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especial Arquitetura


Editorial

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Pedro Salanek Filho pedro@geracaosustentavel.com.br Diretora Administrativa e Relações Corporativas

Giovanna de Paula

giovanna@geracaosustentavel.com.br Projeto Gráfico e Direção de Arte

Marcelo Winck

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Jornalistas: Bruna Robassa e Karina Kanashiro redacao@geracaosustentavel.com.br Revisora

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assinatura@geracaosustentavel.com.br Fale conosco

contato@geracaosustentavel.com.br Impressão Gráfica Capital ISSN nº 1984-9699 A impressão da revista é realizada dentro do conceito de desenvolvimento limpo. O sistema de revelação das chapas é feito com recirculação e tratamento de efluentes. A revista é produzida com papel certificado. O resíduo das tintas da impressora é retirado em pano industrial lavável, que é tratado por uma lavanderia especializada. As latas de tintas vazias e as aparas de papel são encaminhadas para a reciclagem. Em todas as etapas de produção existe uma preocupação com os resíduos gerados.

Revista Geração Sustentável Publicada pela PSG Editora Ltda. CNPJ nº 08.290.966/0001-12 - Rua Bortolo Gusso, 577 - Curitiba - PR - Brasil - CEP: 81.110-200 Fone: (41) 3346-4541 / Fax: (41) 3092-5141

www.geracaosustentavel.com.br A revista Geração Sustentável é uma publicação bimestral independente e não se responsabiliza pelas opiniões emitidas em artigos ou colunas assinadas, por entender que estes materiais são de responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução, apropriação, armazenamento de banco de dados, sob qualquer forma ou meio, dos textos, fotos e outras criações intelectuais da revista GERAÇÃO SUSTENTÁVEL são terminantemente proibidos sem autorização escrita dos titulares dos direitos autorais, exceto para fins didáticos. As fotos dessa edição recebem o crédito de divulgação. Entrevistado Jeferson Navolar (crédito foto: Lígia Lagos). Imagens nova sede do CAU/PR (crédito: Iris Alessi). Tiragem da edição: 15.000 exemplares - 33ª Edição - maio/junho - Ano 7 - 2013 As matérias destacadas com o selo "Parceria Geração Sustentável" referem-se à conteúdos elaborados em parceria com empresas ou instituições que possuem projetos socioambientais. Tanto a divulgação dos projetos quanto a distribuição dos exemplares são efetuadas de forma conjunta, pela revista e pela empresa mencionada

Arquitetura e Urbanismo: Uma edição especial Para uma revista que trata tanto de sustentabilidade para a sociedade, estava mais do que na hora de divulgarmos um conteúdo específico para a área de arquitetura e urbanismo. Essa área tem repensado os sistemas construtivos para a redução dos impactos socioambientais em todo o processo, desde a concepção até a utilização do espaço. Nesse contexto, é oportuno, enaltecermos um comentário de um dos nossos entrevistados da matéria de capa, o arquiteto Irã Taborda Dudeque: “A arquitetura é a ciência e a arte do ambiente construído”. Nesse sentido, percebemos que o meio urbano, em que vivemos, possui uma relação direta com a área de arquitetura em toda a sua abrangência. Essa área contempla a visão sistêmica do local, harmonizando pessoas, promovendo a mobilidade, o uso de recursos naturais e a estruturação de ambientes construídos (para citar apenas alguns dos fatores que estão interligados). Além de destacar as contribuições dos arquitetos e urbanistas para a sustentabilidade da sociedade, essa edição, que foi elaborada em conjunto com o CAU/PR (Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná), também mencionará a atuação do profissional. O CAU/PR tem atuado fortemente com a criação e disseminação do conceito do Arquiteto Empreendedor, visando principalmente a capacitação profissional para as novas exigências do mercado. Esse projeto está inserido dentro do NESC-CAU/PR, que é o Núcleo de Sustentabilidade, Empreendedorismo e Cidadania da entidade. Pretende-se também promover uma atuação profissional mais proativa para a gestão dos assuntos das cidades e para a manutenção da qualidade de vida e dos recursos naturais locais. Esta edição também destaca a atuação de entidades ligadas diretamente à área de arquitetura, como o SINDARQ/PR (Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas do Paraná), o IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil), a ABAP (Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas) e o FUNSAU (Fundo de Assistência Social dos Arquitetos e Urbanistas). Na editoria Responsabilidade Social Corporativa, o conteúdo produzido, em parceria com o CPCE (Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial), enaltece a importância do planejamento para a implantação e o acompanhamento de projetos socioambientais. A edição conta, ainda, com a descrição de ações e projetos da Itaipu Binacional, da Aliança Paraná Sustentável e do Grupo Plaenge. Boa leitura! Pedro Salanek Filho

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Revista Digital

GERAÇÃO SUSTENTÁVEL

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Sumário

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Anunciantes e Parcerias

02 CS Assistance 06 e 07 Cativa Natureza 15 Banco do Brasil 19 SENAC 21 UNIMED/PR 27 COBEE 31 EBS 35 Berkley 36 e 37 WTC 39 DFD 41 ACP 43 Consult 45 Reciclação 47 EcoBike 49 Civitas 51 INBEC 52 CAU/PR

03 Editorial 08 Espaço Arquitetura 16 Entrevista

Jeferson Dantas Navolar

22 Capa

Arquiteto Empreendedor

32 Responsabilidade Social Corporativa

Implantação de projetos socioambientais requer planejamento

38 Construções Sustentáveis

Integração e sustentabilidade desde a concepção do projeto


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32

38

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40 Responsabilidade Ambiental

Cultivando Água Boa: um exemplo de como trabalhar de mãos dadas

42 Artigo Gestão Sustentável 44 Desenvolvimento Local

Aliança Paraná Sustentável

46 Desenvolvimento Social

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Caixa apoia empreendimentos habitacionais sustentáveis

48 Artigo Talentos Voluntários 50 Artigo Ser Sustentável GERAÇÃO SUSTENTÁVEL

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Sustentando Espaço Arquitetura

Pela sustentabilidade

das cidades O Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas do Paraná – Sindarq/PR tem como missão zelar pelos interesses coletivos e individuais dos seus profissionais arquitetos e urbanistas, buscando aprimorar profissionalmente a sua inclusão ativa na sociedade. Na gestão atual, o Sindarq/PR tem um forte compromisso com a sustentabilidade das cidades. A finalidade de uma construção sustentável não é apenas preservar o meio ambiente, mas também proteger seus ocupantes ou moradores da poluição dos grandes centros urbanos. Uma cidade ou edificação, para ser sustentável, precisa ser saudável. Neste ano, o Sindarq/PR assinou a Carta de Adesão ao Pacto Global da ONU e o Termo de Compromisso com o Programa Aliança Paraná Sustentável, objetivando o desenvolvimento justo, inclusivo, sustentável e da cultura da paz, com reconhecimento, parceria e suporte institucional do Programa de Cidades do Pacto Global. Além de sua participação política em várias esferas de atuação em defesa da sustentabilidade em todas as suas dimensões, o Sindarq/PR também tem o compromisso de organizar eventos e cursos na área, com o objetivo de qualificar e preparar os profissionais e estudantes para atuarem de forma consciente em busca de cidades mais saudáveis e acessíveis.

Concurso público Base brasileira na Antártica

O projeto dos profissionais do Estúdio 41, de Curitiba, coordenado pelo arquiteto Fabio Henrique Faria foi o vencedor do Concurso Estação Antártica Comandante Ferraz, que selecionou o melhor projeto de arquitetura para as novas instalações da base brasileira na Antártica. O resultado foi anunciado em abril pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e pela Marinha. Os vencedores ganharam, além do projeto contratado, um prêmio de R$ 100 mil. Segundo Faria, do Estúdio 41, este é o segundo prêmio conquistado via concurso pelos profissionais da empresa. O primeiro foi em 2011, para construção da sede da Fecomércio, cujo projeto executivo será finalizado até o fim deste semestre. “É sempre um desafio participar de concursos como esse. É também uma forma de conhecer programas diferentes e de trazer projetos diferenciados para a empresa, mas é preciso ter espírito competitivo e ter vontade de fazer um trabalho cada vez melhor”, diz Faria. Com o investimento de R$ 72 milhões, o projeto conta com uma área de 3,2 mil m². A proposta do Estúdio 41 considera a topografia da Península Keller e as necessidades de preservação das áreas de vida animal e vegetal do entorno para implantação dos edifícios. A Marinha pretende iniciar a operação da nova estação até março de 2015. 8

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Foto: Marcio Valle

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Associação Brasileira de

Arquitetos Paisagistas Com quase quatro décadas de existência, a Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas (ABAP) tem como principal meta a promoção desse campo de atuação do Arquiteto e Urbanista, produzindo respostas aos desafios gerados por intervenções sobre a paisagem em suas mais diferentes escalas – desde locais até regionais – e em diversos ambientes – desde naturais até construídos. Nesse contexto, preceitos de sustentabilidade em suas principais vertentes – ambiental, social e econômica – são incorporados, de forma multi, inter e transdisciplinar, nas múltiplas manifestações da Arquitetura Paisagística. Com base na interpretação da paisagem como expressão visual de determinado ecossistema, torna-se evidente a importância da ótica ambiental, com o estabelecimento de medidas desde a conservação da natureza até a prevenção de impactos visuais e a recuperação de áreas degradadas na zona rural e no meio urbano. Por sua vez, o planejamento paisagístico também se apropria dos princípios de reciclagem, reutilização e redução de recursos. O tratamento de áreas livres e espaços abertos – públicos e privados – é usualmente voltado ao usufruto – individual ou coletivo – do homem, oferecendo, nessa vertente social, alternativas de formas e funções associadas à satisfação das pessoas e à qualidade de vida humana. Em qualquer das situações anteriores, o projeto paisagístico traz reflexos imediatos à vertente econômica, gerando significativa valorização de bens patrimoniais e de práticas sociais. Com base nessas assertivas, a ABAP, além das suas atribuições associativas peculiares, promove visitas técnicas, cursos de capacitação e eventos técnico-científicos de aperfeiçoamento, além de exposições, publicações e outras atividades voltadas tanto à atualização profissional, com constante interação entre arte e ciência, quanto à conscientização da sociedade, com permanente valorização da importância da sustentabilidade em paisagens naturais e urbanas.

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Um expert

verde para sua obra Nas universidades, as grades curriculares dos cursos de graduação em Arquitetura não se aprofundam muito no tema das construções ecologicamente corretas e também não promovem relevantes informações sobre o que significa haver nos empreendimentos imobiliários uma certificação como o LEED, situação exigida hoje pelo próprio mercado consumidor, o qual exige mudanças na formação e preparação prática do profissional da área. Na busca por essa formação, tem sido comum recém-formados matricularem-se, logo após a graduação, em uma instituição que promova em seus cursos o conhecimento de experiências práticas de sustentabilidade na construção civil e que seja reconhecida pela sua expertise didática, inclusive por órgãos certificadores, como o Green Building Council - GBC. De olho nesse novo mercado consumidor das construções sustentáveis, que tem crescido em torno de 25% ao ano no Brasil, é cada vez mais comum encontrar profissionais brasileiros que já fizeram os exames de credenciamento LEED GA / AP, a prova do selo americano LEED, e tornaram-se especialistas gabaritados pelo USGBC, o qual desenvolveu técnicas e reparou necessidades das etapas do processo de certificação de construções sustentáveis. É também cada vez mais comum construtoras e escritórios de arquitetura brasileiros, e até mesmo estrangeiros, passarem a exigir de seu corpo técnico projetos já desenvolvidos e preparados para a certificação LEED, o que aumentou a demanda e a necessidade de haver profissionais preparados para essa nova realidade. Para tanto, exige-se que sejam diplomados ou, no mínimo, estejam cursando pós-graduação em Construção Sustentável, bem como saibam desenvolver projetos na área, inclusive adaptados à realidade brasileira. Tal critério exige um bom conhecimento prático dos materiais a serem utilizados, programas específicos de computador e de gestão de obras, além do conhecimento de procedimentos específicos sobre como adequar o empreendimento ao selo verde. Com isso, cursos específicos relacionados a essa demanda devem continuar a aumentar significativamente nos próximos anos. Maiores informações: www.inbec.com.br. 10

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Funsau: uma conquista de todos os arquitetos e urbanistas com mais saúde e benefícios para a classe Preocupado em organizar uma estrutura de proteções social e econômica para gerar segurança e tranquilidade para os arquitetos e urbanistas e para seus familiares, o IAB-PR procurou criar um fundo de assistência que atendesse as necessidades de saúde, moradia, proteção patrimonial e previdência dos seus associados. O melhor caminho para que os profissionais pudessem ter acesso a benefícios que garantissem qualidade de vida, assistência à saúde, segurança e estabilidade financeira seria um modelo que priorizasse benefícios negociados coletivamente, de forma acessível e com a melhor relação custo-benefício possível. Depois de aprofundados estudos na área e em perfeita consonância com a proposta de modernidade objetivada pelo CAU, em 2011, o IAB-PR decidiu pela criação do FUNDO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL DOS ARQUITETOS E URBANISTAS – FUNSAU. Trata-se de uma entidade gerenciada pelo próprio IAB, no modelo autogestionário e que permitiu a viabilização imediata da oferta de um grande número de benefícios com custos significativamente inferiores aos regularmente ofertados no mercado. Graças à parceria desenvolvida com a C. S. ASSISTANCE – Cooperativa de Consumo e Benefícios Sociais e Econômicos, já se encontra disponível para todos os Profissionais e Empresas registrados no CAU o acesso a planos altamente qualificados nas áreas de Saúde com a UNIMED e a UNIODONTO, Previdência com a BRADESCO PREVIDÊNCIA e Consórcio Imobiliário com a EMBRACON, todas empresas líderes de mercado em seus segmentos. Além destes, foram propiciados uma série de outros benefícios voltados à manutenção de altos níveis de qualidade de vida e de segurança profissional. Todos os detalhes sobre o Fundo estão disponíveis no site www.funsau.com.br.

DEPOIMENTOS

““O Modelo Autogestionário permite grande redução de custos para nossos associados e um constante acompanhamento e direcionamento do sistema em prol do interesse da classe.” – Arq. Claudia C. T. Dudeque, Presidente do IAB-PR “Estamos muito animados com a parceria! Com o crescimento das reservas financeiras observado no FUNSAU já podemos vislumbrar brevemente a oferta de novos e mais abrangentes benefícios para os Arquitetos e Urbanistas de todo o país.” – Dr. Marcial Carlos Ribeiro Jr., Presidente da CS ASSISTANCE “Sentimo-nos muito orgulhosos por termos sido escolhidos como parceiros pelo FUNSAU/CS ASSISTANCE. Além de opções que foram especialmente desenvolvidas para a Classe, é uma satisfação para a EMBRACON estar inserida em um processo gerador de qualidade de vida para os profissionais que também é gerador de novos negócios, visto que os clientes dos Arquitetos e Urbanistas também poderão ser clientes da EMBRACON” – Paulo Fagundes, Diretor Comercial/Região Sul. “As atividades do FUNSAU complementam de forma perfeita os objetivos do NESC-CAU (Núcleo de Empreendedorismo, Sustentabilidade e Cidadania do CAU/PR), agregando qualidade de vida e seguranças social e econômica às oportunidades de desenvolvimento do mercado de trabalho objetivadas pelo Núcleo” – Jeferson Dantas Navolar, Presidente do CAU/PR.

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Por que ser sócio do IAB Conheça a história e as principais conquistas dessa entidade centenária

Fundado em 1921, o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), com sua estrutura federativa, é a entidade dos arquitetos e urbanistas com maior presença em nível nacional, sendo o indutor da maior parte das ações em prol da solidificação de manifestações - seja de profissionais ou dos governantes - a respeito de assuntos relacionados à profissão do arquiteto e urbanista e de seu papel na sociedade. Em 1925, o IAB elaborou a primeira Tabela de Honorários para trabalhos de Arquitetura. Em 1936, o Instituto passou a publicar "Arquitetura e Urbanismo", a primeira revista brasileira a respeito dessa temática. Até a década de 1960, a Caixa Econômica Federal só possuía o cargo de Engenheiro e, graças à atuação do IAB, criou-se o cargo de Arquiteto na função pública. Por iniciativa do IAB, os órgãos públicos brasileiros passaram a realizar concursos públicos de anteprojetos de arquitetura, culminando com o concurso que definiu a criação de Brasília, cidade que, por meio do Plano Urbanístico de Lúcio Costa e dos edifícios projetados por Niemeyer, devem imenso prestígio internacional à Arquitetura brasileira. Os concursos públicos para projetos são importantes, tanto para os arquitetos e urbanistas quanto para as cidades e para as pessoas, visto que, no concurso, o valor do projeto já está estabelecido no edital, fortalecendo o pagamento correto dos honorários, valorizando o serviço prestado pelos arquitetos e urbanistas, além do que, no concurso é privilegiada a competência. O IAB possui três linhas de ação para concursos: a primeira é a qualificação da metodologia deles; a segunda é a alteração da legislação em médio prazo, com revisão e colocação clara sobre a maneira de realizar concursos pelos gestores municipais; e a terceira é a divulgação dos concursos entre os arquitetos e, principalmente, para quem vai contratar o serviço. Desde a sua fundação, o IAB realiza grandes eventos internacionais de arquitetura em nosso país: as Bienais Internacionais de Arquitetura e os Congressos Brasileiros de Arquitetura - CBA. Essa atuação colaborou para o reconhecimento do status internacional da Arquitetura Brasileira, sendo o IAB sócio-fundador da União Internacional de Arquitetos - UIA. Também extensa é a lista de ações de cidadania, representando os arquitetos e urbanistas. O IAB era nossa única entidade representativa nacional até o início da década de 1980, quando surgiram os Sindicatos de Arquitetos. As demais entidades, como a ABEA, a FNA e, mais recentemente a ASBEA e a ABAP, vieram lutar conjuntamente pela boa arquitetura e pelos arquitetos. O IAB contribuiu, participando ativamente, na constituição do Ministério das Cidades, na implantação do Estatuto das Cidades, nas Conferências Nacionais de Cidades e de Cultura, na proposição da Lei da Assistência Técnica (Lei Federal nº 11.888/08), que permite aos profissionais atuarem junto à população de baixa renda, na produção de uma arquitetura pública e de qualidade. Também em prol do aprimoramento da arquitetura e da maior representatividade social dos profissionais, a partir de 1958 o IAB reivindicou junto ao poder público o direito da regulamentação da profissão do Arquiteto e Urbanista e a criação do Conselho profissional próprio. A histórica defesa da arquitetura pública de qualidade deu a visibilidade necessária para que o Congresso Nacional e a Presidência da República reconhecessem esta luta. Esse fato resultou na assinatura pelo Presidente Lula, em 30/12/2010, da Lei nº 12.378, a Lei dos Arquitetos. O Departamento do Paraná do IAB foi fundado no mesmo ano em que foi criado o curso de Arquitetura da UFPR, em agosto de 1962. Desta forma, em 2012, o IAB/PR comemorou seu cinquentenário. Atualmente a entidade, que é presidida pela arquiteta Cláudia Cristina Taborda Dudeque, conta com mais de 1.500 sócios efetivos no Estado. O IAB/PR tem se especializado na realização de concursos públicos de projetos arquitetônicos. Os dois últimos organizados pelo Instituto foram os do Teatro de Londrina e o da nova sede do CREA/PR.

Projeto vencedor do concurso público para nova sede do CREA/ PR, organizado pelo IAB/PR

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IAB/SC

O IAB/SC está engajado em fomentar o empreendedorismo e a formação do Arquiteto e Urbanista para atuar no mercado de trabalho de forma mais competitiva e estruturada. Ações como o FUNSAU, parcerias com cursos de pós-graduação e entidades fomentadoras como o SEBRAE, são essenciais para nos auxiliar nessa tarefa. Atualmente, estamos realizando um Workshop para início de carreira em todos os Núcleos do IAB/SC, visando aproximar e preparar os recém-formados e formandos para o exercício de suas atividades profissionais no mercado de trabalho.

IAB/AM

No Estado do Amazonas, a cada semestre, cresce o número de arquitetos e urbanistas, resultado das graduações das suas cinco faculdades de arquitetura implantadas no Estado. Muitos profissionais amazonenses estão atuando nas iniciativas privada e pública, atuando como empregados nas mais diversas frentes e especialidades da arquitetura. Em órgãos públicos, seja municipal, estadual ou federal, é grande o número de arquitetos atuando na linha de frente como servidores públicos. Ainda é pouca a quantidade de profissionais da arquitetura que tomam a iniciativa de ser um Arquiteto Empreendedor, abrindo uma empresa e saindo da informalidade, tornando-se uma pessoa jurídica. Geralmente, a união se faz por meio de sociedades informais de arquitetos, no qual se estabelecem divisões e partilhas de receitas e despesas, mas sem o entendimento correto da formalidade de uma empresa, nos moldes e princípios do bom empreendedor. O presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento do Amazonas - IAB/AM, arquiteto Claudemir Andrade, defende que todos os arquitetos e urbanistas devem caminhar rumo à formalidade, pois uma vez caracterizados como pessoas jurídicas, terão muito mais condições de competir no mercado de trabalho, seja participando de projetos maiores por meio de licitações, seja para ter uma linha de financiamento ou benefícios sociais, como a aposentadoria. "Com a globalização, o arquiteto deve se preparar cada vez mais para ser um bom competidor no mercado de trabalho. E somente sendo um profissional empreendedor é que ele terá condições significativas para competir com qualidade e profissionalismo com os grandes arquitetos do mercado", comenta.

IAB/CE

A formação do arquiteto e urbanista é uma das mais amplas do elenco das profissões existentes. A lei federal e a resolução 21/2012, do CAU/BR, que regulamentam as atribuições profissionais, relacionam 243 atividades da competência desses profissionais. O espectro de atuação vai desde o planejamento regional, passando pelo projeto e construção de cidades e edifícios, até o mobiliário para edificações. A atuação do arquiteto com visão empreendedora, combinando inovação, arte e técnica, abre enormes perspectivas para o desenvolvimento das forças produtivas. Promove a exploração racional e sustentável dos recursos naturais, a melhoria do rendimento das atividades humanas, do bem-estar e da saúde das populações. Para o presidente da IAB/ CE Odilo Almeida Filho, “A ação empreendedora permite ao arquiteto e urbanista agregar valor à produção arquitetônica, melhorando os resultados e ampliando a oferta de benefícios à sociedade”.

Capacitação direcionada Referência no apoio aos empresários de micro e pequenas empresas e aos empreendedores interessados em abrir o próprio negócio, o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Paraná (SEBRAE/PR) é mais um parceiro importante do Núcleo de Empreendedorismo, Sustentabilidade e Cidadania do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná, o NESC-CAU/ PR. A parceria possibilita aos arquitetos e urbanistas o aprimoramento da capacidade empreendedora e da gestão empresarial, como forma de ganhos de competitividade, investimento e mercado. Para os arquitetos organizados como Pessoa Jurídica, o Sebrae aplicará metodologias de cursos e consultorias nas áreas do comportamento empreendedor, planejamento estratégico e gestão empresarial e outras que sejam necessárias ao desenvolvimento dos arquitetos e urbanistas dentro do projeto Arquiteto Empreendedor. O projeto visa à preparação do profissional de arquitetura e urbanismo em gestão de negócio, com visão estratégica e empreendedora, contribuindo, assim, para o seu próprio desenvolvimento empresarial, bem como do seu segmento e ambiente sustentável. No Brasil, são 27 unidades e 800 postos de atendimentos espalhados de norte a sul, e somente no Paraná o Sebrae conta com seis regionais e dez escritórios. GERAÇÃO SUSTENTÁVEL

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Profissionais de arquitetura e urbanismo terão acesso a uma linha de crédito especial Parceria com a Fomento Paraná vai permitir que profissionais possam aproveitar o crédito mais barato para atender projetos próprios e de empresas clientes Arquitetos e urbanistas associados ao Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná (CAU/PR) serão beneficiados por uma parceria firmada com a Fomento Paraná, por meio do projeto Arquiteto Empreendedor e do Núcleo de Empreendedorismo e Sustentabilidade do CAU/PR (NESC-CAU/PR). O objetivo é estimular a formalização dos profissionais e baratear o acesso a financiamentos. A Fomento Paraná é uma instituição financeira controlada pelo Governo do Paraná e voltada ao desenvolvimento regional sustentável. A empresa apoia financeiramente iniciativas que gerem emprego e renda, por meio de um modelo de crédito orientado, que é desenvolvido em parceria com entidades diversas do setor público ou privado, e linhas de crédito com juros mais baixos que os de mercado, subsidiados pelo Estado. De acordo com o diretor-presidente da Fomento Paraná, Juraci Barbosa, as linhas atendem desde o microempreendedor informal e individual até empresas de médio porte nos setores de indústria, comércio e serviços. “A parceria com os profissionais de arquitetura vai facilitar o acesso às linhas de crédito do Banco do Empreendedor, com taxas de juros diferenciadas. E atende tanto projetos pessoais dos profissionais quanto de clientes dos escritórios, em projetos para instalação de empresas ou reforma e ampliação”, explica Juraci Barbosa. “Máquinas, equipamentos, instalações e móveis de escritório podem ser financiados com juros a partir de 0,51% ao mês. E, em breve, vamos financiar também projetos de inovação e desenvolvimento tecnológico, com recursos da FINEP”, afirma. Ainda segundo o presidente da Fomento Paraná, a instituição tem uma atuação muito forte no financiamento aos municípios, para obras de infraestrutura, construção de equipamentos públicos e aquisição de máquinas. “Os profissionais de arquitetura são fundamentais para que as políticas públicas do Governo do Estado no financiamento aos municípios sejam mais efetivas e eficazes, porque são habilitados a analisar e desenvolver os projetos. Hoje, temos muitos recursos à disposição, tanto do setor público quanto do privado, mas faltam projetos”, diz ele. 14

GERAÇÃO SUSTENTÁVEL

“A parceria com os profissionais de arquitetura vai facilitar o acesso às linhas de crédito do Banco do Empreendedor, com taxas de juros diferenciadas", Juraci Barbosa


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Entrevista

Por um ambiente melhor Jeferson Dantas Navolar Presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná (CAU/PR) Durante quase 80 anos, arquitetos e urbanistas conviveram com engenheiros de todas as especialidades e agrônomos em um conselho multiprofissional. Depois de muitos anos de batalha, entre discussões, elaboração de Projeto de Lei e tramitação no Congresso Nacional, em 31 de dezembro de 2010, num dos últimos atos do governo do presidente Lula, foi autorizada por Lei Federal a criação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo. A Lei nº 12.378 também veio para regulamentar o exercício da profissão, entre outras providências. No Paraná, o Conselho está em funcionamento há cerca de um ano e meio e tem como principais objetivos a institucionalização da profissão de arquiteto e urbanista e a efetivação da presença desses profissionais em todo o estado. Resultados parciais de um Censo realizado em todo o Brasil apontam que no território paranaense há, aproximadamente, 8 mil arquitetos cadastrados como pessoa física e cerca de 1,5 mil como pessoa jurídica. Além disso, existem 189 municípios do estado sem a atuação desses profissionais. Como forma de reverter esse quadro, diversas parcerias estão sendo firmadas por meio do projeto Arquiteto Empreendedor, que faz parte do Núcleo de Empreendedorismo, Sustentabilidade e Cidadania do Conselho, o NESC-CAU/PR. Para abordar esses e outros aspectos dessa profissão essencial para a formação da cidadania e para o desenvolvimento sustentável, ouvimos o primeiro e atual presidente do CAU/PR, arquiteto Jeferson Dantas Navolar, que falou com exclusividade para a revista:

O que representa a criação de um conselho específico para os arquitetos e urbanistas? A batalha para que o CAU fosse criado durou cerca de 50 anos e passou por três momentos importantes: o primeiro foi de harmonização e envolvimento das entidades, o segundo foi de trâmite do Projeto de Lei no Congresso, com diversas audiências, avaliação por várias entidades e discussões que duraram anos, mas que serviram para que o PL para criação do Conselho fosse cada vez mais aprimorado. Por fim, o terceiro momento foi o de participação da Casa Civil e da Presidência da República para aprovação e sanção do projeto. É importante ressaltar que essa é uma Lei que nasce após a Constituição de 1988. Ou seja, depois da consolidação do Código Civil, do Código de Defesa do Consumidor, e, por isso, é um Conselho que traz muito mais modernidade e agilidade em relação aos outros conselhos criados antes da Constituição. Um Conselho novo, atual como o nosso, conta com uma administração mais moderna, com menos papel e mais tecnologia. Dentro do sistema multiprofissional, durante quase oito décadas, convivemos a maior parte do tempo 16

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harmoniosamente, mas também com a ocorrência de sombreamento e disputas de atribuição entre as profissões. As antigas e as novas engenharias foram se organizando e muitas vezes tirando do arquiteto ou compartilhando conosco as atribuições. Essa era uma contradição que também nos colocava na condição de "meio arquitetos", ou seja, grande parte da produção da arquitetura ficou com a cara das engenharias. Não há certo nem errado nisso tudo, é apenas uma constatação. O que pretendemos, cada vez mais, é colocar aos poucos a cara do arquiteto e da arquitetura no Conselho, já que agora nossas atribuições estão previstas em Lei. Importante dizer que quem ganha com tudo isso é a sociedade. Hoje, costumamos dizer que uma das bandeiras que carregamos durante esse debate foi a de que a sociedade estava sem direito à arquitetura. A valorização do arquiteto e urbanista vai de encontro à melhoria dos espaços públicos. As cidades estão sem arquitetura e urbanismo. Além disso, devemos ter mais cuidado com questões regionais e culturais, e a criação do Conselho próprio proporcionará lidarmos melhor com essa situação.


Quais são os benefícios da criação de um Conselho próprio de arquitetos e urbanistas para os profissionais e para a sociedade? Com a criação do CAU, os arquitetos e a sociedade ganham mais atenção, mais fôlego e força quando o assunto é o planejamento dos espaços públicos e privados. Outro diferencial é a adaptação e a utilização das novas tecnologias em todo tipo de procedimento. Como exemplo de avanço, destaco também a não exigência de um novo registro em cada unidade da federação que o profissional venha a exercer sua profissão, uma vez que o registro no CAU é nacional. Temos como ferramenta mais importante na gestão do Conselho a utilização da tecnologia da informação. Como utilizamos a informática como parceira, outras facilidades são decorrentes, como possibilidade de registro on-line e a emissão de certidões virtuais, o que tem sido muito bem-entendido pelos profissionais. As novas carteiras de identificação já foram elaboradas pensando nisso. Elas contam com chip, o que permitirá que possam receber insumos, como informações sobre projetos ou parcerias firmadas. Em relação aos valores que nos autorizaram a cobrar para a gestão do Conselho, é importante ressaltar que eles são bem menores do que os cobrados anteriormente. O CAU não é um Conselho que visa arrecadação. As taxas mínimas que praticamos representam uma redução significativa no preço final

da atuação dos profissionais, talvez algo em torno de 10% do que era cobrado antes. Também defendemos a inclusão dos arquitetos em mais projetos públicos e privados. Hoje, temos muitas gestões de prefeitos sem um corpo técnico qualificado, sem ao menos um arquiteto para participar do planejamento de parques, escolas e hospitais, o que certamente traz muitas consequências. Quais são as principais bandeiras defendidas pelo CAU/PR? Ele segue os princípios do Conselho Federal? “Levar arquitetura a quem não tem” e “Arquitetura é atribuição de arquiteto”. Essas são as principais bandeiras, que surgiram da luta pela criação do Conselho e continuam de pé nessa construção da sensibilização da sociedade em relação à atuação do arquiteto e urbanista. Genericamente, podemos dizer que a maioria dos CAUs no Brasil segue essa linha de pensamento. É importante destacar que temos liberdades administrativa e financeira previstas em Lei, mas sempre as normas do Conselho nacional devem ser analisadas e espelhadas nas ações dos estados. As plenárias estaduais existem exatamente para que as questões regionais surjam e sejam abordadas. No Paraná, temos uma plenária com 15 conselheiros titulares e 15 suplentes, estabelecida pelo colégio eleitoral em 2010, seguindo a proporcionalidade dos profissionais registrados.

Nova sede do CAU/PR (Casa Mario de Mari)

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Entrevista

Temos 189 municípios paranaenses sem arquitetos, ou seja, aproximadamente metade das prefeituras não tem arquiteto, seja como funcionário público, seja como morador da cidade. Esse é um dado extremamente preocupante. O registro de pessoas física e jurídica no Conselho, bem como os trabalhos realizados por esses profissionais, é obrigatório? Sempre foi obrigatório o registro de arquiteto e urbanista para o exercício da profissão, assim como em qualquer outra profissão regulamentada no país. Os profissionais precisam comunicar ao Conselho o que estão fazendo. Porque isso? Porque o trabalho do Conselho é justamente atuar em defesa da sociedade, fiscalizando o exercício da profissão. Essa comunicação das atividades profissionais é obrigatória e tem sido diária, on-line, o que a transforma imediatamente em insumo para nossa atuação. Antes não era assim. Por outro lado, se tomamos conhecimento de obras sendo construídas sem a supervisão de um arquiteto, nós vamos lá checar quem é o responsável, se é um leigo ou se tem um engenheiro. É obrigatória a participação de arquiteto ou engenheiro na execução das obras, e as parcerias entre ambos, principalmente em grandes obras, são muito comuns. Exercer a profissão sem registro é ilegal. E para evitar esse tipo de situação, temos uma parceria muito forte com as prefeituras e as secretarias de urbanismo, as quais emitem as autorizações para construção. Toda vez que um profissional solicita um alvará junto ao órgão público ele precisa apresentar o seu registro e comprovar que está habilitado para o projeto. Dessa forma, a sociedade não corre risco, que é uma palavra muito comum hoje, seja risco de desmoronamento, de enchente ou de desabamento. Entre as atividades previstas para serem realizadas pelo CAU está um Censo para identificar a realidade profissional. Existe um resultado desse trabalho? Atualmente, quantos arquitetos e urbanistas fazem parte do Conselho paranaense? Qual a estimativa de novos profissionais ingressando no mercado anualmente? No Paraná, estão registrados no Conselho como pessoas físicas mais de 7,3 mil arquitetos, e pouco mais de 1,4 mil como pessoas jurídicas. Esses são números preocupantes, se pensarmos que apenas 18

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algo em torno de 20% dos profissionais estão organizados empresarialmente E os outros 80% são o quê? Ainda há muita informalidade, fato que se reflete na existência de profissionais sem direito à aposentadoria, sem direito a crédito e muitos outros benefícios. Para fortalecer a profissão, é preciso que os arquitetos sejam empreendedores, e para isso temos que institucionalizar a participação do arquiteto na sociedade. No Paraná, há 20 cursos de arquitetura autorizados, dos quais saem cerca de mil profissionais por ano, ou seja, em 10 anos, dobraremos esse número. Por isso, é nosso papel incentivar os arquitetos a serem empreendedores formais pelo bem deles e de toda a sociedade. Essa realidade já era conhecida e foi comprovada pelo resultado preliminar do Censo realizado em todo o país, que trouxe um panorama por cidade. Essa mesma pesquisa identificou que temos 189 municípios paranaenses sem arquitetos. Ou seja, metade das prefeituras não tem arquiteto, seja como funcionário público, seja como morador da cidade. Esse é um dado extremamente preocupante. Como é que essas prefeituras fazem a gestão do seu território, está lá o engenheiro civil fazendo isso ou não há ninguém? Como está funcionando a migração do conselho anterior para o CAU? Todos os arquitetos do Paraná já solicitaram, receberam a nova carteira profissional? A migração foi obrigatória e automática. Aconteceu em alguns estados com mais dificuldade e em outros de forma mais fácil. No Paraná, a migração dos dados foi efetivada em seis meses. O CREA tinha obrigação de passar os dados, e o CAU tinha o dever de recadastrar e de fazer todo o atendimento. No Paraná, isso funcionou muito bem. Em outros estados, não foi assim. É importante dizer que o artigo da Lei que previa a transferência do patrimônio de anos de arrecadação pelos arquitetos junto ao antigo conselho foi vetado, por isso o único repasse para o novo Conselho foi o referente à parte da arrecadação de 2011, o que nos possibilitou o início dos trabalhos. Em determinados estados isso ainda não aconteceu.


Entrevista

Para fortalecer a profissão, é preciso que os arquitetos sejam empreendedores, e para isso temos que institucionalizar a participação do arquiteto na sociedade. Nem todos os arquitetos receberam suas carteiras profissionais porque nem todos se recadastraram. Fizemos uma campanha forte em relação a isso, mas o recadastramento é voluntário. Quase 85% dos profissionais do estado já atenderam ao nosso chamado. No caso das pessoas jurídicas, ainda não temos levantamento, mas estamos fazendo convocações para o recadastramento o tempo todo. Para isso, estamos acionando órgãos públicos, universidades, informando das atribuições dos arquitetos e como eles devem agir. Qual a relação entre o CAU e o IAB? O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) é uma entidade centenária, que antecedeu inclusive a criação do CREA. O IAB sempre foi e continua sendo o local onde os arquitetos brasileiros se expressam sobre aspectos culturais e políticos. No Paraná, continuamos parceiros nesse sentido e não há sombreamento. O CAU tem atribuições previstas em Lei, como fiscalizar a atuação do bom arquiteto, do mau arquiteto e do leigo, bem como valorizar o trabalho do arquiteto em todo o Brasil. O IAB é uma entidade sem fins lucrativos, que tem força política intensa e atuação consagrada, o que foi essencial para a criação do CAU. Sem o IAB e outras entidades, é quase certo que o CAU não existiria. Quais têm sido os principais desafios e conquistas neste primeiro ano de implantação do Conselho? O principal desafio é, sem dúvida, compreender exatamente como está sendo desenvolvida a atuação dos arquitetos e urbanistas no estado e no país: quem somos, onde estamos e o que estamos fazendo, sem deixar de atender aos profissionais. Como conquistas, temos resultados estatísticos extremamente positivos: saímos do CREA com uma média mensal de 6 mil Anotações de Responsabilidade Técnica (ART), e hoje, com pouco mais de um ano de funcionamento, ultrapassamos a marca de 8 mil Registros de Responsabilidade Técnica (RRT) mensais. Tudo isso porque o sistema está funcionando, é barato, os profissionais aderiram e as prefeituras também. Assim, podemos dizer que fomos eficientes nessa transição, uma vez que já temos um volume 25% superior de registros em relação ao antigo conselho. Dessa forma, digo que estamos no caminho certo, o que é uma grande conquista. 20

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Quais são as metas para os próximos anos? Uma das principais é a instalação, ainda este ano, de cinco escritórios regionais do CAU. Apesar de termos a tecnologia da informação a nosso favor, nós temos que estar mais presentes e próximos dos profissionais. Fomos autorizados pela plenária do Conselho a instalar escritórios regionais em Maringá, Londrina, Cascavel e Pato Branco e, em breve, também em Guarapuava. Além disso, no final de junho estaremos inaugurando nossa sede definitiva de Curitiba, localizada na Casa Mário de Mari, uma residência modernista do início da década de 60, que é uma UIP - Unidade de Interesse de Preservação. Esse tipo de ação, a instalação de escritórios regionais, vai de encontro ao nosso objetivo de aumentar a presença da Arquitetura na sociedade, assim como a participação efetiva dos arquitetos em todas as regiões do estado. Para o CAU, a sociedade já tem percepção das diferenças entre o trabalho do arquiteto e do engenheiro? Qual seria a forma correta de diferenciação? A diferença básica é que o engenheiro é da área de tecnologia e o arquiteto é da área de humanas. Eu acho que esse é o nosso maior desafio, fazer a sociedade entender a diferença entre o produto do arquiteto do produto do engenheiro. Como exemplo, cito a Argentina e o Uruguai, países nos quais não há nenhum projeto que não tenha participação de um arquiteto. Essa é uma questão histórica, que tem relação com a diferença entre as ex-colônias portuguesas e as ex-colônias espanholas na ocupação do território. As ex-colônias espanholas preocupavam-se mais com a valorização dos espaços públicos, enquanto as portuguesas priorizaram os espaços privados. Esses são dogmas que nós herdamos. Por isso, dizemos que o Brasil é um dos países do Ocidente em que o direito à propriedade é um dos mais exacerbados do mundo, onde o coletivo está em segundo plano. E de que forma isso afeta o trabalho dos arquitetos? Na gestão dos espaços públicos e privados. Então, esse é um paradigma que deve ser revisto. É importante destacar também que há apenas 10 anos temos uma norma de administração pública, que é o Estatuto das Cidades, no qual o poder público mostrou para a sociedade como se faz administração do território urbano, por reivindicação dos arquitetos.


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Paraná


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Arquiteto

Empreendedor Empreendedorismo, sustentabilidade e cidadania consolidam-se como características essenciais para o sucesso na profissão de arquiteto e urbanista e para o bem-estar da sociedade Bruna Robassa

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ranchetas por computadores. Celulares por smartphones. Público leigo por clientes cada vez mais exigentes. Conselho multidisciplinar por Conselho próprio. Essas são apenas algumas das mudanças que têm influenciado a profissão do arquiteto e urbanista nos últimos anos. Atualmente, não basta ao profissional que trabalha nessa área estar habilitado para projetar e solucionar espaços, é preciso também que ele saiba administrar a profissão como um negócio e como algo que influencia diretamente no bem-estar da sociedade. A disseminação dos conceitos de sustentabilidade e responsabilidade social e a crescente importância da correta construção dos espaços e das cidades tornam a atuação desse profissional mais reconhecida e visível a cada dia. Um dos reflexos dessa evolução é a exigência de arquitetos

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e urbanistas cada vez mais capacitados e preparados para um mercado que pede ainda mais produtividade e eficiência, sem deixar a qualidade de lado. Reconhecida por ser uma das profissões mais antigas da humanidade, a arquitetura está presente na vida de grande parte da população, o que a torna também cada vez mais atual. Nesse contexto, a necessidade de inovar e de empreender são atitudes essenciais a todos os arquitetos e urbanistas. Da mesma forma, a união de profissionais de áreas interdependentes, organizados formalmente como empresas, também tem se consolidado como tendência desse mercado, tudo com o objetivo de acompanhar a evolução da sociedade e, mais do que isso, contribuir para o desenvolvimento sustentável das cidades. Para o recém-criado Conselho de Arquitetura


e Urbanismo do Paraná (CAU/PR), empreendedorismo, sustentabilidade e cidadania são os pilares essenciais para o sucesso da profissão e para o desenvolvimento sistêmico das construções, da sociedade e das cidades. “Estar ao lado ou fazer parte desse movimento trará ao profissional a oportunidade de ação e, mais que isso, de participação ativa nos processos de gestão para assuntos de cidades, promovendo, assim, a cultura do exercício do poder político saudável e uma sociedade civil viva e proativa”, defende Jucenei Gusso Monteiro, conselheiro do CAU/PR e coordenador do Núcleo de Sustentabilidade, Empreendedorismo e Cidadania da entidade, o NESC-CAU/PR. O Núcleo foi criado por iniciativa do presidente do Conselho, Jeferson Dantas Navolar, que reafirma a necessidade de alinhamento dos ar-

quitetos em prol do autodesenvolvimento, o que no âmbito individual do profissional influenciará positivamente o setor e o mercado, além de sensibilizar para a promoção do desenvolvimento sistêmico e sustentável da sociedade. “Essa é uma proposta que reforça a visibilidade e a operacionalidade da arquitetura e do que ela pode fazer de melhor na vida das pessoas, ancorada em métodos de aprendizagem executiva de alto nível”, destaca o presidente. Os pilares defendidos pelo Núcleo desejam atrair não apenas arquitetos, como também academia, governo e empresas, estimulando a disseminação e a formação de parcerias. Para o coordenador do NESC-CAU/PR, o desafio inicia-se orientado em auxiliar no desenvolvimento da capacidade dos arquitetos, para que se tornem geradores de valor sustentável para si, ao setor e para a sociedade, alinhando a arquitetura com a economia global inclusiva e sustentável. “Não há forma de atingir o sucesso sem olhar às diretrizes sistêmicas que hoje orientam o mercado. Todos, sem distinção, têm obrigatoriamente que estar alinhados ao pensamento da atuação eficiente e na busca da eficácia na gestão”, diz. Na visão do Núcleo, o empreendedorismo está também intimamente ligado ao desempenho das edificações. “É outra percepção e, conclui-se que, a exemplo dos escritórios que já atuam em mercados mais exigentes com relação ao desempenho das edificações, atendimento a normas atualizadas e praticadas, também devem promover o que alguns chamam de design total – projetos integrados, sustentáveis e certificados realizados por profissionais com diferentes expertises, com alto grau de gestão de projetos”, explica Monteiro. E por falar em empreendedorismo, esse é o foco do primeiro projeto criado pelo Núcleo com o objetivo de estimular o surgimento e a gestão de empresas na área da arquitetura, além de possibilitar o desenvolvimento e a atualização das já existentes. Trata-se do projeto “Arquiteto Empreendedor”, uma ação coletiva que tem a missão de levar tecnologia, informações, facilidades e ferramentas para que o arquiteto se torne um empreendedor. “Transformar os arquitetos em empreendedores para que esses profissionais deixem a informalidade e, como pessoas jurídicas, tenham acesso a fontes de financiamento, possam participar de licitações e tenham benefícios sociais, como direito à aposentadoria, são alguns dos objetivos do projeto”, defende o presidente do CAU/PR.

“Fazer parte deste movimento trará ao profissional a oportunidade de ação e, mais que isso, de participação ativa nos processos de gestão para assuntos de cidades, promovendo assim a cultura do exercício do poder político saudável e uma sociedade civil viva e proativa", Jucenei Gusso Monteiro

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Censo • Dados preliminares do censo reali-

Arquiteto político e empreendedor ”É fundamental a atuação do arquiteto na gestão pública. O desenho da cidade também está em suas leis", Jonny Stica (PT), primeiro arquiteto vereador de Curitiba em seu 2º mandato (20092012 / 2013-2016)

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zado em todo o país para identificar a atuação dos arquitetos e urbanistas mostraram que, no Paraná, apenas 1,4 mil dos 7,35 mil profissionais cadastrados no CAU/PR são organizados como pessoa jurídica, ou seja, o exercício da profissão de arquiteto ainda é muito informal. A maioria trabalha de forma não organizada. A pesquisa também identificou que, no Brasil, 84 mil profissionais se recadastraram e que há a supremacia das mulheres na profissão. De acordo com o Censo, 60,59% dos profissionais registrados no Conselho, são do sexo feminino. Elas são maioria entre profissionais mais novos, até os da faixa etária dos 60 anos (tabela 1). Em relação a renda salarial, dentre os arquitetos registrados no Conselho, 40% recebem na faixa entre três e oito salários mínimos. No universo de arquitetos e urbanistas brasileiros, apenas 20,67% atendem como pessoa jurídica, e são justamente estes que registraram as melhores remunerações, como mostra a tabela 2. Outro dado que chama a atenção na pesquisa é a ausência de arquitetos e urbanistas atuantes em 189 municípios do Paraná. “A falta de participação dos arquitetos e urbanistas é o que acaba refletindo posteriormente no trânsito caótico das cidades, nos problemas ambientais, e em espaços mal planejados”, destaca o presidente do Conselho. Por isso, uma das prioridades do projeto é preparar os profissionais para que eles possam auxiliar os municípios na captação de verbas por meio de editais. Entidades, como a Caixa Econômica Federal, o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Associação Comercial do Paraná (ACP), a entidade Fomento Paraná, o Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial – CPCE/FIEP, a Aliança Nosso Paraná Sustentável – ONU, o Fundo de Assistência Social dos Arquitetos e Urbanistas (FUNSAU), a Berkley Seguradora, entre outras entidades, participam dessa iniciativa. “Estamos trabalhando com esse objetivo desde 2008 no estado, porque já percebíamos alto grau de informalidade por parte dos profissionais da área. Destaco que o papel de cada um dos parceiros do Núcleo é essencial. Cada um vai dizer onde pode divulgar o papel do arquiteto, onde está sendo mal usada a legislação, onde se pode fazer mais investimentos com qualidade e onde é possível firmar parcerias para esse tipo de investimento, que tem visão de sustentabilidade e de cidadania. A boa Arquitetura

é fundamental para a formação da cidadania”, destaca Navolar. O exercício de cidadania proposto pelo Núcleo é o viés que complementa para ações de difusão e, principalmente, a contrapartida do setor da arquitetura à sociedade. “Contribuição é como podemos definir nossa proposta! Almejamos o engajamento dos profissionais, tendo como foco a colaboração na melhoria de posturas e de processos em prol do desenvolvimento transparente e justo do País”, reflete Monteiro. Ainda de acordo com ele, o arquiteto pode interferir diretamente na qualidade de vida de cada município. “Sabemos que há recursos dos Governos estaduais e federal para as administrações municipais que muitas vezes não são utilizados por falta de projetos. Por isso, a intenção do Núcleo é orientar e preparar os profissionais para que eles possam auxiliar na captação dessas verbas, promovendo assim o desenvolvimento regional”, completa.

Exemplos de empreendedorismo • O dinamismo, a inquietação, a vontade de inovar, de aprender, de ensinar e atuar para o bem-estar da sociedade identificados nos arquitetos empreendedores que hoje estão consolidados no mercado servem de inspiração para defesa dessa bandeira do CAU/PR. Nas histórias relatadas a seguir, é possível perceber que o empreendedorismo vai muito além da abertura de uma empresa e tem estreita relação com a superação de limites e com a identificação de oportunidades. Ainda de acordo com o dicionário Priberam de Língua Portuguesa, o conceito de empreendedorismo é definido como “Atitude de quem é empreendedor, que é quem, por iniciativa própria, realiza ações ou idealiza novos métodos com o objetivo de desenvolver e dinamizar serviços, produtos ou quaisquer atividades de organização e administração”. Apesar das origens, trajetórias e atuações serem diferentes, o destino de diversos profissionais que trilharam seus caminhos tendo os conceitos de empreendedorismo, sustentabilidade e cidadania em mente foi o mesmo: o sucesso. A Copa do Mundo e a dedicação aos estudos • A capacidade de identificar oportunidades e a dedicação aos estudos são as características que tornam o professor e pesquisador Irã Taborda


Du deque um empreendedor. Nascido na década de 60, Dudeque ingressou na faculdade de Arquitetura e Urbanismo com os objetivos mais simples possíveis, segundo ele mesmo descreve. “Eu cursava História e achava que, como historiador, morreria de fome. Então decidi fazer Arquitetura”, lembra. Os primeiros anos de faculdade e de carreira profissional foram marcados por pesquisa e nem tanta dedicação assim. “Se eu tinha algum espírito empreendedor, ele tendia para o lado da pesquisa histórica”, diz. Depois de graduado, Dudeque formulou planos direcionados para a pesquisa histórica na área de arquitetura e para o ensino, mas eram passos tímidos. “Aí, ocorreu uma coincidência que determinou o meu futuro na mesma época em que o Brasil foi campeão do Mundo de Futebol, em julho de 1994, quando foi lançado um concurso de monografias para estudantes de arquitetura, com tema livre, que relacionassem história e arquitetura. Dudeque tinha a monografia que lhe servira para obter o título de Bacharel em História, mas a ênfase, naquele caso, era mais historiográfica do que arquitetônica. “Eu estava em dúvida se entrava no concurso ou não. Aí, parti para Brasília, para o Encontro Nacional de Estudantes de Arquitetura. No último dia do evento, o Brasil foi campeão do mundo. Aí, senti uma depressão: Tenho que fazer alguma coisa da vida”, lembra. A reestruturação da monografia para partici-

par no concurso nacional foi feita em uma semana de intensa dedicação. “Ali começou, de fato, a minha vida como historiador da arquitetura. Fui muito bem recebido na Universidade de São Paulo. Aquela vitória facilitou, depois, a minha entrada no Mestrado da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, a FAU-USP”, conta. Para Dudeque, o estudo é a receita para o sucesso na profissão. “Estudem muito, estudem a vida inteira, mas sempre duvidem da própria capacidade e do próprio conhecimento. Não há nada pior do que arquitetos que se tornam ignorantes devido à certeza de que detêm conhecimentos insuperáveis”, aconselha. Ainda segundo ele, a importância da atuação do profissional de arquitetura e urbanismo para a sociedade está na aptidão que possui para melhorar o ambiente construído. “A arquitetura é a ciência e a arte do ambiente construído. Por ambiente construído, entenda-se tudo aquilo que não é ambiente natural. Por exemplo: uma pessoa qualquer acorda, em seu dormitório. Ele está num ambiente construído. Ele vai até a sala do seu apartamento. Ele está num ambiente construído. Ele sai para a rua. Ele continua num ambiente construído. Ele atravessa a cidade, rumo ao trabalho. Depois do expediente, ele vai descansar numa praça ou num shopping. Em nenhum momento, do dormitório à praça, ele saiu de ambientes construídos. Ao melhorar esses ambientes, a arquitetura melhora a sociedade. Ninguém pode ignorar a arquitetura, porque ninguém vive sem ela. A não ser é claro, se optar por viver no deserto...”, reflete. GERAÇÃO SUSTENTÁVEL

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“Estudem muito, estudem a vida inteira, mas sempre duvidem da própria capacidade e do próprio conhecimento. Não há nada pior do que arquitetos que se tornam ignorantes devido à certeza de que detêm conhecimentos insuperáveis", Irã Dudeque

Aptidão nata e fidelidade às origens • O arquiteto Ronaldo Duschenes, hoje proprietário da empresa Flexiv – Escritórios de Sucesso, sempre conviveu com arquitetos e ouviu falar sobre o assunto desde criança por ser essa também a profissão de seu pai. “Sempre admirei essa área do conhecimento e interessava-me muito por artes, sempre tive contato próximo com a dança, a arquitetura, a música, a pintura. Nesse cenário, pareceu-me a melhor escolha”, lembra. Assim como a escolha da profissão, o espírito empreendedor de Duschenes aflorou cedo. Ele ingressou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) aos 19 anos e já no primeiro ano do curso, em 1964, abriu um escritório com outros nove colegas para prestar serviços de desenho e desenvolvimento de projetos aos arquitetos já estabelecidos. “Essa associação durou aproximadamente um ano, e envolvi-me em vários outros projetos similares no decorrer do curso. Ao sair da faculdade em 1968, imediatamente abri meu escritório em sociedade com outros colegas”, conta. A primeira empresa durou até 1981, quando Duschenes se mudou para Curitiba. “Em 1985, fundei, em parceria com Celia Lass, minha esposa e arquiteta formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Flexiv – indústria de mobiliário corporativo com o DNA do design”, relata. Segundo conta o empresário, a Flexiv sempre se manteve fiel à sua essência, e isso foi determinante para seu crescimento e sua consolidação no mercado. “Atualmente, trabalhamos com móveis corporativos com soluções completas e integração tecnológica, com linhas para todos os ambientes empresariais. Somos a indústria de mobiliário corporativo mais premiada do mercado brasileiro, tendo acumulado mais de 30 prêmios em 28 anos de atuação. Temos, atualmente, 110 funcionários, todos focados em oferecer atendimento premium e móveis com qualidade

superior em design e acabamento”, destaca. Da mesma forma que seguiu os passos de seu pai, Duschenes foi fiel em aplicar na sua empresa os conhecimentos essenciais adquiridos na faculdade. “A Flexiv possui ações de responsabilidade socioambiental em todas as etapas do processo de produção, entrega e instalação do mobiliário corporativo”, salienta. O descarte responsável de resíduos garante que todo plástico, papelão, aço, ferro, tintas e solventes excedentes da produção sejam encaminhados para reciclagem e reutilização por empresas certificadas. O processo de fabricação do mobiliário prioriza a eficiência, com técnicas para redução da geração de resíduos e do consumo energético. A água utilizada no beneficiamento dos metais é tratada em uma estação própria de tratamento de efluentes até atingir os parâmetros legais para retorno à natureza. A Flexiv também aplica o conceito de logística reversa, promovendo o reaproveitamento e descarte ambientalmente corretos dos materiais utilizados para embalagem e entrega do mobiliário. Toda a madeira utilizada como matéria-prima para os móveis é proveniente de fontes certificadas pelo Conselho Brasileiro de Manejo Florestal (FSC Brasil). Não apenas a Flexiv, mas um dos primeiros projetos do arquiteto teve grande destaque na mídia e na sociedade. Ele foi o responsável pela elaboração do projeto da casa da escultora Ninca Bordano, ícone da arquitetura que recebeu destaque de publicações especializadas na ocasião. Além de empresário com projetos nacionalmente reconhecidos, Duschnes sempre foi muito ativo na participação da vida associativa – desde o grêmio estudantil, passando pelas lutas políticas durante a ditadura, chegando à defesa do meio ambiente desde os anos 70. Atualmente, ele é vice-presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA-PR), conselheiro

Tabela de Remuneração – Pessoa Física x Pessoa Jurídica CATEGORIAS até 01 salário mínimo 01 a 03 salários mínimos 03 a 05 salários mínimos 05 a 08 salários mínimos 08 a 10 salários mínimos 10 a 15 salários mínimos 15 a 20 salários mínimos acima de 20 salários mínimos TOTAL

PESSOA FÍSICA 73,92% 74,49% 66,43% 55,61% 49,66% 45,06% 42,14% 40,25% 57,80%

PESSOA JURÍDICA 26,08% 25,51% 33,56% 44,39% 50,34% 54,90% 57,86% 59,75% 42,20% Fonte: Censo CAU/BR

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diretor do Instituto de Arquitetura do Brasil (IAB), conselheiro deliberativo do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP-PR), conselheiro do Centro de Design do Paraná e vice-presidente do Sindicato da Indústria do Mobiliário e Marcenaria do Estado do Paraná (Simov-PR). Para Duschenes, o sucesso do arquiteto como colaborador também é extremamente importante para a sociedade, mesmo que atue em outras áreas não diretamente ligadas à arquitetura, e não pode ser desprezado. Ele destaca que a procura por um bom mentor é de grande importância para os estudantes de arquitetura e profissionais em início de carreira. “É fundamental contar com a experiência e a visão de mundo de alguém em quem se confia e respeita para desenvolver o potencial dos jovens”, destaca.

“É fundamental contar com a experiência e visão de mundo de alguém em quem se confia e respeita para desenvolver o potencial dos jovens", Ronaldo Duschenes

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Movido pela inquietação • O arquiteto professor Doutor João Virmond Suplicy Neto representa nada mais nada menos do que a federação de entidades de arquitetos composta por 33 países das regiões Norte, América Central, Caribe, Região Andina e Cone Sul, na qual estão inseridos aproximadamente 600 mil arquitetos, o que significa metade dos profissionais atuantes no planeta. À frente da Federação Panamericana de Associações de Arquitetos, a FPAA, Suplicy diz ter sido movido pela inquietação durante toda a sua trajetória profissional. Desde que ingressou na faculdade, na década de 70, Suplicy foi estudante, professor, já atuou em canteiro de obras, projetou residências, edifícios comerciais e residenciais, hipermercados, shopping centers e obras especiais, abriu o próprio escritório e acumula grande carga de conhecimento e experiências que iniciaram ainda na infância, quando teve a oportunidade de conviver próximo à carpintaria e à marcenaria na fazenda de seus familiares. “Além dessa experiência particular da carpintaria e da marcenaria proporcionadas pela vivência na fazenda, por influência de meu pai, sempre gostei de desenhar, desde criança. Essa interlocução com o meio rural fez com que eu encontrasse na arquitetura um meio de utilizar minhas habilidades, além da grande chance de optar por um caminho mais sustentável”, conta.

O início da profissão foi como autônomo, realizando grandes obras, o que mais tarde revelou a necessidade de ele se organizar formalmente como empresa. “A formalização dos arquitetos como pessoa jurídica é importante para a união de esforços e representa um salto adiante na execução do trabalho”, destaca. Outro fator que Suplicy aponta como diferencial para o sucesso de sua carreira foi a oportunidade de cursar parte do primeiro ano de faculdade em São Paulo, na FAU-Braz Cubas, o que propiciou valioso conhecimento teórico e o contato inicial com o IAB. Depois de um semestre cursado em São Paulo, ele deu continuidade aos estudos na UFPR, em Curitiba, onde teve contato com mestres que lhe apresentaram a experiência prática em grande parte adquirida da participação em concursos de arquitetura. “Fui muito feliz por iniciar a carreira com conhecimentos intelectual e prático proporcionados por essas duas grandes escolas”, reflete. O que aprendeu e estudou durante sua carreira, hoje Suplicy repassa aos seus alunos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), o que tem continuidade na interlocução com os demais profissionais no Brasil e no exterior nos diversos eventos promovidos pelas entidades em que atua. “Um dos exemplos de experiência prática da qual nunca esqueci foi a de visitar e atuar em um canteiro de obras. Esse tipo experiência é único, não tem preço, por isso sempre levo meus alunos às obras”, conta. O professor ressalta que o tempo de escola é curto, por isso o conhecimento deve ser constantemente enriquecido e reciclado. Além de ser empresário e professor, Suplicy acumula um currículo de atuação junto a entida-


des significativas da área (IAB - Instituto de Arquitetos do Brasil, CAU/PR - Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná, FPAA - Federação Panamericana de Associações de Arquitetos, CIALP - Conselho Internacional de Arquitetos de Língua Portuguesa, UIA - União Internacional de Arquitetos, AEAULP - Academia de Escolas de Arquitetura e Urbanismo de Língua Portuguesa). Além de já ter participado de diversos eventos importantes para discussão e disseminação de conhecimentos do setor, já foi responsável por organizar e promover conferências e encontros de destaque e âmbito nacional e internacional.“A inquietação por buscar conhecimento fora da minha cidade na década de 80 foi o que acabou me movendo para aprender e empreender cada vez mais. De eventos locais ao mestrado na UFRGS e doutorado na USP, do IAB do Paraná ao Nacional e à Federação Panamericana, dos eventos locais aos internacionais, e assim por diante”, destaca. Suplicy participou ativamente de decisões importantes para a classe, inclusive na criação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo, enquanto presidia o IAB. O professor destaca que ser empreendedor significa estar atuante, fazer o que gosta e ter dinamismo. “Empreender é transpor limites. E, na minha vida, essa inquietação levou-me ao aprimoramento de minha demanda intelectual, passando da academia, para o mestrado e doutorado, que nos direcionam a caminhos para maior prospecção, o que possibilitou a me sentir um profissional muito mais preparado, tanto para continuar atuando na prática no escritório quanto para disseminar conhecimentos, tanto no meio acadêmico quanto no profissional”, completa.

Obras sustentáveis • Para o empresário e professor aposentado da UFPR, José Sanchotene, a escolha pela profissão de arquitetura e urbanismo teve origem ainda na infância, pelo fato de gostar de inventar coisas. Segundo ele, o pensamento da maioria das pessoas que faziam um curso superior na década de 1960 era para não atuar como empregado. “Além de dar aula na universidade, sempre trabalhei como autônomo. A iniciativa para ter uma empresa formalmente constituída surgiu por conta da exigência dos concursos organizados por órgãos públicos”, conta. Hoje Sanchotene faz projetos de arquitetura e urbanismo de todos os tipos em seu escritório, sempre tendo aspectos de sustentabilidade aplicados. “Antigamente sustentabilidade significava economia de recursos como água e luz, hoje tudo está muito mais sofisticado, inclusive com certificação, e é importante que esteja”, diz. Uma das grandes obras, das quais o arquiteto participou há cerca de 40 anos, foi o projeto da sede da Petrobrás no Rio de Janeiro. Na época ele fazia parte da equipe que venceu um concurso nacional. “Ao invés de 60 andares, projetamos o prédio com 26, o que refletiu em economia de energia e redução de custo com elevadores. Além disso, a fachada da obra é feita com vidros especiais com micro persianas que otimizam o aproveitamento da luz solar”, conta. Atualmente o arquiteto acompanha a construção dos Laboratórios Integrados de Genética Humana (LIGH) do setor de Ciências Biológicas da UFPR, o seu primeiro projeto com a certificação internacional LEED (Leadership in Energy and Environmental Design). “Esse tipo de construção envolve uma série de ritos bastante criteriosos que vão desde a maneira de projetar até o acompanhamento e manutenção da construção. Entre os aspectos que diferenciam a obra ainda em fase de execução está o cuidado com a erosão do solo, a necessidade de reaproveitamento da madeira e a limpeza das rodas dos caminhões toda vez que circulam pela cidade, além de muitos outros diferenciais sustentáveis do projeto como um todo”, relata. Quem fiscaliza é a entidade certificadora.

“A inquietação por buscar conhecimento fora da minha cidade na década de 80 foi o que acabou me movendo para aprender e empreender cada vez mais. De eventos locais ao mestrado na UFRGS e doutorado na USP, do IAB do Paraná ao Nacional e à Federação Panamericana, dos eventos locais aos internacionais e assim por diante", João Suplicy

GERAÇÃO SUSTENTÁVEL

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Capa

Laboratórios Integrados de Genética Humana (LIGH) do setor de Ciências Biológicas da UFPR

Orientação • A promoção de pesquisas, conceituais e empíricas, que aperfeiçoem o conhecimento do arquiteto e de suas práticas, também é objetivo do Núcleo de Empreendedorismo, Sustentabilidade e Cidadania do CAU/PR. O projeto Arquiteto Empreendedor, por sua vez, objetiva disponibilizar a todos os profissionais do Paraná, pessoas físicas ou jurídicas, com empresas constituídas ou não, diversas ferramentas de gestão empresarial para que, além de desempenhar seus papéis como dignos representantes de sua área, também possam manter o seu ofício de forma sustentável e perene frente às diversidades enfrentadas por empresário de qualquer segmento que queira ser competitivo. Em síntese, o projeto adicionará competências ao profissional arquiteto, tornando-o um empresário da Arquitetura. Na área de formação, o Sebrae/PR é um dos parceiros do NESC-CAU/PR, uma vez que tem a função de promover cursos de capacitação aos arquitetos e urbanistas empreendedores organizados com pessoas jurídicas, ou seja, como empresas. O Núcleo e o projeto contarão, inicialmente, com o apoio do Sebrae/PR na aplicação de cerca de 50 horas de cursos aplicados em módulos de aprendizagem que abrangem temas

Sede da Petrobras no Rio de Janeiro/RJ

como Atitudes e Comportamentos do Novo Empreendedor; Planejamento Estratégico para o Arquiteto; Marketing e Vendas de Serviços e Produtos; Ferramentas de Tecnologia e Inovação; entre outros temas que serão futuramente anunciados. Como o foco do Sebrae/PR é restrito aos profissionais já organizados como empresas, outras parcerias para a aplicação das modalidades diversas de aprendizagem serão firmadas com o objetivo de promover a excelência e eficiência na gestão da profissão. Entre as demais iniciativas do NESC-CAU/PR estão a assessoria para orientar os interessados em questões que vão da abertura de empresas à obtenção de linhas de financiamento, passando pela disseminação de informações sobre assistência à saúde, previdência complementar e seguro de responsabilidade civil. “O Núcleo é uma ação coletiva que tem a missão de levar tecnologia, informações, facilidades e ferramentas para que o arquiteto se torne um empreendedor. Nós estamos dizendo ‘existe um mercado, estão aí os números, vocês precisam se aprimorar e nós vamos ajudar nessa tarefa’. É um trabalho grande, complexo, paralelo ao Conselho, e o CAU é um dos agentes. Se fosse possível resumir o perfil de um arquiteto de sucesso, eu diria que ele deve ser empreendedor, com visão de sustentabilidade e cidadania”, resume o presidente do CAU/PR.

Cruzamento entre as variáveis gênero e faixa etária FAIXA ETÁRIA / TOTAL 100%

Abaixo de 20 20 a 25 26 a 29 30 a 35 36 a 40 41 a 50 36 a 40 51 a 60 Acima de 61

Não informada TOTAL a idade

F

57,14%

78,34% 72,02% 65,96% 62,29% 57,40% 51,80% 57,14%

28,73%

52,78%

60,59%

M

42,86%

21,66% 27,98% 34,04% 37,71% 42,60% 48,20% 42,86%

71,27%

47,22%

39,41% Fonte: Censo CAU/BR

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GERAÇÃO SUSTENTÁVEL


Responsabilidade Social

c o r p o r a t i v a

Implantação de projetos socioambientais requer planejamento Além da discriminação das atividades, objetivos realistas e quantificados são características de projetos bem-sucedidos Bruna Robassa

D

ificuldade em cumprir os prazos e o orçamento. Esse costuma ser o resultado de um projeto mal elaborado, desenvolvido às pressas e em completo isolamento. É o que analisa o consultor em elaboração, gerenciamento e avaliação de projetos, planejamento estratégico e captação de recursos, Ricardo Falcão. “Projeto não é difícil, mas dá trabalho, pois há muitos detalhes e sua elaboração é demorada. Cada semana gasta na elaboração dos detalhes representa meses de tranquilidade na sua implantação”, alerta. Ainda segundo o consultor, os projetos são o meio mais viável e efetivo para instituições que buscam captação de recursos para desenvolvimento de suas atividades e para as empresas patrocinadoras e apoiadoras estabelecer as parcerias. Objetivos realistas e quantificados, com cronograma e orçamento factíveis são características apontadas como essenciais para que projetos desenvolvidos por empresas e enti-

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GERAÇÃO SUSTENTÁVEL

dades do terceiro setor saiam do papel. Além disso, segundo relata Falcão, que durante 11 anos atuou como financiador, a técnica comum a todos que conquistam recursos é a elaboração do projeto certo para o parceiro certo. “O principal é determinar e oferecer o que o financiador quer”, diz. As empresas podem captar recursos nas agências de fomento, via bancos e sócios, enquanto as instituições sem fins econômicos encontram financiadores nos três setores. Entre alguns exemplos de boas parcerias firmadas entre empresas e banco, o melhor exemplo, segundo Falcão, está no BNDES que tem sido o grande parceiro das empresas com baixos juros para projetos socioambientais que visam modernização das empresas para a redução dos impactos ambientais e a maximização dos impactos socioeconômicos. Do outro lado, empresas como a Petrobras, Tigre, Banco Itaú, Banco Santander, Grupo Pão de Açúcar, entre outros, têm muitas parcerias com o terceiro setor.


Planejamento e profissionalização • Instituições que pretendem desenvolver alguma atividade com apoio de recursos de agentes financiadores “precisam entender que projeto é parceria e que uma parceria tem que ser boa para os dois”, destaca Falcão. Além disso, o consultor alerta que elaborar um projeto sozinho sem ouvir as outras áreas envolvidas é uma atividade estéril. “Projeto é planejamento e planejamento é uma atividade coletiva”, destaca. No caso das organizações empresariais e sociais que desejam captar recursos, a profissionalização em todas as suas áreas é essencial. “Uma das grandes preocupações que os financiadores têm é a falta de conhecimento técnico gerencial na maioria das ONGs, em que a função é exercida, muitas vezes, por excelentes técnicos bem intencionados, mas sem formação gerencial”, analisa. Outra orientação importante é que a pessoa responsável pela captação de recursos precisa estar sempre informada do panorama econômico geral e da situação da empresa onde está buscando investimento. "O captador de recursos precisa prestar atenção na situação econômica antes de oferecer projetos às empresas, precisa saber negociar e conquistar. A fidelização de parceiros também é importante. Mostrar profissionalismo dá credibilidade à entidade”, ressalta Falcão. Por que investir? • Se de um lado estão as empresas, indústrias e entidades do terceiro setor buscando recursos para desenvolvimento de seus projetos, de outro estão os agentes financiadores, que são outras empresas, normalmente de grande porte, e os bancos. A orientação para que a empresa tenha segurança de estar investindo em um

bom projeto é considerar que o principal não é o projeto, mas a instituição que deve implementá-lo. Para começar, é necessário que o investidor saiba mais sobre a organização, que deve apresentar seus dados cadastrais em dia e uma estrutura mínima que ofereça segurança no andamento do projeto e na prestação de contas. Além disso, a empresa deve avaliar também os certificados e prêmios conquistados pela instituição, assim como sua missão, experiência na área e no mercado, qualificações da equipe, parceiros e os resultados que já obteve com suas ações e projetos. “Todas essas informações precisam ser sintetizadas em apenas uma página”, destaca Falcão. Outra indicação, principalmente se a entidade na qual o investidor decidiu apostar for desconhecida, é que a duração dos projetos seja de até um ano, pois assim será possível avaliar como é a organização e se presta contas adequadamente. Para avaliar o trabalho, Falcão sugere que sejam feitos acompanhamentos de três em três meses para ver o avanço do projeto e dos objetivos propostos.

Acompanhamento • “Projeto exige acompanhamento”, enfatiza. Não basta investir, é de extrema importância que as empresas valorizarem o dinheiro destinado a ações sociais cobrando resultados e acompanhando de perto a instituição escolhida. “O problema ocorre quando as empresas só deixam o recurso nas instituições e vão embora sem saber dos resultados, da progressão e da melhora obtida. As empresas precisam acompanhar, visitar a instituição, a qual até pode mandar um relatório, mas a empresa precisa conferir”, completa Falcão.

“Projeto não é difícil, mas dá trabalho, pois há muitos detalhes e sua elaboração é demorada. Cada semana gasta na elaboração dos detalhes representa meses de tranquilidade na sua implantação", Ricardo Falcão

GERAÇÃO SUSTENTÁVEL

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Responsabilidade Social

c o r p o r a t i v a

dos Temas Relevantes para Indústrias e Sindicatos: Oficina de Elaboração de Projetos, promovido pelo Serviço Social da Indústria (Sesi) por meio da iniciativa do Núcleo de Indústrias e Sindicatos (NIS) do Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial (CPCE), com o objetivo de mostrar aos profissionais de sustentabilidade como avaliar e desenvolver projetos na área de responsabilidade socioambiental corporativa. No evento, que aconteceu nos dias 24 e 25 de abril, a coordenadora executiva do CPCE, Rosane Fontoura, ressaltou a importância dos eventos realizados pelo NIS e das indústrias se interessarem pelo tema. “As empresas têm um importante papel como protagonistas no desenvolvimento sustentável local quando apoia projetos na área socioambiental. Em nossa visão, o investimento social deve ter foco nas estratégias empresariais e nas necessidades das comunidades atendidas”, explica Rosane.

Investimento Social Privado x Responsabilidade Social • É importante ter em mente que

“As empresas têm um importante papel como protagonistas no desenvolvimento sustentável local quando apoia projetos na área socioambiental. Em nossa visão, o investimento social deve ter foco nas estratégias empresariais e nas necessidades das comunidades atendidas", Rosane Fontoura

investir em projetos não é o mesmo que ter responsabilidade social. Investimento social privado significa investir em projetos de Organizações não Governamentais (ONGs), enquanto responsabilidade social é produzir de forma socialmente responsável, isto é, sem explorar funcionários, sem utilizar trabalho infantil, sem destruir o meio ambiente, entre outras práticas. Uma empresa pode não ter responsabilidade social e investir em projetos. “Há pouco tempo, saiu na mídia uma empresa que fazia investimento em projetos de ONGs, mas explorava trabalho infantil na fabricação de seu produto”, analisa Ricardo Falcão. As empresas devem pensar no investimento social privado da mesma forma e com o mesmo cuidado com que pensam em seu investimento financeiro e tratar a sua área de responsabilidade social com mesmo profissionalismo com que trata as suas outras áreas, colocando à sua frente pessoas capacitadas. “O social não é o determinante em seu negócio, mas, se bem feito, será o diferencial do seu negócio. A globalização tornou tudo muito igual, nesse quadro, o investimento e a responsabilidade social podem reduzir custo, motivar seus funcionários, aumentando a produtividade e dar um destaque à sua empresa e aos seus produtos”, diz.

Oficina • Esses e outros assuntos foram abordados pelo consultor no segundo encontro 34

GERAÇÃO SUSTENTÁVEL

Agentes Financiadores • Além de empresas investidoras, organizações do terceiro setor devem estar sempre atentas às organizações nacionais e internacionais que oferecem recursos, sendo apenas em alguns casos via edital. Entre os agentes financiadores desse tipo, destacam-se fundações, institutos e empresas participantes do GIFE e do Instituto Ethos, as agências bilaterais, como a agência de cooperação técnica da Alemanha GTZ e a agência de cooperação internacional do Japão JICA. Também são financiadoras as agências multilaterais, como a União Europeia, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e as Nações Unidas e suas agências dos quais se destacam o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o UNICEF, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), entre muitos outros. “As principais áreas de interesse costumam ser para projetos com ações para o meio ambiente, geração de renda e para a infância, e não precisamos esperar por editais para captar recursos junto a elas”, lembra Falcão. Inovação • Mais voltado para empresas que desejam captar recursos, um edital nacional de destaque é o Senai Sesi de Inovação. De acordo com a gestora do programa, Daniele Farfus, o edital é uma iniciativa que visa apoiar projetos de pesquisa aplicada em empresas do setor industrial, por meio dos Centros de Tecnologia do SENAI e unidades do SESI, com ênfase em inovações tecnológica e social.


“O Paraná é uma referência nesse Edital, sobretudo em aprovação de projetos submetidos. Para submeter projetos ao edital, é necessária a participação das indústrias e percebe-se, a cada ano, procura maior. Para o Sesi também é interessante avaliar que já temos indústrias parceiras em mais de um projeto”, avalia Daniele. As principais características dos projetos aprovados por esse edital são ideias inovadoras que efetivamente possam ser transformadas em produtos, processos e serviços que agreguem valor às indústrias e que promovam a qualidade de vida do trabalhador. Outro fator importante para as inovações sociais é analisar o potencial de replicabilidade, ou seja, como esses projetos podem ser disseminados em outros contextos. Os critérios de avaliação dos projetos consideram, em linhas gerais, a descrição da inovação proposta e análise de viabilidade econômica e do cenário por meio de apresentação de plano de negócios e contrapartidas econômicas e financeiras aportadas para o desenvolvimento da inovação.

Segundo conta Daniela, quatro projetos do edital de 2011 estão em fase final e sete novos projetos aprovados no Edital 2012 estão em fase inicial. Ainda de acordo com a gestora, o SESI Paraná está de portas abertas para indústrias que queiram desenvolver novas propostas de inovação social. “Um projeto bom é aquele que envolve parcerias estratégicas, que busca desenvolver o novo e que consegue contribuir com o desenvolvimento social durante e após sua aplicação”, lembra. O edital é uma oportunidade para que parcerias efetivas se concretizem entre o SESI/PR e a indústria. De acordo com a gestora do programa, as indústrias estão cada vez mais inserindo nos seus processos a metodologia de gestão por meio de projetos. “Trabalhar por projetos é ter clareza de que determinada ação será desenvolvida em certo período com um objetivo a ser atingido, mensurado e com resultados concretos. Eventos como o do CPCE contribuem para o desenvolvimento das competências técnicas necessárias”, completa Daniele.

“Um projeto bom é aquele que envolve parcerias estratégicas, que busca desenvolver o novo e que consegue contribuir com o desenvolvimento social durante e após sua aplicação", Daniele Farfus

GERAÇÃO SUSTENTÁVEL

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Construções Sustentáveis

Integração e sustentabilidade

desde a concepção do projeto

Fundado em Londrina, Grupo Plaenge é destaque em obras residenciais e industriais Bruna Robassa

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om mais de 40 anos de atuação nos segmentos de incorporação residencial, construção civil, projetos e montagens industriais, o Grupo Plaenge conta com um corpo técnico de cerca de 160 engenheiros e arquitetos. No segmento residencial mais de 60 mil pessoas habitam as mais de 220 torres entregues pela empresa em oito cidades brasileiras, entre elas Curitiba, Londrina, Campo Grande e Cuiabá e também no Chile. Na Divisão Industrial, são obras em 19 estados brasileiros e também na Venezuela. Essa história de sucesso começou na década de 1970, com a construção de uma gráfica em Londrina. Com pouco mais de um ano de existência, a empresa assinou o contrato para execução de uma fábrica de Coca-Cola, o que veio a consolidar a Plaenge para execução de outras obras do gênero e também no mercado. Entre os diferenciais da construtora, há a preocupação com a responsabilidade socioambiental e a sinergia entre arquitetos e engenheiros e demais profissionais que atuam na empresa. De acordo com a gerente regional de Londrina do Grupo Plaenge, Célia Catussi, essa integração e essas preocupações estão presentes desde a concepção do projeto. “O desenvolvimento de um layout, que vise o convívio entre as pessoas, o modo de viver e a distribuição dos ambientes, vem da arquitetura. Os engenheiros têm a técnica e os arquitetos dizem como fazer isso”, explica. Para que os clientes possam conferir esses diferenciais ainda em fase de obra, a empresa monta apartamentos decorados para todos os projetos.

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GERAÇÃO SUSTENTÁVEL

Os empreendimentos são planejados desde o início com uma política ambiental sustentável. Aproveitamento de água da chuva, espaço específico para lixo reciclável, medição individual de água, gás e energia elétrica, além da preocupação com a entrada de luz do sol nos ambientes são alguns exemplos das ações aplicadas nas obras. “Todos os funcionários, tanto os terceirizados como os colaboradores próprios, recebem treinamento não apenas para construir espaços com características sustentáveis, mas, principalmente, para que o processo construtivo esteja alinhado com esses princípios”, conta Célia.

Divisão Industrial • A empresa também atua no segmento industrial, por meio da marca Emisa Plaenge, que possui em seu portfólio obras de grandes empresas. Foi um desses projetos, o da construção de uma fábrica da Coca-Cola, inclusive, o responsável pela consolidação da Plaenge no mercado logo quando foi criada, na década de 1970. No segmento industrial, a preocupação com sustentabilidade é ainda mais forte. Nesse sentido, em 1980, a empresa foi a primeira construtora do Brasil a adotar a reutilização das águas servidas nos chuveiros e nas pias (após tratamento) para abastecer as bacias sanitárias nos vestiários das plantas industriais. A Plaenge também construiu a primeira "Fábrica Verde", com certificação LEED (do inglês Liderança em Energia e Design Ambiental), emitida pelo GBC Brasil - Green BuildingCouncil.


Responsabilidade Ambiental

Cultivando Água Boa: um exemplo de como trabalhar de mãos dadas Programa desenvolvido pela usina de Itaipu mostra como parceria entre sociedade civil e entidades públicas e privadas pode levar à sustentabilidade Karina Kanashiro

E

m novembro de 1982, o Brasil inaugurou uma das mais grandiosas obras arquitetônicas do mundo: a Usina Hidrelétrica Binacional de Itaipu. Construída no Rio Paraná, em parceria entre brasileiros e paraguaios, a usina tem um reservatório que ocupa uma área de oito mil quilômetros quadrados e está localizada em uma região que abrange 29 municípios, com cerca de um milhão de habitantes. Mas o orgulho da engenharia e modelo internacional já foi um problema por causa da degradação que causou ao meio ambiente, na época de sua construção, como, por exemplo, a alteração do leito do rio, que provocou o desaparecimento de habitat de animais e perda de espaços florestais. No entanto, há 10 anos ocorreu uma mudança institucional dentro de Itaipu. Seguindo ampla iniciativa socioambiental, a hidrelétrica criou o programa “Cultivando Água Boa (CAB)” e, muito mais do que gerar energia, a binacional passou a criar soluções sustentáveis para a Bacia Hidrográfica do Paraná III, onde está localizada.

Integração • O programa uniu ações que antes eram desenvolvidas de forma isolada e agregou novos projetos. O resultado hoje é um modelo de integração de 20 programas e 65 ações voltadas à comunidade, que se tornaram referência para outras usinas. Por meio de parcerias com instituições públicas, empresas privadas, e a própria sociedade civil, o Cultivando Água Boa desenvolve ações corretivas, como a recuperação da mata ciliar e de áreas assoreadas, e ações preventivas, como o incentivo à agricultura orgânica. Foi criada, assim, uma verdadeira rede de desenvolvimento sustentável. “O programa estabelece 40

GERAÇÃO SUSTENTÁVEL

uma estreita relação entre o desafio da sustentabilidade planetária, com a realidade e a necessária ação local, a partir de uma visão sistêmica, integral e integrada da relação do homem com seu meio, estabelecendo como novos modos, o de ser/sentir, viver, produzir e consumir.”, explica o diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu, Nelton Friedrich. A Itaipu apostou na introdução de técnicas sustentáveis de produção e seu grande triunfo foi a inclusão social. Partindo do princípio de que somente a educação gera mudança, o programa abriu diálogo com a comunidade e promoveu a conscientização dos moradores da região por meio da educação ambiental. O CAB promove encontros para explicar à população como é seu funcionamento e também chama a atenção para a importância de práticas ambientalmente corretas. Depois a sociedade civil faz um autodiagnóstico, para então ser feito um planejamento das ações. Segundo Friedrich, as pessoas foram estimuladas e houve o despertar para o olhar inovador no cuidado socioambiental ao difundir a prática de pensar e fazer juntos. “Afastou-se a prática do ‘prato feito’ e criamos espaços públicos para discutir, decidir, implementar iniciativas, avaliá-las e corrigir rumos. Abriu-se um horizonte de fecunda participação popular/comunitária, de exercício da cidadania, de florescer de atores sociais, de sujeitos coletivos e de parceria”, afirma o diretor.

Resultados • As ações estão mudando a vida de milhares de pessoas e gerando resultados significativos. Entre elas, destaca-se a destinação inteligente de dejetos de animais, de suínos em


especial, que antes eram jogados diretamente nos afluentes do Rio Paraná e então levados para o reservatório da usina. Com o programa, foram desenvolvidos biodigestores, que transformam o gás metano em energia renovável suficiente para sustentar 170 residências. A energia é consumida nas propriedades que fornecem o esterco, e o que sobra pode ser comercializado. O cultivo de plantas medicinais também é uma ação de sucesso que já capacitou mais de dez mil pessoas, entre médicos, dentistas, agentes de saúde, produtores e merendeiras. Moradores da Bacia Hidrográfica do Paraná III plantam 144 espécies, que são utilizadas até mesmo em postos de saúde dos municípios que participam do programa. Há ainda a coleta solidária com 1.500 catadores que trabalham utilizando carrinhos elétricos doados pela Itaipu, entre outras iniciativas.

Peixes • Outro trabalho de extrema importância para o desenvolvimento das comunidades da Bacia Hidrográfica do Paraná III é o projeto “Produção de Peixe em Nossas Águas” (PPNA), que oferece uma alternativa sustentável à pesca extrativista, para a promoção da sustentabilidade em toda a cadeia produtiva de pescado. A ação envolve as famílias que tiram sustento da pesca, populações ribeirinha e indígena e agricultores assentados, que complementam a renda com a atividade. O PPNA possui 17 ações específicas, que vão desde apoio técnico à atividade até moradia do pescador sem casa própria, e contempla o atendimento a 850 profissionais de colônias e associações de pescadores profissionais artesanais e 153 famílias de indígenas, com cerca de 750 pessoas. O programa apontou áreas adequadas à criação de peixe, necessidades e deficiências locais, e por meio de parcerias também promoveu a capacitação de pescadores e produtores para o manejo sustentável de peixes. O programa, que busca transformar o “pescador” em “aquicultor” e ensinar a comunidade indígena a criar peixes em sistema de tanques-rede, conta com várias parcerias, como o Ministério da Pesca e Aquicultura, Instituto Técnico Federal e Universidade Estadual do Oeste do Paraná, além das prefeituras locais. O reservatório de Itaipu apresenta a capacidade de suporte para produzir sete mil toneladas de peixes nativos (pacu) por ano. Se a atividade for estendida para outras áreas já mapeadas, a produção pode chegar a 16 mil toneladas por ano, o que promoveria ainda mais desenvolvimento social e econômico para a região. Entre os principais resultados do PPNA, destacam-se a instalação de 595 tanques-rede no reservatório para os pescadores e 135 tanques-rede nos municípios de Santa Helena e Foz do Iguaçu para pesquisa; a elaboração de manuais de boas práticas em aquicultura distribuídos aos pescadores; curso de beneficiamento de pele de peixes e apoio ao processamento, e venda de pescado oriundo da pesca e da piscicultura em tanques-rede.


jerÔnimo mendes

Gestão Sustentável

Administrador, Coach Empreendedor, Escritor e Palestrante Mestre em Organizações e Desenvolvimento Local pela UNIFAE

Em 2000,havia quatro veículos para cada grupo de mil habitantes. Em 2010, o número saltou de quatro para quarenta veículos. Em 2035, o número será de 310 automóveis para cada grupo de mil pessoas

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GERAÇÃO SUSTENTÁVEL

Vamos de carro ou de metrô?

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conceito original do Metrô de Chicago, nos Estados Unidos, conhecido como subway, nasceu há 120 anos. O de Boston, há 116 anos. O de Nova Iorque, há 110 anos. Do outro lado do Atlântico, o metrô de Londres, na Inglaterra, também conhecido como tube ou underground, foi concebido há mais de 110 anos, e o de Tóquio, do outro lado do mundo, foi oficialmente inaugurado há mais de 80 anos. Em diferentes países do mundo, os chamados desenvolvidos, a história do metrô teve evolução gradual, porém, mais sólida e mais acelerada do que em outros países do globo, até há pouco tempo considerados subdesenvolvidos. Historicamente, há mais de 100 anos, muitos países já previam o crescimento exponencial da população e os problemas decorrentes da ocupação desordenada das metrópoles e, com base nisso, foram capazes de mobilizar recursos na tentativa de amenizar o problema. Por tudo isso, é fato que a humanidade ainda não sabe lidar com as consequências do desenvolvimento industrial nada sustentável e o apetite voraz do ser humano por mais poder, dinheiro e bens materiais. Na prática, as forças da globalização são muito claras: o mercado é implacável, tudo precisa crescer, inclusive o número de veículos nas ruas, caso contrário, o que seria das grandes corporações? Do ponto de vista econômico, queremos o melhor para nós mesmos, seja por meio do conforto e da realização pessoal. Do ponto de vista filosófico, são poucos os que estão dispostos a abrir mão da comodidade provocada pela satisfação de dirigir o seu próprio veículo em benefício da coletividade, da preservação dos recursos naturais, da qualidade do ar, das gerações futuras. Para a maioria, o que importa é o momento, pois não estará aqui quando o caos da mobilidade estiver consolidado. De acordo com levantamento realizado pela Agência Internacional de Energia, com sede em Paris, a frota mundial de veículos deverá chegar a 1,7 bilhão de unidades em 2035, capitaneada pela crescente demanda do mercado chinês, cuja frota atual gira em torno de 60 milhões de veículos. Em menos de trinta anos, a frota chinesa deverá alcançar a incrível marca de 400 milhões de unidades. Alguém consegue imaginar onde serão encontrados estacionamentos, estradas, ruas, garagens e recursos naturais imprescindíveis para produzir e acomodar tudo isso? Imagine se cada

cidadão chinês, indiano, paquistanês, africano ou mesmo brasileiro tiver a mínima pretensão de adquirir o seu próprio veículo. Seria um direito universal, afinal, não somos todos iguais? Para se ter a mínima ideia do desafio a ser enfrentado, segundo dados da mesma Agência, em 2000, havia quatro veículos para cada grupo de mil habitantes. Em 2010, o número saltou de quatro para quarenta veículos a cada mil pessoas e, em 2035, o número será de 310 automóveis para cada grupo de mil pessoas. No Brasil, os programas de mobilidade urbana promovidos pelo Governo Federal têm como bandeira principal a inclusão social e a cidadania por meio da universalização do acesso aos serviços públicos de transporte coletivo. Seria fantástico se não houvesse um forte componente político capaz de emperrar a máquina administrativa ao ser confrontado com interesses particulares. Exemplos práticos disso são o do Metrô de Fortaleza, o qual levou treze anos para circular com a primeira linha desde que foi emitida a ordem de serviço para o início das obras, e o de Curitiba, uma novela que se arrasta há mais de vinte anos nos bastidores da Prefeitura Municipal e dos órgãos de apoio, preocupados com o impacto ambiental atual em vez de se preocupar com o impacto ambiental do futuro. Por outro lado, existe sempre alguém reivindicando a autoria, porém, o tempo de mandato não é suficiente para concluir o projeto nem a obra, tamanha a discussão gerada em torno do assunto. Além do mais, não seria inteligente, do ponto de vista político, executar uma obra e transferir o gostinho da inauguração para o próximo candidato. A questão é complexa e o “peixe está sobre a mesa”, como se diz na Sicília. Para limpá-lo e transformá-lo em benefício da coletividade mundial, é necessário repensar o termo cunhado pelo Professor e Físico brasileiro José Goldemberg, “as forças ocultas da globalização”, que empurram nossa sociedade para um futuro incerto. Na minha humilde opinião, o mercado nem sempre determina a regra, nem tudo tem de crescer e, por fim, nem toda tecnologia está a serviço da coletividade humana. O viés econômico é importante, mas pode ter consequências irreversíveis. O viés filosófico fica por conta da evolução humana e passa pela seguinte questão: na prática, quem é que vai abrir mão do quê? Pense nisso, pense sustentável!


Desenvolvimento Local

Aliança Paraná

Sustentável

Articulação entre governo, setor privado, sociedade civil e academia busca desenvolvimento justo, inclusivo, sustentável e cultura de paz no Paraná Bruna Robassa

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roporcionar um ambiente favorável para a articulação e atuação de agentes na capacitação, organização e promoção do desenvolvimento justo, inclusivo e sustentável e da cultura de paz em todo o Estado do Paraná é o principal objetivo da Aliança Paraná Sustentável. O programa, criado há cerca de dois anos por iniciativa do Instituto Arayara, busca, desse modo, resgatar valores e potencialidades dos cidadãos, das localidades, dos municípios e das regiões em favor da prosperidade e qualidade de vida dos paranaenses. A Aliança está alinhada com os princípios do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) e tem a parceria e o suporte institucional do Programa de Cidades do Pacto Global. “Cada uma das 25 entidades signatárias do programa tem como tarefa contribuir com a aliança, mostrando de que forma as cidades podem se tornar melhores em suas diversas esferas”, diz o Global Advisor do Programa de Cidades do Pacto Global da ONU, Eduardo Manoel Araújo. A aliança é constituída por pessoas, organizações e instituições que atuam em prol do planeta e das gerações futuras em uma aliança que abrange dois pilares: o desenvolvimento justo, inclusivo e sustentável e a cultura de paz. De acordo com Araújo, o desenvolvimento justo é aquele que é bom para todos, o inclusivo compreende a participação de todos e o sustentável é a favor da vida. A construção de uma cultura de paz é um processo de cooperação e de valorização das pessoas, com base na sua condição humana básica, com respeito à sua diversidade, às suas crenças, aos seus valores. “A cultura de paz busca o melhor do ser humano para que as famílias e as cida-

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des possam viver em harmonia e o planeta possa ter uma melhor condição de vida”, explica Araújo. O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná (CAU/PR) é um dos signatários da aliança e faz parte do secretariado regional. “Podemos dizer que o Conselho está contribuindo para que a aliança aconteça, assim como os demais integrantes”, diz Araújo. A principal contribuição do CAU/PR, nesse programa, é a avaliação da qualidade dos planos diretores das cidades, que faz parte dos projetos que envolvem os municípios do Paraná. Todo esse processo traz diversos benefícios para os diferentes públicos da sociedade. Para os empresários, repercute em melhoria de renda da comunidade e consequente ampliação de mercado, acesso à rede de potenciais investidores, acesso à infraestrutura, à tecnologia e ao fomento e às oportunidades de inovação e desenvolvimento de vantagens competitivas. Para o terceiro setor, os benefícios são favorecimentos de recursos e financiamentos para projetos, acesso à rede de parceiros, entre outros. Para a academia, essa articulação traz oportunidades de inovação e ganhos em vantagens competitivas com currículo e formações diferenciadas e oportunidades de pesquisa e acesso à tecnologia e inovação. A aliança também traz benefícios para o Governo, entre eles a possibilidade de compreensão sistêmica da realidade e da necessidade local, aumento da capacidade de execução e resultados e maior efetividade na criação de políticas públicas e projetos (informação e demanda). O programa Aliança Paraná Sustentável está aberto a novos signatários que tenham interesse em participar desse processo.


Desenvolvimento Social

Caixa apoia empreendimentos habitacionais sustentáveis Redução dos impactos da obra no meio ambiente e educação ambiental dos moradores estão entre os objetivos do Programa Construções Sustentáveis

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Caixa Econômica Federal, como o principal agente financiador no segmento da habitação, promove a expansão de habitações sustentáveis pelo Programa de Construções Sustentáveis. O projeto se baseia no conceito de sustentabilidade dos empreendimentos, que integra aspectos econômico-financeiros, físicos, culturais e socioambientais, ou seja, traz o desafio de construir cidades sustentáveis que proporcionem a inclusão de todos os seus moradores com boas condições de vida. Entre as variáveis socioambientais, a Caixa busca minimizar os impactos da obra no meio ambiente, aproveitar os recursos naturais do ambiente local, realizar a gestão e economia de água e energia na construção, promover o usoracional dos materiais de construção, arborizar e estimular o plantio de árvores nos terrenos, promover a coleta e a reciclagem dos resíduos sólidos nos empreendimentos, adotar soluções para a melhoria do conforto interno das habitações e promover a educação ambiental dos moradores. As ações são executadas pelos proponentes de financiamentos habitacionais e se destacam o Selo Casa Azul Caixa e a Ação Madeira Legal.

Selo Casa Azul • O Selo Casa Azul é uma metodologia de classificação socioambiental de projetos de empreendimentos habitacionais financiados pela Caixa. O Selo é o primeiro sistema de classificação da sustentabilidade de projetos habitacionais ofertado no Brasil e desenvolvido para a realidade da construção habitacional brasileira. São 53 ideias sustentáveis que podem ser incorporadas aos projetos na sua concepção. Para a concessão do selo, a Caixa analisa cri46

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térios agrupados em seis categorias: Qualidade Urbana, Projeto e Conforto, Eficiência Energética, Conservação de Recursos Materiais, Gestão da Água e Práticas Sociais. O Selo possui três níveis de graduação: bronze, prata e ouro. O Selo é voluntário e pode ser pleiteado por construtoras, prefeituras, incorporadoras, companhias de habitação, associações e cooperativas.

Madeira Legal • A ação Madeira Legal é um conjunto de medidas articuladas que objetivam o monitoramento do uso de madeiras de origem legal em obras e empreendimentos habitacionais financiados pela Caixa. O projeto visa estimular o uso de madeiras nativas oriundas de áreas licenciadas pelo órgão ambiental competente e evitar o uso de madeiras vindas de áreas ilegais. A ação consiste na exigência de apresentação, até o final da obra, do Documento de Origem Florestal (DOF) das madeiras nativas utilizadas nas obras de empreendimentos habitacionais financiados pela Caixa. O projeto foi resultado de parceria entre a Caixa, o IBAMA e o Ministério do Meio Ambiente e teve inicio em janeiro de 2009. Linha de crédito Ecoeficiência Empresarial • Em encontro à postura de responsabilidade socioambiental, a Caixa criou uma linha de crédito abrangente, composta por vários produtos de crédito PJ com o objetivo de financiar o setor empresarial para melhorar os seus processos produtivos, economizando matérias-primas e insumos, principalmente, água e energia, além de financiar projetos de geração de energias sustentáveis, transporte eficiente e gestão de resíduos.


Rafael Giuliano

Talentos Voluntários

Voluntário e pesquisador de novas interações de aprendizagem

Algumas empresas têm descoberto o potencial de gerar engajamento dos seus programas de voluntariado, de tal forma que passaram a ser vistos como um dos elementoschaves na retenção de talentos

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Engajando e

cultivando talentos

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lá! Na edição passada, busquei enfatizar as oportunidades de aprendizagem e o desenvolvimento de novas habilidades e competências, tanto para pessoas quanto organizações envolvidas em iniciativas voluntárias, adquiridas por meio da capacitação para as ações ou pela própria experiência de participar de algo que valoriza aquilo que temos de melhor para oferecer ao outro. Algumas pessoas me procuraram após ler o último artigo, questionando sobre o que era necessário para que as pessoas participassem de maneira mais efetiva dos projetos de voluntariado nas organizações. Eu mesmo já havia me perguntado isso outras vezes e, particularmente, tinha algumas ideias a esse respeito, porém, decidi conversar com quem vivencia essa realidade diariamente, a fim de obter algumas respostas, ou novas perspectivas. A grande maioria dos voluntários com quem conversei apontaram a importância de se “acreditar na causa” para poder se envolver plenamente numa iniciativa. Além disso, uma pesquisa realizada pela Nossa Causa - Agência de Transformação Social, coordenada por Amanda Riesemberg Ferreira, revelou que 58% dos participantes têm interesse em se voluntariar “ensinando o que sabem”, mas não se trata de transferir apenas conhecimento, os voluntários desejam compartilhar valores. Em meus diálogos, fiz três descobertas interessantes sobre o envolvimento dos colaboradores de empresas em iniciativas voluntárias. A primeira é a de que o projeto ou a proposta precisa estar alinhado, de alguma forma, à Proposta de Valor da organização, ao seu propósito real, a fim de que não pareça mero “marketing de oportunismo”. A segunda diz respeito aos valores da causa na qual se pretende atuar e que precisam estar alinhados àqueles compartilhados pelos voluntários, o que gera o engajamento com a ação. Por fim, percebi que quando os voluntários têm a oportunidade de realizar ações que envolvam seus

talentos e saberes passam a se sentir mais empoderados para agir e fazer a diferença. Lições aprendidas por algumas organizações, como a Unimed Curitiba que vem se posicionando como uma organização não apenas da área de saúde, mas também com foco no cuidado com as pessoas, propósito expresso em seus valores e na escolha das suas causas e projetos, como a contação de histórias no Hospital Pequeno Príncipe, realizada no Dia Internacional do Voluntariado, comemorado sempre no dia 05 de Dezembro. A ação envolve os colaboradores e seus talentos para criar e compartilhar histórias, inspirando e encorajando as crianças internadas, o que também é um exercício de cuidado com a saúde. Na edição de 2012, havia a oportunidade para vinte participantes e foi preciso fazer um sorteio, pois o número de interessados ultrapassou o limite permitido pelo próprio hospital, segundo Kátia Lessa, responsável pelo Núcleo de Responsabilidade Social. Algumas empresas têm descoberto o potencial de gerar engajamento dos seus programas de voluntariado, de tal forma que passaram a ser vistos como um dos elementos-chaves no cultivo (retenção) de talentos, desafio recorrente nos dias atuais. O voluntariado pode ser mais do que uma iniciativa de contribuição com a sociedade, tornando-se um reencontro entre os valores da organização e dos seus colaboradores, um novo alinhamento que permite redescobrir e valorizar os talentos das pessoas e a proposta de valor da empresa, sua verdadeira razão social, como diria Mario Sergio Cortella. Escrevendo este artigo, aprendi o quanto as pessoas sentem o desejo de fazer parte de algo maior, de real valor! E essa é a oportunidade para que empresas tirem do quadro na parede os seus valores e os tornem as ações de que o mundo tanto precisa. Nós temos o talento necessário. Basta agora criar as oportunidades de realizar!


DHARMA

CIVITAS Responsabilidade Social

“Responsabilidade Social não são palavras. São ações”. Instituto Ethos

A Responsabilidade social é diferencial competitivo na estratégia de negócio de uma organização bem sucedida e orientada para o desenvolvimento sustentável. A Civitas Consultoria e Treinamento, pode ajudar a orientar e implementar a gestão em Responsabilidade Social na sua empresa e seus respectivos projetos. Se você está pensando em seguir este caminho, fale conosco e veja de que forma podemos construir valor para seu negócio. Nossos serviços:

Diagnóstico, Treinamento e Gestão em Responsabilidade Social

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(41) 3274 7677


IVAN DE MELO DUTRA

Ser Sustentável

Arquiteto e Urbanista e Mestre em Organizações e Desenvolvimento

A ideia da sustentabilidade deve estar presente em todas as etapas, desde a concepção do projeto até a liberação da obra para o uso das pessoas.

Arquitetura sustentável: um processo

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uando nos referimos à arquitetura sustentável, na maioria das vezes e para a maioria das pessoas, chegam-nos à mente imagens de construções de madeira reciclada integradas a ecossistemas ou camufladas sob grandes tetos-jardins. Fato normal, uma vez que as primeiras associações da arquitetura com a sustentabilidade em nosso país confundiam-se com o caos da arquitetura e com a desordem das grandes cidades brasileiras. Da arquitetura modernista dos anos 30 aos 60 do século passado aos dias de hoje, a ideia de arquitetura sustentável se expandiu, assim como o conceito de sustentabilidade, que, a partir de Strong e Sachs ganhou novas dimensões, além da ambiental e da econômica. Em todo o mundo, percebeu-se, com o passar dos anos, que a ideia da utilização de grandes caixas de vidro nas construções favoreciam a beleza arquitetônica na mesma proporção em que implicavam grande aumento no consumo de energia, principalmente por sistemas de refrigeração do ar. Importante registrar que nada tenho contra o international style das caixas de vidro, mas que elas sejam projetadas e construídas em países menos privilegiados pela energia solar que o nosso. Nossa arquitetura colonial já nos ensinava isso, ao empregar alvenaria e coberturas de barro, em construções bem ventiladas, com seus pés direitos generosos. No Brasil, desde o período da arquitetura bioclimática e do conforto ambiental proporcionados pelos cobogós cerâmicos de Lúcio Costa ou dos sheds de Lelé Filgueiras aos dias atuais, a noção de sustentabilidade em arquitetura transportou-se do uso de determinada tecnologia ou do emprego de determinado material reciclado para uma visão de um processo construtivo sustentável. Para isso, vale desde a economia de papel na fase do projeto à redução do deslocamento das pessoas, principalmente nos centros urbanos.

Sustentabilidade em todas as etapas Independentemente do estilo arquitetônico ou do local onde esteja localizada a construção, cada vez mais os profissionais de arquitetura buscam selos de processos produtivos sustentáveis junto aos fornecedores de materiais de construção. A preocupação com a distância entre o endereço do fornecedor e a obra também tem 50

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sido uma constante, assim como a contribuição que seus produtos, considerados em toda a sua cadeia produtiva, dão para a sustentabilidade do planeta. Essa é uma tendência mundial e irreversível. Em alguns países, como a Austrália, há muitos anos, todas as prefeituras exigem que os projetos arquitetônicos sigam normas visando o que chamam de edificações ambientalmente sustentáveis ou do eco design. Há alguns meses, essa preocupação tomou ares mais urbanos, com o planejamento ‘Sidnei 2030’. É bem verdade que, atendendo a apelos do mercado imobiliário, muitos projetos e construções se dizem sustentáveis apenas por armazenar água pluvial, sem que tenham a menor preocupação com outras dimensões da sustentabilidade. É apenas a presença da lógica do capital e a agilidade do capitalismo em capturar demandas da sociedade se manifestando, mais uma vez, ora na dimensão social da sustentabilidade, como no Programa Minha Casa Minha Vida do governo brasileiro, ora na dimensão ambiental, como no caso de condomínios concebidos como verdadeiros parques. Uma nova construção, para ser sustentável, deve ter ou oferecer bem mais do que a canalização de águas de chuva para caixas de água de serviço, uso de elementos de vedação feitos a partir das reciclagens de materiais descartados ou mesmo o emprego de painéis solares ou fotovoltaicos para geração de parte da energia. A ideia da sustentabilidade deve estar presente em todas as etapas, desde a concepção do projeto até a liberação da obra para o uso das pessoas. A atividade dos arquitetos, aliás, já traz grande vantagem nesse aspecto, pois esses profissionais lidam essencialmente com o planejamento, que é um dos pilares da sustentabilidade. A arquitetura sustentável, segundo a arquiteta e professora Joana Gonçalves, é aquela que busca a igualdade social por meio da valorização da eficiência econômica e da maior redução do desperdício e do impacto ambiental causado pela construção, nas soluções encontradas tanto na fase de projeto quanto de construção, garantindo competitividade e melhoria de qualidade de vida aos homens e às cidades. Enfim, que contribua para o desenvolvimento da sociedade.


MBA em Construções Sustentáveis - 480h Certificação Ambiental de Edificações

CURITIBA-PR - TURMA III Diferenciais do Curso: • Único reconhecido, aprovado e coordenado pelo GBC Brasil; • Único com Visitas Técnicas a Green Buildings Certificados com o GBCB; • Disciplinas com Professores que atuam no mercado com Certificação LEED; • Curso de maior sucesso no País na área, com 21 turmas realizadas em 14 capitais; • Nível de aprovação dos Professores superior a 95%; • Inclui a Disciplina preparatória para a Prova Profissional de LEED GA/LEED AP; • Aulas em um final de semana por mês; • Profissionais Especialistas formados pelo curso têm destaque no site do GBC Brasil e descontos em conferencias e feiras do GBC Brasil. Realização:

INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES: INBEC: INSTITUTO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO CONTINUADA IAB-PR - INSTITUTO DE ARQUITETOS DO BRASIL DEPARTAMENTO DO PARANÁ Av. Batel nº 1750 - sala 307 B - Batel - Cep: 80.420-090 - Curitiba-PR Fones: (41) 3243-6464 | 8445-6169 | iabpr@iabpr.org.br | Inscrições pela Internet: www.inbec.com.br


Edição 33 - Revista Geração Sustentável | Arquiteto Empreendedor  

Edição 33 da Revista Geração Sustentável sobre Arquitetura. A edição traz exemplos de arquitetos empreendedores e outras matérias corporativ...

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