Revista Margem 1ª edição-março 2024

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1ª -EDIÇÃOMaringá, março 2024

a l é m do que se

S O B R E M A R G E M

A Revista Margem surgiu a partir da ideia de fazer pensada para pessoas comuns. É uma revista para as pess não aparecem nas capas ou que lutam pelo seu espaço na sociedade. No dia a dia, nem sempre temos tempo para pensar em como nos vestimos. Temos outras preocupações, o transporte público lotado, o chefe que pega no nosso pé e os trabalhos da faculdade que só se acumulam. Ainda assim, precisamos nos vestir todos os dias. Talvez seja uma das únicas formas de nos expressarmos enquanto navegamos pela nossa rotina. Entendemos essa forma de se vestir como a moda cotidiana, que nem sempre é intencional mas que é tão necessária para nossa sobrevivência. A moda cotidiana faz parte da sociedade da qual fazemos parte e é por isso que acreditamos que é importante, sim, pensarmos sobre a moda e em como nossas escolhas impactam o mundo. Ainda temos um longo caminho pela frente, mas a Margem chegou para somar no debate sobre a moda cotidiana, falando sobre a moda sobre outro ângulo.

A revista Margem é um projeto desenvolvido para as matérias de Planejamento e Empreendimento em Comunicação, do curso de Comunicação e Multimeios da Universidade Estadual de Maringá, orientado pelo Prof. Dr. Cássio Henrique Ceniz.

B E A • B I A N C A • I S A • L U Í S • M A R I

NOSSA EQUIPE

MARI

redação & entrevistas

Apaixonada por viagens, praia, música & audiovisual brasileiro.

BIANCA

redação & fotografia

Vegetariana que ama os animais. Passa o tempo lendo mangás e pintando aquarelas.

BEA

redação

Fã de bandas de indie rock. Não é nenhuma expert, mas gosta de falar sobre moda histórica.

ISA

design & diagramação

Interessada no campo da moda, está sempre preocupada com o visual. Ama desenhar e relaxar com seus gatos.

LUÍS

ilustração

Gosta de jogar futebol, desenhar e mitar na internet. Capricorniano com poucos sonhos e grandes objetivos.

q especialmente consome mui mesma propor Começamos a indústria da problemáticas.

doutoranda em Moda Visitamos brechós marin formas de se vestir. Pa influência e a inclusão, co moda, Julio Cesar. Fotogr usam o estilo para se inspiramos.

Convidamos você para a por aspectos relacionados Esperamos que seja uma alguma forma ou, pelo perspectiva diferente.

um

Ensaio

O

sumário
Editorial: O corpo não é
acessório
um elefante na sala Passos de formiguinha
de moda Tem
fotográfico:
Olhar das Ruas Moda que influencia e inclui Agradecimentos Ficha técnica 8 12 16 19 30 34 37

o corpo não é um acessório de moda...

…então por que o vemos dessa forma?

A magreza se tornou um padrão da moda na modernidade - a partir da silhueta de “tubo” da década de 1920, até a cultura das supermodelos e o heroin chic da virada do século. O corpo gordo já foi considerado atraente e desejável em diferentes épocas por estar associado à fertilidade e prosperidade entre outras coisas. A estatueta Vênus de Willendorf é uma figura que representa um corpo gordo. Produzida há aproximadamente 23.000 anos A.C., ela é considerada uma das primeiras idealizações esculpidas de uma mulher.

A idealização da magreza na forma que conhecemos começou no século 19, por diversos fatores, dentre eles: o surgimento de dietas radicais, o início da industrialização de peças de roupa; e claro, o poder dos meios de comunicação. As imagens do cotidiano que nos cercam são uma grande influência para os nossos pensamentos e práticas. Quando uma publicidade questiona se o consumidor está com seu “corpo de praia” pronto ou a celulite de uma celebridade vira notícia, que mensagem isso passa para o público? Que tipo de corpo é tolerado?

Desse mesmo modo, quando observamos a falta de opções nas lojas de roupas, aquilo poderia ser só um constrangimento na hora da compra na verdade é significativo: É a rejeição do corpo gordo por meio de sua exclusão no mercado.

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Obras do artista Fernando Botero
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Essa exclusão é ainda mais explícita entre grifes e marcas mais caras. A Victoria’s Secret, por exemplo, é uma marca que já se envolveu em polêmicas, especialmente por utilizar apenas modelos muito magras em seus desfiles. Alguns anos atrás, ao ser questionado sobre a falta de inclusão de modelos plus size nesses desfiles, o ex-CEO da Victoria's Secret Ed Razek

Que tipo de corpo é tolerado?

afirmou que ninguém se interessaria por isso. No ano retrasado, a OMS estimou que mais de 1 bilhão de pessoas no mundo são obesas. Será que falta de demanda é mesmo o problema?

Sempre procuramos definir um padrão de corpo humano para idealizar e, apesar de ser extremamente mutável, as pessoas sempre tentaram se moldar de acordo com ele. O ser humano tem uma necessidade fundamental de encontrar seu lugar no mundo, de ser aceito. Uma pesquisa da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) de 2021 revelou que o Brasil está em 2º lugar no número de procedimentos estéticos realizados (8,9% de todos os procedimentos no mundo), e a lipoaspiração e a abdominoplastia se enquadram dentro dos cinco procedimentos cirúrgicos mais procurados. Tudo isso é feito para nos adequar aos padrões estéticos e, assim, encontrar uma suposta felicidade no

Monalisa, por Botero
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Criada em 1977

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pertencimento. Mas para muitos, o resultado nunca é satisfatório, porque o que é aceitável está sempre mudando. A própria busca pela perfeição estética produz sofrimento, não somente físico, no caso desses procedimentos, mas também psicológico, podendo desencadear distúrbios de imagem e transtornos alimentares.

Infelizmente, em certos casos até quem decide mudar seu corpo é criticado - em 2019, a Nike criou uma polêmica ao colocar um manequim plus size com um conjuntinho esportivo em uma loja em Londres: O jornal britânico

várias movimentações vêm ocorrendo nos últimos anos para se contrapor. Além do surgimento de novas marcas de moda independentes que tentam atender as demandas de clientes de todos os tipos de corpo, também podemos ver grandes nomes da moda se tornando cada vez mais inclusivos como o exemplo da Nike citado acima; apesar das críticas, existe uma iniciativa de ir além do padrão de magreza na tentativa de conquistar um público maior. Os consumidores de moda também tem se manifestado contra estes padrões. Um exemplo é uma trend que viralizou em redes como Instagram, Youtube e Tik Tok: a “same style, different size” (“mesmo estilo, tamanhos diferentes), que reúne pessoas com tipos de corpo diferentes experimentando as mesmas roupas, lado a lado, mostrando que a moda pode vir em todos os tamanhos.

The Telegraph acusou a marca de vender mentiras para seus clientes e afirmou que a manequim, se fosse uma pessoa real, não estaria saindo pra correr com aquelas roupas, mas sim se preparando para uma cirurgia. Como se uma pessoa obesa cuidar de sua saúde e praticar exercícios físicos fosse uma ideia simplesmente impensável!

Ainda assim, apesar destes casos de pressão estética persistirem na moda,

Não existe um único corpo ideal. O corpo não é como um acessório de moda que se torna uma tendência e pode ser descartada no fim da estação. Ele permanece conosco através do tempo e até o fim de nossas vidas, por isso o mais importante é sempre o nosso bem-estar físico e mental. Devemos reconhecer que existe um lugar para todos, não apenas na moda, mas na sociedade e no mundo.

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TEM UM ELEFANTE NA SALA

E ELE SE CHAMA INDÚSTRIA TÊXTIL

A indústria da moda é a segunda maior poluente do mundo, são 2.700 litros de água para produzir uma única camiseta de algodão.

De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), a indústria têxtil é responsável por até 10% das emissões de carbono, demanda alto consumo de água e polui rios com dejetos químicos. Mesmo com dados tão chocantes sobre o impacto ambiental da produção de vestuário, grandes marcas, como a Adidas, vendem alegando sustentabilidade. Para falar sobre a problemática da apropriação do discurso de sustentabilidade pela indústria da moda, entrevistamos a docente Fernanda Tiosso Sampaio, professora e doutoranda do curso de Moda na UEM, em Cianorte.

A professora afirma que a cadeia produtiva da indústria do vestuário é complexa e que os níveis de produção são tão elevados que já evoluímos para o ultra fast fashion, que é a produção em altíssima escala global. “É uma produção de uma indústria multimilionária, com produção em larguíssima escala. Com a tecnologia de hoje, já existem produções praticamente independentes”, explica.

Estamos falando da poluição de lavanderias, produtos químicos, estamparias e produção de jeans. Além da produção de matéria-prima, já que mesmo as fibras naturais são produzidas em larga escala, se utilizam de agrotóxicos e quantidades imensas de água, em torno de 10 mil litros por quilo de algodão produzido, de acordo com levantamento da FGV (Faculdade Getúlio Vargas). “Quando a gente fala de fibras sintéticas, nós estamos falando de produção a base de petróleo, estamos falando de plástico”, completa.

Além disso, Fernanda afirma: “Tem lugares do planeta Terra que a gente nem imagina que são formados por pilhas e pilhas de resíduo têxtil, com crianças e trabalhadores morando no meio de rios azuis, de pura tintura. A gente não tem espaço para tanto descarte.” É o caso do Deserto do Atacama, no Chile, onde toneladas de roupas descartadas pela Europa e América do Norte se acumulam e já podem ser vistas por satélite.

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O consumo consciente não vai salvar o planeta

A fala da professora Rita Von Hunty, mencionada acima, é utilizada por Fernanda para sintetizar sua visão sobre o papel do consumidor diante desse cenário de poluição e descarte provocado pela indústria da moda. O capitalismo, como expõe, transforma até mesmo nossa consciência política em novas formas de lucrar. Com os debates sobre o desperdício e impacto ambiental no setor de vestuário, isso também não é diferente.

De acordo com a professora, o greenwash é uma roupagem ecológica e de baixo impacto, que lucra com a promessa de consumo consciente. O que representa um discurso problemático. “A gente não pode inverter a regra das coisas e achar que nós, consumidores, somos os responsáveis por salvar o mundo. Senão a gente transfere essa responsabilidade para pessoas que hoje, no Brasil, tem um salário mínimo de R$ 1.600”, justifica.

Quem deve ser responsabilizado sobre a situação, na opinião da professora, são as grandes corporações. Os conglomerados multimilionários, que realizam lobby

com políticos e dificultam a implementação de taxações, regulamentações e fiscalizações mais rígidas. “É livrar o consumidor de toda a responsabilidade? Não. É lembrar que existe uma hierarquia de responsabilidades. Onde há mais poder, está quem determina o consumo”.

É por isso que a solução precisa ser radical. De acordo com a professora, são necessárias políticas públicas e regulamentações a nível mundial, que envolvam toda a cadeia produtiva envolvendo desde a produção de matéria-prima, passando pela manufatura, a ética de trabalho e a entrega final. Cabe à governança mundial transformar a indústria que tanto polui e tanto explora em um modelo de ética, sustentabilidade e dignidade do trabalhador, tudo isso com um preço justo para o consumidor.

Existem marcas que adotam medidas sustentáveis na confecção das peças, mas o custo de produção é elevado e inacessível para o consumidor médio. São empresas que têm produção ética, autoral, com desperdício zero, matériaprima sustentável, circularidade, que pensam no recolhimento do produto após o uso e remuneração adequada ao trabalhador. “Talvez aqui a gente tenha um problema que é também econômico. Será que é possível produzir esse tipo de produto, em contrapartida ao salário mínimo que se propõe dentro dos países?”, questiona.

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Sustentabilidade na moda: uma missão impossível?

Atualmente, já existem tecnologias que podem reduzir os impactos ambientais da produção têxtil, mas que não têm força para expandir. “O Brasil tem extensão territorial e capacidade produtiva de fibra natural e ecológica, só que ela é esmagada pelo grande agronegócio e pelo uso de agrotóxicos”, aponta Fernanda. Como informa, a fibra de seda se decompõe em cerca de 3 anos, enquanto tecidos como poliéster demoram entre 20 a 200 anos.

O Vale da Seda realiza uma produção ética e sustentável, totalmente artesanal e sem uso de agrotóxicos. Organizado em cooperativas formadas por pequenas famílias, o Vale da Seda foi prejudicado pelos latifundiários da região que usam agrotóxicos, já que esses químicos matam o bicho-da-seda.

Apenas medidas individuais não são suficientes para mudar esse cenário. “Nós temos que entender o papel das grandes corporações e do governo, fazer movimentos, agrupamentos e manifestações para levar esses projetos de lei adiante. Projeto de regulamentação e inclusão, de melhores condições trabalhistas”.

Para Fernanda, a mega produção esvazia a essência criadora da moda. Por isso, defende em sala de aula que os designers produzam buscando causar um impacto positivo. “Gostaria que todos os designers projetassem com o menor impacto social possível e com o máximo de criatividade, que a moda servisse para as pessoas se expressarem e colocarem algo de significativo para o mundo”.

“Eu gostaria que a moda servisse para as pessoas se expressarem e colocarem algo de significativo para o mundo”.
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INDICAÇÕES DA

PROFESSORA:

O Verdadeiro Custo dirigido por Andrew Morgan

A produção aborda os diversos aspectos e impactos da indústria da moda na sociedade.

Moda e sustentabilidade: design para mudança

escrito por Kate Fletcher e Grose Lynda reflete sobre a cadeia produtiva da moda.

Projeto Fashion Revolution

Plataforma feita para incentivar a pesquisa e debate sobre desafios e soluções sustentáveis dentro do mundo da moda.

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PASSOS DE FORMIGUINHA

A economia e a consciência ambiental vem fazendo com que os brechós fiquem cada vez mais populares. Segundo dados do Sebrae Rio, houve um crescimento de 50% nesse mercado desde a pandemia.

Se a indústria da moda é a grande responsável pela poluição ambiental, nós consumidores somos apenas formiguinhas operárias que precisam de roupas. O mercado do vestuário chamado de fast fashion produz roupas pouco duráveis, que são rapidamente descartadas devido à baixa qualidade. O consumidor médio, à procura de soluções, pode se deparar com o oposto dessa “moda rápida”.

O slow fashion é uma alternativa a esse movimento que busca fontes sustentáveis de matéria-prima e recorre a produções artesanais, que levam mais tempo, daí o nome “moda lenta”, em tradução livre. Acontece que, enquanto alternativa ética de consumo, o slow fashion considera todos estes pontos levantados e as condições de trabalho. Para uma marca que visa lucro colocar em prática essas condições, o produto final terá um custo elevado que será refletido no consumidor.

O consumidor médio, portanto, pode se desapontar ao perceber que o slow fashion é inviável financeiramente, pois as peças custam a partir de três dígitos. É aí que entra o queridinho do momento: o brechó. Uma loja onde são vendidas roupas, sapatos e artigos usados que seriam descartados e se juntariam a pilhas imensas de roupas ou até virariam lixo.

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Os brechós de bairro

Não é incomum vermos pequenos brechós de bairro. Microempreendedores viram no brechó uma boa oportunidade de negócio. De acordo com o Sebrae, a cada dez lojas abertas desde 2021, nove são de microempreendedores individuais.

O Brechó da Diva, localizado em uma pequena sala comercial no Parque Itaipu, em Maringá, funciona desde 2019. A proprietária, Diva Alves da Cunha, conta que o negócio começou sem compromisso e sempre gostou de vender e fazer amizade com a clientela.

Não dá para dizer que os brechós são sustentáveis, já que as roupas vendidas nesses estabelecimentos não são, necessariamente, produzidas de forma ética. No entanto, são uma forma de repensar nossos hábitos de consumo, além de economizar. Por comercializar peças seminovas, o preço cabe no bolso do consumidor. “O custo de vida está difícil, não só para mim, mas para todo mundo”, explica Diva.

Diva relata que as roupas que comercializa são selecionadas de bazares de igreja da cidade onde mora, Paiçandu. “Eu gosto de lavar minhas peças porque as pessoas que vêm ao brechó querem provar as roupas”, completa.

O

boom dos brechós

Com o aumento da concorrência, alguns brechós passam a ter uma abordagem mais estratégica. A Dig For Fashion é uma rede de brechós que foi fundada em Maringá e possui filiais em Curitiba e São Paulo. A fundadora da rede, Mariza Rezende, explica que o gosto por peças seminovas surgiu comprando nos bazares de igreja. Embora fundada em 2017, a empresária já se aventurava em organizar bazares de garagem, desde 2015, que a motivaram fundar a marca. Para Mariza, a Dig For Fashion é pioneira no mercado de brechós em Maringá e o aumento de 50% na

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quantidade de lojas que vendem roupas usadas é positivo. “Ser um brechó a 7 anos atrás é diferente hoje. A geração atual está mais consciente. Por isso, imagino que esse vai se tornando um campo de possibilidades cada vez maior”, justifica.

Esse modelo de empreendimento viabiliza a renovação do ciclo para uma roupa. Segundo Mariza, o brechó é um agente de mudança e traz uma nova abordagem para a moda. "A gente veio para ditar uma nova forma de consumo e normalizar uma roupa usada ser ‘cool’’’, pontua.

Ninguém vai salvar o mundo ao comprar em brechós, mas é uma alternativa que promove uma reflexão sobre a cadeia produtiva. “A sustentabilidade é essa preocupação com o futuro, de pensar em ter uma coisa que vai ser duradoura. Todo mundo sabe que é um assunto importante, mas é difícil colocar em prática. Por isso, tenho orgulho de saber que a gente é um grãozinho de areia para facilitar isso”, diz a empresária.

A maior parte do público da Dig For Fashion é de mulheres, de 25 a 40 anos, um ponto em comum que a rede tem com o Brechó da Diva, cujo objetivo é “que a mulher fique mais vaidosa e procure o brechó”. Na empresa, uma das metas é que cada vez mais pessoas superem o preconceito com roupas usadas.

Para a funcionária da Dig For Fashion, Yohana Emily, ainda há uma longa jornada pela frente. “Estamos um pouquinho mais preocupados mas, na prática, todo mundo enche o carrinho da Shein. Estamos caminhando para que um dia a prática corresponda ao discurso. Já temos um brechó em cada esquina, então eu acredito que isso vai ser cada vez mais forte.”

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O OLHAR DAS RUAS

Quem nunca reparou, em algum momento de sua vida, no estilo de desconhecidos em público? Vivemos rodeados pela multiplicidade, não apenas de culturas, mas de personalidades, gostos e ideias. Isto fica ainda mais claro quando paramos para observar a diversidade de pessoas que passam por nós nas ruas todos os dias.

Não precisamos nos basear sempre no que vemos na mídia para definir nosso conceito de moda. Às vezes, a inspiração para um look novo pode vir do lugar de onde menos esperamos, colocada no mundo por alguém que nunca vimos antes.

Pensando nisso e no propósito de nosso projeto, a equipe da Margem trouxe alguns convidados especiais para fotografar e ilustrar a moda que encontramos no cotidiano: uma que por muitas vezes passa despercebida, nem sempre recebendo nossa atenção, mas que influencia, de forma descontraída, tudo ao nosso redor.

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MODELO Eloá Marcela FOTO Bianca Bonbana

MODELO Eloá Marcela

FOTO Bianca Bonbana

MODELO Diego Albanez FOTO Bianca Bonbana MODELO Diego Albanez FOTO Bianca Bonbana MODELO Diego Albanez FOTO Bianca Bonbana MODELO Salete FOTO Mariana Parma MODELO Salete FOTO Mariana Parma

FOTO Mariana Parma

MODELO Josué MODELO Josué FOTO Mariana Parma

moda que influencia e inclui

Jovens passam horas nas redes sociais e os vídeos de ‘Arrume-se Comigo’ se popularizam no Tik Tok, mas qual o real impacto disso na moda?

A moda está mudando e as redes sociais podem ter a ver com isso. Segundo uma pesquisa da Comscore, divulgada pela Forbes, o Brasil é o terceiro país no mundo que mais utiliza as redes sociais. São 131,5 milhões de usuários, só o Instagram alcança mais de 80% deste público. Popular entre adolescentes e jovens, o Tik Tok atinge mais de 80 milhões de pessoas acima dos 18 anos.

Diante dessa quantidade de pessoas, o estar on-line influencia no estilo de vida e nas decisões de compra do brasileiro. De acordo com pesquisa realizada pela NZN Intelligence, 42,4% das compras pela internet são de roupas, sapatos e acessórios.

Para o estudante de moda de 19 anos, J li Cé ídi i i tê l na formação de opinião do público sobr e produz informações de moda, faz dancinh s com o graduando em Moda para entende

As pessoas que têm visibilidade precisam usar essa visibilidade para levar informação e conteúdo

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Margem: O que te motivou a fazer moda?

Julio: A minha relação com a moda começou quando eu tinha 11 anos, mais ou menos. Eu já desenhava e consumia conteúdo de moda. Era meu sonho fazer faculdade de moda e eu ainda não tinha saído do quinto ano. Eu sou gêmeo e o meu irmão, o Caio, é meu oposto. Desde pequenininho eu queria mostrar que eu era diferente dele e única forma que eu conseguia era na minha roupa.

M: Como estudante e produtor de conteúdo de moda, qual o papel que os influenciadores têm para com a sociedade contemporânea?

J: Ele tem que, de fato, trazer um conteúdo que agregue. Todo mundo influencia, até a pessoa mais anônima do planeta. As pessoas que têm visibilidade precisam usar dela para levar informação e conteúdo. A gente não vai conseguir ser reconhecido no ramo que a gente deseja se a gente não levar informação.

Eu, sendo da área da moda, gostaria de ficar reconhecido no ramo. Eu posso ter milhões e milhões e milhões de seguidores, se eu não mostrar que sou

minimamente conhecedor do assunto, que tenho noção do que eu estou falando, não conta. Preciso estudar para trazer conteúdo e não só para ganhar curtidas. A curtida tem que ter um significado.

M: Você considera que a produção de moda é democrática?

J: Eu acredito que a produção da moda não seja democrática. Era muito pior e foi mudando, porque a sociedade vem mudando. Um exemplo é a Victoria Secrets: as modelos eram Gisele Bundchen, Kendall Jenner e Adriana Lima. Você sempre vê aquele corpo magérrimo. A Gisele falou em uma entrevista que a dieta dela era baseada em cigarro, vinho e pizza. O que que aconteceu? Sumiu. Porque a galera não confia mais. Recentemente estava anunciando o retorno da marca e até bombou nas publicidades. Mas a modelo que era gorda para eles não era uma pessoa gorda. Não teve a diversidade de corpo como a gente vê, por exemplo, na Fashion Week aqui do Brasil, em São Paulo. A gente também precisa saber que essa diversidade envolve questões de pessoas com autismo, por exemplo, em relação a etiqueta, tintura e textura. Se a gente começar a entender que precisamos de democratização, a moda vai começar a democratizar, só que as pessoas têm que ter essa consciência de que precisam fazer diferente.

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MODELO Júlio Cesar FOTO Mariana Parma

M: Qual a importância de

estudar moda?

J: O Juliano Floss, no dia em que foi entrevistado pela Blogueirinha, falou que estava amando estudar moda e passava horas no Pinterest. Mas ali você não vê moda, vê roupa, produto, combinação de look e inspiração. Só que moda é política, é comunicação. A gente estuda profundamente para não achar que moda é só olhar inspiração no Pinterest. Por exemplo, a mini saia bombou porque precisava ser revolucionária, as mulheres queriam chamar atenção para um assunto e conseguiram. Da mesma forma, a gente também começa a entender vários movimentos, como o hip hop e o funk, e vê que é cultural e passa uma mensagem. Por isso é importante a gente ir além de ficar vendo ‘Arrume-se Comigo’ no Tik Tok. É muito bonito, mas você não consome moda, consome uma pessoa se arrumando.

M: O que você espera para o futuro da moda?

J: Eu espero que no futuro da moda as pessoas repensem o que consomem. Isso não é deixar de consumir, mas pensar no quanto você consome. Fazer uma limpa no guarda-roupas, ver o que não usa mais, vender num brechó, fazer alguma coisa com essa roupa e não deixar parada. Se a gente ficar parado, a gente nunca vai pensar em nada e nem ninguém, só vai pensar no que convém para a gente. A sociedade tem que ter um pensamento mais abrangente e menos individualista. Tendo essa consciência de consumo, a moda chega onde eu gostaria que ela chegasse, que é uma moda para todo mundo.

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agradecimentos especiais

A moda é mais do que o corte e medidas do tecido, do que as tendências ou cores da estação, do que uma marca, símbolo, ou etiqueta de preço. Moda é universal. é expressão e comunicação. É por acreditarmos em um futuro onde a moda pode ser vista por todos os ângulos que a Margem nasceu, e esperamos que nossa mensagem possa alcançar aqueles que cederam um pouco de seu tempo para o nosso projeto.

Professor Dr. Cássio Ceniz

@cassioceniz

Sua participação e suas orientações foram essenciais para o projeto! Agradecemos por toda paciência, ensinamentos e atenção com a equipe e a Revista

Julio César

@julionoff

Nos divertimos muito na hora de gravar e aprendemos muito sobre inclusão e diversidade no mundo da moda. Agradecemos por você ter dedicado seu tempo para nos conceder a entrevista.

Eloá Marcela

@elomarcela

Nos encantamos com a sua beleza, e não poderíamos chamar outra pessoa para ser nossa capa! A equipe Margem agradece pela sua dedicação para as fotos de capa.

Diva Alves

Que delícia foi conversar com você! Sua experiência com o brechó ajudou muito na composição da matéria da nossa revista. Brechó da Diva

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Professora Me.

Fernanda Tiosso

Sampaio

Doutoranda na UEM de cianorte

Você nos deu uma aula sobre sustentabilidade e quebrou muitos esteriótipos sobre moda sustentável! Nossos agradecimentos por ter compartilhado seu conhecimento para a revista

Equipe Dig For Fashion

@digforfashionmaringa

Adoramos conhecer um pouco mais sobre a história de vocês e da loja! Agradecemos à Ana, Yo e Mari por terem aberto as portas pra agente e contado suas experiências com a loja

Diego Albanez

@diegoalbanezm

Amamos o seu estilo colegial e sua bolsinha! A equipe agradece você por ter aceitado participar do nosso ensaio de fotografia

Menções honrosas

Ao Josué e Salete, que participaram do ensaio, à costureira Izabel pela confecção da saia da Eloá, à Bia Ruffine por ter aceitado a participar das fotos, à Alexia, pela ajuda que nos deu com a revista à UEM FM, por nos ter dado espaço para divulgar nossa revista

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#BASTIDORES

ensaio da Eloá @revistamargem

ensaio do Diego

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Julio!
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alimentandoo modelo pósfotosna feira
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