geração da máquina com transferência central positiva e representa um novo conceito de máquina. O P2, tipo TGS, com uma força de impacto de junco de 5 toneladas que foi apresentado no ITMA 2015 em Milão e o P2, tipo TGV, com uma força de impacto de reedição de 3,7 toneladas que foi apresentada pela primeira vez na ITMA Asia 2016, em Xangai.

HYOSUNG A Hyosung lançou novos fios refinados de alta tenacidade, Mipan Robic. “Os consumidores querem

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FUTURO roupas, mochilas, colchas e sacos de dormir para serem leves, mas de longa duração, de modo que expandimos a coleção de fios de alta tenacidade Mipan Robic para incluir padrões mais finos. Uma maior tenacidade aumenta a vida útil e o desempenho protetor para vestuário”, explica Roman Park, gerente de produto de Mipan Robic, da Hyosung.

LENZING Por meio de sua marca Tencel a Lenzing mostrou como fibras têxteis pode ajudar a humanidade nas áreas de agricultura como substitutas do plástico. “No momento, apenas alguns produtos, como cordas de suporte, cordas e nãotecidos, estão em uso. No entanto, as fibras Tencel têm um grande potencial na agricultura”, comenta Marina Crnoja-Cosic, chefe de Têxteis Técnicos. “Qualquer redução no uso de plásticos ajuda a proteger nosso meio-ambiente. Na agricultura em particular, materiais sustentáveis devem ser utilizados. Isso é bom para nós humanos, continua Crnoja-Cosic.

NILIT A Nilit mostrou as aplicações para suas fibras de nylon 6.6 na Techtextil 2017. As fibras e os fios de nylon de qualidade 6.6 foram desenvolvidos para combinar tenacidade, resistência à abrasão e uma variedade de outros benefícios para as aplicações mais exigentes. Além de usos extremos como a fabricação de paraquedas, por exemplo, o produto da Nilit pode ser usado em vestuário. De acordo com a empresa, suas técnicas especiais de fabricação ajudam a criar fibras com características como regular a temperatura do corpo e resistir à radiação UV.

PICANOL Para esta Techtextil, o objetivo da Picanol foi mostrar que o impossível não é mais uma barreira. A empresa belga chegou à Alemanha com o objetivo de mostrar tecnologia em Estado da Arte e com o objetivo de crescer no setor de máquinas para tecelagem de têxteis técnicos. Para isso, a empresa investe em máquinas com design modular em suas plataformas para oferecer o melhor em dois segmentos: o do têxtil padrão e o de tecidos técnicos. Para a Techtextil 2017, a Picanol levou as soluções: TerryMax-i, OMNIplus Sum-

mum, TERRYplus Summum, OptiMax-i, OMNIplus 800 TC para tecelagem de tyre Cord.

SSM Segundo a SSM, os visitantes de seu estande ficaram impressionados com a DURO-TW-TD. A plataforma DURO, atende todo o tipo de fios técnicos até 50000 dtex, oferece um novo nível de flexibilidade e qualidade de enrolamento em uma máquina. O que garante o cumprimento de todos os requisitos do cliente. Outro destaque foi a aplicação para espalhamento, divisão e enrolamento de carbono, bem como a possibilidade de otimizar a produção de tingimento de fios com o algoritmo de enrolamento SSM DIGICONE 2, que economiza tempo, recursos e dinheiro.

STÄUBLI A Stäubli mostrou na Alemanha duas máquinas que se encaixam muito bem no processo de produção de têxteis técnicos. A máquina de urdir Magma T12 foi desenvolvida para a aplicação universal, que varia dos fios técnicos grossos à escala média da contagem do fio. O seu design rígido inclui um sistema óptico de detecção de dupla extremidade. A Unival 100 é uma máquina jacquard de controle único, que oferece mais benefícios para têxteis técnicos sofisticados, como têxteis automotivos e aeronáuticos, têxteis técnicos nos setores esportivos, etc.

TRÜTZSCHLER A Trützschler é uma das empresas que saiu bastante satisfeita do evento, principalmente com a diversidade de público que recebeu em seu espaço. Entre as inovações apresentadas na feira estava o novo padrão de segurança para máquinas que processam nãotecidos pelo processo de hidroentrelaçamento (spunlace). O VN 3260/TN 0790, criado em parceria com a Voith. O padrão irá ajudar fabricantes de nãotecidos a assegurar uma operação segura e confiável RT em suas máquinas.

Para outras informações sobre a Techtextil confira nosso preview na edição anterior, nas páginas 4 à15.

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DIGITAL

SPGPRINTS:

ESTAMPARIA TÊXTIL TRADICIONAL E DIGITAL Empresa revolucionou o mercado com lançamentos de máquinas e consumíveis desde o século passado e consolidou a liderança do setor nos últimos anos por

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história da estamparia têxtil é milenar e começou na Ásia há vários séculos, com a estamparia em bloco. As técnicas de impressão foram se desenvolvendo, passando pela impressão com rolo de cobre e o processo de serigrafia plana. No final do século 20, surgiu a estamparia rotativa e depois, a digital. E foi exatamente no século passado, que a SPGPrints entrou no mercado de impressão têxtil e revolucionou o segmento com máquinas e consumíveis, consolidando seu pioneirismo e, consequentemente, se tornando líder do setor por anos seguidos.

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DEDÉ AMARAL E REDAÇÃO RT

“A estamparia têxtil está nas veias da SPGPrints”, disse Jorgen Lindahl, Gerente Sênior de Vendas Digital Têxtil da SPGPrints Holanda, em entrevista exclusiva à Revista Têxtil. Licenciado em Negócios Internacionais e Línguas, Lindahl está na SPGPrints desde 2011, e hoje é responsável na gestão geral de vendas e suporte comercial para a América Latina. Na entrevista, Lindahl contou a história da empresa, inaugurada em 1947 com o nome de STORK tendo como principal produto máquinas de serigrafia plana. De lá para cá, a empresa mudou o nome para

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DIGITAL SPGPrints, fez lançamentos de novos produtos para impressão tradicional e em 2015, lançou a Tecnologia Archer, plataforma dos principais lançamentos da empresa: as impressoras digitais PIKE® (single pass) e Javelin® (scanning). Lindahl falou ainda sobre o momento da impressão têxtil digital no mundo, qual a perspectiva do crescimento desse segmento no Brasil e na América Latina e deu um panorama sobre o setor com destaque para o movimento conhecido como fast fashion e as vendas de roupas pela Internet. Veja a seguir os principais trechos da entrevista: REVISTA TÊXTIL: CONTE UM POUCO SOBRE A HISTÓRIA DE DESENVOLVIMENTO DA SPGPRINTS NA ÁREA TÊXTIL. Jorgen Lindahl: Depois da fundação da empresa como STORK em 1947, entramos na indústria têxtil com máquinas de serigrafia plana. Durante a ITMA Hannover em 1963, a STORK revolucionou o mundo da estamparia têxtil com a apresentação da primeira máquina de estamparia rotativa e o primeiro cilindro. Durante várias décadas, a STORK teve a patente em cilindros. Até início dos anos 80, o mesh mais alto era 80 mesh. Alguns anos depois, a STORK introduziu os cilindros Penta até 125 mesh e no início dos anos 90, lançamos os cilindros Nova® até 195 mesh. Na mesma época, a STORK lançou as primeiras máquinas e tintas digitais. Depois de vários desenvolvimentos e com a vinda de cabeças de impressão digital cada vez mais industriais, em 2015, durante a ITMA Milão, a SPGPrints lançou a sua primeira impressora single pass, a PIKE®. Baseada na mesma Tecnologia Archer, empresa também lançou a Javelin® (scanning). Simultaneamente durante a ITMA Milão, lançamos a última novidade em cilindros de impressão, o Nova® 245. A estamparia têxtil está nas veias da SPGPrints. RT: NA EUROPA A IMPRESSÃO DIGITAL TÊXTIL ESTÁ MAIS CONSOLIDADA. COMO ESTÁ O MERCADO NOS PRINCIPAIS PAÍSES EUROPEUS? JL: A indústria têxtil na Europa sofreu bastante nas últimas décadas com o mercado livre, mão de obra e confecção baratas vindas da Ásia. Muitas empresas europeias tiveram que fechar as portas devido à guerra de preços. Assim que foi lançada, a estamparia digital não estava

Jorgen Lindahl, Gerente Sênior de Vendas Digital Têxtil da SPGPrints Holanda

pronta para combater a estamparia tradicional devido às grandes diferenças de custos e velocidades de produção. A estamparia digital foi inicialmente usada para estampar artigos de alta moda e para amostras devido ao alto custo de produção. A industrialização da estamparia digital têxtil (velocidades de impressão mais altas e uma drástica diminuição dos custos de produção), e a mudança do mercado (tempo de entrega cada vez mais curto, qualidade de estampa mais alta, metragens personalizadas e menores, e maior importância de sustentabilidade) ajudaram a acelerar a competitividade da estamparia digital contra o estampado tradicional. As expectativas na Europa são que a estamparia digital ganhe cada vez mais terreno e que brevemente, a impressão tradicional será ultrapassada pela digital. Um dos países na Europa que conseguiu manter uma forte posição na indústria têxtil foi Portugal. Conhecidos pela alta qualidade e conhecimento do pro-

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DIGITAL cesso de acabamento têxtil Portugal, nos últimos anos, investiu muito em tecnologia digital, principalmente com apoio financeiro da União Europeia. Varias máquinas, tanto scanning como single pass foram instaladas. A Estamparia Adalberto foi a primeira empresa em Portugal a comprar a PIKE®. A impressora permitiu que a fábrica fosse considerada a “melhor do mundo” em qualidade, com capacidade de produção digital a 1200dpi de dezenas de milhares de metros por dia. RT: O FAST FASHION É UM DOS GRANDES PROPULSORES DA IMPRESSÃO DIGITAL NO MERCADO EUROPEU. QUAL É O IMPACTO NO MERCADO? JL: “Estampar o que vendeu em vez de tentar vender o que foi estampado” essa é a chave do fast fashion. Quem mais provou o êxito do fast fashion e seus benefícios foi o grupo espanhol Inditex, que em menos de 50 anos se tornou a maior rede de varejistas do mundo em termos de faturamento e benefícios. As marcas que fazem parte do Grupo Inditex são, por exemplo, Zara, Bershka, Massimo Dutti, Stradivarius e Oysho. O Inditex tem mais de sete mil lojas com mais de 150 mil funcionários, a maioria na Europa, mas expandindo rapidamente por todo o mundo. A Inditex sempre lança a moda mais atual, com a mais alta qualidade, a preços acessíveis e com coleções Novas a cada duas semanas. Para estar perto do mercado e dos seus clientes a produção vertical das peças da Inditex não pode ser feita na Ásia. Então, o impacto deste movimento da Inditex para o mercado é inimaginável. A fórmula exitosa das marcas Inditex ajudou não só o consumidor a ver a moda de um ponto de vista totalmente novo, único e, sobretudo digital, mas também contribuiu para o crescimento do setor têxtil, sobretudo na Europa, mas também na Turquia e norte de África. As maiores estamparias digitais na Europa imprimem desenhos para Inditex e outras marcas fast fashion. RT: AS VENDAS DE ROUPAS PELA INTERNET TAMBÉM TEM IMPACTO NO DESENVOLVIMENTO DO MERCADO DE IMPRESSÃO DIGITAL. COMO É ESSE MERCADO NA EUROPA? JÁ EXISTE UM IMPACTO NO BRASIL DA VENDA ONLINE? JL: Recentemente, eu li um artigo em um jornal holandês que explicava que mais de 25% de todo o vestuário vendido na Holanda é online. Neste aspecto, a Holanda já está

muito avançada. A população e superfície pequena (17 milhões de habitantes) facilitam o transporte e entregas baratas e dentro de 24 a 48 horas com devolução gratuita. A população de São Paulo/SP tem uma população maior que Holanda e o Brasil tem uma enorme superfície o que dificulta ter uma logística tão perfeita e barata. Porém, também as vendas online vão crescer seguramente já que as grandes marcas já têm a experiência da plataforma europeia. RT: COMO ESTÁ HOJE O MERCADO DE IMPRESSÃO DIGITAL NO MUNDO? JL: Em todo o mundo a estamparia digital está crescendo de uma forma impressionante. Na Europa, a estamparia digital está mais estabelecida. Logicamente cada região tem grandes diferenças na fase de maturidade, mas o desenvolvimento é igual. Para além da venda de tintas, que a cada ano supera as expectativas, a SPGPrints está vendendo a Tecnologia Archer, tanto máquinas single pass com máquinas scanning, mesmo em países mais conhecidos pela estamparia rotativa, como, por exemplo, a China, o Paquistão e a Índia. Também países mais estabelecidos na estamparia digital continuam comprando máquinas digitais. Para cada cliente há uma solução em tipo de tintas, reativo, disperso, ácido, investimento e produtividade. A Javelin® tem a capacidade de produção até dois milhões de metros lineares por ano. A PIKE® tem uma capacidade de produção de mais de 10 milhões de metros lineares por ano. A grande vantagem da PIKE® é a possibilidade de fazer entregas digitais muito rápidas e maior qualidade comparada com a concorrência, e a um custo de produção muito mais baixo. É cada vez mais lucrativo vender metragens menores a margens mais altas para o mercado interno, do que exportar baixa qualidade, grandes volumes a margens mínimas. A SPGPrints está apostando forte no desenvolvimento global da estamparia digital. Desde o ano passado estamos produzindo a Javelin® em série na nossa fábrica na Áustria e fizemos enormes investimentos este ano na Holanda para dobrar a nossa capacidade de produção de tintas digitais, para suportar o crescimento dos nossos clientes. Em julho, vamos abrir as portas do nosso novo showroom da Javelin® e PIKE® na Holanda que vai servir como centro de competência digital. RT: E NO BRASIL E AMÉRICA LATINA QUAL A EXPECTATIVA PARA O FUTURO E AS METAS DA SPGPRINTS PARA O MERCADO DE IMPRESSÃO TÊXTIL DIGITAL?

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DIGITAL JL: Estamos vendo cada vez mais varejistas e marcas de moda importantes no Brasil seguindo a fórmula de sucesso da Inditex. Além disso, aprendi que muitos brasileiros adoram usar moda estampada, cores intensas, vivas e personalizadas. Até muito mais que na Europa. Como muitas indústrias, o setor têxtil no Brasil sofreu muito. As estamparias rotativas estão com cada vez menos metros para estampar, mas com muito mais trabalho devido às metragens cada vez menores e exigências de qualidade mais altos dos seus clientes. Por essa razão os investimentos nas estamparias estão principalmente focados no digital. As expectativas para Brasil e América Latina para a estamparia digital nos próximos 12 meses será um crescimento muito forte em tintas, instalação de Javelin® e, espero, em breve, a primeira PIKE®. A SPGPrints Brasil esta também investindo muito para conseguir suportar este crescimento. RT: AINDA NO BRASIL E AL SOMENTE 3% DOS METROS ESTAMPADOS SÃO DIGITAIS E POR ISSO, O MERCADO DE IMPRESSÃO ROTATIVA É IMPORTANTE AINDA PARA A EMPRESA. QUAIS SÃO AS NOVIDADES NESSE SEGMENTO?

JL: Não devemos esquecer que hoje existem mais de 200 máquinas rotativas instaladas no Brasil. Porém, a maioria delas está estampando com tintas pigmentadas, que ainda hoje é o processo de impressão mais barato que existe, especialmente se o desenho não tem grande variação de cores ou se as metragens estampadas ultrapassam os 500m-1000m lin. O crescimento da impressão digital obriga as estamparias rotativas aumentar a qualidade da estampa para igualar ou chegar mais próximo do digital. Por essa razão, o lançamento dos cilindros Nova® (195 e 245 mesh) tem tanto êxito. A SPGPrints Brasil tem três unidades de negócio na região Nordeste, São Paulo e Sul para poder atender os clientes locais não só com o serviço de gravação de cilindros, mas com serviço de gravação Ultra HD, uma tecnologia pioneira que consegue dar qualidade a impressão tradicional e traze-la muito próxima da impressão digital. Temos presença local na gravação de cilindros e uma equipe comercial e de aplicação excelente para apoiar os clientes no passo a passo para a conversão da RT impressão tradicional para a digital.

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FEIRAS & EVENTOS

TECNOTÊXTIL BRASIL

E EVENTOS PARALELOS REÚNEM PLAYERS DO SETOR EM CLIMA DE OTIMISMO Tecnotêxtil, FINTT, FebraTêxtil, Boné Show se reunem no Parque Anhembi e apresentam muitas novidades para o setor têxtil

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público comprador e presença qualificada foram os pontos chaves da realização da quinta edição da Tecnotêxtil Brasil – Feira de Tecnologias para a Indústria Têxtil, que aconteceu entre os dias 25 e 28 de abril no Parque Anhembi, em São Paulo (SP). O evento trouxe fabricantes de máquinas de corte, costura, bordadeiras, teares, além de fornecedores de matéria-prima, estamparia e soluções de automação industrial. Simultaneamente, a FebraTêxtil – Feira Brasil Têxtil, a FINNT – Feira Internacional de Nãotecidos e Tecidos Técnicos e a BonéShow 2017 reuniram diversos players da cadeia têxtil para discutir novidades para o setor, fechar negócios

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e indicar a retomada da confiança no mercado. A mostra registrou 12.984 cadastros e recebeu um forte público comprador, que conferiu os lançamentos das mais de 200 marcas expositoras e ainda teve acesso ao 2º Denim Meeting que foi realizado no primeiro dia no auditorio Elis Regina, XXVII Congresso Nacional de Tecnologia Têxtil da ABTT, a palestras e aos fóruns técnicos que receberam, diariamente, profissionais de excelência do setor. “Estamos consolidando nosso objetivo de unir forças para o que o país volte a ter um grande evento voltado para o setor têxtil, focado nos confeccionistas e profissionais de moda dos diversos segmentos”, declarou o diretor-presi-

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FEIRAS & EVENTOS dente do FCEM|Febratex Group, Hélvio Roberto Pompeo Madeira. A partir de agora a Tecnotêxtil Brasil será regida por um novo calendário, ganhando uma periodicidade de realização a cada quatro anos. “Vamos ajustar a Tecnotêxtil ao calendário internacional do setor, permitindo um volume mais robusto de lançamentos de novas tecnologias e novos produtos, inserindo o evento no centro de realização dos principais lançamentos mundiais”, declara Madeira.

NÃOTECIDOS E TECIDOS TÉCNICOS A FINTT – Feira Internacional de Nãotecidos e Tecidos Técnicos, realizada em parceria com a ABINT – Associação Brasileira das Indústrias de Nãotecidos e Tecidos Técnicos, consolidou o objetivo de promover a interação entre os fabricantes nacionais e internacionais, especialistas, técnicos, acadêmicos, empresários e clientes. Segundo o presidente da ABINT, Carlos Eduardo Benatto, o evento foi realizado em um momento importante para esta indústria. “Mesmo diante de uma situação econômica particular no país, a promoção das qualidades dos nãotecidos e tecidos técnicos em diversas aplicações e a troca de informações tecnológica entre os principais pla-

yers, nacionais e internacionais, do setor, é uma grande oportunidade para promover o crescimento competitivo”. A FINTT contou também com a presença de especialistas nacionais e internacionais que promoveram palestras sobre fabricação, aplicações e normas técnicas. Além de rodadas de negócios, em parceria com a APEX Brasil e a Abit, como parte do convênio do setor têxtil para a promoção das exportações. O objetivo é que a feira seja referência nos segmentos de nãotecidos e tecidos técnicos na América Latina. Para se ter uma ideia do potencial do setor no País, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), a produção brasileira de nãotecidos foi de quase 310 mil toneladas em 2015. Aqui, o consumo desse tipo de material fica na casa dos 1,49 kg por habitante. Mas ainda é bem menos do que os Estados Unidos, por exemplo, cujo consumo é de 4 kg por habitante, o que mostra o quanto ainda podemos crescer e o potencial de exportação do segmento.

GEOSSINTÉTICOS SE DESTACAM Já entre os nãotecidos, um dos pontos de interesse da FINTT foi o setor de geossintéticos, que,

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FEIRAS & EVENTOS

Estande Avanço

Estande Lectra

Estande Creora

Estande Audaces

Fotos da premiação

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FEIRAS & EVENTOS bem como toda sua cadeia produtiva, está otimista quanto a suas projeções futuras com foco na inovação e desenvolvimento de novas aplicações. A FINTT ajudou a difundir o setor e as múltiplas aplicações para seus produtos, tais como: obras civis (muros de contenção, aterros, drenos, etc), obras hidráulicas (barragens, canais de transporte de líquidos, etc), lazer, instalações industriais e até mesmo na agricultura, entre outras.

FEBRATÊXTIL A FebraTêxtil, cuja primeira edição aconteceu simultaneamente à Tecnotêxtil Brasil e outras feiras do setor no Parque Anhembi, no final de abril, e se apoiou em números para realização de sua primeira edição. De acordo com dados revelados pela IEMI - Inteligência de Mercado, a receita da indústria têxtil alcançou um valor estimado de R$ 2,6 bilhões em fevereiro, com alta de 9,9% frente ao mês anterior. Durante o evento também foram feitos varios lançamentos, destaque à Rhodia, empresa do Grupo Solvay, que lançou Rhodianyl Bio, um fio têxtil inteligente e funcional de poliamida com o poder da biodegradação, voltado para a confecção de uniformes escolares. “O respeito ao meio ambiente e a questão da sustentabilidade são temas que estão avançando no cotidiano das escolas e nada melhor do que oferecer ao estudante a possibilidade de que seu primeiro contato com esses assuntos seja feito através do uso de um uniforme feito a partir de um fio têxtil biodegradável como o Rhodianyl Bio”, afirma Renato Boaventura, CEO da unidade global de negócios Fibras, do Grupo Solvay.

simples brinde, para uma categoria superior, ganhando o status de artigo de moda. A Boneleska destacou na feira seus lançamentos das coleções verão 2017/18 e Rock in Rio 2017. Já a Master CRM se diferenciou ao apresentar sua linha bonés e camisetas de licenciamentos infantis.

PRÊMIO RICARDO HAYDU Dentro da programação da feira, destaque para uma homenagem especial feita ao diretor-presidente da Revista Textil, pela relevancia de seu trabalho – e de sua família – para o setor têxil no Brasil. “Ricardo e sua esposa, Vivi Haydu, são grandes incentivadores e apoiadores das feiras de negócios, parceiros de longa data do FCEM/Febratex Group”, declara o diretor-presidente da empresa, Helvio Roberto Pompeo Madeira. Durante a cerimonia também foi conferida a distinção para 15 empresas expositoras que já participaram RT de três ou mais edições do evento.

BONÉSHOW A BonéShow 2017, feira direcionada aos segmentos de bonés, camisetas, uniformes, chapéus e brindes promocionais, se destacou pela importancia ao segmento e à cadeia produtiva têxtil. “Acreditamos que a BonéShow passou uma ótima imagem comercial do setor e consolidou ainda mais o mercado nacional”, declara Valdenilson Vado Domingos da Costa, presidente da ANIBB – Associação Nacional das Indústrias de Bonés, Brindes e Similares. As empresas de bonés, brindes e similares têm ganhado destaque dentro do segmento de confecção. Nos últimos 10 anos, por exemplo, o boné passou de um

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Evento da Vicunha

EMPRESAS AGITAM SEGMENTO

DE DENIM COM EVENTOS Parceria da Nilit com Vicunha e Laundry Day da Capricórnio foram alguns dos destaques neste setor

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primeira metade do ano foi movimentada também para o setor de Denim. Vicunha, Santista, Canatiba e Capricórnio foram algumas das empresas que convocaram a imprensa no período para falar sobre os lançamentos do Inverno 2018 e rumos segmento. Já Cedro e Hudtelfa, preferiram antecipar as novidades na FebraTêxtil. “Optamos por antecipar em alguns dias o lançamento e contribuir ainda mais para a retomada do nosso setor”, ressalta Oto Arantes, gerente comercial de Jeanswear da Cedro Textil. A Hudtelfa mostrou uma coleção com tecidos que atendem a todos os segmentos da moda. Dentro da linha produtos Trend’s, lançamentos da Tricoline Xadrez, que volta com força total, bem batida, fio 40/1 compactadow e acabamento especial de calandra que proporciona toque macio e brilho discreto; Melange, fios mesclas obtidos da mistura íntima de fibras com composições diferentes, que permanecem incolores no tingimento, proporcionando um visual mesclado, clássico invernal, disponível nas versões xadrez, double face e

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estampada; e Fios Fantasia, que proporcionam efeitos 3D, táteis e visuais, em alta na estação, destacando o fio de chenille e botonê, que continua uma referência forte na camisaria. As Flanelas, um misto de conforto e aconchego em um tecido mais quente com toque macio, chegam totalmente conectadas com as tendências, em padrões de xadrezes médios e grandes. Destaque também para o aspecto de malha no tecido plano, chamado de Jersey, e o Hud Índigo, composta por denins com novas interpretações a cada estação, opções em construção maquinetada e novos estampados em índigo (miniprints). Nas versões camisaria e bottom, ideais para a confecção de camisas, vestidos, batas e até mesmo calças e bermudas.

TECIDOS FUNCIONAIS Pensando em levar conforto e praticidade à moda, a Vicunha Têxtil, líder mundial na produção de índigos e brins, em parceria com à Nilit Fibers, empresa especializada na produção de fios Nylon 6.6, para a criação

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A YouTuber Jout Jout falou no evento da Santista

O assunto de empoderamento feminino foi tema de debate na Santista

de tecidos inteligentes. A tecnologia presente nas fibras garante que as propriedades especiais permaneçam efetivas durante a vida da peça, não ocorrendo diminuição do efeito mesmo após sucessivas lavagens. O anúncio foi feito em evento da Vicunha. Os artigos que levam os fios da Nilit Fibers em sua construção resultam em produtos de elevado desempenho. Com três opções de fibras funcionais, as tecnologias são capazes de levar características como redução da temperatura, efeito bacteriostático e gerenciamento de umidade ao visual jeanswear. O efeito bacteriostático ainda confere um toque sustentável às roupas, já que a distância entre as lavagens pode ser maior, evitando o uso excessivo de água: “Com a Nilit conseguimos trazer mais tecnologias diferenciadas para o segmento, com funcionalidades que facilitam a adaptação das peças a um cotidiano cada vez mais dinâmico. Vemos um caminho de amplas oportunidades nesse sentido”, conta a gerente de Marketing da Vicunha Têxtil, Renata Guarniero.

Os destaques ficaram por conta das linhas Bi-Stretch, com stretch multidirecional, ganha novos artigos em malha em azul intenso, trazendo leveza e fluidez. Tendo em mente o espírito aconchegante do inverno, a Vicunha apresenta também a nova linha Soft Denim, com artigos que trazem o toque aveludado e sofisticado ao jeanswear.

DENIM ESPORTIVO A nova coleção Inverno 2018 da Santista é pautada por valores considerados inquestionáveis para a fabricante: sustentabilidade, bem-estar e inovação. Nesta temporada, a linha de denims de alta performance amplia sua gama de produtos. Um dos destaques foram os produtos Bigspin e Slack da família Free, que incorporam tecnologia de roupas esportivas, com a tecnologia Coolmax, que traz propriedades de resfriamento e conforto térmico, e foi criada pensando no aumento da prática de esportes urbanos ao redor do mundo. Outra novidade no denim da Santista que vale a pena destacar foi o Repeller que integra a linha Denim Therapy

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MODA e tem tecnologia repelente de insetos transmissores de diversas doenças, como o Aedes Aegypti, transmissor/ responsável pela dengue, zika vírus e chikungunya, sendo mais um aliado na prevenção dessas doenças. E vem com nova cor. “Estamos muito focados em levar aos nossos clientes lançamentos e ações que acreditamos que irão nortear os negócios e o segmento jeanswear em curto e longo prazo. Esses pilares são as tramas e os urdumes do denim da Santista Jeanswear, que tecem com nossos parceiros uma história de sucesso”, destacou Sueli Pereira, gerente de comunicação e moda da marca. A Santista ainda promoveu um bate-papo voltado a convidados, que contou com a presença de mulheres fortes e influentes no cenário nacional: a youtuber Jout Jout; a head of Stylus Brasil Andrea Bisker; a conselheira da Abit e diretora administrativa da Ufo Way Grasiela Moretto; e Nádia Bachhi, da ONG Florescer/Recicla Jeans. Juntas, elas participaram de uma mesa redonda em que discutiram temas voltados à atualidade e ao empoderamento feminino. A ação marcou a comemoração oficial do Denim Day no Brasil este ano. No mundo, a campanha foi originada após decisão da Suprema Corte Italiana,

que derrubou uma acusação de estupro ao concluir que a vítima vestia calça jeans e, por isso, precisaria ter consentido com o ato. Desde então, usar jeans no Denim Day se tornou um símbolo de protesto contra atitudes equivocadas e destrutivas relacionadas à agressão sexual.

LAVAGEM PARA SE DESTACAR Para sua coleção de Inverno 2018, a Capricórno Têxtil focou em um dos pontos mais procurados pelos clientes na hora de comprar um jeans: a lavagem. Por isso, em seu evento de apresentação, investiu em um Laundry Day, que contou com com a expertise do Consultor de Lavanderia André Duarte, Membro do Denim Summit (Berlim, Alemanha) e do Denim Boulevard (Milão, Itália). Duarte ministrou um workshop sobre as técnicas utilizadas no desenvolvimento de cada uma das peças da nova Coleção, focadas em processos Vintage e de customização. A ideia é salientar as diferenças e características desses dois conceitos mostrando a versatilidade e possibilidades do denim Capricórnio.

Capricórnio

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MODA A grande novidade foi o lançamento do Alfena, novo stretch em algodão, poliéster e elastano, em sarja 3x1 e peso de 8oz. Ao todo, a Capricórnio conta com um portfólio de 57 artigos. com destaque para os tecidos Borba e Zamora, em 100% algodão, e o Prince, em algodão e poliéster. Entre os azuis profundos, a marca evidencia os tecidos Merida, Setubal, Crio e Toulon.

As cores e estampas seguem em uma cartela de tons em azul, verde, rosa e alaranjado. Serão seis lançamentos entre listrados, camuflados e PT com sugestões de tingimento. As peças seguem a tendência de uma moda que persegue uma igualdade de gêneros no vestir com shapes mais fluidos, que evidenciam o apelo pelo conforto e reforçam a importância do lado sensorial dos tecidos.

DENIM E VISCOSE

REIVENTANDO PADRÕES

As estrelas da coleção inverno 2018 da Canatiba são a tecnologia Bielástico – denim com elasticidade na trama e no urdume -, que ganhou novas padronagens, enquanto a fibra de viscose chega à linha de produtos MaxSkin. O Bielástico é um denim com 360º graus de conforto. O tecido apresenta alta performance de elasticidade, ajuste perfeito ao corpo e a maior liberdade de movimento da categoria. Para o inverno 18, a Canatiba apresenta sete lançamentos com essa tecnologia, de 8 a 10,5 oz, em PT, Navy e black. A tecnologia MaxSkin, por sua vez, ganha agora a fibra de viscose com seu toque acetinado e caimento impecável.

Com a proposta de reinventar os padrões, estilos, relações entre criadores e criações e a indústria como empresa de moda, a Cedro Textil apresentou sua nova coleção. “Reinvenção, é o que valoriza a união da produção industrial com a criatividade. Por isso optamos por antecipar em alguns dias o lançamento e contribuir ainda mais para a retomada do nosso setor”, ressalta Oto Arantes, gerente comercial de Jeanswear da Cedro Textil. Os 15 novos produtos da coleção incrementam o conceito just premium, ampliam a família de produtos Duo com tecnologia Lycra Xtra Life e trazem, novamente, um produto inovador com apelo sustentável, o RT Splash Denim.

Cedro

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NORDESTE BRASILEIRO VIRA

CENTRO DA MODA AUTORAL Dragão Fashion Brasil celebra a cultura local do Ceará com público de mais de 45 mil pessoas

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ntigamente, São Paulo era uma das únicas paradas obrigatórias do Brasil no seleto calendário de evento de moda, este que inclui cidades como Paris, Milão, Nova York e Tóquio. Isso mesmo. Era. Entre os dias 24 e 27 de maio, o Terminal Marítimo de Passageiros de Fortaleza (CE) recebeu a edição 2017 do Dragão Fashion Brasil. Com o conceito “Viva esta festa” o evento foi rebatizado de DFB Festival e comemorou 18 anos. Tido hoje como o maior encontro de moda autoral da América Latina e uma vitrine de talentos que exportam seus trabalhos para as passarelas do país e do mundo, o DFB sempre se diferenciou ao receber, além de nomes consagrados do mundo da moda, estudantes das faculdades de moda de todo país, sendo assim um celeiro para novos talentos. Em 1999, Claudio Silveira criou o evento, e o batizou de Dragão Fashion Brasil, por conta do local onde era realizado, o Centro de Arte e Cultura Dragão do

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Mar. Mais tarde, no ano de 2015, o DFB mudou de endereço. Passou a se hospedar no Terminal Marítimo de Passageiros, um dos locais mais nobres e requintados da cidade. No novo local, o evento cresceu não apenas em tamanho como em importância. Quase duas décadas depois, o DFB Festival ainda tem a moda como ponto central, mas celebra o Nordeste como uma usina criativa, reunindo música, gastronomia e outras manifestações artísticas. Por falar nos talentos locais, a edição de 18 anos do DFB Festival teve um brilho extra ao contar apenas com modelos e equipe de produção regional. “A indústria da moda brasileira deve muito à tradição têxtil nordestina. Mesmo com tantas adversidades, a criatividade mantém-se como base das nossas confecções, que investem cada vez mais em ações inovadoras e consistentes, como o próprio DFB”, explica Cláudio Silveira, idealizador e diretor do evento.

Fotos: Davi Magalhães Fotos de passarela: Roberta Braga, Cláudio Pedroso e Pedro Brago

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MODA VITRINE DE TALENTOS Com concepções atemporais e cortes modernos, mas ricos em elementos locais, como o artesanato, presente em diversas roupas por meio da renda, os profissionais mostraram mais uma vez a riqueza e a criatividade da moda autoral. Almerinda Maria utilizou renda renascença, renda labirinto, renda richelieu, renda francesa, seda pura, linho e cambraia de linho, que reforçam a identidade feminina, leve e sensual da marca. A renda também esteve presente no desfile da Rendá junto a diferentes materiais, como o couro vazado a laser. A marca de Camila Arraes fez sua estreia nesta edição e teve como parceiro Kallil Nepomuceno. Por falar em valorização da mulher, o feminismo foi o mote do desfile da Babado Coletivo com uma coleção cheia de cores vibrantes que reforçam a luta feminina ao mesmo tempo em que desconstroem a silhueta e desmistificam seu corpo. Aládio Marques apresentou peças com presença de tecidos de algodão como o moletom, a cambraia e linho, mas também de viscose, no caso do cetim. Do dry pink, terracota, amarelo imperial, verde e deep blue em suas peças chegamos até o rosé das criações de Emily Dias e Vivianne Pinto para o Villô Ateliê, onde mesclaram a classe do crochê ao luxo dos cristais Swarovski. No desfile de Ronaldo Silvestre, os jeans da Capricórnio Têxtil se mesclaram com as sedas artesanais do O Casulo Feliz, através de recortes, contornos e aplicações em viés formando texturas. Lindebergue Fernandes, com apoio da Vicunha Como exemplo, a Jangadeiro Têxtil, posiciona-se Têxtil, apresentou sua coleção inspirada no universo entre os grandes players da indústria da moda brasileieclesiástico. Looks elaborados com sarjas e denins ra, produzindo tecidos para os mais diferentes segmenleves em tons claros, em uma divertida releitura dos tos e, nos últimos anos, investindo em tecnologias de trajes de noviços promete levar rebeldia e subverestamparia digital. A empresa em, trendshow inédito, são na passarela. aliou tradição, tecnologia e o talento de Lindebergue Já o estilista de moda masculina David Lee Fernandes e Iury Costa. A dupla de estilistas elegeu utilizou jacquards, sarja, tricoline, viscose, moletons complementares e elegantes, com toques dissotinho, malha fio 30 e crochê nas cores: amarelo, nantes de cores mais fortes. A têxtil cearense disponibipreto, cinza, off white, azul marinho e vermelho. lizou a equipe de designers do Estúdio Collete, braços Yuri Costa brincou com a seda pura em da estamparia digital da Jangadeiro Têxtil, para o decontraposição aos tecidos tecnológicos de acesenvolvimento das 4 estampas exclusivas, criadas em tato e poliéster. No mesmo conceito a Bikyni conjunto com os estilistas. Society encerrou com grandiosidade o evento À frente da equipe de estilo da Jangadeiro Têxtil, transportando todo o público para uma praia Ieda Baquit, explica que a proposta desta ação do DFB e apresentou a sua coleção com tecidos traajuda a “posicionar o Ceará novamente entre os lançamados com fios naturais em técnicas artesadores de tendência, reforçando a qualidade de padrão nais, como o bamboo de seda pura pintado internacional do produto cearense”. à mão e a tela em gaze de algodão. Revista Têxtil #749 I 41

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Aládio Marques

Babado Coletivo

Rendá

Almerinda Mariao

Iury Costa

Lindebergue

Jangadeiro Têxtil

Villô Ateliê

Ronaldo Silvestre

David Lee

Bikini Society

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MODA CONTEMPORÂNEA O DFB Festival pode ter ficado maior, mas ainda tem como ponto alto o Concurso Ceará Moda Contemporânea, idealizado para promover o reconhecimento e a valorização dos estudantes e profissionais de moda, atuantes na cadeia produtiva têxtil e de confecção. Para a presidente do Sinditêxtil-CE, Kelly Whitehurst este é um momento muito especial: “É reconhecer os talentos que temos no nosso Estado e que agregam muito valor ao trabalho do setor têxtil cearense. O concurso é um grande encontro de parceiros para dar brilho aos talentos que fazem a moda acontecer”, destaca ela. Veja a seguir os vencedores da categoria Design, a mais badalada do concurso e suas criações: 1º Lugar: Akihito Hira (foto) – Com peles, patchworks, camisaria desenhada por recortes e arabescos em bordados, Hira buscou desconstruir a figura do vaqueiro por meio da alfaiataria. Bastante atento aos forros e ao acabamento, o estilista mostrou que não é só o lado de fora da roupa que importa. Nas cores, branco, azul e marrom faziam analogia ao céu, à terra e à boiada, elementos presentes na lida cotidiana do vaqueiro. 2º Lugar: Edilberto Sousa – Sousa foi buscar inspiração na cultura local e usou o couro e a renda richelieu para prestar homenagem a uma das figuras mais marcantes do Nordeste: Maria Bonita. Segundo o estilista, a personagem é a “musa inspiradora que carrega os traços do cangaço e a cultura do vaqueiro, personagem que tem as principais características do povo nordestino – força, bravura e humilde, ao mesmo tempo em que traz a delicadeza da mulher”. 3º Lugar: Deyvison Freitas – Em um desfile excêntrico, Deyvison mostrou peças inspiradas em cactos e na vegetação rasteira típica do Nordeste do Brasil. Segundo ele, as roupas feitas em tons de terra remetem à vida difícil no sertão. “Desde criança, acompanhei de perto a realidade do interior onde morávamos, no sertão-central, região semiárida próxima de Quixadá, terra quente e seca, mas de bonitas e cativantes paisagens”, completou ele. Além da tradicional competição Ceará Moda Contemporânea, o DFB Festival sediou o Concurso dos Novos, com a participação de estudantes de diversas faculdades de moda do País. O pódio foi formado por: Centro Universitário João Pessoa (UFPB) – 1º lugar; Universidade de Fortaleza (Unifor) – 2º lugar; e Faculdade Santa Marcelina (SP) – 3º lugar.

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MODA

CADA VEZ MAIS PROFISSIONAL Uma das principais características do DFB Festival é sua participação para a profissionalização do segmento local de moda. E nesta edição não foi diferente. Pelo décimo ano consecutivo, os quatro dias de evento também receberam o Dragão Pensando Moda, que promove a troca de cultura e saberes a partir de workshops, palestras, mesas-redondas e talkshows, realizado em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial do Ceará (SENAC/CE). Neste mês de maio, a área especial recebeu nomes de peso para dividir experiências, como Alexandre Herchcovitch, Mário Queiroz, Marina de Luca, Gabriela Mazepa, Fernanda Yamamoto, Luiz Clério e Eduardo Motta. Já em parceria com o SEBRAE, houve o “Boulevard Kza do Dragão por SEBRAE” é uma feira de 1.200m², reunindo 64 expositores, entre estilistas, designers de produto, microempreendedores e até carrinhos com típicas comidas de rua cearense, do quebra-queixo à chegadinha, para quem quisesse consumir moda e arte lado a lado. O ciclo de palestras ainda serviu como “kick-off” de outro evento: o Ceará Fashion Trade, cuja

primeira edição está confirmada para acontecer entre os dias 16 e 18 de agosto deste ano. Idealizado pelos representantes da cadeia industrial da moda e do vestuário do Ceará, Sindroupas, Sindconfecções e Sinditêxtil, a feira foca na apresentação de produtos para a promoção da interação comercial das empresas com o mercado nacional e internacional. Com a assinatura da Fiec e a chancela de entidades como o Sindcalf, o SENAI/CE, o SEBRAE/CE e a Abit. O evento tem o objetivo de consolidar o Ceará como um dos maiores e principais polos confeccionistas do país, apresentando a moda local para o Brasil e para o mundo. Durante a Feira, as empresas atacadistas e de pronta entrega dos setores feminino, masculino, infantil, moda íntima, praia, fitness, surfwear, jeanswear, calçados e bolsas, serviços, acessórios, têxtil e aviamentos terão a oportunidade de promover suas coleções junto aos compradores de lojas multimarcas, magazines, lojas especializadas e redes atacadistas, além de atuar junto a representantes, correRT tores e compradores autônomo.

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SUMÁRIO

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