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Fotografia: Filipa Gonçalves

POVT – Em DESTAQUE

Inovação e o Universo Empresarial

SUPLEMENTO distribuído em conjunto com o JORNAL PÚBLICO / DISTRIBUIÇÃO NACIONAL NOVEMBRO 2012 / EDIÇÃO Nº 21 - Periodicidade Mensal - Venda por Assinatura - 4 Euros

Carlos Lucas CEO e Enólogo da Ideal Drinks:

«Mais que uma marca, a Ideal Drinks assume um conceito de produção de qualidade e distinção traduzido em vinhos distintos que perpetuam o que melhor se faz em Portugal e para o mundo»

SINASE VEJA MAIS


Em destaque 6

PROPRIEDADE INDUSTRIAL A propriedade industrial e a situação económica do país na ótica de Jorge Pereira da Cruz, Agente Oficial da Propriedade Industrial

RIU Hotels & Resorts – há sítios que vale a pena visitar…

20ª Conferência SINASE De que forma os profissionais de saúde podem apostar em qualidade e inovação, tendo em conta a contenção orçamental, em debate na 20ª Conferência da SINASE. Saiba mais!

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Pedro Reis, Presidente da AICEP, e a Internacionalização das empresas portuguesas. Estratégia deve ser bem definida

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QREN 2007-20013 – QUAIS AS PRIORIDADES Helena Azevedo, Presidente da Comissão Diretiva do POVT, faz balanço da atuação do programa e explica de que forma este tem sido relevante para o país

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DIA NACIONAL DO MAR Comandante João Fonseca Ribeiro, Diretor-Geral da Política do Mar, aborda o Mar como vetor estratégico de desenvolvimento de Portugal FICHA TÉCNICA

Administração – Redação – Depº Gráfico Rua Rei Ramiro 870, 5º A 4400 – 281 Vila Nova de Gaia Telefone/Fax +351 220 926 879 Outros contactos +351 220 926 877/78/79/80 E-mail: geral@pontosdevista.pt redacao @pontosdevista.pt www.pontosdevista.pt www.horizonte-de-palavras.pt www.facebook.com/pontosdevista

João Neves, Administrador do Grupo ATM SGPS fala sobre inovação no universo empresarial

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Propriedade, Edição, Administração e Autor Horizonte de Palavras – Edições Unipessoal, Lda

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sumário

Grupo TÜV Rheinland, a multinacional que lidera na prestação de serviços de inspeções e certificações

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Multisector Innovation Consulting – um parceiro de valor na dinâmica da internacionalização

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“Proteger o nosso futuro” é a mensagem que marca este ano a campanha do Dia Mundial do Diabetes, assinalado a 14 de novembro

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15º Congresso da Associação Portuguesa de Logística (APLOG) - este ano dedicado ao papel da logística como fator diferenciador nas exportações portuguesas

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ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa – a Escola de Gestão com mais alunos a estudar no estrangeiro

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Ramiro Gomes, Presidente da Associação Nacional dos Avaliadores Imobiliários (ANAI) explica as recentes alterações no mercado imobiliário

Impressão Lisgráfica, Impressão e Artes Gráficas, S.A. Distribuição Nacional Periodicidade Mensal | Registo ERC nº 126093 NIF: 509236448 Distribuição Nacional gratuita com o Jornal Público

Assinaturas Para assinar ligue +351 220 926 877 ou envie o seu pedido para Autor Horizonte de Palavras – Edições Unipessoal, Lda - Rua Rei Ramiro 870, 5º A, 4400 – 281 Vila Nova de Gaia | Fax 220 993 250 E-mail: assinaturas@pontosdevista.com.pt Preço de capa: 4,00 euros (iva incluído a 6%)

DIRETOR: Jorge Antunes | EDITOR: Ricardo Andrade |PRODUÇÃO DE CONTEÚDOS: Andreia Azevedo | Sara Soares | GESTÃO DE COMUNICAÇÃO: João Soares | Luís Alves | Sandra Arouca | José Basto | Luís Pinto

Os artigos nesta publicação são da responsabilidade dos seus autores e não expressam necessariamente a opinião do editor. Reservados todos os direitos, proibida a reprodução, total ou parcial, seja por fotocópia ou por qualquer outro processo, sem prévia autorização do editor. A paginação é efectuada de acordo com os interesses editoriais e técnicos da revista, excepto nos anúncios com a localização obrigatória paga. O editor não se responsabiliza pelas inserções com erros, lapsos ou omissões que sejam imputáveis aos anunciantes. Quaisquer erros ou omissões nos conteúdos, não são da responsabilidade do editor.

Assinatura anual (11 edições): Portugal: 40 euros (iva incluído a 6%), Europa: 65 euros, Resto do Mundo: 60 euros *O conteúdo editorial da Revista Pontos de Vista é totalmente escrito segundo o novo Acordo Ortográfico.

Errata •• Na imagem publicitária Campos Coroa que foi impressa na Revista Pontos de Vista 20 de outubro, lê-se «Anestesista - Empresa MEDICAGEST - Dr. Martins Nunes. Esta empresa e anestesista em causa já não prestam serviços para a Campos Coroa - Clínica Oftalmológica, Lda. A Revista Pontos de Vista informa que este lapso não é da sua responsabilidade, apenas retificando o mesmo por pedido da entidade em causa.


OPINIÃO ORÇAMENTO DE ESTADO 2013

Mário costa, administrador da Believe

O Orçamento de Estado para 2013 poderá ser o último impulso para as empresas nacionais saírem da crise O Orçamento de estado para 2013, por mais estranho que pareça, dado o nível de austeridade que irá impor às famílias, poderá ser o impulso que as empresas nacionais tanto procuravam para poder sair da crise em que se encontram.

“O empresário terá de efetuar uma auditoria comercial e analisar se os seus produtos e serviços são diferenciadores dos restantes existentes no mercado, em termos de qualidade e preço, se não for terá de procurar mercado alternativos para poder escoar os seus produtos”

vam que o problema era interno e não se devia à crise. A partir desta altura, estas empresas começaram a diminuir as vendas, as margens e acima de tudo acumular prejuízos mensalmente. O empresário “escondia” o problema com recurso ao crédito bancário e ao crédito de fornecedores. A crise financeira mundial de 2008 e das dívidas soberanas europeias de 2010 trouxe ao de cima toda esta “porcaria” acumulada por empresários “comodistas”, com falta de visão, estratégia e acima de tudo responsabilidade empresarial, levando a um grande número de empresas entrarem em situação de eminente rutura e não ter outra alternativa a não apresentarem-se à insolvência. O orçamento geral do Estado para 2013 irá provocar mais austeridade para as famílias portuguesas, estas sofrerão uma perda substancial dos seus rendimentos no final do mês, e, por consequência, irão reduzir drasticamente o seu consumo. As empresas que sentirão mais este impacto serão as que não se adaptaram no passado e acumularam dívida, as que têm falta de gestão, as que têm uma estrutura de custos bastante alta e, acima de tudo, as que estão vocacionadas para vender produtos e prestar serviços para o mercado nacional. Apesar de tudo isto, e dos bastantes erros acumulados, o empresário nacional terá uma última oportunidade para poder ultrapassar estas dificuldades, sendo certo que terá que alterar radicalmente a sua postura enquanto empresário. Terá de deixar de pensar que sabe fazer tudo e apoiar-se em profissionais competentes que o possam aconselhar e definir qual será a melhor estratégia económico-financeira e comercial a seguir, por forma a superar este período controverso.

Análise Económica

O empresário terá de analisar as suas dívidas e saber se o pagamento, conforme está estruturado no presente, a empresa o consegue suportar. Não queremos dizer com isto que foi mal negociado, foi sim negociado num período diferente do atual e com outra realidade de vendas e de margens. Se a empresa não suportar este pagamento o empresário terá de reestruturar a sua

Com a adesão de Portugal à Comunidade Europeia e, posteriormente, a abertura das fronteiras alguns destes empresários já começaram a sentir algumas dificuldades, nomeadamente, quebra de vendas e margens. Surgiram players novos, nomeadamente, empresas europeias que se instalaram em Portugal para oferecer os mesmos produtos e serviços que estes ofereciam, mas a um preço mais baixo e maior qualidade no serviço prestado

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as últimas duas décadas, ao empresário nacional só era exigido saber fazer e fazer bem feito um determinado produto ou serviço (o que já não é tão pouco assim), os clientes e as encomendas com maior ou menor dificuldade “entravam pela porta dentro”. A procura interna dado a conjuntura económica favorável e o incentivo ao crédito, absorvia a totalidade da oferta das empresas nacionais. Os empresários portugueses sempre se acomodaram ao que era fácil, nunca tiveram a necessidade de procurar novos mercados e inovar, de forma a conquistar mercados para além fronteiras. Com a adesão de Portugal à Comunidade Europeia e, posteriormente, a abertura das fronteiras alguns destes empresários já começaram a sentir algumas dificuldades, nomeadamente, quebra de vendas e margens. Surgiram players novos, nomeadamente, empresas europeias que se instalaram em Portugal para oferecer os mesmos produtos e serviços que estes ofereciam, mas a um preço mais baixo e maior qualidade no serviço prestado. Não obstante, Portugal ter recebido fundos comunitários para que as empresas se preparassem para a abertura das fronteiras, os empresários usaram esse dinheiro para outras finalidades (casas, carros, etc.). Estes empresários “comodistas” começaram a culpar o governo, a banca pela situação nova com que se depararam e acima de tudo começaram a vulgarizar a palavra “crise”. Esta palavra servia de desculpa para tudo o que de mal acontecia na empresa, esquecendo estes empresários de fazer uma retrospetiva à própria empresa e se calhar verifica-

dívida, e existem várias ferramentas legais disponíveis para esse efeito, para que a prestação mensal seja paga com relativa facilidade, com os meios que a empresa liberta na atual conjuntura adversa. Por outro lado, o empresário terá de saber se ganha dinheiro. Não estamos a falar de liquidez, pagamentos e recebimentos, mas sim analisar se os proveitos que a empresa gera são superiores aos custos que suportam a sua atividade. Para tal análise não é de forma alguma suficiente usar a informação produzida pela contabilidade geral, uma vez que esta não analisa o interior da empresa mas sim pretende dar informação para fora da empresa. Deve o empresário recorrer a ferramentas de contabilidade de gestão para poder fazer uma análise adequada e, acima de tudo, detetar os problemas com exatidão, por forma a encontrar a solução adequada e tornar a empresa rentável.

Análise Financeira

Até bem pouco tempo atrás o empresário só precisava de se preocupar se ganhava ou perdia dinheiro, sendo que a liquidez aparecia de qualquer forma, com recurso ao crédito bancário e crédito de fornecedores. Hoje em dia, o crédito concedido por estas duas entidades tornou-se muito mais rigoroso e escasso. Por um lado é necessário o empresário saber qual o dinheiro que necessita para financiar o seu negócio e, por outro, saber se o próprio empresário o tem a título pessoal para colocar lá, ou se os bancos e os fornecedores estão recetivos a dar esse crédito, por forma a financiar a empresa. Nos tempos que correm assistimos a empresas que ganham dinheiro ou seja são “economicamente viáveis” mas por falta de uma gestão financeira adequada ou

planeada têm problemas graves problemas de tesouraria o que implica em alguns casos o encerramento das mesmas. Atualmente existem várias formas para o empresário financiar o seu negócio, para além das tradicionais, sendo o capital de risco uma delas. O empresário depois de saber as suas necessidades de liquidez para financiar o negócio, deve procurar com recurso a profissionais competentes, as melhores alternativas e aos melhores preços.

Analise comercial

A diminuição do consumo interno irá provocar uma diminuição das vendas das empresas nacionais. Das duas uma, ou a empresa é diferente das suas concorrentes porque tem um produto ou serviço diferente, ou porque é competitiva no preço. O empresário terá de efetuar uma auditoria comercial e analisar se os seus produtos e serviços são diferenciadores dos restantes existentes no mercado, em termos de qualidade e preço, se não for terá de procurar mercado alternativos para poder escoar os seus produtos. Para poder exportar terá de ter um departamento comercial devidamente estruturado e organizado de forma a oferecer um serviço profissional. Os empresários que não reestruturarem a sua empresa a nível económico, financeiro e comercial a tempo e horas, e dada a queda abrupta que o consumo interno terá no próximo ano, correm o risco de encerrar as portas.

www.believe.pt mail@believe.pt


OPINIÃO ORÇAMENTO DE ESTADO 2013

Fábio Gomes Raposo da GAMEIRO ASSOCIADOS, SOCIEDADE DE ADVOGADOS, R.L.

Pontos de Vista Novembro 2012

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O estado do Orçamento do Estado de 2013

O que está em causa na proposta de lei do Orçamento do Estado para 2013 não é uma qualquer lei que – como frequentemente acontece com outras – não interessa a ninguém, com exceção aos interessados, mas algo que afeta diretamente o quotidiano das pessoas. O que está em causa nem é saber qual será o modo de vida dos portugueses no próximo ano, mas sim como é que irão sobreviver.

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nalisando o documento em causa, há factos que são tão evidentes quanto preocupantes. É óbvio que a máquina do Estado necessita ser diminuída e há propostas positivas nesse sentido, como o corte nas ajudas de custo das Empresas Públicas, entre outras. Mas o Orçamento contempla uma redução de cerca de 50% dos trabalhadores contratados a termo. Sem mais. Ora, de que forma é que o Governo chegou a este valor? Serão os serviços e organismos das administrações, direta e indireta do Estado, regiões autónomas e autárquicas, todos afetados de igual modo? Porque não é efetuada uma análise por serviço, por empresa pública, por repartição, por Ministério, por fundação, por instituto, e porque não é confirmado onde é que efetivamente se podem reduzir os trabalhadores e em que medida? Porque é que se atingem indiscriminadamente os trabalhadores mais úteis e os menos úteis aos interesses públicos? Esta proposta traz consigo o drama do desemprego: aos quase 700.000 desempregados acrescerão cerca de 45.000 pessoas despedidas da função pública. E de todos estes, nenhum conseguirá ser contratado pelo Estado. De igual modo, e de forma completamente contrária a todo o sentido do diploma, prevê-se o financiamento de 400 novas contratações de doutorados para o exercício de funções de investigação científica. Afinal, quais são as regras que pautam as decisões do Governo? Estas medidas até poderiam ser apaziguadas se o Orçamento também contemplasse propostas concretas que visassem, de forma real, apoiar o inves-

timento privado, a criação de empresas e de negócios, o financiamento empresarial, a competitividade, o empreendedorismo, a formação profissional, ou outras medidas, para que todos os desempregados tivessem a possibilidade de ter Novas Oportunidades. Contudo, no documento não existem soluções novas, inovações ou tentativas sérias neste intuito. Se a preocupação do Estado é despedir, terá de existir uma preocupação ainda maior no sentido de saber como é que cada um desses portugueses vai colocar comida na mesa. É a própria Constituição da República que estipula que “é garantida aos trabalhadores a segurança no emprego, sendo proibidos os despedimentos sem justa causa”. Haverá justa causa para intentar um despedimento “coletivo” de 50% dos contratados a prazo? Defina-se Justiça!

“É a própria Constituição da República que estipula que “é garantida aos trabalhadores a segurança no emprego, sendo proibidos os despedimentos sem justa causa”. Haverá justa causa para intentar um despedimento “coletivo” de 50% dos contratados a prazo? Defina-se Justiça!”

A mesma pergunta pode ser colocada à “contribuição extraordinária de solidariedade”: que solidariedade é essa que prevê a redução das pensões dos reformados e aposentados, em cortes que vão desde os 3,5% a partir dos € 1350 mensais e 16% acima de € 1800 e que em certos casos poderá atingir os 40%! Há reformados que de um momento para o outro poderão ficar sem praticamente metade da sua reforma. Atente-se que o Estado está a reduzir de forma absolutamente desproporcional as pensões de cidadãos reformados que trabalharam longos anos para que pudessem viver com estes rendimentos que agora lhes são retirados. Uma coisa é estabelecer novas regras para os futuros reformados e pensionistas, outra é alterar as regras do jogo depois do apito final. O direito à segurança e certeza jurídica, à segurança social e à proteção à doença, velhice e invalidez, são direitos constitucionalmente consagrados e inalienáveis. Mas não é só. O estado desta proposta de Orçamento prevê ainda alterações nos escalões de IRS e a aplicação de uma sobretaxa de 4% descontada mensalmente. O escalão máximo de IRS atingirá, com taxas, escalões, sobretaxas e afins, a até agora inverosímil taxa global de 54,5 %. Isto significa que mais de metade do rendimento coletável destes trabalhadores reverterá integralmente a favor do Estado, além de todos os outros impostos, taxas e contribuições pagas. Qual será a percentagem efetiva que, do dinheiro auferido pelos trabalhadores, vai para os cofres da Fazenda Pública? O subsídio de Natal para funcionários públicos e pensionistas será pago em duodécimos mensais, medida que se aplaude, por estar dentro de limites de razoabilidade. As férias estarão com-

“Esta proposta traz consigo o drama do desemprego: aos quase 700.000 desempregados acrescerão cerca de 45.000 pessoas despedidas da função pública. E de todos estes, nenhum conseguirá ser contratado pelo Estado”

prometidas para os trabalhadores que tenham uma remuneração superior a € 1100, já que o respetivo subsídio ficará suspenso. Para quem tenha uma remuneração igual ou superior a € 600 (próxima do salário mínimo) também terá uma redução no seu subsídio de férias. Além dos preceitos constitucionais já invocados, este Orçamento poderá estar ferido de outra (mais uma) inconstitucionalidade patente: é que a Constituição prevê a progressividade dos impostos sobre os rendimentos. E, refira-se, não há progressividade que aguente tamanha e generalizada escalada de impostos. E a Troika já não serve de desculpa para tudo. Mas o afastamento de preceitos legais até seria compreensível, desde que isso acontecesse para, de forma justificada e em situação de emergência, salvar o País. Mas não. Este Orçamento, que vem, novamente, comprometer a Constituição da República vai continuar a asfixiar a economia: mais desempregados significarão mais encargos com subsídios e apoios. Os cortes nos salários e o aumento generalizado dos impostos implicarão, além da evasão fiscal, menos rendimento disponível para particulares e empresas, assim como a fuga de investimento e de capitais para outros mercados. O menor rendimento fará com que o consumo se continue a retrair, além de estrangular as empresas que lutam por manter os postos de trabalho. Serão, assim, geradas menores receitas para o Estado. Estes factos contrairão ainda mais a economia, num ciclo vicioso tão claro e evidente que parece não estar à vista de todos. E a solução, pasmem-se, não é mudar a Constituição da República, mas talvez tudo o resto. Se restar alguma coisa.


OPINIÃO PROPRIEDADE INDUSTRIAL

Jorge Cruz, Agente Oficial da Propriedade Industrial

A Propriedade Industrial e a situação económica de Portugal No Diário de Noticias de 14 de outubro deste ano, na primeira página, com todo o destaque, veio publicada a seguinte notícia: “Ministérios reunidos para cortar despesa e aliviar impostos” E a notícia: “…vários gabinetes governamentais estiveram reunidos a preparar os últimos números do OE 2013, cuja proposta final será discutida amanhã no Conselho de Ministros…”

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ara quem nunca foi um político profissional, mas não pode, naturalmente, alhear-se dos problemas que afligem gravemente o nosso País, causa natural perplexidade a dificuldade que tem havido para limitar a despesa, quando há cortes que se afiguram elementares – e representam um “oceano” de milhões de euros: as Fundações, os milhares de automóveis, as empresas comparticipadas pelo Estado, por exemplo. Há, sem dúvida, Fundações úteis e necessárias: mas a grande maioria – e nem sequer, ao que parece, se sabe quantas são! – Não serve para nada. Ou melhor, servem os “fundadores”…

Para quê? Li, há pouco tempo, no mesmo jornal (26 de setembro), que um conhecido político tem uma fundação que, nos últimos anos, tem recebido importantes subsídios. Para quê? Por outro lado, hoje em dia, no Estado há um não acabar de Funcionários com automóveis. Para quê? É que estamos a falar em muitos, muitos, muitos, milhões de euros. Não seria um bom exemplo limitar os automóveis, apenas, aos mais altos Funcionários do Estado, como os Membros do Governo, da Assembleia da Republica e pouco mais?

E as empresas em que o Estado participa, que pagam ordenados extravagantes? Paralelamente, há Organismos do Estado que poderiam dar uma contribuição maior para a receita do País, como o Instituto Nacional da Propriedade Industrial. São ajudas que não resolvem os problemas todos. Mas são ajudas importantes. Tenho já escrito muitas vezes sobre este problema, mas o resultado é rigorosamente igual a zero. Sem qualquer aparente justificação, o INPI está incluído no GRUPO dos Organismos do Estado que condu-

ziram o nosso País à triste situação económica em que se encontra.

E porquê? Por três razões fundamentais: a ) Pelo aumento exagerado dos serviços em que intervém; b) Por erradas alterações do Código da Propriedade Industrial; e c) Também, pela deficiente aplicação de algumas das suas disposições. Em relação ao aumento dos serviços, o INPI começou a interferir em várias áreas manifestamente destinadas á atividade privada e criou – ou patrocinou a criação – de VINTE E DOIS GAPI, ou sejam Gabinetes de Propriedade Industrial, que deveriam ser de apoio mas, na realidade, são intermediários que fazem autêntica procuradoria, aliás, ao que parece, muitas vezes sem a indispensável preparação, interferindo na atividade privada e – também ao que consta – beneficiando de proteção

E o que tem feito o INPI?

Tem libertado esses mesmos utilizadores do pagamento de formalidades que continuam a ser executadas – mas pagas não se sabe por quem. As receitas do INPI, desde a entrada em vigor do Código de 2008 – ou, até, apenas da entrada em vigor de algumas das suas alterações – sofreram, principalmente, as seguintes limitações: = Desconto geral para todos os atos praticados on-line – 50% = Taxas atualmente a custo 0,00 €, quer dizer, serviços agora prestados gratuitamente pelo INPI (indicando-se, também, o valor das taxas anteriormente cobradas): - Modificação de identidade – 11,45 € - Modificação de sede – 11,45 € - Junção de documentos – 5,73 € - Desistência de pedidos – 5,73 € - Renúncia de direitos – 5,73 € - Restituição de taxas – 5,73 € - Mandatos – 5,73 € - Pedido de retificação – 11,45 € - Publicação / reivindicação de cores – 28,62 €

É extraordinário notar que na tabela atual (31 de maio de 2012) estes atos – “online” ou em papel – vêm referidos como praticados pelo INPI… a custo ZERO!

E quem os paga? = Atos que foram suprimidos com o novo Código, indicando-se a taxa anterior (e que agora não existe): - Publicação a cores – 28,62 € - Pedido especial de registo – 228,93 € - DIU – 28,62 € - Provas de uso – 34,34 € - Nome de Estabelecimento – 85,86 € - Insígnia de Estabelecimento – 85,86 € - Taxas de concessão – 97,31 € Tudo isto somado, dá muitos milhões de Euros – que o nosso País está a perder e bem necessários seriam neste momento. Mas fará algum sentido que quem pretende proteger direitos de Propriedade Industrial em Portugal não suporte os inerentes encargos?


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Mas o que verdadeiramente não se entende é que não se procure aumentar a receita do Instituto, cobrando corretamente todos os serviços prestados e não interferindo em áreas da atividade privada, que, manifestamente, devem estar fora das normais funções do INPI

especial. Quer dizer: houve a “habilidade” de transformar um Instituto, perfeitamente capaz e autossuficiente para resolver os Problemas da Propriedade Industrial, em mais de VINTE organismos, todos com pessoal e naturais despesas, constituindo um pesado encargo para o nosso País – e todos a competir com a atividade privada, publicitando serviços que deveriam estar, completamente, fora da sua esfera normal de atuação. Por outro lado, o INPI deixou de cobrar muitas taxas, embora continue a prestar os serviços correspondentes. Aliás, trata-se de taxas maioritariamente pagas por estrangeiros, o que tem o maior interesse neste momento. Parece que o princípio geral do utilizador – pagador deve ser respeitado sempre que possível: quem beneficia ou usufrui de determinadas facilidades ou regalias deve pagá-las.

E como pode o INPI justificar que alguns dos serviços que presta não sejam pagos pelos interessados? Além disso, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial – segundo consta – continua a fazer consultoria gratuita, prejudicando, naturalmente, a atividade das empresas que prestam serviços nesta área e sobrecarrega os seus próprios encargos com os que essa atividade necessariamente implica. Na verdade, ─ Lesa o Estado, pois essa consultoria é graciosa, custa dinheiro à Administração, pois o tempo dos Técnicos é pago pelo INPI (e não estamos a falar de ninharias) e não está nas atribuições e competências do INPI; ─ Colocando, inclusivamente, os seus Técnicos na difícil dupla função de aconselhar os interessados e depois propor as decisões sobre os problemas em discussão, o que contraria os mais elementares princípios da isenção que é indispensável e diminui a qualidade dos serviços prestados. ─ Ensina os particulares que se dirigem ao INPI a formular os seus pedidos e a responder às exposições, com manifesto prejuízo dos mandatários portugueses – o que, naturalmente, prejudica a qualidade da litigância, feita por pessoas sem a preparação e

qualificação mínimas indispensáveis; ─ O que tem o grave inconveniente de “empurrar” para Tribunal a resolução final dos problemas, prejudicando requerentes e reclamantes. Por consequência, é indispensável que o INPI se limite a exercer a sua atividade normal, que lhe permite manter a indispensável isenção para o exercício correto das suas funções. Ao mesmo tempo, não reduz as viagens – que são muitas – ao estritamente necessário, continuando a enviar Funcionários ao estrangeiro, como se estivéssemos em tempos normais. Ninguém duvida da vantagem em participar nas reuniões, mas é importante ponderar os custos e os benefícios - sempre limitados – da nossa presença. Lê-se, por exemplo, no site do INPI a seguinte noticia: “Portugal e Brasil assinaram ontem, dia 3 de outubro de 2012, à margem

das Assembleias Gerais da OMPI que se estão a realizar em Genebra, um Memorando de Entendimento reforçando a cooperação bilateral no domínio da Propriedade Industrial pelos respetivos Institutos Nacionais da PI.” E partiram para o Brasil vários funcionários do INPI, durante uma semana - ou mais... Mas, além do Brasil, há viagens que nunca mais acabam.

Não será um exagero? Mas o que verdadeiramente não se entende é que não se procure aumentar a receita do Instituto, cobrando corretamente todos os serviços prestados e não interferindo em áreas da atividade privada, que, manifestamente, devem estar fora das normais funções do INPI.

“Além disso, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial – segundo consta – continua a fazer consultoria gratuita, prejudicando, naturalmente, a atividade das empresas que prestam serviços nesta área e sobrecarrega os seus próprios encargos com os que essa atividade necessariamente implica”


INOVAÇÃO

POD – Fabricante da marca MTEX e distribuidor ibérico exclusivo da Zimmer Colaris

Era do Digital já chegou ao Têxtil Numa altura difícil para o país, ainda há empresas que apostam na inovação e em tecnologia de ponta. A POD é uma delas! Para além de distribuidora ibérica exclusiva do modelo Colaris da marca austríaca Zimmer, com 126 anos de experiência comprovada em todo o Mundo ao nível da maquinaria têxtil, é também fabricante dos equipamentos de impressão digital têxtil MTEX. Recentemente foi apresentado o novo modelo, MTEX 500, que promete marcar pontos no mercado têxtil, um mercado em mutação, cada vez mais ligado ao digital!

“Na parte gráfica, a MTEX é já uma marca consolidada, e já há mais de 30 unidades da MTEX 3200 espalhadas pela Europa. A MTEX 500 foi apresentada há pouco mais de uma semana. No entanto estamos confiantes porque foi vista e comentada por muita gente na feira, o vídeo que alocamos na internet também já teve inúmeras visualizações e, para além disso, através da promoção comercial que fazemos juntos dos clientes, temos notado que estes estão ansiosos para vê-la trabalhar”

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á passou a altura em que os consumidores se contentavam com os padrões tradicionais. Hoje em dia, principalmente no mundo da moda, são exigidos padrões e estampados diferentes. Estar na moda é muitas vezes marcar a diferença, optar por estampados nunca antes vistos, inovar. Com as novas exigências do meio, surgem também novas exigências ao nível das tecnologias no mercado têxtil. Estamos na era do digital e, como tal, o mercado digital têxtil já não é o futuro, é cada vez mais uma exigência do presente! Para Diogo Liz, Diretor Comercial da POD, o mercado têxtil mudou e, na Europa, “aquilo que vemos é que no mundo da moda, mas também noutro tipo de mercados, as produções são cada vez mais light, pequenas, rápidas, personalizadas e com um número de cores ilimitado”. O digital, por ser ideal para pequenas quantidades, um número infindável de cores, num curto espaço de tempo e com acabamentos agradáveis ao toque, pela ausência de textura após a impressão, vem dar resposta a essas exigências do mundo contemporâneo, que não requer muitos metros do mesmo padrão, mas essencialmente estampados diferentes e personalizados.

Know how e experiência comprovada

Dar essa resposta foi também o objetivo que esteve na origem da criação da POD, corria o ano de 2009. Alguns sócios de uma outra empresa, que entretanto foi comprada pela AGFA, não se reviam nas mentalidades, práticas e métodos de trabalho de uma multinacional, dada a burocracia gerada pelo peso da estrutura. Queriam dar soluções diretas, rápidas e eficazes, que não tivessem de passar por várias mãos, tal como o mercado hoje o exige. O know how e experiência comprovada, de uma equipa conhecedora do mercado e das soluções digitais têxteis, que vinha já da introdução da DGEN no mercado ibérico em 2006 e da JETI Aquajet na Europa, levaram a uma evolução natural que se traduziu, depois de criada a empresa, na criação de uma marca própria e registada mundialmente, a MTEX.

Diogo Liz

As soluções MTEX Inicialmente foi criada a MTEX 3200, com o desafio de aprofundar os padrões de qualidade da JETI Aquajet e avançar para novas áreas de negócio. Trata-se de um equipamento de impressão digital têxtil que Diogo Liz caracteriza como sendo “uma máquina de sublimação direta de impressão em polyester mais dirigida ao mercado publicitário. É um conceito que não é novo, mas que antes havia essencialmente em áreas como

o mercado gráfico, em que a revolução do digital já ocorreu há mais tempo. No mercado têxtil essa revolução está a ocorrer agora”. Por isso mesmo, a POD acaba de lançar o novo modelo da MTEX, a MTEX 500, menos direcionada para a área da publicidade e totalmente vocacionada para as novas exigências do mercado têxtil. Enquanto a primeira é a solução ideal para aplicações ligadas à arquitetura e à decoração, bem como à impressão de bandeiras e mesh, graças aos 1440 dpi

reais e gota variável de 8 picolitros, a segunda é ideal para a aplicação em malhas e tecidos, por imprimir com tintas reativas, ácidas ou dispersas e incluir um sistema de cola e lavagem automático. A MTEX 500 resultou de um acordo OEM, de cedência tecnológica, celebrado com a marca japonesa Mimaki, que não deixa de orgulhar Diogo Liz, “este acordo foi feito em termos mundiais por três empresas, duas italianas e a POD por isso foi muito importante para nós. Como tal, esta nova gama de produtos vai toda ela assentar em tecnologia Mimaki”.

Distribuidor Ibérico Exclusivo Zimmer Colaris

MTEX 500

Trabalhar com marcas de elevado reconhecimento internacional não é algo de novo na POD, ou não fosse distribuidora ibérica exclusiva da Zimmer Colaris, desde o início de 2011. A Zimmer é uma marca austríaca com 126 anos de experiência no mercado, reconhecida em todo o mundo. Com um sistema industrial de impres-


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Aquilo que vemos é que no mundo da moda, mas também noutro tipo de mercados, as produções são cada vez mais light, pequenas, rápidas, personalizadas e com um número de cores ilimitado

O “bebé” da POD

Apresentada pela primeira vez há duas semanas, na Viscom em Frankfurt evento de comunicação visual que se realiza anualmente na Alemanha e onde são apresentadas as tendências e aquilo que é feito de inovador ao nível das tecnologias de impressão digital - a MTEX 500 é ainda o “bebé” da POD, mas as expectativas são grandes. “É um recém-nascido ainda. Na parte gráfica, a MTEX é já uma marca consolidada, e já há mais de 30 unidades da MTEX 3200 espalhadas pela Europa. A MTEX 500 foi apresentada há pouco mais de uma semana. No entanto estamos confiantes porque foi vista e comentada por muita gente na feira, o vídeo que alocamos na internet também já teve inúmeras visualizações e, para além disso, através da promoção comercial que fazemos juntos dos clientes, temos notado que estes estão ansiosos para vê-la trabalhar”, afirma.

“A tecnologia está madura e pronta a ser utilizada”

No ano passado, na maior feira internacional de maquinaria têxtil – ITMA – que se realiza de quatro em quatro anos, já foi clara a aposta das várias marcas no digital e, de acordo com Diogo Liz, “todos os presentes foram unanimes em dizer que o tema principal da feira foi, de facto, o digital”, onde a tecnologia

são de jato de tinta de alta produção, a Colaris foi concebida para trabalhar 24 horas por dia, 7 dias por semana, dando uma resposta rápida e o menor custo garantido. Esta é adequada para estampar desde tecidos leves como a seda até tecidos pesados como toalhas. A experiência que adquiriram enquanto distribuidores exclusivos da Zimmer, não foi esquecida na conceção da MTEX 500, semelhante em alguns componentes.

apareceu já consolidada e amadurecida, sendo a grande aposta de praticamente todos os fabricantes. O nosso entrevistado acredita que isso é o reflexo do mercado. “O que todos os clientes sentem é que as quantidades estão a baixar, que já não podem entregar as coleções em 6 a 8 semanas, mas sim em quatro ou cinco dias, e em vez de um número reduzido de cores, pedem uma panóplia de 10, 12 ou número ilimitado de cores diferentes. Tudo isto converge, obviamente, para a mais valia do digital e, por isso, eles próprios estão ansiosos por terem cada vez mais soluções digitais. E se na ITMA de 2007 já tinham sido apresentadas soluções digitais por uma ou outra marca, agora vemos já a tecnologia consolidada e os próprios clientes já constatam que a tecnologia está madura e pronta a ser utilizada”.

Novas soluções já estão a ser desenvolvidas

Por isso mesmo, mostra-se confiante relativamente a um futuro que espera que venha a ser na POD “de crescimento, mantendo sempre uma estrutura adequada, sem entrar em grandes loucuras, desenvolvendo novas soluções digitais e oferecendo essa inovação aos nossos clientes”. Como tal, estão neste momento a começar a desenvolver soluções de acabamento e têm já um protocolo estabelecido nesse sentido. Diogo Liz explica, “não basta imprimir no tecido. Por exemplo, quando temos um tecido de algodão, é usada uma tinta específica, a chamada tinta reativa, que necessita de uma reação química da tinta para que ela impregne no tecido. Após essa impressão precisa também de uma vaporização para que a cor fixe no algodão e, depois disso, ainda é necessária uma lavagem que retire o excesso. Outros tecidos exigem também outro tipo de acabamentos até que o mesmo fique totalmente pronto. Nós MTEX 3200

vamos ter esses acabamentos adequados à linha MTEX têxtil no segmento digital. São linhas de Pré e Pós tratamento digital, como o caso da linha de coating (tratamento) em linha com a MTEX 500, como vaporizadores MTEX Steamer, e sistemas de lavagem MTEX Washer.

Um novo produto que está também em desenvolvimento e que será apresentado brevemente da família MTEX, será a MTEX UVled, com sistema UV de cura em LED para aplicações industriais, como impressão em couros, peles ou aplicações para o setor automóvel.

Eventos e Feiras onde estará presente a MTEX nos próximos 8 meses • Open house em Portugal, nas instalações do Citeve • Open house em Espanha, nas instalações da Aitex • Sign Istambul, na Turquia, de 6 a 9 de Dezembro de 2012 • Sign & Graphic Imaging Middle East, no Dubai, de 20 a 22 de Janeiro de 2013 • RemaDays Warsaw, em Varsóvia, de 6 a 8 de Fevereiro de 2013 • Fespa Brasil 2013, em São Paulo, de 13 a 16 de Março de 2013 - Fespa 2013, em Londres, de 25 a 29 de Junho de 2013


OPINIÃO Inovação

João Neves, Director da Unidade de Negócio de Sistemas de Informação

A Inovação no Universo Empresarial Hoje em dia manter um processo contínuo de inovação numa empresa é absolutamente necessário para que essa empresa mantenha um nível de competitividade adequado independentemente da conjuntura que a rodeia.

A

inovação poderá ser ao nível do produto, do processo ou mesmo ao nível organizacional. Sensível à importância da inovação, o Grupo ATM (ATM) tem vindo a investir cada vez mais nesta componente. A experiência acumulada ao longo de mais de 20 anos, permite à ATM afirmar-se pela qualidade do serviço prestado aos seus clientes, sendo esta uma das vertentes que a ATM procura inovar insistentemente e assim conseguir estar mais alinhado com as necessidades dos seus clientes. Uma outra vertente em que procuramos inovar é na aplicação das tecnologias de informação e de comunicação (TICs) ao serviço da eficiência das organizações dos nossos clientes. É do conhecimento de todos que a taxa de aproveitamento do verdadeiro potencial das TICs por parte dos seus utilizadores fica muito aquém daquilo que seria desejável, tornando assim os investimentos nas TICs algo avultados e com uma dificuldade enorme em serem rentabilizados. São inúmeras as causas para que isso aconteça e o conhecimento das mesmas é fundamental para despertar oportunidades de inovação.

Na construção do portefólio de produtos e serviços, a ATM com o apoio dos seus parceiros tecnológicos procura mitigar essas dificuldades e assim apresentar soluções inovadoras aos seus clientes que maximizem a utilização das TICs aos diversos níveis de uma organização, sejam aos níveis estratégicos, táticos ou operacionais. Na vertente tecnológica os fabricantes têm vindo cada vez mais a disponibilizar soluções para se ajustarem de uma forma mais granular às necessidades dos clientes. Exemplo disso é a virtualização de sistemas servidores e postos de trabalho. A ATM tem promovido estas soluções, acrescentando-lhes serviços de consultoria para apoiar os clientes nessa mudança tecnológica de forma a maximizar o aproveitamento dessas tecnologias. Exemplos desses serviços são o “Desktop Zero License” ou o desenvolvimento de planos de recuperação a falhas ou mesmo o desenvolvimento de planos de continuidade de negócio. Ao nível dos serviços, a ATM tem vindo a desenvolver uma metodologia baseada no “pay-per-use”. Exemplos dessa modalidade são os serviços de manutenção e apoio técnico, bem como ao nível dos contratos de cópia e impressão. Atualmente, os nossos serviços têm como base as mais modernas práticas de gestão das TICs, complementadas pelo trabalho desenvolvido por uma equipa técnica experiente e competente. O departamento das TICs de uma organização deverá ser considerado cada vez mais um ativo estratégico da empresa. O seu papel numa organização não se poderá resumir ao papel de apoio ao utilizador. O conhecimento que este departamento detém na organização e da organização onde se inclui deverá ser aproveitado para apoiar ou mesmo desencadear mudanças estratégicas da organização, as quais estão cada vez mais dependentes das TICs.

A ATM tem participado em diversos projetos ligados ao incremento da eficiência e valor dos departamentos das TICs nas organizações, nomeadamente através da implementação e formação em soluções de gestão integrada de tecnologia, de pessoas e processos. A mais-valia desta solução comparativamente às existentes no mercado é o facto de as mesmas não terem custos de licenciamento, como é o caso do nosso serviço ATM ITSM. A um nível mais transversal às organizações, a ATM disponibiliza soluções que procuram aumentar a eficiência dos processos e o controlo dos mesmos. Exemplo disso é a Gestão Documental ou de uma forma mais abrangente, o trabalho colaborativo nos diversos processos da empresa e a partilha segura e eficiente da informação crítica à organização, a Gestão da Relação com o Cliente (CRM) ou mesmo com os restantes intervenientes na cadeia de valor da organização ou a Gestão Integrada de Atendimento (atendimento de utentes em modalidade de self-service). As empresas do Grupo ATM são empresas com um sistema de gestão baseado na norma ISO9001:2008. Já em 2012 finalizámos a certificação ambiental baseada na norma ISO14001. Este ano, a ATM Informática iniciou a implementação de um Núcleo de I&DT. É um projeto que tem como objetivo o “upgrade” da empresa para um patamar mais elevado de desenvolvimento tecno-

lógico e de inovação, através da criação e consolidação de unidades estruturadas com características de permanência e dedicadas exclusivamente a atividades de I&DT, dotando-as das competências humanas e materiais próprias indispensáveis à sua intervenção. Este projeto é financiado no âmbito do programa COMPETE (Programa Operacional Fatores de Competitividade) do QREN da União Europeia. Integrado neste projeto, a ATM Informática iniciará em 2013 um processo de certificação da Gestão da Investigação, Desenvolvimento e Inovação segundo a norma NP4457:2007. Presente no mercado desde 1989, a ATM dedica-se à comercialização de soluções e prestação de serviços de desenvolvimento, implementação, integração, manutenção e formação, que visam assegurar o bom funcionamento das TICs de determinada organização, com custos adequados para a última. Estes serviços singulares assentam num vasto conjunto de soluções, algumas das quais concebidas e desenvolvidas pela ATM Informática, recorrendo para o efeito às tecnologias líderes de mercado (plataformas tecnológicas, hardware/software), que se encontram a montante da cadeia de valor. As soluções da ATM destinam-se a organizações dos mais diversos setores, nomeadamente indústria, saúde, serviços e administração pública. LER NA INTEGRA EM WWW.PONTOSDEVISTA.PT

“A ATM tem participado em diversos projetos ligados ao incremento da eficiência e valor dos departamentos das TICs nas organizações, nomeadamente através da implementação e formação em soluções de gestão integrada de tecnologia, de pessoas e processos. A mais-valia desta solução comparativamente às existentes no mercado é o facto de as mesmas não terem custos de licenciamento, como é o caso do nosso serviço ATM ITSM”


INOVAÇÃO

Filipe Lourenço, Sócio e Gerente da PROCIFISC – Engenharia e Consultadoria, Lda.

Pontos de Vista Novembro 2012

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“A Inovação e Internacionalização são os dois Vetores Principais de Orientação desta empresa” Alicerçada nas características que fazem parte da identidade de uma empresa do século XXI, a Procifisc, criada há seis anos, tem seguido um trilho de sucesso no sentido da inovação. Para cimentar o seu percurso, têm sido realizadas parcerias com instituições do ensino superior a fim de estimular as sinergias necessárias para se lançar aos mercados externos.

Filipe Lourenço Vocacionada para o desenvolvimento de serviços de engenharia e arquitetura, seis anos depois da sua criação, o que tem mantido a Procifisc no caminho da inovação? Num mercado onde, cada vez mais, a competição e o desejo de lucro são levados muito a sério, o que torna a Procifisc diferente? O nosso caminho tem sido pautado diariamente pelo dinamismo duma empresa do século XXI, que se pretende modernizar e para tal temos apostado em parcerias com instituições do ensino superior no sentido de potenciar sinergias e projetos internos da empresa para a sua promoção nos mercados externos. Apostamos na inovação de serviços e produtos, pois sabemos que seremos desse modo uma empresa com valor acrescentado num mercado cada vez mais global. Só podemos ser diferentes, se apostarmos ser diferentes dos outros e daquilo que os outros já fazem, mas fundamentalmente preocupamo-nos com o mais importante em qualquer negócio e damos-lhe toda e a maior importância, o cliente. Isso torna-nos diferentes, penso eu.

A empresa surgiu da necessidade de abranger soluções num mercado cada vez mais global. Atualmente, quais são as principais exigências do mercado e dos vossos clientes? Atualmente, os mercados exigem empresas cada vez mais competitivas, em termos das suas competências, dos seus recursos humanos, das suas valências, da sua operacionalidade, dos seus lucros,

dos seus rácios financeiros, etc., e nós não estamos alheios a tudo isto até porque andamos pelo mundo fora e queremos conquistar o nosso espaço nele. Os nossos clientes por sua vez exigem cada vez mais de nós aquilo que de uma empresa internacionalizada se pode exigir, ou seja, interface e intercomunicação de negócios entre os países por onde estamos a internacionalizar a empresa, tendo em vista a facilitação e intermediação de potenciais negócios futuros. Depois de Angola, China, Brasil ou Namíbia, a empresa quer continuar a apostar em mercados externos. O que tem sido feito no sentido de estimular a internacionalização da Procifisc? É óbvio que queremos continuar a apostar em mercados externos, pois tanto a internacionalização como a inovação são dois dos vetores de orientação desta empresa. A aposta continuará a ser internacionalizar a empresa nos mercados lusófonos e outros com potencial de crescimentos onde sejam identificadas oportunidades. Muito em breve, e quando digo isso, refiro-me ao inicio do ano de 2013, iremos também iniciar fase de prospeção noutro mercado africado não lusófono, à semelhança do que tem sido feito com a Namíbia, pois foram já desenvolvidos uma séria de contactos nesse sentido, passando a ser em 2013 um dos mercados prioritários da empresa. Na sua opinião, quando se fala em estimular o desenvolvimento do comércio e do investimento entre países da CPLP, que aspectos devem ser tidos em consideração? Que barreiras devem ser ultrapassadas para abrir as portas ao investimento nestes mercados?

O que está a ser feito podia ser melhor feito desde que para isso houvesse melhores ferramentas ao serviço do empre-

sário. No entanto é de louvar o trabalho que tem sido feito por todos aqueles que estão a internacionalizar as suas empresas, pois de facto o resultado está à vista. Os fundos comunitários não têm sido geridos de uma forma tão moldável quanto desejável. Os fundos comunitários, face a esta conjuntura, deveriam ter um papel mais dinâmico e não tão estático como tem sido frequente. O empresário tem sido confrontado com inúmeras dificuldades e barreiras jurídicas e outras de várias origens, sobre as quais se tem de debruçar e sobre as quais tem de estar a tento para não vacilar na hora de tomar decisões. Fundamentalmente, os nossos políticos têm de otimizar juntamente com os homólogos dos outros países da CPLP, formas e processos para dar acesso privilegiado de entrada nos países em questão, às empresas e às pessoas de origem da CPLP, uma vez que temos potencial comum para oferecer e para explorar. O investimento nestas zonas da geografia mundial, que estão a crescer acima do crescimento mundial, é um caminho que uma empresa deve seguir se quiser consolidar-se no mercado? É fundamental que as empresas estejam focadas nestes mercados e nós que somos portugueses, podemos, considera-nos sortudos, por estarmos envoltos em mercados que falam a nossa língua e que comungam das nossas origens. O mundo empresarial está neste momento focado em África e na América do Sul. O caminho é esse para quem quiser consolidar-se e mais nenhum. É inevitável não falar na crise financeira global, que tem atingido classes tão díspares. Os empresários não foram exceção. De que forma a Procifisc tem sentido os efeitos deste colapso económico? A cooperação empresarial no desenvolvi-

mento das economias é, neste sentido, importante para combater a crise? A cooperação transfronteiriça é uma mais-valia cada vez mais emergente para a nossa empresa estar nos mercados externos, pois para estarmos nos mercados externos, temos de ter parceiros locais. Uma das formas de ultrapassar as barreiras da crise financeira global, é estabelecendo sinergias e potenciando negócios com terceiros. Neste caso em concreto, as parcerias locais são a forma mais simples de empreender o negócio nesse mercado, com apoio da estrutura local permanente. Assinaram, este ano, um protocolo de colaboração com o Instituto Politécnico de Castelo Branco no âmbito de um projeto de investigação e desenvolvimento. Que vantagens estas parcerias trazem para a Procifisc e para os alunos? As parcerias que geralmente assinamos ao abrigo de projetos de investigação como é o caso, trazem como é óbvio vantagens para ambas as partes pois se por um lado, permitirá à empresa desenvolver uma determinada área de investigação em determinadas circunstâncias, também é verdade que permitirá a esses alunos estarem em contacto com o mundo empresarial real e com a possibilidade de uma porta lhes ser aberta futuramente, pois esse também será o objetivo.

Estando 2012 a terminar, que balanço faz da atividade da empresa ao longo do último ano? Que desafios acredita que a Procifisc terá de enfrentar brevemente? O Balanço de 2012 não sendo excecional é positivo. Futuramente avizinham-se desafios muito interessantes para a nossa empresa, tais como exploração de novos mercados não lusófonos, exploração de novos ramos de negócios para a empresa, entre outras coisas que prefiro não revelar para já…


OPINIÃO INOVAÇÃO

José Novais da Fonseca, Diretor do Departamento de Gestão de Projetos do CENFIM

A inovação emana da ‘inquietação’ dos homens; a tecnologia é apenas um dos seus resultados “Cada organização é uma entidade com personalidade própria e comportamentos produtivos distintos de qualquer outra, diferenças que podem levar a que a aquisição de uma nova tecnologia possa num caso ser um fator de sucesso e noutros um investimento fracassado”

Na Indústria transformadora a inovação é comummente associada a investimentos tecnológicos, sendo este um processo aditivo que conduz a melhorias sucessivas que vão sendo incorporadas nos processos de fabrico.

M

as esta é apenas uma aceção do conceito, talvez mais próxima dos climas de desenvolvimento do que dos ambientes mais genuínos da inovação. Há ainda uma outra aproximação, esta mais disruptiva e criativa e que normalmente resulta em alterações significativas nos processos e nos produtos das organizações. Podemos presumir assim que a inovação ocorre em dois moldes, um mais evolucionário, assente principalmente no conhecimento das técnicas e dos processos da Empresa e conduzindo normalmente a estágios de incremento tecnológico e um outro, mais revolucionário, que germina de ambientes de proatividade estimulados pela própria cultura da Empresa e que, normalmente, gera alterações de impacto mais marcante ao nível dos seus processos de trabalho, dos seus serviços e produtos finais e até do próprio modelo de negócios. De uma coisa deveremos estar certos: independentemente das definições que aqui forem trazidas para a ‘inovação’, esta terá de emergir sempre do interior da empresa – não é possível melhorar ou revolucionar o que não se conhece -

tendo nos seus ativos humanos a principal alavanca da mudança. Por maior similitude que possam aparentar - mesmo empresas de igual dimensão e atuando no mesmo setor de atividade - nenhuma organização gere a sua linha de produção da mesma forma que uma outra qualquer. Essas diferenças não se ficam apenas pelos seus métodos de trabalho, mas revelam-se também na sua própria história ou mesmo no estilo de liderança imperante. Cada organização é uma entidade com personalidade própria e comportamentos produtivos distintos

“Posicionando-nos como o maior Centro de Gestão Participada do País, é incontestável a contribuição que temos dado ao nível da preparação dos recursos humanos, com taxas da ordem dos dez mil formandos por ano, este sim, o maior contributo, porque baseado no aumento das competências técnicas e na inserção de profissionais com novas visões e posturas, como alavancas da inovação”

de qualquer outra, diferenças que podem levar a que a aquisição de uma nova tecnologia possa num caso ser um fator de sucesso e noutros um investimento fracassado. A nossa experiência diz-nos que há ainda outra condição de sucesso que advoga um pleno envolvimento dos Ativos da Empresa: a natureza humana é resistente à mudança; envolver de uma forma alargada e transversal o quadro da empresa, em projetos de inovação, é também trazer para eles a noção de pertença e por conseguinte a predisposição para a aceitação da mudança. Em tudo isto há um padrão que é comum nas estratégias da inovação: a propensão e a capacidade da Organização para assumir riscos e o estímulo dos seus Colaboradores para promover a mudança, com foco no ‘fazer melhor’, baseando-se em três vetores capitais: • O conhecimento das técnicas e das tecnologias que utilizam (aptidões) • A perceção da realidade e da organização da empresa (contexto) • A predisposição dos seus colaboradores e da sua liderança (atitude) É aqui, onde se assinala como peça-chave da inovação os Ativos Humanos das Empresas que, organizações como o CENFIM, enquanto Centro de Formação

Profissional da Indústria Metalúrgica e Metalomecânica, podem e devem cumprir o seu papel, já que têm na base da sua atuação a formação de novos profissionais, as ações de aperfeiçoamento dos ativos das Empresas do setor, mas também o contacto estreito e a ação direta que importa manter com as empresas que servem, coabitando os seus contextos de trabalho e de negócio, numa ação que na globalidade nos impõe o compromisso de respondermos em cada uma das três vertentes anteriormente assinaladas. A prestação mais evidente que o CENFIM pode trazer a estes processos nas Empresas advém da sua ação principal, a formação e integração de novos profissionais, assim como a atualização e qualificação dos seus ativos. Posicionando-nos como o maior Centro de Gestão Participada do País, é incontestável a contribuição que temos dado ao nível da preparação dos recursos humanos, com taxas da ordem dos dez mil formandos por ano, este sim, o maior contributo, porque baseado no aumento das competências técnicas e na inserção de profissionais com novas visões e posturas, como alavancas da inovação. Servindo um setor de base tecnológica é evidente


Pontos de Vista Novembro 2012

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O facto de trabalharmos tão de perto com as Empresas favorece relações de confiança com o tecido industrial, as quais, por si mesmas, acabam por gerar iniciativas complementares aos modelos tradicionais da formação, sendo aqui muito próprio assinalar aquelas que baseiam o apoio que o CENFIM presta de forma direta à inovação e modernização das Empresas, como é o caso das iniciativas de formação-ação

que se trata de uma formação tendencialmente técnica, através da qual são induzidos conhecimentos em novas tecnologias, como são exemplo os casos das saídas profissionais dos técnicos especialistas na organização da produção ou de mecatrónica, ou ainda de programação de máquinas de comando numérico (CNC), que se posicionam ao nível dos cargos intermédios das empresas, uma área funcional sempre vital nestes processos de mudança. Mas para além das virtudes curriculares destes cursos, investimos e acreditamos nas nossas competências pedagógicas para fazer destes profissionais indivíduos de índole interventiva nas empresas que integram. Mas a nossa ação só estará alinhada com as expectativas reais das Empresas se nos mantivermos investidos, de forma continuada, num contacto estreito com as mesmas, daí sorvendo a sua própria realidade. E é essa proximidade que nos tem trazido a visão de contexto das Empresas e que nos habilita a poder responder com efetividade a parte dos seus anseios de melhoria. A descentralidade dos nossos Núcleos de Formação (13 no total, espalhados pelo País) potencía uma maior relação local e de proximidade com as empresas. Para além dos contactos decorrentes da sua atividade (no ano transato perto de 900 Empresas foram beneficiárias da Formação), o CENFIM realiza por ano uma média de 1000 visitas a Empresas. O facto de trabalharmos tão de perto com as Empresas favorece relações de confiança com o tecido industrial, as quais, por si mesmas, acabam por gerar iniciativas complementares aos modelos tradicionais da formação, sendo aqui muito próprio assinalar aquelas que baseiam o apoio que o CENFIM presta de forma direta à inovação e modernização das Empresas, como é o caso das iniciativas de formação-ação. Este tipo de intervenção baseia-se em atividades formativas parcialmente realizadas nas Empresas, por via de uma componente consultiva (formação individualizada), através da qual o CENFIM apoia as Empresas em projetos concretos de melhoria relacionados com a sua organização e contexto produtivo. Orgulhamo-nos de já termos

contabilizado acima de 250 intervenções desta natureza em Empresas do Setor. Finalmente, e na componente tecnológica. Quem visitar o CENFIM encontrará nas nossas instalações o mesmo complexo tecnológico que encontra numa empresa do setor metalomecânico, também aqui denotando-se investimentos em novas tecnologias. A nossa estratégia incidiu sempre em encarnar as mesmas condicionantes tecnológicas das Empresas e procurar também antecipar algumas das tendências que se vão verificando no domínio da inovação tecnológica. Esta aproximação pretende em primeiro lugar garantir que os nossos quadros, para além das suas capacidades pedagógicas, são também técnicos credibilizados, para que a sua ação junto dos formandos se transforme num contributo técnico real, que estes depois transportam para as Empresas. Este investimento interno tem sido consubstanciado através de projetos de grande envolvimento dos nossos quadros, sejam de natureza interna, nacionais ou transnacionais. Estes projetos têm potenciado oportunidades para absorver e desenvolver novas competências e tecnologias, de âmbito industrial e pedagógico. O nível de participação nestes projetos, por si só, exalta o envolvimento do CENFIM neste propósito, contabilizando-se até hoje a participação em mais de 100 Projetos Europeus e relações de cooperação com cerca de 125 parceiros de 26 Países Europeus. Para concluir: É portanto através da sua ação mais comum, no âmbito da atividade formativa, mas também através de formas complementares de formação desenvolvidas no terreno das próprias Empresas, que o CENFIM tem procurado contribuir para a inovação de um setor que, sendo de base técnica e tecnológica, tem na mesma uma condição permanente para a sua sobrevivência. Para isso saímos das salas de aula, enfrentamos as mesmas tecnologias que

as Empresas, investimos em processos e projetos de desenvolvimento e inovação e estimulamos o contacto e o diálogo no contexto das próprias Empresas e cdeia de fornecedores. Ao fim de 27 anos continuamos a acreditar que os 170.000 profissionais que endossámos ao mercado de trabalho (qualificação de

jovens) e que ajudámos a evoluir (atualização de ativos) são o fator mais determinante da capacidade das Empresas se inovarem, não apenas porque sabem ‘fazer bem’, mas porque trazem também com eles essa inquietação permanente de querer ‘fazer melhor’ - afinal, a ignição da inovação.


INOVAÇÃO

Luís Girardi, Diretor Geral, e João Mateus, Diretor Comercial da ErgosTek, em destaque

Renting Informático: a realidade empresarial está a mudar “A ErgosTek é a aposta certa para potenciar o seu negócio”. Nesta empresa de soluções informáticas, a filosofia aplicada é a do cliente focar-se no seu core business, sendo da responsabilidade da ErgosTek encarregar-se de todos os serviços especializados, através de uma aposta na qualidade do serviço e num acompanhamento contínuo do seu cliente. Vender apenas por vender não faz parte deste paradigma.

“A

nossa filosofia assenta muito na constante oferta de serviços que respondam às necessidades dos nossos clientes”. As palavras de João Mateus, Diretor Comercial da ErgosTek, definem o quotidiano de uma empresa que se apresenta como um parceiro qualificado, em todas as vertentes da área informática. Com cinco anos de existência, a empresa sempre privilegiou uma relação de proximidade com o cliente, fornecendo-lhe o melhor acompanhamento possível, através de uma constante optimização do seu parque informático e um apoio em toda a área informática. A ErgosTek assume-se, assim, como uma “interlocutora” a nível tecnológico dos seus clientes. No momento em que entram em contacto com esta jovem equipa, a garantia de que terão aqui um parceiro de negócio está assegurada. “Fazemos praticamente todo o outsourcing em termos de administração de redes e consultoria em termos tecnológicos. Temos ainda uma componente muito forte a nível de renting informático, uma filosofia que importamos do mercado internacional há quatro anos e que está a ser muito procurada”, disse João Mateus. Já bastante enraizado em diversos países, o renting é visto como a solução ideal para um parque informático. Com este sistema, o empresário vê nas suas mãos as últimas novidades tecnológicas, garantindo, assim, um ciclo de renovação, que só poderá ser benéfico para o seu negócio. Em tempos difíceis, as empresas estão cada vez mais privadas de efetuarem grandes investimentos. Todavia,

com o renting informático da ErgosTek, o cliente, através de um custo fixo mensal associado à sua infraestrutura informática, vê o seu parque informático constantemente atualizado. “Trata-se de uma renovação constante quer do equipamento, quer do apoio, da consultoria e da assistência técnica, de forma a garantir a operacionalidade da empresa”, explicou João Mateus. Distinta da concorrência, que, em muitos casos, analisa o renting como um produto meramente financeiro, a ErgosTek associa sempre um valor ao desempenho do equipamento, à operacionalidade do posto e à informação que o equipamento detém. Antes de iniciarem um contrato de renting, a empresa faz um “check up” ao parque informático do cliente, detetando todas as suas necessidades e os pontos que podem ser melhorados. No final do renting, o cliente pode comprar o equipamento ou devolvê-lo e substitui-lo pela versão mais atual. Luís Girardi, Diretor Geral da ErgosTek, acrescenta outra possibilidade: “o cliente pode ainda fazer um prolongamento do contrato mantendo os serviços e os equipamentos, tendo a renda ajustada pela ErgosTek de acordo com essa realidade. A ideia do cliente neste cenário é, não optando por comprar, poder manter a assistência e os serviços associados”, explicou. Terminado o contrato e perante devoluções, a ErgosTek, sob a bandeira do seu papel de responsabilidade social, doa o equipamento a instituições de solidariedade social. Mas aqui surge uma dificuldade. “Entramos em contacto com muitas associações e são poucas as que nos contactam de volta, a maior parte nem responde. Não demonstram interesse

Revista Pontos de Vista – A ErgosTek tem parcerias assumidas com várias empresas de renome. Qual é a importância desses acordos na prossecução dos objetivos a que se propõem? João Mateus – A ErgosTek detém parcerias com alguns dos maiores fabricantes mundiais, assim como, empresas em áreas específicas que nos apoiam na oferta de soluções complementares de elevada qualidade aos nossos clientes. Desta forma conseguimos promover uma oferta abrangente para as necessidades dos nossos clientes mantendo-nos focados na nossa área de especialização.

Luís Girardi e João Mateus no equipamento porque não necessitam ou pela ideia que equipamentos com três anos de uso já não serve as suas necessidades”, afiançou Luís Girardi.

“Temos de ser especializados”

“Num mercado onde as soluções para a área informática tendem para uma globalização, a ErgosTek vai de encontro à especialização”, esta é a identidade da empresa. Apostar na especialização é a única forma de conseguir responder à altura às necessidades de um mundo empresarial cada vez mais cambiante. “Temos de saber a realidade do cliente para conseguirmos dimensionar a nossa oferta. Não acontece apenas no mercado das tecnologias, mas no geral, há uma tendência para uma menor especialização, com graves custos para o país”, defendeu João Mateus.

Consciência ecológica

Nas soluções que apresenta, a ErgosTek patenteia a sua consciência ecológica. Desde software a hardware, a empresa auxilia os seus clientes a partilharem a mesma consciência energética. Alicerçada no lema “a energia solar como estilo de vida”, a ErgosTek lançou, recentemente, o projeto Solar Market (www. solarmarket.pt). Trata-se de um espaço na internet onde as pessoas podem acompanhar algumas das soluções que a empresa detém para equipamentos que têm utilidade no quotidiano. João Mateus avançou com alguns exemplos: “carregadores solares de Iphones, carregadores de notebook ou malas com placas que acumulam energia em ambiente de ar livre”. Convencer os clientes

Serviços

• Assistência Técnica; • Renting Informático; • Business Solutions; • Gestão Documental; • Clínica PC MAC; • Green Solutions; • Reparações Eletrónicas

a adotarem a mesma “missão ambiental” é, por vezes, uma luta árdua, mas a repercussão tem sido compensadora.

Internacionalização para 2013

Arriscar em mercados externos fez parte dos planos da ErgosTek para 2012, mas a decisão acabou por ser adiada para o próximo ano. “Dentro da nossa área, ir para o estrangeiro era uma aposta que tínhamos de fazer com os pés bem assentes na terra. Face à situação atual do país, vamos adiar para 2013, mas não o vamos fazer tanto na área informática, mas sim na vertente de gestão documental e a nível dos PALOP”, concluiu Luís Girardi. Até lá, o objetivo é claro: consolidar a presença no mercado nacional e apostar na diferenciação pela inovação que continua a ser o grande baluarte.

“Distinta da concorrência, que, em muitos casos, analisa o renting como um produto meramente financeiro, a ErgosTek associa sempre um valor ao desempenho do equipamento, à operacionalidade do posto e à informação que o equipamento detém”


INOVAÇÃO

Custódio Miguens, Presidente da Direção do EnergyIN, em entrevista

Pontos de Vista Novembro 2012

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Portugal e a aposta nas energias limpas “O que importa salientar é que poucos setores oferecem, a nível mundial, garantias semelhantes de crescimento do mercado e um campo de progressão tão favorável para a inovação tecnológica. Só por isso, já valeria a pena apostarmos nas energias limpas como um setor estratégico para o relançamento da economia portuguesa assente na inovação”, esclarece Custódio Miguens, Presidente da Direção do EnergyIN, em entrevista à Revista Pontos de Vista, onde ficamos ainda a conhecer os principais desafios e projetos do EnergyIN.

“É preciso não esquecer que o EnergyIN está em operação apenas há dois anos e meio e que a escassez de capital no nosso país em todo este período – para não falar já do “roubo” de atenção que a gestão crise faz à alta direção das empresas – tem inibido o investimento e limitado fortemente o empreendedorismo. Tudo isto tem vindo a atrasar o relançamento da nossa economia que, por ser obviamente indispensável, apenas se tornou ainda mais premente” Custódio Miguens Portugal é hoje conhecido no cenário internacional como um país pioneiro em matéria de energias renováveis, permanecendo a ideia de que temos sabido aproveitar os nossos recursos energéticos endógenos. Dentro desta realidade, as empresas portuguesas estão bem posicionadas? Em que domínios Portugal mais se destaca? As empresas portuguesas que se dedicam à produção de energia a partir de fontes renováveis, são hoje empresas bem conceituadas a nível internacional. É essa reputação que explica, por exemplo, a presença da EDP nos parques eólicos offshore do Reino Unido ou o convite que recebeu para instalar projetos offshore na China, ou ainda a presença da MARTIFER Solar em quatro continentes e mais de vinte países. Mas também encontramos bons exemplos em PME, como a MEGAJOULE, uma empresa de consultoria em energias renováveis com foco na avaliação do recurso eólico e solar que, em oito anos de existência, já realizou trabalhos em mais de vinte países. O desafio que a nossa economia hoje enfrenta – e do qual precisa de sair vitoriosa – consiste em conseguirmos estender esse nível de reputação a um grande número de empresas na vertente da produção e exportação de bens transacionáveis. Também aqui temos alguns casos de sucesso internacional, em regra alavancados na inovação, mas o relançamento da economia portuguesa exige que tenhamos muito mais empresas a inovarem e exportarem para todo o mundo. Quanto aos domínios em que Portugal mais se destaca, julgo de referir as energias eólica e solar, as energias do mar (embora deva sublinhar que só o futuro lhes reserva um papel de relevo), as redes inteligentes e a relação destas com a eficiência energética, os sistemas de

carregamento de veículos elétricos e a eficiência energética nos edifícios.

Definiu como grande objetivo criar, em Portugal, um ou mais clusters na área energética, através da criação de empresas inovadoras capazes de competir no mercado externo. Neste momento, em que patamar nos encontramos? Quantas empresas estão, atualmente, associadas ao ENERGYIN? É preciso não esquecer que o EnergyIN está em operação apenas há dois anos e meio e que a escassez de capital no nosso país em todo este período – para não falar já do “roubo” de atenção que a gestão crise faz à alta direção das empresas – tem inibido o investimento e limitado fortemente o empreendedorismo. Tudo isto tem vindo a atrasar o relançamento da nossa economia que, por ser obviamente indispensável, apenas se tornou ainda mais premente. Essa é a razão de estarmos quantitativamente aquém das nossas metas e das necessidades do País, mas o facto de termos já um número apreciável de empresas portuguesas, grandes e pequenas, inovadoras e competitivas no mercado global, dá-nos a certeza de podermos conseguir – na presença de capital disponível e a preço justo – aumentar rapidamente a nossa produção de bens transacionáveis e as nossas exportações. Neste momento o EnergyIN é composto por dezoito empresas associadas de pleno direito, por treze entidades do SCTN – Sistema Científico e Tecnológico Nacional constituindo o Conselho Científico e por dez Associações do setor que, juntamente com o INPI, constituem o Conselho Consultivo. No entanto, o EnergyIN tem vindo a relacionar-se e a abrir as suas portas a todas as empresas do setor, contando-se por uma centena as entidades que fazem parte da nossa rede de relações próximas e regulares.

Enquanto entidade de referência no domínio da investigação energética nacional, quais são os desafios que o Pólo de Competitividade e Tecnologia da Energia terá de enfrentar no futuro? Que projetos estão em cima da mesa? No domínio da investigação energética nacional, o papel do EnergyIN é apenas o de catalisador de projetos e de encontros entre a comunidade empresarial e a comunidade científica. Ainda assim, assumimos alguns desafios nessa frente de trabalho, como o da divulgação no nosso website de toda a produção científica em Portugal na área da Energia, organizada por fileiras, para que a mesma possa chegar ao conhecimento da indústria e possa inspirar projetos úteis de cooperação indústria-universidade. Claro está que, para isso, temos de contar com a disponibilidade e o interesse dos investigadores e das Universidades. Outro desafio é o de levarmos as empresas – ouvindo a comunidade científica e contando com o apoio do Estado – a selecionarem alguns nichos de excelência. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para que a criação de nichos de excelência seja uma realidade.

Uma vez que a energia assume-se, cada vez mais, como um elemento fundamental para o desenvolvimento do país e da sua economia, a aposta na eficiência energética e em fontes de energia renováveis tende a ser uma realidade impossível de contornar? Se colocarmos essa questão no contexto mundial, não sinto qualquer hesitação em dizer que o aproveitamento das energias renováveis vai registar um crescimento expressivo e contínuo, talvez até a um ritmo explosivo. Basta termos presente a preocupação hoje generalizada, a nível planetário, com o efeito de estufa e com as alterações climáticas, já para não falar das contingên-

cias da segurança de abastecimento de combustíveis e das crises esporádicas que elevam os preços do petróleo para níveis incomportáveis. Portugal poderá permanecer temporariamente em contracorrente pelos condicionalismos económicos que conhecemos mas, hoje mais do que nunca, as empresas portuguesas sabem que as suas estratégias de crescimento têm de estar orientadas para a exportação. Quanto à eficiência energética, tudo indica que mesmo em Portugal ela continuará a ser uma prioridade e poderá ser também um tópico para o desenvolvimento no nosso País de soluções inovadoras, nomeadamente de aplicações diversas para as redes inteligentes. O que importa salientar é que poucos setores oferecem, a nível mundial, garantias semelhantes de crescimento do mercado e um campo de progressão tão favorável para a inovação tecnológica. Só por isso, já valeria a pena apostarmos nas energias limpas como um setor estratégico para o relançamento da economia portuguesa assente na inovação.

“Quanto aos domínios em que Portugal mais se destaca, julgo de referir as energias eólica e solar, as energias do mar (embora deva sublinhar que só o futuro lhes reserva um papel de relevo), as redes inteligentes e a relação destas com a eficiência energética, os sistemas de carregamento de veículos elétricos e a eficiência energética nos edifícios”


OPINIÃO INOVAÇÃO

Andreia Santos, Departamento de Marketing e Comunicação Kuantokusta

Proteja o seu orçamento dos preços elevados O uso da internet como ferramenta de consumo tem aumentado significativamente. Não só para efetuar a compra, mas também como apoio na decisão da mesma.

No site www.kuantokusta.pt, um dos comparadores de preços mais utilizados em Portugal, poderá encontrar produtos das mais variadas áreas, sejam elas tecnológicas como informática, telemóveis, equipamentos de imagem e som, eletrodomésticos, ou das áreas não tecnológicas como saúde e beleza, moda, brinquedos e puericultura, livros e decoração

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esquisar preços, conhecer novas lojas, facilidade, rapidez e comodidade no momento da compra, são algumas das razões invocadas pelos utilizadores de sites comparadores de preços. De acordo com um estudo efetuado pela NetQuest, em maio de 2012, a 1000 utilizadores do comparador de preços Kuantokusta, conclui-se que o número de compradores online cresceu cerca de 2,5 pontos percentuais, obtendo agora a percentagem de 64,4 por cento em comparação com os 62,08 por cento do período homólogo. A competitividade entre empresas aumentou, a concorrência está apenas a um clique de distância. Com esta competitividade o uso de comparadores de preços é ainda mais essencial, uma vez que o utilizador poderá inclusivé encontrar lojas que desconhecia e comparando preços e condições de entrega conseguirá poupar, quer nas suas compras online quer offline. De acordo com a ACEPI, 57 por cento (5.1 milhões) dos portugueses elegeram o computador como o meio mais popular de acesso à internet. E foi a pensar nos restantes 43% que o Kuantokusta, em parceria com a Sapo, lançou no início deste ano a aplicação Sapo Preços. Gratuita e disponível quer para Android quer para iOS, a aplicação torna-se muito útil no momento de uma compra, pois através deste aplicativo o utilizador poderá saber se está a pagar o preço justo a qual hora e em qualquer lugar. É como ter sempre o Kuantokusta ao seu lado para o ajudar a poupar decidindo conscientemente qual a melhor compra. Ainda não percebeu porque deve utilizador um comparador de preços? Simples, para poupar cada vez mais. Funciona as-

sim, as lojas enviam para os sites os preços e sempre que o utilizador pesquisar um produto terá acesso a todos os preços, de todas as lojas que vendem esse mesmo produto. O utilizador que usa o comparador de preços não paga nada, já que este serviço é gratuito. Imaginemos que quer comprar um telemóvel mas não sabe se está a pagar o preço justo ou se existe mais alguma loja que o venda mais barato. Com um comparador de preços fique a saber não só o preço médio cobrado, como também onde o vendem mais barato. Com tantas prendas a querer dar e um orçamento a não querer esticar o melhor mesmo é procurar em todas as lojas qual o preço mais baixo. Como fazer isso de forma rápida, eficaz e cómoda? Utilizando um comparador de preços, em apenas um site conseguirá ver a loja mais perto de si e comparando preços e condições de entrega conseguirá poupar no seu orçamento. No site www.kuantokusta.pt, um dos comparadores de preços mais utilizados em Portugal, poderá encontrar produtos das mais variadas áreas, sejam elas tecnológicas como informática, telemóveis, equipamentos de imagem e som, eletrodomésticos, ou das áreas não tecnológicas como saúde e beleza,

moda, brinquedos e puericultura, livros e decoração. Analisemos um produto como exemplo no site em questão, o Telemóvel Samsung Galaxy SIII de 16GB, nas grandes lojas de distribuição encontrará este produto a um preço médio de 690€, no site Kuantokusta é vendido entre 479€ o mais barato e 699,90€ o mais caro, só neste produto poderia poupar 220,90€, sem a ajuda de um comparador de preços correria o risco de pagar mais 32%. Comprar online tem a vantagem de ser mais económico e cómodo. Em poucos cliques poderá comparar, encontrar a loja onde vai poupar mais e finalmente comprar sem filas e tumultos. Há sete anos em Portugal o site Kuantokusta tem visto o seu número de visitantes aumentar, contando agora com 800 mil visitas mensais. Este número prova a satisfação dos utilizadores com um serviço que já mostrou ser util e de extrema confiança. Apesar de maioritariamente conhecido pelas áreas tecnológicas, o Kuantokusta aposta também em áreas como Brinquedos e Puericultura. Com uma montra recheada de marcas e lojas, o comparador de preços pode ser o local ideal para encontrar os presentes para bebés e mamãs, ao melhor preço. As áreas de

Brinquedos e Puericultura vêm facilitar a vida dos papás, que comodamente e sem confusões encontrarão tudo que necessitam para os seus filhos, com a grande vantagem de conseguirem comprar a um preço mais baixo que o habitual das grandes superficies comerciais. Numa altura de contenção esta é uma boa alternativa para poupar sem ter que deixar de comprar.

“A competitividade entre empresas aumentou, a concorrência está apenas a um clique de distância. Com esta competitividade o uso de comparadores de preços é ainda mais essencial, uma vez que o utilizador poderá inclusivé encontrar lojas que desconhecia e comparando preços e condições de entrega conseguirá poupar, quer nas suas compras online quer offline”


DESTINHOS DE SONHO

RIU Hotels & Resorts

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Há sítios que vale a pena visitar… Sensações, emoções, recordações…Imagine um destino só seu, onde o charme de espaços únicos, a harmonia do bem-estar e o poder regenerador da água despertam os sentidos. Os seus sentidos. Onde o requinte se une ao apuro e esmero, as suas férias de sonhos podem agora ser passadas numa das diversas unidades de luxo do RIU Hotels & Resorts, o melhor destino, as melhores memórias.

ClubHotel Riu Garopa ClubHotel Riu Funana

H

otel Riu Garopa, ClubHotel Riu Funana, Riu Touareg e ClubHotel Riu Karamboa são as escolhas perfeitas para si, todos eles localizados em Cabo Verde. Se os dois primeiros ficam localizados na pequena Ilha do Sal, os dois últimos ficam na Ilha da Boa Vista, estando portanto reunidas condições para umas férias de sonho e luxo que jamais esquecerá. Ilha do Sal e da Boa Vista. Não conhece? Vamos por partes. A pequena Ilha do Sal surge timidamente como parte integrante do Atlântico, onde paisagens desprovidas de vegetação recordam-nos que estamos na mesma latitude do deserto do Saara. A paisagem pouco generosa de verde incita-nos a olhar para o mar e as suas praias paradisíacas que rodeiam a ilha. Serenidade? Quietude? A Ilha do Sal é o local ideal, onde o «burburinho» comum aos espaços citadinos é somente protagonizado por povoados tranquilos e poucos hotéis que fazem deste verdeiro paraíso o lugar ideal para quem busca tranquilidade. A verdadeira expressão que caracteriza a Ilha da Boa Vista é esta….um lugar de sonho…onde as altas dunas surgem até à praia, misturando-se com areia fina que convidam à contemplação de uma extraordinária beleza. Aqui é comum assistirmos a uma união que de semelhante não tem nada, ou seja, o deserto junta-se à praia, e une-se à cor azul-turquesa das plácidas Águas do Atlântico.

ClubHotel Riu Karamboa

Locais paradisíacos «made in» RIU Hotels & Resorts

O Hotel Riu Garopa, o ClubHotel Riu Funana, o Riu Touareg e o ClubHotel Riu Karamboa são os anfitriões e recebem-no de uma forma que jamais esquecerá. Naturalmente que a qualidade aqui colocada é, por si só, sinónimo de luxo e requinte, onde quartos duplos, familiares e suites, todos equipados, esperam-no para que possa sentir ainda mais a invulgaridade destes espaços, que têm, desde a sua génese, somente uma preocupação. Fazê-lo sentir uma verdadeira estrela. A escolha é vasta e a oferta é de qualidade e se escolher qualquer das unidades Riu Hotels & Resorts não se irá arrepender, quer seja sozinho, com amigos ou em família, existem aqui diversas atividades que irão fazer as suas delícias. Que mais precisa para vir conhecer? Venha saborear a magnífica e variada escolha gastronómica de produtos do mar. Venha caminhar em praias ainda virgens, longe de tudo e de todos, tendo por companhia apenas o mar, o céu e águas calmas…venha visitar paisagens de inigualável beleza e exotismo…tenha as suas férias de sonho…tudo com o RIU Hotels & Resorts como anfitrião.

Riu Touareg


MADE IN PORTUGAL

À mesa com Carlos Lucas, CEO e Enólogo da Ideal Drinks

Made in Portugal com orgulho “Paixão com razão”. Mais do que o mote que tem conduzido a Ideal Drinks ao caminho que conhecemos hoje, esta tem sido a filosofia de uma pessoa. Foi com paixão que Carlos Lucas abraçou a carreira de enólogo há 20 anos e é com paixão, sempre aliada ao enorme prazer de trabalhar, que a tem desempenhado todos os dias. A razão surgiu depois como forma de dar sentido a um legado que tem sido reconhecido além-fronteiras.

do, poliglota, privou com pessoas muito importantes e, por isso, tem uma visão muito global do Mundo. Gosto muito de trabalhar com ele. Sabe delegar, partilhar e estar próximo”, afirmou. Num período em que Portugal chama por estes empresários empreendedores, muitos fogem “a sete pés”, correndo para mercados mais atrativos, em busca de um lucro mais imediato. Carlos Dias não. O empresário não deixou que o carinho que sentia pelo seu país ficasse eternizado apenas na teoria. Arriscou e colhe agora os frutos desses investimentos. As expetativas, essas, são muitas. É quase como ver um filho crescer e vencer na vida. “Como ele diz, Portugal só se conseguirá impor no Mundo quando

Não conheço nenhum produtor de vinho que não esteja preparado para falar inglês com quem quer que seja. Mal ou bem, recebem as pessoas e deslocam-se aos mercados para onde querem exportar

A

tão ovacionada “paixão com razão” nasceu na figura de Carlos Dias, mentor do projeto “Ideal Drinks”, uma empresa criada em 2010 como sub-holding do Grupo Ideal Tower, SA. Reconhecido internacionalmente no cenário empresarial, Carlos Dias fundou, entre outras empresas, a Relojoaria Suíça Roger Dubuis. Depois de ter dado cartas no estrangeiro, o empresário quis apostar em Portugal, dando o seu contributo para o relançamento do país. Não é por acaso que, na opinião de muitos, Carlos Dias “não é um empresário qualquer”. Para todos os que visitam o website da Ideal Drinks a mensagem salta de imediato à vista: “Proudly Produced in Portugal”. Para os poucos familiarizados com a língua inglesa, em tudo o que produz e em tudo o que pensa, a portugalidade está sempre presente. Daí que, pelos corredores, pelas adegas ou pelas vinhas, o sentimento é apenas um: orgulho em produzir em Portugal. E é por isso que Carlos Dias é um empresário único e distinto, tal como o descreveu à Revista Pontos de Vista Carlos Lucas, Enólogo e CEO da Ideal Drinks: “É um visionário, arrojado, com muita vivência e conhecimento do Mun-

tiver cem marcas que as pessoas reconheçam, dentro de vários setores. É uma pessoa que investe na esperança de poder ajudar a criar alguma coisa e a fazer algo. É óbvio que espera retorno, que pode vir de diversas formas, através de marca, de lucro ou de reconhecimento”, declarou Carlos Lucas. Durante todo o processo, uma coisa é certa. “Em todas as áreas em que ele está a investir, os resultados têm sempre de ser de reconhecida qualidade”, asseverou o enólogo. Qualidade é, de facto, a chave motriz que conduz esta equipa. Não é por acaso que um dos grandes objetivos da empresa passa por produzir em Portugal grandes vinhos que possam estar entre os melhores do Mundo. Para lá estamos a caminhar. Mas, segundo Carlos Lucas, o que se entende como melhor vinho é bastante linear. “Os melhores vinhos são aqueles que são reconhecidos pelo consumidor como tal. O melhor vinho do mundo pode ser o mais caro, o que vende mais ou aquele que ninguém consegue ter. Não sei, por isso, o que é o melhor vinho do mundo”, defendeu. Mas, dentro deste grande objetivo, os dados já estão lançados. “Queremos ser uma grande marca e que a Ideal Drinks consiga colocar o Royal Palmeira, o Eminência, o Quinta da Pedra, o Principal, o

Colinas de S. Lourenço, o Dão Bella Encosta no topo, como vinhos de grande gabarito, de grande procura e elegância. Acima de tudo, queremos muita qualidade em tudo”, salientou. Com quintas em alguns dos mais reconhecidos palcos vitivinícolas nacionais, como Bairrada (Colinas de S. Lourenço), Vinhos Verdes (Quinta da Pedra e Paço de Palmeira) e Dão (Quinta da Bella Encosta), a Ideal Drinks produz vinhos e azeites que primam pela qualidade, produzidos com as melhores matérias-primas, com tecnologia de ponta e desenvolvidos sob o olhar atento de especialistas de renome internacional. Juntamente com Carlos Dias e Carlos Lucas, são muitos os que vestem a camisola “Ideal Drinks”. Custódio Dias é responsável operacional pelas vinhas e adegas. Pascal Chatonnet é um conhecido produtor e consultor de vinhos francês e um dos mais prestigiados cientistas que se dedica ao estudo das propriedades organolépticas dos vinhos. Gianni Capovilla é considerado um dos melhores destiladores do Mundo. José Gouveia, licenciado em Engenharia Agronómica e doutorado em Ciências Agronómicas, é considerado o maior especialista português de olivicultura, coordena a produção dos azeites e é outro dos rostos deste projeto arrojado.


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O que é preciso para fazer um bom vinho? A resposta é simples e prática: “boas uvas e conhecimento”, replicou Carlos Lucas de forma assertiva. A par disso, a paciência é uma das maiores virtudes neste ramo. “Este é um ano de paciência, de resistência e não é às primeiras chuvas que temos de colocar as uvas dentro da adega”, acrescentou. Para um enólogo com anos de experiência, o conhecimento, o gosto de inovar e a coragem são ferramentas indispensáveis no desempenho de um trabalho tão minucioso como este. Criar um estilo, deixar um cunho pessoal que vinque a sua personalidade e a sua direção no mundo dos vinhos é o primeiro passo. “Depois de ter isso, consegue-se fazer tudo o resto”, rematou Carlos Lucas.

Futuro passa pela exportação

A presença em mercados externos há muito que é imprescindível para quem atua no setor vitivinícola. Importa, antes de mais, consolidar uma imagem própria e forte no panorama interno, mas nunca tendo medo de arriscar no estrangeiro e de apostar em mercados cada vez mais abertos ao vinho português. Por cá, essa preocupação já está intrinsecamente ligada ao quotidiano de produtores e técnicos, sobretudo ao nível da formação. “Não deve haver em muitas áreas de atividade portuguesas tantas pessoas tão bem formadas e preparadas para exportar como no setor vitivinícola. Não conheço nenhum produtor de vinho que não esteja preparado para falar inglês com quem quer que seja. Mal ou bem, recebem as pessoas e deslocam-se aos mercados para onde querem exportar”, defendeu o enólogo. São as caraterísticas do mercado atual que a isso obriga. Na Ideal Drinks há essa preocupação, mais não seja para responder à altura à realidade que a empresa solidifica diariamente. Com escritórios em São Paulo, Luanda, EUA e Hong Kong, a empresa exporta, atualmente, para mercados tão díspares como Bélgica, Alemanha, Canadá ou Inglaterra. “Portugal está longe do centro da Europa”. De acordo com Carlos Lucas, este é um dos grandes entraves à afirmação do mercado vitivinícola português no estrangeiro. Mesmo assim, os resultados saltam à vista e os produtos nacionais têm estado na boca de povos com

“Quando descobri que tinha a capacidade de produzir vinhos que as pessoas gostavam, foi motivador e trouxe tudo o resto de uma forma natural”

“Os vinhos Ideal Drinks combinam com maturidade, cultura e lifestyle” Carlos Lucas

Carlos Lucas

culturas e tradições diferentes mas que estão a aprender a apreciar. A China retrata esse exemplo. Trata-se de um dos mercados mais importantes para a Ideal Drinks. “É um país onde a quantidade de pessoas a consumir atrai porque faz número. Ainda não sabem reconhecer a qualidade na sua globalidade mas está a ser feito um grande trabalho de educação no setor vinícola. Hoje, alguns produtores ainda pensam que qualquer vinho é vendido lá. Não é verdade. É necessário muito trabalho. Eles até podem vender uma vez mas não repetem”, garantiu. Além do trabalho, no momento de entrar num novo mercado é necessário derrubar algumas barreiras que se atravessam no caminho. A primeira é, sem dúvida, a língua. Falar francês, português ou inglês não é o mesmo que dominar o mandarim, por exemplo. É necessário apostar em recursos humanos especializados que saibam responder no momento certo. Carlos Lucas enumerou outras dificuldades que, hoje em dia, se apresentam: “Outro obstáculo está relacionado com o fundo de maneio uma vez que, quando o vinho sai do país, é preciso tempo para lá chegar e para ser vendido. O factor distância também importa porque as pessoas precisam de fazer deslocações e de ficar no país tempo suficiente para promover o vinho e fazer seguir o negócio. Por fim, há ainda um desconhecimento sobre o vinho português”, explicou. Daí que a aposta na comunicação ao exterior seja, hoje, uma das ferramentas mais utilizadas pelos empresários do setor. Só assim o mundo os conhecerá. Só assim o vinho português irá vingar no cenário internacional e afirmar-se como um produto de topo.


MADE IN PORTUGAL

“Vão sair grandes vinhos” E são vinhos de topo que se podem esperar da Ideal Drinks. Quando questionado sobre projetos de futuro, Carlos Lucas não quis levantar o véu, deixando no ar a promessa de que “vão sair grandes vinhos, muito bem-feitos, que as pessoas devem provar e aproveitar nos seus momentos com os amigos”, garantiu. Para qualquer ocasião, a Ideal Drinks tem o vinho ideal. Do espumante, aos brancos, frescos, mais complexos e tintos mais frutados, o menu é o mais variado possível. A relíquia da casa continua a ser os vinhos rosés, que nunca serão colocados de lado. “São muito distintos do que se faz em Portugal”, asseverou o enólogo. Em todos os produtos, desde o vinho ao azeite, nos rótulos ou nas garrafas, a portugalidade tão aclamada pelo mentor do projeto, Carlos Dias, está fortemente vincada.

“Os melhores vinhos são aqueles que são reconhecidos pelo consumidor como tal. O melhor vinho do mundo pode ser o mais caro, o que vende mais ou aquele que ninguém consegue ter. Não sei, por isso, o que é o melhor vinho do mundo”

À mesa com Carlos Lucas, CEO e Enólogo da Ideal Drinks

“Vinhos com alma e uma forte identidade visual. Paixão com razão” Provavelmente, esta será a melhor definição de “Ideal Drinks”. Para cada momento, há um vinho com alma e uma forte identidade visual. E é com alma, paixão e razão que toda a equipa se move. Carlos Lucas é a prova disso. Para o enólogo, mais do que falar apenas da obra que está a ser erguida pela Ideal Drinks, a frase resume tudo. “Paixão é o gosto, aquilo que motiva as pessoas. A razão leva-nos a fazer algo com sentido, com significado”. A mesma frase, usada tantas e tantas vezes para descrever o valor desta empresa, é um fidedigno quadro da carreira de Carlos Lucas. A entrada no mundo dos vinhos começou muito cedo e, desde então,

Produtos Ideal Drinks

o enólogo não quis seguir outro caminho. Por isso, mais do que razão, foi a partir do momento em que começou a provar vinhos, a conhecê-los, que Carlos Lucas descobriu uma nova paixão. Ao longo dos anos, o especialista foi tentando equilibrar os dois pratos da balança mas, no final, é o amor por esta arte que acaba por pesar mais. Não sendo de uma família agrícola por excelência, Carlos Lucas descobriu a vocação quando começou a provar vinhos. “Quando descobri que tinha a capacidade de produzir vinhos que as pessoas gostavam, foi motivador e trouxe tudo o resto de uma forma natural”, explicou. Mas, na realidade, tudo começou com uma viagem a França, uma referência incontornável no panorama dos vinhos. Mais do que um marco na sua vida profissional, esta

viagem mexeu, literalmente, com o seu coração. Carlos Lucas apaixonou-se pelos vinhos e, em particular, por uma francesa. “Com a cultura deles e o gosto que têm pelo vinho, comecei a perceber que isto poderia ser feito por alguém que não tinha nada mas tinha essa vontade e paixão. No meu curso de Engenharia Agrícola já gostava muito de viticultura, mas mais tarde descobri que o que mais me agradava era o processo de transformação. Gosto mesmo de criar e levá-lo até ao consumidor, esperando que possa apreciar”, compartilhou o nosso entrevistado.

Um enólogo adepto de velocidade

Vinhos, caça e motos. À primeira vista, são três áreas que pouco têm em co-


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a vertente humana do trabalho nunca é colocada de parte. Pelo contrário. “Não se pode ser enólogo se não se gostar de falar com as pessoas. Não se pode ser enólogo se não se gostar de conviver. É uma atividade em que o consumidor está muito próximo de quem produz e ser produtor de vinho hoje é ter a porta aberta, saber receber, gostar de estar com as pessoas, saber partilhar, ter disponibilidade”, referiu Carlos Lucas. Quando questionado acerca dos próximos 20 anos que certamente virão, Carlos Lucas brincou, trazendo para cima da mesa uma “herança” de família. “Espero que sim mas na minha família os homens

Discurso direto...

mum. Mas, para Carlos Lucas, há um factor que as une: são verdadeiramente apaixonantes. O seu ritmo de vida e de trabalho denuncia-o: Carlos Lucas é um adepto de velocidade. É aí que nasce a sua paixão por motos. “Depois de dez minutos, ganho confiança, ponho prego a fundo mas já não tenho o equilíbrio que tinha há 20 anos”, brincou. Quanto à caça, não é pelo ato em si, mas sim pelo ambiente que se cria ao redor desta atividade. “É um desporto muito elegante e traz equilíbrio. É só mais uma extensão daquilo que eu gosto. De caminhar, da natureza, de ar livre…”, descreveu. Nesta época do ano, o ideal seria ir à caça e aproveitar para comer algumas uvas que não foram colhidas na vindima. Isto sim, é conciliar três paixões aparentemente tão díspares. Carlos Lucas terminou esta temática partilhando connosco a sua paixão por cães, dando-nos a conhecer o seu Epagneul Breton. Como qualquer pessoa, o enólogo tem ainda muitos sonhos e paixões por concretizar. Mas, no geral, o objetivo é claro: “fazer melhor do que tudo o que fiz até agora”.

20 anos de carreira Eleito enólogo do ano em 2007 e com provas de sucesso dadas um pouco por todo o mundo, Carlos Lucas está a celebrar 20 anos de carreira. As celebrações, essas, serão realizadas apenas no próximo ano mas, 2012, marca efetivamente, uma vida dedicada à enologia. Foram duas décadas e apenas uma palavra: “prazer”. “Gosto da minha carreira e é bom que os consumidores não só portugueses mas do Mundo inteiro, tenham reconhecido. Quero continuar a fazer isto, sendo que sempre o fiz por prazer. Não o fiz para obter alguma coisa e, como sabia fazer, acabei por vencer”, explicou. Foram os valores familiares, apreendidos no seio de uma família trabalhadora, que acabaram também por ditar o seu futuro. “Aliando a isto, um ritmo de trabalho que trouxe de casa e que o meu pai me transmitiu, foi relativamente prazeroso fazer o que fiz”, referiu. Trabalhar em vinhos, transformá-los, prová-los e criar referências são etapas que fazem parte do processo. Todavia,

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morrem muito cedo”, disse. Mesmo assim, para os próximos anos, o enólogo lança um desafio a si mesmo: ser professor. “Terei de ter orgulho de deixar legado e saber passar o testemunho a quem traz mais energia e inovação. É um aspecto que me preocupa bastante. As pessoas que se lembrarão de nós são aquelas que trabalharam connosco. Estes próximos 20 anos serão a prova de que serei capaz de transmitir aquilo que sei”, concluiu. Os mais novos agradecem e, com certeza, o mundo vitivinícola ficará ainda mais enriquecido com este legado deixado por Carlos Lucas, um nome há muito gravado no cenário internacional dos vinhos.

Revista Pontos de Vista – “Proudly Produced in Portugal” é um dos grandes baluartes da Ideal Drinks. Sente que esse valor é reconhecido pelos portugueses? Carlos Lucas – Sentimos cada vez mais o carinho. Todos devíamos lutar para ter produtos bons e sinto muito carinho por este projeto. Está a ganhar reconhecimento, espaço e as pessoas já perceberam que é uma empresa em que a qualidade é o mais importante. As pessoas reconhecem os nossos produtos como sendo de excelência. É uma empresa com um cariz de exportação muito grande, sendo que o mercado nacional está a ser trabalhado com a qualidade de ser uma marca diferente de todas as outras no sentido de querer aparecer rápido e ganhar o seu espaço. Como é que isso se consegue? Com muita qualidade e distinção, através do vinho em si.


20ª CONFERÊNCIA SInASE

Gonçalves Pereira, administrador da SInASE, em entrevista

Conferências da SInASE marcam a atualidade Tendo como missão a prestação de serviços que vão ao encontro das necessidades dos clientes, a SInASE assume-se como um projeto profissional que aposta na qualidade intrínseca e na inovação das boas práticas de forma a constituir uma parceria de competência flexível e duradoura. As Conferências «made in» SInASE são hoje cada vez mais conhecidas e reconhecidas. Pela sua qualidade e pertinência e acima de tudo pela capacidade que aportam na promoção e reflexão de temas atuais. Gonçalves Pereira, Administrador da SInASE, revelou um pouco mais sobre a dinâmica da marca, e abordou a temática das conferências da SInASE, que realizou a 20ª Conferência no passado dia 12 de novembro, 41 anos depois do primeiro evento, mais concretamente em 1971. Saiba mais. Quais os propósitos e âmbito dos Prémios de Boas Praticas associado às Conferências? Os Prémios de Boas Práticas pretendem incentivar as Organizações públicas e privadas a desenvolverem projetos de inovação e modernização e a promoverem a qualidade, a exemplaridade e a excelência, distinguindo e galardoando entidades e pessoas cuja atividade se destaque ou diferencie pelo impacto na qualidade de vida. Considero que os ensinamentos recolhidos nas diferentes perspetivas permitirão disseminar o apostolado das Boas Praticas, auto estima das pessoas, desenvolvimento das Organizações, criando uma dinâmica que se reflectirá no desenvolvimento da economia e da qualidade de vida, de forma sustentada.

Gonçalves Pereira A Sinase conta já com a realização de 20 Conferências, como foi desenvolvida a 1ª Conferência? A SInASE foi constituída em 1968. Nessa data implementou-se o III Plano de Fomento (1967-73), considerando que vários estudos internos e outros de organizações internacionais (Banco Mundial, OCDE etc.) reconheciam que o agravamento do défice da balança comercial se devia ao protecionismo pautal, ao condicionalismo industrial e ao atraso na agricultura. Assim, desenvolveram-se políticas de promoção das exportações e abertura ao investimento estrangeiro, sendo o Banco de Fomento, recentemente constituído, uma Instituição estratégica para prossecução desses objetivos. Entre outras figuras, que deram corpo a estas estratégias podemos citar Xavier Pinto, João Salgueiro, Pereira de Moura, Brandão Alves, Maria Luiza Vaz Pinto, etc. Curiosamente 45 anos depois voltamos a falar na estratégia de constituição de outro Banco de Fomento ou de Desenvolvimento integrado ou não na Caixa Geral de Depósitos para apoio financeiro especializado às pequenas e médias empresas e, em particular, às empresas exportadoras. Em linha com as orientações estratégicas à época e com a “dita”

1ª reforma fiscal, a Sinase realizou em 1971 a 1ª Conferência no Hotel Penta, hoje Hotel Marriott, sobre o tema “O III Plano de Fomento e a Reforma Fiscal”.

Quais os objetivos das Conferências anuais que realizam? As nossas Conferências pretendem promover a reflexão de temas atuais e por vezes discutir a legislação designadamente nos domínios da Saúde, Educação e Gestão, abordando temas como por exemplo, Avaliação do Desempenho na Administração Pública, Gestão do Risco e Corporate Governance, Qualidade nos Serviços de Saúde, Inovação na Educação, entre outros. Como é do conhecimento geral, foi publicada em 2004 legislação e recomendações sobre a Avaliação do Desempenho na Administração Pública e, em 2007 legislação sobre os princípios de bom governo das empresas do Setor Empresarial do Estado e o novo estatuto do gestor público. Por exemplo a 15ª Conferencia incidiu sobre o tema “Boas Práticas em Corporate Governance”. Contudo, apesar das recomendações internacionais e legislação nacional referida, julgo que voltámos ao princípio na Administração Pública ou seja, não há avaliação nem prémios de desempenho, mas sim austeridade para todos.

Como são apurados os resultados dos prémios Boas Praticas? Quer em Portugal, quer em Angola, são nomeados júris por cada categoria de Prémios com cinco a sete membros, constituídos por prestigiadas personalidades, com reconhecidos méritos no contexto dos diferentes Prémios, do meio académico, empresarial, administração pública e de economia social. O Júri avalia as candidaturas com base na grelha de análise proposta pelas entidades organizadoras e após consolidação das avaliações, as pessoas e entidades distinguidas são objeto de divulgação pública durante a cerimónia de entrega dos prémios que ocorre nas conferências SInASE. Qual a relação dos prémios de boas práticas em Portugal com Angola? Não existe uma relação direta mas sim transversal, tendo sempre como objetivos a exemplaridade, cidadania e coopetição. Os Prémios de Boas Práticas em Portugal estão focados na Saúde, através da Parceria que temos com o Hospital do Futuro, e na Educação através da parceria com o Ensino do Futuro. Em Angola, os Prémios de Reconhecimento de Boas Práticas são transversais e focam-se em áreas como, por exemplo, Parcerias Internacionais, Gestão de Recursos Humanos, Qualidade, Empreendedorismo, Responsabilidade Social, Prevenção Doenças Transmissíveis, entre outras. Estes prémios são desenvolvidos em parceria com o “Fórum Boas Práticas Angola”, constituído por personalidades do meio académico, político e da socieda-

de civil que se destacam pela gestão de organismos de referência em Angola.

Pode indicar algumas entidades premiadas que tenham tido impacto na Qualidade de vida dos cidadãos? Em Portugal podemos indicar, por exemplo, o INEM, o Hospital de São João, a Unidade Local de Saúde de Matosinhos, ARS Algarve, ARS Alentejo, Hospital de Santa Maria, Câmaras Municipais do Porto, Barcelos, Odivelas, Amadora, entre outros. Em Angola, destacamos o Prémio na categoria de Prevenção Doenças Transmissíveis atribuído em 2008 à Direção dos Serviços de Saúde do Estado-Maior das Forças Armadas Angolanas cujo projeto intitulou-se “Assistência Psicológica e Social na Prevenção das Doenças Transmissíveis”. No âmbito das Parcerias Internacionais destacamos o prémio atribuído ao Ministério da Saúde e Governo Provincial do Bengo com a “Criação de Um Centro de Investigação em Saúde em Angola (CISA)” que resultou da parceria entre o Ministério da Saúde de Angola, o Governo Provincial do Bengo e a Fundação Calouste Gulbenkian, com o objetivo de contribuir para um melhor conhecimento das doenças que afetam os países em vias de desenvolvimento e servir como impulsionador da investigação biomédica envolvendo investigadores angolanos e de outros países.

Falou em coopetição, o que é para si este conceito na área da gestão? O fenómeno da globalização e as crises financeiras e económicas a que temos vindo a assistir, a nível mundial, leva-nos a competir e a cooperar em simultâneo, como forma de sobrevivência e de sustentabilidade. A coopetição é uma nova forma de encarar as atividades empresariais públicas e privadas de forma pró-ativa, em que se põe de parte o conceito enraizado de que os concorrentes são nossos rivais. Com este novo paradigma de gestão, por exemplo, os fornecedores são em simultâneo parceiros, clientes e concorrentes, o que talvez fosse impensável há uns anos atrás. Este modo de atuação, a nível de Organizações públicas e privadas, de diferentes dimensões, permite uma dinâmica do “ganha-ganha”, em que as partes, conjugam estratégias e tomam decisões, constituindo-se como um todo, agregando valor e atingindo os objetivos finais com sucesso, independentemente do ramo de atividade e da sua forma jurídica.


20ª CONFERÊNCIA SInASE

Carla Gonçalves, DIRETORA da SInASE, afirma

Pontos de Vista Novembro 2012

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“Temos a dimensão certa para acolhermos a várias frentes quando o cliente precisa” Com uma sólida experiência, que passa pelas mais diversas áreas, a SInASE é hoje uma referência principalmente quando falamos em educação e saúde. A empresa tem evoluído, adaptando-se ao mercado e à evolução da economia, mas mantêm-se como um aliado das Organizações. Estar ao lado das empresas e ser parceiro na evolução das mesmas, é já tradição na SInASE. Uma tradição que, sem dúvida, será para manter. Fique a conhecer mais da empresa através desta entrevista com a Diretora, Carla Gonçalves Pereira. Uma personalidade forte, com ideias vincadas!

De que forma a SInASE, criada em 1968, tem evoluído, adaptando-se às novas exigências económicas? Quais são atualmente as principais áreas de atuação da empresa? A SInASE nasceu há 44 anos pelas mãos de 16 sócios, a maior parte dos quais, mais tarde venderam as suas cotas. Eram sócios de várias áreas, tais como juristas, professores universitários e empresários. Na altura, a nossa missão era ajudar as empresas a irem para a União Europeia e aquelas que vinham da União Europeia a instalarem-se em Portugal. Na mesma altura, instalamos também um sistema de formação de quadros que não havia na época. Já nessa altura trabalhávamos em projetos de investimento, continuamos a trabalhar e hoje temos um departamento de gestão dos projetos de investimento alguns com apoio de fundos comunitários, nas áreas da formação, investigação, investimento, etc.. A nossa missão é, portanto, elaborar e acompanhar técnica e financeiramente esses projetos em toda a dimensão e em casos de apoio comunitário, a candidatura e respetiva prestação de contas. Para além disso, temos um departamento de gestão de desempenho onde trabalhamos em sistemas de avaliação de desempenho, essencialmente na administração pública (SIADAP), e outro departamento de consultoria em sistemas. Quando falo em sistemas, refiro-me a todas as vertentes da certificação e, como tal, sistemas de qualidade, ambiente, segurança e responsabilidade social (ISO 9001, 14001 e OSHAS 18001). Estes departamentos têm surgido no contexto da própria economia e da evolução das empresas. Consideramos ter a dimensão certa para acolhermos a várias frentes quando o cliente precisa e, tenho mesmo um cliente que me disse “eu gosto de trabalhar convosco porque vocês são flexíveis, adaptam-se bem aquilo que nós queremos em cada momento”. É exatamente isso que nós tentamos fazer. Dois dos atuais sócios da SInASE, foram fundadores há 44 anos e, portanto, temos mantido os valores e a história, ainda que a atividade vá variando e adaptando-se às necessidades do mercado. Em Angola, a SInASE marca também presença já há cerca de 20 anos. Como

tem sido essa adaptação nesta economia, bastante diferente da portuguesa? Em Angola, a nossa atividade começou também com oportunidades de financiamento, quer ao nível europeu, quer do Banco Mundial. Começamos por acompanhar do desenvolvimento destes projetos e também em assessoria financeira às multinacionais em Angola. Estivemos algum tempo retirados, apesar de termos mantido o escritório e o pessoal que lá tínhamos a trabalhar e, há cerca de 5 anos, voltamos a ter projetos em Angola, essencialmente na implementação de sistemas de gestão da qualidade pelo Normativo Internacional ISO 9001. Ao nível da administração pública, acompanhámos o primeiro serviço público certificado em Angola o GUE - Guiché Único da Empresa, estrutura do Ministério da Justiça, onde se constituem hoje cerca de 98% das empresas Angolanas e o SIAC – Serviço Integrado de Apoio ao Cidadão, muito semelhante ao modelo de funcionamento da loja do cidadão. Na área da saúde, denotamos um especial interesse dos hospitais privados e públicos num modelo específico, que também desenvolvemos em Portugal, o modelo de acreditação Joint Commission International, e a certificação de serviços pelo Normativo ISO 9001.

do cliente. Um exemplo, nos sistemas da qualidade porque não há gente com conhecimento especializado suficiente nas Organizações para desenvolver um projeto, a nossa equipa de consultores junta-se à Equipa da Qualidade em torno do desenvolvimento organizacional e adoção de boas práticas. No entanto, o conhecimento técnico está lá. O que nós fazemos é colmatar essa necessidade de recursos momentânea, porque, a partir do momento em que implementamos um projeto da qualidade, ele não fica dependente de nós, a manutenção autónoma e melhoria continua do sistema será garantida pela equipa interna.

Penso que o enquadramento se mantém, é necessário preparar continuamente os recursos humanos e, principalmente nestes setores complexos e essenciais – educação e saúde –. Mas não penso que seja um problema, é antes o resultado de uma boa evolução. Proporcionar mais conhecimentos e mais especializados, é algo que continua a ser nossa missão nas várias áreas em que trabalhamos. Somos uma organização que ajuda o cliente a alcançar os seus objetivos, não querendo substituir ao que constitui a missão

Quais as competências em que acabam por haver mais falhas? Por exemplo, se olharmos para qualquer Ministério ou Direção Geral, encontramos serviços jurídicos e técnicos de apoio. Uma Escola, que atende a uma grande diversidade de legislação e regulamentos não tem serviços jurídicos, nem pessoas que possam prestar o apoio jurídico necessário em questões jurídicas correntes, como atuar em conformidade com o estatuto do aluno, um processo disciplinar, etc.. Portanto, é

À data da criação da SInASE, um dos Administradores fundador referiu que o grande problema da economia nacional era essencialmente um problema humano. Esse continua a ser, na sua opinião, o grande problema da economia portuguesa? A missão da SInASE é também combater esse problema dotando os profissionais de melhores meios e maiores competências?

Quais os principais desafios que se colocam atualmente às diferentes áreas em que a SInASE trabalha? São vários! Na saúde precisamos de integração. Há muitas coisas boas a ser feitas mas que perdem os resultados e alguma eficácia porque estão a ser feitas em pequenos grupos, nichos e contextos que depois não se generalizam. Falta um departamento de qualidade que agregue várias competências e matérias (risco e segurança do doente, auditoria, entre outros) . Na educação, precisamos essencialmente de sistemas de gestão. Nos atuais contextos de agregação formaram-se agrupamentos de Escolas com três mil alunos, 200 professores e 100 funcionários, divididos em diferentes edifícios e locais. Face à dimensão e complexidade torna-se necessário adotar ferramentas de gestão adequadas e as Escolas não tiveram tempo de se preparar para esse desafio. Portanto estão a gerir de acordo com o elevado bom senso e experiência das equipas de gestão.

Carla Gonçalves preciso garantir, um bom apoio da tutela nestas áreas transversais (jurídica, compras, contratação, entre outros). Os professores que estão à frente de Agrupamentos de Escolas são brilhantes e incansáveis mas obviamente não reúnem todas as competências especializadas, face à complexidade da gestão da Escola atual. Parece impensável e impossível nos atuais contextos sociais das famílias, mas ainda há muitas Escolas e agrupamentos carentes de psicólogos. Primeiro é preciso garantir os recursos e, depois sustentar um sistema de gestão que nos permita ser eficientes e concretizar o projeto educativo. O sistema da CAF Educação pode ser, um bom princípio para o sistema de gestão das Escolas apoiando os processos de mudança e melhoria organizacional. Constitui um modelo sistematizado em função da reflexão de um conjunto de países europeus e, como tal, permite posicionar a Escola pública portuguesa no conjunto das Escolas públicas europeias, o que é muito importante para a formação dos jovens de amanhã, num contexto de globalização, a concorrência…


20ª CONFERÊNCIA SInASE

Qualidade e Inovação em Contenção Orçamental na Universidade Católica

“Transformar os atores em autores”: eis o desafio! O repto foi lançado por Martins Nunes, Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra. Em tempos de mudança, e tendo como base o tema da 20ª Conferência SInASE (“Qualidade e Inovação em Contenção Orçamental”, esta é a ideia chave para a alteração de paradigmas no quotidiano dos profissionais de dois dos setores que mais fazem mexer a economia portuguesa: Saúde e Educação.

A

Universidade Católica de Lisboa recebeu, no passado dia 12 de novembro, equipas de profissionais vindos dos quatro cantos do país com um objetivo: debater o estado da Saúde e da Educação em Portugal, num período em que é cada vez mais premente adotar estratégias adequadas à contenção orçamental atual. Qualidade e Inovação são dois dos principais caminhos a percorrer em busca de estratégias de sustentabilidade. As Conferências organizadas pela SInASE há muito que habituaram os participantes a um grau de excelência que

respeita os 44 anos de existência da empresa. Esta não foi exceção. A qualidade dos oradores foi, sem dúvida, o grande chamariz para que dezenas de profissionais não quisessem perder a oportunidade de “beber” conhecimento e conhecer boas práticas, nomeadamente através da entrega dos Prémios Hospital do Futuro 2011/2012 e dos Prémios de Reconhecimento à Educação 2011/2012. A primeira parte da manhã foi dedicada ao tema “Qualidade e Inovação na Saúde”. Henrique Martins, Coordenador da Comissão para Informatização Clínica e Assessor do Secretário de Estado da Saúde,

deu a conhecer a Plataforma de Dados de Saúde, considerado um dos marcos mais importantes na estratégia de informatização clínica do Ministério da Saúde. Para o responsável, a grande vantagem da PDS é “permitir conhecer os cidadãos antes deles ficarem doentes”. Na prática, através do PDS, os profissionais de hospitais e cuidados primários passam a poder visualizar a informação de Instituições do SNS, o histórico dos registos do INEM, o histórico do receituário do utente, entre outras informações. Paulo Macedo, Ministro da Saúde, que marcou presença da parte da tarde, presidindo à mesa da entrega dos prémios Hospital do

Prémios de Reconhecimento à Educação

O objetivo é distinguir e premiar Entidades educativas e formativas, cuja atuação em 2011, se destacou ao nível do contributo que prestaram junto e para a comunidade educativa, nomeadamente ao nível do ensino regular e de situações de envolvimento da comunidade alargada no contexto escolar.

DECLARAÇÕES DOS ORADORES DURANTE A CONFERÊNCIA

Henrique Martins

Martins Nunes

Costa Matos

Pinto Sousa

Coordenador Comissão para Informatização Clínica e Assessor do Secretário de Estado da Saúde

Presidente CA CHUC

Diretor da Qualidade do Hospital de Cascais

Bastonário da Ordem dos Médicos de Angola

“A grande vantagem da Plataforma de dados de saúde é permitir conhecer os cidadãos antes deles ficarem doentes”

“Para facilitar a mudança o segredo é transformar os atores em autores”

“Cada doente é único nas suas necessidades, capacidades, valores e crenças”

“Com o programa de municipalização dos serviços de saúde a taxa de mortalidade infantil em Angola reduziu de 150 por 1000 nascimentos vivos para 116”


Pontos de Vista Novembro 2012

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Prémios Hospital do Futuro Futuro (2011/2012), acredita que “com esta plataforma, o Ministério da Saúde avançou como nunca antes”. O Centro Hospitalar Universidade de Coimbra, foi, de seguida, apresentado, pela voz do Presidente do Conselho de Administração, Martins Nunes, como um exemplo de concentração de serviços. “O CHUC tem como um dos grandes pilares a defesa do emprego uma vez que conta com 7800 funcionários, sendo, portanto, a empresa que mais emprega na região e representa 10 por cento do PIB dessa região. Qualquer falha neste sistema levaria a área para um beco sem saída”, afiançou o responsável que adiantou ainda que o primeiro grande segredo da fusão está na criação de grupos de trabalho, sendo a “transformação dos atores em autores” o grande facilitador de uma mudança. Para Martins Nunes, as pessoas aceitam sem reticências um processo de mudança se estiverem reunidos três principais vetores: “explicação plausível, confiança nos Conselhos de Administração e esperança”. O CHUC é, por isso, uma das mais prestigiantes “experiências de concentração de serviços”. A sessão terminou com a apresentação de um caso prático de acreditação pela Joint Commission International no Hospital de Cascais, pela voz do seu Diretor da Qualidade, Costa Matos, para quem a acreditação num hospital se baseia “no cumprimento das metas internacionais de segurança do doente e na avaliação dos padrões”. A acreditação hospitalar é,

aliás, um das principais dinamizadoras da qualidade e segurança. Quem o diz é Carla Gonçalves Pereira, Diretora da SInASE. “Já vemos a qualidade como um bem intrínseco das nossas Organizações e já é um hábito e uma cultura das nossas Instituições de saúde”, defendeu a responsável na sua apresentação que encerrou o primeiro painel de apresentações da manhã.

O objetivo é destacar as Personalidades e Organizações que deram um maior contributo ao desenvolvimento da Saúde em Portugal, nomeadamente na promoção e dinamização de projetos de utilidade pública no âmbito da sua contribuição para o combate à doença e/ou da promoção de saúde, aplicação de novas tecnologias de informação, entre outros.

Qualidade e Inovação na Educação

Da Direção Geral da Administração e do Emprego (DGAEP) esteve presente Cristina Evaristo que nos deu a conhecer, mais aprofundadamente o CAF Educação, um modelo que se baseia numa estrutura de autoavaliação conceptualmente semelhante aos principais modelos de Gestão da Qualidade Total, especificamente o Modelo de Excelência da EFQM (European Foundation for Quality Management). A estrutura da CAF deve seguir dez passos e destina-se a todas as Instituições de ensino e formação, independentemente do seu nível, sendo aplicável desde o ensino pré-escolar ao ensino superior, incluindo a aprendizagem ao longo da vida.

Políticas Educativas em época de contenção

Francisco Vieira e Sousa, Diretor do Fórum para a Liberdade de Educação, na

sua intervenção começa por explicar que não sendo especialista em pedagogia, irá falar em políticas educativas e não tanto na execução prática do dia-a-dia, admitindo também que as suas ideias podem ser algo controversas. Para ele, a universalidade e gratuitidade do ensino é algo que já não deve ser discutido, a menos que falemos em Ensino Superior. Da sua experiência no Fórum, a conclusão a que chega é que a questão do Ensino Superior, sendo certo que beneficia todo o Estado, favorece muito particularmente o próprio aluno. Por-

tanto, existindo um importante benefício pessoal, acredita que se deveria pensar num sistema financeiro diferente no Ensino Superior. “O atual sistema de empréstimos para o Ensino Superior é um sistema manco”, afirmou. Para Francisco Vieira e Sousa, deveria aplicar-se um sistema de empréstimos com base em ganhos futuros pago ao longo da vida. De acordo com o relatório encomendado ao Tribunal de Contas, mais importante do que perceber se fica mais caro ao Estado os contratos de associação ou os estudantes das Universidades públi-

Romero Durán

Cristina Evaristo

Francisco Vieira e Sousa

Manuel Esperança

Direção Geral da Administração e do Emprego Público

Diretor do Fórum para a Liberdade de Educação

Presidente do Conselho de Escolas

“CAF Educação é caminhar em direção à excelência organizacional”

“Hoje, as Escolas sentem-se amarradas num colete de forças. Querem fazer mais mas não conseguem”

“Aconselho a todos os que ainda não estão envolvidos no CAF que comecem a caminhar nesse sentido”

BUROTEC

“Para pensar no futuro temos de investir em inovação”


20ª CONFERÊNCIA SInASE

Qualidade e Inovação em Contenção Orçamental na Universidade Católica

Dez Passos para aplicar a CAF:

1 - Organizar a planear a autoavaliação 2 - Divulgar o projeto de autoavaliação 3 - Criar equipas de autoavaliação 4 - Organizar a formação 5 - Realizar a autoavaliação 6 - Elaborar um relatório que descreva os resultados da autoavaliação 7 - Elaborar o plano de melhorias 8 - Divulgar o plano de melhorias 9 - Implementar o plano de melhorias 10 - Planear a autoavaliação seguinte

Presença do Ministro da Saúde

cas, é perceber por que é que no ensino estatal há diferenças abismais no custo dos alunos. Para o mesmo, esse desequilíbrio é provocado por más gestões e regras que não são as mais adequadas, dando o exemplo da Parque Escolar que, segundo o mesmo, deveria ter sido gerido ao nível de Escola e não ao nível do poder central mas, essencialmente, por causa da questão da carreira dos docentes que faz com que o custo de alunos por faculdade seja muito diferente. Estando os maiores gastos na educação direcionados para os recursos humanos, afirma que este é um problema causado por um sistema bloqueado que tem necessariamente de ser encarado de frente. “Não é possível gerir uma carreira em que todos os elementos evoluem na mesma sem um travão”, concluiu. Com a moderação da Marina Caldas, Jornalista do Programa “Especial Saúde”, da RTP Informação, a sessão da tarde

contou com uma animada intervenção de António Vaz Carneiro, Professor da Faculdade de Medicina de Lisboa e Diretor do CEMBE (Centro de Estudos de Medicina baseada na Evidência) que centralizou a sua palestra nas boas práticas da ciência médica.

António Vaz Carneiro

Ricardo Batista Leite

Maria Belém Roseira

Rui Nunes

Professor da Faculdade de Medicina de Lisboa e Diretor do CEMBE

Deputado

Deputada

Presidente da Associação Portuguesa Bioética

“90,998 por cento do que é dito sobre saúde na Internet é falso ou superficial”

Um dos momentos mais aguardados do dia estava centrado na presença do Ministro da Saúde, Paulo Macedo que, juntamente com um leque de profissionais de renome, entregou os prémios Hospital

Paulo Macedo Ministro da Saúde

“Com esta plataforma (Plataforma de dados de saúde) o Ministério da Saúde avançou como nunca antes”

“O nosso maior erro tem sido tratar todos por igual”

“Temos de olhar para a saúde não como um fator de despesa mas de investimento”

do Futuro 2011/2012. Para Paulo Macedo, “é significativo saber que desde o ano passado houve um crescimento de 15 por cento das candidaturas aos prémios”. Além disso, a excelência tem sido notada em todo o setor uma vez que nos últimos doze meses, os nossos investigadores na área da saúde têm tido um reconhecimento ímpar”, defendeu. Antes da atribuição dos prémios, que este ano contou com a introdução dos prémios de reconhecimento social, aos projetos apresentados a concurso em 2011 com maior número de comentários nas redes sociais, os convidados foram ainda presenteados com um espetáculo de ginástica acrobática. Terminado o dia, foi tempo de Gonçalves Pereira, Administrador da SInASE fazer um balanço. Num dia em que se falou exclusivamente de dois dos grandes pilares da sociedade e da Economia portuguesa, “não há Saúde sem Educação”, garantiu.

“Temos de apostar mais em educação, saúde e bem-estar porque de pouco interessa o PIB se as sociedades não derem um salto civilizacional”


INTERNACIONALIZAÇÃO

Pedro Reis, Presidente da AICEP, em discurso direto

“Internacionalização deve ser uma decisão estratégica” Qual tem sido o papel da AICEP na promoção da internacionalização das empresas lusas e no suporte à sua atividade exportadora? Imenso. “Desde logo um papel determinante em capacitar empresas para atividade exportadora”, afirma convicto Pedro Reis, atual Presidente da AICEP, em entrevista à Revista Pontos de Vista. Veja mais e conheça o que tem sido realizado pela instituição em prol do universo empresarial português e consequentemente da economia nacional. De acordo com declarações de José Vital Morgado, numa conferência no Salão Imobiliário de Portugal (SIL), o volume de negócios da construção e do imobiliário no estrangeiro representa uma das maiores percentagens das exportações portuguesas. Esta aposta nos mercados internacionais é, cada vez mais, uma “tábua de salvação”? A aposta nos mercados externos é uma opção natural numa economia globalizada onde a única fronteira é a ambição de cada empresa. Tal como Portugal é um mercado crescentemente aberto ao mundo, o mundo também está aberto para as empresas portuguesas que queiram ter uma dimensão global. A opção pelos mercados externos não é, nem deve ser, uma mera decorrência do ciclo económico que atravessamos, mas sim uma decisão estratégica que deve ser encarada como uma oportunidade para adicionar dimensão e valor às nossas empresas. Neste processo de internacionalização das empresas portuguesas e no suporte à sua atividade exportadora, qual o papel que tem sido desempenhado pela AICEP? Desde logo um papel determinante em capacitar empresas para atividade exportadora, dando-lhes formação e prestando-lhes informação qualificada sobre os mercados de seu interesse, sobre setores em desenvolvimento e sobre oportunidades concretas de negócio, identificando por exemplo parceiros, importadores ou distribuidores. Este é um trabalho realizado próximo das empresas e é uma das atividades nevrálgicas da Agência. Adicionalmente, a AICEP gere os apoios públicos aos processos de internacionalização das empresas, fundamentais para as empresas poderem promover a sua atividade, as suas marcas, os seus produtos e os seus serviços, no exterior. Mas a AICEP desempenha igualmente um papel essencial como ponta de lança das nossas exportadoras nos mercados externos, apoiando localmente as empresas, seja através de ações de diplomacia económica, seja no agendamento de reuniões, promoção de contatos ou no acompanhamento de iniciativas específicas, como a participação de empresas em feiras, mostras de produtos, etc.

América Latina, com especial destaque para a Venezuela ou o Peru, Europa de Leste ou Magrebe são alguns dos mercados que têm aberto as suas portas às

Pedro Reis

“A opção pelos mercados externos não é, nem deve ser, uma mera decorrência do ciclo económico que atravessamos, mas sim uma decisão estratégica que deve ser encarada como uma oportunidade para adicionar dimensão e valor às nossas empresas”

da atividade das empresas no médio e no longo prazo. O que as empresas necessitam para aumentar as hipóteses de sucesso nestes mercados – como aliás em qualquer mercado – é a de aumentar o seu foco estratégico e de preparar muito bem o processo de internacionalização em todas as suas fases.

empresas portuguesas. Os bons resultados estão a ser atingidos. Quais são as principais mais-valias destas regiões? Por outro lado, o que é que uma empresa precisa de ter para se introduzir em mercados tão díspares?

Com a economia europeia a viver um período de inércia, vemos hoje mercados outrora consolidados a adotarem intensas medidas de austeridade. Os negócios internacionais de Portugal devem, por isso, sair da esfera da União Europeia. Os empresários têm essa consciência? Existem mercados de pequena dimensão mas com grandes potencialidades que ainda permanecem no desconhecimento dos nossos empresários? Quais?

A mais-valia evidente destas regiões – a que acrescentaria os países do Golfo, a Rússia, a Turquia e respetiva zona de influência, e também alguns países orientais – é o seu potencial de crescimento económico a médio e longo prazo. Estamos a falar de economias com ingredientes similares em termos de crescimento, aumento do nível de consumo e do poder de compra e também da exigência e da qualidade. São, no fundo, mercados com classes médias florescentes, com estabilidade política e social e que permitem perspetivar um crescimento sustentável

Uma das ressalvas que coloco na estratégia absolutamente incontornável da agenda nacional prioritária de internacionalização da economia portuguesa é que a diversificação de mercados não deve ser feita perdendo espaço ou margem nos países onde Portugal tem já uma quota de mercado consolidada como é o caso dos países comunitários. Ou seja, os novos mercados a conquistar, as novas geografias de crescimento, pelo menos para as empresas já internacionalizadas, não deve ser feita à custa de algum desinvestimento ou perda de

interesse nos mercados comunitários, onde há ainda, apesar de algum abrandamento económico, margem para as empresas progredirem.

A AICEP assume-se como uma entidade que está onde a economia portuguesa e as empresas mais necessitarem dela. Fazendo justiça ao vosso mote, para onde é que o nosso tecido empresarial português está a caminhar? O tecido empresarial português faz o seu caminho nos mercados externos para tornar o seu negócio cada vez mais global. A diversificação de mercados é uma realidade incontornável do nosso panorama exportador. As empresas procuram novas geografias de crescimento e a AICEP posiciona-se por antecipação ou por verificar que as empresas têm a ganhar com uma ação comercial mais próxima por parte do Estado português, que pode atuar no campo da diplomacia económica. Alguns exemplos de geografias de crescimento para onde as empresas têm ido – e a AICEP acompanhado – incluem mercados como a Colômbia e o Peru, toda a zona do Golfo ou a India, por exemplo, para não falar de países tão como a China, a Coreia ou a Indonésia que têm um enorme potencial para as nossas empresas. LER NA INTEGRA EM WWW.PONTOSDEVISTA.PT


INTERNACIONALIZAÇÃO

Alexandre de Azevedo Campos, CEO da CompetinoV, AFIRMA

Pontos de Vista Novembro 2012

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“A alma é o segredo do negócio” A velha máxima de que “o segredo é a alma do negócio” há muito que deixou de fazer sentido. Quem o diz é Alexandre Campos, CEO da Competinov, empresa que apoia os decisores a traçar uma rota de futuro através de mapas de oportunidades e ameaças. Hoje em dia, “a alma, ou seja, a forma como se fazem os negócios, é o segredo”.

D

Alexandre de Azevedo Campos

esde 1999 que a Competinov surge no mercado como uma empresa que está no sítio certo com as ideias mais adequadas e mais direcionadas para o seu cliente. Centrando a sua atividade no apoio à internacionalização e na inovação, a empresa pretende reduzir os níveis de incerteza e de risco que imperam no quotidiano de um empresário, fornecendo-lhe a informação essencial para a tomada de decisões oportunas e acertadas sobre um facto, um lugar ou uma ideia. Há 13 anos que a Competinov apoia os seus clientes nos seus processos de internacionalização, caminhando ao seu lado ao longo de toda uma maratona que deve ser pensada com os pés bem assentes na terra. “Num mercado de incertezas, necessito de melhor informação para decidir com segurança sobre os meus investimentos”. É frequente esta ideia estar presente na mente de vários empresários. É, neste sentido, que surge a Competinov, com uma equipa de profissionais competentes envolvida na área de estudos de intelligence para a decisão. Alexandre Campos é o CEO da organização e foi com ele que a Revista Pontos de Vista esteve à conversa. Desde a sua génese, a Competinov dedica-se ao domínio de Competitive Intelligence, uma área ainda pouco desenvolvida e explorada pelas empresas portuguesas, mais concretamente em duas vertentes: mercado internacional e Inovação de produto para a indústria. Quando se fala em mercado internacio-

nal, a empresa debruça-se, essencialmente, no chamado Marketing Intelligence. Por outras palavras: “trabalhamos desde o planeamento, fazemos os mapas da internacionalização no apoio às empresas, até ao processo no terreno, estando no sítio certo e apoiando as vendas em termos comerciais”, “é essencial compreender o que é relevante ou irrelevante para a otimização do negócio internacional, através de recomendações que diminuam os riscos e otimizem as oportunidades”, explicou o CEO. Para Alexandre Campos, é inevitável estabelecer um paralelismo entre os tempos atuais e o período dos Descobrimentos. Quando um empresário opta por internacionalizar a sua empresa precisa de um mapa da viagem. Nos Descobrimentos o mesmo se passava. Assumindo esta faceta de cartógrafa, a Competinov elabora os mapas e os estudos de mercado mais sofisticados, usando metodologias que, regra geral, são usadas na área da inteligência militar e política, aplicada à área empresarial. “Toda a realidade de um empresário depende de um fator: para onde devo ir? Pois o que se observa, decide e faz, depende em última análise da resposta a esta pergunta. Evidentemente que pode haver um palpite mas, muitas vezes, podem ter graves problemas se seguirem apenas a intuição”, partilhou Alexandre Campos. O feeling pode ser importante mas, por si só, não chega, é necessário medir riscos e oportunidades de forma profissional antes de agir. A Competinov, com parcerias internacionais que lhe permitem estar em 40 países, possui um conhecimento global do mercado externo. Durante o trabalho de planeamento, importa frisar dois tipos de clientes dos quais a Competinov se assume como parceira: as empresas privadas, as associações empresariais e sectoriais, e os clusters e pólos de competitividade. “Nas empresas fazemos um fato à medida. Já com os clusters e pólos de competitividade realizamos um planeamento de mercado não para uma empresa em particular mas para uma rede de em-

“Toda a realidade de um empresário depende de um fator: para onde devo ir? Pois o que se observa, decide e faz, depende em última análise da resposta a esta pergunta. Evidentemente que pode haver um palpite mas, muitas vezes, podem ter graves problemas se seguirem apenas a intuição”

presas que em conjunto terão que gerar sinergias numa ótica de coopetição na internacionalização. É preciso desenhar toda a estratégia e a componente prática para todas as empresas que fazem parte”, explicou o CEO. Mais do que simples informação filtrada e “trabalhada”, a Competinov vai mais além e facilita todo o planeamento estratégico, tático e operacional.

“Barreira linguística é um falso argumento”

Num mercado em expansão, os países que partilham a mesma herança linguística são, na maioria dos casos, um chamariz para as empresas que abraçam o desafio da internacionalização. Mas, para Alexandre Campos, esta barreira linguística pode ser uma falácia. Mais do que o idioma, a cultura e os hábitos de um povo podem ser fulcrais para o sucesso de um negócio. O CEO deu um exemplo: “estamos mais próximos, a nível cultural, dos franceses do que dos espanhóis. No entanto, à primeira vista, todos acham que nos entendemos muito bem. Mas cuidado, não há uma Espanha, existem várias e a cultura espanhola tem muitas barreiras e somos mais próximos da estrutura mental e empresarial dos franceses”, explicou. Antes de avançar para o terreno, a empresa deve procurar o melhor aconselhamento possível por parte de entidades profissionais, com contactos privilegiados no terreno. Vender internacionalmente não é o mesmo que se estabelecer internacionalmente. A venda pode ser apenas uma fase que não se repetirá. O empresário deve, acima de tudo, ter uma boa bússola e, tal como nos Descobrimentos, saber quando e onde arriscar. “Não se vai para um mercado por causa de um contacto comercial que se estabeleceu mas sim porque se sabe que esse mercado tem uma previsão de crescimento na sua área de atividade e que está próximo à sua cultura de negócio”, defendeu. Depois de estabelecido o primeiro contacto, o empresário deve ter consciência de que o primeiro projeto lá implementado será a sua referência de futuro. A “âncora”, como definiu Alexandre Campos.

América Latina em perspetiva

“Continuar a apoiar as empresas em projetos muito específicos, desde o planeamento à ação no terreno”, continua

“Estamos mais próximos, a nível cultural, dos franceses do que dos espanhóis. No entanto, à primeira vista, todos acham que nos entendemos muito bem. Mas cuidado, não há uma Espanha, existem várias e a cultura espanhola tem muitas barreiras e somos mais próximos da estrutura mental e empresarial dos franceses”

a ser o grande objetivo da Competinov, empresa que, para Alexandre Campos, faz um jogo justo na medida em que, em muitos dos projetos, só cobra ao cliente a partir do momento em que ele começa a ter retorno. A América Latina faz parte de outro dos desafios. “Acredito que os portugueses têm mais vantagens em países que falam castelhano do que português. E aqui falo, essencialmente, de países da América Latina, com um crescimento muito interessante”, afirmou o responsável. Colômbia, Chile e Peru são algumas das “jovens esperanças” nas quais a Competinov tem contactos privilegiados e pretende em breve ter filiais. Além de tudo isso, a Competinov mantém um forte apoio comercial, nomeadamente com o Iraque, onde é sócia da empresa Yumn, ou na Polónia, onde está em força com uma parceria com uma empresa portuguesa com bastante presença nos países da Europa de Leste. “Competitive Intelligence é “Um processo sistemático e contínuo de recolha e análise de informação para obter insights práticos sobre os concorrentes, o ambiente competitivo e tendências, a fim de promover os objetivos dos negócios da organização” (Adaptado de Fleisher e Bensoussan, 2003


INTERNACIONALIZAÇÃO

André Meneses, Partner da Select Advisor, afirma,

“A Select Advisor ajuda à criação de valor” Internacionalizar não é nem deve ser uma decisão tomada de ânimo leve, até porque as consequências podem ser nefastas. O fenómeno da internacionalização tem vindo, cada vez mais, a fazer parte do vocabulário de diversos meandros da sociedade portuguesa, principalmente do universo empresarial. Como fazer? O que fazer? Soluções milagrosas não existem, mas o apoio de um parceiro credível e especializado é fundamental. André Meneses, Partner da Select Advisor, abordou este temático aquando da sua conversa com a Revista Pontos de Vista. Entre outras coisas, fica a ideia convicta de que “a escolha de uma consultoria especializada de investimento e de apoio à internacionalização é um fator crítico de sucesso para as empresas”. knowhow específico dos mercados internacionais.

André Meneses Em tempos de crise, as empresas têm necessidade de canalizar os seus negócios para o exterior. A consultoria, como forma de apoio à internacionalização, ganha assim uma relevância acrescida? A escolha de uma consultoria especializada de investimento e de apoio à internacionalização é um fator crítico de sucesso para as empresas, uma vez que só com o apoio de profissionais especializados é que as empresas poderão vingar nos mercados externos. Neste sentido, as consultoras têm aqui um papel fundamental ao nível da definição da estratégia de internacionalização, do aconselhamento, da facilitação e desburocratização de todo o processo. Em que medida a Select Advisor poderá ajudar o tecido empresarial nacional a internacionalizar-se ou, noutro cenário, a otimizar os seus projetos de internacionalização que já estejam em curso? A SelectAdvisor disponibiliza aos empresários uma solução integrada de serviços completos e inovadores, que passa pelas diversas etapas do processo de internacionalização, no que denominamos “Plano Operacional de Internacionalização”, que assenta em estudos de mercado para cada produto/serviço, identificação dos principais mercados para cada empresa, identificação e celebração de parcerias com importadores e distribuidores mais adequados a cada perfil de empresa, elaboração de planos de marketing & comunicação e elaboração de candidaturas QREN. Neste sentido, os empresários portugueses das diversas áreas de atividade que queiram internacionalizar a sua empresa, podem contar com a SelectAdvisor para apoia-las em todo o processo com uma solução “chave na mão” Por outro lado estamos também disponíveis para otimizar os projetos de internacionalização já em curso, através do nosso

Quais as zonas do globo onde atualmente se abrem mais oportunidades às empresas portuguesas e para as quais a Select Advisor tem direcionado a sua atenção? As maiores oportunidades de negócio para as empresas portuguesas encontram-se efetivamente nos países da CPLP, e é nestes países que a SelectAdvisor mais aposta, quer pelo nível de conhecimento dos mercados, quer pelo seu índice de desenvolvimento económico. Fora da CPLP, temos vindo a apostar nos mercados da China, Rússia, India e Canadá. Um conhecimento profundo destes mercados é essencial às empresas de consultoria? Efetivamente só com um conhecimento profundo dos mercados é que se poderá apoiar e prestar um bom serviço às empresas no seu processo de internacionalização e exportação. É essencial identificar as necessidades do mercado alvo para poder posicionar os produtos e as empresas de modo a poderem vingar no exterior. Por outro lado o conhecimento dos principais players regionais e nacionais é também fundamental para desenvolver um plano de internacionalização eficaz e duradouro Acredita que existem oportunidades nos mercados externos para empresas de todas as dimensões ou para as mais pequenas os benefícios podem não justificar perante os riscos e custos de investimento? Quais as condições que uma empresa deve reunir para dar este passo?

Na nossa opinião, existem oportunidades para as empresas de todas as dimensões, desde que se consigam especializar em determinados nichos de mercado, e consigam encontrar o seu espaço no mercado global, para que posteriormente possam crescer sustentadamente. Os benefícios disponibilizados, nomeadamente ao nível dos incentivos comunitários, apoiam os empresários a dar esse passo. Muitas vezes os empresários apostam em ações pontuais no exterior, sem um plano definido de intervenção. No entanto, esta decisão tem-se revelado in-

consequente, levando muitas vezes ao fracasso da empresa nos mercados internacionais. A internacionalização das micro e pequenas empresas, é possível; porém há a necessidade de se aliar os seguintes fatores: determinação do empresário, criatividade, inovação e busca de novas oportunidades. Em suma, os riscos do investimento na internacionalização das empresas deverão diminuir após uma análise cuidada e exaustiva à empresa, aos produtos oferecidos e aos diversos mercados se poderá concluir as possibilidades de sucesso nos mercados internacionais.

Que recomendações quer deixar aos empresários que pretendam internacionalizar o seu negócio? Os empresários, antes de decidirem internacionalizar a sua empresa deverão analisar as possibilidades de sucesso do seu produto nos mercados internacionais, ou seja, deverão identificar e analisar convenientemente os mercados-alvo dos seus produtos e serviços, assim como potenciais importadores e distribuidores essenciais para o escoamento do seu produto ou serviço. Para isso é fundamental que tenham um parceiro com knowhow específico desta área para que os possa apoiar nas diversas fases do processo de internacionalização. O financiamento às empresas é um dos principais problemas gerados pela crise económico-financeira. De que forma a Select Advisor ajuda os clientes a aceder ao financiamento e, em particular, aos fundos comunitários? A Select Advisor ajuda à criação de valor, desde a intenção de investimento e angariação de parcerias até ao apoio de candidaturas a fundos comunitários. Colocamos o nosso leque de serviços em cada uma das áreas de intervenção. Na área do financiamento, a Select Advisor é especialista na elaboração de candidaturas a fundos comunitários, nomeadamente QREN e PRODER, planeando, acompanhando e intervindo na otimização do projeto de investimento ao longo de todo o processo de decisão e implementação, sempre com o objetivo de disponibilizar aos nossos clientes uma solução integrada e completa. Por outro lado, possuímos uma rede de contactos de investidores nacionais e

estrangeiros disponíveis para adquirir, gerir, arrendar ou ser parceiro investidor em várias áreas de atividade. Atuamos na angariação e mediação, na dinamização e na negociação, com o objetivo de ser o parceiro de eleição na procura das melhores oportunidades para as empresas portuguesas.

A Select Advisor tem uma vasta experiência no apoio à criação e desenvolvimento de unidades hoteleiras. Este ano, o investimento nesta área caiu 16 por cento na Europa até agosto. De que forma esta queda foi sentida na Select Advisor? Houve efetivamente uma diminuição de investimento na criação de novas unidades hoteleiras. Os empresários encontram-se na expectativa relativamente ao desenvolvimento da crise económica e financeira que assola vários países da zona euro, ao mesmo tempo que as restrições ao acesso ao crédito também não têm ajudado o incentivo ao investimento. Apesar disto, a Select Advisor tem optado por diversificar a sua intervenção na área da hotelaria, apostando na captação de investimento estrangeiro e na realização de parcerias com algumas das maiores cadeias hoteleiras internacionais com objetivo de realizarem contactos de gestão, arrendamento ou mistos em várias unidades hoteleiras individuais. A criação e o desenvolvimento de projetos hoteleiros exigem investimentos avultados. Numa altura marcada pelos constrangimentos económicos, continua a haver investimento na área da hotelaria em Portugal? Apesar de ter diminuído consideravelmente, tem havido vários investimentos na área da hotelaria em Portugal, uma vez que o turismo continua a ter um potencial de crescimento assinalável para os próximos anos em Portugal. Desta forma, Select Advisor investiu na captação de investimento estrangeiro, tendo vindo a realizar algumas missões empresariais no exterior, no sentido de dar a conhecer aos investidores algumas oportunidades de negócio em Portugal, nomeadamente na área da hotelaria. LER NA INTEGRA EM WWW.PONTOSDEVISTA.PT


INTERNACIONALIZAÇÃO

Entrevista a Carlos Martins, Diretor Executivo da DG SGPS

Pontos de Vista Novembro 2012

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“Conseguimos ser um player de referência no mercado Internacional” Porque a energia e o ambiente tornaram-se nos últimos anos “vetores económicos de elevado interesse e rentabilidade”, a DG SGPS, empresa que atua em áreas tão díspares como a construção e a área alimentar, tem dado especial enfoque ao mercado da Gestão de Energia e sustentabilidade. Em Portugal, o Grupo DG está a dar apoio e a gerir alguns projetos ligados a infra estruturas de monitorização de energia e de gestão de centros de dados. Com presença consolidada em Angola, Moçambique e Marrocos, o objetivo, para o curto prazo, é apostar também na América Latina. “O Grupo DG, desde o seu início, vê uma oportunidade onde a sua concorrência vê uma dificuldade. Como trabalhamos com nichos de mercado muito específicos, conseguimos ter soluções para os requisitos do mercado Global”, afirma Carlos Martins, Diretor Executivo do Grupo, nesta entrevista à Revista Pontos de Vista.

“A curto prazo, a reabilitação urbana, será uma das únicas soluções de construção em Portugal”

A DG SGPS atua em áreas tão diversas como a construção, a energia ou a área alimentar. Qual destas tem um maior peso para a empresa e quais é que apontaria como as vossas áreas estratégicas? Todas as áreas de negócio que o Grupo DG atua são estrategicamente planeadas e implementadas. Não obstante, o Grupo DG está a dar um especial enfoque no mercado da Gestão de Energia e na sua sustentabilidade. Energia e ambiente são, nos tempos que correm, áreas cada vez mais importantes? A Energia e o Ambiente são áreas de negócio estratégico da nossa organização. Atualmente, fruto das necessidades de consumo, a Energia e o Ambiente tornaram-se vetores económicos de elevado interesse e rentabilidade.

Quais os serviços que a empresa tem para oferecer dentro deste setor? O Grupo DG tem empresas ligadas á Instalação de soluções de Energia Eco Eficiente, para a utilização de recursos naturais como o Sol e o Vento e uma empresa que desenvolveu uma solução de domótica (iHouse), para uma gestão inteligente de edifícios orientados para uma elevada performance e produtividade energética. Qual a vossa política em termos ambientais? Através das linhas mestras definidas e implementadas pelo Conselho de Administração do Grupo DG, as empresas participadas têm ativo um programa ambiental que vai desde os processos de gestão documental á domótica de gestão de energia para a gestão dos seus escritórios.

O desenvolvimento sustentável está na base de todo o trabalho desenvolvido pela DG SGPS? O Desenvolvimento Sustentável é uma das regras de ouro do Grupo DG. Através de um planeamento estratégico e estruturado, o Presidente do Conselho de Administração do Grupo DG, Jorge Gonçalves, conseguiu demonstrar através

Grupo DG iniciou o seu processo de investimento na área industrial, através da compra de uma empresa especialista no fabrico de soluções de energia. Carlos Martins de evidências de elevada performance e produtividade, que o Grupo DG é um player de referência na área de construção, e de gestão de energia.

A área da energia é uma área na qual se deveria apostar mais em Portugal? Em Portugal, para além de se necessitar de investir na área da Energia, deveríamos dar um especial detalhe de investimento à unidade de Gestão de Energia. Que projetos têm em mãos neste setor no nosso país? Neste momento ao Grupo DG está a efetuar apoio e gestão a projetos ligados a infraestruturas de monitorização de energia e a projectos de gestão de datacenters (Centros de Dados).

A DG SGPS marca presença em vários países, dos vários continentes. Quais os principais mercados de atuação da empresa? Os principais mercados de atuação do Grupo DG são Angola, Moçambique e Marrocos. Num momento de crise na Europa, estes constituem a botija de ar da DG SGPS? O Grupo DG, para além de continuar a investir internacionalmente, está neste momento de crise na Europa, ver oportunidades de investimento. Em 2012, o

A DG SGPG tem como objetivo aumentar a rentabilidade e projetar-se em novos mercados. De que forma conseguem ser cada vez mais rentáveis e quais os mercados que ambicionam no curto prazo? O Grupo DG, desde o seu início, vê uma oportunidade onde a sua concorrência vê uma dificuldade. Como trabalhamos com nichos de mercado muito específicos, conseguimos ter soluções para os requisitos do mercado Global. A América Latina é a curto prazo, um dos mercados estratégicos do Grupo DG. Que futuro avista para o setor das instalações especiais em Portugal? As instalações especiais, apesar de serem no setor da construção, a vertente com maior Engenharia e Conhecimento associado, em Portugal ficarão apenas os laboratórios de Investigação de Desenvolvimento e algumas pequenas obras de remodelação habitacional.

Com o setor da construção praticamente parado no nosso país, o futuro do setor poderá passar essencialmente pela reabilitação urbana? A curto prazo, a reabilitação urbana, será uma das únicas soluções de construção em Portugal.

Com cada vez mais empresas a apostar nos mercados emergente como fuga à crise europeia, a concorrência tem vindo a tornar-se feroz? Há espaço para todos ou esse espaço está a tornar-se cada vez mais limitado?

O Grupo DG, como já tem uma plataforma Internacional, devidamente consolidada, constata que com esta fuga á crise, esta nova “concorrência” apenas escolheu baixar o preço médio de venda das soluções comercializadas em demérito da elevada performance e produtividade profissional. Há espaço no mercado Internacional para empresas como o Grupo DG, que primam por implementar soluções de excelência, para os requisitos dos clientes.

Na sua opinião, as empresas portuguesas têm sabido impor-se nos mercados internacionais? O Processo de Internacionalização de uma empresa é uma implementação sustentada. Neste momento, as empresas que se submetem a um processo de internacionalização têm que planear melhor o investimento financeiro necessário. Foi difícil para a DG SGPS impor-se além-fronteiras? O Grupo DG como teve um crescimento sustentado, consideramos que com muito trabalho, conseguimos ser um player de referência no mercado Internacional.

Quais as principais dificuldades com que se depararam? Em 2002, quando o Grupo DG dava os seus primeiros passos para a Internacionalização, as principais dificuldades estavam associadas á Criação e Gestão processual da empresa no país de internacionalização. Qual o balanço que faz do percurso que a DG SGPS tem vindo a percorrer? O Grupo DG, através de uma equipa de RH multidisciplinar, conseguiu chegar ao mercado com soluções para requisitos específicos dos nossos clientes. Este crescimento sustentado levou o Grupo a um patamar de elevada performance e produtividade profissional. Expectativas e objetivos para o futuro? No Futuro, o Grupo DG quer manter um Crescimento Sustentado e continuar a investir em mercados alvo como a Gestão de Energia, Ambiente e Gestão Industrial.


INTERNACIONALIZAÇÃO

Fernando Lamares, General Manager da TÜV Rheinland Portugal afirmA

“Estamos sempre um passo à frente” Fundado em 1872, com 490 localizações em 61 países, cerca de 16 mil funcionários e mais de 2500 serviços. Estes são os números que constituem a realidade do Grupo TÜV Rheinland. De origem alemã, a multinacional é hoje líder na prestação de serviços de inspeções e certificações. “A sua empresa, os seus clientes e nós ao seu lado”, tem sido o cartão-de-visita de uma empresa alicerçada em três grandes valores: segurança, qualidade e responsabilidade.

C

Fernando Lamares

om mais de 140 anos de existência, o que tem, afinal, ditado o sucesso do Grupo TÜV Rheinland? Fernando Lamares, General Manager do grupo em Portugal, não tem dúvidas no momento em que afirma: “estamos sempre um passo à frente”. A permanente aposta na formação dos seus colaboradores e o conhecimento profundo dos requisitos exigidos em cada um dos mercados são ferramentas que têm colocado a TÜV Rheinland numa posição de vantagem. Quer seja em Portugal ou na América do Sul, o

cliente encontra nesta empresa um parceiro de confiança. “Temos pessoas que falam a mesma linguagem, têm os mesmos serviços e funcionamos como facilitadores, tanto à exportação como à implementação das empresas em cada um desses mercados. Este conhecimento e o investimento no desenvolvimento de novas soluções e novos serviços têm sido mais-valias para os nossos clientes”, referiu Fernando Lamares em conversa com a Revista Pontos de Vista. A TÜV Rheinland surgiu com a Revolução Industrial, num período em que, por falta de segurança, as caldeiras a vapor e os recipientes, que entretanto surgiam, começavam a explodir, acarretando graves problemas de segurança para pessoas e bens. Foi, então, por iniciativa da associação alemã que se criou um organismo de inspeção, sem fins lucrativos, caraterística que ainda hoje mantem. “Durante muitos anos, a TÜV foi o braço direito, em

termos técnicos, para o desenvolvimento industrial alemão. A indústria alemã definiu regras técnicas e de segurança, as chamadas normas DIN, e a TÜV teve a responsabilidade de apoiar o seu desenvolvimento e implementação”, explicou Fernando Lamares. O conceito alargou-se por todo o território alemão e não tardou até que se expandisse um pouco por todo o mundo. A chegada da TÜV a Portugal veio responder às necessidades de empresas internacionais que queriam ter garantias localmente da qualidade e segurança dos seus equipamentos. De uma forma independente, imparcial e competente, a TÜV “aconselha, ensaia, inspeciona e certifica”, disponibilizando aos seus clientes uma vasta gama de serviços que vai desde certificação de produtos, de sistemas, de pessoas, serviços industriais, mobilidade e formação técnica. É na certificação de produtos que a TÜV tem conquistado um maior reconhecimento a nível mundial, contando, hoje, com mais de 300 mil certificados emitidos em todo o mundo. “Funciona como um verdadeiro passaporte para a exportação de produtos. Muitos fabricantes portugueses utilizam a nossa marca para poderem entrar em mercados externos. Sem esta certificação, está-lhes completamente vedado o acesso a estes países”, defendeu o responsável.

Mais do que uma mais-valia, a certificação começa a ser uma obrigação

Em alguns setores de atividade, a certificação já não é só uma mais-valia. Em áreas de negócio em que a segurança do produto ou sistema deve ser o primeiro aspecto a ser salvaguardado, o mercado está regulamentado nesse sentido. “A certificação é vista como uma obrigação, tanto a certificação de produtos, como de empresas e, mais recentemente, de pessoas. Quem vai, por exemplo, soldar um equipamento para a Noruega, tem de ter uma certificação pessoal que prova que tem competência para executar aquele trabalho”, disse. Cada vez mais, as empresas procuram profissionais preparados para responder a qualquer necessidade que o mercado imponha, tornando-a num parceiro de confiança. A TÜV Rheinland tem, desde sempre, vestido esse papel. A sua presença nos quatro cantos do Mundo proporciona-lhe uma visão global, estando acredita-

da para realizar certificações em todos os principais países, de acordo com as leis locais, normas e regulamentos. “Conhecemos bem os requisitos que cada um dos países coloca aos produtos que são exportados e podemos, localmente, ajudar as empresas a cumprir essas normas, para que não sejam colocados entraves técnicos aos produtos e às empresas que queiram representar-se nesses mercados”, explicou Fernando Lamares.

Aumento de certificações ambientais

A consciencialização ambiental é uma realidade cada vez mais presente no quotidiano empresarial. No momento em que a TÜV realiza uma inspeção, não impera apenas o cumprimento dos requisitos normativos. O ciclo de vida do produto é outro dos aspectos a ter em consideração. “Seria impensável certificar um determinado equipamento que cumpre os requisitos de base mas não está prevista pelo fabricante a sua reciclagem no final de vida”, defendeu. Na tomada de decisão está sempre subjacente a conjugação de dois aspectos: o cumprimento das normas e a sustentabilidade do produto. Há muito tempo que a questão da eficiência energética faz parte dos objetivos da empresa. A TÜV tem contribuído para definir referenciais de sustentabilidade e qualidade em diferentes setores económicos, dos quais se tem destacado o turismo. “Neste setor existe um grande potencial relativamente à redução de consumos e, consequentemente, de melhoria do impacto ambiental. É possível reduzir de uma forma significativa os consumos energéticos e eliminar os desperdícios que existem em qualquer hotel, como o excesso de iluminação ou o uso abusivo de equipamentos de frio. Temos mostrado aos nossos clientes outros caminhos sobre a forma como podem reduzir consumo e custos e, assim, tornarem-se mais competitivos”, afiançou Fernando Lamares. Afinal, o aumento das certificações ambientais está associado a uma questão de lucro ou preocupação? Para o responsável, hoje, os empresários vêem-se confrontados com as duas realidades. “Existe um conjunto de empresas que tem assumido essa preocupação ambiental. Mas, em tempos de crise, o investimento só no sentido de melhorar os impactos ambientais deixou de funcionar”, concluiu.


INTERNACIONALIZAÇÃO

Graça Cunha Coelho e Cândido Martins, Diretores Executivos da Cachapuz

Pontos de Vista Novembro 2012

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Cachapuz: o peso de uma história de sucesso Pioneira, líder e inovadora. Palavras soltas que descrevem a Cachapuz, uma empresa reconhecida não só pelo peso da sua tradição mas, sobretudo, pelo cunho inovador e diferenciador que coloca nos seus produtos. Mas mais do que equipamentos de pesagem, a empresa fornece soluções de software e automação. Foi em Braga que a Revista Pontos de Vista conversou com duas das forças motrizes da empresa: Graça Cunha Coelho e Cândido Martins.

F

Portefólio de produtos:

• Ponte-Básculas; • Plataformas de pesagem; • Células de carga e kits de pesagem; • Terminais eletrónicos; • Equipamentos de pesagem móvel e suspensa; • Diversas tipologias de balanças.

Em 2012, a Cachapuz recebeu o Prémio Excelência no Trabalho na categoria de médias empresas, setor indústria e energia, atribuído pela Heidrick & Struggels em parceria com o Económico e o ISCTE Business School.

Fotografia: Bruno Barbosa - Económico

oi em 1694 que a Cachapuz começou a construir um caminho que tem feito a diferença no sector da pesagem. O que começou com a comercialização de ferragens, cutelarias, armas e balanças arrancou, em 1934, para a atividade industrial, começando-se a produzir equipamentos de pesagem, como básculas e balanças. 1934 foi também marcante na medida em que a Cachapuz produziu a primeira ponte-báscula. Tem sido sempre com uma postura à frente do seu tempo que a empresa tem mantido a liderança no mercado interno dentro do sector da pesagem industrial. Quando se passa para um nível mundial, a referência é dada à casa mãe, a multinacional italiana Bilanciai, um dos maiores produtores internacionais de soluções de pesagem, que detém desde outubro do ano passado cem por cento do capital social da empresa. O grupo, criado em 1999, tem unidades distribuídas por todo o Mundo e cada marca e empresa representa e assegura a máxima qualidade em cada setor de atividade. A Cachapuz, por sua vez, cobre, essencialmente, o mercado português e os PALOP. Foi com orgulho que Graça Cunha Coelho e Cândido Martins, Diretores Executivos, nos abriram as portas da casa pela qual vestem a camisola todos os dias. Ao longo de toda a conversa, Cândido Martins fez questão de salientar o peso do passado desta organização. Numa altura em que são muitas as empresas que não resistem à crise, aqui respiram-se quatro séculos que impressionam. “A empresa conseguiu adaptar-se a novas realidades e paradigmas de mercado. Temos orgulho em afirmar, hoje, que somos uma empresa jovem, dinâmica e inovadora. Estamos a trabalhar o presente e a projetar o futuro. Se assim não fosse, a empresa já teria desaparecido”, garantiu o responsável. No momento em que comunicam para

Graça Cunha Coelho e Cândido Martins

o exterior, a Cachapuz faz um balanço entre a tradição e a inovação, duas das características que fazem parte do ADN da empresa. “Temos que agarrar em toda a nossa tradição e perceber que, ou estamos constantemente a inovar, ou vamos perdendo terreno face aos nossos concorrentes. Temos que estar sempre na linha da frente. Quem está do outro lado deve perceber que somos uma empresa com muita história e que continuamos a trabalhar numa perspetiva de melhoria contínua da nossa atividade”, defendeu Graça Cunha Coelho. É necessário investir e correr riscos, criando confiança nos serviços e produtos da empresa. Mais do que um cliente, quem aqui entra é um parceiro que será acompanhado pela Cachapuz ao longo de todo o seu crescimento. Daí que a empresa tenha como filosofia apostar de forma contínua em investigação e desenvolvimento.

Investigação e Desenvolvimento

Em 2002, a Cachapuz criou o Departamento de Engenharia e Inovação. Nascido de uma parceria mantida desde há duas décadas com a Universidade do Minho, este tem sido o resultado da aposta da empresa em inovação e concentra a sua atividade no desenvolvimento de soluções inovadoras destinadas à automatização

“A empresa conseguiu adaptar-se a novas realidades e paradigmas de mercado. Temos orgulho em afirmar, hoje, que somos uma empresa jovem, dinâmica e inovadora. Estamos a trabalhar o presente e a projetar o futuro” de processos para o sector industrial. Este investimento contínuo em I&D tem sido alvo da atenção de entidades externas, nomeadamente a COTEC que integrou a empresa na rede de PME inovadoras. Este caminhar de mãos dadas com instituições de ensino, apesar de hoje ser uma realidade muito comum, na década de 80 não o era. Foi nessa altura que começou a parceria entre a Cachapuz e a Universidade do Minho. A empresa continua a abrir horizontes, tendo já estabelecido um contacto com a Faculdade de Economia da Universidade do Porto para implementação de uma parceria na área da economia e gestão.

Todas as empresas precisam de pesar

A área da pesagem é transversal a todos os sectores de atividades mas poucos são os que se debruçam sobre este facto. Todas as empresas precisam de pesar, têm equipamentos de pesagem mas o

interesse pelo sector sempre foi muito escasso. Estando no momento a desenvolver um plano interno de marketing, a Cachapuz viu-se na necessidade de obter dados sobre o sector junto do Instituto Nacional de Estatística. Dados esses que não existem. Em Portugal, não existem estudos sobre esta temática. Já em Itália, como partilhou Graça Cunha Coelho, “existe uma base de dados com todas as empresas do sector. Todos sabem qual é o seu posicionamento no mercado e alimentam a base de dados porque percebem que têm mais-valias. Aqui não. Todos ocultam os seus valores e estamos de costas voltadas”, defendeu. O sector está sediado em Braga, com 85 por cento das empresas do sector lá localizadas. Poucos são aqueles que têm conhecimento desta realidade.

Atenta às oportunidades geradas pela crise

Como é que a Cachapuz está a gerir a crise no mercado interno e europeu? A resposta é certa: “estamos atentos”, garantiu Graça Cunha Coelho. Há muito que é sabido que a crise gera oportunidades. A Cachapuz está de olhos voltados para os sectores que, dentro do mercado interno, estão a crescer e para as empresas que, tendo apostado na internacionalização, continuam a investir no estrangeiro e a retirar grandes proveitos de mercados que pouco têm sentido o impacto desta conjuntura. Ao nível das soluções que disponibilizam, a postura continuará a mesma. “Olhamos, desde sempre, para o mercado global e não estamos dependentes nem do mercado interno nem do europeu. Queremos estimular a nossa comunicação para que a nossa mensagem chegue a todos os pontos e é só olhando para o global que podemos crescer”, asseverou Graça Cunha Coelho. A experiência internacional e os vastos anos de história dão a Cândido Martins outra visão, como disse Paul Pizer: “não podemos prever o futuro mas podemos criá-lo”.


INTERNACIONALIZAÇÃO

Multisector Innovation Consulting e a Internacionalização

Partilhar Informação com Valor Internacionalização parece ser a palavra de ordem nos dias que correm, embora este fenómeno e principalmente a sua iniciação envolva requisitos nem sempre ao alcance de todos, porque não basta internacionalizar apenas para «escapar» às agruras e dificuldades do mercado interno de onde se é natural. João Lacão, Diretor Geral da Multisector Innovation Consulting em Portugal e em Moçambique, deu a conhecer um pouco mais deste tema, a internacionalização, e revelou, entre outras coisas, que “todos os mercados possuem especificidades únicas que é necessário conhecer e saber como ultrapassar. A colaboração torna-se útil e interessante quando existe “informação com valor” para disponibilizar às empresas”, afirmou. Saiba mais e compreenda as razões que levam a Multisector Innovation Consulting a assumir-se como um parceiro de valor na dinâmica da internacionalização. De que forma a Multisector consegue ser o parceiro ideal das PMEs quando o objetivo é a internacionalização? Um conhecimento profundo dos mercados é essencial? Todos os mercados possuem especificidades únicas que é necessário conhecer e saber como ultrapassar. Assim, a colaboração torna-se útil e interessante quando existe “informação com valor” para disponibilizar às empresas. Neste âmbito, a Multisector (MS) está em Maputo, possibilitando a entrada das empresas neste mercado de forma ágil, célere e minimizando as surpresas aos Promotores. Em Angola e no Brasil, trabalhamos em parceria com consultores, que desempenham funções similares. Nesta altura de crise económica na Europa, há uma maior procura dos mercados lusófonos por parte das empresas nacionais? É sabido que nos países em vias de desenvolvimento as oportunidades de negócio são maiores do que nos países desenvolvidos (genericamente, países da OCDE). Estamos perante taxas de crescimento situadas entre os 7 e os 10%, enquanto nas economias desenvolvidas estas taxas decaem para um intervalo de 1 a2% ou, nos piores casos, para um crescimento nulo. Julgo ser este o principal fator, sendo também indissociável o “idioma” que possibilita uma comunicação na língua mãe. Os pedidos de apoio à internacionalização têm crescido? A consultoria ganha uma relevância acrescida nestas alturas? De facto os pedidos de apoio à internacionalização têm crescido nos últimos dois/três anos e a MS também tem desenvolvido ações de sensibilização para

da empresa mas na sua especialização (fatores diferenciadores dos produtos e serviços relativamente aos players do mercado), na forma de aproximação ao mercado e no dimensionamento da ação de internacionalização para a qual é necessário financiamento adequado. Da nossa experiência, os casos de insucesso da internacionalização deveram-se a um balanceamento desajustado destes três fatores, ainda que o financiamento seja normalmente o mais invocado.

João Lacão investimento em Moçambique. Pergunta-me porquê? Por três razões: devido à recessão económica (interna e da Europa – o nosso mercado natural) determinados setores de atividade dificilmente conseguirão “sobreviver” atuando apenas no mercado nacional; com a

“O problema não está na dimensão da empresa mas na sua especialização (fatores diferenciadores dos produtos e serviços relativamente aos players do mercado), na forma de aproximação ao mercado e no dimensionamento da ação de internacionalização para a qual é necessário financiamento adequado”

instalação de unidades industriais nestes mercados as empresas conseguem uma dupla vantagem – potenciar o seu know-how e contribuir para o desenvolvimento da economia local; estas ações possibilitam o crescimento da atividade da MS neste país inerente à prestação de serviços de consultoria de gestão. Acredita que existem oportunidades nos mercados externos para empresas de todas as dimensões ou para as mais pequenas os benefícios podem não justificar perante os riscos e custos de investimento? Quais as condições que uma empresa deve reunir para dar este passo?

Em termos gerais podemos dizer que a internacionalização pode ser bem-sucedida por micro, pequenas e médias empresas. O problema não está na dimensão

A Multisector vai, mais uma vez este ano, marcar presença no Fórum Portugal Exportador. Quais as expectativas que têm em relação ao mesmo e que mais-valias este poderá trazer à empresa? Direi que vamos partir do ponto ZERO. Em 2011, estivemos presentes, como expositores e nos cafés temáticos, com expectativa de conseguir apoiar empresas na internacionalização para Moçambique. Identificamos oportunidades, desenvolvemos todas as ações de acompanhamento e não conseguimos fechar nenhum negócio. Olhamos para o processo, sobre diferentes perspetivas e calendários, e não conseguimos uma justificação para o insucesso (não se tratou de preço). O facto é que nenhuma destas empresas avançou para este mercado. Entretanto, nos últimos dez meses, temos apoiado várias empresas a instalarem-se em Moçambique. Assim sendo, a nossa presença tem um objetivo único: disponibilizar informação sobre as oportunidades deste mercado às empresas portuguesas. Sendo a Multisector uma empresa que presta serviços de consultoria e encontrando-se numa fase de franca expansão no mercado moçambicano, este fórum constitui uma oportunidade da empresa mostrar o seu know-how às PMEs que queiram investir em Moçambique? Sim, iremos partilhar o conhecimento sobre o mercado Moçambicano, know-how adquirido ao longo de dois anos de trabalho de apoio à internacionalização de diversas empresas e no apoio às suas atividades operacionais. Entre 70 a 80 por cento de todas as ideias de investimento apresentadas à Sofid têm como destino Moçambique. Como é que se justificam estes valores?


Pontos de Vista Novembro 2012

“É sabido que nos países em vias de desenvolvimento as oportunidades de negócio são maiores do que nos países desenvolvidos (genericamente, países da OCDE). Estamos perante taxas de crescimento situadas entre os 7 e os 10%, enquanto nas economias desenvolvidas estas taxas decaem para um intervalo de 1 a 2% ou, nos piores casos, para um crescimento nulo. Julgo ser este o principal fator, sendo também indissociável o “idioma” que possibilita uma comunicação na língua mãe” Moçambique é atualmente a melhor opção para a grande parte das empresas portuguesas que queiram partir para a internacionalização? Considero que as empresas industriais de alguns setores – como é o caso dos materiais para a construção civil, indústria de bens de equipamento, etc. - estão em recessão profunda e necessitam de encontrar mercados alternativos. Quais? Olhando para os grandes consumidores destes materiais/equipamentos chegamos rapidamente aos países em vias de desenvolvimento. A legislação de apoio ao Investimento Direto Estrangeiro (IDE) de Moçambique, o fator idioma, o acolhimento da população local aos estrangeiros, a legislação do trabalho e a nossa ligação histórico-cultural justificam a eleição de Moçambique como o destino privilegiado da internacionalização portuguesa. Este é um mercado mais flexível para o investidor do que, por exemplo, o mercado angolano? Já apoiamos a internacionalização de empresas para Angola, pelo que conheço relativamente bem o mercado mas Moçambique é um país onde a entrada é mais facilitada, por diversas razões, tais como a legislação sobre IDE (sem investimento mínimo), obtenção de vistos de trabalho, atribuição de benefícios fiscais a determinadas atividades e a regularização do trabalho de expatriados.

Quais os setores de atividade onde há mais oportunidades para as empresas nacionais que queiram investir em Moçambique? Existem oportunidades para a maioria das atividades económicas. Na província

de Maputo começa-se a registar saturação em algumas atividades referentes a serviços às famílias e às empresas. Em contrapartida, as províncias de Tete, Sofala (Beira), Nampula (Nacala) e Cabo Delgado (Pemba) são as províncias que atualmente registam maior dinamismo económico, induzidos pela exploração de minérios, gás natural e petróleo e da criação das infraestruturas para escoamento destas matérias-primas aos mercados internacionais. Para dar alguns exemplos, indicaria a agricultura, a produção animal e as agroindústrias associadas. Ainda no setor industrial, toda a produção de materiais para a construção, bens de equipamento (alfaias, máquinas para trabalhar madeira, metais e equipamentos de transporte). No segmento do turismo de negócios, há necessidade de unidades de alojamento e restauração, com retorno de investimento no curto prazo (se localizadas nos polos de desenvolvimento mencionados). Já no segmento do turismo de lazer, a perspetiva de retorno será de médio-longo prazo. Na componente de serviços às empresas estas refletem-se em investimentos fáceis de concretizar (entre 3 a 6 meses tem-se uma unidade operacional) para as quais se recomenda uma análise específica (localização e especialização), dado que todas as semanas estão a chegar ao país investidores dos 5 continentes. Que recomendações quer deixar aos empresários com intenções de partir para a internacionalização no mercado moçambicano? Primeiro um alerta: Moçambique não é um mercado fácil, seja qual for o segmento de atividade. Portanto, nada de

“Iremos partilhar o conhecimento sobre o mercado Moçambicano, know-how adquirido ao longo de dois anos de trabalho de apoio à internacionalização de diversas empresas e no apoio às suas atividades operacionais”

facilitismo, é necessário muita dedicação e trabalho. Como tal, recomendo a definição de um plano de aproximação ao mercado e validação da oportunidade do negócio que deverá contemplar: i) Análise dos estudos disponíveis na literatura sobre Moçambique (generalistas e/ou sectoriais). Importa que estejam atualizados (menos de 2 anos); ii) Deslocação ao mercado, com uma permanência mínima de 10 dias, para análise in loco do mercado de modo a validar toda a informação compilada. Fazer esta visita com preparação prévia e acompanhada por conhecedores

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do mercado é uma mais-valia (neste âmbito, permita-me referir o nosso serviço “Par & Passo” onde prestamos este apoio às empresas); iii) Definição de um Plano de Negócios (caracterizador do IDE) e regularizar o investimento junto do Governo Moçambicano (CPI); iv) Proceder à implementação do Plano de Negócios de acordo com o definido por um período de 12 meses. É importante esta disciplina, porque todas as semanas será assediado com a oferta de negócios complementares e perde-se muito tempo.


QREN 2007-2013

Helena Azevedo, Presidente da Comissão Diretiva do POVT, afirma,

“O balanço da atuação do POVT é muito positivo”

Helena Azevedo O POVT aprovou no primeiro semestre deste ano 672 projetos que envolvem um investimento total elegível de 3,9 mil milhões de euros e a atribuição de um total de fundos comunitários que ascende a 2,9 mil milhões de euros. Qual a análise que faz destes valores comparativamente aos anos anteriores do programa? Os números indicados correspondem a valores acumulados à data de 30 de junho de 2012. Neste momento, o volume total de investimento aprovado pelo POVT desde o início do QREN ascende a 4,5 mil milhões de euros, beneficiando de um financiamento comunitário de 3,1 mil milhões de euros, o que corresponde à absorção de 72 % do financiamento total do POVT para o período 2007 – 2013 (4,3 mil milhões de euros), o que significa que o volume de fundos que se encontra ainda disponível para a aprovação de novos projetos ascende a 1,2 milhões de euros. A aprovação de projetos tem sido regular ao longo do período de execução do Programa, com maior relevância para o período de 2009 a 2011. O primeiro semestre de 2012 registou um baixo nível de aprovações, tendo sido essencialmente marcado pela preparação da reprogramação estratégica do Programa e do QREN, assim como pela revisão dos projetos aprovados, tendo por objetivo libertar fundos que se encontravam comprometidos com projetos aprovados e que não reuniram condições de execução.

Dos seis eixos prioritários do POVT qual aquele que tem, no momento, merecido maior destaque na agenda do programa e que considera absolutamente estratégico para o país? Em que eixos Portugal tem mais carências estruturais? O POVT tem três grandes domínios estratégicos da maior relevância para colmatar as carências estruturais que

O grande desiderato estratégico assumido pelo QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional para o período 2007-2013, no qual o POVT – Programa Operacional Temático Valorização do Território se insere, centra-se na superação de um conjunto significativo de constrangimentos ao desenvolvimento económico e social do país cuja ultrapassagem é essencial para a criação de condições propícias ao crescimento e emprego, apostando na qualificação dos portugueses, na promoção de elevados e sustentados níveis de competitividade económica e na qualificação do território. Sobre estes e outros assuntos, a Revista Pontos de Vista conversou com Helena Azevedo, Presidente da Comissão Diretiva do Programa Operacional Temático Valorização do Território – POVT, onde ficamos a conhecer mais sobre a relevância deste programa e a importância do mesmo para o nosso país, até porque o balanço da atuação do POVT é muito positivo quer pelos resultados já alcançados quer pelos que se encontram previstos até ao final de 2015.

o país ainda regista, quer no continente quer nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira, em especial no domínio das infraestruturas que visam a melhoria da qualidade do meio ambiente e dos serviços ambientais prestados aos cidadãos, quer no âmbito das redes e sistemas de abastecimento de água e de tratamento de águas residuais, quer no domínio das infraestruturas que visam melhorar os níveis de tratamento e de valorização de resíduos urbanos, com o objetivo de reduzir os níveis de deposição de resíduos em aterro. Por outro lado o POVT assume também uma intervenção muito relevante no domínio do reforço das condições de prevenção e gestão de riscos naturais e tecnológicos que ameaçam o território, quer através da infraestruturação das principais entidades e agentes que atuam na prevenção e gestão de riscos, sobretudo no que respeita a incêndios e inundações, nomeadamente as Autoridades Nacionais e as Associações Humanitárias de Bombeiros, quer através de investimentos que visam a redução das vulnerabilidades das zonas costeiras mais ameaçadas por perigos de derrocada de arribas e fenómenos de invasão marítima que ameaçam as populações. O POVT tem assumido ainda um papel preponderante no financiamento do Programa de Modernização das Escolas com Ensino

Secundário, através do qual estamos a apoiar a recuperação, modernização e equipamento de 82 escolas nas três regiões convergência do continente, o que é suscetível de proporcionar melhores condições de ensino e bem-estar para os cerca de 100 mil alunos que beneficiam da modernização destas escolas. Por último o POVT tem vindo também a apoiar investimentos relevantes na área dos Transportes, nomeadamente os que visam a modernização dos principais portos nacionais e respetivas infraestruturas de acesso terrestre (ferroviário e rodoviário) e marítimo.

De que forma os constrangimentos económicos do país têm sido sentidos na aplicação do programa? Os constrangimentos financeiros que o país tem atravessado têm efetivamente condicionado a aplicação do Programa, provocando essencialmente uma realização mais lenta dos projetos aprovados e o cancelamento de projetos sem execução, em resultado das restrições da capacidade financeira das principais entidades responsáveis pela execução dos projetos de investimento nas áreas abrangidas pelo Programa, tendo em conta que o POVT é um Programa especialmente vocacionado para o investimento público. Tais constrangimentos foram inclusive relevantes para as re-

“O POVT tem assumido ainda um papel preponderante no financiamento do Programa de Modernização das Escolas com Ensino Secundário, através do qual estamos a apoiar a recuperação, modernização e equipamento de 82 escolas nas três regiões convergência do continente, o que é suscetível de proporcionar melhores condições de ensino e bem-estar para os cerca de 100 mil alunos que beneficiam da modernização destas escolas”

programações do POVT aprovadas em 2011 e 2012, no âmbito das quais foram feitos ajustamentos importantes à programação inicial, incluindo a supressão do financiamento de projetos com elevada alocação inicial de fundos, como é o caso do Novo Aeroporto de Lisboa e da Rede Ferroviária de Alta Velocidade. De qualquer forma, estes constrangimentos têm vindo a ser colmatados ou minimizados através de medidas facilitadoras da execução e de redução do esforço dos beneficiários na contrapartida nacional, como é o caso do aumento das taxas de comparticipação comunitária para 85%, da introdução do mecanismo de adiantamento “Top-up” que permite que, durante a fase de execução dos projetos, os pagamentos de fundos comunitários sejam feitos à taxa de 95%, e dos empréstimos no âmbito do “Empréstimo Quadro do BEI” para a contrapartida nacional. Na sua opinião, os apoios financeiros bancários são suficientes para que as entidades executoras de projetos de investimento público consigam executar os projetos? Têm vindo a ser sentidas dificuldades no financiamento da contrapartida nacional dos projetos que são candidatados ao POVT, quer por redução de disponibilidades orçamentais quer por dificuldades na obtenção de fontes de financiamento bancário, devidas ao contexto atual. Estas dificuldades têm estado na origem de diversas reprogramações financeiras e no cancelamento de operações que se encontravam aprovadas e que não evidenciaram condições de execução. No entanto, estas dificuldades têm vindo a ser colmatadas ou minimizadas através de medidas facilitadoras da execução e de redução do esforço dos beneficiários na contrapartida nacional, já referidas anteriormente.


Pontos de Vista Novembro 2012

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A disponibilização de fundos comunitários para intervenção e investimento em áreas fundamentais assume uma relevância acrescida no momento atual? De que forma estes fundos podem ajudar Portugal a sair da crise? No atual contexto de escassez de fontes de financiamento, a disponibilização

“No atual contexto de escassez de fontes de financiamento, a disponibilização de fundos comunitários para o financiamento de projetos de qualidade e sustentáveis, em áreas fundamentais, é essencial para manter o nível de investimento de que o país carece”

de fundos comunitários para o financiamento de projetos de qualidade e sustentáveis, em áreas fundamentais, é essencial para manter o nível de investimento de que o país carece.

Os apoios comunitários têm sido bem aproveitados pelo país? Os apoios comunitários têm ajudado a alterar profundamente a situação e as capacidades do país, através de uma valorização sem precedentes do potencial humano, da criação de infraestruturas públicas essenciais à população e às empresas e da melhoria dos fatores de competitividade da economia.

No final do ano passado foi aprovada pela Comissão Europeia a reprogramação do POVT. Quais as principais alterações introduzidas no programa? Quais vantagens trazidas por esta reprogramação? A reprogramação do POVT aprovada no final de 2011 inscreveu-se no âmbito mais lato da reprogramação do QREN. As principais alterações introduzidas consistiram no aumento da taxa de comparticipação comunitária programada (para 85%) e na transição de tipologias de investimento e de projetos entre Programas Operacionais e entre Fundos comunitários (de FEDER para Fundo e Coesão) que visaram uma maior coerência na intervenção de cada Programa e uma absorção mais equilibrada dos fundos comunitários, aumentando a execução do Fundo de Coesão. Neste âmbito, foi aprovada a transição dos Programas Operacionais Regionais para o POVT da intervenção nos domínios do ambiente e da prevenção e gestão de riscos. Com a reprogramação há menos projetos a ser aprovados mas aqueles que são obtêm uma maior fatia do fundo? Tendo em conta que na reprogramação foi aprovado o aumento das taxas de comparticipação comunitária programadas nos diversos Eixos Prioritários do POVT, que passaram de 70% para 85%, pode dizer-se haverá um aumento do cofinanciamento de cada um dos projetos aprovados e por conseguinte uma menor disponibilidade de fundos para novos projetos. No entanto, por outro lado, com reprogramação verificou-se também um alargamento das tipologias de intervenção do POVT no domínio do ambiente que anteriormente eram financiadas pelos Programas Operacionais Regionais (intervenções no âmbito do Ciclo Urbano da Água, Valorização de Resíduos, e Prevenção e Gestão de

Quais os principais projetos que o POVT tem a cargo no reforço à internacionalização e à competitividade da economia nacional? O POVT tem enquadramento na Agenda da Valorização do Território do QREN, pelo que os seus objetivos estratégicos não visam diretamente a internacionalização e a competitividade da economia nacional, mas sim a criação de melhores condições para que o território nacional possa promover uma economia mais competitiva, integrada e aberta, através do reforço da conectividade nacional internacional da rede de transportes e da redução a situação periférica do país (investimentos ferroviários, portuários e rodoviários), da valorização dos territórios mais competitivos e de uma organização mais policêntrica do sistema urbano (modernização de infraestruturas de ensino secundário e superior, criação de equipamentos coletivos estruturantes nos principais centros urbanos), da preservação ambiental do território, através do qualificação e completamento dos serviços de abastecimento de água e de saneamento e de valorização de resíduos urbanos, bem como da melhoria das condições de preservação do território, através da redução dos fatores de risco naturais e tecnológicos que o ameaçam, nomeadamente no âmbito da orla costeira e incêndios.

Têm vindo a ser sentidas dificuldades no financiamento da contrapartida nacional dos projetos que são candidatados ao POVT, quer por redução de disponibilidades orçamentais quer por dificuldades na obtenção de fontes de financiamento bancário, devidas ao contexto atual. Estas dificuldades têm estado na origem de diversas reprogramações financeiras e no cancelamento de operações que se encontravam aprovadas e que não evidenciaram condições de execução

Riscos), o que veio alargar bastante o número e diversidade dos projetos cofinanciados pelo POVT. Relativamente à recente reprogramação estratégica do QREN, que vantagens incidirão sobre a POVT? Com a presente reprogramação do POVT visou-se essencialmente a reorientação das prioridades de intervenção do Fundo de Coesão para projetos de infraestruturas às condições de concretização física e financeira dos investimentos públicos, com reorientação do Fundo de Coesão para investimentos na área ambiental, privilegiando investimentos de elevada maturidade e com garantias de forte execução nos próximos anos, sobretudo até final de 2013. Associado a esta reorientação, inclui-se o reforço de financiamento nos eixos destinados às Regiões Autónomas, tendo em vista assegurara o apoio ao reordenamento das ribeiras na Região Autónoma da Madeira e o apoio a investimentos no tratamento e valorização de resíduos sólidos na Região Autónoma dos Açores.

Há vozes críticas em relação a esta reprogramação segundo as quais deveriam ter sido afetas mais verbas ao Compete, uma vez que, segundo as mesmas, o investimento em empresas é aquele que verdadeiramente cria riqueza e trabalho, enquanto as verbas para o POVT não são produtivas. Que comentários lhe merece esta crítica? O POVT é um dos principais criadores de riqueza e trabalho do país através das obras lançadas e do desenvolvimento do mesmo? O financiamento do POVT é muito relevante para o investimento público no território do continente e Regiões Autónomas dos Açores e Madeira, alavancando um volume global de inves-

timento superior a 5,1 mil milhões de euros até 2015, em áreas essenciais, que integram os projetos mais relevantes e de maior dimensão no país no domínio dos transportes e do ambiente (através do Fundo de Coesão) e no domínio das infraestruturas de ensino secundário e superior e de outros equipamentos coletivos relevantes para o desenvolvimento urbano. Por outro lado, o POVT é um Programa que contribui de forma significativa para a criação e manutenção de postos de trabalho, prevendo-se um total de cerca de 3.000 postos de trabalho criados e a criar no âmbito dos projetos aprovados por este Programa. É de salientar que a maior parcela de fundos comunitários previsto no POVT (3 mil milhões de euros) corresponde a Fundo de Coesão, cuja aplicação obedece a regras específicas previstas no respetivo regulamento comunitário, que só permite a sua utilização para projetos no âmbito dos transportes e do ambiente. Quais serão as linhas estratégicas de intervenção do POVT para o próximo ano? O próximo ano deverá ser marcado pela conclusão das aprovações de candidaturas apresentadas ao POVT e pelo aumento acentuado da execução financeira dos projetos aprovados, em linha com o planeamento financeiro do POVT e de modo a cumprir com as metas comunitárias fixadas.

A pouco mais de um ano do final da estratégia do QREN para o período 200713, qual o balanço que faz da atuação do POVT? O balanço da atuação do POVT é muito positivo quer pelos resultados já alcançados quer pelos que se encontram previstos até ao final de 2015.


2012 – A Saúde em Portugal – Doenças Respiratórias

Doenças respiratórias

Programa nacional quer baixar em 10% taxa de internamento A redução em dez por cento (%) da taxa de internamento por doenças respiratórias crónicas até 2016 e a diminuição em 2% da morbilidade e mortalidade associadas a estas patologias são objetivos do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias (PNDR).

Dia Mundial da Pneumonia 2012

No dia 12 de novembro assinalou-se mais um Dia Mundial da Pneumonia, promovido desde 2009 pela Global Coalition against Child Pneumonia, uma rede internacional que abrange mais de 140 entidades governamentais e ONG`s, instituições académicas e de investigação, fundações e organizações locais. «Lutar contra a Pneumonia. Salvar uma Criança» foi o lema do Dia Mundial da Pneumonia, doença denominada pela UNICEF como o «assassino esquecido das crianças».

A

Direção-geral da Saúde colocou em consulta pública, até 09 de julho, oito programas nacionais, entre os quais o PDNR, que definem metas e objetivos a atingir em áreas como o tabagismo, diabetes, sida, doenças cérebro-cardiovasculares, doenças oncológicas, saúde mental e promoção da alimentação saudável. Em Portugal, as doenças respiratórias continuam a ser uma das principais causas de morbilidade e mortalidade, com tendência clara para o aumento da sua prevalência, ao contrário do que acontece com as doenças cardiovasculares. Estas doenças atingem cerca de 40% da população portuguesa, calculando-se uma prevalência de 10% para a asma, de 25% para a rinite e 14,2% para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) em pessoas com mais de 40 anos. “O cenário atual de crise económica mundial é também promotor de um aumento das doenças respiratórias crónicas. Efetivamente, em quase todos os países, as pessoas mais pobres são as que maior risco correm de desenvolver doenças respiratórias crónicas”, refere o documento. Um dos objetivos traçados no programa é reduzir a carga destas doenças, melhorando a acessibilidade dos doentes respiratórios à prestação de cuidados de saúde mediante a elaboração e implementação de uma rede de referenciação para estas doenças. “Contribuir para a precocidade no diagnóstico, nomeadamente, aumentar em 30% acessibilidade às espirometrias nos cuidados de saúde primários” e

“melhorar a eficiência do sistema de prescrição”, alargando em 50% a prescrição por via eletrónica de cuidados respiratórios domiciliários são outras metas do programa. Já o Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo estabelece como meta a redução em, pelo menos, 2% da prevalência do consumo de tabaco diário ou ocasional na população com mais de 15 anos. Diminuir de 5,5% para 4% a percentagem de jovens de 13 anos que refere ter fumado nos últimos 30 dias e baixar de 43% para menos de 40% a percentagem de jovens de 16 anos que admite já ter fumado alguma vez são outros objetivos do programa. O programa pretende ainda garantir a oferta de consultas de apoio intensivo à cessação tabágica em 100% nos Agrupamentos dos Centros de Saúde (ACES) e Unidades Locais de Saúde (ULS) até final de 2013 e reforçar a intervenção da Linha Saúde 24 na cessação tabágica até 2015. Também em consulta pública está o Programa Nacional para as Doenças Cérebro-Cardiovasculares, que estabelece como metas até 2016 reduzir a mortalidade por doença do aparelho circulatório em um por cento e diminuir a mortalidade intra-hospitalar global por enfarte agudo do miocárdio para 8% e por acidente vascular cerebral para 13%. Estas patologias continuam a ser a principal causa de mortalidade em Portugal, tal como na Europa, apesar da tendência constante de decréscimo verificada nos últimos anos. Fonte: RCM Pharma

Dia Mundial da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) 2012 O Dia Mundial da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) 2012, assinalou-se no passado dia 14 de novembro. Promovido, a nível mundial, pela Global Initiative for Chronic Obstrutive Lung Disease (GOLD), o Dia Mundial da DPOC esteve este ano subordinado ao tema: «Não é Demasiado Tarde». A escolha desta mensagem positiva visou dar ênfase às ações significativas que as pessoas podem levar a cabo para melhorar a sua saúde respiratória, seja antes ou após o diagnóstico de DPOC.

Linde Healthcare presta cuidados respiratórios domiciliários de alta qualidade Os cuidados respiratórios domiciliários englobam terapias como a oxigenoterapia, ventiloterapia e aerossolterapia que permitem que doenças como Síndrome Apneia do sono, DPOC- Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica e outras patologias respiratórias, sejam tratadas em casa. A Linde Healthcare presta serviços de alta qualidade que se traduzem em elevados níveis de eficiência para os sistemas de saúde.

Dia Mundial do Não Fumador

O Dia Mundial do Não Fumador comemora-se anualmente a 17 de outubro. Visa sensibilizar as populações para os fatores de risco associados ao consumo de tabaco e as formas mais eficazes para deixar de fumar. NÃO FUME, PELA SUA SAÚDE (E PELA SAÚDE DOS OUTROS)! Os hábitos tabágicos são a principal causa de 85% dos casos de DPOC em todo o mundo e, em Portugal, o tabaco é responsável por 61,3% da perda de qualidade de vida/anos de vida, como consequência direta da DPOC. O tabagismo está intimamente relacionado com o Cancro de Pulmão. O Cancro de Pulmão é a terceira doença oncológica com maior taxa de incidência, depois do cancro da mama e da próstata.


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2012 – A Saúde em Portugal – Envelhecimento

Sónia Serrão, Coordenadora Clínica Navegantes Oeiras

Projeto de vida Sénior – Abordagem multidisciplinar A vida humana é sem dúvida um constante diálogo entre o eu e a circunstância, os contextos, as relações, na infância fala-se de períodos ideais de aprendizagem e de desenvolvimento, na adolescência são as mudanças de papéis e crises de identidade, na idade adulta surgem os dilemas do trabalho versus família e depois como é?

E

is chegados à idade vulgarmente conhecida como Idade da Sabedoria, ora chegados a esta fase, carregando na bagagem um universo de experiências e vivências é etapa ideal de balanço, mas também de ação e de crescimento. É tempo ainda de sentir, descobrir, conhecer e mesmo de reinventar e recriar novos modos de satisfação e gratificação pessoal e continuar a realizar o projeto de vida. Fala-se e investe-se em meios de prolongar a vida, mas é urgente pensar em estratégias e formas de prolongar a vida com garantias de bem-estar e qualidade de vida, apoiar os Séniores na realização do seu projeto de vida, implicando de forma ativa as pessoas no seu projeto e permitir o protagonismo na sua história. O processo de envelhecimento é inevitável, natural, universal, mas também particular, ninguém envelhece do mesmo modo, uma vez que neste processo multifacetado estão implicados uma diversidade de fatores de natureza distinta que concorrem e condicionam o modo como este processo ocorre e é vivido. Trata-se sem dúvida de uma etapa de

adaptação, lidar com eventuais perdas de autonomia, doenças e muitos outros fatores que têm um impacto significativo no sentimento de satisfação com a vida. Mas é também etapa de animação, sinónimo de vida, de atividade, de necessidade de estimulação física, mental, afetiva e social. É altura também de apostar no desenvolvimento pessoal, na promoção de competências e capacidades e inevitavelmente na prevenção. De facto, a prevenção não pode ser reservada para outras fases do ciclo de vida, é essencial uma abordagem ancorada na prevenção, em intervenções preventivas que potenciem a qualidade de vida dos Séniores e que colaborem na minimização das consequências do processo de envelhecimento. É necessário Cuidar, numa dimensão de cuidado que contempla a arqueologia do ser com o outro, as relações, a necessidade de aprendizagem e de experiências, de sentimentos de utilidade e de promoção da autoestima. O grande desafio está precisamente em perspetivar este processo universal e particular que é o envelhecimento em todas as suas dimensões, sem nun-

Portugal Maior 2012 – Encontro Internacional para o Envelhecimento Ativo A AIP- Feiras, Congressos e Eventos vai organizar de 5 a 9 de dezembro de 2012 o Portugal Maior – Encontro Internacional para o Envelhecimento Ativo. Realizado em parceria com a Escola Superior de Educação João de Deus, no âmbito da licenciatura de Gerontologia Social, este Encontro é composto por 2 eventos: • Salão Internacional para o Envelhecimento Ativo; • 1º Congresso Internacional de Geriatria e Gerontologia. O projeto Portugal Maior surge como resposta ao grande desafio que é a mudança da pirâmide etária, e a consequente necessidade de responder aos desafios da longevidade, criando oportunidades para uma participação ativa de todos - entidades oficiais, organizações, sociedade civil, empresas e famílias. Assim, o Portugal Maior pretende reunir num espaço único empresas, técnicos e entidades com o objetivo de apresentar a maior diversidade de recursos, ajudas técnicas, bens e serviços direcionados para esta classe, promovendo em simultâneo com a exposição, a discussão técnica com profissionais de renome através da realização de dois congressos internacionais.

”É necessário Cuidar, numa dimensão de cuidado que contempla a arqueologia do ser com o outro, as relações, a necessidade de aprendizagem e de experiências, de sentimentos de utilidade e de promoção da autoestima” ca perder de vista a individualidade e identidade e apostar numa abordagem preventiva, multidisciplinar que encare cada pessoa na sua multiplicidade. É precisamente este diálogo entre as várias áreas da Saúde que servirá de veículo de excelência para a promoção da qualidade de vida dos Séniores, apostando numa abordagem que contempla simultaneamente: Pessoa – Com a sua história, ganhos e perdas, capacidades, potenciais e necessidades Prevenção - identificar fatores de risco, intervenções preventivas que reduzam a vulnerabilidade a determinadas patologias Promoção - De competências, de funcionalidade, de capacidades, de experiências gratificantes. A memória humana é de facto um património inigualável, regista experiências, conhecimentos, aprendizagens que devem ser preservadas, mas é também essencial pensar o presente, romper com a solidão e apatia, exercer novos papéis sociais, gerar novos modos de participação, criar espaços e oportunidades onde cada um possa ser ouvido, valorizado e estimulado nas suas capacidades. Na verdade, ações e intervenções preventivas constituem muitas vezes a vacina ideal para evitar muitos quadros e patologias que surgem regra geral nesta fase do ciclo de vida. A reabilitação é fundamental, mas é necessário e urgente apostar na prevenção e na promoção, de forma a não deixar que as incapacidades inerentes a esta fase do ciclo de vida nos impeçam de reconhecer ainda as potencialidades e habilidades. O Projeto de Vida Sénior é o rosto, o espelho das necessidades, expetativas e potenciais de cada idoso, um elemento que deve ser de certo modo a bussola, um guia do próprio Idoso, da família, dos profissionais. Na verdade, ancorados com este elemento essencial é possível continuar a promover Instituições Positivas, Pessoas Felizes e garantir um verdadeiro compromisso com a Vida,

numa etapa em que ainda muitas escolhas estão por fazer e muitas experiências por Viver.

Prevenção e Reabilitação na Terceira Idade - o diálogo

”À medida que a medicina moderna acrescenta anos à vida, a reabilitação torna-se cada vez mais necessária para acrescentar Vida a esses anos“ Goethe O processo de envelhecimento é marcado por uma multiplicidade de transformações, é o corpo que muda, os sinais dessa mudança, no cabelo, no rosto, é a imagem física e psicológica, a doença, a identidade, as capacidades, as emoções, as limitações, a depressão, muitas vezes a solidão e inevitavelmente a sensação da proximidade da morte. Falar de qualidade de vida nesta etapa do ciclo de vida é implicitamente remeter para as questões de autonomia, funcionalidade e independência. O sentimento de satisfação com a vida, a perceção subjetiva de qualidade de vida nos Idosos está pois intimamente relacionada com a sensação de controlo sobre a vida, a sua autonomia e inevitavelmente a sua funcionalidade. Um dos grandes focos e indicadores de saúde, bem-estar e qualidade de vida nesta fase é precisamente o grau de funcionalidade do Idoso, a sua autonomia, ou seja, a capacidade funcional para realizar ações e atividades do seu quotidiano e naturalmente o seu grau de independência, isto é, a sua competência para realizar algo com os seus próprios meios e recursos. O sentimento de satisfação com a vida, a sensação de que se vive uma Vida que vale a pena é percecionado pelo Idoso com base também na sua capacidade de realizar as atividades de vida diária que incluem nomeadamente a sua higiene pessoal, a alimentação, o vestir, entre outras, assim como a sua competência para realizar as atividades instrumentais de vida diária, indicadoras da capacidade de viver sozinho e na comunidade, por exemplo a realização de atividades do-


mésticas, ir às compras, participar como ser social no seio de uma comunidade. Neste sentido é fácil concluir que o prolongamento da vida, o aumento da esperança média de vida envolve um conjunto de desafios e novas atitudes, inovadoras, sensibilizadoras, dinâmicas e sobretudo urgentes. Por um lado, é imperativo mais do que incluir nos discursos quotidianos e nas regulamentações, o termo Prevenção, é essencial praticá-la, promovê-la e implementá-la, apesar das profundas mudanças neste âmbito, de mentalidades, de estratégias e procedimentos muito se pode ainda fazer. Na verdade, intervenções preventivas nesta etapa da vida pautadas por uma abordagem global, multidimensional e interdisciplinar são essenciais para reduzir a vulnerabilidade à doença, atenuar custos com recursos e serviços de saúde e naturalmente e sobretudo para aliviar o sofrimento, promover a qualidade de vida e realizar de forma efetiva um dos maiores desafios deste século, o Envelhecimento Ativo. Apesar do processo de envelhecimento ser universal, é também particular, o que significa que ninguém envelhece do mesmo modo, contudo é natural que esta seja a fase da vida em que as doenças crónicas, as limitações físicas e funcionais, as perdas progressivas de competências sejam mais evidentes e daí naturalmente também a necessidade crescente nesta fase do apoio e suporte social. Na realidade, a diminuição da capacidade funcional dos Idosos torna-os mais dependentes não só da família, mas inevitavelmente de níveis e serviços mais complexos de assistência de saúde. Apostar na prevenção e reabilita-

ção tem de ser por todos estes motivos uma realidade, o diagnóstico precoce, o acompanhamento periódico e sistemático, a monotorização, a antecipação e claro a prevenção são os alicerces de uma nova atitude que valoriza a Pessoa e intervém de forma direta no processo saúde/doença. A avaliação multidimensional do Idoso é por isso fundamental e imprescindível, conhecer o seu funcionamento global, a sua capacidade funcional, o seu nível de independência, o seu estado mental, o seu humor, as suas competências cognitivas, as suas habilidades de comunicação. É com este ponto de partida que se tornam possíveis ações e intervenções preventivas e de reabilitação ajustadas às necessidades de cada um, criando e implementando um plano de cuidados capaz de antecipar, reabilitar, promover, retardar. Na verdade, a íntima relação e associação Envelhecimento/Dependência e Hospitalização pode ser atenuada com práticas fundamentadas na Prevenção, na deteção precoce, na atuação de equipas multidisciplinares capazes de trabalhar em rede e parceria, com as famílias, com os cuidadores formais e informais e com outras estruturas da sociedade. Para que tudo isto se torne um cenário real, é imprescindível que existam vínculos entre os vários atores de todo este processo, comunicação, complementaridade e sobretudo diálogo traduzido e espelhado em ações práticas de cooperação e sensibilização para uma abordagem multidimensional e pluridisciplinar que garanta que os anos vividos a mais que a medicina tornou possível sejam anos de Vida e Saúde, aliança inseparável.

Expo Idade do Saber - Vidas Ativas, Vidas Saudáveis Nos dias 30 de novembro e 1 de dezembro terá lugar, na Exponor, o primeiro Salão de Saúde, Turismo e Bem-Estar para Séniores intitulado: «Expo Idade do Saber - Vidas Ativas, Vidas Saudáveis». O programa da feira inclui a realização de workshops sobre temas como aprender a preparar refeições rápidas e saudáveis ou como defender-se dos burlões. A sexualidade depois dos 50, como poupar nos dias de hoje ou as regras básicas das redes sociais são tópicos de algumas das palestras e conferências.


OPINIÃO 2012 – A Saúde em Portugal

Telma Valente, Gestora de Produto da Fresenius Kabi Pharma Portugal, Lda.

Desnutrição Na última década, verificou-se um aumento das atenções da população comunitária e técnicos de saúde nos distúrbios da alimentação, acompanhado pelo desenvolvimento de fórmulas “milagrosas” como soluções para a correção de hábitos alimentares e estilos de vida desequilibrados que desencadeiam situações de estados de excesso de peso e de obesidade. Simultânea e discretamente, porém, vem-se acentuando uma outra realidade que deve merecer a nossa atenção e que carece de soluções eficazes, a da magreza associada à desnutrição.

Nos indivíduos diabéticos é muito comum encontrarmos casos com extrema dificuldade em cicatrização de feridas e mesmo úlceras de pressão, essencialmente por causa da menor capilaridade sanguínea característica desta patologia

D

e acordo com um conjunto significativo de estudos científicos, a população comunitária pode sofrer de algum grau de desnutrição e 1 em cada 3 dos idosos que vivem independentemente na comunidade estão em risco de desnutrição. A esta realidade acresce um outro fator prejudicial e que se prende com o facto de, em muitos dos casos, o próprio indivíduo não ter conhecimento do seu real estado de nutrição, encontrando-se simultaneamente desprovido de qualquer conhecimento para o corrigir. Um dos principais fatores que desencadeia a desnutrição reside na dificuldade em ingerir alimentos, seja esta devida à falta de apetite, a perturbações na mastigação e na deglutição ou a obstruções no tubo digestivo. Estas complicações conduzem, por seu lado, a um aporte deficitário de nutrientes energéticos, nomeadamente proteicos e micronutrientes, que originam o estado de desnutrição. A desnutrição desencadeia, por outro

lado, perda de peso involuntária, devido essencialmente à perda de massa muscular. Fatores como o envelhecimento, o isolamento e a depressão estão associados a uma predisposição do risco de desnutrição, muito comuns na população idosa. É igualmente sabido que a doença também afeta a diminuição da ingestão alimentar, origina má absorção, perda de nutrientes e o aumento do metabolismo basal o qual, se muito elevado e não compensado, resultará num estado hipercatabólico. A desnutrição pode, pois, constituir um estado grave, que implica diretamente com fragilidade perda de qualidade de vida de idoso. Os primeiros sinais podem manifestar-se através do cansaço e fadiga muscular, os quais, quando agravados ou associados à doença, contribuem para a morbilidade e mortalidade. Deve, pois, distinguir-se do termo “malnutrição”, que significa que apenas existe um desequilíbrio, quer por excesso ou quer por defeito, de macro e micro nutrientes. Estudos recentes demonstram que a

“A desnutrição pode, pois, constituir um estado grave, que implica diretamente com fragilidade perda de qualidade de vida de idoso. Os primeiros sinais podem manifestar-se através do cansaço e fadiga muscular, os quais, quando agravados ou associados à doença, contribuem para a morbilidade e mortalidade. Deve, pois, distinguir-se do termo “malnutrição”, que significa que apenas existe um desequilíbrio, quer por excesso ou quer por defeito, de macro e micro nutrientes”

percentagem de indivíduos já desnutridos aquando admitidos a nível hospitalar se situa entre os 30 e 60%. Estes dados apontam para o facto de a atual alimentação do doente em regime ambulatório não fornecer o aporte nutricional adequado. Dito de outra forma, muitas das causas da desnutrição ocorrem antes da admissão hospitalar, ainda em regime ambulatório. Acresce, por outro lado, que em ambiente hospitalar os obstáculos que o indivíduo desnutrido encontra são de difícil superação. O facto de se encontrar predisposto a infeções e a dificuldade em cicatrização são características que prolongam o tempo de internamento. Nos indivíduos diabéticos é muito comum encontrarmos casos com extrema dificuldade em cicatrização de feridas e mesmo úlceras de pressão, essencialmente por causa da menor capilaridade sanguínea característica desta patologia. Esta realidade é agravada pelo facto de 80% dos indivíduos desnutridos perderem mais peso durante o internamento hospitalar, e também pelo facto da dieta específica para o doente diabético ser restritiva tornando difícil

obter todos os nutrientes essenciais para a cicatrização. Deverá, pois, ser devidamente equacionado que o sistema imunitário dificilmente consegue superar os meios hospitalares, sendo por conseguinte mais conveniente fazer o tratamento em ambulatório, por se tratar de um ambiente mais seguro para o doente porque é menos suscetível a infeções. Por outro lado, e de uma outra perspetiva que não a estritamente associada às consequências clínicas, haverá que referir um aumento incontornável de custos para o doente em tratamentos e medicação. Perante estes dados, torna-se premente prevenir a desnutrição comunitária e/ ou tratá-la, que pode ser feito de uma forma não invasiva, cómoda e agradável, através de produtos de nutrição entérica oral. Estas soluções, comercializadas com a designação de “Alimento dietético destinado para fins medicinais específicos”, são utilizadas há muitos anos, em ambiente hospitalar, como terapia nutricional, por médicos e nutricionistas/dietistas e são comercializadas, sem prescrição médica, em farmácias. Tratam-se de soluções que podem igualmente colmatar uma necessidade emergente, associada ao aumento de Unidades de Cuidados Continuados e Paliativos, tornando-se simultaneamente uma mais valia para o utente.


2012 – A Saúde em Portugal – Diabetes

Diabetes é uma doença em crescimento

Sobre a diabetes A diabetes é uma doença crónica que se caracteriza pelo aumento dos níveis de açúcar (glicose) no sangue e pela incapacidade do organismo em transformar toda a glicose proveniente dos alimentos. À quantidade de glicose no sangue chama-se glicemia e quando esta aumenta diz-se que o doente está com hiperglicemia. A diabetes é uma doença em crescimento, que atinge cada vez mais pessoas em todo o mundo e em idades mais jovens.

O

relatório Factos e Números da Diabetes do Observatório Nacional com os dados de 2010 revela que o número de pessoas com Diabetes em Portugal já deverá ter ultrapassado um milhão no decurso de 2011. Contudo, apesar de a Diabetes continuar a aumentar no nosso país, há sinais de que o sistema de saúde tem conseguido suster o crescimento de algumas das complicações associadas à doença: os internamentos por cetoacidose situam-se no nível mais baixo da última década e pela primeira vez, no mesmo período,

as amputações major são inferiores às amputações minor. Por outro lado, as assimetrias regionais verificadas nos indicadores indiciam a existência de margens de melhoria na prestação de cuidados por parte do sistema de saúde.

Dia Mundial da Diabetes

venção e educação da diabetes. Criado em 1991 pela Federação Internacional da Diabetes (IDF) e Organização Mundial de Saúde, o Dia Mundial da Diabetes envolve as mais de 200 associações que pertencem à IDF e milhões de

pessoas em todo o mundo que promovem as mais variadas atividades com o propósito de alertar e sensibilizar para a crescente ameaça que a diabetes representa em termos de saúde pública. Fonte: RCM Pharma

Dia 14 de novembro é assinalado, como habitualmente, o Dia Mundial da Diabetes. «Diabetes: proteger o nosso futuro» é a mensagem que marca este ano a campanha e que se insere no tema para o período de 2009-2013 dedicado à pre-

Campanha “Muitas vozes, um futuro” Sanofi desafia colaboradores e doentes a partilharem conselhos para controlar a diabetes A Sanofi, multinacional farmacêutica, assinalou o Dia Mundial da Diabetes, comemorado a 14 de novembro, desafiando colaboradores e doentes a partilhar conselhos sobre as melhores formas de controlar esta patologia que afeta 991 mil pessoas em Portugal, das quais 44% ainda não estão diagnosticadas, segundo números do Observatório Nacional da Diabetes de 2011. Com o mote “Muitas vozes, um futuro”, esta campanha pretende somar o maior número possível de mensagens sobre a diabetes e as melhores formas de viver e controlar a doença. No dia 14 de novembro foram os colaboradores a partilhar experiências e conselhos num mural colocado nas instalações da companhia, uma ação que foi replicada no 6º Fórum Nacional da Diabetes. Os doentes e profissionais de saúde presentes no evento foram convidados a juntar a sua voz à luta contra a diabetes, colocando uma mensagem num painel criado para o efeito. O 6º Fórum Nacional de Diabetes realizou-se a 17 de novembro, em Santarém, no Centro Nacional de Exposições. A diabetes no mundo e o papel da alimentação saudável e das associações de doentes na prevenção e controlo da doença foram os temas em destaque neste evento organizado pela Sociedade Portuguesa de Diabetologia, a Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, a Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral e a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal.

Lançamento do Portal da Diabetes

Com o objetivo de informar e educar a população para os perigos da diabetes foi lançado, dia 30 de setembro, o Portal da Diabetes. Este projeto, criado pela Follow Reference, empresa de Investigação e Gestão de Conteúdos para o Setor da Saúde, reúne profissionais de diversas áreas de conhecimento, especializados na área da saúde e comunicação com o utente.

Português preside pela primeira vez à Federação Internacional da Diabetes

João Nabais, 43 anos e diabético desde os 12 anos, é o primeiro português a presidir a Federação Internacional da Diabetes-Região Europa (IDF Europa), tendo tomado posse do cargo na assembleia-geral do passado dia 23 de setembro, no Hotel Altis, em Lisboa. As prioridades da primeira presidência portuguesa na IDF Europa, até 2015, passam por colocar a diabetes na agenda política Europeia, lutar contra a discriminação face à doença, melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, fortalecer as ligações com as associações nacionais, promover novas estratégias de comunicação, incentivar a nova geração de líderes em diabetes e promover conferências e congressos sobre o tema. João Nabais, o primeiro português presidente da IDF Europa, refere que “mais de 35 milhões de europeus, cerca de 7,9% da população adulta, vivem atualmente com diabetes e estima-se que, até 2030, 43 milhões de pessoas tenham a doença, um aumento de 23% em menos de 20 anos”. E acrescenta que “é por esta razão, e para fazer face à epidemia da doença na Europa, que a presidência portuguesa tem prioridades que quer fazer cumprir até ao final do mandato”.


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Insuficiência Venosa – Previna-se!

2012 – A SAÚDE EM PORTUGAL

A doença dos tempos modernos Também denominada por doença dos tempos modernos, a Insuficiência Venosa surge como o resultado de uma alteração estrutural do sistema venoso dos membros inferiores, em que as veias perdem a função de transportar o sangue venoso para o coração devido à insuficiência de válvulas. A partir deste ponto, dá-se uma acumulação de sangue não oxigenado nesses membros, cenário que pode levar ao aparecimento de varizes e outros problemas.

É

importante referir que uma veia saudável é capaz de se manter elástica, mas quando a mesma se encontra debilitada deixa de ser capaz de fomentar a recuperação excessiva e o sangue acumula-se, provocando portanto sintomas díspares, tal como a sensação de pernas pesadas e cansadas. O epíteto desta patologia, «doença moderna» surge porque a mesma tem vindo a ser enquadrada de uma forma distinta à medida que os anos vão passando. Se no passado era possível alcançar estadios demasiado evoluídos (úlceras), hoje o panorama é distinto, principalmente porque ao primeiro sinal as pessoas consultam um especialista, principalmente por uma questão de estética. Naturalmente que seja por que razão for é sempre positivo atuar aos primeiros sintomas e assim detetar o problema para mais celeremente o resolver. Ora de geração em

Tratamento da IVC

geração a situação foi sendo alterada e se as mais antigas, dos designados avós, apresentavam patologias consideradas severas, a geração seguinte, embora com outro tipo de precauções, também as expunha, sendo que as mais recentes preferem dar início ao tratamento da patologia numa fase inicial, até porque como referem diversos especialistas, ao cuidar da imagem estamos a cuidar do nosso interior e se a estética não deve ser vista como uma solução, pode contudo ser o caminho para a prevenção.

Apenas mulheres? Não. Os homens também são afetados

Afirmar que a Insuficiência Venosa Crónica (IVC) afeta somente as mulheres é um erro grave, pois provoca problemas tanto no sexo feminino como masculino. Naturalmente que as mulheres são mais

Tratamento da obesidade, prática de exercício físico, tratamento de doenças associadas, evitar fontes diretas de calor, controlo da circulação na gravidez. Dieta rica em fibra e diversificada; Contenção elástica (ação mecânica); Escleroterapia: consiste na injeção de uma substância esclerosante, por forma a não permitir que o sangue circule na veia tratada; Tratamento cirúrgico: a cirurgia é o tratamento de base das varizes primárias dos membros inferiores. Na ausência de fatores de risco cirúrgico, todos os casos de varizes bem desenvolvidas e com refluxos evidentes nos exames complementares podem ser considerados para cirurgia; Tratamento farmacológico: o tratamento da IVC visa aliviar manifestações clínicas e evitar complicações, utilizando-se medicamentos venotrópicos que podem ajudar na circulação sanguínea, aumentando o tónus e a resistência da parede venosa.

afetadas devido às alterações hormonais causados pela puberdade, gravidez, menopausa e uso de contracetivos hormonais (as famosas pílulas). Assim, a frequência é superior no sexo feminino. Mas também os homens podem ser afetados, pois a obesidade, o estilo de vida sedentário, a dieta, o tabagismo, a permanência muitas horas em pé e o passado familiar são também fatores de risco de IVC e têm a forte possibilidade de vir a sofrer desta patologia. A forma mais frequente de IVC passa pelas varizes, insuficiência venosa, flebites e tromboflebites, embora existam estadios diversos e distintos como as formas benignas e as formas extremamente graves e de mais difícil tratamento, porque esta doença acompanha a pessoa durante toda a vida, sendo que a cirurgia é essencial no tratamento que se pretende integrado. Outros sintomas também comuns são o edema na zona do pé e tornozelo, dificuldade em caminhar, dores na posição de pé, comichão na pele e, em casos mais graves, úlceras na perna ou no tornozelo, que podem demorar a cicatrizar.

Como perceber se temos IVC

O diagnóstico da IVC é efetuado através da história clinica do doente e de exames médicos, nomeadamente a ecografia vascular, como é o caso do Eco Doppler. Para alívio dos sintomas causados pela IVC, podem ser usados fármacos ou, dependendo da gravidade, meias de compressão, que comprimem a perna favorecendo o retorno venoso do sangue. A cirurgia venosa pode ser, para certos casos, a solução. Felizmente que hoje em dia a maioria dos tratamentos são menos invasivos, exemplo do laser, mas também se fazem cirurgias combinadas com laser. Quando, através do diagnósti-

Dicas recomendadas

“Afirmar que a Insuficiência Venosa Crónica (IVC) afeta somente as mulheres é um erro grave, pois provoca problemas tanto no sexo feminino como masculino” co se constata que a pessoa tem varizes severas, recorre-se à cirurgia, sendo que o pós-operatório foi ligeiramente alterado para melhor, ou seja, se antigamente eram necessários três a quatro dias de internamento. Hoje é feito em ambulatório e o paciente pode regressar a casa no mesmo dia pois os tratamentos a laser duram cerca de três quartos de hora. Nas situações mais avançadas e mais graves, a cirurgia é mais complicada, requerendo anestesia geral ou intradural, do que decorre a necessidade de internamento hospitalar, geralmente por tempo não superior a 24 horas. Assim o diagnóstico precoce é fundamental e assume, juntamente com os tratamentos adequados, uma importância vital, sendo de realçar portanto as medidas preventivas aplicadas no seu devido tempo. Com estes procedimentos evita-se não só a progressão da doença para formas de maior gravidade, mas também conseguimos associar a estética ao bem-estar. A importância e dimensão desta doença traduz-se pelo facto de que: 1/3 dos portugueses sofre de doença venosa crónica dos membros inferiores; cerca de 2 milhões de mulheres portuguesas em idade ativa sofre de doença venosa; atualmente cerca de 1,5 por cento destes doentes são portadores de úlcera de perna, o que ainda é muito, mas bastante menos que há uns anos, devido ao tratamento precoce e continuado.

Praticar exercício físico, seja caminhar, nadar, subir as escadas a pé; Moderar o consumo de álcool, café e chá; Não fumar; Ter uma dieta equilibrada - parca em calorias e rica em fibra; Evitar usar sapatos de salto alto; Evitar altas temperaturas; Elevar ligeiramente os pés na cama; Concluir o duche com água fria nas pernas; Evitar cruzar as pernas quando sentado; Em viagens longas, faça movimentos com os pés.


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OPINIÃO DIA NACIONAL DO MAR

Comandante João Fonseca Ribeiro, Diretor-Geral da Política do Mar

O Mar como um vetor estratégico de desenvolvimento de Portugal O mar pode contribuir para a criação de riqueza e constituir uma base diferenciada para o desenvolvimento sustentável de Portugal. Uma visão integrada do mar terá que ser transversal aos diferentes domínios que envolve, quer sejam eles os recursos naturais, ou os seus diferentes usos, designadamente a pesca e indústria de pescado, a aquacultura e a salinicultura, os recursos minerais e energéticos marinhos, a biotecnologia marinha, os portos, transportes e logística, a náutica de recreio e de desporto e o turismo náutico, a construção e a reparação naval, e as obras marítimas.

A governação é a sede para a criação do pensamento e da ação estratégica em redor do mar, incluindo o seu próprio ordenamento, para a promoção da educação e da formação, para o desenvolvimento da ciência e tecnologia e para o fortalecimento da comunicação e da consolidação de uma cultura marítima. A relação com o mar é, no entanto, biunívoca, já que para além das oportunidades para o crescimento económico, as boas práticas ambientais e o bem-estar

Uma sociedade aberta aos novos desafios no mar, onde as utilizações emergentes têm um lugar de destaque e são indissociáveis do conhecimento do mar, da investigação científica e das novas tecnologias, oferece, igualmente, condições favoráveis ao estabelecimento de outras atividades que se irão enraizar nos comportamentos da população

O

valor económico do mar inclui, também, para além da parcela clássica inerente à quantificação dos bens físicos passíveis de exploração, uma outra parcela que é relativa aos serviços e funções naturais que o seu sistema presta, como regulador climático à escala global, função cada vez mais valorizada face às consequências das alterações climáticas. No essencial, a atividade económica no mar deve favorecer um ambiente saudável e o bem-estar social. A sua governação é da responsabilidade e iniciativa do Estado, constituindo um fator fundamental para a coerência na atuação e para o crescimento. É transversal a múltiplos sistemas e setores e tem como agentes as entidades públicas e privadas, as organizações não-governamentais e outros que, direta ou indiretamente, se encontram, através da sua ação, envolvidos com o mar. Hoje, mais do que nunca, é desejável que entre todos eles sejam estabelecidos fortes laços de cooperação.

social, derivam também ameaças para o Homem com origem em fenómenos naturais, alguns deles extremos. Por outro lado, o fator humano está também presente numa miríade de outras ameaças que nele têm lugar, as quais forçam uma atuação securitária. Não menos importante será, por isso, a capacidade e eficácia da governação para o exercício da autoridade do Estado no mar, em resposta às ameaças e emergências que exijam a salvaguarda dos interesses nacionais, designadamente, de pessoas e bens. A governação deve, assim, facilitar as diversas atividades humanas que decorrem no mar e promover condições seguras e favoráveis ao investimento, as quais têm reflexo na sua pesquisa, exploração e preservação. Ao longo dos últimos anos Portugal tem tido um papel relevante na produção de pensamento estratégico e na conceptualização de políticas de governação, gestão e valorização do mar no quadro da União Europeia, nomeadamente, ao desenvolver esforços para acentuar a sua relevância nas prioridades políticas, em particular, no desenvolvimento da sua Política Marítima Integrada. Um resultado prático é a presente discussão e elaboração do plano de ação da Estratégia Marítima da União Europeia para a área do Atlântico, apresentada em Lisboa, em novembro de 2011, e com efeitos esperados no País, a partir de 2014. Nesta estratégia, é expressa a vontade e é estabelecida a prioridade em favorecer um modelo de desenvolvimento assente na promoção, no mar, de um “crescimento inteligente, sustentável e inclusivo”. A nova estrutura nacional para a governação no mar, a qual tem vindo a ser criada ao longo do corrente ano, visa oferecer uma resposta, simultaneamen-

te mais eficaz e eficiente, aos desafios da governação e integração das políticas públicas para o mar. É neste contexto que se procede atualmente à revisão da Estratégia Nacional para o Mar, e do respetivo plano de ação, com a clara intenção de promover a harmonização e coerência entre os objetivos, os instrumentos de gestão e os planos de ação nacional e da União Europeia, visando promover importantes sinergias na aplicação dos recursos para as respetivas concretizações. Tal implica um amplo compromisso para promover, por um lado, o desenvolvimento de uma economia baseada no conhecimento e na inovação, possibilitando um uso mais eficiente dos recursos e, por outro lado, uma economia mais competitiva e sustentável, geradora de crescimento e de emprego, e capaz de assegurar coesão social e territorial. Também aqui é dado um papel de destaque à recuperação e promoção da identidade marítima dos portugueses, a qual passa, necessariamente, pela vivência dos locais e pela valorização e perceção da função dos mesmos para o desenvolvimento sustentável, abraçando as vertentes económica, social e ambiental. Uma sociedade aberta aos novos desafios no mar, onde as utilizações emergentes têm um lugar de destaque e são indissociáveis do conhecimento do mar, da investigação científica e das novas tecnologias, oferece, igualmente, condições favoráveis ao estabelecimento de outras atividades que se irão enraizar nos comportamentos da população. Esta vontade irá também contribuir para perpetuar a imagem de uma Nação marítima moderna, consciente, responsável e aberta a novas oportunidades de desenvolvimento que potenciem o bem-estar dos seus cidadãos e a democratização do acesso ao mar. É neste contexto que a Direção-Geral de Política do Mar, do Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, vem manifestar o apoio a esta Vossa iniciativa que é impulsionadora de divulgação do Portugal Marítimo – “Dia Mundial do Mar, sob a perspetiva dos vários setores de atividade, áreas profissionais e atores do Mar” – e felicitar, também, todos os que com ela colaboraram, através dos seus importantes contributos. Bem hajam.


OPINIÃO DIA NACIONAL DO MAR

Prof. Doutor Armando Teixeira Carneiro, Diretor do ISCIA e Administrador da FEDRAVE

Pontos de Vista Novembro 2012

O ISCIA: Presente e Futuro O Instituto Superior de Ciências da Informação e da Administração (ISCIA), tutelado pela Fundação para o Estudo e Desenvolvimento da Região de Aveiro (FEDRAVE), foi fundado, em Aveiro, a 24 de fevereiro de 1989.

É

um estabelecimento de ensino superior do subsistema politécnico e do subsistema privado, não integrado, e reconhecido através Portaria 931/90 de 2 de outubro, regendo-se pelos seus Estatutos, pela Constituição da República Portuguesa, pela Lei de Bases do Sistema Educativo, pelo Estatuto do Ensino Superior Particular e Cooperativo e demais legislação aplicável. O ISCIA tem, desde a sua constituição, apostado num ensino superior politécnico pautado por rigorosos padrões e critérios de qualidade, optando pela primazia conferida a cursos superiores graduados e pós-graduados, direcionados para áreas do conhecimento que se considerem estratégicas para o desenvolvimento regional e nacional, considerando fundamental uma efetiva ligação ao mundo empresarial, dos serviços, da comunicação e da administração, nas suas vertentes pública e privada. Além disso, pretende afirmar-se como um importante pólo de desenvolvimento científico e cultural da comunidade onde se radica, numa perspetiva de respeito e promoção da pessoa humana e dos seus direitos fundamentais. Várias unidades orgânicas de I&D aplicada próprias estão em funcionamento: o Centro Português de Geopolítica (CPG), o Observatório de Segurança Marítima (OSM), o Observatório de Comércio e Relações Internacionais (OCRI) e o Centro de Estudos do Mundo Rural (CEMUR). Todas as ofertas formativas do ISCIA estão devidamente reconhecidas, homologadas e acreditadas, pelas respetivas entidades tutelares: os cursos superiores de 1º ciclo (Licenciaturas) e de 2º ciclo (Mestrados), adaptados às regras do Espaço Europeu de Ensino Superior (E3S), vulgo Acordo de Bolonha, estão reconhecidos e homologados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino

Superior (MCTES), hoje Ministério da Educação e da Ciência (MEC), e submetidos aos processos da Agência de Acreditação e Avaliação do Ensino Superior (A3ES); os cursos de Especialização na área educativa são acreditados pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua (CCPFC); e os Cursos de Especialização Tecnológica – CET, na área da Formação Profissional Avançada, são reconhecidos, ou em processo de validação, pela Direção-Geral do Emprego e das Relações do Trabalho (DGERT). Outros Cursos de Especialização são certificados por outros Organismos como, na área das atividades marítimas, pelo Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos (IPTM), e, na área da higiene e segurança, pela Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT). Toda a oferta formativa do ISCIA é desenvolvida em função da perceção das necessidades nacionais e regionais, permitindo corresponder à procura de meios que desenvolvam conhecimentos avançados de caráter politécnico em áreas específicas, sensíveis e inovadoras. Daí resulta uma constante preocupação em propor e gerir cursos graduados, pós-graduados e não graduados, enquadrados numa envolvente cada vez mais dinâmica e globalizada. Por esse facto, o ISCIA sempre procurou criar processos de ensino-aprendizagem modernos, rigorosos e credíveis, dentro dos mais recentes conceitos pedagógicos e com recurso constante às tecnologias de integração. De modo sistémico e transversal, o Instituto aposta numa metodologia de ensino-aprendizagem do tipo blended learning, através da qual as horas presenciais de contacto são replicadas e complementadas com aulas distais e com processos de avaliação in itinere através de uma consistente e flexível plataforma de e-learning (a FORMARE da PT IN).

Globalmente, o ISCIA considera-se como um centro de gestão de conhecimento de geometria variável, facilitando ao máximo a aquisição de competências científicas e tecnológicas por parte dos Estudantes, através de uma dinâmica rede de conhecimento transnacional, numa perspetiva politécnica privilegiando o “saber fazer”. Para alem dos cursos do tipo blended learning, de base presencial, estão a ser desenvolvidos cursos distais, em português e inglês, para os mercados internacionais. Neste momento estão em fase de implementação pólos para formação de base presencial em Cabo Verde, Moçambique e Brasil. Mas, em paralelo com a visão estratégica que está subjacente aos cursos e à investigação aplicada na área da gestão e da segurança das atividades marítimo-portuárias (DETMAR e OSM) pretende-se, numa politica de formação vertical, criar um centro de formação profissional e secundária na Escola Profissional Marítima de Aveiro (EPMA), projeto cuja concretização deverá ocorrer dentro de alguns meses e que servirá o desenvolvimento de competências profissionais marítimas na zona costeira portuguesa, principalmente desde a Figueira da Foz até à foz do rio Minho, assim como nos países da CPLP.

“O ISCIA sempre procurou criar processos de ensino-aprendizagem modernos, rigorosos e credíveis, dentro dos mais recentes conceitos pedagógicos e com recurso constante às tecnologias de integração. De modo sistémico e transversal, o Instituto aposta numa metodologia de ensino-aprendizagem do tipo blended learning, através da qual as horas presenciais de contacto são replicadas e complementadas com aulas distais e com processos de avaliação in itinere através de uma consistente e flexível plataforma de e-learning (a FORMARE da PT IN)”

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OPINIÃO DIA NACIONAL DO MAR

VALM Victor Lopo Cajarabille, Professor Coordenador do DETMAR

O Departamento de Tecnologias do Mar, Detmar, do Iscia O ISCIA tem uma organização departamental no que respeita à estruturação interna dos órgãos diretamente ligados ao ensino. A par de outros departamentos com diferentes objetivos, o DETMAR está especialmente vocacionado para os assuntos do mar. Pretende-se assim responder a uma necessidade cada vez mais evidente no nosso país, cuja ligação ao mar tem vindo a renovar-se nos últimos anos, após um apreciável conjunto de iniciativas a todos os níveis.

A

Estratégia Nacional para o Mar, aprovada pelo Governo em 2006 e o projeto de extensão da Plataforma Continental cuja proposta foi entregue na Nações Unidas em 2009, são dois marcos importantes na reafirmação marítima nacional, a par da criação da Comissão Interministerial dos Assuntos do Mar. De realçar que oferta educativa do DETMAR é perfeitamente inovadora nas regiões norte e centro de Portugal. A licenciatura em Gestão das Atividades Marítimas e Portuárias é um dos cursos ministrados que proporciona uma preparação adequada ao nível das áreas multidisciplinares do mar, nomeadamente nas vertentes da economia, dos transportes marítimos e da gestão portuária. As saídas profissionais são muito variadas e percorrem praticamente todas as entidades e empresas relacionadas com a frente portuária.

Paralelamente, existe um mestrado em Gestão Portuária, que já produziu os primeiros mestres no passado ano letivo e cuja orientação se desenvolve no quadro de competências necessárias para a gestão de processos de tomada de decisão e de planificação em áreas tão importantes como a comercialização de serviços portuários ou a gestão de informação e uma série de envolventes em que as cadeias logísticas associadas marcam presença. São várias as Pós-Graduações oferecidas no âmbito do DETMAR, merecendo especial destaque a “Shipping Business and Law”, com unidades curriculares agrupadas em módulos e que tem como principal objetivo facultar uma visão atual e integrada dos vários aspetos científicos, técnicos, comerciais e jurídicos das atividades comerciais e industriais relacionadas com o mar. Através da nova editora MARE LIBERUM, da Fundação para o Estudo e Desenvol-

Paralelamente, existe um mestrado em Gestão Portuária, que já produziu os primeiros mestres no passado ano letivo e cuja orientação se desenvolve no quadro de competências necessárias para a gestão de processos de tomada de decisão e de planificação em áreas tão importantes como a comercialização de serviços portuários ou a gestão de informação e uma série de envolventes em que as cadeias logísticas associadas marcam presença

vimento da Região de Aveiro (FEDRAVE), que tutela o ISCIA, o DETMAR não tem descurado a edição de obras de qualidade intimamente relacionadas com o mar. Em 2010 foi publicado o livro “O mar no século XXI”, da autoria de um dos docentes do ISCIA, o Comandante Dias Correia. Já no ano corrente foi lançada a obra “A segurança no mar – uma visão holística” cujos coordenadores são todos professores do ISCIA, bem como grande parte dos autores. Encontra-se em produção um novo livro dedicado à Segurança nos Portos e nos Transportes Marítimos que sairá ao público por meados de 2013. Nesse ano sairá também uma obra facsimile de um livro datado de 1913 do Comandante Baldaque da Silva sobre o projeto de um porto oceânico no Cabo Mondego: Portos e Canaes. Adstrito ao DETMAR funciona o Observatório de Segurança Marítima (OSM), cuja importância merece um texto individualizado nesta mesma página. O DETMAR tem vindo a ser valorizado com um número apreciável de protocolos de cooperação com entidades muito diversas. Entre estas, encontram-se os estabelecidos com a Marinha Portuguesa, com a Associação dos Portos de Portugal (APP), a Administração dos Portos dos Países de Língua Portuguesa (APLOP), sendo o ISCIA membro da Comunidade Portuária de Aveiro e da Oceano XXI. O protocolo com a Marinha Portuguesa veio proporcionar uma cooperação de extraordinária valia em áreas técnicas que não têm paralelo a nível nacional e a colaboração de docentes de elevada craveira e experiência profissional. Mais recentemente, foi assinado um protocolo tripartido com a Escola Naval e a Escola Superior Náutica Infante D. Henrique com o objetivo de atribuir,

“O DETMAR tem vindo a ser valorizado com um número apreciável de protocolos de cooperação com entidades muito diversas. Entre estas, encontram-se os estabelecidos com a Marinha Portuguesa, com a Associação dos Portos de Portugal (APP), a Administração dos Portos dos Países de Língua Portuguesa (APLOP), sendo o ISCIA membro da Comunidade Portuária de Aveiro e da Oceano XXI” de acordo com a lei, títulos de docentes especialistas. O DETMAR procura assim as pessoas mais habilitadas e experientes que o país possui, para assegurar um ensino de qualidade, quer no plano conceptual quer na capacidade de saber fazer. São muitos e variados os planos para o futuro, mas são duas as grandes prioridades que se encontram em fase de estudo adiantado. A internacionalização, com especial incidência nos países da CPLP e a aquisição de material moderno de simulação quer no domínio da navegação, quer no campo da segurança. Apesar da crise que assola o país, parecem existir janelas de oportunidade, que serão aproveitadas logo que possível. O conhecimento do mar é um investimento seguro que aproveita a todos os portugueses e o DETMAR pretende estar na vanguarda.


OPINIÃO DIA NACIONAL DO MAR

CMG Henrique Eduardo Gouveia e Melo, Presidente do Observatório de Segurança Marítima

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O Observatório de Segurança Marítima O Observatório de Segurança Marítima (OSM) é uma unidade orgânica de Investigação e Desenvolvimento do ISCIA, integrada no Departamento de Tecnologias do Mar (DETMAR).

O

OSM tem por missão desenvolver, através da investigação aplicada, as áreas relacionadas com a Segurança Marítima, tornando o ISCIA uma referência nacional e internacional nesta área. Para o ISCIA a Segurança Marítima é vista como sendo uma atividade abrangente e multidisciplinar que envolve obrigatoriamente três aspetos: a segurança, a proteção e o salvamento. A segurança preventiva e corretiva contra acidentes e avarias que possam comprometer a continuidade da atividade marítima, afetar gravemente interesses de terceiros, gerar fortes responsabilidades financeiras para as entidades envolvidas e ou colocar em risco vidas humanas. A proteção da atividade marítima contra atos intencionais quer estes sejam motivados por interesses ligados ao universo criminal, quer a outro tipo de ameaças de geometria mais variável, que se desenvolveram ultimamente, como sejam o terrorismo internacional

e a pirataria. O salvamento, enquanto fator primordial na preservação dos recursos humanos que operam na atividade marítima, quando esta enfrenta problemas gerados por aspetos de segurança e ou de proteção. A Segurança Marítima, lato senso, tem também uma forte componente regulatória, quer a nível internacional quer ao nível dos Estados, que importa observar e estudar, assim como os aspetos relacionados com o impacto desta sobre as atividades económicas. Sendo assim, o ISCIA fez uma abordagem inovadora à Segurança Marítima, trazendo uma visão holística anteriormente inexistente. Para isso, reuniu um conjunto muito alargado de competências oriundas de várias áreas, como a Marinha Mercante, a Marinha Portuguesa, as Administrações Portuárias, o transporte marítimo e as entidades relacionadas com as diversas formas da Autoridade do Estado Costeiro no mar, ou o com as responsabilidades do Estado de bandeira dos navios.

Porque desenvolve o ISCIA esta área? Porque existe nesta instituição a forte convicção que no primeiro quartel do Século XXI a humanidade se voltará para a exploração da última fronteira terrestre, os oceanos. Esse fenómeno transformará o paradigma de desenvolvimento atual (centrado em terra usando os oceanos primordialmente como via de transporte) para um outro oceanocêntrico (ocupação destes espaços e a sua intensa exploração), o que alterará profundamente o modo de vida da humanidade. A permanente competição por recursos naturais e a escassez atual destes, em resultado do forte desenvolvimento industrial da India e da China, associada à concentração de recursos estratégicos (energético e minerais) em zonas problemáticas do ponto de vista político-social-religioso-militar, tem incrementado o interesse dos países mais industrializados pela procura de alternativas, nomeadamente nos espaços off-shore, o que tem

contribuído para a aceleração de um futuro oceanocêntrico. Daí o previsível aumento exponencial da exploração desses recursos, em espaços off-shore (energéticos, alimentares, minerais e biológicos). Muito relevante também é a importância crescente do transporte marítimo como o sistema arterial dos fluxos comerciais essenciais à globalização. Deste modo, crê o ISCIA, que os países mais industrializados e ou em vias de industrialização incrementarão as suas atividades marítimas, com reflexos nas infraestruturas, na regulamentação, na fiscalização, na segurança e na defesa destas. Portugal, pela sua situação geográfica, tradição marítima e espaço marítimo sob sua jurisdição poderá vir a ter um papel relevante nesse novo paradigma oceanocêntrico. O ISCIA quer estar na primeira linha de suporte da opção marítima nacional e como tal desenvolve presentemente, e de forma totalmente inovadora, a formação e o treino, essenciais aos profissionais de amanhã, para esta área em franca expansão nacional e internacional.

Crédito fotográfico: Guilherme Lima - Vagos

“A Segurança Marítima, lato senso, tem também uma forte componente regulatória, quer a nível internacional quer ao nível dos Estados, que importa observar e estudar, assim como os aspetos relacionados com o impacto desta sobre as atividades económicas”


DIA NACIONAL DO MAR

Programa de Cooperação Transnacional Espaço Atlântico 2007-2013

“O programa EA atual tem um grau de comprometimento muito grande” O processo de cooperação europeia teve início há já alguns anos. As primeiras iniciativas de cooperação transnacional, que remontam ao período de programação de fundos estruturais europeus 1989-1993, foram desenvolvidas no quadro do projeto-piloto ATLANTIS. Atualmente, a estratégia de cooperação adotada é estabelecida por meio de um Programa Operacional (PO) designado Espaço Atlântico de Cooperação Transnacional 2007-2013. A Estratégia Europeia para o Oceano Atlântico, alicerçada na estratégia Europeia para 2020, lançada em Lisboa em novembro de 2011 e cujo Plano de Ação que se encontra em fase de preparação, conferirá ao Programa um valor acrescentado, enquanto instrumento de desenvolvimento dessa estratégia na vertente da cooperação transnacional no próximo período de programação 2014-2020. A Revista Pontos de Vista quis conhecer mais e conversou com Carlos Neves, Vice-Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional Norte (CCDRN) e Presidente da Autoridade de Gestão do Programa que revelou as potencialidades deste programa, bem como a necessidade premente do mesmo promover ainda mais o fortalecimento da cooperação entre os Estados Membros da União Europeia. O Programa Transnacional Espaço Atlântico 2007-2013 tem como grande baluarte contribuir para a coesão territorial deste espaço, conseguida através do fortalecimento da cooperação entre os Estados Membros da União Europeia com fachada atlântica. Em concreto, quais são as grandes prioridades? Enquanto programa de Cooperação Territorial Europeia, a estratégia global centra-se na visão de atingir progressos significativos e tangíveis na cooperação transnacional tendo em vista o desenvolvimento territorial coesivo, sustentável e equilibrado do Espaço Atlântico (EA) e da sua herança marítima. O Programa estabeleceu como grandes desafios em termos globais, os de uma cooperação territorial mais ambiciosa, privilegiando a pertinência, consolidação e perpetuação de redes e estruturas de cooperação e a intensificação da cooperação em projetos imateriais orientados para a tangibilidade, perpetuação e sustentabilidade dos resultados, através de domínios prioritários de desenvolvimento estabelecidos pelo PO: P1 - INOVAÇÃO: promoção das dimensões da inovação, investigação e desenvolvimento tecnológico, a fim de promover a excelência e melhorar a competitividade, através de projetos de cooperação, principalmente focados em questões ligadas ao mar; P2 - AMBIENTE: Gestão dos recursos naturais e dos riscos, melhoria da qualidade ambiental e exploração do potencial de energias renováveis associadas ao ambiente marinho e costeiro; P3 - ACESSIBILIDADES: Melhoria na qualidade das redes e serviços de comunicação, transportes e telecomunicações; P4 - TERRITÓRIO: Promoção do desenvolvimento urbano e rural policêntrico e sustentável. As Prioridades 1 e 2 são as que têm tido mais procura, em particular a P1 pois sendo a que está mais vocacionada para o empreendedorismo, inovação, investigação e desenvolvimento económico e estimular a criação de emprego é me-

Carlos Neves lhor pode contribuir para dar resposta à atual conjuntura. A transnacionalidade é um elemento chave dos projetos. Os parceiros cooperam para identificar e implementar respostas a questões transnacionais, que por natureza não conseguiriam ser devidamente abordadas sem cooperação transnacional. As parcerias dos projetos colocam em comum recursos humanos, técnicos, financeiros e outros, de modo a aumentar a eficiência e a alcançar coletivamente resultados tangíveis. A intensidade da cooperação constitui um atributo crucial no desempenho do Programa e projetos de parceria que o integram. O nível mais baixo, de intercâmbio de experiências, as transferência de conhecimento com partilha de saber e a aprendizagem mútua, a partilha de uma massa crítica de meios onde se verifica já a posta em comum de recursos humanos, técnicos, financeiros e outros visando aumentar a eficiência e atingir resultados

conjuntos tangíveis que, por mera atuação individual e isolada, estariam fora de alcance e por fim a abordagem conjunta de problemáticas transnacionais, que permite responder conjuntamente a questões que pela sua natureza, não poderiam ser corretamente abordadas sem uma perspetivação de caráter transnacional.

A Autoridade de Gestão é responsável pela implementação do Programa e é assegurada pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte. Na prática, qual tem sido o papel desempenhado? A Autoridade de Gestão (AG) é o orgão responsável pela implementação efetiva e eficiente do Programa e pela sua representação institucional, assegurando o cumprimento das normas legais, nacionais e comunitárias aplicáveis, designadamente em matéria de regras de elegibilidade, de comunicação e publicidade e de monitorização e avaliação. No cum-

primento da sua missão, a AG faz propostas em matéria de decisão do Comité de Acompanhamento (CA), constitui, enquadra e estabelece normas de orientação do Secretariado Técnico Conjunto (STC), bem como assina os contratos de subvenção, articula com a Autoridade de Certificação a implementação dos procedimentos relativos à verificação e certificação de despesas, submetendo-lhe os pedidos de pagamentos devidamente validados, estabelece em colaboração com as demais estruturas de gestão os procedimentos necessários ao funcionamento do sistema de auditoria. O STC, de composição transnacional é a estrutura organizativa responsável pelo trabalho diário de execução do Programa e trabalha junto da AG, no Porto. Implementa os procedimentos de gestão que lhe foram delegados pela AG a que reporta regularmente os resultados da sua atividade. Atua como secretariado do CA, preparando e acompanhando


Pontos de Vista Novembro 2012

as suas decisões, designadamente em matéria de seleção de operações. Articula com os Correspondente Nacionais (CN) dos EM a implementação de procedimentos de informação e apoio aos beneficiários à preparação de propostas de projetos e de avaliação de candidaturas. Promove o Programa junto de potenciais beneficiários e outos públicos-alvo. Presta apoio à implementação de operações cofinanciadas pelo Programa e recebe e supervisiona relatórios de execução e pedidos de pagamento dos beneficiários.

O grande objetivo é colmatar as diferenças estruturais que existem entre as várias regiões da UE. Estamos perante territórios com grandes similitudes mas também com fortes contrastes. Que mudanças pode, desde já, apontar? O Espaço Atlântico caracteriza-se por um desenvolvimento desigual e ruturas territoriais sendo enormes as diferenças em termos de desenvolvimento económico entre as regiões Atlânticas. A cooperação joga um papel muito importante neste domínio, propiciando às regiões menos dinâmicas a ligação com regiões mais dinâmicas, inovadoras e prósperas, contribuindo para o desenvolvimento de projetos e ações piloto de investigação e desenvolvimento e inovação conjuntos, transferências de know How e de meios entre empresas e centros de investigação do reforço da competitividade e da capacidade de inovação em nichos de excelência da economia do mar e de estimulo à reconversão e diversificação das estruturas económicas pela valorização dos potenciais regionais endógenos. Pela sua diversidade e pela sua qualidade, o ambiente e o património marítimo das regiões Atlânticas torna-as atrativas na diversidade e qualidade do ambiente marinho e costeiro e na herança económica, cultural e social, bem como num espírito comum de abertura ao mundo através do Oceano Atlântico. Os seus recursos naturais são múltiplos, talvez menos degradados do que noutras regiões europeias, património precioso e um fator crucial de identidade comum, a proteger e a valorizar. A zona costeira é particularmente pressionada por numerosas atividades, desde a urbanização ao turismo, a recreio e turismo náutico, a pesca, entre outras o que exige particulares cuidados na sua utilização versus preservação.

O Espaço Atlântico de cooperação encontra no elemento marítimo a sua grande identidade. O enorme potencial que o mar representa em termos de segurança marítima, oceanografia, biologia marinha, desenvolvimento das técnicas de pesca e culturas marinhas, energias renováveis, turismo recreio náutico entre tantos outros, coloca enormes desafios em termos de I&D, de crescimento e de emprego. Contudo, os riscos a que está sujeito colocam também enormes reptos em termos de sustentabilidade económica e ambiental. A cooperação dá ensejo a um trabalho conjunto no domínio da proteção e valorização dos recursos naturais na investigação e, em geral na melhoria da herança marítima atlântica, induzindo o crescimento das atividades de uma forma sustentável e a gestão e proteção e promoção dos espaços naturais, dos recursos em água e das zonas costeiras. Muitas das regiões de Espaço Atlântico sofrem de um défice em termos de acessibilidades e transportes. Excesso de tráfego rodoviário com as consequências conhecidas no congestionamento de vias e pressões ambientais e diminuição de outros modos de transporte como o ferroviário e o marítimo. Num espaço com inúmeros portos regista-se diminuição do tráfego em muitos deles. A cooperação será oportunidades o apoio a projetos de promoção da para a melhorar a conectividade e o desenvolvimento da intermodalidade e multimodalidade marítima/rodoviária/ferroviária/aérea entre as regiões, o apoio a projetos de promoção da o transporte marítimo de curta distância e a cooperação entre portos. O Espaço Atlântico revela uma estrutura territorial desequilibrada e com um grau de urbanização relativamente a outros territórios da EU menor. A cooperação é fundamental para aumentar as sinergias entre as cidades e regiões e intensificar as trocas inter-regionais. A promoção do policentrismo apela à intensificação de networking entre as cidades tendo em vista a implementação de políticas de desenvolvimento urbano sustentável e o aumento da internacionalização e atratividade das regiões e para a proteção e promoção do património cultural atlântico de interesse transnacional.

Dentro da estratégia marítima para a Região Atlântica, quais as oportunida-

des que este espaço enfrenta atualmente? É necessário apostar numa maior sensibilização para eventuais ameaças que importa combater? O POCTEA engloba regiões Atlânticas periféricas e marítimas. Assim as questões ligadas ao mar atravessam todas as prioridades e a grande maioria das preocupações, de acordo com as lógicas expressa nos objetivos traçados. A importância do mar no quadro da estratégia europa 2020 para o crescimento europeu reforça a centralidade dos territórios do espaço atlântico e justifica a adoção de uma estratégia comum que potencie as sinergias de desenvolvimento em torno do mar. A Estratégia Europeia para a Bacia Atlântico, lançada em Lisboa em novembro de 2011, tributária das orientações estratégicas europa 2020 e cujo plano de ação se encontra em fase de preparação durante o ano de 2012, conferirá ao Programa um valor acrescentado, enquanto instrumento de desenvolvimento dessa estratégia na vertente da cooperação transnacional, no próximo período de programação 2014-2020. O plano de ação que resultar da sua elaboração e negociação, relativamente ao qual a cooperação constitui um motor chave para apontar a direção a seguir, e para a respetiva implementação, será essencial à elaboração do próximos programas com incidência Espaço Atlântico, muito particularmente no âmbito da CTE, com destaque para a Transnacional. É pois natural que grande parte dos projetos os quais representam cerca de 70% dos projetos aprovados no programa, estejam diretamente relacionados com o mar. Trata-se de projetos de natureza imaterial como objetivos temas muito diversificados: pesca, aquacultura, construção e reparação navais, investigação no âmbito das biotecnologias marinhas, energias marinhas renováveis, segurança marítima, transporte marítimo de curta distância, gestão da qualidade das águas na orla costeiras em portos e estuários, riscos naturais e tecnológicos, turismo de cruzeiros, recreio e desportos náuticos, ecoturismo…. de grande interesse para o desenvolvimento territorial, económico e sociocultural. Constata-se, aliás, que muitos dos domínios da estratégia para Oceano Atlântico, em todos os seus cinco eixos, estão cobertos por projetos em implementação no programa. Os referidos projetos envolvem parceiros de instituições de

alto nível dos EM nomeadamente de investigação e formação, o que se justifica pelo facto de o programa albergar diversos projetos virados para a investigação, designadamente nas áreas mencionadas. Grande presença de entidades privadas, a quase totalidade sem fins lucrativos e maioritariamente de natureza pública. Estes parceiros em projetos constituem uma massa crítica muito relevante, stakeholders regionais e nacionais de importantes instituições e organismos e áreas de intervenção das regiões do EA. O seu contributo será particularmente valioso para a construção do plano de ação da estratégia e para a respetiva implementação no futuro. Muitos dos projetos aprovados, principalmente na prioridade 1, pretendem transferir Know-how e resultados para o tecido empresarial, maioritariamente de PME’s, o que se afigura como interessante do ponto de vista da capacitação do tecido empresarial do espaço e da sua capacidade para incorporação de inovação e criação de emprego. O programa EA atual está já com um grau de comprometimento muito grande. As atenções viram-se para o futuro que passa em grande parte pelo plano de ação da estratégia conjunta que se vier a estabelecer. Mas as apostas terão que ser ainda mais assertivas. A estratégia atlântica deverá ser uma baliza importante para permitir a este programa e a muitos outros, em grande articulação financiar iniciativas verdadeiramente capazes de promover o crescimento e a sustentabilidade das regiões atlânticas. Os passos dados para já são seguros mas tímidos. Seguros pois as redes já envolvidas e as áreas de projetos são pertinentes e promissoras mas a escala de intervenção tem que ser alargada, a articulação entre fundos tem que ser muito maior para permitir ao aumento da escala de intervenção, o efeito alavanca dos projetos tem que aumentar, os resultados e impacto têm que ser mensurados. O papel da comunicação, disseminação e sensibilização a todos os níveis é fulcral para o sucesso do programa em particular e da política marítima em geral.

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INVESTINDO NO NOSSO FUTURO COMUM Programa de Cooperação Transnacional Espaço Atlântico 2007-2013 Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) Rua Rainha D. Estefânia, 251 - 4150-304 Porto

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Email: geral@ccdr-n.pt Tel. :+351 226 086 300 Website: www.coop-atlantico.com


OPINIÃO DIA NACIONAL DO MAR

Teresa Simas, Coordenadora da Equipa de Ambiente Marinho da WavEC

A Energia do Mar Português Do ponto de vista político o mar tem sido encarado ultimamente como o recurso Português de maior valor económico. No entanto, muito antes do contexto político atual e talvez desde sempre, este valor tem sido reconhecido por muitos (talvez ainda poucos) outros Portugueses que o têm escolhido como meio onde se desenrola a sua atividade profissional e mesmo de lazer.

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WavEC - Centro de Energia das Ondas (www.wavec.org/), é um bom exemplo de um grupo de Portugueses que acreditam, oficialmente desde 2003, no potencial energético do mar. Dedicado à promoção das energias renováveis marinhas, este centro de investigação tem crescido a pulso, essencialmente à custa de fundos Europeus para projetos de investigação e desenvolvimento. A participação nestes projetos é muitas vezes multidisciplinar, uma vez que o WavEC é composto por equipas de investigadores de várias áreas de especialidade na sua vertente marinha: engenharia, biologia marinha, oceanografia,

“O WavEC participa noutros projetos que visam o apoio ao desenvolvimento tecnológico dos dispositivos, nomeadamente na análise da sua interação hidrodinâmica e da monitorização da sua eficiência de produção, bem como na análise dos seus impactes ambientais, particularmente o ruído”

meteorologia, economia, comunicação e gestão. O WavEC tem participado ativamente em quase todos os projetos de energia renovável marinha instalados até à data na costa Portuguesa, tendo já uma vasta carteira de clientes que inclui empresas nacionais e estrangeiras bem como entidades públicas. O número de serviços prestados tem aumentado significativamente nos últimos anos, incluindo o desenvolvimento de trabalhos de consultoria na área de implementação das energias renováveis marinhas em países latino-americanos. Entre os vários projetos onde o WavEC tem estado envolvido destaca-se o FAME (Future of the Atlantic Marine Environment; www.fameproject.eu/en/), um projeto cofinanciado pelo programa transnacional – Atlantic Area e pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional. O projeto visa identificar áreas importantes para as aves marinhas e elaborar recomendações específicas sobre a sua designação e gestão; estabelecer uma base de dados internacional de apoio à decisão; avaliar o impacto de atividades humanas, como as energias renováveis marinhas, em áreas de reconhecida importância ecológica e interagir com utilizadores do meio marinho para definir o papel de todos na prote-

ção do mesmo. No decorrer do projeto têm sido realizados vários trabalhos de caraterização das aves marinhas no espaço Atlântico com vista à produção de um mapa de risco, tendo em conta espécies e habitats ameaçados e a localização de parques de energia renovável marinha. O próximo workshop do projeto terá lugar no dia 20 de novembro deste ano. O resultado desta e de outras iniciativas do projeto servirão de base ao desenvolvimento de um documento orientador da avaliação, monitorização e minimização dos impactes ambientais resultantes da implementação de parques de energias renováveis marinhas. Outro projeto a destacar é o SOWFIA (Streamlining of Ocean Wave Farms Impact Assessment; www.sowfia.eu/) onde participam, para além do WavEC, outros parceiros Europeus interessados no desenvolvimento de parques de aproveitamento de energia das ondas. O objetivo é identificar medidas que permitam agilizar o licenciamento destes projetos, através de ferramentas que simplifiquem o processo de avaliação de impacte ambiental bem como a sua promoção por parte de outros utilizadores do meio marinho e público em geral. As ferramentas a desenvolver visam reunir dados ambientais dos vários centros de teste Europeus, numa plataforma de gestão de dados que ficará disponível online. Esta ferramenta inclui dados das condições naturais marinhas e informação sobre os vários utilizadores do meio marinho local. A análise comparativa do processo de licenciamento de renováveis marinhas em países Europeus permitirá elaborar recomendações para simplificar o processo em cada país a fim de diminuir o tempo de espera para obtenção da aprovação (ou não) e em caso disso agilizar a colocação dos dis-

“O WavEC tem participado ativamente em quase todos os projetos de energia renovável marinha instalados até à data na costa Portuguesa, tendo já uma vasta carteira de clientes que inclui empresas nacionais e estrangeiras bem como entidades públicas” positivos na água. Pretende-se que estes resultados possam surtir efeito no desenvolvimento de políticas e elaboração ou melhoramento de leis para acelerar a implementação da tecnologia. O WavEC participa noutros projetos que visam o apoio ao desenvolvimento tecnológico dos dispositivos, nomeadamente na análise da sua interação hidrodinâmica e da monitorização da sua eficiência de produção, bem como na análise dos seus impactes ambientais, particularmente o ruído. Portugal é reconhecido como um país pioneiro na implementação das tecnologias de energia renovável marinha e o WavEC pretende continuar a apoiar e promover este reconhecimento. Na sequência de todas as iniciativas que vem tomando ao longo da sua existência, o WavEC irá realizar no dia 26 de novembro de 2012 o seu seminário anual, Economia Azul – Plataformas Offshore e Oportunidades, no Museu da Eletricidade, em Lisboa. O evento será aberto pela Sra. Ministra da Agricultura, do Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, Dra. Assunção Cristas, e encerrada pelo Sr. Secretário de Estado da Energia, Dr. Artur Trindade. Para mais informações consulte o site: www.wavec.org

Economia Azul – Plataformas Offshore e Oportunidades O Centro de Energia das Ondas – WavEC irá realizar o seu próximo seminário anual, Economia Azul – Plataformas Offshore e Oportunidades, no dia 26 de novembro de 2012, no Museu da Eletricidade, em Lisboa. O evento será aberto pela Sra. Ministra da Agricultura, do Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, Dra. Assunção Cristas, e encerrada pelo Sr. Secretário de Estado da Energia, Dr. Artur Trindade, e conta com um forte apoio da Embaixada da Noruega, mas também do Museu da Eletricidade, da Fundação EDP, da TA DMC e do projeto Europeu SOWFIA.


DIA NACIONAL DO MAR

Augusto Barata da Rocha, Presidente do Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial (INEGI)

Pontos de Vista Novembro 2012

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“O mar é um espaço de descoberta, de trabalho, de negócio e de lazer” Nascido em 1986 no seio do Departamento de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial (DEMEGI) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), o INEGI há muito que se assumiu como um parceiro privilegiado da Indústria em projectos de IDI. A Revista Pontos de Vista conversou com Augusto Barata da Rocha, Presidente de um Instituto que olha para o mar como um recurso com potencialidades inigualáveis. O Instituto é já um player ativo no desenvolvimento e internacionalização da Economia do Mar. Que benefícios podem ser retirados de uma exploração sustentável deste recurso? Os benefícios futuros dependem da forma como explorarmos o conhecimento destes recursos, da forma como prepararmos o futuro para a sua exploração sustentável e dos investimentos que realizarmos. O estabelecimento de grandes reservas marinhas para preservação da biodiversidade e para a prestação de importantes ecosistemas, a expansão da aquacultura para extensas áreas offshore, a criação de algas para produzir biocombustíveis, absorção de CO2, a prospeção e exploração dos fundos marinhos para obtenção de novos recursos naturais, incluindo o desenvolvimento da biotecnologia marinha e a sua aplicação na farmacêutica, na cosmética ou na industria alimentar, a energia Offshore quer eólica quer das ondas e os geo-recursos minerais poderão ser no futuro importantes fontes de riqueza nacional.

Apesar de gozarmos de uma localização geográfica privilegiada, as atividades ligadas ao mar representam apenas dois por cento do PIB português. Tem faltado aos empresários português “visão de negócio e de futuro” nesta área? Durante o século XV e o século XVII assistimos a um período de referência sem memória da História de Portugal com a Era dos Descobrimentos, onde os portugueses foram responsáveis por importantes avanços da ciência e da tecnologia. O Mar desempenhou de igual forma um papel preponderante no período colonial e mais recentemente na política ultramarina do estado Estado Novo. Após estes períodos assistimos a um completo adormecimento do real ativo que o Mar representa para Portugal. Nos dias de hoje assistimos a uma fase de debate e discussão pública sem medidas concretas que resultem na exploração sustentável do mar. É absolutamente necessário regenerar o tecido económico nacional com ligação ao mar e (re)industrializar o País com empresas de base tecnológica em áreas como as energias offshore, aquicultura, produção algas marinhas, a pesca, os transportes, a construção e reparação naval, recuperando o fulgor de outros tempo. Não menos importante é a prospeção e exploração da plataforma continental, promovendo e desenvolvendo competências nas profissões do futuro. Hoje em dia, fala-se numa excessiva burocracia que afeta todas as atividades ligadas ao mar. No seu entender, que

Augusto Barata da Rocha outros obstáculos se colocam ao empreendedorismo neste setor? Na concretização da Estratégia Nacional para o Mar (ENM) e do Plano de Ordenamento do Espaço Marítimo, a Secretaria de Estado da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar lançou o repto à Secretaria de Estado da Modernização Administrativa para o lançamento conjunto de um programa de simplificação dedicado ao Mar, cujo objetivo seria o de estimular o desenvolvimento económico nacional do sector bem como eliminar barreiras administrativas à exploração de recursos. A montante dos serviços administrativos é necessário identificar áreas de competência científica de valor acrescentado de base tecnológica e criar programas de incentivo que promovam a criação de novas empresar atraindo o investimento estrangeiro. O estímulo à criação de spin’offs é também essencial para estimular a criação de um tecido económico do MAR regenerado. Dado que muitos destes projetos inovadores, ligados ao MAR exigem investimentos elevados, a participação mais ativa de capitais de risco é também essencial. Num futuro próximo, quais são, na sua opinião, as oportunidades que o mar guarda para Portugal a nível internacional? O Mar representa um “MAR” de oportunidades para Portugal explorar. Como referi anteriormente, a criação de grandes reservas marinhas para preservação da biodiversidade e para a preservação de importantes ecosistemas, a expansão da aquacultura para extensas áreas offshore, a criação de algas para produzir biocombustíveis e absorção de CO2, a prospeção e exploração dos fundos marinhos para obtenção de novos recursos naturais, incluindo o desenvolvimento da biotecnologia marinha e a sua aplicação na farmacêutica, a energia Offshore e os geo-recursos minerais poderão ser no futuro importantes fontes de riqueza nacional. Está praticamente tudo por fazer e é esse o fantástico desafio que temos pela frente. É necessário arrancar e “ir para o MAR”, e que esta oportunidade deixe de o ser e passe a ser uma realidade. De outra forma será sempre uma oportuni-

dade que nunca se concretiza. Existem iniciativas em curso, em Portugal, que importa não desperdiçar. São exemplos dessas oportunidades a central de energia das ondas do Pico, sobre a responsabilidade do Centro de Energia das Ondas (WavEC), construída em 1992, considerado um dos mais importantes centros de teste de energia das ondas na Europa. Ativo valioso, do ponto de vista do conhecimento associado ao aproveitamento da energia das ondas que importa manter e preservar, depara-se com dificuldades em obter financiamento que permita remodelar e manter a central em funcionamento. O projeto Windfloat, da estação da EDP na Aguçadoura, atualmente já a produzir energia offshore, é também uma iniciativa com elevadíssimo potencial.

No próximo dia 16 de novembro celebra-se o Dia Nacional do Mar. Que mensagem gostaria de deixar aos nossos leitores e a todos os empresários? Penso que o nosso Hino Nacional tem a mensagem encriptada: “Heróis do MAR”

serão os nossos investigadores e empresários do MAR do futuro. Serão aqueles que gerarem riqueza e economia do MAR. Serão aqueles que criarem postos de trabalho e empresas competitivas que ajudem Portugal a manter a sua soberania económica e financeira. Como dizia Camões, “Em perigos e guerras esforçados, mais do que prometia a força humana”, estes investigadores e empresários irão edificar uma Nova Economia do MAR, com muitas dificuldades certamente, muitos fracassos, mas também com a esperança de encontrar novos mundos de negócio e prosperidade. Por isso, voltando ao Hino Nacional, “ÀS ARMAS, ÀS ARMAS, sobre a terra e sobre o MAR”, às armas procurando novos desafios, apostando no futuro do MAR, criando empresas, postos de trabalho, riqueza e começando a pensar em construir um futuro melhor para as gerações vindouras, já que a minha geração infelizmente não o conseguiu… LER NA INTEGRA EM WWW.PONTOSDEVISTA.PT


EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO

Grupo Atlas Corporation

“Apostar no Capital Humano é a nossa Missão” “Sensibilizamos para a Importância de Formação especializada e que possa contribuir para o crescimento individual do formando que ao desenvolver competências orientadas para as necessidades do Mercado, contribui para o crescimento sustentado da economia do país”, afirma Ana Paula Oliveira, CEO do Grupo Atlas Corporation, em entrevista à Revista Pontos de Vista. Conheça mais de uma marca que tem a missão de formar para o Sucesso. “As empresas estão cada vez mais seletivas e exigentes, elegendo como seus parceiros, fornecedores especializados que potenciam os seus recursos humanos aumentando as suas competências. Desta forma, apostam e investem em Formação especializada, que consideram ser um mercado em crescimento”

A Atlas Corporation é um parceiro privilegiado de empresas nacionais e internacionais, divulgando o seu Know-How de acordo com as características dos mercados onde se insere. Os nossos formadores especializados e com elevada experiência profissional procuram obter um conhecimento apurado relativamente a cada um dos nossos parceiros, de forma a que as ações sejam sempre direcionadas às reais necessidades, correspondendo desta forma às expectativas e objetivos formativos procurados. Equipa da Direção do Grupo Atlas Corporation De forma a prestar um serviço único, o Grupo Atlas Corporation apresenta áreas distintas de formação. Quais aquelas que possuem maior preponderância ao nível de preferência por parte dos formandos? O Grupo Atlas Corporation tem a missão de Formar para o Sucesso, existe no mercado há mais de 20 anos e abrange as seguintes áreas: Atlas Corporation – Formação de quadros médios e superiores das maiores empresas em Portugal; Higiene e Segurança no Trabalho - marca que desenvolve competências na área de higiene e segurança, certificada pelo ACT; Formação de Formadores; IEDP Instituto de Educação e Desenvolvimento Profissional reconhecido pelo Ministério de Educação e Colégio Europeu Astoria com valências desde Berçário até ao 1º Ciclo. A Atlas Corporation é o grupo dedicado à formação, que nos últimos anos mais cresceu em Portugal, facto que revela a qualidade ministrada e alcançada. Quais são os principais predicados que perpetuam na Atlas Corporation e que fazem da mesma o paradigma da Formação com qualidade?

A Atlas Corporation é uma das maiores Organizações ao nível da formação, com Reconhecimento Nacional e Internacional no Desenvolvimento de Competências Humanas e Profissionais. Com mais de 160 colaboradores, tem um caráter inovador apresentando um crescimento sustentado, sendo já PME Líder. A Atlas Corporation reúne competências sectoriais específicas diferenciadoras e uma vasta experiência na área educacional estando em todo o território nacional há 23 anos. Um dos principais problemas que afetam o nosso país passa pela elevada taxa de desemprego existente. Neste sentido, e atendendo à vossa ligação com o universo empresarial, de que forma é relevante na vossa dinâmica esse contacto e qual tem sido o nível de recetividade das empresas? As empresas estão cada vez mais seletivas e exigentes, elegendo como seus parceiros, fornecedores especializados que potenciam os seus recursos humanos aumentando as suas competências. Desta forma, apostam e investem em Formação especializada, que consideram ser um mercado em crescimento.

De que forma organizam ofertas formativas como resposta à procura, sem descurar as reais necessidades do mercado do trabalho? Existe a preocupação em sensibilizar os formandos para formações que apesar de menos apelativas, são indispensáveis e vitais para o desenvolvimento do país? Sensibilizamos para a Importância de Formação especializada e que possa contribuir para o crescimento individual do formando que ao desenvolver competências orientadas para as necessidades do Mercado, contribui para o crescimento sustentado da economia do país. As grandes áreas de formação são: Gestão, Formação de Formadores, Higiene e Segurança no Trabalho, Gestão de Projetos, Design Gráfico, Autocad, Línguas, Multimédia e Microinformática e temos também serviços nas áreas de consultoria de formação, elaboração de candidaturas POPH e conceção do plano anual de formação.

A Atlas Corporation constitui-se como o parceiro privilegiado de instituições nacionais e internacionais. Existe alguma preponderância relativamente a estes dois grupos?

Qual a importância, na sua opinião, em apostar na valorização do capital humano? Que relevância pode ter esta aposta ao nível da evolução económica/ social do país? A Atlas Corporation, com 23 anos de trabalho e investigação na área Pedagógica e de Desenvolvimento de Competências Pessoais e Profissionais, acredita que o “Capital Humano” é a riqueza das Organizações do Futuro, e que o Sucesso de cada um e do grupo, se constrói desde o berço, pela identificação dos talentos de cada indivíduo e pelo suporte que se dá ao seu desenvolvimento individual. Acredita que cada pessoa e cada organização apesar das dificuldades, pode impulsionar a sua vida para o sucesso. É por esta razão que a Missão da Atlas Corporation é “Formar para o Sucesso”.

Quais são as principais linhas de futuro da Atlas Corporation e quais as suas expectativas para 2013? Apostamos na qualidade crescente dos nossos serviços, criando ações formativas que correspondam aos desafios dos mercados. Trabalhamos em prol da expansão da marca, no sentido de conquistarmos novos mercados para além de Moçambique, Cabo Verde e Angola. Apostar no Capital Humano é a nossa Missão.


EVENTOS

Pontos de Vista Novembro 2012

15º Congresso da APLOG

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O papel da Logística nas exportações lusas Decorreu no passado dia 30 de outubro o 15º Congresso da Associação Portuguesa de Logística (APLOG), este ano dedicado ao papel da logística como fator diferenciador nas exportações portuguesas. Com 300 participantes e 40 oradores, dos quais quatro estrangeiros, o Congresso foi mais uma vez um ponto alto na logística em Portugal.

P

ela primeira vez na qualidade de presidente da APLOG, Alcibíades Paulo Guedes abriu os trabalhos, lembrando que a exposição ao exterior de Portugal é ainda inferior à de outras economias de pequena dimensão, como a Bélgica ou a Irlanda, mas existe “um espaço de progressão enorme”, acentuado pela crise económica. Sérgio Monteiro, Secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações (2), rejeitou que as medidas governamentais estejam unicamente centradas no objetivo de pagamento da dívida soberana. “A transformação estrutural do mercado português, com o aumento das exportações e consumo interno de produtos nacionais é um fator de sucesso dos 16 meses deste governo”, afirmou na abertura do Congresso que teve lugar no Centro de Congressos de Lisboa durantes dois dias (30 e 31 de outubro). O responsável enumerou as medidas em marcha para alavancar as exportações, ao nível da desburocratização e abertura de linhas de financiamento, e da logística, sobretudo na área portuária. Sérgio Monteiro destacou três medidas em que o governo está a apostar para reduzir entre 25 a 30% da fatura por-

Alcibíades Paulo Guedes tuária. A primeira é a reforma da lei do trabalho portuária, já aprovada em Conselho de Ministros, que deverá estar em prática até ao final do ano, permitindo “reduzir o custo da operação portuária e aumentar a sua eficiência”. A segunda é o fomento da concorrência, com a criação de mais um terminal de contentores e a renegociação dos contratos de concessão, de forma a diminuir o peso das taxas fixas e aumentar o das taxas variáveis, para fomentar “a utilização das infraestruturas”. Finalmente, o Governo quer reduzir o peso das taxas cobradas pelo Estado, ainda que tal reduza as receitas das Administrações Portuárias e do próprio Estado. O Secretário de Estado reforçou ainda o objetivo de privatização da CP Carga, no primeiro semestre de 2013, para “reduzir os custos para os agentes económicos e melhorar a prestação de serviço ferroviário”. Relançou ainda o objetivo de criar um grupo de trabalho para trabalhar no plano das plataformas logísticas, considerando que “estamos agora em condições de dar este passo”. Com as exportações para destinos extracomunitários a representarem quase um terço do total, o papel da logística é fulcral, e sobretudo o dos portos. Portu-

gal é já um país logistic friendly, de acordo com o Banco Mundial, mas a eficiência deste vetor é ainda inferior à média dos países de alto rendimento. É nos processos alfandegários que surgem os maiores problemas. De acordo com o Banco Mundial, é no processo aduaneiro que Portugal apresenta pior desempenho em termos de performance logística. O tema foi debatido durante o primeiro dia do 15º Congresso da APLOG, onde a presença da subdiretora geral da Autoridade Tributária e Aduaneira foi aproveitada para esclarecimento de alguns dos problemas com que se deparam os exportadores nacionais. Ana Paula Raposo garantiu que a Administração Pública, nomeadamente as alfândegas, estão conscientes do “desígnio nacional” que representam as exportações e “têm dado prioridade aos instrumentos de simplificação da exportação”. Não obstante, reconheceu a existência de problemas relacionados com os tempos de processamento do sistema informático, e que estarão relacionados com a falta de capacidade dos mesmos. Estes problemas “estão a ser equacionados” para que não comprometam os novos processos disponíveis eletronicamente: o sistema de manifestos eletrónicos na via marítima, desde outubro, e na via aérea, a partir de 1 de janeiro próximo. A falta de adesão ao estatuto de Operador Económico Autorizado, criado em 2005 para simplificar os processos aduaneiros, estará relacionada com os elevados requisitos exigidos às empresas e ao facto de ser um processo caro. Continua no entanto a ser visto como um “rótulo geral de credibilidade” e “uma figura de futuro”, nas palavras do advogado José Rijo. No painel da manhã do segundo dia do Congresso a ideia central foi sobre infraestruturas e meios. A pequena dimensão do mercado português condiciona a

ambição e talvez seja mais sensato Portugal aspirar à Iberia do que sonhar em ser a porta de entrada da Europa. Portugal dispõe das infraestruturas de transporte mínimas necessárias, com exceção de algumas acessibilidades aos portos e de um caminho-de-ferro operacional, começou por afirmar Belmar da Costa. Para o Secretário-Geral da AGEPOR, o trabalho dos agentes de navegação é atrair os armadores aos portos portugueses. Um trabalho dificultado pela fraca dimensão do mercado, pelas greves regulares nos portos nacionais, e em especial de Lisboa, ou pela indefinição que rodeia as administrações portuárias há mais de um ano. Na carga aérea a localização geoestratégica de Portugal é uma vantagem real, sobretudo na ligação a África e América do Sul. Preço, serviço e localização geográfica influenciam decisivamente a carga aérea, defendeu José Manuel dos Santos, Assessor do Conselho de Administração da ANA, satisfeito com o crescimento da carga aérea exportada, a um ritmo de 7%. Para Portugal vencer o problema da dimensão, Vítor Caldeirinha, diretor da Administração do Porto de Setúbal e Sesimbra deixou duas sugestões: penetrar no hinterland ibérico, com a consciência de que é preciso enfrentar a concorrência de Valência, e aumentando o transhipment, a opção mais adequada aos portos sem suficiente dimensão. Sobre o potencial do canal do Panamá certezas não há. Pode ser uma oportunidade, na teoria, mas também uma ameaça. Certo, concordam todos, é que a decisão está nas mãos dos big players, que para já se reservam ao silêncio. O último painel do Congresso da APLOG foi dedicado à apresentação de casos de sucesso na exportação, pela voz dos seus responsáveis de topo. Foi a prova de que a logística hoje, e ao contrário do que acontecia há alguns anos atrás, é reconhecida ao mais alto nível.


EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO

Segunda Reunião Formal Europass, realizada nos dias 25 e 26 de Outubro, no Hotel Vila Galé em Cascais

Portugueses são os que mais utilizam Europass CV Nos passados dias 25 e 26 de outubro, realizou-se em Cascais a segunda Reunião Formal Europass. No encontro marcaram presença vários membros da Comissão Europeia, os representantes de todos os Centros Nacionais Europass europeus e a Secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário, Isabel Leite, entre outros convidados. Fique a conhecer as conclusões que advieram do encontro, bem como as conclusões do estudo do Professor Jorge Romero sobre a “Importância dos Documentos Europass no Mercado de Trabalho Nacional”.

“Mecanismos que promovam conhecimento e competências são uma obrigação e devem estar na agenda política e social dos países. O conceito de mobilidade em que assenta o Europass corresponde ao paradigma de comunidade” (Isabel Leite, Secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário)

A

sala de reunião do Hotel Vila Galé, em Cascais, quase não tinha espaço para a quantidade de pessoas que fizeram questão de marcar presença na Segunda Reunião Formal Europass, primeira a realizar-se em Portugal. Os representantes dos vários Centros Nacionais Europass de toda a União Europeia compareceram à reunião que teve como finalidade avaliar o impacto dos documentos Europass no mercado de trabalho e definir metas concretas para uma maior aproximação dos mesmos ao seu público-alvo. A dar as boas vindas aos presentes no dia 25 de outubro, esteve uma das tunas universitárias de Lisboa que encantaram os convidados não só com as suas tradicionais músicas mas também com a boa disposição que marcou a apresentação. A este momento de descontração, seguiu-se o discurso da Secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário, Isabel Leite, para a qual os documentos Europass se traduzem num facilitador da mobilidade por serem uma referên-

Isabel Leite, Maria do Céu Crespo e Pedro Chaves cia comum aos diferentes países e setores de atividade, deixando, desta forma, as capacidades dos utilizadores mais evidentes. “Mecanismos que promovam conhecimento e competências são uma obrigação e devem estar na agenda política e social dos países. O conceito de mobilidade em que assenta o Europass corresponde ao paradigma de comunidade”, afirmou. Também Maria do Céu Crespo partilhou esta opinião. Segundo a Diretora da Agência Nacional Proalv e do Europass Portugal, através destes documentos os candidatos tornam as suas competências mais claras e percetíveis aos olhos dos empregadores. Revelou ainda que, desde 2008, Portugal lidera o ranking europeu na utilização do Europass CV e é o segundo país, a seguir a Itália, com maior número de visitas realizadas este ano ao site comunitário do Europass, o portal que ajuda a elaborar e uniformizar documentação relevante para a mobilidade na formação e procura de emprego. Seguiu-se a apresentação de Pedro Chaves, Principal Administrador da DG EAC (European Commission’s Education

and Culture Directorate-General) que se referiu aos documentos Europass como “os mais populares de sempre” e mostrou que a importância destes é maior em alturas de dificuldade económica como a atual, porque a mobilidade aumenta e uma referência comum, boa documentação das capacidades e transparência têm uma importância fulcral no sucesso e agilidade destes processos.

Conclusões do estudo de Jorge Romero

O encontro terminou com a apresentação do estudo do Professor Catedrático Jorge Romero relativamente à importância dos documentos Europass no mercado de trabalho português. De acordo com o mesmo, dos cinco documentos Europass (ver caixa de texto), o modelo europeu do “curriculum vitae” é o que maior representatividade tem em Portugal, tendo um impacto superior a 80 por cento. Entre os utilizadores, 55,3 por cento já encontrou emprego através do modelo de CV em questão. Já entre os empregadores, 53,7 por cento

aceitam este tipo de currículo e 22,7 por cento exige mesmo a utilização deste modelo comum. O Europass Passaporte de Línguas foi aquele que apresentou menos impacto, devido ao desconhecimento da sua importância. Já o Europass Mobilidade, vocacionado para os estágios, revelou ter alguma expressão em Portugal, mas apresentou algumas lacunas sobretudo a nível internacional, na sua maioria relacionadas com as dificuldades no preenchimento do documento. 38 por cento dos portugueses já usaram o Europass Mobilidade, a maior parte como forma de certificar conhecimentos no âmbito de candidaturas a estágios internacionais. O Europass Suplemento ao Certificado, que serve como complemento ao diploma de formação profissional, tem alguma expressão em Portugal, tendo sido usado por 58,3 por cento dos inquiridos. No entanto, entre aqueles que nunca usaram, a maioria não conhece o documento. Já entre aqueles que utilizam, a maior parte fá-lo por considerar uma mais valia nas candidaturas de emprego. Já o Europass Suplemento ao Diploma,


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A estes documentos, que não têm ainda impacto e são pouco utilizados, há que desenvolver um trabalho profundo de divulgação (Jorge Romero)

Pedro Chaves vocacionado aos cursos universitários, revelou-se menos utilizado, com apenas 32,5 por cento dos inquiridos a responder que já utilizou o documento em questão. Aqueles que nunca utilizaram consideram o documento pouco importante uma vez que os diplomas universitários têm o mesmo fim e são suficientes por si só. É de referir ainda, que a amostra de inquiridos continha pessoas em fase de procura de emprego, potenciais empregadores e ainda centros de educação e formação. No primeiro grupo 95,3 por cento disseram conhecer os documen-

Maria do Céu Crespo

tos Europass. Entre os empregadores, esse número desceu para 64,6 por cento e para 73,2 por cento entre os centros de formação. Para concluir, resta dizer que, dos vários inquiridos, 73,4 por cento já aconselharam familiares ou amigos a utilizarem os documentos Europass. Jorge Romero avança uma das conclusões a que se chegou neste 2º encontro dos Centros Nacionais Europass, “a estes documentos, que não têm ainda impacto e são pouco utilizados, há que desenvolver um trabalho profundo de divulgação”.

Os cinco documentos Europass

Os cinco documentos Europass que têm em vista apresentar as qualificações e competências de forma clara e facilmente compreensível na Europa: • Curriculum Vitae • Passaporte de Línguas • Europass – Mobilidade • Suplemento ao Certificado • Suplemento ao Diploma Isabel Leite


EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO

Patrícia Rocha Martins, Técnica Superior de Relações Externas e Internacionais da Escola Superior Artística do Porto

“Uma mobilidade internacional é sempre um valor acrescentado para o aluno” “É importante implementar uma mudança que registe de forma inequívoca, uma posição de combate ao crescimento do desemprego”. Esta é, para Patrícia Rocha Martins, a necessidade atual mais premente. Daí que, quando se fala no novo programa de mobilidade, designado por “Erasmus For All”, a expectativas sejam bastante positivas.

Patrícia Rocha Martins Quem já experimentou não hesita em afirmar que o Programa Erasmus é uma experiência para toda a vida. Algo que começou com menos de trinta alunos, hoje atrai o interesse de quase seis mil. Os objetivos são, atualmente, os mesmos? O Programa Erasmus sempre se centrou nas necessidades dos jovens e em melhorar as suas competências, traduzindo-se num apoio à sua empregabilidade. Para a generalidade das pessoas,

o Programa é sinónimo de formação no estrangeiro. Com a popularidade que tem, é natural que os alunos se interessem cada vez mais em integrá-lo com o objetivo de não só promoverem um desenvolvimento pessoal, mas também melhorarem aptidões linguísticas e académicas, testarem a sua capacidade de adaptação a outros contextos profissionais e culturais e aumentarem as suas perspetivas de emprego.

O novo programa de mobilidade, designado por “Erasmus for All”, a ser lançado pela Comissão Europeia, a partir de 2014, promete dar muitos frutos. Quais são as expectativas da Escola Superior Artística do Porto? Considerando que o novo Programa con-

tinua a incentivar o desenvolvimento de parcerias, o intercâmbio de boas práticas e a investir nas oportunidades de aprendizagem dos alunos no estrangeiro, a nossa expectativa reside na questão do financiamento. Para a ESAP é essencial que se confirme o aumento previsto e que este se traduza, não só num acréscimo do número de bolsas, mas também do valor das mesmas. Desta forma conseguiremos corresponder às expectativas de um maior número de alunos. 25 anos passaram desde a implementação do Programa Erasmus. Este é o momento ideal para serem introduzidas alterações? Que impacto terá na realidade dos alunos e das próprias escolas, em particular da ESAP? Dado o atual panorama socioeconómico da Europa e as circunstâncias particularmente difíceis que o nosso País enfrenta, acreditamos que neste momento é importante implementar uma mudança que registe de forma inequívoca, uma posição de combate ao crescimento do desemprego. Por isso, estamos certos que o novo Programa é uma aposta da Comissão Europeia nesse sentido, através da educação e da formação dos nossos jovens. O mercado de trabalho é cada vez mais exigente ao nível das qualificações dos indivíduos e da sua capacidade de adaptação e inovação por isso, confiamos que o novo Programa tenha um impacto positivo junto dos alunos e, por consequência, das respetivas Escolas que, como a ESAP, certamente têm a preocupação constante de promover e incentivar as competências pessoais, académicas e profissionais dos seus estudantes. Um dos grandes objetivos deste novo programa é fazer com que um maior número de alunos seja abrangido, através do aumento significativo da quantidade de bolsas que serão atribuídas. Tal como Maria do Céu Crespo, Diretora da Proalv, acredita que os valores disponibilizados, atualmente, para os alunos Erasmus Portugueses deveriam ser revistos? Pela nossa própria experiência consideramos que a revisão desses valores é imperativa. Apesar de termos consciência de que uma bolsa erasmus, por si só não garante a sustentabilidade económica dos alunos em mobilidade, é necessário

que se confirme um maior financiamento porque, considerando o cenário atual, esse aumento viabilizará uma maior abrangência e o incremento efetivo de mobilidades.

“Erasmus para todos”, nos domínios da educação, formação, juventude e desporto, vem substituir sete programas existentes por apenas um. Acredita que esta decisão irá aumentar a eficácia e facilitar as candidaturas às bolsas? Nesta altura, desconhecemos em concreto se os processos de candidatura às ações de mobilidade e às respetivas subvenções serão facilitados, mas cremos que a existência de um único Programa pressuponha a simplificação e uniformização de procedimentos, quer ao nível das candidaturas, quer da implementação dos próprios projetos de mobilidade. Prevê-se que o novo programa duplique o número de alunos a estudar no estrangeiro. Com a atual conjuntura financeira e, num momento em que Portugal vê os seus jovens a agarrar oportunidades noutros países, este é mais um estímulo para a tão falada “exportação de talentos”?

Uma mobilidade internacional é sempre um valor acrescentado para o aluno porque incrementa o seu potencial, favorece a sua empregabilidade e acaba por se traduzir em valor acrescentado para o mercado de trabalho em que o mesmo venha a operar. A nossa atual conjuntura propicia a “exportação de talentos” mas esperamos que o Governo Português se centre definitivamente nesta questão e crie condições reais para que os nossos jovens fiquem por cá e apliquem no nosso mercado de trabalho esse potencial, nomeadamente, ao nível da criatividade e do empreendedorismo.

De um modo geral, acredita que o Programa “Erasmus For All” conseguirá, efetivamente, chegar a todos? A implementação deste novo Programa tem esse grande objetivo e reflete o esforço e uma resposta da Comissão Europeia nesse sentido. A todos nós, enquanto intervenientes e beneficiários do mesmo, cabe-nos acreditar nos objetivos traçados e contribuir dentro das nossas possibilidades, para que este Programa chegue a um maior número de pessoas e seja efetivamente um sucesso.


EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO

ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa – a escola de gestão com mais alunos a estudar no estrangeiro

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“Defendo uma postura cosmopolita” Com mais de 400 alunos de todo o mundo nos cursos do ISCTE- Instituto Universitário de Lisboa e mais de 150 parcerias com universidades de todo o mundo, o ISCTE-IUL, é também a escola de gestão portuguesa que mais alunos tem a estudar no estrangeiro. O Reitor, Luís Antero Reto, é um defensor ativo da mobilidade. A Revista Pontos de Vista deixa-o a conhecer a estratégia de internacionalização desta Universidade.

N

os corredores do ISCTE-IUL não é invulgar ouvir falar diferentes línguas, algo cada vez mais comum nas universidades portuguesas, e ainda mais no ISCTE-IUL, ou não fosse a escola de gestão do ISCTE-IUL a que mais alunos estrangeiros recebe. Com 300 acordos estabelecidos com universidades dos 27 Estados-membros da União Europeia e mais de 100 acordos com universidades de outras partes do globo, o ISCTE-IUL tem uma política de internacionalização bem definida e é reconhecida lá fora não só pela sua qualidade, mas também pelas condições facilitadoras de integração que dá aos alunos que tão bem recebe. Uma delas é a possibilidade de assistirem às aulas totalmente em inglês em sete mestrados, no MBA em energia e ainda no principal curso da universidade, a licenciatura em gestão. Numa entrevista dada em 2009, o Reitor, Luís Antero Reto, definiu como meta para os próximos anos aumentar para dez por cento o número de alunos estrangeiros a estudar no ISCTE-IUL, uma meta que foi ultrapassada e hoje é já de 13 por cento o número de alunos de outros países. No ano letivo de 2000-2001, o ISCTE-IUL contava com 98 estudantes estrangeiros. Este ano a estimativa é de 380, mais 30 por cento do que no ano passado. Relativamente aos alunos enviados, em 20002001, 91 alunos do ISCTE-IUL entraram num programa de mobilidade, passando pelo menos um semestre fora. Este ano

Luís Antero Reto estima-se que sejam 204 alunos a vivenciar essa experiência, mais 7,9 por cento do que no ano passado.

Programas de mobilidade inovadores

A contribuir para o elevado número de alunos de outros países que podemos encontrar nos corredores do ISCTE-IUL está ainda o facto de a Universidade ter visto aprovada a sua candidatura ao programa Erasmus Mundos, para realização de mestrado europeu de diploma conjunto em MFAMILY – Families and Children, resultado dos vários anos de cooperação com as universidade de Gothenburg (Suécia) e de Stavanger (Noruega). Em cada ano, está previsto que sejam atribuídas oito bolsas de estudo a estudantes europeus e 17 bolsas a estudantes de países não europeus. Este ano, o primeiro semestre já está a decorrer no ISCTE-IUL, que tem a cargo a coordenção deste consórcio. Para além disso, este ano o Instituto Universitário de Lisboa recebe também pela primeira vez um inovador programa de mobilidade de uma universidade dos Estados Unidos. Semelhante ao europeu programa Erasmus, os alunos da faculdade em questão vêm também para uma faculdade de outro país estudar, a diferença está no facto de que com eles vem também um docente da faculdade. “É um programa para três anos que começamos este ano, no qual os alunos não vêm tão soltos como o normal porque são acompanhados por um professor. Eles assistem

Manuel Marín cá às aulas normalmente, lecionadas em inglês, e algumas são dadas pelo próprio professor”, explica o reitor. Um programa inovador que, para já, não será adaptado pelo ISCTE-IUL por envolver gastos avultados, uma vez que é necessário destacar um professor que faça o acompanhamento e criar um secretariado para o efeito. Outra das inovações do ISCTE-IUL em termos de internacionalização são os cursos de duplo diploma. Um deles faz parte de uma parceria com a Florida Atlantic University, nos Estado Unidos, e dá a possibilidade aos alunos de um dos mestrados do ISCTE-IUL fazer um ano de curso em Lisboa e outro na Florida, ficando assim com diploma de ambas as universidades, o que constitui certamente uma mais valia na altura de procurar emprego. Também nos países lusófonos o ISCTE-IUL tem uma forte presença através de cursos de formação de executivos, mestrados e doutoramentos em Macau, no Brasil, em Moçambique e em Cabo Verde.

Formar gestores globais

Com uma visão global, o Reitor Luís Antero Reto acredita que enquanto membros da União Europeia não podemos pensar em emigração como pensávamos nos anos 70 e defende que todos os profissionais devem ter uma experiência internacional, enriquecendo assim não só o currículo mas a própria vida cultural e pessoal. Com o objetivo de formar profissionais preparados para qualquer mercado de trabalho, Luís Antero Reto, terminou a

Extrato do discurso proferido pela Professor Manuel Marín, considerado o pai do Erasmus, na cerimónia em que lhe foi atribuído o Doutoramento Honoris Causa, no âmbito do 40º aniversário do ISCTE-IUL e do 25º aniversário do Programa Erasmus: “Quero lembrar a todos uma componente fundamental do programa Erasmus que é conhecer e viver outra realidade diferente à do seu país de origem. Assim é como se entende melhor a complexidade da integração europeia, a sua riqueza e diversidade. É uma forma de ampliar a sua visão de mundo, de aceitar mais facilmente ao outro; enfim, de ser mais tolerantes. Mostrar o melhor dos valores europeus é uma parte fundamental do programa. Por isso escolhemos como referência um humanista e filósofo da altura de Erasmo de Roterdão. Nunca será uma perda de tempo durante a época da formação universitária ter a possibilidade de abrir os seus horizontes intelectuais com universitários de outras nacionalidades, partilhar com eles, trabalhar com outros professores, conviver com os habitantes de outras cidades, de outros países. Viajar e conhecer outras pessoas diferentes é também um valor que forma a pessoa.”

conversa afirmando que não gosta de “posturas lamechas de não querer deixar o conforto da casa materna. A nossa missão no ISCTE-IUL é preparar gente para mercados globais e, na área da gestão, principalmente, é importante que se tenha uma experiência internacional, mesmo quem queira trabalhar em Portugal. Por isso, não devemos ter uma postura paroquial de tratar quem vai trabalhar para fora como coitadinho. Eu defendo uma postura cosmopolita”.

LER NA INTEGRA EM WWW.PONTOSDEVISTA.PT


EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO

Paula Cristina Borges, Coach e Diretora Pedagógica NLPC-INCTA

“Poucos sabemos realmente definir o que queremos e a melhor forma de lá chegar” Pela forte componente prática, pela metodologia vivencial de aprendizagem e pelo profissionalismo que os caracteriza, a Internacional Coaching and NLP Training Academy, enquanto academia, disponibiliza aos alunos uma oferta inovadora. Mesmo fora da sala de aula, o elo continua presente. “Cada vez mais é necessário que pessoas e organizações saibam exatamente onde querem chegar”. E, para Paula Cristina Borges, a NLPC-INCTA, tem cumprido o seu papel.

rece ainda programas de reciclagem e promove grupos de estudo e partilha de experiências.

A INCTA subscreve as competências da ICF (International Coach Federation) e é a representante oficial na Europa da ABPCI (Associação Brasileira de PNL, Coaching e Inteligência Emocional). A par disso, que outras razões levam um cliente a escolher as certificações INCTA? Paula Cristina Borges A International Coaching and NLP Training Academy assume-se como sendo mais do que uma escola internacional de Coaching e PNL. No momento em que escolhem esta entidade, o que é que os alunos podem esperar? A INCTA disponibiliza um diversificado catálogo de certificações e formação especializada em Coaching e PNL. Enquanto academia, oferece aos seus alunos programas de índole essencialmente prática e inovadores, estando em constante atualização, reunindo o que de melhor se faz a nível internacional no seu âmbito de atuação. Outro factor que distingue a academia de uma simples escola é o elo de ligação com os alunos, que se prolonga para além da formação em sala. Todos os alunos beneficiam de apoio continuado após o curso e podem ser convidados a frequentar, sem custos acrescidos, novas edições para rever ou aprofundar o que aprenderam. Os trainers da INCTA são altamente qualificados e provêm de diversas escolas internacionais, congregando na academia uma visão diversificada de conhecimentos e metodologias. A INCTA ofe-

Para além do reconhecimento internacional da qualidade das certificações, os clientes escolhem a INCTA pela metodologia vivencial de aprendizagem adoptada: os cursos são muito práticos, focados em resultados e as turmas integradas por um reduzido número de formandos. A par disso, a INCTA opta ainda por uma política justa de preços e oferece um serviço de formação individualizada, na qual qualquer pessoa ou empresa pode, sem custos adicionais, solicitar um curso nos dias e horários que mais lhe convier, ainda que o mesmo não conste do calendário oficial previsto. Para as organizações, são criados programas de formação à medida que têm em conta as especificidades, necessidades e expectativas das mesmas. Há quem encare o coaching como uma terapia e uma forma de resolver problemas emocionais. Contudo, trata-se, acima de tudo, de um processo que ajuda a pessoa a alcançar os objetivos que deseja. Hoje em dia, e dada a sua experiência profissional, as pessoas sabem, com clareza, quais são os seus principais objetivos?

O coaching, de facto, distingue-se da terapia. Verifico que uma grande parte das

pessoas tem dificuldade em definir, de forma clara, os seus objetivos. Todos nós temos desejos e sonhos, podemos saber o que não queremos ter, ser ou sentir, mas poucos sabemos realmente definir o que queremos e a melhor forma de lá chegar. Na sua opinião, por que razão um cliente de coaching não consegue perceber quais são os seus objetivos? Este processo de “retenção” está relacionado com alguma reticência à mudança que ainda possa existir na sociedade atual? Por vezes, as pessoas confundem sonhos com objetivos. Sonhos não passam de intenções e desejos. Definir e alcançar objetivos implica um planeamento, ação e mudança, o que normalmente significa sair da “zona de conforto”. O coaching é útil não apenas quando não se tem objetivos bem definidos, mas também para aquelas pessoas que, apesar de terem objetivos claros, não sabem como alcançá-los, não conseguem agir, desmotivam-se pelo caminho ou não estão a conseguir obter os resultados que esperavam.

O coach procura facilitar o processo, não lhe cabendo a responsabilidade de opinar sobre as opções do seu “cliente”. Que características devem ser intrínsecas a este profissional? O coach deve ser alguém que gosta de estar, lidar e trabalhar com pessoas, respeitando outras formas de pensar e agir. Tem paixão pelo que faz, assumindo-se como um parceiro do seu cliente, apoiando-o no seu processo de desenvolvimento. Integridade, ética e honestidade são outras características fulcrais deste profissional.

Atualmente, existe uma grande variedade de abordagens nesta temática. O que é que os clientes procuram habitualmente? Nas organizações, as abordagens mais procuradas são o Coaching de Liderança, de Equipas e de Negócios. Ao nível dos particulares, cada vez mais as pessoas compreendem as vantagens que um processo de Life Coaching acarreta para a sua vida.

A Academia tem ainda uma política ativa de retenção de talentos, integrando na sua equipa os melhores formandos certificados. Como se desenrola este processo? Nos cursos de certificação, os formandos que se destacam pelo seu perfil técnico e humano são convidados a evoluir no seu percurso certificativo, integrando posteriormente a equipa de trainers e colaboradores internacionais da Academia. Num período de dificuldades, em que as pessoas podem estar mais receptivas a processos de mudança, que desafios se colocarão ao trabalho desenvolvido pela INCTA? Num período de dificuldades como o atual, cada vez mais é necessário que pessoas e organizações saibam exatamente onde querem chegar, conheçam as suas potencialidades, descubram novas possibilidades e avancem, de forma focada, em direção ao que querem. A INCTA tem como desafio continuar a apoiar indivíduos e empresas a desenvolverem o seu potencial, contribuindo, desta forma, para uma sociedade de excelência. É para isso que a INCTA existe.


EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO

Elisabete Melo Coutinho e Henrique Ribeiro, Diretora Executiva e Diretor de Marketing da Koser International

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“Sou coach por vocação” O empreendedorismo está-lhe no sangue. Ser coach também. Juntando estas duas caraterísticas, Elisabete Melo Coutinho criou a empresa Koser International, um projeto que coloca no centro de toda a atividade dois grandes pilares: ética e pessoas. Apresentando-se como uma consultora de negócios internacionais, a Koser “vai onde quiser levar o seu negócio”.

Elisabete Melo Coutinho e Henrique Ribeiro

O

rientar as empresas para que não só apostem na sua comunicação externa, com potenciais clientes, como na comunicação interna. É neste sentido que a Koser International desenvolve a sua vertente de coaching empresarial. Assumindo-se como uma consultora de negócios internacionais, a empresa desenvolve atividades de marketing, acompanhamento linguístico, tradução, criação de páginas web, organização de eventos e gestão de redes sociais numa abordagem multilingue. “Recorremos ao coaching para ajudar as empresas a comunicarem eficazmente com o público em que se querem inserir mas, fundamentalmente, para que a empresa seja entendida como um sistema dinâmico em que todas as partes têm de funcionar equitativamente e de forma otimizada para que o resultado seja o melhor possível”, explicou Elisabete Coutinho, em conversa com a Revista Pontos de Vista. O objetivo é ajudar a empresa a obter o máximo rendimento e a motivação do seu potencial humano, tentando solucionar problemas que à primeira vista não são detetáveis. Que problemas são esses? Essencialmente, questões de falta de comunicação e de transparência nas relações entre todos os membros de uma empresa, com consequências dramáticas na prossecução dos seus objetivos. E é na luta permanente pelo cumprimento dessas metas que os líderes de uma empresa, muitas vezes, não olham para o que está mais à vista. “Existem muitos talentos escondi-

dos dos quais os executivos não se estão a dar conta porque, de facto, estão pressionados com os resultados e os números”, revelou. No coaching empresarial, a Koser trabalha, além de outros elementos, os fatores emocionais associados à liderança e à gestão do tempo coletivo e individual.

Coaching não é esoterismo

Para Elisabete Coutinho, e apesar de ter estado muitos anos no estrangeiro e não conhecer aprofundadamente o que se pratica no mercado nacional, “o coaching em Portugal é muito oferecido na base da consultoria e do marketing”. “Eu não posso, de modo algum, oferecer coaching e reiki nem vou dizer que curo doenças ou vícios; é preciso separar os âmbitos”, afiançou a diretora. Esta equipa faz uma separação total entre esta técnica e outros serviços de consultoria disponíveis atualmente. “O coaching trabalha numa área muito específica. Recorremos às estratégias que os treinadores desportivos de atletas de alta competição usam e vamos aplicá-las a pessoas que no seu quotidiano necessitam de ter um alto desempenho e rendimento no trabalho”, descreveu a responsável. No final do processo, o objetivo não é que a produtividade surja como uma imposição mas sim como uma consequência natural do papel que o colaborador assume no seio da sua empresa. A empresa que contrata este profissional deve exigir sempre conhecer a sua formação. “Tem de ter consciência de que está a colocar o seu talento humano nas mãos daquela pessoa e que é um processo demasiado sério para que não haja o mínimo de filtro”, partilhou. Processo esse que respeita um conjunto de normas éticas que esta profissional, enquanto membro da International Coach Federation, deve seguir. Para Elisabete Coutinho que associa o papel do coach

a duas grandes caraterísticas, ética e perceção de que se está a lidar com seres humanos, o coaching nada tem de esotérico. Pelo contrário. “Trabalhamos, acima de tudo, com base na razão e na parte comportamental”, garantiu. Para Henrique Ribeiro, Diretor de Marketing, “o desconhecimento leva a que as pessoas não percebam o que é o coaching e o que se pretende aqui trabalhar”.

Ação e objetivos

São as duas palavras que resumem o coaching. Ser coach é quase como ser como o Mourinho. “Ele pega numa equipa, consegue motivá-la e ver o talento de cada um, colocando-o exatamente onde tem de estar. Antes de começarmos a trabalhar o desempenho das pessoas, temos que entender por que é que elas querem aquele desempenho. Apenas com base no equilíbrio emocional, vamos exigir a alguém que seja produtivo e rentável no contexto empresarial”, disse Elisabete Coutinho. O momento em que um empresário começa a perceber que existem aspectos no seio da sua empresa que têm de ser calibrados, do ponto de vista humano, é, talvez, a alavanca para procurar o know how de um coach. É a velha máxima: “podemos fazer mais e melhor, mas como?” A participação neste processo deve ser sempre de forma voluntária, mas, de um modo geral, “as pessoas são recetivas ao coach porque vêem ali alguém que não as vai julgar”, partilhou. Trata-se exatamente disso. Sem interferir no processo de decisão, o coach orienta e ajuda o cliente a perceber qual o melhor rumo a seguir.

Apoio à internacionalização de bens e serviços

Há muito que a internacionalização deixou de ser uma opção, sendo cada vez

“Existem muitos talentos escondidos dos quais os executivos não se estão a dar conta porque, de facto, estão pressionados com os resultados e os números” mais uma necessidade. A Koser conhece essa realidade e ajuda os seus parceiros no momento em que decidem “entrar no barco”. Contudo, abraçar este desafio acarreta uma série de implicações que devem ser previamente estudadas e é necessário ter respostas imediatas para questões como: “Para onde? Porquê? O que vamos lá vender? Como?” Assim sendo, a Koser acompanha todo o processo, ajudando a definir o target, fazendo a prospecção do mercado e trabalhando, por fim, a componente do marketing internacional. “Tudo isto é importante para que o cliente não esteja a investir valores sem qualquer tipo de proveito”, asseverou Henrique Ribeiro. A par disso, o processo de internacionalização implica um forte suporte linguístico. Mais do que limitar-se a traduzir conteúdos, a Koser adapta-os à realidade do mercado em que está inserido. Para o início do próximo ano estão já reservados grandes desafios para a Koser. A 12 de janeiro, está prevista a inauguração das novas instalações e a apresentação de uma escola de líderes, que está a ser desenvolvido em parceria com a EFIC (Escola de Formação Integral de Coaching), onde se formou Elisabete Coutinho, situada em Espanha, e pela mão daquele que ainda hoje considera o seu mentor e maior referência profissional, o coach Pedro Marcos. Com seriedade e rigor, esta instituição estimula a ética que se exige a estes profissionais, uma filosofia desde sempre adoptada pela Koser International.


EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO

ENGENHO & OBRA – Muito mais que uma Marca

Com «Engenho e Obra» se faz o Mundo Na era contemporânea, percebemos que o atual fenómeno do mundo global mudou, existindo uma nova ordem mundial, onde a globalização da economia derruba fronteiras e ultrapassa diferentes línguas e costumes, criando assim um novo mundo inteiramente desconhecido e diferente, ao qual é necessário uma adaptação e onde o conceito de parceria assume relevância chave, no momento de marcar a diferença no universo empresarial, civil e social em prol das populações dispersas a nível planetário.

“Esta é uma forma muito relevante de mudar a vida das pessoas, principalmente nos países menos desenvolvidos onde sabemos que as oportunidades são bastante escassas”

A

primeira lei da termodinâmica diz que aquilo que não está a crescer está a morrer e se deixarmos de evoluir enquanto pessoas ou entidades, estamos a aproximar-nos do fim, sendo portanto necessário e urgente que se criem medidas e metodologias alternativas em prol de soluções inovadoras e acima de tudo capazes de marcar a diferença. A Revista Pontos de Vista foi conhecer um projeto distinto e que tem vindo a marcar um trilho de rigor e perseverança em prol de um ideal e de um conceito, ou seja, melhorar a qualidade de vida das populações dos países fragilizados, criando assim condições que permitam aumentar a sua autonomia, nomeadamente através de projetos integrados de engenharia (Missão). Esse projeto denomina-se ENGENHO & OBRA, Associação para o Desenvolvimento e Cooperação, sendo uma ONGD, Organização Não Governamental para o Desenvolvimento, reconhecida pelo Estado português e registada no IPAD, Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento. A atual conjuntura económica sentida

Elisete Santos e Alfredo Soares Ferreira nos diversos mercados mundiais tem promovido sérias dificuldades na conceção e acima de tudo na execução dos diferentes projetos promovidos pela ENGENHO & OBRA (E&O). Segundo Alfredo Soares-Ferreira e Elisete Santos, respetivamente Presidente e Técnica Superior do Departamento de Projetos da E&O, “pretendemos continuar a contribuir com projetos integrados, capacitando as populações no sentido de promover e fomentar o desenvolvimento sustentável e assim contribuir para a melhoria da qualidade de vida das populações”, assumem. Mas poderá a Cooperação para o Desenvolvimento assumir um papel central relativamente à crise económica em que vivemos atualmente? Segundo Alfredo Soares-Ferreira a resposta é obviamente positiva, principalmente numa fase de crise, tal como aquela em que vivemos. No entanto, importa realçar que esse rumo não deve ser confundido tal como o tem feito, por exemplo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros português. “Não podemos confundir Cooperação para o Desenvolvimento e internacionalização da economia. Tal realidade pode-

rá eventualmente acontecer se for do interesse de uma estratégia comum entre uma empresa e uma ONGD. Eles têm o lucro que pretendem, até porque é esse o objetivo do universo empresarial e nós conseguimos ajudar as populações através da capacitação do capital humano”, assevera o presidente da E&O, instituição localizada no Porto, mais concretamente em Paranhos, nas instalações do Instituto Superior de Engenharia, dispondo ainda de delegações em Lisboa, na Escola Superior de Educação e em Maputo, Moçambique. De referir que a E&O é reconhecida como organização internacional em Moçambique, contando ainda com Delegados em Cabo Verde, Angola, Guiné Bissau e Timor-Leste.

Conjuntura económica não dá tréguas

O prelúdio da E&O deu-se em 2006, sendo que a escritura de constituição foi subscrita por pessoas individuais e entidades académicas e empresariais. De que forma é fundamental na orgânica da E&O esta junção de saberes e know-how do meio académico e empresarial?

O fenómeno da Cooperação para o Desenvolvimento, ou seja, a luta contra as desigualdades, a promoção dos direitos humanos, a boa governação e um crescimento inclusivo e sustentável que contribua para o desenvolvimento humano, surge com base nos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), sendo essencial que seja realizada através das ONGD, “mas sempre em estrita colaboração com as instituições do ensino superior (IES) e com empresas. Esse caminho pode ser feito com base no denominado «Triângulo Virtuoso»: Organizações da Sociedade Civil (nomeadamente ONGD), Empresas e IES”, afirma Alfredo Soares-Ferreira. Todos os projetos, exigem, à partida, know-how técnico, científico e tecnológico que de uma forma geral se encontra nas IES e nas empresas. “Além disso, exige sempre o chamado «core business das ONGD, que se regem pelos 8 ODM, consagrados na Declaração do Milénio, aprovada no ano 2000 nas Nações Unidas, para um período de 15 anos, ou seja, até 2015, assinada por 191 países, inclusive Portugal”. Mas estaremos mais perto dessa equidade e igualdade de oportunidades? “Confesso que não. Estamos a três anos do términus da Declaração do Milénio e o balanço feito não é muito positivo, principalmente pela conjuntura económica desfavorável, desde 2009. A ajuda, denominada Ajuda Pública ao Desenvolvimento, é consubstanciada por uma percentagem do PIB de cada país, assente no princípio dos países considerados mais desenvolvidos contribuírem para a igualdade de oportunidades e igualização de todos os povos, para


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Pretendemos continuar a contribuir com projetos integrados, capacitando as populações no sentido de promover e fomentar o desenvolvimento sustentável e assim contribuir para a melhoria da qualidade de vida das populações

Mudar vidas, capacitar pessoas

Em termos estratégicos, existem 3 linhas de prioridade sectorial, definidas no Plano Estratégico 2011/14: Água (Potabilidade, Redes, Dessalinização, Aquacultura,…), Energias Alternativas (Painéis, Fornos Solares,…) e Segurança Alimentar (Agricultura Sustentável, Florestação,…). “São vertentes essenciais de intervenção que temos em Portugal e nos países em desenvolvimento”, revela Elisete Santos. Sendo a E&O uma entidade acreditada para a Formação, pela DGERT, a vertente formativa desempenha um importante pilar da sua intervenção, lembrando contudo que existem ações de formação «made in» E&O, que surgem também para promover a sustentabilidade da organização. “Temos áreas específicas, nomeadamente ao nível de energias alternativas, por exemplo a Oficina de Fornos Solares e ainda, a Formação em Linhas de Financiamento, Elaboração de Candidaturas e Gestão de Projetos em Negócios Sociais”, ações direcionadas para o exterior, ou seja, pagas pelos intervenientes, esclarece a nossa entrevistada. São diversos os projetos da E&O e, se alguns são realizados, outros ficam em standby, por falta de verbas. Para compreendermos melhor a dinâmica da E&O interessa revelar um deles, que reflete e bem a forma como a atuação desta marca reconhecida a nível internacional tem mudado a vida das pessoas. O projeto «Mais Floresta», já aprovado, mas ainda não financiado pelo IPAD, assume-se como um projeto de florestação, para um período de três anos, no município de Ganda, província de Benguela, Angola. Para além de promover a florestação de terrenos, acrescenta ainda a formação ao nível de viveiros e plantação, “porque acreditamos que o mais importante passa por capacitar as pessoas, pois só dessa forma conseguimos promover a mudança. Esta capacitação passa ainda por promover junto das pessoas, em grupo ou individualmente, formas de constituírem pequenas unidades empresariais, a que chamamos empresas sociais, promovendo emprego, no fundo uma forma de subsistência. Assim, as pessoas ficam capacitadas a constituir as suas próprias

terem acesso às mesmas condições e regalias, realidade que infelizmente não é visível atualmente”, esclarece o nosso entrevistado.

empresas locais de distribuição dos produtos e a intervenção prolonga-se desta forma ao período de financiamento do respetivo projeto. Esta é uma forma muito relevante de mudar a vida das pessoas, principalmente nos países me-

nos desenvolvidos onde sabemos que as oportunidades são bastante escassas”, revela Alfredo Soares-Ferreira. E muito mais projetos poderíamos falar da ENGENHO & OBRA. Tantos que remetem estas palavras para a insigni-

ficância, tão grande tem sido a influência desta organização na vida de muitas pessoas. Mas a E&O não ficará por aqui. Mais projetos virão e mais vidas mudarão, tudo com a chancela da ENGENHO & OBRA.


PORTUGAL E O SETOR IMOBILIÁRIO

Ramiro Gomes, Presidente da Associação Nacional dos Avaliadores Imobiliários, em entrevista

“O avaliador por norma tenta dignificar o seu estatuto” O que muda no mercado imobiliário com o novo regime do IMI? Que alterações perpetua esta mudança? Estará em causa o papel do avaliador imobiliário? Quisemos conhecer mais sobre este universo e conversámos com Ramiro Gomes, Presidente da Associação Nacional dos Avaliadores Imobiliários - ANAI, que entre outras coisas lembrou que o avaliador é um profissional qualificado e competente, tendo como norma dignificar o estatuto da profissão.

honorários que estão a ser pagos aos avaliadores. Acha que há uma falta de dignificação do papel do avaliador? Estes valores têm de ser reavaliados?

Ramiro Gomes Quais as principais diferenças no papel do avaliador de imóveis de há uns anos atrás para esta data? De que forma a profissão tem evoluído? As diferenças têm sido notórias, e muito importantes para o mercado das Avaliações. Pelo acréscimo de formação académica, e profissional, como pela consulta de livros científicos.

Com o novo regime do IMI, a função do avaliador ganhou relevo e tornou-se mais necessária no mercado imobiliário? Não ganhou mais relevo, nem se tornou mais necessário. As avaliações no âmbito do IMI não trouxeram qualquer inovação de competências, apenas exigências, e/ou sacrifícios profissionais. As avaliações cingem-se na sua maioria a modelos informáticos, de preenchimentos pré-definidos pela Administração tributável, restando ao Perito confirmar, acrescentar, e/ou corrigir, com dados que lhe são, ou não facultados, pelos Serviços de Finanças, Câmaras Municipais, das áreas respetivas, ex. plantas dos imóveis, ou ter que ir ao local. Referiu recentemente que quem recebido inúmeras queixas de proprietários, os quais consideram que as avaliações estão a ser feitas a olho e que, essa falta de cuidado, em parte é culpa dos baixos

As queixas resultam das condições de trabalho, que o Perito provavelmente se tenha confrontado; Insuficiência de dados, autenticidade de documentação, busca de elementos credíveis, deslocação ao local, corrida contra o tempo, cumprimento de prazos, falta de formação adequada, irresponsabilidade… O avaliador por norma tenta dignificar o seu estatuto. Se reclama é devido à pressão que sente em cumprir no menor espaço de tempo, o que lhe é exigível pelas Direções de Finanças, e em fazer o seu trabalho com brio profissional, e muitas vezes, ou quase sempre sentir, que não é ressarcido dos seus gastos. Não há falta de dignificação do Avaliador, se ele assumiu com consciência, e colabora ativamente, no ato de avaliar, e no contexto que lhe é exigível, ou que lhe foi imposto no âmbito do IMI. O objetivo para este ano, que faz parte do Memorando de Entendimento com a Troika, consiste em reavaliar 5,2 milhões de casas até ao final do ano. Como tal, teriam de ser avaliados 19 mil imóveis por dia. Na sua opinião será possível cumprir este valor?

Só os Serviços de Finanças é que poderão responder. Não tenho conhecimentos estatísticos dos Peritos envolvidos, apenas de rumores, que não têm confirmação oficial. Logo, por poder induzir em erro, não devem ser usados.

Na maior parte dos casos, os peritos dirigem-se ao local ou, tendo em conta as contingências de tempo e honorários

“As queixas resultam das condições de trabalho, que o Perito provavelmente se tenha confrontado; Insuficiência de dados, autenticidade de documentação, busca de elementos credíveis, deslocação ao local, corrida contra o tempo, cumprimento de prazos, falta de formação adequada, irresponsabilidade…” pagos, o grande “aliado” dos peritos nesta corrida às avaliações tem sido, de facto o Google, como tanto se tem falado? Isto não leva a erros frequentes nas avaliações? Quanto ao Google, também é hipótese se não existirem outras ferramentas credíveis. Porque não obter ou maximizar a pesquisa, e contextualiza-la nos outros resultados a obter? Fazendo uso dessa ferramenta como única, é que pode, ou não, induzir em erro por má fé, ou escassez de dados! Não acredito que isso se faça de forma sistemática, só se for em último recurso, e raramente poderá acontecer. Tem havido muitos pedidos de reavaliação por parte dos proprietários cujo valor do IMI aumentou substancialmente? Estes pedidos têm levado geralmente à deteção de erros ou a maior parte das reavaliações acabam por comprovar o valor definido na anterior? Sim, pode acontecer quando as listagens de informações oriundas dos Serviços acima referidos chegam aos Peritos incompletas, viciadas, mal definidas, e como referido na terceira questão.

A área de formação da ANAI teve este

A ANAI não lhe compete, nem o deve fazer, intrometer-se nos objetivos, ou resultados da receita fiscal. Compete às instâncias governamentais, verificar e qualificar os seus objetivos. Senão, estaríamos a adulterar a sua idoneidade

ano mais inscrições como resultado deste pedido de reavaliação de mais de 5 milhões de imóveis? Não. Aquando da norma que estabelecia o seu recrutamento foram apenas convidadas as Ordens Profissionais, que fizeram depois as suas nomeações. É natural que muitos dos nossos Associados pertencentes a essas Ordens tivessem oportunidade de se inscrever.

A avaliação imobiliária é uma área pouco legislada? Um maior enquadramento em termos legais poderia traduzir-se numa maior dignificação da profissão e numa maior transparência e justiça nas avaliações? O facto de não ser ainda legislada não tem sido causa de más, ou boas avaliações. Deve-se apenas a que esta atividade implica muitos conhecimentos, que são transversais às diversas áreas técnicas, económicas, e ambientais. Implica muita informação, e formação permanente, que nem sempre estão visíveis no mercado, e/ou distantes do local de residência, principalmente no Interior do País. A haver legislação sem estarem preenchidos muitos destes requisitos, não iria resolver para já a sua notoriedade, e qualidade de intervenção. Apenas resultaria, penso eu, na limitação do acesso, ou presumivelmente na fragmentação do mercado. Talvez ainda deva existir, durante algum tempo um trabalho exaustivo na procura de soluções, e auto regulação, por parte das Associações representativas, e depois testá-las, selecioná-las, e implementá-las no mercado imobiliário, pela via orgânica, e/ou legislativa.


Pontos de Vista Novembro 2012

“Não há falta de dignificação do Avaliador, se ele assumiu com consciência, e colabora ativamente, no ato de avaliar, e no contexto que lhe é exigível, ou que lhe foi imposto no âmbito do IMI”

Algumas vozes criticam o facto de haver muitos avaliadores que não estão certificados e, que segundo os mesmos, não têm a isenção e o rigor necessários nas avaliações. Concorda com esta opinião? Que comentários lhe merece? A certificação da atividade dos Peritos Avaliadores não existe em Portugal, para além daquela que a CMVM obriga, e que é certificada, só exclusivamente, para fundos imobiliários, e não para a generalidade do Mercado Imobiliário. Contudo, nota-se que tem havido um grande crescimento de competências, produzidas por nós, e por algumas entidades académicas, que valorizam a formação muito mais do que é exigível a nível da CMVM. Também temos condições de afirmar, que muitos dos nossos associados, estão lá inscritos, e outros, apesar de não o estarem são certificados por nós, e/ou no âmbito referido, que atuam na generalidade do Mercado Imobiliário, revelando muitos conhecimentos, muita prática, e com um nível profissional elevado. A ANAI tem uma estimativa de em quanto é que estas avaliações podem aumentar a receita fiscal? A ANAI não lhe compete, nem o deve fazer, intrometer-se nos objetivos, ou resultados da receita fiscal. Compete às instâncias governamentais, verificar e qualificar os seus objetivos. Senão, estaríamos a adulterar a sua idoneidade.

As variações sofridas no mercado imobiliário, particularmente a desvalorização, têm influência direta e imediata na revisão do valor patrimonial tributário? Têm. Calculo que mais de 60 por cento dos prédios (frações autónomas) com mais de vinte e cinco anos, nunca tenha efetuado obras de reabilitação, regeneração, ou outro tipo de beneficiação. Constato-o pelas inúmeras visitas, e perguntas que faço principalmente em zonas antigas. Quais vão ser no futuro os efeitos nefastos no orçamento familiar, esse dito valor patrimonial tributável aplicado, na sustentabilidade do condomínio, reabilitação, segurança do imóvel, ou prédio? Como tem sido este ano para a ANAI e para o setor das avaliações imobiliárias em geral? Apesar dos constrangimentos não só do setor, como de todo o tecido económico do País temos vindo a crescer, não só no número de Associados, como principalmente nas suas competências. O lema é: “com poucos, tentar fazer muito”, em prol da afirmação da ANAI, e dos seus Peritos Avaliadores.

Quais as suas expectativas para 2013? Que decorra dentro dos parâmetros, que estamos a viver, e continuar a apostar mais na formação dos nossos Peritos.

“Quanto ao Google, também é hipótese se não existirem outras ferramentas credíveis. Porque não obter ou maximizar a pesquisa, e contextualiza-la nos outros resultados a obter? Fazendo uso dessa ferramenta como única, é que pode, ou não, induzir em erro por má fé, ou escassez de dados! Não acredito que isso se faça de forma sistemática, só se for em último recurso, e raramente poderá acontecer”

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OPINIÃO Reis Campos, Presidente da CPCI – Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário

PORTUGAL E O SETOR IMOBILIÁRIO

Reabilitar para arrendar: uma prioridade nacional Há muito que defendemos que a dinamização da reabilitação urbana passa pela adoção de uma estratégia global, capaz de abordar os fatores críticos deste mercado. Está em causa um quadro de incentivos adequado, a garantia do acesso ao financiamento, especialmente relevante num momento em que a Banca não está a financiar a economia, a simplificação e desburocratização administrativa dos procedimentos de licenciamento, um efetivo aproveitamento dos fundos comunitários disponíveis no QREN e a revitalização do arrendamento.

A reabilitação urbana é uma das apostas estratégicas mais relevantes para o País. Não só é fundamental do ponto de vista da recuperação e dinamização das cidades, como constitui uma oportunidade única para promover domínios essenciais da sustentabilidade, como é o caso da eficiência energética

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udo são questões essenciais para que seja possível, à semelhança do que acontece na generalidade dos países europeus, a criação em Portugal, de uma verdadeira cultura de reabilitação. É certo que o dia de hoje fica marcado pela entrada em vigor da nova Lei das Rendas. Trata-se de uma reforma que, nalguns aspetos, como é o caso do que acontece o nível dos despejos, deveria ter ido mais longe, mas que, ainda assim, constitui uma ocasião única para reanimar a Reabilitação Urbana e o Arrendamento no nosso País. Num momento em que todos apontam a necessidade de captação de investimento, que se encontra no mais baixo nível dos últimos 24 anos, a dinamização deste mercado é uma oportunidade que está ao nosso alcance e que importa concretizar, ao mesmo tempo que permite dar uma resposta às atuais necessidades de uma população que está confrontada com as restrições no acesso ao crédito e com as exigências de um mercado laboral cada vez mais complexo e sujeito a uma maior flexibilidade e mobilidade. A Comissão Europeia, alicerçada numa

estratégia europeia para o setor, reconhece a necessidade de implementação de políticas ativas que enquadrem estas atividades nos grandes objetivos da agenda europeia 2020, salientando o seu papel na economia europeia, onde representam 10 por cento do PIB e 20 milhões de empregos, especialmente em micro e PME’s. É defendida a promoção das condições favoráveis ao investimento, em especial na renovação e manutenção de edifícios, utilizando o pacote de 120 mil milhões de euros do BEI. Esta é uma recomendação que não pode ficar no vazio. A reabilitação urbana é uma das apostas estratégicas mais relevantes para o País. Não só é fundamental do ponto de vista da recuperação e dinamização das cidades, como constitui uma oportunidade única para promover domínios essenciais da sustentabilidade, como é o caso da eficiência energética. Para além de um parque habitacional degradado, com mais de 1,9 milhões de fogos a necessitar de intervenção e a necessidade de estimular atividade económica em áreas como o comércio e o turismo, é possível, a curto prazo, gerar 130 mil postos de

trabalho e disponibilizar as 60 mil habitações para arrendar de que o mercado necessita. Por isso, é imprescindível modificar o discurso, dar segurança e estimular os investidores privados e apresentar soluções consistentes, encarando a reabilitação urbana e o arrendamento como fatores essenciais para uma estratégia de recuperação, alicerçada no peso económico e social da construção e do imobiliário português. Com a taxa liberatória especial para o Arrendamento prevista na proposta do Orçamento do Estado para 2013, aliás, uma medida que há muito reclamávamos e que considerávamos indispensável para eliminar a discriminação fiscal negativa face a outros investimentos como os ativos financeiros, a qual, por força da atuação da CPCI foi, finalmente consagrada, reitero a importância de garantir que a nova Lei Rendas cumpra os seus objetivos e espero que o Governo acompanhe muito de perto a aplicação prática desta reforma estrutural e demonstre a necessária capacidade de adotar as medidas corretivas que se tornem necessárias.

“Por isso, é imprescindível modificar o discurso, dar segurança e estimular os investidores privados e apresentar soluções consistentes, encarando a reabilitação urbana e o arrendamento como fatores essenciais para uma estratégia de recuperação, alicerçada no peso económico e social da construção e do imobiliário português”

“Num momento em que todos apontam a necessidade de captação de investimento, que se encontra no mais baixo nível dos últimos 24 anos, a dinamização deste mercado é uma oportunidade que está ao nosso alcance e que importa concretizar, ao mesmo tempo que permite dar uma resposta às atuais necessidades de uma população que está confrontada com as restrições no acesso ao crédito e com as exigências de um mercado laboral cada vez mais complexo e sujeito a uma maior flexibilidade e mobilidade”


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N Avaliações

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Avaliações feitas por uma equipa multidisciplinar A conjuntura atual do mercado faz com que a avaliação imobiliária seja um processo cada vez mais complexo, onde interferem vários fatores. Como tal, uma equipa multidisciplinar, com conhecimentos ao nível da arquitetura, da engenharia, da gestão e da área jurídica, é capaz de oferecer soluções mais completas e adequadas aos tempos que correm. É isso mesmo que podemos encontrar na N Avaliações!

A

Nuno Oliveira

valiar o valor de um imóvel pode parecer um processo simples, no entanto, o calculo desse valor vai depender de inúmeros fatores que apenas alguém com vasta experiência e conhecimentos multidisciplinares consegue ter em consideração. Inserida na N Engenharia e Arquitetura, os conhecimentos nestas duas áreas, dotam os profissionais da N Avaliações de uma forte experiência ao nível da construção e do urbanismo, que conciliam com os conhecimentos jurídicos que têm. “Por termos na nossa equipa engenheiros, juristas, arquitetos, avaliadores e já uma notável experiência neste ramo, conseguimos aferir de uma forma correta o que está licenciado, o que pode vir a ser licenciado, a aptidão à utilização, entre outras coisas”, explica Nuno Oliveira, Administrador da empresa. Para o mesmo, esta multidisciplinaridade é de fato o mais importante no acto de avaliar, principalmente numa altura como a atual, em que o mercado está repleto de incertezas e variáveis que é preciso quantificar muito bem. Para Nuno Oliveira, “um avaliador comum que não tem essa sensibilidade e visão

sistémica, não é capaz de aferir, o valor arquitetónico, a intemporalidade de um imóvel, a sua polivalência, bem como a forma como o imóvel se consegue adaptar a outros sectores, quando à partida está vocacionado para um que já não tenha crescimento. Como nós fazemos as avaliações em equipa e a equipa é constituída por pessoas de diferentes áreas, conseguimos analisar esses vários pontos e validar situações que são importante para a avaliação”.

“Temos uma forte aptidão para essas avaliações especiais”

É de referir que muitas vezes falamos em processos de milhões de euros, como é o caso da avaliação do património da Singer, feito pela N Avaliações, entre muitos outros dos 420 processos a que a empresa já deu resposta. Processos esses geralmente relacionados com insolvências, sejam elas de empresas, ou particulares. “Temos uma forte aptidão para essas avaliações especiais e um portfólio considerável nessa área, o que faz com que sejamos a opção para muitos administradores de insolvência e instituições bancárias. É uma vertente um pouco especializada ao nível das avaliações imobiliárias”, afirma o nosso entrevistado. Imaginemos esta situação. Ao dar resposta ao processo de insolvência de uma empresa, o avaliador depara-se com uma indústria que, à partida, é composta por dez mil metros quadrados. No entanto, durante o processo avaliativo constata-se que, desse valor, apenas parte do imóvel está licenciado. Um avaliador menos experiente possivelmente faria a avaliação por metro quadrado. Resultado? Na altura do investidor li-

Como aferir o valor de um imóvel?

Há várias metodologias que permitem chegar ao valor de um imóvel. No entanto, Nuno Oliveira afirma que o mercado funciona essencialmente por comparação e, por isso, na maior parte das avaliações feitas pela empresa, é seguido o método de mercado com homogeneização da amostra. No caso das insolvências, a esse valor é depois aplicado o valor de liquidação imediata, que corresponde a 70 por cento do valor da avaliação, para que a venda seja feita com a maior brevidade possível. Para Nuno Oliveira, o maior desafio desta área passa pela “criação de sistemas que de facto possam aferir o valor dos imóveis no mercado atual, que está muito diferente de há uns anos atrás, em que o mercado suportava as más avaliações e as pessoas compravam tudo o que existia. Atualmente, as transações que se fazem são aquelas que constituem verdadeiras oportunidades e valores seguros e, como tal, o avaliador tem de ter sensores para aferir polivalência, utilização, manutenção eficiência, valor arquitetónico, localização, perspetiva de crescimento… Assim sendo, é preciso criar sistemas matemáticos que permitam aferir o novo paradigma da habitação”.

cenciar a área que adquiriu, constataria que apenas parte dessa área pode efectivamente ser licenciada, porque a restante encontra-se, por exemplo, numa reserva ecológica. Um mau negócio que resultaria de uma má avaliação! Na N Avaliações situações como esta não acontecem porque todos os fatores são aferidos com o maior rigor de forma que não haja uma sobrestimação do valor do património, algo que aconteceu durante muito tempo e que ajudou a levar o mercado imobiliário ao estado quase caótico em que se encontra.

O mercado atual

“Eu estimo que o mercado tenha decrescido 30 a 40 por cento, o que era uma coisa impensável há uns anos atrás, em que se julgava que os bens imóveis tinham um valor sólido. No meu entender, isso nunca mais se vai voltar a verificar porque estes estavam altamente espe-

culados. Acredito, de fato, que se vá assistir a uma valorização dos imóveis que estão bem executados, que têm valor arquitetónico e que estão bem localizados. Esses terão valor permanente. Mas muitos imóveis, filhos do mau urbanismo, da má construção e da especulação nunca irão recuperar o seu valor. Falo principalmente dos imóveis que foram construídos nas periferias do centro, por pessoas que nada tinham a ver com a área. No entanto, o que se verificava é que qualquer pessoa com um negócio lucrativo se lançava à construção. Com isto, houve pessoas a comprar apartamentos por 70 ou 80 mil euros que, na realidade, valem 30 mil”, explica. Nuno Oliveira acredita também que, fruto desta especulação e má construção, iremos assistir, nos próximos anos, a situações de abandono de edifícios e alguma poluição urbanística. LER NA INTEGRA EM WWW.PONTOSDEVISTA.PT


PORTUGAL E O SETOR IMOBILIÁRIO

Fernando Oliveira, atual Vice - Presidente do InCI, em entrevista

“O InCI terá um papel ativo no setor da construção e do imobiliário” A Revista Pontos de Vista conversou com Fernando Oliveira, atual Vice - Presidente do InCI, onde foram escalpelizadas as diversas matérias que perfazem o mediatismo atual no que concerne ao setor da construção e do imobiliário, áreas fundamentais no país e que muito têm sofrido, à imagem de outros segmentos, com a atual crise económica que assola o nosso país e outros mercados internacionais. Conheça mais e saiba qual tem sido o papel do InCi nestas questões, bem como a opinião do nosso entrevistado relativamente às alterações legislativas recentes às Leis do Arrendamento e da Reabilitação Urbana. Enquanto entidade reguladora do setor da construção e do imobiliário, o que diferencia o InCI de outras associações representativas do setor? De que forma esta entidade tem contribuído para a potencialização de um mercado de construção e do imobiliário moderno e competitivo? O que distingue o InCI das associações representativas do setor é desde logo o facto de o Instituto da Construção e do Imobiliário, ser um instituto público, ou seja, um organismo do Estado, ao contrário do que acontece com as associações referidas que são pessoas coletivas de direito privado. Às associações compete defender, em primeiro lugar, os interesses dos seus associados. Já o papel do InCI, enquanto organismo em que foi delegada esta atribuição, consiste em fazer, sempre, prevalecer o interesse público, desejavelmente mediante a conciliação dos diversos interesses particulares, mas não abdicando da determinação que a gestão da coisa pública impõe. O InCI é, pois, a entidade pública reguladora do setor da construção e do imobiliário e, nessa medida, para além das tradicionais funções de licenciamento e de inspeção, prima hoje por desenvolver ações que contribuam para a melhoria da competitividade das empresas desse setor. Em primeiro lugar, não posso deixar de citar a revisão em curso do quadro legal de acesso e permanência nas atividades da construção e da mediação imobiliária, visando a simplificação e a desburocratização e eliminando barreiras à competitividade e àá modernização das nossas empresas. Referindo-me, agora, a outros projetos do InCI que contribuem para esse fim, posso citar a criação da PTPC – Plataforma Tecnológica Portuguesa da Construção, a qual resultou, em grande parte, do trabalho desenvolvido pelo InCI enquanto elemento agregador de esforços e vontades, unindo as empresas, as universidades, e os laboratórios do estado em torno deste objetivo que é o de tornar as empresas mais competitivas por via da inovação. Posso ainda citar um outro projeto chamado “icbench”, desenvolvido pelo InCI em parceria com a Faculdade de Enge-

nharia da Universidade do Porto, e que visa, permitir às empresas construtoras a análise do seu nível de desempenho anual através de resultados de benchmarking, por comparação com o setor e a zona geográfica em que estão inseridas. Estamos, ainda, a trabalhar com a nossa tutela (Ministério da Economia) em medidas estratégicas estruturantes, que permitam “alavancar” este importante setor da economia nacional, seja em torno do paradigma da “Reabilitação Urbana” ou da Internacionalização das nossas empresas. Ao longo dos anos, o papel do avaliador imobiliário sofreu uma mudança de paradigma, adaptando-se às novas realidades que o país atravessa. De que forma a profissão tem evoluído? Qual o papel que o InCI tem assumido? O InCI não detém atualmente quaisquer competências em matéria de avaliação imobiliária, razão pela qual me abstenho de me pronunciar sobre papel destes agentes, não obstante reconheça a importância da sua função.

O segmento residencial de reabilitação é, atualmente, o mais interessante, tendo em conta as novas condições permitidas pela lei do arrendamento? Já ao nível dos escritórios, uma vez que há excesso de oferta, é expectável que a redução das rendas se mantenha?

Fernando Oliveira

“As alterações legislativas recentes às Leis do Arrendamento e da Reabilitação Urbana constituem só o primeiro estímulo que o Estado dá ao desenvolvimento destes mercados. É preciso agora que os agentes do mercado (promotores imobiliários e construtores) e as entidades públicas (designadamente os municípios) façam também o seu caminho”

Penso que é já hoje “um lugar-comum” dizer que o paradigma da construção nova em Portugal está a dar lugar ao da “Reabilitação Urbana”. Na verdade, os números demonstram (pelo menos em algumas regiões do país) que os licenciamentos de obras novas foram já ultrapassados pelos de obras de intervenção em edifícios existentes (sejam pequenas reparações, sejam verdadeiras obras de reabilitação). Quanto ao valor das rendas eu diria que é natural e até desejável que desça em todos os segmentos, mormente no setor residencial, pois com as limitações no acesso ao crédito muitas famílias veem no arrendamento a única forma possível de terem acesso a uma habitação. E isso não é criticável, bem pelo contrário. Demonstra tão só que a tendência é a de Portugal se aproximar, nos próximos anos, da média europeia,


Pontos de Vista Novembro 2012

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O InCI, enquanto organismo central deste setor, espera contribuir para um mercado regulado e com regras, mas não burocrático, dinâmico e inovador, mas não conservador

O excesso de habitação a ser colocado no mercado pelos bancos tem sido encarado pelos investidores como uma oportunidade de negócio? De que forma é possível materializar essa eventual oportunidade? Diria que são as regras da oferta e da procura a desempenhar o seu papel. Existindo mais oferta do que procura é natural – como em qualquer ramo de atividade – que o preço médio diminua. Há no entanto um limite para tudo, e quem vende deve ter em atenção se o faz ou não abaixo daquilo que é razoável. Penso que nesta matéria os avaliadores imobiliários têm a sua importância, na medida em que as suas avaliações estabelecem, no fundo, o valor padrão do imóvel. De que forma a falta de financiamento e a dificuldade de alavancagem de projetos se tem refletido no setor imobiliário? Como descreveria a evolução do setor no último ano? O problema do financiamento das empresas é um problema geral e que toca, muito em particular, as empresas do

“O InCI é, pois, a entidade pública reguladora do setor da construção e do imobiliário e, nessa medida, para além das tradicionais funções de licenciamento e de inspeção, prima hoje por desenvolver ações que contribuam para a melhoria da competitividade das empresas desse setor”

setor da construção e do imobiliário, pelos elevados montantes financeiros que a sua atividade implica. É preciso encontrar alternativas ao financiamento bancário e aqui entra o trabalho de pesquisa de investidores estrangeiros, que se possam interessar pelo mercado português, já que este apresenta excelentes condições gerais de investimento.

As construtoras têm tido enormes dificuldades em resistir a uma crise que faz desaparecer, em média, cerca de 430 postos de trabalho por dia. Para dar um novo fôlego ao setor, o Governo e a Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário acordaram um conjunto de medidas. No seu entender, que estratégia tem de ser assumida no imediato? O setor da construção e do imobiliário, a nível europeu, tem um peso muito importante no PIB da União Europeia, pelo que é importante desenvolver medidas

em que o mercado do arrendamento tem um peso bem superior ao que tem atualmente no nosso país. As alterações legislativas recentes às Leis do Arrendamento e da Reabilitação Urbana constituem só o primeiro estímulo que o Estado dá ao desenvolvimento destes mercados. É preciso agora que os agentes do mercado (promotores imobiliários e construtores) e as entidades públicas (designadamente os municípios) façam também o seu caminho.

estratégicas que permitam alavancar este setor, desde logo porque ele funciona como impulsionador de outras atividades económicas a montante e a jusante. A Comissão Europeia percebeu isso e por isso aprovou recentemente um documento intitulado “Estratégia para a competitividade sustentável no setor da construção”. Em Portugal, o Governo acordou, como referiu, uma agenda com medidas concretas direcionadas para este importante setor da construção e do imobiliário, em cuja implementação o InCI terá, certamente, um papel ativo.

Diretamente relacionadas com a evolução da própria economia, as perspetivas para a evolução do mercado imobiliário e de construção em Portugal não são muito animadoras. Com este cenário, como é que se consegue retomar a confiança em dois segmentos que foram durante muitos anos “a galinha

dos ovos de ouro” da economia portuguesa? Qual será o papel do InCI? Penso que de alguma forma já fui respondendo a esta questão. Em primeiro lugar, o paradigma mudou e essa mudança é independente da crise que vivemos. O futuro, seja na área das obras públicas, seja na do imobiliário, será o da reabilitação e não tanto o da construção nova. Repare que temos hoje um conjunto significativo de infraestruturas públicas (não apenas rede viária e ferroviária, mas também edifícios públicos) que vão carecer, periodicamente de obras de manutenção, ou mesmo de reabilitação. E por isso estamos todos a preparar-nos para essa mudança radical, seja o Estado, sejam as empresas. O InCI, enquanto organismo central deste setor, espera contribuir para um mercado regulado e com regras, mas não burocrático, dinâmico e inovador, mas não conservador.


OPINIÃO DIA DA FLORESTA AUTÓCTONE

João E. Rabaça (jrabaca@uevora.pt), ICAAM, Universidade de Évora

Floresta Autóctone, Capuchinho Vermelho e Biodiversidade Na Europa, a relação entre o Homem e a floresta conta-nos uma história intensa e milenar, feita de usos, abusos e adulterações que modificaram profundamente as paisagens naturais. Mas nos dias de hoje, o conhecimento que temos assinala um caminho de sustentabilidade necessariamente ancorado num ordenamento do território equilibrado.

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ara as sociedades humanas ancestrais, a floresta era uma fonte de enigmas: assegurava o sustento mas acoitava riscos e perigos diversos. E porque alguns não eram compreensíveis, os temores convergiam na sacralização como resposta instintiva à busca de uma explicação. Alguns desses temores atravessaram os séculos, persistiram para além das revoluções, sobreviveram à aculturação e, em certos casos, resistiram até às evidências da ciência. Para se afirmar perante os poderes da

gens do continente, num processo de avanços e recuos que durou séculos (5070% do coberto florestal europeu desapareceu na Idade Média). Mas apesar de circunscritas a uma expressão quase residual em muitas regiões, o encantamento das florestas permaneceu sobre as populações de camponeses. E quando há mais de 150 anos os irmãos Grimm balizaram a versão mais disseminada da história do Capuchinho Vermelho, aí convergiram os mitos da floresta: o lobo como arquétipo dos perigos sobranceiros quando se ultrapassam as fronteiras

“O futuro sustentável assenta numa política de ordenamento do território, onde é urgente conservar a paisagem, preservando a biodiversidade e mantendo os ciclos de vida dos sistemas naturais fundamentais à vida dos portugueses.” Gonçalo Ribeiro Telles sem descurar as funções produtivas. Esta perspetiva reúne hoje um forte consenso na opinião pública e nos decisores, graças ao reconhecimento da relevância da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas para o bem-estar humano.

Estrelinha-de-cabeça-listada: uma das aves das florestas portuguesas

Floresta, o Homem destruiu-a: edificou povoados, alargou horizontes, reclamou terras para cultivo e, quando os desígnios das guerras ou epopeias marítimas falavam mais alto, a transbordante necessidade de madeira fez o resto. Bosques de carvalhos caducifólios, florestas de faias e matagais mediterrânicos foram dizimados por toda a Europa, alterando significativamente as paisa-

“Em síntese, o conhecimento atualmente disponível e a experiência acumulada ao longo do último século assinala um caminho de sustentabilidade ancorado num ordenamento do território equilibrado. Talvez por isso, nunca como agora as palavras do Arq. Gonçalo Ribeiro Telles que sinalizaram este texto devem servir de mote a todos nós. Para bem do nosso futuro”

do que se conhece (não tivesse a menina da história saído do caminho…). Mas a perceção da floresta mudou com as mudanças da História. Como também mudou a floresta: as necessidades crescentes de matéria-prima originaram as chamadas “florestas” de produção e, fruto em parte do êxodo rural para os grandes centros, o abandono de antigas terras de cultivo promoveu o desenvolvimento de bolsas de vegetação autóctone regenerando localmente alguns bosques afins à floresta pristina. E até o lobo, graças ao conhecimento científico produzido nas últimas décadas (mas também devido à diminuição crítica dos seus efetivos), já não representa os perigos de outrora. Já não é o tempo dos medos, feitiços e divindades, nem tão pouco dos abusos e degradação das florestas. Neste século, o sentido do justo equilíbrio deve impulsionar-nos para lógicas de reabilitação e sustentabilidade, assumindo a multifuncionalidade das florestas autóctones,

Mas quando avaliamos a biodiversidade das florestas autóctones (que é superior à que registamos nas matas de produção), o que é que devemos valorizar nessa avaliação? O n.º de espécies (riqueza) é a medida mais intuitiva da biodiversidade, mas não é a única; por outro lado, a generalidade das pessoas perceciona as espécies numa floresta (ou em qualquer sistema) de um modo distinto, conferindo maior empatia às espécies mais apelativas. Este caráter diversificado de apreciação sugere que se utilizem diferentes formas de valorização da biodiversidade nos processos conducentes à sua avaliação. Eis alguns dos mais expressivos: 1. Conservação – as espécies prioritárias em termos de conservação (i.e. que exibem um grau de vulnerabilidade das suas populações de tal modo que se nada for feito para travar essa ameaça, poderão atingir os limiares de extinção) podem despertar uma motivação ética que se traduz na necessidade de evitar a extinção devida à ação humana de uma entidade única na Terra, frequentemente com milhões de anos de história natural. 2. Singularidade – as matas de produção assemelham-se independentemente do contexto geográfico onde se encontram.

Mas as florestas autóctones são únicas em diversos aspetos: correspondem a relíquias do coberto vegetal de outrora, podem ocorrer em zonas remotas exibindo um caráter selvagem e podem albergar cortejos de espécies por vezes ímpares servindo de suporte a alguns endemismos. 3. Resiliência – constitui um conceito relevante em ecologia e fornece uma medida da capacidade de um sistema retornar, após uma perturbação, à sua situação inicial. No caso de uma floresta que num dado momento tenha sofrido uma perturbação provocada por fogo, a sua resiliência é tanto maior quanto mais rápida for a sua recuperação até ao estado que precedeu a perturbação. É importante referir que, na maior parte dos casos, as florestas autóctones apresentam uma maior riqueza e diversidade vegetal em espécies evolutivamente adaptadas às condições biogeográficas da região, facto que lhes confere uma maior resiliência comparativamente com as matas de produção. 4. Serviços dos ecossistemas – a polinização, o controlo biológico de potenciais pragas, a proteção do solo e a retenção da água são alguns dos serviços prestados pelas florestas autóctones com claras vantagens para o bem-estar humano e que, na generalidade, transpõem uma expressão local. Em síntese, o conhecimento atualmente disponível e a experiência acumulada ao longo do último século assinala um caminho de sustentabilidade ancorado num ordenamento do território equilibrado. Talvez por isso, nunca como agora as palavras do Arq. Gonçalo Ribeiro Telles que sinalizaram este texto devem servir de mote a todos nós. Para bem do nosso futuro.

LabOr - Laboratório de Ornitologia, Dept de Biologia, Grupo de Investigação em Ecossistemas e Paisagens Mediterrânicos, ICAAM, Universidade de Évora, 7002-554 Portugal http://www.labor.uevora.pt icaam@uevora.pt


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Revista Pontos de Vista Edição 21  

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