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Revista Têxtil 795

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A REVISTA TEXTIL é uma publicação da R. da Silva Haydu & Cia. Ltda.

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Editor Chefe: Frederico Haydu

Diretora de redação: Ursula Orlando (MTb 031433)

Designer: André Luiz Vilela Gaiteiro

Diagramação: Plataforma Editorial

Comercial: Frederico Haydu

Digital: Daniela Marx, Henrique Pereira, Ursula Orlando, Danila Salvatori e Eric Rodrigues

Capa: Iza veste Gustavo Silvestre, stylist de Bianca Jahara, foto de Alex Santana. Arte da capa Carlos Viera.

Quarta capa: foto: SS

TI: Sham Vinicus

Colaboradores: Daniela Marx, Milena Abreu, Eric Vigiani, Sarah Caldas, Clarissa Magalhaes, Vanessa San Jorge, Bruno Leonard, Guia Jeanswear, Carla Angelini, Laura Yamane e IEMI.

Agradecimentos: Dani Marx, Dudu Bertholini, TexApex, Marta De Divitiis, Guia Jeanswear, Carlos Vieira e a Reachr, Henrique Pereira, Carlos Tartaglioni, Thiago Arruda, Bruno Leonard, Ricardo Gomes, Lea T, Dih Moraes, Acessoria IZA, Gustavo Silvestre, Danilo Sorrino e Bianca Jahara.

Representantes Comerciais comercial@revistatextil.com.br

Europa: Felix Emesto Arias Huck ernesto.arias@revistatextil.com.br/ +49 173 6741626

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Publicação bimestral com circulação dirigida às fiações, tecelagens, malharias, beneficiadoras, confecções nacionais e internacionais, universidades e escolas técnicas. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, a filosofia da revista. A reprodução total ou parcial dos artigos desta revista depende de prévia autorização da Editora.

Redação

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ABIT ,69 ANOS UNINDO E TECENDO O FUTURO

Ao longo de quase sete décadas, a indústria têxtil e de confecção brasileira construiu uma história que se entrelaça com o próprio desenvolvimento do país. Em 2026, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) celebra 69 anos de atuação, consolidando-se como uma das principais vozes na articulação entre indústria, inovação, sustentabilidade e competitividade global. Desde sua fundação, a ABIT acompanha, e muitas vezes lidera, as transformações que redefinem o setor. Da modernização tecnológica às agendas de sustentabilidade, da internacionalização das marcas brasileiras à defesa de políticas industriais estratégicas, a entidade tem sido protagonista na construção de um ambiente mais sólido para toda a cadeia produtiva. Celebrar seus 69 anos é reconhecer não apenas uma trajetória institucional, mas também o trabalho de milhares de empresas, profissionais e criadores que diariamente movimentam um dos setores mais tradicionais e, ao mesmo tempo, mais dinâmicos da economia brasileira. Esse movimento também se reflete no calendário global do setor. Eventos como a Heimtextil, na Alemanha, e a Colombiatex, na Colômbia, continuam sendo importantes termômetros das transformações do mercado internacional. Das novas tecnologias em fibras e processos produtivos às discussões sobre circularidade, rastreabilidade e design responsável, essas feiras evidenciam que o futuro da indústria passa por inovação, colaboração e visão estratégica.

Nesse contexto, a moda brasileira segue afirmando sua identidade criativa e social. A presença da cantora IZA na capa desta edição, vestindo uma criação de Gustavo Silvestre, simboliza esse encontro entre cultura, moda e propósito. Conhecido por seu trabalho com o Projeto Ponto Firme e pela valorização do crochê como linguagem contemporânea, o estilista reforça como tradição, artesanato e inovação podem coexistir de forma potente na construção de uma moda mais humana e inclusiva. Entre tradição e transformação, a indústria têxtil brasileira segue tecendo caminhos para o futuro. E, ao completar 69 anos, a ABIT reafirma um compromisso que permanece atual: fortalecer o setor, ampliar sua presença global e valorizar a criatividade que faz do Brasil uma referência única no cenário da moda e da indústria têxtil. Parabéns ABIT, um grande abraço para todos e uma boa leitura.

FIOS QUE CONECTAM O MUNDO

Há quase um século, a Revista Têxtil acompanha as transformações de uma indústria que veste o mundo, mas que também revela o espírito do seu tempo. Em seus 94 anos de história , seguimos comprometidos com a missão de informar, conectar e dar voz a um setor que é, simultaneamente, indústria, cultura e inovação.

Este início de ano também nos recordou, de forma contundente, o quanto o mundo está interligado — e vulnerável. A impossibilidade de chegar à Intertextile Shanghai Apparel Fabrics, em Shanghai, devido às tensões de uma guerra que reverbera muito além dos campos de batalha, é um sinal claro de como conflitos globais impactam cadeias produtivas, rotas logísticas e economias inteiras. A indústria têxtil sente diretamente esses abalos. Mais do que nunca, torna-se evidente a necessidade de repensarmos nossa dependência do petróleo e dos combustíveis fósseis, acelerando a busca por novas matrizes energéticas, fibras inovadoras e processos produtivos mais responsáveis. O futuro do setor passa por inovação, mas também por consciência. E se o mundo vive tensões, o Brasil nos lembra de algo essencial: a potência da diversidade e da cultura como força criativa.

Celebramos nesta edição a alegria de estampar em nossa capa a artista Iza. Sua presença traduz elegância, força e representatividade — qualidades que ecoam no

espetáculo máximo da criatividade brasileira: o Carnaval.

O Carnaval é, talvez, nossa mais vibrante forma de “alta-costura”, popular e democratica. Um território de diversidade estética, cultural e humana, onde tecidos ganham vida em cores, volumes e narrativas. São milhares de horas de trabalho invisível — mãos que bordam, costuram, tingem e criam. Cada fantasia carrega não apenas brilho e movimento, mas o suor e a dedicação de uma cadeia têxtil inteira. Exemplos como o trabalho do designer Gustavo Silvestre mostram como essa criatividade também pode caminhar junto com a sustentabilidade e a inclusão, valorizando técnicas artesanais e comunidades que transformam moda em impacto social.

Nossa curadoria editorial reflete justamente essa amplitude. A cobertura da Heimtextil revelou as mais avançadas inovações e perspectivas para o têxtil-lar, mostrando como tecnologia, design e sustentabilidade estão redefinindo o futuro dos interiores. Já na vibrante Colombiatex de las Américas, mais uma vez testemunhamos a força latino-americana, com mais de 40 empresas brasileiras participando ativamente de negócios, trocas criativas e novas parcerias.

Mas também é tempo de reverência.

Nos despedimos recentemente de três figuras que marcaram profundamente o universo têxtil e da moda. Rendemos nossas homenagens a Roque Ospina, visionário fundador da Colombiatex de las Américas, cuja visão ajudou a transformar Medellín em um dos grandes polos têxteis do continente. Recordamos também Herbert Schmid, ex-presidente da Santista Têxtil, cuja trajetória ajudou a consolidar a força industrial do setor no Brasil. E reverenciamos o inesquecível Valentino Garavani — o verdadeiro Imperador da beleza — cuja obra elevou a moda ao patamar de arte e cuja devoção à elegância feminina marcou gerações. O Vermelho se Eterniza.

Celebrar o Carnaval em seu esplendor, acompanhar as feiras que projetam o futuro e honrar aqueles que construíram os alicerces dessa indústria é, em essência, reconhecer que o têxtil é muito mais do que matéria: é cultura, memória e visão de futuro

Entre desafios globais e a criatividade que pulsa nas ruas, ateliês e fábricas, seguimos acreditando que o têxtil continua sendo um dos grandes fios que conectam inovação, identidade e humanidade. Boa leitura.Um grande abraço

Fred Haydu

SUMÁRIO

Acesse nossas edições anteriores pelo site www.revistatextil.com.br Siga-nos no instagram:

ClarissaMagalhães

Jornalista e consultora, atua com estratégia, bioeconomia e inovação para a trasformação do setor têxtil

COLABORADORES

Dani Marx

PalestranteeMentoradeNegócios de Moda e 20 anos de experiencia no mercado de moda e varejo

Milena Abreu e Eric Vigiani

CEOs TexApex

Vanessa San Jorge Braga Sócia Co-fundadora e COO Reachr

Sarah Caldas

Agente AVA e Coordenadora do Núcleo São Paulo da ABTT

Bruno Leonard

Representante de moda e eventos para Revista Textil

Laura Yamane Consultora de moda, tecelagem e estamparia , Dra. Em Moda e Cultura Popular

Carla Angelini Engenheira têxtil e consultora em energia, com atuação em eficiência energética, geração distribuída fotovoltaica, armazenamento e transição energética no setor industrial

GEOPOLÍTICA, TECNOLOGIA E A AGENDA INADIÁVEL PARA O SETOR TÊXTIL E DE CONFECÇÃO BRASILEIRO

Omundo caminha para 2030 sob uma lógica muito diferente daquela que predominou nas últimas décadas. A globalização, baseada exclusivamente em eficiência e baixo custo, vem sendo substituída por um ambiente marcado por tensões geopolíticas, políticas industriais nacionais e competição tecnológica. Nesse novo cenário, o futuro dos setores produtivos será definido não só por preço fundamentalmente, mas também por resiliência, tecnologia e posicionamento estratégico.

Relatório recente do World Economic Forum aponta que a economia global será moldada pela interação entre geoeconomia — isto é, o impacto da política e da geopolítica sobre o comércio — e tecnologia, com destaque para a digitalização e a inteligência artificial. Não existe um único futuro possível, mas diferentes cenários que variam por país e por setor. Para o setor têxtil e de confecção brasileiro, essa transformação traz desafios relevantes, mas também uma janela estratégica rara.

Do lado dos desafios, a fragmentação do comércio internacional tende a se intensificar. Barreiras técnicas, exigências ambientais, regras digitais e políticas industriais ganham peso crescente. O setor têxtil e de confecção brasileiro, que já convive com um elevado custo estrutural de produção, enfrenta concorrência de países que operam sob regras trabalhistas, ambientais, previdenciárias e financeiras muito

menos exigentes. O problema central não é a competição, mas a falta de isonomia competitiva.

É nesse ponto que se impõe uma agenda doméstica clara. Não haverá competitividade sustentável sem redução efetiva do Custo Brasil e melhoria do ambiente de negócios. Isso passa por uma reforma administrativa que aumente a eficiência do Estado, reduza desperdícios e libere recursos para investimento, bem como por uma nova rodada de ajustes na previdência, capaz de garantir previsibilidade fiscal e reduzir pressões estruturais sobre a economia.

-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

A competitividade industrial também exige redução do custo do trabalho formal, hoje excessivamente onerado por encargos e insegurança jurídica. Em um país que precisa gerar empregos de qualidade e combater a informalidade, tornar o trabalho formal mais acessível é condição indispensável para o crescimento sustentado.

Outro vetor crítico é o combate ao comércio ilegal e à concorrência desleal, que distorcem o mercado, destroem empregos e penalizam empresas que cumprem a legislação. A defesa da legalidade e da concorrência justa não é protecionismo, é pré-requisito para um mercado saudável.

Some-se a isso a necessidade de juros em padrão internacional. Taxas de juros reais persistentemente elevadas encarecem investimentos e inibem inovação. Sem um custo

de capital compatível com o resto do mundo, falar em produtividade torna-se exercício retórico.

No plano externo, é igualmente fundamental fortalecer os instrumentos de legítima defesa comercial, garantindo que práticas desleais sejam enfrentadas com rapidez e rigor, em linha com as regras internacionais. Defender a indústria nacional de dumping e subsídios ilegais não significa fechar a economia, mas assegurar concorrência equilibrada. Ao mesmo tempo, a tecnologia deixa de ser opcional. Inteligência artificial, automação e análise de dados já impactam ganhos de produtividade, gestão de estoques, eficiência energética e leitura de demanda. Empresas que não avançarem nessa agenda perderão espaço, inclusive no mercado interno. O maior risco hoje não é errar ao investir em tecnologia, mas não investir.

Há, contudo, uma dimensão positiva nesse novo contexto. A regionalização das cadeias produtivas, o nearshoring, favorece países com mercado interno relevante, base industrial diversificada e capacidade de atender padrões ambientais e sociais mais rigorosos. O Brasil reúne esses atributos.

Além disso, o país dispõe de uma das poucas cadeias têxteis completas do mundo, com produção relevante de fibras naturais, bem como de algumas fibras sintéticas importantes para o setor, o que amplia significativamente o seu potencial de atração de novos investimentos nacionais e internacionais. Essa diversidade confere flexibilidade produtiva, capacidade de inovação e maior aderência às exigências de mercados cada vez mais segmentados e regulados.

BRASIL

A sustentabilidade, por sua vez, deixa de ser apenas discurso reputacional e passa a ser fator econômico concreto. Circularidade, rastreabilidade e descarbonização tornam-se exigências de mercado e critérios de acesso a financiamento. Nesse campo, o setor têxtil brasileiro conta com ativos importantes, como uma cadeia produtiva estruturada e uma das agriculturas de algodão mais sustentáveis do mundo capazes de gerar vantagem competitiva real.

Nesse contexto, a conclusão de acordos comerciais, em especial entre Mercosul e União Europeia, assume papel estratégico. A ampliação do acesso a mercados, com regras claras e previsíveis, fortalece a integração do Brasil às cadeias globais de maior valor agregado e amplia o retorno de

investimentos em tecnologia, sustentabilidade e produtividade.

O futuro do setor têxtil e de confecção não está dado. Ele dependerá das escolhas feitas agora. Investir em tecnologia, elevar a produtividade, qualificar pessoas e, sobretudo, avançar em reformas estruturais que reduzam o Custo Brasil e ampliem a inserção internacional do país são condições indispensáveis para que o setor não apenas sobreviva, mas se fortaleça.

Num mundo mais fragmentado e tecnológico, a indústria têxtil e de confecção brasileira tem, se tiver os elementos adequados e um ambiente concorrencial isonômico, plena condição se consolidar como um ativo ainda mais estratégico para o desenvolvimento econômico e social do país.

CALENDÁRIO DE FEIRAS 2026

Focus Fashion Summit

18 a 21: Febratex, Blumenau, SC

Março: 24 a 28 - Expoprint SP

Abril: 07 a 09: Lançamentos Denim City SP

14 a 16: Minas Trend BH

14 a 17: Agreste Tex, Caruaru

15 a 18: Rio Fashion Week RJ

22 a 25: Toritama, PE

24 a 27: Festival CasaModa SP

Maio: 05 a 07: FebraTêxtil SP

13 a 14: ONDM Goiânia

18 a 20/05 - BFShow

31 a 03/06: Dragão Fashion Brasil, Fortaleza

Junho: 09 a 11: Fevest

22 a 25: Interior Lifestyle -Anhembi SP

Julho: Casa de Criadores SP

14 a 17: FuturePrint SP

21 a 22: ONDM Fortaleza

Agosto: 01 a 03: Veste, SC

07 e 08: InspiraMais, SP

Setembro: Lançamentos Denim City, S

23 a 25/09 - Gotex Show

Outubro: Minas Trend, MG

São Paulo Fashion Week

20 a 22: ONDM, Balneário Camboriú

Congresso Internacional Abit, SP

Dezembro: Casa de Criadores, SP

10 a 12/11 – BFShow, SP

INTERNACIONAL

Março: 11 a 13: Intertextile Shanghai

Abril: 5 a 16: Kingpins Amsterdã

21 a 24: Texprocess e Techtextil, Frankfurt

27 a 29: Heimtextil, Medellín, Colombia

Maio: 01 a 05: Canton Fair (fase 3), Cantao, China

20 a 21: Denim Première Vision

21 a 22: Kingpins China-Hangzhou

19 a 21: ITPCE China

Junho: 02 a 04: Emitex, Argentina

09 a 11: Shenzhen International Textile Yarn Expo

09 a 13: ITM ,Istambul, Turquia

16 a 19: Pitti Uomo

24 a 25: Future Fabrics, Bruxelas

Julho: 21 a 23: Texworld, Los Angeles, USA

22 a 23: Kingpins NY,USA

28 a 30: Colombiamoda, Medellin, Colombia

29 a 31: Texworld, NY, USA

Agosto: 04 a 06: Techtextil, USA

18 a 20 Intertextile Home Textiles, Shanghai

Setembro: 01 a 03: Premiere Vision

Paris

Outubro: 14 a 15: Kingpins Amsterdã

Novembro: 20 a 24: ITMA Asia+Citme, Shanghai

Dezembro: 04 a 09: ITME, India

TECHTEXTIL E TEXPROCESS

PROJETAM OS RUMOS DA INDÚSTRIA TÊXTIL

De 21 ate 24 abril de 2026, em Frankfurt na Alemanha, as feiras Techtextil e Texprocess voltam a ocupar posição estratégica no calendário internacional da indústria têxtil e de confecção. Realizados simultaneamente no centro de exposições da Messe Frankfurt, os eventos reunirão fabricantes de máquinas, desenvolvedores de materiais, fornecedores de tecnologia e compradores internacionais, oferecendo uma visão integrada sobre inovação, produtividade e transformação industrial. Com foco nos têxteis técnicos e não tecidos, a Techtextil apresentará soluções aplicadas a segmentos como mobilidade, construção, medicina, proteção e sustentabilidade. Já a Texprocess concentrará as principais inovações em maquinário, automação, digitalização e processos para a indústria

do vestuário, abrangendo desde corte e costura até acabamento e integração de software à produção. Juntas, as feiras conectam matéria-prima, tecnologia e aplicação final, refletindo a complexidade e a evolução da cadeia têxtil global.

Segundo Olaf Schmidt, vice-presidente da Messe Frankfurt para Têxteis e Tecnologias Têxteis, os dois eventos espelham as mudanças estruturais em curso no setor. “A Techtextil e a Texprocess mostram como inovação tecnológica, eficiência produtiva e sustentabilidade estão cada vez mais interligadas. As feiras oferecem soluções práticas para os desafios atuais da indústria e, ao mesmo tempo, indicam os caminhos para o futuro da produção têxtil”, afirma.

A edição de 2026 deverá dar destaque especial à automação avançada, à digitalização dos processos

industriais, ao uso de inteligência artificial e à redução de desperdícios ao longo da cadeia produtiva. Esses temas também estão no centro das discussões da indústria de máquinas e equipamentos, representada pela VDMA. Para Edgar Stehle, presidente da VDMA Textile Machinery, a adoção de tecnologias inteligentes será determinante para a competitividade do setor. “A combinação entre automação, digitalização e integração de sistemas é essencial para aumentar produtividade, flexibilidade e sustentabilidade nas fábricas têxteis”, destaca. Além da exposição de produtos e soluções, Techtextil e Texprocess se consolidam como plataformas de conteúdo técnico, troca de conhecimento e geração de negócios. O perfil altamente qualificado dos visitantes — formado por decisores industriais, engenheiros e gestores de produção — reforça o caráter estratégico dos eventos para empresas que buscam atualização tecnológica e posicionamento internacional.

Inseridas no portfólio global da Messe Frankfurt, as duas feiras reforçam o papel de Frankfurt como um dos principais polos mundiais de inovação e tecnologia têxtil. Para empresas brasileiras e latino-americanas, a edição de abril representa uma oportunidade relevante de contato direto com tendências globais, benchmarking industrial e ampliação de parcerias internacionais.

de 21 a 24. 4. 2026

FRANKFURT / MAIN

Da oportunidade à ideia. Da ideia aos resultados concretos.

Na feira de Frankfurt, novas ideias para materiais ganham vida a partir de encontros e conexões que só um grande evento internacional proporciona. A expertise de engenharia de alto nível mostra que até as propostas mais inovadoras – e até pouco convencionais – podem se transformar em soluções produzidas em escala, com eficiência e qualidade.

de 21 a 24. 4. 2026

FRANKFURT / MAIN

ARGENTINA EM UNIÃO PARA PROTAGONISMO TÊXTIL

De 2 a 4 de junho, o La Rural Predio Ferial, em Buenos Aires, se transformará no ponto de encontro de toda a indústria têxtil e de confecção.

Em 2026 chega uma nova edição da Emitex (Exposição Internacional de Fornecedores para a Indústria da Confecção), da Simatex (Exposição Internacional de Máquinas Têxteis) e da Confemaq (Exposição Internacional de Máquinas para a Confecção). Os visitantes poderão acessar as últimas novidades em insumos, maquinário, capacitação e networking para gerar oportunidades e negócios reais.

Quem desejar participar já pode se credenciar online acessando o site oficial do evento. O processo é simples e rápido: basta preencher um breve formulário com dados pessoais. Ao final, cada visitante receberá por e-mail a confirmação

e sua credencial virtual, que deverá ser apresentada juntamente com o documento de identidade ao ingressar na exposição.

As três exposições se unem para formar uma plataforma capaz de integrar todos os atores da cadeia produtiva. O encontro busca conectar fornecedores, tecnologia e maquinário com o objetivo de gerar novos vínculos comerciais, difundir tendências e oferecer soluções concretas para os processos industriais.

“No cenário atual, a exposição assume um caráter estratégico: reunir a indústria para pensar juntos como ganhar competitividade, incorporar tecnologia e sustentar a produção nacional”, comenta a Lic. Andrea Lippi, responsável pelo projeto. “Buscamos um espaço de planejamento, onde empresas, técnicos e profissionais possam se atualizar,

trocar experiências reais e projetar o futuro do setor a partir de uma visão concreta e produtiva.”

Durante três dias, empresários e profissionais debaterão a situação atual do setor e avaliarão como continuar defendendo a indústria, o trabalho e o talento que sustentam todo o segmento têxtil argentino. Além disso, o evento contará com uma programação de conferências, workshops e espaços especiais voltados à atualização de conhecimentos e à exploração de inovações.

A Emitex, a Simatex e a Confemaq são organizadas pela Revista Mundo Textil e pela Messe Frankfurt Argentina, e fazem parte da Texpertise, uma rede internacional com mais de 60 eventos especializados na indústria têxtil que conecta inovação, tendências e negócios em nível global.

Foto: La Rural

VIATT 2026 CONSOLIDA O VIETNÃ COMO

POLO ESTRATÉGICO PARA O SOURCING TÊXTIL

NA ASEAN

Aterceira edição da Vietnam International Trade Fair for Apparel, Textiles and Textile Technologies (VIATT) confirmou o crescente protagonismo do Vietnã no mapa global da indústria têxtil. Realizada em Ho Chi Minh City, a feira reuniu mais de 17 mil visitantes de 54 países e regiões e contou com mais de 460 expositores de 21 países, ocupando cerca de 18 mil metros quadrados de área expositiva.

Organizado pela Messe Frankfurt (HK) Ltd em parceria com a Vietnam Trade Promotion Agency (VIETRADE), o evento reforçou seu posicionamento como uma plataforma integrada de negócios que conecta moda, têxteis-lar e tecnologias têxteis ao longo de toda a cadeia produtiva.

A edição de 2026 trouxe novidades importantes, como a ampliação de pavilhões internacionais e a estreia de novas zonas temáticas, ampliando as possibilidades de sourcing e networking para compradores globais. O European Zone, com forte presença de empresas da Alemanha, Itália, Suíça, Turquia e Reino Unido, destacou soluções tecnológicas e produtos com alto padrão de qualidade e engenharia têxtil.

Segundo Bui Quang Hung, vice-diretor geral da VIETRADE, a feira acontece em um momento decisivo para a indústria têxtil vietnamita. “O setor está passando de um modelo baseado em produção

extensiva para um desenvolvimento mais intensivo, com maior valor agregado, inovação tecnológica e práticas sustentáveis.”

Para Wilmet Shea, diretora-geral da Messe Frankfurt (HK) Ltd, a VIATT vem se consolidando rapidamente como uma plataforma estratégica para a região. “A feira cresce a cada edição não apenas em tamanho, mas também em relevância, reunindo a indústria para discutir o futuro do setor têxtil na ASEAN.”

A presença de marcas globais e compradores internacionais reforçou esse movimento. Empresas como Adidas, Gap Inc., H&M, Lululemon e Muji estiveram entre os compradores presentes, ampliando oportunidades de negócios com fornecedores asiáticos.

Além da área de exposição, o evento também investiu em conteúdo estratégico. A estreia do Trend Forum, com curadoria do especialista em tendências Kai Chow, trouxe análises sobre comportamento de consumo, design e inovação. Fóruns, workshops e desfiles de moda complementaram a programação,

reforçando o caráter multidisciplinar da feira.

Outro destaque foi o debate sobre transformação digital e sustentabilidade, com apresentações sobre design 3D, inteligência artificial e novos fluxos de trabalho digitais voltados para reduzir desperdícios e aumentar a eficiência da produção. Com a crescente relevância do Sudeste Asiático na cadeia global da moda, a VIATT se consolida como um ponto de encontro estratégico para empresas que buscam inovação, novos mercados e parcerias industriais na região. A próxima edição do evento já está confirmada para 24 a 26 de fevereiro de 2027, novamente no Vietnã.

MAQUINÁRIO E TECNOLOGIA

SIEMENS XCELERATOR IMPULSIONA A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL DA PICANOL PARA MÁQUINAS

DE TECELAGEM INTELIGENTES

ASiemens, empresa líder em tecnologia industrial, anunciou que a Picanol, líder global em máquinas de tecelagem de alta tecnologia, está utilizando softwares do portfólio Siemens Xcelerator para simplificar os ciclos de desenvolvimento e acelerar a inovação no projeto e na produção de suas plataformas de máquinas de tecelagem de próxima geração.

Fundada há mais de 80 anos na Bélgica, a Picanol desenvolve, fabrica e comercializa máquinas de tecelagem de alta tecnologia baseadas em tecnologias airjet e rapier, e emprega mais de 1.200 pessoas globalmente. A Picanol utiliza o software Siemens Designcenter™ NX™ para engenharia avançada de produtos, juntamente com o software Teamcenter® para gerenciamento do ciclo de vida do produto (PLM), a fim de otimizar operações, reduzir customizações, adotar processos e fluxos de trabalho padrão (out-of-the-box) e criar integrações com seus sistemas de planejamento de recursos empresariais

(ERP) e de execução da manufatura (MES). A Picanol também utiliza o software Simcenter™ para aproveitar a tecnologia de gêmeo digital da Siemens, visando à otimização do desempenho dos produtos e ao projeto de máquinas sustentáveis e energeticamente eficientes.

“A Siemens está nos conduzindo em nossa jornada de transformação digital. Seu suporte consistente, presença local e profundo entendimento do nosso negócio fizeram dela a melhor escolha”, afirmou Johan Verstraete, vice-presidente de Máquinas de Tecelagem da Picanol. “As capacidades do Teamcenter nos ajudarão a gerenciar a complexidade cada vez maior de nossos produtos e a lidar melhor com o alto nível de configurabilidade e variabilidade que define de forma única cada máquina de tecelagem Picanol como uma solução sob medida para nossos valiosos clientes.”

A decisão também se estende à Psicontrol, parte do Grupo Picanol, que adotará o Teamcenter como

sua plataforma de colaboração para apoiar o processo digital de desenvolvimento e a fabricação de hardware e software de controladores de próxima geração — fortalecendo ainda mais o fio digital em toda a organização.

“Ao utilizar o Siemens Xcelerator, a Picanol está projetando e validando suas máquinas extremamente complexas de forma virtual antes de serem construídas, melhorando a eficiência energética e reduzindo desperdícios. Essa estratégia digital-first permite criar plataformas de tecelagem de alto desempenho que atendem às necessidades dos clientes, ao mesmo tempo em que apoiam objetivos de sustentabilidade de longo prazo”, disse Patrick Fokke, vice-presidente para Benelux da Siemens Digital Industries Software. “Estamos satisfeitos em estender nossa colaboração de mais de uma década e esperamos que a Picanol continue utilizando o portfólio Siemens Xcelerator para apoiar suas decisões estratégicas.”

Fonte: Siemens

JÚLIA MASCARENHAS: INOVAR SEM ROMPER COM AS RAÍZES

Júlia Mascarenhas atua na área de marketing e comunicação, tendo o desafio de comunicar tradição sem perder relevância, posicionando a marca de forma estratégica em um mercado cada vez mais competitivo e orientado por propósito e sustentabilidade. Tudo isso dentro da Fabril Mascarenhas, uma indústria brasileira centenária fundada em 1887 e localizada em Alvinópolis, na região Central de Minas Gerais.

REVISTA TÊXTIL: Como é ser mulher na quarta geração que comanda uma empresa centenária? Como foi sua jornada para conhecer os processos industriais até liderar a equipe?

Júlia Mascarenhas: Hoje a empresa é liderada pelo meu tio José Henrique Mascarenhas, que ainda tem muitos anos pela frente nessa posição. Eu sou da quinta geração. Minha geração só tem mulheres. Mas eu sou a única que trabalha na empresa. Nós crescemos acompanhando a dedicação do meu avô à Fabril Mascarenhas. Eu sempre tive um fascínio pelas coisas que ele me contava, tanto da parte histórica de como os avós dele fundaram empresa e os inúmeros causos, mas também pela forma como ele me contava sobre a fábrica em si. Tem uma coisa que ele fazia para mim que sempre repito quando levo alguém para visitar a fábrica. Logo no início do trajeto ele pegava um pedacinho de algodão e ia esticando torcendo, fiando. E como o aquele chumaço fofinho vira um fio

resistente sempre surpreende a audiência e ainda me encanta muito.

É assim que eu me enxergo nesse lugar. Como alguém que transmite esse encantamento com essa empresa. Que transmite esse compromisso histórico tantas pessoas e famílias que se uniram para construção de uma empresa forte e resiliente.

RT: O ambiente estava preparado para uma liderança feminina? Como você constrói credibilidade em um ambiente industrial tradicional?

Júlia: Não existe segredo. Em qualquer ambiente a gente constrói nossa credibilidade com a rotina. A credibilidade vem do trabalho diário. Das entregas e trocas

do nosso dia a dia. Com não se esquivar dos problemas quando eles surgem.

RT: Houve alguma mulher da sua família que te inspirou na sua trajetória? Ou sua referência de força e liderança veio de outros lugares?

Júlia: A minha mãe sempre foi um grande exemplo. A entrega dela ao trabalho é muito inspiradora. Ela é uma pessoa que sempre quis trabalhar. Lembro que no meu grupo de amigas do colégio eu era a única que a mãe trabalhava. E, mesmo aposentada, ela continua trabalhando e sendo uma profissional de referência na área dela. Mas mais do que isso, ela sempre me incentivou e apoiou. Tanto para me qualificar

MULHERES DE FIBRA

profissionalmente quanto nas minhas escolhas de carreira.

Aqui na Fabril Mascarenhas, especificamente, eu sempre tive a Rosinha Reis como exemplo. Ela se aposentou após 50 anos trabalhando aqui. Sendo que por mais de 25 anos ela foi a chefe do nosso acabamento e expedição. Ela sempre foi uma profissional em quem a gestão podia confiar e que conquistou o respeito de toda a equipe. Realmente uma trajetória de sucesso.

RT: Qual o seu papel em equilibrar passado e futuro para consolidar e modernizar continuamente o parque industrial da Mascarenhas?

Júlia: Eu gosto de falar que o DNA da Fabril Mascarenhas é mudança e compromisso com a continuidade do negócio. O que faz uma empresa chegar aos 138 anos é a sua capacidade de se adaptar. Às vezes a gente lidera o processo, às vezes a gente é puxado nele. Mas estar pronto para tomar as decisões necessárias para continuar no mercado é fundamental.

RT: Existe algum valor histórico da empresa que você pessoalmente faz questão de preservar? E, na sua opinião, como esses posicionamentos são recebidos quando vêm de uma liderança feminina?

Júlia: O trabalho de mulheres sempre foi fundamental nessa indústria. Sejam elas tecelãs ou gestoras. Quando a fábrica foi inaugurada, em 1887, quase toda a equipe de fiação e tecelagem era de mulheres. Acho que esse é um valor histórico que nós temos. O entendimento da importância do trabalho executado por mulheres.

RT: Como você consegue comunicar

a chita, referência em produto cultural e ao mesmo tempo os tecidos tecnológicos de alta performance?

Júlia: Nós produzimos tecidos que acompanham as pessoas em cada momento do dia. Da hora que ela dorme, no trabalho e em momentos de lazer. Toda pessoa vive esses momentos, e para cada momento do seu dia a gente se veste e se comporta de uma forma. Não somos pessoas diferentes no trabalho ou no clube, nós apenas mostramos aspectos diferentes nesses ambientes. Da mesma forma é a nossa empresa. A nossa estrutura, nossa essência é a mesma, o que muda é como ela se apresenta em cada uma das nossas linhas. Para a linha Evox, nós damos ênfase aos atributos técnicos que o mercado de workwear demanda. Quando vamos nos comunicar com o mercado de tecidos para decoração, nós ressaltamos os aspectos relacionados à criatividade. Mas o que importa nisso é que não importa o tecido que você compre, você vai receber um atendimento personalizado e um tecido que atende à sua necessidade.

RT: Como você se prepara para uma indústria que tem pela frente um mercado cada vez mais digital e orientado por dados?

Júlia: Eu invisto na minha formação e em informação. Mas é fundamental estar cercado de bons profissionais em áreas diversas. Temos que nos qualificar e interpretar os dados coletivamente. A diferença está em ter pontos de vista diversos para interpretarmos as informações e trazermos soluções assertivas para a empresa. Dados sem interpretação é apenas ruído.

RT: Ainda existe a ideia equivocada de que modernização industrial é privilégio das grandes capitais. Como foi sua participação na implantação da indústria 4.0 na Fabril Mascarenhas.

Júlia: De fato, manter um parque industrial moderno no Brasil é um desafio. Mas a indústria 4.0 está aí. Ela pode ser grandiosa e ter uma implementação complexa. Que é o que vem à cabeça das pessoas quando falamos nisso. Mas ela também acontece de maneira incremental. Você não precisa de fazer uma inovação disruptiva. Mas se a empresa ficar estacionada, parada no tempo, ela é engolida. O importante é não parar. Podemos trocar uma máquina, utilizar um software mais moderno, automatizar algum processo, investir em treinamentos. A implantação da indústria 4.0 não é um processo com início, meio e fim. Uma mudança puxa outra. Sempre podemos melhorar alguma coisa.

RT: Qual é o seu envolvimento nas decisões e ações que direcionam a companhia rumo a práticas cada vez mais sustentáveis?

Júlia: Acredito que esse papel começa com uma percepção cidadã de responsabilidade em deixar um planeta habitável para a próxima geração. A partir disso, eu busco trazer para a empresa ações que façam sentido para o nosso negócio. O meu papel nesse processo aqui é fazer esse link entre trazer novidades para empresa e apresentar nossas ações para o mercado.

Existe um trabalho também de mapeamento de todas as ações sustentáveis que já fazemos e o nosso

histórico de cuidados ambientais. Hoje a gente tem o entendimento de que precisamos comunicar para o mercado o que nós fazemos. Nós usamos energia limpa, mantemos áreas de reserva ambiental, só consumimos algodão certificado pela ABR, devolvemos para o rio a água mais limpa do que a que captamos. Assim como a modernização, o cuidado com o meio ambiente é um processo infinito. Nós sempre podemos melhorar.

RT: Qual sua visão da participação da Fabril Mascarenhas mais uma vez na COLOMBIATEX? Como foi a aceitação do lançamento da tecnologia ChromaTech Pro durante a feira? O mercado internacional enxerga valor diferente na indústria têxtil brasileira?

MULHERES DE FIBRA

Júlia: Então, o próprio desenvolvimento do ChromaTech Pro está alinhado à essa preocupação ambiental. Nós tivemos um retorno muito positivo no mercado. Nós estamos produzindo um tecido profissional com alto nível de resistência e durabilidade. O EvoxChromaTech Pro tem performance excelente de solidez à lavagem, à luz e resistência à abrasão.

O mercado internacional reconhece a capacidade da nossa indústria têxtil. Eu também percebo que existe uma consciência de que nossa indústria tem práticas sustentáveis, algodão de alta qualidade, uso de energia limpa. Tudo isso é um diferencial competitivo que o Brasil tem no mercado externo.

A continuidade da nossa participação na feira está ligada a essa vitrine para o mercado externo e ao resultado positivo que tivemos na edição anterior. E a feira de 2026 foi ainda melhor para nós. O lançamento do ChromaTech Pro foi um sucesso. E a gente voltou da feira com bons negócios em todas as nossas linhas, workwear, moda e decoração.

RT: Que mensagem você deixaria para meninas e jovens mulheres que hoje estudam em escolas com cursos têxteis no Brasil e pensam em construir carreira na indústria?

Júlia Mascarenhas: Não se deixem limitar. Não se diminua para permanecer em caixinhas que não te cabem. Foque na sua formação técnica.

HEIMTEXTIL 2026: DEFININDO O RUMO DA NOVA TEMPORADA

De 13 a 16 de janeiro, em Frankfurt, Alemanha, a Heimtextil ocorreu, realizada pelo grupo Messe Frankfurt. Com 3.000 expositores de 66 países, a Heimtextil define o rumo da nova temporada. Em 2026, a principal feira mundial de têxteis para o lar e para uso contratual, além de design têxtil, registrou aumento da internacionalização entre os expositores. É um polo de conhecimento e uma plataforma central para contatos de negócios. O portfólio abrange soluções de design de interiores têxteis e não têxteis. Inclui tecidos decorativos e para estofamento, roupas de cama, atoalhados, papéis de parede e carpetes. Um novo layout de pavilhões proporciona maior visão geral do mercado. Permite uma conexão mais eficiente entre oferta e demanda.

por Fred Haydu
Fotos: Fred Haydu

sas. Exigem estratégias de negó cios adaptadas. Ao mesmo tempo, a inteligência artificial transforma rapidamente os modelos de negócio. A Heimtextil oferece direcionamento ao setor. Destaca novos potenciais e os torna tangíveis por meio de boas práticas e conhecimento especializado.

“Em um ambiente de mercado dinâmico, a indústria têxtil global confia na Heimtextil. Estamos satisfeitos que os setores de colchões e carpetes também tenham escolhido Frankfurt como seu hub de negócios. Enquanto a IA transforma os merca dos, a Heimtextil mostra como as empresas podem se beneficiar da tecnologia. Como parceira estratégi ca, a feira evidencia oportunidades de negócios e perspectivas futuras. Isso estabelece as bases para um crescimento potencial”, afirma Detlef Braun, membro do Conselho Executi vo da Messe Frankfurt.

Os desafios são múltiplos. Além dos mercados e consumidores glo bais, a feira também apresentou propostas conceituais sobre a inte ração com materiais e produtos.

HEIMTEXTIL

PATRICIA URQUIOLA: AMONG-ALL, A ARTE INSPIRADORA PARA UM NOVO TEMPO QUE OLHA PARA O COLETIVO

A nova instalação de Patricia Urquiola, concebida como um ecossistema aberto e em constante evolução, Among-all se desdobra como uma paisagem que escuta e responde. Os têxteis formam uma ecologia material compartilhada. Ela é composta por sobras, polímeros regenerados, materiais de base biológica,

formação. Mais do que uma coleção de objetos, Among-all é um ambiente espacial e conceitual. Os têxteis operam como zonas de transição entre maciez e estrutura, resíduo e recurso, artesanato e indústria.

A instalação reúne elementos que articulam essa abordagem por meio da especificidade dos materiais. O assento escultórico Giano

Apresentação Among-all

Patricia Urquiola arte com integração digital
Daniel, curador da exposição

do, reaparece. Ele tem uma nova cobertura em franjas feita com fio ECONYL e desenvolvida pela cc-tapis por meio de técnicas de robotufting. O material ECONYL® é obtido a partir de resíduos recuperados, como redes de pesca, carpetes descartados e resíduos industriais. É totalmente reciclável.

Tapetes compostos por ourelas tecidas e sobras de produção da Rohi, por meio do projeto 13RUGS, interagem com estruturas suspensas. Elas são montadas a partir de retalhos têxteis reconfigurados. Isso redefine os limites espaciais com sistemas leves, porém estruturais.

Elementos digitais expandem o ecossistema além da materialidade. Uma grande tela responsiva transforma os movimentos dos vi-

sitantes em criaturas híbridas desenvolvidas para Among-us. Uma segunda tela documenta a produção da instalação, revelando materiais, processos e colaborações por trás de Among-all. Ao redor da primeira tela, uma série de massas impressas em 3D é produzida pela Caracol. Elas utilizam sua plataforma robótica Heron AM e são feitas com chips de ECONYL® desenvolvidos pela Aquafil.

Uma criatura híbrida prateada, antes figura digital, torna-se presença física no espaço. Confeccionada com Ohoskin, material derivado de subprodutos de laranja siciliana, e moldada sobre uma estrutura interna de madeira acolchoada, ela traduz uma entidade virtual em forma tátil e material.

Um habitat inflável, feito inteiramente de sobras de nylon (provenientes de rolos de tecido não vendidos e ourelas), cria um volume arquitetônico permeável. Ele reconfigura excedentes industriais como condição espacial.

A instalação inclui uma tapeçaria produzida com tecidos da Kvadrat. Também apresenta Regos, da Febrik, e Hero 2 — têxteis que exploram elasticidade, densidade e estrutura. Eles combinam fibras renováveis e conteúdo reciclado dentro de uma lógica circular. Ao longo de Among-all, os materiais não são apresentados como superfícies estáticas, mas como matéria ativa. Os têxteis deixam de ser substâncias estáveis para se afirmarem como estados de transformação.

Sofá com tecidos reciclados
Tapetes de feltro 13 Rugs
Arte feitas com casca laranja

HEIMTEXTIL

CRAFT IS A VERB: O FAZER MANUAL COMO LINGUAGEM CONTEMPORÂNEA

Na Heimtextil 2026, em Frankfurt, a área especial Craft is a Verb reforçou uma das mensagens do momento para o setor têxtil: o artesanal não é apenas estética. É processo, identidade e valor de mercado.

Concebido como um espaço de experimentação e inspiração, o projeto destacou técnicas manuais reinterpretadas sob uma ótica contemporânea. Isso aproximou tradição e inovação. Tecelagem manual, bordado, tingimentos naturais, tramas irregulares, superfícies texturizadas e acabamentos feitos à mão foram apresentados como caminhos. Eles agregam autenticidade e diferenciação em um mercado orientado por propósito.

Mais do que exibir produtos, a proposta foi mostrar o fazer como ação. Daí o conceito “craft como verbo”. O visitante pôde compreender o processo criativo por trás das peças. A relação entre materialidade, tempo e conhecimento técnico foi evidente. O papel do trabalho artesanal na valorização de cadeias produtivas

A curadoria também evidenciou como o handmade dialoga com a indústria. Técnicas tradicionais servem de base para desenvolvimentos industriais com aparência artesanal. Novas tecnologias de acabamento e produções em pequena escala são voltadas ao mercado premium.

Em sintonia com as macrotendências da feira, Craft is a Verb destacou três pilares centrais para o futuro do setor:

• Autenticidade e identidade cultural;

• Sustentabilidade e produção responsável;

• Valor agregado por meio de textura, imperfeição e narrativa.

Ao transformar o artesanal em estratégia (e não apenas em estética), a Heimtextil sinaliza um movimento claro do mercado. Em um cenário de excesso de produtos padronizados, o que carrega história, origem e processo ganha relevância. Isso se torna um diferencial competitivo. A área, além de expor muitos tecidos de expositores da feira, teve um espaço

Salão "craft is a verb" reunindo amostras de expositores

ALCOVA: DIREÇÕES CULTURAIS PARA O FUTURO DO DESIGN

Fundada em 2018, em Milão, a Alcova consolidou-se como uma das mais influentes plataformas independentes de design da atualidade. Parte essencial da programação da Milan Design Week, o projeto destaca-se por seu olhar curatorial. Ele é voltado à experimentação, à diversidade cultural e à identificação de movimentos. Esses movimentos refletem as transformações sociais, tecnológicas e ambientais do mundo contemporâneo.

Mais do que apontar tendências tradicionais, a Alcova propõe uma leitura crítica do futuro. Ela privilegia o conceito de direções: grandes temas culturais e comportamentais que orientam a criação. Isso abrange do design de produto aos materiais, passando pela arquitetura e pelo universo têxtil.

Com expositores de diversas partes do mundo, a plataforma reflete um cenário criativo global e hiperconectado. Ao mesmo tempo, valoriza identidades locais, saberes artesanais e a integração entre tecnologia e processos manuais.

Durante o evento, a Revista Têxtil conversou com Valentina Ciuffi, da Alcova. A pauta incluiu o papel das tendências, a influência cultural global e as direções para os próximos anos.

Revista Têxtil: Você representa a Alcova. O que é a Alcova?

Valentina Ciuffi: A Alcova é uma plataforma de design. A chamamos de plataforma, mas é uma feira independente. Nasceu em 2018 e se tornou o maior evento da Milan Design Week, depois do Salone del Mobile (a grande feira). Atuamos

também como consultores. A Hei mtextil nos convidou para criar uma área de direções, embora, pessoal mente, eu não goste muito da pala vra “tendência”.

Revista Têxtil:

Valentina Ciuffi: cia” vem da ideia de algo circular, em movimento. Ao longo da histó ria, percebemos que as tendências se repetem. A inovação é linear, mas as pessoas continuam buscando tendências. Preferimos falar de grandes temas culturais e analíticos, ou seja, macroáreas onde é possível identificar direções.

Revista Têxtil: Hoje vemos forte valorização do artesanal e das identidades locais. Como vocês obser-

nacional sempre existiu, mas hoje

bal do que antes. Ao mesmo tempo, há uma resistência à uniformidade. Uma direção global pode surgir de uma região artesanal específica. Mesmo países pequenos ou distantes conseguem influenciar outros.

Revista Têxtil: Eventos como o Salone refletem essa diversidade?

Valentina Ciuffi: Sim. Recebemos expositores do mundo todo: Brasil, México, Coreia, entre outros. Isso nos permite observar o que acontece em diferentes contextos culturais.

Sisal mexicano para tapetes

Revista Têxtil: E para 2026 e 2027, quais seriam as principais direções?

Valentina Ciuffi: Trabalhamos com seis direções. Uma delas, Visible Co-Work, combina tecnologia avançada (às vezes digital ou algorítmica) com processos altamente artesanais. É a colaboração entre o passado e o futuro.

Revista Têxtil: Isso tem relação com a inteligência artificial?

Valentina Ciuffi: Sim. A tecnologia pode assustar, mas nossa abordagem é: use a IA. Não tenha medo

dela. Ela não é mais inteligente do que nós. Devemos utilizá-la para melhorar o trabalho criativo, não para substituí-lo.

Revista Têxtil: mudança de mentalidade nas no vas gerações?

Valentina Ciuffi: signers preocupam-se com susten tabilidade e com o impacto de suas criações. Eles querem desenvolver projetos que melhorem o mundo. Não sei se a maioria da sociedade pensa assim, mas buscamos des tacar direções que apontem para um futuro mais otimista e crítico em relação aos problemas atuais.

Revista Têxtil: mensagem você deixaria para pro fissionais criativos em um cenário global tão desafiador?

Valentina Ciuffi: ça muito rápido, e isso sempre gera medo, como aconteceu na Revolu ção Industrial. Mas precisamos ser positivos. Somos mais criativos, te mos individualidade. Um

Tecidos para estofado feito de garrafa Pet

Roupas de cama 100%hemp da empresa turca Buldan’s

to apenas por inteligência artificial nunca será tão forte quanto o talento humano. Devemos usar a tecnologia para acelerar processos e eliminar tarefas repetitivas, ganhando mais tempo para a criatividade.

FUTURE FLOOR: REVESTIMENTOS TÊXTEIS AVANÇAM COM FOCO EM

SUSTENTABILIDADE E PERFORMANCE

Na Heimtextil 2026, a área Future Floor reforçou o crescimento do segmento de revestimentos têxteis para pisos. Apresentou soluções que combinam alta performance, design contemporâneo e menor impacto ambiental.

Entre os destaques, estiveram carpetes modulares, materiais recicláveis, fibras de origem renovável e sistemas de instalação sem cola. Eles facilitam a aplicação e contribuem para a economia circular. A modularidade, em especial, ganhou força. Permite

Future Floors, espaço dedicado para tapetes sustentáveis

manutenção pontual, maior durabilidade e redução de resíduos. É um diferencial importante para projetos corporativos, hotelaria e espaços de grande circulação.

O espaço também evidenciou a evolução estética dos revestimentos têxteis. Novas texturas, efeitos tridimensionais e cores inspiradas na natureza acompanham a demanda por ambientes mais confortáveis, funcionais e sensoriais.

Mais do que uma vitrine de produtos,

a Future Floor sinalizou um movimento de mercado. É o avanço dos pisos têxteis de alto valor agregado, impulsionado por requisitos de sustentabilidade, certificações ambientais e soluções técnicas. Elas agregam desempenho acústico, conforto e longa vida útil. A proposta confirma o fortalecimento do setor dentro da cadeia de interiores e arquitetura. Amplia oportunidades para fabricantes e especificadores em um mercado orientado por inovação e responsabilidade ambiental.

Trama de amostra de tapetes da Future Floo Mostra da trama de tapetes feito com cordas e resíduos texteis

LUCIUS VILAR LEVA A FORÇA DA FLORA BRASILEIRA EM SUAS ESTAMPAS

O designer brasileiro Lucius Vilar foi destaque na Heimtextil 2026, em Frankfurt. Ele apresentou suas estampas autorais inspiradas na exuberância da flora brasileira. A participação foi ressaltada pela imprensa local, incluindo o tradicional Frankfurter Journal. Destacou-se a originalidade de seu trabalho e a presença vibrante do design latino-americano na principal feira mundial de têxteis para interiores.

Apresentando composições que exploram cores intensas, traços orgânicos e narrativas visuais ligadas à biodiversidade tropical, Villar reforçou a potência criativa do Brasil no cenário internacional. Suas

estampas traduzem folhas, flores e formas naturais em padrões contemporâneos. São aplicáveis a tecidos decorativos, papéis de parede e superfícies têxteis.

A presença do designer na Heimtextil confirma o espaço crescente da estamparia autoral no mercado global de interiores. Identidade cultural, sustentabilidade e originalidade são atributos valorizados por

marcas e especificadores.

Ao levar a estética da flora brasileira para Frankfurt, Lucius Villar não apenas amplia sua inserção internacional. Ele também fortalece a imagem do design têxtil brasileiro como expressão de biodiversidade, criatividade e sofisticação. Esses elementos dialogam diretamente com as novas demandas do setor de decoração e arquitetura.

Lucius Vilar representando Brasil em mais uma Heimtextil

NEW TALENTS: NOVOS CRIADORES APONTAM OS RUMOS DO DESIGN TÊXTIL

Um espaço para a nova geração de designers surgiu com a área New Talents. Essa iniciativa destacou projetos autorais e propostas inovadoras voltadas ao universo de têxteis para interiores. O espaço funcionou como vitrine estratégica. Jovens criadores apresentaram suas coleções a fabricantes, marcas, arquitetos e compradores internacionais.

Os trabalhos expostos evidenciaram forte conexão com sustentabilidade, experimentação de materiais e identidade cultural. Fibras naturais, processos de baixo impacto ambiental, reaproveitamento de resíduos têxteis e técnicas híbridas (que combinam artesanato e tecnologia) marcaram presença nas coleções. Além da estética, os projetos chamaram a atenção pelo conceito. Muitos designers exploraram narrativas ligadas à memória, território e biodiversidade. Foram traduzidas em estampas, superfícies têxteis, tapeçarias e soluções para decoração contemporânea. A textura e

a tridimensionalidade apareceram como diferenciais importantes. Reforçaram a busca por experiências sensoriais no design de interiores. Mais do que revelar novos nomes, a área New Talents sinalizou tendên-

cias: produção consciente, valorização da autoria e desenvolvimento de produtos com maior carga conceitual e valor agregado. São fatores que redefinem o posicionamento do design têxtil no cenário internacional.

EMPRESA BRASILEIRA ALTENBURG NA HEIMTEXTIL

Pensando no que moverá o setor de 2027 em diante, a Altenburg (uma das maiores indústrias têxteis do país, com sede em Blumenau, SC) esteve presente nesta semana na Heimtextil. Reconhecida como a principal feira internacional de têxteis para o lar, a comitiva da empresa foi liderada pelo CEO Tiago Altenburg. Ele realizou a viagem de pesquisa ao lado de Patrícia Higino (gerente de Produto), das estilistas Bianca Fiebes e Karina Schwantz, e de Clóvis Stahnke (gerente de Outsourcing).

“Estamos mapeando tendências, tecnologias e inovações que mol -

darão o mercado nos próximos anos. Buscamos novos te cidos, soluções em sustentabilidade e materiais que promo vam menor impacto ambiental. Também procuramos refe rências em design e comportamento de consumo. Tudo isso visa tornar nossos processos produtivos mais eficientes”, res salta Patrícia.

Expositoras da area "New Talents"
Karina Schwantz, Patrícia Higino e Bianca Fiebes

ONDE O FUTURO DOS INTERIORES COMEÇA E INFLUENCIA DIRETAMENTE A HOTELARIA GLOBAL

Frankfurt volta a ser, a cada janeiro, o epicentro mundial dos têxteis para casa, decoração e hospitalidade. A Heimtextil não é apenas uma feira. É um radar internacional de comportamento, inovação e direcionamento estético. Caminhar por seus pavilhões é perceber, com clareza, para onde caminha o design de interiores nos próximos anos.

A edição mais recente reforçou um movimento já irreversível: a sustentabilidade deixou de ser discurso e tornou-se critério técnico.

Matérias-primas rastreáveis, tecidos reciclados, processos produtivos mais limpos e soluções de longa durabilidade dominaram as conversas. Para a hotelaria, isso é decisivo. Não se trata apenas de imagem institucional. É sobre eficiência operacional, redução de custos e alinhamento com hóspedes atentos às práticas ESG.

Outro ponto marcante foi a integração entre tecnologia e têxtil.

Aplicações de inteligência artificial no desenvolvimento de padronagens, tecidos com propriedades funcionais (como controle térmico, acústico e maior resistência ao uso intenso) e soluções híbridas para áreas de convivência mostraram que o setor evolui além da estética. O tecido passa a ser ferramenta estratégica na experiência do cliente. Por trás dessa engrenagem está a Messe Frankfurt, uma das maiores organizadoras de feiras do mundo. Mais do que estrutura física e logística impecável, a empresa constrói plataformas globais de negócios. Conecta indústrias, promove con-

teúdo qualificado e cria ambientes para decisões estratégicas. No setor têxtil, sua atuação cria um ecossistema internacional. É capaz de antecipar tendências e consolidar movimentos de mercado.

Para hotéis, resorts e empreendimentos de hospitalidade, a Heimtextil é um observatório privilegiado. É ali que se identificam novas texturas e paletas que influenciarão projetos arquitetônicos. Tecidos mais resistentes e funcionais para alto fluxo, soluções de cama e banho que elevam o padrão de conforto e materiais sustentáveis alinhados a certificações ambientais são também encontrados.

Mais do que ver lançamentos, trata-se de compreender movimentos. O design contemporâneo privilegia sensorialidade, acolhimento e autenticidade. Espaços precisam contar histórias. O têxtil é elemento central nessa narrativa. Decisões tomadas em Frank -

Kutuchian é fundador e

do Hotelier News, principal hub de conhecimento, conteúdo e conexões da hotelaria brasileira.

furt ecoam nos projetos de hotéis ao redor do mundo.

Para quem atua na hotelaria e busca diferenciação real (seja no luxo, no lifestyle ou no segmento corporativo), acompanhar a Heimtextil deixou de ser opcional. É estratégico.

Peter
CEO
Jornalistas internacionais e diretoria Messe Frankfurt no happy hour New Talents

COMO OS TAPETES RECICLÁVEIS PODEM TRANSFORMAR A INDÚSTRIA DE REVESTIMENTOS

A REALIDADE DOS TAPETES: 1,6 MILHÃO DE TONELADAS DE RESÍDUOS POR ANO

Amaioria dos tapetes ainda acaba em aterros sanitários ou na incineração, ficando fora da economia circular. Na Europa, estima-se que 1,6 milhão de toneladas de resíduos de tapetes atinjam o fim de sua vida útil todos os anos. Segundo dados da Deuts che Umwelthilfe de 2017, quase 98% desse volume é incinerado ou envia do para aterros. Embora o uso de poliéster tenha melhorado as taxas de reciclagem, esse avanço perma nece na faixa de um dígito percen tual. Somente a Alemanha contribui com cerca de 400 mil toneladas anuais para esse fluxo de resíduos.

Nos Estados Unidos, são geradas anualmente 4 bilhões de libras (aproximadamente 1,8 milhão de toneladas) de resíduos de tapetes. Desse enorme volume, apenas 5% é reciclado e 6% é incinerado para recuperação energética. Os 89% restantes acabam em aterros sani tários. Esses números evidenciam um problema ambiental significati vo, já que a maioria dos materiais utilizados em tapetes não é biode gradável e permanece nos aterros por longos períodos. A baixa taxa de reciclagem indica um poten cial considerável para aprimorar práticas de economia circular na indústria de tapetes. Apesar de a maioria das fibras de superfície dos tapetes ser tecnicamente re ciclável, a forma como os tapetes são tradicionalmente construídos

historicamente os excluiu da economia circular.

Durante décadas, os revestimentos à base de látex foram o padrão na produção de tapetes. Embora eficazes na fixação das fibras, o lá

O resultado: tapetes com bom desempenho durante o uso, mas destinados a se tornarem resíduos ao final da vida útil.

Esse modelo torna-se cada vez mais insustentável. Legisladores estão

separada de resíduos têxteis até 2025. Ao mesmo tempo, consumidores e incorporadores imobiliários analisam não apenas a aparência e o conforto dos revestimentos, mas também sua pegada de carbono e reciclabilidade. O mercado global de revestimentos, avaliado em centenas de bilhões, encontra-se em um ponto de inflexão.

MUDANÇA DE MERCADO: POLÍTICA, PRESSÃO E OPORTUNIDADE

As implicações vão além da sustentabilidade. Com a implementação das legislações de EPR, fabricantes que não conseguirem comprovar a reciclabilidade podem enfrentar penalidades ou taxas mais altas. Por outro lado, aqueles que oferecem pisos monomateriais recicláveis podem obter vantagens competitivas em licitações onde a circularidade faz parte das especificações.

Há também impactos na reputação de marca. Interface, Tarkett e outros grandes players globais já investiram fortemente em programas

de recolhimento, recuperando milhões de libras de placas de carpete na América do Norte. A Califórnia, com seu programa de gestão de tapetes, registrou uma taxa recorde de reciclagem de 38,5% em 2024, demonstrando o que é possível quando infraestrutura e incentivos estão alinhados. Esses exemplos indicam que pisos circulares não são apenas uma aspiração — já são realidade.

MATERIAIS QUE VIABILIZAM PISOS CIRCULARES

O tapete pode nunca recuperar o domínio que teve no passado — mas isso não é necessário. Ao alinhar-se aos princípios da economia circular, o setor pode construir um futuro em que o tapete seja sinônimo não apenas de conforto e estilo, mas também de responsabilidade e eficiência no uso de recursos.

Novos materiais lideram essa transformação. Os polímeros Licocene™, por exemplo, já viabilizam sistemas de tapetes recicláveis ao

TAPEÇARIA

transformar o suporte em camadas de poliolefina reprocessáveis. Com a linha Licocene Terra, que utiliza matérias-primas renováveis certificadas pelo sistema de balanço de massa, o setor passa a contar com uma solução reciclável e renovável.

AVANÇANDO A SUSTENTABILIDADE COM LICOCENE TERRA

A indústria de tapetes está avançando rapidamente rumo à circularidade, e os polímeros Licocene da Clariant desempenham papel fundamental na viabilização de sistemas recicláveis. Agora, o Licocene Terra amplia essa inovação ao combinar desempenho confiável com matérias-primas renováveis, reduzindo a pegada ambiental.

Enquanto os produtos Licocene convencionais são baseados em recursos fósseis, o Licocene Terra é produzido com matérias-primas renováveis certificadas por balanço de massa. O resultado? A mesma força de adesão e eficiência de processo, com menor pegada de carbono.

Produtos selecionados da linha Licocene Terra possuem certificação OEKO-TEX® ECO PASSPORT, atendendo a rigorosos requisitos de segurança e sustentabilidade — fator-chave para fabricantes diante das crescentes demandas regulatórias e de mercado.

Licocene Terra representa o próximo passo rumo a um futuro adesivo renovável e circular, demonstrando que sustentabilidade e desempenho podem caminhar juntos.

Licocene® É UMA MARCA REGISTRADA DA CLARIANT.

Fonte: Clariant

DESIGN GLOBAL, SOTAQUE BRASILEIRO:

A INTERIOR LIFESTYLE

SOUTH AMERICA

APROXIMA O BRASIL DO QUE MOVE O DESIGN

INTERNACIONAL

Aforça das feiras internacionais sempre esteve ligada à capacidade de reunir mercados, revelar tendências e estimular negócios. No universo dos bens de consumo duráveis, poucos encontros representam essa dinâmica de forma tão consistente quanto a Ambiente, reconhecida como a maior feira de bens de consumo e design do mundo.

É nesse contexto que a Interior Lifestyle South America chega à sua segunda edição no Brasil, reforçando a presença da Ambiente na América Latina. A realização do evento é resultado da parceria entre a Messe Frankfurt e o Grupo Eletrolar All Connected, que há mais de 26 anos conecta indústria, varejo e tecnologia na região. Essa colaboração une a experiência de uma das maiores organizadoras de eventos do mundo à leitura de mercado construída pelo Grupo ao longo de décadas acompanhando as transformações do consumo latino-americano.

No cenário internacional, a Ambiente reúne anualmente mais de quatro mil expositores e cerca de 140 mil visitantes profissionais. A edição brasileira preserva essa mesma lógica de curadoria e inteligência de mercado, trazendo ao país uma seleção de marcas,

conceitos e soluções que refletem novas formas de habitar e receber. A proposta é oferecer ao mercado local acesso direto às ideias, materiais e propostas que ganham forma nos principais centros criativos da Europa e da Ásia.

Tenho muito orgulho da parceria estratégica construída ao longo dos anos com a Messe Frankfurt. Foi dessa relação que nasceu a Interior Lifestyle South America, extensão oficial da Ambiente no Brasil, realizada dentro do ecossistema da Eletrolar Show. O objetivo é aproximar o design global da indústria e do varejo latino-americano por meio de uma plataforma que reúne negócios, tendências e conexões.

Entre os participantes estão executivos de grandes redes varejistas, distribuidores e atacadistas, além de arquitetos, designers, engenheiros, construtoras e gestores de facilities. Trata-se de um público com poder real de decisão sobre os produtos, materiais e soluções que compõem projetos residenciais e espaços de convivência.

Integrada ao portfólio da Eletrolar Show All Connected, principal encontro de bens de consumo duráveis da América Latina, a Interior Lifestyle South America será realizada de 22 a 25 de junho, no Distrito Anhembi, em São Paulo. Ao acontecer em paralelo ao evento principal, que recebe mais de 40 mil visitantes profissionais a cada edição, a feira amplia o ambiente de negócios e favorece o diálogo entre diferentes segmentos que hoje moldam o universo do morar.

22 A 25 DE JUNHO DE 2026

DISTRITO ANHEMBI

SÃO PAULO - BRASIL

Escaneie o QR Code e saiba como participar.

ROQUE OSPINA: O LEGADO QUE MOLDA O

PRESENTE DA COLOMBIATEX

Pensar a moda como sistema, conectar conhecimento à indústria e posicionar a Colômbia no cenário global. Com essa visão, a Colombiatex de las Américas consolidou-se como um dos principais encontros do setor têxtil e de confecção na América Latina. Essa trajetória tem origem no pensamento e na liderança de Roque Ospina, nome fundamental para o desenvolvimento do setor. Roque foi mais que um gestor ou fundador; ele foi um articulador de futuro. Em um momento de indústria fragmentada, Roque acreditou na integração entre empresas, design , conhecimento, pesquisa e mercado. Apostou na profissionalização quando ainda não era prioridade, valorizou o conhecimento antes que ele se tornasse um diferencial competitivo e impulsionou a internacionaliza -

ção em um contexto que pedia coragem e visão estratégica.

Foi a partir dessa mentalidade que a Inexmoda se estruturou como uma plataforma de conexão e transformação. Hoje, a instituição vai além da organização de feiras: atua como um hub que integra indústria têxtil, indústrias criativas, inovação, inteligência de mercado e desenvolvimento empresarial. Nesse ambiente, a moda deixa de ser apenas produto para consolidar-se como cultura, movimento econômico e ecossistema global.

O legado de Roque Ospina está presente em cada edição da Colombiatex. Está nos empresários que profissionalizaram suas operações, nas marcas que incorporaram a inovação como parte da estratégia e nas discussões que colocam sustentabilidade, competitividade e colaboração no centro do futuro do setor.

A missão que ele deixou permanece atual: acreditar que o conhecimento transforma, que a colaboração fortalece e que o crescimento da moda acontece de forma coletiva.

O evento, mais que uma feira, materializa esse legado ao reunir players de toda a cadeia produtiva, apresentar tendências, fomentar negócios e estimular o diálogo sobre os desafios do mercado. Colombiatex se consolida como um ponto de encontro estratégico para a construção de uma indústria mais integrada, inovadora e preparada para competir globalmente.

É sob essa inspiração que a edição mais recente do evento reafirma seu papel como uma das principais plataformas de negócios, conteúdo e visão de futuro para o sistema moda latino-americano.

A 38ª edição da Colombiatex das Américas encerrou com resultados expressivos. O evento consolidou-se como uma das principais plataformas de negócios e abastecimento para a cadeia têxtil e de moda nas Américas. Entre 27 e 29 de janeiro de 2026, no centro de exposição Plaza Mayor em Medellín, Colômbia, o evento ganhou

o protagonismo têxtil no mercado latino-americano.

Sebastián Diez, presidente da Colombiatex, celebrou os avanços. Diez destacou que a edição trouxe mudanças estruturais e um posicionamento global, com dinamismo, energia e estandes de qualidade. O ambiente favoreceu a geração de novos contatos e oportunidades de

negócios, ampliando a presença internacional. O presidente também ressaltou o apoio da ProColombia, parceira estratégica que fortaleceu o conceito de Smart Sourcing, posicionando a feira como um hub de abastecimento inteligente.

Leonor Hoyos, diretora da Inexmoda, destacou o cumprimento do propósito do evento: promover a indústria e impulsionar o desenvolvimento econômico. Sua atuação responsável valorizou o país e gerou indicadores positivos para o setor.

Entre os destaques da edição estiveram três grandes epicentros estratégicos. Um deles foi o Epicentro de Sourcing das Américas, que promoveu a conexão entre os diferentes territórios do continente. O evento incentivou o abastecimento a partir de mercados líderes na transformação de materiais. Essa iniciativa reforçou o posicionamento da Colômbia como um polo competitivo, corporativo e de alto valor agregado para o

desenvolvimento da cadeia têxtil.

A Colombiatex 2026 registrou mais de 30 mil visitantes, sendo cerca de 3 mil internacionais, provenientes principalmente dos Estados Unidos, Equador, Brasil, Venezuela e Peru. Ao todo, participaram 615 expositores, apresentando uma oferta completa em fibras, insumos têxteis, maquinário e produtos da indústria química. O evento reuniu ainda mais de 17 mil compradores, dos quais mais de 2 mil internacionais.

O impacto econômico também foi significativo. De acordo com María Fernanda Galeano, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Medellín, a feira movimentou aproximadamente US$ 11,6 milhões, reforçando sua contribuição direta para a economia local.

Para Sara Vives, gerente do Clúster Moda da Câmara de Comércio de Medellín para Antioquia, a Colombiatex se transforma a partir das necessidades de abastecimento. Ela busca alto desempenho internacional, adaptando-se às demandas

da indústria pela integração de conhecimento, inovação e sustentabilidade. Segundo ela, a iniciativa contribui para preparar as empresas para um mercado cada vez mais exigente. Entre os segmentos em destaque estiveram Activewear, Casual e Moda Urbana, muitos deles representados por empresas tradicionais colombianas.

A executiva também ressaltou que a feira se torna cada vez mais relevante como plataforma empresarial, com mais de 700 contatos estratégicos. Isso promove a diversificação de mercados e o alinhamento entre empresas que compartilham visão e valores, com foco em estratégias de expansão internacional.

Sebastián Diez reforçou a aposta da Colombiatex: desenvolver a cadeia produtiva de forma integrada. O evento ativa serviços que vão além da manufatura, fortalecendo a competitividade do setor. Essa estratégia tem contribuído para ampliar a geração de contatos e oportunidades internacionais.

BIBLIOTECA DE MATERIAIS REVELA O FUTURO DOS BIOMATERIAIS E

DA INOVAÇÃO NA COLOMBIATEX

Entre os espaços mais inspiradores da Colombiatex de las Américas, a Biblioteca de Materiais do Conexión Inexmoda apresentou um panorama do futuro da indústria têxtil. Reuniu soluções que combinam inovação, sustentabilidade e novas possibilidades de design.

O ambiente destacou uma ampla diversidade de biomateriais e desenvolvimentos de base natural. Muitos são biodegradáveis ou produzidos a partir de resíduos e fontes renováveis. Entre os exemplos, chamaram a atenção tecidos elaborados a partir de flor de jamaica e canela, materiais translúcidos de origem vegetal e superfícies com aparência semelhante ao couro, porém obtidas a partir de fibras naturais e subprodutos agrícolas.

Também foram apresentados biomateriais derivados de frutos tropicais, como a jagua, além de soluções desenvolvidas a partir de folhas e plantas de grande porte. Essas são transformadas em superfícies flexíveis para aplicações em moda e acessórios. Iniciativas

como a brasileira Nova Kaeru, com seus biocouros sustentáveis, reforçam o protagonismo latino-americano no desenvolvimento de alternativas aos materiais convencionais.

Outro eixo importante foi o avanço da economia circular. Materiais produzidos a partir de resíduos têxteis passam por processos de desfibragem para gerar novas fibras e tecidos. Entre os destaques, a Fabricato apresentou soluções desenvolvidas a partir da reciclagem de uniformes militares descartados. Transformou esses resíduos em novos tecidos com qualidade e potencial para aplicações comerciais, ampliando o ciclo de vida dos materiais e reduzindo o impacto ambiental.

A biblioteca também trouxe inovações em nanotecnologia e não tecidos. São voltados para aplicações técnicas, hospitalares e cosméticas, que exigem leveza, proteção e alto desempenho.

Entre as soluções de base natural, surpreenderam ainda materiais obtidos da casca de oliveira, com

textura e aparência que remetem a couros exóticos. Isso demonstra como resíduos agrícolas po -

dem ser transformados em superfícies de alto valor agregado para moda e design

Com uma grande variedade de texturas, densidades e aplicações, o espaço evidencia a transformação da indústria rumo a uma base mais responsável, tecnológica e orientada por materiais inteligentes. A Biblioteca de Materiais do Conexión Inexmoda , mais do que uma vitrine de tendências, confirma que o futuro da moda passa pela combinação entre ciência, natureza, circularidade e inovação sustentável.

MERCADO GRÁFICO E ÁREA DE ESTUDANTES

A Colombiatex 2026 reafirmou seu papel como principal plataforma têxtil da América Latina. Ampliou o diálogo entre indústria, criatividade e formação profissional. Nesta edição, dois movimentos chamaram a atenção: o fortalecimento do mercado gráfico aplicado ao têxtil e a expansão da área dedicada a estudantes e novos talentos.

A área dedicada aos estudantes e jovens criadores funcionou como vitrine para projetos acadêmicos, experimentações têxteis e propostas autorais. Elas dialogam com sustentabilidade, inovação de materiais e identidade cultural. Estudantes apresentaram coleções, protótipos e pesquisas que exploram novas técnicas de estamparia, reaproveitamento de resíduos, fibras alternativas e processos de baixo impacto. A iniciativa aproxima a indústria dos futuros profissionais, criando pontes entre formação e mercado. Para as empresas, o espaço representa uma oportunidade de identificar talentos e acompanhar novas linguagens criativas. Para os estudantes, é a chance de expor seus trabalhos em um ambiente profissional, ampliando networking e visibilidade. A integração entre mercado gráfico e área acadêmica evidencia uma transformação estrutural no setor têxtil. A inovação não nasce apenas da tecnologia, mas também da experimentação criativa. A Colombiatex 2026 consolidou-se como um ecossistema onde fabricantes, designers, estudantes e marcas compartilham conhecimento e constroem juntos o futuro da cadeia. Ao dar protagonismo às soluções industriais e aos novos talentos, a feira reforça sua vocação como plataforma de negócios, conteúdo e formação. São pilares fundamentais para a competitividade da indústria têxtil latino-americana.

SHOWROOM DE PACOTE COMPLETO

O Showroom de Pacote Completo se consolidou como um dos espaços mais relevantes do evento. Ele conecta inovação, serviços integrados e as demandas do mercado global.

Alinhado à tendência internacional de “Made in Moda”, o espaço foi estruturado para evidenciar a capacidade da indústria colombiana de oferecer soluções completas: da matéria-prima ao produto final. A categoria já estava presente em edições anteriores. Há três anos, porém, a iniciativa ganhou formato próprio, tornando-se hoje uma vitrine consolidada dentro da feira.

O objetivo é destacar não apenas a qualidade produtiva, mas também a integração entre tecnologia, desenvolvimento, design, sustentabilidade e eficiência operacional. Esses fatores posicionam a Colômbia como um mercado competitivo em diferenciação, responsabilidade socioambiental, altos padrões de qualidade e serviços flexíveis. São atributos cada vez mais valorizados por marcas e compradores internacionais.

Com a participação de mais de 70 empresas, a terceira edição do showroom evidenciou a capacidade do país em transformar criatividade em soluções industriais. Ele oferece suporte completo para marcas que buscam parceiros capazes de desenvolver, produzir e estruturar suas coleções.

O espaço, mais que uma área expositiva, traduz a evolução do modelo de negócios da cadeia têxtil-colombiana. É um ecossistema preparado para atender demandas globais com agilidade, inovação e valor agregado, reforçando a Colombiatex como um hub estratégico para construir e escalar marcas na América Latina.

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ENTREVISTA COM O CÔNSUL INTERINO DO BRASIL EM MEDELLÍN, SR.

Revista Têxtil: Sr. Sergio, como foi a vinda da comitiva brasileira, das empresas que estão chegando a Medellín?

Carlos Escobar: Medellín recebe todos os brasileiros de braços abertos, não apenas por cortesia, mas para negócios. Empresários brasileiros encontram aqui, especialmente em Antioquia e Medellín, uma plataforma de negócios. É uma cidade com um grande e bem-desenvolvido tecido empresarial. Guardadas as proporções, Medellín é como uma São Paulo de negócios. Assim, a presença brasileira na Colombiatex é praticamente um item indispensável (must). Aqui se concretizam negócios. Os brasileiros entendem que Medellín é uma plataforma para fazer negócios não só com a Colômbia, mas também com a América Central,

Caribe e América do Norte. Esta oportunidade, que não é fácil de obter, está disponível em um país vizinho.

Revista Têxtil: Sr. Sérgio, sua fala sobre negócios é muito importante. Vemos a satisfação das empresas brasileiras em fazer negócios na feira. Como se dão esses negócios? Como os têxteis e as fibras do Brasil chegam à Colômbia?

Carlos Escobar: Primeiro, o Brasil oferece qualidade, design e novidade. O selo “Feito no Brasil” já proporciona uma vantagem para abertura de novos negócios. Posso garantir que o Brasil vê a Colômbia, e Medellín em particular, como um aliado estratégico para grandes oportunidades de negócio. Os brasileiros sentem-se em casa e à vontade, o que é importante.

Revista Têxtil: Qual a rota comercial? Como os produtos saem do Brasil e chegam à Colômbia?

Carlos Escobar: Há dois caminhos: o marítimo e o aéreo. Por navio, as cargas saem dos portos de Paranaguá, Santos ou Rio de Janeiro e chegam aos portos do Caribe colombiano. Em breve, uma nova linha naviera de Santos para Porto Antioquia entrará em operação este ano. Por via aérea, há voos diretos de Curitiba e Campinas para Bogotá e Medellín. Estas são as duas opções para o transporte de produtos entre Colômbia e Brasil.

Revista Têxtil: Há uma grande participação de visitantes brasileiros, e vejo muitas empresas que vieram explorar Medellín. Como anfitrião da cidade e nosso representante,

qual o convite para novas empre sas virem à Colômbia?

Carlos Escobar: Este é um lugar de negócios e lazer. É possível divertir-se, desfrutar da gastronomia, das paisagens e dos atrativos turísticos. Negócios e lazer combinam-se aqui. Empresários brasileiros, tanto os que descobrem Medellín pela primeira vez quanto os que já vivem aqui, a veem como um lugar ideal para crescimento pessoal e profissional.

Desejo que mais empresas brasileiras venham, o que depende das negociações com as empresas, a Abit, a Abimaq e a Inexmoda. Tenho certeza de que, a cada ano, mais brasileiros chegarão.

INDÚSTRIA TÊXTIL BRASILEIRA LEVA PORTFÓLIO À COLOMBIATEX

Empresas brasileiras de fios, tecidos, malharia, aviamentos, insumos químicos, tecnologia e máquinas têxteis participaram do evento. Elas reforçaram a competitividade e a diversidade da Indústria nacional. Nesta 26ª participação consecutiva, 41 empresas marcam presença na Colombiatex. São 35 expositores brasileiros, apoiados pelo Texbrasil (Programa de Internacionalização da Indústria Têxtil e de Moda Brasileira). O programa é desenvolvido pela Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). O grupo é composto por: Altero, Brand Têxtil, Canatiba Têxtil, Capricórnio Têxtil,

tex WorkWear, Fabril Mascarenhas, FB do Brasil, Fiorella, Hyosung, Kalimo, Kirimurê Brasil, Linhas Trichê, Lunelli Têxtil, Martine Digital, Nilit/ Sensil, Nova Kaeru, Pantextil, Paranatex Têxtil, Pollibox, Rovitex, Sancris Linhas, Fios e Zíperes, Santista Têxtil, Spa Têxtil, Tecelagem Columbia, Texneo, The LYCRA Company e Vicunha Têxtil.

Fabricantes brasileiros de máquinas e equipamentos também representaram o país. Isso ocorreu por meio do Programa Brazil Machinery Solutions , projeto setorial da ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) com a ApexBrasil. A ação inclui as empresas Audaces, Castilho Máquinas Têxteis, Comelato Roncato, Inarmeg Máquinas e Redutores, Socio Tec Au tomação e SPGPrints.

Fonte: Ricardo Viveiros & Associados

A participação brasileira reflete a vocação do país em ampliar sua presença nos principais eventos internacionais do setor têxtil e de moda. Espera-se que a edição de 2026 contribua para a geração de novos negócios, o fortalecimento de parcerias comerciais e a ampliação das exportações brasileiras nos meses seguintes à feira. Patrícia Gomes, diretora executiva de Mercado da ABIMAQ, avalia: “O crescimento da participação da Colômbia nas exportações brasileiras de máquinas e equipamentos têxteis demonstra como a inovação e a competitividade das soluções brasileiras conquistam espaço no mercado colombiano. É um segmento onde o Brasil se consolida como fornecedor de tecnologia e solu

ENTREVISTA COM RAFAEL CERVONE, PRESIDENTE EMÉRITO DA ABIT

"É um prazer estarmos juntos na Colombiatex. Esta feira chega à sua 26ª edição. Começamos no início dos anos 2000, com a participação inicial de 19 empresas.

Isso demonstra que vir à Colômbia e à Colombiatex não é um projeto pontual da ABIT e das indústrias têxteis associadas. É um projeto de longo prazo, construído a várias mãos. Colômbia e Brasil são países irmãos, com comércio justo e uma política de ganha-ganha. Há sinergia de produtos complementares: o Brasil forte no setor têxtil, a Colômbia na confecção. Podemos crescer muito!

Começamos com 19 empresas. Nesta 26ª edição, estamos com 41 empresas: 35 da ABIT e 6 da ABIMAQ, com máquinas e equipamentos de ponta.

No ano passado, vendemos 8,5 milhões de dólares em três dias. Este ano, tenho certeza de que bateremos esse recorde.

Esta parceria precisa ir muito além. Podemos muito mais. No ano passado, a Colômbia exportou 30 milhões de dólares ao Brasil; o Brasil exportou mais de 50 milhões de dólares à Colômbia. É um resultado bom, mas ainda modesto. Esses 50 milhões de dólares representam 2% das compras colombianas. Os 30 milhões de dólares representam 0,3% das compras brasileiras.

Normalmente, a Ásia domina. O continente asiático representa 70% das compras, Bangladesh 18%, Peru 3% e Brasil 4%. Podemos e precisamos crescer muito. É fundamental integrar a cadeia de valor e a cadeia de

fornecimento da América Latina. Brasil e Colômbia, com produtos complementares, podem se ajudar mutuamente. Não apenas para vender entre si, mas para toda a América Latina, que, unida, possui um PIB do tamanho dos Estados Unidos.

Os Estados Unidos também precisam de nós. O México hoje opera com 110% da capacidade produtiva de nosso setor. Eles buscam novas alternativas nos Estados Unidos, e nós podemos ser essa alternativa. É importante substituir os produtos chineses e asiáticos, que ocupam 70% desse mercado. Há vários motivos para isso, como a venda para a América Latina e o fornecimento a plataformas de comércio eletrônico. A geração de carbono também é um fator. Uma roupa vinda da Ásia por navio ou avião gera muito carbono até chegar à América Latina. Nós temos energia verde e limpa. O Brasil possui uma matriz energética ultra verde.

Temos uma fantástica possibilidade de bioinsumos. Nossa indústria de algodão é ultradiferenciada, produzindo algodão que não depende de irrigação, apenas de água da chuva, com bioinsumos que substituem os pesticidas. Fibras artificiais sintéticas combinam-se às naturais, trazendo muita inovação.

O Brasil possui a maior integração têxtil produtiva e a maior capacidade têxtil do ocidente. Precisamos nos unir para crescer, promover e vender mais, para que a indústria continue gerando valor. Hoje, ela emprega 1,3 milhão de pessoas

diretamente. Considerando empregos indiretos e efeito renda, são 8 milhões de pessoas que dependem do setor. Desse total, 75% são mulheres, e 40% delas são arrimo de família, sustentando seus lares.

Temos tudo para crescer e devemos ser otimistas. Este é um lugar onde se fazem negócios de qualidade. É uma feira de business e tem funcionado desde nossa primeira participação. Conversei hoje com as 45 empresas participantes, e todas estão muito satisfeitas. Convido a todos a virem sempre à nossa feira e conhecerem os produtos brasileiros. Serão sempre bem-vindos."

COLOMBIATEX

VICUNHA EM DESFILE NO DENIM DAY

A Vicunha Têxtil marcou presença na Colombiatex 2026. Destacou sua estratégia de inovação, sustentabilidade e colaboração com designers e parceiros da cadeia produtiva. “É uma grande satisfação compartilhar nossa experiência aqui no estande da Colombiatex. Realizamos um trabalho importante com designers em toda a América Latina. Eles, com nossos tecidos, elevam suas coleções e levam o denim às passarelas ria Angélica Rodríguez, gerente de marketing para a América Latina.

Entre os destaques apresentados durante o evento, a Vicunha mos

trou aplicações do material no universo dos acessórios. Em parceria com o venezuelano Alejandro Crocker e Patricia Mejía, o denim ganhou novas interpretações em bolsas, alças, cintos e calçados. Isso amplia as possibilidades de uso do material em produtos de maior valor agregado.

Após três dias de feira com resultados positivos, a empresa apresentou suas inovações, avanços

LANÇAMENTOS

Vicunha - ponto de destaque no estande foi um projeto desenvolvido em colaboração com a Rethink, empresa brasileira com operação em Honduras, e com a italiana Zaitex, companhia com 52 anos de atuação e expertise completa em soluções químicas para o setor têxtil. A iniciativa utilizou tecidos Vicunha como base para demonstrar processos avançados de acabamento em peças confeccionadas. A Zaitex conta com um laboratório altamente especializado em desenvolvimento de produto. É equipado com tecnologias de última geração, como sistemas a laser e máquinas de lavagem com baixo consumo de água. O conceito central da empresa é a integração entre química e maquinário. O desempenho ideal é alcançado quando formulação e tecnologia de aplicação trabalham de forma complementar. Entre as soluções apresentadas, destacaram-se efeitos obtidos por laser pintado, combinados com aplicação manual em spray. Isso permite a criação precisa de desenhos e superfícies diferenciadas. Também foram demonstrados processos de lavanderia sem o uso de pedra ou cloro, utilizando tecnologias como ozônio, laser e enzimas. Isso reduz significativamente o impacto ambiental.

As peças exibiram uma ampla variedade de tonalidades e texturas, incluindo acabamentos que remetem ao couro. É um efeito que ganha destaque nas demandas do mercado. A combinação entre sustentabilidade, eficiência produtiva e sofisticação estética evidencia o potencial do denim para aplicações cada vez mais diversificadas. A colaboração entre Vicunha, Zaitex e demais parceiros reforça uma tendência clara na indústria: a integração entre matéria-prima, química, tecnologia e design como caminho para inovação, competitividade e responsabilidade ambiental no setor.

Epson - apresenta um conceito alinhado ao universo esportivo e à Copa do Mundo. Destaca soluções de impressão para personalização têxtil e criação de produtos diferenciados. Reconhecida como referência em qualidade de impressão, a marca atende clientes que desenvolvem camisas e uniformes oficiais, além de peças para ações promocionais e eventos esportivos. A proposta vai além

da confecção tradicional de camisetas, abrindo oportunidades para empreendedores menores explorarem nichos diversos. O processo envolve impressão digital de alta definição, permitindo cores vibrantes e grande versatilidade de materiais. A tecnologia possibilita produzir patches personalizados, aplicações para camisas, porta-copos e diversos outros itens promocionais. Isso amplia o leque de

negócios para pequenos e médios empreendedores. Entre os destaques está a SureColor V1070 , da Epson, equipamento que integra o portfólio apresentado no evento. A solução reforça a estratégia da marca em oferecer máquinas e tecnologias que unem qualidade de impressão, flexibilidade de aplicação e potencial de geração de novos negócios no segmento de personalização.

COLOMBIATEX

Lycra - A tecnologia Lycra FitSen se pode ser compreendida pela sua similaridade com a estampa ria. Como uma estampa aplicada em áreas específicas, o FitSense é impresso na superfície. Porém, sua função é técnica, não apenas estética. A aplicação deposita uma solução líquida de elastano que, após fixada, cria zonas de suporte e compressão localizada. Esse pro cesso permite reforçar regiões es tratégicas da peça — como cintura, abdômen, busto ou áreas muscula res — sem alterar as demais partes do tecido. Isso preserva conforto, leveza e liberdade de movimento. Essa lógica de aplicação por zonas transforma a estamparia em uma ferramenta de engenharia têxtil. Com bina design, funcionalidade e desem penho para melhorar o ajuste, a mo delagem e a performance das peças.

Lenzing - avalia sua participação na Colombiatex como extremamente positiva. A empresa está presente na feira há mais de 20 anos. O encontro é estratégico para gerar novos contatos e apoiar clientes que expõem coleções com fibras da marca. Entre os destaques apresentados está o lançamento de uma fibra de modal

Unifi Repreve® – O Repreve® com tecnologia Peppermint é uma solução que utiliza extrato de hortelã-pimenta para controle de odores em tecidos. A tecnologia Peppermint incorpora um ativo de origem natural que ajuda a evitar a formação de odores indesejáveis na peça, mantendo o tecido fresco por mais tempo, mesmo após o uso. Seu princípio de funcionamento está associado à ação antimicrobiana do extrato de hortelã-pimenta, que inibe a prolife-

índigo, tingida em massa com pigmento índigo. A inovação permite obter efeitos visuais semelhantes aos do denim, incluindo variações e desgastes de lavanderia diretamente na fibra. O material possibilita ainda a criação de desenhos personalizados, como efeitos tie-dye sofisticados. Isso amplia as possibi-

ração de bactérias causadoras do mau cheiro. Tradicionalmente, tratamentos antimicrobianos têxteis utilizavam aditivos à base de prata ou cobre. No entanto, esses metais podem gerar impactos ambientais, pois partículas podem se desprender durante as lavagens e entrar no ciclo da água. Como alternativa, a Unifi desenvolveu uma solução de base mais sustentável, alinhada às demandas da indústria por tecnologias de menor impacto ambiental.

lidades criativas sem a necessidade de processos intensivos de beneficiamento. Com essa proposta, a Lenzing reforça seu posicionamento em inovação de fibras celulósicas. Combina desempenho estético, versatilidade de design e soluções alinhadas às demandas contemporâneas da indústria.

SPG Prints - vem em parceria com a ABIMAQ. Isso reforça a presença brasileira e o intercâmbio tecnológico no segmento de impressão têxtil na América Latina. A iniciativa reúne soluções completas para o setor: equipamentos, tintas e sistemas integrados para estamparia industrial, com foco em qualidade, produtividade e eficiência. Durante o evento, também é apresentada a máquina de sublimação Rose, equipada com oito cabeças Epson S3200. O equipamento alcança produtividade de até 720 m² por hora, com largura de impressão de 1,80 metro. Atende às demandas de alta escala e desempenho industrial. A solução foi desenvolvida para oferecer velocidade, estabilidade de processo e qualidade de impressão. São características essenciais para o crescimento da sublimação no mercado têxtil.

Sutex - tradicional empresa colombiana em estampas, apresenta sua coleção Primavera–Verão 2026. A proposta está fortemente direcionada à atmosfera da estação, com uma cartela de cores vibrante e fresca, alinhada às tendências da temporada. Destaque especial para os tons tropicais. Em um ano de celebração de seus 60 anos, a empresa buscou traduzir sua trajetória por meio de uma coleção com identidade marcante. O tema central são os florais. A Sutex Florida vai além das combinações harmônicas de cor, explorando diferentes espécies e escalas de flores que ganharam destaque nas principais passarelas internacionais.

Cedro - antecipa lançamentos que serão apresentados oficialmente ao mercado brasileiro em abril. Entre os destaques em denim está o Grand Star . Possui estrutura com elastano multi-stretch e chega como uma inovação no segmento ao oferecer largura de 1,70 metro, algo inédito para

essa categoria. A construção confere alto poder de recuperação e elasticidade, o chamado power . Isso garante melhor ajuste ao corpo sem comprometer o conforto. A combinação de grande largura com elevado desempenho amplia as possibilidades de encaixe e otimização de corte, atenden -

do especialmente à modelagem masculina e a modelagens mais amplas. Com essa proposta, o artigo surge como solução versátil para produtos que exigem estrutura, elasticidade e eficiência produtiva. A Cedro tem o workwear como carro-chefe, reconhecida pela qualidade e desempenho.

COLOMBIATEX

Lunelli - reconhecida como a maior estamparia do Brasil, apresenta novidades. Elas reforçam seu investimento em inovação, com destaque para a ampliação de sua estrutura de estamparia digital. A tecnologia permite desenvolver estampas com alta definição, efeitos de textura e riqueza visual, ampliando as possibilidades criativas para as coleções. A empresa conta com um estúdio interno para desenvolvimento em parceria com os clientes. Isso possibilita ajustes e criações exclusivas. Além disso, disponibiliza um acervo com mais de 13 mil desenhos, que podem ser adaptados conforme a identidade de cada marca.

Na área de malharia, a viscose é o grande destaque do portfólio. É apresentada tanto em bases lisas quanto em propostas texturizadas, como estruturas diagonais e superfícies diferenciadas. A coleção também inclui linhos e misturas com linho, valorizando fibras naturais e

Brand Têxtil - Especialista em processos de estamparia, a empresa passou a aplicar efeitos diretamente sobre o jeans por meio de técnicas de corrosão química. O processo utiliza permanganato aplicado em estamparia rotativa. Permite criar diferentes desenhos, marcações e variações de intensidade, com resultados que remetem a efeitos de lavanderia, porém obtidos na fase de beneficiamento do tecido. A tecnologia possibilita maior controle de padronagem e repetibilidade, além de abrir espaço para personalizações e efeitos gráficos no denim No segmento jeanswear, a Brand Têxtil também atua em parceria com a Capricórnio Têxtil, com quem iniciou trabalhos no último ano. Clientes que já utilizam bases da Capricórnio, ou que possuam seus próprios tecidos denim, podem encaminhar os materiais. A empresa realiza a estamparia e os efeitos de corrosão diretamente sobre a base escolhida, ampliando a flexibilidade no desenvolvimento de coleções.

toque sofisticado. A sustentabilidade é um dos pilares estratégicos da empresa. Cerca de 70% da coleção é classificada como de menor impacto ambiental. A Lunelli utiliza algodão licenciado pelo programa BCI e viscose de origem responsável, proveniente de fornecedores

com certificação FSC. A Lunelli também mantém parceria com a Lenzing AG, incorporando fibras como LENZING™ ECOVERO™, TENCEL™ Modal e TENCEL™ Lyocell, reconhecidas por seus processos de produção com menor impacto ambiental e rastreabilidade na cadeia.

Columbia - Com 80 anos no mercado têxtil, a Columbia construiu uma trajetória de diversidade de produtos e amplitude de soluções. A empresa reúne em seu portfólio uma ampla variedade de bases, que inclui denim , jacquard , malhas, tecidos planos, além de materiais laminados e artigos em linho. Essa multiplicidade de processos e matérias-primas permite

Santista Têxtil - Após 2025, um ano de crescimento significativo nas exportações, a Santista inicia 2026 com perspectivas igualmente positivas. A feira se consolida como plataforma de relacionamento, geração de negócios e apresentação de novidades. Ao longo dos três dias de evento, a empresa destaca produtos que traduzem seu DNA: inovação em denim, excelência em performance e domínio da cor.

Entre os destaques está a família T400, conhecida pelo alto poder de recuperação. Evita marcações nos joelhos, garantindo que a peça mantenha sua forma ao longo do dia. Também ganham evidência os artigos Queen TriBlend, Taylor TriBlend e Taylor Lazuli TriBlend, que reforçam a expertise da marca em tonalidades intensas e no azul profundo de puro índigo, assinatura histórica da Santista. Outro protagonista do estande é o Frank, best-seller e verdadeiro ícone do portfólio. A família se apresenta em diferentes versões, como Light Blue, Azul Médio e Black, além do lançamento Frank Galaxy, em Blue Black. Isso amplia as possibilidades comerciais de um artigo já consolidado no Brasil e que também conquista o mercado colombiano. O workwear tem sido um novo carro-chefe, trazendo conforto e resistência com a excelência de qualidade Santista.

atender diferentes segmentos e aplicações, do casual ao sofisticado. Isso reforça o posicionamento da marca como uma fornecedora completa para o desenvolvimento de coleções. Internamente, a empresa define essa proposta como um verdadeiro “mundo de possibilidades”, destacando sua capacidade de oferecer soluções integradas em têxteis.

COLOMBIATEX

Capricórnio - A Capricórnio Têxtil participa pela terceira vez da Colombiatex, fortalecendo sua presença no mercado latino-americano. Nesta edição, a empresa apresenta, como novidade, a introdução de suas sarjas. Amplia o portfólio exibido e leva aos clientes da região os lançamentos já apresentados em setembro na Denim

Cataguazes - há 90 anos no mercado, renova-se com qualidade e diversidade de tecidos. Está há mais de nove anos na Colombiatex, em parceria com a Dalila, compartilhando o showroom . Juntas, acreditam na colaboração para produtos complementares. Entre os destaques da Cataguazes está o cumaru em fio tinto, uma das bases mais recentes da coleção. É um tecido mais encorpado, desenvolvido especialmente para peças de parte de baixo. Oferece estrutura, bom caimento e maior presença visual. A construção em fio tinto proporciona profundidade de cor e um acabamento mais sofisticado, ampliando o valor percebido do produto. A versatilidade do artigo permite a criação de conjuntos coordenados que transitam do casual ao mais chic.

City. O grande destaque em denim da coleção são os listrados, que têm recebido excelente aceitação do público. Entre os artigos apresentados estão o IPA, Geri e Norô , além do Maré, que combina o efeito de listras com uma leitura quadriculada. Isso cria uma proposta gráfica contemporânea e versátil para o denim . As peças vêm se

Outro ponto forte é a linha Xodó, com posta por tecidos rústicos com visual que remete ao linho, mas produzidos em 100% algodão. A proposta une estética natural e contemporânea a um toque macio e confortável, sem o incômodo típico de fibras mais ás peras. Além disso, oferece excelente custo-benefício. O resultado é um material com aparência despojada e atual, que combina conforto, pratici dade e apelo comercial. Complemen tando a coleção, a empresa aposta no conceito de total look, apresen tando propostas em que a mesma base têxtil é utilizada tanto para pe ças de cima quanto para as de baixo. A abordagem reforça a tendência de conjuntos coordenados, que agre gam valor ao produto final e atendem ao crescente interesse do consumi dor por looks completos, versáteis e fáceis de compor.

destacando no showroom, consolidando os listrados como uma das principais apostas comerciais da temporada. A participação foi marcada por uma intensa agenda de três dias, com reuniões, novos contatos e geração de negócios. Isso reforça a estratégia de expansão e relacionamento da Capricórnio no mercado internacional.

Fabril Mascarenhas - A chita é um dos destaques, tecido profundamente ligado à cultura nacional. Hoje, ela ganha novas leituras e aplicações. Tradicionalmente associada às festas juninas, a chita amplia seu uso para almofadas, artigos de decoração, acessórios e peças de moda. Um dos caminhos criativos mais explorados é o aproveitamento do avesso do tecido. Isso revela novas combinações de cores e efeitos visuais, permitindo propostas contemporâneas e surpreendentes. Bolsas, painéis e objetos desenvolvidos com essa abordagem demonstram o potencial estético do material. Projetos realizados por alunos do Senai também reforçam essa versatilidade, incorporando bordados e intervenções artesanais que valorizam ainda mais o tecido e sua identidade cultural. O principal lançamento em workwear é a tecnologia própria da Fabril Mascarenhas , o Chromatec

Pro . Ele garante alta solidez de cor, atributo essencial para uniformização que exige resistência a lavagens frequentes e manutenção da aparência ao longo do tempo. Com essa combinação de

tradição cultural e inovação tecnológica, a Fabril Mascarenhas reforça o potencial do têxtil brasileiro. Ela é capaz de transitar entre o universo criativo e as demandas técnicas do mercado profissional.

Esenteks - empresa turca, é especializada em linho, focando nessa matéria-prima como essência de seu portfólio. A qualidade apresentada chama atenção pelo alto padrão de acabamento e pela ex-

Ipeker - A empresa turca fabrica a seda vegana, feita de cupro (a pele da semente do algodão). Sua tecnologia desenvolveu um tecido muito macio e rico, comparado à seda. Daí o nome “seda vegana”. Ela é produzida 100% cupro ou misturada com fibras Tencel® Eco-Vero (marca registrada da Lenzing). Possui uma grande cartela de cores e é utilizada em artigos para cama e vestuário.

celência técnica, característica reconhecida da indústria têxtil turca. Entre os destaques estão bordados desenvolvidos em bases 100% linho. Há também artigos com composições próximas dessa

pureza, como 92% linho. Eles mantêm a naturalidade, o toque sofisticado e a respirabilidade que o mercado valoriza. A proposta combina tradição, refinamento e inovação em design de superfície.

COLOMBIATEX

Canatiba - No segmento de denim, a coleção é organizada em dois eixos: artigos com elasticidade (com diferentes construções e níveis de stretch) e bases rígidas. Isso atende a diversas necessidades de modelagem e posicionamento de produto. Entre os destaques está o Travessia Bright Snow Laundry, lançamento que elimina a etapa de lavanderia. O tecido permite que a peça seja cortada, confeccionada e enviada diretamente para o ponto de venda, sem processos adicionais de lavagem. Isso reduz tempo produtivo, custos e impacto ambiental. A base pode ser utilizada em seu fundo azul original ou receber estamparia para criar efeitos visuais e agregar identidade. Atualmente, a linha Tra vessia conta com três versões que dispensam lavanderia, consolidan do-se como uma solução prática e estratégica para o mercado.

A linha Special Fabrics, constituída pelas sarjas, inclui ainda uma varieda de de tecidos com linho em sua compo sição. Isso reforça a presença de fibras naturais, o conforto térmico e o visual sofisticado. Com essa combinação de inovação em denim e bases especiais, a Canatiba amplia suas possibilidades de desenvolvimento, atendendo tanto às demandas técnicas quanto às necessi dades criativas do mercado de moda.

Juliana Jabour, diretora marketing Lenzing América do Sul e Ivna Barreto diretora comercial da Canatina

Arianny Aguiar, diretora marketing Canatiba vestindo denim Canatiba

NOVA KAERU UNE COURO DE PIRARUCU E BIOMATERIAIS VEGETAIS EM PROPOSTA

DE INOVAÇÃO SUSTENTÁVEL

A busca por materiais de menor impacto ambiental e alto valor agregado impulsiona novas soluções na indústria da moda. Com esse foco, a Nova Kaeru, empresa do Rio de Janeiro, apresentou à Revista Têxtil sua atuação baseada na valorização da biodiversidade brasileira. Combina o couro de pirarucu com o desenvolvimento de biomateriais de origem vegetal.

A empresa é um dos principais produtores mundiais de couro de pirarucu, matéria-prima proveniente de um sistema de manejo sustentável realizado por comunidades ribeirinhas e indígenas da Amazônia. Nas décadas de 1980 e 1990, a espécie esteve próxima da extinção. Um modelo de controle rigoroso foi criado, incluindo a contagem anual dos peixes nos lagos e a definição de cotas pelo Ibama (limitadas a cerca de 20% a 30% do total identificado). Isso permitiu a recuperação dos estoques e a geração de renda local.

Na Nova Kaeru, o material passa por um processo de biocurtimento, sem o uso de cromo ou metais pesados. A textura característica resulta das lamelas (estruturas naturais na base das escamas). Elas podem ser mantidas em relevo, para um aspecto mais orgânico, ou invertidas, criando uma superfície mais uniforme, adequada a diferentes aplicações em moda, calçados e acessórios. Entre os parceiros da empresa está a marca brasileira Osklen, que contribuiu para projetar o material no mercado internacional.

Paralelamente, a Nova Kaeru investe em um projeto de couro vegetal

a partir da folha Orelha-de-Elefante, cultivada em plantação própria no estado do Rio de Janeiro.

Em entrevista à Revista Têxtil, a empresa apresentou o material e seu processo de desenvolvimento.

Nova Kaeru: A Orelha-de-Elefante lembra uma taioba. Este material é feito 100% da própria folha. Observa-se o caule e as veias naturais, que permanecem visíveis, preservando a estrutura original da planta.

Revista Têxtil: Então essa superfície é a própria folha?

uma área de corte mais ampla para aplicações industriais. Além disso, utilizamos o caule da folha. Da parte mais espessa, produzimos um material com aspecto semelhante a um emborrachado, levemente translúcido, também de origem 100% vegetal.

Revista Têxtil: Ele realmente parece um material emborrachado e transparente.

Nova Kaeru: Temos variações de espessura e acabamento. Algumas versões são mais espessas e lisas. Contudo, todos os materiais são produzidos a partir da parte mais

Trabalhamos com uma

cartela de cores selecionadas, que pode ser consultada em nosso site.

Revista Têxtil: Conte um pouco mais sobre o processo produtivo.

Nova Kaeru: O processo começa com a colheita das folhas. Em seguida, elas passam por um tratamento para a remoção da clorofila. Depois, trabalhamos a estrutura da folha, como seu esqueleto, que é estabilizada e tingida. A partir des-

sa base, desenvolvemos os diversos acabamentos e aplicações.

Ao integrar manejo comunitário amazônico, cultivo próprio de matéria-prima vegetal e processos de beneficiamento de baixo impacto, a Nova Kaeru apresenta um modelo de inovação que alia biodiversidade, rastreabilidade e tecnologia, atributos cada vez mais estratégicos para a moda e a indústria têxtil global.

Arte Colombiana
Convite Heimtextil Colômbia abril 2026 Muxho gusto, Fred Haydu

PREMIÈRE VISION 2026

O MUNDO TÊXTIL NO CORAÇÃO DE PARIS

De 3 a 5 de fevereiro de 2026, o Parc des Expositions Paris Nord Villepinte voltou a reunir o que há de mais relevante na indústria têxtil e de moda global. A Première Vision Paris, a mais prestigiada feira de insumos e tendências para a moda no mundo, cumpriu mais uma vez seu papel de termômetro estratégico de um setor em profunda transformação. E desta vez, o Brasil chegou com força, com identidade e com muito a mostrar.

PV: MAIS DE 50 ANOS DITANDO O FUTURO DA MODA

A Première Vision surgiu em 1973 e, desde então, consolidou-se como o principal ponto de encontro entre fabricantes de insumos, designers, marcas, compradores e formadores de tendência do mundo todo. Realizada duas vezes ao ano em Paris, fevereiro e setembro, a feira funciona como um verdadeiro laboratório: é onde a moda do futuro é concebida antes mesmo de chegar às passarelas.

A edição de fevereiro de 2026 reuniu cerca de 1.000 expositores de mais de 40 países e atraiu mais de 75 mil profissionais ao longo de três dias. Nomes como Alexander Wang, PVH, Nordstrom, Macy's, Anna Sui e Monique Lhuillier estiveram entre os grandes compradores presentes, reforçando o prestígio do evento como destino obrigatório de sourcing para quem quer se conectar ao topo da cadeia de valor global da moda.

O evento está dividido em nove categorias temáticas: Tecidos, Couro, Acessórios, Fios, Design, Confecção, Smart Creation, Bolsas & Calçados, e a exclusiva Maison d'Exceptions. Cada universo tem seu próprio fórum de tendências, pitches de inovação e espaços de networking, tornando a feira muito mais do que um salão comercial: é um ecossistema criativo e estratégico em si. Os três universos que mais concentraram atenção e tráfego foram os Territórios do Savoir-Faire, a Maison d'Exceptions e o Smart Creation, cada um representando uma camada diferente do que a indústria têxtil pode e deve ser.

Foto: Cartela de Cores PV26

TERRITÓRIOS DO SAVOIR-FAIRE

A edição de fevereiro de 2026 teve como curadoria editorial o tema 'Territories of Savoir-Faire' (Territórios do Saber-Fazer), com holofotes sobre França, Portugal e Japão. Não foi uma escolha acidental: esses três países representam a encruzilhada entre tradição artesanal, inovação industrial e storytelling de marca, um triângulo virtuoso que a indústria global busca desesperadamente replicar.

Entre os destaques franceses, 24 empresas com o selo EPV (Entreprises du Patrimoine Vivant) marcaram presença entre os 116 expositores do país, reafirmando a centralidade do savoir-faire nacional. Portugal trouxe uma narrativa poderosa de sustentabilidade na malharia, unindo herança produtiva com tecnologia responsável. O Japão, por sua vez, apresentou uma síntese inigualável entre alta tecnologia e artesanato centenário, seus têxteis técnicos com acabamentos artesanais foram um dos pontos mais fotografados do evento.

MAISON D'EXCEPTIONS — O ESPAÇO

DO INCOMUM

Em sua 13ª edição, a Maison d'Exceptions recebeu 22 ateliers e artesãos de França, Espanha, Reino Unido, Japão, Índia e Brasil. Acessível apenas por convite, o espaço é dedicado ao savoir-faire raro: bordados, tingimento índigo, couro experimental, têxteis com crina de cavalo. É o lado da moda exclusivo que o fast fashion nunca vai alcançar.

SMART CREATION — INOVAÇÃO NO CENTRO DO PALCO

O es paço Smart Creation consolidou-se como a área mais efervescente da feira. Ali, startups de biotecnologia têxtil, plataformas de inteligência artificial aplicadas à moda, soluções de rastreabilidade por blockchain e materiais de próxima geração disputaram a atenção de compradores e diretores de inovação das maiores marcas do mundo.

PREMIÈRE VISION

MADE IN BRAZIL: O MUNDO ESTÁ PRESTANDO ATENÇÃO

Esta edição marcou um momento especial para a indústria têxtil brasileira. Pela primeira vez, o Brasil participou da feira com uma presença conjunta e integrada: 15 marcas sob o guarda-chuva do Texbrasil, parceria entre ABIT e ApexBrasil, e a estreia do Cotton Brazil (programa da Abrapa, ApexBrasil e ANEA), que levou o conceito ‘From Farm to Fashion’ ao salão parisiense.

As 15 empresas brasileiras presentes foram: Atelier Lucius Vilar, Atelier Natalia Rios, Balz Studio, Estúdio Rocha, Firma Colab, Innovativ, Moltec, Natural Cotton Color, Nina Galle, Nomad Studio, Nova Kaeru, Savyon, Stampa Studio, Studio Icertain e Studio Noir. Um mix que vai do algodão colorido sustentável à inovação em couro exótico, passando por estamparia autoral, malhas técnicas e design têxtil de alta criatividade.

“Estamos prontos para apresentar o Made in Brazil como sinônimo de qualidade diferenciada e alto valor agregado” - Fernando Pimentel, ABIT.

Na área de Pitches do Hall 6, aconteceu a palestra ‘From Farm to Fashion: a Tradition of Innovation Across the Brazilian Textile Value Chain’, conduzida por Marcelo Duarte (Abrapa) e Fernando Pimentel (ABIT). A apresentação foi um exercício de posicionamento estratégico: mostrar ao mundo que o Brasil não é apenas fornecedor de commodity, é um elo completo, sustentável e rastreável da cadeia têxtil global.

TENDÊNCIAS SS27

Quando a Première Vision revela as tendências de uma temporada, não está simplesmente apresentando paletas e padronagens, está entregando ao mercado um diagnóstico comportam ental, cultural e econômico da sociedade.

A coleção SS27, batizada de ‘Open’, é talvez o mais sofisticado exercício de leitura de zeitgeist que a feira já produziu: em vez de reagir ao caos contemporâneo com recolhimento ou escapismo, propõe abertura, alegria intencional e hibridismo cultural como estratégia criativa. Para entender o que isso significa concretamente para fabricantes, marcas e compradores, é preciso ir muito além dos nomes dos temas.

Segundo Desolina Suter, Diretora de Moda da PV, a criatividade não é mais escapista, é proposital. Uma resposta às necessidades do consumidor por reasseguramento, adaptabilidade e clareza emocional.

O FIO CONDUTOR: OPEN — ABERTURA COMO POSTURA

CRIATIVA

O tema ‘Open’ parte de uma premissa simples e poderosa: em tempos de incerteza geopolítica, polarização social e pressão econômica, a indústria criativa tem duas escolhas: retrair-se ou abrir-se. Esse ‘Open’ se desdobra em três subtemas que funcionam como lentes diferentes sobre o mesmo prisma: ‘Open to Joy’ (aberto à alegria), ‘Open to Elsewhere’ (aberto ao outro lugar) e ‘Open to Otherness’ (aberto à alteridade). Cada um gera desdobramentos específicos em matéria, cor, padronagem e comportamento de consumo, e é exatamente nessa granularidade que reside o valor real das tendências da PV.

OPEN TO JOY — A ALEGRIA COMO ATO DE RESISTÊNCIA

A alegria que a SS27 propõe não é superficial. É uma alegria assertiva, intencional, que emerge como resposta direta a um mundo marcado por urgências sobrepostas e tensão social. Trata-se de um movimento concreto: sair do Quiet Luxury e do Minimalismo, que dominaram as últimas temporadas, em direção a uma estética Maximalista que reafirma o poder do jogo, da conexão e da emoção genuína.

Brasil PV Paris 2026 - Crédito Abit

CAMISARIAS E O RENASCIMENTO DO ALGODÃO EXPRESSIVO

O módulo ‘Daily Cute’ trouxe uma das propostas mais impactantes da feira: a camisa social reinventada pela leveza e pela impertinência elegante. Listras verticais finas foram combinadas a bordados florais em pequena escala, trazendo poesia e feminilidade a uma peça historicamente utilitária. A camisa, aqui, deixa de ser suporte funcional e passa a ser declaração estética.

GINGHAM — DA NOSTALGIA AO PRESENTE

O gingham, o clássico xadrez vichy de estética rural e verão europeu, foi radicalmente reinterpretado. O padrão ganha leveza através de texturas como cloqué, malhas honeycomb, tweeds felpudos, musselinas e organzas semitransparentes. O resultado é um gingham que não reme-

te mais à simplicidade bucólica, mas à sofisticação da delicadeza consciente.

RENDAS, TULES E TRANSPARÊNCIAS COM NOVA ATITUDE

As rendas finas retornam com cor, e não qualquer cor. Toques vibrantes e inesperados transformam um material historicamente associado à discrição em peça de afirmação estética. Tules elásticos e tecidos mesh esportivos foram reapresentados em verdes clorofila, brincando com transparências sutis, enquanto micro detalhes como florais texturizados ou micro-pontos ligeiramente felpudos adicionam um toque lúdico e discretamente subversivo.

Première Vision Paris 2026 - Crédito Premiére Vision

PREMIÈRE VISION

LISTRAS HORIZONTAIS — DA PRAIA AO GUARDA-ROUPA

Dentro do registro ‘Disruptive Optimism’, as listras horizontais largas ganham nova vida: paletas frescas e vibrantes, jersey confortável e french terry com apelo de praia e resort.

MALHAS MESH E REDES GEOMÉTRICAS — BORDA DA TRANSPARÊNCIA

Redes geométricas XL, rendas elásticas e tules foram apresentados em combinações gráficas de alto contraste, com uma frieza calculada que confere ‘edge’, aquela atitude difícil de definir, mas imediatamente reconhecível, a tecidos que até então transitavam no universo do delicado. A proposta é de têxteis que habitam a fronteira entre estrutura e leveza, entre exposição e cobertura.

OPEN TO OTHERNESS — ORNAMENTO, EXUBERÂNCIA E O

LUXO ARTESANAL

O subtema ‘Ornamental Vertigo’ celebra a exuberância orgânica com textura e efeito em ton sur ton. É o maximalismo que não grita, exibe. Extravagante e delicado ao mesmo tempo, esse registro aposta em adorno como declaração de identidade, não de excesso.

PAETÊS E BRILHOS COM NATURALIDADE

Paetês grandes em off-white evocam conchas e madrepérola, com um brilho suavizado e natural que contrasta com o glamour excessivo das últimas temporadas. Não é o brilho da discoteca, é o brilho do fundo do oceano.

ESTAMPAS MAXIMALISTAS — FLORAIS E ABSTRATOS COM PROPÓSITO

Estampas maximalistas, tanto abstratas quanto florais, foram onipresentes na SS27. Ousadas e flamejantes, mas ancoradas na vestibilidade, elas injetam energia e confiança nas silhuetas

Para estúdios de estamparia brasileiros, como o Stampa Studio e o Elissa Stampa, que são referências no setor, essa tendência é uma oportunidade direta. A capacidade nacional de desenvolvimento de estampas originais de alta qualidade é reconhecida no mercado

PV Paris 2026 - Crédito Premiére Vision

internacional, e a SS27 confirma que o mercado quer exatamente o tipo de trabalho que o Brasil sabe fazer.

ARABESCOS 3D E TEXTURAS EM CAMADA

Arabescos tridimensionais texturizados sobre tules delicados criam efeito artesanal em escala. Acabamentos envernizados e lacados em paletas densas e saturadas trazem intensidade e glamour contidos, um luxo sensorial que não precisa de logotipo para se impor.

OPEN TO ELSEWHERE — A REINVENÇÃO DO FAMILIAR

O terceiro subtema da SS27 propõe um olhar para longe, não geograficamente, mas culturalmente. É a moda que sai de si mesma para encontrar o outro, o rural, o artesanal de outras latitudes. A expressão ‘Open to Elsewhere’ é um convite ao hibridismo e ao diálogo intercultural como fonte criativa.

XADREZES RURAIS — DO CAMPO AO SOFISTICADO

Os xadrezes são reduzidos a motivos delicados de inspiração rural que transmitem charme atemporal e relaxado ao mesmo tempo em que mantêm uma sofisticação inegável.

DENIM

REINVENTADO — ECO, TÁTIL E COM

PROFUNDIDADE VISUAL

O denim, tecido mais democrático e iconicamente reinventado da história da moda, também é protagonista na SS27, mas com uma narrativa radicalmente nova. Tratamentos visuais expressivos e texturizados injetam fantasia nesse tecido clássico, renovando seu apelo através de jogo de superfície e profundidade tátil. A mensagem da PV sobre o denim é direta: simplicity, authenticity, durability, com responsabilidade ambiental integrada.

CAMISARIAS RURAIS COM FAÇONNÉS E TEXTURAS

Na camisaria casual, mini façonnés emprestam às tradicionais listras e xadrezes um contorno mais aguçado. Efeitos de textura sutil introduzem um toque romântico inspirado no campo, deslocando gentilmente esses padrões familiares em direção a um registro mais expressivo e fantasioso

A CARTELA DE CORES SS27: VITALIDADE COMO MANIFESTO EMOCIONAL

A cartela cromática da SS27 é talvez a declaração mais explícita da filosofia ‘Open’. Em vez de tons seguros e inócuos, a PV propõe cores como força vital, uma resposta emocional ao clima de incerteza coletiva. A cor, nesta temporada, está sendo tratada como ferramenta de orientação emocional: cada tom carrega uma intenção psicológica precisa.

Os quatro tons-chave da temporada foram apresentados com descrições que revelam muito mais do que especificações técnicas de pantone, revelam intenções culturais:

• Elementary Brown (#18) — um marrom essencial, enraizado e reconfortante. É a cor da estabilidade, do chão firme, do pertencimento. Em um mundo de flutuações, esse marrom é âncora.

• Biotic Green (#26) — um verde vivo nutrido por forças orgânicas. É a cor da vida que persiste, do sistema que se regenera. Profundamente conectado ao movimento de materiais bio-baseados e à agenda de sustentabilidade.

• Yellow Foam (#11) — um amarelo efervescente e luminoso. É a cor do impulso, da energia real, não da aspiração vaga. Diretamente alinhado com o registro ‘Open to Joy’. Dados da Heuritech confirmam crescimento desse tom em mercados-chave.

• White Glue (#19) — um branco criativo, ligante e regenerativo. Não o branco clínico e distante do minimalismo, é o branco que conecta, que cola e que abre espaço para o novo.

TECIDOS E MATÉRIAS-PRIMAS: O QUE O MERCADO QUER TOCAR

Se as tendências de cor e estamparia revelam a direção estética da temporada, os tecidos revelam onde o mercado está colocando seu dinheiro real. A SS27

PREMIÈRE VISION

apresentou uma tríade de propostas materiais que deveria pautar qualquer empresa que queira estar alinhada com o que os grandes compradores internacionais estarão pedindo até 2027.

TECIDOS SENSORIAIS COM FUNÇÃO — O FIM DO TRADE-OFF

Durante anos, a indústria operou sob um falso dilema: ou o tecido era bonito ou era funcional. A SS27 declara o fim desse trade-off. Os tecidos mais aplaudidos na feira foram exatamente aqueles que unem sensorialidade e performance: lãs com controle climático, construções leves com regulação térmica, bases fluidas para alfaiataria que combinam conforto com estrutura, blends de cupro que entregam uma suavidade, mantendo desempenho técnico.

SUPERFÍCIES TÁTEIS E IMERSIVAS

O tacto, o sentido negligenciado pela moda digital, volta com força. Sheens úmidos (wet sheens), acabamentos vitrificados, texturas granuladas com aparência de pele, essas superfícies respondem a um desejo crescente de intimidade e conexão física com o vestuário, particularmente relevante no segmento premium.

LINHO — A NOVA SEDA SUSTENTÁVEL

O linho foi um dos materiais mais celebrados da edição, com a PV apostando nele como símbolo da nova era da sustentabilidade bem contada. A parceria com a European Linen and Hemp Alliance resultou na experiência ‘Journey to the Heart of Linen’, que apresentou rastreabilidade, sourcing local e transparência de fibra como diferenciais comerciais, não apenas valores ambientais. A Linen Experience mostrou ao mercado que o linho europeu tem narrativa, história e prova de origem, e que o consumidor premium paga por isso.

MALHAS, MESH E CONSTRUÇÕES LEVES

Knitwear, mesh e construções leves dominaram o território do ‘Disruptive Optimism’. Malhas expressivas, transparentes ou completamente opacas, com volumes lúdicos mas vestíveis, essa é a proposta. Não é o knit básico de varejo de massa: é a malha como statement. Para empresas brasileiras com ca -

pacidade em malharia técnica, como Savyon e Moltec, esse território representa uma oportunidade direta de upgrade de posicionamento.

ORGANZA, MUSSELINE E A VALORIZAÇÃO DO AÉREO

Organzas e musselinas semitransparentes aparecem com nova relevância na SS27, geralmente combinadas com padronagens clássicas reinventadas (gingham, xadrez, stripes) ou como base para bordados e trabalhos de superfície. O aéreo e o fluido se consolidam como resposta ao desejo do consumidor por leveza e conforto, e ao mesmo tempo abrem espaço para alto valor artesanal através de tratamentos de superfície.

COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR: O QUE ESTÁ MUDANDO DE VERDADE

Tendências de tecido e cor são consequências, não causas. Para entender verdadeiramente o que a PV revelou sobre o futuro, é preciso olhar para as mudanças comportamentais que estão gerando essas preferências de produto.

DO QUIET LUXURY AO JOYFUL MAXIMALISM

A grande virada comportamental da SS27 é a transição do Quiet Luxury, dominante desde 2022-2024, para o que estamos chamando de Joyful Maximalism. O consumidor premium cansou de não ser visto. Depois de anos de logomania discreta e paletas silenciosas, há um desejo crescente de expressão, cor, textura e alegria como declarações de identidade. Não é uma rejeição ao bom gosto, é uma ampliação do que o bom gosto pode ser.

SUSTENTABILIDADE COMO PRÉREQUISITO, NÃO DIFERENCIAL

O mercado europeu, pressionado pela legislação do EU Green Deal, pelo Digital Product Passport e pelos novos padrões ESG, está impondo práticas sustentáveis como requisitos de entrada. Na PV 2026, a sustentabilidade não era mais uma seção separada com expositores nicho, estava integrada ao discurso de todas as marcas relevantes. Rastreabilidade, materiais certificados, processos com menor impacto hídrico e energéti-

co: quem não tem essa história contada de forma clara e verificável está sendo deixado para trás.

PV × HEURITECH: QUANDO A CRIATIVIDADE ENCONTRA A INTELIGÊNCIA DE MERCADO

Uma das novidades mais estratégicas desta edição foi a parceria oficial entre a Première Vision e a Heuritech, startup francesa pioneira em análise preditiva de moda por inteligência artificial. Pela primeira vez, os seminários de tendências da PV foram enriquecidos com dados de adoção de tendências em tempo real, combinando a visão criativa dos editores de moda com evidências quantitativas de mercado.

A Heuritech analisa milhões de imagens de redes sociais, plataformas de e-commerce e passarelas para identificar padrões de adoção e projetar crescimento

PREMIÈRE VISION

to Y no mercado Z nos próximos 12 meses’.

Para compradores e marcas, isso muda fundamentalmente o processo de decisão. Para produtores e fornecedores têxteis, inclusive brasileiros, representa uma mudança de paradigma: entender dados de tendências não é mais território exclusivo de grandes marcas com equipes de pesquisa robustas. A tecnologia está democratizando o acesso à inteligência de mercado.

O Brasil chegou a Paris em 2026 com mais força do que nunca. Quinze marcas, uma nova parceria com o setor algodoeiro, presença na Maison d’Exceptions, uma palestra na área central do evento. Isso não é pouco. Isso é um ponto de partida sólido. Mas o ponto de chegada precisa ser muito maior.

O Brasil tem o produto, tem a história, tem a natureza, tem o artesanato, tem a criatividade e, agora, com a SS27 confirmando tendências que jogam diretamente a favor das nossas forças, tem também o momento certo. O que falta é urgência estratégica e consistência de presença. E a Première Vision, a cada edição, nos dá o lembrete mais eloquente de que o mundo não vai esperar.

O CARNAVAL E A “ALTA-COSTURA” BRASILEIRA

IZA VESTE O CROCHE

AUTORAL DE GUSTAVO

SILVESTRE COMO

MANIFESTO DE LUXO, RESISTÊNCIA

E IDENTIDADE

Foto: Alex Santanta
Stylist: Bianca Jahara

Quando as fotos de carnaval começaram a circular no Instagram, confesso que minha primeira reação foi de desconforto. Não com a festa em si, pois o carnaval é parte inegável da nossa identidade cultural. Mas com o que eu sabia estar por trás de todo aquele glamour: purpurina, glitter, pedrarias, plumas, tecidos e cores sintéticas. Fantasias descartáveis que, na minha cabeça, iriam direto para o aterro sanitário sem escalas. Sem falar na proveniência das mesmas e nas condições trabalhistas de quem as produz.

Dias depois, meu editor me enviou umas fotos com uma sugestão de pauta sobre carnaval e luxo. Fiquei um tanto apreensiva sobre qual ângulo poderia dar à matéria sem sair da minha editoria: sustentabilidade e cultura. Cultura eu entendia, mas sustentabilidade com tanta pluma e paetê parecia uma equação difícil de resolver. Fui pesquisar mesmo assim.

E foi assim que o meu julgamento apressado foi, sozinho, para o aterro.

Comecei pelo ensaio de rua da Imperatriz Leopoldinense, onde a cantora Iza - nossa capa - vestia Gustavo Silvestre. Rainha de bateria da escola, ela surgiu inspirada nos figurinos icônicos de Ney Matogrosso, traduzindo a homenagem da escola ao cantor em linguagem de moda autoral. Segui para o Copacabana Palace, onde quatro influenciadoras usavam criações do mesmo ateliê. Nah Cardoso, em crochê de fitas metalóides, interpretava Carmen Miranda num luxuoso look maximalista no melhor estilo da artista. Lore Improta representou a Bahia inteira: os Caretas das festas Iza,rainhadebateriadaImperatrizLeopondina,lookfeitopeloestilistaBrunoOliveira

de rua, os trios elétricos Tapajós e Marajós dos anos 60 e 70, o "mamãe sacode" dos anos 90. Virgínia Fonseca, rainha de bateria da Grande Rio, estreou no baile com cristal Swarovski, numa peça inspirada no Caboclo de Lança da escola. E Jordanna Maia quis, nas suas próprias palavras, "revelar o Carnaval como a verdadeira alta-costura brasileira."

Todas vestindo narrativas fortes

de identidade brasileira produzidas pelo mesmo ateliê. Eu só pensava na pesquisa por trás disso tudo, dos materiais usados à criatividade das representações e interpretações únicas, como a Carmen Miranda de Nah e o Ney Matogrosso de Iza. É essa a complexidade que move o ateliê de Gustavo Silvestre: verdadeiros objetos de arte, colaborações in -

ternacionais de altíssimo nível e peças construídas por mãos que carregam histórias profundas de impacto social. Entre o invisível e o grandioso, entre a fita metalóide do carnaval de Pernambuco e o encerramento da Semaine de la Haute Couture de Paris.

DAS RAÍZES DE RECIFE ÀS PASSARELAS DO MUNDO

Gustavo Silvestre nasceu em Recife. E esse não é um detalhe biográfico menor: é a origem de uma gramática visual que ele nunca abandonou. As fitas metalóides, populares no carnaval e nas manifestações culturais de Pernambuco, tornaram-se um dos pilares de uma pesquisa têxtil que o ateliê vem desenvolvendo e aprimorando há anos. Os quatro looks do Baile da Vogue carregam essa assinatura. Mas dois deles vão além: os de Nah Cardoso e Jordana Maia trazem elementos diretos da coleção apresentada em parceria com

Gustavo Silvestre e as fitas metalóides típicas do carnaval de Pernambuco
Oficina do Projeto Ponto Firme com Gustavo

Kevin Germanier. A identidade local que alimenta o trabalho internacional. O trabalho internacional que volta para o carnaval. Estratégias circulares que não se limitam aos materiais, mas conectam processos, territórios e pessoas.

Essa parceria nasceu em 2022, quando um grupo de representantes da moda francesa visitou o Brasil em uma iniciativa apoiada pela Embaixada da França. Entre eles estava Germanier, estilista suíço que já apresentava coleções na Paris Fashion Week. A visita ao ateliê surpreendeu os europeus pelo trabalho social e pelo fazer inteiramente manual. Foi ali que Germanier convidou Gustavo para uma colaboração - parceria que já se estende por oito temporadas

Desfile de Alta-Costura de Paris de 2025 (Outono-Inverno) Germanier em colaboração com Gustavo Silvestre

consecutivas e que culminou, em 2025, na estreia de Germanier no calendário da Haute Couture, assumindo o horário de encerramento da temporada parisiense, posto que, durante décadas, foi o lugar de honra tradicionalmente ocupado pela Chanel.

O material apresentado nessa ocasião foi a ráfia plástica, em parte reaproveitada de resíduo plástico, trabalhada em crochê com tingimento 100% manual, sem intervenção mecânica em nenhuma etapa do processo. "É bem difícil impressionar o pessoal lá, mas eu te falo que a pessoa fica de boca aberta quando vê as coisas assim, feitas em crochê. Eles valorizam muito o trabalho artesanal", diz Danilo, diretor da marca há dez anos. Segundo

CAPA

ele, esse tipo de mão de obra, especializada em crochê manual, é extremamente difícil de encontrar na Europa. O trabalho criativo, diz ele, é "desenvolvido literalmente a quatro mãos": Germanier dá a direção do lado de lá; Gustavo pesquisa materiais e formas do lado de cá, até chegar ao resultado apresentado na passarela.

Do ponto de vista material, o ateliê pratica um upcycling que vai além do óbvio: paetês desenvolvidos manualmente a partir de descarte industrial plástico; resíduos de couro ovino natural ou ecológico; ráfia plástica, em parte reaproveitada de resíduos. Tingimento manual e também natural, quando o material permite, além do sintético quando não há alter -

As fitas metalóides pernambucanas que invadiram a Semana de AltaCostura de Paris

Desfile de Alta-Costura de Paris de 2025 (Outono-Inverno) Germanier em colaboração com Gustavo Silvestre

CAPA

nativa, já que o plástico não absorve corante vegetal.

A última participação na São Paulo Fashion Week, em outubro de 2025, realizada no Museu de Arte Contemporânea (MAC), foi uma síntese dessa pesquisa: resíduos transformados em artigos de luxo que circulam entre o carnaval e o tapete vermelho com a mesma naturalidade. A indústria europeia chama isso

de savoir-faire. No ateliê de Gustavo Silvestre, tem outro nome: sobrevivência criativa. E essa sobrevivência tem uma história que começou bem antes das passarelas de Paris e dentro dos muros de um presídio em Guarulhos.

PONTO FIRME: FIOS DE LIBERDADE

Em 2015, Gustavo Silvestre entrou

pela primeira vez na Penitenciária Desembargador Adriano Marrey, em Guarulhos, sem pretensão alguma. Era um projeto voluntário. O que encontrou foi uma fonte de talento, em estado bruto, e o tempo ocioso de quem não tem perspectiva de futuro. A reincidência é frequente quando não há trabalho à espera do lado de fora.

O projeto Ponto Firme começou com o ensino de crochê dentro do presídio, usando o crochê como instrumento de ressocialização, com capacitação profissional, geração de renda a partir de projetos e parcerias firmadas e remição de pena: como previsto por lei, a cada três dias de trabalho no projeto, o detento reduz um dia de sua sentença.

Mas o que veio depois foi o gesto que o separou de tantas iniciativas bem-intencionadas e esquecidas: Gustavo apresentou, na São Paulo Fashion Week, uma coleção desenvolvida 100% dentro da penitenciária. Como resume Danilo Sorrino, diretor da marca: "A gente fez o desfile na São Paulo Fashion Week, para o público e a imprensa, e depois apresentamos o mesmo desfile, com o mesmo casting e os mesmos modelos, também dentro da penitenciária, para que os participantes pudessem ter acesso ao que é um desfile de moda."

Um desfile feito por eles. Esse gesto de reciprocidade foi registrado no documentário O Ponto Firme, de Laura Artigas, que acompanhou nove meses do processo e venceu prêmio em um festival de cinema de direitos humanos, em Los Angeles.

Jordanna Maia no Baile do Copa de Gustavo Silvestre.

Foto: @jordannamaia/Instagram

No entanto, o que começou como um projeto dentro do presídio não ficou restrito às passarelas, ou mesmo às roupas. Em 2019, quando a Farm Rio inaugurou sua primeira loja nos Estados Unidos, em Manhattan, os clientes se depararam com algo inesperado nos provadores: estruturas circulares de crochê, feitas inteiramente à mão, que remetiam às ocas indígenas brasileiras. "A gente já fez provadores da Farm que foram exportados para o mundo inteiro: provadores de crochê que tinham 3 metros de altura, pesavam meia tonelada, viajavam de navio. Foi para Nova York, foi para Milão, Paris, Turquia, para todos os lugares", conta Danilo. O projeto arquitetônico era de Marcelo Rosenbaum. A execução têxtil ficou a cargo do Projeto Ponto Firme, coordenado por Gustavo Silvestre, reunindo artesãs e egressos do sistema prisional que transformaram centenas de quilômetros de fio em mobiliário de loja.

Com o apoio da Brasil Foundation, em 2020, o ateliê escola foi aberto no centro de São Paulo. E hoje, o projeto vive do lado de fora dos muros: absorvendo egressos do sistema carcerário, mães solo e artesãs em situação de vulnerabilidade, muitas encaminhadas pelo Ministério Público do Trabalho. São essas mãos, com todas as histórias que carregam, que estão por trás de cada peça assinada por Gustavo Silvestre.

O LUXO QUE NÃO CABE EM SÉRIE

Há uma pergunta que a indústria da moda raramente responde com ho-

nestidade: quanto custa um crochê feito à mão? Falo do custo real: em horas, em histórias, em quilômetros de fio, em anos de pesquisa.

"O luxo para a gente é o original. É o artesanal, principalmente. É aquilo que é feito à mão e, principalmente, respeitando o que tem por trás dessa roupa. A roupa que a gente vende não se limita ao design da peça. Tem uma história, tem uma

alma por trás que, pra gente, é muito valiosa", diz Sorrino. Segundo ele, existem peças concebidas pelas mãos de até nove profissionais, com mais de quinhentas horas de produção e quilômetros de fios de materiais. Essa definição de luxo como um processo, não apenas estética, coloca o ateliê em um território que a moda de massa simplesmente não consegue habitar.

Nah Cardoso: A Carmen Miranda de Gustavo Silvestre. Foto: @nahcardoso/Instagram

CAPA

E é exatamente por isso que a crise atual da marca é tão reveladora: em janeiro de 2026, foram formalizadas notificações extrajudiciais contra marcas que passaram a comercializar peças visualmente semelhantes à pesquisa têxtil de crochê com paetês desenvolvida por Gustavo. "A gente não está reivindicando o uso do crochê. Isso é uma técnica milenar. O que a gente está reivindicando é a autoria de uma estética

que foi a gente que criou", explica Danilo. "Existe uma diferença muito grande entre inspiração e cópia."

A diferença, diz ele, pode ser vista a olho nu: as marcas denunciadas não tinham DNA estético definido antes. Observaram o que o ateliê construiu em anos de pesquisa e passaram a reproduzir em série. "Quando você vê uma marca que oferece um produto muito similar, mas por um terço ou metade do preço, tem alguém com certeza sendo explorado nesse processo."

Segundo Danilo, existe uma crise no mercado de moda autoral brasileiro. Ela não aparece nos relatórios de tendência nem nos editoriais das grandes publicações. Mas ela existe e corrói, aos poucos, a viabilidade econômica de marcas que investem em pesquisa, mão de obra justa e inovação genuína. Quando uma peça que exigiu quinhentas horas de trabalho manual é copiada por uma fábrica que usa máquinas, o mercado não perde apenas uma peça. Perde o que essa peça representa: a cadeia inteira de artesãs, egressos, mães solo e pesquisadores de material — e a perspectiva de vida que cada uma dessas pessoas construiu em torno desse trabalho. "A gente vai continuar criando", diz Danilo. "Esse problema a gente não vai conseguir acabar. Mas é muito importante que essa discussão exista."

A roupa, afinal, tem uma alma que pertence ao artista. E almas não se copiam em série.

Reportagem baseada em entrevista com Danilo Sorrino, diretor da marca Gustavo Silvestre há dez anos. Gustavo Silvestre é estilista, artista e pesquisador, pós-graduado em artes manuais aplicadas à educação.

Lore Improta de Gustavo Silvestre. Foto: @loreimprota/Instagram

O CABOCLO, A GUARDIÃ: SÍMBOLO DE RESISTÊNCIA

Assim como o Caboclo de lança é um símbolo potente do Carnaval Pernambuco e representa proteção espiritual, a imagem de uma mulher, cozinheira e periférica, representa resistência e força de quem sabe onde quer chegar e leva os seus, sempre, onde quer que vá. Vestindo o designer QUILOMBOLA Dih Morais em um look que traz referência a EXU, ela entende que caminhar de mãos dadas é lembrar de legado, honrar histórias e enaltecer o lugar de onde se vem.

A vestimenta é de elaboração artesanal, nos toques dourados, trás a memória a riqueza de cultura e valor imaterial, aqui o que pesa é a história e a importância de representatividade, essa mesma representatividade que impacta do corrego do Deodato ao marco zero. O caboclo usa uma flor (cravo branco ou rosa) na boca e arruda atrás da orelha, rituais para se proteger espiritualmente durante a dança frenética . Aqui resolvemos lembrar das ervas que são postas nas panelas, e transformadas em temperos para dar gosto à vida, matar a fome e acalmar a alma.

Dos saberes ancestrais de seu restaurante altar (cozinha que é celebração, que é ritual, que é obra em vida) para homenageada do carnaval do Recife, das provas, as trocas, tudo faz referência à ancestralidade e o poder do construir em coletivo. A troca de uma coroa de strass por uma coroa de cipó, é uma escolha do designer que torna viva sua memoria afetiva, pois os mesmos cipós que se usam para amarrar vassouras de palhas (vassouras típicas no nordeste) tranformam-se em coroa, para nunca esquecer o quanto somos Reis e RAINHAS em uma festa onde se esquecem cada vez mais de quem faz, e serve mais a quem pode pagar.

Quanto importa uma MULHER, PRETA, GORDA, PERIFÉRICA, EMPREENDEDORA, escrever uma nova história original de sucesso ao empreender respeitando suas origens?

Quanto vale não ser mais uma na estatística da violência, do desamparo, mas sim fazer história com suas próprias mãos e talentos, sua irreverência, sua memória e seu saber ancestral, que já se vão tornando um legado.

Vestir-se de vermelho, também além de trazer EXU, o

Caboclo de lança, trata ainda de lembrar de quem muito faz e pouco é lembrado.

Um figurino que por trás da história, tem fazer manual, tem a valorização da moda brasileira, sabendo quem faz e entendendo que a MODA do designer Dih Morais conta histórias, contadas de próprio punho, e que precisamos sempre valoriza-las e honra-las.

"Vestir uma roupa feita por Dih, pra mim é importante porque acredito que ele faz suas peças por uma inspiração que vem de muito antes dele estar aqui, vem da ancestralidade divina que todos nos carregamos.

Sobre a homenagem é a colheita por eu ter plantado tudo que sou hoje! Aceitei porque me entendi como me recedora sem culpas, com gratidão e pe no chao. Deixei as portas abertas pra outras mulheres como eu, de ori gem simples, que empreenderam dentro de suas casas e que hoje tem o seu trabalho reconhecido."

Carmen veste capa de Dih Morais

A ARTE CURA, A ARTE SALVA

EM 2026, O SUSTENTA

CARNAVAL TRANSFORMOU MAIS DE 20 TONELADAS DE FANTASIA DESCARTADA EM MATÉRIA-PRIMA PARA A MODA, O TEATRO E A EDUCAÇÃO

Nas antigas celebrações da Saturnália Romana, a festividade pagã que lançou as sementes do que hoje conhecemos como Carnaval, o luxo não era um objeto tangível, mas um estado de espírito. Naquele tempo, o cidadão romano realizava um ato de rebeldia sensorial: trocava a opressiva e burocrática toga pela leve synthesis. Esse gesto não era meramente estético; era uma tentativa de recuperar o que o cotidiano urbano lhe roubava: a soberania do corpo e a liberdade de movimento.

Milênios depois, o Sambódromo parece ter invertido o gesto da Saturnália: trocou a synthesis pela toga, quilograma por quilograma de adereços sintéticos. Jean Santos, coordenador pedagógico do projeto Sustenta Carnaval, observa que as fantasias contemporâneas deixaram de ser adornos para se tornarem fardos. "As pessoas estão cada vez mais tempo em pé com essas peças no corpo, mais amarradas, mais abafadas", descreve. "A felicidade está sendo abafada." Virgínia Fonseca, que precisou remover partes de sua indumentária em plena avenida durante o Carnaval de 2026, ilustra isso: o espetáculo escala indefinidamente a cada ano, mas o corpo tem limite.

Esse peso, no entanto, não some quando a fantasia é tirada do corpo. Vai para o chão da avenida, para o caminhão, para o solo do aterro sanitário. E é exatamente nesse mo-

mento, entre o fim do espetáculo e o início do descarte, que um outro carnaval se organiza.

O QUE FICA QUANDO A FESTA ACABA

Jean Santos alerta que se trata de um material altamente tóxico, com grande potencial de oxidação no solo. "A gente está falando de mais de 20 toneladas que iriam ser compactadas e enviadas para o aterro sanitário", explica. Segundo ele, esse volume representa apenas 5% de tudo que desfila na avenida.

Segundo o Textile Exchange 2025, apenas 7,6% de todas as fibras produzidas no mundo em 2024 eram recicladas. Desse total, a esmagadora maioria era poliéster reciclado de garrafas plásticas. Menos de 1% do mercado global de fibras veio de resíduos têxteis de pré ou pós-con-

sumo. E as fantasias de carnaval, feitas majoritariamente de cetim de poliéster, spandex, nylon, lurex e EVA, estão dentro desse universo sintético que a cadeia de reciclagem ainda não sabe como fechar em escala. E se roupa raramente volta ao estado original, imagine fantasia de carnaval.

O que chama atenção não é só o volume. É a qualidade do fazer manual que está sendo enterrada. "As pessoas, quando pegam essas peças, se assustam. Falam: meu Deus, são peças gloriosas, eu não imaginava", conta Jean. O talento dos barracões, a costura precisa, a criatividade de quem transformou metros de cetim sintético em algo que parou uma avenida inteira. E tudo isso vai para o mesmo destino do que foi feito sem o mes mo cuidado.

Mariana Pinho fundadora do projeto Sustenta Carnaval

GIGANTE ÁFRICA:

O PROJETO E SEU TERRITÓRIO

Mariana Pinho cursava faculdade de moda quando foi absorvida pelo universo dos barracões das escolas de samba. Foi de dentro desse ambiente que ela viu o descarte acontecer em todas as etapas: a matéria-prima que não passava pelo controle de qualidade e não ia para a avenida, e a fantasia que voltava do desfile e terminava empilhada, esquecida. Foi dessa experiência que nasceu o Sustenta Carnaval, projeto socioambiental que

ela idealizou com foco na coleta, reutilização e educação a partir dos resíduos do carnaval carioca. Mas essa aposta ainda parecia estranha para muita gente em 2020, quando o projeto começou a ser idealizado. "Quando a Mariana foi falar sobre o projeto, no início, muitas pessoas diziam: vocês são loucos, por que vocês vão pegar isso tudo? Isso é lixo", lembra Jean. O ceticismo tinha uma lógica: o que acontece com as fantasias que voltam para os barracões não é muito diferente do aterro sanitário. Empilhadas, esquecidas, expostas durante meses ao suor, à umidade

e aos insetos que encontram ali moradia, essas peças viram lixo de qualquer forma. O problema não era só o descarte na dispersão. Era o descarte inevitável de tudo que ficava para trás.

"A gente não é de carnaval para carnaval", diz Jean Santos, que Mariana convidou para o projeto justamente por sua trajetória na educação. O projeto acontece durante todo o ano. "A gente tem que expandir. Porque é uma quantidade muito grande de material. Se a gente afunila, a gente diminui a capacidade de reutilização."

O galpão do projeto fica na Zona Portuária do Rio, território conhecido como Pequena África. O nome foi cunhado pelo sambista Heitor dos Prazeres para designar o grande reduto onde pessoas escravizadas recém-libertas encontraram proteção e aquilombamento. Jean Santos mora na região há mais de 15 anos e se recusa a usar o nome consagrado. "Não é Pequena África, é Gigante África. O carnaval é gigante, [e no Brasil] ele veio desse movimento afro-brasileiro. Se tem coisas tão gigantes que vêm desse lugar, por que a gente chama de pequeno?"

A escolha do território não foi acidental. A Cidade do Samba foi construída ali justamente para minimizar os impactos da produção do carnaval, concentrando barracões, oficinas e mão de obra numa mesma área. Os moradores cresceram vendo isso tudo acontecer, trabalharam dentro dos barracões, viveram o carnaval de perto e de dentro. O Sustenta Carnaval se instalou nesse mesmo lugar para que essas pessoas pudessem participar a partir dessa ressignificação

Oficina de upcycling com Lohanne Tavares no Sustenta Carnaval. Foto: Lohanne Tavares/arquivo pessoal

Jean Martiniano dos Santos, coordenador do Sustenta Carnaval. Foto: divulgação

SUSTENTABILIDADE

das fantasias. De quinta a domingo, o galpão está aberto e recebe escolas públicas, produtores de teatro, estilistas e foliões de bloco, todos em busca de material que, oficialmente, já foi descartado.

As parcerias foram sendo construídas à medida que o projeto provava sua capacidade de dar vazão ao material. O Teatro Municipal do Rio cedeu caminhões para as coletas e recebeu, em contrapartida, materiais para cenografia e figurino. Depois o SESC entrou com dois caminhões próprios, aumentando a capacidade de coleta. A COMLURB, empresa municipal responsável pela limpeza urbana do Rio, tam-

Do bloco ‘Dendê Nation’ do carnaval de Notting Hill. Foto: Divulgação

gente precisa continuar alimentando essa união de alguma forma."

TRANSFORMANDO A DISPERSÃO EM MOVIMENTO QUE GANHA O MUNDO

Mas a coleta e as parcerias que tornam o Sustenta possível são só a primeira parte do projeto. A pergunta que vem depois é mais difícil: o que fazer com tudo isso? Mariana Pinho mora em Notting Hill, na Inglaterra, e foi de lá que ela deu uma das respostas mais contundentes. Nos últimos anos, o projeto atravessou fronteiras: Suécia, Austrália e Inglaterra já receberam roupas e adereços do Sustenta, com mais de 450 quilos de material exportados por meio de diferentes parcerias internacionais. O lixo da Sapucaí chegou à Europa, e com ele, a prova de que esse material tem poder muito além da avenida.

Já no Rio, a designer de moda e especialista em upcycling Lohanne Tavares chegou ao Sustenta

por um caminho inesperado. Havia criado um desfile do zero para arrecadar doações para uma aldeia indígena atingida pelas enchentes do Rio Grande do Sul, usando peças de brechó manchadas e itens de carnaval. Alguém viu, reconheceu a afinidade com o projeto de Mariana e fez a apresentação. A parceria revelou uma sintonia natural: Lohanne já praticava, intuitivamente, a mesma inversão de lógica que o Sustenta propõe. Na moda convencional, a criação começa na tela em branco. No upcycling que ela pratica, começa no problema concreto: um adereço com estrutura comprometida, um tecido pesado demais para virar vestido, uma pluma que só faz sentido como detalhe de manga. "A ideia não parte do zero, parte da solução. O que você pode fazer com esse material?"

Quando visitou o galpão pela primeira vez, ainda na sede antiga, Lohanne ficou impressionada com o volume. Montanhas de fantasia por todos os lados. Filmou tudo e publicou com um objetivo simples: fazer as pessoas saberem que aquele lu-

Residência Artística ‘Carnaval para Editorial de Moda’ da Universidade de Artes de Norwich em parceria com o Sustenta Carnaval. Foto: Divulgação

Oficina de upcycling com LohanneTavares (à direita) no Sustenta Carnaval

gar existia e que era aberto ao público. "Porque senão não faz sentido. Imagina…vira um depósito? O projeto perde o propósito." O vídeo ultrapassou um milhão de visualizações.

Além disso, em 2024, algumas de suas criações feitas com material do Sustenta foram exibidas numa reunião do G20 no Brasil.

Este ano, dias antes do Carnaval, Lohanne voltou à nova sede pela primeira vez após a mudança e encontrou o galpão quase vazio. As montanhas haviam circulado. "Nós que trabalhamos com a circularidade, quando a gente vê isso realmente acontecendo, não tem mais nada que nos deixe felizes."

Outro desdobramento dessa circulação é a parceria com as Mulheres do Sul Global, negócio social fundado pela empreendedora Emanuela Pinheiro para empoderar economicamente mulheres refugiadas e em situação de vulnerabilidade através da costura. Com material do Sustenta e de estoques ociosos da indústria da moda, o coletivo produz eco-bags, carteiras e peças

duráveis feitas à mão. É onde o resíduo do carnaval encontra o mercado, e onde duas missões sociais distintas se entrelaçam, formando novas redes que potencializam o alcance do projeto.

O LUXO QUE A AVENIDA ESQUECEU NO LIXO

O que Mariana, Jean, Lohanne e as Mulheres do Sul Global têm em comum é a recusa em aceitar que o que foi feito com tanto cuidado e criatividade termine num aterro sanitário. E é nessa recusa que uma outra ideia de luxo começa a tomar forma. Se o carnaval contemporâneo transformou a fantasia em um verdadeiro fardo, o luxo que Jean Santos defende aponta na direção oposta. E não é muito diferente do gesto do cidadão romano que trocava a toga pela synthesis: é a recuperação da soberania do corpo, da leveza, do bem-estar. "Para mim, o luxo é estar bem e fazer o bem", diz Jean. E acrescenta, com a clareza de quem passou anos na dispersão vendo a felicidade ser enterrada junto com as fantasias.

Segundo ele, a percepção desse tipo de luxo precisa ser alterada também em quem está assistindo. Num tempo em que corpos se sacrificam por ideais de beleza que pouco têm a ver com bem-estar, desfilar abafada, exausta e com sangue no pé virou símbolo de dedicação. Nem sempre de alegria na Apoteose.

Lohanne Tavares concorda com essa ressignificação, à sua maneira. Para ela, o luxo do carnaval nunca esteve nas plumas ou nas pedras, mas na coletividade que o sustenta: "O mais luxuoso são as pessoas que fazem acontecer, que têm amor pelo carnaval, que trabalham o ano inteiro dentro dos barracões."

Para Jean, o que une todas essas pessoas tocadas e impulsionadas por esses projetos tem uma poesia: "A arte cura, a arte salva".

E às vezes ela começa dentro de um saco preto que todo mundo jurou que era lixo.

Reportagem com base em entrevistas com Jean Santos (Coordenador Pedagógico do Sustenta Carnaval) e Lohanne Tavares (stylist e upcycler parceira do projeto).

TECNOLOGIA CONECTA PRODUÇÃO EM ESCALA E IDENTIDADE CRIATIVA DOS ABADÁS

NO CARNAVAL

Antes mesmo de chegar às mãos dos foliões, o abadá já nasce sob uma lógica que combina escala, personalização e eficiência. No Carnaval, a produção dessas peças precisa atender grandes volumes, prazos curtos e diferentes perfis de público — um desafio que tem levado fabricantes e fornecedores a investir em tecnologias capazes de unir produtividade, padronização e menor desperdício.

Por isso, soluções voltadas à personalização em massa ganham espaço, permitindo que abadás sejam produzidos em escala sem abrir mão de identidade visual. Equipamentos de impressão digital têxtil, como a GTX Pro, da Brother, possibilitam impressão direta em tecidos com qualidade, precisão de cores e repetibilidade, otimizando processos industriais e reduzindo perdas comuns em métodos tradicionais. O resultado são peças bem-acabadas, produzidas com eficiência e alinhadas a uma lógica mais sustentável.

A partir dessa base produtiva, o abadá ganha um novo papel ao chegar ao consumidor. No Carnaval, a peça deixou, há tempos, de ser apenas um item de acesso a blocos e camarotes para se tornar ponto de partida para a criatividade. Customizar já faz parte do ritual da folia — seja para expressar estilo, diferenciar grupos ou dar novo uso a modelos de outras edições. O que muda a cada ano não é a prática, mas as possibilidades de trans-

formação, ampliadas pelo acesso à tecnologia.

Recortes, bordados, aplicações, sobreposições e mudanças completas de modelagem fazem com que um mesmo abadá ganhe diferentes versões — do bloco de rua ao camarote. A personalização também dialoga com um movimento mais consciente de consumo, em que reaproveitar peças se torna parte da experiência carnavalesca, reduzindo o descarte e estimulando a criatividade. “Há tempos o abadá deixou de ser apenas uma camisa de bloquinho de carnaval. Virou sinônimo de look exclusivo através das customizações que podem ser feitas, e já fazem parte da experiência do Carnaval”, explica Rafa Oliveira, costureira e especialista em customização criativa.

Rafa Oliveira é influenciadora Brother e especialista em customização de roupas.

Foto: Divulgação

Além do uso pessoal, essa prática também movimenta a economia criativa no período. Costureiras, artesãos e empreendedores aproveitam a alta demanda para oferecer serviços de personalização rápida, com qualidade e identidade visual. A possibilidade de produzir sob demanda e em lotes reduzidos permite atender diferentes perfis de foliões, sem abrir mão de acabamento e durabilidade. Para a Brother, marca reconheci-

da por suas soluções para costura, impressão e personalização têxtil, o Carnaval evidencia como a tecnologia pode acompanhar manifestações culturais e comportamentais já consolidadas. “O abadá é um exemplo claro de como a criatividade brasileira se expressa na prática e reforça um traço característico do Carnaval: a capacidade de se reinventar a cada ano, sem perder sua essência. Nosso papel é oferecer equipamentos que ampliem essas possibilidades, desde a produção em escala até a personalização final”, afirma João Yazaki, diretor de marketing da corporação.

COMO A INDÚSTRIA TÊXTIL COMEÇA O

CARNAVAL MUITO ANTES DO PRIMEIRO SURDO

QQuando o consumidor corre para comprar sua fantasia, escolher a cor do ano e decidir se o brilho será metalizado ou acetinado, a indústria já está no meio de um filme que começou meses atrás. O Carnaval é temporal, sim, mas o seu impacto não é. Ele nasce no calendário da moda, atravessa decisões de compra no varejo, vira demanda produtiva e só então explode na avenida.

Em 2026, a festa consolidou-se como um grande case de consumo sazonal. A movimentação econômica chegou a R$ 18,6 bilhões, 22% acima do ano anterior, segundo o Ministério do Turismo. Justamente por concentrar tanta demanda em pouco tempo, o Carnaval exige preparação antecipada, quase como um lançamento de coleção.

O CICLO INVISÍVEL DA PRODUÇÃO

Nos bastidores, o ciclo começa cedo. Em muitas confecções e fornecedores, a engrenagem gira de 8 a 10 meses antes do desfile. Primeiro vêm os sinais: tendências de cores e tecidos, inspirações do streetwear ao artesanal, referências de passarela e redes sociais. Depois chegam os pedidos do varejo, o planejamento de coleção cápsula, as definições de materiais e a organização da capacidade produtiva. Quando chega novembro, quem não se antecipou já corre para recuperar o tempo perdido. E, no Carnaval, tempo perdido costuma virar custo, retrabalho e perda de qualidade.

Essa antecipação separa quem apenas sobrevive ao pico de demanda de quem o transforma em vantagem competitiva. A correria não é só para o desfile, mas também para atender o consumidor, que busca novidade, variedade e entrega. Tudo isso pressiona a cadeia inteira, do tecido ao acabamento, do corte à logística.

Se pensarmos como estilistas à frente do tempo, o Carnaval é um grande “drop”: uma coleção com data marcada e que não pode atrasar. O diferencial está em desenhá-lo com antecedência. E isso vale tanto para produto quanto para gente.

Para o RH que atua nesse ecossistema, prazo não é apenas um detalhe operacional, mas uma restrição estratégica. A questão é clara: como recrutar, treinar e coordenar milhares de pessoas para uma demanda complexa quando a janela de contratação se fecha em poucos meses?

Relatórios recentes da ABIT apontam crescimento anual projetado de 1,1% para o setor, mas o pico carnavalesco distorce a média e exige agilidade acima do normal. Na prática, isso significa antecipar o planejamento de pessoas na mesma lógica do planejamento de coleção: mapear capacidades, prever gargalos e garantir mão de obra antes do mercado aquecer.

A VANTAGEM DE QUEM COMEÇA ANTES

Quando as empresas deixam para “começar o Carnaval” em dezem-

bro, disputam profissionais ao mesmo tempo que todos os concorrentes. Já quem inicia o ciclo ainda no meio do ano obtém ganhos claros: acesso a talentos mais qualificados, produtividade maior, porque o treinamento acontece com menos pressão, e gestão de demanda mais previsível, com menos improviso e mais controle.

É nesse ponto que a Reachr tem acumulado expertise no setor, apoiando empresas têxteis e de confecção na estruturação de processos de recrutamento sazonais e de alto volume, com critérios claros, rapidez na triagem e governança para sustentar a operação do pico sem perder qualidade.

OS PERFIS MAIS DEMANDADOS

A demanda por mão de obra nesse período costuma se dividir em duas frentes. De um lado, está o operário do barracão: costureiras de máquinas pesadas, cortadores, acabadores e montadores que trabalham em turnos estendidos para dar vida às peças. Aqui, o déficit de qualificação é um gargalo real. Levantamentos da Prefeitura de São Paulo e do CATE indicam diárias entre R$ 120,00 e R$ 150,00 para assistentes, enquanto costureiras industriais em regime temporário recebem salários mensais base em torno de R$ 2.100,00.

De outro lado, cresce o artesão do luxo. Com o aumento da demanda por trabalhos manuais, como crochê,

bordado e customização, esse nicho atende projetos de alto impacto visual e peças premium do varejo e de camarotes. É onde o handmade encontra o luxo e amplia o valor agregado do produto têxtil brasileiro.

TECNOLOGIA, INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE

A tecnologia tem sido decisiva para equilibrar volume, prazo e qualidade. No recrutamento, o uso de inteligência artificial e dados acelera triagens e melhora a precisão de perfis técnicos. Em operações bem estruturadas, isso reduz o tempo de contratação e o retrabalho, permitindo que o RH concentre energia no que não pode ser automatizado: alinhamento de perfil, treinamento e retenção.

A inovação, porém, não para no RH. Em 2026, a presença de wearable technology e soluções de iluminação e movimento elevou a exigência técnica. Fantasias com LED, controle e mecanismos integrados pedem profissionais que transitam entre têxtil e eletrônica.

Outro pilar que ganhou escala foi a sustentabilidade. Upcycling e economia circular deixaram de ser tendência de nicho para entrar no centro do planejamento. Escolas e confecções investiram mais em reaproveitamento e gestão de descarte, conectando criatividade com responsabilidade socioambiental.

O APRENDIZADO PARA 2027

O grande aprendizado de 2026 é que o Carnaval não se prepara ape-

nas para fevereiro; ele se prepara a partir do calendário da moda e do consumo, e isso começa bem antes. Se o objetivo é ganhar qualidade, reduzir custos invisíveis e aproveitar o pico como oportunidade, o melhor momento de iniciar o planejamento para 2027 é o quanto antes: mapear necessidades, criar bancos de talentos, planejar capacitações e travar decisões críticas de produção com antecedência.

Em vez de tratar o Carnaval como um sprint caótico, as empresas que o enxergam como ciclo transformam sazonalidade em método. Instituições como o SENAI e cursos livres seguem sendo essenciais para formação rápida, mas o passo seguinte é reter e evoluir: fazer a competência do pico virar competência do ano inteiro.

SANTISTA TÊXTIL REFORÇA IDENTIDADE

CORPORATIVA E CELEBRA 95 ANOS DE HISTÓRIA

Com quase um século de atuação no setor, a Santista Têxtil anuncia uma nova fase de posicionamento ao deixar de utilizar a denominação Santista Jeanswear, adotando oficialmente apenas o nome Santista Têxtil. A mudança reflete um movimento estratégico de alinhamento à amplitude de sua atuação industrial e ao momento atual da empresa, que em 2026 celebra 95 anos de história no desenvolvimento da indústria têxtil brasileira.

A atualização da marca reforça a vocação da companhia como uma plataforma têxtil completa, que vai além do denim e do jeanswear, abrangendo diferentes segmentos, aplicações e soluções em tecidos. Com essa decisão, a Santista Têxtil reafirma sua capacidade de evolução contínua, acompanhando as transformações do mercado e da cadeia produtiva, sem abrir mão de sua herança industrial e de sua relevância histórica.

Segundo Sueli Pereira, head de Comunicação da Santista Têxtil, a mudança representa um passo natural na trajetória da empresa. “A Santista tem uma história construída ao longo de 95 anos com base em inovação, qualidade e forte conexão com o mercado. Ao adotar o nome Santista Têxtil, reforçamos quem somos hoje e ampliamos nossa comunicação para refletir a diversidade de soluções que oferecemos”, afirma.

Fundada em 1931 pelo industrial José Pereira de Queiroz, a Santista nasceu em um momento decisivo para a industrialização do país, acompanhando o avanço do parque fabril brasileiro e a consolidação do setor têxtil como um dos pilares da economia nacional. Desde o início, a empresa destacou-se pelo investimento em tecnologia, escala produtiva e profissionalização dos processos industriais, contribuindo para a formação de um dos mais importantes polos têxteis do Brasil.

A principal unidade industrial da Santista Têxtil está localizada em Americana, no interior do estado de São Paulo, região historicamente reconhecida por sua vocação têxtil. O município tornou-se referência nacional em fiação, tecelagem e beneficiamento, e a presença da Santista foi determinante para o desenvolvimento econômico e social local, gerando empregos, conheci-

mento técnico e inovação ao longo de décadas. Ao longo de sua trajetória, a Santista acompanhou e participou ativamente dos principais ciclos de transformação da indústria têxtil brasileira, reinventando-se diante das mudanças tecnológicas, do consumo e das exigências de sustentabilidade. A celebração dos 95 anos marca não apenas um aniversário simbólico, mas também a reafirmação do papel da Santista Têxtil como um dos nomes mais tradicionais e respeitados do setor no país, conectando legado, território e visão de futuro.

HERBERT SCHMID. UM LEGADO DENIM

Ahistória de Herbert Schmid confunde-se com a própria evolução da indústria de denim no Brasil. Nascido na Suíça e formado pela Escola Técnica de Zurique, Schmid iniciou sua carreira na tradicional fabricante de máquinas de tecelagem Rüti, onde teve os primeiros contatos com a tecnologia e os processos da indústria têxtil.

Em 1974, mudou-se para o Brasil — decisão que marcaria definitivamente sua trajetória profissional. Nesse mesmo ano, ingressou na Santista, iniciando uma relação profissional que se tornaria uma das mais relevantes da história da companhia e da indústria de denim na América Latina. O país se tornaria o centro de sua atuação e também o cenário de algumas das transformações mais importantes da indústria têxtil latino-americana.

Em 1988, Schmid assumiu o cargo de CEO da Santista Têxtil, posição a partir da qual lideraria a empresa por cerca de duas décadas. Durante esse período, conduziu um importante processo de expansão e internacionalização que posicionou a companhia entre os principais produtores globais de denim.

Sob sua liderança, a Santista ampliou sua presença na América Latina com movimentos estratégicos, como a aquisição da Machasa no Chile e da Grafa na Argentina, fortalecendo a presença regional da companhia e consolidando sua participação no mercado de tecidos para jeans e uniformes profissionais.

Schmid também esteve à frente

de iniciativas que acompanharam a consolidação global da indústria têxtil, participando de processos de integração empresarial e expansão internacional que ampliaram a atuação da companhia em diferentes mercados.

DEPOIMENTOS

Gilberto Stocche – Presidente da Santista Têxtil

“O Sr. Schmid foi um profissional diferenciado, de enorme excelência, tanto no campo profissional quanto humano. Sua partida me abalou profundamente. Sempre contribuiu para ampliar nossa visão de negócio, especialmente em momentos decisivos de investimento, trazendo uma leitura ampla e global da indústria têxtil. Seu conhecimento e generosidade deixaram uma marca profunda em todos nós.”

Sueli Pereira – Diretora de Comunicação da Santista Têxtil

“Para mim, o Sr. Schmid foi um mestre — daqueles que nunca deixam de aprender. Quando entrei na empresa, ele já era presidente e ajudou a consolidar um dos pilares mais preciosos da Santista: o conhecimento. Curioso, visionário e generoso, deixou algo de si em tudo o que ajudou a construir. Seu legado permanece.”

ATUAÇÃO

INTERNACIONAL E LIDERANÇA NA ITMF

A atuação de Herbert Schmid também ganhou relevância no cenário internacional da indústria têxtil. Entre 2000 e 2002, ele presidiu a

International Textile Manufacturers Federation (ITMF), uma das principais entidades globais do setor. Fundada em 1904 e sediada em Zurique, na Suíça, a ITMF reúne empresas têxteis, associações industriais e entidades representativas da cadeia produtiva em diversos países. A organização tem como missão promover a cooperação internacional na indústria têxtil, produzir estatísticas e relatórios de mercado e organizar conferências globais que ajudam a orientar os rumos do setor.

Ao assumir a presidência da entidade, Schmid ampliou ainda mais sua influência global, fortalecendo o diálogo entre diferentes mercados e consolidando sua posição como uma das vozes respeitadas da indústria têxtil mundial.

CANATIBA TRENDS: NOVIDADES E TENDÊNCIAS

PARA PDV COPA E PDV SÃO JOÃO

Entender movimentos culturais e transformá-los em produto é parte essencial do desenvolvimento de coleções. Para apoiar esse processo, a Canatiba tem o Canatiba Trends, uma plataforma gratuita de pesquisa de tendências voltada para criadores que trabalham com denim, denim color e sarjas.

O conteúdo é desenvolvido de criativos para criativos, com foco em oferecer informações relevantes para quem está no processo de criação. A plataforma reúne pesquisas organizadas em cápsulas temáticas, que exploram comportamentos, estéticas e direções criativas importantes para o mercado.

Cada cápsula traz uma curadoria completa que conecta inspiração e produto: análises de comportamento, referências de influenciadores, eventos culturais que impulsionam determinadas estéticas, além de fits relevantes e sugestões de tecidos Canatiba alinhados a cada proposta. Entre os conteúdos disponíveis no

Canatiba Trends, alguns PDVs ganham destaque por sua relevância comercial ao longo do ano. Um exemplo é o PDV Copa do Mundo, que explora o potencial do denim em propostas que conectam moda e espírito esportivo.

Para esse período, o jeans aparece em lavagens versáteis e contemporâneas, que dialogam com a energia dos grandes eventos globais. Modelagens confortáveis, silhuetas utilitárias e peças que transitam entre o casual e o streetwear são alguns dos direcionamentos apresentados, sempre acompanhados de indicações de tecidos Canatiba que garantem desempenho, conforto e estilo para essas propostas.

Outro momento importante do calendário são as festas juninas, que seguem inspirando coleções com forte identidade cultural. No Trends, o PDV é explorado em diferentes frentes de público.

No feminino, o denim aparece em vestidos, saias e conjuntos com

detalhes que valorizam o aspecto artesanal e romântico da estética junina. No masculino, camisas, jaquetas e calças em denim e sarja reforçam uma leitura contemporânea do universo rural.

Já no infantil, o conteúdo se inspira no universo country, com referências western, modelagens confortáveis e peças que reforçam o caráter lúdico e festivo desse período. Esses PDVs mostram como o Canatiba Trends transforma referências culturais em direcionamentos claros de produto, ajudando marcas e criadores a desenvolver coleções conectadas com o calendário e com o comportamento do consumidor.

Ao reunir inspiração, análise e direcionamento de produto em um único ambiente, o Canatiba Trends se consolida como uma ferramenta estratégica de pesquisa, criada para facilitar o processo criativo e ampliar as possibilidades de quem desenvolve moda.

Acesse canatiba.com.br/trends e boa pesquisa!

OLHAMOS PARA O FUTURO

DO CHÃO DE FÁBRICA À PASSARELA: TORITAMA

TRANSFORMA O JEANS EM CULTURA E NEGÓCIOS

NA 24A EDIÇÃO DO FJT

Pernambuco é conhecido por sua arte e cultura latentes. O estado tem tradição na música, na arquitetura, no cinema e vem se consolidando, cada vez mais, na moda. É lá que, anualmente, estilistas, influenciadores, investidores e

Entreluzeseaplausos,odenimganhanovasleiturasereafirmaaforçacriativada CapitaldoJeans.

no Brasil, será realizada de 23 a 25 de abril. Com o conceito “Urban Culture”, o evento amplia o debate sobre o jeans como expressão cultural das cidades e como motor econômico de um dos polos produtivos mais relevantes do país. Símbolo universal da moda, o jeans nasceu do trabalho e ganhou as ruas, atravessando gerações, estilos e mercados. Em 2026, o FJT propõe olhar para o denim como linguagem urbana: cada modelagem, lavagem e acabamento carrega identidade, comportamento e inovação. A proposta curatorial destaca a convergência entre indústria e criatividade, reforçando o papel do setor têxtil na construção de tendências.

Reconhecida nacionalmente como “Capital do Jeans”, Toritama cons-

truiu uma relação singular com o produto. Na cidade, o denim é mais que vestuário: é base da economia, vetor de desenvolvimento regional e símbolo de pertencimento. Durante o festival, desfiles apresentam lançamentos e novas leituras do material, enquanto a área de negócios conecta fabricantes, fornecedores, compradores e investidores de diversas regiões do Brasil.

Ao reunir moda, produção e networking qualificado, o FJT fortalece o polo do Agreste pernambucano e reafirma a competitividade da indústria nacional do jeans. Mais do que vitrine de coleções, o evento se consolida como plataforma estratégica para geração de negócios, posicionamento de marca e discussão sobre o futuro do denim no mercado brasileiro.

Créditos: Desfiles: Fotos de Elienay Fernandes Campanha: Bernardo Leite

PERFORMANCE

MONCLER ASSINA UNIFORME DO BRASIL E CONQUISTA HOLOFOTES EM MILÃO

Com a abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026, realizada nesta sexta-feira (6), o Brasil chamou atenção não apenas pela presença, mas pelo estilo. A Moncler, patrocinadora oficial do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), apresentou os uniformes da delegação nacional em parceria com o designer gaúcho Oskar Metsavaht, fundador da Osklen.

O resultado foi um visual sofisticado e inesperado: capas longas e fluidas em branco austero, confeccionadas em nylon reciclado, que unem a tradição alpina à cultura tropical. Inspiradas nas vestimentas de expedições à neve, as peças mantêm elementos icônicos como o capuz imponente e a abertura frontal com botões duplos. No verso, a bandeira brasileira reforça a identidade nacional.

A proposta, descrita por Metsavaht como uma “armadura psicológica”, foge dos clichês folclóricos e aposta em uma estética minimalista e contemporânea. A escolha da Moncler para vestir o Brasil ganhou ainda mais destaque por conta de um dos porta-bandeiras: o esquiador Lucas Pinheiro Braathen, que, ao lado da atleta Nicole Silveira, conduziu o símbolo nacional na cerimônia de abertura.

Além de vestir a delegação, a Moncler também atua como patrocinadora técnica da Confederação Brasileira de Desportos na Neve. A parceria reforça o posicionamento da marca como ponte entre alta performance e vanguarda estética — e coloca o Brasil no radar dos fashionistas em pleno palco olímpico.

EVENTOS

UM SALÃO DE INSPIRAÇÕES PARA A INDÚSTRIA

DA MODA

Mais do que negócios, o INSPIRAMAIS, historicamente, traz conteúdos relevantes para a reflexão da cadeia produtiva da moda. Na edição 33, realizada entre os dias 27 e 28 de janeiro, no Centro de Eventos FIERGS, não foi diferente. Ao longo dos dois dias de evento, foram realizadas 12 palestras sobre moda, design, sustentabilidade e Inteligência Artificial e seus impactos no setor. As apresentações aconteceram na Arena de Inovação, que nesta edição foi patrocinada pela Kisafix e apoiada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Uma das palestras mais procuradas do INSPIRAMAIS, como de praxe, foi a apresentação que detalhou a pesquisa The Turning Point, que deu origem aos mais de mil materiais inovadores lançados no salão. Na oportunidade, o coordenador do Núcleo de Design e Pesquisa da Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), Walter Rodrigues, iniciou sua apresentação detalhando a metodologia da Pirâmide, que norteia a pesquisa de lançamentos do salão de moda e leva em consideração os insights dos 10% (laboratório de inovação e topo da pirâmide), 30% (materiais em desenvolvimento no meio da pirâmide) e 60% (produtos já aprovados pelo mercado e base da pirâmide). Fazendo parte dos 10%, a The Turning Point tem como referência a obra “Ponto de Mutação”, escrita por Fritjof Capra em 1981. Segundo

Rodrigues, “vivemos tempos muito semelhantes aos vividos na década de 1980, com um mundo mais fechado, protecionismo crescente, tarifas extras e polarização”. A obra referenciada traz a necessidade de um ponto de mutação sob uma perspectiva ecológica e feminina.

MODERNIDADE “GASOSA”

Dentro do contexto , a pesquisa aponta que passamos de uma Modernidade Líquida, conceito popularizado por Bauman no qual tudo era líquido e fluído, para uma Modernidade Gasosa, em que as coisas já não apenas fluem, mas “evaporam no ar”, dando a ideia de volatilidade e velocidade. Partindo desse ponto, a The Turning Point traz três temas. O primeiro deles é o “Gasoso Holístico”, que com um ponto de vista feminino aponta o design como meio de contemplação, regeneração e afeto com tecnologia. A moda, aqui, é auxiliada pelas tecnologias de Inteligência Artificial (IA). Neste tema, predominam materiais com transparências, tules, nylons, volumes e misturas . Já o tema

“Gasoso Biológic o” é influenciado pelo ancestral digital, com texturas orgânicas, muitas camadas, aspectos celulares (de plasma), aspectos gelatinosos, amorfismo e futurismo, tudo também com o auxílio da IA. Já os materiais de destaque são biopolímeros, nanoceluloses e tecidos desenvolvidos com cultura de bactérias. O terceiro tema é Ruptura, que reforça a necessidade de romper com os padrões, com as formas conservadoras, visando a recuperação da individualidade perdida em meio a um mundo homogêneo e permeado de repetições. Para as criações de materiais, as influências predominantes são as construções tridimensionais, com dobras abruptas, sobreposições e fragmentações, colocando o corpo como base para a criação de novas geometrias. A ca rtela de cores da The Turning Point traz como cores principais o violeta ice, o amarelo e o acqua.

BIOMA AMAZÔNICO

No segundo dia do evento, chamaram a atenção do público duas palestras. A primeira delas foi a

que detalhou o projeto Iconografia Local Bioma Amazônico, lançado na COP30, em novembro passado. Para essa apresentação, Walter Rodrigues recebeu a companhia do designer de moda Leandro Castro, que desfilou o projeto nas passarelas do São Paulo Fashion Week (SPFW).

A iniciativa, realizada nos territórios de Santarém, distrito de Alter do Chão, Belterra e Mojuí dos Campos, desenvolveu uma pesquisa territorial aprofundada com foco na identidade local. A investigação contemplou elementos como agricultura familiar, turismo, artesanato, gastronomia, música, madeira, castanhas, pesca (pirarucu), óleos essenciais, ciência/medicina natural, biomateriais, entre outros aspectos da cultura local. A partir dos insumos criativos da pesquisa, a Assintecal auxiliou 19 empreendimentos locais no desenvolvimento de produtos e serviços com identidade territorial, valorizando e estimulando a bioeconomia local.

Segundo Rodrigues, a pesquisa serviu como base para desenvolvimento de coleções inovadoras. No total, foram desenvolvidos mais de 80 novos materiais e soluções das empresas Amazoniere, Amélias da Amazônia, Biojoias Natureza Viva, Chácara Nova Esperança, Casa do Eltom, Coomflona – Cooperativa Mista da Flona Tapajós, Cuias Aíra – Associação das Artesãs Ribeirinhas de Santarém (Asarisan), Deveras Amazônia, Escola Indígena Borari Antônio de Sousa Pedroso, Etno Confecções Borari – Associação de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós, H Móveis Madeira, Quintal Produtivo Belt Bom, Loja Zagaia, Mestre Jefferson Paiva, Nunghara Biojoias, Pousada do Mingote, Qui-

lombo de Murumurutuba – Rafro Modas, Quilombo de Murumurutuba – Azearte, Trançados do Arapiuns e Viveiro Floresta Ardosa. Os mate riais estavam expostos no evento.

SPOILER

Outro momento importante do sa lão foi a apresentação da pesquisa Essência, que terá seus materiais lançados na próxima edição do INS PIRAMAIS, nos dias 7 e 8 de julho, em São Paulo/SP. Para a apresentação, Walter Rodrigues recebeu a compa nhia de Marnei Carminatti, coordena dor do Preview do Couro do Salão.

O ponto de partida da pesquisa é re pensar o conceito de luxo, cada vez mais ameaçado pela competição baseada em preços. Segundo Rodri gues, existe um descolamento entre preço e valor percebido, gerando questionamentos por parte dos con sumidores. “Isso obriga as grandes marcas a ressignificar a palavra e justificar a sua existência”, ressalta. Com isso, aparece a essência como uma retórica inegável. É preciso resgatar a importância do luxo como aspecto de raridade, herança histórica e autoridade cultural.

Walter Rodrigues. Idealizador Inspira mais

O primeiro tema da pesquisa é o Purismo, que valoriza o silêncio, a pausa em meio ao excesso e a ancestralidade, em um “retorno ao essencial”. Entre os materiais, aparecem com destaque os acetinados, os couros limpos, os laços, as peles exóticas e a impressão sobre couro vacum, sempre com aspectos que remetem à leveza, à alta costura, ao classicismo e à delicadeza. “Aparece muito forte também a camurça, trazendo o seu toque suave, o brilho delicado, os metalizados e o croco”, acrescenta Rodrigues.

O segundo tema é o Popismo, que celebra o “excesso com intenção”. “É o luxo que se afirma no exagero, na intensidade da cor e na força das estampas”, informa o criativo, destacando que os materiais desenvolvidos são inspirados no barroco e na cultura pop, com muita sinuosidade, teatralidade e estímulo sensorial. “Se o purismo valoriza a pausa, o popismo reivindica a intensidade. É capital cultural em ebulição, uma mistura de referências que resgata arquivos, cria abundância e ludicidade”, acrescenta. Entre as referências, aparecem o estampismo com flores, referências à natureza e cores mais intensas. A cartela de cores é composta, principalmente, por tons de cobre, vermelho e verde.

EXPOPRINT LATIN AMERICA ANUNCIA A ILHA

DA SUBLIMAÇÃO

AExpoPrint & ConverFlexo Latin America 2026, maior evento de impressão das Américas, anuncia a realização da Ilha da Sublimação, congresso gratuito voltado para profissionais e empreendedores do setor de brindes e personalizados. A iniciativa, que ocorre dentro da feira durante seus cinco dias de realização, oferece imersão em conhecimento técnico, prático e de gestão.

Com curadoria de Felipe Soares, um dos maiores especialistas da área, a Ilha da Sublimação apresentará uma programação intensa de palestras e workshops diários sobre temas como sublimação, transfer, DTG e novos métodos de produção. O objetivo é fornecer conteúdos que sejam aplicados diretamente no dia a dia dos negócios, de empreendedores iniciantes a executivos experientes. A Mecolour e a

Sublivix são Patrocinadoras Ouro da Ilha da Sublimação.

"A Ilha da Sublimação é um investimento que o empreendedor faz em sua empresa e carreira", afirma Felipe Soares. "Cada participante recebe um conteúdo de valor, com insights para produção, gestão e ampliação de negócios, que podem ser aplicados imediatamente. Nosso objetivo é que ninguém saia da Ilha da mesma forma que entrou."

Alexandre Keese, diretor comercial da APS Eventos, destaca: “A primeira edição da Ilha da Sublimação foi na ExpoPrint 2018. Desde então, milhares de empreendedores aprenderam com nossos convidados, tanto tendências em personalizados quanto dicas essenciais de como gerir seu negócio e divulgar seu portfólio. Este é nosso principal objetivo: mostrar como ser mais eficiente e alcan -

çar maior lucratividade de forma estratégica e criativa".

Ao redor da Ilha da Sublimação, estão empresas do setor oferecendo uma gama de insumos e maquinários, como impressoras DTF, prensas térmicas, calandras, filmes e papéis sublimáticos. Isso proporciona aos participantes uma experiência de imersão completa, conectando conhecimento teórico com tecnologia e oportunidades de networking.

A ExpoPrint & ConverFlexo Latin America 2026, realizada pela Afeigraf e organizada pela APS Eventos, acontece de 24 a 28 de março no Expo Center Norte, em São Paulo. Para participar da Ilha da Sublimação, basta realizar a credencial de visitante para a ExpoPrint. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site: www.expoprint.com.br/pt/visite/not.

Fonte: Tiago Keese

EPSON COMPLETA SEU PORTFÓLIO DE IMPRESSÃO TÊXTIL DIGITAL PARA LIDERAR O MERCADO NA AMÉRICA LATINA

AEpson, líder mundial em impressão digital têxtil, tem o prazer de anunciar a incorporação da tecnologia Direct-to-Film (DTFilm) ao seu portfólio, completando uma oferta que reúne quatro soluções — Sublimação, Direct-to-Garment (DTG), Direct-to-Film (DTFilm) e Direct-to-Fabric (DTF). Com essa consolidação, a companhia apresenta uma proposta integrada que abrange desde a criação do protótipo até a produção industrial, atendendo operações de diferentes portes.

O mercado têxtil latino-americano avança rumo à personalização, ciclos de lançamento mais frequentes e processos digitalizados. Nesse cenário, a Epson apresenta um portfólio estruturado em quatro pilares:

Qualidade excepcional e consistência de marca: a tecnologia de impressão têxtil da Epson é projetada para entregar qualidade de imagem superior e consistência de cor, ajudando as empresas a proteger o valor de suas marcas e a produzir peças que elevam o padrão do mercado.

Produtividade acelerada e agilidade operacional: as soluções foram desenvolvidas para maximizar o tempo de operação e otimizar o fluxo de trabalho, permitindo que as empresas ampliem sua capacidade produtiva e respondam com agilidade aos pedidos sob demanda ou tiragens curtas.

Eficiência e crescimento inteligente: com design compacto e otimização de insumos, é possível aumentar a rentabilidade ao aproveitar melhor recursos existentes — como espaço e equipe — sem adicionar complexidade às operações. Esse enfoque eficiente também contribui para uma produção com menos desperdício.

Aliança estratégica e suporte con-

fiável: a Epson reforça seu compromisso como parceira estratégica ao oferecer suporte completo por meio de sua equipe local de especialistas, garantindo confiança e tranquilidade típicas de uma referência global em tecnologia.

AS QUATRO

TECNOLOGIAS EPSON EM AÇÃO

Sublimação: ideal para poliéster, com tintas UltraChrome® DS.

DTG (Direct-to-Garment): impressão direta em peças de algodão, perfeita para tiragens curtas com alta qualidade.

DTFilm (Direct-to-Film): impressão em filme para transferência em diversos materiais e tipos de vestuário.

Direct-to-Fabric (DTF): solução industrial de impressão direta em quase todos os tipos de tecido, para decoração, moda e roupas infantis.

“Com esse portfólio integrado, buscamos oferecer aos clientes um caminho claro para suas diferentes necessidades de produção têxtil”, afirmou Mark Krzywicki, Gerente de Produtos Industriais da Epson.

SureColor F9570H - Sublimação
SureColor F9570H _11

IMPRESSÃO DIGITAL TÊXTIL

Muito antes da tinta chegar ao tecido, a qualidade da impressão já está sendo definida por um elemento essencial: a preparação do arquivo

Mesmo com impressoras avançadas e tintas de alto desempenho, um arquivo mal preparado compromete os resultados da impressão. Já um arquivo tecnicamente estruturado garante eficiência, precisão e estabilidade ao longo da produção.

RAPPORT: ONDE TUDO PODE DAR CERTO — OU ERRADO

Na impressão digital têxtil, repetições perfeitas não são detalhe estético, são requisito técnico.

Uma repetição bem construída assegura continuidade visual ao lon-

go dos metros de tecido, evitando emendas visíveis ou desalinhamentos que só aparecem quando o tecido já está impresso.

Escolher a resolução adequada ao construir o projeto é igualmente importante. O designer deve considerar a distância de visualização e a capacidade real da impressora — alta o suficiente para preservar detalhes, mas não excessivamente grande que apenas tornam o processamento mais lento, sem ganho efetivo de qualidade.

Sob o ponto de vista produtivo, um rapport preciso permite que o RIP processe um arquivo organizado e otimizado, em vez de uma imagem contínua excessivamente pesada. O resultado é mais velocidade, maior fluidez de dados e melhor de-

sempenho operacional. E vale lembrar: armazenamento de arquivos de imagens também tem custo.

Quando o rapport é bem estruturado, o risco de retrabalho diminui drasticamente.

SEPARAÇÃO DE CORES

A impressão digital opera dentro de limites técnicos claros: conjuntos de tinta específicos e gamas de cor determinadas para cada equipamento.

Quando as cores são criadas sem considerar essas limitações, o RIP precisa reinterpretá-las — e é nesse momento que surgem desvios indesejados.

Organizar a arte em canais de cores permite controle total sobre cada elemento da estampa. Essa prática possibilita:

1. Alinhamento com o perfil da impressora

2. Maior estabilidade e repetibilidade cromática

3. Criação ágil de variantes de cor a partir de um único arquivo

4. Adaptação mais rápida a diferentes substratos ou condições de produção

Softwares especializados de design têxtil, como o AVA CAD/CAM, facilitam esse processo ao permitir a separação precisa das cores e o recolorimento utilizando exclusivamente os tons disponíveis no perfil ICC da impressora. Assim, as escolhas criativas permanecem não apenas visualmente atraentes, mas tecnicamente viáveis.

Já as imagens achatadas reduzem drasticamente a flexibilida -

de. Sem separação de cores, perde-se a possibilidade de ajustes individuais das cores.

GERENCIAMENTO DE CORES:

PREVISIBILIDADE É LUCRO

Gerenciar cores não é apenas buscar tons mais precisos. Trata-se de estruturar todo o processo para que a impressão seja estável, previsível e economicamente viável e satisfatória, evitando excesso de tinta, reduzindo erros e aumentando a produtividade. Utilizar o perfil ICC de impressoras no sistema CAD permite gerar amostras digitais confiáveis. A simulação em monitor calibrado antecipa como o desenho será reproduzido no tecido com determi-

nado conjunto de tinta, revelando limitações de gama ou possíveis desvios antes mesmo da primeira metragem ser impressa e acabada. Esse fluxo de trabalho fortalece a comunicação entre design e produção, reduz as amostragens físicas desnecessárias e melhora a previsibilidade do processo.

Segundo Gabriel Gonzales - diretor de apoio técnico LATAM da Print Factory, na prática não basta que a cor esteja correta hoje. Ela precisa se manter visualmente igual amanhã e daqui a três meses. Essa constância é o que sustenta um negócio lucrativo. Sem controle, surgem variações e variações geram custos: reimpressões, desperdício de material, tempo extra de máquina e principalmente desgaste com o cliente.

Quando a cor está sob controle, a empresa pode trabalhar com diferentes substratos — ou até diferentes equipamentos — sem comprometer o resultado.

No cenário atual, onde competitividade é regra, o gerenciamento de cores não é um detalhe reservado a especialistas, é uma ferramenta fundamental para produzir de forma mais organizada, previsível e lucrativa. Ter controle sobre a cor significa ter controle sobre o seu negócio.

PROTAGONISMO DO VAREJO DE MODA EM

AGENDAS ECONÔMICAS, REGULATÓRIAS E ESG

AAssociação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), entidade que representa o varejo de moda nacional, acaba de lançar seu Relatório Anual de Atividades 2025, documento que reúne os principais debates, posicionamentos e entregas que marcaram um ano importante para o varejo de moda brasileiro. O material reforça o papel da entidade como referência técnica e institucional em temas como isonomia tributária, Reforma Tributária, comércio eletrônico internacional, governança, direitos humanos e sustentabilidade.

Em um cenário de forte transformação regulatória e intensificação da concorrência global, o relatório detalha a atuação da ABVTEX junto aos poderes Executivo e Legislativo, governos estaduais, organismos internacionais e entidades setoriais, com foco na correção de assimetrias

competitivas, no fortalecimento da fiscalização digital e na construção de um ambiente de negócios mais justo e previsível para o setor.

Um dos destaques da publicação é o capítulo dedicado ao PROGRAMA ABVTEX, reconhecido como a principal iniciativa setorial da América Latina na promoção do trabalho digno, conformidade legal e sustentabilidade na cadeia produtiva da moda, que acaba de completar 15 anos e entrar em uma nova fase.

O relatório apresenta os avanços do lançamento do Selo Cobre (que amplia o acesso da cadeia produtiva ao PROGRAMA ABVTEX ao reconhecer empresas em início de jornada, estimulando formalização e evolução responsável) e a consolidação da Vertical de Sustentabilidade Financeira (inovação que amplia a análise de risco da cadeia

produtiva ao integrar dimensões sociais, ambientais e econômico-financeiras).

O documento também registra a ampliação da Agenda ASG da entidade, com parcerias estratégicas com organizações como OIT, OCDE, Sebrae, ACNUR, Better Cotton e Pacto Global da ONU, além da participação da ABVTEX na COP30, reforçando a presença do varejo de moda brasileiro no debate global sobre clima, cadeias responsáveis e desenvolvimento sustentável.

Mais do que um balanço institucional, o Relatório Anual ABVTEX 2025 apresenta uma visão estruturada sobre os desafios e oportunidades do setor nos próximos anos.

O Relatório Anual ABVTEX 2025 está disponível para acesso público em: www.abvtex.org.br/relatorio-anual-abvtex

SUSTENTABILIDADE NA MODA COMEÇA ONDE MENOS SE VÊ

Durante muito tempo, falar em sustentabilidade na moda significava discutir campanhas, posicionamento de marca ou tendências de consumo. Hoje, porém, a mudança real acontece longe das vitrines. Ela começa em lugares menos visíveis — como na sala de corte, na gestão de resíduos e, cada vez mais, nas políticas internas das empresas.

Os dados mais recentes levantados pelo IEMI – Inteligência de Mercado mostram que a indústria de confecção brasileira vive uma transição silenciosa, mas estrutural. Um levantamento realizado com 280 fornecedoras certificadas aponta que 46% já possuem programas de sustentabilidade na produção e comercialização, e entre as empresas com iniciativas estruturadas as prioridades são eficiência no uso de recursos (79%) e redução e reaproveitamento de resíduos têxteis (77%).

Talvez o exemplo mais emblemático dessa mudança esteja nos retalhos. Em média, 7,2% do tecido utilizado na produção ainda se transforma em sobra. Há espaço real de melhora: 35% das empresas já mantêm perdas de até 5%, enquanto 19% enfrentam índices acima de 10%.

Reduzir perdas significa economizar matéria-prima, energia e custos, mas também responder a um consumidor que passou a questionar como e quando se produz.

O controle da destinação de resíduos também avança. Segundo o

levantamento, 99% das empresas indicam destinação correta para retalhos e aviamentos, 85% para papéis, 76% para plásticos e 73% para lâmpadas e sucatas metálicas.

A adoção gradual de matérias-primas certificadas e recicladas também ganha força: 16% das empresas já utilizam esses materiais, e dentro desse grupo 65% afirmam estar ampliando o consumo. Entre as metas dos programas de sustentabilidade surgem transparência e rastreabilidade (26%), redução de emissões (24%) e práticas de economia circular como upcycling e logística reversa (22%).

A sustentabilidade também passa a ocupar uma linha de orçamento. Entre as empresas que já possuem programa ambiental, 35% afirmam ter verba específica — com média de 3,6% do faturamento — e 22% contam com assessoria externa para apoiar a implantação.

Outro aspecto relevante é que a transformação já ultrapassa o campo ambiental. No eixo social, políticas de diversidade, equidade e inclusão estão presentes em 80% das empresas analisadas. Dentro desse grupo, 27% possuem programas totalmente implantados e 66% estão em fase de implantação. As prioridades declaradas incluem raça e etnia (87%), gênero com foco em proteção e valorização das mulheres (64%) e inclusão de pessoas com deficiência (63%).

Isso não acontece por acaso. A

moda é uma das cadeias produtivas mais expostas ao escrutínio público global. Investidores, varejistas internacionais e consumidores exigem cada vez mais clareza sobre origem, condições de trabalho e impacto ambiental. Ignorar essa agenda deixou de ser opção estratégica. O que vemos, portanto, não é uma mudança pontual, mas um reposicionamento gradual da indústria brasileira.

Ainda há um longo caminho a percorrer. Parte das empresas segue em fase inicial, e desafios estruturais permanecem relevantes. No fim, talvez a principal mudança seja de percepção: sustentabilidade não representa mais um custo adicional imposto ao setor, mas uma ferramenta para produzir melhor, reduzir riscos e manter competitividade.

Fonte: ads

Marcelo Prado Consultor e diretor do IEMI –Inteligência de Mercado

BRASILIDADE E

INOVAÇÃO MARCAM A ABUP

SHOW E A ABCASAFAIR EM SÃO PAULO

MULTIFLON, WOLFF E GRANDES NOMES DO SETOR TÊXTIL BRILHAM ENTRE OS EXPOSITORES

São Paulo recebeu duas das maiores feiras do setor de casa e decoração — ABUP SHOW e ABCasa Fair — que juntas reafirmaram o protagonismo da criatividade brasileira e a força dos pequenos e médios empreendedores. Com mais de 350 expositores e 30 estreantes, os eventos celebraram a diversidade cultural e a inovação que marcam o design nacional.

MULTIFLON:

SUSTENTABILIDADE E TECNOLOGIA DE PONTA

Diretamente de Caxias do Sul, a Multiflon se consolidou como referência em inovação ao lançar uma linha inédita de panelas em alumínio 100% reciclado e reciclável. O novo portfólio inclui revestimentos cerâmicos de alta tecnologia, reconhecidos pela resistência à abrasão e excelente antiaderência, além de design exclusivo que une funcionalidade e sofisticação.

A marca também apresentou antiaderentes desenvolvidos com formulação própria, sete camadas e tecnologia italiana, garantindo durabilidade e desempenho superior. Segundo Marcos Téche Vieira, gestor comercial da Multiflon, “temos investido fortemente em pesquisas e tecnologias, aumentando a eficiência da nossa operação e entregando produtos com ampla qualidade e preços competitivos. Também seguimos tendências de

Wolff ESSENCIAL serenata
Blue Gardenia

- Jogo de cama e cobetor Belmont e manta Denwer

design e, cada vez mais, utilizamos materiais eco sustentáveis.”

Com esse posicionamento, a Multiflon reafirma seu compromisso em transformar sustentabilidade em estilo de vida, oferecendo ao consumidor brasileiro soluções que unem inovação, responsabilidade ambiental e excelência em performance.

WOLFF: SOFISTICAÇÃO E TRADIÇÃO NA MESA

POSTA

Na ABCasa Fair, a marca Wolff, integrante do Grupo Rojemac, foi um dos grandes destaques ao apresentar lançamentos que traduzem elegância e sofisticação.

Entre eles, a Linha Magnólia encantou pela delicadeza das formas orgânicas inspiradas nas flores, resultando em peças de cerâmica com acabamento refinado e atemporal. Já a Linha Maréa trouxe composições minimalistas que equilibram neutralidade e presença, valorizan-

do a estética essencial e discreta que caracteriza a marca.

Mais do que produtos, a Wolff reafirma sua tradição em oferecer soluções que transformam momentos à mesa em experiências memoráveis. Suas coleções refletem o compromisso em unir design contemporâneo, qualidade superior e o toque de brasilidade que inspira consumidores em todo o país.

TÊXTIL: CONFORTO E BRASILIDADE NO LAR

O setor têxtil também brilhou. A Altenburg encantou com jogos de cama em fibra de bambu, material sustentável e botânico. A Karsten lançou a coleção Ser Casa, um convite ao aconchego e à essência do lar. Já a Blue Gardenia trouxe peças em algodão egípcio 230 fios, permitindo composições personalizadas e versáteis.

OUTROS DESTAQUES

Oxford apresentou cerâmicas que

dialogam com tendências globais sem perder o toque de brasilidade.

Sanremo lançou acessórios funcionais que unem praticidade e design, com novas cores como Lavanda e Himalaia, além de serem atóxicos e livres de BPA.

Rebeca Home Decor trouxe frescor tropical à mesa posta, com cores vivas e peças artesanais que traduzem o espírito alegre do verão brasileiro.

Zannattacasa encantou com sua fachada revestida de palha nordestina e objetos autorais inspirados na fauna e flora brasileiras, em uma homenagem criativa e estética à brasilidade.

Mais do que feiras, a ABUP SHOW e a ABCasa Fair se consolidaram como palcos da brasilidade criativa, onde tradição e inovação caminham juntas. A presença de marcas como Multiflon, Wolff, Oxford, Sanremo, Rebeca Home Decor, Zannattacasa e os grandes nomes do setor têxtil reafirma o talento dos expositores nacionais e sua capacidade de transformar sustentabilidade, design e cultura em estilo de vida.

Rebeca Home Decor
Altemburgo - Foto: Abup
Karsten

MODA E CONFECÇÃO

MBA FASHION DAY: QUANDO A PASSARELA É DA GESTÃO E DA INOVAÇÃO

Ouniverso da moda brasileira viveu um momento histórico nos dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro, quando o Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, se transformou em um verdadeiro palco de transformação. A quinta edição do MBA Fashion Day reuniu mais de 8.500 profissionais da indústria têxtil e de confecção em uma experiência imersiva sem precedentes — um espetáculo de conhecimento, estratégia e emoção que movimentou mais de R$ 2 milhões em negócios.

Sob a direção visionária de Eduardo Cristian, fundador da Costurando Sucesso, o evento apresentou um formato ousado: uma confecção real montada no palco, com 300 profissionais atuando ao vivo em oito atos que revelaram os bastidores da produção de moda. Entre desafios reais e soluções práticas, o público mergulhou em uma jornada intensa de aprendizado, onde cada detalhe — do corte ao acabamento — foi uma aula de gestão, liderança e inovação.

Mais do que um evento, o MBA Fashion Day foi um manifesto pela reinvenção da moda nacional. Com foco em processos, tecnologia, cultura organizacional e valorização do capital humano, a programação mostrou que o futuro da moda passa por uma gestão estratégica e conectada com as transformações do mercado.

“Empresas que não enxergam além

Fotos Paulo Guimarães e William Lucas / Pinguim Pictures e Laura Yamane

do agora estão presas em um labirinto. Nosso papel é mostrar a saída: planejamento, capacitação e visão de futuro”, declarou Cristian, que emocionou a plateia ao transformar o caos operacional em um desfile de soluções.

O MBA Fashion Day provou que a moda brasileira tem talento, força e inteligência para se reinventar — e que o verdadeiro luxo está na excelência da gestão.

A quinta edição do MBA Fashion Day contou com a parceria da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), SENAI-SP, ONDM, Sindicato das Indústrias do Vestuário de Colatina e Região (Sinvesco), FIEMG, Sindicato das Indústrias

do Vestuário de Apucarana (Sivale), DCJ Uniformes, Ecoprime Contábil, Uniellas Marcas e Patentes, Costura Perfeita, ANL Têxtil, City Comex, D.work.in, Reliza, Aramados Blumenau e Promaxi. Entre os patrocinadores estiveram Audaces, Soul Têxtil, Megatech, Bluecolor, Delta Máquinas Têxteis, Tray, Bonor, Lola Soluções Têxteis, Royal Tecidos, Tucano Equipamentos, WellRich Machinery Brazil, Incotex, Sisplan Sistemas, Imperador da Moda – Assessoria de Marketplaces, Tricostura, Epson, Censi, iTAG, Weltec e Metalsete. Aqui vão os depoimentos dos participantes e Patrocinadores do MBAFASHION:

MODA E CONFECÇÃO

EDUARDO CRISTIAN, IDEALIZADOR DO MBA FASHION DAY E FUNDADOR DA COSTURANDO

SUCESSO

‘’A edição 2026 do MBA Fashion Day superou nossas expectativas. Reunir mais de 8500 profissionais e movimentar mais de R$ 2 milhões em negócios demostra que o setor está disposto a evoluir. Esperamos que o evento contribua para promover uma verdadeira mudança de mentalidade entre empreendedores de confecção. Quando o empresário entende que liderança, processos e gestão de pessoas são tão estratégicos quanto a produção, ele deixa de operar no improviso e passa a construir uma empresa sustentável. Nossa maior realização foi ver profissionais saindo do evento com mais clareza sobre que direção seguir e munidos de ferramentas práticas para transformar suas confecções”, destaca Eduardo Cristian, idealizador do MBA Fashion Day e fundador da Costurando Sucesso.

MARLENE FERNANDES- EDITORA DO GUIA JEANSWEAR

‘’O MBA Fashion Day provou que é possível, sim, estruturar uma confecção eficiente, com selo ABVTEX, em apenas 5 dias.

E o mais impressionante: toda a produção foi feita pelos próprios funcionários da facção Maria do Carmo, que produziram muitos jeans durante o evento.

Foi uma demonstração real de gestão, tecnologia, processo e organização na prática.’’

CAMILLA BORELLI- PRESIDENTE ABTT E DOCENTE NA USP PESQUISADORA SUSTENTABILIDADE

‘‘O grande diferencial do evento foi a demonstração em tempo real de todos os processos, por meio de uma planta produtiva com tecnologia de ponta que foi acompanhada integralmente pelo público. Essa experiência provou que a competitividade de uma confecção depende da integração entre a engenharia de processos, a viabilidade técnica de materiais e, sobretudo, o equilíbrio entre alta produtividade e qualidade final.

Ficou claro que a inovação real só acontece quando a tecnologia é operada por profissionais capacitados e engajados por uma gestão eficiente; investir em máquinas sem investir em conhecimento resulta em subutilização de recursos.’’ ‘’O evento também teve o mérito de oferecer fundamentos técnicos para gestores que não tiveram formação específica, permitindo que suas decisões passem a ser baseadas em métodos e não apenas na intuição. Somado ao networking estratégico que conectou fabricantes e fornecedores para a troca de soluções práticas, o MBA Fashion Day reforçou o essencial: o futuro da confecção (ou costura) passa pelo domínio da técnica, pela eficiência nos processos e pela valorização das pessoas que garantem que o produto chegue ao mercado com qualidade’’.

MODA E CONFECÇÃO

MÁRCIO STRAMA - FUNDADOR E DIRETOR TÉCNICO DA DOUTOR ESTAMPA TREINAMENTOS

‘’Participar do MBA Fashion foi uma experiência extremamente relevante e enriquecedora para o setor de confecções. O evento apresentou um alto nível de conteúdo, troca de conhecimento e visão estratégica de mercado, reunindo profissionais que realmente pensam o futuro da moda.

Mesmo a serigrafia não sendo o tema principal, tive a oportunidade de apresentar estampas que despertaram curiosidade, muitas pessoas sequer acreditavam que se tratava de silk screen. Também conversei com empresários, gestores e estilistas sobre como a estamparia pode elevar o padrão de uma coleção.

Percebi que muitos ainda enxergam a serigrafia apenas como um acabamento final, quando, na verdade, ela é uma ferramenta estratégica de diferenciação.

Para meus clientes e alunos, essa vivência reforça o que defendo dentro do Método Efeito UAU: a moda precisa de gestão e visão de mercado, mas também de domínio técnico.’’

GABRIEL RODRIGUES - HEAD DE MARKETING BONOR

60 anos de Bonor: Moda e Sustentabilidade

‘’O MBA Fashion Day foi um sucesso absoluto. Foi incrível presenciar todo o mer cado de confecções reunido em um só lugar, com tanta gente interessada em criar parcerias verdadeiras e duradouras. Para nós, que estamos celebrando 60 anos de história, não poderia ter evento melhor para mostrar como estamos unindo nossa tradição à inovação e sustentabilidade que o mercado tanto pede. Além de apresen tar nosso mais novo lançamento de tendências em aviamentos, também pudemos apresentar um pouco mais nossas iniciativas sustentáveis, como o projeto único no Brasil em que eliminamos 100% das substâncias restritas de nossa linha de produtos de poliéster. Só temos a agradecer pela parceria com o Eduardo e toda a equipe por trás do MBA Fashion Day. Ver o reconhecimento do nosso trabalho e a força do mercado de confecções foi extremamente gratificante’’.

TRICOSTURA: INOVAÇÃO ESPORTIVA EM DESTAQUE NO MBA FASHION

Nattascha Resende Coordenadora Marketing

No efervescente cenário do @mbafashion, a @tricostura reafirmou seu papel como referência em soluções de retilínea, apresentando ao público sua combinação de qualidade, precisão e estrutura produtiva alinhada às exigências do mercado contemporâneo. Sob a coordenação de marketing de Nattacha, a marca destacou sua expertise na linha esportiva — segmento em que se consolidou como especialista — e aproveitou o evento para estreitar laços com clientes tradicionais e conquistar novos olhares.

O estande da Tricostura tornou-se ponto de encontro: visitantes de diferentes regiões do Brasil descobriram a empresa pela primeira vez, enquanto parceiros já consolidados buscavam novidades e lançamentos.

“Foi uma participação muito importante, pois o MBA Fashion abriu espaço para novos clientes e fortaleceu conexões estratégicas”.

‘’Mais do que uma vitrine, o MBA Fashion funcionou como palco de oportunidades, onde a Tricostura reafirmou sua vocação para unir tecnologia, moda e performance esportiva em um mesmo fio narrativo.’’ ressaltou Nattacha.

MBA FASHION DAY 2026 – QUALIDADE, A BASE DE UMA CONFECÇÃO ESTRUTURADA

Nos dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro de 2026, cerca de 8.500 pessoas acompanharam uma confecção real funcionando ao vivo, com mais de 300 profissionais trabalhando simultaneamente dentro do Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.

O MBA Fashion Day 2026 foi um marco por um motivo simples: ele tirou a gestão do slide e colocou a realidade no centro do evento. Não foi uma sequência de palestras tradicionais, mas uma imersão pensada para mostrar, na prática, o que realmente acontece dentro das confecções — abrindo espaço para diferentes soluções, critérios e decisões técnicas. A proposta do evento, idealizado e comandado por Eduardo Cristian, foi justamente essa: montar uma confecção completa e evidenciar onde a operação perde dinheiro, como corrigir esses desvios e, principalmente, como escalar a produção de forma estruturada.

Tive o privilégio de acompanhar tudo isso de perto desde a montagem do evento, pois fui convidada a participar como embaixadora e consultora, atuando como especialista em qualidade e produtividade e estando presente em todos os oito atos propostos. Essa presença constante se justifica por uma convicção que defendo há anos: qualidade não é apenas inspeção de peça pronta; qualidade está presente em todas as etapas do processo desde o desenvolvimento, escolha da matéria prima, processo produti-

vo até o uso do pelo cliente.

Faço questão de começar pelo “antes”, porque o que apareceu no palco foi resultado direto da preparação e de muito esforço de muitas pessoas nesse mega evento. Passei dez dias trabalhando com o Eduardo e com a maravilhosa equipe da Costurando Sucesso, liderada pela CEO Mariana Dalmaso, preparando materiais e principalmente, alinhando o conteúdo apresentado a uma premissa central do meu trabalho: qualidade não é um setor — é um sistema que sustenta produtividade, custo e previsibilidade. Foram dias cansativos, mas extremamente enriquecedores, tanto em troca de experiências quanto em networking, conhecendo pessoas que levarei para a vida.

O público do MBA Fashion Day 2026 confirmou a dimensão do que hoje é considerado o maior evento do mundo ao vivo voltado ao setor de con-

fecção. Estiveram presentes profissionais representando toda a cadeia têxtil: confecções, marcas próprias, grandes magazines, fornecedores de tecnologia e maquinário, vindos de todas as regiões do Brasil. O perfil do público foi muito diverso, indo de operadores e costureiras até gestores, diretores e CEOs de empresas nacionais e internacionais.

Essa diversidade foi um dos grandes pontos fortes do evento, pois deixou evidente que a dor pode mudar de empresa e de tamanho, mas a raiz costuma ser a mesma. Pequenas e médias marcas próprias, fabricantes de private label além de confeccionistas de fardamentos, uniformes e esportivos — sofrem quando os processos não têm padrão, quando as responsabilidades não estão claras, quando a rotina depende mais de “heróis” do que de método e quando a liderança não está engajada para “jogar frescobol”, como explico no Método 3C

– O Efeito Frescobol nas Empresas. Ao longo dos dois dias de evento, o conteúdo foi desenhado para provocar escolhas: entre o caminho que “parece mais rápido” e o caminho que é tecnicamente sustentável. Foi exatamente por isso que tive uma presença ativa em todos os atos. Quando falo de produtividade assertiva e qualidade assegurada, refiro-me a garantir alta performance na produção com qualidade por meio de checagens de indicadores de processo previamente acordados, tanto na entrada quanto na saída de cada etapa. Não se trata de “pegar defeito no final”, mas de estruturar e padronizar o processo desde a equipe de desenvolvimento até a expedição, reduzindo custos e aumentando o lucro.

A dinâmica do palco evidenciou que uma confecção sem indicadores e sem controle perde dinheiro de forma silenciosa e contínua — a ponto de, se não mudar, comprometer sua própria sobrevivência. Como consultora, palestrante e mentora, infelizmente vejo empresas quebrando todos os dias e nem sabem o porquê. No primeiro ato do evento, fui

chamada ao palco para apresentar, a partir de um diagnóstico da TexApex, os principais problemas de gestão, processos e produção, evidenciando onde estão os custos invisíveis de uma empresa sem controle. Para isso, mostramos, na prática, ferramentas da qualidade como matriz SWOT, brainstorming, PDCA, gestão a vista, entre outras.

Nos atos seguintes, fui responsável por conduzir a participação de outros especialistas em áreas como estilo, engenharia, tecnologia e produção, contemplando diferentes segmentos da costura e soluções práticas. Nos atos finais, mostramos como indicadores e padronização de processos — desde organograma, definição de funções e responsabilidades, desenvolvimento de produto até a produção — são fundamentais para a mudança da cultura empresarial. Destacamos também a importância de uma ficha técnica com leitura fabril, que fale a linguagem da costureira e do chão de fábrica. O encerramento apresentou a confecção após a implantação da cultura, com o sucesso gradualmente reconquistado.

O evento deixou claro: retrabalho não é acidente; é consequência previsível da variação. E a variação nasce quando a confecção não tem padrão operacional, critérios claros de aceitação, treinamento consistente e controle dos pontos críticos ao longo dos processos. Quando isso acontece, a empresa paga duas vezes: paga para fazer e paga para refazer. Paga em tempo, em desgaste da equipe, em atrasos e, no final, em margem.

A mensagem mais importante que trouxe ao longo do MBA Fashion Day 2026 foi que produtividade e qualidade não são opostos. São complementos para um produção assertiva e estruturada. A falsa ideia de que “qualidade atrasa” costuma ser reflexo da falta de processo e de gestores que ainda analisam apenas o volume vendido, sem observar as margens reais e oportunidades de redução de custos.

O que realmente atrasa é erro repetido, lote retornando, peça parada por dúvida, falta de critério, correções feitas em cima da hora e equipes inchadas para corrigir aquilo que um bom padrão de processos resolveria. Quando a qualidade é assegurada no processo, a confecção ganha ritmo com estabilidade — e, estabilidade, é a base da escala e da produtividade assertiva, fazendo certo da primeira vez.

Saio do MBA Fashion Day 2026 com uma convicção ainda mais forte: produtividade e qualidade assegurada são acessíveis a confecções de todos os portes, desde que seja tratada em toda a fábrica e todos “jogando frescobol”. Quando a empresa entende isso, ela deixa de correr atrás da produção e passa a construir previsibilidade.

Milena Abreu e Eduardo Cristian

BAD BUNNY, SUPER BOWL E A NOVA LÓGICA DE COMPRA DO CONSUMIDOR

A ADOÇÃO E DIFUSÃO DE TENDÊNCIAS DE COMPORTAMENTO QUE ATINGEM MARCAS E CONSUMIDORES SIMULTANEAMENTE NA ERA DAS REDES E DO ENTRETENIMENTO GLOBAL

Quando as luzes do Super Bowl se apagam após o tradicional show do intervalo, o impacto cultural da apresentação está apenas começando. Mais do que entretenimento, o espetáculo se tornou um dos maiores amplificadores de narrativas culturais contemporâneas — e, consequentemente, de tendências de comportamento e consumo.

Na era das redes e da cultura globalizada, tendências não surgem apenas nas passarelas — elas emergem de movimentos culturais amplificados pelo entretenimento e pela tecnologia.

A apresentação de Bad Bunny no Super Bowl sintetiza bem esse fenômeno. Cada elemento visual presente no palco dialoga com movimentos culturais, identidades coletivas e contextos geopolíticos que já vinham sendo construídos há alguns anos. Em eventos dessa magnitude, raramente existe improviso: as escolhas visuais e narrativas fazem parte de uma estratégia cultural que conversa simultaneamente com o público, com a indústria criativa e com o mercado. Não à toa, a cor mais utilizada no figurino

do cantor e de seus bailarinos, foi o “polêmico” Cloud Dancer, tida como a cor do ano pela Pantone.

Transmitido para uma audiência que ultrapassa 100 milhões de espectadores apenas nos Estados Unidos, o evento se tornou um catalisador de repertórios estéticos que rapidamente atravessam fronteiras. Nas horas e dias seguintes ao espetáculo, referências visuais e simbólicas presentes no palco passam a circular intensamente nas redes sociais, influenciando discussões, produções culturais e, inevitavelmente, o consumo.

CULTURA POP

Nos últimos anos, o entretenimento consolidou-se como um dos principais vetores de difusão de tendências. Shows, premiações, séries e plataformas digitais transformaram artistas em agentes culturais capazes de acelerar a circulação de símbolos estéticos e comportamentais em escala global.

Nesse contexto, Bad Bunny ocupa uma posição singular. O artista porto-riquenho representa não apenas um fenômeno musical, mas também um movimento cultural mais amplo de valorização da identidade latino-americana no cenário internacional.

Essa presença ganha ainda mais força quando ob-

servada em um evento como o Super Bowl. Ao ocupar esse espaço, o artista leva consigo elementos que refletem transformações demográficas, sociais e culturais em curso nos Estados Unidos e em outras partes do mundo.

De acordo com dados do U.S. Census Bureau, a população latina já representa cerca de 19% da população norte-americana, sendo o grupo demográfico que mais cresce no país. Essa presença crescente também se traduz em influência cultural, impactando áreas como música, design, gastronomia e, naturalmente, moda.

A ASCENSÃO DA ESTÉTICA LATINOAMERICANA

Esse contexto ajuda a explicar o fortalecimento recente de uma estética que vem sendo chamada por analistas de tendências de Latin Core.

Cores vibrantes, mistura de referências urbanas e tradicionais, valorização da identidade regional e narrativas ligadas à diversidade cultural são algumas das características frequentemente associadas a esse repertório estético.

Nos últimos anos, diferentes relatórios de tendências já indicavam a ascensão dessa linguagem. A consultoria WGSN, especializada em comportamento de consumo, aponta que movimentos ligados à identidade cultural e à diversidade regional estão entre os principais impulsionadores de tendências na década atual.

A apresentação de Bad Bunny, nesse sentido, não cria a tendência — ela a amplifica. Ao trazer esses elementos para um dos maiores palcos da

cultura pop global, o artista transforma um movimento cultural em um fenômeno de visibilidade massiva, e traz à tona o orgulho de ser latino.

QUANDO A TENDÊNCIA

SE ESPALHA EM REDE

Durante grande parte do século XX, a moda foi explicada por modelos hierárquicos de difusão de tendências. O chamado modelo trickle-down sugeria que as novidades surgiam nas elites ou nas passarelas e, gradualmente, eram absorvidas pelo consumo de massa.

Com a consolidação das redes digitais e da cultura participativa, pesquisadores do campo da moda e do comportamento identificam um processo cada vez mais frequente de difusão horizontal, conhecido como trickle-across. Nesse modelo, tendências circulam simultaneamente entre diferentes grupos sociais, impulsionadas por interações digitais, entretenimento, criadores de conteúdo e comunidades culturais.

Um elemento apresentado em um grande evento midiático pode, em poucas horas, ser reinterpretado por usuários nas redes sociais, comentado por influenciadores, incorporado por marcas e replicado em diferentes contextos culturais. O resultado é um ecossistema de difusão muito mais dinâmico, responsivo e efêmero, no qual a tendência que influencia um consumidor, está, simultaneamente, influenciando uma marca.

E O QUE A INDÚSTRIA

DA MODA PODE

APRENDER COM ISSO?

Para a indústria da moda, compreender essas dinâmicas tornou-se uma competência estratégica.

Tendências contemporâneas não são apenas movimentos estéticos. Elas são manifestações culturais que expressam valores, identidades e posicionamentos coletivos. Ignorar essas camadas simbólicas, ou alimentar a ilusão de que uma marca apresenta a tendência da próxima estação ao seu cliente, significa perder a oportunidade de compreender o que realmente mobiliza o comportamento do consumidor.

Mais do que ditar tendências, marcas e empresas precisam desenvolver sensibilidade para interpretar os contextos culturais que influenciam seu público. Isso implica observar atentamente o que emerge da cultura, do entretenimento, das redes sociais e dos debates contemporâneos. Você sabe o que tem influenciado seu cliente hoje?

Ao mesmo tempo, é importante reconhecer que nem toda tendência precisa ser seguida de forma literal. O desafio estratégico está, justamente, em identificar em que estágio da curva de adoção seu consumidor se encontra. Do vanguardista, inovador ao usuário que adota uma novidade de forma retardatária, onde se encontra o seu cliente? Um bom gestor precisa identificar como cada tendência de comportamento se encontra e dialoga com o perfil específico de cada consumidor.

Para a indústria, isso significa deslocar o olhar da busca por tendências e inovações isoladas para a compreensão mais ampla das transformações culturais que moldam o consumo.

Em um cenário cada vez mais conectado, compreender essas dinâmicas pode ser a diferença entre apenas reagir ao mercado ou antecipar seus movimentos.

AMARN: MODA SUSTENTÁVEL QUE FLORESCE

DA FLORESTA AMAZONICA

MODA CONSCIENTE

COM

RAÍZES ANCESTRAIS: A FORÇA DA AMARN NO CENÁRIO INTERNACIONAL

No coração da Amazônia, tradição e inovação caminham juntas. A Associação de Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro (AMARN) é um exemplo vivo de como a moda pode ser sustentável, culturalmente rica e socialmente transformadora.

Fundada em 29 de março de 1987, em Manaus, a AMARN é pioneira: a primeira associação indígena do Amazonas e também a primeira associação de mulheres indígenas do Brasil.

Há mais de três décadas, suas integrantes unem saberes ancestrais e empreendedorismo para fortalecer a identidade coletiva e gerar renda de forma responsável.

Atualmente formada por 71 mulheres de diferentes povos indígenas, a AMARN reúne etnias como Tukano, Baniwa, Baré, Wanano, Desana, Macuna (Makuna), Yuhupdhe, Dessano, Karapanã, Tariano e Arapaço. Essa diversidade cultural se reflete na riqueza dos artesanatos produzidos,

que carregam histórias de vida, espiritualidade e pertencimento em cada trançado. Mais do que objetos de moda, cada peça é um testemunho de resistência e memória ancestral.

SUSTENTABILIDADE E FIBRAS

BIODEGRADÁVEIS

O trabalho da AMARN é profundamente conectado à floresta.

As artesãs utilizam fibras naturais colhidas de forma sustentável, como o arumã, buriti, tucumã e tururi, além de outras matérias-primas amazônicas como guaruman e jacitara. Todas essas fibras são biodegradáveis e renováveis, garantindo que a produção não agrida o meio ambiente.

A coleta é feita com respeito aos ciclos da natureza, preservando o equilíbrio ecológico e assegurando que futuras gerações possam continuar a usufruir desses recursos.

Cada peça confeccionada — seja uma bolsa, colar, rede ou vestuário — carrega a força da floresta e a memória ancestral. O processo artesanal valoriza o tempo, a paciência e o cuidado, em contraste com a lógica acelerada da moda industrial. É um modelo que inspira o setor a repensar práticas e adotar caminhos mais éticos e sustentáveis.

Todos os artesnatos são inspirados atravez da nossas cosmologias e mitologias do povo do Alto Rio Negro.

Laura Yamane entrevista com Maria José de Oliveira –Presidente da AMARN

MODA INDÍGENA NAS PASSARELAS INTERNACIONAIS

A relevância da AMARN ultrapassa fronteiras. Suas criações já foram apresentadas em grandes eventos, como a Semana de Moda de Nova York e o São Paulo Fashion Week, em parceria com estilistas renomados como Maurício Duarte e Neriage. Nessas passarelas, o artesanato indígena ganha visibilidade global, mostrando que a moda pode ser, ao mesmo tempo, estética, identidade e consciência ambiental.

EMPODERAMENTO E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

Segundo a vice presidente Clarice Tukano, a associação nasceu para acolher meninas e mulheres indígenas expostas à violência, transformando dor em oportunidade.

Maria José de Oliveira, Presidente da AMARN

Muitas delas foram levadas para Manaus ainda jovens, destinadas ao trabalho doméstico. A AMARN ofereceu um espaço de apoio, diálogo e fortalecimento, onde a arte se tornou ferramenta de sobrevivência e empoderamento.

Hoje, a associação é referência na luta por direitos, políticas públicas e valorização da cultura indígena.

MODA COMO

RESISTÊNCIA

Cada coleção da AMARN representa força e espiritualidade, carregando saberes que protegem e conectam gerações. Mais do que moda, suas peças são narrativas vivas de mulheres que resistem, criam e reinventam o mundo a partir da floresta. Ao unir tradição e sustentabilidade, a AMARN mostra que o futuro da moda pode — e deve — ser biodegradável, inclusivo e profundamente humano.

TABELA DE 7 TIPOS DE GRAFISMOS DO POVO ALTO RIO NEGRO E SEUS SIGNIFICADOS

Pata de carangueijo: sinal do queixo da mulher e homem casado. Usa-se na festa do Dabukurí.

Galho de pimenta: usado para embelezar o rosto da pessoa e também para artesanato de urutú e balaio.

Pata de gafanhoto: pintura para bochecha e testa de homem e mulher casados, é usada para se divertir.

Caminho de formiga: pintura na testa e bochecha no corpo das moças e adolescentes.

Pintura do banco tukano: usada no cotidiano na testa da mulher. Em especial no ritual do Dabukurí.

Ovo da casa de aranha: pintura de rosto para as crianças no dia a dia ou no ritual do Dabukurí.

Perna de Duende: usado na confecção de cestaria de arumã ou nos tecidos de tear.

Bolsa de Tucum para Neriage
Novelo Tucum e fios no tear
Planta Tucum e sua palha
Tecendo o grafismo indigena

A PELE DO INVISÍVEL: A ODISSÉIA TÊXTIL NA

DANÇA MODERNA E CONTEMPORÂNEA

Desde o início da coreografia moderna, o têxtil deixou de ser mero ornamento. Ele se tornou um elemento fundamental do movimento. A evolução das fibras – da proteína natural da seda aos polímeros sintéticos e membranas tecnológicas – mudou a forma como o palco se comporta. Este texto explora como a escolha do material têxtil redefiniu a linha entre o corpo e o espaço. Assim, o corpo se transformou em um campo de experimentação técnica e filosófica.

A LIBERTAÇÃO PELO FLUXO: A DINÂMICA

DAS FIBRAS PROTEICAS

No começo do século XX, Isadora Duncan e Loïe Fuller romperam com a rigidez do balé clássico. A seda, fibra proteica de grande le-

veza, foi uma escolha estratégica. Sua estrutura triangular refle te a luz, permitindo uma sensação de movimento etéreo. Fuller, com seus metros de seda pongê acionados por hastes de bambu, transformou a dançarina em uma arquitetura aerodinâmica. Aqui, o tecido não veste o corpo. Ele o expande, capturando o ar e trans formando o movimento muscular em fluidez. Torna visível o que era invisível.

ELASTICIDADE E TENSÃO: O JERSEY DE MARTHA GRAHAM

Em 1930, Martha Graham trouxe uma nova ruptura com Lamentation. Ela trocou a fluidez pela resistência ao usar o jersey (um tecido de malha de lã ou algodão). Ao contrário do tecido plano (com trama e urdidura), a estrutura em malha do jersey oferece elasticida de em várias direções. Esse têxtil se tornou uma “segun da pele” que estica ao limite. Cada movimento da bailarina gera uma força de retorno. Isso materializa as tensões inter nas e as limitações da mente humana através das linhas de força do tricot tensionado.

A RESPOSTA ORGÂNICA BRASILEIRA: HÉLIO OITICICA E GRUPO CORPO

A influência do Brasil nesta genealogia é profunda e traz uma res posta orgânica ao modernismo europeu. Hélio Oiticica, nos anos 60, revolucionou a relação corpo-matéria com seus Parangolés.

"Lamentação" (1930), de Martha Graham Fonte: Barbican site; fotografia Barbara Morgan
Caetano Veloso com Parangolé - 1964
Fonte: Projeto HO
Iris Van Herpen - 2013
Fonte: NY MAGAZINE - The CUT - Photo: Henry Leutwyler and Makeup by Hiromi Ando
por professor Lauren Pierre Dauzon

Usando camadas de tecidos de baixo custo, plásticos e cordas, Oiticica criou “estruturas vestíveis”. Elas só ganham vida pelo movimento.

Diferente do foco individual de Graham, o Parangolé é uma interface social e sensorial. Essa busca pela plasticidade da fibra continua com o Grupo Corpo. Neles, o figurino, muitas vezes com malhas de alta tecnologia e texturas que lembram o artesanato local, funciona como uma “pele cênica”. Amplifica a velocidade e a sinuosidade do gesto brasileiro. Une a precisão industrial à memória tátil do território.

SINTÉTICOS E PÓS-

HUMANISMO: A ERA DO POLÍMERO

A chegada de Lycra (elastano) e poliéster permitiu a visionários como Alwin Nikolais abstrair o corpo. Ele o transformou em formas geométricas. Mais tarde, a parceria entre Merce Cunningham e a estilista Rei Kawakubo (Comme des Garçons) em Scenario (1997) utilizou enchimentos de poliuretano para desafiar a anatomia. O têxtil deixou de ser um invólucro para se tornar uma prótese que altera o corpo. Entramos na era do “corpo-objeto”. Nele, as propriedades de memória de forma dos

tecidos sintéticos criam silhuetas que fogem do humano.

DA MEMBRANA À IMPRESSÃO

3D: A ESCULTURA ALGORÍTMICA

Hoje, a linha entre o têxtil e a estrutura rígida quase desapareceu. O ponto alto dessa evolução está no trabalho de Iris van Herpen. Ela une o artesanato da alta-costura com a impressão 3D. Van Herpen cria “têxteis paramétricos”. Eles imitam estruturas biológicas, como fósseis ou penas, usando materiais sintéticos avançados. Na dança, em suas colaborações com Björk, Lady Gaga, Beyoncé e Benjamin Millepied, suas criações atuam como exoesqueletos. Eles não só vestem, mas ditam novas formas corporais pela tecnologia digital.

Em um século, a dança passou da leveza da seda para a resistência do jersey. E, por fim, chegou à escultura algorítmica. Para a indústria têxtil, essa evolução confirma que a fibra – seja tecida à mão ou impressa em 3D – é uma força ativa. Ela permite ao corpo humano ir além de sua biologia e dançar o invisível.

Isadora Duncan - 1924 Fonte: Aracaju Magazine
Loïe Fuller – 1934 Fonte: Café des Images
Noumenon (1953) Alwin Nikolais Fonte: youtube
Scenario (1997) de Merce Cunningham - Rei Kawakubo Comme des Garçons, Fonte: FRIEZE Magazine Photograph: Timothy Greenfield-Sanders

ENTRE A ARTE MONUMENTAL E A ALTACOSTURA: JOANA VASCONCELOS ENCONTRA

VALENTINO EM ROMA

Aartista portuguesa Joana Vasconcelos transformou Roma em palco de um diálogo potente entre arte contemporânea e alta-costura. Em parceria com a histórica maison Valentino, a criadora apresentou a exposição VENUS – Valentino Garavani through the eyes of Joana Vasconcelos. Este projeto transcende a simples homenagem. Ele se consolida como um encontro de linguagens, técnicas e visões de mundo.

Instalada no espaço cultural PM23, iniciativa da Fondazione

Valentino Garavani e Giancarlo Giammetti , a mostra articula esculturas têxteis monumentais de

Vasconcelos com vestidos icônicos do arquivo da maison. Cria-se uma narrativa onde moda e arte deixam de ocupar territórios separados. Elas se tornam extensão uma da outra.

O PROCESSO CRIATIVO: MATÉRIA, MEMÓRIA E TRANSFORMAÇÃO

O trabalho de Joana Vasconcelos nasce de um processo criativo profundamente ligado à materialidade, à cultura popular e à transformação de objetos cotidianos em arte de grande escala. Seu método combina pesquisa conceitual, desenho, experimentação e um

intenso trabalho coletivo em atelier. Envolve artesãos, bordadeiras, costureiras e técnicos de diferentes especialidades.

Uma das marcas centrais de sua obra é o uso de materiais têxteis e industriais, como:

• Tecidos, rendas e bordados manuais;

• Crochê e tricô;

• Passamanarias e elementos decorativos tradicionais;

• Plásticos, metais e componentes industriais;

• Objetos do cotidiano reinterpretados em novos contextos.

A artista também incorpora matepor Fred Haydu

obra uma dimensão de sustenta bilidade e ressignificação. Peças descartadas, excedentes têxteis e elementos industriais ganham nova vida em estruturas monumentais. Isso reforça a ideia de que o valor estético pode emergir da transformação e da reinvenção.

Esse diálogo entre artesanato, reciclagem e produção contemporânea cria um universo visual híbrido. Nele, tradição e inovação coexistem. O resultado são obras que, embora grandiosas, mantêm a intimidade do gesto manual e a memória dos materiais.

A COSTURA COMO ESCULTURA, A ESCULTURA COMO ALTA-COSTURA

Em VENUS, esse processo ganha nova camada simbólica. Ele é colocado em diálogo com décadas de excelência criativa de Valentino. As valquírias e formas orgânicas de Joana encontram os vestidos históricos da maison. Uma conversa sobre tempo, técnica e dedicação se inicia.

Os trajes – verdadeiras arquiteturas de tecido – não aparecem como peças de arquivo estáticas. São organismos vivos. Eles são capazes de dialogar com volumes escul-

ARTE

tóricos e instalações imersivas. A manualidade é o fio condutor: tanatelier da artista quanto nos ateliers da alta-costura romana, o gesto artesanal é um ato de resistência, precisão e entrega.

No centro da exposição, a obra “Valchiria Venus” sintetiza essa convergência. Monumental e colaborativa, a peça reúne centenas de horas de trabalho manual. Reafirma um ponto essencial: a beleza é construída com tempo, dedicação e obsessão pelo detalhe.

FEMINILIDADE, IDENTIDADE E PODER

O encontro entre Vasconcelos e Valentino não é apenas formal. É conceitual. Ambos exploram a potência da feminilidade, cada qual à sua maneira. Joana provoca e reinterpreta arquétipos. Valentino sempre celebrou uma mulher segura, elegante e consciente de sua própria força.

Ao colocar lado a lado esculturas contemporâneas e vestidos históricos, a exposição questiona: onde termina a arte e começa a moda?

Ou seriam ambas expressões da mesma vanguarda estética?

VALENTINO

UMA HOMENAGEM A VALENTINO

Encerrar essa narrativa exige reverência. O falecimento de Valentino Garavani marca o fim de uma era. Mas não o fim de sua presença. Seu legado ultrapassa temporadas, tendências ou passarelas. Ele construiu um império baseado na disciplina criativa, no rigor absoluto e na crença apaixonada de que a beleza é uma força transformadora.

Mais do que vestir, Valentino tinha um dom raro: o de reverenciar as mulheres. Sua criação nunca buscou protagonismo sobre elas. Sempre visou exaltá-las: sua elegância, sua força e sua individualidade.

com seu companheiro e sócio Giancarlo Giammetti, para a Feira Nacional da Indústria Têxtil – a FENIT, na década de 1960. O convite ao estilista foi sugerido por Lúcia Moreira Salles, então em atividade no setor da moda, ao empresário Caio de Alcântara Machado, responsável pela FENIT, a bem-sucedida precursora da São Paulo Fashion Week.

promisso profundo com a elegância e com a emoção que a moda é capaz de despertar.

Valentino foi um homem na vanguarda da beleza. Apaixonado pelo fazer, pelo acabamento impecável, pelo trabalho árduo de criação e entrega. Cada vestido carregava não apenas tecido, mas devoção. Cada coleção era resultado de um com-

E se há uma síntese possível de sua trajetória, ela pulsa em uma cor: o vermelho.

Não apenas um tom, mas uma assinatura. Um estado de espírito. Um manifesto silencioso que atravessou décadas como símbolo de paixão, poder e sofisticação.

O vermelho de Valentino permanece – intenso, eterno, inesquecível –como a própria história que ele costurou no imaginário da moda mundial.

Pamela Golbin curadora da exposição. Joana Vasconcelos e Giancarlo Giammetti

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