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Bondade em série Por que eles fazem as nossas legendas de graça

PLANETA prates

Surfe, futevôlei, açaí e trampo novo

Vamos reiniciar Florianópolis dez textos propõem reboot da ilha

Darci lado b livros sounds revistanaipe.com


ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I D I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í N Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I D I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C I C E 14Í14N D Ex-baladeiros I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í 1616 I C Noruegueses E Í ND E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í N Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND D I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I Darci N D I 18 C18E Í N D I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C Í 20N D Legenders I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E I C E 20 C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í N E Í N D2222I C EReboot Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND N D I C3434E Í NSir D Prates I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I D I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C I C E 44 Í 44 N D Skrotes I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í E Í N D4646I C EAntônio Í N D I Prata C E Í ND I C E Í ND I C E Í N Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND N D I C4949 E Í NEstante D I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I D I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C I C E Í5050 N D 老北京 I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í ND I C E Í N


editorial

O mundial de taco

“Let’s reboot Britain”, dizia a revista inglesa Wired de novembro de 2009. Foi nessa capa que inspiramos a matéria de capa da Naipe. Se a Grã-Bretanha precisa ser reiniciada, Florianópolis também precisa. Reiniciar uma cidade não significa antipatizar com ela, exatamente pelo contrário. Por mais que gostemos do nosso computador, às vezes ele se complica com o excesso de tarefas simultâneas, de novos conteúdos – e precisa de um reboot. Somos a capital que cresce mais rápido no país. Há 20 anos, nossa população era menos de 60% da atual – 250 mil dos 430 mil habitantes de hoje, sem levar em conta o também rápido crescimento das cidades vizinhas, que compõem a Grande Florianópolis. Às 18h30, há milhares de faróis vermelhos e amarelos em uma linha lenta, absurda e quase ininterrupta entre a Lagoa da Conceição e a Palhoça. É o sintoma mais evidente de que não lidamos bem com esse crescimento. Reiniciar uma cidade é a oportunidade de repensarmos nosso cotidiano além do corriqueiro percurso casa-aula-trabalho-balada-casa. Florianópolis precisa sediar o mundial de taco, prega o comediante Moriel. Construir uma marina de verdade, pede o grande navegador Vilfredo Schurmann. Ter mais gente que faça trilhas, sugere a jornalista Daniela Cucolicchio. Valorizar as paisagens e nossa capacidade de percorrê-las, suspira o paisagista José Tabacow. Tirar a cultura da zona de conforto, aconselha o comunicador e empresário Gastão, que por anos morou na ilha e manteve uma casa noturna diferente, a Célula. Se Luiz Carlos Prates tomou açaí, jogou futevôlei e carregou uma prancha em plena praia do Riozinho lotada no verão, tudo é possível. Thiago Momm, editor-chefe

A Naipe é uma publicação da editora Naipe Comunicações Ltda. Redação, administração, publicidade e correspondência à rua Victor Meirelles, 600, Kobrasol, São José. Diretor executivo: Marlos Momm; Diretor administrativo e de publicidade: Thiago Steiner; Editor-chefe: Thiago Momm, thiagomomm@ revistanaipe.com; Repórter fotográfico e editor: Jerônimo Rubim, jeronimo@revistanaipe.com; Repórter: Rosielle Machado, rosielle@revistanaipe.com; Comercial: Daniele Marchi, comercial@revistanaipe.com; Direção de arte: Lobotomáticos, info@lobotomaticos.com; webdesign revistanaipe.com: In Vitro Digital. Foto da capa: Bruno Ropelato Impressão: Coan. Jornalista responsável: Thiago Momm, MTB 45919/SP.

FALE REALMENTE CONOSCO: Para resmungos e sugestões, fale com nossos editores pelo tel. (48) 3035-4969 ou o e-mail naipe@ revistanaipe.com. Assinaturas: assinatura@ revistanaipe.com Para anunciar, fale com nosso diretor de publicidade Thiago Steiner, (48) 7811 4700, thiagosteiner@ revistanaipe.com.


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cartas

NAIPE 4, Mágoa? Fúria? Alegria? Escreva e nos diga o que a revista te provoca: naipe@revistanaipe.com E de fato a @revistanaipe foi a descoberta do mês. Só não vou falar que é do ano porque é muito cedo, mas promete.

CONFEITEIROS DA NAIPE 5

@knightstalker, via twitter Sou jornalista e conheci o trabalho de vocês há pouco tempo. Acho resumidamente incrível a linha da revista, o conteúdo e forma. É um respiro no meio da mesmice editorial. Luciana de Moraes, por email Afudê gurizada! Sou do RS e acredito que o projeto de vocês vai crescer muito! Boas dicas e conteúdo direto! Aloha Irmãos Manés. @bonjavoges A foto da capa da @revistanaipe renderia um baita ensaio fotográfico. Pensa em nus com plástico bolha? @cacaudantas Não sei se me identifico, me deprimo ou me desespero: “O amor nos tempos da bolha”, matéria excelente da @revistanaipe @lulifedrizzi Muito boa a Naipe. A matéria da UFSC [Sassaricando] tá du cacete. Parabéns.

O RETORNO Giancarlo Baraúna, editor-executivo do Diário Catarinense, por email

Thiago Momm é editor-chefe de Naipe. Nesta edição, entrevistou Luiz Carlos Prates (Planeta Prates, p.37). Jerônimo Rubim é editor de Naipe. É dele a organização de Vamos reiniciar Floripa (p. 22). Rosielle Machado é repórter de Naipe. Nesta edição, investigou o bom coração dos legendadores da internet (Bondade em série, p.20). Bruno Ropelato é fotógrafo. São deles as imagens de Planeta Prates. Rinian Guilhermeti é estudante de Arquitetura na Unisul e de Artes Visuais na Udesc. É dela a ilustração de Bondade em série. Camila Amorim é estudante de Arquitetura na UFSC. São dela os croquis da matéria de capa. Peter Nielsen é dinamarquês. É dele o email de Missiva mochileira (p.16). Marcelo Andreguetti é estudante de Jornalismo da UFSC. É dele Ilha lado b (p.44). Esta Naipe tem mais colaboradores que o usual. Para conhecê-los, vá à matéria de capa na p.22. O sempre elogiado visual da Naipe cabe ao Lobotomáticos, estúdio de criação dos irmãos-sinapse Bruno e Diogo Rinaldi. Bruno foi diretor de arte por sete anos em agências publicitárias dos EUA. Diogo trabalhou como desenhista industrial nos EUA e no Brasil.


VerÃo

2011

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Guia Naipe de Verão 2011 é o GPS dos espertos

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EST LOS EST LOS

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Se sob o sol chamuscador você não viu mais a revista Naipe, talvez tenha visto o Guia Naipe de Verão 2011. Foi o trabalho que inventamos para beber cervejas artesanais, passar tardes na praia e ser um pouco menos goiabas que a média desse pessoal trabalhando por aí. As manezinhas-e-viajadas equipes Naipe e Lobotomáticos, juntas, deram à luz a criança. Um projeto inédito no Estado, voltado para os cerca de 600 mil de turistas de 18 a 34 anos que vêm a Florianópolis e a Balneário Camboriú no verão. De quebra, respingou em quem tem o espírito nessa faixa etária.

Marcelo Schmoeller

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restaurantes

outros Paradores Itajaí: Galera’s Beach Bar (p. 73), Santidade (p. 74), Águas da Brava (p. 74). Balneário: Baleares Beach Lounge (p. 74), Sky (p. 75), Parador Beach Club (p. 75).

Em Jurerê é possível fazer um esquenta barato antes de consumir nos paradores. Uma opção é o supermercado Imperatriz; outra, uma barraca de lanches e tragos (a partir de r$ 4) na rua ao lado do P12, passando a entrada do parador.

João de Barro [13]

P12 [7] Tem público aprumado, estrutura extensa, repleta de sombras, e uma grande piscina. Muitos dos habitués, de qualquer maneira, preferem calças jeans, argolas douradas e maquiagem a trajes de banho. No verão haverá duas cozinhas, uma, recémaberta, da Trattoria Ecco. DJs tops mundiais tocam na casa, como a dupla inglesa Layo & Bushwacka. (28/12). Serv. José Cardoso Oliveira, costão esquerdo; 3284 8156, parador12.com.br

Com cardápio bem internacional, tem de pratos tradicionais, como a Cazuela de frutos do mar e Bacalhau à Gomes Sá, a opções mais exóticas, como Rã à provençal e Coelho ao vinho do porto. Cumprindo uma tradição de 13 anos, todas as noites as luzes do restaurantes são apagadas para uma cantoria do hino de Floripa, o Rancho de Amor à Ilha. Rod. Haroldo Soares Glavan, 1166, Cacupé; 3335 6003, joaodebarro.com.br; jantar de ter. a sáb.; dom., apenas almoço.

antonio´s [10] O forte da casa são os frutos do mar. Entre as 16 opções de preparo de camarão há salivantes como os camarões com bacalhau refogados em azeite de oliva com cebola, alho, rodelas de batata, pimenta, pimentão e azeitonas (Camarão à Ilha dos Açores, r$ 84,80). Sendo as porções abundantes, peça o prato para três ou quatro e gaste menos. Av. Luiz Boiteux Piazza, 2214, Cachoeira do Bom Jesus; 3284 5736, antoniosrestaurante.com.br; aberto todos os dias para almoço e jantar; aos dom., apenas almoço.

café de la musique [8]

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Posto da alfândega [15] Garantia de almoço idílico nas mesas à beira da calma Sambaqui. Aprecie a vista para as ilhas de Ratones comendo uma sequência de camarão (r$ 89, para até três pessoas) ou uma moqueca mista (r$ 79). R. Gilson Costa Xavier, 2919, Sambaqui; 3335 0179; das 11h à 0h.

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tapas e beliscos café Bellas artes [19] Reúne expressos, drinques com café, capuccinos, pães de queijo, bruschettas. Há ainda sushis, servidos todos os dias a partir das 18h, nas opções à la carte e rodízio (r$ 44,90 o feminino, r$ 49,90 o masculino). Entre as bruschettas, destaque para a da casa (r$ 18,90). Experimente também o Irish Coffee (r$ 15). Av. das Nações, 342, Canasvieiras; 3369 6460; todos os dias, das 12h às 2h. coisas de maria João [20] Meio-termo entre café e bistrô, é um lindo espaço decorado com artesanato e obras d

delícias do campo [16] Restaurante familiar com um dos melhores custos-benefício da cidade. Há um variado, caprichado e nada repetitivo bufê livre (r$ 10 dias de semana, r$ 15 aos sábados) – feito por uma chef com cursos em Lion e no Ritz parisiense. Anexa, uma pequena padaria oferece, a partir das 16h, café colonial por r$ 22. Rod. SC 401, 4240, Saco Grande; 3238 1089; seg. a sab., das 9h às 19h30.

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A personal chef Kris Schreiner, dez anos de experiência em cozinhas nacionais e professora de Gastronomia da Unisul, recomenda três lugares de preços diferentes para se banquetear.

lorenzo’s [14] Reserve uma das mesas com vista para a ponte Hercílio Luz. Há 60 opções de pizza do cardápio, inclusive de massa sem trigo, para celíacos. Como no vizinho João de Barro, o dono não se contenta em ficar na cozinha e costuma aparecer para cantar um tango. Rod. Haroldo Soares Glavan, 1166, Cacupé; 3335 6555; pizzarialorenzos.com.br; de ter. a dom. a partir das 19h.

Bate ponto [11] Único restaurante da cidade com carta de azeites (há chilenos, gregos, espanhóis, portugueses, italianos), é também um dos melhores pontos de Santo Antônio para curtir o por-do-sol com vista para a Baía Norte. A dica de prato principal é a caldeirada de frutos do mar (r$ 85 para duas pessoas), com peixe, camarão, lula, polvo, berbigão e marisco. Av. Gilson da Costa Xavier, 51, Santo Antônio de Lisboa; 3235 2121, bateponto.com; aberto todos os dias para almoço e jantar.

Sem tanta vibe baladeira durante a semana, funciona mais como um restaurante na maioria dos dias. Às sextas e sábados tem sunsets sofisticados que se transformam em balada até às 22h. Tem mesas VIPs (de r$ 2 mil a r$ 10 mil) com combos de bebidas e muitos gringos, paulistas e cariocas. Av. dos Merlins, s/n, Posto 1B; 3282 1325, praiacafedelamusique.com.br

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manJares em três faixas de Preço

Não compre ostras nas fazendas de Santo Antônio de Lisboa. Elas andam com sabor suspeito, segundo alguns chefs da capital – tanto que mesmo os restaurantes locais preferem ostras do Ribeirão da Ilha.

Japô [12] Aberto em novembro, aproveita a localização e mira mais alto que outros restaurantes japoneses da ilha – no verão haverá uma página extra no menu apenas com opções exóticas. Como esperado, o preço também vai além: temakis ficam na faixa de r$ 20, e um combinado de 43 peças sai por r$ 100. Na alta temporada haverá delivery e venda de sushis e sashimis em bandejas. Rod. Maurício Sirotsky, 5910, Jurerê; 3369 7950; todos os dias, das 11h às 3h.

Jurerê Internacional taikô [9] Veuve Clicquot (r$ 319 a r$ 760) e Chandon (r$ 99 e r$ 119) estouram o tempo todo – entre o público que mistura elite local, nacional e internacional a beldades manezinhas, tatuados, mídia e gente apenas atrás de muvuca. Querendo gastar menos, tome inventivos e chapantes drinques de vodca com frutas (r$ 14 cada) no folhado carrinho do Kaká, que sempre estaciona em frente ao Taikô. Avenida das Lagostas, s/n; 3282 9714, taikofloripa.com.br

Posh [6] Aposta na tríade luxo-sofisticação-estilo para atrair gente que não tem pudor de deixar o valor de uma TV 60 polegadas na saída. A casa aposta tanto nesse público elitizado que prefere nem divulgar muito suas noites. Durante o verão, traz DJs que embalam festas mundo afora e procura recriar na ilha uma aura de diversão requintada à altura de clubes de Saint Tropez. Rod. Maurício Sirotsky Sobrinho, Km 1,5, Jurerê; 3282 2054; poshclub.com.br

music Park [6] Espaço que abriga a Posh e a Pacha, recebe este nome nas festas que não têm DJs como atração principal. Já trouxe de Norah Jones e Lauryn Hill a Rodriguinho dos Travessos. Tem uma vibe mais festão, com público maior e mais variado fazendo grandes esquentas no estacionamento – algo só comprometido, claro, nos dias de chuva. Rod. Maurício Sirotsky Sobrinho, Km 1,5, Jurerê; 3282 2054; musicpark.com.br

norte

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Parador de praia não existe. A rigor seria paradeiro, paradouro, paradoiro, mas deixe de ser goiaba. É lá que está o público mais non-stop do litoral. Tem espreguiçadeira com garrafa de Original e tenda polinésia com Veuve Clicquot. Há caixas de som com a eletrônica-meditativa chill out e caixas com house comercial. Os frequentadores vão de surfistas, nativos e curiosos tranquilos a fritos de ácido e ricos baladeiros de camisa branca reverberando finesses mediterrâneas.

Bruno Depizzolatti

life club [5] Um grande vale-tudo. Recebe variadíssimas atrações musicais – de Charlie Brown Jr. e sertanejo a astros do reggae jamaicano e DJs de psy – em shows, festivais e festas universitárias. Garantia de gente bagunceira e festas prolongadas. Rod. SC 401, 14037, 1km após o trevo de Jurerê; 3342 4635, lifeclubfloripa.com.br

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Balada com maresia

balaDas Pacha [6] Terceira filial da franquia espanhola no Brasil, já recebeu nomes como David Guetta, Fat Boy Slim, Tiesto e Hernan Cattaneo. O público tende a ser engomado e bem de vida, com lindas patricinhas manezinhas ala VIP afora. Há sinalizadores para garrafas de champanhe vendidas a r$ 2500. Mesmo assim, a fauna é menos previsível do que parece. Há gringos festeiros, empolgadas argentinas, turistas nacionais baladeiros apenas em busca de uma casa noturna cheia e conhecida. Rod. Maurício Sirotsky Sobrinho, Km 1,5, Jurerê; 3282 2054; pachafloripa.com.br

santo antônio spaghetteria caffe [17] A luz intimista, o jardim com pitangueiras e o estilo rústico açoriano do restaurante acompanham o charme do bairro. “Os espaguetes têm a textura correta e tempero equilibrado. Nenhum ingrediente grita”, saliva Kris. Ela recomenda o pretensioso à São Francisco, preparado com cordeiro, pasta de gergelim, damasco, hortelã, alho, cebola, nata e manteiga (r$ 32,50 o generoso prato individual). R. Cônego Serpa, 30; 3235 2356; todos os dias, das 18h às 0h.

café riso Plage [18] À beira da praia, tem como boa entrada o carpaccio de polvo em geléia de limão siciliano e ervas frescas (r$ 36). Como prato principal, a plancha de lombo de atum – acompanhada de arroz açafrão e páprica, batatinhas rústicas e legumes grelhados em azeite – serve facilmente três pessoas (r$ 95). “O gergelim que cobre o atum combinou muito bem e mascarou o gosto forte do peixe”, elogiou Kris, que considerou, ainda, as batatinhas “deliciosas”. Para harmonizar, um vinho argentino rosé Hermitage Champenoise Brut (r$ 65). Em um almoço apenas com prato principal + cervejas é possível gastar menos de r$ 50/pessoa. Al. César Nascimento; 9643 2224; todos os dias, a partir das 10h.

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baladas

Divulgação

Confraria Club [7] Aberto há pouco mais de três meses, mudou a iluminação e o mobiliário, reforçando a aura classuda e pretensiosa do antecessor Confraria das Artes. Ao redor da pista há dez camarotes que comportam, juntos, até 300 pessoas. Em outro ambiente, La Suite, até 40 almas podem dividir um espaço com cama, sofás e banheira (!). O DJ residente da temporada será o bem cotado catarinense Daniel Kuhnen, e a casa receberá nomes como o americano Roger Sanchez (1º/1). Até 10 de janeiro, haverá festas quase todos os dias. R. João Pacheco da Costa, 31, Lagoa da Conceição; 3232 2298; confrariaclub.com.br

De Raiz [8] Sempre com música ao vivo, tem samba, forró, reggae roots e samba-rock. Aos domingos, dia mais forte da casa, gringos, alternativos, pés-de-valsa e tranquilos dançam samba de raiz interpretado por grupos tradicionais da ilha. Às terças, há forró com atrações regionais e, uma vez por mês, nacionais. A novidade para este verão é o bar inaugurado no piso térreo, com opções de petiscos e, nos finais de tarde dos sábados, roda de pagode. Est. Geral da Joaquina, em frente às dunas; 3204 9234; de ter. a dom., a partir das 22h.

Kanpai Cozinha oriental [12] Oferece sushi com a vista mais bonita da Lagoa. Tem combinados como o de 52 peças com 24 sashimis (r$ 93). Com 80 tipos de sushi, o bufê (r$ 65,90 o livre, com direito a 15 sashimis) oferece opções pouco convencionais, como o manezinho, com ostra ao bafo, cream cheese e peixe. Há Bohemia Weiss e Confraria (r$ 14). Morro da Lagoa da Conceição, 4720B; 3337 6818, kanpai.com.br; de dom. a qui., das 19h à 1h; sex. e sáb., das 19h às 2h.

Biliscão hot dog [18] Com dogões prensados e nada regulados, além da vista para as lanchas e os barcos ancorados na Lagoa, é uma das principais opções pós-night da região. O carrinho fica aberto até o amanhecer. Há opção com salsicha de calabresa. Ao lado da pontezinha da Lagoa.

Um dos melhores restaurantes especializados em frutos do mar da Lagoa, tem ingredientes sempre frescos e comida bem servida. Além da tradicional sequência de camarão (r$ 65 para duas pessoas), a pedida é investir nos pratos mais elaborados: vieiras ao pesto, polvo ao lagareiro e cataplana de bacalhau. Av. das Rendeiras, 1628, Lagoa da Conceição; 3232 5098; todos os dias, das 11h30 às 23h30.

Com fama de melhor pizzaria da cidade, é uma das que mais respeitam as tradições italianas na ilha. A massa é leve e crocante e os igredientes são selecionados – boa parte dos azeites e molhos é importada. Entre os sabores mais pedidos está a pizza Braz (r$ 52, oito fatias) e a Da casa, com mussarela, rúcula, aliche e tomate cereja (r$ 52, oito fatias). Para não ter que ficar esperando por uma mesa, faça reserva. R. Laurindo Januário da Silveira, 647, Canto da Lagoa; 3232 1129, pizzariabasilico.com.br; todos os dias, das 19 à 0h; sex. e sáb., até 1h.

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Café dos artistas [19] Café-ateliê, fica no leso Canto da Lagoa. Tem sossego, som do riacho atrás da casa e ateliê para uso dos visitantes. Deguste cafés expressos (r$ 2,50) lendo revistas de títulos bem variados ou livros esotéricos e de arte – literatura não é o forte da casa. Para comer, tente o popular espaguete com camarão ao molho caribenho, que tem curry e abacaxi (r$ 39,50 para dois). R. Laurindo Januário da Silveira, 2270; 3879 0284, cafedosartistas.com; de ter. a dom., das 14h às 22h.

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Restaurantes 3. Girasol (p. 58) 4. Mandala (p. 58) 5. Matsuri Sushi Lounge (p. 58) 7. Nutri Lanches (p. 59) 8. Porto do Contrato (p. 59) 9. Rancho da Jackie (p. 59)

PEQ UEN

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R. ABELARDO OTACÍLIO GOMES

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OCEANO ATLÂNTICO 405

405

Outros 6. Pérolas do Ribeirão (p. 59) 10. Ilha do Campeche (p. 60) 11. Sacolão Sul da Ilha (p. 60) 12. Campeche (p. 61) 13. Lagoinha do Leste (p. 65) 14. Matadeiro (p. 61) 15. Morro das Pedras (p.61) 16. Naufragados (p. 65) 17. Nantai (p. 64) 18. Lagoa do Peri (p. 65) 19. Pousada Golfinho Azul (p. 65) 20. Saquinho (p. 65 )

LOPES R. TEREZA P. VIEIRA

SC

R. MANOEL

Dê uma de Mario Bros e pegue um atalho: no Morro das Pedras, entre na Rua Manoel Pedro Vieira (a primeira depois da praia e do único restaurante por lá, em direção ao centro) e saia direto no Campeche. No trajeto, praticamente em linha reta, siga pela Rua Tereza Lopes e depois pela Rua do Gramal.

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outros

lugaRes PaRa VeR a TaRDe DesaPaReCeR Tenha uma das vistas mais cenográficas dos 20 km² da Lagoa da Conceição e do sol descendo atrás do Morro da Lagoa a partir da varanda do Backpackers sunset [29] (Rod. Jornalista Manoel de Menezes, 631, Morro da Mole; 3232 0141, backpackersfloripa.com). Aberto a não-hóspedes, o happy hour do albergue tem gringos de inúmeras nacionalidades. Treine suas línguas estrangeiras entornando caipirinhas (r$ 6). Ficando até pouco depois das 21h, jante (r$ 20) com os mochileiros e vá para a night com eles.

Mini-praia da Barra [26] Cruzando a ponte na praia da Barra da Lagoa, pegue a viela cheia de lojinhas e casas à esquerda. Já no primeiro minuto de caminhada se avista a Prainha do Leste, uma belezura de 50 metros de areia cercada por costões rochosos. A praia enche, mas menos que a célebre faixa de areia principal da Barra da Lagoa. Seguindo em frente na trilha, em dez minutos um platô de pedra e um visual havaiano anunciam piscinas naturais. Descendo o platô, pode-se pular no mar a partir do costão. Um snorkel valoriza o mergulho. Mas as piscinas são para bons nadadores, vá com a maré calma. Cavalgar nas dunas [27] Diários, os passeios a cavalo da empresa Cabanha do Toque passam pela reserva do Rio Vermelho e pelas dunas do Moçambique. Nas noites de lua cheia, há passeios de 2h pelas dunas, com churrasco incluso (r$ 60). Rod. João Gualberto Soares, 3381, Rio Vermelho; 3269 2756, cabanha.dotoque.nom.br.

No morro seguinte, o que leva da Praia Mole à Barra da Lagoa, há um mirante com uma vista também de fazer escorrer uma lágrima do olho. Sim, é ponto obrigatório de ônibus turísticos, mas vale a pena. O Café do Mirante [30] tem long necks de Heineken (r$ 3,50) e Eisenbahn (r$ 6,50) ou garrafas de cachaça artesanal (r$ 28) para acompanhar o banquete visual.

espaço Cultural sol da Terra [28] Abriga cineclube que exibe filmes diariamente às 20h (seg. e ter., r$ 10 inteira e r$ 5 a meia; outros dias, r$ 12 e r$ 6). Av. Afonso Delambert Neto, 885, Lagoa da Conceição; 3232 2303, soldaterra.com.br; de seg. a sáb., das 8h às 22h.

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restaurantes

outros

faça VoCê MesMo

girasol [3] Não chega a ser barato (r$ 25,90 o quilo durante a semana, r$ 27,90 finais de semana), mas é bem cuidado e ótima pedida no caminho às praias do sul. Há sempre boas opções de salada. Um pequeno empório anexo vende produtos orgânicos. Rod. SC 405, 1171, Trevo do Campeche; 3237 4650; todos os dias, das 11h30 às 15h30.

Pérolas do Ribeirão [6] Na estrada geral, há diversas placas anunciando as fazendas de cultivo no Ribeirão. Na Pérolas, os maricultores retiram ostras (r$ 5 a dúzia) e mariscos (r$ 3 o quilo) diariamente para a venda. Além de preços menores, os produtos, claro, são frescos. Rod. Baldicero Filomeno, 6476

Mandala [4] Cozinha típica açoriana, é a aposta mais honesta na beira da praia do Pântano do Sul. O combo caipirinha (r$ 5), anchova na chapa (r$ 40, serve dois com fartura) e a vista é imbatível. Tempero salivante e preço justo. R. Abelardo Otacílio Gomes, 150, Pântano do Sul; 3237 7281, restaurantemandala.com.br; todos os dias, das 11h à 0h.

sufoco’s Bar [2] O deque de madeira, de cara para a tranquila Lagoinha Pequena, há anos é ponto de encontro dos moradores da área. Cervejas sempre geladas e petiscos de frutos do mar embalam papos enquanto a lua sobe e reflete na água à frente. No verão, a casa também serve bufê no almoço (r$ 23,90 o quilo). Av. Campeche, s/no, Campeche; 3338 2227; todos os dias, das 12h à 1h.

solidÃo saQuinHo

SC

10 Bares 1. Chopperia Elemento (p. 58) 2. Sufoco’s (p. 58)

laGoinHa do leste

pÂntano do sul

caieira

12

GRAM

SC 405

AL

caMpecHe

56

13

4 405

CIPE

14 BAÍA SUL

SC

O

405 SC 406

SC

3 AV.

[17] À beira da Lagoa da Conceição, tem opção de mesas internas e externas, no gramado ou no antigo engenho, que faz as vezes de quiosque. O prato mais famoso, o Peixe à moda da caranha, é um estrondo: rocambole de filé de peixe recheado com camarão e catupiry, coberto com molho branco e queijo parmesão (r$ 90 para duas pessoas, acompanhamento incluso). Rod. Jornalista Manoel de Menezes, 2377, Barra da Lagoa; 3232 3076, pontadascaranhas.com.br; todos os dias, das 11h à 0h.

49

53

Na rodovia que liga a Barra da Lagoa ao Rio Vermelho, a SC-406, há várias entradas para a praia. Depois do sacolejo pela estrada de terra cercada por pinheiros, aparece o mar azul e agitado do Moçambique, a maior praia da ilha, 7,5 km de extensão pouco explorados. Boas ondas, areia branca, espaços só seus. Quem se sentir sozinho demais pode procurar os festeiros nos campings do Parque Florestal do Rio Vermelho para dividir histórias e cervejas.

Veja outras 4 opções para escapar do furdunço à pág. 63 (sul da ilha)

Chopperia elemento [1] Esquema bar-balada, até as 22h30 é bom para prosas com chope Strauss tulipa (r$ 4) ou torre (r$ 33). Depois, há som ao vivo – MPB (terça e quarta), pagode (quinta e sábado), sertanejo (sexta) e samba de raiz (domingo). Há descontos na entrada para quem colocar nome na lista e chegar até 23h. Rod. SC 405, 3247, Campeche; 3238 6180, chopperiaelemento.com.br; de ter. a dom., das 18h às 2h; r$ 5 fem. e r$ 10 masc.

Matadeiro

SC

401

OCEANO ATLÂNTICO

arMaÇÃo

7

11

ROD. ANTÔNIO LUIZ DE MOURA GONZAGA

1 TERMINAL DE INTEGRAÇÃO RIO TAVARES (TIRIO)

17

Ponta das Caranhas

47

Moçambique [25]

Costa da lagoa [23] Se o bem conhecido e barato (r$ 5) passeio de barco para a Costa da Lagoa vale a pena, a trilha que costeia a lagoa e passa por uma vila de moradores vale mais ainda. São 10 km e 2h30 de cheiro de mato, água salobra e cocô de vaca, com pausas para mergulhar, confabular com a natureza ou matar frutos do mar na mais de uma dúzia de restaurantes da costa. Batuta mesmo é combinar as opções – ir pela trilha e voltar de barco. A trilha sai do Canto dos Araçás, e os barcos, da ponte da Lagoa da Conceição, do Rio Vermelho ou também do Canto dos Araçás. Horários dos barcos: http://bit.ly/8XOaml, ou Cooperbarco, 3232 8266.

bares

caldeirÃo LAGOA DO PERI

2

EST. GERAL DO RIBEIRÃO DA ILHA

RESSACADA

sushi Roots [15] Tem um combinado incomum. Não de suhis e sashimis, mas de sossego, vista para a Lagoa, preço um pouco abaixo do mercado, boa comida e digestão no deque observando as estrelas. O local, com capacidade para cerca de 60 pessoas, costuma ficar cheio nas quintas e sábados, quando há festival de sushi e sashimi (r$ 38 o feminino, r$ 48 o masculino). Serv. dos Coroas, 41, Barra da Lagoa; 48 3234 0833; sushiroots.com.br; todos os dias, das 19h30 às 0h.

Vecchio giorgio [11] Mistura de lounge e galeria de arte onde tudo está à venda: os móveis, objetos e até uma parede feita com tijolos de demolição. A partir das 19h, a casa funciona como bistrô e oferece bruschettas, beirutes, sanduíches, saladas, grelhados. O carro-chefe do cardápio são as pizzas com nome de artistas famosos, como Michelangelo, Pollock e Frida Kahlo (de r$ 20 a r$ 24). A partir das 22h30, o local vira balada e fervilha ao som de DJs e bandas de pop, pop rock, samba-rock e funk (em média r$ 10 o ingresso feminino, r$ 20 o masculino). Av. Afonso Delambert Neto, 103, Lagoa da Conceição; 3232 0600; de qui. a sáb., a partir das 19h.

18

8

ribeirÃo da ilHa

rio taVares

Paçaí [22] Apesar do trocadilho infame, esportistas e surfistas passam por lá para cafés da manhã reforçados. Reformada para o verão, a casa oferece, além de açaí, almoços, cervejas, vinhos, champanhe e um deque elevado com vista para a Lagoa. Av. Jorn. Manoel de Menezes, 2646, Lagoa da Conceição (entre a Mole e a ponte da Fortaleza); 3338 3841; todos os dias, das 8h às 23h30. 52

14,3k

9

Nomuro Temakeria lounge [10] Tem som lounge, sofás e mesas com baldinhos de cerveja e espumante. Às quintas, reúne a elite ilhoa e pende mais para balada que temakeria – mas bagunceiros, não se empolguem: a noite é muito mais de networking e sorrisos prontos que de pegação. Um supertrunfo é, antes de ir embora, comer na própria casa, que oferece variedades de temakis como o de kani, camarão, salmão com pepino e molho agridoce (r$ 20). Av. Afonso Delambert Neto, 103, Lagoa da Conceição; 3233 5648; de ter. a dom., das 20h ao último cliente.

gravatá [24] Com vista para os muvucados quiosques da Praia Mole, a esquecida mini-praia do Gravatá, de poucas ondas, conta apenas com uma casa de madeira de um torcedor do Avaí. É pelo terreno dele que se passa para acessar a areia, uma faixa de menos de cem metros repleta de pedras-banquinhos. Com 1,4 km, a trilha que leva ao Gravatá poderia ser facilmente cumprida em 20 minutos, não fosse a tentação de parar nos descampados para tirar lindas fotos panorâmicas. A entrada da trilha é a rampa de cimento em frente à escola Parapente Sul, na subida do Morro da Praia Mole.

É bem mais fácil você ter o seu dia de Robinson Crusoé no Nordeste do que em Santa Catarina, principalmente Balneário Camboriú e Florianópolis, que juntas recebem mais de 1,5 milhão de almas no verão. Mas é possível ir para lugares bem menos populosos que a praia Mole ou Jurerê Internacional. Sim, há trânsito pelo menos em parte do caminho até lá, mas no fim compensa. Lá é possível encontrar esse tal de meu espaço.

50

LAGOA DA CONCEIÇÃO

CENTRO

SC 406

Pizzaria Basílico [14]

Às sextas, nomes nacionais se revezam com boas bandas covers locais para aquela necessária dose de rock clássico. A casa já foi eleita “Melhor da cidade música ao vivo” e “O melhor ponto de paquera” pela Veja Santa Catarina. O som é mais sincero que o dos bares em volta, e em 2010 vieram Vanguart (foto) e grandes artistas de jazz gringos. A escalação das bandas ou o repertório das bandas escaladas, no entanto, nem sempre são tão inventivos assim. Mas a tal paquera é garantida. O pessoal, na maioria 25-40 anos, se belisca bastante noite afora. Av. das Rendeiras, 1045, Lagoa da Conceição; 3232 8535; johnbullfloripa.com.br

oPções PaRa fugiR Do fuRDuNço

Queijaria Bom Paladar [21] Empório rústico com salames, conservas, geleias, macarrão caseiro, farinhas e grãos a preços coerentes. Também ajuda a montar happy hours caseiros, com vinho colonial (r$ 9 o garrafão de 2 litros) e queijo parmesão uruguaio (r$ 23,90/kg). Trav. Leopoldo João dos Santos, 13, Lagoa da Conceição; 3337 5389; de seg. a sáb., das 9 às 21h

o Barba Negra [13]

AEROPORTO INTERNACIONAL DE FLORIANÓPOLIS

4

Mustafá Casa do Kebab [20] Popularíssimo na Europa, o kebab ainda é incomum em Florianópolis. O mais tradicional do Mustafá é o Istambul (r$ 17,50), mas você pode montar o seu com ingredientes como carne vermelha, frango, salmão, húmus, tabule, tomate seco, pasta de berinjela e molhos árabes. Há Heineken 600ml (r$ 6). Av. Afonso Delambert Neto, 103, Lagoa da Conceição; 3232 2018; de ter. a sáb., das 19h às 0h.

restaurantes Pizzaria do Cica [16] Especializada em pizzas com massa integral e ingredientes orgânicos – alguns deles cultivados pelo próprio Cica. Amante das ondas, também é ele quem inventa as receitas e as batiza com nomes como Pico Alto e Série ao Fundo. Em alguns dias há festival com oito sabores salgados e dois doces (r$ 21). R. Laurindo Januário da Silveira, 1176; 3232 8638; de qua. a dom., das 19h à 0h.

John Bull [9]

lagoa

46

tapas e beliscos

restaurantes

lagoa

baladas

2

Matsuri sushi lounge [5] Das poucas opções de comida japonesa no sul da ilha, é a melhor. Oferece rodízios às terças, quintas e sábados (r$ 40 mulheres, r$ 50 homens). O combinado de 44 peças, com direito a um temaki, sai por r$ 60. Av. Pequeno Príncipe, 1615, Campeche; 3304 8779, de ter. a sab., das 19h à 0h.

Não pare o carteado. O disk pizza saborosa atende todo o sul da ilha com taxas de entrega módicas (r$ 2 a r$ 5). A pizza gigante de 12 fatias também tem preço amigo (r$ 33) e vem com um refrigerante dois litros. 3338 0053; de seg. a sáb., das 18h às 23h45.

ilha do Campeche [10] Com saída da praia da Armação, o passeio é feito por pescadores e leva meia hora. Do próprio Campeche também há saídas, de botes infláveis. Na Ilha do Campeche não é clichê chamar as águas de caribenhas. Mergulhe nelas (r$ 40), persiga peixinhos e volte, no barco, sorrindo que nem guri pequeno.

Nutri lanches [7] O galpão amarelo, nada sofisticado, não chega a ser convidativo. Mas é uma ótima proposta saudável a caminho do extremo sul. Sanduíches naturais, salgados, sucos e salada de frutas (com seis frutas, iogurte e mel, r$ 5) compõem um bom café da manhã; o bufê do almoço (r$ 20 o quilo) tem itens como tabule, açaí, arroz integral, feijão e carnes brancas. No empório há sementes, ervas e geleias orgânicas para os mais naturebas. Rod SC-406, 4615, Armação; 3237 5182, ter.a dom., das 8h às 21h.

Até os nativos curtiram. No Twitter, @ meyercafe escreveu: “Tá em floripa e não sabe aonde ir? O guia de verão da @ revistanaipe salva sua vida. mandaram muito bem!”. O @FloripaNight, que divulga baladas ilhoas, tuitou: “O Guia de Verão da @revistanaipe ficou excelente. Recomendado para turistas e locais”.

sacolão sul da ilha [11] 250 metros antes do trevo da Armação, um mesmo shoppingzinho reúne sacolão, peixaria e loja de produtos naturais. É o lugar ideal para se abastecer de água, frutas, sucos e biscoitos antes de se aventurar em uma trilha. No empório, compra-se mel (r$ 11/ kg), queijos, salames, biscoitos de polvilho, produtos integrais. O sacolão tem preços bem razoáveis – um coquetel de cana com carvalho e gengibre em garrafa de plástico sai por r$ 2. Rod SC-406 sul, 5517; 3389 5877; todos os dias, das 8h às 20h.

Porto do Contrato [8] No Ribeirão da Ilha, área que mais produz ostras do país, é o melhor custo-benefício entre os restaurantes. Uma pedida é a sequência com 32 ostras em 16 preparos diferentes (r$ 49) – um ou outro tipo não convence, mas a maioria emociona. Como prato principal a Tainha à la Mané, preparada com vinho branco e azeite de oliva, é uma escolha bem temperada. Na varanda com ampla vista para o mar, você bendirá a ida ao Ribeirão. Rod. Baldicero Filomeno, 5544; 3337 1026, portodocontrato.com.br; de ter. a sáb., das 11h30 à 0h; dom., das 11h30 às 17h. Rancho da Jackie [9] Entre a Lagoa e o Campeche, esse bufê livre é bastante frequentado e faz a alegria de surfistas famintos. Não há muitos requintes, mas a comida é variada e decente, e a relação custo-benefício, ótima. Rod. Dr. Antonio Luiz de Moura Gonzaga, 74, Rio Tavares; 3232 6754; de seg. a sex., das 11h30 às 16h30; sáb., dom. e feriados das 11h30 às 18h.

60

[20]

2

100

24 NTICA

67

bares

DO AV.

20

AV. QUARTA

BR

3

5

OCEANO ATLÂNTICO

RUA 2400

1

5

praIa CeNTral

AV. ATLÂNTICA

23

Baladas 8. Blue Coast (p. 70) 9. Djunn Music Place (p. 70) 10. Enjoy Club (p. 70) 11. Green Valley (p. 71) 12. Warung (p. 71) 13. Woods (p. 71)

25

AV. BRASIL

101

AV. TERCEIRA

4

TEDESCO

21

13 BR

Outros 25. Maria’s Pizzaria (p. 77) 26. Teleférico (p. 77)

balneário

MolHe barra sUl 2

RUA 4450 RUA 4500

AV.

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BEIR A

7

RIO

Um homem de topete, Adriano Bettin abriu com o amigo Vinícius Blaszezyk, na eletrônica Balneário, uma casa de rock anos 50. A ooby dooby [1] (nº 2554; 47 3056 7796, oobydoobyrock. wordpress.com; todos os dias, das 18h às 6h; entrada, r$ 6 a r$ 12) tem vários trunfos: jukebox, decoração dedicada, hambúrgueres clássicos, bandas de jazz e rock menos previsíveis que muitas por aí. Nas mesas, rockabillys, saudosistas, gente sem bandeiras, alternativos e, como define Adriano, “freakzinhas suaves”.

balneário

68

6

paradores

Praia dos Amores, Itajaí

73

esporte

Parapente Os voos saem da Lagoa da Conceição e das praias Mole e Brava. Custam r$ 120 e duram de 10 a 15 minutos. 3232 0791, parapentesul.com.br.

Paraquedismo Filiada à Confederação Brasileira de Paraquedismo, a Raspakamada Sky Dive oferece salto duplo sem e com filmagem (r$ 395 e r$ 520). 9972 3153, raspakamada.com.br.

Rafting Por r$ 50 é possível descer o Rio Cubatão, em Santo Amaro da Imperatriz, o local mais propício para se praticar rafting na Grande Florianópolis. A Apuama, empresa especializada, oferece outras opções de esportes. 3245 7602, apuamarafting.com.br.

Rapel A Adrena Ilha dispõe de rapel no Morro dos Ingleses, na Ponta do Gravatá e na praia da Galheta. O pacote com transporte, lanche, guia e equipamento, para duas pessoas, custa r$ 250. A empresa tem outras opções de Ecoturismo. 3284 3585, adrenailha.com.br.

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80

18 15 44 30 30 15 16 14 69 14 58 44 45 14 69 18 69 14 69 15 30 69 68 14 30 15 15 58 69

enjoy club [10] Pequeno e elitizado, existe há dois anos e comporta até 600 pessoas. Da mesma rede que a Green Valley, traz elogiados nomes da eletrônica mundial mas deixa os nomes mais arrasta-multidões para a nave mãe. Av. Atlântica, 5200, Barra Sul; 47 3360 8097, enjoy.art.br.

AV. TERCEIRA

m

3,2k

2,1k

AV. BRASIL

AV. QUARTA R.

MARM ORÉ

PARQUE UNIPRAIAS ROD. INTERPRAIAS

OCEANO ATLÂNTICO

TaQUaras

17

8

65

pINHo

esTaleIro

18 19

Paradores de praia 14. Galeras Beach Bar (p. 73) 15. Águas da Brava (p. 74) 16. Santidade (p. 74) 17. Baleares Beach Lounge (p. 74) 18. Parador Beach Club (p. 75) 19. Sky (p. 75)

esTaleIrINHo

baladas

Green valley [11] Em três anos de existência, tornou-se um epicentro de música eletrônica. Em 2010, ficou no top 5 de clubes mundiais na premiação americana International Dance Music Awards. Ao som dos maiores nomes da eletrônica atual, recebe até 10 mil pessoas em um amplo vale iluminado. Depois das 23h, a fila de carros rumo à casa é gigante. Chegue antes e mate tempo com um bom esquenta. R. Marmoré, 1083, Rio Pequeno, Camboriú; 47 3360 8097, greenvalley.art.br. Adriel Douglas

Conhecida pelos seus ares libertinos, Balneário tem suas regras de etiqueta. Ao ser encarado na rua, é provável que você esteja... sendo encarado na rua. Não é armadilha, não é impressão, they mean business. Então não seja mal educado. Retribua o olhar, chegue junto e seja feliz.

Warung [12] Templo dos amantes da eletrônica, recebe até 2500 pessoas e DJs consagrados. A partir da varanda do mezanino avista-se a linda Praia Brava, em frente. A revista especializada inglesa DJ Mag já considerou o clube “parada obrigatória”, e no seu ranking de 2010, o elegeu o 20º melhor do planeta. Av. José Medeiros Vieira, 350; Praia Brava, Itajaí; 47 3348 7643; warungclub.com.br. Woods [13] Silicone e má intenção. São as primeiras coisas percebidas na fila da Woods, reduto de sertanejo e gente com um savoir faire bagunceiro invejável. É comum haver mais mulheres que homens. Quem sabe dançar e cantarolar o hit country do último sábado se dá bem. Quem não sabe também. A casa começou no Paraná e já tem quatro unidades pelo país. Av. Atlântica, 4450, Centro; 47 3367 7739, woodsbar.com.br; qua., sex. e sáb.; do natal até meados de janeiro, todos os dias.

tapas e beliscos Art Temaki [20]

outros Divulgação

Proposta simples, com público tranquilo e uma belezura de preços. Os 25 temakis custam entre r$ 9 e r$ 14, e 8 hossomakis, r$ 10. O temaki Salmão Especial, com gergelim, cream cheese e pimenta vietnamita, é leve e deixa um suave retrogosto na boca. Nas caixas de som, música surf/reggae. Av. Alvin Bauer, 100, Centro; 47 3361 4163, temakiart.com.br; todos os dias, das 18h às 2h.

sky [19]

Surfers Paradise [22] A escolha Naipe entre as casas de lanche naturais em Balneário e Florianópolis. Sanduíches quentes e frios, estrogonofes, massas, saladas, sucos, tudo combina muito sabor e inventividade. O sanduíche G-Land (creme de frango e gorgonzola com folhas de espinafre, hortelã, tomate e cubos de gorgonzola no pão integral, por r$ 9,90) é uma das tantas provas da qualidade da casa. Além de tudo, entrega em domicílio. Av. Brasil, 1301, Centro; 47 3366 1516; sparadise.com.br.

O voz e violão à la Jack Johnson até às 14h engana, mas o Sky, no costão direito com mar verde-claro-carregado do Estaleirinho, é a balada diurna referência dos festeiros da região. DJs tocam ao vivo antes, ao longo e muito além do por-do-sol. O público vai de gente tatuada, bombada e bunduda a magros baladeiros e curiosos sem tribo. No resumo de um corpulento frequentador, o Sky vale a pena porque “é mais elitizado e tem muita gata”. Há variados petiscos, refeições e Original 600 ml (r$ 8). R. Higinio João Pio, 400; 47 3263 2021; skybeachlounge.com.br

Tropical [23 e 24] O serviço 24 horas das duas lanchonetes da rede é uma bênção aos estômagos pós-night. Não espere ambiente classudo, apenas o basicão e eficiente cheese-alguma-coisa (lanches a partir de r$ 8). O suco Tropical (r$ 4,50), com abacaxi, laranja, mamão e mel, surpreende e ajuda em tempos de baixa glicose. Av. Brasil, 3487; e Av. Brasil, esq. com a Rua 1201; ambos Centro; 47 3366 0991, tropicalbc.com.br. 75

Bares Academia da Cerveja Bar Canto do Noel Bar do Deca Bar do Tião Boteco da Ilha Box 36 Café del Sur Cervejaria Original Chaplin Chopp do Gus Chopperia Elemento Confraria Chopp da Ilha Degrau Creperia Didge Didge (Balneário) Donovan Irish Pub Fritz Muller Guacamole Guacamole (Balneário) Kibelândia Kioske do Pirata Mundo Selvagem Ooby Dooby Porão 1007 Rancho do Neco Sanduicheria da Ilha Santa Hora Sufoco’s Taj Bar

djunn music place [9] Acompanhando o ecletismo dos tempos, ao longo da semana ataca de hip hop, house, sertanejo, pop/rock e pagode. De quarta a domingo, mulheres entram de graça até às 0h. Atente para as promoções de garrafas de vodca. Final da Rua 4500, Barra Sul; 3361 1516, de ter. a dom., djunn.com.br.

m

70

76

ÍnDice reMissiVo

Kite Surf A Escola Open Winds dá aulas particulares nas águas rasas da Lagoa da Conceição. Cada aula de uma hora e meia custa r$ 200. 9962 3778, openwinds.com.br. Entre outras opções, a Parcel Dive oferece o curso de batismo para iniciantes (r$ 165). A primeira aula é na piscina, e a segunda, na Ilha do Arvoredo, onde se mergulha por 30 minutos. 3284 5564, parcel.com.br.

6

Leia sobre os paradores de Jurerê Internacional, em Florianópolis, à pág. 32.

11 5,9k

Méri Doces e Salgados [21] Uma casinha branca com cara de vó querida que desperta a vontade de se morar por lá pelo resto da vida. Há cucas de banana com farofa, bombons e tortas comoventes como a de morango folhada ou a Ferreiro Rocher (que realmente tem a audácia de ser um Ferreiro Rocher gigante; r$ 7 a fatia, r$ 90 a torta). Há também opções de tortas diet. O lugar aceita encomendas – mas não moradores. R. 2400, 89, Centro; 47 3366 3656; meridocesesalgados.com.br; de ter. a sáb., das 14h às 21h; dom., das 15h às 21h.

74

Mergulho

oPçõeS De eSPoRTe eM FloRiAnóPoliS

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parador beach club [18] Parte do Parador Estaleiro Hotel, só cobra entrada para as “day parties”. Entre os dias 25/12 e 8/1 a festa será diária, às vezes com nomes como Layo & Bushwacka e Roger Sanchez. A pegada remete ao pretensioso manezinho P12, com a diferença que, sob sol, não há quem não

baleares beach lounge [17] Inspirado na cultura mediterrânea, tem tapas e mojitos (r$ 10). Às sextas, a partir das 22h, há balada flashback com música disco. Nos sábados à tarde o local é invadido pela vibe Ibiza-glamour do Café Del Mar, famoso clube das ilhas Baleares, no Mediterrâneo. Aos domingos, há por-do-sol com DJs e brunch. R. Osória Maria Mafra, 2105; 47 9131 0002; baleares.com.br; de sex. a dom.

santidade [16] Mistura locais e turistas bonitos e de boa que não querem saber de champanhe estourando. Mesmo elaborado, tem cardápio democrático – há de bem recheados sanduíches (a partir de r$ 7) e um prato kids estranhamente reforçado (r$ 10,90) a lagosta (r$ 116). “É um lugar pé na areia, sem frescuras, com mulheres bonitas e sem os fritos master [baladeiros que saem das festas loucos de ácido]”, resume José “Feijão” Vieira, de Balneário. Até 10/1 a casa terá três DJs diários, alguns de renome nacional. Estendida, a festa pode migrar para o mezanino da casa e se prolongar até 2h. R. José Medeiros Vieira, 1666; 47 3349 2495; santidadebar.com.br

Praia Brava, Itajaí Galera’s beach bar [14] Aberto desde 1986, fica no costão da Brava, praia de tombo e de surfistas. É dividido em uma barraca que serve petiscos na areia e em uma estrutura maior, a 50 metros da praia, com almoço, jantar e eventos. Na areia são 300 espreguiçadeiras e até mil pessoas em alguns dias do verão. O cardápio tem apenas Skol (r$ 5 a lata) e preços maldosos. Para os tranquilos, o ponto alto é a atmosfera, mais surfe-natureza-família que a de outros paradores. Outra vantagem: com maré baixa é possível acessar, em 10 minutos, uma mini-praia após o costão. R. José Medeiros Vieira, 1; 47 3349 1662, galerasbar.com.br

blue coast [8] Em uma encosta, tem uma pista coberta mas arejada e vista para o Atlântico. Fique até de manhã para contemplar o sol nascendo na Praia de Estaleiro. Confira a programação em facebook.com/bluecoast. Av. Rodesindo Pavan, 11595, Estaleirinho; 47 3263 2003.

Divulgação caia na piscina. R. Victorio Fornerolli, 454; 47 3261 6661; paradorbeachclub.com.br.

manda bala

Embora se pareçam, principalmente pela repetição de motivos indonésios, os paradores de Balneário Camboriú e região têm nuances. A atmosfera baladeira predomina, mas há opções menos coelhinho-da-Duracell, e de um lugar para o outro o público varia bastante.

Primeiro da tríade cervejeira, o bar chaplin [3] (nº 2200; 47 3366 1227; todos os dias, das 11h às 2h) tem Einsebahn dunkel, weiss e pilsen (r$ 6,90) e é, há 18 anos, um tradicional ponto de encontro. Mais sofisticado, o mundo selvagem café & bistrô [4] (nº 2186; 47 3366 1641; todos os dias, das 11h30 às 1h) oferece de lanches a lagosta. O happy hour com coquetéis atrai público variado, “dos 8 aos 80”, como diz o gerente. Para bagunça mesmo, a pedida é a meiochoperia-meio-night Fritz muller [5] (nº 2200, s.3; 47 33672546; todos os dias, das 11h às 5h). Há lasers no teto e eletrônica em volume quase balada. Aposte sem medo no frutado chope da casa, o artesanal Zehn Bier, de Brusque.

paradores

Estaleirinho, Balneário Camboriú

águas da brava [15] Junto com o vizinho Santidade, reúne até 1,5 mil pessoas em uma breve faixa da Praia dos Amores, contígua à Praia Brava mas de poucas ondas. Nas espreguiçadeiras são servidos petiscos e cervejas nacionais de garrafa (r$ 5). Na estrutura, há almoço e jantar. O prato “Especial da Brava”, para até quatro pessoas, tem linguado, camarão e banana, todos à milanesa, mais casquinha de siri (r$ 79). Atende um público um pouco mais família e menos house music, mesmo com DJs no deque. R. José Medeiros Vieira, 1776; 47 3349 4497; aguasdabrava.com.br.

Ainda mais festeiro que seu comparsa de Florianópolis, o Guacamole [6] de Balneário (Av. Normando Tedesco, 1122, Barra Sul; 47 3366 0311, guacamolemex.com.br; todos os dias, das 19h às 4h) é um bar/balada de boa comida mexicana, barulhentos mariachis e energizadas tequileiras. As fotos das loiras notívagas de Balneário em frente aos banheiros não deixam mentir. Do mesmo dono, o vizinho e australiano didge bar [7] (Rua 4450, esq. com Beira-Rio, Barra Sul; 47 3361 6414, didge.com.br; todos os dias, das 20h às 4h) é mais baladeiro que o da capital. Há bandas, normalmente de rock, todos os dias.

O taj bar [2] (nº 5710; 47 3264 0464, tajbar.com.br; seg. a sex., das 18h em diante; sáb. e dom., das 15h em diante; entrada, a partir de r$ 10 fem. e r$ 15 masc.) oferece outra pegada. Embora com os mesmos motivos indonésios de tantos lugares, tem ambiente bem mais esmerado que a média. No cardápio, delícias como carneiro ao molho chutney de manga e especiarias asiáticas, acompanhado de arroz jasmin, batatas e cebolinha à dorê (r$ 37,90). Tente também a caipiroska Taj, com kiwi, maçã, gengibre e mel (r$ 12,90). A casa tem DJ diariamente; às terças, há stand-up comedy.

Ao longo dos seus 6 km, a Avenida Atlântica tem inúmeros bares. O Guia Naipe separou dois que julga acima da média (Ooby Dooby e Taj Bar, ambos abertos em 2010) e outros três, vizinhos, que valem a visita pelo clima de esquenta sem cobrança de entrada.

bares que merecem visita na av. atlântica

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baladas

bares com peGada de balada

Tapas e beliscos 20. Art Temaki (p. 76) 21. Méri Doces e Salgados (p. 76) 22. Surfers Paradise (p. 76) 23 e 24. Tropical (p. 76)

AV.

EST ADO

ATLÂ

22 AV. ALVIN BAUER

AV. NORMANDO

Veja quatro opções para escapar do furdunço no Leste da ilha (pág. 52)

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Bares 1. Ooby Dooby (p. 68) 2. Taj Bar (p. 69) 3. Chaplin (p. 69) 4. Mundo Selvagem Café & Bistrô (p. 69) 5. Fritz Muller (p. 69) 6. Guacamole (p. 69) laraNJeIras 7. Didge (p. 69)

saquinho [20] Preguiçosamente habitada desde a década de 1940, a comunidade e breve faixa de areia do Saquinho (foto à esq.) é acessível por uma trilha de 25 minutos e tem moradores em apenas três da dúzia de casas. Não à toa, a praia fica logo depois de outra chamada Solidão. No único restaurante local há peixe frito com guarnições por menos de r$ 15/pessoa e abençoadas cervejas geladas por um sistema de refrigeração a gás (não há eletricidade por lá). A trilha é na maior parte sombreada e cimentada, com alguma subida. Seguindo adiante, mais 2h30min levam à praia de Naufragados – caminho onde é possivel exercer um pouco daquela misantropia dentro de você.

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balneário

61

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Dica: o boletim das ondas da Atlântida apresenta diariamente as condições de surfe nas principais praias da ilha. Atlântida 100,9; boletins de seg. a sex., 8h, 9h, 13h e 15; sáb., 8h e 9h.

lagoinha do leste [13] Escondida na Mata Atlântica, é acessível por barco ou trilha. Os barcos saem da Praia do Pântano do Sul, e as trilhas, da Praia do Matadeiro ou também do Pântano. O caminho a partir do Matadeiro (mais plano e bem mais longo, 2h30) tem mais recompensas visuais ao longo do caminho; o outro (mais íngreme e mais curto, 1h) parte de uma ruazinha ao lado do último ponto de ônibus do Pântano do Sul. A praia não tem eletricidade ou água encanada. Para acampar, vá em grupo e evite levar itens de valor.

3,3k

2,9k

Surfe sem crowd em cenário intocado. Com swell de sul, as ondas podem ficar grandes e as correntes, fortes – o que exige alguma experiência.

praIa CeNTral

BR 101

naufragados [16]

Tem dias interessantes, com ondas fortes, quando a ondulação de sul quebra nas pedras do costão.

Adriel Douglas

morro das pedras [15]

Ondas de qualidade com frequência. Boa sorte com o localismo.

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matadeiro [14]

Na melhor surf trip da ilha, as ondas de até 10 pés não costumam decepcionar quem encara a 1h de trilha para chegar à praia. Funciona melhor com ondulações de sul ou leste.

CeNTro BR

balneário

lagoinha do leste [13]

14

RODOVIÁRIA

AV. ATLÂNTICA

Vários pontos OK de surfe ao longo da praia. As "direitas”, em frente à ilha, são raras e disputadas remada a remada entre centenas de surfistas. Rolam com vento e ondulação de sul.

15

CaMb0rIÚ Mapa - balNeÁrIo CaMborIÚ

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campeche [12]

12

Menos habitado e estruturado que as outras partes da ilha, o sul tem pouco fluxo de carros em algumas praias. Mesmo assim, o trânsito para chegar até elas tende a ser infernal – algo como a paulistana 9 de Julho às 18h, para usar uma comparação sem exagero nenhum. Querendo fugir do furdunço, vá antes das 9h, abandone logo o carro na praia-destino e curta o sul de Florianópolis como se deve: a pé.

picos de surFe no sul da ilHa

naufragados [16] Para ermitões, surfistas e trekkers, a dica essencial. Vila semi-deserta de pescadores no extremo sul da ilha, só é acessível de barco ou por trilhas. A mais conhecida, ao final da estrada geral do Ribeirão da Ilha, é tranquila – 3 km em boa parte planos, 40 minutos. As ondas fortes e a larga faixa de areia de Naufragados são adornadas por muito verde preservado e pequenas ilhas à frente. A foz de uma cachoeira e dois restaurantes completam o cenário. Encare o costão direito para visitar o farol e apreciar a vista. Melhor ainda, durma por lá – o restaurante Golfinho azul [19] (48 9982 3237, com Cacau) é também uma pequena pousada.

BR

5

sul

lagoa do peri [18] Ao longo de 23 km2 oferece três trilhas para você se embrenhar. No caminho que leva à Praia do Saquinho, há resquícios de engenhos coloniais. O Caminho da Restinga vai da lagoa à Praia da Armação por meio de restinga, pinheiros e eucaliptos. O Caminho da Gurita, até o Ribeirão da Ilha, é o mais longo (cerca de 3 horas) e também o mais supimpa: um riacho e pequenas cachoeiras em meio ao verde fazem maldizer um pouco menos o calor do verão.

Curiosamente, o melhor motel da ilha, nantai [17], fica distante da maioria das baladas, do centro da cidade, do universo. O quarto básico, Fuego, tem ducha dupla e custa r$ 90 por três horas. Nele o pernoite, com café da manhã, sai r$ 145. Na suíte Milos (r$ 135 por três horas) há pole dance. Rod. SC 405, passando o trevo do Campeche; 3337 6320, nantai.com.br.

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LAGOA DO PERI

Fuja do Furdunço

Distribuído em pontos frequentados pelo público-alvo, o guia passa longe de ser apenas uma listagem. Areias, botecos, cafés, restaurantes, dogões, baladas, temakerias, bares, bistrôs, lanchonetes, teatros, museus, paradores de praia e outros foram visitados e fuçados. São 134 lugares de Florianópolis, 26 de Balneário. Com clima, visual, serviços, preços, públicos, qualidade, detalhes, opiniões, sinceridade.

Maria´s Pizzaria [25] Depois das elaboradas cozinhas dos paradores sugeridas por este guia em Balneário, tente algo mais ogro. Com 40 sabores, o rodízio de pizza (r$ 19,90) é a grande pedida para comer até pedir arrego. O restaurante tem ainda lasanhas, espaguetes, mousses e outros acepipes. Av. Brasil, 2644, esq. com a Rua 2800, Centro; 47 3361 4814, marias.com.br; todos os dias, das 17h à 1h.

Passeio de Teleférico [26] No ponto mais alto, chega a 240 metros de altura e permite observar a orla, as encostas e a cidade. O passeio (r$ 30) começa na Barra Sul e termina na Praia de Laranjeiras, uma miniPorto-Seguro com enervantes restaurantes. Logo, o melhor do programa está nas paradas anteriores, como a Estação Mata Atlântica, com circuito de arvorismo (r$ 20) e mirante. Av. Atlântica, 6006, Barra Sul; 47 3404 7600, unipraias.com.br; todos os dias, das 9h às 20h.

Curiosamente, a acentuada curva da Avenida Atlântica, logo após o McDonald’s, é uma espécie de marco informal de tribos. A partir dali, emos pululam. Não curtindo NX Zero e seus acólitos, não siga adiante.

77

telefones úteis

The Black Swan Varandas

45 44

Baladas 1007 Boite Chik Blue Coast Blues Velvet Célula Cultural Concorde Confraria Club De Raiz Djunn El Divino Lounge Enjoy Floripa Music Hall Green Valley Jivago Lounge John Bull Life Club Nomuro Posh, Pacha, Stage Music Park Vecchio Giorgio Warung Woods

20 70 21 16 21 46 46 70 20 70 20 71 21 47 31 47 31 47 71 71

Paradores de praia Águas da Brava Baleares Beach Lounge Café de La Musique Galeras Beach Bar

74 74 33 73

P12 Parador Beach Club Santidade Sky Taikô Restaurantes Antônio’s Bate Ponto Santo Antônio Spaghetteria Caffe Café Riso Plage Cantina da Freguesia Delícias do Campo Churrascaria Floripana Girasol Hosteria Italiana Sapore di Sale Ichiro Japô João de Barro Kanpai Sushi Bar Lorenzo’s pizzaria Mandala Matsuri Sushi Lounge Meat Shop Grill México Lindo Nutri Lanches O Barba Negra Pizzaria Basílico

33 75 74 75 33

34 34 36 36 45 36 22 58 22 22 35 35 48 35 58 58 41 22 59 48 48

Pizzaria do Cica Ponta das Caranhas Porto do Contrato Posto da Alfândega Rancho da Jackie Sobradinho Sushiroots Tapas e beliscos Art Temaki Biliscão hot dog Bobs Cachorro quente do Afonso Café Bellas Artes Café do Mirante Café dos Artistas Coisas de Maria João DNA Natural Döll Don Rodriguez Hamburgueria Félix Cachorro Quente Filho da Fruta François Habib’s Kimê McDonald’s Méri Doces e Salgados Mustafá Casa do Kebab Paçaí

49 49 59 35 59 18 49

76 50 23 23 38 54 50 38 38 24 39 23 24 39 24 23 23 76 50 50

Padeiro de Sevilha Queijaria Bom Paladar Surfers Paradise Tropical Vivian Café e Bistrô Yaah

24 50 76 76 39 23

Outros Amoratto Sorvetes Backpackers Sunset Biblioteca Prof. Osni Régis Boliche Pinguim Cavalgar nas dunas Costa da Lagoa Espaço Sol da Terra Federação Catarinense de Tênis Floripa Shopping Horto Florestal Lagoa do Peri Maria’s Pizzaria Mega Bowling Mercado Público Millenium Museu O Mundo Ovo de Eli Heil Museu Victor Meireles Nantai Olympus Motel Palácio Cruz e Sousa Paradigma Cine Arte Pérolas do Ribeirão

41 54 24 41 54 52 54 24 40 25 65 77 41 25 41 40 25 64 41 25 40 59

Podium Kart Pousada Golfinho Azul Sacolão Sul da Ilha Sweet Home Teatro Álvaro de Carvalho Teatro Pedro Ivo Teleférico Unipraias Praias Amores Brava Itajaí Campeche Estaleirinho Gravatá Ilha do Campeche Jurerê Lagoinha do Leste Matadeiro Mini-praia da Barra Moçambique Mole Morro das Pedras Naufragados Saquinho

40 65 60 17

Polícia Delegacia de proteção ao turista: 48 3333 2103 (a partir das 13h) Polícia Militar: 190 Polícia Rodoviária Federal: 191 Polícia Rodoviária Estadual: 198

25 41 77

Conheça o oço v s ando o ev s ana pe com É só

Transporte Aeroporto Internacional Hercílio Luz: 48 3331 4000 Terminal Rodoviário Rita Maria: 48 3228 1095 Rádio Táxi: 48 3240 6009 Hertz: 48 3236 9955

74 73 11 8 53 60 11 10 61 53 53 9 61 65 65

m c ca no nk Con a odos os núme os da ev s a

Sites de compra coletiva compracatarina.com.br imperdivel.com.br peixeurbano.com.br clickon.com.br Outros Auxílio à lista telefônica: 102 Capitania dos Portos: 48 3248 5500 Casan: 48 3221 5000 Celesc: 0800 48 0196 Central de Atendimento ao Turista: 0800 644 6300 Chaveiro 24h: 48 3224 7858 e 48 9952 2315 Ibama: 0800 61 8080 Informações toxicológicas: 0800 643 5252 Procon: 151 ou 48 3251 4400 SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência): 192 Santur: 48 3212 6300 Vigilância Sanitária: 48 3251 7990

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APoio culTuRAl

naipe 09


Naipe? Que naipe!

essa tal de naipe

Um jornalismo de qualidade nacional aplicado a assuntos principalmente locais. A editora Naipe tem como bandeira mais alta esta revista aqui. Ela circula em Florianópolis e Balneário Camboriú, nas principais universidades e pontos frequentados pelo público jovem, de espírito jovem, com síndrome de Peter Pan, preguiça de crescer, medo de ser engaiolado entre 9h e 18h e coisas assim. Tola nem nada, aliás quase megalomaníaca, a Naipe, como editora, almeja mudar a qualidade editorial de outras revistas catarinenses. Com sorte, aquela publicação segmentada gratuita que às vezes cai nas suas mãos será editada por nós. Assim como aquela empresa legal que você acompanha pode criar uma revista capitaneada por nosotros. Conheça nossa equipe na seção A Naipe / Quem faz do revistanaipe.com e tudo o que já publicamos em issuu.com/revistanaipe.

Arregos O regueiro Marcelo Furtado ficou piando que nem um maluco no Twitter e levou, da promoção Naipe e Escola de Música Rafael Bastos, a guitarra Tagima T635. Agora estarão com frequência na roda, no twitter @revistanaipe, ingressos para o Paradigma Cine Arte – cinema de Florianópolis com filmes menos blockbuster, mas muito premiados festivais afora. Também estamos distribuindo ingressos para baladas tão variadas como 1007 Boite Chik, Green Valley e as apocalípticas festas universitárias. Clique no link “Promoções” do revistanaipe.com e seja feliz.

3 matérias baitas do revistanaipe.com Músicos mambembes – o editor Jerônimo Rubim flagrou hermanos fazendo sons muito além da secular flauta boliviana nos calçadões da capital: http://tiny.cc/ccwll Dazaranha – sob o pseudônimo Nina Wolf, colaboradora Naipe conta como tomou pisco e coragem, atravessou a pista e pegou de jeito a primeira moça da sua vida: http://tiny.cc/fl445 Nada suave é a noite – Em 52 fotos e top 10 de textos, veja o melhor das 32 primeiras coberturas de balada da Naipe: http://tiny.cc/4w1a0


revistanaipe.com

Suxtança Com agenda e blog, site da Naipe engrossa o caldo cultural da ilha Quando você estiver com esta revista em mãos, estarão no ar tanto o novo blog do revistanaipe.com, Pirão, como uma agenda cultural com a programação da cidade. Pra dar suxtança à vida cultural florianopolitana, a Naipe chamou oito farinheiros. Eles foram escolhidos entre mais de 30 interessados. A ideia é trazer novos pontos de vista sobre as artes na cidade e incentivás-la. Nossa superliga de blogueiros aborda livros, música, cinema, teatro, arte de rua e o escambau – com a ilha como prioridade, mas sem deixar de contemplar trabalhos de fora. Valem ainda poesias, ilustrações, fotos artísticas. Ser modorrento não vale.

Siga a Naipe no twitter: @revistanaipe Adicione a Naipe no Facebook procurando por Revista Naipe Leia todas as revistas já publicadas: issu.com/revistanaipe Acesse o site: revistanaipe.com

De quebra, o site ganha uma prática e faiscante agenda de cinema, baladas, espetáculos, exposições e afins de Florianópolis. Ao pensar no que fazer, lembre da gente. A ilha finalmente ganha, na internet, uma programação cultural à altura da sua diversidade e do seu rápido crescimento. Sem mais. Entre lá e veja com os próprios cliques.

naipe • 11


revistanaipe.com

Polifonia dos desejos Até o fechamento desta edição elas ainda não se conheciam pessoalmente. Nem por isso deixam de formar um trio ao melhor estilo 02 Neurônio – três amigas consagradas lá das bandas de São Paulo que compartilham, há dez anos, suas peripécias femininas com leitoras e leitores. O Descomplicadas, blog do revistanaipe.com, é escrito pelas colaboradoras bem resolvidas Luisa Nucada, Milena Moraes e Daniela Cucolicchio. Luisa, 20 anos, é estudante de jornalismo da UFSC e a 12

lolita do grupo; Milena, comediante de stand up, há seis anos enche casas na ilha; Daniela, jornalista formada pela UFSC, também domina fotografia. O blog traduz as mulheres dos tempos – polifônicas, cosmopolitas, lépidas, ousadas, garantidas, eventualmente ladinas, sempre com naipe e quase nunca com tatibitates. Elas andam chutando mais forte e na cara do que Anderson Silva no UFC. “Não acredito muito em relacionamentos monogâmicos. Acredito mais na polifonia dos desejos.”

“Acho um saco carregar o dia todo a tal rosa vermelha que entregam pra gente em qualquer birosca nesse dia [da mulher] e que aceito por educação.” “A perder eu tinha nada, e tava que tava me achando. Fui abrindo espaço entre os embasbacados, com licença, com licença, tenho um negócio a cuidar, um assunto a tratar, cheguei [na mulher de preto na pista].” Coisas assim. Os leitores bufam ou aplaudem. Mas leem com os olhos gulosos, sempre.


Sopão•frases & aposentadorias

Arrependei-vos Site propõe unir os cansados das frivolidades da noite ALEATÓRIAS Frases randômicas que cruzaram nosso caminho no verão

“Dialética piriguetiana. Tese: sou cachorra. Antítese: sou gatinha. Síntese: não adianta se esquivar.” @gbonfiglioli, no twitter

“Estou bêbado.” Etienne de Crecy, DJ francês, se desculpando pela entrevista trôpega à Naipe no Creamfields

“Esse show aí é coisa dos playboy da internet!” Mano no Riozinho sem ingressos para o Ben Harper

“O bom na Naipe é porque em três c... dá pra ler a revista inteira.” Publicitário florianopolitano

A regra é clara: “Todos os associados declaram estar 100% convictos e de acordo com o slogan ‘cansei, agora eu quero namorar’”. Eis o primeiro mandamento do exbaladeiros. com.br, site para “a pessoa que cansou de conhecer muitas pessoas e não focar em nenhuma. Que já experimentou e foi experimentada! Que já iludiu e foi iludida!”. Hum. O negócio não é um AA de baladeiros, como parece. O nome é meramente ilustrativo, não sendo necessária vasta experiência em pistas de dança para ser aceito. A proposta do site, uma mistura de flerte virtual com agência de encontros, é apenas reunir gente elegante e sincera que procura uma relação ajuizada e próspera. Claro, a fatia da população que sofre os tormentos da gandaia excessiva é o público-alvo.

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X Mas não pense que você manezinho descontente com as 20 baladas da ilha pode se associar. Criado em São Paulo, o Ex Baladeiros é restrito. Acolhe apenas paulistanos, maiores de 30 anos e graduados. O preço do serviço também serve de peneira: r$ 100 é a mensalidade inicial, que decresce até estacionar em r$ 50 a partir do sexto mês. O sistema de ingresso no grupo é quase um trainee de grande empresa. O cadastro envolve ratificação de solteirice, entrevista com psicóloga, investigação de antecedentes criminais e consultoria profissional de perfil. Tudo para manter o elevado propósito de unir gente com intenções puramente sentimentais. Como a seção “Vire o jogo” frisa, gente que “no fundo, no fundo, gostaria mesmo apenas de ser amado e aceito pelo que simplesmente é”.

Hum. Os sócios do empreendimento, Fabio Bertaglia e Eliana Braga, acordaram para a verdade enquanto frequentavam baladas na Vila Olímpia, em São Paulo. “Notávamos que essa insatisfação e carência eram crônicas. Isso era percebido nas conversas com os amigos e até mesmo no olhar das pessoas”, conta Fabio. Daí pra frente foi questão de unir o conhecimento da psicóloga ao do administrador e, bingo!, em dezembro do ano passado o Ex Baladeiros estava no ar. Na primeira semana de fevereiro, havia cerca de 250 sócios. “Pelo andar da carruagem, em poucos meses estaremos com mais de mil pessoas. Em um ou dois anos, pretendemos nos consolidar com 5 mil a 10 mil”, estima Fabio, que sonha um dia expandir o site para outras cidades do país. naipe • 15


Sopão•férias norueguesas

Um dia, a Naipe foi ao Backpackers Sunset, albergue da ilha, e importunou um dinamarquês. Pedimos que ele nos mandasse um dos seus emails enviados para amigos. Entre biquínis, ostras e cachaças, ele se dá conta de que aqui há algo definitivamente diferente do Reino da Dinamarca.

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Missiva mochileira por Peter Nielsen

E aí, cara? Já estou no Brasil há dois meses e meio e é ótimo. Realmente espero que você se junte a mim no carnaval. Neste exato momento estou em uma ilha chamada Florianópolis, realmente um paraíso surfista. Ouvi falar que aqui é um bom lugar para se começar no surfe e estou aprendendo no longboard. No começo não gostei, achei muito lento, coisa para caras velhos. Mas outro dia fui à Praia Mole e vi um cara surfando no longboard com tanto estilo e elegância que mudei de ideia. A parte mais difícil de surfar aqui é o transporte de ônibus até a praia. Não é que ele não funcione. Na verdade você consegue ir a qualquer lugar da ilha, mas não é permitido levar a prancha. De qualquer forma, o trânsito nos fins de semana é tão lento que o mais fácil é andar, mesmo. Se eu morasse aqui, compraria uma moto. Parece que as regras de trânsito funcionam mais como diretrizes. Perigoso, mas divertido.


Mochilão caro, hippie barato As praias não são só para surfar e definitivamente não são como na Dinamarca. A areia é bem parecida, talvez um pouco mais fina. A diferença é mais o ambiente. As garotas daqui usam biquínis tão pequenos que até um cara com pouca imaginação como eu consegue imaginá-las peladas. Elas gostam de exibir seus corpos e são supertranquilas quanto a isso, não importa o jeito que você olhe pra elas. Acho que até nossas mães poderiam usar essas roupas pequenas aqui que ninguém se importaria. Mas não me entenda mal, as pessoas aqui malham muito. Há barras para exercícios em quase todas as praias. Outra coisa diferente são as marcas dos biquínis. Você sabe que as mulheres daí tentam evitá-las, mas aqui é completamente o oposto. O que elas fazem é se queimar para ficar com a marca da tira da parte de cima e depois sair por aí com tomara-que-caia. Você consegue ver as duas linhas perfeitas indo até os seios. É muito sexy. E nunca vi tantos corpos perfeitos, é incrível. Falando em mulheres, as brasileiras adoram um gringo em forma, com olhos azuis e cabelos loiros. Elas são muito mais agressivas do que as dinamarquesas e caçam como homens na volta para casa. No meu segundo dia aqui eu estava andando pela praia do Leblon, no Rio, e de repente sete garotas começaram a vir na direção do gringo. Aliás, se acostume a ser chamado de gringo aqui. Todo mundo que não é brasileiro é gringo, mesmo um cara da Espanha, onde a palavra se originou. Elas também gostam que você tenha dinheiro, mas isso não é diferente daí. O Brasil não é um lugar barato, traga bastante grana. O que eu ouvia sobre a América do Sul ser o mochilão caro e a Ásia o hippie barato parece estar certo.

Algo a ver com o limão Agora sobre assuntos mais sérios, vamos às aventuras culinárias. Por todos os lugares de Florianópolis você pode encontrar uns pequenos bares e restaurantes com mesas de plástico amarelas. Não deixe o plástico lhe enganar, a qualidade é muito alta e a sequência de camarão ou ostra natural é algo que você deve provar. Eu comi ostras pela primeira vez aqui e elas são muito baratas. Falando em comida, preciso mencionar a caipirinha, o drinque nacional. Ela é feita de limão amassado, gelo e uma grande quantidade de “chacaca” (sic). O mais incrível é que realmente não me deu ressaca. Disseram que tem algo a ver com o limão. Mal posso esperar para você se juntar a mim aqui. Acredite, depois de duas caipirinhas até você vai sambar, gringo.


Sopão•o que é, mÃe?

Uma tainha na sociedade O manezinho Darci filosofa além, frequenta a nova ilha, enaltece a antiga e faz rir uma cidade inteira – Namastê? Não vai max tê por que, professora? – pergunta, na aula de ioga, o manezinho Darci, autointitulado “uma tainha no meio da sociedade hoje”. Criado há um ano pelo compositor e guitarrista Moriel, do Dazaranha, Darci invadiu rádio, palcos, internet. Na Atlântida, 100,9, são dez programetes inéditos por mês. Nas stand-ups com roupa de pescador, plateias que riem antes de a apresentação começar. No Youtube, vídeos que às vezes ultrapassam 30 mil visualizações. A audiência de todos, acumulada, já supera a do programa muito gaúcho e eventualmente ilhéu “Pretinho Básico”, da própria Atlântida. Darci atualiza o humor mané. Remete ao clássico perfil do manezinho abobado, mas também frequenta a ilha mais recente. Além do ioga, vai ao show da Beyoncé e ao restaurante japonês – “no que olhei pro lado, a mãe tava comendo um pedaço de fita isolante com arroz”. Moriel é fã de humores variados. Gosta do grupo inglês non sense Monty Python ao popular Freddie Mercury prateado, do Pânico na TV, passando pela stand-up de Diogo Portugal. A ideia de criar Darci veio de histórias contadas em viagens prolongadas com o Dazaranha. – Não sou ator – ele diz à Naipe, depois de se apresentar com calça dobrada, chapéu e óculos escuros no Porão 1007, no centro da ilha. Muitas gargalhadas para as esbravejadas de sua mãe contra quem fica “chupando maconha e escutando Bob Marley”, ou quando Darci diz que “aqui em Florianópolis é assim, o sujeito vende um terreno e acha que dá pra comprar seis chácaras”. 18• naipe


Qualidade das piadas à parte, a performance pode mesmo melhorar. Dente-de-leite no tablado da stand-up, Moriel recorre a anotações e disfarça o nervosismo brincando de reclamar, para a plateia, sobre as dificuldade do humor ao vivo e solitário. Ainda tateia esse universo. Mas a reportagem viu outra apresentação sua semanas depois e ele já estava mais seguro. – Tô vendo quais as melhores historinhas, as que mais funcionam. Mas o legal é botar o teu na roda – banca para a Naipe. Algumas piadas da apresentação são bastante lunáticas, resultado de uma mente criativa, delirante, inquieta. Uma cabeça ativa. Que explica assim a composição do personagem. – Os habitantes nativos daqui [da ilha] já são minoria, é fato. Temos que banir o separatismo. É mais por aí que o Darci vem. Ele é uma mistura de Bob Esponja, Simpsons, tudo temperado – reflete diante plateia, ao final do show.

Seu Hélio Paulista, a comediante Milena Moraes não investe só no humor de inspiração ilhoa. Mas, como forasteira, ela consegue o que nem o camaleônico Marcelo Adnet, da MTV, conseguiu: uma perfeita imitação mané. É a menina de Floripa falando “gatzinho”, “pão di quezo” e “zenti, olha o pessi”. Em apresentações no Bar O Bohemio (barobohemio.com.br), no Kobrasol, Milena fala das meninas de blusa fluorescentes no Shopping Itaguaçu parecendo “clipe do Technotronic”. Com apresentação em lugares variados da cidade, o ator Igor Lima (foto) dedica cinco minutos de palco ao malaco da costeira, que agradece “seu Hélio [Costa], que é parceria, divulga as coisas da gente” e fala do “pisante novo roubado na frente do Catarinense”. Mas fica por isso. É a melhor parte da apresentação, e é bastante breve.

O que, onde: “Aventuras de Darci”, na rádio Atlântida, 100,9, às 7h, 10h, 15h e 21h (seg. a sex.), 10h e 15h (sáb. e dom.); stand-up, no Porão 1007, Didge Steakhouse, Pizzaria Artesano, Taikô Iguatemi e Café Garopaba. Saiba mais em blogdodarci.com.br


Sopão•benemerências

Bondade em série


Naipe descobre a classe trabalhadora que vai para o céu: os legenders de seriados para download por Rosielle Machado com ilustração de Rinian Guilhermetti Lucas de Ávila Martins só precisa de três palavras para se descrever no Twitter: “Um dos darklegenders”. Ele legenda séries para download. De graça, com a maior boa vontade, apenas pela soberba de pertencer a um seleto grupo de pessoas que sabem a importância do limite de 35 caracteres por linha, duas linhas por legenda, 1,3 segundo de exposição, 23 caracteres por segundo. Há mais de 30 grupos de voluntários como o Darkside, de Lucas, no Brasil. A pergunta é: por quê? – Olha, no começo entrei pra ajudar em Greek, uma série que eu curtia, e também porque admirava os legenders, achava um pessoal fodão e tal. Hoje, dois anos e 200 traduções depois, Lucas “deGroote” é responsável por três séries. – Continuo legendando pelos amigos que fiz na Darkside e porque aprendi muito inglês e português, uma melhora de 80%. Tornar-se um legender leva em média um mês. Depois que se pega o jeito, o processo vira quase fordiano. Dois dias antes de a série ir ao ar, um administrador envia emails convocando tradutores. No dia da exibição nos EUA, divide-se o episódio entre as boas almas voluntárias. Traduzida a legenda, o texto passa pelas mãos do sincronizador e revisor até que, voilà, fica pronto para os downloads – que passam de 15 mil por semana em algumas séries. No total, a trabalheira envolve cinco pessoas. Para a administradora da inSubs, Flávia Marcela, são 20 horas de dedicação semanais, o equivalente a um estágio – sem r$ 500 ao final do mês. Os legenders

só embolsam agradecimentos via Twitter e uns três segundos e meio de compaixão dos espectadores quando os créditos de legenda aparecem na tela.

Saco cheio Eventualmente, as legendas podem render mais que isso. Para Lucas, do ensino médio, resultou em experiência para alguns frilas. Ele já fez closed caption de Power Rangers a r$ 25 o episódio. Apesar disso, descarta a possibilidade de se profissionalizar: – Muita pressão, estresse. É para poucos. Que o digam os legenders de Gossip Girl, obrigados a lidar com a cólera de adolescentes cada vez que as letras amarelas atrasam. A resposta mais recente veio no blog da inSubs, equipe responsável pela série: “Resolvemos viver. Perdemos muita coisa na última temporada, integrantes, amigos, momentos com a família, matérias na faculdade, promoções no trabalho, e tudo por causa de quê? Por causa dos fãs de Gossip Girl que esperam meses pra série passar no Warner Channel mas não conseguem esperar dois dias pra legenda ficar pronta.” Outros legenders desistem quando começam o TCC, o vestibular, um novo emprego, um namoro exigente. De tanto contato nas madrugadas de legendagem, eles viram amigos. Os que moram nas mesmas cidades marcam encontros. A coisa dá até casamento. Michele e João se conheceram num chat dos darklegenders em 2009 e hoje traduzem juntos enquanto planejam unir escovas de dente e habilidades tradutórias. No Twitter, João hoje se define assim: “Noivo da Mi, Téc em elô, legender da Outsiders. Viciado em séries e PC”. naipe • 21


Florianópolis precisa de um reboot. Fotos preto e brancas da ilha mostram filas antiguíssimas na Ponte Hercílio Luz e favelização, mas quem discorda que a situação complicou? Nossa população dobrou em apenas 25 anos, nossa fama estourou nos últimos dez. Mais assustados que preparados, teimamos com soluções individuais e imediatistas para velhos ou novos problemas. Ironicamente, o resmungo de cada um dentro do seu carro na hora do rush compõe o ato mais coletivo da cidade. O turismo não se profissionalizou como deveria. Os morros ensaiam um ritmo de mini-Rio. O transporte público aponta para o passado. A preservação das paisagens que se dane. Uma pena, porque a cidade também tem inúmeros méritos e uma população apaixonada. Então não seria hora de reiniciar a ilha? É o que a Naipe propõe nos dez textos a seguir.

Vamos reiniciar Floripa


fotos históricas do acervo da Casa da Memória e ilustrações de Camila Amorim

Wil Koetzler

Fotos antigas de Florianópolis mostram o quanto a cidade muda rápido em sua história. Em 50 anos, Floripa estára inevitavelmente diferente de hoje. Vale se perguntar se estamos fazendo o necessário para que este novo dia seja aquele que imaginamos.


1. Sair da zona de conforto No que diz respeito à cultura, Floripa passa por um momento interessante e está, aos poucos, entrando na rota dos shows internacionais. Mas enquanto o mainstream está bem representado, a cena cultural independente engatinha. São raros os espaços, as boas atrações e os interessados. Falta intercâmbio com outros estados e um festival alternativo de peso.

O único jeito é investir no coletivo, montar uma estrutura que beneficie a todos. Foi isso que tentei fazer na Célula, achei que a cidade precisava de um espaço para escoar a produção cultural. As casas noturnas poderiam sair da zona de conforto, investir além da monocultura, diversificar suas programações e abrir mão de dois dias por mês para incentivar projetos autorais. Os artistas devem inspirar-se nos bons exemplos do Clube da Luta, do grupo de dança Cena 11 e da produtora Insecta. Criem novas alternativas, novos festivais, novos palcos. Toquem em outras cidades, invistam na qualidade do repertório próprio e tentem apoiar-se mutuamente, pois estão todos na mesma barca. Partam do princípio que o resto do Brasil desconhece a cultura catarinense. Gastão Moreira é comunicador e empresário

Still Fotografia


2. Construir uma marina Quando saí com minha família para realizar nossa primeira volta ao mundo, em 1984, Florianópolis era uma cidade que não tinha despertado Em 1980 foi apresentado um projeto bem feito, com todos os requisitos de preservação ambiental, de uma marina na Beira-Mar Norte. Assim como existem hoje em Salvador; em Porto Madeiro, na Argentina; em Cascais, Portugal; em Cape Town, na África do Sul; Papeete, na Polinésia Francesa, e em várias cidades da Europa e Estados Unidos. A marina na época não obteve autorização para ser construída, com o argumento de que iria poluir o meio ambiente. Mas os esgotos de vários córregos podiam, sim, ser despejados na orla. O maior deles era o do Hospital dos Servidores. E o que vemos hoje em Florianópolis na área náutica? Não existe infra-estrutura para receber embarcações. Não temos uma marina decente para receber barcos. Recebo inúmeros e-mails de brasileiros e estrangeiros que gostariam de vir a Florianópolis com suas embarcações. O que temos? São garagens de barcos. Essas garagens com seus tratores entrando no mar poluem muito mais do que qualquer marina. Um copo de óleo diesel polui o equivalente a um campo de futebol. Por não ter uma marina, os barcos que ficam ancorados em qualquer baía de Florianópolis utilizam seus banheiros e tudo é jogado no mar.

Em Auckland, há 20 anos vi que colocavam, em todas as embarcações, um líquido no banheiro. No acaso de alguém utilizá-lo, uma enorme mancha amarela se espalhava e uma multa pesada vinha em seguida. É assim em toda parte do mundo. Qual a solução? É construir marinas público/privadas. Não nos mangues ou áreas de preservação, mas em lugares próprios, e existem vários em Florianópolis. As autoridades ambientais não podem fechar os olhos para essa realidade. A cada dia, com a melhora econômica das pessoas, mais e mais barcos são adquiridos. Onde iremos abrigá-los? As autoridades estão em estágio letárgico, postergando uma decisão que tem que ser resolvida de imediato. Um outro desafio que pode ser solucionado é a entrada de navios de cruzeiro em Florianópolis. Com uma dragagem no canal norte da ilha, eles poderiam navegar até embaixo da ponte Hercílio Luz. É necessário um abrigo para o desembarque seguros dos passageiros. Com uma marina, um cais poderia ser projetado para receber esses turistas. Essas são melhorias que vejo para a ilha Vilfredo Schurmann já circunavegou o planeta naipe • 25


Mudanças confirmaram a dispresença do encanto, sim é o inesperado previsto e o passado ainda é o alimento saudosista para aqueles que não diferem um giga de um tera, mas salsa ainda é tempero e mesmo que mude o mundo inteiro, não abro mão de ser feliz porque é isso que desperta nos estrangeiros tornarmo-nos inteiros e é o que falta pra virar. Ascosa tão mudada, mulhé de mão dada, us home inviadando, por isso Sinhá dos Anjos falava: há di haver o dia em que o rio seque e veremos u qui as cobra come, chegará o dia em qui as mulhé farão us homi. Tu qués fala mau da farra di boi e só comes carne de premera então tem algu di podre no reino da Dinamarca. Us pessual tão mudado cada um du seu lado, carro, ar-condicionado, morando tudo impilhado grudado, na frente du computadô parado esquecendo de sê gente pá vira um abobado, um cocha colada durmindu acordado e na hora de trepá tão sempre insonado. A qualidade di vida afundando com a ilha e essa preça em si viver e somos nós que pra mudar tem que perdê. Puresses tempu a manezada mutante tem pescador elegante trocando u terreno purum carro sem ispelho, vai mora nu Rio Vermelho tão tomando tanta coca e acabandu cu juelho, vai mancando cum saudade du qui já era, agora boca-mole tem mas terreno de merda pra ti. Tem mulhe cum cahorro di ropa na padaria feliz com a mais falsa alegria, o tempo passa e fica falando dus otru é indiferente porque daqui 200 anos nossos cranios serão parecidos e dessa vida não se leva nada, e todos já passaram puraqui atraz da liberdade, soltu na cadeia di montanhas di vontades entri mentiras e verdades

26• naipe

Prioridades do mané: 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7.

8. 9.

10.

a ilha sediar o mundial de taco. tirá a cocada da festa da laranja. voltar a roubar frutas cumê cumida di verdadi. ir não mais que uma vez pur mês na cidade. amarrá um cabo na ilha e reboca até a Garopaba, depos a sulada traz di volta dizê pu Dário que a ilha só cresce na vasante da maré, porque a vida passa e a gurizada vai notá e já notô e anotô na agenda digitali o contato du ministro na funçao ambiental. pra ilha da magia fazê um truque: despolui a lagoa seus merda. quem quebrá uma garrafa de vidro na praia e não juntá os cacus, está condenado pelo azar de ser ele mesmo até o fim da vida. cuidar da ilha como tu cuida dus teus denti , se tu tivé us denti fudido vai nu postu que eles ti ajudu seu cocha colada.

Darci é o personagem maimanéquitem, criado pelo músico Moriel, do Dazaranha (ver pág. 18)

Paulo Blank

3. Sediar o mundial de taco


A sensibilidade a intervenções paisagísticas em uma ilha é muito maior do que em um espaço continental. É importante que se entenda a paisagem como um mosaico de partes que interagem, formando um conjunto único, caracterizado por sua beleza e suas funcionalidades O território da ilha, claramente delimitado pela linha litorânea, tem grande visibilidade pela frequência com que o mar aparece ao fundo, quando não bloqueado por edifícios ou outras barreiras construídas. O que vai acontecer com esse mosaico no futuro depende da ação do homem sobre o território. Antes de delinear a Florianópolis de amanhã, é necessário responder a duas perguntas cruciais: qual é a capacidade de suporte do território insular? Sem determinar até quanto é saudável crescer, não vejo como planejar o futuro. A outra questão é: o que tem causado ou acelerado os processos de fragmentação da paisagem – isto é, deteriorado os visuais da ilha? Vamos pensar no automóvel. O assustador acréscimo de veículos exige, cada vez mais, novas avenidas e viadutos cuja eficiência é questionável. O modelo não nos serve. Os exemplos das cidades que sucumbiram ao automóvel e tornaram-se inabitáveis são numerosos.

4. Valorizar as paisagens e nossa capacidade de percorrê-las

Por outro lado, a manutenção das paisagens é imperativa. Elas são nossa maior riqueza. No Centro, é necessário um processo de revitalização. Tombar apenas não resolve. Há que se dar um uso aos espaços e construções que incentivem e atraiam as pessoas a frequentálos. Parques e praças podem ajudar, desde que resultem de uma discussão ampla com os interessados, isto é, o seu público potencial. Plantar vegetação indiscriminadamente não vai tornar os locais atrativos. E isso é o que vem acontecendo na av. Beira Mar Norte, no trevo do CIC e no Aterro da Via Expressa. A Florianópolis do futuro deve ser uma cidade com seus belos visuais preservados, em que as pessoas se desloquem pelas paisagens de uma forma fluida, suave, sem ter, como primeiro plano de observação, viadutos, posteamentos, fiações, outdoors e outras obstruções de nossos verdadeiros valores cênicos. Temos que valorizar o conjunto das paisagens da ilha e nossa capacidade de percorrê-las. José Tabacow é arquiteto paisagista e Doutor em Geografia. Trabalhou por 17 anos com Burle Marx, o mais famoso paisagista brasileiro.


Cresci partilhando dos resmungos de que na ilha falta o que fazer. É a mais óbvia das deduções: você abre os jornais paulistanos na sexta-feira, dá uma espiada nos daqui e broxa. Claro, somos uma cidade 25 vezes menor, com praias tomando parte da programação e bem menos coisas acontecendo. Sim, a agenda de Florianópolis ainda tem muito a ganhar em qualidade e variedade. O problema é que essa constatação vira desculpa eterna para a preguiça e o preconceito. Sujeito que resmunga “não há nada pra fazer”, em muitos casos, deu a última boa avaliada na programação cultural em 2003 e ainda se guia por esse parâmetro. Há o que fazer, sim. O Paradigma Cine Arte, um ano de vida, acaba de promover dois festivais de mês inteiro, 21 longas de países variados no primeiro, 19 longas franceses no segundo. Filmes mundialmente premiados que antes pouco desembarcavam por aqui. Títulos com cada vez menos atraso em relação a São Paulo, embora as agendas sigam bem dessincronizadas. Em junho, o cinema abriga um festival com filmes inéditos e realização simultânea em outras

5. Aplaudir o que há de novo

cidades brasileiras. Além disso, o Paradigma criou um cineclube que já acumula mais de 300 associados. Mesmo sem blockbuster. Inaugurado em 2010, o auditório Jurerê Classic foi uma notícia incrível para os apreciadores de música clássica. O Sounds in da City (ver p. 43) salva o domingo ilhéu. O Teatro Pedro Ivo melhorou a vinda de artistas não tão de massa, como Jorge Drexler e afins. O Floripa Music Trends, um evento com três sábados, misturou nomes de fora e locais para discutir tendências musicais, principalmente as pop e eletrônicas. O Porão 1007 vem lotando com jazz, stand up comedy e outros. A stand up (ver p. 18), aliás, se disseminou pela cidade. Se você está na plateia desses lugares, pode cobrar dos donos por nomes, novidades e menos delay em relação a São Paulo. Se você não tem aparecido, economize os resmungos e abra uma agenda cultural da ilha. O revistanaipe.com acaba de abrir uma. Nos vemos por lá. Thiago Momm, ex-repórter de Turismo da Folha de S.Paulo, é editor-chefe da Naipe


J. de Vargas

6. Associar turismo e tecnologia Conhecer a cidade num piscar de olhos. Ou melhor, num simples toque na tela digital do seu gadget para download de conteúdos. A velocidade entre um ato e outro é a mesma. Mas enquanto você admira uma das tantas paisagens encantadoras da cidade, o seu iPode tudo! Desembarcar já com o endereço eletrônico da melhor programação, roteiro gastronômico, GPS para os centros de convenções ou para as praias mansas ou vigorosas é tudo o que qualquer turista deseja. Para não se perder no tempo ou espaço e aproveitar ao máximo o que a cidade tem a lhe oferecer. Hoje é possível até visitas a patrimônios históricos autoguiadas. As novas tecnologias estão facilitando cada vez mais tudo. Coisa boa dar a partida seguindo a rota escolhida, com a oportunidade de já saber os detalhes das construções históricas, da arquitetura moderna, das heranças culturais e das curiosidades locais. Descobrir onde comer, quais os bares mais legais, os clubes que estão em alta, os preços dos cardápios, o charme de cada lugar. Onde se divertir de graça e até sugestões das coisas mais interessantes para comprar e levar de recordação. Se o uso dos novos dispositivos é, indiscutivelmente, um importante aliado para aproximar o turista do seu destino, incrementar os serviços só vai fidelizá-lo ainda mais. Como fugir das filas, encurtar distâncias, comprar o ingresso para o show ou a peça de teatro. Como encontrar sua tribo, escolher os pratos para o almoço ou jantar antes mesmo de chegar ao restaurante. O roteiro é de sonhos. Mas é isso mesmo o que o turista espera quando sai de casa. Experiências únicas, inesquecíveis, que não precisam ficar apenas na memória. Um sistema especial pode ser disponibilizado para que ele possa compartilhar com a sua rede de amigos. Feito um banco de dados para todos os serviços que aprovou. Maria Cláudia Evangelista é Como um código de barras que vai armazenando todos os detalhes desse diário Diretora Executiva na Florianópolis e Região Convention & Visitors Bureau de bordo. Para que seja ainda mais perfeita a próxima viagem a Florianópolis. naipe • 29


7. Usar barcos, teleféricos, bicicletas e participação popular Como capital, Florianópolis recebeu investimentos federais nas décadas de 1970, 80 e 90, mas mesmo assim apresenta a pior estrutura viária urbana do país, com herança colonial em sua parte central, e ocupa o segundo lugar em número de veículos per capita do país, depois de Brasília. Somem-se a isso as distâncias cada vez maiores entre as moradias e os locais de trabalho; o aumento dos custos de deslocamentos (tarifas de ônibus entre as mais elevadas do país); as barreiras físicas nos deslocamentos de pedestres e ciclistas; o aumento crescente de acidentes de trânsito. Esses problemas atingem toda a população, mas a de menor renda tem sido a mais afetada. Para enfrentar questões como precisamos de várias medidas. Redistribuir as funções urbanas e reestruturar os horários de funcionamento das atividades urbanas, evitando horas de pico. É fundamental trocar nossa dependência da energia fóssil pelo uso da energia limpa e com facilidade de renovação. Para isso, é fundamental a implementação de uma política de incentivo a tecnologias alternativas e meios de transporte coletivos e de massa. A cidade precisa adotar um sistema integrado e metropolitano de transporte público, sob o controle do estado e com monitoramento por parte da população organizada. Antes ainda, é urgente que se desconcentrem os investimentos públicos e privados em direção à região metropolitana; amplie-se o traçado que estrutura os eixos troncais e vias alimentadoras; e adote-se a inter e multimodalidade, combinando corredores exclusivos de ônibus a modais de massa (aeromóvel e outros tipos de ônibus sobre trilhos) e elétricos ou movidos a energia solar, junto com um sistema eficiente de transporte marítimo, entre outros. Considerando a topografia muito acidentada e ecossistemas delicados, deve ser pensada a implementação de funiculares e/ou teleférico de velocidade nos morros, principalmente para a população de baixa renda, como em Medellin e Bogotá, na Colômbia, e no Morro do Alemão, no Rio. Estes modais e sistemas seriam complementados por ciclovias, bolsões de estacionamento descentralizados e próximos a centros de serviços e pontos de transbordo. Lino Fernando Bragança Peres é vereador e Doutor em Urbanismo pela Universidade Nacional Autonôma do México 30• naipe

Assim começaremos a inverter o modelo de urbanização periférico, segregador e desumano, atuando nas causas que geram a imobilidade urbana, adotando medidas de curto e longo prazo.


Confesso que só ouvi o termo wikiurbanismo há um pouco mais de um mês, quando li sobre um grupo de estudantes que se organizaram para criar ciclovias em Guadalajara, no México. Quando falo em criar, adicionem um estilo guerrilha, necessário à iniciativa. Juntaram grana e pincéis, fizeram dos skates os carrinhos e não esqueceram das placas com a magrela pintada. Em uma tarde, a quase bike-free mexicana ganhou um boost de 5 km de novos caminhos registrados.  Eles não foram os primeiros, mas os mais carismáticos. Uma galera de Curitiba já tinha executado a mesma intervenção na capital paranaense em 2007. O desfecho foi outro, porém. Terminaram multados em r$ 3 mil, enquadrados na Lei de crime ambiental! No Brasil, só quando algum bancário babaca abre uma clareira no meio de uma bicicletada é que a balança mexe um pouco pro lado dos sans pistolões.  

O contexto da minha cidade é que o foco muda segundo interesses de poucos. Ou os muitos mudam o foco, ou agem para mudar o contexto. A pegada parece ser mudarmos a cidade nós mesmos. Das ideias que já deram certo por aí tem terreno baldio virando fazenda comunitária; vaga de carro se tornando praça; e classe média colhendo fruta pra família em via pública. Em vez de palmeira gringa, a gente podia ter árvores frutíferas nativas. O papo da vez é o trânsito. Tenho três galões de tinta lá em casa. Google: urban farming, guerrilla gardening, PARK(ing), urban foraging Diogo Rinaldi é designer de produto e sócio da Lobotomáticos

Pois é, essa é a mesma lei que enquadrou um grupo de grafiteiros querendo botar uma cor num muro do continente, em Florianópolis. Babaquice não segura ninguém: na mesma semana cruzaram a ponte novamente, parando logo na saída para “fechar” um muro da prefeitura. Dessa vez a população curtiu, o Hora de SC cobriu e o secretário do continente não teve outra saída senão dizer que "era algo positivo". Parênteses: crime ambiental não figurou na lista de investigações, há uns 4 anos, da tal da Operação Moeda Verde. A Polícia Federal investigou negociações de licenças ambientais na cidade e prendeu – temporariamente – inúmeros nomes conhecidos por outros crimes diversos, não ambientais. 

8. Ser wikiurbanista Não sei se entendi ainda o que quer dizer wikiurbanismo – na web, o termo wiki diz que tudo pode ser editado por quem navega –, mas já percebi que tudo é contextual. E comunitário.


9. Deixar o cursor Bernardo Möller

Daniela Cucolicchio é jornalista formada pela UFSC e blogueira da Naipe 32• naipe

Podia haver magia na Ilha da Magia. Menos apego, mais desapego. Menos desamor, mais amor. Menos nexo, mais sexo. Pegar e não se apegar. Dividir, compartilhar, emprestar, ceder. Assistir. Contemplar. Olhar. Enxergar. Viver enquanto vê: usar os olhos antes da lente da câmera. Ser menos turista, mais viajante. Fazer trilhas. Andar descalço. Plantar. Colher. Errar. Descomplicar. Brincar. Brindar. Beber. Comprar coletivamente e usar coletivamente. Comprar menos. Fazer à mão. Desmontar e montar. Destruir, construir no ar, intervir. Criar. Acampar. Saber viver sem e com. Dançar. Nadar. Pedalar.

Pedalar. Ouvir. Subir. Descer. Parar. Pensar. Tentar. Respirar lenta e demoradamente. Respeitar o outro e o ciclista, espremido ali na sarjeta. Trocar mais vezes as escadas rolantes pelas comuns, as rodas pelos pés, a tela pelo papel, o dia pela noite, o trabalho pelo ócio, a solidão pela companhia, o barulho pelo silêncio, o grande pelo pequeno, o objeto pela experiência, o guardar pelo viver. Ter preguiça, ser preguiçoso. Espontâneo. Assoprar letras, bafar álcool. Sorrir. Gargalhar. Chorar. Cheirar... o mar, a terra, a chuva, o luar. Esquecer de si. Escrever. Cansar. Calar. Deixar o cursor. Deixar o curso ao acaso. Partir.


10. Fazer jus ao título de Capital da Inovação Já que se autodenominou Capital da Inovação, Florianópolis precisa retomar e concluir seu Plano Diretor 2030, que deverá ser a linha mestra para o desenvolvimento da cidade. Precisa ser arrojada em empreendimentos e soluções sociais inovadoras. O desafio é combinar a indústria do lazer com a de tecnologias inovadoras O empreendedorismo deverá permear todas as esferas, o que resultará em um ambiente inovador e ágil para que ocupemos uma posição de cidade-modelo nas Américas, elemento-chave para oportunidades econômicas. Mas devemos lembrar que a responsabilidade para provocar estas transformações cabe também a cada cidadão que aqui vive. É preciso um amplo aculturamento de seus habitantes sobre modernidade e qualidade de vida e uma intensa ampliação do número de colaboradores nos processos de inovação. Os empreendimentos científicos, tecnológicos, culturais, esportivos e ambientais no Sapiens Parque constituirão referenciais para outras muitas iniciativas na cidade. A extensão dos serviços de acesso à internet para todos os cidadãos proporcionará ferramentas para a formação de uma comunidade mais dinâmica e integrada aos instrumentos para educação, saúde, segurança, trabalho. Por fim, acredito que a cooperação entre empresas de base tecnológica no contexto de clusters e sistemas locais de inovação, em parceria com instituições de ciência e tecnologia e organismos governamentais, é a melhor estratégia para ampliar o horizonte de negócios desenvolvidos em nossa cidade, gerando riqueza e renda para o município. Temos talentos com capacidade de gerar soluções para os desafios da sociedade brasileira. Precisamos é potencializar esta capacidade latente e mostrar que Florianópolis é merecedora do título de Capital da Inovação.

Carlos Alberto Schneider é superintendente Geral da Fundação CERTI (Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras)


Planeta Prates Pró-generais e avesso a bermudões, Luiz Carlos Prates faz concessões à tigela de açaí e, aos 68 anos, passado o caso les miserables, transporta suas velhas ideias ao SBT por Thiago Momm, com fotos de Bruno Ropelato


Como ser diferente no mundo dos iguais. É o que promete uma das palestras de Luiz Carlos Prates, e o que demonstra o próprio de mocassim, calça jeans, camisa e revista Exame sob o sol das 16h30 na praia do Campeche. É verão, uma sexta-feira. O céu aberto tem poucos rasgos de nuvens, mas o vento, com força para predominar no áudio do gravador, ameniza o bafo. Na verdade Prates está no Riozinho, o trecho mais pop do Campeche, os metros de areia mais sunga branca, biquíni pequeno, empanado-açaí-futevôlei de Florianópolis. No principal estacionamento do Riozinho se apresentara Ben Harper em recente festival da Skol. “Odiei-o”, estilinga Prates, que não foi ao show mas compara o cantor americano a uma arte moderna pouco entendida, muito aplaudida. Como os leitores, ouvintes e telespectadores assíduos do psicólogo por formação, jornalista por vocação Luiz Carlos Prates sabem, apontar alegrias forçadas em natais, festivais, carnavais e que tais é uma das canções recorrentes do seu repertório. Falar em canções. “Hoje as letras são vulgares, ‘vou dar uma fugidinha com você’. O que é ‘dar uma fugidinha com você’? A intenção do cara é outra, ora bolas.” “Você conhece Los Hermanos?” “Esse nome não me é estranho. Mas só pelo nome já me gusta. Los hermanos me leva para uma letra espanhola. Tem isso?” 36 • perfil

“Não. São cariocas.” “Ah, então são farsantes. Sou contra.” Prates é fã de Lupicínio Rodrigues, de música clássica e do canal easy listening da Sky. Quando compra CDs, usa, usa e joga fora. Não baixa música porque não sabe. “E se te ensinassem a baixar?” “Se alguém me ensinasse, eu baixava. É possível baixar, tô na minha casa, não há nenhuma transgressão, eles sabem disso. Se fosse pecado não facilitariam, ora bolas.” Por causa de vitiligo, há quase 20 anos Prates, morador do próprio Campeche, não pisava na areia. Fazia apenas seis anos, na versão da sua assessora de imprensa e filha Scheila, também de calça e camisa. Foi, conta, em um 4 de Julho nos Estados Unidos, quando eles estavam igualmente engomados por causa do Dia da Independência americano. A Naipe sugere o Riozinho em cima da hora e os dois não fazem questão de mudar de figurino. “Olha a gente de camisa na praia. Gente, somos normais”, diz, em tom de brincadeira, Scheila, como que falando com as mais de cem pessoas na praia. Nos textos de Prates, “bermudão” se tornou sinônimo de adolescente molambento. Alheia a isso, a Naipe está em três bermudões: fotógrafo e dois editores. O açaí chega gelado, com banana, guaraná, granola. A tigela foi pedida em uma barraquinha para figurar na sessão de fotos. A reportagem sugere a Prates que dê umas colheradas, no que ele se esbalda. “É bom


isso aqui, né?”, sorri, a boca arroxeada, a próxima colherada a caminho. “Eu só tinha provado, há muito tempo, no Pará, picolé de açaí”. A Naipe pensa se um bom fone de ouvido com Sexual Healing ou Burn one down na voz de Ben Harper não teria efeito parecido.

Universo em desencanto Ao universo que vê em desencanto do alto dos seus 68 anos, o chileno criado no Rio Grande do Sul Luiz Carlos Prates responde com conservadorismo. “Sou um republicano”, resume. Habitar o planeta Prates não é fácil. Normas baixam quase o tempo todo. Dos comentários na TV aos pios no Twitter (por obrigação profissional, ele aderiu a essa ferramenta “incandescente, perigosa, volátil”, acumulando 170 tweets e 856 seguidores em 66 dias), quase tudo tem uma moral da história, uma regra de ouro, uma recomendação, um mandamento, um modus operandi, um imperativo categórico. De 70 respostas à Naipe, 51 tinham pelo menos algum desses aspectos. Prates é um homem que recorta frases e as separa por assunto em caixas de sapatos, ora bolas. Você quer saber se ele viajou bastante, e ele inclui na resposta que entende as viagens “como um descanso do corpo e um trabalho da mente.” Você pergunta sobre suas leituras hoje, e ele diz que lê a Exame “como a obrigação de tomar água todos os dias”, ou algumas páginas diárias de Rui Barbosa “como quem toma remédio”.

Tudo bem, no planeta Prates é permitido baixar música; as mulheres se tornam financeiramente independentes antes de casar; as pessoas não perdem tempo com horóscopo; prescrutam suas vocações antes de cair no interesseiro funcionalismo público; leem mais, são mais autocríticas; adolescentes são menos parecidos; em surpreendente dissidência com o pensamento republicano, gays são tolerados. Por outro lado, no trabalho ficam obrigatoriamente as melhores horas da vida; mulheres não “retratam o traseiro nem deixam à mostra marcas dianteiras em triângulo”; escolas aderem à ordem militar e proíbem “os agarrões e os beijos de bordel em seus pátios”; há excesso de Bíblia, auto-ajuda, filósofos estoicos e leituras de negócio; Sandy ainda canta Maria Chiquinha e não faz propaganda da Devassa; o sexo é mais difícil; muito do que é bom vira errado, o lirismo do erro é sufocado, o prazer do excesso se extingue, a liberdade se acanha, a culpa sempre deixa retrogosto e quando a gente se dá conta, voltou a 1964. “A sociedade tá sem rédeas. Todo mundo tá fazendo o que bem entende. No tempo da ditadura não tinha assalto de rua, de banco, podias andar tranquilamente de madrugada por aí e ninguém te molestava”, suspira para a Naipe. Nada inédito. O comentário reverbera alguns já feitos na TV, inclusive na sua recente estreia no SBT Meio Dia, em fevereiro deste ano. “Foi o grande momento, o divisor da cultura brasileira, o momento em que os militares estiveram no poder”, agitou-se, próximo do terceiro minuto da fala, o indicador, como sempre, levantado na mão que gira o tempo todo para dar ênfase ao argumento.


Epiderrrrmicamente Como a SBT catarinense (SCC) não tem jornal impresso nem rádio, Prates mantém o Twitter e atualiza um blog ligado à emissora diariamente. Também segue com as suas palestras petelecomotivacionais, no máximo oito, nove por mês. Duas semanas antes da conversa e da sessão de fotos no Riozinho, a Naipe vai ao SBT fazer uma primeira entrevista. Prates se atrasa meia hora, tempo em que Bom dia e Cia é exibido na TV da recepção. Mais modesto que a RBS, o SBT não tem guarita. E fica em um ponto bem mais baixo do Morro da Cruz, a partir do que a vista panorâmica da emissora abrange, como seu ibope, um pedaço bem menor de Florianópolis do que a concorrente. De qualquer maneira, o competitivo Prates não se admite em um anticlímax dos 51 anos de carreira, os últimos 30 em Santa Catarina. “Quantos pontos de audiência você quer roubar da RBS?” “Todos quantos possíveis. Onde estou, é sempre a melhor a equipe. Isso é prepotência? Não. Isso me faz guerrear sempre, sem jamais admitir superioridade de quem quer que seja.” É comum ouvir que Prates, especialmente na TV, é um personagem. A Naipe pergunta se, ao assistir telejornais em casa, ele se revolta tanto com as notícias como nos seus comentários ao vivo. “Eu?!”, diz Prates, fazendo uma pausa dramática antes de discursar com gosto. “Eu choro. Eu...

praguejo, esmurro o ar, me envolvo epiderrrrmicamente com a notícia. A desonestidade me afeta, o sofrimento me afeta, essas coisas todas que transitam por graves valores humanos me afetam. Vou das lágrimas ao riso me envolvendo.” Se esse Prates das respostas remete ao da TV, um outro prevalece com o gravador desligado. É o tímido que sorri com frequência, gosta de cachorros (tem quatro vira-latas em casa) e deixa a mulher com quem é há 40 anos casado, Ieda, mandar na casa. É o Prates que tem um filho cabeludo (o designer Rafael; além dele e de Scheila, há a advogada Luciana) e se mostra ansioso para agradar quem o aborda no Riozinho. Que topa correr com uma prancha à beiramar diante de bastante gente, aprecia açaí, empolga-se com a ideia de ser fotografado na quadra de futevôlei. Entre 1986 e janeiro deste ano, Prates escreveu, em diferentes espaços e com algumas pausas, mais de 3 mil textos para o Diário Catarinense. Ali colocou o público à força no divã e destilou conselhos e resmungos com metáforas oitocentistas como “a arrogância usa bota com biqueiras” e regionalismos como “fico buzina da vida”. A Naipe pergunta como ele vê o futuro da coluna que ocupava na página 2 do jornal – com variadas carrancas e um quase sorriso na foto acima do texto. Na época da conversa, havia um rodízio de colunistas escrevendo sobre o verão. “Vão colocar o intelectual que ninguém lê, sabe? Alguém tem que melhorar a vida das pessoas, falar algo que possa melhorar a vida delas, ou tentar”, diz, acrescentando francamente: “Tem que assumir um lado brega nisso aí [de ter coluna diária]. O que é um lado brega? Falar dessas coisas que são consideradas menores pelos intelectuais. Tem que entrar na vida da pessoa.”

Boa noite pro gaiteiro “Carro a prestação jamais”, ele responde, questionado se o seu Hyundai IX 35 zero km, um veículo r$ 90 mil, é quitado. “Comprei há uns quatro meses. Dei o carro que eu tinha, mais trintinha em cima e boa noite pro gaiteiro, saí tranquilo. Mas juntei [dinheiro] pra ter [o suficiente].”


perfil • 41 O assunto, claro, surge a propósito dos 103 segundos em que vociferou, no Jornal do Almoço em novembro, que no Brasil “hoje qualquer miserável tem um carro”, culpa “deste governo espúrio, que popularizou pelo crédito fácil o carro para quem nunca tinha lido um livro”. Sua conclusão: os miseráveis seriam os principais causadores de acidentes nas estradas. Entre tantas críticas ao governo Lula, nenhuma feita em Santa Catarina vazou tão longe. Sozinha, a palavra “miseráveis” no Google traz o comentário de Prates na segunda série de ocorrências – e se não traz na primeira, é só por causa do ainda mundialmente mais famoso Os miseráveis, romance de Victor Hugo. Mais que isso, a declaração teria sido o motivo maior para que a RBS, empresa que abrigou Prates por mais da metade da sua carreira, o despedisse. Ferido ou representado pelo comentário, o público disparou em várias direções. “Para o Prates, tudo o que aconteceu desde a Revolução Francesa é pecado”, ironizou um anônimo em um blog. “É uma pessoa muito à frente dessa época que vivemos”, delirou outro. Um universitário foi além: “Caro colega Prates, sou estudante de linguística na UFSC e digo: posso provar que não há nada pejorativo em relação às pessoas menos abastadas monetariamente no seu discurso sobre o trânsito realizado no Jornal do Almoço. Posso provar isso me baseando em princípios da lógica, da semântica formal e da pragmática.” Muitos comemoraram sua saída da RBS, o mais alto dos megafones no sul do país, como a de Mubarak do governo egípcio. Menos exaltada, uma minoria ponderou, refletiu e sugeriu uma terceira via além do ame-o ou deixe-o. Foi o caso do conhecido jornalista ilhéu Sérgio Rubim, o Canga, que elogiou a inteligência e a oratória de Prates sem deixar de levantar um porém mui pertinente: “[Ele] fala com veemência, aos gritos, condena, critica, gesticula com competência e... nada! Jamais vi o Prates fazer uma denúncia de corrupção com nome e sobrenome. Sempre uma coisa genérica, etérea. O seu público adorava e dizia: ‘Esse mete o pau! esse fala a verdade!’. É de dar pena. Entravam no jogo do show em que se transformou a televisão brasileira.”

E o que diz o homem? “Não sei exatamente o que determinou [a minha demissão]. Não pode ter sido o comentário. Não pode. Por agressivo que tenha sido... eu já fiz coisas muito piores”, avalia, entre goles de cerveja no Riozinho às 18h com a Naipe. Em seguida, repete o que já disse por aí: que os “miseráveis” em questão seriam necessariamente os pobres de espírito, não de dinheiro. Na sua coluna de 22 de junho de 2010 no Diário Catarinense, cinco meses antes da polêmica, Prates de fato criticou a “classe B” por financiar “carros de r$ 120 mil em promoção por r$ 105 mil”. “O sujeito não sabe ler, não lê, não sabe conjugar um miserável verbo irregular, não conhece música de qualidade, não vai a teatros, não usa o lenço ao tossir ou espirrar, faz imundícies diante da mulher, pega leve no trabalho, é um trôpego existencial, mas quer exibir status. E compra um carro que lhe está acima do prudente, do possível”, foi o sermão, bastante parecido com o que viria depois. Ele tem razão ao lembrar que já fez comentários muito piores. Prates é bem menos tolerante com o comportamento humano do que é de se esperar de alguém formado em Psicologia. Suas frases trazem quase sempre a ingênua expectativa de nos colocar em um chiqueirinho de retidão. Entre defesas dos generalões e ataques diários aos tempos, um elitismo rancoroso que ouvimos de familiares nos almoços de domingo não é mesmo a mais espantosa das falas. Obviamente, pela rápida ascensão da classe média no país nos últimos anos, é o mais delicado dos assuntos. “Não é, grandão?”, diz Prates para um vira-lata no Riozinho, enquanto lhe faz cafuné. Veja os perfis das Naipes

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quitutes•gente que se mexe

Domingo desentristecido Sounds in da City valoriza espaço urbano e salva melancolia do finalzinho do final de semana “Esse é o melhor lugar para se estar aos domingos, quando Florianópolis é uma cidade-fantasma”, afirma Coralyn, olhos cintilando de empolgação. Ela e a amiga Tatjana, duas beldades teutônicas com mais de 1,85m, se sentem mais próximas da Alemanha no primeiro dia da semana na ilha. Tudo por causa do encarnado DJ manezinho Allen Rosa. Depois de morar em Cingapura e rodar pelo Velho Continente, ele voltou determinado a achar lugar para a arte urbana na capital. Assim surgiu o Sounds in da City, algo como um happy hour a céu aberto, com música eletrônica a volume moderado, manifestações artísticas e gente descolada e experimentalista na Beira-Mar Norte. “O projeto surgiu para valorizar os espaços urbanos da cidade, promover o encontro de ideias e apresentar novas musicalidades e DJs”, explica Allen. Há anos, num esquema on and off, ele toca com seu próprio equipamento e faz convites eletrônicos e flyers sem levar um tostão por isso. Muita gente abraçou a proposta: mais de 20 DJs já passaram pelas pick ups, e intervenções como projeções em árvores e customizações de camisetas também frequentam o Sounds. Desde novembro o projeto tem moradia fixa em um quiosque perto do trapiche, que investiu em sofás e toldos novos para receber as pessoas – valorizando um espaço público. “Não temos autorização, mas às vezes tem que se forçar a entrada, pelo bem da cidade. Não dá pra esperar pelas autoridades”, suspira o tranquilo Allen, enquanto amigos conversam e dançam com vista para a bonitona Baía Norte. (Jerônimo Rubim)

naipe • 43


quitutes•sonzêra

Seria pretensioso de minha parte começar um texto dizendo que o cenário do rock florianopolitano atual é o mais promissor dos últimos anos, mas não posso negar que os dedos coçam pela vontade de escrever isso em letras garrafais. Para começar com apenas dois exemplos, temos a Cassim & Barbária, que faz o show mais derrete-cérebro e cortatripas que você pode querer de uma banda baseada no formato de canções, e a Sociedade Soul, garantia de casa cheia onde quer que toquem. São bandas fora do molde “rock praieiro”, cheio de influências do reggae. Trilham caminhos mais tortuosos, fazem um som mais pessoal, inovador e experimental, com muito menos apelo comercial imediato.

Misturando Miles Davis, pé na porta, noise-rock e sintetizadores, bandas de Florianópolis fortalecem noites alternativas por Marcelo Andreguetti

Essas são bandas que se "consolidaram" no cenário local, mas a quantidade de bons nomes não acaba por aí. Tem muita coisa nova rolando que você talvez nem saiba, mas definitivamente devia saber - e, principalmente, ouvir. Encarregado pela Naipe, embarquei numa apuração clínica nas entranhas do inóspito underground mané e de lá voltei com três crianças prodígio do rock catarina: Os Skrotes, Motel Overdose e Mar de Quirino. Descrever o som dos Skrotes não é tarefa fácil. A começar pelo MySpace da banda, onde eles próprios se definem como jazz/psicodélico/thrash. Pode não fazer sentido à primeira vista, mas basta uma audição pra ver o que eles querem dizer com isso: uma música pode ir de um cool jazz estilo Miles Davis pra um momento headbangermetaleiro numa simples virada na bateria. Um power-trio instrumental, os Skrotes têm um elemento que talvez seja seu principal diferencial em relação às outras bandas do tipo: o teclado.

Skrotes


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Motel Overdose E não é só um, são três. E mais ainda um sintetizador que mistura um pouco de tudo em efeitos eletrônicos. Mas não bastaria tanta inovação e boas ideias sem talento, coisa que os caras têm de sobra. A habilidade com que variam os ritmos, alternam dinâmicas e fazem a melodia se desenvolver garante o caldo necessário dos shows pra lá de interessantes. Nessas apresentações, o trio costuma pegar bases conhecidas e transformálas completamente, como verdadeiros cirurgiões plásticos do pop. O extreme makeover passa por Ramones, Black Sabbath, Pantera... sobra até pra musa pop Lady Gaga, que tem "Poker Face" transformada num jazz-rock-bossa-metal-marchinha psicodélico. Essa salada de ritmos também não falta no som do Mar de Quirino, um sexteto que nasceu aos poucos como uma colagem “orgânica e retilínea” que foi ganhando forma – física e sonora – nos estúdios da Ouie Discos, na Praia do Saquinho, extremo sul da ilha. É como se fosse surgindo ali um recife de corais, representados por novos integrantes e novas incursões sonoras. Tão “indecifráveis” quanto os Skrotes, O Mar de

Quirino faz um rock com influências que vão do jazz ao experimental. O repertório deles pode começar com uma balada psicodélica ao estilo Flaming Lips para em seguida enveredar por um dançante e funkeado punk rock que parece saído de alguma boate nova-iorquina. Como se não parecesse possível, surge ainda um noise-rock cabeçudo e sintético que carrega semelhanças que vão dos alemães dos anos 70 aos primórdios do indie rock norte-americano. Já o Motel Overdose tem um som que poderia definir usando o título de uma música da banda carioca Matanza: Pé na Porta, Soco na Cara. Aliás, o Matanza é um bom ponto de partida pra explicar aquilo que o Motel Overdose faz: é música de inferninho, stoner rock de primeira cheio de riffs carnudos, cerveja, garrafas quebradas e fluidos corporais pelo chão. Assim como os Skrotes, os caras também são um power-trio, só que no sentido mais clássico da coisa às vezes num estilo Motorhead com riffs de dar nó no estômago, em outras, com menos testosterona, mais bom humor e uma pitada de psicodelia, lembrando um outro power-trio imortalizado, o The Jam.


Em cinco parágrafos, Antônio Prata resume os tempos rindo de nós e de si mesmo

Antônio-síntese

quitutes•livros

Carne-de-sol com macaxeira Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte dessa coisa linda que é o Brasil, por isso vamos a bares ruins, que têm mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gâteau e não tem frango à passarinho ou carne-de-sol com macaxeira, que são os pratos tradicionais da nossa cozinha.(...) O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e, um belo dia, a gente chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e, principalmente, universitárias mais ou menos gostosas.  (Trecho do livro Meio intelectual, meio de esquerda, p.30)


Antônio Prata, 33, é o principal cronista da sua geração, trombeteia a Folha de S.Paulo, e seu último livro, Meio intelectual, meio de esquerda, um dos dez melhores deste início de século 21, garante a revista Bravo!. Antônio, filho do há quase dez anos morador de Florianópolis Mário Prata, é mesmo um escritor sintético e enlevado. Em cinco parágrafos, nos faz levitar que nem pandorga, como nos melhores textos do seu pai ou de Luis Fernando Verissimo. Mas com todo um universo malicioso próprio. Nos seis livros anteriores, ele compilava crônicas de revista e jornal feitas principalmente para adolescentes; agora, fala para quem é da época do adesivo de surfe na janela do quarto – ou seja, gente mais ou menos da sua idade. Em uma das 78 crônicas do último livro, o escriba define a classe média intelectualizada como aquela que “não coloca feijoada e sushi no mesmo prato”. Em outro texto, filosofa diante de uma faixa de pedestres: “Percebo então que quem atravessou a rua à minha frente não foi um casal de adolescentes, mas a adolescência. E quem freou o carro não fui eu, mas a idade adulta”. Um poder de síntese realmente fodão. De qualquer maneira, o alcance do rapaz será ainda maior se der à luz o romance que promete e misturar, à sua fluência, uma onisciência à la psicanalista Contardo Calligaris, da Folha. Algo assim. Na entrevista que segue, a Naipe provocou Antônio quanto às suas pretensões.

A Folha de S.Paulo cravou que você é o "principal cronista da sua geração". Tem algum cronista da sua idade que você prefira a você mesmo? Grande Alcino Leite [Neto, crítico da Folha]! Não o conhecia, mas depois da resenha mandei um e-mail pedindo o endereço pra enviar a mala repleta de dólares... Gosto de vários escritores da minha geração, mas a maior parte são amigos meus, de modo que acho meio fisiologista ficar citando. Se são melhores ou piores do que eu? Isso é pergunta que se faça?! Você está escrevendo um romance. É o objetivo de dizer algo mais impactante que nas crônicas, ou as crônicas já transmitem o que te vai de mais pretensioso pela cabeça? Por mais que esse romance que eu estou escrevendo seja bom (isso eu ainda não sei), pode ser que as coisas mais legais que eu vá escrever na vida sejam crônicas. As do Nelson Rodrigues são mais importantes que seus romances (O casamento e os folhetins). E Rubem Braga não escreveu romance nenhum. Sei lá. Todos os formatos são legais e espero ter talento para trabalhar neles todos, crônicas, romances, contos, roteiros, peças de teatro... Você acha que há má vontade do público mais, hum, intelectualizado de enxergar o enlevo das crônicas? Com grandes coletâneas do gênero saindo, isso está mudando? Isso não está mudando, não. A crônica ainda é vista como um gênero menor no Brasil. Lá fora, não. A obra de Mark Twain, cujo grosso é crônica, é cada vez mais lida e reverenciada nos EUA. Talvez tenha a ver com o fato de a crônica sair na imprensa. Quando sai da página do jornal e vai pro livro, ela é levada mais a sério. naipe • 47


quitutes•livros Nos teus melhores textos, você atinge o nível do Verissimo. Ele é um sujeito merecidamente consagrado mas que, pelo formato, enjoou uma cota dos seus leitores. Isso te preocupa? Uau, Verissimo?! Muito obrigado. Não entendi por que o formato desanima essa cota de leitores. Por ser sempre o mesmo? Bom, isso não me incomoda. Quando vou ler uma crônica do Verissimo, ou ver um filme do Woody Allen, quero encontrá-los ali, do jeito que eles são. Se são bons, é melhor não se reinventarem. Só o que é ruim é repetitivo. Quanto a mim, sendo um escritor de 33 anos, acho que ainda estou muito mais na fase de me descobrir do que na preocupação de me reinventar. Há muitos caminhos para a crônica, tanto os já trilhados por outros, que eu posso percorrer com minhas próprias pernas (ou minha própria pena?), quanto os ainda a serem desbravados.  Você já foi hostilizado por algum meio intelectual, meio de esquerda pelo que disse na crônica “Bar ruim é lindo, bicho” do livro? Engraçado. Essa crônica é lida de forma diferente por cada pessoa. Tem os integralmente intelectuais, integralmente de esquerda, que ficam bravos, achando que eu sou meio sarcástico, meio de direita. Tem os meio sarcásticos, meio de direita, que acham que estou querendo acabar com a raça dos meio intelectuais, meio de esquerda. Tem quem gosta e quem não gosta do texto nos dois extremos políticos. A crônica foi escrita tirando

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48• naipe

Leia sobre livros no site revistanaipe.com/blogs/on-the-road

sarro de mim, do meu grupo, do locus social que ele ocupa e de suas características. Eu uso óculos, tenho a barba por fazer, vou a botecos vagabundos tomar cerveja de garrafa, sou meio intelectual, meio de esquerda, oras! Todo mundo é ridículo, todas as turmas, eu com a minha barbinha de uma semana e o pessoal de Jurerê Internacional com seus champanhes de mil reais, a gente tem que saber rir de tudo, de nós e dos outros. Mas tem gente que acha que se você riu de algo, é porque é contra e quer exterminar. Vixe, senso de humor não é algo muito comum por aí não, viu? Você já escreveu ou teve vontade de escrever sobre a ilha?  Nunca. Mas já escrevi muito NA ilha. Toda vez que vou, escrevo minhas crônicas, roteiros ou pedaços do romance daí. Até botei uns índios Charrua numa história, certa vez, por causa da marca da água que eu comprava no mercado do Braulinho, em Jurerê – Jurerê Nacional, que fique bem claro, afinal, sou meio intelectual, meio de esquerda, e frequento o mercado do Braulinho.


quitutes•rexxxgate

estante naipe

A Naipe acredita que o bom jornalismo pode aliar lançamentos a dicas atemporais. Por isso, estreamos aqui uma estante compromissada apenas com a qualidade das sugestões.

The Hood Internet Mixtapes (desde 2007) Esses DJs americanos estão ligadassos no mundo hip-hop e no indie. Os gêneros se encontram e fazem lindo amor nas mixtapes imaginadas pelo duo. Big Boi sobre Foals, DMX com The XX, Crime Mob e The Shins etc. Misturebas muito estranhas que... acabam valorizando o remix e os originais. Vai lá: thehoodinternet.com

Mad Men (desde 2007) Mulheres, anticoncepcionais, negros e rock and roll atropelam a caretice do começo dos anos 1960, enquanto a vida do macho-alfa Don Draper continua sendo uma mentira regada a scotch cowboy às 10h, pilhas de cigarros e montes de mulheres. Essa altamente viciante série é um agudo estudo antropológico da machista e competitiva era pré-hippie dos publicitários nova-iorquinos. A série vale um bom Dostoiévski. Vai lá: amctv.com/shows/mad-men

História dos grandes bordéis do mundo (1983) Com um texto já chamado de “algo feito aparentemente sem esforço e tão bonito quanto Nat King Cole cantando”, o norte-americano Emmett Murphy, morto em 2001, construiu essa culta, fluente, sagaz e às vezes irônica história da prostituição. Sim, o livro vai além dos bordéis prometidos no título. Curiosidades de propaganda de mictório se mesclam à história geral em 272 páginas que o leitor dá cabo em quatro deliciosas horas. À venda em sebos na faixa de r$ 20. Leia mais sobre o livro em post da Naipe: http://tiny.cc/s7zub

Adaptação (2003) Uma torta e brilhante gema. Charlie Kaufmann, o melhor roteirista que Hollywood já viu em anos, transforma a história real de seu bloqueio criativo na mais inesperada redenção. Frustrações cotidianas, relacionamentos atravessados, aspirações tolas, masturbação num quarto escuro: há textos e subtextos de sobra para repensar nossa muitas vezes patética vida. Os atores fazem pequenos milagres – e Nicolas Cage prova que um dia soube atuar. Vai lá: sonypictures.com/homevideo/adaptation


Enquanto isso•na china

老北京

1

por Gustavo Bruske

No quarto dia do ano do coelho, os fogos de artifício ainda ecoam e fazem as janelas tremerem, o cheiro de pólvora paira em uma névoa grossa no ar, o lixo acumulado nas ruas voa com o vento frio do inverno, que agora já recebe o seu empurrão porta afora. As prateleiras dos supermercados vão se esvaziando, o rosto das pessoas perde a cara de feriado e ganha novamente a expressão da velocidade de uma das maiores cidades do mundo – 16 milhões de pessoas já vão novamente se reunindo para fazer acontecer, girar as engrenagens da moderna e populosa capital da China. A ressaca do ano novo vai embora. Enquanto isso, eu procuro o meu refúgio nos becos da grande e velha capital, em

50• naipe

meio ao cheiro de tofu frito e banheiros públicos, pimenta seca, churrasco no espetinho, cães e gatos, pombos, vassouras, bicicletas empoeiradas. Ando sem rumo nas ruas que me mostram os rostos desconhecidos e às vezes espantados, gente que se fecha em meio às ruas estreitas e se recusa a viver na altura dos arranha-céus, gente que preserva a verdadeira identidade da cidade, a cara da velha Beijing.

1 Velha Beijing – a atual Pequim 2 Hutong (胡同), habitações de ruas estreitas da parte antiga e central de Beijing. A palavra pode ser traduzida literalmente como “beco”.

Em cada Hutong2, uma nova surpresa, uma nova rua estreita que me leva longe nos pensamentos, que me faz desconectar dos bits, bytes, pads e pods, na cidade em que escolhi como meu lar. Gustavo Bruske é um engenheiro sem iPhone em Pequim. Todo mês a Naipe publica, neste espaço, a experiência de um colaborador pelo mundo.


Revista Naipe 005  

“Let’s reboot Britain”, dizia a revista inglesa Wired de novembro de 2009. Foi nessa capa que inspiramos a matéria de capa da Naipe. Se a Gr...

Revista Naipe 005  

“Let’s reboot Britain”, dizia a revista inglesa Wired de novembro de 2009. Foi nessa capa que inspiramos a matéria de capa da Naipe. Se a Gr...