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circulação GRATUITA

IMPRESSO

PODE SER ABERTO PELA ECT

Editora Mês Ano 2 - nº 20 Setembro de 2012

Mercado-alvo Curitiba é opção das marcas para lançar produtos; curitibanos são mais exigentes?

Saúde

Faltam leitos de urgência (UTI) em Curitiba; Saúde preocupa os moradores

Economia

Mais de 34 mil novas empresas nasceram este ano no PR, quase 6% de alta

Cultura

Ambiente para novos escritores no PR é promissor, revelam especialistas


Mais do que ver. Ser visto.


entrevista Paulo Borges Quando e como foi concebido o Movimento Hotspot? Paulo Borges (PB) - A gente começou em 2001, que era uma incubadora de moda, era o Amni Hot Spot. Mas era completamente diferente do que o projeto é hoje. Aliás, é a primeira e única incubadora de moda no mundo. Era fazer da sua criatividade uma empresa. Quando foi 2006 para 2007, a gente percebeu que para essa geração, a partir dos anos 2000, a forma de criar, a forma de trabalhar é muito colaborativa, muito de coletivo, muito de troca e muito transversal. As pessoas não falavam mais de moda ou de design ou de fotografia ou de música. Todas essas questões criativas estavam inseridas nos processos de desenvolvimento da criação de uma imagem, de um produto. Foi aí que a gente teve a ideia, que esse projeto deveria não falar só de moda, mas falar de criatividade e que ele deveria percorrer o Brasil e ser um prêmio para revelar talentos criativos pelo Brasil. A gente sempre teve uma demanda grande das pessoas, em que a gente pudesse estar olhando para isso fora de São Paulo. A gente quer focar nas pessoas. Jorge Mariano

Como incentivar a criatividade nas pessoas?

“A gente não para”

Sabe a história da mitologia grega do rei que tudo o que tocava virava ouro? Ao que tudo indica Paulo Borges (50) é o “midas da criatividade” brasileira. Nascido em São José do Rio Preto(SP), é daqueles workaholic que tudo que toca vira sucesso e gera negócios. Foi assim com o São Paulo Fashion Week, quando criou há mais de 15 anos, foi assim com o Fashion Rio, que ganhou seu dedo de produtor. Agora a promessa é que o Movimento Hotspot, lançado por ele este ano, seja um celeiro de novos talentos e revele os mais criativos do País. Acompanhe o olhar crítico e político de Borges sobre a indústria criativa brasileira. Arieta Arruda - arieta.arruda@revistames.com.br

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PB - O que a gente quer é incentivar as pessoas a mostrarem a sua criatividade. Por isso, um portal interativo, por isso um grupo de curadores de altíssimo nível, cada um dentro da sua área. Pessoas que além de serem respeitadas pela sua construção de habilidade profissional são histórias de inspiração. Desde a minha própria história, do Bob [Wolfenson], do Duda Molinos são pessoas que construíram suas carreiras por uma questão do empreendedorismo, da inovação, por uma entrega de alma, por uma crença criativa, em que a criatividade sempre está à frente dos seus processos e desafios. Os festivais regionais vão servir exatamente para continuar essa semente e esse fomento da criatividade das regiões, mostran-


do para a indústria econômica local, a indústria criativa local. A pessoa com talento, ela está em qualquer lugar do mundo. Experimentar de fato aquilo que a gente já vem dizendo a mais de 10 anos, que a criatividade é transversal, que moda é um processo “inspiracional” de várias áreas completamente diferentes daquela que ela atua. E talvez por eu ser da moda e trabalhar há tanto tempo na moda eu vivencie isso muito. A moda é um “chupômetro” de tudo. No filme, na arquitetura, no vídeo, na música, no design, na história, na literatura e a gente se habituou muito, até por olhar tudo, a observar pessoas criativas em todas as áreas. E a gente acredita muito na questão de uma economia criativa. Em sua opinião, por que o povo brasileiro é bastante criativo? PB - Primeiro pela nossa história de colonização. É uma história muito misturada. A gente tem o índio, o africano, o europeu e a gente tem o americano. Então, a gente tem uma influência muito grande de todas essas áreas. É a nossa maior riqueza essa diversidade racial, cultural, social, econômica, política. Nós não somos puros. E aí esse gigantismo territorial propicia descobertas. Acho que ninguém ou pouquíssimas pessoas conhecem de fato o Brasil como um todo, nas suas nuances, histórias, diferenças, peculiaridades, movimento, na sua transformação. E fazer um projeto como esse que dá alcance a qualquer pessoa em qualquer canto do País a participar, para mim, é maravilhoso. Por isso, nós fizemos um projeto digital. E ele só é possível hoje, porque há cinco anos não seria. E a ideia já foi feita há cinco anos. A gente precisou de quatro anos para começar a lançar o projeto. Porque hoje você tem a capilaridade digital feita. Cada dia mais são centenas, milhares de jovens que entram nas redes. Por isso que o projeto é digital, é democrático, você não paga para participar. Você entra, você olha, você é visto. Por exemplo, hoje me contaram

que um candidato de filme em vídeo se inscreveu e uma empresa, se eu não me engano a Nike, já viu o vídeo dele e já contratou ele para um trabalho. Já é o projeto funcionando. É um lugar para ver e ser visto. Nós queremos que o Movimento Hotspot se torne uma referência e um hub de convergência criativa, onde você se mostra e é visto, onde você pensa e reflete.

Você não pode desenvolver um negócio no mundo de hoje, que é global, pensando de forma regional Falando de outros projetos seus. Quais as diferenças que pretende marcar entre o São Paulo Fashion Week e o Fashion Rio? PB - São Paulo Fashion Week tem uma etapa de maturidade, de desafios. A gente não para. O Fashion Rio tem que cada vez mais ser um representante natural de uma imagem do Brasil para o mundo. Esse lifestyle carioca e brasileiro que contamina de forma positiva um tipo de criação. A gente tem que construir um discurso, fazer com que o evento transborde como o São Paulo Fashion Week. Um pilar importante disso é a moda praia como um lifestyle. O lifestyle de uma moda que é pensada a sua criação de uma moda muito mais voltada para o conforto e para o estilo de vida do que para o design purista. O São Paulo Fashion Week é muito pensado e foi muito construído através do design de moda. Quais os maiores desafios atuais do SPFW? PB - A moda está passando por uma renovação, uma transformação global. Uma mudança do negócio. Teve uma transformação global que isso está afetando o Brasil, por conta das crises, da globalização, por conta do processo. O que começou como uma cadeia de negócio, que é o fastfashion, virou

um processo de moda global. E isso muda a maneira de você pensar a fazer moda e distribuir moda no mundo inteiro, não só no Brasil. O Brasil talvez esteja no seu melhor momento histórico recente e ao mesmo tempo num desafio de se acomodar nesse novo momento diante de uma crise global não só econômica, mas política. O modelo social europeu e americano esgotou-se e afetou o modelo econômico, que por sua vez afetou o modelo político. Por conta das mudanças, alguns dizem que o novo luxo vem do Brasil. Qual o caminho para nos consolidarmos como referência? PB - Primeiro, a gente tem que colocar na cabeça que a gente não pode ser caipira, nem regionalista, porque se não a gente não está falando com o mundo. Então, tem uma construção de requinte criativo do designer, da matéria-prima, da qualidade e têm características que o Brasil deve explorar e ainda explora muito pouco, que passa por inovação, que passa invariavelmente pela questão da sustentabilidade, a sustentabilidade não naquele discurso de “ecochato”, mas como um discurso de transformação e de inovação. Que você pode se utilizar de uma série de novos recursos para criar uma nova imagem, um novo desejo de moda, mas vai além disso. A gente fala de estilo de vida. Por exemplo, tem uma pesquisa que foi feita que diz que o que mais representa o Brasil em termos de identidade é a felicidade. Agora a felicidade é o que? É um estado de espírito. Ela pode ser representada de que forma? De várias formas: na cor, na forma, na textura, no brilho, em tudo. Como você transforma isso em propriedade brasileira? É um desafio enorme. Essas mudanças sociais e econômicas vão afetar de que forma a indústria da moda? PB - O mundo tá muito chato. O mundo está vivendo um momento muito REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012 | 5


Jorge Mariano

entrevista Paulo Borges meu modo, eu faço política. E posso brigar com todos os políticos que estão aí nos seus cargos, inclusive. Tem algum projeto novo vindo por aí?

peculiar, em que a gestão do resultado ficou preponderante demais. Eu digo o seguinte: a linha de cima e a linha debaixo são os extremos que monitoram. Então, você tem que faturar o máximo, gastar o mínimo, porque é o meio que vale. Só que isso está entrando num desgaste de processos que eu me pergunto: para onde vai? Empurram as pessoas para uma zona de consumo desenfreada e irracional. É um contrassenso para a questão da sustentabilidade. Se todas as pessoas continuarem a consumir da maneira que se consome hoje daqui a 20 anos, o mundo explode. Você vê um País onde a mobilidade urbana é caótica e o governo incentiva que as pessoas comprem carro. Para andar onde? Acho que tudo isso é um processo que vai entrar em colapso. Está tendo que se repensar. Isso passa pela criação, isso passa por um processo de produção de valor das coisas. Acho que a gente vive a crise do início de um novo milênio. Se você voltar historicamente para o início de séculos anteriores, todos passaram por crises. Acho que a nossa é essa. No Paraná, temos uma grande indústria têxtil, mas temos pouca moda conceitual. Como mudar isso? PB - Primeiro é importante a mentalidade das pessoas. Você não pode desenvolver um negócio no mundo de hoje, que é global, pensando de forma regional. Qualquer empresa do interior do Brasil se conecta com o que 8 | REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012

está acontecendo no mundo ou vai ser uma empresa regional. E ser uma empresa regional significa estar fadada a um crescimento menor, a não ser que ela desenvolva um processo de produto de uma commodity específica que ela não precisa de inovação, não precisa dos novos códigos de comportamento contemporâneo para poder se desenvolver e se posicionar. Moda e design, indústria criativa não é assim. Qualquer pessoa que está no interior tem que pensar como um global. Tem que se certificar de que seu produto, realmente, tem qualidade em todos os aspectos e aí criar uma estratégia de se posicionar em outras regiões.

Para mim, fazer moda é fazer política Um pouco de você. Quais são suas paixões? PB - Adoro Política e História. Então, eu leio muito, vejo muito isso. Para mim, fazer moda é fazer política. Estar aqui hoje falando de criatividade é fazer política. Política na sua essência não como forma de conveniência. As pessoas me perguntam se eu vou me candidatar a alguma coisa política e eu falo: “nunca”. E aí as pessoas dizem: “corrija, nunca não se diz”. E eu falo: “nem pensar”. Porque a política que me fascina não é essa que é exercida como profissão. Não é isso que me interessa. À minha maneira, do

PB - Tem um projeto pessoal que é o projeto de um livro, uma exposição e um documentário sobre a alma afro-brasileira, afro-baiana mais precisamente. Eu me interesso muito pela história africana. Se a gente volta, a história do mundo começou na África, todas as culturas milenares. Quando eu comecei a ir muito para a Bahia, eu comecei a entrar em contato direto com uma essência africana muito pura. Eu conheço uma Bahia que as pessoas pouco conhecem. Eu estou falando da diversidade cultural, da diversidade gastronômica, da religião, da energia, da história, de entender porque que a Bahia é o umbigo do Brasil. E o que a Bahia tem? PB - A Bahia carrega esse liquificador que nós somos. E que aqui não tem, em São Paulo não tem. Na Bahia,você vê o índio, o negro e o europeu misturados à flor da pele. Você vê na culinária, na festa, na rua, ainda na pobreza, nesse estágio quase medieval. Aquilo me encantou muito. Esse projeto, na verdade, que ia falar das semelhanças da África, do Brasil e de Cuba. Aí fazendo o projeto na Bahia, falei: “vamos começar pela Bahia”. Fiquei um ano e meio filmando e fotografando. Agora a gente está no processo de edição e para colocar o projeto na Lei Rouanet para virar exposição, livro e documentário [no ano que vem]. Aí eu percebi o abandono que a Bahia vem sofrendo do ponto de vista do desenvolvimento. A consequência disso é a mudança política que houve na Bahia e a negação do que foi feito pelos políticos anteriores. É uma refém da decisão política. Aí eu resolvi fazer um projeto que se chama “Alma”. É uma crítica. Uma mostra belíssima de como as coisas nascem.


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mensagens do(a) leitor(a)

Matéria de Capa

Como sempre em todas as edições a matéria da capa está espetacular: FUJA DO SALDO NEGATIVO. Em Curitiba, 90,27% das famílias se declaram endividadas, acumulando um aumento de 35,62% e a principal dívida está nos cartões de crédito e no financiamento de imóveis e carros. Mas o importante é ter disciplina. “A virada não acontece de forma tão simples porque ela exige algo que o brasileiro não gosta, que é justamente a Disciplina”.

Envie suas mensagens para a Revista MÊS pelo leitor.mes@revistames.com.br | Twitter @mes_ pr | Facebook MÊS Paraná. Participe!

Simone Francos, no facebook

e-mail Orientação A revista MÊS de julho/12 está com matérias muito boas, inclusive a da capa que serve de orientação para os pais e avós. Muito obrigado pela atenção no envio das edições. Ronaldo Carvalho

Parabenizar A REVISTA MÊS e os REDATORES estão de parabéns pelas suas matérias relevantes, que estão muito boas. Melhorando a cada edição, com redação de qualidade, conteúdos importantes e

/MÊS Paraná

fácil entendimento. Eu tinha mencionado algumas matérias, mas achei injusto focar algumas, sendo que todas as edições são excelentes. Irene Quequi

Rosa Maria

Feirinha do Largo Li a reportagem sobre a nossa tradicional Feira do Largo da Ordem. Sou contra a venda de produtos industrializados, (Leia-se produtos chineses que virou uma praga mundial) que descaracterizam a feirinha. Antes eu tinha gosto de ir lá comprar presentes para os amigos. Hoje penso duas vezes e só vou quando especificamente já sei o que vou buscar. Ficou meio mistura-

Amilton Honorato - Gostei

das melhores Revistas de Curitiba!!! Gostei muito das reportagens desse mês. Um grande abraço em toda Equipe. Saúde e Fraternidade

muito da reportagem sobre as religiões. Sou católico praticante e não acho que os evangélicos estão crescendo dessa maneira. É tudo conforme o ponto de vista de cada um. O tal pastor lê uma Bíblia e já inaugura uma igreja, como isso é possível?

Wolff - Gostei muito da reportagem

Aline Vonsovicz - Gostei muito da

Edvan Ramos da Silva - Uma

sobre a feirinha no Largo da Ordem, antiga Feira das pulgas, onde eu me lembro que antigamente a gente aproveitava muito o artesanato feito pelos hippies na década de 70, muitas saudades daquele tempo em que éramos felizes e não sabíamos. Vamos brigar com a Prefeitura para voltarmos a ter a nossa feirinha das pulgas.

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do e não há como não notar. Se é bom ou não para os comerciantes não sei avaliar, mas a nossa feirinha agora está ficando igual a de qualquer outro lugar. Aí perde a graça.

matéria sobre endividamento. Sempre é bom lembrar e trazer matérias como estas que cada vez mais apontam o saldo negativo das famílias brasileiras. As dicas são fundamentais para não cair mais ‘nessa’. A mais curtida foi a do SIM! :) Continuem com a qualidade de informação de hoje e principalmente gratuita! :)

Mais opinião Excelente o caderno “opinião”, em que o Gilberto Gnoato escreve sobre: “O que é igual não tem autoridade”. Gilberto é de uma assertividade impressionante. Estou na torcida para que tenhamos mais artigos escritos por ele. Parabéns à revista MÊS, a cada mês, vocês se superam. Romualdo Gabardo Corrêa

@meS_Pr

Felipe Martins - Se puderem leiam a matéria da Revista @mes_pr sobre o uso do kinect nos centros cirúrgicos!!!

Tem sugestões de pauta? Uma ideia para fazer uma reportagem? Envie sua sugestão também para leitor.mes@revistames.com.br


FOTOGRAMA

Jorge Mariano

Letícia Gonçalves, da banda Letuce. Fotografar o palco não é escrever com a luz. É compor com a luz. Cantar com as imagens e fazer com que os outros ouçam com os olhos. Caso queira ver também sua foto publicada na coluna Fotograma, envie sua imagem em alta resolução para o leitor.mes@revistames.com.br

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sumário entrevista

10

Mensagens dos leitores

11

FOTOGRAMA

14

MIRANTE

23

COLUNA

48

5 perguntas para: Ministro Dipp

64

DICAS DO MÊS

66

OPINIÃO

política 20

PR elegerá mais vereadores que em 2008

cidades 24

A doença da Saúde de Curitiba

economia 28

Nascem mais empresas

agropecuária 30

Subproduto da represa

educação 32

Curitiba/PR

16

Experiência profissional na universidade

MATÉRIA DE CAPA

Cidade teste

saúde

turismo

34

Quadril em perigo

50

36

A primavera e suas alergias

esporte

tecnologia 38

Dia a dia mais high tech

meio ambiente 40

Jardins que sobem pela parede

De olho no luxo de Curitiba

52

O tatame agora também é delas

54

Rendimento esportivo

automóvel 56

Segurança ao volante

comportamento

moda&beleza

42

58

O sacrifício do desapego

culinária&gastronomia

44

60

internacional 48

Estrangeiros: os invisíveis

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Drinks da estação

cultura&lazer 62

24

Estrias, as indesejáveis

crônica Relato de uma repórter (ainda) apegada

Fotos: Banco de imagens

4

Cenário favorável para produção local

34


editorial

O enigmático curitibano A

tualmente, pouco se convive com um curitibano puro. Aquele ser nato, que vive entre uma geografia de nuvens fiéis e um clima pouco ameno. Onde eles estão?

Mesmo achando que é uma figura quase obsoleta nas ruas da cidade, é possível perceber ainda uma crítica ativa no ar em um ser observador e catalizador de novidades. Se você ganhar a confiança de um curitibano, tudo mais vem junto: a simpatia, o interesse em se relacionar, a fidelização. Por isso, a indústria de fazer coisas darem certo se utiliza dessa característica local para testar seus produtos. Apesar de a cidade ter recebido uma miscelânea de gente do interior do mundo, a cultura local ainda se faz presente e trata de emprestar aos novos moradores esse hábito. É quase como se os curitibanos dissessem: “vem comigo, que é sucesso!” É nesse tom que a matéria de Capa desta edição mostra como as empresas “leem” o povo curitibano. Tratam Curitiba como uma cidade teste, que mais poderia ser uma das “Cidades Invisíveis” do escritor Ítalo Calvino. Uma cidade intrigante e interessante. Por conta desse perfil criterioso e observador, muito do que se consolidou aqui ganha um charme a mais. Por isso, na reportagem de Turismo, vamos apresentar o que Curitiba tem para um roteiro de alto padrão, no mês em que se comemora o Dia Mundial do Turismo. Outra novidade apresentada aos olhos curitibanos, que gostam de estar bem informados, é a tendência de crescimento do empreendedorismo e da diminuição da mortalidade das empresas. Além disso, vamos discutir nessa publicação, que completa 20 edições, os seguintes temas: aumento do número de vereadores em cidades do Paraná (Política) e o crescimento do interesse no Judô (Esporte) com a medalha feminina inédita nas Olimpíadas de Londres. Também não podia ficar de fora a situação da Saúde em Curitiba, que apareceu entre as maiores preocupações dos moradores da cidade em pesquisa do Instituto DataFolha. Por isso, fomos a campo observar essa situação. Mais do que a crítica, os curitibanos também usam da criatividade para viver a cidade, seja na literatura, no meio ambiente com a proposta de jardins verticais e na inspiração de figuras nacionalmente conhecidas, como o produtor cultural Paulo Borges, criador do São Paulo Fashion Week e que esteve na cidade no mês passado para divulgar outro movimento pra lá de criativo. É ler e conferir. Boa leitura!

expediente A Revista MÊS é uma publicação mensal de atualidades distribuída gratuitamente. É produzida e editada pela Editora MÊS EM REVISTA LTDA. Endereço da Redação: Alameda Dom Pedro II, 97, Batel – Curitiba (PR) Fone / Fax: 41. 3223-5648 – e-mail: leitor.mes@revistames.com.br REDAÇÃO Editora-executiva e Jornalista responsável: Arieta Arruda (MTB 6815/PR); Repórteres: Mariane Maio, Bianca Nascimento e Iris Alessi; Arte: Tércio Caldas; Fotografia: Roberto Dziura Jr.; Revisão: Larissa Marega; Direção comercial: Paula Camila Oliveira; Distribuição: Sandro Alves e Agência Focar (distribuição nos semáforos) agenciafocar.blog.com; Publicidade: Lucile Jonhson - atendimento.comercial@revistames.com.br – Fone: 41.3223-5648 e 41.9892-0001; Produção gráfica: Prol Editora Gráfica; Colaboraram nesta edição: Tiago Oliveira, Márcio Baraldi, Jorge Mariano (Fotografias) e Varlei Ramos.



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mirante

Ratinho Junior

Luciano Ducci

Rafael Greca

O receio de pessoas próximas à campanha de Ratinho Junior (PSC) é perder apoio dos eleitores das classes C e D na reta final da campanha. Segundo análises realizadas de pesquisas quantitativas e qualitativas esses eleitores seriam muito voláteis e passíveis de migrar para outra candidatura se alguma informação fosse divulgada e viesse contra a imagem anunciada do candidato em questão. Ratinho Junior tem hoje grande presença entre aqueles eleitores que aprovam o expresidente Lula.

Já do lado do candidato Luciano Ducci (PSB) a preocupação é que na leitura de seus apoiadores era para ele estar muito à frente dos demais candidatos, tendo em vista o investimento feito em propaganda pela Prefeitura nos últimos meses e o apoio com exclusividade que a família Richa tem dado a sua campanha. Para alguns, já começa a aparecer que a aposta feita pelo grupo do governador não tem muita força e simpatia dos curitibanos para decolar.

O que não tem se confirmado nas últimas pesquisas são os grandes índices de rejeição que apareciam antes. Greca está fazendo uma campanha alegre, crítica e propositiva, correndo por fora do bloco principal, mas sem perder a classe. Suas críticas humoradas à atual gestão calam fundo no eleitor. Especialistas avaliam que os programas eleitorais identificam apenas um momento em que a avaliação dos programas de Greca têm avaliação negativa: quando entra o ex-governador na telinha. Mas esse é o preço da fidelidade.

O candidato Gustavo Fruet (PDT) por sua vez mantém-se na disputa e ao que parece com um único caminho a ser percorrido: ocupar a zona sul da cidade. Parece que seus estrategistas já acordaram para isso e estão se movimentando. Avaliam que a disputa para ir ao segundo turno pode ser com o Ratinho ou com Ducci. Alguns pensam que o eleitor clássico do Gustavo pode pensar na última hora quem seria mais forte para derrotar uma eventual candidatura de Ratinho no segundo turno e despejar votos em Fruet.

Fernanda deixa a Família

Usando a máquina?

O Governo Richa ficou desfalcado no mês passado pelo pedido de exoneração de Fernanda Richa do cargo de secretária da Família e Desenvolvimento Social. A primeira-dama foi engrossar a campanha de Luciano Ducci, principalmente, nos bairros. Essa é a segunda baixa para Richa, já que o secretário de Indústria e Comércio, Ricardo Barros (PP), também pediu licença e foi cuidar das campanhas em Maringá e Londrina, depois de ter sido acusado pelo MP por irregularidades em licitação na Prefeitura de seu irmão, Silvio Barros.

Nem bem começou a esquentar a campanha à Prefeitura e o candidato à reeleição em Curitiba, Luciano Ducci (PSB), foi acusado de usar a máquina pública para se autopromover. Foram feitas filmagens da pavimentação do Comitê eleitoral dele em Santa Felicidade, em que mostram máquinas e pessoal da Prefeitura fazendo a “má feitoria”. Outro caso já mostrado, desta vez postado por eleitor no Facebook é de um carro (com a logo encardida da Prefeitura), sendo usado como carro de som para cantar o nome de Ducci como o “carro dos sonhos”.

Troca

Alep

Dá o Plano, que dou o voto

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Tem deputado estadual usando seu voto para a eleição da Mesa Executiva, que ocorrerá no próximo mês (Outubro), para garantir um pé de meia na aposentadoria. Na Assembleia Legislativa rodou um abaixo-assinado para que o atual presidente da Casa, Valdir Rossoni (PSDB), assine o Plano de Previdência Parlamentar. No histórico do Plano, que se arrasta desde 2006, tem veto de ex-governador e falhas técnicas.

Divulgação

Everson Bressan

Gustavo Fruet


“Se o projeto da ponte estaiada fosse sério, com a introdução de dois ou três pilares, como podemos ver no Tarumã, deixaríamos de desperdiçar no mínimo R$ 50 milhões”

Fotos: Divulgação

Bate Pronto

criticou Rafael Greca (PMDB)

“Ele pode questionar a obra em si, mas não o dinheiro, que é carimbado pelo PAC da Copa. [...] É demagogia ou desinformação de Greca” rebate Luciano Ducci (PSB)

Muda a cara das eleições

IML mais morto que vivo

Ao que tudo indica, além de mais mulheres se candidatando, elas representam também a figura do eleitor médio neste pleito em Curitiba. Formado por mulheres entre 45 e 59 anos de idade, que tenha o Ensino Médio completo e sejam moradoras da zona Sul. Isso porque as eleitoras representam 54% dos votos na Capital paranaense. Outro dado interessante é que houve aumento da escolaridade entre os eleitores de modo geral. Esse fator pode mudar a cara destas eleições municipais. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Estrutura física sucateada, verba insuficiente e condições de trabalho inadequadas. Estes foram alguns pontos críticos levantados no mês passado pelo pessoal do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) sobre o Instituto Médico Legal (IML). O Instituto já foi alvo de muitas críticas e problemas. Só neste documento foram feitas mais de 40 recomendações. Em menos de dois meses, a Secretaria de Segurança Pública (Sesp), responsável pelo IML terá de apresentar ao TCE um plano de ações. A rede do IML compreende 18 municípios do Paraná, incluindo, claro, a Capital.

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matéria de capa

Cidade teste

Marcas e empresas continuam escolhendo Curitiba para lançar seus produtos; exigência do público é destacada por estrategistas

N

Mariane Maio mariane.maio@revistames.com.br

ão é de hoje que marcas escolhem a Capital paranaense como mercado para testar seus produtos nacionais. “É o nosso teste de tortura. Se foi para Curitiba e passou, a gente pode confiar nos dados. Realmente, é um mercado muito ácido”, confirma a gerente de Inovação da Heineken, Ligia Patrocínio. Essa mesma estratégia foi utilizada por outras empresas em que ela trabalhou. Já o economista e reitor da Universidade Positivo (UP), José Pio Martins, pondera e diz que essa afirmação não

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pode ser generalizada. “Isso era conversa lá dos anos 80. Há duas Curitibas: uma que é essa Curitiba europeia e há uma Curitiba que é resultado do êxodo rural. Nós tivemos dois êxodos no Paraná, o êxodo rural, a população saiu da zona rural e veio para a cidade e o êxodo urbano que foi o esvaziamento de cidades pequenas do interior do Estado, que levaram ao inchaço da Capital”, diz. No entanto, a máxima continua sendo válida se houver segmentação do público-alvo, na visão de Martins. “Se não segmentar, é parcialmente válida”. Apesar disso, a cidade preservou essa característica por ser “uma

cidade que talvez tenha demorado mais para se misturar. E, por isso, que Curitiba ficou com essa marca de servir para os testes, porque ela tinha essa característica que era única”, atesta Martins. “Comparativamente a outras capitais do País, acho que ela é uma das mais ‘puras’. Curitiba ainda tem essa preservação”, ressalta Ligia. Essa imagem cultural da cidade parece continuar rondando as mentes dos marqueteiros de plantão de marcas. Só em 2012, diversas marcas escolheram Curitiba para lançar seus produtos e filiais antes de outros mercados no País.


Divulgação

Classes em destaque Levando em consideração essa segmentação do público, as classes mais altas (A e B) são as que mais têm chamado à atenção das empresas para investimentos na cidade, por conta do seu poder de compra e o aumento da fatia do mercado curitibano.

Banco de imagens

Dados do relatório “Informações Socioeconômicas”, da Agência Curitiba de Desenvolvimento S/A, órgão ligado à Prefeitura, mostram que em 2011, a Classe A, na cidade, correspondia a 20,34% da população, enquanto a classe B era de 12,65%. A Capital é ainda “a segunda do Brasil com maior concentração de domicílios classe A do País”. É o que afirma o diretor e vice-presidente da empresa Moss Para Casa, Felipe Schultz. A loja da marca, recém-inaugurada na cidade, é uma das que apostou no potencial curitibano para iniciar seus investimentos por todo o País. “A Moss é um projeto de 12 lojas para o Brasil, a primeira é em Curitiba”, conta Schultz. Ele explica que a cidade foi escolhida por dois motivos: “foi eleita a primeira praça, porque a fábrica é daqui e porque é o grande mercado teste do País. Você conseguindo lan-

participação das classes na população de curitiba - 2011 20,34%

classe a

67,01%

demais classes Fonte: Grupo Soifer

12,65%

classe b

Loja da Tiffany no Shopping Cidade Jardim (SP); em março de 2013, Curitiba deve ganhar a sua loja, a primeira do Sul do País

çar bem lançado em Curitiba e fazer com que dê certo – porque o público aqui é muito exigente – tem condição de replicar isso para o restante do País, com segurança”.

Quem também está ganhando dinheiro e tornando-se o foco das empresas são os jovens

Grandes Marcas A constatação não é exclusiva da Moss, que fabrica mobiliário sob medida de alto padrão. “Grandes marcas fazem os seus lançamentos de laboratórios em Curitiba pela exigência do público consumidor”, garante o vice-presidente. Este é o caso também da famosa marca mundial de joias, Tiffany. Depois de 11 anos operando no Brasil, com apenas três lojas (duas em São Paulo e uma em Brasília), a marca resolveu ampliar os negócios e optou pela Capital paranaense. “Estamos no mo-

mento de expansão, com abertura já anunciada de duas outras lojas, uma em Curitiba e uma no Rio”, detalha Luciana Marsicano, diretora geral da Tiffany & Co. no Brasil. A loja será a primeira do Sul do Brasil. A escolha procurou aliar o potencial oferecido pela cidade e pelo estabelecimento em que a loja será instalada. “Além dos nossos estudos de potencial de mercado, a gente tem de agregar um olhar para projetos de luxo que tenham sinergia com a nossa marca. O que a gente identificou em Curitiba? Um potencial enorme de classe A, aliado a um projeto que foi apresentado pelo Pátio Batel, que é muito diferenciado. É realmente um dos melhores projetos de luxo do Brasil”, diz. Apesar de não revelar esses estudos, por fazer parte da estratégia de negócio, Salomão Soifer, empreendedor do Pátio Batel, garante que a sustentação não se baseou apenas em números. “Em outros aspectos que fogem da esfera econômica, passam pela proposta do empreendimento e especialmente por critérios como confiança, REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012 | 17


Batel, o bairro nobre da cidade 78,7%

População

64,7%

CURITIBA

21,3% Batel

CURITIBA

Renda

35,3% Batel

Fonte: Grupo Soifer

solidez e imagem. Nesse contexto, podemos dizer, por exemplo, que nossa região de influência primária [no bairro Batel] concentra 21,3% da população da cidade e 35,3% da renda. A combinação desses dois fatores representa muito, porque, por exemplo, temos em nossa área de influência 410,9 mil pessoas”. (Veja no box) Essas informações são valiosas e fazem com que Curitiba seja uma ci-

Divulgação

matéria de capa dade promissora para o mercado de luxo. “Curitiba é uma cidade com alta renda per capita, classe média solidificada e um expressivo número de habitantes no topo da pirâmide. Estes fatores são preponderantes para a atratividade e o bom desempenho de marcas de luxo”, afirma a MCF Consultoria, especializada no mercado de luxo. O crescimento desse setor no ano passado esteve entre 17% e 23%, segundo dados preliminares da pesquisa “O Mercado de Luxo-Ano VI”, que está sendo realizada pela MFC Consultoria em parceria com a Gfk Brasil, e foram obtidos com exclusividade pela Revista MÊS.

A Cerveja Desperados, da Heineken, chegará ao mercado curitibano em outubro para testes

Curitiba e São Paulo, mais um rótulo de suas cervejas, a Desperados.

De olho nos mais jovens

“O Brasil é o primeiro país da América Latina a ter o produto. Estamos pegando duas cidades que representam as características da marca. A Desperados é uma cerveja cosmopolita, jovem, de pessoas que gostam de sair na balada, fazer ‘esquenta’. Então, eu tenho de estar em São Paulo, que é a cidade que mais representa isso no País e, ao mesmo tempo, eu quero aprender em Curitiba. Curitiba possui um público extremamente mais crítico, é usado como uma cidade teste não só para cerveja, como em outras

Quem também está ganhando dinheiro e tornando-se o foco das empresas são os jovens. Segundo o estudo “Os Emergentes dos Emergentes”, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 2011, 13,64% dos jovens entre 20 e 24 anos pertenciam as classes A e B. Já entre os de 25 e 29 anos este número era ainda maior, com 18,83%. Pensando nesse grupo exponencial, a marca Heineken lançará no próximo mês, apenas nas cidades de

Por onde anda a classe A de Curitiba?

18 | REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012

nais e de serviços que não existia. Os produtos e serviços no Brasil foram se adaptando a atender a essa nova classe que cresce hoje muito, todos os dias”, explica Bruno Pamplona, CEO da empresa curitibana The Royal Group, focada em entretenimento e luxo. A prova dessa mudança é a cartela de clientes da empresa. “Oitenta por cento dos nossos clientes [de 2 mil] são emergentes. Adquiriram determinado patrimônio nos últimos 24 meses”, conta. Segundo ele, os objetos de consumo são: “homem compra barco, avião, importa carro. Mulher decide o roteiro de viagem e busca produtos únicos,

Jorge Mariano

Com as significativas mudanças recentes da pirâmide social brasileira, os gostos e padrões de consumo da população também estão diferentes aqui em Curitiba e diversas cidades do País. Antes hábitos exclusivos das classes mais altas, agora acessíveis à nova classe média. “Você tem a classe D que adquiriu renda e virou classe C. A Classe C adquiriu renda e virou classe B. O B hoje está com uma renda tão alta que está quase se tornando, e muita gente se tornou milionária. Ao passo que essas pessoas da classe B migraram para a A, isso criou um novo mercado no Brasil de marcas internacio-


crescimento das classes sociais (AB) Ano 20 a 24 anos 25 a 29 anos 2003

8,28%

10,98%

2004

8,61%

11,62%

2005

9,17%

12,86%

2006

10,26%

14,07%

2007

10,94%

14,46%

2008

12,07%

16,1%

2009

12,08%

16,47%

2010

13,61%

18,34%

2011

13,64%

18,83%

-Skol. Com nove mil estabelecimentos cadastrados entre Curitiba, Região Metropolitana e Litoral, o aplicativo, que pode ser utilizado em computadores on line, smartphones e por SMS, é um guia de locais que vendem a marca. Os estabelecimentos são ranqueados por proximidade do solicitante e preço.

categorias”, comenta Lígia Patrocínio, que também conta que as duas cidades representam mais de 50% de todo o volume de cervejas premium comercializadas no Brasil.

Alguns fatores fizeram com que a cidade fosse escolhida para testar o aplicativo, que será exclusivo para Curitiba até pelo menos o mês que vem. “Pela força da marca, estamos falando de uma marca com 35% do mercado. É uma capital que a gente tem um serviço de 3G bem acima da média do Brasil. E a gente acredita que é uma cidade mais desenvolvida que a grande média. A gente levantou também a aderência a promoções de digital. A gente teve bons resultados quando fez algumas outras ações”, conta Oscar Sala Neto, gerente de preço da Ambev.

Outra grande marca que lançou um novo produto em Curitiba é a Skol. Responsável por 35,23% do mercado de cerveja na Capital, a Skol escolheu a cidade para apresentar seu novo aplicativo na internet, o GPS-

Essa aderência ao meio digital foi comprovada por números. No site da marca, 126 mil acessos por mês são dos curitibanos. Quando o assunto é a rede social Facebook, a Capital paranaense é responsável por 6% dos fãs

Fonte: FGV

“Elas têm um patrimônio, não querem parecer com as outras, querem ser exclusivas”, garante Pamplona

joias, artigos personalizados, moda”, diz Pamplona, que conta hoje com 90% dos clientes homens entre 35 e 50 anos. Independentemente do que buscam, a exclusividade é algo muito almejado neste mercado. “Elas têm um patrimônio, têm dinheiro no banco, têm dinheiro investido e não querem parecer com as outras, querem ser diferentes, querem ser exclusivas. Hoje frequentar um aeroporto se tornou algo rotineiro para muita gente, e elas não querem”, diz. Para resolver essa situação, muitos optam por comprar aeronaves ou mesmo fretar. “A compra compartilhada, hoje você consegue juntar dois, três,

da marca, um total de 108 mil pessoas. “Quando comparamos com a base de 1.019.460 usuários de Facebook com mais de 18 anos, vemos que temos uma grande oportunidade na praça”, completa. Os produtos culturais parecem estar na mesma tendência de consolidar essa imagem de Curitiba como público teste. Uma mostra disso foi o Festival de Teatro de Curitiba, realizado em março e abril deste ano, em que dos 29 espetáculos da Mostra principal, oito foram estreias nacionais, como a peça “Escravas do Amor” da companhia carioca “Os Fodidos e Privilegiados”, em comemoração ao centenário de nascimento do dramaturgo Nelson Rodrigues. Assim, também, Curitiba foi teste do primeiro show da cantora Marisa Monte na turnê “Verdade Uma Ilusão”, em junho. No entanto, essa posição não é compartilhada por todos. O ator e diretor João Luiz Fiani tem outra opinião. “Isso já aconteceu no passado, mas eu acredito que era muito mais por interesse de receber apoio financeiro, do que por Curitiba ser um termômetro [...] Acho que isso caiu por terra.”

quatro, cinco, dez amigos por dia e comprar um barco, uma aeronave. A compra compartilhada é o cara que talvez tenha poder para comprar sozinho, mas não arrisca tanto.” A busca por uma experiência extraordinária é algo rotineiro na vida das pessoas mais ricas e, de acordo com Pamplona, pouco importa o valor que vai custar. “Se é para ir daqui até São Paulo, Rio de Janeiro, eu não quero mais ir de companhia aérea, então vou juntar meus amigos e vou fretar um avião. Talvez eu não tenha fôlego para comprar uma aeronave, mas eu posso fretar”, diz.

REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012 | 19


política

Câmara de Curitiba não aumentará o número de vereadores

PR elegerá mais vereadores que em 2008 Levantamento realizado pela MÊS mostra que das 10 maiores cidades do Estado, apenas 4 continuarão com a mesma quantidade

N

Mariane Maio mariane.maio@revistames.com.br

a primeira eleição em que estará valendo a Emenda Constitucional 58/2009, serão eleitos mais 5.070 novos vereadores no País, segundo dados da União dos Vereadores do Brasil. No Paraná também haverá mudanças no Legislativo Municipal. Levantamento realizado pela Revista MÊS mostra que entre as dez maiores cidades do Estado, seis terão aumento no número de vereadores no próximo dia 07 de outubro. Segundo a emenda, a Capital poderia passar dos atuais 38 vereadores para,

20 | REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012

no máximo, 39. A segunda maior cidade do Estado, Londrina, que conta com 19 vereadores poderia ter até 23. A vizinha Maringá, que tem 15, também poderia chegar a 23. Apesar da possibilidade, estas três cidades preferiram não alterar o quadro atual. Foz do Iguaçu, que conta com 15 vereadores e pela lei poderia ter até 21, também irá permanecer sem mudança. Já Guarapuava será a cidade com maior aumento no número de vagas dentre as pesquisadas. Atualmente com 12 vereadores, a cidade passará a ter 21 na próxima legislatura. Um aumento de 175%. Também passarão a ter 21 vereadores as cidades de Casca-

vel, São José dos Pinhais e Colombo, que contam atualmente com 15, 14 e 13 vereadores, respectivamente. Paranaguá passará dos atuais 11 para 17.

Distorções Essa mudança, prevista em lei, acabou causando certa desproporcionalidade nas câmaras do Estado, porque cidades com pouco mais de 200 mil habitantes, como é o caso de Colombo, terão mais vereadores que Londrina, por exemplo, que tem mais que o dobro do número de habitantes. Para o especialista em Direito do Estado e membro da Comissão de Direi-


A mudança nas 10 maiores cidades do Paraná Nº DE Nº DE Nº DE Nº MÁXIMO % DE CIDADE HABITANTES VEREADORES VEREADORES DE VEREADORES AUMENTO (2012) (2013) PELA EMENDA Curitiba Londrina Maringá

1.751.907 38

506.701 19

357.077 15

Ponta Grossa* 311.611 15 Cascavel*

286.205 15

São José dos Pinhais* 264.210

14

Foz do Iguaçu 256.088 15

Colombo* 212.967 13 Guarapuava* 167.328 12

19

15

39

0%

25 0%

23 0%

23

23 153,3%

21

21

21

21 161,5%

17

19 154,5%

21

15

21

21 140%

21

150% 0%

21 175%

Fonte: Assessorias de Comunicação das Câmaras Municipais Cidades que aumentaram o número de vereadores

*

to Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR), Thiago Paiva dos Santos, isso faz parte da autonomia municipal.

Arquivo Pessoal

Roberto Dziura Jr.

Paranaguá* 140.469 11

38

“Esse limite estabelecido na Constituição pode gerar distorções. Você tem de contar com a razoabilidade dos legisladores municipais. Neste caso, ele legisla em benefício próprio. Não faz sentido um município com 50 mil ou 80 mil habitantes com 15 vereadores e um município de 300 e tantos mil habitantes, como Ponta Grossa, com os mesmos 15 vereadores. Mas não necessariamente acho que deveria elevar o número a 23, que é o teto máximo”, diz o especialista em Direito Eleitoral, Fernando Matheus da Silva.

No Brasil, o aumento de cadeiras no Legislativo Municipal é de 5.070

Críticas Outra crítica gerada com a aplicação da Emenda é o possível aumento do custo das Câmaras Municipais. Essa teoria, porém, foi descartada por am-

“Se nós temos um maior número de representantes e isso não vai onerar mais o contribuinte, é melhor para o cidadão”, diz Santos

bos os especialistas. “Isso é uma falsa verdade. Porque a despesa que a Câmara tem em relação ao seu orçamento varia de acordo com o número de habitantes. Então, se a Câmara aumentar o número de vereadores, a quantidade de dinheiro que vai ter de repasse do município é a mesma”, explica Santos.

“Em alguns casos você aumenta o número de vereadores e vai ter de diminuir o número de assessores”, completa Silva. Para ele, a principal preocupação que o eleitor deve ter é se os vereadores eleitos estão cumprindo suas funções. “Poucas são as Câmaras que exercem de fato o papel que lhe é outorgado. E o déficit maior não é o Legislativo na quantidade de normas que são aprovadas e sim no que diz respeito à fiscalização ao Poder Executivo”, alega. Santos vê pontos positivos nessa medida. “Se nós temos um maior número de representantes e isso não vai onerar mais o contribuinte, porque o repasse vai ser o mesmo, é melhor para o cidadão, que vai ter mais representantes cumprindo teoricamente a função”. Mas o critério de discussão para a ampliação de cadeiras para vereadores deveria ser mais objetivo, afirma Silva. “De distribuição geográfica para fins de representação. E não simplesmente vou elevar ao máximo para facilitar minha próxima eleição, que não necessariamente acontece. Você aumenta o número de vagas e, consequentemente, aumenta o número de candidatos.” REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012 | 21


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22 | REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012


sobre a política

Sobre a Justiça Eleitoral

Por Tiago Oliveira tiago@revistames.com.br

A quase totalidade dos juízes que assumem o eleitoral não vive esse ramo do Direito nos outros períodos de sua atuação como magistrados A título de salvo conduto afirmo de antemão que sequer sou iniciado nas letras jurídicas. Contudo, quero aqui traçar uma leitura de quem acompanha de dois em dois anos o trabalho da Justiça Eleitoral brasileira. Como estamos em ano de eleições municipais, vou me ater à atuação da Justiça Eleitoral à luz de conversas mantidas com coordenadores e marqueteiros de campanhas a prefeito. Primeiro é importante destacar que a quase totalidade dos juízes que assume o eleitoral não vive esse ramo do Direito nos outros períodos da carreira. Isso gera, invariavelmente, equívocos de interpretação da legislação, que prejudica sobremaneira as campanhas. Não estou falando aqui de decisões que busquem privilegiar este ou aquele candidato, não. São decisões que valem, erroneamente, para todos. Ouvi uma frase de um advogado que milita no Direito Eleitoral, que sintetiza bem o problema que pode causar uma decisão ou uma não decisão de um juiz eleitoral: “um dia em uma ação eleitoral representa seis anos em uma ação na Vara de Fazenda. Ou seja, para o sim ou para o não, toda a decisão tomada em questões eleitorais são de difícil reversão da perda”. Um dos pontos que causam muitos problemas às campanhas é a interpretação da legislação no caso das inserções de televisão. A lei fala em trucagem. Mas há decisões em diversas comarcas Brasil afora que uma simples animação de uma letra entrando no comercial já foi motivo para retirada do ar e punição da candidatura com perda de outras inserções a que teria direito.

O juiz não sabe e não tem obrigação de saber, é claro, qual a diferença entre trucagem e animação gráfica. E o Tribunal Superior Eleitoral não normatiza isso. Não torna uniforme esta interpretação que nada tem de livre interpretação do juiz de primeira instância, pois trata-se de uma definição técnica e de uma área na qual o magistrado não tem o menor conhecimento. Isso gera uma realidade, por exemplo, em São Paulo vemos comerciais com um grau de incidência das animações e, em Curitiba, não há a permissão de uso de qualquer ferramenta deste tipo. Caberia, em minha opinião, ao TSE regulamentar isso. Mostrar que trucagem é aquilo que tenta falsear a realidade levando o eleitor a ter construída uma realidade. Isso é muito diferente de se animar uma letra ou um elemento gráfico. Fala-se nos tribunais que não se pode usar computação gráfica. Ora, com a captação e edição em meio digital tudo é computação. Acabou a celulose nas produções de TV. Tudo hoje é digital. Penso que se caminhássemos para que a Justiça Eleitoral tivesse seus quadros mais permanentes, em que juízes e demais operadores se dedicassem apenas a isso, poderíamos ter mais unidade e qualidade nas decisões futuras. As campanhas seriam mais baratas e teríamos mais espaço para o debate democrático e menos para filigranas que agradam aos escritórios de advocacia, mas não estimulam a consolidação da nossa ainda tão jovem democracia. REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012 | 23


cidades

A doença da Saúde de Curitiba Faltam vagas em leitos de UTIs; Prefeitura diz que o número é proporcional à população da cidade, mas admite que não consegue atender a todos os casos Mariane Maio mariane.maio@revistames.com.br Colaborou Iris Alessi iris.alessi@revistames.com.br

E

m véspera de Eleições Municipais, áreas fundamentais na cidade costumam ficar em evidência. As principais delas foram apontadas pelos moradores de Curitiba em pesquisa realizada em julho pelo Instituto DataFolha. A área mais preocupante, sob o ponto de vista da população curitibana,

24 | REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012

segundo o levantamento, é a Saúde. Quase metade dos eleitores da Capital paranaense (45%) considera que a prioridade do próximo prefeito deve estar nesta área. Trinta e sete por cento dos entrevistados disseram que este é o principal problema da cidade. Por isso, a equipe da MÊS saiu à campo para saber o que mais aflige a população quando o tema é Saúde. Dentre alguns problemas observados, o que mais chamou a atenção foi a falta de leitos de UTIs disponíveis na cidade.

Caso do músico A falta de leitos de emergência pode ter sido um dos motivos que levou a morte do músico Emerson Antoniacomi (40), no dia 17 de maio. Seu irmão e também músico, Anderson Antoniacomi, conta que ele estava ensaiando, passou mal e desmaiou. Na hora, o sócio de Emerson ligou para o Samu e ele foi encaminhado ao Centro Municipal de Urgências Médicas (CMUM), do bairro Boa Vista. Era cerca de 21h do dia 15 (terça-feira). “Chegando lá, eles disseram que ele teve um AVC e que precisaria de uma cirurgia de emergência dentro de duas ou três horas. Então, ele entrou na fila do leito, de uma vaga na UTI”, lembra.


Roberto Dziura Jr.

Banco de imagens

Nestes casos, o encaminhamento do paciente para um pronto-socorro deveria ser imediato, pois os cuidados necessários têm de ser tomados o mais rápido possível. É o que afirma o presidente da Associação Médica do Paraná (AMP), João Carlos Gonçalves Baracho. “Nesse caso específico não necessitaria só uma UTI. Teria de ter, além disso, centro cirúrgico disponível, tomografia cerebral disponível. [...] O que denota que talvez Curitiba e Região Metropolitana precisem de mais prontos-socorros, de estruturas que consigam dar além do que o CMUM tem para dar. E o CMUM ficasse de estrutura de suporte a casos não tão graves.” A família do músico afirma ter tentado de todas as formas conseguir esta vaga, até mesmo em UTIs particulares, mas os esforços não foram suficientes. Apenas na quinta-feira pela manhã, trinta e sete horas após ter dado entrada no CMUM é que ele conseguiu a vaga no Hospital Angelina Caron. No mesmo dia, a família recebeu a informação de que ele havia falecido. A assessoria de imprensa da Prefeitura de Curitiba disse que não irá se pronunciar oficialmente sobre o caso. “Como está envolvendo CRM, tem essa questão toda sendo apurada. A Secretaria [Municipal de Saúde] não vai fazer nenhum comentário sobre o atendimento deles, porque isso está sendo objeto de avaliação.”

Curitiba tem 179 leitos adultos, 47 pediátricos e 66 neonatais

Dias de espera Outro paciente que também sofreu com essa espera de uma vaga foi Carlos Rogério Schlosser (54). Ele foi internado no dia 13 de agosto no CMUM do bairro Boqueirão e ficou por lá ao menos uma semana. O relato

Anderson Antoniacomi é irmão do músico que teve um AVC e ficou 37 horas aguardando vaga de UTI

de Patrícia Schlosser, filha de Carlos, dá conta de que desde que chegou ao CMUM foi informada pelos médicos de que ele precisava de uma vaga de UTI. Apesar disso, Patrícia garante que esta transferência foi feita apenas no dia 22, ou seja, nove dias depois. Coincidência ou não, foi exatamente dois dias após a reportagem da Revista MÊS entrar em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Curitiba para saber sobre a situação deste paciente. Já a assessoria de imprensa da Prefeitura garante que este prazo foi menor. A informação repassada pelo órgão público é de que este paciente foi transferido para o Hospital Cajuru ainda no dia 20. “Quando a pessoa chega à unidade de saúde, você tem um quadro. De repente evolui de uma maneira diferente, ou a pessoa melhora ou tem uma piora. O fato dele ter chagado lá em um dia e ter sido internado oito dias depois, não significa que ele estava esperando vaga. [...] a informação que a gente tem é que o paciente foi transferido em tempo

hábil de acordo com o quadro clínico dele”, afirma a assessoria.

Problema X Solução O relatório de gestão da Secretaria de Estado de Saúde do Paraná mais atualizado (2007) aponta que a 2ª Regional de Saúde, que abrange Curitiba e mais 28 cidades, tinha 390 leitos de UTI, sendo 255 adultos, 59 pediátricos e 76 neonatais. Desses, 179 leitos adultos, 47 pediátricos e 66 neonatais estão na Capital. A cidade tem ainda 60 unidades de cuidados intermediários neonatais convencionais e 15 de cuidados intermediários adultos. Estes últimos números são do CNESNet, sistema do Ministério da Saúde. A Secretaria de Saúde não diz se existe um déficit em relação ao número de vagas e nem o número de pacientes que precisa de vagas em leitos atualmente, mas admite que existe uma procura maior do que a estrutura oferecida. “A área de internamento de urgência sempre tem [fila], principalmente, de acidente de trânsito, REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012 | 25


cidades questão envolvendo violência, competem muito com os internamentos de outra natureza. Isso não é uma coisa de Curitiba. É comum nas cidades grandes”, informa a assessoria do órgão.

Roberto Dziura Jr.

Doutor José Joaquim Gomes Canotilho, é jurista português e considerado um dos nomes mais relevantes do Direito Constitucional da atualidade. Ele falou sobre os direitos básicos de um cidadão. Um deles é a Saúde.

Opinião Na sua visão, não existe dinheiro para garantir os direitos fundamentais ou este dinheiro tem sido mal empregado, como na Saúde? Aquilo que está no orçamento não tem sido utilizado para direitos econômicos, sociais e culturais. Portanto, não é falta de dinheiro, é não aplicar no que deve ser aplicado. Em outras questões, é assumirmos a sério, ou não, o problema do Estado Social. Quer dizer, o Estado Social não é apenas um estado de solidariedade. É um Estado que tem políticas ativas de redistribuição de rendimentos que se refletem nas prestações sociais, de saúde, serviços de ensino, serviços de creches e também nos mecanismos compensatórios, porque o problema hoje da sociedade moderna está na imensa expressão da libertação pelo conhecimento. As Políticas públicas são uma forma de evitar o retrocesso social? Dê exemplos de políticas que podem ser aplicadas. Claramente e, sobretudo, políticas públicas integradas. Basta dar um exemplo de uma política pública: a política pública de família. Porque senão o que temos são pessoas abandonas nos hospitais, os países envelhecendo, é não ver filhos, é termos dimensões caricaturais na constituição da proteção da procriação médica assistida. Não é nos quarenta anos que nós vamos resolver o problema demográfico, é quando as pessoas estão jovens e estão em idade reprodutora. Isso implica numa política pública de família integrada e distributiva. Isso implica em creches, isso implica em outros serviços, mas tudo isso é o que um país pode fazer. Brasil ainda não sente isso, Portugal está a sentir profundamente isso. E as consequências depois são absolutamente dramáticas, se é cada geração que paga as aposentadorias da geração anterior. Os problemas são assim, é que não é muito evidente aqui, mas em Portugal já é.

26 | REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012

De acordo com a Secretaria, a quantidade de leitos é proporcional à população de Curitiba. “A questão que bate muitas vezes é a chegada de pacientes de fora, que não vêm pela Central de Leitos.” Esse aspecto também é destacado pelo presidente da Associação Médica do Paraná. “A gente percebe que o pronto-socorro do Evangélico, Cajuru e Hospital do Trabalhador são os que dão atendimento à urgência e emergência, mas estão praticamente esgotados na sua capacidade de absorver pessoas que vêm de Curitiba e da Região Metropolitana, do Estado como um todo. [...] São vários os dias que a gente vê os prontos-socorros com esgotamento da sua capacidade de absorver os doentes. Mesmo que você atenda no pronto-socorro, você não tem o suporte de leitos suficientes para dar o suporte depois que você tirou da situação de risco”, diz. Para o médico, o perfil da cidade mudou. “Não dá mais para pensar Curitiba em uma cidade próxima de dois milhões de habitantes, são os habitantes de Curitiba e toda a Região Metropolitana. Teria de ter um pensamento unificado talvez de uma proposta metropolitana de integração.” A Prefeitura destaca os esforços que têm sido feitos nesta área. “Existência do projeto do Pronto-Socorro Norte [previsto para 2014]. Nesse ano, começou a funcionar o Hospital do Idoso, que são 141 leitos a mais.”

Participe Qual a sua opinião sobre a Saúde em Curitiba? Mande para leitor.mes@revistames.com. br . Sua mensagem poderá ser publicada na próxima edição.


REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012 | 27


economia

Trabalho de mais de três meses para colocar o Pietra Nail Bar em pé

Nascem mais empresas Até abril deste ano, o Paraná abriu mais de 34 mil novos negócios, segundo pesquisa do Empresômetro

N

Iris Alessi iris.alessi@revistames.com.br

este ano, o Brasil atingiu a marca de um milhão de novos empreendimentos em 30 de julho, antecedendo em 32 dias a marca de 2011. Os números são do Empresômetro, Cen-

28 | REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012

so das Empresas e Entidades Públicas e Privadas Brasileiras, realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Estratégico (IBPT). De janeiro a abril, no Paraná, nasceram 34.230 novas empresas, um montante 5,95% maior que o mesmo período de 2011, ficando em 5º lugar entre os estados. O tipo de entidade jurídica com mais novos empreendimentos no País foi os micro empreendedores individuais (MEI). Dados da Junta Comercial do Paraná (Jucepar) apontam que até

junho foram criados 26.470 novos negócios no Estado, porém não são registrados os microempreendedores. Já em relação à mortalidade das empresas, o Brasil também melhorou, mas o Paraná ficou abaixo da média nacional. Números da Taxa de Sobrevivência das Empresas no Brasil, do Sebrae, revelam que entre empresas constituídas em 2006 e que sobreviveram até 2009, a taxa foi de 73,1%. Entre os setores que tiveram as melhores médias foi a Indústria (75,1%)


Jorge Mariano

e o Comércio (74,1%). A região Sul (71,7%) e o Paraná (69,7%) ficaram com índices inferiores que a média no País, porém, o Estado teve uma evolução de 1,1% em relação às empresas constituídas em 2005.

No Paraná

O diretor de Planejamento e Gestão da Federação do Comércio do Paraná (Fecomercio), Dieter Lengning, também considera que os índices são influenciados pela conjuntura econômica em que o País vive, e sinaliza que momentos de abundância são comuns quando a economia está forte. É aí Roberto Dziura Jr.

Roberto Dziura Jr.

Para o presidente da Jucepar, Ardisson Naim Akel, é interessante sempre considerar o cenário global, sendo que neste momento a economia brasileira está mais para o patamar de estagnação. “Nesse contexto, a gente pode dizer que a economia do Paraná está indo bem. Nós temos verificado uma redução do crescimento nos índices de abertura de empresas, mas de qualquer maneira há abertura de empresas”, comenta. Isso revela que há otimismo entre parte do empresariado paranaense.

Gestão

Nathalia da Endossa: empresa sobreviveu os dois primeiros anos, os mais difíceis

que também crescem as empresas de pequeno porte. “No Estado do Paraná, mais de 98% são micro e pequenas empresas que hoje já têm um perfil muito diferente da época em que elas foram concebidas”, afirma Lengning.

Paraná teve uma taxa de 69,7% de sobrevivência das empresas constituídas em 2006 até 2009 O empreendimento de Pietra Juglair (24), o Pietra Nail Bar, é um destes novos negócios. Há pouco mais de dois meses no mercado, Pietra trabalhou por cerca de três meses para colocar a ideia em prática. “Eu achei um ponto e tinha de ser aqui e eu acabei acelerando muita coisa, mas mesmo assim em três meses foi um tempo bem curto para colocar tudo em prática”, revela Pietra.

Planejamento Lengning ressalta que planejamento é fundamental para um negócio prosperar

período mais difícil. Lengning aponta três fatores que fazem com que a empresa se desenvolva. O primeiro desses fatores é o nível educacional do empreendedor, que engloba conhecimento de gestão e do próprio negócio. O segundo aspecto é o investimento em planejamento estratégico. “Planejamento de negócios é fundamental”, salienta. O terceiro é o fator econômico. Os empreendedores, muitas vezes, planejam e gerem mal o seu dinheiro.

Para transformar a ideia em negócio é preciso planejamento, que serve também para que o negócio prospere nos dois primeiros anos, considerado o

Essa batalha dos dois primeiros anos foi vencida pela Endossa, loja inaugurada em Curitiba em junho de 2010. Depois do processo de abertura da loja, que levou mais de seis meses, hoje a sócia Nathalia Anring (30) considera que o negócio só está melhorando. “As vendas em relação ao ano passado melhoraram 100%, então a gente está vendo uma linha de crescimento bem grande”, conta. A Endossa tem fugido do maior causador da mortalidade das empresas, apontado pelo sócio presidente do Banco BVA, Ivo Lodo, que é a perda do foco e inadequação do mercado no provimento de capital para as empresas. “Manter a empresa viva depende agora de uma qualificação administrativa de gestão”. Hoje, também há diversas estruturas que dão suporte ao empresário e o ajudam a entender os riscos. Esse fator pode ser consequência também de outro grande desafio atual pelo qual as empresas sofrem. A escassa mão de obra qualificada. A mão de obra foi considerada por Nathalia quanto por Pietra, uma parte delicada, pois elas precisavam de pessoas com qualificação em seus negócios e nem sempre é missão fácil de cumprir. “Para o empresário conseguir absorver essa mão de obra, essas pessoas têm que vir pelo menos com uma razoável qualificação mínima vinda dos bancos escolares”, pondera Lengning. REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012 | 29


agropecuária

A espécie cultivada no Oeste do Paraná é o gigante da malásia

Subproduto da represa Produtores de tilápia do Oeste do Paraná, em parceria com a UFPR, produzem camarões de água doce junto com os peixes; renda extra e melhoria na qualidade das águas

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Iris Alessi iris.alessi@revistames.com.br

á dois anos, seis produtores de tilápias dos municípios de Toledo, Maripá e Nova Santa Rosa estão produzindo mais do que peixes em seus viveiros. Em alguns tanques, as tilápias ganharam a companhia de camarões de água doce, técnica apresentada aos produtores após a instalação do curso de Aquicultura no campus de Palotina da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

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O professor e coordenador do projeto, Eduardo Luis Ballester, na época, observou o interesse dos produtores em trabalhar também com o cultivo de camarões, sem deixar de lado as tilápias. A maior dificuldade para esses aquicultores estava em adquirir a pós-larvas, a fase inicial desses animais. Foi aí que vingou uma parceria entre produtores e universidade. Trata-se de um projeto de extensão no qual os produtores participam de um curso básico de produção de camarão

em cativeiro. Caso haja interesse do produtor, a universidade faz a ponte para a aquisição das pós-larvas e dá o suporte técnico. “A gente vai pelo menos uma vez por mês para monitorar o crescimento e está sempre disponível para tirar as dúvidas. Eles têm muito conhecimento da parte de peixe. Camarão é um pouquinho diferente, ele fica mais no fundo, então a gente passa para eles alguns cuidados que têm de ter a mais no período da produção,


Experiência local

Claudia Bonatti

O produtor de tilápias de Palotina, Edmilson Zabott, que cultiva os peixes numa área de cinco hectares e meio de lâmina d’água, está satisfeito com o resultado obtido até agora. Na última safra, ele trabalhou em apenas um de seus tanques. O sucesso não é contabilizado somente em cifrões, mas em outro aspecto importante para esses produtores. “É um projeto que está dando certo, principalmente, para nós nessa área de criação de tilápias. É onde o camarão veio agregar um valor na qualidade da água, melhor para o cultivo da tilápia”, salienta o produtor.

aquisição das pós-larvas, cujos valores variam entre R$50 e R$100 o milheiro. Além disso, é preciso preparar o viveiro e também a compra dos produtos de abate que é feito com gelo e água sanitária.

“É um projeto que está dando certo”, afirma Edmilson Zabott Mesmo com poucos recursos destinados a essa cultura, o valor agregado é grande. A venda desse camarão comercializado em Palotina diretamente para os consumidores gira em

torno de R$25 o quilo. “Assim que a gente entra realmente no processo comercial, é uma renda significativa, dá para se dizer que é comparada quase ao valor da própria tilápia”, revela Zabott, que espera produzir em um tanque cerca de dois mil quilos de camarão por safra. Camarão esse que se torna um subproduto de luxo nos tanques do Oeste paranaense e que, além de gerar renda extra aos produtores de tilápia, proporciona ainda aos moradores da região adquirir um produto de qualidade e fresco, já que a produção está sendo vendida regionalmente. Claudia Bonatti

principalmente, com a parte de fundo do viveiro”, explica o coordenador. Agora a UFPR trabalha pela construção de um laboratório de 300m² para a produção local das pós-larvas para atender essa demanda.

Isso foi possível, porque o camarão é um animal de fundo de represa e a maior preocupação dos produtores em cuidar dessa área refletiu na maior qualidade da água para ambas as culturas. Além disso, há um melhor aproveitamento da ração que é colocada, pois o camarão acaba consumindo a mesma ração do peixe. “A qualidade da água para a tilápia veio dar um rendimento de ganho, ou seja, a conversão alimentar de ração para carne aumentou mais de 30%”, completa Zabott.

Investimento Para produzir camarões em água doce, o investimento é baixo e o ciclo dura cinco meses, sendo que os meses mais frios não são cultivados. A ideia principal é que este sistema seja feito em policultivo juntamente com a tilápia, inclusive tendo início na criação no mesmo período dos peixes. Para isso, o maior investimento que o produtor precisará fazer será na

O camarão no Oeste Tipo: gigante da malásia (macrobrachium rosenbergii) Ciclo: 05 meses Produtores: 06 Municípios: Palotina, Maripá e Nova Santa Rosa Pós-larvas: a maioria do Rio de Janeiro Rentabilidade no policultivo: expectativa de produção 500kg/ha por safra

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educação

Experiência profissional na universidade Oportunidade de colocar em prática o conteúdo aprendido pode começar dentro da própria universidade, PR é destaque em empresas juniores

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Iris Alessi iris.alessi@revistames.com.br

empresa júnior Consultoria e Soluções em Engenharia Química (Conseq) foi recentemente classificada entre as 20 melhores do País em levantamento da Confederação das Empresas Juniores. É do curso de Engenharia Química da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Uma empresa paranaense que coloca em destaque a importância dessa ferramenta de ensino nas universidades. Ao lado dela está a Adecon, dos cursos de Administração, Ciências Eco-

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nômicas e Ciências Contábeis também da UEM, ao prestar serviços de consultoria. Também foi classificada a empresa Elo Consultoria do curso de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Sejam em empresas juniores, clínicas ou núcleos jurídicos, essas experiências de estágio durante a graduação são valiosos instrumentos para a formação dos jovens estudantes e ainda servem à comunidade na prestação de serviços. “É muito agregador para a formação, porque além de você colocar na prática o que aprende na teoria, [...] você

começa a trabalhar mais diretamente com o mercado. Você aprende muito a trabalhar com gestão”, afirma o presidente do Conseq e aluno do 4º ano de Engenharia Química, Estevo Vieira Meneguetti Hizo (22). Opinião compartilhada pelo coordenador do curso, Oswaldo Curty da Motta Lima. “Eles gostam bastante, porque eles começam a se sentir um pouco engenheiros”, diz. Já nos cursos das áreas da Saúde é possível aprender e atender pacientes reais durante a graduação, como faz o estudante do 8º período de Fisioterapia da Pontifícia Universidade


Alunos do curso de Fisioterapia da PUC-PR no atendimento ao motorista Antonio Silveira

to com o cliente”, conta a aluna do 8º período de Direito UniCuritiba, Natasha Kolinski Vielmo (21).

Dificuldades Mas, apesar do ganho, a dificuldade vem acompanhada pela falta de credibilidade no mercado. “Como somos acadêmicos, a sociedade ainda não enxerga a empresa júnior como realizadora de projetos por excelência”, completa Hizo. Já no caso dos alunos de Fisioterapia, o desafio está na insegurança ao abordar o paciente. “Porque, muitas vezes, você tem uma boa teoria, já estudou aquilo, tem o manejo, mas você fica um pouco receoso por se tratar de uma situação real, por se tratar de um ser humano”, salienta Pádua. Católica do Paraná (PUC-PR), Renan Ferreira de Pádua (20). Para o jovem estudante, a experiência tem sido rica.

Fotos: Jorge Mariano

Essa precocidade, na relação entre conhecimento e prática, é encarada como fator positivo. “A maior importância está no sentido de nós colocarmos o aluno dentro da realidade de vida profissional o mais precocemente possível. Deixar o teórico, o imaginário, e ir para a realidade”, explica o supervisor de estágios e res-

ponsável pela Clínica de Fisioterapia da PUC-PR, Luiz Bertassoni Neto. Solucionar casos é o que fazem os estudantes de Direito do Centro Universitário Curitiba (UniCuritiba), sob a supervisão da professora Nádia Mikos. No Núcleo de Práticas Jurídicas da instituição, os alunos atentem casos jurídicos reais e ajudam a população. “O legal do Núcleo é que ele aproxima a gente do cliente, porque no estágio você raramente tem conta-

Edna não teria condições de pagar por um advogado se não tivesse a assistência da universidade

Via de mão dupla A população também pode se beneficiar dessa fase de aprendizagem. É o caso do motorista Antonio Silveira (42), que procurou os futuros fisioterapeutas para tratar de um desconforto no ombro. Para ele, é um privilégio ter o atendimento dos alunos. “Eles são muito profissionais, apesar de ainda estarem cursando. Eles são amigos e profissionais ao mesmo tempo”, conta. Já a cuidadora de idosos, Edna Maura de Oliveira (30), foi orientada pelos alunos do Núcleo Jurídico sobre o caso da pensão alimentícia de seu filho. “Acho que eu não tenho dúvidas mais dos meus direitos como cidadã”, comenta Edna. “As pessoas que vêm ao núcleo são pessoas hipossuficientes, que não têm dinheiro para contratar um advogado e pagar as custas [de um processo]. No momento em que a gente atende essas pessoas, elas exercem a cidadania de modo mais pleno”, afirma a professora Nádia. REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012 | 33


Roberto Dziura Jr.

saúde

Quadril em perigo Metade das internações de idosos em prontos-socorros no Brasil está relacionada a fraturas do fêmur; saiba como evitar

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Mariane Maio mariane.maio@revistames.com.br

ona Elicena Orsini (73) sempre foi uma mulher ativa. Morando sozinha há muitos anos em Formosa do Oeste (PR), ela cuida da casa e ainda dos imóveis alugados que fazem parte da herança dos filhos. Além das obrigações, Elicena conta que adorava dançar. “Eu danço forró. Ontem teve nossa festa da terceira idade e eu estou desesperada, porque não pude estar lá”, lembra. No dia 6 de abril, um “tombo bobo” mudou a rotina de Dona Elicena. “Moro num apartamento que tem 23 degraus. Nunca caí naquela escada. Cuidava, né! Dentro da cozinha, sem mais nem menos, levei um escorregão. O pé foi embaixo da geladeira. Eu quis me segurar na pia e não deu. Aí torceu e bateu o lado esquerdo. Mas na hora eu pensava que era só uma torsão”, conta.

Estatísticas A dona de casa faz parte de uma estatística muito comum. Metade das internações de idosos em prontos-socorros no Brasil está relacionada a fraturas do fêmur proximal (quadril). “Cerca de 80% desses casos ocorrem em idosos capazes de andar sozinhos e vivendo em comunidade”, afirma o ortopedista Marcelo Cavalheiro, do Hospital Albert Einstein de São Paulo e coordenador da divisão de Artros34 | REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012

Dona Elicena Orsini caiu na cozinha e teve problemas no fêmur copia do Quadril na Escola Paulista de Medicina. Um levantamento realizado pelo Ministério da Saúde (MS) mostra que esse número de internações cresceu 8% em quatro anos (2005 a 2008). Em 2008, o número de internações somente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) foi de quase 33 mil pacientes, com um custo de R$58,6 milhões para a União. Sem dados atualizados, o ortopedista estima que o número seja de 100 mil casos ao ano. Por conta disso, a fratura do quadril, para o Governo Federal, tem assumido dimensão de epidemia.

Fratura “É quando a gente tem a perda da continuidade óssea. Ou seja, quebra o osso. O quadril é a união do fêmur com a bacia. É muito mais comum e frequente a fratura no fêmur. Então, a gente fala de uma fratura proximal do fêmur, porque é na ponta do osso do fêmur que se encaixa na bacia. Para ter uma fratura na bacia, exige-se um trauma muito violento”, explica Cavalheiro. Apesar de ser uma fratura possível de acontecer em todas as idades, nos


Fator de risco A perda de massa óssea é um dos maiores fatores de risco para a fratura do quadril. Apesar de não ter dados exatos sobre a incidência da doença no Brasil, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia estima que 10 milhões de pessoas sofram com o problema. Dados da National

Orientações Veja as dicas para evitar uma lesão

Para o médico Walmir Sampaio, o objetivo é devolver a qualidade e condição de vida ao paciente

Osteoporosis Foundation (NOF), nos Estados Unidos, mostram que a osteoporose atinge 40% das mulheres negras e 72% das mulheres brancas com mais de 50 anos. Nos homens, o índice é de 42% dos homens brancos e 23% dos negros. “Além do envelhecimento, a mulher tem outro componente que conta muito, que é a osteoporose. A incidência é muito maior”, diz Cavalheiro. Para o ortopedista de Curitiba, a mulher deve começar a se preocupar a partir dos 45, 50 anos, período da menopausa. Já nos homens, a incidência maior é depois dos 70 anos.

• Adequar o ambiente domiciliar, eliminando os perigos que contribuem para a ocorrência de quedas, como tapetes soltos, fios elétricos, escadas e degraus desnecessários.

80% das fraturas de quadril ocorrem em idosos ativos e que vivem em comunidade

• Implantar medidas de segurança, como uma boa iluminação da casa, corrimão dentro do box do banheiro e pisos e tapetes antiderrapantes.

Apesar de as mulheres sofrerem mais com a osteoporose e consequentemente com as lesões de fratura no quadril, Cavalheiro garante que as implicações no sexo masculino são maiores. “Essa fratura no homem tem um índice de mortalidade maior, é mais grave. Não pela fratura em si. Geralmente, o quadro clínico do homem nessa fase é pior do que da mulher.”

• Combater a osteoporose, mantendo a boa densidade dos ossos, com medicações, alimentação adequada, exercícios e exposição ao sol. • Evitar sedativos, consumo de cafeína, cigarro e álcool, que contribuem para a osteoporose. • Tratar os problemas de visão, equilíbrio e perda de consciência, que podem levar às quedas. • Fazer caminhadas e exercícios físicos. Fonte: ortopedista Marcelo Cavalheiro

Roberto Dziura Jr.

idosos, a frequência é muito maior. “Pode acontecer no jovem e até na criança. Mas normalmente no jovem é causado com trauma de alta energia. No idoso, por ter uma fragilidade óssea, osteoporose, essa fratura acaba acontecendo com traumas banais. Um trauma de baixa energia, às vezes, uma queda simples e até um mecanismo torcional pode provocar essa fratura”, assegura o ortopedista Walmir Sampaio, do hospital Amil, em Curitiba.

Consequências Para o médico do Hospital Albert Einstein, 30% dos pacientes morrem nos primeiros seis meses após a cirurgia. “Dos pacientes que sobrevivem, 50% deles não vão ter a mesma agilidade, liberdade que eles tinham antes

da fratura. O idoso vai ter medo de andar, vai ficar mais restrito”, completa. O problema, na maioria das vezes, é o estado do paciente idoso. “É muito comum o paciente no pós-operatório ter infecção urinária, trombose, pneumonia, problemas vasculares, metabólicos. Ou seja, se a gente está considerando um senhor de 70, 80 anos ou até mais, se o senhor pega uma pneumonia, são situações complicadas para essa faixa etária. Por isso, esse índice elevado de mortalidade”, explica.

Tratamento Com raras exceções, quando há uma fratura no quadril, a indicação é sempre cirúrgica. E apesar da complexidade da cirurgia, a recuperação completa leva em torno de 45 a 60 dias. “Você tem de tirar o paciente do leito o mais rápido possível. Claro, isso é passo a passo. A partir do momento que você faz uma prótese ou fixa uma fratura, o paciente tem a diminuição do quadro álgico, ele consegue sentar. Na prótese, ele começa a andar precocemente. Na fixação, ele pode ser mobilizado, mas não pode dar carga. Tem de esperar o processo de reabilitação”, esclarece Sampaio. Para o médico, o objetivo é devolver a qualidade e condição de vida que o paciente tinha antes da fratura. Dona Elicena é a prova de que isso é possível. Apenas um mês após a cirurgia já arriscava andar sem auxílio do andador. “Não vejo a hora de sarar logo para [voltar para casa]. Quero continuar passeando, andando, dançando”, diz. REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012 | 35


saúde

A primavera e suas alergias Assim como no inverno, alergias respiratórias e dermatológicas também são comuns nesta estação Bianca Nascimento bianca.nascimento@revistames.com.br

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ia 23 de setembro inicia a Primavera. Estação em que o sol dá mais às caras, a paisagem fica mais colorida, o clima é mais ameno e agradável. Mas é nesta época também que brota o perigo. Algumas alergias

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podem se manifestar com maior frequência nesta estação. Fique atento! Tudo começa com o pólen das flores. Um pó quase invisível a olho nu que quando está no ar é fator desencadeante de uma série de reações alérgicas para algumas pessoas. A alergia ao pólen é denominada polinose.

Assim como o nome é pouco conhecido, muitas pessoas também não sabem que possuem a alergia. Saiba como identificar. Os sintomas desta doença, geralmente, são associados e afetam a região dos olhos, nariz e a garganta. “As principais manifestações são conjuntivite e rinite, ou seja, rinoconjuntivite, com coceira no nariz e olhos, que também ficam vermelhos e lacrime-


jando”, explica a alergologista Loraine Landgraf. Em algumas pessoas, as pálpebras chegam a ficar inchadas. A rinite causa congestão nasal, secreção, coriza, espirros e coceira no nariz e na garganta.

mais secas e o vírus adere mais fácil à mucosa. Por isso, tomar bastante água e outros líquidos é sempre importante.

Cuidados e tratamento

Clima e umidade

É quase impossível evitar totalmente a exposição ao pólen. Por isso, algumas dicas podem ajudar a diminuir o risco. Os alérgicos às gramíneas são os mais comuns nos municípios do Sul. Este tipo de planta está presente por toda a cidade. Mas alguns cuidados podem ajudar a amenizar os sintomas. Importante não praticar esportes ao ar livre e evitar lugares com muitas flores, como parques.

O Sul abriga uma das regiões mais secas e de menor umidade relativa do ar. Em alguns períodos, a umidade chega a 100% e, em poucos dias, já cai para 30%. O ideal seria que esta umidade ficasse em torno de 60%. O clima seco é outro item que contribui para a propagação de alergias. Além disso, as vias respiratórias ficam também

É essencial detectar rapidamente a causa da alergia e tratar. “Esse paciente deve iniciar o tratamento logo no começo do ano para ter uma primavera mais tranquila. As medicações vão desde remédios com ação anti-inflamatória e antiestamínicos como também sprays nasais”, explica Loraine.

Jorge Mariano

Jorge Mariano

“Nesta época, o próprio ciclo aumenta a propagação de pólen e isso acaba sendo mais frequente no ar, aumentando o risco de alergias”, afirma o infectologista Rodrigo Barth Reis. Os principais fatores que desencadeiam a rinite são os ácaros, poeira e pólen, além do pelo dos animais.

A orientação da alergologista Loraine Landgraf é procurar o tratamento antes que comece a estação

Pesquisas comprovam que hoje muitas alergias são hereditárias. Ou seja, a pessoa “nasce geneticamente pré-disposta a desenvolver uma alergia”, lembra a alergologista. A polinose é uma doença que pode ser detectada por exames, como as demais alergias. No teste, é colocado sobre a pele uma gota de extrato do pólen e é feita uma análise da reação.

O pólen das flores é fator desencadeante de uma série de reações alérgicas

Outras doenças Os mesmos fatores que desencadeiam as rinites, como a poeira e pólen, podem também desencadear uma crise de asma, que é uma doença igualmente alérgica. “Quem é alérgico ao pólen pode apresentar a manifestação de asma. Geralmente, os sintomas são o peito ‘chiado’, falta de ar e muita tosse”, ressalta Reis. A catapora, nome popular dado à doença da varicela, é outra enfermidade que surge com maior frequência nesta época. É uma doença causada por vírus, em que aparece o surgimento de pequenas bolhas disseminadas por todo o corpo. Em estações mais quentes, aumenta a circulação deste vírus no ar. Por isso, é bom ficar alerta. É importante também cuidar da pele contra as dermatites, que são ocasionadas por diversos fatores. As mais comuns neste período são pelas plantas, pólen e sol, em que as pessoas ficam mais expostas a estes elementos. “É importante sempre hidratar a pele e caprichar no filtro solar que deve ter no mínimo fator 30 e sempre lavar a mão com sabonete ao contato de plantas. Tudo isso diminui o risco de se ter reações alérgicas”, adverte a dermatologista Denise Mara Ribas. REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012 | 37


tecnologia

Dia a dia mais high tech Os novos aparelhos podem servir para simplificar o cotidiano ou atender a necessidades latentes das pessoas

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Bianca Nascimento bianca.nascimento@revistames.com.br

arecia tão distante a realidade apresentada no desenho animado da família “Os Jetsons”, não é mesmo? Para quem não se lembra, eram carros voadores, passarelas automáticas, aparelhos ultramodernos dentro de casa, no trabalho e até uma simpática empregada doméstica robô. Hoje, esse futuro chegou e é quase impossível não se render às facilidades de tantas tecnologias disponíveis. “Cada vez mais existe a abertura e a vontade do consumidor, de forma geral, em experimentar tecnologias”, confirma Rogério Martins, engenheiro químico pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e vice-presidente de Desenvolvimento de Produtos e Inovação da Whirlpool.

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Quanto mais se usa, mais tecnologias são produzidas e mais rápido é o lançamento de novidades. Algumas coisas tornam-se descartáveis em pouco tempo e outras tornam-se itens de primeira necessidade. Na liderança do mercado latino-americano de eletrodomésticos, a Whirlpool, que detém as marcas Brastemp, Consul e KitchenAid, lança, em média, entre 100 e 150 produtos, informa Martins. “O mundo consegue comprar mais tecnologia, hoje, e está mais pré-disposto a experimentar coisas diferentes, abrindo um monte de oportunidades. Mas ela não se sustenta por si só. Tem que ser relevante para o consumidor”, afirma o vice-presidente. O mercado percebe algumas mudanças e além de inovar também investe na popularização das novas tecnologias.

“As pessoas estão tendo mais acesso à tecnologia, seja por mecanismo de custo, incentivo ou até de soluções mais simples”, engenheiro elétrico e diretor técnico da Compwire, empresa de tecnologia, Guilherme Lang. Alguns pontos explorados nos produtos disponíveis no mercado são: a sustentabilidade, a acessibilidade e a simplicidade no design e no uso. “Os três são importantes e cada vez mais relevantes, é essa coisa de transformar a vida numa tarefa menos difícil”, atesta Martins.

Simples e essencial Você já ouviu dizer que o simples, às vezes, é somente o necessário? Essa afirmativa também é verdade no mundo tecnológico. Exemplo disso é o Hidden Radio. É uma caixinha de


Banco de imagens

Roberto Dziura Jr.

som pequena, simples e muito potente. Sua capa possui capacidade de girar para todos os lados. É esse movimento giratório que irá aumentar ou diminuir o volume. Ainda assim, o produto se conecta a outros aparelhos, como smartphones. Apesar de pequeno, a qualidade do som chega a 80 decibéis. É portátil, recarregável e possui capacidade para mais de 30 horas de músicas armazenadas, além de possuir rádio AM/FM. Já existe pré-venda do aparelho a partir de US$ 149.

O mercado percebe algumas mudanças e, além de inovar, também investe na popularização

Tela funcional Além de contribuir com soluções para o dia a dia, as inovações tecnológicas vão muito além. Podem ser funcionais e facilitar a vida de quem tem deficiência visual, por exemplo. Vitor Pamplona, cientista de computação, recentemente criou uma tela que tem a capacidade de ter o foco ajustável. Segundo Pamplona, a nova tela funciona projetando uma imagem no espaço (similar a um holograma ou a uma imagem 3D), mas projeta onde a pessoa consegue focar, no caso da

Para Guilherme Lang, hoje as pessoas têm mais acesso para adquirir as tecnologias

pessoa com problema de visão. “Imagine um monitor a 50 cm do olho. Uma pessoa com miopia de 3 graus só consegue ver objetos em foco até 33 cm a partir do olho. Depois de 33 cm o borrão que a pessoa vê é proporcional à distância do olho. Quanto mais longe, mais borrado”, explica. “O display precisa criar uma imagem virtual a 33 cm do olho. É a única maneira desta pessoa enxergar em foco.”

Para refletir Você precisa disso? Os aficionados por tecnologia diriam que não vivem sem os aparelhinhos. Outros acham tudo muito descartável e outra parcela da população, provavelmente, diria que não consegue acompanhar os lançamentos, tamanha é a quantidade de geringonças no mercado. A sociedade atual é “tecnolopolista”, segundo define o engenheiro industrial elétrico e professor de Marketing, Ricardo Engelbert.

“Colocamos a tecnologia em um pedestal e, às vezes, não nos damos conta disso, porque acreditamos firmemente que a tecnologia nos dará a solução”, analisa Engelbert. Por isso, a dica é ponderar. É sempre importante estar de olho e avaliar quando a tecnologia atende as necessidades ou cria novas. “Não podemos nos tornar escravos das tecnologias e sim fazer ela nos trazer grandes ganhos”, explica Engelbert.

O projeto é pioneiro e, segundo o seu criador, a tela teria o mesmo preço de dispositivos que são usados atualmente em monitores 3D e pode ser conectado a computadores, TVs, videogames, e-book readers, celulares ou qualquer outro gadget com tela. Pamplona busca empresas que apostem em sua invenção.

Tecnologia sustentável Além da acessibilidade, as empresas também têm investido em tecnologias que prezem pela sustentabilidade. O uso de energias renováveis tornou-se um grande atrativo para ganhar os consumidores. A empresa SunnyBAG apostou neste tipo de invenção. Criou uma bolsa feita de material reciclado. Assim como o sistema de casas com telhados que captam a energia solar, a bolsa possui placas que também detêm a luz do sol. A energia acumulada por este material é suficiente para recarregar um aparelho eletrônico, como o celular. A tecnologia ainda é cara e custa entre € 249 e € 299. REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012 | 39


meio ambiente

Jardins que sobem pela parede Pensadas de forma vertical, as vegetações auxiliam quem não tem espaço disponível e colaboram com o meio ambiente

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Mariane Maio mariane.maio@revistames.com.br

o caminhar pela Avenida Batel, região nobre de Curitiba, muitos moradores devem ter cruzado e até mesmo se impressionado com um muro revestido com plantas vivas. Ao invés de um tapume convencional, o

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shopping Pátio Batel, que deve ser inaugurado em 2013, instalou no local da construção 130 metros de extensão de jardim vertical. “O Pátio Batel tem esse conceito de ser um centro de compras diferenciado. O primeiro contato que as pessoas teriam seria o tapume da obra, que fica na Avenida Batel que é a principal avenida do bairro. Para mostrar que veio trazer uma nova proposta para a cidade, resolveu trazer um tapume que seguisse esse conceito”, conta a gerente de Marketing do Pátio Batel, Sônia Marques.

Benefícios verdes O arquiteto Wilson Pinto também usou o seu espaço na Casa Cor deste ano para mostrar essa proposta. “Talvez uma das formas mais ricas de aliar a beleza à sustentabilidade são as paredes vivas. Elas trazem os elementos vegetais para uma condição de extrema beleza, de exposição de paredes floridas ou totalmente verdes”, diz. A falta de espaço físico é o primeiro e mais aparente aspecto solucionado pelos jardins verticais. “Pessoas que são apaixonadas por jardim, mas não têm área física, só têm parede. O jardim subiu pela parede e a área da horizontalidade passou a ser possível para uso humano”, enfatiza Pinto. Mas, além de resolver este problema de espaço, os jardins verticais trazem


“Todas as vezes que você tem um ganho ou perda [de temperatura], você tem de compensar internamente. Uma casa com paredes muito estreitas vai fazer uma conversão térmica. A temperatura de dentro vai para o externo durante a noite. E durante o dia, o sol que bater naquela fachada vai devolver para dentro aquele calor”, explica o arquiteto. O jardim traria um conforto térmico, diminuindo o uso de ar condicionado e aquecedores; em consequência, reduzindo o uso de energia elétrica.

Apesar de algumas diferenças em materiais, o sistema de um jardim vertical é quase sempre o mesmo, modular. “Como se fosse fazer uma construção normal. É um tijolo, mas é um tijolo oco. Você vai fazer a construção, vai parecer uma parede normal. Depois que tiver pronto, você vai fazer a retirada de uma tampa, que já vem pré-recortada, para que possa ficar as cavidades para se fazer o plantio, colocar a terra e fazer

Uma opção para aplicar os jardins verticais em casa é trabalhar diferentes espécies na parede externa

a irrigação dele”, explica o paisagista Marcelo Muller, sobre o sistema utilizado pela empresa Esalflores. Esse sistema de irrigação é automatizado. “Você tem um timer nele que vai fazer a irrigação diária. É um sistema de gotejamento. É pouquíssima água que vai cair, mas são várias vezes ao dia”, diz Muller, mostrando outra vantagem do jardim vertical, que é a economia de água. O paisagista afirma que o sistema pode ser utilizado tanto em ambientes abertos, quanto fechados. Já o arquiteto não indica utilizar no interior de casas e prédios. “Para ambientes de permanência como uma sala, que tivesse uma parede viva, teria de ter um pé direto grande e uma troca de ar para Roberto Dziura Jr.

Jorge Mariano

Funcionamento

Banco de imagens

diversos benefícios para o meio ambiente, como a redução da temperatura, da poluição visual e da poluição do ar. “Toda parede viva vai fazer um filtro. Vai reter a poeira ascendente e descendente. Essa maneira de criar um filtro é importante e considero que ela faz a questão da troca de fotossíntese, de oxigênio. De alguma maneira torna o ambiente mais saudável”, diz.

O arquiteto Wilson Pinto acredita que a implantação de mais jardins verticais seria uma solução para grandes cidades

não deixar esse ar muito viciado. Não considero que ambientes internos sejam interessantes. [A vegetação] retém muita umidade e essa umidade trará muitos fungos. Pode trazer alergias para o ambiente, cheiro”, explica.

O custo pode variar de R$800 a R$1.200 o metro quadrado

Solução um pouco cara Quem quiser apostar em um espaço mais verde terá de investir boa quantia. Na empresa pesquisada pela MÊS, o custo pode variar de R$800 a R$1.200 o metro quadrado, isso incluindo instalação, plantio, plantas e todo o sistema de irrigação. Apesar do preço ainda pouco acessível, Wilson Pinto acredita que a implantação de mais jardins verticais seria a solução para muitos problemas das grandes cidades. “Se todas as paredes dos edifícios das cidades forem revestidas por paredes vivas, o planeta será outro. Nós estaremos morando em um jardim. É a solução para o planeta, para se atenuar a brutalidade do que se fez de construir, construir, revestindo o que se fez.” REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012 | 41


comportamento

O sacrifício do desapego Numa simples atividade, é possível experimentar o desapego, a preocupação com a sustentabilidade e o amadurecimento emocional

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Mariane Maio mariane.maio@revistames.com.br

té mesmo para quem se propõe ao ato do desapego percebe não ser uma empreitada das mais tranquilas. Frases como “eu nunca usei” ou “não sei se vou conseguir” foram constantemente ouvidas pelas organizadoras do Bazar de Troca

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psicóloga e analista junguiana, Maria de Lourdes Bairão Sanchez.

Processo natural

Pegue&Desapegue, realizado no mês passado em Curitiba, enquanto as participantes relutavam em deixar as roupas que elas mesmas haviam separado para participar do bazar.

Para ela, “o grande sacrifício da vida é o desapego”, isso porque o apego é natural e necessário para a construção do ser humano. “No começo, existe toda uma construção do ego e a pessoa precisa se apegar a algumas coisas, grupos, pessoas, objetos, teorias para ela poder perceber que ela, é ela mesma.”

“A ideia é promover o consumo sustentável”, explica Paula Batista, uma das organizadoras da iniciativa. É uma forma também de diminuir a “culpa” herdada por viver em uma sociedade capitalista, que estimula constantemente o consumo. “Isso está associado ao desapego de que tipo: eu posso ter conforto, meus bens materiais, mas tenho de respeitar a natureza em que estou inserida”, afirma a

A especialista diz acreditar ainda que à medida que a pessoa vai envelhecendo e amadurecendo, essa necessidade passa a ser questionada. “Essa descoberta vai trazendo uma ideia de que nem tudo aquilo que eu pensava que fosse tão meu, continua sendo. Você passa a questionar. Aquilo que antes valia tanto para você, começa a não valer. Aí que a gente começa a falar dos momentos de desapego”, diz.


Isso parece ter acontecido com a participante do bazar e analista financeira Tatiana Reis (35), que confessa já ter sido muito consumista e hoje se considera uma pessoa desapegada. “Quando você faz isso, a energia flui e você consegue coisas novas. Não adianta ficar estagnado ali.”

enquete Fabiane Marques (26) Educadora física “Compro e não uso. Tá lá com etiqueta depois de meses no guarda-roupa. Hoje em dia não tenho dificuldade. Não cabe mais nada no guarda-roupa, então agora sou bem desapegada.”

“Desapegar-se é descobrir o que é essencial para você”, diz a psicóloga Elis Raquel (31) Turismóloga

Jorge Mariano

“Tem coisa que você acaba guardando porque acha que vai usar e não usa. E fica mais de ano lá. Essas coisas eu me desfaço.”

Carla Fasolo (34) Professora “Eu dei duas coisas novas, porque ganho muito presente de aluno, aí você não gosta e não dá para trocar. Eram coisas boas. Deu um sentimentozinho, mas passou.”

Tatiana Reis (35) Analista financeira “Acho super legal, porque são peças que você não usa, cansou delas. Acho legal, é uma troca de energia, para você ajudar os outros e se ajudar.”

Fotos: Jorge Mariano

Alessandra de Souza (40) Professora “Estou em uma fase bem zen, que quebrei meus dois cartões de crédito para só gastar o dinheiro que eu tenho. Estou tentando. Vamos ver se eu consigo.”

Desapegando Mesmo que o desapego não seja exatamente uma técnica, Maria de Lourdes afirma que certas atitudes podem colaborar desde a infância para esse processo. É como incentivar a criança a doar um de seus brinquedos que ainda tenha condições de uso para poder ganhar outro. A professora Alessandra Reis (40) adota essa postura com seus filhos e também tenta trabalhar a experiência do desapego em sala de aula. “Trabalho com crianças de classe média alta, que têm tudo na vida. [...] Acho muito importante para uma criança crescer [bem]. A gente vive num mundo tão materialista e capitalista”, comenta. Participar de experiências como essa também é uma forma de refletir sobre a real necessidade das coisas. “Desapegar-se é descobrir o que é essencial para você. Na medida em que eu busco qual é a minha essência, isso vai permitindo que eu não precise ficar com tudo que tinha até então. Tanto de objeto quanto de pessoas. Posso começar a fazer escolhas”, explica Maria de Lourdes. Segundo ela, é quase impossível ser desapegada em todas as áreas da vida. O apego também é importante, até porque se não for exagerado é uma forma de cuidado. “Talvez tenha uma diferença em preservar o que é da gente e se apegar”, conclui. REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012 | 43


crônica

Relato de uma repórter (ainda) apegada

Por Mariane Maio

Pode ser que eu tenha amadurecido alguma coisa com essa pequena experiência Minha mãe sempre reclamou que eu guardo as coisas. Todas as vezes que alguém arrumava meu quarto, sempre algo sumia. Às vezes, eu escutava: “mas era apenas um papel rabiscado”. Era! Mas para mim tinha um motivo de estar ali e uma hora eu ia precisar. Confesso que nem todos os papéis rabiscados tinham tanta importância. Mas somente eu podia avaliar o sentido, ou não, das tranqueiras que insistia em acumular. Talvez seja genético ou apenas convivência, ou ainda, uma mistura dos dois. Não duvido que tenha “herdado” a mania de “guardar” do meu avô, que com seus mais de 80 anos continua com um escritório cheio de papéis que, com certeza, devem ter contas ainda em cruzeiros. Nunca fui apegada a ponto de não dividir as coisas ou emprestar. Também nunca fui de cuidar extremamente bem das minhas coisas. Sou daquelas que acha que se você tem algo é pra ser usado, mesmo que estrague ou desgaste. O que não tem sentido é deixar guardado em uma caixa. Mesmo assim, sempre tive dificuldades em me desfazer das coisas. Incentivada pelas colegas de Redação a participar como “consumidora” do Bazar, resolvi encarar o desafio. Provando na prática teria mais propriedade para escrever sobre o assunto. Tive menos de meia hora para separar 10 peças do meu guarda-roupa. Por primeiro peguei uma blusa que não usava fazia tempo. Olhei bem para ela e desisti, logo em seguida. Vai que eu precise no próximo verão?! 44 | REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012

Percebi que se fosse refletir em cada peça que eu tirasse do armário, não conseguiria levar nada. Então, comecei a pegar peças e não analisar mais nenhuma delas. Pelo menos foi mais fácil do que eu esperava. Tanto é que gostei da experiência que pretendo repeti-la. Até porque já consegui me “apegar” em algumas das peças que escolhi durante a troca no bazar. Apesar do novo apego, é bom pensar que a vida pode ser assim. Que a gente pode constantemente se renovar, no guarda-roupa, nos relacionamentos, nas atitudes e ideais. “Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver”, diz o trecho de um texto que está circulando nas redes sociais. E deixando de lado o “apego” que a profissão me obriga a ter com nomes e fontes, resolvi citar o trecho atribuído ao poeta Fernando Pessoa. Achei que as sábias palavras valiam a pena. Pode ser que eu tenha amadurecido alguma coisa com essa pequena experiência. Pode ser que não. Mas escrever esse texto é, com certeza, um desapego com a minha história pessoal, agora compartilhada com os leitores da MÊS.


REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012 | 45


5 perguntas para: Ministro Dipp

Nova legislação à vista

Arieta Arruda arieta.arruda@revistames.com.br

Como avalia o texto encaminhado ao Senado do novo Código Penal? É um código altamente avançado. Depois de um Código de 72 anos de idade, que deveria estar aposentado compulsoriamente, nunca [teve] uma reforma e uma mudança de estrutura. [Avanços] foram muitos. Desde a parte geral, que é a parte conceitual. O código é muito equilibrado, ele foi mais rígido em relação a delitos que ofendem altamente a sociedade e foi mais brando com 46 | REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012

Bebel Ritzmann

O Código Penal está prestes a sofrer uma ampla reforma. Fato que não ocorria desde 1940. Gilson Dipp, ministro do Superior Tribunal de Justiça (STF), que esteve em um evento da OAB-PR (em Curitiba) concedeu uma entrevista exclusiva para a MÊS e falou sobre o tema. Dipp foi presidente da comissão de juristas que cunhou o anteprojeto, entregue ao presidente do Senado, José Sarney, em meados deste ano. Agora o ministro exercerá função igualmente complexa: será o coordenador da Comissão da Verdade, que “quer apurar as graves violações de direitos humanos, promover a construção histórica, promovendo uma reconciliação nacional”. Leia os principais trechos desta conversa. aqueles tipos penais que hoje não têm nenhuma lesividade social. Aumentamos o tempo máximo de prisão de 30 para 40 anos. Trinta anos é o máximo da pena a ser cumprida, mas, por exemplo, se a pessoa é condenada a 60 anos, ela vai cumprir 30, entra no presídio e no dia seguinte ela comete um novo crime, digamos, um assassinato. Pelo Código anterior, ela ficaria restrita aos 30 anos. Agora, se houver condenação e um novo crime após a consolidação, pode cumprir até 40 anos, mais 10. A parte geral vai abranger, inclusive, os crimes eleitorais e os crimes militares.

Quais as novidades para crimes eleitorais? De 60 ou 70 tipos penais, nós reduzimos para 16 tipos penais. Por exemplo, a corrupção na compra de votos, ficou mais dura [a pena]. Outras condutas, que eram criminosas e que hoje não têm mais nenhuma repercussão, por exemplo, boca de urna, não vai ser mais crime. É uma infração administrativa. Tem-se uma nova conotação. Claro que, descriminalizamos várias condutas, revogamos inúmeras leis. Tipos penais que foram abolidos.


É um código para o Brasil de hoje voltado para o Brasil de amanhã Quais outros tipos penais que devem entrar no novo Código, caso seja aprovado? Enriquecimento ilícito. É o patrimônio adquirido, usufruído pelo servidor público eleito, comissionado, concursado, que não possa justificar devidamente seus ganhos. Nós estamos dando cumprimento a um tratado internacional celebrado pelo Brasil. Se esse patrimônio é incompatível com seus rendimentos diretos ou indiretos e que ele não possa devidamente justificar, pena de 1 a 5 anos, se não houver um delito mais grave, como peculato, corrupção ativa, terrorismo. Olha os eventos internacionais que nós vamos ter aí, que nós não tínhamos um tipo penal. Tipificação das organizações criminosas e não a formação de bando de quadrilha. Aborto, a ampliação da possibilidade do aborto legal. Aborto continuará sendo crime, mas existem outras possibilidades que não apenas aquelas que tinham. Anencéfalos, aqueles que dizem respeito à saúde da gestante, aquela que tem a gravidez que foi obtida por reprodução assistida não consentida, aquela que

não tem a menor condição psicológica ou material de criar a criança, desde que atestada por médicos e psicólogos. Eutanásia, a chamada morte piedosa, que era apenas uma atenuante para um homicídio simples, é um tipo penal específico com pena menor. A ortotanásia, que é aquela excludente da criminalidade, que o Conselho Federal de Medicina já tinha proposto, que é quando [o médico] retira a pedido do paciente terminal e de seus familiares, aqueles métodos dolorosos, impróprios de manter uma pessoa viva para que ele possa, ainda que com assistência médica total, ter uma morte digna com seus familiares em casa ou no hospital, sem que sofra. Tudo isso o Congresso ainda vai discutir. Quais foram as penas mais abrandadas? Furtos simples, que hoje enchem as cadeias. A pena foi diminuída, ela se dá apenas mediante representação da vítima e se for ressarcida a vítima e ela concordar, aí extingue a punibilidade. Por outro lado, tem o furto qualificado, por exemplo, um furto com uso de explosivos em caixas de banco: pena mais alta. Vamos manter a prisão apenas para crimes com alta lesividade social, que atinjam a vida, a liberdade, a saúde ou então, que sejam altamente lesivos, como esses crimes de corrupção, falsificação de licitações de remédios para rede pública, em hospitais, enfim. E privilegiar as penas restritivas de direitos ou as penas alternativas, inclusive com perdão judicial. Há uma possibilidade de barganha, ou seja, composição entre o Ministério Público, vítima e acusação. A delação premiada também está contemplada no Código Penal. Acho que ficou mais clara, porque hoje a delação premiada está num projeto de lei que ainda não foi aprovado pelo Congresso. Na prática tem, mas a regulamentação, quando ocorre, quais são as condições, tudo isso é construção da jurisprudência.

Bebel Ritzmann

Por exemplo, todas as cento e tantas leis que tratavam de tipos penais, vieram todas para o Código. Revogamos a lei de contravenções penais. Retiramos da lei de contravenções penais aquilo que não era crime em 1940 e hoje tem lesividade, como por exemplo, jogo do bicho e jogos de azar não regulamentados ou legalizados. Por quê? Porque são crimes que hoje a gente sabe que são pontos de partida para prática de crimes mais graves: lavagem de dinheiro, tráfico de entorpecentes, homicídios. É um código para o Brasil de hoje voltado para o Brasil de amanhã.

O Código levou em conta todo o contexto social atual? O Código Penal por si só não vai resolver todas as coisas. Não é a panaceia de todos os males da sociedade. Essa sensação de insegurança, sensação de impunidade, tudo isso requer políticas públicas do Executivo, do Legislativo, do Judiciário em celeridade, do Ministério Público. Agora, tendo um Código claro, transparente, inteligível, não só pelo aplicador da Lei, mas pelo próprio cidadão, evidentemente, que é uma mola propulsora para que o sistema penal brasileiro funcione melhor. Foi das comissões externas do parlamento que mais atraiu [gente]. Houve 40 indicações pelas lideranças partidárias de membros da Comissão. O presidente do Senado reduziu para 16 ou 17. Nós terminamos com 15. [Começou] em outubro [2011] e foi até dia 25 de junho. Lembro que eu estava pensando: “ainda bem que eu estava terminando o Código Penal, porque já tinha sido designado como coordenador da Comissão da Verdade”, a pedido da própria presidente [Dilma Rousseff], que sugeriu. Então, eu saí de um negócio e fui para outro que a gente não sabe nem o que vai acontecer, tal é o tamanho, a dimensão do que vai se fazer. REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012 | 47


internacional

Estrangeiros: os invisíveis Mais pessoas vêm para o Brasil em busca de novas oportunidades; a vinda de haitianos é o novo fenômeno observado, inclusive, no Paraná

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Arieta Arruda arieta.arruda@revistames.com.br

resce o número de estrangeiros que procuram pelo Brasil na esperança de melhorar de vida. Foi assim há algum tempo com os paraguaios e argentinos; assim também com alguns europeus e da mesma forma ocorre a intensa vinda de haitianos para o País, depois do visto humanitário concedido pelo governo brasileiro em apoio ao povo após as catástrofes naturais que abalaram o Haiti em 2010. No Paraná, são cerca de 600 haitianos. No resto do Brasil, representam sete mil pessoas em dados não oficiais. “Eles acabam ficando com os piores empregos”, conta José Antonio Gediel, responsável pela Coordenadoria de Direitos da Cidadania, da Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Paraná (Seju).

Trabalho para estrangeiros De acordo com o último balanço divulgado pela Coordenação Geral de Imigração (CGig) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), foram mais de 32 mil profissionais que conseguiram permissão para trabalhar entre janeiro e junho deste ano. Somente para os haitianos foram concedidos 2.154 permissões de residência. Situação do Haiti após catástrofe climática Banco de imagens

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Houve um crescimento de 24% do 1º semestre de 2012 ante ao mesmo período do ano passado. Os trabalha-


dores dos Estados Unidos, seguidos pelas Filipinas e Reino Unido foram as nacionalidades que mais pediram o visto de trabalho no último semestre. “De dois anos para cá, intensificou-se a vinda de emigrantes aqui”, constata Elizete de Oliveira, assistente social da Pastoral do Migrante, em Curitiba, órgão ligado à Igreja Católica. São observados pela Pastoral: africanos, chineses e também espanhóis, portugueses em busca de uma realidade mais próspera. “Eles [emigrantes] têm buscado outras regiões fora eixo São Paulo-Rio”, constata Elizete. Por isso, o Paraná, que era somente corredor de passagem para estrangeiros do Mercosul, também está servindo como moradia.

Roberto Dziura Jr.

Para poderem se sustentar, os estrangeiros “acabam não fazendo o que eles faziam lá [no país de origem]. Gente com grau universitário acaba se habilitando para qualquer outro trabalho por conta da documentação e da língua”, conta a assistente social. Um fenômeno comum antes vivido pelos brasileiros em outros países.

A haitiana Marthe-arly Dorbe (25) está à procura de emprego e pretende ficar no Brasil

Eles trabalham em diferentes setores, com maior ênfase no setor metalúrgico, da gastronomia, construção civil e, as mulheres, que ainda representam somente 10% dos emigrantes, trabalham como empregadas domésticas, ofício já dispensado por muitas brasileiras.

Grandes problemas identificados são a dificuldade com a língua portuguesa, a regularização dos documentos e as histórias sofridas

Imagem do Brasil Em geral, os homens estrangeiros que vêm morar no Brasil possuem entre 20 e 40 anos de idade. “É o País do momento, é o que está na mídia [lá fora], que vai encontrar trabalho e vai ganhar bem, inclusive, para ganhar em dólar. Quando chegam aqui se chocam”, diz Elizete. De lá para cá, eles tornam-se invisíveis. “Podemos perceber que, embora a migração internacional seja um tema de relevância crescente no País, ainda existem desafios para sabermos qual o número real de migrantes”, relata o IBGE em seu estudo: “Reflexões sobre os deslocamentos populacionais no Brasil (2011)”. Essa também foi a informação passada pela Polícia Federal: não há dados consolidados sobre o tema. Com isso, os invisíveis passam a gerar grandes desafios para as autoridades e a sociedade como um todo, que ainda não sabe como lidar com esse fenômeno recente. Um dos motivos é que a Lei de Imigração é defasada, de 1980, ainda do período militar. Assim, “os emigrantes ainda são vistos como inimigos”, conclui Elizete. Além disso, a burocracia e a falta de estruturas administrativas que permitam a solução rápida dos problemas

são entraves nas diferentes instâncias do Governo.

Criação do Comitê No Paraná, foi no mês passado que começou a funcionar o Comitê Estadual de Refugiados e Migrantes do Estado (CERM). “É uma questão antiga, mas está ganhando novos contornos atualmente”, afirma Gediel. “É uma situação extremamente vulnerável”, completa. Grandes problemas identificados são: a documentação e as histórias sofridas de muitos desses personagens. Um dos refugiados africanos que não quis se identificar disse: “é muita dor no coração falar sobre a minha história.” Assim também é o que sente a haitiana Laurette Bernadin (31) há dois anos no Brasil. “Eu sofro muito [de saudades das filhas]. Para trazer elas, é muito complicado. Preciso de estrutura”. Laurette veio para o Brasil com a promessa de cursar Agroecologia e em busca de melhores condições de vida. Quando chegou aqui não encontrou nada disso. Atualmente, ela mora de favor no bairro Butiatuvinha, em Curitiba, e procura um emprego que dê para conciliar a faculdade de fisioterapia que cursa agora. “Não posso escolher uma coisa. Eu preciso é [trabalhar]”. Nessa situação, a haitiana ainda não faz planos para o futuro. “Cada dia vou pensar como está a vida, se a vida melhorar, vou ficar. Se não, depois da faculdade, eu volto.” Já Marthe-arly Dorbe (25), outra haitiana ex-religiosa, pretende se fixar por aqui. “Vou ficar. Tem uma sensação que dá que é de bem-estar aqui (sic).” Sua dificuldade maior é com a língua portuguesa e a falta de abertura de alguns brasileiros. Hoje, ela não está estudando e, por enquanto, faz trabalhos voluntários na Pastoral da Migração, que a acolheu. “Meu sonho vai se realizar através dos meus estudos”, comenta Marthe que quer fazer Administração. REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012 | 49


turismo

De olho no luxo de Curitiba A Capital paranaense reúne algumas opções e pontos para quem busca o turismo de alto padrão Bianca Nascimento bianca.nascimento@revistames.com.br

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uritiba é considerada uma cidade modelo, ambientalmente correta, organizada e mais tecnológica que outras capitais brasileiras. Sim, ela carrega todos estes títulos. Além disso, a cidade vive um momento de crescimento no turismo local. Segundo o último dado do Instituto Municipal de Turismo de Curitiba, a cidade recebeu mais de 3,6 milhões de turistas no ano passado. É uma mostra que

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Curitiba ganha mais visitantes a cada ano, já que em 2011 esse dado ficou em 3,4 milhões entre turistas nacionais e estrangeiros e, em 2009, a cidade recebeu 3,1 milhões de visitantes.

Curitiba tem ótimas referências para quem vem visitá-la em busca de opções com requinte Mesmo que o principal motivo ainda seja o turismo de negócios, esse cenário ganha novos contornos na cidade. “O que muda é a permanência dos turistas na cidade. Antes, a média era ficar dois dias aqui, agora são quatro dias”, aponta Dário Pai-

xão, presidente do Curitiba, Região e Litoral Convention&Visitors Bureau (CCVB). “Curitiba aumentou o turismo de lazer também. E hoje ela oferece mais opções para isso”, completa. Uma cidade bastante cosmopolita e com calendário extenso de atrações promovidas por diversos setores da sociedade não poderia deixar de receber bem o visitante que busca também o alto padrão. Seja na gastronomia, na hotelaria, programas culturais ou de passeios, Curitiba tem ótimas referências para quem vem visitá-la em busca de opções com requinte. A Revista MÊS destacou dentre estes segmentos alguns programas e lugares que a cidade tem a oferecer para o turista que busca o luxo. Veja a seguir:


Divulgação

Hospedagem Hotel Bourbon, a maior suíte presidencial de Curitiba

hospedaram nesta suíte. O quarto tem 304 m², com decoração clássica e lustres ingleses. Possui também cozinha privativa, sala de jantar e estar, closet, banheiro com jardim de inverno, área externa com visão ampla da cidade entre outros espaços. O gasto médio com a suíte é de R$4.500, o que inclui diárias mais despesas de consumo. www.bourbon.com.br

Gastronomia

Cultura

Restaurante Durski - A melhor carta de vinhos

Museu do Olho, um dos mais bonitos do mundo Carlos Renato Fernandes

Em 1990, o então madeireiro Júnior Durski realizou o sonho de abrir seu próprio restaurante e virou chef de cozinha. Com um cardápio internacional e decoração clássica, que inclui poltronas Luís XV e talheres de prata Crhistofle, o restaurante Durski, segundo o próprio dono, “parece com aqueles restaurantes clássicos de Paris”. O lugar já recebeu prêmios importantes como o melhor restaurante do Sul do Brasil em 2010 (Guia 4 Rodas 2010) e a Melhor Carta de Vinhos do Brasil (Guia 4 Rodas 2011). Esse é um dos pontos fortes, a adega do Durski possui mais de dois mil rótulos e vinhos de 23 nacionalidades. Alguns atravessaram a Segunda Guerra Mundial e outros vêm de safras mais antigas ainda, a partir de 1850. O vinho mais caro da adega é o Château D´Yquem que custa R$56 mil. “O curitibano sente orgulho do restaurante e da nossa adega e traz os turistas aqui”, revela Durski. www.durski.com.br Gerson Lima

O Museu Oscar Niemeyer (MON) foi eleito um dos 20 museus mais bonitos do mundo pelo site norte-americano Flavorwire. Além disso, é o principal ponto de visitação entre 48 atrações turísticas em Curitiba. Escolha feita por visitantes do site TripAdvisor, referência mundial em turismo. O MON possui mais de 17 mil metros destinados a exposições e outras atividades. Cerca de 15 mil pessoas passam por mês no museu, que também possui um café, livraria, espaço para eventos, acervo e um jardim externo. Segundo a diretora do MON, Estela Sandrini, muitas exposições marcaram a história do lugar. “Uma das exposições de maior sucesso foi ‘Eternos Tesouros do Japão’”, conta. As obras, que vieram do Museu de Arte Fuji, de Tóquio (Japão), recebeu mais de 62 mil visitantes. Uma das próximas atrações será a exposição com obras de Paulo Leminski. A entrada custa entre R$2 e R$4. www.museuoscarniemeyer.org.br

Lazer

Divulgação

Banco de imagens

É um dos únicos hotéis cinco estrelas de Curitiba. Na classificação do Ministério do Turismo, o Bourbon Curitiba Convention Hotel foi eleito por dezesseis vezes consecutivas “Top of Mind Paraná” em hotelaria. Possui uma ala Premier, com 18 suítes de alto padrão. Mas a que chama mais atenção é a suíte presidencial, a maior entre os hotéis de Curitiba. Segundo a gerente-geral do hotel Bourbon, Valsiléia Carneiro, a suíte é destino de “diversas personalidades, como artistas, príncipes, imperatrizes e presidentes”. Grandes nomes como Dalai Lama e Pelé já se

Passeio de Trem, um dos únicos trens de luxo do mundo Hoje, no mundo, existem 23 trens de luxo. Curitiba tem um deles. São dois vagões que oferecem muito requinte aos passageiros. O vagão Copacabana, nome de um famoso bairro carioca, carrega uma decoração rústica, remetendo a um cenário mais imperial. Já o vagão Foz do Iguaçu, possui decoração baseada na fauna e na flora, com quadros de aves e madeira clara. Por ano, cerca de 200 mil passageiros fazem o passeio no trem de luxo pelo Paraná. “Recepcionamos o cliente com champagne. Temos café da manhã com croissants, vinhos, wyskies e diversos pacotes e atrações”, ressalta o diretor comercial da operadora de trens, Serra Verde Express, Adonai Aires de Arruda Filho. O pas-

seio corta por cidades como Piraquara, Morretes, Ponta Grossa, Guarapuava e Cascavel. Um dos destinos mais procurados é Foz do Iguaçu, e a viagem pode custar até R$5.000. www.serraverdeexpress.com.br REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012 | 51


esporte

O tatame agora também é delas Judocas brasileiros conquistaram 4 medalhas na Olimpíada de Londres; medalha inédita para o judô feminino deve aumentar o interesse das meninas no esporte

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Iris Alessi iris.alessi@revistames.com.br

judô brasileiro conquistou nos Jogos Olímpicos de Londres uma medalha inédita para o País: o ouro da judoca piauiense Sarah Menezes. O feito deu maior visibilidade para as meninas na modalidade. Além de Sarah, o judô levou mais três medalhas de bronze dos atletas Felipe Kitadai, Mayra Aguiar e Rafael Silva, conhecido como Baby. As conquistas já estão dando resultados. Mais pessoas estão procurando o esporte, inclusive as meninas. “Já estou sentido diferença na minha academia. Está tendo bastante procura. Já está repercutindo”, afirma o presidente da Federação Paranaense de Judô, Luiz Iwashita.

Equilíbrio só da equipe Para os Jogos de Londres, o Brasil classificou uma equipe de judocas formada por oito atletas masculinos e oito femininos. Apesar do equilíbrio numérico na delegação brasileira, o que se vê pelos tatames ainda não é 52 | REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012

O que é o judô?

Nas aulas de judô, ainda os meninos são maioria

O judô é uma arte marcial criada por Jigoro Kano, em 1882, no Japão. O esporte é praticado no tatame, área de luta que possui 14 m². Possui diferentes níveis atribuídos às cores nas faixas que amarram o quimono (uniforme da luta). Pode ser da branca até a preta, em duas graduações: kiu e dan. O objetivo da luta é derrubar mais vezes o adversário num combate que pode durar até 5 minutos. A pontuação é dada conforme o tipo de queda: yuko equivale a um quarto de ponto, vazare é metade de um ponto e ippon é o ponto final. Além da aprendizagem das técnicas marciais, o judô auxilia no desenvolvimento mental, exercita o corpo, dá limites às crianças, ajuda a extravasar as emoções e melhora a concentração.


Ana Flávia, hoje com 15 anos de idade, pratica o esporte desde os 06

Jorge Mariano

a mesma proporção entre meninos e meninas. O sexo masculino ainda é predominante entre os praticantes da modalidade no País. É isso que se vê na turma do primeiro ano da Escola Atuação, em Curitiba. Na aula de judô, são apenas três meninas entre onze meninos que escolheram o esporte. As demais meninas optaram pelo balé. As três judocas da turma tiveram motivos diferentes para chegar ao esporte. Angélica Mücke Barboza (6) gosta de derrubar os colegas. Ana Beatriz Hartmann (6) diz adorar lutar e Suzana Porto Karam (5) gosta de cair no chão. Mas em uma coisa elas são unânimes, as três querem ver mais colegas na modalidade. Apesar de ainda pequenas, elas já perceberam que a preferência entre suas colegas está longe dos tatames. “Elas acham que judô é chato e é só de meninos”, conta Suzana.

As conquistas já estão dando resultados. Mais pessoas estão procurando o esporte

Jorge Mariano

Mais meninos O presidente da Federação Paranaense de Judô diz que em sua academia, por exemplo, a proporção é de dez meninas para cada grupo de trinta praticantes. Iwashita considera que parte disso deve-se ao fato de que a grande maioria das meninas é incentivada e prefere balé ou ginástica rítmica quando criança. “Muita gente acha que o judô é um esporte mais grosseiro, mais masculino, mas você pode ver as meninas lutando, que não é tanto assim”, completa. No meio de mais meninos é que começaram as atletas Ana Flávia Ajuz Ferreira (15) e Viviane Donomai (16).

Ana Flávia começou com o incentivo da mãe para praticar algum esporte e próximo de sua casa havia apenas judô. Já Viviane seguiu os passos do pai que também treinava.

Disputas Nem para Viviane, nem para Ana Flávia ter mais meninos nos treinos foi um problema. “Eu não ligava, ainda mais quando você é criança, que os meninos têm quase a mesma força que você. Eu, particularmente, adorava ganhar deles. Para mim, era um desafio treinar com eles”, afirma Viviane. A atleta foi perceber que esse era um esporte que atraía mais meninos que meninas quando começou a competir realmente. Era possível observar nas competições que a proporção de garotas inscritas era bem inferior ao número de meninos. Isso fazia com que

diminuísse o nível das competições e da preparação das atletas. Mas essa realidade pode estar mudando. As duas atletas afirmam que hoje já há mais mulheres se dedicando ao esporte. “[Hoje] está bem mais fácil. Já tem bastante que treina comigo. E treinar com menino também é melhor, porque eles são mais fortes e te deixam mais forte, mas também cansa. Às vezes, machuca”, explica Ana Flávia. Parte das pessoas que está procurando as academias de judô é de pessoas que já treinaram e depois das quatro medalhas em Londres estão querendo voltar a treinar. Para Viviane, o resultado brasileiro no judô nas últimas Olimpíadas mostra como o nível técnico do esporte está crescendo no País e popularizando mais a modalidade. Talvez, em 2016, o resultado possa ser ainda melhor. REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012 | 53


esporte Maria Luiza Passos enfrenta grandes dificuldades para sobreviver no esporte, que é sua paixão

Rendimento esportivo Depois de dar tchau a Londres, surge a preocupação com a manutenção e o surgimento de novos talentos do Esporte; leis de incentivo são fundamentais para o sucesso do novo ciclo

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Arieta Arruda arieta.arruda@revistames.com.br

uitas histórias de superação, falta de dinheiro para alimentação adequada, pouca estrutura para treinar. Foram muitos os fatores de dificuldades que se viu na última edição dos Jogos Olímpicos por parte dos atletas brasileiros. Com o fim de mais um ciclo olímpico e o início do ciclo das Olimpíadas versão “Tupiniquim”, os olhos da sociedade se voltam às obras para o evento espor-

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tivo, mas pouca atenção ainda é dada à preparação dos atletas para 2016. Se é difícil para os atletas sobreviverem no Brasil, imagine para os paraatletas. Uma das questões levantadas por quem acaba de voltar dos Jogos de Londres e coleciona participações nas Paraolimpíadas em Atlanta (1996) e Pequim (2008) é a melhoria da estrutura para os esportistas no País. A paraatleta de tênis de mesa, Maria Luiza Pereira Passos (61), espera que essa mobilização nacional relacionada ao esporte seja também revertida em mais incentivos financeiros para a formação de atletas e paraatletas daqui para frente. E que continue depois dos Jogos no Rio. Assim como para Malu, seu colega de clube (Associação dos Deficientes

Físicos do Paraná), o paraatleta Claudiomiro Segatto (41), eleito o melhor mesatenista das Américas em 2007 e 2009, que representou o Brasil em Londres, também cobra mais apoio. “Fica difícil viver só do esporte”, lamenta. “Não só o tênis de mesa, quase todas as modalidades paralímpicas têm dificuldades de conseguir patrocínio por falta de visibilidade”. “No nosso caso do tênis de mesa, precisaria de algum lugar adequado para treinamento. Deveria ter um centro de treinamento paralímpico [em Curitiba]. Isso já ajudaria muito”, também sugere Malu. Por isso, para eles, é tão importante leis de incentivo ao esporte.

Dez anos Neste ano, completa-se uma década da Lei Municipal de Incentivo ao


A situação pode melhorar. Um indício já observado na Capital paranaense é o aumento recorde de beneficiados e do valor investido, em 2012. Foram arrecadados R$ 1,8 milhão, 22% a mais ante a 2011, com 841 projetos aprovados. “Tivemos um número maior de incentivadores”, explica Adriano Santos de França, gerente do Incentivo ao Esporte e Promoção Social, da Secretaria Municipal do Esporte, Lazer e Juventude.

a Secretaria Estadual do Esporte. O valor para este ano é de R$ 7,3 milhões em bolsas.

Este ano, algumas entidades em Curitiba demonstraram maior interesse em investir em mais atletas No entanto, segundo os paraatletas consultados pela reportagem e contemplados pelo programa, o benefício está atrasado. “Ainda não recebemos. Olha, acho que tá atrasado”, fala Malu. “Era para a gente ter recebido há dois meses”, comenta Segatto. A Secretaria Estadual do Esporte foi consultada e informou que já estão sendo repassados os benefícios deste ano e que algumas contas repassadas deram erro, mas já estão procurando solucionar o caso.

Os atletas também podem pleitear o bolsa-atleta, da Lei Agnelo/Piva (10.264), que já possui mais de uma década dando apoio a milhares de brasileiros. Hoje, tanto Malu como Segatto recebem o bolsa-atleta do Governo Federal e o incentivo da Prefeitura de Curitiba. “Graças a isso [leis governamentais] que o esporte paralímpico vem crescendo, porque se a gente dependesse de empresários para incentivar o esporte, isso estaria bem complicado para o nosso lado”, diz o mesatenista.

Rotina A rotina de treinos para esses paraatletas, como a de milhares de outros esportistas, não é nada fácil. Malu, por exemplo, trabalha no clube, localizado no Alto da XV, o dia todo e treina à noite. Moradora do Alto Boqueirão, a cadeirante precisa pegar seis ônibus para ir e voltar do trabalho e treino. “Às vezes, tenho que sair mais cedo do treino, porque senão fica muito tarde [para chegar em casa]”, comenta. Atualmente, as leis de modo geral só preveem o custo de participação em competições. Por isso, os paraaletas propõem que as leis de incentivo ao esporte possam contemplar também as despesas da rotina de treinamento, como o transporte, material para treino, alimentação adequada e desburocratizar a apresentação da documentação no relatório final do projeto. Claudiomiro Segatto cobra mais apoio ao esporte paralímpico

Divulgação / CBTM

Jorge Mariano

Esporte (593/12), que está, inclusive, com inscrições abertas para projetos de atletas e clubes (veja box). “Nos últimos quatro anos, mais de 10 mil atletas foram beneficiados”, pontua o deputado estadual, Ney Leprevost, autor da Lei Municipal quando vereador e coautor da nova Lei Estadual nº 748/11, que está em tramitação na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e prevê a criação de um Fundo Estadual para o Esporte.

Situação Estadual Outro incentivo que os esportistas paranaenses podem ter acesso é a verba destinada ao Programa Talento Olímpico do Paraná (TOP 2016). Criado no ano passado para atletas em nível escolar, este ano recebeu uma ampliação para também beneficiar categorias profissionais, atendendo a mil atletas e técnicos de 27 modalidades olímpicas e 10 paralímpicas, segundo

Para participar Estão abertas as inscrições de projetos para atletas ou paraatletas na Lei Municipal de Incentivo ao Esporte. A data limite é 30 de setembro para enviar o projeto. Os recursos serão destinados ao período de janeiro a julho de 2013. Informe-se no Departamento do Incentivo ao Esporte e Promoção Social, nos contatos: (41)3350-3739/ 3350-374, incentivoaoesporte@smelj.curitiba.pr.gov.br

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Banco de imagens

automóvel

Segurança ao volante Dois novos itens de segurança passarão a ser obrigatórios no Brasil a partir 2014; desde já, as fábricas estão se adequando para garantir mais segurança aos veículos

I

Iris Alessi iris.alessi@revistames.com.br

tens de segurança, muitas vezes, não são levados em consideração pelo brasileiro na hora de comprar o carro. Um dos motivos está no aumento considerável do preço do veículo. Mas em 2014 dois desses itens – airbags frontais e ABS – deverão estar em todos os veículos saídos de fábrica, nacionais e importados. É isso que determina as resoluções do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) número 311 e 312 de 2009. Desde a publicação das novas determinações, as fábricas estão numa corrida para cumprir o calendário que

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vai até 1º de janeiro de 2014. Até lá, 100% dos veículos deverão sair com estes dispositivos de fábricas. A Fiat Automóveis informou que atualmente já atende a porcentagem exigida pela lei (veja no box) e que procura desde já baratear esses opcionais ou “nos casos mais recentes tornando-os de série em alguns modelos”. A Renault avisou que 38,3% dos carros da marca já saem de fábrica com airbag e 35,4% com freios ABS e que ainda não sabe precisar se haverá aumento nos custos, mas alegou que a marca mantém uma política de redução dos custos e não pretende repassar as mudanças para o consumidor final.

A reportagem entrou em contato também com as montadoras da Volkswagen, Chevrolet e Ford, mas até o fechamento desta edição não obteve retorno.

ABS A importância do sistema de frenagem ABS serve para o motorista manter o controle do veículo em freadas bruscas e em pisos escorregadios. “A ideia do ABS é manter a direção do veículo em casos de extremas condições de piso. Então, você mantém o contorno da via ou o desvio do objeto do qual você desviar”, afirma o analista técnico do Centro de Experimentação


air bag e abs de Segurança Viária (Cesvi Brasil), Alessandro Rubio de Oliveira.

Conheça o PERCENTUAL DA PRODUÇÃO e a DATA DE IMPLANTAÇÃO que as fábricas de automóveis precisarão atender

“O ABS é um sistema basicamente composto de três partes: sensores de rotação nas rodas, uma central eletrônica e uma unidade mecânica. É o conjunto desses três elementos que faz o sistema do ABS funcionar”, explica o engenheiro mecânico e responsável pela divisão de motores da Brose do Brasil, Alexandre Rech.

AIRBAG

Airbag Se o ABS tem como função o não travamento das rodas numa freada brusca, a função do airbag é de reduzir as lesões às pessoas que estão dentro do carro em um acidente. “Na hora que você bate o carro, o impacto que você sofre é muito brusco. Então, seu corpo é jogado contra dispositivos que têm no carro, o painel ou coluna ou porta, e o airbag veio para reduzir esses danos que ocorrem nos ocupantes depois do impacto”, salienta Oliveira. O Denatran pondera que o airbag é um equipamento suplementar de segurança e, por isso, “é fundamental que seja utilizado em conjunto com o cinto de segurança, a fim de desempenhar corretamente sua função”.

Consequências Para Oliveira, as principais consequências dessas duas leis e o motivo

10%

01/01/2011

30%

01/01/2012

100%

01/01/2013

II – Automóveis e veículos deles derivados em produção, nacionais ou importados

8%

01/01/2010

15%

01/01/2011

30%

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60%

01/01/2013

100%

01/01/2014

ABS I – Veículos das categorias M1 e N1

8%

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15%

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30%

01/01/2012

60%

01/01/2013

100%

01/01/2014

II - Veículos das categorias M2, M3, N2, N3 e O (que envolvem os veículos pesados de transporte de carga e passageiros (ônibus, caminhões e rebocáveis)

40%

01/01/2013

100%

01/01/2014

Fonte: Denatran

Roberto Dziura Jr.

A função do ABS é fazer com que a roda não trave durante a frenagem. Os sensores são responsáveis pela identificação do travamento das rodas. A eletrônica recebe o sinal desses sensores e, por meio da unidade mecânica, comanda os freios aliviando e aumentando a pressão, em questão de milissegundos. Isso diminui a distância de frenagem e permite o desvio de obstáculos, aumentando a chance de evitar acidentes.

I – Novos projetos de automóveis e veículos deles derivados, nacionais ou importados

Morais e um dos modelos mais seguros do mundo: o XC90

pelo qual elas foram criadas é reduzir os danos nos ocupantes dos veículos. “Reduzir os acidentes isso não vai conseguir só com o airbag. Isso aí depende de outras coisas: vias mais iluminadas, sinalizações melhores, mas se você considerar que tem a frota inteira equipadas com airbag, você vai diminuir os danos nos ocupantes. E, consequentemente, reduz gastos com hospitais”, diz o analista da Cesvi.

Além dos itens de segurança que serão obrigatórios a partir de 2014, muitos carros, principalmente os importados, vêm com diversos itens que têm como objetivo aumentar a segurança dos motoristas e passageiros. Muitos clientes já se atentaram para esses quesitos e optam por comprar carros com esses itens de segurança. A Volvo tem sido considerada referência no quesito segurança. Um exemplar é o modelo Volvo XC90, avaliado como um dos carros mais seguros do mundo. “É um conjunto de itens de segurança, são airbags frontais, laterais, de cabeça, ABS, controle de tração, controle de estabilidade, controle anticapotamento, ou seja, o carro não deixa você errar em hipótese alguma. Se você errou, ele toma o controle”, afirma o gerente da loja Euro Import Volvo, Marcelo Fernandes de Morais. REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012 | 57


moda&beleza

Estrias, as indesejáveis Marcas deixadas na pele pelas estrias incomodam homens e mulheres; impedir o efeito sanfona de peso é uma maneira de evitá-las

T

Iris Alessi iris.alessi@revistames.com.br

er uma pele lisinha é um sonho de muitas mulheres e de muitos homens também, mas o crescimento rápido, o efeito sanfona de aumentar e diminuir de peso rapidamente, a gravidez e até o exagero de exercícios físicos podem trazer marcas que deixam esse

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desejo distante. São as famosas e indesejáveis estrias, que são lesões que acontecem pela distensão da pele. “O corpo não aguenta, ele estica e faz uma cicatriz naquele lugar”, explica a dermatologista da Amil, Lauren Morais. Assim, aparecem as estrias. “Tem peles que são mais suscetíveis. As peles mais frágeis, mais claras, mais finas, muitas vezes aparece [a estria]”, afirma a dermatologista Annia Cordeiro Lourenço. Mas não é exclusividade desse tipo de pele. “Às vezes, a gente também vê em negros. Então, é uma suscetibilidade específica”, completa.

Corpo As estrias no abdômen, que surgiram há três anos após um aumento de peso muito rápido, incomodam muito a secretária Jéssega Youssef (27). “Aquela questão do corpo perfeito, por mais que eu nunca fosse magrinha, a minha pele era lisinha, depois quando isso mudou, eu já não andava mais de blusinha que aparecesse qualquer pedaço do corpo que tivesse estria. O olhar dos outros que incomoda”, conta. Em Jéssega, as estrias eram mais fortes no abdômen, mas não é ape-


MUSEU DE CERA nas nesta região do corpo que elas aparecem. Nas mulheres, os locais mais comuns do surgimento de estrias são nas coxas, nos glúteos, nas mamas e nos flancos. Os homens também não estão imunes às estrias e elas comumente aparecem nas costas, também nos flancos, nos braços, no peitoral e na lombar. Para Lauren, a evolução das estrias ocorre conforme o organismo reage. “Algumas vezes regiões de braço, por exemplo, acontecem mais as estrias atróficas, região de abdômen de mulheres grávidas também as atróficas, região de bumbum, geralmente são as brancas. Mas isso é muito variável de pessoa para pessoa”, comenta.

Tratamento Como tudo que se refere a tratamentos de saúde e estéticos, as estrias detectadas precocemente são as mais fáceis de tratar. Elas apare-

O tratamento a laser e o peeling foi o tratamento procurado por Jéssega. Ela fez quatro sessões no ano passado e já está sentindo a diferença. “Como ela estourou muito rápido, eu engordei muito em pouco tempo, ela estourou e fazia até aqueles queloides. Então, para mim, já diminuiu muito”, revela.

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1

DA AMÉRICA

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Existem também outros tratamentos como a radiofrequência, a carboxiterapia que junto com o peeling e o laser são feitos em um consultório médico. E o resultado varia conforme o tempo da estria. Mas o melhor tratamento para estrias é mesmo a prevenção. Evitar engordar muito rapidamente e também o efeito sanfona ajuda a prevenir o aparecimento das tão indesejáveis. Jorge Mariano

Banco de imagens

A evolução das estrias ocorre conforme o organismo reage

cem vermelhas. Segundo Lauren, o tratamento das estrias vermelhas pode começar com ácidos prescritos pelos médicos, que podem ser utilizados em casa. “Descobriu que está com o vermelho, iniciar com o laser de preferência e, se possível, usar uma ácido retinoico em casa para as peles que aguentam, mas o mais importante é o laser mesmo”, salienta Annia.

CURTA TEMPORADA

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SHOPPING CENTER “O corpo não aguenta, ele estica e faz uma cicatriz naquele lugar”, explica a dermatologista, Lauren Morais, sobre as estrias

INFORMAÇÕES: 41 3015-4049 REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012 | 59 WWW.MUSEUDECERACURITIBA.COM.BR


culinária&gastronomia

Drinks da estação Seja com frutas, flores ou com sabores nacionais e internacionais, os drinks refrescantes são os mais pedidos na Primavera

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Bianca Nascimento bianca.nascimento@revistames.com.br

deal em uma roda de amigos, para aproximar casais, servido em eventos ou somente para apurar o paladar antes de uma refeição, os drinks viraram vedetes em alguns bares. São composições, em geral, refrescantes em que o destaque fica com as frutas, já o teor alcoólico pode variar dos mais leves aos mais acentuados. Uma interessante opção são as flores que aparecem para homenagear a Primavera, que começa este mês, e dá à bebida um colorido todo especial. É o caso da invenção do drink “Amor perfeito”, do bartender e vice-campeão brasileiro em campeonatos de coquetéis internacionais, Júlio Romário Pascoal. A bebida é feita com suco de limão, vodka e pétalas de violeta. Além dela, flores como as rosas e calêndulas combinam bem com tequila. Já as tulipas rendem um coquetel mais cremoso e a margarida pode servir para decorar.

Jorge Mariano

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Haja inspiração para criar tantos drinks diferentes! “Desde a gastronomia, música, arte, cinema, moda, enfim, tudo é motivo para se inspirar”, revela Marco de La Rocha, um dos expoentes da coquetelaria e mixologia brasileira. Atualmente, ele tem um site chamado Mixology News, que reúne informações sobre mixologia, que é o estudo da coquetelaria.


Para o barman Marcos Baldissera, que atua há vinte anos na área, essas frutas são essenciais para a diversidade de drinks que o Brasil tem. “Estamos em um país tropical e a variedade de produtos naturais aqui é muito grande”, explica. O cacau também é uma boa pedida. “É uma fruta nossa, com um sabor ótimo e exótico que garante um drink mais cremoso, lembrando um pouco da mistura de banana com jaca”. Os ingredientes salgados também combinam com os drinks. O mais utilizado é o próprio sal, como na Margarita. Além dele, as azeitonas, especiarias e ervas, como hortelã, gengibre, manjericão são muito usados, assim como a pimenta.

Barman: Marcos Baldissera

Ingredientes principais Os destilados mais comuns que servem de base para os drinks são a vodka, o gim, o rum e os licores, como cointreau. “Os destilados, geralmente, são completados com refrigerantes transparentes, água mineral ou até mesmo água de coco. Estes produtos não alteram a cor da fruta que se escolhe para o drink”, explica Pascoal. “Além disso, os sucos também são muito usados nas composições, sendo que os mais utilizados são de abacaxi, limão e laranja. O suco de cranberry também é muito usado.”

Mas os brasileiros são mesmo apaixonados pela caipirinha quando o assunto são drinks. “Se considerarmos que existem mais de 50 mil bares no País, entre eles bares populares e bares de Drink mojito

Fotos: Jorge Mariano

Nas épocas mais quentes, as frutas da estação, como pêssego, abacaxi, cereja, morango, melancia, amora, uva, framboesa são as mais usadas. Até o caju, típico do nordeste, também é utilizado com frequência no Sul.

Tendências de drinks

Drink cosmopolitan

Bem brasileirinha Receita de Caipirinha 75 mL de cachaça ½ lima da pérsia ½ limão tahiti 2 folhas de capim limão/capim santo/ capim cidreira 1 colher de açúcar Fonte: Marco de La Rocha

Modo de Preparo Em um copo baixo para caipirinha, coloque as frutas, o capim limão e o açúcar. Macere bem. Coloque cinco cubos de gelo, a cachaça e misture bem. Sirva com canudo.

alta qualidade, a realidade é que servimos muito mais caipirinhas, cerveja e drinks populares”, avalia Rocha. As “saquerinhas” seguem na mesma sintonia de popularidade. São drinks em que a vodka é substituída pelo saquê e levam ervas, como hortelã e manjericão, misturadas a outras frutas, como morango e kiwi. Mas os coquetéis internacionais também fazem sucesso por aqui. É muito comum encontrá-los nos cardápios de bares e restaurantes da cidade. Um exemplo é o famoso drink cubano mojito à base de rum branco. O centenário coquetel é feito com rum, hortelã, limão e soda. O drymartinié, outro clássico, em que a composição leva vermouthdry e gin. A azeitona dá um toque final à combinação. “Existem bebidas feitas de ervas que já são meio amargas. A erva nem sempre vem para adocicar”, ressalta Baldissera. Mais um drink conhecido em todo mundo é o Cosmopolitan. Esse drink ficou famoso por aparecer em diversas cenas do filme norte americano Sex and the City, em que um grupo de amigas se reunia para bater papo em torno do drink. Acabou que a bebida virou moda entre as mulheres. É feito com vodka, suco de cranberry, limão siciliano e cointreau. Os drinks podem ainda ter uma versão sem bebida alcoólica. O destilado é substituído pelo suco da fruta utilizado no drink. A famosa Piña Colada é uma das bebidas em que o rum, utilizado no preparo, é trocado pelo suco de abacaxi, uma das frutas do drink. Alguns bartenders batem o suco com creme de leite ou leite condensado, para deixar o coquetel mais doce e cremoso. Estas bebidas também podem variar para o “frozen”, ou seja, os ingredientes são batidos com gelos e o drink fica refrescante e igualmente interessante. REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012 | 61


cultura&lazer

Cenário favorável para produção local Facilidade para editar, publicar e até divulgar as obras literárias ajudam os autores paranaenses a chegarem ao público

A

Iris Alessi iris.alessi@revistames.com.br

literatura paranaense conta com nomes consagrados de autores como Paulo Leminski, Helena Kolody, Cristovão Tezza e Dalton Trevisan, este que foi recentemente vencedor do Prêmio Camões e também do Prêmio Machado de Assis.

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São escritores que se destacam no cenário nacional e internacional. Mas a produção paranaense não se resume apenas aos nomes mais expoentes.

O Prêmio Paraná de Literatura, que será entregue em dezembro deste ano, vai selecionar livros inéditos A produção literária no Estado hoje vive um bom momento. Para o editor do jornal literário Rascunho e também diretor da Biblioteca Pública do Paraná, Rogério Pereira, a produção

está bastante fortalecida devido a diversos fatores. “A gente pode enumerar desde a facilidade que os autores têm para editar, para publicar, até para divulgar as suas obras. Hoje, tem canais de divulgação muito mais consistentes do que tínhamos há cinco, seis anos”, afirma. O mercado literário se transformou em “excelente” na visão do escritor Luiz Felipe Leprevost. Para ele, esse é um dos momentos mais ricos e plurais da literatura paranaense. “É uma cena que quer se afirmar de forma potente”, afirma. Leprevost acredita que a geração de Paulo Leminski, Jamil Sneje, Manoel Carlos Karam e


Jorge Mariano

Wilson Bueno foi uma geração que conquistou um espaço importante na cena nacional, “fez com que nós fôssemos levados cada vez mais a sério”, completa.

Renovação

À literatura paranaense está sendo atribuído maior espaço para leitura. Prova disso são os diversos eventos relacionados à literatura que são promovidos por aqui e que têm ganhado atenção do público local, além da criação de um prêmio de literatura. O Prêmio Paraná de Literatura, que será entregue em dezembro deste ano, vai selecionar livros inéditos de autores

Roberto Dziura Jr.

Roberto Dziura Jr.

Vem gente nova por aí. “Nós temos muitos jovens autores, que eu posso citar a partir dos 25 até os 40 anos, para a produção tanto da prosa, quanto da poesia”, diz. Alguns nomes de destaque elencados por Pereira são: Luís Henrique Pellanda, Carlos Machado, Luiz Andrioli e Luiz Felipe Leprevost. “Tem vários autores que estão de alguma maneira construindo uma carreira que me parece interessante. Agora se vai se transformar numa realidade, aí não é agora que a gente vai definir”, avalia Pereira.

O cenário local é “excelente” na visão do escritor paranaense Luiz Felipe Leprevost

de todo o Brasil, que serão publicados pela Biblioteca Pública do Paraná. “A gente ainda não tem um mercado em Curitiba, mas há um esforço desse conjunto de pessoas para que cada vez mais a gente possa lançar um livro aqui e ser consumido por leitores também daqui”, comenta o Leprevost que teve influência de muitos escritores paranaenses.

Para Pereira, há novos autores paranaenses que estão construindo uma carreira interessante

Maior espaço A visibilidade dos “bichos do Paraná” também ganha força nas prateleiras de livrarias quando há reconhecimento nacional de alguns escritores locais, como o escritor radicado no Paraná, Cristovão Tezza, que transformou o livro “O Filho Eterno” num best-seller. “Eu acho que essa visibilidade toda, na medida em que a mídia olha para cá com mais interesse, faz com que acabem vendo que aqui há também gente mais nova produzindo; além do mais, há uma espécie de comunhão no ar entre as pessoas que amam a literatura”, argumenta ainda Leprevost. Também há mais meios de exposição que facilitaram a vida dos autores paranaenses, como as mídias sociais e a internet, ressalta Pereira. Para o editor, há dez anos isso era mais difícil e o escritor tinha também de ter a sorte de sua obra cair nas mãos de algum crítico que fizesse a divulgação. Mas Pereira é enfático, apesar de existir a facilidade da exposição, isso não tira o foco do talento literário. É preciso ser bom e contribuir para melhorar o nível de leitura da população. REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012 | 63


dicas do mês

Arieta Arruda - arieta.arruda@revistames.com.br

Romance

Autora: E L James Editora: Intrínseca

Memórias

Autor: Diogo Mainardi Editora: Record

Cinquenta tons de cinza

A Queda

A picante história entre a jovem virgem de 21 anos, Anastasia Steele e o multimilionário sedutor, Christian Grey, mal chegou ao Brasil e virou best-seller. É uma narrativa envolvente que conta uma relação de dominação emocional e sexual. Anastasia, apesar de sua ingenuidade, aceita o desafio de assinar um contrato em que Grey dá as cartas neste jogo de sedução. Trata-se de uma trilogia que ainda vai dar o que falar. É uma mistura de romance e sadomasoquismo, em uma nova categoria: “pornô para mamães”. Tamanho é o sucesso da obra que já tem previsão de virar filme.

Um dos mais polêmicos jornalistas da atualidade, Diogo Mainardi, se mostra um tanto mais sensível e prostrado ao problema de saúde de seu filho primogênito, que sofreu uma paralisia cerebral no parto por um erro médico. Tito é o personagem principal dessa relação entre pai e filho. E mostra um Diogo que matou sua soberba natural e autoral. “Comovente pelo tema, extraordinário na forma e esplêndido como reflexão sobre a arrogância humana”, diz Mario Sabino, em resenha na Veja sobre a obra. A veracidade dos fatos e a sensibilidade da narração fazem do livro uma interessante leitura.

Ficção

Autor: Leandro Rodrigues Sales Filho Editora: Novos Talentos

Biografia Autor: Ruy Castro Editora: Companhia das Letras

Asgard, o poder esquecido

Anjo Pornográfico

Baseado na mitologia nórdica, o livro surpreende pela história e também pelo talento do autor, um menino de apenas 16 anos. É um adolescente falando para outros adolescentes. Considerado o caçula da Bienal do Livro deste ano, Leandro traz a história da guerra do mundo dos deuses: Asgard, Aesir e Vanaheim o lar dos Vanir, que travam uma batalha pelo controle de nove reinos. Traz a visão dos vilões na narrativa e mostra a ingenuidade do herói que pouco conhece das artimanhas dos deuses. Será que o tolo Ariel completará sua missão? É a dúvida respondida no fim da obra.

O centenário do grande escritor Nelson Rodrigues, comemorado este ano, não poderia ficar de fora dessa coletânea. O “anjo pornográfico”, como ele mesmo gostava de se intitular foi um revolucionário e marcou história com suas críticas e seu humor ácido. Foi um grande contribuinte para o teatro moderno, com obras que marcaram a literatura brasileira, como em “Vestido de noiva” e “Álbum de família”. Ruy Castro entrevistou cerca de 125 pessoas que conheceram o dramaturgo para contar as nuances dessa interessante personalidade brasileira.

64 | REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012


dicas do mês

Arieta Arruda - arieta.arruda@revistames.com.br

Rock

BB King Gravadora: Interscope Records

The Blues is My Life!

O aclamado Blues Boy está de volta aos palcos curitibanos. O encontro está marcado para o dia 02 de outubro, no Teatro Guaíra, onde o guitarrista e cantor norte-americano colocará mais uma vez à mostra seu gigante talento nos solos de guitarra e voz marcada. O show promete ser memorável. Antes ele estará no Rio e depois segue para São Paulo. Nesta turnê, B.B King não chega sem “Lucille”, sua famosa guitarra. Na apresentação, ele deve tocar algumas de suas músicas consagradas, como “The Thrill is Gone”, “Rock Me Baby” e “When Love Comes to Town”.

Tecnobrega

Gaby Amarantos Gravadora: Independente

Treme

Essa paraense está levando o tecnobrega, ritmo de grande sucesso do Norte do País, para outros cantos do Brasil. Com a música “Ex Mai Love”, tema da novela global “Cheias de Charme”, ela está em muitas paradas de sucesso. Bom humor nas letras e um tom bastante popular há quem esteja se rendendo ao seu charme e autenticidade. Sua música tem uma levada extravagante, assim como seu estilo de se apresentar, é animada e com forte batida eletrônica. Canções como “Xirley” e “Merengue Latino” são outras músicas de trabalho da fase de arrebentar de Gaby Amarantos.

Crossover

Banda Gentileza Gravadora: Trama Virtual

Banda Gentileza

Já dizia o profeta Gentileza: “gentileza gera gentileza”. Por isso, a promessa musical da vez é a banda gentileza. O sexteto curitibano está ganhando atenção nacional. É nesse embalo da multiplicação da animação, do humor, da inovação que vai além das músicas, que esses jovens artistas estão trilhando sua marca. Junto ao single “Quem me dera”, lançaram um jogo virtual no Facebook chamado “Game dera” e um clipe bem construído. É uma viagem dentro de um caminhão, em que a motorista precisa derrotar os vilões para que a banda possa se apresentar. O trabalho deles é interessante e instigante.

Pop

Kid Abelha Gravadora: Multishow

AoVivo Kid Abelha - 30 Anos

O trio formado por Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato completa, neste ano, 30 anos. Com 13 álbuns, três ao vivo e dois DVDs, a banda já foi considerada uma “fábrica de hits”. Você, provavelmente, tem alguma música que marcou sua vida com assinatura dessa banda. “Distração”, “Pintura Íntima“, “Eu tive um sonho” são alguns dos hits. O dia 14 de setembro marca uma data memorável desta banda na capital: há 20 anos (1992) ocorreu um show histórico na Pedreira Paulo Leminski (Curitiba) contra a corrupção.


Divulgação

opinião

Varlei Ramos

Educador e idealizador do Projeto PIC 10

O cenário da educação nacional

E

m agosto, o Ministério da Educação (MEC) divulgou os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Apesar de algumas metas atingidas, os resultados apontaram algumas defasagens no ensino do País, com destaque, para a queda da qualidade do ensino médio em nove estados brasileiros.

e acelerada devido ao advento dos avanços tecnológicos, como os smartphones, tablets, notebooks, entre outros, que requerem uma nova forma de ensino. Os educadores precisam se atualizar e transformar as ferramentas tecnológicas em aliadas da educação, como um chamariz para os jovens se dedicarem aos estudos.

No Ideb, os fatores considerados são: o aprendizado e o fluxo Uma forma rápida de ensino agregado com conhecimentos escolar, número de aprovações. Mas será que os estudantes gerais é a internet, se devidamente aplicada conseguimos estão finalizando os ciclos com o conhecimento que deve- equalizar o padrão de ensino por todo o País. Os goverriam ter em suas respectivas séries? Será que eles possuem nantes precisam se conscientizar que esta ferramenta fácil algum domínio em conhecimentos gerais? Como informa- pode contribuir significantemente para o desenvolvimento ções básicas do nosso dia a da educação nacional. dia? Um exemplo simples: O Brasil precisa se atentar à quem é o atual vice-presidente Qual a melhor maneira de educação nacional, pois os estudantes da República? Qual o significatransformar a tecnologia em do da sigla PIB? Ou até mesuma aliada dos estudos? de hoje, que foram analisados neste mo, quem foi Tiradentes? demonstrativo, serão os médicos, Essa tecnologia pode ser engenheiros, governantes O próprio índice responde à empregada na sala de aula, pergunta, no primeiro ciclo com recursos multimídias, do ensino fundamental, etapa de 1ª a 4ª série, o país sal- até no formato de dever de casa com uma pesquisa sobre tou da nota 4,6 para 5. No segundo ciclo, 5ª a 8ª séries, determinado assunto. A utilização de plataformas tecnoló44% das escolas públicas não atingiram as metas, houve gicas proporciona aos professores uma análise das defasaaumento no número de aprovações e a proficiência dos gens da turma e contempla os estudantes com os melhores estudantes aumentou somente 0,22. Apesar desses indica- desempenhos, proporcionando desenvolvimento intelecdores, o ciclo final do fundamental aumentou a média de tual e reconhecimento. 3,7 para 3,9, ultrapassando a meta estipulada. No ensino médio, dez Estados, entre eles Paraná, Rio Grande do Sul, O Brasil precisa se atentar à educação nacional, pois os esBahia e Distrito Federal, apresentaram índices inferiores tudantes de hoje, que foram analisados neste demonstratia 2009. vo, serão os médicos, engenheiros, governantes, entre outros profissionais de amanhã, que futuramente assumirão Analisando esses resultados mais a fundo, é possível con- as responsabilidades pelas movimentações econômicas, cluir que a educação no País está precisando ser reformu- saúde, segurança e entre outras funções imprescindíveis lada. Atualmente, lidamos com uma geração imediatista para o desenvolvimento de qualquer nação. 66 | REVISTA MÊS | SETEMBRO DE 2012


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