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www.pack.com.br

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ANO•17

2 0 2 0

R$ 15,00

EMBALAGEM

TECNOLOGIA

DESIGN

INOVAÇÃO

ENTREVISTA Paulo Ibris, fundador e CEO da 100 FOOD, fala sobre embalagem e o mercado de alimentos saudáveis

COMO SERÁ O NOVO NORMAL NO SETOR DE EMBALAGENS

ED C IÇ

co on ÃO nt tro 2 am le 3 ina de 3 çã o

Quais são os desafios pós-pandemia?


carta ao leitor

COMO SERÁ O NOVO NORMAL NO SETOR DE EMBALAGENS?

S

e a quarentena acabar, voltaremos à realidade que conhecíamos ou teremos uma vida diferente? O que já podemos dizer? A pandemia acelerou a integração digital entre empresas e consumidores tornando o e-commerce e o sistema delivery ainda mais estratégicos nos negócios. A demanda por embalagens para atender esse segmento vai aumentar e quem promover a melhor experiência de consumo vai sair na frente. A integração digital entre empresas e clientes também já é o novo normal no ambiente de negócios. O novo jeito de conhecer e testar as novas máquinas de embalagens agora é feito no campo virtual. O atendimento ao cliente para solução e prevenção dos problemas na linha de produção também é no meio digital. Esse já é o novo comportamento no mundo dos negócios. A redução do poder de compra da

população brasileira vai impactar na maneira como as pessoas consomem os produtos e se relacionam com as marcas. Os consumidores também estarão mais preocupados com saúde e segurança. Provavelmente, teremos que desenvolver novas soluções de embalagens para atender os consumidores neste novo cenário. Como será o novo normal do setor de embalagens no Brasil? Muitas dúvidas ainda virão pela frente. Nós fomos tirados da zona de conforto, mas a resiliência do ser humano deve prevalecer para superar os desafios impostos pelo Covid-19. Nesta edição, a revista Pack traz um artigo da McKinsey & Company, uma empresa de consultoria empresarial americana, sobre como o setor de embalagem pode enfrentar os desafios do Covid-19, apresentando alguns caminhos para a tomada de decisões. Até a próxima edição.

MARGARET HAYASAKI EDITORA CHEFE

margaret.hayasaki@gmail.com


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sumário

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Foto: iStock

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12 REPORTAGEM Como a indústria de embalagens pode enfrentar a pandemia do coronavírus

INOVAÇÃO

EMBALAGEM TECNOLOGIA DESIGN

ENTREVISTA “Nós queremos disruptar a indústria de alimentos convencionais”

Foto: Divulgação

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2020

Entrevista

O objetivo da foodtech 100 FOODs é oferecer alimentos saudáveis em embalagens que comunicam os valores da marca

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REPORTAGEM

O setor de embalagem é um participante importante na medida em que os consumidores e outros setores se adaptam à pandemia do COVID-19. O artigo traz um plano de três etapas que pode ajudar as empresas de embalagem durante a crise

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EMPRESA

Foto: Divulgação

Práticas inovadoras na gestão do negócio e aceleração do mindset digital garantem a continuidade da operação da Optima

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SEÇÕES DESIGN DE EMBALAGEM Perfume ganha embalagem inovadora

6 Agenda 7 Pack online 8 Notícias

42 Artigo O “não lixo” e as novas oportunidades para as empresas

11 Vaivém do mercado 16 Atualidades

44 Sustentabilidade

19 Conveniência e praticidade 28 Design de embalagem

46 Artigo A embalagem é o produto

47 Leitura

34 Artigo A indústria de embalagens em tempos de pandemia

40 Artigo A importância da aliança com bons fornecedores

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Editora B2B

48 Artigo A indústria de alimentos e bebidas pós Covid-19

49 Direto da Gôndola

Editora B2B

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agenda feiras no brasil Data

Feira

Local

CONTATO

08 a 10 de setembro de 2020

Expo Alumínio

São Paulo Expo – São Paulo - SP

www.expoaluminio.com.br

07 a 09 de outubro de 2020

FCE Pharma

São Paulo Expo – São Paulo - SP

www.fcepharma.com.br

07 a 09 de outubro de 2020

FCE Cosmetique

São Paulo Expo – São Paulo - SP

www.fcecosmetique.com.br

07 a 10 de outubro de 2020

Fispal Tecnologia

Centro Fecomércio de Eventos – São Paulo - SP

www.fispaltecnologia.com.br

03 a 06 de novembro de 2020

Interplast

Expoville – Joinville - SC

www.interplast.com.br

01 e 02 de dezembro de 2020

Embala Nordeste

Centro de Eventos do Ceará – Fortaleza - CE

www.embalane.com.br

EMBALAGEM | TECNOLOGIA | DESIGN | INOVAÇÃO

PUBLISHER: Fernando Lopes EDITORA CHEFE: Margaret Hayasaki margaret.hayasaki@gmail.com ASSESSORA TÉCNICA: Assunta Napolitano Camilo (FuturePack) assunta@futurepack.com.br PROJETO GRÁFICO: Editora B2B PRODUÇÃO: Luciano Tavares de Lima (gerente) produção@banas.com.br DESIGNER: Ana Claudia Martins editoracaopack@gmail.com CAPA: Ana Claudia Martins FOTO DA CAPA: iStock

CONSELHO EDITORIAL Assunta Camilo Napolitano, diretora da FuturePack e do Instituto de Embalagens – Eduardo Tadashi Yugue, gerente de embalagens da Nestlé Brasil – Geraldo Cardoso Guitti, diretor do Conselho Administrativo da Refrigerantes Convenção – Iorley Correia Lisboa, gerente P&D e Inovação de Embalagens – Marcas Exclusivas do Walmart Brasil – João Batista Ferreira, CEO da J2B Innovation to Business – Lincoln Seragini, presidente da Seragini Design – e Luis Fernando Madi, Diretor Geral do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL)

COMERCIAL Rajah Chahine rajahchahine14@gmail.com Tel.: (11) 3722-0956

feiras no EXTERIOR Data

Feira

Local

CONTATO

18 a 22 de outubro de 2020

Sial Paris

Paris Nord Villepinte – Paris - França

www.sialparis.com

08 a 11 de novembro de 2020

Pack Expo International

McCormick Place, Chicago – Estados Unidos

www.packexpointernational.com

23 a 26 de novembro de 2020

all4pack Emballage Paris

Paris Nord Villepinte – Paris - França

www.all4pack.com

24 a 27 de novembro de 2020

Argenplás

Centro Costa Salguero – Buenos Aires Argentina

www.argenplas.com.ar

Nilton Feitosa nilton.feitosa@nvcon.com.br Executivos de Negócios – São Paulo – Interior Aqueropita Intermediações de Negócios Ltda. Contato: Aparecida A. Stefani Tel.: (16) 3413-2336 – Cel.: (11) 9647-0044 aparecida.stefani@banas.com.br Paraná e Santa Catarina DGS Representação Comercial. Contato: Douglas Garcia da Silva Tel.: (41) 3082-4070 – (41) 8898-8686 dgsrepresentacoes@gmail.com Rio de Janeiro Art Comunicação S/C Ltda. Contato: Francisco Neves Rua Des. João Claudino Oliveira e Cruz, 50 – cj. 607 – CEP 22793-071 – Rio de Janeiro-RJ Tels.: (21) 2269-7760 – (11) 9943-5530 – Fax: (21) 3899-1274 banasrj@uol.com.br

REPRESENTANTE INTERNACIONAL

Cartas&E-mails A Revista Pack quer conhecer a opinião dos nossos leitores. Sua opinião é muito importante para a contínua melhoria da qualidade editorial. Escreva para nós, opinando sobre as entrevistas, reportagens e os artigos. Critique ou dê sugestões de pautas.

ARGENTINA 15 de Noviembre 2547 – C1261 AAO – Capital Federal – Republica Argentina Tel.: (54-11) 4943-8500 – Fax y Mensajes: (54-11) 4943-8540 www.edigarnet.com

Rua dos Três Irmãos, 771 Jardim Progredior – São Paulo-SP – CEP 05615-190 CNPJ 07.570.587/0001-13 – I.E. 149.349.995-116 NOVO TELEFONE: (11) 3722-0956

IMPRESSÃO: Printexpress CIRCULAÇÃO NACIONAL: Tiragem – 10 000 exemplares PERIODICIDADE: ANUAL Nº Avulso: R$ 15,00 PACK – EMBALAGEM | TECNOLOGIA | DESIGN | INOVAÇÃO

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2008

Filiada à

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IV P R Ê M

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAÇÃO

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é uma publicação mensal da Editora B2B.

A Pack é dirigida aos profissionais que ocupam cargos técnicos, de direção, gerência e supervisão em empresas fornecedoras, convertedoras e usuárias de embalagens, bem como prestadores de serviços relacionados à logística, design e todos os processos relacionados a indústrias de embalagem.

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É permitida a divulgação das informações contidas na revista desde que citada a fonte. PACK reserva-se o direito de publicar somente informações que considerar relevantes e do interesse dos leitores da revista.

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O site da Pack traz noticiário atualizado diariamente, artigos exclusivos e tudo sobre o mercado de embalagem. Mais: vídeos, fotos e a versão digital na íntegra da edição do mês, além das anteriores!

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Hershey’s faz homenagem aos profissionais da saúde nas embalagens

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Skala Cosméticos lança álcool gel A mudança na embalagem foi pensada para atender um requisito da categoria, que em grande parte vê esses produtos como um presente. Onde achar? https://www.pack.com.br/

A marca de chocolates Hershey’s apresenta uma edição especial das barras de chocolate ao leite com uma embalagem em homenagem aos profissionais da saúde. No layout, a marca Hershey’s foi substituída pela palavra Heroes (heróis, em inglês). A ação é uma forma de homenagear o trabalho dos profissionais de saúde envolvidos na luta contra a Covid-19, além de outros profissionais de atividades essenciais, como motoboys, carteiros e garis. Onde achar? https://www.pack.com.br/copia-economia-1

[Conexão web ] as mais lidas no pack.com.br

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Tecnologia de acesso remoto auxilia produção em indústrias em época de isolamento Em períodos de crise como a causada pela Covid-19, os recursos tecnológicos estão sendo cada vez mais utilizados a fim de manter a produção das indústrias em dia. Onde achar? https://www.pack.com.br/tecnologia

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Carioca Flamingo Beer oferece mais que cerveja e cresce na quarentena Innova cria primeira caçamba graniteira no Brasil Elefante ganha embalagem reutilizável

Latty Group comemora seu 100º aniversário

Cetaphil inova e lança portfólio completo de cuidados diários para o rosto

Confira a lista das notícias mais acessadas no site e as leia na íntegra!

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notícias

GARANTIA DE DISPONIBILIDADE GLOBAL DE PRODUTOS OPTIMA oferece suporte às empresas com soluções de máquinas que são particularmente procuradas durante a crise do COVID-19

Com o OPTIMA ImmuFill®, os reagentes para kits de teste de PCR podem ser envasados e fechados em frascos

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crise do coronavírus está provocando fortes mudanças na demanda. A necessidade de bens de consumo e produtos de higiene específicos, produtos farmacêuticos e tecnologia médica aumentaram exponencialmente. O Grupo Optima respondeu rapidamente à mudança, apoiando os clientes com soluções especiais de máquinas, que podem ser adaptadas de maneira flexível para atender às novas exigências do mercado. Um novo site fornece informações sobre o portfolio.

“O desenvolvimento de soluções específicas para o cliente faz parte do DNA da Optima”, diz Hans Buehler, diretor administrativo do Grupo Optima, com sede em Schwaebisch Hall. É por isso que o fabricante de máquinas especiais está apoiando empresas de manufatura durante esse período difícil, especificamente com sua experiência, soluções de máquinas altamente flexíveis, aceitação de máquinas virtuais e serviços digitais. “Atualmente, estamos lidando com vários projetos de máquinas que se relacionam especificamente a produtos para a pandemia do coronavírus”, enfatiza Buehler. Entre eles estão sistemas de enchimento para

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Editora B2B

kits de teste de diagnóstico que são usados ​​para a detecção do SARSCoV-2. Também há demanda por equipamentos de fabricação de filtros usados ​​em ventiladores e máquinas para o envase de vacinas e medicamentos terapêuticos.

Novo site de informações para máquinas de alta demanda A empresa agrupou em um site especial todas as soluções de máquinas, que são particularmente procuradas no momento. Os clientes em potencial podem encontrar informações em www. optima-packaging.com/fightcovid19


sobre as máquinas certas para encher, fechar e embalar kits de teste de diagnóstico, máscaras de proteção facial, desinfetantes, filtros para ventiladores, vacinas e medicamentos, papel higiênico, além de informações importantes sobre serviços digitais durante a crise e opções de contato.

todas as etapas do teste de aprovação na fábrica virtual diariamente. “Isso significa que outros especialistas que não fazem parte da equipe de aprovação pode ser chamada para determinadas áreas”, explica Heiko Kuehne, vice-presidente de cosméticos e produtos químicos da Optima Consumidor.

Tecnologia de streaming para aprovação da máquina

“Os principais fornecedores também são contatados para responder perguntas do cliente. Isso gera uma troca de ideias entre disciplinas e fortaleceu o senso de parceria. Até a equipe operacional que, normalmente, não viaja para a aprovação dos testes também é capaz de obter informações detalhadas. Isso significa curto tempo de comissionamento e início rápido da produção”.

A aprovação virtual de máquinas significa que a Optima pode garantir a entrega dentro do prazo durante a crise. Recentemente, foi realizada a aprovação da máquina virtual mais complexa da história da empresa. 11 câmeras acompanharam a aprovação de um sistema de envase de alto desempenho e altamente complexo para cosméticos. Mais de 30 funcionários de um cliente dos EUA acompanharam

Responsabilidade social Como sua contribuição para enfrentar a crise, a Optima está auxiliando a empresa Wrapping

notícias

A aprovação virtual da máquina: 11 câmeras de alta tecnologia transmitem imagens ao vivo para o cliente nos EUA

Solutions, com sede em Rosengarten, Schwaebisch Hall, na produção de máscaras de proteção facial completa com dispositivos dobráveis manuais. Inúmeras consultas de toda a Alemanha foram recebidas para esta solução nas últimas semanas. A fabricação de dispositivos dobráveis será organizada e realizada através do centro de treinamento Optima.

Mais informações: www.optima-packaging.com/fightcovid19


notícias

EMBALAGENS EXPLICAM O QUE SÃO AS ‘BARRINHAS COLORIDAS’ Marcações servem para controlar a qualidade da impressão na embalagem e não têm qualquer relação com a qualidade do produto envasado

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Foto: Divulgação

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ara combater a fake news que circula há algum tempo em aplicativos de mensagens e em redes sociais, que diz que a presença de barras coloridas no fundo de embalagens de leite indica que o produto teria sido reprocessado, a fabricante de embalagens Tetra Pak incorporou às suas caixinhas breve explicação sobre o real significado das marcações. A partir de agora, todas as embalagens de leite produzidas pela companhia serão acompanhadas da seguinte frase: “marcações ou barrinhas coloridas são exclusivamente para controle de qualidade de impressão das embalagens”. Por padrão, as caixinhas contêm no fundo as famosas barrinhas para garantir a tonalidade correta das cores ou pequenos círculos pretos ou coloridos em trajetória linear, que garantem o registro de impressão e, portanto, a nitidez da imagem. “A presença de barrinhas coloridas ou de qualquer marcação no fundo da embalagem não tem qualquer relação com o produto ali dentro. Basicamente, elas ajudam no controle de qualidade de impressão, garantindo que a identidade visual proposta pelo cliente seja reproduzida de forma fidedigna”, explica Salvador Marino, diretor da fábrica da Tetra Pak em Monte Mor (SP). Apesar de serem envasadas somente na fábrica do produtor de alimentos, a fabricação das embalagens acontece dentro das fábricas da Tetra Pak em Monte Mor (SP) e em Ponta Grossa (PR). O envio das embalagens para o cliente não acontece no mesmo formato em que elas são encontradas nas gôndolas dos mercados. Elas saem em bobinas e, já na indústria de alimentos, são introduzidas em máquinas de envase responsáveis por dar forma à embalagem - exatamente do modo como são conhecidas - e por transferir o alimento ou bebida para o seu interior, por fim selando-as.

O processo de impressão

A produção das embalagens cartonadas começa com a impressão da identidade visual do produto em papel-cartão. Na sequência, as camadas de plástico e a de alumínio são integradas à de papel para formar as diferentes camadas da caixinha. Por fim, são cortadas e encaminhadas em bobinas para as indústrias de alimentos, para posterior envase. As barrinhas coloridas ‘surgem’ quando a identidade visual do produto é transposta para os rolos de papel. Como em cada rolo são impressas mais de uma embalagem, não há necessidade de imprimir o teste de cores em todas as unidades. Por isso, as impressoras realizam as marcações de forma intercalada, o que também refletirá em fileiras de marcação intercaladas. Essa mesma sequência se repetirá no momento de envio das embalagens para o fabricante de alimentos e no envase dos produtos. Deste modo, os consumidores conseguem observar que muitas caixas compostas por 12 embalagens de leite longa vida, por exemplo, trazem parte das embalagens com o teste de cores e outra sem a marcação. Por se tratar de um processo gráfico, barras coloridas podem ser encontradas em embalagens de outros produtos e em diversos materiais impressos. Além disso, tecnicamente é impossível realizar o ‘reprocessamento’ do leite ou de qualquer alimento ou bebida. Todo fabricante precisa seguir rigorosamente os padrões estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.


Vaivém do mercado

notícias

DOW DOARÁ VALESALIMENTAÇÃO PARA COOPERATIVAS DE RECICLAGEM

Rolf Pickert é o novo managing director da Messe München do Brasil

Foto: iStock

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omo parte do compromisso global anunciado anteriormente pela Dow para ajudar nos esforços de combate ao COVID-19, a Dow em parceria com a Fundación Avina, irá doar doando US$ 25 mil – ou R$ 136 mil – aos catadores e cooperados de reciclagem do Brasil, Argentina e Colômbia. No Brasil, a doação irá para trabalhadores de cooperativas e catadores de materiais recicláveis, com objetivo de contribuir para a subsistência dessas pessoas e de suas famílias, por meio de vales-alimentação. A quantia destinada ao Brasil foi convertida em vales-alimentação no valor de R$200, que irão beneficiar 17 cooperativas no estado de São Paulo - juntas, elas reúnem 488 famílias. O foco da ação são as cooperativas não

contempladas no programa de assistência lançado pela prefeitura de São Paulo. Essa iniciativa faz parte de um conjunto de ações realizado pela Dow desde o início da disseminação da COVID-19. Na América Latina, a empresa investirá R$ 1.1 milhão extra através da Fundação Dow e de um programa global de matchfunding que vai igualar doações de funcionários até um total de R$ 545 mil. “Por meio de projetos que estimulam a cadeia de produção circular, a Dow vem demonstrando o compromisso com o desenvolvimento de uma nova economia do plástico. A reciclagem tem papel essencial na cadeia e é por isso que precisamos cuidar dessas pessoas”, diz Tamires Silvestre, gerente de sustentabilidade para plásticos da Dow Brasil.

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O objetivo é diminuir as perdas dos trabalhadores do setor, que estão com as atividades paralisadas por conta da pandemia do novo coronavírus

A Messe München nomeia Rolf Pickert como Managing Director da sua subsidiária brasileira Messe Muenchen do Brasil Feiras Ltda., com sede em São Paulo. O executivo tem ampla expertise em gestão, especialmente no setor de máquinas para construção no mercado brasileiro. “Rolf Pickert é a escolha ideal para seguir desenvolvendo a nossa empresa e os nossos negócios no Brasil. Pickert tem muitos anos de experiência internacional, especialmente nos setores automotivo e de máquinas para construção”, destaca Klaus Dittrich, presidente do conselho diretor da Messe München. A última função desempenhada por Pickert foi como diretor geral da jointventure teuto-brasileira Brasbauer Equipamentos de Perfuração Ltda., em São Paulo. Antes Pickert trabalhou como gestor em diferentes empresas do setor de bens de capital. De origem brasileira e alemã, o profissional também se destaca por sua vasta experiência no desenvolvimento comercial de empresas internacionais. “Estou muito animado com a empolgante missão de desenvolver os negócios da Messe München em um mercado tão promissor, pois o mercado brasileiro tem grande potencial para novos temas”, salienta Rolf Pickert. Editora B2B

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entrevista

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“NÓS QUEREMOS DISRUPTAR A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS CONVENCIONAIS” O objetivo da foodtech 100 FOODs é oferecer alimentos saudáveis em embalagens que comunicam os valores da marca

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preocupação do consumidor com saúde e longevidade está ressignificando o consumo de alimentos. É cada vez mais crescente a demanda de alimentos saudáveis. De olho nessa tendência mundial, a foodtech 100 FOODS nasceu com o objetivo de facilitar a alimentação no dia a dia das pessoas, oferecendo alimentos saudáveis e com custo acessível. “Nós queremos “disruptar” a indústria de alimentos convencionais, desenvolvendo novas alternativas de consumo mais saudáveis para as pessoas e que não prejudiquem tanto o meio ambiente”, afirma Paulo Ibris, fundador e CEO da 100 FOODS. O portfólio de produtos é composto de ketchup, barbecue, mostarda, maioneses, temperos, entre outros produtos plant based. A marca reformulou um dos seus produtos e acaba de lançar a V_MAYO, primeira maionese vegana do mercado brasileiro produzida com proteína de ervilha que substitui o ovo na receita. Além de mais dois novos sabores: alho e apimentada. “Buscamos a alimentação saudável em todas as categorias que lançamos e temos muitos lançamentos bacanas chegando em breve”, revela. Em entrevista à revista Pack, Paulo Ibris, fundador e CEO da 100 FOODS, conta como a embalagem é pensada para difundir a marca que quer ser um dos maiores players plant based da América Latina.

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entrevista

Nova linha de maionese V-Mayo: embalagem foi pensada para traduzir não só o posicionamento vegano, mas também a modernidade e a inovação da empresa

Revista Pack: Quais foram os drivers para o desenvolvimento da embalagem da maionese V-MAYO? Paulo Ibri: Quando desenvolvemos as embalagens brifamos o designer para fugir um pouco dos formatos tradicionais que sempre são redondos. Nossa embalagem é transparente e bem clean, por isso nossos rótulos possuem o mínimo de informação possível. Pack: Qual foi o critério da escolha do formato e tamanho da embalagem da maionese V-MAYO? Ibri: Sair do padrão dos formatos redondos e aumentar a frente do

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O design da embalagem e do rótulo ajuda a transmitir ao consumidor os nossos valores rótulo, dando mais espaço para colocar informações e deixar claro aos consumidores o que oferecemos dentro daquele pote. Pack: Fale sobre a escolha da embalagem transparente. Ibri: Queríamos que as embalagens refletissem o que pregamos como marca e em nossos produtos: sempre o mínimo de ingredientes e o produto mais clean label possível. Acreditamos que o rótulo transparente transmite essa sensação “limpa”, além de ser moderno e ter bom fit com o posicionamento de uma foodtech. 

Pack: Como o conceito de design da embalagem traduz o posicionamento vegano do produto? Quem é a agência de design responsável pela criação da identidade visual? Ibri: A embalagem não transmite só o posicionamento vegano, mas sim de uma empresa moderna, de inovação e de produtos mais saudáveis e naturais. Utilizamos um designer independente. Pack:  Como o design conecta o consumidor à marca V-MAYO? Ibri: O design da embalagem e do rótulo ajuda a transmitir ao consumidor os nossos valores. É


uma ferramenta fundamental no trade para chamar mais atenção dos consumidores nas gôndolas, destacando a marca frente aos rótulos superpoluídos e cheios de informação dos grandes players. Pack: O consumidor vegano tem uma filosofia de vida que respeita os animais e o meio ambiente. Como a 100 Foods trabalhou a questão da sustentabilidade no desenvolvimento da embalagem para a linha V-MAYO? Ibri: A embalagem é reciclável. Nosso foco de sustentabilidade e saudabilidade estão primeiro no produto e o próximo passo é as embalagens, um passo de cada vez. Infelizmente, ainda carecemos de soluções mais sustentáveis. Mais definitivamente isso é um plano da empresa. Pack: E como isso é comunicado para os consumidores?

Ibri: Nós comunicamos a nossa preocupação com o meio ambiente através dos produtos como um todo, não somente por meio das embalagens. Pack: Qual é a sua estratégia para as vendas online e no varejo?  Ibri: Nós atuamos no canal online através de e-commerce proprietário e parceria com marketplaces. No varejo, buscamos as redes de supermercado que tenham o perfil do nosso consumidor e estejam mais acostumadas a trabalhar com a categoria de produtos saudáveis.  Pack: Qual é o papel dos fornecedores de embalagens e de equipamentos para ajudar companhias como a 100 FOODS a atender as necessidades dos consumidores?  Ibri: Buscar cada vez mais inovações em termos de custo e sustentabilidade para termos opções cada vez mais baratas, mas que

Queríamos que as embalagens refletissem o que pregamos como marca e em nossos produtos: sempre o mínimo de ingredientes e o produto mais clean label possível não prejudiquem o planeta por causa disso. Pack: Qual é a expectativa da 100 FOODS com o lançamento da nova linha V-MAYO? Ibri: Nossa expectativa é de ser um dos maiores players plant-based da América Latina. A linha V-Mayo vem para complementar o nosso posicionamento e as novas categorias terão esse papel também.


atualidades

Praticidade para levar a bebida para qualquer lugar O garrafão de vidro se popularizou de uns tempos pra cá por conta do crescimento das cervejarias artesanais. “Muitas marcas oferecem algumas cervejas apenas direto da torneira, então o growler é uma forma prática do consumidor levar a bebida para qualquer lugar sem que o sabor e a qualidade sejam comprometidos”, explica Alexandre Xerxenevsky, cofundador e cervejeiro da X Craft Beer. Localizada na região de Interlagos, em São Paulo, a marca passou a criar promoções para os clientes que iam até a loja ou que pediam o litro através de aplicativos de delivery. “O growler tem essa questão de ser um acessório vintage e, ao mesmo tempo, moderno, o que chama a atenção do público que gosta de cerveja e quer apreciar seu estilo favorito em qualquer lugar sem ter que consumir tudo de uma vez”, ressalta o empresário. Se armazenada de forma correta no garrafão, a bebida pode ser consumida em até 10 dias. A X Craft Beer utiliza um sistema de enchimento dos growler´s por contrapressão que elimina o contato da cerveja com oxigênio, fazendo com que ela preserve suas características por muito mais tempo.  A X Craft Beer tem growlers PET e de vidro para

as 8 torneiras de chopp disponíveis. O delivery pode ser adquirido pelo Ifood, diretamente na cervejaria mediante agendamento ou através do site www.delivery.xcraftbeer.com.br Fotos: Divulgação

Fotos: Divulgação

Informações mais claras

Através de suas linhas de pinceis de maquiagem, escovas de cabelo, unhas, cílios postiços e cosméticos, a marca Belliz possui um portfólio de produtos que já é aliado na vida das mulheres, desde o momento em que estão se preparando ou quando precisam retocar a confiança ao longo da jornada ou na celebração de suas conquistas de todos os dias. E agora, Belliz se torna ainda mais marcante na vida das mulheres. A marca passa a se apresentar com uma letra mais forte e feminina, adota uma cor moderna e vibrante - cassis - e as embalagens incorporam informações mais claras para facilitar a escolha no ponto de venda! O design da embalagem é assinado pela FutureBrand.

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atualidades

Após converter vendas de cerveja em doações de ração no último mês, a cervejaria Lagunitas Brewing Company volta a unir dois dos seus pilares: cerveja e cachorros na ação Donate the Logo, que incentiva a adoção de cães abandonados. O rótulo de sua icônica IPA teve o já famoso cão da logomarca substituído por fotografias de cachorros das ONGs Natureza em Forma e Amigos de São Francisco, que estão disponíveis para adoção. “Estamos muito contentes em realizar a ação Donate the Logo, que une dois dos principais pilares da marca: cachorros e cerveja. Essa responsabilidade social que Lagunitas tem com os cães abandonados é bastante forte na Califórnia desde a nossa fundação em 1995, e queremos que aqui no Brasil seja igual. Por isso, selamos parcerias duradouras com ONGs para essa e outras iniciativas, que visam ajudar os cachorrinhos que estão buscando um novo lar, mas também apoiar essas

entidades com recursos, divulgação e conscientização da causa animal. Faremos o possível para incentivar a adoção não apenas dos cachorros das embalagens, mas de todos os outros também”, diz Natalia Menezes, gerente de marketing de Lagunitas no Brasil. Confira o filme de lançamento da ação Donate the Logo: https://business.facebook.com/watch/?v=2614600932156265 As ONGs Amigos de São Francisco e Natureza em Forma são parceiras de Lagunitas desde a chegada da marca ao Brasil e, juntas contam com mais de 400 animais prontos para serem adotados ou apadrinhados. Neste primeiro momento serão 300 rótulos produzidos. Cinquenta deles serão distribuídos entre formadores de opinião e influenciadores digitais. Os outros 250 serão distribuídos via Rappi para clientes assíduos de cerveja artesanal e/ou ração.

Fotos: Divulgação

Fotos: Divulgação

Cervejaria muda rótulo para incentivar doação de cães


atualidades

Growler para consumo de

Segundo uso como sementeiras

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O isolamento social fez com que novas práticas de venda fossem adotadas e efetivamente houve o fortalecimento do delivery e do drive-thru. Atento a esse público que aprecia novos estilos de cerveja e atualmente tem que degustá-las em casa, a Cervejaria Madalena investe em novas embalagens e lança a versão Growler pet de 1 litro de chope artesanal. O growler é um recipiente, com fechamento de rosca, que armazena cervejas ou chope servidos sob pressão. “Essa é a melhor forma de oferecer a bebida, que só pode ser degustada em bares especializados ou lojas que tenham torneiras de cervejas, seguramente na casa dos clientes”, afirma Renan Leonessa, gerente de marketing da marca. Estão também disponíveis para venda no delivery e drive-thru na fábrica um leque de produtos e estilos de cerveja artesanal da marca, sendo oferecidos em latas, garrafas, barris de 20, 30 e 50 litros e growlers (com recipientes de vidro, cerâmica ou alumínio para armazenar chopes por até uma semana) de 1 litro, 2 litros e 5 litros. O horário de funcionamento é de segunda a domingo, das 11h às 17h, ou pelo telefone (11) 4800-0528, WhatsApp (11) 9.7133-4650, aplicativos de entrega de comida pela internet e no site da marca: loja.cervejamadalena.com

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chope via delivery

Com o objetivo de estimular o consumo de hortaliças e o hábito de plantar em casa, trazendo combinações temáticas e que podem ser cultivadas em pequenos espaços, a Isla Sementes, empresa pioneira na produção de sementes na América Latina, com mais de 600 cultivares em seu portfolio, disponibiliza seis versões de seu Kit de sementes, que ganharam nova embalagem. O design foi desenvolvimento pela equipe de comunicação da Isla Sementes. Mais coloridas e ilustradas com fotos das hortaliças que compõem cada kit, as embalagens também podem ser utilizadas como sementeiras para o plantio e além das sementes, que acompanham manual de cultivo, o kit vem com uma novidade: o adubo organomineral. Além disso, conta com qr code na parte externa, demonstrando tudo que conta dentro da caixinha. Outro diferencial dos kits é a diversidade de sementes que podem ser plantadas, como hortaliças, temperos, especiarias e flores, todas livres de agrotóxicos, prontas para tirar do papel o sonho da “Minha Horta”. “Práticos e cheios de charmes, os kits trazem o simbolismo de incentivar as pessoas a resgatar o contato com a natureza e na própria embalagem é possível plantar a semente. Idealizamos criar algo que possa ser presenteado, estimulando assim o compartilhamento e multiplicação do lindo hábito de planta em casa”, explica Diana Werner, presidente da Isla Sementes.


conveniência e praticidade

FORMATO PRÁTICO E ECONÔMICO PARA ARTESANATO

Fotos: Divulgação

Nova embalagem de 190 ml dos sprays tem medida certa para atender necessidade de pequenas reformas

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Colorgin, líder em vendas no mercado de aerossol, lançou uma embalagem mais prática e econômica dos sprays de acabamento luminoso e metálico para os consumidores. O Colorgin Na Medida é uma versão menor de 190 ml, dos produtos Colorgin Luminosa de 380 ml e do Colorgin Metallik de 350 ml. O novo formato é indicado para pequenos trabalhos e tem como principal foco, o público de artesanato e feminino. “Nós notamos que está crescendo o uso de spray para artesanato e para pessoas que curtem renovar objetos do cotidiano em casa. A tendência de Faça Você Mesmo (DIY - Do It Yourself) está em alta no Brasil, com o aumento de influenciadores digitais e de canais no Youtube sobre o tema. Para facilitar o manuseio e a aplicação desse tipo de produto desenvolvemos uma lata menor que tem a medida certa para atender a necessidade de pequenas reformas”, explica Fábio Pereira, Gerente de Marketing da Colorgin. A empresa realizou pesquisas em feiras e eventos do segmento de artesanato, como a mega artesanal, onde identificou que muitos consumidores utilizam os seus produtos para pequenos trabalhos de “faça você mesmo”, após inspiração em diversos formatos de comunicação, como o digital. “Hoje, as pessoas querem personalizar e diferenciar seus objetos e têm facilidade de encontrar tutoriais por toda a internet”, argumenta.

Desta forma, ter uma embalagem com a quantidade ideal era algo importante para o atendimento deste público. “Como um dos pontos fortes da linha Colorgin, está direcionado em excelente cobertura e rendimento, escolhemos dois produtos de grande penetração neste mercado (metallik e luminosa), para o lançamento da linha na medida certa!”, explica o gerente de marketing. “A linha de sprays de acabamento metallik e luminosa apresenta 190 ml de conteúdo e tem rendimento de 0,60 por 0,80 m2 pintados, o que equivale a várias caixas, máscaras, espelhos e copos, com a aplicação em suas superfícies, trazendo um desembolso mais adequado ao consumidor e com a medida certa para os trabalhos realizados. Para aquele usuário que não é um transformador (revendedor), este formato evita desperdício de produto, além de oferecer uma pega mais fácil e assertiva para aplicações de bricolagem para as mulheres”, argumenta Pereira. Para comunicar a novidade ao público de artesanato, a identidade visual da embalagem ilustra os trabalhos de artesanato, valorizando as transformações em objetos que brilham com a aplicação de Colorgin “efeito luminoso” ou reluzem na aplicação de Colorgin Metallik “brilho metálico” para tornar fácil a escolha e identificação dos produtos. O design é assinado pela Eba e a lata spray é fornecida pela Brasilata. Editora B2B

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matéria especial de capa | FCE Pharma e FCE Cosmetique

COMO A INDÚSTRIA DE EMBALAGENS PODE ENFRENTAR A PANDEMIA DO CORONAVÍRUS O setor é um participante importante na medida em que os consumidores e outros setores se adaptam à pandemia do COVID-19. Aqui está um plano de três etapas que pode ajudar as empresas de embalagem durante a crise

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matéria de capa

David Feber, Oskar Lingqvist e Daniel Nordigården | McKinsey & Company

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pandemia do coronavírus se espalhou e aumentou o impacto humanitário. As indústrias que ajudam a suprir necessidades essenciais, como de alimentos e de suprimentos necessários para segurança dos consumidores, são cada vez mais afetadas. O setor de alimentos responde pela maior participação da indústria de embalagens, algo em torno de US$ 900 bilhões por ano, em todo o mundo.

A crise do coronavírus já levou a algumas das quedas mais acentuadas, nos últimos tempos, na demanda por certos tipos de embalagens e, ao mesmo tempo, acelera o crescimento de outras – como as embalagens para o comércio eletrônico, que estão emergindo, como tábua de salvação, neste novo mundo. Tais mudanças impõem um conjunto de desafios para a indústria de embalagens. Neste artigo, apresentamos um plano de três etapas para ajudá-los a enfrentar a crise.

A demanda por embalagens deve passar por três fases O impacto da crise do coronavírus na indústria de embalagens deve ser misto. Esse padrão já está ocorrendo em países, como China e Coréia do Sul, que foram os primeiros a enfrentar a pandemia. A demanda por embalagens de alimentos, produtos de saúde e para comércio eletrônico aumentará exponencialmente. Ao mesmo tempo, a demanda por embalagens industriais, de luxo e algumas embalagens de transporte B2B pode diminuir. O impacto no setor de embalagens dependerá de seus portfolios e exposições a diferentes regiões, usos finais para embalagens e substratos. À medida que a pandemia se apodera de outras regiões é provável que a demanda por embalagens nessas regiões passe por três fases. A primeira fase é o período de choque inicial, que normalmente dura pelo menos quatro semanas, mas pode se estender por muito mais tempo. Mudar o sentimento do consumidor se traduz em cortes em várias categorias, reduzindo a demanda por certos tipos de embalagem. Os choques imediatos da demanda na indústria de embalagens são menos drásticos do que em setores, como turismo e hotelaria, mas podem ser substanciais em várias áreas:

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Embalagens industriais, a granel e de transporte. A demanda por esse tipo de embalagem está intimamente ligada à tendência do PIB e ao nível de atividade industrial; portanto, o acentuado declínio relacionado ao COVID-19 leva a uma redução na demanda de embalagens. No entanto, parte disso está sendo compensado pelos clientes industriais que estocam compras de contêineres e tambores intermediários a granel, o que causa um aumento temporário na demanda. Ao mesmo tempo, vários segmentos como embalagens para as indústrias alimentícia e farmacêutica - continuam tendo forte demanda. O alto crescimento da demanda por embalagens

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matéria de capa precisa estar pronta para os efeitos de segunda ordem desencadeados pela crise do COVID-19. A queda dos preços do petróleo (em parte devido ao efeito da pandemia na demanda) pode promover a redução do custo de matérias-primas à base de petróleo, como resinas plásticas para a indústria de embalagens. O fortalecimento do dólar americano melhorou a relativa competitividade dos fabricantes de embalagens e matérias-primas com sede em outros lugares.

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Ao mesmo tempo, o fechamento de fronteiras impõe desafios para empresas com cadeias de suprimentos estendidas e àquelas que dependem de equipes para a manutenção de equipamentos. Esses desenvolvimentos significam um período de alta incerteza para muitas áreas de demanda de embalagens e diferentes substratos de embalagens. A imprevisibilidade de como as ações do governo para mitigar os efeitos econômicos adversos da pandemia podem afetar ainda mais as perspectivas.

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de papelão ondulado pelo comércio eletrônico e de alimentos também está compensando parte da demanda perdida com clientes industriais.

essa tendência. Mas, a demanda por embalagens não-alimentares e de produtos premium está sendo atingida, pois os consumidores começam a reduzir seus gastos.

Embalagem de consumo. É provável que a demanda mude drasticamente na área de alimentos, já que a pandemia está fechando restaurantes e pontos de venda de alimentos. Os consumidores continuarão, assim, a fazer as compras de supermercado, cuja demanda por embalagens aumentará. Os desejos dos consumidores de estocar e suas compras de pânico de alimentos, bebidas e necessidades de cuidados em casa acentuaram

Embalagem de medicamentos. A demanda aumentará em diferentes embalagens, incluindo blisters flexíveis, pumps, tampas e plásticos rígidos. Da mesma forma, aumentará a demanda por embalagens de suplementos alimentares, como vitaminas, e por suprimentos essenciais, como medicamentos para alergias, que os consumidores precisarão em uma situação de lockdown.

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A indústria de embalagens também

A segunda fase abrange o período em que países e regiões controlam a pandemia. É claro que a duração desse período é incerta e é realista considerar vários cenários para sua duração, de alguns trimestres a mais de um ano. A redução do poder de compra das famílias e os balanços corporativos enfraquecidos devem reduzir a demanda na maioria dos segmentos de uso final de embalagens, com exceção dos setores de farmacêuticos e algumas categorias de alimentos. Durante essa fase, a expectativa é que certos comportamentos do consumidor, como fazer estoques, diminuam, enquanto outros, como as compras de supermercado no


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e-commerce, acelerem. As principais implicações para as embalagens incluem o varejo, que não é de supermercados, que provavelmente está quase parado. A demanda por produtos de marca própria de baixo custo provavelmente deve crescer e a demanda por embalagens de alta qualidade provavelmente vai sofrer declínio. A luta para derrotar o COVID-19 também pode começar a afetar as escolhas de embalagens, favorecendo o design e os substratos de embalagens que demonstrem abordar preocupações de higiene e segurança do consumidor, por exemplo, àquelas que minimizam a possibilidade de sobrevivência do vírus na superfície da embalagem. As empresas do setor de embalagem também precisam se preparar para outros desenvolvimentos. Dependendo da gravidade e duração da crise, a menor renda disponível das famílias e os balanços corporativos enfraquecidos nas empresas

clientes da indústria de embalagens podem resultar em pressão significativa para reduzir preços e custos de venda em toda a cadeia de valor da indústria de embalagens. Elas precisam se preparar para cenários, nos quais pequenas e médias empresas, e empresas altamente endividadas, podem ir à falência. Em nossa opinião, a gravidade e a duração da fase dois dependerão muito das ações dos governos para mitigar os efeitos econômicos adversos. A fase três é a recuperação, na qual esperamos ver a retomada gradual da demanda de embalagens. Alguns setores, como embalagens para serviços de alimentação, devem ter uma rápida recuperação. Para outros, a recuperação provavelmente será mais lenta, pois os consumidores provavelmente hesitarão em retornar a comprar produtos de luxo e fazer viagens. O comportamento de compra dos consumidores pode permanecer moderado, pois as empresas emergem

apenas fracamente da crise e os níveis de emprego sofrem. A velocidade da recuperação dos players de embalagem será diferenciada em grande parte por segmento, dependendo do grau de interrupção entre os clientes do segmento e do desafio às cadeias de suprimentos de diferentes players.

Como o COVID-19 afetará os drivers de megatendências do setor? É provável que a crise do COVID-19 altere algumas das megatendências na indústria de embalagens (ver figura). Os consumidores em todo o mundo estarão cada vez mais inclinados a comprar seus produtos por canais diferentes daqueles usados ​​antes da pandemia, levando a uma forte aceleração do comércio eletrônico e outros serviços de entrega em domicílio. Os consumidores americanos estão mudando seu comportamento à

AS MEGATENDÊNCIAS DE EMBALAGENS ESTÃO MUDANDO COM A CRISE DO COVID-19 Impacto observado e esperado das tendências na indústria de embalagens, escala 1-5 Últimos 5 anos

Próximos 10 anos

Impacto atual do COVID-19

Moderado 1

Muito alto 2

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Sustentabilidade requisitos

Mudança de curto prazo para gerenciar turbulência?

Comércio eletrônico

Espera-se que acelere mais rápido para um novo normal

Mudanças nas preferências do consumidor

Aumento da consciência de preço e foco em higiene / saúde

FMCG1 e varejo compressão de margem

Cadeias de suprimentos interrompidas e forte pressão de custo Despesas de capital limitadas,com oportunidade de reduzir custos

Digitalização de embalagens (Internet das Coisas) 1 Produtos de giro rápido McKinsev


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luz da crise: pesquisas sugerem que eles pretendem dobrar seus gastos em supermercados online. Um padrão semelhante foi observado na China: as vendas de alimentos frescos de um grande varejista online cresceram mais de 200% durante um período de dez dias no final de janeiro de 2020 em comparação com o mesmo período de 2019 e as vendas de carne e vegetais aumentaram mais de 400%. As pressões de custos na indústria de embalagens também devem aumentar com seus clientes sob forte pressão, os consumidores mais sensíveis aos preços e os convertedores de embalagens tendo que ganhar volume suficiente de pedidos para manter suas plantas bem utilizadas. Como a agenda de sustentabilidade, que se tornou uma questão importante para a indústria de embalagens, será afetada pelo COVID-19? É provável que preocupações com higiene e segurança alimentar possam se tornar uma prioridade mais alta, enquanto o desempenho da sustentabilidade de diferentes substratos de embalagens pode se tornar uma prioridade mais baixa - pelo menos em curto prazo. Devido à pandemia, há uma nova apreciação por parte dos consumidores e das indústrias de higiene sobre os benefícios das embalagens plásticas. Eles parecem estar

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superando as preocupações com a reciclagem e o descarte de resíduos de plástico no meio ambiente. Por exemplo, uma cadeia global de cafés está proibindo temporariamente o uso de copos reutilizáveis em meio ao surto. Ao mesmo tempo, no atual estado de emergência e preocupações com superfícies contaminadas por vírus, várias cidades e varejistas em todo o mundo estão adiando a introdução de medidas de sacolas reutilizáveis e suspendendo os serviços de reciclagem para clientes residenciais e comerciais. A questão em aberto é: se essa reavaliação pelos consumidores das compensações entre desempenho de higiene, segurança e sustentabilidade marca uma mudança permanente ou se o desempenho da sustentabilidade pode ressurgir como uma fonte de vantagem competitiva que pode ajudar alguns players de embalagens à medida que saem da crise - principalmente se eles levarem em consideração essas compensações? Uma empresa de embalagem com recursos pode ajudar clientes e consumidores se oferecer um substrato econômico e sustentável, no qual o novo coronavírus, tenha viabilidade mínima. Há muito espaço para melhorias: um estudo recente mostrou que as taxas de sobrevivência do vírus variam de 24 a 72 horas em diferentes substratos de embalagens, sendo a mais longa em plástico e aço inoxidável.

Ações a serem consideradas pelas empresas de embalagem Os líderes das empresas de embalagens podem considerar uma resposta à crise em três partes.

Parte um: Enfrente agora Como primeira ação, uma empresa de embalagens pode criar um centro de resposta à crise que pode orientar

a organização e servir como a principal fonte de informações. O centro pode gerenciar riscos e respostas e alinhar todas as partes interessadas. Uma prioridade importante é apoiar e proteger a saúde dos funcionários. Além de ser indiscutivelmente uma responsabilidade moral de um empregador, é também uma primeira linha de resposta pragmática para manter a capacidade de funcionamento de uma empresa. Atuar com essa prioridade pode acontecer em várias áreas. A empresa pode monitorar os riscos à saúde e se comunicar sobre eles através de atualizações em sua intranet, publicações na entrada de seus sites e treinamento regular sobre como lidar com eles. Também pode fornecer equipamentos de proteção individual, incluindo máscaras, luvas e desinfetantes para as mãos, além de limpar regularmente seus edifícios. Pode ainda implementar processos e políticas direcionados, que incluem listas de verificação, novas diretrizes de viagens e reuniões e a divisão de equipes em turnos, quando operacionalmente possível. A empresa também pode revisar sua presença na produção e o que será necessário para garantir que continue funcionando, criando planos específicos para cada país e listas de verificação claras para as plantas. Relacionada a isso está a necessidade de rastrear a cadeia de suprimentos para entender o risco de interrupções - como a dependência de uma única fonte de fornecedor de matériasprimas ou de gráficas que possam fechar - e, em seguida, tomar medidas para solucionar as interrupções e falhas previstas. Depois de tratadas as principais prioridades para manter a saúde e as operações, uma equipe de liderança pode entender o sentimento do consumidor - por exemplo, para


uma aceleração nas compras de comércio eletrônico e uma demanda maior do que a anterior por embalagens de supermercado - e como isso poderia fazer algumas mudanças necessárias em seu portfolio de embalagens. Com base nessa avaliação, uma equipe de liderança pode revisar seu modelo operacional para avaliar sua flexibilidade de produção de embalagens. Por exemplo, a empresa pode tomar medidas para entender onde a demanda será temporariamente alta e avaliar sua capacidade de mudar a produção adequadamente para atender a novos padrões de demanda. Ao mesmo tempo, a equipe de liderança pode avaliar o que precisa fazer para garantir a saúde financeira da empresa, identificando e mitigando os riscos de queda da demanda de certos segmentos e monitorando os índices de precificação de matérias-primas para proteger suas margens.

Parte dois: Planejar o retorno As equipes de liderança nas empresas de embalagem devem criar uma estratégia de recuperação que combina resiliência financeira, planos operacionais (como reiniciar as operações nas fábricas de embalagens que possam ter sido necessárias fechar temporariamente e avaliar o potencial futuro da demanda do mercado) e movimentos estratégicos focados no cliente (como entender o impacto do COVID-19 nas escolhas de substrato de embalagem de determinados clientes). As empresas podem tomar medidas para identificar categorias de embalagem que provavelmente retornarão com alto nível de demanda. Também podem considerar os requisitos da cadeia de suprimentos e o planejamento da produção - incluindo abordar a pegada e reequilibrar o suprimento - de que precisam lidar com esse retorno. Eles também podem procurar novos bolsões de potencial de crescimento com diferentes usos finais de embalagens e diferentes substratos. Por fim, as empresas podem revisar os designs de embalagem e os recursos associados necessários para gerenciar as novas tendências de sentimentos e necessidades do consumidor, como segurança, preocupações com a saúde e comércio eletrônico. Com base nessas avaliações, as equipes de liderança podem aprimorar as proposições de valor de suas empresas para atender ao próximo normal de demanda. Tais proposições podem incluir a capacidade de adaptar melhor os designs de embalagem

às necessidades do comércio eletrônico, ao mesmo tempo em que aderem às preferências do consumidor, oferecem maior eficiência de custos.

Parte três: Moldar-se ao próximo normal As equipes de liderança das empresas de embalagens devem avaliar quais mudanças estão ocorrendo no sentimento do cliente e do consumidor e quais comportamentos podem persistir após a crise - por exemplo, requisitos de higiene, comércio eletrônico e preocupações ressurgentes sobre sustentabilidade.Eles também podem repensar seus portfolios de negócios para garantir um fluxo de caixa estável e balanços saudáveis ​​que possam proteger suas empresas. As etapas que as empresas de embalagem podem adotar para esse fim podem incluir o estreitamento do leque de substratos usados​​ atualmente. Eles também podem se estender à avaliação de oportunidades de aquisição de ativos no mercado que possam fortalecer seus negócios. E, finalmente, as empresas precisam praticar regularmente o tipo de vigilância que lhes serviu bem no início da crise: pensando nas implicações do networking para suas fábricas e cadeias de suprimentos e nos riscos potenciais relacionados às fontes únicas de matérias-primas e componentes de embalagens.


design de embalagem

Inspirado em uma taça de Martini, SPOT surpreende ao apresentar a combinação entre estética, design e engenharia em seu desenvolvimento

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PERFUME GANHA EMBALAGEM

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INOVADORA Editora B2B


design de embalagem

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beleza da embalagem é tão importante quanto o cheiro do perfume. Em meio a tantas novidades no ponto de venda, o design da embalagem é o segredo para que uma marca se destaque. A Hinode apostou em uma embalagem inovadora criada pela Dow e Incom Packing para a sua fragrância SPOT. Com design moderno, o frasco de SPOT possui semelhança a uma taça de vidro de Martini, que cria o conceito da fragrância invertida e uma experiência nova e surpreendente ao usuário. Sua tampa, além de servir como fechamento e proteção, fica na base do perfume, enquanto seu frasco fica no topo. O desenvolvimento da embalagem, que foi reconhecida no prêmio Packaging Innovation, combina recursos estéticos e de design com conhecimento técnico e de engenharia. As matérias-primas escolhidas – vidro e a tecnologia Surlyn™ da Dow – possibilitaram à Incom Packing criar um elegante e inovador formato para o perfume. “Nosso principal objetivo era desenvolver uma linha de fragrâncias que questionasse o status quo da cadeia de perfumaria e que definitivamente tivesse o efeito surpresa em sua identidade”, afirma Andreia Johansen, Diretora Comercial da Incom Packing para a América Latina. “Fizemos diversos protótipos, mas tínhamos dificuldade para manter a base do vidro reta. Ao utilizar o Surlyn™, conseguimos reduzir as dimensões da tampa para melhorar a refrigeração do molde e reduzir as contrações e deformações da peça”, complementa Andreia.

valor ao produto final. A resina também oferece versatilidade de design e alta resistência química, permitindo mais opções decorativas, com diferentes cores, formatos, texturas e semelhança ao vidro em relação a outros materiais (glass like transparency). “O Surlyn™ permite uma série de novas possibilidades de design e de produção. Para nós é uma imensa alegria ver o que essa tecnologia oferece ao mercado se transformando em realidade e contribuindo com o processo de desenvolvimento de embalagens inovadoras, junto aos nossos parceiros”, comenta Melina Guedes, Gerente de Desenvolvimento de Mercado para Cosméticos na América Latina, da Dow. Além do SPOT, a Hinode lançou uma edição limitada da linha, chamada SPOT Sunset. Os frascos e a fragrância trazem o conceito e inspiração da energia do verão, com cores vibrantes e que trazem o frescor e a vitalidade da época. O lançamento, que conta com duas fragrâncias – uma masculina e outra feminina –, já está em fase comercial.  

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O Surlyn™ é uma resina da Dow utilizada em tampas de perfumaria. Uma de suas principais propriedades comerciais é a transparência, que sofistica as embalagens e agrega

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empresa | Optima

Webinar sobre tecnologia de barreira para indústria farmacêutica

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Práticas inovadoras na gestão do negócio e aceleração do mindset digital garantem a continuidade da operação da empresa


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pandemia do coronavírus e as medidas de isolamento social trouxeram desafios para a indústria num cenário de incertezas. Como cada um enfrenta esse momento é o que vai fazer a diferença na retomada da economia. O Grupo Optima, fabricante de máquinas de embalagens e de envase, usou a experiência de plantas fabris da companhia, em outros países, para superar os desafios nesta crise gerada pela pandemia. “A pandemia é totalmente atípica. Jamais havíamos passado por uma situação similar.

Recebemos muitas informações sobre o que estava acontecendo nas regiões inicialmente mais afetadas, como China, Itália, França e Alemanha”, explica Ivair Fontana Santos, diretor de venda e pós-vendas para a América Latina da Optima.

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Ivair Fontana Santos, diretor de venda e pós-vendas para a América Latina da Optima

Estamos tendo a chance de aprender que muitas atividades podem ser feitas de formas diferentes para ter um resultado melhor e com menos esforço

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No começo de março, a empresa adotou novas rotinas para o enfrentamento da pandemia. Um Comitê de Líderes foi criado para dar início aos planos de contingenciamento. Na fase inicial, a empresa manteve praticamente metade dos colaboradores em regime home office, alguns tiveram as férias antecipadas e outros usaram o banco de horas. “O foco das medidas é a preservação da saúde e das necessidades básicas dos colaboradores quanto a manter a família em regime de quarentena, principalmente para quem faz parte do grupo de risco e para àqueles que passaram a ter seus filhos em casa em período integral”, afirma. Ele continua: “Esses planos ainda são revisados a cada duas semanas. Sempre com foco principal nas questões relacionadas ao distanciamento social”. A crise da pandemia abre um mundo de necessidades e oportunidades. “Nossa equipe comercial, mesmo em regime home office, “não tirou o pé do acelerador”. Ela segue em contato constante com nossos clientes, identificando seus principais gargalos nesse momento, no qual tudo é novidade, e apresentando soluções que viabilizem a continuidade dos negócios”. O incremento na demanda de serviços feitos remotamente é um dos efeitos da pandemia. “A execução de testes de aceitação de máquinas de forma virtual, locação de máquinas para o envase de álcool em gel, produção de equipamentos dedicados e outros”, cita.

Impacto na capacidade operacional A capacidade operacional da Optima foi impactada de forma mais intensa, nos dois primeiros meses da pandemia, devido aos cancelamentos de serviços de transporte aéreo e contingenciamento de pessoal de alguns de seus principais fornecedores. “Os custos de frete aumentaram significativamente e houve atraso no recebimento de partes e peças para a montagem das máquinas e de peças de reposição para as máquinas instaladas em nossos clientes”, informa. Porém, mesmo com os atrasos e custos adicionais, segundo Santos, a Optima está conseguindo driblar essa situação por meio do comprometimento e envolvimento de todos os colaboradores. “Eles realmente abraçaram essa causa e continuam se empenhando ainda mais na execução de suas atividades para minimizar os impactos financeiros para nossos clientes, fornecedores/ parceiros e de nossa empresa”, explica Santos.

Como voltaremos ao normal? Tudo o que está acontecendo no mundo está trazendo uma “nova normalidade”. Nada mais poderá ser considerado normal. “Quem não se adequar às novas formas de atuar estará fadado a experimentar o fracasso nos âmbitos profissional e pessoal. Estamos tendo a chance de aprender que muitas atividades podem ser feitas de formas diferentes para ter um


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empresa | Optima

Optima fortalece o uso de smart devices

resultado melhor e com menos esforço”, acredita Santos. Há muitas oportunidades nas dificuldades e incertezas impostas pela crise do coronavírus. Em curto prazo, segundo o executivo, é praticamente impossível ter um cenário muito claro sobre quando voltaremos a atuar como antes do início da pandemia. “Por isso, hoje, estamos nos reinventando e, principalmente, dentro das áreas farmacêutica e química. Enxergamos um enorme potencial na fabricação de equipamentos para suprir o incremento de demanda dos produtos para atender esses dois segmentos”.

Pensar fora caixa A crise do Covid-19 está mostrando a importância de pensar fora da caixa na priorização do desenvolvimento de soluções inovadoras para o sucesso dos negócios de todos. Entre as iniciativas da Optima estão a ampliação do portfólio de máquinas; desenvolvimento de representantes, que estão muito mais próximos dos clientes em todo território latinoamericano e região do Caribe; gerenciamento do estoque local de peças de reposição. A Optima também implementou um mindset digital em todos os seus setores.

As reuniões com clientes e colaboradores são feitas sem que os participantes saiam de suas casas e/ou escritórios, reduzindo todo o tempo e gastos envolvidos no deslocamento. Os treinamentos das equipes técnicas dos clientes são feitos no modo online. Os testes dos equipamentos são virtuais e podem ser devidamente registrados e documentados passo a passo. Santos destaca o fortalecimento do uso e aplicação dos “smart services”. “A pandemia requer que os equipamentos sejam autodiagnosticados, minimizando as chances de paradas e interrupção da produção sem programação”, conclui.

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especial | FCE Pharma e FCE Cosmetique artigo

A INDÚSTRIA DE EMBALAGENS EM TEMPOS DE PANDEMIA A intenção da pesquisa foi entender como a indústria de embalagens tem enfrentado e contribuído para que a sociedade supere a Pandemia da melhor forma possível. Somamos às entrevistas, informações obtidas através das notícias da imprensa e do Linkedin 34

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Assunta Napolitano Camilo*

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ntrevistamos empresas de diferentes portes e de todos os setores da cadeia de embalagens, desde fornecedores de matéria-prima (dos diferentes setores), distribuição, convertedores, transformadores até prestadores de serviços.

A primeira constatação: todas as empresas adotam medidas preventivas recomendadas pela OMS (Organização Mundial de Saúde) para combater a COVID-19 em suas operações e no cuidado de seus colaboradores. Todas as indústrias são extremamente cuidadosas. Elas afastaram os profissionais do grupo de risco, limitaram visitas e viagens e tomaram as seguintes medidas: • Medição de temperatura dos funcionários na entrada das fábricas; • Distanciamento no transporte, refeitórios, espaços de trabalho; • Disponibilização de máscaras, luvas e álcool em gel; • Manutenção de médicos de plantão para atendimento de quaisquer dúvidas ou situações de risco; e Todos liberaram os funcionários administrativos para trabalhar remotamente. No geral, todas as precauções foram tomadas. A maioria implantou um comitê de crise para gerenciar a situação diariamente: das equipes, fornecedores, clientes e comunidade. Os colaboradores perceberam o cuidado e o reconhecimento das empresas de seu papel fundamental e eles retribuíram garantindo a produção. Muitas empresas realizaram campanhas públicas agradecendo-os, considerando-os os verdadeiros heróis, que lutam, mesmo com uma equipe menor, para produzir embalagens, principalmente para a indústria de alimentos e higiene e limpeza e garantir o abastecimento da população. As ações aumentaram o senso de responsabilidade dos colaboradores sobre o valor e a importância do que produzem para a sociedade. O senso de pertencimento dos colaboradores nunca foi tão evidente, bem como, a solidariedade entre as equipes. Os funcionários que estão distantes se preocupam com os que estão na linha de frente da operação. É evidente a interdependência entre todos. Para evitar riscos, uma empresa preferiu deixar sempre um turno de funcionários em casa e trocar a cada 14 dias. A planta fabril da Braskem, nos Estados Unidos, segundo o diretor de negócios, Américo Bartilotti, opera em lock in, com uma equipe que trabalha dentro da fábrica, sem voltar para casa por 28 dias, e depois ela se reveza com a outra equipe que descansava. Algumas empresas estenderam os cuidados com terceiros, como os caminhoneiros, que precisaram, principalmente no início, de suporte para continuar o abastecimento de matérias-primas e entregas aos clientes. Outras passaram a assistir às cooperativas de resíduos, que foram duramente impactadas em função da menor geração de resíduos em vários pontos.

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especial | FCE Pharma e FCE Cosmetique artigo Sérgio Ribas, CEO da Irani, explicou que o comitê de crise da empresa, por exemplo, tem a questão das aparas como um ponto de atenção, uma vez que a Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP) desativou a coleta seletiva por longo período. A companhia está atenta também aos eventuais problemas logísticos. Empresas que fornecem serviços de manutenção e assistência reportaram alguns problemas de atendimento por conta de restrição a viagens, bem como falta de hotéis. Na medida do possível, elas conseguiram superar, com chamadas de vídeos e tutoriais para que os próprios operadores resolvessem os problemas das máquinas. A grande maioria das empresas da cadeia de embalagens realiza iniciativas sociais que beneficiam comunidades carentes, hospitais e profissionais de saúde. Elas têm doado matérias-primas para produção de embalagens de produtos de higiene, sacos de lixo hospitalar, equipamentos de proteção individual. Várias empresas liberaram seus funcionários e equi-

pamentos para produção destes itens, numa clara demonstração de solidariedade, dos que podiam fazer algo para aqueles que mais precisam, ou estão na linha de frente. Gesto lindo de empresas e pessoas desta indústria, que é realmente essencial para nossas vidas.

Leonardo comentou ainda que a Suzano se organizou com antecedência e conseguiu colocar mais de 4000 funcionários trabalhando de casa, desde 10 de março. “Ainda assim, a avaliação dos riscos é uma constante diária nos vários pontos das operações, para todos”.

Planejamento

Segundo a Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO), as vendas de papelão ondulado cresceram 10,92% em março em relação a fevereiro e 10,73% ante um ano, totalizando 319.952 toneladas. Considerando os dados livres de influência sazonal, a expedição de papelão ondulado subiu 1,8% em março, para 316.508 toneladas. A comparação com o mesmo mês de 2019 foi o maior nível de expedição para março desde 2005 e o segundo maior crescimento interanual para o mês na série histórica.

O planejamento é um exercício diário das empresas que observam a situação da equipe, a questão de suprimentos de matérias-primas, insumos e serviços e a garantia de entrega dos produtos. A grande maioria das empresas conseguiu rapidamente implantar o trabalho remoto das áreas administrativas. Leonardo Grimaldi, diretor da unidade de negócios papel da Suzano e Anderson Oba, diretor de negócios de especialidades químicas da Nitro Química, comentam que em função de negócios com a China, eles acompanharam de perto a Pandemia no País. Esta vivência permitiu que as empresas se preparassem para organizar uma “operação especial”, considerando as mais difíceis e diferentes variáveis possíveis.

papelão ondulado

10,73%

10,92% Foi o crescimento das vendas de papelão ondulado em março em relação a fevereiro totalizando

319.952

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Foi o crecimento das vendas de papelão ondulado em relação a março de 2019

toneladas

A expedição de papelão ondulado subiu em março totalizando

316.508

toneladas em comparação com o mesmo mês de 2019

Fonte: Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO).

Foi o maior nível de expedição para março desde 2005 e o segundo maior crescimento interanual para o mês na série histórica.

Estes dados se refletiram de forma diferente nos vários segmentos da indústria de embalagens. A C-Pack que atende majoritariamente o segmento de cosméticos teve que rapidamente adequar seus produtos (tubos plásticos) para álcool em gel para manter a fábrica operando. Da mesma forma, empresas que atendem o comércio varejista e a indústria vidreira foram afetadas de maneira significativa, uma vez que o fechamento de bares e restaurantes impactou na venda de garrafas de bebidas.

O impacto nos negócios Assim, as respostas ao resultado de março foram díspares. Laércio Gonçalves, CEO da Activas, por exemplo, reportou uma queda de 50% nos pedidos e preocupação com inadimplência. “Algumas empresas, por contingência, optaram por congelar os investimentos até o segundo semestre, ao menos”.


especial | FCE Pharma e FCE Cosmetique artigo A situação também é de alerta em função da alta disparada do dólar (insumos e equipamentos) e a queda do preço do petróleo. Muitos relataram que, ainda no segundo semestre, deve haver consolidação de muitos setores, como fechamento de empresas, que já vinham operando no limite da rentabilidade. Considerando os eventuais problemas de caixas destas empresas, Américo Bartilotti, da Braskem lançou uma linha adicional de crédito de R$ 1 bilhão pela taxa do CDI para apoiar a cadeia de transformação neste momento. Todos relatam que a situação apertou e deve “apertar” para àqueles que atendem o segmento de construção civil (tintas imobiliárias, por exemplo), automobilístico ou cosméticos mais supérfluos, moda e calçados. O consumo de produtos não essenciais deve ter uma queda significativa. Isso vai ter um impacto no aumento do desemprego. Até agora, a indústria registrou poucos casos de negociação ou cancelamento de pedidos, apenas postergações. Os casos têm sido tratados e negociados um a um. Cada setor está reagindo e demandando respostas diferentes. De qualquer forma, custos e competitividade passam a serem cuidados com lupa. Empresas que podem, pretendem compensar a eventual queda do mercado interno, com aumento de exportação, como a Sealed Air que já exporta muita embalagem, uma vez que seus clientes, produtores de carne, estão tendo uma

grande demanda, principalmente da China. Marc Boadas, diretor geral da multinacional espanhola Comexi, que opera no Brasil e tem as máquinas para impressão flexográfica como seu core business, relata que a indústria de equipamentos deve ser impactada no fluxo de materiais em sua cadeia de valor, principalmente os fornecidos em operações na Europa. “Por outro lado, a demanda doméstica continua em bom nível e a exportação se torna uma grande oportunidade!”. A área de novos projetos e/ou inovação também será impactada por falta de recursos ou por dificuldade de serem conduzidos, segundo Fernando Varella, diretor do negócios transformados da CBA (Companhia Brasileira de Alumínio). “A empresa investe pesado em inovação e já sente demora na realização e acompanhamento de testes porque as equipes estão trabalhando remotamente ou em função da disponibilidade de hora-máquina”. Apesar do quadro pouco promissor para papéis especiais, segundo Gustavo Silva, gerente de marketing e comercial da Fedrigoni, a empresa pretende investir em ações de marketing e de apoio aos seus 27 distribuidores, auxiliando-os a se reinventar e diferenciar. Mesmo assim, a indústria que atende itens essenciais como alimentos e higiene e limpeza deve fechar o ano quase na mesma situação de 2019, segundo a

maioria dos dirigentes ouvidos. Todos os entrevistados entendem que o consumo vai mudar de patamar e várias alterações serão para sempre: • Crescimento do varejo online; • Valorização da segurança alimentar; • Evidência de violação; • Maior shelf life; • Multipacks com possibilidade de monodoses; e • Consumo mais consciente. Os executivos também concordam que o momento é de unir todas as forças, das diferentes cadeias e setores. Invés de defender que uma embalagem é melhor que a outra, o importante é defender que a Embalagem é importante. Os líderes da indústria de embalagens, mais do que nunca, devem ser exemplos de gestores comprometidos com a sociedade para que tudo isso passe logo e da melhor forma possível. Agradecemos as empresas que gentilmente nos atenderam, dispondo seu precioso tempo: Activas, Alpha Clicheria, Brasilata, Braskem, Camargo, CBA, CMP, Comexi, C-Pack, DuPont, Epema, Fedrigoni, Furnax, Ibema, Irani, Logoplaste, Macron, Multivac, Nitro Química, Novelis, Papirus, Poli Instrumentos, Radici, Sealed Air, Suzano, Valfilm, entre outros. Que todos nós possamos proclamar cada vez mais para a sociedade que: Embalagem melhor. Mundo melhor.

*Assunta Napolitano Camilo: Diretora da FuturePack – Consultoria de Embalagens e do Instituto de Embalagens – Ensino & Pesquisa. Articulista, professora e palestrante internacional de embalagens. Recebeu diversos prêmios, entre eles o de Profissional do Ano e o de Melhor Embalagem do Ano. Coordenadora dos livros: Embalagens Flexíveis; Embalagens de Papelcartão; Guia de embalagens para produtos orgânicos; Embalagens: Design, Materiais, Processos, Máquinas & Sustentabilidade, entre outros. Diretora do Kit de Referências de Embalagens e da coleção Better Packaging. Better World.

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artigo | Fabio Mestriner

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A IMPORTÂNCIA DA ALIANÇA COM BONS FORNECEDORES Fabio Mestriner*

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odo brasileiro é capaz de responder sem titubear e apontar as razões pelas quais o Brasil é um país atrasado, pobre e subdesenvolvido. Porém, são poucos aqueles capazes de responder com segurança à seguinte pergunta: por que o Brasil está entre as 10 maiores economias mundiais? Poucos se dão conta de que, em termos de produção de bens e atividade econômica, nosso país é maior que o Canadá, a Rússia, a Coreia do Sul e todos os países da Europa, com exceção da Itália, França, Reino Unido e Alemanha. Sabemos que o Brasil é uma potência agrícola, que o agrobusiness brasileiro tem um desempenho excelente e que somos um dos maiores exportadores de alimentos do mundo. Entretanto, a grande riqueza de um país é o seu mercado consumidor, pois os serviços há muito tempo superaram a indústria como principal componente da economia. Por isso, é importante lembrar que o nosso mercado de consumo está entre os cinco maiores do mundo na maioria das categorias de produtos com maior destaque. O Brasil é um país industrializado, com um parque fabril muito diversificado, composto por grandes grupos nacionais e milhares de empresas multinacionais que aqui se instalaram, tanto para atuar no mercado interno como para daqui exportarem sua produção. No momento, o grande projeto nacional da China é a construção do mercado de consumo interno. O governo central compreendeu que possui o maior mercado potencial do mundo e que ele pode se tornar seu maior ativo, garantindo à sua indústria uma imensidão de consumidores, o que pode diminuir a dependência do mercado externo, com suas oscilações e conflitos. Diante do exposto, é preciso acrescentar aquele que é o fator preponderante na elevação da perspectiva de crescimento do nosso mercado em 2020, ou seja, o tamanho da população brasileira. O Brasil não é grande apenas em quilômetros quadrados, o Brasil é grande no número de brasileiros. A quantidade de pessoas é fundamental ao fornecer “massa crítica” para instalação e funcionamento de indústrias e empreendimentos comerciais de grande porte, que dão corpo a qualquer economia. É preciso ter gente para consumir os produtos, aumentar a produção, gerar mais empregos e mais renda, o que, por sua vez, aumenta o consumo e faz a economia girar. Só existem cinco países no mundo com população maior que a do Brasil, mas, exceto os Estados Unidos, o único cujo mercado tem características e padrão ocidental similar à Europa é o Brasil. E quando esse mercado tem a perspectiva de crescer em torno de 3% é preciso se preparar, pois já existem itens de embalagem que estão em falta no mercado. Portanto, meus caros, preparem-se para não deixar passar as oportunidades que vão surgir neste ano! Minha principal recomendação é cuidar para que não venha a faltar aquilo que é necessário para fazer a empresa funcionar. Fortaleça suas relações com

seus principais fornecedores, consulte sua capacidade para suportar o aumento da demanda e verifique seus estoques para não ser pego de surpresa. Promova desde já melhorias de produtividade e performance em sua operação, ajuste sua capacidade de entrega para poder aproveitar o aumento nas vendas que vem por aí. Mas, principalmente, reforce seus vínculos com as pessoas das quais depende o funcionamento de seus negócios, principalmente os fornecedores das matérias-primas decisivas para sua produção. Lembre-se que esses fabricantes serão mais demandados – e garantir o suprimento necessário para crescer em 2020 exige relações firmes e fortes. A aliança estratégica com seus bons fornecedores é uma providência que precisa ser tomada antes dos eventuais problemas de fornecimento surgirem, porque vamos ter que entregar mais. Este será o grande desafio de 2020! Para finalizar, quero lembrar que economia não é só números: o crescimento do PIB é feito por pessoas, trabalho e sonhos. O Brasil tem 210 milhões de pessoas que sonham com uma vida melhor, levantam de manhã cedo e tentam melhorar de vida até a hora em que vão dormir. Por isso, não deixe que as decepções nem os erros do passado o impeçam de aproveitar o novo ano que inicia!    

*Fábio Mestriner é consultor da Ibema Papelcartão. Designer, professor do curso de pós-graduação em Engenharia de Embalagem do IMT Mauá e autor dos livros Design de Embalagem – Curso Avançado, Gestão Estratégica de Embalagem e Inovação na Embalagem – Método Prático.

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artigo

O “NÃO LIXO” E AS NOVAS OPORTUNIDADES PARA AS EMPRESAS

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Hjalmar Fugmann*

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m uma apresentação que recebemos na Voith, no final do ano passado, ouvi a seguinte frase: “o lixo é um erro de design”. Este enfoque ao tema me marcou. Nasci e cresci em Curitiba, no Paraná, um dos municípios brasileiros nos quais a coleta seletiva de lixo foi instalada com sucesso há bastante tempo. A separação de resíduos dentro de casa sempre foi muito natural para mim e, até recentemente, reconheço que era o suficiente para a minha consciência: eu separava o reciclável do orgânico, compreendendo que o restante do caminho estaria, naturalmente, encaminhado – ou seja, a transformação do usado em reutilizável ocorreria. Neste contexto, as toneladas de lixo plástico acumuladas nos oceanos e o microplástico que poluem as águas, doces ou salgadas, do planeta, não pareciam ser também resultado daquela parcela de lixo que eu separava em casa. Contudo, o impacto negativo dos plásticos descartáveis, especialmente dos chamados “single use”, ou “de uso único”, está cada vez mais claro para cada um de nós. Cresce a consciência de que precisamos evitar o uso destes para adotar materiais que sejam reutilizáveis. Estudando mais a fundo a questão, descobrimos que apenas 1,2% do plástico no Brasil é reciclado, de acordo com o Fundo Mundial para a Natureza (WWF, sigla em inglês). Assim, vemos que a nossa intenção em separar e reciclar, apesar de necessária e boa, não é suficiente para que, sozinha, mude a realidade para melhor. No final das contas, o plástico descartado, junto com outros materiais recicláveis ou não, possivelmente acabarão por serem despejados em algum lugar fora de nossas casas e longe de nossos olhos, eventualmente impactando negativamente um bioma e alimentando uma cadeia de desequilíbrio ambiental. O impacto, por vezes, é incalculável. Aqui, cabe retornar à base do consumo consciente dos 3 Rs (reduzir, reutilizar

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e reciclar). É preciso concentrar esforços nos dois primeiros (reduzir e reutilizar) para, somente quando necessário, reciclar. O ideal é reduzir o consumo e reutilizar o que se consome. A chave está nestes dois primeiros passos. Neste caso, como em tantas outras frentes, a mudança começa por nós mesmos. Abro um importante parêntese aqui para deixar claro que não sou contra o uso do plástico. Pelo contrário – ele é um material de incrível utilidade e versatilidade, sendo uma boa opção para diversas aplicações devido às suas importantes características químicas e físicas. Não obstante, é preciso repensar, sim, seu uso, especialmente em itens descartáveis e, ainda mais nos de uso único, como canudos, copos e embalagens. Grandes cidades brasileiras como São Paulo e Rio de Janeiro já têm leis que proíbem a distribuição destes artigos e, por isso, empresas varejistas e marcas já estão se adaptando para substituí-los por itens como talheres de inox, ou aqueles feitos a partir de papel. Embalagens para envolver latas ou invólucros para alimentos já são exemplos concretos de adoção recente mundo afora. Neste contexto, é inegável reconhecer que as circunstâncias atuais se apresentam como uma relevante oportunidade para que o papel e a celulose, em seus mais diversos usos, procurem resolver parte dos problemas de geração de lixo, que estão atualmente em debate mundial, tanto nas esferas públicas, quanto na sociedade civil em geral. Este é um caminho sem volta. Falar para um consumidor há


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20 anos que o papel substituiria um canudo plástico ou seria uma alternativa preferida para embalar produtos de alto padrão seria uma ousadia. Recentemente, em uma visita à sede da Voith na Alemanha, pude conferir uma caixa para telefone celular feita 100% a partir de celulose, sem nenhuma aplicação plástica. Além de oferecer segurança ao equipamento, confere beleza e praticidade, tudo isso em uma faceta sustentável. É uma embalagem sem erro de design, se nos basearmos na afirmação do início do texto. As embalagens inteligentes são somente um exemplo em um universo de oportunidades. Há projetos de uso de materiais feitos a partir de celulose em uma infinidade de aplicações, desde resinas, polímeros, colas, alimentos, medicação e em roupas, como substituição a materiais sintéticos – a cada lavagem, as fibras sintéticas eliminam microplástico com a água. Precisamos considerar, ainda, o próprio movimento dos consumidores que, individualmente ou em grupo, pressionam por mais mudanças com seus padrões de exigência cada vez mais altos. Outro dia chegou à minha casa um shampoo sólido com o nome curioso de B.O.B. – Bars Over Bottles, adquirido em substituição aos tradicionais shampoos líquidos. A “novidade” (pelo menos para mim), traz em seu nome parte do propósito do produto: é movida, principalmente, pelo desejo dos clientes em gerar menos lixo não biodegradável. No caso das empresas, temos que agir de acordo com os discursos

feitos da porta para fora, e assumir mudanças internas coerentes. No escritório da Voith no Jaraguá (SP), distribuímos centenas de garrafas de vidro em substituição aos copos plásticos. O mesmo foi feito com a água das salas de reunião: agora, temos garrafas grandes de vidro e copos do mesmo material. Mais do que o gesto da substituição em si, isso significa a busca por viver nossos valores. É um passo pequeno, e outros seguirão. Já há companhias em processo avançado dessa substituição de materiais tradicionais pelo papel e celulose. Se “fizerem a coisa bem-feita”, estas serão cada vez mais reconhecidas por seus clientes – externos e internos. Já as que demorarem a se movimentar vão encarar o custo – tangível e intangível – de serem vistas como ultrapassadas e ambientalmente irresponsáveis. O que hoje é oportunidade, rapidamente virará obrigação. Já aconteceu no passado com outras questões e, agora, é a vez do “não lixo”. Nossos jovens, os consumidores do futuro, serão ainda mais conscientes do que a geração atual e o comportamento que esperarão das empresas é que apontem caminhos para tratar de temas como pegada de carbono, uso consciente de recursos como água e energia, diversidade e inclusão, igualdades de forma ampla e tantos outros assuntos de grande relevância atualmente – dentre eles, o do aporte de inteligência e consciência no desenvolvimento, seleção de matériaprima, fabricação, distribuição e manejo de embalagens. Esta é a nossa deixa.

Sobre o Grupo Voith O Grupo Voith é uma empresa de tecnologia com atuação global. Com seu amplo portfólio de sistemas, produtos, serviços e aplicações digitais, a Voith estabelece padrões nos mercados de energia, petróleo e gás, papel, matérias-primas, e transporte e automotivo. Fundada em 1867, a empresa atualmente tem mais de 19.000 colaboradores, gera 4,3 bilhões em vendas e opera filiais em mais de 60 países no mundo inteiro, o que a coloca entre as grandes empresas familiares da Europa. A Divisão do Grupo Voith Paper integra o Grupo Voith. Como uma fornecedora completa do setor papeleiro, ela fornece a maior gama de tecnologias, serviços, componentes e produtos do mercado, oferecendo soluções de uma única fonte aos fabricantes de papel. A contínua sequência de inovações da empresa leva a produção papeleira ao próximo nível, viabilizando uma produção de papel que preserva recursos. Sob o conceito Servolution, a Voith oferece a seus clientes soluções de serviços feitos sob medida para todas as seções do processo produtivo. O conceito Papermaking 4.0 da Voith garante a interconexão otimizada dos equipamentos, e a segurança no uso dos dados gerados permite aos fabricantes de papel aumentar a disponibilidade e eficiência de suas fábricas.

*Hjalmar Fugmann é líder da Voith Paper América do Sul. Editora B2B

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Ponto de coleta instalado pela SO+MA em uma das escolas municipais de São Paulo/SP

Programa de vantagens incentiva a reciclagem Startup acelerada pela plataforma Braskem Labs já coletou mais de 300 toneladas de material reciclável com apoio de 4,5 mil famílias cadastradas na Bahia, Paraná e São Paulo

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á pensou na possibilidade de transformar materiais recicláveis em cursos profissionalizantes ou serviços médicos? A SO+MA , a primeira fintech do país a unir benefícios financeiros a atitudes que geram impacto social positivo e que foi acelerada pela plataforma Braskem Labs, uma das maiores iniciativas de empreendedorismo de impacto socioambiental do Brasil, surgiu com esta missão e está mudando a forma como as pessoas se relacionam com a reciclagem. A startup, que participou de mentorias de capacitação e networking promovidos na edição de 2019 do Braskem Labs, já conta com mais de quatro mil e quinhentas famílias cadastradas em um programa de vantagens que incentiva a reciclagem em Curitiba (PR), Salvador (BA) e São Paulo (SP). Além disso, o programa está em fase de expansão para o Rio de Janeiro (RJ) e, recentemente, iniciou uma parceria com a prefeitura da capital paulista para abordar a importância da reciclagem do plástico nas escolas da rede municipal de ensino.

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A SO+MA atua como um programa de vantagens totalmente gratuito e as pessoas cadastradas pontuam de acordo com a quantidade de material reciclado doado, como garrafas PET e outros itens plásticos, latas de alumínio, ferro, papel, papelão e vidro. Os pontos, que funcionam da mesma forma que programas de milhagem, são trocados por diversos serviços, como cursos profissionalizantes, alimentação básica e produtos de higiene oferecidos atualmente por cerca de 20 parceiros da SO+MA. Nas escolas municipais de São Paulo, os pontos


acumulados por alunos também podem ser trocados por brinquedos e materiais escolares. Segundo a empreendedora Claudia Pires, idealizadora da iniciativa, a SO+MA já coletou cerca de 300 toneladas de materiais recicláveis. Para fechar o ciclo, os materiais coletados são doados para cooperativas de reciclagem dos municípios atendidos pelo programa. “Muitas vezes o resíduo reciclável é visto como lixo, como algo que não tem valor, e o nosso objetivo é tirar esse estigma. A partir de incentivos como o Braskem Labs, queremos vencer o desafio de mudar a relação das pessoas com os resíduos recicláveis e mostrar que, se descartados corretamente e reciclados, eles podem ser transformados em calçados, roupas, brinquedos e embalagens, entre outros itens”, ressalta. A capacitação e as oportunidades geradas a partir da participação da SO+MA na plataforma de aceleração Braskem Labs contribuíram principalmente para aumentar o network e aperfeiçoar a gestão da empresa. “Na SO+MA acreditamos na importância de somar conhecimentos para aplicar no nosso negócio e o Braskem Labs foi uma das grandes oportunidades que encontramos para avançarmos com um programa que contribui para a construção de um mundo mais sustentável”, afirma Fernanda Yamasaka, gestora de Projetos da SO+MA. Segundo Fernanda, a startup está dialogando com comerciantes das praias do litoral carioca, que em troca da entrega de resíduos plásticos coletados na areia já podem

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pack | sustentabilidade

Com apoio de comerciantes do Rio de Janeiro (RJ), a SO+MA está coletando resíduos plásticos na praia de Ipanema desde o início deste ano

receber melhorias nos quiosques, ganharem itens como guardas-sóis e cadeiras. Na cidade de São Paulo, a SO+MA inaugurou neste ano uma nova unidade na zona sul e ainda pretende levar as ações a mais escolas públicas ao longo de 2020. Após o Braskem Labs, a startup também ganhou um novo parceiro (Faber-Castell) para oferecer materiais escolares e artísticos como mais um serviço a quem está cadastrado no programa de vantagens.

Apoiando o empreendedorismo de impacto positivo A plataforma Braskem Labs foi criada pela Braskem para apoiar negócios que considerem a química e/ou o plástico como parte da solução de questões socioambientais. Os empreendedores interessados podem optar pela modalidade Scale, voltada para startups em fase de tração e escola, ou seja, que estejam operacionais, tenham clientes e faturamento,

ou pelo programa Ignition, que funciona como pré-aceleração para quem está em fase de validação de modelo de negócio. Os programas combinam capacitação e mentoria por meio de encontros individuais e em grupo. As empresas selecionadas participam da aceleração por cerca de cinco meses e recebem, entre outros itens, diagnóstico de negócio, apoio personalizado, acesso a uma rede diversa de executivos da Braskem e de mentores Quintessa (parceiros do Braskem Labs), networking com conexão a potenciais clientes e parceiros estratégicos do mercado. A seleção considera o grau de inovação das soluções apresentadas, potencial de mercado, perfil do empreendedor e da equipe envolvida, modelo de negócio e impacto socioambiental positivo - é importante que os empreendedores tenham mais de 18 anos e diponibilidade para estar presente nos encontros realizados na cidade de São Paulo.

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artigo | Fabio Mestriner

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A EMBALAGEM É O PRODUTO

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Fabio Mestriner*

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á décadas uma questão assombra aqueles que, como eu, sabem da importância que a embalagem tem para os negócios. Nós sempre nos perguntamos por que as empresas brasileiras não percebem este valor, e por que ainda não utilizam este recurso para potencializar o desempenho do produto no mercado. Pesquisas realizadas por escolas e instituições do setor concluíram que os profissionais estão, em sua maioria, dedicados à redução de custos da embalagem, ao invés de se dedicarem a utilizá-la de forma melhor: aproveitando a contribuição que o investimento feito pela empresa neste item pode proporcionar, como por exemplo, a utilização da embalagem como ferramenta de marketing, veículo de comunicação e elo de conexão com a internet. A embalagem é uma poderosa ferramenta de competitividade que não pode mais ser utilizada apenas para carregar o produto: ela precisa ajudar a impulsionar o negócio da empresa. Não faço aqui uma crítica aos profissionais de embalagem, que muitas vezes são forçados pelas demandas de seus empregadores. O nó da questão deste artigo diz respeito ao porquê das empresas brasileiras não utilizarem todo o potencial de suas embalagens e, na maioria das vezes, nem sequer perceberem o valor que elas têm. Demorou, mas finalmente encontrei uma hipótese que pode nos levar a um entendimento melhor sobre esta questão: precisamos mudar a mentalidade que se estabeleceu nas empresas, que as fazem enxergar a embalagem apenas como um custo, um insumo de produção como os demais. Um

entendimento equivocado, que faz com que as companhias entendam como produto apenas aquilo que elas fabricam, ou seja, aquilo que vai dentro da embalagem, fabricada numa outra empresa que fica longe e está cadastrada em seu departamento de compras. Eles não sabem que, para o consumidor, a embalagem e o conteúdo constituem uma única entidade indivisível, conhecida pelo nome de produto. Portanto, produto para o consumidor quer dizer embalagem e seu conteúdo, uma vez que uma coisa não existe sem a outra. É neste entendimento truncado que reside o nó da questão. Não é fácil mudar mentalidades arraigadas e, para isso, todo o setor de embalagem, as empresas e profissionais que atuam na cadeia, precisam se dedicar a mudança do “mindset” pois, como ensinou o venerável sábio chinês Lao Tsé, “mais vale acender uma vela que maldizer a escuridão”. Não adianta ficar reclamando que as empresas não dão valor para a embalagem e que estão obstinadamente dedicadas a redução de seu custo. Precisamos acender uma vela e lembrar em todas as oportunidades que, para o consumidor, o produto e a embalagem constituem uma única entidade indivisível. Além de lembrar a todos que esta entidade participa e interfere na percepção de valor que o consumidor forma sobre o produto. Quem sabe assim encontramos um ponto de partida para tentar desatar o nó.

*Fábio Mestriner é consultor da Ibema Papelcartão. Designer, professor do curso de pós-graduação em Engenharia de Embalagem do IMT Mauá e autor dos livros Design de Embalagem – Curso Avançado, Gestão Estratégica de Embalagem e Inovação na Embalagem – Método Prático.

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LEITURA DOWNLOAD

DICAS PARA IMPLANTAR NR 12 NAS INDÚSTRIAS

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edicada à segurança no trabalho em máquinas e equipamentos e que vem passando por alterações nos últimos anos, a NR 12 indica o que deve ser feito para preservar a segurança do trabalhador e evitar o risco de acidentes. Na última publicação do texto, feita por meio da portaria n° 976 de 30 de julho de 2019, foram feitas várias alterações para atender a nova concepção de máquinas mais modernas e processos mais ágeis. O novo texto torna a compreensão e o entendimento menos burocráticos, facilitando o papel dos técnicos. Com isso, não se perde nada em conceitos técnicos, ficando a responsabilidade da apreciação de riscos e a adequação das necessidades da máquina como atribuição e responsabilidade do profissional legalmente habilitado. Para divulgar essas modificações da NR 12, a Schmersal relança o seu ebook “Dicas para implantar a NR 12 na sua empresa”, que teve sua primeira edição lançada em 2018 e que esclarece as principais dúvidas sobre a implantação da NR 12. De maneira didática e objetiva, o material detalha passo a passo de como implantar a NR 12 e, assim, evitar acidentes com os operadores de máquinas e interdições durante as fiscalizações da Secretaria do Trabalho. A cartilha pode ser baixada gratuitamente no portal sobre NR 12 da Schmersal: https://nr12.schmersal.com.br.

“A nova NR 12 de forma geral integra o Brasil aos mais atuais regulamentos técnicos internacionais de segurança em máquinas, não apenas mostrando como tornar uma máquina mais antiga segura, como também trazendo um guia completo às engenharias de como projetar e construir máquinas”, finaliza José Amauri Martins, especialista em NR 12 da Schmersal.

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A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS E BEBIDAS PÓS COVID-19 Por Monica Pieratti*

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egundo a Organização das Nações Unidas, a pandemia de Covid-19 representa a mais desafiadora crise desde a Segunda Guerra Mundial. Além das questões de ordem sanitária, temos à frente um desafio de longo prazo e diretamente ligado à capacidade humana de resiliência e reinvenção enquanto indivíduo e enquanto sociedade. Se é certo que o momento é difícil e exige esforços em um mesmo sentido, também é certo que o momento esconde oportunidades para aqueles que tiverem olhos atentos. Na indústria de alimentos e bebidas, já é possível notar mudanças importantes no padrão de consumo das famílias a partir da quarentena recomendada por órgãos de saúde. Por exemplo, com as pessoas mantendo todas as suas atividades dentro de casa, nota-se o maior movimento em mercados de bairros residenciais - o estudo Kantar Thermometer indica que 75% dos brasileiros têm preferido comprar em supermercados próximos de casa - e, sobretudo, o incremento das vendas de alimentos e bebidas em plataformas online. Em março, o volume de vendas de itens de alimentação em canais digitais cresceu 330% em relação ao mês anterior, segundo dados da empresa de inteligência Corebiz. Não há dúvida que o número está inflado devido às limitações de deslocamento em diferentes regiões, mas é de se esperar que muitas famílias e consumidores continuem dando preferência a este canal mesmo passada a crise - principalmente se levado em consideração que um retorno à normalidade possivelmente acontecerá de forma gradual e escalonada. Para referência, até fevereiro a Ebit | Nielsen projetava que o e-commerce brasileiro registraria faturamento de R$ 74 bilhões neste ano, puxado principalmente pela entrada de novos players do setor de alimentos e bebidas. Ainda que seja difícil estimar um novo número, é razoável concluir que essa cifra deverá ser revisada para cima em função do supermercado online. Se antes da pandemia muitos consumidores torciam o nariz para a compra de itens alimentícios em plataformas digitais, a experiência durante a quarentena poderá ser um driver importante atraindo novos consumidores para o canal. Contudo, neste ponto é importante ponderar o nível de maturidade dos varejistas competindo no e-commerce. Em um cenário que impõe mudanças rápidas a todos nós, não há margem para erros. O tempo de adaptação dos varejistas aos canais digitais deverá ser rápido ao mesmo tempo em que precisará oferecer uma experiência acima da média e a entrega de produtos frescos e de qualidade - portanto, mantendo padrão similar ao que o consumidor espera ao realizar compras em lojas físicas. Além das mudanças relacionadas ao comportamento de consumo das pessoas, em outra frente a pandemia do novo coronavírus impôs mudanças profundas ao food service. Muitos empreendimentos que não contavam com serviço de delivery foram forçados a ingressar neste modelo por conta das restrições impostas ao comércio em lojas físicas. Em muitos casos, o que surgiu como uma alternativa a um momento de vulnerabilidade e inviabili-

dade do comércio tradicional pode vir a ser uma grande oportunidade para um novo canal de vendas. Seja para fabricantes de alimentos e bebidas ou para empreendedores atuando no segmento de alimentação fora do lar, todas as mudanças em andamento já começavam a tomar forma devido à digitalização. A diferença é que, a partir de agora, elas ganham um novo e importante impulso. Por fim, a crise causada pelo novo coronavírus também impôs mudanças à produção industrial. Sem qualquer precedente na história recente, hoje a premissa de distribuir alimentos seguros e em qualquer lugar se mostra fundamental, sendo importante contar com uma cadeia integrada e capaz de suportar a indústria de alimentos de ponta a ponta. Sobre este aspecto, cabe ressaltar a importância da rastreabilidade e dos códigos únicos de identificação aplicados às embalagens. Em uma ponta, eles garantem o controle de qualidade dentro da indústria, enquanto, sob a perspectiva do o consumidor, permitem o acesso a informações claras e precisas sobre a fabricação daquele produto e sobre matériasprimas utilizadas em sua produção. Como vimos, o mundo mudou. É verdade que muitas das mudanças já se desenhavam no horizonte e que muitas indústrias e empreendedores já se arriscavam no que chamávamos de novas tendências. Contudo, a partir de agora não podemos mais falar em tendências, mas em uma nova realidade que chegou. E isto é válido para todos os setores da cadeia de alimentos e bebidas.

*Monica Pieratti é diretora de portfólio para a área de Processamento da Tetra Pak, sendo responsável por toda a região Américas. Formada em Marketing pela Universidade Luterana da Califórnia, a executiva acumula experiência no desenvolvimento de estratégias de negócios em diferentes mercados, inclusive tendo liderado o desenvolvimento de portfólio de produtos para a Tetra Pak globalmente.

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Foto: Leandro Andrade

direto da gôndola

TRANSPARÊNCIA PARA CONEXÃO DIRETA E IMEDIATA COM O CONSUMIDOR

Fotos: FuturePack

A transparência está em alta nas embalagens, pois permite o rápido entendimento do que se trata o produto e ajuda a transpor barreiras de vários tipos e em muitos segmentos

Assunta Napolitano Camilo*

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ecentemente, passei a visitar assiduamente as gôndolas de produtos veganos e vegetarianos. Surpreendi-me ao encontrar num supermercado de São Paulo, o novo hambúrguer à base de proteína vegetal (plant based) da BRF, com a marca da Sadia. O nome da linha é sensacional: VEG & TAL e a logomarca estampa três folhinhas. O produto é apresentado como burger de vegetais. Bem, tudo explicado, porém, no que pensamos quando vemos “esse” vermelho da Sadia? Produtos à base de frango, carne, embutidos que fazem a alegria dos carnívoros e dos nem tanto assim. É um belo desafio ter um produto vegetal para uma marca tão consolidada e que faz parte do imaginário dos brasileiros e muitos estrangeiros também como “CARNE”. A solução foi genial. A Sadia apostou numa embalagem que rompe três paradigmas: 1. O uso de embalagem termoformada numa categoria onde só há cartuchos e, no máximo, embalagens flexíveis; 2. Embalagem transparente deixa à mostra mais de 50% do produto. A luva de papelcartão só toma metade dela; e

3. Embalagem que fica em pé enquanto as demais, deitadas! Para uma marca que vende “carne”, a solução apresenta o produto vegetal, mostra que ele é vermelho como a “carne bovina” e até se parece com. Com certeza, a novidade vai atrair quem nunca comeria um hambúrguer vegetal e também quem é consumidor deste tipo de produto, que se surpreenderá e comprará pela apresentação diferente e pelo “endosso” da marca Sadia. No mesmo setor de veggies encontro uma nova marca de cogumelos shimeji. Normalmente, este produto “in natura” é embalado em uma embalagem simples e mal fechada. Apenas embalado em uma bandeja genérica de EPS envolto num filme de PEBDL, praticamente sem identificação e informações. Eis que surge uma proposta da marca Saúde e Sabor: um belo e transparente “stand up pouch”. A proposta é uma novidade no segmento, traz 400 gramas de cogumelos shimeji já cozidos em salmoura. A embalagem é praticamente inteira transparente. Assim, ninguém fica em dúvida sobre do que se trata o produto. A apresentação é contundente. Embalagem melhor. Mundo melhor.

Se quiser mais informações e fotos dos produtos, é possível obtê-las no site: www.clubedaembalagem.com.br *Assunta Napolitano Camilo: Diretora da FuturePack – Consultoria de Embalagens e do Instituto de Embalagens – Ensino & Pesquisa. Articulista, professora e palestrante internacional de embalagens. Recebeu diversos prêmios, entre eles o de Profissional do Ano e o de Melhor Embalagem do Ano. Coordenadora dos livros: Embalagens Flexíveis; Embalagens de Papelcartão; Guia de embalagens para produtos orgânicos; Embalagens: Design, Materiais, Processos, Máquinas & Sustentabilidade, entre outros. Diretora do Kit de Referências de Embalagens e da coleção Better Packaging. Better World. Editora B2B

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5................ CABOS LAPP................................................................................................................................................ www.lappgroup.com.br 3a Capa..... FISPAL TECNOLOGIA ........................................................................................................................ www.fispaltecnologia.com.br 15.............. HAVER BRASIL.......................................................................................................................................... www.haverbrasil.com.br 9 e 41 ....... INSTITUTO DE EMBALAGENS................................................................................................www.institutodeembalagens.com.br 27.............. INTERTEC............................................................................................................................................... www.intertecequip.com.br 4a Capa..... OPTIMA............................................................................................................................................... www.optima-packaging.com 37 ............. PERFOR.............................................................................................................................................................. www.perfor.com.br 20 e 21..... QISAR................................................................................................................................................................... www.qisar.com.br 17.............. THALLS................................................................................................................................................................ www.thalls.com.br 39.............. TOMRA .................................................................................................................................................www.tomra.com/pt/food15 2a Capa..... VITOPEL................................................................................................................................................................. www.vitopel.com

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Revista Pack Digital 232  

Como Será o Novo Normal no Setor de Embalagens

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