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implantes ósseos para transportar fármaco quimioterápicos revestidos por nanocápsulas em concepção no ciceco

alexandre soares dos santos

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investigadores testam materiais celulares em sistemas de protecção pessoal e de defesa

breves

cooperação metatheke

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investigação prémios arrecadados pela comunidade académica da ua

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percursos antigos alunos antigos alunos da ua falam das suas carreiras bem sucedidas

doença de alzheimer ua estuda potencial biomarcador para diagnóstico precoce da doença de alzheimer

publicações da comunidade académica

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a ua e as autarquias do baixo vouga uma relação inovadora com (o) futuro artur rosa pires

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em favor do pensamento crítico rui marques vieira e celina tenreiro vieira

aconteceu na ua… alguns momentos que marcaram a vida académica da ua

entrevista com… maria helena nazaré

departamentos em revista… biologia


opinião

em favor do pensamento LINHAS

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Rui Marques Vieira Centro de Investigação Didáctica e Tecnologia na Formação de Formadores da Universidade de Aveiro

Celina Tenreiro Vieira Centro de Investigação Didáctica e Tecnologia na Formação de Formadores da Universidade de Aveiro

A lição do Professor Medeiros Ferreira, sobre o tema “A Universidade e a crise do pensamento crítico1” na cerimónia de abertura do presente ano lectivo da Universidade de Aveiro, que ocorreu no passado dia 23 de Setembro de 2009, constituiu um excelente desafio para todos os que estão envolvidos nos desafios da Educação e Formação actuais. Afirmações como: “…o pensamento crítico é o grande antídoto para os danos colaterais do pensamento único, assim como a instituição universitária é o melhor espaço para o cultivar e organizar” (p. 3) constituem um imperativo para colaborativamente enfrentarmos esta “…crise para-mundial que começou por ser financeira, económica e social, mas que hoje é sobretudo uma crise de ideias e uma crise do pensamento alternativo” (p.4). 1 Ferreira, J. M. (2009). A Universidade e a crise do pensamento crítico. Lição de Abertura do ano lectivo de 2009/2010 da Universidade de Aveiro. (disponível em: http://uaonline.ua.pt/upload/med/med_1239.pdf)


em favor do pensamento crítico

crítico De facto, o pensamento crítico é hoje considerado o ideal central da educação e a base social para se adquirirem os mesmos direitos e as liberdades cívicas, no âmbito dos países liberais democráticos. Apesar disso, os estudos realizados referem que a promoção das capacidades de pensamento tem sido o ideal esquecido. Daí existir uma larga preocupação com a incapacidade das instituições educativas em ensinarem os estudantes a pensar efectivamente. Autores, como Paul (1993)2, sustentam mesmo que, na maior parte dos países ocidentais, não tem existido ensino do pensamento crítico. Isto é, que a maioria dos alunos, incluindo os do Ensino Superior, não aprendem a pensar de forma crítica, porque tal não lhes é ensinado ou encorajado. Os alunos não esperam ter de pensar por eles próprios na escola. O que implica, depois, ter de lidar com pessoas irracionais, desorganizadas, confusas e desarticuladas.

2 Paul, R. W. (1993). Critical thinking — What every

Mas por que é importante o pensamento crítico? São várias as razões para o interesse que, especialmente desde a década de 80, se começou a gerar entre investigadores e educadores pelo pensamento crítico. As que a seguir se apresentam, constituem um resumo das apresentadas por Vieira (2003)3. Uma primeira advém do próprio significado de pensamento crítico. Este requer que cada indivíduo seja capaz de pensar criticamente sobre as suas crenças, apontando razões racionais e não arbitrárias, que as justifiquem e as sustentem, não se deixando manipular e precavendo-se contra os burlões e exploradores. Uma segunda razão está relacionada com o facto de o pensamento crítico ser considerado necessário para viver numa sociedade plural com competência cívica para, por exemplo, a participação esclarecida nas instituições democráticas, onde os cidadãos são confrontados com a necessidade de tomar decisões racionais. Afirma-se mesmo que qualquer democracia para existir e funcionar requer dos cidadãos capacidades de pensamento crítico,

3 Vieira, R. M. (2003). Formação Continuada de

person needs to survive in a rapidly changing

Professores do 1º e 2º Ciclos do Ensino Básico

world (3ª ed.). Santa Rosa, CA: Foundation for

para uma Educação em Ciências com Orientação

Critical Thinking.

CTS/PC. Tese de Doutoramento não publicada, Universidade de Aveiro: Departamento de Didáctica e Tecnologia Educativa.

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opinião

LINHAS

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tais como fazer juízos de valor e interactuar com os outros. Estas e outras capacidades são imprescindíveis em particular numa sociedade tecnológica, onde se espera que muitos trabalhadores devam, para além disso, ser capazes de pensar por si próprios, de identificar e resolver problemas e de trabalhar em colaboração com os colegas na procura de soluções. Só assim, se pode almejar o desenvolvimento social, cultural e económico da(s) sociedade(s). Além disso, o pensamento crítico pode ser uma resposta às exigências da acelerada complexidade e crescimento da sociedade actual e consequente desactualização da informação. Neste contexto, o cidadão para viver, trabalhar e funcionar eficazmente precisa de usar as capacidades de pensamento crítico para avaliar, tomar decisões e fazer juízos relativamente à informação a obter, em que acreditar e a usar. Precisa de usar tais capacidades, ainda, para assegurar o desenvolvimento sócioeconómico global, tendo em conta as carências humanas e a necessidade de proteger o ambiente, assegurando a integridade ecológica dos ecossistemas dos quais o ser humano depende para a sua sobrevivência. Hoje em dia está-se no meio de uma explosão de informação científica que “bombardeia” diariamente o mundo inteiro com novas descobertas. Neste contexto, o uso de capacidades de pensamento crítico permite ainda aos indivíduos tomar posição sobre as questões científicas, raciocinando logicamente sobre o tópico em causa,

de modo a detectar incongruências na argumentação ou no sentido de suspender a tomada de decisão no caso de haver evidência insuficiente para traçar e sustentar uma conclusão. São, pois, necessárias para todos e para quem queira seguir carreiras ligadas à Ciência e à Matemática, pois só assim ficarão preparados para gerar novo conhecimento científico e matemático. A adequada resolução de problemas quer no âmbito da Biologia, da Medicina ou de qualquer outra área científica, requer o uso de capacidades de pensamento crítico para os indivíduos decidirem com base na relevância das razões encontradas, rejeitando a parcialidade e a arbitrariedade na avaliação dos argumentos. Por outro lado, os cidadãos e cidadãs para terem vidas pessoais compensadoras, o que inclui gerir os afazeres privados, continuar a aprender e beneficiar da cultura, precisam de usar as capacidades de pensamento crítico. Instilar o pensamento crítico nos alunos permite-lhes tornarem-se aprendizes independentes ao longo da vida – tal como recomendam vários documentos e directivas da União Europeia, como a Declaração de Lisboa. As capacidades de pensamento crítico têm, ainda, sido apontadas como podendo contribuir para as pessoas procurarem dar significado à própria vida.


em favor do pensamento crítico

As capacidades de pensamento crítico podem, desde logo, ser úteis para as pessoas enquanto alunos. Estes, se tiverem as suas capacidades desenvolvidas poderão mobilizá-las com sucesso, quando são solicitados a: i) reagir criticamente a um ensaio ou evidência apresentada num texto, ii) julgar a qualidade da leitura ou discurso, iii) construir um argumento, iv) escrever um ensaio baseado em leituras ou v) participar na turma. As capacidades de alto nível cognitivo, como as de pensar criticamente, são inestimáveis também para os bons desempenhos nas avaliações, mormente nas internacionais como as do PISA (onde os resultados portugueses ficaram, no mínimo, longe do desejável), bem como para o futuro dos alunos, uma vez que os prepara para lidar com uma multitude de desafios que terão de enfrentar nas suas vidas, carreiras, deveres e responsabilidades pessoais. Estas razões, para o interesse e a importância do pensamento crítico, incluem-se dentro das justificações– pragmática e intelectual –, como lhe chama Hare (1999)4. Mas, na opinião deste filósofo, existe uma terceira grande linha de justificação – a ética, segundo a qual o ser humano tem potencialidades que os outros animais não possuem. Pelo que a criança, tal como o adulto, deve ser tratada com o respeito devido a alguém que é capaz de crescer de forma autónoma.

Mas, o que é o pensamento crítico? Existem quase tantas definições quanto investigadores na área. Um dos primeiros autores que se debruçou sobre este foi Ennis5, para quem o pensamento crítico é uma forma de pensamento racional, reflexivo, focado no decidir aquilo em que acreditar ou fazer. Assim definido o pensamento crítico envolve tanto capacidades (ligadas aos aspectos mais cognitivos) como disposições (relativas aos aspectos mais afectivos). E estas têm de ser explícita e intencionalmente estimuladas por todos, especialmente pelos professores. As actividades e estratégias que têm sido apontadas para tal são várias, sendo esta uma das áreas de investigação que temos empreendido na Universidade de Aveiro. Em síntese, a literatura educacional da última década sobre o pensamento crítico sustenta que: (i) é importante para se viver, especialmente em países democráticos; (ii) deve ser ensinado no contexto das diversas disciplinas e em todos os níveis de ensino; (iii) aprender a usar estas capacidades é clara e profundamente um trabalho difícil, especialmente as primeiras vezes que se tenta mobilizá-las; e (iv) se ensinado explicita e intencionalmente pode contribuir para o desenvolvimento social, cultural e económico das sociedades.

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Hare, W. (1999). Critical thinking as an aim of education. In R. Marples (Ed.), The aims of education. London: Routledge.

Ennis, R. H. (1996). Critical thinking. Upper Saddle River, NJ: Prentice Hall.

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opinião

a ua e as autarquias do baixo vouga LINHAS

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Artur Rosa Pires Vice-Reitor e Professor Catedrático da Universidade de Aveiro

A Universidade de Aveiro (UA) e o conjunto das Autarquias Locais da região do Baixo Vouga, agrupadas na Associação de Municípios designada por CIRA (Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro), desenvolveram nos últimos anos uma experiência inovadora de cooperação em torno da definição de políticas de desenvolvimento apoiadas pelos instrumentos do QREN.

Este processo de cooperação foi incentivado pela oportunidade aberta pelo QREN de se criar um regime de “contratualização”, em que a gestão de um determinado montante de fundos estruturais poderá ser delegada numa Associação de Municípios, agrupada com base nas NUTS III, desde que esta apresente um Programa Territorial de Desenvolvimento (PTD) onde se deverão enquadrar os projectos a ser apoiados pelo QREN. Após alguns contactos iniciais entre a CIRA e a UA, visando a elaboração daquele Programa, estabeleceu-se um acordo totalmente inovador, em que deliberadamente se abandonava a figura de “prestação de serviços” e se assumia uma parceria na preparação conjunta do Programa. O carácter genuíno desta iniciativa ficou sublinhado na partilha dos custos da elaboração do PTD, que na sua essência pretendia constituir um suporte ao desenho de políticas públicas que criassem oportunidades qualificadas de mobilização dos múltiplos saberes existentes na UA, para ir ao encontro da resolução de problemas e da satisfação das expectativas das comunidades locais. O processo de preparação do PTD, que se alongou por cerca de dois anos, por imperativo do calendário nacional do QREN, correspondeu a um intenso período de conhecimento mútuo, em relação a recursos, condicionantes e objectivos de desenvolvimento, mas também em relação à leitura dos desafios e exigências que a sociedade contemporânea coloca às (novas) políticas públicas de promoção de


a ua e as autarquias do baixo vouga

uma relação inovadora com (o) futuro desenvolvimento. A título de exemplo, poderemos referir que se discutiu vivamente a relação da Agenda de Lisboa com as necessidades mais sentidas pelas comunidades locais, tal como se discutiu a forma como a utilização dos fundos estruturais em 2007-2013 deverá capacitar os municípios a aceder aos fundos no período 2014-2020, cuja concepção e regras de acesso se prevêem muito diferentes das dos anteriores Quadros Comunitários de Apoio. O processo foi muito exigente, e as inevitáveis divergências de interpretação de partida só foram superadas graças a uma enorme determinação e empatia que todos os parceiros colocaram neste exercício. Construiu-se uma estratégia reconhecidamente diferente da apresentada pelas outras Associações de Municípios, no quadro da Região Centro, e esse reconhecimento levou a que fosse distinguida, conjuntamente com a de outra Associação de Municípios, com um “prémio” de uma afectação adicional de recursos de cerca de três milhões de euros. Uma das particularidades do Programa proposta é a existência de projectos comuns a todos os municípios em torno de temáticas específicas, representando cerca de 15 milhões de euros de investimento, que vão desde a promoção da cultura científica e tecnológica à promoção da eficiência energética, passando pela valorização activa de espaços naturais (designadamente a Ria de Aveiro) e pela “capacitação institucional”.

As dinâmicas estabelecidas constituíram a força motriz para alargar o âmbito de colaboração entre a UA e as Autarquias. Assim, a UA foi parceira dos quatro municípios com centros urbanos, Aveiro, Ílhavo, Águeda e Ovar, nas respectivas candidaturas às “Parcerias para a Regeneração Urbana”, assumindo a responsabilidade de vários dos projectos que integram as candidaturas (todas elas já aprovadas). A UA foi também parceira em duas candidaturas apresentadas com sucesso ao Programa Operacional de Valorização do Território, sobre eficiência hídrica e percursos cicláveis na Ria, tendo ainda apoiado e integrado vários projectos de parcerias internacionais incidindo sobre áreas estratégicas da política de desenvolvimento da região (designadamente no âmbito do Programa Europeu URBACT). A cooperação entre a UA e os municípios da CIRA deu também origem a um outro projecto, também ele inovador no contexto nacional, com o lançamento do conceito de Incubadora em Rede, em que os serviços de incubação da UA são parceiros de programas de empreendedorismo e dos espaços de incubação criados (ou a criar) em cada um dos municípios da CIRA. Entretanto, as dinâmicas de cooperação foram alargadas a outras instituições regionais, que aliás estão presentes nalgumas das iniciativas já referidas – como é o caso da AIDA que é parceiro fundamental no projecto da Incubadora em Rede. Contudo, essa parceria alargada traduziu-se também na participação em diversas

Estratégias de Eficiência Colectiva do QREN (essencialmente nos pólos de competitividade e clusters), no lançamento de uma candidatura às Redes Urbanas de Competitividade e Inovação, cuja base territorial de referência é a própria NUTS III, e ainda na apresentação com sucesso de uma candidatura à constituição de um Grupo de Acção Costeira, no âmbito do PROMAR e relacionado com a Economia do Mar, em que participam cerca de dezena e meia de instituições. Mas um dos principais projectos a que se conferiu uma acentuada vertente regional e que assumirá com certeza um enorme impacto científico, económico e regional, consiste na criação de um Parque de Ciência e Inovação. Será localizado num espaço dos concelhos de Aveiro e Ílhavo, em contiguidade com o Campus da UA. O Parque beneficiará das dinâmicas da UA e das suas redes internacionais, mas prevê uma estreita articulação com as Áreas de Acolhimento Empresarial dos Municípios e com as políticas autárquicas de desenvolvimento, nomeadamente através dos projectos enquadrados pelo PTD, valorizando e valorizando-se com a projecção nacional e internacional das empresas da região. A apreciação da candidatura oportunamente apresentada está já na sua fase final, havendo sinais claros do reconhecimento do mérito do Projecto. Em 2011 estaremos a construir, literalmente, um Parque de Ciência e Inovação em Aveiro, que se afirmará inevitavelmente como um factor de crescimento económico, desenvolvimento científico e coesão territorial da região e do país.

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percursos antigos alunos

LINHAS

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antigos alunos Alcídia Bóia, no ensino; João Simões, numa empresa líder de mercado no sector da construção civil e obras públicas; e Vera Oliveira, numa firma internacional de consultadoria estratégica. Os licenciados em Ensino de Matemática, Engenharia Civil, e Economia e Gestão pela Universidade de Aveiro estão a fazer sucesso nas suas profissões. Conheça os seus percursos.


alcídia bóia

percursos antigos alunos

ensino de matemática não há espaço para rotina na profissão docente

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Para além de colegas e amigos inesquecíveis e de professores memoráveis, Maria Alcídia Ferreira Lérias Bóia, 49 anos, adquiriu as competências científicas e pedagógicas necessárias ao desempenho da função docente na Universidade de Aveiro, onde em 1993, concluiu a Licenciatura em Ensino de Matemática. Professora do 3º ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário na Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos com Ensino Secundário da Guia, no concelho de Pombal, já ocupou cargos de gestão escolar e tem um visão muito clara de uma profissão que a realiza mas que considera estar a viver momentos de alguma instabilidade.


alcídia bóia

Chegar no dia do seu aniversário ao átrio da escola e ser recebida por duas turmas do secundário que acompanhava há quatro anos a cantar-lhe os parabéns e a oferecer-lhe flores foi algo embaraçoso, insólito e, segundo alguns colegas que assistiram, “digno de nota, pois não é vulgar, e ainda menos quando se trata de um professor de Matemática.” Alcídia Bóia recorda, com agrado, este momento e acrescenta o quanto é gratificante, mais de 10 anos depois, ser convidada por uma turma que se reúne para festejar o Natal, ou ver um aluno seu terminar o secundário e escolher Matemática em primeira opção. Ela própria não pode gabar-se do mesmo. Quando de Lavos, no concelho da Figueira da Foz, chegou à Universidade de Aveiro, o que queria mesmo era seguir arquitectura. Foi a sorte de descobrir colegas e professores excepcionais (ainda hoje recorda o Prof. João David Vieira e o seu sorriso condescendente, perante os alunos irreverentes que pronunciavam em coro: como quer o David (c. q. d.), quando concluía uma demonstração) que a fizeram ultrapassar o sentimento inicial de recusa em relação ao curso e ter a certeza de que docência em Matemática seria a profissão que viria a exercer. A professora que este ano lectivo dá aulas aos 7º e 8º anos de escolaridade, salienta que o curso que concluiu na UA tinha “um currículo bastante ambicioso, capaz de fornecer as ferramentas científicas e pedagógicas para encarar a profissão docente” e que a Universidade lhe deu, também, a humildade suficiente para reconhecer a necessária actualização de conhecimentos; actualização a que, de resto, viria a recorrer mais tarde: primeiro, através da conclusão de uma pós-graduação em Administração Escolar e Direito da Educação, na Universidade Internacional da Figueira da Foz; agora, a trabalhar na tese de doutoramento em Políticas y Fundamentos Educativos, na Universidade de Salamanca. Professora de Matemática há quase duas décadas e com experiência em cargos de gestão escolar (foi vice-presidente de dois órgãos de gestão em equipas e mandatos distintos na escola onde lecciona)

Alcídia Bóia diz que, exceptuando a burocracia, não há espaço para rotina na profissão docente. “Os dias são muito preenchidos, inclusive, aquele em que não tenho actividades lectivas, já que a preparação das aulas é fundamental. Na Escola, tenho que me decompor em vários entes, sem perder nenhum de vista: a docente que partilha os mesmos espaços; mostra disponibilidade para tirar uma dúvida; ouve um grupo de alunos que se acerca, no intervalo; ensaia uma atenção maternal, esquecida em casa; reúne as melhores condições para dar uma aula de Matemática, de modo a que 90 minutos não sejam uma eternidade. As seis horas diárias, que em média passo na escola, não traduzem o tempo que a ela dedico, pois até os fins-de-semana são sacrificados”, garante. Recusando entrar na onda de pessimismo instalado nas escolas, Alcídia Bóia considera, contudo, que a escola pública está a atravessar uma fase de descredibilização e que é com “total impotência” que se vê obrigada a encarar o seu futuro profissional. “A escola pública é o reflexo da situação económica e dos problemas políticos do país, tudo acrescido das sensibilidades ideológico-culturais daqueles que rotativamente assumem o poder, pelo que grassa a instabilidade”. Por outro lado, o comportamento dos alunos de hoje pouco ajuda. “A actual geração reflecte a sociedade em que está inserida, e, presentemente, o conhecimento, o trabalho e a honestidade não são reconhecidos. O almejado sucesso é atingido pela astúcia, pelo que o facilitismo e a mediocridade imperam”, lamenta. A exercer numa escola que alberga alunos do 4º ao 12º ano de escolaridade, Alcídia Bóia revela que o ambiente ali vivido não é de modo algum ordeiro. “Temos alunos sinalizados como autistas, hiperactivos, esquizofrénicos, epilépticos, portadores de síndrome de Down, bem como outros que fogem aos padrões, que vamos encaminhando a partir do Gabinete de Apoio ao Aluno, ao qual pertenço, bem como através dos conselhos de turma respectivos”. Neste âmbito, prossegue, “é difícil eleger episódios singulares, embora testemunhe diariamente situações

bizarras, como a de um aluno surgindo de uma arrecadação, empunhando duas facas, quais bandarilhas; ou outro que se encontra derramado junto aos estilhaços de uma vitrina, cheio de sangue, e quando se averigua sobre o presumível culpado, o discente afirma enfraquecidamente ter sido o próprio, pois estava ‘chateado’.” Alcídia Bóia chama ainda a atenção para a questão da autoridade e credibilidade dos professores que, no seu entender, devem ser urgentemente restituídas. Mas há mais. Esta professora advoga o fim das aulas de substituição, pois é da opinião de que “os alunos precisam de conviver e brincar, sobretudo os mais novos”; e defende a eliminação das Áreas Curriculares Não Disciplinares, uma vez que “o seu formato apenas ajuda a preencher horários e a desmotivar os alunos das disciplinas relevantes, acrescentando que “fechar os alunos em salas esteticamente pobres e mal equipadas, atribuir-lhes horários densos, onde não há lugar para o convívio e o jogo, só favorece comportamentos desadequados, decorrendo daqui situações em que alunos extravasam toda a tensão acumulada, acabando por converter as últimas aulas do dia em momentos propícios à distracção”. Certa de que a disciplina de Matemática exige um trabalho sistemático, não se compadecendo com estudos feitos na véspera dos testes, mas que assusta tanto quanto as restantes disciplinas, Alcídia Bóia acredita que o aumento do nível de educação dos jovens portugueses passa pela sua sensibilização para a língua portuguesa. “A nossa língua deve ser tratada com elevado rigor, pois só deste modo se pode apostar nas outras disciplinas”. Para esta professora formada pela UA, a realidade não se compadece nem com a simplificação dos conteúdos nem dos exames, acrescentando que “as universidades públicas devem empenhar-se na formação contínua de professores, pois são estas que a podem tornar séria, e fornecer ferramentas actualizadas para vencer este desafio”.

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joão simões

percursos antigos alunos

engenharia civil a integração de engenheiros civis no mercado de trabalho tem sido um sucesso

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A formação académica de João Andrade Simões, 28 anos, está totalmente ligada à Universidade de Aveiro. Em 2007 licenciou-se em Engenharia Civil, logo depois avançou para Mestrado e este ano lectivo decidiu iniciar doutoramento. Ao mesmo tempo é na maior empresa nacional de construção que tem vindo a fazer carreira. A exercer actualmente funções de Adjunto de Direcção de Obras Rodoviárias na Mota-Engil, constrói o seu percurso profissional nas grandes obras públicas de infra-estruturas que marcam Portugal.


joão simões

João Simões considera fundamental complementar a “imensa aprendizagem que a participação em grandes projectos de engenharia civil confere” com uma formação académica que permita “ter acesso a tudo quanto de novo e mais avançado existe a nível técnico e científico”. Esta é a explicação para o facto de, desde concluída a licenciatura, ter sempre procurado conciliar a sua vida profissional com a vontade de adquirir novas competências. Não que a sua formação inicial tenha sido insuficiente. “Tenho a certeza de que recebi na UA uma formação ao nível das mais conceituadas instituições do ensino superior e posso acrescentar que foi com bastante satisfação que frequentei um curso superior com uma formação muito abrangente, que me capacitou para enfrentar o mercado de trabalho com toda a confiança”, afirma. A opção de se formar na UA não foi, aliás, inocente. Sempre viveu em Aveiro e acompanhou de perto o crescimento da Universidade da sua cidade. “As instalações da Universidade de Aveiro sempre me fascinaram e Engenharia Civil era o curso que aliava o meu gosto por Física e Matemática, o meu desejo de um futuro profissional cheio de aventura e desafios e, ainda, a minha paixão pelas grandes obras públicas de infra-estruturas”. A verdade é que as expectativas de João Simões não saíram goradas. No último ano da licenciatura começou a estudar com mais pormenor as infra-estruturas rodoviárias (a área que verdadeiramente o move) e, no âmbito do projecto final de curso e de um protocolo entre o Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro e a Direcção de Estradas de Aveiro, pôde contactar pela primeira vez com as obras rodoviárias. “Foi através desta colaboração que participei na elaboração do projecto de execução das obras de reabilitação da EN224, entre Vale de Cambra e Arouca, e foi com este projecto que iniciei uma estreita relação com os meus orientadores, os professores da

UA, Claudino Cardoso e Agostinho Benta, a quem faço questão de agradecer o constante apoio e incentivo para novos projectos”. Mal teve conhecimento da sua última nota, em Junho de 2007, submeteu o seu CV à Mota-Engil e, em Setembro desse ano, já estava a fazer o circuito de integração pela empresa: “três semanas onde temos a oportunidade de conhecer a imensidão da empresa, percorrer os diferentes departamentos e contactar com os novos colegas”. A obra da Mota-Engil, realizada para as Estradas de Portugal SA, – a Variante à EN205 em Arco de Baúlhe - preencheu o seu estágio profissional. Já Adjunto de Direcção de Obra Geral passou a desempenhar funções na produção, acompanhando os trabalhos de terraplenagem, obras de contenção, drenagem, pavimentação, sinalização e equipamento de segurança da obra. “A minha experiência nesta obra foi única”, revela João Simões, esclarecendo: “tive a oportunidade de contactar com pessoas que considero ser do melhor que a MotaEngil tem, quer a nível profissional quer a nível pessoal, como é o caso do nosso Director de Produção, Eng. Amadeu Moreira, do Director de Obra, Eng. Ricardo Camelo, e do nosso Encarregado Geral, Sr. Abílio Teixeira. Foi com elas que comecei a desenvolver as minhas competências, a sentir o “amor à camisola” e a preparar o meu futuro na Mota-Engil.” Após esta experiência e a colaboração em duas outras obras, João Simões está agora apto para iniciar um novo desafio, como elemento da equipa técnica de direcção de obra da construção do troço do IC5 Murça/Pombal (Alijó), integrada na subconcessão do Douro Interior. Tratase de “uma grande obra pública de infra-estruturas rodoviárias, com 24km de extensão e com um valor estimado de 96 milhões de euros. Conta com 2.500.000 m3 de movimentação de solos, dois viadutos e três pontes, sendo uma delas sobre o rio Tua; obras

capazes de impressionar qualquer Engenheiro Civil”, sublinha. Responsável pelo arranque de uma parceria UA/Mota-Engil para novos projectos de inovação, desenvolvimento e tecnologia, João Simões não tem dúvidas em afirmar que poder participar na construção das grandes obras públicas que marcam a história nacional é algo de verdadeiramente fascinante. “Tenho o prazer de trabalhar para a maior construtora portuguesa e empresa de referência no panorama nacional, contactar diariamente com excelentes profissionais e colaborar com grandes técnicos”, diz quem sempre teve por objectivo trabalhar numa empresa de referência como a Mota-Engil. “O afastamento de casa é o único senão deste trabalho”, conclui, acrescentando: “só com o sempre presente apoio da nossa cara-metade e da nossa família conseguimos manter o ânimo que nos faz levantar todas as segundas-feiras para fazer a mesma viagem de sempre, que nos leva para o local do costume… o nosso estaleiro de obra!” Tomando como referência a experiência dos colegas, João Simões diz que a integração de engenheiros civis no mercado de trabalho tem sido um sucesso. “Os recém-licenciados podem colocar em prática as suas aptidões em áreas que vão desde a construção à gestão, passando pela segurança, energia e consultadoria. Devem pensar sempre em grande. O auge da Engenharia Civil está nas grandes obras, públicas ou privadas, que permitem contactar com o que de mais avançado existe ao serviço da construção. Com dedicação, empenho, perseverança e muita vontade de trabalhar nenhuma empresa, por maior que seja, tem coragem de recusar a nossa participação em grandes projectos de Engenharia Civil”, garante.

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vera oliveira

percursos antigos alunos

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economia e gestão ser-se multitasking e disponibilizar informação de qualidade em tempo útil é a fórmula certa para o sucesso

Licenciou-se na Universidade de Aveiro, primeiro em Economia e, logo depois, mas já a trabalhar, em Gestão. Aos 28 anos, Vera Mónica Coutinho de Oliveira vive em Setúbal e trabalha em Lisboa na McKinsey & Company, firma internacional de consultoria estratégica, onde desempenha as funções de controller. Gosta do que faz e tem tido um feedback positivo em relação ao seu desempenho, mas não esconde que entre os seus projectos futuros está a criação da sua própria empresa.


vera oliveira

A proximidade de casa, em Sever de Vouga, as referências positivas dos amigos que estavam a frequentar a então recente licenciatura em Economia, ou outros cursos da Universidade de Aveiro, levaram-na a escolher, como primeira opção, Economia nesta Universidade. “De um modo geral posso afirmar que tanto a licenciatura em Economia, como a UA superaram as minhas expectativas. A capacidade de iniciativa e autonomia, o espírito de investigação e inovação e o bom relacionamento interpessoal são algumas das competências-chave que desenvolvi”, diz Vera Oliveira, advertindo que, no actual contexto das empresas, uma pessoa tem de ser “dinâmica, ter liberdade e confiança para correr riscos, ter uma rede de pessoas que a apoie, e, acima de tudo, acreditar em si, no seu trabalho e no seu futuro”. A par do bom relacionamento e do espírito de entreajuda existente entre os colegas com quem conviveu na UA, Vera Oliveira destaca outra experiência inesquecível: a sua passagem por Granada, onde, ao abrigo do programa Erasmus, fez o último semestre de Economia. De tão “rica e intensa”, esta antiga aluna defende que a experiência deveria ser “obrigatória nos currículos”. De regresso a Portugal, em Julho de 2003 concluiu o curso e, em Setembro, começou a trabalhar. Passou pela Desafios, Desporto & Aventura, Lda., pelo BPI, SOLVAY, Martifer, deu formação e até foi agente de seguros. Ao mesmo tempo, decidiu concluir as disciplinas que lhe faltavam para a inscrição na Câmara de Técnicos Oficiais de Contas e diversificar os conhecimentos em Gestão de Operações, Marketing, Comportamento Organizacional, Liderança e Empreendedorismo. Foram estes os motivos que a levaram a completar o plano curricular da licenciatura em Gestão, que concluiu em 2006. “No decurso da licenciatura em Gestão mantive sempre o estatuto de trabalhadora-estudante e o facto de estar integrada num contexto empresarial permitiu-me ter mais sensibilidade para os temas abordados nas disciplinas e partilhar nas aulas e nos exames experiências reais”, garante.

Desde 2008, Vera Oliveira está a desempenhar funções de controller na McKinsey & Company, firma internacional de consultoria estratégica, em Lisboa, onde é responsável por diversos reports e acompanhamento da gestão financeira de projectos. Entre as suas principais funções está a preparação de budgets dos projectos, a preparação e emissão de facturas, e o acompanhamento de cobranças de clientes. “É uma profissão exigente e de grande rigor, que me obriga a lidar com questões por vezes delicadas, e tenho interacção directa com os sócios da McKinsey”, explica. Vera Oliveira adianta ainda que no seu dia-a-dia é frequente receber um telefonema a solicitarem-lhe uma determinada análise e ter de redefinir todo o plano de actividades para esse dia. “A gestão de tempo é crucial. Tenho de perceber quais as verdadeiras prioridades em função dos deadlines que me dão. Recordo uma vez terem-me dito: ‘Se não conseguir esses dados no prazo de meia hora, os dados já não me serão úteis’. Apesar desta pressão nem sempre ser saudável, não deixa de conferir uma certa adrenalina ao trabalho. Encaro estes momentos como desafios que reduzem a rotina do ciclo das actividades contabilísticas”, admite. Aproveitando para agradecer a todos quantos influenciaram o seu percurso, assim como aos excelentes professores e amigos que conheceu na Universidade de Aveiro, Vera Oliveira diz gostar muito do que faz. “Um feedback positivo em relação ao nosso desempenho é o princípio chave para a realização profissional e pessoal”. E acrescenta: “Ser-se multitasking e disponibilizar informação de qualidade em tempo útil é a fórmula certa para o sucesso nesta área. A eficiência, a responsabilidade e o profissionalismo têm de ser inquestionáveis”. Esta antiga aluna da UA destaca ainda a semelhança existente entre as saídas profissionais dos licenciados em Economia e em Gestão. “Ambas permitem colaborar de forma participativa na área financeira, contabilidade, planeamento e controlo de gestão de entidades públicas ou privadas. Em Banca e Telecomunicações poderão

ser Gestores de Conta de Clientes. Um licenciado em Economia ou em Gestão está igualmente apto a participar em projectos de consultoria estratégica”. Já o licenciado em Gestão poderá “especializar-se na Gestão Informática, e evoluir como Consultor/Programador de diferentes softwares (SAP, Oracle, Navision, Primavera…). A investigação e o ensino são também opções de carreira, lembra, acrescentando que “um licenciado em Economia tenderá a ser objectivo na resolução de problemas, e no seu ADN estarão questões como maximizar o lucro, minimizar os custos, calcular a poupança e o impacto da variação de uma variável… O licenciado em Gestão poderá ter maior liberdade em termos de opções: Marketing, Logística, Gestão de Recursos Humanos”. Vera Oliveira, que confessa desejar também fazer mestrado, constituir a sua própria empresa e ser mãe, deixa um alerta aos colegas que estão a concluir a sua formação: “lutar por uma média não inferior a 14 para permitir seguir estudos de mestrado e apostar em elementos diferenciadores, como um domínio avançado de ferramentas informáticas, nomeadamente Excel e Access, e bons conhecimentos de alguns idiomas, para além do inglês. Estes são factores facilitadores da entrada no mercado de trabalho”.

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Dois projectos da UA entre os 20 europeus premiados pela HP

Robótica com carimbo da UA

Dois projectos do Departamento de Electrónica, Telecomunicações e Informática da UA estão entre os apenas 20 europeus galardoados com o prémio da iniciativa “HP Innovation in Education Grant Initiative 2009”. Este galardão concedido pelo gigante informático Hewlett-Packard Development Company, L.P destina-se a distinguir projectos educacionais que se proponham explorar as sinergias entre a utilização de tecnologias e metodologias inovadoras de ensino e aprendizagem. “Use of HP Mobile Technology to Enhance Teaching Reconfigurable Systems for Electrical and Computer Engineering Curricula” é um dos dois projectos vencedores e baseia-se na reformulação do ensino das disciplinas Sistemas Reconfiguráveis, Computação Reconfigurável, Linguagens de Descrição de Hardware, e outras em áreas relacionadas, dos cursos de Mestrado Integrado em Electrónica e Telecomunicações e Mestrado Integrado em Computadores e Telemática. Igualmente premiado foi o projecto “educacional StimuLearning: Stimulating Learning in Engineering Students by Collaborative Entrepreneurship Training”, uma iniciativa associada à reformulação das disciplinas de Projecto desses Mestrados. Os dois prémios arrecadados dão ainda acesso à participação na “2010 HP Innovations in Education Conference”, agendada para 21 a 23 de Fevereiro de 2010, em São Francisco, Califórnia.

A equipa de futebol robótico CAMBADA da UA alcançou o 3º lugar na liga de futebol robótico dos robôs médios do Campeonato Mundial RoboCup 2009, que se realizou na Áustria, em Junho. Além disso, classificou-se em 1º lugar no Desafio Técnico Obrigatório que é disputado nesta liga. Em território nacional, a UA também brilhou. O robô autónomo ATLAS, desenvolvido por uma equipa do Departamento de Engenharia Mecânica da UA (DEM), venceu pelo 4º ano consecutivo, a prova nacional de Condução Autónoma integrada no Festival Nacional de Robótica, que teve lugar em Castelo Branco, em Maio. No torneio de futebol robótico da liga dos robôs de tamanho médio, realizado no âmbito do mesmo Festival, também a equipa CAMBADA se sagrou campeã nacional, pelo terceiro ano consecutivo. A UA tem uma excelente tradição neste Festival. Em todas as edições até à data, arrecadou sempre o primeiro lugar (DETI, em 2001, 2002, 2003, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda em 2004 e 2005, e DEM em 2006, 2007, 2008) e, desde 2002, pelo menos dois robôs da UA ficam sempre nos três primeiros lugares da prova. Para além do ATLAS e da CAMBADA, as alunas da UA Mafalda Zúquete, Bárbara Valente e Inês Ventura conquistaram o 3º prémio na modalidade de Dança Robótica Júnior (Escalão A), com o “Robô Borboleta”. Para além deste prémio, a UA trouxe para Aveiro um 6º lugar e uma menção honrosa com o trabalho apresentado por duas outras equipas na mesma competição.


Professor Carlos Borrego distinguido pela Ordem dos Engenheiros da Região Centro

Investigador da UA distinguido em Espanha pelo seu percurso de especial relevo na investigação

O Professor Carlos Borrego foi distinguido, pela Ordem dos Engenheiros, com o Prémio Conselho Directivo da Região Centro. Este prémio destina-se a galardoar o Engenheiro mais prestigiado em 2009, distinguindo anualmente um membro da Região Centro pelo seu currículo de mérito nos domínios profissional, cultural e de intervenção na sociedade. O Prémio foi entregue em Maio, durante o XI Encontro Regional do Engenheiro, em Mira.

No passado mês de Junho, o Professor Fernando Marques foi distinguido pela Sociedade Espanhola de Cerâmica e do Vidro com o prémio “Epsilon de Oro”. Atribuído pela primeira vez a um investigador português, este prémio foi instituído para distinguir pessoas ou entidades espanholas ou estrangeiras que apresentem ou tenham alcançado resultados e percursos de especial relevo na investigação e desenvolvimento no domínio da electrocerâmica. Durante esta reunião o Professor Fernando Marques foi orador convidado, tendo apresentado uma comunicação intitulada “Composite and heterogeneous electrolytes and mixed conductors”. Esta comunicação enquadra-se na sua área de investigação em materiais cerâmicos para pilhas de combustível, sensores e aplicações afins. Fernando Marques entrou para o Departamento de Cerâmica e Vidro da Universidade de Aveiro, em 1979, na qualidade de conferencista. Em 1999 tornou-se Professor Catedrático, após oito anos como Professor Associado e três como Professor Assistente. O docente e investigador da UA detém Agregação e Doutoramento em Engenharia de Materiais (UA), sendo a sua Licenciatura em Engenharia de Materiais (IST, Universidade Técnica de Lisboa).

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Prof. Júlio Pedrosa agraciado pelo Estado Português

Eurodeputado premeia trabalhos de duas recém-licenciadas pela UA

O Prof. Júlio Pedrosa, Professor Catedrático, antigo Reitor da UA e ex-Ministro da Educação, foi condecorado, pelo Presidente da República, Prof. Aníbal Cavaco Silva, com a Grã-Cruz da Ordem de Instrução Pública, pelos altos serviços prestados à causa da educação e do ensino. A distinção foi atribuída durante a sessão solene comemorativa do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que, este ano, decorreu em Santarém. Doutorado em Química Inorgânica pela University College, Cardiff, e com Agregação em Química Inorgânica, na UA, é investigador do Centro de Investigação em Políticas do Ensino Superior (CIPES), da Fundação das Universidades Portuguesas e do Centro de Investigação em Materiais Cerâmico e Compósitos da UA. Para além de ter sido Ministro da Educação entre 2001 e 2002, o Prof. Júlio Pedrosa tem vindo a desempenhar diversos cargos dirigentes e funções universitárias. No seu currículo conta ainda com os cargos de Coordenador para Portugal da “European Network on Staff Development in Higher Education” da UNESCO, Coordenador da Rede Nacional Universitária para a Formação e Desenvolvimento de Pessoal do Ensino Superior e Presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE). Na UA foi Reitor, Vice-Reitor, Presidente da Comissão Científica e de Desenvolvimento do Senado, Vogal da Comissão Coordenadora para a Instalação do Centro Integrado de Formação de Professores (CIFOP), Presidente do Conselho Directivo do

Concluído o estágio realizado no Parlamento Europeu em 2008, ao abrigo do acordo de colaboração entre a UA e o então Eurodeputado Armando França, as recém-licenciadas, Aida Catarina Rodrigues Antunes e Susana Santos foram premiadas pela apresentação do melhor trabalho de investigação de cariz inovador sobre a área temática do estágio e europeia. O prémio, atribuído ex aequo a Aida Catarina Rodrigues Antunes, licenciada em Gestão Pública e Autárquica, e a Susana Santos, licenciada em Economia, distinguiu, respectivamente, os trabalhos: “A Actividade Lobística na União Europeia” e “Biocombustíveis, tornar-se-á a solução mais complexa que o problema?”. Os trabalhos, apresentados no final do estágio, destacaram-se pela pertinência da temática, organização e estrutura, e o contributo pessoal. Importa lembrar que, ao abrigo do acordo de colaboração, estabelecido em Dezembro de 2007, entre a UA e o na época Eurodeputado Armando França, quatro licenciadas pela UA realizaram, entre Janeiro e Dezembro de 2008, um estágio de três meses nas áreas de intervenção parlamentar deste Eurodeputado. Este acordo previa ainda a instituição anual de um prémio, no valor de 2.500 euros, ao estagiário que apresentasse um trabalho inovador e de investigação sobre a área temática objecto de estágio e europeia; prémio esse atribuído a Aida Antunes e a Susana Santos.

Departamento de Química e Membro do Conselho Científico. Para além do Prof. Júlio Pedrosa, foi distinguido na mesma ocasião, o conhecido crítico e animador de Jazz e antigo professor auxiliar convidado da UA, José Duarte, com o grau de Grande Oficial da Ordem de Mérito.


Investigação inovadora distingue docente e doutoranda da UA

Composição do Prof. Vasco Negreiros premiada na Bulgária

Ana Luísa Ramos, docente e doutoranda da UA foi distinguida com o Prémio internacional INCOSE 2009, pela investigação inovadora na área da Engenharia de Sistemas e Integração de Sistemas que está a realizar, no âmbito do seu doutoramento, no Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial da UA (DEGEI). A contribuição deste projecto de doutoramento para o avanço do estado da arte na área da Engenharia de Sistemas e o potencial para o avanço da prática da Engenharia de Sistemas nos próximos 5-10 anos foram os dois factores decisivos para atribuição deste prémio pela instituição de referência a nível mundial na área da Engenharia de Sistemas, actualmente presidida pelo Prof. Patrick Hale, do MIT. Com o título “Intelligent Urban Traffic & Environment Operations (IUTEO): a Model-Based Systems Engineering approach”, o doutoramento em Gestão Industrial na área de Engenharia de Sistemas que está a desenvolver na UA, sob a orientação científica do Prof. José António de Vasconcelos Ferreira (UA) e co-orientação do Prof. Jaime Barceló (Universidade Politécnica da Catalunha) tem como principal objectivo a identificação, o desenvolvimento e a sistematização de um conjunto de modelos gráficos que possibilitem o desenho de sistemas interdisciplinares complexos em ambientes de decisão colectiva.

A obra “Ámen” do compositor e docente do Departamento de Comunicação e Arte da UA, Prof. Vasco Negreiros, conquistou o 3º lugar no concurso internacional “Competition for Creation of Works for Children’s Choir 2009”, realizado na Bulgária, em Março. “Uma obra introspectiva e sóbria, resgatando a componente mística do mundo da criança”, assim se caracteriza a composição infantil “Ámen”, uma composição do reputado músico e professor, Vasco Negreiros, contemplada exequo com o 3º prémio no concurso internacional de composição, que contou com a participação de 27 compositores provenientes de uma dezena de países. Mais habituado às composições para instrumentistas e cantores adultos, o músico começou a criar peças infantis há apenas dois anos. Por essa razão, este prémio tem um sabor especial “o regulamento do concurso garantia o anonimato dos candidatos, sei que só o valor musical da obra contou (…), receber este prémio internacional anima-me a continuar”. Para prosseguir são também os projectos com coros infantis “Para 2010 está prevista a estreia da minha ópera infantil “As palavras na barriga”, baseada num livro de Juva Batella”, adianta o músico. Além destes trabalhos, Vasco Negreiros estreou, em Abril, nos “Dias da Música em Belém” – iniciativa promovida pelo CCB Centro Cultural de Belém, Lisboa – duas obras interpretadas pelo Coro Infantil da Universidade de Lisboa: “O Mensch bewein’ dein’ Sünde sehr – Homenagem a J. S. Bach” e “ Trava lengas e lenga línguas”.

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Aluna de música da UA arrecada prémios

Estudo efectuado com professores do distrito de Aveiro galardoado em França

Doutoranda da UA distinguida com o prémio “Student Best Speaker”

Galardoada três vezes em concursos nacionais de nível superior na modalidade de violino, Sofia Leandro, aluna do 2º ano de Música no Departamento de Comunicação e Arte da UA (DeCA), viu recentemente o seu trabalho premiado em Paços de Brandão, Fundão e Évora. A primeira experiência em competições musicais valeu a Sofia Leandro o 2º lugar no 10º Concurso Internacional “Cidade do Fundão”, o 3º no “III Concurso Nacional Paços’ Premium” (Paços de Brandão) e a 3ª posição, ex-aequo, no Concurso para Jovens Intérpretes “José Augusto Alegria” (Évora). Orientada pelo Prof. Zóltan Santa, instrutor das classes de violino, no DeCA, Sofia Leandro executou, nas provas finais dos concursos, obras de Mozart, Tchaikovsky e Wieniawski. Sofia Leandro nasceu em 1987 e iniciou os estudos musicais na Academia de Música de Santa Maria da Feira. Concluiu o 5º grau de violino e formação musical com diploma de mérito. Em 2005, concluiu o curso de Prática Orquestral/ instrumento violino, sob a orientação da professora Emília Vanguelova, na Escola Profissional de Música de Espinho, com a classificação de 19 valores na Prova de Aptidão Profissional. Apresenta-se regularmente em audições e recitais a solo e em música de câmara. Integrou várias orquestras, e tem vindo a trabalhar sob a direcção de maestros como Cesário Costa, Joana Carneiro, Martin André, António Vassalo Lourenço, Peter Rundel, Franck Ollu e Andris Nelsons, entre outros. Em Maio de 2008, interpretou como solista o “concerto em Dó Maior” de Haydn e, em Dezembro de 2008 e Março de 2009, a “Primavera” d’As Quatro Estações, de Vivaldi, acompanhada pela Orquestra de Cordas do DeCA.

O investigador e docente do Departamento de Didáctica e Tecnologia Educativa da UA (DDTE), Prof. Rui Neves, foi distinguido com o 2º prémio de comunicações (poster) no seminário internacional “Situated learning reflective pratice & knowledge construction in Physical Education”, realizado no final de Maio, em Besançon, França. O poster premiado intitula-se “Physical Education and Elementary School Teachers – Teacher training and type of knowledge” e dá conta de um estudo efectuado com professores do 1º Ciclo do Ensino Básico do distrito de Aveiro. Através de um questionário foi possível avaliar a percepção que os professores têm da sua formação inicial, segundo as quatro componentes definidas como essenciais no ensino da Educação Física: conhecimento cientifico, programático, pedagógico e capacidades reflexivas. Os resultados do inquérito revelam que, em geral, os professores têm uma opinião favorável sobre a sua formação inicial, embora os que possuem 21, ou mais, anos de carreira estejam menos satisfeitos com a sua formação. Os profissionais mais jovens, e portanto menos experientes, foram os que atribuíram maior classificação às componentes em estudo.

Rosa Maria Marques, aluna de Doutoramento da UA e investigadora da UI Geobiotec, foi galardoada com o Prémio “Student Best Speaker”, patrocinado pela AIPEA (Association Internationale pour l’Etude des Argiles), comunicação intitulada “A Contribution for the Geochemical Atlas of Santiago Island, Cape Verde – Total Contents of REE and other Trace Elements in the Topsoil Layer”. Apresentada na 14th International Clay Conference, que decorreu em Junho, em Itália, com participação de mais de 700 cientistas de 51 países, a comunicação de Rosa Marques foi uma das 400 orais das cerca de mil comunicações apresentadas na conferência. A sua comunicação revela que, com o objectivo de estabelecer um atlas geoquímico, foram recolhidos solos, sedimentos e rochas na ilha de Santiago, no arquipélago de Cabo Verde, constituindo os resultados obtidos, um contributo para a caracterização geoquímica de ambientes superficiais da ilha de Santiago e para o estabelecimento de fontes geogénicas. Rosa Maria Salgueiro Marques é Licenciada em Química Tecnológica, pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e Mestre em Minerais e Rochas Industriais, pelo Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro.


Melhor poster da RRB-5 desenvolvido na UA

Aluno finalista do DETI distinguido em Valência

Luísa Serafim, docente e investigadora no Departamento de Química da UA, ganhou o prémio para o melhor poster do RRB-5, International Conference on Renewable Resources and Biorefineries, que se realizou em Gent, em Junho. O tema do poster premiado – “Bioplastics production from cheese whey by Haloferax mediterranei” - é a produção microbiana de polihidroxialcanoatos (PHA) que são plásticos biodegradáveis, com numerosas aplicações (produtos descartáveis, embalagens, materiais cirúrgicos, etc.). Neste momento a investigação incide sobre a diminuição dos custos de produção destes polímeros, nomeadamente ao nível do substrato e dos microrganismos utilizados. O soro de leite é um sub-produto da indústria leiteira, rico em lactose, produzido em grandes quantidades mas com muito poucas aplicações Haloferax mediterranei consegue utilizar a lactose hidrolizada para produzir PHA acima de 50% do seu peso. Sendo um microrganismo halófilo, ou seja, que só consegue sobreviver em ambientes extremamente salinos, não necessita de condições de esterilidade significativas, requerendo menos energia para o processo. O trabalho apresentado no poster mostra que é possível utilizar um subproduto industrial e um microrganismo halófilo para a produção de PHA, contribuindo para a diminuição dos custos de produção.

David Pacheco, aluno finalista do Mestrado Integrado em Engenharia de Computadores e Telemática, recebeu em Maio passado, o Prémio para o melhor artigo da Conferência Ibérica de Infra-estruturas Grid (IberGrid’2009), que decorreu em Valência. O trabalho premiado, com o título “MAGI: A Medical Application Grid Interfacing Portal for eScience”, aborda técnicas inovadoras de interface com infraestruturas Grid para aplicações de imagem médica, com especial ênfase na imagiologia do cérebro. As “Grids” são cruciais hoje em dia para abordar muitos dos mais complexos problemas actuais de ciência e engenharia e são cada vez mais relevantes em áreas como biomedicina, ambiente, física de partículas, entre outras. O trabalho premiado, com o título “MAGI: A Medical Application Grid Interfacing Portal for eScience”, aborda técnicas inovadoras de interface com infra-estruturas Grid para aplicações de imagem médica, com especial ênfase na imagiologia do cérebro. Este trabalho surge enquadrado na dissertação de Mestrado Integrado em Engenharia de Computadores e Telemática do premiado que está a ser desenvolvida no âmbito do projecto “Brain Imaging Network Grid” da unidade de investigação IEETA (www.ieeta.pt/sias).

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Paper de Arménio Rego distinguido em Kuala Lumpur

Projecto Korange Robotic Systems conquista 2º lugar na Competição Nacional do Graduate Programme 2008/09

Com um paper que foca a importância da felicidade no trabalho, de sua co-autoria, o Prof. Arménio Rego, investigador da UA e docente no Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial, recebeu o “Best Paper Award” durante o BAI2009 International Conference on Business and Information, que se realizou, em Julho, em Kuala Lumpur. Os resultados obtidos neste estudo empírico, intitulado “Como a felicidade no trabalho medeia a relação entre as percepções de virtuosidade organizacional e o empenhamento afectivo dos colaboradores” e no qual participaram 205 membros organizacionais, sugerem que as percepções de virtuosidade organizacional explicam o empenhamento afectivo dos colaboradores nas suas organizações e que este efeito é parcialmente devido ao efeito mediador da felicidade no trabalho. Por outras palavras, as pessoas desenvolvem laços afectivos mais fortes com as suas organizações porque, ao percepcionarem maior virtuosidade na organização, experimentam maior felicidade no trabalho. Desenvolvido pelos investigadores Arménio Rego, da UA, Neuza Ribeiro, do Instituto Politécnico de Leiria, Miguel Pina e Cunha, da Universidade Nova de Lisboa, e Jorge Correia Jesuino, do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, o estudo sugere, ainda, que, através de acções virtuosas, as organizações podem fomentar as emoções positivas dos seus colaboradores e estimular uma força de trabalho mais empenhada.

A Korange Robotic Systems, uma empresa de base tecnológica, criada no Laboratório de Empreendedorismo da UATEC por alunos da UA e cuja actividade caracteriza-se pela produção de sistemas robóticos autónomos, conquistou ficou em 2º lugar na Competição Nacional do Graduate Programme 2008/09, que se realizou em Maio, em Lisboa. A Korange – Robotic Systems pretende ser uma empresa de base tecnológica, cuja actividade caracteriza-se pela produção de sistemas robóticos autónomos (sem necessidade de intervenção humana). Numa fase inicial, aposta no desenvolvimento de robots cortadores de relva. O Graduate Programme é uma iniciativa do labe – Laboratório de Empreendedorismo da UATEC, para ajudar os alunos a compreender melhor o papel das empresas na comunidade. Sob a coordenação da UATEC, a orientação de voluntários do Millenium BCP e com o apoio da Júnior Achievement Portugal, o Graduate Programme fornece uma formação empreendedora a alunos universitários, através do desenvolvimento de seus próprios projectos empresariais e o aprendizado sobre a estrutura do sistema empresarial e os seus benefícios.


Projecto da UA premiado na 4ª Edição do CEBT

No âmbito da 4.ª Edição do Curso de Empreendedorismo de Base Tecnológica (CEBT), o projecto empresarial do Laboratório Associado CESAM “FishCare – sistema integrado de monitorização e tratamento de água de aquaculturas” foi distinguido como a melhor proposta de valor. Este curso decorreu de Abril a Junho, com 13 equipas multidisciplinares, com base em tecnologias desenvolvidas nas unidades de investigação das universidades de Aveiro, Beira Interior e Coimbra. 13 conceitos de negócios, foram concebidos de acordo com as ferramentas e técnicas adquiridas no decorrer do curso. A “FishCare” apresenta uma gama de serviços baseados em ferramentas moleculares para determinar, em algumas horas, quais os agentes patogénicos que afectam as pisciculturas de Portugal e Galiza.

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mais resistentes, leves e a um custo acessível LINHAS

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investigadores testam materiais celulares em sistemas de protecção pessoal e de defesa Com a constante ameaça de actos terroristas e o crime a aumentar nas ruas, o sentimento de insegurança tem vindo a crescer. Tendo em vista a concepção de sistemas de protecção mais eficazes e a preços mais acessíveis, investigadores do Departamento de Engenharia Mecânica da UA estão a testar materiais celulares que, por serem resistentes, mais leves e baratos e terem uma boa capacidade de absorção de energia, se podem apresentar como uma alternativa auspiciosa aos actuais sistemas de protecção de pessoas, veículos e edifícios.


investigadores testam materiais celulares

São diferentes os objectivos dos vários projectos que a Divisão de Sistemas de Protecção (GRIDS-DAPS – Division of Armour & Protection Systems) do “Centro de Tecnologia e Automação da Universidade de Aveiro (TEMA)” está a desenvolver, mas concorrem todos para um fim comum: testar e implementar materiais novos em sistemas de protecção contra ataques balísticos e ondas de pressão geradas por explosões. Aos novos materiais é exigido que sejam resistentes, leves e que possam ser usados em sistemas com espessura reduzida, para que se adaptem facilmente às especificidades exigidas pelas suas várias aplicações.

laboratório do DAPS ou através de algumas das parcerias do grupo, como a que mantêm com o Instituto Franco-Alemão de Investigação em Segurança e Defesa, como explica o investigador.

“Estamos a trabalhar com materiais celulares porosos, alguns naturais outros de base metálica, que possam vir a ser implementados em sistemas de protecção pessoal – capacetes, coletes – protecção para veículos – armaduras e blindagens como uma maior capacidade de protecção – e em edifícios e outras infraestruturas. A escolha dos materiais em análise baseia-se essencialmente na adequação das suas propriedades ao fim pretendido, em cada uma das três vertentes”.

A breve prazo, o DAPS pretende, ainda, fazer testes balísticos reais num canhão que se está a instalar na UA. “Com o canhão podemos construir uma amostra do alvo e colocá-lo à prova, disparando um projéctil real a uma velocidade real, testando experimentalmente a resistência dos materiais que pretendemos desenvolver”.

Exemplificando, o Prof. Filipe Teixeira-Dias, coordenador da equipa de cerca de 20 pessoas que estão a desenvolver os estudos, explica que “num colete de protecção pessoal não podemos usar, por exemplo, sistemas pesados ou que tenham um volume grande. Tal iria impedir a flexibilidade e mobilidade desejadas. No entanto, não há nada que nos impeça de o utilizar num edifício ou num veículo de grande porte, uma vez que já não apresenta esse tipo de constrangimentos”. Esse trabalho passa, primeiramente, por conceber modelos que permitam simular numericamente o comportamento dos materiais, cuja validação será concluída com a confrontação de dados experimentais. Estes resultados experimentais podem ser obtidos no

“Há um percurso entre a parte experimental e a parte numérica para afinar o modelo numérico e tê-lo com a maior fiabilidade possível. No entanto, depois podemos realizar simulações, a um custo muito baixo e com a necessária fiabilidade, ao nível da incorporação de materiais em edifícios e em veículos testando várias geometrias e analisando variações em parâmetros como a absorção de energia e a deformação”.

Conhecida a composição, a estrutura e a resistência desses materiais, é chegada a altura de identificar a melhor estratégia de conjugação dos vários materiais que se adaptam às especificidades de uma aplicação final para conseguir níveis de absorção de energia significativos. “Actualmente, as espumas metálicas já são incorporadas em veículos para absorver energia em caso de impacto. No entanto, estes materiais celulares, por si só, não são eficientes no fabrico de sistemas de protecção balística ou para proteger contra ondas de choque de explosões, exigindo uma combinação em camadas, com outros materiais”, salienta o docente. Neste sentido, conclui o investigador, “para além da concepção do modelo numérico e do estudo do comportamento dos materiais celulares, estão a decorrer alguns estudos para averiguar a melhor forma de fazer interagir os diferentes materiais e determinar quais os adesivos ou sistemas

de ligação mais adequados a utilizar na ligação das diferentes camadas”. Ainda na área da protecção pessoal e para ir ao encontro de uma das principais preocupações em sistemas de protecção pessoal, o DAPS vai arrancar, muito em breve, com um novo estudo em torno dos capacetes militares. 25

Laboratório Central de Análises da UA implementou e validou método de quantificação de metais em vinhos O Laboratório Central de Análises da UA (LCA) em colaboração com o Departamento de Química desenvolveu, implementou e validou um método que, em apenas seis minutos, permite obter resultados para a determinação de 20 elementos em amostras de vinhos de mesa. Estes resultados são obtidos utilizando o equipamento de análise multielementar “Inductively Coupled Plasma Mass Spectrometry” (ICP-MS). A validação do método teve em conta possíveis interferências e as variáveis linearidade, exactidão, precisão e estabilidade, tendo os resultados obtidos sido comparados com o outro equipamento de ICP existente no laboratório, o espectrómetro ICP-OES. O trabalho foi recentemente apresentado oralmente e discutido no IV Encontro de Utilizadores de Inductively Coupled Plasma Mass Spectrometry (ICP-MS) e Inductively Coupled Plasma Optical Emission Spectrometry (ICP-OES) organizado pela empresa Thermo-Unicam. No futuro pretende-se aplicar este método na distinção de vinhos por regiões de denominação de origem controlada. Este trabalho é fruto da aposta recente do LCA na investigação e no desenvolvimento de novos métodos de análise de diferentes matrizes.


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para o tratamento localizado de tumores implantes ósseos para transportar fármacos quimioterápicos revestidos por nanocápsulas em concepção no ciceco A quimioterapia seguida de remoção cirúrgica do tecido tumoral é o tratamento normalmente adoptado em casos de tumores ósseos. Um implante que preencha as áreas excisadas, enquanto liberta os agentes quimioterápicos localmente e de uma forma mais controlada durante o período de tratamento, é o que se propõe conseguir uma investigação liderada pelo Centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Compósitos (CICECO/UA). Nas experiências os especialistas estão a utilizar potenciais fármacos anti-tumorais revestidos por nanocápsulas.


investigadores testam materiais celulares

O osteossarcoma é o tumor primário maligno mais comum no osso. Afecta principalmente crianças e jovens e envolve algumas vezes a amputação de pernas e braços. O tratamento deste tipo de tumores implica quimioterapia, seguida de remoção cirúrgica do tecido tumoral com uma área de segurança que evite o ressurgimento do tumor e que é preenchida com implante de osso ou de um biomaterial sintético. Tendo em conta que nestes casos é desejável evitar novos tratamentos de quimio ou radioterapia na neutralização de possíveis focos residuais, 11 investigadores das universidade de Aveiro e Coimbra propõem-se desenvolver um implante que contenha agentes quimioterápicos de acção localizada e que facilite a sua libertação controlada ao longo de um período de tempo adequado. “Os implantes ósseos que estamos a estudar servirão de suporte e agente libertador de fármacos encapsulados em nanocápsula de ciclodextrina. Neste momento, estamos a fazer experiências com uma molécula activa que tem propriedades anti-cancerígenas específicas para osteossarcomas. No entanto, pretende-se que a sua aplicação venha a ser alargada a outros tipos de cancros”. Para tal e de acordo com o que o Prof. Rui Correia, coordenador do projecto, explica, há necessidade de fazer estudos ao nível das suas características mecânicas e biológicas. “Quando desenvolvemos produtos com estes objectivos, temos de ter em conta a sua resistência mecânica e outras características que nos vão condicionar o seu implante no osso. Neste caso específico, estamos a trabalhar com suportes porosos que contêm um gel de sílica modificado de modo a funcionar como depósito e libertador de nanocápsulas. A sua forma física será variável, dependo da área óssea a preencher”.

A matriz de gel será carregada com o composto anti-tumoral (a cisplatina e novos compostos metálicos) encapsulado a nível molecular com ciclodextrinas, cápsulas coloridas de gelatina que não são mais do que anéis de açúcar. A Prof. Ana Gil explica em que consiste esta nova técnica. “Um sub-grupo da nossa equipa, liderado pela investigadora Susana Braga, encontra-se, por um lado, a desenvolver novos compostos metálicos com potencial terapêutico e, por outro, a promover a sua encapsulação em ciclodextrinas. A utilização de ciclodextrina no revestimento da molécula medicinal aumenta a eficácia do fármaco e reduz a quantidade de medicamento necessária. Trabalhar a uma escala nanométrica permite-nos melhorar as propriedades, quer ao nível da solubilidade quer ao nível da própria actividade do fármaco, tornando-o mais específico”. A nanocápsula protege o agente terapêutico do contacto com proteínas irrelevantes para o tratamento e facilita a sua actuação no local. O uso das ciclodextrinas como nanocápsulas deverá proteger o organismo da esperada alta toxicidade dos novos agentes para as células saudáveis. Este projecto, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, apresenta, também, uma vertente inovadora ao nível do estudo dos efeitos metabólicos dos novos compostos (encapsulados ou não) sobre as células de osteossarcoma humano, como explica a investigadora. “É importante conhecer a resposta das células cancerígenas às drogas, de forma a poder ajustar e adaptar a natureza e dose da droga, para um tratamento mais eficaz. Estes estudos usam a espectroscopia de Ressonância Magnética Nuclear (RMN) na caracterização do perfil metabólico das células e a aplicação de tratamentos estatísticos adequados ajudam a

identificar alterações metabólicas específicas e a sua relação com os padrões de morte celular”. Com o fármaco nas nanocápsulas, serão dois os tipos de implantes pelos quais se pode optar: implantes permanentes de titânio e implantes biodegradáveis para processos regenerativos. As diferenças são explicadas pelo Prof. Rui Correia. “Os suportes porosos que nos vão permitir introduzir a componente química no organismo são concebidos a partir de biomateriais de dois tipos: um bio-estável (não degradável e biocompatível) e outro polimérico, com características biodegradáveis. O primeiro destina-se a ser aplicado em casos em que não há capacidade de regeneração do tecido ósseo e o segundo em situações em que se verifique a possibilidade de recuperação natural do osso. Neste último caso o implante será absorvido e progressivamente substituído pelo osso natural”. Para além de análises microestruturais, os investigadores estão a proceder a ensaios mecânicos, físico-químicos e in vitro. Serão, ainda, realizados ensaios metabolómicos com culturas celulares sujeitas aos agentes terapêuticos, na forma livre ou molecularmente encapsulados. Trabalho da oficina de vidro do DQUA reconhecido internacionalmente A revista “Fusion” da American Scientific Glassblowers Society (ASGS) publicou em Junho, com destaque na sua capa, um artigo sobre um trabalho desenvolvido na oficina de vidro do Departamento de Química da UA (coluna de destilação com isolamento de vácuo) (http://www.asgs-glass.org/). Esta é a segunda vez que a Oficina de Vidro vê o seu trabalho destacado numa publicação internacional. Em 2008, foi um dos temas abordados na revista da British Society of Scientific Glassblowers (BSSG) (http:// uaonline.ua.pt/upload/med%5Cmed_1167.pdf). O destaque concedido a este trabalho constitui o reconhecimento internacional da excelência do trabalho aqui desenvolvido.

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doença de alzheimer ua estuda potencial biomarcador para diagnóstico precoce da doença de alzheimer Uma investigadora do Centro de Biologia Celular do Departamento de Biologia da UA tem vindo a obter resultados promissores na descoberta de um potencial biomarcador da Doença de Alzheimer (DA). Este pequeno avanço para o conhecimento da doença, que afecta actualmente cerca de 90 mil portugueses, pode permitir, a longo prazo, o seu diagnóstico precoce e uma intervenção terapêutica mais célere. Os primeiros resultados mereceram destaque, já este ano, na capa do “Journal of Neuroscience Research”.


doença de alzheimer

Como doença degenerativa e progressiva que atinge o sistema nervoso central prejudicando as funções intelectuais do cérebro, a Doença de Alzheimer afecta, actualmente, perto de 90 mil portugueses. Apesar dos avanços científicos o seu diagnóstico é feito essencialmente com base em testes cognitivos e por exclusão de outras demências, identificando esta doença irreversível apenas numa fase moderada ou já avançada. Ana Gabriela Henriques, do Laboratório de Neurociências do Centro de Biologia Celular da Universidade de Aveiro, têm vindo a desenvolver um estudo, sob a orientação da Professora Odete Cruz e Silva, com o objectivo principal de compreender os mecanismos moleculares induzidos por um pequeno fragmento amilóide denominado “Abeta”, que é tóxico para os neurónios quando presente em excesso nos cérebros dos doentes de Alzheimer. Este estudo, em torno deste fragmento de importância vital para o desenvolvimento da doença, tem o seu enfoque nos efeitos do Abeta no processamento/ clivagem da sua proteína precursora: a proteína precursora de amilóide de Alzheimer (APP). Os resultados obtidos em laboratório são promissores, como explica Ana Gabriela Henriques. “Uma das principais características neuropatológicas é a presença de placas senis nos cérebros dos doentes, estruturas constituídas maioritariamente por Abeta. Depois de alguma investigação observou-se que em resposta a uma concentração elevada de Abeta havia acumulação no interior das células de um fragmento secretado da APP (sAPP). Do ponto de vista da doença a diminuição extracelular deste fragmento secretado, que apresenta propriedades protectoras para as células, pode constituir um mecanismo pelo qual o Abeta exerce o seu efeito neurotóxico”.

Com estes resultados, pretende-se, agora, apurar de que forma o sAPP se comporta em células periféricas, como por exemplo, as células do sangue. Deste avanço está dependente a validação do sAPP como um biomarcador molecular que permitirá, a longo prazo, e em conjunto com outros biomarcadores um diagnóstico precoce da doença de Alzheimer. Como sublinhou a investigadora, “actualmente o diagnóstico conclusivo da DA só é possível após a morte, com a análise do cérebro dos pacientes. Não há nenhum exame que permita diagnosticar, de modo inquestionável, a doença, sobretudo numa fase precoce. A identificação de um novo biomarcador para o diagnóstico precoce da DA ou para o seu prognóstico pode possibilitar, a longo prazo, uma intervenção farmacológica atempada e eficaz no alívio dos sintomas e na preservação das capacidades, com ganhos efectivos na qualidade de vida”. A identificação precoce da DA é uma das áreas de maior investimento actual por parte das multinacionais farmacêuticas, uma vez que, ao permitir uma intervenção terapêutica mais rápida e consequente atraso no desenvolvimento da patologia, resultaria em poupanças anuais para a sociedade de milhões de euros. A recolha de amostras junto de indivíduos doentes, indivíduos com défice cognitivo ligeiro (potenciais doentes) e indivíduos sem défice cognitivo servirão para analisar a evolução do comportamento da sAPP, o potencial biomarcador, sendo esta a nova etapa que a investigadora se prepara para percorrer.

Investigadores da UA descobrem alteração ao código genético e invalidam um dos dogmas centrais da Biologia No passado mês de Junho, um consórcio internacional liderado por investigadores do Broad Institute – Instituto conjunto da Universidade de Harvard e do MIT – que integra um grupo de investigadores do Departamento de Biologia da UA e do seu Laboratório Associado CESAM, publica um artigo na NATURE com os resultados de uma investigação que apresenta a sequenciação e anotação dos genomas de oito fungos patogénicos. O artigo dá a conhecer a descoberta de uma importante alteração no mecanismo de síntese das proteínas, que invalida o dogma central da Biologia de que todos os seres vivos usam o mesmo código genético. O estudo abre novas e importantes oportunidades para o desenvolvimento de drogas contra os fungos patogénicos. A investigação desenvolvida pelo grupo de Biologia do RNA do CESAM, coordenado pelo investigador do Departamento de Biologia da UA Prof. Manuel Santos, no seio do consórcio internacional liderado por investigadores do Broad Institute, mostram como oito fungos patogénicos interagem om o sistema imunitário e como causam infecção, revelando, ainda, características fundamentais os seus genomas que permitem compreender a sua ecologia, mecanismos de reprodução e adaptação. Os investigadores da UA estudaram o código genético destes fungos e descobriram uma alteração no mecanismo de síntese de proteínas, que contradiz o dogma central da biologia de que todos os seres vivos usam o mesmo código genético. Esta descoberta tem importantes implicações para compreendermos a evolução do código genético e a origem da vida.

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Investigadores da UA publicam na revista internacional “Environmental Science & Pollution Research” Um estudo levado a cabo por investigadores do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e do Departamento de Biologia da UA, em colaboração com outros investigadores portugueses, revelou a presença de níveis perigosos de insecticidas no Rio Guadiana que podem representar perigo para a saúde humana. Os resultados deste estudo foram recentemente publicados na prestigiada revista internacional “Environmental Science & Pollution Research” da editora Springer. No decurso de um trabalho de investigação sobre os efeitos de pesticidas presentes na água do Rio Guadiana em organismos aquáticos, foram efectuadas várias amostragens, ao longo de 2006, em diversos pontos da albufeira do Alqueva. A partir da análise destas amostras, estudaram-se as concentrações de pesticidas em solução, testando-se, posteriormente, em algas e invertebrados aquáticos para determinação da sua toxicidade. Uma das análises preocupantes referida pelos autores prende-se com o facto de nalguns pontos de amostragem a soma da concentração de pesticidas se encontrar acima de 0.5 µl/L, o que pode representar algum perigo para a saúde humana, de acordo com a Directiva 98/83/EC relativa à qualidade da água destinada ao consumo humano.

UA integra grupo de trabalho para o Registo Clínico Electrónico Nacional A UA está representada no grupo de trabalho para o Registo Clínico Electrónico (RCE) Nacional, nomeado pelo Secretário de Estado da Saúde. Este grupo tem por missão definir uma proposta de estratégia, especificações e recomendações que constituirão a base de trabalho para a implementação do futuro RCE nacional. A concretizarse, este registo electrónico será o pilar da estratégia de e-Health nacional e será concebido em articulação com as directivas europeias nesta área fronteira entre a informática e a medicina. O convite para integrar este grupo, endereçado à Unidade de Investigação Instituto de Engenharia Electrónica e Telemática de Aveiro (IEETA), deve-se à sua longa e relevante história de I&D em e-Health e Telemedicina. Na verdade, o IEETA foi o embrião da Telemedicina em Portugal. A Ordem do Engenheiros, na sua exposição e livro “Engenho e Obra: Engenharia em Portugal no Sec. XX” (http://www.engenhoeobra.com.pt) atribuiu a este Instituto (na altura designado INESC Aveiro) a primeira experiência de Telemedicina realizada em Portugal, em 1988. Nos últimos 20 anos de e-Health e Telemedicina, o IEETA esteve envolvido em alguns dos principais marcos portugueses desta área fronteira entre a engenharia e a medicina, como o projecto Teleradiologia que veio a criar o produto “Interact”, o Teleconsulta e o Telecardio que estão na génese do produto “Medigraf” (http://www.medigraf.pt/), o projecto “RTS-Rede Telemática da Saúde” (http://www.rtsaude.org/) que é o primeiro exemplo de uma rede informática regional de comunicação clínica autorizada pela Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) da Assembleia da República e o Vital Jacket (http://www.vitaljacket.com) uma t-shirt inteligente para monitorização contínua de sinais vitais com total mobilidade para o seu utilizador.


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UA associa-se ao projecto galego “Climántica” com blogue educativo sobre energia Resultado da colaboração entre investigadores do Departamento de Didáctica e Tecnologia Educativa da UA e a equipa do projecto galego Climántica, o blogue http://pt.universid ade.aveiro.climantica.org tenta abordar a educação energética, nas vertentes de desenvolvimento de recursos didácticos, formação de professores e educação não-formal. Climántica é um projecto de Educação Ambiental da Junta da Galiza, levado a cabo no âmbito do Plano de Acção Galego face às Mudanças Climáticas. Os vários níveis de actuação deste projecto são divulgados através das ferramentas tecnológicas que congregam no seu website http://www.climantica.org. Neste website podem ser encontrados variados recursos didácticos, textos, vídeos, fóruns de discussão e blogues de escolas e outros centros educativos. Esta última ferramenta é, aliás, largamente fomentada nas escolas como forma de divulgar os projectos desenvolvidos pelos alunos sobre prevenção das mudanças climáticas e como forma de intercâmbio entre os professores e participantes do projecto. Como resultado da participação de investigadores do DDTE num curso de formação de professores do projecto Climántica surgiu o blogue http: //pt.universidade.aveiro.climantica.org onde se aborda a educação energética, nas vertentes de desenvolvimento de recursos didácticos, formação de professores e educação não-formal. Neste blogue procura-se divulgar recursos e actividades didácticas que possam ter interesse para promover atitudes de eficiência energéticas e fontes energéticas renováveis na escola, nomeadamente, recorrendo a visitas ao espaço Jardim da Ciência da UA.

Equipamento de fibra óptica que disponibiliza internet até 10 Gb/s apresentado no IT Em Julho deste ano, foi apresentado, no IT, o protótipo de um equipamento terminal de Fibra Óptica totalmente português, desenvolvido através de uma parceria que envolve a Universidade de Aveiro, o Instituto de Telecomunicações e a PT Inovação. Este equipamento, que poderá ser lançado no mercado dentro de aproximadamente um ano, vai permitir levar a internet em fibra óptica a casa das pessoas com velocidades até 10Gb/s. Desenvolvido por uma equipa multidisciplinar composta por cinco investigadores do Instituto de Telecomunicações e da Portugal Telecom Inovação, o projecto surge no âmbito dos Planos de Inovação de 2007 e 2008 que engloba as actividades de inovação tecnológica exploratória do Grupo PT e onde a PT Inovação investe anualmente cerca de 6% das suas receitas em projectos com universidades portuguesas e estrangeiras e ainda organismos internacionais de I&D. Os principais objectivos do projecto consistiram em massificar a oferta de banda ultra larga (acima de 2Gb/s) até casa dos utilizadores, através da única tecnologia possível para o efeito: a fibra óptica. Neste quadro foram exploradas tecnologias inovadoras, que permitiram obter equipamentos de baixo custo. “Com as tecnologias de fibra óptica, conseguimos trabalhar em centenas de gigabits por segundo (Gbps). O objectivo do projecto é a massificação da banda ultra larga, acima dos dois gigabits por segundo até casa dos utilizadores”, disse o investigador do Instituto de Telecomunicações (IT) de Aveiro, Paulo André. “No quadro da oferta de FTTH (Fiber to the Home), o nosso país é hoje um case study e uma referência mundial para o mercado, que apenas tem paralelo no Japão e na Coreia do Sul”, acrescentou, ainda, o investigador. O projecto “ONT 10 Gb”, terminal de fibra óptica que converte o sinal de fibra em sinal digital em casa dos consumidores, foi desenvolvido ao longo de dois anos, podendo chegar ao mercado em 2011.

Trabalho co-desenvolvido por investigadores da UA foi tema de capa do “Journal American Ceramic Society” O trabalho de investigação “Electromechanical Imaging and Spectroscopy of Ferroelectric and Piezoelectric Materials: State-of-the-art and Prospects for the Future”, da co-autoria de Igor Bdikin e Andrei Kholkin, da Universidade de Aveiro, mereceu destaque este em Agosto no Journal of American Ceramic Society, com direito a ilustrar a capa. Este artigo expõe os últimos resultados na área crescente da microscopia de ferroeléctricos e piezoeléctricos, especialmente na escala nano, dando a conhecer uma técnica desenvolvida pela UA que é um pré-requisito para estudar o fenómeno electromecânico local em materiais ferroeléctricos onde defeitos e outras heterogeneidades são essenciais para a interpretação das propriedades macroscópicas. A Microscopia de Força Atómica (MFA) tornou-se numa ferramenta poderosa e versátil na sondagem de fenómenos à nano-escala em materiais ferroeléctricos, através do uso de nanómetros e balanças em micrómetro, como uma técnica fundamental na caracterização quantitativa e manipulação do comportamento de polarização estática e dinâmica em materiais cerâmicos, filmes de espessura reduzida e cristais isolados à nano-escala. Neste estudo, apoiado pela Fundação Humboldt e pela Fundação Portuguesa para a Ciência e Tecnologia (FCT), através de financiamento atribuído ao projecto Europeu “Multiceral” no qual se inseriu esta investigação, os investigadores elaboraram um sumário dos avanços fundamentais e recentes realizados ao nível da MFA e descreveram as propriedades electromecânicas à nano-escala, de diversos materiais cerâmicos com características ferroeléctricas utilizados, em grande escala, em sistemas e aplicações associados à microelectromecânica e memória. O artigo discute ainda o processo de sondagem e o comportamento de polarização estático e dinâmico de grãos individuais em filmes de PZT e cerâmica.

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entrevista com…

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a ua tem sabido responder a desafios reinventando-se continuamente Está ao serviço da Universidade de Aveiro desde 1975. Maria Helena Nazaré, Doutorada em Física, foi Vice-Reitora e Directora da Escola Superior de Saúde da UA antes de dedicar os últimos oito anos à condução dos destinos da instituição. Passando em revista os dois mandatos não faltam assuntos capitais para o desenvolvimento do ensino superior. Há, contudo, dois que se destacam: a transição para o modelo de Bolonha e a adopção do regime fundacional. Em jeito de balanço, a Reitora da UA pronuncia-se sobre o percurso da Fundação Universidade de Aveiro, a qualidade da investigação, as perspectivas de cooperação com o tecido empresarial e, claro está, a sua relação com a academia.

Revista Linhas (RL) – Docente, investigadora, vice-reitora, vogal no Conselho de Administração no Porto de Aveiro, Directora da Escola de Saúde da UA e Reitora. Qual dos cargos lhe deu maior satisfação? Reitora da UA, Maria Helena Nazaré (MHN) – Gostei e senti-me realizada enquanto fui docente e investigadora da Universidade e, obviamente, no cargo de Reitora. Foram actividades exercidas em alturas diferentes da minha vida, com exigências também distintas. Em todo o caso, o cargo de Reitora foi o que apresentou um conjunto maior de desafios. É certo que estes anos foram particularmente difíceis. Confesso que não fiquei surpreendida com o volume de trabalho, mas sim com o nível de ansiedade constante que representa exercer este cargo. RL – E enquanto Reitora qual considera ter sido o maior desafio? MHN – Foram imensos mas, desde logo, o grande desafio, permanente e constante, passa por avaliar correctamente e tomar a decisão certa, no sentido de ser aquela que melhor responde às necessidades da Universidade. Temos enfrentado nos últimos anos questões e conjunturas diversas, nomeadamente a mudança do enquadramento jurídico da Universidade. Esta decisão, tomada por unanimidade na Assembleia Estatutária, foi uma decisão preparada que envolveu uma tomada de posição por parte da Reitoria. Ninguém sabe exactamente o que esta opção envolve em termos jurídicos. Não foi fácil assumi-la mas estou convencida de que foi a opção correcta, que precisa, agora, de ser cuidadosamente acompanhada, especialmente porque é um assunto que nos obrigará, a todos, a aprender ao longo do tempo. RL – Este segundo mandato está a chegar ao fim. Ficou algum projecto por cumprir? MHN – Claro que ficaram muitos e alguns dos quais muito importantes que irão continuar calmamente a ser trabalhados e cumpridos, como por exemplo a nossa participação no Parque de Ciência e Inovação e a sua criação aqui em terrenos da Universidade, ou o envolvimento maior das empresas no nosso processo de desenvolvimento. Tudo isso está por acabar.


maria helena nazaré

RL – E que projectos tem em mente no momento em que deixar a Reitoria? MHN – Para já vou voltar ao Departamento de Física e pedir uma licença sabática durante um ano, no sentido de reorientar a minha vida profissional. Vou continuar a ser professora. Certamente já não terei oportunidade de fazer investigação em Física. Se há domínios exigentes e que não perdoam o afastamento de 12 anos, é o da Física, portanto, vou ter de reequacionar a minha participação na vida académica da Universidade, o que farei com algum entusiasmo. Depois, como Vice-presidente da European University Association (EUA) assumi compromissos, a nível internacional, no que diz respeito à contribuição para o desenvolvimento do ensino superior e da investigação universitária, que farei os possíveis por cumprir. Também procurarei cumprir com o melhor da minha habilidade as funções que desempenho como membro do Conselho de Administração da Portugal Telecom.

“Falta avançarmos para uma nova reforma curricular” RL – A UA tem, actualmente, todos os cursos adaptados a Bolonha – plano de reforma que visa uniformizar a estrutura dos currículos nos países europeus participantes – objectivo cumprido no decorrer deste mandato. Como decorreu este processo de transição para o novo modelo? MHN – Este tem sido um processo particularmente exigente, uma vez que implicou a transformação de toda a oferta formativa de 1º, 2º e 3º ciclos, e a base matricial da UA obriga a uma grande interacção entre todas as unidades envolvidas em cada programa de formação. Uma primeira fase, que consistiu na redefinição dos objectivos, dos conteúdos e da duração dos programas existentes decorreu bem. É agora necessário continuar este processo de transformação, com um foco no próprio modelo de ensino-aprendizagem e nos processos de qualidade. Estou convicta de que a reestruturação realizada ainda precisa de mais uma fase de trabalho. Falta avançarmos para uma nova reforma curricular, que venha reduzir tanto o número de horas de contacto como de unidades curriculares por semestre, assim como verificar que conhecimentos deverão os alunos adquirir no 1º e no 2º ciclos. Considero ainda que falta adequarmos melhor a relação entre as competências necessárias e as unidades curriculares que

os alunos têm que frequentar. É, portanto, necessário, mais uma vez, fazer uma reorganização curricular. RL – Bolonha preconiza um modelo de ensino-aprendizagem baseado no desenvolvimento das competências dos alunos. De que modo podem ser rentabilizadas essas competências? MHN – Uma sociedade baseada no conhecimento, globalizada e em permanente transformação requer uma maior capacidade de aprendizagem, de utilização dos conhecimentos em diferentes situações, de autonomia e de comunicação com uma grande diversidade de interlocutores. O desenvolvimento destas capacidades inicia-se muito antes do ingresso no ensino superior e continua ao longo da vida. A etapa que decorre num ambiente universitário tem, contudo, características próprias, devendo estimular em especial a autonomia na aprendizagem, o aprofundamento e a integração de conhecimentos. Estes são alguns dos ingredientes para uma plena utilização dos saberes na transição para a vida activa. RL – Este modelo dita, também, uma maior disponibilidade do corpo docente. É esta a realidade na academia aveirense? MHN – A grande proximidade e facilidade de comunicação entre docentes e alunos é, tenho orgulho em dizê-lo, uma característica da nossa Universidade. É importante realçar que este modelo impõe novas responsabilidades não só aos docentes, mas também, e de modo claro, aos alunos. Trata-se de um percurso que deve ser trilhado em conjunto. RL – Qual é a leitura que faz do novo Estatuto da Carreira Docente, tão contestado pela classe? MHN – Este novo Estatuto é um pouco melhor do que aquele que tínhamos mas ainda ficou muito aquém das expectativas e do realmente necessário. Quanto a mim há um desequilíbrio muito grande entre o estatuto da carreira docente universitária e politécnica.

Oferta formativa taco-a-taco com os novos desafios globais RL – Apostar na formação ao longo da vida e abrir a UA a novos públicos foram alguns dos desígnios desta equipa reitoral. Criaram-se CET e oportunidades para maiores de 23. Estas são duas “apostas ganhas”? MHN – O acesso ao Ensino Superior de pessoas com diferentes percursos

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formativos é absolutamente indispensável para suprir o défice de qualificação que Portugal continua a ter. A oferta de Cursos de Especialização Tecnológica foi especialmente concebida para responder a necessidades identificadas na região e têm tido uma boa procura. A sua concretização, através das Escolas Politécnicas da UA, tem também tido o efeito de reforçar o trabalho que já vinha a ser desenvolvido com autarquias, empresas e outras entidades da região. A aposta nos novos públicos pretende também dar resposta ao facto de a esperança média de vida estar a aumentar e as pessoas permanecerem capazes de trabalhar durante muito mais tempo. Por outro lado, a taxa de desenvolvimento do conhecimento tem sido exponencial, as pessoas ao fim de alguns anos necessitam de requalificação. Os novos públicos devem também dar resposta a essa parte da sociedade, não só à necessidade que existe de pôr na sociedade pessoas formadas com um certo nível etário, mas também à necessidade de fornecer, aos públicos mais velhos, competências para desempenharem o seu posto de trabalho. Todos temos que contribuir para a economia porque o número de activos está a diminuir. (RL) – No que respeita ao ensino, quais foram as grandes apostas da UA? A criação e/ou extinção de novos cursos respondeu às necessidades do mercado de trabalho? MHN – A UA tem efectuado, sempre, um acompanhamento dos seus cursos e um ajuste sistemático da sua oferta, quer em termos de programas quer em número de vagas oferecidas. Um exemplo particularmente notável foi a completa reformulação das ofertas do Departamento de Línguas e Culturas, que estavam direccionadas em exclusivo para a componente de ensino. A saturação que se verificava no mercado de professores reduziu as perspectivas de emprego dos alunos nessa área, o que se traduziu numa procura cada vez mais escassa destes cursos. O Departamento conseguiu, com êxito, reconverter a sua oferta de formação, tendo em conta novas necessidades que careciam de resposta e a capacidade de resposta existente, intervindo hoje em áreas como Línguas e Relações Empresariais ou Tradução, entre outras. A UA tem sabido responder a desafios e detectar oportunidades, reinventando-se continuamente. Paralelamente, o repensar da oferta da UA conduziu também à elaboração de novas

propostas, já de acordo com o novo modelo de organização e oferta de graus conjunto ao nível do 2º e 3º ciclos. A intervenção na área da saúde, a criação de uma licenciatura em Técnico Superior de Justiça e a nossa oferta na área das políticas públicas, a nível da formação inicial com a Administração Pública; a nível de 2º ciclo com a reformulação do mestrado em Gestão Pública e Autárquica, são apenas alguns exemplos que posso citar. RL – Medicina é um dos cursos propostos pela Universidade de Aveiro há já alguns anos. Esperam-se novidades nesta área? MHN – A UA tem o curso proposto há sete anos e, tarde ou cedo, deverá ser objecto de decisão. RL – Que medidas devem ser adoptadas para atacar a falta de emprego com que os recém-graduados se deparam actualmente? MHN – É importante realçar que os elevados níveis de desemprego que Portugal tem actualmente, e que afectam também licenciados e pessoas com pósgraduação não pode, nunca, ter uma resposta apenas do lado da formação. A criação, e mais do que isso, a manutenção de empregos, depende em primeiro lugar da capacidade económica do País e das empresas. As universidades e os restantes parceiros do sistema de ensino, têm o seu papel a desempenhar, que se desenrola em vários domínios. Parte será, como já referi, a adequação em qualidade e quantidade das ofertas de formação, havendo aqui um caminho a percorrer, em especial em termos de articulação entre as várias instituições. Mas o mais estruturante é, sem dúvida, o seu contributo para a formação das pessoas: os actuais alunos serão futuros trabalhadores, por conta de outrem, por conta própria, ou futuros empregadores. A sua competência, capacidade e conduta ética serão determinantes para a saúde da economia e para a qualidade do mundo laboral e social. Esta é uma enorme responsabilidade de todos os agentes educativos e formativos. A esta vertente junta-se, nas universidades, a responsabilidade de criar conhecimento, através da investigação, e de contribuir para a sua apropriação pela sociedade, aumentando a competitividade das instituições nacionais num mundo cada vez mais aberto. É ainda fundamental que os nossos graduados saiam da Universidade com competências para criar o seu próprio emprego.

Passagem a Fundação: uma opção ponderada RL – A UA foi uma das três instituições de ensino superior nacionais (as outras foram a UP e o ISCTE) a optar pelo regime fundacional. Foi uma decisão difícil? MHN – Foi uma decisão longamente ponderada, em particular no seio da Assembleia Estatutária, órgão com competência para o efeito, mas que culminou num processo ao longo do qual procurei manter informada toda a comunidade, designadamente através de reuniões com todas as unidades e serviços. A dificuldade de uma tomada de decisão desta natureza revestiu-se, em particular, com a incerteza associada a um enquadramento novo, ainda não testado entre nós. A Assembleia procurou reunir o máximo de informação disponível, aprender com experiências existentes noutros países e pesar o contributo e as dificuldades que cada modelo apresentava para o projecto da UA. O resultado final, de longas e construtivas discussões, foi uma opção adoptada por unanimidade, por essa Assembleia, que incluía docentes, alunos e membros externos à UA. Como já referi, estou convencida de que tomámos a opção certa. RL – Esta nova configuração do modelo de gestão assenta em benefícios para a gestão financeira das instituições (flexibilização nas transições de saldos e deixa de haver cativação de receitas próprias) e pressupõe que o financiamento público seja obtido em função do cumprimento de objectivos. Dois dos objectivos enunciados no Contratoprograma, válido para cinco anos, assinado a 11 de Setembro com o Governo, passam por aumentar o número de estudantes estrangeiros e subir em 17.7% a contratação externa. Como espera que a UA cumpra essas obrigações? MHN – O Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES) prevê um instrumento de financiamento específico para as fundações, que se traduziu na assinatura de um contrato-programa a cinco anos. Este contrato define objectivos, como os referidos, e meios a disponibilizar pelo Estado e a alocar pela própria Universidade. Estes meios incluem, designadamente, a contratação de pessoas, a construção de infra-estruturas e a melhoria do parque científico instalado. O objectivo é alcançar um novo nível de desempenho na actuação da UA o que terá, naturalmente, reflexo aos vários níveis. A melhoria das


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condições – humanas, físicas e materiais – para a realização de investigação e de actividades de parceira e de transferência do conhecimento conduzirão, certamente, a um aumento das receitas provenientes de contratação externa. Receitas provenientes quer directamente das empresas, quer através de um aumento da captação de financiamentos nacionais e internacionais destinados à investigação e ao desenvolvimento de parcerias. Por outro lado, a reputação e visibilidade internacional da UA, e uma estratégia particular neste domínio, serão fundamentais para a atractividade que é necessário alcançar. Este contrato representa um grande desafio, solidariamente assumido pela instituição, como ficou demonstrado na sua preparação, e que envolveu todos os Departamentos e Escolas. Um desafio, simultaneamente, de crescimento e de qualificação. E é um desafio que a UA tem de ganhar! Cabe-nos, a todos, contribuir para esse êxito. RL – A UA é uma Universidade com ênfase na ciência e na tecnologia e muito do seu reconhecimento provém da investigação. A FCT avaliou com Muito Bom e Excelente 82% das unidades de investigação da UA. Qual vai ser o posicionamento da Fundação Universidade de Aveiro nesta matéria? MHN – A UA tem, é verdade, uma matriz com uma componente predominante em ciências e engenharia. Mas é uma matriz muito mais lata, que inclui, de forma integrada uma maior diversidade de áreas, como as ciências sociais e humanas e as artes, que têm também merecido reconhecimento externo, por exemplo em termos de avaliação das unidades de investigação. O convívio entre todos estes domínios é, aliás, uma imagem de marca da UA, referida e elogiada, na avaliação institucional conduzida pela Associação Europeia de Universidades. A passagem a fundação não altera, de forma substancial, a centralidade que a investigação de excelência assume no projecto da UA. Haverá que ter uma maior atenção ao prosseguimento dos objectivos definidos no contrato-programa, mas que foram definidos tendo em conta esse mesmo projecto.

Parque de Ciência e Inovação: uma aposta com olhos postos no futuro RL – A UA está a atravessar uma fase de reestruturação estatutária e orgânica,

decorrente da implementação do RJIES. O órgão responsável pela aprovação das linhas estratégicas da UA, Conselho Geral – que tem na sua constituição 19 elementos, 14 dos quais da academia – é presidido por Alexandre Soares dos Santos, personalidade externa à UA. Espera-se uma gestão fácil? MHN – A mudança em curso nos órgãos de governo e gestão, imposta pelo RJIES e traduzida nos estatutos aprovados este ano, obriga, necessariamente, a uma fase de ajuste interno e de aprendizagem. São práticas de anos, em alguns casos de décadas, que se encontram em alteração e que envolvem não só o Conselho Geral mas toda a estrutura de governo e de gestão da Universidade. De facto, não temos nenhuma experiência de gerir as universidades com um órgão de topo que integra a participação de personalidades externas. É uma experiência que entendo ser enriquecedora e devemos fazer os possíveis para que corra bem. Os nossos membros cooptados são pessoas com grande envolvimento na sociedade e com grande vontade de desempenhar um dever cívico que é dar o seu melhor nestes Conselhos Gerais. Tem que haver um esforço de parte a parte para que os Conselhos Gerais funcionem de facto. No nosso caso, o Presidente do Conselho Geral, Alexandre Soares dos Santos, detentor de uma experiência de vida e empresarial imensa e bem conhecedor do papel que as universidades podem desempenhar no desenvolvimento da própria sociedade, é, sem dúvida, uma boa aposta. De resto, a nossa prática tem evidenciado uma grande abertura e capacidade de diálogo, com um espírito construtivo e em prol do projecto da UA, sabendo extrair o máximo de posições diversas e defendidas com afinco! RL – Ensino, investigação e cooperação são os princípios basilares da estratégia da UA. Que tipo de acções foram desenvolvidas para cumprir a missão de cooperação com a sociedade civil? MHN – A actuação da UA para além das missões de ensino e de investigação tem desempenhado um papel fundamental no relacionamento com as comunidades e, em particular, com a região em que nos integramos. Das várias iniciativas encetadas, uma das mais importantes apostas para os próximos anos é, sem dúvida, o Parque de Ciência e Inovação. Este parque será um espaço privilegiado de inovação onde os produtores – normalmente as pessoas que trabalham na Universidade ou nos Centros

de investigação – e os utilizadores de conhecimento podem trabalhar em conjunto para desenvolverem novas aplicações para o conhecimento que foi produzido ou encontrarem, através desse conhecimento, respostas para problemas. O parque terá espaços físicos infra-estruturados, com conjuntos de serviços (de gestão, de marketing, de catering, de espaços comuns para conferências, laboratórios e outros) que serão disponibilizados às empresas que se quiserem lá instalar a troco de uma renda. Para já as áreas representadas serão as áreas fortes da UA, isto é, as tecnologias da informação e comunicação, os materiais, a área do agro-industrial, a energia e o mar. Além desta iniciativa, posso destacar também a instalação da unidade de investigação da Siemens nas instalações contíguas à Fábrica – Centro Ciência Viva, a colaboração com a Martifer e a cooperação com as escolas.

“Procuro dignificar o ensino universitário português em toda a Europa” RL – Foi eleita em Março, vice-presidente da European University Association (EUA), para os próximos quatro anos,tornando-se assim o primeiro representante português a integrar a direcção desta associação, constituída por peritos em ensino superior e investigação, cuja missão passa por prestar apoio às universidades europeias para que estas garantam o seu contributo ao constante desenvolvimento do conhecimento nas sociedades. Como é que o ensino superior português é visto pelos seus pares? MHN – Eu não sei qual é a imagem que eles têm, mas sei o que procuro. Procuro dignificar o ensino universitário português em toda a Europa e não, necessariamente, defender a Universidade de Aveiro em particular. O meu objectivo é posicionar bem o ensino português. Temos uma má imagem de nós próprios e a perspectiva de que não fazemos bem. Mas a verdade é que nós, portugueses, podemos comparar-nos – ganhando muitas vezes – com a maioria dos nossos congéneres europeus. Os nossos licenciados e os nossos doutorados saem excelentemente preparados das universidades portuguesas. A participação dos nossos investigadores em congressos internacionais é excelente. Nós temos investigação e ensino de muito alta qualidade. E a imagem lá fora é reconhecida.

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entrevista

entrevista com…

alexandre soares dos santos

presidente do conselho geral da ua

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o grande desafio passa pela complicada missão de eleger o reitor

Alexandre Soares dos Santos é o presidente do grupo Jerónimo Martins e, desde Setembro, presidente do Conselho Geral da Universidade de Aveiro. Eleito por unanimidade, o empresário vai liderar, nos próximos quatro anos, um dos órgãos de governo da UA – constituído por 19 representantes da academia – a quem compete, entre outras responsabilidades, a eleição do Reitor e a aprovação das linhas estratégicas da Universidade, ao abrigo dos novos estatutos. Os desafios que se impõem à UA, no âmbito do processo de transformação para o regime fundacional, e as perspectivas decorrentes do exercício do cargo de presidente do Conselho Geral foram alguns dos temas avançados à revista Linhas, na entrevista que se segue.


alexandre soares dos santos

Revista Linhas (RL) – Foi convidado a integrar o Conselho Geral (CG) da Fundação Universidade de Aveiro e depois eleito presidente deste órgão de governo da UA. Na sua opinião, qual o motivo por que foi convidado? Alexandre Soares dos Santos (ASS) – Estes convites que as universidades lançaram no âmbito do novo Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior (o Dr. Santos Silva está em Coimbra; o Presidente Executivo do BPI, Fernando Ulrich, no Algarve) mostram um certo desejo de renovação e de envolvimento das universidades na sociedade civil. Só não sei, se no caso de Aveiro, uma pessoa com a minha idade (75) será necessariamente a resposta… vamos ver. RL – E como reagiu, primeiro ao convite e, posteriormente, à unanimidade manifestada pelos restantes membros do Conselho Geral que acabaria por o conduzir à presidência deste novo órgão de governo da Universidade? ASS – Com grande surpresa. Primeiro, devo dizer que a única razão por que aceitei o convite foi a mesma que levou a minha família a criar a Fundação Francisco Manuel dos Santos: tentar contribuir para uma sociedade mais activa e mais bem preparada. Apesar de todas as minhas limitações, não podia dizer que não. Se também fui eleito presidente é sinal de que as pessoas depositam em mim confiança. Tenho, por isso, obrigação de dar resposta aos problemas. Serei capaz ou não? Vai depender muito de um corpo heterogéneo que são os meus 18 colegas do Conselho. Cada um terá as suas próprias ambições e ideias, todos vamos dar um passo novo num órgão que até agora não existia e, por isso, vamos ter que ter paciência e perseverança para tentar construir e prestar um serviço útil a uma Universidade que merece. RL – Como espera lidar com estas diferentes sensibilidades? ASS – Ainda estou a ver. Fiz um apelo a todos. Disse-lhes quais as questões que entendia devermos dedicar-nos mas não conheço praticamente ninguém. Estou a tentar saber se o Conselho Geral é um

órgão homogéneo ou se tem correntes e se essas correntes são universitárias ou politicamente influenciáveis. Vou falar com os alunos, com os professores, com os membros externos para saber o que eles pensam da Universidade. Temos que nos conhecer, ganhar confiança entre nós para juntos podermos construir. Isto demora pelo menos um ano. Depois, terei que conseguir criar diálogo dentro do Conselho Geral em colaboração estreita com o Reitor. As iniciativas terão que ser do Reitor e o Conselho Geral terá de as discutir. Vejo bem um Conselho Geral divido em grupos para estudar problemas específicos da Universidade. Por exemplo: no caso de se entender criar parcerias com outras universidades, terá que haver um grupo que estude essas questões. Ou se quisermos aumentar as receitas, criar um grupo que estude a forma como as universidades lá fora funcionam neste campo. Pôr 19 pessoas a discutir um tema em plenário é uma perda de tempo. RL – Que grandes desafios pensa enfrentar neste primeiro mandato? ASS – O grande desafio passa logo por começarmos com a complicada missão de eleger o novo Reitor. Não conhecemos ninguém (eu e os restantes membros externos que integram o CG) e temos um conhecimento relativo da Universidade. Depois há também docentes que podem ser belíssimos professores mas não perceberem qual a missão da Universidade. Vai ser uma escolha muito difícil: primeiro, não conheço os candidatos, segundo, vai ser um processo aberto ao público; terceiro, vai obrigar-nos a questionar violentamente, no bom sentido, os candidatos para ter a certeza de que escolheremos um candidato que sirva o interesse da instituição nos próximos anos. Paralelamente, tenho ainda que ter bem presente a noção de que terei de deixar um pouco de lado as ideias características da iniciativa privada e pensar que estou numa Universidade que se destina fundamentalmente a levar o conhecimento aos alunos e ao país. E aqui é fundamental saber qual a missão da UA. Ela pretenderá ser uma instituição de ensino superior da cidade, do distrito, do país ou internacional? Se quer ser

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entrevista

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internacional há que fazer parcerias e as receitas não podem depender do Ministério. Há que criar uma dinâmica que venha a gerar receitas para que a Universidade possa ser independente e não dependa necessariamente do Estado. RL – Mas a seu ver, que posicionamento deverá ter a Universidade de Aveiro? ASS – Confesso que ainda não tenho resposta. Com tão poucos anos de existência, reconheço que esta Universidade tem uma obra extraordinária e merece ser acarinhada Tenho falado muito com a Senhora Reitora, de quem aliás tenho uma belíssima impressão, mas foram muito poucas as reuniões com o Conselho Geral. Terei que ouvir os candidatos a reitor da UA. Todos terão que dizer qual a missão da Universidade, porque é fundamental sabermos o que se pretende dela no futuro.

“É importante lançarmos os alicerces para uma nova sociedade” RL – Na apresentação da “Fundação Francisco Manuel dos Santos”, de que é mentor, um dos objectivos traçados foi o de “mobilizar o maior número de cidadãos para a participação no debate e resolução dos grandes problemas nacionais”. Que contributo pode dar a Universidade portuguesa para o cumprimento deste objectivo? ASS – Ser activa. A Funda��ão da minha família, criada em Fevereiro deste ano, vai agora publicar 14 ensaios em livros de 80 páginas, em linguagem acessível a qualquer pessoa e com um preço

irrisório, sobre os diversos problemas da sociedade portuguesa, e vamos revolucionar na distribuição porque vamos falar com as associações das universidades para tentar levar o livro a todos. Queremos que a sociedade comece a ganhar consciência dos nossos problemas e depois esperamos organizar voluntariado que fomente as discussões e que até convide as pessoas que fizeram esses ensaios para um debate. Ora as universidades poderão aqui dar um enorme contributo, principalmente através das associações de estudantes, organizando conferências e convidando as pessoas para assistir. Ao sair destes debates, todos terão certamente uma visão diferente da sociedade. A mudança de mentalidades tem que ser feita mas ela não se faz de um dia para o outro. O importante é lançarmos os alicerces para uma nova sociedade. RL – É então sua intenção incentivar a Universidade de Aveiro a adquirir uma nova mentalidade? ASS – Não sei se serei capaz mas que seria desejável que isso acontecesse não tenho dúvidas. Um dos problemas de Portugal é que se continua a pensar apenas neste território. Há que ter uma visão completamente diferente porque este rectângulo não está com muito futuro. Hoje, Portugal não tem condições para chamar capital estrangeiro. Tem uma carga fiscal brutal, uma justiça fiscal que não funciona. Passam-se dez anos até que um processo seja julgado. Em geral, os nossos governantes não têm visão. Pior estamos agora com a situação económica gravíssima que o país

atravessa e que ninguém quer falar. Ora isto vai afectar a universidade. Se não há como aplicar os resultados da investigação produzida em Portugal, as pessoas vão-se embora. Preocupa-me também imenso a quantidade de portugueses que hoje estuda no estrangeiro. Em Praga estão imensos a estudar medicina. Por que motivo não estudam cá? Os senhores professores não querem, os médicos não deixam? Temos que alterar toda a nossa forma de pensar. A mudança de mentalidades tem que ser feita mas ela não se faz de um dia para o outro. Por isso é que a minha família criou a Fundação Francisco Manuel dos Santos e a dotámos financeiramente. Por contrato, a minha família tem que entregar todos os anos 5 milhões de euros e não pode comprar edifícios, quadros ou acções. Ela só tem que gastar dinheiro a encomendar os estudos e o Conselho Científico é constituído por um conjunto de rapazes e raparigas de alto nível, a maior deles licenciados nos EUA, ávidos de contribuir. RL – Referiu-se ao alto nível dos licenciados por universidades norte-americanas. Considera que há diferenças assinaláveis entre a formação superior adquirida no estrangeiro e a ministrada em Portugal? ASS – Não é um problema de formação mas de vivência. Nos EUA há concorrência em tudo. Se nas universidades um professor não correspondeu às expectativas vai-se embora. Aqui é professor para a vida. A contribuição da sociedade americana


alexandre soares dos santos

para as instituições é extraordinária. Harvard ou Stanford, universidades mais velhas que os EUA, foram criadas por pessoas que tinham visão. Os terrenos onde essas universidades estão construídas foram doados por essas famílias. A mentalidade é outra, as famílias entendem que não têm que deixar nada aos filhos, estes têm que criar a sua própria riqueza. Entregam o dinheiro ao país. A participação do cidadão americano é única. Encontramos esta mentalidade um pouco nos nórdicos, um pouco em Inglaterra mas nos países do sul, quem manda são os sucessivos governos. Temos que nos convencer de que vale a pena lutar por um sistema novo, que não muda nem em dois nem em cinco anos, mas que poderá mudar em dez.

julgar as prestações e os candidatos só são admitidos se houver consenso entre os seleccionadores. Depois de ser seleccionado, o estagiário passa por mais de um ano de aprendizagem. Todos eles respondem bem. Têm vontade de trabalhar, vêm muito razoavelmente preparados. Curiosamente hoje não há diferenças marcantes entre os licenciados pela Universidade A, B, ou C. Com isto tudo quero dizer que entendo que as empresas devem dar formação específica aos seus colaboradores. Ninguém pode pretender que um recém-licenciado saia de uma Universidade a saber de distribuição, qual a logística necessária e como tudo se processa. É preciso que as empresas invistam em estágios.

Quem é o Presidente do Conselho Geral da UA? Alexandre Soares dos Santos nasceu em 1934, no Porto. Ocupou o lugar de director de marketing na filial do Brasil da Unilever (1969) e a Gerência da área industrial da Jerónimo Martins, ficando sob a sua alçada a Fima, Lever e Iglo (1974). Soares dos Santos iniciava o processo de transformação da Jerónimo Martins no segundo maior grupo nacional de distribuição alimentar. Para tal, contribuiu o arrojado investimento da família Soares dos Santos na aquisição dos Estabelecimentos Jerónimo Martins & Filhos, em 1989. Esse ano marcou a entrada do Grupo Jerónimo Martins na Bolsa de Valores de Lisboa, uma das formas encontradas para financiar a operação. Actualmente, Soares dos Santos é o presidente da Jerónimo Martins, possui uma cadeia de cash-and-carry conjuntamente com os ingleses da Booker e, em parceria com os holandeses da Ahold, tem uma cadeia de 106 supermercados.

RL – Como empresário, é da opinião de que os jovens licenciados portugueses adquirem as competências necessárias para dar resposta às necessidades do mercado de trabalho? ASS – Na Jerónimo Martins só contratamos licenciados. A selecção é muito rigorosa, totalmente independente e os candidatos que chegam à fase final, depois dos testes psicotécnicos, entram numa sala em grupos de seis e estão rodeados por oito seleccionadores. Os candidatos, para além da entrevista individual, têm que fazer três exercícios: um de carácter social, outro de marketing, e um último em que são chamados a debater com os restantes candidatos um dos 30 temas propostos. A ideia é que haja discussão de ideias entre os vários candidatos. Os oito seleccionadores vão

Nos países da Europa de Leste, o empresário iniciou a internacionalização do grupo pela Polónia (55 cash-and-carries). Em Portugal, nomes como os hipermercados Feira Nova, supermercados Pingo Doce, gelados Olá, cash-and-carry Recheio, congelados Iglo, Fima, Lever, Vidago, Melgaço & Pedras Salgadas e outros, constituem o império Jerónimo Martins (JM). Um dos seus últimos negócios foi a parceria com Jardim Gonçalves – presidente do Banco Comercial Português (BCP) – na criação das lojas Expresso Atlântico.

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departamentos em revista…

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departamento de biologia investigação é a imagem de marca O Departamento de Biologia (DeBio) data do início da Universidade de Aveiro, tendo na sua fase inicial estado vocacionado para a formação de professores e investigação na área da Biologia Ambiental. Ao longo dos anos, o DeBio adequou a sua oferta formativa, tendo apostado em novas áreas como a Biologia Molecular ou Bioquímica. A investigação foi sempre uma das actividades chave, desenvolvida quer através dos Laboratórios Associados (CESAM e CICECO) quer de Unidades de Investigação (CBC).


biologia

O início da actividade do Departamento de Biologia remonta aos princípios dos anos 70. Com origem no sector de Biologia da Universidade de Aveiro, apostou inicialmente na formação de professores, com os cursos de bacharelato em Ciências do Ambiente e em Ciências da Natureza; formação que posteriormente deu lugar às licenciaturas em Engenharia do Ambiente e em Ensino de Biologia e Geologia. Já nos anos 80, com a criação da licenciatura em Biologia e a abertura

não só porque permitiu melhorar as condições de ensino da formação inicial e da acomodação do Herbário, como redistribuir o espaço existente dedicado à investigação, aumentado a sua qualidade e consequentemente a do ensino do 2º e, principalmente, 3º ciclo (mestrados e doutoramentos, respectivamente). Com 48% dos alunos inscritos a frequentar pós-graduações, uma percentagem bem superior à média da Universidade (anote-se que o DeBio não oferece mestrados integrados), o

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de novos cursos na Universidade, o Departamento alargou a sua oferta de ensino, estendendo-se, na década de 90, aos cursos de Mestrado. O presidente do Conselho Directivo do Departamento, Prof. Amadeu Soares, recorda que, numa fase inicial, o Departamento apostou em “actividades de ensino, investigação e extensão em áreas da Biologia Ambiental, tendo através de uma adequação do currículo da licenciatura em Biologia, existido uma modernização gradual na oferta de ensino, dando um maior destaque a áreas desde a Ecologia até à Biologia Molecular ou Bioquímica”. As instalações do departamento foram também crescendo e melhorando ao longo dos anos. “Inicialmente, o Departamento estava confinado aos pavilhões iniciais, mas rapidamente se constatou que essas instalações seriam insuficientes, tendo a passagem para o actual edifício melhorado a qualidade de ensino, bem como as práticas de investigação”, explica Amadeu Soares. Mais tarde, a construção do edifício de extensão do Departamento de Biologia trouxe um novo acréscimo de qualidade,

Departamento enfrenta agora novos constrangimentos no que diz respeito a espaço, obrigando muitas vezes os orientadores e alunos a fazerem investigação fora da UA, fazendo uso da vasta rede, formal e informal, de contactos institucionais e científicos dos docentes e investigadores do DeBio, minimizando a utilização das nossas instalações. “Sem novas instalações e melhores condições de trabalho é difícil conseguirmos fazer o Departamento evoluir com o mesmo nível de qualidade e não poderemos crescer”, adverte o presidente do Conselho Directivo do Departamento de Biologia, que continua afirmando que “infelizmente, gabinetes ou simples espaços de secretária para os nossos alunos de pós-graduação são condições que há muito não temos possibilidade de oferecer. A densidade da ocupação do Departamento nota-se através de uma simples passagem pelos corredores e conclui: “em oito anos demos um imenso salto evolutivo e parece que criámos um sério problema: excesso de sucesso”. A maior responsabilização

O Departamento de Biologia tem vindo a lançar um conjunto de iniciativas de divulgação da biologia, direccionadas para a sociedade em geral, como a Biologia na Noite, a Biologia no Verão ou participação na Academia de Verão. A Biologia está também representada na Fábrica Centro de Ciência Viva, contribuindo assim para mostrar a ciência feita nas universidades. Edita ainda, em colaboração com a Editora Afrontamento, a colecção Biologicando, que se destina a divulgar ao grande público principalmente os trabalhos dos alunos do DeBio. O DeBio oferece, nos três ciclos de estudo, disciplinas na área de divulgação e comunicação da ciência. Um dos ramos do Programa Doutoral em Biologia é o de “Comunicação, Divulgação e Ilustração Biológicas”. A Biologia foi também a primeira área científica a desenvolver conteúdos não matemáticos para o PmatE, tendo, pelo seu exemplo, aberto o caminho à participação de outras áreas (Física, Português, Geologia) no PmatE.


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Amadeu Soares lidera grupo de investigação que

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departamentos em revista…

dá cartas a nível Internacional Foi a 1 de Abril de 2000 que o Prof. Amadeu Soares chegou à Universidade de Aveiro e ao Departamento

dos alunos e um ensino mais ligado à investigação são os principais aspectos positivos da adequação da formação a Bolonha.

de Biologia. Natural de Aveiro, acompanhou desde sempre com algum interesse e curiosidade as actividades do Departamento. A sua formação académica iniciou-se na Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Biologia-Ramo Científico, em 1984. Cinco anos mais tarde, doutorou-se na Universidade de Sheffield, Reino Unido, tendo prestado provas de Agregação em 1997, na Universidade de Coimbra. Na UA foi membro do Senado, Assembleia da Universidade e pertenceu à Assembleia Estatutária, que aprovou a passagem a Fundação e os novos estatutos da UA. Pertenceu à primeira Comissão Cientifica da Fábrica Centro de Ciência Viva e ocupou também o cargo de Coordenador da Comissão Científica do Departamento, sendo Presidente do Conselho Directivo desde 2001. É Director-Adjunto do Laboratório Associado CESAM. Com uma vasta actividade científica internacional, Amadeu Soares foi coordenador de vários projectos nacionais e europeus, membro de vários Comités Científicos da Comissão Europeia, tendo publicado mais de 200 artigos científicos em revistas internacionais e apresentado inúmeras palestras em congressos e como convidado. Com o seu grupo de investigação centrado na área da toxicologia ambiental, poluição, ecologia e biodiversidade funcional, participou em vários projectos que visaram o desenvolvimento de técnicas que permitissem avaliar a toxicidade, causada por compostos químicos, na natureza, em rios ou solos. Actualmente o seu grupo de investigação está envolvido em mais de uma dezena de projectos nacionais e europeus , em matérias que os diferenciam dos outros grupos, já que avaliam a toxicidade de misturas e a ecotoxicidade de nanomateriais. São estes os dois vectores estratégicos que guiarão a actividade do grupo de investigação nos próximos quatro, cinco anos. “Nesta área, é o grupo mais completo e reconhecidamente o melhor do país e dá cartas a nível internacional”.

Que formação? O Departamento de Biologia ministra as licenciaturas em Biologia e Biologia e Geologia, os mestrados em Biologia Aplicada (com especialização em Biologia Marinha; Biologia Molecular e Celular; Ecologia, Biodiversidade e Gestão de Ecossistemas; Genómica e Bioinformática; Microbiologia Clínica e Ambiental; Toxicologia e Ecotoxicologia) e em Microbiologia e em Biologia Molecular e Celular (estes últimos em regime pós-laboral), assim como, a nível do 3º Ciclo, os Programas Doutorais em Biologia (com 10 especializações), o Programa em Biologia e Ecologia das Alterações Globais (em colaboração com a Univ. de Lisboa), o Programa em Biologia das Plantas (com as Universidades do Minho e do Porto) e colabora no Programa em Ciências do Mar e do Ambiente (com a Univ. do Porto). Todos estes cursos são ministrados por um corpo docente 100% doutorado. A licenciatura em Biologia tem uma característica distintiva em relação às congéneres ministradas por outras universidades do país: os alunos podem realizar um 4º ano opcional, obrigatoriamente fora do Departamento (literalmente em qualquer parte do Mundo), trabalhando no seu projecto ou aprendendo rotinas do dia-a-dia noutra universidade, empresa ou instituto de investigação, muito num conceito de permeabilidade entre o Departamento

e o exterior. Outra das particularidades é a oferta de um percurso tipo “minor” em gestão, em colaboração com o DEGEI, direccionado para alunos que tenham uma aptidão para actividades de gestão e pretendam enveredar pelo empreendedorismo. De acordo com o Prof. Amadeu Soares, após a frequência do 1º Ciclo e ao contrário do que se percepcionava na fase pré-Bolonha, muitos são os alunos que prosseguem directamente para Mestrado. “A proporção entre alunos do 1º Ciclo e alunos de pósgraduação é bastante superior à média da Universidade de Aveiro (52% e 48% respectivamente), o que faz da Biologia um departamento de Investigação, onde em cada ano surgem cerca de 15 a 20 novos Doutores em Biologia. Temos, inscritos em doutoramento, cerca de 100 alunos”. A investigação assume, de facto, um papel de destaque no Departamento de Biologia. “O aumento exponencial do número de artigos publicados é bastante relevante em termos de impacto junto da comunidade científica”, sublinha o presidente do Directivo deste Departamento, adiantando que considera a actividade de investigação essencial para a sobrevivência de um bom departamento. “Não concebo um ensino universitário que não seja alicerçado na investigação”, afirma convictamente.


biologia

Investigação de referência A actividade de investigação do Departamento de Biologia desenvolve-se em várias frentes, abrangendo desde a Bioquímica, Biologia Celular, Genómica até à Ecotoxicologia e Ecologia e Biologia do Mar Profundo. Relacionado com o mar, o Departamento conta com uma equipa que desenvolve a sua investigação na biodiversidade dos ecossistemas do mar profundo, seja junto de fumarolas, seja junto de vulcões de lava. “É um projecto europeu que envolve bastantes instituições europeias”, esclarece Amadeu Soares, acrescentando que outro dos projectos desenvolvidos pelo Departamento nesta área traduziuse na “monitorização de toda a costa portuguesa e norte de Espanha, sobre a poluição por tributilestanho, num projecto realizado com a colaboração de um laboratório associado no Japão, com quem o Departamento pratica intercâmbio de alunos de pós-graduação e investigação”. Outro exemplo da excelência da investigação produzida no DeBio passa por um projecto que envolveu mais de 50 instituições europeias e onde foi desenvolvida a questão da avaliação da toxicidade em compostos químicos. “O Departamento de Biologia desenvolveu metodologias novas para a avaliação do impacto sobre o ambiente das misturas de compostos”, explica Amadeu Soares. Outro projecto europeu com a participação do DeBio e mais ligado à Biologia Humana e Saúde, investiga as causas e os mecanismos biológicos ligados à infertilidade masculina, nomeadamente ao nível das bases moleculares da mobilidade do esperma.

Em colaboração com os serviços florestais e as Câmaras Municipais, o Departamento de Biologia esteve igualmente envolvido em projectos centrados no estudo da ecologia e da biologia de espécies cinegéticas, quer do ponto de vista ecológico mais puro, quer utilizando conhecimentos de biologia para actividades económicas que usem essas espécies animais. Amadeu Soares revela ainda que na área da botânica se realizou um projecto em Moçambique, que resultou numa expedição, tendo sido criadas três colecções, cuja identificação ainda está a decorrer, sendo posteriormente uma das colecções devolvida ao financiador do projecto, outra enviada para o Ministério da Ciência ou para a Universidade Moçambicana, parceira no projecto, ficando a restante depositada no Herbário do Departamento. No Departamento de Biologia existe também um laboratório de referência na área da Genómica. “É um laboratório que está não só ao serviço da comunidade dos investigadores e docentes do Departamento, como também ao serviço da comunidade científica nacional, cuja agenda se encontra cheia até ao final de 2010”, diz o docente, avançando que no Brasil está outro elemento distintivo do Departamento de Biologia: uma estação de campo com capacidade para receber 25 alunos e três a quatro docentes, situada numa área de 2.500 hectares. “O Departamento é o responsável científico do espaço e ocupa-se da sua gestão e de todas as actividades. Esta reserva será utilizada em projectos de pós-graduação e para cursos e sua divulgação, nacionais e internacionais.”

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cooperação

ficha técnica Metatheke Software Lda. Rua de Moçambique, 5 – Fracção B Urbanização Forca-Vouga 3800-022 Aveiro · Portugal tel. (+351) 234 287 203 fax (+351) 234 287 204 tlm (+351)916 757 607 info@metatheke.com http://www.metatheke.com/ sócios › Pedro Almeida, 32, Mestrado em Eng. Electrónica e Telecomunicações, estudante de Doutoramento › Marco Fernandes, 28, Licenciatura em Eng. Electrónica e Telecomunicações, estudante de Doutoramento

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empreendedores de sucesso nascem na ua

metatheke

a inovação ao serviço do tratamento de grandes volumes de informação

São responsáveis pelo lançamento do quiosque digital Recortes.pt - um portal que disponibiliza jornais e revistas em formato digital -, pelo Arquivo Fotográfico Web - uma solução Web para gestão de arquivos fotográficos pessoais ou institucionais - e, em parceira com uma empresa dos Estados Unidos, pelo EuEBooks - uma plataforma de livros técnicos e científicos portugueses em formato digital (eBooks). Pedro Almeida, 32 anos, Marco Fernandes, 28, Joaquim Arnaldo Martins, 52, e Joaquim Sousa Pinto, 47, são os cérebros da Metatheke que contam ainda com a GrupUnave na sociedade. A ligação dos sócios à Universidade de Aveiro é total. Na sequência de projectos que desenvolviam na Unidade de Investigação IEETA (Instituto de Engenharia de Electrónica e Telemática de Aveiro) e fruto de uma candidatura ao programa NEOTEC da Agência de Inovação, dois professores do Departamento de Electrónica, Telecomunicações e Informática e dois alunos de doutoramento de Engenharia Informática da UA criaram a Metatheke em Julho de 2007. De acordo com Pedro Almeida, um dos sócios promotores, a larga experiência no desenvolvimento de sistemas de informação de suporte a bibliotecas e arquivos digitais foi o “elemento diferenciador que motivou a Agência de Inovação a aprovar a criação de uma empresa de base tecnológica que tinha por função desenvolver soluções a partir das tecnologias desenvolvidas no IEETA, que respondessem às necessidades


metatheke

› Joaquim Arnaldo Martins, 52, Doutoramento em Eng. Electrónica e Telecomunicações, Professor Catedrático da Universidade de Aveiro › Joaquim Sousa Pinto, 47 anos, Doutoramento em Eng. Electrónica e Telecomunicações, Professor Auxiliar da Universidade de Aveiro › GrupUnave conselhos-chave a novos empreendedores · Formar equipas multidisciplinares com capacidade e vontade de crescer · Conhecimento do mercado, essencial para criar projectos de sucesso · Experiência profissional, factor-chave para o sucesso de qualquer ideia

de mercado no sector cultural, de comunicação e informação”. Constituída como spin-off da Universidade de Aveiro, a empresa iniciou um processo de desenvolvimento de produtos e serviços de gestão de conteúdos digitais, lançando no mercado projectos inovadores que têm merecido o reconhecimento das grandes empresas e das grandes instituições a nível nacional e internacional. É o caso do recortes.pt, um quiosque digital que permite comprar assinaturas ou exemplares de jornais e revistas ou, no caso de jornais de distribuição gratuita, ler todas as edições disponíveis. Inovador no conceito e nas funcionalidades que apresenta, este quiosque digital permite, por exemplo, construir e enviar recortes de notícias. A pesquisa é outra das suas grandes potencialidades. Permite procurar palavras ou frases em todas as publicações disponíveis na base de dados, numa só publicação ou em qualquer edição. “O portal tem actualmente milhares de utilizadores”, afirma Pedro Almeida, adiantando que a Metatheke está a exportar o conceito além-fronteiras, estando já disponível em Cabo Verde (recortes.cv). Para além da Assembleia da República nacional, também a Assembleia Nacional de S. Tomé e Príncipe é cliente de um outro produto desenvolvido, em 2009, por esta empresa. Trata-se do Arquivo Fotográfico Web. A novidade desta solução Web para gestão de arquivos fotográficos reside no facto de permitir gerir tanto pequenas colecções como

grandes acervos e permitir encontrar facilmente fotografias e reportagens armazenadas. “O sistema foi desenvolvido com base em normas de descrição internacionais e o modelo de organização de dados é flexível e adaptável a cada instituição. Para além disso, possui um sistema de permissões totalmente configurável e vários mecanismos de pesquisa”, explica Pedro Almeida. Mais recentemente, e com a promessa de ser o maior agregador nacional de eBooks, a Metatheke, em parceria com uma empresa Norte-americana, desenvolveu uma plataforma de livros técnicos e científicos portugueses em formato digital (eBooks). “Esta plataforma disponibiliza uma solução completa para a venda de eBooks, através de uma rede de revendedores internacional. Todos os eBooks são armazenados e comercializados com uma certificação e encriptação que garante a sua protecção contra a cópia não autorizada. Para além da venda, o EuEBooks disponibiliza ainda um novo modelo de negócio para os revendedores: o aluguer de eBooks”, avança Pedro Almeida. Sinal de boa saúde, esta empresa que responde às necessidades dos clientes mais exigentes na área das indústrias culturais, saiu recentemente da Incubadora de Empresas da Universidade de Aveiro e está agora instalada no centro da cidade. Conta com nove colaboradores e, em 2008, facturou aproximadamente 100 mil euros. “A incubadora é o espaço indicado para quem está a iniciar uma nova aventura empresarial”, acredita Pedro Almeida.

“É um local onde se reúnem vários projectos com pessoas interessantes que decidiram apostar em novos desafios e novos mercados, muitas vezes ligados a áreas de investigação que nem sempre têm raiz e origem na Universidade de Aveiro. Estamos essencialmente a falar de pessoas altamente competentes, técnicos especializados que assumem responsabilidades perante a sociedade em geral, através da criação de empregos e da difusão da ciência e dos projectos de base tecnológica. A incubadora é um local onde se realizam experiências empresarias, e nada melhor do que fazer essas experiências num local de aprendizagem e de partilha de conhecimento”. Sempre a adicionar novas funcionalidades aos seus produtos, a Metatheke está agora a aguardar pelo resultado da candidatura a vários projectos europeus na área das bibliotecas digitais com vista a dar início ao seu processo de internacionalização na Europa.

Para conhecer outras empresas incubadas na UA consulte: http://www.ua.pt/incubadora

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Lições de chinês para portugueses

Manual de Gestão Transcultural de Recursos Humanos

Já está disponível na Livraria da Universidade de Aveiro o segundo livro de “Lições de chinês para portugueses”, da autoria de Wang Suoying, leitora de Chinês na Universidade de Aveiro. Num mundo onde a língua chinesa desempenha um papel cada vez mais importante, este manual surge como um instrumento fundamental para a aprendizagem do Chinês falado e escrito, vocacionado para os cidadãos de língua portuguesa. Wang Suoying é natural de Shanghai e Mestre em Linguística pela Universidade Nova de Lisboa. Trabalhou em Shanghai, Macau e Lisboa, leccionando a língua portuguesa e a língua chinesa. É actualmente leitora de Chinês na Universidade de Aveiro e professora de Chinês e de Técnicas de Tradução na Missão de Macau em Lisboa. Foi condecorada pelo governo de Macau em 1999 pelo mérito profissional. Tem-se dedicado à tradução e à investigação sobre as Línguas, Literaturas e Culturas da China e de Portugal, colaborando em diversos jornais e revistas da China (no Continente e em Macau) e de Portugal. O Dr. Lu Yanbin é natural de Shanghai e é licenciado em Língua e Cultura Portuguesa. Iniciou em 1977 a carreira de docente de língua portuguesa a cidadãos chineses na Universidade de Estudos Internacionais de Shanghai. É docente de Língua Chinesa do Centro Científico e Cultural de Macau.

Da co-autoria do Professor Arménio Rego docente no Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial da UA, o “Manual de Gestão Transcultural de Recursos Humanos” pretende servir de ajuda a empresas, gestores, académicos e estudantes para compreender os desafios que se colocam na gestão de pessoas que não ocorrem em contexto simplesmente nacional, apresentando abundantes linhas de acção, apoiadas em ilustrações práticas. A internacionalização das empresas e a globalização têm como consequência a necessidade de adaptar práticas de liderança/ gestão aos diferentes contextos culturais. Não se gere/lidera do mesmo modo em Portugal, na China ou na Suécia. Este livro apresenta abundantes linhas de acção, apoiadas em ilustrações práticas. No CD de apoio, são também inseridos capítulos sobre a cultura e a gestão nos EUA, na Alemanha, na Rússia, no Japão e na China. É ainda facultado um vasto elenco de exercícios que podem ser usados em eventos formativos e apoiar decisões de gestão. Esta publicação foca temas relacionados com a gestão da aldeia global e do mosaico cultural, a caracterização do mosaico cultural para compreender os requisitos da liderança transcultural, a comunicação, gestão e liderança em diferentes culturas; as práticas de GRH das multinacionais em diferentes contextos culturais, o ajustamento sociocultural dos expatriados: choque e desempenho, as políticas de expatriação e selecção de expatriados, a preparação e o desenvolvimento e a gestão do desempenho, recompensa e repatriamento.

Edição Centro Científico e Cultural de Macau Autoria Wang Suoying, leitora de Chinês na Universidade de Aveiro, e Lu Yanbin, docente de Língua Chinesa do Centro Científico e Cultural de Macau ISBN 9789728586126 Ano 2009

Edição Editora RH Autoria Arménio Rego, docente no Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial da UA, e Miguel Pina e Cunha, docente na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa ISBN 9789722716796 Ano 2009


História do Jazz

Representações Sociais Sobre o Trabalho Docente

O Marulhar de Versos Antigos: A Intertextualidade em Eugénio de Andrade

Da autoria de José Duarte, “História do Jazz é uma obra composta por uma primeira parte em torno da história do jazz, organizada cronologicamente segundo os principais movimentos, e pelos principais eventos ligados ao jazz, decorridos entre 1917 e 2009. Informações, biografias e sugestões sobre o mundo do jazz completam o livro “História do Jazz” assinado por um dos nomes maiores da cultura musical, em Portugal. Neste primeiro volume, José Duarte percorre os caminhos do jazz, desde a pré-história até à Internet. À “História do Jazz” seguem-se João da Terra do Jaze, Jazzé e Outras Músicas, Jazz, Escute e Olhe e Cinco Minutos de Jazz. De acordo com o autor, “Sendo esta a primeira história de jazz escrita em português, sendo o jazz uma arte não popular sem culpa própria que não seja ser linguagem musical estranha porque vinda de outras origens culturais, esta história deve ser breve, de iniciação. Fatalmente com faltas deve ser uma história para principiantes e para bisbilhoteiros simples e clara, que tente esclarecer e desfazer erros e confusões. Uma pequena história para que jazz conste jazz; não tem ainda um século mas por lá próximo anda. É uma música que tem vivido a uma velocidade grande, a cada década seu estilo, a cada estilo vários génios. É assim aliciante contar a sua história por estilos. Cada passo estético em consonância com o acidentado correr do tempo, com avanços e recuos. A própria tecnologia se meteu com o jazz e ele com ela. Rock, cordas, percussão afro-cubana colaboraram / colaboram. Jazz é a primeira música de fusão de variadas fusões, música de criação e consumo instantâneo, floresta de estilos em coabitação permanente. Jazz afinal uma palavra que quer dizer nada como joão”.

Com este livro, a Universidade de Aveiro, com o apoio do Departamento de Ciências da Educação, da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e do Centro de Investigação em Educação e Ciências do Comportamento, põe à disposição dos investigadores e de todos os estudiosos interessados na temática em análise e no quadro teórico e metodológico que a suporta um conjunto de estudos realizado no âmbito do Projecto Internacional “Representações Sociais sobre o Trabalho Docente”. O trabalho de investigação cujos resultados se apresentam foi executado com base numa amostra de alunos de Pedagogia e de licenciaturas em Ensino de instituições de ensino superior de diversos países por uma equipa de 26 investigadores oriundos de Instituições de Ensino Superior do Brasil, da Argentina, de Portugal e da Grécia, reunida em torno do Centro Internacional de Estudos em Representação Social e Subjectividade – educação (CIERS-ed) e coordenada por Clarilza Prado de Sousa. A obra relata o esforço de compreender se a formação que o estudante dos cursos de educação vem recebendo no ensino superior possibilitará articular a sua trajectória pessoal, a sua visão de escola, de aluno e de profissão docente às condições sociais e culturais concretas às quais será submetido em seu futuro trabalho como professor.

Da autoria de João de Mancelos, pós-doutorando na área das Literaturas Comparadas no Departamento de Línguas e Culturas da UA, esta obra reúne o conjunto de ensaios e recensões resultantes do seu trabalho de pós-doutoramento, sob a supervisão do Prof. António Manuel Ferreira. Neste livro, publicado com a chancela das Edições Colibri, o autor analisa a influência e a presença intertextual de vários escritores célebres na obra de Eugénio de Andrade. Lord Byron, John Keats, Percy Shelley, Walt Whitman, W. B. Yeats e Wallace Stevens são vozes que ecoam nos versos de Eugénio de Andrade, um dos mais importantes poetas portugueses contemporâneos. João de Mancelos reflecte ainda, em “O Marulhar de Versos Antigos: A Intertextualidade em Eugénio de Andrade” o modo como a música, a pintura e outras artes encontraram uma nova vida na obra literária eugeniana. Desta pesquisa resulta uma visão original, que permite apreciar e compreender melhor as raízes e os temas do autor de “As Mãos e os Frutos”.

Edição Sextante Editora Lda Autoria José Duarte, antigo Professor auxiliar convidado no Departamento de Comunicação e Arte da UA ISBN 9789898093882 Ano 2009

Edição Universidade de Aveiro Organização Luís Pardal, docente no Departamento de Ciências da Educação da UA, Clazilda Sousa e Lúcia Vilas Boas, Doutoras em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo ISBN 9789727892921 Ano 2009

Edição Edições Colibri Autoria João de Mancelos, pós-doutorando na área das Literaturas Comparadas no Departamento de Línguas e Culturas da UA ISBN 9789727728701 Ano 2009

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Os monstros na literatura de cordel portuguesa do século XVIII

Economic Integration, International Trade and the Role of Foreign Direct Investment. The Case of Portuguese Manufacturing

Portfolios reflexivos. Estratégia de formação e de supervisão

Ana Margarida Ramos, professora auxiliar no Departamento de Línguas e Culturas da UA, publicou recentemente “Os monstros na literatura de cordel portuguesa do século XVIII”, uma obra que agrupa reflexões sobre a monstruosidade, assim como uma descrição e análise dos seus vários componentes de índole textual e paratextual, na tentativa de detectar elementos unificadores e de projectar os valores simbólicos inerentes a este tipo de texto. A obra reúne a análise de um conjunto de folhetos da literatura de cordel portuguesa do século XVIII, sobre monstros. Para tal, procede a uma contextualização das práticas de leitura, assim como das implicações que o objecto impresso, nas suas múltiplas formas, tem na leitura que dele é efectuada. Situa ainda a produção em estudo num contexto mais alargado de publicações semelhantes, tanto na Europa como no Brasil, com vista a realçar afinidades com essas produções, assim como as especificidades dos folhetos publicados em Portugal. O livro reflecte sobre a localização da literatura de cordel no universo literário, neste caso, no âmbito das literaturas “não canónicas”. Os textos em questão são apresentados, simultaneamente, como herdeiros de tradições culturais e literárias antiquíssimas e como formas embrionárias da literatura de massas que, a partir do século XIX, conhece um grande desenvolvimento com o sucesso de fórmulas editoriais semelhantes.

João Paulo Cerdeira Bento, docente e investigador no Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial da UA, acaba de publicar um livro intitulado “Economic Integration, International Trade and the Role of Foreign Direct Investment. The Case of Portuguese Manufacturing”, que fornece uma importante contribuição para a compreensão dos efeitos do investimento directo estrangeiro no comércio. Através de uma investigação do padrão e das determinantes do comércio na manufactura portuguesa, esta publicação demonstra o efeito de transformação a longo prazo do Investimento Directo Estrangeiro e o seu potencial na transformação e fomentação do conhecimento no interior da União Europeia, através da introdução de melhorias nas economias acolhedoras. A obra destina-se a académicos, alunos de pós-graduação, investigadores e decisores políticos.

“Portfolios reflexivos. Estratégia de formação e de supervisão”, da autoria de Idália Sá-Chaves, docente no Departamento de Didáctica e Tecnologia Educativa da UA, apresenta um conjunto de trabalhos que, através de estratégias de investigação-acção, procuram evidenciar a natureza reflexiva, colaborativa e interpessoal dos processos de construção de conhecimento, através da relação supervisiva, quer na dimensão vertical entre supervisor e supervisandos, quer na, também possível, dimensão horizontal entre formandos. Esta publicação apresenta um conjunto de trabalhos que, através de estratégias de investigação-acção, procuram evidenciar a natureza reflexiva, colaborativa e interpessoal dos processos de construção de conhecimento, através da relação supervisiva, quer na dimensão vertical entre supervisor e supervisandos, quer na, também possível, dimensão horizontal entre formandos. Cada estudo decorre da reflexão partilhada sobre as práticas desenvolvidas nos contextos institucionais de formação e que, sob coordenação e responsabilidade científica e pedagógica da autora, congrega os contributos dos professores e educadores cooperantes, na sua qualidade de orientadores da prática pedagógica nas escolas e jardins de infância nos quais esta se realiza, e também dos alunos do último ano dos referidos cursos que nelas se encontram em situação de estágio. Nesta obra procura-se reflectir sobre as vantagens e sobre as limitações que a estratégia de portfolio reflexivo apresenta em múltiplos aspectos e dimensões da aprendizagem, enquanto construção de conhecimento e, desta, enquanto condição de desenvolvimento pessoal e profissional dos participantes.

Edição Edições Colibri Autoria Ana Margarida Ramos, professora auxiliar no Departamento de Línguas e Culturas da UA ISBN 9789727728152 Ano 2009

Edição LIT Verlag Autoria João Paulo Cerdeira Bento, docente e investigador no Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial da UA ISBN 9783643100849 Ano 2009

Edição Universidade de Aveiro Autoria Idália Sá-Chaves, docente no Departamento de Didáctica e Tecnologia Educativa da UA ISBN 9789727892945 Ano 2009


Modelo Conceptual para Auditoria Introdução à Programação Organizacional Contínua com em Java Análise em Tempo Real Em Junho passado, o docente do Instituto Superior de Contabilidade e Administração da UA (ISCA-UA) Carlos Santos apresentou o livro “Modelo Conceptual para Auditoria Organizacional Contínua com Análise em Tempo Real”. Publicado pela Editorial Novembro, e resultado da tese de doutoramento, esta obra nasceu da necessidade de se propor um modelo conceptual que possa promover a avaliação e a validação dos sistemas de informação organizacionais, através de processos de auditoria, de modo a promover a confiança dos investidores. Fá-lo através da apresentação de um estudo de caso realizado num serviço de urgência de um grande hospital português. “A governação das organizações tem tido uma preocupação crescente com a avaliação e validação dos seus sistemas de informação, devido à informatização que se tem vindo a verificar nos processos produtivos e administrativos. Esta obra propõe um modelo que permitirá dar resposta a esta preocupação avaliando e validando, em tempo real, os sistemas de informação organizacionais de forma consistente e coerente”. A actualidade da temática incita a que diplomados e doutorandos em engenharia organizacional tenham esta obra como referência, assim como peritos e técnicos, gestores e stakeholders de empresas e organizações. Edição Editorial Novembro Autoria Carlos Alberto Lourenço dos Santos, docente no Instituto Superior de Contabilidade e Administração da UA ISBN 9789898136107 Ano 2009

Da autoria dos professores António Manuel Adrego da Rocha e Osvaldo Manuel da Rocha Pacheco, docentes no Departamento de Electrónica, Telecomunicações e Informática da UA, foi recentemente editado pela FCA, o livro “Introdução à Programação em Java”. A obra fornece competências sólidas no desenvolvimento de programas de pequena e média complexidade usando a linguagem Java e aplicando o paradigma da programação procedimental. É entendimento dos autores que a introdução do ensino da programação não deve ser feita usando o paradigma da programação orientada a objectos, porque ele é demasiado complexo para uma primeira abordagem à programação. Em alternativa, é mais vantajoso introduzir a linguagem Java aplicando o paradigma da programação procedimental, cuja metodologia assenta na decomposição hierárquica das soluções, através de refinamentos sucessivos, como a forma mais natural de lidar com a complexidade. Nesse sentido, são estudadas as estruturas de dados que, tipicamente, são encontradas em programas de pequena e média complexidade, nomeadamente as sequências (arrays), as sequências de caracteres (strings) e os ficheiros (files). Também é apresentada a criação de tipos de dados que adequam a representação da informação às condições concretas do problema que se pretende resolver no computador e introduzidos os algoritmos de pesquisa, de selecção e de ordenação. Edição FCA – Editora de Informática Autoria António Manuel Adrego da Rocha e Osvaldo Manuel da Rocha Pacheco, docentes no Departamento de Electrónica, Telecomunicações e Informática da UA ISBN 9789727226238 Ano 2009

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Nova Gestão Pública e Reformas da Saúde

Cultura: Metodologias e Investigação

CAPTar– Ciência e Ambiente para todos

Da autoria da Prof. Teresa Carvalho, docente na Secção Autónoma de Ciências Sociais, Jurídicas e Políticas na Universidade de Aveiro, a obra “Nova Gestão Pública e Reformas da Saúde”, constitui a base para uma visão renovada dos desafios que os profissionais da saúde, em particular, enfrentam. Com prefácio do Prof. Rui Santiago, docente da Secção Autónoma de Ciências Sociais, Jurídicas e Políticas da UA, a obra aborda, entre outros temas, as novas formas de intervenção do Estado no sector público ou a nova gestão pública e os profissionais de serviços públicos. “Nesta obra é proposta uma compreensão articulada – macro, meso e micro – das profissões e dos processos de profissionalização. Este esforço de articulação emerge como particularmente evidente quando se estabelece um conjunto de intersecções entre a reconfiguração do Estado Providência, o managerialismo/Nova Gestão Pública, o desenvolvimento dos sistemas de saúde, a reestruturação das instituições e as mudanças nas profissões. Este livro representa um avanço importante no conhecimento sobre as profissões no contexto actual de alterações na configuração do Estado. Este avanço é particularmente relevante ao nível das dificuldades com que os grupos profissionais se confrontam no desenvolvimento das suas estratégias de profissionalização face à hegemonia da retórica e das práticas managerialistas da eficiência, da eficácia, da qualidade e da competição. O trabalho de análise teórica e empírica que este livro propõe constitui um recurso imprescindível para a construção de uma visão analítica renovada dos desafios que actualmente se colocam aos profissionais da saúde em particular, mas que se estende a outros grupos profissionais”.

Foi publicado em Setembro passado o livro “Cultura: Metodologias e Investigação”, organizado pela investigadora do Centro de Línguas e Culturas e docente do Departamento de Línguas e Culturas da UA, Maria Manuel Baptista. Esta obra procura fazer o levantamento dos principais desafios teóricos, práticos, metodológicos e académicos desta área do saber, assumindo como ponto de partida para a reflexão a tradição anglo-saxónica dos Estudos Culturais. Este trabalho parte da constatação de que a investigação e o ensino da Cultura se tornaram, particularmente na última década, realidades cada vez mais presentes nos contextos universitários. Esta realidade deve-se, em primeiro lugar, à valorização social crescente que tem sido concedida a esta área, quer nos mais latos e clássicos domínios da formação humanística e artística, quer enquanto factor de conhecimento e compreensão das novas dinâmicas sociais e culturais da contemporaneidade. Acresce ainda a esta valorização académica e social, a tomada de consciência generalizada do potencial económico que detém, tendo mesmo nascido recentemente uma área científica autodesignada por Economia da Cultura. Partindo deste reconhecimento, o presente trabalho procura fazer o levantamento dos principais desafios teóricos, práticos, metodológicos e académicos desta área do saber, assumindo como ponto de partida para a reflexão a tradição anglo-saxónica dos Estudos Culturais, questionando as suas limitações e dificuldades epistémicas, mas também assumindo as virtualidades que lhe são próprias e que se encontram ainda longe de estarem exauridas.

Desde Julho desde ano, a UA disponibiliza, online, uma nova revista de divulgação científica, dirigida especialmente a alunos e docentes do ensino básico e secundário, assim como ao público em geral. Chamase “CAPTar– Ciência e Ambiente para todos” e pretende contribuir para divulgar a investigação científica que se faz em Portugal e encorajar os professores a implementarem o Ensino Experimental das Ciências e a Educação Ambiental nas escolas. A “CAPTar– Ciência e Ambiente para todos”, disponível em http://captar.web.ua.pt, é uma publicação periódica electrónica que resultou de um projecto financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, coordenado por Ruth Pereira, investigadora do Laboratório Associado CESAM. Editada com a estreita colaboração da investigadora Joana Pereira, do CESAM/ Departamento de Biologia, e em parceria com um conjunto de editores científicos de diferentes instituições de Ensino Superior/Laboratórios Associados, esta publicação conta com o contributo de todos os investigadores nacionais que pretendam publicar versões em português, simplificadas e ajustadas ao nível de ensino em causa, de artigos científicos demonstrativos dos avanços na sua área de investigação. Os artigos apresentados darão enfoque a questões relacionadas com as áreas das alterações globais e desenvolvimento sustentável, ambiente e saúde, biodiversidade e conservação, biologia molecular e biotecnologia, ecologia e evolução, educação ambiental e ensino experimental das ciências, energias renováveis, geociências, toxicologia e química ambiental.

Edição Edições Sílabo Autoria Maria Teresa Geraldo Carvalho ISBN 9789726185468 Ano 2009

Edição Universidade de Aveiro e Editora Ver o Verso Autoria Maria Manuel Baptista, investigadora do Centro de Línguas e Culturas e docente do Departamento de Línguas e Culturas da UA Ano 2009


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Academia de Verão & Semana Aberta da Ciência e Tecnologia milhares de jovens à descoberta da UA

Ministro Teixeira dos Santos assistiu à apresentação do Programa de Eficiência Energética na UA

A Academia de Verão e a Semana Aberta da Ciência e Tecnologia da Universidade de Aveiro constituem apenas dois dos vários momentos de interacção desta instituição de ensino superior com a comunidade escolar de todo o país. No primeiro, decorrido entre 12 e 24 de Julho, quatrocentos jovens, do 5º ao 12º ano, “experimentaram a vida de estudante universitário”, combinando actividades científicas, no Campus Universitário, com momentos de lazer e de muito convívio na cidade de Aveiro. Entre 23 e 27 de Novembro, e pelo 10º ano consecutivo, perto de 11 mil pessoas, de diferentes graus de ensino, contactaram com o mundo do saber e do conhecimento, transmitido pelos professores e cientistas da UA. Experiências, workshops, jogos, visitas guiadas, exposições, palestras, espectáculos e saídas de campo preencheram o programa de cinco dias de actividades da Semana Aberta da Ciência e Tecnologia.

A Universidade de Aveiro acolheu, a 3 de Setembro, a sessão de apresentação do Programa de Eficiência Energética (PEE), uma iniciativa apoiada pelo Governo que contou com a presença do Ministro Teixeira dos Santos. Este PEE que a UA está a desenvolver em todos os seus edifícios e infra-estruturas de apoio prevê, no essencial, a instalação de painéis solares, térmicos e fotovoltaicos, com vista à micro-produção de energia, a introdução de medidas correctivas nos equipamentos de iluminação exterior, a captação de águas internas para redes de rega e bocas-de-incêndio, a desactivação automática de equipamentos, em períodos temporais considerados “mortos”, a instalação e requalificação de sistemas de AVAC e a monitorização de consumos energéticos. O programa prevê também investimentos para os próximos anos, principalmente no domínio da iluminação interior e na auditoria e certificação energética dos edifícios da UA.

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Abertura do ano Reitora reforçou excelência da UA

Semana de acolhimento & integração música e diversão nas boas-vindas aos novos alunos da academia

UA e Câmara de Oliveira de Azeméis assinaram protocolo para a construção da nova ESAN

A entrega de mais de duas dezenas de bolsas de estudo aos melhores alunos da academia, a dissertação do Professor Medeiros Ferreira, sobre o tema “A Universidade e a crise do pensamento crítico” e os discursos da Reitora, Prof. Maria Helena Nazaré, e do Presidente da Associação Académica da UA, Negesse Pina, marcaram mais uma cerimónia de abertura do ano lectivo 2009/2010, decorrida a 23 de Setembro, no auditório da Reitoria. A sessão foi, como habitualmente, abrilhantada pelos alunos de Música do Departamento de Comunicação e Arte. Na sua intervenção, a Reitora enfatizou a excelência da Universidade de Aveiro, enumerando os êxitos alcançados pela comunidade académica, e aproveitou a ocasião para se referir à avaliação externa como garante do reconhecimento e afirmação internacional. “Medir, actuar sobre os resultados, e validar externamente o processo é fundamental. A UA deve ter o seu modelo de auto avaliação, integrando os três pilares da missão: formação, investigação e cooperação com o exterior”, disse.

As actividades de acolhimento e integração na academia aveirense, especialmente preparadas para os alunos recém-chegados à UA, foram organizadas de modo a que os novos estudantes conhecessem as valências do Campus Universitário – serviços de apoio ao estudante e edifícios onde decorrem as aulas – e pudessem estabelecer um primeiro contacto com os novos colegas e professores. O Dia de Acolhimento foi dedicado também à exploração das potencialidades do uso da bicicleta, no âmbito da campanha “Lifecycle – Um curso com pedalada”, promovida pela UA e pela autarquia local. De 2 a 6 de Outubro, os “caloiros” da UA foram recebidos com um cartaz recheado de música e de actividades culturais e desportivas.

Os alunos da Escola Superior Aveiro Norte (ESAN) vão ter novas instalações. O protocolo assinado a 29 de Setembro, entre a Universidade de Aveiro e a Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, prevê que o novo edifício desta Escola Politécnica da UA fique instalado na denominada “Quinta do Comandante”, propriedade da autarquia, em Oliveira de Azeméis, e ocupe uma área equivalente a 3500 metros quadrados. O projecto de arquitectura será desenvolvido pelo município de Oliveira de Azeméis em estreita articulação com a UA. De acordo com o Prof. Vítor Costa, Director da Escola Superior Aveiro Norte (ESAN), a assinatura deste protocolo representa “um passo da maior importância na vida da Escola pois, com instalações definitivas, será possível criar melhores condições para levar a cabo as actividades lectivas e de cooperação com a sociedade, fazendo da ESAN uma Escola com uma forte ligação ao meio em que se insere”. Prevê-se que a primeira fase da edificação da Escola esteja pronta dentro de ano e meio.


Dia do ISCA-UA: prémios e diplomas marcaram sessão solene do Instituto

Festivais de Outono músicas para todos os gostos

Comité Internacional de Museus certificou acervo vidreiro da colecção “UA/Francisco Madeira Luís”

24 de Outubro foi a data em que se assinalou o Dia do Instituto Superior de Contabilidade e Administração da Universidade de Aveiro (ISCA-UA). O programa das comemorações, realizado no Auditório da Reitoria, integrou a atribuição de prémios aos melhores alunos e a entrega dos diplomas aos graduados em 2008/2009. Esta foi, de resto, a primeira vez que o ISCA-UA atribuiu diplomas de licenciatura em Marketing e em Finanças e de Mestrado em Contabilidade. A intervenção do Prof. Carlos Pinho, sobre “Os mercados financeiros no contexto actual”, constituiu outros dos momentos altos da cerimónia.

Entre Outubro a Dezembro os Festivais de Outono, uma produção da Fundação João Jacinto de Magalhães, regressaram à Universidade e à cidade. Com direcção artística de António Chagas Rosa e um programa musical generalista que visa fomentar a inovação e criação nacionais, os Festivais deste ano promoveram, também, a apresentação de novos talentos, consolidando a sua profissionalização. Ao longo dos quase dois meses de espectáculos, foram apresentados recitais e concertos de alunos recentemente graduados pela UA. A edição deste ano, e 5ª, integrou, ainda, algumas estreias de obras encomendadas pela produção dos Festivais e a já habitual rubrica de formação.

A Universidade de Aveiro há já alguns anos que é a depositária de um vasto acervo de cerca de 5 mil peças de vidro comum, coleccionadas e doadas por Francisco Madeira Luís. Em Novembro, o Comité Internacional de Museus – Grupo do Vidro fez uma primeira abordagem e visita a este acervo reconhecendo-lhe um elevado valor histórico e representativo da produção vidreira portuguesa. A colecção que integra o “Acervo de Vidro UA/Francisco Madeira Luís” será, brevemente, disponibilizada no Museu Virtual da UA (http://sinbad.ua.pt/museu) e, a pedido (através do e-mail: museu@ua.pt), poderão vir a ser efectuadas visitas ao local.

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