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XAVECO NO CELULAR

Por que o Tinder virou o app do momento

PEGADAS VIRTUAIS

Câmeras monitoram seus passos pelas ruas de SP

30 DIAS SEM GOOGLE

Nossa repórter sobreviveu com serviços alternativos

OUTUBRO 2013

info.abril.com.br info.abril.com.br

VOCÊ AINDA VAI ASSISTIR / XAVECO NO CELULAR / PEGADAS VIRTUAIS / 30 DIAS SEM GOOGLE / GUIA TECH

INFORMAÇÃO | TENDÊNCIAS | INOVAÇÃO | CULTURA DIGITAL facebook.com/revistainfo

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R$ 13,90 / ED. 334 / OUTUBRO 2013

VOCÊ AINDAVAI ASSISTIR AO DESAFIAR A TV E PERMITIR QUE CADA UM DECIDA QUANDO, ONDE E COMO VER FILMES E SÉRIES, O NETFLIX CONQUISTA 40 MILHÕES DE ASSINANTES NO MUNDO

GUIA TECH UTOS

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Nº 334

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/ Outubro de 2013 6. CARTA DO EDITOR 9. WWW 12. CARTAS

ENTER 16.

IDEIAS 28.

DUPLA DINÂMICA

ALESSANDRA LARIU

Novos iPhones 5S e 5C driblam as críticas negativas iniciais

Viajar ainda é uma aventura?

18.

MANOEL LEMOS

CIÊNCIA DE PONTA Novo acelerador pode incluir o Brasil no circuito das descobertas mundiais

19.

DIPLOMACIA EM 140 TOQUES Na Twiplomacia, líderes trocam recados e gestos de boa vontade

20.

GENOMA PARA TODOS Projeto da Unicamp reduz o custo do exame de DNA

30.

Que venha o computador de vestir

32.

DAGOMIR MARQUEZI Câmeras são seguras?

34.

A LIÇÃO QUE VEIO DA FINLÂNDIA Daniel de Haro Moraes, engenheiro da computação, explica como um programa finlandês de aceleração ajudou uma startup brasileira a se tornar inovadora

21.

DESIGN PARA AS ONDAS Prancha conceitual usa o que há de mais avançado na tecnologia de materiais

22.

CABE NA SALA? Aplicativo da Ikea mostra como os móveis ficariam na sua casa

23.

PARA LER E CORRER Startup cria dispositivo que facilita a leitura em movimento

24.

APPS DO MÊS Uma seleção de aplicativos para iOS, Android, Windows Phone e BlackBerry

25.

A FÓRMULA DAS MEGACONSTRUÇÕES Empresas brasileiras são fundamentais para a expansão do canal do Panamá

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O AMOR NOS TEMPOS DO TINDER Na era dos aplicativos, xavecar é tão simples quanto apertar um botão e curtir uma foto. Se os sites de namoro abriram espaço para encontros virtuais, o Tinder é a evolução desse fenômeno. O app forma por dia quase 2 milhões de casais pelo mundo FOTO FERNANDO MARTINS FERREIRA

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TesTe

GUIA TECH Smartphones, tablets, ultrabooks, drone, relógio inteligente... Testamos 45 produtos para tornar a vida divertida e produtiva

Inovação 60. FIQUEI 30 DIAS SEM GOOGLE Já imaginou passar um mês sem a busca mais acessada da internet? Ou sem Gmail e YouTube? Foi o que viveu nossa repórter. Veja os serviços que ela usou e como foi a experiência

66. CADÊ O MOTORISTA? Pesquisadores da Universidade de São Paulo criam carro autônomo inspirado no Google e a tecnologia já começa a ser usada em tratores

50

36 73 DE OLHO EM VOCÊ

Do momento em que você acorda e sai de casa até a hora de dormir, seus passos são monitorados por câmeras, radares, antenas, sites e apps. Rastros digitais são deixados a toda hora. Mas, afinal, esses dados estão seguros?

sTarTup-se

VOCÊ AINDA VAI ASSISTIR O Netflix ganha cada vez mais espaço nas salas de TV. Sua sacada: mudar a forma como se produz conteúdo e entregar ao espectador o poder de decidir como e onde ver filmes e séries

106. TRABALHO SUADO O administrador de empresas Cesar Carvalho transformou a desmotivação geral pela malhação em negócio e criou a startup Gympass

CRIAÇÃO: ERH RAY ILUSTRAÇÃO: ARTNET DIGITAL

/ TIRAGEM DA EDIÇÃO:

108 840 exemplares

FOTO MARCUS STEINMEYER

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OLHOS NA CAPA E NO iPHONE ESTÁ NO DNA DA INFO falar com um leitor antenado, bem informado e com tradição de inovar em tudo o que faz. Isso nos obriga a pensar sempre à frente, a buscar inovações tecnológicas para fazer da INFO uma revista atual e relevante em todas as plataformas. Queremos que você leia sua INFO onde e como quiser: no papel, no tablet, no PC e, agora, no celular. A partir deste mês, o conteúdo das edições da INFO poderá ser acessado pelo iPhone. Como já acontece com nossas edições digitais para iPad e para tablets Android, algumas reportagens serão acompanhadas de vídeos e de recursos interativos. No smartphone, você poderá ainda ouvir as reporta-

gens da seção Inovação, na voz dos jornalistas que apuraram e redigiram os textos. Um painel de notícias, acessado pela página inicial da edição, atualiza reportagens e mostra as últimas notícias do mundo digital. Assim, sua revista permanecerá viva e atraente durante todo o mês no smartphone. As novidades não param por aí. Tivemos uma colaboração pra lá de especial nesta edição. Convidamos o publicitário Erh Ray para elaborar a capa da revista. Um dos profissio-

CAPA

O publicitário Erh Ray na redação e o iPhone com a capa que ele desenhou

nais mais criativos do país, Erh tem uma carreira premiadíssima, com 16 Leões no Festival de Publicidade de Cannes, o mais importante do mundo. É dele, para ficar em um só exemplo, a campanha “Mamíferos”, para a Parmalat. O filme com as crianças vestidas de bichinhos fofos de pelúcia é um marco na publicidade brasileira. O tema de nossa capa é o serviço de streaming de vídeos Netflix, que, ao desafiar o modelo da TV com uma inovadora forma de produzir e entregar filmes e séries, conquistou quase 40 milhões de assinantes em 40 países, incluindo o Brasil. Pergunte a Erh como chegou aos olhos em conserva que pensou para a capa, e a resposta será: “Com tanta informação disponível no mundo, captar e prender nossos olhos é a coisa mais difícil neste momento. Prendê-los num pote de conserva foi uma maneira de brincar com isso e com a capa”. Espero que você goste! Boa leitura e até novembro!

/ katiam@abril.com.br

6 / INFO Outubro 2013

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FOTOS DULLA E GERMANO LÜDERS

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Fundada em 1950

VICTOR CIVITA (1907-1990)

ROBERTO CIVITA (1936-2013)

Conselho Editorial: Victor Civita Neto (Presidente), Thomaz Souto Corrêa (Vice-Presidente), Elda Müller, Fábio Colletti Barbosa, Jairo Mendes Leal, José Roberto Guzzo

Presidente: Fábio Colletti Barbosa Vice-Presidente de Operações e Gestão: Marcelo Vaz Bonini Diretor-Superintendente de Assinaturas: Fernando Costa Diretora de Recursos Humanos: Cibele Castro Diretora-Superintendente: Cláudia Vassallo

Diretora de Redação: Katia

Militello

Editores: Airton Lopes, Filipe Serrano, Maria Isabel Moreira, Rodrigo Brancatelli Editora Assistente: Paula Rothman INFOlab: Luiz Cruz (engenheiro-chefe), Leonardo Veras (analista de qualidade) INFO Online Editor-chefe: Rafael Kato Editor: Marcus Vinícius Brasil Repórteres: André Fernandes, Monica Campi, Thiago Tanji, Vanessa Daraya Desenvolvedores Web: Maurício Pilão, Silvio Donegá Produtor Multimídia: Cadu Silva Núcleo de Revisão: Ivana Traversim (chefe), Eduardo Teixeira Gonzaga (coordenador), Gilberto Nunes,

Maurício José de Oliveira, Raquel Siqueira, Regina Pereira, Rosana Tanus

Diretor de Arte: Rafael Costa Editores de Arte: Oga Mendonça, Thiago Bolotta Designer: Wagner Rodrigues www.info.abril.com.br

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INFO DIGITAL /

COMO LER A INFO NO iPAD E NO iPHONE

COMO LER A INFO NOS TABLETS ANDROID

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* Veja como ler a INFO na loja de conteúdo digital iba em abr.io/leia-no-iba

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/ O que os leitores falam no site e nas redes sociais

FACEBOOK Muito boa a matéria sobre como fazer para arrecadar dinheiro para estudar no exterior. Isso me ajudou muito. Andreia Oliveira / Rio de Janeiro (RJ)

QUEM QUER DINHEIRO? Muito boa a reportagem de capa da INFO de setembro, sobre crowdfunding. Achava que esses sites não tinham “pegado” no Brasil, mas vejo agora, pelos exemplos, que muita gente está conseguindo fazer bons projetos. Deu até vontade de arriscar e entrar nessa onda. Alexandre G. Garcia / São Paulo (SP)

Gostei do vídeo do Raimundos para a edição da INFO no iPad. Divertido e com boas dicas para quem vai fazer um projeto de crowdfunding. César Ramalho Souza / Mauá (SP)

FORNADA MINEIRA Como sempre a INFO nos surpreendeu neste mês, com reportagens bem boladas. O que mais me chamou a atenção foi saber que em nosso país, em Minas Gerais, está surgindo um polo de empreendedorismo tão poderoso quanto o americano. Aqui também podemos fazer a diferença. Jonathan Luiz / Araruama (RJ)

HERANÇA DIGITAL Mais uma vez me pego no início da leitura da INFO já admirado com o conteúdo da revista. Comecei lendo

a reportagem da seção Enter sobre nossa herança digital. Achei incrível abordar esse assunto, coisa que ninguém pensa nos dias de hoje. O acervo digital que guardamos tem desde valor simbólico (fotos e vídeos pessoais) até financeiro (como livros, músicas e filmes que compramos nas lojas digitais). Como lidar com esse conteúdo após nossa partida é um assunto que tem de ser levado a sério. Anderson Delesposti / São Paulo (SP)

ENTREVISTA Muito interessante a entrevista com Vint Cerf na edição de setembro. Nomes como esse passam despercebidos pela massa, mesmo que sua invenção seja o alicerce para os serviços que utiliza diariamente. Duarte Fernandes / Natal (RN)

Veio em ótima hora essa reportagem de capa. Meu artigo científico ficará mais completo, pois não existem informações qualificadas a respeito do crowdfunding. André Mantra / Curitiba (PR) A Samsung se superou e fez a coisa mais feia do mundo: o Galaxy S4 Zoom. Rodeval Lima / Fortaleza (CE)

TWITTER @edufelippsen Estou lendo na INFO matéria sobre aparelhos controlados por gestos

@vitorhamoreira Faz muito sentido a manchete da Alessandra Lariu: O Twitter é plataforma de crucificação

@WeslleyBrunoCG Hoje tive uma surpresa ao abrir a revista INFO e ver meu Twitter publicado em mais de 150 000 exemplares (http://instagram.com/p/ecBIiutQiC)

GOOGLE PLUS Muito boa a reportagem sobre San Pedro Valley. Gabriel Campos / Belo Horizonte (MG)

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BRONCAS DO MÊS Televisão extraviada

Vendeu e não recebeu

Comprei uma TV LED da Samsung em outubro de 2012. Ela apresentou um problema e levei à assistência técnica. Fui comunicado que a fábrica enviaria um aparelho novo. Dias depois, recebi um SMS avisando que o novo aparelho estava na assistência. Mas ele não havia chegado. Recebi um telefonema da Samsung perguntando se estava satisfeito com o novo aparelho. Ao informar que não o tinha recebido, fui orientado a esperar. Continuo sem o aparelho. Jackson Santana / Maceió (AL)

Vendi um produto pelo Mercado Livre em 6 de setembro e receberia o valor pelo sistema MercadoPago assim que o comprador recebesse a mercadoria. O produto chegou ao local de destino em 10 de setembro, mas não recebi o valor depositado pelo comprador. O dinheiro ficou retido no MercadoPago. Apesar da confirmação do recebimento até no site dos Correios, eles insistem em dizer, sempre por e-mail, que precisam aguardar a entrega do produto. Carlos Souza / Carmo do Cajuru (MG)

RESPOSTA DA SAMSUNG A Samsung informa que propôs o reembolso do valor do aparelho e que o consumidor aceitou e está ciente dos prazos e procedimentos para que o caso seja resolvido.

RESPOSTA DO MERCADO LIVRE O Mercado Livre informa que houve um problema com o sistema do MercadoPago e que o valor foi depositado. Pede desculpas ao leitor.

Comentário do leitor Foi um acordo meio forçado, pois a Samsung disse que, se enviassem um novo aparelho, correria o risco de acontecer um novo extravio.

Comentário do leitor O valor foi depositado. Mas é absurdo que a empresa resolva o problema apenas após meu contato com a INFO. Há poucas informações no site e nenhum telefone para contato.

LÍDERES DA BRONCA

As empresas mais citadas pelos leitores em setembro

Motorola 20%

Samsung 20%

Fale com a Redação Comentários sobre o conteúdo editorial da INFO e reclamações para Broncas do Mês: contateinfo@abril.com.br. A correspondência pode ser publicada de forma reduzida. Envie seu nome completo e a cidade onde mora. Comunidades Facebook / facebook.com/revistainfo Twitter / twitter.com/_INFO Google+/ google.com/+info Pinterest/ pinterest.com/revistainfo Instagram/ @revista_info Assinaturas assineabril.com (11) 3347-2121 Grande São Paulo 0800-775-2828 Demais localidades Serviço de Atendimento ao Cliente abrilsac.com (11) 5087-2112 Grande São Paulo 0800-775-2112 Demais localidades Loja INFO info.abril.com.br/loja / (11) 4003-8877 lojaabril@vendapontocom.com.br Publicidade Para anunciar na INFO, ligue: (11) 3037-2302 São Paulo (21) 2546-8100 Rio de Janeiro (11) 3037-5759 Outras praças (11) 3037-5679 Internacional (11) 3037-2300 Fax publiabril.com.br Permissões da INFO Para usar selos, logos e citar qualquer avaliação editorial da INFO, envie um e-mail para permissoesinfo@abril.com.br. Nenhum material pode ser reproduzido sem autorização por escrito. Venda de conteúdo Para licenciar o conteúdo editorial da INFO em qualquer mídia: atendimento@ conteudoexpresso.com.br / Para solicitar reprints das páginas: reprint.info@abril.com.br Saiba que /A INFO não aceita doações de hardware e software nem viagens patrocinadas por fornecedores de tecnologia. Todos os produtos testados no INFOlab são devolvidos aos fabricantes. / Os artigos dos colunistas não expressam necessariamente a opinião da INFO.

POR QUE LEIO INFO “Ler a INFO é uma ótima maneira de ter um extrato com mais profundidade do que mais importante estamos vivendo em tecnologia e inovação” Gabriel Borges /

Outros 60%

CEO da agência Ampfy

Ops! Erramos / Na reportagem O Fenômeno Supercell (edição de agosto/2013), o nome correto da empresa de games de Recife é Jynx Playware.

FOTO RAFAEL EVANGELISTA

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MILHÕES DE APARELHOS usam a nova versão do sistema iOS para dispositivos móveis

51%

foi a participação do iPhone no faturamento da Apple em 2012

Central de controle O novo iOS 7 tem uma central de controle que reúne os principais comandos do aparelho App de foto O software da câmera agora tem efeitos à la Instagram e modo contínuo de captura

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milhões de unidades dos iPhones novos foram vendidas NOS TRÊS PRIMEIROS DIAS de lançamento, em setembro

iPhone 5S é mais esperto Com o mesmo design do iPhone 5, o aparelho mantém o alumínio e ganha uma versão dourada Touch ID Diga adeus às senhas de desbloqueio da tela e da App Store com o novo sensor que reconhece digitais

NHO TAMA REAL

iOS 7 / Tela de 4” / 4G (LTE) / Apple A7 1,3 GHz dual-core / 16, 32 e 64 GB / Câmeras de 8 MP (1 080p) e 1,2 MP (720p) / 112 g / US$ 649 (16 GB), 749 (32 GB) e 849 (64 GB)*

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Dupla dinâmica

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Novos iPhones 5S e 5C driblam as críticas negativas iniciais

milhões de iPhones foram vendidos no primeiro semestre

≥ POR CAUÃ TABORDA iPhone 5C é mais divertido Com as mesmas cores do iPod, o modelo rosa foi o que mais vendeu no lançamento

14%

Ao apresentar os novos

dos smartphones vendidos no segundo trimestre foram produtos da Apple, segundo a consultoria Gartner

NHO TAMA REAL

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países receberam os novos iPhones no lançamento, como China, Alemanha, Japão, Reino Unido e França. O Brasil ficou de fora iOS 7 / Tela de 4” / 4G (LTE) / Apple A6 1,3 GHz dual-core / 16 e 32 GB / Câmeras de 8 MP (1 080p) e 1,2 MP (720 p) / 132 g / US$ 549 (16 GB) e (32 GB)*

* Data de lançamento e preços no Brasil não foram anunciados

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iPhones 5S e 5C, em setembro, o presidente executivo da Apple, Tim Cook, levou um golpe do mercado financeiro. Com a expectativa por uma linha mais econômica de aparelhos, os investidores ficaram preocupados, e as ações da Apple recuaram 5,4% no dia seguinte ao lançamento, a maior queda em um mês. As críticas e os ânimos que se seguiram apontavam para tudo, menos para um grande sucesso. Com a abertura das vendas, o mercado mudou de opinião. Além da estratégia de preços, considerada péssima para o 5C, analistas questionavam se a inovação do iPhone 5S (com o novo leitor de impressões digitais) seria capaz de convencer consumidores a trocar seus smartphones pelo modelo mais recente. A resposta veio em curto espaço de tempo. Nos três primeiros dias de vendas, 9 milhões de unidades dos iPhones 5C e 5S foram entregues aos consumidores. Só para comparar: o iPhone 5 vendeu 5 milhões de unidades em um fim de semana, quando foi lançado, em 2012. A diferença mostra que, independentemente das análises, os fãs da Apple continuam dispostos a gastar.

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/ Ciência

Ciência de ponta Com 518 metros de circunferência, um novo acelerador de partículas pode incluir o Brasil no circuito das grandes descobertas atômicas mundiais POR VANESSA DARAYA

mundial e para o seleto grupo de países que contam com um acelerador de partículas. Está prevista para 2016 a emissão do primeiro feixe de luz do Sirius, uma máquina de 650 milhões de reais instalada no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, a 100 quilômetros de São Paulo. Um prédio de 785 metros de circunferência será construído para abrigá-lo, em uma das instalações do centro, o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS). “Planejamos uma das melhores máquinas do mundo para o Brasil competir com outros países”, afirma José Roque, diretor do laboratório. Assim como o famoso LHC, do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares, em Genebra, na Suíça, o novo acelerador brasileiro terá a forma de anel. Mas o Sirius não colidirá partículas para desvendar os mistérios do universo, como faz o acelerador europeu. Funcionará como um microscópio gigante para cientistas enxergarem a estrutu-

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ra atômica de materiais sintéticos e biológicos. “As aplicações vão desde a medicina até a nanotecnologia”, diz Roque. As descobertas acontecem quando a máquina acelera partículas e produz a luz síncrotron, radiação eletromagnética que abrange desde o infravermelho até o raio X. “Podemos, por exemplo, fazer descobertas na área de produtos de aço, importantes para nossa indústria, ou estudar estruturas celulares”, afirma José Roque. Com 518 metros de circunferência, o Sirius será cinco vezes maior do que o antigo equipamento do CNPEM. O acelerador brasileiro deve atrair pesquisadores de destaque no mundo. “Será um passo importante para a internacionalização da 165 m ciência do Brasil”, afirma Roque. 17 m

O Brasil deve entrar para o time de ponta da ciência

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ILUSTRAÇÃO EVANDRO BERTOL

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/ Twitter

DIPLOMACIA EM 140 TOQUES NA TWIPLOMACIA, LÍDERES TROCAM RECADOS E GESTOS DE BOA VONTADE. 77% DOS PAÍSES TÊM PRESENÇA NA REDE ≥ POR DAGOMIR MARQUEZI

Depois de quatro anos de fúria antissemita do ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad, o novo líder do Irã, Hassan Rouhani, tem tentado mudar a imagem. Pelo Twitter, desejou aos judeus um feliz Rosh Hashaná, celebrando o ano-novo judaico. Esse tipo de comunicação tem nome. É a “twiplomacia”, o uso da rede social nas relações internacionais. A adoção do Twitter por governantes tem virado questão de Estado. Quando, no ano passado,

Nicolas Sarkozy passou o cargo para o novo presidente da França, François Hollande, os dois tiveram um momento sozinhos. Nesses minutos de privacidade, Sarkozy entregou a Hollande os códigos de lançamento das armas nucleares francesas — e a senha do Twitter presidencial. O site Twiplomacy.com faz o papel da ONU na tuitosfera. Ele acompanha e analisa 505 contas de dirigentes e órgãos oficiais e diplomáticos. Dos 193 países do mundo, 77% têm presença na rede e 68% dos líderes seguem uns aos outros. Os campeões de atenções, naturalmente, são o presidente dos Estados Unidos (@BarackObama) e a Casa Branca (@WhiteHouse). Mas, num sinal pouco diplomático, as duas contas seguem só quatro perfis, incluindo o do primeiroministro da Rússia (@MedvedevRussiaE). Obama chegou a dizer em uma frase bem-humorada que, graças ao Twitter, é possível dispensar os telefones vermelhos que faziam a comunicação de emergência entre a Casa Branca e o Kremlin. O tom dos posts das autoridades costuma ser sóbrio. Governos anunciam obras, divulgam visitas de autoridades estrangeiras, celebram datas nacionais, cumprimentam a seleção de futebol, mandam recados a reis e presidentes. A exceção é a conta da Venezuela, que tem um tom de assembleia estudantil. Na América Latina, o dirigente mais seguido é a presidente argentina Cristina Kirchner (@CFKArgentina), com 2,1 milhões de seguidores. O governo brasileiro tem uma conta ofcial (@imprensaPR) com 119 000 seguidores. Mas a análise do Twiplomacy não é nada elogiosa com a conta pessoal da presidente. “Dilma Roussef é o exemplo perfeito de como líderes mundiais descobrem o Twitter nas campanhas eleitorais e abandonam seus seguidores após eleitos”, diz o estudo. O post mais recente do perfil @Dilmabr é de 10 de dezembro de 2010: “Amigos, muito legal ser tão lembrada no Twitter em 2010. Logo eu, que tive tão pouco tempo p/estar aqui c/vcs. Vamos conversar mais em 2011”. Seus 1 899 743 seguidores estão esperando a conversa.

HEADSET USA CORRENTE ELÉTRICA Aplicar uma leve corrente elétrica no cérebro para melhorar o de-

sempenho em games. É o que sugere o Foc.us, lançado por 279 dólares. Ele usa uma antiga (e controversa) técnica que promete melhorar o raciocínio, a estimulação transcraniana por corrente contínua. Os poucos que o testaram tiveram uma sensação nada agradável de formigamento na cabeça.

ILUSTRAÇÃO BEL ANDRADE LIMA

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GENÉTICA

/ Saúde

As pesquisadoras Iscia Lopes-Cendes (à esq.) e Joana Prota, responsáveis pelo projeto na Unicamp

GENOMA PARA TODOS

FAZENDA DE INSETOS Em vez de se arriscar em um curso de sobrevivência na selva para se alimentar de insetos e larvas, que tal usar o Farm 432 para criar bichinhos comestíveis no conforto de casa? Desenvolvida pela designer austríaca Katharina Unger, a máquina experimental é uma proposta para evitar que as áreas rurais sejam usadas para criação de animais. A melhor opção? Comer insetos, é claro. Eles têm mais proteína, menos calorias, menos

PROJETO DA UNICAMP REDUZ O CUSTO DE EXAME DE DNA ≥ POR VANESSA DARAYA

Só é preciso uma gota de sangue da pessoa para calcular as chances de ela desenvolver doenças como epilepsia, deficiências mentais ou Mal de Parkinson. Porém, o preço alto do exame de sequenciamento genético, que possibilita o diagnóstico, impede que seja aplicado a usuários do sistema público de saúde brasileiro. Mas cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) sugerem um método diferente, que analisa apenas 2% do código genético das pessoas. O exame explora o exoma, código que carrega o maior número de mutações responsáveis por doenças.

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“Na Unicamp, o exame de exoma custa cerca de 1 800 reais. O sequenciamento completo não sai por menos de 30 000 reais”, afirma Iscia Lopes-Cendes, chefe do Departamento de Genética Médica da Unicamp, que com a geneticista Joana Prota idealizou o projeto. A meta é provar que, mesmo sem o exame completo, a técnica permitiria ao governo economizar verbas e melhorar o tratamento, com resultados mais rápidos e precisos. “Vamos apresentar a análise ao Ministério da Saúde“, afirma Iscia.

gordura e são fáceis de criar. Com 1 quilo de ovos da mosca Hermetia illucens, Unger produziu 2,4 quilos de proteína da larva em 18 dias (ou 432 horas, daí o nome). No aparelho, as larvas viram moscas e se reproduzem, criando mais larvas (comestíveis). “Isso não apenas cria um futuro mais sustentável, mas também sugere novos estilos de vida”, diz ela.

FOTO MARCUS STEINMEYER

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/ Surfe BICO O acabamento da prancha é feito de mogno africano e fibra de carbono

DESIGN PARA AS ONDAS

PRANCHA CONCEITUAL USA O QUE HÁ DE MAIS AVANÇADO NA TECNOLOGIA DE MATERIAIS

Uma montadora de carros francesa não é exatamente o primeiro lugar que você imaginaria encontrar uma tecnologia de ponta para o surfe, mas o Laboratório de Design Peugeot abraçou o lado praiano e criou a prancha conceitual GTi, acompanhando o lançamento do novo carro 208 GTi hatch. Ela é feita de uma combinação de fibra de carbono com mogno africano, o que provocaria olhares invejosos. Uma linha diagonal separa os materiais e a Peugeot colocou quatro quilhas (barbatanas) na parte inferior — duas nas laterais e duas no centro. Isso dá, nas palavras da empresa, “uma qualidade ágil, sensível e emocionante no percurso”. FOTO LAURENT PICARD

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/ Mobilidade

Biblioteca móvel

Cabe na sala? Aplicativo de realidade aumentada da fabricante Ikea simula na tela como os móveis ficariam na casa ≥ POR THIAGO TANJI

Sabe quando você olha um sofá bonitão em uma loja, mas não sabe se ele cabe na sua sala? Pensando nisso, a fabricante sueca de móveis Ikea utilizou a tecnologia de realidade aumentada para que os consumidores vejam, de maneira virtual, o espaço exato que um móvel ocuparia nos cômodos de sua casa. Para isso, um aplicativo desenvolvido para Android e iOS projeta na tela do celular a imagem dos produtos da coleção 2014 em três dimensões. O catálogo da empresa é utilizado para calibrar o espaço e deve ser deixado no local em que a pessoa gostaria de colocar o móvel. Depois, é só apontar a câmera do smartphone. A fabricante de móveis distribuiu mais de 210 milhões de exemplares de seu catálogo de realidade aumentada nos países onde atua e aposta que a tecnologia irá melhorar a experiência de consumo dos clientes. “Antes da compra, será possível conferir o visual de nossos produtos e verificar como eles se encaixam em casa”, disse a INFO Madeleine Löwenborg-Frick, porta-voz da filial canadense da Ikea. Assista ao vídeo acessando o QR Code acima para entender como o aplicativo da Ikea funciona.

Interação sem limites Mais apps de realidade aumentada 22 / INFO Outubro 2013

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Audi eKurzinfo (iOS) Desenvolvido pela montadora alemã Audi, ele exibe informações ao apontar a câmera para partes dos carros da empresa

Acrossair (iOS) Permite descobrir restaurantes, cinemas e hotéis ao utilizar o smartphone nas ruas. O app também guia o usuário até o lugar

Augmented Car Finder (iOS e Android) Para achar seu carro nos estacionamentos. Basta marcar o lugar e depois apontar a câmera do celular

O acervo de livros digitais do Scribd foi para o celular Em 2007, o americano Trip Adler, 29 anos, teve a ideia de criar o Scribd, depois de observar a dificuldade que seu pai, um professor de medicina, tinha para publicar trabalhos em revistas científicas. Hoje, o site para compartilhar documentos em PDF tem 40 milhões de publicações em 90 línguas e 100 milhões de usuários. “O bacana é que qualquer um pode adicionar conteúdo”, disse Adler a INFO. Agora, com um aplicativo para iOS e Android, ele e o cofundador, Jared Friedman, querem transformar o Scribd em uma biblioteca móvel mundial.

FOTO MARCELO ZOCCHIO

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/ Fitness

( 1 ) O Run-n-Read é composto de um dispositivo de 9 cm e um aplicativo e-reader para iOS ou Android

( 4 ) O aplicativo faz com que o texto “copie” os movimentos feitos pela cabeça, sempre em sincronia com os olhos. O aplicativo tem uma velocidade de refresh de 60 quadros por segundo

( 2 ) O clipe deve ser preso à gola da camiseta ou a uma faixa na cabeça. Ele monitora os movimentos em 3D durante a corrida

( 5 ) Para mudar a página do livro, basta pressionar uma vez o dispositivo. Dois toques fazem a página voltar

( 3 ) Os dados são enviados por Bluetooth ao aplicativo, que pode ser instalado em smartphones ou tablets

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A bateria deve durar 20 horas em uso ou um mês em stand-by

PARA LER E CORRER Startup cria dispositivo que facilita a leitura em movimento ≥ POR RODRIGO BRANCATELLI

Praveen Elakkumanan trabalhou na IBM por sete anos, mas o que ele queria mesmo era criar algo inovador. Engenheiro elétrico com MBA e Ph.D., ele fundou a Weartrons Labs e criou o Run-n-Read, um gadget que pretende facilitar a vida de quem quer manter a leitura em dia enquanto corre na esteira ou pedala em uma bicicleta na academia. Trata-se de um pequeno dispositivo de 10 gramas que pode ser preso à camiseta ou a uma faixa na cabeça. Quando ligado, o objeto de plástico envia informações em tempo real a um aplicativo e-reader, que rastreia os movimentos da cabeça e dos ombros do corredor, mantendo o texto em sincronia com os olhos. “Fizemos o protótipo em dois meses”, disse Elakkumanan a INFO. O projeto está em um site de financiamento colaborativo. Quem quiser adquirir um Run-n-Read pagará 55 dólares. Se o total arrecadado superar os 30 000 dólares necessários para a produção, os que colaboraram receberão as primeiras peças a partir de dezembro. Se o financiamento colaborativo não der certo, já há planos de uma associação com empresas interessadas no projeto para lançá-lo. ILUSTRAÇÃO CARLOS GRILLO

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/ Apps que valem a pena

APLICATIVOS DO MÊS ≥ POR GUSTAVO GUSMÃO

YELP iPHONE XBOX MUSIC Com 30 milhões de músicas no acervo, o serviço de streaming da Microsoft permite sincronizar playlists entre Android, iOS, PC, Xbox e web. Para iOS 6.0 ou superior / Grátis MIXBIT Que tal evitar a fila para pagar a conta no fim da balada? É essa a proposta do Snappin, que serve como uma comanda virtual para festas, bares e restaurantes. Para iOS 5.0 ou posterior / Grátis ASPHALT 8 Oitavo jogo da série de corrida, Asphalt 8 apresenta 180 eventos e 47 carros para o jogador escolher e pilotar. As disputas podem ser feitas com adversários do mundo todo, online. Para iOS 5.0 ou superior / Grátis ANDROID / CELULAR SIMPLENOTE Bloco de notas simples, que funciona como o Evernote. A diferença está na interface, mais clean, e no tamanho do aplicativo, de 750 KB. Para Android 4.0.3 ou superior / Grátis AVG PRIVACY FIX Esta central de comando permite que o usuário tenha controle sobre as configurações de privacidade em diferentes sites, como Gmail, Facebook e LinkedIn. Para Android 2.3 ou mais recente / Grátis REPIX Em vez de usar as opções tradicionais de edição de imagem, como filtros e ajustes de contraste, o Repix tem uma ferramenta chamada “Pencil” para desenhar efeitos nas fotos. Para Android 4.0 ou superior / Grátis

ANDROID / IOS Popular nos Estados Unidos, onde nasceu, em 2004, o Yelp (yelp.com.br) chegou ao Brasil com conteúdo local. Focado inicialmente nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, o aplicativo traz resenhas de estabelecimentos escritas pelos usuários. O mais legal é que ele não se limita a restaurantes e bares e engloba lojas, serviços públicos e até clínicas veterinárias. Requer Android 2.3 ou mais novo e iOS 5.0 ou superior / Grátis

iPAD

BLACKBERRY

STREAM NATION Criado por uma das mentes por trás do serviço de música Deezer, o Stream Nation armazena e faz o streaming de vídeos em diferentes dispositivos. Começa com 2 GB de armazenamento gratuito. Para iOS 5.0 ou mais recente / Grátis

CLIPBOARDFUSION Este gerenciador para a área de transferência limpa a formatação de qualquer texto tirado da web (eliminando links e imagens). O Clipboard Fusion funciona em segundo plano. Para BlackBerry 10 ou mais recente / Grátis

JIMDO App para criar e gerenciar sites no iPad, o Jimdo deve ajudar quem quer algo simples, mas bonito. Organiza os elementos e sobe a página em um domínio fornecido pelo próprio serviço. Para iOS 6.0 ou sistema mais recente / Grátis

FILE SHREDDER Arquivos apagados nem sempre são totalmente removidos, mas o File Shredder pode acabar com esse problema. Ele some de vez com qualquer item. Para BlackBerry 10 ou superior / 2 reais

ANDROID / TABLET

WINDOWS PHONE

ONCE UPON A ZOMBIE APOCALYPSE Inspirado nos adventures da produtora LucasArts, este game brasileiro coloca o jogador no papel de um sobrevivente em um apocalipse zumbi. O objetivo é sobreviver por 15 dias, encontrando outras pessoas para ajudar. Para Android 2.3 ou mais novo / 2 reais

6TAG Melhor alternativa ao Instagram para Windows Phone, o 6tag deixa o usuário postar fotos e vídeos na rede social. O app traz os mesmos filtros do original e permite usar as câmeras frontal e traseira. Para WP 8 ou superior / Grátis

GO FILEMASTER Dispense cabos na hora de passar arquivos do smartphone para o PC. O GO FileMaster usa a rede Wi-Fi para isso e também permite transferir itens de Android para Android. Para Android 2.2 ou superior / Grátis

KEKANTO Agora para WP, este guia de bares, restaurantes e diversos outros tipos de estabelecimento dá sugestões baseadas na localização do usuário. O conteúdo é escrito pela comunidade. Para Windows Phone 7.5 ou mais novo / Grátis

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/ Engenharia

A FÓRMULA DAS MEGACONSTRUÇÕES EMPRESAS BRASILEIRAS APLICAM A MATEMÁTICA EM UMA DAS MAIORES OBRAS DO MUNDO, A EXPANSÃO DO CANAL DO PANAMÁ ≥ POR PAULA ROTHMAN

Duas empresas brasileiras são parte fundamental do projeto de 5,25 bilhões de dólares para expandir o canal do Panamá, principal ligação entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Os sistemas da Paragon e da Gapso têm ajudado a fazer os complexos cálculos necessários para desenvolver o projeto e planejar a operação da rota marítima que corta o país da América Central por 80 quilômetros. “Tentamos descobrir qual é a melhor alternativa para o trânsito dos navios e, depois, simulamos as condições reais para testar essa alternativa”,

afirma o engenheiro Luiz Franzese, fundador da Paragon. Em 2002, a empresa foi a responsável por calcular se era viável construir novas eclusas para expandir o canal, por onde passam 16 000 embarcações a cada ano. Com as obras em andamento, Paragon e Gapso determinaram a melhor forma de operar o novo canal, calculando as variáveis que podem alterar a circulação dos navios. “Existem mais de 1 milhão de restrições impostas por acordos comerciais”, afirma Oscar Porto, matemático fundador da Gapso. “Alguns navios passam na

frente, outros precisam cruzar em um número máximo de horas. Qualquer atraso significa perder muito dinheiro.” Da inauguração do canal, em 1914, até 2010, a ordem da travessia era escrita em uma lousa, à mão. Hoje, usase também uma lousa, mas digital. Ela simula um dia inteiro de funcionamento em apenas 3 minutos, além de projetar cenários para os próximos dias ou décadas. As empresas brasileiras também avaliaram se valia a pena construir mais portos na região. Agora elas se preparam para calcular a logística de operação do canal. ↙

EXPANSÃO Novas eclusas devem dobrar a capacidade do canal

Canal do Panamá

70 km

de comprimento

16 000

embarcações por ano

8 horas

é a média de duração da travessia

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/ Vivendo em Beta

Viajar ainda é uma aventura?

Saímos de casa já sabendo tudo sobre o destino, numa jornada controlada. Agora só nos resta transformar as viagens em game

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ai viajar? Separe o passaporte e o celular. Esses são os dois únicos objetos essenciais para qualquer jornada. Com a maioria das passagens emitida eletronicamente e até a opção de despachar a bagagem usando serviços como lugless.com ou luggageforward.com, o celular se transformou no único gadget essencial para qualquer viagem. Ele pode ser usado como cartão de crédito e até como guia turístico. Assim, descobrir novos horizontes ganhou uma dimensão única. A indústria do turismo se transformou bastante nos últimos anos. Procuramos passagens em sites que comparam preços, postamos no Facebook e no Twitter nosso destino para caçar segredos de amigos que já visitaram o lugar, baixamos aplicativos para traduzir a língua local e até checamos quem vai ser nosso companheiro de viagem no voo. Veja as iniciativas Meet&Seat, da companhia aérea KLM (abr.io/JDQN), e SeatBuddy, da Airbaltic (abr.io/JDQP), que permitem ao passageiro escolher o perfil da pessoa que sentará a seu lado. Com todas essas opções, viajar se transformou de aventura rumo ao desconhecido em aventura mais do que

controlada. A busca por experiências novas continua, mas com alto grau de monitoramento e previsibilidade. Prova disso é uma tendência que vem sendo utilizada em outros setores, mas que agora está crescendo também no turismo: a chamada gamificação. A ideia é transformar qualquer viagem em uma forma de competição, com o objetivo de engajar os turistas. Até então o setor de viagens usava apenas prog ramas de milhagem para assegurar a fidelidade de seus consumidores. Mas agora as empresas estão criando experiências que vão além de pontos adquiridos com a compra de passagens. A Air Canada, por exemplo, desafia os usuários de seus voos a fazer o check-in em cidades com jogos de futebol para ganhar um badge (medalha) de “torcedor fanático”. Já a companhia aérea americana JetBlue oferece mais pontos se a pessoa viajar para cidades que nunca visitou. Transformar a viagem em um tipo de jogo não acontece só antes da chegada ao destino. O aplicativo Stray Boots (strayboots.com/app/) converte o turismo em uma brincadeira cheia de descobertas. O app, que oferece jogos em cidades americanas e inglesas, funciona assim: depois de baixá-lo, você

ALESSANDRA LARIU

seleciona a cidade e recebe um roteiro. Cada roteiro tem desafios, e o jogador vai ganhando pontos conforme acerta. O Stray Boots e sua “versão natureza”, o Pocket Rangers (pocketrangerexchange.com), são dois exemplos de ferramentas que pretendem retomar o sentido de aventura que vem se perdendo devido às tecnologias que ajudam a desbravar o desconhecido. Essa ideia de “gamificar” as vendas de passagens e roteiros a princípio pode dar certo, porque geralmente estamos de bom humor e a fim de explorar coisas novas no início da trajetória de férias. Mas, depois de um ou dois desafios, ganhar pontos ao concorrer com outras pessoas não parece um conceito tão atraente se a empresa não oferece um excelente serviço ao consumidor. Antes de botar dinheiro em iniciativas de fidelidade, as companhias aéreas deveriam oferecer serviços melhores, porque, no fim do dia, ninguém vai ganhar medalhas para compensar ser maltratado pelo comissário de bordo num voo ou ter sua bagagem extraviada. ↙

Alessandra Lariu, 40 anos, é publicitária e cofundadora do site SheSays, que ajuda mulheres a entrar na carreira de criação digital. Empresária, ela mora em Nova York.

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/ BizTech

Que venha o computador de vestir As limitações das atuais interfaces vão dar origem a uma nova classe de dispositivos que mudará a forma como interagimos com os gadgets

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o mês passado, assistimos a mais um episódio da guerra das plataformas móveis, com a chegada de dois novos modelos da Apple, o iPhone 5S, mais sofisticado, e o iPhone 5C, seu primo mais pobre e colorido. Mas, diferentemente do que aconteceu quando Steve Jobs apresentou o primeiro iPhone ao mundo, não vimos grandes inovações, além das incrementais, como mais capacidade de processamento, câmera mais poderosa e interface visual remodelada, com o novo iOS 7. A novidade ficou mesmo por conta do scanner de impressão digital, que traz novas possibilidades, mas que teve sua segurança quebrada em menos de uma semana após o lançamento. Mas o paradigma computacional continuou o mesmo, assim como o formato e as limitações. E, claro, isso não é um problema, pois não só de inovações disruptivas vivem o mundo e o mercado. Antes de o iPhone estabelecer um novo marco no mundo dos dispositivos móveis, a variedade de conceitos era maior do que temos hoje. Dispositivos com diferentes formatos, com uma tela, duas telas, com a forma de videogame (lembra do Nokia N-Gage?), com

teclados diferentes, luzes ao redor do aparelho e variadas cores e formas. Hoje, podemos dizer que o design dominante é o de uma barra retangular e fina feita de vidro, plástico e metal. E o pior é que já faz alguns anos que estamos parados nesse modelo. A competição se concentrou em aumentar a capacidade de processamento e o tamanho do display, que virou um argumento de vendas e de diferenciação. A questão é que existe um limite para o tamanho e a resolução das telas. Elas não podem crescer indefinidamente, pois seria bem estranho tirar um celular de 9 polegadas do bolso, e também não existe vantagem nenhuma em uma densidade de pixels maior da que o olho humano pode enxergar. Aqui vemos uma motivação enorme para o surgimento de novos paradigmas para a interface entre esses dispositivos e nós, os usuários. A existência de limitações no design das interfaces é a grande motivação para o surgimento de uma nova categoria de dispositivos, os wearable computers (computadores vestíveis). Ainda estamos bem no começo dessa nova onda e talvez o termo vestível nem seja o que melhor representa essa mudança de interação, mas as possibilidades são quase infinitas.

MANOEL LEMOS

Imagine se a interação com nossos atuais gadgets acontecesse de uma maneira mais natural, como em um relógio conectado, nos óculos, como o Google Glass, no painel do carro ou até em nossas roupas? Quase tudo isso já é possível com produtos que estão aí ou começam a chegar às prateleiras, como o relógio conectado Peeble e os carros inteligentes. Mas e se pensarmos em possibilidades ainda mais interessantes? Se nosso cinto pudesse passar uma informação tátil indicando para qual direção caminhar para chegar a um restaurante? E se a roupa de um mergulhador pudesse reagir de acordo com seu perfil de mergulho, evitando que tome direções erradas? Isso criaria uma infinidade de novos usos para os computadores vestíveis. Mais tarde, veremos algo ainda mais transformador acontecer, com o nascimento de ecossistemas que integrarão tudo. É hora de torcer para que as baterias também evoluam e não sejam mais peso para carregar. ;-) ↙

Manoel Lemos, 37 anos, é engenheiro da computação, especialista em supercomputação, empreendedor, investidor em tech startups e diretor-geral digital da Abril Mídia. É apaixonado por mergulho com tubarões.

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/ Cérebro Eletrônico

Câmeras de segurança são seguras? Com o programa de busca Shodan é possível bisbilhotar webcams e câmeras em qualquer parte do mundo. Até no quarto de uma criança

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G oogle procura websites. Eu procuro aparelhos.” A definição foi feita por John Matherly, criador do site Shodan, em 2009. Para alguns, o Shodan é o “Google dark”. E Matherly não faz nenhuma questão de parecer bonzinho. Sua criação foi batizada com o nome de um robô vilão do game System Shock. O Shodan procura aparelhos (e sistemas de controle) com falhas de segurança. Entra onde a porta está aberta. Mas maioria dos recursos está disponível só para profissionais. Para os leigos existe a busca randômica de webcams. Um clique e você estará espionando uma estação de ônibus em Assunção, no Paraguai. Outro clique e você verá o movimento no interior de uma fábrica de plásticos-bolha em Kremenki, na Rússia. Ou uma padaria em Belgrado, na Sérvia. Um iate ancorado em Bergen, na Noruega. Uma oficina de carros em San Ramón, na Costa Rica. Ou um garotinho numa sala em Taipei, Taiwan. Não é como ver o movimento na Times Square por meio do site EarthCam. Estamos penetrando em lugares que deveriam estar protegidos. Estamos xeretando a privacidade alheia. E isso quando nos limitamos às webcams.

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Com o Shodan, a caixa de Pandora está aberta. A colunista Kashmir Hill conta na revista Forbes um episódio que aconteceu com um cidadão de Houston, no Texas. Ele foi conferir se estava tudo bem com sua filha de 2 anos, que dormia. Quando chegou na porta do quarto, ouviu uma voz que dizia: “Acorda, sua putinha”. Ele descobriu que alguém tinha assumido (usando o Shodan) o controle da câmera de seu monitor de bebê e ainda falado por meio dele. Antes que a filha acordasse, ele desligou a câmera na fonte, mas não sem antes ouvir um “sua débil mental”. O Shodan tem um link só para os milhares de sistemas que usam como login “Admin” e como senha “1234”. Fora quem pluga coisas na rede sem nenhuma senha. Mas o que tem preocupado é que o Shodan não consegue acesso apenas a webcams de açougues ou a babysitters eletrônicas. Usuários chegaram ao comando de um crematório nos Estados Unidos, a um sistema de distribuição de água, ao comando de aquecimento de uma escola, a sistemas de semáforos. Alguém conseguiu chegar aos comandos de uma “enorme barragem hidrelétrica na França que está online”, revelou o site Vice para o pai da coisa, John Matherly. “O mais interessante é que a barragem tem um

DAGOMIR MARQUEZI

histórico de falhas. A cidade próxima teve um incidente de inundação por causa de um problema na represa.” Assim, parece questão de tempo que algum Doctor Evil da vida entre no Shodan e assuma o controle, por exemplo, de uma usina nuclear. Matherly diz que nenhum sujeito mal-intencionado conseguirá provocar um estrago maior sem deixar um monte de pistas. O que não é uma garantia de segurança. Segundo Matherly, “não dá para ser um moleque de 16 anos e tomar o controle de uma usina elétrica. Não é assim tão fácil. Você pode encontrar a usina com o Shodan, mas instalar um código requer conhecimento real”. Não é mesmo fácil achar alguma coisa no Shodan. Não basta clicar “Nasa” e sair comandando o lançamento de foguetes. O sistema não é fofinho nem instrutivo. Mas cumpre uma função. Ele nos faz tomar consciência de que conectar coisas à internet é sério. O sujeito que instala uma babá eletrônica e usa como senha 1234 agora sabe que sua filha de 2 anos um dia pode ser despertada por sussurros de “acorda, sua putinha”. ↙

Dagomir Marquezi, 60 anos, dividiu sua vida entre o jornalismo e a ficção. Escreveu novelas, musicais e roteiros de cinema. Há 15 anos acompanha a tecnologia em sua coluna na INFO.

FOTO ALEXANDRE BATTIBUGLI

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/ Inside Information

A lição que veio da Finlândia Como o programa de aceleração de uma universidade finlandesa ajudou uma startup brasileira a mudar o foco e se tornar inovadora

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m 2010, um aluno de mestrado vê a oportunidade de criar um negócio para agregar alta tecnologia às pequenas e médias empresas nacionais. Ele cria a Botunix, uma startup com foco bem definido, que parecia ter tudo para ser uma marca forte. Mas logo toma seu primeiro choque de realidade. Os possíveis clientes não estavam interessados em novas tecnologias, e sim em comprar um sistema simples para gerenciamento. Com a empresa aberta e precisando de capital, a Botunix entrou nos projetos para tentar alguma inovação partindo de algo que já existia: os famosos ERPs, programas de gestão corporativa. Mas o que parecia um acerto não gerou resultados. A empresa ficou estagnada por dois anos e perdeu várias ondas tecnológicas. Não conseguia fazer a revolução que toda startup almeja. A Botunix precisava ir para a rua, procurar novas ideias e prospectar uma nova forma de operar. No fim de 2012, num encontro para desenvolvedores da Nokia, em São Paulo, foi apresentado o Windows Phone 8. Na Botunix, os fundadores tinham ideias inovadoras para smartphone, mas precisavam de um investimento inicial.

A Nokia indicou o AppCampus, um curso para empreendedores da escola finlandesa Aalto University. Os criadores da Botunix resolveram, então, apresentar o projeto Real Strike, um jogo do tipo paintball que utiliza realidade aumentada. O projeto tinha só uma página simples na internet. Em janeiro de 2013, um e-mail da AppCampus avisou que o projeto e a equipe tinham sido qualificados para a etapa de primavera da AppCademy. O curso teria 28 dias de muito trabalho para desenvolver uma startup de sucesso. E pelo menos um dos dois fundadores deveria ir para a Finlândia, e isso envolvia gastos não cobertos pelo programa. Mas, se o protótipo fosse aceito, a AppCampus adiantaria 30% do valor do prêmio para o projeto, que entrou na categoria de 20 000 euros. Valia a pena tentar. O processo de aceleração começou em março de 2013, numa reunião dos aprovados na sede da universidade. Mesmo com uma camada de 30 centímetros de neve, o lugar é lindo e inspirador. Já no primeiro dia os participantes fizeram um pitch de 2 minutos sobre o projeto. Ali ficou claro o despreparo de todos. Depois de várias sessões com especialistas e de aulas de marketing e publicidade, o grupo aprendeu a

DANIEL MORAES

fazer uma boa campanha de lançamento, a gerenciar o pós-venda e a posicionar uma empresa no mercado. Helsinque respira empreendedorismo. Durante todo o mês de aceleração, a vida também fica acelerada. O processo foi fechado quase que do mesmo modo como começou, com pitchs e uma festa de fim de curso. O contato com outras startups do mundo mostra as diferentes realidades. As escandinavas e americanas são bem preparadas e contam com investimento pesado do governo e da população. Ao fim do processo, a Botunix já contava com um protótipo do jogo e havia recebido 30% do valor destinado à aceleração. Mais importante do que o dinheiro foi o aprendizado, que levou a empresa a ficar mais focada em desenvolvimento de aplicativos para smartphones. Também ficou evidente que toda empresa deve criar uma ampla rede de relacionamento e fortalecer sua marca, tanto no mercado interno quanto no externo, focando no que é possível fazer, e não nos sonhos dos clientes. ↙

Daniel de Haro Moraes, 32 anos, é engenheiro da computação e empreendedor. Estudou na Unicamp e, em 2010, fundou a Botunix, empresa focada em mobilidade. Mora em Campinas (SP) e tem como hobbies pescar e correr de kart.

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DE OLHO EM VOCÊ 36 / INFO Outubro 2013

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O ALVO Daniel Campos, 31 anos, é diretor de planejamento, casado e torcedor do São Paulo. Essas são suas informações básicas. INFO acompanhou Campos por um dia para mostrar como tudo o que ele faz é monitorado

Do momento em que você acorDa e sai De casa até a hora De Dormir, seus passos são monitoraDos por câmeras, raDares, antenas De celular, sites e aplicativos. rastros Digitais são DeixaDos a toDa hora — uma imagem tiraDa Da placa De seu carro, uma ligação telefônica, um e-mail enviaDo para um colega ou uma compra com cartão De créDito. em um Dia, toDas essas pegaDas virtuais De uma única pessoa Dariam para encher quase oito cDs, o equivalente a 5 000 megabytes De informações. mas, afinal, esses DaDos estão seguros? ≥ POR RODRIGO BRANCATELLI ≥ FOTOS MARCUS STEINMEYER

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UMA CIDADE VIGIADA Elas estão de olho em você. Espalhadas pelas 91 000 ruas da cidade de São Paulo, que juntas se estendem por algo em torno de 17 000 quilômetros de asfalto, existem atualmente 1,5 milhão de câmeras de vigilância e monitoramento, segundo levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), feito a pedido da INFO. Trocando em miúdos, isso significa 16 câmeras por rua, 88 por quilômetro ou uma câmera para cada sete paulistanos. Parece muito? Bem, esse número deverá crescer cerca de 40% até 2016, de acordo com as empresas. Ao fim desta reportagem, pelo menos uma nova lente eletrônica terá sido instalada na capital paulista. O diretor de planejamento Daniel Campos, por exemplo, é flagrado toda manhã, de segunda a sexta-feira, por 43 câmeras, somente durante o trajeto entre sua casa e o trabalho, que não dura mais do que 30 minutos de carro. Isso sem contar as lentes escondidas em fachadas de edifícios e lojas,

Daniel Campos sai às 8 horas de seu apartamento na Lapa, zona oeste de São Paulo

impossíveis de ser notadas. O grande problema é que esses equipamentos estão longe de ser considerados totalmente seguros. A análise realizada no dia 3 de setembro por dois consultores de uma das principais empresas de segurança virtual do país encontrou falhas e brechas em mais de 500 câmeras de São Paulo, em um período de apenas 3 horas de pesquisa. Com a ajuda de um site que aponta fragilidades de dispositivos conectados à internet, é possível ter o controle de todos esses equipamentos, de residências a faculdades, uma vez que eles foram instalados sem que o usuário trocasse a senha de segurança-padrão que vem de fábrica, como “admin” ou “1234”. Webcams e câmeras IP com senhas inseguras não exigem mais do que uma busca bem direcionada no Google para um hacker bisbilhotar a vida alheia.

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câmeras flagram a passagem de seu carro só nos primeiros oito quarteirões do percurso até o trabalho

“O ambiente de segurança no Brasil é bem ruim, e isso não é alarmismo. Uma pesquisa realizada recentemente mostrou que o país é o quarto pior em segurança digital no mundo”, diz Rogério Reis, sócio e diretor comercial da Arcon, empresa especializada em serviços gerenciados de segurança. Segundo ele, mesmo o mais avançado sistema de câmeras de edifícios comerciais e residenciais pode ser frágil. “Normalmente, todas as informações digitais passam por uma única rede cabeada do prédio. Um hacker que conecte seu computador nessa rede interna tem acesso a imagens, senhas e dados confidenciais”, diz Reis. “Na minha carreira, fui contratado por cerca de 60 empresas que pediram para simular uma invasão, a fim de checar a segurança. Consegui invadir em todos os casos. No meio eletrônico, não existe nada 100% seguro. Mas há meios de se proteger, há condições de melhorar a segurança dos dados virtuais, desde que o usuário procure essas informações e serviços.”

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Ele atravessa Desce as ruas do a rua Cerro Corá Alto de Pinheiros Daniel Campos pega e pega a rua Dr. em direção à a marginal do rio Alberto Seabra. marginal do Pinheiros e passa Em seis quarteirões, rio Pinheiros. por uma câmera cinco câmeras filmam Pelo menos de monitoramento sua passagem cinco câmeras da prefeitura registram seu trajeto

O QUE FAZER PARA PROTEGER SUA CÂMERA >> Nunca deixe o nome de usuário-padrão e a senha que vieram de fábrica para sua câmera. Qualquer pessoa que descubra seu IP (e isso é mole, mole) pode roubar suas imagens e manipular seu equipamento. Escolha um nome de usuário e uma senha com pelo menos oito caracteres. Tente usar uma combinação de letras minúsculas e maiúsculas, bem como números e caracteres especiais. >> Mude sua porta-padrão da câmera para uma porta no intervalo 8 000 ou superior. Se precisar, peça ajuda para um amigo que saiba mexer nessa configuração. Hackers frequentemente utilizam esse intervalo-padrão como alvo, e isso pode transformá-lo em presa fácil para invasões. >> Pelo menos uma vez por semana, verifique os logs (registros de endereços IPs acessados) de sua câmera. Relativamente simples, o processo deve constar do manual de instruções do equipamento. Assim, você poderá identificar acessos que não sejam seus.

ILUSTRAÇÃO EVANDRO BERTOL EDIÇÃO DE IMAGEM ARTNET DIGITAL

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câmeras seguem seu caminho na av. Presidente Juscelino Kubitschek e depois na avenida Faria Lima

BIG BROTHER RESIDENCIAL Um bom projeto de segurança para um condomínio de alto padrão na capital paulista não oferece menos do que 20 câmeras de monitoramento, instaladas em garagens, portaria, áreas comuns e elevadores. Um circuito assim, que inclui também monitores e gravadores digitais, custa a partir de 40 000 reais. Mas isso é quase o básico quando se fala de sistemas de vigilância: há prédios residenciais sendo construídos no bairro de Vila Nova Conceição, em São Paulo, que contam com mais de 100 câmeras. Uma das principais empresas de segurança patrimonial, a Haganá já instalou 6 000 câmeras pela cidade.

40 000 câmeras são vendidas por ano em São Paulo, segundo estimativa da associação dos fabricantes

2,7 bi

de horas de vídeo em qualidade de DVD já foram gravadas por essas câmeras em São Paulo

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Depois do trânsito, Daniel Campos chega, às 8h40, à empresa em que trabalha, no bairro Vila Olímpia

Por volta do meio-dia, Campos sai para almoçar. Vai a pé até um restaurante natural na rua Ramos Batista, a um quarteirão de distância. É flagrado por cinco câmeras. Para pagar a conta de cerca de 40 reais, ele usa um cartão de crédito

QUEM VIGIA O VIGILANTE Apenas os órgãos públicos têm 1 389 equipamentos eletrônicos que monitoram o dia a dia da cidade — são 310 câmeras da Polícia Militar, 372 câmeras e 587 radares da Companhia de Engenharia de Tráfego, e mais 120 câmeras da Guarda Civil Metropolitana. Desse total, a INFO apurou que 477 são capazes de analisar rostos e formas. Ainda existem 172 radares inteligentes, dotados de um software que funciona como um scanner, que lê e registra a placa do veículo em milésimos de segundo. “O problema é que no Brasil não há normatização e regulação de como esses dados devem

Na volta do almoço, liga para um cliente para confirmar um encontro marcado para logo mais

ser guardados ou manipulados”, diz o especialista em segurança Rogério Reis. “As imagens da CET são de responsabilidade exclusiva da CET. Não existe um órgão regulador. É necessária uma legislação que cuide disso.” Assim, sem regras ou normas para disciplinar o uso das câmeras públicas, cada órgão pode armazenar as imagens por tempo indeterminado, da forma que achar necessária. A Polícia Militar, por exemplo, afirma que mantém as gravações por 30 dias em um data center de 1 200 metros quadrados na sede da corporação. Eventos considerados “relevantes” são gravados em DVDs e armazenados em cofre. Já na CET, as imagens são armazenadas pelas empresas terceirizadas que prestam o serviço de fiscalização eletrônica, por um período de cinco a sete dias. Segundo especialistas consultados pela reportagem, muitos desses data centers utilizados para guardar as informações dos paulistanos rodam com o sistema operacional Linux, o que possibilita a invasão por programas maliciosos.

Às 16 horas, Campos pega seu carro e dirige até o Shopping Villa-Lobos, a 7,8 quilômetros dali

POR DENTRO DO RADAR INTELIGENTE >> Sensores da câmera criam um campo eletromagnético, com três linhas imaginárias que são projetadas sobre a via. >> Entre a primeira e a segunda linha imaginária que o radar traça, é medida a velocidade do veículo. Entre a segunda e a terceira linha, a informação é confirmada. >> Ligada a um pequeno computador, a câmera faz o reconhecimento das placas que passaram pelo local. Os dados s ão r ep as s ado s p ar a um a cent ral por conexão 3G, incluindo a data e a hora em que o veículo passou pela câmera, e a velocidade em que estava.

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Pega a rua Ramos Batista, vira à direita na rua Olimpíadas, depois à esquerda na alameda Vicente Pinzón, até cair na avenida Presidente Juscelino Kubitschek. Pelo menos três câmeras flagram sua passagem

Campos acessa a marginal do rio Pinheiros, passa por dois equipamentos da CET e chega ao local da reunião

Em 2 horas, depois de ser filmado por mais de uma dezena de câmeras no shopping, Campos termina a reunião

CARTÃO DE CRÉDITO >> Ao pagar o almoço, as informações são criptografadas e enviadas até a central da empresa que forneceu o cartão utilizado. Ela, por sua vez, envia os dados para o banco de Daniel, que aprova a transação, e assim ele pode sair do restaurante sem ter de lavar pratos. Enquanto aquele cartão de crédito estiver válido, as informações serão guardadas em servidores hospedados nos Estados Unidos.

UM ESPIÃO NO BOLSO Toda vez que Daniel Campos utiliza seu smartphone para ligar para um cliente, o sinal do aparelho procura a antena mais próxima. Nesse processo, o celular acaba reconhecendo todas as antenas que estão no seu “raio de visão” — e, com uma simples triangula-

ção de antenas, a operadora sabe onde ele está, com uma precisão que varia de 25 a 40 metros. “É incrível, mas ao mesmo tempo assustador o que essa quantidade enorme de dados espaçotemporais dos telefones móveis nos diz sobre nossa vida e nossa sociedade em geral”, afirma Vincent Blondel, professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e da Université Catholique de Louvain, na Bélgica. No primeiro semestre deste ano, Blondel publicou um artigo sobre a análise que fez em 15 meses de registros de chamadas anônimas de 1,5 milhão de pessoas. Sua equipe foi capaz de identificar os movimentos de 95% das pessoas com apenas quatro registros, usando

somente a localização de uma estação de celular nas proximidades e a hora que cada chamada foi feita. “Cla ro que esses dados são úteis”, diz Blondel. “Ao longo dos últimos seis meses, centenas de pesquisadores propuseram ideias criativas, como otimizar sistemas de transporte e monitorar políticas públicas. Só que, sem o devido cuidado, os dados podem comprometer a privacidade das pessoas.”

4 285 ANTENAS DE CELULAR existem na cidade de São Paulo, 28% do total do estado Outubro 2013 INFO

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Ao chegar em casa, o sistema interno do prédio de Daniel Campos registra todos os seus passos até entrar no apartamento

Cada câmera do edifício grava duas imagens diferentes por minuto, 24 horas por dia, o que equivale a cerca de 170 000 imagens diárias

O QUE VEM POR AÍ Com a Copa do Mundo do ano que vem e a Olimpíada de 2016, o Brasil se transformou no principal mercado para vigilância na América Latina. Segundo pesquisa da empresa IMS Research, o país já representa 45% dos gastos com câmeras e sistemas de monitoramento da região. Todos os estádios da Copa, por exemplo, terão até 400 câmeras cada um, com tecnologia de biometria, que realiza o reconhecimento facial para registrar e vigiar o comportamento dos torcedores.

Campos sai para assistir a um jogo de futebol no Estádio do Morumbi. Ao longo do trajeto, é flagrado por quatro equipamentos da CET. Para fugir do trânsito, usa um aplicativo no celular

Um a p es qu i s a no Por t a l d a Transparência do governo federal revela que a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos já desembolsou 300 milhões de reais em contratos de segurança. Helicópteros das Forças Armadas também terão câmeras HD, que, segundo o fabricante, são os mesmos equipamentos utilizados pela polícia de Massachusetts na captura de um dos suspeitos do atentado à Maratona de Boston. E isso está longe de ser a tecnologia mais avançada em segurança que pode desembarcar por aqui. Documentos va zados pelo Wikileaks revelaram, no mês passado, que os principais executivos da indústria de vigilância passaram pelo Brasil para divulgar produtos de monitoramento em massa. São 249 documentos de 92 empresas de vigilância, entre brochuras, contratos e metadados referentes a alguns dos principais empresários do ramo. Confira, a seguir, os equipamentos que foram apresentados a empresas particulares e órgãos públicos no país.

56%

dos internautas paulistanos utilizam apps de geolocalização em seu celular, segundo pesquisa realizada em maio pela Fecomercio

>> Microfone onipresente_ Como se fosse uma placa em forma de prato, que pode ser instalada no teto de lojas, saguões de edifícios ou mesmo em grandes locais, como aeroportos, o microfone AudioScan da empresa inglesa Cobham tem em seu interior até 345 pequenos microfones individuais. Assim, segundo ensina a brochura do equipamento, o operador pode “dar um zoom para gravar uma conversa específica de um grupo de pessoas”. O alvo não sabe que está sendo gravado. “O som de um ponto específico é amplificado e isolado por meio de um avançado processador de sinal, que deixa o áudio do alvo claro, mesmo em ambientes barulhentos”, diz a empresa. >> Software-espião_ O spyware FinFisher, da companhia Gamma International, pode, de maneira secreta, monitorar computadores, interceptar ligações por Skype, acionar

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No estádio, ele é seguido pelas câmeras de segurança. O dia acaba. Amanhã, os passos de Campos voltarão a ser monitorados, cada vez mais de perto

câmeras web e registrar cada apertar de tecla. Desenvolvido no Reino Unido, o software espião foi descoberto pela primeira vez em julho, no Barein, onde foi usado para espionar grupos de ativistas. Em agosto, a empresa de segurança Rapid7 encontrou o mesmo spyware em outros nove países: Estados Unidos, Indonésia, Austrália, Catar, Etiópia, República Checa, Estônia, Mongólia e Letônia.

>> Grampo de celular_ A empresa indiana Shoghi vende um sistema de monitoramento de ligações de celular pelo qual é possível até procurar mensagens SMS por palavras-chave. “Monitoramos a ligação telefônica em tempo real de qualquer operadora no mundo. O sistema é invisível para o investigado e para a operadora”, diz a empresa em sua propaganda. Já a companhia espanhola Agnitio oferece programas de leitura biométrica de voz.

Juntando os dois sistemas, é possível reconhecer a voz de um suspeito em tempo real, rastreando milhões de ligações e sem deixar rastros do grampo.

>> Varredura virtual_ O programa Cyveillance, da empresa inglesa QinetiQ, já é utilizado pelos Estados Unidos para monitorar a internet 24 horas por dia. Ele é capaz de fazer uma varredura por todos os dados de navegação de um usuário na internet, incluindo seus e-mails. ↙

92 % dO tráfegO de dadOs gerado no Brasil passa pelos estados Unidos

UM PROJETO PARA BOTAR ORDEM >> O Brasil tem nada menos que 181 000 normas legais, segundo a Casa Civil da Presidência. Ainda assim, até hoje não existe um conjunto de regras para proteger as informações virtuais dos internautas. Ou seja, pelo menos no aspec to jur ídico, os dados vir t uais de Daniel Campos e as informações que ele preenche diariamente em sites e redes sociais poderiam muito bem ser armazenadas em São Paulo, nos Estados Unidos, no meio do oceano ou debaixo do colchão de alguém, sem que isso fosse considerado errado. As recentes revelações do caso de espionagem da NSA acabaram pressionando as autoridades brasileiras a acelerar a aprovação do Marco Civil da internet. O projeto inclui um artigo que obriga as empresas que obtêm receita no Brasil a manter os dados em servidores localizados em território brasileiro. A proposta tramita há dois anos em Brasília. Após pedido de urgência da presidente Dilma, a Câmara tem até o fim de outubro para votar a matéria, e o Senado, mais 45 dias para apreciá-la. Se não for concluída a votação nesse prazo, o projeto passará a trancar a pauta — assim, nada poderá ser votado antes que ele seja apreciado.

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O AMOR NOS TEMPOS DO TINDER ≥ POR GABRIEL GARCIA ≥ FOTOS FERNANDO MARTINS FERREIRA

NA ERA DOS APLICATIVOS, XAVECAR É TÃO SIMPLES QUANTO APERTAR UM BOTÃO E CURTIR UMA FOTO. SE OS SITES DE NAMORO ABRIRAM ESPAÇO PARA ENCONTROS VIRTUAIS, O TINDER É A EVOLUÇÃO DESSE FENÔMENO. O APLICATIVO PARA CELULAR FORMA POR DIA QUASE 2 MILHÕES DE CASAIS PELO MUNDO. SUA PRINCIPAL VANTAGEM É A SIMPLICIDADE DE USO 44 / INFO Outubro 2013

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COMBINAÇÕES

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FICARAM SÓ NO PAPO

ENCONTROS REAIS

A estudante Daphne Ruivo, 20 anos, baixou o Tinder sem muita expectativa e teve três encontros. “Nunca achei que algo assim daria certo’’, afirma

APP-CUPIDO

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“cara de óculos escuros... não rola. Esse aqui na balada... também não. Esse aqui com skate debaixo do braço... gostei. Vou dar like.” Uma amiga apresentou a Daphne Ruivo um aplicativo simples e viciante. É possível aprovar ou rejeitar uma pessoa com base na foto. Se o like for correspondido, começa a conversa. Daphne fez sete combinações no primeiro dia de uso. Mas todos os caras falavam de sexo na primeira frase. Ela bloqueou todos.

Marcela Benvenutti também usava o aplicativo, mas para encontrar um garoto por quem era apaixonada. Foram dois dias recusando todos os garotos que apareciam. Parava apenas quando encontrava alguém chamado Lucas, o nome do menino. Em um deles, a foto não carregou. “Tenho tanto azar, tenho certeza que é ele. Vou dar like.” A foto carregou, mas não era “aquele” Lucas. “Mas até que este é bonitinho.” Marcela gostaria de estar nos anos 60, quando talvez as coisas fossem mais fáceis para quem quer namorar.

Em 1965, o xaveco era a única opção para se aproximar de uma pessoa. Mas esse era o ponto fraco do americano Jeffrey Tarr, estudante de matemática de Harvard. Além de tímido, ele era baixinho. Mas Tarr decidiu achar uma forma de encontrar a garota ideal. Escreveu um questionário com 75 perguntas sobre o par perfeito, espalhou as fichas pelas faculdades dos arredores de Boston e programou um IBM 1401 para analisar as respostas recebidas. Com a intenção de arranjar uma namorada, Tarr criou a primeira tecnologia para unir casais, o Operation Match. Quase 50 anos depois, a vida dos tímidos melhorou muito com a tecnologia. Serviços de bate-papo, encontros virtuais e redes sociais se tornaram populares a ponto de uma pesquisa da Universidade de Chicago afirmar que um terço dos casais americanos formados na última década se conheceu pela internet. Sites de relacionamento são um dos principais mercados da rede, com 30 milhões de usuários e 2 bilhões de dólares de receita por ano. O Grindr é um exemplo. Voltado para homossexuais, o app é um serviço de geolocalização que incentiva encontros. Tem quatro anos e 4 milhões de usuários.

No ano passado, surgiu o Tinder, aplicativo que adapta o conceito de geolocalização a todas as orientações sexuais. Disponível para iOS e Android, ele é muito simples. O usuário loga-se com seu perfil do Facebook e o app usa o GPS do celular para localizá-lo. As fotos são sincronizadas com as do perfil da rede social, mas podem ser editadas. É possível escolher o raio de busca (de 1 a 150 quilômetros), a idade (de 18 a 55 anos) e o gênero das pessoas procuradas. A interface é minimalista. A tela mostra apenas o primeiro nome, a idade, os amigos e os interesses em comum, além de cinco fotos da pessoa. O usuário tem apenas duas opções: curtir ou recusar quem aparece na tela.

Xaveco high-tech DOS CARTÕES MAGNÉTICOS AO TINDER, A TECNOLOGIA SEMPRE AJUDOU CASAIS A SE ENCONTRAR

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COMBINAÇÕES

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FICARAM SÓ NO PAPO

ENCONTROS REAIS

Renato Bonfim, 21 anos, nunca tinha pensado em usar um aplicativo para paquera. “Conheci uma pessoa, saímos e foi ótimo’’, diz

SEM TIMIDEZ

“O que queríamos era recriar a sensação de quando você cruza o olhar com alguém e fica com uma vontade incontrolável de conhecer aquela pessoa. Nosso papel é apenas apresentá-lo a essa pessoa”, disse a INFO Justin Mateen, 27 anos, um dos criadores do Tinder. Mateen é formado em administração de empresas pela Universidade Southern California e criou o app em outubro de 2012, com o colega de faculdade Sean Rad, 26 anos. A ideia surgiu quando Mateen e Rad perceberam que não havia uma plataforma de paquera virtual voltada para pessoas

1965

OPERATION MATCH Usuários respondiam a um questionário em um cartão magnético da IBM. Perfis parecidos eram colocados em contato

de 18 a 35 anos. “Os sites de namoro atraem pessoas mais velhas. Não existia no mercado uma ferramenta dedicada e eficiente para que jovens conhecessem outras pessoas”, diz Mateen. Funcionando num escritório em Los Angeles, a startup tem hoje 11 funcionários. Começou numa incubadora de produtos mobile e foi financiada pelo IAC, grupo americano de mídia digital que possui outros sites de relacionamento. O app ainda não tem um modelo definido de negócios. “Por enquanto, queremos focar em criar a melhor experiência possível de uso”, diz Mateen, que ima-

1978

BBS Precursores da internet, os Bulletins Board System possuíam grupos de encontros, como o Matchmaker

1980

gina gerar receita com publicidade. “Provavelmente vamos vender alguns mimos para os usuários, como mandar flores virtuais, por exemplo.” O Tinder prefere não revelar o número total de usuários. Mas o sucesso pode ser medido de outra forma: são mais de 100 milhões de perfis avaliados todos os dias, com quase 2 milhões de matches (termo usado quando um casal é formado) diariamente. No total, 14 bilhões de avaliações foram feitas desde a estreia do app. Só para comparar: o Match.com, maior site de relacionamento do mundo, tem 23 milhões de visitantes únicos por mês.

CB SIMULATOR É o primeiro chat virtual, serviço que se popularizaria no Brasil em 1996, com o lançamento do Bate-Papo UOL

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MATCH.COM Considerado o primeiro site de encontros, ainda é o maior portal do tipo, com 23 milhões de usuários

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Daphne e Renato marcaram de se encontrar no café de uma livraria. Ela chegou antes. A ansiedade só aumentava. Enviou uma mensagem para uma amiga: “Vontade de fugir!!!” O nervosismo durou até o momento em que viu Renato. “Parecia que nos conhecíamos há muito tempo”, diz. Foram ao cinema e rolou o primeiro beijo. “Foi tudo muito natural. Tínhamos muito assunto, sabíamos mais ou menos como o outro era... Foi ótimo.”

Marcela estava nervosa. “Eu não tenho nenhuma referência dele, não sei se é um cara legal. Mas nunca ninguém fez nada assim por mim.” A curiosidade venceu. Ela desceu para a entrada da faculdade. Lucas estava lá. Não foi muito difícil encontrá-lo, pois era bem parecido com a foto. Foram para um bar do outro lado da rua. Conversaram sem parar. Na hora de se despedir, o primeiro beijo. “Encontrei o amor da minha vida.”

Um traço comum à maioria dos usuários brasileiros do Tinder é o fato de o aplicativo ser a primeira incursão deles pelo mundo da paquera virtual. Segundo uma pesquisa da

COMO FUNCIONA PASSO 1_ O Tinder usa os dados do Facebook do usuário, que deve definir o raio de distância e o gênero das pessoas que serão recomendadas PASSO 2 _ O usuário pode dar like ou recusar as recomendações recebidas, além de visualizar informações sobre elas, como outras fotos e amigos em comum PASSO 3 _ Caso a outra pessoa corresponda ao like, o aplicativo abre uma janela de chat e os interessados conversam

própria startup, 96% dos usuários do app nunca haviam recorrido a um app para encontros. “Nunca tinha pensado em usar a internet para flertar com outras pessoas", diz Renato Bonfim, 21 anos. Logo em um dos primeiros matches no Tinder, o encontro virtual se transformou em real. “Puxei assunto com a pessoa. Eu tinha amigos em comum com ela e deu certo. Saímos e foi ótimo.” Isabella Holsbach, 22 anos, também não confiava em namoros virtuais. “Sempre fui um pouco despren-

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2009

ASHLEY MADISON Site para comprometidos conhecer amantes que gerou polêmica quando foi lançado. Tem 2 milhões de visitantes mensais

FACEBOOK/ORKUT As redes sociais não surgiram para encontros, mas ferramentas como Poke e Crush List uniram muitos casais

GRINDR Um dos primeiros apps de encontros, é voltado para homossexuais e tem mais de 1 milhão de acessos por dia

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dida para isso, não era muito meu perfil”, diz. Nos primeiros matches, Isabella não confiou. “Aparecia muita gente estranha, falando besteira. Eu não respondia.” Até que curtiu um conhecido de uma amiga. A conversa fluiu, trocaram telefones e marcaram de se encontrar. No momento em que o encontro virou realidade, os medos e as dúvidas se tornaram os mesmos de qualquer outro encontro. “Bateu um frio na barriga, não estava acreditando que iria sair com alguém que nunca tinha visto na vida. Para piorar, minha bateria acabou e não sabia quem era o garoto”, afirma Isabella. PARA A TERAPEUTA FAMILIAR Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, aplicativos como o Tinder são saudáveis para os relacionamentos dos jovens, desde que funcionem como um “gatilho” para o mundo real. “A mediação virtual deve ser um disparador para facilitar o relacionamento com outras

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pessoas, como um tímido conseguir marcar um encontro com uma garota, por exemplo”, afirma Quézia. Mas a terapeuta alerta que a simplicidade do aplicativo pode gerar fragilidade nos laços. “O afeto não surge a partir de uma foto”, afirma Quézia. “Atualmente, é normal que os jovens tratem o interesse amoroso como uma mercadoria: no jogo amoroso é tudo uma questão de oferta e procura. Apesar disso, facilitar a formação dos laços pode torná-los mais frágeis.”

AS REGRAS NÃO ESCRITAS DO TINDER

O QUE FAZER (E NÃO FAZER) PARA CONSEGUIR CONQUISTAR ALGUÉM PELO APLICATIVO

BOA, É POR AÍ MESMO!

ISSO NÃO É LEGAL!

Escolher um lugar descolado para a foto, como um restaurante ou livraria

Aparecer com outras pessoas na foto

Mostrar apenas o olho ou uma parte do rosto

Sorrir Marcela queria sair de novo com Lucas. As coisas ficaram estranhas quando as mensagens demoravam a ser respondidas. Ele precisava de dois dias para responder a um simples “bom dia”. Até que um dia Lucas sumiu. Marcela foi bloqueada, não consegue mandar mais mensagens. Ficou arrasada, mas não desiste de encontrar alguém pelo Tinder. “Foi tão fácil... quem sabe da próxima vez consigo achar o cara certo.”

Para a psicóloga Ana Luiza Mano, da PUC-SP, o principal atrativo do Tinder é o fato de o usuário poder fantasiar sobre a pessoa do outro lado da foto. “O fato de a única informação sobre a outra pessoa ser uma foto ajuda no processo de idealização. Essa curiosidade gera uma vontade maior de conhecer outras pessoas.” Ana Luiza afirma ainda que essa expectativa pode ser considerada saudável, porque ajuda no amadurecimento. “Quando o jovem leva para o mundo real essa relação, a expectativa será avaliada. Então, ele aprende a lidar com suas fantasias.” O criador, Justin Mateen, diz que o Tinder não é apenas um aplicativo de namoro. “Claro que muitas

Usar óculos escuros No chat, conversar naturalmente

Postar várias fotos

Decotes profundos ou fotos sem camisa

Mostrar sua personalidade

Falar de sexo na primeira conversa

pessoas procuram alguém especial, mas também criamos outros tipos de vínculo. Estamos sempre buscando relacionamentos de negócios ou novas amizades”, afirma Mateen. Mas sua história é semelhante à da maioria dos usuários do Tinder. Mateen namora uma garota que conheceu por meio do aplicativo. “Usava o Tinder sempre, falava com algumas garotas, mas só para ver se estava tudo correndo bem com o sistema, sem falhas. Um dia, encontrei uma menina com quem tinha amigos em comum, aconteceu o match e hoje estamos saindo”, diz Mateen.

De Jeffrey Tarr, na década de 60, a Justin Mateen, nos dias do Tinder, a influência da tecnologia para encontrar um amor pode ter mudado muito. Mas a intenção ainda continua a mesma: aproximar pessoas.

Daphne sai com o garoto que encontrou no Tinder. Ela continuou usando o app, mas por pouco tempo. Até conversou com outros garotos, mas não foi em frente. “Não preciso conhecer outra pessoa.” Ela ainda não sabe se os encontros com Renato se transformarão em namoro, mas está feliz por conseguir encontrar alguém legal por meio da tecnologia. “Jamais achei que algo assim funcionaria.” ↙

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AO DESAFIAR A LÓGICA DA TV E DAR AO ESPECTADOR O PODER DE DECIDIR COMO, QUANDO E ONDE ASSISTIR A FILMES E SÉRIES, O SERVIÇO DE VÍDEOS NETFLIX CONQUISTA QUASE 40 MILHÕES DE ASSINANTES NOS 40 PAÍSES ONDE ATUA, INCLUINDO O BRASIL ≥ POR GUSTAVO POLONI ≥ ILUSTRAÇÃO ARTNET DIGITAL

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PASSAVA DAS 7 DA NOITE NO TEATRO NOKIA, EM LOS ANGELES, QUANDO DAVID FINCHER FOI ANUNCIADO VENCEDOR da categoria Melhor Diretor de Série Dramática na 65a edição do Emmy, o Oscar da TV americana. Foi o mais importante dos três prêmios recebidos pelo seriado House of Cards, indicado em nove categorias, entre elas Melhor Série Dramática. Seria apenas mais uma das estatuetas entregues na festa não fosse por um detalhe importante: House of Cards não é uma série de televisão. Os 13 episódios da primeira temporada não foram transmitidos por um canal aberto ou fechado dos Estados Unidos em fevereiro deste ano. A série foi produzida pelo Netflix e vista pelos assinantes do serviço de streaming de filmes, documentários e seriados que tem mais de 38 milhões de assinantes e está presente em 40 países, incluindo o Brasil.

É a primeira vez que uma produção 100% de internet consegue esse feito. “Até hoje, as produções para internet eram baratas e curtas”, disse a INFO Jonathan Friedland, diretor de comunicação do Netflix. “Decidimos que já era hora de tentar algo mais ambicioso.” Mais do que uma estatueta, o prêmio histórico joga lenha numa discussão que tem ganhado força nos últimos meses: o modelo sob demanda do Netflix vai revolucionar a maneira como assistimos à TV? Há sinais de que isso esteja acontecendo. O número de espectadores dos canais de TV a cabo nos Estados Unidos ainda não está caindo. Mas também não cresce. Já a audiência do Netflix não para de aumentar. Às 22 horas, considerado o horário nobre da internet americana, cerca de um terço do tráfego está direcionado para o Netflix, quase o dobro do segundo colocado, o YouTube. A explicação para o sucesso vai muito além dos atores de primeira linha, da trama bem amarrada e do conteúdo de qualidade. O Netflix

colocou nas mãos do espectador uma decisão importante: como, quando e onde assistir a seu programa favorito. Todos os episódios de uma temporada são disponibilizados simultaneamente no serviço. Se a pessoa quiser, pode ver um atrás do outro, numa maratona de várias horas, apelidada de binge (farra) pelos americanos. Em três meses, os assinantes do serviço passaram 4 bilhões de horas assistindo à programação do Netflix. “Aprendemos a lição que a indústria da música não aprendeu: dê o que as pessoas querem, no formato que desejam e por um preço razoável”, afirmou Kevin Spacey, ator principal da série House of Cards, num evento em Edimburgo, na Escócia. “Elas vão pagar pelo serviço, em vez de roubar.” O modo como são produzidos os programas também começa a mudar. Para fazer House of Cards, trama sobre os bastidores do jogo de poder nos Estados Unidos, um time de executivos bateu na porta das grandes redes americanas de televisão.

CAMPEÕES DE AUDIÊNCIA

NOS ESTADOS UNIDOS E NO CANADÁ, O NETFLIX RESPONDE POR UM TERÇO DO TRÁFEGO DE INTERNET ÀS 22 HORAS, HORÁRIO NOBRE DA WEB YouTube 17% Netflix 32,5% Web 17% BitTorrent 5,5%

Outros 28%

Hulu 2,5% iTunes 2% Facebook 1,5%

Fonte: Sandvine Networks

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Todas se interessaram pelo projeto, mas antes de investir queriam ver um piloto do programa. Com o Netflix foi diferente. A empresa coletou dados sobre a série, inseriu-os num programa de computador e deu o sinal verde para a produção. Trata-se de uma mudança e tanto na indústria americana de TV. Neste ano, foram filmados 146 pilotos nos Estados Unidos, mas apenas 56 foram ao ar. O preço dessa espécie de vestibular da TV? De 300 milhões a 400 milhões de dólares. A primeira temporada do sucesso House of Cards custou 100 milhões de dólares. “Isso mostra que a série teve uma ótima relação entre custo e benefício”, disse Spacey.

parte técnica, é a mesma coisa que trabalhar para um estúdio, mas parece que estamos filmando uma história de 13 horas”, disse Biggs a INFO. “É a primeira vez em 15 anos que sinto fazer uma coisa realmente nova.” Em pouco tempo, Orange Is the New Black se transformou na mais popular das produções do Netflix. A empresa não revela a audiência, mas, no primeiro fim de semana no ar, a série foi mais vista do que o programa infantil Galinha Pintadinha. Quem tem criança em casa sabe bem o que isso significa. O sucesso dos seriados colocou o Netflix no centro das atenções em um mercado que movimenta bilhões de dólares ao ano

O conteúdo do Netflix pode ser visto em mais de 1 000 aparelhos, de videogames a celulares. O vídeo é automaticamente adaptado ao formato da tela escolhida House of Cards é a mais bem-sucedida produção original do Netflix, mas não a única. Das cinco séries exclusivas, a mais nova é Orange Is the New Black. Em julho, o ator americano Jason Biggs, astro de American Pie, desembarcou em São Paulo para promover a série, que retrata as dificuldades de uma mulher de classe média num presídio feminino nos Estados Unidos. “Em termos de logística e da

e rendeu-lhe comparações com o grupo Time Warner, responsável por seriados como The Big Bang Theory, Two and a Half Men e The Vampire Diaries. Com tamanha repercussão, o Netflix decidiu continuar a investir em novos programas e em temporadas de séries. Em 2014, Orange Is the New Black, House of Cards, Hemlock Grove e Arrested Development (esta surgiu na TV em 2003 e foi comprada pelo Netflix) deverão ganhar continuações. Nos países em que o serviço do Netflix ainda não está disponível, as séries produzidas serão vendidas para redes de televisão, e em outros, como o Brasil, ganharão versões para DVD e Blu-Ray.

Os espectadores brasileiros também assistem a produções locais exclusivas. A primeira foi a série A Toca, da produtora Parafernalha. Há cerca de seis meses, executivos do Netflix entraram em contato com o humorista Felipe Neto para comprar o conteúdo que faz sucesso no canal da empresa no YouTube. “O Netflix tirou a produção do conteúdo das mãos do executivo de TV, que há muito tempo perdeu contato com o espectador, para colocar nas mãos do artista", afirmou Felipe Neto a INFO. “O público está cansado do entretenimento feito no Brasil, que é praticamente o mesmo há 50 anos.” Em meados de agosto, quando foi ao ar, A Toca tornou-se o conteúdo em português com a melhor nota do serviço. A estratégia da empresa de investir em conteúdo de qualidade tem um objetivo óbvio. “Quanto melhor o conteúdo, mais assinantes o Netflix consegue atrair”, afirmou a INFO Suraj Srinivasan, professor da Harvard Business School. Só no ano passado, a empresa ganhou 10 milhões de novos assinantes. Em 2013, foram mais 2 milhões no primeiro semestre nos Estados Unidos. O resultado já pode ser sentido nos números da empresa. Pela primeira vez em sua história, o Netflix faturou 1 bilhão de dólares em um trimestre. Foi no início deste ano e representou um aumento de 18% em relação ao mesmo período de 2012. Não é preciso ser nenhum gênio da matemática para concluir que, com o aumento no número de pessoas dispostas a pagar pelo serviço, a empresa terá mais dinheiro para

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investir em novos programas exclusivos e na compra de séries de sucesso — o que trará mais assinantes, dando início a um ciclo virtuoso. O Netflix tem hoje 300 milhões de dólares em caixa para colocar em novos programas. Parte desse valor será usada para a produção de séries. A outra, para licenciar conteúdo de estúdios. Na hora de escolher o que comprar, os executivos do Netflix ficam de olho no que faz mais sucesso nos sites e serviços de pirataria de filmes e séries. Foi assim com a série Breaking Bad. O bom momento também repercute no desempenho da empresa na bolsa. Negociada a 314 dólares em meados de setembro, a ação atingiu o valor mais alto nos últimos dois anos e é um dos papéis que mais valorizaram na bolsa americana neste ano. “A tecnologia cria uma experiência melhor e mais moderna para o conteúdo”, disse Reed Hastings, presidente do Netflix, à revista americana BusinessWeek. “Estamos competindo pelo tempo das pessoas.” O conteúdo de qualidade pode ser a parte mais visível do sucesso do Netflix. O serviço, no entanto, está apoiado em mais dois grandes pilares: hardware e software. É difícil dizer qual dos três núcleos é o mais relevante. Contratados na Amazon Web Services, os servidores que hospedam os filmes e seriados do Netflix estão espalhados pelo mundo e são configurados para a exibição de vídeos. No momento em que o assinante clica em um título, o serviço escolhe, em fração de segundo, qual servidor pode atender de forma mais rápida e eficiente.

OS NÚMEROS DO NETFLIX DA RECEITA AO TOTAL DE ASSINANTES, O MOMENTO É DE CRESCIMENTO

16,90

reais é a mensalidade que o assinante brasileiro paga para assistir a filmes e séries em até três telas simultâneas

40

países é onde o Netflix está presente

900

funcionários trabalham na sede da empresa

1 000

aparelhos, como telefones, tablets e PCs, acessam filmes e séries sob demanda

38

milhões é o número de assinantes em todo o mundo

3,6

bilhões de dólares foi o faturamento em 2012. No primeiro trimestre deste ano, alcançou 1 bilhão de dólares

4 bilhões de horas é o tempo que assinantes gastam assistindo a programas a cada três meses

3,14

petabytes é quanto o Netflix usa de espaço para armazenar conteúdo, o dobro do Facebook

Outra decisão importante é tomada neste momento: qual é o formato que melhor se enquadra no aparelho que vai rodar aquele vídeo. Hoje, o Netflix pode ser visto em mais de 1 000 tipos de gadget, como telefones, tablets, smartphones, videogames e aparelhos de televisão. Essas escolhas evitam que o espectador fique muito tempo esperando o início do programa. De 10 000 a 20 000 servidores da Amazon são responsáveis por 3,14 petabytes de dados de filmes e séries. O Facebook, que tem mais de 1 bilhão de usuários e 10 bilhões de fotos postadas, usa menos da metade dessa capacidade. O terceiro fator para o sucesso do Netflix é seu algoritmo. Trata-se de uma espécie de sistema nervoso central, responsável pelas decisões tomadas na empresa. Todas as madrugadas, entre 2 e 5 horas, o algoritmo faz uma análise para identificar os programas mais populares em cada país. Se Dexter tem muita audiência no Brasil, o programa emite uma ordem para que os servidores disponibilizem a série para a região. O sistema também ajuda a decidir onde gastar o dinheiro do conteúdo. Veja o caso de House of Cards. Com os dados-chave do programa (elenco, trama, diretor etc.), o algoritmo estimou quantos assinantes estariam dispostos a vê-lo e se gostariam ou não da série. Num ranking de satisfação que vai até cinco estrelas, o programa ganhou nota 4,5 do sistema. Outra função é fazer recomendações aos assinantes. Um exemplo: quem viu a série Revenge deve gostar de Prison Break e de Breaking Bad. Quanto mais programas a pessoa assiste, mais o serviço a conhece e, assim, é capaz de acertar nas indicações, como já faz a Amazon

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Montanha-russa

AS AÇÕES DO NETFLIX DESPENCARAM 80% HÁ DOIS ANOS, QUANDO A EMPRESA ANUNCIOU QUE SEPARARIA O NEGÓCIO DE DVD E STREAMING E COBRARIA POR AMBOS. NOS ÚLTIMOS MESES, OS PAPÉIS VALORIZARAM 350

314 dólares

300

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com maestria para e-books. O Netflix também não costuma errar. “Cada um desses pilares ajuda a melhorar a experiência do serviço”, diz o professor Srinivasan. “A empresa precisa dessas três coisas para sobreviver.” A busca pela perfeição tecnológica é uma das bandeiras do Netflix, que está sempre testando novidades para melhorar a experiência de seus assinantes. Algumas vezes, a empresa seleciona um grupo de dezenas de milhares de usuários e os usa como cobaias. Algum tempo atrás, um grupo de pessoas que assistiam ao serviço no aplicativo instalado no console PlayStation, da Sony, passou a ouvir uma voz que perguntava o que elas gostariam de ver. Outro teste faz com que os servidores de um país sejam inundados de solicitações para assistir a determinado programa. O objetivo? Checar se ele consegue atender todos de maneira eficiente. Eventualmente, essas novidades passam a ser adotadas de forma definitiva pela empresa.

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No meio deste ano, o Netflix começou a separar os perfis de cada indivíduo que tem acesso à conta da família. A ideia é que o sistema de recomendação do pai, que adora documentários sobre história, não seja contaminado pelos shows de standup comedy do filho adolescente. Ou pelos filmes de princesa da Disney da filha. Cada pessoa terá um perfil e, consequentemente, um sistema de recomendação individualizado. Uma das cobaias preferidas é o Brasil. O país foi o primeiro que não tinha o inglês como língua oficial a receber o serviço, em 2011. O pioneirismo veio acompanhado de uma série de problemas, como as legendas que não faziam o menor sentido, com erros de português e que muitas vezes estavam fora de sincronia com o que o ator falava. Isso quando havia legenda. Outra reclamação dos primeiros

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assinantes era a oferta limitada de conteúdo e os filmes muito antigos. “Quando chegamos ao Brasil, dissemos que o Netflix seria um trabalho em progresso”, afirma Friedland. A impressão ruim demorou a ficar para trás, mas agora o serviço começa a ganhar corpo. Hoje, o Brasil é um dos principais mercados da empresa. A segunda inovação introduzida em primeira mão no país foram os conteúdos locais e exclusivos, como o programa A Toca. Nos próximos meses, o Netflix se prepara para trazer mais uma novidade: o pagamento por cartão de débito. “Há no país uma cultura de não utilizar cartão de crédito”, afirma Richard Greenfield, analista do instituto TIG Research. No Brasil, a assinatura custa 16,90 reais e permite ao espectador assistir a filmes e a séries de forma ilimitada em até três telas simultâneas. Quem acompanha o bom momento do Netflix não imagina que há dois anos a empresa passou por uma grave crise. Fundada em 1997 por Reed

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A BASE DO SUCESSO

PARA OFERECER SEU SERVIÇO SOB DEMANDA, A EMPRESA SE BASEIA EM TECNOLOGIA, CONTEÚDO DIFERENCIADO E ALGORITMOS EFICIENTES

Tecnologia Os filmes e as séries rodam no serviço de cloud computing da Amazon.com. Os engenheiros do Netflix desenvolvem soluções para fazer com que o streaming tenha velocidade e qualidade. Algumas dessas novidades são levadas para outros clientes da Amazon.

Algoritmos Todas as decisões da empresa têm como base algoritmos sofisticados. Do tipo de série que vai produzir ao filme que vai sugerir a cada assinante, passando pela decisão de quais servidores receberão determinados filmes de acordo com a audiência em cada país.

Conteúdo No início da operação, o Netflix só licenciava conteúdo de estúdios e canais de TV. Nos últimos meses, passou a licenciar com exclusividade e a produzir as próprias séries. A ideia é vendê-las para canais de TV em países onde a empresa ainda não está presente.

ILUSTRAÇÃO WAGNER RODRIGUES

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EM CARTAZ NA SUA SALA DE TV

AS RECENTES APOSTAS DO NETFLIX PARA ATRAIR NOVOS ASSINANTES

Orange Is the New Black A trama tem como base o livro da escritora Piper Kerman e se passa numa penitenciária. No elenco está Jason Biggs, do filme American Pie

House of Cards Primeira série para a internet a ser indicada ao Emmy, o Oscar da TV. Com Kevin Spacey no papel de um político, terá segunda temporada

A Toca A primeira série brasileira exclusiva do serviço. Criada pela Parafernalha, produtora de Felipe Neto, estreou em agosto

Hastings e Marc Randolph (que deixou o cargo dois anos depois) para distribuir DVDs de filmes, logo ficou claro que o Netflix não chegaria longe se não diversificasse a atuação. Naquela época, uma nova tecnologia dava seus primeiros passos: o streaming de vídeo. Hastings passou então a oferecer aos clientes as duas opções: o DVD físico e o vídeo pela web. O negócio prosperou, ajudou a acabar com o negócio das locadoras (a Blockbuster foi uma das que minguaram) e fez de Hastings o melhor executivo de 2010 no ranking da revista americana Fortune. Um ano depois veio a derrocada. Hastings anunciou que, para continuar com os dois serviços, os assinantes teriam de pagar duas mensalidades de 7,99 dólares, uma pelo streaming, e outra pela entrega dos DVDs. Isso representava um aumento de 60%. “Acreditamos que pelo menos um ou mesmo os dois planos façam sentido para os assinantes”, disse à época Jessie Becker, então vice-presidente do Netflix. A história tratou de provar que ele estava errado. O aumento não foi bem recebido pelos assinantes. Nos meses que se seguiram ao anúncio, mais de 800 000 pessoas cancelaram o plano. A empresa recebeu e-mails furiosos dos usuários. “A declaração de Jessie Becker sobre o aumento na mensalidade insulta minha inteligência e revela o tamanho de sua arrogância”, escreveu um deles.

A perda de assinantes fez com que Hastings publicasse uma carta de desculpas no blog da empresa e gravasse um vídeo para explicar os motivos da decisão. Nele, diz que nunca quis aumentar os lucros ao anunciar o aumento dos preços. “Estávamos focados em virar a maior empresa de streaming de vídeos do mundo”, disse o presidente. O aumento da mensalidade foi cancelado. Mas algum tempo depois Hastings viu subir o tom das críticas ao anunciar que dividiria a empresa em duas e que o serviço de entrega de DVD por correio se chamaria Qwikster. Virou motivo de piada. O programa humorístico americano Saturday Night Live fez esquetes ironizando o anúncio e, principalmente, o nome da nova empresa. A reação de Wall Street seguiu na mesma linha. O valor das ações do Netflix despencou mais de cinco vezes e atingiu a marca de 53 dólares em setembro do ano passado. Muitos investidores queriam a cabeça de Hastings. Hoje já se sabe que a crise ficou para trás e que Hastings é novamente um dos empreendedores queridinhos do Vale do Silício. Nascido em 1960 e criado em Belmont, subúrbio de Boston, ele sempre gostou de se aventurar em passeios pela natureza. Por meio do Outing Club, organizava viagens para fazer escaladas e canoagem. Por seis semanas, participou de um treinamento com o Exército americano e acabou se juntando a uma missão de paz que tinha como objetivo dar aulas de matemática para crianças carentes na Suazilândia, pequeno país no sul da África. Voltou para os Estados Unidos e se matriculou no curso de ciência da computação da Universidade Stanford, uma

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das mais prestigiadas do país. Criou sua primeira empresa, que batizou de Pure, para fazer ferramentas para desenvolvedores de software que usavam o sistema operacional Unix. A empresa cresceu rapidamente e passou a dobrar de tamanho todos os anos durante a década de 90. Logo foi comprada, por 750 milhões de dólares, pela Rational Software. Aos 37 anos, Reed Hastings se tornou multimilionário, mas percebeu que havia criado uma empresa da qual não queria mais fazer parte. O motivo? Ela não tinha uma cultura forte. Muitos anos mais tarde, o Netfix seria considerado o emprego dos sonhos para quem trabalha com tecnologia e entretenimento nos Estados Unidos. Duas coisas funcionam como ímãs de talentos: a cultura da empresa e seus benefícios. Em 2005, Hastings não estava satisfeito com o algoritmo usado para indicar flmes para os assinantes. Resolveu criar uma competição que pagaria 1 milhão de dólares aos vencedores. O time que embolsou o valor era formado por um coletivo de engenheiros de várias partes do mundo. Mais do que um algoritmo novo, a ideia trouxe para a empresa a aura de lugar fértil para a criação. O pacote de benefícios também é atraente. A começar pelos salários, até 20% maiores do que os pagos por outras empresas de tecnologia dos Estados Unidos, incluindo gigantes como Apple, Google e Facebook. E o que é melhor: férias ilimitadas para os funcionários. Isso mesmo. Quem quiser pode

tirar seis meses para viajar durante o ano. Mas desde que dê conta do trabalho e entregue tudo no prazo. O modelo de negócios do Netflix, eleito uma das três empresas de entretenimento mais criativas do mundo pela revista americana Fast Company, virou inspiração para muitos outros empreendedores. A indústria da música, por exemplo, tem uma série de serviços de sucesso com uma lógica parecida à do Netflix. O caso mais emblemático é o Spotify. O assinante paga uma mensalidade para ouvir um acervo de mais de 20 milhões de músicas no Spotify. A diferença? É possível baixar as canções e ouvi-las ofine em seu aparelho, e não apenas por streaming de áudio.

Com os holofotes da indústria do entretenimento voltados para Los Gatos, na Califórnia, onde está instalada a sede do Netflix, muita gente se pergunta o que vai acontecer com a empresa nos próximos anos. Alguns apostam que os canais a cabo tradicionais, como Warner, Showtime e AMC, vão parar de licenciar conteúdo para o serviço. Afnal, ele é responsável por roubar audiência desse canais. “O Netfix sempre foi uma empresa de distribuição, primeiro de DVDs e, depois, de streaming de vídeo”, diz Srinivasan, professor de Harvard. “É difícil dizer até que ponto ela vai conseguir competir com os grandes estúdios de filmes.” Outra concorrência está nas gigantes de tecnologia,

O serviço chegou ao Brasil com pouca oferta de conteúdo e flmes antigos. Hoje o país é um dos principais mercados e o primeiro a ter uma série local e exclusiva O Spotify, que está chegando agora ao Brasil, foi seguido pelos serviços Rdio e Deezer, que já fazem sucesso aqui. Recentemente, uma startup americana anunciou o Netflix dos livros. Batizado de Oyster, o serviço cobra do assinante 9,95 dólares ao mês para baixar quantos livros quiser, num acervo de mais de 100 000 títulos. Ainda em teste, o Oyster está limitado aos donos de iPhones que recebem convite ou se cadastram no site para solicitar acesso.

como Amazon, Apple e Google, que também enxergam no flão um negócio lucrativo. Um ponto a favor das empresas high-tech: elas têm mais dinheiro para investir. Mas entre os entusiastas do Netflix a percepção é outra. Eles se questionam se o serviço provocará na indústria do entretenimento o mesmo efeito devastador que gerou nas locadoras de filmes. Ainda é cedo para apostar. Mas a história diz que é bom os estúdios e os canais de TV se cuidarem para não virar mais uma vítima do Netflix. Afinal, como diz o ator Kevin Spacey, “o público quer o controle, quer ter liberdade”. Isso o Netflix entrega, e bem. ↙

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FIQUEI 30 DIAS SEM GOOGLE ...E SOBREVIVI PARA CONTAR DIA 20 | 16:52

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JÁ IMAGINOU PASSAR UM MÊS SEM A BUSCA MAIS ACESSADA DA INTERNET? OU SEM GMAIL E YOUTUBE? FOI O QUE VIVEU NOSSA REPÓRTER. VEJA AQUI OS SERVIÇOS QUE ELA USOU E COMO FOI A EXPERIÊNCIA ≥ POR PAULA ROTHMANN

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O GOOGLE É A EMPRESA

digital com o maior número de usuários no mundo. Em um mês, mais de 1 bilhão de pessoas acessam seus serviços. Elas fazem 100 bilhões de buscas e assistem a 6 bilhões de horas de vídeo no YouTube. Em 30 dias, pelo menos 20 milhões de novos telefones com Android são ativados, aumentando a base de usuários do sistema operacional móvel mais popular do planeta. No mesmo período, dezenas de novas ideias são pensadas pelos cientistas do Google X, laboratório da empresa responsável por projetos como o Google Glass. Em um mês, o Google move o mundo. E minha missão foi passar esse tempo longe de todos os seus serviços. O motivo da pauta não era torturar uma colega. Queríamos, aqui na INFO, ver até que ponto o Google é onipresente no dia a dia e experimentar alternativas a seus serviços. Passei os 30 dias testando dezenas de sites e programas para selecionar as melhores opções além Google. Na jornada, conheci um americano que há 16 meses aboliu a empresa de sua vida por não confiar em sua política de segurança. “Por questões de privacidade, me divorciei do Google”, diz Tom Henderson. A conversa com ele quase me deixou paranoica com

a segurança pessoal. Mas confesso: o que senti no início do período sem Google foi uma síndrome fortíssima de abstinência. Tinha certeza de que seria capaz de matar um para acessar o YouTube. No fim do processo, concluí que passei por uma variante do que a psicologia chama de estágios do luto. Quem ficou curioso pode dar um Google para ver quais são os estágios originais. Ou, quem sabe, depois de ler as próximas páginas, experimentar o buscador DuckDuckGo.

ESTÁGIO 1_ NEGAÇÃO NÃO SINTO A SUA FALTA, GOOGLE “Vai ser fácil, não sou dependente de nenhum serviço da web.” Repeti o mantra mentalmente por três dias para me convencer de que abrir mão do Gmail e da busca do Google não seria o fim do mundo. Se meu celular usasse Android ou fosse um Motorola, que vendeu a divisão de celulares para o Google, teria sido bem mais difícil crer no mantra. O primeiro passo foi abandonar o Google Chrome, o navegador mais popular do mundo, com 750 milhões de usuários. Instalei o Firefox no PC

de casa, o Internet Explorer e o Opera no computador da redação e adotei o Safari no iPad. Algo quase ia passando despercebido: mudar a configuração de busca desses browsers. Ao digitar na barra de navegação do Firefox, Opera ou Safari, o sistema padrão usa o Google para as pesquisas. Configurei para o Bing, da Microsoft, e, só para garantir, colei um post-it no monitor com o lembrete “Google, não”. Com modificações feitas pelo Luiz Cruz, engenheirochefe do INFOlab, minha máquina passou a bloquear o Google sozinha. De forma simplificada, Luiz fez com que todos os endereços ligados ao Google fossem redirecionados para uma única página, a home do site da INFO. A lista bloqueada continha mais de 5 000 domínios ligados ao Google. Eles incluem, por exemplo, as páginas de buscas dos países (google.com, google.com.br) e os serviços ligados à empresa (YouTube, Picasa, Google+). Se quiser repetir a experiência, veja como fazer esse tipo de bloqueio em info.abril.com.br/extras. Além de impedir trapaças, a manobra bloqueia serviços invisíveis do Google, como AdSense e Analytics. Maior plataforma de publicidade online do mundo, o AdSense remunera quem coloca anúncios em sites,

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vídeos e blogs. Seu trunfo é utilizar inteligência para direcionar anúncios conforme o perfil do usuário. Para isso, usa informações sobre quem está visitando a página na hora de mostrar uma oferta de sapatos, por exemplo. O Analytics é o serviço de métricas mais usado da web, presente em mais de 10 milhões de páginas. Com ele, os sites sabem de onde vem o tráfego e enxergam a audiência em detalhes, com informações como gênero e plataforma de acesso dos visitantes. Os dados são usados para conhecer melhor o público, mas também servem para vender anúncios. “No mundo real, uma loja precisaria de muitos aparelhos e muitas pessoas para rastrear dados sobre seus clientes. Mas no online o Google coleta essas informações sem que as pessoas percebam o que está acontecendo”, disse a INFO Benjamin Edelman, professor da Universidade Harvard e pesquisador nas áreas de publicidade online e proteção do consumidor. Para completar a blindagem, instalei também o AdBlock, plugin que bloqueia publicidade nas páginas. A dificuldade de se esconder dos serviços da empresa foi o primeiro sinal de que os próximos dias seriam difíceis.

nico que fala inglês tosco?”. Não, não vi. “E aquele vídeo da menina que...”. Já disse que não!!! A completa alienação dos virais do momento veio com a frustração de não poder clicar em vários links ou pesquisar dentro das páginas. Alguns perfis no Twitter, por exemplo, postam com o Goo.gl, o encurtador de URLs do Google, e muitos sites têm suas buscas internas feitas pela empresa. Toda a experiência de usar a internet ficou bagunçada. Para piorar, não podia acessar Gmail, Gtalk ou Google Drive, o serviço de armazenamento que sucedeu o Docs. Como estava ajudando a organizar uma despedida de solteira, fiquei de fora de decisões importantes, pois o planejamento estava no Drive. Com dez mulheres opinando e postando, dá para imaginar a quantidade de alterações diárias feitas em cada documento. No auge da frustração, sonhei que o Google tinha comprado o Facebook e eu estava socialmente isolada do mundo. Percebi que precisava de ajuda urgente. Dei um Bing e encontrei no Twitter alguém passando pelo mesmo processo, só que há muito mais tempo.

ESTÁGIO 2_ RAIVA VIREI UMA OSTRA

Há 16 meses, o americano Tom Henderson decidiu viver sem o Google. Diretor do ExtremeLabs, Inc, um laboratório de testes de hardware e software em Indiana, nos Estados Unidos, Henderson tem 30 anos de experiência no mundo da tecnologia. Para proteger seus dados, desistiu até mesmo de enviar e-mails a amigos que usam o Gmail. “Todos os serviços da empresa estão colhendo suas informações para criar verdadeiros dossiês”, diz Henderson.

Em uma semana sem YouTube, me senti isolada em uma concha. É impressionante como os assuntos do dia giram em torno de vídeos compartilhados nas redes sociais ou postados em sites e blogs. “Viu o último da Porta dos Fundos?”. Não. “Sabe aquela nova versão da campanha do téc-

ESTÁGIO 3_ PARANOIA ELE ESTÁ EM TODO LUGAR

GHOSTERY

VIGIE OS ESPIÕES O GHOSTERY É FÁCIL DE INSTALAR E MOSTRA OS SITES QUE ACESSAM SEUS DADOS AO NAVEGAR

>>> Um fantasma azul, ao estilo dos monstros Pac-Man, vigia quem acompanha seus rastros na web. O ícone instalado do lado direito da barra de navegação é o símbolo do Ghostery, um plugin que alerta sobre a quantidade de empresas que acompanham seus passos online. Fácil de instalar, ele funciona no Chrome, Firefox, IE, Opera e Safari. A cada site acessado, o plugin mostra um número sobre o ícone do fantasma, indicando qua ntos rast readores detectaram seus passos. Ao navegar no site do jornal inglês The Guardian, por exemplo, ele apontou 12 rastreadores, como Google AdSense, Facebook Connect e Omniture, serviço de análise de audiência da Adobe. Clicando nos nomes, o Ghostery mostra um resumo de cada empresa. Se desejar, o usuário pode bloquear cada rastreador individualmente.

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PARA VIVER SEM O GOOGLE

Conheça boas alternativas a vários serviços, Como busCa, mapas e e-mail

vídeos

de pegadinhas a notícias, o dailymotion reúne diferentes tipos de conteúdo em vídeo e tem versão em português

serviço artístico e bem acabado, o vimeo tem material com melhor qualidade visual e uma ferramenta de música para enriquecer os vídeos

maPas

o serviço de mapas do apontador funciona em quase todo o Brasil e mostra as condições do trânsito ao redor da rota traçada

os mapas do serviço da nokia são rápidos de acessar e permitem visualizar a rota também no modo 3d ou com imagens de satélite

agenda

de páginas web favoritas a fotos de cartões de visita, tudo fca organizado. Permite fazer listas de compras, marcar tarefas e receber alertas de compromissos no desktop ou no smartphone

Busca

não armazena dados dos usuários e não utiliza fltros personalizados. isso afasta resultados viciados e mostra links mais variados e interessantes

tradução

Ótimo para expressões e termos, mostra dezenas de contextos em que palavras ou frases são usadas em outro idioma

em outubro, com o lançamento do Windows 8.1, as buscas por arquivos dentro do Pc trarão como resultado também informações de sites e serviços da web

armazenamento

navegador sincroniza arquivos entre infnitas máquinas e tem 5 gB de armazenamento gratuito. Basta baixar o aplicativo e arrastar o que deseja para as pastas versão do Firefox modifcada pela empresa de segurança comodo, o icedragon tem vários fltros extras de proteção contra sites maliciosos

e-mail

o outlook tem uma ótima agenda e a vantagem de se integrar a serviços populares da microsoft, como o skype

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Pode parecer exagero, mas, depois das revelações de Edward Snowden sobre a espionagem da NSA, todo cuidado é pouco. Para o professor Benjamin Edelman, da Universidade Harvard, a preocupação tem, sim, fundamento. “As pessoas não deveriam confiar cegamente nas promessas de privacidade do Google”, afirma Edelman. Em uma de suas pesquisas, o professor demonstrou que a empresa monitora a navegação mesmo depois de o usuário ter informado que não gostaria de ser rastreado. O estudo foi feito com o Google, mas quem quer blindar completamente seus dados precisa tomar cuidado com todas as empresas digitais. “A solução é ler atentamente os termos de uso e a política de privacidade dos serviços”, diz Tom Henderson. No auge de meu surto paranoico, decidi estudar todos os contratos das empresas de internet de uma só vez. Não tente fazer isso em casa. É assustador. “Eles são difíceis, enormes e é quase impossível que um consumidor comum entenda o que está escrito”, diz a americana Andrea Matwyshyn, advogada e pesquisadora do Centro para Internet e Sociedade da Universidade Stanford. Depois de muito trabalho, aceitei o fato de que a grande maioria desses contratos não foi feita para ser compreendida pelos usuários. Além disso, não eram apenas os termos do Google que davam margem para o uso dos dados. Seria necessário fazer grandes mudanças se quisesse realmente blindar minhas informações.

Substituir o mecanismo de busca do Google parece impossível, mas há boas opções, como o DuckDuckGo, que traz coisas novas e não rastreia o usuário

ESTÁGIO 4_ ACEITAÇÃO O meiO-termO existe. e é bOm Até certo ponto, estou disposta a fazer essa troca dos dados pessoais por serviços de qualidade. Mas ter consciência de que se trata de uma troca é importante. Uma forma simples de fazer isso é usar serviços que detectam quem está te rastreando. Recomendo o Ghostery, uma descoberta bacana. No início dos dias sem Google, sofri para me desapegar. No geral, os navegadores eram mais lentos que o Chrome, mas gostei de testar um browser chamado IceDragon. Versão modificada do Firefox, foi criado pela empresa de segurança Comodo e vem com vários filtros extras de proteção. Substituir o buscador do Google foi mais estranho, especialmente porque costumo permanecer logada em minha conta da empresa durante as pesquisas. A primeira impressão foi que outras ferramentas exigiam várias combinações diferentes de palavras e que nenhuma delas entendia exatamente o que eu queria descobrir. Uma exceção foi o DuckDuckGo. Ele tem como diferencial o fato de não armazenar dados. Além disso, não usa o chamado “filtro bolha”, que dá ao usuário resultados

relacionados ao que ele já buscou. A sensação é de encontrar coisas novas e interessantes. O DuckDuckGo sugere ainda uma lista de sites sobre o assunto procurado. Vale experimentar. Também são muito bons os resultados de notícias em português no Bing. O buscador da Microsoft passou por um upgrade, em setembro, para ser integrado a todas as plataformas da empresa. “Na versão para Windows 8.1, que sai em breve, o usuário verá os resultados da busca nos arquivos que estão em sua máquina e em links da web”, diz Haryston Oliveira, coordenador do grupo de trabalho do Bing na Microsoft Brasil. Sem poder usar o YouTube, passei mais tempo no Vimeo, um excelente serviço. A plataforma foi criada por um grupo de cineastas e recebe diariamente 16 000 novos vídeos. O saldo final dos 30 dias sem Google foi positivo, principalmente porque, no processo, descobri que evitei passar vergonha. Soube que o documento “Despedida de Solteira”, que minhas amigas atualizavam no Google Drive, reuniu fotos de possíveis strippers masculinos para a festa. Como usava o Cubby, um serviço alternativo de armazenamento e sincronização de arquivos, passei longe dessa discussão. Tem horas que é melhor mesmo estar fora do mainstream. ↙

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CADÊ O MOTORISTA?

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TEST DRIVE

Nosso repórter em passeio no carro autônomo da USP, no campus de São Carlos (SP)

PESQUISADORES DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO CRIAM CARRO AUTÔNOMO INSPIRADO NO GOOGLE. E A TECNOLOGIA JÁ COMEÇA A SER USADA EM TRATORES ≥ POR FABIANO CANDIDO ≥ FOTOS LUIZ MAXIMIANO Outubro 2013 INFO

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Ô “Ô moleque! Pare de brincadeira, sente na frente e dirija esse carro.” A senhora que aguarda para atravessar a principal avenida do campus II da Universidade de São Paulo (USP), na cidade paulista de São Carlos, parece não acreditar no que vê. Um carro andando sozinho, sem motorista. O veículo para e mesmo assim ela hesita em atravessar. Comenta com duas amigas: “Carro com motorista já mata muita gente, imagine um que anda sozinho”. O professor Denis Wolf está acostumado a esse tipo de comentário. Titular da disciplina de sistemas de computação da USP de São Carlos e um dos inventores do carro, Wolf diz que surpresa e medo são as reações mais comuns das pessoas que veem um carro autônomo pela primeira vez. “Mas, quando o mundo tiver 100% de carros-robôs nas ruas e estradas, acidentes serão raros”, afirma Wolf, que faz a previsão com

a seriedade de quem estuda robótica há mais de dez anos e, há quatro, se dedica a pesquisar e desenvolver tecnologias para aposentar o motorista. O projeto CaRINA (Carro Robótico Inteligente para Navegação Autônoma) conta com cerca de 15 pesquisadores da universidade. Numa manhã fria em São Carlos, cidade distante 230 quilômetros da capital, Wolf recebeu a INFO para mostrar como funciona um de seus últimos inventos, o CaRINA II, um Fiat Palio Adventure Dualogic 2011 capaz de rodar sem a intervenção de humanos. Acompanhado de uma equipe de engenheiros e cientistas da computação, todos alunos da USP, Denis Wolf aponta o teto do veículo, no qual estão instaladas algumas câmeras e objetos parecidos com antenas. “Essas coisas são sensores que funcionam como os olhos do motorista.

Com a ajuda de um sistema a laser, elas fazem um mapeamento do que se passa em 700 000 pontos num perímetro de 100 metros”, afirma Wolf. Ele pede para um dos pesquisadores abrir a porta do bagageiro, onde fica um PC cujos cabos estão conectados aos equipamentos do teto. “Esse computador roda o sistema Ubuntu e tem um software que é o cérebro do carro. Esse programa, desenvolvido aqui no Brasil por nossa equipe, interpreta as informações captadas pelos sensores, como os obstáculos na rua, as curvas e as guias. Com base nesses dados, ele fala para onde o carro deve seguir”, afirma Wolf. No painel em frente ao banco do passageiro, um monitor exibe, em tempo real, o que está acontecendo ao redor do carro, como os alunos e os curiosos olhando para seu interior. O professor abre o porta-luvas, e outro

taNque-rObô Alunos da USP usam miniaturas para testar a tecnologia

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Acima, sensor que emite laser em 360 graus e detecta pessoas e objetos ao redor do veículo. À direita, a câmera e, abaixo, o PC no painel que processa os dados enviados pelo “computador-cérebro” do carro, para acionar os sistemas de direção, marchas, aceleração e freios

PILOTO TECH

PELO MUNDO

NISSAN E MERCEDES MOSTRAM PROTÓTIPOS

≥ POR FERNANDO VALEIKA DE BARROS, DE FRANKFURT

“Os carros autônomos serão a próxima revolução no mundo dos automóveis e poderão estar nas concessionárias em 2020”, disse o brasileiro Carlos Ghosn, presidente mundial da Renault Nissan no Salão do Automóvel de Frankfurt. O protótipo da Nissan, baseado no modelo elétrico Leaf, é equipado com seis radares, três radiodetectores, cinco câmeras, GPS de última geração, sensores e um computador no bagageiro. A tecnologia está evoluindo rápido. As antenas bandeirosas dos carros do Google ,

por exemplo, já ficaram para trás. No Salão de Frankfurt estava ainda o Mercedes Intelligent Drive, também capaz de acelerar sozinho. O carro passou por um teste decisivo em setembro. Rodou 103 quilômetros, de Mannheim a Pforzheim (Alemanha), sem nenhum humano no comando. “Uma vantagem para essa nova tecnologia é que os carros mais luxuosos da atual geração já são equipados com muitas câmeras e sensores”, afirmou o alemão Dieter Zetsche, presidente mundial da Daimler.

computador aparece. É o equipamento que funciona como o sistema nervoso do carro. Ele recebe e interpreta os dados do chamado “computador-cérebro” e esterça o volante, controla as marchas e acelera e freia quando é necessário. Esse computador faz o CaRINA II andar. O professor liga o carro e convida a reportagem para dar uma volta. Mas, antes, mostra dois botões: um, no painel do carro, desliga o robô e devolve o controle ao motorista; o outro, ao lado da alavanca de câmbio, é vermelho e para o carro imediatamente. Como qualquer motorista, ele não quer ver seu automóvel amassado. “O carro autônomo é tecnicamente seguro, mas, como qualquer tecnologia em desenvolvimento, pode falhar”, diz Wolf. Depois das explicações iniciais, o CaRINA II começa a acelerar e em segundos atinge 25 quilômetros por hora. A velocidade baixa é proposital. Se algo sair errado, o impacto de

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NA SALA DE AULA O professor Denis Wolf e a turma da USP, no campus de São Carlos (SP), que trabalha no projeto do carro autônomo

uma colisão é menor. Conforme vai avançando pelas ruas do campus da USP de São Carlos, cresce no passageiro a vontade de assumir o controle do volante. Isso porque parece que o carro não conseguirá fazer as curvas ou desviar de obstáculos na rua. A sensação de falta de controle do carro é tão grande que, nas retas, a vontade é pisar no pedal de freio ou no acelerador. Sentado no banco de trás, o professor Wolf brinca: “Muitos alunos que participam do projeto não se acostumam com o carro-robô e sentem frio na barriga quando dão uma voltinha”. Eles não são os únicos. É impossível sentir-se seguro dentro de um carro em que o volante

e os pedais de freio e acelerador têm vida própria. Também integrante do projeto CaRINA, a professora Kalinka Castelo Branco diz que os carros autônomos não chegarão ao mercado em menos de uma década. “Para que estejam prontos para andar nas ruas, as cidades devem se tornar digitais”, diz Kalinka. As ruas e as estradas, explica a professora, precisariam ter redes Wi-Fi de altíssima velocidade para enviar

informações de posições geográficas e do trânsito para o veículo saber onde está e para onde deverá seguir. “O GPS atual é muito lento e impreciso para enviar sinais de localização exata e em tempo real”, afirma Kalinka. Os semáforos e as placas de trânsito também deverão ser integrados a uma grande rede e enviar informações aos carros, para que possam respeitar o sinal verde ou vermelho e, ainda, andar na velocidade indicada. “Sem essa grande rede, os carrosrobôs não poderão ser totalmente autônomos e dependerão dos humanos em diversas situações”, diz Kalinka. Em seu laboratório cheio de Kinects, câmeras e robôs construídos com Arduino, o professor Wolf afirma que, antes de o carro autônomo ir para as ruas, a sociedade deverá discutir outras regras de trânsito e criar uma nova legislação. “Se um robô atropela uma pessoa, a culpa é do dono do carro? Da montadora que produziu o automóvel? Ou do desenvolvedor do sistema que pilota o carro?”, diz. Por causa de todas essas indefinições técnicas, o papel do projeto CaRINA não é só criar um sistema totalmente autônomo, e sim desenvolver tecnologias que possam ajudar o motorista a detectar obstáculos, dirigir com mais segurança em

Antes de ter carros autônomos nas ruas, as cidades precisam se tornar digitais, com redes Wi-Fi velozes, placas e semáforos inteligentes ligados em rede

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os principais equipamentos do carro-robô

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Sensor responsável por mapear o que está ao redor do carro. Ele emite um laser em 360 graus e detecta obstáculos como guias

GPS de alta precisão que informa o local exato do carro no globo. Ele é necessário para o carro seguir o caminho indicado em um mapa

Sensor frontal que, com a ajuda de um laser, identifica animais e pessoas e aciona comandos para evitar atropelamentos

Este sensor é uma câmera que capta imagens em 360 graus. É usado para fazer um mapa tridimensional da rua em tempo real

ILUSTRAÇÃO evandro bertol

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estradas e até assumir o controle e estacionar o veículo se o condutor tiver um infarto ou dormir ao volante. “A gente deve melhorar o que já existe antes de automatizar tudo”, diz Wolf. O projeto CaRINA já transferiu tecnologia para uma empresa de tratores chamada Jacto, que produzirá pulverizadores autônomos. “Com nossa tecnologia, os agrotóxicos são aplicados no campo sem a necessidade de um condutor”, afirma Wolf. “Os profissionais terão menos contato com os agrotóxicos.” A USP de São Carlos recebeu cerca de 400 000 reais, nos últimos três anos, para desenvolver o carro autônomo. O dinheiro saiu de agências de fomento, como a Fapesp, e órgãos como o CNPq e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Embarcados Críticos. O dinheiro foi usado para comprar equipamentos — um dos sensores custou mais de 20 000 dólares. Hoje, o maior desafio do grupo não é conseguir investimento, mas obter apoio jurídico para poder testar o carro nas ruas, além de segurar os talentos que desenvolvem as tecnologias embarcadas no CaRINA. “A gente forma especialistas em uma área rica e estratégica, que é a robótica automotiva. Mas eles são assediados pelas montadoras e por empresas que precisam de gente boa e especializada e vão embora”, afirma Wolf. Quando um aluno deixa o projeto, o CaRINA perde ritmo. Mas logo se recupera. Quando passa pelas ruas da USP, o carro-robô encanta os alunos, que pedem para ajudar no projeto. Mas isso não impede que sintam aquele frio na barriga ao dar umas voltas pelo campus no carro autônomo. ↙

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1028874-LOCAWEB SERVICOS DE INTERNET S.A.-1_1-1.indd 72

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SMARTPHONES, TABLETS, ULTRABOOKS PODEROSOS, DRONE, RELÓGIO INTELIGENTE, FORNO ELÉTRICO... TESTAMOS 45 PRODUTOS PARA TORNAR A VIDA DIVERTIDA E PRODUTIVA ≥ POR AIRTON LOPES ≥ CAUÃ TABORDA ≥ LEONARDO VERAS ≥ LUIZ CRUZ ≥ RODRIGO BRANCATELLI ≥ FOTOS RAFAEL EVANGELISTA

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GUIA TECH

PARA TODOS OS GOSTOS

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OS GADGETS TESTADOS PELO INFOLAB PARA ESTA EDIÇÃO LEVAM A TECNOLOGIA PARA O BOLSO, O PULSO, A COZINHA E ATÉ PARA BAIXO D’ÁGUA

A DO EDITOR LH

TV PORTÁTIL O display full HD do Z Ultra também pode ser usado para assistir TV. Mas o sinal recebido é o do padrão 1Seg (240 por 320 pixels)

SMARTPHONE

Xperia Z Ultra

/ SONY Pelo tamanho da tela full HD de 6,4 polegadas, este aparelho com corpo elegante e resistente a mergulhos de até 1 metro e meio de profundidade é um tablet. Mas quem prefere tratá-lo como um smartphone grandalhão não deixa de ter razão, pois o gadget tem conexão 4G para navegar na internet e falar. Para telefonar sem embaraço, o Z Ultra vem com um pequeno acessório Bluetooth com clipe que funciona como handset e pode ficar preso no bolso para estar sempre à mão. No INFOlab, o desempenho do Z Ultra na execução de quase todas as tarefas foi fenomenal. Apenas as câmeras de 8 MP e 2 MP não deixaram excelente impressão, mas são bem funcionais para um tablet.

PARCEIRO VERSÁTIL O Smart Bluetooth SBH52 faz o pareamento com o Z Ultra por NFC, mostra quem está chamando e recebe um fone para ouvir as músicas que estão no aparelho

0,7 cm

18 cm

Android 4.2 / Tela de 6,4” / 4G (LTE) / Snapdragon 800 Krait 400 2,15 GHz quad-core / 16 GB + microSD / Câmeras de 8 MP (1 080p) e 2 MP (1 080p) / 211 g / 22h30min de bateria(1) AVALIAÇÃO TÉCNICA: 8,8 CUSTO/BENEFÍCIO: 6,8

/ R$ 2 599

NOTAS

Impecável 10,0 9,0 a 9,9 Ótimo

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8,0 a 8,9 7,0 a 7,9

Muito bom Bom

6,0 a 6,9 5,0 a 5,9

Médio Regular

4,0 a 4,9 3,0 a 3,9

Fraco Muito fraco

2,0 a 2,9 1,0 a 1,9

Ruim Bomba

0,0 a 0,9

Lixo

Veja os critérios de avaliação em: info.abril.com.br/reviews/notas/

EDIÇÃO DE IMAGEM EDSON MINORU (1) Duração medida com o aparelho em chamada e com o Wi-Fi e o Bluetooth ativados

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2

CÂMERA

D7100 / NIKON Situada apenas um degrau abaixo das câmeras profissionais da Nikon, a D7100 é uma escolha interessante para os amadores mais entusiastas. Seu sistema de autofoco mantém-se rápido e preciso durante situações críticas, como cenas escuras ou de movimento intenso. Contudo, seu modo de disparo contínuo não registra mais de dez imagens, o que limita a utilidade da câmera para fotos de esportes. Nos testes do INFOlab, as imagens impressionaram pelo detalhamento e pelo equilíbrio de cores, mesmo quando a luz ambiente não era favorável. A lente que acompanha o kit é mais versátil do que a média e possui estabilização óptica.

2

24,1 MP / Zoom de 5,8x (18 - 105 mm) / Filma em 1 080p / LCD de 3,2” / 1,8 kg (761 g só o corpo) AVALIAÇÃO TÉCNICA: 8,3 CUSTO/BENEFÍCIO: 6,8

/ R$ 4 469

3

DESKTOP

Union Touch P3250 / POSITIVO Não são apenas os smartphones que estão querendo fazer o papel de tablet. O desktop do tipo tudo-em-um Union Touch possui uma configuração básica para as atividades comuns de um PC de mesa e tela sensível ao toque de 21,5 polegadas de muito boa qualidade. Com isso, basta recolher o suporte que o sustenta em pé para que vire um tablet de mesa. Uma bateria permite desplugar o Union Touch da tomada e usá-lo em qualquer lugar da casa ou do trabalho. No entanto, o peso (4,9 quilos) e a pouca autonomia (44 minutos) desanimam a iniciativa de mobilidade. Pena não ter entrada HDMI para aproveitar a boa tela full HD com outros dispositivos. Tela de 21,5” touchscreen / Intel Core i3 3110M 2,4 GHz (Ivy Bridge) / 4 GB / HD de 500 GB / Vídeo onboard / DVD-RW / Wi-Fi / 4,9 kg / Windows 8 / 44min de bateria(1) AVALIAÇÃO TÉCNICA: 7,5 CUSTO/BENEFÍCIO:6,9

/ R$ 2 999 (1) Duração de bateria medida com o software Battery Eater e o desktop com o Wi-Fi ligado, tela com o máximo de brilho e perfil de alto desempenho no Windows, sem permitir o desligamento de componentes

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TORRADEIRA

Torradeira 4 Fatias / KITCHENAID Com esta

tostadeira que vale por duas, a disputa pela primeira fatia de pão quentinho que sai da máquina será menor no café da manhã. O modelo possui quatro fendas bem largas, cada uma com 3,8 centímetros de largura, e trabalha como duas torradeiras com várias funções especiais em um mesmo corpo, mas com controles independentes. O visor mostra duas contagens regressivas até o pão ficar no ponto e ser erguido. Nos testes do INFOlab explorando os sete níveis de tostagem, a tarefa foi cumprida em tempos entre 1 minuto e 27 segundos e 5 minutos e 24 segundos. Entre os modos de operação, há um para pão congelado e outro para aquecer muffin inglês.

110 ou 220 V / Potência: 1 800 W / 33 x 21 x 30,5 cm / 3,7 kg

4

SOUNDBAR

4

Cinema SB200 / JBL Feita para dar um upgrade no som das TVs fininhas, a soundbar da JBL oferece uma potência sonora seis vezes maior do que a da maioria dos falantes dos televisores de LCD com LED. Nos testes com filmes, o som foi forte e bem definido. Com o modo surround, dá para notar a criação de um campo sonoro mais amplo. Porém, o envolvimento não se equipara ao produzido por um bom home theater. O modelo não reproduz nenhum tipo de mídia e traz apenas duas entradas de áudio e Bluetooth, este usado para receber as músicas de smartphones e tablets, o que foi feito com enorme categoria no INFOlab.

AVALIAÇÃO TÉCNICA: 8,5 CUSTO/BENEFÍCIO: 5,7

/ R$ 849

GPS

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Via 1600 / TOMTOM

120 W de potência / Resposta em frequência: 60 - 20 000 Hz / Saídas: não tem / Entradas: 1 áudio óptica, 1 P2 / Bluetooth / 90,1 x 11,6 x 10,3 cm / 3,5 kg AVALIAÇÃO TÉCNICA: 7,7 CUSTO/BENEFÍCIO: 6,8

A tela de 6 polegadas, o software que roda sem lentidão e o suporte esperto tornam o manuseio do navegador tão bom que ninguém sentirá falta de Bluetooth. / R$ 509

/ R$ 999

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A DO EDITOR LH

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TABLET

Xperia Tablet Z / SONY Com 0,7 centímetro de espessura e 485 gramas, este tablet com processador de quatro núcleos, 4G e tela de 10,1 polegadas full HD é o mais fino e leve de sua categoria. E também o mais preparado para intempéries. Não é o que o bom senso recomenda, mas aproveitar o tablet para filmar e fotografar durante um passeio já não é algo tão incomum. Com o Tablet Z, essas ações podem ser feitas embaixo de chuva e dentro do mar e da piscina. No entanto, como os comandos por toque não funcionam embaixo d’água, ele só faz fotos submarinas em 8 MP e vídeos em 1 080p com a ajuda do timer ou se a gravação for iniciada ainda na superfície. Android 4.1 / Tela de 10,1” / 4G (LTE) / Snapdragon S4 Pro Krait 1,5 GHz quad-core / 16 GB + microSD / Câmeras de 8,1 MP (1 080p) e 2,2 MP (1 080p) / 485 g / 5h26min de bateria(1) AVALIAÇÃO TÉCNICA: 8,7 CUSTO/BENEFÍCIO: 6,8

8

CAIXA DE SOM

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ME

/ R$ 2 599

DESIGN OR LH

PlayUP / JBL Desenvolvida para os smartphones da linha Lumia, da Nokia, a caixa de som sem fio PlayUP tem Bluetooth e possui NFC para facilitar a conexão com os dispositivos compatíveis, inclusive os de outras marcas. No INFOlab, só foi preciso aproximar o celular para estabelecer o pareamento e aproveitar o áudio de boa qualidade, mas com potência modesta. A duração da bateria é muito boa. Nos testes, suportou 7 horas de uso com Bluetooth. A autonomia pode ser ainda maior se a conexão for feita com um cabo P2. O visual é bacana, mas 777 gramas é muito peso para uma caixa de som portátil de 13 centímetros de altura. 3 W de potência / Resposta em frequência: 85 - 22 000 Hz / Bluetooth, NFC / P2 / MicroUSB / 777 g / Bateria interna / 7h (modo Bluetooth) e 10h04min (modo P2) de bateria AVALIAÇÃO TÉCNICA: 8,1 CUSTO/BENEFÍCIO: 7,2

/ R$ 499 (1) Duração medida com o aparelho exibindo vídeo em 720p com Wi-Fi e Bluetooth ativados

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PILOTAGEM A DISTÂNCIA O alcance de comunicação com o controle remoto do drone chega a 300 metros

A DO EDITOR LH

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CELULAR

DRONE

Phantom / DJI Pilotar este drone é divertido, mas ele é muito mais do que um brinquedo. O Phantom usa uma combinação de giroscópio, bússola e GPS para se orientar e manter a estabilidade. Se o vento ameaça atrapalhar a diversão, a aeronave compensa automaticamente a força do ar. Caso a comunicação com o controle seja interrompida, o Phantom retorna sozinho para o ponto de decolagem. Em poucos minutos, dá para entender os comandos básicos, mas um piloto experiente também tem liberdade para personalizar os controles e realizar manobras ousadas. O ruim é a autonomia de apenas 11 minutos. O Phantom leva até 400 gramas de bagagem e vem com um suporte para carregar uma filmadora GoPro.

4 motores / RF de 2,4 GHz / 38,5 x 17 x 38,5 cm / 803 g / 11min de bateria / 4 pilhas AA (controle) AVALIAÇÃO TÉCNICA: 8,7 CUSTO/BENEFÍCIO: 7,3

/ R$ 2 650

SafePhone GC 100 SR / GRADIENTE Projetado para idosos e crianças, tem botão de SOS para disparar mensagem para cinco números prédefinidos contendo as coordenadas geográficas e um link para o mapa do local. / R$ 599

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RELÓGIO

Pebble / PEBBLE TECHNOLOGY Muitas pessoas anseiam por um relógio de pulso inteligente. Tanto que quase 69 mil delas contribuíram pelo site de financiamento coletivo Kickstarter com mais de 10 milhões de dólares para a produção do Pebble. Ligado por Bluetooth, ele funciona como uma extensão do smartphone, vibrando e exibindo em sua tela monocromática alertas sobre ligações, SMS, e-mails e posts em redes sociais, e informações de aplicativos compatíveis. Só que, por enquanto, apps para o Pebble realmente úteis são raros. No INFOlab, os melhores foram o de controle remoto para a câmera do smartphone e os que exibem informações sobre atividades físicas. Ou seja, nada realmente novo. Tela de 1,3” monocromática e-paper / Pebble OS / 32 MB / Bluetooth / Conector magnético / À prova d´água (5 atm) / 36 g / Compatível com dispositivos com Android e iOS / 168h (estimativa) e 72h10min (em uso intenso) de bateria AVALIAÇÃO TÉCNICA: 7,4 CUSTO/BENEFÍCIO: 7,2

/ R$ 699(1)

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NOTEBOOK

VivoBook U38N / ASUS Laptops com processadores AMD são raros no mercado brasileiro, principalmente os modelos como este VivoBook. Ele tem corpo fininho, visual atraente e detalhes bacanas, como tela full HD sensível ao toque, teclado retroiluminado e sistema de áudio com a grife Bang & Olufsen. No INFOlab, a máquina mostrou-se menos ágil na execução de tarefas gerais do que ultrabooks com processadores Intel Core i5, mas não ficou devendo em desempenho quando rodou games. A autonomia da bateria de 1 hora e 54 minutos não chega a ser comprometedora, mas fica distante da alcançada pelos concorrentes mais sofisticados. Tela de 13,3” touchscreen / AMD A8-4555M 1,6 GHz / 6 GB / HD de 500 GB / AMD Radeon HD 7600G 768 MB / 1,6 kg / Windows 8 / 1h54min de bateria(2) AVALIAÇÃO TÉCNICA: 7,9 CUSTO/BENEFÍCIO: 7,7

/ R$ 2 991 (1) Preço praticado no Mercado Livre. É vendido pela internet por 150 dólares, mais taxas alfandegárias e frete (2) Duração de bateria medida com o software Battery Eater e o notebook com o Wi-Fi ligado, tela com o máximo de brilho e perfil de alto desempenho no Windows, sem permitir o desligamento de componentes

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FONE DE OUVIDO

MDR-XB920 / SONY Enquanto os fãs de hiphop e música eletrônica se deleitam com o som deste fone, quem gosta de rock, pop, MPB, jazz e outros estilos torce o nariz para a sua sonoridade. A razão disso são os seus graves super-reforçados. Essa característica torna as batidas eletrônicas intensas, mas faz com que os graves encubram as frequências médias e pareçam abafados em canções de rock. Um atrativo indiscutível é o conforto proporcionado pelas almofadas que se acomodam suavemente sobre as orelhas, moldando-se ao formato do rosto sem exercer pressão. O fone vem com dois cabos, um deles com microfone e controle de reprodução, mas sem ajuste de volume.

Formato on-ear / Headset / Conexão P2 / Cabos de 1,3 m / Resposta em frequência: 3 - 28 000 Hz / Sensibilidade: 106 dB/mW / 319 g AVALIAÇÃO TÉCNICA: 8,6 CUSTO/BENEFÍCIO: 7,2

/ R$ 599

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SMARTPHONE

Optimus G Pro / LG Na configuração exuberante do smartphone com aspiração a tablet da LG, a tela full HD se destaca pelo tamanho e pela qualidade, permitindo que dois aplicativos sejam exibidos simultaneamente em suas 5,5 polegadas. Pena o modelo não vir com uma caneta stylus para o usuário fazer anotações com traços mais precisos no aplicativo QuickMemo. Assim como o desempenho em tarefas mais exigentes, a duração de bateria do Optimus G Pro nos testes foi ótima. A variedade de conexões vai do 4G ao NFC, passando pelo Miracast e o infravermelho, que transforma o aparelho em um controle remoto para TVs e outros eletrônicos. A câmera é boa, mas não está entre as melhores da categoria. Android 4.1 / Tela de 5,5” / 4G (LTE) / Snapdragon 600 Krait 300 1,73 GHz quad-core / 16 GB + microSD / Câmeras de 13 MP (1 080p) e 2 MP (1 080p) / 170 g / 19h51min de bateria(1) AVALIAÇÃO TÉCNICA: 8,6 CUSTO/BENEFÍCIO: 7,2

/ R$ 2 099

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(1) Duração medida com o aparelho em chamada e com o Wi-Fi e o Bluetooth ativados

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BATERIA PORTÁTIL

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Power Tube 4000 / MIPOW

Com capacidade de 4 000 mA/h, a Power Tube faz mais de uma recarga de energia no smartphone e pode ser usada por dois gadgets ao mesmo tempo. / R$ 189

SMART MAGIC O controle move o cursor na tela e envia comandos de voz que substituem a digitação de texto

TV

55LA8600 / LG O controle remoto convencional e o cabo HDMI são

a forma mais simples para comandar a TV e ligá-la a outros aparelhos, mas esta smartTV da LG mostra como, em algumas situações, isso pode ser feito de outras formas bem mais práticas. O Wi-Fi é a ponte para clonar na telona o display de laptops com tecnologia WiDi e de smartphones com a função Miracast, que também realiza o espelhamento em sentido inverso. O controle do tipo apontador facilita a navegação pelos aplicativos e recebe comandos de voz. Outra opção é usar somente as mãos para mudar de canal, aproveitando a capacidade de reconhecimento de gestos do aparelho.

Tela de 55” / Full HD / LCD com LED / 3D passivo, vem com 4 óculos 3D e 2 Dual Play (para games) / Entradas: 4 HDMI, 1 vídeo componente, 1 composto / 3 USB / Ethernet, Wi-Fi / NFC AVALIAÇÃO TÉCNICA: 8,9 CUSTO/BENEFÍCIO: 7,3

/ R$ 6 999

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ACESSÓRIO PARA XBOX

Zoom para Kinect / DAZZ Com estas lentes encaixadas sobre a câmera do Kinect, a distância mínima necessária para o sensor de movimento funcionar no INFOlab caiu de 2,6 para 1,6 metro. / R$ 100

EM AÇÃO

Os acessórios ajudam a aproveitar melhor a filmadora da Sony

NA ÁGUA A caixa estanque para captar imagens embaixo d’água vem com a filmadora.

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FILMADORA

NO CACHORRO Prende a Action Cam no corpo de animais de 15 quilos ou mais. / R$ 159

Action Cam / SONY Concorrente das filmadoras GoPro, a Action Cam produz vídeos de primeira mesmo em situações inóspitas, mas não é a melhor câmera de ação quando a avaliação é por qualidade de imagem. Contudo, ao aliar um bom sistema eletrônico de estabilização à filmagem em full HD a 60 quadros por segundo, ela se torna uma das mais indicadas para capturar cenas com movimento intenso. Mas há uma desvantagem. Para estabilizar o vídeo, a Action Cam precisa diminuir seu ângulo de visão. A filmadora também faz clipes com o recurso time lapse e captura vídeos em câmera lenta. Todas essas funções podem ser controladas por um smartphone conectado por Wi-Fi.

Full HD (1 080p) / 11,9 MP / MicroSD / Não possui zoom / LCD de 1,1” / 87 g / 2h06min de bateria(1) AVALIAÇÃO TÉCNICA: 7,9 CUSTO/BENEFÍCIO: 7,5

/ R$ 999

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NA MÃO Adiciona uma tela de 2,7 polegadas e rosca para encaixe de tripé. / R$ 399

(1) Duração medida no modo de filmagem

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READER

Aura HD / KOBO Depois da iluminação traseira do display para a leitura no escuro, o passo seguinte dos leitores de e-book é a adoção de telas de alta definição. O Aura HD é o primeiro com os dois recursos. A resolução de 1 440 por 1 080 pixels torna a leitura de livros em tons de cinza mais agradável e próxima da experiência com obras em papel. O tamanho da tela deste leitor de livros eletrônicos também supera a dos e-readers comuns. Ela tem 6,8 polegadas e responde muito bem aos toques. A virada de páginas é rápida, mas, apesar de contar com processador de 1 GHz, a fluidez do Aura HD em outras tarefas deixou a desejar nos testes. Tela E Ink de 6,8” / 1 440 x 1 080 pixels / 4 GB / microSD / EPUB, PDF, MOBI, TXT, HTML, XHTML, RTF, JPEG, GIF, PNG,TIFF, CBZ e CBR / Wi-Fi / 12,8 x 17,5 x 1,1 cm / 240 g / 200h de bateria(1) AVALIAÇÃO TÉCNICA: 8,6 CUSTO/BENEFÍCIO: 6,9

/ R$ 659

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DOCK

SoundDock III Black /

BOSE Rádio FM, reprodução de músicas armazenadas em pen drive e conexões sem fio por Wi-Fi e Bluetooth são funções que tornam as docks cada vez mais bacanas. Mas, no final das contas, o que mais interessa ainda é a qualidade do áudio. Pois é apenas neste quesito que a SoundDock se diferencia, com seu som forte e de graves encorpados. Pelado de recursos, o equipamento traz como novidade o conector Lightning, presente no iPhone 5 e nos iPods e iPads mais novos. Porém, o formato da base não permite encaixar os tablets da Apple na dock. A única forma de ouvir as músicas de outros dispositivos é apelando para um cabo P2.

Potência não divulgada / Entrada: P2 / Compatível com iPod e iPhone (conector Lightning) / 2,5 kg AVALIAÇÃO TÉCNICA: 8,1 CUSTO/BENEFÍCIO: 6,5

/ R$ 2 390

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CÂMERA

Instax Mini 8 / FUJIFILM

Como uma Polaroid em miniatura, essa câmera faz relembrar as fotos em papel. As imagens ficam com 6,2 por 4,6 centímetros e são feitas sem ajuda de zoom / R$ 330

(1) Tempo estimado Outubro 2013 INFO

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CÂMERA

Cybershot DSC-TX66 /

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SONY Fotógrafos de smartphone que desejam um pouco mais de versatilidade se sentirão à vontade com esta câmera da Sony e sua tela sensível ao toque. A compacta apresenta alguns truques avançados para a categoria, como a filmagem em alta definição, a 60 frames por segundo. A qualidade de imagem é superior à da maioria dos celulares, mas a máquina tem dificuldades para retratar cenas com muito contraste. Seu maior trunfo é ser leve e compacta o suficiente para acompanhar um smartphone no bolso. A tela touchscreen funciona bem como interface para explorar os recursos, mas sua qualidade visual poderia ser melhor.

NOTEBOOK

Ativ Book 9 / SAMSUNG Com 1,1 quilo, o corpo com estrutura de liga de magnésio deste Ativ Book é o mais leve entre os ultrabooks de 13,3 polegadas que passaram pelo INFOlab. Por pouco o modelo não conseguiu outro recorde, o de bateria mais resistente da categoria. Nos testes, sua autonomia de 2 horas e 40 minutos ficou apenas 6 minutos abaixo da marca cravada pelo Folio 13, da HP. A configuração e a performance são boas, mas não chegam a impressionar. O revestimento fosco que elimina reflexos no display full HD e o teclado com iluminação de fundo tornam o trabalho no portátil confortável mesmo em locais com muita ou nenhuma luminosidade.

18,2 MP / Zoom de 5x (4,7 – 23,5 mm) / Filma em 1080p / LCD de 3,3” / 108 g AVALIAÇÃO TÉCNICA: 7,3 CUSTO/BENEFÍCIO: 7,4

/ R$ 738

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TV

LE1473W / SEMP TOSHIBA

Tela de 13,3” / Intel Core i5-3337U 1,8 GHz (Ivy Bridge) / 4 GB / SSD de 128 GB / Vídeo onboard / 1,1 kg / Windows 8 / 2h40min de bateria(1) AVALIAÇÃO TÉCNICA: 8,2 CUSTO/BENEFÍCIO: 7,4

/ R$ 3 999

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Bem leve e com tela HD de 14 polegadas, esta TV digital funciona ligada na tomada de casa ou na de 12 volts do carro e roda arquivos pela porta USB. / R$ 499

(1) Duração de bateria medida com o software Battery Eater e o notebook com o Wi-Fi ligado, tela com o máximo de brilho e perfil de alto desempenho no Windows, sem permitir o desligamento de componentes

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TECLADO

Wireless Solar Keyboard K760

ESC O

/ LOGITECH

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Feito para trabalhar com Macs, iPads e iPhones, o teclado não precisa de fios nem de bateria. A comunicação é feita por Bluetooth, e a energia é carregada por qualquer tipo de luz. / R$ 359

A DO EDITOR LH

FORNO ELÉTRICO

Cyber Gourmet / GEORGE FOREMAN O Cyber Gourmet é um forno elétrico com sistema de convecção que produz calor com uma lâmpada de halogênio instalada no topo da cuba de vidro que tampa uma forma antiaderente. A circulação forçada do ar aquecido promove o cozimento mais rápido e sela a carne, preservando sua suculência. Outras vantagens do equipamento são o arsenal de acessórios e a função rotisserie, para girar o assado de forma contínua ou intermitente. Com eles, dá para grelhar, fritar sem óleo, fazer seis espetinhos a cada fornada e assar carne em bifes ou em peças. Nos testes, um frango de 2 quilos ficou pronto em 45 minutos, com pele dourada e carne macia. Peças bovinas ficaram deliciosas.

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110 ou 220 V / Lâmpada de halogênio / Potência: 1 200 W / 75 a 195 ºC / Capacidade: 14 l / 9 acessórios para preparo e manuseio de alimentos / 44,4 x 40,8 x 41,3 cm / 4,5 kg AVALIAÇÃO TÉCNICA: 9,0 CUSTO/BENEFÍCIO: 6,7

/ R$ 1 080

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ME

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DESIGN OR LH

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OLHO MÁGICO

EHO 201 / INTELBRAS Com o kit formado por campainha, câmera e display de 2,8 polegadas, você vê quem está diante da porta e registra a presença em fotos ou clipes de vídeo. / R$ 433

DUPLA FACE O controle remoto funciona como um modelo convencional, como apontador com sensor de movimento e como teclado com touchpad

TV

DesignLine 55PDL8908 / PHILIPS Com 1,4 metro de altura e a frente formada por um vidro fumê com degradê do preto ao transparente, na parte abaixo da tela, a DesignLine funde-se ao ambiente como nenhuma outra TV. Quando está apoiada no chão e com a iluminação traseira Ambilight ativada, a sensação em uma sala escura é a de que a TV de 55 polegadas está levitando. Ela exibe imagens em 3D com tecnologia ativa e jogos no modo Dual View Gaming. O legal é que ambos os recursos são aproveitados com os mesmos óculos. O som dos falantes traseiros é acima da média. Os pontos baixos desta TV são a falta de um sintonizador para canais abertos e do aplicativo do serviço Netflix.

Tela de 55” / Full HD / LCD com LED / 3D ativo, vem com 2 óculos / Entradas: 4 HDMI, 1 vídeo componente / 3 USB > Ethernet, Wi-Fi AVALIAÇÃO TÉCNICA: 8,5 CUSTO/BENEFÍCIO: 6,3

/ R$ 9 999

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MOUSE

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Iriscan Mouse / IRISCAN Que tal escanear documentos e fotos como se estivesse passando roupa? Nos testes, funcionou, mas é preciso paciência na operação para ter bons resultados. / R$ 299

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FONE DE OUVIDO

HPH-PRO500 / YAMAHA O visual deste fone lembra o dos cultuados modelos da Beats Audio, mas, no som, a pegada é outra. O áudio é limpo, forte, bem balanceado e sem distorção, com graves profundos que não soam exagerados. A sonoridade se aproxima mais da oferecida pelos modelos de alta fidelidade do que a dos fones especializados em batidas eletrônicas. Apesar de bem acolchoado, o acessório da Yamaha é desconfortável para o uso prolongado. As conchas pressionam a orelha além do desejado. Não é necessário muito tempo ouvindo música para que o pescoço fique fadigado pelos 392 gramas sustentados sobre a cabeça.

Formato over-the-ear / Headset / Conexão P2 (adaptador P10) / Cabos de 1,2 m e 3 m / Resposta em frequência: 20 - 20 000 Hz / Sensibilidade: 106 dB/mW / 392 g AVALIAÇÃO TÉCNICA: 8,1 CUSTO/BENEFÍCIO: 6,7

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/ R$ 1 599 SMARTPHONE

Galaxy S4 Active / SAMSUNG O irmão aventureiro do S4 resiste a mergulhos de até 1 metro de profundidade por meia hora, banhos de poeira e até pancadas. Ele faz tudo isso mantendo o ótimo desempenho para rodar aplicativos e a maioria dos recursos do S4 original. No INFOlab, as diferenças mais evidentes entre eles apareceram nos testes de bateria, em que o Active S4 apresentou uma autonomia 17% inferior, e nas fotos, feitas com uma câmera de 8 MP, ante a de 13 MP do S4. A qualidade de imagem diminuiu, mas, em compensação, o Active S4 ganhou um modo para fotos subaquáticas que transfere os controles da tela para botões físicos e ajusta os parâmetros da câmera para essa tarefa.

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Android 4.2 / Tela de 5” / 4G (LTE) / Snapdragon 600 Krait 300 1,9 GHz quad-core / 16 GB + microSD / Câmeras de 8 MP (1 080p) e 2 MP (1 080p) / 151 g / 16h57min de bateria(1) AVALIAÇÃO TÉCNICA: 8,6 CUSTO/BENEFÍCIO: 7,0

/ R$ 2 299 (1) Duração medida com o aparelho em chamada e com o Wi-Fi e o Bluetooth ativados

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NA MÃO A intensidade da pressão e da vibração exercidas sobre a cabeça é ajustada por controle remoto

CHALEIRA ELÉTRICA

CPK-17

/ CUISINART Cada tipo de chá tem sua temperatura de preparo ideal. Por isso, a chaleira elétrica de 1 500 watts aquece e mantém até 1,7 litro de água em seis temperaturas programadas. / R$ 598

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MASSAGEADOR

iDream3 / BASALL Quem usa o massageador para cabeça iDream3 experimenta duas sensações. A primeira é a de se sentir um membro da dupla Daft Punk, conhecida pelos capacetes futuristas e hits de música eletrônica. A outra é a do relaxamento proporcionado pela combinação de compressão, vibração, ondas eletromagnéticas de alta frequência e calor exercidos sobre a cabeça, o pescoço e a região ao redor dos olhos. A programação é feita pelo controle remoto. Nos testes do INFOlab, a atuação do iDream3 agradou, especialmente no pescoço e nas têmporas. Porém, mesmo regulando o encaixe do acessório, o cocuruto ficou um pouco dolorido depois de sessões mais intensas de massagens.

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5 níveis de pressão / 5 níveis de vibração / 2 níveis de calor / P2 / Controle remoto / Bateria recarregável / 28,2 x 20,6 x 25,4 cm / 1,1 kg AVALIAÇÃO TÉCNICA: 7,8 CUSTO/BENEFÍCIO: 5,7

/ R$ 1 499

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35 VIDEOGAME

Ouya / OUYA Que tal jogar games para Android na TV com um joystick de console? Esta é a proposta do Ouya, um videogame superportátil com configuração de tablet. A ideia é boa, mas a execução nem tanto. Nos testes, vários jogos não ocuparam totalmente a tela de uma TV full HD e apresentaram problemas de fluidez. Por enquanto, só há um título exclusivo para o console, o TowerFall. Jogos comprados na Google Play precisam ser baixados na loja do Ouya e, se for o caso, pagos novamente. Mesmo assim, os games disponíveis são simples e ruins. As maiores vantagens do Ouya acabam sendo rodar emuladores para SNES e PSX e funcionar como media center.

Android 4.1 / Processador Tegra 3 T33-P-A3 Cortex A9 1,7 GHz quad-core / GPU GeForce ULP 520 MHz / 1 GB de RAM / 8 GB / HDMI / MicroUSB / Fast Ethernet, Wi-Fi / Bluetooth / Joystick sem fio / 7,5 x 8 x 7,5 cm / 300 g AVALIAÇÃO TÉCNICA: 7,1 CUSTO/BENEFÍCIO: 7,1

/ R$ 600(1)

34 HOME THEATER

BDV-N9100WL / SONY O som forte, claro e bem distribuído em 5.1 canais deste home theater não aumenta o realismo apenas dos filmes em Blu-ray 3D e nas outras mídias que reproduz. Ativando a função torcida, o modelo altera o áudio das transmissões de futebol pela TV. Dá para ressaltar o barulho dos fãs e eliminar a voz do narrador, por exemplo. O efeito funciona, mas com um truque: o ruído real do público é reforçado com outros gerados pelo equipamento. Assim, mesmo se o estádio estiver vazio, o espectador ouvirá um alarido de arquibancada. O NFC facilita a conexão do smartphone com o home theater, mas só para transmitir o som por Bluetooth.

36 BALANÇA DE COZINHA

Kitchen Scale KS05X / ELECTROLUX

Blu-ray 3D / 5.1 / 850 W / Saídas: 1 HDMI / Entradas: 2 HDMI, 1 áudio óptica, 1 RCA estéreo, 1 P2 / 1 USB / Ethernet, Wi-Fi, Bluetooth, NFC AVALIAÇÃO TÉCNICA: 8,1 CUSTO/BENEFÍCIO: 6,5

Além de pesar alimentos de até 5,2 quilos, ela tem cronômetro com alerta sonoro e conversor de medidas para ajudar no preparo das receitas. / R$ 279

/ R$ 3 499 (1) Preço praticado no Mercado Livre. É vendido pela internet por 99 dólares, mais taxas alfandegárias e frete Outubro 2013 INFO

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SMARTPHONE

L4 II Tri / LG Entradas para mais de um SIM card e TV digital

são dois dos recursos mais desejados nos smartphones intermediários e básicos. Neste modelo da LG, ambos estão presentes. O aparelho funciona com até três linhas telefônicas e é fácil definir qual delas ficará responsável pelo tráfego de dados. O aplicativo de TV é bem esperto. Permite agendar a gravação de programas diários e semanais. Na maioria das atividades, não há problemas frequentes de fluidez. O que mais indica a simplicidade do L4 II Tri é a baixa resolução da tela, de 320 por 480 pixels, e da câmera principal, que fotografa no máximo em 3 MP e filma com qualidade VGA.

Android 4.1 / Tela de 3,8” / 3G / MT6575 Cortex A9 1 GHz / 4 GB + microSD / Câmeras de 3 MP (VGA) e 0,3 MP (VGA) / 135 g / 12h56min de bateria(1) AVALIAÇÃO TÉCNICA: 7,4 CUSTO/BENEFÍCIO: 7,4

/ R$ 549

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NOTEBOOK

IdeaPad Z400 Touch

/ LENOVO Entre força e leveza, este Lenovo com tela sensível ao toque de 14 polegadas prioriza o poder de processamento e a fartura de recursos, como a memória de 8 GB, o disco rígido de 1 TB e o teclado retroiluminado. No INFOlab, ele apresentou um desempenho muito bom, inclusive com jogos, pois tem placa de vídeo dedicada. Sem a obrigação de ostentar um perfil fino, as laterais do notebook oferecem gravador de DVD, três portas USB, uma delas no padrão 3.0, e saídas de vídeo HDMI e D-Sub. A construção é de primeira, mas, com 2,4 quilos, a máquina é bem pesada.

Tela de 14” touchscreen / Intel Core i7-3520M 2,9 GHz (Ivy Bridge) / 8 GB / HD de 1 TB GB / GeForce GT 635M 2 GB / DVD-RW / 2,4 kg / Windows 8 / 1h21min de bateria(2) AVALIAÇÃO TÉCNICA: 8,0 CUSTO/BENEFÍCIO: 7,6

/ R$ 2 599

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(1) Duração medida com o aparelho em chamada e com o Wi-Fi e o Bluetooth ativados (2) Duração de bateria medida com o software Battery Eater e o notebook com o Wi-Fi ligado, tela com o máximo de brilho e perfil de alto desempenho no Windows, sem permitir o desligamento de componentes

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CAIXAS DE SOM

Surround Sound Speakers Z506 / LOGITECH O PC e qualquer aparelho com conexão P2 ganham um som de respeito com este conjunto de altofalantes 5.1 de 150 watts. O duro é acomodar o emaranhado de fios. / R$ 500

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DOCK

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NX-SA1 / JVC Parece, mas não é um liquidificador. Este gadget é uma dock equipada com subwoofer e quatro falantes para espalhar o som pelo ambiente. A qualidade do áudio e a distribuição espacial agradaram bastante nos testes. Os graves são marcantes, e as demais frequências, bem equilibradas. A base com o conector de 30 pinos para iPhone e iPod é retrátil. A dock tem rádio FM e entradas P2 e USB para encaixar pen drives para tocar músicas em MP3 e WMA e carregar smartphones. Infelizmente, a porta USB não permite a reprodução do conteúdo dos aparelhos da Apple com conector Lightning e de iPads de qualquer geração.

40 W de potência / Entradas P2, USB / Saídas: vídeo composto, P2 / Compatível com iPod e iPhone (conector de 30 pinos) / Rádio FM / 2,7 kg AVALIAÇÃO TÉCNICA: 8,1 CUSTO/BENEFÍCIO: 7,7

/ R$ 910

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FONE DE OUVIDO

HD 700 / SennHeiSer Como esperado de um fone de alta fidelidade, o HD 700 não decepciona quem se dispõe a investir 4 699 reais para ter os ouvidos tomados por um áudio limpo e rico em detalhes. Nos testes do INFOlab, ele reproduziu de forma equilibrada todas as frequências, especialmente as agudas. Apesar de grandalhão, o fone é leve e muito confortável, graças a uma opção da Sennheiser que divide opiniões. Feito de plástico e dono de um visual arrojado, o HD 700 tem um design que foge do padrão presente nos similares para audiófilos, onde prevalecem linhas mais elegantes e metal e madeira nobre na construção. Formato over-the-ear / Conexão P10 / Cabo de 3 m / resposta em frequência: 8 - 44 000 Hz / Sensibilidade: 105 dB/mW / 270 g AVALIAÇÃO TÉCNICA: 8,3 CUSTO/BENEFÍCIO: 5,1

/ R$ 4 699

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TABLET

Slate 7 / HP Entre os tablets de tela pequena, o Slate 7 é uma opção mais próxima dos modelos bem basicões do que dos equipamentos mais fortes e sofisticados, como o Nexus 7 e o iPad Mini. Sua configuração é suficiente para executar sem sustos as tarefas comuns. Mas, com games mais exigentes e aplicações que lidam com grande volume de dados, a lentidão aparece. No INFOlab, a autonomia de bateria reduzida foi a mesma observada em seus concorrentes diretos. Os poucos diferenciais do Slate 7 acabam sendo o sistema de som com equalização da Beats Audio, que faz a diferença com fones de ouvido, e o bom acabamento do seu corpo.

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Android 4.1 / Tela de 7” / rockchip rk30 Cortex A9 1,6 GHz dual core / 8 GB + microSD / Câmeras de 3 MP (VGA) e 0,3 MP (VGA) / 363 g / 3h39min de bateria(1) AVALIAÇÃO TÉCNICA: 7,2 CUSTO/BENEFÍCIO: 7,4

/ R$ 699

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ROTEADOR

DIR-505 / D-Link

Plugado diretamente à tomada e ao link de internet cabeada, ele cria uma rede Wi-Fi e compartilha arquivos de pen drives e HDs espetados em sua porta USB. / R$ 194

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(1) Duração medida com o aparelho em chamada e com o Wi-Fi e o Bluetooth ativados

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CÂMERA

X-M1 / FUJIFILM A X-M1 lembra uma câmera

de décadas atrás, mas, por dentro, ela é definitivamente moderna. Graças a um sensor similar ao dos modelos avançados, a câmera produz imagens com cores fiéis e pouco ruído. As fotos podem ser enviadas para um smartphone, tablet ou PC por Wi-Fi. O recurso funciona bem tanto no Android quanto no iOS. A conexão também é aproveitada pela máquina para adicionar informações de localização às fotos obtidas com o GPS do smartphone. Porém, a sincronia por Wi-Fi entre a câmera e outros aparelhos tem limitações. As imagens não são transferidas com resolução máxima e não há um recurso de controle remoto.

16,3 MP / Zoom de 3x (16 - 50 mm) / Filma em 1080p / LCD de 3” / Wi-Fi / 531 g (326 g só o corpo) AVALIAÇÃO TÉCNICA: 7,9 CUSTO/BENEFÍCIO: 7,3

/ R$ 3 599

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MÚSICA

All-Star Guitar / ION AUDIO Do tamanho de um ins-

trumento real, mas com uma construção que não é das mais sólidas, à primeira vista esta guitarra parece um brinquedo dispensável. A ideia é encaixar o iPad ou o iPhone na guitarra e apertar os 84 botões dispostos ao longo do braço para imitar o som de um instrumento de verdade. Bastam alguns minutos com a All-Star Guitar, no entanto, para descobrir as possibilidades de aprendizado. A resposta das notas é veloz e, com a ajuda de um app, dá para aprender acordes básicos e tocar dez músicas gratuitas, como Smoke on the Water, do Deep Purple. Guitarristas experientes podem usá-la como controlador midi.

Compatível com iPad, iPhone e iPod Touch (conector de 30 pinos) / Alto-falante embutido / Saída: P2 / 4 pilhas AA AVALIAÇÃO TÉCNICA: 7,7 CUSTO/BENEFÍCIO: 6,8

/ R$ 559

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CADERNO neSta edição: ESPECIAL TELECOM ESPECIAL ILUMINAÇÃO CORPORATIVA oportunidadeS e ofertaS de produtoS e ServiçoS de teCnolo ia Hardware • Software • ServiçoS • SuprimentoS • CarreiraS e CurSoS • automação

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CADERNO ESPECIAL ILUMINAÇÃO CORPORATIVA | 2

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3 | ESPECIAL TELECOM

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5 | CARREIRAS E CURSOS

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startup-se /

Como muitas pessoas, o administrador de empresas Cesar Carvalho perdeu as contas de quanto dinheiro desperdiçou com mensalidades de academia. “Sempre paguei e nunca consegui frequentar”, diz Carvalho, mineiro de 29 anos que mora em São Paulo. Em 2011, durante o MBA na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, ele decidiu transformar essa desmotivação geral pela malhação em negócio e desenhou o modelo da startup Gympass. “Vendemos diárias avulsas em academias, focando em quem não frequenta todo dia, viaja ou se desloca muito na cidade”, diz Carvalho, que recebeu investimento de três fundos e se prepara para fechar mais uma rodada. O site da Gympass tem 1 000 academias cadastradas em 70 cidades brasileiras. O usuário escolhe por região, selecionando unidades próximas, ou por modalidade, buscando aulas específicas, como ioga, tênis e pole dance. Pagar pela diária pode ser mais econômico do que bancar uma mensalidade e frequentar até duas vezes por semana. A startup também oferece planos para uso ilimitado de unidades e fecha pacotes para empresas. “Sou meu próprio cliente agora”, afirma Carvalho. “Vario o lugar da musculação conforme a agenda de reuniões pelo país. Acabaram as desculpas para não ir à academia.”

Agradecimentos: Monday Academia e Track & Field

trabalho suado/

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OUT - 334  

Revista INFO 334, de OUTUBRO de 2013

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